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Numero do processo: 10850.900725/2013-75
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário, para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábil e fiscal e os documentos a ela inerentes e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon e DCTF retificadora.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário, para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábil e fiscal e os documentos a ela inerentes e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon e DCTF retificadora. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto com o fim de guerrear a decisão de piso cujo enredo a ser tratado, cingese à manutenção de negativa de homologação de compensação sob fundamento de ausência de entrega de DCTF retificadora anteriormente à entrega da DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 72 5/ 20 13 -7 5 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10850.900725/201375 Resolução nº 3001000.046 S3C0T1 Fl. 141 2 Despacho Decisório Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp na qual, houve reconhecimento de direito creditório que foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual foi homologado parcialmente a compensação declarada não havendo valor a ser restituído/ressarcido. Manifestação de Inconformidade A recorrente, em breve síntese, alega ter ocorrido pagamento a maior de Cofins, motivo pelo qual compensou com débito posterior. Em sua defesa, socorrese ao argumento de haver enviado DCTF retificadora, inserindo, portanto, a informação sobre a operação tributária efetuada, ressaltando, ter sido entregue anteriormente à emissão do Despacho Decisório. DRJ/FNS A manifestação de inconformidade teve a seguinte ementa: Acórdão 0737.347 4ª Turma COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem retratar a formação probatória nos autos, e, de maneira fidedigna, reproduzir o narrado, merece ser reproduzido em íntegra: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) eletrônica nº 28512.44809.070313.1.3.040152, transmitida em 07 de março de 2013, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito com crédito, no valor de R$ 4.316,83, que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, mediante Darf código 2172, em 23 de abril de 2010, no valor de R$ 44.517,99, relativo ao período de apuração de 31 de março de 2010. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto SP pela homologação parcial da compensação declarada, mediante Despacho Decisório, à folha 7, emitido em 04 de abril de 2013, reconhecendo somente o valor de R$ 17,23, uma vez que o valor recolhido já havia sido parcialmente utilizado para extinção de (a) débito relativo ao período de apuração a que se referia, no valor de R$ 41.789,07, e (b) no PER/Dcomp nº 08187.99631.070313.1.7.040300, restando crédito disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados na Dcomp. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10850.900725/201375 Resolução nº 3001000.046 S3C0T1 Fl. 142 3 Inconformada com a homologação parcial da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que transmitiu a Dcomp em 07 de março de 2013 e a DCTF retificadora, com o valor correto do débito de Cofins, relativo ao período de apuração de 31 de março de 2010, em 28 de março de 2013. Ressalta a interessada que a transmissão da Dcomp e da DCTF retificadora ocorreram antes da emissão do Despacho Decisório, em 04 de abril de 2013. Após as necessárias informações fáticas, buscase nas razões de voto, a argumentação tecida para destacar o cerne discutido nestes autos e motivos de decisão, transcritos a seguir: No caso concreto que aqui se tem, a contribuinte, na data de apresentação da Dcomp (em 07 de março de 2013), não havia retificado a DCTF, documento no qual, como é sabido, são declarados, com força de confissão de dívida, os valores dos tributos devidos. Assim, não se pode dizer que, naquele momento, tivesse existência jurídica o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pela contribuinte, motivo pelo qual a não homologação promovida pela DRF foi correta. Ainda que a contribuinte, posteriormente à entrega da Dcomp, tenha tratado de retificar formalmente a DCTF (em 28 de março de 2013), esta não teria o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por Dcomp Recurso Voluntário O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação efetuada pode produzir efeitos em relação a Dcomp apresentada posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. Recurso Voluntário Em sede de seu peça recursal, a recorrente narra o histórico processual destacando tratarse o tema, de compensação de pagamento a maior de Cofins, cuja decisão de piso considerou legítima, sob o argumento: só se pode homologar a compensação, independentemente de outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da Dcomp, retifica regularmente a DCTF. Neste sentido, contrapõe a decisão sob vergasta sob o fundamento de ter efetivado retificação de DCTF, posteriormente à Dcomp, mas anteriormente ao Despacho Decisório. DCTF Retificadora Alega a recorrente que, mesmo tendo ocorrido a mencionada retificação, mediante transmissão da DCTF retificadora, alega não ter sido reconhecido pelo sistema da Receita Federal, incitando, em seu favor, a IN 1.110/2010, cujo parágrafo primeiro traz conteúdo normativo autorizando à retificadora, ter a mesma natureza da declaração enviada. Traz jurisprudência desta casa em seu benefício. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10850.900725/201375 Resolução nº 3001000.046 S3C0T1 Fl. 143 4 É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de Recurso Voluntário no qual foram satisfeitos todos os pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. O cerne discutido relacionase com o tema da possibilidade de alterarse a DCTF, para fins de corrigir o montante apurado, mediante transmissão de retificadora, após a prolação do despacho decisório. Ainda, de entenderse como legítimos os valores lançados anteriormente em DACON. Com o brilhantismo que lhe é peculiar, o presidente desta Turma Extraordinária vem sustentando corrente, na qual compreende em profundidade, a necessária oportunização, ao contribuinte, de momentos adequados à formação probatória, nos casos em que, consistentemente, descreveu na proposta de Resolução 3001000.043: Da justificativa para a proposta de diligência Como relatado, o caso sob exame referese ao inconformismo do contribuinte, em razão da decisão contida em despacho decisório que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento da contribuição pleiteada com a apresentação do Per/Dcomp, homologando em parte a compensação nele declarada, ao argumento de o crédito apurado ser inferior ao requerido, consequentemente o montante reconhecido pela autoridade fiscal ser insuficiente para extinguir a totalidade do débito declarado pelo interessado. O contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, sustenta que equivocouse quando do preenchimento do demonstrativo anexo ao Per/Dcomp em questão, posto que indicou que o crédito solicitado seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas no mercado interno, quando, em verdade, parcela deste crédito decorreria de receitas de exportação; bem assim quando preencheu o respectivo Dacon, pois deixou de segregar os valores dos créditos vinculados às receitas internas daqueles originários das vendas para o mercado externo. Entretanto, o acórdão vergastado manteve o indeferimento do pedido de compensação. Tal indeferimento do pleito está fundamentado em duas premissas. A primeira, porque o colegiado a quo entendeu que o Per/Dcomp não é instrumento adequado para pleitear créditos de natureza distintas. A segunda, porque a decisão recorrida concluiu que o interessado não apresentou prova hábil suficiente para demonstrar a efetiva existência do crédito adicional, a fim de comprovar os alegados erros cometidos quando do preenchimento do Dacon e do Per/Dcomp, como, por exemplo, os demonstrativos contábeis, conferindo liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10850.900725/201375 Resolução nº 3001000.046 S3C0T1 Fl. 144 5 Portanto, em síntese, o fundamento que norteou a conclusão da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória, como, por exemplo, a escrituração contábilfiscal que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, no Dacon retificador. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, reafirma o cometimento dos equívocos apontados já na sua manifestação de inconformidade, qual seja erro no preenchimento dos respectivos Dacon e Per/Dcomp, razão pela qual apresentou o Dacon, referente ao mês de janeiro de 2006, em substituição do Dacon original, referente ao terceiro trimestre de 2005, salientando que na "Ficha 28B" consta a informação, de forma segregada, do crédito da contribuições ao PIS vinculado a receita nãotributada no mercado interno e proveniente de exportação e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório é a insuficiência de crédito reconhecido para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. Como o acórdão recorrido proferido pela 4ª Turma da DRJ/FOR indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente reapresentou os elementos de prova que entendeu ser suficiente para a comprovar a compensação declarada no Per/Dcomp 27809.10301.300508.1.3.118906, no Per/Dcomp 29057.71509.300508.1.3.117985, no Per/Dcomp 19492.01379.130809.1.7.116941 e no Per/Dcomp 11873.46918.120809.1.7.118359. Pois bem, creio que estarmos diante de um fato jurídico cuja aferição é direta e imediata, haja vista o que expressam as Dacon's em apreço referente ao mês de janeiro de 2006 e ao terceiro trimestre de 2005, dada a singeleza do pedido aliada à objetividade das informações coligidas aos presentes autos, para, neste sentido, considerar que existe dúvida razoável quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Por fim, arremata no sentido de haver a possibilidade de o contribuinte instruir os autos nesta fase recursal: É certo que é condição indispensável à compensação de tributos, a liquidez e certeza do crédito declarado, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), o que impõe sua efetiva comprovação, mediante o oferecimento da pertinente escrita contábil fiscal do interessado. Deste modo, com vista a propiciar ao recorrente a oportunidade de comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10850.900725/201375 Resolução nº 3001000.046 S3C0T1 Fl. 145 6 da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, firmo a necessidade de o presente julgamento ser convertido em diligência. Da conclusão Do exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235 de 1972, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's referentes ao mês de janeiro de 2006 e ao terceiro trimestre de 2005, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábilfiscal e os documentos a ela inerente e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon retificadora. Tal entendimento, exposto pelo ilustre conselheiro Orlando Rutigliani, encontra larga aceitação na jurisprudência desta Conselho, a exemplo, do acórdão abaixo transcrito, ao qual acato e cuja ementa espelha caso análogo: Acórdão 380201.111 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CRÉDITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO NA DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ APENAS NA FASE RECURSAL. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Homologase a compensação declarada quando, na fase recursal, forem comprovados os requisitos da certeza e liquidez do crédito utilizado no respectivo procedimento compensatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2002 PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO NA FASE RECURSAL. CONTRAPOSIÇÃO DE ARGUMENTO NOVO SUSCITADO NA DECISÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Nos termos do art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235, de 1972, não está alcançada pela preclusão, a prova documental apresentada na fase recursal, destinada a contrapor argumento novo suscitado somente na decisão recorrida. PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS A EMISSÃO E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO DA REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. ORIGEM DO CRÉDITO COMPENSADO. ADMISSIBILIDADE. No âmbito do processo de compensação, inaugurado com a prolação do Despacho Decisório, uma vez comprovada, com documentação adequada, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do citado Despacho, a parcela do Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10850.900725/201375 Resolução nº 3001000.046 S3C0T1 Fl. 146 7 débito reduzida deve ser Conclusão Diante do exposto, alinhado aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o despacho decisório por vício material. Conclusão Do exposto, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábilfiscal e os documentos a ela inerente e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon e DCTF retificadora. Desta forma, os autos devem retornar para a unidade de origem. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal diligenciante deverá elaborar relatório conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pelo recorrente. Encerrada a instrução processual o recorrente deverá ser intimado para, em assim desejando, manifestarse quanto aos novos elementos carreados aos presentes autos, no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para este CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.900521/2006-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
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Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1237; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 287 1 286 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.900521/200681 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402002.797 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 18 de outubro de 2017 Assunto IRPJ PER/DCOMP Recorrente SA FÁBRICA DE TECIDOS SÃO JOÃO EVANGELISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 SALDO NEGATIVO. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. Ausência de certeza e liquidez do crédito relativo ao saldo negativo que pretendia compensar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, acórdão os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .9 00 52 1/ 20 06 -8 1 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10640.900521/200681 Resolução nº 1402002.797 S1C4T2 Fl. 288 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário , interpostos contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que negou provimento à Manifestação de Inconformidade do Contribuinte. O r. Despacho Decisório reconheceu parcialmente o crédito e homologou as compensações até o limite do crédito reconhecido. Do valor de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002, no montante de R$ 148.126,86 declarados pela Recorrente em sua DIPJ e PERD/COMP, apenas R$ 78.434,75 foi reconhecido. O Despacho Decisório não reconheceu parcialmente o saldo negativo do ano calendário de 2001, que compôs o saldo negativo do anocalendário de 2002 indicado no PERD/COMP para compensar com débito de IPRJ, agora em análise. A matéria dos autos é relativa a divergência entre o valor de saldo negativo de períodos anteriores informado pela Recorrente, com o constante nos arquivos do Fisco. Este saldo negativo tem origem em pagamentos de estimativas com saldo negativos de períodos anteriores, que nasceu com o pagamento com estimativas do ano calendário de 1998, declaradas extintas pelo saldo negativo do exercício de 1998, que foram pagas por meio de DARFs. Assim, o crédito em ora em discussão se refere ao montante . Para evitar repetições, utilizo o relatório do v. acórdão recorrido, completandoo ao final caso seja necessário. O interessado transmitiu as Dcomps nº 15209.48079.400908.1.7.036156, 00716.26117.060409.1.7.035195, 19035.27856.240908.1.7.032490 e 12718.12392.240908.0.7.030048, visando compensar os débitos nelas declarados com crédito oriundo de saldo negativo do anocalendário 2002; A DRF Juiz de Fora/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual não homologa as compensações pleiteadas sob o argumento de que não foram confirmados valores de estimativas compensadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade às fls. 01/03 na qual alega, em síntese, que: 1) o Despacho Decisório é nulo visto que “a absoluta falta de motivação do Despacho Decisório acarreta irremediável ilegalidade. Para que o dever de motivação restasse cumprido, deveria a Autoridade Fiscal competente indicar, analiticamente, a evolução do crédito de CSLL da Manifestante, explicando as razões e motivos da não confirmação dos valores declarados”; 2) “a Fazenda Nacional não pode, em absoluto, questionar a validade da extinção das estimativas deste período, formadoras dos Saldos Negativos Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10640.900521/200681 Resolução nº 1402002.797 S1C4T2 Fl. 289 3 utilizados, isto porque, no caso, já teria ocorrido a homologação tácita dos mesmos pelo decurso do prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional”; Em seguida, a DRJ decidiu não prover a impugnação com os seguintes fundamentos: A alegação de nulidade não pode prosperar tendo em vista que o Despacho Decisório esclarece que “para informações sobre a análise de crédito, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu ‘Onde Encontro’, opção ‘PERDCOMP’, item ‘PER/DCOMP Despacho Decisório’”, onde se encontram as informações que a empresa alega faltar ao ato administrativo. Quanto a alegação de homologação das compensações anteriores, cumpre esclarecer que a Autoridade Fiscal pode e deve verificar a origem, o valor e a certeza do crédito pleiteado pelo Contribuinte, tendo o poder e o direito de negar a totalidade ou parte da restituição pleiteada e de não homologar as compensações ou homologálas parcialmente quando constatada a inexistência ou a insuficiência do crédito. Registrese, que o exame de livros e documentos não é afetado, na sua retroação temporal, ao qüinqüênio decadencial. O Fisco não está impedido de examinar livros e documentos para verificar a regularidade (legitimidade) de créditos (saldos negativos de IRPJ e CSLL) que decorram de período de apuração do tributo atingido pela decadência, como previsto no art. 195 do CTN: Art. 195. Para os efeitos da legislação Tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos Tributários decorrentes das operações a que se refiram. Também o art. 37 da Lei nº 9.430/96 estabelece: Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Saldos negativos de IRPJ e de CSLL, porventura apurados incorretamente pelo contribuinte nas DIPJs apresentadas há mais de cinco anos da data da análise do crédito, devem ser ajustados, pois não é possível que se ‘crie’ créditos por decurso do prazo homologatório. A Autoridade Fiscal deve verificálos, e se for o caso, ajustálos, não se aplicando o instituto da decadência e não ocorrendo a homologação tácita defendida pelo contribuinte. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10640.900521/200681 Resolução nº 1402002.797 S1C4T2 Fl. 290 4 É evidente que não merece prosperar a alegação calcada na impossibilidade de análise dos valores devidos pelo contribuinte com base nas declarações apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, especialmente em relação aos períodos de apuração supostamente fulminados pela decadência prevista no art. 150, §4º, do CTN. Cabe à análise da “certeza e liquidez” dos saldos negativos de IRPJ e CSLL relativos a períodos anteriores para se apurar o efetivo direito creditório do contribuinte. Ressaltese que a empresa não comprova ser detentora dos créditos utilizados nas compensações das estimativas não validadas no Despacho Decisório, se limitando a discutir sobre a possibilidade da autoridade analisar ou não a sua existência. Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade e pela não homologação das compensações pleiteadas, nos termos do Despacho Decisório. Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando as mesmas alegações feitas na impugnação. Ao analisar o recurso da suplicante, a 3ª Turma Especial deste E. CARF/MF decidiu converter o julgamento em diligência fundamentando e requisitando para a Unidade de Origem os seguintes esclarecimentos: Trata o presente processo de análise de PER/DCOMP contendo direito creditório decorrente de saldo negativo de CSLL do ano calendário 2002, cujas compensações não foram homologadas pelo despacho decisório fl. 14. Alega a recorrente em síntese: a) Que o despacho decisório que denegou a homologação das compensações é nulo considerando a ausência de motivação e inexistência de qualquer fundamentação para que a contribuinte possa exercer seu direito de defesa; b) Que não poderia a Administração Tributária analisar e apreciar os saldos negativos de exercícios anteriores já atingidos pela decadência. Assiste parcial razão à interessada. Com efeito, a deficiente motivação e fundamentação do ato administrativo (fl. 14) deixa sérias indagações acerca da não validação das estimativas do ano calendário 2002, conforme o precário detalhamento contido no documento denominado “detalhamento da compensação” fls. 18/20 juntado pela recorrente por ocasião da manifestação de inconformidade. Tanto o despacho decisório, como o “detalhamento da compensação” indicam apenas que parte do saldo negativo do ano calendário 2002 não foi validado, pois parte das estimativas compensadas no período não teriam sido confirmadas. Não há qualquer detalhamento ou motivação para a não confirmação das estimativas que foram extintas segundo o PER/DCOMP (fls. 75/85) através de compensação com o saldo negativo do ano calendário 2001. Não há uma linha sequer motivando ou descrevendo os fatos que ensejaram a glosa de parte do saldo negativo do ano calendário 2001 ou ainda, Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10640.900521/200681 Resolução nº 1402002.797 S1C4T2 Fl. 291 5 fundamentação fática do procedimento adotado pela autoridade fiscal que teria apreciado a PER/DCOMP. No entanto, considerando que a autoridade fiscal que apreciou o pedido tenha motivadas razões para a glosa parcial do saldo negativo do ano calendário 2001 utilizado para extinção das estimativas de 2002, o julgamento deve ser convertido em diligência. Destarte, deve a unidade de origem realizar diligência fiscal no sentido de colher documentos e informações conforme segue: a) Cópias das DIPJ dos anos calendários 2001 e 2002; b) Esclarecer a origem das glosas do saldo negativo de 2001 e apresentar a análise do direito creditório de 2002, motivando e fundamentando os valores apurados. Após a conclusão dos trabalhos seu resultado deve ser submetido à ciência da contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias querendo, restituindose em seguida os autos ao CARF para prosseguimento. Em resposta a diligência solicitada, vaio a manifestação (com nome de despacho) da unidade de origem de fls. 245/248 dos autos, informando e demonstrando que a recorrente não tinha mais saldo negativo para compensar o valor residual que fora mantido no Despacho Decisório e confirmado pela DRJ em seu acórdão recorrido. A Recorrente se manifesta sobra a resposta da diligência alegando que ocorreram erros na apuração feita pela unidade de origem. (a manifestação da Recorrente consta nos autos com o nome de Recurso Especial fls.254/260) É o Relatório Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10640.900521/200681 Resolução nº 1402002.797 S1C4T2 Fl. 292 6 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recursos Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse E. Colegiado, devendo ser admitido. Inicialmente em relação a alegação de nulidade do r. Despacho Decisório e do v. acórdão por falta de fundamentação, entendo que a Resolução proferida pela Terceira Turma deste E. CARF superou este ponto, ao determinar esclarecimentos mais aprofundados sobre a apuração do crédito. Ademias, ao proceder a leitura da manifestação de inconformidade, pode se verificar que e o v. acórdão recorrido analisou as principais (senão todas) alegações da Recorrente. Mesmo porque, em relação à suposta necessidade de se refutar todos os argumentos de defesa, nem mesmo o § 1º do art. 489 do CPC/2015 agasalha tal entendimento. Tal exegese foi confirmada por unanimidade por todos os Ministros da Primeira Seção do STJ no julgamento dos Embargos de Declaração no Mandado de Segurança nº 21.315DF, cuja parte de interesse da ementa reproduzse a seguir: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. [...] 4. Percebese, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10640.900521/200681 Resolução nº 1402002.797 S1C4T2 Fl. 293 7 Desta forma, afasta a alegações de nulidade do r. Despacho Decisório e do v. acórdão recorrido. Em relação a alegação da Recorrente de impossibilidade de a Fiscalização analisar os créditos e documentação de períodos antigos, de cinco anos da data do primeiro ato da administração publica (no caso Despacho Decisório), ocorrendo homologação tácita ou decadência, entendo que não deve ser provida. A fiscalização não está impedida de analisar créditos de períodos antigos, com mais de cinco anos, relativos a compensação de estimativas que compuseram o saldo negativo de 2002, eis que a homologação tácita e a decadência impedem a desconstituição da homologação da compensação, mas não geram o reconhecimento do crédito indevido para outras futuras compensações. No caso de homologação tácita e decadência, a Fiscalização fica impedida de não homologar a compensação e de lançar de ofício o crédito. Os saldos negativos de IRPJ e de CSLL, porventura apurados incorretamente pelo contribuinte nas DIPJs apresentadas há mais de cinco anos da data da análise daquele crédito antigo declarado, devem ser ajustados quando compõe/somamse ao crédito recente que se pretende o reconhecimento e sua compensação, pois não é possível que se ‘crie’ créditos por decurso do prazo homologatório e decadêncial. A Autoridade Fiscal deve verificálos, e se for o caso, ajustálos, não se aplicando o instituto da decadência e não ocorrendo a homologação tácita defendida pelo Recorrente, pois alteram o crédito presente que se requer seja reconhecido e compensado. É evidente que não merece prosperar a alegação calcada na impossibilidade de análise dos valores devidos pela Recorrente com base nas declarações apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, especialmente em relação aos períodos de apuração supostamente fulminados pela decadência prevista no art. 150, §4º, do CTN. Cabe à análise da “certeza e liquidez” dos saldos negativos de IRPJ e CSLL relativos a períodos anteriores para se apurar o efetivo direito creditório presente do contribuinte. Quanto ao mérito propriamente dito, a resposta a diligência refez a apuração dos períodos anteriores e demonstrou que a Recorrente não tinha o crédito de saldo negativo de 2001, que compôs o crédito de 2002 ora em discussão que se pretende compensar, conforme Demonstrativo de Analítico de Compensação de fls. 229/240 e Planilha de Estimativa Extinta com transferência de crédito IPI com a União . Vejamos o teor da resposta, a qual concordo com seus fundamentos para não reconhecer o crédito e não homologar a compensação. Por meio da Resolução 1803000.085, de 12/03/2014, doc. de fls. 127 130, os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF), por maioria de votos, acordaram em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do conselheiro Walter Adolfo Maresch, que busca obter cópias das DIPJ dos anos calendários 2001 a 2002 e informações esclarecedoras da Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10640.900521/200681 Resolução nº 1402002.797 S1C4T2 Fl. 294 8 origem das glosas do saldo negativo (SN) de 2001, com a apresentação da análise do direito creditório de 2002, motivando e fundamentando os valores apurados. No período de 01/01/92 até 30/09/2002 a compensação entre tributos, receitas da mesma espécie, era possível de ser efetivada contabilmente, por conta e risco da contribuinte, de acordo com o artigo 66, § 1° e o art. 97 da Lei n. 8.383, de 1991. Nesse caso havia apenas a obrigação acessória da confissão constitutiva dos débitos, por meio da DCTF, com a identificação da forma (ex. compensação) em que foram extintos (se foram) ou o motivo da suspensão da cobrança (ex. ação judicial). Após esta data tornouse exigível a compensação por meio de Declaração de Compensação (DCOMP), art. 49 e 63 da MP 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (art.s 49 e 68). Os débitos dos períodos de apuração (PAs) abr a dez/98, jan a ago/99, jan a set/2000, jan a ago/2001 e jan a 30/09/2002 referentes à Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), com vencimento no último dia útil do mês seguinte ao da apuração (PA), foram constituídos por DCTFs (doc. de fls. 132201) com a informação da extinção, no todo ou em parte, por compensação efetivada contabilmente com crédito de saldo negativo (SN) de CSLL dos exercícios anteriores (mesma espécie). Desta forma, parte das estimativas (CSLL) do anocalendário (AC) 2002 foram declaradas extintas por SN (CSLL) do exercício (EX) 2002, composto pelas estimativas (CSLL) do AC 2001, que foram parcialmente declaradas extintas pelo SN do EX 2001, gerado pelas estimativas do AC 2000, que, por sua vez, foram declaradas extintas pelo SN do EX 2000; esta situação se repete até as estimativas do AC 1998 declaradas extintas pelo SN do EX 1998, formado por estimativas extintas exclusivamente por pagamentos (DARFs). Os débitos de estimativas de CSLL dos PAs 08, 09 e 11/2001 e 09/2002, foram vinculadas no todo ou em parte – por Pedidos de Compensações – a créditos de IPI, analisados em processos administrativo, sendo a estimativa do PA 09/2001 extinta totalmente e as dos demais PAs extintas parcialmente, doc. de fls. 202205, conforme o quadro a seguir. [...] O SN de CSLL mais remoto, demonstrado por DIRPJ/DIPJ (doc. de fls. 206212) e utilizado pela contribuinte para compensar estimativas dos exercícios seguintes, foi o apurado para o exercício de 1998 – AC 1997, que é proveniente de estimativas de CSLL pagas por DARFs, o quadro a seguir registra esses pagamentos e outros efetivados pela contribuinte até 31/01/2003 (doc. de fls. 213224). [...] Confirmadas as transferências de créditos de IPI e de pagamentos à União – por meio das telas do sistema SIEF, doc. de fls. 202205, relativas aos processos relacionados no primeiro quadro (IPI), e aos DARFs (doc. de fls. 213224), identificados no quadro anterior – faltava apurar os efetivos créditos de SNs que a contribuinte transferiu Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10640.900521/200681 Resolução nº 1402002.797 S1C4T2 Fl. 295 9 à União, assim, com esse objetivo elaborouse as planilhas “Estimativas de CSLL extintas com efetiva transferência de crédito à União”, doc. de fls. 241244, contendo os valores desses quadros anteriores na composição dos SNs, que, acrescidos de SELIC, foram utilizados nas compensações das estimativas dos ACs seguintes, formando novos SNs. Os cálculos dessas compensações foram realizados no sistema SAPO (Demonstrativo Analítico de Compensação, doc. de fls. 229240). A soma das estimativas do AC 1997, totalmente extintas por DARF, é igual a R$ 87.505,40, este valor apurado na citada planilha é maior do que o informado (R$ 82.331,53) pela contribuinte na DIRPJ n. 317157620, doc. de fl. 207. Consequentemente resultou em um maior SN do EX 98, no valor de R$ 77.903,27, que foi utilizado acrescido da SELIC na quitação das estimativas dos AC seguintes. Como a SELIC é devida a partir do mês seguinte ao pagamento a maior, o SN foi dividido em dois valores: um resultante da soma das estimativas vencidas e quitadas até 31/12/97 (R$ 55.773,35) e o outro correspondente à estimativa ( PA: Dez) vendida e quitada em jan/98 (R$ 22.129,92). A divisão do SN só ocorrerá quando houver a constituição e quitação da estimativa do PA dezembro, cujo vencimento é em janeiro do ano seguinte (art. 73 da Lei n. 9.532/97 e IN/SRF n.146 de 18/03/02). As compensações – com crédito de SN (SAPO) e com créditos de IPI (processos supracitados) – foram realizadas nas datas de vencimentos das estimativas confessadas por DCTFs ou , a partir de 01/10/2002 , na data de transmissão das DCOMP. Os cálculos das compensações, elaborados no sistema SAPO (doc. de fls. 229 240), identificaram os índices de atualizações dos créditos de SNs (CSLL), dos exercícios de 1998 a 2002, ou os índices de deflação dos débitos a esses SNs vinculados. Os cálculos (SAPO) são referentes às estimativas de CSLL vencidas entre 29/05/98 (AC 98) a 31/07/2002 (AC 2002), extintas nos limites dos créditos de SNs comprovadamente transferido à União. Os índices acumulados são referentes às taxas SELIC ocorridas nos períodos das compensações com SNs, compostos por estimativas pagas ou comprovadamente compensadas e evidenciadas nas planilhas “Estimativas de CSLL extintas com efetiva transferência de crédito à União”, doc. de fls. 241244. Essas planilhas, foram elaboradas para determinar os corretos SNs (CSLL) e permitir uma melhor visualização dos créditos efetivamente transferidos à União: 1) O crédito de SN EX 98 informado na DIRPJ n. 317157620, R$ 72.729,40, inferior ao valor composto por estimativas pagas e utilizado no cálculo da planilha, R$ 77.903,27, dividido em R$ 55.773,35 e R$ 22.429,92 para efeito de atualização, é suficiente para quitar as estimativas constituídas por DCTFs e a ele vinculadas por compensações, as do AC 98 (totalmente) e as do AC 99 (parcialmente). 2) O crédito de SN do EX 99 constante da DIRPJ n. 126155452, R$ 62.861,29 – derivado de estimativas não constituídas (R$ 15.489,02) e de estimativas constituídas por DCTFs e quitadas ( com transferências Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10640.900521/200681 Resolução nº 1402002.797 S1C4T2 Fl. 296 10 de créditos à União, R$ 82.934,24), no valor total de R$ 98.423,26 – é superior ao SN no valor de R$ 47.372,27 (dividido em R$ 42.693,68 e R$ 4.678,59 para efeito de atualização) comprovado e utilizado nos cálculos da planilha, quitando as estimativas constituídas por DCTFs e a ele vinculadas por compensações, as do AC 99 (os valores remanescentes das compensações com SN EX 98) e as do AC 2000 (parcialmente). 3) O crédito de SN EX 2000 constante da DIRPJ n. 119941359, R$ 59.965,69 – originário de estimativas constituídas por DCTFs e extintas por créditos efetivamente transferidos à União – é igual ao SN comprovado e utilizado nos cálculos da planilha, suficiente para quitar as estimativas constituídas por DCTFs e a ele vinculadas por compensações, as do AC 2000 (os valores remanescentes das compensações com SN EX 99) e as do AC 2001 (parcialmente). A CSLL devida na DIPJ do EX 2000 foi integralmente deduzida, observando o limite estabelecido pelo art. 8° da Lei n. 9.718/98 relativo ao 1/3 da COFINS efetivamente extinta por compensação analisada no processo n. 10640002.316/9968, conforme extrato (doc. de fls. 225228). Assim, o SN (CSLL) EX 2000 é correspondente às estimativas (CSLL) quitadas no AC 1999. 4) O crédito de SN do EX 2001 constante da DIRPJ n. 119531703, R$ 46.041,99 – derivado de estimativas não constituídas (no valor de R$ 24.876,78) e de estimativas constituídas por DCTFs e quitadas ( com transferências de créditos à União, R$ 87.864,25) no valor total de R$ 112.609,53,– é superior ao SN de R$ 21.309,24 comprovado e utilizado nos cálculos da planilha, quitando as estimativas constituídas por DCTFs e a ele vinculadas por compensações, as do AC 2001 (quitou parte dos valores remanescentes das compensações realizadas com SN EX 2000). 5) O crédito de SN do EX 2002 constante da DIRPJ n. 119381701, R$ 89.963,96 – resultante das estimativas não constituídas (R$ 10.000,00), das constituídas por DCTF e não quitadas (sem crédito transferido à União, R$ 22.013,33) e das constituídas por DCTF e quitadas (com créditos efetivamente transferidos à União, R$ 83.164,59) no total de R$ 115.178,22,– é superior ao SN de R$ 67.950,25 comprovado e utilizado nos cálculos da planilha, quitando as estimativas constituídas por DCTFs e a ele vinculadas por compensações, as do AC 2002 (quitas parcialmente). 6) O crédito de SN do EX 2003 constante da DIRPJ n. 128117272, R$ 58.484,74 – resultante das estimativas não constituídas (R$ 70,00), das constituídas por DCTF e não quitadas (sem crédito transferido à União R$ 24.603,89), e das constituídas por DCTF e quitadas (com créditos efetivamente transferidos à União, R$ 123.452,97) no total de R$ 148.126,86 – é superior ao SN de R$ 33.810,85 comprovado pelos cálculos da planilha. Para conclusão do requerido na Resolução 1803000.085,, doc. de fls. 127130, proponho o encaminhamento ao setor operacional para ciência da interessada, por cópia deste relatório, acompanhada de cópias das planilhas “Estimativas de CSLL extintas com efetiva transferência de crédito à União”, doc. de fls. 241244, e dos Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10640.900521/200681 Resolução nº 1402002.797 S1C4T2 Fl. 297 11 Demonstrativos Analíticos de Compensações (doc. de fls. 229240), cientificandoa da reabertura do prazo de 30 dias, para, caso lhe convenha, manifestarse. Em relação a alegação de que a Fiscalização não verificou que a Recorrente tinha retificado as PERD/COMPs, e por isso teria errado na apuração do créditos quando respondeu a diligência, insta esclarecer que também não deve ser provida. As PERD/COMPs foram retificadas em 2008, antes do r. Despacho Decisório ter sido proferido em 2011. Assim a analise dos documentos constantes nos autos já foi feito com base nos PERD/COMPs retificados. Alias, tal fato, comprova que não ocorreu a homologação tácita no presente processo. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 309DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900344/2012-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2006
PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.222
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PH7AGROPECUARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2006 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF de origem, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 44 /2 01 2- 46 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10865.900344/201246 Acórdão n.º 3301004.222 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que não existem informações e documentação comprobatória a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos. Nesse sentido, a contribuinte contesta o que qualifica como forma genérica de indeferimento, motivo pelo qual entende prejudicado o exercício do contraditório e da ampla defesa, vez que só poderá se defender plenamente na medida em que souber exatamente o que lhe está sendo imputado. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14043.757. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: ofensa ao princípio da legalidade, extrapolandose o art. 74 de Lei 9.430/96 e o direito à retificação da DCTF. Ao final, pugna pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.199, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10865.900314/201230, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.199): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O despacho decisório em comento (fl. 5) apontou o crédito pretendido, "DARF discriminado no PER/DCOMP" de R$307,33, recolhidos em 15/07/2004, sob o código 6912, como também a "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS NO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP: "Db: cód 6912 PA 30/06/2004". Então, pelo que consta da decisão, com dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, a recorrente pagou R$307,33 por débito de "PIS NÃO CUMULATIVO", referente a junho de 2004, na quinzena do mês subsequente. Em seu recurso, a contribuinte aponta, incorretamente, tratarse de PIS e COFINS do anocalendário de 2004, sob o código "5856", mesma informação que registrou no PER/ DCOMP. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10865.900344/201246 Acórdão n.º 3301004.222 S3C3T1 Fl. 4 3 Assim, ao contrário do que indica a contribuinte, há informações, documentos o próprio DARF indicado pela contribuinte "a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos"; além de motivação suficiente, clara e completa: "localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição", sem prejuízo ao contraditório e da ampla defesa. No PER/DCOMP que protocolou (fl. 02) a contribuinte alega, no campo "Tipo de Crédito:", pagamento indevido ou a maior, mas lá não juntou qualquer prova nesse sentido (por exemplo, documentos contábeis que demonstram erro na apuração da contribuição), nem os trouxe em sede de manifestação de inconformidade (fls 7 e seguintes), quando seria seu esse ônus, conforme bem discorre o acórdão recorrido. Em sede de recurso voluntário, traz explicação que até então não havia carreado aos autos: Assim, alega a recorrente, ofensa ao princípio da legalidade, por extrapolamento do art. 74 do Lei 9.430, posto que ela teria recolhido erroneamente as contribuições sobre as receitas advindas da venda de laranjas. Ora, não lhe fora vedado solicitar restituição, objeto do dito dispositivo legal, apenas não trouxe ela a devida comprovação do crédito advindo do pagamento tido como indevido ou a maior, em sede de impugnação. A recorrente trouxe, somente agora, em sede de recurso voluntário, explicação para a valor supostamente pago a maior, mas não juntou qualquer documento a demonstrar que vendeu as laranjas. Assim, o ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil e não cumpriu tal exigência a contribuinte. E mais, nessa toada, segue o processo respeitando o princípio da legalidade. Aduz que "a Secretaria Receita Federal apurou erroneamente, em seus sistemas, a existência do suposto débito, no anocalendário de 2004, também referente ao PIS e à COFINS, e compensou esse débito com o referido crédito". Não foi isso que aconteceu: o pagamento localizado pela Receita e de mesmo valor e data que o informado pela contribuinte no PER/ COMP, e não procedeu o Fisco à compensação, apenas disse que o pagamento fora integralmente utilizado "para quitação de débitos do contribuinte", aqueles que, como alegado pelo contribuinte, foram incorretamente apurados, "não restando crédito disponível para restituição". Diz o acórdão recorrido que: [...] De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10865.900344/201246 Acórdão n.º 3301004.222 S3C3T1 Fl. 5 4 pagamento apontado no PER/DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. A recorrente então discute sobre a possibilidade de retificação da DCTF e aduz a ilegalidade de exigência desta. De plano, o acórdão recorrido não fez tal exigência. Ademais, não demonstrando com documentos o seu direito e já transcorrido o prazo para fazêlo, essa discussão nada acrescenta ao presente julgamento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.723886/2014-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 30/12/2012
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS, AVISO PRÉVIO INDENIZADO E OS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIO-DOENÇA. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Em face da natureza eminentemente não remuneratória das verbas denominadas terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e os quinze dias que antecedem o auxílio-doença, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543-C, do CPC, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludidas rubricas, impondo seja rechaçada a tributação imputada.
COMPENSAÇÕES DEVIDAS. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. NÃO COMPROVADO O EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. AFASTAMENTO DA QUALIFICADORA. POSSIBILIDADE.
Reputando-se que as compensações efetuadas pelo sujeito passivo não foram indevidas, afasta-se a aplicação do artigo 89, § 10, da Lei nº 8.212/1991.
Numero da decisão: 2401-005.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir a multa isolada de 150% por compensação indevida.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 30/12/2012 TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS, AVISO PRÉVIO INDENIZADO E OS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIO-DOENÇA. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Em face da natureza eminentemente não remuneratória das verbas denominadas terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e os quinze dias que antecedem o auxílio-doença, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543-C, do CPC, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludidas rubricas, impondo seja rechaçada a tributação imputada. COMPENSAÇÕES DEVIDAS. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. NÃO COMPROVADO O EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. AFASTAMENTO DA QUALIFICADORA. POSSIBILIDADE. Reputando-se que as compensações efetuadas pelo sujeito passivo não foram indevidas, afasta-se a aplicação do artigo 89, § 10, da Lei nº 8.212/1991.
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nome_relator_s : LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Em face da natureza eminentemente não remuneratória das verbas denominadas terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e os quinze dias que antecedem o auxíliodoença, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543C, do CPC, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludidas rubricas, impondo seja rechaçada a tributação imputada. COMPENSAÇÕES DEVIDAS. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. NÃO COMPROVADO O EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. AFASTAMENTO DA QUALIFICADORA. POSSIBILIDADE. Reputandose que as compensações efetuadas pelo sujeito passivo não foram indevidas, afastase a aplicação do artigo 89, § 10, da Lei nº 8.212/1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 38 86 /2 01 4- 47 Fl. 1376DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir a multa isolada de 150% por compensação indevida. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 10580.723886/201447 Acórdão n.º 2401005.145 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Nesta oportunidade, por bem descrever a matéria tratada nos presentes autos, adoto o relatório de fls. 1.140/1.148 produzido pela respeitável decisão recorrida, apresentado nos termos seguintes: “Tratase de Autos de Infração AIs lavrados contra a empresa em epígrafe, cujos créditos tributários são os descritos a seguir: Obrigação Principal: • DEBCAD 51.051.1260 – no valor de R$ 253.099,71, no período de 01/11 a 12/11, inclusive 13o, consolidado em 7/5/14, referente a contribuição social destinada à seguridade social correspondente à contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais, não declarados em GFIP (códigos de levantamento CT, DF, FP e PR). • DEBCAD 51.051.1279 – no valor de R$ 52.120,97, no período de 01/11 a 12/11, inclusive 13o, consolidado em 7/5/14, referente a contribuição social destinada à seguridade social correspondente à contribuição dos segurados, incidente sobre valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais, não declarados em GFIP (códigos de levantamento CT, DF e FP). • DEBCAD 51.051.1287 – no valor de R$ 18.771,61, no período de 01/11 a 12/11, inclusive 13o, consolidado em 7/5/14, referente a contribuição social destinada a outras entidades e fundos – Sest, Senat, Sebrae, Incra e Salário Educação, incidente sobre valores pagos a segurados empregados, não declarados em GFIP (códigos de levantamento DF e FP). • DEBCAD 51.051.1295 – no valor de R$ 72.069,76, no período de 01/11 a 12/11, inclusive 13o, consolidado em 7/5/14, referente a diferença de contribuição social destinada à seguridade social para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre valores pagos a segurados empregados (código de levantamento RT). Fl. 1378DF CARF MF 4 • DEBCAD 51.051.1309 – no valor de R$ 1.527.594,32, no período de 05/11 a 08/11, referente a glosa de compensação indevida (código de levantamento CP). • DEBCAD 51.051.1252 – no valor de R$ 1.585.091,26, no período de 05/11 a 08/11, referente a multa isolada (código de levantamento MI). Obrigação Acessória: • DEBCAD 51.051.1317 (Código de Fundamentação Legal – CFL 30) – no valor de R$ 1.812,87, por infração à Lei 8.212/91, artigo 32, inciso I, tendo em vista que a empresa deixou de incluir em suas folhas de pagamento, de 01/11 a 12/11, as remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço – não incluiu os dados dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, apurados na contabilidade. A multa cabível está prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, artigo 283, inciso I, alínea ‘a’. • DEBCAD 51.051.1325 (Código de Fundamentação Legal – CFL 59) – no valor de 1.812,87, por infração à Lei 8.212/91, artigo 30, inciso I, alínea ‘a’, e Lei 10.666/03, art. 4o, tendo em vista que a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições de segurados a seu serviço – não arrecadou as contribuições dos segurados contribuintes individuais, conforme consta na contabilidade e notas fiscais. A multa cabível está prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, artigo 283, inciso I, alínea ‘g’. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 68/89) são fatos geradores do lançamento de obrigações principais: • pagamentos a contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa, não declarados em GFIP (código de levantamento CT); • diferenças encontradas entre as remunerações de empregados declaradas nas folhas de pagamento e em GFIP (código de levantamento DF); • valores de remunerações pagas a empregados declarados nas folhas de pagamento e não declarados em GFIP (código de levantamento FP); • valores pagos a título de prólabore a administradores não sócios da empresa informados nas folhas de pagamento e não declarados em GFIP (código de levantamento PR); • diferença de alíquota GILRAT (código de levantamento RT); • glosa de compensação indevida (código de levantamento CP); • multa isolada por compensação indevida (código de levantamento MI). Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 10580.723886/201447 Acórdão n.º 2401005.145 S2C4T1 Fl. 4 5 Consta, ainda, que a autuada esclareceu que o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Salvador ajuizou Mandado de Segurança – MS nº 1627737.2011.4.01.3300 pleiteando a inexigibilidade das verbas discutidas – contribuições incidentes sobre os valores pagos a titulo de horasextras, adicionais noturnos, de periculosidade, insalubridade e de transferência. A empresa apresentou planilha onde consta que o objeto da ação seria férias e bônus de 1/3 de férias, afastamento por acidente ou doença e salário maternidade. Na sentença do MS citado consta que foi concedido parcialmente a segurança para assegurar o direito de não recolher a contribuição previdenciária apenas sobre o adicional de transferência, que a compensação dos valores poderia ser feita com dívidas relativas à mesma contribuição e que os eventuais créditos somente poderiam ser compensados após o trânsito em julgado da decisão definitiva da ação. Verificouse que o adicional de transferência citado no MS não é objeto da ação da empresa ora fiscalizada, nem consta na planilha apresentada pela empresa onde estão discriminadas as contribuições patronais pagas indevidamente. Assim, todos os valores compensados pela empresa em GFIP foram integralmente glosados. A empresa declarou na GFIP a alíquota GILRAT ajustada a menor no período de 01/11 a 12/11. Declarou 4,53%, quando deveria ter aplicado 4,78%, resultante da multiplicação do Fator Acidentário de Prevenção – FAP de 1,5940 pela alíquota GILRAT de 3%. Na contabilidade foram identificados pagamentos efetuados durante o ano de 2011 a prestadores de serviços pessoas físicas, não declarados em GFIP. Também não foi declarado em GFIP o desconto do segurado contribuinte individual. Os administradores das empresas sócias da Capital Transportes Urbanos Ltda. receberam remuneração mensalmente durante o ano de 2011. Estes administradores estão declarados indevidamente em GFIP com o código 03 (trabalhador não vinculado ao RGPS, mas com direito a FGTS), com isso, as remunerações recebidas por eles não foram declaradas em GFIP como base de cálculo para a previdência social. Os valores recolhidos pela empresa em GPS foram apropriados, como também foram considerados os valores pagos a titulo de salário família e saláriomaternidade. Foi atribuída responsabilidade solidária aos administradores, nos termos do CTN, art. 135, inciso III, tendo em vista a inclusão de Fl. 1380DF CARF MF 6 créditos inexistentes para compensação em GFIP, para os Debcads 51.051.1309 e 51.051.1252. Foram formalizados os Termos de Sujeição Passiva Solidária – TSPS (fls. 851/866). Os administradores no período fiscalizado são os Srs. Jorge Marçal Maskell Ferreira, Marco Antônio Maskell Ferreira, Mário César Maskell Ferreira e a Sra. Elizabeth Maria Maskell Ferreira, sócios administradores das empresas JTERRA Empreendimentos e Participações LTDA, JUGUI JTERRA Empreendimentos e Participações LTDA, TRESMAR JTERRA Empreendimentos e Participações LTDA e TIALIA JTERRA Empreendimentos e Participações LTDA, respectivamente, as quais são sócias da empresa Capital Transportes Urbanos LTDA, conforme Contrato Social da empresa (fls. 92/94). À fl. 86 do Relatório Fiscal consta que, conforme cláusula quinta do Contrato Social e Terceira Alteração Contratual, o vínculo das pessoas acima listadas com a empresa ora autuada é de administrador não sócio. Por configurar, em tese, os crimes de sonegação de contribuição previdenciária e falsificação de documento público, foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais RFFP. Foi lavrado o Termo de Arrrolamento de Bens e Direitos – TAB em nome dos administradores, por exceder simultaneamente a 30% do patrimônio conhecido pelos sujeitos passivos solidários e a R$ 2.000.000,00. O contribuinte foi cientificado do presente auto de infração – AI em 19/5/14, conforme cópia de Aviso de Recebimento – AR de fl. 875. Ele e os sócios apresentaram impugnação única em 15/6/14 (carimbo de protocolo à fl. 878), às fls. 878/937, que contém, em síntese: PRELIMINARES Necessidade de revisão e/ou retificação Cita o regimento interno do Carf (artigo 62A) e a Lei 10.522/02, e alega que as Secretarias da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir as decisões proferidas pelo STJ e STF, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, e que os lançamentos já efetuados deverão ser revisados e retificados de ofício. Alega que no caso em tela, a matéria discutida não incidência da contribuição previdenciária patronal sobre algumas verbas (terço de férias, auxíliodoença, auxílioacidente e outras) e multa confiscatória – foi ou está sendo analisada pelo STF e STJ, atualmente, através dos recursos extraordinários e especiais RE 565160, RE 576967, RE 640452, Resp 1.230.957 e Resp 1.358.281, respectivamente, cuja repercussão geral (art. 543 B) e submissão a sistemática dos recursos (art. 543C) já foram oferecidas. Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 10580.723886/201447 Acórdão n.º 2401005.145 S2C4T1 Fl. 5 7 Diz que o Resp 1.230.957 já foi julgado pelo STJ, no qual os ministros da 1ª seção decidiram que não devem ser tributados o auxíliodoença, o aviso prévio indenizado e o terço constitucional de férias. Conclui que se faz necessário que esta turma julgadora determine a devolução à autoridade competente para que ela revise/retifique o lançamento realizado, aplicando a decisão proferida pelo STJ no Resp 1.230.957, atendendo a legislação e após a manifestação da PGFN. Nulidade Argumenta que o AI decorre da premissa de que a compensação somente poderia ter sido efetivada após o trânsito em julgado da decisão, conforme CTN, art. 170A. Cita a Instrução Normativa IN RFB 900/09, art. 44, e argumenta que o procedimento de compensação não poderia ter sido efetuado em outra obrigação acessória que não na GFIP. Aduz que é autora de processo judicial (sem citar qual) que visa afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre verbas pagas a título de quinze dias de afastamento de empregados doentes e sobre o valor pago a título de 1/3 de adicional de férias, férias gozadas, saláriomaternidade e outras. Diz que a aplicação do artigo 170A do CTN em ações de Mandado de Segurança é uma atecnia e discorre sobre a matéria. Cita jurisprudência. Afirma que há divergência nos autos de infração. A fiscalização reconhece a existência de créditos, contudo enquadra o procedimento como falso, não analisando o procedimento em si (se homologa ou não) e aplica a multa de 150%. Cita decisão do Carf no sentido de ser inaplicável a multa isolada nos casos em que o fisco fundamente sua imposição apenas na incorreta declaração em GFIP, mormente quando o sujeito passivo detinha decisão judicial que autorizava a compensação após o seu trânsito em julgado. Entende que o limitador do artigo 170A do CTN poderia ser levantado no máximo para não homologar a compensação realizada, e não para enquadrar como declaração falsa. Discorre sobre falsidade de declaração, afirmando que as justificativas e toda a documentação solicitada foi apresentada no decorrer da fiscalização. Alega que o procedimento adotado pela autuada está de acordo com o previsto no art. 44 da IN 900/09, cabendo ao fisco homologar ou não a compensação realizada. Fl. 1382DF CARF MF 8 Conclui que os autos de infração combatidos restam viciados e nulos, devendo ser declarados improcedentes. RFFP Alega que a impugnação suspende a exigibilidade do crédito tributário e enquanto não houver conclusão do processo administrativo, não se pode atribuir ao contribuinte algum crime. Cita decisão do STF e a súmula vinculante 24. Cita a Lei 9.430/96, art. 83, que dispõe que a RFFP será encaminhada ao Ministério Público depois de proferida a decisão final na esfera administrativa. Cita também a Portaria RFB 2.439, de 21/12/10. Acrescenta que mesmo constituído de forma definitiva o tributo, ainda se abrirá ao contribuinte a possibilidade de parcelamento ou pagamento, o que implica na suspensão da pretensão punitiva ou extinção da punibilidade. Requer que a RFFP seja mantida no âmbito da RFB até final esgotamento da via administrativa, eventual constituição definitiva do crédito, e ainda, após esgotado prazo para o contribuinte pagar ou parcelar o tributo. MÉRITO Aduz que as parcelas compensadas referemse às contribuições incidentes sobre os valores pagos nos quinze primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado, bem como, a título de saláriomaternidade, férias e adicional de férias (1/3) e outras. Diz que teve êxito em suas ações, tendo o direito de não mais pagar estas verbas discutidas, bem como compensar os créditos apurados decorrentes dos pagamentos indevidos. Vício insanável Diz que cumpriu todas as suas obrigações fiscais. Alega que as verbas discutidas (contribuições incidentes sobre os valores pagos nos quinze primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado, bem como, a título de saláriomaternidade, férias e adicional de férias (1/3) e outras), conforme demonstrado nas ações mandamentais e decisões do STJ (inclusive na sistemática do 543C), foram pagas indevidamente. Não pode a impugnante ser compelida ao pagamento da contribuição previdenciária incidente sobre os valores em debate, bem como, impedida de efetuar a compensação das respectivas quantias pretéritas indevidamente pagas. Contribuição Previdenciária Cita a CR/88, art. 195, a Lei 8.212/91, art. 22, I, a Instrução Normativa IN RFB 971/09, afirmando que a delimitação da incidência da contribuição patronal sobre os valores pagos destinados Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 10580.723886/201447 Acórdão n.º 2401005.145 S2C4T1 Fl. 6 9 a retribuir o trabalho efetivo ou potencial também foi consagrada pelo STF. Cita a redação original do § 2º do art. 22 da Lei 8.212/91, afirmando que ampliou a hipótese tributária em debate para além dos valores pagos em decorrência de contraprestação de serviços, de modo a se abranger todos os valores pagos pela empresa aos trabalhadores, inclusive verbas rescisórias. Alega que tal ampliação foi obstada pelo STF, citando trechos do voto do relator. Argumenta que ocorre em ofensa ao princípio da legalidade estrita, a autoridade administrativa exigir o recolhimento da contribuição social previdenciária sobre valores pagos em situações em que não há remuneração por serviços prestados: nos quinze primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado, a título de salário maternidade, férias gozadas e adicional de férias (1/3). Valores objeto do Mandado de Segurança Disserta sobre os motivos que entende ser indevida a cobrança de contribuição previdenciária sobre: a) valores pagos nos primeiros quinze dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado; b) saláriomaternidade; c) férias gozadas e 1/3 constitucional de férias; e d) aviso prévio indenizado e sua correspondente parcela no 13º salário. Compensação prevista no artigo 66 da Lei 8.383/91 Alega que a Lei 8.383/91, art. 66, faculta ao contribuinte a possibilidade compensar os tributos pagos a maior com débitos vincendos, independentemente de autorização administrativa, a quem cabe, posteriormente, homologar ou não a compensação realizada. Argumenta que o CTN, artigos 170 e 170A cuidam da compensação realizada diretamente pelos agentes fiscais a pedido do contribuinte, o que extingue o crédito tributário. Cita doutrina e jurisprudência. Conclui que não pode a administração vincular o procedimento de compensação ao trânsito em julgado da decisão. Constituição do crédito Tributário Cita o CTN, art. 142, que dispõe sobre a atividade privativa da autoridade administrativa de constituir o lançamento. Diz que a conduta de informar em GFIP é uma obrigação acessória do contribuinte, não sendo apta a substituir o lançamento tributário. Assim, caso o fisco constate irregularidades no procedimento realizado pela impugnante, o que não existiu, pois as compensações ocorreram Fl. 1384DF CARF MF 10 nos exatos limites legais, deve o mesmo fiscalizar e lançar o que considerar devido. Cita doutrina. Argumenta que a fiscalização não poderia ter constituído o crédito na forma estabelecida no AI que, sem considerar os documentos apresentados pela impugnante, procedeu a lavratura do AI à margem da lei, inclusive aplicando multa de forma desmedida, porque a impugnante não teria apresentados documentos. Cita doutrina. Disserta sobre a atividade de lançamento e inscrição em dívida ativa, afirmando que há necessidade do lançamento para constituição do crédito tributário. Cita jurisprudência. Multa isolada Entende que a multa isolada deve ser anulada, pois não houve fraude no procedimento de compensação realizado pela impugnante, uma vez que foi baseado em decisões judiciais proferida no Mandado de Segurança impetrado pela impugnante, bem nas decisões proferidas pelos Tribunais Superiores, STJ, e decisão proferida pelo Carf. Cita trechos de decisões do Carf. Aduz que o limitador do art. 170A do CTN poderia ser levantado no máximo para não homologar a compensação realizada e não para enquadrar como declaração falsa. Disserta sobre a matéria. Conclui que o disposto no art. 44 da IN 900/09 decorre do fato do art. 74 da Lei 9.430/96 não ser aplicável nos casos de contribuição previdenciária. A norma aplicável está disposta no art. 66 da Lei 8.383/91, ou seja, o procedimento adotado pela autuada está de acordo com o previsto na legislação, cabendo ao fisco homologar ou não a compensação realizada. Valor cobrado a título de multa isolada Aduz ser exorbitante os valores cobrados a título de multa isolada. Afirma que ainda que seja mantido o entendimento da fiscalização, o valor da multa isolada merece redução, pois a multa de 150% sobre o valor devido representa verdadeiro confisco. Cita jurisprudência. Entende que deve ser aplicada a multa mais benéfica, do art. 32A da Lei 8.212/91 e anulado o AI 51.051.1252. Ausência de falsidade na declaração prestada. Volta a afirmar que não há como considerar como falsas as GFIPs apresentadas, pois o contribuinte tem o direito ao ressarcimento dos valores que recolheu a maior, independentemente de autorização judicial, conforme art. 66 da Lei 8.383/91 e art. 165 do CTN. Entende que mesmo que a fiscalização discuta se tais valores realmente foram pagos indevidamente, jamais poderia imputar falsidade às declarações prestadas neste sentido. Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 10580.723886/201447 Acórdão n.º 2401005.145 S2C4T1 Fl. 7 11 Diz que a legitimidade do crédito não restou atacada no auto inaugural, que se limitou a condicionar a restituição de valores pagos indevidamente pela contribuinte ao trânsito em julgado de ação correlata, o que resta superado nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, como é o caso das contribuições previdenciárias que podem ser compensadas pelo contribuinte independentemente de autorização administrativa ou judicial. Reafirma que o crédito tomado pela impugnante considerou exclusivamente as rubricas as quais já existem diversas decisões dos Tribunais Superiores considerando indevidos aqueles pagamentos. Diz que não utilizou numerário superior ao que é seu próprio direito. Questiona qual a falsidade constante das GFIPs apresentadas. Afirma que ainda que a inclusão de algumas das rubricas na base de cálculo da contribuição previdenciária fosse considerada legal, a única multa que poderia ensejar seria a moratória pelo não pagamento do tributo tempestivamente, mas que já está albergada no AI 51.052.5105, já impugnado. Aduz que prestou todas as informações em GFIP e que o Carf possui jurisprudência no sentido de que a mera indicação em GFIP do direito creditório oriundo de ação judicial antes do trânsito em julgado da mesma não caracteriza falsidade da declaração e não suficiente para fazer incidir a multa isolada de 150% prevista no art. 89, § 10, da Lei 8.212/91, pois para sua incidência, necessária a presença do dolo, inexistente na hipótese. Cita decisões do Carf. Conclui que não há dolo, sendo nula a autuação. Inaplicabilidade do CTN, art. 135, III Entende que não há que se falar em sujeição passiva solidária dos administradores da empresa autuada. Diz que ‘a fiscalização parte da falsa premissa que ‘a conduta de inserir créditos indevidos nas GFIP caracteriza infração à lei’ para responsabilização direta dos Srs. Paolo, Sandra e Roberta [...]’ Volta a dizer que o CTN, artigos 170 e 170A não se aplicam ao presente caso por se tratar de lançamento por homologação. Afirma que a fiscalização não pode alegar a inexistência de crédito, porquanto em momento algum considerou indevidos os créditos tomados pela contribuinte sob a égide das leis pertinentes à matéria. Diz que a fiscalização apenas afirma que houve infração à lei, não aponta os fatos que levaram a tal conclusão, não indica quais os atos de cada agente para consumar a infração, não explica qual agente Fl. 1386DF CARF MF 12 infringiu a lei, limitandose a acusar toda e qualquer pessoa constante do contrato social. Aduz que tal procedimento demonstra desrespeito às normas e aos princípios basilares do devido processo legal, ampla defesa e contraditório. Alega que a fiscalização exige a responsabilidade tributária do gestor ou sócio, banalizando a ordem constitucional. Argumenta que afastada a imputada infração a lei, a responsabilidade do administrador também não é alcançada, pois não se configura a prática de excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Cita jurisprudência. Conclui que no caso em tela os sócios não têm legitimidade para configurar no pólo passivo do presente AI, já que não concorreram com a prática de atos com excesso de poderes e contrato social, não agindo com dolo, máfé ou fraude, devendo ser excluídos da presente autuação. Diligência Pede a conversão do julgamento em diligência para que se verifique: a) se no AI está sendo cobrada a parcela suspensa da contribuição previdenciária relativa aos valores pagos nos 15 primeiros dias de afastamento do empregado doente e de 1/3 de férias, conforme Mandado de Segurança MS; b) se as rubricas discutidas no MS já foram apreciadas pelo STJ e STF, com base nos artigos 543C e 543 B; e c) se os créditos tomados e cuja compensação restou glosada referemse aos valores pagos nos 15 primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, saláriomaternidade e férias e adicional de 1/3 de férias, cuja inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária é totalmente controversa à luz do atual posicionamento da jurisprudência. Arrolamento de Bens Entende ser indevido o termo de arrolamento de bens para os sócios por violar o direito de propriedade dos administradores. Diz haver atentado ao direito de propriedade. Cita a CR/88, art. 5º, XXII e doutrina. Afirma que qualquer limitação ao livre exercício do direito de propriedade que não aquelas previstas na CF deverá ser considerada inconstitucional. Aduz que a Lei 9.532/96, art. 64, ao prever a figura do arrolamento de bens e direitos dos contribuintes, é inconstitucional. Disserta sobre a matéria. PEDIDO Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 10580.723886/201447 Acórdão n.º 2401005.145 S2C4T1 Fl. 8 13 Pede a anulação dos AIs 51.051.1309 e 51.051,1252. Requer a intimação da impugnante na pessoa de seu representante legal para oportuna sustentação oral e a conversão do julgamento em diligência.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0265.404 da 8ª Turma da DRJ/BHE, às fls. 1.138/1.160, julgando improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 30/12/2011 COMPENSAÇÃO. GLOSA. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Entendese por saláriodecontribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes tais diplomas devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. MULTA ISOLADA. Na hipótese de compensação indevida, quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte fica sujeito à multa isolada aplicada nos termos da legislação que rege a matéria. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Sempre que constatar a ocorrência, em tese, de crime ou contravenção penal, o auditor fiscal deve formalizar Representação Fiscal para Fins Penais, inexistindo competência para apreciação de matéria penal no âmbito do contencioso administrativo tributário. TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. Fl. 1388DF CARF MF 14 O arrolamento de bens e direitos é efetuado sempre que a soma dos créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), de responsabilidade do sujeito passivo, exceder, simultaneamente, a 30% do seu patrimônio conhecido e R$ 2.000.000,00. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Respondem solidariamente, com a empresa autuada, pelos créditos tributários os sócios administradores que agiram com infração à lei. DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias. SUSTENTAÇÃO ORAL. No processo administrativo fiscal não há previsão para a realização de sustentação oral em julgamentos de primeira instância. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 1.166/1.187, argumentando, resumidamente, o que segue: (i) Do direito aos créditos Argumenta que a fundamentação do direito aos créditos compensados está consubstanciada no fato de que algumas parcelas da folha de pagamento que não deveriam constar da base de cálculo do INSS, fazia parte do seu cálculo de forma indevida. Destaca que, como é de conhecimento, somente as parcelas de caráter remuneratório e pagas com habitualidade devem compor o tributo, e, no caso da empresa Recorrente, diversas parcelas de caráter indenizatório e pagas sem habitualidade compunham a base do seu INSS. Com essas argumentações, informa que “tais parcelas não compõe o salário de contribuição, pois não farão parte da aposentadoria do indivíduo. Daí o surgimento dos créditos, já que é notório legalmente que o sistema previdenciário brasileiro possui caráter contributivo”. (ii) Da jurisprudência pacificada dos tribunais superiores acerca da natureza indenizatória das verbas compensadas Para corroborar a sua tese, a Recorrente discorre e colacionada diversos julgados dos tribunais superiores acerca dos seguintes temas: (a) da natureza indenizatória dos 15 primeiros dias que antecedem os auxílios doença e acidente e do terço constitucional de férias; (b) da não incidência de INSS sobre férias gozadas e salário maternidade; e (c) da não incidência de INSS sobre horas extras e adicionais de periculosidade, de insalubridade e noturno. (iii) Da necessidade de afastamento da multa isolada de 150% e também da multa de mora de 20% caráter confiscatório e boa fé da recorrente Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 10580.723886/201447 Acórdão n.º 2401005.145 S2C4T1 Fl. 9 15 Esclarece que a aplicação da multa isolada no patamar de 150% tem por fundamento a falsidade das informações das compensações declaradas em GFIP, conforme disposto no artigo 89, § 10, da Lei 8.212/91. Todavia, no presente caso, não se trata de compensação de créditos inexistentes ou mesmo objeto de fraude. Muito pelo contrário, tratamse de compensações de créditos fundamentados em jurisprudência pacífica do STF e STJ. Diante disso, requer o afastamento da multa isolada no patamar de 150%, bem como a multa de mora de 20%, tendo em vista o seu caráter nitidamente confiscatório e o fato de não se tratar de caso que envolva fraude ou dolo por parte do contribuinte. (iv) possibilidade de compensação dos créditos tributários antes do trânsito em julgado da ação – nova interpretação do art. 170A do CTN – atenção ao art. 62A do regimento interno do CARF Argumenta que de acordo com a doutrina majoritária, “não faz mais sentido que o contribuinte tenha de esperar o trânsito em julgado de seu processo para conseguir a compensação”. Alega que a doutrina mais atual defende que o trânsito em julgado constante no artigo 170A do CTN deve ser interpretado como o trânsito em julgado da decisão que encerrou a discussão do recurso repetitivo ou daquele julgado com repercussão geral, e não aquele processo proposto pelo contribuinte. Por fim, sustenta que a matéria objeto de discussão nos presentes autos já foi objeto de apreciação por este CARF que, valendose das decisões do STJ, aplicou o contido no artigo 62A do regimento interno desta casa. Cita o Acórdão nº 2803004.204, da 3ª Turma Especial. (v) Dos pedidos Ao final, requer o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário para julgar determinar a total improcedência da ação fiscal. Ainda, que sejam homologadas as compensações efetuadas e que sejam afastadas a aplicação da multa isolada e multa de mora. É o relatório. Fl. 1390DF CARF MF 16 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 13/05/2015 conforme AR às fls. 1.163, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 10/06/2015 (fl. 1.166), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO Da análise dos autos, verificase que a autuação se deu em virtude da glosa de compensações declaradas em GFIP. De acordo com a fiscalização, “a empresa efetuou compensações sem o respectivo suporte legal”. Por sua vez, a Recorrente se defende no sentido de que as parcelas compensadas referemse às contribuições incidentes sobre os valores pagos nos quinze primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado, bem como, a título de saláriomaternidade, férias e adicional de férias (1/3) e outras, e, portanto, de natureza indenizatória. Afirma haver o direito de não mais pagar estas verbas discutidas, bem como compensar os créditos apurados decorrentes dos pagamentos indevidos. A DRJ negou provimento ao pedido por entender que o parágrafo 9º, do art. 28, da Lei n.º 8.212/91 enumera taxativamente, as parcelas que não integram o salário de contribuição. Sendo assim, não deveria ser excluído da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça tem feito uma interpretação mais abrangente da referida norma ao admitir a exclusão de certas parcelas ainda que não estejam expressamente previstas no dispositivo legal mencionado. Tal posicionamento está consubstanciado no julgamento do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973, no qual reconheceu a natureza do aviso prévio indenizado, nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. [...] 1.2 Terço constitucional de férias. Fl. 1391DF CARF MF Processo nº 10580.723886/201447 Acórdão n.º 2401005.145 S2C4T1 Fl. 10 17 No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas". 1.3 Salário maternidade. O salário maternidade tem natureza salarial e a transferência do encargo à Previdência Social (pela Lei 6.136/74) não tem o condão de mudar sua natureza. Nos termos do art. 3º da Lei 8.212/91, "a Previdência Social tem por fim assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de incapacidade, idade avançada, tempo de serviço, desemprego involuntário, encargos de família e reclusão ou morte daqueles de quem dependiam economicamente". O fato de não haver prestação de trabalho durante o período de afastamento da segurada empregada, associado à circunstância de a maternidade ser amparada por um benefício previdenciário, não autoriza conclusão no sentido de que o valor recebido tenha natureza indenizatória ou compensatória, ou seja, em razão de uma contingência (maternidade), pagase à segurada empregada benefício previdenciário correspondente ao seu salário, possuindo a verba evidente natureza salarial. Não é por outra razão que, atualmente, o art. 28, § 2º, da Lei 8.212/91 dispõe expressamente que o salário maternidade é considerado salário de contribuição. Nesse contexto, a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário maternidade, no Regime Geral da Previdência Social, decorre de expressa previsão legal. Sem embargo das posições em sentido contrário, não há indício de incompatibilidade entre a incidência da contribuição previdenciária sobre o salário maternidade e a Constituição Federal. A Constituição Federal, em seus termos, assegura a igualdade entre homens e mulheres em direitos e obrigações (art. 5º, I). O art. 7º, XX, da CF/88 assegura proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei. No que se refere ao salário maternidade, por opção do legislador infraconstitucional, a transferência do ônus referente ao pagamento dos salários, durante o período de afastamento, constitui incentivo suficiente para assegurar a proteção ao mercado de trabalho da mulher. Não é dado ao Poder Judiciário, a título de interpretação, atuar como legislador positivo, a fim estabelecer política protetiva mais ampla e, desse modo, desincumbir o empregador do ônus referente à contribuição previdenciária incidente sobre o salário maternidade, quando não foi esta a política legislativa. A incidência de contribuição previdenciária sobre salário maternidade encontra sólido amparo na jurisprudência deste Tribunal, sendo oportuna a Fl. 1392DF CARF MF 18 citação dos seguintes precedentes: REsp 572.626/BA, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 20.9.2004; REsp 641.227/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 29.11.2004; REsp 803.708/CE, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 2.10.2007; REsp 886.954/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 29.6.2007; AgRg no REsp 901.398/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 19.12.2008; REsp 891.602/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 21.8.2008; AgRg no REsp 1.115.172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 25.9.2009; AgRg no Ag 1.424.039/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 21.10.2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.040.653/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe de 15.9.2011; AgRg no REsp 1.107.898/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 17.3.2010. 1.4 Salário paternidade. O salário paternidade referese ao valor recebido pelo empregado durante os cinco dias de afastamento em razão do nascimento de filho (art. 7º, XIX, da CF/88, c/c o art. 473, III, da CLT e o art. 10, § 1º, do ADCT). Ao contrário do que ocorre com o salário maternidade, o salário paternidade constitui ônus da empresa, ou seja, não se trata de benefício previdenciário. Desse modo, em se tratando de verba de natureza salarial, é legítima a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário paternidade. Ressaltese que "o saláriopaternidade deve ser tributado, por se tratar de licença remunerada prevista constitucionalmente, não se incluindo no rol dos benefícios previdenciários" (AgRg nos EDcl no REsp 1.098.218/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 9.11.2009). 2. Recurso especial da Fazenda Nacional. 2.1 Preliminar de ofensa ao art. 535 do CPC. Não havendo no acórdão recorrido omissão, obscuridade ou contradição, não fica caracterizada ofensa ao art. 535 do CPC. 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 10580.723886/201447 Acórdão n.º 2401005.145 S2C4T1 Fl. 11 19 trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. 2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio doença. No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbe ao empregador efetuar o pagamento do seu salário integral (art. 60, § 3º, da Lei 8.213/91 com redação dada pela Lei 9.876/99). Não obstante nesse período haja o pagamento efetuado pelo empregador, a importância paga não é destinada a retribuir o trabalho, sobretudo porque no intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do contrato de trabalho, ou seja, nenhum serviço é prestado pelo empregado. Nesse contexto, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ firmouse no sentido de que sobre a importância paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença não incide a contribuição previdenciária, por não se enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba de natureza remuneratória. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.100.424/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 18.3.2010; AgRg no REsp 1074103/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 16.4.2009; AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 2.12.2009; REsp 836.531/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 17.8.2006. 2.4 Terço constitucional de férias. O tema foi exaustivamente enfrentado no recurso especial da empresa (contribuinte), levando em consideração os argumentos apresentados pela Fazenda Nacional em todas as suas manifestações. Por tal razão, no ponto, fica prejudicado o recurso especial da Fazenda Nacional. 3. Conclusão. Fl. 1394DF CARF MF 20 Recurso especial de HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA parcialmente provido, apenas para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional de férias (terço constitucional) concernente às férias gozadas. Recurso especial da Fazenda Nacional não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (STJ, 1ª Seção, REsp 1230957/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, julgado em 26/02/2014, DJe 18/03/2014) Para que não paire dúvida acerca do tema, transcrevo abaixo recente julgado daquele sodalício superior. Confirase: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 15 DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA, AVISO PRÉVIO INDENIZADO, TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS, VALETRANSPORTE, SALÁRIO FAMÍLIA E FÉRIAS INDENIZADAS. NÃO INCIDÊNCIA. 1. Conforme estabelecido pelo Plenário do STJ, "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça" (Enunciado Administrativo n. 2). 2. No julgamento de recurso especial representativo da controvérsia (art. 543C do CPC/73), a Primeira Seção desta Corte Superior firmou o entendimento de que a contribuição previdenciária não incide sobre o terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e os quinze dias que antecedem o auxíliodoença (REsp 1.230.957/RS). 3. As Turmas que compõe a Primeira Seção do STJ sedimentaram a orientação segundo a qual a contribuição previdenciária não incide sobre o auxíliotransporte ou o valetransporte, ainda que pago em pecúnia. Precedentes. 4. Apesar do nome, o saláriofamília é benefício previdenciário (arts. 65 e ss. da Lei n. 8.213/1991), não possuindo natureza salarial (REsp 1.275.695/ES, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/08/2015, DJe 31/08/2015), de modo que não integra a base de calculo da contribuição previdenciária (saláriodecontribuição). 5. Por expressa previsão legal (art. 28, § 9°, "d", da Lei n. 8.212/1991), não incide contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a título de férias indenizadas (AgInt no REsp 1581855/RS, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/05/2017, DJe 10/05/2017). 6. Recurso especial desprovido. (STJ, 1ª Turma, REsp 1598509/RN, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, julgado em 13/06/2017, DJe 17/08/2017)” A propósito, este Conselho já se manifestou nesse sentido. Recordese: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 10580.723886/201447 Acórdão n.º 2401005.145 S2C4T1 Fl. 12 21 Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 “PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. QUINZE PRIEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO EMPREGADO, POR DOENÇA OU ACIDENTE. 1/3 (UM TERÇO) SOBRE FÉRIAS E AVISO PRÉVIO INDENIZADO. STJ. POSICIONAMENTO ATUAL. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE ACORDO COM A NOVA SISTEMÁTICA LEGAL. Em relação aos valores pagos pelo empregador, nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado, por doença ou acidente, assim como no que tange ao adicional de 1/3 (um terço) sobre as férias, equivocado o posicionamento dos julgadores da primeira instância administrativa. In casu, há que se considerar o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça STJ. Na mesma direção outra recente decisão do STJ (Resp 1.230.957), que na sistemática do art. 543C do CPC (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado. A multa de ofício foi corretamente aplicada, conforme se pode verificar do item 20 do acórdão recorrido. Recurso Voluntário Provido em Parte” (CARF, Segunda Seção, 3ª Turma Especial, Relator Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Acórdão 2803004.204) E, de acordo com o artigo 62, § 1º, inciso II, “b” da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; Fl. 1396DF CARF MF 22 Diante do que determina a norma acima transcrita, devem ser excluídas da base de cálculo o valor relativo ao terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e os quinze dias que antecedem o auxíliodoença, mantendose as demais. 3. Da multa de ofício qualificada em 150% A Recorrente se opõe a multa qualificada pelo Fisco. Entende que caso dos autos não há qualquer prova demonstrando as alegações fáticas pontuadas pela fiscalização. Aduz que havia origem adequada para as compensações realizadas. Ora, conforme explicitado, reputo que as compensações efetuadas pelo sujeito passivo não foram indevidas, o que por si só já afasta a aplicação do artigo 89, § 10, da Lei nº 8.212/1991. Demais disso, não vislumbro, no presente caso, os elementos caracterizadores (dolo) para a aplicação da penalidade em comento. Como é de conhecimento, este Conselho já firmou entendimento no sentido de “não se justifica a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, se não restar devidamente comprovado o evidente intuito de fraude. Não basta ao fisco entender presentes ‘fortes evidências de intuito de fraude’”. Logo, a multa em questão merece ser afastada. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário da recorrente, para, no mérito, DARLHE provimento parcial. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1397DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003124/2009-55
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, resta a apreciação das provas,.que foram suficientes para a caracterização de despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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score : 1.0
Numero do processo: 15868.001186/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. INEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Se nas autuações não houve lançamento de crédito tributário, mas apenas glosas de créditos básicos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, por falta de objeto, a alegação de decadência do direito de lançar, certamente, revela-se matéria estranha.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. IMPRESCINDIBILIDADE NÃO DEMONSTRADA. INDEFERIMENTO.
Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. IMPOSSIBILIDADE.
1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica.
2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia.
DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO.
Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omite-se de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans).
AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade fiscal competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
MANADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). EVENTUAL DE DESCUMPRIMENTO DE ASPECTOS FORMAIS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o auto de infração que atende todos os requisitos legais, ainda que descumprida, durante o procedimento fiscal, alguma formalidade relativa à emissão do MPF tenha sido descumprida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. INEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Se nas autuações não houve lançamento de crédito tributário, mas apenas glosas de créditos básicos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, por falta de objeto, a alegação de decadência do direito de lançar, certamente, revelase matéria estranha. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. IMPRESCINDIBILIDADE NÃO DEMONSTRADA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 11 86 /2 00 9- 38 Fl. 258DF CARF MF 2 demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. 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Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus. Relatório Fl. 259DF CARF MF Processo nº 15868.001186/200938 Acórdão n.º 3302005.290 S3C3T2 Fl. 259 3 Tratase de auto de infração (fls. 45/52 e 54/62), sem lançamento de crédito tributário, em que formalizada a glosa dos créditos, respectivamente, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins do 3º trimestre de 2004, objeto dos pedidos de ressarcimento, encartados nos processos nº 13804.000535/200590 (Contribuição para o PIS/Pasep do 3° trimestre de 2004) e nº 13804.000533/200509 (Cofins do 3° trimestre de 2004). Por se tratar de objeto idêntico ao processo nº 13804.000533/200509, o acórdão nº 1431.044, proferido 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto, integrante do processo do citado processo (fls. 256/269), também se aplica ao presente processo. Dessa forma, por bem descrever os fatos, adotase o relatório do citado acórdão recorrido, que segue transcrito: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do saldo credor da Cofins, relativo a receitas de exportações, apurado no regime de incidência nãocumulativa, no valor de R$ 27.637.260,53, referente ao terceiro trimestre de 2004, conforme pedido de fl. 1. Com relação ao crédito postulado, foram apresentadas posteriormente várias Declarações de Compensação (DCOMP) informando diversas compensações desse crédito com débitos de vários tributos, conforme processos anexados a este. Segundo os autos, o pedido foi protocolizado junto à Delegacia de Administração Tributária em São PauloSP (Derat), mas a análise do pleito foi transferida à DRF/AraçatubaSP por ordem do SuperintendenteSubstituto da Receita Federal do Brasil na 8ª Região Fiscal, conforme portaria de fls. 28 a 30. Ainda segundo os autos, a interessada, em 04/05/2009 (fls. 40 a 42), foi intimada, para subsidiar a análise do pleito, a apresentar diversos documentos e os arquivos contábeis digitais, na forma especificada pela fiscalização. Como não atendeu, foi reintimada em 15/06/2009. Como também não houve resposta, os AFRFB responsáveis pela análise se dirigiram à sede da empresa, em 02/07/2009, para cobrar o atendimento das intimação, onde o advogado da empresa, que não possuía procuração da sociedade, que não tinha os elementos solicitado, conforme termo de constatação de fls. 47 e 48. Em 30/07/2009, novamente os AFRFB estiveram na sede da empresa, onde, desta vez, foram recebidos pelo seu procurador, que alegou ainda não dispor da documentação requerida. Na oportunidade, foi lavrado auto de embaraço à fiscalização, de fls. 51 a 53. Portanto, a fiscalização não reconheceu os créditos do período em virtude da nãoapresentação dos documentos e esclarecimentos na forma solicitada, conforme informação fiscal de fls. 58 a 63. Fl. 260DF CARF MF 4 Sendo assim, a DRF/AraçatubaSP, por meio do despacho decisório de fls. 172/174, indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações vinculadas ao pedido. A fiscalização, além do despacho decisório acima, houve por bem lavrar autos de infração das glosas, consubstanciados no processo nº 15868.001186/200938. Foram também lavrados autos de infração constituindo o crédito tributário relativo às contribuições não recolhidas em virtude da glosa dos créditos descontados pela contribuinte no trimestre em questão, formalizados no processo nº 15868.001259/200991. Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, de fls. 180 a 201, onde, preliminarmente, requer a anulação do despacho decisório, por quanto não foi observado pela fiscalização o local indicado no Mandado de Procedimento Fiscal(MPF) para realização dos trabalhos, que seria no endereço da empresa, em São Paulo, e nãoem Araçatuba. Ressalta também a impugnante que o fato de várias intimações terem sido assinadas apenas por um dos AFRFB também desobedeceria ao MPF, que não permite atuação individual de um dos auditoresfiscais nele contidos. Quanto à transferência de competência interdelegacias, alega que esta também deveria estar contemplada no MPF e que o próprio superintendente da Receita Federal deveria ter emitido o mandado, a teor do art. 6º da Portaria RFB no 11.371, de 2007. Argumenta que o despacho decisório também seria nulo porquanto somente o Delegado da Derat teria competência para prolatar decisão relativa à requerente, conforme disposto no art. 57 da Instrução Normativa (IN) RFB no 900, de 2008, que não autoriza a modificação da competência para emissão de despacho decisório relativo a reconhecimento de direito creditório. Alega ainda que a impossibilidade de delegação de poderes também está prevista na Lei no 9.784, de 1999, arts. 13 e 100. Também reclama que não foi cumprida a formalidade prevista no art. 44 da citada Lei no 9.784, de 1999, que garante à recorrente o direito de se manifestar no prazo de dez dias após o encerramento da fase de instrução do processo. Afirma que os próprios auditores reconheceram a entrega dos documentos e arquivos digitais, mas em vez de analisarem o material e solicitarem eventuais esclarecimentos em prazo razoável, simplesmente emitiram um parecer negando o pleito Sendo assim, confirma sua intenção de apresentar todos os documentos fiscais, que estão à disposição da fiscalização em seu estabelecimento. Afirma ainda que houve erro e falta de motivação e de legislação para o indeferimento do pleito da recorrente, pois isso só seria possível caso a contribuinte não possuísse efetivamente o direito ao ressarcimento. Mas, segundo ela, a negativa ocorreu porque houve falta de razoabilidade por parte dos AFRFB, que Fl. 261DF CARF MF Processo nº 15868.001186/200938 Acórdão n.º 3302005.290 S3C3T2 Fl. 260 5 consideraram que ela não tinha nenhum direito, o que não pode ser admitido, pois que não poderia exercer sua atividade sem adquirir insumos, já que é uma das maiores empresas do seu ramo de atividade. Assim, a fiscalização deveria ter continuado as diligências no estabelecimento da contribuinte e não ter realizado um levantamento fiscal precário, que não levou em consideração todos os seus documentos. Aduz também que houve cerceamento do direito de defesa, pois não foram apresentados os motivos do indeferimento do pedido, haja vista que os auditores contestaram apenas pequenos elementos componentes do seu direito creditório, não contestando os demais, prejudicando a ampla defesa. Desta forma, em cumprimento ao princípio da verdade material o despacho decisório deve ser cancelado. Em relação ao que ela denomina mérito, argúi que o despacho em análise deve ser reformado porquanto a postulante possui o direito ao ressarcimento dos créditos da Cofins reclamados, como comprovam os documentos existentes em seu estabelecimento, mas que não os está anexando ao presente "por serem em grande quantidade", e anexa uma planilha e alguns documentos que demonstrariam as aquisições ocorridas e o direito ao crédito postulado. Alega que o seu direito ao ressarcimento não pode ser contestado porque já teria transcorrido o prazo qüinqüenal de homologação do direito, de cinco anos, previsto no art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN) e no art. 74 da Lei ne 9.430, de 1996. Postula também a aplicação da taxa do Selic ao crédito, como juros moratórios, a teor do art. 39, § 4o, da Lei ns 9.250, de 1995. Reclama também que o despacho decisório não deferiu as compensação já homologadas tacitamente, conforme previsão do art. 74, § 5o, da Lei nº 9.430, de 1996. Requer a realização de perícia e diligência para se constatar a existência do direito creditório, nomeando perito e listando os quesitos que deseja ser respondidos, à fl. 199. Haja vista a existência de grande quantidade de documentos, esclarece que a perícia deverá ser feita no estabelecimento da contribuinte. Solicita o cancelamento do despacho decisório combatido e o reconhecimento do direito creditório por esta DRJ ou, alternativamente, a prolação de nova decisão pela DeratSP ou ainda, caso se considere que a autoridade contestada seja competente para tanto, que esta prolate novo despacho decisório após novas verificações fiscais. Fl. 262DF CARF MF 6 Requer ainda a suspensão da exigibilidade dos débitos objeto das compensações informadas em DCOMP. Por fim, solicita que o patrono da requerente também seja intimado de todas as decisões referentes ao presente. Como possuem o mesmo objeto que o presente os processos n9s 15868.001186/200938 e 15868.001259/200991 foram a ele apensados Sobreveio a decisão de primeira instância, prolatada no âmbito do processo 13804.000533/200509 (fls. 256/269), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade/impugnação foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. MPF. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular despacho decisório referente a pedido de ressarcimento. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 17/3/2011, a recorrente a foi cientificada da referida decisão. Em 15/04/2011, protocolou o recurso voluntário de fls. 214/239, por meio do qual reiterou as razões de defesa suscitadas na peça impungnatória. Em aditamento, alegou nulidade da decisão Fl. 263DF CARF MF Processo nº 15868.001186/200938 Acórdão n.º 3302005.290 S3C3T2 Fl. 261 7 recorrida por cerceamento do direito de defesa, por ter indeferido indevidamente o pedido de perícia e diligência formulados e ter negadolhe o direito de demonstrar documentalmente o crédito da Cofins pleiteado, bem como por não ter apreciado as razões defendidas na manifestação de inconformidade relacionadas a (i) a nulidade do despacho decisório, por não ter sido a recorrente intimada, nos termos do art. 44 da Lei 9.784/1999, e (ii) a falta de motivação. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Previamente, cabe esclarecer que, nos presentes autos de infração, não houve lançamento de crédito tributário nem de aplicação de penalidade. Os presente autos tratam apenas da formalização da glosa dos créditos, respectivamente, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins do 3º trimestre de 2004, objeto dos pedidos de ressarcimento, encartados nos processos nº 13804.000535/200590 (Contribuição para o PIS/Pasep do 3° trimestre de 2004) e nº 13804.000533/200509 (Cofins do 3° trimestre de 2004). As questões meritórias sobre tais glosas foram analisadas no julgamento do citado processo nº 13804.000533/200509 nessa mesma assentada. No recurso em apreço, a recorrente limitouse em alegar (i) preliminares de nulidade das autuações e da decisão recorrida, (ii) prejudiciais de mérito relacionas à decadência do direito de lançar e à homologação tácita das compensações e (iii) a necessidade de realização da diligência/perícia pleiteada na fase impugnatória. I Das Questões Preliminares Em sede de preliminar, a recorrente alegou nulidade dos autos de infração e da decisão recorrida. I.1 Da nulidade da decisão recorrida No recurso em apreço, a recorrente alegou nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa, baseada em dois argumentos: a) indeferimento dos pedidos de perícia e diligência formulados; e b) não apreciação das razões de defesa sobre a nulidade do despacho decisório e a falta de motivação do indeferimento do direito creditório pleiteado. Em relação ao primeiro argumento, a recorrente asseverou que o indeferimento dos pedidos de perícia e diligência formulados na manifestação de inconformidade havia impossibilitadolhe de demonstrar, documentalmente, o crédito da Cofins pleiteado. As razões para o indeferimento dos pedidos de perícia e diligência suscitados pela recorrente na fase manifestação de inconformidade foram adequadamente analisados no Fl. 264DF CARF MF 8 voto condutor julgado recorrido e o indeferimento de ambos os pedidos foi devidamente a motivado. Segundo o referido voto, o pedido de perícia foi indeferido porque não atendera os requisitos legais, enquanto que a realização da diligência foi indeferida porque se revelara desnecessária ou dispensável para o deslinde da controvérsia. A análise dos elementos coligidos aos autos revela que o Colegiado julgador de primeiro grau decidiu com acerto, pois a realização de perícia somente se justifica se a análise do acervo probatório exige conhecimento técnico especializado de modo a demandar o concurso de especialista. E essa condição, inequivocamente, não se vislumbra no caso em tela, uma vez que as provas necessárias à comprovação do direito creditório pleiteado consistem em meros documentos fiscais e contábeis, cuja análise prescinde da participação do parecer de especialista. O pedido de diligência também foi corretamente indeferido. A uma, porque a recorrente não se dignou apresentar, com a manifestação de inconformidade, nenhum documento comprobatório do crédito pleiteado a que estava obrigada, por força do disposto no art. 15 do Decreto 70.235/1972. A duas, porque no curso do procedimento de análise do direito creditório, embora tenha sido intimada e reintimada pela fiscalização a apresentar os arquivos contábeis e fiscais digitais, imprescindíveis para apuração dos créditos apropriados, bem como a disponibilizar os livros e documentos contábeis e fiscais comprobatórios dos dados registrados nos correspondentes arquivos digitais, a recorrente não só não atendeu as intimações que lhe endereçadas, como não apresentou qualquer justificativa para tal omissão, o que motivou, inclusive, a lavratura de auto de embaraço à fiscalização, conforme noticia os autos. A grande quantidade de documentos não serve de justificativa para a recorrente não apresentar a necessária e indispensável documentação comprobatório dos créditos pleiteados, especialmente, tendo em conta que, por expressa determinação do caput art. 111 da Lei 8.218/1991, com a redação dada pela Medida Provisória 2.158/2001, ela estava obrigada a manter, à disposição da fiscalização da RFB, os respectivos arquivos digitais. Não se pode olvidar ademais que a decisão sobre o deferimento ou não de produção de prova pericial ou de realização diligência é uma prerrogativa da autoridade julgadora, que integra o seu poder discricionário, consoante se extrai da leitura combinada dos arts. 18, 28 e 29 do Decreto 70.235/1972 e alterações posteriores, que seguem transcritos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...] Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. 1 Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária..(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001) Fl. 265DF CARF MF Processo nº 15868.001186/200938 Acórdão n.º 3302005.290 S3C3T2 Fl. 262 9 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, uma vez devidamente motivado o indeferimento dos referidos pedidos de perícia e diligência, resta evidenciada a improcedência do alegado cerceamento do direito de defesa da recorrente, especialmente, tendo em conta que, em momento algum, a recorrente não apresentou qualquer evidência de que dispunha das provas que alegou possuir. Também não procede alegação de que houve cerceamento do direito de defesa porque não foram apreciadas as alegações sobre a nulidade do despacho decisório nem apresentada a motivação para o indeferimento do direito creditório pleiteado. A simples leitura do voto condutor julgado infirma tais argumentos. Com efeito, diferentemente do asseverado pela recorrente, a alegada falta de cumprimento do disposto no art. 442 da Lei 9.784/1999, que assegura ao interessado, após o término da instrução do processo, o direito de manifestarse no prazo de dez dias, foi expressamente analisada no trecho do voto que segue reproduzido: Quanto a possíveis descumprimentos da Lei nº 9.784, de 1999, vale esclarecer que tal lei regula o processo administrativo no âmbito da Administração federal e se aplica apenas subsidiariamente àqueles regidos por lei própria, como o Processo Administrativo Fiscal (PAF), que é regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Assim, não procedem tais alegações, porquanto o presente foi formalizado em obediência ao PAF, não restando brechas para a aplicação subsidiária da Lei nº 9.784, de 1999, nos pontos indicados pela requerente. E esse fundamento não merece qualquer reparo, porque está em perfeita consonância com determina o art. 693 da Lei 9.784/1999, que exclui da regência da referida lei os processos administrativos específicos regulados por lei própria, a exemplo do processo administrativo fiscal, disciplinado pela Decreto 70.235/1972, que, materialmente, tem status de lei ordinária. Aliás, os preceitos da referida lei aplicamse apenas subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, logo, apenas às matérias não disciplinadas no citado decreto, o que não é o caso da intimação do contribuinte, assunto que se encontra expressamente regulado no citado diploma normativo. A propósito, cabe consignar que curso da fase instrutória do procedimento fiscal, de cunho inquisitorial, não há previsão para o contraditório, mas apenas para esclarecimentos. No âmbito do processo administrativo fiscal, o contraditório é plenamente assegurado ao contribuinte na fase litigiosa, que se inicia com a apresentação da impugnação ou da manifestação de inconformidade, como no caso em tela, segundo o disposto no art. 14 do do Decreto 70.235/1972, que tem a seguinte redação: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.” E o referido preceito legal, está em perfeita sintonia 2 Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. 3 Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Fl. 266DF CARF MF 10 com disposto no art. 5º, LV, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988), que assegura a ampla defesa e o contraditório no processo judicial e administrativo. Também não é verdade que o julgado recorrido não apreciou às alegações sobre a motivação do indeferimento do direito creditório apresentada no despacho decisório. Diferentemente do alegado, tal questão foi expressamente abordada no voto condutor julgado, conforme exposto nos trechos relevantes que seguem transcritos: Quanto ao mérito, a postulante alega que apresentou os arquivos e documentos solicitados, mas, em vez de analisar a documentação e solicitar novos esclarecimentos, a fiscalização apenas proferiu o despacho indeferindo o pleito, sem demonstrar as razões do indeferimento, o que caracterizaria a falta de motivação do lançamento e o cerceamento do direito de defesa. Tais alegações não procedem, pois a contribuinte foi intimada e reintimada a apresentar os elementos necessários à análise do pleito, conforme documentos de fls. 40 a 42 e 43 a 45, que sequer foram respondidas. Em duas oportunidades os auditoresfiscais realizaram diligências na sede da empresa, em São Paulo, com o fito de obter os documentos/esclarecimentos necessários, sendo que o representante da postulante alegava que não dispunha dos elementos requeridos. Também foi lavrado auto de embaraço à fiscalização, conforme documentos de fls. 51 a 53. Também carece de fundamentos as alegações de que os fiscais não foram razoáveis, que se furtaram a analisar os documentos e que contestaram apenas pequenos elementos componentes do crédito, mas não os demais, e ainda que deveriam continuar com as diligências, pois diante da negativa da postulante em apresentar os documentos solicitados não há o que se analisar. No que concerne à alegação de que seria impossível exercer suas atividades sem adquirir insumos, cumpre esclarecer que o indeferimento do pleito não foi devido ao fato de que a empresa não adquiriu insumos no período, mas sim porque as aquisições não foram comprovadas na forma e no valor em que foram consideradas pela contribuinte no Dacon, ou seja, pode haver aquisições que não gerem créditos, como as havidas de pessoas físicas, ou que gerem crédito parcial, ou ainda que para gerar crédito dependam da forma de utilização do bem ou serviço, e ainda outras situações específicas que somente podem ser esclarecidas se as operações forem detalhadas e, para isso, é preciso que a postulante forneça todos os elementos e esclarecimentos à fiscalização. Portanto, o fato de os créditos não terem sido atestados pela fiscalização não implica a conclusão de que as operações não aconteceram, mas sim que a requerente não logrou comprovar que as operações ocorreram da forma por ela declarada no Dacon e se deram origem a créditos da contribuição na forma por ela considerada. [...] Fl. 267DF CARF MF Processo nº 15868.001186/200938 Acórdão n.º 3302005.290 S3C3T2 Fl. 263 11 No que tange à alegação de falta de motivação para o indeferimento pois este somente seria possível caso a interessada não possuísse efetivamente o direito ao crédito, cumpre esclarecer que o mérito do pedido não chegou a ser analisado pelos motivos acima expostos e que quem deu causa a essa situação foi a própria requerente ao se recusar a colaborar com a análise. A simples leitura dos trechos transcritos evidencia que a motivação do indeferimento do direito creditório, ou seja, a falta de comprovação dos créditos apurados e pleiteados, foi devidamente analisada no julgado recorrido, porém, rejeitada a pretensão da recorrente ante a notória falta de consistência dos evasivos e genéricos argumentos por ela apresentados. Por todas essas razões, rejeitase a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, por não restar configurado o alegado cerceamento do direito de defesa e demonstrada a evidente improcedência dos argumentos suscitados pela recorrente. I.2 Da nulidade dos autos de infração No presente recurso, a recorrente alegou nulidade dos autos de infração, sob argumento de que não fora constituído crédito tributário nem aplicado penalidade. Para a recorrente, nos termos dos arts. 9º e 10 do Decreto 70.235/1972, os autos de infração somente se prestavam e podiam ser lavrados com tais objetivos. Diferentemente do alegado pela recorrente, uma vez constatada infração à legislação tributária, há expressa permissão de lavratura do auto de infração, inclusive nos casos em que da infração apurada não resulte exigência de crédito tributário, conforme assegurado no art. 9º, § 4º, do Decreto 70.235/1972, a seguir transcrito: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] (grifos não originais) Logo, em face do que dispõe o referido preceito legal, não remanesce qualquer dúvida a respeito da a licitude das autuações em apreço, o que afasta qualquer mácula que lhes acarrete nulidade. Por essa razão, rejeitase a presente preliminar. A recorrente alegou nulidade das autuações por incompetência das autoridade fiscais lançadoras vinculadas à DRF/Araçatuba. Para a recorrente somente os auditoresfiscais vinculados à Derat/SP tinham competência para lançar as referidas contribuições, uma vez que Fl. 268DF CARF MF 12 se trava de tributos cujos controle da arrecadação era centralizado no estabelecimento matriz da recorrente, que se localiza na jurisdição do citada órgão. Diferentemente do alegado, embora a recorrente estivesse vinculada à jurisdição da Derat/SP, os AuditoresFiscais da DRF/Araçatuba tinham sim competência para realizar as autuações em questão, por expressa previsão do art. 9º, § 2º, do Decreto 70.235/1972, que segue transcrito: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] (grifos não originais) O referido preceito legal não exige que o auto de infração ou a notificação de lançamento seja lavrado por pessoa competente do domicílio tributário do sujeito, mas por pessoa que detenha a competência. Logo, nos termos do art. 6º4, I, “a”, da Lei 10.593/2002, com redação dada pela Lei 11.457/2007, os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) da DRF/Araçatuba tinham competência para lavratura dos autos de infração em apreço. A recorrente ainda alegou que os autos de infração deveriam ser cancelados, porque não foram respeitados os termos do MPFF que lhe deu origem. Em outras oportunidades, este Conselheiro manifestou o atendimento de que o MPF tratase de instrumento de cunho gerencial, com o nítido objetivo de controlar e dar transparência a atividade de fiscalização externa da RFB, especialmente, para informar ao fiscalizado sobre a instauração e alcance do procedimento de fiscalização ou diligência, situação que foi devidamente atendida no procedimento fiscal em apreço. Entretanto, ainda que assim não fosse, eventuais irregularidades na emissão do MPF, o que não se vislumbra no caso em tela, não têm o condão de macular a higidez do lançamento realizado por autoridade fiscal competente, na forma e segundo os termos estabelecidos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto 70.235/1972, o que ocorreu nas autuações coligidas aos autos. 4 "Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretariada Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) [...]" Fl. 269DF CARF MF Processo nº 15868.001186/200938 Acórdão n.º 3302005.290 S3C3T2 Fl. 264 13 No mesmo sentido, o entendimento esposado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por meio do acórdão CSRF/0105.558, cuja ementa segue transcrita: MPF – DESCUMPRIMENTO DA PORTARIA SRF 3007/2001 – NULIDADE – O desrespeito à previsão de indicação no MPFF de período fiscalizado e autuado não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de competência do AFRF de fiscalizar e promover lançamento; ademais, o descumprimento de algum item do art. 7 da Portaria SRF 3007/2001 não traz como conseqüência a nulidade do ato. CARF, CSRF. 1ª Turma. Ac. CSRF/0105.558, de 4/12/2006, Rel. Cons. José Henrique Longo) Também não procede a alegação da recorrente de que “a fiscalização deveria ter sido realizada no seu estabelecimento matriz, localizado no Município de São Paulo, Capital e por AFRF com jurisdição sobre tal localidade vinculados a DERAT/SP”. De fato, não há obrigatoriedade para que o procedimento fiscal, incluído a lavratura do auto de infração, seja realizada no estabelecimento do contribuinte. Aliás, no âmbito deste Conselho, a matéria foi objeto do enunciado da Súmula CARF nº 6, que segue transcrito: “É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.” A recorrente alegou ainda que, por força do art. 6º, § 4º, da Portaria RFB 11.371/2007, no caso em tela, a realização dos trabalhos fiscais pela DRF/Araçatuba necessitava da emissão de MPFF emitido exclusivamente pelo próprio Superintendente. Não assiste razão à recorrente. Essa exigência somente é cabível nos casos em que não há transferência de competência para o titular da unidade da RFB, situação que não se aplica ao caso em tela, haja vista que o titular da DRF/Araçatuba detinha, temporariamente, competência para designar auditores para realizar os trabalhos fiscais relacionados com o assunto que lhe fora expressamente delegado pela Portaria 34/2008 do Superintendentes Adjunto da Receita Federal do Brasil na 8ª Região Fiscal. A recorrente alegou nulidade dos autos de infração, por ausência de intimação da recorrente para se manifestar, no prazo de dez dias após o encerramento da fase de instrução, prevista no art. 44 da Lei 9.784/1999, que tem o seguinte teor: Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. Induvidosamente, tratase alegação que não se aplica caso em tela. O referido preceito legal tem aplicação restrita aos procedimentos não regidos por normas específicas. Os procedimentos fiscais estão sujeitos a regime e rito processual específico, instituído no Decreto 70.235/1972, portanto, por expressa determinação legal, os referidos procedimento não estão sujeitos a referida exigência. Na sequência, a recorrente alegou que os AuditoresFiscais autuantes defenderam supostas inconsistências em algumas fichas do Dacon, todavia não contestaram a consistência de todos os demais documentos da empresa que demonstravam a existência do Fl. 270DF CARF MF 14 direito creditório, especialmente, porque indicaram nas suas linhas valores de crédito zerados ("0") como se fosse possível a recorrente realizar suas atividades sem adquirir insumos, serviços e outros bens necessários para a sua atividade empresarial. A recorrente falta com a verdade. Os termos de intimação e constatação fiscal, em conjunto, compõem um robusto acervo probatório que evidencia a evidente intenção da recorrente de não apresentar e exibir a fiscalização os arquivos digitais, os documentos contábeis e fiscais e esclarecimentos indispensáveis à confirmação da existência dos créditos declarados no Dacon. Diante dessa planejada omissão, não restou outra alternativa aos auditoresfiscais que não fosse de proceder a glosa integral dos créditos declarados e, na ausência de crédito, proceder a cobrança das contribuições devidas, sob pena de responsabilidade funcional, por descumprimento do dever funcional que lhes impões a legislação, especialmente, o art. 142 do CTN. Ainda sobre a nulidade dos autos de infração, a recorrente alegou que, não obstante a vontade em fornecer os documentos solicitados, a fiscalização agira sem razoabilidade e contrariou os diversos dispositivos legais, dentre os quais destacou os arts. 2º5, parágrafo único, VI e X, e 3º, I, da Lei 9.784/1999, que tratam, respectivamente, de princípios e critérios jurídicos aplicáveis ao processo administrativo federal e direitos do administrado perante Administração. Obviamente, tratase de mais uma de alegação genérica, posto que não foi demonstrado, especificamente, quais os atos que afrontaram os princípios e critérios jurídicos ou direitos previstos nos citados preceitos legais. Deveras, ao contrário do que alegou a recorrente, por meio idôneo, ela foi intimada e reintimada a apresentar os arquivos digitais, bem como a disponibilizar os livros e demonstrativos contábeis e fiscais pertinentes, assim como os originais das notas fiscais, recibos, faturas etc., relativos ao período de julho a setembro de 2004. No final do termo de reintimação, as autoridades fiscais deixaram consignado o seguinte aviso: Desta forma, fica o sujeito passivo novamente cientificado de que a não apresentação dos elementos exigidos pela fiscalização, no prazo acima consignado, implicará na proposta de indeferimento do valor dos créditos pleiteados nos pedidos de ressarcimento que estão consubstanciados nos referidos processos. 5 Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: [...] VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; [...] X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; [...] Art. 3º O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: I ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações; [...] Fl. 271DF CARF MF Processo nº 15868.001186/200938 Acórdão n.º 3302005.290 S3C3T2 Fl. 265 15 E na ausência de resposta e qualquer justificativa, as autoridades fiscais foram ao endereço da recorrente e lavraram o Termo de Constatação Fiscal de fls. 27/28, no qual foi relatado o seguinte: 1. O sujeito passivo foi intimado por via postal por meio do Termo de Intimação Fiscal, de 04/05/2009, para, no prazo de vinte dias, apresentar os arquivos digitais exigidos nos itens 1 e 2 daquele termo. A ciência se deu em 08/05/2009 e o prazo para atendimento encerrouse em 01/06/2009. Até aquela data nenhum dos arquivos digitais exigidos pela fiscalização foi apresentado pelo sujeito passivo. 2. O sujeito passivo foi novamente intimado por via postal por meio do Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal, de 15/06/2009, para, no prazo de dez dias, apresentar os arquivos digitais já mencionados no item anterior. A ciência se deu em 19/06/2009 e o prazo para atendimento encerrouse em 01/07/2009. Até aquela data nenhum dos arquivos digitais exigidos pela fiscalização foi apresentado pelo sujeito passivo. 3. Nesta data (02/07/2009) nos dirigimos até São Paulo, no endereço acima mencionado, sendo atendidos às 08:30 pelo Advogado Sr. Tiago Dias de Amorim, que declarou não possuir procuração do sujeito passivo, mas que iniciaria o atendimento. Acrescentou ainda que o Sr. Vagner Aparecido da Cruz, procurador do sujeito passivo, chegaria dentro de quarenta minutos para finalizar o atendimento e assinar os Termos ora lavrados. Em seguida apresentamos ao Sr. Tiago cópia do Termo de Intimação Fiscal, de 04/05/2009 e do Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal, de 15/06/2009, pendentes de atendimento; e, dele exigimos a apresentação de todos os arquivos digitais ali mencionados. Em resposta o Sr. Tiago afirmou que não possuía nenhum dos arquivos digitais exigidos nestes Termos e acrescentou que estes estariam sendo preparados pelo sujeito passivo. (grifos dos originais) E diante da impossibilidade de verificação dos créditos apropriados e informados pela recorrente no Dacon, em face da não apresentação dos arquivos digitais e dos documentos contábeis e fiscais solicitados, não restou outra alternativa à fiscalização que não a proposição da glosa integral dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do 3º trimestre de 2004, pelas razões expostas na descrição dos fatos do Autos de Infração da glosa dos créditos da Cofins, que integra o processo nº 15868.001186/200938 (fls. 54/62), que se encontra a este apenso. Das cópias do Auto de Infração da Glosa dos Créditos da Cofins, colacionadas aos presentes autos (fls. 54/61), merece destaque os seguintes relevantes trechos: Mais uma vez ficou muito claro para esta fiscalização que a intenção do sujeito passivo continua sendo a de não apresentar os elementos e informações solicitados pela fiscalização, imprescindíveis para a análise dos pedidos de ressarcimento. O descaso do sujeito passivo para com a fiscalização é absoluto. Decorridos mais de três meses desde a primeira intimação datada de 04/05/2009, o sujeito passivo não apresentou nenhum dos elementos exigidos pela fiscalização. Desta vez, Fl. 272DF CARF MF 16 diferentemente do procedimento adotado pelo sujeito passivo por ocasião da análise dos trimestres anteriores, nem mesmo a escrituração contábil em arquivos digitais foi por ele apresentada. A apresentação da escrituração contábil e fiscal, bem como de planilhas ou qualquer outro documento equivalente que demonstrem a forma de apuração dos valores informados no DACON; bem como a apresentação dos documentos comprobatórios exigidos pela fiscalização, são imprescindíveis para a verificação da legitimidade e materialidade do crédito pleiteado. A legislação obriga o xsujeito passivo a manter tais controles. (grifos dos originais) Em relação a esses fatos, devidamente comprovados nos autos, nada foi dito pela recorrente, que continuou a sua saga de apresentar apenas alegações evasivas e genéricas, desprovidas de qualquer suporte probatório. Também não procede a alegação da recorrente de que o presente recurso merecia ser provido porque os autos de infração recorridos continham erro e falta de motivação necessária para a sua validade jurídica, porque, diferentemente do alegado, a simples leitura dos excertos acima transcritos e do teor da descrição dos fatos contida nos questionados autos de infração não deixa qualquer dúvida de que as questionadas autuações foram adequada e suficientemente motivadas, o que afasta a pretensa nulidade por erro ou inexistência de motivação. Reafirmase, novamente, a glosa integral somente ocorreu porque a recorrente negouse a apresentar qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, o que impossibilitou a confirmação dos créditos informados. Essa questão como está relacionada diretamente com mérito da controvérsia, ela será analisado em detalhe a seguir. A recorrente alegou ainda que os autos de infração deveriam ser cancelados, porque foram lavrados com base em levantamento fiscal precário. Ora, se houve levantamento fiscal precário, essa deficiência, certamente, não pode ser atribuída a fiscalização, mas ao claro propósito da recorrente de não fornecer os arquivos, documentos e prestar os esclarecimentos necessários à confirmação da legitimidade do direito creditório informado e pleiteado, que foram regularmente solicitados pela fiscalização no curso do procedimento fiscal. Enfim, em sede de preliminar, a recorrente alegou que os autos de infração deveriam ser cancelados, porque houve cerceamento do seu direito de defesa, porque em nenhum momento foram apresentados motivos que justificassem o posicionamento fiscal de indeferir totalmente o direito creditório pleiteado. Na mesma linha de raciocínio, a recorrente alegou que não houve cumprimento do princípio da verdade material, porque competia aos auditores fiscais “realizarem os atos necessários para garantir esta análise, realizando novas diligências com a intimação da Recorrente apresentar seus documentos fiscais no seu estabelecimento de São Paulo, Capital, com a sucessiva concessão de prazo razoável para o fornecimento.” A recorrente repete as mesmas alegações evasivas e genéricas com expressões diferentes, inclusive com menção a institutos e princípios relevantes para o processo administrativo fiscal, tais como “não preterição do direito de defesa” e “princípio da verdade material”, com o claro propósito de conferir alguma robustez argumentativa a sua retórica vazia de conteúdo relevante para o deslinde da presente lide, mas não apresenta qualquer fundamento fático, corroborado por provas, que dê suporte a tais argumentos ou que infirmem os sólidos fundamentos fáticos e jurídicos apresentados no questionado Despacho Decisório. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 15868.001186/200938 Acórdão n.º 3302005.290 S3C3T2 Fl. 266 17 Por todas essas razões, rejeitase todas as preliminares de nulidade dos autos de infração suscitadas pela recorrente. II Das Questões Prejudiciais de Mérito As questões prejudiciais de mérito suscitadas pela recorrente foram (i) a decadência do direito de lançar e (ii) a homologação tácita das compensações. Em relação à primeira questão, a recorrente alegou que este Colegiado devia reconhecer a aplicação do prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4°, do CTN, uma vez que os tributos lançados estavam sujeitos à lançamento por homologação e no caso existiu o efetivo pagamento pela empresa mediante a utilização de créditos da própria Cofins e da Contribuição para o PIS/PASEP, que foram glosados, conforme indicado nos questionados auto de infração. A alegação da recorrente não se aplica às presentes autuações. A uma, porque elas não tratam de lançamento de crédito tributário, mas apenas de glosa dos créditos básicos das referidas contribuições, objeto dos pedidos de ressarcimento encartados nos processos nºs 13804.000535/200590 (Contribuição para o PIS/Pasep) e 13804.000533/200509 (Cofins), inclusive, este último julgado nessa última assentada. A duas, porque se não trata de lançamento de crédito tributário, por óbvio, não se lhes aplica o disposto no art. 150, § 4°, do CTN. No concernente à segunda questão, a recorrente alegou que os autos de infração deviam ser reformados, porque existiam compensações vinculadas ao crédito objeto dos pedidos de ressarcimento que já haviam sido homologadas tacitamente, nos termos do artigo 74, § 5°, da Lei 9.430/1996. Tratase de mais uma alegação sobre matéria estranha aos presentes autos. A origem dos créditos pleiteados será analisada no julgamento dos citados processos. De qualquer sorte, a afirmação de que os créditos básicos objeto dos citados pedidos de ressarcimento foram provenientes de compensação homologadas tacitamente não se revela plausível, ademais, a recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento comprobatório do alegado. Também dispensa qualquer consideração a respeito, por ser matéria também estranha aos presentes autos, as alegações da recorrente de que tinha direito ao ressarcimento dos créditos pleiteados e que o Dacon foi elaborado em conformidade com a legislação aplicável. Tais questões dizem respeito aos citados processos que tratam dos pedidos de ressarcimento, portanto, eram neles local indicado para apresentação e análise de tais alegações. Por todas essas considerações, resta demonstrada a improcedência das alegações de decadência ou homologação tácita suscitadas pela recorrente. III Dos Pedidos de Diligência e Perícia. No recurso em apreço, a recorrente reapresentou os mesmos pedidos de perícia e diligência apresentados na fase de manifestação de inconformidade. A realização de perícia revelase totalmente prescindível. A uma, porque as respostas aos requisitos formulados pela recorrente prescinde da participação de especialista. Tratase de questões facilmente respondíveis, mediante análise dos documentos da escrituração Fl. 274DF CARF MF 18 contábil e fiscal da recorrente. A duas, porque as respostas aos referidos quesitos seriam facilmente respondíveis, com mera análise da documentação contábil e fiscal solicitada pela fiscalização. O que teria certamente ocorrido, se a recorrente tivesse cumprido a sua obrigação e, em atendimento aos pedidos de intimação e reintimação da fiscalização, tivesse apresentado os arquivos digitais e os documentos contábeis e fiscais indispensáveis para a confirmação dos créditos declarados/pleiteados, ou ao menos tivesse apresentado um justificativa plausível para tal omissão, o que não existiu, no presente caso. A realização de diligência também revelase impraticável, uma vez que a recorrente não trouxe à colação dos autos os arquivos digitais e a documentação solicitada. E por força da preclusão determinada no art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/1972, não há como mais apresentála, a menos que tivesse comprovado uma das condições excepcionais especificadas nas alíneas do citado § 4º, o que não ocorreu no caso em tela. A alegação da recorrente de que os documentos que serviram de base para a apuração do direito creditório eram inúmeros para serem juntados aos autos, “prejudicando até a sua análise por perfazer vários volumes de documentos, estando todos no seu estabelecimento”, não se enquadra em nenhuma das hipóteses excepcionais mencionadas. A grande quantidade de documentos não é justificativa idônea para que tais arquivos/documentos não fossem carreados aos autos, ou apenas parte deles. No caso, pelo menos os arquivos digitais obrigatórios deveriam ter sido carreados aos autos, o que também não ocorreu. Cabe ressaltar, entretanto, que com a manifestação de inconformidade, a recorrente limitouse a apresentar uma planilha de “apuração de créditos” (fl. 228) e cópias das folhas “resumo para apuração de ICMS Entradas” (fls. 229/239), ou seja, documentos por ela própria elaborados, em vez dos arquivos digitais e da documentação fiscal e contábil a que ela estava obrigada a manter a disposição da fiscalização, que se revela notoriamente insuficiente para justificar qualquer análise mediante diligência ou perícia. Além disso, se a recorrente dispunha dos referidos documentos no seu estabelecimento, conforme alegado, porque não os exibiu aos auditores fiscais, que lá compareceram, exclusivamente, com o propósito de analisálos? Como não há nas duas defesas apresentadas pela recorrente resposta ou justificativa plausível para essa pergunta, este julgador ficou desprovido de qualquer fundamento razoável, para deferir os pedidos de diligência e perícia em apreço. A propósito da atitude omissa da recorrente, merece destaque o fato de a recorrente, no presente recurso, em vez de aproveitar a oportunidade e apresentar justificativas convincentes para a sua deliberada e intencional omissão de apresentar/exibir para a fiscalização os arquivos digitais e os documentos contábeis e fiscais imprescindíveis à análise do direito creditório pleiteado, a recorrente esbanjouse na apresentação de alegações genéricas e evasivas, o que é um forte indício de que a sua defesa não teve o propósito de esclarecer as injustificáveis omissões de atendimento às intimações e reintimações da fiscalização, mas de suscitar questões formais ou meramente jurídicas sem relação direta com o motivo do indeferimento dos créditos e a consequente não homologação das compensações declaradas, ou seja, a ausência total de comprovação do crédito declarado. E não foi só isso! Em vez de apresentar os arquivos e documentos comprobatórios dos fatos alegados, a que estava obrigada, nas duas oportunidades que compareceu aos autos, a recorrente limitouse a apresentar alegações evasivas e genéricas restrita a aspectos meramente formais atinentes ao procedimento fiscal e ao correspondente Fl. 275DF CARF MF Processo nº 15868.001186/200938 Acórdão n.º 3302005.290 S3C3T2 Fl. 267 19 despacho decisório em apreço. Quando o relevante era apresentar justificativas para o não cumprimento da sua obrigação de apresentar os arquivos digitais e toda documentação necessária a confirmação dos créditos apropriados e pleiteados. E ao optar pela estratégia da omissão, a recorrente deve arcar com os ônus dela resultante. Enfim, não é demais ressaltar que não é função da autoridade julgadora suprir omissão probatória, seja da fiscalização, seja do contribuinte, especialmente, quando a omissão aparenta ser uma intencional estratégia de defesa, como no caso em tela. Por todas essas razões, os pedidos de diligência e perícia devem ser indeferidos. IV Da Conclusão Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 276DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.004411/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/08/2006
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, é improcedente é alegação de cerceamento de defesa e nulidade do feito fiscal.
DCTF. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. A mera alegação de que os débitos informados em DCTF teriam sido compensados nos termos do art. 66 da lei nº 8.383/91 não basta para atestar-lhes a extinção. É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de compensação.. É indispensável a comprovação da existência do crédito como a apresentação dos registros contábeis com o lançamentos da compensações, sem os quais estas não se concretizam. Deixando de apresentar a documentação comprobatória dos créditos utilizados solicitada desde a fase procedimental, mantém-se a autuação como formalizada
CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. Torna-se incabível converter o julgamento em diligência, quando o contribuinte após intimado, deixa de produzir a prova que lhe competia juntamente com a Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/08/2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, é improcedente é alegação de cerceamento de defesa e nulidade do feito fiscal. DCTF. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. A mera alegação de que os débitos informados em DCTF teriam sido compensados nos termos do art. 66 da lei nº 8.383/91 não basta para atestarlhes a extinção. É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de compensação.. É indispensável a comprovação da existência do crédito como a apresentação dos registros contábeis com o lançamentos da compensações, sem os quais estas não se concretizam. Deixando de apresentar a documentação comprobatória dos créditos utilizados solicitada desde a fase procedimental, mantémse a autuação como formalizada CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. Tornase incabível converter o julgamento em diligência, quando o contribuinte após intimado, deixa de produzir a prova que lhe competia juntamente com a Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 44 11 /2 00 8- 13 Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10865.004411/200813 Acórdão n.º 3402004.965 S3C4T2 Fl. 407 2 Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Relatório Trata o presente processo de cobrança de débitos de Contribuição para o PIS, da COFINS e da CSLL, referente aos períodos de apuração de março de 2005 a agosto de 2006, os quais foram declarados em DCTF, como vinculados a créditos decorrentes da Ação Judicial nº 2005.61.05.0020856 (majoração da alíquota da COFINS). Alega o Fisco que a Recorrente indicou na DCTF a compensação de valores alegados como recolhidos a maior a título de COFINS, que teriam sido realizados com base no artigo 8º da Lei n.º 9.718/98, sem possuir qualquer autorização judicial para tal fato. A empresa foi notificada a efetuar o pagamento dos referidos débitos declarados em DCTF, ou caso os débitos estivessem com a exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN, com base em provimento jurisdicional, que apresentasse, dentre outros documentos, as cópias das principais peças das ações judiciais ajuizadas correspondentes. Em resposta, a interessada apresentou as cópias das consultas das fases processuais referentes aos Mandados de Segurança nº 2005.61.05.0020856 e n° 2005.61.05.0138960 e trouxe uma manifestação em que contesta a cobrança em curso. Na ocasião requereu a conversão da notificação em processo administrativo assegurando a impugnante o contraditório e a ampla defesa, conforme prescreve o art. 5º, LV da CF/88; que fosse julgada improcedente a cobrança com o reconhecimento do direito compensatório nos moldes preconizados pela Lei nº 8.383/91 e, sucessivamente, a suspensão do procedimento de cobrança ao deslinde final da ação judicial. A DRF/Limeira/SP, considerando que houve alegação de que a Ação Judicial n° 2005.61.05.0020856, foi substituída pela de n° 2005.61.05.0138960, na qual foi obtido provimento jurisdicional favorável ao contribuinte, com trânsito em julgado, intimou a Recorrente a apresentar as cópias das principais peças da referida ação juntamente com a planilha demonstrando a base de cálculo decorrente do amparo comparandoa com a base de cálculo informada em DIPJ, bem como a planilha “demonstrando a compensação efetuada”. Desta forma, foram juntados os documentos solicitados e também cópias do Mandado de Segurança nº 2009.61.09.0006360, através do qual foi pedida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto do presente processo. A DRF/Limeira/SP, conforme Informação Fiscal de folhas 255/259, manifestouse pela inexistência do indébito tributário passível de compensação vinculado aos Mandados de Segurança n° 2005.61.05.0020856 e n° 2005.61.05.0138960 e pelo seguimento Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10865.004411/200813 Acórdão n.º 3402004.965 S3C4T2 Fl. 408 3 do presente PAF no rito processual previsto no art. 74, §11, da Lei nº 9.430/96, em cumprimento à sentença judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança no 2009.61.09.0006360. Encaminhado para julgamento, a DRJ/Florianópolis/SC, decidiu pelo retorno dos autos à DRF/Limeira/SP, a fim de que esta prolatasse formalmente o ato previsto no §7º do art. 74 Lei nº 9.430/1996, dando ciência às Recorrente desta decisão formal, nos termos do §9º do mesmo artigo, “permitindolhe o aditamento das contestações inicialmente apresentadas em face das eventuais novas razões de indeferimento trazidas com o enfim lavrado despacho decisório” (fl. 293, do Despacho Decisório). Conclui o Despacho Decisório que além do trânsito em julgado, a compensação de crédito decorrente de ação judicial depende da habilitação do crédito pela RFB, como manda o artigo 82, caput e seu § 1º, da Instrução Normativa da RFB n.º 1.300, de 20/11/2012 (com redação semelhante ao que era dado pelo artigo 71 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e pelo artigo 51 da Instrução Normativa do SRF n.º 600/2005). Por fim, acrescenta que para as compensações efetuadas em DCTF apresentada após o dia 31/10/2003, não há qualquer exigência de lançamento de ofício; ou seja, não confirmado o direito à compensação indicada na DCTF, o crédito tributário deve ser imediatamente cobrado. Quanto a Ação judicial informada nas DCTF's, verificase nos autos que, tratase do Mandado de Segurança n° 2005.61.05.0020856, impetrado em 17/03/2005, junto à 3ª Vara da Justiça Federal em Campinas/SP (fls. 55/61). Em síntese, constatase que, no apontado mandamus, pretendeu obter a declaração da ilegalidade do art. 8° da Lei n° 9.718/98, que promoveu a majoração da alíquota da COFINS de 2% para 3%, assim como, o reconhecimento do direito compensação dos valores recolhidos, nos últimos 10 (dez) anos, com base na questionada majoração da alíquota da COFINS, com débitos de quaisquer tributos administrados pela então SRF (fls. 167/218) Em sua Manifestação de Inconformidade a Recorrente corrobora toda a informação prestada na Informação Fiscal sobre os processos judiciais de que trata e salienta que o crédito que pretende ter compensado tem origem no MS nº 001389636.2005.4.03.6105 “que reconheceu parcialmente o pedido da Contribuinte para afastar o aumento da base de cálculo da COFINS promovida pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. De outro lado, entendeu que a majoração da alíquota foi validamente veiculada pelo art. 8° dessa mesma norma”. Também concorda com a informação prestada pelo Fisco de que os cálculos por ela realizados e apresentados em juízo (datados do ano de 2005), denotam que o crédito utilizado para compensação se referiria unicamente à majoração da alíquota. Afirma, entretanto, que o Mandado de Segurança é processualmente "ação adequada para a declaração do direito à compensação tributária", conforme a Súmula 213 do Superior Tribunal de Justiça, mas ressalva que “não é no bojo desse procedimento, entretanto, que se liquida o valor do eventual indébito”. E reconhece que a "Receita Federal tem editada a Instrução Normativa nº 1.300/12 que estabelece (art. 82) um prévio procedimento de habilitação do crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado para, apenas posterior a isso, permitir a compensação via PER/DCOMP". Além disso, afirma que, no Mandado de Segurança o interessado não precisa apresentar a origem dos dados constantes nas planilhas e que demonstra nos autos que as DCTFs, relativas aos períodos em análise, foram retificadas em momento posterior. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10865.004411/200813 Acórdão n.º 3402004.965 S3C4T2 Fl. 409 4 No entanto, a Delegacia da RFB de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 0738.249, de 28/04/2016, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos (fls. 360/370): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/03/2005 A 31/08/2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Respeitados pela Administração Fazendária os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, é improcedente é alegação de cerceamento de defesa e nulidade do feito fiscal. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de compensação. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. DCTF. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A mera alegação de que os débitos informados em DCTF teriam sido compensados nos termos do art. 66 da lei nº 8.383/91 não basta para atestarlhes a extinção. É indispensável a comprovação da existência do crédito e a apresentação dos registros contábeis com o lançamentos da compensações, sem os quais estas não se concretizam. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi intimado da decisão DRJ via sua Caixa Postal (DTE) em 10/05/2016 (fl. 377). Descontente com a decisão de primeira instância, em 09/06/2016 (fl. 378), protocolou o recurso voluntário de fls. 379/383, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação, que, em síntese, reproduzo: (i) primeiramente, traz um escorço histórico do débito em questão, que se demonstra muito bem delineado na informação fiscal de fls. 245/259, alegando que pela sua simples leitura concluise pela nulidade do Despacho Decisório; (ii) alega que temse na origem a ação mandamental nº 0013896 36.2005.4.03.6105 (numeração antiga 2005.61.05.0138960) que reconhece parcialmente o pedido da Contribuinte para afastar aumento da base de cálculo da COFINS promovida pelo art. 3º da Lei n. 9.718/98. De outro lado, entendeu que a majoração da alíquota foi validamente veiculada pelo art. 8º dessa mesma norma; (iii) que os cálculos realizados e apresentados em juízo datados do ano de 2005 (fls. 146/150) denotam que o crédito utilizado para compensação se referiria unicamente à majoração da Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10865.004411/200813 Acórdão n.º 3402004.965 S3C4T2 Fl. 410 5 alíquota (como muito bem observado pelo Fisco na fl. 248), mas esse aspecto deve ser visto com algumas ressalvas, pois no mandado de segurança a Contribuinte não precisa apresentar a origem dos dados constantes nas planilhas; (iv) que mostra que as Declarações de Crédito Tributário Federal (DCTF), relativas aos períodos em análise, foram retificadas a posterior; (v) antes da prolação do despacho decisório, em decorrência do dever de fiscalizar atinente à autoridade, a Contribuinte deveria ter sido chamada, para apresentar as informações que validassem ou não o seu pleito. Não é demais destacar que a Autoridade Fazendária tem o poder/dever de fiscalizar os autos do contribuinte. Deve ser destacado que em havendo dúvidas quanto aos fatos não pode a fiscalização tomar qualquer atitude sem sequer tentar investigar quais foram os fatos efetivamente ocorridos, seja intimando o contribuinte a apresentar esclarecimentos, seja realizando diligências fiscais. Ao final, REQUER a analise do presente Recurso Voluntário e declare a nulidade do despacho decisório (fls. 269/283) determinandose a adoção de procedimento tendente à verificação da origem dos créditos apontados pela Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, relator. 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Objeto da lide Em relação ao discutido nestes autos, firmese que o presente processo referese não a reconhecimento de direito creditório, mas à cobrança de débitos declarados em DCTF, os quais foram lá vinculados a créditos decorrentes de Ação judicial. Assim, o objeto do presente processo não é a procedência do direito ao crédito alegado, o qual foi levado ao judiciário, mas a alegada quitação/compensação dos débitos, pela tão somente vinculação destes em DCTF ao referido crédito. Diante disso, temse que a presente lide cingese à validade das alegadas compensações. 3. Preliminar de Nulidade Argumenta a Recorrente em seu recurso que "(...) Primeiramente, cumpre trazer um escorço histórico do suposto débito em questão, que se demonstra muito bem delineado na informação fiscal de fls. 245/259, que pela sua simples leitura concluise pela nulidade do despacho decisório". No entanto o pleito de nulidade é improcedente. Explico. Os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, estatuem: Art. 59. São nulos: Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10865.004411/200813 Acórdão n.º 3402004.965 S3C4T2 Fl. 411 6 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” (Grifei) Primeiramente, porque o Despacho Decisório foi proferido por autoridade competente, cujo nome, nº de matrícula e cargo: Auditor Fiscal da Receita Federal estão ali identificados (pág. 293). Em segundo lugar, porque o alegado cerceamento de defesa não ocorreu. Conforme se verifica no Despacho Decisório SECAT nº 322/2015 de fls. 279 a 293, estão perfeitamente motivado, identificados todos os fatos e circunstâncias, os valores dos créditos que a Recorrente pleiteou e que não foram confirmadas pelo Fisco; e o Despacho Decisório foi devidamente cientificado à empresa, que pode apresentar sua Manifestação de Inconformidade, apresentando as suas razões fundamentadas, demonstrando perfeito conhecimento de todo o conteúdo deste processo. Assim, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa e improcedente é alegação nulidade do feito fiscal. Portanto, afastada a nulidade do Despacho Decisório, segue a análise dos demais argumentos de defesa. 4. DCTF Compensação dos Débitos Informados Em seu recurso, aduz que "(...) Antes da prolação do despacho decisório, em decorrência do dever de fiscalizar cabente à autoridade, a Contribuinte deveria ter sido chamada, para apresentar as informações que validassem ou não o seu pleito". E prossegue afirmando que "(...) Correndo mais uma vez o risco da repetição deve ser destacado que em havendo dúvidas quanto aos fatos não pode a fiscalização tomar qualquer atitude sem sequer tentar investigar quais foram os fatos efetivamente ocorridos, seja intimando o contribuinte a apresentar esclarecimentos, seja realizando diligências fiscais". Pois bem. O procedimento fiscal, aberto a partir do relato da fls. 245/249 e que culminou no Despacho Decisório nº 332/2015 (fls. 269/283), concluiu que, "para as compensações efetuadas em DCTF apresentada após o dia 31 de outubro de 2003, NÃO HÁ QUALQUER EXIGÊNCIA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO; ou seja, não confirmado o direito à compensação indicada na DCTF, o crédito tributário deve ser imediatamente cobrado", e INDEFERINDO a respectiva solicitação. Também é um fato declarado pela própria Recorrente que as Declarações de Crédito Tributário Federal (DCTF), relativas aos períodos em análise, foram retificadas em momento posterior. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10865.004411/200813 Acórdão n.º 3402004.965 S3C4T2 Fl. 412 7 A Recorrente alega que a regra fala da necessidade, ou não, de que a autoridade a quem caiba a análise da compensação, no caso de dúvida sobre o crédito do Contribuinte, intimeo para prestar esclarecimentos e fornecer documentos, ou diligencie no estabelecimento do sujeito passivo, se for necessário. Ou seja, deveria ter sido chamada, para apresentar as informações que validassem ou não o seu pleito, considerando o poder dever que a Autoridade Fazendária tem de fiscalizar os atos do contribuinte. Isso porque, segundo seu entendimento, o MS é “ação adequada para a declaração do direito à compensação tributária”, mas “não é no bojo desse procedimento, entretanto, que se liquida o valor do eventual indébito”. E que tanto é assim que a “Receita Federal tem editada a Instrução Normativa n. 1.300/12 que estabelece (art. 82) um prévio procedimento de habilitação do crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado para, apenas posterior a isso permitir a compensação via PER/DCOMP”. Cita, ainda, o art. 65 da mesma IN, a fim de justificar a necessidade de diligência fiscal para a apuração do crédito. Entretanto, digase de plano que, no caso destes autos, estamos discutindo direito de créditos tributários apontados pelo Recorrente. Dentro deste espeque, firmese que por força do artigo 170 do CTN (Lei nº 5.172, de 1966) a autoridade administrativa somente pode autorizar qualquer compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Para melhor ilucidar a questão, subscrevo as considerações tecidas na decisão recorrida, adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto, que faço algumas adaptações. Quanto à Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, digase que não é documento hábil para formalização de pedido de compensação. A informação na DCTF não equivale a um requerimento de compensação, que deve ser efetuado através dos formulários próprios. A DCTF, em verdade, constitui obrigação acessória por meio da qual o contribuinte apenas informa à RFB os débitos tributários apurados no período, bem como a forma de sua extinção ou a suspensão de sua exigência. A considerar ser aplicável ao caso o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, bem como a IN RFB nº 1.300/2012, a compensação alegada pela interessada nem mesmo pode ser considerada como realizada, haja vista que não houve no presente caso a apresentação da declaração de compensação (DCOMP) ao Fisco. Assim, na DCTF haveria que ter sido informado o número da compensação (DCOMP), levada à efeito nos moldes da legislação de regência, inclusive com a prévia habilitação do crédito, prevista no art. 82 da IN 1300/2012, trazido como fundamento pela Recorrente (art. 71 da IN RFB nº 900/2008 e art. 51 da IN do SRF n.º 600/2005). Neste caso, os débitos informados como vinculados à Ação Judicial indicada restariam inadimplidos e, portanto, exigíveis. Notese que este foi o fundamento legal da decisão proferida no Despacho Decisório, para não acolher as compensações na forma pretendida pela interessada. Entretanto, o que se observa a partir dos autos é que a alegada compensação foi acolhida, o processo administrativo foi iniciado e a Recorrente foi intimada a demonstrar a procedência do crédito informado em DCTF. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10865.004411/200813 Acórdão n.º 3402004.965 S3C4T2 Fl. 413 8 A propósito do art. 66 da Lei nº 8.383/91, a norma conferia ao Contribuinte o direito de compensar, por conta própria, pagamentos indevidos com débitos da mesma espécie correspondentes a períodos subsequentes. Essa compensação, entretanto, nos termos do §4º do referido artigo, deve observar as instruções expedidas pela Receita Federal. Para regulamentar esta disposição, se encontrava disposto no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 67/92 e depois pelos artigo 14 e artigo 17 da IN SRF nº 21/97. Vejase: Art. 17. A restituição, o ressarcimento ou a compensação de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, somente poderá ser efetuada após prévia análise do pedido pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação, que deverá se pronunciar quanto ao mérito, valor e prazo de prescrição ou decadência. Portanto, como se vê, não basta ao contribuinte a mera alegação de que realizou compensação nos termos do art. 66 da Lei 8.383/91 para atestar a extinção do crédito tributário compensado, ainda que tal compensação seja registrada em DCTF. Na verdade, em se tratando de crédito decorrente de ação judicial, o contribuinte deve ser capaz de demonstrar previamente ao Fisco a certeza e liquidez do crédito que pretende compensar, bem como apresentar a documentação que demonstre a realização da compensação. Ou seja, a compensação do crédito em sendo de ação judicial, já atestado previamente pelo Fisco deve restar consignada na escrituração contábil para que a autoridade administrativa tenha condições de verificar a regularidade do procedimento. E a razão para esta exigência é óbvia: o indébito deve estar vinculado a um débito específico na compensação e, tendo em vista que a compensação de que se trata se realiza por iniciativa do próprio contribuinte, sem interferência da Administração, que se reserva o direito de verificar posteriormente a regularidade do procedimento, deve a vinculação entre débito e crédito estar devidamente escriturada para que este controle seja possível. No caso vertente, os registros contábeis comprobatórios da compensação alegada nem mesmo foram analisados, e nem haviam que ser, haja vista terse verificado a inexistência do crédito informado, a partir dos documentos apresentadas pela interessada durante o procedimento fiscal. Ciente das decisões judiciais proferidas nos Mandados de Segurança n° 2005.61.05.0020856 e n° 2005.61.05.0138960, a DRF em Limeira/SP intimou a Recorrente através da Intimação SECAT n° 135/2009, para apresentar dentre outros documentos, cópias das principais peças processuais do Mandado de Segurança n° 2005.61.05.0138960 e a planilha demonstrativa da alegada compensação tributária, nos seguintes termos (fls. 70/71): "(...) Planilha com a compensação efetuada, com indicação dos meses em que foi realizada, a origem dos créditos utilizados e o valor compensado, discriminando a base de cálculo alargada, a base de cálculo reconhecida pelo Pode Judiciário (FATURAMENTO), a COFINS devida, a COFINS recolhida à aliquota de 3% (três por cento) e o eventual saldo a compensar, mês a mês, detalhando a correção monetária utilizada na atualização dos créditos". Portanto, ao contrário do alegado pela Recorrente, ela foi sim chamada a comprovar a origem de seu crédito antes da emissão do Despacho Decisório, através da Intimação SECAT nº 135/2009, acima mencionada; ou seja, a interessada foi chamada pelo Fisco a demonstrar a liquidez e certeza do crédito, tratado no judiciário, no âmbito do processo administrativo. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10865.004411/200813 Acórdão n.º 3402004.965 S3C4T2 Fl. 414 9 Em resposta a Recorrente apresentou cópias da petição inicial do Mandado de Segurança e das decisões judiciais de deferimento parcial da medida liminar (fl. 157) e de acolhimento dos embargos de declaração opostos pela União (fls. 158 a 160). No mesmo expediente, a contribuinte também requereu a dilação do prazo para apresentação dos documentos faltantes (fl. 95). Todavia, não há noticia, nos autos deste processo, até o recurso voluntário, de que a Recorrente tenha apresentado outros documentos em resposta à Intimação SECAT nº 135/2009. Salientese que a única planilha trazida, com o cálculo do suposto indébito tributário (fls. 152/156), é a que consta da petição inicial do Mandado de Segurança. Sendo somente estes os documentos trazidos pela interessada a fim de comprovar o crédito alegado, a partir da análise da planilha do cálculo do suposto indébito tributário, a DRF/Limeira/SP, através da Informação Fiscal (folhas 245 a 249), manifestouse pela inexistência do indébito tributário passível de compensação, nos seguintes termos: "(...) Perceba que, de acordo com os cálculos apresentados em juízo pelo contribuinte, o alegado indébito tributário passível de compensação seria decorrente tão somente da questionada ilegalidade da majoração da alíquota da COFINS, de 2% para 3%, promovida pelo art. 8° da Lei n° 9.718/98. Em outros termos, segundo o cômputo do contribuinte acostado à petição inicial do Mandado de Segurança n° 2005.61.05.0138960, não haveria indébito tributário vinculado ao alargamento da base de cálculo da Cofins promovido pela Lei n° 9.718/98 (fls. 146 a 150). Por seu turno, conforme já esclarecido anteriormente, sabese que o Poder Judiciário, em decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 2005.61.05.0138960, manteve incólume o dispositivo legal responsável pela majoração da alíquota da COFINS (art. 8° da Lei n° 9.718/98). Logo, não há que se falar em indébito tributário passível de compensação. Por conseguinte, a alegação do contribuinte de que os créditos tributários de CSLL, COFINS e PIS controlados pelo presente processo administrativo estariam compensados com os pagamentos a maior de COFINS reconhecidos no Mandado de Segurança n° 2005.61.05.0138960, não merece deferimento". Assim é que em não existindo indébito tributário decorrente da Ação Judicial informada na DCTF não havia como considerar válidas as compensações. É importante salientar que foi oportunizado apresentar novas alegações contra esse entendimento junto à contestação ao Despacho Decisório. Entretanto, a interessada, como visto, limitouse a alegar que “não é no bojo desse procedimento, entretanto, que se liquida o valor do eventual indébito”, e afirma que “no mandado de segurança a Contribuinte não precisa apresentar a origem dos dados constantes nas planilhas”. Ou seja, a interessada não se manifestou especificamente contra os fundamentos do entendimento exarado na Informação Fiscal lavrada pela DRF/Limeira/SP, mas apenas vem desqualificando o demonstrativo por ela apresentado como meio de prova, sem, no entanto, juntar quaisquer outros elementos de prova ou informações adicionais que minimamente pudessem se contrapor ao tal entendimento. A Recorrente tenta atribuir ao Fisco o ônus que lhe cabia de comprovar o crédito alegado. Vejase: "(...) Antes da prolação do despacho decisório, em decorrência do dever de fiscalizar cabente à autoridade, a Contribuinte deveria ter sido chamada, para apresentar as informações que validassem ou não o seu pleito". Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10865.004411/200813 Acórdão n.º 3402004.965 S3C4T2 Fl. 415 10 Como é consabido, nos pedidos do Contribuinte de reconhecimento de direito creditório, como o presente, cabe ao requerente a demonstração do cabimento do seu pleito, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e do art. 373 do Código de Processo Civil, juntando aos autos os documentos comprobatórios da existência do direito creditório para o seu reconhecimento. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Com efeito, entendendo a autoridade fiscal que os documentos e informações produzidas pelo contribuinte não eram hábeis a demonstrar, de forma inequívoca, o crédito pretendido, caberia à recorrente trazer aos autos, quando da Manifestação de Inconformidade, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 373, II do CPC, a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão da fiscalização. Portanto, em face da absoluta falta de provas da existência do crédito pleiteado, não merece ser acolhida a alegação de que os débitos em exame teriam sido compensados. 5. Da realização de diligência Conforme abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, a Recorrente teve a oportunidade de apresentar seus elementos probatórios durante o procedimento fiscal. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. 6. Dispositivo Forte em todo o acima exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10865.004411/200813 Acórdão n.º 3402004.965 S3C4T2 Fl. 416 11 Fl. 416DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.688807/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.226
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata o presente de análise de PER/DCOMP não homologada pela unidade local da RFB face a inexistência do direito creditório pleiteado. O Despacho Decisório consignou que os pagamentos informados como suposta origem do PER/DCOMP encontravamse integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte interpôs manifestação de inconformidade onde defende a existência de seu direito creditório, alegando que o mesmo pode ser confirmado em vista de suas declarações retificadoras (DIPJ e DCTF). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 88 80 7/ 20 09 -0 1 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10880.688807/200901 Resolução nº 3402001.226 S3C4T2 Fl. 163 2 A decisão da DRJ julgou improcedente a aludida manifestação, o que motivou a recorrente a interpor, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em manifestação de inconformidade, bem como apresentou novos documentos fiscais no sentido de comprovar a existência do crédito vindicado. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.213, de 30 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.688794/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.213: 4. Em suma, a presente discussão gravita em torno de um único ponto: existir ou não prova suficiente do crédito do contribuinte. 5. Segundo o despacho decisório que denegou a compensação almejada, os créditos apontados pelo contribuinte já teriam sido consumidos para a quitação de outros débitos apontados em DCTF. 6. Por sua vez, em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte aventou que o comprovante de pagamento de fl. 21, aliado com a DIPJ e a DCTF (ambas retificadoras) acostadas, respectivamente, as fls. 22/56 e 57/123, atestariam a validade material do aludido crédito. 7. Não obstante, o acórdão recorrido pautou o indeferimento da compensação vindicada nos seguintes termos: (...). 8.2. O sucesso da empresa em ver homologada a compensação declarada, nesta instância administrativa, já fora da órbita do tratamento eletrônico, condicionase à comprovação da liquidez e certeza do crédito, devendo estar demonstrado que este tem apoio não só legal, como documental. A apresentação de DCTF retificadora, por suposto erro de preenchimento na anterior, não é suficiente, neste momento do rito processual, para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio da apresentação da escrituração contábil do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.688807/200901 Resolução nº 3402001.226 S3C4T2 Fl. 164 3 lhe dão sustentação. Transcrevese, a seguir, o art. 170 do CTN, onde está estipulado que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos: (...). 8. Ao interpor seu recurso e em resposta ao fundamento da DRJ, o contribuinte trouxe aos autos cópias dos seus livros razão (fls. 152/157) e diário (fls. 158/161) que, prima facie, comprovariam a existência do crédito aqui debatido. 9. Diante deste cenário fáticojurídico e, ainda, levando em consideração o princípio da verdade material1 que conforma o processo administrativo tributário, é salutar que o presente julgamento seja convertido em diligência para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: (i) analise os documentos fiscais acostados aos autos pelo contribuinte para averiguar se de fato o crédito aqui vindicado apresenta ou não validade material; e, ainda (ii) caso tais documentos sejam insuficientes para o cumprimento do mister acima indicado, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para que apresente outros documentos fiscais necessários para esse fim. 10. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: (i) analise os documentos fiscais acostados aos autos pelo contribuinte para averiguar se de fato o crédito aqui vindicado apresenta ou não validade material; e, ainda 1 Neste momento convém aqui abrir um parêntese para afirmar que quando se apregoa o sobredito princípio da verdade material não se faz no sentido de equiparar este importante valor normativo a uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em processos administrativos fiscais. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.688807/200901 Resolução nº 3402001.226 S3C4T2 Fl. 165 4 (ii) caso tais documentos sejam insuficientes para o cumprimento do mister acima indicado, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para que apresente outros documentos fiscais necessários para esse fim. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluídas estas providências, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 134DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.728015/2013-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
ARBITRAMENTO DO LUCRO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES APÓS O TÉRMINO DA FISCALIZAÇÃO. INEFICÁCIA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO FISCAL. SUMULA CARF N. 59.
A apresentação de livros e documentos após o término da fiscalização não é, por si só, suficiente para invalidação do lançamento por arbitramento do lucro, cuja origem é a própria ausência da apresentação de documentação durante o processo fiscalizatório. Inteligência da Sumula CARF n. 59.
MULTA QUALIFICADA PRESUNÇÃO
A ocorrência de presunção, por si só, não é fator impeditivo à autoridade fiscal para constituir a multa qualificada, especialmente, quando não for o único elemento formador da convicção da fiscalização acerca do infrator ter agido ou se omitido intencionalmente sobre a ocorrência do fato gerador do tributo.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Com relação aos demais lançamentos decorrentes IRPJ, aplica-se o reflexo, visto, serem oriundos do principal e referir-se à mesma matéria tributável, mantendo-se também os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS
Numero da decisão: 1201-001.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros: Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa que afastavam a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a de 150% para 75%.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES APÓS O TÉRMINO DA FISCALIZAÇÃO. INEFICÁCIA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO FISCAL. SUMULA CARF N. 59. A apresentação de livros e documentos após o término da fiscalização não é, por si só, suficiente para invalidação do lançamento por arbitramento do lucro, cuja origem é a própria ausência da apresentação de documentação durante o processo fiscalizatório. Inteligência da Sumula CARF n. 59. MULTA QUALIFICADA — PRESUNÇÃO A ocorrência de presunção, por si só, não é fator impeditivo à autoridade fiscal para constituir a multa qualificada, especialmente, quando não for o único elemento formador da convicção da fiscalização acerca do infrator ter agido ou se omitido intencionalmente sobre a ocorrência do fato gerador do tributo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Com relação aos demais lançamentos decorrentes IRPJ, aplicase o reflexo, visto, serem oriundos do principal e referirse à mesma matéria tributável, mantendose também os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros: Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa que afastavam a qualificação da multa de ofício, reduzindoa de 150% para 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 80 15 /2 01 3- 95 Fl. 4503DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de auto de infração lavrado com o objetivo de exigir valores relativos à IRPJ (R$4.655.591,16), CSLL (R$1.403.877,35), PIS (R$316.847,32) e COFINS (R$1.462.372,22) de fatos geradores do ano calendário de 2010, acrescidos de multa de oficio qualificada e juros. Em síntese, a fiscalização efetuou o lançamento por arbitramento, nos termos do inciso III, do art. 530 do Decreto 3000/99, em razão da ausência de apresentação de livros e documentos que comprovassem a escrituração, conforme termo de fiscalização. Após a intimação, a Contribuinte não cumpriu a solicitação deixando de apresentar esclarecimentos com relação aos depósitos bancários registrados em suas contas correntes. Sendo assim, identificada a hipótese de omissão de receita, a fiscalização efetuou a lavratura do auto, nos termos do art. 3º da Lei nº 9.249/95 e art. 42 da Lei nº 9.430/96, c/c com o art. 537 do RIR/99. A fiscalização deu início ao processo por meio do Termo de Constatação, tendo em vista que a empresa foi selecionada em razão de denúncia de que esta intermediava operações bancárias. Segundo consta no Termo da Fiscalização, fora observado no ato de constituição da Recorrente de que esta é entidade sem fins lucrativos. Contudo esta foi cadastrada por algumas Instituições Financeiras para operar como correspondente bancário, buscando na praça, pessoas que necessitam de empréstimos tais como: servidores públicos, aposentados e pensionistas. Verificouse assim que, embora a Contribuinte tenha, no ano de 2010, movimentado em suas contas bancárias a importância de aproximadamente R$43.000.000,00, não houve recolhimento ao fisco federal de tributos que fossem proporcionais a tal movimentação e não houve apresentação de declaração de imposto de renda ou qualquer Fl. 4504DF CARF MF Processo nº 10380.728015/201395 Acórdão n.º 1201001.971 S1C2T1 Fl. 3 3 prestação de outra informação à Receita Federal sobre os tributos devidos e declarados, tendo sido declarados somente o correspondente imposto de renda retido na fonte e o PIS em DCTF. Desta forma, a fiscalização intimou a Contribuinte com relação ao início da fiscalização, tendo sido cientificada em 17/08/2012, conforme recibo de A.R. Em seguida, no dia 10/09/2012, o contribuinte solicitou prorrogação do prazo de entrega dos documentos requeridos no termo de início de fiscalização por mais 20 (vinte) dias, no que foi prontamente atendido. A contribuinte, então, pediu nova prorrogação, em 16 de outubro de 2012, por mais (20) vinte dias, no que também foi atendida. Em 23 de janeiro de 2013, a Contribuinte foi cientificada por meio de aviso de recebimento do termo de intimação fiscal n° 1, com a finalidade de requerer novamente, os documentos pedidos no termo de início de fiscalização. Como a contribuinte, uma vez mais, não atendeu o referido termo, a fiscalização em nova a tentativa, emitiu o termo de intimação fiscal n° 2, com ciência em 3 de abril de 2013, solicitando a apresentação dos documentos requeridos no termo de início de fiscalização. A contribuinte enviou DCTFs de janeiro a dezembro do ano de 2010, bem como, DARFs do mesmo período, estatuto da empresa e ata da assembléia geral ordinária. Após a analise dos documentos apresentados pela contribuinte, a fiscalização constatou que tais documentos não eram suficientes para se avaliar a real dimensão das operações da empresa, nem, tampouco, para concluir sobre sua movimentação financeira. Diante desta realidade, a fiscalização efetuou solicitação à diversos Bancos que operaram com a fiscalizada solicitando informações sobre as movimentações bancárias da contribuinte no ano fiscalizado. Os Bancos requisitados encaminharam os extratos bancários, e a fiscalização, após a análise das movimentações financeiras da fiscalizada, verificou que os valores envolvidos eram significativos. Diante deste cenário e da expressividade dos valores envolvidos, a fiscalização emitiu termos de intimação fiscal n°s 3, 4, 5, 6 e 7, com ciência por aviso de recebimento em 24 de maio de 2013, 7 de junho de 2013, 5 de julho de 2013,17 de julho de 2013 e 25 de julho de 2013, respectivamente, bem como, pedido esclarecimentos sobre a origem dos créditos relacionados nos anexos aos termos de intimação. Entretanto, a contribuinte não atendeu a nenhum dos termos de intimação acima mencionados, não apresentando qualquer manifestação sobre os valores depositados em suas contas bancárias, bem como não apresentou livros e outros documentos que pudessem ser analisados para se determinar a origem dos valores creditados em suas contas correntes. Assim sendo, a fiscalização optou pela emissão do auto de infração com base no arbitramento do lucro da empresa, de acordo com as determinações do artigo 530, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000, de 26 de março de 1999. Por outro lado, tendo em vista que a empresa nos anos calendários de 2008, exercício 2009, e de 2011, exercício 2012, apresentou declarações de imposto de renda como Fl. 4505DF CARF MF 4 imune, a fiscalização considerou a situação prevista no artigo 71 da Lei 4502/62, determinando assim, o agravamento da multa de ofício para 150% e conseqüentemente a representação penal da Contribuinte. Após a cientificação deste auto de infração, a contribuinte apresentou Impugnação, conforme fls. 1082 a 1115. Em síntese, a Contribuinte concluiu que o auto de infração é incabível e inconseqüente. Lêse ali: “O surpreendente e imaginável é que pelo mero fato de não ter a autuada atendido em tempo hábil os pedidos de esclarecimentos e documentos solicitados pela fiscalização (por motivos de força maior — inclusive viagem e doença grave do encarregado da contabilidade), conforme consta do "TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL" que faz parte integrante desse malfadado Auto de Infração, "sobre os valores depositados em suas contas correntes bancárias" obtidos através das informações emitidas pelos bancos que operaram no período com a autuada, o Dr. Fiscal autuante, passou um "rolo compressor" sobre todo e qualquer movimento bancário levado à crédito existentes nos extratos, inclusive, as "Transferências Bancárias entre as Contas da Mesma Titularidade", "Resgate de Aplicações Financeiras", Devolução de Benefícios/Auxílio aos Associados", "Desbloqueios Judiciais", dentre outros, que jamais poderiam serem caracterizados como "OMISSÃO DE RECEITA" conforme comprovados devidamente na oportunidade seguinte, cuja documentação comprobatório se anexa.” Alega em sua Impugnação que o auto de infração esta em desacordo com a legislação vigente incidente sobre o assunto, exigindo o montante de aproximadamente R$22.000.000,00 (vinte e dois milhões de reais) baseado em "omissão de receita". Contesta a aplicação da multa qualificada de 150%. Salienta ainda que, a fiscalização teria mencionado que tal qualificação de multa decorreria da seguinte situação: "tendo em vista que a empresa nos anos calendários de 2008. Exercício de 2009 e de 2011, exercício de 2012, apresentou declarações de imposto de renda como imune, o que enseja a situação prevista no artigo 71 da Lei 4502/62, agravamos a multa de ofício para 150% e conseqüentemente fizemos representação penal do contribuinte." Com isso, alega que à época, era associação sem fins lucrativos e por isso, encontravase regularmente constituída com a documentação necessária junto aos órgãos competentes para gozo deste pretendido benefício. Sendo assim, enquadravase nos preceitos legais que a definiam como pessoa jurídica isenta, nos termos do art. 150, inciso VI, alínea "c" da Constituição Federal e de toda a legislação de regência do Imposto de Renda, atualmente, o RIR/99 que em seu Capítulo H (IMUNIDADES, ISENÇÕES E NÃO INCIDÊNCIAS), Seção IV (Isenções), Subseção I (Sociedades Beneficentes, Fundações, Associações e Sindicatos), determina em seu Art. 174: " Estão isentas do imposto as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e as associações civis que prestem os serviços para os quais houveram sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos (Lei n° 9.532, de 1997, arts. 15 e 18)". Fl. 4506DF CARF MF Processo nº 10380.728015/201395 Acórdão n.º 1201001.971 S1C2T1 Fl. 4 5 Menciona ainda a Recorrente: “Ademais, douto Julgador, a associação não tinha fins lucrativos, jamais naquele período remunerou seus dirigentes, nunca tinha distribuído qualquer resultado de suas atividades a quem quer que seja, revestindo exclusivamente o fruto do "superávit" verificado em suas contas, em prol e exclusivamente para manutenção e desenvolvimento dos objetivos sociais propostos. Como também, vinha cumprindo rigorosamente todos os demais requisitos estatuídos para gozo desse benefício,conforme relação prevista nos §§ 2o e 3o, incisos I a V do já referido Art. 170 (Lei n°9.532/97) do RIR vigente, como, dentre outros, mantinha escrituração completa de suas receitas (entradas) e despesas (saídas) em livros revestidos das formalidades legais implícitas e explícitas que asseguravam a respectiva exatidão; todos os documentos que respaldavam sua contabilidade, referentes aos últimos exercícios, inclusive os enumerados pela ação fiscal, se encontram em ordem e devidamente arquivados. Bem como, conforme preceitua o Art. 181 do citado diploma legal, o direito ao gozo da isenção, independia de prévio reconhecimento dessa Secretaria da Receita Federal, na época, e que somente posteriormente é que foi descaracterizado o gozo dessa isenção,portanto, inexistindo dolo e/ou má fé. Assim, como expresso no documento expedido pelo Dr. Fiscal autuante, em sua simplória peça denominada de TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL, se baseia no que sem nenhum sentido ou veracidade, afirma taxativamente o para fiscalização por denúncia seguinte: "/. a empresa foi selecionada de intermediar operações bancárias, constituída como empresa sem fins lucrativos é cadastrada em instituições financeiras para operar como correspondente bancário, buscando na praça pessoas que necessitam de empréstimos tais como: servidores públicos, aposentados e pensionistas, sem no entanto recolher ao fisco federal qualquer tributo." Isso é pura falsidade, essa denúncia é o que se pode chamar de imoralidade, pois nunca e jamais a autuada CASEBRAS CAIXA ASSISTENCIAL DO SERVIDOR BRASILEIRO, foi ou mesmo pleiteou ser intermediária de operações bancárias, como igualmente, nunca foi ou mesmo tentou qualquer "cadastro especial' em qualquer instituição financeira para operar como correspondente bancário. Tanto é verdade e está comprovado, que em momento algum de todo o processo de fiscalização consubstanciado no ora vergastado AUTO DE INFRAÇÃO e seus Anexos, consta qualquer comprovação ou mesmo indício de que a impugnante atuou nessas modalidades anteriormente aludidas.” Outro ponto levantado pela contribuinte é que ao anexar os extratos bancários segregados por bancos no período fiscalizado do ano calendário de 2010, a fiscalização utilizou Fl. 4507DF CARF MF 6 a movimentação bancária de todas as contas de titularidade da Contribuinte e ao analisála entendeu que tratam de movimentações bancárias de origem não comprovadas, mas isso não poderia ser assim verificado, visto que havia transações de contas com a mesma titularidade, valores das mensalidades associativas, resgate de aplicações, desbloqueios judiciais que deveriam ser desconsideradas. E ao final formula os seguintes pedidos: “(l)Salientese que no cálculo dos tributos devidos foi incluída (conforme de Infração) a multa agravada para 150%, a qual deverá por ser de já nesta peça devidamente comprovado, reconhecida em 75%. (2) Mesmo tendo sido efetuado a Simulação, é do entendimento legal que a base tributária deveria incidir tão somente na MENSALIDADE ASSOCIATIVA e OUTRAS, que refletem contas de resultado (RECEITAS), enquanto que a rubrica BENEFÍCIOS A ASSOCIADOS tratase de movimentação em Contas Patrimoniais (ATIVO e PASSIVO) que deverá igualmente ser expurgada a exemplo das já comprovadas Contas TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DA MESMA TITULARIDADE, RESGATE DE APLICAÇÕES, DESBLOQUEIO JUDICIAIS e DEVOLUÇÃO DE TED ENVIADA. Finalmente, os demais Autos de Infração Reflexos de Incidência Cumulativa referentes a CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO, CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP, são decorrentes do Auto de Infração Matriz de IRPJ, e deverão ter o mesmo fim por aplicabilidade do decidido, portanto, improcedentes de pleno direito. Por todo o exposto, e em vista da farta documentação comprobatória anexada, espera convicta a Autuada ter demonstrado, nesta peça, a improcedência total do Auto de Infração, portanto, requer mui respeitosamente a V.Sas, após o julgamento de praxe, determinar a extinção do débito tributário e o consequente trâmite que lhe ordena o P. A. F., por ser de Justiça.” A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação da Contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido. Segundo a decisão, a contribuinte não deve ser considerada como entidade de assistência social e desta forma, não goza de imunidade tributária, nos termos do art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal. Fundamenta que, para ser caracterizada como entidade de assistência social, os seus serviços devem ser colocados à disposição da população em geral. No presente caso, a contribuinte somente promove seus benefícios aos seus associados e mediante contribuições regulares destes. Acrescenta que, ainda que houvesse requisitos para a isenção tributária, tal condição não afasta a obrigação da contribuinte de manter a escrituração de suas receitas e despesas em seus livros contábeis. Fl. 4508DF CARF MF Processo nº 10380.728015/201395 Acórdão n.º 1201001.971 S1C2T1 Fl. 5 7 Sendo assim, tendo em vista a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, resta caracterizada a omissão de receita, que será a base para o arbitramento do lucro, haja vista que o contribuinte deixou de apresentar os livros e documentos de sua escrituração. Ressalta ainda que, a apresentação posterior de documentos não afasta o arbitramento condicional, mantendose assim, a procedência do lançamento do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, bem como da multa qualificada. A Contribuinte apresentou recurso voluntário reiterando suas alegações. Traz preliminarmente que a r. decisão proferida pela DRJ é ilegal, tendo em visa que deixou de considerar a documentação apresentada e, conseqüentemente, quase a totalidade das movimentações financeiras ditas como extratos bancários, não refletiriam a realidade da contribuinte, pois, a fiscalização deve seguir a busca pela verdade material. No mérito, sustenta que a fiscalização utilizou de forma indevida os “movimentos financeiros bancários”, pois, havia transferência de mesma titularidade, desbloqueios judiciais, resgates e ou baixas de aplicações financeiras que foram deixados de ser desconsiderálas e foram classificados como origem não comprovada. Da conversão do julgamento em diligência Através da Resolução n. 1201000.171 esta 1° Turma Ordinária da 2° Câmara da 1° Seção de Julgamento determinou a conversão do julgamento em diligência, conforme parte dispositiva do voto do presente relator, abaixo transcrito: Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para determinar a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a delegacia de origem informe o seguinte em relação ao período autuado: i) identificação de transferências bancárias entre contas de mesma titularidade, com indicação de valores e datas; ii) identificação de movimentação bancária decorrente de: a) resgate de aplicações financeiras; b) devolução de benefícios/auxílio aos associados e c) desbloqueios judiciais, com indicação de valores e datas; iii) confirmação e demonstração de que os valores referentes aos itens "i" e "ii" acima, foram efetivamente excluídos do cálculo do arbitramento. Da Resposta à diligência Em resposta à diligência, a DRF/Fortaleza, procedeu à novas intimações ao contribuinte a após análise do conjunto de documentos apresentou a seguinte conclusão em seu relatório: " Fl. 4509DF CARF MF 8 (...) 5. Em 8 de março de 2017, depois de concedida prorrogação de 20 dias requerida em 14 de fevereiro de 2017, recebemos expediente da empresa em atendimento ao termo de intimação fiscal nº 3 (DOC.14), de 18/01/2017, quando nos foi enviado anexo ao expediente mencionado novo demonstrativo das transferências bancárias com as respectivas datas de lançamentos e o nome dos bancos originários (DOC.15). De posse dos todos os lançamentos relacionados, após análise, fizemos os ajustes devidos, não tendo sido considerado somente os lançamentos originários dos bancos: Bradesco c/c1345559, agência 202282; BMG c/c9001140931; Bradesco c/c 741, c/c237671, cujos extratos não fizeram parte da fiscalização inicial. Assim, diante dos documentos apresentados e feitas as devidas correções dos valores suscetíveis de tributação por movimentação financeira incompatível, emitimos novo demonstrativo anexo ao presente, intitulado RESUMO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA APÓS MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE DEVIDAMENTE AJUSTADO (DOC.16) parte integrante deste termo de constatação, demonstrando a nova base de cálculo para cálculos dos tributos devidos após exclusão de todas as operações de crédito entre contas correntes da mesma titularidade." O demonstrativo intitulado DOC 16 pela autoridade fiscal é o seguinte: RESPOSTA À DILIGENCIA É o relatório. Voto Fl. 4510DF CARF MF Processo nº 10380.728015/201395 Acórdão n.º 1201001.971 S1C2T1 Fl. 6 9 Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Conforme exposto, o Contribuinte discorda da decisão proferida pela DRJ, considerandoa “perversa, ilegal e autoritária”. Alega isso, uma vez que a decisão deixou de reconhecer os documentos por ela apresentados, o que resultaria em erros materiais na apropriação do cálculo da base tributária, tais como movimentações financeiras de transferência de mesma titularidade, desbloqueios judiciais, resgates e ou baixas de aplicações financeiras. Segundo entendimento da Recorrente, tais valores foram demonstrados na fiscalização, não sendo, contudo, devidamente analisados e utilizados como base para o arbitramento. Preliminar Passo, portanto, a analisar o argumento preliminar do recurso da Recorrente. Segundo a Recorrente, houve por parte da decisão da DRJ, ausência de apreciação da integralidade da documentação juntada, tendo em vista que, a quase totalidade das movimentações financeiras oriundas dos extratos bancários expedidos pelos Bancos, não refletiriam a realidade da Contribuinte. Acrescenta ainda que, tal situação ignorou as normas que tratam da verdade material e que o arbitramento condicionado não se aplicaria ao presente caso, já que os documentos apresentados seriam suficientes para reconhecer os lançamentos. Antes de analisarmos os pontos trazidos pela Contribuinte cabe uma ressalva. O arbitramento do lucro é cabível quando o contribuinte deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Isso significa que sua utilização ocorre na situação em que a fiscalização está impossibilitada de analisar os documentos, tendo em vista que o contribuinte não os apresentou quando solicitados ou apresentou documentação que é imprestável para a apreciação da fiscalização. O ponto aqui discutido é o seguinte: muito embora a contribuinte tenha sido diversas vezes intimada pela fiscalização a apresentar seus livros fiscais e prestar informações sobre suas movimentações bancárias, esta apresentou informações apenas em momento posterior ao arbitramento condicional e com isso. Sendo assim, argumenta a Recorrente que caberia à DRJ analisar tais documentos. No entanto, a apresentação de documentação referente à movimentação bancária em momento posterior ao término da fiscalização, não é apta a afastar o arbitramento, tendo em vista que a origem da aplicação por parte da fiscalização pelo Fl. 4511DF CARF MF 10 arbitramento, deuse justamente pela ausência de apresentação da documentação durante a fiscalização. Confirase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO:2003. LUCRO TRIBUTÁVEL. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DO LIVRO RAZÃO. INEFICÁCIA DE APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO AUTO DE INFRAÇÃO. O arbitramento de lucro mediante desclassificação da escrita contábil é uma medida a ser adotada na impossibilidade de apuração da base de cálculo do imposto. Procedese ao arbitramento do lucro diante da ausência de escrituração do livro Razão. A apresentação de livros e documentos após a lavratura do auto de infração não afasta o arbitramento. (Processo nº 10283.721268/200879 Acórdão nº 1401001.128 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 13/02/2014) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Ano calendário: 1992, 1993, 1994, 1995. ARBITRAMENTO DO LUCRO. APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS APÓS O LANÇAMENTO. VALIDADE. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. (Súmula CARF nº 59). (Processo nº 13802.000788/9686 Acórdão nº 1301001.531 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 08/05/2014) Ressaltese ainda que, no presente caso, segundo consta nos autos do processo, a fiscalização iniciou o processo como termo de constatação seguido de várias intimações fiscais para que a Contribuinte apresentasse documentos solicitados e prestasse as informações devidas. Contudo, nada foi apresentado pela contribuinte. Notase ainda que entre a data da ciência do Termo que deu início ao processo até a lavratura do auto de infração, decorreu 1 (um) ano e durante todo este período, a contribuinte deixou a apresentar os livros e documentos solicitados. Sendo assim, como previsto na legislação vigente, é cabível a aplicação do arbitramento condicional nos moldes do disposto na Súmula CARF n. 59, in verbis: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Fl. 4512DF CARF MF Processo nº 10380.728015/201395 Acórdão n.º 1201001.971 S1C2T1 Fl. 7 11 Sendo assim, a presente preliminar de suposta supressão de instância por ausência de análise pela DRJ da documentação apresentada deve ser afastada, uma vez que ao órgão julgador cabe decidir sobre quais elemtentos de convencimento irá se pautar e, além disso, entendo que apresentação posterior dos documentos por parte da contribuinte não confere o afastamento do arbitramento, conforme abordarei com mais profundidade na análise de mérito. Mérito Quanto ao mérito, alega que a fiscalização utilizou de forma indevida as movimentações financeiras bancárias da Contribuinte. Diz que, o fato destes documentos não terem sido apresentados em tempo hábil pela fiscalização, não seriam motivos para serem caracterizados como “omissão de receita”. Justifica a falta de apresentação de documentos por motivos de força maior – doença e viagem do encarregado da contabilidade. Primeiramente destacase que a ausência do contador não é declarado como motivo de força maior, pois, este conceito é usado para as situações em que alguma ação gera consequências e efeitos imprevisíveis que são impossíveis de evitar ou impedir. Neste contexto, o contribuinte não estava impossibilitado de cumprir as determinadas solicitações, visto que, se detinha os livros contábeis e se havia explicação para a origem dos crédito nas contas bancárias, a ausência do profissional não impediria a realização da diligência. Ataca também a Recorrente, a sistemática de presunção de omissão de receita que está prevista no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/96, que determina que é legitima a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento dos tributos correspondente, sempre que o contribuinte da conta bancária tenha sido regularmente intimado e não tenha comprovado, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Alega a fiscalização que solicitou que fossem apresentadas as justificativas para os lançamentos constantes na movimentação bancária da contribuinte, só que esta não apresentou documentos que pudessem afastar a retromencionada presunção de omissão de receita. Por outro turno, traz a contribuinte argumentos relacionados à necessária busca da verdade material no sentido de que devem ser consideradas as transações bancárias de modo a refletirem a realidade. Segundo seu entendimento, a fiscalização baseouse nas Fl. 4513DF CARF MF 12 movimentações bancárias financeiras para efetuar o arbitramento condicional. Só que, neste sentido, deixou de analisar os valores originados de transferências bancárias da mesma titularidade, resgate de aplicações financeiras dentre outros ali mencionados. Para isso, a contribuinte trouxe aos autos, extensas planilhas que, teoricamente, demonstram os valores constantes nos extratos de cada Banco, compondo tais valores que considera serem passiveis de exclusão do montante utilizado como base de cálculo do lançamento. Cabe aqui mencionar que o Princípio da Verdade Material visa que a Administração busque o que realmente ocorreu, o fato concreto e verdadeiro, sem se restringir apenas à regras procedimentais e processuais. Em determinadas circunstâncias, como a aqui tratada, qual seja, a comprovação da origem de movimentação bancária, cabe ao Contribuinte, além de alegar, também evidenciar e comprovar suas alegações, de forma a demonstrar cabalmente a origem de sua movimentação bancária de forma suficiente a evitar o lançamento por presunção. As informações trazidas pela contribuinte fornecem evidências que não podem ser ignoradas no sentido que a fiscalização teria ignorado determinados tipos de movimentação bancária que deveriam ser excluídas do cálculo do arbitramento, como, por exemplo, as movimentações entre contas de mesma titularidade e resgates de aplicação financeira. Contudo, como disse, as informações trazidas configuram apenas evidências e não provas concretas que ratificam as alegações da Contribuinte. Desta sorte, acertadamente, esta Turma de Julgamento determinou a conversão do julgamento em diligência para que a delegacia de origem: i) identificasse transferências bancárias entre contas de mesma titularidade; ii) identificasse a movimentação bancária decorrente de resgate de aplicações financeiras, devolução de benefícios e auxílios aos associados e desbloqueios e iii) confirmasse ao final a exclusão dos valores identificados nos itens anteriores da base de cálculo de arbitramento. Em atendimento à diligência determinada, a Delegacia de origem apresentou os seguintes comentários: 4. Dentre os documentos apresentados em atendimento ao termo de intimação fiscal (DOC.1), consta demonstrativo denominado DEMONSTRATIVO DE TODAS TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE (DOC.3). Após análise de tal demonstrativo, correlacionandose as transferências entre contas da mesma titularidade e devidamente utilizadas na fiscalização, emitimos um novo demonstrativo RESUMO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (DOC.5), devidamente ajustado, bem como demonstrativos individualizados dos créditos ajustados por banco (DOCs.6 a 13) devidamente excluídos os valores lançados em duplicidade e enviamos anexo ao termo de intimação fiscal de 18/01/2017(DOC.14), solicitando da empresa manifestação quanto aos novos valores apurados; bem como nos enviar documentos comprobatórios de algumas operações relativas à Caixa Econômica Federal, demonstrados no documento EXTRATO BANCÁRIO – CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – Fl. 4514DF CARF MF Processo nº 10380.728015/201395 Acórdão n.º 1201001.971 S1C2T1 Fl. 8 13 CASEBRÁS, com a observação na última coluna do demonstrativo – COMPROVAR. 5. Em 8 de março de 2017, depois de concedida prorrogação de 20 dias requerida em 14 de fevereiro de 2017, recebemos expediente da empresa em atendimento ao termo de intimação fiscal nº 3 (DOC.14), de 18/01/2017, quando nos foi enviado anexo ao expediente mencionado novo demonstrativo das transferências bancárias com as respectivas datas de lançamentos e o nome dos bancos originários (DOC.15). De posse dos todos os lançamentos relacionados, após análise, fizemos os ajustes devidos, não tendo sido considerado somente os lançamentos originários dos bancos: Bradesco c/c1345559, agência 202282; BMG c/c9001140931; Bradesco c/c 741, c/c237671, cujos extratos não fizeram parte da fiscalização inicial. Assim, diante dos documentos apresentados e feitas as devidas correções dos valores suscetíveis de tributação por movimentação financeira incompatível, emitimos novo demonstrativo anexo ao presente, intitulado RESUMO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA APÓS MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE DEVIDAMENTE AJUSTADO (DOC.16) parte integrante deste termo de constatação, demonstrando a nova base de cálculo para cálculos dos tributos devidos após exclusão de todas as operações de crédito entre contas correntes da mesma titularidade. É possível verificar aqui que a DRF Fortaleza procedeu a novo e minucioso trabalho de verificação da movimentação bancária do contribuinte de forma a identificar eventuais movimentações que não pudessem dar origem à tributação e excluílas da base de cálculo do arbitramento. Tenho plena convicção que no presente momento processual e considerando o trabalho efetuado, fora alcançada a tão almejada verdade material que torna a decisão desta turma não somente tecnicamente acertada mas também justa. Originalmente, o Auto de Infração demonstra os seguintes valores que serviram de base de cálculo para o lançamento fiscal: Fl. 4515DF CARF MF 14 Por outro lado, o relatório fiscal de resposta à diligência, concluiu pela seguinte base de cálculo após a aplicação dos devidos ajustes: Multa Qualificada A Recorrente combate a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, I da Lei 9.430/96, vez que entende que, no caso em tela, inexiste evidência de que agiu com dolo, requisito este inafastável para a aplicação da multa qualificada. Tenho uma visão diferente a este respeito. Certamente, a omissão de receita, identificada através de depósitos bancários não comprovados, por si só, não configura situação suficiente para a aplicação da multa qualificada. Mas não é este o caso. O que analisamos nesses autos, é a conduta reiterada e contínua da Recorrente, consistente na movimentação de montante absurdamente superior ao declarado e escriturado em seus livros contábeis e fiscais, desacompanhados de documentação suficiente que comprovasse que os valores movimentados não configuram receita. Neste ponto da discussão, cabe trazer importante julgado deste Conselho que ratifica meu entendimento acima esposado (processo n. 10680.013909/200673 da Terceira Fl. 4516DF CARF MF Processo nº 10380.728015/201395 Acórdão n.º 1201001.971 S1C2T1 Fl. 9 15 Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes – Redator Conselheiro Leonardo de Andrade Couto): Ementa: MULTA QUALIFICADA — PRESUNÇÃO — presunção não é aspecto que, por si só, impeça à autoridade constituir a multa qualificada, em especial, quando não for o único elemento formador da convicção de ter o infrator agido ou se omitido intencionalmente. Vários fatos apontam para a circunstância de o sujeito passivo ter ocultado dolosamente a ocorrência da hipótese de incidência em valores superiores aos declarados. Se, por um lado, a presunção serviu para o propósito de quantificar tal omissão, por outro, não foi o único expediente probatório empregado pela autoridade para caracterizar a omissão em termos qualitativos, principalmente, no que se refere ao seu aspecto volitivo. Sendo assim, a multa de ofício no percentual de 150% deve ser mantida, uma vez que estão presentes os efeitos para sua qualificação, já que o contribuinte eximiuse do pagamento dos tributos, dificultou, uma vez que não apresentou seus documentos hábeis para comprovação de suas movimentações bancárias financeiras. Tributação Reflexa Com relação aos demais lançamentos decorrentes IRPJ, aplicase o reflexo, visto, serem oriundos do principal e referemse a mesma matéria tributável, mantendose também os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário apresentado para no MÉRITO DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para cancelar o crédito tributário decorrente da movimentação financeira da Recorrente que ultrapassar os valores apresentados pela DRF/Fortaleza na resposta à diligência conforme quadro demonstrativo (DOC 16) do Anexo Termo de Constatação. È como voto. Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 4517DF CARF MF 16 Fl. 4518DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.720279/2016-86
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2016
SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio isolada ou proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1001-000.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2016 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio isolada ou proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio isolada ou proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 02 79 /2 01 6- 86 Fl. 39DF CARF MF Processo nº 11030.720279/201686 Acórdão n.º 1001000.295 S1C0T1 Fl. 40 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora (MG), mediante o Acórdão nº 09060.314, de 16/06/2016 (efl. 05), objetivando a reforma do referido julgado. Em 28/01/2016, a empresa fez a opção pelo Simples Nacional, que foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional”, de 18/02/2012 (efl. 06), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, na seguinte situação impeditiva: Débito com a Secretaria da Receita Federal de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Lista de Débitos: 1) Débito Código da Receita : 1345 Nome do Tributo : DCTFMULTAATRASO/FALTA Período de Apuração: 23/05/2013 Saldo Devedor: R$250,00 A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional, alegando, em síntese, que reconhece que perdeu o direito a redução de 50% da multa por não ter pago na data prevista, o que originou um débito do restante dos 50%. Acrescenta que a multa foi paga em duas partes, a primeira, em 31/07/2015, no valor de R$ 250,00, e segunda parte, em 29/01/2016 (R$ 250,00 acrescido de juros e multas no valor de R$ 258,30). A DRJ considerou procedente o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional e proferiu acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2016 OPÇÃO. PENDÊNCIA FISCAL. NÃO REGULARIZAÇÃO. INDEFERIMENTO DA SOLICITAÇÃO. Não comprovada a regularização da pendência fiscal, há que se manter o indeferimento da solicitação da opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 04/07/2016, conforme Aviso de Recebimento à efl. 27, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 15/07/2016 (efls. 29/36), conforme carimbo aposto à efl. 29. É o Relatório. Fl. 40DF CARF MF Processo nº 11030.720279/201686 Acórdão n.º 1001000.295 S1C0T1 Fl. 41 3 Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude de os referidos débitos não estarem com a exigibilidade suspensa. A base legal do indeferimento foi o art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (grifo não consta do original) Nesse particular, mediante o art 6º, §§1º e 2º, da Resolução CGSN nº 94/2011, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (grifos não pertencem ao original) No recurso interposto, a recorrente repete a alegação em sua manifestação de inconformidade, que o débito encontravase quitado dentro do prazo para o ingresso ao Fl. 41DF CARF MF Processo nº 11030.720279/201686 Acórdão n.º 1001000.295 S1C0T1 Fl. 42 4 Simples Nacional, e acrescenta que "não cabe recolhimento de multa de mora sobre multa por atraso na entrega de Declaração". O argumento de que o débito encontravase quitado foi fundamentadamente afastado em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: O débito objeto do Termo de Indeferimento é a multa por atraso/falta da DCTF, código 1345, PA 23/05/2013, saldo devedor de R$ 250,00 em valor original. Dois foram os pagamentos efetuados sob aquele código, conforme comprovantes de arrecadação constantes na peça impugnatória: em 31/07/2015, período de apuração e vencimento em 27/07/2015, apenas no valor principal/total de R$ 250,00; em 29/01/2016, período de apuração 23/05/2013 (idêntico ao do Termo) e vencimento em 27/07/2015, valor principal de R$ 250,00 e juros de mora de R$ 8,30. Na condição de empresa que não estava em início de atividade, a contribuinte deveria regularizar as pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional até o último o término do prazo de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 6º da Resolução CGSN nº 94/2011, ocorrido na espécie em 29/01/2016. Malgrado o último comprovante dizer da tempestividade do recolhimento, vê se que a contribuinte não recolheu a multa de mora, de modo que todo o débito não foi regularizado tempestivamente. Quanto à alegação de não incidência de juros sobre a multa, que a recorrente alega, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados Fl. 42DF CARF MF Processo nº 11030.720279/201686 Acórdão n.º 1001000.295 S1C0T1 Fl. 43 5 prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p.74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 11030.720279/201686 Acórdão n.º 1001000.295 S1C0T1 Fl. 44 6 Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: Fl. 44DF CARF MF Processo nº 11030.720279/201686 Acórdão n.º 1001000.295 S1C0T1 Fl. 45 7 JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/0239572 8 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de Fl. 45DF CARF MF Processo nº 11030.720279/201686 Acórdão n.º 1001000.295 S1C0T1 Fl. 46 8 observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por fim, corroborando o aqui exposto, o STJ vem firmando entendimento no mesmo sentido, entendendo que os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício, conforme se observa na ementa a seguir reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Ressaltase ainda que, em recentes julgados o STJ decidiu que, no âmbito do parcelamento especial previsto na Lei nº 11.941/2009, as remissões previstas em tal dispositivo legal para as multas de mora e de ofício não autorizam aplicações de reduções superiores às fixadas na mesma lei (45%) para os juros de mora incidentes sobre tais penalidades, ou seja, visto sob outro enfoque, reafirmouse o entendimento de que incidem juros moratórios sobre as multas de mora e de ofício. Tal exegese pode ser observada no REsp 1.492.246/RS (Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, segunda turma, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015) e no REsp 1.510.603–CE (Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015), em relação ao qual transcrevese a seguir sua ementa: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. 11.941/2009. REMISSÃO DE MULTA EM 100%. DESINFLUÊNCIA NA APURAÇÃO DOS JUROS DE MORA. PARCELAS DISTINTAS. PRECEDENTE. 1. "Em se tratando de remissão, não há qualquer indicativo na Lei n. 11.941/2009 que permita concluir que a redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício estabelecida no art. 1º, §3º, I, da referida lei implique uma redução superior à de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora estabelecida nos mesmo inciso, para atingir uma remissão completa da rubrica de juros (remissão de 100% de juros de mora), como quer o contribuinte " (REsp 1.492.246/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015.). 2. Consequentemente, a Lei n. 11.941/2009 tratou cada parcela componente do crédito tributário (principal, multas, juros de mora e encargos) de forma distinta, de modo que a redução percentual dos juros moratórios incide sobre as multas tão somente após a apuração atualizada desta rubrica (multa). Recurso especial provido. REsp 1.510.603–CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 11030.720279/201686 Acórdão n.º 1001000.295 S1C0T1 Fl. 47 9 Assim sendo, voto por manter tal exigência. Da análise dos elementos de convicção trazidos aos autos restou evidenciado que a empresa não regularizou as pendências que a impediam de optar pelo Simples Nacional, no anocalendário 2016, dentro do prazo fatal. A legislação de regência é clara: todas as pendências devem ser regularizadas enquanto não vencido o prazo para opção. Pelo exposto, face à comprovada existência de débitos não suspensos perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo Simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 47DF CARF MF
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