Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 16561.720215/2016-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.DECISÃO.
Implica preterição do direito de defesa a omissão da autoridade em consignar na decisão os argumentos que embasaram suas razões de decidir, tornando-a, em consequência, imotivada. Não supre a ausência dos requisitos especificados no art. 31 do Decreto nº 70.235/72 a remissão a outro processo onde esses fundamentos estariam presentes. Decisão que se anula com base no que dispõe o art.59, II, do mesmo diploma legal.
Numero da decisão: 1401-003.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida, razão pela qual os autos deverão ser devolvidos à Turma a quo para que profira novo julgamento. Declarou-se impedida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, substituída pela Conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ailton Neves da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto), Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o impedimento da Conselheira Letícia Domingues Costa Braga), Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Ausente o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011, 2012 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.DECISÃO. Implica preterição do direito de defesa a omissão da autoridade em consignar na decisão os argumentos que embasaram suas razões de decidir, tornando-a, em consequência, imotivada. Não supre a ausência dos requisitos especificados no art. 31 do Decreto nº 70.235/72 a remissão a outro processo onde esses fundamentos estariam presentes. Decisão que se anula com base no que dispõe o art.59, II, do mesmo diploma legal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16561.720215/2016-09
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5968472
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.081
nome_arquivo_s : Decisao_16561720215201609.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 16561720215201609_5968472.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida, razão pela qual os autos deverão ser devolvidos à Turma a quo para que profira novo julgamento. Declarou-se impedida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, substituída pela Conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ailton Neves da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto), Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o impedimento da Conselheira Letícia Domingues Costa Braga), Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Ausente o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7636463
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051662662238208
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-02-25T23:29:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-02-25T20:24:34Z; Last-Modified: 2019-02-25T23:29:31Z; dcterms:modified: 2019-02-25T23:29:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-02-25T23:29:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-02-25T23:29:31Z; meta:save-date: 2019-02-25T23:29:31Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-02-25T23:29:31Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-02-25T20:24:34Z; created: 2019-02-25T20:24:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 60; Creation-Date: 2019-02-25T20:24:34Z; pdf:charsPerPage: 1900; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-02-25T20:24:34Z | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 8.111 1 8.110 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720215/201609 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401003.081 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2019 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente BUNGE FERTILIZANTES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.DECISÃO. Implica preterição do direito de defesa a omissão da autoridade em consignar na decisão os argumentos que embasaram suas razões de decidir, tornandoa, em consequência, imotivada. Não supre a ausência dos requisitos especificados no art. 31 do Decreto nº 70.235/72 a remissão a outro processo onde esses fundamentos estariam presentes. Decisão que se anula com base no que dispõe o art.59, II, do mesmo diploma legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida, razão pela qual os autos deverão ser devolvidos à Turma a quo para que profira novo julgamento. Declarouse impedida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, substituída pela Conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ailton Neves da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto), Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o impedimento da Conselheira Letícia Domingues Costa Braga), Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 02 15 /2 01 6- 09 Fl. 8111DF CARF MF 2 (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Ausente o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto. Relatório Trata o presente processo de auto de infração de IRPJ (efls. 7.738/7.745) e de CSLL (v. efls. 7.747/7.754), relativos aos períodos de apuração de 2011 e 2012. Nos referidos lançamentos não houve a apuração de crédito tributário a ser exigido, mas tão somente a redução do saldo de prejuízos fiscais e de bases negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. A origem da autuação remonta à glosa de despesas de amortização de ágio contabilizadas nos respectivos anos auditados. Em função dos fatos apurados pela Autoridade Fiscal também foi destacada no Auto de Infração a sujeição à multa de ofício de 150%, entretanto tal multa não foi objeto de cobrança pela inexistência de crédito tributário a ser exigido. Os fatos que levaram à lavratura dos Autos de Infração foram todos apurados em procedimento fiscal encerrado em 28/11/2011, consubstanciado no processo administrativo fiscal nº 16561.720026/201113, e que teve por objeto os períodos de apuração de 2005 a 2009. Portanto, o presente processo é claramente decorrente do processo nº 16561.720026/201113. Por ser decorrente do processo nº 16561.720026/201113, é fundamental que se tenha ciente a situação processual daquele feito neste momento em que trazemos a julgamento os presentes autos. O processo principal foi levado a julgamento pela DRJ de São Paulo em 22 de junho de 2012, que editou o Acórdão nº 1639.979 4ª Turma, negando provimento integral à impugnação da Recorrente. A Contribuinte recorreu ao CARF que, através do Acórdão nº 1402001.460 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 08 de outubro de 2013, deu parcial provimento ao recurso tão somente para afastar a qualificação da multa de ofício e a multa isolada sobre estimativas. Abaixo reproduzo a ementa da referida decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2005, 2006, 2007, 2008, 2009 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. O art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 Fl. 8112DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.112 3 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento “também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.” O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 IRPJ/CSLL. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INDEVIDA. 1. O direito à contabilização do ágio não pode ser confundido com o direito à sua amortização. 2. Em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do RIR/99). 3. A exceção trazida pelo caput do art. 386, e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida, ou viceversa (§6º, II). A operacionalização de tal reestruturação de forma artificial, calcada em operações meramente formais e com fins unicamente tributários mediante utilização de “empresas veículo”, não possui o condão de alterar a verdade dos fatos, de modo a transformar o que deveria ser contabilizado como custo do investimento em amortização de ágio. 3. A amortização do ágio oriundo de operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificiais e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. 4. Nesse cenário, o ágio artificialmente transferido não pode ser utilizado para redução da base de cálculo de tributos. 5. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente, no caso concreto, a transferência do ágio ao real investidor para fins de amortização. IRPJ/CSLL. AQUISIÇÃO DAS PRÓPRIAS AÇÕES. PAGAMENTO DE MAIS VALIA. CONTABILIZAÇÃO EM CONTAS PATRIMONAIS. RESULTADO DO EXERCÍCIO INALTERADO. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. GERAÇÃO ARTIFICIAL DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO ARTIFICIAL. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 8113DF CARF MF 4 1. A Lei das S/A LSA veda, em regra, a negociação com as próprias ações. Comprovada que operações formalizadas como aquisição de investimento, com posterior cisão parcial e incorporação, na verdade dissimulavam aquisição das próprias ações, deve o Fisco apurar os tributos devidos de acordo com os fatos efetivamente ocorridos. 2. O pagamento de mais valia em aquisição das próprias ações não pode alterar o resultado do período, devendo ser contabilizado diretamente em contas patrimoniais, ou seja, sem transitar pelo resultado. 3. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificiais e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. 4. Nesse cenário, o ágio artificialmente gerado não pode ser utilizado para redução da base de cálculo de tributos. 5. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente a geração e a transferência do ágio. LUCRO REAL. ÁGIO INTERNO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. A circunstância de a operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico somada a falta de propósito negocial ou societário da operação dentro do seu contexto, analisado o caso específico, impedem os efeitos tributários da operação desejados pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não houve dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada. IRPJ. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Precedentes. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. AUTOS REFLEXOS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Fl. 8114DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.113 5 Recurso Voluntário parcialmente provido. A PGFN recorreu da decisão da 2ª TO da 4ª Câmara à Câmara Superior de Recursos Fiscais que, em 08 de novembro de 2017 proferiu o Acórdão nº 9101003.208 1ª Turma, assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA COM DOIS FUNDAMENTOS COMPLEMENTARES. NECESSIDADE DE DEVOLUÇÃO INTEGRAL. Recurso que não logra demonstrar ocorrência de divergência na interpretação da legislação tributária para os dois fundamentos complementares necessários para apreciação da matéria perde a utilidade. No caso, os paradigmas se prestaram a demonstrar divergência apenas para um dos fundamentos, não se consumando a devolução integral. Recurso não conhecido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAVEÍCULO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL Não produz o efeito tributário pretendido pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, em operações em seqüência feitas em curto espaço de tempo entre a integralização de capital na incorporada e posterior evento de incorporação reversa. Nestes casos resta caracterizada a utilização da incorporada como mera empresaveículo para transferência do ágio à incorporadora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Caracteriza o evidente intuito de fraudar o Fisco as operações de reestruturação societárias criadas com o objetivo único de possibilitar a amortização de ágio gerado artificialmente, mediante a utilização de empresasveículo, sem propósito negocial que não seja o de obter benefício tributário. DECADÊNCIA. REGRA DE CONTAGEM Nos casos em que se verifica o dolo, a fraude e a simulação, a regra de contagem do prazo decadencial a ser aplicada é aquela prevista no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Súmula CARF nº 72) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Fl. 8115DF CARF MF 6 A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Como se pode observar da ementa acima, a CSRF deu parcial provimento aos recursos especiais, tanto da PGFN, quanto da Contribuinte, para restabelecer a qualificação da multa de ofício e afastar a exigência relativa ao ágio denominado "CAJATI". A Recorrente propôs, ainda, embargos de declaração em face da decisão acima, entretanto seu recurso foi rejeitado pela Presidente da CSRF. Atualmente o referido processo encontrase na Unidade de Origem para ciência e execução do julgado. Do Termo de Verificação Fiscal de efls. 7.643/7.736, extraímos as seguintes informações a respeito do objeto da autuação, já apontados no procedimento fiscal anterior, haja vista que seu conhecimento é de fundamental importância para o deslinde do presente processo: A ação fiscal referente aos anoscalendário de 2005 a 2009 teve por escopo inicial a análise de operação de incorporação da BUNGE BRASIL S.A. CNPJ 61.074.092/000149 pela sua subsidiária integral a Bunge Fertilizantes S.A. onde foi constatado, preliminarmente, que a Bunge Brasil S.A. declarou um ágio de R$ 851.479.101,42 na Ficha 45A linha 27 de sua DIPJ de evento especial, de 31/10/2005 (doc. 62). Foi verificado que, na mesma data do evento de incorporação da Bunge Brasil S.A. pela Bunge Fertilizantes S.A. (31/10/2005) haviam sido realizadas outras incorporações dentro do Grupo Bunge, conforme relacionadas abaixo: i) Incorporação da Bunge Investimentos Ltda. CNPJ 07.052.334/000158 pela Bunge Investimentos e Consultoria Ltda. CNPJ 67.866.863/000117 – ágio declarado na ficha 45 da DIPJ de evento especial da Bunge Investimentos Ltda. – R$ 367.069.306,50 (doc. 70); ii) Incorporação da Bunge Investimentos e Consultoria Ltda. pela Bunge Brasil S.A. ágio declarado na ficha 45 da DIPJ de evento especial da Bunge Investimentos e Consultoria Ltda. – R$ 501.662.557,60 (doc. 71); iii) Incorporação da Bunge Participações Ltda. CNPJ 06.282.557/000149 pela Bunge Brasil S.A. ágio declarado na ficha 45 da DIPJ de evento especial da Bunge Participações Ltda. – R$ 389.373.463,92 (doc. 74). Foi constatada, também, uma cisão parcial na Bunge Fertilizantes S.A (doc. 63) com transferência de parcela do patrimônio para a Bunge Alimentos Participações Ltda. CNPJ 07.712.535/000134 a qual foi posteriormente incorporada em 28/02/2006 pela Bunge Alimentos S.A. CNPJ 84.046.101/000193 – ágio declarado na DIPJ AC 2005 da Bunge Alimentos Participações Ltda. R$ 476.318.882,50. A seguir demonstramos graficamente os eventos constatados no início da ação fiscal anterior. Tais eventos ocorreram em 31/10/2005. (Obs.: as setas indicam os sentidos de transferências dos acervos.) Fl. 8116DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.114 7 (...) Após a análise da documentação e dos esclarecimentos apresentados, os Auditores Fiscais verificaram que a Bunge Fertilizantes havia contabilizado outros valores expressivos de ágio provenientes de incorporações ocorridas em anos anteriores, e que vinha amortizandoos a razão de 10% ao ano (BUNGE I DE PARTICIPACOES S.A.– CNPJ 05.111.830/000100 e CAJATI PARTICIPACOES LTDA – CNPJ: 05.675.377/000164 ágios registrados – conta 1332424: R$ 286.656.102,71 e conta 1332425: R$ 170.844.432,64, respectivamente). (...) 5. DO HISTÓRICO DA ESTRUTURA SOCIETÁRIA DO GRUPO BUNGE ORGANOGRAMAS Os organogramas apresentados a seguir foram extraídos do Termo de Verificação Fiscal do processo nº 16561.720026/201113, que, por sua vez, foram elaborados a partir dos organogramas apresentados pelo contribuinte fiscalizado. 5.1 Setembro de 2004 (doc. 135) Fl. 8117DF CARF MF 8 5.2 Dezembro de 2004 e junho 2005 (doc. 135) Fl. 8118DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.115 9 5.3 – Dezembro de 2005 (doc. 11) 5.4 Dezembro de 2006/2009 (Doc 11) 6. DA ANÁLISE DOS ÁGIOS Na DIPJ de evento especial (31/10/2005) da Bunge Brasil S.A. (doc. 62), da qual a Bunge Fertilizantes S.A. era subsidiária integral, havia um ágio declarado em seu Balanço Patrimonial no valor de R$ 851.479.101,42. O contribuinte demonstrou da seguinte maneira a origem desse ágio (doc. 125): Fl. 8119DF CARF MF 10 Do valor total do ágio que foi incorporado pela Bunge Fertilizantes S.A. (R$ 851.479.101,42), houve parcela que foi vertida, quando de cisão parcial, para a Bunge Alimentos e Participações Ltda. CNPJ 07.712.535/000134 (docs. 128/93). O valor total de ágio remanescente na Bunge Fertilizantes foi de R$ 442.295.116,16. No anocalendário 2011, o montante total de ágio contabilizado em contas de Ativo diferido é de R$ 952.974.058,59. Esse valor foi declarado na linha 67 da Ficha 36A Ativo Balanço Patrimonial da DIPJ 2012/ AC 2011 e é composto pelas seguintes contas: Neste Termo de Verificação Fiscal iremos tratar apenas dos seguintes ágios: • Ágio BIC – Bunge Investimentos e Consultoria • Ágio Bunge Brasil SA. / Bunge Participações Ltda. • Ágio Cajati Participações Ltda. • Ágio da Bunge I de Participações S.A. O ágio denominado BIC Bunge Investimentos e Consultoria não foi objeto de contestação pela Recorrente quanto ao mérito, mas tão somente em relação à qualificação da multa de ofício, por isso deixo de reproduzir sua sistemática de estruturação, por razões de economia processual. 6.2 – Ágio Bunge Brasil SA. / Bunge Participações Ltda. I – Contrato Social, alterações contratuais e atas A Foi constituída em 14/05/2004 a sociedade Bunge Participações Ltda. (docs. 42/46). A Bunge BIC Holdings BV, representada por Hildegard Gutz Horta e a Bunge Investimentos e Consultoria Ltda., representada por seus diretores Hildegard Gutz Horta e Miguel Juan Pryor constituem a sociedade com capital social de R$ 10.000,00, com sede na Av. Maria Coelho Aguiar, 215, Bloco D, 5º andar (parte). O capital ficou assim dividido: Hildegard e Miguel Juan foram eleitos diretores. Fl. 8120DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.116 11 B Na primeira alteração contratual (doc. 43), datada de 30/06/2005, a Bunge BIC Holdings BV, representada por sua procuradora Hildegard Gutz Horta, e Bunge Investimento e Consultoria Ltda. representada por seus diretores, Hildegard Gutz Horta e Miguel Juan Pryor, únicas sócias de Bunge Participações Ltda. e a Bunge Brasil Holdings BV, representada por sua procuradora Hildegard Gutz Horta, considerando que a sócia Bunge BIC Holdings BV havia sido incorporada no exterior pela Bunge Brasil Holdings BV, com atos registrados no exterior com eficácia a partir de 18/06/2005, impôsse a substituição na sociedade pela incorporadora ficando assim distribuído o capital: Hildegard e Miguel Juan constam no contrato social como diretores. Assinaram: Bunge Brasil Holdings BV Hildegard Gutz Horta Bunge BIC Holdings BV Hildegard Gutz Horta Bunge Investimentos e Consultoria Hildegard Gutz Horta e Miguel Juan Pryor Testemunhas: Maria Lúcia Rocha Kokura e Neusa Vieira dos Santos Ferreira Maria Lúcia Rocha Kokura e Neusa Vieira dos Santos Ferreira tinham vínculo empregatício com a Bunge Fertilizantes em 2004 e 2005 (docs. 210 a 215). C Pela segunda alteração contratual, datada de 13/10/2005 (18 dias antes das incorporações), a Bunge Brasil Holdings BV, representada por sua procuradora Hildegard Gutz Horta, e Bunge Investimento e Consultoria Ltda. representada por seus diretores, Hildegard Gutz Horta e Miguel Juan Pryor, únicas sócias de Bunge Participações Ltda., decidiram: Fl. 8121DF CARF MF 12 1 A Bunge Brasil Holdings BV transferiu as suas 9.999 quotas para a Bunge Investimento e Consultoria Ltda. que passou a ter 10.000 quotas; 2 Aumentar o capital da Bunge Participações Ltda. para R$ 165.010.000,00; 3 A Bunge Brasil Holdings BV subscreveu 165.000.000 quotas integralizandoas com parte dos recursos de sua propriedade existentes no país, que se encontram disponibilizados no sistema RDEIED (RDE–IA042112) do Banco Central do Brasil como valor a receber pela venda feita pela Bunge BIC Holdings BV (empresa incorporada pela Bunge Brasil Holdings BV), em razão da alienação de sua participação na Bunge Investimentos e Consultoria Ltda. para a Bunge Investimentos Ltda., com sede na Av. Maria Coelho Aguiar, 215, Bloco D. O saldo do valor total do principal do crédito disponibilizado passou a ser de US$ 255.065.375,94 mais os juros contratados. Assinaram: Bunge Brasil Holdings BV Hildegard Gutz Horta Bunge Investimentos e Consultoria Hildegard Gutz Horta e Miguel Juan Pryor Testemunhas: Maria Lúcia e Neusa D – Na terceira alteração contratual, datada de 26/10/2005 (doc. 44) a Bunge Brasil Holdings BV, representada por sua procuradora Hildegard Gutz Horta, e Bunge Investimento e Consultoria Ltda. representada por seus diretores, Hildegard Gutz Horta e Miguel Juan Pryor, únicas sócias de Bunge Participações Ltda., acordaram: 01 Reduzir o capital social em R$ 29.701.800,00 (absorção de prejuízos) – com o cancelamento de 29.701.800 quotas; 02 O capital passou a ser assim distribuído: Assinaram: Bunge Brasil Holdings BV Hildegard Gutz Horta Bunge Investimentos e Consultoria Hildegard Gutz Horta e Miguel Juan Pryor Testemunhas: Maria Lúcia e Neusa E Pela quarta alteração contratual (doc. 45), datada de 31/10/2005, a Bunge Brasil Holdings BV, representada por sua procuradora Hildegard Gutz Horta, e Bunge Brasil S.A. representada por seus diretores, Milton Notrispe e Rogério Paulo Calderón Peres, únicas sócias de Bunge Participações Ltda. acordaram, em síntese: 01 – Aprovação da incorporação pela Bunge Brasil S.A. da totalidade do patrimônio da sociedade nos termos do protocolo de justificação de incorporação; Fl. 8122DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.117 13 02 – Aprovação dos laudos de avaliação; 03 – Todo o ativo e passivo da sociedade foi incorporado ao patrimônio da Bunge Brasil S.A.; 04 – Foram atribuídos aos sócios, em substituição às suas quotas, 124.345.274 ações ordinárias, sem valor nominal, representativas do capital social da incorporadora. Protocolo de Justificação de Incorporação e Laudo de Avaliação do PL (doc. 59). Segundo o protocolo de justificação, a atividade exercida pela Bunge Participações Ltda. poderia ser exercida pela Bunge Brasil ou sucessora sem solução de continuidade e a reestruturação objeto do protocolo permite a redução de gastos. “O acervo líquido da Bunge Participações para fins de incorporação, será avaliado com base no seu valor contábil na data de 30/09/2005, ajustado pela liquidação parcial de prépagamento de exportação em 11/10/2005, pelo aumento do capital social em 13/10/2005 e pela absorção de prejuízos acumulados contra capital em 26/10/2005”. Do acervo líquido incorporado, no valor total de R$ 135.249.416,60, R$ 135.249.416,00 foram destinados a conta capital com respectivo aumento de capital na Bunge Brasil e R$ 0,60 foram destinados à reserva de capital. F – Segundo a ata da AGE da Bunge Brasil S.A., realizada em 31/10/2005 às 10h, na sede da companhia localizada na Av. Maria Coelho Aguiar, 215, Bloco D, 5º andar, foi, em síntese, aprovada a incorporação da Bunge Participações Ltda. (doc. 29). Fl. 8123DF CARF MF 14 As 124.345.274 ações ordinárias da companhia de propriedade da incorporada foram canceladas em contrapartida de reserva de capital no montante de R$ 504.915.544,02. O capital social foi aumentado em R$ 135.249.416,00 mediante a emissão de 124.345.274 ações ordinárias (R$ 1,09/ação) sem valor nominal, distribuídas à Bunge Brasil Holdings B.V. O capital social da sociedade – R$ 1.432.287.062,00 continua representado por 810.726.891 ações ordinárias, sem valor nominal, escriturais, nominativas, sem emissão de certificados. Aprovação e assinatura da ata: Bunge Brasil Holdings BV – Hildegard Gutz Horta Bunge Cooperatief UA Hildegard Gutz Horta Presidente da Assembléia – Mário Alves Barbosa Neto Secretária da Assembléia Hildegard Gutz Horta II Origem do ágio na Bunge Participações Ltda. Conforme constatouse, na folha 6 do laudo de avaliação econômica apresentado (doc. 12) item 2 “dos objetivos”, que em 29/04/2004 a Bunge Limited anunciou a intenção de fechar capital de sua controlada Bunge Brasil por meio de uma Oferta Pública de Aquisição de ações (OPA) (doc. 198). A avaliação econômicofinanceira teve como data base 31/03/2004 e o leilão da OPA ocorreu em 27/09/2004, tendo sido o valor pago por ação superior ao seu valor patrimonial, resultando daí o ágio. A fiscalizada demonstrou da seguinte forma a origem desse ágio (doc. 125): Com base no laudo de avaliação econômica, a fiscalizada considerou o valor de R$ 6,48/ação (verificase que pelo laudo foi estabelecido um valor máximo por ação da companhia de R$ 6,48 e mínimo de R$ 5,89 – doc. 127). Considerando o valor de R$ 6,48/ação o valor da participação para apuração do ágio corresponderia a R$ 805.757.375,52 (124.345.274 ações x R$ 6,48/ação). Segundo o laudo (doc. 127) o preço médio ponderado das ações da Bunge Brasil seria de R$ 6,03/ação, preferencial ou ordinária. O valor do PL (doc. 47) está demonstrado abaixo: III – Verificações na Bunge Participações Ltda. Como se verificou pelo organograma do grupo Bunge (doc. 68) a Bunge Limited controlava indiretamente tanto a Bunge Brasil S.A. como a Bunge Participações Ltda.. Fl. 8124DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.118 15 Nas DIPJ apresentadas em nome da Bunge Participações (docs. 73 e 74) foi constatado: i) Endereço: Av. Maria Coelho Aguiar nº 215 Bloco D 5º andar; ii) Responsável pelo preenchimento – Roberto Correa Sampaio CRC: 1SP131168/O4, CPF 690.499.20853; iii) Empregados – informação Ficha 56ª – zero; iv) Empresa controlada no exterior – 100% Bunge Trade Ltd; v) Representante da PJ – Hildegard Gutz Horta. Obs.: Roberto Correa Sampaio era também contador da Bunge Fertilizantes S.A. e da Bunge Brasil S.A. nos AC 2004 e 2005 (docs. 62,63,64,72). Através da ECD – AC 2004 (escrituração contábil digital) apresentada não foram verificados quaisquer tipos de despesas com remunerações, ordenados ou encargos sociais. Os valores de PIS e COFINS calculados nas DIPJ são referentes a receitas financeiras. As despesas declaradas na linha 30 da Ficha 5A são “Outras Despesas Operacionais” no total de R$ 361.133,80 (despesas bancárias R$ 291,83 e R$ 360.841,97 como outras despesas operacionais tendo como contrapartida uma conta corrente com a Bunge Fertilizantes) (doc. 123). Na ficha 6A verificamos que a composição do resultado se deu basicamente com receitas/despesas financeiras e resultados em participações societárias (doc. 113). Na Ficha 09A – Linha 48. LUCRO REAL Prejuízo de R$ 16.926.420,57 (doc. 73) Através da ECD – AC 2005 (escrituração contábil digital) apresentada, não foram verificados quaisquer tipos de despesas com remunerações, ordenados e encargos sociais. Verificaramse despesas com serviços prestados por PJ no valor de R$ 111.299,87, com CPMF, impostos/taxas e provisões não dedutíveis (R$ 42.182.125,31 – que corresponde a ágio– doc. 122). Na ficha 6A da DIPJ verificamos que a composição do resultado se deu basicamente com receitas/despesas financeiras e resultados em participações societárias (doc. 113). Na Ficha 09 A – Linha 48.LUCRO REAL – zero. Verificamos pelo balancete da Bunge Participações, que foi contabilizada no ano calendário de 2005 uma provisão para ágio como transcrito abaixo (doc. 122): Fl. 8125DF CARF MF 16 Essa despesa de R$ 42.182.125,31, correspondente à amortização de ágio, foi excluída na ficha 09A para o cálculo do lucro real. A – Contabilizações Foi verificada a seguinte contabilização para as aquisições das ações da Bunge Brasil S.A.: Débito 1311404 Part. Societ. Bunge Brasil (doc. 117) Crédito 2165017 Provisão Outras (doc. 119) Valor – R$ 800.783.564,56 Data – 30/04/2004 Ao analisarse a origem dos recursos financeiros da Bunge Participações, visto esta não ter desenvolvido nenhuma atividade geradora de receitas e possuir um capital social de R$ 10.000,00, verificase os seguintes registros nas contas bancárias tendo contrapartidas em conta de financiamentos de longo prazo: Segundo declarou o contribuinte (docs. 156/136) as operações de prépagamento de exportação consistem em uma modalidade de financiamento ao exportador na fase de préembarque da mercadoria, com recursos levantados junto a um banco no exterior ou a um importador, provendo capital de giro para viabilizar a produção e as vendas ao exterior; o pagamento do valor principal teria se dado via exportação de produtos/mercadorias e o pagamento de juros via exportação de produtos/mercadorias ou câmbio. Obs.: A Bunge Participações não teve qualquer tipo de receita que não fosse financeira ou reconhecimento de resultado de EP. Os valores totais financiados foram de US$ 280.000.000,00 equivalentes a R$ 849.617.000,00, como demonstrado abaixo (o capital social da Bunge Participações era de R$ 10.000,00): Fl. 8126DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.119 17 Obs.: A Bunge Trade Ltd. era subsidiária integral da Bunge Participações Ltda. Até a data da incorporação da Bunge Participações pela Bunge Brasil S.A., em 31/10/2005, haviam sido liquidados US$ 93.000.000,00 do valor principal com pagamento de juros de US$ 37.024.166,67 (todas as liquidações e pagamentos de juros ocorreram no mês das incorporações – outubro de 2005). Após as incorporações/cisão o montante do saldo ainda não quitado foi segregado para as empresas Bunge Fertilizantes S.A. e Bunge Alimentos Participações Ltda. como demonstrado abaixo: Saldo remanescente a pagar: Bunge Alimentos Participações Ltda.: US$ 106.600.000,00 Bunge Fertilizantes SA: US$ 80.400.000,00 Obs.: A Bunge Alimentos Participações Ltda. foi incorporada pouco tempo após pela Bunge Alimentos S.A., em fevereiro de 2006. B – Contratos de Prépagamento de exportação e documentação apresentada B.1 – Contrato no valor de R$ 302.724.000,00 (US$ 100.000.000,00) (Doc. 157) i) Valor de US$ 100.000.000,00 (R$ 302.724.000,00) ROF TA 367187 (Contrato 04/002144) Foi apresentado um demonstrativo onde se constatou a liberação de US$ 100.000.000,00 em 15/07/2004 sendo a Bunge Trade Ltd. (que era subsidiária integral da Bunge Participações Ltda.) a ofertante dos recursos e a Bunge Participações a tomadora. Em 11/10/2005 consta uma amortização do principal de US$ 33.000.000,00 remanescendo um saldo de US$ 67.000.000,00 transferido para a Bunge Fertilizantes S.A. (new borrower). Pelo contrato de câmbio de compra tipo 01Exportação, datado de 14/07/2004 tendo como comprador o Banco Inv. Credit Suis e como vendedor a Bunge Participações Ltda. foi verificado em “outras especificações”: Pagamento antecipado de exportações. Assinaram o contrato de câmbio: NICPF: 064.335.558/88 NOME: VIRGILIO JANUARIO MARTINS NICPF: 695.528.438/04 NOME: REINALDO HENRIQUE STEOLLA Fl. 8127DF CARF MF 18 Em 2004 Virgilio e Reinaldo receberam rendimentos de trabalho assalariado somente da Bunge Fertilizantes (docs. 216/217). Aparece no sítio da Bungeprev1 na internet, em artigo datado de 02 de dezembro de 2003, que Reinaldo Henrique Steolla era gerente financeiro da Bunge Fertilizantes (doc. 222). ii) Pagamento de juros de R$ 15.164.137,50 e de R$ 15.000.000,00 em 11/10/2005 (Doc. 158) Em documento (intitulado PRÉCONTRATO) com o timbre da Bunge Fertilizantes verificase a informação do pagamento de R$ 30.164.137,50 à Bunge Trade Limited em 06/10/2005 referente a juros sobre operação de prépagamento de exportação (contrato 04/002144 de 14/07/2004). Em relatório interno da Bunge Fertilizantes (intitulado relatório de ordens não provisionadas), emitido em 13/10/2005, onde se constata a assinatura de Wagner Chuqui CPF 051.389.41879, consta o pagamento de juros de prépagamentos de exportação em favor da Bunge Trade (débito em 11/10/2005) no valor de R$ 15.164.137,50. No rodapé do relatório está impresso o nome de José Vanildo dos Santos (CPF 076.175.13860). Wagner Chuqui2 e José Vanildo tiveram vínculo empregatício com a Bunge Fertilizantes em 2005 (docs. 218/219). Segundo artigo publicado no sitio da Bungeprev em 2009, Wagner Chuqui era gerente financeiro da Bunge Fertilizantes (doc. 223). No contrato de câmbio de venda tipo 04 transferência para o exterior NR 05/039438 de 06/10/2005 foi constatado: em outras especificações: juros de pré pagamento de exportação contrato 04/002144 US$ 13.215.500,00; assinam pelo comprador Wagner e Virgilio. iii) Quitação do Principal – US$ 33.000.000,00 Foi apresentado demonstrativo de quitação do valor principal de US$ 33.000.000,00 onde estão relacionadas as datas de embarque, nº de contratos, RE e despacho (doc. 159). Nesse demonstrativo, datado de 11/10/2005, em nome da Bunge Alimentos S.A., verificase a assinatura de Érico Tavares Lopes, CPF: 902.227.689/91 e Simone Maria De Souza Bodenmuller, CPF: 601.129.809/53, os quais tinham vínculo empregatício com a Bunge Alimentos S.A. (docs. 220/221). Foi anexada cópia de um ofício da Bunge Alimentos S.A., datado de 07/10/2005, encaminhado à DRF/Blumenau. Naquele ofício a Bunge Alimentos informou que a Bunge Participações Ltda. constava cadastrada no Siscomex como empresa do mesmo grupo econômico e que estava autorizada a vincular contrato de câmbio em registros de exportação da Bunge Alimentos S.A. Foram vinculados os seguintes despachos: Anexadas as cópias de despachos de exportação da Bunge Alimentos S.A. (doc. 160), foi possível verificar, pelos conhecimentos de embarque, exportações da Bunge Alimentos para a China, França, Portugal, etc. B.2 – Contrato no valor R$ 304.082.000,00 (US$ 100.000.000,00) (doc. 161) Fl. 8128DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.120 19 i) Valor de US$ 100.000.000,00 (R$ 302.724.000,00) ROF TA 367187 (Contrato 04/001371). Observações sobre o contrato de câmbio Pagador no exterior Bunge Trade Ltd – Ilhas Cayman Produto a ser exportado – soja e derivados Prazo 62 meses Assinatura do contrato pelo comprador Virgilio Januário Martins e Reinaldo Henrique Steolla. ii) Juros sobre operação (doc. 162) Em documento (intitulado PRÉCONTRATO) com o timbre da Bunge Fertilizantes verificouse a informação do pagamento de R$ 30.230.725,01 (US$ 13.241.666.67) à Bunge Trade Ltd. em 06/10/2005 referente a juros sobre operação de pré pagamento de exportação (contrato 04/001371 de 13/07/2004). Em relatório interno da Bunge Fertilizantes (intitulado relatório de ordens não provisionadas), emitido em 06/10/2005, se nota a assinatura de Wagner Chuqui CPF 051.389.41879; consta o pagamento de juros de prépagamentos de exportação em favor da Bunge Trade no valor de R$ 15.230.725,01. No rodapé do relatório está impresso nome de José Vanildo dos Santos (CPF 076.175.13860). Wagner Chuqui e José Vanildo tinham vínculo empregatício com a Bunge Fertilizantes em 2005 (docs. 218/219). No contrato de câmbio de venda – tipo 04 Transferência para o exterior NR 05/001542 de 06/10/2005 – constatamos: em outras especificações juros de pré pagamento de exportação; assinaram pelo comprador Wagner e Virgilio. US$ 13.241.666,67 R$ 30.230.725,01 Período de 14/07/2004 até 11/10/2005 iii) Quitação do Principal – US$ 33.000.000,00 (doc. 163) Apresentado demonstrativo de quitação do valor principal de US$ 33.000.000,00 onde estão relacionadas datas de embarque, nº de contratos, RE e despacho (doc. 163). Nesse demonstrativo, datado de 11/10/2005, em nome da Bunge Alimentos S.A., verificouse a assinatura de Érico Tavares Lopes CPF: 902.227.689/91 e Simone Maria de Souza Bodenmuller CPF: 601.129.809/53, os quais tinham vínculo empregatício com a Bunge Alimentos S.A. (docs. 220/221). Foi anexada cópia de um ofício da Bunge Alimentos, datado de 10/10/2005, encaminhado à DRF/Blumenau. Nesse ofício, também assinado por Enrico e Simone, a Bunge Alimentos informou que a Bunge Participações Ltda. constava cadastrada no Siscomex como empresa do mesmo grupo econômico e que estava autorizada a vincular contrato de câmbio em registros de exportação da Bunge Alimentos S.A. Foram vinculados despachos ao contrato de câmbio 04/001371 no valor de US$ 33.000.000,00 (doc. 163). Fl. 8129DF CARF MF 20 Foram anexadas cópias de despachos de exportação da Bunge Alimentos S.A. (doc. 164). Podemos verificar, pelos conhecimentos de embarque, exportações da Bunge Alimentos para a Holanda, Reino Unido, Espanha, Portugal, etc. Da mesma maneira como descrito acima, nos itens B.1 e B.2, os demais contratos de US$ 30.000.000,00, US$ 30.000.000,00 e US$ 20.000.000,00 (NR 04/127041 – doc. 163A); NR 04/030721 – (Docs. 158A/158B/158C/158D/158E); NR 04/010760 (docs. 159A/159B/159C/ 159D/159E) – com assinaturas de Virgilio e Reinaldo sendo apresentados os demonstrativos de pagamento de juros em relatórios da Bunge Fertilizantes (assinados por Wagner) e a quitação do principal através de exportações da Bunge Alimentos, também com ofícios relacionando as exportações da Bunge Alimentos assinados por Simone e Érico. Chamou a atenção uma correspondência do Banco Itaú (doc. 166) encaminhada à Bunge Participações aos cuidados de Lucineide Zampilli, datada de 09/08/2004. Lucineide em 2004 tinha vínculo empregatício com a Bunge Fertilizantes (doc. 167); o AR anexado tinha como destinatário a Bunge Fertilizantes a/c de Lucineide. B.3 Segregação dos saldos devedores de prépagamento de exportação (doc. 165) Foi encaminhado ao coordenador do departamento de combate a ilícitos financeiros e supervisão de câmbio e capitais internacionais do Banco Central do Brasil ofício da Bunge Fertilizantes SA, datado de 19/09/2005 onde informou que: i) A Bunge Fertilizantes havia incorporado a Bunge Brasil que havia incorporado a Bunge Participações; ii) A Bunge Participações Ltda. efetuou um prépagamento de exportações no valor de US$ 280.000.000,00 com a Bunge Trade Ltd, registrado através do ROF TA 355385; iii) Houve uma cisão parcial onde ativos e passivos foram divididos; iv) No que tange ao prépagamento, tendo em vista os embarques já efetuados, o ROF deveria ser dividido entre as empresas conforme abaixo: v) Apresentou esquemas de pagamentos de 11/04/2006 a 09/10/2008 – quadros abaixo; vi) Assinam pela Bunge Fertilizantes SA – Lucineide R.C. Zampilli e Virgílio Januário Martins Fl. 8130DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.121 21 C Transcrevemos abaixo as contas analíticas representativas de obrigações da Bunge Participações que possuíam saldo em 31/12/2004: No anocalendário de 2005, verificouse o seguinte mútuo passivo entre a Bunge Participações e a Bunge Alimentos (doc. 122): o Mútuo passivo com a Bunge Alimentos registrado em 10/2005 tendo como contrapartida prépagamento de exportações – R$ 207.938.540,24 (doc. 121) –esses valores referemse às exportações da Bunge Alimentos S.A. utilizadas para amortização do principal dos prépagamentos para exportação. Quando da cisão parcial da Bunge Fertilizantes S.A. para a Bunge Alimentos e Participações Ltda., também em 31/10/2005 (a qual foi incorporada pela Bunge Alimentos S.A. em 28/02/2006), esse mútuo passivo foi vertido terminando na Bunge Alimentos S.A. de onde se originaram as exportações (docs. 93/98). Na Bunge Fertilizantes em 31/10/2005: Fl. 8131DF CARF MF 22 F – Conclusão quanto ao ágio proveniente da Bunge Participações Ltda. Através de “Fato Relevante da Bunge Brasil S.A.3”, datado de 29/04/2004, a Bunge Limited, controladora da Bunge Brasil S.A, foi a público informar que seu “Conselho de Diretores” aprovara a realização de oferta pública para aquisição da totalidade das ações ordinárias e preferenciais de emissão da Bunge Brasil em circulação no mercado visando o seu cancelamento de registro como companhia de capital aberto. A Bunge Limited comunicou ainda que a decisão tomada pelo seu “Board of Directors” (Conselho de Diretores) foi motivada por consulta formulada pelo Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston S.A. (“CSFB”), sobre seu interesse em adquirir ações de emissão de sua controlada (doc. 198). Para a aquisição dessas ações, o grupo Bunge constituiu, em 14/05/2004, a sociedade Bunge Participações Ltda. tendo como quotistas a Bunge BIC Holdings BV (99,99%) e a Bunge Investimentos e Consultoria Ltda. Para diretores foram eleitos Hildegard Gutz Horta e Miguel Juan Pryor. Hildegard era procuradora da Bunge Cooperatief UA, Bunge Brasil Holdings BV e Bunge BIC Holdings BV no Brasil e também diretora, juntamente com Miguel Juan, da Bunge Investimentos e Consultoria Ltda. Miguel tinha vínculo empregatício com a Bunge Fertilizantes S.A. O capital social era de R$ 10.000,00 e assim ficou até 13/10/2005, às vésperas da incorporação pela Bunge Brasil S.A. em 31/10/2005. Conforme se verificou no fato relevante publicado pela Bunge Brasil (doc. 199), datado de 30/05/2004, a Bunge Participações Ltda. na qualidade de ofertante e em complementação ao Fato Relevante publicado pela Bunge Limited em 29.04.2004, informou aos acionistas da Bunge Brasil S.A. (“Bunge Brasil”) e ao mercado que, em 28.05.2004 havia sido protocolado na Comissão de Valores Mobiliários – CVM o pedido de registro da oferta pública de aquisição da totalidade das 136.113.918 ações ordinárias e preferenciais de emissão da Bunge Brasil em circulação no mercado. Foram publicados mais dois fatos relevantes (31/05/2004 e 30/06/2004), ambos fazendo menção ao fato relevante de 29/04/2004. A Bunge Participações, com um capital social de apenas R$ 10.000,00, controlada integralmente pelo grupo Bunge, adquiriu as ações em circulação fechando o capital da Bunge Brasil S.A. Para a aquisição dessas ações, a sociedade que tinha um capital de R$ 10.000,00, desembolsou, em 2004, R$ 820.863.072,59. Considerando o laudo de avaliação econômica da Bunge Brasil, foi registrado um ágio fundamentado em rentabilidade futura de R$ 389.373.463,52. No balanço patrimonial de 31/12/2004 (DIPJ Ac 2004) o PL da Bunge Participações Ltda. estava negativo em R$ 78.101.679,83. Analisandose a escrituração contábil da Bunge Participações Ltda., verificase que as origens dos recursos para a aquisição das ações que estavam em circulação no Fl. 8132DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.122 23 mercado consistiram em operações denominadas “prépagamentos de exportações”, as quais estavam registradas no passivo em “ADIANTAMENTOS DIVERSOS LP”. Essas operações consistem em uma modalidade de financiamento ao exportador na fase de préembarque da mercadoria, com recursos levantados junto a um banco no exterior ou a um importador, provendo capital de giro para viabilizar a produção e as vendas ao exterior. Os valores totais financiados foram de US$ 280.000.000,00 equivalentes a R$ 849.617.000,00. A Bunge Participações Ltda. não teve qualquer tipo de receita afeta a exportações. Analisandose os contratos de câmbio, constatouse que o remetente dos recursos foi a Bunge Trade Ltd., subsidiária integral da Bunge Participações Ltda., e as mercadorias que seriam exportadas seriam a soja e seus derivados. Constatouse também que todos os contratos de câmbio foram assinados por Virgilio Januário Martins e Reinaldo Henrique Steolla; ambos tinham vínculos empregatícios com a Bunge Fertilizantes. Conforme verificado em artigos disponibilizados no sítio da Bungeprev na internet, Reinaldo foi gerente financeiro da Bunge Fertilizantes. Até a incorporação da Bunge Participações pela Bunge Brasil (a qual depois foi incorporada pela Bunge Fertilizantes S.A.) em 31/10/2005, foram liquidados US$ 93.000.000,00 e pagos juros de US$ 37.024.166,67. Essas liquidações do principal e os pagamentos de juros ocorreram cerca de 20 dias antes das incorporações. Pelos documentos apresentados referentes aos pagamentos de juros à Bunge Trade Ltd., verificouse que esses documentos foram produzidos em formulários personalizados da Bunge Fertilizantes, o mesmo ocorrendo com relatórios internos da Bunge Fertilizantes onde constam as assinaturas de Wagner Chuqui, gerente financeiro da Bunge Fertilizantes. Os contratos de câmbio, na contratação dos prépagamentos de exportação e no pagamento dos juros, foram assinados por Virgilio, Reinaldo, Wagner todos com vínculo empregatício com a Bunge Fertilizantes. Todas as operações financeiras, que incluíram a tomada de créditos no exterior e o pagamento dos juros tiveram o aval de funcionários da Bunge Fertilizantes – mais de R$ 0,9 bilhão; não poderia ser diferente pois a Bunge Participações nunca teve funcionários e tinha um capital social irrisório até a integralização em 13/10/2005 com créditos de R$ 165.000.000,00 (créditos esses provenientes da operação de compra das quotas da Bunge Investimentos e Consultoria, operação descrita no item anterior, onde evidenciouse a operação de compra de um investimento do grupo Bunge por ele mesmo, gerando artificialmente um ágio). A liquidação dos US$ 93.000.000,00 foi feita através de exportações de soja e seus derivados. Todos os conhecimentos de embarque tiveram como remetente das mercadorias a Bunge Alimentos S.A. Nos demonstrativos de quitação, onde estão relacionados datas de embarque, nº de contratos, RE e despacho, assinam pela Bunge Alimentos S.A. Érico Tavares Lopes e Simone Maria de Souza Bodenmuller; ambos tinham vínculos empregatícios com a Bunge Alimentos. Juntamente com esses demonstrativos que vinculavam despachos de exportação aos contratos de prépagamento de exportação, foram apresentados ofícios dirigidos à DRF/Blumenau onde a Bunge Alimentos declarou que a Bunge Participações Ltda. constava cadastrada no Siscomex como empresa do mesmo grupo econômico e que estava autorizada a vincular contrato de câmbio em registros de exportação da Bunge Alimentos S.A. Fl. 8133DF CARF MF 24 No momento das exportações de soja/derivados, foi registrado em uma conta de mútuo passivo com a Bunge Alimentos (tendo como contrapartida a conta de pré pagamento de exportações) o valor de R$ 207.938.540,24 (doc. 121). Na Bunge Fertilizantes, após as incorporações, houve o registro desse mútuo passivo com a Bunge Alimentos e quando da cisão parcial da Bunge Fertilizantes para a Bunge Alimentos Participações Ltda., também em 31/10/2005, esse mútuo passivo foi vertido. Quando da incorporação da Bunge Alimentos Participações pela Bunge Alimentos S.A., teremos obrigações e direitos se anulando (docs. 93/98). Dentre a documentação apresentada, chamou a atenção uma correspondência do Banco Itaú (doc. 166) encaminhada à Bunge Participações aos cuidados de Lucineide Zampilli, datada de 09/08/2004; o AR anexado tinha como destinatário a Bunge Fertilizantes a/c de Lucineide. Lucineide em 2004 tinha vínculo empregatício com a Bunge Fertilizantes (doc. 167). O saldo remanescente do principal a pagar, um total de US$ 187.000.000,00, foi distribuído entre a Bunge Alimentos Participações Ltda.: US$ 106.600.000,00 e a Bunge Fertilizantes S.A.: US$ 80.400.000,00 (Obs.: a Bunge Alimentos Participações foi incorporada posteriormente pela Bunge Alimentos S.A., operação que foi objeto de ação fiscal na DRF/Blumenau). Analisandose as DIPJ e DIRF apresentadas pela Bunge Participações Ltda. Verificouse que o contador responsável foi Roberto Correa Sampaio. Roberto Correa Sampaio era contador da Bunge Brasil S.A. e da Bunge Fertilizantes S.A. Verificouse que no AC 2004 a Bunge Participações apurou um prejuízo fiscal de R$ 16.926.420,57 e no AC 2005 o resultado fiscal informado foi zero. Todas as empresas estavam localizadas na Av. Maria Coelho Aguiar nº 215 bloco D 5º andar; a subordinação total sempre foi ao grupo Bunge, como se nota pelo fato relevante publicado em 29/04/2004, pelos administradores/quotistas comuns e todos os responsáveis pelas operações financeiras eram funcionários da Bunge Fertilizantes, assim como o contador responsável pelas empresas envolvidas. Resta claro, por tudo o que foi apurado e exposto, que a Bunge Participações foi criada pelo grupo Bunge somente para permitir o registro do ágio na compra das ações da Bunge Brasil que estavam em circulação para, na sequência, ser incorporada pela investida (Bunge Brasil) a qual seria incorporada pela Bunge Fertilizantes, todas essas operações de incorporações/cisão ocorrendo no mesmo dia, em sequência. A única função da Bunge Participações Ltda. foi a de servir como empresa veículo para o investimento e o ágio de modo a possibilitar a dedução desse ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL na Bunge Fertilizantes, ajustandose artificialmente a hipótese prevista no art. 386, III, c/c o art. 385, § 2º, II, ambos do RIR/1999. 6.3 Ágio Cajati Participações Ltda. I – Contrato social, alterações contratuais e atas A Contrato Social – 28/04/2003 (doc. 145) Em 28/04/2003, Maria Cristina Cescon Avedissian e Marcos Rafael Flesch, ambos advogados com escritório na Rua Funchal nº 263 11º andar em São Paulo – SP, constituíram a Dijon Participações Ltda. com um capital social de R$ 100,00 divididos em 100 quotas de R$ 1,00 e sede na Rua Funchal nº 263 10º andar sala 10 D em São Paulo – SP. Abaixo demonstramos a divisão das quotas: Fl. 8134DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.123 25 Maria Cristina Cescon Avedissian R$ 99,00 Marcos Rafael Flesch R$ 1,00 B 1ª Alteração contratual – 24/10/2003 – registrada na JUCESP em 25/11/2003 (doc. 146). Maria Cristina Cescon Avedissian, Marcos Rafael Flesch e Companhia Paulista de Ferros Ligas CNPJ 57.487.142/000142, chamada aqui de CPFL, alteraram o contrato da seguinte forma: i) Maria Cristina cedeu suas 99 quotas para a CPFL; ii) a administração ficou a cargo de Marcos Rafael; iii) integralização de R$ 1,00 por Marcos e R$ 99,00 pela CPFL com saldo das ações da Fertilizantes Fosfatados S.A. Fosfértil utilizadas conforme descrito abaixo; iv) aumento de capital em R$ 66.259.800,00 mediante a emissão de 66.259.800 quotas, subscritas e integralizados pela CPFL sendo: R$ 0,08 moeda corrente e o restante com ações da Fosfértil (3.955.293.931 ON e 7.910.587.866 PN) avaliadas em R$ 66.259.898,92 – laudo de avaliação das ações (doc. 147). Obs.: a Companhia Paulista de Ferros Ligas era controlada indiretamente pela Cia. Vale do Rio Doce. O Capital Social passou a ser de R$ 66.259.900,00 sendo apenas R$ 1,00 de Marcos Rafael. A administração coube a Marcos, no entanto, segundo o parágrafo terceiro do item 6.2 da cláusula 6ª, “os poderes para comprar, vender, hipotecar ou por qualquer outro modo alienar ou gravar os bens imóveis da Sociedade deverão ser exercidos pelo sócio que represente a maioria do capital, por si, ou através de procuradores com poderes especiais”. A cláusula oitava estabeleceu que nenhum dos sócios poderia ceder, transferir ou de qualquer forma alienar qualquer de suas quotas a terceiros sem o prévio consentimento por escrito do sócio que representasse pelo menos 75% de seu capital social. C 2ª Alteração contratual também em 24/10/2003 registrada na JUCESP em 09/12/2003 (doc. 148) Marcos Rafael Flesch, Companhia Paulista de Ferros Ligas, Bunge Fertilizantes S.A., representada pelo seu Diretor Presidente Mario Alves Barbosa Neto e por seu diretor Vital Jorge Lopes, e ainda Mario Alves Barbosa Neto resolveram: i) a CPFL cedeu e transferiu suas 66.259.899 quotas para a Bunge Fertilizantes S.A., nos termos de Contrato de Compra e Venda de Quotas celebrado em separado, retirandose da sociedade; ii) Marcos Rafael cedeu sua quota para Mario Alves Barbosa Neto, retirandose da sociedade; iii) alteraram a denominação social para Cajati Participações Ltda; iv) alteraram o endereço para a Av. Maria Coelho Aguiar n. 215 Bloco D 5º andar sala A; Fl. 8135DF CARF MF 26 v) elegeram como administradores: Mario Alves Barbosa Neto, Rogério Paulo Calderón Peres e Vital Jorge Lopes. Obs.: Mario Alves Barbosa Neto era Diretor Presidente da Bunge Fertilizantes S.A., Rogério Paulo consta como administrador na relação de administradores encaminhada pela fiscalizada e Vital Jorge era diretor da Bunge Fertilizantes. D 3ª Alteração contratual – 30/04/2004 registrada na JUCESP em 17/06/2004 (doc. 149) Bunge Fertilizantes representada por seus diretores eleitos conforme AGO realizada em 23/03/2004 Mario Alves Barbosa Neto e Rogério Paulo Calderón Peres, e Mario Alves Barbosa Neto, únicos quotistas da Cajati Participações Ltda., resolveram: i) Mario vendeu sua quota de R$ 1,00 para a Bunge Fertilizantes; ii) A Bunge Fertilizantes, considerando que se tornou a única sócia, resolveu incorporar a totalidade do patrimônio da Cajati – sem aumento do Capital Social da incorporadora nos termos estabelecidos no Protocolo de Justificação de Incorporação (doc. 143) – assinam o protocolo pela Bunge Fertilizantes e pela Cajati: Mario Alves Barbosa Neto e Rogério Paulo Calderón Peres; iv) Ratificar a escolha da avaliadora KPMG para elaboração do laudo de avaliação; iv) Aprovar o laudo de avaliação do patrimônio – Balanço Patrimonial em 31/03/2004 Protocolo e laudo (docs. 143/144) O único ativo permanente da incorporada era representado pelas ações da Fosfértil, como se verifica no Balanço Patrimonial da incorporada (doc. 144), reproduzido abaixo: Obs.: O balanço patrimonial e a DRE foram assinados por Rogério Paulo Calderón Peres na condição de administrador e Roberto Correa Sampaio como contador (doc. 144). Fl. 8136DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.124 27 E Contrato de Compra e Venda (doc. 181) No “Contrato de Compra e Vendas de Quotas”, assinado também em 24/10/2003, temos a Companhia Paulista de Ferro Ligas (CPFL) como vendedora e a Bunge Fertilizantes S.A. como compradora. Obs.: naquele mesmo dia de 24/10/2003 também foram assinadas: i) a primeira alteração contratual (admissão da CPFL e aumento de capital com a integralização com as ações da Fosfértil); ii) a segunda alteração contratual (cessão das quotas da CPFL para a Bunge Fertilizantes e alteração da denominação social para Cajati Participações). A CPFL vendeu todas as suas 66.259.899 quotas da Dijon Participações Ltda. para a Bunge Fertilizantes, representativas de 100% (exceto por uma quota) do Capital Social, por R$ 240.000.000,00, pagos integralmente no ato. No item 2.4 do contrato há menção específica sobre a propriedade das ações da Fosfértil, in verbis: “... por meio da 1ª alteração do contrato social da SPE (Dijon), a vendedora (CPFL) aumentou o capital social da SPE, integralizandoo mediante a conferência das ações da Fosfértil ... a transferência das ações da Fosfértil da vendedora para a SPE i) ainda não foi protocolada na JUCESP, estando, portanto, pendente de registro e ii) ainda está pendente de registro nos livros do Bradesco, instituição depositária das Ações da Fosfértil...” Como se nota, no mesmo dia (24/10/2003): i) A CPFL aumentou e integralizou capital da DIJON com as ações da Fosfértil; ii) A CPFL vendeu as quotas da DIJON para a Bunge Fertilizantes. Na cláusula de nº 4 do contrato está previsto: “ ... 4.1 as partes deverão publicar avisos e fatos relevantes. De fato, a Companhia Vale do Rio Doce publicou, também em 24/10/2003, o seguinte comunicado4: No item 4.2 do contrato foi expresso que a compradora (Bunge Fertilizantes) seria a responsável pelo registro na JUCESP da 1ª e 2ª alterações contratuais da Dijon e que também seria a compradora responsável por providenciar junto à instituição financeira depositária das Ações Fosfértil o registro da transferência das ações da vendedora (CPFL) para a Dijon. Fl. 8137DF CARF MF 28 Fica evidente a operação de venda de ações da Fosfértil para a Bunge Fertilizantes sendo a Cajati utilizada como veículo. II Registro do ágio O pagamento do valor contratado e o registro da operação na Bunge Fertilizantes estão demonstrados nas folhas do diário da Bunge Fertilizantes apresentado (doc. 152), como evidenciamos abaixo: Débito: conta 1311419 Participação Soc. Coligada Fert. Fosfértil Crédito: conta 1112001 Banco do Brasil Histórico: aquisição investimentos Valor: R$ 240.000.000,00 Data: 24/10/2003 Em 31/10/2003 o investimento foi reclassificado para a conta 1311521 Part.Soc.CajatiParticip.Ltda.(docs. 152/150) e reconhecido o ágio conforme demonstrado pela fiscalizada (doc. 150): Em 31/12/2003 foi amortizado o valor de R$ 2.895.668,36 conta 1317521 Amortização Ágio/Deságio Cajati. III Oferta Pública de Aquisição de Ações OPA (doc. 151) Foi apresentada uma OPA de ações ordinárias de emissão da Fosfértil pela Cajati Participações. Essa oferta foi realizada devido ao aumento da participação da Bunge Fertilizantes no capital da Fosfértil, conforme descrito no item 1.1 da OPA. No item 1.2 há menção de que a Bunge Fertilizantes celebrou em 24/10/2003 um contrato de compra de quotas por meio do qual adquiriu da CPFL, sociedade controlada pela Companhia Vale do Rio Doce, a totalidade do capital social da ofertante e indiretamente as ações da Fosfértil detidas pela ofertante. O item 1.3 se referia à obrigatoriedade dessa OPA (as ações ordinárias adquiridas representavam mais de 1/3 do total em circulação no mercado). Nos itens 2.2.1 e 2.2.2 estava consignado que o preço de compra ofertado seria o mesmo pago pela Bunge Fertilizantes pelas ações da Fosfértil e que as negociações entre a Bunge Fertilizantes e CVRD, partes não relacionadas, foram realizadas em bases comutativas (arms length). Com referência ao laudo de avaliação, no item 7.1 há citação de que o Colegiado da CVM aceitou o critério de avaliação com base na operação realizada entre a Bunge Fertilizantes e a CVRD. IV – Laudo de avaliação econômica da Cajati Fl. 8138DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.125 29 O relatório de rentabilidade futura (doc. 189), elaborado pela Audimar Auditores Independentes S/C, está endereçado à Bunge Fertilizantes S.A. aos cuidados do Sr. Roberto Sampaio, gerente do departamento contábil, datado de 29 de janeiro de 2004. V – DIPJ Cajati (docs. 75/76) Verificase nas DIPJ apresentadas pela Cajati que o responsável pelo preenchimento foi Roberto Correa Sampaio, contador da Bunge Fertilizantes, sendo responsável pela empresa Mario Alves Barbosa Neto. Na ficha 56A – “Outras informações” está declarada a inexistência de empregados. Fora resultados de equivalência patrimonial (Ficha 6A) não há nenhuma atividade empresarial geradora de recursos registrada. Em “despesas operacionais” não há qualquer registro com remuneração, ordenados, salários ou encargos sociais. No balanço patrimonial ficha 45A das DIPJ AC 2003 e 2004 não há informação de ágio. Pelo livro diário 2004 apresentado (doc. 191), constam as assinaturas de Rogério Paulo Calderón Peres e Roberto Correa Sampaio como administrador e contador respectivamente. VI – Conclusão quanto a amortização do ágio proveniente da aquisição da Cajati Participações Ltda. Como constatado, após dois advogados terem aberto uma sociedade, em 24/10/2003 a Companhia Paulista de Ferros Ligas (CPFL), uma subsidiária da CVRD, foi admitida na sociedade integralizando aumento de capital com ações representativas de 11,13% do capital da Fertilizantes Fosfatados S.A. – Fosfértil – o capital passou de R$ 100,00 para R$ 66.259.900,00 (quotas de R$ 1,00). A Fosfértil passou a ter todas as quotas da sociedade menos uma. Naquele mesmo dia foi assinado um contrato de venda entre a CPFL e a Bunge Fertilizantes. Todas as quotas (menos uma) foram transferidas para a Bunge Fertilizantes por R$ 240.000.000,00, a qual efetuou o pagamento no ato. No contrato existem referências de que a Bunge Fertilizantes seria responsável pelos atos de registro. A quota restante foi vendida para Mario Alves Barbosa Neto diretor presidente da Bunge Fertilizantes. Em um mesmo dia (24/10/2003) a CPFL aumentou e integralizou capital da DIJON com as ações da Fosfértil e vendeu essas quotas para a Bunge Fertilizantes. Ficou claro que o que ocorreu foi a venda das ações da Fosfértil, de propriedade da CPFL, para a Bunge Fertilizantes; a Cajati foi um mero veículo daquela participação societária. Aquela venda foi evidenciada em “fato relevante” publicado pela Companhia Vale do Rio Doce em 24 de outubro de 2003 onde ela comunicou o mercado que sua subsidiária, a Companhia Paulista de Ferro Ligas (CPFL), concretizara a venda de ações da Fertilizantes Fosfatados S.A. Fosfértil para a Bunge Fertilizantes S.A. por R$ 240 milhões. Vários outros atos, como descritos neste item e subitens, evidenciam que de fato o que ocorreu foi a venda das ações da Vale para a Bunge Fertilizantes. Fl. 8139DF CARF MF 30 Contabilmente a Bunge Fertilizantes registrou o investimento por EP e a diferença como ágio, fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, conforme laudo de avaliação apresentado. Em 30/04/2004 a Cajati foi incorporada pela Bunge Fertilizantes e a partir de 2004 a Bunge Fertilizantes começou a amortizar esse ágio. A Cajati Participações, com sede no mesmo endereço da Bunge Fertilizantes, tendo como responsável Mario Alves Barbosa Neto, diretor presidente da Bunge Fertilizantes, e como contador Roberto Correa Sampaio, contador da Bunge Fertilizantes, nunca teve empregados ou quaisquer despesas com remunerações ou encargos sociais; nas demonstrações de resultado (Fichas 6A) não há receitas, somente resultados positivos de participações societárias. Pelo que foi apurado e exposto neste item e subitens, resta claro que a única função da Cajati Participações Ltda. foi a de servir como empresa veículo de modo a possibilitar a dedução do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL na Bunge Fertilizantes, ajustandose artificialmente à hipótese prevista no art. 386, III, c/c o art. 385, § 2º, II, ambos do RIR/1999. 6.4. Ágio da Bunge I de Participações S.A. I – Constituição da subsidiária integral e atas A – Escritura Pública de Constituição de Subsidiária Integral (doc. 138) Em 29/05/2002, como outorgante e reciprocamente como outorgada, a Bunge Brasil S.A., representada por seus diretores José Júlio Cardoso de Lucena e Milton Notrispe constituíram uma subsidiária integral denominada Bunge I de Participações S.A. com capital subscrito e integralizado de R$ 10.000,00 (doc. 138). Diretor Presidente – Mario Alves Barbosa Neto e Diretor VicePresidente Milton Notrispe. B AGE 15/08/2002 às 12h (doc 139) Realizada no dia 15/08/2002, na sede social da companhia, na Av. Maria Coelho Aguiar, 215, Bloco D 5º andar – parte, instalada pelo Diretor Presidente Mario Alves Barbosa Neto e secretariada por Hildegard Gutz Horta. O capital da sociedade foi aumentado em R$ 763.787.298,49 sendo subscrito e integralizado pela acionista Bunge Brasil S.A. mediante a conferência de bens que consistiram no investimento e respectivo ágio na Bunge Fertilizantes S.A. conforme laudo de avaliação contábil (data base 30/06/2002) anexo à ata. C AGE 29/08/2002 às 09:30 (doc. 139A) Realizada no dia 29/08/2002, na sede social da companhia, na Av. Maria Coelho Aguiar, 215, Bloco D – parte, instalada pelo Diretor Presidente Mario Alves Barbosa Neto e secretariada por Hildegard Gutz Horta. Foi aprovada a incorporação por parte da Bunge Fertilizantes S.A. do total do patrimônio líquido da sociedade nos termos estabelecidos no Protocolo de Incorporação e Justificação firmado, em 14/08/2002, pelos administradores das sociedades envolvidas. A ata foi aprovada e assinada por Mario Alves Barbosa Fl. 8140DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.126 31 Neto, presidente da mesa, Hildegard Gutz Horta, secretária e por Mario Alves Barbosa Neto e Milton Notrispe representando a Bunge Brasil S.A. Quanto ao patrimônio transferido, ficou consignado no protocolo que o capital da incorporadora seria aumentado em R$ 10.000,00 sem emissão de novas ações e a diferença mantida em reserva de capital. Obs.: Tanto a Bunge I de Participações S.A. como a Bunge Fertilizantes S.A. eram subsidiárias integrais da Bunge Brasil S.A. D AGE na Bunge Fertilizantes S.A., subsidiária integral de Bunge Brasil S.A. em 29/08/2002 às 11:30 (doc. 14) Realizada no dia 29/08/2002, na sede social da companhia, na Av. Maria Coelho Aguiar, 215, Bloco D, 5º andar, instalada pelo Diretor Presidente Mario Alves Barbosa Neto e secretariada por Hildegard Gutz Horta. Deliberações: em síntese, a incorporação da Bunge I de Participações S.A., subsidiária integral da Bunge Brasil S.A., pela Bunge Fertilizantes S.A. A incorporação acarretou aumento do patrimônio líquido no montante de R$ 259.106.574,14, com o respectivo aumento de capital de R$ 10.000,00 e constituição de reserva de capital de R$ 259.096.574,14. A Ação representativa do capital da incorporadora integrante do ativo da incorporada foi entregue ao acionista da incorporadora. O capital social passou a ser de R$ 518.310.000,00 (item 2.3 da ata). Como se verifica pelo laudo contábil (doc. 139A) o valor de R$ 259.106.574,14 corresponde ao ágio na Bunge Fertilizantes S.A. (item B, acima) E – Fato relevante Bunge Brasil – datado de 13/08/2002 (doc. 176) “Em atendimento ao disposto na Instrução CVM nº 358, de 3 de janeiro de 2002, informamos que em reunião realizada nesta data o Conselho de Administração deliberou tomar as seguintes providências para permitir a utilização dos créditos tributários relativos aos ágios apurados quando da aquisição pela Bunge Brasil S.A. da totalidade das ações da Bunge Fertilizantes S.A. e Bunge Alimentos S.A., via incorporação de ações aprovada na AGE de 19.12.2001: a) Transferir os investimentos nas subsidiárias integrais Bunge Fertilizantes S.A. e Bunge Alimentos S.A., respectivamente para as subsidiárias integrais constituídas para esse fim, Bunge I de Participações S.A. e Bunge II de Participações S.A., a título de integralização de capital pelos valores contábeis dos investimentos transferidos; e b) Efetivar as incorporações inversas de Bunge I de Participações S.A. em Bunge Fertilizantes S.A. e de Bunge II de Participações S.A. em Bunge Alimentos S.A.. A amortização dos referidos ágios será apropriada aos resultados da Bunge Fertilizantes S.A. e Bunge Alimentos S.A. de forma linear, à taxa anual de 10%, sendo que o benefício anual decorrente dos correspondentes créditos tributários a ser refletido no resultado da Bunge Brasil S.A. por equivalência patrimonial durante o período de amortização, está estimado a valores nominais em R$ 39,6 milhões. Fl. 8141DF CARF MF 32 A amortização dos ágios será iniciada a partir da data das respectivas incorporações inversas. Exclusivamente para fins de cálculo do dividendo mínimo obrigatório, os valores amortizados dos ágios líquidos dos efeitos tributários, refletidos na Bunge Brasil S.A. por equivalência patrimonial em cada exercício social, serão ajustados como acréscimo do lucro líquido do exercício com o objetivo de neutralizar seus efeitos” Fica evidenciado que a Bunge I de Participações S.A. foi constituída com a única finalidade de transportar o ágio originalmente registrado na Bunge Brasil para a Bunge Fertilizantes. II Demonstração do ágio Conforme declarou a fiscalizada em carta resposta datada de 15/10/2010 (doc. 136), o ágio seria resultante da diferença entre o PL da companhia, na data base de 30/11/2001, adquirido por Serrana S.A. (antiga razão social da Bunge Brasil S.A.) e o pagamento a terceiros mediante substituição de ações da Bunge Fertilizantes S.A. por ações da Bunge Brasil S.A. O objetivo da operação teria sido o de fechar o capital da Bunge Fertilizantes, tornandoa subsidiária integral da Bunge Brasil S.A. a qual permaneceu com capital aberto. Portanto, não teria havido o pagamento em espécie, mas o pagamento mediante troca de ações de uma companhia por outra. O ágio registrado na Bunge Fertilizantes de R$ 286.656.102,71 conta 1332424 (proveniente da incorporação da Bunge I de Participações S.A.) seria decomposto em 02 valores principais, quais sejam: R$ 215.298.004,62 e R$ 71.358.098,09 (doc. 140). Esses valores aparecem contabilizados na Bunge Brasil S.A. conforme ficha do livro razão da conta 1313003 Participação Societária Ágio/Deságio Bunge Fertilizantes (doc. 140). O valor de R$ 215.298.004,62 estaria fundamentado na expectativa de rentabilidade futura, devidamente registrado e suportado com base no valor dos laudos de avaliação econômica elaborados pela Arthur Andersen, resultante da diferença entre o patrimônio líquido da Bunge Fertilizantes S.A., na data base de 30/11/2001, e o pagamento a terceiros mediante a substituição das ações da Bunge Fertilizantes por ações da Bunge Brasil S.A., decorrente de incorporação de ações. Obs.: Segundo o laudo da Arthur Andersen, página 9 (doc. 168), o valor econômico da Bunge Fertilizantes seria de R$ 1.739.838 mil que multiplicado pelos 19,06% adquiridos de acionista minoritários (através de troca de ações da Bunge Fertilizantes pelas da Bunge Brasil) totalizariam R$ 332.196.870,96, sendo que R$ 116.871.866,34 seriam referentes ao valor do investimento adquirido e a diferença de R$ 215.298.004,62 o ágio. O valor de R$ 71.358.098,09 estaria vinculado à redução de capital efetuada pela Serrana Participações Ltda. (doc. 140) e à aquisição de investimentos IAP S.A. e Fertisul S.A. (doc. 141). O investimento e respectivo ágio na Bunge Fertilizantes assim estavam registrados na Bunge Brasil S.A. após a redução de capital da Serrana Participações (doc. 140): Em 13/12: Fl. 8142DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.127 33 Em 19/12 foi contabilizada a incorporação de ações (investimento mais ágio): Conforme se verificou pelos históricos do diário (doc. 193), a aquisição de ações de minoritários da Bunge Fertilizantes e da Bunge Alimentos foi registrada na Bunge Brasil (19/12/2001) pelo valor econômico conforme apurado no laudo da Arthur Andersen. A contrapartida foi efetuada em Capital e Reserva de Capital como demonstrado abaixo: Segundo fato relevante publicado em 21/11/2001 (Doc. 171), os Conselhos de Administração de Serrana S.A., Bunge Fertilizantes S.A. e Bunge Alimentos S.A., empresas controladas por Bunge Limited, todas de capital aberto com ações negociadas em bolsa, informaram ao mercado a intenção de manter somente uma com capital tornando as outras duas subsidiárias integrais. As ações de Bunge Fertilizantes e Bunge Alimentos foram incorporadas por Serrana S.A., a qual permaneceu com capital aberto com ações negociadas em bolsa e alterou sua denominação social para Bunge Brasil S.A. Em substituição as ações incorporadas, a Serrana S.A. fez a emissão de novas ações da mesma espécie e classe. A relação de troca foi determinada conforme legislação em vigor. Fl. 8143DF CARF MF 34 A relação de troca das ações prevista nos Protocolos e Justificações, aprovados nas assembleias, foi calculada com base em avaliações econômicas, tal como em anteriores reestruturações operacionais e societárias de empresas do grupo, critério aquele mais favorável aos acionistas minoritários, se comparado com a relação de troca apurada unicamente para fins de comparação com base nas avaliações dos patrimônios líquidos a preços de mercado (conforme definido no Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações as relações de substituição de ações foram calculadas com base em avaliações econômicas das sociedades, segundo a metodologia de fluxos futuros de caixa descontados a valor presente, na data base de 30.09.2001, preparadas pela Arthur Andersen Business Consulting S/C Ltda.). Ata do Conselho de Administração da Serrana S.A. – 03/12/2001 (doc. 172) AGE Bunge Fertilizantes realizada em 19/12/2001 (doc. 13) A mesa diretora foi presidida por Mario Alves Barbosa Neto e secretariada por Hildegard Gutz Horta. Em síntese, foi examinado e aprovado o Protocolo de Incorporação e Justificação (doc. 61). Foi aprovada a incorporação da totalidade das ações da companhia pela Serrana S.A. com a consequente transformação da companhia em subsidiária integral. Os acionistas, com base no resultado da avaliação pelo valor econômico das ações da Bunge Fertilizantes S.A. e da incorporadora Serrana S.A., segundo a metodologia de fluxos de caixa descontados a valor presente, na data base de 30/09/2001, receberam em cada lote de 1.000 ações que foram incorporadas 18,20849 ações novas de emissão de Serrana S.A., a qual teve sua denominação alterada para Bunge Brasil S.A. (doc. 13). Assinaram a ata, dentre outros: Mario Alves Barbosa Neto – Presidente; Hildegard Gutz Horta – Secretária; Bunge Limited – pp Hildegard Gutz Horta; Serrana S.A. – Mario Alves Barbosa Neto e Vital Jorge Lopes. O valor de R$ 71.358.098,09 estaria vinculado à redução de capital efetuado pela Serrana Participações Ltda. e à aquisição de investimentos IAP S.A. e Fertisul S.A. (doc. 140). Segundo a fiscalizada, seria advindo da redução de capital da Serrana Participações Ltda., controladora da Bunge Fertilizantes e controlada pela Serrana S.A. (denominação anterior da Bunge Brasil S.A.) – O investimento na Bunge Fertilizantes e os respectivos ágios vinculados às aquisições da IAP S.A. e da Fertisul S.A., registrados na Serrana Participações Ltda., foram transferidos para a Serrana S.A. Pela ata da 3ª Alteração contratual da Serrana Participações Ltda., ocorrida em 13/12/2001, (doc. 141) Serrana S.A. e Mario Alves Barbosa Neto, únicos sócios quotistas, resolvem reduzir o capital da sociedade em R$ 560.180.000,00 mediante a entrega pela sociedade à sócia quotista Serrana S.A. (denominação anterior da Bunge Brasil S.A.) do investimento e respectivos ágios na Bunge Fertilizantes S.A. existentes em 30/10/2001. A Serrana S.A. estava representada por seus diretores Milton Notrispe e Paulo César Matias Tinoco. Em atendimento ao item 05 do termo de intimação fiscal 06 (da ação fiscal anterior, concluída em dezembro de 2011) datado de 15/02/2011 (doc. 186) a fiscalizada apresentou demonstrativo (doc. 194) da composição dos valores de R$ 65.560.071,26 e 5.798.026,83 referentes aos valores de ágio referentes ao investimento na Bunge Fertilizantes. Feita intimação fiscal em 18/10/11 (doc. 202) solicitando esclarecimentos e demonstrações de como esses ágios (IAP e Fertisul) vinculados ao investimento na Bunge Fertilizantes estariam contabilizados na Serrana Participações Ltda. indicando a base legal para a constituição e apresentando a contabilização/forma de Fl. 8144DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.128 35 pagamento quando da aquisição dos investimentos foi apresentada carta resposta datada de 10/11/2011 (doc. 206) onde a fiscalizada declarou que “(...) a composição do ágio referese efetivamente à planilha já apresentada anteriormente à fiscalização, considerandose o arquivo anexo à própria intimação (...)”. Tal planilha demonstra o registro do custo de aquisição dos investimentos na Serrana Participações Ltda. e o reconhecimento do ágio, os quais foram transferidos para a Serrana S.A. (denominação anterior da Bunge Brasil). III – DIPJ e Diário apresentados (doc. 192) Verificase no diário número de ordem 01 as assinaturas de Roberto Correa Sampaio, contador, e Mário Alves Barbosa Neto como Diretor Presidente e como endereço a Av. Maria Coelho Aguiar nº 215 Bloco D 5º andar. Os únicos fatos registrados são referentes a subscrição/integralização de capital em 29/05/2002 (R$ 10.000,00), subscrição e aumento em 15/08/2002 e transferência do acervo líquido em 29/08/2002 quando da incorporação pela Bunge Fertilizantes com a extinção da incorporada. Evidente a utilização da empresa como veículo. IV – Conclusão quanto ao ágio proveniente Bunge I de Participações Ltda. Em 29/05/2002 a Bunge Brasil S.A. constitui uma subsidiária integral denominada Bunge I de Participações S.A. com capital subscrito e integralizado de R$ 10.000,00 e com sede na Av. Maria Coelho Aguiar 215, Bloco D, 5º andar – parte. No dia 15/08/2002, em AGE instalada pelo Diretor Presidente Mario Alves Barbosa Neto e secretariada por Hildegard Gutz Horta o capital da sociedade foi aumentado em R$ 763.787.298,49 mediante a conferência de bens que consistiram no investimento e respectivo ágio na Bunge Fertilizantes S.A. Logo na sequência, em 29/08/2002, foi aprovada a incorporação pela Bunge Fertilizantes S.A. do total do patrimônio da sociedade Bunge I de Participações Ltda., ou seja, do investimento Bunge Fertilizantes S.A. mais o ágio. A ata foi aprovada e assinada por Mario Alves Barbosa Neto, presidente da mesa, Hildegard Gutz Horta, secretária e por Mario Alves Barbosa Neto e Milton Notrispe representando a Bunge Brasil S.A. A incorporação acarretou aumento do patrimônio líquido no montante de R$ 259.106.574,14, com o respectivo aumento de capital de R$ 10.000,00 e constituição de reserva de capital correspondente ao valor do ágio (R$ 259.096.574,14). A Ação representativa do capital da incorporadora (integrante do ativo da incorporada) foi entregue ao acionista da incorporadora. O capital social passou a ser de R$ 518.310.000,00. Foi verificada, em fato relevante publicado pela Bunge Brasil S.A. em 13/08/2002, a comunicação de que para permitir a utilização dos créditos tributários relativos aos ágios apurados quando da aquisição pela Bunge Brasil S.A. da totalidade das ações da Bunge Fertilizantes S.A., via incorporação de ações aprovada na AGE de 19.12.2001, seria transferido o investimento na subsidiária integral Bunge Fertilizantes S.A. para a subsidiária integral Bunge I de Participações S.A. constituída para esse fim a título de integralização de capital pelos valores contábeis dos investimentos transferidos e que seria efetivada a incorporação reversa Fl. 8145DF CARF MF 36 de Bunge I de Participações em Bunge Fertilizantes S.A. A amortização seria a uma taxa linear de 10% ao ano. Por tudo o que foi verificado e descrito neste item e subitens, fica evidente que a única função da constituição Bunge I de Participações S.A., subsidiária integral da Bunge Brasil S.A., foi a de servir como empresa veículo para o investimento e o ágio serem transferidos para a Bunge Fertilizantes S.A. para que, após uma incorporação reversa, possibilitasse a dedução do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL na incorporadora, ajustandose artificialmente à hipótese prevista no art. 386, III, c/c o art. 385, § 2º, II, ambos do RIR/1999. (...) 7. DAS REGAS PARA A DEDUTIBILIDADE DA AMORTTIZAÇÃO DO ÁGIO 7.1 Do Direito Após a descrição dos fatos sobre o surgimento e a transferência de ágios decorrentes dos movimentos societários ocorridos dentro do Grupo Bunge, cabem agora algumas considerações sobre a figura do ágio. O ágio surge na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial e corresponde à diferença a maior entre o preço de aquisição e o valor de patrimônio líquido contábil da participação societária adquirida em sociedade coligada ou controlada. Sendo que essa parcela faz parte do custo de aquisição da participação societária e tem grande relevância na determinação do valor do eventual ganho de capital. Cabe ao investidor segregar na contabilidade o montante total do custo em duas subcontas distintas, ou seja, o valor do patrimônio líquido da investida numa subconta e o valor do ágio (ou deságio) em outra subconta. Com o objetivo de estabelecer condições para a dedutibilidade dos encargos de amortização do ágio, o legislador definiu os contornos das situações em que os encargos dessa amortização podem ser deduzidos para a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. A Lei n° 9.532/97 passou a estabelecer as condições para a dedutibilidade dos encargos de amortização do ágio pago, cujo descumprimento implica a impossibilidade de o sujeito passivo deduzilos na apuração de seu lucro real e da base de cálculo da CSLL. Os artigos 7º e 8º da Lei n° 9.532/97 assim dispõem: Artigo 7º A. pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória n° 135. de 30.10.2003 ) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do artigo 20 do DecretoLei n° 1.598, d e 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa: II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do artigo 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, em c ontrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do artigo 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados Fl. 8146DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.129 37 posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração: (Redação dada pela Lei n° 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do artigo 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, n os balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes á incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2° Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III: b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3° O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu cansa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5° O valor que servir de base de cálculo dos trib utos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Artigo 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio liquido: b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. (grifos meus) Por sua vez, o artigo 20 do Decretolei n° 1.598/77 , referido no caput do artigo 7º da Lei n° 9.532/97, assim preceitua: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio liquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e Fl. 8147DF CARF MF 38 II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Os dispositivos supracitados são as matrizes legais dos artigos 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3000, d e 26 de março de 1999: Desdobramento do Custo de Aquisição Artigo 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, artigo 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, artigo 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, artigo 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, artigo 20, § 3º). (grifos meus) Tratamento Tributário do Ágio ou Deságio nos Casos de Incorporação, Fusão ou Cisão Artigo 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, artigo 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, artigo 10): (...) Fl. 8148DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.130 39 III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (grifos meus) (...) § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, artigo 8º): (..) II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. (...) O artigo 385 do RIR/99 determina que o contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião de sua aquisição, desdobrar seu custo entre o valor do patrimônio líquido correspondente à participação societária adquirida e o ágio porventura observado na aquisição do investimento, cujo fundamento econômico deverá estar evidenciado. A legislação fiscal, codificada no RIR/99, em regra, não prevê a possibilidade de dedução na apuração do lucro real da amortização do ágio decorrente de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido. A exceção está regulamentada no artigo 391 c/c o artigo 426, ambos do RIR/99, ou seja, na alienação ou liquidação do investimento avaliado pelo Patrimônio Líquido. O artigo 391, com fundamento no art. 25 do Decretolei nº 1.598, de 1977 e art. 1º, inciso III, do Decretolei nº 1.730, de 1979, dispõe: Amortização do ágio ou Deságio Artigo 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, artigo 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, artigo 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (artigo 426). (grifo meu) O artigo 426 do RIR/99, que aborda a alienação do investimento, comanda que em caso de alienação da participação societária avaliada pelo patrimônio líquido, o ágio verificado na aquisição do investimento faça parte do valor contábil para a determinação do ganho (tributável) ou perda (dedutível) de capital. Resultado na Alienação de Investimento Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Artigo 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (artigo 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, artigo 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, artigo 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; Fl. 8149DF CARF MF 40 II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. (grifo meu) O artigo 386 do RIR/99, com fundamento nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, propicia uma alternativa para amortização do ágio na impossibilidade da alienação ou liquidação do investimento. Assim, a possibilidade de dedução do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL restringese à hipótese do artigo 386, III, c/c o artigo 385, § 2º, II, do RIR/1999, ou seja, nos casos em que a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, cujo fundamento econômico seja o de rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, situação em que a amortização poderá ocorrer à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. 7.2 Da Provisão determinada pela CVM – Ativo Fiscal Diferido A possibilidade de amortização do ágio também foi reconhecida pela CVM como um verdadeiro “benefício fiscal” ao regulamentar a aplicação das normas sobre reorganizações societárias aplicáveis às companhias abertas, nos casos de incorporações reversas, através da edição da Instrução CVM nº 319, de 03 de dezembro de 1999, com as alterações trazidas pela da Instrução CVM nº 349, de 6 de março de 2001: “DO TRATAMENTO CONTÁBIL DO ÁGIO E DO DESÁGIO Art. 6º O montante do ágio ou do deságio, conforme o caso, resultante da aquisição do controle da companhia aberta que vier a incorporar sua controladora será contabilizado, na incorporadora, da seguinte forma: I nas contas representativas dos bens que lhes deram origem – quando o fundamento econômico tiver sido a diferença entre o valor de mercado dos bens e o seu valor contábil (Instrução CVM nº 247/96, art. 14, § 1º); II em conta específica do ativo imobilizado (ágio) – quando o fundamento econômico tiver sido a aquisição do direito de exploração, concessão ou permissão delegadas pelo Poder Público (Instrução CVM nº 247/96, art. 14, § 2º, alínea ‘b’); e III em conta específica do ativo diferido (ágio) ou em conta específica de resultado de exercício futuro (deságio) – quando o fundamento econômico tiver sido a expectativa de resultado futuro (Instrução CVM nº 247/96, art. 14, § 2º, alínea ‘a’). § 1º. O registro do ágio referido no inciso I deste artigo terá como contrapartida reserva especial de ágio na incorporação, constante do patrimônio líquido, devendo a companhia observar, relativamente aos registros referidos nos incisos II e III, o seguinte tratamento: a) constituir provisão, na incorporada, no mínimo, no montante da diferença entre o valor do ágio e do benefício fiscal decorrente da sua amortização, que será apresentada como redução da conta em que o ágio foi registrado; b) registrar o valor líquido (ágio menos provisão) em contrapartida da conta de reserva referida neste parágrafo; Fl. 8150DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.131 41 c) reverter a provisão referida na letra ‘a’ acima para o resultado do período, proporcionalmente à amortização do ágio; e d) apresentar, para fins de divulgação das demonstrações contábeis, o valor líquido referido na letra ‘a’ no ativo circulante e/ou realizável a longo prazo, conforme a expectativa da sua realização. § 2º. A reserva referida no parágrafo anterior somente poderá ser incorporada ao capital social, na medida da amortização do ágio que lhe deu origem, em proveito de todos os acionistas, excetuado o disposto no art. 7º desta Instrução. § 3º. Após a incorporação, o ágio ou o deságio continuará sendo amortizado observandose, no que couber, as disposições das Instruções CVM nº 247, de 27 de março de 1996, e nº 285, de 31 de julho de 1998.” (Grifos nossos). Ressaltase que a Instrução CVM nº 319/1999, alterada pela Instrução CVM nº 349/2001, em consonância com os princípios contábeis e com as leis comerciais, é dirigida para aquelas hipóteses em que o ágio formado decorreu de aquisição de participação societária de terceiros, numa operação chancelada pelo mercado, uma vez que a autarquia não aceita o registro de ágio gerado intragrupo. Essas instruções têm como objetivo evitar que o ágio, regularmente gerado mediante aquisição societária entre partes independentes, seja reconhecido em duplicidade e, ainda, preservar o fluxo de dividendos futuros, na medida que a reversão da provisão anula o efeito redutor da amortização do ágio sobre o resultado da pessoa jurídica. 7.3 – Incorporação A teor do disposto no art. 227 da Lei nº 6.404 (Lei das S.A.), de 1976, “a incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações”. O instituto da incorporação objetiva, fundamentalmente, a reorganização das sociedades em face de uma conjuntura econômica, visando à proteção do patrimônio das pessoas jurídicas e de seus sócios, buscando a integração operacional, o fortalecimento competitivo no mercado ou a mudança de ramos de atividade, dentre outros. A operação de incorporação pode darse pelo valor contábil, mas a Lei das S.A. (Lei 6.404/76) estabelece a realização de determinados procedimentos para sua efetivação, tais como laudo de avaliação, assembleias gerais das sociedades interessadas, devidamente consolidadas em atas, e a formalização de protocolo e justificação da incorporação, com a finalidade de defender os acionistas e terceiros credores, impedindo, assim, que os bens sejam incorporados ao patrimônio da sociedade por valor superior ao mercado. Embora seja mais comum a incorporação da controlada pela controladora, a Lei nº 6.404/76 admite a situação inversa, como se vê em seu art. 264, in verbis: Art. 264. Na incorporação, pela controladora, de companhia controlada, a justificação, apresentada à assembléiageral da controlada, deverá conter, além das informações previstas nos arts. 224 e 225, o cálculo das relações de substituição das ações dos acionistas não controladores da controlada com base no valor do patrimônio líquido das ações da controladora e da controlada, avaliados os dois patrimônios segundo os mesmos critérios e na mesma data, a preços de mercado, ou com base em Fl. 8151DF CARF MF 42 outro critério aceito pela Comissão de Valores Mobiliários, no caso de companhias abertas (Redação dada pela Lei nº 10.303. de 2001). […] 4º aplicamse as normas previstas neste artigo à incorporação de controladora por sua controlada, à fusão de companhia controladora com controlada, à incorporação, fusão e incorporação de ações de sociedades sob controle comum (redação dada pela Lei nº 10.030, de 2001). [grifos meus] Como regra, na incorporação da controladora pela controlada, os sócios da primeira receberão quotas ou ações da segunda, de acordo com os critérios de avaliação por eles firmados. Num grupo societário no qual uma sociedade controla a outra, o caminho natural é a controladora incorporar a controlada, e não o caminho inverso. A esta operação denominase “incorporação às avessas” ou “incorporação reversa”. Como se viu, a incorporação reversa é operação prevista no art. 264 da Lei das S.A., mas não se pode olvidar que a operação pode estar sendo realizada abusivamente ou como negócio indireto em fraude à lei, fraude esta, associada não só à lei societária, mas também à lei tributária. A incorporação às avessas deve ser analisada sob a ótica objetiva do instituto jurídico, razão pela qual deve ser justificada por motivações que afastem a estranheza da operação e se coadunem com a perfeita adequação à realidade fática do caso. 7.4 – Utilização de empresa veículo Embora a possibilidade de amortização do ágio antes que ocorra a alienação ou liquidação do investimento possa se caracterizar como benefício fiscal outorgado pela Lei nº 9.532/97, é óbvio que o benefício se aplica às reais hipóteses de aquisição de investimento com ágio, não àquelas em que tenha havido uma artificial estruturação para possibilitar a transferência do ágio a ser amortizado em futura incorporação, com o único objetivo de criar despesas dedutíveis. Questionase, no presente caso, o cabimento da dedutibilidade, na apuração do IRPJ e da CSLL, da amortização de ágio transferido entre entidades do mesmo grupo econômico, através uso de empresas veículo criadas exclusivamente para esse fim. Analisandose as operações realizadas pelo grupo Bunge, quais foram os motivos de existência da Bunge I de Participações, Cajati Participações, Bunge Participações e Bunge Investimentos que não fosse o de transferir valores de ágio através de incorporações reversas possibilitando a amortização com fundamento no inciso III do artigo 386 do RIR 99? No caso da Bunge Investimentos mais longe se foi quando, além de transferir, ela criou um ágio em transação ocorrida dentro do próprio grupo Bunge. Quando questionada sobre as incorporações, a fiscalizada declarou que se justificavam dentro do processo de reorganização do grupo e que “obteve também benefício secundário fiscal da amortização dos ágios devidamente constituídos e fundamentados conforme previsão legal” (grifei). A possibilidade de amortização de ágios no valor de cerca de 0,95 bilhão de reais não é, a nosso ver, um benefício secundário, principalmente se for levado em consideração que as empresas citadas sequer funcionários tiveram e tiveram sede todas no mesmo endereço. Fl. 8152DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.132 43 O tributarista Marco Aurélio Greco, em seu livro Planejamento Tributário, Dialética, 2ª edição, no capítulo XVII das Operações Preocupantes, apresenta o seguinte texto no item 2: “Uma operação estruturada indica a existência de um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto. E mais, indica a existência de uma causa jurídica única que informa todo o conjunto. Neste caso, cumpre examinar se há motivos autônomos, ou não, pois se estes existirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. Daí uma questão de caráter metodológico. Qual o objetivo a ser analisado e enquadrado na legislação tributária? Diante de reorganizações societárias que tenham o efeito de reduzir o impacto da carga tributária incidente sobre as atividades ou os resultados de determinada pessoa jurídica, é freqüente encontrarmos estudos que procuram examinar separadamente cada um dos aspectos envolvidos ou – quando se trata de uma reorganização que envolva um conjunto de etapas sucessivas – cada um dos passos adotados no âmbito de uma operação mais ampla. Esta não me parece ser a postura mais adequada. Diante de uma situação complexa, é essencial considerar a figura como um todo, examinando ao mesmo tempo os vários aspectos que a cercam, pois o conhecimento e o enquadramento de determinada realidade será a resultante das diversas circunstâncias reunidas no caso concreto.”. O autor recomenda que sejam analisados o antes e o depois, e o elemento tempo. Como descrito nos itens e subitens próprios que analisaram as operações, verificamos o controle total do grupo Bunge em todo o processo de constituição, existência e incorporação das empresas Bunge Investimentos Ltda., Bunge Participações Ltda., Bunge I de Participações S.A., e Cajati Participações Ltda.. Ao final de todo o processo o controle total continuou sendo do grupo Bunge, com a diferença que todo o ágio foi transferido para as empresas operacionais do grupo, a saber: a Bunge Fertilizantes e a Bunge Alimentos. Essas passaram a ter, após essas incorporações, o suposto direito de se beneficiar da redução do IRPJ e da CSLL, mesmo que forçando artificialmente a condição de dedutibilidade do ágio estabelecida no inciso III art. 386 do RIR/99. Como bem destacou Marco Aurélio Greco (Planejamento Tributário. S. Paulo, Dialética, 2008), o elemento relevante quando se está perante uma pessoa jurídica não é apenas a sua existência formal. Em matéria tributária, tão ou mais importante que o preenchimento das formalidades legais para sua constituição é a identificação do empreendimento que justifica sua existência, “A criação de uma pessoa jurídica tem sentido na medida em que corresponda à vestimenta jurídica de determinado empreendimento econômico ou profissional.” (grifei). Segundo o autor, a ideia de empresa é o núcleo a ser investigado. O art. 981 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil (CC), dispõe que celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e para partilhar, entre si, os resultados obtidos, podendo realizar atividades de um ou mais negócios determinados. E o art. 982 do CC dispõe que salvo as exceções expressas, considerase empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro. Fl. 8153DF CARF MF 44 Assim, a finalidade precípua é a realização de negócios que caracterizam o exercício de atividade econômica. No caso específico da sociedade empresária, pelo teor do art. 966 do Código Civil, considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Portanto, a atividade econômica é materializada pela produção e circulação de bens e serviços mediante organização de fatores de produção (capital, trabalho, matériaprima etc.). A formação de ambas as sociedades, empresária e simples, está adstrita ao ânimo do exercício de atividade econômica, e se este não existir fica caracterizada a ausência de propósito societário, não originando, assim, a motivação para a própria celebração do contrato de sociedade. Subsidiariamente, neste caso, devese ponderar que não haveria nem mesmo quaisquer resultados a serem partilhados. Marco Aurélio Greco (obra citada) indicou situações que são perfeitamente aplicáveis aos casos sob exame. Uma delas é a que se chama de “empresa veículo ou de passagem”, que vem a ser uma pessoa jurídica criada apenas para servir de canal de passagem de um patrimônio ou de dinheiro, sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto. Tratase de uma operação que serve apenas para transmitir um patrimônio ou um determinado recurso. Outro tipo de sociedade citada pelo tributarista é a “sociedade efêmera” ou de curta duração; é aquela que nasce para morrer ou para ser extinta tão logo cumpra seu papel em determinada operação. Exatamente como ocorreu com a Cajati Participações, Bunge I de Participações, Bunge Participações e Bunge Investimentos, empresas totalmente subordinadas ao grupo Bunge. A criação de uma sociedade para posterior extinção por incorporação revela evidente falta de propósito negocial, ou seja, inexistência de fundamento econômico da transformação societária. Não se concebe, nas operações normais dos agentes econômicos, que se crie uma empresa com o fim de extinguila logo em seguida. As empresas são entidades criadas para a exploração de determinada atividade econômica e, como regra geral, têm como premissa a continuidade de suas operações. Ora, nos casos examinados, não houve causa econômica (além da economia fiscal) para a criação dessas empresas, as quais foram usadas apenas como artifício para a dedutibilidade do ágio pago. Tanto assim que logo após cumprirem sua função foram incorporadas e deixaram de existir. Não há, portanto, a presença de um dos elementos essenciais intrínsecos ao negócio jurídico: a vontade, ânimo, das partes em exercer atividade econômica. As operações de reestruturação do grupo Bunge se afastam de uma reorganização natural no momento em que foram constituídas empresas, totalmente subordinadas ao grupo, com administradores comuns, localizadas no mesmo endereço, com contador comum, sem possuírem funcionários ou empregados, sendo que todas tiveram como única função forçar uma condição de dedutibilidade do ágio. No caso específico da Bunge Investimentos se foi mais longe: foi constituída uma sociedade totalmente subordinada ao grupo Bunge para adquirir um investimento (com ágio) do próprio grupo para logo na sequência ser incorporada e permitir a dedutibilidade daquele ágio. Sobre esses tipos de operação, com a criação artificial de ágio interno e de incorporação reversa e sem propósito negocial, com utilização de uma empresa veículo, já existem julgados no Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, entre os quais estão os Acórdãos abaixo transcritos: 1 IRPJ E OUTROS Ex(s): 2003 Fl. 8154DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.133 45 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 DECISÃO – (…) AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INCORPORAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA CONTROLADORA POR SUA CONTROLADA – ANOCALENDÁRIO 2002 É permitida a amortização de ágio nas situações em que uma pessoa jurídica absorve patrimônio de outra, em conseqüência de incorporação, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, apurado segundo o disposto no artigo 385 do RIR/99, inclusive no caso de incorporação da controladora por sua controlada. Tratandose de fundamento econômico lastreado em previsão de resultados nos exercícios futuros, a amortização se dá nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados posteriormente à incorporação, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO – NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE "EMPRESA VEÍCULO" – Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve o seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e, ato contínuo, o evento da incorporação ocorreu no dia seguinte. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresa veículo" para transferência do ágio à incorporadora. (1º Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 10323.290 em 05.12.2007, Publicado no DOU em: 08.05.2008, Relator: Aloysio José Percínio da Silva) 2 OPERAÇÃO ÁGIO – SUBSCRIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO COM ÁGIO E SUBSEQÜENTE CISÃO – VERDADEIRA ALIENÇÃO DE PARTICIPAÇÃO – Se os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstram não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação específica, e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados ou não correspondem a uma verdadeira vivência dos riscos envolvidos no negócio escolhido, tais atos não são oponíveis ao fisco, devendo merecer o tratamento tributário que o verdadeiro ato dissimulado produz. Subscrição de participação com ágio, seguida de imediata cisão e entrega dos valores monetários referentes ao ágio, traduz verdadeira alienação de participação societária. (1ª Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara/ Acórdão 10195.537/2006) 3 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES SIMULAÇÃO. A reorganização societária, para ser legitima, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. A caracterização dos atos como simulados, e não reais, autoriza a glosa da amortização do ágio contabilizado. (1ª Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara/ Acórdão 10196.724/2008) 117. 4 OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQÜÊNCIA O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando Fl. 8155DF CARF MF 46 fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. 1º Conselho de Contribuintes / 4a. Câmara / ACÓRDÃO 10421.675 em 22.06.2006. Publicado no DOU em: 06.09.2007. 5 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. SIMULAÇÃO. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem a alteração do controle das sociedades envolvidas, sem qualquer desembolso e com a utilização de empresa inativa ou de curta duração (sociedade veículo) constitui prova da artificialidade do ágio e torna inválida sua amortização, sem que seja necessário demandar a nulidade das operações societárias praticadas. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, 1ª Seção de Julgamento, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / Acórdão 1102000933/ 08 102013) 6 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. (AC 2004, 2005, 2006, 2007) Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço a terceiros. (CARF, 1ª Câmara, 1ª Turma Ordinária / Acórdão 1101000.968 de 09/10/2013) 7 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. (AC 2005, 2006, 2007, 2008, 2009) Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio.. (CARF, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária / Acórdão 1402001.337 de 06/03/2013) 8 TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. (AC 2008, 2009, 2010) Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. (CARF, 1ª Câmara, 1ª Turma Ordinária / Acórdão 1101000.942 de 11/03/2013) Assim, o ágio transferido por uma empresa veículo, que foi criada exclusivamente para tal operação e sem motivação econômica empresarial que justificasse a sua existência (art. 966 do Código Civil), e que logo após ter cumprido seu papel desapareceu por ter sido incorporada pela investida, não poderia, em hipótese alguma, ser amortizado tributariamente. Portanto, a utilização da via indireta (constituição de empresas veículo) teve como único objetivo contornar a restrição da legislação tributária para operacionalizar a amortização do ágio conforme descrito nos itens/subitens próprios deste termo, buscando, assim, o benefício fiscal de se pagar menos tributos. 8. DAS AMORTIZAÇÕES DOS ÁGIOS Fl. 8156DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.134 47 O montante total de ágio contabilizado em contas de Ativo diferido é de R$ 952.974.058,59. Esse valor foi declarado na linha 67 da Ficha 36A Ativo Balanço Patrimonial da DIPJ 2012/ AC 2011 e é composto pelas seguintes contas de ágio: As somas dos valores já amortizados de cada ágio são contabilizadas nas contas redutoras de Ativo Diferido listadas a seguir. 8. 1. Amortizações no anocalendário 2011 No anocalendário 2011 o valor total amortizado a título de ágio foi de R$ 90.378.103,90 conforme declarado nas fichas 06A e 07A da DIPJ 2012 – AC 2011. Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral 55. () Amort. Ágio Aquis.Invest.Aval.PL Incorp. Fusão ou Cisão 90.378.103,80 Ficha 07A Demonstração do Resultado Critérios em 31.12.2007 PJ em Geral 55. () Amort. Ágio Aquis.Invest.Aval.PL Incorp. Fusão ou Cisão 90.378.103,80 Na tabela a seguir mostramos o detalhamento da amortização mensal no AC 2011. Fl. 8157DF CARF MF 48 As despesas de amortização de ágio foram contabilizadas por meio de lançamentos a débito na conta contábil 4541001 AMORTIZACAO AGIO DE INVESTIMENTOS, que é uma conta de resultado que se encontra dentro do grupo Custos e Despesas – Resultados de Equivalência Patrimonial. Para neutralizar o impacto na apuração do resultado contábil foram feitos lançamentos a crédito na conta 4382002 PROVISAO AGIO ATIVO DIFERIDO CVM 319/99 E 349/01, que é uma conta de resultado que se encontra dentro do grupo Outras Despesas. 8. 2. Amortizações no anocalendário 2012 No anocalendário 2012 o valor total amortizado a título de ágio foi de R$ 90.378.103,90 conforme declarado nas fichas 06A e 07A da DIPJ 2013 – AC 2012. Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral 55. () Amort. Ágio Aquis.Invest.Aval.PL Incorp.,Fusão ou Cisão 80.713.927,25 Ficha 07A Demonstração do Resultado Critérios em 31.12.2007 PJ em Geral 55. () Amort. Ágio Aquis.Invest.Aval.PL Incorp.,Fusão ou Cisão 80.713.927,25 Na tabela a seguir mostramos o detalhamento da amortização mensal no AC 2012. As despesas de amortização de ágio foram contabilizadas por meio de lançamentos a débito na conta contábil 4541001 AMORTIZACAO AGIO DE INVESTIMENTOS, que é uma conta de resultado que se encontra dentro do grupo Custos e Despesas – Resultados de Equivalência Patrimonial. Para neutralizar o impacto na apuração do resultado contábil foram feitos lançamentos a crédito na conta 4382002 PROVISAO AGIO ATIVO DIFERIDO CVM 319/99 E 349/01, que é uma conta de resultado que se encontra no grupo Outras Despesas. Fl. 8158DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.135 49 10. DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO 10.1 Recálculo do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL Conforme foi demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, a Bunge Fertilizantes S.A. excluiu indevidamente do lucro líquido do exercício para a apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido os valores amortizados dos ágios que lhe foram transferidos através das empresas constituídas com o único objetivo de contornar a restrição da legislação tributária para as amortizações desses ágios. Esses valores estão sendo adicionados, por esta fiscalização, ao lucro real e à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido conforme exposto abaixo. A diminuição do “Lucro (Prejuízo) antes da Compensação de Prejuízos” e da “Base de Cálculo antes da Compensação da BC Negativa do próprio período de apuração” Fl. 8159DF CARF MF 50 diretamente impactam o saldo de “Prejuizos Operacionais” e de Bases de Cálculo Negativas antes da Compensão” da CSLL a serem compensados nos anoscalendário seguintes. Haja vista as infrações tributárias apontadas neste Termo de Verificação Fiscal, fica a BUNGE FERTILIZANTES S/A intimada a efetuar as devidas retificações em seus Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR) relativos ao anocalendário de 2011 e 2012 de acordo com os demonstrativos abaixo que compõem o Auto de Infração: Planilha de Compensação de Prejuízos Fiscais do IRPJ Planilha de Compensação de Base Negativa da CSLL 10.2 Qualificação da Multa de Ofício No que se refere às multas de lançamento de ofício, o artigo 44 da Lei nº 9.430/96 estabelece que: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II – (...); § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez, o artigo 72 da Lei nº 4.502/64 dispõe que: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. No caso em tela, verificamos que estamos diante de um caso de planejamento tributário abusivo em que o contribuinte agiu dolosamente, mediante a geração artificial de ágio, resultante de transações sem essência econômica, e transferência de ágio entre entidades do mesmo grupo econômico, através uso de empresas veículo criadas exclusivamente para esse fim, visando única e exclusivamente a redução da carga tributária, e retardando assim a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. No caso da Bunge Investimentos Ltda. se foi mais longe quando foi constituída uma empresa para transacionar com outra do grupo e registrar um ágio. A teor do disposto nos artigos 966, 981 e 982 da Lei nº 10.406, de 10/01/2002 – Código Civil (CC), a finalidade precípua das sociedades é a realização de negócios que caracterizem o exercício de atividade econômica, materializada pela produção e circulação de bens e serviços, mediante organização de fatores de produção, v.g., capital, trabalho, matériaprima etc. A formação das sociedades está adstrita ao ânimo do exercício de atividade econômica. Este inexistindo, caracterizase ausência de propósito societário e, em última análise, de motivação para a própria celebração do contrato de sociedade. Fl. 8160DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.136 51 Nos casos descritos neste termo, não houve, reiteramos, causa econômica (além da economia fiscal) para a constituição e incorporação das empresas Bunge I de Participações, Cajati Participações, Bunge Participações e Bunge Investimentos. Demonstramos que em todo esse processo de reestruturação, o grupo Bunge jamais deixou de controlar todas sociedades envolvidas. Em todos os casos, a intenção do grupo foi a de criar artificialmente uma condição de dedutibilidade do ágio. Essas sociedades já foram criadas para serem incorporadas. Sociedades não têm por finalidade única ou precípua ser veículos de coisa alguma, ao contrário, constituemse em meios legalmente estabelecidos para o exercício de atividades econômicas. A premência com que as operações foram realizadas já denotava que elas faziam parte de uma sequência de etapas, encadeadas com as anteriores e a depender das posteriores, visando à busca de um fim determinado. No mesmo dia, 30/10/2005, ocorreu a incorporação da Bunge Investimentos pela Bunge Investimentos e Consultoria e desta pela Bunge Brasil; ocorreu a incorporação da Bunge Participações pela Bunge Brasil; a incorporação da Bunge Brasil pela Bunge Fertilizantes S.A e a cisão parcial da Bunge Fertilizantes para a Bunge Alimentos Participações. Conforme já descrito, no caso da Bunge Investimentos Ltda. o grupo Bunge gerou artificialmente um ágio no valor R$ 400.439.243,50 quando a Bunge BIC Holdings BV alienou para a Bunge Investimentos Ltda. (da qual detinha diretamente 99,99% das quotas) 99,88 % das quotas que possuía da Bunge Investimentos e Consultoria Ltda. O “pagamento” da transação foi através de uma nota promissória no valor de US$ 332.617.465,00 (R$ 904.253.840,35) emitida pela Bunge Investimentos Ltda. tendo como beneficiária a Bunge BIC Holdings. Toda essa negociação ocorreu dentro do grupo, sob seu controle. Todos os representantes das sociedades envolvidas tinham vínculos com grupo Bunge. Esse ágio seria justificado devido à participação da Bunge Investimentos e Consultoria na Bunge Brasil – após o registro desse ágio, única função da sociedade, estava criada a condição para as incorporações reversas. A Bunge Participações S.A. foi constituída pelo grupo com a finalidade exclusiva de adquirir ações da Bunge Brasil em circulação no mercado e registrar o ágio para ser incorporada na sequência; utilizou recursos captados no exterior vinculados a exportações que ela própria nunca realizou. A sociedade, sem funcionários, com sede no mesmo local, com um capital social de R$ 10.000,00, teve todos os contratos de câmbio e operações financeiras chanceladas por funcionários da Bunge Fertilizantes e as exportações efetuadas pela Bunge Alimentos. O ágio, após sequência de incorporações e cisões, foi alocado na Bunge Fertilizantes e na Bunge Alimentos. A Bunge I de Participações S.A., subsidiária integral da Bunge Brasil S.A., foi constituída exclusivamente para receber o investimento na Bunge Fertilizantes S.A. juntamente com respectivo ágio para, logo na sequência, ser incorporada pela própria investida, criando artificialmente a condição para amortização do ágio. A Cajati Participações Ltda. foi constituída para receber as ações da Fosfértil que foram adquiridas pela Bunge Fertilizantes da CPFL, para, depois de incorporada, tentar justificar a amortização do ágio foi constada, na realidade, uma compra de ações pela Bunge Fertilizantes. Fl. 8161DF CARF MF 52 Em todos os casos relatados neste termo, não houve causa econômica (além da economia fiscal) para a criação dessas empresas, as quais foram usadas apenas como artifício para a dedutibilidade dos ágios. Da análise dos fatos elencados a seguir, concluise que esse processo de reestruturação societária foi parte de um planejamento tributário abusivo com a finalidade de artificialmente impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador. • O grupo criou um ágio de mais de R$ 400 milhões ao “adquirir” um investimento que já era dele próprio, no caso da Bunge Investimentos; • Houve a constituição e utilização de pessoas jurídicas como “empresas veículo” que não tiveram outra finalidade se não a de transportar o ágio para possibilitar a amortização após incorporações; • Essas empresas, as quais nunca tiveram funcionários ou empregados, tiveram sede no mesmo endereço, na Av. Maria Coelho Aguiar n. 215 Bloco D 5º andar, o mesmo da fiscalizada e foram extintas por incorporações, após terem cumprido sua função; • Todas as pessoas jurídicas envolvidas eram subordinadas ao grupo Bunge, o qual controlou todo o processo e possuíam como representantes legais ou administradores diretores de empresas do grupo Bunge; • Roberto Correia Sampaio aparece como contador da Cajati Participações, Bunge I de Participações, Bunge Participações, Bunge Brasil e Bunge Fertilizantes, todas envolvidas no processo; • As empresas domiciliadas no exterior foram todas representadas pela mesma procuradora, a sra. Hildegard Gutz Horta, que muitas vezes também constou como representante/diretora das empresas veículo; • Hildegard Gutz Horta além de ser a procuradora de empresas do grupo Bunge domiciliadas no exterior, como a Bunge Limited, Bunge Cooperatief UA, Bunge Brasil Holdings BV, Bunge BIC Holdings BV, Serrana Holdings Limited e Bunge Foods Limited, controladoras das sociedades do grupo no Brasil, foi diretora da Bunge Investimentos e Consultoria Ltda., da Bunge Investimentos e também da Bunge Participações; foi secretária das AGE da Bunge Brasil e da Bunge Fertilizantes realizadas em 31/10/2005, além de secretariar várias outras AGE de sociedades do grupo; • A Bunge Participações contratou câmbio (tomada de recursos) em mais de US$ 280.000.000,00 (R$ 849.617.000,00) sendo que todos os contratos de câmbio foram assinados por funcionários da Bunge Fertilizantes; • A Bunge Participações contratou câmbio (remessas para o exterior) para pagamento de juros de cerca de US$ 37.000.000,00 sendo que todos os contratos foram assinados por funcionários da Bunge Fertilizantes; • Houve a integralização das quotas da Cajati Participações com as ações da Fosfértil e venda das quotas no mesmo dia – pelo descrito e constatado, ficou claro que se tratou de uma operação de compra de ações pela Bunge Fertilizantes; A arquitetura do esquema que se desenhou, apesar de aparente legalidade com a formalização e com o registro de atos em órgãos apropriados deve ser vista como Fl. 8162DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.137 53 causa planejada para turvar a visão do Fisco, impedindoo de ter conhecimento da redução indevida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Por tudo o que foi apurado, está mais do que claro que houve abuso de direito por parte das sociedades envolvidas, seja pela manifesta ausência de propósito negocial, seja pela artificialidade dos negócios realizados. A constituição das sociedades e as operações de incorporações reversas, certamente, não teriam sido praticadas se não fosse a possibilidade de usufruir o benefício fiscal. Não há, portanto, qualquer fundamento econômico a justificar as operações sob análise, ocorridas, ressaltese, dentro do mesmo grupo econômico. Resta claro que o único objetivo pretendido foi a obtenção de benefício fiscal. Não há dúvida de que agiu intencionalmente, justificando a qualificação da multa no lançamento de ofício. Irresignada com o lançamento fiscal, a Recorrente apresentou junto à Unidade de Origem a impugnação de efls. 7.769/7.817. Seu recurso foi apreciado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro (DRJ/RJO) em 02 de agosto de 2017, cujo acórdão, de nº 1289.817 – 12ª Turma, recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 ENDEREÇAMENTO DAS INTIMAÇÕES. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. É prevista a intimação do sujeito passivo apenas no domicílio tributário, assim considerado o do endereço postal, eletrônico ou de fax, pelo contribuinte fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. O pedido de realização de diligência é indeferido, tanto por estar em desacordo com os requisitos legais, quanto por ser desnecessária. PROVA. JUNTADA POSTERIOR. A prova documental deverá ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que a interessada demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. Não havendo apuração de tributo devido na autuação, não haverá cobrança da multa qualificada. MATERIA APRECIADA. OUTRO PROCESSO. REDISCUSSÃO. INCABÍVEL. Fl. 8163DF CARF MF 54 Incabível rediscutir matéria apreciada em processo pendente apenas, em sede administrativa, da decisão do CARF para encerrar o contencioso, sob pena de grave violação dos princípios da economia processual, eficiência administrativa e celeridade processual, e, ainda, de risco iminente de decisões contraditórias. LANÇAMENTO REFLEXO. ÁGIO APRECIADO EM PROCESSO ANTERIOR. Já tendo sido apreciada, em outro processo administrativo, o ágio e sua indedutibilidade, nos presentes autos que se referem à glosa da dedução do ágio em períodos subseqüentes, deve ser dada a devida repercussão daquele julgamento, não sendo cabível a reapreciação de matéria já objeto de julgamento. AUTOS REFLEXOS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Percebese, pois, que a impugnação foi julgada totalmente improcedente, razão pela qual a Contribuinte apresentou o recurso voluntário de efls. 8.034/8.090. Em seu recurso voluntário apresenta as seguintes razões, em apertadíssima síntese: A) Preliminarmente 1) Preliminarmente, argui a nulidade da decisão recorrida, sob a alegação de cerceamento do direito de defesa, decorrente de supressão de instância recursal, em razão de ausência de manifestação por parte da Turma a quo quanto ao mérito da matéria controvertida. Alega a Recorrente que a Turma a quo não teria se manifestado quanto ao mérito da lide, fundamentando tal proceder no fato de que a mesma já teria sido apreciada no processo administrativo nº 16561.720026/201113 que, àquela altura (data do julgamento pela DRJ/RJO), estaria pendente de julgamento perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais; 2) Decadência do direito do Fisco de questionar a validade das operações em que o ágio foi glosado, haja vista que remontam a fatos ocorridos e registrados nos controles contábeis e fiscais da Recorrente e de outras empresas do grupo há mais de 05 (cinco) anos; B) No mérito 1) Ágio Bunge Brasil S/A Bunge Participações Ltda. A operação envolvendo o fechamento do capital da Bunge Brasil S/A (daqui para frente denominada tão somente de BB) efetivamente aconteceu, tendo a Bunge Participações Ltda (daqui para frente denominada tão somente de BP) cumprido o seu intuito negocial. Esta era, na verdade, sociedade de propósito específico, constituída para viabilizar o fechamento do capital da BB. Não se pode dizer que a BP tratarseia de empresa veículo, haja vista que o regime jurídico aplicável ao caso foi cumprido de forma coerente e consistente. A adoção da estrutura utilizada pelo grupo nunca foi proibida, tendo sido acolhida pelo mercado, que aceitou vender as ações para BP e foi devidamente chancelada pelas autoridades regulatórias, no caso, a CVM. Ainda, que se tivesse havido alguma Fl. 8164DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.138 55 irregularidade, caberia à CVM, representar à Receita Federal, o que não aconteceu por conta da higidez das operações realizadas. Não houve, conforme alegado no Acórdão nº 1402001.460, de 08/10/2013, integrado pelo Acórdão nº 1402002.145, de 05/04/2016, proferidos no processo nº 16561.720026/201113, fraude à legislação societária, que admitiria a realização da operação, conforme foi operacionalizada, através de sociedade controladora indireta, no caso, a BP. Assim, ao contrário do que alegam os citados acórdãos, não teria havido aquisição, pela BB, de suas próprias ações, eis que quem as teria efetivamente adquirido fora a BP. 2) Ágio CAJATI Participações Ltda O fato de a empresa CAJATI ter tido duração curta, mesmos responsáveis, procuradores e endereço coincidentes com os da Recorrente, por si só não teriam o condão de invalidar a apuração do ágio verificado, tampouco suas posteriores amortizações. O ágio em questão decorreria de operação efetiva, real, de aquisição de participação societária realizada entre partes independentes, integrantes de grupos econômicos distintos (Bunge e Vale), tendo havido efetivo pagamento de preço. Também neste caso, a CAJATI era uma sociedade de propósito específico, para o qual não eram necessários empregados, nem a realização de outros negócios desconectados com a sua razão de existir, nem sendo necessário que ela tivesse longa existência. Ainda, a CAJATI não teria sido constituída pela Recorrente, mas pela parte vendedora, no caso, a CPFL, que não tem qualquer relação com a Recorrente. 3) Ágio Bunge I de Participações S/A O ágio em questão teria sido apurado na operação de substituição de ações da Bunge Fertilizantes S/A (daqui para frente denominada tão somente de BF) por ações da BB, com o consequente fechamento do capital da BF. O referido ágio foi apurado inicialmente pela BB (anteriormente denominada de Serrana), quando da incorporação de ações que acarretou o fechamento de capital da Recorrente. Posteriormente, a BB transferiu o investimento na Recorrente para a Bunge I de Participações (daqui para frente denominada tão somente de BIP), que reconheceu o mesmo ágio inicialmente reconhecido pela BB. Finalmente, a BIP foi incorporada pela BF, dando ensejo às amortizações glosadas pelo Fisco. A glosa fiscal estaria voltada apenas à utilização da BIP como "empresa veículo" para a transferência do ágio da BB para a BF. Entretanto, a estrutura criada teve por objetivo simplificar a gestão das empresas operativas, concentrando numa holding as decisões que até então dependiam da participação dos acionistas, facilitando, não somente a administração de cada unidade como também permitindo alcançar ganhos de diversas espécies. De forma alguma se poderia cogitar no presente caso da fabricação de um ágio inexistente, com a finalidade de obter uma incabível vantagem fiscal. Do ponto de vista estritamente fiscal, a dedução da amortização do ágio poderia ser conseguida por múltiplos caminhos, todos consentâneos com a legislação, entretanto, a forma escolhida tinha como objetivos precípuos: a) segregar o ágio relativo à BF, separadamente do ágio pertinente à Bunge Alimentos S/A (daqui para frente denominada tão somente de BA); Fl. 8165DF CARF MF 56 b) emparelhar diretamente a amortização do ágio com a geração dos lucros a que ele se refere, que corresponde à "mens legis", portanto, atendendo não somente à letra, como também ao espírito da lei; c) não desfazer os efeitos benéficos no âmbito societário, obtidos com a centralização do controle direto das duas companhias operativas em uma holding no Brasil, permitindo que os acionistas das duas continuassem a participar dos resultados de ambas, e não mais apenas do seu investimento original, sem desfazer as vantagens de gestão das empresas operativas. Assim, houve pois, um propósito negocial ao lado do resultado fiscal derivado da reorganização levada a efeito na consecução daquele propósito. A BIP, dessa forma, viabilizou a consecução desse objetivo e representou, a todo rigor, uma sociedade de propósito específico, para o qual não eram necessários empregados, nem a realização de outros negócios desconectados com a sua razão de existir, nem sendo necessário que ela tivesse longa existência. 4) A Licitude da utilização de empresa veículo Mesmo se admitindo que a BP, a CAJATI e a BIP seriam empresas veículo utilizadas com o único intuito de permitir a amortização dos ágios, ainda assim, não haveria razão para a glosa fiscal das amortizações, haja vista que a legislação autorizaria esse tipo de situação, desde que haja a reunião do ágio com o lucro auferido pelo patrimônio que o gerou, o que foi observado no caso em tela. A lógica e o intuito da norma, ao condicionar a dedução fiscal à absorção dos patrimônios, é possibilitar que o investidor adquirente deduza, das receitas percebidas pelo patrimônio adquirido, o valor pago a maior justamente por estas receitas realizadas, o que faz determinando a união, em um mesmo patrimônio, do ágio (ou deságio) com os lucros percebidos pelo investimento a que ele se refere. Alega, concluindo, que não há qualquer impedimento legal para a utilização de empresa veículo, seja para aquisição do investimento, seja para a transferência do ágio após a aquisição. 5) A regularidade da incorporação reversa É operação admitida expressamente pela legislação e vem sendo reconhecida como válida pela jurisprudência deste Conselho. 6) A alegada falta de propósito negocial Todas as operações foram realizadas com objetivos negociais específicos, no contexto da estratégia implementada pelo grupo no Brasil. A par disso, o ordenamento jurídico não incorporou a existência do propósito negocial como requisito para a validade de negócios jurídicos. 7) Inexistência de abuso de direito ou fraude à lei No presente caso, os atos jurídicos foram praticados regularmente, sem qualquer excesso, pois dentro das suas finalidades jurídicas, também não havendo manifesto excesso aos bons costumes e à boafé, razão pela qual não se pode cogitar de fraude à lei, pois todas as operações foram realizadas no contexto das operações normais de um grupo econômico de porte, como é o caso da Bunge. 8) Da inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível Fl. 8166DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.139 57 Ainda que se considere que as despesas relativas à amortização fiscal do ágio são indedutíveis para fins de apuração do lucro real, é preciso enfatizar que o lançamento de CSLL não possui fundamento legal. Isso porque o DecretoLei nº 1.598 e a Lei nº 9.532 disciplinaram o tratamento tributário conferido ao ágio exclusivamente para efeitos de apuração do lucro real, inexistindo dispositivo legal que imponha quaisquer limites ou vedações para o aproveitamento da dedutibilidade do ágio no cálculo da CSLL devida. 9) Descabimento da multa qualificada É incabível a penalidade qualificada em autuações sem exigência fiscal como a presente, o que impede a tipificação da conduta no art. 72 da Lei nº 4.502. Também, o componente doloso é de caracterização fundamental para fins de aplicação da multa qualificada, o que não ocorreu no presente caso, que trata apenas de divergência de interpretação legal dos fatos. No caso dos autos, houve, evidência indisfarçada dos fatos e dos atos, como eles realmente foram, e como foram desejados. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Prefacialmente, há que se decidir acerca da argüição de nulidade da decisão recorrida levantada pela parte, que apresenta alegação de cerceamento do seu direito de defesa, decorrente de supressão de instância recursal, em razão de ausência de manifestação por parte da Turma a quo quanto ao mérito da matéria controvertida. Aduz a Recorrente que a Turma a quo não teria se manifestado quanto ao mérito da lide, eis que fundamentou sua decisão no fato de que a matéria relativa às operações de ágio questionadas pela Fiscalização já teriam sido apreciadas no processo administrativo nº 16561.720026/201113 que, àquela altura (data do julgamento pela DRJ/RJO), estaria pendente de julgamento perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejamos o teor da decisão da DRJ/RJO a respeito das operações de ágio (v. efls. 8.005/8.027): 4. Do mérito Tanto a autoridade fiscal quanto o contribuinte citam o processo administrativo fiscal nº 16561.720026/201113 que se refere a autos de infração de IRPJ e CSLL Fl. 8167DF CARF MF 58 relativos aos períodos de 2005 a 2009, também originados da glosa de despesas de amortização de ágio. Neste sentido, a Autoridade Fiscal transportou elementos, informações, provas para a apuração dos mesmos tributos dos períodos subseqüentes (2011 e 2012), agora em exame, para o presente processo, conforme revela no TVF, fl. 7.643: Considerando que o foco principal da presente ação fiscal é a verificação das despesas com amortização de ágio e que o contribuinte já havia sido fiscalizado sobre esse mesmo tema, nos anoscalendário de 2005 a 2009, deuse a informação, por meio da Intimação nº 04, que iriase utilizar os documentos enviados e esclarecimentos prestados na ação fiscal anterior, que culminou no lançamento de ofício realizado pelos AuditoresFiscais desta delegacia – Delegacia Especial de Maiores Contribuintes em São Paulo (DEMACSPO). Em novembro de 2011 foram lavrados Autos de Infração de IRPJ e Autos de Infração Reflexos de CSLL. Tais autos de infração deram origem ao processo fiscal de nº 16561.720026/201113, do qual extraiuse diversos documentos a fim de serem utilizados nesta Fiscalização e sobre o qual nos reportaremos com frequência.. O contribuinte em sua impugnação reafirma a legitimidade da dedução da amortização do ágio. As despesas de amortização de ágio cujas glosas originaram o presente processo foram tratadas no processo anterior nº 16561.720026/201113. Assim, a matéria litigiosa tratada no PAF n° 16561.720026/201113, no que concerne a legitimidade e dedutibilidade das citadas despesas de ágio, abrange completamente as questões suscitadas sobre a dedutibilidade, ou não, da amortização do ágio na apuração das bases de cálculo dos mesmos tributos no período tratado nestes autos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamentos em São Paulo I (SP) considerou procedente o lançamento, nos termos do acórdão nº 1639.979 proferido pela 4º Turma da DRJSP1 em 29/06/2012: (...) Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso voluntário que foi julgado pela 4ª Câmara/2º Turma Ordinária por meio do Acórdão nº 1402001.460 em 08/10/2013 que deu provimento parcial ao recurso apresentado, rejeitando a argüição de decadência, dando provimento parcial ao recurso para cancelar a qualificação da multa de ofício aplicada junto com o tributo e a multa isolada, conforme ementa abaixo transcrita: (...) Contra tal decisão foram opostos embargos de declaração que foram acolhidos para suprir omissões no acórdão 1402001.460, com efeitos infringentes, e reconhecer a extinção do crédito tributário atinente ao anocalendário de 2005 em face da decadência, dando provimento ao recurso em relação a essa matéria. Cientificada, a PFN interpôs, tempestivamente, Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial relativamente às seguintes matérias: (...) O contribuinte interpôs Recurso Especial, que foi admitido, no qual aponta divergência jurisprudencial com decisões que versam sobre as seguintes matérias: (...) Portanto, a discussão suscitada pelo contribuinte a respeito da legitimidade e validade do ágio obtido nas operações em questão, para fins de dedutibilidade na condição de encargos de amortização, embora em período de apuração Fl. 8168DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.140 59 posterior definido no relatório, constante deste processo, está completamente abarcada pelo processo citado (PAF n° 16561.720026/201113), não havendo razão para ser replicada nestes autos sob pena de grave violação dos princípios da economia processual, eficiência administrativa e celeridade processual, e, ainda, de risco iminente de decisões contraditórias a respeito do crédito tributário constituído, descabendo, de qualquer modo, rediscutir os fundamentos daquelas decisões muito menos alterálos por vias transversas, cuja definitividade depende apenas de decisão do CARF sobre os recursos especiais. Conforme descrito no TVF e na impugnação do contribuinte as despesas glosadas correspondem exatamente em sua natureza e origem àquelas discutidas nos autos citados. Verificase que o processo nº16561.720026/201113 trata dos mesmos fatos aqui analisados com repercussão para outros períodos (2005 a 2009), e no qual foi mantida a glosa da dedutibilidade das amortizações dos ágios, decorrentes dos mesmos fundamentos fáticos e jurídicos, não sendo possível rediscutir os fundamentos daquelas decisões. O contribuinte, na impugnação, contesta as decisões proferidas no processo nº16561.720026/201113, ocorre que tal contestação só pode ser efetuada por meio do recurso próprio segundo o rito do PAF. Cabe ressaltar, em relação à multa de ofício qualificada que uma vez que não existiu crédito lançado, não haverá multa a ser cobrada, neste processo. Observase pelo próprio auto de infração que não houve cobrança da multa, apenas a redução do prejuízo e da base negativa da CSLL em virtude da glosa da amortização do ágio. Em relação a tipificação da conduta, também é questão já apreciada no processo administrativo nº16561.720026/201113, devendo ser aplicada a decisão final proferida, uma vez que tal questão ainda está pendente de julgamento do Recurso Especial. Por todos os fundamentos expostos, VOTO pela improcedência da Impugnação. Da análise dos trechos extraídos da decisão recorrida acima reproduzidos, cheguei à conclusão que a Recorrente tem razão em sua argumentação a respeito da nulidade da decisão recorrida, mesmo porque, rigorosamente, não houve decisão nenhuma por parte da Autoridade Julgadora a quo. Sob o argumento de que “a discussão suscitada pelo contribuinte a respeito da legitimidade e validade do ágio (...)” estaria “completamente abarcada pelo processo citado (PAF n° 16561.720026/201113), não havendo razão para ser replicada nestes autos sob pena de grave violação dos princípios da economia processual, eficiência administrativa e celeridade processual, e, ainda, de risco iminente de decisões contraditórias a respeito do crédito tributário constituído”, a DRJ/RJO deixou de decidir a demanda. Para piorar, ainda manifestouse no sentido de que descaberia, “de qualquer modo, rediscutir os fundamentos daquelas decisões muito menos alterálos por vias transversas, cuja definitividade depende apenas de decisão do CARF sobre os recursos especiais”. Creio que, em concordando com os termos do decidido até então, tanto pela DRJ/SPO (acórdão nº 1639.979 4ª Turma), quanto pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF (acórdão nº 1402001.460), bastaria à DRJ/RJO que reproduzisse o teor da tais decisões e dissesse que as suas razões para decidir eram as mesmas. Mas, isso não foi feito. Pelo contrário, sob o fundamento de que descaberia, de qualquer modo, rediscutir o Fl. 8169DF CARF MF 60 fundamento daquelas decisões (o que é absolutamente equivocado), eis que sua definitividade dependeria apenas de decisão em sede de recurso especial pelo CARF, a DRJ/RJO simplesmente não decidiu. Quando digo que não decidiu, leiase não fundamentou sua decisão de rejeitar a impugnação apresentada pela Contribuinte. Deixando de fundamentar a decisão, incorreu em nulidade absoluta da mesma, ex vi do disposto na Constituição Federal, em seu art. 93, inciso IX, Código de Processo Civil, art. 11, e Decreto nº 70.235/72 (PAF), art. 59, inc. II (in fine). Só o simples fato de citar as decisões constantes do processo nº 16561.720026/201113 (acórdãos nº 1639.979 4ª Turma da DRJ/SPO e nº 1402001.460 – 1ª TO/4ª Câmara/1ª Seção do CARF), reproduzindo suas ementas, não considero suficiente para tomar como fundamentada a decisão recorrida. O mesmo se deu em relação à qualificação da multa de ofício. Vejam como foi formalizada a manifestação da DRJ/RJO: Cabe ressaltar, em relação à multa de ofício qualificada que uma vez que não existiu crédito lançado, não haverá multa a ser cobrada, neste processo. Observase pelo próprio auto de infração que não houve cobrança da multa, apenas a redução do prejuízo e da base negativa da CSLL em virtude da glosa da amortização do ágio. Em relação a tipificação da conduta, também é questão já apreciada no processo administrativo nº16561.720026/201113, devendo ser aplicada a decisão final proferida, uma vez que tal questão ainda está pendente de julgamento do Recurso Especial. Também neste ponto, verificase que não houve por parte da Autoridade Julgadora a quo decisão a respeito das alegações trazidas no bojo da impugnação de que não caberia a imputação de multa qualificada por conta da inexistência de crédito tributário a ser cobrado (tratase de auto de infração de redução de prejuízos fiscais e saldos negativos de CSLL). Também não houve manifestação na decisão recorrida a respeito da inexistência de dolo nas condutas perpetradas quando das reestruturações societárias levadas a cabo pela Recorrente. Em que pese a defesa ter se desincumbido de sua defesa de maneira eficaz, nem que seja por uma questão didática, proponho seja o presente processo devolvido à Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro para que labore em nova apreciação da matéria discutida nos presente autos. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida, razão pela qual os autos deverão ser devolvidos à Turma a quo para que profira novo julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 8170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.720767/2010-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
ÔNUS PROBATÓRIO. MERAS ALEGAÇÕES SEM PROVAS QUE AS CONSUBSTANCIEM.
O ônus da prova incumbe à Fazenda quanto ao fato constitutivo do lançamento, e quanto ao sujeito passivo quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. No presente caso o sujeito passivo faz alegações de existência de recolhimentos que, em tese, poderiam levar a discussão sobre o assunto, mas nada traz aos autos para comprovar sua alegação, motivo da improcedência da alegação.
Numero da decisão: 3401-005.766
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente o conselheiro Cássio Schappo.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 ÔNUS PROBATÓRIO. MERAS ALEGAÇÕES SEM PROVAS QUE AS CONSUBSTANCIEM. O ônus da prova incumbe à Fazenda quanto ao fato constitutivo do lançamento, e quanto ao sujeito passivo quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. No presente caso o sujeito passivo faz alegações de existência de recolhimentos que, em tese, poderiam levar a discussão sobre o assunto, mas nada traz aos autos para comprovar sua alegação, motivo da improcedência da alegação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10980.720767/2010-04
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5968502
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-005.766
nome_arquivo_s : Decisao_10980720767201004.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : TIAGO GUERRA MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 10980720767201004_5968502.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente o conselheiro Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
id : 7636566
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051662698938368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1264; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 698 1 697 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.720767/201004 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.766 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente INSTITUTO BS COLWAY SOCIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 ÔNUS PROBATÓRIO. MERAS ALEGAÇÕES SEM PROVAS QUE AS CONSUBSTANCIEM. O ônus da prova incumbe à Fazenda quanto ao fato constitutivo do lançamento, e quanto ao sujeito passivo quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. No presente caso o sujeito passivo faz alegações de existência de recolhimentos que, em tese, poderiam levar a discussão sobre o assunto, mas nada traz aos autos para comprovar sua alegação, motivo da improcedência da alegação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 07 67 /2 01 0- 04 Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10980.720767/201004 Acórdão n.º 3401005.766 S3C4T1 Fl. 699 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente o conselheiro Cássio Schappo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 490 e seguintes) contra decisão da 2ª Turma, da DRJ/BSB, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre as nulidades de dois Autos de Infração, exarados pela DRF Curitiba, em 11.03.2010, referentes a PIS e COFINS, no ano calendário 2007. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls. 122 e seguintes) de R$1.644.701,32 mais consectários de mora, totalizando a exigência em R$4.419.229,71 (quatro milhões, quatrocentos e dezenove mil, duzentos e vinte e nove reais e setenta e um centavos), referente ao COFINS e R$471.587,68 (quatrocentos e setenta e um mil, quinhentos e oitenta e sete reais e sessenta e oito centavos) mais consectários de mora, totalizando a exigência em R$950.454,06 (novecentos e cinquenta e quatro mil, quatrocentos e quatro reais e seis centavos). Em síntese, as razões que levaram ao lançamento de ofício encontramse expressas no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 0101 e seguintes, onde relata o seguinte: 1. A contribuinte não é isenta em relação aos tributos constantes no presente processo, já que não atende os requisitos determinados no art. 55, da Lei 8.212/1991, atualmente revogado pela Lei Federal 12.101/2009, eis que não possuía (i) título de utilidade pública federal; (ii) certificado de entidade filantrópica do INSS/CNAS; bem como não promove, em caráter exclusivo, a assistência social a carentes; nem aplica integralmente seus recursos na manutenção de seus objetivos institucionais. 2. Afirma que a Medida Provisória (MP) 2.15835/2001 dispôs que são contribuintes do PIS/Faturamento as entidades isentas de imposto de renda, mas, como a contribuinte teve sua isenção cassada por ato da SRF, passou a pagar o PIS sobre o faturamento e não mais sobre a folha de salários. 3. Quanto aos créditos lançados, em 20/06/2008, a contribuinte reconheceu a obrigação tributária, vindo a retificar débitos declarados anteriormente em DCTF’s, relativos a PIS/Folha de Pagamento, PIS/Faturamento e Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10980.720767/201004 Acórdão n.º 3401005.766 S3C4T1 Fl. 700 3 COFINS. conforme quadro apresentado no TVF. sendo que nos débitos de PIS/Faturamento e de COFINS a contribuinte os declarou pelo regime nãocumulativo. 4. Assim, a contribuinte optou pelo regime de lucro real. Nessa forma de apuração, lucro real, a contribuinte passou a ser sujeita ao regime da não cumulatividade para as contribuições PIS e COFINS (arts. 2º e 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003). 5. Tanto nos DACON’s quanto nos demonstrativos, para chegar aos valores declarados em DCTF, o contribuinte utilizou créditos de PIS e COFINS sobre importação, conforme tabela constante do TVF, fls. 0105. 6. Esclarece que a Lei n° 10.865/2004, que instituiu o PIS e a COFINS sobre importação, dispõe, em seu art. 15, que as pessoas jurídicas sujeitas à não cumulatividade dessas contribuições podem descontar créditos relativos às importações de bens adquiridos para revenda e bens e serviços utilizados como insumos. Porém, o § 1º esclarece que o direito ao crédito só se aplica em relação às contribuições efetivamente pagas na importação. Contudo, em consulta ao sistema de controle de pagamentos a fiscalização verificou que não havia, em 2007, pagamento dessas contribuições com código de PIS ou COFINS sobre importação, conforme fls. 083. 7. Por fim, conforme esclarece o Fisco, não existindo pagamentos realizados em 2007, não há créditos a serem aproveitados, o que acarretou o recálculo dos valores mensais de PIS e COFINS sem considerar os créditos (indevidos) de importação, partindo dos dois demonstrativos apresentados pela contribuinte, conforme quadros elaborados e constantes do TVF, fls. 0106, que demonstram como foram constituídos os créditos presentes no lançamento. Da Impugnação A Contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração, em 31.03.2010 (fl.128), e interpôs impugnação, em 26.04.2010 (fls. 130 e seguintes), alegando, em síntese, o seguinte: 1. Defendeu que possui direito à isenção preconizada no art. 14, do CTN, solicitando a suspensão da constituição do crédito. 2. Alegou que há nulidade na autuação, pois a mesma está em discordância com perícia feita em processo existente no Poder Judiciário. 3. Defendeu que se sua isenção for cassada só deve valer para atos futuros e que tem direito adquirido à isenção. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10980.720767/201004 Acórdão n.º 3401005.766 S3C4T1 Fl. 701 4 4. Afirmou que possui depósitos judiciais (1ª Vara Federal, Curitiba/PR, medida cautelar 2006.70.0243193/PR) referentes à exação em questão PIS e COFINS na importação que devem ser reconhecidos para que não seja obrigado a pagar tributo maior que o devido. 5. Aduz que a multa não pode ser utilizada com efeito de confisco. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 0378.011 (fls 284 e seguintes), exarado pela 2ª Turma da DRJ/BSB, em 27.11.2017, através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 ÔNUS PROBATÓRIO. MERAS ALEGAÇÕES SEM PROVAS QUE AS CONSUBSTANCIEM. O ônus da prova incumbe à Fazenda quanto ao fato constitutivo do lançamento, e quanto ao sujeito passivo quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. No presente caso o sujeito passivo faz alegações de existência de recolhimentos que, em tese, poderiam levar a discussão sobre o assunto, mas nada traz aos autos para comprovar sua alegação, motivo da improcedência da alegação. INCONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. VEDAÇÃO. No âmbito do processo administrativo fiscal fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Dessa decisão, importante destacar: Antes de qualquer análise, devido a alegações da impugnante, cabe esclarecer que o litígio quanto à suspensão da imunidade da impugnante já foi analisado e decidido por esse colegiado, em 07/04/2017, processo 10980.720540/200917. Na ocasião foi decidido pela manutenção da suspensão do gozo da imunidade de IRPJ e CSLL. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10980.720767/201004 Acórdão n.º 3401005.766 S3C4T1 Fl. 702 5 Em consulta efetuada em 24/11/2017 verificamos que esse processo já transitou administrativamente, encontrandose na Procuradoria da Fazenda Nacional (pfn) para inscrição em dívida ativa. Portanto, qualquer alegação sobre isenção já não merece mais análise nessa esfera. Somente para deixar claro, a impugnante alega, também que há nulidade na autuação, pois esta está em discordância com perícia feita em processo existente no Poder Judiciário. A perícia encontrase nos autos, fls. 0265, e todos seus questionamentos guardam relação com os requisitos para gozo de imunidade de IRPJ e CSLL, matéria que já foi definida acima. Em outro ponto a impugnante alega que possui depósitos judiciais (1ª Vara Federal, Curitiba/PR, medida cautelar 2006.70.0243193/PR) referentes à exação em questão PIS e COFINS na importação que devem ser reconhecidos para que não seja obrigado a pagar tributo maior que o devido. Esses depósitos caso existam poderiam, em tese, levar a discussão sobre a questão, pois, como citado pela fiscalização poderia haver créditos se comprovados pagamentos de contribuições efetivamente pagas na importação. Como a fiscalização não encontrou nos sistemas informatizados quaisquer recolhimentos referentes a esses fatos geradores, para o período em questão, considerou que não existiam tais créditos. Ocorre, também, que não há nos autos nenhum documento, nenhum indício que comprove, minimamente, que esses depósitos existam e que se referem a esses fatos geradores e a esse ano calendário. Portanto, como a alegação é vazia, sem nada que de forma mínima a fundamente, não há razão na mesma, motivo da improcedência da impugnação neste ponto. Quanto à alegação de que a multa não pode ser utilizada com efeito de confisco, esclarecemos à impugnante que a apreciação de matéria constitucional é vedada, pela legislação, aos julgadores administrativos tributários. Decreto 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, improcedente a alegação. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, mantendo o crédito apurado. Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10980.720767/201004 Acórdão n.º 3401005.766 S3C4T1 Fl. 703 6 É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Cabe aqui restringir o escopo do que deve ser analisado no mérito desse contencioso. Apesar de a Recorrente desejar discutir o status de entidade filantrópico com direito ao gozo de isenção/imunidade das contribuições sociais sobre o faturamento, ressalto que esse não o objeto do respectivo lançamento de ofício. É fato que o assunto relativo ao não reconhecimento da não incidência das contribuições foi trazido pela Fiscalização, contudo como explícita motivação de contextualizar o lançamento, mas não o justificar. Como pode se depreender da leitura do relatório, o lançamento se deu após o reconhecimento pela Recorrente de que não mais fazia jus à desoneração tributária concedida, quando efetuou a retificação das respectivas DACON’s e DCTF´s para reconhecer a incidência de PIS e COFINS sobre o seu faturamento. Por outro lado, naquela oportunidade, a Recorrente teria registrado créditos de PIS/Cofins referente a importação de insumos, cujos pagamentos não foram identificados pela Receita Federal, razão pela qual foram desconsiderados nas respectivas declarações. Esse é o ponto nodal que se deve ser objeto de análise pelo Colegiado: (i) se houve pagamento das contribuições sociais sobre a importação de bens e serviços a fim de permitir seu desconto nas respectivas apurações no período lançado; (ii) se não houve pagamento, houve depósito judicial convertido em renda da União no bojo do processo judicial? Assim, os argumentos trazidos pela Recorrente quanto à sua condição de entidade filantrópica não devem ser admitidos eis que são, ao fim, matérias estranhas ao lançamento. Quanto à evidência de que não houve pagamento das contribuições sociais mediante DARF, débito em conta corrente ou compensação, é fato incontroverso. Inexistindo matéria controversa, é caso de se negar provimento integral ao presente Recurso Quanto ao desejo da Recorrente de que os valores depositados judicialmente no âmbito do processo judicial de nº 2006.70.00.0243193, e já convertidos em renda à União Federal, devem ser considerados quando da liquidação do julgado pela unidade de origem. Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10980.720767/201004 Acórdão n.º 3401005.766 S3C4T1 Fl. 704 7 Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém negolhe provimento. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10980.720767/201004 Acórdão n.º 3401005.766 S3C4T1 Fl. 705 8 Fl. 705DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005807/00-01
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação do pedido de restituição por suposto pagamento a maior das alíquotas do FINSOCIAL, declaradas inconstitucionais. É do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a atividade empresária da empresa.
Numero da decisão: 3003-000.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente), Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinicius Guimarães.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação do pedido de restituição por suposto pagamento a maior das alíquotas do FINSOCIAL, declaradas inconstitucionais. É do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a atividade empresária da empresa.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10830.005807/00-01
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5983131
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3003-000.169
nome_arquivo_s : Decisao_108300058070001.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCIO ROBSON COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 108300058070001_5983131.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente), Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinicius Guimarães.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7680346
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051662702084096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1477; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 342 1 341 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.005807/0001 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3003000.169 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 19 de março de 2019 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente BORGHI AGRICOLA E COMERCIAL S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação do pedido de restituição por suposto pagamento a maior das alíquotas do FINSOCIAL, declaradas inconstitucionais. É do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a atividade empresária da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente), Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinicius Guimarães. Relatório Por bem relatar os fatos reproduzo o relatório do acórdão da DRJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 58 07 /0 0- 01 Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10830.005807/0001 Acórdão n.º 3003000.169 S3C0T3 Fl. 343 2 Trata o presente processo de pedido de restituição e compensação da Contribuição para o Fundo de Investimento Social — Finsocial, relativa à parcela recolhida acima da aliquota de 0,5% (meio por cento), referente ao período de apuração de setembro de 1989 a mat9z) de 1992. 2. A autoridade fiscal indeferiu o pedido (fls. 21/22), sob a alegação de que o direito do contribuinte pleitear a restituição ou compensação do indébito estaria decaído, pois o prazo para repetição de indébitos relativo a tributo ou contribuição pagos com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no exercício dos controles difuso e concentrado da constitucionalidade das leis, seria de cinco anos, contado da data da extinção do crédito, nos termos do disposto no Ato Declaratório SRF n.° 96, de 26 de novembro de 1999. 3. O contribuinte impugnou o despacho decisório em 20/12/2000 (fis. 24/35). Alegou, em síntese, que: 3.1 sendo a contribuição denominada Finsocial sujeita à homologação após o pagamento, concluise que que a extinção do crédito tributário ocorre somente após decorrido o prazo de 10 (dez) anos contados da data do pagamento ou recolhimento indevido, conforme artigo 122 do Decreto n.° 92.698, de 21 de maio de 1986; 3.2 o pedido da requerente, datado de 30/08/2000, foi exercido a tempo, pois os recolhimentos datam de 1989 a 1992 e a decadência, no rigor do decreto acima citado, se consumaria no longínquo ano de 2002; 4. Ao final, com base nas razões apresentadas, o contribuinte requer a improcedência do despacho que determinou o indeferimento do pedido de restituição, restabelecendo seu direito â restituição dos pagamentos indevidos efetuados para o Finsocial. A impugnação foi julgada pela DRJ de Campinas em 22 de fevereiro de 2001 sob o número 000263, que negou provimento ao recurso nos termos da seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 Ementa: RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA 0 direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10830.005807/0001 Acórdão n.º 3003000.169 S3C0T3 Fl. 344 3 SOLICITAÇÃO INDEFERIDA CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Mandado de Segurança. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Parecer Normativo COSIT n°7/14. Súmula CARF n° 1. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. A existência de medida judicial suspendendo a exigência de crédito tributário não é incompatível com o lançamento efetuado pela Fazenda Pública para prevenir a decadência. Inconformada a empresa autuada apresentou Recurso Voluntário replicando os argumentos da manifestação de inconformidade, que prolatou o Acórdão nº 302 36.146, de 15/06/2004 (fls. 80/86), declarando a nulidade da decisão recorrida por haver sido lavrada por servidor incompetente para tal. Para melhor entendimento do caso, replico trecho do despacho decisório que iniciou a discussão acerca do mérito. Retornando os autos à 1ª instância julgadora, por meio do Acórdão DRJ/CPS nº 7.632, de 13/10/2004, lavrouse nova decisão, nos mesmos moldes do anteriormente proferido, mas em perfeita consonância com os ditames legais relativamente à competência regimental (fls. 89/93). Uma vez mais, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário ao então Conselho de Contribuintes do MF, que prolatou o Acórdão nº 30236.764, de 12/04/2005, fls. 124/136, afastando a preliminar de decadência apontada inicialmente pela decisão SESIT/DRF/CPS. O mesmo entendimento teve a Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (Acórdão CSRF/03 05.788 fls. 183/187), após interposição de Recurso Especial de Divergência pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão CC nº 30236.146, acima citado. Salientese, por derradeiro, que a CSRF não conheceu do Recurso Extraordinário apresentado pela PGFN, consignando tal decisão no Acórdão CSRF nº 990000124Pleno, de 08/12/2009, fls. 227/239. Assim sendo, o processo retornou a este SEORT para análise do mérito. Nessa unidade da RFB, com o fito de averiguar a subsunção das atividades desenvolvidas pelo contribuinte àquelas sobre as quais pairou a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no julgamento do RE nº 150.764PE e aferir os cálculos apresentados, inicialmente verifiquei – tendo posteriormente acostado às fls. 305 e 306 – as telas do sistema HOD/IRPJ representativas das DIRPJ dos anos de 1989 a 1991 (período em que se insere o objeto do pleito em Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10830.005807/0001 Acórdão n.º 3003000.169 S3C0T3 Fl. 345 4 estudo) referentes aos tipos de receitas auferidas em cada ano. Dessas telas, observamse que as receitas declaradas advieram da prestação de serviços. Todavia, como para o anocalendário 1992 o citado sistema não traz maiores informações acerca da DIRPJ entregue, intimei o sujeito passivo a trazer à baila fotocópia desta declaração (fl. 279) e explicações acerca da natureza dos rendimentos que formaram os débitos de Finsocial apurados em janeiro, fevereiro de março deste ano (fl. 255). Em resposta, a autora juntou as fls. 257/275 e 283/296, das quais extraemse que as receitas auferidas no período, declaradas como de prestação de serviços, tiveram gênese em valores de alugueres recebidos. Isto posto, e tendo em vista as respostas às intimações anteriormente expedidas, intimei o sujeito passivo a apresentar explicações pormenorizadas acerca da natureza de todos os rendimentos mensalmente declarados como “Receita de Serviços” nas respectivas DIRPJ90, 91 e 92, ou seja, se nos anos de 1989, 1990 e 1991 as receitas de serviço declaradas advieram unicamente de rendimentos de aluguel de imóveis próprios. Em adido, com o objetivo de corroborar a resposta a essa intimação, que fossem carreados aos autos os respectivos comprovantes de titularidade dos imóveis locados (registro dos imóveis nos atinentes cartórios) e os assentamentos contábeis referentes a essas operações (razão mensal da conta “Receita da Prestação de Serviços”). Em resposta, o peticionário solicitou a análise dos caso considerando as informações disponíveis pela RFB, haja vista o extenso lapso temporal havido entre os fatos discutidas na intimação e o presente momento (fl.303). Após esse relato o despacho decisório de fls , ao fundamentar a decisão discorreu acerca do que foi constatado após a análise da documentação fiscal da empresa. Vejamos: 1. Das Receitas Declaradas – Verdade Material dos Fatos. Verificase pelas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica referentes aos anoscalendário objeto do pedido de repetição do alegado indébito que a contribuinte constituíase, no período considerado, em empresa prestadora de serviços. Todavia, das respostas às Intimações SEORT/DRF/CPS citadas alhures, concluise que, pelo menos no ano de 1992, as bases de cálculo dos meses de janeiro, fevereiro e março, advieram de receitas de aluguel de imóveis. (...) Nesse diapasão, em que pesem as receitas dos anos de 1989 a 1992 restarem declaradas como de serviços, como deve a autoridade administrativa sempre buscar a verdade material dos fatos, concedi à autora o direito de se pronunciar nos autos no sentido de informar a origem de cada rendimento auferido nesse Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10830.005807/0001 Acórdão n.º 3003000.169 S3C0T3 Fl. 346 5 período, declarado nas atinentes DIRPJ. Ademais, caso essas receitas tivessem gênese na locação de imóveis, que fossem trazidas à baila documentos hábeis e idôneos que comprovassem a propriedade dos respectivos imóveis locados. Entretanto, alegando extenso lapso temporal entre as escriturações das DIRPJ e os dias atuais, nada carreou aos autos(...) E nessa linha de raciocínio, entendeu a autoridade fiscal da Receita Federal por negar a restituição pleiteada, posto que a empresa ora recorrente foi considerada como prestadora de serviços e foi considerado constitucional a majoração da alíquota do FINSOCIAL para essas empresas. Em seguida, foi protocolado Manifestação de Inconformidade, alegando que a atividade da empresa a ser considerada para fins de restituição do FINSOCIAL é a atividade declarada no estatuto social. Da Referida Manifestação de Inconformidade foi proferido o acórdão N.º 14 63.308 da 4ª Turma da DRJ/RPO, com a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 31/12/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. EMPRESAS EXCLUSIVAMENTE PRESTADORAS DE SERVIÇO. ALÍQUOTAS. CONSTITUCIONALIDADE. Para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços, a incidência do Finsocial, instituído pelo art. 28 da Lei nº 7.738/89, foi considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, bem como os posteriores aumentos de alíquota. Nessa esteira, foi apresentado Recurso Voluntário replicando os argumentos da Manifestação de inconformidade e por fim os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10830.005807/0001 Acórdão n.º 3003000.169 S3C0T3 Fl. 347 6 O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. Inicialmente cumpre deixar consignado que o acórdão recorrido abordou as matérias impugnadas, decidindo por não acolher os argumentos. Conforme bem exposto no relatório, a controvérsia esta na atividade fim da empresa posto que a decisão do STF quanto a inconstitucionalidade da majoração da alíquota do FINSOCIAL abrange apenas as empresas vendedoras de mercadorias e mistas. De forma contrária e lógica, consolidou o STF que as empresas exclusivamente prestadoras de serviços seria constitucional a cobrança da majoração das alíquotas do FINSOCIAL. Vejamos o que diz a decisão da Ação Rescisória 1.550/AM : (..) 9. Em segundo lugar, verifico que o Plenário desta Corte, ao julgar o RE 187.436, Rel. Min. Marco Aurélio, tornou pacífico o entendimento de que as majorações de alíquotas do FINSOCIAL, operadas pelas Leis n° 7.738/1989, n° 7.787/1989, n° 7.894/1989 e n° 8.147/1990, são constitucionais no que se refere especificamente às empresas exclusivamente prestadoras de serviços. Confirase a ementa desse julgado: FINSOCIAL EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. As prestadoras de serviços, tais como as demais empresas, apenas estão compelidas a recolher o FINSOCIAL à base de meio por cento, sendo insubsistentes os dispositivos legais que resultaram na majoração desse percentual artigo 9º da Lei nº 7.689/88, artigo 7º da Lei nº 7.787/89, artigo 1º da Lei nº 7.894/89 e artigo 1º da Lei nº 8.147/90. Precedentes: Recursos Extraordinários nºs 150.7551/PE e 150.7641/PE, cujos acórdãos, redigidos pelo Ministro Sepúlveda Pertence e por mim, foram publicados nos Diários da Justiça de 20 de agosto de 1993 e 2 de abril de 1993, respectivamente. 10. Constatandose que o réu desta ação está enquadrado como empresa exclusivamente prestadora de serviços, tornase evidente que o acórdão rescindendo contraria orientação firmada pelo Supremo Tribunal Federal. Há, assim, violação literal a dispositivos constitucionais e legais, nos termos do art. 485, V, do CPC. 11.A corroborar tal conclusão, confirase a decisão do Plenário desta Corte na AR 1.409, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, proferida em caso idêntico ao destes autos: AÇÃO RESCISÓRIA. VIOLAÇÃO À LITERAL DISPOSIÇÃO DE LEI. ART. 485, V, DO CPC. FINSOCIAL. EMPRESA EXCLUSIVAMENTE PRESTADORA DE SERVIÇOS. MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTA DECLARADAS INCONSTITUCIONAIS NO JULGAMENTO DO RE 150.764. ACÓRDÃO RESCINDENDO QUE AFIRMOU O ENQUADRAMENTO DA EMPRESA COMO EXCLUSIVAMENTE PRESTADORA DE SERVIÇOS, Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10830.005807/0001 Acórdão n.º 3003000.169 S3C0T3 Fl. 348 7 MAS EXTIRPOU AS REFERIDAS MAJORAÇÕES COM BASE EM PRECEDENTE APLICÁVEL ÀS EMPRESAS COMERCIAIS E INDUSTRIAIS. ART. 56 DO ADCT. VIOLAÇÃO. 1. Preliminares de decadência por decurso do biênio legal e citação extemporânea. Afastamento diante de precedentes deste Tribunal. 2. Preliminar de descabimento da ação por incidência da Súmula STF 343. Argumento rejeitado ante a jurisprudênciadesta Corte que elide a incidência da súmula quando envolvida discussão de matéria constitucional. 3. Este Supremo Tribunal, ao julgar o RE 187.436, rel. Min. Marco Aurélio, declarou a constitucionalidade das majorações de alíquotas do Finsocial (art. 7º da Lei 7.787/89, art. 1º da Lei 7.894/89 e art. 1º da Lei 8.147/90) no que envolvidas empresas exclusivamente prestadoras de serviços. 4. Decisão rescindenda que destoa da orientação firmada nesse precedente, afrontando os arts. 195 da CF e 56 do ADCT, conforme a interpretação firmada no mesmo julgado. 5. Ação rescisória julgada procedente. 12. No mesmo sentido, vejamse, ainda, os seguintes julgados: AR 1.411, AR 1.539 e AR 1.741,de relatoria do Min. Ayres Britto; AR 1.556 AgR, AR 1.592, AR 1.593, AR 1.516 e AR 1.420, de relatoria do Min. Teori Zavascki; e AR 1.521, de relatoria do Min. Edson Fachin. 13. Por fim, acrescentese que o Plenário deste Tribunal, no âmbito de questão de ordem suscitada na AR 1.409 (Rel. Min. Ellen Gracie), facultou aos relatores o julgamento monocrático das ações rescisórias que desafiem controvérsia idêntica à decidida na ocasião. 14. Diante do exposto, com base no art. 494 do CPC e art. 21, § 2º, do RI/STF, julgo procedente a presente ação rescisória, para (i) rescindir o acórdão proferido no julgamento do RE 168.676; e (ii) em novo julgamento da causa, dar provimento ao recurso extraordinário interposto pela União na demanda originária para denegar a segurança. Condeno a parte ré ao pagamento das custas e dos honorários advocatícios, que arbitro em 10% (dez por cento) do valor da condenação. Trazendo os julgados acima ao caso concreto, sendo a empresa recorrente enquadrada do conceito de prestadora de serviços, não cabe a ela o direito de ser ressarcida dos valores que busca nesse longo processo. Ao meu julgamento cabe a matéria de direito, posto que todas as provas já foram exaustivamente produzidas nos autos. E com base nas provas produzidas determinar se a Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10830.005807/0001 Acórdão n.º 3003000.169 S3C0T3 Fl. 349 8 atividade da empresa era, ou não, exclusivamente de prestação de serviços, para em seguida determinar se a restituição pleiteada é devida. Nesse contexto, para melhor justificar o meu voto, aproveito para expor o meu entendimento acerca da melhor forma de comprovar a atividade empresaria e nesse ponto utilizo o conceito da "essência sobre a forma", segundo o qual, pouco importa a forma transcrita, visto que, para melhor classificação fiscal, deve ser auferida a essência do negócio, a atividade efetivamente desenvolvida pela empresa. Conforme bem conduzido pela autoridade fiscal, a análise deve ter como base as Declarações do Imposto de Renda, bem como em documentos hábeis e idôneos que comprovassem a propriedade dos respectivos imóveis locados, já que no período entre janeiro e março de 1992, alega que sua renda foi proveniente de locações. Ocorre que, como mencionado no Despacho Decisório, o DIRPJ dos anos calendário objeto do pedido de repetição do alegado indébito que a contribuinte constituíase, no período considerado, em empresa prestadora de serviços. E no o período no qual foi alegado que a renda era proveniente de alugueres, não houve a referida comprovação, que poderia ser feita por meio de contratos, recibos, depósitos entre outros. Importante observar que a Recorrente foi devidamente intimada e respondeu que não os teria devido ao decurso do tempo. Ocorre que, muito embora a guarda de documentos seja obrigatória apenas por 5 anos, essa regra não se aplica a documentos comprobatórios de processos em curso, pois é de bom senso que tais documentos sejam necessários na instrução processual, ainda que o processo seja administrativo, como é o caso. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; De igual forma é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10830.005807/0001 Acórdão n.º 3003000.169 S3C0T3 Fl. 350 9 produção das provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997 b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material, passo à análise dos documentos apresentados após a impugnação os quais podem representar, de certo modo, uma forma de contrapor as razões consignadas na decisão recorrida, aplicandose, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.235/721. Compulsando os documentos apresentados, observase que apesar de intimada e com isso ter sido oportunizada a comprovar por meios de documentos, apontando eventuais equívocos do despacho decisório, a Recorrente não o fez. Como se sabe, a parte incumbida do ônus probatório possui o amplo direito de produzir a prova. A parte adversa, em contrapartida, tem o amplo direito à contraprova, pois só assim o contraditório e a ampla defesa serão igualmente garantidas às partes. O ônus de prova é a incumbência que a parte possui de comprovados fatos que lhe são favoráveis no processo, visando à influência sobre a convicção do julgador, nesse sentido, a organização e vinculação dos documentos com as matérias impugnadas e a reunião de suas informações na escrituração contábil seria indispensável para um convencimento.) Modernamente defendese a divisão do ônus probandi entre as partes sob a égide da paridade de tratamento entre estas. Francesco Carnelutti, no clássico Teoria Geral do Direito2, assim leciona: Quando um determinado fato é afirmado, cada uma das partes tem interesse em fornecer a prova dele, uma delas a de sua existência e a outra a da sua inexistência; o interesse na prova do fato é, portanto, bilateral ou recíproco.(grifei) 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 2 CARNELUTTI, Francesco. Teoria geral do direito. (Tradução de Antônio Carlos Ferreira). São Paulo: Lejus, 1999, p.541 (in Temas Atuais de Direito Tributário) Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10830.005807/0001 Acórdão n.º 3003000.169 S3C0T3 Fl. 351 10 Diante da complexidade de um processo de compensação tributária o recorrente deve se preocupar em formar o convencimento do julgador de forma que este seja capaz de fazer presunções simples, aquelas que são consequências do próprio raciocínio do homem em face dos acontecimentos que observa ordinariamente. Elas são construídas pelo aplicador do direito, de acordo com o seu entendimento e convicções. No dizer de Giuseppe Chiovenda3: São aquelas de que o juiz, como homem, se utiliza no correr da lide para formar sua convicção, exatamente como faria qualquer raciocinador fora do processo. Quando, segundo a experiência que temos da ordem normal das coisas, um ato constitui causa ou efeito de outro, ou de outro se acompanha, nós, conhecida a existência de um dos dois, presumimos a existência do outro. A presunção equivale, pois, a uma convicção fundada sobre a ordem normal das coisas. (grifei) Ocorre que, dos documentos acostados não se pode presumir diferente do entendimento de que a atividade exercida pela empresa naquele período era de prestação de serviço, fato que prejudica o acolhimento dos fundamentos recursais. Ainda sobre a importância das provas, por haver similaridades com o pedido de restituição, na retificação da DCTF O Paracer Normativo COSIT Nº. 2 de 2015 assim resolve: 1 Após a transmissão do PER/DCOMP, pode a DCTF ser retificada com o intuito de formalizar o indébito objeto de compensação?Sim. Essa é a diretriz adotada pela RFB na análise eletrônica dos PER/DCOMP. Tal diretriz está ainda mais evidente com a implantação da autorregularização. 2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação.(grifei) 3 CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de direito processual civil Trad.J. Guimarães Menegale. São Paulo: 1969. v. III.p. 139 Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10830.005807/0001 Acórdão n.º 3003000.169 S3C0T3 Fl. 352 11 Diante do exposto, pela ausência de provas suficientes para pronunciar julgamento contrário, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a multa pelos fundamentos acima expostos. É o meu entendimento Márcio Robson Costa Relator Fl. 352DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.901965/2015-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 18/11/2014
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
Numero da decisão: 3401-005.669
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 18/11/2014 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10830.901965/2015-97
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5972870
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-005.669
nome_arquivo_s : Decisao_10830901965201597.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10830901965201597_5972870.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
dt_sessao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7655628
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051662705229824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1539; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.901965/201597 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.669 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2018 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PIS/PASEP Recorrente FUNDACAO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 18/11/2014 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS Folha de Pagamento, referente a pagamento indevido ou a maior: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 19 65 /2 01 5- 97 Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10830.901965/201597 Acórdão n.º 3401005.669 S3C4T1 Fl. 3 2 A DRF Campinas proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período: Não satisfeita com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, cujos argumentos foram resumidos pelo relator do acórdão recorrido: Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Atende aos requisitos fixados em lei para imunidade tributária das contribuições previdenciárias, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS (certificado de entidade beneficente de assistência social). Discorre sobre sua condição de imune. Alegou também que a emissão do CEBAS é obrigação legal da autoridade coatora, sendo seu direito líquido e certo. Requer que os efeitos decorrentes do pedido do CEBAS sejam aplicados sobre os recolhimentos objeto deste pedido, em função de seu caráter declaratório com efeitos retroativos. Tece argumentos sobre sua natureza jurídica e suas atividades. A inscrição no CMAS de Campinas está sendo discutida na via judicial e dela depende a concessão do CEBAS. A decisão de piso proferida pela DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e ratificou inteiramente o Despacho Decisório, nos termos do Acórdão nº 09060.130, onde quedou assentado entendimento de que "as entidades filantrópicas fazem juz à imunidade tributária sobre a contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS), desde que atendidos os pressupostos legais". Retirase, ainda, da decisão de primeiro grau, que a inscrição no CMAS de Campinas/SP foi cancelada e persiste a ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), condição necessária para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. A Recorrente ingressou tempestivamente com Recurso Voluntário contra o acórdão da DRJ/JFA, reproduzindo os argumentos que embasaram sua Manifestação de Inconformidade. Quanto a inscrição no CMAS (municipal) e no CEBAS (federal), diz o seguinte: d. Da Inscrição no CMAS A inscrição da Recorrente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas sob o nº 132E, conforme comprovante anexado no pedido de CEBAS, foi cancelada sob o fundamento de que foi reformada pelo E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo – TJ/SP a r. Sentença proferida pelo MM. Juízo da 7ª Vara da Fazenda Pública nos autos do Mandado de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053 concessiva de ordem para que o CMAS/Campinas inscrevesse a Recorrente. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10830.901965/201597 Acórdão n.º 3401005.669 S3C4T1 Fl. 4 3 Sucede que esta decisão não é definitiva porquanto estão pendentes de julgamento os Recursos Extraordinário e Especial interpostos pela Recorrente (doc. 05). Esta situação não afeta a imunidade tributária, mas apenas a isenção, em especial o requisito de que trata o art. 19, inc. I da Lei 12.101/2009. e. Do Cadastro de Entidades de Assistência Social O cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, cuja inscrição é exigida no inc. II do art. 19 da Lei nº 12.101/2009, está sendo construído a partir dos cadastros dos Conselhos Municipais de Assistência Social e que já inseriu a Recorrente, conforme extrato anexo (doc. 06). Em decorrência, não é da alçada da Recorrente o atendimento desse requisito, disposto no art. 19, inc. II da Lei 12.101/2009. Segue ainda afirmando que: “Conforme documentação apresentada pela Recorrente anexa e no protocolo de expedição originária de CEBAS que apresentou ao Ministério do Desenvolvimento Social MDS, todos os requisitos exigidos pela Constituição Federal e Código Tributário Nacional estão atendidos pela Recorrente”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.634, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.901689/201486, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.634): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A lide no presente processo versa sobre pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS – Folha de Pagamento do período de apuração 28/02/2009, pelo fato da Recorrente estar amparada pela imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal, que contempla o seguinte: “§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Essa condição contida no dispositivo constitucional citado, de que: “atendam às exigências estabelecidas em lei”, é que está Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10830.901965/201597 Acórdão n.º 3401005.669 S3C4T1 Fl. 5 4 gerando a controvérsia neste processo. Quanto a isenção ou imunidade em si, relacionada a contribuição para o PIS – Folha de Pagamento, não há divergência entre fisco e contribuinte, todos a reconhecem. Portanto, a imunidade constitucional para ser alcançada depende do preenchimento de alguns requisitos como bem assentado no julgamento do RE nº 636.941/RS, no rito do art. 543B do CPC, onde se decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Na sequência dos dispositivos legais citados, temos que o artigo 29 da Lei nº 12.101/2009, estabelece que: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Já o art.19 da mesma Lei diz que: Art. 19. Constituem ainda requisitos para a certificação de uma entidade de assistência social: I estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social ou no Conselho de Assistência Social do Distrito Federal, conforme o caso, nos termos do art. 9º da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; e II integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social de que trata o inciso XI do art. 19 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. A decisão de piso foi taxativa em sua fundamentação de que cancelada a inscrição da requerente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP, não se pode cogitar da inscrição no CEBAS e ser possuidor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Não há que se falar no direito para o gozo da imunidade prevista no artigo 195, §7º da CF/88. A Recorrente tem pleno conhecimento desse fato, tanto que em seu recurso voluntário repete a informação de que a inscrição no CMAS foi cancelada e que busca reverter essa decisão nos autos do Mandato de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053, da 7ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo – TJ/SP, atualmente pendente de decisão definitiva em face de Recursos Extraordinário e Especial interpostos. Entende ainda, a Recorrente, que o texto do §7º do art. 195 da CF/88 e o CTN em seu art. 14 tratam de coisas distintas, o Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10830.901965/201597 Acórdão n.º 3401005.669 S3C4T1 Fl. 6 5 primeiro trata de isenção e o segundo de imunidade tributária. Faz citação a Lei nº 12.101/2009 e conclui que: Ao seu turno, os arts. 18 e 19 da Lei 12.101/2009 fixaram os requisitos para o gozo de isenção tributária, desoneração fiscal criada pela legislação ordinária. A partir dessas disposições, constatase que os requisitos para gozar a imunidade são os seguintes: a) ser entidade beneficente de assistência social; b) não distribuir parcela de patrimônio ou rendas; c) aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; d) manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Ao passo que, para gozar a isenção tributária, além dos requisitos acima, devese atender ao seguinte: e) prestar serviços ou realizar ações sócio assistenciais para usuários ou quem deles necessitar e de forma gratuita; f) estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social; e g) integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social. Os requisitos para gozar a imunidade tributária são devidamente cumpridos pela Requerente. Quanto à isenção, a matéria está sub judice, conforme a seguir esmiuçado. Observase que a Recorrente inova em sua tese de defesa com relação ao texto do §7º do art. 195 da CF/88, que a isenção lá mencionada se divide em imunidade e isenção. Que ela, a Recorrente, preenche todos os requisitos para gozar da imunidade tributária e quanto à isenção, a matéria está sub judice. Não é essa a interpretação dada pelo STF na decisão proferida no RE nº 636.941/RS, antes apresentada, que a imunidade da contribuição ao PIS – Folha de Pagamento atinge as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais e dentre eles os da Lei nº 12.101/2009. Diante dessas colocações da Recorrente perguntase: porque buscar o reconhecimento do direito da isenção à incidência do PIS – Folha de Pagamento para entidade beneficente de assistência social, com Recursos ao STJ e STF, se a entidade goza da imunidade tributária? Quem pode o mais pode o menos e juridicamente não faria o menor sentido. Uma das exigências estabelecidas em lei para atender a isenção/imunidade contida no art. 195, §7º da CFB é Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10830.901965/201597 Acórdão n.º 3401005.669 S3C4T1 Fl. 7 6 aquela prevista no artigo 19, I e II da Lei nº 12.101/2009, integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, representada pela inscrição no CEBAS. A certificação do CEBAS é concedida às entidades que atuam nas áreas da assistência social, saúde ou educação, possibilitando usufruir da isenção de contribuições para a seguridade social e a celebração de parcerias com o poder público, desde que atendam aos requisitos dispostos na Lei nº 12.101/2009. Primeiro a entidade deve estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP (Inciso I do art. 19); segundo integrar o cadastro do CEBAS (Inciso II do mesmo artigo). Outro ponto colocado pela decisão de piso é com relação a possível sucesso nos recursos interpostos em Mandato de Segurança, quanto ao cancelamento da inscrição no CMAS – Campinas/SP. Se isso ocorrer, volta a empresa a ter seu direito restabelecido, nos estritos termos da sentença a ser proferida, respeitandose a autonomia das instâncias envolvidas e o cumprimento das decisões/sentenças publicadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 276DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.653319/2016-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3201-005.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/2016-45.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.653319/2016-01
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5978437
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.128
nome_arquivo_s : Decisao_10880653319201601.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10880653319201601_5978437.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/2016-45. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7672392
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051662707326976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1507; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 952 1 951 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.653319/201601 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201005.128 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2019 Matéria Embargos de declaração Embargante RELATOR Interessado RAIZEN ENERGIA S.A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/201645. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 33 19 /2 01 6- 01 Fl. 952DF CARF MF 2 Tratase de Embargos de Declaração interpostos tempestivamente pelo conselheiro relator, contra o Acórdão nº 3201004.217, de 25/09/2018, proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara desta 3ª Seção. Conforme suscitado, houve uma contradição entre os fundamentos do voto condutor do acórdão embargado e a sua parte dispositiva, especificamente quanto à matéria relativa à glosa de créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial". É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Com efeito, o acórdão embargado incorreu numa inequívoca contradição, uma vez que, na decisão nele transcrita, proferida nos autos do processo administrativo nº 19311.720238/201645, não obstante negado provimento, na integralidade, ao Recurso de Ofício, conforme parte dispositiva do acórdão, mantevese a redação original do voto levado à sessão de julgamento que lhe dava provimento quanto ao direito aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial". Eis o excerto em que a matéria é apreciada: Discordamos, no entanto, quanto ao entendimento em relação aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica ͞"não agroindustrial". Não obstante admitidos no acórdão recorrido, ao fundamento de que o fato de a empresa vendedora não desenvolver atividade agropecuária não impediria o creditamento, uma vez não haver qualquer exigência legal no sentido de qualificar o vendedor dos bens que ensejariam o crédito presumido em tela, a verdade é que somente a aquisição da canadeaçúcar efetuada junto a pessoa jurídica ou cooperativa de produção que exerça atividade agropecuária dá direito à apuração e à dedução do crédito presumido de que trata o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004. É o que se extrai da própria lei (inciso III do § 1º, supra), daí que, ao menos quanto a esta matéria, divergimos do voto acima reproduzido, para manter a glosa efetuada pela fiscalização, de sorte que ao recurso de ofício deve ser dado parcial provimento. Todavia, durante o julgamento do processo nº 19311.720238/201645, modificamos o nosso entendimento e passamos a adotar a decisão proferida pela DRJ com relação à matéria, cujos fundamentos ora reproduzimos, uma vez que, Conforme amostragem realizada pela IMPUGNANTE as fls. 1054 e 1055 desse processo, as pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, são produtores de canade açúcar, conforme critério adotado AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí: possuem pelo menos um CNAE em que consta tal atividade. Pesquisas feitas por amostragem nos sistemas internos da RFB a partir da relação das pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, também apontam possuir, além do CNAE relacionado pela AUTORIDADE FISCAL da Fl. 953DF CARF MF Processo nº 10880.653319/201601 Acórdão n.º 3201005.128 S3C2T1 Fl. 953 3 DRF/Jundiaí, CNAE relacionado à atividade agroindustrial ou agropecuária. Além disso a informação que consta no CNAE não é por si só suficiente para caracterizar que a empresa não exerça atividade agropecuária. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. Ante o exposto, voto por ACOLHER os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/201645. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 954DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.011701/2007-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE MANUTENÇÃO GERAL. POSSIBILIDADE.
Para ter direito a créditos da Cofins, decorrente da apuração não cumulativa, as despesas de manutenção devem ser intrinsicamente ligadas ao processo produtivo do contribuinte e não sujeitas à ativação no permanente.
COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE FRETES DE PRODUTOS EM GARANTIA. POSSIBILIDADE.
O frete de produtos em garantia deve ser vinculado a operação de venda, pois o serviço de assistência, bem como a troca do produto são itens que efetivamente finalizam a venda do produto ao cliente. O que, por conseguinte, é de se entender que cabe à constituição de crédito de Cofins não cumulativa sobre a despesa de fretes de produtos em garantia.
Tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer no item IX do art. 3º da Lei 10.833/03 o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA RECEBIMENTO FUTURO. IMPOSSIBILIDADE.
O reconhecimento do direito de crédito passa pela comprovação da operação de aquisição de um bem, a ser utilizado como insumo, e firma-se com a transferência de sua propriedade ao adquirente. Se no momento da celebração do contrato o bem vendido ainda não era existente, não há como reconhecer o direito ao crédito.
Numero da decisão: 9303-008.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer as glosas de crédito nas compras de insumos para recebimento futuro, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator) e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, também em relação às glosas de créditos nas despesas de fretes de produtos em garantia. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE MANUTENÇÃO GERAL. POSSIBILIDADE. Para ter direito a créditos da Cofins, decorrente da apuração não cumulativa, as despesas de manutenção devem ser intrinsicamente ligadas ao processo produtivo do contribuinte e não sujeitas à ativação no permanente. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE FRETES DE PRODUTOS EM GARANTIA. POSSIBILIDADE. O frete de produtos em garantia deve ser vinculado a operação de venda, pois o serviço de assistência, bem como a troca do produto são itens que efetivamente finalizam a venda do produto ao cliente. O que, por conseguinte, é de se entender que cabe à constituição de crédito de Cofins não cumulativa sobre a despesa de fretes de produtos em garantia. Tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer no item IX do art. 3º da Lei 10.833/03 o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA RECEBIMENTO FUTURO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento do direito de crédito passa pela comprovação da operação de aquisição de um bem, a ser utilizado como insumo, e firma-se com a transferência de sua propriedade ao adquirente. Se no momento da celebração do contrato o bem vendido ainda não era existente, não há como reconhecer o direito ao crédito.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11080.011701/2007-22
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5986889
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.259
nome_arquivo_s : Decisao_11080011701200722.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 11080011701200722_5986889.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer as glosas de crédito nas compras de insumos para recebimento futuro, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator) e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, também em relação às glosas de créditos nas despesas de fretes de produtos em garantia. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
id : 7693558
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051662710472704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1974; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.011701/200722 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.259 – 3ª Turma Sessão de 20 de março de 2019 Matéria COFINS INSUMOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CIBER EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE MANUTENÇÃO GERAL. POSSIBILIDADE. Para ter direito a créditos da Cofins, decorrente da apuração não cumulativa, as despesas de manutenção devem ser intrinsicamente ligadas ao processo produtivo do contribuinte e não sujeitas à ativação no permanente. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE FRETES DE PRODUTOS EM GARANTIA. POSSIBILIDADE. O frete de produtos em garantia deve ser vinculado a operação de venda, pois o serviço de assistência, bem como a troca do produto são itens que efetivamente finalizam a venda do produto ao cliente. O que, por conseguinte, é de se entender que cabe à constituição de crédito de Cofins não cumulativa sobre a despesa de fretes de produtos em garantia. Tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer no item IX do art. 3º da Lei 10.833/03 o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 17 01 /2 00 7- 22 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11080.011701/200722 Acórdão n.º 9303008.259 CSRFT3 Fl. 3 2 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA RECEBIMENTO FUTURO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento do direito de crédito passa pela comprovação da operação de aquisição de um bem, a ser utilizado como insumo, e firmase com a transferência de sua propriedade ao adquirente. Se no momento da celebração do contrato o bem vendido ainda não era existente, não há como reconhecer o direito ao crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para restabelecer as glosas de crédito nas compras de insumos para recebimento futuro, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator) e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, também em relação às glosas de créditos nas despesas de fretes de produtos em garantia. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 340100619, de 17/03/2010, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11080.011701/200722 Acórdão n.º 9303008.259 CSRFT3 Fl. 4 3 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INCLUSÃO DE VALORES NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. VENDA DO ATIVO PERMANENTE. Por determinação expressa do § 3º, inciso II, do art. 1º da Lei nº 10.833/03, a receita auferida com a venda de bem ativo não compõe a base de cálculo da COFINS nãocumulativa. BASE DE CÁLCULO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. RECEITA DA CESSÃO DE CRÉDITO DO ICMS. Somente as receitas operacionais compõem a base de cálculo da COFINS nãocumulativa, sendo assim, o valor auferido com a cessão crédito do ICMS não compõe a base de cálculo dessa contribuição, por se tratar de receita nãooperacional. CRÉDITO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE BENS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. A aquisição de produto para manutenção de máquinas utilizadas na atividade da empresa gera crédito da COFINS não cumulativa por ser essencial ao cumprimento do seu objeto social. MANUTENÇÃO DO PRÉDIO GERA CRÉDITO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. Em razão da disposição do art. 3o, inciso VII c/c inciso I, art 15, ambos da Lei nº 10.833/03, os gatos com manutenção do prédio onde ocorre o processo de produção geram crédito da COFINS nãocumulativa, por se tratar de benfeitoria. CRÉDITO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. CUSTO DO FRETE DE PRODUTO EM GARANTIA. A assistência feita ao produto em garantia faz parte do processo de venda, portanto, o frete do produto em garantia, quando suportado pelo sujeito passivo da COFINS, gera crédito da COFINS nãocumulativa. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE SUA ESSENCIALIDADE PARA GERAR CRÉDITO. Se o sujeito passivo não comprovar que a locação de veículo é essencial para o cumprimento do objeto social da empresa, deve ser negado o crédito da COFINS nãocumulativa. CRÉDITO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. COMPRA PARA RECEBIMENTO FUTURO. As compras para recebimento futuro, desde que seja de insumos essenciais ao processo de produção e já estejam pagas, geram crédito da COFINS nãocumulativa. Recurso Provido em Parte. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11080.011701/200722 Acórdão n.º 9303008.259 CSRFT3 Fl. 5 4 O recurso especial da Fazenda Nacional, integralmente admitido por despacho do então presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, insurgese contra as seguintes matérias providas no recurso voluntário: 1) incidência da Cofins na cessão de créditos de ICMS; 2) Créditos sobre insumos: 2.1) despesas com manutenção de máquinas e predial; 2.2) despesas com fretes de produtos em garantia; e 2.3) compras de insumos para recebimento futuro. Devidamente intimado, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos formais e materiais ao seu conhecimento. Incidência da Cofins na cessão de créditos de ICMS Conforme consta do acórdão recorrido, tratase de cessão de créditos de ICMS acumulados em razão da exportação de mercadorias. Ocorre que essa discussão já está sedimentada por força de decisão do STF no julgamento do recurso extraordinário nº 606.107/RS, o qual foi proferido em repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. Transcrevo abaixo sua ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11080.011701/200722 Acórdão n.º 9303008.259 CSRFT3 Fl. 6 5 estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X , “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11080.011701/200722 Acórdão n.º 9303008.259 CSRFT3 Fl. 7 6 respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constatase que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada ao presente processo nos termos do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial fazendário nesta matéria. Conceito de Insumos As outras matérias divergentes apresentadas pela Fazenda Nacional, decorrem da aplicação do que se entende do conceito de insumos para fins de apuração da não cumulatividade da Cofins, nos termos da Lei nº 10.833/2003. Antes de adentrar ao mérito das matérias, importante antes estabelecer o conceito de insumos a ser aplicado no presente voto. Importante esclarecer, que parte desse colegiado, nas sessões de julgamento precedentes, inclusive eu, não compartilhava do entendimento de que a legislação da não cumulatividade do PIS e da Cofins dava margem para compreender o conceito de insumos no sentido de sua relevância e essencialidade às atividades da empresa como um todo. No nosso Fl. 171DF CARF MF Processo nº 11080.011701/200722 Acórdão n.º 9303008.259 CSRFT3 Fl. 8 7 entender a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Embora não aplicável a legislação restritiva do IPI, o insumo era restrito ao item aplicado e consumido diretamente no processo produtivo, não se admitindo bens ou serviços que, embora relevantes, fossem aplicados nas etapas préindustriais ou pósindustriais, a exemplo dos conhecidos insumos de insumos, como é o caso do adubo utilizado na plantação da canadeaçúcar, quando o produto final colocado à venda é o açúcar ou o álcool. Porém, o STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1036 e seguintes do NCPC, trouxe um novo delineamento ao trazer a interpretação do conceito de insumos que entende deve ser dada pela leitura do inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Sobre o assunto, a Fazenda Nacional editou a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, na qual traz que o STJ em referido julgamento teria assentado as seguintes teses: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Portanto, por força do efeito vinculante da citada decisão do STJ, esse conselheiro passará a adotar o entendimento muito bem explanado na citada nota da PGFN. Para que o conceito doravante adotado seja bem esclarecido, transcrevo abaixo excertos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, os quais considero esclarecedores dos critérios a serem adotados. (...) 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11080.011701/200722 Acórdão n.º 9303008.259 CSRFT3 Fl. 9 8 como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques. 18. (...) Destarte, entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da não cumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda. (...) 36. Com a edição das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional elencou vários elementos que como regra integram cadeias produtivas, considerandoos, de forma expressa, como ensejadores de créditos de PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade. Há, pois, itens dentro do processo produtivo cuja indispensabilidade material os faz essenciais ou relevantes, de forma que a atividadefim da empresa não é possível de ser mantida sem a presença deles, existindo outros cuja essencialidade decorre por imposição legal, não se podendo conceber a realização da atividade produtiva em descumprimento do comando legal. São itens que, se hipoteticamente subtraídos, não obstante não impeçam a consecução dos objetivos da empresa, são exigidos pela lei, devendo, assim, ser considerados insumos. (...) 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividadefim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada referese apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividadefim. (...) Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11080.011701/200722 Acórdão n.º 9303008.259 CSRFT3 Fl. 10 9 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindo se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. (...) 50. Outro aspecto que pode ser destacado na decisão do STJ é que, ao entender que insumo é um conceito jurídico indeterminado, permitiuse uma conceituação diferenciada, de modo que é possível que seja adotada definição diferente a depender da situação, o que não configuraria confusão, diferentemente do que alegava o contribuinte no Recurso Especial. 51. O STJ entendeu que deve ser analisado, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que o STJ não adentrou em tal análise casuística já que seria incompatível com a via especial. 52. Determinouse, pois, o retorno dos autos, para que observadas as balizas estabelecidas no julgado, fosse apreciada a possibilidade de dedução dos créditos relativos aos custos e despesas pleiteados pelo contribuinte à luz do objeto social daquela empresa, ressaltandose as limitações do exame na via mandamental, considerando as restrições atinentes aos aspectos probatórios. (...) Analisando o caso concreto apreciado pelo STJ no RESP 1.221.170/PR, observase que estava em discussão os seguintes itens que a recorrente, uma empresa do ramo de alimentos, mais especificamente, avicultura, pleiteava: " 'Custos Gerais de Fabricação' (água, combustíveis, gastos com veículos, materiais de exames laboratoriais, materiais de proteção EPI, materiais de limpeza, ferramentas, seguros, viagens e conduções) e 'Despesas Gerais Comerciais' (combustíveis, comissão de vendas a representantes, gastos com veículos, viagens e conduções, fretes, prestação de serviços PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone, comissões)". Ressaltese que referido acórdão reconheceu a possibilidade de ser possível o creditamento somente em relação aos seguintes itens: água, combustíveis e lubrificantes, materiais de exames laboratoriais, materiais de proteção EPI e materiais de limpeza. De plano percebese que o acórdão, apesar de aparentemente ter reconhecido um conceito de insumos bastante amplo ao adotar termos não muito objetivos, como essencialidade ou relevância, afastou a possibilidade de creditamento de todas as despesas gerais comerciais, aí incluídas despesas de frete e outras que se poderiam acreditar relevantes ou essenciais. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11080.011701/200722 Acórdão n.º 9303008.259 CSRFT3 Fl. 11 10 Anote ainda que, mesmo para os itens teoricamente aceitos, devolveuse para que o Tribunal recorrido avaliasse a sua essencialidade ou relevância, à luz da atividade produtiva exercida pelo recorrente. Assim, uma conclusão inequívoca que penso poder ser aplicada é que não é cabível o entendimento muito aventado pelos contribuintes e por alguns doutrinadores, de que todos os custos e despesas operacionais seriam possíveis de creditamento. De forma, que doravante, à luz do que foi decidido pelo STJ no RESP 1.221.170/PR, adotarei o critério da relevância e da essencialidade sempre indagando a aplicação do insumo ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços. Por exemplo, por mais relevantes que possam ser na atividade econômica do contribuinte, as despesas de cunho nitidamente administrativo e/ou comercial não perfazem o conceito de insumos definidos pelo STJ. Da mesma forma, demais despesas relevantes consumidas antes de iniciado ou após encerrado o ciclo de produção ou da prestação de serviços. A legislação do PIS e da Cofins, no regime nãocumulativo, prevê os seguintes tipos de créditos que podem ser aqui aplicados: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) Com o conceito de insumos acima delineado, passemos a analisar o caso concreto em discussão. Créditos da Cofins com despesas de manutenção de máquinas e predial Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11080.011701/200722 Acórdão n.º 9303008.259 CSRFT3 Fl. 12 11 O acórdão recorrido concedeu esses créditos diante de uma premissa equivocada. Concedeuos com base nos inc. VI e VII do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcritos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa. De fato, não andou bem o acórdão recorrido. Por disposição expressa da lei, os créditos decorrentes da aplicação dos inc. VI e VII do art. 3º, acima transcrito, somente podem ser apropriados nos termos do inc. III do § 1º do próprio art. 3º, senão vejamos: § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Ora evidente que não se pode conceder os créditos sobre despesas de manutenção predial e de máquinas, a não ser que essas despesas tenham sido incorporadas ao valor do imobilizado. Acrescese o fato de que o contribuinte nunca defendeu o direito ao creditamento pelos inc. VI e VII do art. 3º, acima referenciado. Penso que tal decisão tenha sido proferida intuitivamente. Porém, entendo que deva ser mantido o direito ao creditamento sobre tais despesas, entendendoas como necessárias e intrínsecas ao processo produtivo da recorrente. O recurso especial da Fazenda Nacional está fundamentado no conceito já ultrapassado de que os insumos só podem ser considerados se sofrerem desgaste ou forem consumidos em contato direto com o bem em produção. O julgamento do STJ, como visto acima, afastou definitivamente esse conceito advindo da legislação do IPI. O acórdão recorrido, embora com fundamento incorreto, entendeu que estaria demonstrado que tais itens são essenciais para manutenção das máquinas e do prédio utilizados na atividade principal do contribuinte, qual seja, a industrialização de máquinas, peças e Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11080.011701/200722 Acórdão n.º 9303008.259 CSRFT3 Fl. 13 12 equipamentos rodoviários. Pois bem, considerando que a própria contribuinte sempre defendeu, em suas peças recursais, esse entendimento e, sendo certo, que a recorrente não os contestou, há que se manter o direito ao creditamento. Assim, nego provimento ao recurso especial fazendário nesta parte. Créditos da Cofins com despesas de fretes de produtos em garantia Neste ponto, o acórdão recorrido concedeu o crédito com base no inc. IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e não por entender que se trata de insumos do processo industrial. Entendeu, com base nesse dispositivo que são despesas de fretes na operação de venda. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. O acórdão paradigma nº 340300912, que é da mesma contribuinte do presente processo, negou esse crédito proferindo entendimento de que os fretes dos produtos em garantia, não se trata de frete na operação de vendas. Porém curiosamente, não explicou a razão deste seu entendimento. Vejamos como decidiu o acórdão recorrido: (...) A determinação acima expõe que quando a contribuinte suporta o ônus do frete na operação de venda, ela poderá ser creditada desse valor.O frete do produto em garantia deve ser entendido como componente da operação de venda, pois a assistência dada ao produto em garantia faz parte da concretização da venda, haja vista que a legislação brasileira obriga a manutenção ou troca do produto com defeito quando está no período de garantia, sob pena de devolução do produto e reembolso do comprador. Logo, se o fabricante não oferecer a garantia, a venda será cancelada, por isso não se pode dizer que a conclusão da venda se dá no momento da primeira entrega do produto. (...) Sobre esse assunto, adoto como razão de decidir o disposto no parágrafo 60 do Parecer Normativo RFB nº 5, de 17/12/2018, que assim dispôs sobre o assunto: 60. Nesses termos, como exemplo da regra geral de vedação de creditamento em relação a bens ou serviços utilizados após a finalização da produção do bem ou da prestação do serviço, citamse os dispêndios da pessoa jurídica relacionados à garantia de adequação do produto vendido ou do serviço prestado. Deveras, Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11080.011701/200722 Acórdão n.º 9303008.259 CSRFT3 Fl. 14 13 essa vedação de creditamento incide mesmo que a garantia de adequação seja exigida por legislação específica, vez que a circunstância geradora dos dispêndios ocorre após a venda do produto ou a prestação do serviço. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nesta matéria. Créditos da Cofins nas compras de insumos para recebimento futuro Quanto a esta matéria, concordo com a Fazenda Nacional. Segundo a legislação, a apropriação de créditos da nãocumulatividade, dáse sobre a aquisição de insumos e esta somente se concretiza com a transferência de sua propriedade. Importante destacar que, ao que parece, os insumos vendidos para entrega futura nem estão na posse do vendedor. Pode ocorrer efetivamente a não concretização desta venda. Com efeito, a adoção do regime de competência na apuração das contribuições para o PIS e da Cofins e dos correspondentes créditos da não cumulatividade está prevista nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, sendo, portanto, de observação obrigatória pelo contribuinte. Adoto, como razões de decidir, o exposto na Solução de Consulta Cosit nº 507/2017, da qual transcrevo alguns trechos: (...) 14. A consulente referese a operações de compra e venda nas quais, em um primeiro momento, o negócio é concretizado e ela recebe o pagamento pela venda demercadorias que já existem em seu estoque e, em outro momento posterior, ela entrega as mercadorias vendidas ao seu adquirente. 14.1 Tais operações não se confundem com as operações em que o vendedor recebe um adiantamento pela alienação de mercadorias que ainda não existem, e que só serão entregues ao comprador depois de terem sido adquiridas ou produzidas. (...) 29.4. Já nas operações em que o vendedor recebe um adiantamento pela alienação de mercadorias que ainda não existem e que só serão entregues ao comprador depois de terem sido adquiridas ou produzidas – hipótese aqui tratada como contrato de compra e venda com faturamento antecipado –, a eficácia do ato jurídico encontrase vinculada ao implemento de condição suspensiva, que depende da ocorrência de evento incerto e futuro, ou seja, a materialização da coisa futura, no presente caso, produção rural, e sua entrega ao adquirente. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11080.011701/200722 Acórdão n.º 9303008.259 CSRFT3 Fl. 15 14 (...) Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nesta matéria. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para reestabelecer as glosas de créditos nas despesas de fretes de produtos em garantia e nas compras de insumos para recebimento futuro. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Voto Vencedor Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Redatora designada. Quanto à discussão acerca da possibilidade de se constituir crédito de Cofins sobre as despesas de fretes de produtos em garantia, entendo tal frete deve ser vinculado com a operação de venda de que trata o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor” Ora, o frete de produto em garantia deve ser vinculado a operação de venda, pois o serviço de assistência, bem como a troca do produto são itens que efetivamente finalizam a venda do produto ao cliente. Não há como apartar tal item da operação de venda. Quanto ao “termo” disposto no item IX do art. 3º da Lei 10.833/03, não é demais lembrar que a palavra “operação” confere um sentido amplo, o que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11080.011701/200722 Acórdão n.º 9303008.259 CSRFT3 Fl. 16 15 Sendo assim, manifesto minha concordância com o entendimento proferido no acórdão recorrido no sentido de que “o frete do produto em garantia deve ser entendido como componente da operação de venda, pois a assistência dada ao produto em garantia faz parte da concretização da venda, haja vista que a legislação brasileira obriga a manutenção ou troca do produto com defeito quando está no período de garantia, sob pena de devolução do produto e reembolso do comprador. Logo, se o fabricante não oferecer a garantia, a venda será cancelada, por isso não se pode dizer que a conclusão da venda se dá no momento da primeira entrega do produto.” Em vista do exposto, relativamente a essa discussão, negamos provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.902061/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1402-003.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13830.902062/2009-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13830.902061/2009-29
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5975163
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-003.722
nome_arquivo_s : Decisao_13830902061200929.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : EDELI PEREIRA BESSA
nome_arquivo_pdf_s : 13830902061200929_5975163.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13830.902062/2009-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7664437
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051662714667008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1628; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.902061/200929 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.722 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2019 Matéria IRPJ Recorrente UNIDADE DE RADIOLOGIA DE ASSIS S/S LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13830.902062/200973, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 20 61 /2 00 9- 29 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13830.902061/200929 Acórdão n.º 1402003.722 S1C4T2 Fl. 3 2 Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva. Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. Para evitar repetições, utilizo o relatório do v. acórdão recorrido. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/05, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita 2089) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ:2362). Por intermédio do despacho decisório de fl. 06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/Dcornp (...), ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 11/12, acompanhada dos documentos de fls. 13/18 na qual alega, em síntese, que: a) na DIPJ anobase de 2001, a Recorrente apurou crédito fiscal suficiente a embasar os pedidos de compensação; b) os créditos originaram recolhimento a maior, já que as estimativas recolhidas com base em balancetes de suspensão e redução do imposto superaram o valor devido do exercício, no montante de (...), no ano calendário de 2001; c) a utilização do saldo recolhido a maior para compensação com outros tributos administrados pela RFB é legitima. Ao final, requer a homologação da declaração de compensação apresentada por embasarse em crédito legitimo. A DRJ, decidiu negar provimento a manifestação de inconformidade por dois motivos, sendo o primeiro com base na impossibilidade de se compensar crédito originado de pagamento indevido ou a maior de estimativa no próprio mês e o segundo fundamento é pautado na falta de documentação para comprovar a liquidez e certeza do crédito. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repetindo as mesmas alegações da manifestação de inconformidade e acrescentou a alegação de que o direito a restituição deve seguir o entendimento que aplica cumulativamente o artigo 165 e o artigo 150, parágrafo quarto do CTN (ou seja a tese dos 5 + 5). É o relatório. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13830.902061/200929 Acórdão n.º 1402003.722 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.720, de 24/01/2019, proferido no julgamento do Processo nº 13830.902062/2009 73, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1402003.720): Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, o que for decidido no presente litígio será aplicado aos demais processos vinculados. Segundo o r. Despacho Decisório proferido nos autos do processo em epigrafe, o crédito que a Recorrente pretende compensar não foi homologado nos seguintes termos: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Apesar de um dos fundamentos do v. acórdão para manutenção do indeferimento do pedido de restituição e a não homologação da compensação ter sido pautado na impossibilidade de se compensar o valor pago a maior da estimativa no próprio mês, contrariando a Súmula CARF 84, o principal motivo utilizado para julgar improcedente a manifestação de inconformidade foi a falta de provas para comprovar a liquidez e certeza do crédito. A Recorrente, inconformada com o v. acórdão, interpôs Recurso Voluntário rebatendo o primeiro fundamento do v. acórdão que não integra a motivação do r. Despacho Decisório e acostou o Livro Razão que demonstra apenas a escrituração das Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13830.902061/200929 Acórdão n.º 1402003.722 S1C4T2 Fl. 5 4 antecipações, para tentar comprovar a liquidez e certeza do crédito. Entretanto, apenas o Livro Razão não é suficiente para comprovar a existência e regularidade do crédito em discussão nos autos, conforme muito bem explicado na decisão "a quo", que demandou a demonstração da apuração da base de cálculo e do tributo devido. Desta forma, como o r. Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação por ter considerado que tal montante relativo a pagamento a maior da estimativa teria sido utilizado para extinguir outros débitos da própria Recorrente e como não foi apresentado nos autos documentos contábeis e fiscais para comprovar a certeza e liquidez do crédito, não resta alternativa senão manter o v. acórdão, deixando de reconhecer o crédito e não homologar a compensação requerida. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000338/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-006.357
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16349.000338/2010-41
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5989571
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.357
nome_arquivo_s : Decisao_16349000338201041.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 16349000338201041_5989571.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7697996
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051662717812736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2074; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.000338/201041 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402006.357 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2019 Matéria Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Recorrente ARLIQUIDO COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 38 /2 01 0- 41 Fl. 276DF CARF MF Processo nº 16349.000338/201041 Acórdão n.º 3402006.357 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 03062.638, proferido pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para manter a Decisão que indeferiu o Pedido de Restituição (PER) por inexistência do crédito solicitado. Regularmente cientificada, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço, onde pede a reforma da decisão de primeira instância, com o reconhecimento do direito à plena restituição de PIS/COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Em síntese, o Recurso Voluntário está fundamentado nos seguintes argumentos: i) Os montantes que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou a maior, efetuado com base no art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998; ii) A despeito das sólidas alegações de direito que embasaram a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, e não obstante tais alegações terem sido suportadas por documentos hábeis à comprovação do crédito pleiteado, o v. acórdão manteve o entendimento do despacho decisório eletrônico; iii) Na base de cálculo da contribuição somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, ou sejam os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9718, já declarada pelo STF em decisão plenária definitiva, bem como em recurso em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria. É o relatório. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 16349.000338/201041 Acórdão n.º 3402006.357 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.345, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 16349.000329/201050, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.345): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Mérito O Pedido de Restituição nº 30231.53932.100506.1.2.04 5076 tem por origem crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo no valor de R$ 9.207,56, referente ao Darf do período de apuração de abril de 2001, arrecadado em 15/05/2001, no valor de R$ 610.330,36, mantendo a glosa de créditos referentes à Contribuição do Financiamento da Seguridade Social (COFINS). A decisão recorrida não considerou a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, proferida pelo Supremo Tribunal Federal, por concluir que o artigo 26A Decreto 70.235/1972 veda ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, sendo que até aquele momento não havia autorização do Secretário da Receita por meio de ato específico determinando os procedimentos, nos termos do artigo 77 da Lei 9.430/1996 e o Decreto 2.346/1977. A matéria suscitada é questão decidida em repercussão geral (Tema 110) pelo Supremo Tribunal Federal através do RE nº 585235, transitado em julgado em 12/12/2008, conforme Ementa abaixo: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de Fl. 278DF CARF MF Processo nº 16349.000338/201041 Acórdão n.º 3402006.357 S3C4T2 Fl. 0 4 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008, ) Neste caso, considerando que a decisão recorrida foi proferida em 31/07/2014, deveria a autoridade julgadora a quo aplicar o artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando o § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, por sua vez, reconhecendo o direito ao crédito informado em PERD/COMP. De outro turno, igualmente por se tratar de decisão definitiva e vinculante do Supremo Tribunal Federal, não incide a Súmula CARF nº 2 e artigo 26A do Decreto nº 70.235/72. Deve ser aplicado neste caso o artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/20151. Neste sentido, colaciono precedente da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em julgamento ao Recurso Especial nº 137.866 (PAF: 13808.005507/200103): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 279DF CARF MF Processo nº 16349.000338/201041 Acórdão n.º 3402006.357 S3C4T2 Fl. 0 5 Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado (Acórdão nº 9303002.859 – 3ª Turma) Com relação ao ônus da prova da Contribuinte, restou reconhecido em despacho decisório que o pedido foi instruído com a relação de PERDCOMP de fls. 42/45, DARF de fl. 60, planilha demonstrativa do crédito de fls. 62/66 e lançamentos destacados no Livro Razão, às fls. 67/199. Portanto, deve a Unidade de Origem apurar o valor do crédito invocado e demonstrado pela Recorrente, afastando a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal. Dispositivo Ante o exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 280DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720950/2013-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de informação sobre a remuneração de segurados da Previdência Social em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119)
Numero da decisão: 9202-007.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de informação sobre a remuneração de segurados da Previdência Social em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119)
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 19515.720950/2013-13
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5974133
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.622
nome_arquivo_s : Decisao_19515720950201313.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 19515720950201313_5974133.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7660201
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051662720958464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1946; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.720950/201313 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202007.622 – 2ª Turma Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria NORMAS GERAIS RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente OESP MÍDIA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de informação sobre a remuneração de segurados da Previdência Social em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 09 50 /2 01 3- 13 Fl. 492DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Autos de Infração de obrigações principais e acessória, discriminados a seguir: a) AI DEBCAD n.º 37.362.0608: contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT); b) AI DEBCAD n.º 37.362.0616: contribuições destinadas a outras entidades ou fundos; e c) AI DEBCAD n.º 37.362.0594: aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de declarar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP todas as contribuições previdenciárias devidas. Em sessão plenária de 11/02/2015, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401003892 (fls. 291/305), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PAGAMENTOS DE REMUNERAÇÕES. APROPRIAÇÃO CONTÁBIL DA DESPESA DIFERIDA. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O pagamento a segurados empregados de comissões pela venda de produtos e serviços caracteriza o fato gerador de contribuições previdenciárias, mesmo que contabilmente a despesa seja apropriada em períodos posteriores. Assim, as contribuições são devidas na competência do pagamento da verba. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO E DECLARAÇÃO INCORRETA EM GFIP. MULTA MAIS BENÉFICA. AFERIÇÃO CONSIDERANDO TODOS AS LAVRATURAS EFETUADAS NA AÇÃO FISCAL. Nos casos em que tenha havido falta de recolhimento das contribuições e declaração incorreta dos fatos geradores em GFIP, para a aferição da multa mais benéfica, devese cotejar a soma da multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) com a multa por descumprimento da obrigação acessória (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991) frente à atual multa de ofício (art. 35A da Lei n.º 8.212/1991), prevalecendo a que seja mais favorável ao contribuinte. No caso sob apreciação, o fisco demonstrou que a sistemática anterior mostrouse mais favorável ao sujeito passivo para as competências de 01 a 11/2008, sendo que para competência 12/2008 foi aplicada a nova regra, posto que já vigia naquele momento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Fl. 493DF CARF MF Processo nº 19515.720950/201313 Acórdão n.º 9202007.622 CSRFT2 Fl. 3 3 DECADÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. NORMA APLICÁVEL. Quando a decisão recorrida cita a ocorrência de fraude, dolo ou simulação para fundamentar a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN na contagem do prazo decadencial, é necessário que o relatório fiscal apresente cabalmente que na sua conduta o contribuinte incorreu em intuito doloso. Não havendo essa demonstração e se verificando antecipação de pagamento, a aferição da decadência deve ser efetuada pela norma do § 4.º do art. 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. O Contribuinte tomou ciência da decisão em 17/07/2015 (Termo de Abertura de Documento de fl. 322) e, em 24/07/2015, interpôs tempestivamente os Embargos de Declaração de fls. 325/331 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fl. 332). Informado do despacho que rejeitou seus embargos (fls. 335/340) em 14/12/2015 (Termo de Abertura de Documento de fl. 347), apresentou Recurso Especial de fls. 350/365, com fundamento no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 em 28/12/2012 (vide carimbo aposto na folha de rosto do apelo recursal). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o despacho de 03/03/2016 (fls. 462/466), possibilitando a rediscussão da matéria aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Cientificada do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento, em 10/08/2016 (fl. 476) a Fazenda Nacional, em 24/08/2016 (fl. 484), ofereceu as contrarrazões de fls. 477/483, alegando, em síntese, que, para as competências até 11/2008, deve ser aplicado o disposto no inciso I do art. 4º da Instrução Normativa RFB nº 1.027/2010, que determina a comparação entre os seguintes valores para aferição da multa mais benéfica ao sujeito passivo: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Requer a Fazenda Nacional que seja negado provimento ao citado recurso, mantendose o acórdão fustigado. Fl. 494DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O Recurso Especial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. O lançamento decorre de Auto de Infração em razão de a empresa ter apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Além disso, no mesmo procedimento fiscal foram exigidas multas por descumprimento das obrigações principais respectivas. Nesse caso, o entendimento consolidado na esfera administrativa é de que a retroatividade benigna deve ser aplicada a partir da comparação entre a soma das duas multas previstas na legislação vigente à época do lançamento (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou aquela referida no art. 35A da MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, consoante estabelecido na Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14/2009. Tal entendimento restou pacificado com a edição da Súmula CARF nº 119, de observância obrigatória por este Colegiado. Senão vejamos: Súmula CARF nº 119: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Vejase que a sistemática de aplicação da multa adotada pela Autoridade Autuante e mantida quando da prolação da decisão recorrida é semelhante àquela prevista na Súmula CARF nº 119, não havendo como acolher a pretensão recursal. Em razão do exposto, conheço do Recurso Especial e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 495DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.900928/2006-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. DIPJ E LIVRO DIÁRIO.
ONUS DA PROVA.
Logrando o contribuinte comprovar que o pagamento por ele efetuado, via DAIZF, a titulo de estimativa mensal de IRPJ, não foi imputado a débito dessa espécie, antes da compensação ora debatida, impende ser admitido o encontro de contas formulado por meio de DCOMP. 0 expurgo do passivo equivocadamente confessado em DCTF, atrelado A. quitação a maior, mediante transmissão de ulterior DCTF Retificadora, deve ser reconhecido, sempre que respaldado em lançamentos feitos na DIPJ e na escrituração
contábil-fiscal do período.
Numero da decisão: 1101-000.702
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Votaram pelas conclusões as Conselheiras Edeli Pereira Bessa e Nara Cristina Takeda Taga.
Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - restituição e compensação
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. DIPJ E LIVRO DIÁRIO. ONUS DA PROVA. Logrando o contribuinte comprovar que o pagamento por ele efetuado, via DAIZF, a titulo de estimativa mensal de IRPJ, não foi imputado a débito dessa espécie, antes da compensação ora debatida, impende ser admitido o encontro de contas formulado por meio de DCOMP. 0 expurgo do passivo equivocadamente confessado em DCTF, atrelado A. quitação a maior, mediante transmissão de ulterior DCTF Retificadora, deve ser reconhecido, sempre que respaldado em lançamentos feitos na DIPJ e na escrituração contábil-fiscal do período.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10930.900928/2006-42
conteudo_id_s : 5976568
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1101-000.702
nome_arquivo_s : Decisao_10930900928200642.pdf
nome_relator_s : BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10930900928200642_5976568.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Edeli Pereira Bessa e Nara Cristina Takeda Taga. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
id : 7667871
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051662732492800
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-06-14T20:03:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-06-14T20:03:23Z; Last-Modified: 2013-06-14T20:03:24Z; dcterms:modified: 2013-06-14T20:03:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:e44ff25a-8533-4d1f-b393-25e2540fe7cc; Last-Save-Date: 2013-06-14T20:03:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-06-14T20:03:24Z; meta:save-date: 2013-06-14T20:03:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-06-14T20:03:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-06-14T20:03:23Z; created: 2013-06-14T20:03:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2013-06-14T20:03:23Z; pdf:charsPerPage: 1581; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-06-14T20:03:23Z | Conteúdo => Processo n° Recurso n° Acórdão n° Sessão de Matéria Recorrente Recorrida Edeli Pereira Bessa - Presidente em exercício Benedict° Celso unigr - Relator Participaram da sessão de Edeli Pereira Bessa, Benedict° Celso gamento os conselheiros: José Ricardo da Silva, o Junior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE REWSOS FISCAIS • 10930.900928/2006-42 Voluntário 1101-000.702 — r CfimaráD la Turma Ordinária 10 de abril de 2012 DCOMP UROCL , ICk S/C LTDA. FAZENDA NACIONAL -ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRP.I Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. DIPJ E LIVRO DIÁRIO. ONUS DA PROVA. Logrando o contribuinte comprovar que o pagamento por ele efetuado, via DAIZF, a titulo de estimativa mensal de IRPJ, não foi imputado a débito dessa espécie, antes da compensação ora debatida, impende ser admitido o encontro de contas formulado por meio de DCOMP. 0 expurgo do passivo equivocadamente confessado em DCTF, atrelado A. quitação a maior, mediante transmissão de ulterior DCTF Retificadora, deve ser reconhecido, sempre que respaldado ern lançamentos feitos na DIPJ e na escrituração contábil-fiscal do período. PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Edeli Pereira Bessa e Nara Cristina Takeda Taga. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Processo n° 10930.900928/2006-42 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.702 Fl. 3 Nara Cristina Takeda Taga e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. Processo n° 10930.900928/2006-42 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.702 Fl. 4 Relatório Trata-se de recurso interposto em face de acórdão proferido em sede de manifestação de inconformidade, apresentada contra o Despacho Decisório de fl. 06, proferido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Londrina, pelo qual não foi homologada a compensação pleiteada pelo interessado. A decisão foi motivada pelo fato de que o pagamento apontado como indevido (estimativa de IRPJ, código 5993, PA fev/1999, de R$167,34) encontra-se integralmente alocado para a quitação do débito correspondente. Logo, a compensação do débito de R$323,69 (parcela da estimativa de IRPJ de abril/2003) não foi homologada. Em 31/07/2008, o interessado foi cientificado daquela decisão (fl. 07) e, em 20/08/2008, apresentou manifestação de inconformidade de fl. 8, pela qual afirma que, conforme a DCTF retificadora do 1° trimestre/1999, transmitida em 20.8.2008, não mais existe débito de estimativa de IRPJ de fevereiro/1999 e, assim, o pagamento correspondente encontra-se passível de aproveitamento. A la Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba — PR, ao analisar a manifestação de inconformidade protocolizada, houve por bem indeferi-la, não homologando a compensação, forte em considerações assim ementadas: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DIREITO CREDIT6R10. ONUS DA PROVA. Considera-se sem efeito as alegações contestando os argumentos do Fisco, se desacompanhadas de prova, eis que o ônus da prova compete ou cabe a quem alega o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito. Rest/Ress. Indeferido - Comp. não homologada." Não conformado, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fl. 52, aduzindo que a retificação da DCTF poderia ser confrontada com a DIPJ do período, na qual não constou o débito de estimativa mensal pretensamente alocado à DARF, relativo ao mês de fevereiro de 1999, e com o correlato Livro Diário, que denotava a existência de montante exacerbado de imposto a recuperar. o relatório. 3 Processo n° 10930.900928 12006-42 SI-CI Ti Acórdão n.° 1101-000,702 Fl. 5 Voto Conselheiro Benedict° Celso Benicio Júnior - Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais de admissibilidade. Dele conheço. Consoante o PER/DCOMP de fls. 01 e ss., tratam esses autos de compensação entre crédito correspondente a pagamento a maior, operado via DARF, atrelado à estimativa mensal de IRPJ de fevereiro de 1999, de um lado, e débito de estimativa mensal de IRPJ, atinente ao mês de abril de 2003, de outro lado. O pleito foi indeferido, inicialmente, em virtude de o pagamento realizado guardar integral correspondência com débito estimado de IRPJ apurado para o próprio mês de fevereiro de 1999, conforme consignado na DCTF Original (fl. 36). Muito embora o contribuinte tenha procedido d. ulterior retificação da DCTF, em 20/08/2008, a autoridade ora recorrida não entendeu como agasalhável o ajuste de contas intuído, eis não ter sido apresentada justificativa para a exclusão, pura e simples, depois de exarado despacho denegatório, do passivo vinculado ao pagamento reputado como indevido. Em sede se recurso, o contribuinte buscou, então, mostrar que a retificação da DCTF era escorreita. Para tanto, o sujeito passivo juntou a DIPJ/2000 Original (Ficha 12, fl. 72) e o Livro Diário do período, com destaque da rubrica contábil "Impostos a Recuperar" (fl. 63). Pois bem. O aresto recorrido andou bem, a meu ver, ao questionar a legitimidade da retificação de DCTF engendrada pelo recorrente. Inexistia nos autos, afinal, motivo a ensejar o expurgo do débito confessado inicialmente, atrelado à DARF citada como fonte do crédito compensável. Nessa instancia, contudo, a interessada logrou demonstrar a realidade do pagamento indevido. A juntada do Livro Diário, de um lado, e da Ficha 12 da DIPJ/2000, de outro, denotam, de fato, que o recolhimento feito via DARF não foi imputado a passivo de estimativa de IRPJ ligado ao mês de fevereiro de 1999. A despeito da inicial menção desse débito na DCTF Original, o valor não constou da DIPJ citada, da mesma forma que não foi considerada na escrituração contábil -fiscal da empresa. Na apuração do crédito disponível, deve, pois, ser considerada a DCTF Retificadora, transmitida em meados do ano-calendário de 2008. 0 pagamento a maior, operacionalizado em DARF, não pode deixar de ser reconhecido com esteio na consideração exclusiva da confissão concretizada na DCTF Original. O 4 Processo n° 10930.900928/2006-42 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.702 Fl. 6 Isto posto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, para homologar a compensação pleiteada, até o limite disponível do crédito alegado. Benedicto Celso Bern o Júnior 5 Processo n° 10930.900928/2006-42 S1-C1T1 Acórdão n.° 1101-000.702 H. 7 Declaração de Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Concordo com a conclusão do I. Relator, mas adoto as razões de decidir que apresentei em situações análogas, cujos acórdãos receberam a seguinte ementa: DCOMP. ANALISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Constato que a contribuinte apresentou em 22/07/2003 DCOMP para utilização de recolhimento indevido de estimativa de IRPJ verificado em 31/03/99, destinado-o liquidação parcial de débito de estimativa de IRPJ apurado em 31/05/2003. A compensação restou não-homologada em razão de o pagamento de 31/03/99 estar alocado a debito declarado em DCTF no mesmo período. 0 despacho decisório foi cientificado à contribuinte em 31/07/2008, e buscando reverter tal situação ela retificou a correspondente DCTF em 20/08/2008, de modo a excluir o débito de IRPJ inicialmente declarado. Considero insuficiente a retificação da DCTF, posterior ao despacho decisório de não-homologação, como prova do indébito utilizado em compensação. Todavia, a contribuinte juntou, ao recurso voluntário, cópia de DIPJ entregue em 23/06/2000, na qual não foi informada a apuração de débito de estimativa em 31/03/99, ante a apuração de resultado negativo em balancete de suspensão. Tal situação assemelha-se a outras contratadas em recursos voluntários submetidos à minha apreciação, nas quais assim me manifestei: Isto porque está-se diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. 6 Processo n° 10930.900928/2006-42 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.702 11. 8 A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. E. possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF n° 14/2000, que a informação de débitos em D1PJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Divida Ativa da Unido: Art. 1 ° . 0 art. 1 ° . da Instrução Normativa SRF no 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 1 0 . Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do 1TR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados A. Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União." Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF n° 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, ern Divida Ativa da Unido, de saldos de tributos apagar: Art. 10 Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da Unido. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído a declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do ano-calendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominar-se Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa ern sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF n° 166/99, editada coin fundamento na Medida Provisória n° 2.189-49/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória n° 2.189-49/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória n° 1.990-26, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração Ere o 7 Processo n° 10930.900928/2006-42 SI-Cl Ti Acórdão n.° 1101-000.702 H. 9 originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis retificação de declaração. Instrução Normativa SRF n°166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 19. A retificação da Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, dar-se-á mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Art. 2.9. A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais — DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareça-se, apenas, que, coin a edição da Instrução Normativa SRF n° 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 90 Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1 2 A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. 8 Processo n° 10930.900928/2006-42 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.702 Fl. 10 § 22 Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I - cujos saldos a pagar já tenham sido enviados A Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Divida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II - em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do inicio de procedimento fiscal. § 32 As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 42 As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do ano-calendário de 1997 ate 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 52 A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 62 Verificando-se a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do ano-calendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 72 Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 52 da Instrução Normativa SRF n 2 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas ate a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicando-se, As DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anos-calendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1 2 a 32 do art. 92 desta Instrução Normativa. §1 2 0 arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos-calendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 22 0 arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. 9 Processo n° 10930.900928/2006-42 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.702 Fl. 11 Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF n° 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 12 A retificação da Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, dar-se-á mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. § 2 A declaração retificadora referida neste artigo: I — terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF n° 094, de 24 de dezembro de 1997; II — será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. Art. 42 Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restitulda. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 22, inciso I, da Instrução Normativa SRF n2 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória n° 66/2002, convertida na Lei n° 10.637/2002, uma vez formalizada retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição — PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizá-lo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5°, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n°10.833/2003). 6-v o 10 Processo n° 10930.900928/2006-42 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.702 Fl. 12 Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalniente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a não-homologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária urna análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendo-a ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescente-se, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF n° 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF n° 255/2002, antes citada, a revisão de oficio da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. ,sç 2 0 Não será aceita a retificaodo que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I - cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Divida Ativa da Unido, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou I...1 § 3 0 A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do debito já inscrito em Divida Ativa da Unido, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. 1...1 Observe-se, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento ern que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB n°1.110/2010: Art. 9-2 A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. 1 1 Processo no 10930.900928/2006-42 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.702 Fl. 13 § 5 0 direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do 1 (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. b." Ultrapassado este limite, a observância do principio da legalidade na exigência de tributos confessados ern DCTF somente se efetiva mediante revisão de oficio, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, rninimarnente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros ern seu conteúdo, promover a retificação de oficio, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Acrescento, ainda, que o fato de o indébito ter se formado a partir de um recolhimento de estimativa de IRPJ em nada obsta a sua utilização em compensação, dado que esta restrição somente surgiu a partir da edição da Instrução Normativa SRF n° 460/2004, e não mais prevalece no texto da Instrução Normativa SRF n° 900/2008, que em meu entender melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Por oportuno, transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF n°460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB n° 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa 12 Processo n° 10930.900928/2006-42 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.702 Fl. 14 jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF n° 03/2000, seria atualizado com juros a taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do ano-calendário: O SECRETARIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4° do art. 39 da Lei N°9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1° e 6° da Lei N° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei N° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro liquido devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição 13 Processo n° 10930.900928/2006-42 SI-Cl TI Acórdão n.° 1101-000.702 Fl. 15 ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei n° 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2": Art.2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1° e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32,34 e 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. §1° 0 imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da aliquota de quinze por cento. §2° A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficard sujeita incidência de adicional de imposto de renda à aliquota de dez por cento. §3 0 A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1° e 2° do artigo anterior. §4° Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I - dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 40 do art. 3° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II -dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; HI -do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV -do imposto de renda pago na forma deste artigo. (negrejou-se) Diante deste contexto, tern-se por formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ, e o crédito dali decorrente, atualizado com juros à taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusiv 14 Processo n° 10930.900928/2006-42 SI-C I TI AcOrdao n.° 1101-000.702 Fl. 16 para liquidação do próprio IRPJ apurado no ajuste do mesmo ano-calendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Registro, por fim, que por não informar estimativa de IRPJ relativa ao mês de março/99 na DIPJ apresentada em 2000, a contribuinte não acumulou qualquer valor para dedução no ajuste anual, inexistindo indícios de que tal estimativa tenha sido computada no saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1999. Por estas razões, voto também por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para homologar a declarada até o limite do crédito nela informado. Cttrte deli Pereira Bessa 15
score : 1.0
