Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10660.000456/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente é suficiente para
comproválas.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.192
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201107
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente é suficiente para comproválas. Recurso provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10660.000456/2008-15
anomes_publicacao_s : 201107
conteudo_id_s : 4955044
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.192
nome_arquivo_s : 210101192_10660000456200815_201107.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
nome_arquivo_pdf_s : 10660000456200815_4955044.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
id : 4742857
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:41:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041113796608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1270; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 54 1 53 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.000456/200815 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.192 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de julho de 2011 Matéria IRPF Despesas médicas Recorrente ROSA CRISTINA ALVES DE LIMA CHEBERLE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente é suficiente para comproválas. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto Fl. 67DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10660.000456/200815 Acórdão n.º 210101.192 S2C1T1 Fl. 55 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 42 e ss.) interposto em 15 de julho de 2010 (fl. 41) contra o acórdão de fls. 34 e ss., do qual a Recorrente teve ciência em 13 de julho de 2010 (fl. 40), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 06 e seguintes, lavrado em 24 de dezembro de 2007, em decorrência de dedução indevida de despesas médicas e de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, verificadas no anocalendário de 2004. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA POR EDITAL. Da intimação fiscal será dada ciência ao contribuinte por meio de Edital quando caracterizada a impossibilidade da ciência pessoal, por via postal ou por meio eletrônico. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RESPONSABILIDADE DAS INFORMAÇÕES. A responsabilidade pelas informações prestadas na Declaração de Ajuste Anual IRPF entregue à Receita Federal é do declarante e, solidariamente, de seu representante legal. DESPESAS MÉDICAS. Restabelecese a parcela da dedução glosada pelo Fisco que está em conformidade com os comprovantes apresentados pelo contribuinte na fase impugnatória, mantendose, por outro lado, a glosa da parcela não comprovada mediante apresentação de documentação hábil para tanto. Fl. 68DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10660.000456/200815 Acórdão n.º 210101.192 S2C1T1 Fl. 56 3 Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 34). Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso de fls. 42 e ss., pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração, alegando, em síntese, que inexistem razões para rejeitar o recibo apresentado, pois goza de presunção de veracidade e autenticidade, trazendo legislação que supostamente o dispensa de apresentar outro meio de prova além do recibo, bem como juntando declaração emitida pelo dentista, a qual confirmaria o pagamento e a prestação dos serviços, bem como fotos do consultório onde o profissional, em tese, prestaria os serviços. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A presente controvérsia é relativa à glosa de despesas odontológicas, girando em torno da necessidade ou não da comprovação da efetiva prestação de serviços odontológicos, bem como do respectivo pagamento, no caso, efetuado em dinheiro, conforme afirma a Recorrente. Em relação à glosa dessas despesas, a norma aplicável ao caso (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e Fl. 69DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10660.000456/200815 Acórdão n.º 210101.192 S2C1T1 Fl. 57 4 odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Discutese, no presente caso, apenas e tãosomente a glosa de despesas odontológicas efetuadas com o Dr. Nildo de Freitas Goes Júnior, no ano de 2004. In casu, as alegações da Recorrente para justificar as despesas odontológicas foram rejeitadas pela Recorrida sob a alegação de que o recibo juntado pela contribuinte (fls. 10 e 51) não seria suficiente para comprovar o pagamento dos serviços, pois nele não constavam informações que aquela entendia de suma importância para o deslinde da questão, quais sejam: (i) ausência de identificação do beneficiário do "tratamento odontológico – a impugnante consta apenas como responsável pelo pagamento”; (ii) não foi informado qual “o endereço profissional do emitente”; e (iii) não consta o número de registro do prestador de serviço no Conselho Regional (fl. 36). Em seu recurso voluntário, a Recorrente juntou declaração do dentista, prestador dos serviços (fl. 50), na qual constam todos os dados apontados como ausentes pela Recorrida em sua decisão, sendo eles os dados completos do prestador de serviços, Dr. Nildo de Freitas Goes Júnior e o beneficiário do tratamento dentário por ele realizado. Além do mais, a Recorrente acostou aos autos, nessa mesma oportunidade, fotos da fachada do endereço do profissional em referência, além de uma cópia do recibo, no qual consta o reconhecimento de sua emissão, por parte do cirurgiãodentista. Cabe mencionar ainda que deve a autoridade fiscalizadora fazer a prova necessária para infirmar o recibo de despesas dedutíveis acostado aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas odontológicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que a contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigada a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente Fl. 70DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10660.000456/200815 Acórdão n.º 210101.192 S2C1T1 Fl. 58 5 ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade de recibo, não se pode recusar recibo que preenche os requisitos legais e vem acompanhado de declaração do prestador de serviços confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 71DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003423/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 13/07/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO.
Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos
relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória.
COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE
Os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo para quitação das
contribuições devidas não pode ser direcionados para satisfação de crédito fiscal constituído para imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória.
ARBITRAMENTO. ALEGAÇÃO NÃO RELACIONADA AO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não tendo se verificado na espécie a adoção de arbitramento do tributo, não há de se apreciar essa alegação recursal.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA.
Uma vez que o Fisco trouxe aos autos toda a documentação que deu
embasamento ao Auto de Infração, com indicação da conduta, do dispositivo infringido e dos parâmetros para fixação da penalidade, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando o contribuinte nada apresenta para afastar as conclusões da Auditoria.
APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento
administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 13/07/2009
LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA.
INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE
FALTA DE MOTIVAÇÃO.
O fisco ao narrar os fatos verificados, a norma violada e a base legal para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão
do lançamento pelo autuado.
REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide.
JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO.
Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 13/07/2009
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.960
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, I) rejeitar a preliminar de decadência; II) rejeitar a preliminar de nulidade e indeferir os pedidos para realização de perícia técnica e análise contábil; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201107
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/07/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo para quitação das contribuições devidas não pode ser direcionados para satisfação de crédito fiscal constituído para imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória. ARBITRAMENTO. ALEGAÇÃO NÃO RELACIONADA AO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não tendo se verificado na espécie a adoção de arbitramento do tributo, não há de se apreciar essa alegação recursal. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA. Uma vez que o Fisco trouxe aos autos toda a documentação que deu embasamento ao Auto de Infração, com indicação da conduta, do dispositivo infringido e dos parâmetros para fixação da penalidade, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando o contribuinte nada apresenta para afastar as conclusões da Auditoria. APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/07/2009 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco ao narrar os fatos verificados, a norma violada e a base legal para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/07/2009 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10950.003423/2009-42
anomes_publicacao_s : 201107
conteudo_id_s : 4810509
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 19 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-001.960
nome_arquivo_s : 2401001960_10950003423200942_201107.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10950003423200942_4810509.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, I) rejeitar a preliminar de decadência; II) rejeitar a preliminar de nulidade e indeferir os pedidos para realização de perícia técnica e análise contábil; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
id : 4743405
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:41:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041128476672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2099; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 159 1 158 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.003423/200942 Recurso nº 875.282 Voluntário Acórdão nº 240101.960 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente INSTITUICÃO CULTURAL EDUCACIONAL DE SARANDI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/07/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo para quitação das contribuições devidas não pode ser direcionados para satisfação de crédito fiscal constituído para imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória. ARBITRAMENTO. ALEGAÇÃO NÃO RELACIONADA AO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não tendo se verificado na espécie a adoção de arbitramento do tributo, não há de se apreciar essa alegação recursal. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA. Uma vez que o Fisco trouxe aos autos toda a documentação que deu embasamento ao Auto de Infração, com indicação da conduta, do dispositivo infringido e dos parâmetros para fixação da penalidade, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando o contribuinte nada apresenta para afastar as conclusões da Auditoria. APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/07/2009 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco ao narrar os fatos verificados, a norma violada e a base legal para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/07/2009 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, I) rejeitar a preliminar de decadência; II) rejeitar a preliminar de nulidade e indeferir os pedidos para realização de perícia técnica e análise contábil; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003423/200942 Acórdão n.º 240101.960 S2C4T1 Fl. 160 3 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Walter Murilo Melo de Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Relatório O lançamento Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.194.8800, lavrado contra a empresa acima identificada, com data de lavratura em 13/07/2009 e cuja penalidade aplicada importou no valor de R$ 13.291,65 (treze mil e duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos). A lavratura em questão diz respeito a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória que, nos termos do Relatório Fiscal da Infração, fl. 78, decorreu da conduta da empresa de, mesmo regularmente intimada, deixar de exibir os seguinte documentos: a) DIRPJ (FICHA 64), correspondente aos exercícios de 2007 e 2008; b) FOLHAS DE PAGAMENTO (2), do CNPJ, referente os meses de 03/05,03/06 a 12/06, 06/07, 08/07, 12/07 e 01/08 a 12/08; c) FOLHAS DE PAGAMENTO (2), da obra matriculada sob n o 41.100 01.720/79, referente os meses de 01/04 a 12/04, 01/05 a 06/05 e 09/05 a 12/05 e 01/06 a 12/08; d) Todos os Recibos de Pagamentos de Salários, Rescisões e Recibos de Férias, atinentes a Folha (2), tanto da obra como do CNPJ). Indicase que os elementos de prova da presente autuação, ou seja, cópias dos documentos a seguir discriminados, os quais constam anexados no AI n.º 37.194.8851 (processo n.º 10950.003407/200950). a) Resumo das Folhas de Pagamento (01), registradas contabilmente; b) Folhas de Pagamento(2), não registradas contabilmente; c) Recibos de Pagamento de Salário (1) e (2); d) Rescisões Contratuais e Recibos de Férias (1) e (2); d) Demonstração do resultado do exercício constante do Balanço anual em Livro Diário. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 79, indica a fundamentação legal para aplicação da penalidade e os critérios utilizados para a sua gradação, onde se consignou a inexistência de circunstâncias agravantes ou atenuantes durante a ação fiscal. A impugnação Cientificada da autuação em 27/07/2009, a empresa ofertou impugnação, fls. 81/98, na qual em síntese alegou que: a) estão decadentes os créditos relativos a fatos geradores ocorridos antes de 27/06/2004; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003423/200942 Acórdão n.º 240101.960 S2C4T1 Fl. 161 5 b) a norma que embasa o presente AI foi revogada pela Lei n.º 11.941/2009, por esse motivo deve ser cancelada a lavratura ou aplica a multa mais benigna; c) a infração inexistiu, por conseguinte, o presente AI não pode prosperar; d) foi aplicada a multa com base no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, no patamar de 75%, a qual assume nítido caráter confiscatório, além de que o art. 32A da Lei n.º 8.212/1991 instituiu o limite de 20% para a multa punitiva; e) devese observar na espécie a aplicação da legislação mais benigna ao sujeito passivo; f) também é inconstitucional a aplicação da taxa SELIC para fins tributários; g) a aplicação de penalidades tributárias não pode ferir princípios constitucionais e específicos do Direito Tributário; h) o Fisco é que tem o dever de provar suas alegações, não sendo lícito querer que o contribuinte venha a produzir provas em seu favor; i) devem ser compensados todos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte; j) para se chegar a uma conclusão segura sobre a contenda, fazse necessária à realização de prova pericial, pelo que indica o assistente da perícia e formula os quesitos. Ao final, requer a utilização de todos os meios de prova em direito admitidas e a concessão de prazo para que possa apresentar considerações sobre a documentação acostada pela Auditoria. A decisão de primeira instância A DRJ em Curitiba (PR), fls. 127/134, declarou procedente a autuação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008 AIOA 37.194.8835 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento de multa pecuniária pelo descumprimento de obrigação acessória não cabe se falar em lançamento por homologação, pelo que a regra decadencial aplicável ao caso é a do artigo 173, I, do CTN. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A não apresentação de documentos regularmente requisitados pela Fiscalização configura infração a obrigação acessória passível de autuação fiscal. INFRAÇÃO AUTÔNOMA. INEXISTÊNCIA DE DÉBITO. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 IRRELEVÂNCIA Tratandose de lançamento de multa pelo descumprimento de obrigação acessória autônoma, o inadimplemento da obrigação independe da constatação da existência de débito tributário exigível, sendo devida a penalidade ainda que não haja crédito tributário devido. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Na é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. PROVA PERICIAL DESNECESSÁRIA. A produção da prova pericial só é cabível quando o julgador administrativo entender que seu convencimento necessita da produção desta prova, não configurando seu indeferimento cerceamento do direito de defesa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O recurso A empresa interpôs recurso voluntário, fls. 139/156, no qual alega, em apertada síntese, que: a) embora a apuração do crédito tenha se dado por arbitramento, o Fisco não conseguiu demonstrar qualquer irregularidade que justificasse o procedimento; b) estão decadentes os créditos relativos a fatos geradores ocorridos antes de 27/07/2004; c) não ficou demonstrada de forma robusta a existência dos fatos geradores supostamente não contabilizados, nem declarados em GFIP; d) inexiste espaço para aplicação de multa, haja vista que não se detectou irregularidade que pudesse dar azo à sanção; e) mesmo que se pudesse aplicála, a multa não pode ultrapassar o patamar de vinte por cento, sob pena de se afrontar a Constituição Federal, além de que devese observar a multa mais benigna ao sujeito passivo, tendose em conta a ocorrência de alteração legislativa; f) são inconstitucionais a aplicação de multa progressiva e da taxa SELIC; g) devem ser aproveitados na apuração do crédito os recolhimentos efetuados; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003423/200942 Acórdão n.º 240101.960 S2C4T1 Fl. 162 7 h) o ônus de provar a existência do crédito é do Fisco, não se podendo inverter esse encargo em desfavor do contribuinte; i) a prova pericial se faz necessária no caso em tela para que se investigue sobre os critérios e de arbitramento e se faça uma análise contábil mais acurada; j) também se deve proporcionar maior lapso temporal para que a empresa possa analisar com esteio na contabilidade as irregularidades apontadas pela Auditoria; Ao final requereu que: a) seja decretada a nulidade do feito, em razão do patente cerceamento ao seu direito de defesa, devendo ser oportunizada nova fase contenciosa, para que possa comprovar a sua idoneidade financeira e fiscal; b) caso não se entenda pela nulidade, que os autos retornem à primeira instância para realização de prova pericial; c) cancelese o Auto de Infração, posto que nenhuma irregularidade existiu; d) cancelese a multa aplicada posto que a mesma, da forma como foi fixada, fere princípios do Direito Tributário; e) cancelese a multa, pelo fato de não ter havido inadimplência; É o relatório. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência Alega a recorrente a decadência dos créditos, cujos fatos geradores tenham ocorrido antes de julho de 2004. De acordo com o demonstrativo juntado pelo Fisco, data de 01/2004 a verificação da primeira competência fiscalizada. É cediço que após a edição da Súmula Vinculante n.º 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), o prazo de que dispõe o fisco para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias passou a ser regido, com efeito retroativo, pelas disposições do Código Tributário Nacional – CTN, posto que o art. 45 da Lei n.º 8.219/1991 foi declarado inconstitucional. Esse posicionamento da Corte Maior traz impacto não só em relação às exigência fiscais decorrentes do inadimplemento da obrigação principal, mas interfere também nos lançamentos das multas por desobediência a deveres instrumentais vinculados à fiscalização das contribuições. Diante disso, fixouse a interpretação de que, uma vez ocorrida a infração, teria o fisco o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento da multa correspondente. Assim, havendo o descumprimento da obrigação legal, o prazo de que o fisco disporia para constituir o crédito relativo à penalidade seria o prazo geral de decadência, fixado no art. 173, I, do CTN, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Não há nessa situação o que se cogitar de aplicação do art. 150, § 4.º, do CTN, uma vez que esse é dirigido apenas ao lançamento por homologação e o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória é um típico caso de lançamento de ofício. Tendose em conta que a empresa tomou ciência da autuação em 27/07/2009, pelo critério acima, a primeira competência do período relativo à solicitação dos documentos é 01/2004, a qual somente estaria alcançada pela decadência, conforme a contagem pela regra do art. 173, I, do CTN, em 31/12/2009. Nessa toada não houve a solicitação de documentos de período decadente, portanto, o Fisco tinha a prerrogativa de exigir toda a documentação constante nos Termos de Intimação. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003423/200942 Acórdão n.º 240101.960 S2C4T1 Fl. 163 9 Assim, não procede a alegação da empresa relativa à ocorrência do prazo decadencial. Arbitramento Essa alegação não tem sequer pertinência com o AI objeto da lide, uma vez que não se vislumbra na aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória, pelo menos para a situação em destaque, a aplicação do arbitramento do tributo. Da não comprovação da ocorrência dos fatos geradores e da inversão do ônus da prova A Auditoria colacionou farta documentação, que engloba folhas de pagamento, recibos de salário, os quais demonstrou que a empresa deixou de arrecadar a contribuição de segurados a seu serviço. Tal providência atesta a preocupação da Autoridade Fiscal de trazer ao processo todos os elementos que serviram de base para suas conclusões. No seu recurso a empresa insiste em afirmar que não cometeu a infração, haja não haver sido detectada nenhuma folha de pagamento não contabilizada. Esse argumento não se relaciona com a obrigação em tela, a qual está prevista no art. 33, § 2.º, da Lei n.º 8.212/1991, para os segurados empregados, conforme se vê: Art. 33 (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Claro, então, que o argumento lançado pela empresa, concernente a contabilização das folhas de pagamento, não se presta a afastar a infração apontada, uma vez que a mesma diz respeito a conduta diversa daquela invocada no recurso. Nesse sentido, não vejo como acolher a alegação da recorrente de que não teria o Fisco demonstrado a contento a ocorrência dos fatos geradores ou da infração, como se queira chamar. Ainda mais quando se percebe que o sujeito passivo não trouxe aos autos qualquer documento que pudesse vir em socorro de suas ponderações, mantendose no campo das argumentações desprovidas de elementos comprobatórios. Outro aspecto do recurso que tem vinculação com o anteriormente apontado diz respeito ao argumento de que não seria lícito ao Fisco impor ao sujeito passivo a inversão do onus probandi. Devo repelir essa tese. Na situação sob testilha foram carreados ao processos os elementos que comprovam a ocorrência da infração, não havendo o que se falar em lavratura fiscal por presunção. Nesse sentido, não merece prosperar também esse argumento, tampouco, pelos mesmos motivos, a alegada nulidade por cerceamento ao direito de defesa da recorrente. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 10 Da multa e dos juros aplicados Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da penalidade por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da penalidade pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da infração fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 78, em que são expressos o fundamento legal e os critérios utilizados para a gradação da penalidade aplicada. O argumento de que a multa atingiu o patamar de 75% do tributo devido está em total desacordo com o que revela os autos. Eis as ponderações expressas no Relatório Fiscal da Multa: RELATÓRIO FISCAL DA APLICAÇÃO DA MULTA 1. A multa a ser aplicada é a constante da Lei n o 8.212, de 24/07/1991, artigos 92 e 102, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n o 3.048, de 06/05/1999, artigo 283, inciso II, alínea "j" e artigo 373. 2. O valor da multa de R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos),foi atualizado pela PORTARIA INTERMINISTERIAL /GABINETE DO MINISTRO, N°48, DE 12 DE FEVEREIRO DE 2009. (...) Por outro lado, ao pedir a aplicação da penalidade mais benigna, alegando ter havido alteração legislativa dispondo sob multa menos gravosa, o sujeito passivo demonstrou desconhecimento da legislação aplicável uma vez que no período que medeia o cometimento da falta e o presente julgamento não houve qualquer modificação legal tratando da sistemática de fixação da multa para esse tipo de infração. No que diz respeito à aplicação dos juros moratórios verifico que também seguem a sistemática legal, senão vejamos a Lei n. 8.212/1991: Art. 34 As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art.13 da Lei n. a 9.065, de 20 de junho de 1.995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Esse entendimento passou a ser adotado também para as multas decorrentes do inadimplemento de obrigação acessória, conforme se pode ver dos termos da Portaria Conjunta RFB/PGFN n. 10, de14/11/2008: Art.1.º. Os créditos constituídos a partir da publicação desta Portaria em decorrência de descumprimento de obrigação acessória relativa às contribuições previdenciárias estão sujeitos Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003423/200942 Acórdão n.º 240101.960 S2C4T1 Fl. 164 11 aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), a que se refere o art. 13 da Lei n a 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o seu valor. Parágrafo único: O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos dos créditos referidos no caput corresponderá a 1% (um por cento). Forçoso concluir, então, que também não se pode acatar a tese da redução do percentual de juros, uma vez que aplicados em total consonância com a legislação de regência. Quanto ao caráter confiscatório da penalidade, devese ter em conta que, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Fl. 12DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 12 Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente, como é o caso da aplicação dos juros e da multa. Compensação dos créditos do contribuinte Tendose em conta a natureza da presente lavratura, não procede o argumento de que haveria recolhimentos não considerados pelo Fisco, quando da apuração fiscal. Observase que nesse ponto o contribuinte acabou por confundir o que seja lançamento para exigência da obrigação principal, ou seja, do pagamento do tributo, com lançamento para imposição de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Pedido de Perícia Quanto ao cerceamento do direito de defesa ocasionado pelo indeferimento do órgão a quo do pedido de produção de prova pericial, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida à autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela ocorrência da infração. Realização de análise contábil Requer o contribuinte que lhe seja concedido prazo para a realização de análise contábil acerca das afirmações do Fisco. Não vejo como acolher esse o pleito. A fiscalização teve como base os documentos fornecidos pelo próprio sujeito passivo, que teve todo o prazo de defesa para detectar qualquer incorreção no trabalho de apuração fiscal. Todavia, nada foi apresentado naquela fase processual. Sobre esse tema, o Decreto n. 70.235/1972 determina que os inconformismos do contribuinte contra a exigência fiscal devem ser apresentados por ocasião da impugnação, junto a qual também serão juntados os elementos de prova. Vejamos: 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 13DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003423/200942 Acórdão n.º 240101.960 S2C4T1 Fl. 165 13 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; § 4°. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Em obediência a esse comando, deveria o sujeito passivo ter exposto na sua impugnação as possíveis falhas detectadas na verificação fiscal, todavia, não foi adotada a providência. Vejo que agora também no recurso nada é apresentado de concreto, reprisandose a alegação da defesa, portanto, também afasto esse pedido, por entender que o momento processual já não mais permite a juntada de análise contábil ou de qualquer outro documento que não se enquadre nas hipóteses do § 4.º do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972. Além de que, o AI guerreado não teve como base lançamentos contábeis, mas falta de entrega de documentos solicitados pela Auditoria. Conclusão Diante de todo exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar as preliminar de nulidade e decadência, por indeferir os pedidos de perícia técnica e análise contábil e, no mérito, pelo seu desprovimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 14DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001749/2006-04
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRP.1
Ano-calendário: 2002
Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS
Caracteriza omissão de receitas, a falta de escrituração de pagamentos efetuados.
DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Lançamentos reflexos. Ao se decidir de forma exaustiva a matéria
referenciada ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprio da sistemática de tributação das pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 1103-000.445
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Aloysio Jose Percinio da Silva, que votou pela
dedução dos custos correspondentes á. receita omitida.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201104
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRP.1 Ano-calendário: 2002 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS Caracteriza omissão de receitas, a falta de escrituração de pagamentos efetuados. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Lançamentos reflexos. Ao se decidir de forma exaustiva a matéria referenciada ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprio da sistemática de tributação das pessoas jurídicas.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 19515.001749/2006-04
anomes_publicacao_s : 201104
conteudo_id_s : 5003316
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1103-000.445
nome_arquivo_s : 1103000445_19515001749200604_201104.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
nome_arquivo_pdf_s : 19515001749200604_5003316.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Aloysio Jose Percinio da Silva, que votou pela dedução dos custos correspondentes á. receita omitida.
dt_sessao_tdt : Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
id : 4743310
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:41:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041136865280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1649; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 1 1 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001749/200604 Recurso nº 505.869 Voluntário Acórdão nº 110300.445 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 01 de abril de 2011 Matéria IRPJ Recorrente CLINKER MAT PARA CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS Caracteriza omissão de receitas, a falta de escrituração de pagamentos efetuados. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Lançamentos reflexos. Ao se decidir de forma exaustiva a matéria referenciada ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprio da sistemática de tributação das pessoas jurídicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva, que votou pela dedução dos custos correspondentes à receita omitida. Aloysio José Percínio Da Silva Presidente Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Gervasio Nicolau Recktenvald, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário a respeito da decisão da DRJ que negou provimento a impugnação da contribuinte. Do Termo de Constatação Fiscal extraio: Em 15.03.2006, tiveram início os trabalhos de fiscalização com ciência do procurador da empresa. Em 06.04.2006, foi enviada pelo correio, com Aviso de Recebimento — A.R., intimação para que o fornecedor Cimento Rio Branco S/A, CNPJ no. 64.132.236/000164, prestasse informações acerca das vendas efetuadas à empresa sob fiscalização. Em 11.05.2006, ainda sem receber resposta do fornecedor intimado, foi lavrado Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal. Após receber a relação das notas fiscais emitidas para a fiscalizada, foi efetuado o cruzamento com o Livro Registro de Entradas, resultando na constatação da falta do registro de grande número delas, que foram apontadas na relação de "NOTAS FISCAIS EMITIDAS PELA CIMENTO RIO BRANCO E NÃO REGISTRADAS PELO DESTINATÁRIO CLINKER". Em 29.06.2006, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal, solicitando da empresa sob fiscalização esclarecimentos sobre o motivo pelo qual as notas fiscais relacionadas não foram registradas e qual a forma de pagamento das mesmas. Em 03.08.2006, foi enviado novo Termo de Intimação Fiscal à empresa CIMENTO RIO BRANCO S/A, integrante do Grupo Votorantim, acompanhado da mesma relação das notas fiscais não registradas, solicitando planilha com a data e a forma dos respectivos pagamentos. 0110Em 08.08.2006, o Sócio Gerente da fiscalizada compareceu à sede DIFIS — Divisão de Fiscalização II — Comércio e apresentou os seguintes esclarecimentos sobre o não registro das compras e dos pagamentos das mencionadas notas fiscais: 1 No ano calendário de 2002, o contabilista responsável pela escrita fiscal da sua empresa adoeceu e afastouse do trabalho. 2 Os filhos desse contabilista assumiram o comando do escritório contábil e depois venderam a carteira de clientes a um outro contador sem pedir sua concordância. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.001749/200604 Acórdão n.º 110300.445 S1C1T3 Fl. 2 3 3 Ao tomar conhecimento desses fatos procurou outro escritório contábil. 4 Em razão desses fatos a contabilidade da empresa ficou atrasada e com falhas. 5 Na data atual não tem elementos para questionar as compras que lhe foram apresentadas e que não foram localizadas nos Livros de Registro de Entradas de 2002 da sua empresa CLINKER MATERIAIS PARA CONSTRUÇÕES LTDA. A falta de escrituração dos pagamentos das referidas compras evidencia a existência, na empresa, de recursos mantidos à margem da sua escrita, e demonstra a ocorrência da omissão de receita caracterizada nas datas e nos valores dos pagamentos não contabilizados, conforme dispõe o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto no. 3.000/99 (RIR/ 99), em seu artigo 281” Da Impugnação. Tendo sido dele cientificado, em 29/08/2006, o sujeito passivo contestou o lançamento, em 27/09/2006, mediante o instrumento de fls. 239/245. Adiante compendiamse suas razões. Salienta que o Termo de Constatação Fiscal referese à não escrituração de notas fiscais emitidas por CIMENTO RIO BRANCO S/A, concluindo que a falta de escrituração dos pagamentos dessas notas caracterizaria a existência de recursos estranhos à contabilidade. Alega que a empresa foi vítima da irresponsabilidade dos encarregados da sua contabilidade, que com a doença do contabilista titular, seus filhos assumiram o escritório e posteriormente, sem consultar a empresa, venderam a carteira de clientes a um outro contador. Aduz que não falar em culpa dos sócios da Defendente ao eleger aquele escritório de contabilidade, nem de conferir seus serviços, pois somente ficou sabendo dos acontecimentos quando sua contabilidade ficou atrasada e já com falhas. Sem que a empresa pudesse identificar as verdadeiras razões, esses encarregados da contabilidade deixaram de escriturar as diversas notas fiscais emitidas por Cimento Rio Branco S/A, que lhes foram enviadas para as devidas providências legais e que, no nosso entendimento representariam custos, fato que veio prejudicar a empresa. Esta empresa afirma com a maior honestidade que referidos títulos foram pagos com seus próprios recursos, representados por cheques bancários e numerários em Caixa, incluindo limite Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 de crédito concedido pelos bancos (limite do especial), não tendo havido jamais qualquer pagamento com recursos estranhos. Diz, tratase de provas bastante complexas e que envolvem muita dificuldade para a sua apresentação neste exíguo prazo de defesa, razão pela qual protesta pela sua apresentação posterior, pois estão sendo envidados todos os esforços para relacionar os documentos pertinentes. Assevera que a simples falta de escrituração dos títulos pagos não pode representar receita omitida ou que tenham sido pagos com recursos estranhos, pelo menos neste caso específico, cuja irregularidade é de responsabilidade exclusiva do setor contábil. Ressalta, ainda, que as autuações relativas aos reflexos do PIS e da COFINS não encontrariam amparo nas respectivas legislações, às quais estabelecem tributação sobre o faturamento, e não sobre as receitas. E essa discussão já foi definida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal ao apreciar a inconstitucionalidade do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, decidindo que a base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, impedindo a incidência do tributo sobre as receitas até então não compreendidas no conceito de faturamento dado pela Lei Complementar nº 70, de 1991. Finalmente, contesta a cobrança da SELIC, como juros de mora, cuja aplicação vem sendo declarada indevida pelo Judiciário. Por derradeiro, requer que todas as notificações feitas à Defendente sejam remetidas aos cuidados da advogada e procuradora que subscreve a defesa.” A DRJ decidiu: Responsabilidade Objetiva. A teor do CTN, art. 136, a responsabilidade do contribuinte é objetiva, de sorte que, caracterizada a falta de pagamento do tributo, descabe perquirir suas razões ou a repercussão da exigência no seu patrimônio. Verificada a ocorrência do fato gerador, deve a autoridade fiscal constituir o crédito tributário correspondente, com os acréscimos determinados por lei, independentemente de o crédito ter sido originado por desídia ou negligência de terceiros. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Falta de escrituração de pagamentos. Caracteriza omissão de receitas, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, “a falta de escrituração de pagamentos efetuados”. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.001749/200604 Acórdão n.º 110300.445 S1C1T3 Fl. 3 5 Essa presunção legal relativa, como todas, tem um efeito próprio: ela inverte o ônus da prova, deixandoo sob responsabilidade exclusiva do contribuinte autuado. Apresentada prova em contrário, o lançamento deve ser alterado nessa mesma medida. Juros de Mora TAXA SELIC É legítima a exigência de juros de mora tendo por base percentual equivalente à taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Tributação reflexa. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos. A contribuinte, ora recorrente alegou: Conforme se verifica dos elementos constantes de todo o procedimento fiscal, teve ele por inicio o fato de que a recorrente teria deixado de escriturar compras de mercadorias do seu comércio, bem como os respectivos pagamentos. Ocorre que, ao lavrar o Auto de Infração do IRPJ, o Auditor Fiscal mencionou como infração o fato de ter a empresa DEIXADO DE CONTABILIZAR DESPESAS OPERACIONAIS, não fazendo qualquer referência à FALTA DE PAGAMENTO DAS REFERIDAS COMPRAS. Neste caso concreto, o Auto de Infração apontou um fato que na realidade não ocorreu, tendo como conseqüência a improcedência da exigência fiscal não apenas no tocante ao processo fiscal principal IRPJ, mas também nos chamados reflexivos de CSLL, PIS e COFINS, como se demonstrou pela transcrição do v. acórdão;cumprindo ainda ressaltar, nesta oportunidade, que o Supremo Tribunal decidiu recentemente declarar a inconstitucionalidade do artigo 3°, parágrafo 1°, da lei 9.718/98, que modificou a base de cálculo do PIS e da COFINS, fato desconhecido pela autoridade fiscal por ocasião da decisão de primeira instancia, que ocorreu em 28 de outubro de 2008, ou seja, após aquela decisão da Corte Suprema. Por sua vez, é inarredável que a r. decisão de primeira instancia ignorou por completo essa parte da impugnação, quando a recorrente ressaltou que nada foi demonstrado a titulo de despesas operacionais, que justificasse a lavratura do auto e o sustentasse, condição essa que se revestia de importância vital para sua manutenção. MÉRITO A falta de contabilização do pagamento de notas fiscais, em face do que prescreve o artigo 281, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, que envolvem várias situações que podem descaracterizar a possível infração. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 6 Uma delas é a que pode ter ocorrido com a recorrente que, conforme foi ressaltado durante a fiscalização e renovado na impugnação, poderia ter sido prejudicada por falha do escritório encarregado de sua contabilidade, mesmo com os pagamentos realizados regularmente e com recursos legítimos. Outra circunstância não menos relevante reside no fato de nem todas as notas fiscais relacionadas se referirem a compras feitas pela recorrente, embora emitidas em seu nome. Aliás, deve ser ressaltado a esta altura ter a empresa vendedora relutado em atender plenamente ás intimações da fiscalização para apresentar dados sobre as vendas feitas à recorrente e dos respectivos pagamentos (fls. 170 e 189). A recusa da vendedora ocorreu também em idêntico pedido feito pela recorrente, por via judicial, de Pedido de Exibição de Documentos, cópias inclusas, comportamento esse que impossibilitou fazer prova inclusive de notas canceladas ou de compras de restante de cotas a outras empresas, equivocandose ao figurar seu nome nas notas fiscais, tendo em vista a peculiaridade do ramo de cimento, que está sujeito ao regime de cotas para cada comprador. Especificamente quanto aos Autos de Infração do PIS e da COFINS, seriam eles improcedentes, quer se tome por base a falta de contabilização de despesas ou de pagamentos de compras, porque tais tributos só incidem sobre o FATURAMENTO, conforme vem decidindo o Supremo Tribunal Federal. Ainda que houvesse uma infração pela falta de contabilização de compras e dos respectivos pagamentos, o que neste caso se admite apenas para argumentar, não haveria imposto a ser exigido, porque a possível omissão de receita teria em contraposição a falta de contabilização de custos, podendo até mesmo comportar uma interpretação de que o citado artigo 281, inciso II, do RIR/ 99 não albergaria tal hipótese, com tem entendido não só o 1° Conselho de Contribuintes como também a Câmara Superior de recursos Fiscais, podendo ser citado como exemplo o acórdão 10806.376 (D.O. de 28.8.2001) com a seguinte ementa: "OMISSÃO DE COMPRAS IRPJ E CSLL Não pode prosperar a tributação por omissão de compras, na órbita do IRPJ e CSLL, pois deflui da própria compra de mercadoria omitida equivalente omissão de custo." Poe em dúvida a relação de notas fiscais emitidas pela fornecedora, diante de sua recusa em atender integralmente as notificações da autoridade fiscal e o pedido judicial da recorrente para fornecer cópias de todas as notas fiscais no período de janeiro a dezembro de 2002, sendo importante ressaltar que inúmeras notas fiscais desse fornecedor tiveram suas compras e os pagamentos devidamente contabilizados no livro "Diário", conforme cópias anexas; Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.001749/200604 Acórdão n.º 110300.445 S1C1T3 Fl. 4 7 O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A recorrente alega que a infração estaria indevidamente justificada, contudo, transcrevo o auto de infração: “OMISSÃO DE RECEITAS 1 PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS A CONTABILIDADE Omissão de Receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas operacionais, conforme Termo de Constatação Fiscal.” Do Termo de Constatação Fiscal extraio: A falta de escrituração dos pagamentos das referidas compras evidencia a existência, na empresa, de recursos mantidos à margem da sua escrita, e demonstra a ocorrência da omissão de receita caracterizada nas datas e nos valores dos pagamentos não contabilizados, conforme dispõe o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto no. 3.000/99 (RIR/ 99), em seu artigo 281, reproduzido a seguir: "Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 2°, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 40):” Assim, não entendo a alegação da recorrente de que a fiscalização justificara o ocorrido como despesas, pois, não foi isto que constatei. MÉRITO A alegação de falha do escritório é irrelevante (responsabilidade objetiva), pois, a contador ou o escritório de contabilidade, só faz o que os sócios gerentes determinam. A outra alegação de que de nem todas as notas fiscais relacionadas se referirem a compras feitas pela recorrente, embora emitidas em seu nome, também não merece guarida, pois, se as notas emitidas em nome da recorrente não são da recorrente de quem são então? Alega, ainda que houvesse uma infração pela falta de contabilização de compras e dos respectivos pagamentos não haveria imposto a ser exigido, porque a possível omissão de receita teria em contraposição a falta de contabilização de custos, este argumento não se coaduna no atual sistema que estabeleceu a presunção a saber: ““Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 8 presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): (...); II a falta de escrituração de pagamentos efetuados;” (Grifou se)” A argumentação da recorrente, valia antes da hipótese acima transcrita. Agora a recorrente precisaria afastar a presunção provando que os pagamento não foram efetuados etc. Ou então, fazer prova de que as mercadorias foram vendidas com nota. Estas provas não foram feitas. Observo, ainda, que a fiscalização se ateve somente as notas fiscais não contabilizadas pela recorrente. Quanto ao PIS e a Cofins, estes tributos foram cobrados de maneira correta, e o alargamento da base de cálculo declarado inconstitucional, em nada afeta estes autos, pois, o que se presumiu foi uma omissão de receitas, e estas receitas se presumem vindas da atividade operacional da empresa, e não de alguma outra atividade como, por exemplo, financeira, como quer fazer crer a recorrente. De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 01 de abril de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 8DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
score : 1.0
Numero do processo: 19647.000934/2007-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
DECADÊNCIA. APURAÇÃO TRIMESTRAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. EXISTÊNCIA DE DOLO.
Inexistindo pagamento a ser homologado, e presente o dolo na prestação de DIPJ com dados inverídicos, a contagem da decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
MULTA QUALIFICADA. EXISTÊNCIA DE ATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE INATIVIDADE E DE DECLARAÇÃO COM VALORES INFERIORES AOS EFETIVAMENTE PRATICADOS.
Verificada prática de conduta tendente a esconder do Fisco a ocorrência de fatos geradores fica autorizada a exasperação da multa de ofício.
APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Numero da decisão: 1302-000.516
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Irineu Bianchi acompanhou o relator pelas conclusões.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro arbitrado
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201102
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. APURAÇÃO TRIMESTRAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. EXISTÊNCIA DE DOLO. Inexistindo pagamento a ser homologado, e presente o dolo na prestação de DIPJ com dados inverídicos, a contagem da decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA. EXISTÊNCIA DE ATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE INATIVIDADE E DE DECLARAÇÃO COM VALORES INFERIORES AOS EFETIVAMENTE PRATICADOS. Verificada prática de conduta tendente a esconder do Fisco a ocorrência de fatos geradores fica autorizada a exasperação da multa de ofício. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 19647.000934/2007-59
anomes_publicacao_s : 201102
conteudo_id_s : 4776880
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-000.516
nome_arquivo_s : 130200516_19647000934200759_201102.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : EDUARDO DE ANDRADE
nome_arquivo_pdf_s : 19647000934200759_4776880.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Irineu Bianchi acompanhou o relator pelas conclusões.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
id : 4739081
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:38:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041153642496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 394 1 393 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.000934/200759 Recurso nº 174.679 Voluntário Acórdão nº 130200.516 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2011 Matéria IRPJ DECADÊNCIA Recorrente VIA SUL TRANSPORTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. APURAÇÃO TRIMESTRAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. EXISTÊNCIA DE DOLO. Inexistindo pagamento a ser homologado, e presente o dolo na prestação de DIPJ com dados inverídicos, a contagem da decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA. EXISTÊNCIA DE ATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE INATIVIDADE E DE DECLARAÇÃO COM VALORES INFERIORES AOS EFETIVAMENTE PRATICADOS. Verificada prática de conduta tendente a esconder do Fisco a ocorrência de fatos geradores fica autorizada a exasperação da multa de ofício. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Irineu Bianchi acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade e Daniel Salgueiro da Silva. Relatório Por bem descrever os eventos ocorridos até o momento de seu relato, adoto o relatório produzido na DRJ. Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração (fls. 266/270), através do qual foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 92.482,08, já incluídos a multa de ofício de 150% e os juros de mora calculados até 29/10/2004. De acordo com o Auto de Infração e com o Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 282/283), o lançamento decorreu de divergências apuradas entre os valores escriturados nos Livros de Saída e de Registro de ICMS e os recolhidos relativamente aos períodos de apuração compreendidos entre abril de 1999 e dezembro de 2003. Descreve a autoridade autuante que a tributação para os períodos lançados se deu com base no lucro arbitrado, em face das seguintes constatações: Não apresentação das DCTF; Apresentação das DIPJ para os anos de 1999 e 2000 com os valores zerados; Apresentação da DIPJ para os anos de 2001 e 2002 como se estivesse inativa; Não apresentação dos Livros Diário, Razão, Entradas, Caixa, Registro de Apuração do ISS, Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência; Não apresentação das Notas Fiscais; e Não apresentação dos balanços ou balancetes contábeis. O enquadramento legal das infrações, bem assim os demonstrativos de apuração das receitas, dos tributos e das respectivas multas e juros, encontramse anexos ao Auto de Infração. Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, que constitui o Processo nº 19647.002873/200411, o qual se encontra apenso ao presente. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000934/200759 Acórdão n.º 130200.516 S1C3T2 Fl. 395 3 A contribuinte apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 305/315, cujas razões de discordância expendidas são a seguir sintetizadas: A impugnante requer em preliminar o cancelamento dos lançamentos relativos aos períodos correspondentes ao 2º e 3º trimestre de 1999, por considerar o IRPJ, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, como tributo sujeito ao lançamento por homologação, o que teria acarretado o transcurso do prazo decadencial de que a Fazenda Nacional disporia para constituição dos créditos tributários. Para sustentar sua tese, transcreve ementa do Conselho de Contribuintes e excertos doutrinários. Transcrevendo o artigo 957, II, do RIR/99, a impugnante se insurge contra a aplicação da multa agravada de 150% e alega que não foram demonstrados nos autos os motivos geradores da conduta considerada criminosa e consubstanciada no intuito doloso. Aduz que em nenhum momento foi apresentado pela autoridade fiscal qualquer motivo que justificasse o agravamento da penalidade que lhe foi imputada. Argumenta que apesar da deficiência de sua escrituração, a qual deu margem ao arbitramento do seu resultado, em todo o procedimento fiscal procurou atender às requisições da autoridade autuante, não sendo de se cogitar o agravamento da multa em 100% por absoluta falta da necessária demonstração da conduta fraudulenta que a ela é atribuída. Para defender sua tese, apresenta ementas do Conselho de Contribuintes e afirma que descabe a pretensão do fisco de exigir a multa agravada prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. A impugnante se insurge também contra a utilização da Taxa SELIC como juros moratórios por majorar, inconstitucionalmente, os juros em um percentual acima de 1%. Para isso traz suas alegações às fls. 312/314, onde aponta jurisprudência do STJ. Por fim, diante do que expõe, requer o cancelamento dos períodos atingidos pela decadência e, no mérito, seja o lançamento julgado improcedente. Importa relatar ainda que originalmente fora lavrado o Auto de Infração de fls. 20/24, o qual conforme consta dos autos foi revisto de ofício para a retificação de alíquota aplicada indevidamente pela autoridade autuante, dando origem ao novo lançamento ora em litígio. Desta forma, em face do cancelamento do lançamento constante do Auto de Infração revisto (vide documento à fl. 251), deixa de se considerar o arrazoado apresentado pela contribuinte às fls. 252/260 que tinha como objeto a impugnação do Auto de Infração cancelado. A 5ª Turma da DRJ/REC, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, considerar procedente o lançamento, mantendo integralmente o crédito tributário exigido, com supedâneo nos seguintes fundamentos: da Decadência A impugnante alega que os fatos geradores referentes ao 2º e 3º trimestres de 1999 estariam abrangidos pelo prazo decadencial previsto no art. 150, §4º do CTN. Contudo, apenas sujeitamse às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 já satisfeitos, ainda que parcialmente, por via do pagamento. No presente caso, os dados informados na Declaração de Rendimentos do anocalendário de 1999, fls. 115/133, demonstram que a contribuinte informou não ter apurado imposto em nenhum dos meses do ano em questão, não havendo, por conseguinte, pagamento a ser efetuado. Mais especificamente em relação aos 2º e 3º trimestre de 1999, consulta efetuada no Sistema Sinal04 confirma que a contribuinte não efetuou nenhum pagamento. Na ausência de pagamento pela contribuinte, não há fato passível de ser homologado, por falta de um pressuposto essencial. Portanto, fica excluída a hipótese prevista no artigo 150, § 4º, do CTN. Analisando os fatos geradores ocorridos nos 2º e 3º trimestres de 1999, temos que tais trimestres poderiam ter sido lançados já no mês de julho e outubro de 1999, respectivamente. Sendo assim, aplicandose a regra contida no artigo 173, I, do CTN temse para ambos os casos que o termo inicial da contagem do prazo decadencial, isto é, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, seria 01/01/2000, portanto, o prazo final para a Fazenda Nacional exercer a sua atividade de lançamento seria o dia 01/01/2005. Tendo em vista que a ciência do Auto de Infração em lide ocorreu em 29/11/2004 (fl. 266), este se encontrava dentro do prazo decadencial, ou seja, quando do lançamento não havia decaído ainda o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário. da Multa Qualificada Assoma claro nos autos que a empresa impugnante, de forma intencional e reiterada, buscou ocultar receitas com o fim de eximirse do devido recolhimento dos tributos, o que caracteriza ação dolosa visando a impedir ou retardar o conhecimento da obrigação tributária por parte da Fazenda Pública, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964. Outra não poderia ser a interpretação quando se tem em conta que a empresa, recorrentemente, deixou de apresentar as DCTF relativas aos anoscalendário da autuação, apresentou as declarações de rendimentos (DIPJ) zeradas ou como se inativa estivesse e não efetuou nenhum recolhimento de qualquer tributo administrado pela SRF. Portanto, não se trata de erro eventual ou de equívoco irrelevante. Tratase de conduta deliberada, consciente, de lesar a Fazenda, consubstanciada na expressividade dos valores encobertos e na contumácia das informações falseadas. Portanto, deve ser mantida a multa qualificada. dos Juros Moratórios e da Taxa SELIC A exigência de juros de mora equivalentes à Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia – SELIC tem amparo legal no artigo 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e no artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. De concluir, por conseqüência, que a impugnante, ao insurgirse contra a cobrança dos juros pela taxa SELIC, pretende que a Administração Tributária negue validade às normas que a estatuíram, sob a argüição de que seriam ilegais, inconstitucionais e maculadoras do ordenamento jurídico. Apreciações dessa natureza escapam à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar a validade de normas regularmente inseridas no ordenamento jurídico, competência esta atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário. Irresignado, o recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, em síntese, os pontos abaixo declinados. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000934/200759 Acórdão n.º 130200.516 S1C3T2 Fl. 396 5 Da decadência Sendo o imposto exigido trimestralmente, inclusive com a cobrança, no procedimento fiscal impugnado, de juros moratórios trimestre a trimestre, é bem clara a ocorrência do fato gerador do imposto em cada um desses períodos, devendo o lapso decadencial ser contado a partir de cada um dos trimestres. Deste modo, é nulo o procedimento impugnado, no que tange ao 2º e 3º trimestres do ano de 1999, eis que caducara o direito de lançar pelo transcurso do prazo decadencial de 05 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. Da multa qualificada (150%) Em nenhum momento logrou o autuante demonstrar a presença do elemento subjetivo do dolo, imprescindível para a caracterização do tipo legal acusado. Limitouse a afirmar, sem a devida demonstração, que "o contribuinte é passível de multa qualificada por enquadrarse nos artigos 71, I e 72 da Lei 4.502/64 e no art. 10 da Lei nº 8.137/90". Inaceitável tal enquadramento, quando a própria empresa disponibilizou seus livros fiscais para exame por parte do autuante, não causando qualquer embaraço à fiscalização. Muito ao contrário, facilitando os trabalhos da auditoria. Aliás, o lançamento fiscal, ressaltese, foi integralmente alicerçado nos referidos elementos contábeis ofertados pela recorrente. Incumbe ao Poder Público provar a existência de máfé no comportamento do contribuinte, se quer tomála como embasamento para apenálo. Da ilegalidade da utilização da taxa selic como juros moratórios É inadmissível a aplicação da taxa SELIC nas relações tributárias, tanto por desvirtuar a natureza dos encargos em questão, ferindo o art. 110 do Código Tributário Nacional, como por desrespeitar os limites de juros estabelecidos nos artigos 161, §1º do mesmo Código e 192, §3º da Constituição Federal. É o relatório. Voto Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Não há nos autos prova da data de ciência ao autuado da decisão da DRJ, exceto por remessa postal ao domicílio da sóciagerente Cynthia Gabrielle de Amorim, recebido em 19/04/08, o qual, acaso considerado, acarretaria a intempestividade do recurso, protocolizado em 20/05/08. Todavia, o recurso é tido por tempestivo no despacho de fls. 393, e portanto, dele conheço. Da Decadência Apuração Trimestral – inexistência de pagamentos e presença de dolo A opção pela apuração trimestral dos tributos, encerrada em 31/03, 30/06, 30/09 e 31/12, no meu entender, de fato finca nessas mesmas datas o momento em que se consideram ocorridos os fatos geradores do IRPJ e da CSLL. No entanto, conforme verificado no caso presente, e bem apontado pelo acórdão da DRJ, não há pagamentos relativos aos períodos trimestrais lançados que possam ser homologados, posto não existirem. Tal condição impõe o deslocamento do termo inicial prescrito no art. 150, §4º do CTN para aquele determinado no art. 173, I, do mesmo diploma, porque é condição para aplicação daquele primeiro dispositivo a existência de pagamentos. Deslocado o dies a quo da contagem da decadência para aquele prescrito no art. 173, I, do CTN, a data de ocorrência do fato gerador perde significado nesta análise, passando a ser relevante o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Demais disso, a recorrente, de forma intencional e reiterada, buscou ocultar receitas com o fim de eximirse do devido recolhimento dos tributos, o que caracteriza ação dolosa visando a impedir ou retardar o conhecimento da obrigação tributária por parte da Fazenda Pública, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964. Isto porque deixou de apresentar as DCTF relativas aos anoscalendário da autuação, apresentou as declarações de rendimentos (DIPJ) zeradas ou como se inativa estivesse e não efetuou nenhum recolhimento de qualquer tributo administrado pela SRF. Tal situação provocou a qualificação da multa de ofício, estando presente o dolo nas condutas acima, o qual também impede a utilização do §4º do art. 150 do CTN como marco inicial para a contagem do prazo decadencial. Desta forma, notificado o autuado do lançamento em 29/11/2004 (fl. 266), estavam dentro do prazo legalmente facultado à Administração Tributária para constituir o crédito tributário os períodos encerrados no anocalendário de 1999 e seguintes. Desta forma, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência. Da Multa Qualificada A recorrente deixou de apresentar as DCTF relativas aos anoscalendário da autuação e apresentou as declarações de rendimentos (DIPJ) zeradas ou como se inativa estivesse e não efetuou nenhum recolhimento de qualquer tributo administrado pela SRF. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000934/200759 Acórdão n.º 130200.516 S1C3T2 Fl. 397 7 Tendo em vista que a declaração de rendimentos é o meio que a Administração Tributária possui para averiguar o cumprimento das obrigações do sujeito passivo, entendo que a conduta de falseála, reduzindolhe os valores de receita bruta, ou pior, declarandoos com valor igual a zero, ou ainda declarando inatividade, demonstra intenção de esconder do Fisco a ocorrência de fatos geradores. Provada a redução, entendo caracterizado o intuito de fraude, o qual autoriza a exasperação da multa. Além disso, no caso vertente, há diversos períodos de apuração nos quais a conduta é repetida. Dos juros Selic No entender do recorrente, a aplicação dos juros selic viola o §3º do art. 192 da Constituição Federal, que, quando vigente, limitava a cobrança de juros ao patamar de 12% ao ano. Sustenta, ainda, o recorrente que a aplicação da taxa de juros selic viola o disposto no §1º do art. 161. No tocante ao primeiro ponto, cumpre lembrar que referido dispositivo foi revogado pela EC 40/2003. Assim, a alegação encontrase desprovida de fundamento legal. Além disso, antes mesmo de tal revogação já havia se manifestado o Supremo Tribunal Federal quanto a este dispositivo, concluindoo, além de não autoaplicável, referido tãosomente aos empréstimos intermediados por instituições financeiras aos seus clientes. Quanto à segunda alegação, cabe dizer que o CTN é norma recebida pela Constituição Federal de 1988 com status de lei complementar porque veicula, dentre outras, normas gerais sobre crédito tributário, tal qual preconizado pelo art. 146, III, “b”, daquela Carta Magna. Neste mister, estipula como regra geral a cobrança de juros no percentual de 1%, permitindo, contudo, que regra específica, veiculada por lei, estipule de forma diversa, como ocorre com o §3º do art.61 da Lei nº 9.430/96, aplicável ao caso. Ademais, a Súmula CARF nº4, de observância obrigatória por todos os membros do Órgão, resolve a questão, ao prescrever como escorreita a cobrança dos débitos para com a União relativos a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal de acordo com a taxa Selic para títulos federais. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmulas 4 do 1º e 3º CC e 3 do 2º CC Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 24 de fevereiro de 2010. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 8 (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000519/2007-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF.
A compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Logo, competência para discussão de tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções é da Primeira Seção deste CARF.
Competência que se declina.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3201-000.684
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência para a Primeira Seção de Julgamento do CARF.
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'Amorim
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF. A compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Logo, competência para discussão de tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções é da Primeira Seção deste CARF. Competência que se declina. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10925.000519/2007-02
anomes_publicacao_s : 201105
conteudo_id_s : 4952000
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-000.684
nome_arquivo_s : 3201000684_10925000519200702_201105.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Mércia Helena Trajano D'Amorim
nome_arquivo_pdf_s : 10925000519200702_4952000.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência para a Primeira Seção de Julgamento do CARF.
dt_sessao_tdt : Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
id : 4740772
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:39:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041183002624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 252 1 251 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.000519/200702 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201000.684 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de maio de 2011 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente REUNIDAS S/A TRANSPORTES COLETIVOS Recorrida FAZENDA NACIONAL PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF. A compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Logo, competência para discussão de tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções é da Primeira Seção deste CARF. Competência que se declina. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência para a Primeira Seção de Julgamento do CARF. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. EDITADO EM: 26/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri. Ausência justificada de Daniel Mariz Gudino Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Através do auto de infração de fls. 1 a 6, integrado pelo Relatório de Atividade Fiscal de fls. 7 a 16, é exigida Multa Isolada no valor de R$185.318,42, obtida pela aplicação do percentual de 150% sobre valor de débitos indevidamente compensados por meio de PER/DCOMP transmitidas sujeito passivo, Não Homologadas conforme o Despacho Decisório DRF/JOA nº 72, de 23/01/2007, de fls. 111 a 115. Os débitos em questão e o cálculo da Multa Isolada são demonstrados no quadro abaixo, conforme dados contidos na fl. 15. Processo Administrativo Tributo/código PA Vencimento Valor (R$) Multa Isolada 10925.001016/200665 691201 PIS 10/2005 14/11/2005 5.167,77 5.167,77 x 150% = 7.751,66 10925.001016/200665 691201 PIS 11/2005 15/12/2005 8.141,57 8.141,57 x 150% = 12.212,36 10925.001016/200665 810901 PIS 10/2005 14/11/2005 61.458,37 61.458,37 x 150% = 92.187,56 10925.001016/200665 810901 PIS 11/2005 15/12/2005 55.323,34 55.323,34 x 150% = 82.985,01 TOTAL PIS R$ 195.136,58 A autoridade lançadora esclarece que: O contribuinte apresentou Declarações de Compensação geradas a partir do programa PER/DCOMP, a seguir discriminadas, informando como tipo de crédito “Pagamento Indevido ou a Maio” e que o crédito “não” é oriundo de ação judicial. Aduziu, ainda, o contribuinte, que o crédito em questão “já fora informado em processo administrativo anterior”, sob o nº “13807.006828/200470”. [...] No despacho decisório nº 072, de 23 de janeiro de 2007, relativo ao processo nº 10925.001016/200665, que declarou “não homologada” a compensação efetuada através das PER/DECOMP´s acima enumeradas, constatouse que o processo administrativo nº 13807.0006828/200470 foi formulado pela pessoa jurídica P & P Porciúncula Participações Ltda, envolvendo o caso, portanto, a utilização de crédito de terceiros, e que o referido crédito deriva de ação judicial onde se discutiu a legalidade da cobrança de sobretaxa do extinto Fundo Nacional de Telecomunicações FNT, que teria sido administrada inicialmente pela Telebrás, não tratando, portanto, de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal. [...] Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM Processo nº 10925.000519/200702 Acórdão n.º 3201000.684 S3C2T1 Fl. 253 3 2 O contribuinte promoveu as compensações dos débitos relacionados no quadro anterior, utilizandose do crédito informado no processo administrativo nº 13807.006828/200470, aduzindo que o mesmo não é decorrente de ação judicial e que seria do tipo “pagamento indevido ou a maior”. 3 Ao consultar os sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal, verificamos que consta como interessado no processo nº 13807.006828/200470 a empresa P & P Porciúncula Participações Ltda. 4 O crédito originalmente informado no processo acima deriva de sentença judicial da Justiça Federal do Rio de Janeiro, o qual, por Escritura Pública de Cessão de Direitos Creditórios, foi inicialmente cedido e transferido de Nova República Empreendimentos e Participações S/C Ltda para Ademir Wiebbelling, AJ Administração e Participações Ltda e P & P Porciúncula Participações Ltda e, posteriormente, da P & P Porciúncula Participações Ltda para Reunidas S/A Transportes Coletivos e Reunidas Transportadora de Cargas S/A. 5 Conquanto a legislação autorize a compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, com créditos apurados pelo sujeito passivo, a utilização de cr´ditos de terceiros, como os descritos no item 4, não tem o condão de extinguir o crédito tributário, pois tais compensações são consideradas não declaradas, conforme se infere do disposto na alínea “a”, inciso II, § 12, do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme transcrito abaixo: (transcrição do dispositivo citado) 6 Ainda que a utilização de créditos de terceiros não representasse qualquer óbice à apresentação de declaração de compensação perante a Secretaria da Receita Federal, o que não é o caso, ainda assim persistiria o contribuinte em irregularidade, agora quanto ao disposto na alínea “e”, inciso II, § 12, do art. 74, também da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, posto que se utilizou de crédito originado de demanda judicial onde se deferiu restituição de valores pagos a título de Fundo Nacional de Telecomunicações (FNT), o qual não era administrado pela Secretaria da Receita Federal, mas sim pela Telebrás. A seguir transcrevo o trecho legal que embasa o disposto; (transcrição do dispositivo citado) [...] 8 Não homologada a declaração com base nos preceitos do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e não restando dúvidas quanto à obrigatoriedade de lançamento da multa isolada, resta apenas caracterizar se o percentual a ser aplicado sobre o valor total do débito indevidamente compensado será de 75% ou de 150%, conforme seja o caso de se aplicar, respectivamente, o inciso I ou o II do § 4º acima; [...] Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM 4 10 Ao transmitir as PER/DCOMP´s nº 26459.66516.160306.1.7.041011 e 40648.54739.160306.1.7.04 0578, o contribuinte informou que o crédito não seria oriundo de ação judicial, além de não ter assinalado, no preenchimento das PER/DCOMP´s, o campo “Crédito de Terceiro”, mesmo sabendo que tal informação não correspondia à verdade, posto que na instrução do processo nº 10925.001016/200665, fez incluir dentre a documentação por ele apresentada, cópia da sentença nº 632/90, da 19ª Vara Federal na cidade Rio de Janeiro, da qual originouse o crédito em questão, e onde não consta a empresa Reunidas S/A como autora e por conseqüência beneficiária da decisão prolatada. 11 No que tange à compensação com o fim de extinguir o crédito tributário, a legislação impõe o dever instrumental aos sujeitos passivos da obrigação tributária (contribuintes ou responsáveis) de informar ao Fisco os dados dos créditos próprios, mediante entrega de declaração de compensação, para a homologação do feito no prazo qüinqüenal. Como é com base no conteúdo dessas declarações prestadas pelos contribuintes e responsáveis que são verificadas as regularidades dos créditos contrapostos para a compensação, a divergência entre o conteúdo da declaração e a situação fática efetivamente ocorrida configura fraude (quando a divergência for proposital) e acarreta a evasão de um tributo. A falsidade de uma declaração consiste na deliberada inclusão de situação fática inverídica em seu conteúdo informativo, simulando a ocorrência de um fato ou de suas características (falsidade ideológica, art. 299 do Código Penal). 12 Ao ter enviado uma Declaração de Compensação à Secretaria da Receita Federal informando que o crédito não foi oriundo de ação judicial e não foi oriundo de terceiros, quando sabia ser, não há outra conclusão possível que não a de que a ausência desta informação tenha sido intencional. Quando o agente presta informações em desacordo com a realidade dos fatos e, com isso, reduz ou suprime o pagamento do tributo, tipificada está a conduta do art. 2º, inciso I, da Lei nº 8.137/90 (transcrição do dispositivo citado) 11 Abaixo, apresentamos telas do programa PER/DCOMP que, claramente, identificam os campos que foram preenchidos de maneira indevida (figura 1, ao não informar a origem judicial do crédito) e a sua omissão (figura 2, no caso do campo “Crédito de Terceiro”) (vide fl. 13) 12 Por todo o exposto, a multa isolada deve ser qualificada em 150%, conforme o disposto no inciso II, § 4º, do art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Os fatos relatados foram objeto de Representação Fiscal para fins Penais tratada no processo 10925.000622/200744, que acompanha os presentes autos. A interessada apresenta a impugnação de fls. 121 a 140, através da qual defende as posições sintetizadas abaixo: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM Processo nº 10925.000519/200702 Acórdão n.º 3201000.684 S3C2T1 Fl. 254 5 Perda de objeto do auto de infração. Alega ter desistido de todos os pedidos de compensação que geraram a aplicação da multa isolada tratada nos presentes autos, antes do início de qualquer procedimento fiscal, que tive início em 08/02/2007. Nesse sentido, invoca o disposto no inciso I do art. 7º do Decreto 70.235/1972 e o art. 62 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. Além disso, diz que os tributos relacionados nas PER/DCOMP desistidas estão compreendidos no Parcelamento Excepcional PAEX, tratado na Medida Provisória nº 30306, parcelamento este ativo e no qual está em dia. Alega ter apresentado, em 23/05/2007, impugnação ao Despacho Decisório nº 72, de 23/01/2007, proferido nos autos do processo administrativo nº 10925.001016/200665, que embasou e é o núcleo do auto de infração tratado nos presentes autos. Por esse motivo, sobre o Despacho Decisório nº 72, de 23/01/2007, afirma: “suas razões ESTÃO COM SUA EXIGIBILIDADE SUSPENSA, portanto não podem servir como base para a “feitura”do presente AI”. Incompetência da Autoridade que expediu o Despacho Decisório nº 72, de 23/01/2007, tendo em vista que o processo principal de restituição está sob a jurisdição de São Paulo/SP, com afronta ao art. 24 e seguintes do Decreto nº 70.235/1972; art. 11 e seguintes da Lei nº 9.784/1999; art. 41 e seguintes da IN SRF nº 460/2004. Inaplicabilidade da Multa Isolada. Entende que não estaria configurada a hipótese prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, pois uma vez que houve a desistência das PER/DCOMP, não seria cabível sua análise, já que nada mais havia para ser homologado ou não homologado. Assim, teria sido estendida por analogia hipótese de incidência de uma norma punitiva, pois foi declarado não homologado, pedido não formulado. Além disso, estaria sendo dispensado tratamento contrário ao princípio da isonomia, uma vez que a penalidade imposta à interessada, que desistiu dos PER/DCOMP, é a mesma aplicada a contribuinte que persiste em compensação que considera improcedente, apostando que a Administração Tributária não descobrirá as inconsistências de seu crédito e homologará o encontro de contas. Conclui esse item invocando o art. 112 do Código Tributário Nacional, argumentando que caso exista dúvida sobre a possibilidade de aplicação da multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003 no presente caso, a solução deve ser favorável à contribuinte. Do suposto “Crédito de Terceiro”. Rejeita o entendimento de que os créditos informados no PER/DCOMP fossem de terceiros. A seu ver eram créditos próprios que tinham como uma das solicitantes, mas não a única, a empresa P & P Porciúncula, sendo a interessada parte integrante do feito. Tais créditos também não seriam de terceiros, visto terem sido previamente obtidos pela interessada por meio de cessão, de modo que o tratamento que lhe foi dispensado representa afronta ao direito de propriedade. Ainda sob o título “Do suposto “Crédito de Terceiro”, contesta a ocorrência dos fatos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964 e a aplicação da Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM 6 multa isolada no percentual de 150%. Argüi que a defesa de uma posição jurídica pelo contribuinte, mesmo que descabida, pode ser tida como improcedente, mas nunca como passível de sanção dirigida à sonegação fiscal. Segue nessa argumentação apresentando textos de jurisprudência e fazendo referência a doutrinadores para advogar que a constatação de eventuais inexatidões ou equívocos nas PER/DECOMP “podem estar a dizer respeito a inexatidões ou falsidades relacionadas ao fato, enquanto fato, e não em relação ao seu significado jurídico”. Conclui esse item como segue (fl. 136): Tendo o contribuinte informado corretamente o valor de seu crédito e sua origem, como fez a consulente, a circunstância de haver divergência da Receita Federal, quanto à natureza jurídica desse crédito, ou à sua compensabilidade, é uma questão de direito. Assim, sua conduta, ou, mais propriamente, a conduta de sues representantes, jamais poderia configurar crime, nem, por conseguinte, dar cabimento à aplicação da multa isolada no percentual de 150% ou 75%. De fato, a empresa impugnante informou seu crédito, o processo administrativo de restituição no qual ele está sendo apurado, e não adulterou ou ocultou fato algum. Apenas interpretou esses fatos tal como declarados de modo diverso da Receita Federal. E isso, como já decidiu o STF, nos arestos citados no item anterior deste petitório, não preenche tipo de crime algum. Tributos e Contribuições Não Administrados pela SRF. Na alegação de o crédito não ser oriundo de tributos administrados pela SRF, cumpre salientar ao Auditor que, A PRÓPRIA IN 460/2004, prevê, no seu artigo 15 a possibilidade de restituição de “receita da União”, mesmo não estando o mesmo a cargo da SRF, e mais, no artigo 18, VI da Lei nº 10.522/2002, a própria Procuradoria da Fazenda Nacional está impedida de promover inscrição ou execução acerca do crédito utilizado nesta compensação, tal a certeza da sua exigibilidade por parte da empresa requerente, além do fato de ter sido declarada pelo STF, TRIBUTO. O próprio Conselho de Contribuintes, especificamente a sua TERCEIRA CÂMARA, através de sua competência residual, já julgou solicitações similares, como por exemplo, o Recurso Voluntário nº 134043. FNT/Ação Judicial. Sob esse título a interessada alega: O AFTN foi exaustivo no tocante a atribuir a empresa recorrente a imputação de fraude quando por ocasião das PER/DECOMP do FNT não foi colocado que o crédito advinha de AÇÂO JUDICIAL, ora, é óbvio que o crédito utilizado nos Pedidos de Compensação não eram oriundos de qualquer ação, já que, conforme se verifica, com clareza solar, o crédito ADVÉM de um Pedido de Restituição, de nro. 13807006828/200470, convindo ressaltar que o “próprio sistema” de PER/DCOMP eletrônico permite isso, ou seja, o Pedido de Compensação está atrelado ao Pedido de Restituição, e esse sim deve, e de fato indica, vinculação a ação judicial, e mais, se a empresa, apenas para fins de argumentação, tivesse com o intuito de “ocultar ou fraudar” informações, não teria juntado cópia da sentença Fl. 6DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM Processo nº 10925.000519/200702 Acórdão n.º 3201000.684 S3C2T1 Fl. 255 7 judicial que embasou o Pedido de Restituição, de modo que o elemento fraude e dolo, necessário para a configuração e constituição da multa aqui combatida, neste caso, não está presente. Redução/Exclusão da Multa Isolada. Argumenta que pesar de a Medida Provisória nº 303/2006 não ter sido convertida em Lei, ela teria extinguido a multa isolada para as empresas optantes pela modalidade de parcelamento por ela tratado (PAEX). Transcreveu ementa de decisão do Conselho de Contribuintes. Ainda alegou que, por força das alterações promovidas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, a multa isolada estaria limitada ao percentual de 50%, aplicável ao caso dos autos, caso fosse procedente o lançamento. Seu entendimento está sintetizado como segue: Um dos casos em que a multa isolada permanece aplicável, à luz da alteração trazida pela MP 303/2006, mas pelo percentual de 50%, é o de compensações indevidas, a teor do que dispõe o art. 18 da Lei 10.833/2003, que faz expressa remissão ao art. 44, II, da Lei 9.430/96. Em relação a essas, se antes aplicável a multa de 75%, ou de 150%, devese proceder à redução correspondente, para que somente se exija o percentual de 50%. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS no 0712.913, de 20/06/2008, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO NÃOHOMOLOGADA. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO A prestação de informação falsa no preenchimento do formulário eletrônico PER/DCOMP, com o fim de forçar sua transmissão, caracteriza situação prevista nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, o que enseja a aplicação da multa de ofício isolada no percentual definido no § 1º do inciso I do 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, sobre o débito indevidamente compensado. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Lançamento Procedente.” O julgamento foi no sentido de considerar procedente o lançamento e manter o crédito tributário exigido. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM 8 “Conforme consta do próprio Relatório de Atividade Fiscal, a ação fiscalizadora teve , inicio em 08 de fevereiro de 2007, visando o lançamento da multa isolada, considerando o entendimento de que houve compensação indevida de valores em declaração prestada em PER/DCOMP. Ocorre que as declarações prestadas em PERD/DCOMP foram canceladas, pela ora, recorrente, antes do inicio da ação fiscal, como se verifica no seguinte trecho do voto condutor do Acórdão. 0712.913, com igual redação no Acórdão no. 0712.914, com os seguintes dizeres (fls.209): A interessada juntou aos autos cópias dos relatórios emitidos em decorrência de transmissão f das PER/DECOMP como se vê nas fls. 158 .a 189, cabendo destacar o recibo de fl. 165, datado de 16/03/2006, relativo à PER/DCOMP Retificadora n° 26459.66516.160306.1.7.04.1011 e o recibo de fl. 72, datado de 16/11/2006, referente a seu cancelamento. Da mesma forma, o recibo de ,fl. 181, datado de 16103/2006, relativo á PER/DCOMP n° 140648.54739.160306.1.7.040578 e o recibo de fl. 188, datado de 16/11/2006, referente a seu cancelamento. Em ambos os recibos o motivo do pedido de cancelamento informado pela interessada foi a "Total inexistência do crédito" Inicialmente e preciso destacar que consta nos autos, as fls. 80 a 82, cópia do termo de Intimação Fiscal n° 12.604, , com ciência em 08/06/2005, por meio do qual a 'interessada foi instada a apresentar, entre outras coisas,' cópia das peças , que compõem o processo fiscal n° 13.807006828/200470" e informar "a origem dos créditos e se tratam ,de créditos de terceiros". Vale lembrar que tal intimação foi expedita no curso de procedimento fiscal relatado no processo ,administrativo n° 10925.001016/200665, que culminou com a expedição do Despacho Decisório DRF JOA n° 72, de 23/01/2007, .no qual as PER/DCOMP transmitidas pela. interessada foram consideradas Não homologadas, dando ,motivo ao lançamento da Multa Isolada que se discute nos presentes autos.Como se vê, os créditos apresentados pela interessada nasPER/DCOMP já estavam sob investigação muito antes que fossem apresentados os pedidos de cancelamento. No particular, não assiste razão ao então decidido. O pedido de cancelamento das : compensações em exame data de 16/11/2006, conforme se constata pelo compulsar do processo n°10925.001016/200665.” O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Trata o presente processo de exigência de multa isolada no valor de R$ 185.318,42, obtida pela aplicação do percentual de 150% sobre valor de débitos indevidamente compensados por meio de PER/DCOMP transmitidas pelo sujeito passivo, não homologadas. A referida compensação é de crédito de terceiros e deriva de ação judicial. O referido crédito origina de ação judicial onde se discutiu a legalidade da cobrança de sobretaxa do extinto Fundo Nacional de Telecomunicações FNT, que teria sido administrada inicialmente pela Telebrás, não tratando, portanto, de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal, segundo o relatório. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM Processo nº 10925.000519/200702 Acórdão n.º 3201000.684 S3C2T1 Fl. 256 9 O recurso em exame referese a compensação, cujo crédito é de terceiros e origina de ação judicial relacionado ao Fundo Nacional de Telecomunicações FNT, matéria esta que não se encontra na competência deste Colegiado, mas da Primeira Seção deste CARF, na forma do Anexo II ( DA COMPETÊNCIA, ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DOS COLEGIADOS) no artigo 2º,VII, c/c artigo 7°, § 1° do seu Regimento Interno, verbis: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: ......................................................................... ........................................................................... VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Assim, VOTO por não conhecer do recurso e declinar a competência para seu julgamento a uma das Câmaras da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 9DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002147/2002-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/10/1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO
LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO
JUDICIAL.
Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre
impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência de
fundamento e objeto.
Recurso Voluntário Negado.
Credito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3302-001.049
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento
ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Alan
Fialho Gandra, relator. Designado o Conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto
vencedor.
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201107
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1997 a 31/10/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL. Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência de fundamento e objeto. Recurso Voluntário Negado. Credito Tributário Exonerado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13971.002147/2002-79
anomes_publicacao_s : 201107
conteudo_id_s : 4980160
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-001.049
nome_arquivo_s : 330201049_13971002147200279_201107.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : ALAN FIALHO GANDRA
nome_arquivo_pdf_s : 13971002147200279_4980160.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Alan Fialho Gandra, relator. Designado o Conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
id : 4742475
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:40:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041209217024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1656; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 134 1 133 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.002147/200279 Recurso nº 173.436 Voluntário Acórdão nº 330201.049 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de julho de 2011 Matéria PIS Recorrente CONSTRUTORA STEIN LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1997 a 31/10/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL. Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência de fundamento e objeto. Recurso Voluntário Negado. Credito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Alan Fialho Gandra, relator. Designado o Conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Gomes Redator designado. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 2 NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 27/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra (Relator), Alexandre Gomes (Redator Desigando) e Leonardo Mussi da Silva. Relatório Cuidase de recurso de ofício contra o acórdão no 0712.940, da DRJ/Florianópolis, (fls. 106 e ss.), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. O acórdão tem a seguinte ementa: “CRÉDITOS RECONHECIDOS EM AÇÃO JUDICIAL ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA. SUBORDINAÇÃO AOS TERMOS DO PROVIMENTO JUDICIAL A atualização monetária e a incidência de juros de mora sobre créditos contra a Fazenda Nacional reconhecidos em ação judicial, deve ser efetuada nos estritos termos da determinação posta no provimento judicial. Lançamento Procedente”. A Primeira Instância muito bem resumiu os fatos (até a apresentação da impugnação), da seguinte maneira: “Por meio do auto de infração às folhas 05 a 10, foi exigida da contribuinte acima qualificada a importância de R$ 15.482,80, a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, acrescida de multa de oficio de 75% e dos acréscimos legais devidos à época do pagamento, referentes aos fatos geradores ocorridos no quarto trimestre de 1997. O lançamento se deu em face da realização de auditoria interna nas DCTF apresentadas pela contribuinte. Em consulta à "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal", à folha 06, verificase que a autuação se deu em razão da "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata". É que a contribuinte informou o adimplemento das contribuições devidas por via de compensação com créditos que teriam sido reconhecidos em ação judicial, sendo que tais créditos não teriam suas existências confirmadas. Irresignada com o feito fiscal, interpôs a contribuinte a impugnação constante das folhas 01 e 02, na qual reafirma ser detentora de créditos contra a Fazenda Nacional, que teriam sido reconhecidos em ação judicial regularmente proposta. Anexa cópias dos provimentos judiciais, com fins de ver corroborada a regularidade da compensação informada nas DCTF. A DRF/Blumenau/SC, em cumprimento às determinações constantes da Norma Técnica Conjunta Corat/Cofis/Cosit n.° 32, Fl. 135DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13971.002147/200279 Acórdão n.º 330201.049 S3C3T2 Fl. 135 3 de 19/02/2002, tratou de, anteriormente ao envio da impugnação para apreciação da DRJ/Florianópolis/SC, analisar as razões trazidas pela contribuinte em seu recurso administrativo (folhas 102 a 105), tendo constatado, nesta análise, que apesar da existência da ação judicial reclamada, a contribuinte só conseguiu levantar crédito contra a Fazenda Nacional para fins de intentar a compensação informada nas DCTF, porque ao calcular o montante que lhe seria devido, o fez em dissonância com o determinado nas decisões judiciais. É que tais decisões judiciais garantiram à contribuinte a correção monetária nos mesmos termos em que eram corrigidos os débitos tributários e a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir da vigência da Lei n.° 9.250/1995, mas a contribuinte, ao calcular seus créditos, tratou de fazer incidir sobre os valores originais, expurgos inflacionários ocorridos no período, bem como juros de 1% ao mês desde a data dos recolhimentos indevidos. Com isso, houve uma ampliação irregular do montante de créditos contra a Fazenda Nacional. A DRF/Blumenau/SC, ainda no âmbito da análise prévia da impugnação, efetuou o recálculo do montante do crédito da contribuinte, e depois de efetuar as devidas confrontações com os valores devidos desde a data dos recolhimentos indevidos, verificou que, ao tempo da apresentação das DCTF ora em comento, não havia mais créditos remanescentes em montante suficiente para o adimplemento das contribuições devidas declaradas, razão pela qual se manifestou pela regularidade do lançamento. Na seqüência, o processo foi encaminhado a esta DRJ para julgamento”. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário aduzindo, em suma: i) inaplicabilidade do auto de infração, vez que por força de regulamentação específica, tanto o "débito", quanto o "crédito" a ele vinculado em DCTF, são suficientes para a "constituição" do crédito tributário e para a "liquidação" desse crédito tributário. Estando o crédito tributário constituído através de DCTF não há o que se falar em novo lançamento, gerando este último constituição em duplicidade; ii) A DCTF em questão consigna uma compensação e, sendo assim, deve ter o rito processual adequado, previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Entregou a DCTF em 26/02/1998 e, não tendo sido cientificada de nada acerca da compensação, resta claro que a compensação efetuada se encontra devidamente homologada, uma vez que já transcorreram mais de 5 (cinco) anos, conforme estabelecido no § 5º do citado dispositivo. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 4 iii) Repisa os argumentos acerca dos expurgos inflacionários. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inaplicabilidade do auto de infração e homologação tácita da compensação informada em DCTF Concernente às alegações “inaplicabilidade do auto de infração” e “homologação tácita da compensação”, descritas nos itens i e ii do relatório acima, entendo que não deve ser tomado conhecimento dessas matérias vez que não foram argüidas em sede de primeiro grau, restando preclusas, conforme estabelece o art. 171, do Decreto nº 70.235/72. Na impugnação a Recorrente não contestou essas questões. Conseqüentemente, sobre tais matérias não há litígio e nem foram objeto de apreciação pelo julgador de primeira instância. Portanto, não há como este Conselho apreciálas, posto que preclusas. Cumprimento de decisão judicial. Expurgos inflacionários. Pretende a Recorrente que este Colegiado reforme a decisão recorrida para reconhecer integralmente as compensações de PIS informadas em DCTF, sob a alegação de amparo em decisão judicial e na legislação de regência. Verificase nos autos que a Contribuinte informou em DCTF a compensação de PIS com créditos que teriam sido reconhecidos em ação judicial. Frisese que a Contribuinte obteve provimento judicial (fls. 29 e ss.) para corrigir monetariamente seus créditos na mesma forma pela qual são corrigidos os débitos vencidos dos contribuintes para com a Fazenda Pública Federal, no período respectivo e de acordo com a Súmula 46, do extinto TFR, e acrescidos de juros conforme o art. 39 da Lei 9.250/95. 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 137DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13971.002147/200279 Acórdão n.º 330201.049 S3C3T2 Fl. 136 5 Sucede que o cálculo do montante que lhe é devido está superestimado e em dissonância com o determinado na decisão judicial. Ao calcular seus créditos, além do que lhe foi garantido, a Contribuinte incluiu indevidamente os expurgos inflacionários ocorridos no período, bem como juros de 1% ao mês desde a data dos recolhimentos indevidos. Com isso, contrariando a legislação vigente e a decisão judicial, ampliou os créditos a que fazia jus. Destarte, não estando provado a existência de crédito líquido e certo a favor da Recorrente, utilizado para compensar seus débitos do período autuado, fica caracterizado a inexatidão da DCTF e autorizado o lançamento de ofício. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Conclusão Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde da questão, voto no sentido de não conhecer do recurso, na parte referente as matérias “inaplicabilidade do auto de infração” e “homologação tácita da compensação informada em DCTF”; e, no restante, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Voto Vencedor Em que pese as considerações trazidas aos autos pelo eminente Relator, ouso discordar de suas conclusões pelos motivos que passo a expor. O processo administrativo fiscal, por sua essência, deve sempre respeitar os princípios da legalidade e da verdade material. No presente caso, verifico que o auto de infração teve por fundamento a não comprovação da existência do processo judicial declarada na DCTF enviada pelo Recorrente. Nesta Declaração era informada a compensação de seus débitos com créditos decorrentes dos recolhimentos indevidos promovidos em decorrência dos decretos lei. 2.445/88 e 2.449/88. Com a impugnação o Recorrente apresentou copia do Mandado de Segurança nº 96.0106273, bem como das decisões a ele relacionadas. Embora saibamos que tais autos de infração são emitidos eletronicamente através do cruzamento de informações, não podemos esquecer que a atividade do lançamento é vinculada e deve respeitar todos os requisitos legais para que tenha validade. Assim prescreve o art. 142 do CTN: Fl. 138DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 6 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (grifo nosso) Restando clara e inequívoca a veracidade do fato apontado pelo contribuinte, qual seja, a existência do processo judicial, fica prejudicado o presente auto de infração. Isto porque não compete à autoridade julgadora “ajustar” a descrição do motivo para que o auto de infração tenha validade. Sendo o motivo ensejador do lançamento a ausência de processo judicial, não se pode após comprovada a existência do mesmo transmutar o lançamento justificandoo pela ausência de ordem judicial ou compensação em desacordo com a legislação. Ademais, quanto à possibilidade de manter o presente lançamento sob outros pressupostos, agravando a exigência da inicial, assim determina o § 3° do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 1993: “§ 3°. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizadas no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.” (grifo nosso) No presente caso não foi emitida notificação complementar nem tampouco novo auto de infração. É de se ressaltar que bastaria uma simples intimação ao contribuinte para que este comprovasse a existência do processo judicial, o que possibilitaria a fiscalização de analisar as questões de mérito quanto às compensações efetuadas, se possíveis, se albergadas por decisão liminar, se o crédito era suficiente, e assim por diante. A informatização dos sistemas de controle e de lançamentos não pode ser desculpada para o não cumprimento das determinações legais quanto ao lançamento. Se o “sistema” possui falhas ou não é capaz de prever todas as situações não deve ser utilizado, ou ainda, deve ser atualizado e melhorado. A respeito do tema, cito parte da ementa de julgado deste Conselho: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL. Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência de fundamento e objeto. (Recurso n° 133.787 – 1ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes – relatora Fabíola Cassiano Keramidas – Data da Sessão: 08/12/2006). (grifou nosso) Fl. 139DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13971.002147/200279 Acórdão n.º 330201.049 S3C3T2 Fl. 137 7 Destarte, conforme demonstrado e sendo este o entendimento deste Conselho de Contribuintes, não há razão para subsistência do lançamento em questão, pois, deixando de possuir fundamento para sua validade o auto de infração perde seu objeto. Isto posto, voto por DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Alexandre Gomes Redator designado Fl. 140DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16707.000531/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2004
EMENTA PREVIDENCIÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTO
DE INFRAÇÃO
A responsabilidade pessoa do dirigente público pelo descumprimento de obrigação acessória no exercício da função pública, encontra-se
revogado, passando o próprio ente público a responder pela mesma.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-001.727
Decisão: Acordam os membros do colegiado, : Por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201103
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2004 EMENTA PREVIDENCIÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTO DE INFRAÇÃO A responsabilidade pessoa do dirigente público pelo descumprimento de obrigação acessória no exercício da função pública, encontra-se revogado, passando o próprio ente público a responder pela mesma. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 16707.000531/2008-41
anomes_publicacao_s : 201103
conteudo_id_s : 4654938
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-001.727
nome_arquivo_s : 2401001727_16707000531200841_201103.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 16707000531200841_4654938.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, : Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
id : 4739675
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:39:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041215508480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1468; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 45 1 44 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16707.000531/200841 Recurso nº 000000 Voluntário Acórdão nº 240101.727 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2011 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente JOÃO LOURENÇO NETO Recorrida PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2004 EMENTA PREVIDENCIÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTO DE INFRAÇÃO A responsabilidade pessoa do dirigente público pelo descumprimento de obrigação acessória no exercício da função pública, encontrase revogado, passando o próprio ente público a responder pela mesma. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Cleusa Vieira de Souza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Tratase de Auto de Infração, lavrado em face da pessoa física retro identificada, em virtude do descumprimento de obrigação acessória prevista na Lei nº 8212/91 O presente Auto de Infração foi lavrado diretamente na pessoa do recorrente, em razão da sua condição de dirigente de órgão público que, nos termos do artigo 41 da Lei nº 8212/91, responde pessoalmente pela multa aplicada. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16707.000531/200841 Acórdão n.º 240101.727 S2C4T1 Fl. 46 3 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e dispensado da exigência do depósito recursal. Conforme relatado tratase de Auto de infração lavrado contra a pessoa identificada, por força das disposições contidas no artigo 41 da Lei nº 8212/91 (in verbis). Art.41.O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Todavia a procedência da autuação em questão encontrase prejudicada, tendo em vista que o dispositivo legal que determinava a autuação pessoal do dirigente público, com a edição da Medida Provisória nº 449/2008, foi revogado passando a responsabilidade pelo descumprimento de obrigações acessórias aos próprios entes públicos. Isto posto; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO. Cleusa Vieira de Souza Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11522.000024/2003-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1998, 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Cabe o instrumento de embargos de
declaração quando o acórdão contiver contradição, que será sanada, e, no caso, não produzirá efeitos infringentes, vez que mantida a decisão anteriormente adotada.
VERBA DE GABINETE PAGA AOS DEPUTADOS. UTILIZAÇÃO
DIVERSA AOS FINS A QUE SE DESTINAVA. MULTA QUALIFICADA.
INEXIGIBILIDADE. O fato do deputado não utilizar a verba de gabinete na finalidade para a qual se destinava, não caracteriza, por si só, evidente intuito de fraude tributária.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2201-000.987
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos acolher os
embargos de declaração para reratificar o Acórdão de nº 10423612,
sem, contudo, alterar o resultado do julgamento. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201102
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998, 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Cabe o instrumento de embargos de declaração quando o acórdão contiver contradição, que será sanada, e, no caso, não produzirá efeitos infringentes, vez que mantida a decisão anteriormente adotada. VERBA DE GABINETE PAGA AOS DEPUTADOS. UTILIZAÇÃO DIVERSA AOS FINS A QUE SE DESTINAVA. MULTA QUALIFICADA. INEXIGIBILIDADE. O fato do deputado não utilizar a verba de gabinete na finalidade para a qual se destinava, não caracteriza, por si só, evidente intuito de fraude tributária. Embargos Acolhidos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 11522.000024/2003-47
anomes_publicacao_s : 201102
conteudo_id_s : 4909237
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-000.987
nome_arquivo_s : 220100987_11522000024200347_201102.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
nome_arquivo_pdf_s : 11522000024200347_4909237.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos acolher os embargos de declaração para reratificar o Acórdão de nº 10423612, sem, contudo, alterar o resultado do julgamento. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
id : 4738960
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:38:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041217605632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1988; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11522.000024/200347 Recurso nº 156.356 Embargos Acórdão nº 220100.987 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2011 Matéria IRPF Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ALÉRCIO DIAS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998, 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Cabe o instrumento de embargos de declaração quando o acórdão contiver contradição, que será sanada, e, no caso, não produzirá efeitos infringentes, vez que mantida a decisão anteriormente adotada. VERBA DE GABINETE PAGA AOS DEPUTADOS. UTILIZAÇÃO DIVERSA AOS FINS A QUE SE DESTINAVA. MULTA QUALIFICADA. INEXIGIBILIDADE. O fato do deputado não utilizar a verba de gabinete na finalidade para a qual se destinava, não caracteriza, por si só, evidente intuito de fraude tributária. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos acolher os embargos de declaração para reratificar o Acórdão de nº 10423612, sem, contudo, alterar o resultado do julgamento. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah. (assinado digitalmente) FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 28/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Fl. 23DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 28/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional (fls. 689/691), por meio dos quais aponta omissão/contradição no acórdão nº10423.612 da antiga 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. A embargante referese a informação contida no item 1.3. Decadência Multa Qualificada (fls.682), que ao julgar as provas dos autos, conclui: “No entanto, as provas nos autos são cópias dos faxes da agência de viagem, nos quais o nome do contribuinte encontra se omitido.” Para subsidiar seu argumento, aponta (fls.690): “Ocorre que nos documentos anexados aos autos constam assinaturas originais dos funcionários das agências de viagens envolvidas no ilícito tributário (Serras Turismo Agência de Viagens, Janary Agência de Viagens e Turismo Ltda e Nilces Tur – Viagens e Turismo Ltda, havendo expressa menção ao nome do contribuinte. (Grifos no original). Inclusive apresenta tabela de quantas vezes o nome do contribuinte aparece expressamente nos documentos de fls.443/461. No Acórdão recorrido estava assim consignado: “1.3. Decadência Multa Qualificada Não obstante não acolher a preliminar de decadência mensal, outro ponto importante em sede de preliminar deve ser levado a análise deste Colegiado, a questão da qualificação da multa, que interfere diretamente no prazo decadencial a ser adotado. A decisão de primeira instancia não reconheceu a decadência do exercício de 1998, sobre a infração de “Omissão de rendimentos recebidos da Assembléia Legislativa do Estado do Acre a título de cotas de passagens”, que foi qualificada em 150%. Em casos em que há a identificação de dolo, fraude ou simulação – que ensejam a aplicação da multa qualificada, o termo inicial da contagem do prazo decadencial se desloca da regra do § 4º, do artigo 150, do CTN, para o artigo 173, do mesmo Código. Por isso é importante, nesse momento, definir se houve ou não intuito de fraude, por parte do contribuinte, a autorizar a aplicação da multa majorada de 150%, sobre as cotas de passagem aéreas. O Acórdão de primeira instância, quanto a multa qualificada, restou assim concluído: “Os valores das cotas para os quais não eram emitidos bilhetes eram repassados ao parlamentar e eram emitidas faturas pelas agências de viagem, mesmo sem a emissão de bilhetes. As planilhas apresentadas pelas agências de viagem (fls. 443/445, 456/457 e 460/461) confirmam os repasses ao parlamentar Fl. 24DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 28/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 11522.000024/200347 Acórdão n.º 220100.987 S2C2T1 Fl. 2 3 autuado. Tal procedimento é considerado fraude, ensejando a agravação da multa de ofício, de acordo com o previsto no art. 44, II, da Lei 9.430/96.” No entanto, as provas nos autos são cópias dos faxes da agência de viagem, nos quais o nome do contribuinte encontra se omitido. O contribuinte alega que mesmo que alguns deputados tenham tido esta conduta, ele não a teve. Não consta nos autos qualquer aprofundamento da fiscalização para verificar se este contribuinte estava dentre os parlamentares que participavam deste esquema com as agências de viagem. Analisando os autos e os documentos apresentando, não restei convencida dos fatos apresentados para justificar o evidente intuito de fraude conforme exige o art. 44, § II da Lei nº 9.430, de 1996, vejase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. (Alterado pela Lei nº 9.532, de 10.12.97). Como se vê o artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996 reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, os quais transcrevo a seguir: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 25DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 28/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA 4 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. As provas apresentadas da fraude no processo não são contundentes. Ademais, independente da cota de passagens ter sido paga em dinheiro e/ou passagens, tratase de um rendimento tributável, sujeito a tributação, conforme discorrerei mais adiante. Ressalto por oportuno que não estou julgando se o contribuinte, realizou esta conduta dolosa, pois esta não é nossa esfera de análise. Aprofundada a investigação, se for concluído que ele assim procedeu, não fica afastado de sofrer as penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Apenas não há nos autos elementos suficientes para comprovar a fraude, ensejadora da qualificação da multa em matéria tributária. Por isso, entendo que a multa de ofício, deve ser desqualificada, reduzindoa para 75%. Com a desqualificação da referida multa, o Recorrente pugna pelo reconhecimento da decadência parcial do direito da Fazenda de efetuar o lançamento ora em exame. De fato, a jurisprudência desta Câmara, bem como deste Conselho de Contribuintes vem se desenvolvendo no sentido de que, sendo desqualificada a multa, deve ser aplicada ao lançamento a regra do art. 150§ 4º do CTN, e não aquela do art. 173, I do mesmo Código. Sendo assim, desqualificada a multa na hipótese em exame, caberia analisar a aplicação da referida norma. Aplicandose, assim, a regra do art. 150, § 4º do CTN, é de se concluir que estaria extinto pela decadência o direito da Fazenda Nacional de efetuar o lançamento relativo ao ano de 1998 – considerando, para tanto, que o fato gerador do IRPF se concretiza em 31 de dezembro de cada ano. A parcela do lançamento relativa ao ano de 1997, bem como a parte do lançamento referente aos depósitos bancários já foram excluídas pela decisão recorrida, exatamente por conta do reconhecimento da decadência. Naquela decisão, foi considerada a qualificação da multa sobre a infração relativa as cotas de passagem. Por isso, e aplicandose, aqui, a norma do art. 150, § 4º do CTN, é de se reconhecer a extinção do direito da Fazenda de efetuar o lançamento relativo aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e dezembro de 1998 – pois o mesmo se extinguiu em 31 de dezembro de 2003. Assim, considerando que o lançamento se consumou, com a intimação do contribuinte por edital, em 02.02.2003 (fls. 561), no tocante a infração de “Omissão de rendimentos recebidos da Assembléia Legislativa do Estado do Acre a título de cotas de passagens”, que se debruçou sobre fatos geradores no ano calendário de 1997, cujo fato gerador ocorreu em 31/12/1997, está afetada pelos efeitos da decadência. Isso porque, nos termos do § 4º, do artigo 150, do CTN, a partir de tal data, a administração tributária dispunha de cinco anos para a revisão Fl. 26DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 28/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 11522.000024/200347 Acórdão n.º 220100.987 S2C2T1 Fl. 3 5 do lançamento, tendo esse prazo expirado em 31 de dezembro de 2002. Logo, afastada a qualificação da multa, resta decaído o direito de lançar o tributo referente ao ano calendário 1997 sobre referidos rendimentos. Desse modo, preliminarmente, desqualificando a multa de ofício e reduzindoa para 75%, reconheço os efeitos da decadência tributária para o anocalendário de 1997, exercício 1998.” (Grifei.) Efetivamente há uma contradição na análise das provas dos autos no julgamento do recurso, que pode acarretar alteração no seu resultado. É o Relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O Embargo é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Nos Embargos de Declaração apresentados pela Fazenda Nacional foi apontada contradição na afirmação contida no item 1.3. Decadência Multa Qualificada (fls.682), abaixo transcrita: “No entanto, as provas nos autos são cópias dos faxes da agência de viagem, nos quais o nome do contribuinte encontra se omitido.” Efetivamente, verificando novamente os autos, constatei que há expressa menção ao nome do contribuinte nas listagens apresentadas pelas agências de viagem (fls. 443/445, 456/457 e 460/461), dos nomes dos parlamentares que recebia os valores referente a fatura das cotas de passagem, sem que fossem emitidos bilhetes. No lançamento esse procedimento foi considerado fraude e ensejou a qualificação da multa de ofício, de acordo com a previsão do art. 44, II, da Lei 9.430/96. Ocorre que para analisar a qualificação da multa desse ilícito tem que se avaliar a intenção do sujeito passivo. Nesse caso, mesmo admitindose que o contribuinte cometeu fraude ao apropriarse indevidamente dos recursos destinado a outro fim especifico, no caso, compra de passagem, o objetivo não foi reduzir, ocultar ou retardar pagamento de imposto, mas de apropriarse de recursos de terceiros, no caso a Assembléia do Estado do Acre. Assim, a conduta típica do contribuinte caracteriza fraude que se situa fora do campo tributário, não podendo ensejar qualificação da multa de ofício tributária, por não se enquadrar em nenhuma das tipificações dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º.502/64, pois a finalidade não foi ocultar, impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ou o conhecimento da autoridade fazendária, mas de fraudar a Assembléia do Estado do Acre. Fl. 27DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 28/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA 6 Nesse sentido, também concluiu a antiga Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao julgar processo de outro Deputado Estadual do Acre, através do Acórdão nº 10249026, 24/04/2008, de Relatoria do Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, que assim se pronunciou sobre o tema: “DA MULTA QUALIFICADA Ainda que o auto de infração em julgamento seja genérico em relação às circunstâncias que resultaram na qualificação da multa, podendo ser aplicado indistintamente qualquer Deputado Estadual do Acre, tenho que o recorrente compreendeu que a qualificação deuse em virtude de ficar para si a diferença da quota correspondente a passagens e correspondência. Em relação a este ponto, tenho que a intenção do sujeito passivo deve ser avaliada em dois momentos: a) quando fica para si com a diferença correspondente às passagens e correspondências não utilizadas; b) quando não declara em seu imposto de renda os valores correspondentes à diferença das quais se apropriou. No primeiro momento, isto é, quando o Deputado, quer por erro de direito, quer mediante fraude, não devolve a diferença correspondente às passagens aéreas e correspondências não utilizadas, não se pode dizer que está agindo com a intenção dolosa de ocultar ou retardar o conhecimento de um fato gerador do imposto de renda. A intenção do agente, neste momento, caso não caracterizada situação de erro de direito, é de fraudar quem lhe alcançou os recursos, no caso a Assembléia do Estado do Acre. Ainda que se admita que o sujeito passivo agiu mediante fraude para apropriarse dos valores correspondentes à diferença com despesas de passagem e correspondências, sua intenção, no momento em que está cometendo a alegada fraude para apropriarse indevidamente dos recursos, não está voltada a ocultar ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. O caso dos autos pode ser comparado à situação de alguém que tenha recebido diárias para fazer determinado curso e, sem participar do evento, apresenta notas fiscais "frias" para justificar despesa que não ocorreu. A intenção do agente, no momento da ação, não é sonegar tributo, mas sim apropriarse de recursos que não lhes pertence. No segundo momento, caracterizada a situação em que o agente, mediante procedimento irregular, obteve determinada receita e não declarou ao imposto de renda, não se pode dizer que esta omissão, frente ao fisco, possa ser caracterizada como atitude dolosa com a intenção de ocultar ou retardar a ocorrência do fato gerador correspondente à exigência do crédito tributário. No caso dos autos, o fato do recorrente ter agido mediante procedimento irregular para obter para si os valores que deveria ter restituído à Assembléia Legislativa, caracteriza fraude que se Fl. 28DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 28/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 11522.000024/200347 Acórdão n.º 220100.987 S2C2T1 Fl. 4 7 situa fora do campo tributário, razão pela qual afasto a multa qualificada, aplicada em relação aos valores correspondentes à diferença de passagens e correspondências.” Isto posto, apesar do lapso manifesto do Acórdão embargado, continuo a ter o entendimento que não há nos autos elementos suficientes para comprovar a fraude em matéria tributária, devendo ser a multa desqualificada. Por fim, mantendo a desqualificação da referida multa, mantémse a decadência parcial do lançamento, referente ao exercício 1998, nos termos do Acórdão embargado. Ante o exposto, VOTO por acatar os Embargos de Declaração, para suprir a contradição contida no Acórdão nº10423612, de 06/11/2008, que se reratifica, sem, contudo, produzir efeitos infringentes, vez que mantida a conclusão de DAR provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75% e reconhecer a decadência do lançamento de R$ 14.275,61 referente ao exercício 1998. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 29DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 28/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 28/07/2011 __________(assinado digitalmente)_____________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 30DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 28/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000353/2008-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/1997 a 30/04/2004
PREVIDENCIÁRIO. ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE DIRIGENTE. ARTIGO 41 DA LEI Nº 8.212/91. REVOGADO.
RETROATIVIDADE BENIGNA. Diante da revogação do artigo 41 da Lei nº 8.212/91, pela Lei nº 11.941/2009, o qual atribuía à responsabilidade pessoal do dirigente máximo do órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige, impõe-se afastar a sua legitimidade passiva em observância ao artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-001.889
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1997 a 30/04/2004 PREVIDENCIÁRIO. ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE DIRIGENTE. ARTIGO 41 DA LEI Nº 8.212/91. REVOGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Diante da revogação do artigo 41 da Lei nº 8.212/91, pela Lei nº 11.941/2009, o qual atribuía à responsabilidade pessoal do dirigente máximo do órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige, impõe-se afastar a sua legitimidade passiva em observância ao artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 12963.000353/2008-76
anomes_publicacao_s : 201106
conteudo_id_s : 4813841
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 15 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-001.889
nome_arquivo_s : 2401001889_12963000353200876_201106.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 12963000353200876_4813841.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
id : 4742241
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:40:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041235431424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2056; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 151 1 150 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12963.000353/200876 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2401001.889 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de junho de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Recorrente LAR SÃO VICENTE DE PAULO DE IPUIUNA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2008 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. Somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a contribuinte entidade beneficente de assistência social que cumprir, cumulativamente, os requisitos inscritos no artigo 55 da Lei nº 8.212/91. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000353/200876 Acórdão n.º 2401001.889 S2C4T1 Fl. 152 3 Relatório LAR SÃO VICENTE DE PAULO DE IPUIUNA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, Acórdão nº 09 22.686/2009, às fls. 130/136, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 01/2004 a 07/2008, conforme Relatório Fiscal, às fls. 81/82. Tratase de Auto de Infração (antiga NFLD), lavrado em 03/09/2008, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 83.464,91 (Oitenta e três mil, quatrocentos e sessenta e quatro reais e noventa e um centavos). Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 139/147, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, das atividades desenvolvidas pela recorrente, além dos conceitos e evolução da legislação que contempla imunidade e/ou isenção, assevera que, na condição de Entidade de Assistência Social, nos termos do artigo 6º da CF, é isenta das contribuições previdenciárias para a seguridade social, conforme preceitos contidos no artigo 195, § 7º, da Carta Magna. Contrapõese ao crédito previdenciário ora combatido, aduzindo para tanto que a entidade goza de imunidade em relação à cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal. Assevera que a regulamentação do benefício inserido no artigo 195, § 7º, da Constituição Federal é reservada à lei complementar, não podendo lei ordinária, qual seja, Lei nº 8.212/91, impor limitações ou exigências à fruição da isenção em comento, devendo haver observância aos artigos 9º e 14 do Código Tributário Nacional, o qual encontrase alinhado com a Carta Magna. Insurgese contra a pretensão fiscal, trazendo à colação vasta argumentação a propósito da suposta isenção da contribuinte, elencando o histórico de suas atividades, sustentando que a entidade cumpre todos os requisitos exigidos no artigo 14 do Código Tributário e, bem assim, no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, sendo totalmente improcedente o lançamento em epígrafe. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de DébitosNFLD, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em comento, suscitando deter imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal, c/c artigo 14 do Código Tributário Nacional, notadamente quando sempre cumpriu os requisitos para concessão e manutenção de referido benefício, estando o procedimento fiscal apoiado em arbitrariedade sem qualquer fundamento legal. A corroborar esse entendimento, acrescenta que a regulamentação do benefício inserido no artigo 195, § 7º, da Constituição Federal é reservada à lei complementar, não podendo lei ordinária, qual seja, Lei nº 8.212/91 impor limitações ou exigências à fruição da aludida isenção, devendo haver observância aos artigos 9º e 14 do Código Tributário Nacional, o qual encontrase alinhado com a Carta Magna. Em que pesem as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que a decisão recorrida encontrase incensurável, devendo ser mantida em sua plenitude. Como se verifica, a recorrente em momento algum se insurge contra as contribuições previdenciárias ora lançadas, se limitando a defender que possui imunidade da cota patronal. Destarte, o artigo 195, § 7º da Constituição Federal, ao conceder o direito à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, assim prescreveu: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Como se verifica, o dispositivo constitucional encimado é por demais enfático ao determinar que somente terá direito à isenção em epígrafe as entidades que atenderem as exigência definidas em lei. Ou seja, a CF deixou a cargo do legislador ordinário estipular as regras para concessão de tal benefício, a sua regulamentação. Por sua vez, o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, veio aclarar referida matéria, estabelecendo que somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000353/200876 Acórdão n.º 2401001.889 S2C4T1 Fl. 153 5 previdenciárias, a contribuinte/entidade que cumprir, cumulativamente, todos os requisitos ali elencados, senão vejamos: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido.” Na hipótese vertente, conforme se extrai dos elementos que instruem o processo, especialmente Relatório Fiscal e Decisão recorrida, a contribuinte em momento algum logrou comprovar ser efetivamente entidade isenta, cumpridora de todos os requisitos para tanto, inobstante as inúmeras alegações nesse sentido. Ao contrário, como se extrai do bojo da decisão de primeira instância, a contribuinte não obteve êxito em sua empreitada no sentido de demonstrar que requereu o reconhecimento da isenção em epígrafe, na forma que exige a legislação previdenciária, especialmente o artigo 208 do Decreto n° 3.048/99, não havendo que se falar na pretensa isenção argüida pela notificada. Quanto aos argumentos da contribuinte a respeito da inaplicabilidade do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, para regulamentação da isenção sob análise, propugnando pela aplicação do artigo 14 do Código Tributário Nacional, peço vênia para me reportar aos substanciosos fundamentos de fato e de direito insertos no Acórdão nº 1613.990, exarado pela 14a Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos autos do processo administrativo n° 36624.002167/200708, tendo em vista rechaçarem de uma vez por todas a pretensão da recorrente a propósito da matéria, como se extrai do excerto abaixo transcrito: “ […] 4.20. O Contribuinte alega que sendo a imunidade do art. 195, §, da CF, uma limitação ao poder de tributar, os requisitos Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 para o seu gozo somente podem ser instituído por lei complementar, em face do disposto no art. 146, II, razão pela qual o art. 55 da Lei nº 8.212/81, por ser dispositivo de legislação ordinária, seria inconstitucional. Entretanto, entendemos que tal posicionamento não está de acordo com o Sistema Constitucional Brasileiro e, tampouco, com o entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal. 4.21. Vários argumentos há para evidenciar que o dispositivo constitucional não exige lei complementar para sua regulamentação. A interpretação sistemática do disposto no artigo 195, § 7º com o disposto no artigo 146, II da Carta que exige lei complementar para regular as limitações constitucionais ao poder de tributar também não prospera. Senão vejamos: a) O artigo 150, VI, “c”, que regulamenta a imunidade de impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços das entidades de assistência social e de educação sem fins lucrativos, a despeito de ser regulamentado pelo artigo 14 do CTN, igualmente foi regulamentado por uma lei ordinária, a Lei nº 9.532/98, que teve sua constitucionalidade formal questionada na ADIn 1.802, tendo o STF admitido que lei ordinária possa regulamentar a imunidade de impostos: b) A própria Carta criou exceções à regra do artigo 146, II. São elas: i) imunidade de Imposto de Renda, nos termos e limites fixados em lei, sobre rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, à pessoa com idade superior a 65 (sessenta e cinco) anos, cuja renda total seja constituída, exclusivamente, de rendimento de trabalho (art. 153, § 2º, II da CF, posteriormente revogado pela EC 20); ii) imunidade do Imposto Territorial Rural sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando explore, só ou com sua família, o proprietário que não possua outro imóvel (art. 153, § 4º da CF, alterado pela EC 42); iii) imunidade do ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, no qual somente incidirá somente o imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro (art. 153, § da CF). Tais leis, que regulam a imunidade do IR, do ITR, e do IOF são ordinárias. A imunidade do IR a do IOF pela Lei nº 7.766 e 8.894/94. c) a Constituição Federal deve ser interpretada de forma ampla, de modo que desapareçam as aparentes contradições entre seus dispositivos quando considerados de forma isolada. Assim, para se fazer esta interpretação sistemática não cabe interpretar somente dois dispositivos constitucionais, e sim todos os que tratem da matéria. Deve ser salientado que contribuições sociais. Estatui o artigo 149 da Constituição Federal: “Compete exclusivamente à União instituir contribuições econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo”. De verse que às contribuições sociais, só tem aplicabilidade o inciso III do art. 146 da Carta Magna, excluindose, portanto, os incisos I e II do dispositivo em foco. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000353/200876 Acórdão n.º 2401001.889 S2C4T1 Fl. 154 7 d) se fosse necessária lei complementar regulamentadora o artigo 195, § 7º da Carta não teria mencionado expressamente “que atenda requisitos de lei”, visto que, por se tratar de imunidade, teria incidência a regra geral do art.146, II. È evidente que o caso em questão é uma das exceções à regra geral que exige lei complementar em tais hipóteses. e) uma da finalidades da exigência de regulamentação por lei complementar de dispositivo constitucional é estimular na legislação ordinária dos entes federados um mínimo de unidade e coerência. No caso da imunidade das contribuições da Seguridade Social isso não seria sequer necessário, porquanto somente a União pode instituir contribuições para o custeio da seguridade social da empresas privadas, dentre elas as entidades beneficentes. Estados, o Distrito Federal e os Municípios, segundo o artigo 146, § 2º da Carta, somente pedem instituir cobrança de seus servidores para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de seus servidores. Diverso é o caso dos impostos, e que é prevista competência concorrente da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sendo necessário que lei complementar regule as limitações constitucionais ao poder de tributar. 4.22. Por outro lado, em conformidade com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal só é exigível a lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, ou seja, quando a Carta Magna alude genericamente a “lei” para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende toda a legislação ordinária. 4.23. Assim, de acordo com a orientação consolidada pelo STF, quando a Constituição afirma que “são isentas de contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei (art. 195, § 7º), ela está exigindo que a isenção somente ocorrerá se houver efetivamente o cumprimento de requisitos estabelecidos em lei ordinária. Não há que se falar em inconstitucionalidade doa RT. 55, da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que, conforme foi acima mencionado, leis complementares somente se justificam nas hipóteses expressamente mencionadas no próprio texto constitucional, como sabidamente tem decido, há muito, o Pretório Excelso. 4.24. No Mandado de Injunção 616SP, o STF discutiu o tema, figurando na relatoria o Ministro Nélson Jobim. Na oportunidade, o STF decidiu que a norma constitucional já havia sido regulamentada pelo artigo 55 da Lei nº 8.212/91: “EMENTA: CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 9.732/98. PR” CEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO”. 4.25. Recentemente, o STF manteve tal posicionamento, conforme pode ser constatado na decisão proferida pelo Ministro Sepúlveda Pertence (AG. REG no Recurso Extraordinário nº 408823), cujo teor é o seguinte: “DECISÃO: Agravo regimental de decisão pela qual, por entender não préquestionada a questão referente à ausência de regulamentação do artigo 195, § 7º, da Constituição Federal, neguei provimento ao recurso extraordinário. Sustenta a agravante que a questão suscitada no RE não é a existência de regulamentação do referido dispositivo constitucional, mas a aplicação, pelo acórdão recorrido, do artigo 14 do CTN como norma regulamentadora, quando deveria ser aplicada o art. 55 da Lei nº 8.212/91. Tem razão o agravante. Reconsidero a decisão de fl. 329, e passo à análise do recurso extraordinário. Decido. RE, a, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que, em razão do disposto no art. 195, § 7º da Constituição, reconheceu à inexigibilidade de contribuição previdenciária a entidade de natureza beneficente e assistência social, preenchido os requisitos do artigo 14 do CTN. Alega o RE que, para a concessão de isenção de contribuição social, as entidades beneficentes de assistência social devem preencher os requisitos do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98, entende que o acórdão recorrido, ao afastar a aplicação dos referidos dispositivos legais, violou os artigos 97, 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal. Tem razão o recorrente. O acórdão recorrido dissente da orientação estabelecida pelo Plenário deste Tribunal no julgamento do MI 616, 17.06.2002, Nelson Jobim, assim ementado: ‘CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃOPARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 9.732/98. PRECEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO.” Fl. 8DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000353/200876 Acórdão n.º 2401001.889 S2C4T1 Fl. 155 9 Na linha do precedente, dou provimento ao recurso extraordinário (art. 557, § 1A, do C. Pr. Civil). Brasília, 02 de outubro de 2006. “MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE – RELATOR.” 4.26. O Supremo Tribunal Federal, no agravo de instrumento nº 647933, publicado em 15 de março de 2007, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, novamente consolidou esse entendimento: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – MATÉRIA FÁTICA – INVIABILIDADE – DESPROVIMENTO DO AGRAVO. O Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, negou provimento ao recurso de apelação, mediante o acórdão de folhas 46 a 55, assim resumido: TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL ENTIDADE BENEFICENTE. IMUNIDADE. INOCORRÊNCIA. O § 7º do art. 195 da CF/88 aduz que não estão sujeitas à contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos previstos em lei, parâmetros estes que estão dispostos no art. 55 da Lei nº 8.212/91. É bem verdade que a imunidade constitui uma das formas de limitação constitucional ao poder de tributar, o que, nos termos do art. 146, II, CF, exigiria lei complementar para tratar do tema. Ocorre que, in casu, há regra específica a requerer tãosó lei ordinária (art. 195, § 7º, já mencionado), pois quando a Constituição faz alusão genérica à “lei”, não há necessidade de que a matéria seja disciplinada por lei complementar. Hipótese em que a associação autora não comprovou o cumprimento das exigências insculpidas na cidade lei ordinária, pelo que não merece as benesse constitucional, ainda que se entendesse aplicável ao caso a lei complementar (Código Tributário Nacional, art. 14). Apelação improvida. A recorribilidade extraordinária é distinta daquela revelada por simples revisão do que decidido, na maioria das vezes procedida mediante o recurso por excelência a apelação. Atuase em sede excepcional à luz da moldura fática delineada soberanamente pela Corte de origem, considerandose as premissas constantes do acórdão impugnado. A jurisprudência sedimentada é pacífica a respeito, devendose ter presente o Verbete nº 279 da Súmula deste Tribunal: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário. As razões do extraordinário partem de pressupostos fáticos estranhos à decisão atacada, buscandose, em última análise, conduzir esta Corte ao reexame dos elementos probatórios para, com fundamento em quadro diverso, assentar a viabilidade do recurso. A Corte de origem assentou que não houve a comprovação do enquadramento das atividades desenvolvidas pela recorrente, mesmo que se entendesse aplicável ao caso o artigo 14 do Código Tributário Nacional (folhas 49). Conheço do agravo e o desprovejo. Publiquem. Brasília, 15 de março de 2007. 4.27. Deve ser enfatizado que o art. 14 do CTN regulamenta a imunidade relativa a impostos incidentes sobre o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência sócia, sem fins lucrativos, prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal. Não é aplicável às contribuições devidas à seguridade social, que não são impostos, muito menos incidentes sobre o patrimônio, a renda e serviços. A imunidade, nos casos destas contribuições, está prevista no art. 195, § 7º, da CF e a sua regulamentação não está sujeita a lei complementar, conforme determinação do próprio legislador constituinte. 4.28. Portanto, ficam afastadas as alegações referentes à aplicação do art. 14 do CTN, no caso em questão, tendo em vista que conforme posicionamento consolidado no Supremo Tribunal Federal, os requisitos a serem cumpridos para o exercício do direito ao benefício fiscal previsto no § 7º, do art. 195, da Constituição Federal, estão previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98. 4.29. Desta forma, para terem direito à isenção das contribuições devidas à seguridade social, às entidades beneficentes de assistência social não basta o cumprimento dos requisitos previstos no art. 14 do CTN. Para tanto, é necessário o cumprimento, de forma cumulativa, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei nº 8.212/91, conforme determina a própria Constituição Federal. […]” A simples leitura da decisão encimada é capaz de refutar as alegações da recorrente, não deixando margem de dúvida quanto à aplicabilidade do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, contemplando os requisitos para concessão e manutenção da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, devendo ser mantido o lançamento, eis que a autoridade lançadora, corroborada pelo julgador de primeira instância, agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000353/200876 Acórdão n.º 2401001.889 S2C4T1 Fl. 156 11 DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades suscitadas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como os tributos ora exigidos encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Sumula nº 02, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, assim estabelece: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.” Fl. 11DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 E, segundo o artigo 72, § 4 º do Regimento Interno do CARF, as Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, porquanto incapazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 12DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000353/200876 Acórdão n.º 2401001.889 S2C4T1 Fl. 157 13 Fl. 13DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000773/2002-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96.
POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado
parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.054
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201102
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. Recurso negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 19515.000773/2002-94
anomes_publicacao_s : 201102
conteudo_id_s : 6048668
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-001.054
nome_arquivo_s : 210201054_19515000773200294_201102.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
nome_arquivo_pdf_s : 19515000773200294_6048668.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
id : 4738850
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:38:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041240674304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1834; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000773/200294 Recurso nº 892.924 Voluntário Acórdão nº 210201.054 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de fevereiro de 2011 Matéria IRPFDEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente ROBERTO ARAGÃO IACOVINA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 11/03/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Relatório Em face do contribuinte ROBERTO ARAGÃO IACOVINA, CPF/MF nº 515.871.57853, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 10/09/2002, auto de infração (fls. 104 a 108), com ciência postal em 26/09/2002 (fl. 111). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 62.102,39 MULTA DE OFÍCIO R$ 46.576,79 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no anocalendário 1998, no montante de R$ 241.535,99, conduta essa apenada com multa de ofício de 75%. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 7ª Turma de Julgamento da DRJSão Paulo II (SP), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1728.559, de 06 de novembro de 2008 (fls. 222 a 218), que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 19/06/2009 (fl. 227). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 02/07/2009 (fl. 230). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. “Veja Nobres Julgadores, desde o início do procedimento administrativo, o recorrente foi prejudicado com a falta de verdade real da Instituição Financeira; onde de forma irresponsável acusou ter ocorrido movimentação Bancária de R$ 3.277.163,89 (três milhões duzentos e setenta e sete mil cento e sessenta e três reais e oitenta e nove centavos), importe este, diga de passagem, totalmente fantasioso baseado na condição econômica do contribuinte. O valor acima suscitado, posteriormente foi retificado para R$ 518.838,85 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.000773/200294 Acórdão n.º 210201.054 S2C1T2 Fl. 2 3 (quinhentos e dezoito mil oitocentos e trinta e oito reais e oitenta e cinco centavos). Sendo necessário notar a discrepância dos valores apontados como movimentados pelo recorrente. Ora, o que se busca no caso em tela é a verdade real, onde no direito positivo vigente, não mais se admite formalismo exagerado, podendo o Fisco, diante das controvérsias financeiras apresentadas, oficializar a Instituição Financeira para apresentar documentação idônea, a fim da busca da verdade real” (fl. 236 – transcrição do recurso voluntário); II. a falta da busca da verdade material, investigando a real existência do fato gerador do imposto, impediu a mensuração da obrigação tributária, pois os depósitos bancários não podem se subsumir ao conceito de renda, sendo certo que não houve qualquer acréscimo patrimonial em favor do recorrente no ano fiscalizado. Por fim, o recorrente protesta pela produção de todos os meios de prova permitidos no direito, inclusive a prova pericial na conta bancária auditada, face às incertezas apresentadas. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 19/06/2009 (fl. 227), sextafeira, e interpôs o recurso voluntário em 02/07/2009 (fl. 230), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 21/07/2009, terçafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Inicialmente, devese anotar que a instituição financeira corrigiu a informação da CPMF, alterando o valor de R$ 3.277.163,89 para R$ 518.838,85, como expressamente asseverado pela autoridade fiscal (fl. 100), verbis: Ressalvese que a instituição financeira Banco Itau S/A informou, conforme consta no relatório de Movimentação CPMF (fls. 11) que o contribuinte havia movimentado no ano calendário 1998, a quantia de R$ 3.277.163,89. Posteriormente promoveu a retificação para R$ 518.838,85 e o recolhimento do CPMF para R$ 1.035,57. A informação acima não trouxe qualquer prejuízo para o contribuinte, pois este foi intimado a comprovar a origem de individualizados depósitos bancários, e não a informação proveniente da CPMF. Esta somente poderia servir para demonstrar, em abstrato, uma pretensa incompatibilidade entre a movimentação financeira e os rendimentos declarados. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 Porém, repisese, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem de determinados depósitos bancários, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não havendo qualquer prejuízo para sua defesa no tocante ao equívoco do montante da CPMF informado originalmente pela instituição financeira. E aqui se demonstrará que a autoridade fiscal poderia se valer da presunção de que os depósitos bancários de origem não comprovada são rendimentos omitidos, como de fato ocorreu. Anteriormente à Lei nº 8.021/90, assentouse que os depósitos bancários, unicamente, não representavam rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda. Inclusive, o Tribunal Federal de Recursos tinha sumulado um entendimento com tal interpretação (Súmula 182 do TFR), bem como o art. 9º, VII, do DecretoLei nº 2.471/88 determinou o arquivamento de processos administrativos que controlassem débitos de imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. Veio o art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90 e, expressamente, permitiu o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não pudesse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Porém, para incidência do imposto de renda sobre a hipótese em debate, a jurisprudência administrativa passou a obrigar que a fiscalização comprovasse o consumo da renda pelo contribuinte, representada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Essa era a dicção do art. 6º da Lei nº 8.021/90, verbis: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1° Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2° Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. § 3° Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. § 4° No arbitramento tomarseão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Revogado pela lei nº 9.430, de 1996) § 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.000773/200294 Acórdão n.º 210201.054 S2C1T2 Fl. 3 5 Esse estado de coisas foi profundamente alterado pelo art. 42, caput, da Lei nº 9.430/96, verbis: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A partir dessa inovação legislativa, os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem passaram a ser rendimentos presumidos. Tratase de presunção iuris tantum, passível de prova em contrário por parte do contribuinte. Entretanto, caso o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos valores mantidos em conta de depósito ou investimento, é de se presumir que tais valores foram omitidos da tributação. Observe que o art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90 (tachado acima) tratava do arbitramento dos rendimentos com base em depósitos bancários e foi expressamente revogado pelo art. 88, XVIII, da Lei nº 9.430/96. Dessa forma, para fatos geradores a partir de 1º/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos com base em depósitos bancários com origem não comprovada, tem vigência única e plena o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Com esse novo estatuto, como já assinalado, o depósito bancário com origem não comprovada é presumido rendimento omitido, com incidência da tabela progressiva do imposto de renda. Nesse novo cenário normativo, não há que se falar em sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários com origem não comprovada pelo contribuinte. Esta é a hipótese dos autos. Por uma presunção legal relativa, o depósito com origem não comprovada é rendimento tributável pelo imposto de renda. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, por todos, vejase o Acórdão nº CSRF/0400.164, sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que restou assim ementado: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996). Ainda, apenas para argumentar, eventual conflito normativo entre o art. 42 da Lei nº 9.430/96 (presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada) e o CTN/Constituição Federal (definição de renda e proventos de qualquer natureza como hipótese de incidência do imposto de renda) somente poderia ser resolvido no âmbito da declaração de inconstitucionalidade das normas, falecendo competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para o mister. Reconhecer que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 está em antinomia com o art. 43 do CTN, este que define a base de cálculo do imposto de renda (renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, e proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda), com a supremacia deste último, significaria afirmar que Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 aquele estaria eivado de vício de inconstitucionalidade, já que conflito de leis em terrenos normativos definidos pela Constituição (campo de atuação da lei ordinária e da lei complementar), como no caso vertente, solucionase pela apreciação do vetor constitucional do dissenso. Nessa linha, vejase o REsp n° 650.949PR, relator o min. Humberto Martins, unânime na 2a Turma, DJ de 15/02/2007, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO – PROCESSUAL CIVIL – VIOLAÇÃO DO ART. 130 DO CPC – AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL – INEXISTÊNCIA DE JUNTADA DOS ACÓRDÃOS PARADIGMAS – CONTRARIEDADE AOS ARTS. 46 E 47 DO CTN – MATÉRIA DE ÍNDOLE CONSTITUCIONAL. 1. A Corte a quo não analisou a matéria recursal à luz do art. 130 do CPC. Assim, incidem os enunciados 282 e 356 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. A inclusão do frete na base de cálculo do IPI deriva de imposição do art. 15 da Lei n. 7.789/89, que no entendimento deste Tribunal, teria revogado o art. 47 do CTN. 3. Em casos de revogação de lei complementar (CTN) por lei ordinária, revestese o conflito de índole constitucional, o que enseja a incompetência do Superior Tribunal de Justiça. Precedente: REsp 209320/DF, Rel. Min. Castro Meira, Relator p/ Acórdão o Min. Francisco Peçanha Martins, DJ 20.3.2006, p. 224. Recurso especial nãoconhecido. Não por outra razão, após a Emenda Constitucional nº 45, a decisão judicial que julgar válida lei local contestada em face de lei federal passou a ser objeto de Recurso Extraordinário (art. 102, III, “d”, da CF88), ou seja, conflitos de leis cujos âmbitos normativos estão definidos na Constituição Federal resolvemse pela apreciação do vetor constitucional do dissenso. Dessa forma, reconhecer a supremacia do art. 43 do CTN em face do art. 42 da Lei nº 9.430/96, significaria declarar a inconstitucionalidade desse último dispositivo. E, no caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Assim, na hipótese em debate, escorreito o lançamento que utilizou a presunção estatuída no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ainda, devese observar que em nenhum momento o recorrente comprovou a origem de quaisquer dos depósitos questionados pela autoridade fiscal, sendo de rigor sofrer a presunção legal antes exposta. Por fim, no tocante à produção de prova nesta instância, devese lembrar que o contribuinte deveria ter produzido toda a prova até o momento da impugnação, na forma do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, havendo nesse parágrafo citado hipóteses excepcionais de produção probatória extemporânea (prova não apresentada por motivo de força maior, que se refira a fato ou a direito superveniente ou que se destine a contrapor fatos ou razões Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.000773/200294 Acórdão n.º 210201.054 S2C1T2 Fl. 4 7 posteriormente trazidos aos autos), as quais não ficaram demonstradas nestes autos. Assim, rejeitase esse pedido de dilação probatória extemporâneo. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
