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Numero do processo: 16045.720019/2016-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelos acusados e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE.
Mantém-se a multa por infração qualificada quando reste comprovado o intuito de fraude.
Numero da decisão: 1401-002.310
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelos acusados e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste comprovado o intuito de fraude. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 72 00 19 /2 01 6- 65 Fl. 240DF CARF MF 2 Relatório Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Decisão de Piso, com os nossos acréscimos. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuouse o lançamento de ofício, relativo ao anocalendário de 2012, arbitrandose o lucro da empresa, tendo em vista que, sendo intimada, ela não transmitiu a Escrituração Contábil Digital (ECD). Foram lavrados os seguintes autos de infração: O enquadramento legal para o lançamento dos tributos encontrase descrito nos autos de infração. Consta no Relatório Fiscal que a contribuinte faturou, em 2012, com a venda de produtos o montante de R$ 163.357.020,54, conforme se constata da análise das Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) emitidas naquele ano com o CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) n° 5102 (Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros), 5123 (Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros remetida para industrialização, por conta e ordem do adquirente, sem transitar pelo estabelecimento do adquirente), 5922 (Lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura), 6102 (Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros), 6109 (Venda de produção do estabelecimento, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comercio), 6123 (Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros remetida para industrialização, por conta e ordem do adquirente, sem transitar pelo estabelecimento do adquirente) e 6922 (Lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura), baixadas por meio do programa Receitanet BX. No entanto, não foram efetuados quaisquer recolhimentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins referentes ao ano de 2012, conforme Extrato de Pagamento desse período juntado aos autos. Relatou a fiscalização que a receita bruta de 2011 superou o limite de R$ 48.000.000,00, obrigando a fiscalizada à tributação com base no lucro real no ano de 2012, conforme disposto no artigo 14, inciso I, da Lei 9.718 de 27/11/1998. Uma vez sujeita à tributação do imposto de renda com base no Lucro Real no ano de 2012, a fiscalizada também estava obrigada a adotar a ECD referente a 2012, conforme disposto no artigo 3º, inciso II, da Instrução Normativa n° 787 de 19/11/2007. Entretanto, mesmo obrigada a adotar a ECD referente ao ano de 2012, constatouse, antes do início da ação fiscal, que a aludida escrituração não havia sido transmitida ao Sped. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 16045.720019/201665 Acórdão n.º 1401002.310 S1C4T1 Fl. 241 3 Constatouse também que não tinham sido enviadas DIPJ e Dacon do ano de 2012 e DCTF do período de 02/2012 a 12/2012 (tinha enviado DCTF referente a apenas 01/2012, informando como débito apurado somente IRRF – Imposto de Renda Retido na Fonte). Sendo intimada, a fiscalizada não transmitiu a DIPJ e a ECD atinentes ao ano de 2012, tampouco efetuou qualquer recolhimento de IRPJ e CSLL. A fiscalização, então, arbitrou o lucro da empresa com base na receita bruta referente às operações de vendas de produtos concernentes às Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) emitidas pela fiscalizada no período de 01/2012 a 12/2012, discriminadas no Anexo I do Relatório Fiscal, nos seguintes valores mensais: Foi aplicada a multa qualificada de 150%, pelo fato de que mesmo a fiscalizada tendo auferido em 2012 receita no montante de R$ 163.357.020,54, não enviou a ECD (Escrituração Contábil Digital), que estava obrigada a adotar, a DIPJ e Dacon, concernentes ao ano de 2012, e a DCTF do período de 02/2012 a 12/2012, o que demonstra o seu intuito de dolosamente omitir da autoridade fazendária o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza, suas circunstâncias materiais e suas condições pessoais de contribuinte capazes de afetar a obrigação tributária principal. Ainda com a intenção de dolosamente omitir da autoridade fazendária o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, no período de 2012, a fiscalizada, mesmo depois de intimada por meio do citado Termo de Início de Ação Fiscal a transmitir a ECD e a DIPJ de 2012, não as transmitiu, ficando caracterizada a sonegação disposta no aludido artigo 71 da Lei n° 4.502/64. Notificada da autuação, a contribuinte ingressou com a impugnação de fls.175 a 185, na qual alega: Fl. 242DF CARF MF 4 ● Nulidade do auto de infração, que se fundamentou em levantamento fiscal realizado de forma precária, por meio de mera amostragem. O fisco deveria analisar especificadamente todos os documentos da empresa. Os Autos de Infração devem ser reformados porque estão nitidamente viciados, uma vez que houve o cerceamento do direito de defesa da autuada, tendo em vista que a fiscalização não demonstrou adequadamente as razões jurídicas necessárias para a realização do lançamento do IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e COFINS. Como se não bastasse isso, a fiscalização não demonstrou de forma clara e precisa como chegou aos valores exigidos no auto de infração, impedindo que a impugnante compreendesse se realmente deve pagar as quantias exigidas. ● O fato gerador que daria ensejo à aplicação da multa qualificada não foi adequadamente tipificado pela fiscalização. No Relatório de Atividade Fiscal, onde não há indicação se as pretensas operações simuladas caracterizariam efetivamente sonegação, fraude ou conluio. Em razão disso, a impugnante não tem como se defender da capitulação da pena que está lhe sendo aplicada, razão pela qual deve ser cancelada. Em princípio, há de se afastar as alegações de qualquer operação simulada, tendo em vista os argumentos já expostos. Isso porque a impugnante jamais agiu com máfé, tendo me vista que esta recolhe seus tributos regularmente. De qualquer forma, tais atos não configuram conluio, fraude ou sonegação, uma vez que não houve nenhuma conduta dolosa elemento típico e indispensável para a caracterização da multa punitiva de 150% consoante expressamente já definiu o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ademais, cabe destacar que é entendimento pacífico na jurisprudência administrativa que o simples fato de haver autuação decorrente de omissão de receita não dá ensejo à imputação da multa de ofício. ● Todavia, a cobrança de multa não deve ser utilizada como forma confiscatória do patrimônio do contribuinte, competindo aos julgadores analisar o caso em concreto e limitar as penalidades impostas. Nesse sentido, a Constituição Federal, em seu artigo 150, inciso IV, veda que o tributo seja utilizado como forma de confisco, tendo a jurisprudência firmado o entendimento de que tal artigo também se estende para as multas aplicadas. Analisando as alegações do auto de infração em confronto com os argumentos de defesa, a Delegacia de julgamento proferiu a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consideramse definitivas, na esfera administrativa, as matérias que não tenham sido expressamente contestadas. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 16045.720019/201665 Acórdão n.º 1401002.310 S1C4T1 Fl. 242 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelos acusados e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste comprovado o intuito de fraude. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do recurso o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual aduz as seguintes alegações: Da Nulidade do Lançamento realizado por amostragem. Da busca da Verdade Material no processo administrativo. Alega desobediência ao princípio da verdade material por parte da autoridade lançadora em razão dos documentos estarem à disposição desta desde o início da fiscalização. Não seria portanto possível ao fisco realizar lançamento por amostragem sem buscar o princípio em questão. Fl. 244DF CARF MF 6 Inexistência de Fraude. Ausência de dolo capaz de justificar a aplicação da multa qualificada. Alega que a simples não apresentação de suas declarações não pode caracterizar fraude passível que qualificação da multa. Entende que emitiu regularmente suas notas fiscais por meio do SPED e movimentou regularmente sua conta bancária, assim, não teria incidido em fraude. Alega que o fiscal presumiu a existência de fraude e que o próprio julgamento pela DRJ informa que a simples omissão das declarações não caracteriza a fraude. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Em primeiro lugar apresento a esta turma julgadora um fato verificado na análise do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Verificamos, após análise sumária do processo que a peça recursal, que esta não foi devidamente subscrita pelo patrono da empresa. Esta falha procedimental poderia ter sido suprida pela própria delegacia de origem que não verificou esta falha e por este relator, que não a percebeu anteriormente. No entanto, analisando a peça recursal podese entender que apesar de não estar subscrita pelo patrono, como esta falha não lhe causa nulidade, haja vista que pode ser suprida posteriormente, entende este julgador que podemos aceitar a peça recursal, mesmo sem a subscrição, e passar à sua análise em atendimento ao princípio da economia processual e ainda mais tendo em vista que tendo sido realizada a juntada por meio eletrônica, necessariamente alguém legalmente habilitado pela empresa fez a solicitação, razão pela qual devemos aceitar o recurso interposto. Da análise do recurso voluntário interposto, passemos a ver os pontos levantados no mesmo. Da Nulidade do Lançamento realizado por amostragem. Da busca da Verdade Material no processo administrativo. Aduz o recorrente que o lançamento seria nulo, posto ter sido realizado sem a busca da verdade material. Alega que os documentos ficaram à disposição da autoridade Fl. 245DF CARF MF Processo nº 16045.720019/201665 Acórdão n.º 1401002.310 S1C4T1 Fl. 243 7 lançadora e que esta, mesmo assim, realizou o lançamento com base em amostragem e que, por isso, incorreu em nulidade ao não atender ao princípio da verdade material. Ocorre, no entanto, que em primeiro lugar, a fiscalização não foi realizada por amostragem e, em segundo lugar, os livros fiscais obrigatórios da empresa devem ser apresentados por meio da escrituração eletrônica, conforme o trecho abaixo do TVF: ARBITRAMENTO DO LUCRO – RECEITA BRUTA NA REVENDA DE MERCADORIAS – FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL O artigo 530, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), dispõe que o imposto de renda será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, conforme abaixo transcrito: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Conforma já assinalado, uma vez sujeita à tributação do imposto de renda com base no Lucro Real no ano de 2012, a fiscalizada também está obrigada a adotar a ECD referente a 2012, que compreende a versão digital dos livros atinentes à escrituração comercial, quais sejam, Livro Diário, Livro Razão e Livro Balancetes Diários e Balanços, conforme disposto no artigo 2º, incisos I, II e III, e no artigo 3º, inciso II, da Instrução Normativa nº 787 de 19/11/2007, abaixo transcritos: Art. 2º A ECD compreenderá a versão digital dos seguintes livros: I – livro Diário e seus auxiliares, se houver; II – livro Razão e seus auxiliares, se houver; III – livro Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos. (...) Art. 3º Ficam obrigadas a adotar a ECD, nos termos do art. 2º do Decreto nº 6.022, de 2007: (...) II – em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2009, as demais sociedades empresárias sujeitas à tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Real. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009)(destaque nosso) Fl. 246DF CARF MF 8 A empresa sob fiscalização foi regularmente intimada a transmitir Escrituração Contábil Digital referente ao anocalendário de 2012 ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), consoante o Termo de Início de Ação Fiscal, anexado aos autos, mas não a transmitiu até a presente data. Ora, verificandose a legislação em vigor os livros fiscais obrigatórios DEVEM ser apresentados por meio do SPED, tendo em vista a evolução da escrituração eletrônica, a implantação das notas fiscais eletrônicas e da ECD. Assim, não basta ao contribuinte afirmar que os documentos estavam á disposição da fiscalização. Não era apenas esta sua obrigação. Os documentos de suporte da contabilidade poderiam ser requisitados pela fiscalização para fins de comprovação dos registros que deveriam estar escriturados na ECD. Assim, após a análise da escrituração da empresa é que os documentos poderiam ser requisitados para análise, não o contrário. O que a empresa pretende, em verdade, é simplesmente ignorar a existência da obrigação de realizar e apresentar a escrituração digital a fim de obrigar a fiscalização a fazer seu trabalho com base nos documentos e sem utilizar as ferramentas eletrônicas atualmente disponíveis. Por isso a fiscalização considerou não apresentados os livros obrigatórios e, por isso, foi realizada a apuração pela sistemática do lucro arbitrado. Ao contrário do que alega o contribuinte, a verdade material foi buscada e a este faltou cumprir suas obrigações tributárias acessórias, como a de apresentar a ECD e suas declarações. Não o fazendo, este motivou o arbitramento pelo descumprimento de seu ônus e, assim, não há que se falar em nulidade da autuação. Assim, voto por negar provimento a esta preliminar de nulidade. Inexistência de Fraude. Ausência de dolo capaz de justificar a aplicação da multa qualificada. Alega que a simples não apresentação de suas declarações não pode caracterizar fraude passível que qualificação da multa. Entende que emitiu regularmente suas notas fiscais por meio do SPED e movimentou regularmente sua conta bancária, assim, não teria incidido em fraude. Alega que o fiscal presumiu a existência de fraude e que o próprio julgamento pela DRJ informa que a simples omissão das declarações não caracteriza a fraude. Em relação à qualificação da multa assim se pronunciou a fiscalização com relação aos motivos que levaram ao incremento da multa de ofício. MULTA QUALIFICADA A multa qualificada tem como embasamento legal o artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 247DF CARF MF Processo nº 16045.720019/201665 Acórdão n.º 1401002.310 S1C4T1 Fl. 244 9 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela MP nº 351/07, convertida na Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela MP nº 351/07, convertida na Lei nº 11.488, de 2007) (...) Do texto de lei acima transcrito, verificase que a multa qualificada será aplicável sempre que o AuditorFiscal constatar que o sujeito passivo praticou uma ação que se enquadre em uma das hipóteses previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. O artigo 71 da Lei nº 4.502/64 dispõe acerca da sonegação, consoante abaixo transcrito: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. No presente caso, conforme já asseverado, antes do início da ação fiscal, constatamos que a fiscalizada tinha emitido Notas Fiscais eletrônicas (NFe) referentes à venda de produtos no período de 01/2012 a 12/2012 consistentes no montante R$ 163.357.020,54 (cento e sessenta e três milhões e trezentos e cinquenta e sete mil e vinte reais e cinquenta e quatro centavos). Constatamos também que não havia nenhum recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins referentes ao ano de 2012. Não obstante a fiscalizada ter auferido em 2012 o montante de R$ 163.357.020,54 (cento e sessenta e três milhões e trezentos e cinquenta e sete mil e vinte reais e cinquenta e quatro centavos) com a venda de produtos, não tinham sido enviadas por ela a ECD (Escrituração Contábil Digital), que estava obrigada a adotar, a DIPJ (Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica) e Dacon (Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais), concernentes ao ano de 2012, e a DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período de 02/2012 a 12/2012, o que demonstra o seu intuito de sonegar, vale dizer, de dolosamente omitir da autoridade fazendária o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza, suas Fl. 248DF CARF MF 10 circunstâncias materiais e suas condições pessoais de contribuinte capazes de afetar a obrigação tributária principal. Ainda com a intenção de dolosamente omitir da autoridade fazendária o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, no período de 2012, a fiscalizada, mesmo depois de intimada por meio do citado Termo de Início de Ação Fiscal a transmitir a ECD e a DIPJ de 2012, não as transmitiu até a presente data. Portanto, em função de termos constatado que, antes de se iniciar a ação fiscal em questão, a fiscalizada tinha auferido em 2012 o vultoso montante de R$ 163.357.020,54 (cento e sessenta e três milhões e trezentos e cinquenta e sete mil e vinte reais e cinquenta e quatro centavos) com a venda de produtos e, evidentemente de forma dolosa, não tinha transmitido a Escrituração Contábil Digital e as supracitadas declarações obrigatórias atinentes àquele ano (DIPJ, Dacon e DCTF), documentos imprescindíveis para o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal e das condições pessoais da fiscalizada suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal, inferimos que restou caracterizada a sonegação disposta no aludido artigo 71 da Lei nº 4.502/64. Por isso mesmo, aplicamos a multa qualificada prevista no sobredito § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 consistente no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). Tenho por entendimento pessoal me posicionado normalmente contra a qualificação da multa quando não demonstrada a existência de atos que possam se caracterizar nas hipóteses dos arts. 71 a 73 da lei nº 4.502/64. No caso em questão a qualificação da multa como decorrência da não apresentação da ECD e de diversas declarações da empresa me parece razoável. Não estamos aqui a tratar de uma pequena empresa, que por possuir contabilidade terceirizada não pudesse ser imposta ao dever de apresentar regularmente sua escrituração ao fisco. Pelo contrário, uma empresa que possui faturamento de mais de R$ 100.000.000,00 anuais não somente está obrigada ao lucro real e aos seus consecutórios, como também possui capacidade de atender todas as obrigações tributárias acessórias. Levo em conta ainda com relação a este entendimento o fato de que a empresa não efetuou nenhum recolhimento a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS no período. Somandose todos estes fatores restanos claro que o objetivo maior da empresa neste período era o de evitar o conhecimento pelo fisco dos valores de suas apurações e, com isso, retardar com seus atos omissivos, o conhecimento da ocorrência do fato gerador, fato este que se amolda à hipótese do art. 71, I, da Lei nº 4.502/64. Por tudo isto entendo que acertada a autuação com relação à aplicação da multa qualificada no patamar de 150% e, neste sentido, voto por negar seguimento ao recurso. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 249DF CARF MF Processo nº 16045.720019/201665 Acórdão n.º 1401002.310 S1C4T1 Fl. 245 11 Fl. 250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720586/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
GANHO DE CAPITAL. CO-PROPRIETÁRIOS. VALOR DE ALIENAÇÃO.
Na apuração do ganho de capital tributável, o valor de alienação, no caso de bens em condomínio, é a parcela do preço que couber a cada condômino ou co-proprietário.
Numero da decisão: 2402-006.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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COPROPRIETÁRIOS. VALOR DE ALIENAÇÃO. Na apuração do ganho de capital tributável, o valor de alienação, no caso de bens em condomínio, é a parcela do preço que couber a cada condômino ou coproprietário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 86 /2 01 2- 01 Fl. 319DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 19515.720586/201201 Acórdão n.º 2402006.087 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que considerou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra o contribuinte foi lavrado Auto de Infração em 27.03.2012 para constituição de IRPF no valor principal de R$ 603.857,92, acrescido da multa de ofício (75%) e dos juros legais Selic. A autuação decorreu da constatação da infração a seguir: 1 Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais exercício 2009. Com relação à descrição dos fatos, valhome de parte do relatório do acórdão recorrido às fls. 263/ 279, naquilo que interessa, eis que bem retrata o apurado: De posse dos documentos apresentados, o AuditorFiscal procedeu a análise do Ganho de Capital: 1. Partilha dos bens decorrentes da separação do casal Johann David Schnell e Availde Ormonde de Oliveira Schnell casaram em 22/06/1990 e separaramse em 07/10/2004. (...) 1.2. Imóvel sito à Avenida das Industrias nº 555 no município de JundiaíSP O Sr. Johann Schnell ficou com 15% do imóvel que eram de direito da Sra.Availde, totalizando 30% do imóvel em questão pelo valor venal de R$ 39.206,19. O imóvel foi adquirido da pessoa jurídica Cerâmica Ibetel Ltda, CNPJ nº 50.927.052/000186, em 10/04/1995, nas seguintes proporções: Em 11/07/1996 o Sr. Johann Schnell doou 20% do imóvel a Maria Isabella Catarina Schnell, alterando as proporções dos condôminos como segue: Fl. 321DF CARF MF 4 O Sr. Johann Schnell informou na Declaração de Ajuste Anual, exercício 2009, na coluna 31/12/2007 R$ 69.000,00 que corresponde a 30% do valor pago (R$ 230.000,00). O imóvel foi alienado em 14/04/2008 pelo valor de R$ 23.000.000,00 conforme Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda e cheque da mesma data emitido pela compradora. O valor da venda foi particionado entre os vendedores, cabendo a cada condômino os seguintes valores: O AuditorFiscal considerou como data para efeito de cálculo do ganho de capital o dia 14/04/2008, pois se trata de venda a vista e ocorreu a disponibilidade econômica ou jurídica de que trata o art. 43 do Código Tributário Nacional – CTN. Foi estipulado como data de aquisição do imóvel pelo contribuinte, em consonância com art. 21 da IN SRF nº 84/2001: 15% do imóvel será considerada a data de aquisição do imóvel (10/04/1995) em questão, conforme o item c, inciso III do art. 21 da IN/SRF acima citada. 15% do imóvel de propriedade da Sra. Availde que passou para o fiscalizado mediante a partilha de bens pela homologação da separação consensual, será considerada a data da sentença (07/10/2004) na partilha decorrente da dissolução da sociedade conjugal para bens e direitos havidos fora da meação, conforme o inciso IV do art.21 da IN/SRF acima citada. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 19515.720586/201201 Acórdão n.º 2402006.087 S2C4T2 Fl. 4 5 Foi utilizado para o cálculo do ganho de capital o programa Ganho de Capital – Ano Calendário 2008, aprovado pela IN SRF nº 814 de 30/01/2008, resultando no imposto devido no montante de R$ 653.044,72. O contribuinte, na Declaração de Ajuste Anual, exercício 2009, apurou o ganho de capital sobre o valor de alienação de R$ 1.000.000,00 e data do fato gerador em 25/09/2008, sendo recolhido espontaneamente o IRPF em 30/10/2008 com valor original de R$ 61.557,27. O AuditorFiscal considerou o valor de alienação de R$ 6.900.000,00 e data do fato gerador em 10/04/2008 e que estando extemporâneo o pagamento do valor original foi deduzido multa de mora e juros de mora, restando R$ 49.186,80 de valor principal. Foi descontado o recolhimento espontâneo no valor de R$ 49.186,80 do valor apurado do ganho de capital (R$ 653.044,72), resultando em imposto devido R$ 603.857,92. Regularmente intimado, apresentou Impugnação que foi julgada improcedente pela DRJ. Em seu Recurso Voluntário, às fls. 285/308, aduz em síntese: 1 Que os valores lançados foram apurados por amostragem. Que tomou por base o valor por estimativa, arbitrando o percentual de 75% para a multa; 2 Que os filhos abriram mão do dinheiro para seu pai, Johann Schnell, que, esse sim, recebeu o dinheiro e pagou o IR. Que se faça o REDARF do valor recolhido pelo se pai; 3 Que a multa de ofício tem natureza confiscatória. 2 Que a Taxa Selic seria ilegal. É o relatório. Fl. 323DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 26.04.2016 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 25.05.2016. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Em que pese o contribuinte reportarse, em sua peça, à suposta nulidade do lançamento, o fato é que, em suas alegações, acaba por suscitar questão de mérito e, como tal, assim será tratada. Em, resumo, a controvérsia reside no fato de o pai do contribuinte ter, supostamente, recolhido o IR sobre o ganho de capital na alienação do imóvel em seu próprio CPF, na medida em que os filhos teriam disposto do valor recebido pela venda em seu favor. Com vistas a reforçar o alegado, juntou o Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital no CPF de seu pai, relativo ao anocalendário 2008, no qual se evidencia apuração de ganho tributável que, contudo, partiu de valores e datas que não coincidem com os aqui levantados. Informa valor de alienação de R$ 20.000.000,00, em 30.09.2008, e de aquisição pelo valor de R$ 92.000,00, 19.07.1996. Com isso, teria apurado IR no valor de R$ 1.316.307,26. Vejase: Fl. 324DF CARF MF Processo nº 19515.720586/201201 Acórdão n.º 2402006.087 S2C4T2 Fl. 5 7 Todavia, a Escritura Pública de Compra e Venda de fls. 72/75, de 10.04.1995, noticia a compra do imóvel em questão pelo valor total de R$ 230.000,00, nas seguintes participações: 50% relativo ao pai do recorrente, 30% ao autuado (e sua então cônjuge) e 20% à Rosália Schnell. Na matrícula do imóvel, acostada às fls. 76, registra que em 11.07.1996, o Sr Johann Schnell teria transmitido, a título de doação, uma parte ideal correspondente a 20% do imóvel à Maria Isabela Catarina Schnell. Posteriormente, por conta da Separação Consensual, o autuado passou a ser o titular dos 30% daquele imóvel, em função da Sentença Homologatória de 07/10/2004, consoante se denota de fls. 78. Em suma, detinha, desde 10.04.1995, 15% do imóvel, que corresponderia ao custo de aquisição de R$ 34.500,00 e, com a separação em 07.10.2004, os outros R$ 34.500,00. Referido imóvel foi alienado por R$ 23.000.000,00, através do Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda de 14.04.2008, acostado às fls. 90/98. Fl. 325DF CARF MF 8 O demonstrativo de fls. 221/222 concluiu a apuração e observou os percentuais de redução da Lei 11.196/2005. A título ilustrativo e valendose dos dados coletados nestes autos, em especial dos acima abordados, simulouse a apuração do ganho tributável relativo à totalidade do imóvel alienado, do que se concluiu que o DARF acostado às fls. 257, recolhido em 31.10.2008, no valor de R$ 1.316.307,26, não seria suficiente à extinção do CT aqui constituído. Confirase: DT AQUIS VALOR AQ Part % DT ALIEN VLR ALIEN % RED % RED GANHO TRIB IR JOHANN DAVID SCHNELL 10/04/1995 34.500,00 15,00% 14/04/2008 6.900.000,00 29,47 9,63 4.353.631,47 653.044,72 JOHANN DAVID SCHNELL 07/10/2004 34.500,00 15,00% 14/04/2008 JOHANN SCHNELL 10/04/1995 69.000,00 30,00% 14/04/2008 6.900.000,00 50,92 9,63 3.029.794,14 454.469,12 ROSALIA SCHNELL 10/04/1995 46.000,00 20,00% 14/04/2008 4.600.000,00 50,92 9,63 2.019.862,76 302.979,41 MARIA ISABELLA CATARINA SCHNELL 11/07/1996 46.000,00 20,00% 14/04/2008 4.600.000,00 49,13 9,63 2.093.529,31 314.029,40 TOTAL=> 230.000,00 23.000.000,00 1.724.522,65 Como bem assentado no acórdão recorrido, o sujeito passivo informou na Declaração de Bens e Direitos, parte integrante da Declaração de Ajuste Anual, exercício 2009, ser detentor de 30% do terreno situado no Distrito Industrial de JundiaíSP (fl. 08). A Cláusula 2.3 do Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda de Imóvel dispunha que: 2.3. Fica desde já esclarecido que os demais VENDEDORES, desde já, concordam com o pagamento do Preço de Aquisição aqui disciplinado, em especial, com a indicação do SR. SCHNELL como depositário e beneficiário do CHEQUE, inclusive em benefício dos demais VENDEDORES, para posterior divisão do Preço de Aquisição, de acordo com a proporção detida pelos VENDEDORES no Imóvel. E prossegue aquele acórdão ao chamar a atenção para o que constou daquele Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda, no sentido de afirmar que a divisão do valor da alienação seria proporcional à parte que cada vendedor detinha, no caso do impugnante, 30%. Notese que a Instrução Normativa SRF nº 84/2001 estabelece no inciso IV de seu artigo 19, que, na apuração do ganho de capital tributável, o valor de alienação, no caso de bens em condomínio, é a parcela do preço que couber a cada condômino ou coproprietário. Art. 19. Considerase valor de alienação: (...) IV no caso de bens em condomínio, a parcela do preço que couber a cada condômino ou coproprietário; Nesse ponto, não assiste razão ao contribuinte. No que toca à alegação de que a multa de ofício seria confiscatória, cumpre ressaltar que esse colegiado, a teor da Súmula CARF nº 2, combinado com o disposto no artigo Fl. 326DF CARF MF Processo nº 19515.720586/201201 Acórdão n.º 2402006.087 S2C4T2 Fl. 6 9 72 do RICARF, não detém competência para analisar questões que, por sua natureza, conduzira à desconsideração da previsão legal por suposta ofensa à Constituição da República. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Quanto à suscitada ilegalidade dos Juros Selic, ainda com fulcro no mesmo artigo 72 do RICARF, ladeado, desta feita, à Súmula CARF nº 4, melhor sorte não lhe ampara. Vejamos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso apresentado para, no mérito, NEGARLHE provimento. (Assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti + Fl. 327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.722924/2012-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, ausente, portanto, vício de motivação.
EXCLUSÃO. CISÃO OU DESMEMBRAMENTO DE EMPRESA. CONFIGURAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO.
A empresa remanescente de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica está impedida de optar pelo Simples.
Caracteriza-se o grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas estão sobre a direção, o controle ou a administração de uma delas.
Numero da decisão: 1301-003.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a argüição de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011 NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, ausente, portanto, vício de motivação. EXCLUSÃO. CISÃO OU DESMEMBRAMENTO DE EMPRESA. CONFIGURAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. A empresa remanescente de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica está impedida de optar pelo Simples. Caracteriza-se o grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas estão sobre a direção, o controle ou a administração de uma delas.
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DESMEMBRAMENTO DE EMPRESA Recorrente COISAS DE BEBÊ CONFECÇÕES LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, ausente, portanto, vício de motivação. EXCLUSÃO. CISÃO OU DESMEMBRAMENTO DE EMPRESA. CONFIGURAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. A empresa remanescente de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica está impedida de optar pelo Simples. Caracterizase o grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas estão sobre a direção, o controle ou a administração de uma delas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a argüição de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 29 24 /2 01 2- 77 Fl. 540DF CARF MF Processo nº 13971.722924/201277 Acórdão n.º 1301003.078 S1C3T1 Fl. 541 2 (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 1260.897, proferido pela 11ª Turma da DRJ/RJ1, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase o processo de representação fiscal que redundou na exclusão do contribuinte do regime de tributação do SIMPLES NACIONAL com efeitos retroativos a 01/01/2008, conforme Ato Declaratório Executivo nº 050, de 01/11/2012, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC, fls. 234 do processo digital, em função da ocorrência da hipótese de exclusão prevista no art. 3º , inciso II, § 4º (incisos I, IV, V, VII e IX); art. 29, inciso I; art. 30, inciso II e art. 31, inciso II da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. 2. Conforme Relatório Fiscal, de fls. 208/230, através de Auditoria Fiscal desenvolvida nas empresas: COISA DE BEBÊ CONFECÇÕES LTDA, CNPJ nº 01.232.447/000159; MESH COMÉRCIO E CONFECÇÕES LTDA, CNPJ nº 81.380.891/000150 e WRCP TÊXTIL LTDA, CNPJ nº 08.869.459/000138, verificouse que as empresas MESH, COISAS DE BEBÊ (optantes pela forma de tributação do SIMPLES) e WRCP (lucro presumido) integram um GRUPO ECONÔMICO DE FATO, evidenciado pelo controle econômico e administrativo exercido nestas empresas pelo casal: Sr. Walter Luiz Spadoto Righetti e Sra. Roseli Irene Prebiana, juntamente com suas filhas Rafaela Prebianca Righetti Picoli e Carolina Prebianca Righetti, cujo faturamento total é superior ao limite estabelecido para a opção pelo SIMPLES. 3. Constatouse que a empresa WRCP (lucro presumido) foi constituída com o objetivo de distribuir o faturamento com as empresas MESH e COISAS DE BEBÊ, tendo sido utilizado tal subterfúgio (desmembramento) para permitir que estas empresas se mantivessem como optantes pelo SIMPLES, com o intuito de sonegar a incidência da Contribuição Previdenciária (cota patronal) sobre as remunerações dos segurados dessas empresas, desde 01/01/2008. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 13971.722924/201277 Acórdão n.º 1301003.078 S1C3T1 Fl. 542 3 4. O Auditor Fiscal elabora tabela com a relação dos sócios e respectivos períodos de vínculos e participações no capital social em cada empresa. Podese observar que na empresa MESH, no período de 01/07/1989 a 30/04/1991, os sócios eram o Sr. Walter e a Sra. Roseli com 50% de participação de cada um; no período de 01/05/1991 a 10/05/2007 o Sr. Walter participava com 4%, no período de 01/05/1991 a 30/06/2003 a Sra. Roseli participava com 96%; de 01/07/2003 a 19/11/2004 ela participava com 92% e a filha Rafaela com 4%. De 20/11/2004 a 10/05/2007 os sócios eram Sr. Walter com 4% e a Sra. Roseli com 96%. A partir de 11/05/2007 saiu o Sr. Walter e entrou novamente a filha Rafaela com 4%. Na empresa COISAS DE BEBÊ os sócios, no período de 17/04/1996 a 19/11/2004, eram o Sr. Walter com 96% e a Sra. Roseli com 4%, no período de 20/11/2004 a 10/05/2007 os sócios eram o Sr. Walter com 4% e a filha Rafaela com 96%; a partir de 11/05/2007 os sócios passaram a ser Roseli com 4% e Rafaela com 96%. Por fim, a empresa WRCP foi criada em 14/05/2007 tendo como sócios o Sr. Walter com 96% de participação e a outra filha Carolina com 4%. 5. O Relatório Fiscal informa, ainda, que em visita às sedes das empresas foi verificado que as mesmas estão localizadas na mesma rua a uma distância de 200 m uma da outra. O prédio da empresa MESH abriga toda a infraestrutura administrativa, de faturamento e expedição da produção (confecção de roupas infantis); que a sede da empresa COISAS DE BEBÊ resumese a uma área destinada ao comércio varejista e que a sede da empresa WRCP resumese a um depósito de matériasprimas. 6. Acrescenta que o faturamento das três empresas advém da comercialização de roupas infantis no atacado e varejo, sendo que a produção é realizada apenas pela empresa MESH, a única que possui linha de produção e equipamentos. 7. Elabora tabela demonstrando a evolução do faturamento das empresas, onde é possível perceber claramente que diante da previsibilidade de que no ano de 2007 a soma das receitas brutas das empresas MESH e COISAS DE BEBÊ iriam superar o limite de R$ 2.400.000,00 estabelecido para empresas optantes pelo SIMPLES (uma vez que possuíam sócios em comum, conforme art. 3º, § 4º, item III da Lei nº 123) foi constituída a empresa WRCP pelo exsócio daquelas, Sr. Walter, e por sua filha Carolina Prebianca Righetti, com a evidente finalidade de possibilitar a distribuição de receitas e despesas entre as empresas do grupo, permitindo com isso que aquelas continuassem usufruindo, indevidamente, dos benefícios tributários da opção pelo SIMPLES. 8. Além disso, da análise das folhas de pagamentos do período de 07/2007 a 12/2011, destacase que a empresa WRCP nunca possuiu nenhum empregado e apenas o sócio Sr. Walter teve retirada de prólabore de um salário mínimo; a empresa COISAS DE BEBÊ que até o mês de 03/2011 atuava essencialmente no comércio varejista, passou, a partir de Fl. 542DF CARF MF Processo nº 13971.722924/201277 Acórdão n.º 1301003.078 S1C3T1 Fl. 543 4 04/2011, a contratar empregados para atuar também nas funções administrativas e de produção (apesar de não possuir nenhuma máquina); a empresa MESH concentra as maiores despesas com empregados nas funções administrativas, de produção e expedição. Verificouse, ainda, que o Sr. Walter, sócio da empresa WRCP, consta como contribuinte individual na empresa MESH, com remuneração de três salários mínimos. Apresenta tabela demonstrativa dos empregados das empresas. 9. Em relação às notas fiscais/faturas das empresas COISAS DE BEBÊ e WRCP as mesmas são idênticas, utilizam a mesma logomarca, também utilizada pela empresa MESH. Ressaltando que não se constatou nenhuma comercialização deste produto entre as empresas. As compras realizadas pela empresa WRCP são, preponderantemente, de fios, tecidos, linhas, botões e etiquetas, apesar de não possuir máquinas nem empregados. 10. Elabora tabela demonstrativa do custo das mercadorias vendidas versus receita bruta, concluindo que, a partir da sua constituição, a empresa WRCP passou a concentrar praticamente todos os custos de aquisição de matéria prima e evidenciam a interligação das empresas através de transferências de estoques de matérias primas e de produtos acabados (roupas infantis) entre as mesmas. 11. Aduz que a empresa COISAS DE BEBÊ é a empresa do grupo que apresenta os melhores resultados, reflexo direto da concentração das despesas com empregados na empresa MESH e dos custos com matériasprimas na empresa WRCP. Os ajustes contábeis entre as empresas, evidenciando a interligação das mesmas, são feitos através de lançamentos a título e empréstimos de coligadas (MESH e COISAS DE BEBÊ) e empréstimos pessoais do sócio (WRCP). Intimadas a apresentar os documentos contábeis referentes a estes lançamentos, o contador das mesmas informou que as transações haviam sido realizadas em espécie (dinheiro vivo) e, portanto, não havia documentos a apresentar, evidenciando tratarse apenas de ajustes contábeis entre as empresas do grupo econômico de fato. 12. Acrescenta que nos empréstimos realizados pela Caixa Econômica Federal para as empresas MESH e COISAS DE BEBÊ constam a participação do Sr. Walter como devedor solidário. Bem como cheques emitidos pela MESH foram assinados pelo Sr. Walter. O Sr. Walter possui procuração das duas empresas para representálas. 13. Conclui que: “Da análise dos fatos apurados e relatados nesta representação, evidenciase uma situação fática divergente da situação jurídica, existindo uma SIMULAÇÃO da existência de três empresas com personalidades jurídicas distintas e independentes (MESH, COISAS DE BEBÊ e WRCP), porém, conforme demonstrado, com interesses em comum, interligadas econômica e administrativamente (sob o comando e direção da família Righetti), integrando, portanto, um Grupo Econômico DE FATO, sendo que a empresa WRCP constituise, na realidade, Fl. 543DF CARF MF Processo nº 13971.722924/201277 Acórdão n.º 1301003.078 S1C3T1 Fl. 544 5 em um desmembramento das empresas MESH e COISAS DE BEBÊ. Objetivouse, com isso, a sonegação dos encargos trabalhistas sobre a folha de pagamento de empregados através dos benefícios da, INDEVIDA, opção pela forma de tributação do SIMPLES pelas empresas MESH e COISAS DE BEBÊ. “ 14. “Assim, considerando a formação de um grupo econômico de fato e que as empresas MESH e COISAS DE BEBÊ, na realidade, são empresas remanescentes de uma forma de desmembramento com a empresa WRCP e observandose a legislação citada no Título III – Fundamentação Legal, impõese, portanto, a exclusão da empresa representada do SIMPLES, a partir de 01/01/2008, com a aplicação do art. 3º, §4°, incisos (I,IV, V, VII e IX) e §§ 6º e 9º da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.” MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 15. Cientificada do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Nacional em 19/11/2012, conforme AR de fls. 237, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 19/12/2012, de fls.240/271, alegando, em síntese: 15.1 A Recorrente foi excluída do Simples Nacional sob os argumentos de que a empresa seria, de fato, remanescente de uma forma de desmembramento com a empresa WRCP Têxtil Ltda – EPP e que existiria um grupo econômico de fato entre as empresas WRCP, Mesh Comércio e Confecções de Roupas Ltda – EPP e Coisas de Bebê Confecções Ltda – EPP. Diante disso, incidiriam as restrições do art. 3º, II, § 4º, I, IV, V, VII e IX da LC nº 123/2006 e do art. 12, I, II, V, VI, VIII e X da Resolução CGSN nº 4/2007. 15.2 No entanto, os argumentos do Fisco não merecem acolhida. 16. Dos Fundamentos Jurídicos 16.1 Através de uma leitura cuidadosa da Representação Fiscal percebese que a conclusão do Fisco não é compatível nem mesmo com os fatos por ele relatados. 16.2 A Representação reconheceu que a Mesh foi criada em 1989, que desde 1999 ela tem sede no atual endereço, que sua atividade é a industrialização do vestuário e que a grande maioria dos seus funcionários sempre trabalhou em funções ligadas à produção. 16.3 Reconheceu que a Coisas de Bebê foi criada em 1996 e em endereço totalmente diferente da Mesh, tendo mudado para o atual endereço apenas em 02/2011, que sua atividade é o comércio varejista e que até 03/2011 todos os seus funcionários eram vendedores/balconistas. 16.4 Apesar de ter reconhecido essas diferenças o Fisco acabou concluindo que estas duas empresas não passariam de uma Fl. 544DF CARF MF Processo nº 13971.722924/201277 Acórdão n.º 1301003.078 S1C3T1 Fl. 545 6 simulação e que na verdade seriam a mesma empresa. No entanto, há uma realidade consolidada que existe há muito tempo e que nunca foi questionada pelo Fisco, pois se tratam de empresas regularmente constituídas e que apresentam suas declarações à Receita Federal. 17. Das empresas fiscalizadas: principais características MESH: Indústria têxtil 17.1 A Mesh foi criada em 1989 e tinha com o objeto social “o comércio e confecções de tecidos, malhas e roupas em geral” Em 1999 alterou seu objeto social para “indústria e comércio de artigos do vestuário”. A empresa tem como atividade a industrialização de roupas e artigos de vestuário infantil e produz peças das marcas “Nuvem Azul” e “Babymesh”. As suas mercadorias são vendidas para clientes localizados em diversos lugares do Brasil e, além disso, possui uma loja própria localizada na frente da sua fábrica. COISAS DE BEBÊ: comércio varejista – loja no CIC até 02/2011 17.2 A empresa Coisas de Bebê foi criada em 1986, tendo como objeto social o “comércio de confecções de roupas infantis”. Desde sua criação tem como atividade o comércio e nasceu para ser uma loja no Centro Comercial de Blumenau, onde ficou até 2011. Em 1997 foi aberta sua primeira filial e em 1999 foi aberta sua segunda filial. 17.3 Devese ressaltar que a Coisas de Bebê e a Mesh sempre foram empresas distintas. Enquanto a Mesh tinha como atividade a industrialização de roupas e artigos infantis com vendas de sua produção preponderantemente para lojistas, a Coisas de Bebê era uma loja no CIC Blumenau com vendas preponderantemente para o varejo. Além disso, a Coisas de Bebê comercializava mercadorias de várias marcas e diferentes fornecedores. 17.4 Em 02/2011, por razões administrativas, a empresa extinguiu sua filial e transferiu a matriz para o atual endereço. MESH X COISAS DE BEBÊ 17.5 Além de serem empresas autônomas e independentes, as duas empresas sempre tiveram contabilidade regular, sendo escrituradas individualmente suas despesas, sem qualquer confusão. Portanto, há grandes diferenças entre as empresas, não tendo como se falar que haveria a formação de um suposto grupo econômico envolvendoas. WRCP: comércio atacadista – grandes clientes 17.6 A empresa foi criada em 2007 para atender uma parcela substancial de clientes atacadistas, localizados fora do estado. Sua criação nunca teve por objetivo “distribuir” o faturamento da Mesh ou da Coisas de Bebê. Pelo contrário, ela atende a um mercado totalmente diferente daquele atendido pelas outras duas empresas. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 13971.722924/201277 Acórdão n.º 1301003.078 S1C3T1 Fl. 546 7 17.7 A empresa Coisas de Bebê sempre teve como foco o varejo, enquanto a empresa Mesh é uma indústria que vende sua produção própria para lojistas. Portanto, a WRCP não pode, sob hipótese alguma, ser considerada espécie de “desmembramento” das duas, já que as referidas empresas não atendiam o mercado de clientes alcançado por ela. 17.8 Se a WRCP realmente tivesse sido constituída para distribuir o faturamento da Mesh ou da Coisas de Bebê, por que razão a empresa seria tributada pelo regime de lucro presumido ao invés de optar pelo Simples? Também como se explicaria que a empresa Mesh, tributada pelo Simples Nacional vem apresentando anualmente prejuízos, enquanto a WRCP tributada pelo lucro presumido obteve lucro na maior parte dos exercícios fiscalizados? O objetivo seria pagar mais IRPJ e CSLL? 17.9 Portanto, as supostas “constatações” apontadas pela fiscalização não passam de meras ilações, sem qualquer fundamento plausível. 18. Localização das sedes das empresas 18.1 A empresa Coisas de Bebê nunca funcionou, nem mesmo provisoriamente, no prédio da Mesh. A loja apontada no item 9 da Representação Administrativa é, e sempre foi, da empresa Mesh e funciona no mesmo local desde que a empresa Mesh se mudou para esse endereço em 1999. A própria placa da fachada da loja “Baby Mesh Moda Bebê”, como se verifica na ilustração 1 da RA, demonstra isso, uma vez que a Baby Mesh é uma marca de titularidade da empresa Mesh. 18.2 A fiscalização ao afirmar que a Coisas de Bebê estaria funcionando provisoriamente no endereço da Mesh incorreu em evidente equívoco, pois deixou de constatar que apesar de a loja estar fechada ao público em razão da reforma, os funcionários da empresa estavam trabalhando na sua sede. 18.3 Outrossim, a Coisas de Bebê esteve localizada de 1996 a 02/2001 no CIC Blumenau. Somente a partir dessa data passou a ocupar o atual endereço na rua Dr. Antônio Haffner, nº 235, sala 01. 18.4 Se o fato de as empresas estarem instaladas na mesma rua pudesse caracterizar a existência do suposto “grupo econômico” esta constatação valeria, quando muito, para o período posterior a 02/2011. No entanto, nem isso é possível pelas várias outras razões elencadas. 18.20 Não há qualquer irregularidade no fato de três empresas serem sediadas na mesma rua, ou mesmo prédio. Ressaltese que os endereços das empresas sempre constaram de suas declarações encaminhadas à Receita Federal. 19. Atividades operacionais das empresas Fl. 546DF CARF MF Processo nº 13971.722924/201277 Acórdão n.º 1301003.078 S1C3T1 Fl. 547 8 19.1 Alega a fiscalização que a Mesh, a Coisas de Bebê e a WRCP comercializam o mesmo produto (roupas infantis da marca Nuvem Azul), sendo que a produção da mercadoria seria integralmente realizada pela Mesh, a única a possuir linha de produção (maquinário e funcionários) e a WRCP seria responsável por adquirir a matériaprima. 20. As empresas não comercializam os mesmos produtos 20.1 De fato a empresa Mesh produz peças da marca “Nuvem Azul”, porém ela é titular da marca “Babymesh” que não é comercializada pelas empresas Coisas de Bebê e WRCP. 20.2 É evidente que a afirmação da fiscalização de que a Coisas de Bebê comercializa o mesmo produto que a Mesh e a WRCP não pode prosperar, pois conforme notas fiscais juntadas, a Coisas de Bebê sempre trabalhou com uma gama muito variada de produtos, de diversos fornecedores. Ademais, a WRCP também comercializava produtos de diversas marcas. Para comprovar junta, por amostragem, notas fiscais de venda dos referidos produtos para a cliente Brascol Comércio de Roupas Ltda, bem como comprovantes de consulta ao INPI que comprova que a Brascol é titular/licenciada das marcas Color Girl, Color Mini, Conto de Fadas, Kookabu e Baby Gijo, marcas essas comercializadas pela WRCP para a Brascol. Junta cópia das etiquetas das marcas mencionadas que são utilizadas nas mercadorias vendidas para a Brascol. 20.3 Isso já seria suficiente para afastar a conclusão do Fisco de que as três empresas na verdade não seriam independentes, pois a industrialização dos produtos por elas comercializadas seria feita pela empresa Mesh, o que, como visto, não ocorre. 21. Quanto à alegação de que a Mesh utilizaria matérias primas da WRCP 21.1 O Fisco não comprovou a alegação de que seria a WRCP que adquiria as matériasprimas utilizadas pela Mesh na industrialização de suas mercadorias. Na realidade, as mercadorias e matériasprimas utilizadas pela Mesh eram adquiridas por ela. Junta, por amostragem, notas fiscais. As matériasprimas adquiridas pela WRCP eram utilizadas nos produtos produzidos por ela, que trabalha com várias facções e fornecedores. 22. Custo de mercadorias vendidas X Receita bruta 22.1 A fiscalização concluiu que a WRCP teria concentrado, a partir da sua criação, praticamente todos os custos de aquisição de matériasprimas e evidenciariam a interligação das empresas através de transferências de estoques de matériasprimas e de produtos acabados entre as empresas. 22.2 Não são apenas as despesas com matériaprima que integram o custo da mercadoria vendida. Não é possível entender como um custo de mercadoria vendida supostamente Fl. 547DF CARF MF Processo nº 13971.722924/201277 Acórdão n.º 1301003.078 S1C3T1 Fl. 548 9 alto poderia comprovar a interligação das empresas e a suposta transferência de matériaprima e de produtos acabados. Há documentos comprovando que a Mesh comprava matérias primas e que a Coisas de Bebê adquiria mercadorias para revender. 23. A folha de pagamento e o maquinário das empresas são condizentes com as atividades por elas desenvolvidas 23.1 É incontroverso que a empresa Mesh possui uma despesa elevada com a remuneração de seus funcionários, além de possuir máquinas e equipamentos na sua linha de produção, o que apenas confirma que a Mesh é uma indústria têxtil. O fato de a despesa com a remuneração de seus funcionários ter superado em 2010 e 2011 o faturamento da empresa não altera em nada este cenário, uma vez que a empresa não é a única no setor de industrialização de artigos do vestuário a passar por dificuldades financeiras. Coisas de Bebê 23.2 Quanto à Coisas de Bebê, a fiscalização constatou que a empresa não possui máquinas e que a folha de pagamento até 03/2011 era composta exclusivamente por vendedores e balconistas, o que é de se esperar de uma empresa que funcionava como uma loja. Quando a empresa mudou de endereço a nova sede entrou em reforma e por este motivo houve a demissão de funcionários que trabalhavam nessas funções. 23.3 Após a mudança de endereço a Coisas de Bebê até contratou funcionários para trabalhar em outras funções. A idéia era exercer uma atividade temporária no período da reforma para permitir que a empresa continuasse gerando receitas. 23.4 As atividades desenvolvidas na empresa Coisas de Bebê eram perfeitamente regulares e não se confundem com as atividades desenvolvidas pela Mesh ou pela WRCP. 23.5 A fiscalização também apontou que a WRCP não possuiria funcionários e nem máquinas e que sua sede seria composta basicamente de um depósito de matériasprimas. Mas não procurou apontar os motivos que a levaram a não contratar funcionários e de que forma se daria a industrialização das mercadorias por ela comercializadas. 23.6 Em virtude de sua atividade comercial atacadista sem atendimento ao público em geral, parece natural que o objeto social seja desenvolvido sem máquinas ou funcionários. As vendas certamente são feitas pelos próprios sócios. A WRCP trabalha com vários fornecedores e facções que industrializam os produtos por ela comercializados. 23.7 As operações praticadas pela WRCP apuradas na contabilidade não poderiam justificar a exclusão da Mesh e da Fl. 548DF CARF MF Processo nº 13971.722924/201277 Acórdão n.º 1301003.078 S1C3T1 Fl. 549 10 Coisas de Bebê do Simples, já que elas nada têm a ver com tais operações. 24. A suposta evolução do faturamento das empresas Mesh e Coisas de Bebê não serve de prova da alegada “simulação” 24.1 Os valores apontados na tabela elaborada pela fiscalização não correspondem à receita bruta considerada para fins do Simples Nacional, pois não foram consideradas as vendas canceladas, o que impede que sejam utilizados para justificar a exclusão. 24.2 Não há qualquer respaldo para justificar o argumento da fiscalização de que a WRCP teria sido criada porque as empresas Mesh e Coisas de Bebê teriam previsto que a soma das suas receitas iria ultrapassar o limite do Simples a partir de 2007. A máfé não pode ser presumida. A exclusão do Simples não poderia ser justificada com base em conjecturas e ilações pessoas da fiscalização. 25. Controle Administrativo 25.1 A fiscalização se limitou a afirmar que as empresas seriam administrativamente interligadas pelo fato de serem administradas por pessoas da mesma família. No entanto, a simples existência de relações familiares entre os membros das administrações não configuram a existência de grupo econômico. 25.2 O argumento da fiscalização seguramente contraria a definição de “grupo de sociedades” prevista no art. 265 da Lei das S.A (lei nº 6.404/76). Nem mesmo procurou demonstrar que estariam presentes as condições ali definidas que devem necessariamente ser preenchidas. 25.3 No período fiscalizado as empresas eram administradas por pessoas diferentes. A Mesh era administrada pela Sra. Roseli Irene Prebianca, a Coisas de Bebê pela Sra. Rafaela Prebianca Riguetti Picoli e a WRCP pelo Sr. Walter Luiz Spadoto Righetti. Assim, também por este motivo mostrase equivocada a suposta existência de “grupo econômico de fato” 26. Dos empréstimos realizados pela Coisas de Bebê para a Mesh e pela WRCP para o sócio Walter Luiz Spadoto Righetti 26.1 A Concessão de empréstimos entre empresas, por si só, não afasta a sua independência econômica ou gerencial. 26.2 O fato de a WRCP realizar empréstimos para seu sócio administrador não guarda qualquer relação com a suposta existência de grupo econômico. Tratase de questão que só diz respeito à WRCP e a seu sócio e não tem qualquer envolvimento com as empresas Mesh e Coisas de Bebê. 27. Contratos de empréstimos em que o Sr. Walter figuraria como responsável solidário Fl. 549DF CARF MF Processo nº 13971.722924/201277 Acórdão n.º 1301003.078 S1C3T1 Fl. 550 11 27.1 O Sr. Walter aparece como responsável solidário nos contratos de empréstimos em função de ser cônjuge da Sra. Roseli que têm participação societária nas empresas Mesh e Coisas de Bebê. 28. Contratos de empréstimos da Mesh supostamente quitados pelo Sr. Walter 28.1 Tratase na verdade de conta conjunta da Sra. Roseli (sócia da Mesh) com o Sr. Walter. Portanto, quem quitou os empréstimos foi a Sra. Roseli. 29. Das procurações outorgadas pela Mesh e pela Coisas de Bebê 29.1 Tais procurações foram outorgadas entre 2010 e 2011, período posterior ao suposto surgimento do grupo econômico que, segundo a fiscalização, remontaria ao ano de 2007. Além disso, as mesmas conferem poderes para a realização de operações bancárias e não para administrar as empresas. 29.2 Devese ter em mente que a Sra. Roseli não outorgou poderes aos “sócios da empresa WRCP” e sim para sua filha e seu marido, pessoas físicas, para que pudessem dar continuidade às operações bancárias necessárias na sua ausência e em caráter emergencial. O mesmo ocorrendo na procuração outorgada pela empresa Coisas de Bebê ao Sr. Walter, que é pai da sócia administradora Sra Rafaela. 30. Dos cheques da Mesh assinados pelo Sr. Walter 30.1 O Sr. Walter assinava alguns cheques emitidos pela empresa Mesh em razão da ausência momentânea da administradora da empresa Mesh e sempre seguindo suas orientações. 31. Ausência de fundamentos legais para justificar a suposta formação de grupo econômico 31.1 O art. 2º, § 2º da CLT, utilizado pela fiscalização para considerar a formação de grupo econômico somente se aplica para efeitos trabalhistas e não para fins tributários. 31.2 O art. 124, II, do CTN também não pode justificar a responsabilização efetuada, uma vez que o capítulo IV não trata de responsabilidade tributária. 31.3 A lei nº 8.212/91 também utilizada para justificar a solidariedade é igualmente inaplicável, vez que apenas lei complementar pode reger matéria de responsabilidade tributária. 31.4 Já o art. 17 da Lei nº 8.884/94 foi expressamente revogado pela Lei nº 12.529/2011 e não guardava qualquer relação com o presente caso. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 13971.722924/201277 Acórdão n.º 1301003.078 S1C3T1 Fl. 551 12 32. Inocorrência das hipóteses ensejadoras de exclusão do Simples Nacional (art. 3º, II, § 4º, I, IV, V, VII e IX da LC nº 123/2006) 32.1 A fiscalização se utilizou dos mais diversos argumentos para demonstrar a ocorrência de uma situação que não reflete a realidade das empresas envolvidas. Da leitura dos dispositivos que fundamentaram a exclusão é possível perceber que não ocorreu nenhuma das hipóteses elencadas. 32.2 “De fato: (a) não há participação de nenhuma pessoa jurídica no capital social da Recorrente; (b) os sócios da Recorrente não participam com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa não incluída no Simples Nacional, com receita bruta global acima do limite do Simples; (c) os sócios da Recorrente não são administradores ou equiparados de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, com receita bruta global acima do limite do Simples; (d) a Recorrente não participa do capital de outra pessoa jurídica; e (e) a Recorrente não é resultante ou remanescente de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento de pessoa jurídica”. 32.3 Sendo assim, a Recorrente não pode, de modo algum, ser excluída do Simples Nacional. 33. É o relatório. Na seqüência, foi proferido o acórdão recorrido, pela 11ª Turma da DRJ/RJ1, com o seguinte ementário: Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 SIMPLES. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. Considerase a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontramse sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. Na constatação fática da existência de grupo econômico é cabível a verificação do cumprimento ou descumprimento das condições de participação no sistema tributário simplificado em relação à totalidade das empresas do grupo, em virtude da solidariedade legal que se estabelece entre elas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Após intimada (fls. 481), empresa autuada apresenta, tempestivamente, seu respectivo Recurso Voluntário, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 13971.722924/201277 Acórdão n.º 1301003.078 S1C3T1 Fl. 552 13 Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso apresentado pela empresa autuada é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. Como relatado, através do Ato Declaratório nº 50, de 1 de novembro de 2012, a recorrente foi excluída do regime simplificado de pagamentos de tributos denominado de SIMPLES FEDERAL, com efeitos retroativos a 01/01/2008, por configurarse a situação impeditiva prevista no art. 3º , inciso II, § 4º (incisos I, IV, V, VII e IX); art. 29, inciso I; art. 30, inciso II e art. 31, inciso II da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. A acusação fiscal é de que as empresas MESH, COISA DE BEBÊ (optantes pela forma de tributação do SIMPLES) e WRCP (lucro presumido) integram um grupo econômico de fato, evidenciado pelo controle econômico e administrativo exercido nestas empresas pelo casal: Sr. Walter Luiz Spadoto Righetti e Sra. Roseli Irene Prebianca, juntamente com suas duas filhas: Rafaela Prebianca Righetti Picoli e Carolina Prebianca Righetti, cujo faturamento total é superior ao limite estabelecido para a opção do SIMPLES. De acordo com a fiscalização, as empresas MESH e COISAS DE BEBÊ são empresas remanescentes de desmembramento que ocorreu em 14/05/2007, devido à constituição da empresa WRCP, que teve por escopo distribuir o faturamento daquelas empresas, para permitir que se mantivessem como optantes do SIMPLES. A tabela abaixo apresenta a evolução do faturamento das empresas: Em sede de recurso, o contribuinte suscita preliminar de nulidade, e no mérito defende a inexistência de "grupo econômico", contrapondo os argumentos utilizados pela fiscalização. Nulidade do Acórdão Fl. 552DF CARF MF Processo nº 13971.722924/201277 Acórdão n.º 1301003.078 S1C3T1 Fl. 553 14 Alega a recorrente nulidade do acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa, pontuando que não foram analisados fundamentos e documentos apresentados pela defesa. Não assiste razão a recorrente. Verificase, da análise do voto condutor do julgado, que a lide foi solvida nos limites necessários e com a devida fundamentação, coerência e clareza, ainda que sob ótica diversa daquela almejada pelo Recorrente. Ademais, não custa lembrar que, mesmo consoante o artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, o julgador administrativo não está obrigado a rebater cada questão levantada pelo contribuinte quando a fundamentação delineada seja suficiente para embasar a decisão. Isso porque, se a fundamentação embasa a decisão, obviamente o julgador apreciou as demais teses e delas discordou. Portanto, a Recorrente pode discordar do teor da decisão, mas não tem razão quanto à alegada ausência de apreciação das matérias lançadas em sua peça de Impugnação, pois o acórdão recorrido está motivado e atende ao princípio da persuasão racional do julgador. Mérito Quanto ao mérito propriamente dito, vêse que a legislação do Simples Nacional (Lei Complementar) veda expressamente a opção pelo Simples por pessoa jurídica que seja resultante ou remanescente de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica que tenha ocorrido em um dos 5 (cinco) anoscalendário anteriores (art. 3º, §4º, IX). Com efeito, a fiscalização apresentou diversos elementos convergentes que demonstram que a empresa recorrente seria remanescente de desmembramento ocorrido quando da criação da empresa WRCP, possibilitando concluir ainda que as três empresas formam um grupo econômico de fato. Segundo os fatos relatados pela fiscalização, a evolução do faturamento das empresas Coisas de Bebê e Mesh indicava que, no ano de 2007, a soma das receitas brutas delas iriam superar o limite de R$ 2;400.000,00 estabelecido para empresas optantes pelo SIMPLES (uma vez que possuíam sócios em comum, conforme art. 3º, §4º, item III, da Lei Complementar nº 123, de 2006). Assim, após desligarse daquelas empresas, o Sr. Walter Luiz Spadoto Righetti (e sua filha, Srta. Carolina Prebianca Righetti), resolveu constituir a empresa WRCP, com a finalidade de, a partir daí, distribuir receitas e despesas entre as empresas do grupo, permitindo, com isso, que aquelas empresas continuassem usufruindo, indevidamente, dos benefícios tributários da opção pelo SIMPLES. O faturamento, no período, das três empresas advinha da comercialização de roupas infantis no atacado e varejo, sendo que a produção (confecção de roupas) era realizada unicamente pela MESH, a única que possuía linha de produção. Nessa empresa eram concentradas as maiores despesas com empregados, vinculados às funções administrativas, de produção e de expedição, inclusive superando seu faturamento, nos anos de 2010 e 2011. A partir de 04/2011, a empresa Coisas de Bebê, que atuava essencialmente no comércio varejista (lojas), passou a contratar empregados nas funções administrativas e de produção, apesar de não possuir nenhuma máquina. Já a empresa WRCP não possuía nenhum empregado, não Fl. 553DF CARF MF Processo nº 13971.722924/201277 Acórdão n.º 1301003.078 S1C3T1 Fl. 554 15 contratava serviços terceirizados para confecção de roupas, e nas suas instalações inexistiam máquinas de produção, incorreu em despesas com matériasprimas. Ou seja, há uma clara distribuição de receitas e despesas entre as três empresas do grupo. Embora argumente a recorrente inexistir desmembramento, vez que a constituição da nova empresa possuía o escopo específico para atender ao seguimento atacadista, e que tal objetivo inexistia nas empresas MESH e Coisas de Bebê, tal afirmação não se coaduna com as provas existentes nos autos, mormente quando se vê que a estrutura tanto administrativa como funcional foi herdada das duas empresas anteriores, pois, como frisado, a empresa WRCP não possuía empregado e adquiria produtos, tais como tecidos, botões, linhas, etiquetas, etc., sem nada produzir. Não há como entender que essa matériaprima seria transformada em produtos acabados para a venda aos clientes atacadistas se a empresa não possuía empregados e nem máquinas, o que se impõe concluir que, de fato, a Mesh é quem confeccionava os produtos com as matériasprimas pertencentes à WRCP. Por outro lado, é evidente que o resultado de uma cisão, ou qualquer outra espécie de desmembramento, são duas empresas independentes, não se prestando esta argumentação para desfigurar a constatação de desmembramento, pois a existência de independência entre empresas em questão não modifica a natureza da operação de desmembramento. Na verdade, quando ocorre o desmembramento de uma empresa, temse como resultado duas ou mais empresas menores, cada uma constituindo uma parte da empresa original e todas sendo resultado dessa operação. A finalidade da lei é impedir justamente o que ocorreu no caso: um desmembramento cujo objetivo real é a manutenção no regime favorecido, sendo a empresa formada e remanescentes atuando em conjunto, com um estrutura superior a das concorrentes menores, as quais realmente são o alvo da tributação favorecida disciplinada na lei. Por fim, registrese haver nos autos provas de contratos de empréstimo realizados perante à Caixa Econômica Federal, em favor das empresas Mesh e Coisas de Bebê, constando a participação do Sr. Walter Luiz Spadoto Righetti, sócio da empresa WRCP, como devedor solidário: O fisco ainda coletou procurações em nome do Sr. Walter Luiz Spadoto Righetti e Srta. Carolina Prebianca Righetti, ambos sócios da empresa WRCP, além de cheques da Mesh assinados pelo Sr. Walter. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 13971.722924/201277 Acórdão n.º 1301003.078 S1C3T1 Fl. 555 16 Fl. 555DF CARF MF Processo nº 13971.722924/201277 Acórdão n.º 1301003.078 S1C3T1 Fl. 556 17 Todos esses elementos são mais de que suficientes para identificar a interligação, administrativa e econômica das empresas MESH, COISAS DE BEBÊ e WRCP, pois demonstram as características dos vínculos existentes entre essas empresas e circunstâncias em que se constituíram e realizam suas atividades, e evidenciam que se trata, efetivamente, de um grupo econômico de fato. Portanto, entendo correta a expedição do Ato Declaratório Executivo nº 050, de 01/11/2012, pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau, excluindo a empresa COISAS DE BEBÊ CONFECÇÕES LTDA, do Simples Nacional. Conclusão Isso posto, voto por rejeitar a argüição de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 556DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14098.720154/2014-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
FALTA DE INTIMAÇÃO PARA ACOMPANHAMENTO DO JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDÊNCIA.
É improcedente a alegação de nulidade da decisão recorrida quando o julgamento obedece ao rito processual definido para os julgamentos de primeira instância, em relação aos quais inexiste previsão legal de intimação prévia para acompanhamento da sessão de julgamento
NULIDADE. INEXISTÊNCIA. VÍCIO NA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO A COOBRIGADO EXCLUÍDO DE OFÍCIO DO POLO PASSIVO. AMPLA DEFESA E DEVIDO PROCESSO LEGAL.
O vício na ciência do lançamento a coobrigado excluído de ofício do polo passivo não enseja a nulidade do lançamento fiscal para o sujeito passivo que, regularmente cientificado dos autos de infração, exerceu o direito à ampla defesa e ao devido processo legal.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. BLINDAGEM PATRIMONIAL. INTERPOSIÇÃO DE SÓCIOS. CONFUSÃO PATRIMONIAL.
A prática dos procedimentos de blindagem patrimonial, constituição de sociedades mediante utilização de terceiros sem capacidade econômica e confusão patrimonial caracterizam a existência de um grupo econômico de fato.
SUJEIÇÃO PASSIVA. EMPRESAS DE FACHADA. EMPRESA OPERACIONAL. CONTRIBUINTE.
A pessoa jurídica operacional que utiliza as contas bancárias de empresas de fachada para recebimentos e pagamentos de suas atividades próprias é contribuinte em virtude de sua relação direta e pessoal com as situações que constituem os fatos geradores.
ARBITRAMENTO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. OMISSÃO DE RECEITAS. BASE DE CÁLCULO.
Correta a apuração da base de cálculo mediante a aplicação dos percentuais de presunção previstos na legislação, acrescidos de vinte por cento, sobre a receita bruta conhecida acrescida das omissões de receitas apuradas com base em depósitos bancários realizados nas contas das empresas de fachada.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO E CONLUIO. PROCEDÊNCIA.
Procedente a aplicação da multa qualificada de 150% face à prática reiterada de declarar receitas inferiores às auferidas, com a utilização de empresas de fachada para diluir a movimentação financeira da empresa principal, o que demonstra o ajuste doloso entre os sócios de fato e demais interessados e caracteriza as hipóteses de sonegação e conluio.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE PRINCIPAL E MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora devidos à taxa Selic.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, COFINS E PIS.
Aplica-se a mesma solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão do lançamento estar apoiados nos mesmos elementos de convicção.
COFINS E PIS. OMISSÃO DE RECEITAS. ALÍQUOTAS.
Constatada a existência de vendas de produtos não sujeitos à tributação monofásica das contribuições para a COFINS e PIS e, diante da impossibilidade de identificar a alíquota aplicável às receita omitidas, correta a aplicação das alíquotas de 3% e 0,65%, nos termos do § 4º do art. 24 da Lei nº 9.249/95.
ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E PIS. EXCLUSÃO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Inexiste previsão legal, exceto ns casos de substituição tributária, para exclusão dos valores de ICMS da base de cálculo das contribuições para a COFINS e PIS.
Numero da decisão: 1301-002.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade da decisão recorrida por ausência de intimação quanto à sessão de julgamento da DRJ, e, por maioria de votos, rejeitar a arguição de nulidade do lançamento em razão de vício na ciência do Termo de Ciência de Lançamento(s) e Encerramento Total do Procedimento Fiscal - Responsabilidade Tributária ao coobrigado Alonso Zacarias da Silva, e, de ofício, excluí-lo do polo passivo da obrigação tributária, vencido o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza que votou pela intimação da Procuradoria da Fazenda para que se manifestasse sobre o interesse, ou não, de exclusão do coobrigado do polo passivo da obrigação tributária. No mérito: (i) quanto às infrações imputadas e a multa cominada, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário: (ii) por voto de qualidade, negar provimento quanto à incidência de juros sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelson Kichel e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDÊNCIA. É improcedente a alegação de nulidade da decisão recorrida quando o julgamento obedece ao rito processual definido para os julgamentos de primeira instância, em relação aos quais inexiste previsão legal de intimação prévia para acompanhamento da sessão de julgamento NULIDADE. INEXISTÊNCIA. VÍCIO NA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO A COOBRIGADO EXCLUÍDO DE OFÍCIO DO POLO PASSIVO. AMPLA DEFESA E DEVIDO PROCESSO LEGAL. O vício na ciência do lançamento a coobrigado excluído de ofício do polo passivo não enseja a nulidade do lançamento fiscal para o sujeito passivo que, regularmente cientificado dos autos de infração, exerceu o direito à ampla defesa e ao devido processo legal. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. BLINDAGEM PATRIMONIAL. INTERPOSIÇÃO DE SÓCIOS. CONFUSÃO PATRIMONIAL. A prática dos procedimentos de blindagem patrimonial, constituição de sociedades mediante utilização de terceiros sem capacidade econômica e confusão patrimonial caracterizam a existência de um grupo econômico de fato. SUJEIÇÃO PASSIVA. EMPRESAS DE FACHADA. EMPRESA OPERACIONAL. CONTRIBUINTE. A pessoa jurídica operacional que utiliza as contas bancárias de empresas de fachada para recebimentos e pagamentos de suas atividades próprias é contribuinte em virtude de sua relação direta e pessoal com as situações que constituem os fatos geradores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 72 01 54 /2 01 4- 06 Fl. 31474DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.475 2 ARBITRAMENTO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. OMISSÃO DE RECEITAS. BASE DE CÁLCULO. Correta a apuração da base de cálculo mediante a aplicação dos percentuais de presunção previstos na legislação, acrescidos de vinte por cento, sobre a receita bruta conhecida acrescida das omissões de receitas apuradas com base em depósitos bancários realizados nas contas das empresas de fachada. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO E CONLUIO. PROCEDÊNCIA. Procedente a aplicação da multa qualificada de 150% face à prática reiterada de declarar receitas inferiores às auferidas, com a utilização de empresas de fachada para diluir a movimentação financeira da empresa principal, o que demonstra o ajuste doloso entre os sócios de fato e demais interessados e caracteriza as hipóteses de sonegação e conluio. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE PRINCIPAL E MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora devidos à taxa Selic. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, COFINS E PIS. Aplicase a mesma solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão do lançamento estar apoiados nos mesmos elementos de convicção. COFINS E PIS. OMISSÃO DE RECEITAS. ALÍQUOTAS. Constatada a existência de vendas de produtos não sujeitos à tributação monofásica das contribuições para a COFINS e PIS e, diante da impossibilidade de identificar a alíquota aplicável às receita omitidas, correta a aplicação das alíquotas de 3% e 0,65%, nos termos do § 4º do art. 24 da Lei nº 9.249/95. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E PIS. EXCLUSÃO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal, exceto ns casos de substituição tributária, para exclusão dos valores de ICMS da base de cálculo das contribuições para a COFINS e PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade da decisão recorrida por ausência de intimação quanto à sessão de julgamento da DRJ, e, por maioria de votos, rejeitar a arguição de nulidade do lançamento em razão de vício na ciência do Termo de Ciência de Lançamento(s) e Encerramento Total do Procedimento Fiscal Responsabilidade Tributária ao coobrigado Alonso Zacarias da Silva, e, de ofício, excluílo do polo passivo da obrigação tributária, vencido o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza que votou pela intimação da Procuradoria da Fazenda para que se manifestasse sobre o interesse, ou não, de exclusão do coobrigado do polo passivo da obrigação tributária. No mérito: (i) quanto às infrações imputadas e a multa cominada, por Fl. 31475DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.476 3 unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário: (ii) por voto de qualidade, negar provimento quanto à incidência de juros sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelson Kichel e Roberto Silva Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1281.412, proferido pela 4ª Turma da DRJ/RJO que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora recorrente e declarou a revelia em relação aos 27 responsáveis solidários, e manteve os autos de infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, em que foi efetuado o arbitramento do lucro com base na receita bruta de revenda de mercadorias e aplicada multa de ofício qualificada de 150%. Por bem relatar o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo órgão julgador a quo, complementandoo ao final: DO LANÇAMENTO. Tratase de lançamento tributário abrangendo os anoscalendários 2009 a 2012, efetuado sob a jurisdição da DRF/CuiabáMT, pelo qual constituíramse créditos tributários acrescidos de multa qualificada, e juros de mora calculados até 09/2014. As datas e formas pelas quais os sujeitos passivos (contribuinte e responsáveis solidários) foram cientificados do lançamento encontramse relacionadas no quadro de intimações de fls. 31.066/31.067. O valores lançados foram os seguintes: Fl. 31476DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.477 4 Tributo Auto de Infração Fls. Data do Lançamento Valor do Principal (R$) Data da Ciência Fls. Multa IRPJ 03/20 13.679.094,65 CSLL 71/88 5.868.47,42 COFINS 123/139 13.730.971,80 PIS 152/164 23/09/2014 2.975.043,88 diversas Demonstrativo de fls. 31066 / 31067 150% DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL (TVF) – IRPJ e TRIBUTOS REFLEXOS (fls. 176/257) E DA OPERAÇÃO LARANJA MECÂNICA. 2. Segundo consta do TVF, a ação fiscal decorreu da operação conjunta entre RFB, PF e MPF, denominada Laranja Mecânica, que demonstrou a existência de uma rede de distribuição de auto peças com o objetivo de sonegar impostos e contribuições fl. 176. 2.1 O presente relatório abordará desde os atos anteriores ao procedimento fiscal, eis que vinculados à operação mencionada, bem como à análise dos documentos apreendidos, eis que utilizados como meios de prova. 2.2 Inicialmente, as investigações da citada operação recaíram sobre o grupo de empresas denominado REDE PRESIDENTE, que era administrado por uma parte da chamada “Família Tolardo”; no curso das investigações, porém, foi identificada a existência de outro grupo, denominado GRUPO VESPOR (GV1 objeto do presente processo), integrado por um conjunto de empresas administradas por outra parte da Família Tolardo, cujos membros são os seguintes fl. 177: José Dario Tolardo (irmão do falecido Samuel Tolardo); Maria Silene Tolardo (esposa de José Dario); Eliana Tolardo Galli (filha, casada com Carlos Eduardo Galli); Heloísa Tolardo de Lira (filha, casada com Edvaldo Elias Lira); Fabio César Tolardo (filho, casado com Cleireanny Orlandini de Oliveira Tolardo); e, Eduardo Henrique Tolardo (filho, casado com Ângela Maria Della Rovere Tolardo). 2.3 O GV surgiu a partir da dissolução informal da empresa Tolardo Auto Peças Ltda (atualmente denominada Real Iguaçu Auto Peças Ltda)2 – fl. 219. 2.4 Em determinado momento, no curso da operação, a fiscalização tributária verificou que, num período anterior aos fatos analisados nestes autos, houve a 1 Grupo empresarial de tradição familiar no ramo de autopeças há 55 anos, com origem no noroeste do Paraná fl. 203. 2 A qual esteve inativa de 1997 a 2007, estando omissa a partir de então. Fl. 31477DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.478 5 abertura de diversas empresas3, de forma sucessiva, sendo todas utilizadas pelo GV para os mesmos fins (detalhados no TVF). Isso ocorreu antes da constituição da VESPOR AUTOMOTIVE DISTRIBUIDORA DE AUTO PEÇAS LTDA (*VA), empresa ora autuada. Foi constatado que o GV, com o objetivo final de sonegar tributos e contribuições, procedia da seguinte forma: utilizava as mesmas pessoas físicas como interpostas pessoas (sócios de direito de fachada, sem capacidade financeira) para acobertar os sócios de fato (integrantes da Família Tolardo), sendo alguns sócios de direito antigos empregados da Real Iguaçu, Superpeças e Autoeuropeças, e outros, que tiveram vínculos com a VA; constituia empresas de fachada para efetuar movimentação financeira no lugar daquelas operacionais, e outras, para administrar os bens imóveis da Família; utilizava os mesmos endereços na constituição das empresas, após o abandono da Real Iguaçu; e, utilizava vocábulos semelhantes ao nome “Vespor” nos nomes empresariais, além de as atividades comerciais dessas empresas se assemelharem (fls. 219, 220, 226 e ss). 2.5 Verificouse, também, que empresas de fachada (integrantes do GV) apresentaram declarações sem valores, ou com cifras irrisórias, ou, ainda, estiveram omissas em suas declarações; sendo tal prática (defende o fisco) condizente com a de abandono de empresas, na qual referidas pessoas jurídicas são utilizadas para realizarem operações de determinado grupo empresarial, por determinado tempo, para depois serem deixadas de lado sem patrimônio e com sócios (de fachada) sem capacidade financeira. 2.6 Houve empresas (tópico III e VI) constituídas por interpostas pessoas e/ou por empresas estrangeiras/inativas, cujos representantes no Brasil também eram interpostas pessoas. 2.7 As empresas do GV, identificadas no procedimento fiscal, foram as seguintes: VESPOR AUTOMOTIVE DISTRIBUIDORA DE AUTO PEÇAS LTDA (*VA) TITAMARI FACTORING LTDA V P AUTO PEÇAS LTDA V S AUTOMOTIVVE DISTRIBUIDORA DE AUTO PEÇAS LTDA DONAMAISON ADMINISTRADORA DE BENS LTDA DNAMICA SERVIÇOS EMPRESARIAIS PART. LTDA CARHILL COMÉRCIO DE AUTO PEÇAS LTDA PARKE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES 3 SIMAP, VESPORTRANS, EMPÓRIO DAS PEÇAS, V. P. TRANSPORTES, AUTOEUROPEÇAS, SUPERPEÇAS e FRIBRAS'FIL. Fl. 31478DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.479 6 ATIVA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA VRCAR DISTRIBUIDORA DE AUTO PEÇAS LTDA DIPER DISTRIBUIDORA DE AUTO PEÇAS LTDA FERREIRA COMÉRCIO EMPREENDIMENTOS E PART. LTDA HIPERPEÇAS ATACADO DE AUTO PEÇAS LTDA – ME SUPERPEÇAS COMÉRCIO DE AUTO PEÇAS LTDA 2.8 A V.A. era empresa operacional e a principal do GV. Tinha como atividade a revenda de autopeças, e o domicílio de sua filial 0015 era onde funcionava a Diretoria e a Central de operações4, sendo esse o local da apreensão de diversos documentos e mídias, que indicaram diversas estratégias com intuito de sonegação nas atividades do GV (fls. 188 e 203). Da central de operações, se operavam as empresas de fachada5, responsáveis pela movimentação da maior parte dos recursos financeiros do GV. 2.9 A V.A., cujo domicílio fiscal era igual ao de algumas empresas acima descritas6, foi constituída com os sócios VALLE EMPREENDIMENTOS E PART. LTDA (95%), empresa que sempre se declarou inativa; e MARIA SILENE TOLARDO (5%), que foi substituída, em 2006, por ALONSO ZACARIAS DA SILVA7. A VALLE, possuía os sócios VESPORT FINANCE LIMITED8 (99,9%) e MARIA IRACEMA DA SILVA9 (0,1%), que era procuradora da VESPORT. Em 2003, JOSE DARIO substituiu IRACEMA na sociedade, e essa o substituiu em 29/06/2006 – fl. 216. 2.10 O endereço da VALLE era o mesmo da V.A. (Matriz), que era igual ao da filial 2 da SUPERPEÇAS (citada mais abaixo), e igual ao da filial 20 da REAL IGUAÇU fl. 227. 2.11 A V.A. não possuía bens em seu nome, sendo constatado que, na maioria dos contratos de locação de imóveis nos quais suas filiais eram locatárias, os sócios de fato do GV figuraram como avalistas10 (fl. 225/226). 4 Formalmente criada em 2013 como filial 0015 da VA fl. 179 e 1863. Identificado nos autos do IPL como "Sede da Vespor e coligadas" fl. 187. Os exames dos documentos apreendidos na central do GV encontramse no anexo I, conforme fl. 188. 5 Essas empresas de fachada eram a TITAMARI FACTORING LTDA, V P AUTO PEÇAS LTDA e V S AUTOMOTIVE DISTRIBUIDORA DE AUTO PEÇAS LTDA. 6 Igual ao da VALLE, filial 002 da SUPERPEÇAS e ao da filial 0020 da REAL IGUAÇU. 7 Alonso possuia antiga vinculação com as empresas da família Tolardo. Antes de entrar como sócio da VA, em 25/05/2006, havia passado pelas empresas Real Iguaçu (como vendedor); Importadora Tolardo; Autoeuropeças; e a VA de 10/2003 a 04/2006 (como assistente e auxiliar adm). Declarouse isento em 2003 e, entre 2004 e 2006, declarou rendimentos de R$ 12,6 mil, em média; entre 2008 a 2012 ,teve movimentação financeira de R$ 310 mil, informando rendimentos de R$ 203 mil. Alonso, nunca administrou, nem tinha capacidade financeira para ser sócio da VA, que já possuía 6 filiais, em 2006. 8 Empresa estrangeira, situadas nas Ilhas Virgens Britânicas. 9 IRACEMA era empregada do GV desde a existência da Tolardo Auto Peças (desde 1991) fl. 216; possuia cargo de diretora da VA, formalmente nomeada, sendo funcionária mais próxima das decisões importantes e, atuando em reuniões com filiais, intermediando assuntos com advogados, resolvendo problemas tributários e elaborando planejamentos; IRACEMA também era uma das operadoras das contas bancárias da VA Automotive, VS Automotive e VA Distr, juntamente com ZENAIDE CHIQUETII – fl. 205/206 e 212); consta que recebera procuração de ROGÉRIO MARCIO TOLARDO para alienar imóveis (fl. 213). 10 Sócios de fato eram integrantes da Família Tolardo. Fl. 31479DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.480 7 ABANDONO DE EMPRESAS E EMPRESAS “LARANJAS” 2.12 Dos quatro procedimentos de fiscalização abertos, três se deram em face das mencionadas empresas de “fachada”, utilizadas para movimentar a maior parte dos recursos financeiros do GV11, sendo responsáveis pela parte operacional dos negócios, na maioria das vezes relacionada à atividade de revenda de autopeças (relacionada à VA), e ao comercio varejista de acessórios para automóveis (relacionada à CARHILL COM. DE AUTO PEÇAS LTDA – descrita mais abaixo). 2.13 As empresas de fachada que foram sendo sistematicamente abandonadas pelos administradores do grupo (fl. 213 e 217) são: TITAMARI FACTORING LTDA; V P AUTO PEÇAS LTDA; V S AUTOMOTIVE DISTRIBUIDORA DE AUTO PEÇAS LTDA; A TITAMARI era inexistente de fato, cujo CNPJ encontravase inapto. Foi aberta em 02/12/2002, apresentando declarações de inatividade até 2005; de 2005 a 2009 esteve omissa, porém, movimentando recursos em suas contas correntes. Através de trabalhos da DEFIS/SP, detectouse a existência de pagamentos efetuados pela TITAMARI referentes a compras feitas pela V.A. a fornecedores de auto peças, informação confirmada pelos beneficiários e remetentes de recursos envolvendo as contas bancárias da TITAMARI. Também foi constatado, através de auditorias procedidas pela DRFCuiabá MT, que: i) funcionários da V.A. operavam contas bancárias da TITAMARI através de procurações por ela outorgadas; ii) que o quadro social da TITAMARI era composto por sócios sem capacidade financeira; e, iii) que a empresa não possuía atividade própria fls. 193/194. 2.14 O procedimento de fiscalização (fls. 181 e ss) em face da TITAMARI foi aberto em razão da expressiva movimentação financeira em 2009, estando a empresa omissa, e do aparecimento de seu nome nas investigações da Operação Laranja Mecânica. 2.15 Nas diligenciadas às empresas que efetuaram pagamentos por meio de cobranças bancárias para a TITAMARI, suas respostas (compiladas no anexo VIII) demonstraram que: A maioria dos pagamentos eram referentes a vendas efetuadas pela VA; Foram utilizados recursos na aquisição de bens para integrantes da família Tolardo (sócios de fato); Houve diversas procurações outorgadas para empregados da V.A. operarem contas bancárias da TITAMARI; Houve informações negativas indicando a ocorrência de vendas sem notas fiscais ou que os nomes dos clientes foram usados para outras operações; 2.16 Diligenciadas, por outro lado, as empresas beneficiárias de pagamentos efetuados pela TITAMARI, suas respostas demonstraram que: 11 Cerca de 7 vezes maior que a movimentação financeira da V.A FL. 216 e 218. Fl. 31480DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.481 8 A maioria dos pagamentos era relacionada ao fornecimento de auto peças para a V.A., e de veículos para os integrantes da família (sócios “de fato”). 2.17 Também foram encontrados pagamentos efetuados pela TITAMARI para sócios de fato e de direito, empregados, procuradores e outras empresas do GV – fl. 182 (ref. Anexo XI). 2.18 A intimação que expôs essas informações à TITAMARI não foi respondida, tendo a empresa sido intimada por edital. 2.19 A partir de 05/11/2009, os recursos da V.A. deixaram de ser movimentados pela TITAMARI12 sendo transferidos para a VP. 2.20 A V.P. era outra empresa de fachada, criada em 08/09/2008 (fl. 199), possuindo no seu quadro social interposta pessoa e PJ Inativa, a saber: ANTONIO CÉZAR LOPES (sócioadministrador desde 01/2009, com 1%), que possuía o mesmo endereço da V.P., e teve em seu cadastro de CPF endereços de várias empresas nas quais SÉRGIO FERREIRA DA CONCEIÇÃO13 e DINA MARIA DE SOUZA14 foram sócios, sendo várias delas integrantes da estrutura do GV. ANTONIO, entre 2009 e 2012, informou em suas DIRPF rendimentos recebidos de pessoas físicas nos valores entre R$ 18 e 24 mil anuais demonstrando não dispor de capacidade financeira; FERREIRA COMÉRCIO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA (99%) fl. 195, constituída em 2000, omissa em 2008, e inativa a partir daí. Possuía como sócios SÉRGIO15 (que era seu representante legal) e sua mãe, FRANCISCA BARROSO DA CONCEIÇÃO (fl. 199). O CPF de SERGIO (175.946.66895) encontravase cancelado por multiplicidade de inscrições, tendo sido identificadas mais de 04 inscrições no cadastro em seu nome. Os endereços do 12 Isso foi verificado nas cópias de emails entre funcionários da VA em Cuiabá, Sinop, Goiânia, Belo Horizonte, Vitória, Maringá (Zenaide Chiquetti), São Paulo, Ribeirão Preto, tratando da mudança de cobranças da TITAMARI para a VP, e desta para a VS (fls. 193 e 198). 13 Que era representante legal da empresa Ferreira Comércio Empr. e Part Ltda (sócia da VP) e da própria V.A. 14 Que foi sócia da VESPOTIMER e das empresas BAR SAMBA E CACHAÇA e FIBRAS FIL, que já tiveram em seus quadros societários SERGIO FERREIRA DA CONCEIÇÃO. Foi sócia da VS, substituindo SERGIO (como se verá adiante). 15 SERGIO era "sócio" de direito, tendo declarado o seguinte, em suas DIRPF: 2008: rend. rec. de pessoas físicas no valor de R$ 18 mil; 2009 e 2010: não há informação de rendimentos, bens ou direitos; 2011: rend. rec.de pessoas físicas no valor de R$ 23 mil; 2012: omisso. FRANCISCA, sua mãe, também era "sócia" de direito. 2008: aposentada; rend. rec. de pessoas físicas no valor de R$ 10 mil. 2009: aposentada; rend. rec.de pessoas físicas no valor de R$ 7,2 mil. 2010: aposentada; rend. rec. de pessoas físicas no valor de R$ 7,2 mil. 2011: omissa; 2012: omissa; DINA: 2008: sem informações; 2009: sem infomrações; 2010: rend. rec. de pessoas físicas no valor de R$ 18 mil; 2011: sem informações; 2012: omissa; LUCIANA (sócia com Dina); 2008 a 2012: omissa; Fl. 31481DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.482 9 histórico do CPF cancelado coincidem com o endereço da empresa VESPORTRANS16. 2.21 Nas informações financeiras da V.P. (analisadas pela DRF/Cuiabá) também foram encontrados pagamentos para sócios de fato, sócios de direito, empregados, procuradores e outras empresas do GV (conforme anexo XI); e as respostas recebidas de beneficiários e remetentes de recursos envolvendo as contas bancárias da V.S. (diligenciados) confirmaram se referirem a atividade operacional da V.A. – fl. 200 (nos mesmos moldes da TITAMARI). Também houve informações negativas indicando vendas sem notas fiscais ou que os nomes dos clientes foram utilizados para outras operações. 2.22 Os fatos acima evidenciariam que a V.P. foi constituída por sócios sem capacidade financeira, não possuindo atividade própria, servindo aos propósitos da V.A. e de seus sócios de fato. 2.23 O procedimento fiscal de fiscalização sobre a V.P., se iniciou (fls. 182 e ss) em razão de movimentação financeira incompatível com suas declarações de inatividade (e também porque já havia sido constatado que tal empresa sucedeu à TITAMARI na movimentação da maior parte dos recursos financeiros da V.A. – como visto acima). 2.24 A empresa não apresentou Dacon, Dctf, EFD, ECD, nem emitiu NFe, e não atendeu às intimações da fiscalização ao solicitarem esclarecimentos acerca da movimentação financeira, escrituração comercial, e esclarecimentos sobre a atividade exercida pela empresa, tendo sido intimada diversas vezes por edital – fls. 182/184. 2.25 Foi declarada inapta através do ADE nº 57/2014, publicado no DOU em 03/04/2014. 2.26 Diversos funcionários da V.A. também possuíam procuração para movimentarem as contas da VP. 2.27 Os documentos apreendidos na central de operações do GV foram relacionados no anexo XX. 2.28 A partir de 08/07/2011, os recursos da V.A. deixaram de ser movimentados pela V.P., sendo transferidos para uma terceira empresa, a V.S. (conforme relato de fl. 193 e 198). 2.29 A V.S. era empresa de fachada, da mesma forma que a TITAMARI e V.P.. Era constituída por interposta pessoa e PJ inativa, tendo movimentado recursos em torno de R$ 213 milhões, entre 2011 e 2012 (fl. 198). Seu nome estava relacionado em uma agenda completa da V.A. (apreendida no curso da operação conjunta), com a indicação sobre o ínicio de sua utilização pela V.A. (fl. 198)17. 2.30 Foi constituída em 01/08/2008, com os “sócios” SERGIO18 e FERREIRA COMÉRCIO (sócia da VP), conforme cópia do contrato social de constituição, apreendidO em 01/08/2008. 16 Mencionada no tópico VI ESTRUTURA DO GRUPO VESPOR, sendo empresa já utilizada pelo GV antes da constituição da VA FL. 219. 17 Juntamente com a VESPOTIMER, TITAMARI e VP. 18 Como visto era sócio sem capacidade financeira, representante legal da empresa Ferreira Comércio Empr. e Part Ltda (sócia da VP) e da própria V.A. Fl. 31482DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.483 10 2.31 Através de alteração contratual, datada de 07/12/2010, SERGIO e FERREIRA COMÉRCIO foram substituídos por DINA e DNAMICA SERVIÇOS EMPRESARIAIS PARTICIPAÇÕES LTDA*, empresa representada por DINA (uma de suas sócias) fl. 198 e 199 (Como descrito à fl. 199, DINA e SÉRGIO possuíram diversos CPF utilizados na abertura de várias empresas do GV). * A DNAMICA, empresa aberta em 2010, somente apresentou declarações de inatividade. Seus sócios eram DINA e LUCIANA SOUZA DA CONCEIÇÃO (essa estava com CPF suspenso fl. 199). 2.32 Os fatos acima evidenciariam que a V.S. também foi constituída por sócios sem capacidade financeira, não possuindo atividade própria, servindo aos propósitos da V.A. e de seus sócios de fato (fl. 200). 2.33 Houve outros vínculos da V.S. com o GV, pelo fato de ter endereço igual às filiais 006 e 012 da V.A., e semelhante aos das empresas V R COMÉRCIO DE AUTO PEÇAS LTDA – fl. 20019, VESPOR AUTO COMÉRCIO VAREJISTA DE AUTO PEÇAS LTDA20 e VESPEÇAS COMÉRCIO DE PEÇAS AUTOMOTIVAS LTDA21. Todas essas empresas tiveram SÉRGIO e DINA em seu quadro societário. 2.34 O procedimento fiscal de fiscalização em face da V.S. (fls. 185 e ss) se deu em face de ter havido movimentação financeira incompatível com sua condição de inatividade (e também porque já havia sido constatado na operação Laranja Mecânica que referida empresa substituira a VP). 2.35 Não houve resposta da V.S. sobre o que lhe foi solicitado pela equipe de fiscalização, tendo, então, sido intimada por edital. 2.36 Foi declarada inapta pelo ADE 59/2014, publicado em 03/04/2014 – fl. 186. 2.37 A resposta obtida de beneficiários de pagamentos e empresas que remeteram pagamentos para a V.S. (compilados no anexo X) confirmaram o fato de que as suas contas bancárias serviram para movimentar recursos da V.A. (pagamentos e recebimentos), e de que houve vendas sem notas ou de que nomes de clientes foram utilizados para outras operações. 2.38 Diversos empregados da V.A. possuíam procuração para movimentar as contas da VS. 2.39 Também foram encontrados pagamentos a sócios de fato e de direito, empregados, procuradores e outras empresas do GV (vide anexos XI e XIX). DO PROCEDIMENTO FISCAL EM FACE DA VESPOR AUTOMOTIVE 2.40 Relatouse no TVF (fls. 177 e ss) que a referida empresa não apresentou livro caixa, deixando de fornecer os esclarecimentos sobre as divergências entre 19 Outro braço financeiro do GV, tinha como responsável legal DINA MARIA DE SOUZA (CPF 106.144.178 48), estando inativa de 2008 a 2011, e omissa em 2012 fl. 1890/1891 e 1924. 20 Também tinha como responsável legal, DINA FL. 1924. 21 Tinha como sócios DINA e DNAMICA, sendo aquela a responsável legal fl. 1924. Fl. 31483DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.484 11 receita operacional declarada (em DIPJ) e as vendas apuradas pelas NFe, no período de 2009 a 201222. 2.41 Ao ser intimada a prestar informações sobre a TITAMARI, a V.A. respondeu (em síntese) que: Era empresa contratada para prestar serviços financeiros; Não houve manobra para sonegação de tributos; O fato de empregados da V.A. operarem as contas bancárias da TITAMARI era parte do contrato de prestação de serviços, assim como o pagamento a fornecedores e recebimentos de vendas por intermédio dessas contas; Não reconhece, na totalidade, os valores indicados pela fiscalização como sendo receitas suas, informando que estaria efetuando diligências junto à TITAMARI para obter documentos de quais seriam suas receitas, tendo em vista que não tem acesso à movimentação financeira daquela empresa; Que podia esclarecido o fato de vários sócios do GV (incluindo os sócios de fato, empregados, procuradores e mesmo outras empresas do GV (terem recebido recursos das contas da TITAMARI; Solicitou mais 30 dias para apresentar resposta conclusiva. 2.42 A solicitação de prorrogação foi indeferida porque restava claro para a fiscalização que as operações comerciais encontradas nas contas bancárias de TITAMARI, V.P. e V.S. eram decorrentes da atividade operacional da V.A., e que haveria omissão de receitas por parte da V.A., tendo em vista que: As receitas operacionais informadas na intimação de fl. 395 eram compatíveis com o faturamento apurado através das mídias apreendidas23; Os valores encontrados nas contas da VP e VS também eram compatíveis com os encontrados nas mídias, bem como em mensagens eletrônicas das mesmas fontes; e, O volume de compras informados pelos fornecedores da V.A., através de NFe, era 123% maior que o das vendas declaradas por ela em DIPJ24. 2.43 Em resposta ao termo de indeferimento, a V.A. informou que: A relação com a TITAMARI era estritamente comercial; Que tentou efetuar diligência junto a TITAMARI, mas nada conseguiu obter daquela empresa; Que não tem participação societária nas empresas mencionadas no Termo de 18/07/2014 (VP, V.S. e TITAMARI); Que não reconhece a central de operações em MaringáPR25; 22 Vide Termo de Início de Fiscalização às fls. 369/370. 23 Conforme detalhamento constante do Termo de Informação de fls. 399/400, Item 2.1 (in totum). 24 Entre 2009 e maio de 2012. 25 Como dito, fio o local de apreensão de vários documentos, cujo endereço corresponde à filial 0015 da V.A. – fl. 179. Fl. 31484DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.485 12 Que não reconhece o faturamento extraído das mídias, pois são meras projeções não realizadas, e que suas receitas são as que foram declaradas; 2.44 Entretanto, a fiscalização observou em seu TVF (fl. 179) que: As receitas declaradas pela V.A., a partir de 2010, foram inferiores àquelas apuradas através das NFe de vendas por ela emitidas; As compras apuradas foram superiores às receitas declaradas (e escriturada) em todos os anos sob exame; O faturamento apurado através das mídias e documentos era compatível com o conjunto da movimentação financeira das empresas TITAMARI, V.S. e VP; Houve emails da diretora da V.A., IRACEMA, para outros diretores; Na perícia, ficou constatada a utilização dos computadores por empregados e sócios de fato da V.A. (demonstrando claramente o funcionamento da referida empresa no local); 2.45 Abaixo seguem as telas com os valores mencionados: 2.46 A fiscalização observou, também, que a resposta ao termo de indeferimento foi assinada pelo Sr. Sergio Ferreira da Conceição26, procurador da V.A. e sócio na abertura da VS27; sócio da Ferreira Comércio Empreendimentos (inativa), que por sua vez é sócia da VP28. 2.47 Em relação ao PIS/COFINS, foi solicitada informação sobre as divergências apuradas, em razão da base de cálculo elaborada a partir das NFe, bem como da entrega em meio digital dos valores apurados nas contas bancárias das empresas TITAMARI, V.P. e VS. A resposta protocolada acatou os números apresentados pela fiscalização (fl. 180), solicitando prorrogação por 90 dias para as demais solicitações. O documento, no entanto, foi assinado por Geralda Caetano Moreira29, que não tinha poderes de representação da V.A., tendo a referida empresa apresentado outra resposta, assinada por Sergio Ferreira, reiterando o pedido de prorrogação, que foi indeferido (fl. 180). Essa situação, porém, está sendo tratada em outro processo. 26 Como mencionado no TVF, nos tópicos VII, item VII.1, e nesse relatório, foi sócio de várias empresas (algumas do GV), utilizando CPF distintos. 27 Item III.6, tópico III. 28 Item III.5, tópico III. 29 A qual, como já constou do relatório, tinha procuração da VP. Fl. 31485DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.486 13 2.48 O contribuinte não se manifestou sobre as divergências entre receitas informadas em DIPJ, EFD e NFe, não tendo apresentado também arquivos digitais de sua contabilidade. 2.49 Havia também duas empresas (DONAMAISON ADMINISTRADORA DE BENS LTDA – ME e DENVER ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA). A DONAMAISON, aberta em 17/10/2002, tinha inicialmente como sócios os irmãos Heloísa, Eduardo Henrique, Fábio e Eliana; citada empresa outorgou poderes relacionados às tarefas de “administração dos imóveis rurais” que estavam em nome dos “sócios” de fato das empresas do GV; diversos bens, durante o ano de 2013, foram sento transferidos para a DONAMAISON – fl.225, sendo que o objetivo de sua constituição era, ao que tudo indicava, o de congregar parte do patrimônio imobiliário do GV, sendo que imóveis já vinham sendo transferidos para a referida empresa ao longo de anos, provenientes de vários integrantes da Família Tolardo – fl. 213 V.2. 2.50 A DENVER, aberta em 26/06/213, possuía os mesmos sócios da DONAMAISON, tendo (ao que tudo indica) a mesma função de congregar parte do patrimônio imobiliário do GV. 2.51 A empresa REAL IGUAÇU (antiga Tolardo Auto Peças) tinha como responsável legal JOSE DARIO TOLARDO, substituído por ODETE CARDOSO BERTI (exempregada da REAL IGUAÇU e da IMPORTADORA TOLARDO, incorporada pela REAL) – fl. 223, a qual foi substituída por MANOEL ACLIDES DE OLIVEIRA NEVES, contribuinte individual, com a ocupação de pedreiro fl. 224, evidenciando transferência das quotas de capital para pessoas sem capacidade financeira para adquirir uma empresa que, até 1988, possuía 40 estabelecimentos espalhados pelo Brasil (fl. 224). A partir daí, a REAL foi sendo abandonada. A ALL SERVICES SOLUTION TECNOLOGIA EM VENDAS DE EQUIPAMENTOS ELETROELETRÔNICOS E REPRESENTAÇÃO EM SEGURANÇA LTDA (Antiga VESPOTIMER FACTORING LTDA), foi também empresa de fachada que movimentou os recursos financeiros do GV entre 2004 e 2005 – fl. 192 e 227, portanto, antes da constituição da VA. 2.52 Desde 2009m encontravase omissa, estando sua inscrição suspensa por pedido de baixa indeferido. 2.53 O endereço anterior da ALL SERVICES era idêntico ao endereço da V.P.30, que também era igual ao das empresas BAR SAMBA E CACHAÇA e FIBRAS FIL, que já tiveram em seus quadros societários DINA e SERGIO (já mencionados). 2.54 A CARHILL (VAREJOCAR31), foi constituída em 27/12/2010, declarandose inativa em 2010 e 2011, e estando omissa em 2012. Tinha como sócios PARKE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA32, e IZAIAS CARLOS TOSTA. A PARKE, por sua vez, tinha como sócios OTTER OVERSEAS SA (empresa estrangeira situada no Panamá) e IZAÍAS, que também era procurador da OTTER no Brasil, e procurador dos membros da Família Tolardo (Edvaldo, Carlos Eduardo, Cleireanny e Ângela Maria33), sendo que EDVALDO e 30 Av. Cásper Líbero, 538, Bairro Santa Efigênia, São PauloSP fl. 197. 31 Que atuava no comercio varejista de acessórios para automóveis. 32 Constituída em 30/09/2010. 33 Vide Tópico V Procurações apreendidas no cartório do distributo de Iguatemi, Comarca de Maringá/PR. Fl. 31486DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.487 14 CLEIREANNY (sócios “de fato” da CARHILL e de outras empresas do GV) substituíram PARKE e IZAÍAS na sociedade34. 2.55 Outros vínculos da CARHILL com a V.A. foram os seguintes: i) email do fornecedor CONTROIL – Deise Baldo para Renata / Depto de Marketing, em 06/02/2012, identificado nas mídias apreendidas (item 15 – fl. 206/207); ii) constatação de que a PARK firmou contrato de locação do estabelecimento de CARHILL em MaringáPA, cujas prestações foram pagas com a utilização das contas bancárias da V.P. (demonstrando a utilização dessa empresa pelo GV); iii) o endereço da CARHILL (matriz) era semelhante ao de outras 07 empresas do GV (fl. 191/192); e, iv) entrada em DBE35, em 04/02/2011, recebido por IRACEMA, para assinatura de IZAÍAS, repassado para ZENAIDE CHIQUETTI36. 2.56 Outra empresa do GV era a ATIVA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA – fl. 20137, inativa em 2009 e 2010, e optante do lucro presumido em 2011 (porém, sem receita informada), estando omissa em 2012. Tinha como sócios i) empresa estrangeira no Panamá (WESTGREEN OVERSEAS S.A), cuja procuradora era ELIANE FERNANDES DO NASCIMENTO, e, ii) a própria ELIANE, que era interposta pessoa, apesar de não possuir vínculos empregatícios no sistema CNIS, seus dados constam da DIRF de 2010 da V.A., com rendimentos do trabalho assalariado – cód. 056138 (tela abaixo). Suas DIRPF de 2008 a 2012, no entanto, informam rendimentos totais de R$ 556 mil, contra uma movimentação financeira total de R$ 1,33 milhão, no mesmo período, e bens totais no valor de R$ 153 mil (fl. 201). 2.57 A empresa ATIVA também foi abandonada pelo GV – fls. 201 – item III.8 e 242. 2.58 O vínculo da ATIVA com a V.A. também se deu pelo arquivo de conta telefônica apreendido, que estava na pasta que controla a telefonia da VA – fl. 209, bem como de duas mensagens eletrônicas entre empregados da V.A. sobre 34 Em 29/07/2013 fl. 191 e 243. 35 Documento Básico de Entrada na RFB para inscrição de filial. 36 Responsável pelo Depto de Cobrança da VA fl. 210. 37 Aberta em 15/10/2009. 38 Com rendimentos tributáveis de R$ 2.127,51, conforme tela extraída dos sistemas da RFB, por esse relator. Fl. 31487DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.488 15 problemas nas contas telefônicas da ATIVA – fl. 201. Além disso, ATIVA e sua sócia ELIANE eram sócias da VRCAR (abaixo mencionada), que foi baixada. 2.59 A VRCAR DISTRIBUIDORA DE AUTOPEÇAS LTDA foi aberta em 23/06/2010 e baixada em 22/02/2013; seu endereço era igual ao da filial 0010 da V.A. (em Vila VelhaES – fl. 211); o endereço de sua filial 0002 era igual ao da filial 003 da CARHILL – fl.202. Seus sócios eram ELIANE e a ATIVA; possuía o mesmo endereço da CARHILL e de HELOÍSA – fl. 210. 2.60 A empresa DIPER DISTRIBUIDORA DE AUTO PEÇAS LTDA – fl. 201, aberta em 10/12/2010, possuía endereço semelhante a outras 7 empresas do GV, incluindose a CARHILL. Seus sócios eram DINA e D&M, não havendo indícios de atividade comercial; sendo a referida empresa identificada como “parceira do mesmo grupo econômico da locatária” em dois contratos de locação de imóveis alugados por filiais da V.A. – fl. 202 e 225/226. 2.61 A HIPERPEÇAS ATACADO DE AUTO PEÇAS LTDA – ME, possuía como “sócios” de direito ANTONIO CÉZAR e SERGIO (ambos, “sócios” de direito da VP), informação confirmada através de documentos apreendidos na sede da Vespor e Coligadas – fl. 222. 2.62 SUPERPEÇAS COMÉRCIO DE AUTO PEÇAS LTDA, teve GERALDA CAETANO MOREIRA (empregada da V.A. desde 04/2003) em seu quadro de funcionários – fl. 197, assim como IRACEMA, EDUARDO, FABIO e ELIANA – fls. 216 e 218. O endereço de sua filial 002 era igual ao endereço da V.A., ao da filial 0020 da REAL IGUAÇU, e ao da sede da VALLE fls. 190, 197. DAS MÍDIAS E DOCUMENTOS APREENDIDOS 2.63 Documentos apreendidos, relacionados à V.A., demonstram o vínculo entre empresas e pessoas, a saber: Agenda contendo dados de filiais da V.A., transportadoras e fornecedores, e especificações para emissão de notas fiscais, inclusive fictícias – fl. 190; Duas mensagens entre empregados da V.A. estabelecendo datas limite para recebimento das cobranças por meio da TITAMARI, V.P. e V.S. – fl. 190; Planilhas de consolidação dos valores anuais de faturamento de 2009 a 2011 e parte de 2012, compatíveis com a movimentação financeira observada nas empresas TITAMARI, V.P. e V.S., e na V.A. – fl. 203; Mídias com lista de ramais da diretoria e informações vinculando à V.A. os seguintes sócios de fato: Fabio, Heloisa, Cleireanny39, Eduardo40, Eliana41 e Celso42 – fl. 204 e 207; Mídias contendo operações do GV administradas pelos irmãos Tolardo (Eduardo, Fábio e Heloísa) e a cunhada Cleireanny, esposa de Fábio; 39 Essa, tratava dos assuntos de logística do GV fl.204 , tendo, inclusive, acesso aos recursos financeiros movimentados através das empresas TITAMARI e VS; tinha conhecimento de assuntos estratégicos do GV, conhecendo o passado de utilização de outras empresas para acobertar reais proprietários (caso da DIPER), além de confirmar participação nos projetos novos como a VAREJOCAR e conhecimento do projeto DEKKO fl.205. 40 Atuante em todas as áreas da VA, sendo diretor de compras, conhecedor de toda a estrutura, problemas e projetos em andamento fl. 205 item 12. 41 Foi apreendido modelo de carta garantia para clientes da VA, utilizados pelos funcionários da VA, em nome da ELIANA TOLARDO fl. 210. 42 Gerente de compras. Fl. 31488DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.489 16 Mídia contendo mensagens com informação de que IRACEMA era empregada do GV desde a existência da Tolardo Auto Peças43, possuindo cargo de diretora da V.A., formalmente nomeada, sendo funcionária mais próxima das decisões importantes, atuando em reuniões com filiais, intermediando assuntos com advogados, resolvendo problemas tributários e elaborando planejamentos; IRACEMA também operava as contas bancárias da V.A., V.S. e V.A. Distribuidora, juntamente com ZENAIDE CHIQUETII – fl. 205/206 e 212; também recebera procuração de ROGÉRIO MARCIO TOLARDO44 para alienar imóveis fl. 213. Mídia de uso de EDUARDO, atuante em todas as áreas da V.A., com destaque para a diretoria de compras; consta, também, faturamento do GV, de jan/2011 até 04/2012 fls. 206/207; Mídia identificando as vendas de 2010 e 2011 da V.A., nos valores de R$ 156.199.533,43 e 182.805.510,00, respectivamente fl. 207 – item 22; Mídia contendo informações de vendas da V.A., em 2009, 2010 e 2011, nos valores de R$ 140.331.272,00, 156.199.533,00 e, R$ 182.707.169,00, respectivamente fl. 208 – item 25.2; Mídia identificação correlação de arquivos com Bruno Tolardo (filho de Heloísa) e de sua família; Mídia vinculada a Fabio e Cleireanny, contendo um planejamento com faturamento mensal ideal de R$ 14.202.271,00 (projetando o valor anual de R$ 170.427.252,00) – fl. 207; Mídia utilizada por Fabio, na qual se identificou organograma com os seguintes vínculos dos sócios de fato com a V.A.: Heloísa (presidência), Cleireanny (TI), Eduardo Galli (Diretoria de Compras), Fabio (Diretoria Comercial), Iracema (Diretoria Administrativa) – fl. 207; Mídia contendo vínculo de Eduardo Henrique e Ângela Maria (sua esposa) com a V.A., pelo acordo de fornecimento, com caução45, com MAHLE – Metal Leve S/A (confirmado pelo fornecedor, que foi diligenciado); Mídia utilizada por EMERSON RICARDO MOURÃO CIRÉIA (que prestava serviço sem vínculo empregatício na área de tecnologia da informação, sendo efetivado em janeiro/2013) – fl. 208; Mídia com informações que demonstram o controle de documentação pelo “escritório matriz” da V.A., demonstrando o vínculo dessa empresa com a ATIVA, V.P., V.S. e TITAMARI, a saber: 1) cópia de cheques indicando como favorecido VESPOCAR (TITAMARI), depositado na conta da V.P. e controlado pelo “escritório matriz” da VA; 2) instrumento de protesto do cliente Auto Partner, tendo como cedente TITAMARI e sacador VESPOCAR; 3) relações de C/C da TITAMARI e VP; 4) extratos de C/C da VS; e, 5) arquivo da conta telefônica da ATIVA; 43 Desde 06/1991 (como auxiliar de escritório, em geral); e funcionária da SUPERPEÇAS COMÉRCIO DE AUTO PEÇAS LTDA de 03/1997 a 02/2002 (como chefe de escritório, em geral); e da VA desde 09/2008, como gerente de comercializaçao. fl. 216. IRACEMA declarou rendimentos de R$ 227 mil entre 2008 e 2012, tendo apresentado movimentaçaõ financeira, entre 2008 a 2013 de R$ 3,8 milhão, e em 2012 (isoladamente), de R$ 1,3 milhão. 44 Da ramificação da Família Tolardo proprietária das empresas do GRUPO REDE PRESIDENTE. 45 A caução seria uma fazenda de 3.000 ha, em Aripuanã/ColnizaMT, confirmada pelo cartório. Fl. 31489DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.490 17 Mídia com lista de ramais telefônicos demonstrando vínculo de Heloisa, Cleireanny, Eduardo, Eliana e Celso com a V.A. – fl. 209; Mídia com lista de telefones celulares indicando vínculo de Edi, Ângela, Eduardo Henrique, Eduardo Galli, Heloisa, Eliana, Bruno, Geovanna, Cleireanny com a V.A. – fl. 209; Diversas outras informações de vínculos, através de informações de HDs apreendidos (fl. 209); Mídia contendo informações de que ZENAIDE era a responsável pelo DEPTO DE COBRANÇA – fl. 210. [...] diversas outras informações (fls. 210/212) demonstram o vínculo da V.P., V.S., TITAMARI, CARHILL, DIPER, VRCAR, VESPOCAR, DISPEMEC e WESTGREEN com a VA; DAS PROCURAÇÕES APREENDIDAS 2.64 Procurações foram apreendidas no Cartório do Distrito de Iguatemi, MaringáPR, demonstrando que a parte da Família Tolardo que controlada o GV46 possuía diversos imóveis rurais em nome próprio, utilizando, o cartório de Iguatemi para nomear procuradores com diversos poderes para cuidar da administração desses bens, comprar e vender, representalos perante órgãos públicos e movimentar contas bancárias, tendo também utilizado nomes de pessoas físicas para acobertar seus bens – fl. 212 e 215. 2.65 A outorgante que aparecia com mais freqüência era EVANIZA MARIA LIRA, irmã de Edvaldo – fl. 213. 2.66 As empresas TITAMARI e V.P. também aparecem como outorgantes de procurações para que empregados da V.A. movimentassem suas contascorrentes – fl. 213 v.3; sendo FRANCISCO VILHALVA o “sócio” da TITAMARI que efetuava as procurações (à exceção de uma). 2.67 O sócio FRANCISCO pediu anulação do CNPJ da TITAMARI alegando nunca ter assinado “qualquer coisa” em relação à referida empresa, e que jamais foi seu sócio– fl. 213. 2.68 Foram encontradas procurações das pessoas físicas José de Oliveira47, Celso Domingues da Silva48, Joana Maria de Paula Oliveira49 e Maria Aparecida 46 José Dario, Maria Silene, Heloísa, Eduardo Henrique, Fábio, Eliana, Eduardo Galli, Edvaldo, Ângela e Cleireanny. 47 foi empregado da REAL IGUAÇU (antiga Tolardo Auto Peças Ltda.) e da Importadora Tolardo Ltda. que foi incorporada pela REAL IGUAÇU. Não possui movimentação financeira, declaração de ajuste anual, transações imobiliárias ou propriedade de bens fl. 214. 48 Sem registro de qualquer vínculo empregatício. Possui pequena movimentação financeira nos anos de 2008,2009 e 2011, sem apresentação de declaração de ajuste anual; não existem indicativos de transações imobiliárias ou propriedades de bens. 49 Sem qualquer registro de vínculo empregatício. Possui pequena movimentação financeira nos anos de 2008, 2011 e 2012; apresentou declaração de ajuste anual para os anos de 2008 a 2011 com bens de pequeno valor (dinheiro em espécie e jóias) e rendimentos totais de R$ 69.187,40. Fl. 31490DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.491 18 Martins Pereira50, outorgando poderes para que José Dario Tolardo e Maria Silene Tolardo (casal Tolardo) movimentassem contas bancárias (indício de que as contas foram abertas em nome de interpostas pessoas para acobertar a movimentação financeira do casal) – fl. 213. 2.69 No mesmo sentido do item anterior, Carlos Rodrigo Costa Alves51 outorgou procuração para Edvaldo Lira dispor dos imóveis do outorgante como bem quisesse; Carlos e Madalena da Silva Lima52 outorgaram a IZAIAS poderes para que ele os represente na aquisição de dois imóveis em CuiabáMT; Jose Osni dos Santos53 nomeou procurador para cuidar de assuntos relacionados aos “seus” imóveis rurais situados na Gleba Guariba VI (mesmo local onde as duas ramificações da Família Tolardo possuíam terras54); Alonso Zacarias da Silva (sócio de direito da VA) outorgou poderes para a defesa de “seus interesses em relação aos imóveis que possui em Mato Grosso” (esse seria interposta pessoa) – fls. 214/215, pois possuía antiga vinculação com as empresas do GV. Antes de entrar como sócio da V.A., em 25/05/2006, havia passado pelas empresas Real Iguaçu (como vendedor); Importadora Tolardo; Autoeuropeças; e a V.A. de 10/2003 a 04/2006 (como assistente e auxiliar adm) fl. 216). 2.70 Alonso declarouse isento em 2003, e entre 2004 e 2006 declarou rendimentos de R$ 12,6 mil, em média; entre 2008 a 2012 teve movimentação financeira de R$ 310 mil, informando rendimentos de R$ 203 mil, nunca tendo administrado uma empresa, e nem tinha capacidade financeira para ser sócio da V.A., que já possuía 6 filiais, em 2006. Também não foram encontradas transações imobiliárias ou propriedades rurais no nome de Alonso. 2.71 Abaixo, segue tabela com os dados referentes aos verdadeiros proprietários das empresas do GV (sendo Izaias e Jose Osni pessoas utilizadas para acobertar bens ou para constar como sócios formais (de Direito), entre os anos calendário 2008 e 2012 – fl. 217. 50 Possui movimentação financeira entre 2008 e 2013 no valor de R$ 3.028.616,23, mas não apresentou DIRPF em todo o período; não possui bens, transações imobiliárias e vínculos empregatícios. A procuração outorgada por ela corresponde ao item 8.24.4, datada de 01/06/2011. 51 Carlos declarou rendimentos de R$ 81 mil entre 2008 a 2011 e bens no valor de R$ 10 mil na última declaração. Entre 2008 e 2013 sua movimentação financeira foi de R$ 272 mil, não possuindo transações imobiliárias ou imóveis rurais. 52 Madalena consta como empregada da VA entre out/2010 e abr/2012. Nos anos de 2009 e 2012 sua movimentação financeira foi de R$ 39 mil, enquanto que em 2008 foi de R$ 559 mil, estando omissa nesse ano. 53 Jose Osni é empregado rural de Eliana Tolardo Galli, constando em suas DIRF (2008, 2009, 2012 e 2013) com rendimentos do trabalho assalariado; foi candidato a viceprefeito de Colniza/MT indicando como endereço: Fazenda Vespor, MT260, km 110, s/nº, casa, Distrito Gauriba, Colniza/MT. 54 Jose Osni também aparece em transações imobiliárias comprando um imóvel de Eliana (2004) e vendendo imóvel para Heloísa (2006); de 2008 a 2011 declarou rendimentos de R$ 92 mil, tendo tido movimentação financeira de R$ 1,4 milhão – fl. 214/215. Fl. 31491DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.492 19 2.72 Esclarecese que a coluna “Bens totais” se refere aos valores depois da Operação Laranja Mecânica, sendo que em 2013 houve uma brusca redução do patrimônio imobiliário dos sócios de fato das empresas do GV, como demonstrado no TVF, no tópico X55. 2.73 Abaixo, segue planilha com os dados das empresas utilizadas para: i) agregar os bens imóveis (DONAMAISON e DENVER); ii) movimentarem a maior parte das finanças56 (TITAMARI, V.P. e VS57); e, iii) realizar a atividade de comércio varejista de acessórios para veículos (CARHILL) (fl. 217/218), a saber: 2.74 A empresa CLEUSA LACAR COUTO & CIA LTDA. ME era a responsável pela operação do “call center” da V.A. (fl. 201). 2.75 Às fls. 220/222, foram elaboradas planilhas informando a quantidade de empresas pelas quais DINA e SERGIO foram sócios, com a utilização de diversos CPF; sendo verificado que várias dessas empresas tinham endereços coincidentes com o de empresas da Família Tolardo – fl. 222. PESSOAS FÍSICAS LIGADAS AO GRUPO VESPOR 2.76 Às fls. 227/241, estão elencados os nomes das pessoas físicas (e jurídicas) arroladas como responsáveis solidários no lançamento, fazendo o TVF a menção das conexões das pessoas com as empresas da Família Tolardo, desde a Real Iguaçu. 2.77 Informações complementares sobre as referidas pessoas físicas encontramse às fls. 1921/1959. 2.78 Enfim, a síntese esquemática do GV pode ser observada através do quadro abaixo, extraído do Anexo IV (fl. 1863): 55 X Demais Práticas Adotadas que Resultaram Falta de Pagamento de Impostos e Constriuições Federais. 56 Os sócios de fato das empresas do GV movimentaram, através das empresas de fachada, um volume 7 vezes maior que o constatado na VA. fl. 218. 57 A VP e VS foram utilizadas para pagamento de despesas usuais dos sócios de fato e seus parentes. Item III "das Mídias Apreendidas na sede da Vespor e Coligadas". fl. 218. Fl. 31492DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.493 20 FALTA DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS 2.79 A V.A. apresentou DIPJ relativas aos anoscalendários 2009 a 2012 pelo regime de apuração do lucro presumido, declarando as receitas abaixo, e efetuando os recolhimentos, também mencionados a seguir: 2.80 Ocorre que no HD correspondente aos itens 14, 15 e 25, foram encontrados os seguintes valores de faturamento: Fl. 31493DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.494 21 2.81 A partir de junho/2012, o faturamento foi estimado com base na média do crescimento percentual dos dois anos anteriores, resultando em uma projeção conservadora, à medida que o crescimento projetado para 2012 é menor que o observado de 2011 em relação a 2010 – fl. 245. 2.82 Na mídia 25, foi encontrado o faturamento do ano de 2009, e nas mídias 14, 15 e 25, os faturamentos de 2010 e 2011, todos iguais em cada mídia. 2.83 Foi destacada a semelhança de valores encontrados na escrituração da V.A., bem como dos valores de cobranças e outros tipos de créditos relativos à vendas recebidos nas contas de TITAMARI, V.P. e V.S., com os valores encontrados nas cópias das mídias apreendidas, conforme tabela a seguir: 2.84 Concluiu o TVF que a V.A. manteve em contas de sua titularidade movimentação financeira compatíveis com suas receitas declaradas /escrituradas. 2.85 Acrescenta aquele Termo, que o total da movimentação financeira das 4 empresas (VA, V.P., V.S. e TITAMARI) guarda semelhança com o faturamento total encontrado/projetado, a saber: 2.86 Em relação às NFe (compra/venda) expedidas pela V.A., e a receita declarada por ela em DIPJ, destaca o TVF haver clara discrepância de valores (as receitas das NFe foram muito superiores): 2.87 As bases de cálculo anuais apuradas levaram em consideração os valores das cobranças identificadas como efetuadas às empresas TITAMARI e V.P., os Fl. 31494DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.495 22 Depósitos em suas contascorrentes, dos demais créditos bancários encontrados nas contas bancárias da V.P., V.S. e TITAMARI58 e, ainda, as receitas apuradas através do livro razão da V.A. (vide tabelas de fl. 249/250 com os valores mensais de 2009 à 2012) 59. DO ARBITRAMENTO – fl. 253 2.88 Por deixar, a V.A., de escriturar sua movimentação financeira total, inclusive bancária, enquadrase a hipótese na previsão do art. 530, II, alínea “a”, do RIR/99, para o anocalendário de 2009. 2.89 Como a receita bruta total apurada para o ano de 2009 foi superior ao limite estabelecido para o lucro presumido60, foi considerada como indevida a opção por esse regime a partir de 2010, visto ser essa, também, hipótese de arbitramento do lucro (art. 530, IV do RIR/99). 2.90 As bases de cálculo do imposto e contribuições foram apuradas a partir dos seguintes elementos: Livro razão de VA; Consolidação das NFe emitidas pela VA; Documentação bancária de TITAMARI, V.P. e VS; DIPJ da VA; DCTF (extratos de débitos confessados) da VA; DA MULTA QUALIFICADA 2.91 Entre 2009 e 2012, foi aplicada multa de ofício qualificada, consoante o art. 44, I,§ 1º, da Lei nº 9.430/96, considerando os fatos narrados nos tópicos I ao X, que configuraram as seguintes condutas: Sonegação, nos termos do art. 71, I e II, da Lei nº 4.502/64 (declarou receitas inferiores às auferidas, parte com emissão de NFe e parte, sem emissão, diluindo sua movimentação financeira de modo a aparentar regularidade); Conluio, nos termos do art. 73, do mesmo diploma, pelo ajuste doloso entre os sócios de fato da V.A., sócios de direito, empregados, procuradores e demais interessados, mantendo por décadas o esquema de sonegação com a constituição, utilização e abandono sistemático de empresas, bem como mantendo a partir de 2001 uma empresa (principal) sem patrimônio e sem indicação dos sócios de fato no quadro societário. 2.92 Foram aproveitados os valores recolhidos de IRPJ e CSLL, no regime de apuração do lucro presumido. 2.93 Os valores de PIS/COFINS foram aproveitados nos autos do processo 14098.720153/201453, que apura as diferenças dessas contribuições em relação à 58 Sendo excluídos aqueles que não representam efetivas entradas de recursos, como Transferências, DOC, empréstimos e operações similares, dentre outros relacionados à fl. 250. 59 Foram excluídos dos valores das vendas apuradas pelas NFe (tratadas como receita operacional bruta na revenda de mercadorias, os valores das NFe referentes a ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA conforme tabelas de fls. 251/253. 60 R$ 48 milhões. Fl. 31495DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.496 23 receita operacional bruta obtida pelas NFe, excluindo da BC as revendas de mercadorias tributadas à alíquota zero, ICMS Substituição Tributária e devoluções de vendas – fl. 254. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA 2.94 Foram lavrados termos de responsabilidade tributária solidária para 27 (vinte e sete) sujeitos passivos / responsáveis solidários, descritos no tópico XI do TVF. DA IMPUGNAÇÃO DO CONTRIBUINTE: VESPOR AUTOMOTIVE DISTRIBUIDORA DE AUTO PECAS LTDA 3. O contribuinte Vespor Automotive Distribuidora de Auto Peças – LTDA (VA) apresentou em 03/11/2014 a Impugnação de fls. 31.148/31.173, e anexos de fls. 31.174/31.208, após a ciência do Auto de Infração em 06/10/2014 (fl. 31.068), alegando, em síntese, o seguinte: DA NULIDADE DO LANÇAMENTO EM VIRTUDE DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO 3.1 O lançamento está respaldado na movimentação bancária das denominadas empresas “interpostas”. Todavia, os dados bancários foram obtidos através de RMF, respaldado através do Decreto 3.724/2001, sendo que, no julgamento do Recurso Extraordinário 389.80861, com repercussão geral reconhecida, o STF afastou a possibilidade de ter a Receita Federal acesso a dados bancários dos contribuintes62. 3.2 Tal vício tem o condão de acarretar na nulidade do próprio lançamento impugnado. DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOAS COM O OBJETIVO DE FRAUDAR A LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 3.3 A autoridade fiscal efetuou o lançamento considerando os seguintes fatos: Blindagem Patrimonial; Constituição/Transferência das Sociedades Mediante Simulação de sua Titularidade a Terceiros Sem Capacidade Financeira/Patrimonial; Confusão Patrimonial; e, Abandono de Empresa. Tais constatações, porém, decorrem de meras “presunções” não amparadas por provas inequívocas. 3.4 No tocante à presunção da suposta “blindagem patrimonial”, o fisco pressupõe que a autuada utilizou terceiros para esconder patrimônio adquirido para se esquivar das obrigações tributárias. Todavia, não há qualquer prova nesse sentido, mas meras presunções – fl. 31.154/31.155. 3.5 Da mesma forma, a afirmação do fisco de que a autuada se utilizou de “interpostas” pessoas para ocultar seus sócios de fato e, por corolário, fraudar a legislação tributária. Ou seja, a autoridade fiscal lança mão de inconsistentes informações obtidas pelas apreensões dos arquivos, cuja análise de seu conteúdo ainda não foi sequer objeto de análise definitiva por parte do Poder Judiciário. 3.6 Caso o Poder Judiciário venha a julgar improcedente a denúncia criminal, em que se apura a responsabilidade dos sócios da autuada, o lançamento ora 61 O contribuinte referese ao Rec. Extraordinário 389.808/PR, julgado pelo plenário do STF em 15/12/2010. 62 Colaciona informações sobre o julgamento, extraído do Boletim Informativo 613 do STF (fl. 31.153). Fl. 31496DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.497 24 impugnado seguirá o mesmo destino (pelos mesmos fundamentos), razão pela qual, a nulidade do presente acertamento é medida que se impõe. 3.7 Também consta do TVF que ocorreu hipótese da figura de “confusão patrimonial”, e de que a autuada teria adquirido bens em nome de terceiros. Mais uma vez, meros indícios que não podem ser considerados verdade absoluta, motivo pelo qual improcede a acusação. 3.8 Da mesma forma, não há qualquer prova contundente no sentido de que a paralisação das atividades das empresas arroladas pela fiscalização tenha como objetivo fraudar a legislação tributária, mas sim meras presunções, portanto, insuficientes para fundamentar os lançamentos. 3.9 A Jurisprudência tanto dos órgãos administrativos de julgamento e do Poder Judiciário não discrepam desse entendimento, de que indícios ou presunções não podem, por si caracterizar o crédito tributário – fls. 5354/5355. DO INJURÍDICO CRITÉRIO QUANTITATIVO ADOTADO PARA EFETIVAR O ARBITRAMENTO 3.10 Consta do TVF que a autuada optou pelo regime de apuração do lucro presumido, conforme DIPJ relativas aos anoscalendários de 2009 a 2012, tendo havido recolhimento de tributos em consonância com tal declaração. 3.11 Todavia, é manifestamente injurídico presumir que os valores encontrados no material apreendido tratase do faturamento da autuada. Aliás, denotase que a autoridade fiscal apenas chegou no valor apontado no lançamento através da soma do faturamento de cada uma das empresas arroladas. 3.12 A incerteza decorre ainda do fato de que a autoridade fiscal elegeu de forma arbitrária a autuada como a empresa “mãe” da suposta operação, uma vez que poderseia ter eleito outra empresa objeto da fiscalização, caindo por terra a certeza do lançamento fiscal conforme determina o artigo 142 do CTN – fl. 5356. 3.13 Noutra vereda, para se chegar ao valor arbitrado, a douta fiscalização adotou como base de cálculo dos referidos tributos a integralidade dos valores movimentados nas contas correntes. 3.14 Contudo, nas hipóteses de arbitramento, a arbitrariedade será evitada com a rígida observância do princípio da reserva legal, do qual se infere que os atos de administração tributária, dentre os quais se destaca o lançamento, são atos administrativos vinculados. 3.15 Exatamente por essa razão, o arbitramento não pode ser confundido com atribuição legal de liberdade (discricionariedade) administrativa. Tanto é assim, que a própria parte final do art. 148 do CTN ressalva a possibilidade de avaliação contraditória, administrativa ou judicialmente, por parte do sujeito passivo. 3.16 É fato que, configurada a omissão de receita, o lucro líquido deverá ser arbitrado e irá considerar os valores omitidos; entretanto, os conceitos de receita e renda não se confundem, e o arbitramento não pode ser utilizado como instrumento de punição, de modo a agravar, como se lucro fosse, a totalidade dos valores depositados nas contas bancárias, que na prática pode exceder a efetiva receita por ele auferida. 3.17 Concluise, pois, que a receita omitida apurada impõe o efetivo arbitramento com base nos parâmetros legais para se levar à tributação (apenas) o Fl. 31497DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.498 25 percentual da receita tida como omitida, mas nunca 100% da omissão, por afronta ao art. 43 do CTN, como também ao seu artigo 3º, quanto a tributação total se reveste com características de penalidade (menciona o contribuinte o Acórdão 103.20308 do (antigo) 1º CC). 3.18 O erro na determinação da base de cálculo contamina o lançamento por vício insanável de ilegalidade e o torna nulo de pleno direito (cita jurisprudência administrativa – fl. 5358). 3.19 Para compor o faturamento (arbitrado) foram utilizados como parâmetros os anexos denominados de “outros créditos” + extratos bancários. Todavia, foram vislumbradas inúmeras inconsistências, conforme cópias anexas, a exemplo: TITAMARI Anexo VII B (outros créditos / arquivo 120): banco 001 / ag / 1099140 R$ 206,02 Extrato (arquivo 126 anexo XV) o valor já se encontra no extrato na página 1247, ou seja, houve duplicação do lançamento, uma vez que tal quantia já está no ANEXO. V.S. Arquivo 122: ANEXO XIII B): banco 001 – ag 0352 – 920991 – R$ 280.000,00 –pág. 3222 (arquivo 127 – anexo XVI); V.P. Banco 001 ag 352 727318 R$ 1.344,00 (arquivo 128/129 ANEXO XVII pág 109 do extrato); 3.20 Tornase, assim, verossímil que há inconsistências no aludido lançamento, resultando em nulidade. 3.21 Depreendese imprescindível em atenção ao princípio da busca pela verdade material e, consubstanciado no art. 16, I do Decreto 70.235/72, ser convertido o julgamento em diligência a fim de que seja aferida de forma pormenorizada toda a movimentação objeto do lançamento ora impugnado. DA AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DA MULTA QUALIFICADA – fl. 31.163 e ss. 3.22 Alega a Impugnante que, nos moldes alhures apontado, temse que a autoridade fiscal lançou mão das inconsistentes informações obtidas pelas apreensões dos arquivos efetivados por força de ordem judicial, cuja análise de seu conteúdo ainda não foi sequer objeto de análise definitiva do Poder Judiciário. O material, dessa forma, não tem o condão de comprovar de forma inequívoca a fraude mencionada. 3.23 Apresenta a Impugnante julgado administrativo que versa sobre aplicação de multa qualificada. 3.24 Nos moldes do art. 112 do CTN, nos casos em que não foi deliberadamente comprovado quanto (i) à capitulação legal dos fatos; e, (ii) à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, a legislação que define infração ou lhe comine penalidade, deve ser interpretada a favor do contribuinte. Fl. 31498DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.499 26 3.25 Ex vi do disposto no art. 108 do CTN, e sob o aspecto dos Princípios Gerais do Direito, não se presume a máfé, ou seja, a intenção volitiva do contribuinte de fraudar a legislação tributária. DA IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO 3.26 A prática reiterada e equivocada da RFB é a de interpretar o art. 161 do CTN fazendo incidir juros de mora sobre a multa de ofício. 3.27 O dispositivo autoriza a incidência de juros sobre o “crédito não integralmente pago no vencimento”. Crédito, por sua vez, é definido pelo art. 139 do CTN, que assim dispõe: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O art. 113, por sua vez, define “obrigação tributária”: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. 3.28 A expressão penalidade pecuniária (§ 1º) é a penalidade decorrente da inobservância de determinada obrigação acessória (de fazer ou não fazer), que se converte em obrigação principal (§ 3º). Tal expressão, porém, jamais poderia ser interpretada como penalidade pecuniária exigida em conjunto com o tributo não pago, até porque ficaria desprovida de sentido no contexto do dispositivo. Se a penalidade (multa de ofício) já estivesse incluída na expressão “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora, não haveria razão para a ressalva final no sentido de que o crédito deve ser exigido “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. 3.29 Poderiase cogitar da possibilidade de incidência de penalidade (multa) sobre crédito tributário que já englobasse tributo e multa, o que obviamente caracterizaria um no senso jurídico. 3.30 Cumpre observar que o conceito de juros advém do direito privado e, conforme preceitua o artigo 110 do CTN, quando as categorias de direito privado estão apenas referidas na lei tributária, deve o aplicador se socorrer do direito privado para compreendelas. 3.31 No âmbito privado, os juros existem para indenizar o credor pela inexecução da obrigação no prazo. Já a multa, não serve para repor ou indenizar o capital alheio, mas para sancionar a inexecução da obrigação. A vocação da multa já é suficiente devera (punir pelo descumprimento), enquanto que a dos juros é remunerar o capital não recebido pelo Estado. Dizer que a multa deve ser “corrigida” é ignorar que a legislação tributária brasileira extinguiu a correção monetária desde 1995. Fl. 31499DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.500 27 3.32 Assim, depreendese que o CTN não autoriza a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, aplicada proporcionalmente ao tributo, ficando prejudicada a discussão acerca do índice aplicável. 3.33 Ainda que se entendesse que o CTN assim autoriza, mister se faz analisar a legislação vigente no lançamento. Argumentase que a exigência de juros sobre a multa estaria amparada no art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/96 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 3.34 Os débitos a que se refere o § 3º são os decorrentes de tributos e contribuições mecionados no caput. De fato, o não pagamento de tributos faz nascer o débito. A multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições, ela decorre da punição aplicada à falta de pagamento ou falta de declaração, nos termos do art. 44, da Lei nº 9.430/96. 3.35 Débitos de tributos e multas têm causas diversas. Débito decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, e multas decorrem de violações à norma legal (dever legal de pagar o tributo no prazo). 3.36 O parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é absolutamente coerente com a interpretação do art. 61. Prevê o referido artigo a incidência de juros de mora sobre as multas e os juros cobrados isoladamente. 3.37 Ora, se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante do “caput” do artigo 61 contemplasse também a multa de ofício, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do art. 43, posto que a incidência dos juros sobre a multa de ofício lançada isoladamente nos termos do “caput” já decorreria diretamente do artigo 61. 3.38 O CARF julgou a questão em sede de Recurso Especial (fl. 31.172). 3.39 Requer a nulidade do lançamento em face das inconsistência ora apontadas. 3.40 Não sendo declarada a nulidade, requer a sua improcedência. 4. É o Relatório." Ao apreciar a impugnação na sessão realizada em 13/05/2016, a 4ª Turma da DRJ/RJO a julgou improcedente, conforme acórdão nº 1281.412, assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 Fl. 31500DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.501 28 RESPONSAVÉIS SOLIDÁRIOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. REVELIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. Se devidamente cientificados do auto de infração, os responsáveis solidários deixarem de apresentar suas respectivas Impugnações, operarseá a revelia e concluirseá pela inexistência de controvérsia quanto a este aspecto do lançamento. Contudo, a impugnação tempestiva apresentada pelo contribuinte suspenderá a exigibilidade do crédito tributário também em relação ao responsáveis solidários. ALEGAÇÃO DE NULIDADE POR INCONSTITUCIONALIDADE NA OBTENÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS DIRETAMENTE POR RMF. Falece competência ao órgãos administrativo de julgamento apreciar arguições de ilegalidade/inconstitucionalidade de lei, tarefa privativa do Poder Judiciário. CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO NA AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO SOBRE MATERIAL DE PROVA. Os crimes previstos no art. 1º da Lei nº 8.137/90 são materiais (ou de resultado), exigindo, para sua configuração, a redução ou supressão do tributo devido; a consumação ocorre apenas com o lançamento definitivo, o qual tem a função de acertamento e concretização da existência e extensão da obrigação tributária. A decisão definitiva do procedimento administrativo constitui verdadeira condição objetiva de punibilidade, inconfundível com os elementos do tipo, e a existência, montante e exigibilidade da obrigação tributária somente podem ser afirmados como decorrência do efeito preclusivo da decisão final em sede administrativa. Assim, a partir do prosseguimento da Representação Fiscal é que as medidas processuais, junto ao Poder Judicário, serão tomadas pelo Ministério Público Federal. ARGUMENTOS GENÉRICOS. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS. Argumentos genéricos, que não se detêm em nenhum detalhe ou dado específico do procedimento devem ser entendidos como meras alegações. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. FALTA DE LIAME DAS ALEGAÇÕES COM PREVISÃO NORMATIVA. Argumentos dissociados de liame com a previsão dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72 não importarão em nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. RECEITAS DECLARADAS E OMITIDAS. Devese entender por receita conhecida (prevista no art. 532 do RIR/99) não só a declarada pelo contribuinte, mas também a omitida, apurada pelo fisco a partir de informações coletadas durante a ação fiscal. Não se trata de exigência suplementar, mas de lançamento de ofício levado a efeito justamente pela omissão do contribuinte em fazêlo, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE TRIBUTO E MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Ao crédito tributário não pago integralmente no vencimento serão acrescidos os juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício também se submete à incidência dos juros nas situações de inadimplência. Fl. 31501DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.502 29 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA EM EMPRESA INATIVA E OMISSA RELACIONADA A OPERAÇÕES RELATIVAS A EMPRESA OPERACIONAL DO MESMO GRUPO FINANCEIRO. DOLO. MULTA DUPLICADA. Sendo constatado que empresa inativa e omissa movimentou em suas contas bancárias, de forma injustificada, importâncias vultosas provenientes do faturamento de pessoa jurídica diversa, porém operacional, pertencente ao mesmo grupo empresarial, deixando de contabilizálas, na forma da lei, evidencia inequívoca intenção dolosa de todo o grupo empresarial de inviabilizar o conhecimento por parte do Fisco dos montantes das receitas tributáveis omitidas e do patrimônio que se verificou pertencer verdadeiramente às pessoas controladoras do grupo empresarial. É responsável pelos tributos exigidos da pessoa jurídica, o administrador e proprietário de fato dos negócios da empresa que tenha praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, o que resta caracterizado pela interposição de pessoas no quadro societário da empresa. De ensejar, portanto, aplicação da multa de ofício duplicada. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição Para o Programa de Integração Social PIS/Pasep. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Cientificada do Acórdão DRJ/RJO nº 1281.412, em 13/06/2016, conforme AR às fls. 31.318, a recorrente apresentou, em 11/07/2016, recurso voluntário (fls. 31.360 a 31.407) alegando, em síntese, as questões abaixo relacionadas, as quais serão detalhadas por ocasião do voto: Preliminarmente, alega a nulidade da decisão recorrida em razão da ausência de intimação da recorrente quanto à sessão de julgamento; Ausência de comprovação da utilização de interpostas pessoas com o objetivo de fraudar a legislação tributária, pois a afirmação efetuada pela fiscalização de que a recorrente seria a empresa operacional e principal do Grupo Vespor decorre de meras presunções não amparadas por provas inequívocas; Argúi existir erro na sujeição passiva tributária pois os lançamentos deveriam ter sido constituídos contra as empresas supostamente utilizadas para ocultar a movimentação e patrimônio da recorrente na condição de contribuintes, cabendo à recorrente a condição de responsável tributária, nos termos do art. 124, I do CTN; Questiona o critério utilizado pelo Fisco para o arbitramento afirmando ser manifestamente injurídico presumir que os valores encontrados no material apreendido tratam se do faturamento da empresa; Fl. 31502DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.503 30 Alega que o faturamento, base de cálculo para o arbitramento, contém inúmeras inconsistências, como duplicidade de lançamentos; Afirma que a autoridade fiscal não considerou que os produtos (peças) comercializados pela recorrente estão no regime monofásico das contribuições para a COFINS/PIS, portanto, suas vendas estariam sujeitas à alíquota zero. Acrescenta que a quantidade de inconsistências no lançamento resulta em sua nulidade; Contesta a inclusão indevida do ICMS na base de cálculo das contribuições para a COFINS/PIS, conforme depreendese do julgamento do RE 240.785 pelo STF; Aponta a ausência de subsunção da multa qualificada tendo em vista que a autoridade fiscal pautouse em meras presunções e indícios que não restaram comprovados nos autos; Defende a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa aplicada; Ao final requer a reforma de decisão a fim de que seja julgado improcedente o lançamento impugnado. É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço: PRELIMINARES Alega a recorrente, preliminarmente, com fundamento no critério de interpretação definido nos arts. 37 e 93, inciso X da Constituição Federal, que a decisão recorrida é nula, face à falta de intimação prévia para acompanhamento da sessão de julgamento da impugnação. Entende que apesar do art. 25, I do Decreto nº 70.235/72 não prever expressamente a necessidade de intimação, pelo princípio da publicidade do processo administrativo federal assegurado pelo art. 2º da Lei nº 9.784/99 e aplicável por integração em virtude da omissão na legislação tributária, a falta de intimação é vício insanável e requer a anulação da decisão recorrida. Através do art. 25, I, do Decreto nº 70.235/72, foram atribuídas às Delegacias da Receita Federal de Julgamento para julgamento a competência para julgamento em primeira instância dos processos administrativos fiscais. Com o objetivo de disciplinar a constituição das turmas de julgamento e o funcionamento das delegacias, o Ministro da Fazenda editou a Portaria MF nº 341/12, entretanto, não consta da referida portaria a previsão para intimação prévia dos contribuintes sobre as datas das sessões de julgamento. O estabelecimento do rito de julgamento das DRJs é atribuição do Ministro da Fazenda, nos termos do art. 87 da Constituição Federal. Assim, mediante o equilíbrio entre Fl. 31503DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.504 31 os princípios do contraditório, ampla defesa, publicidade e, também, da celeridade e eficiência, compete a ele a definição do rito de julgamento das DRJs, não tendo o CARF competência para alterálo, ainda que sob o pretexto de integração em face da omissão legislativa. Dessa forma, considerando que o julgamento obedeceu ao rito processual definido para os julgamentos em primeira instância, são improcedentes as alegações da recorrente acerca da nulidade da decisão recorrida por ausência de intimação quanto à sessão de julgamento. Em 16/02/2018, após a publicação da pauta de julgamento com a inclusão do processo, a Vespor Automotive Distribuidora de Auto Peças Ltda protocolizou petição (fls. 31.457 a 31.462) arguindo a nulidade do lançamento fiscal em razão de vício na ciência do Termo de Ciência de Lançamento(s) e Encerramento Total do Procedimento Fiscal Responsabilidade Tributária ao coobrigado Alonso Zacarias da Silva. Consta da referida petição que a intimação para ciência do auto de infração foi enviada a endereço diverso do informado pelo coobrigado em suas Declarações de Ajuste Anual do IRPF Exercícios 2014 e 2015, assim, ao deixar de intimar de forma efetiva todos os responsáveis tributários acerca de sua condição, a administração desatendeu os princípios constitucionais da ampla defesa e do devido processo legal, tornando inválido o lançamento fiscal. De fato, no Aviso de Recebimento que foi devolvido à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cuiabá (fls.31.070), consta que o endereço nele informado era desconhecido: Av. Principal nº 18, quadra 03, Bairro Coxipo, Cuiabá MT, CEP 78.015600 e o mesmo diverge do informado pelo coobrigado Alonso Zacarias da Silva, nas Declarações de Ajuste Anual IRPF, relativas aos exercícios 2014 e 2015, conforme recibos de entrega anexados pelo recorrente às fls. 31.471 a 31.473: Av. Principal, nº 03, Bairro Coxipo da Ponte, Cuiabá MT, CEP 78.015600. Todavia, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal IRPJ e Reflexos, Alonso Zacarias da Silva é interposta pessoa no quadro societário da Vespor Automotive Distribuidora de Auto Peças Ltda, e nele figurava apenas com o objetivo de ocultar os verdadeiros proprietários, pois nunca administrou nem possuía capacidade financeira para dela ser sócio: "ALONSO entrou como sócio da VESPOR AUTOMOTIVE em 25/05/2006, sendo que sua situação fiscal (dados disponíveis) até esse evento era a seguinte: 2003 apresentou declaração anual de isento; 2004 informou rendimentos recebidos de pessoas físicas no valor de R$ 11.000,00 e bens de R$ 25.000,00; 2005 informou rendimentos recebidos de pessoas físicas no valor de R$ 11.500,00 e bens de R$ 35.000,00; 2006 informou rendimentos recebidos de pessoas físicas no valor de R$ 15.400,00 e bens de R$ 52.500,00. É evidentemente uma pessoa colocada apenas para compor o quadro societário de acordo com a legislação. Nunca administrou, nem tinha capacidade financeira para ser sócio de empresa que em 2006 já possuía, em seu CNPJ, sem contar as outras empresas utilizadas, 06 (seis) estabelecimentos em funcionamento (Cuiabá, Brasília, Ribeirão Preto, Sinop, Belo Horizonte e São Paulo). Fl. 31504DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.505 32 De 2008 a 2013 sua movimentação financeira é de apenas R$ 310.787,45, informou bens de R$ 20.000,00 em sua última declaração de ajuste anual, sendo que nos anoscalendário 2008 a 2012 declarou por meio desse canal rendimentos de R$ 203.738,98. Não foram encontradas transações imobiliárias ou propriedades rurais em seu nome." Constatada a inexistência de qualquer poder de gerência sobre os atos praticados pelo sujeito passivo, não vislumbro interesse comum na situação que constitui os fatos geradores, nem mesmo a prática de infrações à lei, hábeis a ensejar a atribuição de sujeição passiva solidária a Alonso Zacarias da Silva. Dessa forma, a despeito do vício na intimação do coobrigado, fato este que poderia ensejar a nulidade da autuação por cerceamento do seu direito de defesa, no mérito restou demonstrada a improcedência da atribuição da sujeição passiva a Alonso Zacarias da Silva. Assim, nos termos do art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235/72, a seguir transcrito, voto por excluir, de ofício, do polo passivo da obrigação tributária o coobrigado Alonso Zacarias da Silva, a quem aproveitaria a declaração de nulidade: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Apesar do vício na intimação do coobrigado, inexiste violação aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal para a Vespor Automotive Distribuidora de Auto Peças Ltda. O sujeito passivo foi regularmente cientificado do lançamento fiscal, apresentou impugnação tempestivamente e, cientificado da decisão de primeira instância contrária às suas pretensões, apresentou o recurso voluntário ora apreciado. Assim, por não se amoldar a nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, voto por rejeitar a arguição de nulidade do lançamento em razão de vício na ciência do Termo de Ciência de Lançamento(s) e Encerramento Total do Procedimento Fiscal Responsabilidade Tributária ao coobrigado Alonso Zacarias da Silva. DO MÉRITO Alega a Vespor Automotive Distribuidora de Auto Peças Ltda a ausência de comprovação da utilização de interpostas pessoas com o objetivo de fraudar a legislação tributária. Sustenta que o Termo de Verificação Fiscal a aponta como empresa operacional e principal do Grupo Vespor, com a constatação dos procedimentos de blindagem patrimonial, constituição/transferência das sociedades mediante simulação de sua titularidade a terceiros Fl. 31505DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.506 33 sem capacidade financeira/patrimonial, confusão patrimonial e abandono de empresas, entretanto, tais afirmações decorrem de meras presunções não amparadas por provas inequívocas. Ao contrário do afirmado pela recorrente, as constatações efetuadas pela fiscalização não decorrem de meras presunções mas sim das provas obtidas na denominada "Operação Laranja Mecânica", realizada conjuntamente entre Receita Federal do Brasil, Policia Federal e Ministério Público Federal, para investigação de um esquema de sonegação de impostos e contribuições por uma rede de distribuição de autopeças. No curso das investigações do Inquérito Policial IPL nº 0256/20084 (DPF/Maringá/PR) foi identificada a existência do Grupo Vespor, administrado por parte da família Tolardo: José Dario Tolardo, sua esposa Maria Silene Tolardo e seus filhos Heloísa Tolardo de Lira, Eduardo Henrique Tolardo, Fábio César Tolardo e Eliana Tolardo Galli. Com utilização das empresas de fachada Titamari Factoring Ltda, V P Auto Peças Ltda e V S Automotive Comércio de Auto Peças Ltda, eram movimentados os recursos financeiros gerados pela atividade operacional da Vespor Automotive Distribuidora de Auto Peças Ltda. O grupo teve origem na dissolução informal da Tolardo Auto Peças e antes da constituição da Vespor Automotive, operava mediante a abertura de sucessivas empresas das mais diversas atividades, incluindo comércio, transporte, finanças e administração patrimonial. No período fiscalizado foram utilizadas as empresas a seguir relacionadas: Vespor Automotive; Valle Empreendimentos; Parke Empreendimentos; Ativa Empreendimentos; Carhill; VRCAR; Titamari Factoring; V P Autopeças; V S Automotive; Hiperpeças; Ferreira Comércio Empreendimentos; Dnamica Serviços Empresariais; Diper Distribuidora; Donamaison; e Superpeças. Fl. 31506DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.507 34 Através de consultas realizadas aos sistemas internos da Receita Federal do Brasil a fiscalização identificou as seguintes práticas das empresas do Grupo Vespor: No Anexo IV dos autos, a fiscalização elaborou planilha, com dados extraídos do sistema CNPJ, onde é possível verificar coincidências na utilização de interpostas pessoas nos quadros societários das empresas; No Anexo V, a fiscalização demonstrou que a entrega de declarações de inatividade, a omissão na entrega e a entrega de declarações com receitas irrisórias foram práticas constantes das empresas acima relacionadas; No Anexo VI, a fiscalização elaborou planilha, também com dados extraídos do sistema CNPJ, onde constatase a utilização dos mesmos endereços para abertura das empresas do Grupo Vespor. O procedimento de blindagem patrimonial restou caracterizado pela ausência de bens em nome das empresas utilizadas e dos seus sócios de direito, conforme pesquisas efetuadas nos sistemas eletrônicos da Receita Federal do Brasil. Os bens adquiridos com os resultados positivos das empresas do grupo eram registrados diretamente em nome dos sócios de fato e da pessoa jurídica Donamaison, empresa constituída para agregar o patrimônio imobiliário, que possui como sócios os irmãos Heloísa Tolardo de Lira, Eduardo Henrique Tolardo, Fábio César Tolardo e Eliana Tolardo Galli. Através dessa estrutura, montada com o escopo de proteger o patrimônio de eventuais exigências tributárias, as empresas Vespor Automotive, Valle Emprendimentos, Titamari, V P Auto Peças, V S Automotive, Parke, Ativa e Carhill, bem assim, seus sócios de direito, foram deixados sem quaisquer bens, conforme demonstra o quadro abaixo transcrito das fls. 42 e 43 do Termo de Verificação Fiscal, referente ao período de 2009 a 2012: Nome Receitas Bens Totais Mov. Financ. Bens ITR Donamaison 952.829,92 1.285.333,41 1.085.920,66 0,00 Titamari 0,00 0,00 86.838.048,68 0,00 VP Auto Peças 1.475.199,10 0,00 203.957.205,19 0,00 VS Automotive 0,00 0,00 212.461.390,32 0,00 CARHILL 6.171.476,02 0,00 6.206.164,05 0,00 Diversamente do alegado pela recorrente em sua peça recursal, a utilização de interpostas pessoas para ocultar os sócios de fato encontrase amparada em robustas provas coletadas na "Operação Laranja Mecânica" e produzidas pela fiscalização, em consultas aos sistemas internos da Receita Federal do Brasil, a saber: Quadro Societário da Vespor Automotive Fls. 40, 41 e 42 do TVF: "Na sua constituição, a VESPOR AUTOMOTIVE tinha como sócios a empresa VALLE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. e a própria MARIA SILENE TOLARDO. MARIA SILENE foi substituída por ALONSO ZACARIAS DA SILVA, como será visto mais à frente, em 25/05/2006. A VALLE EMPREENDIMENTOS, aberta em 14/09/2001, tem como sócios uma empresa estrangeira, a VESPORT FINANCE LIMITED, e MARIA IRACEMA DA SILVA, sendo a própria MARIA IRACEMA a procuradora da VESPORT no Brasil. Fl. 31507DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.508 35 Antes de MARIA IRACEMA o próprio JOSÉ DARIO TOLARDO era sócio da VALLE EMPREENDIMENTOS, até 29/06/2006, de acordo com dados do CNPJ. Porém, as fotocópias obtidas dos atos societários na Junta Comercial do Estado de Mato Grosso demonstram o seguinte: I entre 04/09/2001 e 09/03/2003 foram sócios Maria Iracema e VESPORT; II entre 10/03/2003 e 10/03/2006 foram sócios José Dario e VESPORT; III de 10/03/2006 em diante são sócios Maria Iracema e VEPORT. A VALLE EMPREENDIMENTOS detém 95% das quotas da VESPOR AUTOMOTIVE, sendo os outros 5% de ALONSO ZACARIAS DA SILVA. A empresa VALLE EMPREENDIMENTOS somente apresentou declarações de inatividade à Receita Federal do Brasil. Na VALLE EMPREENDIMENTOS, MARIA IRACEMA tem 0,1% do capital social enquanto que a VESPORT FINANCE LIMITED (empresa estrangeira situada nas Ilhas Virgens Britânicas), da qual é procuradora, detém 99,9%. Ela é empregada das empresas da Família Tolardo desde 1991, como pode ser verificado na seqüência. No CNIS (que reúne informações da RAIS, GFIP e Caged) constam vínculos de MARIA IRACEMA com as seguintes empresas: REAL IGUAÇU AUTO PEÇAS LTDA. ME (antiga Tolardo Auto Peças Ltda.), desde 06/1991, nas CBO 331.3 0(Caixa) e 3 93.10 (Auxiliar de escritório, em geral); SUPERPEÇAS COMÉRCIO DE AUTO PECAS LTDA ME, de 03/1997 a 02/2002, na CBO 3 01.10 (Chefe de escritório, em geral); VESPOR AUTOMOTIVE DISTRIBUIDORA DE AUTO PECAS LTDA., desde 09/2008, na CBO 1423 (Gerentes de comercialização, marketing e comunicação) . MARIA IRACEMA não possui transações imobiliárias a partir de 2005, tampouco propriedades rurais. Sua movimentação financeira de 2008 a 2013 é de R$ 3.845.258,57, com maior concentração em 2012 quando movimentou R$ 1.330.158,76. Os bens informados na última declaração de ajuste anual somam apenas R$ 146.962,15, ao passo que entre os anoscalendário 2008 e 2012 declarou rendimentos totais de R$ 227.893,37. Sobre ALONSO, o outro sócio da VESPOR AUTOMOTIVE, vale destacar sua antiga vinculação com as empresas da Família Tolardo, até culminar como sócio da principal empresa do Grupo Vespor: no CNIS constam vínculos com as seguintes empresas: REAL IGUAÇU AUTO PEÇAS LTDA ME (antiga Tolardo Auto Peças Ltda.), desde 08/1981, nas CBO 451.00 (Vendedores de comércio atacadista, varejista e trabalhadores assemelhados) e 451.90 (Outros vendedores de comércio atacadista, varejista e trabalhadores assemelhados); IMPORTADORA TOLARDO LTDA, CNPJ 79.112.637/001363, desde 08/1991, na CBO 451.00; SIMAP AUTO PEÇAS LTDA ME, 61.899.373/000130, de 08/1998 a 04/2000, na CBO 490.90 (Outros trabalhadores de comércio e trabalhadores assemelhados não classificados sob outras epígrafes); AUTOEUROPEÇAS DISTRIBUIDORA LTDA ME, de 06/1997 a 11/1997, na CBO 45.190, outra empresa do Grupo, da qual FELISMINA TOLARDO, CPF 759.523.86920, foi sóciagerente por um único dia, sendo incluída e excluída no quadro de sócios em 10/04/1997; na VESPOR Fl. 31508DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.509 36 AUTOMOTIVE, de 10/2003 a 04/2006, na CBO 4110 (Agentes, assistentes e auxiliares administrativos), quando foi colocado como sócio desta. ALONSO entrou como sócio da VESPOR AUTOMOTIVE em 25/05/2006, sendo que sua situação fiscal (dados disponíveis) até esse evento era a seguinte: 2003 apresentou declaração anual de isento; 2004 informou rendimentos recebidos de pessoas físicas no valor de R$ 11.000,00 e bens de R$ 25.000,00; 2005 informou rendimentos recebidos de pessoas físicas no valor de R$ 11.500,00 e bens de R$ 35.000,00; 2006 informou rendimentos recebidos de pessoas físicas no valor de R$ 15.400,00 e bens de R$ 52.500,00. É evidentemente uma pessoa colocada apenas para compor o quadro societário de acordo com a legislação. Nunca administrou, nem tinha capacidade financeira para ser sócio de empresa que em 2006 já possuía, em seu CNPJ, sem contar as outras empresas utilizadas, 06 (seis) estabelecimentos em funcionamento (Cuiabá, Brasília, Ribeirão Preto, Sinop, Belo Horizonte e São Paulo). De 2008 a 2013 sua movimentação financeira é de apenas R$ 310.787,45, informou bens de R$ 20.000,00 em sua última declaração de ajuste anual, sendo que nos anoscalendário 2008 a 2012 declarou por meio desse canal rendimentos de R$ 203.738,98. Não foram encontradas transações imobiliárias ou propriedades rurais em seu nome." Quadro Societário da V P Auto Peças Ltda Fls. 20, 21 e 22 do TVF "Foi aberta em 08/09/2008, tendo como sócios ANTONIO CEZAR LOPES, CPF 042.853.13855, e FERREIRA COMÉRCIO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ 07.585.376/000154 . A V P AUTO PEÇAS apresentou declarações pelo regime do lucro presumido referente aos anoscalendário 2009 e 2010, e de inatividade em relação ao ano calendário 2011, estando omissa quanto ao anocalendário 2012. Nas duas declarações apresentadas pelo regime do lucro presumido, o total das receitas é de apenas R$ 1.475 . 199,10 . Quanto aos sócios, ANTONIO CEZAR consta no CNPJ como sócio administrador da empresa desde 01/2009, detendo 1% do seu capital social. Os outros 99% pertencem à empresa FERREIRA COMÉRCIO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., cujo representante legal é SERGIO FERREIRA DA CONCEIÇÃO, CPF 175.946.66895. Esse CPF foi cancelado por multiplicidade, tendo sido identificadas mais 04 (quatro) inscrições no cadastro em seu nome. Na inscrição em comento, consta apenas declaração de ajuste anual para anocalendário de 2007, sem quaisquer informações sobre rendimentos, bens ou direitos. No CPF regular, a situação das declarações de ajuste anual de SÉRGIO FERREIRA é a seguinte: a 2012: omisso; Fl. 31509DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.510 37 b 2011: rendimentos recebidos de pessoas físicas R$ 23.450,00, sem bens e direitos; c 2010: sem informações de rendimentos, bens ou direitos; d 2009: sem informações de rendimentos, bens ou direitos; e e 2008: rendimentos recebidos de pessoas físicas R$ 18.000,00, sem bens e direitos. Os endereços constantes do histórico do CPF cancelado coincidem com o de outra empresa em nome de SÉRGIO FERREIRA, bem como com o endereço da empresa VESPORTRANS, mencionada no tópico "VI ESTRUTURA DO GRUPO VESPOR". Por outro lado, a empresa FERREIRA COMÉRCIO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., apresentou declarações de inatividade para os anos calendário de 2008 a 2011, e não consta entrega de declaração relativa ao ano calendário 2012. ANTONIO CEZAR tem endereço atual igual ao da V P AUTO PEÇAS e já teve em seu cadastro endereço informado à Rua Dom José Maurício, 133, Bairro Santana, São Paulo/SP, local de várias empresas em que SÉRGIO FERREIRA ou DINA MARIA DE SOUZA, que será mencionada várias vezes neste Termo de Verificação Fiscal, passaram pelo quadro societário, sendo várias delas constantes do tópico "VI ESTRUTURA DO GRUPO VESPOR". O sócio ANTONIO CEZAR consta na DIRF da empresa ORBIS INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA., CNPJ 61.003.000/000130, nos anos de 2010 a 2012 como beneficiário de rendimentos de trabalho assalariado, não tendo nenhuma informação acerca de vínculos empregatícios concentrados no CNIS (RAIS, GFIP, CAGED, etc.). No que tange às declarações de ajuste anual dos anos calendário de 2008 a 2012, os dados são os seguintes: a 2012: rendimentos recebidos de pessoas físicas R$ 24.000,00, sem bens e direitos; b 2011: rendimentos recebidos de pessoas físicas R$ 23.400,00; sem bens e direitos; c 2010: rendimentos recebidos de pessoas físicas R$ 21.600,00; sem bens e direitos; d 2009: rendimentos recebidos de pessoas físicas R$ 18.600,00; sem bens e direitos; e e 2008: rendimentos recebidos de pessoas jurídicas (FERREIRA COMÉRCIO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA.) R$ 20.500,00; sem bens e direitos. Apesar de não ter sido informado no CNPJ, outros sócios passaram pela empresa, de acordo com informações disponíveis no sítio eletrônico da Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP), quais sejam: 1 Florinda Máximo, CPF 978.008.13134, substituiu ANTONIO CEZAR em 27/05/2010 e, posteriormente, foi substituída por este no quadro societário da V P AUTO PEÇAS em 20/04/2011. A exemplo de ANTONIO CEZAR, não possui Fl. 31510DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.511 38 vínculos empregatícios em seu histórico. Conforme o CNPJ, ela consta desde 19/05/2005 como sócia da empresa ABRIL FACTORING LTDA., identificada nos procedimentos fiscais contra o GRUPO REDE PRESIDENTE como empresa de fachada. Florinda tem endereço informado no CPF em Belém/PA. Porém, em seu histórico de endereços no CPF, já constou endereço em Maringá/PR. Segundo o cadastro no CNIS, Florinda tem endereço em Ponta Porã/MS e não possui rendimentos ou recolhimentos previdenciários. Já nas declarações de ajuste anual dos anoscalendário de 2008 a 2012, a situação é a seguinte: a 2012: omissa; b 2011: rendimentos recebidos de pessoas físicas R$ 18.929,50; bens e direitos R$ 75.000,00 (50% do capital da Abril Factoring Ltda.) e R$ 10.500,00 (moeda em espécie); c 2010: rendimentos recebidos de pessoas físicas R$ 21.450,00; bens e direitos R$ 75.000,00 (50% do capital da Abril Factoring Ltda.) e R$ 5.900,00 (moeda em espécie); d 2009: rendimentos recebidos de pessoas físicas R$ 15.079,00; bens e direitos R$ 75.000,00 (50% do capital da Abril Factoring Ltda.); e e 2008: rendimentos recebidos de pessoas físicas R$ 12.766,85; bens e direitos R$ 75.000,00 (50% do capital da Abril Factoring Ltda.). 2 Vergílio Fernandes, CPF 176.971.82149, substituiu a empresa FERREIRA COMÉRCIO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. em 27/05/2010 no quadro societário da V P AUTO PEÇAS e, posteriormente, foi substituído por aquela empresa em 20/04/2011. Também a exemplo de ANTONIO CEZAR, não possui vínculos empregatícios em seu histórico. Possuiu outro CPF, 078.144.37172, em situação suspensa, não possuindo este nenhum vínculo como sócio de empresas. A situação apresentada nas declarações de ajuste anual dos anos calendário de 2008 a 2012 é a seguinte: a 2012: omisso; b 2011: rendimentos recebidos de pessoas físicas R$ 18.847,80, bens e direitos R$ 18.000,00 (moeda em espécie); c 2010: omisso; d 2009: rendimentos recebidos de pessoas físicas R$ 14.120,00; sem bens e direitos; e e 2008: rendimentos recebidos de pessoas físicas R$ 14.100,00, bens e direitos R$ 15.000,00 (moeda em espécie), R$ 12.500,00 (automóvel) e R$ 5.000,00 (terreno). O endereço anterior da ALL SERVICES SOLUTION é igual ao endereço da V P AUTO PEÇAS Av. Cásper Líbero, 538, Bairro Santa Efigênia, São Paulo/SP. O endereço da V P AUTO PEÇAS, também é igual ao das empresas BAR SAMBA E CACHAÇA e FIBRAS FIL, que já tiveram em seus quadros societários DINA MARIA DE SOUZA, que possui diversos CPF, e/ou SÉRGIO FERREIRA DA CONCEIÇÃO, já mencionados. Fl. 31511DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.512 39 Além desses fatos todos, na apreensão de documentos em cartório utilizado por integrantes do Grupo Vespor e do Grupo Rede Presidente, foram obtidas 03 (três) procurações onde a V P AUTO PEÇAS outorga poderes para GERALDA CAETANO MOREIRA executar todos os procedimentos relativos a contas bancárias mantidas no Banco do Brasil S/A, na agência 03522, em Maringá/PR, como será visto no tópico "V PROCURAÇÕES". GERALDA CAETANO MOREIRA, CPF 3 4 6.647.69172, foi empregada da SUPERPEÇAS COMÉRCIO DE AUTO PEÇAS LTDA., CNPJ 7 0.429.071/000190, de 03/2001 a 10/2002, mais uma empresa que já teve DINA MARIA DE SOUZA e/ou SÉRGIO FERREIRA DA CONCEIÇÃO em seu quadro de sócios. Atualmente GERALDA é funcionária da VESPOR AUTOMOTIVE, desde 04/2003. A SUPERPEÇAS consta do tópico "VI ESTRUTURA DO GRUPO VESPOR", sendo comprovada sua vinculação com o Grupo Vespor. Como se vê, é evidente que a V P AUTO PEÇAS foi constituída por sócios sem capacidade financeira de suportar quaisquer exigências tributárias, mormente porque a empresa sequer tem atividade própria, de vez que serviu somente aos propósitos da VESPOR AUTOMOTIVE e de seus sócios de fato." Quadro Societário da V S Automotive Comércio de Auto Peças Ltda Fls. 24 e 25 do TVF "Na sua abertura, a V S AUTOMOTIVE tinha como sócios SÉRGIO FERREIRA DA CONCEIÇÃO, CPF 175.946.66895, e FERREIRA COMÉRCIO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ 07.585.376/000154. A empresa FERREIRA COMÉRCIO (aberta em 2000, deixou de apresentar declaração relativa ao ano de 2008 e daí em diante somente apresentou declarações de inatividade) tem como sócios o próprio SÉRGIO e sua mãe FRANCISCA BARROSO DA CONCEIÇÃO, CPF 060.801.18866. A constatação da maternidade acima indicada é feita por um dos CPF de SÉRGIO, conforme tela abaixo, extraída do sistema CPF/CONSULTA: [...] De acordo com informação no CNPJ eles foram substituídos em 24/05/2011 por DNAMICA SERVICOS EMPRESARIAIS E PARTICIPACOES LTDA., CNPJ 13.009.893/000188, e por DINA MARIA DE SOUZA, CPF 106.144.17848. A empresa DNAMICA (aberta em 2010, somente apresentou declarações de inatividade) tem como sócios a própria DINA e LUCIANA SOUZA DA CONCEIÇÃO, CPF 234.496.78850, cuja inscrição está suspensa. DINA e SÉRGIO possuem diversos CPF, utilizados na abertura de várias empresas utilizadas pelo Grupo Vespor, como já foi escrito. No CPF regular, a situação das declarações de ajuste anual de SÉRGIO é a seguinte: a 2012: omisso; b 2011: rendimentos recebidos de pessoas físicas R$ 23.450,00, sem bens e direitos; Fl. 31512DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.513 40 c 2010: sem informações de rendimentos, bens ou direitos; d 2009: sem informações de rendimentos, bens ou direitos; e e 2008: rendimentos recebidos de pessoas físicas R$ 18.000,00, sem bens e direitos. A situação fiscal de FRANCISCA é a seguinte: a 2012: omissa; b 2011: omissa; c 2010: consta como aposentada, mas com rendimentos recebidos de pessoas físicas R$ 7.200,00; sem informações de bens ou direitos; d 2009: consta como aposentada, mas com rendimentos recebidos de pessoas físicas R$ 7.200,00; sem informações de bens ou direitos; e e 2008: consta como aposentada, mas com rendimentos recebidos de pessoas físicas R$ 9.999,96; sem informações de bens ou direitos. A situação fiscal de DINA, no CPF constante do quadro societário da V S AUTOMOTIVE, é a seguinte: a 2012: omissa; b 2011: sem informações de rendimentos, bens ou direitos; c 2010: rendimentos recebidos de pessoas físicas R$ 18.000,00, sem informações de bens e direitos; d 2009: sem informações de rendimentos, bens ou direitos; e e 2008: sem informações de rendimentos, bens ou direitos. Já LUCIANA não apresentou nenhuma das declarações relativas aos anos de 2008 a 2012 . De acordo com o descrito no item "III.5" a empresa FERREIRA COMÉRCIO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., também consta como sócia da V P AUTO PEÇAS LTDA., antecessora da V S AUTOMOTIVE. O endereço da V S AUTOMOTIVE, Rua da Balsa, 539, Bairro Freguesia do Ó, São Paulo/SP, é igual às filiais 0006 e 0012 da VESPOR AUTOMOTIVE, e semelhante aos das empresas V R COMÉRCIO DE AUTO PEÇAS LTDA. (CNPJ 12.033.847/000151, Rua da Balsa 549) , VESPOR AUTO COMÉRCIO VAREJISTA DE AUTO PEÇAS LTDA. (CNPJ 13.051.434/000162, Rua da Balsa, 561) e VESPEÇAS COMÉRCIO DE PEÇAS AUTOMOTIVAS LTDA. (CNPJ 13.744.902/000184, Rua da Balsa, 557). Todas essas 03 (três) empresas com endereços semelhantes ao da V S AUTOMOTIVE tiveram passagens de SÉRGIO FERREIRA ou de DINA MARIA pelos seus quadros societários. Como se vê, é evidente que a V S AUTOMOTIVE foi constituída por sócios sem capacidade financeira de suportar quaisquer exigências tributárias, mormente porque a empresa sequer tem atividade própria, de vez que serviu somente aos propósitos da VESPOR AUTOMOTIVE e de seus sócios de fato." Quadro Societário da Titamari Fls. 18 e 19 do TVF "Aberta em 02/12/2002, apresentou declarações de inatividade até o ano calendário 2005, estando omissa partir de então. Fl. 31513DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.514 41 {...] Além disso, um dos sócios em sua constituição, FRANCISCO VILHALVA, solicitou anulação do CNPJ por vício de registro (processo n° 13161.001106/2008 95), indicando que seu nome foi utilizado indevidamente no CNPJ e na constituição da empresa na Junta Comercial do Estado de São Paulo. O outro sócio, VICTOR GONÇALVES ROMEIRO, apesar de não ter vínculos empregatícios no CNIS (informações consolidadas da GFIP, RAIS e Caged), consta nas informações cadastrais que o seu grau de escolaridade é até a 4a serie/1° grau (primário) incompleto. Consta, ainda, que nasceu no ano de 1922. De 05/03/1987 a 22/04/2013 recebeu do INSS benefício previdenciário de aposentadoria por velhice do trabalhador rural que cessou por motivo de óbito do segurado." Alega também a recorrente que a fiscalização utilizouse de informações obtidas com as apreensões de arquivos efetivadas por força de ordem judicial, entretanto, a análise de seu conteúdo sequer foi objeto de análise definitiva pelo Poder Judiciário e seus sócios sequer foram denunciados pelo Ministério Público ou houve qualquer condenação penal declarando fraude praticada pelos sócios da recorrente. O fato das informações obtidas no processo judicial não terem sido definitivamente analisadas pelo Poder Judiciário, não impede sua utilização para instrução de processo administrativo, pois tratamse de processos distintos e com ritos processuais independentes. O processo judicial nº 2008.70.00.0094275, tem como origem inquérito policial instaurado para apuração de possível existência de organização criminosa composta, aparentemente, por membros da família Tolardo, que se utilizariam de sofisticado esquema para prática não apenas de crimes contra ordem tributária, mas também de falsidade ideológica e de lavagem de capitais. Assim, por se tratar de processo judicial para apuração de crimes diversos, inexistem óbices à utilização das provas obtidas no processo judicial para constituição do crédito tributário e determinação dos sujeitos passivos. Nesse sentido, em recente decisão proferida em 21/08/2017, na Rcl 24768 AgR, o STF decidiu que inexiste ofensa à Súmula 24, a qual estabelece que os crimes materiais contra a ordem tributária somente são tipificados após o lançamento definitivo do tributo, a instauração de inquérito policial para apuração de outros crimes além do previsto no art. 1º da Lei nº 8.137/90. Prossegue a recorrente em sua defesa, afirmando que não há qualquer prova nos autos de que a recorrente tenha adquirido qualquer bem em nome de terceiros, sendo improcedente a alegação de confusão patrimonial. Ao contrário do alegado pela recorrente, do exame das documentações bancárias obtidas junto às instituições financeiras no curso da ação fiscal, é possível identificar que as pessoas jurídicas Titamari, V S Automotive e V P Auto Peças, utilizadas pela recorrente para movimentação financeira suas atividades comerciais, efetuaram vários pagamentos para sócios de fato e de direito, empregados, procuradores e outras empresas do Grupo Vespor, conforme planilhas constantes do Anexo XI dos autos às fls. 5.840 a 5.965. De acordo as intimações dirigidas aos beneficiários de pagamentos realizados pelas pessoas jurídicas Titamari, V S Automotive e V P Auto Peças, as respostas indicaram Fl. 31514DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.515 42 compras dessas mercadorias por VESPOR AUTOMOTIVE, tendo sido também identificadas compras de veículos para os sócios de fato Carlos Eduardo Galli, Eduardo Henrique Tolardo, Eliana Tolardo Galli e Fábio César Tolardo, conforme respostas apresentadas pela Lovat Veículos Ltda às fls. 3.953 a 3.981. Além da inexistência de bens em nome das empresas do grupo, exceto a Donamaison, conforme demonstrado na planilha de fls. 42 e 43, acima transcrita no presente voto, é possível verificar: Os rendimentos declarados pelos sócios de fato são incompatíveis com patrimônio por eles adquirido no período de 2008 a 2012, conforme demonstra a planilha de fls. 42 do Termo de Verificação Fiscal: Nome Rendimentos Bens DIRPF Mov. Financ. Bens ITR Cartões José Dario 621.378,46 0, 00 0, 00 600.000,00 467.340,30 Maria 569.023,71 30.000,00 0, 00 0, 00 198.602,78 Heloísa 5.088.213,12 6.240.715,37 4.938.338,44 15.805.500,00 213 .344,26 Eduardo 1.730.370,38 1.046.596,47 409.657,49 5.938.000,00 1 .083.443,92 Fábio 2.632.533,55 2 211.704,38 95. 328,47 11.473.000,00 407.841,68 Eliana 1.663 .389,85 979.152,73 544.210,55 8.635.000,00 46 .993,41 Edvaldo 713.955,64 488 .517,92 712.825,69 0, 00 595.345,95 Angela 616 .661,68 80.850,17 734 .776,03 0, 00 327 .683,08 Cleireanny 922.545,33 99.298,64 505.037,77 0, 00 179.245,14 Carlos 751.203,68 465.411,59 628.767,33 0, 00 461.454,69 Izaias 367.829,41 153 .811,27 505.956,60 0, 00 0,00 José Osni 92 . 010,45 30.000,00 1.429.124,57 200.000,00 0,00 Após início da "Operação Laranja Mecânica", houve significativa redução dos bens registrados em suas declarações, especialmente pelos sócios Heloísa Tolardo de Lira e Fábio César Tolardo, que alienaram, respectivamente, 34 e 36 imóveis em 2013, de acordo com a planilha de fls. 69: Nomes Antes da Operação Depois da Operação DONAMAISON 1.785.333,41 1.285.333,41 Eduardo Henrique Tolardo 3.000.500,01 3.000.500,01 Eliana Tolardo Galli 8.635.000,00 8.635.000,00 Fábio César Tolardo 25.348.053,96 1.399.002,84 Heloísa Tolardo de Lira 43.119.247,12 20.500.698,84 José Dario Tolardo 0,01 0,01 TOTAL 81.888.134,51 34.820.535,11 Diante do exposto e considerando, principalmente, as alegações genéricas da recorrente acerca da inexistência de confusão patrimonial, sem contestar especificamente as constatações da fiscalização quanto à matéria, não merece reparos a decisão recorrida que entendeu correta a tese da fiscalização de que as empresas do grupo serviram de instrumento para aquisição de bens de sócios de fato. No recurso voluntário a recorrente contesta a conclusão da decisão recorrida acerca da existência do Grupo Vespor, sob o argumento de que o fato da família Tolardo ser formada por várias pessoas empresárias não quer dizer que façam parte de um grupo empresarial. De fato, a existência de diversas pessoas empresárias em uma família não permite concluir estarse diante de um grupo empresarial, entretanto, no caso concreto, em que foram constatados os procedimentos de blindagem patrimonial, constituição/transferência das sociedades mediante a utilização de terceiros sem capacidade econômica e confusão patrimonial, restou caracterizado a existência de grupo econômico de fato. Fl. 31515DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.516 43 Afirma a recorrente que o fato da Donamaison ter outorgado procuração à Marisa Cadete, que foi funcionária da recorrente e de outras empresas do grupo, não quer dizer que a mesma agia em nome da autuada, pois a Donamaison é uma sociedade administradora de bens que não tem qualquer ligação com a atividade da Vespor Automotive. Acrescentou que o Sr. José Osni, para quem foram transferidos diversos bens e foi considerado sócio de fato da recorrente, não tem nenhuma ligação direta com a Vespor Automotive. Também não assiste razão à recorrente. De acordo com a documentação apreendida na "Operação Laranja Mecânica" e documentação obtida no curso dos procedimentos fiscais, restou demonstrado que a pessoa jurídica Donamaison, cujos sócios são os irmãos Heloísa, Eduardo, Fábio e Eliana, bem assim, a pessoa física José Osni, integravam a estrutura do grupo econômico e para eles eram transferidos os bens advindos da atividade empresarial do Grupo Vespor, enquanto a recorrente, era responsável pela parte operacional, ou seja, revenda de autopeças. Dessa forma, o fato de possuírem atividades distintas (Donamaison) e não estarem diretamente ligados à empresa (José Osni), não tem o condão de descaracterizar a existência do Grupo Vespor. O modo de agir do grupo econômico incluía também o abandono sistemático das empresas utilizadas para movimentação financeira das atividades do grupo. Dessa forma a empresa operacional do grupo, a Vespor Automotive, durante o período fiscalizado utilizouse das empresas de fachada, Titamari, V P Auto Peças e V S Automotive, constituídas por interpostas pessoas, para ocultar a maior parte de suas operações. Da análise da planilha de apuração de receita bruta operacional, transcrita às fls. 73 e 74 do Termo de Verificação Fiscal, é possível identificar que à medida que uma empresa começa a diminuir a quantidade de recursos em suas contas bancárias é abandonada e substituída, na seguinte ordem: Titamari (anocalendário de 2009), V P Auto Peças (out/2009 a mar/2012) e V S Automotive (jul/2011 a dez/2012). A recorrente alega a existência de erro na sujeição passiva tributária pois os lançamentos deveriam ter sido constituídos contra as empresas supostamente utilizadas para ocultar a movimentação e patrimônio da recorrente na condição de contribuintes, cabendo à recorrente a condição de responsável tributária, nos termos do art. 124, I do CTN. Equivocase a recorrente, visto que a condição de responsável tributária, prevista no art. 124, I, é atribuída às pessoas jurídicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. No caso da recorrente, restou comprovado que as empresas Titamari, V P Auto Peças e V S Automotive não tinham atividades próprias, tratavamse de empresas de fachada cujas contas bancárias eram utilizadas pela própria recorrente para recebimentos e pagamentos de suas atividades operacionais. Assim, correta a fiscalização em atribuir a condição de contribuinte, definida no art. 121, I do CTN, à Vespor Automotive, face à constatação de sua relação direta e pessoal com as situações que constituíram os fatos geradores, ou seja, a movimentação bancária da Vespor nas contas bancárias das empresas de fachada. Defende a recorrente que o critério quantitativo adotado pela fiscalização para o arbitramento do lucro da recorrente é injurídico pois parte da presunção de que os valores encontrados no material apreendido na "Operação Laranja Mecânica" tratase do faturamento da autuada. Diversamente do alegado pela recorrente, o faturamento da autuada foi identificado com base na documentação obtida na operação de busca e apreensão com Fl. 31516DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.517 44 autorização judicial, bem assim, em outras provas coletadas no curso da ação fiscal, e não com base em presunção. Da análise dos documentos acostados aos autos restou comprovado que as empresas Titamari, V. P Auto Peças e V. S. Automotive, tratavamse de empresas de fachada, cujas inscrições no CNPJ foram declaradas inaptas e que estavam omissas na entrega de declarações ou efetuavam entrega de declarações de inatividade, exceção feita à V.P Autopeças que efetuou entrega de DIPJ pelo lucro presumido para os anoscalendário de 2009 e 2010, com receitas declaradas equivalentes a menos de 2% de sua movimentação financeira no período. Nas respostas às intimações enviadas aos depositantes de valores nas contascorrentes dessas empresas foi constatado que a maioria das respostas indicava pagamentos de vendas efetuadas pela Vespor Automtotive. Por outro lado, nas intimações enviadas aos beneficiários dos pagamentos realizados por essas empresas, em sua maioria fornecedores de autopeças, as respostas indicavam compras dessas mercadorias pela Vespor Automotive. Além disso, foram identificadas diversas procurações outorgando poderes a funcionários da Vespor para movimentação das contas bancárias dessas empresas, bem assim, foram identificados vários pagamentos por elas efetuados a integrantes da Família Tolardo, empregados e procuradores da família. Alega também a recorrente que sua eleição como empresa "mãe" da suposta operação foi feita de forma arbitrária, caindo por terra a certeza do lançamento fiscal conforme determina o art. 142 do CTN. Ao contrário do alegado, a identificação da recorrente como empresa principal e com real controle sobre as demais empresas do grupo, decorre da análise dos documentos apreendidos na "Operação Laranja Mecânica, bem assim, em documentos obtidos no curso da ação fiscal, tendo sido apurados os fatos a seguir relacionados, constantes do Termo de Verificação Fiscal e assim sintetizados no acórdão ora recorrido: " Agenda contendo especificações para emissão de notas fiscais, inclusive fictícias – fl. 190. Mensagens entre empregados da V.A. estabelecendo datas limites para recebimentos das cobranças por meio das empresas (de fachada) TITAMARI, V P e V S – fl. 190. Planilhas de consolidação dos valores anuais de faturamento de 2009 a 2011 e parte de 2012, compatíveis com a movimentação financeira observada nas empresas TITAMARI, V.P. e V.S., e na empresa operacional, V.A. – fl. 203. Mídias com lista de ramais da diretoria e informações vinculando à V.A., Fabio, Heloisa, Cleireanny, Eduardo, Eliana e Celso (todos integrantes da Família Tolardo) – fl. 204 e 207. Mídias contendo operações do GV administradas pelos irmãos Tolardo (Eduardo, Fábio e Heloísa) e a cunhada Cleireanny, esposa de Fábio. IRACEMA (empregada do GV desde a existência da Tolardo Auto Peças), diretora da V.A., era uma das operadoras das contas bancárias da V.A. e V.S., juntamente com ZENAIDE (também empregada do GV, responsável pelo Depto de Cobrança) – fl. 205/206 e 212; Mídia com informações sobre o controle de documentação da V.A., ATIVA, V.P., V.S. e TITAMARI pelo “escritório matriz” da V.A. (fls. 209); Boletos de cobrança em nome da V.P. e emails informando que serão encerradas todas as contas da V.P. no BB – fl. 211 Fl. 31517DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.518 45 Carta de anuência da V.S. no email da ZENAIDE, pelo boleto de cobrança em nome da V.S., com endereço da V.S. sendo vizinho do endereço da filiação SP da VA; Comprovantes de transferência entre contas da V.P. e V.S. no email da ZENAIDE; Abertura de C/C da V.S. no BB ag. 0352 – Maringá e encerramento da C/C da V.P. no BB, no email de Eliana Filial SP para ZENAIDE, IRACEMA e outros – fl. 211. Relação de C/C da V.P. e V.S. no BB, utilizadas pela V.A., no email da Kalina63 para ZENAIDE. DBE na RFB para inscrição de filial da CARHILL, em 04/02/2011 recebido por IRACEMA para assinatura do Sr. IZAIAS, repassado para ZENAIDE. CNPJ da empresa DIPER com endereço idêntico ao da filial da V.A. em Vila VelhaES, no email da ZENAIDE para Vladinei c/c para Heloisa – fl. 211. Autorização de crédito em c/c de remessa de 58 mil dólares da WESGREEN OVERSEAS S/A no email da ZENAIDE para ELIANE – fl. 212 Documento indicando operações da V.A. com a V.S. e ATIVA – FL. 212." Assim, considerando que a autoridade fiscal ao verificar a ocorrência dos fatos geradores, determinou a matéria tributável, calculou o montante devido e identificou corretamente o sujeito passivo, não merecem ser acolhidas as alegações de ofensa ao art. 142 do CTN. Afirma a recorrente que a fiscalização adotou como base de cálculo dos tributos a integralidade dos valores movimentados nas contas correntes, apurando como lucro tributável pelo IRPJ e CSLL a totalidade da movimentação e, sobre esses valores aplicando as alíquotas correspondentes. Aduz que o arbitramento deve observar o princípio da reserva legal e não pode ser utilizado como instrumento de punição, de forma que considerar a totalidade dos valores depositados pode, eventualmente, exceder a efetiva receita auferida. Ao final, conclui que a omissão de receitas nas casos de arbitramento de lucros impõe o efetivo arbitramento dos lucros com base nos parâmetros legais, para se levar à tributação do percentual da receita omitida mas nunca 100% da omissão, por afronta aos arts. 3º e 43 do CTN. Diversamente do alegado pela recorrente, a base de cálculo dos tributos não foi a totalidade dos valores movimentados nas contas correntes analisadas, tendo sido delas excluídos todos os valores que não representavam efetivas entradas de recursos, especialmente, os abaixo relacionados, conforme informação extraída do Termo de Verificação Fiscal às fls. 75: " Transferências, DOC e depósitos entre contas das três empresas e para VESPOR AUTOMOTIVE; Empréstimos e operações similares; 63 TANIA KALINA DE OLIVEIRA, procuradora da TITAMARI (fl. 1709, 1711), tendo sido empregada da Superpeças e da VA. Fl. 31518DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.519 46 Estornos (a débito foram diminuídos dos créditos; a crédito foram excluídos da apuração); Cheques emitidos e devolvidos por quaisquer motivos; Redução de saldo devedor; Cancelamentos de DOC e TED remetidos; Cheques depositados e posteriormente devolvidos; Operações com desconto de cheques, posteriormente canceladas; Resgates de aplicações financeiras." Consta do auto de infração que o arbitramento do lucro no anocalendário de 2009, se deu em razão da escrituração mantida pelo sujeito passivo ser imprestável para identificação da efetiva movimentação financeira, nos termos do disposto no art. 530, II, alínea "a" do RIR/99. Para os anoscalendário de 2010 a 2012, a motivação para arbitramento foi a imprestabilidade da escrituração contábil para identificação da movimentação financeira, bem assim, o fato da recorrente ter optado indevidamente pelo lucro presumido, nos termos do art. 530, IV do RIR/99, pois auferiu receita bruta nos anos anteriores superiores ao limite legal para opção pelo arbitramento. Assim, por ter incidido nas hipóteses legais de arbitramento previstas nos incisos III e IV, do art. 530, do RIR/99, é que a autoridade fiscal, cuja atividade é vinculada, efetuou o arbitramento do lucro sem qualquer pretensão punitiva mas em estrito cumprimento ao dever legal. Relativamente às alegações de que as omissões de receitas nos casos de arbitramento impõem a aplicação dos percentuais previstos nas leis e nunca 100% da receita omitida, assiste a razão à recorrente e foi justamente assim que procedeu à fiscalização. Consta do auto de infração que o arbitramento foi efetuado com base receita bruta conhecida, apurada conforme as vendas registradas no Livro Razão do anocalendário de 2009 e informadas nas notas fiscais eletrônicas, obtidas no ambiente SPED, para os anoscalendário de 2010 a 2012. Às omissões de receitas apuradas conforme valores creditados nas contas bancárias também foi aplicado o percentual 9,6% para apuração da base de cálculo tributável, em cumprimento ao disposto no arts. 532 e 537 do RIR/99, de forma que não merecem reparos as bases de cálculo apuradas pela fiscalização. Afirma a recorrente que foram vislumbradas inúmeras inconsistências nos lançamentos, a exemplo da duplicidade de lançamentos a seguir apontadas: Pessoa Jurídica Valor Outros Créditos Extrato Bancário Titamari 206,02 Anexo XII B Anexo XV V S Automotive 280.000,00 Anexo XIII B Anexo XVI V P Automotive 1.344,00 Anexo XIV B Anexo XVII A suposta duplicidade de lançamentos parte da premissa equivocada de que a base de cálculo foi apurada com base na soma dos valores constantes de ambos os anexos "Outros Créditos" e "Extratos Bancários". Os valores constantes dos anexos XII B, XIII B e XIV B, denominados "Outros Créditos", detalham os valores incluídos nas colunas Fl. 31519DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.520 47 "Depósitos", da tabela que demonstra a base de cálculo apurada pela fiscalização ( item XI.1 do Termo de Verificação Fiscal). Por outro lado, os anexos XV, XVI e XVII, contêm os extratos bancários obtidos no curso da ação fiscal e se prestam unicamente a comprovar os valores objeto dos lançamentos de ofício relacionados nos anexos "Outros Créditos". Relativamente às alegações da recorrente de que o erro na determinação da base de cálculo do IRPJ e CSLL tornariam os valores irreais e exorbitantes, contaminando o lançamento co vício insanável de ilegalidade, tornandoo nulo de pleno direito, também não assiste razão à recorrente. Primeiro porque conforme já demonstrado, as bases de cálculo foram apuradas corretamente, conforme determinado pelos arts. 532 e 537 do RIR/99 e segundo, porque ainda que tivessem sido apuradas incorreções no cálculo da base tributável, tal fato ensejaria apenas a exclusão dos valores indevidos por não se amoldar às hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Defende a recorrente a ausência de subsunção da multa qualificada tendo em vista que a autoridade fiscal pautouse em meras presunções e indícios que não restaram comprovados nos autos. Acrescenta que nos termos do art. 112 do CTN, nos casos em que não foi deliberadamente comprovada a capitulação legal dos fatos e a natureza ou circunstâncias materiais dos fato, a legislação que define infrações ou lhe comine penalidades deve ser interpretada à favor dos contribuintes. Ao contrário do alegado pela recorrente, a aplicação da multa qualificada foi pautada não em presunções, mas em robustas provas obtidas na "Operação Laranja Mecânica" e no curso da ação fiscal, em que foram constatadas as hipóteses de sonegação e conluio, assim descritas no Termo de Verificação Fiscal: "• Sonegação nos termos do art. 71, incisos I e II, da Lei n° 4.502/1964, pela ação e omissão dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, sua natureza e circunstâncias materiais, bem assim das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal e o crédito tributário correspondente: declarou receitas inferiores às auferidas, parte com emissão de notas fiscais e parte sem emissão de notas fiscais, atuando por meio de grupo de empresas, diluindo sua movimentação financeira de modo a aparentar regularidade na empresa principal (VESPOR AUTOMOTIVE), utilizando interpostas pessoas em todos os quadros societários das tais empresas, ocultando os verdadeiros sócios e o patrimônio amealhado com a atividade do comércio de autopeças para veículos automotores, culminando com o pagamento insuficiente de imposto e contribuições; • Conluio nos termos do art. 73 da Lei n° 4.502/1964, pelo ajuste doloso entre os sócios de fato de VESPOR AUTOMOTIVE, sócios de direito, empregados, procuradores e demais interessados, mantendo por décadas o esquema de sonegação com a constituição, utilização e abandono sistemático de empresas, bem como Fl. 31520DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.521 48 mantendo a partir de 2001 a empresa principal sem patrimônio e sem indicação dos sócios de fato no quadro societário. Diante do exposto, correta a aplicação da multa qualificada de 150% prevista no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96, pois constatadas as hipóteses descritas nos arts. 71 e 73 da Lei nº 4.502/64. Por fim defende a recorrente a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa aplicada. Afirma que qualquer que seja a ótica sob a qual se interpretar o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, a melhor exegese é que a autoriza a incidência apenas sobre os valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício lançada. O art. 113 § 1º do Código Tributário Nacional, ao definir o que seria a obrigação tributária principal, assim estabeleceu: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação tributária principal consiste na obrigação de "dar" uma importância em moeda, diferentemente das obrigações acessórias que tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (deixar de fazer) determinado ato. Do comando legal acima transcrito inferese que a obrigação tributária principal engloba tanto o pagamento do tributo quanto a penalidade pecuniária, no caso, a multa de ofício. Ao afirmar que a obrigação tributária principal extinguese juntamente com o crédito dela decorrente verificase que ambas são faces de uma mesma relação jurídica. O crédito tributário é a obrigação tributária quantificada pelo Fisco e constituída pelo lançamento, nos termos do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse mesmo sentido, o art. 139 do Código Tributário Nacional, assim dispõe: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Em seguida, o art. 161 do Código Tributário Nacional determina: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 31521DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.522 49 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. O crédito tributário constituído nos lançamentos de ofício inclui o tributo, bem assim, as multas de ofício e, quando não pagos no vencimento sujeitamse aos juros de mora. O parágrafo primeiro estabeleceu ainda que referidos juros são calculados à taxa de 1% ao mês nos casos em que a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que o art. 61 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu que os débitos com a União, quando decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01/01/1997, estão sujeitos aos juros Selic quando não pagos nos prazos previstos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Os débitos a que se referem a Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário objeto do art. 161 do Código Tributário Nacional, visto sob a ótica do sujeito passivo. Conforme acima demonstrado, o crédito tributário compreende os tributos, bem assim, as multas de ofício previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/96. A jurisprudência deste Conselho é majoritária a favor da incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício: JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão nº 1301001.976, Sessão de 05/04/2016) Fl. 31522DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.523 50 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3°do art. 61 da Lei n°9.430/96. (Acórdão n° 1302000.959, Sessão de 07/08/2012) Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário para manter a incidência de juros de mora sobre as multas de ofício. DOS REFLEXOS DE CSLL, COFINS e PIS Aplicase a solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão dos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. Sustenta a recorrente, especificamente em relação aos lançamentos de COFINS e PIS, que a autoridade fiscal não considerou o fato de que os produtos (peças) comercializados pela recorrente estão no regime monofásico das contribuições para a COFINS/PIS e, portanto, suas vendas estariam sujeitas à alíquota zero. Acrescenta que juntou ao processo administrativo nº 14098.720153/201453, referente à autuação de COFINS e PIS, cópias de documentos fiscais comprovando tal operação em todos os exercícios objeto de fiscalização. Da análise das notas fiscais anexadas à impugnação do processo administrativo nº 14098.720153/201453 às fls. 22.737 a 22.797, bem assim, das planilhas anexadas aos autos de infração de COFINS e PIS às fls. 3.752 a 22.474, é possível verificar que nem todas as vendas realizadas pela recorrente estão sujeitas à tributação monofásica. De acordo com as notas fiscais eletrônicas emitidas pela empresa, em todos os períodos foram identificadas vendas de mercadorias sujeitas às alíquotas de 3% (COFINS) e 0,65% (PIS). Dessa forma, procedeu corretamente a autoridade fiscal ao aplicar referidas alíquotas sobre as receitas omitidas, face à impossibilidade de identificação da alíquota aplicável, nos termos do art. 24, 4º da Lei nº 9.249/95: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. [...] § 4o Para a determinação do valor da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep, na hipótese de a pessoa jurídica auferir receitas sujeitas a alíquotas diversas, não sendo possível identificar a alíquota aplicável à receita omitida, aplicarseá a esta a alíquota mais elevada entre aquelas previstas para as receitas auferidas pela pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Relativamente ao argumento específico da não inclusão de ICMS na base de cálculo das contribuições para a COFINS e PIS, afirma a recorrente que não se trata de efetivar Fl. 31523DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.524 51 o controle de constitucionalidade das normas federais, mas sim de interpretar a legislação conforme a Constituição. Aduz que o STF julgou de forma definitiva a questão ao afastar o ICMS da base imponível das contribuições, conforme depreendese do julgamento do RE 240.785. Independentemente de ser o caso de controle da constitucionalidade ou de interpretação conforme a Constituição, o fato é que a Lei nº 9.718/98, utilizada como base legal dos autos de infração em litígio, ao definir a base de cálculo das contribuições assim dispôs: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 3o O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) [...] § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; [...] Verificase, portanto, que inexiste previsão legal, exceto nos casos de substituição tributária, para exclusão dos valores de ICMS da base de cálculo das referidas contribuições. Com relação ao RE 240.785, mencionado pela recorrente em sua defesa sobre a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, referido julgamento foi concluído em 2014, tendo sido dado provimento ao recurso do contribuinte. Entretanto, referida decisão não foi proferida em repercussão geral, motivo pelo qual não vincula o presente julgamento, nos termos do art. 62, § 2º , do Anexo II, da Portaria MF nº 303/2015: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2o As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria Fl. 31524DF CARF MF Processo nº 14098.720154/201406 Acórdão n.º 1301002.815 S1C3T1 Fl. 31.525 52 infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n° 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF n° 152. de 2016) No julgamento do RE 574.706/PR, submetido ao regime de repercussão geral, realizado em 15/03/2017, o Supremo Tribunal Federal, também decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições para a COFINS e PIS. Entretanto, em 19/10/2017, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, ainda pendentes de julgamento. Assim, por não se tratar de decisão definitiva de mérito, não está caracterizada a hipótese de vinculação prevista no art. 62, § 2º , do Anexo II, da Portaria MF nº 303/2015: Diante do exposto, e considerando o disposto no art. 62 do Anexo II, da Portaria MF nº 303/2015, não merece ser acolhido o pleito da recorrente para exclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para a COFINS e PIS. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto por: (i) rejeitar a arguição de nulidade da decisão recorrida por ausência de intimação quanto à sessão de julgamento da DRJ; (ii) rejeitar a arguição de nulidade do lançamento em razão de vício na ciência do Termo de Ciência de Lançamento(s) e Encerramento Total do Procedimento Fiscal Responsabilidade Tributária ao coobrigado Alonso Zacarias da Silva, e, de ofício, excluílo do polo passivo da obrigação tributária; (iii) no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 31525DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.932255/2009-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, José Carlos de Assis Guimarães, Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli); ausentes justificadamente Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: 04845811391 - CPF não encontrado.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, José Carlos de Assis Guimarães, Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli); ausentes justificadamente Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Luis Fabiano Alves Penteado 1 Relatório Trata o processo de Declaração(ões) de Compensação PER/DComp, transmitidas, em que o contribuinte requer o crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para compensação de débitos. O crédito provém do recolhimento em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 32 25 5/ 20 09 -4 7 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10980.932255/200947 Resolução nº 1201000.418 S1C2T1 Fl. 3 2 29/04/2005, de R$ 365.338,51 de 248401 CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal, do mês 03/2005. 2. O Despacho Decisório DD não homologou a compensação declarada porque: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. 3. E exige o total de débitos não compensados, com juros e multa de mora. 4. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR DRJ/CTA emitiu o Acórdão, considerandoa improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2005 PER/DCOMP. NÃOHOMOLOGAÇÃO. PGTO INDEVIDO OU A MAIOR. PARCELA ESTIMATIVA IRPJ. NECESSIDADE DE DEDUÇÃO COM O DEVIDO NO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO OU COMPOR O SALDO NEGATIVO. VIGÊNCIA IN SRF 600/2005. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. 5. Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivo recurso voluntário resumido a seguir. 6. Assevera que a DIPJ e DCTF comprovam o pagamento a maior da estimativa mensal; que a aplicação da IN SRF nº 600, de 2005, não tem sido recepcionada nas instâncias superiores de julgamento. 7. Descreve que, tanto as pessoas jurídicas como as pessoas físicas fazem a consolidação da renda auferida durante o ano para, conforme determinações legais, fazer o cálculo do ajuste anual do imposto devido ou imposto a ser restituído e compensado; que, para facilitar a gestão desses tributos, inclusive beneficiando o fluxo de caixa das empresas e do próprio Governo Federal, foi criada a sistemática de recolhimento antecipado do IRPJ e da CSLL, no regime de estimativas mensais pelo qual as Pessoas Jurídicas ficaram obrigadas a ANTECIPAR mensalmente valores de Imposto de Renda/ CSLL; e, uma vez apuradas e pagas as estimativas mensais, caso no final do período o imposto devido seja inferior ao recolhido mensalmente, o contribuinte poderá utilizar esse valor pago a maior na forma de "saldo negativo" do imposto/contribuição; e se o contribuinte recolher um valor a maior do que a estimativa apurada, é certo que esse pagamento será indevido, podendo o valor excedente ser restituído ao contribuinte. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10980.932255/200947 Resolução nº 1201000.418 S1C2T1 Fl. 4 3 8. Frisa que o pagamento indevido não está condicionado ao período de apuração anual, mas decorre do pagamento do imposto em valor superior ao efetivamente apurado para determinada estimativa. 9. Argumenta que, como esses pagamentos a maior não foram utilizados para a compensação das estimativas subsequentes e nem para a composição do saldo negativo do período, é líquido e certo o direito da Recorrente em utilizálos na compensação de outros tributos. 10. Aponta ilegalidade da IN SRF nº 600, de 2005, dado que, conforme comando inserto no art. 165 do Código Tributário Nacional, o sujeito passivo tem direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento espontâneo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributaria aplicável; da mesma forma, o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, garante a restituição de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal, cujo recolhimento tenha se mostrado superior ao exigível. 11. Transcreve Acórdãos do CARF e de DRJ em apoio à sua tese. 12. Reportase à IN SRF nº 900, de 2008, que veio corrigir o cenário, permitindo a compensação de pagamentos indevidos e não a condicionando ao uso dos valores na composição do saldo negativo, pois suprimiu o art. 10 da IN anterior; as autoridades administrativas passaram a decidir pela aplicação retroativa da IN SRF nº 900, de 2008. 2 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.417, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10980.934190/200974, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório requerido no presente processo tem como origem o DARF recolhido em 29/04/2005 , relativo ao 248401 CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal, no valor de R$ 365.338,51. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.417): "2.1 LOTE. 13. O processo nº 10980.934190/200974, foi elaborado visando que sua análise e conclusões sirvam como paradigma para os Acórdãos a serem proferidos nos demais processos do Lote; são eles, conforme pesquisa no sistema eprocesso: 10980.932255/200947 10980.932260/200950 10980.932256/200991 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10980.932255/200947 Resolução nº 1201000.418 S1C2T1 Fl. 5 4 10980.932258/200981 10980.934191/200919 10980.932263/200993 10980.934189/200940 14. Verificouse que tanto os despachos decisórios como os Acórdãos DRJ destes processos que compõem o lote são de teor idêntico. 2.2 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. VALOR INDEVIDO OU A MAIOR. 15. A IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, determinava que: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. 16. O art supra foi suprimido pela IN SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que revogou a IN SRF nº 600, de 2005. 17. E a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19 de 5 de dezembro de 2011, explicitou que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa.Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005.A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10980.932255/200947 Resolução nº 1201000.418 S1C2T1 Fl. 6 5 originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa.Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. 18. Na sessão realizada em 10/12/2012, foi aprovada pela Primeira Turma da CSRF a Súmula CARF nº 84: Súmula Acórdãos paradigma Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 1101 00.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. 19. Reproduzse a seguir excertos do Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009, um dos que foram paradigma para a Súmula: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerente ao pedido de compensação formulada pelo contribuinte, inclusive no que se refere a correção das retificações de declaração e ao eventual aproveitamento do citado credito ao final do ano calendário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (...) No caso, entendo não ser possível homologar, desde já, a compensação declarada pelo Contribuinte, urna vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a da restituibilidade (ou não) da estimativa recolhida a maior . Tendo em vista que o Recorrente em um primeiro momento calculou em R$ 4.668.087,16 o valor de sua obrigação de antecipar a CSLL, no mês de junho de 2002 e, depois, informou que, por novo cálculo, referido valor seria de R$ 2.559.397,53, entendo que os referidos valores devem ser confirmados ou infirmados pela Fiscalização, para, somente após, haver a homologação do pleito do Contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10980.932255/200947 Resolução nº 1201000.418 S1C2T1 Fl. 7 6 conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerentes ao pedido de Compensação formulado pelo Contribuinte, no que se refere à correção das retificações de declaração e ao (eventual) aproveitamento do citado credito no ajuste do anocalendário. (Grifouse.) 20. À vista do exposto, evidenciase pacificada a questão quanto à possibilidade de restituição/compensação de valor recolhido indevidamente ou a maior de estimativas mensal. 2.3 DIREITO CREDITÓRIO. 21. O valor requerido se refere a estimativa mensal informada no processo nº [...] como tendo sido recolhida em [...], via DARF, no valor total de [...], mas cujo comprovante de arrecadação não consta do processo, e tampouco foi objeto de verificação/confirmação. O contribuinte anexou a Ficha 11 da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do anocalendário e a ficha de totalização dos tributos e contribuições apurados no mês, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referentes à estimativa em pauta, ambas retificadoras. As datas de transmissão de todas as peças do processo são: a. PER/Dcomp [...]; b. DIPJ retificadora [...]; c. DCTF retificadora [...]; d. ciência do despacho decisório [...], portanto as declarações supra foram espontâneas. 22. Sobre declarações retificadoras, determina a IN SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1º A retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. (...) § 2º A declaração retificadora referida neste artigo: I terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF No 094, de 24 de dezembro de 1999; II será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. Art. 2º A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais DCTF, deverá Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10980.932255/200947 Resolução nº 1201000.418 S1C2T1 Fl. 8 7 apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. Art. 3º Quando a retificação da declaração apresentar imposto maior que o da declaração retificada, a diferença apurada será devida com os acréscimos correspondentes. Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. 23. Consoante a IN SRF nº 166, de 1999, as declarações retificadoras substituem integralmente as originais, produzindo os mesmos efeitos; verificase que foram espontâneas, pois entregues antes da ciência do despacho decisório. 24. Porém, em se tratando do reconhecimento de direito creditório, e como a discussão se ateve ao direito ou não ao crédito referente a estimativa recolhida a maior ou indevidamente, verificase que não houve em momento algum a análise visando confirmar o direito creditório requerido. 25. Consta da DIPJ [...], da qual a Ficha [...], foi anexada, que a forma de determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução; eis que neste caso, na apuração da estimativa de cada mês, se deduz os valores de IRPJ /CSLL, respectivamente, devidos nos meses anteriores do mesmo ano, assim como os valores de IRPJ/CSLL, respectivamente, retidos na fonte. 26. Verificase no sistema eprocesso que constam para relatar 8 (oito) processos do contribuinte distribuídos para esta Turma, que requerem créditos de estimativas de recolhimento indevido ou a maior de estimativas de IRPJ e de CSLL, dos anoscalendário 2006 e 2005. 27. É necessário que sejam analisados todos os PER/Dcomp destes processos (sendo que pode haver ainda outros processos de teor análogo distribuídos a outras Turmas do CARF ou ainda nas DRJ's), que tratem dos mesmos créditos ou não, mas que sejam referentes a estes anoscalendário. 28. Há necessidade que: a. se confirmem os recolhimentos das estimativas que o contribuinte considera recolhidas a maior ou indevidamente, sendo que parte delas pode ter sido objeto de compensações (verificase que em algumas partes de DCTF anexadas nos processos do lote consta que o pagamento se deu mediante "Outras compensações", sem informar o PER/Dcomp onde tal compensação teria sido declarada), que devem ser verificadas; b. se refaçam as apurações das estimativas mensais dos anos calendário em pauta, para verificar se as estimativas quitadas foram ou não computadas nas apurações dos meses subsequentes e na apuração anual; c. consta da DIPJ que a determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, cabe portanto Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10980.932255/200947 Resolução nº 1201000.418 S1C2T1 Fl. 9 8 verificar ao menos por amostragem, se os dados da DIPJ efetivamente se baseiam em Balanços/Balancetes constantes da contabilidade do contribuinte; d. se verifique se eventuais saldos negativos anuais resultantes já não teriam sido objeto de Per/Dcomp; e. emitir Parecer acerca do pedido constante do PER/Dcomp em epígrafe, informando se e qual o valor do recolhimento indevido ou a maior da estimativa efetivamente recolhida ou compensada caracteriza crédito de recolhimento indevido ou a maior, passivel de ser reconhecido para compensação, em que a data do direito creditório deva ser computada a partir da respectiva data do recolhimento. f. cientificar o contribuinte, facultandolhe a apresentação de contestação. 3. Conclusão. Voto pela realização da diligência descrita no voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 125DF CARF MF
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Numero do processo: 12266.720843/2014-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral o patrono Dr. Rodolfo Tamanaha, OAB 31.795, escritório Arruda e Tamanaha Advogados.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral o patrono Dr. Rodolfo Tamanaha, OAB 31.795, escritório Arruda e Tamanaha Advogados. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório. Foram submetidos para a análise deste julgamento administrativo fiscal o Recurso Voluntário de fls. 932 e o Recurso de Ofício, em face da decisão de primeira instância, proferida pela DRJ/SP de fls. 873, que manteve parcialmente o lançamento de II, IPI, PIS e COFINS importação, com multas, conforme Relatório Fiscal de fls. 124 e Autos de Infração de fls. 4, 10, 23 e 31, por possível descumprimento de regras do regime especial do Regime RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 22 66 .7 20 84 3/ 20 14 -0 6 Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 12266.720843/201406 Resolução nº 3201001.292 S3C2T1 Fl. 1.749 2 Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO e da internação de mercadorias na Zona Franca de Manaus. Como é de costume desta Turma de julgamento a reprodução do relatório encontrado na decisão de primeira instância, segue para conhecimento (fls. 874): "Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 11/03/2014, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados e Contribuição PIS/COFINS, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, além de multa equivalente ao valor aduaneiro no valor de R$ 50.889.310,74 em virtude dos fatos a seguir descritos. O procedimento fiscal que originou o Auto de Infração correlato baseiase no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0227600 2014000537 originado a partir do MPF nº 02276002013004385. O escopo do procedimento abrangeu as máquinas, veículos e equipamentos importados pelo contribuinte nos anos de 2009 a 2013 com os benefícios do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (Reporto) e da Zona Franca de Manaus (ZFM). Foram identificadas as seguintes condutas por parte do contribuinte: _ Descumprimento do regime de Reporto pela utilização das máquinas fora do estabelecimento habilitado – art. 14 da Lei 11.033/2004; _ Veículos sem a identificação visual do Reporto – art.14 §10 da Lei nº 11.033/2004; e _ Internação de mercadorias importadas da Zona Franca de Manaus (ZFM) para o restante do território sem o registro das respectivas Declarações para Controle de Internação (DCIs) – art. 1º IN SRFB 242/2002 e sem o recolhimento do Imposto de Importação (II) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Por isso foi lavrado presente Auto de Infração. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 13/03/2014 (fls. 333), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 14/04/2014, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 346 à 393, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: _ PRIMEIRA PRELIMINAR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO TENDENTE A APREENSÃO DOS EQUIPAMENTOS DA IMPUGNANTES. A defendente, no curso de procedimento fiscal foi intimada a "apresentar os equipamentos abaixo relacionados a esta fiscalização, para fins de lavratura do Termo de Apreensão”, consoante se constata no bojo do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL EQFIA/ALF/MNS N°. 0003/2014 (doc. 03). Em minuciosa análise dos dispositivos legais que “fundamentavam” a pretensão de apreensão dos equipamentos, constatase que NENHUM DELES dá respaldo a pretendida apreensão dos equipamentos por Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 12266.720843/201406 Resolução nº 3201001.292 S3C2T1 Fl. 1.750 3 parte da ilustre autoridade fiscal, considerandose, sobremodo, o fato de que os bens em questão foram importados e adquiridos com benefícios da Zona Franca de Manaus ou com base no Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO. Anteviase ainda, à época da intimação, a intenção do fisco de proceder à aplicação da pena de perdimento o que, de fato, veio suceder, com a conversão desta, por via oblíqua, em aplicação de multa pecuniária, correspondente ao valor aduaneiro de cada máquina (9 máquinas), conforme o Anexo IV. As ilustres fiscais, no decorrer de fiscalização, sem qualquer fundamento legal e sem cumprir a imposição de lavratura de Auto de Infração, pretendiam impor pena de apreensão, sem o devido processo legal e sem respeito às normas que regulamentam o processo administrativo fiscal. A Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Federal, estabelece em seu art. 2o parágrafo único, inciso VII, que ‘‘nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de (...) indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinam a decisão”. Ainda no art. 50, do retrocitado dispositivo legal, há um elenco de situações de fato e de direito que, quando presentes, obrigam a autoridade fiscal a motivar o ato, com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos aplicáveis. In casu, temse como fato incontroverso que o Termo de Intimação Fiscal n° 003/2014, além de não apresentar qualquer fundamento de fato para a medida que anuncia (apreensão e a pena de perdimento que, ao final, espertamente, foi convertida em multa pecuniária, para tentar driblar o comando de decisão judicial precedente), limitase a fazer remissão a normas que, com se disse, nada tem a ver com o ato pretendido. Assim, considerando que nenhuma das normas mencionadas no Termo de Intimação Fiscal n° 003/2014 fundamentam ou justificam a adoção da medida de “apreensão de máquinas/equipamentos”, requerse o reconhecimento da nulidade do procedimento fiscal, eis que, como visto, os fatos e fundamentos relatados no Termo de Intimação n° 0003/2014 não justificam o ato adotado pela ilustre fiscalização. _ SEGUNDA PRELIMINAR NULIDADE DA PENA DE PERDIMENTO E CONVERSÃO DESTA EM MULTA – DESOBEDIÊNCIA A ORDEM E DECISÃO JUDICIAL NOS AUTOS DO PROCESSO N°. 1141339.2014.4.01.3400. Em decorrência da ação fiscal que, de início, através do Termo de Intimação Fiscal n° 0059/2013, requisitou as informações quanto a localização de vários equipamentos pertencentes ao ativo da impugnante, e, ainda, por último, através do termo de Intimação Fiscal n° 003/2014, a ordem para a apresentação de 09 (nove) equipamentos para fins de apreensão, presumindose, desde então, a pretensão do fisco de proceder à aplicação da pena de perdimento, a empresa Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 12266.720843/201406 Resolução nº 3201001.292 S3C2T1 Fl. 1.751 4 impugnante, para fins de exercício de preservação de direito, interpôs Ação Ordinária (doc. 04) perante a 7a. Vara Federal, Seção Judiciária do Distrito Federal, aforada em 19.02.2014, processo n° 0011413 39.2014.4.01.3400. Na referida ação foi arguido, em síntese: 1. nulidade do procedimento fiscal (Termo de Intimação Fiscal n° 003/2014) pela ausência de motivação do ato administrativo que ameaçava a apreensão dos bens da impugnante; 2. regularidade fiscal e aduaneira dos bens; 3. desproporção da sanção prenunciada (Termo de Apreensão e posterior aplicação da pena de perdimento); e ainda, 4. antecipação dos efeitos da tutela para que a Receita Federal se abstivesse que qualquer medida tendente a promover a apreensão dos equipamentos da defendente e, ainda, de que fosse decretado o perdimento dos bens. Apreciando a matéria, em sede de tutela antecipada, o MM. Juiz Federal da 7a Vora Federal, Seção Judiciária do Distrito Federal, Dr. José Márcio da Silveira e Silva, deferiu a antecipação de tutela requerida (decisão em anexo doc. 06). Considerando a necessidade de aclarar os termos da decisão, de modo a não restar nenhuma dúvida quanto ao seu conteúdo e alcance, naqueles autos, a impugnante interpôs Embargos de Declaração, na data de 25.02.2014 (cópia em anexo doc. 07); A União (Fazenda Nacional) foi devidamente intimada da decisão e, não obstante, ter conhecimento da tutela antecipada concedida, prosseguiu com a ação fiscal, esquivandose de cumprir e preservar a integridade da decisão judicial típico ato de desobediência. Ressaltese que a própria Receita Alfandegária prorrogou o prazo administrativo para cumprimento do Termo de Intimação Fiscal EQFIA/ALF/MNS n°. 3/2014 até o dia 27.02.2014, e a decisão judicial proferida no Proc. n. 001141339.2014.4.01.3400, que deferiu a antecipação dos efeitos da tutela posteriormente integrada pela decisão dos embargos de declaração, ocorreu no dia 26.02.2014, com a intimação da Administração Fiscal na mesma data, inclusive via fax (vide decisão dos EDcIs). Evidenciase, portanto, que em nenhum momento houve mora da empresa, o que impede penalidades decorrentes da determinação de apreensão e, subsequente, perdimento ou conversão em multa da imposição administrativa. Vislumbrase, por primeiro, que a fiscalização mesmo informada dos locais onde se encontravam os equipamentos, sendo este um fato incontroverso ignorou o comando da decisão judicial e, simplesmente, de modo temerário e arbitrário, ultrapassou a pena de perdimento. ignorando o rito processual correspectivo, e a converteu em multa pecuniária, no valor correspondente ao valor aduaneiro dos bens (vide Anexo IV). A própria fiscalização reconhece que os bens não estavam perdidos, mas sim “em locais de difícil acesso" (nem tanto assim); e por mera Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 12266.720843/201406 Resolução nº 3201001.292 S3C2T1 Fl. 1.752 5 ficção sem qualquer respaldo legal e sem a observância do devido processo legal consideraramnos como “perdidos” e converteram (o valor dos bens) em multa. Notese ainda que a decisão da Autoridade Tributária, ora guerreada, está datada de 11.03.2013 (vide Auto de Infração, fls. 3/34), sendo válido e legítimo afirmar que, à esta altura, já sabiam da decisão judicial datada de 26.02.2014. Em suma, o procedimento fiscal, também nesse ponto, é nulo, eis que desrespeitou decisão judicial exarada, e deixou de atender a legislação pertinente, eis que “CONSIDEROU PERDIDO” o maquinário/equipamento, cuja localização era conhecida da fiscalização, sem o devido processo legal, regrado no art. 774 do Decreto n° 6759/2009 (Regulamento Aduaneiro, na parte que regula o processo de perdimento de mercadorias e de veículos). _ TERCEIRA PRELIMINAR NULIDADE DO PROCEDIMENTO RELACIONADO COM APLICAÇAO DA PENA DE PERDIMENTO E CONVERSÃO DESTA EM MULTA COM BASE EM INSTRUÇÃO NORMATIVA E EM DECRETO. Com base nos dispositivos legais citados pela Autoridade Tributária, verificase nos autos que a pena de perdimento (sim, perdimento, para depois ser convertida em multa) está sendo aplicada com base no art. 39, do DecretoLei 288/67 2 c.c. art. 25 da IN SRF n° 242/2002 e no art. 696, do Decreto 6.759/2009. É o princípio genérico da legalidade, previsto expressamente da Constituição Federal, segundo o qual “ninguém será obrigadoa fazer ou deixar alguma coisa senão em virtude de lei”. No caso em questão o próprio auto de infração descreve que a Fiscalização aplicou a pena de perdimento com base no art. 696 do Decreto 6.759/2009, e pior, com base no artigo 25 da IN SRF 242/2002 (uma instrução normativa criando pena!!7?). Porém, o Decreto não possui força jurídica para instituir obrigações e muito menos penas. Assim, e em resumo, ilegal e nula é a aplicação da pena de perdimento de bens aplicada no item 3.2 do Relatório de Fiscalização. _ QUARTA PRELIMINAR AUSÊNCIA DO DEVIDO PROCESSO LEGAL PARA A CONVERSÃO DA PENA DE PERD1MENTO EM MULTA. Sem embargo da argumentação suscitada na Terceira Preliminar (pena de perdimento com base em decreto e IN), indubitável que, para que para se aplicar a pena de perdimento há a necessidade de que se realize o processo fiscal de perdimento determinado pelo art. 774 do Decreto 6.759 de 2009, com base legal dada pelo art. 27 do Decreto Lei 1.455 de 1976. A conversão de pena de perdimento em multa, no caso dos presentes autos (Anexo IV) deuse sem que a pena estivesse estabelecida por meio do seu devido processo legal. Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 12266.720843/201406 Resolução nº 3201001.292 S3C2T1 Fl. 1.753 6 Conforme citado no relatório de fiscalização aduaneira EQFIA/ALF/MNS No. 14 de 2014, na página 1, a fiscalização tinha conhecimento da localização dos equipamentos, visto que foi informada em 29/11/2013, pelo Porto Chibatão (autuado) em resposta ao Termo de Intimação 59/2013. Tal fato, por exemplo, confirmase pela Diligência Fiscal realizada na empresa JF de Oliveira Navegação Ltda, CNPJ 22.797.070/000589, em Porto Velho/RO, onde foi localizado um guindaste TEREX, modelo RT780 (80 ton), série 16656 (vide fls. 2). Tal equipamento consta na relação de equipamentos que estariam fora da Zona Franca de Manaus ZFM, informada pelo próprio autuado, como se disse, atestando com nitidez a boafé do Porto Chibatão. Na mesma página o relatório de fiscalização mencionase o Termo de Intimação 03/2014 que determina ao Porto Chibatão que apresente os nove equipamentos, que autoridade aduaneira já tinha conhecimento de seu paradeiro, no pátio da empresa localizada em Manaus. Em 27/02/2014 foi emitido um Termo de Constatação onde a autoridade aduaneira constata oficialmente que os equipamentos não se encontravam na empresa e que isso impossibilitou a apreensão dos equipamentos. Fato interessante é que desde 29/11/2013 a Receita Federal do Brasil RFB já tinha conhecimento de onde se localizavam as máquinas em litígio, e não promoveu nenhuma ação para apreendêlas.40. Ressaltando ainda mais essa linha de pensamento, voltase a lembrar que, em 20/02/2014, foi expedida uma decisão interlocutória pela 7a. Vara Federal, seção judiciária do Distrito Federal, pelo Exmo. Juiz Federal José Márcio da Silveira e Silva determinando que os equipamentos permanecessem onde estavam, e em caso de apreensão, fosse nomeado o Porto Chibatão como fiel depositário. A Autoridade Aduaneira alega que haveria a impossibilidade da apreensão dos equipamentos pela simples não apresentação das mesmas. Ignorando simplesmente que a localização das mesmas tinha sido informada em 29/11/2013 pelo Porto Chibatão, e que havia uma ordem judicial determinando a Receita Federal do Brasil se deslocasse aos locais informados e lá, se fosse o caso, realizasse a apreensão dos equipamentos, além de nomear o Porto Chibatão como fiel depositário. Na impossibilidade de apreender os equipamentos no local onde se encontravam, pela falta de recursos financeiros e humanos da RFB, não agrava a situação do Porto Chibatão, pois o dever de ir ao local e apreender é da RFB, e não do Porto Chibatão. Com efeito, assim como não foi realizada apreensão formal, não foi realizado o devido processo legal para a aplicação da pena de perdimento. Visto que em virtude da não apresentação dos equipamentos pelo Porto Chibatão, a Autoridade Aduaneira supôs uma suposição forçada e conveniente que os mesmos estariam em “local incerto e não sabido” Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 12266.720843/201406 Resolução nº 3201001.292 S3C2T1 Fl. 1.754 7 um absurdo diante das informações prestadas pelo contribuinte para, desta forma, injustamente, considerálos “não localizados”. Em virtude dessa impossibilidade criada pela própria falta de condições da RFB em apreender os equipamentos, a RFB os declarou “não localizados" e em seguida, como já frisado, sem o devido processo legal, o sentencia a pena de perdimento. sem o devido processo legal e sem oportunidade de defesa por parte do Porto Chibatão. e, pior, ainda converte a pena de perdimento em multa, com base no art. 73 da Lei nº 10.833 de 2003, sem a certeza da liquidez da exigência dada pelo necessário trânsito em julgado da pena de perdimento. O art. 774 do Decreto 6.759 de 2009, como sabido, estabelece que o Processo Fiscal de Perdimento de Mercadorias e determina em seu corpo que, em caso de, não localização ou consumo, o processo fiscal de perdimento seja extinto e que, em seguida, seja instaurado um novo processo fiscal para a aplicação da multa prevista no § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002. O mandamento jurídico do art. 774 do Decreto 6.759 de 2009 foi totalmente ignorado pela fiscalização aduaneira, pois esta não apreendeu os equipamentos, não abriu o processo fiscal de perdimento, não nomeou o Porto Chibatão como fiel depositário, e não deu oportunidade de defesa ao mesmo. . Simplesmente ignorando esta fase processual, ou seja, saindo da fase de diligências para a fase de aplicação de multa prevista no § 3o do art. 23 e 27 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976 deu ensejo ao cerceamento de defesa por parte da autoridade pública. Assim sendo, demonstrado pela defesa que não houve o devido processo legal para a aplicação da pena de perdimento, tendo havido a automática e irregular conversão desta em multa, sucede o vício no procedimento fiscal, pedindose provimento pam esta preliminar de modo que seja declarada a nulidade do mesmo quanto ao lançamento da multa de que trata o Anexo IV. O MÉRITO DA IMPUGNAÇÃO _ USO DE MÁQUINAS IMPORTADAS COM BENEFÍCIO DO REPORTO EM RECINTO ALHEIOS E EM FUNÇÕES DIVERSAS DAS PERMITIDAS — Imposto sobre Produtos Industrializados IPI (Anexo II); Imposto de Importação II (Anexo II e Anexo VI: PIS (Anexo II): COFINS (Anexo lh: e Multas de 50% do Valor Aduaneiro (Anexo VI LANÇAMENTOS INDEVIDOS A impugnante, ao prestar as informações requisitadas pela Autoridade Aduaneira, o fez com absoluta sinceridade e boa fé, não escamoteando nem mesmo o fato de que algumas das máquinas/equipamentos estavam fora de Manaus, por exemplo: 4 em Urucu/AM, outras 2 em Porto Velho/RO, 1 em Barcarena/PA, 1 em Altamira/PA, outra em viagem de Belém para Manaus todas em área de porto. Dada a notória verossimilhança das informações prestadas pela autuada, constantes do expediente e anexo, datados de 29.11.2013 (doc. 09), a Autoridade Aduaneira se utilizou dessas informações e, a Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 12266.720843/201406 Resolução nº 3201001.292 S3C2T1 Fl. 1.755 8 partir delas, entre outros procedimentos, as utilizou para a conclusão do Relatório de Fiscalização em apreço, concluindo, então, pela ocorrência de infração, procedendo, via de consequência, ao lançamento de variados tributos e multas. Toda essa digressão tem a finalidade de sustentar que as informações prestadas foram baldadas em ato de boa fé, são verdadeiras, portanto e assim, nessa premissa, foram aceitas pela Autoridade Aduaneira, sem qualquer contestação ou nova diligência. Não obstante este registro de que as informações da autuada estariam “consolidadas em uma tabela no Anexo I do presente relatório”, não é isso que se vê, em integralidade, eis que a informação de que os equipamentos listados no relatório os 10 primeiros envolvendo os equipamentos séries 4LMCB5114CL023150, 4LMCB5115CL023156, 4LMCB511XCL023153, 4LMCB5119CL023158, 4LMCB5110CL023159, ZCA21MSOOB0014708, 177206, 20090732, P00876 e 177080, no Anexo I, estes equipamentos constam como “não localizados durante a diligência” ou “não localizados durante a diligência, porém na resposta à intimação foi dito que estava no terminal”. Sucede que, após a informação da empresa (em 29.11.2013), nenhuma outra diligência foi realizada no pátio do Porto Chibatão, pelo menos é isso que se deduz a partir dos registros históricos constantes do Relatório de Fiscalização. Há, é verdade, dois registros de diligências (fls. 2), um realizado em 03/12/2013, em Porto . Velho (J. F. de Oliveira Navegação e Construtora Integração); e outra em 23/01/2014 para solicitação da apresentação de 9 máquinas que estavam fora de Manaus, e outra, em 27.02.2014, para fazer a apreensão das 9 máquinas. Não houve, pois, registro de nova diligência para confrontar as informações da autuada (prestadas em 29.11.2013), relacionadamente às máquinas constantes do Anexo II. Ademais disso, nessa linha de defesa da veracidade das informações além dos destaques acima já registrados consignese, mais, o fato de que as informações, além de terem sido constatadas verdadeiras (vide a diligência aludida na pagina 2, em Porto Velho/RO), serviram de base para vultosos lançamentos de multas e variados tributos. . Enfim, salta à evidência que as informações prestadas pela empresa impugnante foram o norte para aplicação das medidas punitivas que o fisco entendeu por bem aplicar, pois mais conveniente; mas, aqui nesse ponto (as máquinas informadas como estando no Porto Alfandegado Porto Chibatão), especificamente, a fiscalização optou por desconsiderar as informações prestadas, não fez posterior verificação in loco (nova diligência depois de 29.11.2013) quanto aos equipamentos ditos “não localizados”, e tomou como verdade situação que entendeu mais vantajosa aos interesses do fisco. _ A AUTUAÇÃO COM ALEGAÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE NORMATIVOS DO REPORTO Equipamentos informados estarem no Pátio Tomiasi Improcedência do lançamento de IPI, II, PIS, COFINS Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 12266.720843/201406 Resolução nº 3201001.292 S3C2T1 Fl. 1.756 9 e multa de 50% para os 11 equipamentos informados estarem no Pátio Tomiasi (Anexo II) Nas informações prestadas pela impugnante (doc. 09), constatase que dos 28 equipamentos ditos “não encontrados”, na verdade, apenas 18 não estavam exatamente no pátio da empresa (Porto Chibatão Terminal Alfandegado). Já vimos no tópico anterior, que 10 (dez) destes estavam no Porto Alfandegado (Porto Chibatão). Os demais, no total de 18 (dezoito) equipamentos estavam distribuídos, conforme a informação prestada pela empresa, a qual deu origem o Anexo I, nos seguintes lugares: 11 (onze) no Pátio Tomiasi; 2 (dois) na ATR; 2 (dois) na HTR; 2 (dois) em Urucú 1 (um) não constou da informação da impugnante, mas foi dado como “não localizado”, entretanto, com atenta observação, verificase que o equipamento incluído no Anexo I e Anexo II, correspondente a Empilhadeira p/ movimentar containers, marca TEREX, n° de série 600464, pode se afirmar, NÃO CONSTAVA do Termo de Intimação Fiscal n° 059/2013, logo, este equipamento não poderia ter sido incluído no procedimento sobre este item será desenvolvido tópico específico. Enfim, o que se quer, neste tópico da defesa, com o apontamento da localização dos equipamentos, é criar destaque para os equipamentos que se encontravam na Filial 010, assimilado como no Pátio Tomiasi. Percebese que a Autoridade Aduaneira, no Relatório de Fiscalização considerou a “Tomiasi”, como sendo outra empresa (“empresa alheia” na expressão do auto de infração), quando, na verdade, trata se da Filial 010 do Porto Chibatão que funciona no endereço da Rua Zebú n° 01, Térreo. No mesmo terreno, com endereço na Rua Zebú n° 01, Lote “B”, n° 01, funciona também a empresa TOMIASI TRANSPORTES LTDA. Como essa empresa é mais. antiga no endereço, por tradição, algumas pessoas confundem a filial como sendo a empresa Tomiasi inclusive a fiscalização mas, comprovadamente, conforme contrato social em anexo (doc. 10A), tratase efetivamente, de filial da autuada e lá estavam sendo utilizados os equipamentos. Não é outra empresa, nem mesmo se considerar Grupo Empresarial. A filial 010, esclareçase, foi constituída conforme o registro feito na JUCEA sob o n° 465533, de 11.11.2013, conforme se comprova com a cópia da 36a. Alteração Contratual, e está inscrita no CNPJ sob o n° 84.098.383/001063, sendo os objetivos sociais dessa filial correspondentes à transporte de cargas e apoio à movimentação portuária e auxílio dos transportes aquaviários, entre outros (cópia em anexo doc. 10, pag. 4 e 5). A Autoridade Aduaneira, no Relatório de Fiscalização, fls. 1, menciona ter, em 13/11/2013, realizado diligência “no Porto Chibatão e na Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 12266.720843/201406 Resolução nº 3201001.292 S3C2T1 Fl. 1.757 10 Tomiasi Transporte Ltda, ambas empresas do Grupo Chibatão”. Trata se de um engano. A diligência foi realizada na filial da autuada (Filial 010), que muitos generalizam e, por tradição, até mesmo o pessoal da impugnante, conhecem como “Tomiasi”. O endereço da filial 010 é o da Rua Zebu n° 01, Térreo, Colônia Oliveira Machado, Manaus/AM, CEP 69.074160 (vide doc. 10 e 10 A). Além de restar demonstrado que não se tratava de “outra empresa”, mas de filial — e ainda, que os equipamentos em consideração (os 11 ditos localizados no Pátio Tomiasi), estavam, sim, com emprego em atividade portuária (atividade de apoio) , impende a impugnante neste tópico apontar razões de direito relacionadas com a Lei n° 11.333/2004, em face da alteração do art. 14, conferindo maior flexibilização e rol de atividades nas quais seria perfeitamente possível e legal a utilização e emprego de equipamentos adquiridos com benefícios do REPORTO. _ A ALTERAÇÃO E AMPLIAÇÃO DAS FINALIDADES DE USO DE BENS ADQUIRIDOS COM BENEFÍCIOS DO REPORTO (ART. 14 DA LEI N°. 11.033/2004, COM A ALTERAÇÃO DA LEI N° 12.715 DE 17/09/20121 Com efeito, temse que a Lei 11.033/2004, em seu art. 14, não mais limita o espaço físico de utilização do equipamento. Ela diz, sim, que o benefício fiscal pode ser usufruído pelo beneficiário do Reporto (no caso a empresa impugnante e suas filiais), desde que integrada ao seu ativo imobilizado, e executando serviços dos incisos I a VI, do citado artigo. Assim, o ponto fundamental para a defesa, neste tópico, é que a lei 11.033/2004, que regulamenta o benefício do reporto, sofreu alteração significativa pela lei 12.715/2012. de modo que a partir da alteração passou exigir apenas o uso do equipamento nas seguintes atividades: I carga, descarga, armazenagem e movimentação de mercadorias e produtos; II sistemas suplementares de apoio operacional; III proteção ambiental; IV sistemas de segurança e de monitoramento de fluxo de pessoas, mercadorias, produtos, veículos e embarcações; V dragagens; VI treinamento e formação de trabalhadores, inclusive na implantação de Centros de Treinamento Profissional; nos termos do art. 14, I ao VI da lei 11.033/2004 . No caso em questão, todos equipamentos estavam sendo utilizados na carga, descarga, armazenagem e movimentação de mercadorias e produtos, ou seja, ainda que os equipamentos estivessem em outros locais (filiais da impugnante), eles estavam sendo utilizados para a execução dos serviços e obrigações do Porto Chibatão. Ocorre que lei antiga exigia a permanência do equipamento no porto, exclusivamente (redação original desde a lei 11.726/2006, revogada pela lei 12.715/2012), agora exige apenas que o equipamento seja utilizado em atividades características da atividade de porto, independente de sua localização, ou seja, o legislador entendeu que as atividades portuárias não se resumem àquelas que ocorrem no local do porto, mas poderseão ser consideradas todas as tarefas que estejam de acordo com o art. 14, I ao VI da lei 11.033/2004. Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 12266.720843/201406 Resolução nº 3201001.292 S3C2T1 Fl. 1.758 11 Enfim, os equipamentos/maquinários não eram utilizados apenas na sede da empresa impugnante, mas também em suas filiais, todas na mesma área, que de uma forma ou de outra, atuam na consecução dos fins empresariais relacionados com a atividade portuária. Com efeito, o Código Tributário Nacional, em seu art. 106, II, estipula três casos de retroatividade da lei mais benigna aos contribuintes e responsáveis, tratandose de ato não definitivamente julgado. A principal é que a lei pode retroagir para beneficiar contribuinte quando traz a abolição da penalidade. In casu, mesmo se tratando de equipamentos adquiridos entre 2009 e 2012, seria aplicável o novo comando do art. 14, da Lei n° 11.033/2004, além do que os fatos noticiados na autuação, são recentes, posteriores à alteração legislativa. Vêse, portanto, que não houve desobediência ao que determina o ADE n° 2 de 02/01/2013 e à Lei 11.033/2004, sendo descabida a aplicação da Multa prevista no art. 705 do Decreto n°. 6.759/2009 (Relatório de Fiscalização fls. 3). Os bens continuam atendendo as finalidades para a qual foram adquiridos, na sede da empresa e nas suas filiais, em estrita observância aos requisitos do art. 14 da Lei n°. 11.033/2004, com a alteração retrocitada. _ A AUTUAÇÃO COM ALEGAÇÃO DESCUMPRIMENTO DE NORMATIVOS DO REPORTO Equipamentos informados estarem no Pátio ATR e Pátio HTR Improcedência do lançamento de IPI, II, PIS, COFINS e multa de 50% para as 4 equipamentos informadas estarem no Pátio das filiais ATR e HTR (Anexo II). Nesse tópico, quer a impugnante valerse da mesma argumentação de defesa suscitada no tópico anterior, considerando: 1. A Filial ATR não é outra empresa, nem mesmo se se considerar Grupo Empresarial. A filial denominada “ATR” foi constituída conforme o registro feito na JUCEA sob o n° 288575, de 30/12/2005, conforme se comprova com a cópia da 25a. Alteração Contratual, e está inscrita no CNPJ sob o n° 84.098.383/000687, sendo os objetivos sociais dessa filial correspondentes à transporte rodoviário e fluvial de cargas e apoio à movimentação portuária e marítimo (cópia em anexo doc. 20A, página 2 e 3); 2. A Filial HTR também não é outra empresa, nem mesmo ao se considerar Grupo Empresarial. A filial denominada “HTR" foi constituída conforme o registro feito na JUCEA sob o n° 291381, de 07/03/2006, conforme se comprova com a cópia da 26a. Alteração Contratual, e está inscrita no CNPJ sob o n° 84.098.383/000768, sendo os objetivos sociais dessa filial correspondentes à transporte rodoviário produtos perigosos, operador portuário, navegação de longo curso e de apoio marítimo e portuário, entre outros (cópia em anexo doc. 21A, pag. 3). Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 12266.720843/201406 Resolução nº 3201001.292 S3C2T1 Fl. 1.759 12 3. A filial ATR tem endereço na Av. Presidente Kennedy n° 1520, 1° andar, bairro da Colônia Oliveira Machado, Manaus/AM, CEP 69.070625 (vide doc. 20). 4. A filial HTR tem endereço na Av. Presidente Kennedy n° 920, subsolo, bairro da Colônia Oliveira Machado, Manaus/AM, CEP 69.070000 (vide doc. 21). 5. Os imóveis onde ambas funcionam pertencem à Matriz (CNPJ n° 84.098.383/000172), conforme registros de imóveis, matrículas n° 12.397 e 8376 e 1445, do 4o Ofício do Registro Civil de Manaus (does. 16,17 e 18). Também nesse tópico a ilustre fiscal apegouse ao fato de estarem os equipamentos no Município de URUCÚAM e não no pátio da impugnante, para imputarlhe a pena de multa de 50% do valor aduaneiro, como se tivesse havido infração ao art. 14, da Lei n°. 11.033/2004. Reiterase, data vênia, o equívoco cometido pela Fiscalização, sob três prismas: 1. o que o equipamento estava a serviço da empresa impugnante, em uma de suas filiais; 2. não saiu do ativo imobiliário da impugnante; e 3. os equipamentos estavam atuando na consecução dos fins empresariais da impugnante, atendendo todos os incisos do art. 14 da Lei n°. 11.033/2004. Tanto é verdade, que a Fiscal, no seu Relatório de Fiscalização às fls. 8, reconhece, que “as notas fiscais vinculadas às DCI's citadas acima tinham como destinatário empresa filial da fiscalizada, cuja sede também é Manaus.” De concreto, aqui nesse ponto, a singela e simples constatação é que a impugnante não cometeu nenhuma ilegalidade ao permitir que seus equipamentos fossem usados em Urucú/AM, e em atendimento a legislação pertinente, pois esta delimita o uso das máquinas exclusivamente em seus serviços e não exclusivamente na sede da empresa, como interpretou a Fiscalização. Assim, adicionalmente, amparado no princípio da concentração da defesa, quer a impugnante sustentar que também não caberia o recolhimento de impostos o que cogita sem embargo das razões preliminares e de mérito já lançadas dado o fato de que a empresa autuada, antes do encerramento da ação fiscal, tentou emitir a DCI para os equipamentos da DI n°. 10/18935250 e não tendo conseguido, efetuou o pagamento, via DARF's, do Imposto de Importação II, PIS e COFINS correspondente aos 02 (dois) equipamentos listados no Anexo II do auto de infração. _ BIS IN IDEM Adicionalmente, pugnase pela manifestação da tutela administrativa para que Vossa Senhoria se manifeste quanto ao pagamento dos impostos constantes dos DARFs anexos (docs. 23, 24, 25, 26, 27 e 28), de modo que, reconhecendo terem sido recolhidos indevidamente, reconheça a existência de crédito tributário em favor Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 12266.720843/201406 Resolução nº 3201001.292 S3C2T1 Fl. 1.760 13 da impugnante, para que a mesma possa dele usufruir em compensação ou via de restituição. _ A AUTUAÇÃO COM ALEGAÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE NORMATIVOS DO REPORTO Equipamento não informado pelo autuada e que foi considerado “não localizado” Equipamento não incluído na listagem do Termo de Intimação Fiscal n° 059/2013 Improcedência do lançamento de IPI, II. PIS, COFINS e multa de 50% para o citado equipamento (Anexo II). Referido equipamento, assim sendo, foi indevidamente incluído no ato do procedimento fiscal em apreço, como se “não tivesse sido localizado”. Em verdade, referido equipamento estava e ainda está no pátio da impugnante (Porto Chibatão) de modo que, acaso tivesse a Autoridade Aduaneira o relacionado entre os equipamentos listados no anexo do Termo de Intimação n° 059/2013, certamente o mesmo teria sido incluído na informação da autuada, protocolada em 29.11.2013, e, assim, localizado. Com efeito, considerando que o citado equipamento não constava da listagem anexada ao Termo de Intimação n° 059/2013, estando, pois, fora do alcance do procedimento fiscal, temse que também é impertinente o lançamento de IPI. II, PIS, COFINS e a aplicação de multa de 50% do valor aduaneiro, pedindose, também, de Vossa Senhorias, a desconstituição do procedimento aduaneiro, no ponto em destaque (1 equipamento não incluindo do Termo de Intimação 059/2013), constantes do Anexo II). _ EQUIPAMENTOS/MAQUINÁRIOS/VEÍCULOS SUJEITOS A PENA DE PERDIMENTO. COM CONVERSÃO DESTA EM MULTA CORRESPONDENTE AO VALOR ADUANEIRO Anexo IV Inicialmente, importante reportar ao Ilustre julgador que, a respeito dessa ‘pena de perdimento”, a impugnante apontou em sede preliminar, a existência de vícios que fulminam completamente a pretensão fiscal. _ INOCORRÊNCIA DE CONTRABANDO INOCORRÊNCIA DE ALIENAÇÃO BENS COM SAI DA TEMPORÁRIA PARA UTILIZAÇÃO EM SERVIÇOS DA AUTUADA INFORMAÇÃO PRESTADA COMO ATO DE BOA FÉ PENA DE PERDIMENTO EM DESOBEDIÊNCIA A ORDEM JUDICIALAPLICAÇÃO DE MULTA INDEVIDAS (Anexo IV) Observase que dos 09 (nove) equipamentos supostamente “contrabandeados”, 02, sequer deveriam estar inseridos no anexo IV (pois a Sra. Auditora confundiu Regime do Reporto com Regime Zona Franca Miniguindastes em URUCU), nos termos da defesa nos itens IV. 1.4 e IV.2.2; 4 (quatro) estavam dentro da Zona Franca e apenas 03 (três) estavam no Estado do Pará, um deles em transito de Belém para Manaus. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: (TRF1 MCI: 23235 AM 2008.01.00.0232358, Relator: DESEMBARGADOR Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 12266.720843/201406 Resolução nº 3201001.292 S3C2T1 Fl. 1.761 14 FEDERAL REYNALDO FONSECA, Data de Julgamento: 30/04/2012, SÉTIMA TURMA, Data de Publicação: eDJF1 p.1603 de 11/05/2012). Com efeito, a isenção de IPI e II opera em toda ZFM e Amazônia Ocidental, de forma que o deslocamento de maquinário para essas regiões jamais representaria lesão ao fisco ou erário público. No caso do Porto Chibatão, o próprio relatório do auto de infração informa que das 09 máquinas que não se encontram em Manaus/AM, apenas 03 estão fora da região da Amazônia Ocidental, conforme páginas 06, 07 do Relatório de Fiscalização e anexo IV. Assim, seja porque não houve fraude aduaneira, seja porque os equipamentos não saíram da área de benefícios, descabida e desproporcional a pena de perdimento. Demonstrando mais uma vez a boafé da impugnante, e corroborando a intenção da saída temporária e não de evadirse com os equipamentos, alguns guindastes retornaram à Manaus e estão à disposição da fiscalização aduaneira, são eles: CaminhãoGuindaste chassi WMG5311H9CZ000322 Caminhão Guindaste chassi WMG5311H9BZ _ INOCORRÊNCIA DE CONTRABANDO BENS COM SAÍDA TEMPORÁRIA PARA UTILIZAÇÃO EM SERVIÇOS DA AUTUADA INFORMAÇÃO PRESTADA COMO ATO DE BOA FÉ DCTs EMITIDAS IMPOSTOS PAGOS INOCORRÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO Art. 737. 736 c.c. 712. do DECRETO 6759/2009 Multa do Anexo IV Não poderia ter havido a aplicação da pena de perdimento e conversão desta em multa, também em face do que dispõe o art. 737, 736 c.c. art. 712, do Decreto 6759/200915, por via da interpretação sistemática e teleológica, possibilitando a relevação da pena em multa de 1% (um) por cento do valor aduaneiro. Socorrendose dos dispositivos legais retrocitados, para a amoldarse às condições e pressupostos que possibilitariam a relevação da pena reafirma a imougnante, primeiro, que em todos os atos do procedimento fiscal em apreço sempre agiu com boafé, prestando todas as informações requisitadas pela Autoridade Aduaneira, inclusive quanto a exata localização dos bens, alguns dos quais, inclusive, via diligencia, foram confirmados pela SRFB. Nessa perspectiva, não há porque apenar a impugnante de forma tão desproporcional, sobretudo tendo em vista todos os pressupostos de boafé e de inocorrência de dano ao erário público, considerando, ainda, neste cenário, que a interpretação sistemática e teleológica dos artigos 737, 736 e 712 do Decreto n°. 6759/2009 está subsumida, de modo mais benéfico, conforme o comando do art. 112 do CTN. Junta textos da Jurisprudência Administrativa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a respeito do assunto: (processo n° 10283.006485/200673. Recurso Voluntário n° . 339993. Acórdão 310100.250 1a. Câmara/ 1a. Turma Ordinária. Sessão de 19/10/2009). Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 12266.720843/201406 Resolução nº 3201001.292 S3C2T1 Fl. 1.762 15 _ DA DEPRECIAÇÃO SOBRE O MAQUINÁRIO AFETADO PELA PENA DE PERDIMENTO O art. 2º, §3° do decreto lei 1.455/76 dá instruções sobre a depreciação para mercadorias estrangeiras apreendidas pela Autoridade Aduaneira, a saber: informa que entre 12 e 24 meses ocorre a depreciação em 25%, entre 24 e 36 meses em 50%, entre 36 e 48 meses em 75% e acima de 48 meses em 90%. Enfim, a multa aplicada deve ser consideravelmente mitigada, visto que o maquinário foi adquirido entre 2009 e 2012, podendo ter até 60 meses de uso e desgaste. É justa a consideração da depreciação para a aplicação de multa, pois essa penalidade deve ser proporcional ao momento do auto de infração para que haja razoabilidade. A justificativa para se cobrar o valor do tributo sobre o valor de aquisição do maquinário está na suspensão da exigibilidade até o momento do auto de infração, ou seja, essa justificativa vale somente para o cálculo do tributo e não da multa, pois a penalidade não nasceu no momento do fato gerador e sim no momento do auto de infração, bastando usar o exemplo dos parágrafos acima para perceber que a aplicação da multa sobre o valor com a depreciação do bem será infinitamente mais razoável e justa. _ O RECOLHIMENTO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO ESPONTANEAMENTE PELA IMPUGNANTE ANTES DO ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL PENA DE PERDIMENTO INDEVIDA IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO INDEVIDO Imposto de Importação (Anexo V). A entrega da DCIs, conforme reconhece a Autoridade Aduaneira, evidentemente, corresponde à comprovação do pagamento do Imposto de Importação II, que, em tese, incidiría sobre os 07 (sete) equipamentos do Anexo V. Dizse que incidiria, porque, em verdade, no caso correspondente ao cenário da autuação (de aplicação de pena de perdimento, convertida em multa), o que se cogita apenas para melhor argumentar, não seria o caso de se proceder ac lançamento do Imposto de Importação II. considerandose o disposto no art. 71, III do Decreto 6.759/2009, ante a circunstância da exata localização dos equipamentos não obstante a ficção da Autoridade Aduaneira, que, no contexto da autuação, injustamente, considerou os equipamentos como “não localizados”. Ou seja, tendo havido a aplicação da pena de perdimento, não poderia a Autoridade Aduaneira ter procedido ao lançamento do Imposto de Importação constante do Anexo V. Encaminhada a defesa nestes termos, esperase e requer se a tutela jurisdicional administrativa para (i) reconhecer o pagamento do Imposto de Importação incidente sobre os 07 (sete) equipamentos aludidos no Anexo V, tendo como fato gerador a saída destes da área da Zona Franca de Manaus, e, via de consequência, desconstituir a pena de perdimento (e conversão desta em multa), ou (ii) na hipótese de, eventualmente, ser mantida a pena de perdimento (e conversão desta em multa), que pelo menos seja reconhecido o pagamentos do Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 12266.720843/201406 Resolução nº 3201001.292 S3C2T1 Fl. 1.763 16 Imposto de Importação, de modo que assim seja desconstituído o lançamento efetuado no Anexo V, da presente autuação. Alternativamente, na hipótese de que não ocorra nenhuma das duas situações cogitadas acima, pugnase pela tutela administrativa, para que haja definição da parte de Vossa Senhoria, de modo expresso, quanto a situação do crédito correspondente ao pagamento efetuado e provado, no valor total de R$ 8.323.283,86, neste tópico demonstrado e provado.IV.3. MULTA PELA NÃO IDENTIFICAÇÃO VISUAL DOS EQUIPAMENTO ADQUIRIDOS COM BENEFÍCIOS DO REPORTO. O fato é que, os veículos e equipamentos foram sim, adesivados, quando das suas aquisições, conforme determina a Lei do Reporto e conforme se constata do relatório da empresa coadjuvado por arquivos fotográficos em anexo. Este relatório corresponde a providência interna da empresa, sempre que se adquire bens com benefícios do Reporto tratase, pois, de uma providencia de rotina. Conforme relatórios e registros fotográficos anexos (doc. 40 e 41), os veículos e equipamentos (guindastes) mencionados na fiscalização foram devidamente adesivados com símbolo do incentivo do Reporto, e assim discriminados: _ N°. DI 12/19022570, Veículo Trator Terminal, Marca Capacity, modelo TJ7000, n° de série 4LMCB5116CL023151, Ano 2012: identificado no item 44 da foto (doc.40); _ N° DI 10/16468581, Guindaste Marca Terex, Modelo TFC45H, Ano 2010: número de série 177077 (doc. 41, pagina 3); _ N°. DI 10/16468581, Guindaste Marca Terex, Modelo TFC45H, n° de série 177078, Ano 2010 (doc. 41, página 4). Vislumbrase, ainda, pelas fotos e experiência comum, que os mencionados adesivos, sofrem ação do ar, da água das chuvas e do uso diário dos equipamentos, sendo perfeitamente razoável compreender que sofram desgaste e, eventualmente, tenham a cola desgastada pela ação desses eventos naturais, de modo que a obrigação descrita na Lei RECEBER IDENTIFICAÇÃO VISUAL EXTERNA foi cumprida pela empresa, conforme se constata pelas fotografias referidas. Assim requerse a improcedência da aplicação das multas constantes do Anexo III, posto que, primeiro, a empresa impugnante procedeu a adesívação determinada pela legislação, conforme se comprova com o Relatório e Fotos anexas (does. 40 e 41) e ainda, em relação aos Guindastes, tanto a Lei n°. 11.033/2004 quanto a Portaria n° 77/2011, aduzem ser a adesivagem “facultativa para equipamentos”. _ DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS E PEDIDOS Com todo respeito que merece a Instituição Receita Federal do Brasil, a presente autuação é inteiramente injusta, descabida e temerária, seja pelos pontos que, inconsistentes e discrepantes, acima, foram topicamente combatidos, para apontar o que foi entendido como erros grassos, à vista de qualquer operador de direito medianamente conhecedor do direito e da legislação aduaneira, a destacar: Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 12266.720843/201406 Resolução nº 3201001.292 S3C2T1 Fl. 1.764 17 I. A indicação de IPI no Anexo V “Cálculos do II e do Imposto sobre Produtos Industrializados devidos na internação” quando, sabidamente, nos casos referidos, não há a incidência de IPI; II. A inobservância do rito e processo legal para aplicação da pena de perdimento e automática aplicação da multa; III. A desconsideração da condição especial dos equipamentos (2 miniguindaste de esteira série D0145 e D0146), os quais foram adquiridos com benefício do Reporto (Consumo, conforme DI 10/18935250), e que estavam em serviço portuário em Urucú/AM, aos quais, na autuação, foi dado tratamento de adquiridos com benefício da ZFM; IV. A deliberada desconsideração da alteração do art. 14, da Lei 11.033/2004, em face da conjectura, na autuação, de que a infração decorrería de uso "em recintos alheios e em funções diversas”, quando, hodiernamente, o requisito para a suspensão tributária é a “utilização exclusiva na execução de serviços de carga e descarga e atividade de apoio operacional”, entre outros; V. A omissão de que a identificação visual de equipamentos adquiridos com benefício do Reporto, conforme a Portaria n° 77, de 05.05.2011, da Secretaria de Portos, citada da autuação, é facultativa, e não obrigatória quanto a equipamentos. ASSIM EXPOSTO, requer de Vossa Senhoria que, apreciando as presentes razões de impugnação, a elas dê provimento, para, acolhendo qualquer das preliminares seja decretada a nulidade do Auto de Infração em apreço, e, se remotamente superadas, no mérito, que seja determinado a insubsistência do Auto de Infração, exonerando a impugnante da obrigação de pagar os tributos e as multas apontadas nos Anexos II, III, IV e V, em face das prevalentes e robustas razões de defesa. É o Relatório." A Ementa deste Acórdão da Delegacia Regional de Julgamento foi publicada da seguinte forma: "ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 30/12/2009 Descumprimento do regime de Reporto pela utilização das máquinas fora do estabelecimento habilitado. Veículos sem a identificação visual do Reporto. Pena de Perdimento. Internação de mercadorias importadas da Zona Franca de Manaus (ZFM) para o restante do território sem o registro das respectivas Declarações para Controle de Internação (DCIs). A LOCALIZAÇÃO de cada equipamento consta do próprio Relatório Fiscal. O lançamento da multa regulamentar da multa equivalente é improcedente por inobservância ao do devido rito procedimental. Fl. 1764DF CARF MF Processo nº 12266.720843/201406 Resolução nº 3201001.292 S3C2T1 Fl. 1.765 18 A habilitação para o Reporto foi concedida à determinado CNPJ, não sendo extensivo a outros estabelecimentos. Denúncia Espontânea. A empresa entregou DCIs referentes às máquinas. Entretanto, com o início da fiscalização ocorrido em data anterior se tem a perda da espontaneidade. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte." Este processo digital foi distribuído e pautado nos moldes do regimento interno vigente. Ao analisar o caso, esta Turma de julgamento converteu o julgamento em diligência nos seguintes moldes: "Diante do exposto, o julgamento deve ser convertido em diligência para que a autoridade de origem, dentro do prazo de 30 dias prorrogável por um único período, verifique e apresente em relatório: quais as alíquotas aplicadas no momento da importação dos produtos referentes à internação da ZFM; informar qual a modalidade de importação dos produtos utilizadas nas declaração dos produtos referentes à ZFM; informar qual a situação onde foram localizadas as demais empresas, se estão alfandegadas e quais as suas atividades, se são as atividades portuárias elencadas no art. 14 da Lei 1.133/04, incisos I a V, ou não; informar exatamente se e onde foram localizados os equipamentos; esclarecer e justificar a respeito do guindaste que não constou do relatório fiscal mas que foi lançado, conforme fls. 239 e 250. Após a juntada do relatório, o contribuinte deve ser intimado para se manifestar." Em fls 1355 e seguintes está o relatório fiscal sobre a diligência e em fls. 1397 a manifestação do contribuinte, ambas confirmam a localização dos bens e equipamentos, a utilização dentro das áreas portuárias, em atividades portuárias, as modalidades de importação, a utilização das logomarcas do Reporto e a ausência do desvio de finalidade e ou contrabando. Relatório proferido. Voto. Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta Resolução. Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 12266.720843/201406 Resolução nº 3201001.292 S3C2T1 Fl. 1.766 19 Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, os tempestivos Recursos devem ser conhecidos. Em preliminar do Recurso Voluntário o contribuinte alegou, em síntese, que ocorreu lapso manifesto entre as planilhas de débitos e DARFs (fls. 912 a 928), apresentados pela DRJ/SP em conjunto com sua decisão de primeira instância de fls. 873, e os valores exonerados, de forma que foi cobrado o que, em tese, não seria devido após a exoneração. Ainda durante a argüições preliminares, o contribuinte alegou que a cobrança do II e IPI deveria ter sido cancelada, uma vez que a DRJ/SP entendeu não ser possível aplicar a pena de perdimento e, consequentemente, estariam mantidas as suspensões previstas no regime especial. Nos pedidos do Recurso Voluntário o contribuinte solicita a nulidade do lançamento, a reforma parcial da decisão da DRJ/SP de fls. 873 e o provimento do recurso. Diante desta breve introdução às preliminares, foi necessário analisar se realmente ocorreu ou não o alegado lapso manifesto entre as planilhas de débitos e DARFs (fls. 912 a 928), apresentados pela DRJ/SP em conjunto com sua decisão de primeira instância de fls. 873, e os valores exonerados. E diante desta análise, realizada pelo encontro das fls. apontadas acima com o corpo do voto da DRJ/SP, foi possível concluir que a questão deve ser esclarecida pela DRJ/SP. Ficou claro que a DRJ/SP cancelou a pena de perdimento, que foi originalmente aplicada no lançamento sobre os bens e operações beneficiados pelo Reporto, em razão do lançamento ter se fundamentado na equivocada premissa de que tais bens teriam sido consumidos, revendidos ou não localizados. A DRJ/SP reconheceu que a própria fiscalização tinha prévio conhecimento da localização dos bens, expostas no próprio relatório fiscal de fls. 124, nos documentos da fiscalização e na mencionada ação judicial ordinária com pedido de tutela antecipada de fls. 499 e seguintes. Logo, não seria possível aplicar a pena de perdimento de mercadorias em razão de sua "não localização", como foi aplicada no lançamento. Se algo foi cobrado que, em tese, não seria devido após a exoneração, esta cobrança pode ter ocorrido em razão de lapso manifesto conforme alegado em preliminar. Diante do exposto, votase para que o julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, nos seguintes moldes: A DRJ/SP que proferiu o julgamento de primeira instância deve ser intimada para esclarecer e discriminar a exoneração, de forma que fique claro quais penalidades foram canceladas e se houve lapso manifesto ou não. Resolução proferida. Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 12266.720843/201406 Resolução nº 3201001.292 S3C2T1 Fl. 1.767 20 (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 1767DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.721716/2014-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/01/2009, 31/12/2010
PROCEDIMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
O Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações não se apresenta maculado de vícios de nulidade.
Legítima a utilização de laudo merceológico que fundamenta prática de preços inferiores aos custos dos insumos utilizados na produção de mercadoria.
Apresentação de informações suficientes, ainda que não completas, a dar conhecimento ao sujeito passivo dos procedimentos fiscais para o exercício do contraditório não importa nulidades.
Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 01/01/2009, 31/12/2010
SUBFATURAMENTO. COMPROVAÇÃO. AUTORIZAÇÃO DE REGULAR ARBITRAMENTO
Uma vez comprovado o subfaturamento no preço das mercadorias mediante fraude nas faturas comerciais que se revelaram falsas, formal e materialmente, e não sendo possível a apuração do preço efetivamente praticado na operação de importação, resta autorizado o arbitramento a ser realizado nos estritos termos da legislação pertinente.
ARBITRAMENTO. OCORRÊNCIA DE FRAUDE. PROCEDIMENTO REGULAR. CRITÉRIOS. PRINCÍPIOS E REGRAS DO ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA.
Arbitramento de preço, quando autorizado, somente se realiza com estrita observância dos critérios prescritos no art. 88 da MP nº 2.158-35/2001 e nos princípios e regras do Acordo de Valoração Aduaneira - AVA/GATT.
In casu, procedimento realizado em desconformidade com as regras do critério adotado, pois carente de detalhamentos na comprovação de preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-003.566
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que negou provimento. O Conselheiro Winderley Morais Pereira votou pelas conclusões.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/01/2009, 31/12/2010 PROCEDIMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. O Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações não se apresenta maculado de vícios de nulidade. Legítima a utilização de laudo merceológico que fundamenta prática de preços inferiores aos custos dos insumos utilizados na produção de mercadoria. Apresentação de informações suficientes, ainda que não completas, a dar conhecimento ao sujeito passivo dos procedimentos fiscais para o exercício do contraditório não importa nulidades. Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 01/01/2009, 31/12/2010 SUBFATURAMENTO. COMPROVAÇÃO. AUTORIZAÇÃO DE REGULAR ARBITRAMENTO Uma vez comprovado o subfaturamento no preço das mercadorias mediante fraude nas faturas comerciais que se revelaram falsas, formal e materialmente, e não sendo possível a apuração do preço efetivamente praticado na operação de importação, resta autorizado o arbitramento a ser realizado nos estritos termos da legislação pertinente. ARBITRAMENTO. OCORRÊNCIA DE FRAUDE. PROCEDIMENTO REGULAR. CRITÉRIOS. PRINCÍPIOS E REGRAS DO ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. Arbitramento de preço, quando autorizado, somente se realiza com estrita observância dos critérios prescritos no art. 88 da MP nº 2.158-35/2001 e nos princípios e regras do Acordo de Valoração Aduaneira - AVA/GATT. In casu, procedimento realizado em desconformidade com as regras do critério adotado, pois carente de detalhamentos na comprovação de preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica. Recurso Voluntário Provido
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AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. O Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações não se apresenta maculado de vícios de nulidade. Legítima a utilização de laudo merceológico que fundamenta prática de preços inferiores aos custos dos insumos utilizados na produção de mercadoria. Apresentação de informações suficientes, ainda que não completas, a dar conhecimento ao sujeito passivo dos procedimentos fiscais para o exercício do contraditório não importa nulidades. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 01/01/2009, 31/12/2010 SUBFATURAMENTO. COMPROVAÇÃO. AUTORIZAÇÃO DE REGULAR ARBITRAMENTO Uma vez comprovado o subfaturamento no preço das mercadorias mediante fraude nas faturas comerciais que se revelaram falsas, formal e materialmente, e não sendo possível a apuração do preço efetivamente praticado na operação de importação, resta autorizado o arbitramento a ser realizado nos estritos termos da legislação pertinente. ARBITRAMENTO. OCORRÊNCIA DE FRAUDE. PROCEDIMENTO REGULAR. CRITÉRIOS. PRINCÍPIOS E REGRAS DO ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 17 16 /2 01 4- 60 Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Acórdão n.º 3201003.566 S3C2T1 Fl. 3 2 Arbitramento de preço, quando autorizado, somente se realiza com estrita observância dos critérios prescritos no art. 88 da MP nº 2.15835/2001 e nos princípios e regras do Acordo de Valoração Aduaneira AVA/GATT. In casu, procedimento realizado em desconformidade com as regras do critério adotado, pois carente de detalhamentos na comprovação de preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que negou provimento. O Conselheiro Winderley Morais Pereira votou pelas conclusões. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Os sujeitos passivos recorrem a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de revisão aduaneira com o objetivo de verificar a exatidão do valor de transação declarado nas importações de tapetes, conforme planilha apresentada no ANEXO I, efetuadas por TROP COMERCIO EXTERIOR LTDA, por encomenda de K & F COMERCIO DE TAPETES E ARTIGOS DE DECORAÇÃO LTDA, com exigência de crédito tributário no valor total de R$ 1.332.956,89, formalizado em autos de infração para exigência de Imposto de Importação, IPI, PIS e COFINS, acrescidos de juros de mora e de multas de ofício, no percentual de 150%, previstas no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15.06.2007, além da multa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, prevista no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.158/35/2001. A ação fiscal teve o objetivo de verificar a exatidão do valor de transação declarado nas DI, listadas no ANEXO I, registradas entre 2009 e 2010 por TROP COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, CNPJ 01.135.153/000109, por encomenda da K & F, Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Acórdão n.º 3201003.566 S3C2T1 Fl. 4 3 amparando a importação de produtos idênticos aos da DI nº 11/20888087 e a preços semelhantes. Conforme relata a fiscalização, os produtos importados pela TROP e pela K & F foram descritos como “TAPETE 80% LÃ E 20% ALGODAO, FEITO A MAO, DE ORIGEM INDIANA”. O laudo técnico solicitado à ABIT pela Alfândega de Itajaí/SC para identificação das mercadorias quanto à composição (matériasprimas) foi aplicável ao procedimento fiscal enquanto novo laudo da ABIT apresentou os menores valores de cotações das matérias primas encontrados em publicações internacionais, referindose apenas ao custo das matériasprimas necessárias para a fabricação dos produtos analisados. Comparando os preços em US$/Kg declarado nas DIs com o menor custo estimado da matériaprima no mês de registro da importação, conforme Tabela 03, verificase que quase todos os preços declarados são inferiores ao menor valor dentre os custos das matériasprimas no período. As faturas que instruíram as DIs objeto deste auto de infração, conforme ANEXO XII, são praticamente idênticas entre si considerando o layout, disposição do conteúdo, descrições e os preços dos produtos, mesmo sendo (supostamente) emitidas por exportadores diferentes. E são, surpreendentemente, quase idênticas à FATURA FALSA (ANEXO XII, pág. 1) que instruiu a DI nº 11/20888087, objeto do auto de infração lavrado pela Alfândega de Itajaí/SC. Tanto o importador como o encomendante, após terem sido intimados, em três oportunidades, a apresentarem as faturas comerciais consularizadas e os documentos comprobatórios das transações comerciais, não o fizeram. Regularmente intimada, a empresa TROP COMÉRCIO EXTERIOR LTDA foi considerada revel, conforme termo lavrado pela repartição de origem. Também regularmente intimada, a empresa K & F Comércio de Tapetes e Artigos de Decoração apresentou impugnação aos autos de infração alegando, em síntese, que: houve preterição ao direito de defesa por não ter sido fornecida cópia da DI 10/20200504, utilizada como paradigma para fins de arbitramento, tampouco da respectiva fatura, impossibilitando que se possa avaliar a propriedade da DI para fins de valoração aduaneira e de lançamento tributário. consta no Relatório Fiscal que a DI 10/20200504 estaria no Anexo XIV, onde somente se encontra uma planilha confeccionada pela própria RFB, com as informações básicas da DI mas sem cópia, o que impossibilita seu direito à ampla defesa. Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Acórdão n.º 3201003.566 S3C2T1 Fl. 5 4 na planilha apresentada não consta a quantidade de mercadorias, condições de pagamento, região da Índia em que o exportador está situado, etc. ocorreu violação ao princípio do devido processo legal, da ampla defesa e da tipicidade cerrada em razão de o AI não indicar claramente qual conduta ilícita teria supostamente sido cometido pelas empresas, inviabilizando o exercício do direito de defesa por não saber se teria sido fraude, conluio ou sonegação e em quais circunstâncias. os fiscais até tentaram justificar a presença do dolo justificando com falsidade documental, o que não restou satisfatório. deve ser reconhecida a nulidade com fulcro nos art. 10, IV, 59, II do Decreto 70235/72. pela não ocorrência do tipo previsto no art. 88, I e parágrafo único da MP 215835/01, uma vez que não comprovada a “fraude, conluio ou simulação”, houve contrariedade ao princípio da tipicidade cerrada, tendo a fiscalização se baseado em meros indícios e havendo enquadramento mais específico (art. 70, I, a da Lei 10833/03) já utilizado pela fiscalização para as mesmas empresas, o que caracteriza mudança de entendimento que é vedado pelo art. 146 do CTN. os agentes fiscais se valeram de meros indícios para caracterizar a fraude, o conluio ou a sonegação sendo que, na pior das hipóteses, os agentes fazendários deveriam utilizar enquadramento mais específico, que é o art. 70, I, a da Lei 10833/03. em caso de dúvida, deveria prevalecer a regra contida no art. 112 do CTN. houve nulidade do AI por conta da imprestabilidade e da ilegalidade dos laudos apresentados pela fiscalização em razão de suas incongruências latentes bem como a ilegalidade e improcedências das conclusões fiscais. nenhum dos laudos está relacionado diretamente com as mercadorias importadas através da nove DI objeto da fiscalização, sendo que o laudo emprestado havia sido feito com base em outros tapetes, adquiridos de outro exportador, em fiscalização por outra ALF e em outras épocas, não havendo identidade entre as mercadorias objeto do laudo e as mercadorias objeto da presente fiscalização. as DI objeto do processo possuem algumas diferenças elementares no tocante à origem das mercadorias ou da carga e no tipo de tapetes. nas nove DI existe a presença dos shaggs e kilims, tipos específicos de tapetes que não constavam na DI 11/20888087, Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Acórdão n.º 3201003.566 S3C2T1 Fl. 6 5 objeto do laudo emprestado, e as mercadorias analisadas neste são provenientes de outra região da Índia. o custo presumido das matérias primas de outros tapetes não é um elemento confiável para apurar o valor em que os tapetes foram vendidos naquela importação específica. as mercadorias adquiridas eram saldo em estoque, o que foi explicado à fiscalização, sendo o simples fato de importação a preço atrativo não fazer prova da subvaloração aduaneira ou de subfaturamento. o laudo merceologico está revestido de incongruências, sendo a principal a DI paradigma contemplar tapetes de um modelo específico, Loomknotted, em tamanhos distintos dos importados. o arbitramento do preço das mercadorias para fins do lançamento foi ilegal por violação do Acordo de Valoração Aduaneira – AVA bem como a imprestabilidade da DI 10/20200504, utilizada como paradigma para fins de arbitramento, havendo a fiscalização infringido os princípios da verdade material, da legalidade estrita, da razoabilidade e da proporcionalidade no tocante do mérito ao cálculo levado a cabo. a RFB deveria ter seguido a ordem estabelecida pelo AVA quanto ao arbitramento e, mesmo que considere o cálculo do valor de exportação, este deve se enquadrar, em tese, no art. 2o do AVA, o que não ocorreu. deveria ser observada a legalidade estrita quanto ao arbitramento nos art. 148 e 149 do CTN. as disposições do AVA/GATT prevalecem sobre outras eventualmente previstas na legislação interna. ainda que se diga que o cálculo dos fiscais é o mesmo do art. 2o do AVA, temse que os critérios específicos deste método não foram seguidos, mercadorias idênticas, em razão de que não se sabe a quantidade e o nível de comércio da DI 10/20200504 além de ser uma das importações objeto do AI oriunda da Alemanha, DI 09/10639420, país distinto daquele da DI paradigma, que é a Índia. a Receita Federal reconhece a observância da Decisão 6.1, conforme divulgado na IN SRF 318/2013. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo por intermédio da 24ª Turma, no Acórdão nº 1665.780, sessão de 11/02/2015, julgou improcedente a impugnação do contribuinte. A decisão foi assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO. Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Acórdão n.º 3201003.566 S3C2T1 Fl. 7 6 Comprovado, por meio de documentação relativa à transação comercial, que o valor aduaneiro indicado na fatura e declarado ao órgão aduaneiro não representa o preço efetivamente pago pelas mercadorias importadas, fica configurado o subfaturamento, sendo cabível a exigência das diferenças de impostos que deixaram de ser recolhidas, acrescidas dos juros de mora e das multas aplicáveis. DIREITO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS. ENQUADRAMENTO LEGAL. Diante de alentada descrição dos fatos e indicação do enquadramento legal específico no auto de infração, o qual é instruído ainda com as provas em que se baseia a exigência fiscal, resta infundada a arguição de cerceamento do direito de defesa. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. MULTA AGRAVADA. Em caso de infração praticada mediante fraude, aplicamse as multas qualificadas por insuficiência de recolhimento, no percentual de 150% sobre as diferenças de impostos, sem prejuízo de outras penalidades cabíveis. SUBFATURAMENTO. PENALIDADE. Pela prática de subfaturamento, aplicase a multa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. A empresa encomendante, K & F COMERCIO DE TAPETES E ARTIGOS DE DECORAÇÃO LTDA (K&F) apresentou recurso voluntário; a empresa importadora, TROP COMERCIO EXTERIOR LTDA (TROP), declarada revel pela unidade de origem, não se manifestou. O recurso da K&F foi considerado regular, quanto à tempestividade e demais requisitos de admissibilidade, e dele tomou conhecimento esta mesma Turma na sessão de 24/05/2017. Naquela oportunidade decidiu a Turma converter o julgamento em diligência para que a TROP, revel, fosse intimada da decisão de 1ª instância administrativa. Os fundamentos para tal foram assim assentados (fl. 961): Antes da análise de mérito, verificase que um dos sujeitos passivos não foi intimado da decisão de 1ª instância administrativa (acórdão de impugnação), precisamente a empresa TROP COMERCIO EXTERIOR LTDA, não obstante ter sido considerada revel, anteriormente, fato registrado na primeira instância. Tal procedimento é fundamental para lhes garantir o direito à ampla defesa e ao contraditório, sem o qual o acórdão do CARF poderá ser considerado nulo por violar o disposto no art. 59, II, Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Acórdão n.º 3201003.566 S3C2T1 Fl. 8 7 do Decreto nº 70.235, de 1972, não obstante, observar, a solicitação de pedido de cópia dos autos, em 07/04/2015, à efl. 951 pela TROP. Inclusive, tal entendimento, já se encontra sumulado, na Súmula de n° 71 do CARF, cuja observância é obrigatória para os membros do CARF: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. Portanto, o presente julgamento deve ser convertido em diligência para que seja devidamente intimado do Acórdão de primeira instância, a empresa TROP COMERCIO EXTERIOR LTDA. Realizada a diligência, o sujeito passivo poderá interpor seu recurso voluntário no prazo de 30 dias, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. A TROP foi então cientificada da decisão da DRJ São Paulo em 20/06/2017 (fl. 966) e interpôs, em 19/07/2017 (fl. 969) o recurso voluntário (fls. 970/1.000); portanto, no prazo legal de trinta dias. Suscita em seu recurso: Nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa falta de juntada aos autos da DI nº 10/20200504; Incorreção na utilização do método de arbitramento do preço declarado das importações; Nulidade do auto de infração por falta de comprovação cabal da falsificação das faturas comerciais que instruíram as importações; Impossibilidade de aplicação da multa qualificada de 150%; Decadência da exigência relativa à DI nº 09/08650846, de 07/07/2009, por aplicação do art. 150, § 4º do CTN; Impossibilidade de aplicação da multa administrativa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado, substitutiva da pena de perdimento; Necessidade de manutenção do valor de transação declarado para fins de valoração aduaneira; Impossibilidade de incidência de juros de mora sobre as multas aplicadas no auto de infração. Ao final da peça requer decisão para: a) Declarar a nulidade do lançamento fiscal combatido por cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que o Auto de Infração não foi instruído com a cópia da DI nº Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Acórdão n.º 3201003.566 S3C2T1 Fl. 9 8 10/20200504 (paradigma), ainda que com a ocultação dos dados necessários para a proteção do sigilo fiscal do importador; b) reconhecer a invalidade do arbitramento de preço das importações praticado pela D. Autoridade Fiscal com amparo no art. 88, I, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, com a consequente prevalência do valor de transação declarado (valor real); c) proclamar a nulidade do lançamento fiscal hostilizado por ausência de comprovação cabal da suposta falsificação das faturas comerciais que instruíram as importações objeto das DIs listadas no Anexo I; d) afastar a exigência da multa qualificada de 150%, tendo em vista (i) a ausência de comprovação do dolo da Recorrente na prática do suposto ilícito que motivou a lavratura do Auto de Infração contestado; (ii) a alteração do critério jurídico do lançamento em comparação com o procedimento adotado no Processo Administrativo nº 12466.720352/2014 09, instaurado com base no mesmo termo de fiscalização que originou este feito; (iii) a aplicação ao caso dos autos do princípio do in dubio pro contribuinte (art. 112 do CTN); e (iv) a falta de especificação no Relatório Fiscal de forma precisa e fundamentada de quais das condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 teriam sido praticadas pela Recorrente; e) uma vez reconhecida a impossibilidade de aplicação da multa qualificada no caso concreto, exonerar por força da decadência parcial, segundo a regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN, a cobrança da diferença de tributos e respectivas penalidades em relação à DI nº 09/08650846; f) cancelar a cobrança da multa administrativa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado, prevista no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, considerando a boafé da Recorrente, a ausência de sua responsabilidade na prática do suposto ato ilícito que ensejou a lavratura do Auto de Infração e a falta de individualização das condutas pela D. Autoridade Fiscal na feitura do lançamento fiscal contestado; e, por fim, g) afastar, na fase de liquidação administrativa do julgado, a incidência de juros de mora sobre as multas aplicadas no Auto de Infração, por carência de fundamento legal expresso, caso a exigência do crédito tributário em tela venha a ser mantida por decisão final deste E. CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator 1. Recurso Voluntário de K&F O Recurso Voluntário da K&F fora conhecido pela Turma no acórdão de resolução nº 3201000.898, sessão de 24/05/2017, conforme relatado. Preliminares de nulidades Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Acórdão n.º 3201003.566 S3C2T1 Fl. 10 9 Suscita a recorrente nulidade por cerceamento do direito de defesa motivada por ausência de indicação das infrações cometidas e que a falsidade documental aventada pela autoridade fiscal fundamentase unicamente em erros gramaticais. Aduz alteração de critério jurídico e a imprestabilidade dos laudos técnicos elaborados pela Abit. Sem razão a recorrente K&F. Não há que se falar em deficiência na indicação das infrações cometidas, mudança de critério jurídico e imprestabilidade ou ilegalidade dos laudos elaborados. O procedimento fiscal foi pautado na legalidade e apresentou os elementos probatórios tendentes a comprovar a inidoneidade das faturas comerciais e o subfaturamento dos preços declarados nas importações de tapetes indianos Os laudos elaborados pela Abit para identificação dos materiais constitutivos da mercadoria importada e respectivos preços unitários por unidade de peso (preço por quilograma) revelaram consistentes indícios de que os preços declarados estavam abaixo daqueles praticados no mercado internacional para as suas matériasprimas, sem contabilizar outros custos e despesas envolvidos na fabricação. Ademais, o arbitramento de preços não foi fundado nos valores apontados no respectivo laudo merceológico. Os ilícitos foram apontados pela autoridade fiscal, pormenorizandoos em seu relatório fiscal com a descrição de irregularidades formais e materiais das faturas, e demais documentos que pretensamente davamlhe a feição de regulares, que no conjunto de detalhes robustecem os indícios que não mais se mostram isolados, mas evidenciam todo um agir fraudulento para a obtenção de declarações material e ideologicamente falsas com o objetivo de subfaturar o preço das mercadorias importadas e, por conseguinte, obter vantagem ilícita com o pagamento a menor dos tributos vinculados à importação. Foram coligidos documentos e informações de importações de tapetes indianos referentes a outras importações brasileiras de produto idêntico ou similar, inclusive do mesmo fornecedor da recorrente, que apontaram disparidades na formatação e conteúdo das faturas comerciais. O procedimento anterior realizado no âmbito da DI nº 11/20888087 cujas mercadorias importadas e autuadas por constatação de fraude na sua descrição e valores guardam semelhanças com as auditadas nesta procedimento e por serem do mesmo importador presumemse idênticas para fins de aplicação de tratamento tributário ou aduaneiro, nos termos do art. 68 da Lei nº 10.833/2003. As informações pertinentes à DI nº 10/20200504, cujos preços foram obtidos como referência no arbitramento, trazidas aos autos são suficientes para que a recorrente dela tenha ciência no exercício do contraditório. Desnecessária a cópia deste documento e de sua fatura quando as informações são extraídas e apresentadas na autuação, ademais protegidos pelo sigilo fiscal a que se impõe à autoridade fiscal. Acerca das nulidades, cumpre transcrever os dispositivos que regem a matéria no processo administrativo fiscal, o art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Acórdão n.º 3201003.566 S3C2T1 Fl. 11 10 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, não merece prosperar a alegação de nulidade, uma vez que foram cumpridos requisitos legais apontados, não se enquadrando, portanto, em nenhum daqueles citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, a irresignação quanto ao conteúdo das informações consignadas na DI paradigma será objeto de enfrentamento no mérito. Com essas considerações, rejeito as preliminares de nulidade do auto de infração. Prova do subfaturamento O subfaturamento de preço de mercadorias importadas exige conduta do importador, e por vezes também de outros intervenientes, da prática de atos eivados por fraude ou simulação, que necessariamente deverá restar comprovada pela reunião de provas diretas ou indiretas que apontam tratarse de uma evidente incompatibilidade entre o preço declarado e aquele que, indubitavelmente, é ou há de ser o real praticado. Denotase que a prova do subfaturamento é por vezes deveras dificultosa pois envolve informações e documentos produzidos no exterior com os quais não se vislumbra a oportunidade do rigor de averiguação de autenticidade do documento, e quiçá de seu conteúdo. Cabe enfatizar que a RFB recebe informações não verdadeiras, inidôneas, quando o importador processa o despacho aduaneiro declarando na DI mercadorias com preços inferiores ao realmente negociado. Neste caso, a fiscalização, para identificar o ilícito, afastar o preço declarado e adotar outro valor, arbitrado, precisa amparar sua fundamentação meios indiciários que considerados no conjunto permitem com segurança afirmar ou infirmar a veracidade de determinados documentos e seus conteúdos. Destarte, os documentos que instruem o despacho aduaneiro fatura, conhecimento de carga e packing list e outros que explicitam a fase de negociação de preços, o pagamento e remessa da mercadoria devem ser confrontados entre si e com as informações prestadas na DI e os parâmetros de valores de mercadoria idêntica ou similar, seja nos sistemas de dado da própria RFB ou colhidos de entidade ou publicações de reconhecida idoneidade. Assim, haverá situação que isolada e de per si não passa de mero indício mas que no conjunto reforça ou converge para a evidência do subfaturamento na importação. Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Acórdão n.º 3201003.566 S3C2T1 Fl. 12 11 Neste sentido é a lição de Maria Regina Godinho de Carvalho e Sonia Maria Coutinho de Luna Freire para as quais importa a demonstração dos fatos indiciários que caminham para formação de um conjunto de provas consistentes e congruentes em que o julgador formará sua convicção sobre a existência ou não de fraude de valor relatada pela fiscalização. [...] Evidentemente que não é suficiente que o Fisco limitese à simples enunciação dos fatos indiciários apresentados. Tornase indispensável a demonstração lógica da correlação destes com as conclusões expostas no auto de infração. Portanto, é tarefa da fiscalização convencer o julgador que o conjunto probatório formado por esses indícios e as conclusões deles extraídas, descrevem o fato jurídico com mais propriedade, ou como lembra Marcos Vinicius Neder, com mais 'racionalidade econômica', do que os registros contábeis ou fiscais do contribuinte. Em suma, deve o Fisco persuadir a autoridade julgadora de que a matéria trazido no auto de infração subsumese à norma jurídica. (Maria Regina Godinho de Carvalho e Sonia Maria Coutinho de Luna Freire. A interposição fraudulenta no comércio exterior. In A Prova no processo tributário.Coordenação de Marcos Vinicius Neder, Eurico Marcos Diniz de Santi e Maria Rita Ferragut. São Paulo: Dialética: 2010, p. 154155) Isso posto, o trabalho fiscal é apurar todas as provas e evidências da falsidade na declaração dos preços praticados, trazendo à lume os fatos que em seu entender corroboram o conjunto probatório do subfaturamento. O julgador, de sua feita, há de analisar o conjunto probatório coligido aos autos pela fiscalização, contrapondoos aos argumentos e provas em contrário do sujeito passivo até que à luz dos fatos e sua subsunção ou não ao direito possa decidir. Como assentado alhures, o subfaturamento de preços na importação consiste na prestação de declaração falsa nos documentos que instruem o despacho aduaneiro, sendo o de maior relevância a fatura comercial. Evidente pois que nas situações de subfaturamento será neste documento a inserção de informações falsas (falsidade ideológica ou material) ou a falsidade se caracterizará na própria fatura (falsidade documental ou formal). Contudo, outros documentos podem e devem ser requisitados pela fiscalização para corroborar ou não a autenticidade da fatura comercial e seu conteúdo. Neste mister a fiscalização evidenciou falsidade documental e material da fatura comercial e demais documentos coligidos (declaração de "autenticidade" da fatura, documentos de exportação, dentre outros); em síntese, demonstrou a falsidade documental e material das faturas comerciais apresentadas nos despachos aduaneiros com provas diretas e indiretas, das quais se destacam: Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Acórdão n.º 3201003.566 S3C2T1 Fl. 13 12 A comparação da assinatura do emitente da fatura e de cópia de documento autenticado e consularizado emitido pelo exportador Kasmir Arts revela "flagrante diferenças entre as escritas"; Faturas obtidas de outros importadores brasileiros, emitidas pelo mesmo exportador das DIs auditadas revelam que aquelas apresentadas nas importações da TROP/K&F contém evidentes e relevantes divergências de layout de formatação, expressões na língua oficial do país exportador (inglês) com erros de grafia e concordância e de assinatura; Por parte da recorrente, instada a apresentar documentos que confirmassem os preços declarados não só deixou de cumprir algumas das solicitações da fiscalização como também trouxe aos autos documentos (certificados, em sua maioria) com particularidades tais que reforçaram os indícios de falsidade documental (formal e material); senão vejamos: (i) inexistência, em sua maioria, da identificação do signatários dos documentos particulares (declarações) que se prestariam a confirmar os preços declarados; (ii) não confirmou a autenticidade dos registros dos exportadores anteriormente apresentados; (iii) inidoneidade do documento de reconhecimento de autenticidade das assinaturas e consularizações dos certificados apresentados, por conterem erros de grafia e concordância na língua oficial do país exportador; (iv) identificação (nome e registros) de supostos notários públicos que assinaram declarações que não correspondem com a lista daqueles nomeados pelo governo indiano; (v) selos de autenticação dos certificados com a sobreposição de carimbo atestando o cancelamento do elemento de segurança (selo); (vi) não comprovou, sequer confirmou, as informações de que as negociações eram acompanhadas de relatórios enviados pelo exportador que confirmavam os valores das transações; (vii) falsidade na declaração supostamente emitida pelo exportador alemão Gebruder Borhani Gmbh; (viii) não apresentou as apólices de seguros, que por certo revelariam os valores contratados na negociação. No relatório fiscal, descreve em arremate os documentos solicitados e não entregues (fl. 58): Deixaram de apresentar: as faturas comerciais com reconhecimento de firma, os contratos de compra e venda, a correspondência comercial, cotações de preços, pedidos de compra, documentos de negociação (inclusive os relatórios regularmente enviados pelo o agente de exportação à K & F, conforme afirmou a empresa em sua resposta à intimação 950/20132) e as apólices de seguro (todas as DIs foramregistradas com seguro).(grifado no original) Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Acórdão n.º 3201003.566 S3C2T1 Fl. 14 13 Por fim, resta asseverar que conquanto haja assinatura válida em documentos consularizados na embaixada brasileira não se atestou a autenticidade do conteúdo, especialmente, dos preços consignados. Uma vez demonstrada a falsidade documental da fatura, e dos documentos que supostamente lhes davam natureza de autenticidade, resta analisar a falsidade de seu conteúdo o preço declarado. Bastaram três indícios apontados pela fiscalização para se certificar da inverdade dos preços declarados e reforçar o já acervo probatório coletado: 1. Laudo merceológico realizado pela ABIT revela preço da mercadoria importada inferior ao preço das matériasprimas, fatos não infirmados pela K&F, com elementos hábeis e idôneos; 2. Os valores consignados nas faturas comerciais apresentadas por outros importadores de tapetes, adquiridos do mesmo exportador representam cerca do dobro do preço informado nas faturas da TROP/K&F; 3. Os dados de importações nos sistemas informatizados da RFB apontaram a disparidade entre os preços dos tapetes indianos importados pela TROP/K&F dos demais importadores, preços esses que alcançam diferenças de cerca de 100% Laudos da ABIT prestabilidade Quanto aos laudos da ABIT, inicialmente, é pertinente esclarecer que prestouse como mais um relevante indício probatório do subfaturamento de preço, contudo, dada sua relevância no teor técnico e assertividade em apontar os custos das matériasprimas utilizadas na produção dos tapetes tornouse peça fundamental para fins de comprovação do subfaturamento de preço. Assim, justificase toda a combatividade depreendida pela recorrente no sentido de tentar descaracterizálo. A fiscalização não utilizou o mesmo laudo produzido no procedimento em que teve por objeto a DI nº 11/20888087; outro foi solicitado para que a ABIT apresentasse os custos das matériasprimas de amostras em poder da fiscalização, relativamente à época das importações auditadas que constam do presente processo, ou seja, anos de 2009 e 2010. Há fundamento legal para a solicitação de laudo técnico quando paira dúvidas quanto à identificação e características constitutivas da mercadoria importada e submetida à auditoria. Apontase ainda que a legislação que determina o arbitramento de preço nos casos de fraude, como o aqui tratado, prescreve como um dos métodos de obtenção de preços aquele que se utiliza de "laudo expedido por entidade ou técnico especializado" (letra "c", do inciso II, do art. 88 da MP nº 2.15835/01). Isto mostra o reconhecimento pelo legislador à prestabilidade do resultado de laudo merceológico para subsidiar a substituição de preços subfaturados declarados; todavia, ressaltase que o arbitramento não foi efetuado segundo o Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Acórdão n.º 3201003.566 S3C2T1 Fl. 15 14 laudo, por força da aplicação sucessiva das regras estabelecidas no art. 88 da MP nº 2.158 35/01. A recorrente aduz que as mercadorias importadas nas DIs ora auditadas não são as mesmas importadas na DI nº 11/20888087. Não é o que consta dos autos. As mercadorias foram declaradas nas importações da TROP/K&F como "tapete nodado 80% lã e 20% algodão, feito a mão, com varias medidas, de origem indiana" e essas características constitutivas e de produção são comuns às DIs auditadas neste processo e no procedimento realizado na ALF/Itajaí/SC (DI nº 11/20888087). Outrossim, as discussões quanto à identidade ou semelhança tornase irrelevante à luz do que dispõe o art. 68 da Lei nº 10.833/03, o qual reproduzo: Art. 68. As mercadorias descritas de forma semelhante em diferentes declarações aduaneiras do mesmo contribuinte, salvo prova em contrário, são presumidas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro. Parágrafo único. Para efeito do disposto no caput, a identificação das mercadorias poderá ser realizada no curso do despacho aduaneiro ou em outro momento, com base em informações coligidas em documentos, obtidos inclusive junto a clientes ou a fornecedores, ou no processo produtivo em que tenham sido ou venham a ser utilizadas. Vejase que a regra faz presumir a identidade das mercadorias de um mesmo importador quando descritas de forma semelhante, o que dispensa maiores digressões; ademais, a recorrente não fez prova que afastasse a presunção legal. Diante de conjunto probatório de falsificação formal da fatura e alguns indícios preliminares do subfaturamento de preço (com base nos valores de importações de outras empresas comprovados com faturas e os dados da Receita federal), a autoridade fiscal, visando tal confirmação, solicitou a elaboração de laudo merceológico à ABIT, referente aos custos das matériasprimas praticados nos anos da DIs objetos da auditoria (2009 e 2010). Tal procedimento objetivou a confirmação, com grau de certeza técnica, quais os valores mínimos admissíveis para os tapetes indianos importados pela recorrente. O laudo foi elaborado confirmou o subfaturamento uma vez que os preços declarados, em quase a sua totalidade, sequer alcançavam os custos das matériasprimas praticados no período, desprezando ainda outros custos e despesas incorridas na venda para o País. Sem razão qualquer contestação desprovida de prova da recorrente quanto à imprestabilidade do laudo merceológico. As conclusões apontadas nos laudos não se tratam de mera conjectura, mas sim trabalho elaborado com rigor técnico que levou em consideração os preços das matériasprimas informadas em reconhecidas publicações técnicas internacionais. Em síntese, somase aos demais elementos do conjunto probatório de falsificação formal e material da fatura a constatação de que os preços dos tapetes importados Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Acórdão n.º 3201003.566 S3C2T1 Fl. 16 15 pela TROP/K&F revelam uma inconsistência intransponível, qual seja, os custos das matérias primas são superiores ao do produto final (tapetes) que certamente incorreu em outros gastos de produção, transporte, logísticas, e margem de lucro na cadeia negocial até encontrar os importadores brasileiros. Arbitramento Demonstrado pela fiscalização a fraude na declaração dos preços praticados na importação de tapetes indianos, mostrase imperioso o procedimento de arbitramento dos preços após a constatação do subfaturamento lastreado na utilização de faturas documentalmente falsas na instrução do despacho aduaneiro e em farto conjunto indiciário que atestaram igualmente a falsidade material, caracterizandose a fraude fiscal. Uma vez comprovada que as importações realizadas estavam subfaturadas inarredável estava a autoridade fiscal ao dever de proceder à valoração das mercadorias, com observância ao regramento legal da matéria. Toda mercadoria importada está sujeita ao controle do valor aduaneiro, conforme previsto no art. 76º do Decreto nº. 2.498 de 16/02/19981. O Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT, promulgado pelo Decreto nº. 1.355/1994, comumente denominado de Acordo de Valoração Aduaneira (AVA/GATT), estabelece que o valor aduaneiro da mercadoria importada deve ser determinado mediante a aplicação de um dos seis métodos de valoração; contudo, trata tão somente das operações legítimas e leais de comércio, abordando aspectos relacionados à correta aplicação das regras nele estabelecidas. Portanto, em matéria de valoração, a prática de fraude de valor (subvaloração ou supervaloração) desobriga as administrações aduaneiras a adotarem os valores aduaneiros declarados em documentos fraudulentos, conforme explicitado no artigo 172 do AVA, nas Opiniões Consultiva 10.13 e 19.14 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, introduzidas na legislação nacional através da IN SRF nº 17 de 16/02/1998. 1 Art. 76. Toda mercadoria submetida a despacho de importação está sujeita ao controle do correspondente valor aduaneiro. Parágrafo único. O controle a que se refere o caput consiste na verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado pelo importador com as regras estabelecidas no Acordo de Valoração Aduaneira. 2 Artigo 17 Nenhuma disposição deste Acordo poderá ser interpretada como restrição ou questionamento dos direitos que têm as administrações aduaneiras de se asseguraram de veracidade ou exatidão de qualquer afirmação, documento ou declaração apresentados para fins de valoração aduaneira. 3 Opinião Consultiva 10.1 do CTVA 1. O Acordo obriga que as administrações aduaneiras levem em conta documentos fraudulentos? 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: Segundo o Acordo, as mercadorias importadas devem ser valoradas com base nos elementos de fato reais. Portanto, qualquer documentação que proporcione informações inexatas sobre esses elementos estaria em contradição com as intenções do Acordo. Cabe observar, a este respeito, que o Artigo 17 do Acordo e o parágrafo 6 do Anexo III enfatizam o direito das administrações aduaneiras de comprovar a veracidade ou exatidão de qualquer informação, documento ou declaração apresentados para fins de valoração aduaneira. Consequentemente, não se pode exigir que uma administração leve em conta uma documentação fraudulenta. Ademais, quando uma documentação for comprovada fraudulenta, após a determinação do valor aduaneiro, a invalidação desse valor dependerá da legislação nacional. Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Acórdão n.º 3201003.566 S3C2T1 Fl. 17 16 Ressaltase que da leitura atenta de tais dispositivos depreendese que não se afasta a aplicação das regras e princípios insculpidas no AVA, no caso de fraude de valor declarado. Isto porque, na hipótese de se comprovar inverídico o valor declarado em documentos, afastase a regra do primeiro método de valoração, permanecendo a aplicação dos demais. Esse entendimento encontrase assente em voto que trata do arbitramento proferido pelo ilustre conselheiro Rosaldo Trevisan no acórdão nº 3401003.259, de 28/09/2016, que transcrevo excerto: Caso haja motivos para duvidar da veracidade ou exatidão dos dados ou documentos apresentados como prova de uma declaração de valor (...), a autoridade aduaneira poderá decidir, com base em parecer fundamentado, pela impossibilidade de aplicação do primeiro método (valor de transação, obtido a partir da fatura comercial, com os ajustes previstos no AVA GATT). Repitase, o comando do Artigo 17 do AVAGATT, reproduzido no art. 82 do Regulamento Aduaneiro, não trata do afastamento do AVAGATT, como parece entender a fiscalização, mas do afastamento do primeiro método do AVA GATT, restando ainda a avaliar os outros cinco métodos. (...) De fato outrora defendi posição de que a fraude de valor era fundamento para o afastamento das regras de valoração prevista no AVA. Hodiernamente, compartilho do entendimento perfilado no voto acima. O legislador pátrio não permitiu lacuna acerca do afastamento do primeiro método de valoração previsto no AVA nas hipóteses de fraude, sonegação ou conluio. O art. 88 da MP nº. 2.15835/2001 estabeleceu procedimentos especiais para controle e determinação do valor aduaneiro na ocorrência de fraude, sonegação ou conluio: Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante 4 Opinião Consultiva 19.1 do CTVA APLICAÇÃO DO ARTIGO 17 DO ACORDO E DO PARÁGRAFO 6 DO ANEXO III I. A questão foi formulada objetivando esclarecer se o Artigo 17, lido conjuntamente com o parágrafo 6 do Anexo III, outorga poderes suficientes às Administrações Aduaneiras para detectar e comprovar as infrações relativas à valoração, incluída a fraude, e se incumbe ao importador o ônus da prova no curso da determinação do valor aduaneiro. 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira chegou à conclusão de que, ao examinar esta questão, cabe observar que o Artigo 17 estabelece que o Acordo não restringe, nem põe em dúvida os direitos da administração aduaneira. O parágrafo 6 do Anexo III enumera esses direitos, destacando concretamente o direito das administrações nacionais de contar com a plena cooperação dos importadores nas investigações sobre a veracidade ou exatidão de qualquer informação, documento ou declaração. Esta conclusão é reafirmada na Opinião Consultiva 10.1. Seria incorreto deduzir que ficam implicitamente excluídos quaisquer outros direitos das administrações aduaneiras que não estejam mencionados no Artigo 17 ou no parágrafo 6 do Anexo III. Os direitos que não estejam mencionados expressamente no Acordo, assim como os direitos e as obrigações dos importadores e das Aduanas na determinação do valor aduaneiro, dependerão das leis e regulamentos nacionais. Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Acórdão n.º 3201003.566 S3C2T1 Fl. 18 17 arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. (...) De rigor, a aplicação dos critérios estabelecidos são em ordem sequencial, de forma que somente aplicase o seguinte na hipótese do anterior se revelar de impraticável ou de impossível adoção. No tópico "4 DO ARBITRAMENTO DOS PREÇOS DOS PRODUTOS IMPORTADOS" a autoridade fiscal passou a descrever a utilização do primeiro critério para o arbitramento o do inciso I do art. 88 da MP 215835/01, o qual reproduzo: O primeiro critério de arbitramento é o preço de exportação para o País (Brasil), de mercadoria idêntica ou similar. A DI nº 10/20200504 (ANEXO XIV), registrada em 12/11/2010 pelo importador X (o mesmo que durante a ação fiscal apresentou documentos idôneos comprovando os preços declarados), amparou a importação de tapetes, também de origem indiana, descritos de forma idêntica aos descritos nas DIs alvo desta ação fiscal (portanto presumidos idênticos de acordo com a Lei nº 10.833, de 2003, art. 68, caput) ao preço de U$/Kg 5,97. Este é o valor que foi utilizado para arbitrar o preço dos produtos importados conforme ANEXO I. Pois bem, o critério de arbitramento utilizado é o preço de exportação para o País de mercadoria idêntica ou simular. Não se pode olvidar que mercadorias "idênticas" ou "similares" são termos próprios do AVAGATT, e não se tem tratamento específico ou outra denotação para que se aplique normas distintas prevista na legislação que prescreve arbitramentos de preço. Assim, ainda que a constatação de subfaturamento por fraude de valor afaste o primeiro método de valoração aduaneira prevista no Acordo (o preço pago ou a pagar pela mercadoria, acrescidos dos ajustes) ao AVA retornase para a observar e aplicar as regras do critério de preço de mercadoria idêntica ou similar previsto no art. 88, I da MP nº 2.15835/01. Cumpre então considerar as regras do AVAGATT quanto à utilização de preços de mercadoria idêntica e similar. Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Acórdão n.º 3201003.566 S3C2T1 Fl. 19 18 O segundo e o terceiro métodos, previstos nos Artigos 2 e 3 do AVA são definidos da mesma forma, diferenciandose apenas quanto ao objeto. Enquanto o segundo referese a mercadorias idênticas, o terceiro, a mercadorias similares. Dessa forma, pela utilização destes dois métodos, o valor aduaneiro das mercadorias importadas será o valor de transação de mercadorias idênticas (segundo método) ou similares (terceiro método) vendidas para exportação para o mesmo país de importação e exportadas ao mesmo tempo em que as mercadorias objeto de valoração, ou em tempo aproximado. A aplicação destes métodos deve basearse em vendas no mesmo nível comercial e substancialmente nas mesmas quantidades das mercadorias objeto da valoração. Segundo o disposto no Artigo 15, parágrafo 2, do Acordo, entendese por mercadorias idênticas aquelas que são iguais em tudo, inclusive nas características físicas, qualidade e reputação comercial. Pequenas diferenças na aparência não impedirão que sejam consideradas idênticas mercadorias que em tudo o mais se enquadram nessa definição. Da mesma forma, define mercadorias similares como sendo aquelas que, embora não se assemelhem em todos os aspectos, têm características e composição material semelhantes, o que lhes permite cumprir as mesmas funções e serem permutáveis comercialmente. Esclarece, ademais, que entre os fatores a serem considerados para determinar se as mercadorias são similares incluemse a sua qualidade, reputação comercial e a existência de uma marca comercial. Ainda em conformidade com o Artigo 15 do AVA, devese observar que somente poderão ser consideradas “idênticas” ou “similares”, as mercadorias produzidas no mesmo país que as mercadorias objeto de valoração, e que somente serão levadas em conta mercadorias produzidas por pessoa diferente quando não houver mercadorias idênticas ou similares, conforme o caso, produzidas pela mesma pessoa que produziu as mercadorias objeto de valoração. É importante salientar que, na aplicação do segundo ou do terceiro métodos, tendo sido encontrados mais de um valor de transação de mercadorias passíveis de utilização, deverá ser selecionado o menor deles, consoante o princípio da equidade. A fiscalização apontou que o preço da mercadoria idêntica é aquele consignado nos documentos da DI nº 10/20200504, registrada em 12/11/2010, na qual foram declaradas "tapetes nodado, feito a mão, composto de 80% de lã e 20% de algodão", classificado na NCM 5701.10.11, originários da Índia, com preço médio por unidade de peso de 5,9744 US$/kg. As únicas informações colacionadas nos autos acerca desta DI "paradigma" foram apresentadas no Anexo XIV (fl. 785) em folha única e de forma singela, como se vê da imagem: Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Acórdão n.º 3201003.566 S3C2T1 Fl. 20 19 Conquanto se admita que as informações são suficientes à constatação da origem, período de importação, classificação tarifária e descrição quase idêntica às das DIs auditadas é justamente no preço que o procedimento falha em nível de detalhamento das informações. A fiscalização não revela como obteve a única DI paradigma, se no despacho aduaneiro teve seu valor declarado auditado por alguns dos canais de conferência, nem demonstrou as quantidades negociadas, o período da negociação e reputação comercial. Aliás, não se sabe da existência de outras importações que também se prestariam à obtenção de valores para efeito de arbitramento de preços. Em verdade, tal hipótese é real, pois no relatório fiscal há a indicação de que a empresa "X" importou tapetes do exportador Gebruder Borhani Gmbh, tal como a TROP/K&F, o que permite a indagação: qual a razão para a não obtenção dos preços arbitrados a partir da DI deste exportador, uma vez que suas vendas para o importador "X" foram comparadas para efeito de comprovar o subfaturamento praticado pela TROP/K&F? Ademais, os fornecedores/exportadores de tapetes da TROP/K&F tem seus nomes identificados nas faturas comerciais juntadas às folhas 769 a 778, e constatase que o exportador identificado no quadro de arbitramento é "QAYYUM EXPORT" não se encontra dentre aqueles. As incertezas quanto à natureza, especificidade e preços das mercadorias declaradas na DI paradigma restam realçadas por inexistência de documentos que demonstram essas informações, normalmente contida em faturas comerciais, e a própria regularidade do procedimento do arbitramento que mantevese desconhecido dos sujeito passivo e deste julgador, caracterizandose cerceamento do direito de defesa do importador. Mais uma vez tomo como fundamento para minha razão de decidir excerto do voto do conselheiro TREVISAN no acórdão nº 3401003.259, caso que se assemelha ao do presente processo quanto ao procedimento do arbitramento: Além de cercear a defesa do importador, por não revelar como chegou à única DI paradigma, se esta foi objeto de valoração, qual, detalhadamente, era a mercadoria, e quais as quantidades negociadas, entre outros, a fiscalização não atende ao escopo Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Acórdão n.º 3201003.566 S3C2T1 Fl. 21 20 do AVAGATT, e sequer atende ao objetivo do art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, no qual a palavra "arbitramento" está longe de ser ligada a algo arbitrário, pois há critérios precisos para determinação do preço da mercadoria. E o principal de tais critérios (preço de exportação, para o país. de mercadoria idêntica ou similar), que parece ter sido utilizado pelo fisco para valorar as mercadorias, não foi suficientemente detalhado, revelandose precário para que se forme convicção sobre a identidade ou semelhança com cada espécie importada, além de não restar explicado de onde advém, e como foi analisada pelo fisco a valoração da DI paradigma. Por fim, de ressaltar, conforme expresso no relatório fiscal, o raciocínio equivocado da fiscalização ao asseverar que as mercadorias da DI nº 10/20200504 são idênticas/similares às despachadas nas DIs da TROP/K&F em decorrência da presunção de que trata o art. 68 da Lei nº 10.833/03, já comentado alhures. Para que não se delongue em argumentações, tal presunção somente é autorizada quando a análise de mercadorias declaradas em diferentes DIs são importadas pelo mesmo contribuinte, o que não é o caos dos autos. Desta forma, entendo que o Fisco não detalhou os critério do arbitramento do preço de mercadoria idêntica, revelandose o procedimento precário para a formação da convicção quanto à correção da valoração das DIs auditadas, que se encontram em desconformidade com o art. 88 da MP nº 2.15835/01 e o AVAGATT. Neste mesmo sentido outra decisão exarada neste CARF, também de relatoria do Conselheiro Trevisan, é no sentido de que a falta de detalhamento e motivação no procedimento afasta o arbitramento realizado. Transcrevo parte da ementa que trata da matéria no Acórdão nº 3401003.843, de 29/06/2017: SUBFATURAMENTO. ARBITRAMENTO DE PREÇO. DETALHAMENTO. INEXISTÊNCIA. AFASTAMENTO. O arbitramento de preço a que se refere o artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 deve ser detalhado pela fiscalização, de modo a tornar possível à autuada saber exatamente o critério utilizado, a motivação das DI paradigmas utilizadas, e o resultado de suas verificações de valor aduaneiro sob pena de ser afastado, por não restar devidamente lastreado documental e argumentativamente. (Proc. 10907.720985/2012 85. Acórdão nº 3401003.843. Sessão de 29 de junho de 2017.Recurso voluntário provido parcialmente, por unanimidade de votos. Relator, Conselheiro Rosaldo Trevisan) Assim, os elementos acostados aos autos como demonstração do arbitramento, e os procedimentos adotados, estão em desconformidade com as normas de legais do AVAGATT e o art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, motivo do afastamento do arbitramento realizado. 2. Conhecimento do recurso interposto por TROP/Comexport: prejudicialidade Quanto ao recurso da TROP (atual Comexport), oportunizada sua interposição no julgamento anterior desta Turma, preenche o requisito de tempestividade, Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Acórdão n.º 3201003.566 S3C2T1 Fl. 22 21 contudo, entendo que a admissibilidade restringirseia ao exame da revelia, declarada pela ALF do Porto de Vitória/ES. Todavia, se prevalecer o que restou proposto no voto condutor do julgamento do recurso voluntário interposto pela solidária K & F Comércio de Tapetes e Artigos de Decoração Ltda o cancelamento da autuação por irregularidade no procedimento do arbitramento dos preços os efeitos da decisão alcançam o sujeito passivo TROP/Comexport, em razão da natureza jurídica e atributos da solidariedade. Deveras, a decisão favorável a um dos obrigados solidários na relação jurídicatributária aproveitará a todos, desde que o decisum não se circunscreva exclusivamente à arguição do afastamento da responsabilização individual do recorrente. O entendimento tem respaldo legal no art. 1.005 do Novo CPC, de aplicação fundamentada no art. 108 do CTN, verbis : Art. 1.005. O recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveita, salvo se distintos ou opostos os seus interesses. Parágrafo único. Havendo solidariedade passiva, o recurso interposto por um devedor aproveitará aos outros quando as defesas opostas ao credor lhes forem comuns. Com efeito, a K & F manifestou inconformismo com a autuação, combatendo cada uma das matérias para ver excluído as acusações fiscais de fraude e subfaturamento dos valores declarados nas importações e o arbitramento dos preços. A irresignação da TROP/Comexport vai no mesmo sentido. Por conseguinte, a matéria de mérito versada no recurso voluntário da K & F, em sendo confirmado o provimento para exoneração do crédito tributário, aproveita em benefício da TROP/Comexport. Dessa forma, resta prejudicado a análise do conhecimento e teor do recurso voluntário interposto pela TROP/Comexport. Conclusão Diante do exposto, voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do sujeito passivo K & F Comércio de Tapetes e Artigos de Decoração Ltda para cancelar os valores exigidos decorrentes do arbitramento dos preços das mercadorias importadas. Há de se observar a decisão desta Turma e os efeitos da solidariedade tributária quanto ao sujeito passivo Comexport Trading Comercio Exterior Ltda (atual denominação de Trop Comercio Exterior Ltda) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Acórdão n.º 3201003.566 S3C2T1 Fl. 23 22 Fl. 1087DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.901467/2013-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO.
A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1402-003.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
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DIREITO CREDITÓRIO. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 14 67 /2 01 3- 44 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10850.901467/201344 Acórdão n.º 1402003.035 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) assim ementado: "ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2012 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O caso foi assim relatado pela instância a quo, in verbis: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição [...], transmitida em 27/12/2012, por meio da qual o contribuinte acima identificado solicita restituição de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (código 2372) do período de apuração 30/06/2012. Despacho Decisório (fl. 04) da Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto indeferiu o Pedido de Restituição em virtude da inexistência de crédito, sob a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados pra quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. " Cientificado do Despacho Decisório por via postal em 14/05/2013, o contribuinte apresentou, em 07/06/2013, manifestação de inconformidade (fl. 03), alegando que teve indeferido seu pedido de restituição pelo fato de não ter retificado suas declarações (DCTF, DACON e DIPJ), porém pleiteia novamente o crédito afirmando ter corrigido todas as declarações." Inconformada com a decisão da Instância a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual traz a seguinte explicação para retificar a DCTF, DACON e DIPJ: "Isto tudo foi feito quando constatado que a empresa LC ASSISTÊNCIA MÉDICA S/S LTDA, recolheu o IRPJ sendo 4,80% e a CSLL sendo 2,88% na Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10850.901467/201344 Acórdão n.º 1402003.035 S1C4T2 Fl. 4 3 sua totalidade, e a empresa INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGICO E ASSISTÊNCIA INTEGRAL A SAÚDE, CNPJ N° 00.376.056/000145, também havia retido e recolhido o IRRF 1,5%, Código 1708 e o PIS/COFINS/CSLL 4,65% Código 5952." Em seu pedido, requer que se aceite as retificações das declarações, pleiteando o crédito novamente referente ao PER/DCOMP acima identificado. Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10850.901467/201344 Acórdão n.º 1402003.035 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.078, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10850.901450/2013 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.078): "O Recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos, portanto dele conheço. O recorrente teve seu pedido de restituição indeferido o fato de que, ainda que tenha sido localizado pagamento ao qual se amolda aquele apontado na PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente já teria sido utilizado para a extinção anterior de outro débito. Isso equivale a dizer que o valor do DARF foi integralmente consumido na extinção, por pagamento, de débito regularmente registrado nos arquivos da Receita Federal, motivo pelo qual não há saldo disponível para restituir. O recorrente alega que retificou as declarações DCTF, DACON e DIPJ para redução de tributos, pois recolheu o IRPJ e a CSLL na sua totalidade, contudo a empresa INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGICO E ASSISTÊNCIA INTEGRAL A SAÚDE, CNPJ N° 00.376.056/000145, também havia retido e recolhido o IRRF e o PIS/COFINS/CSLL. Uma vez que a administração tributária tenha iniciado procedimento fiscal para verificar as obrigações tributárias referentes a determinado período e tributo, não mais se pode falar em espontaneidade na entrega de declaração retificadora. Dessa forma, uma vez que a administração tributária emite decisão com base em declaração regularmente entregue, não é lícito que o recorrente retifique a informação que levou àquela decisão e pretenda que seja a nova informação aceita sem passar pelo crivo do Autoridade Fiscal. Sendo assim, deveria o recorrente ter apresentado sua manifestação de inconformidade acompanhada de elementos probatórios que permitissem à autoridade julgadora constatar a efetiva ocorrência dos alegados equívocos cometidos em suas declarações anteriores, nos termos do artigo 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10850.901467/201344 Acórdão n.º 1402003.035 S1C4T2 Fl. 6 5 Contudo, apesar das alegações, o recorrente não traz quaisquer documentos (notas fiscais, recibos, comprovante de pagamento) que comprovem que houve a retenção dos referidos valores de IRRF, CSLL, PIS e COFINS. Além de não comprovar a retenção dos referido tributos, também não houve a demonstração de que os valores retidos seriam suficientes para quitar integralmente os tributos apurados a partir de seus livros comerciais e fiscais. Desse modo, sendo do recorrente o ônus de provar o crédito que alegava ter, nos termos do artigo 333, I, do Código de Processo Civil, e não tendo se desincumbido de referido ônus, cumpre indeferir seu pedido de restituição e de compensação, por falta de comprovação da existência do crédito. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.900888/2011-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Estabelece-se como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerando-se pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Havendo despacho decisório antes de ultrapassado o lapso temporal da decadência, não há que se falar em homologação tácita.
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelece-se como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerando-se pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Havendo despacho decisório antes de ultrapassado o lapso temporal da decadência, não há que se falar em homologação tácita. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Havendo despacho decisório antes de ultrapassado o lapso temporal da decadência, não há que se falar em homologação tácita. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 08 88 /2 01 1- 95 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.900888/201195 Acórdão n.º 1401002.436 S1C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o despacho decisório. O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente referente a PER/DCOMP. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a CSLL, recolhido em 24/04/2001 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade, alegando o que se segue: Com vistas a evitar a decadência de seu crédito, apresentou, em 19/05/2005, pedido de restituição, para que não perdesse o direito a sua utilização e durante o prazo de cinco anos a Fazenda Pública não se manifestou a respeito do pedido de restituição, ocorrendo, desta forma, a sua homologação em 19/05/2010. Na data de 24/04/2001, recolheu indevidamente valores a título de CSLL relativos ao anocalendário de 1997. Neste contexto, em 2007, enviou DCOMP (retificada posteriormente), utilizando o crédito de CSLL, para quitar débitos. Ao final requereu a reforma do despacho decisório recorrido para que seja julgada a manifestação de inconformidade procedente, declarando a insubsistência da cobrança do débito constante na Declaração de Compensação não homologada. Após reconhecida a inexistência de decadência em relação ao pedido de restituição protocolado pelo contribuinte, quanto ao mérito, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, considerando as quantias recolhidas a título de tributo administrados Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.900888/201195 Acórdão n.º 1401002.436 S1C4T1 Fl. 4 3 pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ. Inconformada apresentou Recurso Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado para o reconhecimento do seu saldo creditório de CSLL. É o relatório do essencial. Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.433, de 13.04.2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.907763/201196, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, referente ao período de apuração de setembro/1997, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, do período de apuração de julho/1997, com débitos do contribuinte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.433): "O recurso é tempestivo e apresentam os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. O Acórdão DRJ entendeu que não houve, em relação ao pedido de restituição original, a homologação tácita do direito creditório nele envolvido, como sustenta a Impugnante. Isso porque não existe para o pedido de restituição nenhum prazo legal para a homologação do correspondente crédito, por parte da Fazenda Pública. O que se tem, no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação da Lei n° 10.833, de 2003), é que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Ou seja, a lei prevê prazo de homologação para a compensação, e não para o crédito objeto de pedido de restituição. Vale lembrar, nesse sentido, que somente a lei é quem pode determinar prazo limite para que o interessado (seja contribuinte ou fisco) aja, por si só, no sentido de constituir o seu direito. E, como já se viu, o que há é o prazo legal para que o sujeito passivo exerça o seu direito de pleitear restituição de suposto crédito (art. 168, do CTN), mas não para que a fazenda o homologue expressamente. Entretanto, como contraponto disso, a lei impôs à Fazenda Pública o prazo de 5 (cinco) anos para homologar, ou não, expressamente a compensação declarada pelo sujeito passivo. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.900888/201195 Acórdão n.º 1401002.436 S1C4T1 Fl. 5 4 Ocorreu, então, que o contribuinte, valendose do mesmo crédito que suponha possuir, enviou, 2007, DCOMP, para quitar débitos. Logo, o prazo de homologação dessa compensação contra a Fazenda Pública teve início em 2007; e o termo final seria em 2012. Portanto, em data posterior à do despacho decisório. Preliminar homologação tácita. A princípio, esclareço que, no que diz respeito possibilidade da ocorrência de homologação tácita de Declaração de Compensação protocolizada em 30/03/2001, portanto anterior a Lei 10.833/03, adoto os fundamentos de precedente recente da 3a. Turma da CSRF, no sentido de que nos pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Autoridade Administrativa, convertidos em declarações de compensação, por força da Lei nº 10.637/2002, a ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da declaração de compensação. De maneira que, tendo transcorrido este prazo, homologase tacitamente a compensação declarada, sendo definitivamente extintos os débitos tributários ali contemplados, independentemente da existência ou suficiência dos direitos creditórios. Referido Acórdão n. 9303003.900, proferido em 19/05/2016, restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Recurso Especial do Procurador Negado. Contudo, no caso em questão, os requisitos para reconhecimento da homologação tácita, não encontramse preenchidos, pois conforme descrito minuciosamente conforme relatado. Mérito. Quanto ao mérito, o acórdão DRJ restou fundamentado na inexistência de crédito recolhido indevidamente ou a maior a ser compensado. Na sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alega, genericamente, que o seu crédito originouse de um pagamento a maior realizado em 24/04/2001, referente à Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10680.900888/201195 Acórdão n.º 1401002.436 S1C4T1 Fl. 6 5 CSLL (cód. 2484), cujo período de apuração era 01/09/1997. Por sua vez, a Declaração de Compensação aqui analisada indica, como origem do crédito, pagamento indevido ou a maior, discriminando DARF utilizado no recolhimento de estimativa Como se verifica, os recolhimentos foram efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados (o suposto crédito postulado no presente processo referese ao período de apuração 01/09/1997). Portanto, não se caracterizou a existência de pagamento indevido ou a maior. Inexiste, pois, direito creditório a ser reconhecido para o contribuinte, como pagamento indevido ou maior, uma vez que o pagamento da estimativa foi exatamente igual ao débito apurado. Durante o recurso voluntário, afirma que encerrou o ano de 1997 com prejuízo, contudo ser oferecer maiores elementos em relação esse processo. Por isso, nego provimento ao Recurso. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.000439/2010-09
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à Súmula CARF nº 98. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos da Súmula, sem outros condicionantes.
Numero da decisão: 2001-000.502
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à Súmula CARF nº 98. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos da Súmula, sem outros condicionantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 04 39 /2 01 0- 09 Fl. 84DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de dedução de pensão alimentícia judicial. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 6.460,88, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2005. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente não teria comprovado o pagamento da pensão alimentícia aos beneficiários, embora tivesse apresentado o termo de acordo de separação consensual homologado judicialmente. Também entendeu a Autoridade Fiscal ter se caracterizado pagamento por liberalidade e sem direito a dedução em razão da mudança da fonte de recursos do Contribuinte. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à falta de comprovação nos moldes que entende legalmente apropriado, mesmo que com decisão judicial expedida sobre a pensão alimentícia e declaração de recebimento das partes beneficiadas, nos termos que segue: Tratase de impugnação apresentada pelo interessado contra a Notificação de Lançamento de fls. 8/11, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2006 anocalendário de 2005, que implicou apuração de imposto suplementar, no valor de R$ 6.460,88, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais, em face da constatação da infração de Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial, no valor tributável de R$ 24.691,00. A glosa efetuada corresponde às seguintes deduções, pleiteadas pelo contribuinte na DIRPF revisada: R$ 12.170,00, em nome de Luiz Arthur Moreira Bom; e R$ 12.521,00, em nome de Maria Ângela da Silva Bom, vide fls. 20. (...) Pensão Alimentícia – Luiz A M B Quanto aos pagamentos informados para Luiz Arthur Moreira Bom, a defesa alega o que se segue: (...) Cabendo consignar a essa E. Delegacia de Recursos, que os pagamentos feitos a titulo de Pensão Alimentícia eram efetuados por remessa bancária (DOC) ou por pagamento direto, em espécie, não havendo por parte do Contribuinte/Impugnante maior preocupação em solicitar de imediato os recibos, dado ao bom relacionamento com os beneficiários pensionistas, esclarecendo ainda que tais recibos eram feitos de forma precária, inclusive, com a assinatura do próprio filho, vez que o impugnante não se preocupava em Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10725.000439/201009 Acórdão n.º 2001000.502 S2C0T1 Fl. 85 3 obter quando do pagamento das ditas parcelas, um recibo formal da representante legal do menor, para sua efetiva comprovação. Tanto é verdade, que apresenta desde já, declaração datada de 06 de fevereiro de 2008, representante legal do menor, a Sra. Solange de Fatima Moreira Mariquito, confirmando o adimplemento do débito alimentar nas épocas certas, nada deve a titulo de Pensão Alimentícia.(doc.05) A defesa junta aos autos a declaração de fls. 15, subscrita por que Solange de Fátima Moreira Mariquito, contendo referência a Luiz Arthur Moreira Bom, atestando que o interessado teria pago, nos prazos determinados, os valores devidos a título de pensão alimentícia estipulado no processo nº 5.047 da 12ª Vara de Família da Comarca da Capital. Com efeito, a par do comprovante apresentado não veicular recibo de quitação de pensão alimentícia, por não conter os correspectivos valores, o dever jurídico imposto ao interessado implicava o depósito em conta corrente de Solange de Fátima Moreira, e não pagamento em espécie, diretamente ao filho do contribuinte, beneficiário das pensões. Observese que o próprio admitiu que parte dos pagamentos teria sido efetuado mediante transferência bancária (DOC), não obstante tenha se omitido em apresentar os correspectivos comprovantes bancários. Do exposto, por falta de comprovação, mantémse a glosa efetuada. Pensão Alimentícia – Maria Ângela da Silva Bom Quanto aos pagamentos informados para Maria Ângela da Silva Bom, a defesa alega o que se segue: Com relação a pensionista Maria Ângela da Silva Bon, esposa do Impugnante, a mesma recebeu os valores declarados no período, também por força de acordo homologado judicialmente na 2ª Vara de Família de NiteróiRJ, em 09 de junho de 1986 — processo n° 17.781, quando da separação consensual do casal, cabendo esclarecer a essa E. Delegacia de Recursos, que o valor estipulado pela Justiça, foi de 40% (quarenta por cento) do prólabore do contribuinte/Impugnante na firma GRUA CONSTRUTORA LTDA. Ocorre, que o contribuinte se retirou da sociedade da referida firma no inicio do ano de 1994, e nesta época o valor da pensão alimentícia homologada judicialmente, correspondia ao equivalente a 4,2 salários mínimos, valor este que é corrigido e mantido por força de acordo verbal entre as partes, razão pela qual, não há informação de rendimento desta fonte pagadora. A prova inquestionável do cumprimento da obrigação judicialmente determinada é o fato de que nenhum dos citados pensionistas, em nenhuma oportunidade, questionou o descumprimento da obrigação de cunho eminentemente alimentar, quer seja, propondo ação na Vara de Família pertinente, ou por qualquer outro tipo de denúncia. Com efeito, considerando que o interessado admite que o dever de pagar alimentos referiase a rendimento especificado no título de pensão, qual seja, prólabore recebido da firma Grua Construtora Fl. 86DF CARF MF 4 Ltda, rendimento esses que deixou de ser percebido pelo interessado, verificasse que os pagamentos porventura efetuados, decorrentes de acordo verbal, deixaram de ter fundamento em acordo homologado judicialmente, para constituir mera liberalidade do contribuinte. Dessa forma, não são passíveis de dedução da base de cálculo do imposto, por não se enquadrarem nas disposições do art. 78 do Decreto nº 3.000, de 1999. Em face dos argumentos expendidos, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o imposto suplementar (receita 2904) apurado, de R$ 6.460,88, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 6.460,88, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) No Ano calendário de 2.005, exercício de 2.006, período a que se refere o lançamento, o Recorrente pagou pensões alimentícias judiciais (i) a seu filho – Luiz Arthur Moreira Bom (ii) a sua ex exposa – Maria Ângela da Silva Bom. Ambas as prestações foram estipuladas/acordadas em juízo por decisão judicial na 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e na 2ª Vara de Família de Niterói, referindose a primeira à pensão para o filho do Requerente e a segunda para a exesposa. Os documentos probatórios compõem o anexo nº 01. Portanto as deduções glosadas estavam amparadas por decisão judicial de 1996 e 1986, respectivamente, e nada havia a ser questionado no que tange a sua legalidade e procedência. O Recorrente, tão logo tenha sido intimado, apresentou os documentos que sustentavam a dedutibilidade dos valores efetivamente pagos sob aquela rubrica, os entregou por cópia ao Agente do Estado que, ......, e em colisão com a lei e a jurisprudência, os declarou inábeis para a comprovação ou que haveria falta de previsão legal para sua dedução. (...) O próprio teor da peça impositiva bem demonstra a falta de certeza liquidez do crédito tributário lançado, porquanto a conjunção alternativa ou traz dúvida sobre que tipo de irregularidade o Recorrente teria cometido. Ou o Recorrente não comprovou com documentos hábeis a dedução ou não havia previsão legal para tal redução da base de cálculo, sendo incabível a alegação de ter praticado uma ou outra conduta infratora. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10725.000439/201009 Acórdão n.º 2001000.502 S2C0T1 Fl. 86 5 Na verdade, ele não praticou nem uma e nem outra conduta que tipificasse infração à legislação do imposto de renda. A exigência fundouse em dois aspectos: Não aceitação dos recibos firmados pelo beneficiário Luiz Arthur Moreira Bom, pois os valores mensais da pensão deveriam ter sido depositados na conta bancária de sua genitora Solange Mariquito; Não aceitação dos valores pagos à exesposa – Maria Ângela da Silva Bom – pois o montante acordado equivaleria a percentual de 40% sobre o prólabore que o Recorrente receberia da empresa Grua construtora. Não havendo pagamento de prólabore, indevido ou improvado o dispêndio. A DECISÃO RECORRIDA E RAZÕES DO RECURSO O acordo judicial relativo à pensão paga pelo Recorrente para seu filho foi firmada em 1996, quando o alimentando tinha apenas 7 (sete) anos de idade e, portanto, totalmente incapaz para a prática de atos da vida civil. Não devemos olvidar de que a capacidade tributária passiva independe da capacidade civil das pessoas naturais na dicção do inciso I do artigo 126 do Código Tributário Nacional – Lei 5.172/66. Assim, ainda que menor, o contribuinte é o beneficiário pensão, no caso o filho menor a quem o Recorrente pagou a pensão. O depósito em conta corrente bancária de sua genitora, revestiuse apenas de elemento facilitador do cumprimento do dever de sustento do, à época, menor. Tratase de prática comum a indicação de conta bancária para o depósito do quantum de pensão devido, especialmente quando não há desconto em folha. Depósito em conta corrente, pagamento em cheque ou em espécie são apenas formas de cumprimento do dever a que estava obrigado o Recorrente, não sendo cabível que, embora tenha cumprido o dever de pagar, seja penalizado por adotar a forma mais conveniente par si, par o beneficiário, seu filho, e par a mãe deste. Ademais disso, não é o depósito na conta corrente da genitora o único elemento que poderia ratificar que os valores a título de pensão judicial foram efetivamente pagos pelo Recorrente. Os recibos firmados pelo beneficiário, a Declaração de Ajuste Anual por sua genitora apresentada ou ainda a declaração de ter recebido no ano de 2.005 o valor ora discutido, caracterizamse como esclarecimentos prestados pelo contribuinte e só podem ser impugnados pelos lançadores com elementos seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão, como preceitua o § 1º do artigo 845 do Decreto 3.000/99, Regulamento do Imposto de Renda. Fl. 88DF CARF MF 6 Os montantes pagos pelo Recorrente para seu filho preenchem, indubitavelmente, as condições do artigo 78 do Regulamento do Imposto, de Renda citado, bem como estão plenamente justificadas e comprovadas a teor do artigo 73 do mesmo diploma legal, a saber: a)Há acordo judicial firmado pelo Recorrente que lhe obriga a pagar a pensão alimentícia e; b)Os valores foram efetivamente pagos como fazem prova os recibos anexados por ocasião da Impugnação, a declaração firmada pelo beneficiário e por sua genitora, com firma reconhecida, que ora anexamos, e protestamos por apresentar posteriormente a cópia da Declaração de Ajuste Anual do beneficiário. Tais documentos constituem o anexo nº 02. O artigo 332 do Código de Processo Civil preceitua: Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação ou a defesa. Em relação à pensão paga à exesposa do Recorrente – Senhora Maria Ângela da Silva Bom – assim se posiciona a Decisão a quo: No lançamento a alegação para a indedutibilidade das veras pagas a Sra. Maria Ângela bom situase na inexistência de rendimentos, informados na declaração de Ajuste Anual do Recorrente, oriundos da firma Grua Construtora Ltda. Entendera o Ilustre Autuante que, como não teriam sido declarados os rendimentos dessa fonte, cessara a obrigação de pagar a pensão determinada pela Justiça, tipificandose o pagamento como mera liberalidade. Além disso, ele não se dera ao cuidado de verificar que a pensão acordada em relação a sua exesposa, embora incidente sobre o pró labore recebido pelo Recorrente da empresa Grua Construtora \Ltda., equivaleria a 3,2 salários mínimos (40% de oito salários mínimos) como consta da cláusula 8ª do acordo judicial, que fora anexado aos autos por ocasião da Impugnação. Tal cuidado tiveram os pactuantes como a antever a possibilidade de, no futuro, o supridor não mais receber rendimentos da fonte pagadora citada. Foi exatamente o que ocorreu em 1.994, quando o Recorrente deixou a sociedade da empresa e passou a pensionar sua exesposa em valor equivalente a 3,2 salários mínimos, quantum que já estava estabelecido no pacto firmado. Ilustres Conselheiros, a Decisão laborou no mesmo erro do Autuante, ao não analisar os termos do acordo pactuado, pois bastaria a simples leitura da cláusula 8ª para inferir que a obrigação de pagar a pensão não se limitava à percepção de prólabore da empresa da qual o Recorrente fazia parte, mas que estava vinculada a um quantum indexado em quantidades de salários mínimos. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10725.000439/201009 Acórdão n.º 2001000.502 S2C0T1 Fl. 87 7 Vale destacar que os valores pagos pelo Recorrente se por um lado representam para ele uma dedução para os beneficiários filho e ex esposa – tipificamse como rendimentos tributáveis, anulando possíveis reduções de tributos. Para ratificar as comprovações já apresentadas por ocasião da Impugnação, juntamos o recibo/declaração firmado pela beneficiária, com firma reconhecida, de que esta recebeu no ano calendário de 2.005 a quantia de R$ 12.521,00 e cópia de sua Declaração de Ajuste Anual, constituindose tais documentos no anexo nº 03. REQUER Seja recebido o presente Recurso Voluntário e provido inteiramente para restabelecer as deduções glosadas, por ser medida de justiça. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A divergência estabelecida na lide se limita a comprovação dos valores levantados pela Fiscalização como referentes à pensão alimentícia da exesposa Maria Ângela da Silva Bom no valor de R$ 12.521,00 e do filho Luiz Arthur Moreira Bom no valor de R$ 12.170,00, fazendo o total de dedução a este título de R$ 24.691,00, no anocalendário de 2005, cuja comprovação não satisfez a fiscalização na oportunidade do lançamento e do julgamento de piso na DRJ. A contenda é que de um lado há o rigor na interpretação restritiva da legislação pela Autoridade Fiscalizadora, e de outro, a busca do direito, pelo Contribuinte, de ver reconhecido o que entende plenamente comprovado mediante declaração dos beneficiários da decisão judicial prolatada e do acordo judicial juntado aos autos. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, art. 4º e alínea “f” inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados no art. 78 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, como segue: Lei nº 9.250/95. Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) Fl. 90DF CARF MF 8 II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Decreto nº 3.000/99 Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. A autoridade fiscal fundamentou a recusa da dedução do valor das pensões pagas pelo Recorrente em razão de que não reconhecia suficiente a declaração de recebimento por parte dos interessados, vez que genérica e sem discriminação de valores por períodos e datas correspondentes. Tratase neste caso do direito à dedução do imposto de renda por pagamentos de pensão alimentícia em que a exigência fica condicionada a ter sido objeto de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, conforme inciso II, art. 4º, da Lei nº 9.250/95 e art. 78 do Decreto nº 3.000/99, e prova do efetivo pagamento do valor declarado como pago aos pensionistas. Com efeito, constatase que foram realmente acostadas ao processo, fl. 15, a declaração de recebimento dos valores por parte da exesposa e do filho, na forma que não satisfez a Autoridade Fiscal. Também consta do processo, fl. 10, manifestação fiscal, na Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10725.000439/201009 Acórdão n.º 2001000.502 S2C0T1 Fl. 88 9 Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a informação de que o Acordo Homologado Judicialmente previa que o contribuinte pagaria 40% do prólabore na firma Grua Construtora LTDA. O Recorrente acostou ao processo cópia do acordo homologado judicialmente que define o valor da pensão com base no valor recebido a época pelo obrigado no acordo, como parâmetro do quantitativo a ser pago aos beneficiários. Na cláusula 8ª está fixado percentual de 40% sobre o referido valor que representava o equivalente a oito salários mínimos, sendo que o percentual aplicado sobre o total resulta no valor da pensão correspondente a 3,2 salários mínimos. Ressaltese que a determinação da pesão, por sua finalidade, não poderia ficar somente amparada no prólabore do pagante de vez que poderia este passar a não mais receber tal remuneração da empresa, como de fato aconteceu. Assim que a vinculação ao quantitativo de salários mínimos veio a dar caráter permanente para o valor e para obrigação, independente do vínculo com a empresa citada. Inadmissível seria desobrigar o pagante da pensão de alimentos se este não mais recebesse o referido prólabore que, repitase, foi utilizado somente como parâmetro para a fixação do valor do benefício. Da mesma forma que seria inconcebível obrigar as partes a fazer novo acordo judicial para continuação do pagamento da pensão alimentícia a cada vez que o pagante trocasse de vínculo empregatício ou societário. Assim que a mudança de fonte de recursos do Recorrente não torna a pensão alimentícia ato de liberalidade no pagamento da pensão alimentícia porque a obrigação vem de decisão judicial e tem validade até que ocorram as condições previstas para seu término. A Autoridade Fiscal também recusou a comprovação do efetivo pagamento da pensão alimentícia fixada no documento judicial, valor que foi utilizado como redutor do imposto de renda a pagar por parte do Recorrente Luiz Adilson Bom, não reconhecendo como verdadeira a declaração de recebimento das partes beneficiadas no acordo. Contudo, a legislação não especifica que tipo de comprovação tem força probatória ou qual comprovação é insuficiente para o caso. A Súmula CARF nº 98 determina que seja permitida a dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, na condição de que tenha decorrido de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e quando comprovado seu efetivo pagamento. Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (grifei) Cabe destacar que o dispositivo que mais se aproxima de uma definição dos condicionantes para obtenção do benefício da dedução diz que o segundo elemento se fará presente “quando comprovado o seu efetivo pagamento”, sem lhe especificar a forma. A legislação não obriga que o pagamento da pensão alimentícia deva ser realizado por uma ou outra forma de meios de pagamento. E mesmo que conste no acordo judicial um determinado meio de pagamento outro pode ser utilizado, de comum acordo com as Fl. 92DF CARF MF 10 partes, para facilitar a quitação da obrigação e satisfação do beneficiário de forma mais simplificada e ágil. Nenhum obstáculo fiscal pode ser considerado para quem paga a pensão alimentícia em espécie mesmo que antes tenha concordado em fazêlo por depósito bancário, se a parte beneficiada estiver de acordo, e para isso, entendese despiciendo mudar o acordo judicial somente por essa particularidade. Se há comprovante de quitação da obrigação a decisão judicial está comprida. Por ocasião deste recurso voluntário foram juntados ao processo dois outros recibos especificando que se tratava de valores recebidos no ano de 2005 e que se referiam ao processo definidor da pensão alimentícia, com firma reconhecida dos assinantes, sendo um em nome de Maria Ângela da Silva Bom no valor de R$ 12.521,00, fl. 73, e outro em nome de Luiz Arthur Moreira Bom no valor de R$ 12.170,00, fl. 71, o que não inova, mas tão somente reafirma ocorrência do pagamento, vez que declarado que o valor foi recebido e, em se tratando das pessoas beneficiarias da pensão alimentícia. Neste sentido, ninguém melhor para atestar o recebimento se não o próprio interessado. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória do acordo judicial e a comprovação do pagamento da pensão a que se comprometeu judicialmente podendo assim se beneficiar da utilização da dedução do imposto a esse título, fazendose imperioso que se conceda o direito pleiteado pelo Recorrente, dando provimento ao recurso no que se refere ao restabelecimento das deduções, conforme pleiteado pelo Contribuinte. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, excluindose o crédito tributário lançado no valor de R$ 6.460,88. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 93DF CARF MF
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