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Numero do processo: 10980.007976/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando não é feita a comprovação do dispêndio, deve prevalecer a glosa da referida despesa.
Numero da decisão: 2102-002.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Assinado Digitalmente
Rubens Mauricio Carvalho Presidente em Exercício
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 15/02/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURICIO CARVALHO (Presidente em Exercício), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, ACACIA SAYURI WAKASUGI, ATILIO PITARELLI.
Nome do relator: Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
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DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando não é feita a comprovação do dispêndio, deve prevalecer a glosa da referida despesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente Rubens Mauricio Carvalho – Presidente em Exercício Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 15/02/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURICIO CARVALHO (Presidente em Exercício), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, ACACIA SAYURI WAKASUGI, ATILIO PITARELLI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 79 76 /2 00 9- 17 Fl. 1DF CARF MF 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 109/118 para exigência de IRPF em razão da glosa das despesas médicas deduzidas por ela nos Exercícios de 2005, 2006 e 2007. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 125/133, por meio da qual requereu o cancelamento do lançamento, e deduziu os argumentos assim resumidos pela decisão recorrida: Cientificada do lançamento em 28/08/2009 (fl. 120), a contribuinte apresentou, em 24/09/2009, a impugnação de fls. 125/133, instruída com os documentos de fls.134/136, onde, em síntese, após transcrever as infrações apontadas no auto de infração, relativamente As supostas despesas médicas havidas no anocalendário de 2004, junto a odontóloga Márcia Reike dos Santos (R$ 3.000,00) e a psicóloga Sandra Regina Ferreira, glosadas por falta de comprovação do efetivo desembolso, alega que possuía R$ 50.000,00 em caixa (fls. 96), demonstrando cabalmente a sua capacidade de pagamento em moeda corrente dessas despesas comprovadas por meio de recibos. Em relação As despesas do anocalendário de 2005, diz ter acostado 6 recibos de emissão do terapeuta Atair F. dos Santos (R$ 625,00) e da instrumentadora cirúrgica Nermeide Almeida do Ouro (R$ 70,00), alega que tais despesas tem amparo nas disposições do art. 8°, da Lei 9.250, de 1995, uma vez que a terapia ocupacional caracterizada pelo tratamento através de atividades direta ou indireta, física ou mental, ativa ou passiva, preventiva, corretiva ou adaptativa, entre outras; e a despesa com instrumentadora cirúrgica enquadrase como despesa de hospitais, exames laboratoriais, e o procedimento teria sido utilizado para realização de exame; no que tange As despesas junto A Proclin (R$ 11.800,00), afirma ter sacado R$ 9.500,00 conforme extratos bancários e, possuía no final do anobase, R$ 25.000,00 como dinheiro em espécie, conforme declarações de bens A fl. 99, possuindo capacidade para pagar a aludida quantia; aduz que a suspeita de indícios de irregularidade é infundada e não merece prosperar, haja vista que nos termos dos art. 320 e 324 do Código Civil a quitação pode ser dada por instrumento particular, sendo o recibo prova cabal do pagamento, e o fornecimento de nota fiscal é de responsabilidade do prestador dos serviços e não do contribuinte. No que concerne As despesas do anocalendário de 2007, apresenta as mesmas razões do parágrafo anterior para contraditar a glosa das despesas com o terapeuta Atair F. dos Santos (R$ 1.067,00), e relativamente As supostas despesas havidas junto A Proclin (R$ 11.000,00), argumenta ter sacado valor superior a R$ 50.000,00, além de possuir R$ 35.000,00 declarados como dinheiro em caixa em sua declaração de bens e direitos (fl. 104), estando as despesas devidamente comprovadas por recibos, não existindo previsão legal para aplicação de penalidade, configurando exagero e arbitrariedade Fl. 2DF CARF MF Processo nº 10980.007976/200917 Acórdão n.º 2102002.427 S2C1T2 Fl. 152 3 administrativa, não lhe cabendo o ônus de comprovar que efetuou saques única e exclusivamente para pagamento de serviços. Na análise de suas alegações, os integrantes da DRJ em Curitiba decidiram pela manutenção parcial do lançamento, tendo considerado como comprovadas as despesas havidas com fonoaudiólogos. A contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 15/149, por meio do qual reiterou os termos de sua Impugnação, enfatizando que os recibos são, nos termos da legislação civil, meios hábeis a comprovar o pagamento das despesas médicas. Demonstrou ainda que tinha condições financeiras de arcar com as despesas médicas cuja dedução pleiteou, salientando que suas disponibilidades de dinheiro “em caixa” foram reduzidas de um ano para outro. Afirma que o ônus de comprovar que não houve pagamento das despesas é da fiscalização, e não dela. Transcreveu a ementa do acórdão nº 10617215, pugnando que fosse aplicado aqui o mesmo entendimento. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 20.11.2009, como atesta o AR de fls. 144. O Recurso Voluntário foi interposto em 15.12.2009 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento por meio do qual foram glosadas parte das despesas médicas efetuadas pela Recorrente ao longo dos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. Tais despesas seriam – segundo a Recorrente – comprovadas através de recibos apresentados à autoridade fiscal. Tais recibos, porém, deixaram de ser acolhidos pelos seguintes motivos: EXERCÍCIO 2005: (...) APRESENTOU SEIS RECIBOS DE MARCIA RIEKE DOS SANTOS, DENTISTA, NO TOTAL DE R$3.000,00 (FOLHAS 06 A 08 DO PROCESSO) E DOZE RECIBOS MENSAIS DE SANDRA REGINA FERREIRA, PSICÓLOGA, NO TOTAL DE R$ 5.000,00. Fl. 3DF CARF MF 4 NAO COMPROVOU O EFETIVO DESEMBOLSO DOS VALORES, RAZÃO DA GLOSA DESTAS DESPESAS. EXERCÍCIO 2006: (...) APRESENTOU SEIS RECIBOS DE ATAIR F. DOS SANTOS, TERAPEUTA; NO TOTAL DE R$ 625,00 (FLS. 15 A 17 DO PROCESSO); E RECIBO DE NERMEIDE ALMEIDA DO OURO, INSTRUMENTADORA CIRURGICA, NO VALOR DE R$ 70,00 (FL. 19). NÃO HA PREVISÃO PARA DEDUÇÃO DE DESPESAS COM "TERAPEUTAS" E "INSTRUMENTADORES CIRURGICOS" QUE NÃO SEJAM MÉDICOS MA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA, RAZÃO DA GLOSA DESTAS DESPESAS. APRESENTOU DOIS RECIBOS DE PROCLIN PLANOS DE SAÚDE, 0 DE No 0668 DATADO DE 0 4 DE NOVEMBRO DE 2005 NO VALOR DE R$ 3.000,00 E 0 DE No 2750, DATADO DE 18 DE DEZEMBRO DE 2005, NO VALOR DE R$ 7.800,00, AMBOS POR SERVIÇOS MEDICOS HOSPITALARES, E ASSINADOS POR PESSOA NÃO IDENTIFICADA (FL. 20 DO PROCESSO). INTIMADA A COMPROVAR 0 EFETIVO DESEMBOLSO DOS VALORES, APRESENTOU CÓPIAS DE EXTRATOS DE CONTAS BANCARIAS NA CAIXA ECONOMICA FEDERAL E NO HSBC, DOS ANOS 2005 E 2006, DESTACANDO ALGUNS SAQUES EFETUADOS EM ESPÉCIE (FOLHAS 38 A 93 DO PROCESSO). ANALISANDO OS DADOS, A SOMATÓRIA DOS SAQUES DESTACADOS NO ANO DE 2005, NA CAIXA É DE R$ 1.900,00 E NO HSBC É DE R$ 7.876,54. NÃO HA COINCIDÊNCIAS Dos SAQUES COM AS DATAS DOS SUPOSTOS PAGAMENTOS, NEM QUE TODOS ESSES SAQUES FORAM USADOS UNICA E EXCLUSIVAMENTE PARA AS DESPESAS MÉDICAS, NÃO ACATAMOS OS RECIBOS E OS EXTRATOS COMO PROVAS INEQUÍVOCAS DE QUE OCORRERAM DESPESAS MÉDICAS COM A EMPRESA PROCLIN, RAZÃO DA GLOSA TOTAL DOS VALORES. TOTAL DAS GLOSAS NO EXERCÍCIO R$ 11.495,00. EFETUAMOS A APREENSÃO DOS RECIBOS ORIGINAIS DA PROCLIN, PELOS INDÍCIOS DE IRREGULARIDADE NA SUA EMISSÃO E USO COMO DESPESA MÉDICA NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. PELO USO DESSES DOCUMENTOS, A CONTRIBUINTE MARIA PAVIM COMETEU, "EM TESE", CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA, NOS TERMOS DA LEI No 8.137, DE 1990. OS DOCUMENTOS ORIGINAIS FORAM JUNTADOS NA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, PARA EVENTUAL INVESTIGAÇÃO POLICIAL E PERICIAL. EXERCÍCIO 2007: (...) APRESENTOU ONZE RECIBOS DE ATAIR F. DOS SANTOS, TERAPEUTA, NO TOTAL DE R$ 1.067,00 (FLS. 21 A 26 DO Fl. 4DF CARF MF Processo nº 10980.007976/200917 Acórdão n.º 2102002.427 S2C1T2 Fl. 153 5 PROCESSO), GLOSADAS POR FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA DEDUÇÃO DE DESPESAS COM ESTES PROFISSIONAIS. APRESENTOU NOTA FISCAL No 19946 DE PROCLIN SAÚDE (FL. 27), NO VALOR DE R$ 11:000,00, DATADO DE 28/12/2006, POR SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS DURANTE 0 ANO DE 2006. INTIMADA A COMPROVAR 0 EFETIVO PAGAMENTO, APRESENTOU CÓPIAS DE EXTRATOS DE CONTAS BANCARIAS NA CAIXA E NO HSBC, COM SAQUES EM ESPÉCIE DESTACADOS PELA CONTRIBUINTE .E CUJAS SOMAS PERFAZEM NO ANO R$ 28.815,91 NA CAIXA E R$ 21.421,00 NO HSBC. NÃO HA COINCIDÊNCIA DOS SAQUES COM AS DATAS DOS DOCUMENTOS. NÃO ACATAMOS ESTA DESPESA E APREENDEMOS A ORIGINAL DA NOTA FISCAL, PARA JUNTAR NA REPRESENTAÇÃO FISCAL. LANÇAMOS COM MULTA QUALIFICADA TAMBÉM, PELO USO DE DOCUMENTO COM INDÍCIOS DE INIDÔNEO. (...) Com a análise da Impugnação apresentada, a decisão recorrida alterou o lançamento, para considerar como comprovadas as despesas com o profissional Atair F. Dos Santos. Permaneceram, assim, pendentes de comprovação as despesas com os seguintes profissionais: Marcia Rieke Dos Santos, dentista, por falta de comprovação do desembolso; Sandra Regina Ferreira, psicóloga, por falta de comprovação do desembolso; Nermeide Almeida Do Ouro, instrumentadora, por falta de previsão legal para sua dedução; e PROCLIN, plano de saúde, porque o signatário do recibo era pessoa não identificada, porque não houve comprovação do pagamento. A decisão recorrida manteve tais lançamentos, acrescentando aos argumentos utilizados pela fiscalização os seguintes: (...) não sendo, portanto, passível de dedução as despesas relativas A instrumentadora cirúrgica, no valor de R$ 70,00. Notese que, tal despesa, só poderia ser passível de dedução se constasse de fatura hospitalar, o que não é o caso. Relativamente as alegadas despesas havidas com a Proclin (R$ 10.800,00 em 2005 e R$ 11.000,00 em 2006), observase pelos documentos de fls. 135/136 e 138, que se 5 trata de operadora de planos de saúde e não prestadora de serviços hospitalares (hospital), que para ser assim considerada, deveria estar registrada junto ao Ministério da Saúde nesta categoria de estabelecimento. De conseqüência, é de se concluir que os Fl. 5DF CARF MF 6 recibos e a Nota Fiscal emitida a posteriori, em 01/09/2009 (fls. 134/135), não espelham a realidade, já que fazem referência a serviços médicos hospitalares realizados no ano de 2005. Em relação As supostas despesas havidas no anocalendário de 2006, não foi acostado qualquer documento. Não menos importante, serviços médicos hospitalares nos montantes de R$ 10.800,00 em 2005 e R$ 11.000,00 em 2006 pressupõem procedimentos de complexidade média para alta, que demandam internamento, exames, etc. de fácil comprovação, e a contribuinte não indicou ou trouxe qualquer documento neste sentido. (...) Quanto aos saques das contas correntes bancárias, vale observar que foram acolhidas, pela autoridade autuante, todas as despesas médicas e odontológicas havidas, quando, da análise dos referidos extratos, se constatou saques em datas anteriores a dos recibos e em valores compatíveis, o que não se verificou em relação As despesas supostamente havidas junto A Proclin, à odontóloga Márcia Reike dos Santos (R$ 3.000,00) e a psicóloga Sandra Regina Ferreira (R$ 5.000,00). Em sede de recurso, e visando contraditar o entendimento esposado na decisão recorrida, a Recorrente reitera os argumentos anteriormente expostos, insistindo que os recibos e extratos bancários acostados aos autos seriam prova suficiente do desembolso e da ocorrência das despesas médicas, afirmando ainda que o ônus da prova caberia ao Fisco no caso. Sua pretensão, porém, não merece acolhida. Isto porque a legislação fiscal prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, bem como o seu pagamento. Sem que tais provas sejam feitas, está correta a glosa das despesas médicas não comprovadas. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: Fl. 6DF CARF MF Processo nº 10980.007976/200917 Acórdão n.º 2102002.427 S2C1T2 Fl. 154 7 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) No caso em exame, os recibos trazidos pela Recorrente não foram considerados pelas autoridades competentes como hábeis a comprovar suas despesas para fins de IR. Sendo assim, caberia a ela ter demonstrado que o lançamento estava errado – fosse trazendo declarações dos profissionais com descrição dos serviços prestados, cópias de exames, prontuários, fichas de atendimento, etc.. A Recorrente, porém, em nenhum momento demonstrou a efetividade de tais serviços, deixando, inclusive de descrever – ainda que de maneira simples e leiga – quais teriam sido os serviços prestados por tais profissionais. Por tudo isso, entendo que devem ser mantidas as glosas efetuadas através do lançamento em exame. Assim, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 7DF CARF MF
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Numero do processo: 11444.000181/2008-37
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercícios: 2004, 2006 e 2007
Ementa: DIPJ. ENTREGA. MULTA POR ATRASO. EMPRESA INATIVA.
É cabível a cobrança de multa por atraso na entrega de Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), atinente a empresa que apresentou declaração de inativa e, em face de procedimento fiscalizatório posterior, apurou-se que exercia atividade.
Numero da decisão: 1803-000.805
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Benedicto Celso Benício Júnior
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Exercícios: 2004, 2006 e 2007 Ementa: DIPJ. ENTREGA. MULTA POR ATRASO. EMPRESA INATIVA. É cabível a cobrança de multa por atraso na entrega de Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), atinente a empresa que apresentou declaração de inativa e, em face de procedimento fiscalizatório posterior, apurouse que exercia atividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES Presidente (assinado digitalmente) Fl. 117DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 2 BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo Fonseca Vicentini, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Contra o contribuinte acima identificado lançouse multa por falta de entrega de Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativas aos anoscalendários de 2003, 2005 e 2006, folhas 01/07, com exigência de crédito tributário no valor de R$1.500,00. Segundo consta da descrição dos fatos, no âmbito do procedimento de fiscalização instaurado pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 0811800200700283 8, apurouse omissão de receita com base em depósitos bancários de origem não comprovada, que resultou em imposição tributária de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social (Cofins), objeto do processo administrativo nº 11444.000857/200710. Conforme relatou a autoridade fiscal, em face dos rendimentos apurados no procedimento fiscal antes referido, o contribuinte enquadrase na situação de obrigatoriedade de apresentação de DIPJ. Intimada, em duas oportunidades, a apresentar ditas declarações, a interessada mantevese silente, fato que suscitou a lavratura do auto de infração sob análise. Cientificado da imposição tributária, o contribuinte apresentou impugnação de folhas 75/76, com a alegação de que, durante a ação fiscal, apresentou sua escrituração contábil, na forma da tributação dos optantes pelo Simples, estando, consequentemente, desobrigado de apresentar DIPJ. Ao final, propugnou pelo cancelamento da imposição tributária. A 5ª TURMA – DRJ EM RIBEIRÃO PRETO – SP, ao analisar a impugnação formulada, manteve, integralmente, o auto de infração lavrado, nos seguintes moldes: “Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2003, 2005, 2006 Fl. 118DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 11444.000181/200837 Acórdão n.º 1803000.805 S1TE03 Fl. 2 3 Ementa: DIPJ. ENTREGA. MULTA. ATRASO. EMPRESA INATIVA. É cabível a cobrança de multa por atraso na entrega de Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) de empresa que apresentou declaração de inativa e, em face de procedimento fiscalizatório posterior, apurouse que exercera atividade. Lançamento Procedente” Cientificado da decisão, em 10/07/2009, interpôs o contribuinte, tempestivamente, em 31/07/2009, recurso a este conselho, repetindo os termos da peça impugnatória outrora indeferida. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. As multas ora debatidas tiveram por fulcro a constatação, no bojo do Processo Administrativo Fiscal nº 11444.000857/200710, de que a autuada, nos idos dos anos calendários de 2003, 2004 e 2006, movimentara receita que a impelia ao regime de tributação ordinário, no bojo do qual jaziam vigentes os deveres de apresentação das pertinentes DIPJs. A despeito disso, consoante consta dos sistemas fazendários (relato à fl. 08), teria a peticionária apresentado, para o período, somente Declaração de Pessoa Jurídica Inativa, destoante de sua realidade financeira. Procedeuse, pois, à intimação do contribuinte, para que este elaborasse e ofertasse os documentos devidos (DIPJs, DACONs e DCTFs). O interessado, a despeito disso, quedouse omisso, motivando, com seu comportamento, a formalização da presente peça acusatória. Em sede tanto de impugnação quanto de recurso, limitouse o contribuinte a afirmar já ter entregado, nos anoscalendários em questão, Declarações Simplificadas, na forma a que estaria sujeito, alegadamente, em virtude da subsunção de sua tributação ao regime do Simples. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 4 Ocorre, porém, que estas aduções são inverossímeis, eis que, para os exercícios de 2004, 2006 e 2007, remetidas foram, de fato, apenas as estresidas Declarações de Pessoa Jurídica Inativa, consoante inequívoca notícia dada pela tela de fls. 90/93. Assim, face ao fato de a peticionária ter falseado sua inatividade, deixando de disponibilizar as declarações que lhe incumbiam, correta é a imposição das multas em análise, calcadas na legislação de regência. Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 27 de janeiro de 2011 (assinado digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 120DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001008/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005, 2006
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRECLUSÃO.
Opera-se a preclusão em relação a matéria que não tenha sido objeto de impugnação ou de decisão de primeira instância administrativa. Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Em se tratando de autuação em razão de pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou quando não se comprovar as operações ou a causa desses pagamentos, tendo a fiscalização observado as disposições contidas no art. 61 da Lei nº 8.981/1995, demonstrando a efetiva existência dos pagamentos, caberá ao sujeito passivo a comprovação das operações e de suas causas, bem assim a indicação dos respectivos beneficiários, por meio de elementos probatórios hábeis e idôneos, não havendo que se falar em cerceamento de direito de defesa sob o argumento de que caberia à autoridade autuante a produção de tais elementos.
APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO DO DIREITO.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual. Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º.
PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE.
Constatando o fisco a existência de pagamentos a beneficiário não identificado ou quando não forem justificada as operações ou suas causas, cabível o lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF contra a fonte pagadora, à alíquota de 35%, nos termos do § 1º do art. 61 da Lei nº 8.981/1995.
Numero da decisão: 2402-005.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em conhecer parcialmente do recurso, para, na parte conhecida, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento os valores relativos às TED de mesma titularidade efetuadas em 01/03/2006, R$ 23.900,00 e em 04/04/2006, R$ 307.000,00. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Julgado em 07/04/2017 no período da manhã.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2005, 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRECLUSÃO. Opera-se a preclusão em relação a matéria que não tenha sido objeto de impugnação ou de decisão de primeira instância administrativa. Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Em se tratando de autuação em razão de pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou quando não se comprovar as operações ou a causa desses pagamentos, tendo a fiscalização observado as disposições contidas no art. 61 da Lei nº 8.981/1995, demonstrando a efetiva existência dos pagamentos, caberá ao sujeito passivo a comprovação das operações e de suas causas, bem assim a indicação dos respectivos beneficiários, por meio de elementos probatórios hábeis e idôneos, não havendo que se falar em cerceamento de direito de defesa sob o argumento de que caberia à autoridade autuante a produção de tais elementos. APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO DO DIREITO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual. Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º. PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. Constatando o fisco a existência de pagamentos a beneficiário não identificado ou quando não forem justificada as operações ou suas causas, cabível o lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF contra a fonte pagadora, à alíquota de 35%, nos termos do § 1º do art. 61 da Lei nº 8.981/1995.
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PAGAMENTOS SEM CAUSA Recorrente RAL ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRECLUSÃO. Operase a preclusão em relação a matéria que não tenha sido objeto de impugnação ou de decisão de primeira instância administrativa. Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Em se tratando de autuação em razão de pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou quando não se comprovar as operações ou a causa desses pagamentos, tendo a fiscalização observado as disposições contidas no art. 61 da Lei nº 8.981/1995, demonstrando a efetiva existência dos pagamentos, caberá ao sujeito passivo a comprovação das operações e de suas causas, bem assim a indicação dos respectivos beneficiários, por meio de elementos probatórios hábeis e idôneos, não havendo que se falar em cerceamento de direito de defesa sob o argumento de que caberia à autoridade autuante a produção de tais elementos. APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO DO DIREITO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual. Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º. PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. Constatando o fisco a existência de pagamentos a beneficiário não identificado ou quando não forem justificada as operações ou suas causas, cabível o lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF contra a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 10 08 /2 01 0- 76 Fl. 6581DF CARF MF 2 fonte pagadora, à alíquota de 35%, nos termos do § 1º do art. 61 da Lei nº 8.981/1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em conhecer parcialmente do recurso, para, na parte conhecida, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e darlhe provimento parcial para excluir do lançamento os valores relativos às TED de mesma titularidade efetuadas em 01/03/2006, R$ 23.900,00 e em 04/04/2006, R$ 307.000,00. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Julgado em 07/04/2017 no período da manhã. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 6582DF CARF MF Processo nº 13609.001008/201076 Acórdão n.º 2402005.794 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1.184/1.226) interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BHE (fls. 1.098/1.166), que julgou improcedente impugnação apresentada em face do Auto de Infração de fls. 357/373. Consoante Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 331/355), a ação fiscal teve origem em “irregularidades apuradas pelo Ministério Público Estadual envolvendo o prefeito do município de Lagoa Santa/MG e a empresa Ral Engenharia, que fora contratada para prestar serviços de obras de pavimentação”. Ainda de acordo com o citado relatório, o procedimento administrativo da Promotoria apurou prejuízo para o Município, com recebimentos indevidos pela empresa Ral Engenharia, tendo havido, inclusive, bloqueio de recursos determinado pelo juízo local. Nos termos da descrição dos fatos constante no Auto de Infração, o lançamento de ofício de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte IRRF se deu em decorrência de infração à legislação tributária consistente em pagamentos sem causa ou de operações não comprovadas e da falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre tais pagamentos ou de operação. Atribuise responsabilidade solidária ao sóciogerente e responsável pela administração da Ral Engenharia, Sr. Eduardo Barcellos Góes, CPF 217.442.11604, pois, a partir da apuração feita pela fiscalização, verificouse que referida pessoa física tinha interesse comum na situação que constituiu o fato gerador do tributo lançado. O Recorrente apresentou impugnação por meio do documento de fls. 503/523. Por bem retratar as alegações trazidas na peça impugnatória, reproduzse trecho correspondente do Acórdão nº 0229.807 da 3ª Turma da DRJ/BHE: Impugnação A contribuinte foi cientificada dos autos de infração por via postal em 02 de agosto de 2010, conforme comprova o Aviso de Recebimento "AR", A fl. 219. 0 sujeito Passivo Solidário (Sr. Eduardo Barcellos Góes Sócio responsável), também foi cientificado do termo de sujeição passiva e dos autos de infração, por via postal, em 13 de agosto de 2010, conforme comprovam os Avisos de Recebimentos "AR" dos Correios, As fls. 228/229. Inconformada com a exigência a contribuinte autuada apresentou impugnação ao lançamento por meio da petição de fls. 234/245, que foi recepcionada na Repartição de origem em 01 de setembro de 2010. O sujeito passivo solidário não apresentou impugnação própria. A autuada expendeu em síntese, observados os subtítulos grifos e destaques da petição, as seguintes razões e pontos de discordância: Fl. 6583DF CARF MF 4 "1 DOS FATOS." .nos termos do MPF nº 0611300/00100/08 a RFB realizou ação fiscal no contribuinte, com fito de "apurar irregularidades envolvendo o prefeito do município de Lagoa Santa MG e a pessoa jurídica fiscalizada que fora contratada para prestar serviços de obras de pavimentação"; .no curso da ação fiscal foram requeridos, por meio de termos de intimações fiscais, a apresentação de diversos documentos, planilhas e demais elementos hábeis comprobatórios de movimentação de "Caixa"; .no entanto, segundo esclarece, sempre teria adotado um escritório terceirizado de contabilidade que se responsabilizou pela contabilização de todos os documentos das atividades da empresa; .somente por ocasião do desenvolvimento da ação fiscal da RFB teria tomado conhecimento da situação do arquivamento de sua documentação, o que dificultou a apresentação dos elementos requeridos nas intimações; .em face dessa circunstância, informa que partiu para montagem de estruturação interna de contabilidade, arquivamento e controles internos; .a debilidade de seus sistemas de registro e arquivo de documentos se evidenciou, ainda, na forma simplificada adotada pelo escritório de contabilidade, que registrava todos os documentos relativos aos recebimentos de serviços prestados, bem como pagamentos inerentes realização destes serviços tais como custos, despesas, impostos, salários, despesas financeiras, etc, a conta "CAIXA" da empresa; .a fiscalização lhe deu ciência de vários termos requerendo esclarecimentos, documentos e demais elementos, que procurou atender na medida do possível; .após análise de toda documentação apresentada, a fiscalização teria lhe imputado infração legislação tributária, especificamente no tema de: "1) OUTROS RENDIMENTOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. OPERAÇA 0 NÃO COMPROVADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA."; .após levantamento da fiscalização, nos extratos bancários apresentados, foram listados os "lançamentos" a seguir: 1 [...] .suscita que de acordo com a fiscalização a empresa não teria conseguido comprovar as importâncias pagas a beneficiários não identificados ou pagamentos efetuados a terceiros sem a 1 Reproduz quadro com relação de pagamentos a beneficiários não identificados (fls. 507/515). Fl. 6584DF CARF MF Processo nº 13609.001008/201076 Acórdão n.º 2402005.794 S2C4T2 Fl. 4 5 comprovação da operação. Por esse motivo efetuou a tributação exclusivamente na fonte, aliquota de 35%; .reitera que desde sua fundação, por motivos técnicos e por adequação de custos, adotou a prática de contratar escritório terceirizado de contabilidade; .tomou conhecimento das deficiências dos arquivos contábeis por ocasião da fiscalização, o que redundou na impossibilidade de atender os prazos e a necessidade de pedidos de prorrogação das intimações; .tendo a fiscalização ocorrido em março de 2007 e referindose desde o inicio de janeiro de 2005, enfrentou muitas dificuldades e despendeu muito tempo para atender aos elementos requeridos nas intimações; .resolveu, a partir de então, promover reorganização da área contábil e prover a empresa de estrutura contábil adequada; .constata a debilidade nos sistemas de registro e arquivos de documentos contábeis também pela forma simplificada adotada pelo escritório de contabilizar na conta CAIXA todos os recebimentos e pagamentos, ainda que não seja um delito fiscal, mas que dificulta as conferencias futuras; .verificou que os pagamentos e recebimentos estão lançados na conta caixa, conforme consta dos livros Diário e Razão; ."em uma amostragem simples, pode constatar que diversos lançamentos que compõem a autuação fiscal, tratados como PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS, estariam devidamente contabilizados e, pode ser verificado a origem e perfeita identificação do beneficiário dos recursos pagos e/ou repassados, e cujos valores foram devidamente oferecidos a tributação na época apropriada"; DEMONSTRAÇÃO DA COMPOSIÇÃO DE PAGAMENTOS BANCO AG. CONTA DATA HISTÓRICO DOC VALOR SAFRA 0162 000.1311 05/12/2006 CH PAGO ESPÉCIE 1000198 56.461,21 Cheque referente a pagamento de parte de 13 "salário, e encatgos conforme lançamentos 20/12/2006 VR PGTO. 13° SALÁRIO VR. PGTO IRRF S/ 13° SALARIO VR. PGTO. INSS S/ 13° SALÁRIO VR. PAGTO. INSS 13° SALÁRIO VR. PGTO INSS 13*SALARIO VR. PGTO. INSS 13" SALÁRIO 36.522,00 851,86 13.781,07 1.401,91 779,56 12.208,32 BANCO AG. CONTA DATA HISTÓRICO DOC VALOR SAFRA 0162 000.1311 04/12/2006 CH PAGO ESPÉCIE 1000197 78.879,00 Cheque referente a pagamento de parte de salários, mês 11/2006, efetuado em 01/12. 01/12/2006 VR. PGTO SALÁRIOS MÊS 11/05 (sic) 69.829,50 Fl. 6585DF CARF MF 6 BANCO AG. CONTA DATA HISTÓRICO DOC VALOR SAFRA 0162 000.1311 30/11/2006 CH COMPENSADO 0.000160 35.017,92 Cheque referente a pagamento a fornecedores. 30/11/2006 VR PGTO NF 92 GPO MERCANTIL ENGENHARIA LTDA VR PGTO NF 93 GPO MERCANTIL ENGENHARIA LTDA 3.982,80 31.035,12 BANCO AG. CONTA DATA HISTÓRICO DOC VALOR SAFRA 0162 000.1311 14/11/2006 CH COMPENSADO 0.00085 30.000,00 Cheque referente a pagamento a fornecedores. 13/11/2006 VR PGTO NF 0053 CONPET C. S. PETRÓLEO (RALOIL) 30.000,00 BANCO AG. CONTA DATA HISTÓRICO DOC VALOR SAFRA 0162 000.1311 09/11/2006 CH COMPENSADO 0.00028 48.180,73 Cheque referente a pagamento a fornecedores. 09/I 1/2006 VR PGTO NF FRESAR TECNOLOGIA DE PAVIMENTOS 48.180,73 BANCO AG. CONTA DATA HISTÓRICO DOC VALOR SAFRA 0162 000.1311 05/12/2006 CH PAGO ESPÉCIE 0.00029 24.203,98 Cheque referente a pagamento de parte de salários, mês 11/2006, efetuado em 01/12. 08/11/2006 VR PGTO NF 413 ÉPOCA INSTALAÇÕES 24.203,98 BANCO AG. CONTA DATA HISTÓRICO DOC VALOR SAFRA 0162 000.1311 07/11/2006 CH COMPENSADO 0.00025 31.987,37 Cheque referente a pagamento a fornecedores. 07/11/2006 VR PGTO NF 88 GPO MERCANTIL ENGENHARIA LTDA VR PGTO NF 87 GPO MERCANTIL ENGENHARIA LTDA 10.308,60 21.678,68 BANCO AG. CONTA DATA HISTÓRICO DOC VALOR MERCANTIL 306 020113057 02/10/2006 SAQUE PARA PGTO 0.07181 48.603,71 Cheque referente a pagamento de parte de salários, mês 09/2006. 05/10/2006 VR. PGTO SALÁRIOS MÊS 09/05 (sic) 47.507,01 BANCO AG. CONTA DATA HISTÓRICO DOC VALOR MERCANTIL 306 020113057 28/09/2006 CH. COMPENSADO 0.07171 35.000,00 Cheque referente apagamento a fornecedores. 20/09/2006 VR DEPOSITO FERNANDO VIEGAS RALOIL VR DEPOSITO SR. ALCIDES CF RECIBO RALOIL VR PGTO AGENCIA NACIONAL DE PETRÓLEO ANPRJ VR PGTO NF 330 EMBRATERRA SERVIÇOS LTDA VR PGTO NF 331 EMBRATERRA SERVIÇOS LTDA 3.000,00 1.000,00 15.000,00 8.000,00 8.000,00 .aduz que, "fica demonstrado também que a movimentação bancaria era parte integrante dos valores do caixa, perfeitamente suportado pelos valores apresentados no Diário regularmente escriturado da empresa"; .sustenta, ainda, que "como os valores relativos as transferência interbancários não afetava o saldo de "Caixa" da empresa, uma vez que a mesma não realizava o controle dos saldos bancários contabilizados via lançamentos individualizados por instituição, e nem pelos beneficiários, a empresa repugna a ação da fiscalização quanto à classificação de pagamentos a terceiros e movimentações interbancárias realizados pela empresa, bem como a movimentação de recursos de bancos com os quais a empresa mantinha relacionamento para o caixa como PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS / Fl. 6586DF CARF MF Processo nº 13609.001008/201076 Acórdão n.º 2402005.794 S2C4T2 Fl. 5 7 SEM CAUSA OU POR OPERA CÃO NÃO COMPROVADA, imputando a Ral Engenharia Ltda tributo IRRF, bem como acessórios de juros de mora e multa proporcional"; .diz, textualmente que: "...vem impugnar totalmente a autuação fiscal, relativa ao auto de infração n" 0611300/00100/08 — processo nº 13609.001008/201076, sofrida em razão dos levantamentos apurados por esta Auditoria Fiscal realizada por esta RFB". O responsável solidário foi devidamente cientificado do Auto de Infração e do Termo de Sujeição Passiva (fls. 433/435) , o qual discrimina a conduta a ele atribuída, mas não apresentou impugnação e não há questionamentos a esse respeito na peça impugnatória apresentada pela empresa. Por considerar que o sujeito passivo não logrou identificar os beneficiários dos pagamentos objeto da autuação, tampouco comprovar a causa das operações realizadas, a DRJ/BHE julgou a impugnação improcedente, nos termos da ementa do Acórdão nº 0229.807, a seguir reproduzida: OUTROS RENDIMENTOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Cientificado da decisão a quo, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1.234/1.276) com as razões abaixo mencionadas: Segundo alega a recorrente, o auto de infração foi lavrado sob o fundamento de que competia à autuada apresentar comprovantes de pagamento ou cópias microfilmadas de cheques relacionado à autuação, mas com todos os instrumentos de que dispõe a Receita Federal para a apuração do imposto, caberia a esse órgão obter referidas cópias diretamente junto à instituição financeira. Afirmação semelhante faz em relação a comprovantes relacionados a TED e DOC. Assevera que “Julgar pela falta dessa prova, sem a iniciativa de buscala, caracteriza inexorável cerceamento de defesa”. Aduz que, de acordo com o relatório que acompanhou o auto de infração, o procedimento fiscal foi instaurado a partir de supostas irregularidades apuradas pelo Ministério Público Estadual, envolvendo o prefeito do Município de Lagoa Santa/MG, mas que as ações ajuizadas pelo Ministério Público foram julgadas improcedentes pela Justiça, tendo a autoridade autuante sido induzida a erro. O auto de infração seria injusto, pois, além do crédito tributário constituído, buscouse penalizar o sócioadministrador da recorrente com responsabilidade solidária e lhe Fl. 6587DF CARF MF 8 imputar a prática de crime contra a arrecadação tributária. Reproduz excertos de julgados do STJ relacionados a cerceamento de direito de defesa. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes, segundo consta da peça recursal, tem admitido a apresentação de documentos, inclusive, em grau de recurso, no que diz respeito ao lançamento de imposto de renda por pagamento a beneficiários tidos como não identificados. Reproduz decisão administrativa a esse respeito, afirmando tratarse de lídimo direito do contribuinte, previsto no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, na redação que lhe foi dada pela Lei 8.748/1993. Assegura que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes tem sido prudente ao condicionar a imputação de pagamento a beneficiário não identificado a prova idônea inconteste. Reproduz decisões administrativas nas quais acosta tais asserções. Faz referência a planilha a qual identificaria “Um por um os pagamentos adotados pela exação fiscal como base de cálculo do imposto de renda, com a respectiva prova”. Justifica que: 1. Cada lançamento apontado na autuação foi identificado na coluna intitulada “n do lançamento". 2. A cada lançamento, identificado por esse número corresponde a documentação correspondente e comprobatória de que não se trata de pagamento a beneficiário não identificado. 3. a planilha facilita o exame dos documentos, também anexos, pela identificação do "n. do lançamento" com o número, dos documentos anexos, correspondentes à prova do pagamento e identificação do beneficiário do cheque. 4. Tais provas começam com o "espelho" do mencionado cheque, obtida no ato da emissão desses cheques, 5. mas também requer seja intimada a instituição financeira, com a autoridade da Receita Federal, para apresentar cópia microfilmada do mencionado cheque, 6. posto que a Recorrente requereu, por ofício, lhe fossem apresentadas tais copias microfilmadas, e não pode ser penalizada porque a instituição financeira não lhe forneceu essa copia. (Grifos do original) Questiona itens dos acórdão recorrido os quais tratariam como pagamentos a beneficiários não identificados TED, DOC e cheques compensados (que seriam todos nominais). Assevera que a jurisprudência consolidada vem dando tratamento diametralmente oposto a essa questão. Reproduz trecho de decisão do antigo Conselho de Contribuintes destacando fragmento segundo o qual os casos de simples transferências não se caracterizam como pagamento a beneficiário não identificado. Destaca que vários pagamentos que constaram do lançamento foram realizados mediante TED e DOC, dois deles transferência de mesma titularidade, não sendo possível tratálos como pagamentos a beneficiários não identificados; que para atender a Autoridade Fiscal, solicitou tais documentos às instituições financeiras, mas não logrou êxito em obtêlos. Por isso, “requer à Receita Federal que se utilize dos seus poderes, da sua Autoridade, para que as instituições financeiras que não atenderam” suas solicitações acatem a ordem do referido órgão e disponibilize os documentos requeridos. Fl. 6588DF CARF MF Processo nº 13609.001008/201076 Acórdão n.º 2402005.794 S2C4T2 Fl. 6 9 Relaciona TED e DOC que diz totalizarem R$ 12.668.364,00 e cita débitos autorizados totalizando R$ 335.000,00, os quais teriam seus beneficiários identificados. Referese a cheques nominais que teriam sido repassados à empresa Época Instalações, que a decisão vergastada teria tratado também como pagamento a beneficiário não identificado. Indaga que tendo sido o cheque nominal compensado, que outra prova lhe poderia ser exigida? Contradita a decisão a quo que teria também tratado como pagamento a beneficiário não identificado cheques sacados em dinheiro para pagamento de salários, entendendo que competia à autuada apresentar os recibos de pagamentos da folha de salários. Sobre o assunto, diz ser público e notório que, no Brasil, o pagamento de peões de construção (como no caso de seus funcionários) é feito em dinheiro, não em cheque. Afirma que: “Com a interposição deste recurso (...) apresenta a prova reclamada pelo acórdão: a folha de pagamentos e recibos de pagamentos de salários”. Com relação a cheques descontados supostamente para o pagamento de fornecedores, argumenta que esses fornecedores, vários deles expeões de construção, exigem pagamento em dinheiro como forma de prevenção contra a devolução de cheques e que, “O fato de tais cheques serem descontados para pagamento em dinheiro, mediante correspondente documento contábil (nota fiscal, boleto, etc.) não torna o pagamento a beneficiário não identificado”. Alude que: ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (Constituição Federal, art. 5°, II); vigora no Brasil o curso legal da moeda que permite expressamente o pagamento em dinheiro e que constituiria contravenção penal recusar pagamento sob essa forma; nos dias de hoje, a exigência de pagamento em dinheiro por medo da inadimplência ou da morosidade da Justiça é sabidamente crescente, ou seja, o fornecedor exige pagamento em dinheiro como garantia de que não terá seu fluxo de caixa comprometido ou de que não perderá um patrimônio cada vez mais difícil de amealhar; e se um fornecedor oferece preço mais reduzido se lhe for realizado o pagamento em dinheiro, não se pode penalizar o contribuinte, somente porque aproveitou a oportunidade de reduzir seu custo. Menciona ainda que em inúmeras ocasiões emitiu um cheque para pagar vários fornecedores, de forma que o continuo (office boy) descontasse o cheque a boca do caixa e, no mesmo ato, realizasse o pagamento de vários boletos. Pondera que para se chegar a essa conclusão, basta conferir o somatório de referidos boletos, não sendo razoável, no caso, exigir a coincidência de valores até nos centavos, em vista de ser comum nesse tipo de serviço emitir cheque de valor um pouco superior para o pagamento de despesas do office boy (transporte e outros). Relaciona supostos pagamentos que retratariam a situação alegada. Aponta que: Além de não existir lei que impeça a Recorrente de assim organizar suas atividades, é simples: os comprovantes de pagamento são inegavelmente idôneos: boletos autenticados por instituição financeira, comprovantes de depósito, notas fiscais, Fl. 6589DF CARF MF 10 duplicatas, etc. De onde a Recorrente tirou dinheiro para tais pagamentos? Consta ainda do recurso voluntário que “se reclamou, na decisão recorrida, prova de pagamento a sociedade em conta de participação, que são anexados ao presente recurso”. A recorrente faz menção a diversos documentos que não teriam sido localizados e considera que é o caso de impor a tributação apenas do que não estiver acobertado por prova documental. Ressalta que o acórdão atacado inverteu o ônus da prova por ter presumido que o contribuinte não tem razão até que prove o contrário. Com relação à responsabilidade solidária, afirma que a exigência fiscal teve origem na incompetência e na desorganização do antigo contador e que não houve máfé, dolo e nem benefício ao administrador da sociedade. Transcreve decisão administrativa com base na qual entende que a jurisprudência é no sentido que casos semelhantes ao retratado nos autos seriam incompatíveis com a responsabilidade solidária imputada ao administrador. Colaciona decisões do STJ que corroborariam a jurisprudência administrativa no tange à responsabilidade solidária. Considera que, no caso concreto, o conjunto probatório não deixa dúvida de que os pagamentos foram efetivamente realizados e que não é justo nem razoável impor ao administrador responsabilidade solidária nem responsabilidade subsidiária. Requer por fim que: seja afastada a responsabilidade pessoal (solidária e subsidiária) do sócio administrador bem como a caracterização de crime contra a arrecadação. Tributária; seja acolhida a preliminar arguida para o fim de decretar a nulidade do processo, por cerceamento de defesa; a Autoridade Fiscal requisite das instituições financeiras cópias microfilmadas dos cheques, TED, DOC e outros documentos que as instituições financeiras podem e devem fornecer; alternativamente, seja dado provimento ao recurso, para o fim de deduzir da exigência fiscal o valor correspondente às parcelas cuja documentação identifica o beneficiário do pagamento. É o relatório. Fl. 6590DF CARF MF Processo nº 13609.001008/201076 Acórdão n.º 2402005.794 S2C4T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Admissibilidade O recurso foi apresentado no prazo legal e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Responsabilidade Solidária Importa inicialmente tecer comentários acerca da alegação trazida no recurso voluntário de que o sócioadministrador teria sido injustamente penalizado pelo fato de a fiscalização terlhe imputado a prática de crime contra a ordem tributária, indicandoo como responsável solidário pela adimplemento da obrigação tributária apurada. Sobre esse assunto, convém reproduzir a abordagem contida na decisão recorrida: Em que pese ter sido intimado individualmente, acerca da qualificação como "SOLIDARIAMENTE RESPONSÁVEL", o sujeito passivo solidário não apresentou impugnação própria para contestar as exigências, nem o atributo de solidariamente responsável. Assim sendo, em relação ao sujeito passivo solidário, descabe qualquer manifestação, pois que nos termos da disposição do art. 14 do Decreto n° 70.235, de 1972, a falta de apresentação de impugnação, nem sequer foi instaurada a fase litigiosa do procedimento. De se notar que referido tema não foi objeto de impugnação e, por essa razão, não houve manifestação da DRJ/BHE quanto ao mérito dessa matéria. Por virtude do inciso III do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, norma que disciplina o processo administrativo fiscal em âmbito federal, as razões de fato e de direito que fundamentam as pretensões do recorrente devem ser apresentadas na impugnação, operandose a preclusão quanto a questões não suscitadas na peça impugnatória. No mesmo sentido, o art. 33 do Decreto n° 70.235/1972, dispõe que o recurso voluntário deve ser apresentado em face da decisão decorrente do julgamento de primeira instância administrativa. Vejamos: SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 6591DF CARF MF 12 Desta feita, a despeito dos argumentos trazidos no apelo recursal, entendo que o recurso não deve ser conhecido em relação ao presente tema, eis que esse não foi objeto da impugnação ou do acórdão recorrido. Nulidade por Cerceamento do Direito de Defesa Em sede de preliminar, alude o sujeito passivo que o Auto de Infração fora lavrado sob o fundamento de que lhe competia apresentar documentos que comprovassem a inocorrência da infração, mas que caberia à Secretaria da Receita Federal do Brasil obter referidos documentos. Na mesma linha, o colegiado de primeira instância administrativa, ao julgálo pela falta de provas, sem tomar a iniciativa de buscálas, teria cerceado seu direito de defesa. Não assiste razão ao contribuinte. Primeiramente, conforme se verá adiante, a autuação se deu em estrito cumprimento ao disposto no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, em razão da fundamentada existência de pagamentos efetuados a beneficiários não identificados e por não se ter comprovado as operações ou suas causas. Além disso, consoante se verifica nos autos, a contribuinte foi reiteradamente intimada pela fiscalização a indicar os beneficiários dos recursos por ela despendidos e a comprovar as operações que deram origem aos desembolsos de tais recursos, mas não apresentou quaisquer provas aptas a elidir o lançamento em relação a esses desembolsos. Não bastasse, também por ocasião da impugnação não foram apresentados elementos probatórios que pudessem acudir a recorrente. A esse respeito, o decisum atacado é elucidativo: A propósito, o inc. IV, do art. 16, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 1993, preceitua que a impugnação deve estar instruída e mencionar, dentre outros requisitos, além dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta e os pontos de discordância, precipuamente, as razões e provas que possuir. É consabido que a prova consiste na demonstração da existência ou da veracidade daquilo que se alega no processo. Reafirmando, pois, alegar sem provar não tem valor algum. Cediço é que à autoridade tributária julgadora cabe valorar a prova apresentada. Portanto, cabia à autuada, apresentar provas que infirmassem a matéria tributável erigida pela fiscalização, sob pena de o julgador ter de reputar procedente a autuação, como efetivamente o faz. Reiterese que o art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 é expresso ao estabelecer que cabe ao autuado apresentar, conjuntamente com a impugnação, as razões de prova que possuir, sendo incabíveis as ilações prenunciadas no apelo do sujeito passivo de que competiria à Secretaria da Receita Federal buscar junto a instituições financeiras documentos aptos a identificar os beneficiários das operações por ele realizadas. Ademais, as decisões administrativas e judiciais colacionadas pela recorrente, relativamente a essa matéria, por abordarem situações diametralmente diversas, em nada a socorrem. Isso posto, afasto a preliminar de cerceamento do direito de defesa. Fl. 6592DF CARF MF Processo nº 13609.001008/201076 Acórdão n.º 2402005.794 S2C4T2 Fl. 8 13 Apresentação do Provas no Recurso Voluntário Outra questão a ser destacada diz respeito à solicitação para que sejam analisados documentos apresentados somente no recurso voluntário. Observase que, nesta fase, foi anexada uma grande quantidade de documentos, os quais, segundo a contribuinte, devem ser examinados em respeito à jurisprudência administrativa e em vista do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, na redação dada pela Lei 8.748/1993. Apenas para ilustrar a situação abordada neste tópico, das 6.580 folhas constantes do presente processo administrativo até este momento, 5.231 correspondem a documentos juntados pelo contribuinte somente na fase recursal (doc. de fls. 1.348 a 6.578), os quais, em conjunto com uma planilha apresentada no recurso voluntário, identificariam os pagamentos que deram azo à exação fiscal. Em relação a esse assunto, impende asseverar que a redação do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, na redação dada pela Lei 8.748/1993, reproduzida na peça recursal para fundamentar o requerimento em análise, já foi alterada há cerca de duas décadas! Deveria saber a recorrente que disposição superada por norma superveniente não tem valor legal e em nada contribui no processo de construção de sua tese jurídica. Não obstante, o Decreto Nº 70.235/1972 limita a apresentação de provas em fase posterior à impugnatória, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 6593DF CARF MF 14 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Há que se reconhecer que a jurisprudência deste Conselho tem abrandado o rigor dessa regra, em casos excepcionais, e em prestígio ao princípio da verdade material. No entanto, esse abrandamento comporta limites. Não se pode admitir que novos documentos sejam apresentados em sede de recurso, quando isso obstaculiza a apuração da autoridade fiscal. Do contrário, teríamos uma desordem no andamento lógico do processo, prejudicando a sua conclusão. O processo é um caminhar para frente, consubstanciandose em uma sucessão de atos que devem ser ordenados por fases lógicas para que não se transforme em uma querela interminável. Extraise da lição de Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini2 o seguinte: [...] iv) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. v) O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente. Na mesma esteira, preleciona Ada Pellegrini Grinover3: O instituto da preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Objetivamente entendida, a preclusão consiste em um fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar ao seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Subjetivamente, a preclusão 2 LÓPEZ, Maria Tereza Martinez; BIANCHINI, Marcela Cheffer. A Prova no processo tributário. São Paulo: Dialética, 2010, p. 50. 3 GRINOVER, Ada Pellegrini e Outros. Teoria geral do processo.16ª ed. Malheiros: São Paulo, 2000, p. 327328. Fl. 6594DF CARF MF Processo nº 13609.001008/201076 Acórdão n.º 2402005.794 S2C4T2 Fl. 9 15 representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou direito processual [...] Politicamente justificase a preclusão em virtude do princípio pelo qual a passagem de um ato processual para outro supõe o encerramento do anterior, de tal forma que os atos já praticados permaneçam firmes e inatacáveis. Quanto mais rígido o procedimento como é o brasileiro, por desenvolverse através de fases claramente destinadas pela lei maior se torna a importância da preclusão. No presente caso, temse que caberia ao contribuinte, quando intimado pela fiscalização, identificar os beneficiários e comprovar a causa dos pagamentos efetuados. Nessa linha de entendimento, caberia à autoridade fiscal, após a identificação dos favorecidos e comprovada a causa dos pagamentos, proceder ou não à tributação dos valores recebidos, conforme o regramento legal. Entretanto, o Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 331/353) revela que, mesmo após inúmeras tentativas da fiscalização, a recorrente não se preocupou em apresentar documentos hábeis a inibir o lançamento. Senão vejamos trecho do citado relatório que, apesar de extenso, traz precisos esclarecimentos acerca da conduta do apelante no decorrer do procedimento fiscalizatório: Após um exaustivo trabalho de compilação, digitação, depuração e análise dos lançamentos, foi elaborada uma tabela com aqueles valores que não havia comprovação no livro Diário. o contribuinte foi, então, intimado TIF n° 04 a comprovar os beneficiários e a finalidade de saques/pagamentos, referentes a lançamentos a débito na contacorrente. O contribuinte, conforme já mencionado no histórico, informa que toda a comprovação estaria nos livros contábeis entregues anteriormente e que o extrato bancário era "auto explicativo". Na tentativa de se evitar cometer alguma injustiça e com objetivo de acelerar o procedimento fiscal, foi efetuada uma nova conferência de todos os lançamentos bancários com os livros Diário e Razão, buscando comprovar os beneficiários dos pagamentos. Nessa análise, alguns lançamentos foram confirmados, porém, a maioria dos outros lançamentos ainda não fora possível a comprovação, por não haver correspondência nos livros contábeis, mesmo verificando em dias próximos. Assim, foi o contribuinte intimado a novamente comprovar, com documentação hábil e idônea, os beneficiários dos pagamentos/saques constantes nas contascorrentes. O Termo de Intimação Fiscal foi o de n° 10, recebido em 18/02/2010, acompanhado de um Anexo com a planilha dos novos dados. Mais uma vez a resposta do contribuinte foi evasiva e lacônica, pois informou que já havia apresentada a resposta em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 02. Vimos que, no TIF n° 02, ele apresentou foi o extrato bancário. Conforme já dito no histórico, ainda não satisfazendo com as respostas, que pouco acrescentaram ao procedimento, e em busca da verdade material, foi elaborado o Termo de Reintimação Fiscal n° 12, este entregue pessoalmente, para comprovar, com documentação hábil e idônea, a finalidade e os Fl. 6595DF CARF MF 16 beneficiários dos saques/pagamentos referentes aos lançamentos a débito selecionados de suas contas. A ciência pessoal do Termo, ocorrida em 17/03/2010, foi feita após explicar todo o procedimento fiscal a um dos contadores da empresa e ao gerente e filho do sócio. No final de Abril/2010, até houve a apresentação de documentos "Relação de Pagamento" que serviriam para comprovar os pagamentos de Janeiro a Julho de 2005. Ocorre que esses documentos nada comprovaram. São relações de pagamentos efetuados pela empresa. Independente de entrar no mérito das despesas (se seriam dedutíveis ou não em função da necessidade, usualidade e normalidade) os documentos não tem qualquer relação com os pagamentos que constam no extrato bancário e que geraram as dúvidas objeto do Termo de Intimação Fiscal n° 12. Informa ainda que precisaria de mais 90(noventa) dias para atender ao restante. Mesmo ultrapassando o exagerado prazo de 90 dias solicitado pelo contribuinte, os documentos não foram apresentados. Ou seja, oportunidades para os esclarecimentos não faltaram. Como visto, foram dadas ao contribuinte todas as possibilidades para explicação e juntada de documentos, mas ele não quis, ou não pode, se manifestar objetivamente. (Grifamos) Observese que, mesmo após a autuação, o sujeito passivo foi chamado a comprovar as causas e a identificar os beneficiários dos pagamentos relacionados ao lançamento. Contudo, embora tenha contestado o Auto de Infração, não carreou aos autos elementos probatórios capazes de justificar suas alegações. A esse respeito, assim discorreu o julgador de primeira instância em relação a cada um dos pagamentos que o recorrente buscou justificar na impugnação: Apreciação dos argumentos e provas: De antemão insta patentear, que o único elemento de comprovação aportado aos autos pela defendente foram as cópias reprográficas de determinadas páginas do livro Razão, espelhando apenas a movimentação da conta "Caixa", e recortes do movimento residual de algumas outras contas aleatórias de acordo com sua posição gráfica em cada mês, no período de janeiro a dezembro de 2005 e de 2006 (fls. 295/521). Além da aludida escrituração do livro Razão da conta Caixa, nenhum outro documento, hábil e idôneo, de origem externa e consentâneo aos fatos, foi apresentado pela defendente para comprovar a efetividade dos alegado(s) pagamento(s) [...]. Por essas razões, à luz do § 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, não serão analisados os documentos acostados aos autos pela contribuinte em sede de recurso voluntário, pois esses foram apresentados em momento posterior ao previsto em lei e a situação aqui descritas não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas nas alíneas “a” a “c” do § 4º do mesmo artigo. Questões Relativas ao Lançamento Com relação ao lançamento efetuado, compete ressaltar que carece de razão a asserção feita no recurso voluntário de que a autoridade autuante teria sido induzida a erro em Fl. 6596DF CARF MF Processo nº 13609.001008/201076 Acórdão n.º 2402005.794 S2C4T2 Fl. 10 17 razão de o procedimento fiscal ter sido instaurado a partir de irregularidades apontadas pelo Ministério Público Estadual. Ora, a despeito da solicitação do Ministério Público, a apuração dos ilícitos fiscais não tem relação direta com a investigação levado a cabo por aquele órgão, ou seja, o procedimento fiscal foi realizado a partir de elementos fáticos levantados junto à empresa, por meio de mecanismos próprios e com base em legislação especificamente relacionada à matéria tributária, sendo que as consequências decorrentes de processos efetivados por outras esferas em nada interferiram no resultado do processo administrativo fiscal. Quanto a pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou quando não comprovada a operação ou sua causa, o art. 61 da Lei nº 8.981/1995, dispõe: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Com base no dispositivo reproduzido, e em sintonia com entendimento contido no acórdão recorrido, verificase que a norma estabelece três hipóteses distintas para incidência do imposto de renda na fonte. Quais sejam: a) Pagamentos efetuados a beneficiários não identificados: .quando a Pessoa Jurídica, devidamente intimada, não logra êxito em identificar para quem efetuou o pagamento, ou se o Fisco fizer prova de que o beneficiário que a Pessoa Jurídica registrou e apontou como recebedor do pagamento, de fato, nada tenha recebido. b) Pagamentos sem causa: .a Pessoa Jurídica não logra êxito em comprovar a efetividade da operação relacionada ao pagamento, ou se o Fisco fizer prova de sua inidoneidade, ou seja, de que a operação não se realizou. No caso de pagamentos de operações inexistentes, lastreados em documentação inidônea, além do lançamento do IRF, é cabível a glosa dos custos/despesas, tratandose de Pessoa Jurídica optante pelo Lucro Real. c) Concessão de benefícios indiretos de que tratam o artigo 74 da Lei 8.383/1991: Fl. 6597DF CARF MF 18 .se o valor correspondente ao beneficio for tratado como remuneração dos beneficiários para fins de incidência do imposto de renda. Nas hipóteses dos itens “a” e”b”, tratadas no Auto de Infração sub examene, caberá ao fisco fazer prova de que os pagamentos foram efetivamente realizados, tendo em vista que o fato gerador da obrigação ocorre com a percepção de valores pelos beneficiários. Assim, para que a situação fática possa lastrear o lançamento, faz necessária a comprovação da ocorrência do pagamento irregular. Da análise do Auto de Infração, do Relatório de Auditoria e de outras peças que integram o processo em questão, constatase que ficou perfeitamente definido o fato gerador do IRF com base no art. 61 da Lei n° 8.981/95. Restou devidamente comprovado que os pagamentos existiram e a autuada não justificou para quem ou a operação ou causa destes valores pagos. Além disso, o sujeito passivo, ao impugnar o lançamento, também não justificou com base em documentos hábeis quais seriam os beneficiário ou a causa de tais pagamentos. Detevese a apresentar alegações lastreados por documentos contábeis e outros elementos que não demonstram de forma clara o acorrido. E mais, conforme se evidenciou no acórdão atacado, dos 168 (cento e sessenta e oito) pagamentos que integraram a autuação, apresentouse esclarecimentos somente em relação a 9 (nove) e, ainda assim, não se trouxe elementos capazes de infirmar a imputação fiscal. Conforme se explanou alhures, somente no recurso voluntário trouxeramse documentos que, segundo consta, poderiam justificar a titularidade dos pagamentos. Apesar disso, ficou evidenciado no apelo que, dentre esses documentos, não constam cópias dos cheques emitidos ou comprovação quanto aos destinatários dos recursos transferidos por meio de TED ou DOC, os quais o apelante, sem comprovar tal fato, informa não têlos obtido, mesmo tendoos solicitado junto às instituições financeiras em que mantém contas bancárias. Repisa competir à Secretaria da Receita Federal requerer citados comprovantes e que o acórdão recorrido “inverteu a presunção: presumiu que o contribuinte não tem razão até que provasse (sic) o contrário”. Aduz que a jurisprudência administrativa é no sentido de que o repasse de valores por meio de TED ou DOC não caracteriza pagamento a beneficiário não identificado e que o mesmo se aplica a cheques compensados, que são necessariamente nominais, identificando assim os favorecidos. Alardeia que alguns desses TED/DOC são, inclusive, transferência de mesma titularidade. Afirma que planilha de fls. 1.304/1.310, apresentada juntamente com o recurso, serviria de base para refutar cada um dos pagamentos relacionados ao lançamento. No que se refere a cheques descontados, diz tratarse de valores destinado ao pagamente de um ou mais boletos bancários, folha de salários ou fornecedores e que eventuais diferenças entre valores sacados e contas a eles relacionadas se referem a despesas do office boy. Primeiramente, é preciso deixar claro que o Acórdão nº 10421.051, suscitado pelo suplicante no intuito de respaldar seu pleito, em momento algum se refere a TED, DOC ou a cheque compensado. Diferentemente da situação aqui tratada, no ponto destacado pelo contribuinte. Referida decisão trata de caso em que, a partir de diligência Fl. 6598DF CARF MF Processo nº 13609.001008/201076 Acórdão n.º 2402005.794 S2C4T2 Fl. 11 19 determinada pelo órgão julgador de primeira instância, a própria autoridade autuante reconheceu como comprovados parte dos valores objeto de questionamento. Vejamos: Notase, que a autoridade julgadora de Primeira Instância teve a cautela de transformar, inicialmente, o julgamento em diligência para que fossem sanadas dúvidas a respeito do material apresentado pela interessada, cujo relatório conclusivo encontrase às fls. 1779/1784, em que o próprio autuante reconheceu como comprovados os valores questionados no Recurso de Ofício, razão pela qual não vejo a necessidade de tecer maiores comentários sobre o assunto. Verificase, pois, que a decisão administrativa suscitada no intuito de afastar o lançamento encerra circunstâncias fáticas absolutamente distinta da abordada no presente processo. Ademais, no caso em análise, ainda que o sujeito passivo tivesse comprovado os destinatários dos cheques compensados ou das operações feitas por meio de DOC ou TED, para afastar a tributação seria necessário comprovar a operação e a causa dos pagamentos, o que não se fez. De outro eito, o direito processual consagrou o princípio de que a prova incumbe a quem afirma. Contudo é sabido que não se pode apresentar prova inconteste de fato negativo, como por exemplo, no caso da lide, que os pagamentos não existiram. Nesses casos admitese que a prova se faça por meios dos lançamentos contábeis existentes, cabendo à parte demandada a contraprova de que os pagamentos efetuados se destinaram a beneficiário identificado, comprovando a respectiva operação e causa. No caso, inexiste qualquer contestação de que houve a realização dos pagamentos. Assim, se o sujeito passivo não trouxe aos autos documentação comprobatória de que os pagamentos se destinaram a beneficiário identificado, indicando a causa e comprovando a operação, está evidente, que os recursos foram repassados para alguém não identificado ou quando identificado não ficou comprovada, repitase, a operação ou sua causa. Impende reiterar que a hipótese de incidência prevista no art. 61 da Lei n° 8.981/1995 resta perfeitamente caracterizada somente por um dos seguintes fatos: i) não identificação de quais são os beneficiários dos recursos providos pela recorrente; ou ii) não comprovação da operação ou de sua causa. Contudo, as circunstâncias aqui examinadas revelam que não existem documentos indicando inequivocamente o beneficiário das operações ou comprovando tais operações e causa dos pagamentos realizados, razão pela qual a fiscalização considerou ilícitos os procedimentos. Isso, independentemente de as operações estarem relacionadas a saques, compensação de cheques ou emissão de DOC ou TED, dentre outras. Essas assertivas são inclusive corroboradas pela própria peça de defesa, quando o recorrente admite que as operações que intenta comprovar são justificadas por documentos cujos valores são diferentes daqueles verificados nas transações bancárias e que não estão entre esses documentos as cópias de cheques ou comprovantes indicando os destinatários de TED ou DOC realizados pela empresa. Do mesmo modo, a despeito de os documentos apresentados a destempo não terem sido analisados por ocasião da decisão de segunda instância, a planilha anexa ao recurso (fls. 1.304/1.310) evidencia que nem mesmo esses documentos estariam aptos a identificar os Fl. 6599DF CARF MF 20 destinatários dos recursos, tampouco as operações ou suas causas. Basta examinar o campo “Observação” dessa planilha para se certificar de que os valores ali retratados ou não condizem com aqueles contidos nos documentos carreados aos autos ou sequer são corroborados por qualquer elemento probatório. Por tudo isso, entendo que na autuação está perfeitamente caracterizada a hipótese descrita em lei (a falta de comprovação da causa do pagamento realizado) e, por outro lado, são totalmente descabidas as alegações de que o lançamento foi efetuado sem a indicação de provas, já que a ocorrência das operações foi devidamente comprovada na autuação e não foram identificados, repisese, os beneficiários ou a causa de tais operações. Desta forma, considero que documentação carreada aos autos pela autoridade autuante comprova de forma inequívoca os desembolsos indevidos de recursos da empresa para outros fins que não o pagamento de despesas ou custos operacionais. Resta evidenciado ainda nos autos que a exação não resulta de mera presunção ou suspeita, tendo, ao contrário, respaldo em fatos fartamente registrados e elementos probatórios consistentes. No que respeita à inclusão de TED/DOC de mesma titularidade no lançamento, consta da planilha elaborada pelo recorrente e também daquela reproduzida no acórdão da DRJ/BHE somente duas situações dessa natureza. Tratamse TED de mesma titularidade efetuadas em 01/03/2006, R$ 23.900,00 e em 04/04/2006, R$ 307.000,00. Nesse caso, em se tratando de valores transferidos de uma conta bancária do contribuinte para outra, também de sua titularidade, não vejo como enquadrar tal situação nas hipóteses descritas em lei, devendose excluir tais valores do lançamento. Por fim, sobre a afirmação de que a decisão da DRJ/BHE teria reclamado prova de pagamento a sociedade em conta de participação, penso que a recorrente deve terse equivocado, pois não consta do acórdão recorrido qualquer asserto a esse respeito. Conclusão Ante o exposto, voto por afastar as preliminar de nulidade do lançamento, NÃO CONHECER DO RECURSO com relação ao afastamento da responsabilidade solidária, CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores relativos a TED de mesma titularidade efetuadas em 01/03/2006, R$ 23.900,00 e em 04/04/2006, R$ 307.000,00. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 6600DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.728590/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/05/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.561
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/05/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 85 90 /2 01 2- 18 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10711.728590/201218 Acórdão n.º 3201002.561 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A irregularidade identificada consta do tópico "Dos Fatos", parte da Descrição dos Fatos do Auto de Infração. Segundo o relatado, consistiu na prestação intempestiva de informação referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali indicado, o que acarretou no bloqueio automático do conhecimento no sistema Carga, conforme extrato anexado aos autos. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu configurada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali cominada. Não conformada com a exigência, a contribuinte apresentou Impugnação, cujos argumentos de defesa foram assim sintetizados pela DRJ: a) Princípio da razoabilidade. O atraso incorrido pela impugnante não causou embaraço ao controle aduaneiro, eis que as informações foram prestadas com suficiente antecedência da chegada do navio ao porto, o que comprova, também, o fato de a autuada não ter agido com intuito de cometer qualquer infração. Dessa forma, a aplicação de multa no presente caso ofende ao princípio da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. b) Bis in Idem. A impugnante foi penalizada mais de uma vez pela mesma conduta, uma vez que foram cobradas multas pelo atraso na entrega de informações referentes a cargas transportadas no mesmo navio/viagem, conforme processos administrativos indicados, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) nº 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento ou, subsidiariamente, que seja aplicado o entendimento de que só é cabível uma multa em relação a cada navio/viagem, excluindose as penalidades excedentes. A DRJ/Fortaleza julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigência da penalidade nos termos do Acórdão 08033.164. No recurso voluntário foram repisadas as alegações trazidas na impugnação. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10711.728590/201218 Acórdão n.º 3201002.561 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.523, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10711.724209/201241, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.523): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o tempestivo Recurso Voluntário, dele conheço. A alegação da fiscalização de 'Não Prestação de Informação sobre Carga Transportada' e a consequente aplicação de multa de R$ 5.000,00 prevista no Art. 107 do DL 37/66, em razão do descumprimento do prazo previsto na IN RFB 800/2007, Art. 22, ocorreu em razão da fiscalização ter constatado que o contribuinte era consignatário e deveria ter cumprido o prazo em no máximo até 29/07/09 às 07:58, sendo que desconsolidou o mercante agregado HBL de fls. 23 e 24 às 18:00 do mesmo dia 29. Conforme alegação de bis in idem do contribuinte em seu Recurso Voluntário, a autuação seria atrelada a dois outros autos de infração, Processos Administrativos de n°. 10711.724.250/201218 e 10711.724.251/201262, com os mesmos fatos e penalidade. Vencido no voto de diligência, para que fossem juntadas aos autos cópias dos mencionados processos e fosse verificada a possibilidade da duplicidade da pena, conforme Resolução por mim proposta na sessão de Janeiro deste ano, é certo que devo proceder à análise do mérito desta lide. Em que pese existir precedente favorável à situação do contribuinte, como o encontrado no Acórdão 3102001.988 deste Conselho, que determinou que a multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem, como fora consignado na autuação, não houve comprovação da existência de duplicidade ou do bis in idem, tampouco argumentos capazes de prejudicar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou 'que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos'. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10711.728590/201218 Acórdão n.º 3201002.561 S3C2T1 Fl. 5 4 Mas cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso, não foram juntados pelo contribuinte. Esta situação (não juntada de documentos ou provas) diverge do previsto no Art. 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte. Restam prejudicados os demais argumentos do contribuinte, pois todos são decorrentes da alegação de bis in idem, exceto pela alegação de aplicação do princípio da razoabilidade, o que certamente teria valia porque é um princípio constitucional, contudo, está correta a fundamentação legal do lançamento, vigente e aplicável aos fatos narrados. O lançamento capitulou corretamente a multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Assim, deve ser aplicada a multa prevista pela letra “e” do inciso IV, art. 107 do Decreto nº 37, isso é, no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter o lançamento em uma só multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais)." Quanto à questão do bis in idem, da mesma forma que no caso do paradigma a contribuinte não juntou ao presente processo "cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso". Não comprovada a ocorrência de duplicidade da exigência, não há como acolher o pleito de nulidade do presente lançamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.726550/2015-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2011
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. DECLARAÇÃO ENTREGUE FORA DO PRAZO. SÚMULA CARF Nº 69.
A legislação prescreve a aplicação da multa por atraso na entrega da DIRPF, caso esta se dê após o vencimento do respectivo prazo. Matéria objeto da Súmula CARF nº 69: "a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo".
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF E DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49.
Matéria já pacificada no âmbito do CARF, conforme respectiva Súmula nº 49: "a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração".
Numero da decisão: 2402-005.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Julgado em 07/04/2017, no período da manhã.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. DECLARAÇÃO ENTREGUE FORA DO PRAZO. SÚMULA CARF Nº 69. A legislação prescreve a aplicação da multa por atraso na entrega da DIRPF, caso esta se dê após o vencimento do respectivo prazo. Matéria objeto da Súmula CARF nº 69: "a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo". MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF E DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. Matéria já pacificada no âmbito do CARF, conforme respectiva Súmula nº 49: "a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração".
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MULTA ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF Recorrente SUZETE GEMMAL DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. DECLARAÇÃO ENTREGUE FORA DO PRAZO. SÚMULA CARF Nº 69. A legislação prescreve a aplicação da multa por atraso na entrega da DIRPF, caso esta se dê após o vencimento do respectivo prazo. Matéria objeto da Súmula CARF nº 69: "a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo". MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF E DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. Matéria já pacificada no âmbito do CARF, conforme respectiva Súmula nº 49: "a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 65 50 /2 01 5- 77 Fl. 53DF CARF MF 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Julgado em 07/04/2017, no período da manhã. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 12448.726550/201577 Acórdão n.º 2402005.777 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório A contribuinte acima identificada recorreu de decisão de primeira instância administrativa que não acatou as alegações de sua defesa, mantendo integralmente o crédito tributário que integra o presente processo. O lançamento referese à exigência de multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, correspondente ao exercício 2012, ano calendário 2011 (fl.06). Por não se conformar com a decisão da DRJ, a autuada interpôs recurso voluntário de fls. 40/50, no qual, após narrar os principais fatos ocorridos no processo, em síntese, alegou os pontos abaixo. Menciona decisões do CARF, nas quais se entende que no caso de declaração em que resulte em imposto a restituir não é cabível a imposição da multa por atraso na entrega da DIRPF, prevista no I do art. 88 da Lei n.º 8.981/1995. Afirma que na hipótese de inexistir procedimento fiscal instaurado e for apresentada espontânea e intempestivamente a declaração de rendimentos, a multa a ser aplicada é aquela do art. 88 da Lei n.º 8.981/1995, afastadose a penalidade por falta de declaração prevista no art. 44 da Lei n.º 9.430/1996. Aduz que, no que diz respeito à nulidade do lançamento, a contribuinte concorda com o relator no sentido de que a notificação sob discussão não afronta o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto n.º 70.235/1972. Alega que a Procuradoria da Fazenda Nacional, atendendo a consulta da Receita Federal, emitiu o Parecer PGFN/CAT/n.º 628/1995, onde manifesta o entendimento que, para o anocalendário de 1993, as multas previstas no art. 992 do RIR/1994 serão proporcionais ao valor que a autoridade fiscal houver apurado como imposto devido, atendidas as compensações legalmente permitidas e não ao valor declarado pelo contribuinte como "imposto devido". Cita acórdãos da CSRF do CARF onde também se manifesta o entendimento de que a multa por entrega intempestiva da declaração de rendimentos incide sobre o "imposto devido", que não é aquele apurado após a aplicação da tabela progressiva, mas o valor informado na declaração a título de "a pagar", após as antecipações. Nesse sentido, defende que sendo esta a situação discutida nos autos, devese dar a mesma solução em respeito ao princípio constitucional da isonomia, não fazendo sentido que a decisão proferida em processo fiscal federal relativamente a um contribuinte não seja também aplicada àqueles que se encontrem em condições idênticas. Advoga que se as legislações que embasaram a penalidade são nitidamente omissas na definição objetiva do conceito de "imposto devido", para efeitos de aplicação da Fl. 55DF CARF MF 4 multa, deve prevalecer no caso concreto o princípio da interpretação mais favorável ao sujeito passivo, conforme art. 112 do CTN. Argumenta que o cidadão não pode ficar refém de interpretações subjetivas do fisco, sendo recomendável que os poderes constituídos reformulem a legislação portadora de ambiguidades. Ao final, requer a redução da multa de R$ 6.090,38 para R$ 165,74 e que o processo tenha o andamento prioritário em obediência do Estatuto do Idoso. É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 12448.726550/201577 Acórdão n.º 2402005.777 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 09/12/2015 (fl. 37), tendo apresentado a peça recursal em 07/01/2016 (fl. 40), portanto, verificase a sua tempestividade. Por terem sido atendidos os demais requisitos legais, deve ser conhecido o recurso voluntário. Penalidade por entrega intempestiva da declaração de rendimentos Uma primeira observação que deve ser feita é que a ocorrência da infração é fato incontroverso, posto que o contribuinte não nega que fez a entrega da declaração de rendimento do exercício de 2012 somente em 30/07/2015, conforme consta da notificação de lançamento de multa de fl. 06. A discussão recai sobre a imposição da penalidade. A previsão legal para sua imposição tem sede no art. 88, I da Lei nº 8.981/1995 c/c o art. 27 da Lei nº 9.532/1997, a seguir transcritos: Lei n.º 8.981/1995 Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; (Vide Lei nº 9.532, de 1997) II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1º O valor mínimo a ser aplicado será: a) de duzentas Ufirs, para as pessoas físicas; b) de quinhentas Ufirs, para as pessoas jurídicas. Lei n.º 9.532/1997 Art. 27. A multa a que se refere o inciso I do art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, é limitada a vinte por cento do imposto de renda devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 1º do referido art. 88, convertido em reais de acordo com o disposto no art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Essa conversão em reais resulta numa multa mínima de R$ 165,74. Fl. 57DF CARF MF 6 Da notificação de lançamento de multa, verificase que a penalidade foi imposta no patamar de 20% do imposto devido constante na DAA (R$ 30.451,92), resultando no valor de R$ 6.090,38. Para o sujeito passivo, a expressão imposto devido constante da lei diz respeito ao saldo a pagar do imposto após as compensações e deduções. Neste sentido, como naquele exercício ele teria um saldo a ser restituído a multa, na pior das hipóteses, teria que ser aplicada no seu patamar mínimo, posto que o imposto devido, no seu entendimento, seria zero. Essa discussão não é nova no CARF, tendo inclusive resultado na edição de Súmula, a qual transcrevo: Súmula CARF nº 69: A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. Acerca da expressão "Imposto de Renda devido" essa turma já firmou interpretação de que ela se refere ao tributo devido antes das antecipações/compensações, como se pode ver do trecho do voto condutor do Acórdão n.º 2402004.966, cuja relatoria coube ao Conselheiro Ronnie Soares Anderson, que assim manifestouse: "Quanto à alegação de que a multa cobrada seria indevida, pois teria o contribuinte imposto a restituir, e não a pagar, esbarra ela mais uma vez na literalidade de disposição legal, no caso o art. 88, I da Lei nº 8.981/1991 c/c o art. 27 da Lei nº 9.532/1997, que prevêem que a apresentação da declaração fora do prazo fixado sujeita a pessoa física à multa de mora de um por cento ao mês ou fração calculada sobre o imposto de renda devido, ainda que integralmente pago, por exemplo, via antecipações mensais ou retenções na fonte, ressalvados os valores mínimo (R$ 165,74) e máximo (20% do imposto devido)..." Esse também foi o meu entendimento naquela sentada, ao qual me mantenho fiel. Acerca do Parecer da PGFN mencionado no recurso, é de se assinalar que se refere especificamente a exercício de 1994, quando sequer havia sido editada a Lei n.º 8.981/1995, a qual fundamentou a presente lavratura. Por outro lado, não há como acolher o pedido do sujeito passivo para aplicação à espécie das decisões administrativas que menciona. É que se tratam de julgados sem efeito vinculante perante este colegiado, além de que são decisões prolatadas anteriormente à Súmula CARF n.º 69, acima mencionada. Acerca de aplicação do instituto da denúncia espontânea também alegada no recurso, afasto esta tese socorrendome da Súmula CARF nº 49, eis que: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração” Restam, portanto, afastadas uma a uma as teses recursais. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 12448.726550/201577 Acórdão n.º 2402005.777 S2C4T2 Fl. 5 7 Conclusão Voto por conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000259/2007-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/01/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-005.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2003 a 31/01/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 02 59 /2 00 7- 71 Fl. 521DF CARF MF Processo nº 17546.000259/200771 Acórdão n.º 9202005.000 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 522DF CARF MF Processo nº 17546.000259/200771 Acórdão n.º 9202005.000 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 17546.000259/200771 Acórdão n.º 9202005.000 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 524DF CARF MF Processo nº 17546.000259/200771 Acórdão n.º 9202005.000 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 17546.000259/200771 Acórdão n.º 9202005.000 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 526DF CARF MF Processo nº 17546.000259/200771 Acórdão n.º 9202005.000 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 527DF CARF MF Processo nº 17546.000259/200771 Acórdão n.º 9202005.000 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 528DF CARF MF Processo nº 17546.000259/200771 Acórdão n.º 9202005.000 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 17546.000259/200771 Acórdão n.º 9202005.000 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 530DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002807/2004-08
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1998, 1999, 2000
RESTITUIÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Para efeito de interpretação do inciso I do art.168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN), a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da
referida Lei.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 1998, 1999, 2000
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº2).
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
SERVIÇOS HOSPITALARES. PROMOÇÃO À SAÚDE.
Sujeitam-se a alíquota reduzida de 8% preconizada no art. 15,§ 1º, inciso III, alínea “a” da Lei nº 9.250/95, os estabelecimentos hospitalares e clínicas médicas que prestam serviços de promoção à saúde, excetuadas as simples consultas médicas.
Numero da decisão: 1803-00.685
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito creditório relativo aos pagamentos a maior efetuados a partir de 15/06/1999, considerando prescritos os procedidos em data anterior, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes, relator, e Selene Ferreira de Moraes, que negavam provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998, 1999, 2000 RESTITUIÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Para efeito de interpretação do inciso I do art.168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN), a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1998, 1999, 2000 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº2). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 SERVIÇOS HOSPITALARES. PROMOÇÃO À SAÚDE. Sujeitam-se a alíquota reduzida de 8% preconizada no art. 15,§ 1º, inciso III, alínea “a” da Lei nº 9.250/95, os estabelecimentos hospitalares e clínicas médicas que prestam serviços de promoção à saúde, excetuadas as simples consultas médicas.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito creditório relativo aos pagamentos a maior efetuados a partir de 15/06/1999, considerando prescritos os procedidos em data anterior, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes, relator, e Selene Ferreira de Moraes, que negavam provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998, 1999, 2000 RESTITUIÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Para efeito de interpretação do inciso I do art.168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN), a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1998, 1999, 2000 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 SERVIÇOS HOSPITALARES. PROMOÇÃO À SAÚDE. Sujeitam-se a alíquota reduzida de 8% preconizada no art. 15,§ 1º, inciso III, alínea “a” da Lei nº 9.250/95, os estabelecimentos hospitalares e clínicas médicas que prestam serviços de promoção à saúde, excetuadas as simples consultas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito creditório relativo aos pagamentos a Fl. 383DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/02/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 maior efetuados a partir de 15/06/1999, considerando prescritos os procedidos em data anterior, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes, relator, e Selene Ferreira de Moraes, que negavam provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes e Luciano Inocêncio dos Santos. Fl. 384DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/02/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10830.002807/2004-08 Acórdão n.º 1803-00.685 S1-TE03 Fl. 367 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 344-verso e 345): Trata o presente processo de pedido de restituição efetuado em 14/06/2004, no valor atualizado de R$ 29.247,08, referente a pagamentos a título de IRPJ, dos anos- calendário de 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002, nos quais a contribuinte apresentou declaração de rendimentos na forma do Lucro Presumido e aplicou o percentual de 32 % sobre a receita bruta para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda. 2 Entende a interessada que, nos termos do art. 15, § 1º, inciso III, letra "a", da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os serviços profissionais por ela prestados são equiparados a serviços hospitalares. Em razão disso, pleiteia a aplicação do percentual de 8 % para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda na forma do Lucro Presumido, e a restituição do que pagou a maior pela alíquota de 32 %. 3 A DRF em Campinas/SP, em decisão de fls. 317/325, datada de 28/07/2008, indeferiu o pedido de restituição do imposto, por entender estarem decaídos os supostos indébitos tributários, até o ano-calendário de 1999, além de a empresa não se enquadrar como prestadora de serviços hospitalares. 4 Inconformada com a decisão de indeferimento do pedido de restituição, da qual tomou ciência por via postal em 27/08/2008, conforme AR de fls. 333, a contribuinte, por seu procurador legalmente habilitado, interpôs, em 04/09/2008, manifestação de inconformidade de fls. 334/342, expondo em sua defesa as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: 4.1 — define, inicialmente, o seu ramo de atuação, diz que faz jus à tributação pelo lucro presumido, à alíquota de 8 %, e contesta o indeferimento do pedido de restituição, por ela formulado; 4.2 — em caráter preliminar, afirma que a tese pacificada na doutrina e jurisprudência, com base na Lei Complementar n° 118, de 9 de fevereiro de 2005, não pode ser aplicada ao presente caso; 4.3 — invoca o artigo 144 do CTN para sustentar que se deve aplicar a legislação vigente à época do fato gerador, que previa a contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, após a homologação, tácita ou expressa, do lançamento; 4.4 — assim, a decadência do direito de solicitar restituição do imposto pago a maior, no ano-calendário de 1997, teria ocorrido apenas no ano de 2007, e não no ano de 2002, como consta do despacho decisório; 4.5 — como o pedido foi formulado no ano de 2004, não ocorreu decadência de qualquer dos períodos abrangidos pela solicitação; Fl. 385DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/02/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 4.6 — no mérito, afirma se enquadrar entre as entidades prestadoras de serviços hospitalares, sujeita ao imposto de renda, pelo lucro presumido, à alíquota de 8 %, conforme art. 15 da Lei n° 9.249, de 1995, dispositivo que transcreve; 4.7 — reproduz o objeto social da empresa, transcreve a conceituação de hospital, feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, conforme Resolução RDC n° 50, e reitera a sua inclusão como entidade hospitalar, pelo fato de prestar serviços médicos na área de diagnóstico, por meio de radioterapia, com utilização de aparelhos radiológicos os mais diversos, inclusive tomografia computadorizada; 4.8 — nessas condições, tem direito ao recolhimento do imposto pela alíquota menor de 8 %, fazendo jus à compensação dos créditos, conforme doutrina e legislação, que explicita, inclusive art. 2° da Instrução Normativa n° 600, de 28 de dezembro de 2005; 4.9 — considerando todo o arrazoado exposto, requer, ao final, seja o recurso conhecido e provido, para o fim de reformar a decisão proferida, seja reconhecido o enquadramento da recorrente na alíquota de 8 % e o direito ao crédito dos valores pagos a maior, com a posterior homologação das declarações de compensação efetuadas. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 344): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1997, 1998, 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. ART. 168 DO CTN. Nos termos do art. 168 do CTN, o direito de pleitear a restituição de tributo, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido, se exaure com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. CONFIGURAÇÃO. O percentual de 8 % para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ na forma do Lucro Presumido somente se aplica nos casos de prestação de serviços médicos, quando cumpridos os requisitos estipulados no art. 27 da IN SRF n° 480, de 2004, com a redação alterada pela IN SRF n° 791, de 2007. Cientificada da referida decisão em 08/07/2009 (fls. 351), a tempo, em 29/07/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 352 a 364, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que preenchia todos os requisitos para que fosse devidamente reconhecida como entidade prestadora de serviços hospitalares, pois seu objetivo não era o da prestação de serviços de profissão regulamentada, era sim a prestação de serviços de diagnóstico por imagem, prestação a qual enquadra-se perfeitamente no conceito de prestação de assistência médica curativa e de reabilitação; b) que haja vista a impronúncia do legislador sobre a definição de entidade hospitalar para fins de tributação, buscava-se sua definição na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, especificamente nos ditames da RDC n° Fl. 386DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/02/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10830.002807/2004-08 Acórdão n.º 1803-00.685 S1-TE03 Fl. 368 5 50, de 21 de fevereiro de 2002, que conceituava hospital como estabelecimento de saúde dotado de meios diagnósticos e terapêuticos, com o objetivo de prestar assistência médica curativa e de reabilitação; c) que, haja vista existir tão somente tal requisito à época, atendia plenamente todos os requisitos para que fosse beneficiada pela redução de carga tributária, já que a sociedade sempre praticou diagnósticos por meio de imagem; d) que, ante o princípio da irretroatividade da lei tributária, calcado nos arts. 105 e 106 do CTN, é impossível admitir a aplicação retroativa da IN SRF n° 306 de 2006, e do ADI SRF n° 18, de 2003, ao caso em tela, já que não são atos meramente interpretativos; e e) que não é um critério justificável a exclusão do Contribuinte por não ser sociedade empresarial. Em mesa para julgamento. Fl. 387DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/02/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 Voto Vencido Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Prescrição do pedido de restituição O acórdão recorrido merece confirmação na parte relativa a este item, por estar solidamente fundamentado em dispositivos de lei plenamente vigentes. No que se refere à alegada inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, em especial, o seu art. 4º, incide na espécie a Súmula Carf nº 2, de seguinte teor: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, em contraponto ao entendimento manifestado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) (tese dos cinco mais cinco), releva anotar que o Supremo Tribunal Federal (STF) já externou em, pelo menos, duas oportunidades, nos Agravos Regimentais nos Agravos de Instrumentos nºs 64.773-SP e 69.363-SP, a correta inteligência dos artigos do Código Tributário Nacional (CTN) que tratam de prazo para pleitear restituição, tendo assentado que: A cláusula subordinada e condicional de ulterior homologação do pagamento em nada influi no raciocínio, porque ela funciona como ressalva em garantia dos interesses fazendários; em segundo lugar, porque, tratando-se de condição resolutiva, a relação jurídica está formada e perdura, até que se realize a condição (v. Clóvis, com. art. 119). No caso, a condição não se verificou e o direito resultante do pagamento se tornou definitivamente invulnerável: o negócio não se resolveu e sua eficácia não cessou (...). Segue-se do exposto que não é da homologação do pagamento, expresso ou tácito, que flui o prazo prescricional de cinco anos, senão do pagamento mesmo, que, no caso, ocorreu em 1967 (...). Serviços hospitalares Em discussão, o enquadramento, ou não, da Recorrente como prestadora de serviços hospitalares, como previsto no art. 15, § 1º, inciso III, alínea “a”, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 (grifou-se): Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: Fl. 388DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/02/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10830.002807/2004-08 Acórdão n.º 1803-00.685 S1-TE03 Fl. 369 7 [...]; III - trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Para bem distinguir o alcance dos termos do art. 15, § 1º, inciso III, alínea “a”, da Lei nº 9.249, de 1995, notadamente no que se refere à expressão “serviços hospitalares”, considero importante transcrever o contido no art. 29 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, que deu nova redação àquelas disposições, como segue (destacou-se): Art. 29. A alínea “a” do inciso III do § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 15. ............................................................ § 1º .......................................................... ............................................................. III – ...................................................... a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; Como se verifica, os serviços de “auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas” estão legalmente excluídos do conceito de “serviços hospitalares”. É que não iria o legislador excetuar essas atividades da aplicação da alíquota de trinta e dois por cento se já estivessem, elas, enquadradas naquela expressão (“serviços hospitalares”), o que permite considerar referido dispositivo legal como um verdadeiro preceito interpretativo, que objetivou ampliar o rol das atividades beneficiadas com a alíquota reduzida de oito por cento. Veja-se, nesse sentido, o que constou do Parecer proferido no Plenário da Câmara dos Deputados pelo Relator, Dep. Odair Cunha (PT-MG), pela Comissão Mista, que “conclui pelo atendimento dos pressupostos constitucionais de relevância e urgência; pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa desta MPV e das Emendas de nºs 1 a 3, 5 a 8, 10, 11, 14, 16 a 40, 48 a 51, 54, 55, 57 a 66, 71, 73, 78, 93 a 95, 97, 108, 110, 115, 116, 119, 121, 127, 130, 132, 143 a 146, 152, 155, 160, 164, 171, 177, 178, 180 e 185; pela inconstitucionalidade das Emendas de nºs 83, 105, 112, 113, 158, 159, 167, 168 e 169; pela injuridicidade das Emendas de nºs 112, 120 e 158; pela má técnica legislativa das Emendas de nºs 4, 9, 12, 13, 15, 41 a 47, 52, 53, 56, 67 a 70, 72, 74 a 77, 79 a 92, 96, 98 a 107, 109, 111 a 114, 117, 118, 120, 122 a 126, 128, 129, 131, 133 a 142, 148 a 151, 153, 154, 156 a 159, 161 a 163, 165 a 170, 172 a 176, 179, 181 e 184; pela adequação financeira e orçamentária desta MPV e das Emendas de nºs 1 a 3, 7, 8, 10, 11, 12, 14, 16 a 24, 26 a 40, 48, 49, 53 a 55, 57 a 66, Fl. 389DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/02/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH 8 71 a 73, 78, 80, 83, 86, 92 a 95, 97, 108, 110, 113, 115, 116, 119, 121, 127, 130, 132, 135, 136, 138 a 147, 152, 160, 164, 167 a 169, 171, 174, 177, 180, 183 e 185; pela não implicação da matéria com aumento ou diminuição da receita ou da despesa públicas, não cabendo pronunciamento quanto à adequação financeira e orçamentária das Emendas de nºs 50, 51, 67 a 70, 74, 106 e 154; pela inadequação financeira e orçamentária das Emendas de nºs 4, 9, 13, 15, 25, 41 a 47, 52, 56, 75 a 77, 79, 81, 82, 84, 85, 87 a 91, 96, 98 a 105, 107, 109, 111, 112, 114, 117, 118, 120, 122 a 126, 128, 129, 131, 133, 134, 137, 148 a 151, 153, 155 a 159, 161 a 163, 165, 166, 170, 172, 173, 175, 176, 178, 179, 181, 182 e 184; e, no mérito, pela aprovação desta MPV e pela aprovação parcial ou total das Emendas de nºs 3, 7, 8, 11, 12, 14, 55, 64 a 66, 71, 78, 108, 115, 121, 132 e 147, na forma do Projeto de Lei de Conversão apresentado; e pela rejeição das demais emendas apresentadas” (negritos do original, sublinhados da transcrição): A Emenda nº 147, também do Deputado Luiz Carlos Hauly, mereceu também acatamento parcial, com alterações técnicas de redação para ampliar-lhe o alcance e permitir ao Fisco um controle mais eficaz sobre a regularidade da sua aplicação prática. O dispositivo contempla a mudança da base de cálculo do imposto de renda sobre o lucro presumido, no caso de serviços de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, quando prestados por sociedade empresária e atendidas as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, que passa a ser calculada com base no percentual de 8 % do faturamento, à semelhança dos serviços hospitalares, em lugar dos 32 % atualmente em vigor, aplicáveis à prestação de serviços em geral. Da mesma forma, constou do Parecer nº 479, de 2008, “de Plenário, sobre o Projeto de Lei de Conversão nº 14, de 2008, relativo à Medida Provisória nº 413, de 3 de janeiro de 2008, que dispõe sobre medidas tributárias destinadas a estimular os investimentos e a modernização do setor de turismo, a reforçar o sistema de proteção tarifária brasileiro, a estabelecer a incidência de forma concentrada da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS na produção e comercialização de álcool, altera o art. 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, e dá outras providências” (Relator-Revisor: Senador César Borges) (grifou-se): O art. 29 estende aos serviços de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, a forma de tributação do IR atualmente aplicável aos serviços hospitalares. Assim, a base de cálculo do imposto passa a ser determinada pela aplicação do percentual de oito por cento – em vez de trinta e dois por cento – sobre a receita bruta auferida mensalmente. Assim, a correta interpretação a ser dada à expressão “serviços hospitalares” é a de que se aplica, unicamente, a serviços prestados por hospitais, de conformidade, aliás, com o que se extrai do Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 19, de 7 de dezembro de 2007, que “Dispõe sobre o conceito de serviços hospitalares para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda”: [...] os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de Fl. 390DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/02/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10830.002807/2004-08 Acórdão n.º 1803-00.685 S1-TE03 Fl. 370 9 admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. No presente caso, sendo a Recorrente, como por ela mesma reconhecido, uma empresa prestadora de serviços de diagnóstico por imagem (fls. 363), e não um hospital, não cabe o percentual de presunção do lucro presumido de oito por cento, previsto originariamente apenas para estes últimos estabelecimentos. Assim, por se não tratar de prestadora de “serviços hospitalares”, já que não apresenta a diversidade de serviços e custos inerentes aos hospitais, resta à Recorrente a rubrica de serviços gerais, cujo percentual de determinação da base de cálculo para a apuração do lucro presumido é de trinta e dois por cento. Menciona-se, no mesmo sentido do aqui exposto, o seguinte precedente administrativo: SERVIÇOS HOSPITALARES - CARACTERIZAÇÃO - A presunção de lucratividade reduzida prevista na Lei nº 9.249/95 está intimamente ligada à existência de custos relevantes com instalações, equipamentos e mão-de-obra qualificada inerente a um hospital, compreendendo tanto a parte médica especializada quanto os serviços de hotelaria e fornecimento de produtos. A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, não corresponde ao conjunto de serviços e custos inerentes a um centro hospitalar, traduzindo-se meramente em um exercício de profissão regulamentada. Recurso de ofício parcialmente provido. (1º Conselho de Contribuintes / 3ª. Câmara / ACÓRDÃO 103- 23.236 em 18.10.2007. Publicado no DOU em: 30.11.2007) Em decorrência, ficam prejudicados os demais argumentos relativos a este tópico e o pedido de "reconhecimento dos valores pagos a maior com a posterior homologação das declarações de compensação efetuadas" (fls. 364). Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 391DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/02/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH 10 Voto Vencedor Conselheiro Walter Adolfo Maresch, Redator Designado Em que pese o brilhantismo do voto externado pelo ilustre conselheiro relator, suas conclusões não foram integralmente acolhidas pela maioria desta Turma de julgamento. O dissenso se estabeleceu em relação ao mérito do pedido, relacionado com o enquadramento da recorrente no conceito de serviço hospitalar (Lei nº 9.250/95, art. 15, § 1º, III, alínea “a”), fazendo juz à alíquota reduzida de 8% e em conseqüência aflorando indébito tributário sujeito à repetição, por ter recolhido o imposto de renda pessoa jurídica, com base na alíquota de 32%. O longo debate que se trava no âmbito dos tribunais administrativos e judiciais, fundado nos inúmeros e conflitantes atos emanados da Secretaria da Receita Federal acerca do assunto, demonstram duas vertentes que ora focam o tipo de atividade realizada pelo contribuinte voltada à promoção da saúde ora amparam seu entendimento fundado no local da prestação dos serviços. Os julgamentos anteriores realizados nesta turma, tem acolhido a tese da finalidade na promoção da saúde, independentemente das instalações do contribuinte, excetuando-se as simples consultas médicas. No caso da recorrente, trata-se de clínica médica que presta serviços médicos na área de diagnóstico, por meio de radioterapia, tendo em sua sede aparelhos radiológicos dos mais diversos, inclusive sendo proprietária de aparato de tomografia computadorizada, que nada tem a ver com simples consultas médicas, sendo evidente o nítido caráter complementar à promoção da saúde como desenvolvida nos hospitais. A jurisprudência deste órgão julgador administrativo tem se espelhado no entendimento pacificado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, que entendeu ser objetivo e não subjetivo o alcance da norma contida no art. 15, § 1º, inciso III, alínea “a” da Lei nº 9.250/95, não se voltando portanto as condições particulares do contribuinte, mas focando na atividade efetivamente exercida e voltada à promoção da saúde, à semelhança dos desenvolvidos nos estabelecimentos hospitalares. O julgado contido no Resp 951.251 que redefiniu e unificou a jurisprudência no âmbito do STJ, está assim ementado: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 - PR (2007/0110236-0) RELATOR : MINISTRO CASTRO MEIRA RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : LUÍS ALBERTO SAAVEDRA E OUTRO(S) CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO RECORRIDO : UROCLIN SERVIÇOS MÉDICOS S/C LTDA ADVOGADO : REGIS LUIS JACQUES BOHRER EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. Fl. 392DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/02/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10830.002807/2004-08 Acórdão n.º 1803-00.685 S1-TE03 Fl. 371 11 ARTS. 15, § 1º, III, "A", E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR. INTERNAÇÃO. NÃO-OBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO-PROVIMENTO. 1. O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. Observação de que o Acórdão recorrido é anterior ao advento da Lei nº 11.727/2008. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Deve-se entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. (...) 22/04/2009. Fl. 393DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/02/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH 12 O entendimento contido no acórdão retromencionado, foi reproduzido desta feita em julgado submetido à sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, com o seguinte teor: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 - BA (2009/0006481-0) RELATOR : MINISTRO BENEDITO GONÇALVES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : LABORATÓRIO DE ANÁLISES JOÃO PINTO CUNHA S/C LTDA ADVOGADO : ISALBERTO ZAVÃO E OUTRO(S) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543-C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discute-se a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poder-se restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251-PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em Fl. 394DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/02/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10830.002807/2004-08 Acórdão n.º 1803-00.685 S1-TE03 Fl. 372 13 regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ. (...) 28/10/2009. Desta forma, entendo assistir razão à recorrente, pois não é possível distinguir onde a lei não distingue sendo inequívoco estar enquadrada a atividade da contribuinte, no sentido de promoção à saúde, excepcionando-se evidentemente as simples consultas médicas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Fl. 395DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/02/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000899/2008-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/07/2003
LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE MATERIAL. CONSTATAÇÃO.
Uma vez constatado que o relatório fiscal não faz a indicação clara e precisa dos fatos geradores do crédito fiscal, deve o Contribuinte ser exonerado do crédito fiscal, em razão da nulidade material de que padece o lançamento.
Numero da decisão: 2301-004.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso de Ofício, para, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto da relatora.
Acompanhou o julgamento pela Recorrida, Dr. Claudio Flores Rolim, OAB/BA 22.187.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício e Relatora.
EDITADO EM: 08/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora), Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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NULIDADE MATERIAL. CONSTATAÇÃO. Uma vez constatado que o relatório fiscal não faz a indicação clara e precisa dos fatos geradores do crédito fiscal, deve o Contribuinte ser exonerado do crédito fiscal, em razão da nulidade material de que padece o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso de Ofício, para, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento pela Recorrida, Dr. Claudio Flores Rolim, OAB/BA 22.187. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício e Relatora. EDITADO EM: 08/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora), Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 08 99 /2 00 8- 45 Fl. 1204DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto pela União (Fazenda Nacional) por força do disposto no artigo 34, do Decreto nº 70.235/1972, em decorrência da exoneração do crédito tributário, nos termos do Acórdão nº 12046.767, da 14ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro, nos seguintes termos: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 31/07/2003 Lançamento fiscal. Nulidade material. Constatação. Uma vez constatado que o relatório fiscal não faz a indicação clara e precisa dos fatos geradores do crédito fiscal, deve o Contribuinte ser exonerado do crédito fiscal, em razão da nulidade material de que padece o lançamento. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Conforme Relatório Fiscal (efls. 62/64): a) o débito referese as contribuições devidas à Seguridade Social (segurados, parte patronal e Terceiros), não recolhidas nos períodos de 02/01 a 05/01, 07 a 13/01 – 02 e 03/02, 07 a 09/02, 11 a 13/02 – 02/03 e 04/03 a 07/03; b) o fato gerador das contribuições devidas (salário de contribuição), foi apurado, no período acima descrito, consoante nas folhas de pagamento, recibos de pagamento, documentos de rescisões contratuais e livros contábeis que foram apresentados para essa auditoria fiscal em questão, gerando assim o lançamento de débito de n. – DEBCAD: 35.131.3303, no valor de R$ 4.415.408,13 (quatro milhões, quatrocentos e quinze mil, quatrocentos e oito reais e treze centavos); c) as alíquotas aplicadas foram: segurados = 8%, empresa =20%, sat = 3% e terceiros = 5,8%; d) não houve levantamento de débito em separado, com a devida formalização da apropriação da parte dos segurados, pois a diferença foi encontrada com a análise contábil e verificação das notas fiscais. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, alegando, dentre outros fundamentos, o cerceamento de defesa. Junta guias de recolhimento, diversas notas fiscais de serviços prestados à Telecomunicações do Rio de Janeiro S/A, nas quais consta a retenção de 11% sobre o valor dos serviços; bem como documentos diversos relativos aos referidos serviços, tais como relatório de instalações de linhas e aparelhos, termo de aceitação de serviços etc. Os autos foram baixados em diligência para emissão de relatório fiscal complementar (efls. 1081/1083). Em resposta o AuditorFiscal autuante (efls. 1087/1091) as seguintes informações: Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 18471.000899/200845 Acórdão n.º 2301004.995 S2C3T1 Fl. 3 3 Em resposta a defesa apresentada pela Empresa às fls. 37 a 45, podemos fazer os seguintes esclarecimentos: A – A defesa alega que no relatório do Auditor Fiscal, a exigência decorre das contribuições que a empresa informou no campo, “valor devido ao INSS da GFIP” e que foi deixado de apropriar as retenções de 11% e os valores recolhidos pela Empresa. Preliminarmente, em nenhuma parte do relatório fiscal foi informado que “a exigência” decorre de informação na GFIP, pelo contrário; no relatório fiscal aparece claramente no item 2, que os valores devidos foram levantados dos documentos contábeis que foram apresentados, inclusive folhas de pagamento, e no item 8, que a diferença foi encontrada também com a verificação das notas fiscais. (...) Essa verificação vem corroborar para demonstração de que a simples juntada de notas fiscais (já vistas pela fiscalização) e cópias de andamento de contratos não trouxe nenhum fato novo ao processo, pelo contrário demonstra sim, que pelo apresentado, sem a real verificação de documentos contábeis, como feito pela fiscalização, a empresa seria devedora de um valor ainda maior a Previdência Social. B – Em relação à alegação da defesa de que a alíquota do SAT seria de 1% e não de 3%, conforme foi cobrado pela fiscalização, não está de acordo com o que consta no seu contrato social (fls. 50 a 55) e principalmente com o que se encontrou nos documentos vistos à época da auditoria. A empresa foi criada para atender a TELEMAR, detentora de 999 cotas em 1000 cotas da empresa, na construção instalação e manutenção de redes de telefonia exigidas pela ANATEL. Tal atividade foi verificada como preponderante em documentos contábeis e é atividade de alto risco (3%) no tocante ao SAT. Assim, esta fiscalização ratificou o que o INSS já vinha cobrando da empresa anteriormente, não cabendo nenhuma redução. C – A defesa alega cobrança de “multa de mora” sobre os 11% de retenção. Isso nunca ocorreu já que todas as retenções passíveis de serem apropriadas foram utilizadas e de acordo com a Lei 9.711/98 os valores que não forem fruto de compensação, serão devolvidos a empresa através de processo de restituição devidamente documentado. Não cabe a fiscalização a utilização de valores que deverão ser restituídos para a empresa através de processo. (...) Entendendo que a diligência anterior não havia sido satisfatória, foi solicitada nova diligência para a elaboração de novo relatório fiscal, com ciência da empresa e reabertura do prazo de defesa (efls. 1.095/1.097). Foi solicitado ainda que o relatório complementar contivesse "planilha que permita ao julgador e ao Contribuinte visualizar como foram obtidos os valores que integram o levantamento. Da forma como o relatório fiscal foi redigido, o Fl. 1206DF CARF MF 4 julgador não tem como verificar se procedem, ou não, os argumentos da empresa de que os valores do levantamento estão equivocados" Em resposta foi emitido despacho (efls. 1103/1109) informando, em apertada síntese, que: a) a empresa não apresentou na impugnação qualquer documento que já não tivesse sido verificado na ação fiscal, portanto entende descabida a elaboração de planilha nos termos solicitados pelo julgador, e que essa informação demandaria nova ação fiscal na empresa; b) não procede a alegação da empresa em relação à alíquota SAT ser de 1%, em decorrência da atividade da empresa estar enquadrada como de alto risco (3%); c) não procede a alegação da impugnante sobre "cobrança de “multa de mora” sobre os 11% de retenção"; e d) sobre a aplicação da alíquota de 8% para a contribuição previdenciária dos segurados empregados explica que "as diferenças foram encontradas com a análise contábil e verificação das notas fiscais, o que impossibilitou a separação por segurado, dos descontos sobre a remuneração paga, efetuados pela empresa em sua folha de pagamento". O contribuinte foi cientificado das informações da fiscalização e apresentou nova impugnação alegando em síntese que: (...) Ressaltese que a simples indicação posterior de que o levantamento foi realizado a partir de “análise contábil e verificação de notas fiscais”, como faz o auditor fiscal autuante, não tem o condão de convalidar o vício de nulidade por cerceamento de defesa, uma vez que esta afirmação é bastante genérica, não permitindo à impugnante conferir a exatidão do lançamento. E mais, seja qual for a fonte das informações colhidas, é de conhecimento comezinho que esses valores deveriam constar nos relatórios fiscais complementares. No que toca à apuração da alíquota do SAT, constatase das informações do auditor fiscal autuante que ele, ao realizar o enquadramento da impugnante nos graus de risco, desconsiderou o único critério determinante, porquanto deixou de verificar, em concreto, a atividade exercida pelo maior número de empregados. O critério utilizado pelo auditor fiscal autuante não confere certeza ao lançamento, sendo certo que o lançamento não pode se valer da sua própria dúvida, como reiteradamente vem decidindo o CARF. Não existe, portanto, fundamento que ampare o agir do auditor fiscal. (...) Por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente, e exonerado o crédito tributário, "em razão da nulidade material de que padece o lançamento fiscal". Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 18471.000899/200845 Acórdão n.º 2301004.995 S2C3T1 Fl. 4 5 Em sessão de 11/02/2015, esta 1ª Turma, com composição diversa, entendeu, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que fosse dada ciência do acórdão salientado a interposição de recurso de ofício pela Fazenda. Após, não houve nova manifestação do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade do recurso de ofício, dele conheço e passo à análise. Verificase que a nulidade material foi reconhecida pela DRJ/Rio de Janeiro em decorrência da falta de descrição clara e precisa dos fatos geradores no relatório fiscal da autuação. Analisando o dito relatório, constatase ser extremamente sintético, apenas mencionando, de forma extremamente superficial, período de apuração, fatos geradores, alíquotas aplicadas, documentos analisados. Não há nenhuma menção à apropriação de guias de recolhimento, tampouco referência a diferenças em virtude de recolhimentos aproveitados a título de retenção de 11% (matéria trazida na impugnação e nas informações complementares da fiscalização). Ademais, instado a dar higidez ao crédito lançado, o auditorfiscal autuante entendeu pela desnecessidade de relatório fiscal complementar, sustentando que a peça inicial estava clara e precisa o suficiente para a manutenção do crédito tributário. Também julgou desnecessário demonstrar a composição da base de cálculo apurada e sobre o aproveitamento de guias de recolhimento decorrentes da retenção de 11% manifestouse nos seguintes termos (efls. 1107/1109): (...) " (...) todas as retenções passíveis de serem apropriadas foram utilizadas e de acordo com a Lei 9.711/98 os valores que não foram fruto de compensação, serão devolvidos a empresa através de processo de restituição devidamente documentado. Não cabe a fiscalização a utilização de valores que deverão ser restituídos para a empresa através de processo. Outrossim, a legislação não permite que a empresa não efetive seus recolhimentos em virtude de restituições que o INSS poderá vir a efetuar. A mesma deve recolher suas obrigações Previdenciárias e aguardar o recebimento, se devido for, das restituições cobradas da Previdência Social”. O que foi informado acima é que as retenções que foram utilizadas pela empresa para se compensar de valores devidos a Previdência Social, foram consideradas pela fiscalização na época da auditoria na Fl. 1208DF CARF MF 6 empresa, dentro do limite permitido pela legislação. Logo, todas as retenções passíveis de compensação foram utilizadas no presente levantamento, como determina a lei, para a redução do valor levantado. O que estiver acima do limite permitido pela legislação, a empresa só conseguirá reaver através de Processo de Restituição, devidamente formalizado. Essa situação, também foi informada ao representante legal da empresa que, através de consulta a esse Auditor na época da fiscalização, indagou da possibilidade de utilizar valores que não puderam ser compensados, para abater do débito que estava sendo levantado. (Grifamos.) Acerca da alíquota do SAT justificou a aplicação com base na atividade preponderante da empresa conforme contrato social e "principalmente com o que se encontrou nos documentos vistos à época da auditoria" (efl. 1105 informação complementar solicitada pelo julgador de piso). Não é demais lembrar o disposto no art. 142 da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Por sua vez o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, dispõe os seguintes requisitos para a validade do auto de infração: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Portanto, vislumbrase no caso em tela que além da descrição imprecisa do fato gerador, a própria quantificação do crédito tributário não foi satisfatória, uma vez que não há qualquer elemento no processo fiscal que demonstre com clareza a composição da base de cálculo imponível. Tal demonstração, como bem ressaltado pela decisão de piso, é fundamental em um lançamento como o dos autos, no qual a apuração da base de cálculo é resultado de diferença de recolhimento a menor verificadas em procedimento fiscal. Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 18471.000899/200845 Acórdão n.º 2301004.995 S2C3T1 Fl. 5 7 A seguir transcrevo excertos do voto do relator da decisão de piso, cujos fundamentos adoto como razões de decidir, salientando que os grifos são de minha autoria: 23. Uma breve leitura do relatório é suficiente para verificar o flagrante cerceio à defesa do Contribuinte. Com efeito, a Auditoria se limita a indicar que a base de cálculo das contribuições devidas foi obtida nas folhas de pagamento, recibos de pagamento, documentos de rescisões contratuais, livros contábeis e notas fiscais. 24. Como visto, o relatório não esclarece a origem do crédito fiscal apurado, não havendo como distinguir quais foram as rubricas sujeitas à incidência de contribuições que não foram ofertadas à Fiscalização, o que seria indispensável, em se tratando de débito suplementar, como faz crer o item 8 do relatório fiscal. 25. Se a base de cálculo das contribuições não foi ofertada ao Fisco, e o Auditor não informa exatamente onde obteve a referida base e tampouco informa quais foram os pagamentos que integraram o saláriodecontribuição do lançamento, tal fato dificulta sobremaneira a elaboração da impugnação, bem como o próprio julgamento do feito. 26. Da forma como foi redigido o relatório, o Contribuinte é obrigado a comprovar nos autos, o salário de contribuição de cada competência (em sua totalidade), devendo ainda comprovar nos autos todos os recolhimentos que efetuou, assim como o montante das retenções sofridas. ... 31. De qualquer forma, por se tratarem de informações basilares, que deveriam constar do relatório fiscal, não haveria como manter o lançamento sem a elaboração do relatório fiscal complementar. O cerceio à defesa da empresa notificada não poderia ser justificado mediante a alegação de que a confecção do novo relatório demandaria muito tempo. 32. Há que se considerar, ainda, que se a elaboração da planilha solicitada demandaria meses de ação fiscal, tal fato caracteriza com clareza meridiana o agravamento das condições da empresa notificada na elaboração de sua defesa, pois a mesma teria de coletar uma quantidade muito maior de dados, para demonstrar e comprovar nos autos, no prazo de quinze dias, a totalidade das contribuições devidas em cada uma das competências do lançamento, bem como que as contribuições devidas foram integralmente satisfeitas. 33. Como visto, em razão das omissões do relatório, o Contribuinte teria de demonstrar a inexistência do débito, o que caracteriza perfeitamente o cerceamento à defesa do Impugnante. ... Fl. 1210DF CARF MF 8 38. Com relação a alíquota do SAT, a Auditoria não demonstrou no relatório qual a atividade preponderante da empresa notificada. Para tanto, haveria necessidade de indicar pelo menos o número de funcionários da empresa, e o número de funcionários que atuam na atividade preponderante. (...) 39. Não é suficiente que a Auditoria informe ter constatado que determinada atividade é preponderante através do exame dos documentos contábeis. Há que ser informado o número total de funcionários e a quantidade de funcionários envolvidos na atividade preponderante. Portanto, ausente a descrição clara e precisa dos fatos geradores, especialmente com a demonstração da composição da base de cálculo imponível, no relatório fiscal e demais anexos à Notificação Fiscal de Lançamento do Débito NFLD, correta sua anulação por vício material, conforme decidido pela Turma julgadora de piso. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso de ofício, para, no mérito, negar lhe provimento. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 1211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14479.000283/2007-62
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.070
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta cientifique o sujeito passivo do despacho que admitiu parcialmente seu recurso especial, com posterior retorno ao relator para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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(assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 44 79 .0 00 28 3/ 20 07 -6 2 Fl. 596DF CARF MF Processo nº 14479.000283/200762 Resolução nº 9202000.070 CSRFT2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Introdução Trata o presente processo de auto de infração AI, DEBCAD nº 37.028.4348, às efl. 03, cientificado à contribuinte em 21/08/2007 (efl. 202). O AI foi lavrado porque a contribuinte deixou de declarar em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação a Previdência Social, no período de 03/2001 a 10/2006 todos os fatos geradores da contribuição previdenciária, constituindo infração ao artigo 32, Inciso IV, parágrafo 5°, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.528/97. O procedimento fiscal com as razões da exigência dele decorrente está descrito no relatório fiscal da infração RFI, às efls. 19 a 53, sendo o montante do crédito tributário exigido de R$2.740.195,65, calculado até 20/08/2007. Em sua impugnação, interposta em 19/09/2007, às efls. 246 a 259, a empresa, contestou o lançamento. A 11ª Turma da DRJ/SPOII, inicialmente, através do despacho nº 143 de 28/11/2007, às efls. 299 e 300, encaminhou pedido de diligência à SEFIP Seção de Fiscalização Previdenciária São Paulo Norte, a fim de cientificar a contribuinte sobre a prorrogação de mandado de procedimento fiscal e de incorreção na apuração de cálculos, oportunizando defesa da contribuinte com relação aos atos decorrentes dela. Cientificada do resultado da diligência em 30/01/2009, a contribuinte aditou a impugnação com o documento de efls. 346 a 363, em 27/02/2009. A impugnação e seu aditamento foram apreciados na 8ª Turma da DRJ/CPS em Belém que, em 18/11/2009, que, pelo acórdão às efls. 376 a 391, julgou o lançamento impugnado procedente em parte, por unanimidade, pois os créditos tributários constituídos para as competências de 03/2001 a 12/2001, teriam caducado, com base no art. 173, inciso I do CTN. Recurso voluntário Intimada do resultado em 26/11/2010 (efl. 394), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/12/2010, às efls. 396 a 414. Naquele recurso, argumenta, em resumo: pela realização de nova diligência para que se realize juntada do AR comprovando o envio do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF, sob pena de nulidade dos atos posteriores e para apuração de valores reais e não pelo método de aferição indireta; que teve parcelamento homologado e isso supriria a apresentação da GFIP, sanando as divergências que haveria entre ela e a contabilidade; que a decadência do lançamento de ofício pelo descumprimento de obrigação acessória, com fulcro no § 3º do art. 113 do CTN, deveria seguir o mesmo procedimento adotado para o tributo cujo interesse de arrecadar ou fiscalizar essa obrigação se vincula, no caso, a contagem decadencial prevista no § 4º do art. 150 do CTN; Fl. 597DF CARF MF Processo nº 14479.000283/200762 Resolução nº 9202000.070 CSRFT2 Fl. 4 3 a necessidade de julgamento conjunto deste AI NFLD nº 37.028.4348, com os correspondentes às NFLD nº 37.028.4321, nº 37.028.4372, nº 37.028.4330, nº 37.028.4364 e n° 37.028.4356. Apreciando o recurso, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento veio a prolatar, em 19/06/2012, o acórdão nº 2402002.799, às efls. 460 a 475, que foi assim ementado: OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de procedimento fiscal (MPF) é ordem específica para que a fiscalização, por meio do auditor fiscal, inicie Fiscalização em determinada entidade, devendo a mesma tomar ciência deste documento no início da ação fiscal que poderá ser por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal. O MPF deve estar válido quando o sujeito passivo teve conhecimento de sua existência, seja realizada pessoalmente por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal, seja realizada por intermédio de correspondência postal com comprovante de Aviso de Recebimento (AR). DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 14479.000283/200762 Resolução nº 9202000.070 CSRFT2 Fl. 5 4 O acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa remanescente ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. RE da Fazenda Nacional Cientificada do acórdão em 18/07/2012, na mesma data a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência RE, às efls. 491 a 501. Entretanto, o Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento rejeitou a admissibilidade desse RE, por não atender aos requisitos regimentais para sua interposição, conforme consta no despacho nº 2400701/2012, à efl. 508. Tal entendimento foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no despacho nº 2400864R/2012, à efl. 509, em 18/12/2012, atendendo disposição regimental. RE da contribuinte A contribuinte foi intimada para ciência do acórdão do recurso voluntário em 1º/05/2013 (efl. 518) e apresentou recurso especial RE, às fls. 519 a 538, em 16/05/2013. No RE foram alegadas divergências quanto a duas matérias: a) contagem do prazo decadencial com base no § 4º do art. 150 do CTN, e não pelo art. 173, inc. I do mesmo diploma como considerado pelo recorrido. b) nulidade do procedimento que deu azo à multa pois esse se deu de forma presumida, por aferição indireta, sendo ilegalmente imotivado; Quanto à primeira matéria apresentou como paradigma o acórdão nº 2403 01.237 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, que, para situação idêntica, utilizou o art. 150, § 4º do CTN como critério de contagem do prazo decadencial. No tocante ao segundo ponto de divergência, reafirma que não foram aceitos seu registros, apenas utilizada aferição indireta, o que acarretaria nulidade da autuação por descumprimento de dever probatório do fisco. Esgrime como paradigma da divergência os acórdãos nº 20600164, da 6ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, e nº 2401 002.829, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento. Em análise do recurso, o Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento emitiu despacho nº 2400501/2014, de fls. 580 a 583, em 04/06/2014, no qual deu seguimento parcial ao RE apenas no tocante à primeira divergência arguida. Seguiuse o despacho nº 2400583/R do Presidente da Câmara Superior de Recurso Fiscais, à efl. 584, que em 24/07/2014, decidiu por manter a disposição anterior, admitindo tãosomente o seguimento do RE para matéria relativa à decadência. Contrarrazões da Fazenda Nacional Cientificada do recurso e dos despachos em 15/09/2014, a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou contrarrazões ao RE da contribuinte em 26/09/2014, conforme fls. 586 a 592. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 14479.000283/200762 Resolução nº 9202000.070 CSRFT2 Fl. 6 5 Em resumo, por se tratar de lançamento de ofício de penalidade, por descumprimento de obrigação acessória, seria inaplicável a regra decadencial do § 4º do art.150 do CTN. Até porque inexistiria pagamento antecipado em lançamento de ofício, condição prevista naquele dispositivo para que se possa tratar de homologação. Seria correta a incidência do art. 173, inc. I, do mesmo Código e por isso deveria ser negado provimento ao RE e mantido o acórdão recorrido. É o relatório. VOTO Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Verifico que não foi dada ciência ao contribuinte da decisão que admitiu apenas parcialmente de seu recurso. Pelo exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência para que seja dada ciência ao contribuinte do despacho que admitiu parcialmente seu recurso especial e posterior retorno ao Relator, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 600DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.002657/2003-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998
Ementa:
FATO SUPERVENIENTE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CANCELAMENTO DA COBRANÇA.
A informação sobre trânsito em julgado da decisão proferida em ação judicial, sendo fato superveniente no processo administrativo, pode ser trazida pela Recorrente por simples petição para julgamento, devendo a mesma ser apreciada por este Conselho, conforme determinam os artigos 342 e 1.013 do Código de Processo Civil.
Tendo a Recorrente demonstrado que inexiste crédito tributário, já que extinto por decisão judicial transitada em julgado, deve ser cancelada a cobrança nos termos do artigo 156, inciso X, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-003.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Designada a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Esteve presente ao julgamento o Dr. Alberto Koge Tsumura, OAB/SP 273.275
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998 Ementa: FATO SUPERVENIENTE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CANCELAMENTO DA COBRANÇA. A informação sobre trânsito em julgado da decisão proferida em ação judicial, sendo fato superveniente no processo administrativo, pode ser trazida pela Recorrente por simples petição para julgamento, devendo a mesma ser apreciada por este Conselho, conforme determinam os artigos 342 e 1.013 do Código de Processo Civil. Tendo a Recorrente demonstrado que inexiste crédito tributário, já que extinto por decisão judicial transitada em julgado, deve ser cancelada a cobrança nos termos do artigo 156, inciso X, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Designada a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Esteve presente ao julgamento o Dr. Alberto Koge Tsumura, OAB/SP 273.275 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998 Ementa: FATO SUPERVENIENTE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CANCELAMENTO DA COBRANÇA. A informação sobre trânsito em julgado da decisão proferida em ação judicial, sendo fato superveniente no processo administrativo, pode ser trazida pela Recorrente por simples petição para julgamento, devendo a mesma ser apreciada por este Conselho, conforme determinam os artigos 342 e 1.013 do Código de Processo Civil. Tendo a Recorrente demonstrado que inexiste crédito tributário, já que extinto por decisão judicial transitada em julgado, deve ser cancelada a cobrança nos termos do artigo 156, inciso X, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Designada a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Esteve presente ao julgamento o Dr. Alberto Koge Tsumura, OAB/SP 273.275 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 26 57 /2 00 3- 10 Fl. 404DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Belém que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procede a argüição de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. PIS. DECADÊNCIA. O direito da Administração de constituir o crédito tributário relativamente às Contribuições para o Programa de Integração Social PIS decai em dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme determina a legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase a lei a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário foi constituído com base no art. 90 da MP n° 2.15835, de 2001, as multas de ofício exigidas em decorrência das diferenças de tributo/contribuição apuradas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, em razão de lei nova deixar de caracterizar o fato como hipótese para aplicação de multa de oficio. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Lançamento Procedente em Parte Fl. 405DF CARF MF Processo nº 16327.002657/200310 Acórdão n.º 3402003.971 S3C4T2 Fl. 112 3 Em decorrência de auditoria interna realizada na DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais, referente ao 1° Trimestre de 1998, foi lavrado o auto de infração para a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep, multa de ofício e juros de mora, no valor total de R$23.596,04, do qual a contribuinte foi cientificada em 23/07/2003, tendo em vista a "FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA", conforme demonstrativos abaixo: A contribuinte impugnou o lançamento, alegando, em síntese: a) nulidade do auto de infração por falta de motivação; b) decadência do direito de o Fisco proceder o lançamento relativamente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro e fevereiro de 1998; c) não cabimento da multa de ofício, tendo em vista o disposto no art. 63 da Lei nº 9.430/96, já que o valor impugnado mediante compensação em virtude de medida liminar e sentença concessiva da segurança nº 97.00591328; e d) não cabimento da atualização pela taxa Selic, vez que não incorreu em mora e que a referida taxa, fixada unilateralmente pelo Poder Executivo, extrapola em muito o percentual de 1% previsto no art. 161 do CTN. A Delegacia de Julgamento acatou em parte os argumentos da impugnante, com base essencialmente nos seguintes fundamentos: A autuação traz a fundamentação legal e descrição dos fatos, nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. A existência da ação judicial não obsta a constituição do crédito tributário por meio do lançamento. Pelo arrazoado da impugnação, verificase que a impugnante tem perfeito conhecimento da exigência que lhe é imputada, não sendo o caso de nulidade imposta pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Conforme estabelecido em lei e no Regulamento das Contribuições ao PIS e da Cofins, o prazo para apuração e constituição do crédito relativo à contribuição lançada é de 10 anos. Assim sendo, é inconteste que, sobre o crédito tributário lançado em 23/07/2003, não se operou a pretendida decadência, uma vez que referente a fatos geradores ocorridos no período de 01/01/1998 a 28/02/1998. Devese considerar a nova ordem legal que rege a revisão das DCTF e o possível lançamento dela decorrente, dada pelo art. 18 da MP nº 135/2003, que estabelece que o lançamento de ofício de que trata o artigo 90, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas em auditoria de DCTF, decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Isto nos leva a concluir que a hipótese apurada na auditoria de DCTF em comento não se amolda àquelas que ensejam lançamento da multa de ofício. Em face do princípio da Fl. 406DF CARF MF 4 retroatividade benigna, é cabível a exoneração da multa de ofício sempre que se constatar que o lançamento decorreu de auditoria de declarações entregues pelo sujeito passivo. Embora a sistemática prevista pela MP n° 135/2003 dispense o lançamento de ofício, inclusive em relação aos documentos apresentados anteriormente a sua vigência, os lançamentos que foram efetuados com base no art. 90 da MP n° 2.15835/2001, assim como eventuais impugnações ou recursos tempestivos apresentados pelo sujeito passivo no curso do processo administrativo fiscal, constituemse atos perfeitos segundo a norma vigente à data em que foram elaborados, motivo pelo qual devem ser apreciados pelas instâncias julgadoras administrativas previstas para o processo administrativo fiscal. A fluência dos juros moratórios, a partir do vencimento dos tributos e contribuições, decorre de expressas disposições legais, sendo que o ato administrativo do lançamento apenas formaliza a pretensão da Fazenda Pública, acrescentando à obrigação tributária, surgida com a ocorrência do fato gerador, o atributo da exigibilidade. Ademais, na forma da legislação em vigor, os juros de mora são devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança estiver suspensa por decisão administrativa ou judicial, entendimento ratificado pelo artigo 953 do RIR/99 que tem por supedâneo o artigo 5° do Decretolei n° 1.736/79. Cientificada da decisão de primeira instância em 27/07/2007, a interessada interpôs recurso voluntário, em 27/08/2007, sob os seguintes tópicos: DA INAPLICABILIDADE DO PRAZO DECADENCIAL DE 10 ANOS PREVISTO NA LEI N° 8.212/91 DA IMPRESTABILIDADE DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE PARA EFEITOS DE CÔMPUTO DOS JUROS DE MORA Mediante o Acórdão nº 340200.837, de 30/09/2010, exarado pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, por maioria de votos, deuse provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: PIS DECADÊNCIA– RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR CTN, ART. 150, § 4º PREVALÊNCIA LEI Nº 8.212/91 INAPLICABILIDADE. – SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8/08. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm natureza tributária e estão submetidas ao princípio da reserva de lei complementar (art. 146, III, b, da CF/88), cuja competência abrange as matérias de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos, em razão do que os EE. STF e STJ expressamente reconheceram que padece de inconstitucionalidade formal o art. 45 da Lei 8.212/91, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, em desacordo com o disposto na lei complementar. DECADÊNCIA – CTN , ARTS, ARTIGOS 150, § 4º E 173 – APLICAÇÃO EXCLUDENTE. As normas dos arts. 150, § 4º e 173” do CTN não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4º aplicase exclusivamente aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplicase Fl. 407DF CARF MF Processo nº 16327.002657/200310 Acórdão n.º 3402003.971 S3C4T2 Fl. 113 5 tributos em que o lançamento, em princípio, antecede o pagamento. Recurso provido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Julio Cesar Alves Ramos e Paulo Sérgio Celani (Suplente). Esteve presente ao julgamento a Drª Alessandra Cher OAB/SP nº 127.566. (...) A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração por suposta omissão no acórdão acima, vez que segundo entende, "a existência ou não de pagamento é fator decisivo quanto a aplicação do artigo 150, § 4º do CTN ou do artigo 173, I do Código" e que "o acórdão não faz menção ao entendimento firmado no próprio CARF quanto a existência ou não de pagamento para se determinar qual dispositivo do CTN será aplicado". No entanto, os embargos foram rejeitados por inocorrência da suposta omissão na sua fundamentação. Na sequência, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando que o acórdão recorrido contrariou o art. 173, I do CTN, eis que, de acordo com a DIPJ (formulário I e anexo 3), a contribuinte não efetuou nenhum recolhimento de tributo na época da ocorrência dos fatos geradores. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi provido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), mediante o Acórdão nº 9303003.323 – 3ª Turma, em sessão de 10 de dezembro de 2015, para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos ao colegiado recorrido para examinar as demais matérias trazidas no recurso voluntário, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998 Decadência para constituir crédito tributário. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o programa de integração social PIS é de 05 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento ou quando houver dolo fraude ou simulação. A declaração do tributo, para efeitos legais, não equivale a pagamento. Recurso Especial do Procurador Provido Em face de sorteio de 19/5/2016, o processo foi encaminhado a esta Conselheira em 04/08/2016. É o relatório. Fl. 408DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Conforme exposto no relatório acima, o recurso voluntário havia sido provido por este Colegiado em outra composição, no que concerne a decadência, a qual foi posteriormente afastada, mediante o Acórdão nº 9303003.323 – 3ª Turma, pela Câmara Superior, que então determinou o retorno dos autos ao Colegiado para exame das demais matérias trazidas no recurso voluntário. Como o recurso voluntário, além da questão da decadência, havia alegado somente a questão da imprestabilidade da taxa Selic como índice para efeitos de cômputo dos juros de mora, cuja análise restou prejudicada no Acórdão nº 340200.837, incumbe agora conhecer essa matéria. Alega a recorrente que "os juros de mora no caso presente, se devidos fossem, jamais poderiam ser exigidos na dimensão pretendida, porque estão sendo calculados com base em percentual equivalente à taxa SELIC acumulada mensalmente, a qual além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo e, ainda, extrapola em muito o percentual de 1% previsto no artigo 161 do CTN, como reiteradamente reconhecido pelo C. Superior Tribunal de Justiça". A cobrança de juros de mora sobre os créditos não pagos até a data de vencimento é prevista no art. 161 do CTN, nos seguintes termos: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. [negrito não consta no original] Dentro da prerrogativa dada pelo §1º do art. 161 acima, a Lei nº 9.065/95 e a Lei nº 9.430/96, assim estabelecem: Lei nº 9.065/95: Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n° 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6° da Lei n° 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n° 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n° 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei 9.430/96: Fl. 409DF CARF MF Processo nº 16327.002657/200310 Acórdão n.º 3402003.971 S3C4T2 Fl. 114 7 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art.5º (...) (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e CustódiaSELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Conforme bem esclarece Leandro Paulsen1, "Não vislumbramos nenhuma inconstitucionalidade na taxa SELIC. Tem ela base legal e pode ser exigida pelo Fisco. O CTN, embora, em seu art. 161, §1º, refira a taxa de 1% ao mês, o faz em caráter supletivo, deixando, expressamente à lei a possibilidade de dispor de modo diverso. Não estabelece a taxa de 1% como limite, mas como taxa supletiva. A Lei nº 9.065/96 determinou a aplicação da taxa SELIC como juros moratórios e inexiste inconstitucionalidade nisso. (...)". Também não é demais lembrar que incumbe ao agente administrativo prestigiar a lei, não podendo dela se distanciar, ainda que sob argumento de inconstitucionalidade, conforme dispõe o artigo 26A do Decreto 70.235/72: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Nessa esteira, não se conhece, no âmbito administrativo, de questões atinentes à aferição de inconstitucionalidade de leis vigentes, o que, inclusive, é objeto da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Dessa forma, não havendo qualquer incompatibilidade dos dispositivos legais acima com o CTN, eles devem ser aplicados ao presente caso concreto, mesmo porque a 1 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2008, p. 1072. Fl. 410DF CARF MF 8 legalidade da exigência da Selic já é matéria já sumulada neste CARF, conforme abaixo, sendo de aplicação obrigatória pelos seus membros a teor de seu Regimento Interno: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à petição apresentada em 15/02/2017, noticiando a superveniência de decisão judicial proferida no mandado de segurança, entendo que ela não obsta à conclusão do julgamento do presente recurso voluntário, que se ocupa somente da legitimidade da taxa Selic como índice para efeitos de cômputo dos juros de mora, sem prejuízo, obviamente, da análise do conteúdo da decisão judicial pela própria Unidade executora do presente Acórdão. Em face dos princípios constitucionais da coisa julgada e jurisdição única, a decisão judicial definitiva de mérito sempre prevalecerá em relação à decisão administrativa que trate da mesma matéria, de forma que o julgamento administrativo do mérito do presente recurso voluntário já interposto não pode trazer qualquer prejuízo à contribuinte. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário no que concerne à discussão da taxa Selic, ressalvando que a questão da decadência já foi decidida pela CSRF em sentido também desfavorável à contribuinte, mediante o Acórdão nº 9303003.323 – 3ª Turma, de 10 de dezembro de 2015, bem como, determinando o encaminhamento à Unidade executora do Acórdão para a análise da decisão judicial juntada nas fls. 375/403 e, sendo o caso, o seu devido cumprimento. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Voto Vencedor Conselheira Thais de Laurentiis Galkowiz Com a devida vênia, ouso divergir da Ilustre Relatora no que tange (i) à legitimidade da motivação do auto de infração, que, no meu sentir, mereceria ser apreciada por este Conselho; e (ii) à repercussão da superveniente decisão judicial transitada em julgado no Mandado de Segurança n. 005913207.1997.4.03.6100 (antigo n. 97.00591328) relativamente ao presente processo. 2 Explico. 2 Em consulta no sítio eletrônico do Tribunal Regional Federal da 3ª Região em 14 de março de 2017 às 09:25, constam as seguintes informações: Número (CNJ, 20 dígitos) 005913207.1997.4.03.6100 Processo 1999.03.99.0528072 Número de origem 97.00591328 Classe 190810 AMS SP Vara Fl. 411DF CARF MF Processo nº 16327.002657/200310 Acórdão n.º 3402003.971 S3C4T2 Fl. 115 9 Como se depreende do relato do caso, o processo sub judice cuida débitos de PIS (período de janeiro e fevereiro de 1998), acrescidos de juros de mora e de multa de oficio, os quais foram declarados em DCTF como "com exigibilidade suspensa" por força justamente da existência do Mandado de Segurança n° 97.00591328, impetrado pela Recorrente, tendo o auto de infração sido lavrado em procedimento de "Auditora Interna na DCTF' sob a justificativa "crédito vinculado não confirmado" em razão da ocorrência "proc jud mio comprovado". Com efeito, a capitulação e descrição da infração foi imputada à Recorrente nos seguintes termos do auto de infração Pelo texto tanto do item 9 como do 10 do lançamento tributário não é possível compreender qual teria sido a infração praticada pela Contribuinte, ora Recorrente. Falase em "falta de recolhimento ou pagamento do principal" e “declaração inexata”, porém sem explicar qual seria tal inexatidão. No anexo I do auto de infração vemos que, com relação ao período controvertido, há menção de que o “crédito vinculado total/parcialmente não confirmado”, “exigibilidade suspensa”, remetendo em outra coluna da Tabela ao “Número do Processo” 97.00591328, o que induz a pensarmos sobre qual teria sido o problema constatado pela fiscalização: a inexatidão da declaração seria quanto à suspensão da exigibilidade do recolhimento do Contribuição ao PIS com base no Processo n. 97.00591328. É no campo 22 SAO PAULO SP Data de autuação 19/07/1999 Partes Nome Apelante Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) Advogado RAQUEL VIEIRA MENDES E LÍGIA SCAFF VIANNA Apelado(A) BANCO ALVORADA S/A Advogado LEO KRAKOWIAK Fl. 412DF CARF MF 10 “ocorrência” da mesma tabela que percebemos que o motivo do entendimento pela inexatidão é "processo judicial não comprovado". Pois bem. A petição inicial do writ consta dos presentes autos, da qual destaco seu preâmbulo (Fls 91) Vemos que a Recorrente, cuja antiga denominação social era BCN Capitalização S/A (mesmo CNPJ n. 01.598.935./000184), encontrase dentre os impetrantes do mandamus. Pois bem. De acordo com o exposto alhures, a única conclusão que podemos chegar sobre o motivo do auto de infração é a inexatidão quanto à informação constante da DCTF do período em questão, no que tange à suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Ora, sendo esse o motivo do lançamento tributário (lavrado em 23/07/2003), é de todo evidente que ele não se sustenta. Isto porque, o que importa para fins de avaliação da ocorrência ou não declaração inexata pela Recorrente não é a realidade jurídica em vigor quando da transmissão da DCTF. Por óbvio, não poderia a Recorrente declarar nada diferente daquilo que então existia (liminar assegurando seu direito, proferida em 18/12/1997, e confirmada por sentença datada de 23/11/1998, conforme fls 104 a 110). Manter o presente auto de infração, pelo Fl. 413DF CARF MF Processo nº 16327.002657/200310 Acórdão n.º 3402003.971 S3C4T2 Fl. 116 11 específico motivo pelo qual foi lavrado (declaração inexata), representaria inegável afronta ao artigo 144 do Código Tributário Nacional, quando determina que “o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente”. Afinal, é consabido que a decisão judicial tem força de lei entre as partes que compõem o processo, de modo que a “lei vigente” na data da apresentação da DCTF (obrigação acessória que implica na confissão do crédito tributário, ou seja, serve como autolançamento tributário) era a medida liminar que favorecia a Contribuinte com relação à "suspensão do crédito tributário", exatamente como fora por ele declarado. Não há que se falar, portanto, em declaração inexata in casu. Nesse sentido o Conselheiro Antonio Carlos Atulim, em caso análogo ao presente, no qual o problema da motivação do auto de infração foi exatamente o mesmo: Dessa forma, perguntase: onde está a declaração inexata? Segundo o que está contido nos autos, a conclusão é só pode ser no sentido de que a declaração foi exata ao tempo em que a DCTF foi apresentada. O problema é que o contribuinte perdeu a ação e tempos depois a condição suspensiva que havia sido declarada desapareceu. Como foi dito no início, a descrição dos fatos neste processo é obscura e não retrata com fidelidade a situação fática em que se encontrava o contribuinte no momento do lançamento. (Acórdão nº 3403002.282, Processo nº 10882.002495/200338, Sessão de 26 de junho de 2013). Dessarte, não haveria fundamento jurídico para manter hígido o lançamento tributário fundador do presente processo administrativo. É importante salientar que não há impedimento para a análise aqui apresentada, uma vez que se trata de reconhecimento vício material do ato administrativo (inadequação jurídica da motivação), sendo, portanto, matéria de ordem pública (nulidade) que pode ser conhecida de ofício por este Colegiado, apesar de não sido aventada nas razões do recurso voluntário. 3 Outrossim, o CARF nunca se debruçou sobre essa específica questão, restando todos os julgamento até aqui proferidos adstritos à questão da decadência. Cumpre observar ainda que o cancelamento do auto de infração eletrônico per se não significaria que a Contribuinte nada deve aos Cofres Públicos. A cobrança do crédito tributário poderia ocorrer via DCTF, uma vez que os valores estavam confessados com condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. Cessada a condição, seria devido o tributo. Foi assim que decidiu este colegiado nos Processos 10882.002508 200379, 10882.002497 200327, 10882.002505/200335, 10882.002509 200313, 48, 10882.002513 200381. Contudo, especificamente no presente caso, nem mesmo a cobrança via DCTF é devida, e por esse segundo caminho que deve ser resolvida a questão. 3 Muito embora tenham sido trazidas em sede de impugnação. Fl. 414DF CARF MF 12 Isto porque foi comprovado pela Recorrente (petição de fls 377 a 379) que os débitos controlados nos presentes autos (declarados em DCTF) encontramse extintos por força de decisão judicial transitada em julgado. Vejamos. Pelo Mandado de Segurança n 97.0059132, a Contribuinte postulava, em síntese, o direito de calcular e recolher a contribuição'ao PIS, em relação aos fatos geradores ocorridos no período entre 01/07/97 e até (noventa) dias da data da publicação da EC 17/97 (meses de competência julho/97 a fevereiro/98), de acordo com a Lei Complementar 7/70. Ocorre que, depois de todo o rito processual destacado linhas acima, em 24/06/2016 transitou em julgado o acórdão proferido pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, dando provimento ao recurso extraordinário (RE) interposto pela ora Recorrente no Mandado de Segurança n 97.0059132. O RE fora autuado no STF sob o n. 848.353/SP e ao julgamento foi atribuída a seguinte ementa: "TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS). EMENDA CONSTITUCIONAL 17/1997. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA AO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL (CF/88, ART 195, 8 6"). PRECEDENTES. 1.A contribuição ao PIS só pode ser exigida, na forma estabelecida pelo art. 2" da EC 17/1997, após decorridos noventa dias da data da publicação da referida emenda constitucional. 2. Recurso extraordinário a que se dá provimento, com o reconhecimento da repercussc10 geral do tema e a reafirmação da jurisprudência sobre a matéria. Concluise, então, pela extinção do crédito tributário controlado por meio deste processo administrativo, nos termos do artigo 156, inciso X, do Código Tributário Nacional. A respeito do conhecimento desta última questão, os artigos 342 e 1.013 do Código de Processo Civil (CPC), que possuem aplicação subsidiária ao PAF (artigo 15 do CPC), 4 determinam que: Art. 342. Depois da contestação, só é lícito ao réu deduzir novas alegações quando: I relativas a direito ou a fato superveniente; Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 1o Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado. Assim, sendo o trânsito em julgado da decisão proferida no Mandado de Segurança n. 97.0059132 fato superveniente no presente processo administrativo, era lícito à 4 Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente Fl. 415DF CARF MF Processo nº 16327.002657/200310 Acórdão n.º 3402003.971 S3C4T2 Fl. 117 13 Recorrente trazêlo para julgamento, devendo o mesmo ser apreciado por este Conselho, conforme determinam os citados dispositivos do CPC. Também nesse sentido, entendo serem plenamente aplicáveis as considerações apresentadas pela Conselheira Maria Teresa López no Processo 18471.001680/200430, julgado pela CSRF (Acórdão CSRF/0203.133), in verbis: Em primeiro lugar, há de se examinar a questão de a possibilidade ou não de se conhecer da matéria "atualização da multa de oficio". Segundo o ilustre e competente relator, a matéria diz respeito â execução do acórdão, não sendo " licito as instancias judicantes administrativas examinarem recursos dos sujeitos passivos contra a execução do acórdão". A priori, sobre a questão de "conhecer ou não da matéria" devemos nos lembrar que no processo administrativo fiscal há certa tolerância em relação à observação de formalidades. Se a cobrança de juros sobre multa é ato comum da administração quando da execução dos julgados, calarse sobre isso sob o argumento de que não faz parte do lançamento pode deixar a contribuinte sem instrumento na instância administrativa para se defender de uma cobrança por ela reputada, em desconformidade com a lei e, portanto, ilegal. Cabe lembrar que a função administrativa não é exercida por interesse da autoridade administrativa, e sim, no cumprimento de um dever jurídico de aplicar a lei, isto é, de investigar e decidir se a lei está sendo corretamente obedecida pelo seu administrado, no caso, a contribuinte. No mais, faz parte do direito de petição, garantia constitucional. E o direito de obter do Poder Público a manifestação sobre o que lhe for indagado. Demais disso, em respeito ao principio da economia processual, se a questão pode ser enfrentada de pronto, não há motivo para que se aguarde outro momento para fazêlo (vide Ac. 10194.442). (grifei) Ou seja, há de se conhecer o fato trazido aos autos pela petição de fls 377 a 379. Ato contínuo, tendo a Recorrente demonstrado que inexiste crédito tributário a ser cobrado, já que extinto por decisão judicial transitada em julgado, deve ser cancelada a cobrança da Contribuição para o PIS, e dos juros de mora objeto do lançamento tributário. 5 Efetivamente, não é o caso, como parece crer a Recorrente, de perda de objeto do processo e não conhecimento do recurso voluntário. Afinal, nem mesmo seria lógica ou juridicamente possível aplicar a decisão judicial ao presente caso concreto sem que previamente se tomasse conhecimento do recurso. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso X, do Código Tributário Nacional. É como voto. 5 Lembrando que a multa já havia sido exonerada pela DRJ, e pelo valor, não se submete a recurso de ofício. Fl. 416DF CARF MF 14 Fl. 417DF CARF MF
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