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Numero do processo: 11080.922004/2009-61
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Numero da decisão: 3803-005.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 20 04 /2 00 9- 61 Fl. 814DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação utilizando como crédito pagamento a maior da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005. Tais indébitos fundamse na apuração da contribuição pela sistemática da cumulatividade, sobre as receitas de contratos de fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado, auferidas sob contratos com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, e de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. Despacho Decisório proferido pela DRF/Porto Alegre reconheceu parte do direito creditório, porém, não pelas razões que estão na base do direito invocado pela declarante das compensações, mas por identificação de pagamentos a maior justificados por seus próprios critérios de apuração. Os fundamentos da declarante foram rejeitados pela DRF/Porto Alegre, sob o argumento de que os contratos dos segmentos de Geração e de Transmissão, nos períodos fiscalizados, não preenchem o conceito de preço predeterminado. No seu entender, a correção do preço pelo IGPM não se amoldaria à disciplina do art. 109 da Lei nº 11.196/2005[1]. Irresignada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito, sustentando que: a) existem exceções à regra da não cumulatividade, especialmente a prevista no inciso XI, b, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003[2]; b) o IGPM enquadrase no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 9.069/95[3], consubstanciado no IPCr, uma vez que o substituiu; transcreve doutrina e jurisprudência que corroboram o entendimento de que a correção monetária do valor das tarifas não descaracteriza a condição de preço predeterminado; c) suas receitas foram tributadas pelo regime cumulativo até a primeira alteração de preço efetuada em suas tarifas, e, após este fato, pela não cumulatividade; d) a ANEEL, autarquia federal que regula o setor elétrico, firmou entendimento, por meio da Nota Técnica nº 224SFF, de 19/06/2006, de que os reajustes 1 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. 2 Art. 10. [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...]l; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; 3 Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.922004/200961 Acórdão n.º 3803005.939 S3TE03 Fl. 815 3 efetuados preenchiam os requisitos legais disciplinados pelo art. 10, XI, b da Lei nº 10.833/2003; e) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção; f) existem nulidades, como a ausência dos valores cobrados das contribuições, não expressos no despacho decisório de forma específica, e do montante do débito não homologado. Em julgamento da lide, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Manifestante, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. Cientificada da decisão em 12 de março de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de abril de 2013, em que maneja os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A controvérsia gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins as receitas decorrentes de: (i) contratos para fornecimento de bens ou serviços; (ii) firmados antes de 31 de outubro de 2003; (iii) com prazo superior a 1 (um) ano;e (iv) a preço determinado. Reza o dispositivo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Vêse que os três primeiros requisitos legais são objetivos, ao passo que a disputa se dá sobre o quarto item, que envolve um aberto e impreciso conceito: o de preço predeterminado. A Recorrente é Sociedade de Economia Mista; com participação mínima de 51% do capital social do Estado do Rio Grande do Sul, prevista no Estatuto Social, tem seus contratos regidos pela Lei nº 10.192/2001[4], que dispõe sobre medidas complementares ao Plano Real e dá outras providências, e regula a forma como os contratos administrativos são reajustados, verbis: Art. 2º. É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano.[grifei] Art. 3o. Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta 4 E subsidiariamente pela Lei nº 8.666/93. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.922004/200961 Acórdão n.º 3803005.939 S3TE03 Fl. 816 5 Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei nº 8.666/93.[grifei] A proficiente e rígida regulação macroeconômica do Plano Real, que pôs sob controle a histórica inflação brasileira, permitiu – nos termos do art. 27, I, da Lei nº 9.069, de 1995 , a correção da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994 em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico , desde que se desse pela aplicação do Índice de Preços ao Consumidor, Série r/IPCr. Alternativamente, poderia haver reajuste em função do custo de produção ou variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, verbis: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I. omissis II. aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; A citada lei, em seu art. 8º e § 1º, extinguiu o IPCr e permitiu a sua substituição por índice de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano: Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografía e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. A Nota Técnica SFF nº 224, de 19/06/96, da ANEEL[5], destaca que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica, bem como nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. No entanto, a Instrução Normativa SRF nº 468/04, em regulamentação do inciso XI do art. 10 da Lei no 10.833/03, viabilizou uma definição de preço predeterminado, dispondo: IN SRF 468/04: 5 35. Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei n° 9.069/95. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º. Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º. Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art 1º. § 3º. Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art 1º. Por essa disciplina, os atos de restaurar o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato ou de aplicar sobre o preço da geração e transmissão de energia elétrica índice visando à recomposição do poder de compra, corroído pelo efeito da inflação, resultariam na submissão das receitas ao regime não cumulativo das contribuições PIS/Pasep e Cofins, por se descaracterizar o preço predeterminado. Em suma, o regulamento define preço predeterminado como preço fixo, uma condição que estabelece para que as receitas fossem mantidas no regime cumulativo de apuração. Entendo que a IN SRF nº 468/04 inovou a ordem jurídica, por extrapolar o seu poder regulamentar ao disciplinar a norma de preço predeterminado na Lei nº 10.833/03, Visando a estancar a disputa suscitada pelo limitado e controverso conceito de preço predeterminado por ela trazido foi introduzido entre as inúmeras disposições tributárias, na Lei nº 11.196/05, o art. 109, que dispôs, pontualmente, sobre o reajuste de preço na circunstância que indica. Da norma deflui que o ato do reajuste, por si, não descaracteriza o preço predeterminado. Aditese que esta norma do art. 109 não traz conceito novo de preço predeterminado, como aludido na decisão administrativa, uma vez que o seu efeito retroage para a data de início de vigência do regime da não cumulatividade da Cofins. Não há direito novo com efeito retroativo fora das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional. Veja se o seu teor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado.[grifei] Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Todos estes elementos acima instanos a enfrentar o nó de aferir em que medida foi acertada a decisão recorrida ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/Porto Alegre, que descaracterizou como Fl. 819DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.922004/200961 Acórdão n.º 3803005.939 S3TE03 Fl. 817 7 preço determinado as receitas dos contratos da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica, pela utilização do índice de reajuste IGPM, sob o argumento de ferir a disposição do art. 27, § 1º, II, da Lei nº 9.069/95, referido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, na linha da antecedente decisão da Autoridade administrativa, verbis: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho define o que vem a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômicofinanceira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” [6] A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 1997[7]. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Em reforço à definição do termo reajuste, quanto ao seu propósito de manter o equilíbrio financeiro do contrato, vejase o que está assentado pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO REAJUSTE DE PREÇOS AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO CONTRATUAL DESCABIMENTO. 1. O reajuste do contrato administrativo é conduta autorizada por lei e convencionada entre as partes contratantes que tem por escopo manter o equilíbrio financeiro do contrato. 2. ... STJ – Resp. 730568 SP 2005/00363158. 6 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 7 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Aqui se está a tratar de reajuste, não de recomposição nem de repactuação. Ora, sob a égide da execução do Plano Real os contratos podiam ser reajustados sem ferir os cânones da estabilização econômica, desde que, obrigatoriamente, por meio do índice legalmente fixado, o IPCr, segundo o art. 27, caput, da Lei nº 9.069/95. Se, acaso, a empresa se obrigasse a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, a obrigatoriedade do caput seria desconsiderada se o reajuste fosse efetuado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, conforme o § 1º, inciso II, deste mesmo artigo. Esta última alternativa de reajuste, art. 27, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/95, claramente flexibiliza a regra do caput para permitir que o ajuste se dê a maior ou a menor que o índice oficial preconizado, podendo ser favorável a uma ou à outra parte contratantes. Este entendimento imanta a interpretação que a norma do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 veio trazer[8][9]: impedir que se interprete a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a preço predeterminado. Assim, o reajuste de preço é possível, e na circunstância indicada é ato que não descaracteriza o preço predeterminado. A Instrução Normativa nº 658/06, ao disciplinar o dispositivo legal acima, segregou o parâmetro tomado como referência reajuste de preços em função do acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos – de meros reajustes contratuais e ajustes contratuais para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro. No entanto, o teor de sua disciplina modifica os signos da regra legal, de “reajuste de preços em função” para “reajuste de preços em percentual não superior”. Ao fazêlo de modo aparentemente imperceptível dá ensejo a nova significação, vale dizer, para que o reajuste não perca o caráter de preço predeterminado tem que haver a demonstração pelo interessado de que o percentual não se deu em número superior aos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos. E isso não é o que está legalmente estabelecido: IN/SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, assim dispôs: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo 8 Por isso o seu efeito retroativo a novembro de 2003, 9 Combinando a norma das alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833 com a do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.922004/200961 Acórdão n.º 3803005.939 S3TE03 Fl. 818 9 dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Dito isso, temse que índices de preços são números que agregam e representam os preços de determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos dessa cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação10. O IGPM[11], segundo informa a Fundação Getúlio Vargas, registra a inflação de preços de matériasprimas agrícolas e industriais, e bens e serviços finais. Não obstante seja um índice geral está abarcado pela previsão da Lei nº 10.192/2001 para os contratos da espécie, como retrocitado. Entre os índices de preços este é o que é concebido com a maior carga de ponderação, eis que é composto com pesos diferenciados do Índice de Preços no AtacadoIPA (60%), Índice de Preços ao ConsumidorIPC (30%) e Índice Nacional de Custo da Construção CivilINCC (10%). Os índices que o integram, IPA e o INCC, por sua vez, são compostos por subíndices e grupos, respectivamente. Pelos fundamentos acima, convençome de que o reajuste dos contratos efetuados pelo IGPM cumpre o ditame do art. 109, não desnaturando o caráter de preço predeterminado e alinhome às decisões judiciais na matéria[12] e as no âmbito desta Corte, conquanto suas conclusões tenham se ancorado em outros fundamentos e premissas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer que os preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, reajustados pelo IGPM, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. 10 Fonte: Banco Cenral do Brasil. http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus /FAQ%202 %20%C3%8Dndices%20de%20Pre%C3%A7os%20no%20Brasil.pdf.<acesso em 30.10.2013.> 11 O IGPM é uma média ponderada de outros índices: o IPA, com peso de 60%, o IPC, com peso de 30%, e o INCC, com peso de 10%. A definição dos pesos, estabelecida quando da implantação do cálculo do índice, foi justificada com base no objetivo de reproduzir aproximadamente o valor adicionado de cada setor (atacado, varejo e construção civil) no PIB. O IPA é um índice de preços no atacado de abrangência nacional. Além do índice geral, o IPA desdobrase em outros subíndices, divididos em dois conjuntos: ∙ segundo a origem de produção: agropecuários, com peso de 24,2%, e industrial, com peso de 75,8%; ∙ segundo estágios de processamento: bens finais (36,0%), bens intermediários (39,9%), e matériasprimas brutas (24,2%); Sua pesquisa de preços desenvolvese diariamente, cobrindo sete das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. O índice geral é composto por sete grupos: alimentação; habitação; vestuário; saúde e cuidados pessoais; educação; leitura e recreação; transportes e despesas diversas. A cesta de consumo, a partir da qual se definiram os bens incluídos no índice e sua respectiva ponderação, foi selecionada da Pesquisa de Orçamentos Familiares POF, elaborada pelo IBRE no biênio 2002/2003 O INCC mede a evolução mensal de custos de construções habitacionais, a partir da média dos índices de sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília). A lista de itens componentes do INCC e respectivos pesos atualizados é feita com base em orçamentos de edificações previstas pela ABNT (materiais e equipamentos, serviços e mãodeobra). Além do índice geral, o INCC desdobrase em dois grupos: mãodeobra (16 itens) e de materiais, equipamentos e serviços (51 itens). 12 TRF 3ª Região. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007, TRF 4ª Região. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007, TRF 3ª Região. AG 234522.DJU 21/03/2007, TRF 1ª Região. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Sala das sessões, 26 de março 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 823DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.922004/200961 Acórdão n.º 3803005.939 S3TE03 Fl. 819 11 Fl. 824DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10830.912974/2009-65
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001
BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. DCTF. DILIGÊNCIA.
Apurado em diligência fiscal que o indébito utilizado em procedimento de compensação decorre da apuração de valor a menor do que o pago em razão da exclusão da base de cálculo de receitas diferente do faturamento, isto é, venda de mercadorias e prestação de serviços, impõe em reconhecer o direito do contribuinte reaver o que pagou a mais do que o devido e compensar até o limite do crédito apurado. A apresentação de DCTF retificadora não é causa determinante ao exame do pleito de ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo as receitas 3.23.01 Juros Recebidos; 3.23.02 - Descontos Obtidos; 3.23.04- Variação Monetária Ativa; 3.23.05 Créditos de operações diversas; 3.23.06 Taxa Cambial e 3.23.08 Receitas de Aplicação Financeira, homologando-se o resultado da diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. José Antônio Minatel, OAB/SP nº 37.065.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001 BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. DCTF. DILIGÊNCIA. Apurado em diligência fiscal que o indébito utilizado em procedimento de compensação decorre da apuração de valor a menor do que o pago em razão da exclusão da base de cálculo de receitas diferente do faturamento, isto é, venda de mercadorias e prestação de serviços, impõe em reconhecer o direito do contribuinte reaver o que pagou a mais do que o devido e compensar até o limite do crédito apurado. A apresentação de DCTF retificadora não é causa determinante ao exame do pleito de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo as receitas 3.23.01 – Juros Recebidos; 3.23.02 Descontos Obtidos; 3.23.04 Variação Monetária Ativa; 3.23.05 – Créditos de operações diversas; 3.23.06 – Taxa Cambial e 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeira, homologandose o resultado da diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. José Antônio Minatel, OAB/SP nº 37.065. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 29 74 /2 00 9- 65 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Cuida os presentes autos de discussão relacionada com compensação de crédito próprio oriundo de pagamento a maior ou indevido com débito do contribuinte não homologado relativamente ao período de apuração de 01.08.2001 a 31.08.2001, referente à contribuição para a COFINS. A razão da não homologação, segundo infere dos autos, decorre da inexistência de saldo credor disponível informado em DCTF por ter sido integralmente utilizados para quitação de débitos confessados. Tomando conhecimento da negativa por meio do Despacho Decisório, apresentou Manifestação de Inconformidade, sustentando ausência da apresentação de DCTF retificadora, fazendoa imediatamente a ciência da decisão. Conhecida a manifestação, restou improcedente ao argumento de ser necessária, além da retificação da DCTF, a demonstração do real motivo que levou o contribuinte a proceder à modificação para menos do débito declarado, afirmando, ainda, que poderia ter sido justificado por meio de documentos contábeis, DIPJ e DACON. Irresignada com o resultado do julgamento em primeira instância apresenta Recurso Voluntário, sustentando a tese de que o pagamento a maior adveio da inclusão de receitas à base de cálculo não sujeitas à incidência das Contribuições para o PIS e a COFINS ao ensejo de que encontra submetida ao regime cumulativo de que trata a Lei nº 9.718/98. Cuidou, nessa fase processual, acostar planilhas destacando as receitas que compõe o grupo de “Outras Receitas” incluído à base de cálculo indevidamente, bem como, cópias de peças contábeis. Argumenta também que o fato de não apresentar DCTF retificadora se traduz em mero erro, passível de correção. Esse caderno processual retorna a esse Colegiado em razão do Acórdão proferido em 07 de julho de 2011, que converteu o julgamento em diligência para que fosse apurado: 1) o verdadeiro faturamento da empresa informado em DIPJ e em outras declarações obrigatórias; 2) se a recorrente estava submetida ao regime cumulativo; 3) que fosse detalhado as receitas que compõe o grupo “Outras Receitas”, informando se as mesmas estavam sujeitas ou não à incidência da contribuição. O resultado da diligência fiscal encontra assim: “INFORMAÇÃO FISCAL PROCESSO N: 10.830.912.974/200965 COMPETÊNCIA: 08/2001 TRIBUTO: PIS/PASEP Contribuinte Nome / Nome Empresarial CPF / CNPJ COIM BRASIL LTDA 65.426.538/000108 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.912974/200965 Acórdão n.º 3403002.671 S3C4T3 Fl. 9 3 Logradouro Número Complemento R. ANGELO BEVILÁQUA, 527 Bairro Cidade / UF CEP DISTRITO INDUSTRIAL VINHEDO /SP 13.280000 Conforme Despacho de Diligência, contido neste processo, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara resolveu converter o Julgamento em Diligência, para: 1) que seja averiguado por meio da contabilidade, da DIPJ e outras declarações obrigatórias o verdadeiro faturamento da empresa; 2) verificar se a empresa está realmente sujeita ao regime cumulativo; 3) detalhar as receitas que compõem o grupo “outras receitas”, informando se estão ou não sujeitas à incidência da contribuição. Resposta ao item 1; 1.1 Através da contabilidade e documentos correlatos apuramos o valor de R$ 17.991.986,10 referente ao Faturamento da Empresa, e o valor de R$ 14.621.357,16 referente a Base de Cálculo da contribuição. 1.2 – Conforme solicitado, estamos anexando os Demonstrativos do Total Faturamento e da Base de Cálculo original, para o PIS/PASEP e COFINS, declarado pelo contribuinte em suas Fichas 19 A (cálculo da contribuição para o PIS/PASEP) e 20 A (cálculo da contribuição para a COFINS), integrantes da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Juridica DIPJ. ( = R$ 14.621.357,16) 1.3 Estamos também anexando uma planilha “MEMÓRIA DE CÁLCULO” de origem contábil, onde contém todo o Faturamento da empresa e demonstra: A Base de Cálculo PIS/COFINS reconhecida hoje pela empresa: B Base de Cálculo Outras Receitas e Receitas Financeiras (origem do pedido de ressarcimento); C Base de Cálculo original, que é a soma de A + B ( = R$ 14.585.923,52); Resposta ao item 2; 2.1 – A sistemática da Cumulatividade foi alterada com o advento da Medida Provisória n. 66, de 29/08/2002, convertida posteriormente na Lei n. 10.637 de 30/12/2002, que introduziu a sistemática NÃO CUMULATIVA do PIS/PASEP. A NÃO CUMULATIVIDADE da COFINS veio em seguida, por meio da Medida Provisória n. 135, de 30/12/2003, convertida em Lei n. 10.833 de 29/12/2003. Então, a partir de 01/12/2002, em relação ao PIS/PASEP, e 01/02/2004, em relação à COFINS, passamos a conviver com os dois regimes de apuração das contribuições, o CUMULATIVO e o NÃO CUMULATIVO. Portanto neste Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 processo, nesta contribuição aqui tratada, relativamente a este mês de competência, a sistemática utilizada ainda é a CUMULATIVA. Resposta ao item 3; 3.1 – Antes da Lei n. 9.718/1998, a Base de Cálculo do PIS/PASEP e da COFINS era sobre o Faturamento da Pessoa Jurídica, porém com a edição da Lei n. 9.718/1998, a Base de Cálculo passou a ser a RECEITA BRUTA da Pessoa Jurídica, ocorrendo o denominado ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Com a edição da Lei n. 11.941/2009 de 28/05/2009 em seu inciso XII do art. 79, foi revogado o dispositivo da abrangência da Base de Cálculo, reconhecido como inconstitucional. Assim, depois disto, somente as receitas decorrentes do objeto social da Pessoa Jurídica são Bases de Cálculos para o PIS e COFINS, ficando de fora as demais Receitas, como por exemplo as Receitas Financeiras e de Aluguéis de Imóveis. 3.2 Entendemos então, que até a edição da Lei n. 11.941/2009 de 28/05/2009, todas as Receitas do grupo Outras Receitas, bem como as Receitas Financeiras, tinham a incidência tributária e integravam a Base de Cálculo tanto do PIS/PASEP, quanto da COFINS. O detalhamento das Receitas que compõe o Grupo de contas 3.15.00 Outras Receitas/Despesas Operacionais e 3.23.00 Receitas Financeiras, encontramse abaixo discriminados: 3.15.01 Receitas Diversas Operacionais Nesta conta foram lançados créditos de R$ 24.008,35 em 2001, R$ 31.429,81 em 2002 e 53.977,25 em 2003, distribuídos em diversos valores lançados ao longo de cada mês. Se referem a descontos concedidos por fornecedores ou juros pagos por clientes, que acabaram por serem registradas nestas contas. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.15.02 Recuperação de Despesas Lançamento de devolução de prêmio de seguro cobrado a maior. Lançamento de valor recebido de sinistro causado por dano elétrico. Foram oferecidos à tributação e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.15.03 Amortização de Ágio/Deságio de Investimento Não foram oferecidos à tributação do PIS/COFINS, pois esta conta contábil é de natureza devedora, e nela foram registrados a débito valores referentes ao ágio apurado na aquisição da empresa, em 60 (sessenta meses). 3.15.05 – Recuperação de Custo Realizado Não foram oferecidos à tributação do PIS/COFINS (pois a contribuinte entende que não se enquadram no conceito de faturamento e da Base de Cálculo). Os valores referentes aos meses de outubro e dezembro de 2002 foram tributados, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.15.06 Honorários Advocatícios Não foram oferecidos à tributação do PIS/COFINS, pois esta conta contábil é de natureza Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.912974/200965 Acórdão n.º 3403002.671 S3C4T3 Fl. 10 5 devedora, e nela foram registrados a débito valores referentes pagamento de serviços prestados honorários de advogados. 3.15.07 – Despesas com Indenizações a Terceiros Não foram oferecidos à tributação do PIS/COFINS, pois não se enquadram no conceito de faturamento. Os valores referentes ao mês de julho de 2002 referese despesa com serviços prestados a empresas Owaco. 3.15.08 Amortização de Ágio Novacote Não foram oferecidos à tributação do PIS/COFINS, pois esta conta contábil é de natureza devedora, e nela foram registrados a débito valores referentes ao ágioNovacote apurado na aquisição da empresa, em 60 (sessenta meses). 3.23.00 Receitas Financeiras 3.23.01 Juros Recebidos Lançamentos de juros recebidos através de duplicatas vencidas de Clientes. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.02 – Descontos Obtidos Lançamentos de descontos obtidos através de pagamento de Fornecedores. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.04 Variação Monetária Ativa Lançamentos de atualização de créditos de IRPJ e CSLL a recuperar, pela taxa Selic. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.05 – Créditos de operações diversas Lançamento de estorno de recebimento indevido no mês de fevereiro de 2001, referente ao cliente “Maxdel” (houve movimento desta conta somente em Agosto de 2001). Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.06 – Variação Cambial Ativa Lançamentos de Variação Cambial Ativa de Clientes ou Fornecedores mediante a Taxa Cambial utilizada no mês de referência. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeiras Lançamento de Receitas obtidas em função das aplicações financeiras bancária mensal, conforme data da aplicação. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. Diante do acima exposto, encaminhese o presente processo à 3a.Turma da 4a. Câmara do CARF. Campinas, em 07 de agosto de 2012. AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil Nome Matrícula Assinatura RADAMÉS ASSAD JÚNIOR 877.852 SP CAMPINAS DRF”. É o relatório. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuida de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A discussão travada entre o Fisco e o Contribuinte é da inexistência do indébito apontado oriundo de pagamento a maior decorrente da inclusão à base de cálculo de receitas não provenientes do faturamento da empresa. A negativa da Administração Tributária se prende ao episódio da ausência de apresentação de DCTF retificadora antes do Despacho Decisório que negou o pleito. Em sede recursal entendeu o Colegiado em transformar o julgamento em diligência para verificação de três pontos, o que restou a meu sentir esclarecido pelo Agente Fiscal como se infere da transcrição consignada no relatório. Há entendimento de que cabe ao Interessado comprovar no primeiro momento em que consubstancia o direito buscado, em sede administrativa, também existe aqueles cujos juízos são de que esse tempo de comprovação é mais largado, tudo isso em homenagem ao princípio da verdade. É o que ocorreu neste caderno. O rigor em obediência ao rito penso que é necessário em razão da importância do instituto processual, no entanto, cabe ao Julgador Administrativo, em certas oportunidades temperálo, é o caso tratado nesse processado. Vejo que a diligência foi de grande valia e luminosa ao julgamento, tomando como fonte a informação fiscal que, definitivamente esclareceu que há inclusão à base de cálculo de receitas não oriundas do faturamento. Sendo um ponto relevante ao deslinde da querela, portanto, não há como deixar de enxergar o direito subjetivo do contribuinte em estar nessa sede debatendo para ver reconhecido o seu pleito. Nesse sentido a diligência fiscal dissecou as contas: 3.15.00 “Outras Receitas/Despesas Operacionais” e 3.23.00 “Receitas Financeiras” “... todas as Receitas do grupo Outras Receitas, bem como as Receitas Financeiras, tinham a incidência tributária e integravam a Base de Cálculo tanto do PIS/PASEP, quanto da COFINS. O detalhamento das Receitas que compõe o Grupo de contas 3.15.00 Outras Receitas/Despesas Operacionais e 3.23.00 Receitas Financeiras, encontramse abaixo discriminados: Com a segurança traduzida pelas informações colhidas em diligência, a toda evidência, que a contribuinte fez incluir à base de cálculo receitas não sujeita a exação da contribuição exigida. Corrobora ainda com afirmação de que no período de apuração do indébito a recorrente encontrava submetida ao regime cumulativo das contribuições destinadas para o PIS e a COFINS, fato esse suficiente o bastante para aplicar a regra traçada pela Lei nº 9.718/98. Assim, demonstra que as receitas contabilizadas nas contas: 3.23.01 – Juros Recebidos; 3.23.02 Descontos Obtidos; 3.23.04 Variação Monetária Ativa; 3.23.05 – Créditos de operações diversas; 3.23.06 – Taxa Cambial e 3.23.08 – Receitas de Aplicação Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.912974/200965 Acórdão n.º 3403002.671 S3C4T3 Fl. 11 7 Financeiras, as formam a base de cálculo, e, sendo assim, apuração da contribuição é maior do que o valor correto a ser apurado incidente sobre o faturamento. Infere da leitura das explicações elaboradas durante a diligência aqui anotadas que tratam de receitas não sujeitas à incidência de contribuição: 3.23.00 Receitas Financeiras 3.23.01 Juros Recebidos Lançamentos de juros recebidos através de duplicatas vencidas de Clientes. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.02 – Descontos Obtidos Lançamentos de descontos obtidos através de pagamento de Fornecedores. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.04 Variação Monetária Ativa Lançamentos de atualização de créditos de IRPJ e CSLL a recuperar, pela taxa Selic. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.05 – Créditos de operações diversas Lançamento de estorno de recebimento indevido no mês de fevereiro de 2001, referente ao cliente “Maxdel” (houve movimento desta conta somente em Agosto de 2001). Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.06 –mediante a Taxa Cambial utilizada no mês de referência. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos Variação Cambial Ativa Lançamentos de Variação Cambial Ativa de Clientes ou Fornecedores pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeiras Lançamento de Receitas obtidas em função das aplicações financeiras bancária mensal, conforme data da aplicação. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa”. Assim, em que pese o comentário de que toda e qualquer receita até ao advento da Lei nº 11.941/2009, mesmo sabedor da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.818/98 pelo STF, estava sujeita à incidência da contribuição é interpretação subjetiva do Auditor Fiscal. Estando submetida ao regime cumulativo das contribuições, como é de toda sabença, o faturamento é receita proveniente da venda de mercadorias, prestação de serviços, ou venda de mercadorias e prestação de serviços como restou declarado pela mais alta corte do judiciário. Em sendo assim, o entendimento de alcance extendido a todo e qualquer receita há muito restou decididamente sepultada, e, não há como acolher tal entendimento trazido em diligência quanto à eficácia do inciso 1ºm do art. 3º da Lei nº 9.818/98 até ao acontecimento da Lei nº 11.941/2009, não encontra respaldo na doutrina e tampouco na jurisprudência forense, assim como, administrativa. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Por força do Regimento Interno, as decisões relativas a declaração de inconstitucionalidade pelo STJ e do STF deve ser aplicadas de pronto ao procedimento administrativo. Confirmado a inclusão à base de cálculo, além do faturamento, de outras receitas que em decorrência da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.818/98 deixaram de ser consideradas para efeitos de incidência da contribuição para o PIS e a COFINS. Assim, milita em favor da contribuinte o direito de reaver da Fazenda Pública o que pagou a maior, dúvida não há mais quanto à inclusão de receitas diferentes do faturamento à base de cálculo. Há entendimento dessa Turma que a retificação de DCTF não é determinante no reconhecimento do direito de pedir indébito, em sendo assim, mantenho fiel a esse posicionamento. Certo do direito exercido, entendendo administração de que o valor demonstrado em planilha juntada com o resultado da diligência esteja correto, embora afiançado pelo Auditor Fiscal encarregado do trabalho, deve ser reconhecido. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial, reconhecendo o direito da contribuinte em afastar da base de cálculo as receitas: 3.23.01 – Juros Recebidos; 3.23.02 Descontos Obtidos; 3.23.04 Variação Monetária Ativa; 3.23.05 – Créditos de operações diversas; 3.23.06 – Taxa Cambial e 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeiras. O provimento é parcial porque essa decisão limitou a reconhecer o direito da exclusão da base de cálculo em relação aos valores oferecidos à tributação conforme constatado em diligência. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11030.903993/2012-84
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 39 93 /2 01 2- 84 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903993/201284 Acórdão n.º 3803005.432 S3TE03 Fl. 65 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o Pedido de Restituição formulado, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903993/201284 Acórdão n.º 3803005.432 S3TE03 Fl. 66 3 Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903993/201284 Acórdão n.º 3803005.432 S3TE03 Fl. 67 4 Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903993/201284 Acórdão n.º 3803005.432 S3TE03 Fl. 68 5 § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903993/201284 Acórdão n.º 3803005.432 S3TE03 Fl. 69 6 “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903993/201284 Acórdão n.º 3803005.432 S3TE03 Fl. 70 7 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor dofaturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903993/201284 Acórdão n.º 3803005.432 S3TE03 Fl. 71 8 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903993/201284 Acórdão n.º 3803005.432 S3TE03 Fl. 72 9 contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903993/201284 Acórdão n.º 3803005.432 S3TE03 Fl. 73 10 Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903993/201284 Acórdão n.º 3803005.432 S3TE03 Fl. 74 11 fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903993/201284 Acórdão n.º 3803005.432 S3TE03 Fl. 75 12 VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903993/201284 Acórdão n.º 3803005.432 S3TE03 Fl. 76 13 Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903993/201284 Acórdão n.º 3803005.432 S3TE03 Fl. 77 14 Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903993/201284 Acórdão n.º 3803005.432 S3TE03 Fl. 78 15 Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Nestesentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – eisso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre ofaturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a SupremaCorte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903993/201284 Acórdão n.º 3803005.432 S3TE03 Fl. 79 16 Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903993/201284 Acórdão n.º 3803005.432 S3TE03 Fl. 80 17 mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo provimento parcial do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator. Voto Vencedor Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903993/201284 Acórdão n.º 3803005.432 S3TE03 Fl. 81 18 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da 3ª Turma Especial para redigir o voto vencedor, passo a expor os fundamentos de fato e de direito em que ele se baseia. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. 1 ADC n° 18/DF Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903993/201284 Acórdão n.º 3803005.432 S3TE03 Fl. 82 19 Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903993/201284 Acórdão n.º 3803005.432 S3TE03 Fl. 83 20 Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, a Cofins não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VI do § 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 19515.003053/2009-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
INCORPORAÇÕES DE SOCIEDADES. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. DEDUÇÃO INDEVIDA.
A legislação fiscal somente admite a dedutibilidade da amortização do ágio proveniente de incorporação, se efetivamente ocorre o desembolso do valor pago a este titulo por empresas de partes não relacionadas e em que se demonstre a rentabilidade futura por laudo contemporâneo à essa aquisição A dedução autorizada pelo artigo 386 do RIR/99 decorre do encontro no mesmo patrimônio da participação societária adquirida com o ágio pago por essa participação. Em face dessa "confusão patrimonial" entre o investimento e o ágio pago pela sua aquisição, somente nessa situação a legislação admite que o contribuinte considere perdido o seu capital investido com o ágio e, assim, deduza a despesa que ele teve quando da sua aquisição, o que não se verificou no caso concreto.
ÔNUS DA PROVA. DETERMINAÇÃO DO VALOR DO ÁGIO. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe à recorrente trazer juntamente com suas alegações de defesa todos os documentos que dêem a elas força probante
.PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO ESPECÍFICO.
No planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. ÁGIO DE SI MESMO.
Segregados os ágios cuja amortização fora glosada, retira-se a glosa do ágio que não foi classificado como ágio de si mesmo, tendo em vista confirmar o efetivo pagamento, a transação entre partes não relacionadas e seu fundamento econômico (rentabilidade futura).
Diante da inexistência de efetivo desembolso de recursos e ausente a efetiva mudança de controle acionário, não se admite a dedutibilidade dos demais ágios, considerados ágio de si mesmo.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. Conforme precedentes desta Corte, o processo administrativo fiscal visa primordialmente ao controle de legalidade dos atos da Administração, pelo que as normas relativas à preclusão devem ser interpretadas com menos rigor, especialmente aquelas relacionadas às fases postulatoria e instmtória do procedimento.
Nessa linha, não restam preclusas questões jurídicas invocadas pelo contribuinte apenas em sede de recurso voluntário quando este contesta a tributação em sede de impugnação, ainda que por outros fundamentos.
COERÊNCIA INTERNA DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE DUAS INFRAÇÕES FISCAIS ANTAGÔNICAS ENTRE SI
O Auto de Infração deve manter uma coerência interna. Se a Autoridade Fiscal defende a inexistência efetiva dos atos de reorganização societária e conclui pela impossibilidade de gerar efeitos fiscais, esse mesmo argumento deveria balizar a impossibilidade de ser apurado ganho de capital nas operações tidas como inexistentes.
Não se pode manter duas acusações fiscais (amortização do ágio e ganho de capital) baseadas em fundamentos antagônicos, sendo que a confirmação de uma acusação fiscal (inexistência das operações de geração de ágio) implica necessariamente na impossibilidade de a outra prosperar (apuração de ganho de capital sobre o ágio na venda). Os fatos narrados no Auto de Infração são incompatíveis entre si.
INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSLL SOBRE JUROS DECORRENTES DE OBRIGAÇÕES DE REAPARELHAMENTO ECONÔMICO. AUSÊNCIA DE DISPONIBILIDADE JURÍDICA
Tendo em vista a impossibilidade de as obrigações do Reaparelhamento Econômico produzirem qualquer acréscimo patrimonial ao contribuinte, a eventual tributação pelo imposto de renda (por conseqüência pela CSLL) conduziria à tributação por mera ficção, vez que ausente a disponibilidade jurídica e econômica e, ainda, ausente o próprio acréscimo patrimonial.
APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA.
A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstancia-se no recolhimento de tributo
Numero da decisão: 1401-000.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso de ofício; EM DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos seguintes termos: i) Por unanimidade de votos, NÃO CONHECERAM das alegações recursais no que concerne à tributação dos juros advindos de "obrigações do reaparelhamento econômico"; ii) Por unanimidade de votos, ACOLHERAM as alegações de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em 2003; iii) Pelo voto de qualidade, NEGARAM provimento em relação à glosa do chamado ÁGIO 1. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias.Designado o Conselheiro Antonio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor; iv) Por unanimidade de votos, NEGARAM provimento em relação à glosa dos ÁGIOS 2 e 3 (Ágio interno); v) Por maioria de votos, DERAM provimento à glosa dos prejuízos fiscais pelo fato de estar tributando o ganho de capital apurado sobre o valor do ágio, tido como inexistente. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos ; vi) Por maioria de votos, DERAM PROVIMENTO para cancelar a aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
(assinado digitalmente)
JORGE CELSO FREIRE DA SILVA - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA - Relator.
ANTONIO BEZERRA NETO Redator Designado
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCORPORAÇÕES DE SOCIEDADES. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. DEDUÇÃO INDEVIDA. A legislação fiscal somente admite a dedutibilidade da amortização do ágio proveniente de incorporação, se efetivamente ocorre o desembolso do valor pago a este titulo por empresas de partes não relacionadas e em que se demonstre a rentabilidade futura por laudo contemporâneo à essa aquisição A dedução autorizada pelo artigo 386 do RIR/99 decorre do encontro no mesmo patrimônio da participação societária adquirida com o ágio pago por essa participação. Em face dessa "confusão patrimonial" entre o investimento e o ágio pago pela sua aquisição, somente nessa situação a legislação admite que o contribuinte considere perdido o seu capital investido com o ágio e, assim, deduza a despesa que ele teve quando da sua aquisição, o que não se verificou no caso concreto. ÔNUS DA PROVA. DETERMINAÇÃO DO VALOR DO ÁGIO. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe à recorrente trazer juntamente com suas alegações de defesa todos os documentos que dêem a elas força probante .PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO ESPECÍFICO. No planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. “ÁGIO DE SI MESMO”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 30 53 /2 00 9- 57 Fl. 2161DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Segregados os ágios cuja amortização fora glosada, retirase a glosa do ágio que não foi classificado como “ágio de si mesmo”, tendo em vista confirmar o efetivo pagamento, a transação entre partes não relacionadas e seu fundamento econômico (rentabilidade futura). Diante da inexistência de efetivo desembolso de recursos e ausente a efetiva mudança de controle acionário, não se admite a dedutibilidade dos demais ágios, considerados “ágio de si mesmo”. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. Conforme precedentes desta Corte, o processo administrativo fiscal visa primordialmente ao controle de legalidade dos atos da Administração, pelo que as normas relativas à preclusão devem ser interpretadas com menos rigor, especialmente aquelas relacionadas às fases postulatoria e instmtória do procedimento. Nessa linha, não restam preclusas questões jurídicas invocadas pelo contribuinte apenas em sede de recurso voluntário quando este contesta a tributação em sede de impugnação, ainda que por outros fundamentos. COERÊNCIA INTERNA DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE DUAS INFRAÇÕES FISCAIS ANTAGÔNICAS ENTRE SI O Auto de Infração deve manter uma coerência interna. Se a Autoridade Fiscal defende a inexistência efetiva dos atos de reorganização societária e conclui pela impossibilidade de gerar efeitos fiscais, esse mesmo argumento deveria balizar a impossibilidade de ser apurado ganho de capital nas operações tidas como inexistentes. Não se pode manter duas acusações fiscais (amortização do ágio e ganho de capital) baseadas em fundamentos antagônicos, sendo que a confirmação de uma acusação fiscal (inexistência das operações de geração de ágio) implica necessariamente na impossibilidade de a outra prosperar (apuração de ganho de capital sobre o ágio na venda). Os fatos narrados no Auto de Infração são incompatíveis entre si. INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSLL SOBRE JUROS DECORRENTES DE OBRIGAÇÕES DE REAPARELHAMENTO ECONÔMICO. AUSÊNCIA DE DISPONIBILIDADE JURÍDICA Tendo em vista a impossibilidade de as obrigações do Reaparelhamento Econômico produzirem qualquer acréscimo patrimonial ao contribuinte, a eventual tributação pelo imposto de renda (por conseqüência pela CSLL) conduziria à tributação por mera ficção, vez que ausente a disponibilidade jurídica e econômica e, ainda, ausente o próprio acréscimo patrimonial. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2162DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.003053/200957 Acórdão n.º 1401000.850 S1C4T1 Fl. 2.162 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso de ofício; EM DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos seguintes termos: i) Por unanimidade de votos, NÃO CONHECERAM das alegações recursais no que concerne à tributação dos juros advindos de "obrigações do reaparelhamento econômico"; ii) Por unanimidade de votos, ACOLHERAM as alegações de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em 2003; iii) Pelo voto de qualidade, NEGARAM provimento em relação à glosa do chamado ÁGIO 1. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias.Designado o Conselheiro Antonio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor; iv) Por unanimidade de votos, NEGARAM provimento em relação à glosa dos ÁGIOS 2 e 3 (Ágio interno); v) Por maioria de votos, DERAM provimento à glosa dos prejuízos fiscais pelo fato de estar tributando o ganho de capital apurado sobre o valor do ágio, tido como inexistente. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos ; vi) Por maioria de votos, DERAM PROVIMENTO para cancelar a aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. (assinado digitalmente) JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Relator. ANTONIO BEZERRA NETO – Redator Designado (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 2163DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário e de Ofício interpostos contra o acórdão nº 1626.574, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, que julgou procedente em parte a Impugnação. Por descrever os fatos com riqueza de detalhes, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n° 08.1.90.002008038839 e prorrogações (fls.04 e 05) a Fiscalização da Delegacia de Fiscalização DEFIS, apurou, no domicilio fiscal da contribuinte acima identificada, os seguintes fatos, conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 729 a 741): 2 A contribuinte vem se beneficiando indevidamente com a dedução de ágio no valor de R$ 56.448.433,41 e R$ 75.193.124,00, oriundo, respectivamente ,das incorporações das empresas Partseram Participações e Serviços Ambientais Ltda, o corrida em 01/01/2000, Siwa Serviços Ambientais e Participações Ltda, e G.D.A.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda, ocorridas em 21/03/2005. 3 A auditora fiscal considerou que em ambos os casos, houve simulação, através da utilização de empresa "veiculo" para aproveitamento fiscal do ágio criado pelas controladoras da fiscalizada. No caso da G.D.A.S.P.E, a própria fiscalizada afirma isso, em resposta ao Termo de Reintimação Fiscal, lavrado em 20/08/2008. 4 Embasa essas considerações o fato que a empresa Partseram foi criada apenas três meses antes de ser incorporada e a empresa G.D.A.S.P.E, menos de seis meses antes de sua incorporação. Essas empresas nunca auferiram qualquer rendimento, nem tiveram funcionários, e nunca se caracterizaram como empresas operativas, servindo unicamente para a transferência de ágio para a incorporadora. 5 0 capital de ambas as empresas foi integralizado com ações da fiscalizada adquiridas com ágio, com fundamento econômico no inciso II do art. 385 do RIR/99, ou seja, com base em previsão de resultados de exercícios futuros. 6 No caso da G.D.A.S.P.E, a integralização do capital social com ações da fiscalizada, foi feita pela empresa Sideco Participações Ltda e Civilia Engenharia Ltda, que adquiriram essas cotas da empresa Siwa, com ágio de R$ 75.193.125,00, o qual se tornou provisão para ágio na G.D.A.S.P.E e tem sido amortizado a razão de 1/60 avos por mês pela incorporadora, ora fiscalizada. 7 A empresa Siwa por sua vez, ao vender as cotas da Qualix com ágio para as empresas Sideco e Civilia, compensou integralmente o lucro apurado nessa venda com a totalidade de Fl. 2164DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.003053/200957 Acórdão n.º 1401000.850 S1C4T1 Fl. 2.163 5 seus prejuízos acumulados, sem respeitar o limite de 30% do lucro liquido ajustado, conforme determina o art. 510 do RIR/99. 8 Foi apurado também que essas operações de transferência de ações com ágio, somente ocorreram contabilmente, sem transferência ou efetivo desembolso de valores, 9 A auditora fiscal considerou os fatos como simulados, decorrentes de meras operações contábeis que não refletiram atos efetivamente existentes, tornando ilegítima a reorganização societária. Cita vários acórdãos do Conselho de Contribuintes que emb conclusões. DR SP1 Fls. 82 as 11 A auditora fiscal concluiu ter havido criação e transferência de ágio através de empresasveiculo, criadas sem qualquer propósito negocial e invalidando a tese de investimento visando a rentabilidade futura, uma vez que o investimento inexistiu, não passando de operações contábeis e fiscais, sem movimentação de valores. 12 A auditorafiscal ressalta também que a multa deverá ser qualificada de acordo com o §1° do art. 44 da Lei n°9.430/1996, combinado com o art.71 da Lei n°4.502/64. 13 Foi apurado também que a empresa além de proceder indevidamente amortização de ágio extracontabilmente, a fiscalizada também deduziu indevidamente do lucro bruto, pelos menos motivos expostos, à titulo de "Resultados Negativos em Participações Societárias" os valores totais de R$ 7.645.011,60 na DIPJ referente ao períodobase de 01/01/2004 a 31/12/2004, R$ 1.274.168,60, na DIPJ ao período de apuração de 01/01/2005 a 31/03/2005, R$ 6.370.431,00, na DIPJ relativa ao período de apuração 22/03/2005 as 31/12/2005, R$ 7.645.011,60 na DIPJ relativa ao período de apuração de 01/01/2006 a 31/12/2006 e R$ 7.645.011,60 na DIPJ relativa ao períodobase de R$ 01/01/2007 a 31/012/2007, que também concentram a amortização de ágio oriundo da incorporação da empresa Partseram em janeiro de 2000'. , 14 Foi apurado que a empresa SiNVa ,Serv. Ambientais e Participações Ltda, incorporada pela fiscalizada em 21/03/2005, ao vender as cotas da Qualix com ágio para a empresa Sideco Participações Ltda e Civilia Engenharia Ltda , em 01/03/2005, compensou integralmente o lucro real obtido em função dessa venda, no valor de R$ 71.258.694,58, com a totalidade de seus prejuízos acumulados de anos anteriores, sem respeitar o limite de 30% do lucro liquido ajustados, imposto pelo art. 510 do RIR/99, conforme DIPJ relativa ao períodobase de 01/01/2005 a 21/03/2005. 15 Foi apurado que a empresa deduziu indevidamente do seu lucro liquido, juros advindos de "obrigações de Reaparelhamento Econômico" série 1.953, no valor de R$ 1.085.000,00, as quais , realizadas e atualizadas monetariamente, em 07/12/2005, geraram juros de R$ 24.110.611,22, provisionados e excluídos na apuração do Lucro Real. Essa exclusão foi glosada por falta de previsão legal., pois Fl. 2165DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 o art. 250 e seus incisos do RIR/99, não contempla tal exclusão, o que a torna indedutivel. 16 Foi apurado que a fiscalizada compensou indevidamente prejuízo fiscal de IRPJ e base de cálculo negativa de CSLL, em 31/12/2005, tendo em vista a reversão de prejuízo após o lançamento das infrações constatadas nos períodos base fiscalizados, sendo lançada essa diferença no presente auto de infração. 17 Foi apurada multa isolada de IRPJ e CSLL por falta de recolhimento mensal de estimativa, uma vez que foi apurada base tributaria mensal positiva com o procedimento fiscal. 18 Desse modo, foi apurada a base tributária conforme fls. 759 e, em 29/08/2009, foram efetuados os seguintes lançamentos: — Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 749 a 754), relativo ao período de apuração de 01/01/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/12/2004 e 01/01/2005 a 21/03/2005: Total do crédito tributário, R$ 49.365.885,94, incluídos o tributo e juros de mora e multa isolada , calculados até 24/08/2009. Funda Embasamento legal:arts. 222, 247, 250 inciso III, 251 e parágrafo inciso II, parágrafo 2° e seu inciso II 386, inciso III, 510 e 843 do com art. 44 , §1°, inciso IV da Lei n° 9.430/1996, alterado pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL (fls. 759 a 763): Total do crédito tributário, R$ 14.335.602,97, incluídos o tributo e juros de mora, calculados até 24/11/2009. Fundamento legal: artigo 2°, e §§, da Lei n° 7.689/88, artigo 1° da Lei n° 9.316/96; artigo 28 da Lei n° 9.430/96; e artigo 37 da Lei n° 10.637/2002. — Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 777 a 783), relativo ao período de apuração de 22/03/2005 a 31/12/2005, 01/01/2006 a 31/12/2006 e 01/01/2007 a 31/12/2007: Total do crédito tributário, R$ 64.786.652,25, incluídos o tributo e juros de mora e multa isolada , calculados até 24/08/2009. Fundamento legal: Embasamento legal:arts. 222, 247, 250 inciso III, 251 e parágrafo único, 385, inciso II, parágrafo 2° e seu inciso 11 386, inciso III, 510 e 843 do RIR/99 c/c com art. 44 , §1°, inciso IV da Lei n° 9.430/1996, alterado pelo art. 14 da lei n° 11.488/2007. — Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL (fls. 788 a 794): Total do crédito tributário, R$ 20.257.760,27, incluídos o tributo e juros de mora, calculados até 24/11/2009. Fundamento legal: artigo 2°, e §§, da Lei n° 7.689/88, artigo 1° da Lei n° 9.316/96; artigo 28 da Lei n° 9.430/96; e artigo 37 da Lei n° 10.637/2002. Multas Exigidas Isoladamente (fls. 804 a 806): Total do crédito tributário, R$ 6.571.982,45. Fundamento legal: arts. 222 e 843 Fl. 2166DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.003053/200957 Acórdão n.º 1401000.850 S1C4T1 Fl. 2.164 7 do RIR/99, c/c art. 44, § 1°, inciso IV da Lei n° 9.430/1996, alterado pela art. 14 da Lei n° 11.488/2007. 19 Inconformada com o lançamento do qual foi cientificada/ em 27/08/2009, conforme AR de fls. 820, a contribuinte protocolizou em 23/09/2009, a impugnação (fls. 822 a 868), relativa ao lançamento fiscal, em apertada síntese, a seguir: 19.1 Informa primeiramente seu endereço A rua Pedroso Alvarenga, n° 1284, 6° andar, conjunto B, no Itaim Bibi e a data do recebimento da notificação fiscal: 27/08/2009. 19.2 Faz o relato dos fatos (fls. 823 a 831). 19.3 Preliminarmente, alega que a simulação aventada pelo AFRFB, não encontraria "justificativa .especifica em nenhuma das decisões ou acórdãos transcritos e utilizados pela SFRFB." (sic), argumentando que a simulação é definida pelo Código Civil, em seu art. 167 e que a impugnante não feriu qualquer item do Código Civil, e unicamente teria procedido As "incorporações justificadas de empresas com objetos sociais afins, nos termos da legislação vigente" (sic). 19.4 Cita acórdãos do Conselho de Contribuintes que embasaria o que alega. 19.5 Cita Heloisa Guarita Souza a respeito da multa agravada, copiando lo que teria sido escrito por essa advogada, citando ainda o endereço do siti vvww.prolik.com.br. 19.6 Alega que a "SRFB" (sic), "...deveria ter provado concretamente, não subjetivamente baseada na opinião do AFRF1V, que foram cometidos : dolo com a intenção de fraudar o fisco e sonegar tributos. "(sic). 19.7 Alega que o que restaria comprovado seria que a impugnante, legal e regularmente procedeu a incorporação de empresas afins, legalmente constituídas e em funcionamento, procedendo com os atos e registros devidos, e aplicou os ditames da Legislação Comercial e Tributária indicados à essas operações. 19.8 Cita artigo publicado no jornal Valor Enonomico e artigo do Jornal Gazeta Mercantil a respeito do assunto, alegando que "...corroborando com a prova da impugnante "Qualix", e com a necessidade da SRFB de criar créditos tributários" (sic — grifado no original). 19.9 Alega que os cálculos dos ágios foram^ fundamentados em laudos de avaliação elaborados por empresas especializada, argumentando que a conclusão do AFRFB seria subjetiva. Fl. 2167DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 19.10 Alega que a inexistência de atos econômicos não encontraria respaldo na legislação do Imposto de Renda, informando que as sociedades possuíam conta bancária e integralizaram capital social e ainda informa que a afirmação que o capital social das sociedades incorporadas foi integralizados com ações da Qualix é incorreta, e apresenta um demonstrativo onde mostra que a Qualix nunca foi sócia de nenhuma das sociedades incorporadas: 19.11 Alega que são legitimas as práticas contábeis efetuadas e que resultaram nos valores que a AFRFB subjetivamente glosou e adicionou aos resultados da Qualix. 19.12 Cita os artigos utilizados para a fundamentação legal do lançamento para alega que amortizou o ágio apurado nas incorporações da Siwa, Partseram e G.D.A.S.P.E., nos termos do artigo 386 do RIR/99 a razão de 1/60 em cada mês , "...fundamentando esses valores em fundamento econômico" (sic) 19.13 Alega que comprova esse fundamento econômico das operações de incorporação pelo demonstrativo da evolução da receita bruta da impugnante Qualix„ relativo aos períodos imediatamente seguintes à incorporações. 19.14 Esses valores foram amortizados extracontabilmente, ou seja no LALUR. 19.15 Alega que o ágio oriundo da empresa Partseram foram lançad Resultados Negativos em Participações Societárias, sendo complementares a amortização de ágio, porem tratados contabilmente 19.16 Alega que o manual de instruções de preenchimento da DIPJ indica a linha 38 da ficha 06 A como a linha correta para declaração desses valores e foi o que a empresa fez. 19.17 Alega que a participação da fiscalizada na Partseram se encerrou em março de 2005 e que nesse caso poderia deduzir, de acordo com o item b da regra contida no citado manual de instruções para a mesma linha 38 da ficha 06 A , o que afirma que a empresa não o fez e desse modo não caberia a glosa fiscal, argumentando que atendeu também ao art. 430 do RIR/99. 19.18 Alega que a impugnante Qualix adicionou ao resultado do exercício de 2005, o valor total do ágio verificado pela Siwa, no valor de R$ 71.258.694,58, e que a auditora fiscal entendeu que apenas 30% desse valor poderia ter sido aproveitado pela Siwa, ou seja, R$ 21.377.608,37 e, desse modo adicionou a totalidade do valor do ágio no resultado da fiscalizada, utilizando como fundamento legal o art. 132 do Código Tributário Nacional. Fl. 2168DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.003053/200957 Acórdão n.º 1401000.850 S1C4T1 Fl. 2.165 9 19.19 Alega que o art. 430 do RIR199, encontrase revogado pela superveniência do art. 21 da lei n° 9.249/1995 e pela Lei n° 9.532/1997, cujos arts. 7° e 8° teriam regulado o tratamento tributário do ágio e que a contribuinte entende que tais normas não colidem com a regra consolidada no RIR/99, art.430, por regularem hipóteses distintas. Cita acórdão do CC a respeito. 19.20 Conclui que a empresa Siwa compensou todo o valor do ágio verificado com o seu saldo de prejuízos acumulados , de forma licita por se tratar da declaração de encerramento por incorporação. 19.21 Alega que foi adicionado, injustamente pela auditora fiscal, os valores de juros calculados sobre títulos de divida pública, ao resultado de 2005. 19.22 Alega que embora esses títulos estejam prescritos, tem sido aceitos como garantia ou caução e, eventualmente poderão ter sua validade reconhecida, já existindo diversas ações judiciais nesse sentido. 19.23 Alega que foi por mera liberalidade , que não teria contrariado os princípios da contabilidade é que a impugnante procedeu ao registro do cálculo de juros sobre o valor investido na compra da Obrigações de Reaparelhamento Econômico, e que seria injusto e indevido o pagamento de tributos sobre um valor que nada representa em termos de base de cálculo tributável 19.24 Alega que esse resultados não estão computados no lucro real, tendo a dedução sido feita à luz do art. 250 do RIR11999 , e não ao contrário. 19.25 Alega que o valor de R$ 5.370.342,79 de compensações indevidas em virtude do lançamento fiscal, já comprovado indevido„ deve ser anulado por ser errado e duplamente penalizadora. 19.26 Investe contra a aplicação da multa isolada por falta de pagamento das estimativas mensais , em decorrência do procedimento fiscal pois alega que a opção tributária da contribuinte não é de estimativas mensais e sim de balancetes de suspensão e re argumentando ainda que não recolheu os tributos pois não apurou resultado tributáve períodos fiscalizados., cumprindo, em sua opinião, o disposto no art. 230 do RIR11999. 19.27 Conclui que a multa isolada, além de inexistente, é indevida. 19.28 Alega que a auditora fiscal calculou indevidamente o adicional de IRPJ nos períodos de apuração de 01/01/2004 a 30/12/2004, 01/01/2005 a 21/03/2005 e 22/03/2005 a 31/12/2005, pois não descontou a parcela de R$ 240.000,00 dos mesmos. Fl. 2169DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 19.29 Por fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. 20 Ao ser intimada, em 09/11/2009 , conforme AR de 1313/verso, a regularizar em dez dias a procuração apresentada, a fiscalizada apresentou em 18/11/2009, o que denominou de aditamento à impugnação protocolada em 23/09/2009 (fls. 1336 a 1353), pelo motivos que expõe, a seguir em apertadíssima síntese: 20.1 Alega primeiramente a nulidade da intimação anterior, argumentando que havia recebido a intimação do endereço anterior da empresa , embora, segundo afirma, que "...há muito já havia comunicado a Secretaria da Receita Federal do Brasil a mudança de seu endereço para a estrada do Campo Limpo n°354, cj.205, Jardim Laranjal, São Paulo" (sic) 20.2 Alega que por esse motivo deve ser considerada nula a intimação , uma vez que não foi intimada em seu endereço fornecido a administração fiscal e apenas por sorte, obteve conhecimento da referida intimação poucos dias antes do fim do prazo de que dispunha para apresentação da defesa e, por esse motivo apresentou uma impugnação tempestiva, sem ter tido tempo de estuda a fundo tais autos de infração e de apresentar os documentos comprobatórios da ilegalidade da atividade fiscal. 20.3 Por esse motivo alega, e que está apresentando o aditamento e os documentos em respeito ao principio da verdade material e argumenta que embora já tenha apresentado a impugnação, "...o vicio que macula sua intimação acerca dos autos de infração, exigiria que lhe seja franqueada a oportunidade para apresentação desse aditamento el aquela impugnação, haja vista a inegável caracterização de motivo de força maior" (sic). 20.4 Discorre longamente a respeito do que entende ser o correto aproveitamento do ágio e se propósito econômico. 20.5 Conta a estória das incorporações entre as empresas do grupo sempre controladas pelas mesmas pessoas jurídicas, que criam e extinguem empresas com transferência de cotas e ágios, sempre por motivos econômicos relevantes, apresentando planilhas e contratos de cambio que embasariam e comprovariam a efetiva transferência de numerário. 20.6 Alega que desse modo, comprova que a fiscalização efetuou os lançamentos "...sem perscrutar o propósito econômico das operações que os embasavam, limitandose a seguir a rasa cartilha de que tal aproveitamento não seria licito por conta de se tratar de incorporações ás avessas. " (sic., grifado no original), 20.7 Alega que o lançamento não pode subsistir e muito menos o que chama da " malsinada multa qualificada" 20.8 Alega que em relação a compensação integral dos prejuízos acu por parte da empresa Siwa, quando da sua incorporação pela empresa Qualix, a fisca iza se equivocou, pois alega que Fl. 2170DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.003053/200957 Acórdão n.º 1401000.850 S1C4T1 Fl. 2.166 11 "...o lucro da Siwa do qual foram deduzidos tais prejuízos fiscais era decorrente exclusivamente do ganho de capital por ela apurado em tal venda. Ou seja, o valor da venda da Qualix era composto, como _16 dito, pelo próprio investimento e pelo ágio calcado em previsão de rentabilidade de exercícios futuros" (sic) 20.9 Alega que tendo a Siwa sido incorporada pela Qualix, momento que marca sua extinção , ela levantou o balanço apurando lucro de R$ 76.000.000,00 que foi totalmente consumido pelos seus prejuízos acumulados, compensados sem o limite de 30% como é o entendimento do CARP. 20.10 Segue argumentando o direito da Siwa compensar a totalidade de seus prejuizos no momento de sua incorporação e argumenta que o lucro compensado decorreu exclusivamente da venda da Qualix com ágio. 20.11 Entende que "...ou a fiscalização glosa o ágio surgido na venda da Qualix pela Siwa à Sideco e a Civilla, depois transferido para a GDASP e por fim incorporado pela Qualix, ou a fiscalização glosa os prejuízos fiscais aproveitados pela Siwa , acima do limite de 30% do lucro real quando de sua incorporação pela Qualix, haja vista que o lucro Real tem origem única e exclusivamente do ágio acrescido ao valor de venda. "(sic) 20.12 Alega ainda que desqualificado o ágio na venda da Qualix pela Siwa , A Sideco e Civilia, deve, em sua opinião, desaparecer o próprio ganho de capital, reconhecido pela Siwa e compensado com o prejuízos fiscais em foco, de modo que igualmente deve desaparecer o efeito fiscal lançado sobre a compensação acima do limite dos prejuízos fiscais. 20.13 Investe contra a multa qualificada e a multa isolada, citando acórdãos do CARF, que embasaria a não imposição da multa qualificada e multa isolada. 20.14 Por fim, requer que seja admitida a impugnação pois essa apresentação fora do prazo "...devese a motivo de força maior devidamente justificado", e que os autos de infração sejam julgados devidamente improcedentes. 21 Analisando os Termos de Intimação, o Termo de Verificação Fiscal, as alegações da contribuinte e os documentos constantes nos autos do processo, verificouse que não foram acostados aos autos todos os contratos que fundamentam a criação do ágio na operação relativa ao anocalendário 2000, pois a documentação acostada fundamenta apenas uma pequena parte do ágio total (R$ 56.448.433,41), descontado nos anoscalendário subseqüentes que foram tributados, a saber, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007. 22 Assim decidiuse, em 29/03/2010, pelo encaminhamento do presente processo a DIPAC/DEFIC/SP, em diligencia para que a contribuinte fosse intimada a apresentar toda a documentação que fundamenta a seqüência de operações efetuadas que Fl. 2171DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 geraram o ágio descontado em 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, relativo a incorporação da empresa Partseram Participações e Serviços Ambientais Ltda, uma vez que o contrato acostado As fls. 174 a 180 indica o ágio de apenas R$ 7.536.589,22 e há apenas a informação no documento de fls. 182 a 185 que controladora SIWA, controladora da Partseram , registra como ativo na empresa Partseram um tal "ágio proveniente de Investimento na Enterpa Ambiental S.A , no valor de R$ 132.898.577,96, que não poderia simplesmente ser descontado pela fiscalizada, uma vez que a mesma não arcou com qualquer ágio dela mesma, 23 Desse modo contribuinte intimada deveria apresentar detalh demonstrativo da criação desse ágio, alem de toda a documentação necessarfa o embasamento desses valores, quais sejam os contratos, a comprovação do dispêndio financeiro, os comprovantes dos pagamentos efetuados, os assentamentos contábeis da operação. 24 Dos resultados obtidos deveria ser feito relatório fiscal dando conta da origem de todos os valores que foram descontados como ágio nos anoscalendário fiscalizados e cientificada a contribuinte do mesmo, concedendolhe prazo de dez dias para manifestarse conforme determinação contida no art. 44 da Lei n° 9.784/1999. 25 Em 16/08/2010, o processo retornou a essa DRJI com o relatório fiscal de fls.1815 a 1820, com as seguintes informações, síntese a seguir: 25.1 A auditora relata que a contribuinte apresentou demonstrativos detalhando que ágio de valor de R$ 136.306.233,08 seria proveniente de investimento no valor de R$ 77.333.766,92 na empresa Qualix,( exEnterpa Ambiental S.A EASA) e seria a soma dos seguintes ágios: 25.1.1 Quando da aquisição de 80% das ações da Enterpa Ambiental ágio de R$ 83.616.000,00, contrato a Siwa , para qual teriam sido transferidos todos os direitos e obrigações relativos aquele contrato. A contribuinte informa, relativamente a esse mesmo ágio, teria feito amortização parcial do mesmo na empresa Siwa, em 1998 ( R$ 13.936.000,00) e em 1999 ( R$ 12.542.400,00), restando um saldo de R$ 57.137.600,00. 25.1.2 A outra parte do seria de R$ 79.168.633,08 que foi criado quando a empresa Siwa reavaliou as 15.909.179 ações que detinha na empresa EASA, atual Qualix, por ocasião da criação da empresa Partseram , mediante conferencia de aços ao capital social da nova empresa e a fiscalizada apresetou o seguinte demonstrativo do valor de ágio criado: Valor conferido a Partseram conforme ata de 01/01/1999 R$ 213.640.000,00 Patrimônio Liquido da Enterpa Ambiental em 30/09/1999 R$ 77.333.766,92 Ágio oriundo da operação R$ 136.306.233,08 Ágio existente na Siwa e transferido a Partseram R$ 57.137.600,00 Constituição do ágio II R$ 79.168.633,08 Obs: ágio II seria a segunda parte do valor do ágio R$ R$ 136.306.233,08 25.2 A fiscalizada esclareceu que não houve movimentação financeira porque a operação foi feita por conferencia de ações . Fl. 2172DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.003053/200957 Acórdão n.º 1401000.850 S1C4T1 Fl. 2.167 13 25.3 Nunca foi apresentado também qualquer comprovante das transferências de numerário entre a empresa Civillia e a Enterpa, quando do contrato de investimento firmado embora os depósitos tenham sido contabilizados. 25.4 A contribuinte amortizou durante o ano de 1999 R$ 3.407.655,12, restando ágio liquido de R$ 132.898.577,86. 25.5 A partir da incorporação da Partiseram em 01/01/2000, a fiscalizada vem amortizando o total do ágio apurado conforme demonstrativos constantes no processo, sendo ie R$ 59.856.088,53, extracontabilmente, conforme Lalur de fls. 203 e R$ 76.450.144,55 contabilmente. 26 Cientificada do resultado da diligencia em 16/07/2010, a contribuinte não apresentou qualquer manifestação dentro do prazo legal e o processo foi remetido a essa DRJ para julgamento. 27 É o relatório. Submetida a Impugnação à apreciação da Delegacia da Receita Federal de Brasil de Julgamento em São Paulo I, esta houve por bem julgála procedente em parte e, por meio do acórdão 1626.574, manteve parte do lançamento. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 Ementa: INCORPORAÇÕES DE SOCIEDADES. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. FALTA DE EFETIVO PAGAMENTO. DEDUÇÃO INDEVIDA. A legislação fiscal somente admite a dedutibilidade da amortização do ágio proveniente de incorporação de sociedade controladora por sua controlada, se efetivamente ocorre o desembolso do valor pago a este titulo, do mesmo modo que se exige o efetivo pagamento para toda e qualquer dedução pleiteada no âmbito fiscal, ainda que a incorporação realizada tenha observado os ditames da legislação societária. AUTO DE INFRAÇÃO. EXTINÇÃO POR INCORPORAÇÃO. COMPENSAÇÃO INTEGRAL DE PREJUÍZOS FISCAIS E DE BASES NEGATIVAS. IMPOSSIBILIDADE A compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas éfaculdade, cujo exercício está limitado a 30% do lucro real ou da base de cálculo da CSLL do ano, sendo que as normas fiscais de regência não reconhecem os resultados negativos de anos anteriores como elementos intrínsecos Fl. 2173DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 14 composição das bases de cálculo desses tributos e não contemplam exceção para situações especificas e individuais de empresa, tais como, a extinção por incorporação. MULTA QUALIFICADA. CRITÉRIOS Se não é evidente a ocorrência de dolo, fraude ou simulação que justificasse a aplicação da multa qualificada de 150% sobre o lançamento efetuado, exonerase o acréscimo correspondente, mantendose a multa de oficio de 75%. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO – CSLL LANÇAMENTO REFLEXO O decidido no mérito do IRPJ repercute da mesma forma na tributação reflexa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Após ser regularmente intimada do acórdão acima, a Recorrente, irresignada com o resultado do julgamento, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 1.099/1.124. Não obstante, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazão ao Recurso Volutário e Razão ao Recurso de Ofício de fls. 2.059/2144, que passam a ser apreciados por este Conselho. Voto Vencido Conselheiro ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Os recursos voluntário e de ofício preenchem as condições de admissibilidade e deles tomo conhecimento. Recurso de Ofício Tratase de recurso de ofício contra o Acórdão nº 1626.574, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, por meio do qual exonerouse a multa qualificada no percentual de 150% sobre o lançamento efetuado, mantendose a multa de ofício de 75%. Por se tratar de análise que será realizada no decorrer do presente voto, deixo para efetuar as considerações concernentes à ocorrência de dolo, fraude ou simulação ao final da exposição dos argumentos. Recurso Voluntário Da Decadência Alega a Recorrente, de forma preliminar, a decadência de parte do crédito tributário que, em virtude de os débitos aqui discutidos se sujeitarem ao lançamento por homologação, entende que os valores apurados a título de IRPJ e CSLL no período de apuração Fl. 2174DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.003053/200957 Acórdão n.º 1401000.850 S1C4T1 Fl. 2.168 15 de janeiro de 2003 a agosto de 2004 seriam inexigíveis, tendo em vista que a ciência do auto de infração ocorreu em 27/08/2009. Assiste razão à Recorrente no que concerne ao fato de tais tributos estarem sujeitos ao lançamento por homologação. Entretanto, a contribuinte se sujeitava à apuração dos tributos na modalidade do Lucro Real anual. Desta forma, os recolhimentos mensais do IRPJ e da CSLL denominados estimativas não caracterizam pagamentos do imposto apurado com base no lucro real levantado no último dia do ano calendário, mas sim meras antecipações. A opção pelo Lucro Real anual impõe a modalidade extintiva da obrigação tributária somente em 31 de dezembro, vez que é nesta data que ocorre o fato gerador do imposto e da contribuição, marco inicial para a contagem do prazo decadencial. Neste sentido se pronuncia este Conselho: Os recolhimentos mensais do IRPJ e CSLL calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do imposto apurado com o balanço patrimonial levantado no final do ano calendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro , pois ai ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual e no qual o real valor do tributo se exterioriza, marco esse em que se inicia a contagem do prazo decadencial para o fisco exercer seu direito de constituir crédito tributário suplementar ou para o contribuinte exercer seu direito de repetição de valor eventualmente antecipado a maior que o devido, o denominado saldo negativo. (Acórdão 110200.259 de 06 de julho de 2010) DECADÊNCIA. LUCRO REAL ANUAL. DATA DO FATO GERADOR. No regime de apuração do lucro real anual, com recolhimentos do IRPJ e da CSLL com base em estimativas mensais, o fato gerador ocorre no dia 31 de dezembro do correspondente anocalendário. (Acórdão nº 110300.136 de 09 de março de2010) Tendo em vista que a recorrente foi cientificada do Auto de Infração em 27/08/2009 dos tributos cujos fatos geradores ocorreram em 2003, 2004 e 2005, prospera a alegação de decadência em relação ao fato gerador ocorrido em 31/12/2003, conforme se verifica dos Autos de Infração de IRPJ (fl. 791) e de CSLL (fl. 800), em que imputam à Recorrente a exclusão indevida do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL no valor de R$5.985.608,85. Já em relação aos demais fatos geradores, não deve prosperar a alegação da Recorrente, pois os lançamentos foram efetuados dentro do qüinqüídio legal. Da Amortização do Ágio Fl. 2175DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 16 De início, impende salientar que o ágio é um desdobramento do custo de aquisição de uma participação societária correspondente à diferença positiva entre o valor pago na aquisição do investimento e o valor patrimonial da investida. O ágio na aquisição deve ser registrado em subcontas distintas do custo de aquisição do investimentos, demonstrando o fundamento econômico da formação do sobrevalor. Confirase o disposto no §2º do art. 385 do RIR/99: Art.385.O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): Ivalor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. §1ºO valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, §1º). §2ºO lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, §2º): Ivalor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; IIvalor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; IIIfundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. §3ºO lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, §3º). Contudo, as amortizações do ágio, em regra, não são dedutíveis para fins de determinação do lucro real, excetuandose os casos autorizados pelo art. 386 do RIR/99, o qual autoriza a amortização do sobrevalor nas situações em que uma pessoa jurídica absorve o patrimônio de outra em virtude de incorporação, fusão ou cisão – na qual detenha participação societária adquirida com ágio. No caso de o fundamento do ágio contabilizado ser o valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão de resultados futuros, este poderá ser amortizado em razão de um sessenta avos, no máximo, para cada período de apuração. Alega a Recorrente que os ágios amortizados eram fundamentados na perspectiva de rentabilidade futura das empresas adquiridas, o que, em tese, lhe daria direito ao aproveitamento fiscal do sobrevalor. No entanto, fazse necessário analisar os fundamentos dos ágios que foram amortizados. Fl. 2176DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.003053/200957 Acórdão n.º 1401000.850 S1C4T1 Fl. 2.169 17 1. Ágio que compunha o valor do investimento da SIWA na ENTERPA. Devidamente baseado em laudo de avaliação, o ágio em apreço estava fundamentado em previsão de resultados em exercícios futuros, sendo que, visando efetuar investimento na ENTERPA (para aquisição de 80% do capital social desta), a CIVILA firmou Contrato de Investimento (de 26/06/1998) com Conrado de Carvalho Alves e ABACON Participações Empreendimentos (antigos controladores da ENTERPA). O referido contrato foi cedido à SIWA pelas suas sócias CIVILA e WASTE, em que ficou acordada a transferência de todos os direitos e obrigações do Contrato de Investimento anteriormente firmado pela CIVILA. Os pagamentos dos valores acordados no Contrato de Investimento foram devidamente demonstrados pela Recorrente, restando comprovada a efetividade dos desembolsos de recursos e a mudança no controle acionário da empresa adquirida (ENTERPA). Tendo em mira a divergência entre o valor pago na aquisição da ENTERPA e seu valor patrimonial, a investidora registrou um ágio, pelo fundamento de rentabilidade futura, no montante de R$83.616.000,00. 2. Ágio gerado pela integralização de capital pela SIWA, na empresa PARTSERAM, com a participação que detinha na Enterpa. Em 01/10/1999, a empresa SIWA constituiu a empresa PARTSERAM, integralizando no capital desta a participação que detinha da ENTERPA. Nesse momento, a SIWA transferiu para a PARTSERAM o ágio anteriormente pago pela aquisição da participação da ENTERPA (Ágio 1) e acresceu um novo ágio, cobrado na integralização de capital (Ágio 2). Após essa reorganização societária, em 29/01/2000, a ENTERPA incorporou sua controladora (PARTSERAM), absorvendo o ágio que nela estava contabilizado (Ágio 1 + Ágio 2). 3. Ágio gerado na transferência da empresa QUALIX (antiga ENTERPA) da SIWA para suas controladoras (SIDECO e CIVILIA). Em 01/03/2005, a empresa SIWA (que controlava a QUALIX, antiga ENTERPA) transferiu sua participação às suas controladoras (SIDECO e CIVILIA), cobrando um ágio no valor de R$175.193.124,00 (Ágio 3). Em momento posterior, as controladoras SIDECO e CIVILIA adquiriram a empresa GDASPE e integralizaram o seu capital com as cotas da empresa QUALIX, juntamente com o Ágio 3. Em sequência, a QUALIX incorporou a GDASPE, absorvendo, também, o Ágio 3. A QUALIX, portanto, passou a amortizar os três ágios expostos acima. Fl. 2177DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 18 Análise da dedutibilidade do Ágio Interno Nem todo ágio interno têm a mesma essencia negotti, como bem elucidou Marcos Shigueo Takata1, sendo fundamental evitar a generalização. Para tanto, é indispensável e necessária a distinção entre os ágios internos, principalmente no plano jurídicotributário, não sendo possível alocar todos os ágios internos em uma “vala comum”. Esclarece o referido autor: O reconhecimento contábil do ágio interno é condenado quando ele não decorre de pagamento de preço e não há minoritários envolvidos ou implicados ou terceiros ao quadro societário, na geração do ágio em reorganizações societárias ocorridas dentro do grupo societário.(...) Daí dizermos: é quando inexiste pagamento de preço e minoritário e terceiros que se põe a condenação ao reconhecimento contábil do ágio interno, com ausência de geração de riqueza nova – à luz do Direito Contábil anterior à convergência às normas internacionais de contabilidade. É nesse contexto que se coloca o chamado ágio “de si mesmo” ou ágio “consigo mesmo”. Neste ponto, é interessante remeter ao processo nº 16561.000222/200872, recém julgado pela 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, na sessão de 21 de outubro de 2011, que retrata com excelência a operação de amortizações de ágio e desenquadra o caso lá tratado como “ágio de si mesmo”. Confirase os trechos: Do ágio de si mesma. O fundamento do Agente Fiscal no sentido de que o ágio amortizado pelo Banespa decorreu da aquisição, com ágio, das suas próprias ações, ou seja, “ágio de si mesma”, também está equivocado. Isso porque duas são as características básicas em uma operação que redunda em “ágio de si mesma”, a saber: Inexistência de efetivo desembolsos de recursos, neutralidade nesses desembolsos, ou até pagamentos fictícios (não comprovados). Não há materialidade nos pagamentos. Inexistência de efetiva mudança de controle acionário. Nos casos de “ágio de si mesmo” a participação acionária é adquirida por outra empresa do mesmo grupo ou por interpostas pessoas. Na situação versada nos autos, a efetividade dos desembolsos de recursos por parte do Banco Santander Hispano é inconteste. De igual forma, se visto o filme todo, verifica se que antes das operações o Banespa era controlado pela União e possuía centenas de acionistas minoritários. No momento da incorporação do Banespa por seu controlador Santander Holding, o controle acionário de ambos era do Banco Santander Hispano. 1 Ágio Interno sem Causa ou "Artificial" e Ágio Interno com Causa ou Real Distinções Necessárias. In: Roberto Quiroga Mosquera e Alexsandro Broedel Lopes (coords.), Controvérsias jurídicocontábeis (aproximações e distanciamentos), 3º vol., São Paulo, Dialética, 2012, p. 194. Fl. 2178DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.003053/200957 Acórdão n.º 1401000.850 S1C4T1 Fl. 2.170 19 Portanto, a amortização não se deu do “ágio de si mesma”, gerado artificialmente, seja no próprio Banespa, seja no Grupo Santander, e sim do ágio efetivamente pago pelo Banco Santander Hispano na aquisição do Banespa junto a União e demais acionistas minoritários. (Sem destaques no original) Diante desse contexto, passase a analisar o tratamento tributário dos ágios envolvidos no presente caso. Dedução Fiscal da amortização do Ágio 1. O Ágio 1 decorreu da aquisição da participação na ENTERPA com ágio, sendo que essa transação envolveu terceiros (antigos controladores da ENTERPA), o ágio foi apurado com fundamento econômico no valor de rentabilidade dos resultados nos exercícios futuros e, ainda, restou comprovado o efetivo pagamento na aquisição da empresa. Houve, portanto, o efetivo desembolso de recursos e efetiva alteração no controle societário da adquirida. Assim, em relação ao Ágio 1, entendo que se assemelha à organização societária realizada no “Caso Santander” (citado acima), e pelos motivos já expostos, entendo não se tratar de “ágio de si mesmo”. Portanto, reconheço a dedutibilidade da amortização relativa ao Ágio 1. Dedução Fiscal da amortização dos Ágios 2 e 3. Verificase que os Ágios 2 e 3, deduzidos pela Recorrente, são oriundos da sua “própria rentabilidade futura”. Isso porque, as empresas controladoras do grupo econômico (CIVILA E SIDECO) transferiram a participação societária que possuíam na Recorrente (antiga ENTERPA e, posteriormente, QUALIX) com apuração de ágio devido à suposta rentabilidade futura da Recorrente. Excepcionando o Ágio 1 tratado no item anterior, a situação que se verifica após a engenharia societária é da Recorrente amortizando os ágios da sua própria rentabilidade futura, uma vez que esta incorpora as empresas que adquiriram sua participação societária por meio de aumentos e integralizações de capital. É dizer: as diversas empresas criadas pelas holdings, com tempo de vida mínimo, adquiriram por meio de integralização ou aumento de capital com ágio – as quotas da Recorrente, que incorporou as empresas criadas e amortizou o ágio nelas contabilizado, cujo fundamento era a rentabilidade futura da própria Recorrente (“ágio de si mesmo”). Ressalto que o Ágio 1 não foi configurado como “ágio de si mesmo” justamente porque foi comprovada a efetividade dos desembolsos dos recursos, restando demonstrada a materialidade dos pagamentos, bem como houve a efetiva alteração do controle acionário da investida (assim como no precedente citado, em que o Banco Banespa foi alienado para o Banco Santander). Fl. 2179DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 20 Entretanto, nos Ágios 1 e 2 estão presentes as duas características básicas do “ágio de si mesmo”, vez que não restou comprovado o efetivo trânsito dos recursos financeiros, bem como não houve qualquer alteração do controle acionário da Recorrente. Desta forma, entendo por inadmissível a amortização dos Ágios 2 e 3 nos moldes como concebido pela Recorrente, valendo transcrever a posição deste Conselho em caso semelhante: INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL UTILIZAÇÃO DE "EMPRESA VEÍCULO". Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negociai ou societária, especialmente quando a incorporada teve o seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e, ato ' continuo, o evento da incorporação ocorreu no dia seguinte. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresa veículo" para transferência do ágio à incorporadora.(Acórdão nº 10323.290 de 05 de dezembro de 2007) Finalmente, ressalto a necessidade de realizar a liquidação do acórdão ora exarado em função da segregação entre a dedutibilidade da amortização do Ágio 1 e indedutibilidade da amortização dos Ágios 2 e 3. Isso porque, conforme se extrai do Termo de Verificação Fiscal (fl. 777), os ágios glosados foram assim divididos: VII) Da Base Tributável : 1) Amortizações de ágio deduzidas ao lucro liquido a serem glosadas, com fundamento legal no art. 250, incisos e parágrafo único, arts. 385, inciso II, § 2° e seu inciso II e 386, inciso III, do RIR/99: 1.1) Ágio oriundo da incorporação da empresa Partseram Participações e Serviços Ambientais Ltda , em 01/01/2000: 31/12/2003: R$ 5.985.608,85; 31/12/2004: R$ 5.985.608,85; 28/02/2005: R$ 997.601,48; 31/12/2005: R$ 9.976.014,76; 31/12/2006: R$ 11.971.217,71; 31/12/2007: R$ 6.983.210,33. 1.2) Ágio oriundo da incorporação da empresa G.D.A.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda. , em 21/03/2005: 31/12/2005: R$ 11.278.968,60; 31/12/2006: R$ 15.038.624,76; Fl. 2180DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.003053/200957 Acórdão n.º 1401000.850 S1C4T1 Fl. 2.171 21 30/06/2007: R$ 7.519.312,38; 31/12/2007: R$ 7.519.312,38. Em relação ao subitem 1.1 parecem ser os valores glosados oriundos da soma dos Ágios 1 e 2, tendo em vista que ao verificar a Parte B do Lalur da empresa QUALIX (fl. 222), verificase que os valores glosados neste subitem correspondem ao “Ágio oriundo da incorporação da empresa Partseram, amortizável em 10 (dez anos) – R$56.448.433,41”, bem como ao “Ágio proveniente da parte B do LALUR da empresa Partseram, amortizável em 10 (dez) anos – R$3.407.655,12”. Fazse necessário ressaltar que no Termo de Verificação Fiscal (fl. 767), a Autoridade Fiscal descreve ser indevida a dedução do ágio advindo de incorporações de empresas veículos nos seguintes termos: A fiscalizada vem se beneficiando indevidamente de amortização de ágio no valor de R$56.448.433,41 e de R$75.193.124,00, oriundo respectivamente das incorporações das empresas Partseram Participações e Serviços Ambientais Ltda. (01/01/2000), Siwa Serv. Ambientais e Participações Ltda. e G.D.A.S.P.E Empreendimentos e Participações Ltda. (21/03/2005). Em relação ao Ágio 3 não há dúvidas: corresponde ao valor de R$175.193.124,00, que corresponde ao item 1.2 citado do Termo de Verificação Fiscal e coincide com o valor escriturado na Parte B do Lalur da empresa QUALIX (fl. 222). Todavia, em relação aos Ágios 1 e 2, apesar de a Autoridade Fiscal descrever no TVF que glosa o montante de R$56.448.433,41, ao glosar os valores amortizados, conforme Parte B do Lalur da empresa QUALIX, acaba por glosar a soma de R$56.448.433,41 + R$3.407.655,12. Portanto, por não estarem devidamente segregadas e evidente as amortizações relativas aos Ágios 1 e 2, quando da liquidação da presente decisão, é necessário extrair da glosa os valores relativos ao Ágio 1, uma vez que a amortização destes foi considerada dedutível, mantendo, todavia, a indedutibilidade do Ágio 2. Da glosa dos prejuízos fiscais Preliminarmente, afasto a alegação de preclusão da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em sede de Contrarazões ao Recurso Voluntário pelos fundamentos a seguir expostos. A questão preliminar cingese à prerrogativa de o contribuinte suscitar em sede de Recurso Voluntário argumentos de defesa que não foram abordados em impugnação. Entendo que, tendo como pano de fundo o princípio da verdade material, é possível aventar novos argumentos quando da apresentação do Recurso Voluntário. Este é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais exposto, por unanimidade, nos fundamentos do voto relativo ao Recurso nº 136.112, julgado na sessão de 26/01/2010: Fl. 2181DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 22 Tenho assente que as normas processuais que regem o processo administrativo fiscal devem ser interpretadas com menos rigor, especialmente aquelas relacionadas às fases postulatória e instrutória do procedimento. É de interesse da própria Administração proceder adequadamente ao controle da legalidade dos atos administrativos, pelo que é salutar que sejam flexibilizadas as regras que impeçam as partes (por razões temporais) trazer ao conhecimento do julgador elementos de fato e de direito que permitam melhor exame da controvérsia. Seguindo citada linha de interpretação, entendo que a preclusão de que trata o art. 17 do Decreto n. 70.235/72 deve ser aplicada apenas nas hipóteses em que o contribuinte deixa de contestar a própria tributação (ou melhor, infração) em impugnação e pretende fazêlo apenas via recurso ordinário (voluntário). "Matéria não impugnada" significa, em outros termos, "exigência/infração não contestada": e é apenas essa a falta que não inicia o contencioso administrativo. A contrario sensu, impugnada a exigência, iniciado está o contencioso administrativo, no qual devem ser apreciados todos os argumentos de defesa apresentados pelo contribuinte em quaisquer de suas instâncias, ainda que não tenham sido suscitados originariamente em impugnação. A preclusão em referência não atinge os "fundamentos de defesa" mas sim a "defesa" contra determinada exigência ou infração à legislação tributária caso esta não tenha sido feita em primeira instância administrativa. Tratase de aplicação dos princípios da instrumentalidade das formas e do formalismo moderado que informam ao procedimento administrativo fiscal. Passase, portanto, a analisar o mérito. A Autoridade Fiscal vislumbrou a nulidade dos efeitos do ágio gerado dentro do mesmo grupo societário na forma detalhada acima. Lado outro, autuou a empresa vendedora da participação societária com ágio (que foi sucedida pela Recorrente) pelo fato de utilizar mais de 30% do prejuízo fiscal na dedução do ganho de capital apurado em virtude do sobrevalor recebido na alienação da participação societária. A acusação que paira sobre a Recorrente é a de que ela teria praticado atos simulatórios por meio dos quais aproveitara de um ágio inexistente, gerado internamente, para diminuir o lucro tributável. Segundo a Autoridade Fiscal o conjunto de indícios convergente seria suficiente para se identificar a prática de simulação tendente a aproveitarse de um sobrevalor que nunca existira. Neste sentido, desconsiderou os efeitos tributários desse ágio, impedindo sua amortização e o conseqüente benefício fiscal. Lado outro, a empresa que alienou as participações societárias com ágio (sucedida pela Recorrente) incluiu os valores tratados como ágio na apuração de ganho de capital, realizando, todavia, a compensação integral desses valores com saldo de prejuízo fiscal acumulado – sem respeitar o limite de 30%. Insta ressaltar que a Autoridade Fiscal argumenta que a operação consistente em alienação de ações com ágio só ocorreu contabilmente, sem transferência de valores ou efetivo desembolso de valores, concluindo que os fatos relatados caracterizamse como simulados, ou seja, artificialmente e formalmente revelados apenas na escrituração mercantil Fl. 2182DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.003053/200957 Acórdão n.º 1401000.850 S1C4T1 Fl. 2.172 23 ou fiscal, mas não decorrentes de atos efetivamente existentes, o que ilegítima a reorganização societária (fl. 767). O Auto de Infração deve manter uma coerência interna. Se a Autoridade Fiscal defende a inexistência efetiva dos atos de reorganização societária e conclui pela impossibilidade de gerar efeitos fiscais, esse mesmo argumento deveria balizar a impossibilidade de ser apurado ganho de capital nas operações tidas como inexistentes. Não se pode manter duas acusações fiscais (amortização do ágio e ganho de capital) baseadas em fundamentos antagônicos, sendo que a confirmação de uma acusação fiscal (inexistência das operações de geração de ágio) implica necessariamente na impossibilidade de a outra prosperar (apuração de ganho de capital sobre o ágio na venda). Os fatos narrados no Auto de Infração são incompatíveis entre si. Entendo, portanto, que, como as operações foram consideradas sem efeitos fiscais, vez que não decorrentes de atos efetivamente existentes, o resultado fiscal deve ser nulo. Ou seja: não se admite a amortização do ágio aumentando o resultado da empresa, mas também desconsidera o ganho de capital auferido nas operações tidas como inexistentes. Desqualificando a operação como um todo, refuto a redução da base de cálculo em virtude da amortização do ágio, mas entendo que desaparece o ganho de capital da operação tida como inexistente, e, por conseqüência, exonero a glosa de prejuízos fiscais. Neste sentido, vale transcrever as lições de Marcos Shigueo Takata (no mesmo artigo citado acima): Por outro lado, uma vez que se deixe de legitimar tributariamente o ágio interno sem causa ou “artificial”, como reconhecemos no caso acima, é necessário se manter coerência a esse tratamento. Essa coerência significa o seguinte: na empresa do frupo que tenha conferido ao capital de outra o investimento com geração de ágio interno, a maisvalia não tributada naquela deve ser baixada. Quer dizer, uma vez fulminado o ágio interno sem causa ou “artificial” sob o aspecto tributário, a maisvalia geradora desse ágio interno não deve ser mais realizada tributariamente, i.e., não deve ser tributada. É óbvio que não se pode exigir a realização tributária (=tributação) da maisvalia, uma vez que, na empresa receptora do investimento com ágio interno sem causa ou “artificial”, a amortização fiscal desse tenha sido condenada (=mantida a glosa da dedução do valor do ágio interno sem causa”. O contrário seria a adoção de dois pesos e duas medidas. Evidentemente, a não tributação da maisvalia para o ágio gerado internamente é efeito lateral ou “colateral” necessário do não reconhecimento fiscal desse ágio. Portanto, resta evidente que apenas uma realidade pode ser tributada: quer seja a que houve a efetiva reorganização societária, gerando amortização de ágio e ganho de capital; quer seja a desconsideração da reorganização societária, anulando a amortização do ágio bem como o ganho de capital. Fl. 2183DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 24 Da incidência de IRPJ e CSLL sobre os juros decorrentes das “obrigações de reaparelhamento econômico”. Alega o contribuinte ser impossível a tributação de receitas contabilizadas como provisão para juros decorrentes das obrigações do reaparelhamento econômico por serem intributáveis os juros de mora, devido ao caráter indenizatório, bem como não configurar acréscimo patrimonial. Lado outro, entende o i. Procurador que, não havendo expressa autorização legal para a dedução de tal receita, o contribuinte não poderia têla deduzido de sua base tributável. Ressalta, ainda, que os títulos não acarretam qualquer direito à pessoa que os detenha: A sua titularidade não gera mais direito a dívida nele registrada, quanto menos aos juros dela decorrente. Até 1969, o recebimento desses valores era possível, após essa data não, excluída a hipótese de o particular estar discutindo judicialmente algum aspecto desses títulos. De imediato, destaco que enxergo como incoerente a defesa da tributação sobre um “direito” expressamente reconhecido como inexistente. Ausente a razoabilidade de tributação de suposta renda ante sua evidente indisponibilidade jurídica. O Código Tributário Nacional, ao definir o conceito de renda passível de incidência do imposto, assim concretiza a hipótese de incidência constitucional: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) É dizer, o Código Tributário Nacional determina como pressuposto do fato gerador do referido imposto a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. Tendo em vista ser prérequisito da incidência tributária a disponibilidade econômica ou jurídica da renda, passase a analisar se no neste caso estão presentes esses requisitos. Fl. 2184DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.003053/200957 Acórdão n.º 1401000.850 S1C4T1 Fl. 2.173 25 Nos dizeres do ilustre Professor Humberto Ávila2, disponibilidade econômica significa sua efetiva percepção em dinheiro ou em outros valores. No caso em análise, não se verifica o requisito da disponibilidade econômica, ante o não recebimento. Em continuidade ao raciocínio, o Professor acima citado defende que disponibilidade jurídica significa o direito incondicional, atual e efetivo de aferir a renda e de sobre ela dispor livremente. Falase em disponibilidade jurídica sobre a renda quando o sujeito passivo adquire o direito incondicional de perceber a renda e de sobre ela dispor livremente, embora não a tenha recebido. E mais. O decisivo é que para existir a disponibilidade jurídica não pode haver qualquer condição ou obstáculo ao efetivo ingresso da renda no patrimônio do contribuinte. Se o “poder disposição” sobre a renda depender do implemento de uma condição, não há disponibilidade jurídica, na medida em que a renda ainda não ingressou no patrimônio do contribuinte. E sem o ingresso no patrimônio não há fato gerador do imposto sobre a renda, pois – como decidiu o STF – “renda é sempre um ganho ou acréscimo patrimonial”. Como reconhecido expressamente pelo i. Procurador, a titularidade dos títulos objeto de tributação não acarretam qualquer direito à pessoa dele detentora. Confirase a jurisprudência colacionada nas Contrarrazões: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. OBRIGAÇÕES DO REAPARELHAMENTO ECONÔMICO. LEIS 1.474/1951, 1.628/1952, 2.973/1956. PRESCRIÇÃO. DECRETOSLEIS 263/1967 E 396/1968. NORMA ESPECIAL. DECRETO 20.910/1932. APLICABILIDADE. LEI 2.313/1954. INAPLICÁVEL AOS CASOS DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. 1. Aplicável o prazo prescricional previsto no art. 3º do DL 263/1967, alterado pelo art. 1º do DL 396/1968, para resgate das Obrigações do Reaparelhamento Econômico instituídas pelas Leis 1.474/1951, 1.628/1952 e 2.973/1956. 2. Embora as Obrigações do Reaparelhamento Econômico não sofram os efeitos da Lei 4.069/1962, a excepcionalidade prevista não se estende às regras trazidas pelos DecretosLei 263/1967 e 396/1968, que, por sua vez, excepcionou apenas os títulos a que se refere o Decreto 542A/1962 do Conselho de Ministros (art. 1º do DL 263/1967). 3. Ainda que não se considere a aplicação da norma especial, inviável o entendimento de que imprescritíveis as Obrigações do Reaparelhamento Econômico, ante o disposto no Decreto 20.910/1932. 4. De acordo com a convocação emitida pelo Banco Central do Brasil em 1968, o direito ao resgate dos títulos emitidos de 1953 a 1957 e ao ajuizamento de ação de cobrança estaria fulminado pela prescrição quinquenal do Decreto 20.910/1932, pois o prazo para resgate e o vencimentos dos juros, além de estabelecidos pela Lei 1.628/1952, estão expressos nas Obrigações. 5. 2 Conceito de renda e compensação de prejuízos fiscais. Malheiros Editores. 1ª Edição, p. 35. Fl. 2185DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 26 Pacificado no STF o entendimento sobre a natureza de tributo dos empréstimos compulsórios. Inviável admitir tratar se de contrato coativo, de natureza civil, para efeito de aplicação do disposto na Lei 2.313/1954, que dispõe sobre os prazos dos contratos de depósito regular e voluntário de bens de qualquer espécie. 6. Apelação das autoras a que se nega provimento. (TRF 1ª Região. AC 200634000335880. Rel. Des. Maria do Carmo Cardoso. EDJF! 19/02/2010) (grifo nosso) Tendo em vista a impossibilidade de as obrigações do Reaparelhamento Econômico produzirem qualquer acréscimo patrimonial ao contribuinte, entendo que a eventual tributação pelo imposto de renda (por conseqüência pela CSLL) conduziria à tributação por mera ficção, vez que ausente a disponibilidade jurídica e econômica e, ainda, ausente o próprio acréscimo patrimonial. Em vista dos fundamentos acima, afasto a tributação sobre a provisão de juros das obrigações do reaparelhamento econômico. Da inaplicabilidade da exigência simultânea de multa isolada e de ofício Dispõe o art. 44 da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 2186DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.003053/200957 Acórdão n.º 1401000.850 S1C4T1 Fl. 2.174 27 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) A multa isolada é uma forma de penalização pelo não pagamento do tributo devido por estimativa no curso do exercício fiscal. No entanto, este Conselho tem entendimento pacificado, para fatos anteriores a lei nº 11.480/2007, no sentido de que, encerrado o exercício e apurado o recolhimento a menor do tributo, este deve vir acompanhado da multa proporcional, com exclusão da cobrança da multa isolada, sob pena de penalizar duplamente o contribuinte pela mesmo fato. No presente caso, identifico que a multa isolada tomou por base o IRPJ que deixou de ser recolhido mensalmente, mas que foram consolidados e tributados nos respectivos ajustes anuais, tomados como base do lançamento tributário. E este lançamento tributário veio acrescido da multa de ofício, em sanção pelo não recolhimento do tributo apurado ao final do período. Entendo ser intolerável a aplicação concomitante da multa isolada por descumprimento do dever de antecipar com a multa de ofício pelo descumprimento do dever de pagar o tributo em definitivo, em consonância com a jurisprudência abaixo: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na Fl. 2187DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 28 estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. (Acórdão nº 9101 00.281 em 24/08/2009) MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração de inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. (Acórdão nº 910100.504 em 26/01/2010) RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão nº 910100.500 de 25/01/2010) Ressaltase, neste ponto, os princípios da consunção da condutameio pela condutafim e da não repetição da sanção tributária, em decorrência do fato de “encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual, e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada” (Acórdão nº 910100.526 da CSRF, de 26/01/2010). A dupla penalização do Contribuinte, com a exigência da multa de ofício e da multa isolada, constitui uma irregularidade que deve ser afastada com a exclusão da multa isolada. Assim, com estes fundamentos, dou procedência, neste particular, ao recurso, para afastar a multa isolada. Recurso de Ofício Tecidas essas considerações relativas ao Recurso Voluntário, volto a analisar a ocorrência de fraude, dolo ou simulação no caso em apreço, no intuito de julgar a qualificação da multa. No caso presente, não há registros de documentos inidôneos, empresas fictas, fraudes em registros contábeis ou de qualquer natureza. Ao contrário, todos os atos societários foram registrados nos órgãos competentes, assim como na escrituração contábil e fiscal da Recorrente. Fl. 2188DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.003053/200957 Acórdão n.º 1401000.850 S1C4T1 Fl. 2.175 29 Na verdade, ao analisar a finalidade de toda reestruturação societária, percebese que esta carecia de fundamentos empresariais e tinham, somente, o intuito de economia tributária. De fato, como preleciona o Professor Diogo Leite de Campos, in verbis: “A liberdade contratual é um instrumento, uma competência, ao serviço da gestão do projeto de vida ou da empresa. Só cabendo, portanto, na esfera jurídica do sujeito. Ir para além desta, é intrometerse em esferas jurídicas e em interesses alheios, sem competência ou legitimidade. Quem, em vez de gerir os seus interesses – levando em conta os custos fiscais – no uso da sua liberdade contratual, passa a gerir os interesses do Estado, os impostos que decorrem da lei – ou só estes – está a exceder os limites da sua esfera jurídica, usando da sua liberdade contratual ilegitimamente. Daí a determinação da ineficácia fiscal.” 3 Neste sentido, observase as palavras do Professor Luciano Amaro, in verbis4 “O mesmo não se daria quando o direito fosse exercido com o objetivo de obter vantagem fiscal que, de outro modo, não teria; nessa perspectiva estaríamos diante do abuso de direito, e o Fisco não estaria obrigado a aceitar os efeitos fiscais que decorreriam da questionada conduta.” Assim, ao realizar toda engenharia societária no intuito de aproveitamento fiscal da amortização do ágio, a Recorrente abusou de seu direito. O abuso de direito pode ser mais bem visualizado nos direitos reais, passando a analisar se a conduta do sujeito teve como intenção prejudicar terceiro. Nesta linha, temos o exemplo clássico do abuso de direito na relação de vizinhança: não pode querer o vizinho levantar o muro que separa as propriedades em tal altura que prejudique o outro. É direito do proprietário construir um muro que separe os imóveis, mas ele abusa de seu direito quando este muro é levantado, sem justificativas para si, apenas visando obstruir a vista do vizinho. Da mesma forma, a empresa tem direito de se organizar da maneira que lhe acarretará mais benefícios; porém ela abusa do seu direito quando se organiza apenas para evitar a incidência da norma tributária. Finalmente, ressalto que a DRJ, ao analisar o presente caso, demonstrou de forma precisa e sem reparos diversos fundamentos nos quais conclui pelo abuso do direito em detrimento da conduta simulatória. Por conseguinte, nego provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a decisão da instância inferior pelos seus próprios fundamentos. 3 Campos, Diogo Leite de. Boa fé e Segurança Jurídica em Direito Tributário. Separata da Revista da Ordem dos Advogados. Lisboa, 2008. 4 Amaro, Luciano. Direito Tributário Brasileiro – 13ª Ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2007. Fl. 2189DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 30 Dispositivo Pelo exposto, voto no sentido de i) acolher as alegações de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em 2003, ii) acolher a dedutibilidade da amortização do Ágio 1; iii) manter o Auto de Infração no que se refere à glosa dos Ágios 2 e 3; iv) cancelar o Auto de Infração no que concerne à glosa dos prejuízos fiscais pelo fato de estar tributando o ganho de capital apurado sobre o valor do ágio, tido como inexistente; v) cancelar o Auto de Infração no que concerne à tributação dos juros advindos de “obrigações do reaparelhamento econômico”; vi) cancelar o Auto de Infração no que concerne à aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de ofício; e vii) manter a redução da multa de ofício para o percentual de 75%, em conformidade com o voto da DRJ, por estarem ausentes as condutas que ensejariam a aplicação da qualificação. ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Relator Fl. 2190DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.003053/200957 Acórdão n.º 1401000.850 S1C4T1 Fl. 2.176 31 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Redator Designado A minha discordância em relação ao voto do Relator cingese ao acolhimento do chama do “ágio 1”, bem assim em relação ao cancelamento das multas isoladas. Porém, fui designado para redigir o voto vencedor apenas em relação ao “ágio ‘”, uma vez que fui vencido quanto a outra matéria. O relator deu provimento ao ágio 1, nos seguintes termos: Dedução Fiscal da amortização do Ágio 1. O Ágio 1 decorreu da aquisição da participação na ENTERPA com ágio, sendo que essa transação envolveu terceiros (antigos controladores da ENTERPA), o ágio foi apurado com fundamento econômico no valor de rentabilidade dos resultados nos exercícios futuros e, ainda, restou comprovado o efetivo pagamento na aquisição da empresa. Houve, portanto, o efetivo desembolso de recursos e efetiva alteração no controle societário da adquirida. Assim, em relação ao Ágio 1, entendo que se assemelha à organização societária realizada no “Caso Santander” (citado acima), e pelos motivos já expostos, entendo não se tratar de “ágio de si mesmo”. Portanto, reconheço a dedutibilidade da amortização relativa ao Ágio 1. Data máxima venia, discordo da posição abraçada pelo nobre relator. É que o “Ágio 1” não cumpriu o requisito aqui definido como necessário ao gozo do referodp benefício fiscal previsto no artigo 386 do RIR/99. A dedução autorizada pelo artigo 386 do RIR/99 decorre de o encontro no mesmo patrimônio da participação societária adquirida com o ágio pago por essa participação. Em face dessa "confusão patrimonial" entre o investimento e o ágio pago pela sua aquisição, somente nessa situação a legislação admite que o contribuinte considere perdido o seu capital investido com o ágio e, assim, deduza a despesa que ele teve quando da sua aquisição. Porém, os fatos indicam caminho diverso. É que a operação de incorporação (ENTERPA incorporando a PARTSERAM) que teoricamente faria com que o ágio pago tivesse a possibilidade de ter a sua amortização dedutível não aconteceu nos moldes esperados, qual seja, não houve o encontro em um mesmo patrimônio de parte do ágio pago pela participação societária da ENTERPA (Ágio I) com essa própria empresa. Ou seja, quem efetivamente adquiriu a ENTERPA e suportou o ônus do pagamento do ágio não a incorporou.. O Ágio I não foi efetivamente suportado nem pela PARTSERAM nem pela ENTERPA, não havendo assim a denominada Fl. 2191DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 32 “confusão patrimonial” necessária à aquisição “desse direito”.As empresas SIDECO e CIVILIA é que suportaram o pagamento do ágio. Dessa forma , a etapa relativa à integralização do aumento do capital da PARTSERAM com o “Ágio 1” apenas representou a transferência desse ágio àquela empresa, não a sua criação propriamente dita. O Ágio I fora criado quando da aquisição das ações da ENTERPA pela SIDECO e pela CIVILIA por meio do contrato de investimento realizado. A operação de aumento de capital que se seguiu é uma operação autônoma e como tal deve ser tratada, não se ligando mais à operação anterior. E não venha se alegar que houve a transferência do referido ágio nessa operação, pois , essa mais valia nunca saiu do patrimônio dos seus adquirentes originários: as empresas SIDECO e CIVILIA. A empresa Partseram foi criada apenas três meses antes de ser incorporada e a empresa GDASPE, menos de seis meses antes de sua incorporação, seno que tais empresas nunca foram operacionalizadas, ou seja, nunca auferiram rendimentos, nem possuíam funcionários servindo apenas como empresas de transferência do ágio pela incorporadora. Também não é pelo simples fato de ser efêmera que a operação estará a priori “contaminada”, mas ser efêmera gera uma necessidade maior do contribuinte explicar o motivo relevante dessa transitoriedade. O ônus da prova se inverte e a carga de prova para desfazer a presunção de abuso de direito ou simulação deve ser maior por parte do contribuinte.. E como se viu, o único propósito foi receber determinado patrimônio em trânsito para uma outra pessoa jurídica, com o fito tão somente de se apropriar indevidamente de um ágio que não lhe convém. Outro fator relevante que apenas reforça ainda mais a minha negativa de provimento também em relação a esse “ágio 1” ligase questão relacionada a problemas no laudo de rentabilidade futura do ágio pago pela empresa CIVILIA quando da aquisição da ENTERPA de terceiros em 28/07/1998, verificase que não há esse documento no processo. O que se tem no processo é apenas um laudo de rentabilidade futura referente à participação da ENTERPA que foi utilizada pela SIWA como investimento na PARTSERAM em 01/10/1999 (fls.. 1540/1551, vol. 09). Devese perceber que esse laudo se refere à situação patrimonial da ENTERPA em setembro de 1999, não fazendo qualquer alusão ao valor dessa empresa em julho de 1998 (quando a CIVILIA adquiriu a ENTERPA). Cabe salientar apenas que nas folhas 1377 a 1442 (Vol. 08), consta um laudo de avaliação da ENTERPA com data de abril de 1997. Porém, esse documento se encontra em língua estrangeira, não tendo sido juntado qualquer tradução juramentada, conforme manda a legislação de regência. Não se concebe a existência de laudo que seja retroativo ao evento que ele deveria bem representar. O parágrafo 3º do art. 20 do Decretolei nº 1.598/1977 preceitua que: Parágrafo 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do parágrafo 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Embora a doutrina divirja quanto ao grau de amplitude e liberdade que se empresta a essa “demonstração” não há dúvidas que um interpretação lógica e sistemática conduz nosso entendimento de que deve ser respeitado o rigor no critério temporal. Ora, no momento da aquisição onde a Lei manda fazer o desdobramento e registro do ágio o laudo já deve existir indicando além do aspecto quantitativo, o seu fundamento legal, no caso, a rentabilidade futura projetada. Veja o que diz o doutrinador Luís Eduardo Schoueri a esse respeito: Fl. 2192DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.003053/200957 Acórdão n.º 1401000.850 S1C4T1 Fl. 2.177 33 “A expressão ´demonstração´é bastante ampla. Não se indica como se faz a prova. Basta que se demonstrem o lançamento e seus fundamentos. A falta de disciplina legal do tema leva à conclusão de que o contribuinte tem ampla liberdade na forma como comprovará a fundamentação adotada. O legislador impõe que se indique o fundamento por que houve o pagamento do preço, sendo rigoroso quanto ao seu aspecto temporal (no momento da aquisição, já se deve fazer o desdobramento, indicando o fundamento do ágio) mas silenciando quanto à forma. Também exige o arquivo da ´demonstração´. Mas não diz a forma. (“Ágio em Reorganizações Societárias (aspectos tributários)”, Dialética, São Paulo 2012, p.33) Por todo o exposto, NEGO provimento em relação ao aproveitamento do denominado “ágio 1”. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 2193DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900098/2013-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 24/12/2010
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 24/12/2010 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 00 98 /2 01 3- 13 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900098/201313 Acórdão n.º 3801003.045 S3TE01 Fl. 10 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900098/201313 Acórdão n.º 3801003.045 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900098/201313 Acórdão n.º 3801003.045 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900098/201313 Acórdão n.º 3801003.045 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900098/201313 Acórdão n.º 3801003.045 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900098/201313 Acórdão n.º 3801003.045 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900098/201313 Acórdão n.º 3801003.045 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904564/2012-78
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/01/2006
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 64 /2 01 2- 78 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904564/201278 Acórdão n.º 3801002.362 S3TE01 Fl. 62 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904564/201278 Acórdão n.º 3801002.362 S3TE01 Fl. 63 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904564/201278 Acórdão n.º 3801002.362 S3TE01 Fl. 64 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904564/201278 Acórdão n.º 3801002.362 S3TE01 Fl. 65 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000058/2010-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006, 2007
RECURSO DO CONTRIBUINTE
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS.
A autoridade fiscal deve arbitrar o lucro da pessoa jurídica quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidências de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real, bem como pela não apresentação dos livros comerciais e fiscais e a respectiva documentação.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO.
Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
CONFLITO APARENTE DE NORMAS. ART.42, DA LEI N° 9.430, DE 1996 E AS HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO DO ART.47, DA LEI N° 8.981, 1995. MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS.
As hipóteses de arbitramento definidas pelo art. 47, da Lei n° 8.981, 1995 se constituem em regra geral, que são suplantadas pelo regramento específico definido pelo art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicável especificamente à hipótese de não comprovação da origem de recursos utilizados em movimentações financeiras.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA.
A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador.
SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A movimentação bancária desproporcional as receitas declaradas, mesmo que de forma continuada, bem como a apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte não justificados e não escriturados, independentemente do montante movimentado, por si só, não caracterizam evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível.
RECURSO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS - SUJEIÇÃO PASSIVA
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.
A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
Preliminares rejeitadas.
Recurso do contribuinte parcialmente provido.
Recurso dos responsáveis solidários provido.
Numero da decisão: 1402-001.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminares suscitadas pelo recorrente, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do voto do relator. QUANTO AO RECURSO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a sujeição passiva solidária de Walter Lúcio Galegari e Ernesto Lúcio Galegari, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS. A autoridade fiscal deve arbitrar o lucro da pessoa jurídica quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidências de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real, bem como pela não apresentação dos livros comerciais e fiscais e a respectiva documentação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONFLITO APARENTE DE NORMAS. ART.42, DA LEI N° 9.430, DE 1996 E AS HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO DO ART.47, DA LEI N° 8.981, 1995. MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS. As hipóteses de arbitramento definidas pelo art. 47, da Lei n° 8.981, 1995 se constituem em regra geral, que são suplantadas pelo regramento específico definido pelo art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicável especificamente à hipótese de não comprovação da origem de recursos utilizados em movimentações financeiras. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A movimentação bancária desproporcional as receitas declaradas, mesmo que de forma continuada, bem como a apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte não justificados e não escriturados, independentemente do montante movimentado, por si só, não caracterizam evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. RECURSO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS - SUJEIÇÃO PASSIVA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Preliminares rejeitadas. Recurso do contribuinte parcialmente provido. Recurso dos responsáveis solidários provido.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS. A autoridade fiscal deve arbitrar o lucro da pessoa jurídica quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidências de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 00 58 /2 01 0- 33 Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 determinar o lucro real, bem como pela não apresentação dos livros comerciais e fiscais e a respectiva documentação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONFLITO APARENTE DE NORMAS. ART.42, DA LEI N° 9.430, DE 1996 E AS HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO DO ART.47, DA LEI N° 8.981, 1995. MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS. As hipóteses de arbitramento definidas pelo art. 47, da Lei n° 8.981, 1995 se constituem em regra geral, que são suplantadas pelo regramento específico definido pelo art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicável especificamente à hipótese de não comprovação da origem de recursos utilizados em movimentações financeiras. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A movimentação bancária desproporcional as receitas declaradas, mesmo que de forma continuada, bem como a apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte não justificados e não escriturados, independentemente do montante movimentado, por si só, não caracterizam evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16004.000058/201033 Acórdão n.º 1402001.553 S1C4T2 Fl. 3 3 Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. RECURSO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS SUJEIÇÃO PASSIVA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Preliminares rejeitadas. Recurso do contribuinte parcialmente provido. Recurso dos responsáveis solidários provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminares suscitadas pelo recorrente, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do voto do relator. QUANTO AO RECURSO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a sujeição passiva solidária de Walter Lúcio Galegari e Ernesto Lúcio Galegari, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 Relatório DISCAR DISTRIBUIDORA DE CARNES CATANDUVA LTDA., contribuinte inscrito no CNPJ/MF sob nº 01.693.907/000146, com domicílio fiscal na cidade de Catanduva, Estado de São Paulo, na Rua. João Chimelo, nº 1050 Bairro Pólo I C G Mestrine, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Jose do Rio Preto SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 1321/1331, prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 1376/1396. Contra o contribuinte, acima identificado, foram lavrados, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Jose do Rio Preto – SP, em 26/01/2010, os Autos de Infrações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS); de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS); e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (fls. 208/263), com ciência, via AR, em 02/02/2010 (fls. 267), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 3.195.697,65), a título de tributo e contribuições, acrescido de multa qualificada de 150% (depósitos bancários); da multa de ofício normal de 75% (venda de produtos de fabricação própria) e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e contribuições referente aos exercícios de 2006 e 2007 correspondentes aos anos calendário de 2005 e 2006, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente aos exercícios de 2006 e 2007, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA: Valor apurado conforme Termo de Constatação Fiscal e Descrição dos Fatos em anexo, que faz parte integrante do presente Auto de Infração. Infração capitulada nos arts. 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430, de 1996 e arts. 532 e 537 do RIR/99; 2 – RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) VENDA DE PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA: Omissão de receitas de venda, Conforme Termo de Constatação Fiscal e Descrição dos Fatos em anexo, que faz parte integrante do presente Auto de Infração. Infração capitulada nos arts. 532 e 537, do RIR/99; Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2005, 06/2005, 09/2005, 12/2005, 03/2006, 06/2006, 09/2006 e 12/2006. Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte, sujeito a tributação com base no Lucro Real, não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, fato este, por ele declarado conforme Termo de Constatação e descrição dos Fatos de fls. 194/207. Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999 art. 530, inciso I, do RIR/99. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Constatação e Descrição dos Fatos (fls. 194/207) os fatos relativos às infrações cometidas. Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16004.000058/201033 Acórdão n.º 1402001.553 S1C4T2 Fl. 4 5 Ação fiscal teve início com a intimação do Sr. Ernesto Lúcio Calegari, sócio da DISCAR DISTRIBUIDORA DE CARNES CATANDUVA LTDA. para apresentação de livros e documentos, tendo ele informado que a empresa está inativa desde 2006. Após sucessivos pedidos de prorrogação de prazo, os elementos referidos na intimação não foram apresentados. Em seguida, a DISCAR foi intimada, no endereço do sócio responsável junto ao CNPJ, Sr. Walter Lúcio Calegari, a apresentar os mesmos elementos. Mais uma vez, a intimação não foi atendida, razão pela qual, com base em autorização judicial, foi emitida Requisição de Movimentação Financeira – RMF, por meio da qual foram obtidos os extratos bancários das contas do contribuinte. Posteriormente, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários que ingressaram em suas contas nos anos de 2003 a 2006. Após sucessivas prorrogações de prazo, o contribuinte informou que “não foi possível localizar a documentação necessária a atender ao termo de intimação lavrado em 04/07/2008, na DRF/SJRIOPRETO, relativa ao IRPJ período de apuração 2003 a 2006, que efetivamente extraviouse, ficando, assim, impossibilitada de atender ao quanto solicitado pela fiscalização”. É de se observar, que a formalização da quebra do sigilo bancário do contribuinte e das pessoas correlacionadas foram através dos Processos da Justiça Federal sob nºs 2007.61.24.0002606, 2007.61.24.0007616 e 2008.61.24.0002143/1 da 24ª Subseção Judiciária do Estado de São Paulo (JalesSP), das respectivas datas 02/03/2007, 25/05/2007 e 28/02/2008 Da mesma forma, se necessário observar, que para o cumprimento da decisão judicial foram emitidas as Requisições de Movimentações Financeiras junto às respectivas instituições financeiras onde o contribuinte e os sócios, mantiveram movimentação (com base na CPMF), solicitando os extratos bancários (em meio magnético ou em papel), fichas cadastrais, Procurações outorgando poderes a terceiros movimentarem contascorrentes, cópia de comprovantes de depósitos/créditos, etc. É importante ressaltar, que consta no Termo de Constatação e Descrição dos Fatos (fl. 206) a observação de que “tendo em vista que a presente ação fiscal foi motivada por requisição da Justiça Federal, em virtude de operação deflagrada pela Policia Federal, deixamos de formalizar a representação fiscal para fins penais. Procederemos à comunicação da Justiça federal, bem como do Ministério Público Federal, dos fatos apurados na presente fiscalização.”. Consta, ainda, às fls. 190/193 dos autos, a sujeição passiva solidárias dos seguintes responsabilizados: nos termos do artigo 124, inc. I, do CTN, as pessoas dos sócios de fato da Pessoa Jurídica, Srs. Walter Lúcio Calegari CPF. 806.586.36804 e Ernesto Lúcio Calegari — CPF. 005.179.48885, que tiveram interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações principais. Em sua peça impugnatória de fls. 277/293, apresentada, tempestivamente, em 03/03/2010, o autuado (Discar Distribuidora de Carnes Catanduva Ltda.) se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que, no que diz respeito à nulidade da autuação e supressão do direito à ampla defesa no âmbito da representação penal que implicou na quebra de sigilo bancário, é de se dizer, que para amparar a quebra do sigilo bancário da impugnante, a fiscalização protocolizou representação penal buscando a providência. Foi atendida. O R. Juízo da 1° Vara Federal de JALES deferiu a medida; que nada haveria de ultrajante à ordem constitucional não fosse uma especial peculiaridade: a impugnante não exerceu, no âmbito da Representação Criminal ou na ação penal à qual se entranhou o procedimento, o direito ao contraditório e à ampla defesa, prejudicado, nessa medida, o devido processo legal; que, assim, considerando que a ordem para a quebra do sigilo partiu de procedimento no qual à impugnante não foi oportunizado direito ao contraditório e à ampla defesa, de rigor reconhecerse a NULIDADE para que o processo administrativo seja invalidado por completo; que, no que diz respeito à ofensa ao direito à privacidade e à intimidade (CF, art. 5°, X), é de se dizer, que a doutrina insere o sigilo bancário como uma das espécies do direito à privacidade e à intimidade, figurando entre os chamados direitos da personalidade, de modo a encontrar guarida no citado dispositivo constitucional; que a decretação da quebra do sigilo bancário advém de procedimento alheio ao devido processo legal porquanto não conta com a oportunidade ao exercício da ampla defesa e do contraditório, defeso à fiscalização o acesso aos dados e informações relativas às operações financeiras da impugnante; que, no que diz respeito à ofensa aos princípios do devido processo legal (CF/88, ART. 5°, LIV) e do contraditório (CF/88, ART. 5°, L V), é de se dizer, que sabese que a regra é o direito constitucional ao sigilo bancário, como decorrência do direito à privacidade e à intimidade tutelado no art. 5°, X, bem como do direito ao sigilo de dados protegido pelo art. 5°, XLL, ambos da CF/88. Como direito individual fundamental com calibre constitucional, as flexibilizações ou derrogações são excepcionais, somente podendo acontecer em casos especialíssimos e mediante a observação de alguns requisitos; que a análise da questão posta atrai todos os elementos jurídicos aplicáveis àquelas hipóteses nas quais inexiste autorização para a quebra do sigilo bancário, deduzindose, por conseguinte, que o procedimento deveras rompeu as garantias do devido processo legal, inquinado, portanto, de nulidade; que, no que diz respeito ao mérito da imputação fiscal, qual seja baseado nos depósitos bancários que não configuram omissão de receitas e a impropriedade das acusações fiscais, é de se dizer, que, neste sentido, ainda que superadas fossem as objeções antes deduzidas, o que se admite apenas para efeito de argumentação, no mérito a imputação fiscal desmereceria amparo; que análise do lançamento fiscal demonstra que a fiscalização partiu dos depósitos bancários e a partir deles considerou a incidência tributária sem que, para isso, perquirisse o elo entre os depósitos e a mencionada omissão de receitas; que a demonstração do nexo de causa entre os depósitos e a suposta incidência tributária, no entanto, afigurase medida de rigor para que a fiscalização lograsse demonstrar as supostas irregularidades; Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16004.000058/201033 Acórdão n.º 1402001.553 S1C4T2 Fl. 5 7 que a fiscalização em nenhum momento especificou ou tratou da ligação entre os depósitos bancários e a incidência tributária, de rigor considerarse, no mérito, a insubsistência auto de infração para que, cancelandoo, reconheçase a inviabilidade da tributação; que, no que diz respeito à improcedência do agravamento da multa de ofício e da multa qualificada, é de se dizer, que o auto de infração impôs à impugnante a multa agravada ao Auto de Infração atacado, com fulcro nos artigos 4° da Lei n° 8.218/91 e 44, inciso II da Lei 9.430/96, alegando evidente intenção do contribuinte em Fraudar o Fisco; que nenhum dos pontos mencionados na autuação consegue atribuir à conduta da impugnante a conotação dolosa e fraudulenta, razão porque se conclui apresentarse inaplicável a multa qualificada ao caso em tela, tendo em vista a não subsunção da conduta do contribuinte às hipóteses legais; que o impugnante postula a insubsistência do lançamento tributário posto que os depósitos não constituem, por si só, motivos para a lavratura da autuação, ou, superada esta hipótese, aguardase que a decadência se inspire nas disposições do artigo 150, § 4°, do CTN e/ou no RIR (artigo 849) para alcançar apenas os fatos geradores ocorridos nos cinco anos anteriores à formalização do lançamento, ou, finalmente, que a multa de ofício agravada seja excluída, reduzindoa aos padrões da normalidade. WALTER LÚCIO CALEGARI, como responsável solidário, apresenta a sua peça impugnatória de fls. 294/322, tempestivamente, em 03/03/2010, onde o mesmo se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando a sua exclusão do pólo passivo da obrigação tributária, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que nulidade do processo administrativo em razão da ausência de termo de início de fiscalização vício do qual emana a invalidade absoluta do processo administrativo e a violação ao princípio da cientificação maltrato à disposição do artigo 196 do C T N; que o exame ao procedimento administrativo demonstra que a fiscalização não lavrou, como se lhe impõe, o TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO, situação que implica em inaceitável violação ao artigo 196 do CTIN; que reclama o impugnante o reconhecimento de que o procedimento fiscal é maculado pela ausência de termo de início de procedimento fiscal contra si, bem como pela inexistência de oportunidade para que se manifestasse acerca das ocorrências listadas pela fiscalização, dado que tais formalidades convergiramse apenas à pessoa jurídica, razão pela qual insiste na invalidação do lançamento tributário; que a nulidade da autuação e supressão do direito à ampla defesa no âmbito da representação penal que implicou na quebra de sigilo bancário. Sendo assim, a quebra do sigilo bancário do impugnante foi obtida pela fiscalização mediante autorização obtida em representação penal buscando a providência; que, assim, considerando que a ordem para a quebra do sigilo partiu de procedimento no qual ao impugnante não foi oportunizado direito ao contraditório e à ampla defesa, de rigor reconhecerse a NULIDADE para que o processo administrativo seja invalidado por completo; Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 que da ilegitimidade passiva e inexistência de sujeição passiva solidária e também hipótese normativa catalogada no auto de infração inaplicável à espécie. Neste sentido, o relatório de constatação e descrição dos fatos, ao fundamentar a sujeição passiva solidária, parte de duas premissas: (a) os sócios da DISCAR são também sócios das empresas Frigopoti Frigorífico Poti Ltda. E Cinco Estrelas Distribuidora de Carnes Ltda., investigadas pelas mesmas práticas fraudulentas; (b) análise, por amostragem, dos extratos bancários da empresa e cópias de cheques demonstrou a presença de fluxo financeiro para contas correntes de sócios, cônjuge ou parentes próximos; que tanto por orientação do artigo 134 quanto por disposição do artigo 135, ambos do CTN, fato é que não se pode imputar a responsabilidade tributária ao impugnante por ausência de legitimidade; que do erro na determinação do sujeito passivo e necessidade de demonstração de acréscimo patrimonial, inexistência de demonstração de responsabilização por presunção. Conhecese que o sujeito passivo da obrigação tributária é a pessoa obrigada ao pagamento, segundo o artigo 121 do Código Tributário Nacional, ou seja, a responsabilidade é daquele que possui relação DIRETA com o fato gerador do tributo; que considerando que a acusação de solidariedade veio desacompanhada da indispensável perquirição acerca de acréscimo patrimonial ao impugnante, o que restou manifestamente desatendido pela fiscalização, impositivo o reconhecimento de erro na determinação do sujeito passivo; que a nulidade da autuação da supressão do direito à ampla defesa no âmbito da representação penal que implicou na quebra de sigilo bancário. Podese, observar, que para amparar a quebra do sigilo bancário da impugnante, a fiscalização protocolizou representação penal buscando a providência (fls. 416 a 421). Foi atendida. O R. Juízo da 1° Vara Federal de JALES deferiu a medida; que a ordem para a quebra do sigilo partiu de procedimento no qual à impugnante não foi oportunizado direito ao contraditório e à ampla defesa, de rigor reconhecer se a NULIDADE para que o processo administrativo seja invalidado por completo; que da ofensa ao direito à privacidade e à intimidade (CF , art. 5°, X), pode se analisar, que a doutrina insere o sigilo bancário como uma das espécies do direito à privacidade e à intimidade, figurando entre os chamados direitos da personalidade, de modo a encontrar guarida no citado dispositivo constitucional; que, assim, considerando que a decretação da quebra do sigilo bancário advém de procedimento alheio ao devido processo legal porquanto não conta com a oportunidade ao exercício da ampla defesa e do contraditório, defeso à fiscalização o acesso aos dados e informações relativas às operações financeiras da impugnante; que da ofensa aos princípios do devido processo legal (CF/88, art. 5°, LIV) e do contraditório (CF/88, art. 5°, L V), no entanto, sabese que a regra é o direito constitucional ao sigilo bancário, como decorrência do direito à privacidade e à intimidade tutelado no art. 5°, X, bem como do direito ao sigilo de dados protegido pelo art. 5°, Xll, ambos da CF/88. Como direito individual fundamental com calibre constitucional, as flexibilizações ou derrogações são excepcionais, somente podendo acontecer em casos especialíssimos e mediante a observação de alguns requisitos; Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16004.000058/201033 Acórdão n.º 1402001.553 S1C4T2 Fl. 6 9 que a análise da questão posta atrai todos os elementos jurídicos aplicáveis àquelas hipóteses nas quais inexiste autorização para a quebra do sigilo bancário, deduzindose, por conseguinte, que o procedimento deveras rompeu as garantias do devido processo legal, inquinado, portanto, de nulidade; que do mérito da imputação fiscal e do depósitos bancários que não configuram omissão de receitas e impropriedade das acusações fiscais. Ainda que superadas fossem as objeções antes deduzidas, o que se admite apenas para efeito de argumentação, no mérito a imputação fiscal desmereceria amparo; que, assim, considerando que a fiscalização em nenhum momento especificou ou tratou da ligação entre os depósitos bancários e a incidência tributária, de rigor considerarse, no mérito, a insubsistência do auto de infração para que, cancelandoo, reconheçase a inviabilidade da tributação; que da improcedência do agravamento da multa de ofício e da multa qualificada. Assim sendo, o auto de infração impôs ao impugnante a multa agravada ao Auto de Infração atacado, com fulcro nos artigos 4° da Lei n° 8.218/91 e 44, inciso II da Lei 9.430/96, alegando evidente intenção do contribuinte em fraudar o Fisco; que nenhum dos pontos mencionados na autuação consegue atribuir à conduta da impugnante a conotação dolosa e fraudulenta, razão porque se conclui apresentarse inaplicável a multa qualificada ao caso em tela, tendo em vista a não subsunção da conduta do contribuinte às hipóteses legais; que a presente impugnação conhecida e os pedidos acolhidos para reconhecerse a nulidade da autuação e do processo administrativo em razão das irregularidades retro referidas, ou, superado o pedido de decretação da nulidade, postula a impugnante a insubsistência do lançamento tributário posto que os depósitos não constituem, por si só, motivos para a lavratura da autuação, ou, superada esta hipótese, aguardase que a multa de ofício agravada seja excluída, reduzindoa aos padrões da normalidade. ERNESTO LÚCIO CALEGARI., como responsável solidário, apresenta a sua peça impugnatória de fls. 323/351, tempestivamente, em 04/03/2010, onde o mesmo se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando a sua exclusão do pólo passivo da obrigação tributária, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que a inexistência de intimação do defendente abrindo oportunidade para manifestação. Falta do termo de início de procedimento fiscal constando o nome do defendente. Nulidade processual Leitura despretensiosa do termo de início de procedimento fiscal e dos termos de intimações formalizados pela fiscalização dá conta de que apenas a pessoa jurídica DISCAR DISTRIBUIDORA DE CARNES CATANDUVA LTDA foi incluída no rol de pessoas fiscalizadas, inexistindo, quanto ao defendente, oportunidade de manifestação acerca dos atos realizados no processo administrativo; que, dessarte, ao defendente não resta outra solução senão postular o reconhecimento de que o procedimento fiscal é maculado em decorrência da ausência do termo de início de procedimento fiscal que o incluísse. A ausência, com efeito, implicou na falta de oportunidade para que o defendente se manifestasse acerca das ocorrências mencionadas no trabalho fiscal, sobretudo porque as formalidades focaram exclusivamente a pessoa jurídica; Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 que o vício do procedimento fiscal. Ultraje ao direito à ampla defesa no âmbito da representação penal que implicou na quebra de sigilo bancário Não há dúvidas de que a quebra do sigilo bancário do defendente foi obtida pela fiscalização mediante autorização obtida em representação penal buscando a providência; que concluindo este tópico, tendo em vista que a ordem para a quebra do sigilo saiu de procedimento no qual ao defendente não foi oportunizado direito ao contraditório e à ampla defesa, impositivo reconhecerse a NULIDADE para que o processo administrativo seja invalidado integralmente; que a agressão ao direito à privacidade e também a intimidade (CF, art. 5°,X). Ou seja, a decretação da quebra do sigilo bancário advém de procedimento alheio ao devido processo legal porquanto não conta com a oportunidade ao exercício da ampla defesa e do contraditório, defeso à fiscalização o acesso aos dados e informações relativas às operações financeiras da impugnante; que, no entanto, a ofensa aos princípios do devido processo legal (CF/88, art. 5°, LIV) e do contraditório (CF/88, art. 5°, LV). Não se olvida que a regra é o direito constitucional ao sigilo bancário, como decorrência do direito à privacidade e à intimidade tutelado no art. 5°, X, bem como do direito ao sigilo de dados protegido pelo art.5°, XII, ambos da CF/88. Como direito individual fundamental com calibre constitucional, as flexibilizações ou derrogações são excepcionais, somente podendo acontecer em casos especialíssimos e mediante a observação de alguns requisitos; que a análise da questão posta atrai todos os elementos jurídicos aplicáveis às hipóteses nas quais inexiste autorização para a quebra do sigilo bancário, deduzindose, por conseguinte, que o procedimento deveras rompeu as garantias do devido processo legal, inquinado, portanto, de nulidade; que a inocorrência de razões para imposição da sujeição passiva solidária. Inviabilidade de aplicação da norma utilizada no processo fiscal à espécie. Administração da sociedade exercida por pessoa diversa do defendente Discorrendo acerca da sujeição passiva solidária, o trabalho fiscal especifica que os sócios da DISCAR mantiveram interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias tratadas no termo. O interesse teria decorrido, segundo a fiscalização, de transferências bancárias detectadas pela fiscalização e direcionadas à empresas nas quais o defendente possui participação (de fato ou de direito), especialmente as pessoas jurídicas Frigopoti Frigorífico Poti Ltda. e Cinco Estrelas Distribuidora de Carnes Ltda., investigadas pelas mesmas práticas teoricamente fraudulentas; que, assim, não configurada a hipótese prevista em lei como necessária à responsabilização do defendente, não se pode imputar a ele responsabilidade tributária ante a ausência da propagada solidariedade; que o equívoco na capitulação do sujeito passivo e falta de demonstração de acréscimo patrimonial. Presunção lançada pela fiscalização que não se justifica. Portanto, não se olvida que, por orientação do artigo 121 do Código Tributário Nacional, o sujeito passivo da obrigação tributária é a pessoa obrigada ao pagamento, ou seja, a responsabilidade é daquele que possui relação DIRETA com o fato gerador do tributo; que, assim, considerando que a acusação de solidariedade veio desacompanhada da indispensável perquirição acerca de acréscimo patrimonial ao defendente, o que restou manifestamente desatendido pela fiscalização, impositivo o reconhecimento de erro na determinação do sujeito passivo; Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16004.000058/201033 Acórdão n.º 1402001.553 S1C4T2 Fl. 7 11 que a impertinência do lançamento fiscal e do depósitos bancários que não configuram omissão de receitas. Portanto, ainda que superadas fossem as objeções antes deduzidas, o que se admite apenas para efeito de argumentação, no mérito a imputação fiscal desmereceria amparo; que considerando que a fiscalização em nenhum momento especificou ou tratou da ligação entre os depósitos bancários e a incidência tributária, de rigor considerarse, no mérito, a insubsistência do auto de infração para que, cancelandoo, reconheçase a inviabilidade da tributação; que a inviabilidade do agravamento da multa de ofício. Ou seja, o auto de infração impôs ao defendente o dever de pagar a multa agravada. O fez com apoio nos artigos 4° da Lei n° 8.218/91 e 44, inciso II da Lei 9.430/96, a pretexto de que houve evidente intenção do contribuinte em fraudar o fisco; que requer seja apresente impugnação conhecida e os pedidos acolhidos para reconhecer se a nulidade do processo administrativo em razão das irregularidades retro referidas, ou, superado o pedido de decretação da nulidade, postula o defendente o reconhecimento da inocorrência de razões para imposição da sujeição passiva solidária, bem como o equívoco na capitulação do sujeito passivo por falta de demonstração de acréscimo patrimonial, ou, superadas tais hipóteses, seja decretada a insubsistência do lançamento tributário posto que os depósitos não constituem, por si só, motivos para a lavratura da autuação, ou, ou, finalmente, que a multa de ofício agravada seja excluída, reduzindoa aos padrões da normalidade. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, concluíram pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações: que as impugnações apresentadas pela DISCAR e pelos responsáveis solidários Walter Lúcio Calegari e Ernesto Lúcio Calegari preenchem os requisitos de admissibilidade, razão pela qual delas conheço; que, quanto à alegação de decadência, cabe observar que o art. 150, § 4º, do CTN, in fine, excepciona da regra geral os casos em que ficar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na situação versada nos autos, foi demonstrado que o contribuinte declarou, reiteradamente, valores irrisórios em comparação com sua movimentação financeira, cuja origem não foi comprovada, sendo que o proveito foi revertido a seus sócios, Sr. Walter Lúcio Calegari e Sr. Ernesto Lúcio Calegari. Além disso, o contribuinte não possui livros e demais documentos fiscais e contábeis e permaneceu indevidamente no SIMPLES FEDERAL, mesmo sabendo que não preenchia as condições legais para tanto a partir do anocalendário de 2004; que esses fatos comprovam a atuação dolosa do contribuinte na prática das infrações tributárias apuradas, razão pela qual a contagem do prazo decadencial regulase pela regra inscrita no art. 173, I, do CTN, de modo que o prazo de cinco anos contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Diante disso, e tendo em conta que os autos de infração abrangem fatos geradores ocorridos nos anos de 2005 Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 e 2006 e foram cientificados aos sujeitos passivos em fevereiro de 2010, concluise que não houve o transcurso do prazo decadencial; que os impugnantes afirmam que a quebra do seu sigilo bancário, a despeito de autorizada judicialmente, violou o direito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal, pois a decisão judicial que a deferiu foi proferida em processo judicial no qual não foi assegurado o direito de defesa; que a alegação, evidentemente, está fora de lugar, pois a autoridade administrativa atuou sob o ampara de decisão judicial. Eventual violação a direito pela autoridade jurisdicional deve ser questionada também na via jurisdicional, com os recursos processuais cabíveis. Seria absurdo supor que a autoridade administrativa tem discricionariedade para avaliar se uma decisão judicial é válida para ser cumprida. O reconhecimento da invalidade de uma decisão judicial cabe somente ao Poder Judiciário, devendo a parte interessada manejar os recursos pertinentes; que os impugnantes alegam que a caracterização da omissão de receitas depende da demonstração de nexo causal entre os depósitos e a suposta omissão, requisito esse não atendido no lançamento de que trata o presente processo administrativo. A alegação não procede, pois a omissão de receitas foi apurada com base em presunção legal; que a norma de Direito Tributário material é elaborada por meio da abstração de fatos que se situam no âmbito do estado e da atividade econômica do contribuinte e que são aptos a revelar sua capacidade contributiva. A hipótese de incidência, especialmente no que se refere aos impostos, contempla fatos relativos à economia interna do contribuinte, de maneira que a Administração não concorre para formação do fato que se subsume a esta norma; que considerando o distanciamento da Administração relativamente à vida econômica do contribuinte no momento da ocorrência do fato jurídico tributário, a regulação da prova no procedimento administrativo destinado ao seu conhecimento assume contornos específicos, de modo a tornar mais equilibrada a relação fiscocontribuinte. As presunções são uma das técnicas jurídicas fundamentais para atingir este fim. Essa é a razão pela qual se observa nos ordenamentos jurídicos modernos a utilização cada vez mais freqüente desse instrumento para facilitar à Administração a prova dos fatos jurídicos tributários, de modo a dar efetividade à norma de Direito Tributário material; que intimado a comprovar a origem destes recursos, o contribuinte limitou se a afirmar que os documentos pertinentes encontravamse extraviados. Tendo em vista a ausência de comprovação da origem dos créditos em conta bancária, concluiuse que houve omissão de receitas. A autoridade autuante, portanto, agiu dentro dos limites impostos pela lei; que os impugnantes afirmam que as intimações recebidas no curso da ação fiscal foram atendidas, inclusive com requerimento de dilação de prazo quando necessário. Asseveram que foram trazidos aos autos os documentos disponíveis e que não passa de conjectura a afirmação de que a movimentação financeira da empresa deuse em proveito dos sócios. Alegam que a qualificação da multa, com base no art. 44, II, da Lei nº 9.430/1996 é medida excepcional, cabível apenas quando houver comprovação da fraude, conforme reconhece a jurisprudência administrativa, prova essa não produzida no presente processo administrativo; que, quanto a essas alegações, é importante esclarecer que foi aplicada multa qualificada (150%), mas não houve agravamento da multa aplicada. A qualificação da Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16004.000058/201033 Acórdão n.º 1402001.553 S1C4T2 Fl. 8 13 multa está prevista atualmente no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e resulta da atuação dolosa do contribuinte na prática das infrações tributárias apuradas. Não se confunde com o agravamento da multa, previsto no § 2º deste mesmo dispositivo, aplicável nas hipóteses de não atendimento pelo contribuinte de intimação para prestar esclarecimentos. Portanto, a afirmação dos impugnantes de que as intimações foram atendidas não tem qualquer reflexo relativamente à apreciação da pertinência da qualificação da multa; que há que se perquirir se, de fato, ficou caracterizado o dolo na prática das infrações tributárias apuradas. A conduta dolosa foi devidamente comprovada, pois o contribuinte declarou, reiteradamente, valores irrisórios em comparação com sua movimentação financeira, cuja origem não foi comprovada. Demonstrouse, inclusive, que parte da movimentação financeira beneficiou, direta ou indiretamente, os sócios. Com efeito, a autoridade autuante demonstrou que há transferências bancárias provenientes da DISCAR que ingressaram nas contas bancárias de Ernesto Lúcio Calegari, de FRIGOPOTI – FROGIRÍFICO POTI LTDA e de CINCO ESTRELAS DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA. Além disso, a DISCAR não possui livros e demais documentos fiscais e contábeis cuja manutenção é exigida pela lei e permaneceu indevidamente no SIMPLES FEDERAL, mesmo sabendo que não preenchia as condições legais para tanto a partir do anocalendário de 2004. Em conclusão, agiu com acerto a autoridade autuante ao qualificar a multa de ofício aplicada; que, os responsáveis solidários pelos créditos tributários lançados, Walter Lúcio Calegari e Ernesto Lúcio Calegari, sustentam que o processo administrativo é nulo, por violação ao devido processo legal e aos direitos à intimidade e á privacidade, pois não houve termo de início de fiscaliza1ição para averiguar condutas por eles praticadas; que não há que se falar em lavratura de termo de início de fiscalização para os senhores Ernesto Lúcio Calegari e Walter Lúcio Calegari, pois a ação fiscal foi desenvolvida para apurar eventuais infrações tributárias praticadas pela DISCAR. Nesse sentido, o art. 2º da Portaria RFB nº 2.284/2010; que o senhor Walter Lúcio Calegari afirma que o fato de ser sócio da DISCAR e também das empresas FRIGOPOTI – FRIGORÍFICO POTI LTDA e CINCO ESTRELAS DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA não autoriza a atribuição a ele de responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados contra a primeira, mesmo que houvesse qualquer acusação contra as demais empresas, já que a condição de sócio em mais de uma empresa é admitida por lei. Sustenta que, dada a ilicitude das provas produzidas, devem elas ser desentranhadas dos autos ou, no limite, desconsideradas por ocasião do julgamento. Alega que a autoridade autuante pretendeu, por amostragem, demonstrar que a movimentação financeira da DISCAR aproveitou a ele, mas as inexpressivas cópias de cheques juntadas aos autos não comprovam a relação entre os fatos geradores e a atuação do sócio. Aduz que seria necessária uma investigação completa acerca dos lançamentos em todo o período investigado, sobretudo tendo em conta que o lançamento referese a período demasiadamente maior que aquele abrangido pela amostragem, de modo que a fiscalização não se desincumbiu da carga da prova que lhe compete. Assevera que não foi comprovado o interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas e que deveria a autoridade demonstrar que ele participou diretamente dos fatos geradores, ou seja, que a movimentação financeira foi realizada em contas de sua titularidade. Adverte que as contas bancárias eram de titularidade da própria DISCAR, de modo que não há que se falar em “interesse comum”, dicção legal para representar a colocação dos devedores em uma situação comum. Argúi que responsabilidade tributária pode basearse no art. 134, VII do CTN (responsabilidade dos Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 sócios da sociedade) ou no art. 135, III, do CTN (responsabilidade dos administradores da sociedades), hipóteses essas não verificadas no presente processo administrativo. Conclui que não foi demonstrada a ocorrência de acréscimo patrimonial favorecendo o impugnante, razão pela qual inexiste interesse no fato gerador das obrigações tributárias apuradas; que o Sr. Ernesto Lúcio Calegari alega que a DISCAR sempre foi administrada pelo sócio Walter Lúcio Calegari, de modo que eventuais depósitos ou transferências bancárias dela às empresas FRIGOPOTI – FRIGORÍFICO POTI LTDA e CINCO ESTRELAS DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA são de responsabilidade do administrador, não podendo acarretar conseqüências para o impugnante. Além disso, afirma que não tem qualquer vínculo com a CINCO ESTRELAS DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA e que não foi produzida prova nesse sentido. Conclui que o fato de ser sócio do FRIGOPOTI – FRIGORÍFICO POTI LTDA não representa um indício de fraude; que as alegações relativas aos arts. 134, VII, e 135, III, do CTN estão fora de contexto, já que a atribuição de responsabilidade solidária aos senhores Ernesto Lúcio Calegari e Walter Lúcio Calegari se deu com base no art. 124, I, do CTN; que a alegação de que a atribuição de responsabilidade com base no art. 124, I, do CTN requer prova do interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal é um truísmo. Com efeito, consta da redação do art. 124, I, do CTN que é responsável solidário aquele que tiver interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Portanto, a aplicação da regra exige a ocorrência no mundo fenomênico da hipótese nela contemplada; que contrariamente ao que alega o Sr. Walter Lúcio Calegari, sua responsabilização não se deu simplesmente em razão de sua condição de sócio das empresas DISCAR, FRIGOPOTI – FRIGORÍFICO POTI LTDA e CINCO ESTRELAS DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA. Deveras, nada obsta a que alguém figure como sócio de várias empresas. Ocorre que, na situação de que trata o presente processo administrativo, constatou a autoridade autuante intenso fluxo financeiro diretamente para as contas correntes dos sócios da DISCAR, cônjuge ou parentes próximos destes, inclusive envolvendo as empresas das quais eles são sócios de direito ou de fato. Há, inclusive, várias transferências bancárias da DISCAR para as empresas FRIGOPOTI – FRIGORÍFICO POTI LTDA e CINCO ESTRELAS DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA, nas quais o Sr. Walter Lúcio Calegari figura como sócio; que esse conjunto de fatos revelam que os senhores Ernesto Lúcio Calegari e Walter Lúcio Calegari beneficiaramse, direta e indiretamente, das infrações tributárias praticadas pela DISCAR, já que esta direcionou, injustificadamente, recursos a eles e às empresas nas quais são eles sócios. Ressaltese que nenhum dos dois apresentou, juntos dos respectivos recursos, documentação hábil a comprovar as razões pelas quais ocorreram as referidas transferências de recursos; que, em conclusão, há nos autos prova bastante do interesse comum dos senhores Ernesto Lúcio Calegari e Walter Lúcio Calegari nos fatos geradores das obrigações tributárias apuradas contra a DISCAR. A presente decisão esta consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16004.000058/201033 Acórdão n.º 1402001.553 S1C4T2 Fl. 9 15 Data do fato gerador: 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. LUCRO ARBITRADO. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Presumese que correspondem a receitas omitidas os depósitos bancários de origem não comprovada. Arbitrase o lucro quando o contribuinte não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. No cômputo das receitas conhecidas que servirão de base para a apuração do lucro arbitrado incluemse as receitas omitidas. A declaração, reiterada, de valores irrisórios em comparação com a movimentação financeira, cuja origem não foi comprovada, a falta de manutenção de livros e demais documentos fiscais e contábeis e a permanência indevida no SIMPLES FEDERAL, dão fundamento à exasperação da multa de ofício. É correta a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tenham interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 Data do fato gerador: 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificados da decisão de Primeira Instância, em 18/10/2012, conforme Termo constante à fl. 1371, e, com ela não se conformando, os responsáveis solidários Ernesto Lúcio Calegari e Walter Lúcio Calegari interpuseram, em tempo hábil (16/11/2012), o recurso voluntário de fls. 1400/1449, no qual demonstram irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória: Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 18/10/2012, conforme Termo constante à fl.1371, e, com ela não se conformando, o contribuinte autuado DISCAR DISTRIBUIDORA DE CARNES CATANDUVA LTDA. interpôs, tempestivamente (16/11/2012), o recurso voluntário de fls. 1376/1396, instruído pelos documentos de fls. 1397/1399, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que a nulidade da autuação e supressão do direito à ampla defesa no âmbito da representação penal que implicou na quebra de sigilo bancário, sendo sim, para amparar a quebra do sigilo bancário da recorrente, a fiscalização protocolizou representação penal buscando a providência. Foi atendida. O R. Juízo da 1° Vara Federal de JALES deferiu a medida; que, assim, tendo em vista que a ordem para a quebra do sigilo partiu de procedimento que não oportunizou à recorrente o direito ao contraditório e à ampla defesa, de rigor reconhecerse a NULIDADE para que o processo administrativo seja invalidado por completo; que quanto a ofensa ao direito à privacidade e à intimidade (C F , ART. 5°, X), é de se dizer, que considerando que a decretação da quebra do sigilo bancário advém de procedimento alheio ao devido processo legal porquanto não conta com a oportunidade ao exercício da ampla defesa e do contraditório, defeso à fiscalização o acesso aos dados e informações relativas às operações financeiras da impugnante; que quanto a ofensa aos princípios do devido processo legal (CF/88, ART. 5°, LIV) e do contraditório (CF/88, ART. 5°, L V). Neste sentido é de se dizer, que é conhecida a regra constitucional de proteção ao sigilo bancário, como decorrência do direito à privacidade e à intimidade tutelado no art. 5°, X, bem como do direito ao sigilo de dados protegido pelo art. 5°, XLL, ambos da CF/88. Como direito individual fundamental com calibre constitucional, as Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16004.000058/201033 Acórdão n.º 1402001.553 S1C4T2 Fl. 10 17 flexibilizações ou derrogações são excepcionais, somente podendo acontecer em casos especialíssimos e mediante a observação de alguns requisitos; que a análise da questão posta atrai todos os elementos jurídicos aplicáveis àquelas hipóteses nas quais inexiste autorização para a quebra do sigilo bancário, deduzindose, por conseguinte, que o procedimento deveras rompeu as garantias do devido processo legal, inquinado, portanto, de nulidade; que quanto ao mérito da imputação fiscal e depósitos bancários que não configuram omissão de receitas e, portanto, impropriedade das acusações fiscais. Podese analisar, ainda que superadas fossem as objeções antes deduzidas, o que se admite apenas para efeito de argumentação, ainda assim o recurso deve ser provido; que, assim, considerando que a fiscalização em nenhum momento especificou ou tratou da ligação entre os depósitos bancários e a incidência tributária, de rigor considerarse, no mérito, a insubsistência do auto de infração para que, cancelandoo, reconheçase a inviabilidade da tributação; que a irregularidade no arbitramento promovido pela Autoridade Fiscal e da nulidade da exclusão do simples por irregularidade formal e também a impossibilidade de atribuirse a ato jurídico nulo. Ou seja, a recorrente foi excluída do simples mediante publicação no órgão oficial (fl. 83) em 09 de outubro de 2009; que, insustentável, assim, o lançamento efetuado por meio do arbitramento de lucro nos anoscalendários subseqüente à exclusão do simples (01/01/2005), dado que inaplicável às empresas optantes pelo simples; que quanto a impossibilidade de alteração do regime de tributação para fins de arbitramento e impossibilidade de utilização de critérios próprios ao regime previsto para lucro real e também incidência do regime (simples federal) a que estava submetida a pessoa jurídica no período de apuração; que a recorrente foi excluída do simples mediante publicação no órgão oficial (fls.83) afixado em 09 de outubro de 2009; que em conclusão, inexistia razão para o arbitramento dos lucros, pois o Fisco teve acesso à movimentação bancaria da empresa, alem de não haver fundamento legal no auto de infração que dê suporte ao arbitramento, motivo pelo qual o lançamento deve ser cancelado, por desrespeito a comando legal expresso (Lei n° 9.249/95, art. 24, matriz legal do art. 288 do RIR/99), ou, ainda quando se conclua que o arbitramento seria possível, ainda assim o auto de infração deveria ser anulado por conta do erro da determinação dos critérios utilizados para a apuração dos tributos diante da necessidade de tributação de acordo com o regime de tributação a que estava submetida a recorrente no período de apuração; que quanto a improcedência da qualificação da multa é de se dizer, que o auto de infração impôs à recorrente a multa qualificada, com lucro no artigo 44, § 1°, da Lei 9.430/96, alegando evidente intenção do contribuinte em fraudar o Fisco; que a fiscalização não comprovou o intuito fraudulento na atuação da recorrente, tampouco demonstrou (ou alegou) violação às hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64; Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 18 que nenhum dos pontos mencionados na autuação consegue atribuir à conduta da impugnante a conotação dolosa e fraudulenta, razão porque se conclui apresentarse inaplicável a multa qualificada ao caso em tela, tendo em vista a não subsunção da conduta do contribuinte às hipóteses legais. É o relatório. Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16004.000058/201033 Acórdão n.º 1402001.553 S1C4T2 Fl. 11 19 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE: O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Trata o presente de Recurso Voluntário (fls. 1376/1396), interposto contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (fls. 1321/1331). A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente aos exercícios de 2006 e 2007, onde a autoridade fiscal lançadora apurou omissão de receitas decorrentes da venda de produtos de fabricação própria e omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. Apurouse, ainda, que o contribuinte não mantinha escrituração regular para os anos de 2005 e 2006, de modo que o lucro foi arbitrado. Em conseqüência, foram lavrados os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 208/263), totalizando um crédito tributário de R$ 3.195.697,65. Conforme descrito no Termo de Constatação e Descrição dos Fatos de fls. 194/207, a ação fiscal foi desenvolvida no âmbito da chamada "Operação Grandes Lagos", por meio da qual foi desbaratada uma organização criminosa criada para fraudar a administração tributária, por diversas formas. Houve determinação judicial para que todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas fossem fiscalizadas pela Receita Federal. É de se observar, ainda, o Poder Judiciário autorizou a realização de buscas e apreensões, prisões, escutas telefônicas, quebra de sigilo bancário e determinou à Receita Federal que fiscalizasse os contribuintes envolvidos. A decisão recorrida entendeu, que caso o contribuinte não apresente escrituração regular, apta à apuração do lucro real, a base de cálculo do imposto de renda deve ser apurada pelo lucro arbitrado A multa deve ser qualificada (150%) quando ficar caracterizada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Entendeu, ainda, que é cabível a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada (art. 124, I, do CTN). Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, ataca o que entende terem sido os fundamentos do lançamento apresentando preliminares de nulidade do lançamento, bem como apresenta razões de mérito. Inicialmente o recorrente afirma que a quebra do seu sigilo bancário, a despeito de autorizada judicialmente, violou o direito ao contraditório, à ampla defesa e ao Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 20 devido processo legal, pois a decisão judicial que a deferiu foi proferida em processo judicial no qual não foi assegurado o direito de defesa. Como a já se manifestou a decisão recorrida, a alegação, evidentemente, está fora de lugar, pois a autoridade administrativa atuou sob o amparo de decisão judicial. Eventual violação a direito pela autoridade jurisdicional deve ser questionada também na via jurisdicional, com os recursos processuais cabíveis. Seria absurdo supor que a autoridade administrativa tem discricionariedade para avaliar se uma decisão judicial é válida para ser cumprida. O reconhecimento da invalidade de uma decisão judicial cabe somente ao Poder Judiciário, devendo a parte interessada manejar os recursos pertinentes. Quanto às preliminares de nulidade do lançamento argüidas pelo suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, não devem ser acolhidas pelos motivos abaixo. Entendo que o procedimento fiscal realizado pelos agentes do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo. Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração e a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16004.000058/201033 Acórdão n.º 1402001.553 S1C4T2 Fl. 12 21 Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Da mesma forma, não procede à nulidade do lançamento argüida sob os argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, erro de capitulação legal, descrição confusa dos fatos, falta de autenticidade, bem como não houve a devida descrição e capitulação da infração cometida pela recorrente. Inicialmente, verificase que para a contribuinte foi concedido o prazo legal de 30(trinta) dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendolhe assegurado vista ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso quisesse, garantindose desta forma o contraditório e a ampla defesa. Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verificase que foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. Verificase, ainda, que os Autos de Infrações às fls. 208/263, bem como o Termo de Constatação e Descrição dos Fatos de fls. 194/207, identifica por nome e CNPJ o autuado, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto SP, cuja ciência foi por AR e descreve, as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação das irregularidades apontadas no Auto de Infração lavrado sem que a recorrente comprovasse efetivamente as suas alegações. Constam dos autos diversos chamados ao sujeito passivo para que esse apresentasse as justificativas acerca das irregularidades apontadas. O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita compreensão do procedimento adotado da base tributável apurada e do cálculo do imposto resultante, permitindo o interessado o pleno exercício do seu direito de defesa. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Da análise dos autos, constatase que a autuação é plenamente válida. Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 22 Fazse necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão apolítico, destinada a prestar serviços ao Estado, na condição de Instituição e não a um Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu dever de participação. Ademais, o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235, de 1972 manifestase da seguinte forma: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso do presente processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por funcionários com competência para tal. Ora, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre o assunto, bem como a matéria de prova. É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, quando a descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, temse o vício material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas. Além disso, o art. 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16004.000058/201033 Acórdão n.º 1402001.553 S1C4T2 Fl. 13 23 No que diz respeito ao arbitramento dos lucros relativo aos anoscalendário de 2005 e 2006, foi efetuado em virtude de nesses anoscalendário a pessoa jurídica ter deixado de apresentar sua escrituração contábil e fiscal, a despeito de devidamente intimada para tal. O arbitramento foi motivado por irregularidades na escrituração contábil e fiscal, para a apuração do resultado com base no lucro real. A legislação de regência, bem como a jurisprudência administrativa e jurisprudencial nos ensina que o imposto de renda devido será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando: 1) a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou determinar o lucro real; 2) o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou deixar de apresentar o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária, quando optar pelo lucro presumido e não mantiver escrituração contábil regular; 3) o contribuinte optar indevidamente pelo lucro presumido; 4) o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente, residente ou domiciliado no exterior; 5) o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizadas para resumir, totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário; 6) o contribuinte não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal, nos casos em que o mesmo se encontre obrigado ao lucro real;7) o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2º do artigo 177 da Lei nº 6.404, de 1976 e § 2º do artigo 8º do DecretoLei nº 1.598, de 1977. As irregularidades da escrita apresentada, apontada no auto de infração e, posteriormente analisada pela decisão recorrida, ao enfrentar os argumentos da impugnação, deixam claro que não foram atendidas as condições das leis comercial e fiscal, de forma a que permitisse ao fisco verificar a exatidão do lucro real apurado. Assim, a manutenção de uma escrita, sem o preenchimento dos requisitos da legislação comercial e fiscal, para as empresas optantes pela tributação com base no Lucro Real, enseja o abandono da contabilidade e o cálculo do lucro tributável por arbitramento, por determinação legal e em consonância da reiterada jurisprudência deste Colegiado. Resta observar, que a apresentação e/ou alegação da existência dos livros comerciais e fiscais, após o encerramento da fiscalização, não tem o condão de afastar o arbitramento, efetuado exatamente pela ausência dessa de exibição dessa documentação, Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 24 porquanto essa forma de apuração de lucro não é condicional e alterável pela posterior apresentação dos livros exigidos. O contribuinte alega, que em qualquer processo, administrativo ou judicial, cabe provar fatos e não direito, e o que se discute em sede de recurso, não é se as operações que deram origem aos depósitos foram ou não contabilizadas, mas sim se a ausência de contabilização autoriza o Fisco Federal a adotar, para o lançamento fiscal, base de cálculo diversa daquela prevista em Lei. Expõe o seu entendimento de que o artigo 42 da Lei nº. 9.430, de 1996 define um fato que, constatado, induz à existência de receitas omitidas pelo respectivo contribuinte. Verificado tal fato, cabe ao Fisco Federal, sob pena de evidente ilegalidade, apurar qual o montante da receita omitida (que, em determinadas situações, poderá, até, corresponder ao valor total bruto dos depósitos bancários não contabilizados). Não existe previsão legal, entretanto, que autorize ao Fisco Federal adotar, para realizar lançamento fiscal, base de cálculo aleatoriamente estabelecida. É notório, que no passado os lançamentos de crédito tributário baseado, exclusivamente, depósitos bancários sempre tiveram sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no judiciário. Para por um fim nestas discussões o legislador introduziu o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizando como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação as quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. É conclusivo que no nosso sistema tributário tem o princípio da legalidade como elemento fundamental para que flore o fato gerador de uma obrigação tributária. Ou seja, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Seria por demais mencionar, que a Lei Complementar não pode ser conflitada ou contraditada por legislação ordinária. E que, ante o princípio da reserva legal (CTN, art. 97), e o pressuposto da estrita legalidade, ínsito em qualquer processo de determinação e exigência de crédito tributário em favor da Fazenda Nacional, insustentável o procedimento administrativo que, ao arrepio do objetivo, finalidade e alcance de dispositivo legal, imponha ou venha impor exação. Assim, o fornecimento e manutenção da segurança jurídica pelo Estado de Direito no campo dos tributos assume posição fundamental, razão pela qual o princípio da Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de criação ou majoração de tributo é indispensável que a lei tributária exista e encerre todos os elementos da obrigação tributária. À Administração Tributária está reservado pela lei o direito de questionar a matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente. Com efeito, a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16004.000058/201033 Acórdão n.º 1402001.553 S1C4T2 Fl. 14 25 Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, devese sempre procurar a verdade real à cerca da imputação, desde que a obrigação tributária esteja prevista em lei. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizerse haver ou não haver obrigação tributária. Neste aspecto, apesar das intermináveis discussões, não pode prosperar, na íntegra, os argumentos da recorrente, já que, a princípio, o ônus da prova em contrário é da defesa, sendo a legislação de regência cristalina, conforme o transcrito abaixo: Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como se vê, nos dispositivos legal mencionados, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem receitas da pessoa jurídica. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 26 É incontroverso, que é função do fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o artigo 42 da lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada à origem dos recursos tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como sendo receitas tributáveis e omitidas na DIPJ, efetuando os lançamentos do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente, tãosomente, a inquestionável observância da legislação. A comprovação deverá ser feita com documentação hábil e idônea, devendo ser indicada à origem de cada depósito individualmente, não servindo, a princípio, como comprovação de origem de depósito as receitas anteriormente auferidas ou já tributadas, se não for comprovada a vinculação da percepção das receitas com os depósitos realizados. Assim, os valores cuja origem não houver sido comprovada serão oferecidos à tributação. Não há dúvidas, que na presunção de omissão de receitas de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o sujeito passivo é o titular da conta bancária que, regularmente intimado, não comprove a origem dos depósitos bancários. Assim sendo, resta claro de que o legislador atribuiu ao titular da disponibilidade financeira, e não à Administração Tributária, o ônus de identificar os negócios jurídicos que proporcionaram os depósitos. Não poderia ser mais ponderado. Afinal, é ele, contribuinte, que participa diretamente do negócio, o qual, na quase totalidade dos casos, se exterioriza pela produção de um instrumento formal que se constitui em prova documental da sua realização (recibo, contrato, escritura, nota fiscal, etc.). Em suma, a norma estabeleceu a obrigatoriedade de o contribuinte manter documentação probatória da origem dos valores que deposita em sua conta bancária. Fazse necessário reforçar, que a presunção criada pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, é uma presunção relativa passível de prova em contrário. Ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições bancárias. A simples prova em contrário, ônus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de receitas. Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do valor correspondente ao tributo na data aprazada. A falta de recolhimento no vencimento acarreta em novas obrigações de juros e multa que se convertem também em obrigação principal. Assim, desde que o procedimento fiscal esteja lastreado nas condições imposta pelo permissivo legal, entendo que seja do recorrente o ônus de provar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias. Ou seja, de provar que há depósitos, devidamente especificados, que representam ou não aquisição de disponibilidade financeira tributável ou não tributável, ou que já foi tributado. Desta forma, para que se proceda à exclusão da base de cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela fiscalização, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo para comprovar a origem do valor depositado (créditos), independentemente, se tratar de receitas tributáveis ou não. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16004.000058/201033 Acórdão n.º 1402001.553 S1C4T2 Fl. 15 27 computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributações específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. É evidente, que depósitos bancários de origem não comprovada se traduzem em renda presumida, por presunção legal “júris tantum”. Isto é, ante o fato material constatado, qual seja depósitos/créditos em conta bancária, sobre os quais o contribuinte, devidamente intimado, não apresentou comprovação de origem, a legislação ordinária autoriza a presunção de renda relativamente a tais valores (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42). Indiscutivelmente, esta presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos questionados. Pelo exame dos autos verificase que o recorrente, embora intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, não conseguiu equacionar, de forma razoável, os depósitos questionados com os pretensos valores recebidos e é isso que importa, justificar a origem dos depósitos de forma individualizada, coincidentes em datas e valores. Não há dúvidas, que a Lei nº 9.430, de 1996, definiu, portanto, que os depósitos bancários, de origem não comprovada, efetuados a partir do anocalendário de 1997, caracteriza omissão de receitas e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte, sujeito à tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Jurídica e nos processos decorrentes. Nos autos ficou evidenciado, através de indícios e provas, que o suplicante recebeu os valores questionados neste auto de infração. Sendo, que, neste caso, está clara a existência de indícios de omissão de receitas, situação que se inverte o ônus da prova do fisco para o sujeito passivo. Isto é, ao invés de a Fazenda Pública ter de provar que a recorrente possuía fontes de recursos para receber estes valores ou que os valores são outros, já que a base arbitrada não corresponderia ao valor real recebido, competirá a suplicante produzir a prova da improcedência da presunção, ou seja, que os valores recebidos estão lastreados em documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. A presunção legal júris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimento (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. Não tenho dúvidas, que o efeito da presunção “júris tantum” é de inversão do ônus da prova. Portanto, cabia ao sujeito passivo, se o quisesse, apresentar provas de origem de tais rendimentos presumidos. Oportunidade que lhe foi proporcionado tanto durante o procedimento administrativo, através de intimação, como na impugnação, quer na fase ora recursal. Nada foi acostado que afastasse a presunção legal autorizada. Ora, o contribuinte não aponta quais fatos descritos estão desacompanhados de provas. Ressaltese que a autoridade autuante faz referencias a documentos lavrados pela Policia Federal e a buscas e apreensões por realizadas por esta instituição, mas tomou o cuidado de acostar aos autos as provas dos fatos apontados. Em outras palavras, não importou do inquérito policial as conclusões. Apenas trouxe aos autos provas produzidas pela Policia Federal, mas avaliou esses elementos juntamente com os demais colhidos no curso da ação Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 28 fiscal para chegar a suas próprias conclusões. Finalmente, há que se esclarecer que não há exigência legal de que documentos apreendidos pela Policia Federal sejam submetidos a perícia para verificação da respectiva autenticidade. O contribuinte sequer tem o cuidado de apontar quais documentos têm autenticidade duvidosa. A oportunidade de contraditálos é oferecida precisamente por ocasião da apresentação de impugnação aos autos de infração lavrados, de modo que o contribuinte, caso efetivamente vislumbrasse algum documento falso nos autos, deveria pronunciarse nessa oportunidade. Por fim, cumpre ressaltar que as hipóteses de arbitramento do lucro, conforme definidas pelo art. 47, da Lei n° 8.981, de 1995, possuem um caráter residual, ou seja, são aplicáveis de maneira subsidiária, principalmente em situações nas quais é verificada pela Fiscalização a imprestabilidade da documentação de uma determinada contribuinte. Portanto, a aplicação da hipótese de arbitramento ao caso dos depósitos bancários não comprovados restou incabível, já que a Fiscalização corretamente arbitrou as vendas constantes das notas fiscais emitidas. O conflito aparente de normas é resolvido pela aplicação do critério da especialidade, segundo o qual a lei especial derroga, para o caso concreto, a lei especial, conforme o ensinamento de Luiz Regis Prado (Curso de Direito Penal Brasileiro. S. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005. p.231): Critério da especialidade — lex specialis derogat legi generali: o princípio de especialidade, único a ter aceitação pacífica, já era conhecido dos romanos — semper specialia generalibus sunt; generali per specien derogantur. A lei especial derroga, para o caso concreto, a lei geral, Entre a norma geral (gênero) e a especial (espécie) há uma relação hierárquica de subordinação que estabelece a prevalência da última, visto que contém todos, os elementos daquela e mais alguns denominados especializastes. No caso concreto, as hipóteses de arbitramento definidas pelo art. 47, da Lei n° 8.981, de 1995 se constituem em regra geral, que são suplantadas pelo regramento específico definido pelo art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicável especificamente à hipótese de não comprovação da origem de recursos utilizados nas movimentações financeiras, conforme foi identificado pela Fiscalização. No que diz respeito a multa qualificada aplicada o contribuinte, em sua defesa, sustenta que é incabível a multa qualificada, quando, não restar, perfeitamente, demonstrado nos autos, que o envolvido na prática da infração tributária procedeu com evidente intuito de fraude. De fato, os autos noticiam a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada de 150% sob argumento de que tendo em vista o fato de o contribuinte fiscalizado ter declarado, reiteradamente, à Receita Federal valores irrisórios em comparação com a movimentação financeira, cuja origem não foi comprovada, sendo que o proveito foi revertido aos sócios da empresa fiscalizada, Sr. Walter Lúcio Galegari e Sr. Ernesto Lúcio Galegare, além de não possui os livros e demais documentos fiscais e contábeis, bem como pelo fato de utilizar indevidamente do benefício da tributação do SIMPLES, mesmo sabendo que não se enquadrava a partir do anocalendário de 2004, restou flagrantemente caracterizado o evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, fato suficiente para justificar a exasperação da penalidade na forma prevista no citado art. 44, II, da Lei n° 9.430 de 1996. Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16004.000058/201033 Acórdão n.º 1402001.553 S1C4T2 Fl. 16 29 Resta nítido pela análise dos autos de que a autoridade fiscal lançadora resolveu qualificar a multa de ofício diante do fato de entender que ficou caracterizada a conduta dolosa do contribuinte de se eximir do imposto devido, quer pela movimentação de quantias elevadas por meio de suas contas bancárias, inteiramente à margem da escrituração da empresa, quer pela omissão de informações à Fiscalização, objetivando impedir ou retardar o conhecimento de fatos geradores por parte do Fisco. Ou seja, entendeu de que a falta de escrituração em sua contabilidade das contas bancárias é importante meio de impedir ou retardar o conhecimento, por parte do fisco nacional, do recebimento de receitas. Assim, verificase que a autoridade lançadora entendeu ser perfeitamente normal aplicar a multa de lançamento de ofício qualificada na constatação de omissão de receitas, caracterizados pela existência de depósitos bancários sem devida contabilização e sem a comprovação de sua origem, cuja legislação de regência prevê que esta atitude caracteriza uma presunção de omissão de receitas. Ou seja, a fiscalização amparou o lançamento sob o argumento de que nesses casos é possível inferir que o contribuinte deixou deliberadamente de informar receitas auferidas fazendo declarações simuladas e apresentando provas materiais de conteúdo inexistente, formando a convicção de que a multa de ofício qualificada é aplicável já que estaria comprovado, nos autos, a intenção dolosa e fraudulenta na conduta adotada pelo contribuinte, com o propósito específico de impedir ou retardar o conhecimento das infrações, ocultando receitas auferidas e não escrituradas/declaradas. Ora, com a devida vênia, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão, na escrituração contábil da empresa, de contas bancárias movimentadas representativas de receitas tributáveis ocasionando a falta ou o retardamento do imposto a pagar, independentemente, da habitualidade e do montante utilizado, caracteriza falta simples de omissão de receitas, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, pelas razões abaixo expostas. Da análise, dos autos do processo, é cristalino a conclusão de que a multa qualificada foi aplicada em decorrência de que a autoridade fiscal entendeu que estaria caracterizado o evidente intuito de fraude, já que a contribuinte teria se utilizado de meios escusos para deixar de escriturar receitas auferidas (deixar de declarar receitas auferidas). Ou seja, entendeu a autoridade lançadora que a contribuinte prestou informações ao fisco, em sua declaração de imposto de renda e em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização com intuito de reduzir o seu imposto de renda. Ora, o máximo que poderia ter acontecido é o fato da autoridade lançadora desconsiderar os dados e provas apresentadas (matéria de prova) e constituir o lançamento do crédito tributário respectivo a titulo de omissão de receitas, o que a meu ver caracteriza irregularidade simples penalizada pela aplicação da multa de lançamento de ofício normal de 75%, já que a irregularidade apontada jamais seria motivo para qualificação da multa, já que ausente conduta material bastante para a sua caracterização, sem se levar em conta que o presente lançamento foi efetuado por presunção de omissão de receitas (depósitos bancários não escriturados e não justificados). Verificase, que os elementos de prova que serviram para subsidiar o procedimento fiscal em curso, foram obtidos pela fiscalização através das informações fornecidas pelas instituições financeiras nas quais o contribuinte possuía as suas contas bancárias e, que por sua vez, não logrou, a princípio, êxito em fornecer contra provas Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 30 demonstrando a efetividade da ocorrência alegada de que estes valores já existiam e não eram passíveis de tributação pelo imposto de renda. Ou seja, o suplicante não conseguiu provar que os recursos depositados/movimentados já foram tributados ou não eram tributáveis, razão pela qual a autoridade fiscal, por dever de oficio, teve que desconsiderar as alegações apresentadas e não considerálos como depósitos bancários com origem justificada e adicionálos a base de cálculo tributável nos anoscalendário questionados. Ora, a multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicada, muitas vezes, de forma generalizada pelas autoridades lançadoras, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada do então Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sem dúvida, que se trata de questão delicada, pois para que a multa de lançamento de ofício se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Este mandamento se encontra no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999. Ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Para tanto, se faz necessário sempre ter em mente o princípio de direito de que a “fraude não se presume”, devem existir, sempre, dentro do processo, provas sobre o evidente intuito de fraude. Como se vê o art. 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, que representa a matriz da multa qualificada, reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente, ocultála. Com a devida vênia, dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de despesas, receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas / rendimentos na Declaração de Ajuste Anual, a falta de comprovação da efetividade de uma transação comercial e/ou de um ato, a inclusão e/ou falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, não tem, a princípio, a característica essencial de evidente intuito de fraude. Da mesma forma, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação emitida divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão na escrituração contábil e na declaração de rendimentos de depósitos bancários de origem não justificada, não evidencia, por si só, o evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. Além do mais, o que pesa realmente no presente caso é que o lançamento foi realizado tendo em vista a apuração de omissão de receitas caracterizadas por depósitos bancários não justificados (presunção legal de omissão de receitas/rendimentos), o que, até prova em contrário, permite ao fisco a cobrança do imposto de renda sobre estes valores, porém, por si só, é insuficiente para amparar a aplicação de multa qualificada. No mesmo sentido, estaria a prestação de informações contrárias das que a fiscalização teria levantado, com o objetivo de reduzir a base de cálculo tributável (matéria de prova), motivo que poderia no máximo ser um indicativo de que sobre tais valores (depósitos bancários não justificados) deveria ser constituído o lançamento e cobrado o crédito tributário respectivo, mas jamais será indicativo de evidente intuito de fraude. Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16004.000058/201033 Acórdão n.º 1402001.553 S1C4T2 Fl. 17 31 Nos casos de lançamentos tributários tendo por base presunção legal de omissão de receitas/rendimentos, vislumbrase um lamentável equívoco por parte da autoridade lançadora. Nestes lançamentos, acumulamse as premissas de que a omissão de receitas/rendimentos por presunção legal e a simples falta de inclusão de valores nas declarações de imposto de renda, em razão da forma reiterada e/ou expressividade, estariam a evidenciar o evidente intuito de sonegar ou fraudar imposto de renda. Quando a autoridade lançadora age deste modo, aplica, no meu modo de entender, incorretamente a multa de ofício qualificada, pois, tais infrações não possuem o essencial, qual seja, o evidente intuito de fraudar. A prova, neste aspecto, deve ser material; evidente como diz a lei. Matéria de prova apresentada pelo contribuinte ou declaração inexata, jamais será motivo para qualificar a multa de ofício. Com efeito, a qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma infração fiscal de omissão de receitas / rendimentos, detectável pela fiscalização através da confrontação e analise das declarações de imposto de renda, às infrações mais graves, em que seu responsável surrupia dados necessários ao conhecimento da fraude. A qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma prática identificada de omissão de receitas/rendimentos por presunção legal, aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, nos quais o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo: da adulteração de comprovantes, da nota fiscal inidônea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro (“laranja”), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, da falsificação documental, do documento a título gracioso, da falsidade ideológica, da nota fiscal calçada, das notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), das notas fiscais paralelas, do subfaturamento na exportação (evasão de divisas), do superfaturamento na importação (evasão de divisas), etc. O fato de alguém, pessoa jurídica, não registrar as vendas, no total das notas fiscais na escrituração, pode ser considerado, de plano, com evidente intuito de fraudar ou sonegar o imposto de renda? Obviamente que não. Ora, se nestas circunstâncias, ou seja, a simples não declaração não se pode considerar como evidente intuito de sonegar ou fraudar é evidente que no caso em discussão é semelhante, já que a princípio, a autoridade lançadora tem o dever legal de cobrar o imposto sobre a omissão de rendimentos, já que o contribuinte esta pagando imposto a menor, ou seja, deixou de declarar rendimentos auferidos e não trouxe provas para ilidir a acusação ou as provas apresentadas não convencem a autoridade lançadora. Este fato não tem o condão de descaracterizar o fato ocorrido, qual seja, a de simples omissão de rendimentos por presunção legal. Por que não se pode reconhecer na simples omissão de rendimentos / receitas, a exemplo de omissão no registro de compras, omissão no registro de vendas, passivo fictício, passivo não comprovado, saldo credor de caixa, suprimento de numerário não comprovado, acréscimo patrimonial a descoberto ou créditos bancários cuja origem não foi comprovada tratarse de rendimentos / receitas já tributadas ou não tributáveis, embora clara a sua tributação, a imposição de multa qualificada? Por uma resposta muito simples. É porque existe a presunção de omissão de rendimentos, por isso, é evidente a tributação, mas não existe a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar. O motivo da falta de tributação é diverso. Pode ter sido, omissão proposital, equívoco, lapso, negligência, desorganização, etc. Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 32 Se a premissa da autoridade fiscal lançadora fosse verdadeira, ou seja, que a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas / rendimentos na Declaração de Ajuste Anual; a falta de inclusão de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a inclusão indevida de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a simples glosa de despesas por falta de comprovação ou a falta de declaração de algum rendimento recebido, através de crédito em conta bancária, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de ofício normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício, saldo credor de caixa, declaração inexata, falta de contabilização de receitas, omissão de rendimentos relativo ganho de capital, depósitos bancários não justificados, acréscimo patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado e glosa de despesas, etc. Já ficou decidido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que a multa qualificada somente será passível de aplicação quando se revelar o evidente intuito de fraudar o fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos, conforme se constata nos julgados abaixo: Acórdão n.º 10418.698, de 17 de abril de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Justificase a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n° 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, pois o contribuinte, foi devidamente intimado a declinar se possuía conta bancária no exterior, em diversas ocasiões, faltou com a verdade, demonstrando intuito doloso no sentido de impedir, ou no mínimo retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador decorrente da percepção dos valores recebidos e que transitaram nesta conta bancária não declarada. Acórdão n.º 10418.640, de 19 de março de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º. 4.502, de 1964. A falta de inclusão, como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, de valores que transitaram a crédito em conta corrente bancária pertencente ao contribuinte, caracteriza falta simples de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994. Acórdão n.º. 10419.055, de 05 de novembro de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA – EVIDENTE Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16004.000058/201033 Acórdão n.º 1402001.553 S1C4T2 Fl. 18 33 INTUITO DE FRAUDE Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º. 4.502, de 1964. A falta de esclarecimentos, bem como o vulto dos valores omitido pelo contribuinte, apurados através de fluxo financeiro, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994. Acórdão n.º. 10245584, de 09 de julho de 2002: MULTA AGRAVADA – INFRAÇÃO QUALIFICADA – APLICABILIDADE – A constatação nos autos de que o sujeito passivo da obrigação tributária utilizouse de documentação inidônea a fim de promover pagamentos a beneficiários não identificados, e considerando que estes pagamentos não transitaram pelas contas de resultado econômico da empresa, vez que, seus valores foram levados e registrados em contrapartida com contas do Ativo Permanente, não caracteriza o tipo penal previsto nos arts. 71 a 73 da lei n° 4.503/64, sendo inaplicável à espécie a multa qualificada de que trata o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996 Acórdão n.º. 10193.919, de 22 de agosto de 2002: MULTA AGRAVADA – CUSTOS FICTÍCIOS – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – Restando comprovado que a pessoa jurídica utilizouse de meios inidôneos para majorar seus custos, do que resultou indevida redução do lucro sujeito à tributação, aplicável é a penalidade exasperada por caracterizado o evidente intuito de fraude. Acórdão n.º. 10419.534, de 10 de setembro de 2003: DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – LANÇAMENTO POR DECORRÊNCIA – SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS No lançamento por decorrência, cabe aos sócios da autuada demonstrar que os custos e/ou despesas foram efetivamente suportadas pela sociedade civil, mediante prova de recebimento dos bens a que as referidas notas fiscais aludem. À utilização de documentos ideologicamente falsos ” notas fiscais frias “, para comprovar custos e/ou despesas, constitui evidente intuito de fraude e justifica a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme previsto no art. 728, inc. III, do RIR/80, aprovado pelo Decreto n.º 85.450, de 1980. Acórdão n.º.10419.386, de 11 de junho de 2003: Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 34 MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS EM NOME DE TERCEIROS E/OU EM NOME FICTÍCIOS – COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE DE EMPRESA DESATIVADA MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA – Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n.º 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n.º 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964. A movimentação de contas bancárias em nome de terceiros e/ou em nome fictício, devidamente, comprovado pela autoridade lançadora, circunstância agravada pelo fato de não terem sido declarados na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos tributáveis, os valores que transitaram a crédito nestas contas corrente cuja origem não comprove, somado ao fato de não terem sido declaradas na Declaração de Bens e Direitos, bem como compensação na Declaração de Ajuste Anual de imposto de renda na fonte como retido fosse por empresa desativada e com inscrição bloqueada no fisco estadual, caracterizam evidente intuito de fraude nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994 e autoriza a aplicação da multa qualificada. Acórdão n.º. 10612.858, de 23 de agosto de 2002: MULTA DE OFÍCIO – DECLARAÇÃO INEXATA – A ausência de comprovação da veracidade dos dados consignados nas declarações de rendimentos entregues, espontaneamente ou depois de iniciado o procedimento de ofício, implica em considerálas inexatas e, nos termos da legislação tributária vigente, autoriza a aplicação da multa de setenta e cinco por cento nos casos de falta de declaração ou declaração inexata, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo. Acórdão n.º. 10193.251, de 08 de novembro de 2000: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Comprovado o evidente intuito de fraude, a penalidade aplicável é aquela prevista no artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996. É um princípio geral de direito, universalmente conhecido, de que as multas e os agravamentos de penas pecuniárias ou pessoais, devem estar lisamente comprovadas. Trata se de aplicar uma sanção e, neste caso, o direito faz com cautela, para evitar abusos e arbitrariedades. O evidente intuito de fraude não pode ser presumido. Como também é pacífico, que a circunstância do contribuinte quando omitir em documento, público ou particular, declaração que nele deveria constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de prejudicar a verdade sobre o fato juridicamente relevante, constitui hipótese de falsidade ideológica. Para um melhor deslinde da questão, impõese invocar o conceito de fraude fiscal, que se encontra na lei. Em primeiro lugar, recordese o que determina o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 1999, nestes termos: Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16004.000058/201033 Acórdão n.º 1402001.553 S1C4T2 Fl. 19 35 Art. 957 – Serão aplicadas as seguintes multas sobre a totalidade ou diferença do imposto devido, nos casos de lançamento de ofício (Lei n.º 8.218/91, art. 4º) (...) II – de trezentos por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A Lei n.º 4.502, de 1964, estabelece o seguinte: Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstância materiais. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 36 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5º Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d). Como se vê, a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde se utilizando subterfúgios se esconde à ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16004.000058/201033 Acórdão n.º 1402001.553 S1C4T2 Fl. 20 37 Nos casos de realização das hipóteses de fato de conluio, fraude e sonegação, uma vez comprovadas estas e por decorrência da natureza característica desses tipos, o legislador tributário entendeu presente o “intuito de fraude”. Como se vê, exigese, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Inaplicável nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos / receitas ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos / receitas de fato. No caso de realização da hipótese de fraude, o legislador tributário entendeu presente, ipso facto, o “intuito de fraude”. E nem poderia ser diferente, já que por mais abrangente que seja a descrição da hipótese de incidência das figuras tipicamente penais, o elemento de culpabilidade, dolo, sendolhes inerente, desautoriza a consideração automática do intuito de fraudar. Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc., conforme se observa na jurisprudência abaixo: Acórdão CSRF/0104.917, 13 de abril de 2004: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO No caso de lançamento de ofício será aplicada multa calculada sobre o crédito tributário apurado, no percentual de 150%, quando caracterizado o evidente intuito de fraude por parte do autuado, em face dos levantamentos realizados pela autoridade autuante e fatos revelados nos autos do processo. Acórdão n.º. 10312.178, de 17 de março de 1993: CONTA BANCÁRIA FICTÍCIA – Apurado que os valores ingressados na empresa sem a devida contabilização foram depositados em conta bancária fictícia aberta em nome de pessoa física não encontrada e com movimentação pelas representantes da pessoa jurídica, está caracterizada a omissão de receita, incidindo sobre o imposto apurado a multa majorada de 150% de que trata o art. 728, III, do RIR/80. Acórdão n.º. 10192.613, de 16 de fevereiro de 2000: DOCUMENTOS EMITIDOS POR EMPRESAS INEXISTENTES OU BAIXADAS – Os valores apropriados como custos ou Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 38 despesas, calcados em documentos fiscais emitidos por empresas inexistentes, baixadas, sem prova efetiva de seu pagamento, do ingresso das mercadorias no estabelecimento da adquirente ou seu emprego em obras, estão sujeitos à glosa, sendo legítima a aplicação da penalidade agravada quando restar provado o evidente intuito de fraude. Acórdão n.º. 10414.960, de 17 de junho de 1998: DOCUMENTOS FISCAIS A TÍTULO GRACIOSO – Cabe à autuada demonstrar que os custos/despesas foram efetivamente suportados, mediante prova de recebimento dos bens e/ou serviços a que as referidas notas fiscais aludem. A utilização de documentos fornecidos a título gracioso, ideologicamente falsos, eis que os serviços não foram prestados, para comprovar custos/despesas, constitui fraude e justifica a aplicação de multa qualificada de 150%, prevista no artigo 728, III, do RIR/80. Acórdão n.º. 10307.115, de 1985: NOTAS CALÇADAS – FALSIDADE MATERIAL OU IDEOLÓGICA – A nota fiscal calçada é um dos mais gritantes casos de falsidade documental, denunciando, por si só, o objetivo de eliminar ou reduzir o montante do imposto devido. Aplicável a multa prevista neste dispositivo. Acórdão n.º. 10417.256, de 12 de julho de 2000: MULTA AGRAVADA – CONTA FRIA – O uso da chamada ”conta fria”, com o propósito de ocultar operações tributáveis, caracteriza o conceito de evidente intuito de fraude e justifica a penalidade exacerbada. É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Assim, entendo que, no caso dos autos, não se percebe, por parte do contribuinte, a prática de ato doloso para a configuração do ilícito fiscal. A informação de que o suplicante não logrou comprovar a escrituração e a origem dos valores depositados nas contas bancárias movimentadas, bem como deixou de lançar receitas em suas declarações de imposto de renda em valores expressivos e de forma continuada, para mim caracteriza motivo de lançamento de multa simples sem qualificação. Desta forma, só posso concluir pela inaplicabilidade da multa de lançamento de ofício qualificada, devendo a mesma ser reduzida para aplicação de multa de ofício normal de 75%. Infere do relato, as exigências da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorrem do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, especificamente, em razão das irregularidades apuradas pela autoridade fiscal lançadora e mantidas de forma integral pela decisão recorrida. Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16004.000058/201033 Acórdão n.º 1402001.553 S1C4T2 Fl. 21 39 Em observância ao princípio da decorrência, e sendo certo a relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir nos presentes julgados, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, a autuada não conseguiu elidir a totalidade das irregularidades apuradas, devese manter, em parte, o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer as dele originadas (lançamentos decorrentes) repousam sobre o mesmo suporte fático. QUANTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS – SUJEIÇÃO PASSIVA Quanto aos designados como responsáveis solidários, os recursos voluntários apresentados reúnem os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e devem, portanto, ser conhecidos por esta Turma de Julgamento. Observase que os recorrentes Walter Lúcio Galegari e Ernesto Lúcio Galegare foram considerados responsáveis solidários, em razão de suposta caracterização de interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária do Processo Administrativo Fiscal em tela, o qual tem a empresa Discar Distribuidora de Carnes Catanduva Ltda. como sujeito passivo da obrigação tributária. Da análise preliminar dos autos verificase, que a autoridade fiscal considerou os apontados como responsáveis solidários pelo seguinte motivo: nos termos do artigo 124, inc. I, do Código Tributário Nacional, em razão do interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações principais. A sujeição passiva dos responsáveis, nos casos em que foi atribuída pela fiscalização com fundamento art. 121 do Código Tributário Nacional e decorrente da presunção de ocorrência do evidente intuito de fraude, sempre foi rejeitada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais mediante a interpretação de que dito dispositivo tratava de responsabilidade pessoal, portanto exclusiva. Nesse passo, uma vez que a empresa, no papel de contribuinte da obrigação tributária, não fora excluída do seu pólo passivo, a responsabilidade tributária somente poderia ser ativada em caráter subsidiário (supletivo), mas nunca solidário. É de se observar, que não se pode confundir solidariedade tributária com responsabilidade de terceiro. São situações distintas. A primeira diz respeito ao sujeito passivo que pratica a conduta caracterizadora da obrigação de pagar tributo. A segunda referese ao terceiro que, sem ser sujeito passivo da obrigação tributária, em face de conduta própria, pode vir a ser chamado a responder pelo crédito tributário. Assim sendo, cumpre examinar os recursos apresentados pelos indigitados responsáveis solidários. É certo, que a situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135 do Código Tributário Nacional. Nos casos em que o terceiro passa a ser coresponsável pelo crédito tributário temse a incidência de duas normas Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 40 autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídica tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação. De início, entendo que a validade (ou não) da indicação de uma terceira pessoa como responsável solidário, em lançamento de ofício, em situações como a deste processo, comporta discussão no âmbito do Processo Administrativo. É que a identificação do sujeito passivo, e é disso que se trata neste caso, é parte do procedimento administrativo do lançamento, contra o qual é garantido aos apontados sujeitos passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa. Notese que não se trata, no caso concreto em exame, de solidariedade atribuída a pessoas expressamente designadas em lei, mas, como dito nos fundamentos da autuação, a pessoas que, de acordo com o entendimento da autoridade lançadora, teriam interesse comum no fato gerador do imposto, decorrente do fato de terem praticado diretamente ou tolerado a prática de atos abusivos e ilegais quando em posição de influir para a não ocorrência dos mesmos e/ou serem administradores, com poderes de decisão sobre a gestão da empresa. A peça acusatória assim se manifesta, nesta parte (fls.204/207): Conforme citado neste termo, a empresa fiscalizada tem como sócios os Srs. Walter Lúcio Galegari e Ernesto Lúcio Galegare. Os citados contribuintes são também sócios de direito e/ou de fato das empresas Frigopoti Frigorífico Poti Ltda. e Cinco Estrelas Distribuidora de Carnes Ltda., investigadas pelas mesmas praticas fraudulentas. [...] Analisando, por amostragem, os extratos bancários da empresa e cópias de cheques, ANEXO II, fls. 90 a 103, 110 a 115, 122 a 129, 140 e 141, 150 a 168, 176 a 196, 473, 597 e 602 a 619, verificase um fluxo financeiro diretamente para as contas correntes dos sócios, cônjuge ou parentes próximos, inclusive das empresas das quais os mesmos são sócios de direito ou de fato. [...] Concluise, portanto, que o Srs. Walter Lúcio Galegari e o Ernesto Lúcio Calegere tiveram interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias tratadas no presente termo, obtendo vantagens financeiras, sendo, portanto, solidariamente obrigados ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, de acordo com os artigos 121 e 124, inciso I, do CTN. Ora, o entendimento da autoridade fiscal quanto a esse aspecto da matéria tributária é passível de contestação, da mesma forma que os demais aspectos do lançamento, sendo legítimos para se opor às conclusões da autoridade lançadora os indigitados responsáveis solidários. Observase que o Sr. Walter Lúcio Calegari afirma que o fato de ser sócio da DISCAR e também das empresas FRIGOPOTI – FRIGORÍFICO POTI LTDA e CINCO ESTRELAS DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA não autoriza a atribuição a ele de Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16004.000058/201033 Acórdão n.º 1402001.553 S1C4T2 Fl. 22 41 responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados contra a primeira, mesmo que houvesse qualquer acusação contra as demais empresas, já que a condição de sócio em mais de uma empresa é admitida por lei. Sustenta que, dada a ilicitude das provas produzidas, devem elas ser desentranhadas dos autos ou, no limite, desconsideradas por ocasião do julgamento. Alega que a autoridade autuante pretendeu, por amostragem, demonstrar que a movimentação financeira da DISCAR aproveitou a ele, mas as inexpressivas cópias de cheques juntadas aos autos não comprovam a relação entre os fatos geradores e a atuação do sócio. Aduz que seria necessária uma investigação completa acerca dos lançamentos em todo o período investigado, sobretudo tendo em conta que o lançamento referese a período demasiadamente maior que aquele abrangido pela amostragem, de modo que a fiscalização não se desincumbiu da carga da prova que lhe compete. Assevera que não foi comprovado o interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas e que deveria a autoridade demonstrar que ele participou diretamente dos fatos geradores, ou seja, que a movimentação financeira foi realizada em contas de sua titularidade. Adverte que as contas bancárias eram de titularidade da própria DISCAR, de modo que não há que se falar em “interesse comum”, dicção legal para representar a colocação dos devedores em uma situação comum. Argúi que responsabilidade tributária pode basearse no art. 134, VII do CTN (responsabilidade dos sócios da sociedade) ou no art. 135, III, do CTN (responsabilidade dos administradores da sociedades), hipóteses essas não verificadas no presente processo administrativo. Conclui que não foi demonstrada a ocorrência de acréscimo patrimonial favorecendo o impugnante, razão pela qual inexiste interesse no fato gerador das obrigações tributárias apuradas. Por sua vez o Sr. Ernesto Lúcio Calegari alega que a DISCAR sempre foi administrada pelo sócio Walter Lúcio Calegari, de modo que eventuais depósitos ou transferências bancárias dela às empresas FRIGOPOTI – FRIGORÍFICO POTI LTDA e CINCO ESTRELAS DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA são de responsabilidade do administrador, não podendo acarretar conseqüências para o recorrente. Além disso, afirma que não tem qualquer vínculo com a CINCO ESTRELAS DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA e que não foi produzida prova nesse sentido. Conclui que o fato de ser sócio do FRIGOPOTI – FRIGORÍFICO POTI LTDA não representa um indício de fraude. Quanto ao mérito da questão, cumpre assinalar, de início, que a sujeição passiva tributária, sendo elemento essencial do lançamento, se subordina ao princípio da legalidade estrita. É dizer, as possibilidades de sujeição passiva se submetem aos limites e às condições definidas em lei. Pois bem, o Código Tributário Nacional – CTN, no seu artigo 121 assim delimita as possibilidades, em geral, da sujeição passiva tributária principal. Diz, verbis: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I – contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II – responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 42 A doutrina caminha unida no entendimento que essa relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador corresponde à própria realização do fato gerador. Isso é particularmente claro quanto aos fatos geradores definidos em função de estado da pessoa, isto é, ser proprietário de imóvel, importar mercadoria, obter a disponibilidade de renda, etc. Assim, o sujeito passivo emerge da própria definição do fato gerador. Na peculiar expressão de Paulo de Barros Carvalho, “é no critério pessoal do conseqüente da regra matriz de incidência que colhemos elementos informadores para a determinação do sujeito passivo.” A mim me parece claro, portanto, que o artigo 121 do Código Tributário Nacional só deixa margem a duas possibilidades de sujeição passiva tributária, isto é, à possibilidade de se imputar a uma pessoa a obrigação de pagar tributo ou penalidade: ter relação pessoal e direta com o fato gerador, nos termos acima referidos, ou ser expressamente apontadas pela lei. Dito isso, passo ao exame do caso concreto, em que a autuação aponta como fundamentos para a imputação de responsabilidade solidária, o art. 124, I. Passo ao exame desses outros dispositivos. Reza o art. 124, verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II – as pessoas expressamente designadas por lei. Cuidase no caso, da hipótese referida no inciso I. A questão aqui é definir o alcance da expressão “interesse comum na situação que constitua o fato gerador do imposto”, tema controvertido dada a vagueza da expressão. Paulo de Barros Carvalho a reconhece quando diz que “o interesse comum dos participantes na realização do fato jurídico tributário é o que define, segundo o inc. I, o aparecimento da solidariedade entre os devedores”, mas exclui a simples participação nos acontecimentos envolvendo o fato gerador como critério definidor do vínculo de solidariedade. Diz Paulo de Barros, “aquilo que vemos repetirse com freqüência, em casos dessa natureza, é que o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade”. É dizer, não basta participar dos fatos envolvendo os acontecimentos caracterizadores do fato gerador. É como no exemplo mencionado por Paulo de Barros Carvalho de uma operação de compra e venda de mercadorias, onde ambos, comprador e vendedor, têm interesse comum na operação, porém não se cogita de responsabilidade solidária entre ambos. Concordando com essas ponderações, penso que o “interesse comum” referido no inciso I do art. 124 deve ser interpretado em conformidade com o limite estabelecido no inciso I do art. 121. Isto é, se o art. 121 limita as possibilidades de sujeição passiva às pessoas expressamente apontadas pela lei e àquelas que têm relação pessoal e direta com o fato gerador, ao versar sobre a responsabilidade solidária, não pode o mesmo Código Tributário Nacional referirse a situação que amplia essas possibilidades. É dizer, esse interesse comum referido no inciso I deve, necessariamente, estar associado a uma relação pessoal e direta com o fato gerador. Assim, além das pessoas expressamente apontadas pela lei, seriam solidariamente obrigadas ao pagamento do tributo pessoas que tenham, em comum, relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador. Luciano Amaro propõe a seguinte solução para a interpretação do art. 124, I coerente com a regra do art. 121, I, a saber: O interesse comum no fato gerador põe o devedor solidário numa posição também comum. Se em dada situação (a co Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16004.000058/201033 Acórdão n.º 1402001.553 S1C4T2 Fl. 23 43 propriedade, no exemplo dado), a lei define o titular do domínio como contribuinte, nenhum dos coproprietários seriam qualificados como terceiros, pois ambos ocupariam, no binômio Fiscocontribuinte, o lugar do segundo (ou seja, o lugar de contribuinte). Ocorre que cada qual só se poderia dizer contribuinte em relação à parcela de tributo que correspondesse à sua quota de interesse na situação. Como a obrigação tributária (sendo pecuniária) seria divisível, cada qual poderia, em princípio, ser obrigado apenas pela parte equivalente ao seu quinhão de interesse. O que determina o Código Tributário Nacional (art. 124, I) é a solidariedade de ambos como devedores da obrigação inteira, onde se poderia dizer que a condição de sujeito passivo assumiria forma híbrida em que cada codevedor seria contribuinte na parte que lhe toca e responsável pela porção que caiba ao outro. Penso que a grande virtude dessa construção é explicitar a vinculação do interesse comum do art. 124, I à condição de sujeito passivo como contribuinte, do 121, I. Isto é, para figurar como obrigado solidário com base no art. 124, I a pessoa teria que estar numa posição em que poderia ser considerada contribuinte, ainda que em relação a apenas uma parte da obrigação. A sujeição passiva solidária decorreria da impossibilidade de divisão, dado o interesse comum, da parcela da obrigação a ser imputada a cada um ou mesmo da opção do legislador, no caso de interesse comum, de atribuir responsabilidade solidária, sem interferir na divisão, entre os coobrigados da parcela de cada um. O exemplo geralmente mencionado pela doutrina e referido por Luciano Amaro é o da copropriedade de imóvel. Todos os co proprietários estariam na situação referida no art. 121, I e, portanto, poderiam ser considerados contribuintes, pelo menos em relação ao seu quinhão. Não basta, portanto, para ser apontado responsável solidário, nos termos do art. 124, I do Código Tributário Nacional, que a pessoa concorra para a realização do fato gerador, que participe de ações que culminem com a ocorrência do fato gerador. É preciso que, mais do que participar do fato gerador, o realize, ao lado de outras pessoas, que envergue a condição pessoal ou realize as ações definidas como necessárias à ocorrência do fato gerador: obter a disponibilidade de renda, ter o domínio útil de imóvel, obter receita, etc. No caso que se examina, tratase de lançamento para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ); Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). A autuação não demonstra que os indigitados obrigados solidários tenham sido os beneficiários da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. A acusação, segundo se extrai da descrição dos fatos, é de que concorreram diretamente para o pretenso evidente intuito de fraude, ocultando os fatos geradores através de meios fraudulentos, bem com as responsabilidades decorrem do fato de terem praticado diretamente ou tolerado a prática de atos abusivos e ilegais quando em posição de influir para a não ocorrência dos mesmos. Por tudo o que foi acima exposto, essa participação não está compreendida como hipótese de sujeição passiva tributária, com base no art. 124, I do Código Tributário Nacional. Razão pela qual é de se excluir os recorrentes como responsáveis solidários. Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 44 Tendo em vista o cancelamento da sujeição passiva solidária, fica prejudicada a argüição quanto aos demais itens do Recurso Voluntário interposto pelos titulados responsáveis solidários. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75% e, no que diz respeito ao recurso voluntário interposto pelos titulados responsáveis solidários, dar provimento ao recurso para cancelar a sujeição passiva solidária. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 19515.000175/2003-04
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
O CARF NÃO É COMPETENTE PARA SE PRONUNCIAR SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
É o teor da Súmula CARF nº 2. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula, de observância obrigatória pelos seus membros (Regimento Interno, art. 72).
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO.
O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento Jurisprudência do CARF.
APLICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 E DA LEI Nº 9.311/1996 COM REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.174/2001. CTN ART. 144, § 1º.
O art. 11, § 3º da Lei 9.311/1996, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição de crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente (Súmula CARF Nº 35).
Não há ofensa ao princípio da irretroatividade da lei tributária, porquanto a Lei Complementar n. 105/2001, bem como a Lei n. 10.174/01, não instituem ou majoram tributos, mas apenas dotam a Administração Tributária de instrumentos legais aptos a promover a agilização e o aperfeiçoamento dos procedimentos fiscais. Jurisprudência do STJ.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO. DESNECESSÁRIO COMPROVAR O CONSUMO DA RENDA.SÚMULA CARF Nº 26.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os depósitos devem ser analisados e comprovados de forma individualizada (§ 3º).
A presunção estabelecida no dispositivo legal citado dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26)
PRODUÇÃO DE PROVAS. PRINCÍPIOS E NORMAS. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS A IMPUGNAÇÃO.
O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa, comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimento caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no valor de R$ 150.000,00, referente ao ano-calendário 1998, exercício 1999, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 O CARF NÃO É COMPETENTE PARA SE PRONUNCIAR SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. É o teor da Súmula CARF nº 2. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula, de observância obrigatória pelos seus membros (Regimento Interno, art. 72). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento Jurisprudência do CARF. APLICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 E DA LEI Nº 9.311/1996 COM REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.174/2001. CTN ART. 144, § 1º. O art. 11, § 3º da Lei 9.311/1996, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição de crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente (Súmula CARF Nº 35). Não há ofensa ao princípio da irretroatividade da lei tributária, porquanto a Lei Complementar n. 105/2001, bem como a Lei n. 10.174/01, não instituem ou majoram tributos, mas apenas dotam a Administração Tributária de instrumentos legais aptos a promover a agilização e o aperfeiçoamento dos procedimentos fiscais. Jurisprudência do STJ. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO. DESNECESSÁRIO COMPROVAR O CONSUMO DA RENDA.SÚMULA CARF Nº 26. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os depósitos devem ser analisados e comprovados de forma individualizada (§ 3º). A presunção estabelecida no dispositivo legal citado dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26) PRODUÇÃO DE PROVAS. PRINCÍPIOS E NORMAS. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS A IMPUGNAÇÃO. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa, comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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É o teor da Súmula CARF nº 2. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula, de observância obrigatória pelos seus membros (Regimento Interno, art. 72). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento Jurisprudência do CARF. APLICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 E DA LEI Nº 9.311/1996 COM REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.174/2001. CTN ART. 144, § 1º. O art. 11, § 3º da Lei 9.311/1996, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição de crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente (Súmula CARF Nº 35). Não há ofensa ao princípio da irretroatividade da lei tributária, porquanto a Lei Complementar n. 105/2001, bem como a Lei n. 10.174/01, não instituem ou majoram tributos, mas apenas dotam a Administração Tributária de instrumentos legais aptos a promover a agilização e o aperfeiçoamento dos procedimentos fiscais. Jurisprudência do STJ. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 01 75 /2 00 3- 04 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19515.000175/200304 Acórdão n.º 2801003.376 S2TE01 Fl. 328 2 DESNECESSÁRIO COMPROVAR O CONSUMO DA RENDA.SÚMULA CARF Nº 26. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os depósitos devem ser analisados e comprovados de forma individualizada (§ 3º). A presunção estabelecida no dispositivo legal citado dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26) PRODUÇÃO DE PROVAS. PRINCÍPIOS E NORMAS. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS A IMPUGNAÇÃO. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa, comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimento caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no valor de R$ 150.000,00, referente ao anocalendário 1998, exercício 1999, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Contra o contribuinte identificado foi lavrado Auto de Infração, em 24 de janeiro de 2003, conforme folhas 191 e seguintes (a numeração de folhas a que me refiro aqui é Fl. 328DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19515.000175/200304 Acórdão n.º 2801003.376 S2TE01 Fl. 329 3 a correspondente ao arquivo eletrônicoformato .pdf, existente após a digitalização do processo), onde foi exigido Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, no valor de R$ 209.686,58 acrescido de multa proporcional de 75%, no valor de R$ 157.264,93, e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic. Na “descrição dos fatos” (fl. 192), verifico que a Autoridade Fiscal que efetuou o lançamento constatou: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação anexo, parte integrante deste auto de infração. Apurouse depósitos com origem não comprovada, mensalmente, de janeiro a dezembro de 1998. No Termo de Verificação Fiscal (fl. 183), colho, em resumo, as seguintes informações: “Tendo em vista o Mandado de Procedimento Fiscal acima mencionado, iniciei ação fiscal junto ao contribuinte Oscar Henrique Gomes da Cruz, enviando o Termo de Início de Fiscalização via postal, tendo o mesmo sido recebido em 03/09/2002, conforme atesta o Aviso de Recebimento (AR), datado e assinado. (...) Ora, o contribuinte informou à Receita Federal, através da entrega da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física do ano calendário de 1998, um total de R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais) de rendimentos tributáveis. De acordo com as informações obtidas junto às instituições bancárias, teria ocorrido uma movimentação de R$ 852.343,82 (oitocentos e cinquenta e dois mil, trezentos e quarenta e três reais e oitenta e dois centavos) nos bancos Itaú, S.A. e Real S.A. O contribuinte, apesar de intimado e reintimado, não respondeu à fiscalização. E patente que o mesmo estava enquadrado na hipótese de indispensabilidade prevista no artigo 3o, inciso XI, do Decreto 3724/2001. Assim, solicitamos ao Sr. Delegado da Delegacia de Fiscalização da Receita Federal em São Paulo a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF). As mesmas foram emitidas e encaminhadas às instituições financeiras já mencionadas. Os extratos das contascorrente e de poupança foram entregues a esta fiscalização. (...) Fl. 329DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19515.000175/200304 Acórdão n.º 2801003.376 S2TE01 Fl. 330 4 ... contribuinte foi informado que a não comprovação da origem dos créditos relacionados, na forma e prazo estabelecidos, ensejaria lançamento de ofício a titulo de omissão de receita ou de rendimento, nos termos do artigo 849 do RIR/99. Ao invés de esclarecer, o contribuinte alegou, por escrito (correspondência postada em 17/01/2003), que o assunto aqui tratado estaria sub júdice pois ele havia impetrado Mandado de Segurança número 2002.61.00.0210430, contra o Sr. Delegado da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo. Com efeito, já tínhamos notícia de tal procedimento mas, o Excelentíssimo Sr. Juiz Federal da 22ª Vara indeferiu a liminar requerida. Conforme petição inicial, o contribuinte solicitava "liminar que suste imediata e provisoriamente o procedimento fiscal susornencionado, até apreciação do mérito, desfazendose, com efeito, qualquer ato dele decorrente". A liminar foi indeferida e, portanto, o procedimento fiscal prosseguiu o seu curso normal. (...) De acordo com o artigo 42, parágrafo 4° da Lei 9.430/96 e artigo 849, parágrafo 3° do RIR/99, os valores, cuja origem não houver sido comprovada serão oferecidos à tributação como rendimentos omitidos, utilizandose a tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela Instituição Financeira. Assim foi feito. Em anexo a este Termo está a listagem dos créditos cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte, utilizada como base de cálculo para a autuação. Constituímos o crédito tributário através da lavratura do Auto de Infração, do qual este Termo de Verificação é parte integrante.” Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação, conforme folha 200 e seguintes, que foi conhecida e, em resumo, assim tratada pela DRJ/ Campo Grande/MS: O impugnante alegou a nulidade do lançamento, tendo em vista a utilização de provas ilícitas, pois obtidas pela quebra de sigilo bancário sem ordem judicial. Para a Receita Federal o entendimento jurisprudencial e doutrinário sempre foi no sentido de inexistir sigilo para o Fisco. Vêse portanto que não há qualquer ilicitude na utilização dos dados obtidos em relação à CPMF, nem tampouco na possibilidade de quebra do sigilo bancário, com base no art. 6" da Lei Complementar n° 105/2001, mesmo com relação a fatos geradores ocorridos anteriormente à sua vigência; no tocante às inúmeras alegações de inconstitucionalidade e de legalidade da legislação que dá suporte ao lançamento, tais como cobrança de juros com base na taxa Selic, confisco, etc., não cabe sua discussão em sede administrativa. Os juros moratórios foram calculados na forma da Lei n° 9.430/1996, art. 61, § 3°, com base na taxa Selic. Nesse sentido o 3° Conselho de Contribuintes editou a Súmula n" 4; a respeito do questionamento do lançamento por presunção, por se basear unicamente em extratos ou comprovantes de depósitos bancários, também não prospera a argumentação da contribuinte. A tributação de valores apurados com base em prova indiciária Fl. 330DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19515.000175/200304 Acórdão n.º 2801003.376 S2TE01 Fl. 331 5 no processo administrativo fiscal, como em qualquer ramo processual, é perfeitamente legitima; quanto à alegação de erros cometidos pela Auditora Fiscal, concluiu que o único erro real beneficiou o contribuinte, já que resultou em lançamento a menor de R$ 3.000,00, que não pode ser corrigido em face da impossibilidade de agravamento. Explicou os demais números e cálculos apontados; o contribuinte alegou que no lançamento deixouse de considerar como valor depositado a importância de R$ 150.000,00, correspondentes à venda de imóvel de sua propriedade, cujo custo declarado era de R$ 152.923,00, bem como a importância de R$ 10.000,00, correspondente à venda de duas obras de arte de sua propriedade, cujo custo declarado era de R$ 10.221,00, tudo conforme constara da sua declaração de bens do ano calendário de 1998, exercício de 1999. As alegações também não podem ser acatadas, pois cabia a ele trazer elementos comprobatórios que reforçassem a sua tese, coincidentes em datas e valores com os valores constantes dos depósitos bancários. Em conclusão, entendeu o Acórdão recorrido por rejeitar as preliminares de nulidade, ilegalidade e inconstitucionalidade argüidas e, no mérito, por julgar procedente o lançamento. Cientificado do Acórdão de 1ª instância em 25/07/2008 (fl. 252) e ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 15/08/2008 (fl. 257), onde apresenta as suas razões, dizendo, em síntese: 1. tratando da “irretroatividade das leis”, a LC nº 105, de 2001 e a Lei nº 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/1996, que veio a permitir que a Receita Federal utilizasse os dados da CPMF para constituir créditos tributários não podem autorizar que se utilize tal procedimento em períodos anteriores à sua entrada em vigor. Colaciona doutrina; 2. que incorreu em erro, portanto, a Autoridade Fiscal, ao se estribar em procedimentos que seriam válidos para aplicação somente a fatos geradores ocorridos a partir de 9 de janeiro de 2001, com a finalidade de constituir crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1998, exercício de 1999. Traz decisões do Conselho de Contribuintes; 3. entende ser inaceitável, injustificada e nula de pleno direito à quebra do sigilo bancário do impetrante por simples procedimento de requisição junto aos estabelecimentos bancários, quando não comprovada a existência de qualquer tipo de crime, ainda que o contribuinte tivesse fornecido à autoridade fiscal os extratos de suas contas bancárias. Para fundamentar sua afirmativa, volta ao tópico anterior, da “irretroatividade” da LC nº 104/2001; 4. a prova inicial, extratos bancários, foi obtida por meio ilícito, ofendendo princípios constitucionais da garantia da intimidade e do sigilo dos dados; 5. ao contrário do que afirma o Julgador de 1ª instância, os tribunais superiores e a doutrina reconhecem que o Poder Executivo pode deixar de aplicar lei que contrarie a Constituição. Os Conselhos Administrativos tem o dever de afastar a exigência fiscal baseada em norma inconstitucional; Fl. 331DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19515.000175/200304 Acórdão n.º 2801003.376 S2TE01 Fl. 332 6 6. tratando de “vício de forma”, diz que as autoridades deixaram de considerar os erros cometidos na quantificação do montante depositado e os valores dos depósitos relativos à venda de imóveis e quadros. Anexa a escritura da venda do imóvel, os extratos bancários com indicação das datas e dos valores depositados relativos a tais alienações; 7. entende que esses “erros” da autuação, ao não considerar tais valores, tornam a mesma nula. Traz decisões administrativas; 8. o auto de infração em tela foi lavrado com base em Mandado de Procedimento Fiscal ineficaz, porque já extinto pelo decurso de seu prazo de validade. O auto de infração lavrado na ausência de MPF válido é ato praticado por Auditor Fiscal que não detinha a competência específica para fazêlo; 9. estando extinto o MPF e conseqüentemente o procedimento fiscal aplicado ao contribuinte, somente será possível novo exame mediante ordem escrita, conforme previsão contida no RIR/1999. Protesta mais uma vez pela nulidade da ação fiscal; 10. dizendo que a legislação que rege a matéria encoraja “a preguiça da autoridade fiscal”, que o contribuinte é “mercador de quadros”, que justificou “adequadamente” parte de sua movimentação bancária, conclui que foram indevidamente considerados como rendimentos omitidos os valores depositados; 11. pugna pela “eliminação de créditos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 no anocalendário (artigo n°849, § 2°, inciso II, do RIR/99); que a presunção criada pelo fisco não afasta a tese de que, em principio, depósitos bancários não representam, por si só, disponibilidade econômica de rendimentos, desde que haja um mínimo de esclarecimentos por parte do contribuinte (o que de fato aconteceu na presente autuação fiscal); se existem provas que indiquem atividade habitual de comércio ou serviços pelo Contribuinte, deve ser afastada a presunção legal de omissão de rendimentos (o que de fato também ocorreu na presente autuação fiscal); quando o contribuinte demonstra que a presunção adotada não tem sólidos fundamentos, ou seja, não leva de forma genérica, a um juízo de probabilidade sustentável, contamina o lançamento de incerteza o que não se admite no Direito Tributário (o que de fato aconteceu na presente autuação fiscal). Desta feita, requer a acolhida de seu Recurso para que declare a nulidade do presente auto de infração, em razão de todas as argumentações declinadas e provas acostadas, no presente processo fiscal. Anexa novos documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, obedecidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19515.000175/200304 Acórdão n.º 2801003.376 S2TE01 Fl. 333 7 PRELIMINARES. APLICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001 e da LEI 10.174/2001. O fornecimento das informações sobre movimentação bancária do contribuinte obtidas pelo Fisco com fulcro na Lei Complementar nº 105/2001, por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, é assunto na esfera das matérias de “repercussão geral” no Supremo Tribunal Federal, conforme o Recurso Extraordinário (RE) 601.314, cuja ementa vai aqui transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314/RG, Relator (a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20.11.2009 EMENT VOL 0238307 PP01422) Esta Turma Especial vinha decidindo por sobrestar o julgamento dos recursos que tratassem de lançamentos efetuados com base em depósitos bancários de origem não comprovada, quando os extratos bancários fossem obtidos diretamente pelo Fisco, junto às instituições financeiras, utilizandose do expediente da Requisição de Movimentação Financeira (RMF). Fundamentavase nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62 A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Apesar de não determinado expressamente pelo MinistroRelator da ação o sobrestamento, registrouse que mesmo o STF, em outras ações similares, vinha fazendo, conforme é possível verificar nos julgados abaixo: Decisão: Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, Fl. 333DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19515.000175/200304 Acórdão n.º 2801003.376 S2TE01 Fl. 334 8 X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presente feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publiquese. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012).(grifei) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 714857 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 03/11/2011, publicado em DJe217 DIVULG 14/11/2011 PUBLIC 16/11/2011).(grifei) Contudo, o art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF foi revogado em recente decisão do Sr. Ministro da Fazenda, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013: PORTARIA No 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 Altera o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministro de Estado da Fazenda. O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Fl. 334DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19515.000175/200304 Acórdão n.º 2801003.376 S2TE01 Fl. 335 9 Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Assim, não se verificam mais bases para deixar de aplicar a lei ainda em vigor, uma vez que não teve sua inconstitucionalidade declarada pelo Pretório Excelso. As leis brasileiras permanecem em vigor até que outra posterior a modifique ou revogue, como comanda a Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, art. 2º. Também de citar o Código Tributário Nacional: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. (destaquei) Considerando a abalizada doutrina colacionada pelo Recorrente, anoto que LEANDRO PAULSEN cita o seguinte, ao comentar esse dispositivo do CTN: Irretroatividade. Este artigo não ofende o princípio constitucional da irretroatividade, segundo entendimento de Misabel Abreu Machado Derzi, O princípio da irretroatividade do Direito na Constituição e no Código Tributário Nacional, em RDT nº 67, Ed. Malheiros, p. 250/251, que se ampara na jurisprudência do STF. (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1047) Ademais, para refutar as alegações do recurso no sentido da impossibilidade da aplicação retroativa das disposições da Lei Complementar nº 105/2001 e da Lei nº 10.174/2001, para basear procedimento investigativotributário, anoto que o STJ já manifestou seu entendimento em sentido contrário, inclusive em recurso submetido à sistemática dos “recursos repetitivos” (art. 543C do CPC). Vejamos: STJ, Primeira Seção, Resp 1134665/SP, Rel Ministro LUIZ FUX, nov/2009 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último Fl. 335DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19515.000175/200304 Acórdão n.º 2801003.376 S2TE01 Fl. 336 10 caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Conseqüentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto.(grifei) 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. ... 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19515.000175/200304 Acórdão n.º 2801003.376 S2TE01 Fl. 337 11 STJ, 2ª T, Resp 675.293/PE, Rel Carlos Fernando Mathias, mai/2008 É possível a aplicação imediata do art. 6º da LC n. 105/2001, porquanto trata de disposição meramente procedimental. Pelo disposto no artigo 144, § 1º, do CTN, revelase possível o cruzamento dos dados obtidos com a arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos em face do que dispõe o art. 1º da Lei n. 10.174/2001, que alterou a redação original do art. 11, § 3º, da Lei n. 9.311/96. 2. Não há ofensa ao princípio da irretroatividade da lei tributária, porquanto a Lei Complementar n. 105/2001, bem como a Lei n. 10.174/01, não instituem ou majoram tributos, mas apenas dotam a Administração Tributária de instrumentos legais aptos a promover a agilização e o aperfeiçoamento dos procedimentos fiscais.(grifei) 3. Não existe direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, pois enquanto não extinto o crédito tributário a autoridade fiscal tem o poderdever vinculado de realizar o lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. Precedentes: REsp 685.708/Fux; REsp 701.996/Zavascki; Resp 985.432/Humberto Martins, REsp 628.116/Meira; AgRg no Resp 669.157/Falcão; REsp 691.601/Calmon. Temos ainda a Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º da Lei 9.311/1996, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição de crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Portanto, não há ilegalidade, inconstitucionalidade ou violação de princípios, na aplicação dos dispositivos legais aqui em comento, para investigar possíveis fatos geradores tributários ocorridos em 1998. DA MANIFESTAÇÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS POR ÓRGÃO ADMINISTRATIVO. Repisase aqui a tese de que a instância administrativa é competente para conhecer de inconstitucionalidade de lei tributária. Desnecessário dar azo a tal discussão, quando já existe uma Súmula, que vincula estes julgadores, dispondo em contrário. Segundo o Regimento Interno do CARF, art. 72, as decisões reiteradas e uniformes, serão consubstanciadas em Súmulas. Os Tribunais Judiciários também as adotam. Têm caráter uniformizador e pacificador, buscam eficiência e celeridade na solução dos litígios. Assim, citando a Súmula CARF nº 2 e o art 72 do RICARF, na Ementa, esperamos encerrar, em sede administrativa, essa controvérsia acerca da possibilidade de que esta instância reconheça e declare a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19515.000175/200304 Acórdão n.º 2801003.376 S2TE01 Fl. 338 12 Não obstante, citando MARCOS VINICIUS NEDER: “Entre nós, Marçal Justen Filho admite o juízo de inconstitucionalidade de lei no âmbito administrativo.... Por outro lado, é importante lembrar que as decisões administrativas são espécies de ato administrativo e, como tal, sujeitamse ao controle do Judiciário. Se, por acaso, a fundamentação do ato administrativo baseouse em norma inconstitucional, o Poder que tem a atribuição para examinar a existência de tal vício é o Poder Judiciário. Afinal, presumemse constitucionais os atos emanados do Legislativo, e, portanto, a eles vinculamse as autoridades administrativas.” ((NEDER, Marcos Vinícius. Processo administrativo fiscal federal comentado: (decreto nº 70.235/72 e lei nº 9.784/99) / Marcos Vinícius Neder, Maria Teresa Martinez López, 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 46/48) A possibilidade da análise dessas matérias pelo Poder Executivo já foi alvo de críticas da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul, que em Nota Pública emitida em 10/11/2000, cujo trecho parcial transcrevemos a seguir para concordar com suas conclusões. Assim manifestouse: “A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul promove, hoje, 10/11/2000, Dia da Mobilização em Defesa do cumprimento das leis e decisões judiciais, em suma, do Estado Democrático de Direito... (...) Denuncia o descumprimento de leis em pleno vigor, sem declaração judicial de sua inconstitucionalidade, única forma de sustar sua eficácia, em regime democrático. (...) O açambarcamento pelo Executivo das funções reservadas a outros Poderes, notadamente as de controle exclusivo de constitucionalidadee solução dos conflitos intersubjetivos pelo Judiciário, ou de elaboração legislativa e orçamentária pelo Poder Legislativo, em representação da soberania popular, desgarante o cidadão, rompe o recíproco controle dos Poderes, solapa a democracia e constrói ditaduras. (Porto Alegre, 10 de novembro de 2000) DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) E DA COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. A questão diz respeito à possibilidade, ou não, de que irregularidade na emissão e prorrogação de MPF, documento de controle administrativo, invalide lançamento devidamente alicerçado na lei tributária. A jurisprudência predominante deste CARF já se orientou, seguindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, se constitui de instrumento de controle administrativo, advindo de norma também Fl. 338DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19515.000175/200304 Acórdão n.º 2801003.376 S2TE01 Fl. 339 13 administrativa, sendo que eventuais irregularidades em sua prorrogação, extinção, designação de AFRFB não maculam de nulidade o lançamento, que decorre de atividade plenamente vinculada à lei. Vejamos: NORMAS PROCESSUAIS. MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. (Acórdão CSRF no 0202.187) VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. (Acórdão nº 920201.757; sessão de 27/09/2011; Relator Manoel Coelho Arruda Junior). Por bem resumir os argumentos a favor desta tese, transcrevo parte do voto do Acórdão nº 9202 01.637, com a qual comungo: O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. Se ocorrerem problemas com a prorrogação do MPF estes não invalidam os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada à legitimidade do agente que o pratica, isto é, ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a prática do ato. Assim, legitimado o AFRF para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há o que se falar em nulidade por falta do MPF que se constitui em instrumento de controle da Administração. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19515.000175/200304 Acórdão n.º 2801003.376 S2TE01 Fl. 340 14 Não é possível que falhas em um simples instrumento de controle, que objetiva informar ao contribuinte qual a autoridade fiscal executará a ação planejada, bem como quais os tributos e períodos fiscalizados, possa invalidar o crédito tributário constituído por autoridade competente, e por meio de instrumento formalmente perfeito. Neste rumo, a alegação de que extinto o MPF pela falta de prorrogação comunicada ao sujeito passivo, não se poderia fiscalizar novamente o mesmo período sem autorização expressa da autoridade competente também não encontra resguardo. Na folha 03 consta o MPF emitido em 01 de agosto de 2002, com designação da AFRFB Márcia Birman, a mesma que subscreve o Auto de Infração, para execução dos trabalhos. Na folha 04 constam prorrogações até 28 de janeiro de 2003. Em seguida, observase prorrogação até 27 de fevereiro de 2003, tendo o Auto de Infração sido lavrado e cientificado ao contribuinte em 30/01/2003. Ademais, as prorrogações do prazo inicialmente previsto, que deveria ser findo em 29 de novembro de 2002, se justificam pela resistência do contribuinte em apresentar os extratos bancários, inclusive recorrendo à Justiça Federal para que não fossem disponibilizados ao Fisco, precisando ser intimado mais de uma vez e, por fim, sendo necessária a emissão das RMF. QUANTO A “ERROS DE FORMA” NA QUANTIFICAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO. O artigo 142 do CTN, que define “lançamento”, o descreve como a atividade administrativa tendente a verificar “a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade” . Entendo que a determinação da matéria tributária e o cálculo do montante devido são elementos materiais, não formais, como aduz o Recorrente. As formalidades existem para proteger princípios como a ampla defesa e o contraditório, dentre outros, não sendo um fim em si mesmas. Não se verifica vício de forma algum no lançamento, mormente quando o contribuinte demonstra ter pleno conhecimento da matéria fática e legal e exerceu, de forma ampla e nos prazos previstos, o seu direito de defesa. Quanto aos alegados “erros” na quantificação do montante depositado, que já tinham sido alegados na 1ª instância, esclareceu a DRJ, na folha 248: A impugnante alegou que houve equivoco na primeira página do Termo de Verificação Fiscal, onde mencionouse como valor total dos depósitos R$ 852.343,82, sendo RS 251.349,73 no Banco Real S/A e R$ 600.994,09 no Banco ItaU S/A, entretanto, a soma dos valores constantes dos próprios anexos constantes do mencionado termo (listagem fornecida pela autoridade fiscal relativa aos valores creditados/depositados) chega a valor distinto, ou seja, R$ 780.005,77, sendo R$ 386.775,77 no Banco Real S/A c R$ 393.230,00 no Banco Itaú S/A, acusando uma diferença a maior de R$ 72.338,05. O alegado equivoco em nada prejudicou a contribuinte. O montante de R$ 852.343,82, informado pela auditora autuante, conforme ela esclareceu no Fl. 340DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19515.000175/200304 Acórdão n.º 2801003.376 S2TE01 Fl. 341 15 Termo de Verificação Fiscal, foi calculado com base no pagamento de CPMF. Do montante dos depósitos efetuados nas contascorrente, a auditora excluiu os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica, de resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários, etc. A auditora relacionou os depósitos bancários não justificados pela contribuinte às fls. 117/119 ... Em sede recursal o contribuinte nada traz para contradizer ou refutar essa explicação, apenas repisando o que já dissera anteriormente. Não vejo razão para que seja reformado o já decidido e explicado, conforme acima transcrito. Registro, como já fizera o julgador a quo, que o valor efetivamente lançado foi de R$ 777.005,77, portanto R$ 3.000,00 menor do que deveria, como se observa na folha 189 (Auto de Infração). Quanto às alegações de “erros” por não considerar no cômputo valores da venda de bens declarados, trataremos a seguir, no mérito. MÉRITO. 1. DA OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O Termo de Verificação Fiscal que integra o Auto de Infração (fls. 183) é de clareza meridiana e descreve com precisão o procedimento. O contribuinte regularmente intimado não apresentou os extratos bancários. Impetrou inclusive Mandado de Segurança (fl. 21) para que se obstaculizasse o procedimento fiscal. De plano, o pedido liminar foi indeferido pela Justiça Federal e, posteriormente, o contribuinte não mais manifestouse nestes autos sobre o seguimento da ação judicial. Observase no sítio eletrônico do TRF3 que houve agravos por parte do impetrante e que o processo encontrase definitivamente arquivado. Ante a resistência apresentada, emitiuse Requisições de Movimentação FinanceiraRMF, para obtenção dos extratos diretamente aos Bancos. Quanto à possibilidade de presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários em contas correntes de titularidade do fiscalizado, sobre os quais o mesmo, regularmente intimado, não comprove com documentação hábil e idônea a origem dos recursos, guarda abrigo expresso em texto da Lei nº 9.430/1996, nos termos do art. 42. “Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Ademais, temos a Súmula CARF nº 26, de aplicação obrigatória pelos Conselheiros, que dispõe que: Fl. 341DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19515.000175/200304 Acórdão n.º 2801003.376 S2TE01 Fl. 342 16 “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. A Súmula, portanto, reconhecendo o procedimento calcado na lei, consubstancia o entendimento da instância julgadora, trazendo eficiência, confiança, segurança e isonomia aos processos que tratem da mesma matéria. Assim, eventuais entendimentos em contrário, trazidos pelo Recorrente, proferidos em épocas passadas pelo antigo Conselho de Contribuintes, estão superados e sem aplicação. De acordo com o dispositivo supra, basta ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao Fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Desta feita, as considerações efetuadas pelo Recorrente a fim de ilidir o procedimento fiscal no sentido de que “depósitos bancários não representam acréscimo patrimonial” e, portanto, estariam fora do campo de incidência do imposto sobre a renda estão em confronto com expressa previsão legal e com entendimento pacificado por esta instância administrativa. Quanto ao cabimento do dispositivo legal dentro do ordenamento jurídico pátrio, lembro mais uma vez que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) Em sua peça recursal, o contribuinte tenta generalizar o ônus da prova, alegando que em sua DIRPF havia a informação da venda de um imóvel e de obras de arte (quadros) que deveriam ser considerados pela Autoridade Fiscal na apuração, a seu cargo, sem que o mesmo precisasse indicar especificamente a correlação entre as vendas e os depósitos, com razoável coincidência de datas e valores. Entretanto, a análise da comprovação de depósitos bancários, como concebida pela Lei 9.430/1996, deve ser feita “individualizadamente”, e não em totais genéricos. A análise individual de cada depósito, para os fins do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 é expressa no § 3º do dispositivo legal. Assim sendo, apesar de regularmente intimado, tendo o contribuinte optado por não apresentar suas justificativas à Fiscalização, não verifico qualquer erro procedimental da mesma na constituição do crédito tributário aqui debatido. Verificada a ocorrência do depósito, perquirise é se a origem do recurso, quando apontada, guarda relação ao mínimo lógica e razoável, em datas e valores, com os depósitos bancários, verificados um a um, repito. Como a pessoa física não está obrigada a escrituração contábil, a lei estabeleceu limites mínimos para dispensála de comprovação de depósitos. Entretanto, ultrapassados esses limites, a pessoa física está obrigada a justificar, com documentos hábeis e Fl. 342DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19515.000175/200304 Acórdão n.º 2801003.376 S2TE01 Fl. 343 17 idôneos, de forma individualizada, os depósitos feitos em suas contas correntes, seja em cheques, seja em dinheiro. As menções do recurso aos limites legais de R$ 80.000,00 e R$ 12.000,00 não se explicam nem justificam. Vejamos o entendimento já sumulado nesta CARF: Súmula CARF nº 61 – Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Conforme Auto de Infração, o somatório dos depósitos de origem não comprovada, no ano calendário, importou em R$ 777.005,77. Na listagem anexa ao Termo de Verificação Fiscal (folhas 186 a 188), observase que os depósitos inferiores a R$ 12.000,00 em muito ultrapassam o montante de R$ 80.000,00. Quanto à alegação de “que existem provas da atividade habitual do contribuinte” como “vendedor de quadros”, não localizei nos autos nenhuma, além das próprias alegações. Não há notas fiscais, recibos, livros de registro de clientes, contratos, registro das obras, contrato social da Galeria Thomas Cohn Ltda, da qual alegou ser sócio, nada. É de saltar aos olhos que a DIRPF tenha indicado como rendimentos tributáveis, ante a movimentação financeira apresentada, se é que negociava tantas obras como alega, parcos R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais) (fl. 181) DAS PROVAS TRAZIDAS JUNTAMENTE COM O RECURSO. Como já assentado, não foi apresentada à Fiscalização qualquer justificativa ou documento sobre a origem dos recursos representados pelos depósitos em conta corrente. Em sede recursal, o contribuinte aponta especificamente depósitos que seriam oriundos da venda de um imóvel e outro que seria proveniente da venda de quadros. O magistério de HUMBERTO THEODORO JUNIOR traz que todos os atos processuais são preclusivos. Portanto, decorrido o prazo, extinguese o direito de praticar o ato. Opera, para o que se manteve inerte, aquele fenômeno que se denomina preclusão processual, que, nesse caso, vem a ser a perda da faculdade ou direito processual, que se extingue pelo não exercício em tempo útil . A preclusão existe no processo moderno erigida à classe de um princípio básico ou fundamental do procedimento. Com esse método, evitase o desenvolvimento arbitrário do processo. (THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed. Rio de Janeiro, Forense : 2004, p. 229/230) A norma do PAF, Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de Fl. 343DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19515.000175/200304 Acórdão n.º 2801003.376 S2TE01 Fl. 344 18 solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Ou seja, encontrase nela uma determinada finalidade. A análise fria da norma chocase, prima facie, com os princípios da verdade material, sempre considerado nos julgamentos administrativos, e com a ampla defesa, homenageada no texto constitucional. A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entende abalizada doutrina, contudo, que, apesar disso, a lei específica, no caso o Decreto nº 70.235/1972, aplicarseia ao processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Entretanto, como concluem ressalvando correntes em contrário MARIA TERESA MARTÍNEZ LOPEZ e MARCELA CHEFFER BIANCHINI, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, verificase a tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos “notórios ou incontroversos”, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Assim, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. (A Prova no Processo Tributário, Coord. NEDER, Marcos Vinícius e outros – São Paulo : Dialética, 2010, p. 34 a 51) No caso deste processo, o contribuinte foi regularmente intimado a comprovar um a um os depósitos em suas contas correntes, mas não o fez, bem como não apresentou a documentação pertinente juntamente com a impugnação. Contudo, existem nos autos, trazidos juntamente com o recurso, documentos que de forma convincente e de análise direta, demonstram que dos depósitos listados pela auditoria fiscal, R$ 150.000,00 referemse á venda de um imóvel, em 30 de março de 1998, localizado na Rua Custódio Serrão, no Rio de Janeiro. De acordo com o combinado, conforme Escritura Pública, cópia na folha 317, o pagamento seria efetuado em parcelas de R$ 50.000,00; R$ 50.000,00; R$ 42.500,00 e R$ 7.500,00. O Recorrente aponta especificamente três depósitos nos valores de R$ 50.000,00 (em dinheiro), R$ 50.000,00 (cheque cartão) e R$ 42.500,00 (cheque), efetuados exatamente em 30 de março de 1998 e depois mais 3 depósitos de R$ 2.500,00, totalizando os R$ 7.500,00 restantes, nos dias 13/04, 14/04 e 11/05, todos no Banco Itaú S/A, pelo que entendo existir relação cabível entre os valores, datas e justificativas, estando ainda essa venda declarada em DIRPF e não se verificando ganho de capital. Quanto à venda de quadros, que estão também declarados em DIRPF, observo que existem duas obras de arte: uma pelo valor de R$ 5.634,00 e outra por R$ 4.587,00, totalizando, portanto, R$ 10.221,00 (dez mil duzentos e vinte e um reais). Tratase de quadros do notório pintor Iberê Camargo, segundo declarado, vendidas a uma galeria de arte. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19515.000175/200304 Acórdão n.º 2801003.376 S2TE01 Fl. 345 19 O contribuinte aponta um depósito efetuado em 22/09, mediante “”DOC”, no valor de R$ 14.400,00, como decorrente de tal alienação de bens. Na falta de qualquer outro documento, como ao menos o recibo de venda, para que o comprador pudesse atestar posteriormente a origem das obras, entendo, pelo todo aqui exposto, inclusive sobre a possibilidade de produção de provas após a apresentação da impugnação, que não se pode formar convicção entre a relação das vendas descritas com o depósito apontado. Concluindo tomamos conhecimento de todos os documentos que constam dos autos até este momento, que possibilitem ao contribuinte seu amplo direito de defesa e ao julgador a formação de seu livre convencimento, sem que isso venha a prejudicar a marcha processual; também, a falta de consideração dessas informações pela Fiscalização decorreu da inércia do contribuinte, a quem cabia o ônus probatório, conforme aqui discorrido, e não de “erro” na constituição do crédito, pelo que não existe qualquer “nulidade” a ser reconhecida no lançamento, nesse aspecto. CONCLUSÃO. Face ao exposto, voto por não acolher as preliminares suscitadas e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação o valor de R$ 150.000,00, sendo R$ 142.500,00 no mês de março de 1998, R$ 5.000,00 no mês de abril de 1998 e R$ 2.500,00 no mês de maio de 1998. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 345DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 15374.907830/2008-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS/COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
Considera-se rendas relacionadas à finalidade essencial da Entidade Beneficente de Assistência Social, não sujeitas a cobrança da COFINS, quando estas forem destinadas ao atendimento da finalidade essencial da entidade, independentemente de sua natureza - desde que não mantenham estrutura empresarial
No entanto, se não comprovada a r. destinação, por conseguinte, a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada.
PERÍCIA/DILIGÊNCIA DENEGADAS
A perícia e a diligência se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos técnicos especializados para o deslinde do litígio.
Não se justifica o pedido quando o fato probando puder ser demonstrado pela mera juntada de documentos e quando não há suporte pela recorrente da impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira-se a ato ou a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos trazidas aos autos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3202-000.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
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COMPROVAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Considerase rendas relacionadas à finalidade essencial da Entidade Beneficente de Assistência Social, não sujeitas a cobrança da COFINS, quando estas forem destinadas ao atendimento da finalidade essencial da entidade, independentemente de sua natureza desde que não mantenham estrutura empresarial No entanto, se não comprovada a r. destinação, por conseguinte, a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. PERÍCIA/DILIGÊNCIA DENEGADAS A perícia e a diligência se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos técnicos especializados para o deslinde do litígio. Não se justifica o pedido quando o fato probando puder ser demonstrado pela mera juntada de documentos e quando não há suporte pela recorrente da impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a ato ou a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos trazidas aos autos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou se impedido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 78 30 /2 00 8- 54 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/04/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.907830/200854 Acórdão n.º 3202000.971 S3C2T2 Fl. 185 2 Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por INSTITUTO BRASILEIRO DE PETRÓLEO, GÁS E BIOCOMBUSTIVEIS contra Acórdão nº 1339.768, de 9 de fevereiro de 2012 (de fls. 127 a 131), proferido pela 5ª Turma da DRJ/RJ2, que julgou por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica nº 00825.58724.280504.1.3.049054 (fls. 03/09), transmitida em 28/05/2004, de débitos de COFINS (cód. 2172), relativos aos períodos de apuração de janeiro a maio de 2003, com crédito oriundo de pagamento a maior, a título de COFINS (cód. 2172), recolhido em 10/06/1999, atinente ao Período de Apuração 31/05/1999, tudo conforme se verifica na cópia da PerdComp constante dos autos. Por meio do Despacho Decisório (fl. 12) emitido eletronicamente, a DERAT Rio de JaneiroRJ, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada em 30/07/2008 (fl. 11), a interessada ingressou, em 28/08/2008, com manifestação de inconformidade (fls. 14/23), na qual alega, em síntese, que: 1. As receitas relativas às atividades próprias das instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, civis que prestem os serviços para os quais foram instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, são isentas da COFINS; 2. Alega que é uma associação civil sem fim lucrativo e portanto, é isenta da COFINS; 3. Atividades próprias das associações seriam aquelas para as quais elas tenham sido criadas, ou seja, aquelas previstas em seu estatuto social, cita o parecer normativo CST nº 162/74; 4. As atividades exercidas são aquelas que constam do Estatuto social; 5. Em 2006 tentou retificar sua DCTF e não conseguiu; 6. Caberia a autoridade administrativa ter diligenciado no sentido de analisar os documentos e escritas fiscais do Manifestante a fim de averiguar a proveniência de tais créditos; Encerra a manifestação, requerendo seu provimento, para reformar a decisão a quo e homologar a compensação efetuada por intermédio da declaração de Fl. 184DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/04/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.907830/200854 Acórdão n.º 3202000.971 S3C2T2 Fl. 186 3 compensação objeto do presente processo. Acrescenta que não sendo este o entendimento, requer seja o julgamento convertido em diligência a fim de que a autoridade fiscal apure o montante das receitas próprias indevidamente incluído em maio de 1999 na base de cálculo da COFINS”. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme acórdão 1339.768 com a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999 PERÍCIA/DILIGÊNCIA DENEGADAS A perícia e a diligência se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogita se o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado do referido acórdão no dia 24 de abril de 2012 (fl. 74), o interessado apresentou recurso voluntário em 22 de maio de 2012 (fls. 135 a 152), pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Das preliminares Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância no dia 24 de abril de 2012, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/04/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.907830/200854 Acórdão n.º 3202000.971 S3C2T2 Fl. 187 4 Da Manifestação de Inconformidade Consta da peça de defesa do Instituto que se cuida de caso típico de compensação, onde a ora recorrente se utiliza de credito recolhido a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$ 12.344,41 (competência de maio de 1999). Aduz o recorrente que houve pagamento a maior, tendo em vista que havia incluído equivocadamente na base de cálculo da COFINS as receitas pertinentes às atividades para as quais foi instituído – as receitas próprias do Instituto, as quais são isentas da COFINS. Observou que a autoridade fazendária não homologou a compensação, emitindo despacho decisório alegando a inexistência do crédito em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte – o que não haveria que se falar em crédito “disponível” para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. O que a autoridade fazendária, assim, não reconheceu o direito creditório da recorrente referente aos valores indevidamente pagos por ocasião da imunidade tributária. Traz o recorrente que, apesar de a DRJ afirmar imperiosamente a necessidade de verificação de que os créditos retificados em DCTF serem decorrentes de receitas próprias do Instituto negouse a determinação de diligência para apurar tais informações, sob o argumento de que caberia a comprovação do crédito alegado. Para melhor desenvolver os pontos suscitados, passo a discorrer a seguir sobre o entendimento aplicável a cada um. Da regra isentiva prevista na MP 2.15835/2001 Relativamente a esse tema, importante trazer as argumentações do recorrente que, por sua vez, coincide com o entendimento emitido pela autoridade fazendária: · O art. 14 da MP 2.15835/01 estabelece, entre outras, a isenção da COFINS sobre as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, conforme transcrito abaixo: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X – relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. (...)” · O art. 13 da MP contempla, entre outros, as receitas referentes das atividades próprias das entidades, conforme segue: Fl. 186DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/04/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.907830/200854 Acórdão n.º 3202000.971 S3C2T2 Fl. 188 5 “Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) IV. instituições de caráter filantrópico recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; (...)” · O art. 15 da Lei nº 9.532/97 contempla a isenção às instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico: “Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”. · Conclui que as associações civis são isentas da COFINS relativamente às receitas decorrentes das atividades próprias por elas realizadas, e em benefício do grupo de beneficiários a que se destinam; · Sendo o Instituto Brasileiro de Petróleo Gás e Biocombustíveis, constituída nos termos do art. 53 do CC, traz em seu estatuto socialo art. 1º: “Art. 1º. O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), situado à Av. Almirante Barroso, 52/26º andar – Centro, Rio de Janeiro, CEP 20031000, é uma pessoa jurídica de direito privado, constituída sob a forma de associação de fins não econômicos, fundado em 21 de novembro de 1957. Tem duração ilimitada, sede e foro na cidade do Rio de Janeiro – RJ e regerseá pelo presente Estatuto e pela legislação em vigor. § 1º. Seus conselheiros e Diretores não perceberão remuneração de espécie alguma, não havendo, também, distribuição de eventuais excedentes operacionais, brutos ou líquidos, ou vantagens, participações, ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto, aos associados, Conselheiros ou Diretores; (...) § 3º. Os recursos serão sempre aplicados para a consecução dos objetivos estatutários, sendo expressamente vedada qualquer atividade de natureza políticopartidária; (...)” · Resta evidente que o Instituto é associação civil sem fins lucrativos, estando incluído no rol das entidades mencionadas no art. 15 da Lei 9.532/97; · E, por conseguinte, isento da COFINS em relação às receitas por ele auferidas em decorrência das atividades próprias por ele realizadas; · Especificamente em relação às receitas de atividade própria, adota o entendimento da autoridade fazendária, entendendo que as atividades Fl. 187DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/04/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.907830/200854 Acórdão n.º 3202000.971 S3C2T2 Fl. 189 6 próprias das associações seriam aquelas para as quais elas tenham sido criadas, ou seja, aquelas previstas em seu estatuto social. Quanto a esse tema, diferentemente da DRJ e da própria recorrente, entendo que, para fins da não cobrança da Cofins para tais associações, considerase rendas relacionadas à finalidade essencial aquelas destinadas ao atendimento da finalidade essencial da entidade, independentemente de sua natureza – desde que não mantenham estrutura empresarial. O que, a princípio, ainda que a recorrente tenha abatido do valor do DARF – como crédito a COFINS incidente sobre as receitas financeiras e aquelas provenientes de contrato de locação, com o intuito de demonstrar o princípio da boa fé, dependendo da preponderância das receitas poderseia considerálas como isentas da COFINS. Mas, desde que haja demonstração contábil e fiscal para tanto – o que elucidaremos posteriormente. Para tanto, trago parte de meu voto constante do acórdão 3802000.663 – da 2ª Turma Especial, 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento: “(...) Portanto, conclui a DRJ que a isenção não alcança as receitas que são próprias de atividade de natureza econômicofinanceira ou empresarial – e que, por isso, sujeitamse à incidência da contribuição, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades, inclusive bolsas de estudos custeadas pelo poder público dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus associados e em seu benefício, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc. e, receitas de aplicações financeiras, conforme as disposições dos art. 2° da Lei Complementar 70/91 e dos arts. 2° e 3°,§1°, da Lei n° 9.718/98 – e tal como exposto no lançamento. Vêse que a DRJ suportou tal decisão, entre outros, com o dispositivo constante da IN SRF n° 247, de 2002 que, por sua vez, definiu as receitas derivadas das atividades próprias somente como àquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, sem caráter contraprestacional. Sendo assim, aduz a recorrente que esses dispositivos legais seriam inconstitucionais e que não é Lei Complementar, Medida Provisória, Lei Ordinária ou Instrução Normativa que estabelecem a isenção, mas sim a Lei Maior. (...) Vêse que há interpretação acerca desta expressão na Instrução Normativa SRF nº 247, cujo artigo 47 textualmente prevê: “Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: (...) II São isentas da COFINS em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) §2º. Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, Fl. 188DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/04/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.907830/200854 Acórdão n.º 3202000.971 S3C2T2 Fl. 190 7 assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais.” De acordo com a norma infralegal, somente se caracterizam como receitas de atividades próprias e, portanto, somente usufruem da isenção as contribuições auferidas pela entidade em caráter gratuito, isto é, receitas cujo recebimento não se dá em contraprestação por uma utilidade diretamente oferecida pela associação a quem lhe faz o pagamento. Vêse que se trata de uma interpretação bastante restritiva. O cerne da questão está delimitado no sentido de que a pretensão resistida da recorrente é quanto à interpretação da norma constitucional e sua regulamentação restringindo seu alcance, ou, em outras palavras, se as atividades que vem exercendo (tais como, venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades, inclusive bolsas de estudos custeadas pelo poder público dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus associados e em seu benefício, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc. e, receitas de aplicações financeiras) estariam abrigadas pelo instituto da imunidade estatuído no artigo 195, § 7º, da Carta Magna, uma vez constatada a pertinência e vínculo com seus objetivos institucionais previsto em seu ato constitutivo e regulamento. (...) A meu sentir, pouco importa, neste caso, considerando que não presta serviço com fins lucrativos, se poderá ser questionada por eventual manifestação ou alegação de concorrência desleal – sendo importante, em conclusão, é que ao desempenhar esta função não afronte as condições estabelecidas no art. 14 do CTN. E sobre estas sequer cogitouse nos autos, pois sua atividade não visa lucro e não há prova de que os recursos advindos de sua atividade comercial não sejam integralmente aplicados no país na manutenção de seus objetivos sociais. Quanto ao fato de a entidade estar exercendo as atividades já descritas no auto de infração, não vejo aí nenhum óbice, desde que essa atividade não destoem de seus objetivos institucionais, atendidos os demais requisitos do art. 14 do CTN. Vêse que dois requisitos precisam também ser considerados: que se refere a entidade filantrópica, sem fins lucrativos, e esta também não distribui lucro, aplicando suas rendas no incremento de suas atividades próprias ou essenciais. O que não foi contestado tais argumentos. Notase que a recorrente não é empresária, a recorrente não explora, tampouco presta serviço de caráter empresarial, isto é, com objetivo de auferir lucros para serem distribuídos a seus associados ou administradores – não interfere na concorrência de mercado. Ora, é neste sentido que deve ser interpretado também o art. 14, inciso I, do Código Tributário Nacional. Veremos que a atual Legislação concorrencial dispõe sobre a prevenção e repressão às infrações de ordem econômica, sendo orientada pelos ditames constitucionais de liberdade de iniciativa, livre concorrência, função social da propriedade, defesa aos consumidores e repressão ao abuso do poder econômico, com o objetivo de preservar os mecanismos do mercado. De acordo com o Dicionário Michaelis, concorrência é a “pretensão de mais de uma pessoa à mesma coisa”, é a “competição”, é a “rivalidade entre os produtores ou entre negociantes, fabricantes ou empresários”. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/04/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.907830/200854 Acórdão n.º 3202000.971 S3C2T2 Fl. 191 8 Portanto, a expressão contém a idéia de disputa entre agentes econômicos num espaço ou lugar, designado mercado, em certo tempo ou período, acerca de determinado objeto. Dita Isabel Vaz (Apud: PEREIRA, Marco Antônio Marcondes. Concorrência desleal por meio da publicidade. São Paulo: Juarez de Oliveira., 2001.p. 5), “A concorrência é um fenômeno complexo e um dos seus pressupostos essenciais é a liberdade, para que os agentes econômicos façam o melhor uso de sua capacidade intelectual e organizem da melhor maneira possível os fatores de produção de bens ou de prestação de serviços, de modo a obter produtos de boa qualidade e a oferecêlos no mercado a preços atraentes”. Sendo assim, para que haja concorrência é preciso que empreendedores disputem uma mesma clientela de um mercado. Produtos idênticos ou afins fabricados por empresas diferentes as colocam em situação de concorrência, pois buscam os mesmos consumidores potenciais para seus produtos ou serviços. Por isso, há trâmites que devem ser observados quando há pretensão de alterações societárias entre empresas que atuam na mesma atipicidade e já possuem clientelas preferenciais e segmentadas no mercado. Muitos são os fundamentos para a repressão da concorrência desleal: proteção ao fundo de comércio, aviamento, proteção da atividade empresarial, tutela da clientela, defesa do patrimônio alheio, tutela do direito de da personalidade (ex: nome e criações intelectuais), respeito à moral profissional, usos e costumes do comércio. O próprio legislador delimitou que o fundamento da repressão á concorrência desleal é o respeito ao uso honesto na atividade empresária, ou seja, a observância das regras aceitas no mercado como próprias da concorrência, sujeitas ao conceito aberto de correção profissional, isto é, de boafé que deve nortear os competidores entre si, e frente aos consumidores. Concorrência desleal, portanto, é aquele em que são usados meios ou métodos desleais, que mesmo não sendo delituosos, possibilitam aos prejudicados por seu emprego a reparação civil. Já a concorrência desleal criminosa ocorre quando esses meios ou métodos empregados são tão perigosos ou graves, que são considerados como delituosos, gerando sanções penais. (...) Ante todo o exposto, reconheço os motivos da recorrente, uma vez entender que tais atividades encontram respaldo em suas finalidades essenciais – ora, não vejo necessidade que a recorrente exaurisse, de forma clausulada, todas as formas pelas quais devesse o ente desenvolver suas atividades de forma a atender seus fins gerais, desde que não atuem diretamente no mercado com conotação específica no direito econômico, desta forma, finalisticamente, buscando o lucro. Pode até resultar em lucro determinada operação, embora na hipótese não tenha sido produzida prova nesse sentido, mas este não é seu fim, e, caso haja lucro, este não pode ser distribuído.(...)” Por fim, clarifico que, para fins da não cobrança da COFINS para tais associações, entendo que consideramse rendas relacionadas à finalidade essencial aquelas destinadas ao atendimento da finalidade essencial da entidade, independentemente de sua natureza – desde que não mantenham estrutura empresarial. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/04/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.907830/200854 Acórdão n.º 3202000.971 S3C2T2 Fl. 192 9 Da necessária observância ao Princípio da Verdade Real Especificamente a origem do crédito, temse que, de acordo com o presente recurso, o recorrente descreve que: · de acordo com o despacho decisório, não restou localizado “crédito disponível” para restituição no sistema da RFB, uma vez que ao identificar o DARF discriminado no PERDCOMP utilizouo integralmente para pagamento de suposto débito; · a desconsideração da declaração retificadora do período de apuração do crédito ou “ausência”, em função da impossibilidade de transmissão por recusa da RFB, não desnatura o pagamento a maior realizado pela recorrente, tendo em vista que não ser impeditivo para o legítimo exercício do direito de exclusão da base de cálculo da COFINS das receitas próprias das atividades previstas em seu Estatut; · portanto, caberia à autoridade fazendária ter observado o Princípio da Verdade Real, bem como diligenciado nas dependências do recorrente a vultosa documentação contratual, escritas fiscais e contábeis, com o intuito de averiguar a proveniência de tal crédito. · Dizse vultosa documentação, porque é inviável e também pouco prático e econômico anexar aos presentes autos cópias de todos os contratos e comprovantes de pagamentos efetuados a favor do Instituto, a fim de demonstrar que as receitas pertinentes sejam próprias do Instituto, bem como o reflexo nos registros contábeis. Vêse que, quanto à retificação da DCTF, entendo que ainda que não tivesse sido aceita pelos sistemas da RFB, não afasta o dever de o contribuinte comprovar a origem do crédito alegado, bem como o período em que foram constituídos para fins de melhor suportar o afastamento da prescrição. O que caberia ao recorrente, apesar de ter comentado o equívoco de se incluir na base de cálculo as receitas de sua atividade própria, comprovar que as receitas declaradas e auferidas naquele período são as destinadas ao atendimento da finalidade essencial da entidade, independentemente de sua natureza. Desta forma, observase que quanto à questão da verdade material, no caso vertente, o recorrente não apresentou nenhuma prova documental que dê suporte à alegação em que se funda, quando deveria instruir a manifestação de inconformidade com demonstrativo de apuração e documentário contábil e fiscal necessário e suficiente para deixar o julgador convicto de que efetivamente há o referido crédito tributário. Ainda citou a recorrente em sua defesa que acreditava ser pouco prático e econômico anexar aos presentes autos cópias de todos os contratos e comprovantes de pagamentos efetuados. Eis que, de acordo com o art. 16 do Decreto 70.235, de 1972, o que podemos aplicar por analogia à manifestação de inconformidade, a prova documental quando da impugnação deveria ser apresentada, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (a) fique demonstrada a impossibilidade de sua Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/04/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.907830/200854 Acórdão n.º 3202000.971 S3C2T2 Fl. 193 10 apresentação oportuna, por motivo de força maior; (b) refirase a ato ou a fato ou a direito superveniente; (c) destinese a contrapor fatos ou posteriormente trazidas aos autos. Da Conclusão Ante todo o exposto, por conseguinte, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/04/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 13982.001133/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
ICMS FATURADO. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. VEDAÇÃO.
O ICMS faturado incidente na vendas do produto industrializado do cooperado não se classifica como custo agregado na industrialização da matéria-prima do produto nem como dispêndio de comercialização na sua venda; assim, não pode ser deduzido da base de cálculo da contribuição.
BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. CUSTO AGREGADO AO PRODUTO DO COOPERADO.
O custo de produção agregado ao produto do cooperado é passível de dedução da base de cálculo da contribuição calculada sobre o faturamento mensal.
BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. DESPESAS FIXAS DE VENDAS.
As despesas com vendas fixas correspondentes aos gastos com assistência médico-odontológica, alimentação, previdência privada, conservação e limpeza, lanches e ajardinamento, brindes e recuperação de despesas, não constituem insumos utilizados na produção e não geram créditos da contribuição.
BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. DESPESAS DE EXPORTAÇÕES.
As despesas com exportações de bens e serviços não geram créditos da contribuição passíveis de dedução da contribuição apurada sobre o faturamento mensal.
RECEITA OPERACIONAL. ZONA FRANCA DE MANAUS. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. PERCENTUAL.
O percentual da receita operacional para a Zona Franca de Manaus, em relação à receita operacional bruta da recorrente, deve ser apurado levando-se em conta o total da receita operacional bruta (soma das receitas no mercado interno, inclusive, zona franca e do mercado externo).
DEVOLUÇÃO DE BENS. CRÉDITO DEDUTÍVEL.
O valor do crédito sobre devolução de bens a ser descontado da contribuição apurada sobre o faturamento mensal, deve ser calculado sobre o valor da mercadoria vendida e devolvida, constante da respectiva nota fiscal de devolução.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEDUÇÃO. SALDOS CREDORES OBJETOS DE PROCESSOS ESPECÍFICOS. VEDAÇÃO.
É vedada a análise e julgamento do pedido para que se deduza do crédito tributário lançado e exigido, valores referentes a saldos credores da contribuição, apurados em trimestres anteriores ao do lançamento, objeto outros processos administrativos.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO E EXIGIDO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DA AGROINDÚSTRIA. DEDUÇÃO.
Os saldos credores dos créditos presumidos da agroindústria, apurados em períodos anteriores ao do lançamento da contribuição, são passíveis de dedução das parcelas mensais do crédito tributários exigido de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (I) restabelecer os valores das glosas dos custos de produção agregados ao produto do cooperado, exceto os correspondentes ao ICMS faturado e aos produtos vendidos para a Zona Franca de Manaus, (II) reconhecer o direito de a recorrente deduzir das parcelas mensais dos lançamentos em discussão, os créditos presumidos da agroindústria do PIS e da Cofins, inclusive os saldos credores acumulados até 31/12/2005, (III) reconhecer o direito de a recorrente apurar o percentual da receita operacional de vendas para aquela zona franca, considerando no numerador a receita operacional para a ZFM e no denominador a receita bruta operacional (mercado interno+ZFM+mercado externo). Os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Maria Teresa Martínez López davam provimento em maior extensão, para restabelecer também os valores das glosas dos custos de produção agregados ao produto do cooperado, referentes aos produtos vendidos para a Zona Franca de Manaus. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Edson Favero, OAB/SC 10874.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ICMS FATURADO. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. VEDAÇÃO. O ICMS faturado incidente na vendas do produto industrializado do cooperado não se classifica como custo agregado na industrialização da matéria-prima do produto nem como dispêndio de comercialização na sua venda; assim, não pode ser deduzido da base de cálculo da contribuição. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. CUSTO AGREGADO AO PRODUTO DO COOPERADO. O custo de produção agregado ao produto do cooperado é passível de dedução da base de cálculo da contribuição calculada sobre o faturamento mensal. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. DESPESAS FIXAS DE VENDAS. As despesas com vendas fixas correspondentes aos gastos com assistência médico-odontológica, alimentação, previdência privada, conservação e limpeza, lanches e ajardinamento, brindes e recuperação de despesas, não constituem insumos utilizados na produção e não geram créditos da contribuição. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. DESPESAS DE EXPORTAÇÕES. As despesas com exportações de bens e serviços não geram créditos da contribuição passíveis de dedução da contribuição apurada sobre o faturamento mensal. RECEITA OPERACIONAL. ZONA FRANCA DE MANAUS. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. PERCENTUAL. O percentual da receita operacional para a Zona Franca de Manaus, em relação à receita operacional bruta da recorrente, deve ser apurado levando-se em conta o total da receita operacional bruta (soma das receitas no mercado interno, inclusive, zona franca e do mercado externo). DEVOLUÇÃO DE BENS. CRÉDITO DEDUTÍVEL. O valor do crédito sobre devolução de bens a ser descontado da contribuição apurada sobre o faturamento mensal, deve ser calculado sobre o valor da mercadoria vendida e devolvida, constante da respectiva nota fiscal de devolução. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEDUÇÃO. SALDOS CREDORES OBJETOS DE PROCESSOS ESPECÍFICOS. VEDAÇÃO. É vedada a análise e julgamento do pedido para que se deduza do crédito tributário lançado e exigido, valores referentes a saldos credores da contribuição, apurados em trimestres anteriores ao do lançamento, objeto outros processos administrativos. CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO E EXIGIDO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DA AGROINDÚSTRIA. DEDUÇÃO. Os saldos credores dos créditos presumidos da agroindústria, apurados em períodos anteriores ao do lançamento da contribuição, são passíveis de dedução das parcelas mensais do crédito tributários exigido de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (I) restabelecer os valores das glosas dos custos de produção agregados ao produto do cooperado, exceto os correspondentes ao ICMS faturado e aos produtos vendidos para a Zona Franca de Manaus, (II) reconhecer o direito de a recorrente deduzir das parcelas mensais dos lançamentos em discussão, os créditos presumidos da agroindústria do PIS e da Cofins, inclusive os saldos credores acumulados até 31/12/2005, (III) reconhecer o direito de a recorrente apurar o percentual da receita operacional de vendas para aquela zona franca, considerando no numerador a receita operacional para a ZFM e no denominador a receita bruta operacional (mercado interno+ZFM+mercado externo). Os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Maria Teresa Martínez López davam provimento em maior extensão, para restabelecer também os valores das glosas dos custos de produção agregados ao produto do cooperado, referentes aos produtos vendidos para a Zona Franca de Manaus. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Edson Favero, OAB/SC 10874. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. Não provada violação das disposições contidas nas normas reguladoras do processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida. DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. O indeferimento de pedido de perícia oposto à autoridade julgadora de primeira instância não configura cerceamento de defesa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ICMS FATURADO. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. VEDAÇÃO. O ICMS faturado incidente na vendas do produto industrializado do cooperado não se classifica como custo agregado na industrialização da matériaprima do produto nem como dispêndio de comercialização na sua venda; assim, não pode ser deduzido da base de cálculo da contribuição. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. CUSTO AGREGADO AO PRODUTO DO COOPERADO. O custo de produção agregado ao produto do cooperado é passível de dedução da base de cálculo da contribuição calculada sobre o faturamento mensal. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. DESPESAS FIXAS DE VENDAS. As despesas “despesas com vendas fixas” correspondentes aos gastos com assistência médicoodontológica, alimentação, previdência privada, conservação e limpeza, lanches e ajardinamento, brindes e recuperação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 11 33 /2 01 0- 19 Fl. 34469DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 despesas, não constituem insumos utilizados na produção e não geram créditos da contribuição. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. DESPESAS DE EXPORTAÇÕES. As despesas com exportações de bens e serviços não geram créditos da contribuição passíveis de dedução da contribuição apurada sobre o faturamento mensal. RECEITA OPERACIONAL. ZONA FRANCA DE MANAUS. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. PERCENTUAL. O percentual da receita operacional para a Zona Franca de Manaus, em relação à receita operacional bruta do contribuinte, deve ser apurado levando se em conta o total da receita operacional bruta (soma das receitas no mercado interno, inclusive, zona franca e do mercado externo). DEVOLUÇÃO DE BENS. CRÉDITO DEDUTÍVEL. O valor do crédito sobre devolução de bens a ser descontado da contribuição apurada sobre o faturamento mensal, deve ser calculado sobre o valor da mercadoria vendida e devolvida, constante da respectiva nota fiscal de devolução. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEDUÇÃO. SALDOS CREDORES OBJETOS DE PROCESSOS ESPECÍFICOS. VEDAÇÃO. É vedada a análise e julgamento do pedido para que se deduza do crédito tributário lançado e exigido, valores referentes a saldos credores da contribuição, apurados em trimestres anteriores ao do lançamento, objeto outros processos administrativos. CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO E EXIGIDO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DA AGROINDÚSTRIA. DEDUÇÃO. Os saldos credores dos créditos presumidos da agroindústria, apurados em períodos anteriores ao do lançamento da contribuição, são passíveis de dedução das parcelas mensais do crédito tributários exigido de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ICMS FATURADO. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. VEDAÇÃO. O ICMS faturado incidente na vendas do produto industrializado do cooperado não se classifica como custo agregado na industrialização da matériaprima do produto nem como dispêndio de comercialização na sua venda; assim, não pode ser deduzido da base de cálculo da contribuição. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. CUSTO AGREGADO AO PRODUTO DO COOPERADO. O custo de produção agregado ao produto do cooperado é passível de dedução da base de cálculo da contribuição calculada sobre o faturamento mensal. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. DESPESAS FIXAS DE VENDAS. As “despesas com vendas fixas” correspondentes aos gastos com assistência médicoodontológica, alimentação, previdência privada, conservação e Fl. 34470DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13982.001133/201019 Acórdão n.º 3301002.267 S3C3T1 Fl. 32.506 3 limpeza, lanches e ajardinamento, brindes e recuperação de despesas, não constituem insumos utilizados na produção e não geram créditos da contribuição. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. DESPESAS DE EXPORTAÇÕES. As despesas com exportações de bens e serviços não geram créditos da contribuição passíveis de dedução da contribuição apurada sobre o faturamento mensal. RECEITA OPERACIONAL. ZONA FRANCA DE MANAUS. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. PERCENTUAL. O percentual da receita operacional para a Zona Franca de Manaus, em relação à receita operacional bruta da recorrente, deve ser apurado levandose em conta o total da receita operacional bruta (soma das receitas no mercado interno, inclusive, zona franca e do mercado externo). DEVOLUÇÃO DE BENS. CRÉDITO DEDUTÍVEL. O valor do crédito sobre devolução de bens a ser descontado da contribuição apurada sobre o faturamento mensal, deve ser calculado sobre o valor da mercadoria vendida e devolvida, constante da respectiva nota fiscal de devolução. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEDUÇÃO. SALDOS CREDORES OBJETOS DE PROCESSOS ESPECÍFICOS. VEDAÇÃO. É vedada a análise e julgamento do pedido para que se deduza do crédito tributário lançado e exigido, valores referentes a saldos credores da contribuição, apurados em trimestres anteriores ao do lançamento, objeto outros processos administrativos. CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO E EXIGIDO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DA AGROINDÚSTRIA. DEDUÇÃO. Os saldos credores dos créditos presumidos da agroindústria, apurados em períodos anteriores ao do lançamento da contribuição, são passíveis de dedução das parcelas mensais do crédito tributários exigido de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (I) restabelecer os valores das glosas dos custos de produção agregados ao produto do cooperado, exceto os correspondentes ao ICMS faturado e aos produtos vendidos para a Zona Franca de Manaus, (II) reconhecer o direito de a recorrente deduzir das parcelas mensais dos lançamentos em discussão, os créditos presumidos da agroindústria do PIS e da Cofins, inclusive os saldos credores acumulados até 31/12/2005, (III) reconhecer o direito de a recorrente apurar o percentual da receita operacional de vendas para aquela zona franca, considerando no numerador a receita operacional para a ZFM e no denominador a receita bruta operacional (mercado interno+ZFM+mercado externo). Os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Maria Teresa Martínez López davam provimento em maior extensão, para restabelecer também os valores das glosas dos Fl. 34471DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 custos de produção agregados ao produto do cooperado, referentes aos produtos vendidos para a Zona Franca de Manaus. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Edson Favero, OAB/SC 10874. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Florianópolis (SC) que julgou improcedente a impugnação interposta contra os lançamentos das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambas com incidência não cumulativa, referentes aos fatos geradores ocorridos nos períodos mensais de competência de janeiro a dezembro de 2006. Os lançamentos decorreram de diferenças entre os valores declarados e os efetivamente devidos, apuradas com base nas escritas fiscal e contábil da recorrente, pelo fato de ela ter excluído das bases de cálculo daquelas contribuições os valores de: a) ICMS faturado; b) dispêndios comerciais referentes a receitas de exportação; c) despesas administrativas; e, d) custos agregados aos produtos dos cooperados, englobando devoluções de vendas e de vendas para a Zona Franca de Manaus (ZFM) e demais custos de industrialização dos produtos dos cooperados não comprovados, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de cada um dos autos de infração e Termo de Verificação Fiscal às fls. 813/830 ( fls. 1.231/1.248 – proc. digital). Intimada dos lançamentos, a recorrente impugnouos (fls. 1.253/1.320), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: Defende que as exigências da fiscalização, referentes à especificação da natureza dos valores por ela deduzidos a título de custos agregados, ignoram a metodologia contábil envolvida na apuração do custo industrial, pois o registro contábil do custo dos produtos vendidos não identifica a natureza dos gastos, ou seja, não identifica os insumos que entraram na composição dos custos das vendas do mês. Entende que para a identificação da natureza dos gastos que compõem o custo dos produtos vendidos pela requerente, deveria a autoridade fiscal examinar todo o fluxo contábil de apuração do custo industrial, e não a mencionada conta. Afirma que, com base nos relatórios de custos, é possível identificar com clareza quais os insumos que foram utilizados no processo produtivo, bem como os demais gastos relacionados à produção, como folha de salários, encargos de depreciação, etc. que compõem o custo de produção. Fl. 34472DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13982.001133/201019 Acórdão n.º 3301002.267 S3C3T1 Fl. 32.507 5 Argumenta ainda a impugnante que as autoridades fiscais adotaram procedimento inadequado para a quantificação do tributo e deixaram de observar a legislação que rege a matéria. O lançamento teria sido efetuado sob a alegação de que as informações prestadas pela autuada foram insatisfatórias, devido às autoridades fiscais não aceitarem os demonstrativos dos custos dos produtos vendidos, para fins de dedução da base de cálculo do PIS e da COFINS. Como resultado, foram glosados 100% dos custos e valores inerentes. O sujeito passivo entende que a fiscalização não poderia realizar a glosa de todos os seus custos, salientando entendimento contido no Parecer Normativo CST n° 38/80, que também seria aplicável ao caso em comento. Aduz que ainda que se considerassem insatisfatórios os esclarecimentos prestados pela requerente, ainda que as autoridades fiscais não dispusessem de nenhuma outra informação sobre custos, as autoridades deveriam arbitrar o resultado e adotar como custo o equivalente a 90,4% da receita, nos termos da legislação do IRPJ (art. 519 do RIR) e não atribuir custo zero. Em relação ao argumento de que os custos estariam dissociados do mês em que as vendas efetivamente ocorreram, afirma que, nos termos do disposto no Art. 273 do RIR, a inexatidão na contabilidade, quanto ao período de competência, somente constitui fundamento para lançamento de imposto se resultar em postergação do pagamento de imposto, ou redução indevida do lucro em qualquer período de apuração. Defende que todo e qualquer procedimento relacionado à apuração de custos e de fiscalização de tributo que envolva a matéria de custos deveria pautarse não só pelas normas gerais, mas também pelas normas específicas atinentes à matéria, que é regrada pela legislação do IRPJ. No caso presente, entende que foram desprezadas as disposições contidas no Art. 845, II do RIR, as quais determinam à autoridade fiscal fixar valores com base nas informações que dispuser caso aquelas que lhe foram prestadas sejam consideradas insatisfatórias. O critério adotado pelas autoridades fiscais, de glosar em 100% os custos, preservando a apuração com base no lucro real e tributando o valor glosado, seria arbitrário, pois se trataria de um critério exclusivamente subjetivo dos agentes fiscais, quando existe norma a dispor sobre o procedimento a ser adotado ao se depararem com informações consideradas insatisfatórias. Afirma que em qualquer das duas hipóteses de infrações acima apontadas, o crédito tributário constituído é nulo, porque as autoridades fiscais não teriam atentado para as cautelas indispensáveis à validade jurídica do ato por elas praticado, por não observância dos preceitos contidos nos artigos 845, II; 273 e 519, todos, do RIR, além dos atos normativos expedidos pela Receita Federal. Em relação à glosa do valor do ICMS incidente sobre as vendas, afirma que a norma contida na Instrução Normativa n° 635/2006, art. 11, inciso V, § 8o, na parte final deste dispositivo, considera custo agregado ao produto agropecuário também os dispêndios pagos ou incorridos de comercialização do produto entregue pelo cooperado. Fl. 34473DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Entende que, conforme o disposto no art. 299, do RIR, o ICMS sobre venda é custo ou dispêndio pago ou incorrido de comercialização, nos termos da redação contida na Instrução Normativa n° 635/2006, art. 11, parágrafo 8o. Logo, a norma contida no parágrafo 8o, Art. 11 da Instrução Normativa n° 635/2006, manda excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS, todos os dispêndios pagos e incorridos de comercialização, não sendo jurídico afirmar que não há previsibilidade legal para excluir o valor do ICMS sobre vendas da base de cálculo do PIS e da COFINS, não cumulativos. No tocante às glosas referentes a dispêndios comerciais, a impugnante afirma que efetuou as exclusões amparadas no art. 11, parágrafo 8o, da Instrução Normativa n° 635, de 24/03/2006, segundo o qual a base de cálculo do PIS e da COFINS das sociedades cooperativas de produção agropecuária pode ser ajustada pela exclusão dos dispêndios "de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado ". A requerente teria adotado o critério de excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS, os dispêndios comerciais na proporção entre a totalidade das vendas no mercado interno e as operações com os associados. As autoridades fiscais glosaram a totalidade dos dispêndios diretamente vinculados à receita de exportação e mantiveram o critério adotado pela requerente de excluir apenas, parcialmente, as despesas vinculadas à receita do mercado interno. Entende o sujeito passivo que, se a fiscalização adotou o método de apropriação direta, em substituição ao método de apropriação proporcional, adotado pelo contribuinte, deveria, ao glosar a totalidade das despesas diretamente identificadas com a receita de exportação, adicionar o valor total das despesas comerciais vinculadas à receita de vendas no mercado interno, o que não foi feito. Quanto à glosa de parte dos dispêndios, sob a alegação de não se amoldar ao conceito de dispêndios de "comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado", afirma estar equivocada a fiscalização, pois se tratam de despesas normais e usuais do departamento comercial da requerente, devidamente escrituradas em contas contábeis no grupo despesas com vendas. Aduz ser perfeitamente possível que a empresa tenha em seu departamento comercial despesas como: assistência médica e odontológica, restaurante/vales refeição, previdência privada, conservação e limpeza, refeições/lanches/copa/cozinha, segurança patrimonial, conservação e limpeza, ordenamento e ajardinamento e com brindes e doações. No tocante à glosa dos custos relacionados às receitas das vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus, a contribuinte afirma estar submetida, integralmente, ao regime da nãocumulatividade do PIS e COFINS, e por isto não seriam aplicáveis as normas constantes dos §§ 7o e 8o do mesmo artigo 3odas Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Entende que, à míngua de qualquer restrição legal, seria indubitável a aplicabilidade da regra geral concernente ao cálculo dos créditos na aferição do tributo, donde se conclui ser lícito às empresas beneficiadas com alíquota zero, nas vendas para a ZONA FRANCA, promoverem o cálculo de seus créditos sem observância das apontadas limitações, ou seja, mediante o seu aproveitamento integral, sem outras limitações. Aduz ainda que a fiscalização não calculou corretamente o custo correspondente às vendas para a ZFM. No cálculo do índice, ou seja, do percentual da receita de vendas para a Zona Franca de Manaus, em relação à receita total, a Fl. 34474DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13982.001133/201019 Acórdão n.º 3301002.267 S3C3T1 Fl. 32.508 7 fiscalização não considerou a receita de exportações na receita total. Noutras palavras, calculou o índice, considerando apenas a receita do mercado interno. Em relação à glosa da parcela dos custos relacionados às devoluções de vendas de mercadorias e produtos, a impugnante aduz que as autoridades fiscais tomaram o valor das devoluções (deduções de vendas da Demonstração de Resultado), portanto, pelo valor de venda e deduziram este valor do custo das mercadorias vendidas. Desse cálculo resultou a glosa de valor muito acima do que seria devido, se fossem adotados critérios e cálculo coerentes. A impugnante sustenta que as autoridades fiscais, ao aproveitarem, de ofício, os créditos relativos a nãocumulatividade passíveis, unicamente, de dedução do PIS e da COFINS, ignoraram o saldo credor acumulado em de 31/12/2005. Solicita a realização de prova pericial. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 0724.958, datado de 24/06/2011, às fls. 32.460/32.479, sob as seguintes ementas: “COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. CUSTOS AGREGADOS AO PRODUTO AGROPECUÁRIO. As sociedades cooperativas de produção agropecuária poderão excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização. Considerase custo agregado ao produto agropecuário os dispêndios pagos ou incorridos com matériaprima, mãode obra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. CUSTOS AGREGADOS AO PRODUTO AGROPECUÁRIO. NECESSIDADE DE SEGREGAÇÃO. Não se excluem da base de cálculo do PIS e da Cofins os custos se a contribuinte não faz segregar os valores não passíveis de dedução daqueles autorizados pela norma. COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Por falta de previsão legal para sua exclusão, e por não se adequarem à definição de custo agregado, tampouco à de dispêndios, o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Os pedidos de diligências ou perícias somente são deferidos quando necessários à formação de convicção por parte do julgador. A realização de diligências ou perícias é totalmente desnecessária quando é possível a apresentação de prova documental sobre as questões controversas e, ainda, quando Fl. 34475DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 constatado que os elementos trazidos aos autos são suficientes para o deslinde da questão. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. DESCONTO. A autoridade fiscal não deve aproveitar de ofício os créditos da nãocumulatividade do PIS e da Cofins quando tais créditos estiverem vinculados a Pedido de Ressarcimento (PER) ou Compensação (DCOMP) pendente de decisão administrativa definitiva.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário, requerendo, em preliminar, a sua nulidade, sob o argumento de cerceamento do seu direito de defesa pelo fato de a autoridade julgadora de primeira instância ter indeferido a perícia solicitada; e, no mérito, o cancelamento dos lançamento, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na impugnação, ou seja: a) o ICMS faturado constitui custo agregado aos produtos industrializados dos cooperados; b) os custos agregados aos produtos industrializados dos cooperados, quando de suas comercializações, são passíveis de dedução das bases de cálculo das contribuições por expressa disposição legal e estão demonstrados nos relatórios contábeis acostados à impugnação (fls. 975/18.602), nos quais estão identificadas a origem dos insumos (cooperados e terceiros, pessoas físicas e jurídicas, cooperativas e não cooperativas), e a natureza e tipo dos materiais utilizados no processo produtivo; c) os dispêndios comerciais escriturados sob as contas 41637; 43702 e 43711, correspondem a despesas variáveis com exportações e, portanto, passíveis de dedução das bases de cálculo das contribuições; e os escriturados sob as contas 41769; 41807; 41823; 41912; 43435; 42137; 43338; 43346; 42340; 42404; e 43231, se enquadram no conceito de “despesas com vendas fixas” e, assim, também são dedutíveis das bases de cálculo; d) equívoco na apuração do percentual das vendas para a ZFM, em relação à receita total, o percentual deve ser calculado em relação à receita total, incluindo as receitas de exportação; e) os custos de devolução de vendas foram calculados pelo valor da nota fiscal de devolução emitida pelo cliente, quando o correto é custo das devoluções; e, f) o autuante desconsiderou o saldo credor das contribuições acumulado até 31/12/2005. Para fundamentar seu recurso expendeu extenso arrazoado sobre: “III.1 – PRELIMINARMENTE: III.1.1 – DA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA – O CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA E A NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PROVA PERICIAL; III.2 – DA SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO DE CUSTOS ADOTADA PELA REQUERENTE E A CORREÇÃO DOS PROCEDIMENTOS; III.2 – DA INCOMPREENSÃO QUANTO AO PROCEDIMENTO PARA APURAR OS CUSTOS DOS PRODUTOS VENDIDOS; III.3 – DA INADEQUAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS QUE CULMINARAM COM A GLOSA DE 100% DOS CUSTOS AGREGADOS AO PRODUTO AGROPECUÁRIO DA RECORRENTE, QUANDO DA SUA COMERCIALIZAÇÃO; III.4 – DESPESAS ICMS – INDEVIDA GLOSA DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS AO ARGUMENTO DE QUE NÃO SÃO CONSIDERADOS COMO CUSTO AGREGADO AO PRODUTO COMERCIALIZADO; III.5 – DISPÊNDIOS COMERCIAIS – EQUÍVOCO INCORRIDO PELAS AUTORIDADES FISCAIS QUANTO À CLASSIFICAÇÃO; III.6 – ZONA FRANCA DE MANAUS – GLOSA DE CUSTOS; III.7 – GLOSAS DOS CUSTOS EM RELAÇÃO ÀS DEVOLUÇÕES DE VENDAS; III.8 – DOS CRÉDITOS UTILIZADOS – DESCONSIDERAÇÃO DO SALDO CREDOR ACUMULADO ATÉ 31/12/2005”, concluindo, ao final, que os lançamentos são improcedentes. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Fl. 34476DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13982.001133/201019 Acórdão n.º 3301002.267 S3C3T1 Fl. 32.509 9 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. I – Preliminar A suscitada nulidade da decisão recorrida sob o argumento de cerceamento do seu direito de defesa, pelo fato de ter sido indeferido seu pedido de perícia, não tem amparo legal. Segundo o Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59, inciso II, são nulos somente os despachos e as decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, assim dispondo: Art. 59 São nulos: [...]; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” No presente caso, a decisão recorrida foi proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis, colegiado competente para julgar a impugnação interposta. Assim, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida. II – Mérito Nesta fase recursal, a recorrente insiste nas exclusões dos valores (a) do ICMS faturado; (b) dos custos agregados aos produtos industrializados dos cooperados; (c) dos dispêndios comerciais; e, ainda, alega equívocos (d) na apuração do percentual das vendas para a ZFM; e (e) nos custos de devolução de vendas; e, por último, (f) dedução de saldos credores acumulados em trimestres anteriores discutidos em outros processos; e (g) a dedução dos créditos presumidos da agroindústria dos valores lançados e exigidos. A legislação tributária que regulamenta as contribuições para o PIS e Cofins com incidência não cumulativa assim dispõe: Lei nº 10.637, de 30/12/2002: “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. [...]. Fl. 34477DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). [...]. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]. II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...]. IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [...]. Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; [...]. Fl. 34478DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13982.001133/201019 Acórdão n.º 3301002.267 S3C3T1 Fl. 32.510 11 § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; [...]. Art. 11. A pessoa jurídica contribuinte do PIS/Pasep, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3o, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II desse artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes em 1o de dezembro de 2002. § 1o O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) sobre o valor do estoque. § 2o O crédito presumido calculado segundo os §§ 1o e 7o será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. [...]. § 4o O disposto no caput aplicase também aos estoques de produtos acabados e em elaboração. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) [...]. § 6o As disposições do § 5o não se aplicam aos estoques de produtos adquiridos a alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela incidência da contribuição.” Lei nº 10.833, de 29/12/2003: “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. [...]. Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 34479DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 12 [...]. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]. II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...]. VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; [...]. IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...]. § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; [...]. IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: [...]. II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 34480DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13982.001133/201019 Acórdão n.º 3301002.267 S3C3T1 Fl. 32.511 13 III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [...]. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; [...]; § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; [...]. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: I nos incisos I e II do § 3o do art. 1o desta Lei; II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; IV nos arts. 7o e 8o desta Lei; V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; VI no art. 13 desta Lei.” Lei nº 10.996, de 15/12/2004: “Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. Fl. 34481DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 14 § 2º Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2º do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2º do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. [...]. § 5º Nas notas fiscais relativas à venda de que trata o caput deste artigo, deverá constar a expressão “Venda de mercadoria efetuada com alíquota zero da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins”, com a especificação do dispositivo legal correspondente. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010).” Especificamente, em relação às sociedades cooperativas, a Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, assim dispôs: “Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1o da Medida Provisória no 101, de 30 de dezembro de 2002, as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999.” Por sua vez, a IN SRF nº 635, de 24/03/2006, assim dispôs: “Art. 11. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: [...]; V dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização; §1º Para os fins do disposto no inciso I do caput: [...]. §4º O disposto no inciso VII do caput aplicase aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de novembro de 1999. [...]. §8º Considerase custo agregado ao produto agropecuário, a que se refere o inciso V do caput, os dispêndios pagos ou incorridos com matériaprima, mãodeobra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes Fl. 34482DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13982.001133/201019 Acórdão n.º 3301002.267 S3C3T1 Fl. 32.512 15 de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. [...].” Citados e transcritos os dispositivos legais que regulamentam as contribuições para o PIS e Cofins não cumulativas devidas pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária, passo a análise e julgamento das matérias impugnadas nesta fase recursal. IIa) Exclusão do ICMS faturado das bases de cálculo das contribuições O ICMS faturado, ao contrário do entendimento da recorrente, segundo os dispositivos legais citados e transcritos anteriormente, não constitui custo agregado ao produto industrializado do cooperado nem dispêndios de comercialização e sim despesa tributária. O custo agregado ao produto do cooperado corresponde aos custos de industrialização do produto agropecuário entregue por ele e abrangem: matériaprima, mão de obra direta, encargos sociais, materiais indiretos, mão de obra indireta, manutenção, depreciação e outros diretamente incorridos no processo produtivo. Já os dispêndios de comercialização abrangem as despesas incorridas para a colocação e distribuição do produto fabricado, tais como os gastos com pessoal do departamento de vendas, marketing, distribuição, salários, encargos, comissões, etc. O ICMS faturado constitui despesa tributária. Segundo a Lei nº 6.404, de 10/12/1976, de 1976, art. 187, o ICMS faturado não é custo de produção nem despesa de venda e sim imposto indireto incidente sobre a venda que deve ser deduzido da receita operacional bruta para a apuração do lucro/prejuízo. No presente caso, para apuração das sobras/perdas. Assim, segundo os dispositivos legais citados e transcritos anteriormente, inexiste amparo legal para se deduzir da base de cálculo das contribuições o ICMS faturado incidente sobre a venda de produto industrializado do cooperado. IIb) custos agregados aos produtos industrializados dos cooperados O autuante glosou integralmente tais custos sob o argumento de que intimada e reintimada a comprovar que aqueles custos correspondiam, de fato, aos produtos industrializados, do cooperado, e comercializado nos respectivos meses em que foram deduzidos, a recorrente não os comprovou, se limitando a apresentar os demonstrativos de fls. 328/360 (proc. papel), fls. 579/611 (proc. digital) nos quais demonstrou a composição dos custos incorridos durante o mês e propôs que os valores deduzidos, a título de custos agregados, discriminados nas planilhas de fls. 121/167 (proc. papel), fls. 364/410 (proc. digital), fossem rateados de acordo com os constantes dos referidos demonstrativos. Contudo, este pedido de rateio não foi aceito e glosado todos os valores dos custos agregados aos produtos do cooperado sob o fundamento de que os custos discriminados naquelas planilhas estão dissociados do mês em que as vendas efetivamente ocorreram. Segundo o art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003, c/c o § 8º do art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, citados e transcritos anteriormente, os custos agregados ao produto do cooperado na sua industrialização são dedutíveis das bases de cálculo das contribuições, quando de suas comercializações. Fl. 34483DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 16 A recorrente opera com cooperados e não cooperados. Assim, sua receita mensal decorre de vendas de produtos industrializados de cooperados e de não cooperados e, conseqüentemente, sua receita mensal decorre de atos cooperativos e não cooperativos, assim como os custos agregados aos produtos industrializados e vendidos. De acordo com o próprio autuante, a recorrente apurou e deduziu custos agregados apenas sobre as operações decorrente de atos cooperativos. Contudo, efetuou a glosa dos valores dos custos agregados pelo fato de não ter sido demonstrado e comprovado, mediante documentação contábil, que os custos deduzidos correspondiam, de fato, às receitas dos produtos vendidos nos respectivos meses. Ora, conforme consta dos dispositivos legais referidos anteriormente, a recorrente tem o direito de deduzir os custos agregados aos produtos do cooperados, quando de sua comercialização, das bases de cálculo das contribuições apuradas sobre o faturamento mensal. Assim, embora a recorrente não tenha apresentado documentação contábil provando que os custos deduzidos correspondem exatamente aos dos produtos vendidos nos respectivos meses, entendo que a glosa de 100,0 % de seu valor não é justa e carece de amparo legal. Conforme demonstrado, a lei garante às cooperativas agropecuárias o direito de deduzir os custos agregados aos produtos agropecuários dos associados, quando da sua comercialização. Também, conforme demonstrado nos autos e prova a contabilidade da recorrente, o custo dos produtos industrializados (CPI) é apurado e contabilizado mensalmente, inclusive, com rateio entre operações com cooperados e não cooperados. Aliás, as operações com não cooperados representam aproximadamente 1,0 % (um por cento) do total. Dessa forma, se a dedução mensal do CPI dos produtos dos cooperados, das bases de cálculo das contribuições, implicou em dedução de custos dissociados dos produtos vendidos nos respectivos meses, isto implicaria no diferimento de pagamento de valores das contribuições que ao longo do exercício poderia ser equalizado, ou seja, num determinado mês poderia haver dedução a maior e noutro a menor. Contudo, o autuante não demonstrou que houve tal diferimento, simplesmente glosou integralmente os valores deduzidos pela recorrente, tornando sem valia a lei que lhe garante tal dedução. No meu entendimento, embora a lei diga literalmente que a “dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados” deva ser efetuada, “quando da sua comercialização”, o fato de a recorrente ter deduzido o CPI apurado e escriturado mensalmente não implicou infração daquele diploma legal. Assim, o valor do custo agregado ao produto do cooperado, deduzido pela recorrente das bases de cálculo das contribuições e glosado pelo autuante, deve ser restabelecido e o valor das contribuições apurados sobre eles deduzidos dos créditos tributários em discussão. IIc) os dispêndios comerciais A recorrente classifica como dispêndios comerciais as despesas com exportações de mercadorias, escriturados sob as contas 41637; 43702 e 43711, e as “despesas de vendas fixas” referentes à assistência médicoodontológica, alimentação, previdência privada, conservação e limpeza, lanches e ajardinamento, brindes e recuperação de despesas, escrituradas sob as contas 41769; 41807; 41823; 41912; 43435; 42137; 43338; 43346; 42340; 42404; e 43231. Fl. 34484DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13982.001133/201019 Acórdão n.º 3301002.267 S3C3T1 Fl. 32.513 17 Em ambos os casos, ao contrário do seu entendimento, aqueles dispêndios/ despesas não geram créditos das contribuições passiveis de dedução dos valores apurados sobre o faturamento mensal. No caso das despesas com exportações, por expressa vedação legal, nos termos do inciso II do § 2º do art. 3º e art. 15, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, citados e transcritos anteriormente. Já as denominadas “despesas com vendas fixas” não constituem insumos utilizados na industrialização dos produtos dos cooperados, nos termos do inciso II do art. 2º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, citados e transcritos anteriormente. IId) equívoco na apuração do percentual das vendas para a ZFM. A recorrente insurge contra o método de apuração do percentual de vendas para a Zona Franca de Manaus, em relação à receita bruta operacional, pelo fato de o autuante não ter considerado as receitas de exportação no seu total, o que implicou glosa maior de custos de produção do que a devida. Assim, a questão a ser decidida é o percentual de vendas para aquela zona franca e que servirá de base para o cálculo dos custos de produção correspondentes a tais vendas. O percentual de vendas para o mercado interno, como um todo, deve ser apurado, em relação à receita operacional bruta da recorrente. Assim, no numerador o total da receita operacional bruta para cada mercado, interno, ZFM e externo, e no denominador o total da receita operacional bruta. Dessa forma, o percentual da receita operacional decorrente de vendas para a Zona Franca de Manaus deve ser recalculado, dividindo o total da receita de vendas para aquela zona franca pelo total da receita operacional bruta da recorrente, ou seja, o cálculo do percentual deve tomar como numerador o total da receita para aquela zona franca e como denominador o total das receitas da recorrente (mercado interno, inclusive para a ZFM, e mercado externo). As receitas para aquela zona franca não integram as receitas de exportações e seus custos não dão direito a crédito de PIS e Cofins, nos termos do inciso II do § 2º do art. 3º e art. 15, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, citados e transcritos anteriormente. IIe) glosa de custos de devolução de vendas Conforme consta do recurso voluntário, “as autoridades fiscais glosaram parcelas dos custos relacionados às devoluções de vendas de mercadorias e produtos, por entender que somente devem ser deduzidas/exc1uídas da base de cálculo do PIS e da COFINS os custos/despesas vinculadas às receitas tributadas que compuseram a referida base de cálculo”. Ora, segundo o inciso VIII do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, citados e transcritos anteriormente, a pessoa jurídica pode descontar créditos calculados em relação a bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. Assim, correto o procedimento do autuante que glosou o valor excedente ao constante da respectiva nota fiscal de devolução. IIf) dedução de saldos credores acumulados em trimestres anteriores. Fl. 34485DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 18 A análise e julgamento desta matéria ficou prejudicada porque, conforme consta da decisão recorrida e documentos carreados aos autos, os saldos credores das contribuições, apurados para trimestres anteriores aos dos lançamentos, em discussão, são objetos dos processos administrativos nºs: 10925.000820/200716, 10925.000823/200741, 13982.000467/200516, 13982.000467/200516, e 10925.000265/200803, em que a recorrente pleiteia o ressarcimento/compensação de tais saldos. IIg) créditos presumidos/saldos trimestrais O crédito presumido da agroindústria é passível de dedução do valor da contribuição devida mensalmente. Esse benefício fiscal foi inicialmente previsto no § 11 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Posteriormente, a Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, inciso I, alínea “b”, o revogou e, ao mesmo tempo, o reinstituiu, inclusive, com previsão expressa de seu aproveitamento, assim dispondo: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. [...]. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. [...]. Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, Fl. 34486DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13982.001133/201019 Acórdão n.º 3301002.267 S3C3T1 Fl. 32.514 19 adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. [...].” Assim, de conformidade com estes dispositivos legais, o crédito presumido da agroindústria correspondente ao PIS e a Cofins, inclusive os saldos credores trimestrais acumulados, deverão ser deduzidos das contribuições calculadas sobre o faturamento mensal. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para: (I) restabelecer os valores das glosas dos custos de produção agregados ao produto do cooperado, exceto os correspondentes ao ICMS faturado e aos produtos vendidos para a Zona Franca de Manaus, (II) reconhecer o direito de a recorrente deduzir das parcelas mensais dos lançamentos em discussão, os créditos presumidos da agroindústria do PIS e da Cofins, inclusive, os saldos credores acumulados até 31/12/2005, (III) reconhecer o direito de a recorrente apurar o percentual da receita operacional de vendas para aquela zona franca, considerando no numerador a receita operacional para a ZFM e no denominador a receita bruta operacional (mercado interno+ZFM+mercado externo), cabendo à autoridade administrativa competente, retificar os lançamentos com base nestes comandos, exigindo os valores retificados, acrescidos das cominações legais. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator. Fl. 34487DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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