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Numero do processo: 13819.903904/2012-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
Numero da decisão: 3201-004.766
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 39 04 /2 01 2- 68 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13819.903904/201268 Acórdão n.º 3201004.766 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologada pela DRF de origem face a inexistência do crédito. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: Em preliminar, defende a decadência para a análise do crédito tributário (CTF, art. 150, § 4º) em função de a ciência do despacho decisório ter ocorrido em prazo superior a 5 anos da data de transmissão do PerDcomp. Cita acórdão do Carf relativo à homologação tácita de declaração de compensação. Afirma que o crédito pleiteado referese à exclusão de outras receitas da base de calculo do Pis e da Cofins em função do trânsito em julgado com repercussão geral ocorreu em 2006. Cita acórdãos de DRJ e do Carf. Acrescenta que foi revogado o §1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998. Pede, se for o caso, a determinação das diligências necessárias para a apuração da exatidão do crédito tributário a que se refere o presente processo, em respeito ao primado da verdade material e da moralidade administrativa. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 02048.738. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.765, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 13819.903903/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201004.765): "O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13819.903904/201268 Acórdão n.º 3201004.766 S3C2T1 Fl. 4 3 Conforme relato dos fatos, tratase de Pedido de Restituição e Compensação apresentado pelo Recorrente e que deixou de ser homologado em razão de "inexistência do crédito postulado". Inicialmente aduz o Recorrente a ocorrência de decadência do crédito tributário, nos termos do art. 150, §4ª do CTN, contados da transmissão do Pedido de Restituição. Todavia, não merece acolhida o pleito do contribuinte. O Pedido de Restituição tem o condão de interromper a prescrição do crédito tributário em face da Fazenda Nacional, contudo, inexiste hipótese de reconhecimento tácito de tal crédito, cujo reconhecimento demanda a análise material do direito creditório pela administração tributária. Lado outro, prevê a legislação a homologação tácita das pedidos de compensação apresentados pelos contribuinte, sendo este prazo de 5 (cinco) anos contados da transmissão da declaração de compensação. Desse modo, não merece qualquer reparo a decisão recorrida: A compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 74, § 2º). O mesmo artigo determina que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (§ 5º). Transcorrido esse prazo, o fisco não pode mais praticar ato de “não homologação” da compensação efetuada. Assim sendo, depois de cinco anos da transmissão do PerDcomp sem que o fisco tenha se manifestado, considerase definitivamente extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado. Por outro lado, o pedido de restituição não tem nenhum efeito imediato e necessita, essencialmente, da manifestação expressa da Administração negando ou concordando com o pedido. Por tratarse de um requerimento, de uma solicitação, de um pedido, necessita uma decisão explícita da Administração – nunca uma solução tácita (Lei nº 9.784, de 1999, art. 48). O prazo da Lei 9.740, de 1996, referese, exclusivamente, à declaração de compensação, não se aplicando a pedido de restituição. Não existe prazo preclusivo para a apreciação do pedido de restituição. Não cabe aplicar a ele o prazo da homologação tácita, dado que a compensação declarada está afeta a um regime declaratório (Declaração de Compensação), e a restituição está afeta a um regime de requerimento (Pedido de Restituição). Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13819.903904/201268 Acórdão n.º 3201004.766 S3C2T1 Fl. 5 4 Nesse mesmo sentido é a própria decisão colacionada pelo Contribuinte em Seu Recurso Voluntário: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OCORRÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da Declaração de Compensação, a teor das disposições do art. 74 e seu § 5° da Lei n° 9430, de 1996, com a redação dada pelo art. 17 da Lei n° 10.833, de 2003. Transcorridos mais de 5 (cinco) anos da data da protocolização da Declaração de Compensação, sem manifestação da autoridade administrativa competente, operase a homologação tácita extintiva do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 120200.246 – Recurso nº 177.141Processo nº 11610.006196/200335 – 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de março de 2009) Vale ressaltar que, muito embora o Pedido de Restituição e o Pedido de Compensação possam ser apresentados por meio de um único instrumento (PER/DCOMP), estes não se confundem, pois representam atos jurídicos de conteúdo distinto. Quanto ao mérito, a questão controvertida consiste na existência ou não de provas acerca de erro incorrido pelo contribuinte na prestação de declarações à RFB. Alega a Recorrente que o crédito postulado por meio de PER/DCOMP decorre de pagamento indevido ou a maior em decorrência do inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, que deve ser reconhecida pela administração tributária. Não assiste razão, contudo, à Recorrente. Não se nega, a rigor, a necessidade de aplicação do quanto restou decidido pelo Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS (art. 3º da Lei nº 9.718/98). Não obstante, cabe ao Recorrente fazer prova do direito postulado, ou seja, indicar, por meio de seus documentos fiscais e contábeis, de que forma foi apurada originalmente a base de cálculo do tributo e qual seria a correta forma de apuração em face da inconstitucionalidade reconhecida, demonstrando, ainda, a correção da quantificação de tal montante. Na hipótese dos autos, não existe qualquer documentação hábil para a comprovação do erro alegado, mas apenas planilhas colacionadas à Manifestação de Inconformidade que não representam e não comprovam a contabilidade da empresa. Quanto ao pedido de diligência, cumpre esclarecer que esta não se presta à substituir o ônus de produção de prova pelo contribuinte. Esta deve ser utilizada quanto resta dúvida por parte dos julgadores acerca dos fatos e desde que o direito Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13819.903904/201268 Acórdão n.º 3201004.766 S3C2T1 Fl. 6 5 postulado esteja minimamente provado pelo contribuinte, o que não se verifica nos autos. Assim, também nesse aspecto, não merece qualquer reparo a decisão recorrida: Nenhum documento contábil ou fiscal acompanha os demonstrativos. Dessa forma, não podem ser aceitos como prova da existência do crédito e o contribuinte não logra comprovar sua vinculação com as teses que apresenta. No caso da exclusão do ICMS, ainda que fosse uma alegação válida, as provas seriam imprestáveis, não sendo suficientes para quantificar o crédito e, como já relatado, as diligências não se prestam a isso. O objetivo da diligência não é produzir provas que não foram apresentadas na impugnação, mas esclarecer dúvidas. Ademais, os valores não são coerentes. Em pesquisa aos sistemas de controle da RFB, verificouse que há incompatibilidade entre os valores declarados em DIPJ e o confessado em DCTF. (...) A apuração do tributo é consolidada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). O valor apurado na declaração apresentada antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF e não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DIPJ e na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para confirmar o indeferimento da restituição. Pelo exposto, a Recorrente não logrou a devida comprovação por meio de documentos hábeis, razão pela qual não há como se reconhecer o direito creditório postulado. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13819.903904/201268 Acórdão n.º 3201004.766 S3C2T1 Fl. 7 6 Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.900019/2008-39
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO LUSTRO. COMPENSAÇÃO.
A DCOMP constitui-se em confissão de divida nos termos da legislação vigente. Na apresentação de DCOMP, o termo inicial do lustro quinquenal ocorre quando da efetiva transmissão da declaração, pois esta é o veículo introdutório da compensação per se.
DILIGÊNCIAS SUPLEMENTARES. INVIABILIDADE. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS ESSENCIAIS AO LONGO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
Quando a parte não aproveita as diversas oportunidades ao longo PAF, no sentido de carrear a instrução probatória de forma completa e eficaz, apta a chancelar seu pleito, não se torna cabível o pedido suplementar de diligência. Esta providência é excepcional e deve ser entendida como ultima ratio.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO LUSTRO. COMPENSAÇÃO.
A DCOMP constitui-se em confissão de divida nos termos da legislação vigente. Na apresentação de DCOMP, o termo inicial do lustro quinquenal ocorre quando da efetiva transmissão da declaração, pois esta é o veículo introdutório da compensação per se.
DILIGÊNCIAS SUPLEMENTARES. INVIABILIDADE. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS ESSENCIAIS AO LONGO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
Quando a parte não aproveita as diversas oportunidades ao longo PAF, no sentido de carrear a instrução probatória de forma completa e eficaz, apta a chancelar seu pleito, não se torna cabível o pedido suplementar de diligência. Esta providência é excepcional e deve ser entendida como ultima ratio.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.643
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO LUSTRO. COMPENSAÇÃO. A DCOMP constitui-se em confissão de divida nos termos da legislação vigente. Na apresentação de DCOMP, o termo inicial do lustro quinquenal ocorre quando da efetiva transmissão da declaração, pois esta é o veículo introdutório da compensação per se. DILIGÊNCIAS SUPLEMENTARES. INVIABILIDADE. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS ESSENCIAIS AO LONGO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Quando a parte não aproveita as diversas oportunidades ao longo PAF, no sentido de carrear a instrução probatória de forma completa e eficaz, apta a chancelar seu pleito, não se torna cabível o pedido suplementar de diligência. Esta providência é excepcional e deve ser entendida como ultima ratio. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO LUSTRO. COMPENSAÇÃO. A DCOMP constitui-se em confissão de divida nos termos da legislação vigente. Na apresentação de DCOMP, o termo inicial do lustro quinquenal ocorre quando da efetiva transmissão da declaração, pois esta é o veículo introdutório da compensação per se. DILIGÊNCIAS SUPLEMENTARES. INVIABILIDADE. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS ESSENCIAIS AO LONGO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Quando a parte não aproveita as diversas oportunidades ao longo PAF, no sentido de carrear a instrução probatória de forma completa e eficaz, apta a chancelar seu pleito, não se torna cabível o pedido suplementar de diligência. Esta providência é excepcional e deve ser entendida como ultima ratio. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO LUSTRO. COMPENSAÇÃO. A DCOMP constituise em confissão de divida nos termos da legislação vigente. Na apresentação de DCOMP, o termo inicial do lustro quinquenal ocorre quando da efetiva transmissão da declaração, pois esta é o veículo introdutório da compensação per se. DILIGÊNCIAS SUPLEMENTARES. INVIABILIDADE. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS ESSENCIAIS AO LONGO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Quando a parte não aproveita as diversas oportunidades ao longo PAF, no sentido de carrear a instrução probatória de forma completa e eficaz, apta a chancelar seu pleito, não se torna cabível o pedido suplementar de diligência. Esta providência é excepcional e deve ser entendida como ultima ratio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 00 19 /2 00 8- 39 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13984.900019/200839 Acórdão n.º 1002000.643 S1C0T2 Fl. 88 2 A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO LUSTRO. COMPENSAÇÃO. A DCOMP constituise em confissão de divida nos termos da legislação vigente. Na apresentação de DCOMP, o termo inicial do lustro quinquenal ocorre quando da efetiva transmissão da declaração, pois esta é o veículo introdutório da compensação per se. DILIGÊNCIAS SUPLEMENTARES. INVIABILIDADE. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS ESSENCIAIS AO LONGO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Quando a parte não aproveita as diversas oportunidades ao longo PAF, no sentido de carrear a instrução probatória de forma completa e eficaz, apta a chancelar seu pleito, não se torna cabível o pedido suplementar de diligência. Esta providência é excepcional e deve ser entendida como ultima ratio. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13984.900019/200839 Acórdão n.º 1002000.643 S1C0T2 Fl. 89 3 Tratase de Recurso Voluntário interposto tempestivamente contra o Acórdão n° 0728.032 (efls. 55 à 60) proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, que, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de compensação proposto pelo Contribuinte. O Despacho Decisório (efl. 09), de 07 de março de 2008, aduz que não foi possível confirmar a existência do crédito pleiteado, haja vista a discrepância nas informações prestadas pelo Contribuinte, razão pela qual não se homologou a compensação. O teor é categórico em constatar que o valor informado na DIPJ não corresponde àquele do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Em sua Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte alegou o que segue: (i) a insubsistência do indeferimento da homologação compensatória, em virtude de discrepâncias para menor do valor pleiteado na DCOMP, de modo que não haveria lugar para glosa com base na divergência de valores, quando o valor objeto da compensação é menor do que o valor do saldo negativo. Ademais, a DIPJ relativa ao exercício em análise permitiria a conclusão de real ocorrência de prejuízo fiscal compensável; (ii) que o saldo negativo de tributos a compensar deve ser atualizado pela correção monetária, aplicandoselhe a taxa SELIC; (iii) que o instrumento da PER/DCOMP era plenamente dispensável, pois seu resultado não se sagrou positivo para aquele exercício, havendo, portanto, prejuízo fiscal; assim, seja pela existência de saldo negativo acumulado, seja pela inexistência de fato gerador no período sob análise, devido ao prejuízo fiscal apurado, não se vislumbraria procedente o lançamento perpetrado pela autoridade fiscal. (iv) pelo princípio da eventualidade, requer seja eventual equívoco ou erro no preenchimento do PER/DCOMP seja exatamente dessa forma interpretado, evitando qualquer prejuízo ao contribuinte, inclusive com correção de ofício em seu favor; (v) pelo princípio da subsidiariedade, que, caso mantido o lançamento pelo não acatamento da compensação, fosse reconhecida a decadência do respectivo crédito. Como arrazoado, o Acórdão da DRJ expõe que o Contribuinte, em sua DCOMP, informou que o crédito utilizado correspondia a "saldo negativo" de IRPJ, enquanto que, na exordial, cambiou para "prejuízo fiscal". Contudo, ainda que ultrapassado tal aspecto, haveria, sim, relevância na divergência de valores então apresentados. Logo, existiria inequívoca irregularidade no preenchimento da DCOMP. Assevera, ainda, que o Recorrente sequer se prestou a retificar quaisquer declarações, mesmo sendo oportunizada tal faculdade. De arremate, afasta a alegação de decadência, pois a exigência do tributo pode ser feita com base na própria DCOMP. Já em sede de Recurso Voluntário, o Contribuinte reitera a maior parte das alegações exibidas em sua Manifestação de Inconformidade, contudo, transmuda sua referência para o enfoque ao "saldo negativo" do crédito, ao invés do "prejuízo fiscal", então rechaçado Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13984.900019/200839 Acórdão n.º 1002000.643 S1C0T2 Fl. 90 4 pelo Acórdão a quo. Pleiteia, ainda, a realização de diligência. Cumpro em transcrever os principais trechos: I Ocorre que é equivocado tal entendimento, já que o valor constante no PERD/COMP é menor do que o valor do saldo negativo da CSLL apurado na DIPJ, sendo que o fato de o referido saldo negativo se referir ao mesmo ano calendário não prejudica o direito da recorrente. Basta ver que no exercício 2000 houve apuração de saldo negativo da CSLL, fato desconsiderado pela Delegacia de Julgamento, que poderia der baixado os autos em diligencia para apurar tal fato. Em outros processos administrativos também há discussão a respeito de compensação de IRPJ e CSLL relativos aos exercícios 2000; 2001; 2002; 2003; e 2004, existindo, pois, claros fundamentos de que a contribuinte ora recorrente tem, sim direito à compensação buscada. (...) Deste modo, a simples divergência de valores quando o valor objeto da compensação é menor do que o valor do saldo negativo não pode ser motivo para o indeferimento do pleito. Nem poderia ser diferente! A Declaração de. Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ relativa ao exercício em análise permite a conclusão da existência de saldo negativo do tributo a ser compensado. Quando muito, simples diligência da autoridade fazendária poderia sanar qualquer dúvida a esse respeito. Desse modo, a divergência apontada não é motivo para o indeferimento da compensação. II — A tese da Fazenda de que não ocorre prescrição no caso concreto é equivocada, já que o artigo 23 da Instrução Normativa 210/2002 exige, sim, o lançamento de ofício do crédito tributário quando, ainda que objeto de declaração de compensação, não estiver confessado nem lançado anteriormente ao envio da DCOMP, com se pode ver do texto do referido normativo legal: (...) Em se tratando de tributos cujo lançamento se dá por homologação, caso do IRPF e a CSLL, o prazo decadencial tem início na data de ocorrência do fato gerador, a teor do que dispõe a norma insculpida no art. 150, § 4.°, do CTN: (...) Assim, como a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 17/03/2008, qualquer fato gerador supostamente ocorrido no ano de 2001 está alcançado pela decadência. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13984.900019/200839 Acórdão n.º 1002000.643 S1C0T2 Fl. 91 5 Pelo exposto, requerse: a) o, provimento do presente recurso para deferir a compensação buscada, haja vista a evidente e possível compensação do tributo com o saldo negativo, ainda que exista divergência entre os valores constantes na DIPJ e no PERD/COMP, ainda que do mesmo exercício fiscal; b) sucessivamente, pedese a baixa dos autos em diligência para verificar a existência de saldo negativo do tributo a ser compensado no exercício anterior, dada a existência de processo administrativo relativo àquele exercício; e c) a declaração de extinção do crédito tributário pela ocorrência de decadência. Cabe consignar que não restou apresentada qualquer prova adicional em sede de Recurso Voluntário, na forma do art. 16, § 4º, "a", "b" e "c", sob razões que justifiquem a busca da verdade material, ou ainda nos limites do exame das matérias de ordem pública. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos e extrínsecos, portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao Recorrente, conforme se observará. Trata o presente caso de pedido de compensação, alegando o Contribuinte possuir crédito contra a Administração Tributária (Art. 74 da Lei n° 9.430/96). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (Art. 368 do CC). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à Autoridade Administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com suas alterações. 1. Da decadência Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13984.900019/200839 Acórdão n.º 1002000.643 S1C0T2 Fl. 92 6 Por primeiro, afasto a alegação de decadência. Isso porque o marco a quo do lustro tem início neste caso quando da apresentação da DCOMP, que, por seu turno, é o veículo introdutório da compensação ora pretendida. Portanto, seria uma absoluta incoerência admitirse como início a contagem decadencial em etapa distinta, pois sequer há móvel fáticojurídico para sustentar tal intelecção. Quanto ao mais, anoto que este assunto já se encontra pacificado na jurisprudência deste e. CARF, conforme se extrai do Acórdão n° 340301.376, Rel. i.Conselheiro Antonio Carlos Atulim: Realmente, não merece reparo a decisão recorrida. Uma coisa é a decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício e outra coisa totalmente distinta é o prazo de decadência para o fisco não homologar a compensação declarada pelo contribuinte. Os prazos de decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário estão previstos nos arts. 150, § 4º e 173, do CTN. Estes dispositivos legais deixam claro que a decadência fulmina o direito da administração tributária exigir tributo por meio de lançamento de ofício, não afetando de modo algum o direito de abrir fiscalização ou de rever os créditos lançados no livro de IPI. Em outras palavras, a decadência inibe o processo de positivação do direito consubstanciado no ato de lançamento tributário; mas não inibe o processo de positivação do direito do fisco declarar que o crédito, no todo ou em parte, é ilegítimo, ainda que este crédito tenha sido lançado na escrita há mais de cinco anos. No caso dos autos, a administração tributária agiu dentro dos lindes da legalidade, pois não foi expedida nenhuma norma individual e concreta por parte do fisco tendente a exigir tributo, o que existe é a exigência de crédito tributário em razão de norma individual e concreta que foi introduzida no mundo jurídico pelo próprio contribuinte, consistente na declaração de compensação. No que tange ao prazo de decadência para o fisco não homologar a compensação, o art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, com as alterações introduzidas pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 estabelece que o prazo é de cinco anos, contados da data entrega da declaração de compensação. Nesta parte, a defesa alegou que deve prevalecer como termo inicial de contagem do prazo decadencial a data de transmissão do PER/Decomp original, pois além da alteração ter alcançado apenas o valor do crédito, a retificação posterior não consubstancia cancelamento do pedido original, mas mera retificação dos dados anteriormente informados. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13984.900019/200839 Acórdão n.º 1002000.643 S1C0T2 Fl. 93 7 Acontece que a retificação das informações referida pela defesa, significa, na verdade, a inserção de nova norma individual e concreta no mundo jurídico distinta da anterior, uma vez que o elemento quantitativo atinente ao crédito sofreu alteração. Assim, a norma individual e concreta consubstanciada no documento original, que declarava o direito de compensar um crédito equivalente a R$ 14.556,92 com um débito equivalente a R$ 14.362,22, foi revogada e substituída por uma nova norma individual e concreta, introduzida no mundo jurídico pelo próprio contribuinte, por meio da qual declarouse o direito de compensar um crédito equivalente a R$ 2.284.013,42 com o débito de R$14.362,22. A norma que declarava o direito de compensar o crédito de R$ 14.556,92 deixou de existir e foi substituída por uma nova, que passou a declarar a existência do direito de compensar um crédito cerca de cento e cinquenta vezes maior. É evidente que a mudança no elemento quantitativo, correspondente ao valor do crédito vinculado à compensação, acarreta uma alteração no mundo jurídico. E em decorrência deste fato, justificase o início do transcurso de novo prazo de decadência. A cada alteração no mundo jurídico provocada pelo contribuinte, é disparado o cronômetro do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, concedendo um novo prazo de cinco anos para que o fisco possa aferir a legitimidade do novo direito alegado. Não foi por outro motivo, que as instruções normativas da Receita Federal que regulamentaram o procedimento de compensação, com base no permissivo legal no art. 74 § 14 da Lei nº 9.430/96, sempre estabeleceram que no caso de retificação, o termo inicial da contagem do prazo de decadência é a data da apresentação da retificadora. Portanto, também não em razão a recorrente quando alega que a Receita Federal está dispondo sobre interrupção ou suspensão de prazos de decadência por meio de atos administrativos, pois as instruções normativas apenas explicitaram a interpretação do art. 74, da Lei nº 9.430/96. A cada norma individual e concreta introduzida pelo contribuinte, nasce um prazo de cinco anos para que o fisco exerça a competência de homologar ou não a compensação. (GN) Rechaçada, portanto, a alegação de decadência. 2. Dos erros de adequação instrumental para a compensação de crédito Em que pese a recalcitrância do Recorrente em admitir equívocos em sua sistemática procedimental, notamse claros erros na via eleita para a compensação. É imperativo ressaltar que seu veículo introdutório é aquele descrito na IN SRF 210/2002 e seguintes (vigentes à época), pelo que faço o mister de transcrever seus dispositivos pertinentes: Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13984.900019/200839 Acórdão n.º 1002000.643 S1C0T2 Fl. 94 8 Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da " Declaração de Compensação" . § 2º A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. § 3º Não poderão ser objeto de compensação efetuada pelo sujeito passivo: I o saldo a restituir apurado na DIRPF; II os tributos e contribuições devidos no registro da DI; III os débitos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF inscritos em Dívida Ativa da União; e IV os créditos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) ou do parcelamento a ele alternativo. § 4º O sujeito passivo poderá utilizar, na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento encaminhado à SRF, desde que referido pedido se encontre pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da "Declaração de Compensação". § 5º A compensação de tributo ou contribuição lançado de ofício importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Art. 22. Constatada pela SRF a compensação indevida de tributo ou contribuição já confessado ou lançado de ofício, o sujeito passivo será comunicado da nãohomologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento do débito no prazo de trinta dias, contado da ciência do procedimento. Parágrafo único. Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para inscrição em Dívida Ativa da União, independentemente da apresentação, pelo sujeito passivo, de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento de seu direito creditório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13984.900019/200839 Acórdão n.º 1002000.643 S1C0T2 Fl. 95 9 Art. 23. Verificada a compensação indevida de tributo ou contribuição não lançado de ofício nem confessado, deverá ser promovido o lançamento de ofício do crédito tributário. Parágrafo único. O sujeito passivo será comunicado da não homologação da compensação, cientificado do lançamento de ofício e intimado a efetuar o pagamento do débito ou a impugnar o lançamento no prazo de trinta dias, contado de sua ciência. Complemento tais aspectos normativos com a jurisprudência deste e. CARF na figura do Acórdão n° 1302002.403, Rel. i. Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa , que expõe o trâmite correto na retificação dos valores apresentados na DCOMP, bem como seus consectários: Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. (...) O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários .Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Logo, sem receio de redundâncias, é fundamental destacar que os pedidos de compensação para que possam ser analisados e deferidos devem seguir os exatos trâmites delineados pela norma. Tal aspecto é que garante o escorreito deslinde petitório, devendo ser respeitado em sua totalidade, e não encarado como uma espécie de "burocracia dispensável". Portanto, a decisão da DRJ resta irretocável, razão pela qual sua fundamentação serve de igual amparo no presente caso, com base no § 1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no §3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: Na DCOMP em análise, a contribuinte informou que o crédito utilizado correspondia a saldo negativo de CSLL do Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13984.900019/200839 Acórdão n.º 1002000.643 S1C0T2 Fl. 96 10 anocalendário de 2002. Porém, alega agora que o crédito referese a prejuízo fiscal. É preciso esclarecer que no regime de compensação por DCOMP, regulado pela Instrução Normativa SRF nº 210/2002, e IN editadas posteriormente, não existe previsão para utilização de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. Por outro lado, supondo que o crédito refirase em verdade a “saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002”, como informado na DCOMP, é relevante sim o fato de haver discrepância entre o valor informado na DCOMP e aquele apurado na DIPJ, ainda que o valor informado na DCOMP seja inferior ao valor apurado na DIPJ. É que o erro pode ser decorrente do período de apuração e não só dos valores informados. É o que pode ter ocorrido na presente DCOMP, pois os débitos compensados são estimativas mensais de CSLL dos meses de janeiro a dezembro de 2002 (f.41/42). Portanto, o saldo negativo de CSLL não poderia ser aquele do ano calendário de 2002 como parece pretender a recorrente, pois aqueles débitos somente poderiam ser compensados com saldo negativos de anoscalendário anteriores ao de 2002. Além disso, no detalhamento do crédito utilizado na DCOMP as “Estimativas Compensadas com Saldo Negativo de Períodos Anteriores” que comporiam o saldo negativo apurado no anocalendário de 2002 (f. 38, DCOMP), são os mesmos débitos que se pretende compensar, o que denota irregularidade no preenchimento da DCOMP. Impende destacar que, para que se tenha faculdade à compensação, torna se necessário que o Recorrente comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual aquela não pode ocorrer. O ônus probatório do crédito alegado pelo Contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, também não foi possível à Administração Tributária por consectário lógico reconhecer a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo Contribuinte, pois lhe faltavam elementos probatórios capazes de assegurar a existência do crédito, fosse um pagamento indevido ou a maior ou, mesmo, crédito decorrente de saldo negativo. Assim, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância, quando conclui que não resta demonstrado o direito creditório Nesse espeque, ressalto que não há uma precisa indicação consubstanciada em elementos documentais para confrontar DIPJ, DCTF, LALUR, códigos de recolhimento, informativo quanto ao método, balancetes de apuração de resultados, a fim de comprovar o crédito, inclusive para também se compreender eventuais cálculos de valores originalmente declarados e eventualmente retificados. Nesse sentido Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13984.900019/200839 Acórdão n.º 1002000.643 S1C0T2 Fl. 97 11 entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria; sem falar que eventual documentação contábil não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam da escrita contábil ou da escrita fiscal, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a crédito que se pretende invocar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. Para tanto, cito o precedente o i. Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, no Acórdão n° 1002000.405, de 13/09/2018: O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débitos próprios do sujeito passivo. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13984.900019/200839 Acórdão n.º 1002000.643 S1C0T2 Fl. 98 12 Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. A despeito das alegações do contribuinte quanto a retificação e a alegada surgência do crédito a partir da retificadora, ao meu ver não se desincumbiu o sujeito passivo de demonstrar a contento o referido crédito, isto porque, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez ao apontado crédito. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação, inclusive para justificar e validar a retificação invocada. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventuais provas documentais não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. Ressaltese, neste aspecto, que existindo controvérsia quanto ao crédito a demonstração de sua efetiva existência, inclusive com a prova da escrituração contábil e fiscal, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte. Dessa forma, não cumpre ao presente Relator, sequer a este Colegiado, na condição de instância recursal, suprir o ônus do contribuinte, realizando uma verdadeira auditoria nos livros contábeis, que sequer foram apresentados, para, em substituição ao seu ônus, comprovar a certeza de liquidez do crédito perseguido no seu exclusivo interesse. Nesse sentido: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano calendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13984.900019/200839 Acórdão n.º 1002000.643 S1C0T2 Fl. 99 13 a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando destinados à constituição de créditos para fins de compensação e, mais, o ponto principal não resta claramente demonstrado o alegado saldo negativo. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. No mais, a decisão da DRJ apreciou, com riqueza e rigor de detalhes, a matéria suscitada na manifestação de inconformidade, apresentando os devidos fundamentos transcritos ao longo destes autos para rebatêla; de seu turno, o Contribuinte não estabeleceu, através de seu recurso, dialeticidade suficiente para apontar, na decisão combatida, quais daqueles argumentos da primeira instância não seriam adequados e conteriam eventual erro de julgamento ou erro de procedimento. Não foram refutados pontos importantes da decisão vergastada, repetindoa sem enfrentar algumas das razões de decidir da decisão objeto do Recurso Voluntário. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. 3. Da DCOMP como instrumento de confissão de dívida Já no que cinge à apresentação da DCOMP e as consequências dela decorrente, não assiste razão o argumento exposto pelo Contribuinte. Esta conclusão se Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13984.900019/200839 Acórdão n.º 1002000.643 S1C0T2 Fl. 100 14 extrai do texto do art. 74, §6°, da Lei 9.430/96, o qual dispõe de forma hialina que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. De mais a mais, cumpre lembrar que a indigitada DCOMP do presente PAF foi transmitida em 28/07/2004 (efl. 23), logo, está inteiramente consignada dentro do plexo normativo aduzido alhures. Por consectário lógico e inarredável, a confissão de dívida também reforça a intelecção sobre termo inaugural do lustro decadencial, que, conforme exposto acima, foi inteiramente respeitado pelo Fisco. Aliás, nesse aspecto a decisão da DRJ também é patente e plena de razão, de modo que fundamentação serve de igual amparo no presente caso, com base no § 1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: Quanto à alegada decadência do direito de o fisco constituir o crédito tributário, é preciso esclarecer que o crédito tributário referente aos débitos indevidamente compensados prescinde de ser constituído por lançamento de ofício, em razão de a exigência poder ser feita com base na própria DCOMP, conforme prescreve o § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...]§ 6° A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) 4. Da inviabilidade da realização de diligências Por fim, é de se pontuar que foi emitido Termo de Intimação (efl. 53), objetivando o saneamento das discrepâncias encontradas entre a DCOMP e a documentação contábil do Recorrente. No entanto, tal prazo se transcorreu in albis, sem qualquer manifestação no sentido de corrigir as impertinências detectadas. Aliás, tal fato ampara o rechaço à realização de diligências adicionais. Ora, caso tivesse realmente interesse em esclarecer os aspectos contábeis, bem como sua adequação ao veículo compensatório, o Contribuinte já o teria realizado em ocasiões pretéritas ao longo do deslinde do PAF (ou até mesmo apresentado provas adicionais em sede de Recurso Voluntário). Assim, possui inequívoca razão o Acórdão da DRJ em suas razões: A contribuinte já havia sido cientificada da existência de inconsistências verificadas entre as informações da DIPJ e DCOMP, pois no Termo de Intimação (f. 43, nº de rastreamento 672869835) consta o seguinte: Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13984.900019/200839 Acórdão n.º 1002000.643 S1C0T2 Fl. 101 15 Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação. Para o saneamento das irregularidades foi concedido prazo de 20 dias, mas inferese que a contribuinte não logrou retificar qualquer uma das declarações. A intimação foi entregue em 12/03/2007, conforme registro abaixo extraído do sistema corporativo da Receita Federal do Brasil, e o Despacho Decisório foi emitido e entregue somente em 17/03/2008 (AR, f. 34). Como se vê, a contribuinte teve prazo mais do que suficiente para regularizar suas declarações. Ante o exposto, voto para conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 101DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.921914/2012-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PIS/COFINS. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL.
Nos termos do art. 3º, I, "b" e do art. 2º, §1º, II das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, é vedado o creditamento das contribuições de PIS/Cofins dos bens adquiridos para revenda no caso de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal especificados no inciso I do art. 1º da Lei no 10.147/2000.
O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis. Tal dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação, ou seja, previsto na legislação para determinado bem naquela situação fática específica, mas que foi aplicado em produto cuja receita de venda não é tributada (suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência).
PIS/COFINS. STJ. CONCEITO ABSTRATO. INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO.
O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito abstrato de insumo para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002) deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa.
PIS/COFINS. TRANSFERÊNCIA ENTRE FILIAIS. COMERCIALIZAÇÃO. FRETE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O transporte de bens destinados a venda entre os estabelecimentos da recorrente, sem vinculação com o processo produtivo em si, que não se refere também ao deslocamento do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente, não se enquadra nas hipóteses permissivas de creditamento de frete na operação de venda (arts. 3o, inciso IX e 15 da Lei 10.833/2003) ou de serviço utilizado como insumo no processo produtivo (incisos II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002).
Os critérios de essencialidade ou de relevância (REsp nº 1.221.170/PR) devem ser avaliados em relação ao processo produtivo em si, do qual origina o produto final ou atinente à execução do serviço prestado a terceiros. Os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam o creditamento sobre bens ou de serviços utilizados na atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente sobre os insumos utilizados na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens.
PIS/COFINS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO IMOBILIZADO. ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE.
A possibilidade de creditamento com base nos incisos VI e §1º, III dos artigos 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 está restrita aos encargos de depreciação dos bens incorporados ao ativo imobilizado destinados para locação a terceiros, produção de bens destinados à venda ou prestação de serviços; não sendo cabível na hipótese de máquinas ou equipamentos utilizados na atividade comercial da empresa.
DECISÃO RECORRIDA. ELEMENTOS MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS.
Incumbe à interessada, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72).
Não é tarefa do julgador do recurso voluntário diligenciar para buscar a prova faltante do direito creditório da contribuinte mencionada na decisão recorrida quando a própria recorrente sequer contestou os fundamentos dessa decisão nesta parte.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRODUÇÃO DE PROVAS.
O processo administrativo tem um rito diferenciado do procedimento adotado no âmbito do Código de Processo Civil, o qual, no seu art. 1046, §2º expressamente preservou a vigência das disposições especiais dos procedimentos regulados em outras leis, aos quais se aplica as normas do CPC apenas em caráter supletivo.
Em que pese a possibilidade excepcional de apresentação de provas após a manifestação de inconformidade/impugnação, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, no processo administrativo fiscal não há qualquer previsão de autorização para posterior produção de prova pela interessada fora das hipóteses de diligências ou perícias autorizadas pelo julgador.
Recurso Voluntário negado
Direito Creditório não reconhecido
Numero da decisão: 3402-006.233
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL. Nos termos do art. 3º, I, "b" e do art. 2º, §1º, II das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, é vedado o creditamento das contribuições de PIS/Cofins dos bens adquiridos para revenda no caso de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal especificados no inciso I do art. 1º da Lei no 10.147/2000. O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis. Tal dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação, ou seja, previsto na legislação para determinado bem naquela situação fática específica, mas que foi aplicado em produto cuja receita de venda não é tributada (suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência). PIS/COFINS. STJ. CONCEITO ABSTRATO. INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito abstrato de insumo para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002) deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. PIS/COFINS. TRANSFERÊNCIA ENTRE FILIAIS. COMERCIALIZAÇÃO. FRETE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 19 14 /2 01 2- 43 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10880.921914/201243 Acórdão n.º 3402006.233 S3C4T2 Fl. 0 2 O transporte de bens destinados a venda entre os estabelecimentos da recorrente, sem vinculação com o processo produtivo em si, que não se refere também ao deslocamento do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente, não se enquadra nas hipóteses permissivas de creditamento de frete na operação de venda (arts. 3o, inciso IX e 15 da Lei 10.833/2003) ou de serviço utilizado como insumo no processo produtivo (incisos II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002). Os critérios de essencialidade ou de relevância (REsp nº 1.221.170/PR) devem ser avaliados em relação ao processo produtivo em si, do qual origina o produto final ou atinente à execução do serviço prestado a terceiros. Os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam o creditamento sobre bens ou de serviços utilizados na atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente sobre os insumos utilizados na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens. PIS/COFINS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO IMOBILIZADO. ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. A possibilidade de creditamento com base nos incisos VI e §1º, III dos artigos 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 está restrita aos encargos de depreciação dos bens incorporados ao ativo imobilizado destinados para locação a terceiros, produção de bens destinados à venda ou prestação de serviços; não sendo cabível na hipótese de máquinas ou equipamentos utilizados na atividade comercial da empresa. DECISÃO RECORRIDA. ELEMENTOS MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Incumbe à interessada, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). Não é tarefa do julgador do recurso voluntário diligenciar para buscar a prova faltante do direito creditório da contribuinte mencionada na decisão recorrida quando a própria recorrente sequer contestou os fundamentos dessa decisão nesta parte. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRODUÇÃO DE PROVAS. O processo administrativo tem um rito diferenciado do procedimento adotado no âmbito do Código de Processo Civil, o qual, no seu art. 1046, §2º expressamente preservou a vigência das disposições especiais dos procedimentos regulados em outras leis, aos quais se aplica as normas do CPC apenas em caráter supletivo. Em que pese a possibilidade excepcional de apresentação de provas após a manifestação de inconformidade/impugnação, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, no processo administrativo fiscal não há qualquer previsão de autorização para posterior produção de prova pela interessada fora das hipóteses de diligências ou perícias autorizadas pelo julgador. Recurso Voluntário negado Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10880.921914/201243 Acórdão n.º 3402006.233 S3C4T2 Fl. 0 3 Direito Creditório não reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre pedido de ressarcimento/compensação de valores credores de contribuição não cumulativa vinculados à receita do mercado interno. A fiscalização concluiu pela inexistência dos créditos pleiteados, razão pela qual foi emitido Despacho Decisório pela autoridade administrativa, indeferindo o pedido de ressarcimento apresentado. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, sustentando a legitimidade dos créditos pleiteados, objeto das seguintes rubricas: a) Mercadorias sujeitas à incidência monofásica adquiridas para revenda ou relacionadas à devolução de vendas; b) Despesas de aluguel de bem imóvel pago à pessoa jurídica; c) Despesas com fretes nas transferências de mercadorias entre estabelecimento da empresa; d) Depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado; e e) Outras operações com direito a crédito. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 10052.461. Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, sustentando o seu direito creditório sob os seguintes tópicos: a) Creditamento do PIS e da COFINS com relação às mercadorias sujeitas à incidência monofásica adquiridas para revenda ou relacionadas à devolução de vendas b) Despesas incorridas com frete nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da empresa c) Creditamento de PIS e COFINS referente à depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10880.921914/201243 Acórdão n.º 3402006.233 S3C4T2 Fl. 0 4 d) Comprovação das despesas de aluguel de bem imóvel pago à pessoa jurídica e) Créditos rubricados como "outras operações com direito a crédito" É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.223, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.921905/201252, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.223): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. a) Creditamento do PIS e da Cofins com relação às mercadorias sujeitas à incidência monofásica adquiridas para revenda ou relacionadas à devolução de vendas Como consta na Informação Fiscal que fundamentou o Despacho Decisório, em relação aos bens para revenda, foram glosados os créditos relativos às aquisições dos seguintes produtos: 1) produtos farmacêuticos classificados nos seguintes códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto ne 4.542, de 26 de dezembro de 2002: a) 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56; b) 30.04, exceto no código 3004.90.46; c) 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.30.1, 3006.30.2 e 3006.60.00; 2) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, da Tipi; Tais créditos foram glosados em face da vedação contida no art. 3º, I, "b" e no art. 2º, §1º, II da Lei nº 10.637/2002 (disposição idêntica na Lei nº 10.833/2003) c/c o inciso I do art. 1o da Lei no 10.147/2000, abaixo transcritos: Lei nº 10.637/2002: Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10880.921914/201243 Acórdão n.º 3402006.233 S3C4T2 Fl. 0 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). Produção de efeito (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) II no inciso I do art. 1o da Lei no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, no caso de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal nele relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Lei no 10.147/2000: Art. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições (...) serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.548, de 2002) I – incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: ((Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10880.921914/201243 Acórdão n.º 3402006.233 S3C4T2 Fl. 0 6 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 96.03.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento); (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Como se vê, a matéria não oferece maiores dificuldades, tratandose de vedação expressa em lei ao creditamento das contribuições sob a rubrica bens para revenda para os produtos específicos adquiridos pela ora recorrente. De outra parte entende a recorrente que tem direito a esses créditos com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que assim dispõe: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. No entanto, o dispositivo acima não tem o alcance pretendido pela recorrente, possibilitando a manutenção apenas do crédito da contribuição já existente para aquela operação, ou seja, previsto na legislação para determinado bem na situação fática específica, mas que foi aplicado em produto cuja receita de venda não é tributada (suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência). Há que se salientar também que, no caso específico, a fundamentação para a glosa sobre as aquisições de bens para revenda não foi o fato de as receitas de vendas não serem tributadas, mas a existência de vedação legal ao creditamento nas aquisições dos determinados produtos. No mais, mesmo que se adotasse uma interpretação extensiva do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o que esta Relatora entende não ser cabível, a norma genérica, que permitiria a manutenção dos créditos nas vendas com alíquota zero, não poderia derrogar a norma específica que veda expressamente o crédito nas aquisições dos produtos sob análise, em consonância com o disposto no art. 2º, §2º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro: Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. (Vide Lei nº 3.991, de 1961) (Vide Lei nº 5.144, de 1966) Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10880.921914/201243 Acórdão n.º 3402006.233 S3C4T2 Fl. 0 7 § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. (...) No que concerne às alegações da recorrente relativas a Medida Provisória nº 413/2008 e sua conversão na Lei nº 11.727/2008, é de se esclarecer que também não se discute aqui a possibilidade, em tese, de aplicação do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 em relação aos custos, despesas e encargos dos distribuidores, comerciantes ou varejistas de produtos farmacêuticos, mas, obviamente, que somente haverá o efetivo direito ao creditamento quando este esteja previsto em relação a operação concretizada. Dessa forma, em face da vedação legal acima descrita, não há possibilidade de reverter a glosa relativa aos bens adquiridos para revenda. Relativamente às devoluções de venda, as glosas foram assim justificadas pela fiscalização: De acordo com o inciso VIII, art. 3° das leis 10.637/2002 e 10.833/20031, só são passiveis de desconto de créditos os "bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado o faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei" (g.n.). Na listagem apresentada pelo contribuinte, segregada por matriz e filiais, foram constatadas notas fiscais de devolução de produtos TRIBUTADOS A ALIQUOTA ZERO (mercadorias do inciso I, art. 1° da Lei n° 10.147, de 2000). Essas notas foram excluídas da apuração dos créditos, assim como as devoluções em que não foram apresentados os NCM dos produtos. Como se denota, tratase também de vedação expressa em lei de creditamento sobre a operação de devolução correspondente à venda cuja receita não foi anteriormente tributada. Da mesma forma, a norma genérica veiculada pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004 não poderia revogar a norma 1 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; (...) Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.921914/201243 Acórdão n.º 3402006.233 S3C4T2 Fl. 0 8 específica que veda expressamente o crédito nas devoluções de vendas cujas receitas não foram anteriormente tributadas. Assim, a decisão recorrida há de ser mantida nesta parte. b) Despesas incorridas com frete nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da empresa Sustenta a recorrente a legitimidade de seu crédito sobre as despesas de fretes incorridas na transferência de produtos entre seus estabelecimentos com base nos arts. 3o, inciso IX e 15 da Lei 10.833/2003. Alega que "promove a transferência de mercadorias entre suas filiais por razões logísticas, a fim de facilitar a destinação à futura operação de venda, otimizando o tempo e os custos com o transporte nessas operações". Entende também que as despesas com frete interno estariam abrangidas pelo conceito de insumo, o qual deveria ser considerado de forma ampla, de modo a contemplar a totalidade dos dispêndios essenciais para a operação da empresa, do qual resulta a geração de sua receita e faturamento. Por fim, acrescenta a recorrente que: 36. Nesse sentido, os custos de frete interno devem ser entendidos como parte integrante do frete de venda, cujo desconto de créditos é permitido, uma vez que os custos com a saída dos bens entre os estabelecimentos da Recorrente, para futura comercialização pelo vendedor, correspondem, na realidade, a uma parcela dos custos totais que a empresa incorre para que os produtos vendidos sejam entregues aos clientes, sendo que o envio para as empresas da Recorrente tem o intuito tão somente de facilitar, do ponto de vista logístico e comercial, tal deslocamento. 37. Ademais, foi ignorado pelo V. Acórdão recorrido que as despesas com o frete interno são indispensáveis para a comercialização dos bens, já que sem a transferência dos produtos entre os estabelecimentos da Recorrente, a venda aos clientes restaria comercialmente dificultada em razão, entre outros, do aumento de custos e do tempo da chegada dos produtos até o cliente. 38. Assim, verificase que existe uma inerência entre as despesas com frete interno incorridas pela Recorrente e a venda futura das mercadorias, o que gerará a receita tributável pelo PIS/COFINS. Portanto, não há como se negar o direito ao desconto de créditos de PIS/COFINS sobre tais despesas com fretes. No que concerne ao serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento i) sobre o frete pago quando o serviço de transporte quando utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.921914/201243 Acórdão n.º 3402006.233 S3C4T2 Fl. 0 9 10.833/2003; e ii) sobre o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme os arts. 3º, IX e 15, II da Lei n° 10.833/2003. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com iii) fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; bem como de iv) fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. No caso específico do presente processo, interessa analisar a possibilidade de enquadramento nas hipóteses ii) frete na operação de venda ou iii) frete como insumo. Ao que se deduz do relato da recorrente, os fretes contestados não se caracterizam como frete na operação de venda entre o estabelecimento do vendedor e o do comprador, mas de frete transferência de produtos entre as suas filiais. Conforme disposto no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, a empresa pode descontar créditos calculados em relação a "armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor". De forma que não encontra amparo nesse dispositivo legal a pretensão de creditamento sobre as despesas que não são de "frete na operação de venda", mas de deslocamento de produtos destinados a venda, por razões logísticas, entre seus próprios estabelecimentos. Melhor sorte não assiste à recorrente quanto à possibilidade de enquadramento no conceito de insumo das despesas de frete de transferência de produtos entre suas filiais. Adotase aqui o entendimento delineado pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, pelo rito dos Recursos Repetitivos, no sentido de que o conceito abstrato de insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002), deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. Não obstante o conceito mais amplo de insumo do STJ no REsp nº 1.221.170/PR, no que interessa aos autos, conforme declarações da recorrente, resta evidente que os fretes de transferência entre os estabelecimentos da recorrente dãose no interesse da comercialização dos produtos, e não do processo produtivo em si, assim considerado aquele que origina o produto final ou concernente à execução do serviço, o que afasta a possibilidade de creditamento de tais despesas como insumos. Este Colegiado decidiu recentemente, no Acórdão nº 3402006.026, de 12 de dezembro de 2018, sob relatoria desta Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.921914/201243 Acórdão n.º 3402006.233 S3C4T2 Fl. 0 10 Conselheira (Voto abaixo transcrito), no sentido de que os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam a atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente a prestação de serviços e a produção ou fabricação de bens, de forma que o conceito de insumo deve ser aferido somente em relação a estas duas atividades, ou seja, os critérios de essencialidade ou de relevância (REsp nº 1.221.170/PR) devem ser avaliados em relação ao processo produtivo do qual origina o produto final ou atinente à execução do serviço: Atividade de comercialização de mercadorias versus conceito de insumos Ao que se observa da leitura dos incisos I e II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/20022, em relação à "revenda" de mercadorias, só há o direito ao desconto de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os próprios "bens adquiridos" para revenda (inciso I), enquanto que "na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados a venda", há direito ao aproveitamento de créditos sobre todos os "bens e serviços, utilizados como insumo" nessas atividades (inciso II), sendo que aqui o conceito de insumo deve ser buscado no REsp nº 1.221.170/PR. Como se denota da redação dos incisos II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002, a preposição "na" que sucede a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo" e que antecede os termos "prestação de serviços" 2 Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.921914/201243 Acórdão n.º 3402006.233 S3C4T2 Fl. 0 11 e "produção ou fabricação" delineia o entendimento de que os bens e serviços que serão objeto de creditamento são aqueles utilizados como "insumo" nessas duas atividades, seja lá qual for o conceito de insumo a ser adotado pelo intérprete. De outra parte, nesse dispositivo legal (incisos II), a referência a "bens ou produtos destinados a venda" na segunda atividade geradora de crédito ("produção ou fabricação") está a dizer que o creditamento diz respeito ao processo produtivo do bem ou produto "destinado a venda", ou seja, ao processo produtivo do qual resultarão os bens ou produtos a serem vendidos, e não à atividade posterior de vendas. Contudo, considerando os critérios definidos pela Ministra Regina Helena Costa em seu voto no REsp nº 1.221.170/PR, em especial, o da relevância mais abrangente do que o critério da pertinência , não se pode descartar por completo a hipótese excepcional de uma despesa posterior ao processo produtivo vir a ser também considerada insumo: Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. Ainda que caiba, dentro do conceito de insumos, a discussão casuística acerca de algumas despesas posteriores ao processo produtivo, na mera comercialização de mercadorias que não foram produzidas ou fabricadas pela contribuinte, atividade preponderante da ora recorrente, somente há o direito ao creditamento sobre os próprios bens adquiridos para revenda, com base nos incisos I dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002, mas não com base nos incisos II desses artigos, pois ausente o processo produtivo de prestação de Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10880.921914/201243 Acórdão n.º 3402006.233 S3C4T2 Fl. 0 12 serviços ou de produção ou fabricação de bens requerido neste inciso. Os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam a atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente a prestação de serviços e a produção ou fabricação de bens. Tratase da prerrogativa do legislador ordinário de conferir tratamento privilegiado a determinados segmentos que seriam merecedores dentro do contexto econômico e social do País. Não se deve olvidar que cabe ao agente administrativo aplicar a lei tal como promulgada, sem estender seus efeitos para hipóteses nela não previstas. Nesse sentido já decidiu este CARF em face da própria contribuinte no Acórdão nº 3403003.306, de 14 de outubro de 2014, mediante voto vencedor do Conselheiro Rosaldo Trevisan, proferido nos seguintes termos: (...) Em face da Súmula CARF nº 2, não pode se distanciar o julgador dos comandos legais que disciplinam a matéria, os artigos 3º, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, que permitem créditos em relação a: "II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)" (grifo nosso) A mera leitura do dispositivo [artigos 3º, II das Leis nº 10.637/2002 e nº10.833/2003] torna inequívoco que só bens e serviços podem ser insumos, e que tais “bens e serviços” para serem considerados insumos, devem ser utilizados: (a) na prestação de serviços; ou (b) na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços. Trabalha, assim, o texto legal, indubitavelmente, com duas categorias: “produção/fabricação” e “prestação de serviços”. Assim, não se pode conceber o alargamento vislumbrado no excerto transcrito do voto do relator, que acrescenta a estas outras categorias, carentes de previsão legal. E sustentar que a lei restringiu indevidamente a não cumulatividade constitucionalmente assegurada no § 12 do artigo 195 é atentar contra o próprio teor de tal dispositivo constitucional, que remete a disciplina à “lei”. Ademais, esbarrase novamente no teor da já citada Súmula CARF nº 2, que impede seja um texto legal vigente considerado inconstitucional por este tribunal administrativo. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10880.921914/201243 Acórdão n.º 3402006.233 S3C4T2 Fl. 0 13 Acrescentese que o fato de as mesmas Leis nº 10.637/2002 e no 10.833/2003 contemplarem a revenda em inciso diverso (art. 3º, I) não permite concluir que também no inciso II se estaria a tratar da atividade de revenda, considerandoa ao lado ou até dentro da “produção/fabricação” ou “prestação de serviços”. Seria novamente um alargamento carente de fundamento legal. Não se pode generalizar a conclusão de que as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 permitem créditos apenas ao setor industrial ou de prestação de serviços (créditos estes que deveriam ser estendidos aos demais setores por isonomia ou analogia, independente da existência de lei que o autorizasse). Ambas as leis (no 10.637/2002 e no 10.833/2003) tratam de créditos também a outros setores. Mas não o fazem especificamente nos incisos II dos arts. 3º, que, como aqui já detalhado, versam restritivamente sobre “produção/fabricação” e “prestação de serviços”. (...) Passase agora a analisar cada glosa especificamente contestada dentro do conceito de insumo delimitado no REsp nº 1.221.170/PR. (...) (b) Despesas com frete, incluindo as despesas com combustível e manutenção da frota (código 10103 e 10113 do SPEDContribuições) (...) Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10880.921914/201243 Acórdão n.º 3402006.233 S3C4T2 Fl. 0 14 Embora haja construção jurisprudencial no CARF3 no sentido de admitir o desconto de créditos relativos ao frete em algumas hipóteses específicas, na situação retratada pela recorrente, de frete ou gastos de transporte de produtos para revenda, fora do contexto da prestação de serviços ou da produção de bens, não se cogita de creditamento a título de insumo. Também não socorrem a recorrente os arts. 3o, IX e 15, II da Lei n° 10.833/03, eis que não comprovado, que se trataria de legítima hipótese de frete na operação de venda ou revenda entre o estabelecimento da recorrente e da adquirente. O transporte de produtos entre os estabelecimentos da recorrente ou até determinado ponto para posterior revenda, que não se refere ao próprio transporte do produto revendido para o estabelecimento adquirente, não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas de creditamento. Nesse sentido, já foi decidido no Acórdão nº 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012. Eventuais despesas com transporte ou frete anteriores ao frete na operação de revenda, que o viabiliza, podem ser caracterizadas como despesas com vendas, para as quais não há previsão legal de creditamento. 3 Acórdão nº 3402002.662– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Relator: Alexandre Kern (...) Em se tratando de serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento tomado sobre o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3°, e no caso de serviço de frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, cfe. inc. IX. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, isso em razão de o valor do serviço integrar o valor de aquisição de tal bem, passando então a compor a base de cálculo do crédito decorrente da aquisição de bem para revenda ou para utilização como insumo. Há ainda uma quarta hipótese, defendida na jurisprudência deste Colegiado, decorrente do conceito de insumo que se adota, no caso de fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. O transporte de produto acabado isso é, depois de concluído o processo produtivo – não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas. Se do ponto de vista logístico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda, juridicamente, não. Esse entendimento está plasmado, por exemplo, no voto condutor do Acórdão nº 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012: “Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3°, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3°, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3°. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido.” Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10880.921914/201243 Acórdão n.º 3402006.233 S3C4T2 Fl. 0 15 Com relação às despesas com combustível e manutenção da frota, como já mencionado, também não há possibilidade de creditamento das contribuições como insumos na atividade comercial varejista. Assim, devem ser mantidas as glosas de despesas de transporte (frete, combustível e manutenção) deste tópico. Dessa forma, o transporte de bens destinados a venda entre os estabelecimentos da recorrente, sem vinculação com o processo produtivo em si, que não se refere também ao deslocamento do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente, não se enquadra nas hipóteses permissivas de creditamento de frete na operação de venda ou de serviço utilizado como insumo no processo produtivo. A decisão recorrida deve ser mantida também neste tópico. c) Creditamento de PIS e Cofins referente à depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado Com relação aos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, argumenta a recorrente que: 46. Contudo, o V. Acórdão recorrido novamente baseou se em critérios restritivos do direito ao creditamento de PIS e COFINS pelos contribuintes,deixando de analisar a natureza da atividade da Recorrente, desenvolvida mediante a utilização dos equipamentos tratados no referido despacho decisório,o que a legitima, portanto, a apropriação de créditos de PIS e COFINS sobre os encargos de depreciação relativos a estes equipamentos. 47. Nesse sentido, em que pesem as atividades da Recorrente sejam classificadas como comerciais, há que se reconhecer, contudo, que a utilização dos equipamentos em análise implica diretamente na elaboração das operações da Recorrente, o que não foi reconhecido pelo V. Acórdão recorrido. Como se sabe, os encargos de depreciação não são passíveis de creditamento como insumo (incisos II dos arts. 3º das referidas Leis), eis que o correspondente crédito é previsto em outro inciso. Não assiste razão à recorrente quanto à possibilidade de creditamento com base nos incisos VI e §1º, III dos artigos 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002, os quais preveem o desconto de créditos para os encargos de depreciação somente para as "máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços" [grifei], mas não para a atividade comercial da recorrente. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10880.921914/201243 Acórdão n.º 3402006.233 S3C4T2 Fl. 0 16 Assim, descabe reverter a glosa dos encargos de depreciação. d) Comprovação das despesas de aluguel de bem imóvel pago à pessoa jurídica Relativamente às despesas de aluguel, assim decidiu o julgador a quo: Por sua vez a contribuinte registrou ter apresentado os comprovantes de pagamento do valor da locação do imóvel que ensejou a apuração dos créditos de PIS/COFINS nãocumulativos, mas que não havia localizado cópia do contrato de locação. Disse ter localizado em seus arquivos remotos o contrato de locação em referência, entendendo que tal comprova seu direito aos créditos. Entretanto, afirmou a Fiscalização que a empresa apresentou comprovantes de pagamento apenas para o período março a dezembro de 2007, atentandose que o presente processo se refere ao 2º trimestre de 2006, para o qual não houve comprovação do pagamento da despesa em questão. Observese, ainda, que na planilha de fl. 81 a Fiscalização nada apurou a título de despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, o que não foi questionado, de forma direta e objetiva, pela contribuinte. Disso decorre que a contribuinte não tem razão quanto ao presente item, devendo ser mantido o entendimento constante da informação produzida pela Fiscalização, nada devendo ser alterado no Despacho Decisório. O documento acostado à Manifestação de Inconformidade (doc. 06) tratase de Contrato de Locação com a empresa NEWSERV ADM. COM. E SERVIÇOS LTDA. cujo prazo é "03 (três) anos, com início a 01 de Agosto de 2005 e a terminar em 31 de Julho de 2008". Assim, ocorreu que, no procedimento fiscal foram apresentados apenas comprovantes de pagamento para o período março a dezembro de 2007, tendo sido acusada, na Informação Fiscal, a falta de comprovação de utilização do imóvel nas atividades da empresa e do contrato de locação, o qual veio a ser apresentado na Manifestação de Inconformidade. Com efeito, para o período específico sob análise no presente processo (01/04/2006 a 30/06/2006), faltaria ainda apresentar a comprovação dos pagamentos dos alugueis e da utilização do imóvel nas atividades da empresa. No recurso voluntário (parágrafos 56. a 59.), a recorrente apenas repisa os exatos termos da Manifestação de Inconformidade (parágrafos 20. a 23), nada argumentando acerca da decisão recorrida. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10880.921914/201243 Acórdão n.º 3402006.233 S3C4T2 Fl. 0 17 Como se sabe, incumbiria à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destinasse a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). Do julgador do CARF é esperado que ele decida motivadamente em consonância com os argumentos e provas apresentados pela recorrente, cotejandoos com os demais elementos dos autos. Certamente que não seria tarefa do julgador do recurso voluntário diligenciar para buscar a prova faltante do direito creditório da contribuinte mencionada na decisão recorrida quando a própria recorrente não se deu ao trabalho de sequer contestar os fundamentos dessa decisão nesta parte. Dessa forma, diante da ausência no recurso voluntário de elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida quanto à glosa de despesas de aluguel no período de apuração do presente processo, ela há de ser mantida. e) Créditos rubricados como "outras operações com direito a crédito" Relativamente a esta rubrica, assim consta na Informação Fiscal: 7) OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CREDITO A partir de janeiro/2007 o contribuinte passa a apurar créditos em relação a rubrica "outras operações com direito a crédito". Foi então intimado, a partir do Termo de Intimação Fiscal n 1, item 5, a informar a origem dos valores apresentados na referida rubrica, sendo que não foram apresentados quaisquer esclarecimentos quanto aos valores pleiteados. Sendo assim, esses valores foram integralmente excluídos da apuração dos créditos de PIS e Cofins nãocumulativo: (...) No recurso voluntário, a recorrente apenas repisa os argumentos da Manifestação de Inconformidade no sentido de que ainda não teria localizado a documentação que comprovaria a ocorrência desses dispêndios, requerendo o direito à futura produção de prova sobre este item. No entanto, como se sabe, o processo administrativo tem um rito diferenciado do procedimento adotado no âmbito do Código de Processo Civil, o qual, no seu art. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10880.921914/201243 Acórdão n.º 3402006.233 S3C4T2 Fl. 0 18 1046, §2º4, expressamente preservou a vigência das disposições especiais dos procedimentos regulados em outras leis. Conforme se denota na leitura do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 abaixo, em que pese a possibilidade excepcional de apresentação de provas após a impugnação ou a manifestação de inconformidade, não há qualquer previsão de autorização para posterior produção de prova pela interessada fora das hipóteses de diligências ou perícias autorizadas pelo julgador nas situações cabíveis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em 4 Art. 1.046. Ao entrar em vigor este Código, suas disposições se aplicarão desde logo aos processos pendentes, ficando revogada a Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. (...) § 2º Permanecem em vigor as disposições especiais dos procedimentos regulados em outras leis, aos quais se aplicará supletivamente este Código. (...) Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10880.921914/201243 Acórdão n.º 3402006.233 S3C4T2 Fl. 0 19 que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Ademais, no período específico deste processo, a contribuinte não apurou créditos em relação à rubrica "outras operações com direito a crédito", o que passou a ser feito no Dacon somente a partir de janeiro/2007. Dessa forma, não cabe reforma também nesta parte da decisão recorrida e indeferese o pedido da recorrente de futura produção de prova, considerandose também o pedido de perícia não formulado, nos termos do art. 16, §1º do Decreto nº 70.235/72, por deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV desse artigo. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720237/2017-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013
AUTOS DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não se configura nulidade do auto de infração quando foi lavrado por autoridade competente e sem preterição do direito de defesa.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARBITRAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA
Não padece de nulidade a decisão de primeira instância que não apreciou elementos de prova juntados com o fito de desconstituir o arbitramento, tendo em vista que não há arbitramento condicional.
EIRELI. DEVER DE APRESENTAR ECD. FALTA DE INTIMAÇÃO. VÍCIO FORMAL.
As empresas individuais de responsabilidade limitada - EIRELI somente passaram a ser obrigadas à Escrituração Contábil Digital - ECD a partir da edição da IN RFB nº 1.420/2013, para os fatos geradores ocorridos a partir de 2014.
Para que o arbitramento seja válido antes dessa data, não basta a constatação de que a contribuinte não apresentou a ECD ou que a escrituração digital é imprestável. Há que se intimar a contribuinte durante o procedimento fiscal.
Numero da decisão: 1401-003.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Acordam ainda, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se configura nulidade do auto de infração quando foi lavrado por autoridade competente e sem preterição do direito de defesa. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARBITRAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Não padece de nulidade a decisão de primeira instância que não apreciou elementos de prova juntados com o fito de desconstituir o arbitramento, tendo em vista que não há arbitramento condicional. EIRELI. DEVER DE APRESENTAR ECD. FALTA DE INTIMAÇÃO. VÍCIO FORMAL. As empresas individuais de responsabilidade limitada EIRELI somente passaram a ser obrigadas à Escrituração Contábil Digital ECD a partir da edição da IN RFB nº 1.420/2013, para os fatos geradores ocorridos a partir de 2014. Para que o arbitramento seja válido antes dessa data, não basta a constatação de que a contribuinte não apresentou a ECD ou que a escrituração digital é imprestável. Há que se intimar a contribuinte durante o procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Acordam ainda, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 02 37 /2 01 7- 95 Fl. 37886DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Trata o presente feito de lançamento de ofício de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativos ao anocalendário 2013. Neste período, o contribuinte havia feito a opção de tributação do IRPJ conforme as regras do lucro real. Contudo, a fiscalização constatou que a Escrituração Contábil Digital ECD mantida pela contribuinte no Sistema Público de Escrituração Digital SPED era imprestável, pois encontravase "sem informações relativas aos lançamentos contábeis e sem o registro da movimentação bancária". Diante dessa constatação, a autoridade lançadora arbitrou o lucro da contribuinte com fulcro no artigo 47, I e II, da Lei nº 8.981/95, verbis: Da lei 8.981/95 Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. A determinação da receita bruta foi efetuada com base na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e documentos apresentados em atendimento ao Termo de Intimação 004. Fl. 37887DF CARF MF Processo nº 16095.720237/201795 Acórdão n.º 1401003.289 S1C4T1 Fl. 37.885 3 Foram constituídos, também, os créditos tributários de CSLL, PIS e COFINS, de forma reflexa. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva. Para relatar as alegações aduzidas pela contribuinte na impugnação, adoto o minucioso relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte: IMPUGNAÇÃO FLS. 1467/1505. De acordo com o Termo de Solicitação de Juntada de fl. 1464, a impugnação foi apresentada em 20/12/2017, cujo conteúdo segue abaixo resumido. I PRELIMINARMENTE. a) Da tempestividade do presente feito. O impugnante discorre sobre a tempestividade do contraditório. b) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. i) Desobrigação de entrega da ECD fatos contábeis de 2013. ECD não zerada. Argumenta que não há que se falar em obrigatoriedade de apresentação da ECD no período fiscalizado. Isso porque, as exigências em questão referemse ao ano de 2013, período este em que a empresa ainda não estava obrigada legalmente a apresentar referida escrituração digital. Cita dispositivos da Instrução Normativa RFB no 1.420/2013, publicada no DOU em 20/12/2013, e orientação extraída do sítio da Receita Federal. A fiscalização desclassificou a escrita e arbitrou o lucro com base na entrega de uma obrigação acessória, que restou obrigatória apenas após o ano de 2014. Aliás, ainda se extrai do auto de infração que a ECD foi encaminhada zerada. Todavia, isso não reflete a realidade! Inclusive, sequer consta nos autos cópia pela Autoridade Fiscal para comprovar o que sustenta em seu relatório fiscal. Como se observa no procedimento fiscal, o Ente Fiscal desclassificou a contabilidade da Impugnante tão somente em razão da suposta entrega da ECD Escrituração Contábil Digital zerada o que não condiz com a verdade, e sequer intimou a empresa e para prestar esclarecimentos, nem mesmo solicitou outros documentos fiscais para embasar a sua conclusão. Apenas com base em extratos bancários e ficha da DIPJ é que entendeu por autuála. Inequívoca, portanto, a insuficiência de provas robustas que demonstram a imprestabilidade da contabilidade, como única e última condição para o arbitramento do lucro, efetuado pelo Ente Fiscal, evidenciando a existência de vícios que acarretam a nulidade do auto de infração. Fl. 37888DF CARF MF 4 Ad argumentandum tantum, convém apontar que a Impugnante transmitiu a escrituração contábil digital no ano de 2013 informando o saldo das contas, o que se acredita que sequer tais dados foram valorados pela Autoridade Fiscal. Destarte, em que pese tal situação, quer seja a escrituração digital não se encontrar detalhada, quer seja porque consta apenas os saldos das contas na ECD transmitida, o que importa alertar é que a Impugnante não estava obrigada, por lei, a apresentar o ECD. A título de argumentação, deveria ser atribuído à Impugnante pela Autoridade Fiscal, se muito, a penalidade prevista no art. 57, III, 'a' da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766/2012. Efetivamente houve a prestação de informações pela Impugnante. Deveria, pois, a Autoridade Fiscal ter a intimado para prestar informações e aplicado a penalidade em comento. Citando ainda as disposições do art. 112 do Código Tributário Nacional (CTN) e julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), conclui que, uma vez demonstrada a existência de informações prestadas na ECD, se subsistir o Auto de Infração, deve ser aplicada penalidade mais favorável à Impugnante, logo, a multa de 3% sobre o valor das transações comerciais ou das operações financeiras. ii) Inconsistências na exigência da CSLL. Quando do cálculo da exigência da CSLL em questão, incorreu em equívoco o ente fiscalizador, na aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta. Isso porque, segundo determina a legislação (Lei 9.249/95), considerando se tratar de prestação de serviços de transporte, tal percentual deveria ser no máximo 14,40%, o que corresponde aos 12% do imposto acrescido dos 20% no caso do arbitramento. Vejase que não se atentou a Autoridade Administrativa no tocante as regras atinentes à CSLL ao levar a cabo o lançamento, e incorreu constituição de crédito tributário a maior do que o supostamente devido, gerando, por conseguinte, em nulidade do Auto de Infração. II SÍNTESE FÁTICA. A impugnante fez um resumo dos fundamentos da autuação fiscal. III DO DIREITO. a) Do arbitramento do lucro medida extrema. A impugnante cita legislação e afirma que, no caso em vertente, estão ausentes os pressupostos para a aplicação do arbitramento. Valendose de que o arbitramento do lucro é considerado com uma medida extrema imposta pelo Fisco, não se parece razoável aplicar ao caso em tela, uma vez que carece nos autos provas de Fl. 37889DF CARF MF Processo nº 16095.720237/201795 Acórdão n.º 1401003.289 S1C4T1 Fl. 37.886 5 que o Ente Fiscalizador solicitou todos os documentos para avaliar a escrituração contábil da Impugnante e entender como imprestável. Não bastasse isso, reiterase que o Ente Fiscalizador desclassificou a contabilidade da Impugnante em razão da entrega da ECD zerada o que não condiz com a verdade! Primeiro que a ECD utilizada como marco do procedimento de fiscalização não consta nos autos e, em que pese não constar o detalhamento, consta o saldo de todas as contas. Segundo que, no ano calendário de 2013, a Impugnante não estava obrigada legalmente a entregar a ECD, por força do disposto no inciso I do art. 3º da IN RFB nº 1.420/2013. E mais, em nenhum momento a Impugnante foi intimada a apresentar os demais documentos contábeis que embasam a sua contabilidade. Grande parte da documentação solicitada diz respeito às contribuições previdenciárias (autuação efetuada em separado) e, constando tão somente a autorização para acesso aos extratos junto às instituições financeiras e demonstrativo do valor informado no campo 05 da Ficha 06A da DIPJ. Frisase que, dentre as diversas intimações fiscais recebidas para apresentação de documentos, apenas na intimação nº 4 é que foram requeridos documentos que teoricamente embasariam a exigência fiscal. Para comprovar a existência da contabilidade à época, juntase à presente Impugnação, os Balancetes mensais extraídos do sistema informatizado referente ao ano de 2013, o Balanço Patrimonial de 2013 assinado, Livro Diário 2013 e comprovantes de recolhimentos do PIS e da COFINS do mesmo anocalendário, que demonstram os registros contábeis e a prestabilidade da contabilidade, documentos esses imprescindíveis para comprovar a existência contabilidade e que sequer foram solicitados em fase de fiscalização. Quanto ao ponto, importa mencionar que o Balanço Patrimonial juntado nesta oportunidade possui apenas a assinatura do administrador da empresa Impugnante, uma vez que o contador à época dos fatos encontravase interditado por enfermidade, cujo pedido judicial restou deferido pela 2ª Vara da Família da Comarca de Joinville/SC, conforme sentença em anexo. Não bastasse isso, a Impugnante encontravase com a contabilidade em dia, inclusive com apuração de seus impostos e contribuições, inclusive pelo fato de que efetuou o parcelamento ordinário do Imposto de Renda e da Contribuição Social do período e, posteriormente, migrou para o Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), instituído pela Lei nº 13.496/2017, conforme documentos anexos. Por todas as razões acima expostas, em conformidade com o entendimento exarado pelo Carf, se pode observar que no caso vertente o arbitramento não pode prosperar, uma vez que ausentes os pressupostos para tais condições, quiçá pelo motivo Fl. 37890DF CARF MF 6 da autuação entrega da ECD zerada ao passo que o Contribuinte sequer foi intimado para apresentar os demais documentos fiscais que comprovam a prestabilidade de sua escrituração fiscal. b) Dos recolhimentos de PIS/COFINS e IRPJ/CSLL. Ainda que fossem devidas as exigências em questão o que se considera apenas hipoteticamente , incumbe registrar que o Ente Fiscalizador não considerou os recolhimentos já efetuados pela Impugnante a título de PIS e COFINS nas exigências em questão, conforme comprovantes de recolhimento anexos. Igualmente como nos esclarecimentos quanto aos recolhimentos do PIS e da COFINS no período, a Impugnante também apurou IRPJ e CSLL no ano de 2013, cujo valor foi incluído em parcelamento ordinário à época, conforme comprovantes do parcelamento em anexo. Reiterase que referido parcelamento ordinário foi encerrado em razão da migração dos débitos parcelados para o Programa de Regularização Tributária (PERT), instituído pela Lei 13.496/2017. c) Dos princípios violados. Além de toda a situação narrada, imprescindível destacar também que a penalidade imposta à Impugnante arbitramento do lucro , além de não condizer com a realidade dos fatos, fere diversos princípios constitucionais como da razoabilidade, proporcionalidade e capacidade contributiva. c.1) Do princípio da verdade material. No caso em tela, verificase que, na ânsia arrecadatória, a fiscalização não atingiu a exaustão da busca pela verdade material com base em todos os documentos fiscais da Impugnante, uma vez que não solicitou os demais documentos fiscais básicos para comprovar que a escrituração fiscal era imprestável. Ressalta que cabe à fiscalização detectar e provar, de forma precisa, a efetiva ocorrência do ilícito fiscal, o que não se configura no caso dos autos. Dizse isto, pois, a Impugnante em sede de fiscalização apresentou os documentos e informações solicitadas e que, ao seu ver, são extremamente insuficientes para desclassificar a sua escrita fiscal do modo em que foi efetuado pela fiscalização. d) Do afastamento da taxa selic sobre a multa de ofício. Sustenta a impugnante que, embora a multa de ofício seja parcela integrante do débito tributário, a aplicação de juros sobre esta é impossível em face da ausência de previsão legal que autorize tal incidência. IV DAS PROVAS. Pugna a impugnante pela possibilidade de apresentação de novos documentos, acaso necessário, a fim de garantir o efetivo atendimento do princípio da verdade material. Fl. 37891DF CARF MF Processo nº 16095.720237/201795 Acórdão n.º 1401003.289 S1C4T1 Fl. 37.887 7 a) Da necessidade de conversão do julgamento em diligência fiscal. Além da possibilidade de apresentação de novas provas, entende a Impugnante que para a finalidade objetivada, qual seja, o cancelamento integral do auto de infração ora impugnado, necessário se faz a conversão do presente julgamento em diligência, nos termos do artigo 29 do Decreto 70.235/72, visto que, conforme demonstrado ao longo dessa peça, a escrituração tomada como base pela fiscalização para o lançamento, sequer consta nos autos, além do mais a Impugnante possui todos os demais documentos fiscais e obrigatórios para comprovar o alegado. Portanto, a conversão do processo em diligência se faz necessário para que haja a devida valoração por este órgão julgador da ECD da Impugnante utilizada pela fiscalização e a devida apuração se ela está ou não zerada, além dos demais documentos fiscais e contábeis para demonstrar a insubsistência do lançamento. V DOS PEDIDOS. Pelo exposto, requer a Impugnante o recebimento e processamento da presente impugnação para julgála no seguinte sentido de reconhecer a nulidade do Auto de Infração, em razão 1) da sua desobrigação de entrega da ECD, no ano calendário de 2013, e ii) das inconsistências no cálculo da exigência da CSLL, que maculam o lançamento tributário. Se assim não entender essa r. Delegacia, que o julgamento seja convertido em diligência para confirmação das informações prestadas na escrita contábil da Impugnante. Caso ultrapassados os pedidos acima, ante a ausência de pressupostos para o arbitramento do lucro no caso em tela, por ser medida extrema a ser aplicada ao ente fiscal, requer seja julgado improcedente o auto de infração ora combatido. Subsidiariamente, em razão das informações apresentada no ECD, pugna pela aplicação da multa prevista no art. 57, III, 'a' da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766/2012 ao invés dos valores aqui defendidos. Se não acolhido o pedido acima, requer: i) seja reapurado o valor da CSLL com base nas regras previstas na Lei 9.249/95 e então expurgado o montante em excesso; ii) o afastamento dos valores já recolhidos no ano de 2013 a título de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins; e iii) afastamento da Selic sobre a multa. No julgamento de primeira instância, a DRJ acolheu parcialmente as alegações da contribuinte para corrigir o percentual de presunção aplicável na apuração da base Fl. 37892DF CARF MF 8 de cálculo da CSLL, de 32% para 12%, e para descontar da apuração de ofício os tributos pagos/declarados espontaneamente pela contribuinte. Na decisão de piso, a ementa do acórdão restou consignada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013 PRELIMINAR DE NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS. Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos legais pertinentes à formalização do lançamento. PRELIMINAR DE NULIDADE. ERROS E OMISSÕES. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes daquelas inerentes aos requisitos legais do lançamento não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2013 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL (ECD). OBRIGATORIEDADE. De acordo com as normas vigentes, as pessoas jurídicas sujeitas à tributação do Imposto sobre a Renda com base no lucro real estão obrigadas a adotar a ECD no anocalendário de 2013. ARBITRAMENTO DO LUCRO. REQUISITOS LEGAIS. ECD. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. As irregularidades e inconsistências apuradas na ECD que evidenciem que o contribuinte, sujeito à tributação pelo lucro real, não mantinha a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, constituem motivo suficiente para o arbitramento do lucro no período fiscalizado. ARBITRAMENTO CONDICIONAL. INEXISTÊNCIA. Inexiste arbitramento condicional. Presentes, no ato de lançamento, os pressupostos legais que autorizam o arbitramento do lucro, não se pode descaracterizálo, na fase de impugnação, em virtude da apresentação de pretensa escrituração regular elaborada sem observância às normas legais vigentes. Fl. 37893DF CARF MF Processo nº 16095.720237/201795 Acórdão n.º 1401003.289 S1C4T1 Fl. 37.888 9 LUCRO ARBITRADO. VALORES PAGOS OU DECLARADOS. No caso de arbitramento do lucro, devem ser considerados no lançamento de ofício os valores pagos ou declarados pelo sujeito passivo apurados na sistemática do lucro real. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é devida a incidência dos juros de mora calculados a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do seu vencimento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2013 LUCRO ARBITRADO. PERCENTUAL SOBRE A RECEITA BRUTA. Para fins de determinação da base de cálculo da CSLL no regime de tributação pelo lucro arbitrado, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta relativamente à atividade de prestação serviço de transporte de carga é de 12%. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em relação à parcela exonerada na decisão a quo, a DRJ recorreu de ofício Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário. Neste, basicamente, a contribuinte reitera as alegações da impugnação. No recurso voluntário, a contribuinte expõe suas alegações nos seguintes tópicos: Nulidade. Desobrigação de entrega de ECD, fatos contábeis de 2013, ônus da prova: argumenta que não estaria obrigada à apresentação da ECD por força da IN RFB nº 1.420/2013, que teria tornado obrigatória a apresentação da ECD, para as empresas do lucro real, somente a partir do anocalendário 2014 (exercício 2015). Em relação à fundamentação da decisão de piso, que entendeu que a contribuinte estava obrigada à ECD pela IN RFB nº 787/2007, alegou que esta teria sido revogada pela IN RFB nº 1.420/2013. Mas, ainda que desobrigada, apresentou a ECD com a indicação dos saldos das contas. Neste sentido, o auto de infração seria nulo pela ausência de provas que justificasse a desclassificação Fl. 37894DF CARF MF 10 da escrita da contribuinte e o arbitramento do lucro. Quando muito, a autoridade lançadora poderia ter aplicado a multa por descumprimento de obrigação acessória de que trata o artigo 57, III, "a", da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Do retorno dos autos à DRJ/Belo Horizonte. Provas não valoradas, artigo 59, II, do Decreto 70.235/72: aduz a contribuinte que as provas apresentadas na impugnação não teriam sido apreciadas pela instância de piso e que, assim, a decisão padeceria de nulidade por cerceamento de defesa e supressão de instância, tendo em vista que os contribuintes têm o direito de terem suas alegações de fato e de direito apreciadas em duas instâncias administrativas. Os documentos a que se refere seriam livro diário, balanço, balancetes, EFD Contribuições, dentre outros. Síntese fática: neste tópico, a contribuinte reproduz os argumentos lançados na impugnação. Motivo pelo qual deixo de relatar novamente. Do arbitramento do lucro, medida extrema, imprescindível intimação do sujeito passivo: o contribuinte ressalta que, sendo o arbitramento um recurso extremo, o sujeito passivo deve ser intimado previamente para sanear as falhas da contabilidade. Menciona precedentes. Princípio da verdade material: neste tópico, a contribuinte reproduz os argumentos lançados na impugnação. Motivo pelo qual deixo de relatar novamente. Da multa prevista no art. 57, III, "a" da MP 2.15835/2001: novamente, a contribuinte pugna pela aplicação, em relação às falhas da ECD, a multa por descumprimento de obrigação acessória. Dos princípios violados: neste tópico, a contribuinte reproduz os argumentos lançados na impugnação. Motivo pelo qual deixo de relatar novamente. Do afastamento da taxa selic sobre a multa de ofício: neste tópico, a contribuinte reproduz os argumentos lançados na impugnação. Motivo pelo qual deixo de relatar novamente. Das provas: neste tópico, a contribuinte reproduz os argumentos lançados na impugnação. Motivo pelo qual deixo de relatar novamente. Ao final, a contribuinte pede a nulidade dos autos de infração e, sucessivamente, a nulidade da decisão de piso; no mérito, a improcedência do lançamento de ofício ou a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória; quanto à multa, pede o afastamento da taxa selic; quanto ao recurso de ofício, pede que se confirmem as correções feitas pela decisão de primeira instância na apuração de ofício. Era o que havia de essencial para relatar. Voto Fl. 37895DF CARF MF Processo nº 16095.720237/201795 Acórdão n.º 1401003.289 S1C4T1 Fl. 37.889 11 Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. Os recursos voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Dele, tomo conhecimento. Preliminares. Antes de percorrer as questões de mérito postas pela contribuinte, é preciso apreciar as preliminares de nulidade dos autos de infração e da própria decisão de piso, conforme alegações do recurso voluntário. Quanto à alegação de nulidade dos autos de infração, penso que a matéria foi bem enfrentada pela decisão da DRJ e, dessa forma, adoto sua fundamentação como razão de decidir. Nesta parte, o acórdão da decisão a quo restou fundamentado nos seguintes termos: A impugnante arguiu a nulidade do lançamento argumentando que estaria desobrigado da entrega da ECD no ano calendário de 2013 e em razão das inconsistências no cálculo da exigência da CSLL. Ressaltou ainda, em relação a registro feito pela autoridade fiscal, que não consta nos autos a comprovação de que a ECD foi encaminhada zerada. Relativamente às questões propostas pela impugnante, o art. 9o do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que a exigência do crédito tributário será formalizada em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Tendo por base os autos de infração lavrados, o Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais (TVF) e documentos conexos que integram os autos deste processo, pode se afirmar que foram observados todos os quesitos atinentes à formalização da exigência fiscal previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, notadamente quanto à descrição dos fatos, disposição legal infringida e penalidade aplicável, além da demonstração do cálculo dos tributos e da apuração da multa e dos juros de mora pertinentes. Notese que as situações aventadas pela defendente também não se assentam nos casos de nulidade definidos no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, segundo o qual são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Os autos de infração foram lavrados por autoridade competente e não houve preterição do direito de defesa – é no processo administrativo, por meio da impugnação, que esse direito é exercido. Especificamente no que tange ao fato anotado no TVF dando conta de que a ECD foi apresentada zerada, a autoridade fiscal Fl. 37896DF CARF MF 12 indicou inclusive a Requisição de Cópia de Escrituração Contábil Digital NÚMERO DA REQUISIÇÃO: 9993c1e1 e532491b8743 ddec5750403a que embasou tal registro. Notese que o acesso da fiscalização à ECD independe de intimação prévia do contribuinte e segue as determinações legais específicas, tendo por base os dispositivos do Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, que instituiu o Sistema Público de Escrituração Digital Sped. Na situação descrita, para contestar a afirmação fiscal basta ao impugnante demonstrar que não estava obrigado à apresentação da ECD no período autuado, como alega, ou que mantinha a escrituração em conformidade com a legislação comercial e fiscal. Da mesma forma, as alegadas inconsistências no cálculo da exigência da CSLL, se comprovadas, demandam apenas a devida correção do lançamento, mediante o refazimento da apuração da contribuição lançada. De todo modo, estáse diante de questões de mérito do lançamento, que serão analisadas adiante, não implicando a nulidade da autuação como aventado pela defesa. Nesse ponto, é bom lembrar que o art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, preceitua que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo 59 já citado não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Nos termos expostos, voto pelo afastamento da preliminar de nulidade dos autos de infração. No que diz respeito à nulidade da decisão de primeira instância, baseada no pretenso cerceamento de defesa e supressão de instância devido à ausência de apreciação das provas carreadas aos autos pela contribuinte, penso que a alegação não deva prosperar. De fato, a contribuinte juntou farto arsenal probatório, composto especialmente por relatórios no formato de escrituração de livros diários, balancetes e balanço. Contudo, a DRJ afastou a necessidade de apreciação de tais elementos de prova com fundamento no argumento de que não há arbitramento condicional, ou seja, uma vez que, durante o procedimento fiscal, tenhase constatado a hipótese de arbitramento dos lucros por imprestabilidade, por ausência de escrituração fiscal ou, simplesmente, porque esta não foi apresentada à fiscalização, descabe reapreciar a apuração de ofício com base em nova contabilidade juntada em sede de impugnação. A DRJ referiuse a este fundamento como inexistência de arbitramento condicional, conforme se pode depreender do excerto abaixo: Na situação dos autos, a autoridade fiscal avaliou, com base na ECD obtida com fundamento na Requisição de Cópia de Escrituração Contábil Digital NÚMERO DA REQUISIÇÃO: 9993c1e1e532491b8743ddec5750403a, que a escrituração mantida pelo contribuinte era imprestável para a determinação do lucro real. Ainda no tocante à matéria, na impugnação, a própria defendente expôs que a ECD teria sido apresentada por Fl. 37897DF CARF MF Processo nº 16095.720237/201795 Acórdão n.º 1401003.289 S1C4T1 Fl. 37.890 13 saldos das contas, sem detalhamento, confirmando a sua imprestabilidade para fins comerciais e fiscais. Desta forma, o fato de o contribuinte, agora na impugnação, apresentar cópia do livro Diário e balanços patrimoniais (cf. documentos anexados) não tem o condão de obstar o arbitramento do lucro. Vale dizer que inexiste arbitramento condicional. Assim, o ato de lançamento não é modificável pela posterior apresentação de uma suposta escrituração, que sequer atende aos requisitos legais pertinentes à ECD. Desde que atendidos os pressupostos objetivos e subjetivos na prática do ato administrativo de lançamento, sua modificação ou extinção somente se dará nos casos previstos na lei. Assim, o lançamento que arbitra o lucro do contribuinte em razão da apresentação da ECD em desconformidade com a legislação comercial e fiscal não é modificável pelo posterior aparecimento de uma pretensa escrituração regular feita sem observância dos normativos legais pertinentes. A decisão da DRJ está suportada em inúmeros precedentes do CARF, como se pode ver nas ementas abaixo, reproduzidas na parte que interessa: LUCRO ARBITRADO LANÇAMENTO CONDICIONAL A apresentação posterior, à constituição do crédito tributário, da escrituração não oferecida oportunamente à fiscalização, não afasta o arbitramento, uma vez que o lançamento não é atividade condicional. (Acórdão nº 1401001.561, de 01/03/2016, relatoria do conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes) ARBITRAMENTO. INCONDICIONALIDADE. Inexiste arbitramento condicional, sendo inócua a pretensão do contribuinte em apresentar a escrituração depois do lançamento para efeito de verificação da apuração do lucro real. (Acórdão nº 1401001.452, de 10/12/2015, relatoria do conselheiro Antônio Bezerra Neto). Segundo os precedentes mencionados, em linha com a fundamentação da DRJ, a apresentação de relatórios contábeis em sede de impugnação é irrelevante para a apreciação da hipótese de arbitramento do lucro.Vêse que a DRJ fundamentou corretamente a sua decisão, não havendo preterição de direito de defesa ou supressão de instância. Destarte, neste ponto, voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão a quo. Mérito. A questão fulcral neste feito é a legitimidade da apuração de ofício dos tributos com base no arbitramento do lucro. Fl. 37898DF CARF MF 14 Como relatado anteriormente, a fiscalização constatou que a ECD era imprestável para a apuração do lucro real tendo em vista que não continha os lançamentos contábeis e a movimentação financeira. Por sua vez, a contribuinte argumentou, sinteticamente, (i) que não estava obrigada à apresentação da ECD, (ii) que a fiscalização não trouxe provas da imprestabilidade da contabilidade que desse azo ao arbitramento e (iii) que a fiscalização pecou no procedimento ao deixar de intimála para sanear a contabilidade. Pois bem, passo a analisar os argumentos centrais da contribuinte. Primeiro, em relação à obrigatoriedade da apresentação da ECD. Alega a contribuinte que não estaria obrigada à apresentação da ECD porque a IN RFB nº 1.420/2013 "menciona tal obrigatoriedade apenas a partir de 1º de janeiro de 2014 para as pessoas jurídicas tributados no lucro real". Em relação ao fundamento utilizado pela DRJ de que a IN RFB nº 787/2007 já obrigava os contribuintes a apresentar a ECD, a contribuinte alega que a IN RFB nº 1.420/2013 revogou expressamente a instrução anterior. A contribuinte tem razão. De se ver. Inicialmente, reportase ao Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, que instituiu o Sistema Público de Escrituração Digital SPED. No artigo 2º deste decreto, em sua redação original, determinouse que " O Sped é instrumento que unifica as atividades de recepção, validação, armazenamento e autenticação de livros e documentos que integram a escrituração comercial e fiscal dos empresários e das sociedades empresárias, mediante fluxo único, computadorizado, de informações". Em outras palavras, a escrituração contábil dos contribuintes passaria a ser feita mediante arquivo digital encaminhado ao SPED. O arquivo digital depositado no SPED é a contabilidade dos empresários e das sociedades empresárias. Somente com a alteração de redação promovida pelo Decreto nº 7.979/2013 é que o SPED passou a ser aplicado genericamente às pessoas jurídicas. As alterações de redação do decreto de regência refletemse na regulamentação feita pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A IN RFB nº 787/2007, com redação dada pela IN RFB nº 926/2009, ao regular a obrigatoriedade de adoção da ECD, determinou Art. 3º Ficam obrigadas a adotar a ECD, nos termos do art. 2º do Decreto nº 6.022, de 2007: I em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2008, as sociedades empresárias sujeitas a acompanhamento econômicotributário diferenciado, nos termos da Portaria RFB nº 11.211, de 7 de novembro de 2007, e sujeitas à tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Real; Fl. 37899DF CARF MF Processo nº 16095.720237/201795 Acórdão n.º 1401003.289 S1C4T1 Fl. 37.891 15 II em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2009, as demais sociedades empresárias sujeitas à tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Real. § 1º Fica facultada a entrega da ECD às demais sociedades empresárias. § 2º As declarações relativas a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) exigidas das pessoas jurídicas que tenham apresentado a ECD, em relação ao mesmo período, serão simplificadas, com vistas a eliminar eventuais redundâncias de informação. [...] (grifei) Portanto, é cristalino que, desde o anocalendário 2009, as sociedades empresárias estavam obrigadas à adoção da Escrituração Contábil Digital, no âmbito do SPED. Impende destacar que a contribuinte não é sociedade empresária. Tratase de Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI), de que trata o artigo 980A do Código Civil. Esta forma não se confunde com sociedade empresária (artigo 983/CC) ou com empresário (artigo 966/CC). De fato, no mesmo sentido da modificação promovida no texto normativo do decreto de regência, somente a partir da edição da IN RFB nº 1.420/2013, a ECD passou a ser obrigatória para as pessoas jurídicas de forma geral: Art. 3º Ficam obrigadas a adotar a ECD, nos termos do art. 2º do Decreto nº 6.022, de 2007, em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014: I as pessoas jurídicas sujeitas à tributação do Imposto sobre a Renda com base no lucro real; [...] § 4º Em relação aos fatos contábeis ocorridos no ano de 2013, ficam obrigadas a adotar a ECD as sociedades empresárias sujeitas à tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Real. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1486, de 13 de agosto de 2014) Destaco que a redação do artigo 3º da IN RFB nº 1.420/2013, ao tratar da obrigatoriedade de apresentação da ECD, faz distinção entre as pessoas jurídicas em geral (lucro real, ano calendário 2014) e as sociedades empresárias (lucro real, ano calendário 2013). Assim, a norma tributária fez uma distinção entre sociedades empresárias e pessoas jurídicas que o interprete não deve ignorar. Concluise, portanto, que a contribuinte não estava mesmo obrigada à apresentação da ECD em relação aos fatos geradores de 2013. Mas, não vislumbro que os autos de infração sejam improcedentes tão somente por terem utilizado a ECD, uma vez que a apresentação era facultada pela norma de regência, tanto na IN RFB nº 787/2007, quanto na IN RFB nº 1.420/2013. Fl. 37900DF CARF MF 16 E a contribuinte apresentou a ECD, conforme ela própria reconhece na impugnação e no recurso voluntário. Assim, é de se passar aos demais argumentos esgrimidos pela contribuinte. O ponto seguinte é a prova dos vícios da contabilidade. Alega a contribuinte que a fiscalização não logrou comprovar que a contabilidade era imprestável. O argumento não deve prosperar. A própria contribuinte reconhece que a ECD transmitida continha somente os saldos das contas contábeis. Uma contabilidade que contenha apenas os saldos é absolutamente imprestável. Neste sentido, o artigo 1.184 do Código Civil determina que Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. § 1o Admitese a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o período de trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação. [...] (grifei) Como restou incontroverso no processo que a ECD não continha os lançamentos contábeis diários, individualmente escriturados, não pode prosperar o argumento de que a autoridade lançadora não logrou comprovar a imprestabilidade da contabilidade. Resta, então, a alegação da contribuinte de que deveria ter sido intimada a sanear a contabilidade ou apresentar elementos comprobatórios complementares. Pareceme que lhe assiste razão. A aplicação da norma que autoriza o arbitramento do lucro deve ser ponderada entre dois elementos, a saber: (i) tratase de medida que deve ser aplicada de forma residual, quando não for viável apurar os tributos de acordo com a opção do contribuinte, na forma e nos limites da norma de regência; (ii) uma vez configurada a hipótese, sua aplicação é obrigatória, não configurando norma discricionária. Vejase que não se adota aqui a idéia de que o arbitramento seja medida extrema. Não configura punição ao sujeito passivo. Não configura forma exagerada de apuração das bases de cálculo dos tributos. Tratase de uma forma de apuração prevista em lei, que se coaduna com o princípio da verdade material, desde que aplicada de forma residual. Para suportar essa visão, é de se mencionar, por exemplo, que, mesmo que o contribuinte tenha todos os documentos de suporte da contabilidade, a ausência de escrituração é suficiente para o arbitramento do lucro. Ora, em face do princípio da eficiência, descaberia Fl. 37901DF CARF MF Processo nº 16095.720237/201795 Acórdão n.º 1401003.289 S1C4T1 Fl. 37.892 17 exigir da fiscalização a reconstrução de toda a escrituração comercial do sujeito passivo. Tem o mesmo sentido a norma que autoriza o arbitramento quando a escrituração não contiver toda movimentação bancária. O arbitramento não é medida extrema, no sentido de que seja aplicável somente quando seja impossível apurar o lucro real. Mas, há que se demonstrar que a apuração seja inviável, nos termos da lei. Assim, o exame da aplicação da norma de arbitramento do lucro deve ser tratada dentro da razoabilidade, como uma possibilidade residual, quando não for viável a apuração dos tributos conforme a opção do sujeito passivo. In casu, como se viu, a contribuinte não estava obrigada à adoção da ECD no ano de 2013. Portanto, diante dos vícios da ECD, caberia à fiscalização verificar se esta possuía a contabilidade que permitisse apurar a base de cálculo de IRPJ e CSLL conforme o lucro real. A intimação seria necessária para se verificar o requisito de aplicação residual do arbitramento, ou seja, para verificar se seria viável a apuração do lucro real. Em sentido semelhante, é de se citar alguns precedentes deste Conselho: NULIDADE. ARBITRAMENTO DE LUCRO. PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O princípio do contraditório e da ampla defesa tem sua observância obrigatória somente após instaurado o litígio, sendo sua aplicação relativizada na fase inquisitória. Não obstante, considerando que não existe arbitramento de lucros condicional, a jurisprudência administrativa se firmou no sentido de que deve ser oportunizado prazo razoável para que o contribuinte apresente ou mesmo regularize sua escrita contábil e fiscal de modo a permitir a apuração do lucro de acordo com a opção manifestada nas declarações de rendimentos. No caso concreto, se após mais de um ano em que lhe foram dadas sucessivas prorrogações de prazo para sua apresentação, o contribuinte não o fez ou o fez com deficiências que as tornaram imprestáveis para a apuração do lucro real, não há como acolher a alegação de que teve seu direito de defesa obstaculizado. (Acórdão nº 1302001.886, de 08/06/2016, relatoria do conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado) grifei. ARBITRAMENTO. LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. CABIMENTO. Uma vez que a empresa, regularmente intimada, não apresentou os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, cabível o arbitramento do lucro. (Acórdão nº 1402003.280, de 25/07/2018, redator designado Evandro Correa Dias) Fl. 37902DF CARF MF 18 ARBITRAMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO. A não apresentação, pela interessada, dos livros previstos pela legislação ou de qualquer outro documento para o qual tenha sido devidamente intimada, exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530 do Decreto n. 3000/99, que trata das hipóteses de arbitramento. (Acórdão nº 1201001.437, de 07/06/2016, relatoria do conselheiro Roberto Caparroz de Almeida) Neste caso, não há que se argumentar que o contraditório no contencioso fiscal supriria a ausência da intimação para apresentar a contabilidade ou para apresentar esclarecimentos e elementos de prova que possibilitassem a apuração do lucro real, pois, como não se trata de lançamento condicional, a apresentação da contabilidade em sede de impugnação não teria o condão de reverter o arbitramento. Por outro lado, é de se registrar que os relatórios apresentados pela contribuinte na impugnação, em que pese terem características intrínsecas de Livro Diário, não se revestem das características extrínsecas da contabilidade. Em especial, não cumprem as determinações dos artigos 1.181 e 1.184, §, 2º, do CC, verbis: Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. [...] Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. [...] § 2o Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico, devendo ambos ser assinados por técnico em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresária. Incorreu, portanto, a fiscalização em vício formal no procedimento ao deixar de intimar especificamente a contribuinte a apresentar a contabilidade e demais esclarecimentos ou elementos de prova necessários à determinação do lucro real. Portanto, neste ponto, voto por dar provimento ao recurso voluntário e considerar improcedente, por vício formal, os autos de infração. Recurso de ofício. Uma vez que se dá provimento ao recurso voluntário, em razão da fundamentação exposta, despiciendo o exame do recurso de ofício. Fl. 37903DF CARF MF Processo nº 16095.720237/201795 Acórdão n.º 1401003.289 S1C4T1 Fl. 37.893 19 Conclusão. Voto por afastar as preliminares de nulidade, não conhecer do recurso de ofício e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator Fl. 37904DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13433.000235/2006-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA
A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado.
O erro na aposição da data do julgamento não trouxe qualquer prejuízo ao contribuinte no seu direito de defesa.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO OCORRÊNCIA
Cabe ao contribuinte, como titular da disponibilidade econômica dos rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. E o entendimento pacífico deste Colegiado, consolidado de acordo com o enunciado da súmula CARF n° 12.
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ANOS-CALENDÁRIO ANTERIORES. UNIDADE DE REFERÊNCIA DE PREÇOS (URP). NATUREZA SALARIAL.
Os valores correspondentes ao pagamento do índice de 26,05% fixado para a URP do mês de fevereiro/1989, conforme acordo homologado pela Justiça do Trabalho, são dotados de natureza salarial e sujeitos à incidência do imposto de renda.
MULTA DE OFÍCIO. FONTE PAGADORA. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF Nº 73.
A classificação indevida de rendimentos como isentos e/ou não tributáveis na declaração de ajuste da pessoa física, causada por informação errada prestada pela fonte pagadora e respaldada no acordo homologado em ação trabalhista, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
(Súmula CARF nº 73)
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano-calendário 2001, relativamente ao pagamento da URP, deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
Numero da decisão: 2401-006.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, conforme competências compreendidas na ação (regime de competência) e para excluir a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora), Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente) e Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. O erro na aposição da data do julgamento não trouxe qualquer prejuízo ao contribuinte no seu direito de defesa. ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO OCORRÊNCIA Cabe ao contribuinte, como titular da disponibilidade econômica dos rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. E o entendimento pacífico deste Colegiado, consolidado de acordo com o enunciado da súmula CARF n° 12. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ANOSCALENDÁRIO ANTERIORES. UNIDADE DE REFERÊNCIA DE PREÇOS (URP). NATUREZA SALARIAL. Os valores correspondentes ao pagamento do índice de 26,05% fixado para a URP do mês de fevereiro/1989, conforme acordo homologado pela Justiça do Trabalho, são dotados de natureza salarial e sujeitos à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. FONTE PAGADORA. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF Nº 73. A classificação indevida de rendimentos como isentos e/ou não tributáveis na declaração de ajuste da pessoa física, causada por informação errada prestada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 02 35 /2 00 6- 57 Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13433.000235/200657 Acórdão n.º 2401006.028 S2C4T1 Fl. 3 2 pela fonte pagadora e respaldada no acordo homologado em ação trabalhista, não autoriza o lançamento de multa de ofício. (Súmula CARF nº 73) RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no anocalendário 2001, relativamente ao pagamento da URP, deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, conforme competências compreendidas na ação (regime de competência) e para excluir a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora), Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 13433.000235/200657 Acórdão n.º 2401006.028 S2C4T1 Fl. 4 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente) e Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife – PE (DRJ/REC) que tornou sem efeito o Acórdão nº 1126.221 (fls. 119/134), proferido em 14 de maio de 2009, e julgou improcedente a impugnação, conforme ementa do Acórdão nº 1139.944 (fls. 214/230): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACORDO. São tributáveis, na fonte e na declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença condenatória ou acordo, e quaisquer outras indenizações por atraso no pagamento de rendimentos provenientes do trabalho assalariado, das remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO PELA FONTE PAGADORA. A falta de retenção do imposto pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de oferecêlos à tributação na declaração de ajuste, quando se tratar de rendimentos tributáveis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para Fl. 254DF CARF MF Processo nº 13433.000235/200657 Acórdão n.º 2401006.028 S2C4T1 Fl. 5 4 as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia e diligência, mormente quando ele não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. É cabível a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Não pode a autoridade administrativa negar se a aplicar multa de ofício prevista em lei vigente. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA DE TAXA SELIC. É cabível a incidência da taxa Selic sobre o valor do crédito, quando este não for integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. NOVO ACÓRDÃO. LAPSO MANIFESTO. Constatada a existência de lapso manifesto no acórdão anteriormente proferido, é cabível, para corrigir o equívoco, a emissão de novo acórdão que deverá substituir o primeiro Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 05/07), lavrado contra o Contribuinte em 03/04/2016, relativo ao anocalendário de 2001, decorrente de classificação indevida de rendimentos na DIRPF, no qual é exigida a título de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF o valor de R$ 47.180,37, Multa de Ofício de 75%, passível de redução, no valor de R$ 35.385,27, e Juros de Mora, calculados até 31/03/2006, no valor de R$ 32.974,36, ficando o Crédito Tributário exigido no montante total de R$ 115.540,00. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 06/07): Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13433.000235/200657 Acórdão n.º 2401006.028 S2C4T1 Fl. 6 5 1. O contribuinte recebeu em 20/04/2001 o valor de R$ 185.532,60 referente à decisão trabalhista; tendo sido descontado o valor de R$ 9.276,63 referente a honorários advocatícios, ficando o valor tributável liquido recebido no valor de R$ 176.255,97 (Documentos nas fls. 18 a 24); 2. Esses rendimentos recebidos pelo Contribuinte foram, indevidamente, declarados como "Isentos e Não Tributáveis", por decisão da Juíza Trabalhista Gláucia Maria Gadelha Monteiro que também reconheceu "a incompetência da Justiça do Trabalho para deliberar acerca de valores eventualmente devidos pelos autores de reclamações trabalhistas ao Imposto de Renda, em virtude da liquidação de sentenças condenatórias"; 3. Em razão dessa contradição o relatório foi encaminhado para a Procuradoria da Fazenda Nacional para que fosse emitido parecer jurídico; 4. De acordo com o Parecer PFN/RN/RWSA n ° 001/2006 (fls. 30/32) a decisão trabalhista acerca da não incidência do Imposto de Renda não tem fundamento jurídico cabendo, portanto, o lançamento dos rendimentos classificados indevidamente com os devidos acréscimos legais. Em 07/04/2016 o Contribuinte tomou ciência, via Correio (AR fl. 37), do Autos de Infração e, em 09/05/2006, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fls. 39 a 60, instruída com os documentos nas fls. 61 a 117. Diante da impugnação tempestiva o processo foi encaminhado à DRJ/REC para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1126.221, em 14/05/2009 a 1ª Turma resolveu, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento, mantendo o crédito tributário. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão, via Correio, em 02/12/2009 (AR fl. 138) e interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 140 a 186, em 20/12/2009. Em seu Recurso Voluntário, dentre outras preliminares, argui a nulidade da decisão recorrida sob a alegativa de que na folha 120 do Acórdão recorrido a relatora afirma que “acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento, nos termos emitido no presente voto.” Entretanto, não foi possível conhecer a parte do Auto de Infração que foi considerada improcedente, impedindo que ele produzisse as provas contrárias ao posicionamento do fisco, caracterizando, assim, o cerceamento do seu direito de defesa. Em 16/10/2012 a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF proferiu o Acórdão nº 2202002.054 onde, por unanimidade de votos, os membros do colegiado acordaram acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância argüida pelo contribuinte, para determinar o retorno dos autos a autoridade julgadora de primeira instância para sanar a contradição e/ou omissão apontada, proferindo nova decisão. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13433.000235/200657 Acórdão n.º 2401006.028 S2C4T1 Fl. 7 6 O Contribuinte tomou ciência do Acórdão do CARF em 07/12/2012 (AR fl. 211). O Processo foi encaminhado para a DRJ/REC que, em 12/03/2013, procedeu a um novo julgamento através do Acórdão nº 1139.944 (fls. 214/230). Nesse decisão, por unanimidade de votos, os membros da 1ª Turma decidiram tornar sem efeito o Acórdão nº 1126.221, proferido em 14 de maio de 2009, e considerar improcedente a impugnação apresentada. O Contribuinte tomou ciência deste novo Acórdão da DRJ/REC, via Correio, em 21/03/201 (AR fl. 234) e, em 19/04/2013, interpôs seu Recurso Voluntário de fls. 237 a 247. Em seu Recurso Voluntário, preliminarmente: 1. Argúi a Nulidade da Decisão de 1ª Instância, sob o argumento de cerceamento do direito de defesa, por não ter se pronunciado sobre as questões pontuais e relevantes arguida em defesa, em especial, sobre a questão do reajustamento do rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto, no caso de falta de retenção do imposto; 2. Argumenta a existência de lapso manifesto tendo em vista o equívoco na data do julgamento; No Mérito alegou que: 1. A decisão trabalhista desobrigou os Reclamantes do pagamento do Imposto de Renda sobre as verbas recebidas, bem como o empregador dos procedimentos de retenção e repasse do imposto; 2. A obrigação de reter e recolher os impostos no processo trabalhista é do empregador, na qualidade de substituto processual e não dos substituídos; 3. Não pode ser atribuída culpa a quem não deu causa e que decisão da Justiça do Trabalho deve ser cumprida Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo: 1. Que seja acolhida a preliminar de ilegitimidade passiva do Contribuinte, arguida na Impugnação, com a consequente nulidade do procedimento fiscal e seu arquivamento; 2. Que seja acolhida as preliminares deste recurso, levandose em consideração a nulidade da Decisão de Primeira Instância por falta de apreciação de argumentos defensivos apresentados; 3. Que, na remota hipótese do não acolhimento das preliminares, uma vez demonstrada a insubsistência da ação fiscal, seja acolhido o presente recurso para o fim de cancelar o débito fiscal reclamado. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13433.000235/200657 Acórdão n.º 2401006.028 S2C4T1 Fl. 8 7 É o relatório Voto Vencido Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Nulidade da decisão de primeira instância A Recorrente pleiteia a nulidade da decisão de primeira instância por falta de apreciação de argumentos defensivos apresentados pelo contribuinte. No entanto, entendo que não assiste razão ao contribuinte. A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Em que pese a irresignação do contribuinte, foram enfrentados todos os argumentos defensivos apresentados em sede de impugnação e, consoante os elementos de fato e de direito contidos nos autos do processo administrativo o julgador formou seu livre convencimento, apresentando fundamentos suficientes e claros para refutar as alegações deduzidas. Ademais, cabe destacar que o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. 1 No que tange a alegação de nulidade por erro manifesto em virtude de ter sido indicada data equivocada no julgamento de primeira instância, percebese que ocorreu um simples erro quando à fl. 230 do Acórdão da DRJ, consta a data de 12 de março de 2009, quando na realidade a Sessão de julgamento aconteceu em 12 de março de 2013 (fl. 214). Entretanto, o equívoco na data em nada prejudica o contribuinte em sua ampla defesa. Ilegitimidade passiva 1 EDcl no AgRg no AREsp 575.844/GO, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 13/11/2018, DJe 22/11/2018 Fl. 258DF CARF MF Processo nº 13433.000235/200657 Acórdão n.º 2401006.028 S2C4T1 Fl. 9 8 O Recorrente alega a impossibilidade jurídica de figurar no polo passivo da relação tributária, tendo em vista ser a fonte pagadora responsável pela retenção e recolhimento do Imposto de Renda retido na fonte, passando a ser o único devedor do tributo. Importa observar que no presente caso não se está discutindo a falta de retenção do imposto de renda pela fonte pagadora mas, sim, o fato de o contribuinte ter omitido da tributação, na Declaração de Ajuste Anual DAA, rendimentos auferidos no anocalendário de 2001, em virtude de classificação indevida de rendimentos na DIRPF. Neste caso, cabe ao contribuinte, como titular da disponibilidade econômica desses rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. Destarte, esse é o entendimento pacífico deste Colegiado, consolidado de acordo com o enunciado da súmula CARF n° 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Mérito Com relação ao mérito, deve ser examinado, inicialmente, se ocorreu ou não o fato gerador do Imposto de Renda e, para tanto, necessário se faz a análise da natureza jurídica dos rendimentos recebidos. Com efeito, conforme se constata dos autos do processo administrativo, as verbas recebidas decorrem de reclamação trabalhista ajuizada contra a Caixa Econômica Federal, juntamente com mais 70 (setenta) empregados, na qual se pleiteou o recebimento da diferença correspondente ao índice de 26,05%, relativo à URP de fevereiro de 1989. Consoante estabelecido no art. 43 do CTN, o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, entretanto, o conceito de renda é limitado e não abrange valores que não representem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, como é o caso dos autos. Destarte, é passível tanto na doutrina como na jurisprudência dos tribunais superiores o entendimento de que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial, pois é, na realidade, mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda e seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação. No caso, foi justamente a inflação que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URV. O Ministro Marco Aurélio, relator do Recurso Extraordinário nº 565.089, onde se discute (em sede de Repercussão Geral) a indenização por falta de revisão anual em vencimentos dos servidores públicos de São Paulo, externa em seu voto o seguinte entendimento: Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13433.000235/200657 Acórdão n.º 2401006.028 S2C4T1 Fl. 10 9 O Supremo já assentou que “a correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação” – Agravo Regimental na Ação Cível Originária nº 404, da relatoria do Ministro Maurício Corrêa. Cabe ainda ressaltar que questão dessa natureza já foi trazida, em 10/08/2017, à esta 1ª Turma, no Acórdão 2401005.031. Naquela ocasião, acompanhei o voto do Relator Rayd Santana Ferreira, entendendo tratarse de verba de natureza indenizatória, e por isso peço vênia para trazer os argumentos acrescentandoos como razão de decidir: (...) o STF ao se posicionar sobre o abono variável pago aos magistrados da União, nos termos do artigo 2º, da Lei 10.474/2002, que compreendia as diferenças de URV, dentre outras verbas, manifestouse pela sua natureza indenizatória, conforme artigo 1º da Resolução 245/2002, que assim dispõe: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Conforme conclusões do STF nas decisões que ensejaram o nascimento da Resolução encimada, a regra de incidência tributária é excetuada quando a concessão do abono for "feita para reparação da supressão ou perda de direito, característica que lhe emprestaria o caráter de indenização", que foi, exatamente, o que ocorreu com o abono variável e provisório previsto pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. Na ocasião, a PGFN se pronunciou por meio dos Pareceres 529/2003 e 923/2003, concluindo que, tal qual o abono pago aos membros da magistratura da União, o abono concedido aos membros do Ministério Público da União possui natureza indenizatória, conforme Resolução 245/2002, do STF. Nesse contexto, considerando que o pagamento da diferença de URV tem o objetivo de reparação ou supressão de perda de direito, e esta característica lhe confere a natureza de verba indenizatória para os membros da magistratura e Ministério Público da União, entende este Conselheiro, que outra não pode ser sua natureza quando paga aos membros da Magistratura e Ministério Público Estadual. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia, e, terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 13433.000235/200657 Acórdão n.º 2401006.028 S2C4T1 Fl. 11 10 (...) Neste diapasão, entendo dever ser afastada a incidência do imposto de renda da pessoa física em relação aos valores recebidos a título de diferenças de URV por ter natureza indenizatória, conforme encimado. (Grifamos). Portanto, sob todos os prismas analisados, não vejo como possível afastar a natureza indenizatória das verbas recebidas pelo Recorrente à titulo de "diferenças de URV", seja pela aplicação da Resolução nº 245 do STF, seja pelo fato de tal medida ter sido adotada no intuito de recompor seu patrimônio pela perda experimentada quando da conversação das moedas, restando clara a sua natureza indenizatória. Ademais, o lançamento sequer poderia prosperar, haja vista ter ocorrido erro na realização da apuração do imposto, conforme Tema 368 do STF: Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Dessa forma, não pode prevalecer a exigência contida no lançamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, DOULHE provimento. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço licença à I. Relatora para discordar do seu voto quanto ao mérito do julgamento do recurso voluntário. Por outro lado, manifesto conformidade com o exame das questões preliminares, as quais foram rejeitadas. Tratase de lançamento do imposto de renda incidente sobre valores correspondentes ao pagamento do índice de 26,05% fixado para a Unidade de Referência de Preços (URP) do mês de fevereiro/1989, conforme acordo homologado pela Justiça do Trabalho. Segundo a autoridade fiscal, o contribuinte classificou indevidamente os rendimentos na sua declaração anual como isentos e/ou não tributáveis (fls. 04/09, 90/91, 92/97 e 98/99). Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13433.000235/200657 Acórdão n.º 2401006.028 S2C4T1 Fl. 12 11 A parcela recebida pelo recorrente no ano de 2001 possui nítida conotação salarial, caracterizando rendimento tributável e submetido à incidência do imposto de renda. Ainda que recebida em atraso, a verba é decorrente de pagamento de diferença salarial resultante de plano econômico instituído pelo Governo Federal, reconhecida como devida em virtude de ação judicial. Para concluir pela natureza indenizatória da parcela recebida pela pessoa física, a I. Relatora fez um paralelo com os valores do reajuste de 3,17% relativos à Unidade Real de Valor (URV). Contudo, em uma e outra hipótese os valores não escapam à tributação do imposto de renda, visto que são destinados à recomposição salarial e representam acréscimo patrimonial para o beneficiário dos rendimentos. No tocante à URV, inclusive, a atual jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais é firme no sentido da natureza remuneratória de tais pagamentos.2 A renúncia ao direito de incorporação do percentual de 26,05% ao salário do contribuinte, que havia sido pleiteado na petição inicial, não converte o rendimento pago em caráter indenizatório. Com efeito, por meio de acordo de conciliação, o recorrente e os demais autores da ação trabalhista aceitaram receber apenas parte das verbas salariais reclamadas, com a finalidade específica de chegar ao fim o longo processo judicial em curso, bem como incorporar ao seu patrimônio as quantias já reconhecidas e depositadas em juízo pela Caixa Econômica Federal. Quanto às importâncias vincendas, havia tão só a expectativa de incorporação do índice da URP de fevereiro/1989 aos salários dos trabalhadores, após esgotados os meios recursais disponíveis à reclamada para discussão da matéria, em decisão definitiva executória favorável aos reclamantes. Por cuidar de direito patrimonial disponível, os exeqüentes simplesmente optaram em ganhar menos, em prol da imediata liberação financeira, de maneira tal que o valor efetivamente pago na ação trabalhista não configura recomposição patrimonial e/ou compensação pela perda do direito à incorporação salarial do índice de 26,05% com base na URP. Conforme antes esclarecido na análise das preliminares, a constituição do crédito tributário se deu corretamente em nome da pessoa física beneficiária dos rendimentos (Súmula CARF nº 12). A falta de retenção do imposto sobre os rendimentos pagos poderia implicar o reajustamento da base de cálculo. No entanto, tal hipótese não produz efeitos sobre o polo 2 Por exemplo, o Acórdão nº 920207.070, de 25/07/2018, cuja ementa reproduzo parcialmente a seguir: (...) IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. (...) Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13433.000235/200657 Acórdão n.º 2401006.028 S2C4T1 Fl. 13 12 passivo da relação tributária, apenas que o beneficiário deveria oferecer à tributação o montante reajustado. A decisão judicial acerca da não incidência do imposto de renda não obriga a Fazenda Pública, em atenção aos limites subjetivos do julgado, que vincula somente os acordantes; de um lado, empregados e exempregados, via atuação do respectivo sindicato, e, de outro, a Caixa Econômica Federal. Em outros dizeres, a decisão homologatória só produz efeitos "inter partes". De maneira subsidiária, haja vista as circunstâncias do caso, o recorrente aduz a necessidade de exclusão da multa de ofício. De fato, neste ponto está com a razão. A falta de recolhimento do imposto de renda deuse pela natureza da classificação dos rendimentos na declaração de ajuste da pessoa física, a partir de informação prestada pela fonte pagadora e respaldada no acordo homologado em juízo. A documentação fornecida pela Caixa Econômica Federal, através do comprovante de rendimentos, foi decisiva para a conduta do recorrente, que nada mais fez do que declarar os valores relativos a exercícios anteriores de acordo com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora (fls. 100/101). Mais que isso, a fonte pagadora confiou na orientação da Justiça do Trabalho, que a desobrigou de efetuar a retenção, na medida em que a juíza da 1ª Vara do Trabalho de Mossoró deixou consignado a não incidência do imposto de renda sobre os valores homologados no termo de conciliação, numa interpretação, data vênia, equivocada do Provimento CG/TST 01/96 (fls. 102/105). Em que pese a falta de recolhimento e/ou declaração do imposto, punível com sanção pecuniária, é cabível a exoneração da multa de oficio em decorrência do erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora à natureza dos rendimentos, com respaldo do Poder Judiciário quando procedeu à homologação do acordo de conciliação entre as partes. Nesse sentido, oportuna a reprodução, logo abaixo, da linha de entendimento do verbete sumular nº 73 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Diferentemente, os juros de mora não possuem caráter de penalidade, incidindo sobre o crédito tributário que deixou de ser pago. Os efeitos da mora sobre o crédito tributário são automáticos, bastando a falta de pagamento no vencimento. Nesse sentido, confirase o prescrito no art. 161 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN): 3 3 Quanto à incidência dos juros de mora, ressalvase a hipótese de depósito do crédito tributário no montante integral, conforme a Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13433.000235/200657 Acórdão n.º 2401006.028 S2C4T1 Fl. 14 13 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (...) Como não incidiu desconto do imposto na fonte, por ocasião do recebimento dos rendimentos, o contribuinte utilizou dinheiro alheio, devendo, sob pena de enriquecimento sem causa, compensar a falta de disponibilidade dos recursos pelo Poder Público, mediante os juros de mora incidentes sobre o valor do tributo original devido e não pago. Para fins de cobrança dos juros de mora, tornase indiferente o motivo que determinou a ausência do pagamento. Por fim, assinalo que os rendimentos recebidos pelo contribuinte no ano calendário de 2001 são relativos a anoscalendário anteriores, vinculados ao reajustamento salarial com base no índice de 26,05% fixado para a URP, aplicado sobre prestações vencidas até a efetivação do pagamento na ação trabalhista. Em sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada no dia 23/10/2014, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida, redator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, o Plenário da Corte admitiu a invalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 27 de dezembro de 1988, no que tange à sistemática de cálculo para a incidência do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, por violar os princípios da isonomia e da capacidade contributiva. Com efeito, afastando o regime de caixa, o Tribunal acolheu o regime de competência para o cálculo mensal do imposto de renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Eis a ementa desse julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Em 09/12/2014, o Recurso Extraordinário nº 614.406/RS transitou em julgado, tornando definitiva a decisão. Diante desse contexto fático, o § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF , aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3 de maio de 2016, assim estabelece: Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13433.000235/200657 Acórdão n.º 2401006.028 S2C4T1 Fl. 15 14 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A exigência de que o imposto incidirá no mês da percepção dos valores, sobre o total de rendimentos acumulados, aplicandose a tabela progressiva vigente no mês desse recebimento, foi considerada em descompasso com o texto constitucional, em decisão definitiva de mérito na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil. O entendimento da Corte Suprema deverá ser reproduzido no âmbito deste Conselho. Desse modo, a unidade da RFB encarregada da liquidação e execução deste acórdão deverá manter a incidência do imposto de renda no mês de recebimento, porém o cálculo deve considerar as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, realizandose o cálculo de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Conclusão Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto para: (i) excluir a aplicação da multa de ofício; e (ii) determinar o recálculo do imposto de renda tomando como base as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram os rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.900392/2016-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O DÉBITO COMPENSADO.
Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP.
Numero da decisão: 3302-006.683
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O DÉBITO COMPENSADO. Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
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Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 03 92 /2 01 6- 16 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10860.900392/201616 Acórdão n.º 3302006.683 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PerDcomp transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, decorrente de recolhimento indevido ou a maior que o devido. De acordo com o Despacho Decisório, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. O interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando que, no despacho decisório, a Receita Federal efetuou a compensação usando apenas o valor original do direito creditório, sem considerar os juros equivalentes à taxa SELIC que incidem sobre ele. Assim sendo, pede que a manifestação de inconformidade seja provida, para o fim de reconhecer o direito à atualização dos valores compensados e de homologar integralmente a compensação realizada.. A DRJ Belo Horizonte julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 02074.081. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual alega, em breve síntese, que o valor informado se refere ao valor original atualizado pela Selic; que não separou os valores de original, juros e multa; que o valor do direito creditório contempla a compensação pretendida, devendo ela ser homologada na plenitude. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.675, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10860.900385/201614, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.675): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10860.900392/201616 Acórdão n.º 3302006.683 S3C3T2 Fl. 4 3 A lide posta nos autos diz respeito a questão fática. Não se discute interpretação da legislação tributária. O recorrente não se insurge contra a atualização do débito compensado a destempo, tampouco com a forma de atualização utilizada pela Autoridade Tributária para corrigir o direito creditório. Acontece que o sujeito passivo se equivocou quanto ao valor a ser compensado pelo seu indébito tributário, explico: Podemos extrair da análise da Per/Dcomp nº 03339.46253.170815.1.3.047194, os seguintes dados: a) O sujeito passivo possuía um crédito no valor de R$ 4.372,41, referente a recolhimento indevido da Cofins, realizado em 25/05/2011. Ao seu crédito foi adicionada a taxa Selic acumulada, no percentual de 41,07%. O resultado foi um crédito final de R$ 6.168,16; b) O sujeito passivo possuía um débito tributário no valor de R$ 6.168,16, referente ao mês de setembro de 2013, a título de Cofins. Buscou compensar esse débito com o indébito descrito no item anterior. Ocorre que o recorrente esqueceu dos juros e da multa que incidem sobre o valor do principal nos casos em que a compensação é efetuada após o vencimento do tributo. Sobre essa sistemática, reproduzo o voto da instância a quo que a tratou de forma didática e objetiva, verbis: Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP. De acordo com o art. 43 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 da mesma IN e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Rege a incidência de acréscimos legais sobre débitos o art. 61 da Lei n.º 9.430, de 1996. Segundo esse artigo, sobre os débitos não pagos no prazo, incidem multa de mora e juros de mora. O percentual dos juros de mora equivale à taxa SELIC, nos meses de atraso anteriores ao do pagamento, e a 1%, no mês do pagamento. A extinção do débito compensado considerase ocorrida na data da transmissão da DCOMP. Por fim, de acordo com o § 1º do art. 43 da IN SRF n.º 1300, de 2012, a compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrado pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Aplicando a sistemática acima explicitada, temos que: O valor do crédito foi de R$ 4.372,41 + 1.795,75 (tx Selic) = R$ 6.168,16. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10860.900392/201616 Acórdão n.º 3302006.683 S3C3T2 Fl. 5 4 O valor do débito tributário foi também de R$ 6.168,16. Não obstante, esse valor não pode se referir na sua totalidade ao principal e sim ao principal, multa e juros moratórios. Nesta linha, o correto valor do principal que foi compensado foi de R$ 4.408,97, pois o restante foi direcionado para a quitação da multa no valor de R$ 881,79, e dos juros no valor de R$ 877,38. Diante desse quadro, devese dizer que o sujeito passivo continuou com um débito da Cofins, referente ao mês de setembro de 2013, no valor de R$ 1.759,19. Resultado da diferença entre seu crédito de R$ 6.168,16 e o débito de R$ 4.408,97. Pelos motivos expostos, não há como reformar a decisão a quo no sentido de homologar a compensação em sua plenitude, pois o indébito tributário que a lastreava era em valor inferior ao valor do débito declarado na Dcomp. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.727532/2017-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DOENÇA GRAVE. ISENÇÃO. LAUDO OFICIAL
Contribuinte apresentou laudo oficial comprovando a doença grave que faz jus à isenção prevista em lei.
Numero da decisão: 2001-001.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DOENÇA GRAVE. ISENÇÃO. LAUDO OFICIAL Contribuinte apresentou laudo oficial comprovando a doença grave que faz jus à isenção prevista em lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
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Numero do processo: 16682.721732/2015-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.728
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 73 2/ 20 15 -3 0 Fl. 284DF CARF MF Processo nº 16682.721732/201530 Resolução nº 3201001.728 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 16682.721732/201530 Resolução nº 3201001.728 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 286DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.005265/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. SÚMULA CARF 88.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa (Súmula CARF nº 88).
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA.
Devida contribuições sociais a cargo da empresa sobre o total das remunerações auferidas pelos segurados empregados que lhe prestarem serviços.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
Diante da inexistência de proibição pela Lei nº 10.101/00 do pagamento de PLR em valor fixo e da sua previsão no acordo coletivo aprovado previamente e com participação da empresa, dos empregados e do sindicato, não há incidência de contribuição previdenciária.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO. PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 16/2011.
Não incide contribuição previdenciária sobre a importância paga, devida ou creditada, aos segurados empregados a título de abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade. Nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 16/2011, c/c Parecer PGFN/CRJ nº 2.114/2011.
LANÇAMENTO. PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DE PARECER VINCULANTE.
Não incide contribuição previdenciária sobre os valores relativos ao fornecimento in natura de alimentação, independente de adesão da empresa ao Programa de Alimentação do Trabalhador. Aplicação do Parecer Vinculante PGFN/CRJ nº 2.117/2011.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF 119.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF nº 119).
Numero da decisão: 2301-005.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares. No mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO para: 1) por unanimidade, excluir do lançamento os valores decorrentes de pagamento de cesta básica e abono previsto na convenção coletiva de trabalho e, quanto à multa, aplicar a Súmula Carf nº 119; 2) por maioria de votos, em excluir do lançamento os valores de pagamento de PLR a empregados, vencidos os conselheiros Antônio Sávio Nastureles (relator), Reginaldo Paixão Emos e João Maurício Vital, que negaram provimento e 3) por voto de qualidade, em negar provimento nas demais matérias, mantendo-se o lançamento quanto aos valores pagos a estagiários, aprendizes e os constantes do PLR-Gerencial, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento. Designado para fazer o voto vencedor o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto.
(Assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
(Assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente).
Julgamento realizado na sessão da manhã do dia 16/01/2019.
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. SÚMULA CARF 88. A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa (Súmula CARF nº 88). Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. Devida contribuições sociais a cargo da empresa sobre o total das remunerações auferidas pelos segurados empregados que lhe prestarem serviços. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Diante da inexistência de proibição pela Lei nº 10.101/00 do pagamento de PLR em valor fixo e da sua previsão no acordo coletivo aprovado previamente e com participação da empresa, dos empregados e do sindicato, não há incidência de contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO. PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 16/2011. Não incide contribuição previdenciária sobre a importância paga, devida ou creditada, aos segurados empregados a título de abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade. Nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 16/2011, c/c Parecer PGFN/CRJ nº 2.114/2011. LANÇAMENTO. PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DE PARECER VINCULANTE. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores relativos ao fornecimento in natura de alimentação, independente de adesão da empresa ao Programa de Alimentação do Trabalhador. Aplicação do Parecer Vinculante PGFN/CRJ nº 2.117/2011. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF 119. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF nº 119).
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SÚMULA CARF 88. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa (Súmula CARF nº 88). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. Devida contribuições sociais a cargo da empresa sobre o total das remunerações auferidas pelos segurados empregados que lhe prestarem serviços. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Diante da inexistência de proibição pela Lei nº 10.101/00 do pagamento de PLR em valor fixo e da sua previsão no acordo coletivo aprovado previamente e com participação da empresa, dos empregados e do sindicato, não há incidência de contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO. PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 16/2011. Não incide contribuição previdenciária sobre a importância paga, devida ou creditada, aos segurados empregados a título de abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 52 65 /2 00 8- 73 Fl. 691DF CARF MF 2 habitualidade. Nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 16/2011, c/c Parecer PGFN/CRJ nº 2.114/2011. LANÇAMENTO. PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DE PARECER VINCULANTE. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores relativos ao fornecimento in natura de alimentação, independente de adesão da empresa ao Programa de Alimentação do Trabalhador. Aplicação do Parecer Vinculante PGFN/CRJ nº 2.117/2011. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF 119. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF nº 119). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares. No mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO para: 1) por unanimidade, excluir do lançamento os valores decorrentes de pagamento de cesta básica e abono previsto na convenção coletiva de trabalho e, quanto à multa, aplicar a Súmula Carf nº 119; 2) por maioria de votos, em excluir do lançamento os valores de pagamento de PLR a empregados, vencidos os conselheiros Antônio Sávio Nastureles (relator), Reginaldo Paixão Emos e João Maurício Vital, que negaram provimento e 3) por voto de qualidade, em negar provimento nas demais matérias, mantendose o lançamento quanto aos valores pagos a estagiários, aprendizes e os constantes do PLRGerencial, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento. Designado para fazer o voto vencedor o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto. (Assinado digitalmente) João Maurício Vital Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. (Assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Redator Designado. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 13888.005265/200873 Acórdão n.º 2301005.795 S2C3T1 Fl. 3 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente). Julgamento realizado na sessão da manhã do dia 16/01/2019. Relatório 1. Tratase de julgar recurso voluntário (efls 408/494) interposto em face do Acórdão nº 1424.824 (efls 352/386), prolatado pela 6ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, em sessão de julgamento realizada em 23 de junho de 2009. 2. Fazse a transcrição do relatório contido na decisão recorrida: (início da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 1424.824) Tratase de Auto de Infração de obrigação principal – AI/DEBCAD nº 37.181.1660 que constitui contribuições devidas à Seguridade Social em face do contribuinte acima identificado, atinentes às parcelas da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. São fatos geradores das contribuições constituídas as remunerações pagas ou creditadas pela empresa a título de: I) Abonos e Gratificações Salariais: pagamentos de abonos salariais advindos de cláusulas contidas em Acordos coletivos de trabalho e programa de gratificações por tempo de serviço que premia os funcionários com um percentual sobre o salário de acordo com o tempo de serviço prestado à empresa; II) Cesta básica: Distribuição de cestas básicas (in natura) aos segurados empregados fora do âmbito regulamentar do PAT, ou seja, a empresa distribuía cesta básica sem estar inscrita nesta modalidade de participação naquele programa; III PLR: pagamento de verbas a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a legislação de regência. As desconformidades relatadas dão conta de que: a) a empresa têm dois programas de PLR distintos, um para os trabalhadores sem cargos (fábrica), homologado pelo Sindicato da categoria, e outro, denominado Gerencial, que abrangem os cargos de liderança e sem a homologação sindical; b) o PLRFábrica é composto por uma parcela fixa, percebida independente de metas objetivas a serem alcançadas, e de uma parcela variável, vinculadas às metas adjetivas constantes dos planos internos de metas integrantes dos acordos coletivos; apenas a parcela fixa foi constituída como base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que não atrelada a qualquer melhoria ou ganho em produtividade; c) a empresa estendeu os pagamentos do PLR aos funcionários afastados e aprendizes do SENAI, os quais não podem estar vinculados ao cumprimento de metas; d) o PPRGerencial caracterizase como ‘política de RH’ da empresa, posto que não está homologado pelo Sindicato, segrega os participantes pelos cargos que ocupam, vinculando sua remuneração final ao peso de seus cargos, não somente às metas objetivas traçadas e não foram pactuados previamente. Todos os levantamentos tiveram por base de cálculo valores extraídos da contabilidade da autuada em rubricas específicas, e importaram numa contribuição devida no montante de R$ 905.351,62 (Novecentos e cinco mil, trezentos e cinqüenta e um reais e sessenta e dois centavos), consolidado em 28/11/2008. Fl. 693DF CARF MF 4 A empresa interessada apresentou impugnação tempestiva, alegando em síntese e preliminarmente que: i) não há fundamentação legal para sustentar a inclusão dos representantes legais da empresa no anexo REPLEG, razão pela qual este deve ser desentranhado; ii) ocorreu a decadência de parte dos débitos cobrados, de acordo com o disposto no artigo 150, § 4º do CTN. No mérito, aduz que: iii) quanto aos abonos e gratificações salariais, ambos estão desvinculados do salário de contribuição por força do art. 28, § 9º aliena ‘e’, item 7 da lei nº 8.212/91; neste tópico alega também cerceamento de defesa, pela descrição do fato infringente constante do ‘Relatório Fiscal’ apontar como infração justamente o comando legal citado, que lhe permite excluir da base de cálculo os pagamentos efetuados a estes títulos; a título de argumentação, aduz que a impugnante pagou abonos a seus empregados em razão de cláusulas contidas em Acordos Coletivos de Trabalho que expressamente desvinculam tais pagamentos dos salários; sustenta que a previsão em lei exigida no RPS deve ser entendida em sentido amplo, que certamente comportariam os instrumentos de negociação coletiva do trabalho, sob pena de ferir o artigo 111 inciso II do CTN (cita trechos de Acórdãos do CRPS e do Conselho de Contribuintes); frisa tratarse de ganhos eventuais, posto que não há habitualidade em seus pagamentos, feitos uma única vez, em uma única parcela; no tocante à gratificação pelo tempo de serviço prestado, também sustenta sua eventualidade, e que a sua natureza não é a de remuneração, mas de incentivo de permanência do funcionário nos quadros da empresa. iv) No tocante às cestas básicas, são desvinculadas do salário por força do disposto na alínea ‘c’ do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, foram fornecidas in natura e com conhecimento e aprovação dos funcionários que autorizaram desconto de parte dos custos em seus holerites; sustenta que pouco importa o fato de a empresa estar ou não inscrita no PAT e menos ainda em que modalidade se inscreveu, pois em sendo fornecido in natura o auxílio alimentação perde a natureza salarial (cita jurisprudências). v) No tocante ao Programa de Participação nos Resultados e Lucros, sustenta que sua desvinculação da remuneração é expressa na Constituição Federal de 1988, e referendada pela edição da Medida Provisória nº 794 de 1994 até sua conversão na Lei 10.101/2000; aduz que os critérios elencados por aquela Lei são diretrizes a serem seguidas, e por isso facultativos e não obrigatórios, e que seu princípio norteador é o da livre negociação entre empregadores e empregados; ainda, que os programas de PPRL da Defendente estão em perfeita harmonia com a legislação de regência, posto que, quanto ao PLRFábrica, não obstante uma parte do valor pago seja fixo, houve vinculação ao cumprimento de metas eleitas e segundo critérios definidos em relação à outra parte do pagamento; tais pagamentos decorrem de Acordos Coletivos firmados e se aplicam a todos os trabalhadores da Impugnante com vínculo empregatício e que há, na leitura dos Planos Internos de Metas cumulado com os Acordos firmados, a fixação dos direitos substantivos e das regras adjetivas, do cumprimento do acordado, da periodicidade da distribuição e da vigência; a pactuação de um valor fixo acompanhado de variáveis não pode descaracterizar tal pagamento como PPRL uma vez que acaba por estimular o empregado e por conseqüência, aumentar a produtividade, traduzindose em interpretação restritiva do diploma normativo instituidor (cita Acórdão do Conselho de Contribuintes e do CRPS). No que tange à extensão do PPRL aos aprendizes, diz que tais trabalhadores podem estar vinculados ao cumprimento de metas, uma vez que podem ter seu contrato rescindido por desempenho insuficiente ou inadaptação ao trabalho. Quanto ao PPRLGerencial, em sua parte variável, sustenta que este também está em perfeita harmonia com a legislação aplicável; que se encontram contemplados pela homologação sindical, posto que oriundos dos Acordos Coletivos extensivos a todos os trabalhadores com vínculo empregatício, e que já que previam o pagamento de um valor variável; que a homologação pelo Sindicato deve ser relativizada para os cargos de mais alto escalão, ocupados por profissionais Fl. 694DF CARF MF Processo nº 13888.005265/200873 Acórdão n.º 2301005.795 S2C3T1 Fl. 4 5 usualmente mais familiarizados com os assuntos de natureza salarial e negocial que a “massa” de trabalhadores; que a Lei 10.101/2000 não contém dispositivo que obriga a participação nos lucros proporcional a todos os empregados da empresa, não havendo vício em fórmula de cálculo que contemple outros critérios além dos listados na Lei; também entende desnecessária a pactuação prévia dos PPRL antes da apuração dos lucros ou resultados, mas sim pactuação prévia ao pagamento da participação nos lucros ou resultados (cita jurisprudências). Posta nestes argumentos, requer o acolhimento de suas considerações para que produza os efeitos cabíveis. (fim da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 1424.824) 2.1. Julgado parcialmente procedente o lançamento, para excluir dos levantamentos "DAB DEB ABONOS E GRATIF SALARIAIS", "DCB DEB CESTA BASICA FORA PAT" e "DPL DEB PLR" as contribuições cobradas até a competência 11/2003, por decadentes ficando o débito retificado conforme o anexo Discriminativo Analítico do Débito Retificado – DADR (efls 332/342). 2.2. Seguese a transcrição da ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. Devida contribuições sociais a cargo da empresa sobre o total das remunerações auferidas pelos segurados empregados que lhe prestarem serviços. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ABONOS. GRATIFICAÇÕES. As remunerações pagas e/ou creditadas a título de abono e/ou gratificação, não expressamente desvinculadas do salário através de lei, integram o salário de contribuição para fins previdenciários. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. FORNECIMENTO DE CESTAS BÁSICAS. Integram o salário de contribuição os valores relativos à alimentação fornecida em desacordo com a legislação do PAT Programa de Alimentação do Trabalhador. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Integram o salário de contribuição os valores relativos aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados, efetuados em desacordo com a lei de regência. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. REPLEG. Constitui peça de instrução do processo administrativofiscal previdenciário o Anexo de Representantes Legais REPLEG, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. A partir da publicação da Súmula Vinculante nº 08 do STF, em 20/06/2008, que reconheceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, aplicamse aos créditos previdenciários o prazo decadencial qüinqüenal, previsto no Código Tributário Nacional. Fl. 695DF CARF MF 6 3. Interposto o recurso voluntário (efls 408/494), inicia com exposição dos fatos (efls 412/414) e deduz, em síntese, as mesmas razões oferecidas ao tempo da impugnação, subdivididas nos tópicos que se relaciona a seguir: II.a. Da ausência de fundamento legal para a inclusão de "Relatório de Representantes Legais" nos autos (efls 416/420) II.b. Da insubsistência das contribuições objeto do auto de infração originário (efls 420/488) (a) Abonos e gratificações salariais por tempo de serviço (efls 422/440) (b) Cesta básica in natura (efls 440/448) (c) Programa de Participação nos Lucros e Resultados (efls 448/488) II.c Da multa de mora (efls 488/492) 3.1. Fazse a transcrição do pedido (efls 492): 119. Diante do exposto, requer seja o presente Recurso Voluntário processado, julgado e acolhido na sua totalidade, para o fim. de determinar a reforma da r. decisão recorrida, de forma que seja declarada a insubsistência do Auto de Infração em questão, tornandose inexigíveis os principais, multas e juros de mora das contribuições previdenciárias ora exigidos. 120. Caso V.Sas, entendam ser o caso de manter, ainda que parcialmente, o lançamento ora combatido, pede a Recorrente seja parcialmente reformada a r. decisão para: (i) determinar o desentranhamento do "REPLEG Relatório de Representantes Legais" dos presentes autos de Processo Administrativo, ou para que ao menos seja ressalvada a impossibilidade de utilizálo para fins de arrolamento de co devedores quando da eventual inscrição do crédito em dívida ativa; e (ii) determinar que a multa de mora aplicada no presente caso seja limitada a 20% (vinte por cento), nos termos do art. 35 da Lei n. 8.212/91, com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, c/c art. 61 da Lei n° 9.430/96 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 4. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. PPRREELLIIMMIINNAARR DDEE NNUULLIIDDAADDEE CCEERRCCEEAAMMEENNTTOO DDEE DDEEFFEESSAA Fl. 696DF CARF MF Processo nº 13888.005265/200873 Acórdão n.º 2301005.795 S2C3T1 Fl. 5 7 5. Não está caracterizada nos autos nenhuma das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, tampouco no artigo 60 do mesmo ato normativo. 5.1. Fazse, ainda, a transcrição de trecho da decisão de primeira instância ao tratar da questão: No arremate das alegações do contribuinte no tocante a este tópico, não vislumbro qualquer cerceamento ao exercício da sua defesa advindo do contido no relato fiscal. Cumpre considerar que o Relatório Fiscal é apenas um dos anexos do presente Auto de Infração, e ainda que não seja dotado do rigorismo técnico jurídico apontado pelo Impugnante, ao esgrimir com a Lógica Jurídica e a Teoria Geral do Direito, cumpre de forma mais que satisfatória o seu desiderato de identificar o sujeito passivo, noticiar a ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias não oferecidos à tributação, explicitar a base de cálculo utilizada para aferir a contribuição devida e a fundamentação legal em que se firmou todo o procedimento. Tanto é assim que o contribuinte apresenta extensa peça impugnatória na qual aborda com precisão e exaustivamente todos os tópicos que julgou relevantes para contradizer a autuação. 5.2. Rejeitase, portanto, a preliminar suscitada. DDAA AAUUSSÊÊNNCCIIAA DDEE FFUUNNDDAAMMEENNTTOO LLEEGGAALL PPAARRAA AA IINNCCLLUUSSÃÃOO DDEE ""RREELLAATTÓÓRRIIOO DDEE RREEPPRREESSEENNTTAANNTTEESS LLEEGGAAIISS"" NNOOSS AAUUTTOOSS 6. Concernente à relação de representantes legais da Recorrente para fins de eventual cobrança solidária, a matéria já foi objeto de Súmula no CARF e, de fato, não está a fiscalização desde então atribuindo responsabilidade, mas tão somente indicando as pessoas que poderiam responder subsidiaria ou solidariamente pelo crédito numa execução fiscal: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. MMÉÉRRIITTOO DDAASS VVEERRBBAASS PPAAGGAASS OOUU CCRREEDDIITTAADDAASS AA TTÍÍTTUULLOO DDEE AABBOONNOO EE GGRRAATTIIFFIICCAAÇÇÃÃOO SSAALLAARRIIAALL 7. Consoante exposto no Relatório Fiscal (efls 80): Do levantamento DAB DEB ABONOS E GRATIF SALARIAIS 3) O fato gerador ocorreu com o pagamento/crédito de: Abonos Salariais advindos de cláusulas contidas nos Acordos Coletivos de Trabalho e Gratificações por Tempo de Serviço, programa este que retribui os funcionários com percentuais sobre o salário de acordo com o tempo de serviço prestado (Anexo I deste Fl. 697DF CARF MF 8 Relatório Fiscal e AI). Estes pagamentos/créditos ocorreram sem a incidência de contribuição previdenciária, infringindo o disposto na Lei 8.212/91, artigo 28, § 9 0• "e.7" e no Decreto 3.048/99, artigo 214 § 9°. V "j", com a redação dada pelo Decreto 3.265 de 29/11/1999. 8. Como bem identificado pela decisão de primeira instância: Tratase de verbas distintas, a primeira devida por força de Acordo Coletivo de Trabalho, a segunda instituída por política remuneratória da própria empresa, que declara em documento anexo às fls. 43, conceder a título de benefícios a todos os seus colaboradores, um prêmio por tempo de serviço, correspondente a um percentual sobre o seu salário nominal, conforme estes completem um certo período de trabalhos prestados à empresa. DDoo aabboonnoo eevveennttuuaall oorriiuunnddoo ddaa CCoonnvveennççããoo CCoolleettiivvaa 9. Concernente ao pagamento de abono eventual oriundo da Convenção Coletiva, o entendimento já consolidado na jurisprudência do CARF está alicerçado no Ato Declaratório PGFN nº 16/2011, no sentido de não haver incidência da contribuição previdenciária. 9.1. O Ato Declaratório nº 16/2011, com fundamento no Parecer PGFN nº 2.114/2011, declarou a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. 9.2. Os conselheiros deste colegiado devem observar os Atos Declaratórios emanados pela PGFN, com aprovação ministerial, consoante art. 62, II, 'c', do RICARF, verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: ... II que fundamente crédito tributário objeto de: ... c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; 9.3. Verificase que a situação presente nos autos se amolda às condições previstas no citado Ato Declaratório, e com isso, devese excluir do levantamento "DAB DEB ABONOS E GRATIF SALARIAIS", as verbas pagas a título de abonos salariais determinado em Convenções Coletivas de Trabalho. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 13888.005265/200873 Acórdão n.º 2301005.795 S2C3T1 Fl. 6 9 DDaass ggrraattiiffiiccaaççõõeess ppoorr tteemmppoo ddee sseerrvviiççoo 10. Concernente ao pagamento de gratificações por tempo de serviço, afigurase correta a análise empreendida pela decisão de primeira instância, no sentido da incidência de contribuição previdenciária. 10.1. Vejase que tal entendimento está lastreado em documento produzido pela própria Recorrente. Seguese a visão do documento anexado às efls. 88: 10.2. Como se pode perceber, tratase de pagamento que foi pactuado, e por isso com natureza salarial, como determina o enunciado da Súmula nº 203 do TST, e como precisamente abordado no voto contido na decisão de primeira instância. Súmula nº 203 do TST GRATIFICAÇÃO POR TEMPO DE SERVIÇO. NATUREZA SALARIAL A gratificação por tempo de serviço integra o salário para todos os efeitos legais. 10.3. Por esse modo, devese manter no levantamento "DAB DEB ABONOS E GRATIF SALARIAIS", as verbas pagas a título de Gratificações por Tempo de Serviço. DDAA DDIISSTTRRIIBBUUIIÇÇÃÃOO DDEE CCEESSTTAASS BBÁÁSSIICCAASS EEMM DDEESSCCOONNFFOORRMMIIDDAADDEE CCOOMM OO PPRROOGGRRAAMMAA DDEE AALLIIMMEENNTTAAÇÇÃÃOO DDOO TTRRAABBAALLHHAADDOORR.. 11. Consoante exposto no Relatório Fiscal (efls 80): Do levantamento DCBDEB CESTA BASICA FORA PAT 6) O fato gerador ocorreu com a distribuição aos empregados de cestas básicas (parcela in natura), tendo por base o disposto no art. 28, inciso I, da Lei 8212/91, em razão da empresa, mesmo tendo efetuado a adesão ao Programa de Alimentação ao Trabalhador — PAT, instituído pela Lei n°. 6.321/76, com validade até 2003 e em 20/05/2004, adesão comprovada nos sistemas informatizados do Ministério do Trabalho, não ter feito Fl. 699DF CARF MF 10 a opção pelo fornecimento de cestas básicas, adotando como 100% na modalidade Administração de Cozinha, conforme demonstrado em seu comprovante de inscrição, anexo II deste Relatório Fiscal e Al. 7) Dessa forma o fornecimento das cestas básicas foi feito fora do âmbito do PAT, sem a devida previsão no formulário próprio pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos — EBCT. Neste caso, o valor da cesta básica constituise em remuneração. 11.1. Quanto ao fornecimento de cestas básicas, há entendimento consolidado na jurisprudência do CARF, fundamentado no Ato Declaratório nº 03/2011 e no Parecer PGFN/CRJ nº 2.117/2011, ambos da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN, sobre a não incidência de contribuição previdenciária. 11.2. A título de exemplo, cabe citar o Acórdão 9202003.212 (Câmara Superior de Recursos Fiscais), assim como decisões deste Colegiado: 2301005.538; 2301005.432 e 2301004.883. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. IN NATURA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados. Acórdão nº 9202003.212 (Sessão: 08 de maio de 2014). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA O fornecimento de alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Acórdão nº 2301005.538 (sessão de 08/08/2018) LANÇAMENTO. PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DE PARECER VINCULANTE. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores relativos ao fornecimento in natura de alimentação, independente de adesão da empresa ao Programa de Alimentação do Trabalhador. Aplicação do Parecer Vinculante PGFN/CRJ nº 2.117/2011. Acórdão nº 2301005.432 (sessão de 04/07/2018) SALÁRIO INDIRETO AJUDA ALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura e valesrefeição, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN. Acórdão nº 2301004.883 (sessão de 19/01/2017) Fl. 700DF CARF MF Processo nº 13888.005265/200873 Acórdão n.º 2301005.795 S2C3T1 Fl. 7 11 11.3. No caso dos autos, devese excluir do lançamento os valores decorrentes de pagamento de cesta básica. DDOOSS PPRROOGGRRAAMMAASS DDEE PPAARRTTIICCIIPPAAÇÇÃÃOO NNOOSS LLUUCCRROOSS EE RREESSUULLTTAADDOOSS 12. Consoante exposto no Relatório Fiscal (efls 84): 14) A empresa adotou no período da autuação procedimentos e métodos de execução do programa de PLR, que estão em desacordo com a legislação, como segue: a) A empresa tem dois programas de PLR distintos sendo um para os trabalhadores que não detém cargos de liderança (Fabrica), homologado pelo sindicato da categoria, e outro denominado PPR Gerencial que abrange os cargos de Liderança (Coordenadores e Mestres, Gerentes e Diretores) e que não tem a homologação do sindicato, conforme justificou a empresa em esclarecimento — Anexo IV deste Relatório Fiscal e AI. b) No PLR—Fabrica notase que a maior parte do valor a ser pago a " fixo" e independe de qualquer meta objetiva a ser alcançada, constando como variável um valor adicional pago junto com a 2a. parcela fixa, este sim vinculado as metas adjetivas e por esta razão excluído da base calculo. Estes valores constam do Plano Interno de Metas, integrante dos Acordos Coletivos relativos ao PLRFabrica, conforme anexo V deste Relatório Fiscal e AI (2002 a 2004). Sendo assim, a parte fixa ajustada a titulo de PLR fica descaracterizada em relação ao objetivo da Lei 10101/2000, uma vez que não atrela a remuneração a qualquer melhoria ou ganho em produtividade. Outro ponto observado é que a empresa, por liberalidade, estendeu 50% do pagamento total PLR aos funcionários afastados e aprendizes do SENAI, os quais não podem estar vinculados ao cumprimento de metas. c) No PPR — Gerencial ocorreram vários fatores que caracterizam o PLR como "Política de RH" ao invés do PLR previsto na lei. No anexo VI deste Relatório Fiscal e AI está o PPRG2003, anexado como amostra já que é semelhante aos praticados em 2002 (com efeitos financeiros em 2003) e o de 2004. • A começar pelo fato de não atender o § 2°. da Lei não sendo homologado pelo sindicato. • Em segundo lugar os PPRG contém um vicio na fórmula principal do prêmio a ser pago que leva em conta o fator de "grade salarial", o que por si só já o descaracteriza com PLR, pois segrega os participantes vinculando sua remuneração final ao peso do cargo que ocupam (Diretores — 4 salários, Gerentes 1,5 salários e Coordenadores/Mestres 1,0 salário) e não somente as metas objetivas a serem alcançadas. Fl. 701DF CARF MF 12 • Por último temos que os PPRG apresentados foram aprovados pela Diretoria durante o ano em curso o que coloca em desacordo com a lei no sentido de haver pactuação prévia (2002— assinado em12/04/2002, 2003 em 10/10/2003, e 2004— sem data de assinatura). 13. Cabe ilustrar que o mero fato de coexistirem dois planos de participação nos lucros e resultados, um destinado aos trabalhadores e outro ao corpo gerencial, não constitui, por si só, irregularidade aos termos da lei de regência. É possível, sim, a coexistência de planos distintos, desde que cada um deles, especificamente, atenda as exigências contidas na Lei nº 10.101/2000. Como se verá adiante, a decisão de primeira instância, ao perfazer a análise individualizada de cada plano, evidenciou irregularidades específicas em cada um deles. 14. Em prosseguimento, coincidentes as razões recursais e as deduzidas ao tempo da impugnação, a análise do recurso na parte relativa aos planos de PLR pode ser feita utilizandose da prerrogativa conferida pelo Regimento Interno do CARF. RRIICCAARRFF:: AARRTTIIGGOO 5577 §§ 33ºº 15. De acordo com o disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 –RICARF, adotamse os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição dos trechos do voto que guardam pertinência com as questões recursais ora tratadas (item 12 supra). (início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 1424.824) III Da participação nos lucros ou resultados Neste tópico identifica a autoridade fiscal o pagamento de verbas a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a legislação de regência. Lista as desconformidades observadas, que por sua vez são contestadas pela Impugnante. Ainda uma vez, tratase de decidir se verbas pagas à guisa de PLR, quando não atendam os pressupostos previstos na Lei 10.101/00, fazem parte do salário de contribuição para efeito de incidência das contribuições devidas à Seguridade Social, com base no disposto no art. 28, § 9º, “j”, da Lei 8.212/91, e mais especificamente, decidir se as desconformidades observadas no caso concreto são suficientes para descaracterizar o pagamento em conformidade com a Lei de regência. Por oportuno, transcrevo o dispositivo citado da Lei de Custeio da Previdência Social, que assim giza: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) 9° Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica Apesar da pouca tradição brasileira de adoção de sistemas de participação nos lucros, o assunto foi tratado por todas as constituições do país, desde 1946. A Constituição de 1988 estabelece em seu art. 7º, XI, a ”participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração (...), conforme definido em lei.” Fl. 702DF CARF MF Processo nº 13888.005265/200873 Acórdão n.º 2301005.795 S2C3T1 Fl. 8 13 Notase que o legislador Constituinte, ao estabelecer o direito à participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, remeteu à lei o poder de definir as condições e requisitos aplicáveis a tal direito. Não poderia ser diferente, tendo em vista que, obviamente, o texto constitucional não poderia chegar a minúcias e detalhes, esmiuçando os critérios a serem observados na concessão de tal benefício. Assim, a Constituição de 1988, apesar de desvincular expressamente a PLR das verbas salariais, não é, entretanto, autoaplicável, tendo em vista que a norma veiculada no seu artigo 7º, inciso XI, não tem aplicabilidade imediata, dada a sua eficácia limitada. Tal qual às demais normas não autoaplicáveis, necessitava de regulamentação, que acabou acontecendo por meio da Medida Provisória nº 794, de 29.12.94 que, por vários anos e por meio de inúmeras reedições, converteuse na Lei 10.101/2000, e regulamentou definitivamente a matéria. Por outro lado, o § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91 lista sobre quais verbas não incide a contribuição previdenciária. Tal dispositivo deve ser interpretado restritivamente, visto que a norma em comento reduz o âmbito de incidência da base de cálculo da regra matriz, devendo, por disposição expressa do Código Tributário Nacional, ser interpretada literalmente: Código Tributário Nacional – CTN (Lei n.º 5.172 de 25 de outubro de 1966) Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Via de conseqüência concluise que sobre os valores pagos pela empresa a título de PLR, incidem normalmente as contribuições previdenciárias e as devidas aos terceiros, prevista em lei. Esta incidência só restaria afastada na hipótese do § 9º, alínea “j” do artigo 28, da Lei nº 8212/91, quando pagos em conformidade com a lei de regência. Temos a corroborar tal entendimento os Pareceres da Consultoria Jurídica que abaixo reproduzimos, em partes. Parecer/CJ nº 547/96, publicado em 3 de maio de 1996 02. Assim, de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses" (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). 09. Nesse sentido, fica claro o condicionamento desse dispositivo à regulamentação legal, pois segundo entendimento do Colendo Tribunal Superior do Trabalho, o texto constitucional defere a prerrogativa do estabelecimento desse direito ao legislador, verbis: Fl. 703DF CARF MF 14 "Se a Constituição Federal de 1988 estabeleceu que participação dos trabalhadores nos lucros, ou resultados das empresas será devido conforme definido em lei (inciso XI, art. 7º), não pode essa vantagem ser instituída através de sentença normativa " (TST, Acórdão nº 1.024, Recuso Ordinário em Dissídio Coletivo, DJ de 23/09/94, pág. 25.460). Parecer/CJ nº 1.244 DOU de 15/04/98 DIREITO PREVIDENCIÁRIO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS INCIDÊNCIA. O pagamento de participação nos lucros ao empregado em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. Parecer/CJ nº 1748/99 DOU 24/05/99 DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL.1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. Concluo a primeira parte da questão dizendo que, para a alínea “j” do inciso 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 e para este Relator, PLR é somente aquela distribuição de lucros que seja executada nos termos da legislação que a regulamentou, de maneira que a afronta ao quanto ali estabelecido desqualifica o pagamento, tornandoa verba paga em decorrência de um contrato de trabalho, representando remuneração para fins previdenciários. Mister verificarse, portanto, as condições em que a verba foi ajustada e paga, para que se possa concluir se a mesma corresponde, ou não, àquela disciplinada pela Lei 10.101/2000 (e normativos anteriores), excluída da tributação por força do inciso XI do art. 7º da Constituição Federal e alínea “j” do §9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Elenca a autoridade fiscal as desconformidades observadas entre o acordo firmado e a lei de regência, que sintetizo abaixo nos seguintes tópicos: a) Existência de dois programas de PLR distintos, um para os trabalhadores sem cargos (fábrica), homologado pelo Sindicato da categoria, e outro, denominado Gerencial, que abrangem os cargos de liderança e sem a homologação sindical; b) O PLRFábrica é composto por uma parcela fixa, percebida independente de metas objetivas a serem alcançadas, e de uma parcela variável vinculada às metas adjetivas constante dos planos internos de metas integrantes dos acordos coletivos; apenas a parcela fixa foi constituída como base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que seu pagamento não se encontra atrelado à remuneração para qualquer melhoria ou ganho em produtividade; Fl. 704DF CARF MF Processo nº 13888.005265/200873 Acórdão n.º 2301005.795 S2C3T1 Fl. 9 15 c) Caracterização do PPRGerencial como ‘política de RH’ da empresa, posto que não homologado pelo Sindicato, segrega os participantes pelos cargos que ocupam, vinculando sua remuneração final ao peso de seus cargos e não somente às metas objetivas; inexistência de pactuação prévia à aferição do lucro. d) Extensão dos pagamentos do PLR aos funcionários afastados e aprendizes do SENAI, os quais não podem estar vinculados ao cumprimento de metas; Por seu turno, a Lei de regência, nº 10.101/2000, assim giza em seus tópicos mais relevantes, verbis: Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. De plano é possível concluir que a adoção de planos de participação nos lucros diferenciados para diretores, gerentes e detentores de cargos de liderança (coordenadores, mestres e secretária executiva), apartados dos ‘demais funcionários’ da empresa, fere frontalmente o espírito da Lei. Isto porque o PLR dito ‘gerencial’ não foi objeto de acordo coletivo, tampouco elaborado através de comissão escolhida pelas partes, com a participação de membro do Sindicato. Pelo contrário, é formulado diretamente pelas partes Fl. 705DF CARF MF 16 envolvidas, com o escopo de estabelecer metas específicas por departamento, alinhadas com o planejamento estratégico da empresa, para assim “... determinar a premiação” a ser concedida a seus gerentes e diretores. Contesta a Impugnante este tópico específico dizendo que se trata de cargos de mais alto escalão, ocupados por profissionais usualmente mais familiarizados com os assuntos de natureza salarial e negocial que a “massa” de trabalhadores, portanto dispensável qualquer intervenção sindical. Sem dúvida que sim, e com certeza fazem jus à premiação pactuada. O que se discute aqui é querer travestir esta premiação concedida a gerentes e diretores com a roupagem de ‘participação nos lucros e resultados’, numa tentativa de eximir tais pagamentos das contribuições sociais previdenciárias devidas por todos. (...) Assim, esses trabalhadores privilegiados (nos termos da impugnação), dotados dessa maior familiarização com os assuntos de natureza salarial e negocial, podem participar (como de fato participam), do PPR pactuado entre as partes por intermédio de Acordo Coletivo, mas não é correto que tenham um PPR próprio onde lhes serão destinadas outras premiações pelo cumprimento de metas, que não a distribuição dos lucros da empresa. Por outro lado, o estabelecimento de uma parte fixa, independente de metas e resultados a serem atingidos, também fere o escopo da Lei. Entendase que a necessidade de constar dos instrumentos que disciplinam tais pagamentos, regras claras e objetivas e parâmetros de mensuração, é exigência legal que consta do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000 (acima transcrita), que se presta justamente a evitar o desvirtuamento dessa parcela, a encobrir remuneração indireta, aquilo que seu artigo 3º deixa claro que tais verbas não se prestam a substituir ou complementar. Por isso também a necessidade de pactuação prévia dos objetivos a serem alcançados com a correspondente participação nos resultados da empresa. Portanto fez bem também neste tópico a autoridade fiscal em considerar a parcela fixa paga pela empresa por força do acordado como integrante do salário de contribuição, mantendo como legítima participação nos resultados apenas a parcela variável, sujeita ao cumprimento das metas estabelecidas e passíveis de mensuração. Por fim, no arremate das razões da Impugnante, no tocante à participação dos aprendizes do SENAI, tratase, por óbvio, de mais uma ‘liberalidade’ da empresa autuada, e nestes termos está disposto no Acordo Coletivo de Trabalho que lhe deu origem. Como é sabido, o Sindicato de uma determinada categoria profissional somente pode dispor e representar seus trabalhadores, de maneira que somente por generosidade tais valores poderiam ser estendidos a aprendizes e, nestes casos, com o correspondente pagamento dos tributos devidos. Por todo o exposto, agiu bem a fiscalização também no tocante à constituição do presente crédito tributário sobre a parcela paga a título de PLR em desconformidade com a legislação de regência. (final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 1424.824) RREETTRROOAATTIIVVIIDDAADDEE BBEENNIIGGNNAA.. CCRRIITTÉÉRRIIOOSS DDOO CCÁÁLLCCUULLOO DDAA MMUULLTTAA MMAAIISS BBEENNÉÉFFIICCAA Fl. 706DF CARF MF Processo nº 13888.005265/200873 Acórdão n.º 2301005.795 S2C3T1 Fl. 10 17 16. Evidenciada a relação de conexão entre o processo sob exame (13888.005265/200873; Debcad nº 37.181.1660) e o autodeinfração por descumprimento de obrigações acessórias (13888.005269/200851; Debcad nº 37.181.1708), a aplicação da multa deve observar os termos do enunciado da Súmula CARF nº 119: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 17. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e DAR PARCIAL PROVIMENTO para excluir do lançamento os valores decorrentes de pagamento de cesta básica (subitem 11.3 supra) e abono previsto em Convenção Coletiva de Trabalho (subitem 9.3 supra). 17.1. Devem ser mantidos no lançamento os valores relativos aos pagamentos de gratificações por tempo de serviço (subitem 10.3 supra), e aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados, em desacordo com a lei nº 10.101/2000. 17.2. Quanto à multa, voto por determinar a aplicação da Súmula CARF nº 119. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Redator designado. Com a devida vênia ao voto do Relator, apresento aqui as razões que me levaram a entender que devem ser excluídos do lançamento os valores de pagamento de PLR a empregados. Dessa forma, me limitarei a apresentar as razões que foram vencedoras no presente processo, em que pese o meu entendimento mais detalhado sobre o tema esteja melhor apresentado em outros processos, tais quais os processos n. 16327.720779/201444 e 10680.725066/201038 (dentre outros). A participação nos lucros ou resultados surge em um contexto em que se incentiva uma maior integração entre o capital e o trabalho, na medida em que parte do lucro que corresponde ao êxito da atividade empresarial é repassado aos titulares do fator de produção trabalho. Nesse sentido, Sérgio Pinto Martins assinala: Fl. 707DF CARF MF 18 “Não deixa de ser a participação nos lucros uma forma moderna, decorrente do capitalismo, de integração do trabalhador na empresa, por meio da divisão dos resultados obtidos pelo empregador com a colaboração do empregado. O fundamento da participação nos lucros está em que o empregador e o empregado contribuíram diretamente para que se alcançasse o lucro na empresa, ou seja, o capital e o trabalho participaram diretamente na obtenção do lucro. É uma forma de o trabalhador passar a participar do desenvolvimento da empresa, de maneira a cooperar com empregador no desenvolvimento da atividade deste”. (MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 29ª ed. São Paulo: Atlas, 2013. Pp. 306 307) No âmbito do Direito Positivo, a participação nos lucros ou resultados encontra guarida constitucional no artigo 7º, XI, da Constituição Federal como um dos direitos dos trabalhadores, nos seguintes termos: Art. 7º. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Considerando que o referido dispositivo prevê que a participação nos lucros é desvinculada da remuneração, o artigo 28, §9º, j, da Lei nº 8.212/91 explicitou que a participação nos lucros não integra o salário de contribuição, nos seguintes termos: Art. 28. Entendese por salário de contribuição: (...) §9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou credita de acordo com lei específica. Cumpre salientar que a participação nos lucros ou resultados não possui natureza de salário, de modo que a previsão do artigo 28, §9º, j, da Lei nº 8.212/91 não estabelece isenção, mas apenas explicita de forma didática uma não incidência. Sobre esse ponto, cumpre ressaltar a doutrina do Direito do Trabalho tão bem exposta nas palavras do exministro do Tribunal Superior do Trabalho, Pedro Paulo Teixeira Manus: “Vêse, tanto no artigo 1º da Medida Provisória n. 794/94, quanto nas subsequentes e no artigo 1º da Lei n. 10.101/00, que o fundamentos de sua reedição é a integração entre o capital e o trabalho e o incentivo à produtividade, isto é, uma tentativa de procurar contornar o problema do desemprego, já que a Constituição Federal desvincula a participação dos lucros ou resultados da remuneração, desonerando as empresas quanto a Fl. 708DF CARF MF Processo nº 13888.005265/200873 Acórdão n.º 2301005.795 S2C3T1 Fl. 11 19 eventuais encargos trabalhistas que não incidem sobre esta verba. Buscase assim instituir uma melhoria no padrão de vida dos trabalhadores, sem aumentar sua remuneração. Isso porque do ponto de vista trabalhista as verbas pagas “pelo” trabalho têm sempre natureza salarial. Já aquelas que são pagas “para” o trabalho não têm natureza de salário. Isso significa, por exemplo, que uma gratificação pela assiduidade, ou pela produção tem natureza de salário, pois é instituída pelo trabalho. Já uma verba paga para cobrir despesas comprovadas no exercício de uma função não tem natureza salarial, porque é requisito para desenvolvimento do trabalho, o que não ocorre no primeiro caso. E, guardando natureza salarial, referida verba terá tratamento igual ao dispensado ao salário em sentido estrito, servindo de base de cálculo para todos os haveres trabalhistas. Eis por que o legislador constitucional desvinculou a participação nos lucros ou resultados da remuneração, como forma de evitar tais reflexos e buscando estimular sua instituição por empresas e empregados. (MANUS, Pedro Paulo Teixeira. Direito do Trabalho. 14ª ed. São Paulo: Atlas, 2012. Pp.151152) É interessante notar a distinção entre as verbas pagas “pelo” trabalho e as verbas pagas “para” o trabalho, de modo que o autor reconhece que a Constituição expressamente desvincula a PLR da natureza salarial, sendo que atribuir tal caráter à PLR somente teria o efeito de desestimular sua instituição pelas empresas. Em igual sentido, observa Sérgio Pinto Martins que: “A Constituição de 1988 eliminou o caráter salarial da participação nos lucros, determinando que tal prestação vem a ser totalmente desvinculada da remuneração. O objetivo foi realmente este, de possibilitar que o empregador concedesse a participação nos lucros a seus empregados, mas, em contrapartida não tivesse nenhum encargo a mais com tal ato. O empregador não tinha interesse em conceder um benefício gratuitamente e ainda suportar os encargos sociais sobre tal valor. Foi uma forma de estimular o empregador a conceder a participação nos lucros, pois, se fosse utilizada a orientação da antiga Súmula 251 do TST, que considerava de natureza salarial a referida participação, o empregador não a iria conceder, porque haveria de pagar outros encargos sobre ela, como FGTS, contribuição previdenciária etc.”. (MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 29ª ed. São Paulo: Atlas, 2013. Pp. 308 309) Atualmente, a participação nos lucros ou resultados é regulada pela Lei nº 10.101/00, que assim dispôs: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Fl. 709DF CARF MF 20 Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Com relação à PLR dos empregados, cumpre ressaltar que como decorrência do exposto no §1º, não há uma proibição de que o valor da PLR seja fixo, sendo que o referido dispositivo apenas exige que as regras sejam claras e objetivas. Tanto é assim que o referido parágrafo diz “podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios ou condições”, o que dá margem à adoção de outros critérios, desde que claros e objetivos. Diante da inexistência de proibição pela Lei nº 10.101/00 do pagamento de PLR em valor fixo e da sua previsão no acordo coletivo aprovado previamente e com participação da empresa, dos empregados e do sindicato, não há como se falar em incidência de contribuição previdenciária sobre tais valores. Com base no exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento os valores de pagamento de PLR a empregados. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 710DF CARF MF Processo nº 13888.005265/200873 Acórdão n.º 2301005.795 S2C3T1 Fl. 12 21 Fl. 711DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.004902/2001-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 07/11/2001
MULTA REGULAMENTAR. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULARMENTE. PRAZO DECADENCIAL. INAPLICABILIDADE DO §4º DO ART. 150 DO CTN.
A multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964 não tem natureza tributária, constituindo-se em multa de natureza administrativa, instituída para punir violações ao controle aduaneiro de importações, não se submetendo à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, §4º do CTN. Aplica-se ao caso o prazo do art. 78 da Lei n° 4.502/1964, que determina o limite de cinco anos, contado da data da infração.
No caso, a infração - caracterizada pelo uso de mercadoria irregularmente internalizada - foi continuada e, portanto, afasta-se a decadência suscitada.
Numero da decisão: 9303-008.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recorrente JOSE ANGELO PINTO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 07/11/2001 MULTA REGULAMENTAR. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULARMENTE. PRAZO DECADENCIAL. INAPLICABILIDADE DO §4º DO ART. 150 DO CTN. A multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964 não tem natureza tributária, constituindose em multa de natureza administrativa, instituída para punir violações ao controle aduaneiro de importações, não se submetendo à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, §4º do CTN. Aplicase ao caso o prazo do art. 78 da Lei n° 4.502/1964, que determina o limite de cinco anos, contado da data da infração. No caso, a infração caracterizada pelo uso de mercadoria irregularmente internalizada foi continuada e, portanto, afastase a decadência suscitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 49 02 /2 00 1- 24 Fl. 237DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo auto de infração (efls. 04 a 08) para exigência de multa prevista no Regulamento do IPI, no valor de R$ 20.000,00. O contribuinte teve ciência da autuação em 29/08/2002. A autuação decorreu de importação irregular de veículo automotor. O detalhamento situação encontrase na descrição dos fatos e enquadramento legal à efl. 06, combinado com o disposto à efl. 20. O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, às efls. 40 a 48, em 24/09/2002. Nela, em resumo, trouxe os seguintes argumentos: (a) ocorrência de decadência; (b) exclusão do contribuinte do pólo passivo, em razão de ter sido vítima de estelionatários, que usaram documentos com falsificação de sua assinatura; e (c) no mérito, alegou que não adquiriu nenhum veículo, tendo em vista que sua renda declarada no IRPF era incompatível com o valor do bem. A 1ª Turma da DRJ/SPOII em 22/03/2007, apreciou a impugnação e na Resolução DRJ/SPOII Nº651, às efls. 74 a 88, decidiu converter o julgamento em diligência, em face de o contribuinte ter alegado a existência de fraude estelionato da qual seria vítima o então autuado e que afetaria o resultado do julgamento. A diligência visou o: (...)retorno dos autos à repartição de origem, Inspetoria da Receita Federal em São Paulo/SP, solicitando autoridade preparadora que indique se foi proposta ação penal por parte do Ministério Público Estadual em nome do Sr. Paulo Augusto Tasser e outro em função dos fatos aqui alegados pelo Sr. José Angelo Pinto, bem como o seu resultado. Em 05/096/2007, a fiscalização da Inspetoria da RFB em São Paulo prestou a seguinte informação: Em, atendimento, foi emitida a Intimação n° 184/2007 (fl. 46), tendo como resposta pessoal do contribuinte (fl. 48), em 04/09/2007, a informação de que não efetuou nenhuma queixa crime contra a indevida utilização do seu nome, fato este aduzido em seu recurso, em que ele diz, inclusive, na fl. 22, que irá proceder a exames grafotécnicos nos documentos em que se verifica a sua assinatura. Informou também que, oportunamente, providenciará a referida queixacrime, apesar de ainda não a ter feito. Já em 05/10/2007, o SECAT da IRF de São Paulo apresentou a seguinte informação complementar: De pesquisa ao site Internet mantido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, colhese a informação de que o Sr. Paulo Augusto é réu em 5 (cinco) processos criminais, por prática de estelionato, e em 1 (um), por falsidade ideológica, sendo que este Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10314.004902/200124 Acórdão n.º 9303008.036 CSRFT3 Fl. 238 3 último ainda não foi julgado, muito embora nele a situação do réu conste como "preso por outro Juízo", possivelmente em razão das sentenças já proferidas nas demais ações penais (vide extrato, às fls. 54/55). Cumprida a diligência, a 1ª Turma da DRJ/SPOII, em 20/12/2007, apreciou a impugnação e concluiu pela procedência do lançamento, por concluir pela inexistência de fatos que afastassem a pretensão fiscal. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário ao CARF em 07/02/2008, às efls. 148 a 168, alegando em síntese que: · em 07/01/1990, ingressou com pedido espontâneo de regularização da situação do automóvel Mercedes Benz, Modelo 320, ano 1987, que ingressou em território nacional sem atender às imposições aduaneira, tendo o pedido indeferido; · o lançamento efetuado tem natureza tributária, tendo sido atingido pela decadência, uma vez que lançada em 14/11/2001 [sic], porém relativa a fato gerador havido em 1987; · ainda que não fosse de natureza tributária a apuração desta multa não poderia ser realizada em prazo superior a cinco anos, com base no art. 54 do DecretoLei nº 37/1966; e · existe inobservância do art. 142 do CTN, pois a capitulação legal utilizada não é correta, pois a multa do art. 463, inc. I, do RIPI/1998 só é aplicável às pessoas jurídicas ou a elas equiparadas, não ao contribuinte pessoa física, por isso nulo o auto de infração. Após a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, no acórdão nº 320100.117, às efls. 178 a 185, apreciando o processo declinar da competência para o julgamento, em 20/05/20096, em 24/02/2010 foilhe devolvido o processo para prosseguimento. Dessa forma, o recurso foi apreciado em 01/10/2010, às efls. 190 a 195, no acórdão nº 320200.193, para, por unanimidade, conhecer em parte o recurso voluntário, e, na parte conhecida, negarlhe provimento. Tal acórdão teve as seguintes ementas: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA APRESENTADA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A função do recurso no âmbito administrativo é a revisão da decisão da DRJ. Segundo o artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente. Não se deve conhecer do recurso quando a matéria nele trazida não foi objeto de impugnação, sob pena de ferirse o princípio do duplo grau de jurisdição. Fl. 239DF CARF MF 4 MULTA REGULAMENTAR. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULARMENTE. PRAZO DECADENCIAL. INAPLICABILIDADE DO §4º DO ART. 150 DO CTN. A multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº. 4.502/64 não tem natureza tributária, constituindose em multa de natureza administrativa, instituída para punir violações ao controle aduaneiro de importações, não se submetendo à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, §4º do CTN. O referido acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A parte não conhecida do recurso voluntário decorreu de introdução de matérias de defesas, originalmente disponíveis, mas não apresentadas em sede de impugnação, por essa razão não enfrentadas pelo julgador de primeira instância administrativa, sendo assim defeso ao contribuinte essa inovação no recurso voluntário. Recurso especial de divergência do contribuinte O sujeito passivo foi intimado do acórdão nº 320200.193 (efl. 198) em 08/12/2015 (efl. 201), e interpôs recurso especial de divergência, às efls. 203 a 210, em 22/12/2015. Naquele recurso, apresenta inicialmente os acórdãos nº 20180.499 e nº 301 80.008, posteriormente destaca os de nº 30132.293 e nº 30131.020, todos buscando comprovar que o lançamento estaria submetido aos prazos decadenciais do CTN em confronto com o acórdão recorrido que afirma ser a infração capitulada no inciso I do art. 463 do RIPI/1998 de natureza diversa da tributária. O então Presidente da Terceira Seção de Julgamento, apreciou o recurso especial do contribuinte no despacho de efls. 227 a 229, em 23/03/2016, dandolhe seguimento, por entender presentes os requisitos do artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015. Contrarrazões da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial de divergência do contribuinte em 10/05/2016 (efl. 230) e a ele apresentou contrarrazões, às efls. 231 a 235 em 25/06/2016. Repisa os argumentos esgrimidos no acórdão da DRJ para requerer a negativa de provimento do recurso especial do contribuinte. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10314.004902/200124 Acórdão n.º 9303008.036 CSRFT3 Fl. 239 5 O recurso especial de divergência do contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e deve ser conhecido. Entendo bem entabulado o acórdão de piso da DRJ, com voto de lavra do i. auditor Jorge Lima Abud, hoje conselheiro na 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Por isso, adoto os argumentos daquele voto para concluir pela improcedência do recurso especial do contribuinte, com a seguinte redação: A pretensão da Fazenda Pública fundase na ocorrência do fato descrito pelo do art. 463 do RIPI/98, com a Conseqüente aplicação da multa prevista no caput desse artigo: "Art 463 Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente: I os que entregarem consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no Pais ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso." A matriz legal de tais preceitos é o inciso I e o caput do art. 83 da Lei n° 4.502/64, com a redação que lhe foi dada pelo DecretoLei n ° 400/68, assim estabelece: Art. 83 Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado, irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da nota de importação ou da nota fiscal, conforme o caso; (grifei) A multa criada pelo art. 83, I, da Lei n ° 4.502/64, não tem natureza jurídica tributária e, portanto, não esta abrangida pelo regime jurídico do CTN. O próprio artigo 3 ° do Código Tributário Nacional afasta essa qualidade ao dispor que o tributo não constitua sanção de ato ilícito. Com efeito, a Lei n° 4.502/64, embora tenha instituído o então denominado imposto de consumo, não é uma lei especifica, ou seja, traz em seu bojo vários dispositivos que não se referem exclusivamente ao aludido imposto como as definições de sonegação (art. 71), fraude (art. 72) e conluio (art. 73), as quais são aplicáveis de forma genérica a todos os tributos, inclusive os de competência dos estados e municípios. Outros dispositivos Fl. 241DF CARF MF 6 desta lei não têm relação alguma com matéria tributária, como ocorre com a multa do artigo 83, inciso I. Esta multa nada tinha a ver com o imposto de consumo e nada tem a ver com o atual Imposto sobre Produtos Industrializados. Ela não tem nenhuma relação com os elementos constitutivos da obrigação tributária (sujeito ativo, passivo ou com o conteúdo da prestação, que é definido Pelo fato gerador, base de calculo e alíquota). Tampouco é infligida em razão do descumprimento de obrigação tributária principal ou acessória relativa ao IPI ou a qualquer outro tributo. O fato jurídico que provoca sua incidência é a violação das regras de controle aduaneiro de importações. Em virtude do próprio Processo Administrativo 10880.043787/9083 de denúncia espontânea, entendese que a situação fática a que a autuada incorreu e que se subsume a hipótese legal dos incisos I acima transcritos foi o consumo de veiculo de origem estrangeira cuja entrada no território nacional era vedada. Evidente que, por ser um bem durável, esse consumo se protrai no tempo. Portanto, o uso continuo de um veiculo, importa consequentemente no seu consumo. Ressaltese que, sendo, a proibição imposta genericamente a todos a regra geral normativa, as raras hipóteses contrarias A vedação constituem, logicamente, exceções estritamente delineadas, competindo, pois, também por uma questão lógica, a quem estiver no proveito de alguma das exceções previstas, o ônus de provar a inequívoca legitimação para tanto, ou seja, de que se encontra em situação totalmente ajustada com as condições e requisitos concessivos do direito exceptivo. O encargo comprobatório para fazer jus a esse direito coaduna se, inclusive, com o disposto no art. 333, caput e inciso I, do Código de Processo Civil: "o ônus da prova incumbe ao autor, quanto, ao fato constitutivo do seu direito". E nesses casos em que há estipulação de uma proibição como regra geral e abstrata, as hipóteses exceptivas, para contarem com regularidade e eficácia, devem ser provadas objetivamente, por meio de elementos documentais, não comportando aspectos subjetivos, tal como a boafé. No presente processo, o veiculo de origem estrangeira, ao que consta teve mais de proprietário, negociado sucessivamente desde sua importação. Foram intentadas ações judiciais pleiteando a regularizado veículo, que mais tarde se mostraram inócuas. Ora, se o adquirente (o autuado) comprou e vendeu produto que sabia litigioso, presunção jure et de jure, estava ciente de que poderia ser atingido pelos efeitos de uma decisão desfavorável, como de fato veio a ocorrer. O artigo 42, § 3º do Código de Processo Civil assim dispõe: Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10314.004902/200124 Acórdão n.º 9303008.036 CSRFT3 Fl. 240 7 Art. 42. A alienação da coisa ou do direito litigioso, a titulo particular, por ato entre vivos, não altera a legitimidade das partes. ... § 3º A sentença, proferida entre as partes originarias, estende os seus efeitos ao adquirente ou ao cessionário. Nesse ponto, é de bom alvitre frisar que a transação comercial efetuada entre adquirente e fornecedor conformase em uma operação particular e bilateral, de natureza jurídica privada, em que as partes acertam as condições e assumem os riscos envolvidos, cabendo a cada qual cercarse dos cuidados mínimos essenciais ao asseguramento da efetivação do negócio, bem como a inteira responsabilidade de um e outro quanto às ilicitude de suas transações comerciais junto à Fazenda Pública. Embora adquirido e posteriormente vendido o veiculo o fato é que o autuado incorreu na situação fática descrita pelo inciso I do art. 463 do RIPI/98, devendo a principio suportar seus efeitos. Tal ilícito e seus efeitos atinge indiscriminadamente a qualquer um que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou , importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, seja ele o importador, o fornecedor ou aquele com quem o bem tiver sido apreendido. Sendo assim, a responsabilidade da impugnante pelo ilícito não se transferem nem se confundem com a do importador e outros proprietários do veiculo, os quais não se encontram impedidos de serem fiscalizados e, se for o caso, autuados, com formação de processos à parte, fora da presente lide. De outro lado, analisandose as informações expendidas na "descrição dos fatos, e enquadramento legal" e no "relatório de fiscalização" do auto de infração, verificase que os procedimentos de fiscalização efetuados pela Receita Federal foram desenvolvidos de modo dirimente e trouxeram aos autos elementos suficientes para sustentar a exação fiscal. Importa apenas, a titulo informativo, que se atente para o fato de que a multa de 100% do valor do produto item como escopo representar um substitutivo da pena de perdimento na hipótese de os bens irregularmente adentrados no território nacional já terem sido consumidos ou dados a consumo. Ou seja, em realidade, o valor exigido equivale a privação de propriedade quando esta se mostra impraticável. Esta, a exegese do art. 83, caput e incisos, da Lei n° 4.502/64, não sendo o caso, por conseguinte, de aplicação, na hipótese, do § 2° do art. 68 e do art. 69 da referida lei. Fl. 243DF CARF MF 8 DA PRESCRIÇÃO Espancando qualquer dúvida sobre a natureza jurídica desta multa, o art. 87, I, , da Lei n° 4.502/64, ao prever a pena de perdimento do produto estrangeiro apanhado em situação irregular na zona secundária, estabeleceu com todas as letras que a penalidade se aplica independentemente de o produto estrangeiro estar ou não sujeito ao imposto, o que reforça o caráter nãotributário de ambas as penalidades. Não tendo natureza jurídica tributária, afastase a aplicação do CTN e as questões relativas à decadência e à prescrição devem ser reguladas por normas especificas. Nessa linha de raciocínio, não se pode aplicar nenhum dos prazos de decadência previstos nos arts. 150, § 4°, ou 173 do CTN pelo fato da penalidade em foco não se revestir de natureza tributária O que está em análise aqui não é o instituto da decadência, uma vez que não se trata do direito da fiscalização em efetuar o lançamento do crédito tributário, mas o instituto da PRESCRIÇÃO, uma vez que a análise se refere a uma ação que foi empreendida contra um ilícito. O prazo para que a Fazenda Pública possa infligir esta penalidade consta expressamente do art. 78 da Lei n° 4.502/64, verbis: Art. 78 O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração. § 1° O prazo estabelecido neste artigo interrompese por qualquer notificação ou exigência administrativa feita ao sujeito passivo, com referencia ao imposto que tenha deixado de pagar ou a infração que haja cometido, recomeçando a correr a partir da data em que este procedimento se tenha verificado. § 2º Não corre o prazo enquanto o processo de cobrança estiver pendente de decisão, inclusive nos casos de processos fiscais instaurados, ainda em fase de preparo ou de julgamento. § 3° A interrupção do prazo mencionado no parágrafo primeiro só poderá ocorrer uma vez. Com a superveniência do CTN o referido artigo tornouse inaplicável em relação a infração de multas proporcionais ao valor do imposto e a outras de natureza eminentemente tributaria; mas permanece inteiramente aplicável às multas para punir violações a normas de controle aduaneiro de importações, como a que é objeto do presente processo. Cabe agora definir o momento da infração para efeito de se obedecer ao prazo de cinco anos para imposição de penalidade, previsto no caput do art. 78. Depreendese dos autos que o interessado pleiteou a regularização do veiculo em 1988, o que foi deferido, não tendo, entretanto tomado as providências para tal, concluindo a Fiscalização pela irregularidade do bem. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10314.004902/200124 Acórdão n.º 9303008.036 CSRFT3 Fl. 241 9 Notamos não ser possível precisar exatamente quando a infração foi cometida, entretanto, temos nos autos que, no mínimo, desde 1988 o veiculo estava em situação irregular no pais, passível de apreensão ou aplicação de penalidade. Quanto aos parágrafos do art. 78 da lei 4502/64, referemse claramente ao prazo prescricional de cobrança do crédito regularmente constituído através do lançamento, pois: O parágrafo primeiro se refere ao inicio do prazo prescricional, idêntico ao prazo decadencial previsto no caput, através de qualquer notificação ou exigência administrativa feita ao sujeito passivo, com referência ao imposto que tenha deixado de pagar ou a infração que haja cometido, ou seja, através do lançamento. O parágrafo segundo diz respeito a suspensão do prazo prescricional de cobrança, iniciado pela ciência do sujeito passivo do lançamento efetuado, enquanto o processo estiver pendente de decisão administrativa. O parágrafo terceiro diz que o inicio do prazo prescricional, uma vez iniciado, não admite interrupção 'Da análise do art 78 da lei 4502/64 notase que o prazo prescricional para imposição de penalidade, previsto no caput, efetivamente é de cinco anos contados da data da infração, prazo que deve ser obedecido pelo Fisco, sob pena de perder o direito de exigência do crédito tributário. Mas o fato é que qual o marco inicial do prescricional de uma infração permanente? Infração permanente é aquela em que cuja consumação é prolongada, dependendo sua duração, da vontade do sujeito ativo, como ocorre, por exemplo no delito de seqüestro e cárcere privado, casos esses apontados como ícones pela doutrina nacional. A prescrição para a infração permanente começa a ser contada da data em que infração. No presente caso, seria data em que o autuado se desfez do veiculo. Dessarte, penso que esteja correto o entendimento apresentado no acórdão recorrido e que não se deva dar provimento ao recurso especial de divergência do sujeito passivo. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial de divergência do contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 245DF CARF MF 10 Fl. 246DF CARF MF
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