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Numero do processo: 19311.720071/2015-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. FUNDAMENTOS DIVERGENTES.
Não deve ter seguimento o recurso especial que não ataca os fundamentos da decisão recorrida.
Numero da decisão: 9303-007.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. FUNDAMENTOS DIVERGENTES. Não deve ter seguimento o recurso especial que não ataca os fundamentos da decisão recorrida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. FUNDAMENTOS DIVERGENTES. Não deve ter seguimento o recurso especial que não ataca os fundamentos da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 00 71 /2 01 5- 31 Fl. 448DF CARF MF 2 Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3301002.840, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso de Ofício, consignando acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 BASE DE CÁLCULO. RATEIO DE DESPESAS. REEMBOLSO. Não integram a base de cálculo da Cofins, os valores auferidos a título de reembolso das demais pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico, pelo pagamento de dispêndios comuns. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2012 BASE DE CÁLCULO. RATEIO DE DESPESAS. REEMBOLSO. Não integram a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, os valores auferidos a título de reembolso das demais pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico, pelo pagamento de dispêndios comuns.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · Os valores integram a base de cálculo do PIS e da Cofins, pois decorrem da prestação de serviços em caráter empresarial efetuada pelo sujeito passivo às demais empresas do grupo econômico; · As correspondentes receitas dos serviços prestados são integrantes do faturamento da empresa, o qual se traduz na “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”; · No âmbito privado, as despesas comuns resultantes de atividades desenvolvidas por empresa controladora em favor de outras empresas do mesmo grupo econômico podem ser rateadas por estas Fl. 449DF CARF MF Processo nº 19311.720071/201531 Acórdão n.º 9303007.047 CSRFT3 Fl. 449 3 empresas, estipulado por meio de Contrato de Rateio de Custos Comuns. No entanto, os valores recebidos pela empresa controladora devem ser por ela considerados receita para fins de incidência de PIS e Cofins. Em Despacho às fls. 422 a 424, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, trazendo, entre outros, que: · Tratase de discussão acerca da cobrança de PIS, COFINS, multa e juros, sobre valores recebidos pelo sujeito passivo de empresas do mesmo grupo econômico (“GRUPO LIBRA”), a título de reembolso de despesas compartilhadas; · O acórdão recorrido negou provimento ao Recurso de Ofício e manteve a decisão de primeira instância, no sentido de cancelar a exigência formulada pelas autoridades fiscais e reconhecer que os valores auferidos a título de reembolso das demais pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico, pelo pagamento de dispêndios comuns, não integram a base de cálculo do P15 e COFINS; · Nos termos da Solução de Divergência 23/13, vinculante no âmbito da RFB, para que os valores relativos aos contratos de rateio não estejam sujeitos à incidência do PIS e da COFINS, é necessário que (i) os valores sejam calculados com base em critérios de rateio razoáveis e objetivos; (ii) tais critérios sejam previamente ajustados e formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes; (iii) os valores correspondam ao efetivo gasto de cada empresa e ao preço global pago pelos bens e serviços; e (iv) seja mantida escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas; · No presente caso, é importante notar que os Contratos de Rateio de Despesas firmados pela ora Recorrida, em 2010, atendem Fl. 450DF CARF MF 4 integralmente a todos os requisitos mencionados na Solução de Divergência, indicando de forma precisa quais valores serão objeto do rateio e qual o critério deve ser adotado para fins de determinação do valor a ser reembolsado por cada empresa (doc. n°s 6 e 7 da Impugnação); · Além dos requisitos indicados na Solução de Divergência n° 23/13, para a adequada configuração de uma situação de rateio de despesas, (i) o reembolso das despesas deve ser realizado mediante a emissão de notas de débito; e (ii) as atividades objeto do rateio não podem configurar atividadefim das empresas participantes; · No caso em análise, conforme também esclarecido à Fiscalização, os reembolsos foram todos suportados pela emissão de notas de débito e apenas as atividades da área administrativa e de suporte operacional foram objeto do rateio (fls. 172/353); · Não é qualquer valor que ingressa no patrimônio da empresa que deve ser tido como receita, mas apenas aqueles valores que venham a acrescer seu patrimônio e que representem disponibilidade de novos recursos; · Nessa linha, nem todos os valores registrados no resultado como receita devem ser considerados base de cálculo de tais contribuições; · Assim sendo, o mero registro contábil (positivo) não se caracteriza como uma receita para fins de incidência do P15 e da COFINS, se não congregar outros elementos formadores de sua base de cálculo e não representar o ingresso de novas recursos. No caso dos ingressos recebidos a título de reembolso de despesas de terceiros, resta claro que não há o ingresso de novas receitas, mas simples recomposição, reintegração patrimonial. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 19311.720071/201531 Acórdão n.º 9303007.047 CSRFT3 Fl. 450 5 Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que não devo conhecer o recurso, vez que não atendidos os pressupostos constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Recordase que o acórdão recorrido traz que não integram a base de cálculo do PIS e da Cofins os valores auferidos a título de reembolso das demais pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico pelo pagamento de dispêndios comuns. Para tanto, utiliza como fundamento a Solução de Divergência Cosit nº 23/13 para entender que os ressarcimentos pelos demais integrantes de grupo econômico, dos dispêndios suportados com as atividades compartilhadas, não constituem receitas, não gerando acréscimo patrimonial, nem estando vinculadas às despesas próprias da pessoa jurídica centralizadora, mas simplesmente reembolsos dos valores adiantados, por despesas incorridas para terceiros coligados, não integrando as bases de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS da empresa reembolsada. Vêse que a DRJ utilizou também como fundamento para dar provimento à impugnação a Solução de Divergência 23/13 – que, por sua vez, tem efeito vinculante perante a RFB, nos termos do art. 9º da IN 1396/13. Eis parte do voto constante do acórdão recorrido (Destaques meus): “Resta analisar porque a Solução de Divergência Cosit nº 23, de 23/09/2013, contrapõese aos conceituados doutrinadores na área jurídico contábil fiscal supracitados. A Solução de Divergência parte da análise da natureza jurídica do valor recebido como rateio de despesas, mediante emissão de notas de débitos, pela pessoa jurídica centralizadora das atividades compartilhadas pelos integrantes do grupo econômico, concluindo não constituir receita por não ter o animus Fl. 452DF CARF MF 6 de gerar riqueza, nem o potencial de gerar acréscimo patrimonial.” Enquanto, o acórdão nº 20400.311 indicado como paradigma traz em sua ementa (Destaques meus): “NORMAS PROCESSUAIS. EXAME DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. ART. 3º DA LEI 9.718/98. IMPOSSIBILIDADE. A apreciação de matéria constitucional é vedada ao órgão administrativo de julgamento, a teor do disposto na Portaria MF nº 103/2002 e art. 22A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. PIS. BASE DE CÁLCULO. Constituem receita de prestação de serviços, tributáveis pela Contribuição para o PIS, os valores recebidos de outras empresas do mesmo grupo em contraprestação pela realização, na recebedora, de atividades comuns a todas as empresas do grupo.” Utiliza como fundamento os dizeres do Higuchi, não contrapondo a Solução de Divergência utilizada como fundamento no acórdão recorrido – que, por sua vez, até contraatacou a r. doutrina. O acórdão 20400.548 indicado como paradigma também não trouxe como fundamento a Solução de Divergência 23/13, tampouco contra atacandoa. Sendo assim, não há como se conhecer o Recurso Especial que não tenha atacado um dos fundamentos da decisão recorrida, tal como já decidido por essa turma no acórdão 9303005.111 da lavra da Ilustre Conselheira Vanessa Marini Cecconello: “Assunto: Imposto sobre a Importação – II Data do fato gerador: 06/09/2001 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 19311.720071/201531 Acórdão n.º 9303007.047 CSRFT3 Fl. 451 7 Não deve ter seguimento o recurso especial que ataca apenas um dos fundamentos da decisão recorrida, quando o outro é suficiente para manutenção do acórdão. ” Em vista de todo o exposto, voto por não conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 454DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.901528/2013-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO
Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório.
Cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A manifestante é autora no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma petição inicial, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1302-002.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A manifestante é autora no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma petição inicial, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A manifestante é “autora” no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma “petição inicial”, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 15 28 /2 01 3- 95 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10875.901528/201395 Acórdão n.º 1302002.946 S1C3T2 Fl. 197 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo, transcrevo o relatório da DRJ/SPO, complementandoo ao final: “O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 37/41 (PER/DCOMP nº 18535.63848.250211.1.3.048801), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (cód. receita 2362 IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL) relativo ao período de apuração encerrado em 31/03/2009. O contribuinte foi cientificado, em 12/08/2013 (AR às fls. 71), do Despacho Decisório às fls. 35 e 61, assim fundamentado: Irresignado, o contribuinte apresentou em 11/09/2013 a Manifestação de Inconformidade de fls. 02, alegando que havia incorreção em sua DCTF, cuja correção foi providenciada mediante DCTF retificadora entregue em 05/09/2013. Solicita, assim, sejam consideradas as correções propostas, pois seu direito creditório estaria assegurado com os recolhimentos efetuados por Darf”. Após analisada a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, a Turma Julgadora a quo julgoua improcedente, sob o argumento de que pleiteado a simples alegação de erro na DCTF e sua retificação não faz prova do direito Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10875.901528/201395 Acórdão n.º 1302002.946 S1C3T2 Fl. 198 3 creditório pleiteado, mormente porque a retificação somente foi efetuada pelo interessado após a ciência do Despacho Decisório que não lhe reconheceu a existência do indébito tributário. Abaixo, segue a transcrição do Acórdão n.º 1665.762DRJ/SPO: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada a contribuinte interpôs Recurso Voluntário à apreciação deste Conselho. Em sua peça, a recorrente traz documentos que reputa serem suficientes à comprovação de seu direito creditório, aduzindo para tanto, o que segue: A estimativa referente a março 2009 foi quitada através do DARF 55999438710 em 31/04/2009 (Doc. 07). Ocorre que o valor recolhido no mencionado DARF corresponde ao valor de R$ 668.372,08 declarados na DCTF nº 17.66.37.33.5747 (Doc. 08) transmitida em 13/05/2009, que veio a ser retificada pela DCTF nº 13.88.68.20.27 (Doc.09) transmitida em 05/09/2013, para refletir o correto valor da IRPJ apurada na competência março 2009, ou seja, R$ 472.200,79. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do presente recurso. Tratase de Recurso Voluntário em face de Acórdão de Manifestação de Inconformidade que não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Com relação ao direito creditório objeto deste processo, a Recorrente esclarece que efetuou o recolhimento de R$ 668.372,08 (cf. Comprovante de Arrecadação, Doc. 07 do recurso); porém, posteriormente, em decorrência de revisões internas, verificou que o valor devido a título de IRPJ por estimativa para o mês de março de 2009 era, na verdade, de R$ 472.200,79, tendo declarado este valor (e não aquele) na Ficha 11 da DIPJ 2010 (cf. Doc. 04 do recurso). Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10875.901528/201395 Acórdão n.º 1302002.946 S1C3T2 Fl. 199 4 Em razão disso, a contribuinte apresentou o PER/DCOMP 18535.63848.250211.1.3.048801 no valor de R$ 196.171,29 (cento e noventa e seis mil, cento e setenta e um reais e vinte e nove centavos) que corresponde à diferença entre os valores discriminados no parágrafo anterior; sendo esta a origem do direito creditório objeto deste processo. Pontua, inclusive, que a DCTF nº 17.66.37.5747 (Doc. 08), onde constava a declaração do débito de R$ 668.372,08, foi retificada pela DCTF nº 13.88.68.20.27 (Doc. 09) para consignar que a estimativa de IRPJ devida no mês de março de 2009 era, na verdade, R$ 472.200,79, uma vez que isto não havia sido procedido anteriormente. Pois bem. Cabe destacar a alegação da recorrente de que, apesar de ter declarado em DCTF o valor de R$ 668.372,08, declarou na DIPJ do exercício seguinte o valor de R$ 472.200,79 (cf. Doc. 04). No mesmo sentido, verificase que ainda que a retificação da DCTF tenha sido procedida após remetido o PER/DCOMP em tela, tal fato não pode ser entendido como prejudicial à análise de crédito do contribuinte. Ademais, de acordo com o Parecer Normativo COSIT n.2, de 28 de agosto de 2015, é possível a retificação da DCTF depois da transmissão do PER/DCOMP para fins de formalização do indébito objeto da compensação, desde que coerentes com as demais provas produzidas nos autos. Vejamos: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Contudo, no caso em tela, a recorrente restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, por intermédio de sua DCTFretificadora, cópia do documento de arrecadação federal e DIPJ. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10875.901528/201395 Acórdão n.º 1302002.946 S1C3T2 Fl. 200 5 O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte, em primeira análise, foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior, o qual , aparentemente, surgiu após a retificação de sua DCTF. Correta a decisão recorrida quanto a análise do caso. Vejamos passagem do decisium: Entretanto, o contribuinte não juntou aos autos nenhum elemento comprobatório ou indiciário do alegado erro e nem tampouco explica as circunstâncias e os motivos que o levaram a efetuar, segundo alega, o pagamento indevido ou a maior. (...) Sendo assim, cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A manifestante é “autora” no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma “petição inicial”, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. No caso em tela, entendo que a simples alegação de erro na DCTF e sua retificação não faz prova do direito creditório pleiteado, mormente porque a retificação somente foi efetuada pelo interessado após a ciência do Despacho Decisório que não lhe reconheceu a existência do indébito tributário. Conclusão Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10875.901528/201395 Acórdão n.º 1302002.946 S1C3T2 Fl. 201 6 Fl. 201DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001807/2006-82
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9101-000.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial pelo Presidente de Câmara, concluindo pela análise à luz da Portaria MF 147/2007, vencida a conselheira Cristiane Silva Costa (relatora), que entendia pela aplicação da Portaria MF 343/2015. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa Relatora
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial pelo Presidente de Câmara, concluindo pela análise à luz da Portaria MF 147/2007, vencida a conselheira Cristiane Silva Costa (relatora), que entendia pela aplicação da Portaria MF 343/2015. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa – Relatora (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Redator Designado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 01 80 7/ 20 06 -8 2 Fl. 2115DF CARF MF Processo nº 18471.001807/200682 Resolução nº 9101000.052 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de processo originado por Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, quanto aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, com imposição de multa de 75%. Persiste a discussão nos autos quanto ao PIS e a COFINS, tendo o lançamento se fundado em omissão de receita financeira, caracterizada pela falta de contabilização dos deságios na aquisição de créditos de terceiros. (fls. 785, volume 5). Consta do Termo de Constatação Fiscal (fls. 164 volume 1): PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS FISCAIS – DESÁGIOS CRÉDITO TRIBUTÁRIO – CONTA Nº 214.0501 A empresa efetuou a aquisição de créditos de titulares de direito de natureza tributária contra a Fazenda Nacional, que foram utilizados na compensação de débitos próprios, de igual natureza, relativamente às receitas oriundas de créditosprêmio de IPI. A referida operação geral deságios (...) nos anos de 2000 a 2003 (...) Desta operação o contribuinte obteve uma receita financeira proveniente da aquisição com deságio por ocasião da aquisição de créditos tributários de terceiros (...) Em resposta a fiscalizada informou que os deságios “... não estão adicionados via LALUR, visto que no entendimento do contador e advogados da empresa na época, era de que somente após o término do processo, ou seja caso a ação seja julgada a favor da LR, serão adicionados via LALUR” “os valores referente ao deságio estão lançado na contabilidade”. E, assim procedeu, por aconselhamento do advogado responsável pela causa, em virtude de estando o crédito adquirido pendente do reconhecimento definitivo do direito , por parte do Judiciário, o ganho não se efetivaria, no ato da aquisição, pois seu reconhecimento poderia ser negado em decisão definitiva pelo Poder Judiciário. Da leitura da resposta dois pontos a destacar: I – Não era a LR (fiscalizada) que tinha ação judicial que deveria ser julgada. A ação fora impetrada pela detentora do créditoprêmio de IPI que posteriormente foi vendido com deságio à fiscalizada; II – o contador e os advogados, por mais brilhantes e capazes que sejam, não são, como não eram, competentes para dispor em desacordo com a legislação. (...) Fl. 2116DF CARF MF Processo nº 18471.001807/200682 Resolução nº 9101000.052 CSRFT1 Fl. 4 3 O contribuinte, porém, não registrou o fato de que a realização do ganho residiu exatamente no ato da compensação, nesse momento houve a receita financeira e a ocorrência do fato gerador do tributo. O deságio ocorrido é, portanto, o risco que investimento de qualquer natureza, traz para o investidor. Por conseguinte, os descontos obtidos na aquisição de créditos pela pessoa jurídica, deverão ser adicionados ao lucro operacional, nos exercícios correspondentes. O contribuinte apresentou impugnação, parcialmente acolhida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (fls. 1877, volume 10): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001,2002,2003 PEDIDO DE JUNTADA DE PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. O momento para a juntada de provas, na esfera administrativa, é o da apresentação da impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, conforme previsto na legislação em vigor, devendo ser indeferido o pedido que não observar tal determinação, a menos que se justifique por uma das exceções permitidas na lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2001,2002,2003 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. A argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade não é oponível na esfera administrativa, pois o julgamento da matéria reservase, em caráter privativo, ao Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001,2002,2003 GLOSA DE DESPESA. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na apuração do lucro real as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa e as que contribuam para a manutenção da sua fonte de receita, desde que comprovada a sua efetividade É cabível a glosa de custos e das despesas declarados se o sujeito passivo, depois de intimado, não comprovar a efetividade da prestação de serviços, por meio de documentação hábil e idônea, assim entendida como aquela exigida pela fiscalização e devidamente aceita pela legislação. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o Programa de Integração Social Pis Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Aplicamse aos lançamentos denominados decorrentes os efeitos da decisão sobre o lançamento que lhes deu origem. Subsistindo a exigência fiscal objeto do lançamento considerado principal, igual julgamento estendese às autuações destas contribuições, efetivadas por mera decorrência daquele. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Fl. 2117DF CARF MF Processo nº 18471.001807/200682 Resolução nº 9101000.052 CSRFT1 Fl. 5 4 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Aplicamse aos lançamentos denominados decorrentes os efeitos da decisão sobre o lançamento que lhes deu origem. Subsistindo, em parte, a exigência fiscal objeto do lançamento considerado principal, igual julgamento estendese à autuação desta contribuição, efetivada por mera decorrência daquele. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1919/1941, volume X, pdf 130). A 1ª Câmara do extinto 1º Conselho de Contribuintes deu provimento parcial ao recurso voluntário para “cancelar integralmente a exigência relativa à COFINS e, quanto ao PIS, cancelar as exigências relativas aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2002”, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir (fls. 1945, volume X): Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anoscalendário: 2001, 2002 e 2003 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA Caracteriza omissão de receita a não contabilização do deságio obtido na aquisição de crédito tributário de terceiro para fins de compensação com débitos tributários próprios. GLOSA DE DESPESA Para que as despesas contabilizadas como relativas a prestação de serviços sejam dedutíveis é indispensável a comprovação da efetividade da prestação. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Não havendo nenhuma razão específica que exija tratamento diverso, aplicase à CSLL o decidido em relação ao IRPJ. PIS. COFINS. Por serem decorrentes, naquilo que não houver razão específica, o decidido quanto ao IRPJ se estende, no que couber, aos lançamentos de PIS e COFINS. PIS E COFINS BASE DE CÁLCULO Por estarem amparados no alargamento do conceito de faturamento trazido pelo § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, não subsistem o lançamento da COFINS, em sua integralidade, e o de PIS relativo aos fatos geradores ocorrido até novembro de 2001. Recurso Voluntário parcialmente provido. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 07/04/2009 (fls. 1963, volume X, pdf 174), que interpôs recurso especial em 12/05/2009 (fls. 1964, pdf 175, volume X), com fundamento no artigo 7º, II, do Regimento Interno da CSRF (Portaria MF 147), sustentando divergência na interpretação da lei tributária com relação à incidência de PIS e COFINS diante da declaraçaõ incidental de inconstitucionalidade do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Assim apresenta 5 acórdãos paradigmas, na ordem a seguir tratada (em razões recursais): i) 20178.856; ii) 20180.227; iii) 20178.802; iv) 20311.970 (cópia da ementa publicada consta anexa ao recurso); Fl. 2118DF CARF MF Processo nº 18471.001807/200682 Resolução nº 9101000.052 CSRFT1 Fl. 6 5 v) 204.01.643 (cópia da ementa publicada consta anexa ao recurso). O recurso especial foi admitido, conforme razões parcialmente transcritas a seguir (fls. 1.997, volume XI, pdf 4): (...) Cientificada em 11/05/09, fls. 1956, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência em 12/05/09, fls. 1958 a 1984, alegando, em síntese, que o acórdão vergastado exclui da base de cálculo da Cofins e Pis as variações monetárias ativas, com fulcro na declaração incidental de inconstitucionalidade do § 1°, do art. 3° da Lei n° 9.718/98. A inconformidade se fundamenta no fato de que o referido artigo foi declarado inconstitucional apenas em sede de controle difuso, verificandose que a matéria está em rediscussão no Supremo tribunal Federal. Cita, como acórdãos paradigmas, os de nº 20178.856, 20180.227, 20178.802, 20311.970 e 20401.643. Transcrevo as ementas dos dois primeiros, juntadas, por cópias extraídas do sítio do então Conselho de Contribuintes: Ac. n°20311970 (...) Ac. n°20401643 (...) Conheço do recurso, por tempestivo. Resta averiguar se a divergência suscitada, entre julgados, de fato, ocorre. Em relação ao primeiro acórdão, não entendo como paradigma, pois para as factorings a 'mercadoria' negociada é o lucro/prejuízo' obtido nas operações de fomento, não podendo serem tratados tais valores como variações monetárias, ativas ou passivas. Já em relação ao segundo acórdão, a identidade exigida para a admissibilidade do recurso interposto, é patente. Ambos julgados, ora confrontados, versam sobre a aplicabilidade da declaração incidental de inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, nos julgados administrativos, enquanto não vertida em Resolução do Senado Federal ou outro meio que vincule a administração à sua observância. Estabelecida a identidade dos casos, e presentes os requisitos da admissibilidade, DOU seguimento ao recurso especial interposto. O contribuinte apresentou, em 09/06/2010, petição “desistindo da apresentação de eventuais recursos, bem como renunciando ao direito pelo qual se funda o processo”, para adesão ao Parcelamento regulado pela Lei nº 11.941/2009. (fls. 2000, volume XI). Ademais, os patronos do contribuinte obtiveram vista dos autos em 14/09/2010 (fls. 2007), apresentando contrarrazões ao recurso especial em 29/09/2010 (fls. 2018/2044). Nesta petição, o contribuinte pede seja negado provimento ao recurso especial, alegando, em síntese, que: Fl. 2119DF CARF MF Processo nº 18471.001807/200682 Resolução nº 9101000.052 CSRFT1 Fl. 7 6 (i) A inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998 teria sido declarada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, conforme RE 390.840, devendo ser reconhecidos efeitos erga omnes; (ii) Os tribunais administrativos federais estariam obrigados a seguir orientações do Plenário do Supremo Tribunal Federal, em conformidade com o artigo 26A, §6º, I, do Decreto 70235/1972; (iii) Menciona a alteração do conceito de faturamento, pelo artigo 3º, da Lei nº 9.718/1998, exorbitando a competência constitucionalmente delimitada pela redação então vigente do artigo 195, I; (iv) A Emenda Constitucional nº 20/1998 não teria legitimado a Lei anteriormente publicada. A Receita Federal apartou os débitos de IRPJ e CSLL, bem como débito de PIS com fatos geradores ocorridos em 31/12/2002 e 31/12/2003, encaminhando o processo para análise do parcelamento especial (fls. 2050/2051). E 17/02/2014, o contribuinte apresentou petição, alegando que haveria erro formal na ementa do acórdão, pois os votos claramente tratariam da anulação dos “lançamentos de COFINS em sua integralidade (exercícios 2001, 2002 e 2003) e os de PIS, até novembro de 2002”. Segundo o contribuinte, restam nesse lançamento apenas os valores de COFINS E PIS lançados com fundamento na Lei nº 9.718/1998. Por fim, informa que obteve decisão judicial, com trânsito em julgado, reconhecendo a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo pela Lei nº 9.718/1998. (fls. 2064/2067). Certidão de objeto e pé às fls. 2107. É o relatório. Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 18471.001807/200682 Resolução nº 9101000.052 CSRFT1 Fl. 8 7 Voto vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento – Proposta de Resolução O recurso especial é tempestivo. Passo a analisar os demais requisitos para sua admissibilidade. O recurso especial foi interposto em 12/05/2009 (fls. 1964), apontandose divergência na interpretação da lei tributária. À época, vigia o Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que regulava o recurso especial da forma seguinte: Portaria MF 147/2007 Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. § 1º No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo. § 2º Para efeito da aplicação do inciso II, entendese como outra Câmara as que integram a atual estrutura dos Conselhos de Contribuintes ou as que vierem a integrála. § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Câmaras que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ou que na apreciação de matéria preliminar decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 4º É cabível a interposição de recurso especial contra decisão que negar provimento a recurso de ofício. § 5º O recurso especial interposto pelo sujeito passivo somente terá seguimento quanto à matéria préquestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação das peças processuais. O despacho de admissibilidade do recurso especial foi proferido em 18/12/2009, analisando apenas 2 (dois) acórdãos paradigmas identificados pela Recorrente, embora mencione a existência de outros 3 referidos anteriormente em razões do recurso especial: (fls. 1.997, volume XI): Fl. 2121DF CARF MF Processo nº 18471.001807/200682 Resolução nº 9101000.052 CSRFT1 Fl. 9 8 (...) Cientificada em 11/05/09, fls. 1956, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência em 12/05/09, fls. 1958 a 1984, alegando, em síntese, que o acórdão vergastado exclui da base de cálculo da Cofins e Pis as variações monetárias ativas, com fulcro na declaração incidental de inconstitucionalidade do § 1°, do art. 3° da Lei n° 9.718/98. A inconformidade se fundamenta no fato de que o referido artigo foi declarado inconstitucional apenas em sede de controle difuso, verificandose que a matéria está em rediscussão no Supremo tribunal Federal. Cita, como acórdãos paradigmas, os de nº 20178.856, 20180.227, 20178.802, 20311.970 e 20401.643. Transcrevo as ementas dos dois primeiros, juntadas, por cópias extraídas do sítio do então Conselho de Contribuintes: Ac. n°20311970 (...) Ac. n°20401643 (...) O critério para o Presidente de Câmara foi a análise dos dois acórdãos cuja cópia da ementa acompanhou o recurso especial (acórdãos 20311970, fls. 1989, e 20401643, fls. 1990), embora nas razões recursais sejam primeiramente descritos os acórdãos nº 20178856 e 20180227. Extraise das razões do recurso especial que os primeiros acórdãos paradigmas identificados pela Procuradoria são os seguintes: In casu, constatase que há divergência jurisprudencial entre a decisão adotada pela Col. Câmara Julgadora no caso em testilha e os paradigmas de nº. 20178.856, 20180.227, 20178.802, 20311.970 e 20401.643. (fls. 165, pdf. 177, vol X) (...) O dissídio jurisprudencial se estabelece no ponto em que, tratando de ingressos análogos, a d. Primeira Câmara da Segunda Turma da Segunda Seção do CARF (antiga Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes) manteve as receitas financeiras dentro da base de cálculo da PIS/Cofins. A declaração incidental do Supremo Tribunal Federal, proferida no exato mês em que foi prolatada a decisão, não foi mencionada pelo acórdão paradigma como suficiente para eximir o contribuinte do pagamento do PIS/Cofins, senão vejamos a ementa do paradigma nº 20178.856: (...) Posteriormente, no acórdão nº 20180.227, a Col. Primeira Câmara da Segunda Turma da Segunda Seção do CARF (antiga Primeira Câmara) analisou a questão das variações cambiais ativas. Cuidase, na espécie, de discussão semelhante à travada nestes autos, uma vez que nesta hipótese, mais uma vez, o colegiado assentou que deveriam ser tributadas as receitas financeiras (variações cambiais positivas) de acordo com o montante apurado na data da liquidação do contrato. Como acima referido, a Portaria 147/2007 (vigente ao tempo da interposição do recurso) não restringia a demonstração da divergência a dois acórdãos paradigmas, como as posteriores procederam (Portaria MF 256/2009 e Portaria MF 343/2015). Resta definir se Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 18471.001807/200682 Resolução nº 9101000.052 CSRFT1 Fl. 10 9 correta a decisão do Presidente de Câmara, analisando quaisquer dos paradigmas, ou se são aplicáveis as Portarias 256/2009 e 343/2015 para definição da análise dos primeiros paradigmas apresentados no recurso especial. Lembro que entre as Disposições Transitórias do RICARF aprovado em 2009 (Portaria MF nº 256/2009), constava que os recursos interpostos com fundamento no artigo 7º, I, da Portaria MF 147, seriam processados de acordo com o rito previsto no Regimento anterior: Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos artigos 15 e 16, no art. 18 e nos artigos 43 e 44 daquele Regimento. (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 446, de 27 de agosto de 2009) Em sentido similar, é o atual RICARF (Portaria MF 343/2015), em seu artigo 3º: Art. 3º Os recursos com base no inciso I do caput do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Não obstante, as Portarias nº 256 e 343 são silentes sobre o processamento de recurso especial interposto com fulcro no artigo 7º, II, da Portaria MF 147, como o ora analisado. E vieram alterar o conhecimento do recurso para prever que só seriam analisados dois acórdãos paradigmas: Portaria MF 256/2009 Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 5º Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. Portaria MF 343/2015 (atual RICARF) Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 18471.001807/200682 Resolução nº 9101000.052 CSRFT1 Fl. 11 10 § 7º Na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartandose os demais. Esta Turma da CSRF, com composição um pouco diferente, decidiu que se aplicam normas dos Regimentos posteriores para restrição ao conhecimento de recurso especial quanto aos 2 acórdãos paradigmas (acórdão nº 9101002.178). A ementa do acórdão é transcrita a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1995, 1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Na hipótese de falta de pronunciamento sobre acórdão paradigma indicado em razões do recurso especial, são acolhidos os embargos de declaração para manifestação a esse respeito. REGIMENTO INTERNO. MODIFICAÇÃO. A alteração no Regimento Interno do CARF, de natureza processual, aplicase aos processos pendentes, notadamente para os atos a serem praticados. Assim, é conhecida a divergência identificada quanto a 2 (dois) acórdãos paradigmas, aplicandose o artigo 67, §6º e §7º, da Portaria MF nº 343/2015. Nesse contexto, resolvo pela remessa dos autos ao Presidente de Câmara, para análise de admissibilidade do recurso especial quanto aos 2 (dois) primeiros paradigmas indicados pelo Recorrente (acórdãos 20178.856 e 20180.227), aplicandose o atual RICARF (Portaria MF 343/2015). (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 18471.001807/200682 Resolução nº 9101000.052 CSRFT1 Fl. 12 11 Voto vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, Redator Designado. Em que pesem as razões expostas pela ilustre Relatora, peço licença para delas divergir, conforme argumentação a seguir. Colocando o assunto em termos gerais, procurase saber se, no exame dos pressupostos processuais de um recurso, devese aplicar a legislação do momento do julgamento ou a legislação da época da interposição. A Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (LINDB), DecretoLei nº 4.657, de 04/09/1942, assim denominado pela Lei nº 12.376, de 30/12/2010, traz, em seu art. 6º, regra geral de aplicação das leis no tempo. "Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. (Redação dada pela Lei nº 3.238, de 1957) § 1º Reputase ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. (Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957) ..." Conforme essa regra geral, o ato jurídico perfeito, definido conforme o §1º do art. 6º da LINDB, está protegido contra alterações legais posteriores. Prerrogativa essa elevada constitucionalmente a direito e garantia fundamental, estando gravada no inciso XXXVI do art. 5º da Constituição da República de 1988 (CR88). A questão então é saber se a interposição do recurso especial é um ato jurídico perfeito. Ora, estando a interposição do recurso especial já consumada segundo o corpo de restrições existentes e vigentes ao tempo em que se efetuou, reputase como ato jurídico perfeito; inevitável, portanto, o enquadramento ao §1º do art. 6º da LIDB; e, conseqüentemente, é imperioso aplicar as proteções do caput do mesmo art. 6º e do inciso XXXVI do art. 5º da CR88 ao caso concreto. Feitos os exames quanto às regras gerais, passemos propriamente ao direito processual. Relativamente à controvérsia de saber qual lei processual é aplicável aos processos em curso, Cintra, Dinamarco e Grinover explicam os três diferentes sistemas que tentam resolver o problema: (Teoria Geral do Processo. 30aed. Malheiros, 2014, págs. 121 e 122): a) o da unidade processual, segundo o qual, apesar de se desdobrar em uma série de atos diversos, o processo apresenta tal unidade que somente poderia ser regulado por uma única lei, a nova ou a velha, de modo que a velha teria de se impor para não ocorrer a retroação da nova, com prejuízo dos atos já praticados até a sua vigência; b) o das fases processuais, para o qual distinguirseiam fases processuais autônomas (postulatória, ordinatória, instrutória, decisória e recursal), cada uma suscetível, de per si, de ser disciplinada por uma lei diferente; Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 18471.001807/200682 Resolução nº 9101000.052 CSRFT1 Fl. 13 12 c) o do isolamento dos atos processuais, no qual a lei nova não atinge os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, mas se aplica aos atos processuais a praticar, sem limitações relativas às chamadas fases processuais. O sistema adotado pelo ordenamento jurídico brasileiro, como se verifica tanto no Código de Processo Penal (art. 2°) como no Código de Processo Civil (de 1973: art. 1.211; e de 2015: art. 1.046), é o sistema do isolamento dos atos, verbis: Código de Processo Penal (CPP) DecretoLei nº 3.689, de 03/10/1941: "Art. 2º A lei processual penal aplicarseá desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior." Código de Processo Civil (CPC) Anterior Lei nº 5.869, de 11/01/1973: "Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes." Código de Processo Civil (CPC) Vigente Lei nº 13.105, de 16/03/2015: “Art. 1.046. Ao entrar em vigor este Código, suas disposições se aplicarão desde logo aos processos pendentes, ficando revogada a Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973.” Consultandose a doutrina a respeito da questão, constatouse que: a) comentando o artigo 1.211 do CPC, Pontes de Miranda ensina que "a lei processual civil é de incidência sobre todos os atos que se vão praticar ou se estão praticando". (Comentários ao Código Processo Civil, Vol. XVII, 2ªed. Forense, pág. 4); b) Sobre a aplicação da lei nova aos processos pendentes, leciona Moacyr Amaral Santos que "... válidos e eficazes são os atos realizados na vigência e conformidade da lei antiga, aplicandose imediatamente a lei nova aos atos subseqüentes. Esta regra ampara até mesmo as leis de organização judiciária ..., as quais se aplicam de imediato aos processos pendentes". (Primeiras Linhas de Direito Processo Civil, 1º Vol., 29aed. Saraiva, 2012, pág. 56). A jurisprudência, a respeito do art. 1.211 do CPC, assim se manifesta1: "Segundo princípio de direito intertemporal, salvo alteração constitucional, o recurso próprio é o existente à data em que publicada a decisão" (STJ2a Seção, CC 1.133, Min. Sálvio de Figueiredo, j. 11332, DJU 13.4.92). No mesmo sentido: Súmula 26 do TRF1a Reg.: "A lei regente do recurso é a em vigor na data da publicação da sentença ou decisão" (RT 732/424) "O recurso regese pela lei do tempo em que proferida a decisão, assim considerada nos órgãos colegiados a data da sessão de julgamento em que anunciado pelo Presidente o resultado, nos termos do art. 556 do CPC. ..." (STJRF 385/263: Corte Especial, ED no REsp 649.526, um voto vencido). 1 NEGRÃO, Theotonio. Código de Processo Civil 2014 e Legislação Processual em Vigor. 46a Edição, Saraiva, págs. 1130 e 1131. Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 18471.001807/200682 Resolução nº 9101000.052 CSRFT1 Fl. 14 13 "A lei nova que impõe exigência formal para a interposição de apelação, antes inexistente — comprovação do preparo no momento de protocolar a petição de recurso — não incide sobre os casos em que o prazo recursal já está em curso" (STJRF 337/230, maioria). "A lei em vigor, no momento da prolação da sentença, regula os recursos cabíveis contra ela, bem como a sua sujeição ao duplo grau obrigatório, repelindose a retroatividade da norma nova, in casu, da Lei 10.352/01" (STJCorte Especial, ED no REsp 600.874, Min. José Delgado, j. 1.8.06, DJU 4.9.06). "As condições de admissibilidade da ação rescisória são as da lei sob cujo império transitou em julgado a sentença rescindenda" (STJ2a Seção, AR 48, Min. Fontes de Alencar, j. 25.4.90, DJU 28.5.90) Há de se reconhecer e dar pleno cumprimento no caso em exame ao princípio de que o tempo rege o ato (em latim: tempus regit actum), ou ainda, ao se reger o ato devese utilizar o seu tempo (e não outro tempo, ainda que o tempo de terceiros que o analisam). Cite se ainda elucidativo precedente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que traz excelente definição deste princípio geral e essencial de direito público: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. ACÓRDÃO PROFERIDO POR MAIORIA. AUSÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO DE EMBARGOS INFRINGENTES. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 207/STJ. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. 1. A adoção do princípio tempus regit actum pelo art. 1.211 do CPC, impõe o respeito aos atos praticados sob o pálio da lei revogada, bem como aos seus efeitos, impossibilitando a retroação da lei nova. Sob esse enfoque, a lei em vigor à data da sentença regula os recursos cabíveis contra o ato decisório, por isso que o direito de impugnar surge com o ato lesivo ao interesse do sucumbente e o prazo para recorrer regulase pela lei da data da publicação do decisum. Distinção que evita tratamento antiisonômico na hipótese em que causas passíveis da mesma impugnação tem os seus arestos publicados em datas diversas. ... 5. Consectariamente, a lei da data do julgamento regula o direito do recurso cabível, (Pontes de Miranda, in "Comentários ao Código Processual Civil", Forense, 1975. T. VII, p. 44) ..." (AgRg no REsp 663864 / RJ, Relator Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/09/2005, DJ 26/09/2005 p. 205) Este princípio deixa claro que o ato deve ser regido (julgado, criticado, avaliado) pela legislação que estava vigente e aplicável no momento em que todos os seus elementos entraram para o universo das coisas criadas e, devidamente ajustados, culminaram na prática do mesmo ato. Portanto, ao se julgar o conhecimento, ou seja, ao se reexaminar (reger) os pressupostos de admissibilidade do recurso especial (o ato), devese utilizar a legislação da época da sua interposição (que era o momento no qual esses pressupostos deveriam ser atendidos: o seu tempo) e não a legislação vigente no momento em que se faz esse julgamento (exame da regular interposição). Fl. 2127DF CARF MF Processo nº 18471.001807/200682 Resolução nº 9101000.052 CSRFT1 Fl. 15 14 Sintetizando, concluise, que o principio do "tempus regit actum", somente é observado quando, na decisão sobre a regular formalização do recurso ou a respeito do seu conhecimento, a legislação apreciada e aplicada é aquela vigente ao tempo de sua formalização e não a do tempo do seu julgamento, que pode ocorrer e ocorre vários anos após a formalização. Se não fosse assim, no julgamento do conhecimento, deveriam ser consultados um a um os paradigmas para verificação se foram reformados após a formalização do recurso; caso tenham sido, então todos os recursos sustentados por esses paradigmas deveriam ser não conhecidos, o que, além de impertinente, soa como contrário à justiça. O recorrente não poderia prever que seriam impostas restrições à quantidade de paradigmas; logo, não se pode penalizar o recorrente ao negar conhecimento ao seu recurso especial em razão de fato superveniente a regular formalização do seu recurso, que este não tinha condições nenhuma de saber. O afastamento do princípio tempus regit actum somente pode se dar por meio de disposição expressa em sentido contrário, que não há. A interpretação, contrario sensu, do art. 4º da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, e do art. 3º da Portaria MF nº 343, de 9/06/2015, não se sustenta, pois estes artigos não tratam do recurso especial e sim do antigo recurso por contrariedade a lei ou a evidência das provas e, ademais, eles existem não para ratificar o princípio antes citado, mas para complementar o tratamento a ser dado àqueles recursos. Nesse contexto, resolvo pela remessa dos autos ao Presidente de Câmara, para análise de admissibilidade do recurso especial quanto aos 3 (três) paradigmas indicados pelo Recorrente, que deixaram de ser analisados no despacho anterior, aplicandose o regimento da Portaria MF 147/2007. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 2128DF CARF MF
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Numero do processo: 14041.000397/2009-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
SIMPLES FEDERAL. RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE LEGAL PARA OPÇÃO. EXCLUSÃO.
Não poderá optar pelo Simples a pessoa jurídica na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00. Art. 9º, inciso II da Lei nº 9.317/96.
Numero da decisão: 1003-000.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE LEGAL PARA OPÇÃO. EXCLUSÃO. Não poderá optar pelo Simples a pessoa jurídica na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00. Art. 9º, inciso II da Lei nº 9.317/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 03 97 /2 00 9- 12 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 14041.000397/200912 Acórdão n.º 1003000.037 S1C0T3 Fl. 71 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Ato Declaratório Executivo DRF/BSB nº 99, de 30 de julho de 2009, que excluiu de ofício a empresa do Simples Federal em razão da mesma ter optado e permanecido no Simples no anocalendário de 2005, mesmo excedendo o limite de receita bruta estabelecido no art. 9º, inciso II da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, conforme prescreve o art. 14, inciso I, da mesma lei e com efeitos a partir de 01/01/2006, consoante o disposto no art. 15, inciso IV, da mencionada lei. A recorrente alega, em síntese: I Que "o suposto débito deverá ter sua exigibilidade suspensa até o 'trânsito em julgado' da (...) discussão administrativa", conforme art. 151, inciso III, do CTN; II Que na legislação, doutrina e jurisprudência aplicáveis ao presente caso não há qualquer previsão acobertando a retroatividade dos efeitos da exclusão, pretensão que fere princípios constitucionais como a legalidade, moralidade, eficiência, irretroatividade de lei e segurança juridica; III Que os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório não estão sendo respeitados pela recorrida, pois a recorrente desde o início dessa discussão administrativa pretendeu lançar mão de todos os seus argumentos legais disponíveis, os quais não foram em nenhum momento levados em consideração; IV Que o acórdão recorrido deixou de considerar a prescrição prevista na Lei Complementar 118/2005 e art. 170 do CTN, quando tenta excluir a empresa "a partir de 01/01/1997"; V Que o art. 15 da Lei 9.317/96 foi alterado pelo art. 3º da Lei 9.732/98, e que tal fato não foi mencionado "pelo Ilustre Delegado"; VI Que a "exigência fiscal em comento é completamente ilegal, marchando de encontro a vasta doutrina e jurisprudência aplicáveis ao caso em tela, posto que estão baseados em meros indícios amplamente evasivos e desarrazoados, obstando para a prática da segurança jurídica e moralidade administrativa e prestigiando a irrestrita discricionaridade administrativa", violando os "princípios do processo administrativo" e que "a cobrança do alegado crédito tributário pela recorrida, está operandose de forma inconsistente e ilegal, devendo por isso ser rechaçado". Junta duas ementas de jurisprudência administrativa que mencionam irretroatividade de leis e exclusão não retroativa do Simples, sem, contudo, especificar a que situações se aplicariam. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 14041.000397/200912 Acórdão n.º 1003000.037 S1C0T3 Fl. 72 3 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. I Quanto à exigibilidade suspensa de suposto débito, cabe lembrar que não há crédito tributário em litígio no presente processo, mas tão somente exclusão do Simples Federal. Alegações acerca de créditos tributários devem ser apresentadas nos processos que os discutem. II Quanto à retroatividade dos efeitos da exclusão, ao contrário do que alega a recorrente, decorre de expressa previsão legal, mais precisamente constante do art. 15, inciso IV da Lei nº 9.317/96, devidamente mencionado no ADE recorrido como fundamentação legal. III Quanto ao alegado cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório, observase que a interessada tomou regularmente ciência do ADE recorrido, em seu inteiro teor, tendo apresentado tempestivamente sua manifestação de inconformidade, na qual teve a oportunidade de ampla e livre defesa, mas preferiu, além dos argumentos contra a retroatividade da exclusão repetidos no recurso em análise, alegar que não exerce atividade econômica vedada (folhas 31/32 da numeração em papel), o que jamais foi fundamento da exclusão. IV Quanto à alegada prescrição pela tentativa de excluir a empresa do Simples "a partir de 01/01/1997", obviamente não se verifica, visto que o ADE recorrido exclui a empresa do Simples com efeitos a partir de 01/01/2006. V A alteração do art. 15 da Lei 9.317/96 pelo art. 3º da Lei 9.732/98 não mencionada no ADE nem no acórdão de primeira instância tem nenhum efeito sobre a questão, visto que tal alteração na legislação ocorreu antes dos fatos que ensejaram a exclusão em questão (anocalendário 2005). VI As alegações de ilegalidade do ADE recorrido, repetidas ao final do recurso, não prosperam, conforme já dito, por sua expressa fundamentação legal. No que se refere à ofensa a princípios, não cabe à instância administrativa ponderar acerca da validade frente aos mesmos de leis em vigor. Cabe registrar, por fim, que os documentos às folhas 57 a 65 (numeração em papel) aparentemente não guardam nenhuma relação com a lide, tampouco com a interessada, devendo a unidade da RFB de origem verificar a necessidade de excluílas do processo, caso tenham sido ali anexadas pela própria unidade por engano. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 72DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721158/2012-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à "legislação tributária", nos termos definidos pelo art. 96 do Código Tributário Nacional, interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. O Parecer PGFN nº 492/2011 enquadra-se na moldura de "norma complementar" conforme definido no art. 100 do Código Tributário Nacional. Cumprimento dos demais requisitos do art. 67 do RICARF, anexo II. Recurso especial conhecido.
LIMITES DA COISA JULGADA. CSLL. EFEITOS DO RESP. Nº 1.118.893/MG.
No que respeita à CSLL, ao se aplicar o REsp nº 1.118.893/MG, decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, de seguimento obrigatório pelos Conselheiros do CARF, a teor do disposto no artigo 62, § 2º, do RICARF - Anexo II, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica. Verificado o descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 18.893/MG, descabe sua aplicação ao caso.
CSLL. LEI 7.689/1988. EFEITOS SOBRE A COISA JULGADA. PARECER PGFN 492/2011.
Mesmo antes do advento do artigo 543-B do CPC/1973, certas decisões do STF em controle difuso já exibiam a tendência de dessubjetivação, ostentado um caráter objetivo e geral. Portanto, o atributo da definitividade já impregnava tais decisões, independentemente de terem sido seguidas ou não de Resolução do Senado. É o caso do acórdão proferido no julgamento do RE nº 138.284, o qual transitou em julgado em 29/09/1992, estabelecendo um precedente definitivo e objetivo que, configurando circunstância jurídica nova, ao confirmar o pronunciamento anteriormente exarado, quando do julgamento do RE nº 146.733, possui a aptidão de fazer cessar a eficácia vinculante de decisões judiciais transitadas em julgado que lhe eram contrárias.
Numero da decisão: 9101-003.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Flávio Franco Corrêa (relator), Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Luís Flávio Neto. Ausente, momentaneamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo, substituída pelo conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, momentaneamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à "legislação tributária", nos termos definidos pelo art. 96 do Código Tributário Nacional, interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. O Parecer PGFN nº 492/2011 enquadrase na moldura de "norma complementar" conforme definido no art. 100 do Código Tributário Nacional. Cumprimento dos demais requisitos do art. 67 do RICARF, anexo II. Recurso especial conhecido. LIMITES DA COISA JULGADA. CSLL. EFEITOS DO RESP. Nº 1.118.893/MG. No que respeita à CSLL, ao se aplicar o REsp nº 1.118.893/MG, decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, de seguimento obrigatório pelos Conselheiros do CARF, a teor do disposto no artigo 62, § 2º, do RICARF Anexo II, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica. Verificado o descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 18.893/MG, descabe sua aplicação ao caso. CSLL. LEI 7.689/1988. EFEITOS SOBRE A COISA JULGADA. PARECER PGFN 492/2011. Mesmo antes do advento do artigo 543B do CPC/1973, certas decisões do STF em controle difuso já exibiam a tendência de “dessubjetivação”, ostentado um caráter objetivo e geral. Portanto, o atributo da definitividade já AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 11 58 /2 01 2- 16 Fl. 344DF CARF MF Processo nº 16327.721158/201216 Acórdão n.º 9101003.505 CSRFT1 Fl. 345 2 impregnava tais decisões, independentemente de terem sido seguidas ou não de Resolução do Senado. É o caso do acórdão proferido no julgamento do RE nº 138.284, o qual transitou em julgado em 29/09/1992, estabelecendo um precedente definitivo e objetivo que, configurando circunstância jurídica nova, ao confirmar o pronunciamento anteriormente exarado, quando do julgamento do RE nº 146.733, possui a aptidão de fazer cessar a eficácia vinculante de decisões judiciais transitadas em julgado que lhe eram contrárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Flávio Franco Corrêa (relator), Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Luís Flávio Neto. Ausente, momentaneamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo, substituída pelo conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, momentaneamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional, em face do acórdão nº 1302001.622, assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 CSLL. COISA JULGADA. PARECER PGFN/CRJ/Nº 492/201 VINCULANTE. Tem força vinculante, para este Colegiado, as conclusões do PGFN/CRJ/Nº 492/2011, ratificadas pelo Ministro de Estado da Fazenda, por força do Fl. 345DF CARF MF Processo nº 16327.721158/201216 Acórdão n.º 9101003.505 CSRFT1 Fl. 346 3 disposto no art. 13 combinado com o art. 42 da Lei Complementar nº 73/93. Dada a força vinculante do Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011, não é cabível, para o período sob exame (anocalendário 2008), a cobrança da CSLL antes tida por inconstitucional pela coisa julgada." De acordo com a Fiscalização, o recorrido ajuizou a Ação Declaratória nº 90.00036763, visando ao reconhecimento da inexistência de relação jurídica que o obrigasse ao recolhimento da CSLL. Em acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o Poder Judiciário definitivamente deferiulhe o pleito, proclamando a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988, com trânsito em julgado em 29/10/1992. Na seara administrativa, em julgamento do recurso de ofício, o voto condutor do acórdão recorrido ressaltou a correção da decisão da DRJ, dada a força vinculante do Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011, de acordo com o qual é inválida, "para o período sob exame (anocalendário 2008), a cobrança da CSLL antes tida por inconstitucional pela coisa julgada, uma vez que a exigência foi feita somente em 14/12/2012, ou seja, após a publicação do citado Parecer.” A PGFN opôs Embargos de Declaração, que não foram conhecidos, à efl. 271. Nos referidos Embargos, o órgão de defesa da Fazenda Nacional apontou contradição, alegando, ainda, que não ocorrera a mencionada inércia da Fiscalização, à vista de outros lançamentos para a constituição da exigência de CSLL, efetuados após a declaração de constitucionalidade da Lei nº 7.689/1988 pelo STF. Na ocasião, a PGFN trouxe à baila o processo nº 16327.002145/200787, aberto para controle de ação fiscal inaugurada em 2007, portanto, anteriormente à publicação do aludido Parecer. Despacho de Encaminhamento dos autos à PGFN, para ciência do acórdão dos Embargos de Declaração, datado de 24/02/2016, à efl. 288. Recurso Especial da PGFN interposto no dia 08/04/2016. Nessa oportunidade, expôsse que o acórdão recorrido diverge do acórdão paradigma nº 1101 001.057, no qual restara demonstrado que a Fiscalização não permaneceu inerte, já que efetuara outro lançamento contra o mesmo contribuinte, em processo administrativo distinto. Com isso, destacouse que o acórdão paradigma aponta que a Fiscalização cumprira o determinado pelo Parecer PGFN nº 492/2011, ao passo que, no acórdão recorrido, negouse provimento a recurso de ofício com base no argumento de que, em consonância com o mesmo Parecer, a Fiscalização revelarase inativa, após a declaração da constitucionalidade da regra de incidência, considerando que o lançamento em foco se deu em 2012. Ponderouse, coerentemente com o exposto, que o acórdão recorrido partiu de premissa equivocada, para desconstituição do lançamento, ao pressupor inércia do Fisco não ocorrida, em relação ao contribuinte, pois o Parecer elucidara quais são as hipóteses de alteração das circunstâncias jurídicas capazes de cessar a eficácia vinculante da coisa julgada anteriormente prolatada, por gerarem “direito novo”. Sustentouse, nessa ordem de ideias, que uma das inovações trazidas pelo Parecer foi a tendência da “dessubjetivação” do controle de constitucionalidade exercido na modalidade difusa, tal a aproximação com o exercido na modalidade concentrada. Em outras palavras, a principal inovação do Parecer teria sido a de conferir a algumas decisões proferidas em controle difuso, pelo Plenário do STF, o efeito vinculante e erga omnes constitucionalmente atribuídos ao controle concentrado. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 16327.721158/201216 Acórdão n.º 9101003.505 CSRFT1 Fl. 347 4 Assinalouse, contudo, que, a partir da decisão do STF, no julgamento da ADI nº 15/DF, exsurgiu a inconteste e vinculante mudança no suporte jurídico existente ao tempo da prolação da decisão tributária passada em julgado, bem como a cessação automática da eficácia desta, nos termos do art. 102, § 2º, da vigente Carta Magna, despontando, desde então, relação jurídica tributária diversa daquela que fora apreciada, o que autorizaria o Fisco a cobrar o tributo antes tido por inconstitucional pela decisão coberta pela coisa julgada, a partir a data do trânsito em julgado do precedente do STF em controle concentrado. Ou seja, o Parecer PGFN nº 492/2011 teria tão somente confirmado que ocorre alteração da situação jurídica apta a cessar automaticamente a eficácia da coisa julgada do contribuinte, caso haja posterior decisão contrária em controle concentrado, e inovado com a tese da "dessubjetivação", isto é, quanto aos efeitos que devem ser atribuídos a algumas decisões de Plenário do STF em controle difuso. Ante o exposto, requereuse seja conhecido o presente Recurso e, ao final, provido, reformandose o acórdão recorrido para manter o lançamento em sua integralidade. O contribuinte foi cientificado do apelo fazendário no dia 12/05/2017, à efl. 320. Contrarrazões apresentadas no dia 26/05/2017, à efl. 321. Nessa oportunidade, explicouse que, ao contrário do alegado pela Fazenda Nacional, o lançamento efetuado em face do recorrido, em 2007, para a cobrança de CSLL dos fatos geradores de 2004 e 2005, não supre a omissão do Fisco a que se referem os itens 78 e 79 do Parecer PGFN 492/2011, seja porque esses dispositivos são claros no sentido de que o Parecer não retroage para alcançar fatos geradores anteriores a 2011 (ano do Parecer), caso o Fisco não tenha efetuado o lançamento daquele determinado ano (no caso concreto, fato gerador de 2008), seja porque o lapso temporal a que se referem os itens 78 e 79, por óbvio, abarca apenas os fatos geradores posteriores 2007 (ano do julgamento da ADI 15/DF) e anteriores a 2011 (ano do Parecer), estando fora desse intervalo o lançamento de tributo relativo a fatos geradores de 2004 e 2005. Salientouse, de qualquer forma, que, na remota hipótese de se admitir que a mudança de entendimento do STF, em 2007, teria força para legitimar a cobrança da CSLL, não pode haver dúvidas de que apenas os tributos relativos a períodos posteriores a 2007 seriam exigíveis, posto que, até então, o STF entendia que a CSLL era inconstitucional. A despeito disso, ressaltouse que a aplicação do Parecer nº 492/2011 é bastante discutível, diante do decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.118.893, no qual assentouse a prevalência de decisão transitada em julgado que reconhecera a inexistência de relação jurídica, com fundamento na inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988, ainda que tenha sobrevindo pronunciamento do STF, em controle concentrado, em sentido diverso. Aduziuse, na linha da decisão do STJ, acima referida, que a decisão judicial transitada em julgado que desobrigou o contribuinte ao recolhimento da CSLL, não desconstituída por ação rescisória e sem eficácia restrita a determinado exercício, deve prevalecer até que nova lei seja editada sem os vícios que macularam a instituição original do tributo. Por essa perspectiva, sublinhouse que as Leis n° 8.034/1990, 8.212/1991, 9.316/1996, 9.430/1996, 10.637/2002 e a Lei Complementar n° 70/1991, e toda a legislação superveniente à Lei nº 7.689/1988, não instituíram uma nova Contribuição Social sobre o Lucro e não têm o condão de justificar a exigência da CSLL. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 16327.721158/201216 Acórdão n.º 9101003.505 CSRFT1 Fl. 348 5 Pleiteouse, ante o exposto, o integral desprovimento do Recurso Especial ora combatido, mantendose a decisão da DRJ confirmada pelo CARF no sentido de cancelar a cobrança da CSLL. Subsidiariamente, requereuse, em nome da economia processual e sob pena de cerceamento do direito à ampla defesa, que sejam apreciados e providos os pedidos subsidiários da recorrida (revisão do valor lançado em decorrência de equívoco no cálculo da CSLL e impossibilidade de cobrança da multa de ofício no caso concreto). Alternativamente, suplicouse o retorno dos autos à DRJ para que esta aprecie e julgue referidos argumentos subsidiários. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator O presente Recurso é tempestivo. Entretanto, sua admissibilidade está subordinada à demonstração de divergência na interpretação da legislação tributária, nos termos do artigo 67 do RICARF Anexo II, verbis: "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF." (grifei) Conforme o descrito no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial fazendário, a divergência está precisamente localizada na interpretação do Parecer PGFN nº 492/2011. Reparese, a esse respeito, o seguinte trecho do acórdão recorrido: Tratase de auto de infração (a fls. 165 e segs.), cuja ciência da recorrente se deu em 14/12/2012, e, pelo qual, foi lançada CSLL do fato gerador de 31/12/2008, por falta de recolhimento. Logo, perfeita a conclusão do acórdão recorrido quando sustenta que: “Por conseguinte, dada a força vinculante do Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011, não é cabível, para o período sob exame (anocalendário 2008), a cobrança da CSLL antes tida por inconstitucional pela coisa julgada, uma vez que a exigência foi feita somente em 14/12/2012, ou seja, após a publicação do citado Parecer.” Assim, ressalvando o meu entendimento em sentido contrário, saliento que adoto as conclusões do PGFN/CRJ/Nº 492/2011, por força do disposto no art. 13 combinado com o art. 42 da Lei Complementar nº 73/93, in verbis: "Art. 13 A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional desempenha as atividades de consultoria e assessoramento jurídicos no âmbito do Ministério da Fazenda e seus órgãos autônomos e entes tutelados. ................................................................................................................... Art. 42. Os pareceres das Consultorias Jurídicas, aprovados pelo Ministro de Estado, pelo SecretárioGeral e pelos titulares das demais Secretarias da Presidência Fl. 348DF CARF MF Processo nº 16327.721158/201216 Acórdão n.º 9101003.505 CSRFT1 Fl. 349 6 da República ou pelo Chefe do EstadoMaior das Forças Armadas, obrigam, também, os respectivos órgãos autônomos e entidades vinculadas. Em face do exposto, voto negar provimento ao recurso de ofício." (grifo no original) Como se pode ver, a Turma recorrida concluiu pela improcedência do recurso voluntário, ao argumento de que, devendo obediência ao Parecer PGFN nº 492/2011, este dispõe de tal forma a desautorizar o lançamento efetuado em 2012 para constituir créditos tributários referentes a fato gerador do anocalendário 2008. Percebase que o acórdão recorrido seguiu a trilha antes delineada pela DRJ, que considerou a Fiscalização inerte, "porque o auto de infração ora combatido, apesar de referirse a anocalendário 2008, somente fora cientificado à contribuinte em dezembro de 2012." Depreendese do acórdão recorrido e da decisão da DRJ que a tese esposada por tais instâncias é decorrência da interpretação do Parecer PGFN nº 492/2011, mais especificamente do que consta nos itens 79 e 80, verbis: 79. Em outras palavras: este parecer não retroage para alcançar aqueles fatos geradores pretéritos, que mesmo sendo capazes, à luz do entendimento ora defendido, de fazer nascer obrigações tributárias, não foram, até o presente momento, objeto de lançamento. Por óbvio, se nas situações pretéritas o Fisco já tiver adotado o entendimento ora defendido, efetuando a cobrança relativa aos fatos geradores ocorridos desde a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, em relação a essas situações pretéritas o critério jurídico contido no presente Parecer não poderá ser considerado “novo”, o que afasta a aplicação do princípio da não surpresa e do art. 146 do CTN; esses lançamentos,portanto, deverão ser mantidos. 80. Afora essas situações específicas, que se caracterizam, primordialmente, por serem pretéritas a este Parecer, em todas as demais deve incidir a regra referida mais acima, segundo o qual o termo a quo para o exercício do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo antes tido como inexigível pela coisa julgada que lhe favorecia é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF." Em suma, as instâncias ordinárias entenderam que, de acordo com o Parecer PGFN nº 492/2011, não se pode efetuar lançamento tributário relativo a fatos geradores anteriores à publicação do citado ato do órgão de defesa da Fazenda Nacional, se o contribuinte esteve amparado por decisão judicial transitada em julgado que: a) não foi rescindida por ação rescisória; e b) tenha declarado a inexistência de relação jurídicotributária, ainda que sobrevenha precedente objetivo em sentido contrário, emanado da jurisprudência do STF, exceto se o Fisco, considerando a cessação da eficácia da decisão transitada em julgado por força do precedente objetivo em sentido contrário, resultante de decisão do STF, efetuou lançamento tributário antes da publicação do Parecer PGFN nº 492/2011. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 16327.721158/201216 Acórdão n.º 9101003.505 CSRFT1 Fl. 350 7 Ocorre que, em Embargos de Declaração, a PGFN alegou que, "em relação ao contribuinte em epígrafe, houve outros lançamentos para a exigência de CSLL após a declaração de constitucionalidade da Lei nº 7.689/88 pelo STF." E complementou: "A título de exemplo, podese citar o processo nº 16327.002145/200787, em que o mesmo contribuinte sofre ação fiscal em 2007, portanto, anteriormente à publicação do aludido Parecer, para exigência de CSLL em relação aos anos calendários de 2004 e 2005, quando já havia decisão do STF no sentido da constitucionalidade da Lei nº 7.689/88." Todavia, os Embargos de Declaração não foram conhecidos, a despeito da alegação de que o Fisco já havia efetuado lançamento tributário anteriormente à publicação do aludido Parecer. Por sua vez, o acórdão paradigma embasouse nos seguintes fatos para descaracterizar a tese da inércia da Fiscalização, que fora aventada na defesa do contribuinte: a) a Fiscalização, em 2012, efetuou lançamento de CSLL dos anoscalendário de 2007 e 2008, com suporte em legislação superveniente, já que o contribuinte não recolhia a contribuição, julgandose protegido por decisão judicial transitada em julgado em 1992, fundamentada na inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988; b) o contribuinte fora autuado anteriormente em 2009, quando se efetuou o lançamento para constituir créditos de CSLL relativos aos anoscalendário de 2004 a 2006, em face da omissão do recolhimento do mesmo tributo, pretensamente escorada na decisão transitada em julgado suprarrreferida. Inevitável que daí se veja divergência. Entretanto notese a divergência diz respeito a distintas interpretações do Parecer PGFN nº 492/2011. Reparese que o Recurso Especial bem precisou a sede da divergência: "Ambos os casos discutem a aplicação do Parecer PGFN/CRJ n.º 492/2011 (marco inicial para cobrança de CSLL quando houver inércia do Fisco após a declaração de constitucionalidade do tributo) em sede de recurso de ofício. Por um lado, no acórdão recorrido negouse provimento ao recurso de ofício por aplicação do Parecer PGFN/CRJ n.º 492/2011, eis que Turma entendeu que o Fisco quedouse inerte, não tendo promovido atos de cobrança após a declaração de constitucionalidade da regra de incidência que fez cessar a eficácia da coisa julgada então favorável ao contribuinte. De outro lado, no acórdão paradigma deuse provimento ao recurso de ofício, por aplicação do Parecer PGFN/CRJ n.º 492/2011, porque, embora o lançamento tenha se dado posteriormente à edição mencionado do Parecer, constatouse que [sic] a existência de outros lançamentos para exigência de CSLL após o advento declaração de constitucionalidade da regra de incidência. Logo, evidente que diante de situações análogas, os acórdãos confrontados adotaram conclusões diversas." (grifei) Assim postos os fatos, é preciso indagar se a divergência de interpretação em relação ao texto do Parecer PGFN nº 492/2011 cumpre a exigência do artigo 67 do Anexo II RICARF. Respondo que não, por duas razões: Fl. 350DF CARF MF Processo nº 16327.721158/201216 Acórdão n.º 9101003.505 CSRFT1 Fl. 351 8 a) o Parecer PGFN nº 492/2011 não trata de matéria própria ao Direito Tributário, mas de matéria de Direito Processual Civil entrecortada pelo Direito Constitucional; b) o Parecer PGFN nº 492/2011 não pode ser entendido como norma complementar, nos termos do artigo 100 do CTN. Em primeiro lugar, porque não veicula matéria tributária, como ressaltado acima; em segundo lugar, porque não vincula o contribuinte. No limite, apenas vincula a autoridade administrativa que não tenha autonomia decisória. Cabe enfatizar que os conselheiros do CARF gozam de autonomia e independência, em seus momentos decisórios, no sentido de que não estão subordinados à interpretação de outras autoridades, a não ser nos casos previstos em lei. A suposta obediência à interpretação do órgão de defesa da Fazenda, ainda que o ato seja aprovado por Ministro da pasta, violaria a necessária imparcialidade que deve presidir os julgados. Vale lembrar que a autonomia decisória dos conselheiros do CARF é uma prerrogativa da função, assegurada pelo artigo 48, parágrafo único, inciso I, da Lei nº 11.941/2009, inserido pela Lei nº 12.833/2013, verbis: "Art. 48..... Parágrafo único. São prerrogativas do Conselheiro integrante do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: (Incluído pela Lei nº 12.833, de 2013) I somente ser responsabilizado civilmente, em processo judicial ou administrativo, em razão de decisões proferidas em julgamento de processo no âmbito do CARF, quando proceder comprovadamente com dolo ou fraude no exercício de suas funções." Ora, se houvesse subordinação à interpretação de outra autoridade, independentemente de previsão em lei, o conselheiro do CARF estaria, em qualquer caso, sujeito à responsabilização administrativa, em razão de decisão proferida em linha diametralmente contrária à opinião da autoridade ministerial, em julgamento de processos no âmbito do CARF. Em suma, o Parecer PGFN nº 492/2011 não é norma da legislação tributária. E sequer é norma para o contribuinte, como também não o é para os conselheiros do CARF. Em face do exposto, não conheço do Recurso Especial fazendário. Se vencido, prossigo no mérito. De acordo com a Fiscalização, o contribuinte infringira os seguintes atos normativos: Lei nº 7.689/1988, 8. 981/1995, 9.249/1995, 9.316/1996 e 11.727/2008. Na data da ciência do auto de infração, 14/12/2012, já estava em vigor a Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a última medida provisória da lista das reedições iniciadas com a Medida Provisória nº 1.858/99. Com efeito, a sentença proferida nos autos da Ação Declaratória nº 90.00036763 transitou em julgado em 29/10/992. Embora as Leis nº 8.034/1990, 8.212/1991 e 8.383/1991 e a Lei Complementar nº 70/1991 já estivessem em vigor nessa data, outras leis, no Fl. 351DF CARF MF Processo nº 16327.721158/201216 Acórdão n.º 9101003.505 CSRFT1 Fl. 352 9 entanto, que modificaram a Lei nº 7.689/1988, foram aprovadas no curso do devido processo legislativo após o trânsito em julgado da sentença da antedita Ação Declaratória nº 90.00036763, a exemplo das Leis nº 8.541/1992 (publicada em 24/12/1192), 8.981/1995 e 9.430/1996, afora a Emenda Constitucional de Revisão nº 1/1994, a Emenda Constitucional nº 10/1996 e a decisão do Supremo Tribunal Federal prolatada no julgamento da ADI nº 15/DF. Como se pode ver, a Recorrente articula sua defesa com o apoio em argumentos coletados no julgamento do REsp nº 1.118.893. Não obstante as reverências devidas ao STJ, a decisão proclamada no julgamento do precitado Recurso Especial não surte efeitos sobre o caso aqui apreciado. No intuito de expor as razões que sustentam tal entendimento, trazse à colação o que já foi assinalado com maestria pelo Ilustre Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, no acórdão 9101002.530, ao julgar questão semelhante (os efeitos do REsp nº 1.118.893 sobre a decisão proferida no julgamento da apelação contra a sentença exarada nos autos do mandado de segurança nº 90.01.052797MG): “A questão que se coloca é a determinação dos efeitos do REsp. 1.118.893/MG sobre esta decisão acima transcrita. Este ponto é central, pois o argumento de que se aplicaria o REsp. 1.118.893/MG por força do art. 62, § 2º, do RICARF Anexo II, nos levaria a aceitar uma eternização da coisa julgada, seja ela qual for. Contudo, há que se considerar outros aspectos da questão, como segue. Vejase que a legislação analisada pelo STJ no REsp 1.118.893/MG (que remete a outras decisões na argumentação do relator) e que teria alterado a incidência da CSLL a partir da Lei 7.689/1988 corresponde à LC nº 70/1991 e Leis nºs 7.856/1989, 8.034/1990, 8.212/1991, 8.383/1991 e 8.541/1992 (citadas no julgado, ainda que nem todas tenham sido objeto de análise específica). Ora, considerando o teor da decisão transitada em julgado e o teor da decisão do STJ, resta claro que nenhuma das outras alterações posteriores que impactaram a CSLL, foram consideradas na decisão do STJ. Ou seja, a decisão só vale para os casos em que as leis mencionadas na decisão foram aplicadas ou utilizadas e, portanto, a superveniência legislativa que atinge a formatação da CSLL tem o condão de afastar a incidência do REsp. 1.118.893/MG, sem implicar em (sic) desobediência ao art. 62, § 2º, do RICARF Anexo II, ainda que se tenha que enfrentar a discussão de qual o grau modificativo dessas leis supervenientes àquelas mencionadas no REsp. 1.118.893/MG, no que diz respeito à afetação do fato gerador da CSLL. Ou seja, a questão se resolve de maneira simples: o art. 62, § 2º, do RICARF – Anexo II só se aplica a lançamentos feitos relativamente a períodos até 1992, data da última lei mencionada naquele julgamento. Para os lançamento feitos em relação a períodos posteriores, sob a égide de novas leis, não se aplica necessariamente o REsp. 1.118.893/MG.” A exemplo do que se ressaltou no acórdão nº 9101002.530, cabe aduzir ao fato de que a Lei nº 7.689/1988, tanto em 1994 quanto em 1996 — anos anteriores ao ano calendário 2008 – foi constitucionalmente reafirmada pelas Emendas Constitucionais nº 1/1994 e 10/1996, ao recorreram à expressão “mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988”. Ademais, como se adiantou em linhas precedentes, após o trânsito em julgado da decisão prolatada nos autos da Ação Declaratória nº 90.00036763, diversas normas foram editadas antes de 2008 (anocalendário do lançamento de ofício) para tratar da CSLL: Lei nº 8.541/1992 (artigos 22, 38, 39, 40, 42 e 43), 9.249/1995 (artigos 19 e 20), 9.430/96 (artigos 28 a 30, sendo que o artigo 28 remete aos artigos 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71 da mesma Fl. 352DF CARF MF Processo nº 16327.721158/201216 Acórdão n.º 9101003.505 CSRFT1 Fl. 353 10 Lei), 10.637/2002 (artigos 35 a 37 e 45), 11.727/2008 (artigo 17), afora as Emendas Constitucionais nº 1/1994 e 10/1996. Desse rol, apenas a Lei nº 8.541/1992 foi abarcada pelo REsp nº 1.118.893. Vale dizer: não se pode pretender que os efeitos do REsp nº 1.118.893 sejam estendidos ao caso ora em julgamento, pois o STJ não examinou as alterações legislativas aqui relacionadas, que dizem respeito ao fato gerador da CSLL. Adicionalmente, insta salientar que o auto de infração, como já destacado, traça o enquadramento legal com base nos diplomas legais abaixo: Lei nº 7.689/1988; Lei nº 8. 981/1995; Lei nº 9.249/1995; Lei nº 9.316/1996; e Lei nº 11.727/2008. Isto posto, é inevitável a percepção que os diplomas legais acima, não obstante o alicerce que emprestam ao lançamento de ofício, não são lembrados no REsp nº 1.118.893. Assim, pela perspectiva ora apontada, desacolhese a extensão dos efeitos do REsp nº 1.118.893 ao caso ora apreciado, sem descumprir o artigo 62, § 2º, do RICARF – Anexo II. No passo subsequente, é preciso trazer à baila o fato de que, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 146.733, em 29/06/1992, o Pleno do Supremo Tribunal Federal reconheceu, em sede controle difuso, a constitucionalidade da Lei nº 7.689/1988 (com exceção do artigo 8º). Tal entendimento foi confirmado no julgamento do RE nº 138.284, também pelo Pleno do STF, em 01/07/1992, e no julgamento da ADI nº 15/DF, em 14/06/2007. Recordese que o acórdão do RE nº 138.284 transitou em julgado em 29/09/1992, sendo que, em 12/04/1995, foi publicada a Resolução do Senado Federal n º 11, de 04/04/1995, que suspendeu a execução do já referido artigo 8º da Lei nº 7.689/1988. Em face do exposto, impõese suscitar a tendência de dessubjetivação do controle de constitucionalidade na modalidade difusa, a constituir uma mudança de paradigma, segundo revelam os seguintes exemplos, nas lembranças do Parecer PGFN nº 492/2011: “i) entendimento, manifestado pelo STF, no julgamento da ADIN nº 4071, no sentido de que a existência de prévia decisão do seu Plenário considerando constitucional determinada norma jurídica, ainda que em sede de Recurso Extraordinário (em controle difuso, portanto), torna manifestamente improcedente ADIN posteriormente ajuizada contra essa mesma norma. Tal entendimento evidencia que a natureza e a extensão dos efeitos oriundos das decisões dadas, pelo STF, em controle concentrado e em controle difuso de constitucionalidade não diferem substancialmente; do contrário, caso as decisões proferidas pelo STF em sede de controle difuso de constitucionalidade apenas vinculassem as partes da demanda concreta, a ADIN antes referida deveria ter sido conhecida e julgada improcedente, justamente a fim de conferir eficácia vinculante erga omnes ao juízo de constitucionalidade da lei analisada; (ii) aplicação do art. 27 da Lei nº 9.868/99 (que, tradicionalmente, servia como instrumento de manejo restrito ao âmbito do controle concentrado de constitucionalidade) às decisões proferidas pelo STF em sede de controle difuso, de Fl. 353DF CARF MF Processo nº 16327.721158/201216 Acórdão n.º 9101003.505 CSRFT1 Fl. 354 11 forma a lhes modular os efeitos temporais por razões atinentes à “segurança jurídica ou de excepcional interesse social”, o que apenas parece fazer algum sentido caso se admita que a força dessas decisões extrapola o âmbito das demandas concretas por elas especificamente disciplinadas, estendendose, também, a todas as outras demandas em que se discuta a mesma questão nela debatidas; (iii) criação do instituto da repercussão geral e a sua previsão como requisito de admissibilidade dos recursos extraordinários (ex vi do art. 102, §3º, da CF/88, incluído pela Emenda Constitucional n. 45, de 30 de dezembro de 2004), de modo a permitir que apenas aqueles recursos que tratem de questões constitucionais relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da causa, cheguem à apreciação da Suprema Corte; (iv) já há manifestação monocrática, oriunda do STF, da lavra do Ministro GILMAR FERREIRA MENDES e acompanhada pelo Min. EROS GRAU, considerando cabível – e procedente Reclamação Constitucional ajuizada em face da desobediência, por juiz singular, de decisão proferida pela Suprema Corte nos autos do HC n. 82959/SP12 (em controle difuso, portanto), sob o fundamento de que as decisões proferidas pelo STF em sede de controle difuso de constitucionalidade ostentam eficácia vinculante erga omnes, independentemente da posterior edição de Resolução pelo Senado Federal, elaborada na forma do art. 52, X da CF/88, a qual teria apenas, hodiernamente, o condão de imprimir publicidade a tais decisões. Tratase de decisão monocrática proferida nos autos da Reclamação Constitucional nº 4.335/AC, cujo julgamento se encontra, atualmente, sobrestado em razão do pedido de vista feito pelo Ministro RICARDO LEWANDOWSKI, em 19/04/2007; (v) em outro relevante julgamento, proferido nos autos das ADIN nº 3345 e 3365, restou definido que os “motivos determinantes” subjacentes às decisões proferidas pela Suprema Corte em sede de controle difuso de constitucionalidade ostentam “efeitos vinculantes transcendentes”, de modo que sua eficácia vinculante extrapola a esfera restrita e específica das demandas individuais nas quais tais decisões são proferidas, vinculando o destino das demais que enfrentem questão jurídica semelhante.” Perante tal panorama, mostrase irretorquível, mormente à luz da luminosa explanação do Parecer PGFN nº 492/2011, que as decisões em controle de constitucionalidade, quando proferidas pelo órgão Plenário do STF, independentemente de posterior expedição de Resolução do Senado, assumem um caráter objetivo, porquanto desprendidas do caso concreto, uma vez que a questão submetida à jurisdição da Corte Suprema é analisada em tese, ainda que incidentalmente. Por esse ângulo, o recurso extraordinário deixa de ser uma simples via de resolução de conflitos de interesses entre as partes, de caráter subjetivo, para tornarse um modo de defesa da ordem constitucional objetiva. Em suma, em tais circunstâncias, o julgamento do recurso extraordinário deve ser visto como uma atividade jurisdicional que transcende os interesses subjetivos. Como clarifica o Parecer PGFN nº 492/2011, a imutabilidade e a eficácia vinculante da decisão transitada em julgado apenas recairão sobre os desdobramentos futuros da declaração de existência (ou inexistência) da relação jurídica de direito material de trato sucessivo, enquanto permanecerem inalterados os suportes fáticos e jurídicos existentes ao tempo de sua prolação. Uma vez alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes no momento da prolação da sentença, esta naturalmente deixará de produzir efeitos desde então. Registrese que a alteração legislativa não é a única possibilidade de mudança no suporte jurídico existente ao tempo da prolação da decisão judicial transitada em julgado. A Fl. 354DF CARF MF Processo nº 16327.721158/201216 Acórdão n.º 9101003.505 CSRFT1 Fl. 355 12 consolidação da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal em sentido diverso da decisão judicial transitada em julgado pode representar significativa mudança no suporte jurídico sob o qual o juízo de certeza nela contido se formou, e assim fazer cessar a eficácia vinculante dela emanada. É cediço que o advento de precedente objetivo e definitivo do STF, em controle concentrado, possui força para alterar o sistema jurídico vigente. De fato, quando o STF, no exercício sua missão institucional, reconhece a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de um determinado dispositivo legal, o que daí resulta é a resolução definitiva acerca da aptidão, ou não, da incidência desse dispositivo. Claro que isso deverá refletirse, por consequência, nas relações jurídicas que tenham suporte no dispositivo cuja constitucionalidade fora objeto do controle concentrado. Isso porque, dada a função institucional do STF, o advento de um precedente em controle concentrado possui o condão de conferir ao dispositivo legal apreciado o atributo de uma norma definitivamente interpretada pelo órgão judicial que tem a última palavra sobre o tema. Daí que, considerando tal atributo, todas as dúvidas tornamse solucionadas em face de um juízo de certeza sobre o assunto. Por tal viés, compreendese que as decisões definitivas incorporamse ao sistema jurídico vigente, acrescentandolhe um elemento até então inexistente, que consiste no juízo de certeza acerca da constitucionalidade, ou não, de uma determinada lei, ou acerca da interpretação correta de uma determinada norma constitucional. Em outras palavras, esse juízo de certeza se prende ao próprio dispositivo legal interpretado, cuja aplicação deverá estar nele pautado. Contudo, nos dias atuais, tanto impactam o sistema jurídico vigente as decisões do STF em controle concentrado como em controle difuso, independentemente de posterior edição de Resolução do Senado prevista no artigo 52, inciso X, da Constituição da República de 1988. Mesmo antes do advento do artigo 543B do CPC/1973, as decisões do STF em controle difuso já exibiam a tendência “dessubjetivação”, já ostentado um caráter objetivo e geral. Portanto, o atributo da definitividade já impregnava tais decisões, independentemente de terem sido seguidas ou não de Resolução do Senado. Com essa visão, o Parecer PGFN nº 492/2011 manifesta que, por serem objetivos e definitivos, os precedentes do STF em controle difuso de constitucionalidade possuem força para alterar ou impactar o sistema jurídico, nos seguintes termos: (i) os posteriores a 3 de maio de 2007 (lembrando que 3 de maio de 2007 corresponde à data de alteração regimental do STF, decorrente da aprovação da Lei nº 11.488/2006), seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, contanto que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (ii) os anteriores a 3 de maio de 2007, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário e confirmados em julgamentos posteriores do STF. Diante disso, constatase que, com o trânsito em julgado do acórdão proferido no julgamento do RE nº 138.284, em 29/09/1992, estabeleceuse um precedente que se constituiu num parâmetro objetivo de constitucionalidade, confirmando o pronunciamento anteriormente exarado, quando do julgamento do RE nº 146.733, embora o trânsito em julgado deste último tenha ocorrido em 13/04/1993. Convém ter em mente que a autuação fiscal alcançou fato gerador de CSLL de 2008. Por conseguinte, antes desse interregno já havia sido emitido pelo STF um precedente objetivo e definitivo apto a afetar a coisa julgada que se consolidara em 29/10/1992. Como visto, não pode prevalecer o argumento de ocorrência de relativização da coisa julgada, já que não se retrocedeu para alcançar fatos passados antes da circunstância jurídica nova, isto é, antes Fl. 355DF CARF MF Processo nº 16327.721158/201216 Acórdão n.º 9101003.505 CSRFT1 Fl. 356 13 do precedente objetivo e definitivo decorrente do julgamento do RE nº 138.284. Nessa linha, a decisão do STF, no julgamento da ADI nº 15/DF, apenas reafirmou o entendimento da Corte manifestado em sede de controle difuso de constitucionalidade, como se pode constatar nos acórdãos referidos em sua ementa. Concluise, pois, que a sentença transitada em julgado, proferida nos autos Ação Declaratória nº 90.00036763, não possui eficácia sobre o fato gerador de CSLL relatados na autuação fiscal, motivo por que deve ser mantido o lançamento de ofício. Presentes os argumentos acima colacionados, opino no sentido de não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Se vencido, voto no sentido de prover o apelo fazendário. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa. Voto Vencedor Conselheiro Luís Flávio Neto, redator designado. Cumpre esclarecer que o presente voto vencedor diz respeito exclusivamente ao conhecimento do recurso especial interposto pela PFN. Quanto ao mérito, restou vencedor o voto proferido pelo i. Conselheiro Relator. No caso, compreendeu o i. Conselheiro Relator que o recurso especial interposto pela PFN não poderia ser conhecido, pois a divergência de interpretação suscitada diria respeito ao Parecer PGFN nº 492/2011, que não seria parte da "legislação tributária" referida pelo art. 67 do RICARF. Dispõe o art. 67 do RICARF, anexo II: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. É fundamental observar os dispositivos do Código Tributário Nacional, localizados em seu Livro Segundo (Normas Gerais de Direito Tributário), Título I (Legislação Tributária), Capítulo I (Disposições Gerais), especialmente nos artigos 96 e 100: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: Fl. 356DF CARF MF Processo nº 16327.721158/201216 Acórdão n.º 9101003.505 CSRFT1 Fl. 357 14 I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. O i. Conselheiro Relator compreendeu que o Parecer PGFN nº 492/2011 não seria uma "norma complementar", nos termos do artigo 100 do CTN, pois não veicularia matéria tributária (mas sim processual), bem como não vincularia o contribuinte (mas apenas a autoridade administrativa que não tenha autonomia decisória). Permissa vênia, não verifico fundamento para a distinção realizada pelo i. Conselheiro Relator. Não parece haver dúvida que o Parecer PGFN nº 492/2011 é espécie de "atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas" (CTN, art. 100, inciso I) que enfrenta questões processuais justamente para orientar a administração fiscal quanto ao lançamento ou não de tributos, versando, portanto, "sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes" (CTN, art. 100, caput). Ademais, ao exigirse que um instrumento, para ser classificado como “legislação tributária”, tenha eficácia para vincular diretamente tanto o contribuinte como a fiscalização, equiparase este conceito ao de “lei” em sentido estrito. A expressão “legislação tributária" é gênero que contempla uma série de espécies normativas, entre elas “leis” e as “normas complementares”. O art. 97 do CTN trata da lei tributária em sentido estrito, enquanto o art. 100 tutela o conceito de “normas complementares”. O art. 100 do CTN tem como escopo hipóteses que, em comum, o legislador elegeu como critério de discrímen atos não necessariamente direcionados especificamente ao contribuinte, mas com potencialidade de lhe criar expectativa de cumprimento da norma tributária de determinada maneira. Os atos administrativos vocacionados a informar a coletividade quanto à interpretação adotada pelo fisco criam para cada particular expectativas de cumprimento protegidas pelo Direito, com a salvaguarda contra comportamentos contraditórios emanadas por autoridades fiscais. Tomando como exemplo as circulares, portarias, instruções e ordens de serviço, Rubens Gomes de Sousa, um dos mais notórios idealizadores do CTN, lecionava tratarse de fontes secundárias do Direito tributário que, “definindo o ponto de vista da administração pública, ajudam a entender o sentido e o alcance da lei, devendo ser levados em consideração pelo juiz para esse efeito, e podendo ser invocados em sua defesa pelos particulares, quando tenham agido de acordo com eles, ou quando os funcionários pretendam agir diversamente e em prejuízo do particular”. Comungo do entendimento do i. Conselheiro Relator quando aduz que "os conselheiros do CARF gozam de autonomia e independência, em seus momentos decisórios, no sentido de que não estão subordinados à interpretação de outras autoridades, a não ser nos casos previstos em lei". No entando, compreendo que o alinhamento ou não ao entendimento esposado no Parecer PGFN nº 492/2011 é matéria a ser analisada no mérito do recurso, mas Fl. 357DF CARF MF Processo nº 16327.721158/201216 Acórdão n.º 9101003.505 CSRFT1 Fl. 358 15 não critério para qualificar (ou desqualificar) este instrumento como "norma complementar" nos termos do art. 100 do CTN c/c o art. 67 do RICARF anexo II. Nesse seguir, compreendo não merecer reparos o despacho de admissibilidade do recurso especial, acolhendo as suas razões de decidir como parte integrante deste voto, para CONHECER o recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 358DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.906075/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
INDÉBITO ILÍQUIDO
Para o reconhecimento de direito creditório, não basta a comprovação da certeza de ter havido indébito, é necessária também a sua quantificação, ou seja, a liquidez do valor. No presente caso, o contribuinte recolheu o IRPJ pelo percentual de 32% sobre o total das suas vendas e contratos e notas fiscais de aquisição de materiais indicam que parte das suas vendas se submeteriam ao percentual de 8%. Nada obstante, com os elementos trazidos aos autos, não há comprovação de quais vendas apresentam tal característica, o que impede a verificação do montante recolhido a maior.
Numero da decisão: 1401-002.432
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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No presente caso, o contribuinte recolheu o IRPJ pelo percentual de 32% sobre o total das suas vendas e contratos e notas fiscais de aquisição de materiais indicam que parte das suas vendas se submeteriam ao percentual de 8%. Nada obstante, com os elementos trazidos aos autos, não há comprovação de quais vendas apresentam tal característica, o que impede a verificação do montante recolhido a maior. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 60 75 /2 00 9- 45 Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10855.906075/200945 Acórdão n.º 1401002.432 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1429.095 da 5ª Turma da DRJ/RPO que negou provimento à manifestação de inconformidade apresenta pelo interessado. Com relação às peças iniciais do feito, tomo de empréstimo o relatório da decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de Contribuição para a Cofins (código de receita: 2172) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório [...], não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade [...], na qual alega, em síntese, que: a) a sociedade em questão tem como atividade principal a exploração da construção civil, destacandose a prestação de diversos serviços; b) em 23/01/2003, a contribuinte formulou consulta fiscal, processo administrativo n° 10855.000267/20031, requerendo solução acerca do percentual aplicável sobre a receita bruta da pessoa jurídica prestadora de serviços na área da construção civil, quando houver emprego de materiais, para fins de apuração do lucro presumido; c) obteve como resposta o percentual de 8%; d) constatou que sempre apurou o lucro presumido pelo percentual de 32% sobre a receita bruta, mesmo empregando materiais nas obras, e, conseqüentemente, sempre recolheu IRPJ a maior, pelo quádruplo do valor devido; e) a contribuinte procedeu a compensação do tributo pago a maior com tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB); f) a contribuinte deixou de retificar o valor do débito de IRPJ declarado na DCTF e na DIPJ de modo que o sistema não constatou o pagamento a maior de imposto; g) embora não tenha havido a retificação da DCTF e da DIPJ para permitir que o sistema constatasse automaticamente o pagamento a maior do IRPJ e o seu Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10855.906075/200945 Acórdão n.º 1401002.432 S1C4T1 Fl. 4 3 decorrente crédito os documentos anexos comprovam claramente a sua existência, bem como a veracidade das informações prestadas; h) o contrato anexo comprova a natureza do serviço de construção civil e o emprego de materiais para execução da obra; i) as notas fiscais anexas comprovam os materiais utilizados na obra contratada; j) a nota fiscal emitida pela contribuinte discrimina o contrato a que corresponde e comprova a origem da receita; k) a nota fiscal emitida pela contribuinte e o DARF, se confrontados, comprovam que o lucro presumido foi apurado pelo percentual de 32% e que o IRPJ foi recolhido a maior que o quádruplo do valor; l) a não retificação do débito de IRPJ na DCTF e na DIPJ não decorreu de dolo da contribuinte e sim do entendimento equivocado de que as informações prestadas na Declaração de Compensação supririam a sua necessidade; m) para evitar decisões divergentes sobre fatos idênticos, requer o apensamento deste processo ao processo de crédito n 10855900739/200881. Ao final, requer que seja dado provimento a presente manifestação para homologar a compensação efetuada e anular o débito. DA DECISÃO RECORRIDA Em breve síntese, a decisão recorrida negou provimento à manifestação de inconformidade sob o fundamento de que o contribuinte a solução de consulta a que faz referência asseverou, de um lado, a alíquota de 8% para a construção civil com o emprego de materiais, mas também que as empresas que exercem atividades diversificadas devem aplicar a alíquota específica de cada atividade. No contrato social apresentado, a empresa exerce diversas atividades de serviços (nesse passo, o julgador elenca cada uma delas). Assim, os contratos por ela assinados podem abrigar mais de um tipo de atividade, o que exige a documentação fiscal cabível para a apuração da base de cálculo do IRPJ. O contribuinte apresentou Notas Fiscais Faturas de Serviços e demais documentos pertinentes. No entanto, o imposto não é apurado, nota a nota. Como o contribuinte não fez a nova apuração do imposto devido no trimestre, deixou de demonstrar o montante do indébito. Quanto a essa parte, vale transcrever o trecho original da decisão: Contudo, o direito à repetição do indébito não diz respeito a cada nota fiscal como pretendido pela contribuinte. Repetir o IRPJ atinente a cada nota fiscal emitida para a Cia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo caracteriza flagrante impropriedade, vez que o que a contribuinte pleiteia como indébito, na PER/Dcomp [...], é o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 4º trimestre de 2001, e este não incide em cada nota fiscal em particular, mas sim sobre uma base de cálculo, determinada pela aplicação de um percentual sobre o montante da receita bruta, decorrente da venda de mercadorias e serviços, acrescido de outras receitas e ganho de capital, apurado trimestralmente na forma da lei. Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10855.906075/200945 Acórdão n.º 1401002.432 S1C4T1 Fl. 5 4 Portanto, a contribuinte deveria trazer aos autos demonstrativo da apuração do lucro presumido do 4 trimestre de 2001 com aplicação, no caso de atividades diversificadas, do percentual correspondente a cada atividade, a fim de se determinar a base de cálculo e o imposto de renda devido e, aí sim, cotejar o IRPJ pago com aquele efetivamente devido. Foi essa a razão que orientou o voto para negar provimento à manifestação de inconformidade. RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte apresentou recurso voluntário além de documentos nas páginas seguintes. Desta vez, além das notas fiscais e contratos de prestação de serviços, carreou o diário do período (4º trimestre de 2001), com o balanço, a demonstração do resultado do exercício e o plano de contas. Na peça recursal, aduziu inicialmente as mesmas razões oferecidas na manifestação de inconformidade. Ademais, afirma que os documentos apresentados seriam suficientes para comprovar o indébito, pois, apesar de não ter juntado os livros fiscais, carreou toda a documentação que deu suporte à sua escrituração. De toda sorte, dada a exigência da autoridade julgadora de primeiro grau, juntou ao recurso todas as notas fiscais emitidas no trimestre, os contratos, as notas fiscais dos materiais empregados e a cópia do seu livro diário. É o relatório do essencial. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10855.906075/200945 Acórdão n.º 1401002.432 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.416, de 13/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.906076/2009 90, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma teve como origem o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 4º trimestre de 2001. No presente processo, o direito creditório pleiteado tem como origem o IRPJ pago com base no lucro presumido apurado no 4º trimestre de 2001. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.416): "Inicialmente, apesar de não discordar da conclusão do voto como explicarei posteriormente, devo dizer que a premissa adotada pela autoridade julgadora de primeiro grau foi muito rigorosa. Não é necessário, no meu ponto de vista, demonstrar novamente toda a apuração do trimestre para se verificar um valor de indébito a partir de algumas notas fiscais. Afinal, se o contribuinte adotou o percentual de 32% para toda a sua receita e, posteriormente, comprova que alguns dos valores registrados estão submetidos a percentual diverso, o montante do indébito corresponderá à diferença de percentual sobre a receita apontada. Esse raciocínio é o mesmo que permite à autoridade fiscal lançar o imposto de renda a partir da verificação de apenas alguns itens do resultado, sem que necessite recalcular toda a base de cálculo. Com os elementos apresentados pelo contribuinte, é possível aferir que houve serviços prestados com o emprego de materiais, mas não é possível aferir exatamente quais e nem identificar o seu montante. Podemos verificar que, no período, o contribuinte prestou serviços apenas para a SABESP, em razão da seqüência contínua de notas fiscais que vão da nº de 180, emitida em 01/10/2001 a 199, emitida em 17/12/2001. Ou seja, todas as suas receitas provieram da execução de contratos com essa empresa. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10855.906075/200945 Acórdão n.º 1401002.432 S1C4T1 Fl. 7 6 Nos referidos contratos, consta cláusula que impõe ao prestador o dever de empregar os materiais. Houve materiais adquiridos no período. Aliás, além do período (foram adquiridos no interregno entre a celebração dos contratos e das prestações de serviço), é possível identificar que tais materiais foram empregados nos serviços prestados à Sabesp em função de referências como "Material a ser utilizado na obra de Hortolândia/SP" (vide fl. 370), justamente o local de execução das prestações de serviço. No entanto, não é possível aferir (e nem sequer o contribuinte indica) quais notas se referem a serviços prestados com o fornecimento de materiais. Sabemos que uma parte dessas notas são relativas à prestação de serviço com fornecimento de material, mas elas não correspondem ao todo, uma vez que o contribuinte pleiteia indébito significativamente menor que a aplicação da diferença de percentual sobre o total da receita. Ademais, não sabemos quais são as notas dentre aquelas apresentadas e nem o seu montante, uma vez que, entre as notas de aquisição de materiais e as de prestação de serviço, inexiste vinculação, a qual nem sequer pode ser inferida pela proximidade de datas. Sem essa quantificação, não é possível aferir o valor do indébito, que para ser deferido exige a sua liquidez. Por essas razões, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 485DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.904970/2010-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.
CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-003.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 49 70 /2 01 0- 28 Fl. 140DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 121 em face da decisão de primeira instância da DRJ/MG de fls. 103 que manteve o despacho decisório de fls. 2, que reconheceu parcialmente os créditos básicos e presumidos de IPI. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima: "A contribuinte interessada protocolou declaração de compensação –DCOMP – por meio das quais pretendeu a extinção de débito próprio, tendo por lastro creditório parcela do crédito ressarcível atinente ao 3º trimestre calendário de 2002, conforme indicado na DCOMP nº 29104.83964.290905.1.3.017501 (fls. 94/961). A análise de legitimidade e materialidade do lastro creditório das compensações declaradas encontrase consolidada nos demonstrativos de fls. 81/82 e 93, bem como no termo de verificação fiscal, intitulado "auto de infração", de fls. 83/88, os quais compõem e integram o despacho decisório nº 863951110 (fl. 02, repetido à fl. 80), que reconheceu em parte o lastro creditório e, consequentemente, homologou parcialmente as compensações declaradas, conforme abaixo. "Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$134.577,81 Valor do crédito reconhecido: R$1.412,60 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11065.904970/201028 Acórdão n.º 3201003.768 S3C2T1 Fl. 141 3 O crédito reconhecido rol Insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado". Cientificada do despacho decisório pela via postal em 14/06/2010 (fls. 97/98), a interessada, por meio de procurador legalmente constituído (fls. 45/46 e 91/92), protocolou em 14/07/2010 sua manifestação de inconformidade de fls. 03/44, alegando que: "Normas legais tidas como infringidas 2. Como enquadramento legal, para não homologar referidos pedidos de compensação, a Administração elencou os seguintes fundamentos: Lei nº 9.779/99 art. 11 (...) Lei nº 9.430/96 art. 74 (...) Lei nº 9.363/96 (...) Lei nº 10.276/01 (...) Das presunções 3. Os fundamentos legais do auto de infração anteriormente reproduzidos, não mantêm correlação lógica com a matéria objeto do lançamento tributário. 3.1 Da lavratura do Auto de Infração, merecem ser transcritos os seguintes pontos: '(...) 3.2 Fornecedores com indícios de irregularidades. Durante a análise foi detectado que uma série de fornecedor possuía indícios de irregularidades, conforme relacionados na tabela a seguir. Estes fornecedores possuem movimentação financeira nula ou de no máximo 70% do valor das compras, no período analisado'. (destaques da Peticionária) 3.2 No auto de infração, encontrase rol de fornecedores, cujos nomes não serão reproduzidos por absoluta desnecessidade, por se referirem ao evento que ocasionou a glosa. 3.3 Quanto à idoneidade dos fornecedores, por conseqüência das notasfiscais objeto da glosa, há que ser Fl. 142DF CARF MF 4 examinada decisão prolatada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n. 1.148.444 (...): (...) 4. Desta forma, o primeiro ponto atacado se refere aos indícios e presunção sem motivação, em decorrência da baixa movimentação financeira dos fornecedores, o que não se revela instrumento adequado e capaz de glosar os créditos utilizados. 5. No que se refere a exigência do crédito tributário, se revela ônus do fisco provar o fato constitutivo do seu direito, conforme determina o art. 9 ° do Decreto n. 70.235/72 (...): (...) 6. Nessa linha de argumentação, há que ser examinada manifestação de Marcos Vinicius Neder (...): (...) 7. Portanto, a presunção da qual se utilizou a Administração para embasar o lançamento não tem o condão de mantêlo hígido, por não ter provado o alegado quanto a ausência ou baixa movimentação financeira dos fornecedores, bem como no pertinente à inidoneidade dos mesmos. (...) 8. Igualmente, na fundamentação para glosar a compensação, a Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo se manifestou no seguinte sentido quanto a não homologação da compensação proposta, estando a mesma assim redigida: '(...) O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado'. 9. A manifestação, anteriormente reproduzida, confirma ter havido o exame do lançamento, na modalidade por homologação, onde a autoridade administrativa, de forma expressa, realizou a homologação parcial da extinção do crédito tributário. Mesmo que parcialmente, ocorreu a homologação. Esse ponto revelase sobremaneira importante pelo simples fato dos reflexos que trará quanto a (in)exigibilidade do crédito tributário. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11065.904970/201028 Acórdão n.º 3201003.768 S3C2T1 Fl. 142 5 10. Tendo havido homologação parcial, isto é, extinção parcial do crédito tributário passase a examinar sua exigibilidade quanto ao montante não homologado sob o aspecto da decadência. Da decadência 11. O crédito tributário objeto do auto de infração ora hostilizado corresponde ao primeiro trimestre de 2002 até o primeiro trimestre de 2004, restando referido crédito tributário inexigível, por ter sido atingido pela decadência. 11.1 Igualmente, quanto à materialização do instituto da decadência, o próprio órgão julgador representante da Administração Tributária, tem decidido na mesma linha de entendimento defendida na presente Manifestação de Inconformidade, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada na decisão do processo n. 11610.003223/0011 (...) (...) 12. Tanto é verdadeiro que o crédito tributário foi atingido pela decadência que a Administração, mediante sua fundamentação no auto de infração, se preocupa em buscar o afastamento do instituto, como pode ser comprovado, a fls. 4 dos autos, utilizando a seguinte argumentação: O prazo para que a Administração verifique a legitimidade do crédito utilizado não é de 5 (cinco) anos contados a partir da emissão da nota fiscal, pois se assim fosse, o contribuinte poderia, por exemplo, utilizar o crédito no último dia antes da decadência e a Receita Federal não teria como verificar a legitimidade deste crédito. O prazo legal é de 5 (cinco) contados a partir da utilização do direito creditório que no presente caso encerrarseia apenas no final de 2010, 5 anos após a transmissão do PER/DECOMP , conforme estipula § 5º do art. 74 da Lei n ° 9.430/1996 (todos grifos são nossos) (...) 13. A partir do julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, ficou assentado ser o prazo de cinco anos para constituir, mediante a previsão em lei complementar, quanto para cobrar o crédito tributário, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada no referido julgado (...) Das antinomias 14. Não cabe à lei ordinária legislar sobre matéria reservada à lei complementar, como ficou Fl. 144DF CARF MF 6 demonstrado ao ser reproduzida a ementa da decisão prolatada no julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, por afrontarem as normas gerais em matéria tributária, especialmente sobre prescrição e decadência. 14.1 As leis ordinárias utilizadas como fundamento pela Requerida, que tratam sobre prazo para constituição do crédito tributário, se revelam em perfeita antinomia, por desbordar de sua área de competência, uma vez que o instituto da decadência em direito tributário é reservado à lei complementar. (...) 16. Portanto, demonstradas as antinomias, não poderá ser mantido o crédito tributário, por estar totalmente desamparado quanto ao veículo legislativo adequado, isto é, lei complementar, mesmo porque pelo critério da hierarquia das leis, tal instituto não poderá ser aplicado. 17. Ainda, no que se refere a preclusão da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário, importante trazer para apreciação manifestação doutrinária sobre o tema (...). (...) 18. Igualmente, há que ser examinado o montante da pretensão objeto do auto de infração, uma vez que os mesmos não guardam correlação entre si, exigindose portanto a realização de perícia contábil para elucidar o referido montante. (...) 19. Diante do exposto, requer: a) seja recebida, conhecida e provida a presente manifestação de inconformidade, para assegurar à Requerente o aproveitamento dos créditos glosados, determinando a baixa e arquivamento do Auto de Infração; b) seja apreciado, explicitamente sob o ângulo do pré questionamento a compensação do crédito tributário previsto no art. 156, II; bem como, de sua extinção, inserta no art. 173, ambos da Lei n. 5.172/66." É o relatório." Este Acórdão de primeira instância da DRJ/MG foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11065.904970/201028 Acórdão n.º 3201003.768 S3C2T1 Fl. 143 7 Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENEGAÇÃO FISCAL DO LASTRO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DA RECLAMANTE. Havendo denegação fundamentada pelo Fisco ao lastro creditório de compensações declaradas em DCOMP, incumbe à interessada transmitente da DCOMP o ônus de demonstrar, na reclamação por ela interposta, por meio de prova material cabal, que aquele lastro creditório revestia se de certeza e liquidez. Em não o fazendo, impossível afastar a denegação fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de constitucionalidade e legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. IPI. RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Em pedidos de ressarcimento de IPI cuja discussão se refere a direito de crédito a favor do sujeito passivo e não à constituição de crédito tributário, não se aplicam os prazos decadenciais dos artigos 150, § 4º, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. De outro lado, o prazo para homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados da data da transmissão da declaração de compensação a que se refere. Assim, somente depois de transcorridos cinco anos da transmissão da DCOMP, a compensação está homologada tacitamente por decurso de prazo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia quando os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 146DF CARF MF 8 Direito Creditório Não Reconhecido." Após o protocolo do Recurso Voluntário, que reforçou as argumentações da Manifestação de Inconformidade, os autos foram distribuídos para este Conselheiro e pautados para julgamento nos moldes estabelecidos no regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, merece conhecimento o tempestivo Recurso Voluntário. Sobre o pedido de homologação tácita, verificase que esta não ocorreu, considerando que não se passaram mais de cinco anos do pedido administrativo (29/09/05) até a data do Despacho Decisório de fls 2 (07/06/10), que configuram a devida manifestação da União sobre os tributos em controvérsia. Verificase nos autos que o contribuinte solicitou a restituição e compensação de suposto crédito básico de IPI e crédito presumido de IPI e teve parte de seu pedido administrativo homologado. Em defesa da reversão da não homologação parcial, o contribuinte apresentou seus recursos e apresentou suas argumentações, contudo, os documentos comprobatórios dos créditos básicos e crédito presumido de IPI, da parte glosada, deveriam ter sido juntados no autos, mas não foram. Nem mesmo as memórias de cálculo ou NFs. Além disso, a fiscalização apontou que os fornecedores não possuíam movimentação financeira à época das operações, o que leva a crer que as operações não ocorreram. Neste ponto não houve comprovação do contrário, por parte do contribuinte. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, com fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11065.904970/201028 Acórdão n.º 3201003.768 S3C2T1 Fl. 144 9 Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.722236/2014-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
IPI COMPLEMENTAR. NOTAS FISCAIS DE REVENDA DE MERCADORIAS IMPORTADAS COM ÔNUS DO ADQUIRENTE. CARACTERIZAÇÃO DE RECEITA
Com o trânsito em julgado da decisão judicial que desobrigou o contribuinte do recolhimento do IPI no momento da saída dos veículos importados de seu estabelecimento, os valores do denominado "IPI complementar" destacados nas notas fiscais de revenda das mercadorias importadas, com ônus do adquirente, e não recolhidos pela empresa autuada, se revestem da natureza de receitas e, por conseguinte, caracterizam renda, por implicar ganho ou acréscimo ao patrimônio da empresa autuada.
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. PREVISÃO LEGAL. INCENTIVOS FISCAIS. CRÉDITO OUTORGADO DE ICMS.
Os valores correspondentes ao benefício fiscal do Crédito Outorgado de ICMS que possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos que caracterizem subvenção para investimentos, não são computados na determinação do lucro real.
MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. ANO-CALENDÁRIO ENCERRADO. NÃO CONCOMITÂNCIA.
A lei autoriza a imposição de multa isolada sobre a falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais após encerrado o ano-calendário, não se confundindo esta penalidade com a multa de ofício sobre o imposto devido apurado no encerramento do período.
A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza diversa da multa proporcional incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, no regime do lucro real anual.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento.
Numero da decisão: 1302-002.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto a tributação do IPI complementar como omissão de receitas, tendo os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães Fonseca votado pelas conclusões, sendo vencido o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias; por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso quanto ao IRPJ, CSLL e Multa isolada de estimativas sobre receitas de subvenção para investimentos do Programa Produzir e por maioria manter a multa isolada de estimativas decorrentes das demais infrações, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias e, ainda, por unanimidade em negar provimento ao recurso quanto à incidência de juros sobre a multa. E, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogerio Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 IPI COMPLEMENTAR. NOTAS FISCAIS DE REVENDA DE MERCADORIAS IMPORTADAS COM ÔNUS DO ADQUIRENTE. CARACTERIZAÇÃO DE RECEITA Com o trânsito em julgado da decisão judicial que desobrigou o contribuinte do recolhimento do IPI no momento da saída dos veículos importados de seu estabelecimento, os valores do denominado "IPI complementar" destacados nas notas fiscais de revenda das mercadorias importadas, com ônus do adquirente, e não recolhidos pela empresa autuada, se revestem da natureza de receitas e, por conseguinte, caracterizam renda, por implicar ganho ou acréscimo ao patrimônio da empresa autuada. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. PREVISÃO LEGAL. INCENTIVOS FISCAIS. CRÉDITO OUTORGADO DE ICMS. Os valores correspondentes ao benefício fiscal do Crédito Outorgado de ICMS que possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos que caracterizem subvenção para investimentos, não são computados na determinação do lucro real. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. ANO-CALENDÁRIO ENCERRADO. NÃO CONCOMITÂNCIA. A lei autoriza a imposição de multa isolada sobre a falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais após encerrado o ano-calendário, não se confundindo esta penalidade com a multa de ofício sobre o imposto devido apurado no encerramento do período. A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza diversa da multa proporcional incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, no regime do lucro real anual. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto a tributação do IPI complementar como omissão de receitas, tendo os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães Fonseca votado pelas conclusões, sendo vencido o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias; por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso quanto ao IRPJ, CSLL e Multa isolada de estimativas sobre receitas de subvenção para investimentos do Programa Produzir e por maioria manter a multa isolada de estimativas decorrentes das demais infrações, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias e, ainda, por unanimidade em negar provimento ao recurso quanto à incidência de juros sobre a multa. E, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogerio Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
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INVESTIMENTO. PROGRAMA PRODUZIR. ESTADO DE GOIÁS. MULTA ISOLADA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO Recorrentes CAOA MONTADORA DE VEÍCULOS LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 IPI COMPLEMENTAR. NOTAS FISCAIS DE REVENDA DE MERCADORIAS IMPORTADAS COM ÔNUS DO ADQUIRENTE. CARACTERIZAÇÃO DE RECEITA Com o trânsito em julgado da decisão judicial que desobrigou o contribuinte do recolhimento do IPI no momento da saída dos veículos importados de seu estabelecimento, os valores do denominado "IPI complementar" destacados nas notas fiscais de revenda das mercadorias importadas, com ônus do adquirente, e não recolhidos pela empresa autuada, se revestem da natureza de receitas e, por conseguinte, caracterizam renda, por implicar ganho ou acréscimo ao patrimônio da empresa autuada. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. PREVISÃO LEGAL. INCENTIVOS FISCAIS. CRÉDITO OUTORGADO DE ICMS. Os valores correspondentes ao benefício fiscal do Crédito Outorgado de ICMS que possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos que caracterizem subvenção para investimentos, não são computados na determinação do lucro real. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. ANOCALENDÁRIO ENCERRADO. NÃO CONCOMITÂNCIA. A lei autoriza a imposição de multa isolada sobre a falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais após encerrado o anocalendário, não se confundindo esta penalidade com a multa de ofício sobre o imposto devido apurado no encerramento do período. A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza diversa da multa proporcional incidente sobre a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 22 36 /2 01 4- 59 Fl. 4696DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 3 2 insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, no regime do lucro real anual. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto a tributação do IPI complementar como omissão de receitas, tendo os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães Fonseca votado pelas conclusões, sendo vencido o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias; por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso quanto ao IRPJ, CSLL e Multa isolada de estimativas sobre receitas de subvenção para investimentos do Programa Produzir e por maioria manter a multa isolada de estimativas decorrentes das demais infrações, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias e, ainda, por unanimidade em negar provimento ao recurso quanto à incidência de juros sobre a multa. E, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogerio Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 0369.733, de 07/12/2015, da 2ª Turma da DRJ de Brasília (DF) que, (1) por maioria de votos, julgou procedente em parte a Impugnação, mantendo em parte o crédito tributário e (2) por unanimidade de votos, julgar procedentes as impugnações apresentadas pelos administradores Carlos Alberto de Oliveira Andrade e Emanuelle Carmesette do O Andrade, excluindoos da condição de responsáveis solidários, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 Fl. 4697DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 4 3 DECISÃO JUDICIAL QUE DESOBRIGOU O CONTRIBUINTE DO RECOLHIMENTO DO IPI NO MOMENTO DA SAÍDA DOS VEÍCULOS IMPORTADOS DE SEU ESTABELECIMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO. RECONHECIMENTO DE RECEITAS. Com o trânsito em julgado da decisão judicial que desobrigou o contribuinte do recolhimento do IPI no momento da saída dos veículos importados de seu estabelecimento, os valores do denominado "IPI complementar" destacados nas notas fiscais de revenda das mercadorias importadas, com ônus do adquirente, e não recolhidos pela empresa autuada, se revestem da natureza de receitas e, por conseguinte, caracterizam renda, por implicar ganho ou acréscimo ao patrimônio da empresa autuada. Os recolhimentos a título de "IPI complementar" que a pessoa jurídica alega ter efetuado, uma vez confirmados, devem ser considerados pagamentos indevidos e, ser for o caso, ser objeto de pedido de restituição ou compensação. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA MATERIAL. ALTERAÇÃO DO ESTADO DE FATO OU DE DIREITO. INOCORRÊNCIA. Muito embora não se possa considerar eternos os efeitos da decisão judicial proferida pelo TRF/1a Região, que afastou a incidência do IPI "complementar" nas operações de saída/revenda de veículos importados, não há que se falar em alteração do estado de direito, pois as alterações regulamentares posteriores (Decreto n° 4.544, de 2002 e Decreto n° 7.212, de 2010) em nada modificaram os aspectos pertinentes à hipótese de incidência do mencionado tributo. RENÚNCIA A PROVIMENTO JURISDICIONAL FAVORÁVEL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não constitui documento hábil a configurar renúncia a provimento jurisdicional favorável o "Termo de Ratificação de Renúncia", firmado pela pessoa jurídica em Cartório de Registro, no ano seguinte ao fiscalizado. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. DESCARACTERIZAÇÃO. INCENTIVOS FISCAIS. CRÉDITO OUTORGADO DE ICMS. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Os valores correspondentes ao benefício fiscal do Crédito Outorgado de ICMS que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimentos, devendo ser computados na determinação do lucro real. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, constituem estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e devem ser computados no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. Fl. 4698DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 5 4 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. DESCARACTERIZAÇÃO. INCENTIVOS FISCAIS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. O crédito presumido de IPI previsto na Lei n° 9.826, de 1999, não configura subvenção para investimento, uma vez que não há compromisso de que a subvenção seja aplicada em algum investimento para implantação ou expansão de empreendimento econômico, pois o subvencionador não exige isso e o beneficiário também não está obrigado a fazêlo. DESPESAS COM PAGAMENTOS DE BÔNUS SOBRE VENDAS. GLOSA. IMPROCEDÊNCIA. Presentes os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, as despesas com pagamento de bônus sobre vendas são consideradas operacionais e podem ser deduzidas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. ANOCALENDÁRIO ENCERRADO. NÃO CONCOMITÂNCIA. A lei autoriza a imposição de multa isolada sobre a falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais após encerrado o anocalendário, não se confundindo esta penalidade com a multa de ofício sobre o imposto devido apurado no encerramento do período. A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza diversa da multa proporcional incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, no regime do lucro real anual. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Por se tratar de exigências reflexas realizadas com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão dos lançamentos decorrentes relativos à CSLL, à Cofins e à contribuição para o PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM PAGAMENTOS DE BÔNUS SOBRE VENDAS. O pagamento de bônus sobre vendas, como o próprio nome sugere, representa um prêmio, uma vantagem, uma bonificação para quem o recebe e um encargo, uma despesa, para quem o paga. Para a pessoa jurídica fiscalizada, a citada despesa não configura desconto concedido, razão pela qual o valor pago a título de bônus sobre vendas não afeta a base de cálculo da Cofins, que tem como ponto de partida a receita Fl. 4699DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 6 5 auferida pela pessoa jurídica, sendo certo também que não há previsão legal para a sua exclusão da referida base de cálculo. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO A CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. Para fins de apuração de créditos de Cofins, consideramse insumos as matériasprimas, os produtos intermediários, os materiais de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, bem como os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da contribuição para o PIS o decidido em relação à Cofins exigida de ofício a partir da mesma matéria fática. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. AUSÊNCIA DE PROVA. Inexistindo prova de que os administradores do contribuinte pessoa jurídica tenham agido com excesso de poderes, ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não há falarse na responsabilidade tributária solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN. Ademais, o caso retrata situação típica que comporta debate de teses jurídicas, passível de serem suscitadas divergentes interpretações da lei tributária, o que afasta, per si, a acusação de existência de conduta dolosa, ou mesmo culposa por partes dos administradores da pessoa jurídica, sob pena de se admitir que, doravante, todo e qualquer auto de infração lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil em face de contribuinte pessoa jurídica deve contemplar pluralidade de sujeitos passivos, a saber: a pessoa jurídica na condição de contribuinte e os sócios ou administradores na condição de responsáveis solidários. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em virtude da exoneração de crédito tributário em montante superior a R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017), a DRJ interpôs Recurso de Ofício, em cumprimento às disposições do art. 34, inc. I, Dec. n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97. A ação fiscal visou exigir crédito tributário relacionado a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativos ao anobase de 2011, cumulado com multa de ofício e multa isolada, além de juros de mora, no montante total de R$ 1.505.020.175,68. O Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 4117/4138, registra as seguintes infrações: Fl. 4700DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 7 6 a) omitido e deixado de oferecer à tributação, pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, as receitas relativas ao "IPI Complementar" indevidamente destacado nas notas fiscais de revenda de mercadorias importadas, uma vez que a recorrente não seria contribuinte de tal tributo, nos termos de decisão judicial favorável transitada em julgado ; b) contabilizado indevidamente como subvenções para investimento (i) os montantes recebidos, no anobase de 2011, em razão do PRODUZIR, instituído pelo Governo do Estado de Goiás, bem como (ii) da Lei n° 9.826/99, que estabeleceu o crédito presumido de IPI no percentual de 32% para os empreendimentos industriais instalados nas áreas de atuação da SUDAM, da SUDENE e na Região do CentroOeste. c) deixado de oferecer à tributação, pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, o montante dos "Bônus Sobre a Venda de Veículos" concedidos a suas concessionárias, os quais consistiriam "repasse a fundo perdido". Desistência Parcial. Adesão ao PERT A recorrente optou (08/2007) por quitar parcialmente os débitos exigidos no presente processo administrativo, por meio da adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), instituído pela Medida Provisória n° 783, de 31/05/2017 e regulamentado pela Instrução Normativa RFB n° 1.711/2017, especificamente quanto às infrações discriminadas a seguir: a) com relação ao IRPJ, à CSLL, ao PIS e à COFINS Contabilização como subvenções para investimento dos montantes recebidos a título de crédito presumido de IPI no percentual de 32% para os empreendimentos industriais instalados na SUDAM, na SUDENE e na Região do CentroOeste e; b) com relação ao PIS e à COFINS Ausência de tributação do montante dos "Bônus Sobre a Venda de Veículos" concedidos a suas concessionárias. Para tanto, a Recorrente desistiu parcialmente, de forma expressa e irrevogável do Recurso Voluntário interposto em 22/01/2016, bem como da interposição de eventuais novos recursos, e renunciou às alegações de direito sobre as quais se fundamentaram as discussões nestes autos, exclusivamente com relação às infrações anteriormente expostas. Assim, requereu o prosseguimento regular do presente recurso voluntário, com relação aos demais itens autuados (IPI Complementar; Subvenção para investimento PRODUZIR, instituído pelo Governo do Estado de Goiás; Bônus sobre a Venda de Veículos relativo ao IRPJ e à CSLL, objeto do Recurso de Ofício). À vista da desistência parcial, determinouse (Despacho de Desistência, de 31/10/2017, fl. 4590) a baixa dos autos à Unidade Preparadora para o desmembramento dos créditos objeto do pedido de desistência parcial, com a indicação da matéria que permanece em litígio e posterior devolução ao Carf para prosseguimento do julgamento. Em atendimento, a DRF em Anápolis (GO), Seção de Controle e Acompanhamento Tributário (fls. 4594/4596) adotou as providências designadas e registrou a seguinte Informação Fiscal: Fl. 4701DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 8 7 Do Contencioso Trata o presente processo de Auto de Infração relativo a IRPJ/CSLL/PIS/COFINS decorrente de omissão de receita em razão de contabilização de IPI destacado indevidamente nas notas fiscais de revenda, contabilização indevida como subvenções para investimento de valor relativo a crédito presumido de IPI e crédito outorgado de ICMS e não tributação de valores de "bônus sobre vendas", além de multa isolada pela falta de pagamento de estimativa mensal do IRPJ e da CSLL (fls.3264/3357). O contribuinte impugnou o lançamento, tendo a DRJ julgado a impugnação procedente em parte, decidindo favoravelmente ao contribuinte somente quanto à admissão da dedução de "bônus sobre vendas" para o cálculo de IRPJ e CSLL, exoneração esta, objeto de reexame necessário por parte do CARF (fls.3814/3876). O contribuinte então apresentou Recurso Voluntário (fls.3902/4043). Enquanto o recurso aguardava julgamento, o contribuinte requereu desistência parcial do recurso com o objetivo de inclusão de parte dos débitos no PERT (fls.4479/4486,4519/4540 e 4559/4560). A desistência, conforme fls.4479/4486, 4519/4540 e 4559/4560, abrange os valores de IRPJ/CSLL/PIS/COFINS decorrentes da contabilização indevida como subvenções para investimento de valor relativo a crédito presumido de IPI e decorrentes da não tributação de "bônus sobre vendas". Os cálculos desses valores são detalhados a seguir. Dos Cálculos IRPJ/CSLL As duas infrações para as quais o contribuinte apresentou desistência implicaram a seguinte apuração quanto ao IRPJ e à CSLL (colunas Crédito Presumido e Bônus sobre Vendas conforme respectivas infrações descritas no Auto de Infração, fls.3270 e 3280/3282): Assim, do valor total apurado de R$303.904.674.54 de IRPJ para o ano calendário de 2011 (fl.3266). o montante de R$80.387.718,60 decorre das infrações para as quais o contribuinte apresentou desistência e, portanto, esse valor deve ser apartado deste processo. Fl. 4702DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 9 8 Quanto à CSLL, do valor total apurado de R$114.647.669,07 para o ano calendário de 2011 (fl.3277), o montante de R$28.939.578,70 decorre das infrações para as quais o contribuinte apresentou desistência e, portanto, esse valor deve ser apartado deste processo. COFINS/PIS As duas infrações para as quais o contribuinte apresentou desistência implicaram a seguinte apuração quanto à COFINS e ao PIS (colunas Crédito Presumido e Bônus conforme respectivas infrações descritas no Auto de Infração, fls.3294/3295 e 3308/3309): Assim, dos valores totais apurados de COFINS. conforme fl. 3317 do Auto de Infração, os montantes da coluna G do quadro acima decorrem das infrações para as quais o contribuinte apresentou desistência e, portanto, esses valores devem ser apartados deste processo. Cabe observar que para o período de apuração de 11/2011, o valor decorrente da desistência é maior que o total apurado, o que acontece porque o crédito em DACON diminuiu o valor devido apurado, devendo ser apartado deste processo o valor total em cobrança de RS 1.953.186,73. Quanto ao PIS, dos valores totais apurados, conforme fl.3304 do Auto de Infração, os montantes da coluna H do quadro acima decorrem das infrações para as quais o contribuinte apresentou desistência e, portanto, esses valores devem ser apartados deste processo. Cabe observar que para o período de apuração de 11/2011, o valor decorrente da desistência é maior que o total apurado, o que acontece porque o crédito em DACON diminuiu o valor devido apurado, devendo ser apartado deste processo o valor total em cobrança de RS 350.256,89. Cumpre ressaltar que os valores a serem apartados, quanto ao IRPJ e à CSLL, abrangem todo o montante desses tributos objeto do reexame necessário [desistência integral do recurso de ofício], uma vez que a decisão recorrida somente foi favorável ao contribuinte para admitir a dedução de "bônus sobre vendas" para o cálculo de IRPJ e CSLL, matéria essa constante expressamente no pedido de desistência do contribuinte. Cabe consignar, ainda, que a desistência ora tratada não abrange a multa isolada [mantido o recurso voluntário neste pronto] Isso porque embora a multa citada decorra, além de outras, também das matérias para as quais houve desistência o que poderia implicar desistência da correspondente multa isolada não houve pedido expresso quanto a essa infração e, ademais, no Recurso Voluntário o Fl. 4703DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 10 9 contribuinte a impugnou totalmente sob argumentos independentes da desistência procedida. Assim, o Recurso de Ofício perdeu seu objeto, pois abrangia unicamente os valores relativos à não tributação de "Bônus de Vendas", cujos valores foram incluídos no PERT. Com a identificação dos itens em relação aos quais a recorrente desistiu, requereuse o prosseguimento no julgamento do Recurso Voluntário, especificamente, quanto as seguintes matérias: (i) não tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS de receitas relativas a “IPI Complementar” indevidamente destacado nas notas fiscais de revenda de mercadorias Recurso Voluntário; (ii) suposta contabilização indevida como subvenção para investimento de montantes recebidos, no anobase de 2011, em razão do PRODUZIR, instituído pelo Governo do Estado de Goiás – Recurso Voluntário; e (iii) impossibilidade de exigência da multa isolada – Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto o conheço. Em relação ao recurso de ofício, como visto, sua abrangência estendiase unicamente à não tributação de "Bônus de Vendas", cujos valores foram incluídos no PERT, mediante expresso e específico pedido de desistência. Assim, cabe não conhecer do recurso de ofício. Como verificado, a Recorrente manteve suas razões de Recurso Voluntário somente em relação às matérias retro identificadas Assim, iniciamos pelas questões relativas ao IPI Complementar, como segue. Das razões de decidir da DRJ, transcrevo os seguintes fundamentos: Asseverou ainda a suplicante que o objeto da matéria discutida nos autos do Mandado de Segurança n° 2004.34.00.0110772 (2006.35.02.0015061) foi, expressamente, o afastamento da incidência do IPI "complementar" nas operações de saída/revenda de veículos importados, exigido com fundamento no artigo 9o, inciso I, do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98). Portanto, nos limites do dispositivo da sentença, teriam sido resguardadas as relações jurídicas realizadas sob a mesma hipótese fática e base legal apreciados Fl. 4704DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 11 10 pelo Poder Judiciário somente até 2002, em face da revogação integral do aludido dispositivo pelo Decreto n° 4.544/2002 (RIPI/02), ocorrida em 26/12/2002. As alegações da contribuinte não merecem ser acolhidas, seja porque não encontram amparo no Direito, seja porque se afiguram contraditórias. Com efeito, à época em que a contribuinte impetrou o mandado de segurança (junho/2004) já vigia há muito o RIPI/2002. Por outro lado, a coisa julgada em matéria fiscal somente deixaria de prevalecer à vista de alterações nos fatos ou nas normas de cuja incidência a relação tributária concernente ao IPI decorre, nos termos do art. 471, I, do Código de Processo Civil, verbis: Art. 471 Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: I se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito (negritei); caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; II nos demais casos prescritos em lei. Nesse sentido é a jurisprudência do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA MATERIAL EM MATÉRIA FISCAL ALTERAÇÃO DO ESTADO DE DIREITO ART. 471, I, DO CPC O alcance dos efeitos da coisa julgada material, quando se trata de fatos geradores de natureza continuada, não se projeta para fatos futuros, a menos que assim expressamente determine em cada caso o Poder Judiciário. A coisa julgada é abalada quando é alterado o estado de fato ou de direito, nos termos do art. 471, I, do CPC. (negritei) A decisão do STF declarando a constitucionalidade da contribuição constitui verdadeira alteração do estado de direito. (Ac. 101.94.529, sessão de 19/03/2004) No caso presente, muito embora não se possa considerar eternos os efeitos da decisão judicial proferida pelo TRF/1a Região, que afastou a incidência do IPI "complementar" nas operações de saída/revenda de veículos importados, não há que se falar em alteração do estado de direito, pois as alterações regulamentares posteriores (Decreto n° 4.544, de 2002 e Decreto n° 7.212, de 2010) em nada modificaram os aspectos pertinentes à hipótese de incidência do mencionado tributo. Com efeito, os referidos Decretos n° 4.544, de 2002 e n° 7.212, de 2010, trazem, em artigos de idêntica numeração, o mesmo comando do questionado art. 9°, inciso I, do Decreto n° 2.637, de 1998, verbis: Art. 9°Equiparamse a estabelecimento industrial: Fl. 4705DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 12 11 I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei n. ° 4.502, de 1964, art. 4°, inciso I); (...) Por outro lado, ressaltase que a base legal desse dispositivo regulamentar é a mesma, qual seja, a Lei n.° 4.502, de 1964, art. 4°, inciso I, o que só confirma que não houve a alegada modificação no estado de direito. Rejeito, pois, as alegações da impugnante neste tema. Em outra linha de defesa, alegou a suplicante que o agente fiscal, ao promover as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins sobre a receita omitida, deixou de considerar o IPI Complementar que foi efetivamente recolhido. Juntou algumas guias de recolhimento (DARF), referentes a alguns meses do ano de 2011, que evidenciam a existência de pagamentos, e elaborou planilhas de cálculo com vista a demonstrar que a CAOA teria recolhido a maior o montante de R$ 125.528.903,95 a título de IPI, o qual deveria ser compensado com os tributos lançados de ofício. Não assiste razão à impugnante. A uma porque os alegados recolhimentos, uma vez confirmados, devem ser considerados pagamentos indevidos e, ser for o caso, ser objeto de pedido de restituição ou compensação. A duas porque os mencionados pagamentos em nada interferem na apuração dos tributos ora lançados de ofício, cujas bases de cálculo é o resultado do exercício (lucro) ou a receita. De se rejeitar, portanto, as alegações da contribuinte neste tema, não havendo, pois, que se cogitar que os autos de infração careceriam de liquidez e certeza. Por fim, alegou a suplicante que o autor do feito não teria percebido que a CAOA, por engano, emitiu notas fiscais com os CFOPs 5403 e 6403, aplicáveis a veículos importados, quando, na verdade, se referem a vendas de veículos nacionais. Elaborou planilhas para demonstrar que o IPI destacado em tais notas fiscais totalizaria R$ 255.275,34, que deveria ser desconsiderado como receita e excluído das bases de cálculo dos tributos lançados. Muito embora se afigure plausível a alegação da contribuinte, o seu pleito não pode ser acolhido por esta Turma de Julgamento, tendo em vistas que as planilhas estão desacompanhadas das notas fiscais de vendas, o que permitiria confirmar o alegado. Nessa conformidade, e tendo em vista que o art. 57, § 4°, do Decreto n° 7.574, de 2011, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, rejeito as alegações da impugnante neste tema, não havendo, pois, que se falar em nulidade dos lançamentos. Assim diante de tais fatos e fundamentos, adoto as razões da DRJ para negar provimento ao recurso voluntário, neste ponto. Subvenção para Investimentos. Fl. 4706DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 13 12 Em relação às questões relativas à Subvenção para Investimentos no âmbito do Programa PRODUZIR do Estado de Goiás, destacamos os seguintes fundamentos do Acórdão recorrido: Descaracterização. Incentivos Fiscais. Crédito Outorgado de ICMS. Inexistência de Vinculação. Descaracterização. Os valores correspondentes ao benefício fiscal do Crédito Outorgado de ICMS que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimentos, devendo ser computados na determinação do lucro real. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, constituem estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e devem ser computados no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. Esse mesmo entendimento deve ser aplicado ao presente processo, que trata da mesma matéria, relativamente ao ano de 2011. Com efeito, muito embora, no presente caso, tanto o Fisco quanto o sujeito passivo tenham agregado um ou outro argumento (ou mesmo deixado de repisálo), com o intuito de demonstrar que o aludido incentivo fiscal constitui subvenção para custeio, para o primeiro, e subvenção para investimento, para o segundo, o fato é que o benefício fiscal do crédito outorgado de ICMS do Estado de Goiás já foi amplamente examinado por este mesmo Colegiado naquela oportunidade, quando se concluiu tratarse, efetivamente, de subvenção para custeio, pois, em síntese, não há compromisso de que a subvenção seja aplicada em algum investimento para implantação ou expansão de empreendimento econômico, pois o subvencionador não exige isso e o beneficiário também não está obrigado a fazêlo. Nessa conformidade, peço vênia aos meus pares para trazer para o presente caso os fundamentos adotados como razões de decidir no citado Acórdão DRJ/Brasília n° 0351.937, de 26/04/2013, a saber: "Sobre este item da autuação, a autoridade fiscal apontou como fundamento principal da exação o de que os recursos provenientes do benefício fiscal denominado crédito outorgado de ICMS não se enquadram como subvenção para investimento, pois lhe faltariam dois requisitos necessários para caracterizálos como tal: (1) a intenção do subvencionador (Poder Público) de destinálos para investimento, representada pela estrita VINCULAÇÃO e SINCRONIA dos recursos com as aplicações em bens e direitos, AJUSTADAS por meio de instrumento hábil que imponha a necessária obrigatoriedade; e (2) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. A impugnante, por sua vez, centrou a sua defesa em dois pontos principais: (1) a caracterização das subvenções para investimento depende da satisfação de apenas dois requisitos: a) a destinação de recursos, como transferência Fl. 4707DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 14 13 de capital, pelo subvencionador, com a intenção de estimular a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; e b) a manutenção dos valores renunciados pelo subvencionador, em conta de reserva de lucros do subvencionado, com a posterior integralização ao capital social; e (2) as subvenções para investimento foram corretamente contabilizadas em subconta "Reserva de Lucros", atendidos os requisitos de não distribuição do valor das subvenções para investimento e não restituição aos acionistas de capital integrado pela incorporação daquelas subvenções. Ou seja, sustentou a suplicante a desnecessidade de "contrapartida estrita"para fins de subvenção para investimento, sendo suficiente o intuito do subvencionador de transferir capital para fins de desenvolvimento econômico, e sendo a contrapartida do beneficiário unicamente de promovêlo ("contrapartida ampla"). Pois bem. Examinemos inicialmente o conceito de subvenção. Conforme já se pronunciou o Conselho Federal de Contabilidade, na Resolução CFC n° 922, de 13.12.2001, as "subvenções são transferências derivadas da lei orçamentária e concedidas por órgãos do setor público a entidades, publicas ou privadas, com o objetivo de cobrir despesas com a manutenção ou custeio destas, caracterizadas ou não pela contraprestação de bens e serviços da beneficiária dos recursos. As subvenções subdividemse em: (a) sociais aquelas destinadas a entidades, publicas ou privadas, sem finalidade lucrativa, de natureza assistencial, médica, educacional ou cultural, com vista a estimular a prestação de serviços essenciais, em suplementação à iniciativa privada; (b) econômicas as transferências destinadas a empresas publicas ou privadas, de natureza industrial, comercial, agrícola ou pastoril, inclusive para a cobertura de déficits de manutenção das empresas públicas." Na órbita tributária, a legislação do imposto de renda faz clara distinção entre subvenções para investimento e para custeio, atribuindolhes diferentes regimes e conseqüências na apuração dos resultados da pessoa jurídica. Portanto, observadas as normas referentes ao Regime Tributário de Transição RTT, instituído pelo art. 15 da Lei n° 11.941, de 17/05/2009, releva destacar como a referida legislação trata das duas espécies de subvenção nos arts. 392 e 443 do RIR/99: Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei n° 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); (...) Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo Fl. 4708DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 15 14 à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 38, § 2°, e DecretoLei n° 1.730, de 1979, art. 1°, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Da leitura dos dispositivos legais supra, depreendese facilmente que, enquanto as subvenções correntes para custeio devem ser computadas na determinação do lucro real, as subvenções para investimento não o serão, desde que atendidos os requisitos neles estabelecidos. A existência desse tratamento diferenciado é explicada claramente por Ricardo Marins de Oliveira, in PIS/COFINS: incidência ou não sobre créditos fiscais (créditoprêmio e outros e respectivas cessões). 10° Simpósio Nacional IOB de Direito Tributário, 2001, p. 45: "(...) De fato, a distinção implícita feita por esta lei entre subvenções para investimento e subvenções para custeio de operações, no sentido de que apenas as primeiras devem ser levadas à reserva de capital, tem uma razão de ser, e que é a seguinte: as subvenções para investimento não integram a receita porque elas não interferem diretamente com a apuração do lucro líquido da pessoa jurídica, do qual a receita é parte integrante, eis que se destinam ao fornecimento de fundos para financiar acréscimos ao Ativo Permanente, enquanto que as subvenções para custeio de operações afetam diretamente o lucro líquido, eis que os custos e despesas que elas financiam são debitados ao lucro líquido. (...)" Em outras palavras, o ingresso proveniente da subvenção para custeio visa ressarcir encargos registrados na contabilidade que contribuem para diminuir o resultado da empresa. Assim, o registro do ingresso da subvenção em conta de resultado (redutora dos custos), cumpre a função de neutralizar a apuração do resultado da pessoa jurídica, com reflexos na tributação do lucro (IRPJ e CSLL), funcionando o registro como indicativo de verdadeiro estorno de custo que a subvenção objetivou ressarcir. A Administração Tributária, por sua vez, já nos idos de 1978, prestou esclarecimentos sobre a matéria, ao expedir o Parecer Normativo CST n° 112, de 29/12/1978, de onde se pinçam os seguintes excertos: "(...) 2.5 Delineada a espinha dorsal do mandamento legal, fácil fica a tarefa de analisar os complementos qualificativos acrescentados às SUBVENÇÕES pela Lei n° 4.506/64. Esses complementos, para fins de Fl. 4709DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 16 15 interpretação, podem ser assim esquematizados: 1° quanto à sua natureza, as subvenções serão CORRENTES; 2° quanto à sua finalidade, as subvenções serão para CUSTEIO ou OPERAÇÃO. Abandonando, por enquanto, o complemento que qualifica a subvenção quanto à sua natureza, vamos tentar estabelecer os contornos da SUBVENÇÃO que se destina ao CUSTEIO OU OPERAÇÃO. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO ou SUBVENÇÃO PARA OPERAÇÃO são expressões sinônimas. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála a fazer face ao seu conjunto de despesas. SUBVENÇÃO PARA OPERAÇÃO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála nas suas operações, ou seja, na consecução de seus objetivos sociais. As operações da pessoa jurídica, realizadas para que alcance as suas finalidades sociais, provocam custos ou despesas, que, talvez por serem superiores às receitas por ela produzidas, requerem o auxílio de fora, representado pelas SUBVENÇÕES. O CUSTEIO representa, portanto, em termos monetários, o reflexo de operação desenvolvida pela empresa. Daí porque julgamos as expressões como sinônimas. (...) 2.10 A segunda conseqüência é que SUBVENÇÕES, neste caso, já não está sendo empregada de maneira ampla e genérica, tal como o foi no art. 44. da Lei n° 4.506/64. Ao se incluir a isenção ou redução de impostos como formas de subvenção, fica patente a intenção de identificar as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO com recursos oriundos de pessoas jurídicas de direito público. 2.11 Umas das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST n° 2/78 ...No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST n° 143/73 (...), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não em suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Fl. 4710DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 17 16 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a "efetiva e específica" aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. 2.13 Outra característica bem nítida da SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO, para os fins do gozo dos favores previstos no § 2° do art. 38 do DL n° 1.598/77, de que seu beneficiário terá que ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Em outras palavras quem está suportando a ônus de implantar ou expandir o empreendimento econômico é que deverá ser tido como beneficiário da subvenção, e, por decorrência, dos favores legais. Essa característica está muito bem observada nos desdobramentos do item 5 do PN CST n° 2/78. 2.14 Com o objetivo de promover a interação dos dois diplomas legais ora dissecados [Lei n° 4.506/64 e Decreto lei n° 1.598/77] podemos resumir a matéria relacionada com as SUBVENÇÕES nos seguintes termos: As SUBVENÇÕES, em princípio, serão, todas elas, computadas na determinação do lucro líquido: as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO, na qualidade de integrantes do resultado operacional; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, como parcelas do resultado não operacional. As primeiras integram sempre o resultado do exercício e devem ser contabilizadas como tal; as últimas, se efetivamente aplicadas em investimentos, podem ser registradas como reserva de capital, e, neste caso, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do beneficio fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de Fl. 4711DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 18 17 subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) 7.1 Ante o exposto, o tratamento a ser dado às SUBVENÇÕES recebidas por pessoas jurídicas, para os fins de tributação do imposto de renda, a partir do exercício financeiro de 1978, face ao que dispõe o art. 67, item 1, letra "b", do Decretolei n° 1.598/77, pode ser assim consolidado: I As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional; II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. III As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimento, se presentes todas as características mencionadas no item anterior; IV As SUBVENÇÕES, PARA INVESTIMENTO, se registradas como reserva de capital não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva; V As ISENÇÕES, REDUÇÕES ou DEDUÇÕES do Imposto de Renda devido pelas Pessoas Jurídicas não poderão ser tidas como subvenção para investimento; VI O § 2° do artigo 38 do Decretolei n° 1.598/77 aplicase a todas as pessoas jurídicas sujeitas à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real; e VII As contas do ativo permanente e respectiva depreciação, amortização ou exaustão, que registrem bens oriundos de SUBVENÇÕES, são corrigidas monetariamente nos termos dos artigos 39 e seguintes do Decretolei n° 1.598/77. Fl. 4712DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 19 18 (...)" Como bem concluiu a autoridade fiscal, da leitura do ato normativo supra transcrito (Parecer Normativo CST n° 112, de 29/12/1978), depreendese que as subvenções para investimento apresentam as seguintes características: (1) a intenção do subvencionador (Poder Público) de destinálas para investimento, representada pela estrita vinculação e sincronia dos recursos com as aplicações em bens e direitos, ajustadas por meio de instrumento hábil que imponha a necessária obrigatoriedade; (2) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e (3) o beneficiário da subvenção deve ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Portanto, à luz do Parecer Normativo CST n° 112, de 29/12/1978, os valores correspondentes ao benefício fiscal do Crédito Outorgado de ICMS que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimentos, devendo ser computados na determinação do lucro real. Forçoso é concluir que os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, constituem estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e devem ser computados no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. Nesse ponto, cabe consignar que, na primeira instância de julgamento, o controle de legalidade dos atos administrativos abrange também a observância das normas complementares editadas no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme expressa disposição da Portaria MF n° 341, de 12 de julho de 2011, in verbis: Art. 7° São deveres do julgador: (...); V observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei n° 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Assim, tendo em vista a existência de disciplinamento da matéria em ato normativo de observância obrigatória por parte deste Colegiado, é de se concluir que, diferentemente do que sustentou a contribuinte, não são suficientes para caracterizar a subvenção para investimento a presença apenas dos já apontados (por ela) dois requisitos. Portanto, com a devida vênia, a existência de respeitáveis decisões do C. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que tenham encampado, recentemente, o entendimento defendido pela suplicante não podem ser adotadas para o presente caso, mormente porque a lei não lhes atribui eficácia normativa. Fl. 4713DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 20 19 Igualmente, não podem ser acolhidas as alegações da impugnante do tipo: (1) não há qualquer exigência legal sobre perfeita sincronia cronológica entre a subvenção recebida e seu efetivo investimento; (2) transferência de capital não configura renda ou receita, não havendo como fazer incidir IRPJ ou CSLL; (3) a incorporação do valor renunciado pelo Estado de Goiás à base de cálculo dos tributos federais acarreta um desfalque em seu valor numérico, na medida em que uma parcela das importâncias renunciadas será repassada aos cofres da União Federal; (4) essa interferência, por parte da União, na competência tributária privativa do Estado de Goiás, representa uma afronta à garantia Constitucional do Pacto Federativo, no que tem sido rechaçada pelo Poder Judiciário Com efeito, a apreciação das autoridades administrativas limitase às questões de sua competência, qual seja o controle da legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais às normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Está fora de seu alcance, portanto, o debate sobre aspectos da constitucionalidade ou da legalidade da legislação, uma vez que o controle da constitucionalidade das normas é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal (art. 102,1, "a", III da CF de 1988). Ou seja, não lhes compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário, e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Portanto, é defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegação de inconstitucionalidade de disposições que fundamentam o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicála ao caso concreto. Confirmando este posicionamento, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) editou súmula, dispondo: Súmula CARF n° 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Rejeito, pois, as referidas alegações da impugnante e, pelos mesmos fundamentos, as demais alegações correlatas . A impugnante, ad argumentandum, admitindo a necessidade de existência de contrapartida entre a concessão do benefício fiscal e os atos da pessoa jurídica, asseverou também que a manutenção do benefício previsto no Programa PRODUZIR está, sim, estritamente vinculada ao projeto de investimento, ao cumprimento de seu cronograma físicofinanceiro, além de exigências outras como o volume mínimo de produção superior a 30.000 (trinta mil) carros/ano e a geração de mais de 1.000 (mil) empregos diretos, salvaguardando a sua natureza única e indissociável de subvenção para investimento. Fl. 4714DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 21 20 Para corroborar sua assertiva, a suplicante destacou que o § 18 do art. 2° da Lei Estadual n° 13.194/97 vinculou os créditos outorgados do ICMS ao projeto de investimento aprovado pelo Conselho Deliberativo do PRODUZIR e ao cumprimento de condições extras, a saber: § 18. Somente pode ser beneficiário dos créditos previstos na alínea 'l' do inciso II do caput deste artigo o industrial que: I tiver aprovado seu projeto junto ao Conselho Deliberativo do Programa de Desenvolvimento Industrial de Goiás CD/PRODUZIR e que, após o término da fase préoperacional, fabricar pelo menos 30.000 (trinta mil) veículos por ano e gerar mais de 1000 (mil) empregos diretos ao término da implantação do projeto; II celebrar termo de acordo de regime especial com a Secretaria da Fazenda, para tal fim. Também ressaltou a impugnante que o Termo de Acordo de Regime Especial TARE n° 162/04 GSF estabeleceu, em sua cláusula décima quarta, a vinculação das subvenções à implantação da sua unidade industrial, verbis: Cláusula décima quarta. A ACORDANTE se compromete a implantar a unidade industrial especificada no preâmbulo deste regime especial, aplicando na construção, instalação e aquisição de maquinaria e equipamento os recursos advindos da celebração deste termo de acordo, conforme cronograma físico e financeiro constantes dos anexos deste termo de acordo. Parágrafo único. A utilização do crédito outorgado sem o correspondente cumprimento do cronograma físico e financeiro implica a perda do benefício relativamente ao mês dessa ocorrência e no ressarcimento, imediato, deste valor ao Tesouro Estadual. Ocorre que a autoridade fiscal, examinando a documentação apresentada pela contribuinte e considerando os esclarecimentos prestados pela própria pessoa jurídica, destacou: (1) o TARE n° 0126/04GSF, além do crédito outorgado de ICMS, trata também dos recursos provenientes do PRODUZIR; concernentes ao financiamento previsto no art. 20 da Lei Estadual n° 13.591, de 28 de janeiro de 2000; (2) em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 02, a Fiscalizada informou que "não existem cronogramas vinculados aos TARES, os cronogramas encontramse inseridos nos respectivos projetos do Produzir". (3) Da análise do projeto original e de sua readequação, observase que os recursos provenientes do Programa PRODUZIR serão utilizados como reforço do capital de Fl. 4715DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 22 21 giro. Constatase ainda que não existe qualquer referência aos recursos vinculados ao crédito outorgado de ICMS. Essas constatações do autor do procedimento fiscal não foram contestadas pela impugnante, o que nos leva a concluir que os cronogramas (únicos existentes) integrantes dos projetos vinculados ao Programa PRODUZIR em nada vinculam os recursos provenientes do benefício denominado crédito outorgado de ICMS. Rejeito, pois, as referidas alegações da impugnante e considero prejudicado o exame da procedência da acusação fiscal (subsidiária) de que valor dos investimentos previstos no projeto de readequação seria bem inferior ao valor financiado pelo Programa PRODUZIR. Por fim, cabe consignar que também não procede a alegação da impugnante de que as condições e prazos da subvenção em tela constituiriam condição suspensiva, o que impediria a incidência do IRPJ e da CSLL. Ora, o caso presente, que versa sobre os recursos provenientes do benefício denominado crédito outorgado de ICMS, em nada se assemelha ao caso examinado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão n° CSRF/0104.762, de 01/12/2003, apontado pela impugnante, se não vejamos o seguinte excerto do seu voto condutor: "(...)No caso em tela, o lançamento teve como pressuposto o desconto concedido na quitação do financiamento, como receitas decorrentes de subvenção não oferecidas à tributação. (negritei) O momento de obtenção dessas receitas foi tido como aquele da concessão do financiamento, pois entendeu o auditor autuante que o desconto operavase através de condição resolutiva, surtindo efeitos automaticamente. Com a devida vênia, creio que melhor seria configurar a cláusula de desconto como sujeita à condição suspensiva, pois somente com a quitação do financiamento absolutamente em dia, fato que ocorreria 36 meses após a concessão do financiamento, é que o desconto restaria confirmado. Antes disso, a dívida era total, ainda que com previsão de desconto para pagamento no prazo certo. Não me parece, portanto, que se possa tributar tal parcela no momento da concessão do financiamento. O erro quanto ao período de apuração é fatal ao lançamento tributário, pois fica caracterizado descompasso entre o momento previsto na norma hipotética para ocorrência do fato gerador e o considerado pelo fisco, sendo simplesmente insanável, determinando o cancelamento da exigência, ainda que por motivação diversa da que se utilizou a colenda Câmara recorrida. (...)" Rejeito, pois, as alegações da impugnante neste item. Verificase, portanto, que o ponto central reside na caracterização das subvenções como sendo de investimento (as quais se subsumem à regra isentiva descrita no art. 38, § 2º, do Decreto 1.598) ou de custeio (regularmente tributada). E, é neste ponto, que noviça Lei Complementar 160 terá, potencialmente, impacto determinante a conclusão dessa apreciação. Fl. 4716DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 23 22 Nesse ponto, adoto as seguintes razões de decidir consignadas pelo Conselheiro Gustavo Guimaraes da Fonseca , no julgamento do Proc. 10280.722443/201171, recorrente White Martins Gases Industriais do Norte Ltda., como segue: Da aplicação dos efeitos do art. 30 da Lei nº 12.973, §§ 4º e 5º, com a redação dada pela LC nº 160/17. a) Os benefícios em testilha atendem ou não à CF88? Delimitada a matéria objeto desta contenda, entendo que a parte remanescente, isto é, a exigência do IRPJ e da CSLL sobre as subvenções percebidas pelo recorrente, entendi, num primeiro momento, que a questão estivesse definitivamente superada, notadamente, com o advento da Lei Complementar 160/17. De fato, a partir do que se dessume do art. 9º da lei geral nacional supra, que deu ao art. 30 da Lei 12.973/2014, todos os benefícios fiscais ou financeiros fiscais (ficando a margem deste preceito, apenas os benefícios de cunho eminentemente financeiros), serão considerados como "subvenção para investimento", sendo, inclusive, vedada a exigência de qualquer condicionante adicional; e, digase, o citado preceito, tem aplicação imediata, inclusive quanto aos processos administrativos e judiciais em curso. Vejase, neste particular, o que diz o citado preceptivo legal: Art. 9o O art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 4o e 5o: "Art. 30. § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro fiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados". Ou seja, a citada lei complementar poderia tornar inócuos questionamentos sobre a aplicação das receitas de subvenção aos projetos declinados nas normas estaduais concessivas, tornando, igualmente relevantes, ilações sobre o momento da percepção dos incentivos; todos os incentivos concedidos serão "considerados subvenções investimento", proposição, inclusive, aplicada a todos os processos (judiciais ou administrativos) em curso. Entretanto, a aplicação da interpretação tratada no art. 30 da Lei 12.973, §§ 4º e 5º, se encontra condicionada à observância de dois pressupostos: a) que eventual incentivo tenha sido autorizado e/ou, quando menos, regulado por Convênio firmado como determina o art. 155, § 2º, XII, "g", da CF/88 e na conformidade dos regramentos insertos na Lei Complementar nº 24; Fl. 4717DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 24 23 b) que, caso o incentivo não tenha atendido aos ditames do regramento constitucional tratado em "a", supra (e que, portanto, tenham sido concedidos unilateralmente), que os Estados os ratifiquem na forma do art. 3º, da norma complementar em análise. Tal conclusão, vejam bem, é extraída da própria Lei Complementar em estudo, cujo art. 10 assim preconiza: Art. 10. O disposto nos §§ 4o e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2o do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3o desta Lei Complementar. Em resumo, se o benefício fiscal estiver, desde a sua concessão, regrado por meio de Convênio (e, portanto, na forma da LC nº 24/75 e do art. 155, XII, "g", da CF/88), a regra interpretativa do art. 30 da Lei nº 12.973 se aplicará irrestrita, imediata e/ou retroativamente, sem que se observe qualquer ato, requisito ou condicionante adicional (como disposto no próprio § 4º do aludido art. 30); lado outro, tendo sido concedido unilateralmente pelo ente federado, e, portanto, apenas por lei estadual (sem o crivo do CONFAZ), os ditames do por vezes mencionado art. 30 somente se aplicarão se e quando cumpridos os requisitos tratados na LC 160/17. (...) Realmente, o que restaria, na espécie, discutir, quando muito, é se determinada subvenção seria fiscal ou, exclusivamente, financeira (nesta hipótese, entendem alguns, a regra acima não se aplicaria). (...) Neste particular, a despeito dos dados, fatos e documentos trazidos por força das resoluções proferidas neste julgado, o fato é que descabem quaisquer discussões ulteriores; tais benefícios são, por força de lei, subvenção para investimento e, por isso, garantem ao contribuinte o direito de gozar da "isenção" tratada pelo art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/77. Decreto n° 9.193, de 20 de março de 2018 do Estado de Goiás Para consolidar esse entendimento, o Estado de Goiás, em atenção à disposição constante n° 160/2017, publicou no Diário Oficial do Estado de Goiás, em 22/03/2018, o Decreto n° 9.193, de 20 de março de 2018, por meio do qual "publica relação dos atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e benefícios fiscais ou fínanceiro físcais, instituídos por legislação estadual e vigentes em 8 de agosto de 2017". Conforme ressaltado pela recorrente, em petição protocolizada em 17/05/2018, o Decreto n° 9.193/2018 indica, nessa relação, a Lei n° 13.591/2000, que instituiu o PRODUZIR (íntegra do Anexo VII do Decreto "Leis Programa Produzir e Alterações", página 21 do Diário Oficial), bem como a Lei n° 16.286/2008, que incluiu a alínea "I", do inciso II, do artigo 2o da Lei n° 13.194/94 (item 14 do Anexo III do Decreto "Leis Diversas e Fl. 4718DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 25 24 Alterações", página 08 do Diário Oficial), que estabeleceu que os créditos outorgados de ICMS, objeto da infração questionada pelos autos de infração, seriam conferidos apenas àquelas empresas participantes do PRODUZIR. Dessa forma, enfatiza que, a condição constante do artigo 3°, I, foi cumprida pelo Estado de Goiás. Ressalta, ainda, que para fins de reconhecimento desses montantes como subvenção para investimentos, a LC n° 160/2017, em seu artigo 10, condiciona o emprego do § 4° e do § 5o do artigo 30 da Lei n° 12.973/2014, no que diz respeito aos incentivos instituídos sem a aprovação do Conselho Nacional de Política Fazendária ("Confaz"), ao registro e depósito dos atos concessivos dos beneficios na Secretaria Executiva do Confaz (de acordo com o que estabelece o artigo 3o, inciso II, da LC n° 160/2017). Conclusão. Assim, considerando o cumprimento das exigências formais retro expostas e considerando mais a publicação do Decreto n° 9.193, de 20 de março de 2018 do Estado de Goiás, voto por dar provimento ao recurso voluntário, neste ponto, a fim de se afastar as exigências concernentes ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre as subvenções tratadas neste feito, relativamente ao Programa PRODUZIR. Multa Isolada. Concomitância A fiscalização aplicou a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de IRPJ e CSLL com fulcro no art. 44, inciso II, alínea "b", combinado com os artigos 2° e 28, todos da Lei n° 9.430, de 1996. O Acórdão recorrido registrou as razões de recurso da Recorrente, nos seguintes termos: 5. Da falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ E CSLL Nesse tema, sustenta a impugnante que a aplicação de multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e da CSLL, decorrente das citadas infrações apuradas pela Fiscalização, somente poderia ter sido realizada antes do encerramento do anobase. Para a suplicante, o presente caso trata de dupla incidência sobre a mesma materialidade, uma vez que os valores adicionados pela Fiscalização na base mensal estimada dos meses do anobase de 2011, para cálculo da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e de CSLL, foram os mesmos incluídos no cálculo do ajuste anual para a cobrança da multa de ofício sobre os valores não recolhidos desses tributos. Alega que a impossibilidade da cumulação de multas já é assunto com posicionamento pacífico no Conselho Administrativo de Recurso Fiscais e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, razão pela qual requer o cancelamento das exigências a título de multas isoladas. Por fim, requer a suplicante, no caso de serem mantidas as exigências ora contestadas, que os juros calculados com base na taxa SELIC não incidam sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. Como razões de decidir, a DRJ registrou o seguinte entendimento: Fl. 4719DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 26 25 Não se desconhece o entendimento externado em alguns arestos, especialmente do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, no sentido de afastar a imposição da multa isolada, conforme sustentado pela suplicante. Referidos acórdãos efetivamente vão ao encontro das alegações da suplicante de que a multa isolada não pode ser aplicada depois de encerrado o respectivo ano calendário, ou de que as multas de ofício e isolada não podem coexistir em casos como o dos autos, mormente na redação original do art. 44 da Lei n°. 9.430, de 1996., não aplicável ao presente caso, pois os fatos geradores são posteriores à data da publicação da Lei n° 11.488, de 2007. Não obstante, essas decisões se aplicam estritamente às demandas em razão das quais foram proferidas, não possuindo eficácia normativa por inexistência de lei que lhes atribua tal efeito, como exige o art. 100, inciso II, in fine, do CTN. Data maxima venia, não comungo desse entendimento. O referido comando legal, em sua redação original, já autorizava concluirse pela possibilidade da aplicação de ambas as multas; atualmente, repitase, não pode restar qualquer dúvida dessa possibilidade, em face da nova redação promovida pela Lei n° 11.488, de 2007. Vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007). Ora, a alegada impossibilidade de imposição da multa isolada após o encerramento do anocalendário não tem amparo na norma, pois a Lei n°. 9.430, de 1996, em seu art. 44, não faz qualquer ressalva no sentido de que a penalidade tenha aplicação adstrita ao curso do anocalendário; ao contrário, admite que a aplicação é cabível ainda quando se verifique a apuração de prejuízo fiscal ou base negativa da contribuição social, os quais, por óbvio, só são conhecidos após o encerramento do período. Fl. 4720DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 27 26 Assim, não há concomitância entre a penalidade que incide sobre as estimativas mensais não recolhidas e a multa de ofício que incide sobre a insuficiência de recolhimento de tributos apurados no encerramento do ano calendário, pois as causas motivadoras das sanções previstas na legislação são distintas, assim como independentes suas bases de cálculo. Rejeito, pois, as alegações da impugnante neste item. (...) 6. Da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício Quanto à alegação da impugnante neste item, de que não é cabível a incidência dos juros sobre a multa de ofício, importa registrar que a exigência de acréscimos moratórios sobre a penalidade não é objeto do lançamento ora em litígio, do qual consta a indicação de juros apenas sobre o valor principal. Os juros, incidentes sobre o crédito tributário lançado a título de principal e multa, serão calculados e atualizados até a data do efetivo pagamento, na fase de execução do acórdão e de cobrança do crédito tributário mantido, após se tornar definitiva, na esfera administrativa, a decisão acerca do lançamento impugnado. Não obstante, registrese que a incidência de juros sobre a multa de ofício está amparada nas disposições do art. 61, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, de seguinte teor: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ora, a multa de ofício é débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, portanto, configura se regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. A jurisprudência administrativa corrobora esse entendimento, conforme os seguintes acórdãos, ainda do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3°, da Lei 9.430/96. (Acórdão 10322.290, de 23/02/2006) JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO TAXA SELIC A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora Fl. 4721DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 28 27 calculados com base na taxa Selic desde o mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional". (Acórdão 105 15.211, de 07/07/2005) Com efeito, nos termos do art. 113 do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, na medida que a penalidade aplicada ao sujeito passivo por inadimplência integra o objeto da relação obrigacional, ou seja, é parte do direito de crédito detido pela Fazenda contra o sujeito passivo, é cristalino que, em contrapartida, integra os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, consoante art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996. O vocábulo decorrente inserido no art. 61 tem a conotação de relacionado aos tributos, assim como é a multa decorrente da inadimplência (qualificada ou simples). Não cabe interpretálo como significando com a natureza de tributos e contribuições. Nessa segunda interpretação, a própria inserção do vocábulo decorrente no texto legal, seria dispensável. Nesse sentido, a lei ordinária nada mais fez do que repetir os termos do art. 161 do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Por conta das definições veiculadas pelo CTN, a penalidade pecuniária decorrente da infração integra a obrigação principal e, por conseguinte, compartilha com o tributo também a natureza do crédito e do débito do sujeito passivo. Rejeito, pois, as alegações da impugnante neste item. À vista das razões de recurso e das razões de decidir, verificase que a multa isolada em questão, foi aplicada (2011) já na vigência do art. 44 da Lei 9.430/96, com as alterações da Lei nº 11.488/2007. Em 08/12/2014, foi aprovada a Súmula CARF nº 105, cujo verbete assim dispõe: “A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº Fl. 4722DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 29 28 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.”. Nesses termos, a multa isolada só pode ser cumulada com a multa de ofício a partir da entrada em vigor da MPV nº 351/2007 (que foi convertida na Lei nº 11.488/2007), a qual alterou o art. 44 da Lei nº 9.430/96, tanto que faz constar expressamente em seu verbete que só era inaplicável a cumulação de multas, quando a multa isolada fosse fundamentada no art. 44, § 1o, IV, da Lei 9430/96. Assim, como os lançamentos das multas isoladas em tela se fundamentaram no art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, é inaplicável, na espécie, a Súmula CARF nº 105. Com esses fundamentos, foto por negar provimento ao recurso voluntário, neste ponto, para manter a multa isolada e a respectiva incidência de juros (Selic). Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Declaração de Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca O caso em análise chama a atenção, mormente em relação a primeira parte da autuação, concernente à omissão de receitas decorrente do destaque e recolhimento do IPI e sua consequente exclusão da receita bruta da empresa, com espeque nos preceitos do art. 224 do RIR (aprovado pelo Decreto 3.000). Isto porque o único fundamento adotado pela D. Fiscalização para a imposição em análise é a existência de uma sentença concessiva de segurança proferida em favor do contribuinte, determinando à Receita Federal, na figura de seu delegado, que se abstenha de exigir do recorrente o IPI quando da venda, para o mercado interno, de veículos que tenha sido objeto de importação e que, nesta esteira, já tenha suportado a cobrança do imposto federal retro. E, aqui, destaquese, a empresa recorrente abriu mão, num primeiro momento, apenas tacitamente do direito surgido a partir da norma individual concreta estabelecida por meio do provimento jurisdicional, formalizando sua intenção, todavia, já para o período de apuração imediatamente subsequente ao período objeto deste processo. O fato, todavia, que me levou (e a alguns de meios pares) a divergir do D. Relator quanto a fundamentação do voto (e não quanto as conclusões) é que, tanto pelo entendimento por ele encartado, como aquele assumido pela DRJ e pela Autoridade lançadora, Fl. 4723DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 30 29 a empresa, contribuinte, não poderia abrir mão de um direito seu, frisese, absolutamente disponível (dado que não inserido, por dedução lógica, dentre os direitos fundamentais, insuscetíveis de transação). Por certo, ainda que semelhante direito exsurja de uma relação jurídico processual estável (abarcada pela coisa julgada) o seu uso não é impositivo à quem ele aproveite. Não há, na lei ou na Constituição qualquer vedação à disposição deste direito e, por isso mesmo, caso a parte entenda não lhe socorrer mais, pode, por isso mesmo, dele não se socorrer (ao menos no meu entendimento). E, neste passo, me parece absolutamente desarrazoada alegação trazida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional de que, caso não queira mais gozar do direito reconhecido por decisão judicial, tenha, o contribuinte, que lançar mão de procedimento judicial para desconstituir a coisa julgada... isto porque inexiste, em nosso ordenamento, previsão quanto a procedimento, ainda que de jurisdição voluntária, que permita ao autor da ação desfazer a coisa julgada. Mais que isso, vale dizer, no caso em análise o fisco não permite ao contribuinte creditarse do imposto (IPI) nem tampouco o franqueia excluílo da receita bruta (como determina o já mencionado art. 224), exigindose, passo seguinte, o imposto federal sobre a renda por pretensa omissão de receita. Passo seguinte, não autorizará a repetição do valor porventura recolhido pelo recorrente a título do IPI que, por sua natureza, comporta a transferência do respectivo ônus econômico ao consumidor final (art. 166 do CTN), encerrando inegável enriquecimento sem causa em prol da União. O motivo, contudo, e vejam bem, que me fez concordar apenas com as conclusões do voto vencedor, cinge à observância à segurança jurídica; explicando melhor, ainda que entenda que a parte possa dispor do seu direito (no caso, deixar de se submeter à norma concreta individual formada a partir do trânsito em julgado de decisão judicial), é de relevada pertinência que haja um pronunciamento formal e público do contribuinte que revele, tanto para as partes processualmente vinculadas à predita norma, como à terceiros interessados, a sua intenção de não mais se socorrer daquele direito... deixar, neste passo, ao alvedrio da empresa o uso do direito pontualmente, ensejaria a impensada possibilidade de, num momento não o utilizar e, acionado pelo Fisco Federal, oporse à pretensão da Autoridade Administrativa Tributária a partir deste mesmo direito (em linhas gerais, ou o contribuinte renuncia ao direito, ou se socorre dele, não podendo invocálo, apenas, quando lhe convir). Assim, era de se esperar que parte tivesse, quando menos, formalmente comunicado a sua intenção ao Fisco Federal, dando a necessária estabilidade a renúncia por ele intentada e evitandose procedimentos até mesmo fraudulentos para evadirse da tributação, seja quanto ao IPI, seja quanto ao próprio IRPJ e a CSLL. Como dito anteriormente, o recorrente somente promoveu semelhante "comunicação" mediante registro de sua renúncia em cartório (que dá ao ato a necessária publicidade)1 no período imediatamente ulterior ao objeto deste feito e por isso, e somente por isso, entendi pela improcedência da pretensão recursal, ao menos neste ponto. Em linhas gerais, a mingua de renúncia expressa e formal ao direito reconhecido por meio de provimento jurisdicional, prévio à autuação fiscal, voto por negar provimento ao recurso voluntário especificamente quanto a esta parte do lançamento. 1 Acho de prudente alvitre, até mesmo, a formalização de tal pretensão nos próprios autos da ação mandamental por ele impetrada e, quiçá, mediante comunicado expresso protocolizado na Unidade da Receita Federal. Fl. 4724DF CARF MF Processo nº 13116.722236/201459 Acórdão n.º 1302002.804 S1C3T2 Fl. 31 30 (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 4725DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11050.001390/2005-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 19/04/2000 a 16/12/2004
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NOTAS EXPLICATIVAS. INOBSERVÂNCIA.
Identificado erro de classificação fiscal de mercadorias importadas, a escolha de nova classificação exige que as mercadorias se enquadrem perfeitamente nas especificações contidas nos textos de posições, nas Notas de Capítulo, de Seção e, subsidiariamente, devem ser observados os textos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Mercadorias.
Numero da decisão: 9303-007.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 19/04/2000 a 16/12/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NOTAS EXPLICATIVAS. INOBSERVÂNCIA. Identificado erro de classificação fiscal de mercadorias importadas, a escolha de nova classificação exige que as mercadorias se enquadrem perfeitamente nas especificações contidas nos textos de posições, nas Notas de Capítulo, de Seção e, subsidiariamente, devem ser observados os textos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Mercadorias.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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NOTAS EXPLICATIVAS. INOBSERVÂNCIA. Identificado erro de classificação fiscal de mercadorias importadas, a escolha de nova classificação exige que as mercadorias se enquadrem perfeitamente nas especificações contidas nos textos de posições, nas Notas de Capítulo, de Seção e, subsidiariamente, devem ser observados os textos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Mercadorias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 13 90 /2 00 5- 89 Fl. 649DF CARF MF Processo nº 11050.001390/200589 Acórdão n.º 9303007.035 CSRFT3 Fl. 650 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 581 a 592), com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 353/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3201000.424 (fls. 572 a 579) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 19 de março de 2010, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 19/04/2000 a 16/12/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NOTAS EXPLICATIVAS. INOBSERVÂNCIA. Identificado erro de classificação fiscal de mercadorias importadas, a escolha de nova classificação exige que as mercadorias se enquadrem perfeitamente nas especificações contidas nos textos de posições, nas Notas de Capítulo, de Seção e, subsidiariamente, devem ser observados os textos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Mercadorias. Recurso Voluntário Provido Nessa oportunidade, insurgese a Fazenda Nacional por meio do recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto à classificação das mercadorias importadas pela Contribuinte, defendendo tratarse de vernizes (NCM 3208.20.20) e não de "outras tintas de impressão" (NCM 3215.19.00). Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigma o acórdão nº 30134.723. Nas suas razões recursais, sustenta, em síntese, que os produtos objeto da acusação fiscal são, conforme os Laudos Técnicos elaborados pela Fundação Universidade de Campinas FUNCAMP, verniz e não tinta de impressão, a saber: "UV Sensitive Blue ef. 2947"; "Laminating Varnish Ref. S2871" e "Laminating Varnish Ref. S1942". Alega, ainda, que a posição 3208 é específica para tintas e vernizes e a subposição 3208.20 é própria para tinta e vernizes à base de polímeros vinílicos, sendo o item 3208.20.20 reservado para Fl. 650DF CARF MF Processo nº 11050.001390/200589 Acórdão n.º 9303007.035 CSRFT3 Fl. 651 3 os vernizes com essas características, devendo ser classificados neste item os produtos importados. Ao final, requer seja provido o recurso especial. Por meio do despacho s/nº, de 24 de março de 2016 (fls. 601 a 602), foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, pois comprovada a divergência jurisprudencial, nos termos do que consignado pelo Ilustre Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento em exercício à época. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 2.987 a 3.002) requerendo, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, a sua improcedência. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise, desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, cingese a controvérsia à determinação da correta classificação fiscal das mercadorias importadas pela Contribuinte: se vernizes (NCM 3208.20.20) ou tintas de impressão (NCM 3215.19.00). Conforme pontuado no acórdão recorrido e na descrição dos fatos no auto de infração, abstraiuse a destinação que seria dada aos produtos em discussão. Ao proceder à importação, a Contribuinte classificou a mercadoria no NCM 3215.19.00, considerandoa como "outras tintas de impressão". A Fiscalização, ao proceder à reclassificação fiscal, manifestou entendimento no sentido de que não poderia haver o enquadramento na posição NCM 3215, pois ausente pigmento preto ou colorido. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 11050.001390/200589 Acórdão n.º 9303007.035 CSRFT3 Fl. 652 4 Ao lavrar o auto de infração, a Fiscalização ao proceder a "desclassificação" fiscal das mercadorias, descreveu entendimento nos seguintes termos: [...] 2.1. REGRAS DE CLASSIFICAÇÃO UTILIZADAS NO AUTO DE INFRAÇÃO A Regra Geral de Interpretação n° 1 é de fundamental importância para a classificação na Nomenclatura do produto importado, ao dispor: R.G.I. n° 1: "Os títulos das se cães, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo , para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capitulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes." Grifei E também a R.G.I. n° 6 e Regra Geral Complementar (RGC) n° 1, que tratam, respectivamente, da classificação a nível de subposição e de item e subitem, ao determinarem: R.G.I. n° 6: "A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das notas de suposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. para os fins da presente regra, as notas de seção e de capitulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário." Grifei REGRAS GERAIS COMPLEMENTARES (RGC) "1. As regras gerais para interpretação do sistema harmonizado se aplicarão, mutatis mutandis, para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível." Grifei O Sistema Harmonizado compreende 6 dígitos. Os 4 primeiros correspondem à posição, enquanto o 5° e o 6° dígitos indicam as subposições de 1° e 2° níveis, respectivamente. De acordo com a RGI n° 6, "apenas são comparáveis subposições do mesmo nível" para se classificar mercadorias numa determinada subposição de uma posição. A NCM acrescentou aos 6 dígitos do Sistema Harmonizado mais 2, que constituem o item e o subitem. Logo, o código NCM é constituído por 8 dígitos. O item é indicado pelo 7º digito e o subitem pelo 8° digito. A RGC n° 1 disciplina o funcionamento de itens e subitens. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 11050.001390/200589 Acórdão n.º 9303007.035 CSRFT3 Fl. 653 5 A RGI n° 1 é suficientemente clara, sendo que as mercadorias em questão podem se classificar na Nomenclatura sem que seja necessário recorrer ás Regras 2, 3, 4 e 5. Pela aplicação das RGI's n° 1 e 6, devemos analisar o texto da posição e das subposições desta mesma posição, observandose as características constitutivas das mercadorias. [...] Do laudo laboratorial (fls. 114 a 116), inferese que o verniz é à base de Poli (Cloreto de Vinila), ou seja, um polimero vinilico. Portanto, utilizando a RGI 6, devemos classificar o produto na NCM 3208.20 referente "Vernizes à base de polímeros acrílicos ou vinilicos". Já a classificação no item 3208.20, enseja a seguinte diferenciação: 3208.20.10 Tintas 3208.20.20 Vernizes 3208.20.30 Soluções definidas na Nota 4 do presente Capitulo Portanto, a fiscalização aduaneira firmou convicção na NCM 3208.20.20 referente à "Vernizes à base de polímeros vinilicos dispersos em meio não aquoso". 2.5. DA DESCLASSIFICAÇÃO FISCAL O contribuinte classificou os produtos na declaração de importação na NCM 3215.19.00 referente a "Outras tintas de impressão". A nota explicativa da posição 3215 descreve: [...] Logo, a fiscalização aduaneira está convicta de que o contribuinte declarou incorretamente a classificação fiscal da mercadoria, pois, se os produtos são vernizes não podem ser classificados na posição referente a tintas (com pigmento). Em resposta ao quesito 8, o laudo laboratorial (fls. 115) frisou, em relação ao produtode nome comercial UV SENSITIVE BLUE — Ref: S2947: "No entanto, os ensaios analíticos realizados indicam que a mercadoria analisada não contém matéria corante, caracterizandoa como um Verniz". Assim, fica claro para a fiscalização aduaneira que apesar das mercadorias serem utilizadas em impressão serigráfica não se tratam de tintas e sim vernizes, pois, o laudo laboratorial não acusou a Fl. 653DF CARF MF Processo nº 11050.001390/200589 Acórdão n.º 9303007.035 CSRFT3 Fl. 654 6 presença de pigmento característico de tinta nos produtos objeto da presente autuação. [...] Para melhor elucidar as diferenças entre as classificações fiscais entre as posições adotadas pela Contribuinte (tintas de impressão) e Fiscalização (vernizes), importa colacionar as Notas Explicativas das posições NCM 3215 e NCM 3208, in verbis: NCM 3215 Tintas de impressão. São preparações de consistência mais ou menos gorda ou pastosa, que se obtêm misturandose um pigmento preto ou colorido, finamente triturado, com um excipiente. O pigmento utilizado, que é geralmente o negro de carbono para as tintas de impressão pretas, pode ser orgânico ou inorgânico para tintas coloridas. O excipiente é constituído, por exemplo, por resinas naturais ou polímeros sintéticos, dispersos em óleos ou dissolvidos em solventes e uma pequena quantidade de aditivos destinados a darlhe as propriedades funcionais desejadas. NCM 3208 Consideramse vernizes as preparações líquidas destinadas a proteger ou a decorar as superfícies. São à base de polímeros sintéticos (compreendendo a borracha sintética) ou de polímeros naturais modificados quimicamente (nitrato de celulose ou outros derivados da celulose, novolacas ou outras resinas fenólicas, resinas amínicas, silicones, por exemplo), adicionadas de solventes e de diluentes. Formam um filme seco, insolúvel em água, relativamente duro, mais ou menos transparente ou translúcido, liso e contínuo, que pode ser brilhante, fosco ou acetinado. Podem apresentarse corados pela adição de matérias corantes solúveis no meio. (Nas tintas ou nas tintas esmaltes, a matéria corante chamase “pigmento” e é insolúvel no meio ver a parte A, acima). [...] Para aplicar estas tintas e vernizes, utilizamse normalmente pincéis ou rolos; os principais métodos industriais são, entre outros, a pulverização, a aplicação por imersão e a aplicação a máquina. (...) Fl. 654DF CARF MF Processo nº 11050.001390/200589 Acórdão n.º 9303007.035 CSRFT3 Fl. 655 7 Conforme se verifica nas notas explicativas acima, há para ambas as posições disposições excludentes para as mercadorias importadas. No caso dos vernizes, posição escolhida pela Fiscalização, a nota considera como verniz apenas as preparações destinadas a proteger ou a decorar superfícies, finalidades diversas daquelas para as quais são destinados os produtos em questão. Essa informação não foi contestada nos presentes autos. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 655DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.721703/2012-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2010
EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO.
A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração.
PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DITR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL.
Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA LEGAL E ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS, PRIMÁRIAS OU SECUNDÁRIAS EM ESTÁGIO MÉDIO OU AVANÇADO DE REGENERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente, reserva legal e áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR.
O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantém-se a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto.
ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. REQUISITOS.
Para fins de exclusão da tributação do imposto, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias, em estágio médio ou avançado de regeneração deverão estar comprovadas através de documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2401-005.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para que seja considerada no imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 1.661.635-9 a área de preservação permanente, no total de 67,3212 ha. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que fosse também excluída a área coberta por florestas nativas, no total de 1.683,5874 ha. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2010 EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DITR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL. Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA LEGAL E ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS, PRIMÁRIAS OU SECUNDÁRIAS EM ESTÁGIO MÉDIO OU AVANÇADO DE REGENERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente, reserva legal e áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantém-se a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. REQUISITOS. Para fins de exclusão da tributação do imposto, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias, em estágio médio ou avançado de regeneração deverão estar comprovadas através de documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para que seja considerada no imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 1.661.635-9 a área de preservação permanente, no total de 67,3212 ha. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que fosse também excluída a área coberta por florestas nativas, no total de 1.683,5874 ha. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2058; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 142 1 141 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.721703/201258 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.570 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de junho de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Recorrente AGRÍCOLA CAMBURI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2010 EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DITR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL. Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA LEGAL E ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS, PRIMÁRIAS OU SECUNDÁRIAS EM ESTÁGIO MÉDIO OU AVANÇADO DE REGENERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente, reserva legal e áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 17 03 /2 01 2- 58 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10320.721703/201258 Acórdão n.º 2401005.570 S2C4T1 Fl. 143 2 laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantémse a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. REQUISITOS. Para fins de exclusão da tributação do imposto, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias, em estágio médio ou avançado de regeneração deverão estar comprovadas através de documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial para que seja considerada no imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 1.661.6359 a área de preservação permanente, no total de 67,3212 ha. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que fosse também excluída a área coberta por florestas nativas, no total de 1.683,5874 ha. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite – Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10320.721703/201258 Acórdão n.º 2401005.570 S2C4T1 Fl. 144 3 Tratase de Notificação de Lançamento n° 03201/00023/2012 (fls. 03/06), contra o contribuinte acima qualificado, decorrente de procedimento de revisão de Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativo ao exercício de 2010, referente ao imóvel denominado “Fazenda Ourives III”, localizado no município de Barra do Corda (MA), com cadastro fiscal sob o n° 1.661.6359 (fls. 03). Segundo consta na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, o contribuinte, após regularmente intimado, não teria comprovado a área efetivamente ocupada com reflorestamento declarada, nem mesmo a área efetivamente utilizada para fins de exploração extrativa declarada, o que motivou a alteração do Documento de Informação e Apuração do ITR. A modificação imposta ocasionou a alteração da área utilizada e consequentemente do grau de utilização do imóvel, levando a modificação da alíquota incidente, nos termos da lei, antes de 0,30, para 8,60, ocasionando saldo suplementar a pagar no valor histórico de R$ 51.640,94, com fundamento no art. 10, § 1°, inciso V, alíneas “a” e “c” da Lei n° 9.393/96, além da multa de 75% (setenta e cinco por cento), no montante histórico de R$ 38.730,70, capitulada no art. 44, inciso I, § 1° e 3° da Lei n° 9.430/96, com alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07, além dos juros de mora, previstos no art. 61, § 3° da Lei n° 9.430/96. Após efetivada ciência da Notificação do Lançamento de ITR (fls. 10), o contribuinte, tempestivamente, compareceu aos autos apresentando sua Impugnação (fls. 13/31), com os seguintes argumentos, em síntese: (a) Deixou de informar áreas de preservação permanente, reserva legal e coberta de florestas nativas, porque a Receita Federal informava que a comprovação de tais áreas seria necessária a apresentação do Ato Declaratório Ambiental que, na época, não estava disponível no site do Ibama, o qual só veio a ser expedido em 2011. (b) Não conseguiu transmitir a declaração retificadora do exercício 2010, após ter protocolado o Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal junto à Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Maranhão, porque o sistema da Receita Federal não estava disponível naquela data, por isso o imóvel rural foi tributado como se não tivesse áreas isentas, resultando na cobrança de imposto bem elevado. Contudo, tem direito de retificar sua declaração porque adquiriu a espontaneidade e fazendo jus à isenção relativa às áreas de preservação permanente, reserva legal e florestas nativas, para justificar seu entendimento cita a súmula 33 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e Solução de Consulta Interna nº 15 de 20 de maio de 2005. (c) O Código Florestal e a Lei nº 10.165/2000 não exigem para o reconhecimento da isenção das áreas de preservação permanente, reserva legal e coberta de florestas nativas averbação na matrícula do imóvel tampouco apresentação do ADA, e cita jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e do Supremo Tribunal Federal para justificar seu entendimento sobre a matéria. (d) Houve violação aos princípios constitucionais da proporcionalidade e razoabilidade que se constituem como verdadeiros anteparos jurídicos necessários à segurança das relações jurídicotributárias bem como à estrita obediência ao princípio da verdade material. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10320.721703/201258 Acórdão n.º 2401005.570 S2C4T1 Fl. 145 4 Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), por meio do Acórdão nº 0434.069, de 11/11/2013, cujo dispositivo considerou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário (fls. 98/107). É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2010 Nulidade do Lançamento. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Áreas Isentas. Tributação. Averbação. ADA. Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas de florestas, é necessária a comprovação efetiva da existência dessas áreas e apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao Ibama, no prazo previsto na legislação tributária. A área de reserva legal deve estar averbada na matrícula do imóvel na data do fato gerador do ITR. Retificação dos Dados da DITR. Incabível a retificação dos dados da DITR quando não restar comprovado com documentos hábeis e idôneos conforme previstos na legislação tributária erro no preenchimento da declaração. Matéria não Impugnada – Áreas com Reflorestamento e Exploração Extrativa. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: (a) Para a exclusão das áreas de preservação permanente, reserva legal, bem como as áreas cobertas de florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, incluindo o Bioma Mata Atlântica, da incidência do ITR, é necessário a informação das áreas ambientais no Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolizado dentro dos prazos previstos nos atos normativos do IBAMA. (b) Para a exclusão da área de reserva legal, fazse necessário a averbação tempestiva à margem da matrícula junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente, conforme preceituam os artigos 16 e seus parágrafos e 44 e seu parágrafo único da Lei n° Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10320.721703/201258 Acórdão n.º 2401005.570 S2C4T1 Fl. 146 5 4.771/1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803/89 e pela Medida Provisória n° 2.16667, de 2001, art. 1°; RITR/2002, art. 12. (c) Constam nos autos Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, ART, Certidão de Registro, mas o Ato Declaratório Ambiental de 2011 não regulariza o exercício 2010, face à anualidade de sua apresentação. Por outro lado, a área de reserva legal só foi averbada na matrícula em 16/06/2010. (d) Não sendo comprovada a isenção das áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas de florestas nativas mediante a apresentação do ADA protocolado no prazo previsto em ato normativo do Ibama, não há como atender o pleito do contribuinte. (e) Por fim, no que diz respeito à glosa das áreas de exploração extrativa e reflorestamento não comprovadas, o contribuinte nada questionou. Dessa forma, considerase não impugnada essas matérias, vez que não foram expressamente contestadas, conforme preceitua o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dos arts. 1º, da Lei nº 8.748/1993, e 67 da Lei nº 9.532/1997. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 114/128), no dia 05/02/2014, apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: (a) A recuperação da espontaneidade deferida mediante decisão unânime lavrada pelo Acórdão n. 0434069 devolveu ao contribuinte o direito de retificar sua declaração originária na Impugnação, operandose efeito ex tunc, isto é, desde a data anterior ao início da ação fiscal, possibilitando ao contribuinte realizar a retificação da declaração do ITR sem os efeitos do lançamento tributário, isto é, sem a aplicação da multa de ofício de 75% e seus consectários legais. (b) Deve ser aplicada a súmula 75 do CARF que dispõe que “a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo”, ficando afastado, no caso em julgamento, o óbice do enunciado n° 33 do CARF que prevê que “a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício”. (c) O contribuinte é proprietário do imóvel rural com área total de 3.940,8 hectares, registrado no Cartório do 1° Ofício de Registro de Imóveis de Barra do Corda (MA), sob a matrícula n° 7740, possuindo 2.186,2 hectares a título de reserva legal, 67,3 hectares de área de preservação permanente, e, ainda, é detentor de área remanescente coberta por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, correspondente a 1.683,5 hectares e possui 3,6 hectares de benfeitorias, conforme a certidão de inteiro teor do imóvel, o Laudo Técnico de Avaliação de Imóvel com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica e o Ato Declaratório Ambiental (documentos ns. 03, 04 e 05 coligidos à defesa). (d) Entretanto, o contribuinte deixou de considerar as áreas informadas na declaração do ITR, pois, segundo a Receita Federal, para a comprovação de tais áreas, seria imprescindível a apresentação do Ato Declaratório Ambiental, documento que na ocasião da feitura da declaração original não estava disponível, pois o IBAMA somente veio a expedilo no ano de 2011, conquanto o requerimento do Termo de Averbação de Reserva Legal tenha Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10320.721703/201258 Acórdão n.º 2401005.570 S2C4T1 Fl. 147 6 sido protocolado na Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Maranhão – SEMA, em data anterior (documento n. 06 da defesa). (e) A Lei 9.393/96 que disciplina o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural na redação anterior ao advento da Lei 12.651/2012 (novo Código Florestal), não traz em seu bojo a exigência de prazo para averbação de reserva legal, tampouco a exigência de Ato Declaratório Ambiental – ADA para comprovação da área de reserva legal, de preservação permanente e coberta por florestas nativas. (f) A única exigência prevista no antigo Código Florestal, aplicável à espécie, era a averbação da área de reserva legal à margem do registro do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis respectivo, sem estipulação de qualquer prazo para fazêlo (Medida Provisória n. 21667 que alterou a Lei 4.771/65, então em vigor, no início do procedimento fiscal). (g) E mesmo a Lei 10.165/2000, que alterou o art. 17O da Lei 6.938/81, não ventilou qualquer exigência à observância de prazo para requerimento do ADA, não se podendo cogitar em impor como condição à isenção, a data de sua requisição/apresentação. (h) No caso do imóvel em questão, a averbação da Reserva Legal foi efetivada no Cartório de Registro de Imóveis antes do início da ação fiscal e no ano do fato gerador, sendo o suficiente à comprovação da existência da referida área e, por consequência, ao direito isencional garantido na Lei 9.393/96. E, quanto à área de preservação permanente e a área remanescente coberta por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, suficiente à comprovação o Laudo Técnico de Avaliação do imóvel com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, com apresentação de mapas e imagens captadas por satélite. (i) Assegurando a observância do princípio da verdade material, erigido ao status de lei, a autoridade julgadora é obrigada a decidir com base nos fatos que representam a realidade vivenciada pelo contribuinte, sempre partindo dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (j) A averbação da área de reserva legal, no Cartório de Imóveis competente, desde que realizada antes do lançamento ou mesmo antes do início da ação fiscal, já é o suficiente à comprovação da existência da referida área e, por consequência, ao direito isencional garantido na Lei 9.393/96. E mesmo o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir o benefício fiscal no âmbito do ITR, também no que diz respeito à área de preservação permanente. (k) Dessa forma, o imóvel em questão, possui área de preservação permanente correspondente a 67,3 hectares, a qual, mesmo sendo dispensada por lei a averbação em cartório, dispõe também de laudo técnico elaborado por profissional habilitado devidamente reconhecido pelo CREA, sendo meio hábil de prova, suficiente ao êxito da presente discussão. Não obstante, as áreas referidas são preexistentes ao fato gerador do imposto territorial rural, isto é, a propriedade em 1° de janeiro de 2010. (l) E, tratandose de área de preservação permanente devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, ainda que não apresentado o Ato Declaratório Ambiental – ADA tempestivamente, impõese o reconhecimento da aludida área, Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10320.721703/201258 Acórdão n.º 2401005.570 S2C4T1 Fl. 148 7 glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar em observância ao princípio da verdade material. Ao final, requereu a procedência do apelo para: (a) Declarar a nulidade do crédito tributário do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do imóvel rural registrado no NIFR sob o n. 1.661.6359, relativo ao exercício de 2010, em face da espontaneidade readquirida, e da existência dos documentos necessários à comprovação da existência das áreas de reserva legal, de preservação permanente e aquelas cobertas por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, nos quantitativos discriminados no presente recurso e já apresentados na defesa. (b) Alternativamente, determinar que a autoridade fiscal promova a correta desoneração do crédito tributário do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do imóvel rural registrado no NIRF sob o n. 1.661.6359, referente ao exercício de 2010, em face da espontaneidade readquirida, e da existência dos documentos necessários à comprovação da existência das áreas de reserva legal, de preservação permanente e aquelas cobertas por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, anteriores ao início da ação fiscal, nos quantitativos discriminados no presente recurso e já apresentados na defesa. (c) Caso assim não entenda esse respeitável Conselho Administrativo, tendo em vista que já houve o reconhecimento da requisição da espontaneidade tributária da ora recorrente, que conceda ao contribuinte o direito de retificar a declaração original do ITR, relativa ao exercício de 2010 do imóvel cadastrado na Receita Federal do Brasil, sob o NIRF n. 1.661.6359, ante a existência das áreas de reserva legal, cobertas por floresta nativa (primária) e de preservação permanente no aludido imóvel, uma vez que não há como o contribuinte promover a retificação, já que o sistema da Receita Federal está indisponível para alteração/retificação de dados. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10320.721703/201258 Acórdão n.º 2401005.570 S2C4T1 Fl. 149 8 Voto Vencido Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade Esclareço que o AR da notificação da decisão proferida pela instância a quo, foi digitalizado, por engano, no Processo n° 1032.0721705/201247. Assim, o Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/7. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Conexão Esclareço que, nos termos do art. 6°, § 1°, I, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, o presente processo é conexo aos processos destacados abaixo, pois versam sobre exigência de crédito tributário e pedido do contribuinte fundamentados em fatos idênticos, todos relativos ao imóvel com Código Fiscal sob o n° 0.047.4460, diferenciandose, entre eles, apenas em relação ao período em questão: Processo Exercício Imóvel 10320.721701/201269 2008 NIRF 1.661.6359 10320.721702/201211 2009 NIRF 1.661.6359 A discussão posta nos autos é pertinente, ainda, para os processos mencionados abaixo, pois possuem idêntica fundamentação de direito, embora relacionadas a fatos distintos, por se tratarem de imóveis distintos, conforme tabela abaixo: Processo Exercício Imóvel 10320.721698/201283 2008 NIRF 0.047.4460 10320.721699/201228 2009 NIRF 0.047.4460 10320.721700/201214 2010 NIRF 0.047.4460 10320.721704/201201 2008 NIRF 6.401.4835 10320.721705/201247 2009 NIRF 6.401.4835 10320.721706/201291 2010 NIRF 6.401.4835 10320.721707/201236 2008 NIRF 6.569.2071 10320.721708/201281 2009 NIRF 6.569.2071 10320.721709/201225 2010 NIRF 6.569.2071 Em todo o caso, os argumentos trazidos pelo contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, são similares, diferenciandose apenas em relação ao período, e por vezes alterando, cirurgicamente, a ordem de alguns parágrafos ou acrescentando excertos jurisprudenciais. Por fim, destaco que todos os processos mencionados acima foram distribuídos a este Relator. 3. Considerações iniciais O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10320.721703/201258 Acórdão n.º 2401005.570 S2C4T1 Fl. 150 9 proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pelo interessado. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, constato que não encontrei nenhum vício que macula o lançamento tributário, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa, havendo a devida descrição dos fatos e dos dispositivos infringidos e da multa aplicada, sendo o imposto e sua base de cálculo apurados com base na declaração apresentada pelo contribuinte à Receita Federal. Portanto, entendo que não se encontram motivos para se determinar a nulidade do lançamento, por terem sido cumpridos os requisitos legais estabelecidos no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72. Caso a recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10320.721703/201258 Acórdão n.º 2401005.570 S2C4T1 Fl. 151 10 Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). Assim, passo a analisar o mérito. 4. Mérito 4.1. Sobre a possibilidade de retificar a declaração após iniciada a ação fiscal, ou mesmo procedido o lançamento A teor do disposto nos arts. 142 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) e 10 e 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, tem se que o ITR é tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, cabe ao contribuinte a apuração e o pagamento do imposto devido, “independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior” (art. 10 da Lei n° 9.393/96). Iniciado o procedimento de ofício, não cabe mais a retificação da declaração por iniciativa do contribuinte, pois já houve a perda de espontaneidade, nos termos do art. 7° do Decreto n° 70.235/72. Nesse caso, resta ao contribuinte a possibilidade de impugnar o lançamento (art. 145, inciso I, do Código Tributário Nacional), demonstrando a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. A propósito, é ver a redação do artigo 138 do Código Tributário Nacional: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Na hipótese dos autos, o contribuinte, após iniciada a ação fiscal, vem procurando retificar a declaração objeto da autuação, o que é vedado pelo dispositivo legal em comento, impossibilitando o acolhimento de seu pleito. Ainda que se considere a reabertura da espontaneidade do sujeito passivo, a denúncia espontânea deve vir acompanhada da declaração retificadora, e, antes do lançamento de ofício. Após esse prazo, a questão deve ser resolvida na Impugnação, com a análise dos argumentos postos pelo contribuinte para afastar o lançamento tributário e que, sendo sua pretensão acolhida pelo Colegiado, excluirá integralmente ou determinará o recálculo do imposto a pagar, com a retificação da declaração pela unidade da RFB responsável pelo cumprimento do decisum. 4.2. Da exigência do Ato Declaratório Ambiental para as Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Áreas Cobertas por Florestas Nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10320.721703/201258 Acórdão n.º 2401005.570 S2C4T1 Fl. 152 11 Como se observa do relato introdutório, o cerne da questão posta nos autos é a discussão sobre a exigência do protocolo do Ato Declaratório Ambiental – ADA dentro do prazo legal, no tocante às áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas por florestas nativas, bem como a necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Inicialmente, sobre a exigência do protocolo do Ato Declaratório Ambiental – ADA, dentro do prazo legal, no tocante às áreas de preservação permanente, reserva legal, e cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, cumpre esclarecer, o que dispõe a Lei nº 9.393/96, a respeito do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, conforme redação vigente à época do fato gerador: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) (...) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) O Decreto n° 4.382/02, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, tratou da área tributável da seguinte forma: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10320.721703/201258 Acórdão n.º 2401005.570 S2C4T1 Fl. 153 12 I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1º); III de reserva particular do patrimônio natural (Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21; Decreto nº 1.922, de 5 de junho de 1996); IV de servidão florestal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001); V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alínea "b"); VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alínea "c"). § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis (Lei Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10320.721703/201258 Acórdão n.º 2401005.570 S2C4T1 Fl. 154 13 nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000). Ademais, o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 10.165/00, passou a prever: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Apesar da previsão contida no § 1° do art. 17O, no sentido de que a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é imperativa, entendo que o dispositivo não pode ser analisado isoladamente, e sua aplicação deve ser restrita às hipóteses em que o benefício da redução do valor do ITR tenha como condição o protocolo tempestivo do ADA. Pela interpretação sistemática do art. 10, Inc. II, e § 7° da Lei nº 9.393/96 c/c art. 10, Inc. I a VI e §3°, Inc. I do Decreto n° 4.382/02 c/c art. 17O da Lei n° 6.938/81, entendo que a exigência do ADA para fins de isenção do ITR diz respeito apenas às seguintes áreas: (a) de reserva particular do patrimônio natural; (b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput do artigo 10 do Decreto n° 4.382/02; (c) comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual. Nas hipóteses acima, sendo o ADA exigido para fins de fruição da isenção, não cabe ao julgador afastar sua obrigatoriedade, invocando o princípio da verdade material, mormente em se tratando de exigência atinente ao ITR, de caráter nitidamente extrafiscal e que almeja a proteção do meio ambiente aliada à capacidade contributiva. Isso porque, muito embora o livre convencimento motivado, no âmbito do processo administrativo, esteja assegurado pelos arts. 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72, entendo que existem limitações impostas e que devem ser observadas em razão do princípio da legalidade e que norteia o direito tributário. Contudo, entendo que as áreas de preservação permanente, de reserva legal, bem como as de servidão florestal ou ambiental, estão excluídas da exigência do ADA para fins de fruição da isenção, em virtude do caráter interpretativo do disposto § 7°, do art. 10, da Lei n° 9.393/96 e que trata expressamente dessas áreas. Ainda que as áreas de preservação permanente, de reserva legal, bem como as de servidão florestal, estejam mencionadas no caput do art. 10 do Decreto n° 4.382/02, a interpretação deve ser sistemática, excluindo a obrigatoriedade em razão da análise conjunta Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10320.721703/201258 Acórdão n.º 2401005.570 S2C4T1 Fl. 155 14 com o disposto § 7°, do art. 10, da Lei n° 9.393/96. Tratase de aparente antinomia, resolvida pelo intérprete mediante o emprego da interpretação sistemática. A propósito, no tocante às áreas de preservação permanente e de reserva legal, o Poder Judiciário consolidou o entendimento no sentido de que, em relação aos fatos geradores anteriores à Lei n° 12.651/12, é desnecessária a apresentação do ADA para fins de exclusão do cálculo do ITR1, sobretudo em razão do previsto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. Temse notícia, inclusive, de que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, reconhecendo o entendimento consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça sobre a inexigibilidade do ADA, nos casos de área de preservação permanente e de reserva legal, para fins de fruição do direito à isenção do ITR, relativamente aos fatos geradores anteriores à Lei n° 12.651/12, tendo a referida orientação incluída no item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer (art. 2º, incisos V, VII e §§3º a 8º, da Portaria PGFN nº 502/2016). Já no tocante às áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, entendo que se encontram excluídas da exigência do ADA em virtude da ausência de sua menção no caput do art. 10 do Decreto n° 4.382/02. Tratase de interpretação sistemática do art. 10, Inc. II, “e”, da Lei nº 9.393/96 c/c art. 10, Inc. I a VI e §3°, Inc. I do Decreto n° 4.382/02 c/c art. 17O da Lei n° 6.938/81. Ainda que se considere o fato de que a introdução da exclusão da referida área da base de cálculo do ITR somente sobreveio com a vigência da Lei nº 11.428, de 2006, que incluiu a alínea “e”, no inciso II, do § 1°, da Lei nº 9.393/96, e que o Regulamento do ITR é do ano de 2002, época em que não havia, portanto, a referida previsão legal, não é possível a utilização do recurso da analogia para criar obrigações tributárias, sob pena de desrespeito ao art. 108, § 1°, do CTN. Se não houve a alteração formal da legislação, não cabe ao intérprete criar obrigações não previstas em lei. Ademais, ressalto, novamente, que a previsão contida no § 1° do art. 17O, no sentido de que a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é imperativa, não pode ser analisada isoladamente, e sua aplicação deve ser restrita às hipóteses em que o benefício da redução do valor do ITR tenha como condição o protocolo tempestivo do ADA, não sendo o caso das áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, por não estarem previstas no caput do art. 10 do Decreto n° 4.382/02. Dessa forma, ao contrário da decisão de piso, entendo que não cabe exigir o protocolo do ADA para fins de fruição da isenção do ITR das áreas de preservação permanente, reserva legal e das áreas cobertas por florestas nativas, bastando que o contribuinte consiga demonstrar através de provas inequívocas a existência e a precisa delimitação dessas áreas. Se a própria lei não exige o ADA, não cabe ao intérprete fazêlo. 1 É ver os seguintes precedentes: REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007; REsp 1.112.283/PB, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 1/6/2009; REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007 e REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 2/8/2004; AgRg no REsp 1.395.393/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 31/03/2015. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10320.721703/201258 Acórdão n.º 2401005.570 S2C4T1 Fl. 156 15 E no tocante à questão probatória, reforço que o Laudo Técnico, referente ao ano de 2009, emitido por Engenheira Agrônomo (fls. 53/69), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 70 e 75), identificou as áreas pertinentes ao imóvel denominado “Fazenda Ourives III”, elucidadas no demonstrativo abaixo: Exercício 2010 Demonstrativo do AI Distribuição da Área do Imóvel Rural (ha) Declarado Apurado Laudo Técnico 2009 Área Total do Imóvel 3.940,8 3.940,8 3.940,8 Área de Preservação Permanente 67,3212 Área de Reserva Legal 2.186,2397 Área Coberta por Florestas Nativas 1.683,5874 Distribuição da Área Utilizada pela Atividade Rural (ha) Declarado Apurado Laudo Técnico 2009 Área com Reflorestamento (Essências Exóticas ou Nativas) 3.079,9 Área de Exploração Extrativa 855,9 O conjunto probatório acostado aos autos, ao meu juízo, permite atestar, com segurança, a existência dessas áreas, notadamente em razão dos seguintes documentos apresentados em sede de Impugnação: (a) Certidão expedida pelo Cartório do 1° Ofício Extrajudicial do Estado do Maranhão, da Comarca de Barra do Corda (MA), constatando no Livro n° 2 do Registro Geral de Imóveis da Comarca, na matrícula n° 7740, que após levantamentos técnicos procedidos pelo Resp. Técnico – CREA – 1346/DPIVisto: 788MA – Gerson dos Santos Rodrigues, constatouse que a área encontrada foi de 3.940,8299 ha e não 6.900,00 ha (fls. 45). (b) Certidão expedida pelo Cartório do 1° Ofício Extrajudicial do Estado do Maranhão, da Comarca de Barra do Corda (MA), afirmando que, no Livro n° 2 de Registro Geral de Imóveis (Registro Geral), na matrícula n° 7740, registro n° 03, em data de 31 de agosto de 2003, há o registro de uma Gleba de terras situada neste município, denominada Fazenda Vale do Rio Ourives (03), localizada no lugar Ourives, com uma área de 3.940,8299 ha (fls. 52). (c) Laudo Técnico de Avaliação de Imóvel Rural – NIRF 1.661.6359 emitido por Engenheira Agrônomo (fls. 53/69), referente ao ano de 2009, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 70 e 75). (d) Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal TRARL, protocolizado junto à Sec. Est. Meio Ambiente (fls. 78). (e) Mapa de Uso do Solo, discriminando as áreas de Reserva Legal, Preservação Permanente, Remanescente e Benfeitorias, devidamente assinado por Engenheiro Florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 75), informando que as coordenadas foram obtidas a partir de GPS de navegação (fls. 73). Dessa forma, pela análise da documentação acostada aos autos, as respectivas áreas de preservação permanente, reserva legal, cobertas por florestas nativas, foram devidamente comprovadas pelo Laudo Técnico (fls. 55/71), cuja informação encontra respaldo, ainda, nos registros cartorários de fls. 45, 52 e 78. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10320.721703/201258 Acórdão n.º 2401005.570 S2C4T1 Fl. 157 16 Ressalto, contudo, que apesar de entender que o Laudo Técnico (fls. 55/71) acostado pelo contribuinte não permite que se chegue à conclusão no sentido de que a área coberta de florestas nativas esteja em estágio médio ou avançado de regeneração, condição para a exclusão dessa área do montante tributável por força do art. 10, § 1°, inc. II, “e”, da Lei n° 9.393/96, esse aspecto passou ao largo da decisão de piso, que apenas condicionou a comprovação da área mediante a apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Dessa forma, entendo que a lide recursal está adstrita à fundamentação posta, não podendo a instância recursal inovar no julgamento, surpreendendo a parte em relação a aspecto do qual não se defendeu, em ofensa aos princípios do contraditório, a ampla defesa e segurança jurídica. 4.3. Da exigência da prévia averbação de reserva legal no registro de imóveis como condição para a isenção do ITR No que diz respeito à necessidade prévia de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão para a isenção do Imposto Territorial Rural, prevista no art. 10, II “a”, da Lei n° 9.393/96, o Superior Tribunal de Justiça2 pacificou as seguintes teses: (a) É indispensável a preexistência de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, tendo a averbação, para fins tributários, eficácia constitutiva; (b) A prova da averbação da reserva legal não é condição para a concessão da isenção do ITR, por se tratar de tributo sujeito à lançamento por homologação, sendo, portanto, dispensada no momento de entrega de declaração, bastando apenas que o contribuinte informe a área de reserva legal; e (c) É desnecessária a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, pois essa área é delimitada a olho nu. Dessa forma, para a exclusão da área de reserva legal do cálculo do ITR, exigese sua averbação tempestiva e antes do fato gerador. Interpretação diversa não se sustenta, pois a alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, que dispõe sobre a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal do cálculo do ITR, redação vigente à época, fazia referência às disposições da Lei nº 4.771/65 do antigo Código Florestal. E, ainda, o § 8° do art. 16 do Código Florestal exigia que a área de reserva legal fosse averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro competente. É ver a redação do dispositivo: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: 2 STJ EREsp: 1310871 PR 2012/02329655, Relator: Ministro ARI PARGENDLER, Data de Julgamento: 23/10/2013, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 04/11/2013. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10320.721703/201258 Acórdão n.º 2401005.570 S2C4T1 Fl. 158 17 (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. A referida exigência, consta, ainda, expressamente no art. 12, § 1°, do Decreto n° 4.382/02, in verbis: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Também a Lei 6.015/73 (Lei de Registros Públicos) prevê a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, conforme se observa do art. 167, inciso II, nº 22: Art. 167 No Registro de Imóveis, além da matrícula, serão feitos. (...) II a averbação: (...) 22. da reserva legal. Assim, para o gozo da isenção do ITR no caso de área de reserva legal, é imprescindível a averbação prévia da referida área na matrícula do imóvel, sendo o ato de averbação dotado de eficácia constitutiva, posto que, diferentemente do que ocorre com as áreas de preservação permanente, não são instituídas por simples disposição legal3. Apesar do § 7°, do art. 10, da Lei n° 9.393/96, dispensar a prévia comprovação da área de reserva legal por parte do declarante, nada mais fez do que explicitar a natureza homologatória do lançamento do ITR, não dispensando sua posterior comprovação que só perfectibiliza mediante a juntada do documento de averbação, em razão de sua eficácia constitutiva. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis, antes do fato gerador, deve ser exigida, portanto, como requisito para a fruição da benesse tributária, sendo uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR4. Isso porque, o 3 Nesse sentido: STJ EREsp 1027051/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 21.10.2013. 4 Precedentes: REsp 1027051/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.5.2011; REsp 1125632/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2009; AgRg no REsp 1.310.871/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 14/09/2012. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10320.721703/201258 Acórdão n.º 2401005.570 S2C4T1 Fl. 159 18 ITR é um imposto que concilia a arrecadação com a proteção das áreas de interesse ambiental, e o incentivo à averbação da área de reserva legal vai ao encontro do desenvolvimento sustentável, por criar limitações e exigências para a manutenção de sua vegetação, servindo como meio de proteção ambiental. Também aqui, entendo que não cabe ao julgador invocar o princípio da verdade material, mormente em atenção à extrafiscalidade do ITR, pois muito embora o livre convencimento motivado, no âmbito do processo administrativo, esteja assegurado pelos arts. 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72, entendo que existem limitações impostas e que devem ser observadas em razão do princípio da legalidade e que norteia o direito tributário. Não cabe, pois, invocar a verdade material para o descumprimento de uma exigência legal e que está em consonância com a preservação do meio ambiente, aspecto ínsito ao caráter extrafiscal do ITR. A jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, vem adotando o mesmo entendimento, ao exigir a averbação de reserva legal antes da ocorrência do fato gerador, como requisito para a isenção do ITR: ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantémse a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. (CARF Processo nº 10660.724592/201108 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.977 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de julho de 2017). ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. Para fins de isenção de ITR é necessária a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel antes da data da ocorrência do fato gerador. (CARF Segunda Seção TERCEIRA CÂMARA PRIMEIRA TURMA RECURSO: RECURSO DE OFÍCIO RECURSO VOLUNTARIO ACÓRDÃO: 2301004.866 Data de decisão: 18/01/2017) ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A exclusão de área declarada como de reserva legal da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada a sua averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. (CARF Segunda Seção SEGUNDA CÂMARA SEGUNDA TURMA RECURSO: RECURSO VOLUNTARIO ACÓRDÃO: 2202004.311 Data de decisão: 04/10/2017). Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10320.721703/201258 Acórdão n.º 2401005.570 S2C4T1 Fl. 160 19 ISENÇÃO. RESERVA LEGAL. A averbação tempestiva é requisito indispensável à isenção de ITR para área de reserva legal. No caso dos autos a averbação ocorreu 2 anos após a ocorrência do fato gerador. Embargos Acolhidos. (CARF Segunda Seção QUARTA CMARA PRIMEIRA TURMA ECURSO: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACÓRDÃO: 2401004.436 Data de decisão: 12/07/2016) ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DO FATO GERADOR. OBRIGATORIEDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente, na data anterior ao fato gerador. (CARF Segunda Seção SEGUNDA CMARA PRIMEIRA TURMA RECURSO: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACÓRDÃO: 2201003.027 Data de decisão: 12/04/2016 ) Cumpre destacar, ainda, que o Código de Processo Civil de 2015, com aplicação subsidiária ao processo administrativo, por força de seu artigo 15, estimula a integridade das decisões proferidas, ao recomendar que “os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente” (art. 926 do NCPC/15). Por fim, observo que o contribuinte alega que o Termo de Averbação da Reserva Legal – TRARL foi emitido antes do início da ação fiscal, o que já seria suficiente para comprovar a existência da área de reserva legal e, por consequência, o direito à isenção garantido pela Lei n° 9.393/96. Contudo, conforme exposto, endosso o entendimento de que para o exercício do direito à exclusão da área de reserva legal para fins de apuração do ITR, é imprescindível a averbação da área à margem da matrícula do imóvel, antes do fato gerador, por ser ato constitutivo da própria reserva, não importando que a emissão do Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal tenha ocorrido antes do lançamento ou mesmo antes do início da ação fiscal. Dessa forma, entendo que o contribuinte não comprovou a averbação da área de reserva legal no registro competente, anteriormente ao fato gerador, impossibilitando a fruição do direito à isenção do ITR, relativamente a essa área, devendo ser mantida a glosa neste ponto. 4.4. Da Área Ocupada com Benfeitorias Úteis e Necessárias Destinadas à Atividade Rural A recorrente discorre, brevemente, em seu petitório recursal, alegando ser proprietária do imóvel rural com área total de 3.940,8 ha, em 2010, registrado no Cartório do 1° Ofício de Registro de Imóveis de Barra do Corda (MA), possuindo 3,6 ha como área de benfeitorias (estradas). Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10320.721703/201258 Acórdão n.º 2401005.570 S2C4T1 Fl. 161 20 Contudo, tratase de questão ventilada exclusivamente nesta instância revisora, impossibilitando que seja oferecida à apreciação do Colegiado, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, não se constata existir pedido expresso para a consideração desta área, limitandose em discorrer sobre as áreas de reserva legal, de preservação permanente e as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de revisar as informações na declaração do exercício de 2010, passando a constar as seguintes áreas, referentes ao imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 1.661.6359: (a) área de preservação permanente, no total de 67,3212 ha; (b) área remanescente coberta por florestas nativas, no total de 1.683,5874 ha. Esclareço que a unidade da RFB responsável pela execução do acórdão deverá proceder ao recálculo do imposto, segundo a legislação vigente à época dos fatos geradores, devendo a multa de 75% (setenta e cinco por cento) incidir sobre o saldo remanescente apurado. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para discordar de seu voto na parte em que acolheu a comprovação da existência de área remanescente coberta por florestas nativas para fins de exclusão da área tributável do imóvel rural. A respeito dessa matéria controvertida, reproduzo excerto do voto do I. Relator: (...) Dessa forma, pela análise da documentação acostada aos autos, as respectivas áreas de preservação permanente, reserva legal, cobertas por florestas nativas, foram devidamente comprovadas pelo Laudo Técnico (fls. 55/71), cuja informação encontra respaldo, ainda, nos registros cartorários de fls. 45, 52 e 78. Ressalto, contudo, que apesar de entender que o Laudo Técnico (fls. 55/71) acostado pelo contribuinte não permite que se chegue à conclusão no sentido de que a área coberta de florestas nativas Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10320.721703/201258 Acórdão n.º 2401005.570 S2C4T1 Fl. 162 21 esteja em estágio médio ou avançado de regeneração, condição para a exclusão dessa área do montante tributável por força do art. 10, § 1°, inc. II, “e”, da Lei n° 9.393/96, esse aspecto passou ao largo da decisão de piso, que apenas condicionou a comprovação da área mediante a apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Dessa forma, entendo que a lide recursal está adstrita à fundamentação posta, não podendo a instância recursal inovar no julgamento, surpreendendo a parte em relação a aspecto do qual não se defendeu, em ofensa aos princípios do contraditório, a ampla defesa e segurança jurídica. (...) Pois bem. Na origem, a revisão da declaração pela fiscalização foi motivada pela ausência de comprovação das áreas declaradas pelo contribuinte como ocupadas com reflorestamento e para fins de exploração extrativa, o que resultou na alteração de ofício dos dados e exigência de imposto suplementar. Por ocasião do contencioso administrativo, o recorrente não se insurgiu contra tal aspecto da declaração, mas sim afirmou que havia deixado de incluir tempestivamente na declaração anual as áreas de preservação permanente, reserva legal e coberta de florestas nativas do seu imóvel rural, calculando o imposto como se não houvesse áreas isentas. Nessa hipótese, em que o contribuinte alega erro no preenchimento da declaração, recai sobre ele todo o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito. Em outros dizeres, cabe ao interessado demonstrar através de documentação hábil e idônea a existência das áreas, bem como o cumprimento dos requisitos legais para a exclusão da tributação. Para os imóveis rurais nos quais há áreas cobertas por florestas nativas, prescreve o art. 10, § 1º, inciso II, alínea "e", da Lei nº 9.393, de 1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: (...) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (...) Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10320.721703/201258 Acórdão n.º 2401005.570 S2C4T1 Fl. 163 22 Como se observa do texto da Lei nº 9.393, de 1996, as áreas cobertas de florestas nativas são passíveis de exclusão do montante tributável por força de lei, desde que comprovado o estágio médio ou avançado de regeneração. Todavia, como assinala o I. Relator em seu voto, o laudo técnico acostado aos autos não permite inferir que a área coberta por florestas nativas encontrase em estágio médio ou avançado de regeneração, tal qual exigido em lei. Não se trata de inovação no julgamento em instância recursal, porque a área coberta por florestas nativas não havia sido declarada e, portanto, não foi objeto de avaliação pela autoridade fazendária. Por isso, tampouco há que se falar em alteração de critério jurídico do lançamento fiscal. Ao interpor o recurso voluntário, toda a matéria correspondente foi devolvida à apreciação pelo órgão de segunda instância administrativa. Na falta de comprovação pelo contribuinte que a área do imóvel cumpre os requisitos legais, inviável a sua exclusão para fins de redução do imposto devido. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar tão somente uma área de preservação permanente no total de 67,3212 ha. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 163DF CARF MF
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