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Numero do processo: 10830.902965/2010-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Cabível a homologação da compensação se o direito creditório declarado existir.
Numero da decisão: 3401-005.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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Cabível a homologação da compensação se o direito creditório declarado existir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório que consta na Resolução CARF nº 3401000.498, de 26/06/2012, que converteu o julgamento em diligência para que a unidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 29 65 /2 01 0- 08 Fl. 809DF CARF MF Processo nº 10830.902965/201008 Acórdão n.º 3401005.783 S3C4T1 Fl. 810 2 de origem aguardasse o julgamento do Processo nº 10830.014190/201011, que trata do recolhimento do IPI a menor , cuja apuração se deu mediante a reconstituição da escrita fiscal, a qual resultou em saldo credor a menor do aquele originalmente constante do Livro Registro de Apuração do IPI: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de IPI (saldo credor apurado conforme o artigo 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e IN SRF nº 33 de 1999), relativo ao 3º trimestre de 2007, no valor de R$ 17.193.077,02, o qual foi formulado mediante a entrega de PER/Dcomp em 18/10/2007, ao qual foram vinculadas declarações de compensação de débitos mediante a entrega de Dcomp em datas posteriores e em montante equivalente ao crédito postulado. A DRF em CampinasSP, todavia, acolhendo parecer emitido pelo seu Serviço de Fiscalização, não reconheceu o montante do crédito pleiteado, de sorte que não homologou as compensações declaradas. Na Informação Fiscal em que baseado o Despacho Decisório da DRF, observase que a glosa decorreu da constatação de “falta de lançamento do IPI”, o que, por sua vez, teria se originado no “uso indevido de benefício fiscal previsto na Lei nº 8.248/91 e suas alterações, uma vez que não foram encontradas portarias conjuntas MCT/MF, em nome do contribuinte, identificando esses produtos/modelos”.(sic) Esclarece ainda a autoridade fiscal na sua informação que esse IPI recolhido a menor fora objeto de lançamento de oficio por meio de auto de infração autuado em outro processo administrativo, qual seja, o de nº 10830.014190/201011, cuja apuração se dera mediante a reconstituição da escrita fiscal, a qual resultou em saldo credor inexistente, diferente, portanto, daquele originalmente constante do Livro Registro de Apuração do IPI. Na Manifestação de Inconformidade a interessada, preliminarmente, pediu a unificação do presente processo àquele em que autuado o mencionado lançamento de ofício do IPI, sob o argumento de que, ocorrendo o cancelamento do auto de infração, a reconstituição de seu saldo credor e que implicou na glosa ora em discussão também deixaria de existir. Para tanto, invocou a aplicação da regra contida no § 2º do art. 29 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e no inciso II do art. 1o da Portaria Receita Federal do Brasil nº 666, de 2008. Ad argumentandum, pediu, alternativamente, que se sobrestasse o julgamento do presente feito até que se tenha uma decisão quanto aos rumos do referido processo nº 10830.014190/201011. Quanto ao mérito, a interessada reproduziu os seus argumentos de defesa lançados na impugnação ao referido lançamento de oficio, os quais, em apertadíssima síntese, clamam pela nulidade da autuação por falha na busca da verdade dos fatos [ a fiscalização não teria demonstrado interesse em apurar a inexistência de produtos comercializados sem o benefício da Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10830.902965/201008 Acórdão n.º 3401005.783 S3C4T1 Fl. 811 3 isenção fiscal de que trata a Lei 8.248/91], e, quanto ao mérito, que nenhum dos produtos/modelos escolhidos pelo Fisco para motivar a imputação [não inclusão na portaria ministerial para a fruição do benefício] deixou de constar do referido ato infralegal, de sorte que a reconstituição de sua escrita fiscal não poderia ser dada como certa. A 8a Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP, todavia, considerou improcedentes os termos da Manifestação de Inconformidade. Para afastar a regra constante do inciso II, do art. 1o da Portaria Receita Federal do Brasil nº 666, de 2008, de que “Serão objeto de um único processo administrativo: [...] II –...a não homologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes;”, esclareceu a instância de piso que o referido processo nº 10830.014190/201011, que trata do auto de infração de IPI, “não decorreu da não homologação das compensações, como é o caso da multa isolada ou de glosas de créditos, ao contrário, a não homologação das compensação é que é decorrente do lançamento efetivado e da consequente diminuição do saldo credor de IPI, [...]”. Quanto ao pedido da interessada para a juntada ou anexação dos processos, alegou a DRJ não existir qualquer dispositivo legal a prever tais hipóteses, e, quanto ao pedido de sobrestamento, esclareceu não existir essa figura jurídica no processo administrativo tributário. No mérito, a instância de piso assim se manifestou, verbis: “[...]Com relação às questões de mérito levantadas pela contribuinte, estas serão julgadas no processo referente ao lançamento, não podendo ser analisadas neste, já que o presente se refere à compensação de créditos e débitos do sujeito passivo e não à infração verificada pelo Fisco. [...]”E foi justamente invocando os termos da decisão que essa mesma 8ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP proferira no Acórdão nº 14032.958, de 22/03/2011, no bojo do referido processo administrativo nº 10830.014190/201011, ou seja, mantendo na íntegra no auto de infração, que a DRJ manteve as glosas e a não homologação das compensações tratadas no presente processo. No Recurso Voluntário a interessada, preliminarmente, suscitou a nulidade do “Despacho Decisório” (sic) [na verdade, pretendeu referirse ao Acórdão da DRJ, ora vergastado] sob o argumento de que não fora cientificada em tempo hábil [o fora em 06/05/2011] dos termos daquele Acórdão nº 14032.958, de sorte que sua defesa teria sido cerceada na medida em que não teve acesso aos fundamentos que, na verdade, foram utilizados para manter o indeferimento de seu pleito contido na Manifestação de Inconformidade. Esclareço eu que, na verdade, a Recorrente pediu um novo prazo para a apresentação de suas considerações, desta feita, levando Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10830.902965/201008 Acórdão n.º 3401005.783 S3C4T1 Fl. 812 4 em conta os termos do Acórdão da DRJ proferido no processo que versa sobre o auto de infração. A Recorrente insistiu na juntada dos processos [este e o do auto de infração], ou, alternativamente, no sobrestamento do presente julgamento até que se decida sobre os rumos da lide envolvendo o auto de infração, de modo a se evitar prejuízo de sua parte. Explica que esse prejuízo ocorreria no caso de obter uma decisão desfavorável neste processo, situação que o obrigaria ao recolhimento imediato dos débitos cuja compensação não fora homologada, e, de outra parte, caso futuramente venha obter uma decisão favorável no processo que trata do lançamento dos débitos do IPI, o que evidenciaria a improcedência das glosas dos créditos; assim, teria havido um locupletamento ilegal por parte do Fisco. A DRF Campinas, em 08/06/2015, devolveu o processo ao CARF sob a seguinte argumentação: A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Se até mesmo em caso de pendência de decisão definitiva no Poder Judiciário, instância superior e autônoma em relação à esfera administrativa, descabe o SOBRESTAMENTO do processo administrativo, igual conclusão se impõe quando há pendência de decisão administrativa definitiva relativa à exigência formalizada de ofício no período. Em não havendo diligência a ser tomada a cabo por esta DRF, retornese ao CARF para, se julgado conveniente, seja feita a análise em conjunto do presente com o que lhe precede. Nesse ínterim o Processo nº 10830.014190/201011 foi julgado procedente conforme acórdão CARF nº 3201003.372, de 31/01/2018: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 IPI. ISENÇÃO. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL PARA PRODUTOS. Estão amparados pelo benefício fiscal da Lei de Informática, os produtos cujas alterações no processo fábril não implicam em alteração do modelo.conforme consta de parecer técnico emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia INT. Recurso Voluntário Provido Em resumo, as razões de decidir do acórdão citado foram: A teor do relatado tratase de processo que discute o benefício da isenção prevista na lei de informática a telefones celulares fabricados pela Recorrente. A Fiscalização da Receita Federal entendeu que os produtos apresentavam alterações nos seus Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10830.902965/201008 Acórdão n.º 3401005.783 S3C4T1 Fl. 813 5 modelos que desqualificavam a habilitação inicial, promovida pela Motorola junto aos órgãos públicos e formalizada na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01. A extinta segunda turma ordinária desta Câmara, ao apreciar o recurso resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse elaborado Parecer Técnico para avaliar se as alterações promovidas nos modelos de celulares desqualificariam os produtos para fruição do benefício da lei de informática. O Parecer Técnico nº 000.956/2013, elaborado pelo INT, concluiu que as modificações promovidas nos telefones celulares não foram suficientes para alterar o modelo dos referidos equipamentos, estando estes novos equipamentos qualificados nos modelos previstos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01. ... O Parecer Técnico elaborado pelo INT conclui que os telefones celulares produzidos pela Recorrente e que foram objeto do presente lançamento, tratamse do mesmo produto e modelo daqueles previstos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01, destarte não pode prosperar o lançamento fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes , Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. A questão crucial do presente processo foi a não existência de crédito para homologar as compensações declaradas, conforme explicado na Resolução que converteu o julgamento em diligência: A Recorrente tem razão quanto à necessidade de se aguardar o desfecho na esfera administrativa da lide por ela instaurada em face do auto de infração contido no processo nº 10830.014190/201011. É que, embora não se tenha carreado para este processo os termos lavrados pela fiscalização naqueloutro, que trata da autuação de débitos do IPI, é certo que lá é que estão detalhados todos os procedimentos adotados pelo Fisco e que culminaram na reconstituição da escrita fiscal da autuada e que resultou, de um lado, na apuração de saldo credor diferente [a menor] daquele constante do Livro Reg. Apuração do IPI, e, de outro, na necessidade de constituição de ofício de valores de IPI Fl. 813DF CARF MF Processo nº 10830.902965/201008 Acórdão n.º 3401005.783 S3C4T1 Fl. 814 6 supostamente tidos como recolhidos a menor, em face da alegada utilização indevida de alíquota reduzida, por sua vez, resultante de uma alegada fruição também indevida dos benefícios da Lei nº 8.248, de 1991, para alguns produtos e modelos fabricados e comercializados. Então, não obstante a Recorrente aqui apresente contestação às glosas efetuadas em seu pedido de ressarcimento de IPI, o fato é que o fez reproduzindo as suas alegações lançadas na Impugnação apresentada naquele processo, que trata do auto de infração de IPI. Como relatei acima, a própria DRJ considerou que, verbis, “Com relação às questões de mérito levantadas pela contribuinte, estas serão julgadas no processo referente ao lançamento, não podendo ser analisadas neste, já que o presente se refere à compensação de créditos e débitos do sujeito passivo e não à infração verificada pelo Fisco”. Além disso, uma outra questão prejudicial suscitada pela Recorrente é, referindose aos procedimentos adotados pelo Fisco na auditoria fiscal que resultou no auto de infração, de que a autoridade fiscal teria incorrido em “patente falha na busca da verdade dos fatos”, e contra ou a favor desse argumento não é possível a este Relator apresentar considerações, haja vista a inexistência, neste processo, dos elementos e documentos necessários para tanto. Vêse, portanto, que a presente lide está na inteira dependência do que restar definitivamente decidido no processo que trata do auto de infração, pois, repitase, é lá que estão todos os fundamentos lançados pela fiscalização para vislumbrar uma fruição indevida de benefício fiscal e que resultou na reconstituição de ofício dos saldos credores apurados pela interessada. Portanto concluído no julgamento do processo que trata da autuação fiscal pela correção das anotações efetuadas pela recorrente no Livro de IPI, e pela existência do crédito alegado é de se homologar as compensações declaradas, já que esse foi o único impedimento para tanto. Pelo exposto voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito por dar lhe provimento. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10830.902965/201008 Acórdão n.º 3401005.783 S3C4T1 Fl. 815 7 Fl. 815DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720203/2015-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010
IRPJ. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE DESPESA PELO SUJEITO PASSIVO. GLOSA DOS VALORES PELO FISCO.
Na parte conhecida da impugnação, o sujeito passivo não comprova a efetiva realização de despesa para dedução da base de cálculo do IRPJ, portanto correta a glosa dos respectivos valores, pela Autoridade Fiscal competente.
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. MULTA ISOLADA.
Em função das infrações apuradas, a autoridade fiscal, considerando a opção do contribuinte pela apuração do lucro real anual, deve proceder à recomposição dos balancetes mensais de suspensão/redução elaborados pela empresa fiscalizada, para fins de apuração dos valores que seriam devidos a título de diferenças de estimativas mensais de IRPJ, que resultarão nas bases de cálculo das multas isoladas, devidas com fundamento no art. 44, inciso II, letra "b", da Lei n° 9.430, de 1996.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1°, da Lei n° 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei n° 4.502/64.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2010
IRRF E GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM.
Não se configura bis in idem a cobrança simultânea de IRRF e de IRPJ, uma vez que se trata de fatos geradores distintos e não há vedação legal à simultaneidade entre as respectivas cobranças.
IRRF. PRESSUPOSTOS DO ART. 61 DA LEI N° 8.981/95 PARA COBRANÇA.
Comprovado pelo Fisco o pagamento sem causa, sobre este incide a norma prevista no art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, para cobrança do IRRF.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. PROVA.
Existindo prova cabal de que os administradores do contribuinte pessoa jurídica agiram com infração de lei, exsurge a responsabilidade tributária solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN.
Numero da decisão: 1402-003.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) negar provimento ao recurso de ofício; ii) rejeitar as preliminares de incompetência dos auditores fiscais da SRFB e de nulidade do TDPF; iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente a: iii.i) glosas das despesas efetuadas nos contratos; e iii.ii) multa qualificada aplicada sobre as exigências de IRPJ, CSLL e IRRF; iv) negar conhecimento às alegações de excesso de exação, da razoabilidade e do não confisco; e v) negar provimento aos recursos voluntários de Rogério Cunha de Oliveira e Ângelo Alves Mendes, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio. Por voto de qualidade, negar provimento: vi) ao recurso voluntário da contribuinte relativamente a: vi.i) multa isolada por conta das glosas de despesas eleitorais glosadas; vi.ii) exigência de IRRF; e vi.iii) multa isolada e sua concomitância com a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio; vii) aos recursos voluntários dos responsáveis Sérgio Cunha Mendes e Alberto Elísio Vilaça Gomes, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sergio Abelson (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Sergio Abelson.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2010 IRPJ. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE DESPESA PELO SUJEITO PASSIVO. GLOSA DOS VALORES PELO FISCO. Na parte conhecida da impugnação, o sujeito passivo não comprova a efetiva realização de despesa para dedução da base de cálculo do IRPJ, portanto correta a glosa dos respectivos valores, pela Autoridade Fiscal competente. ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. MULTA ISOLADA. Em função das infrações apuradas, a autoridade fiscal, considerando a opção do contribuinte pela apuração do lucro real anual, deve proceder à recomposição dos balancetes mensais de suspensão/redução elaborados pela empresa fiscalizada, para fins de apuração dos valores que seriam devidos a título de diferenças de estimativas mensais de IRPJ, que resultarão nas bases de cálculo das multas isoladas, devidas com fundamento no art. 44, inciso II, letra "b", da Lei n° 9.430, de 1996. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1°, da Lei n° 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei n° 4.502/64. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2010 IRRF E GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. Não se configura bis in idem a cobrança simultânea de IRRF e de IRPJ, uma vez que se trata de fatos geradores distintos e não há vedação legal à simultaneidade entre as respectivas cobranças. IRRF. PRESSUPOSTOS DO ART. 61 DA LEI N° 8.981/95 PARA COBRANÇA. Comprovado pelo Fisco o pagamento sem causa, sobre este incide a norma prevista no art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, para cobrança do IRRF. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. PROVA. Existindo prova cabal de que os administradores do contribuinte pessoa jurídica agiram com infração de lei, exsurge a responsabilidade tributária solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) negar provimento ao recurso de ofício; ii) rejeitar as preliminares de incompetência dos auditores fiscais da SRFB e de nulidade do TDPF; iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente a: iii.i) glosas das despesas efetuadas nos contratos; e iii.ii) multa qualificada aplicada sobre as exigências de IRPJ, CSLL e IRRF; iv) negar conhecimento às alegações de excesso de exação, da razoabilidade e do não confisco; e v) negar provimento aos recursos voluntários de Rogério Cunha de Oliveira e Ângelo Alves Mendes, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio. Por voto de qualidade, negar provimento: vi) ao recurso voluntário da contribuinte relativamente a: vi.i) multa isolada por conta das glosas de despesas eleitorais glosadas; vi.ii) exigência de IRRF; e vi.iii) multa isolada e sua concomitância com a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio; vii) aos recursos voluntários dos responsáveis Sérgio Cunha Mendes e Alberto Elísio Vilaça Gomes, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sergio Abelson (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Sergio Abelson.
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AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE DESPESA PELO SUJEITO PASSIVO. GLOSA DOS VALORES PELO FISCO. Na parte conhecida da impugnação, o sujeito passivo não comprova a efetiva realização de despesa para dedução da base de cálculo do IRPJ, portanto correta a glosa dos respectivos valores, pela Autoridade Fiscal competente. ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. MULTA ISOLADA. Em função das infrações apuradas, a autoridade fiscal, considerando a opção do contribuinte pela apuração do lucro real anual, deve proceder à recomposição dos balancetes mensais de suspensão/redução elaborados pela empresa fiscalizada, para fins de apuração dos valores que seriam devidos a título de diferenças de estimativas mensais de IRPJ, que resultarão nas bases de cálculo das multas isoladas, devidas com fundamento no art. 44, inciso II, letra "b", da Lei n° 9.430, de 1996. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1°, da Lei n° 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei n° 4.502/64. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010 IRRF E GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. Não se configura bis in idem a cobrança simultânea de IRRF e de IRPJ, uma vez que se trata de fatos geradores distintos e não há vedação legal à simultaneidade entre as respectivas cobranças. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 02 03 /2 01 5- 19 Fl. 7198DF CARF MF 2 IRRF. PRESSUPOSTOS DO ART. 61 DA LEI N° 8.981/95 PARA COBRANÇA. Comprovado pelo Fisco o pagamento sem causa, sobre este incide a norma prevista no art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, para cobrança do IRRF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. PROVA. Existindo prova cabal de que os administradores do contribuinte pessoa jurídica agiram com infração de lei, exsurge a responsabilidade tributária solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) negar provimento ao recurso de ofício; ii) rejeitar as preliminares de incompetência dos auditores fiscais da SRFB e de nulidade do TDPF; iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente a: iii.i) glosas das despesas efetuadas nos contratos; e iii.ii) multa qualificada aplicada sobre as exigências de IRPJ, CSLL e IRRF; iv) negar conhecimento às alegações de excesso de exação, da razoabilidade e do não confisco; e v) negar provimento aos recursos voluntários de Rogério Cunha de Oliveira e Ângelo Alves Mendes, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio. Por voto de qualidade, negar provimento: vi) ao recurso voluntário da contribuinte relativamente a: vi.i) multa isolada por conta das glosas de despesas eleitorais glosadas; vi.ii) exigência de IRRF; e vi.iii) multa isolada e sua concomitância com a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio; vii) aos recursos voluntários dos responsáveis Sérgio Cunha Mendes e Alberto Elísio Vilaça Gomes, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sergio Abelson (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Sergio Abelson. Fl. 7199DF CARF MF Processo nº 16004.720203/201519 Acórdão n.º 1402003.692 S1C4T2 Fl. 7.199 3 Relatório Trata o presente de Recursos Voluntário e de Ofício interpostos em face de decisão proferida pela 2a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, que julgou PROCEDENTE, em parte, a impugnação do contribuinte em epígrafe. Em virtude do valor do crédito tributário exonerado na decisão a quo, coube o RECURSO DE OFÍCIO nos termos da atualmente vigente Portaria MF nº 63/2017. Da autuação: Trata o presente processo de Auto de Infração de IRPJ e IRRF referente aos anoscalendário de 2010. A Fiscalização efetuou lançamento pelas seguintes infrações: custos e despesas não comprovados; IRRF sobre pagamentos sem causa ou operação não comprovada; multa isolada de IRPJ e CSLL mensal recolhida a menor. O montante autuado foi de R$ 55.828.204,31, entre principal, mais multas de 75% e150%, e juros corrigidos até dezembro/2015. Por bem retratar a descrição dos eventos que motivaram a autuação fiscal, transcrevo a parte concernente no relatório da decisão a quo: Contra a Contribuinte MENDES JUNIOR TRADING E ENGENHARIA S A, doravante denominada MJ, em epígrafe, foram lavrados autos de infração, com exigência de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), fls. 01677, Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e multa exigida isoladamente, fls. 01686 e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e multa exigida isoladamente, fls. 01698, nos valores (incluídos juros de mora e multa de ofício) de R$ 23.724.151,98, R$ 23.424.217,81 e R$ 8.679.834,52, respectivamente, relativos a fatos geradores ocorridos no ano calendário 2010. A fiscalização configurou as seguintes pessoas físicas como responsáveis solidários das exações: Alberto Elísio Vilaça Gomes, Sérgio Cunha Mendes, Rogério Cunha de Oliveira e Ângelo Alves Mendes. DO PROCEDIMENTO FISCAL: Reportome ao Termo de Descrição dos Fatos (TDF), fls. 01530/01676, no qual a fiscalização detalha todo o procedimento adotado durante os trabalhos de auditoria, que, ao final, resultou no presente lançamento. Fl. 7200DF CARF MF 4 No referido Termo, a autoridade fiscal informa que a Contribuinte adota a apuração anual de IRPJ e CSLL, com recolhimentos mensais, que a ação fiscal foi motivada pelo fato da Contribuinte estar envolvida na operação denominada "Lava Jato", da Polícia Federal, discorrendo sobre a operação, e, em síntese, informa e esclarece: 1. Custos e despesas não comprovados (tópico 7.1); 2. IRRF sobre pagamentos sem causa ou operação não comprovada (tópico 7.2); 3. Multa isolada — IRPJ mensal recolhido a menor — a/c 2010 (tópico 7.3); e 4. Multa isolada — CSLL mensal recolhida a menor — a/c 2010 (tópico 7.4); Para a fiscalização a Contribuinte realizou vários pagamentos sem a efetiva prestação dos serviços, resultando na prática de ilícitos tributários, pois foram suprimidos tributos e contribuições sociais devidos à União, pelo fato de que esses pagamentos foram lançados na contabilidade das empreiteiras como custos (ou despesas operacionais), ensejando a ilegal redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Prossegue a fiscalização informando que intimou, por diversas vezes, a Contribuinte para que comprovasse a efetiva prestação de serviços pelas empresas listadas no TDF, para si ou para consórcios que participou, 6.1 a 6.8, fls. 01542/01647, mas que após mais de 06 (seis) meses não obteve informação sobre essas prestações de serviços ou obteve informações e documentos que não comprovaram a efetiva prestação de serviços, tendo glosado os respectivos valores, que foram lançados na escrituração contábil da Contribuinte como despesa operacional. Informa, ainda, a fiscalização que ocorreu outra infração, pois valores relativos a "despesas c/ bônus eleitorais", despesas indedutíveis, foram considerados despesas operacionais, motivo para sua glosa. A fiscalização detalhou as infrações apuradas, item 7, fls. 01652, que foram: 1. Custos e despesas não comprovadas e/ou não necessárias, relativos às seguintes empresas e fatos: a) AUGURI Empreendimentos e Assessoria Comercial Ltda ME; b) SETEC Tecnologia S/A; c) ENERGEX Group Representação e Consultoria Ltda; d) RIOMARINE Oil e Gás Engenharia e Empreendimentos Ltda; e) IBATIBA Assessoria, Consultoria e Intermediação de Negócios Ltda; f) AKYZO Assessoria & Negócios Ltda; g) Despesas Indedutíveis Escrituradas na Conta 3.8.3.1.090.7765 (Auxílio e Donativos). segregando os valores cuja multa foi qualificada (relativos a contratos de prestação de serviços fraudulentos, ideologicamente falsos), dos cuja a multa de ofício não foi qualificada; 2. IRRF sobre pagamentos sem causa ou operação não comprovada, relativo somente aos pagamentos às pessoas jurídicas citadas acima; 3. Multa Isolada IRPJ mensal recolhido a menor; 4. Multa Isolada CSLL mensal recolhido a menor; Destaca a fiscalização que qualificou a multa de ofício pelas razões que apresenta, item 8, fls. 01669, assim como responsabilizou solidariamente, devido ao III, art. 135 do Código Tributário Nacional (CTN), as seguintes pessoas físicas: a) Fl. 7201DF CARF MF Processo nº 16004.720203/201519 Acórdão n.º 1402003.692 S1C4T2 Fl. 7.200 5 Sérgio Cunha Mendes; b) Ângelo Alves Mendes; c) Rogério Cunha de Oliveira; e d) Alberto Elísio Vilaça Gomes. Da Impugnação: Inconformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação, a qual aproveito a sua descrição no relatório do v. acórdão recorrido: Cientificados dos autos de infração os sujeitos passivos, Contribuinte e responsáveis solidários, apresentaram suas impugnações. Detalharemos cada uma, iniciando pela pessoa jurídica, para melhor análise. Antes de mais nada, cabe registrar que tanto a sujeito passivo Contribuinte como os sujeitos passivos solidários apresentaram três impugnações, uma para cada tributo exigido pela fiscalização. Ressaltamos que em todas as impugnações, em seus inícios, os Impugnantes informam que as peças são idênticas, motivo de analisarmos a primeira, como solicitado pelos próprios Impugnantes. A empresa MJ, cientificada dos autos de infração, em 10/12/2015, fls. 01746, apresentou sua impugnação, em 11/01/2016, segunda feira, fls 02588/02639, onde apresenta suas razões. Aduz que sua impugnação é tempestiva e que há duas nulidades na autuação. Sobre a primeira nulidade alega que só Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil com lotação em sua sede poderiam fiscalizar o cumprimento de suas obrigações tributárias. Na segunda afirma que há vício na autuação, pois o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF), que a precede, não possuía, na sua origem, informação sobre a fiscalização da CSLL, assim como não continha a determinação para a fiscalização do ano calendário 2010. Ressalta que o lançamento somente se baseou em informações que constam em delações, que, como afirmado pelo Poder Judiciário, devem ser analisadas e utilizadas com a máxima cautela. Quanto às glosas de despesas com as empresas citadas, inicia sua contestação informando que os pagamentos feitos a empresa AUGURI Empreendimentos e Assessoria Comercial Ltda ME, doravante denominada AUGURI, foram efetuados pelo consórcio Interpar, fundamentados por respectivo contrato, com os serviços sendo prestados, que os valores estão a preço de mercado e que o trabalho é intelectual, dificultando a apresentação de provas sobre sua realização. Termina afirmando que as glosas de despesas devem ser restabelecidas, inclusive por não ter tido, nunca, conhecimento de irregularidades, e que se há alguém que deva ser responsabilizada é a empresa AUGURI. Já quanto às glosas referentes a empresa SETEC Tecnologia S/A, doravante denominada SETEC, destaca que os pagamentos foram feitos pelo consórcio Interpar, devidamente fundados em contrato, que a existência da obra comprova a realização do serviço, projeto de engenharia. Fl. 7202DF CARF MF 6 Por fim, defende que as glosas de despesas devem ser restabelecidas, inclusive por não ter tido nunca conhecimento de irregularidades e que se há alguém que deva ser responsabilizada é a empresa SETEC, inclusive pela imprecisão do delator, pois não há certeza sobre qual valor e qual exercício em que a suposta propina foi paga. Em outro ponto, referente as glosas de despesas oriundas de pagamentos a empresa ENERGEX Group Representação e Consultoria Ltda, doravante denominada ENERGEX, afirma que o procedimento fiscal está equivocado, pois os pagamentos, devidos a contratos com o consórcio CMMS, foram corretos, já que a existência da obra comprova a realização do serviço, projeto de engenharia. Advoga, ao final, que as glosas foram equivocadas, pois se há alguém que deva ser responsabilizada é a empresa ENERGEX e o lançamento baseouse, somente, em presunção, devido a delações no âmbito do Poder Judiciário. Em relação as glosas de despesas com pagamentos à empresa RIOMARINE Oil e Gás Engenharia e Empreendimentos Ltda, doravante denominada Riomarine, aduz que o sócio da empresa possui expertise e renome mundial, que o contrato está ligado ao escopo da obra e que seu resultado não é passível de arquivamento, pois é de caráter intelectual. Ao final, solicita o cancelamento das glosas e ressalta, novamente, que delações devem, ser vistas com a máxima cautela. Finalmente, quanto as glosas de pagamentos efetuados à empresa IBATIBA Assessoria, Consultoria e Intermediação de Negócios Ltda, doravante denominada IBATIBA, afirma que a empresa apresentou documentos que comprovam a prestação dos serviços, fls. 01430/01469, destaca que não localizou documentos que comprovem a prestação de serviços pela IBATIBA e que o serviço prestado pela empresa é compatível com a expertise de seu sócio. Registra, ao final, que não participou do consórcio que executou a obra (Doc. 16), reforçando os motivos para deixar claro o equívoco no lançamento neste ponto. Em novo ponto contesta a cobrança de IRRF, pois conforme entendimentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e doutrinários é incabível a imposição de recolhimento de IRRF cumulado com a glosa dos mesmos fatos/valores na apuração do Lucro Real. Além do mais, a soma das exigências não se coaduna com os Princípios da Razoabilidade e da Vedação ao Confisco. Por fim, destaca que é equivocada a definição de pagamento sem causa às empresas listadas e que descabe a utilização de presunção para esta exação. Quanto às chamadas despesas indedutíveis escrituradas na conta 3.8.3.1.090.7765 (Auxílio e Donativos) afirma que há equívoco na exigência, pois o lançamento contábil foi regular, já que não contabilizou os mesmos como despesas operacionais. O que realmente ocorreu foi que as doações realizadas a partidos políticos foram reembolsadas por suas controladoras (Edificadora S/A e Mendes Júnior Participações S/A), deixando as mesmas de se caracterizar como despesas, sendo correto o lançamento do respectivo crédito na conta contábil de auxílios e donativos (despesa), tendo como contrapartida o débito lançado em conta de seu ativo não circulante da Impugnante. Outrossim, diante do reembolso supracitado, os aludidos valores passam a caracterizar despesas (indedutíveis) das pessoas jurídicas que suportaram o Fl. 7203DF CARF MF Processo nº 16004.720203/201519 Acórdão n.º 1402003.692 S1C4T2 Fl. 7.201 7 respectivo encargo financeiro, em cuja contabilidade deve ser escriturada a respectivo despesa. Portanto, incorreta a exigência tributária. Quanto as multas isoladas, destaca que são incabíveis, pois a aplicação desta multa somente deve ocorrer isoladamente (ou seja, nos casos em que não cabe lançamento de tributo e da penalidade proporcional), especialmente no decorrer do próprio exercício em que não foram efetuadas as antecipações de recolhimento do imposto tidas como devidas, ou, ainda, nos casos em que ao final do anocalendário se constata que não há diferenças a serem recolhidas. Defende que a cumulação da multa isolada com a multa de oficio proporcional qualificada caracteriza nítido e indevido bis in idem, por importar na imposição de dupla penalidade sobre um mesmo fato tido por ilícito (a ausência de inclusão de determinados valores na base de cálculo do imposto de renda), motivo da necessidade de seu afastamento. Por fim, destaca que é o caso de aplicação do art. 112 do CTN, que determina que, em relação à interpretação da lei punitiva, devese, havendo dúvidas quanto aos fatos, interpretála de forma mais favorável ao infrator (in dubio pro reo), com o conseqüente afastamento da penalidade. Já sobre a qualificação da multa afirma que não há comprovação, obrigatória, da existência de dolo, que as glosas referentes a pagamentos efetuados por consórcios não a devem penalizar e que a imposição de multa qualificada representa verdadeiro confisco. No que diz respeito a qualificação da multa sobre o IRRF devido afirma que a fiscalização não cita esse tributo no ponto relativo à qualificação, motivo da retirada da qualificação. Por fim, em síntese, solicita a nulidade ou a improcedência da autuação, pelos motivos expostos. O Impugnante ALBERTO ELÍSIO VILAÇA GOMES, doravante denominado Alberto, cientificado dos autos de infração, em 14/12/2015, fls. 01752, apresentou sua impugnação em 11/01/2016, fls 03866/03895, onde traz suas alegações. Inicia ressaltando a tempestividade de sua defesa e discorre sobre sua ausência de autonomia para praticar atos que o configurem como responsável tributário, inclusive por sua conduta não ter sido individualizada pela autoridade fiscal. Ressalta que termos de colaboração, em delações devem, ser vistos com a máxima cautela, conforme determinou o Poder Judiciário, pois sequer estava presente em assinaturas de vários contratos celebrados. Além do mais, o I, art. 137 do CTN deve ser respeitado, para lhe retirar sua responsabilização. Para o Impugnante, no caso, descabe a aplicação da determinação expressa no III, Art. 135 do CTN. Questiona as exigências fiscais, com argumentos semelhantes aos apresentados pela empresa MJ. Fl. 7204DF CARF MF 8 Por fim, em síntese, solicita a nulidade ou a improcedência da autuação, pelos motivos expostos. O Impugnante SÉRGIO CUNHA MENDES, doravante denominado Sérgio, cientificado dos autos de infração, em 10/12/2015, fls. 01750, apresentou sua impugnação em 11/01/2016, segunda feira, fls 05876/05894, onde traz suas alegações e seus pedidos, que são os mesmos do Impugnante Alberto, constantes acima. O Impugnante ROGÉRIO CUNHA DE OLIVEIRA, doravante denominado Rogério, cientificado dos autos de infração, em 14/12/2016, fls. 01754, apresentou sua impugnação, em 11/01/2016, fls 04967/04996, onde traz suas alegações e seus pedidos, que são os mesmos dos Impugnantes acima e o de que não participou de ato algum que poderia acarretar sua responsabilização. O Impugnante ÂNGELO ALVES MENDES, doravante denominado Ângelo, cientificado dos autos de infração, em 10/12/2015, fls. 01745, apresentou sua impugnação em 11/01/2016, segunda feira, fls 01757/017894, onde traz suas alegações e seus pedidos, que são os mesmos dos Impugnantes acima, de que não participou de ato algum que poderia acarretar sua responsabilização e que foi absolvido na ação penal. Da conversão em diligência pela DRJ Na análise dos autos, em 26/06/2017, fls. 06632, o colegiado a quo decidiu converter o julgamento em diligência, para a fiscalização adotar as seguintes providências: 1. Examinar as citadas alegações de mérito relativas a conta "auxílio e donativos" apresentadas pela Contribuinte em sua peça de impugnação e manifestarse em Parecer Conclusivo sobre a procedência, ou não, das mesmas; 2. Apresentar proposta fundamentada para acolhimento (total ou parcial) ou não acolhimento das alegações da Impugnante, fazendo expressa referência às folhas do presente processo; 3. No caso de acolhimento (total ou parcial) das alegações pela Contribuinte, elaborar novos demonstrativos analíticos (planilhas), bem como resumo que contenha os novos valores dos tributos ainda devidos; e 4. Concluída a diligência, do seu resultado deverá ser dado ciência a todos os sujeitos passivos, Contribuinte e responsáveis, para que, querendo, se manifestem nos autos. A fiscalização emitiu Termo de Ciência e Informação Fiscal, fls. 06642/06646, em que, em síntese, chega a conclusão de que a impugnação, em parte, deve ter provimento em relação às despesas glosadas pela fiscalização. Concluiu a fiscalização que as despesas com "Auxílio e Donativos" foram contabilizadas, de fato, nas contas 3.2.1.1.7765 (Mendes Júnior Participações) e 3.2.1.1.7765 (Edificadora S/A), portanto, em relação as despesas contabilizadas pela fiscalizada, na conta n° 3.8.2.1.090.7765 (auxílio e donativos) restou comprovado que não transitaram pelo resultado do exercício, já que foram estornadas em dezembro/2010. A fiscalização chega à conclusão que, no tocante ao lançamento realizado com base nas glosas das despesas contabilizadas na conta n° 3.8.2.1.090.7765, deve ser dado acolhimento à impugnação da fiscalizada. Fl. 7205DF CARF MF Processo nº 16004.720203/201519 Acórdão n.º 1402003.692 S1C4T2 Fl. 7.202 9 Por fim, a fiscalização elaborou novos demonstrativos, após a exclusão da referida glosa, demonstrando a base de cálculo e os tributos lançados (IRPJ, CSLL e das multas isoladas IRPJ/CSLL). Os sujeitos passivos foram cientificados da proposta de retificação do lançamento, conforme termo lavrado pela fiscalização, fls. 06648 a 06651 e 06656, mas não se manifestaram, fls. 06653. Da decisão da DRJ: A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012, 2013 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO MATERIAL. OCORRÊNCIA. O Decreto 70.235/1972, em seu Art. 17, determina que considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. No presente caso, a impugnante não contesta as razões de fato de direito sobre todas as glosas de despesas efetuadas pela fiscalização, motivo de se considerar preclusas materialmente essas questões, pois não impugnadas. TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL. REQUISITOS DE VALIDADE. Não há que se falar em nulidade de auto de infração, uma vez que o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) cumpriu todos os requisitos dispostos na Portaria RFB n° 1.687, de 2014. Quando os procedimentos de fiscalização relativos a tributos objeto do TDPF identificarem infrações relativas a outros tributos, com base nos mesmos elementos de prova, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no TDPF. FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA TERRITORIAL. É atribuição dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições. É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. PROVA. Fl. 7206DF CARF MF 10 Existindo prova cabal de que os administradores do contribuinte pessoa jurídica agiram com infração de lei, exsurge a responsabilidade tributária solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011, 2012, 2013 IRRF E GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. Não se configura bis in idem a cobrança simultânea de IRRF e de IRPJ, uma vez que se trata de fatos geradores distintos e não há vedação legal à simultaneidade entre as respectivas cobranças. IRRF. PRESSUPOSTOS DO ART. 61 DA LEI N° 8.981/95 PARA COBRANÇA. Comprovado pelo Fisco o pagamento sem causa, sobre este incide a norma prevista no art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, para cobrança do IRRF. IRRF E MULTA DE OFÍCIO. NATUREZAS JURÍDICAS DISTINTAS. AUSÊNCIA DE CUMULAÇÃO DE COBRANÇA. Em se tratando de naturezas jurídicas distintas, não há que se falar em cumulação entre o Imposto sobre a renda retido na Fonte, tributo cobrado do substituto tributário, e a multa de ofício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 IRPJ. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE DESPESA PELO SUJEITO PASSIVO. GLOSA DOS VALORES PELO FISCO. Na parte conhecida da impugnação, o sujeito passivo não comprova a efetiva realização de despesa para dedução da base de cálculo do IRPJ, portanto correta a glosa dos respectivos valores, pela Autoridade Fiscal competente. ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. MULTA ISOLADA. Em função das infrações apuradas, a autoridade fiscal, considerando a opção do contribuinte pela apuração do lucro real anual, deve proceder à recomposição dos balancetes mensais de suspensão/redução elaborados pela empresa fiscalizada, para fins de apuração dos valores que seriam devidos a título de diferenças de estimativas mensais de IRPJ, que resultarão nas bases de cálculo das multas isoladas, devidas com fundamento no art. 44, inciso II, letra "b", da Lei n° 9.430, de 1996. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA A lei autoriza a imposição de multa isolada sobre a falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais após encerrado o anocalendário,não se confundindo esta penalidade com a multa de ofício sobre o imposto devido apurado no encerramento do período. Fl. 7207DF CARF MF Processo nº 16004.720203/201519 Acórdão n.º 1402003.692 S1C4T2 Fl. 7.203 11 A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza diversa da multa proporcional incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, no regime do lucro real anual. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1°, da Lei n° 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei n° 4.502/64. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, como obrigação tributária principal, é débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, portanto, configurase regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA LEI N° 11.457, DE 2007. CABIMENTO. Descabe a aplicação do art. 24, da Lei n° 11.457, de 2007, quando a decisão em primeira instância ocorre dentro do prazo de 360 dias a partir da data da apresentação da impugnação. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de lançamento reflexo realizado com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Da análise da análise do voto condutor da decisão a quo, que foi acompanhado por unanimidade pelo seus pares, destacase os seguintes pontos que fundamentam seu voto: declara preclusa as glosas de despesas não contestadas na peça impugnatória referente à empresa AKYZO Assessoria & Negócios Ltda.; rejeita as nulidades suscitadas referente à lotação dos AFRFBs e quanto ao não constar a CSLL no TDPF; as glosas efetuadas não foram baseadas apenas em suposições contidas em delações premiadas. Houve a tentativa de obter comprovações sobre a existência do serviço prestado, sem ter obtido êxito; dos pagamentos à AUGURI declaração do seu controlador que os contratos serviram para pagamento de propina, e a impugnante nada comprovou da efetiva prestação de serviços; Fl. 7208DF CARF MF 12 dos pagamentos `a SETAL (SETEC e ENERGEX) não houve a comprovação dos serviços prestados e nem do projeto elaborado; dos pagamentos à ENERGEX não faz nenhuma prova dos serviços prestados; dos pagamentos à RIOMARINE há reconhecimento de sócio desta que não houve contraprestação de serviços, e que as notas fiscais foi para facilitar a saída do dinheiro da empresa autuada. A impugnante nada prova dos serviços prestados; dos pagamentos à IBATIBA não há a apresentação de nada que comprove a prestação de serviços; da cobrança do IRRF os casos em questão são de operações não comprovadas e/ou inexistentes, não envolvendo nenhuma despesa. Neste caso, há um pagamento sem causa e uma despesa inexistente glosada; das doações despesas indedutíveis escrituradas na conta 3.83.3.1.090.7765 (auxílio e donativos) conforme diligência efetuadas, demonstrouse que tais valores se tratam somente de adiantamentos, que são ressarcidos por suas controladas, não se tratando de despesas. Com isso, houve exoneração de parte dos valores glosados; da multa isolada concomitante com a multa de ofício os casos são de 2010, não se aplicando a súmula Carf 105, podendo ambas as multas conviverem; da qualificação da multa houve a aplicação com base no art. 72 da Lei nº 4502/1964 (fraude). No caso concreto, houve a ocorrência de fraude ao criar despesas que sabia fictícias, e que efetuou pagamentos dessas mesmas operações não comprovadas ou sem causa; quanto aos responsáveis solidários eram gestores/administradores, que, dada a ampla instrução probatória, tinham conhecimento e/ou consentimento dos atos praticados pela MJ, aplicandose o art. 135, III do CTN. Do Recurso Voluntário: Tomaram ciência do recurso voluntário o contribuinte e responsáveis tributários na seguintes datas: Contribuinte/Responsável Data ciência DRJ Fl. Mendes Junior Trading e Engenharia S A. 06/11/2017 6714 Sérgio Cunha Mendes 10/11/2017 6715 Ângelo Alves Mendes 10/11/2017 6717 Rogério Cunha de Oliveira 13/11/2017 6718 Alberto Elísio Vilaça Gomes 10/11/2017 6716 Todos os 5 (cinco) apresentaram recurso voluntário, conforme tabela abaixo: Fl. 7209DF CARF MF Processo nº 16004.720203/201519 Acórdão n.º 1402003.692 S1C4T2 Fl. 7.204 13 Contribuinte/Responsável Apresentação RV Fl. Mendes Junior Trading e Engenharia S A. 06/12/2017 6719 e segs. Sérgio Cunha Mendes 12/12/2017 7050 e segs. Ângelo Alves Mendes 12/12/2017 6891 e segs. Rogério Cunha de Oliveira 12/12/2017 6972 e segs. Alberto Elísio Vilaça Gomes 12/12/2017 6812 e segs. Ou seja, todos os recursos voluntários foram apresentados tempestivamente. No que tange ao contribuinte principal, MJ, a linha argumentativa é muito similar a da sua peça impugnatória, destacandose os seguintes tópicos: erro de cálculo não exclui a parte cancelada da glosa da multa isolada incompetência dos auditores fiscais da Delegacia da Receita Federal de São José do Rio Preto; nulidade do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal n° 08.1.90.00 2015013730; impossibilidade de cumulação da glosa das deduções do Lucro Real (IRPJ/CSLL) com o IRRF; excesso de exação: cobrança do IRRF mesmo com o recolhimento por parte do beneficiário; ofensa à razoabilidade e ao não confisco; não cabimento do IRRF: identificação de todos os beneficiários desnecessidade de verificação da causa; o IRRF do art. 61 da Lei n° 8.981/95 tem caráter sancionatório; necessidade de abatimento do IRRF dos valores já pagos pelos beneficiários; impossibilidade de incidência da multa isolada de modo concomitante com a multa de ofício; ausência de dolo ou intuito de fraude para a qualificação das multas sobre o IRRF/IRPJ/CSLL; em razão do caráter punitivo do IRRF, não deve haver a incidência de multa qualificada sobre os valores a ele referentes, sob pena de bis in idem; necessidade de aplicação do art. 112 do CTN em relação à multa qualificada imposta; Fl. 7210DF CARF MF 14 as razões apresentadas para a glosa das despesas seriam genéricas, baseadas em delações e presunções de inexistência da contraprestação contratada, sendo que os serviços foram efetivamente prestados. Seu pedido, na peça recursal, transcrevese abaixo: 206. Ante todo o exposto, em virtude dos argumentos de fato e de direito esposados, pede a Recorrente o julgamento procedente do presente Recurso Voluntário, reformandose o acórdão n°. 0377.438, da 2a Turma da DRJ/BSB, para que: a) Seja julgado integralmente improcedente o auto de infração em debate: a. Preliminarmente, pela declaração de sua nulidade, em virtude dos vícios formais insanáveis demonstrados; ou b. No mérito, em razão da ilegitimidade da glosa integral das despesas da empresa autuada com contratos tidos por simulados, haja vista as provas apresentadas; b) Sucessivamente, caso não seja acolhido o pedido anterior, seja: a. Retificado o Auto para reduzir, proporcionalmente, o valor dos juros de mora e multa isolada referente à glosa de supostas despesas eleitorais, cuja autuação foi anulada pelo Acórdão recorrido. b. Julgado improcedente (integral ou parcialmente) o lançamento fiscal referente ao IRRF, devendo ser excluída a aplicação do artigo 61 da Lei n° 8.981, uma vez que (i) este não pode ser aplicado em situações de glosas de despesa e redução do lucro líquido, pois não abrange tais situações, as quais já são tributadas através do IRPJ/CSLL; (ii) não há fundamento lógico para sua cobrança uma vez que todos os beneficiários são identificados, tendo até mesmo sido comprovado em alguns casos que os tributos incidentes sobre os rendimentos auferidos foram recolhidos; (iii) sua exigência não possui natureza de tributo, mas sim de sanção, não podendo ser cumulada com as multas já aplicadas; (iv) pelo excesso de sua cobrança, que não respeita os princípios da razoabilidade e do nãoconfisco, devendo ao menos ser abatido do valor aqueles tributos que já foram efetivamente recolhidos pelos beneficiários; c. Seja (i) afastada a aplicação da multa isolada, por não ser cabível a sua incidência concomitantemente com a multa proporcional de ofício, que já engloba a irregularidade na antecipação mensal, em razão do princípio da consunção; (ii) reduzido o valor lançado a título de multa proporcional de ofício, afastando a qualificação da penalidade e reduzindo o percentual aplicado; Fl. 7211DF CARF MF Processo nº 16004.720203/201519 Acórdão n.º 1402003.692 S1C4T2 Fl. 7.205 15 d. Seja julgado improcedente (integral ou parcialmente) o lançamento fiscal tendo em vista (i) a ilegitimidade da glosa integral das despesas da empresa autuada com contratos tidos por simulados, haja vista as provas apresentadas; e (ii) a glosa de lançamentos fiscais devidamente comprovados e escriturados. 207. Provará o alegado por todos meios de prova em direito admitidos, em especial pelos documentos anexos e outros que venham a ser apresentados posteriormente em atenção ao princípio da verdade material. Termos em que, pede deferimento. Em relação às peças recursais dos responsáveis tributários, em tópicos, sua linha defesa foi no seguinte sentido: Responsável solidário ALBERTO ELÍSIO VILAÇA GOMES: (i) ausência de comprovação da prática de ato ilícito pelo recorrente e falta de individualização de suas condutas impossibilidade de aplicação do art. 135, inciso III, do CTN; (ii) sua responsabilidade deve ser afastada em razão de ser diretor empregado, e não estatutário, havendo relação de subordinação com a empresa, pelo que não tinha poder de decidir sobre fatos como os que constaram no auto de infração, sem determinação e ordem do seu empregador; (iii) o recorrente reitera, quanto ao mérito das exigências fiscais, alguns dos argumentos utilizados pela recorrente MENDES JÚNIOR. Responsável solidário SÉRGIO CUNHA MENDES: (i) ausência de comprovação da prática de ato ilícito pelo recorrente e falta de individualização de suas condutas no período autuado impossibilidade de aplicação do art. 135, inciso III, do CTN; (ii) sua responsabilidade deve ser afastada pela aplicação do art. 137, inciso I, do CTN, visto que apesar de ocupar o cargo de diretor, o modelo de administração da empresa tem caráter "presidencialista", em que existe a figura de um único presidente executivo que representa e lidera a diretoria executiva da empresa, ou seja, as decisões do recorrente deveriam sempre ser reportadas ao seu superior hierárquico; (iii) o recorrente reitera, quanto ao mérito das exigências fiscais, alguns dos argumentos utilizados pela recorrente MENDES JÚNIOR. Responsável solidário ROGÉRIO CUNHA DE OLIVEIRA: Fl. 7212DF CARF MF 16 (i) ausência de comprovação da prática de ato ilícito pelo recorrente e falta de individualização de suas condutas no período autuado impossibilidade de aplicação do art. 135, inciso III, do CTN; (ii) sua responsabilidade deve ser afastada em razão de ser diretor empregado, e não estatutário, havendo relação de subordinação com a empresa, pelo que não tinha poder de decidir sobre fatos como os que constaram no auto de infração, sem determinação e ordem do seu empregador; (iii) o recorrente reitera, quanto ao mérito das exigências fiscais, alguns dos argumentos utilizados pela recorrente MENDES JÚNIOR. Responsável solidário ÂNGELO ALVES MENDES: (i) ausência de comprovação da prática de ato ilícito pelo recorrente e falta de individualização de suas condutas no período autuado impossibilidade de aplicação do art. 135, inciso III, do CTN; (ii) sua responsabilidade deve ser afastada pela aplicação do art. 137, inciso I, do CTN, visto que apesar de ocupar o cargo de diretor, o modelo de administração da empresa tem caráter "presidencialista", em que existe a figura de um único presidente executivo que representa e lidera a diretoria executiva da empresa, ou seja, as decisões do recorrente deveriam sempre ser reportadas ao seu superior hierárquico; (iii) o recorrente reitera, quanto ao mérito das exigências fiscais, alguns dos argumentos utilizados pela recorrente MENDES JÚNIOR; (iv) este responsável, especificamente, foi absolvido no processo criminal da LavaJato referente aos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Do Recurso de Ofício: A autoridade julgadora a quo, no que tange às despesas escrituradas na conta contábil 3.8.3.1.090.7765 (auxílio e donativos), deu provimento às alegações da recorrente, revertendo o montante ali adicionado à apuração do IRPJ e de CSLL no total anual de R$ 16.057.046,11. Em virtude do valor do crédito tributário exonerado nesta decisão, coube o RECURSO DE OFÍCIO nos termos da atualmente vigente Portaria MF nº 63/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator Fl. 7213DF CARF MF Processo nº 16004.720203/201519 Acórdão n.º 1402003.692 S1C4T2 Fl. 7.206 17 Os recursos voluntários foram apresentados pelo contribuinte e pelos responsáveis solidários tempestivamente, dos quais tomo conhecimento. O recurso de ofício, em virtude do montante da exoneração promovida cabe o seu conhecimento nos termos da Portaria MF nº 63/2017. Do recurso de ofício: A autoridade julgadora a quo, no que tange às despesas escrituradas na conta contábil 3.8.3.1.090.7765 (auxílio e donativos), deu provimento às alegações da recorrente, revertendo o montante ali adicionado à apuração do IRPJ e de CSLL no total anual de R$ 16.057.046,11. Para tanto, quando da apresentação da peça impugnatória e no que tange à esta alegação, converteu o julgamento em diligência para que fiscalização se pronunciasse sobre a questão, com a oportunidade para os sujeitos passivos apresentarem seus argumentos. No seu relatório, a autoridade fiscal autuante (fls. 6.642/6.647) informa que as despesas foram consideradas indedutíveis pela falta de apresentação de documentos que comprovasse os pagamentos contabilizados na conta contábil 3.8.3.1.090.7765. Contudo, com a apresentação das alegações e documentos na peça impugnatória, entendeu que caberia razão à recorrente. Nas suas palavras: Por intermédio da impugnação de fls. 2588/2639 a fiscalizada alegou que não contabilizou as despesas acima como operacionais. Alegou que “as doações realizadas a partidos políticos foram reembolsadas por suas controladoras (Edificadora S/A e Mendes Júnior Participações S/A), deixando as mesmas de se caracterizar como despesas, sendo correto o lançamento do respectivo crédito na conta contábil de auxílios e donativos (despesa), tendo como contrapartida o débito lançado em conta de seu ativo não circulante da Impugnante”. Em outras palavras, a Mendes Júnior Trading foi a responsável pelos pagamentos das doações aos partidos políticos, contudo, foi reembolsada pelas suas controladoras, estornando as despesas repassadas. No relatório, passa a fazer análise dos valores contabilizados, e ao final, propondo que sejam acolhidas as alegações deste item constante na impugnação. Verificandose os elementos constantes no relatório de diligência que deram suporte à decisão a quo, e que o mesmo foi assinado por um das autoridades fiscais autuantes inicialmente, o que significa que tinha conhecimento do que estava analisado, não vislumbro nenhum retoque ao decidido. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. Fl. 7214DF CARF MF 18 pontos suscitados no recurso voluntário Das Nulidades suscitadas: a) incompetência dos auditores fiscais da SRFB Alega a recorrente, ao final da sua peça recursal, que haveria a nulidade da autuação fiscal, já que os auditores fiscais da Receita Federal não teria competência pois estriam lotados em Delegacia da Receita Federal distinta da domicílio tributário da recorrente, o que, no seu entender, desrespeitaria o princípio da competência. Contudo, tal matéria já foi alçada a súmula vinculante neste Carf, sendo desnecessário qualquer construção argumentativa adicional: Súmula CARF n° 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Por conseguinte, REJEITASE esta preliminar. b) nulidade do TDPF Na sequência, a recorrente alega que as autuações fiscais seriam nulas, pois o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) não fora respeitado, já que consignava os tributos IRPJ e IRRF, e foi lavrada autuação fiscal também da CSLL, extrapolando o escopo do procedimento, o que no seu entender, impossibilitaria seu pleno direito à ampla defesa e contraditório. Contudo, o TDPF está regulado pelo Decreto nº 3724, de 10/01/2001, nos seguintes termos: Art. 2° Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB serão executados por ocupante do cargo efetivo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e terão início mediante expedição prévia de Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal TDPF, conforme procedimento a ser estabelecido em ato do Secretário da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo Decreto n° 8.303, de 2014) O ato do Secretário da Receita Federal do Brasil, que regulou o procedimento foi a Portaria RFB 1687, de 17 de setembro de 2014, que assim consigna: Art. 5° O Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal TDPF conterá: (...) § 2° O tributo e o período de que trata o § 1° poderão ser ampliados por alteração, a ser registrada no TDPF e consignada no primeiro termo de ofício emitido pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução do procedimento fiscal. Fl. 7215DF CARF MF Processo nº 16004.720203/201519 Acórdão n.º 1402003.692 S1C4T2 Fl. 7.207 19 (...) Art. 8° Quando os procedimentos de fiscalização relativos a tributos objeto do TDPF identificarem infrações relativas a outros tributos, com base nos mesmos elementos de prova, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no TDPF. Ou seja, a autoridade fiscal identificando infrações que poderiam motivar a autuação fiscal de outros tributos e outros períodos, com base nos mesmos elementos de prova, e foram inclusos no procedimento de fiscalização, independe da menção expressa no TDPF e no termo de intimação fiscal. Aqui não caberia falar em afronta ao seu direito à defesa e ao contraditório com a inclusão da CSLL na autuação fiscal, pois o que se analisa é se houve clara e precisa acusação fiscal, o que se verifica no caso concreto. Por conseguinte, REJEITASE à preliminar suscitada. No mérito: c) questão das glosas das despesas efetuadas nos contratos A recorrente, no tópico VI Da glosa de pagamentos da sua peça recursal, reitera os fundamentos e provas apresentadas em sua impugnação, reforçando abaixo a procedência das alegações e a ilegalidades das glosas realizadas. Posteriormente, faz uma análise de cada tipo de despesa/pagamento efetuado à AUGURI, ENERGEX, RIOMARINE e IBATIBA, na mesma linha da sua peça impugnatória, sem trazer nenhum elemento distinto do ali alegado e nenhum comprovação, já instada durante o procedimento fiscal. Tais alegações foram rechaçadas na decisão a quo, no sentido que no sentido de que as delações apenas deram o início ao procedimento fiscal, e durante esta, a autoridade fiscal autuante buscou informações, provas sobre a existência do serviço prestado, sem obter êxito, não restando outro caminho senão a glosa, conforme narrativa contida no TDF e determinada pela legislação. Na sua peça recursal, a recorrente se vale exatamente das mesmas alegações trazidas na sua peça impugnatória, enquanto o procedimento fiscal se baseou justamente na ausência probatória de tais valores deduzidos como despesa. No caso concreto, não houve em nenhum momento a prova da execução dos serviços deduzidos, bem como aduz a decisão a quo: Portanto, alegações de que existiu contrato, notas fiscais foram emitidas, pagamentos foram efetuados, valores são irrisórios, há inscrição no CNPJ, a atividade descrita no contrato é compatível com o campo de atuação da prestadora do serviço, etc não possuem o condão de provar que os serviços foram prestados e que esses serviços eram necessários e ligados à manutenção da atividade produtora. Fl. 7216DF CARF MF 20 Aqui, reforçase o aspecto que não há prova alguma fornecida pela recorrente, tanto durante o procedimento fiscal, quanto na sua peça impugnatória e sua peça recursal que comprove a execução dos serviços. Tal circunstância vale para cada pagamento feito à AUGURI, SETEC, ENERGEX, RIOMARINE e IBATIBA, não havendo, volto a frisar, nenhuma comprovação da efetiva prestação de serviços. A recorrente fora intimada sucessivas vezes para apresentar diversos documentos no transcorrer do procedimento fiscal, atendendo insatisfatoriamente os pedidos da fiscalização. Mesmo isso já bastaria, a fiscalização buscou outras informações para corroborar sua posição, e que na realidade não houve a prestação dos serviços. Tais despesas foram amparados em documentos inidôneos, que tinham outro objeto de pagamento bem distinto do que estava especificado nos mesmos. Como se vê no contexto probatório, há fortes indicações de que se tratam de pagamentos de propinas. Quando se tratar da prestação de serviços, por seu caráter em muito imaterial, devese ter documentos comprobatórios tanto do pagamento realizado ao beneficiário, quanto da efetiva realização do serviço pela pessoa remunerada em função dele. Além do mais, dada a complexidade das atividades envolvidas na atuação da recorrente, é de se esperar que todas suas operações estejam devidamente documentadas. Mas não foi o caso da recorrente pelo o que se vê nos autos. Por conseguinte, NEGASE PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto a este item. d) questão da multa isolada por conta das glosas de despesas eleitorais glosadas Alega a recorrente que dado o acórdão parcial da DRJ , reconhecendo que a recorrente não se apropriou de despesas com doações eleitorais como operacionais, houve a retificação dos valores dos tributos autuados, mas sem a devida repercussão em seu benefício sobre a parcela de multa isolada. Como já analisado anteriormente no tocante ao recurso de ofício do presente voto, tal questão envolve uma eventual repercussão da decisão que exonerou parte dos valores glosados. Cabe enfatizar que o relatório de diligência que deu suporte à decisão a quo se manifesta sobre esta questão, nos seguintes termos: C) IRPJ/CSLL – Multa Isolada: Tendo em vista que as despesas com Auxílio e Donativos (conta 3.8.3.1.090.7765) foram estornadas apenas em dezembro de 2010, não houve qualquer redução no lançamento relativo a apuração da multa isolada do IRPJ/CSLL. Verificase que os valores envolvidos nesta glosa da conta contábil 3.8.3.1.090.7765 foram conforme a seguinte tabela: Fl. 7217DF CARF MF Processo nº 16004.720203/201519 Acórdão n.º 1402003.692 S1C4T2 Fl. 7.208 21 E o estorno (lançamento a crédito) ocorreu apenas em dezembro/2010, tendo como contrapartida a conta 1.5.1.1.090.0050 (Ativo realizável a longo prazo crédito de coligas e controladas Edificadora S/A). Verificandose o item 7.3 da multa isolada IRPJ mensal recolhido a menor A/C 2010 do TVF (e respectivo 7.4 da CSLL), observase que tais valores da tabela acima compuseram o montante adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, que repercutiram sobre o montante de multa isolada aplicada por IRPJ e CSLL recolhida a menor por estimativa, inclusive com a utilização da compensação do saldo de prejuízo fiscal e saldo da base de cálculo negativa da recorrente (respeitados o limite de 30% da legislação). Pela leitura das circunstâncias envolvidas, constato que a recorrente vinha deduzindo tais despesas da apuração da estimativa mensal de IRPJ e CSLL, pelo o que a autoridade fiscal autuante entendeu indedutíveis, glosandoas. Na sua peça impugnatória, a recorrente informa que tais despesas foram estornadas por um valor de crédito ocorrido em dezembro/2010, como reembolso das suas controladoras. Por conseguinte, a conclusão da autoridade fiscal diligenciante que tais valores só foram estornados em dezembro/2010 (através do reembolso), quando não houve nenhuma despesa deduzida de tal conta contábil. Como a recorrente se valeu de tais despesas como dedutíveis ao longo do ano (de janeiro/2010 a novembro/2010) e não deveria ter feito tal dedução, caberia a adição de tais valores na apuração das bases de cálculo da estimativa a recolher de IRPJ e CSLL. A recorrente só teria direito a uma revisão da multa isolada se não estivesse deduzindo tais valores, mas isto em nenhum momento fica demonstrado na sua defesa, principalmente na peça impugnatória, e fica reforçado pela análise contábil ocorrido durante o procedimento fiscal e a realização da diligência promovida pela DRJ. O lançamento contábil que anulou as despesas em dezembro/2010 gerou os efeitos para o fechamento do período de apuração anual, por isso que válida exoneração desta parte da autuação fiscal, no que tange à apuração anual do IRPJ e CSLL, conforme detalhado anteriormente. Contudo, aplicáveis as multas isoladas em questão sobre tais valores de despesas deduzidas indevidamente. Destarte, NEGO PROVIMENTO quanto a tal item na peça recursal. Fl. 7218DF CARF MF 22 e) questão do IRRF autuado Alega a recorrente que há impossibilidade de coexistência da glosa de custos/despesas com a exigência do IRRF. Para tanto evoca a questão de existência de outro dispositivo legal além do art. 61 da Lei nº 8.981/19951, o art. 44 da Lei nº 8.541/19922, e este que deveria ter sido aplicado. Adicionalmente, como houve a identificação de todos os beneficiários, seria desnecessário a verificação da causa. E na sequência, evoca da necessidade de abatimento dos valores já pagos pelos beneficiários dos pagamentos que estão sendo glosados. Encerra que a alegação de que o IRRF do art. 61 da Lei nº 8.981/1995 teria caráter sancionatório, de natureza punitiva, obstaria a incidência de multa qualificada sobre os valores a ele referentes, sob pena de bis in idem. Aqui cabe destacar que tal matéria tem suscitado alguns debates neste Carf, havendo, no geral, duas posições divergente. Perfilome nos que entendem e se posicionam que a glosa de despesas e a exigência de IRRF tratamse de exigências distintas, mesmo que derivadas dos mesmos fatos. O IRPJ e a CSLL são exigidos por decorrência legal da glosa de despesas inexistentes que afetam diretamente a base tributável apurada pela pessoa jurídica. O IRRF, de outra parte, decorre da previsão legal de que não correspondendo os pagamentos às operações indicadas nos documentos fiscais, mas a finalidade diversa, no caso concreto, a pagamentos sem causa, resta afastada a causa indicada nos documentos que lhe deram suporte, respondendo a fonte pagadora pelos tributos devidos pelos beneficiários. O artigo 44 da Lei n° 8.541/92 citado pela recorrente, verificase que foi editado num contexto em que os lucros apurados pelas pessoas jurídicas quando distribuídos aos sócios e acionistas eram tributados e em que determinadas situações eram considerados como distribuição disfarçada de lucros, sujeitas à tributação exclusiva na fonte. É com este pano de fundo que o PN. CST n° 4/94 analisou a continuidade da vigência ou não do art. 8° do DL. n° 2065/1983, em face do art. 35 da Lei n° 7.713/1988, que instituiu o Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido. 1 Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1° A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°, do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991. § 2° Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3° O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. 2 Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. § 1° O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios." Fl. 7219DF CARF MF Processo nº 16004.720203/201519 Acórdão n.º 1402003.692 S1C4T2 Fl. 7.209 23 Este é o objeto do referido parecer que, en passant, aborda a incidência do IRRF, com base no art. 8° do DecretoLei n° 2.065/83 e no art. 44 da Lei n° 8.541/92, sobre a receita omitida ou diferença verificada na determinação do lucro líquido, em decorrência de procedimentos irregulares de distribuição de valores aos sócios. Naquele contexto, me parece bastante razoável que não se cogitasse da tributação exclusiva na fonte dos lucros considerados automaticamente distribuídos aos sócios e ao mesmo tempo fosse aplicada, no caso de glosa de custos e despesas consideradas inidôneas, a cobrança do IRRF sobre pagamentos sem causa ou a beneficiários cuja origem não fosse identificada, pois configuraria, claramente, uma exigência em duplicidade. O art. 61 da Lei n° 8981/1995, por sua vez, é mais abrangente e alcança todos os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou cuja operação ou causa não é comprovada, independente de quem seja o real beneficiário dele (sócios/acionistas ou terceiros, contabilizados ou não), elegendo a pessoa jurídica responsável pelo pagamento efetivamente comprovado com responsável pelo recolhimento do imposto de renda devido pelo beneficiário, presumindose que assumiu o ônus pelo referido pagamento. É o que se extrai do dispositivo em questão, verbis: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1° A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°, do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991. § 2° Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3° O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. No mesmo sentido da aplicabilidade do dispositivo, transcrevo o voto vencedor da i. Conselheira Edeli Pereira Bessa, no Acórdão n° 1101000.825, in verbis: O presente voto expressa os fundamentos para manutenção das exigências de IRRF, uma vez que restou vencido o I. Relator em sua proposta de exoneração de tais créditos tributários. Argumentou o I. Relator que os lançamentos de IRPJ e CSLL aqui veiculados não poderiam coexistir com o lançamento de IRRF em razão dos mesmos pagamentos glosados na apuração daqueles tributos, reportandose a julgados deste Conselho que somente admitem a exigência de IRRF desde que o mesmo fato/valor que servir de base, não caracterize hipótese de redução do lucro liquido, quer por receita omitida, quer por glosa de custos e/ou despesas, situações tipicamente submetidas ao IRPJ segundo as normas pertinentes à tributação pelo lucro Fl. 7220DF CARF MF 24 real, em razão de disposição legal específica aplicável nesta segunda hipótese, veiculada no art. 44 da Lei n° 8.541/92. Isto porque, como demonstrado no voto do I. Relator, o art. 44 da Lei n° 8.541/92 determinava a exigência de IRRF à alíquota de 25% nos casos de redução indevida do lucro líquido, presumindo de forma absoluta que esta diferença fora automaticamente recebida pelos sócios. Todavia, a dúvida acerca da aplicabilidade do art. 61 da Lei n° 8.981/95 somente existiria, na forma exposta, enquanto vigente o art. 44 da Lei n° 8.541/92, revogado pela Lei n° 9.249/95. A partir daí (como é o caso destes autos), ausente a presunção legal de distribuição daqueles valores aos sócios, nenhum impedimento existiria para a caracterização da hipótese fixada no art. 61 da Lei n° 8.981/95, que na verdade parte do fato provado de entrega de recursos a um terceiro não identificado, ou por razões não demonstradas, e erige a presunção, apenas, de que tais rendimentos seriam passíveis de tributação na pessoa do beneficiário. No presente caso, portanto, há duas incidências distintas: 1) o IRRF exigido da autuada na condição de responsável (fonte pagadora de rendimentos) que não se desincumbiu de seu dever de identificar o beneficiário e/ou a causa do pagamento e, por conseqüência, permitir ao Fisco confirmar a regular tributação de eventual rendimento auferido por este beneficiário, e 2) o IRPJ exigido da autuada na condição de contribuinte que auferiu lucro, mas o declarou em montante menor que o devido, em razão da dedução de despesas que não foram regularmente provadas. Em outras palavras, a incidência do IRPJ decorrente de uma despesa que não reúne os requisitos legais para sua dedutibilidade não converte esta parcela em rendimento da própria da pessoa jurídica, a dispensar a incidência que poderia existir em desfavor do beneficiário do pagamento. É certo que a base de cálculo do IRPJ resta majorada e, por consequência, há renda tributável no seu sentido próprio, qual seja, resultado líquido de acréscimos e decréscimos patrimoniais num mesmo período de apuração. Mas este resultado líquido não se confunde com o conceito de rendimento, acréscimo individualmente auferido, no caso, por outro sujeito passivo, em razão de uma operação específica, que poderia sujeitar se a tributação isolada, a qual é presumida pela lei em razão da omissão de informações por parte da fonte pagadora. Como destacado acima, tal tributação aplicada de IRRF nos autos é por conta de rendimento sem causa, independente de todos os beneficiários estarem identificados. A previsão legal do IRRF incide em duas situações distintas e autônomas: i) no caso de pagamento a beneficiário não identificado; e/ou ii) no caso de pagamentos efetuados sem causa ou operação comprovadas. São hipóteses distintas e autônomas. Igualmente, não procede a alegação de que seria necessário o abatimento dos valores já pagos pelos beneficiários dos pagamentos que estão sendo glosados, pois como visto, os fatos geradores do IRRF e do IRPJ/CSLL são distintos. No caso, a recorrente, sobre o IRRF, é responsável tributária, e não contribuinte, e o dispositivo que abarca tal imputação é clara no sentido de que a incidência do IRRF se dá exclusivamente na fonte. Fl. 7221DF CARF MF Processo nº 16004.720203/201519 Acórdão n.º 1402003.692 S1C4T2 Fl. 7.210 25 Quanto à alegação de que o IRRF do art. 61 da Lei nº 8.981/1995 teria caráter sancionatório, de natureza punitiva, o que obstaria a incidência de multa qualificada sobre os valores a ele referentes, sob pena de bis in idem, não prospera. O IRRF se trata de um tributo, com fato gerador definido e distinto do IRPJ, o que não teria sentido sustentar que haveria impossibilidade de cumulação com a multa qualificada. Dado o todo exposto acima, NEGASE PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. f) questão da multa isolada e sua concomitância com a multa de ofício Alega a recorrente na sua peça recursal da impossibilidade da cobrança de multa isolada. Contudo, a respeito de uma possível concomitância dos lançamentos de multas isoladas com a multa de ofício presente nos autos de infração, de minha parte sempre perfilei com os que entendem estarse diante de imposições diferentes, com fatos geradores diferentes, tipificações legais diferentes e motivações fáticas diferentes, ou seja, da leitura artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, com suas alterações, inferese que, uma vez constatada falta ou insuficiência de pagamento de estimativa, será exigida a multa isolada. Se, além disso, tiver ocorrido falta de recolhimento do imposto devido com base no lucro real anual, o lançamento abrangerá também o valor do imposto, acompanhado de multa de ofício e juros, pois a determinação legal de imposição de tal penalidade, quando aplicada isoladamente, prescinde da apuração de lucro ou prejuízo no final do período anual, inexistindo, portanto, a cumulação de penalidades para uma mesma conduta, como argúem os contribuintes. Em síntese, não tendo as referidas multas a mesma hipótese de incidência, nada há a barrar a imposição concomitante da multa isolada com a multa de ofício devida pela apuração e recolhimento a menor do imposto e contribuição devidos na apuração anual. Posição plenamente avalizada a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (destaquei) Fl. 7222DF CARF MF 26 Registrese, essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa; simplesmente tornou mais clara a intenção do legislador. Por pertinentes, faço minha as palavras do ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES deste CARF que, de forma precisa, analisou o tema no Acórdão nº 10323.370, Sessão de 24/01/2008: “Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, Fl. 7223DF CARF MF Processo nº 16004.720203/201519 Acórdão n.º 1402003.692 S1C4T2 Fl. 7.211 27 em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte”. Aduzase ainda, mesmo abstraindo questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, que a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo, de modo que, sob esta ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou norma abstrata plenamente vigente no mundo jurídico a caso concreto que se estampou. Salientese, por fim, ser inaplicável no caso a Súmula nº 105 do CARF, posto que ali se cuida de lançamentos referentes a períodos anteriores a 2007. Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas integralmente as multas isoladas impostas e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. g) questão da multa qualificada Alega a recorrente há ausência de fraude na sua conduta para a qualificação das multas sobre o IRRF, IRPJ e CSLL. O embasamento legal para tal qualificação é no art. 72 da Lei nº 4.502/19643, e se encontro no tópico 8 qualificação da multa de ofício do TDF. Retiro o excerto deste tópico que resume a circunstância motivadora: Desta forma, as fraudes representadas pela celebração de contratos fictícios de prestação de serviços ou de aluguel de equipamentos, firmados pelo Consórcio Interpar com a Setec e Auguri, pelo Consórcio CMMS com Riomarine, Energex e GFD, pela Mendes Júnior com a GFD e a Empreiteira Rigidez foram devidamente confirmados pelas provas colhidas ao presente processo. Embora todos os envolvidos (empreiteiras consorciadas, as noteiras e a própria Mendes Junior Trading) tenham sido intimados a comprovar a efetiva prestação dos serviços, nenhum deles apresentou qualquer documentação nesse sentido. 3 Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido e evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 7224DF CARF MF 28 A fiscalização constatou, ainda, que os pagamentos de propinas, efetuados por meio de contratos simulados, foram contabilizados pela empreiteira como custo/despesa operacional, reduzindo, indevidamente, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Ou seja, reduzindo significativamente o resultado da empresa e, por consequência, o pagamento dos tributos devidos. Compulsando os autos, verificase que a recorrente efetuou pagamentos de valores, que tentou aduzir contabilmente como despesas, amparandoos em contratos fictícios que tentaram dar o aspecto de prestação de serviços. Notase que a fiscalização demonstra nos autos que aqui não é caso de uma despesa indedutível simplesmente, e sim, um arcabouço de fraudes criadas para dissimular o real intento dos pagamentos. A conduta exposta em todo o TDF demonstra nitidamente que a recorrente objetivava subtrair o pagamento do IRPJ, da CSLL e do IRRF através de uma conduta fraudulenta, exaustiva e cabalmente demonstrada nos autos. Por conseguinte, NEGASE PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. h) das alegações de excesso de exação, da razoabilidade e do não confisco Ao longo da sua peça recursal, em vários momentos, alguns em tópicos próprio, a recorrente se vale de alegações que estaria ocorrendo excesso de exação, afronta à razoabilidade e do não confisco. Nestas linhas de defesa, adotada em parte da sua peça recursal, compreendo que se afasta das possibilidades de manifestação deste colegiado. Em verdade, há vedação expressa no art. 26A do Decreto 70.235/1972 que se adentre ao mérito de validade constitucional de normas legais no âmbito da do processo administrativo fiscal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Para tanto foi editada a Súmula CARF nº 2, a qual tão somente vem a espelhar o monopólio do Poder Jurisdicional sobre a temática: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, NÃO CONHEÇO destas matérias do recurso voluntário. Dos solidários Conforme já relatado, apresentaram recurso voluntário os 4 responsáveis Srs. Alberto Elísio Vilaça Gomes, Ângelo Alves Mendes, Rogério Cunha de Oliveira e Sérgio Cunha Mendes. Fl. 7225DF CARF MF Processo nº 16004.720203/201519 Acórdão n.º 1402003.692 S1C4T2 Fl. 7.212 29 Praticamente, suas alegações são praticamente similares, sendo que em todas há alegações no sentido de que há ausência de comprovação da prática de ato ilícito por cada um deles, o que impossibilitaria a aplicação do art. 135, III do CTN. Todos reforçam das alegações da improcedência da autuação fiscal, já constantes na peça recursal da recorrente principal. Os Srs. Alberto e Ângelo alegam que sua relação jurídica com a recorrente principal é diferente, pois seria um mero empregado, sendo um diretor celetista, o que envolveria subordinação. Os Srs. Ângelo e Sérgio alegam que se aplicaria sobre si o art. 137, I do CTN (e não o 135, III), no sentido que não desempenhava papel relevante na tomada de decisões na recorrente principal. Quanto ao Sr. Ângelo há ainda a alegação de que foi absolvido em processo penal relativo aos contratos firmados pela recorrente principal. O TDF tem um tópico específico para definir as práticas e condutas que ensejaram, no seu entender, a responsabilização dos Srs. em questão 9 responsabilidade passiva solidária. Neste tópico vislumbramos com detalhes o porquê de tal imputação. Em síntese: SÉRGIO CUNHA MENDES, CPF n° 311.654.35691, eleito, conforme alteração estatutária registrada na JUCESP em 11/08/2008, sob o n° 259.841/080, para o cargo de Diretor VicePresidente. Atuava na condição de gestor da Mendes Júnior, responsável pela tomada de decisões da empresa, incluindo a promessa e oferta de vantagens indevidas e a celebração de contratos fraudulentos. Como exemplo, transcrevemos trechos da delação de Alberto Youssef, demonstrando o conhecimento e a participação de Sérgio Mendes no esquema relativo ao pagamento de propina: (... ) ÂNGELO ALVES MENDES, CPF n° 257.398.24672, eleito, conforme alteração estatutária registrada na JUCESP em 11/08/2008, sob o n° 259.841/080, para o cargo de Diretor VicePresidente. Atuava na condição de gestor da Mendes Júnior, responsável pela tomada de decisões da empresa, incluindo a assinatura dos contratos simulados, celebrados com empresas de fachada. Como exemplo, transcrevemos trecho do contrato, firmado pelo Diretor, entre a Mendes Júnior e a GFD Investimentos Ltda.: (... ) ROGÉRIO CUNHA DE OLIVEIRA, CPF n° 214.981.13400, Diretor de Operações de Óleo e Gás da Mendes Júnior. Em depoimento prestado no dia 20/11/2014, na Superintendência Regional da Polícia Federal em Belo Horizonte/MG, confirmou o pagamento de propinas para agentes públicos, viabilizada por intermédio de contratos simulados, celebrados com empresas de fachada. Fl. 7226DF CARF MF 30 Atuava na condição de gestor da Mendes Júnior, responsável pela tomada de decisões na empresa, incluindo a promessa e oferta de vantagens indevidas e a celebração de contratos fraudulentos. Como exemplo, transcrevemos trecho da delação de Alberto Youssef, demonstrando o conhecimento e a participação de Sérgio Mendes no esquema relativo ao pagamento de propina: (...) ALBERTO ELÍSIO VILAÇA GOMES, CPF n° 245.827.19600, representante da Mendes Júnior nos Consórcios CMMS e Interpar, atuou na negociação e pagamento de propinas por intermédio de contratos simulados, celebrados com empresas de fachada. Como exemplo, transcrevemos trechos das declarações dos delatores Mário Góes e Augusto Ribeiro, demonstrando o conhecimento e a participação de Alberto Vilaça no esquema relativo ao pagamento de propina: (...)" Destarte, não havendo dúvidas sobre os fatos de que ocorreram contratos fraudulentos que deram causa às despesas e pagamentos que geraram o presente lançamento, fica demonstrado que os administradores agiram com excesso de poderes e com infração à lei. Sabiam do caráter fictício dos contratos que assinaram, e que os serviços ali constantes jamais seriam prestados. Os limites da aplicação do art. 135, III do CTN4 envolvem muitas discussões neste CARF, pois há uma corrente que entende que deve haver uma demonstração cabal que os administradores agiram conforme preceitua tal imputação com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Esta corrente, da qual já antecipo que não coaduno, espera encontrar aqui algo equivalente a uma prova cabal do dolo do responsável/administrador da pessoa jurídica. Seria encontrar um ordem escrita destes para a produção de contratos fictícios, ou quiçá, uma confissão irretratável que agiram no intuito de pagar menos tributos. Contudo, a conjunção de elementos coletados pela autoridade fiscal autuante demonstra que há uma clara intenção da recorrente, pessoa jurídica, em pagar muito menos tributos que o devido, e se valer de contratos fraudulentos para efetuar pagamentos sem causa, tanto que há um imputação de qualificação da multa. Esta intenção é exercida pelos seus responsáveis, pessoas físicas, que administram o empreendimento, no caso a pessoa jurídica da recorrente. Os administradores decidem, comissiva ou omissivamente, pelos seus atos de gestão. Nos autos fica demonstrado que tinham conhecimento da fraude que ocorria. Ademais, não seria crível que os próprios administradores da empresa não tivesse plena ciência de que as empresas contratadas eram fictícias ou não possuíam capacidade técnica para a prestação dos serviços contratados. E também seria muito menos crível que não verificassem, a posteriori, que os serviços contratados não foram prestados. 4 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 7227DF CARF MF Processo nº 16004.720203/201519 Acórdão n.º 1402003.692 S1C4T2 Fl. 7.213 31 Em relação aos Srs. Sérgio e Ângelo, no que tange à aplicação do art. 137, I do CTN, cabe aqui esclarecer que o art. 137 do CTN trata de responsabilidade por infrações, pessoal, isolada, o que não é o caso nos autos. Como bem destacado na decisão a quo: O dispositivo citado trata de hipóteses em que a responsabilidade do agente, no caso diretores, afastaria a responsabilidade das demais pessoas físicas e jurídicas envolvidas, a chamada responsabilidade pessoal do agente, que ocorre quando presente o elemento subjetivo, dolo ou culpa, e com seu proveito, somente o agente, no caso diretor, responderá pela exação. Na alegação dos impugnantes atuação se deu no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito I, art. 137, do CTN, o diretor não reponde sozinho pela exação, mas sim conforme o grau de sua participação, conjuntamente com seu superior hierárquico. No presente caso a responsabilidade dos gestores é a legal, consta em lei a sua responsabilização, solidária (III, art 135, CTN), como esclarecido acima. Os responsáveis solidários afirmam, ainda que não participaram dos atos e não tinham autonomia para decidir sobre a prática ou não da ilicitude. Importante, novamente, transcrever a determinação legal que serviu de base para suas responsabilizações. (... ) A responsabilidade aqui não decorre dos diretores figurarem somente como representantes da pessoa jurídica. A responsabilização pelos créditos correspondentes ocorre pelos atos praticados com infração à lei fazerem surgir a obrigação tributária. (...)" No caso dos Srs. Alberto e Rogério, não é relevante se eram diretores empregados ou estatutários, pois não lhe era permitido (muito menos obrigado) a participar de atos ilícitos (uma decisão é personalíssima), e o art. 135, III do CTN não faz distinção de qual tipo de administrador envolvido, bastando a condição de administrador e a prática do ato contrário às normas. No caso do Sr. Ângelo, que alega que foi absolvido por insuficiência de provas, cabe aqui destacar que há independência de instâncias. A DRJ analisou tal questão com propriedade: O Impugnante foi absolvido no âmbito da ação penal citada por não existir prova suficiente para a condenação (art. 386, VII, do CPP). (há transcrição anterior do voto de parte da decisão) Fl. 7228DF CARF MF 32 Por outro lado, a fiscalização defende a responsabilização do Impugnante pelo seguinte trecho do TDF: "Atuava na condição de gestor da Mendes Júnior, responsável pela tomada de decisões na empresa, incluindo a assinatura dos contratos simulados, celebrados com empresas de fachada. Como exemplo, transcrevemos trecho do contrato, firmado pelo Diretor, entre a Mendes Júnior e a GFD Investimentos Ltda." Como já citado e defendido acima, conforme consta do Parecer 55/2009, da PGFN, o que se exige é apenas o dolo gênero e não o dolo espécie, pois "o Direito Tributário preocupase com a externalização de atos e fatos, não possuindo espaço para a persecução do dolo; basta a culpa." O Impugnante, conforme prova cabal que consta dos autos (assinatura de contrato para prestação de serviço fictício) agiu com infração à lei e, conforme consta da sentença emitida pelo Poder Judiciário, há certeza de sua participação objetiva. O Impugnante deveria ter agido com mais cuidado na assinatura de contratos que envolvem valores milionários e em que a prestação de serviço não existiu, impedindo o aproveitamento tributário que ocorreu. A responsabilidade do responsável somente seria totalmente eximida se sua absolvição no processo penal já tivesse transitado em julgado, e o fundamento de sua absolvição estivesse baseado nos Inciso, I ou IV, do art. 386, do Código de Processo Penal (CPP), que não é o caso. CPP: Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça: I estar provada a inexistência do fato; (...) IV estar provado que o réu não concorreu para a infração penal; (Redação dada pela Lei n° 11.690, de 2008) Portanto, não há razão no argumento do Impugnante, devendo ser mantida sua responsabilização. Por conseguinte, NEGASE PROVIMENTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS DOS SRS. ALBERTO ELÍSIO VILAÇA GOMES, SÉRGIO CUNHA MENDES, ÂNGELO ALVES MENDES e ROGÉRIO CUNHA DE OLIVEIRA. Conclusão NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício Do recurso voluntário da recorrente principal, NÃO CONHEÇO DA MATÉRIA de cunho constitucional, e parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO INTEGRAL AO MESMO; Fl. 7229DF CARF MF Processo nº 16004.720203/201519 Acórdão n.º 1402003.692 S1C4T2 Fl. 7.214 33 NEGAR PROVIMENTO do recurso voluntário dos responsáveis solidários Srs. ALBERTO ELÍSIO VILAÇA GOMES, SÉRGIO CUNHA MENDES, ÂNGELO ALVES MENDES e ROGÉRIO CUNHA DE OLIVEIRA, mantendoos na condição de responsáveis solidários pelo crédito tributário lançado (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 7230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.006643/99-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2010
SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. PRODUTOR DE ESPETÁCULO
A produção de espetáculos é atividade vedada ao ingresso no Simples.
Numero da decisão: 1201-002.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Gasparello Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2010 SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. PRODUTOR DE ESPETÁCULO A produção de espetáculos é atividade vedada ao ingresso no Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 66 43 /9 9- 31 Fl. 104DF CARF MF 2 A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ I), por maioria, julgou improcedente a impugnação administrativa da contribuinte, como se infere da ementa do acórdão nº 12 32.504: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Arocalendário: 2010 SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. PRODUTOR DE ESPETÁCULO A produção de espetáculos é atividade vedada ao ingresso no Simples. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Resumidamente, o acórdão recorrido narrou os fatos com exatidão, como reproduzo a seguir: Trata o presente processo de exclusão do Simples efetuado mediante Ato Declaratório DRF/Vit. nº 7, de 4/02/2010, fls. 58/59, por exercer a interessada atividade impeditiva: Produção de Espetáculos. A base para a exclusão foi o inciso XIII do art. 9° da Lei nº 9.317/1996. 2. A interessada foi cientificada em 02/03/2010, fl. 62. 3. Anteriormente já havia sido emitido o Ato Declaratório de fl. 22 que anulado por esta mesma Turma de Julgamento, conforme Decisão de fls. 48/51. 4. Inconformada com a sua exclusão do Simples, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 64/73, em 30/03/2010, arguindo, em síntese, que: a IN nº 355/2003 foi revogada pelo art. 49 da IN nº 608/2006. Assim, a base legal que fundamentou a exclusão não pode produzir efeitos, sendo inexistente a base legal; a autoridade tributária utilizou analogia para excluir a interessada do Simples por informar sua atividade é assemelhada a de produtor de espetáculo, fato não permitido pela legislação tributária; a exclusão ofendeu ao disposto no art. 170 do CTN, que dispõe tratamento favorecido às empresas integrantes do regime; caso não seja cancelado o Ato Declaratório, que a exclusão se dê a partir da data da notificação ou 30 (trinta) dias a contar da notificação, com fulcro no inciso XXXVI do art. 5º, da CF. A contribuinte interpôs o tempestivo Recurso Voluntário, reiterando os mesmos argumentos da impugnação administrativa. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11543.006643/9931 Acórdão n.º 1201002.681 S1C2T1 Fl. 105 3 Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De acordo com artigo 57, parágrafo terceiro, do Regulamento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto e transcrevo a "decisão de primeira instância", concordando com seu inteiro teor, ressalvando que inexistiu novos argumentos ou provas, quando da interposição do Recurso Voluntário: 5. DA TEMPESTIVIDADE 5.1. A manifestação de inconformidade apresentada é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dela conheço. 6. DA BASE LEGAL 6.1. É verdade que a IN nº 608/2006 revogou a IN nº 355/2003, contudo, aquela continuou com mesmo texto constante da IN revogada, como também contém a seguinte afirmação: " Ficam formalmente revogadas, sem interrupção de sua força normativa, as Instruções Normativas SRF nº 355, de 29 de agosto de 2003." 6.2. É de se salientar que o Ato Declaratório está fundamentado no inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/1996, que tem o mesmo texto constante das referidas instruções normativas. 6.3. O Ato Declaratório foi fundamentado em lei que estabelecia que produtor de espetáculo não podia optar pelo Simples. Logo, a descrição e fundamentação do Ato Declaratório possibilitou a interessada ter pleno entendimento do motivo de estar sendo excluído do Simples, sendo imprópria a arguição da interessada. 7. DA ARGUIÇÃO DE NULIDADE 7.1. Entende a interessada que é nulo o Ato Declaratório por estar eivado de vício de legalidade, uma vez que teria direito adquirido, visto que a Autoridade Tributária permitiu que permanecesse no Simples até o ano de 2010. 7.2. Não há na Legislação Tributária dispositivo que assegure à interessada a permanência no Simples somente pelo fato do transcurso do prazo. O direito que à interessada tem por transcurso de prazo é referente ao lançamento, direito não presente neste litígio e que será resguardado, não podendo a Autoridade Tributária exigir tributo além dos prazos instituídos na Legislação Tributária. Fl. 106DF CARF MF 4 7.3. Logo, não considero que a interessada tenha adquirido direito quanto à sua permanência no Simples pelo simples fato do transcurso do prazo, sendo improcedente a sua arguição. 8. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES 8.1. A interessada está se manifestando contra o Ato Declaratório de fls. 58/59, que a excluiu do Simples, por exercer atividade impeditiva ao Simples, no caso produtor de espetáculos. A motivação para o ato foi o inciso XIII do art. 9º da Lei º 9.317/1996, abaixo transcrito: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; 8.2. A interessada em sua defesa apresenta alegações referente a sua atividade com o intuito de demonstrar que não é um produtor de espetáculo ou se assemelha a um produtor. 8.3. Como é notório e foi esclarecido muito bem pela interessada, um show de "strip tease" consiste na apresentação de uma pessoa, que dentro de uma cena fantasiosa, excita a platéia. Não é a pessoa que faz o "strip tease" que organiza o show, é a casa de show que contrata a pessoa que exerce a sua atividade. Logo, a casa de show é quem produz todo o espetáculo. É claro que o espetáculo quem exerce é a pessoa física, mas o espetáculo quem produz é a casa de show. 8.4. Pelo exposto, considero que a interessada é um produtor de espetáculo, não podendo optar pelo Simples, sendo procedente o Ato Declaratório de fls. 57/58, mantendo a exclusão da interessada do Simples. É o meu VOTO. As considerações acima são bastante para meu convencimento, prescindindo de qualquer perícia ou outra diligência, segundo o artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972. Isto posto, voto pelo conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitando a nulidade arguida e NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11543.006643/9931 Acórdão n.º 1201002.681 S1C2T1 Fl. 106 5 Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004706/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. DISPÊNDIOS VINCULADOS A ATOS COOPERATIVOS. CRÉDITO.
Não é permitida a apropriação de créditos incidentes sobre despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações, armazenagem e fretes, vinculados proporcionalmente aos atos cooperativos, posto que não se configuram como adstritos ao regime não cumulativo das contribuições.
RESSARCIMENTO. CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITAS TRIBUTADAS.
Os saldos credores de Pis e Cofins, no regime da não cumulatividade, vinculados a receitas tributadas, somente podem ser aproveitados para compensação dos débitos da mesma contribuição, no contexto da não cumulatividade, e não podem ser ressarcidos.
Numero da decisão: 3201-004.543
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. DISPÊNDIOS VINCULADOS A ATOS COOPERATIVOS. CRÉDITO. Não é permitida a apropriação de créditos incidentes sobre despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações, armazenagem e fretes, vinculados proporcionalmente aos atos cooperativos, posto que não se configuram como adstritos ao regime não cumulativo das contribuições. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITAS TRIBUTADAS. Os saldos credores de Pis e Cofins, no regime da não cumulatividade, vinculados a receitas tributadas, somente podem ser aproveitados para compensação dos débitos da mesma contribuição, no contexto da não cumulatividade, e não podem ser ressarcidos.
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COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. Recorrente SOCIEDADE COOPERATIVA UNIÃO AGRÍCOLA CANOINHAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. DISPÊNDIOS VINCULADOS A ATOS COOPERATIVOS. CRÉDITO. Não é permitida a apropriação de créditos incidentes sobre despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações, armazenagem e fretes, vinculados proporcionalmente aos atos cooperativos, posto que não se configuram como adstritos ao regime não cumulativo das contribuições. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITAS TRIBUTADAS. Os saldos credores de Pis e Cofins, no regime da não cumulatividade, vinculados a receitas tributadas, somente podem ser aproveitados para compensação dos débitos da mesma contribuição, no contexto da não cumulatividade, e não podem ser ressarcidos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 47 06 /2 01 0- 01 Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10920.004706/201001 Acórdão n.º 3201004.543 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) amparado em crédito decorrente da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Mercado Interno, utilizado para a extinção de créditos tributários próprios por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação (DCOMPs). Reproduzo, em parte, o relatório da primeira instância administrativa: Importante mencionar a existência do Mandado de Segurança de nº 500392024.2010.404.7201, impetrado pela manifestante tendo por fundamento o art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, que estabelece o prazo de 360 dias para que o autoridade administrativa profira a decisão pertinente aos documentos por ela apresentados, prazo que teria transcorrido sem que a providência houvesse sido adotada, motivo com base no qual requereu a decretação, por parte do Poder Judiciário, da análise imediata da questão. Em decisão datada de 10/11/2010, (...), deuse a concessão parcial da segurança, sendo determinada a apreciação da questão no prazo de 60 (sessenta) dias. Os Pedidos de Ressarcimento a serem analisados e deliberados pela unidade jurisdicionante da pessoa jurídica, a DRF Joinvile/SC, referemse ao PIS/Pasep Mercado Interno e à Cofins Mercado Interno dos fatos geradores compreendidos entre o 3º Trimestre/2004 e o 4º Trimestre/2008, conforme a seguir detalhado: Processo Tributo PERDCOMP PA 10920.004711/201013 Cofins 17455.71035.310709.1.5.112060 3° Trimestre/2004 10920.004723/201030 PIS/Pasep 30642.26493.290709.1.5.107959 3° Trimestre/2004 10920.004710/201061 Cofins 28375.24544.310709.1.5.116324 4° Trimestre/2004 10920.004724/201084 PIS/Pasep 29897.60316.290709.1.5.104505 4° Trimestre/2004 10920.004709/201036 Cofins 15328.79211.310709.1.5.116830 1° Trimestre/2005 10920.004725/201029 PIS/Pasep 25689.76192.290709.1.5.102921 1° Trimestre/2005 10920.004708/201091 Cofins 30424.34979.310709.1.5.115072 2° Trimestre/2005 10920.004726/201073 PIS/Pasep 39774.00532.290709.1.5.100185 2° Trimestre/2005 10920.404707/201047 Cofins 23790.46725.310709.1.5.116148 3° Trimestre/2005 10920.004728/201062 PIS/Pasep 02417.08395.290709.1.5.100094 3° Trimestre/2005 10920.004706/201001 Cofins 37964.06050.310709.1.5.114270 4° Trimestre/2005 10920.004727/201018 PIS/Pasep 21861.29156.290709.1.5.106247 4° Trimestre/2005 10920.004705/201058 Cofins 06970.81145.310709.1.5.111410 1° Trimestre/2006 10920.004729/201015 PIS/Pasep 28541.03638.310709.1.5.104332 1° Trimestre/2006 10920.004716/201038 Cofins 07960.33360.310709.1.5.111850 2° Trimestre/2006 10920.004732/201021 PIS/Pasep 22249.79328.310709.1.5.107100 2° Trimestre/2006 10920.004717/201082 Cofins 19624.55898.310709.1.5.112757 3° Trimestre/2006 10920.004733/201075 PIS/Pasep 31301.78029.050308.1.1.101768 3° Trimestre/2006 10920.004718/201027 Cofins 36617.64721.060308.1.1.115747 4° Trimestre/2006 10920.004730/201031 PIS/Pasep 42697.96779.050308.1.1.108306 4° Trimestre/2006 10920.004712/201050 Cofins 15943.22182.060308.1.1.116378 1° Trimestre/2007 10920.004731/201086 PIS/Pasep 35701.48279.060308.1.1.107085 1° Trimestre/2007 10920.004715/201093 Cofins 28956.87473.060308.1.1.116300 2° Trimestre/2007 Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10920.004706/201001 Acórdão n.º 3201004.543 S3C2T1 Fl. 4 3 10920.004734/201010 PIS/Pasep 22709.19031.130308.1.1.109949 2° Trimestre/2007 10920.004714/201049 Cofins 41188.20386.060308.1.1.114335 3° Trimestre/2007 10920.004735/201064 PIS/Pasep 21497.17327.130308.1.1.102500 3° Trimestre/2007 10920.004713/201002 Cofins 19868.38705.060308.1.1.112304 4° Trimestre/2007 10920.004736/201017 PIS/Pasep 14116.48037.130308.1.1.106736 4° Trimestre/2007 10920.004719/201071 Cofins 32429.08130.130109.1.1.114306 1° Trimestre/2008 10920.004737/201053 PIS/Pasep 07150.17502.290709.1.5.102770 1° Trimestre/2008 10920.004720/201004 Cofins 39665.94856.310709.1.5.119731 2° Trimestre/2008 10920.004738/201066 PIS/Pasep 01050.62515.310709.1.1.109626 2° Trimestre/2008 10920.004721/201041 Cofins 03226.66128.310709.1.1.110966 3° Trimestre/2008 10920.0047391201042 PIS/Pasep 12003.75662.310709.1.1.100828 3° Trimestre/2008 10920.004722/201095 Cofins 39583.82165.310709.1.1.11 4456 4° Trimestre/2008 10920.004740/201077 PIS/Pasep 40010.52467.310709.1.1.100090 4° Trimestre/2008 Os créditos presentes nos Pedidos de Ressarcimento suprarrelacionados foram utilizados pela pessoa jurídica em numerosos procedimentos compensatórios, com base nos quais extinguiu créditos tributários de sua responsabilidade. Sentença datada de 14/12/2010 confirmou a liminar, na parte que determinou a apreciação dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação no prazo de 60 (sessenta) dias, e declarou o direito de a impetrante “ver aplicada correção monetária aos créditos de PIS/COFINS objeto dos referidos requerimentos, a partir do dia imediatamente posterior ao vencimento do prazo previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, até a data do crédito na contacorrente da empresa, à variação da taxa selic”, (...). Objetivando dar cumprimento à determinação judicial, a autoridade administrativa responsável pelos trabalhos emitiu a Intimação Fiscal (...), tendo a pessoa jurídica sido instada a apresentar os balancetes mensais que contêm a demonstração das receitas e despesas declaradas nos DACONs dos períodos alcançados pela auditoria fiscal; a relação dos produtos revendidos pela sociedade cooperativa, com as respectivas classificações NCM; a relação dos clientes adquirentes dos produtos comercializados; a fundamentação legal utilizada para considerar que todas as receitas são isentas, não alcançadas pela incidência das contribuições, com suspensão ou sujeitas à alíquota zero; cópias de todas as faturas de energia elétrica informadas nos DACONs; cópias dos contratos e a comprovação dos pagamentos dos aluguéis de prédios locados pela pessoa jurídica, informados nos DACONs; e a cópia do contrato/estatuto social da SOCIEDADE COOPERATIVA UNIÃO AGRÍCOLA CANOINHAS, além da documentação de identificação da pessoa natural responsável pela pessoa jurídica. (...) Concluído o procedimento fiscal, deuse a edição de Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o crédito postulado e homologou também de forma parcial as compensações manejadas pela pessoa jurídica, (...). O contribuinte considerou que todas as receitas auferidas, sejam decorrentes dos atos cooperativos, sejam da atividade com não Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10920.004706/201001 Acórdão n.º 3201004.543 S3C2T1 Fl. 5 4 cooperados, ensejavam direito ao ressarcimento o que, segundo a autoridade fiscal, não tem cabimento. Nas palavras do AFRFB, “o contribuinte considera que tanto as exclusões da base de cálculo das contribuições como as receitas de vendas com alíquota zero configuram hipótese em que é autorizado o ressarcimento e a compensação do saldo credor com outros débitos”. Ainda que o efeito sobre o valor apurado das contribuições sociais seja o mesmo, “legalmente são sujeições distintas e inconfundíveis, não se permitindo atribuir os efeitos de uma a outra, por analogia”. Discorreu, em seguida, sobre a Lei nº 5.764, de 1971, que trata do regime jurídico das sociedades cooperativas. Os atos cooperativos não são operações de compra e venda, mas atos praticados entre a sociedade cooperativa e seus cooperados, voltados para seus interesses e suas necessidades como, por exemplo, a entrega da produção à cooperativa para que a comercialize em condições mais favoráveis, e o fornecimento ao cooperado de insumos adquiridos pela cooperativa em melhores condições que a compra individual. Pode, outrossim, a cooperativa atuar como uma empresa comercial qualquer, adquirindo bens de terceiros não associados e os revendendo a clientes não pertencentes ao seu quadro social. Também é possível que atue como prestadora de serviços de armazenagem e beneficiamento prestados a terceiros não associados. Tais operações devem ser contabilizadas em separado dos atos cooperativos e seu resultado deve ser oferecido à tributação. No caso fiscalizado, a pessoa jurídica exerce ambas as atividades. Pratica atos cooperativos além de comprar e vender bens e serviços a não cooperados. Em vista do disposto no art. 87 da Lei nº 5.764, de 1971, contabiliza separadamente as operações com terceiros, como observado nos balancetes apresentados. Assim, “às receitas decorrentes do ato cooperativo [...] aplicase a legislação específica, ao passo que às demais receitas decorrentes de operações com terceiros não cooperados aplica se o regramento geral da nãocumulatividade das contribuições pois aí a cooperativa atua como uma empresa comercial comum. É dizer, quando as receitas forem decorrentes do ato cooperativo são exclusões da base de cálculo das contribuições (ainda que os produtos entregues estejam sujeitos à alíquota zero no mercado em geral)”, conforme disposto pelo art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, medida que também é assegurada pelo art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003, que além da exclusão dos valores relativos aos atos cooperativos admite a exclusão adicional dos custos agregados ao produto agropecuário aos associados, quando da sua comercialização. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10920.004706/201001 Acórdão n.º 3201004.543 S3C2T1 Fl. 6 5 A RFB editou a Instrução Normativa nº 635, de 2004, regulamentando o PIS/Pasep e a Cofins das sociedades cooperativas. O art. 11 da norma lista as exclusões e define “custos agregados ao produto agropecuário dos associados como os dispêndios pagos ou incorridos com [...] locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento [...] bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado (§ 8º). Portanto, além das receitas do ato cooperativo, os custos da cooperativa para praticálos também são exclusões da base de cálculo das contribuições”. Como verificado nos DACONs transmitidos e nas memórias de cálculo apresentadas à fiscalização, “as despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete foram consideradas pelo contribuinte simultaneamente como exclusão da receita bruta e como base de cálculo de créditos da nãocumulatividade, em claro equívoco”. Ainda segundo informado nos DACONs, “não houve contribuição devida sobre receitas em nenhum mês, informação que diverge dos balancetes, onde constam PIS e COFINS devidos sobre receitas auferidas com não associados”. Decidiu então a autoridade fiscal “desconsiderar todas as informações prestadas nos DACONs e apurar os montantes de créditos passíveis de ressarcimento com base nos balancetes. Para tanto, e por não ter o interessado contabilidade de custos integrada, fazse necessário separar do total de receitas aquilo que é decorrente do ato cooperativo, estabelecendo uma proporção para rateio das despesas comuns (energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete) entre o que é custo agregado ao produto agropecuário e o que é vinculado às demais operações com não associados”. Sobre as despesas vinculadas aos atos com não associados calculou os créditos nos termos do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, procedendo ao rateio proporcional de acordo com a sua vinculação às receitas tributadas à alíquota normal da nãocumulatividade e às receitas sujeitas à alíquota zero, neste último caso passível de ressarcimento após o desconto da contribuição devida, conforme disposto pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, e 17 da Lei nº 11.033, de 2003. Apresentou, em seguida, planilhas em que segregou as receitas a partir de informações constantes dos balancetes apresentados pela cooperativa em Receitas de revenda de mercadorias (A), Receitas de vendas a não associados (B) e Receitas de serviços prestados a terceiros (C), chegando ao percentual de receita decorrente do ato cooperativo [A / (A + B +C)]) e ao percentual de receita auferida com não associados [(B + C) / (A + B + C)]. No que tange às receitas auferidas com não associados (B + C), promoveu a distinção entre receitas tributadas à alíquota normal (obtidas pela divisão dos valores de PIS/Pasep e de Cofins contabilizados pela pessoa jurídica, informados em seus balancetes, pelas alíquotas respectivas de cada uma desta Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10920.004706/201001 Acórdão n.º 3201004.543 S3C2T1 Fl. 7 6 contribuições = L) e as receitas sujeitas à alíquota zero [N = (B + C) – L]. Prosseguindo, aplicou sobre os valores de despesas informados nos DACONs (P) os percentuais de receita do ato cooperativo (H) e de receitas auferidas com não associados (J), obtendo o valor do Custo agregado ao produto agropecuário (Q) e a Parcela vinculada às demais receitas (R), sendo este último valor entendido como aquele passível apurar o desconto de crédito a que tem direito o contribuinte. Sobre a Parcela vinculada às demais receitas (R), tida como a base de cálculo para a apuração dos créditos, aplicou as alíquotas de 1,65% para o PIS/Pasep (S) e de 7,6% para a Cofins (V). Sobre estes dois últimos valores fez incidir o percentual de receita tributada à alíquota normal (M) e o percentual de receita tributada à alíquota zero (N), chegando aos valores de crédito vinculados à receita normal, não passíveis de desconto (T e X) e os valores de crédito vinculados à receita sujeita à alíquota zero, estes sim, passíveis de desconto (U e Y). Concluindo o procedimento, dos créditos considerados como passíveis de desconto deduziu os valores de PIS/Pasep e de Cofins apurados pelo contribuinte e constantes de seus balancetes chegando, finalmente, aos valores de crédito a serem reconhecidos pela autoridade fazendária competente. Registrou que a apuração do PIS/Pasep e da Cofins devidos em cada mês não fez parte de seu trabalho, em que apenas considerou o valor constante dos balancetes de verificação disponibilizados pela interessada. Quanto ao Mandado de Segurança de nº 5003920 24.2010.404.7201, em cuja Sentença foi determinada a incidência de juros Selic a partir do dia imediatamente posterior ao vencimento do prazo de um ano previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, até a data do crédito em contacorrente da impetrante, registrou que na lista de documentos constantes da decisão além dos Pedidos de Ressarcimento existem também Declarações de Compensação (as chamadas DCOMPs) em relação às quais a decisão judicial não encontra aplicabilidade. Tendo o contribuinte optado por compensar a integralidade do crédito consignado nos Pedidos de Restituição, afirmou o representante fazendário que a requerente “já se aproveitou do crédito pleiteado muito antes do vencimento do prazo de 360 dias para apreciação do pedido”. (...) Em 01/02/2011, a sociedade cooperativa foi notificada do Despacho Decisório que reconheceu de modo parcial o crédito informado no Pedido de Ressarcimento e do Despacho da SAORT/DRF Joinvile/SC que relacionou os créditos tributários decorrentes das compensações não homologadas, (...). No dia 02/03/2011 a pessoa jurídica apresentou a sua manifestação de inconformidade, (...). Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10920.004706/201001 Acórdão n.º 3201004.543 S3C2T1 Fl. 8 7 No entendimento da litigante, a decisão da autoridade fiscal mostrase “assaz confusa e obscura”, já que o procedimento por ela adotado, na apuração dos créditos em pauta, tem por sustentáculo o comando legal inserto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e até mesmo em ato infralegal constante do art. 23 da Instrução Normativa SRF nº 635, de 2006, norma que expressamente admite a apuração de créditos em relação à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da sociedade cooperativa e aos aluguéis de prédios utilizados nas atividades da sociedade cooperativa, dentre outras possibilidades. Ao contrário do afirmado pelo Auditor Fiscal, pouco importa a discussão sobre a “exclusão ou não de crédito tributário”, já que existe norma permitindo a manutenção do crédito, como antes dito. No caso concreto, o desconto de crédito referente às despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciação e frete possui permissão legal expressa no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, como também na Lei nº 10.865, de 2004. O art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, assegura que uma vez apurado saldo credor em favor da insurgente, tal quantia poderá ser utilizada para a quitação de outros débitos de sua responsabilidade, procedimento por ela adotado, ou então requerido em ressarcimento. O entendimento da autoridade fiscal, atinente à desconsideração dos créditos de PIS/Pasep e Cofins relacionados às despesas incorridas, na proporção dos atos cooperativos e não cooperativos, representa procedimento arbitrário pois praticado ao arrepio da lei, devendo ser corrigido pela autoridade julgadora de primeira instância. Importante observar que a decisão do Senhor AFRFB carece de fundamentação pois em nenhum momento apresentou o dispositivo legal que o levou a glosar parcialmente os créditos referentes às despesas incorridas. Sem disposição legal que impeça o desconto do crédito, este é admissível, tratandose de raciocínio decorrente do princípio de legalidade tributária (art. 150, inc. I da Constituição Federal). O ato administrativo atacado carece de motivação, o que também o fulmina de nulidade. Assegurou o agente fazendário ser de “fácil percepção que às receitas decorrentes do ato cooperativo (afora não se tratarem de operações de compra e venda) aplicase a legislação específica”. Todavia, deixou de esclarecer qual seria a tal da “legislação específica”. Não bastasse a ilegalidade apontada, a decisão ora contraditada atenta contra o princípio da isonomia na medida em que em situação absolutamente idêntica, tratada no processo nº 13984.001478/200919, a autoridade fazendária conferiu integralmente o crédito pleiteado pela Cooperativa Agrícola Frutas de Ouro, (...). Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10920.004706/201001 Acórdão n.º 3201004.543 S3C2T1 Fl. 9 8 Até mesmo a DRF Joinvile, em situação absolutamente idêntica, reconheceu o direito pleiteado em decisão proferida no processo nº 10920.000414/201091, (...). Sendo a norma vinculada, deve atentar para a estrita legalidade, não sendo admitido que os agentes públicos a interpretem de forma discricionária, de modo a aplicála de modo diverso em relação a fatos absolutamente idênticos. O art. 150, inc. II da Constituição Federal representa um verdadeiro corolário do princípio constitucional da isonomia, o que veda o tratamento diferenciado para situações idênticas, como ocorre no caso presente. Demonstrado o flagrante equívoco promovido pelo AFRFB responsável pelo procedimento fiscal, pugna a requerente pela reforma da combatida decisão fiscal, determinandose a baixa dos autos em diligência a fim de que seja apurada a forma correta dos créditos referentes aos insumos adquiridos pela requerente. Também existe equívoco da autoridade fiscal, no que se reporta à determinação judicial de valoração do crédito pela taxa Selic a partir da extrapolação do prazo determinado pelo art. 24 da Lei nº 11.457, de 2011, o que deve ser corrigido por essa instância julgadora. Em abono ao princípio da economia processual e para evitar o cerceamento do direito de defesa e ao contraditório, bem como para evitar julgamentos descompassados em relação a matérias pertinentes, requereu a reunião ao presente dos demais processos da requerente que dizem respeito a créditos de outros fatos geradores, assinalando a existência de provas documentais existentes no processo nº 10920.004716/201038 que devem ser consideradas em todos os demais processos. Finalizando, requereu que a presente manifestação de inconformidade seja declarada procedente, possibilitando ao contribuinte o ressarcimento dos valores de PIS/Pasep e de Cofins glosados, devidamente atualizados pela taxa Selic, o que redundará nas homologações das compensações vinculadas ao crédito em comento. A DRJ/Fortaleza/CE, por meio do Acórdão 08036.102, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. COMPENSAÇÃO. Os créditos da Cofins apurados em relação a custos, despesas e encargos que não puderem ser aproveitados na dedução de débitos da própria contribuição social poderão ser utilizados Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10920.004706/201001 Acórdão n.º 3201004.543 S3C2T1 Fl. 10 9 na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, desde que vinculados à receita de exportação. Quanto ao saldo credor acumulado em virtude de vendas efetuadas no mercado interno, somente poderá ser utilizado em procedimento compensatório na hipótese de as vendas haverem sido efetivadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição social em apreço, ex vi o determinado pelo art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. APROPRIAÇÃO DIRETA OU RATEIO PROPORCIONAL. REQUISITOS PARA ELEIÇÃO DA METODOLOGIA ADOTADA. A pessoa jurídica sujeita à cobrança nãocumulativa da Cofins que aufira receitas no mercado interno vinculadas a operações tributadas e a operações não tributadas (sujeitas à suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência), no caso de existirem custos, encargos e despesas vinculados a ambas as espécies de receitas a apuração do valor do crédito passível de ressarcimento ou de compensação será determinada pelo método da apropriação direta se existir sistema de contabilidade de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração, adotandose o método do rateio proporcional, em caso contrário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No Recurso Voluntário, a cooperativa reforça os argumentos de defesa. Circunscreve o litígio assim: “Cumpre lembrar que a presente discussão se circunscreve basicamente ao aproveitamento de créditos alusivos à energia elétrica, alugueis, armazenagem e fretes que, no entendimento da fiscalização, somente poderiam ter sido aproveitados de forma proporcional às vendas realizadas para terceiros à alíquota zero.” Deixa de argumentar quanto à atualização dos créditos. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10920.004706/201001 Acórdão n.º 3201004.543 S3C2T1 Fl. 11 10 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.507, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 10920.004705/201058, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.507): "O recurso é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente é cooperativa de produção agrícola, tendo efetuado atividades com cooperados e não cooperados. Pede ressarcimento das contribuições que restaram com saldos credores ao final do trimestre. Remanescem no Recurso Voluntário duas matérias em litígio: 1 – Direito de crédito sobre os custos e despesas vinculados à parcela das receitas excluída da base de cálculo das cooperativas de produção, conforme art. 15 da MP 2.15835/2001 e artigo 17 da Lei 10.684/2003 O Fisco glosou os créditos incidentes sobre a parcela dos custos, despesas e outros dispêndios, proporcionais à parcela das receitas que foram excluídas da base de cálculo da cooperativa, excluídas por comando do artigo 15 da MP 2.15835/2001, e artigo 17 da Lei 10.684/2003. Transcrevo trechos do Despacho Decisório pertinentes ao exame em foco (fl. 135 e seguintes “...é de fácil percepção que às receitas decorrentes do ato cooperativo (afora não se tratarem de operações de compra e venda) aplicase a legislação específica, ao passo que às demais receitas decorrentes de operações com terceiros não cooperados aplicase o regramento geral da nãocumulatividade das contribuições pois aí a cooperativa atua como uma empresa comercial comum. É dizer, quando as receitas forem decorrentes do ato cooperativo são exclusões da base de cálculo das contribuições (ainda que os produtos entregues estejam sujeitos à alíquota zero no mercado em geral), nos termos do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001: (...) A Lei nº 10.684/2003 também traz hipótese de exclusão [art. 17]: (...) Portanto, além das receitas do ato cooperativo, os custos da cooperativa para praticálos também são exclusões da base de cálculo das contribuições. Segundo as informações das fichas de apuração dos créditos dos DACONS e as memórias de cálculo entregues em meio digital, as despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete foram consideradas pelo contribuinte simultaneamente como exclusão da receita bruta e como base de cálculo de créditos da não cumulatividade, em claro equívoco. (...) Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10920.004706/201001 Acórdão n.º 3201004.543 S3C2T1 Fl. 12 11 Para tanto [calcular os créditos passíveis de ressarcimento], e por não ter o interessado contabilidade de custos integrada, fazse necessário separar do total de receitas aquilo que é decorrente do ato cooperatibvo, estabelecendo uma proporção para rateio das despesas comuns (energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete) entre o que é custo agregado ao produto agropecuário e o que é vinculado às demais operações com não associados (§§7º e 8º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, também rateados proporcionalmente de acrodo com a vinculação às receitas tributadas à alíquota normal da nãocumulatividade e a vinculação à receitas sujeitas à alíquota zero, este último passível de ressarcimento após o desconto da contribuição devida, nos termos dos artigos 16 da Lei nº 11.116/2005 e 17 da Lei nº 11.033/2003:” A glosa é correta. Os dispêndios relatados, energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete, encontram previsão legal de direito de crédito, para as pessoas jurídicas em geral, nos termos do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. No caso de regimes tributários diferenciados, convivendo dentro de uma mesma pessoa jurídica, os créditos somente podem ser apropriados quando vinculados ao regime não cumulativo, nos termos do §7º do mesmo artigo: § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. A parcela dos dispêndios proporcional aos atos cooperativos, também é ato cooperativo, isto é, faz parte da atividade cooperativista, e não se sujeita à tributação. O STJ, no âmbito do REsp 1.164.716, sob o rito dos repetitivos (art. 543C do CPC), com trânsito em julgado em 22/06/2016, decidiu que a tributação de Pis e Cofins somente incide sobre atos nãocooperativos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. (…) 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda ,em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10920.004706/201001 Acórdão n.º 3201004.543 S3C2T1 Fl. 13 12 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ (sic), fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Portanto, essa parcela não pode gerar créditos, posto que os créditos somente podem ser calculados em relação à parcela das receitas submetidas ao regime não cumulativo. A parcela das receitas fora do campo da tributação, os atos cooperativos, não gera créditos. O art. 17 da Lei 11.033/2004 somente se aplica às receitas e despesas adstritas ao regime não cumulativo das contribuições, o que não é o caso das receitas e despesas vinculadas aos atos cooperativos. 2 – Direito de ressarcimento total dos créditos, sem limitação à proporcionalidade com as receitas exportadas, ou vendidas no mercado interno com isenção, alíquota zero ou não incidência. A recorrente pretende o ressarcimento integral, com compensação, dos créditos apurados. Regra geral, em operações normais, nunca haveria saldos credores de Pis e Cofins não cumulativos, pois cada operação comercial agrega valor aos produtos, e portanto, a saída tem valor maior que a entrada, resultaNdo em saldos devedores de tributos não cumulativos. Desse modo, a lógica básica dos tributos não cumulativos é que se compensem créditos, da entrada, e débitos, na saída, e recolhase a diferença, via de regra, maior. Todavia, há casos em que determinadas operações são tributariamente incentivadas, com isenções, alíquota zero, ou não incidência. Nesses casos, a operação resultará, eventualmente, em saldos credores de tributos, posto que aproveitam créditos na entrada e não incidem débitos na saída. Assim, os benefícios permaneceriam sem utilidade se não pudessem ser ressarcidos em dinheiro, porque não teriam débitos para compensar. O ressarcimento em dinheiro pode, ainda, ser compensado com outros tributos diferentes, tal como organiza toda a legislação pertinente, em especial o artigo 74 da Lei 9.430/96. Desse modo, o ressarcimento é exceção à regra geral, e deve ser expressamente previsto na legislação para que possa ser aplicado. A referência que a recorrente faz às MP´s 552/2012 e 556/2012 não têm pertinência ao caso, pois tratase de permissão de ressarcimento de créditos presumidos, desonerados à saída, por exportação, isenção, não tributação ou alíquota zero. Aqui, se nega o ressarcimento a créditos vinculados a saídas tributadas com alíquotas positivas. Portanto, os dispêndios vinculados aos atos não cooperativos geram crédito, porém as receitas tributadas a alíquotas positivas não se subsumem ao disposto no artigo 17 da Lei 11.033/2004, e os créditos vinculados a essas receitas tributadas com alíquotas positivas somente podem ser compensados com eventuais débitos da mesma contribuição, apurados pela cooperativa, no próprio mês ou em meses subsequentes, conforme artigo 3º, §4º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, e não podem ser ressarcidos ou compensados com outros tributos. Conclusão Pelo exposto, voto negar provimento ao Recurso Voluntário." Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10920.004706/201001 Acórdão n.º 3201004.543 S3C2T1 Fl. 14 13 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.003269/2007-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra –Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa BispoRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .0 03 26 9/ 20 07 -7 5 Fl. 2093DF CARF MF Processo nº 10850.003269/200775 Resolução nº 3402001.717 S3C4T2 Fl. 2.094 2 Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato a fl. 077/078, em face do Despacho Decisório resultante da apreciação do Pedido de Restituição em papel e não numerado (fls. 003), protocolado em 26/12/2007, por meio do qual a contribuinte pretende ter restituído o valor total de R$ 32.848,66. A solicitante esclarece em seu pedido que se utilizou do formulário em papel devido à impossibilidade de se utilizar do programa PER/DCOMP (art. 3º, §1º, da IN SRF nº 600/2005), por este não possuir os campos adequados. A solicitante esclarece em seu pedido que se utilizou do formulário em papel devido à impossibilidade de se utilizar do programa PER/DCOMP, de acordo com o art. 3º, §1º, da IN SRF nº 600/2005, por este não possuir campos para o caso de crédito oriundo de quitação por compensação. Conforme informado pela contribuinte em seu pedido, o valor a ser restituído seria correspondente à compensação a maior de valor de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins por meio da Declaração de Compensação (fls. 005/009) entregue em 13/02/2004 utilizando crédito oriundo de restituição solicitada no processo nº 10108.21073.130204.1.3.020076, que teria sido indevidamente apurado a maior sob o fundamento de inconstitucionalidade da parcela da receita que não se enquadra no conceito de faturamento incluída na base de cálculo. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que, em 17/04/2009, emitiu Despacho Decisório em papel (fls. 061/067), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, com base nos seguintes fundamentos: não confirmação da existência do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior e impossibilidade de considerar exclusão da base de cálculo além das expressamente previstas nas normas aplicáveis, apenas em face de inconstitucionalidade não ampliável à contribuinte. Cientificada do Despacho Decisório, em 30/04/2009 (fl. 068), a contribuinte ingressou, em 01/06/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 069/076 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Destaca que o débito de COFINS objeto do seu pedido de restituição foi quitado por meio de compensação, a qual já teria sido integralmente homologada no Despacho Decisório DRF/SJR/SP — REST/COMP nº 343/2007 emitido no processo administrativo nº 13804.003869/200353. 2. Quanto ao mérito, sustenta que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, ampliou significativamente a base de cálculo da contribuição de forma inconstitucional, ao prescrever que nela fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente seu faturamento, ofendendo frontalmente o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que se restringia somente ao faturamento, e o art. 110, do Código Tributário Nacional, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal para definir ou limitar competências tributárias. Nesse sentido, referese à jurisprudência do STF, citando julgados, e à posição da 2ª instância administrativa, trazendo exemplos de decisões dessa instância, ressaltando em especial o entendimento daquele órgão de que a posição do STF nos recursos extraordinários deve ser aplicada pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Argumenta, ainda, que a matéria já foi considerada pelo STF de repercussão geral e será objeto de sumula vinculante, conforme voto que transcreve. Em conseqüência, a base de cálculo da contribuição somente deveria incluir valores correspondentes ao faturamento. Portanto, no caso específico do presente processo, o débito total de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 2094DF CARF MF Processo nº 10850.003269/200775 Resolução nº 3402001.717 S3C4T2 Fl. 2.095 3 apurado no período de janeiro de 2004, no valor de R$ 36.836,01, conforme cópia da DCTF do 1ºT/2004 anexada aos autos, seria indevido o valor de R$ 32.848,66, que corresponde à parcela da contribuição calculada sobre receitas financeiras, conforme comprovado por cópias do balancete, do Livro Razão e de planilha de cálculos, o qual deve ser restituído. Conclui requerendo o acolhimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito da requerente à restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, informa que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta prova o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP) julgou a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Em seguida, devidamente notificada, a Empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No Recurso Voluntário, a Empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na manifestação de inconformidade. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos quanto a natureza das receitas auferidas pela empresa, bem como que fosse informado quais delas deveriam ser excluídas da base de cálculo das contribuições por força do RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral. Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 10850.003269/200775 Resolução nº 3402001.717 S3C4T2 Fl. 2.096 4 Cumprida a solicitação do Colegiado, o processo foi a mim distribuído por sorteio, tendo em vista que o Conselheiro Relator originário, (Carlos Daniel) neste ínterim, foi nomeado Conselheiro de outra Seção de julgamento do CARF. É o relatório. VOTO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A matéria aqui discutida é costumeira aqui neste Colegiado, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. Visando comprovar o seu direito creditório, o contribuinte juntou ao seu Recurso Voluntário planilhas que indicam, supostamente, a existência de receitas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições sociais. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos a seguir indicados: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório discriminando a parcela da base de cálculo correspondente às receitas excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. A DRF de origem analisou detalhadamente cada rubrica contábil reivindicada pela Recorrente que supostamente não comporia a base de cálculo das contribuições por força da declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98. Em suma, concluiu que dentre todas as rubricas analisadas, as referentes as contas contábeis 37201.00002 – ENTRADA DE PEÇAS P/ ESTOQUE, 37201.00003 – VENDA INTERNA, 3620100014 – REMUNERAÇÃO S/ CONSÓRCIO, 37201.00006 – RECEITAS DE INVEST. EM CONSÓRCIO e 37201.00007 – OUTRAS RECEITAS deveriam compor o faturamento para efeito de incidência das contribuições. Em seguida, foram refeitos os cálculos do período em análise, com base no demonstrativo e registros contábeis que lhes foram apresentados, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo as receitas financeiras, estranhas ao conceito de faturamento, onde apurouse Cofins a pagar do período de apuração de janeiro/04 no valor de R$ 39.583,84, fls. 1964. Por fim, concluiu que não houve compensação a maior, fls. 1965 e 1966, na comparação entre a Cofins a pagar Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 10850.003269/200775 Resolução nº 3402001.717 S3C4T2 Fl. 2.097 5 apurada na diligência com a compensação apontada como pagamento a maior, no Pedido de Restituição em análise, não havendo nada a restituir ao contribuinte. No entanto, a Recorrente, em sua manifestação sobre os resultados da diligência fiscal, afirma que, por equívoco seu e da Fiscalização, não foram considerados na apuração da COFINS devida a dedução os custos dos veículos usados vendidos (planilha de apuração de apuração da COFINS, fls. 1964), nos termos da IN SRF nº247/2002. Informa, ainda, que os documentos contábeis comprovantes dos custos de veículos usados foram juntados anteriormente ao processo. Como se sabe, a determinação da receita tributável na venda de veículos usados adquiridos para revenda se dá pela diferença entre o valor de venda e o valor de aquisição, de acordo com os §§ 4º e 5º do art.10, da IN SRF nº247/02, in verbis: Art.10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. Tendo em vista a legislação citada e uma vez que constam nos autos documentos que sugerem a existência do direito a dedução dos custos de veículos usados na apuração da COFINS devida, com reflexos no pedido de restituição ora analisado, entendo que há necessidade da conversão do processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem confirme a procedência da dedução proposta na apuração da COFINS. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP) realize os seguintes procedimentos: I) Que a DRF analise a documentação contábil já juntada aos autos para verificar se é suficiente para comprovar os custos na aquisição de veículos usados revendidos. Caso a referida documentação não seja suficiente, intimar a empresa a apresentar outros elementos necessários a comprovação dos custos citados. Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 10850.003269/200775 Resolução nº 3402001.717 S3C4T2 Fl. 2.098 6 II) Após a análise da documentação, a Autoridade Fiscalizadora deverá elaborar relatório e refazer as planilhas constantes das fls.1964 a 1966, levando em consideração a dedução do custo na aquisição dos veículos usados revendidos, por ventura apurados; e III) Elaborado o relatório, devese dar ciência ao contribuinte para manifestação sobre o teor do relatório da diligência, retornando então o processo a este Colegiado para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 2098DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.907575/2012-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.365
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 07 57 5/ 20 12 -5 4 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 16327.907575/201254 Resolução nº 3201001.365 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera do recolhimento indevido da Contribuição calculada nos termos da Lei nº 9.718/1998, dado o reconhecimento da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do seu art. 3º, que pretendeu estender a base de cálculo da contribuição para além do faturamento, ou seja, para além do resultado da venda de mercadorias e/ou de serviços. Arguiu o então Manifestante que seu pedido não deveria ter sido indeferido de plano, sem intimação para apresentar documentos e prestar os esclarecimentos necessários, sob pena de cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Segundo ele, a controvérsia sobre a inclusão das receitas financeiras na receita bruta (conceito de faturamento) das instituições financeiras encontravase pendente de decisão do Supremo Tribunal Federal e que, independentemente disso, não podiam integrar a base de cálculo das contribuições as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e/ou de terceiros em hipóteses que não envolvessem intermediação financeira. Alegou também que, além de auferir receitas decorrentes do exercício de suas atividades sociais típicas, ele realizava também operações no seu próprio interesse, auferindo receitas financeiras em relação à aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias. A Delegacia de Julgamento (DRJ) considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcançava as receitas típicas das instituições financeiras (faturamento), dentre elas as receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras), como os juros sobre capital próprio decorrentes da participação no patrimônio líquido de outras sociedades e o depósito compulsório rentável. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 16327.907575/201254 Resolução nº 3201001.365 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.345, de 25/07/2018, proferida no julgamento do processo nº 16327.904269/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.345): Tratase de demanda que discute acerca da base de cálculo das contribuições para realizar o PER/DCOMP para instituições financeiras. Sobre o tema já se posicionou a Terceira Turma Câmara Superior no Acórdão 9303 005.051, sendo o Relator Designado o Conselheiro Charles Mayer, vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA.EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiro Em recente julgado essa Turma adotou posicionamento de converter o feito em diligência nos autos 16327.720228/201481, por entender que é necessário apresentar de modo detalhado o que são operações financeiras próprias. Em que pese, ter decisão judicial com trânsito em julgado, vejo a necessidade de adotar o mesmo posicionamento do mencionado autos 16327.720228/201481, devendo o feito ser convertido em diligência (...): (...) para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias.(Processo 16327.720228/201481) Fl. 136DF CARF MF Processo nº 16327.907575/201254 Resolução nº 3201001.365 S3C2T1 Fl. 5 4 Diante de tal, a prorrogação pode ser prorrogada por igual prazo em favor do Contribuinte. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual prazo. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.002121/2004-28
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário.
Ementa: DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Não há que se deferir a conversão do julgamento em diligência quando o Recorrente não indica os fatos e quais novas provas precisam ser produzidas para demonstrar sua pretensão.
DEPOSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO DE RECEITA. ONUS DA PROVA.
A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, cabendo ao contribuinte comprovar a origem daqueles depósitos quando regularmente intimado para tanto ou no
curso do processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 1103-000.410
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 3ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Eric Castro e Silva
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário. Ementa: DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não há que se deferir a conversão do julgamento em diligência quando o Recorrente não indica os fatos e quais novas provas precisam ser produzidas para demonstrar sua pretensão. DEPOSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO DE RECEITA. ONUS DA PROVA. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, cabendo ao contribuinte comprovar a origem daqueles depósitos quando regularmente intimado para tanto ou no curso do processo administrativo fiscal.
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Ementa: DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não há que se deferir a conversão do julgamento em diligência quando o Recorrente não indica os latos e quais novas provas precisam ser produzidas para demonstrar sua pretensão. DEPOSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO DE RECEITA. ONUS DA PROVA. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, cabendo ao contribuinte comprovar a origem daqueles depósitos quando regularmente intimado para tanto ou no curso do processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da P câmara / 3' turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. HUGO RR SOYITR Vice em exercício da presidência ERIC CASTRO E SILVA - Relator Participaram do presente julgamento. os Conselheiros Mario Sérgio Fernandes Barroso, José Sérgio Gomes, Gen:Li° Nicolau Recktevald, Hugo Coneia Sotero e Marcos Shigueo Takata. 2 Processo n° 10073.002121/2004-28 si -c 11'3 Acórdilo n.° 1103-00.410 Fl. 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão que julgou procedente auto de infração lavrado para a cobrança de IRPJ e CSLL, bem corno do PIS e da COFINS por suposta omissão de receitas, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora em razão da falta de comprovação da origem de depósitos efetuados em conta corrente da contribuinte nos seguintes datas e valores: a) 12/05/1999 — R$ 155.000,00; b) 14/05/1999 — R$ 374.000,00; c) 19/05/1999 —R$ 450,000,00 e d) 20/05/1999 — R$ 15.000,00. A decisão recorrida, após afastar a preliminar de nulidade por cerceamento de direito de defesa manteve o lançamento por entender que o contribuinte, mesmo intimado, não comprovou a origem daqueles depósitos, ônus que lhe competia em razão da presunção de omissão de receita instituída pelo art. 42 da lei n° 9.430/96. A decisão recorrida foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A BENDA DE PESSOA JURÍDICA - Ano-calendário: 1999 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Cabível a exigência referente a omisselo de receitas apurada a partir de depósitos bancários quando o sujeito passivo não denionstre a origem dos créditosefetuados em conta corrente de sua litularidade. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 1999 LANÇAMENTOS REFLEXOS. P1 5. CSLL E COFINS. Na ausência de fatos novos a ensejarem conclusões diversas, o decidido no lançamento principal se estende aos reflexos. Lançamento Procedente Inconformado, vem o contribuinte no seu Recurso Voluntário de fls. 176/185 reiterar a preliminar de cerceamento de direito de defesa, ao argumento de que a não conversão do feito em diligencia restou por macular os princípios constitucionais da impessoalidade, contraditório e do devido processo legal. No mérito, continua a Recorrente a sustentar a nulidade do lançamento, aduzindo que, quando intimado, apresentou as devidas justificativas da origem das receitas tidas como omitidas e que cabia à Autoridade Administrativa o ônus de provar a falta de lastro daquelas receitas. 3 Nas passagens do seu Recurso que en frentam os fundamentos da decisão recorrida, a Recorrente volta a asseverar que o ônus de provar a origem das receitas que lastreiam o auto de infração seria do Fisco, sob pena de desrespeito a vários princípios jurídicos. Nesse sentido, importa a transcrição das razões recursais da contribuinte: "No caso sob censura, a decisão administrativa ora recorrida aduziu, repisando o relatório dos Auditores Fiscais, que a empresa "TIC Administração e Participações Ltda." não teria contabilizado nas comas caixa e bancos qualquer lançamento, coincidente em datas e valores, que desse suporte • aos créditos alegadamente realizados em conta corrente da interessada (..), e, prosseguindo no julgamento, ao afastar a norma legal, qual seja: art. 923, RIR/ 99, por subentender que os documentos juntados aos auto.s. (..) não têm o condão de comprovar a origem dos depósitos que foram objeto da autuação" (fls. 183). O julgamento em primeira instância, portanto, afastou, de forma irresoluta, o principio da boa-fé, de cuja aplicabilidade no âmbito do Direito Tributário é garantia do contribuinte a confer os eventuais desmandos e abusos do Poder Tributante. Ao socorro do argumento, em percuciente voto condutor o Ministro do Superior Tribunal de .Justiça, Humberto Gomes de Barros, em voto publicado na RST.I 24/ 210, atestou que: "a boa fé dos administrados passou a ter importância imperativa no Estado intervencionista, constituindo, juntamente com a segurança jurídica, expediente indispensável à distribuição da just iça material. É preciso tomá-lo em conta perante situações geradas por atos inválidos". Neste diapasão, a jurisprudência administrativa acolheu a indeclinável aplicação do principio da boa-fé. Esse Colando Conselho quando do julgamento do Recurso n 088.246 pela Segunda Camara do Segundo Conselho decidiu que "comprovada a inexistência de empresas emitentes deve ser mantida a denúncia fiscal, mus se o adquirente tomou os cuidados que lhe competia e eram possíveis na condução dos negócios — restou comprovada a entrada das mercadorias e os pagamentos 'bran) feitos através de cheques nominativos e em instituições financeiras e, ainda, incomprovado o conluio, descabe aplicação de penalidade". Portanto, a boa-fé tem amplo espectro de aplicação, especialmente no direito tributário, sendo importante mecanismo de controle e até nleslilo de reconstrução de conceitos, possibilitando a reintetpretação de princípios básicos do ordenamento jurídico. Conseqüentemente, ante os principios constitucionais invocados, sobretudo a boa-fé, a refutação do comportment() da Recorrente, pelos julgadores a quo, é inválida, sob a evasiva de que "os comprovantes de depósitos apresentados pela interessada (lis. 72, 75 c 79) são não identificados. Assim, são hábeis a corroborar os créditos, mas nada indiccun acerca de suas respectivas origens. 0 mesmo pode ser afirmado quanto aos extratos bancários de Ils. 77, 78 010 e 81" Com tais considerações, pede a procedência do presente recurso para anular o lançamento originário. o relatório 4 Processo rr 10073.002121/2004-28 S I -C1T3 Acórao n.° 1103-00.410 Fl. 3 Voto Conselheiro ERIC CASTRO E SILVA, Relator 0 recurso satisfaz os seus requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. 1 - Preliminar: Cerceamento de Defesa. Preliminarmente a Recorrente alega cerceamento de direito de defesa por não terem as instâncias de piso convertido o feito em diligência, "considerado imprescindível a clefesa da Impugnante, ora Recorrente, sobretudo pelos argumentos suscitados somados a questão formulada de cujas conclus5es obrigatórias resultariam evidentemente na nulidade do lançamento ex-officio" (fls.177). Tal preliminar não merece acolhida. A conversão do feito em diligência só tem cabimento quando questões faticas claramente postas aos autos precisam de efetivo suporte probatório. Em outras palavras, é necessário que nos autos estejam delimitados claramente o ponto controvertido que embasa a pretensão tributária e a prova que o contribuinte pretende obter, via diligência, para afastar tal pretensão. Nos autos, pelo menos em sede do Recurso Voluntário que ora se analisa, não há a delimitação da matéria fatica controvertida que precisa de novas provas a serem produzidas em Mais aviltante. Não ha, sequel-, a indicação pela Recorrente de quais provas deseja ver produzida em diligência para comprovar a sua resistência a pretensão do Fisco. No caso dos autos, só há pleitos genéricos de diligência, sob o argumento que o seu indeferimento ofenderia princípios constitucionais, o que não se admite neste Tribunal Administrativo em razão da impossibilidade deste órgão julgar questões de índole constitucional (Súmula CARE IV 2"), seja por Pelo exposto, voto por indeferir a preliminar de cerceamento de direito de defesa. 2 — Mérito: Onus da Prova. Como relatado, no mérito a Recorrente continua a pugnar pela nulidade do lançamento por entender que cabia à Autoridade Administrativa Fiscal o ônus de comprovar cabalmente que os valores depositados em sua conta corrente correspondiam à omissão de receita. Contudo, como bem asseverou a decisão recorrida, tal ônus, nos termo do art. 42 da Lei n" 9.430/96 compete ao contribuinte, nos seguintes termos: Art. 42. Caracterizam-se tantbcin omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição . financeira, ern relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operaçOes. 5 Não restam dúvidas que a Recorrente foi regulamente intimada para comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos depósitos que lastreiam o auto de infração. Tais intimações, contudo, restaram infrutíferas àquele fim. Neste sentido, peg() vênia para adotar os fundamentos da decisão recorrida, que pontualmente fundamentou as razões pela quais Os valores identi ficados pelo lançamento constituem omissão de receita, o que, na realidade, por si só já materializou o pleiteado ônus do Fisco em fundamentar o seu ato. "Assim, em relação aos três depósitos de RS 374.000,00 realizado em14/05/1999, ao depósito de RS 15.000,00, realizado em 20/05/1999 e ai depósito de R$ 155.000,00 realizado em 12/05/1999. a decisão recorrida assim se manifesta: "Intimada, as. fls 65, a comprovar a origem dos depósitos efetuados em conta corrente de sua titularidade no Eurobanco, nos valores de R$ 374.000,00, R$ 15.000,00 e RSI 55.000,00, a interessada h1161771011, às fis 68, que tais valores teriam sido recebidos da empresa "Tic Administração e Participações Lida" em razão de débito constante de conta corrente firmado entre ambas . Em ratificação ao que alega, a interessada juntou aos autos, às fis 72,75 e 79, os comprovantes de depósitos de 17 iS 4062,4903 e 4072; as .fis 73,76 e 80, documentos intitulados "notas de débito"; às Ils 77,78 e 81, os extratos bancários dos quais constam os créditos que fbram objeto da autuação e, às fls 82/87, as cópias parciais dos Livros Diário e Razão da empresa indicada como supridora — ("Tic Administração e Paricipações Lida") . No termo que enibasou a autuação, a autoridade autuante faz registrar que a empresa "Tic Administração e Participações Lida" não teria contabilizado nas contas caixa e bancos qualquer lançamento, coincidente em datas e valores, que desse suporte aos créditos alegadamente realizados etil coma corrente da interessada. Registra ainda que cis pessoas jurídicas "Tic Administração e Participações Lida" e "Santa Lúcia Agro —Industrial" — (interessada) possuem sede no mesmo endereço e que "não têm movimento operacional, não tOin receita proveniente de qualquer atividade produtiva, não têm emissão de notas fiscais, movimentam recursos vultuosos, através de empréstimos externos, compra e venda de debêntures e participa cães societárias, resumindo-se a efetuar um controle de contas correntes mantidas com várias empresas, onde existe uma infinidade de lançamentos da mesma espécie e natureza, com o idêntico e resumido histórico : "liquida cão de parte do saldo devedor existente em conta corrente". (sic) Coin base nos fatos acima elucidados e por considerar que, no contexto probatório apresentado, não foram efetivamente demonstradas as origens dos depósitos nos valores de RS 374.000,00, RS15.000,00 e R$155.000,00, a autoridade autuante concluiu, por presunção autorizada pelo art 42 da Lei 9.430/1996, que os referidos valores seriam provenientes de receilas auferidas a margem da contabilidade" (fls. 167). Ao invés de se insurgir contra a fundamentação acima, que efetivamente comprova que a Administração cumpriu o Onus da prova em fundamentar as razões do seu lançamento, o que sequer seria necessário em razão da presunção legal erigida pelo já transcrito art. 42 da Lei n° 9.430/96, o contribuinte continua a divagar no seu Recurso Voluntário que tais fundamentações teriam ofendido o Process() f 0073.002121/2004-28 SI-CIT3 AcCw(15o ii. 1103-00.410 Fl. 4 principio da boa fé, mas não indica precisamente porquê tal ofensa seria suficiente para afastar o lançamento. A mesma falta de fundamentação especifica se repete no tocante ao deposito de R$ 450.000,00, realizado em 19/05/1999, pelo qual a decisão recorrida afastou categoricamente as razões apresentadas pelo contribuinte após sua intimação para justificar tal deposito e que o presente Recurso Voluntário sequer enfrenta em suas razões. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao presente Recurso, mantendo a decisão recorrida pelos seus exatos termos. como voto. Sala de Sessões, 23 de fevereiro de 2011. Relator. 7
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Numero do processo: 12585.000117/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Ressarcimento no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º, do CTN regulamenta o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir lançamento com pedido de ressarcimento. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/COFINS INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO.
Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e Cofins sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.190
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que conhecia integralmente do recurso e lhe negava provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Ressarcimento no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º, do CTN regulamenta o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir lançamento com pedido de ressarcimento. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/COFINS INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO. Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e Cofins sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que conhecia integralmente do recurso e lhe negava provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 01 17 /2 01 1- 18 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 12585.000117/201118 Acórdão n.º 3302006.190 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do ressarcimento de créditos da contribuição não cumulativa (PIS/Cofins), tendo como fundamento a existência de vedação legal expressa (§ 1º do artigo 2º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003), que incluem, nos seus incisos III e IV, quando adquiridos para revenda, as máquinas, veículos e autopeças. Segundo a Fiscalização, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, devia ser entendido no sentido de que os créditos que podiam ser mantidos eram aqueles que existissem caso a receita à qual eram vinculados não fosse tributada à alíquota zero, inexistindo lógica na manutenção de crédito que a lei vedava desde a sua definição, em função da vedação expressa contida no artigo 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Ainda de acordo com a autoridade fiscal, à semelhança da substituição tributária, a tributação monofásica aplicada a certos produtos – dentre os quais os veículos e autopeças – fazia incidir toda a carga tributária das contribuições na pessoa jurídica fabricante ou no importador, atribuindo alíquota zero aos elos subsequentes do ciclo de venda do produto (atacadistas e varejistas), sendo que a concessão de crédito a estes últimos viria a distorcer a tributação, anulando o aumento da carga tributaria paga pela pessoa jurídica fabricante ou pelo importador. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte arguiu que existia norma que possibilitava o creditamento, este intrínseco à não cumulatividade, em conformidade com o art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Por outro lado, argumentou o então Manifestante ser desnecessário o enfrentamento do mérito, uma vez que Despacho Decisório havia sidolhe cientificado após o limite temporal de 5 anos contados da data de protocolização do pedido. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16065.096, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que, tratandose de pedido de ressarcimento, não havia que se falar em prazo de cinco anos para sua análise, inexistindo hipótese de reconhecimento tácito do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 12585.000117/201118 Acórdão n.º 3302006.190 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.167, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 12585.000094/201133, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.167): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente trouxe em sede recursal os seguintes argumentos de defesa: a. existe norma que possibilita o creditamento, afinal é intrínseco à não cumulatividade o creditamento, como ficou comprovado com o art. 17 da Lei nº 11.033/04; b. mas não será necessário nem estender esse mérito, já que o Despacho Decisório não pode prevalecer já que cientificado após o limite temporal, como se passa a demonstrar. Referida matéria já foi objeto de análise por esta antiga turma nos autos do PA nº 19515.721292/201379 (acórdão nº 3302005.274), onde restou decido por afastar o direito de tomar crédito em relação as aquisições para revenda de máquinas, veículos e autopeças sujeitos à incidência monofásica, bem como afastar a incidência do instituto da homologação tácita para os pedidos de restituição/ressarcimento, cujas razões adoto como causa de decidir: Da inexistência de homologação tácita Quanto à suposta homologação tácita objeto dos pedidos de ressarcimento, urge esclarecer que o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, trata do prazo para homologação da compensação declarada, inexistindo na legislação prazo quanto à homologação tácita de pedido de ressarcimento, que aliás, não é o caso dos autos. Rejeitase assim a preliminar arguida. MÉRITO Quanto ao mérito, destacamse a seguir os excertos do TVF: Inicialmente, vale esclarecer que o interessado é pessoa jurídica revendedora de veículos e autopeças, mercadorias sujeitas à incidência monofásica, e incide, portanto, na vedação contida no art. 3º, I, b c/c o art. 2º, § 1º, III e IV das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que impedem a apuração de créditos na aquisição, para revenda, das máquinas, veículos e autopeças especificadas na Lei nº 10.485, de 2002. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 12585.000117/201118 Acórdão n.º 3302006.190 S3C3T2 Fl. 5 4 3. A despeito da vedação supracitada, o contribuinte apura créditos calculados sobre máquinas, veículos e autopeças tendo em vista a disposição contida no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004, que autoriza a manutenção dos créditos vinculados às vendas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. (...) A par da tributação concentrada, estipulada aos fabricantes e importadores de veículos e autopeças, o § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.485, de 2002, atribui a incidência de alíquota zero para a receita de venda dos mesmos veículos e autopeças, quando apurada por comerciantes atacadistas e varejistas. “Art.3º ... § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001.” (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (g.n.)” 15. Em suma, para as máquinas, veículos e autopeças relacionados na Lei nº 10.485, de 2002, vigora o regime de incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, com concentração da tributação nos respectivos fabricantes e importadores dessas mercadorias e com incidência de alíquota zero para as receitas apuradas, por comerciantes atacadistas e varejistas, com as vendas das mesmas. (...) Dentre as hipóteses para as quais há vedação legal expressa para a apuração de créditos, estão as citadas no § 1º do artigo 2º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que incluem, nos seus incisos III e IV, quando adquiridos para revenda, as máquinas, veículos e autopeças supracitados. “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008)” (g.n.) Art. 2°, § 1o (...) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” (g.n.) (...) Fl. 177DF CARF MF Processo nº 12585.000117/201118 Acórdão n.º 3302006.190 S3C3T2 Fl. 6 5 19. Nesse sentido, não ensejam apuração de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, as aquisições, para a revenda, de máquinas e veículos classificados nos códigos da TIPI supracitados e de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002. Estando bem delineada a espécie normativa que fundamenta a questão e objetivamente abordada pela decisão de piso, reproduzemse os fundamentos, como razão de decidir, com escopo no 1artigo 50, § 1º da Lei 9.784, de 1999, a seguir destacados: Quanto ao mérito, digase que a alegação da impugnante de que existiria norma que possibilitaria a constituição dos créditos glosados está fundamentada, como bem disse o Despacho Decisório, em uma interpretação equivocada do art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse artigo apenas afirma que podem ser mantidos os créditos porventura existentes vinculados a operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. No presente caso não existe crédito a ser mantido, pouco importando, pois, que a operação de venda da contribuinte tenha sido com alíquota zero. E o crédito não existe porque, como também deixa claro o Despacho Decisório, há vedação legal para a sua apuração no caso de veículos e autopeças submetidos à sistemática monofásica:(grifei). Lei nº 10.637, de 2002: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos). § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [destaques acrescidos] Lei nº 10.833, de 2003: Fl. 178DF CARF MF Processo nº 12585.000117/201118 Acórdão n.º 3302006.190 S3C3T2 Fl. 7 6 Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [destaques acrescidos] Assim, em virtude da vedação determinada pelo art. 3º, inciso I, alínea b, da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 3º, inciso I, alínea b, da Lei nº 10.833, de 2003, a contribuinte não podia apurar nenhum crédito decorrente da aquisição de veículos e autopeças submetidos à sistemática monofásica e, portanto, não há sentido em invocar a permissão do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, já que não há crédito a ser mantido. Com isso, concluise novamente pela correção do procedimento fiscal ao lavrar os lançamentos de ofício para formalizar as glosas dos créditos, devendo a contribuinte retificálos em suas declarações.(grifei). No mesmo sentido são as decisões proferidas nos acórdãos nº 3302 005.447 e 3302005.447, envolvendo o crédito nas aquisições de produtos sujeitos ao regime de tributação monofásica e a homologação tácita, respectivamente: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO. Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e a COFINS sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não se podendo reconhecer credito que afronte tal vedação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O Fl. 179DF CARF MF Processo nº 12585.000117/201118 Acórdão n.º 3302006.190 S3C3T2 Fl. 8 7 art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Em relação ao prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para conclusão do procedimento administrativo, previsto no artigo 24, da Lei nº 11.457/07, constatase que referida matéria não foi suscitada na impugnação, ensejando, assim, a aplicação do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, a saber: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Diante do exposto, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 180DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.002469/2007-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
EMENTA
IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SEM A DEVIDA COMPROVAÇÃO DA EFETIVA RETENÇÃO.
Falta de comprovação da efetiva retençaõ do IRRF através de documentação hábil e idônea impede seu aproveitamento no ajuste anual do Imposto de Renda.
INTIMAÇÃO PREVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSÁRIA.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário
DILIGÊNCIA. DESNECESSÁRIA.
Deve ser dispensada a diligência quando a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnicos, for desnecessária em vista de outras provas produzidas. Não se justifica a sua realização quando o fato probante puder ser demonstrado pela juntada de documentos por parte do interessado.
ACORDOS INTER PARTES. IMPOSSIBILIDADE DE OPOSIÇÃO À FAZENDA PÚBLICA.
Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.
Numero da decisão: 2202-004.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SEM A DEVIDA COMPROVAÇÃO DA EFETIVA RETENÇÃO. Falta de comprovação da efetiva retençaõ do IRRF através de documentação hábil e idônea impede seu aproveitamento no ajuste anual do Imposto de Renda. INTIMAÇÃO PREVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário DILIGÊNCIA. DESNECESSÁRIA. Deve ser dispensada a diligência quando a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnicos, for desnecessária em vista de outras provas produzidas. Não se justifica a sua realização quando o fato probante puder ser demonstrado pela juntada de documentos por parte do interessado. ACORDOS INTER PARTES. IMPOSSIBILIDADE DE OPOSIÇÃO À FAZENDA PÚBLICA. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 24 69 /2 00 7- 90 Fl. 69DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 39/44), acompanhado de documentos comprobatórios (efls. 45/61) interposto contra o Acórdão 1131.146 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE – DRJ/REC (efls. 29/34), que julgou improcedente impugnação apresentada em face de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF (efls. 08/11), relativo ao anocalendário 2004, exercício 2005, no valor de R$ 55.459,70, sendo R$ 36.936,20 relativos a de imposto de renda da pessoa fisica e o restante relativo a multa de mora e juros calculados até 30/04/2007. 2. Consta do Auto de Infração que o procedimento fiscal originouse da revisão da declaração de ajuste anual DAA do contribuinte anocalendário 2004 e foi decorrente da compensação indevida de imposto de renda retido na fonte IRRF no valor de R$ 37.345,00, existindo a falta de comprovação, pelo contribuinte, da retenção e por falta de registro da mesma nos sistemas da Receita Federal. O contribuinte não teria atendido, até a data de lavratura, ao Termo de Intimação Fiscal de 26/02/2007 (efls 26), solicitando a comprovação do recolhimento do IRRF. 3. Por bem retratar as alegações trazidas pelo contribuinte na peça impugnatória, e por ser de interesse o exame da Decisão de Primeira Instância, reproduzemse os trechos correspondentes do Acórdão prolatado pela 1ª Turma da DRJ/REC, em sua essência (numeração referenciada cf. processo físico original): Relatório (...) 3. O contribuinte, por meio de seu advogado, impugna o lançamento, fls. 01 a 03, argumentando que : 3.1. improcede a narrativa do lançamento, pois antes da intimação mencionada no lançamento, "em 26.02.2006, o impugnante já havia atendido à Intimação Fiscal n° 20051604154313431034 (doc. anexo), juntando dentre outros documentos, o comprovante de auferimento da renda líquida de R$ 100.000,00, como decorrência de uma ação judicial movida contra a empresa Banco Fiat S.A., liquidada em sentença homologatória" prolatada pelo titular da 4a. Vara Privativa das Execuções de Títulos Extrajudiciais da Comarca de São Miguel dos Campos Alagoas, nos autos do Processo 1104/2001; Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10410.002469/200790 Acórdão n.º 2202004.935 S2C2T2 Fl. 70 3 3.2. conforme o acordo homologado, "o primeiro transator; Banco Fiat S/A, por ato de liberalidade, e visando por fim à contenda judicial, propõe e o segundo transator, Fábio Costa Ferrario de Almeida, aceita, nesta oportunidade, pagar a quantia de R$ 100.000,00 (cem mil reais), em uma única parcela e livre de impostos, mediante cheque administrativo e nominal ao Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas, em até 10 (dez) dias úteis, contados da data de homologação da presente transação"; 3.3. "nenhuma dúvida poderá remanescer sobre a origem do recurso declarado pelo impugnante e sobre o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte, no montante de R$ 37.345,00, cujo ônus foi assumido pelo Banco Fiat S/A, CNPJ 62.237.425/0001 76, nos exatos termos do acordo firmado entre as partes e homologado em juízo"; 3.4. "o valor líquido recebido pelo Impugnante, na importância de R$100.000,00, foi devidamente reajustado para R$ 137.345,00, e sobre este valor aplicada a Tabela de Retenção do IR na Fonte, o que resultou no montante de R$ 37.345,00 a título de IRRF, cujo ônus é de responsabilidade da fonte pagadora", conforme arts. 717, 718, 722 e 725 do Regulamento do Imposto de Renda, que transcreve; 3.5. nenhuma irregularidade praticou, devendo ser improcedente a notificação de lançamento. Voto 4. A impugnação é dotada dos pressupostos legais de admissibilidade previstos (...), portanto, dela se conhece (...). 5. O contribuinte alega que já havia atendido à "Intimação Fiscal de no 200516041543.13431034 (doc. anexo), juntando, dentre outros documentos, o comprovante de auferimento da renda liquida de R$ 100.000.00, como decorrência de uma ação judicial movida contra a empresa Banco Fiat, liquidada em sentença homologatória (..)" (grifo não original). (...). 7. Na fl. 11 consta Comunicação do contribuinte referenciada como "Ref. Termo de Intimação Fiscal N° 20051604154313431034", dirigida à DRF MaceióAL, sobre a qual consta o carimbo da Malha IRPF da DRF MaceióAL, com data de 26/12/2006, e na qual o contribuinte, por meio de seu advogado, aduz que: "tendo sido objeto da Notificação acima referenciada, e em atendimento aos termos da mesma vem apresentar os documentos nela requeridos, referentes ao Exercício de 2005 – Ano Calendário de 2004, a saber: 1. Comprovante dos Rendimentos Recebidos das seguintes fontes pagadoras: a) Banco Fiat SIA; b) C. C. Cosméticos Lida.; c) Tribunal Regional Eleitoral – TER/AL 2. Oficio 71812004, do Exmo. Juiz da 4 ° Vara Privada das Execuções de Títulos Extrajudiciais da Comarca de São Miguel dos Campos – AL e sentença Fl. 71DF CARF MF 4 homologatória de acordo de honorários advocatícios pagos pelo Banco Fiat S/A; 3. Cópia de DIRF apresentada pela empresa CC Cosméticos Ltda, indicando o pagamento de aluguéis no valor de R$ 39.600, 00 com dedução de R$ 5.076,98 (líquido de R$ 34.523, 02). " 8. Observase, porém, que a Comunicação de fl. 11 só está acompanhada de dois documentos, quais sejam: o Oficio e 718/2004 de fl. 12 e a Petição de fls. 13 e 14. 9. O Oficio n° 718/2004 (fl. 12), de 22/11/2004, do Juízo de Direito da 4a. Vara Privativa de Execuções (...), assinado pelo Juiz de Direito Antônio Barros da Silva Lima, informa ao sr. Fábio Costa Ferrario de Almeida, este na qualidade de advogado da São Miguel Veículos Ltda. e seus sócios, nos autos de n° 1.104/01, a homologação por aquele Juízo em 20.09.04 do acordo firmado entre as partes com relação à verba de honorários advocatícios. 10. Nas fls. 13 e 14 está a cópia da Petição dirigida ao Juiz de Direito da 4a. Vara Privativa de Execuções (...), assinada pelo sr. Carlos André de Mello Queiroz, na qualidade de advogado do Banco Fiat S/A, 1 ° transator, e pelo sr. Fábio Costa Ferrari de Almeida, 2o transator, para homologação da transação feita entre os dois, em função de composição amigável extrajudicial entre as partes, (...) (...) 12. Verificase que não consta dos autos o alvará de liberação dos recursos recebidos pelo contribuinte nem qualquer comprovante de rendimentos que informe algum valor retido a título IRRF em relação aos recursos obtidos do Banco Fiat S/A, CNPJ 62.237.425/000176. 13. Dos autos e da impugnação do contribuinte, conforme os trechos daquela abaixo repetidos e destacados, verificase que o comprovante de rendimentos por ele referido se constitui da petição e oficio de fls. 12 a 14, que se referem ao acordo homologado: (...) 14. Vêse, portanto, que o comprovante de rendimentos por meio do qual o contribuinte quer fazer comprovação do IRRF de R$ 37.345,00, que teria sido retido pelo Banco Fiat S/A, como fruto de um acordo homologado judicialmente, é a própria cópia da petição do acordo, fls. 13 e 14, assinada pelo advogado que subscreve sob o seu número de registro na OAB como advogado do Banco Fiat S/A, também assinada pelo próprio contribuinte, Fábio Costa Ferrario de Almeida, não constando da mesma as assinaturas de testemunhas nos campos ali reservados próprios, nem autenticação das cópias, assim como não se pode asseverar o vínculo inequívoco entre esta, que tem data de 04 de agosto de 2004, e "a homologação do acordo firmado entre as partes com relação à verba de honorários advocatícios por este Juízo em 20/09/04"(...), referida na cópia do Oficio no. 718/2004, com data de 22/11/2004, fl. 12, do Juízo da 4a. Vara Privativa das Execuções (...), pois, embora os dois documentos se refiram ao Processo 1.10412001, não há, nas referidas cópias, de fls 12, 13 e 14, identificação da numeração original de folhas do Processo original nem consta dos autos algum documento ou ato, quer acordo, quer homologação, com data de 20/09/2004, observandose, mais uma vez, que a Petição de fls. 13 e 14 tem Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10410.002469/200790 Acórdão n.º 2202004.935 S2C2T2 Fl. 71 5 data 04/08/2004 e o Oficio n" 718/2004 (fl. 12) tem data de 22/11/2004. 15. De toda sorte, ainda que a homologação feita pelo Juízo da 4a. Vara Privativa das Execuções (...) tenha sido referente, exatamente, àquela petição/acordo de fls. 13 e 14, o que o referido acordo demonstra, apenas, é que "O primeiro transator, Banco Fiar S.A., por ato de liberalidade e visando por fim à contenda judicial, propõe, e o segundo transator, Fábio Costa Ferraria de Almeida, aceita, nesta oportunidade, pagar a quantia de R$ 100.000,00 (cem mil reais), em uma única parcela e livre de impostos, mediante cheque administrativo e nominal ao Tribunal de Justiça do Estado Alagoas, até 10 (dez) dias úteis, contados da data de homologação da presente transação" (fl. 13). 16. Ocorre, porém, que os documentos de fls. 12 a 14 não comprovam nem os rendimentos brutos de R$ 137.345,00 e nem o IRRF de R$ 37.345,00, declarados pelo contribuinte em relação à fonte pagadora Banco Fiat S/A, CNPJ 62.237.425/000176, cujo nome mudou para Banco Fidis S/A. 17. Portanto, não constando DIRF da fonte pagadora de CNPJ 62.237.425/000176, nem tendo o contribuinte apresentado na impugnação comprovante de rendimentos e de retenção do imposto de renda nos moldes da IN SRF no. 120/2000, e nem mesmo de outra maneira que ateste inequivocamente a retenção do IR no valor de RS 37.345,00 e nem do seu recolhimento, relativamente àquela mesma fonte pagadora, mantémse a glosa por falta de comprovação. 18. Por todo o exposto, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO, para manter o lançamento. 4. Em seu recurso, protocolado em 12/11/2010, o sujeito passivo se insurge contra a Decisão da DRJ/REC, por ele recebida em 19/10/2010, onde repisa seus argumentos apresentados na impugnação e, acrescenta, em síntese, que: atendeu tempestivamente a Notificação e que a Delegacia da Receita Federal de Alagoas não diligenciou perante o Banco Fiat S.A. o efetivo recolhimento do IRRF; a autoridade responsável, aparentemente satisfeita com os documentos apresentados, não solicitou outros elementos de prova; causa "espécie" (sic) o relator da DRJ/REC declarar que não consta nos autos o alvará de liberação de recursos nem qualquer comprovante de rendimentos que informe algum valor retido a titulo de IRRF, o que motivou a decisão pela improcedência da impugnação; o recorrente, por ocasião do recebimento da Notificação apresentou o documento comprobatório que dispunha, o termo de acordo homologado em juízo, onde consta que receberia o valor líquido de R$ 100.000,00 e o pagador assumiria o ônus do IRRF; junta Certidão emitida pela 4a. Vara de Execuções por Títulos Extrajudiciais de São Miguel dos Campos / Al, em versão original, extraída do Processo n° 0401104 06.1999.8.02.0053 para provar o alegado; apresenta outros documentos extraídos do mesmo processo que comprovam o valor líquido recebido de R$ 100.000,00; não pode remanescer dúvida sobre a correção da DAA apresentada; Fl. 73DF CARF MF 6 5. Solicita por fim que o Recurso seja conhecido e que no mérito lhe seja conferido integral provimento, para reforma da Decisão de Primeira Instância e declaração de improcedência da Notificação. 6. O contribuinte apresenta as seguintes cópias de documentos junto ao seu Recurso: Certidão emitida pela 4a. Vara de Execuções por Títulos Extrajudiciais de São Miguel dos Campos / Al, de 05/11/2010 (efl. 45); Petição inicial de Processo de Execução no. 1104/01 de 16/10/2002 (efls. 46/49); Termo de acordo juntado aos mesmo autos entre o executante e o executado (efls. 50/51, já apresentado a efls. 14/15); Procurações dos Patronos (efls. 52/54); Solicitação de liberação do depósito nos mesmos autos acima citados (efl 55); Pedido de arquivamento dos autos de execução (efl. 56); Guia RDODepósito Judicial de R$ 100.000,00 emitida em 17/08/2004 (efl. 57); Homologação Judicial de acordo de 20/09/2004 (efl. 58); Alvará Judicial de recebimento de depósito de 13/10/2004 (efl. 59/60); e Ofício 718/2004 da 4a. Vara de Execuções por Títulos Extrajudiciais de São Miguel dos Campos / Al, de22/11/2004 (fls. 61 e já apresentado a efls. 12) 7. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, Relator 8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, o recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo. Dessa forma, dele conheço. 9. Verificase que o contribuinte realmente apresentou tempestivamente sua impugnação contra a Notificação em pauta, como pode ser constatado no texto do Acórdão da DRJ de efls. 29/34. Mas aquele foi o momento a ele reservado para apresentação de suas alegações de todos os documentos que considerava pertinentes à DRJ, conforme prazo definido pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, em seus artigos 15 e 16, § 4º . Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.(grifei) Art. 16. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluída pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluída pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997) Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10410.002469/200790 Acórdão n.º 2202004.935 S2C2T2 Fl. 72 7 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluída pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997)(grifei) 10. Uma vez que o contribuinte procedeu à sua manifestação, à autoridade a quo competia a análise dos argumentos e dos documentos que foram efetivamente apresentados, sem necessidade de nova intimação ao contribuinte para formação de sua convicção. 11. E também considerese que nem mesmo seria necessária a intimação prévia para a constituição do crédito pela autoridade lançadora, que já pode dispor previamente das informações necessárias para o lançamento. Senão, vejamos o caput do Artigo 844 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), vigente à época dos fatos: Art. 844. O processo de lançamento de ofício, ressalvado o disposto no art. 926, será iniciado por despacho mandando intimar o interessado para, no prazo de vinte dias, prestar esclarecimentos, quando necessários, ou para efetuar o recolhimento do imposto devido, com o acréscimo da multa cabível, no prazo de trinta dias (Lei nº 3.470, de 1958, art. 19). (Grifei) 12. Preemente também a apresentação da Súmula 46 do Carf (Vinculante, conforme Portaria MF 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. 13. Neste diapasão, não haveria necessidade também de que a Delegacia da Receita Federal de Maceió diligenciasse informações junto ao Banco Fiat S.A., ação considerada desnecessária pela autoridade lançadora. A diligência não se destina a suprir prova que pode ser produzida pela juntada de documentos pelo contribuinte; A realização de perícia deve ser dispensada, por desnecessária, com base no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pelo art.1.º da Lei n.º 8.748/1993) 14. Todos os documentos apresentados pelo contribuinte, tanto os que já foram analisados pela d. 1a. Turma, quanto os agora anexados (ou reapresentados) ao presente Recurso, realmente consubstanciam o recebimento do valor devido ao contribuinte de R$ 100.000,00. Mas o fato é que nenhum deles, nem os agora trazidos aos autos, nem os anteriormente já apresentados, indica o recolhimento da parte relativa ao IRRF, apenas evidenciam o pagamento dos R$ 100.000,00 ao Sr. Fábio Costa Ferrario de Almeida. 15. Ressaltese que a expressão "... quantia de R$ 100.000,00 (cem mil reais) livre de impostos ...", presente na Certidão Judicial de efl. 45 e na petição de proposta de composição amigável de efls. 50, apenas indicam que o reclamante recebeu cem mil reais, mas não indicam, de forma alguma, que o Imposto de Renda Retido na Fonte foi recolhido por qualquer pessoa, física ou jurídica. Fl. 75DF CARF MF 8 16. Cabível ressaltar que se o cumprimento de acordo entre particulares não exime o pagamento de tributos pelos responsáveis, muito menos a suposição do cumprimento da obrigação pelo outro envolvido nesse acordo eximiria, conforme artigo 123 do CTN: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. 17. Por determinação legal, independentemente de acordo inter partes, o qual não pode ser oposto contra a Fazenda Pública, realmente a retenção há de ser feita pela fonte pagadora. Mas por outro lado, aquele que auferiu rendimentos só poderá usufruir da compensação de retenções caso possa comproválas documentalmente. O contribuinte não está sendo questionado do não pagamento do imposto retido, mas sim da falta de documentos, oficiais ou subsidiários, que embasem a existência da retenção. 18. Nos autos inexiste prova concreta de tal retenção: nenhum DARF recolhido relativo ao valor devido, nenhum comprovante de rendimentos pagos relativos ao ano calendário 2004, o contribuinte não consta como beneficiário de tal valor em Declaração de Imposto Retido na Fonte DIRF da empresa pagadora, o d. Juízo homologa o acordo para pagamento mas não determina o recolhimento de imposto de renda. 19. Em relação à matéria em pauta, destaquemse os artigos 87, inciso IV, 941 e 943, § 1º do então vigente Regulamento do Imposto de Renda RIR, Decreto 3000 de 26/03/99, : Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei no. 9.250, de 1995, art. 12): (...) IV — o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a titulo de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; §2o. 0 imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7o, §§ 1o e 2o, e 8o, §1o (Lei no. 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55).(Grifei). Art. 941. As pessoas físicas ou jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte, deverão fornecer à pessoa física beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, quando for o caso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86).(grifei) Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). (...) (Grifei) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10410.002469/200790 Acórdão n.º 2202004.935 S2C2T2 Fl. 73 9 20. Claro está na legislação acima citada que o imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na DAA se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome, o qual não está presente nos autos, bem como o recorrente não está presente em Declaração de Imposto Retido na Fonte do pagador. 21. E na falta do comprovante, e nas palavras do próprio contribuinte ainda em sua impugnação, "o valor líquido recebido pelo Impugnante, na importância de R$100.000,00, foi devidamente reajustado para R$ 137.345,00, e sobre este valor aplicada a Tabela de Retenção do IR na Fonte, o que resultou no montante de R$ 37.345,00 a título de IRRF, cujo ônus é de responsabilidade da fonte pagadora"; ou seja, ele próprio calcula um valor bruto inexistente nos documentos judiciais e infere o valor de IRRF ao qual entenderia caber compensar. 22. Dessa forma, uma vez que o contribuinte não possui o comprovante exigido legalmente, nem apresenta qualquer outro documento que pudesse suprir subsidiariamente a comprovação da retenção do IRRF, não pode pretender o beneficio da dedução de IRRF para o ano calendário 2004. 23. Portanto, resta íntegro o Acórdão da DRJ/REC, que considerou a exigência tributária totalmente mantida. DISPOSITIVO 24. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.905904/2010-78
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1003-000.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 59 04 /2 01 0- 78 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13971.905904/201078 Acórdão n.º 1003000.361 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0739.445, de 17 de março de 2017, da 3ª Turma da DRJ/FNS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Por concordar com a descrição inserida no Acórdão da DRJ e por economia processual, transcrevo abaixo o resumo constante na r. decisão: Por meio do Despacho Decisório constante nos autos, foi considerada não homologada a Declaração de Compensação – DCOMP nº 32370.53002.260908.1.3.040801, transmitida pela interessada, em que figura como crédito pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal. Na fundamentação do referido despacho, consta que: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Não concordando com a decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual seguiu ao conhecimento desta DRJ. Por meio do Acórdão de fls. 27, esta 3.ª Turma da DRJ Florianópolis/SC considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada. Inconformada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 4549, requerendo a homologação da citada DCOMP. O despacho de fls. 52 dá conta de que, por força de decisão judicial exarada nos autos da Ação Ordinária nº 5000780 28.2014.404.7205/SC, ajuizada pela contribuinte, considerou indevido o indeferimento das compensações realizadas pela empresa por meio de diversos PER/DCOMP transmitidos (dentre os quais o DCOMP objeto do presente processo), determinando a emissão de novos Despachos Decisórios pela unidade de origem. Em cumprimento à retrocitada decisão judicial, a unidade de origem prolatou o Despacho Decisório de fls. 159165, por meio da qual restaram homologadas as compensações objeto das DCOMPs nº 34141.51549.140607.1.3.045917, 41060.90449. 260908.1.7.044290 e 12835.27313.260908.1.7.044283 e parcialmente homologada a compensação informada na DCOMP n°. 32370.53002.260908.1.3.040801 (objeto do presente processo). Para maior clareza, transcrevo trechos relevantes do retrocitado Despacho Decisório, fls. 163164 (grifado no original): Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13971.905904/201078 Acórdão n.º 1003000.361 S1C0T3 Fl. 4 3 [...] A sentença exarada nos autos da ação ordinária nº 500078028.2014.404.7205/SC declarou indevido o indeferimento da(s) compensação(ões) realizada(s) pela autora por meio da DCOMP aqui analisada, admitindose, por interpretação da legislação e por orientação da própria Receita Federal do Brasil, a compensação de valor pago a maior em determinado mês, por estimativa, devendo, contudo, ser efetuada nova análise pela Receita Federal do Brasil para verificação acerca da existência de créditos. Em análise aos sistemas informatizados da RFB, observase que na DCTF retificadora o valor declarado do débito, (IRPJ cód. 2362 mar/2007), era de R$ 337.433,39. Na DIPJ retificadora nº 1823770, transmitida em 26/09/2008, o débito de IRPJ por estimativa apurado na ficha 11 também corresponde a R$ 337.433,39. O referido valor, ao ser confrontado com o recolhimento confirmado em nossos sistemas corporativos, no valor de R$ 366.430,53, resulta em um indébito de R$ 28.997,14, mesmo valor do crédito demonstrado na DCOMP em tela. Assim, considerando que a DCTF e a DIPJ retromencionadas foram processadas, liberadas e encontram se ativas, bem como que, ao momento da transmissão da DCOMP, o pagamento a maior ou indevido restava caracterizado e disponível para aproveitamento mediante procedimento compensatório, resta nos reconhecer o direito creditório reclamado pela interessada. Em consulta aos sistemas informatizados da RFB, verificouse que as seguintes Declarações de Compensação foram vinculadas ao crédito aqui em análise: Após imputação dos débitos declarados ao crédito apurado, verificouse que o crédito não é suficiente para liquidar todas as compensações informadas nas DCOMP ´s constantes do quadro supra. [...]DECIDO, com base nos fundamentos acima expostos, RECONHECER DIREITO CREDITÓRIO no montante de R$ 28.997,14. Quanto às compensações vinculadas ao referido crédito, DECIDO: a) HOMOLOGAR AS COMPENSAÇÕES declaradas nas DCOMP´s de nº 34141.51549.140607.1.3.045917, 41060.90449.260908.1.7.044290 e 12835.27313.260908.1.7.04 4283. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13971.905904/201078 Acórdão n.º 1003000.361 S1C0T3 Fl. 5 4 b) HOMOLOGAR PARCIALMENTE a compensação informada na Declaração de C14890,30ompensação de n°. 32370.53002.260908.1.3.040801, da seguinte forma: Devidamente cientificado do referido despacho em 04/12/2015 (v. fls. 166), a contribuinte interpôs em 18/12/2015 a manifestação de inconformidade de fls. 170171, argumentando, basicamente, que: o crédito informado no PER/DCOMP inicial nº 3859688507.300807.1.3.043072 foi utilizado para compensar os débitos referidos nas DCOMP nº 41060.90449.260908.1.7.04 4290, 12835.27313.260908.1.7.044283 e 32370. 3002.260908.1.3.040801. Conseqüentemente, tais DCOMPs devem ser integralmente homologadas; no que tange à DCOMP nº 34141.51549.140607.1.3.045917, a mesma foi tacitamente homologada, pelo decurso do prazo para sua apreciação, por parte da autoridade fiscal; por fim, ainda que se considere que parte do crédito de R$ 28.997,14 foi aproveitado na compensação de que trata a DCOMP nº 34141.51549.140607.1.3.045917, vemos que o valor nela compensado foi de apenas R$ 8.713,36. Consequentemente, não haveria que se falar em um saldo devedor de R$ 9.881,62 referente à DCOMP nº 32370.53002.260908.1.3.040801, mas de apenas R$ 8.713,36. A DRJ/FNS julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 COMPENSAÇÕES. PAGAMENTOS INDEVIDO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO SUFICIENTE Uma vez comprovada a inexistência de crédito suficiente para a compensação pretendida pela contribuinte, a DCOMP correspondente não pode ser integralmente homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) que o Despacho Decisório analisou as PER/DCOMP de nºs. 34141.51549.140607.1.3.045917; 41060.90449.260908.1.7.044290; 12835.27313.260908.1.7.044283 e 32370.53002.260908.1.3.040801 e decidiu por homologar Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13971.905904/201078 Acórdão n.º 1003000.361 S1C0T3 Fl. 6 5 as três primeiras e homologar parcialmente a última, deixando um saldo devedor de R$ 8.881,62; (ii) que o crédito objeto do litpigio foi utilizado integralmente para liquidar os débitos compensados nas 41060.90449.260908.1.7.044290, 12835.27313.260908.1.7.044283 e 32370.53002.260908.1.3.040801, e somente neles teria sido informado o PER/DCOM de nº 38596.88507.300807.1.3.043072; (iii) em relação à PER/DCOMP nº 34141.51549.140607.1.3.045917, essa não menciona a PER/DECOMP original de nº 38596.88507.300807.1.3.043072 e o valor nela compensado foi de R$ 8.713,36. Declara que aquela compensação não teve despacho decisório e foi homologada tacitamente; (iv) que o PER/DCOMP inicial (final 1.3.043072) foi utilizado para liquidar os débitos compensados nas PER/DCOMP finais (1.7.044290; 1.7.044283 e 1.3.040801); (v) que o julgador entendeu que a PER/DCOMP final 1.3.045917 foi homologada tacitamente, aproveitandose do crédito em análise, descontando o vaor comepnsado das declarações seguintes, porém tal argumento não prospera, visto que essa PER/DCOMP foi deferida por decurso de prazo e que, ainda que o crédito de R$ 28.997,14 tivesse sido aproveitado, o valor compensado seria de R$ 8.713,36, não podendo falar em um saldo devedor de R$ 9.881,62 na DECOMP final 1.3.040801, mas sim o montante de R$ 8.713,36. Por fim, requereu a reforma do r. acórdão, determinando à autoridade julgadora o deferimento do pedido e a homologação da integral da DCOMP final 1.3.040801. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A DRJ fundamentou sua decisão destacando que o crédito no valor de R$ 28.997,14 havia sido utilizado parcialmente na PER/DCOMP final 1.3.045917. A Recorrente, por sua vez, declara que essa PER/DCOMP foi homologada em razão de decurso de prazo antes do Despacho Decisório e não mencionava a PER/DCOMP original (final 1.3.043072). Às fls. 62 a 66 do processo eletrônico, foi juntada a PER/DCOMP final nº 1.3.045917. Por esse documento, é possível verificar que, embora o documento não aponte a PER/DCOMP original (final 1.3.043072), o crédito em análise na mesma referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ no valor de R$ 8.713,36, oriundo de DARF, código da Receita 2362, vencimento 30/04/2007, no valor principal de R$ 366.430,53. Tratase, pois, do mesmo crédito declarado nas PER/DCOMP retificadora, isto é, um crédito em razão de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, oriundo de DARF, código da Receita 2362, vencimento 30/04/2007, no valor principal de R$ 366.430,53. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13971.905904/201078 Acórdão n.º 1003000.361 S1C0T3 Fl. 7 6 Ora, vêse claramente se tratar do mesmo crédito originado por recolhimento de DARF, mesmo código de receita, mesmo valor e mesmo vencimento, logo não assiste razão a Recorrente em tentar desconstituir não ter a DCOMP final nº 1.3.045917 utilizado o mesmo crédito pelo simples fato de não ter sido apontada nessa a PER/DCOMP original (final 1.3.04 3072). A Recorrente alega também que, ainda que consumido parte do crédito em análise, o valor do saldo devedor na DECOMP final 1.3.040801 seria de R$ 8.713,36 e não de de R$ 9.881,62, conforme r.decisão. Uma vez homologada, ainda que tacitamente, a DCOMP final nº 1.3.04 5917, o crédito em análise no valor de R$ 28.997,14 foi utilizado parcialmente. Em razão do exposto, do crédito de R$ 28.997,14, foi consumido o valor de R$ 8.713,36 (DCOMP final nº 1.3.045917), restando, por conseguinte, a importância de R$ 20.457,14 (atualizada). O Demonstrativo Analítico de Compensação (consulta SAPO), fls. 156 a 158, demonstra a lista de todos os débitos remanescentes para as compensações em análise, as respectivas atualizações e os saldos finais. Não se vislumbra qualquer equívoco por parte do sistema, que aplicou os índices de correções e períodos de atualizações corretos ao crédito e compensações realizadas. A Recorrente, outrossim, não aponta nenhum erro em relação às atualizações realizadas, limitandose a declarar ser o saldo devedor R$ 8.713,36, sem informar onde teria havido o erro no cálculo. Todos os argumentos de defesa e as provas devem ser colacionadas na Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão do direito, nos moldes determinados pelo Decreto nº 70.235/1972, art.16. No presente caso, nem a manifestação de inconformidade nem o recurso voluntário esclarecem como a mesma teria chegado ao valor do saldo devedor R$ 8.713,36 da DCOMP final nº 1.3.040801 ou se existiu algum erro nas atualizações realizadas pela Receita Federal em relação às compensações efetuadas nas declarações de compensações que utilizaram o crédito de R$ 28.997,14. Isto posto, voto em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/FNS. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 214DF CARF MF
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