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Numero do processo: 14751.000290/2007-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. IMPROCEDÊNCIA.Para gozo do benefício de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Nesse sentido, não ficou provado nos autos que os requisitos legais para a concessão do benefício da isenção estão preenchidos, nos termos da Súmula CARF 63.
ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, devendo ser mantida a autuação.
INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. MOTIVAÇÃO.
A motivação para a diligência requerida deve estar motivada pela impossibilidade do Sujeito passivo possuir ou reunir as provas para as comprovações requeridas, o que não se nota no caso em concreto. A apresentação do laudo oficial pericial é de incumbência do interessado, que pode buscar por serviço médico oficial dos entes públicos da Federação, para contrapor prova emitida pela junta médica de órgão de Ministério da União, motivo pelo qual se indefere a perícia médica solicitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-006.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(assinado digitalmente).
João Maurício Vital - Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). O conselheiro Wilderson Botto, Suplente convocado, integrou o colegiado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. IMPROCEDÊNCIA.Para gozo do benefício de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Nesse sentido, não ficou provado nos autos que os requisitos legais para a concessão do benefício da isenção estão preenchidos, nos termos da Súmula CARF 63. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, devendo ser mantida a autuação. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. MOTIVAÇÃO. A motivação para a diligência requerida deve estar motivada pela impossibilidade do Sujeito passivo possuir ou reunir as provas para as comprovações requeridas, o que não se nota no caso em concreto. A apresentação do laudo oficial pericial é de incumbência do interessado, que pode buscar por serviço médico oficial dos entes públicos da Federação, para contrapor prova emitida pela junta médica de órgão de Ministério da União, motivo pelo qual se indefere a perícia médica solicitada. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 02 90 /2 00 7- 98 Fl. 292DF CARF MF Processo nº 14751.000290/200798 Acórdão n.º 2301006.077 S2C3T1 Fl. 418 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente). João Maurício Vital Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). O conselheiro Wilderson Botto, Suplente convocado, integrou o colegiado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por MARLENE BARACUHY DE PAIVA LEITE, contra o Acórdão de julgamento (efls. 267 e seguintes), que julgou a impugnação improcedente. Foi lavrado Auto de Infração para a exigência de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) referente aos anos calendários 2003, 2004 e 2005, exercícios 2004, 2005 e 2006, respectivamente, no valor de RS 115.817,23, acrescido de multa de oficio, além de juros de mora, calculados até 29/06/2007, perfazendo um crédito tributário no valor de R$ 235.089,93. "2. A fiscalização foi precedida de pedido de restituição, formulado pila contribuinte em 02/08/2002, referente ao imposto de renda pessoa física do anocalendário de 2001, conforme fls. 119 a 218. 2.1 O citado pedido foi indeferido por meio do Despacho Decisório n° 002/2004 de fls. 166 a 167, uma vez que o laudo médico concluiu, em 12/12/2003, nos termos do Parecer n° 185/03, que a “requerente no presente momento não é portadora de patologia especificada em Leí” (fls. 165). 2.2 Por meio do Oficio de .fls. 172, de 08/09/2005, a Administração Tributária informou à fonte pagadora INSS que a contribuinte não se enquadrava na condição de portadora de moléstia grave e que os rendimentos por ela auferidos deveriam ser submetidos à tributação. _ 3. A interessada apresentou, em 23/11/2003, o pedido de reconsideração de fls. 173 a 175, reiterado em 2006 (fls. 205), solicitando a comunicação às suas fontes pagadoras sobre sua condição de isenta do imposto de renda pessoa fisica. Na ocasião, juntou o laudo médico de fls. 179, datado de 18/12/2001, emitido pela Secretaria de Administração do Estado da Paraiba, em que consta: “a mesma é portadora de CID 10, patologias Fl. 293DF CARF MF Processo nº 14751.000290/200798 Acórdão n.º 2301006.077 S2C3T1 Fl. 419 3 estas, enquadradas no art. 47, item XXI da Lei n” 8. 541 de 23 de dezembro de 1992...”. 3.1 Foram produzidos, então, os laudos médicos de fls. 179 e de fls. 215, ambos do Ministério da Fazenda, datados de 19/O5/2006 e de 06/03/2007 respectivamente, que registram “no momento não há comprovação de doença prevista em lei” (fls. 179) e “não comprovam no momento patologia prevista e descrita em Lei” (fls. 215). 4. A ação fiscal foi iniciada por meio do Termo de Início de Fiscalização de fls. 17, pelo qual foram solicitados esclarecimentos em relação à natureza tributável dos rendimentos informados em suas declarações de ajuste anual dos anoscalendário de 2002 a 2005, exercícios 2003 a 2006, respectivamente. . 5. Constam do processo as fichas financeiras emitidas pelo INSS, relativas aos anoscalendário de 2002 a 2005 (fls. 45 a 53), bem como os comprovantes de rendimentos e fichas financeiras da UFPB (fls. 57 a 68) e da Secretaria de Administração da Paraíba (fls. 72 a 76), referentes ao mesmo período. 6. A autoridade fiscal, então, procedeu ao lançamento de oficio em razão da constatação da seguinte infração, conforme conforme descrição dos fatos e enquadramentos legais de fls. 04 e Termo de Verificação Fiscal de fls. 10 a 16: 6.1 classificação indevida de rendimentos na DIRPF (reclassificação no valor de R$ 13.975,02, fato gerador em 31/12/2003; reclassificação no valor de R$ 324.662,39, fato gerador em 31/ 12/2004, e reclassificação no valor de R$ 106.996,37, fato gerador em 31/12/2005). 7.Não concordando com a exigência, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 222 a 227, juntamente com cópia do Auto de Infração e dos documentos de fls. 236 a 259, alegando, em síntese: 7.1 que é pensionista titular duas pensões ~ uma da Universidade Federal da Paraíba, UFPB e outra do Estado da Paraíba além de aposentada previdenciária; 7.2 que em 2001 foi acometida de acidente vascular cerebral, AV;š, do que resultaram lesões físicas, inclusive quanto à necessidade de locomoção com o auxílio de muletas; 7.3 que, em 19/11/2001, foi submetida a exame pela Comissão de Perícias Médicas da UFPB (anexo 02 de fls. 236), que concluiu por seu enquadramento no inciso XV do art. 6° da Lei n° 7.713/1988, com alterações do art. 47 da Lei n° 8.541/1992 bem como no § 1° do art. 186 da Lei n° 8.112/1990; 7.4 que, posteriormente, foi submetida a dois outros exames, sendo um realizado pela Junta Médica da Previdência Social (anexo 03 de fls. 235) e outro pela Junta Médica Central do Estado da Paraíba (anexo 04 de fls. 238). Que em ambos foi comprovado o direito à isenção em razão das consequências decorrentes do AVC; 7.5 que, com base nesses três laudos médicos, foi suspensa a retenção do imposto de renda sobre seus rendimentos, a partir de janeiro de 2002; Fl. 294DF CARF MF Processo nº 14751.000290/200798 Acórdão n.º 2301006.077 S2C3T1 Fl. 420 4 7.6 que, em 02/08/2002, requereu, nos termos do processo n° 11618.002500/200214, restituição do imposto de renda retido na fonte, com base na legislação vigente e nos citados laudos médicos; 7.7 que, em novembro de 2005, tomou conhecimento, através dos contracheques, que a isenção havia sido unilateralmente revogada e comunicada à UFPB e à Secretaria de Administração da Paraíba, que passaram a descontar o imposto de renda na fonte; 7.8 que, em 22/11/2005, formulou pedido de reconsideração (anexo 05 de fls. 239 a 241), no processo n° l1618.002500/200214, em face da contradição do Parecer da GRA com os demais laudos médicos oficiais. Em 06/02/2007 o referido pedido foi negado (anexo 06 de fls. 242 a 248); 7.9 que, em 17/01/2007, foi lavrado o termo de início de fiscalização, para exigência de imposto de renda não recolhido pelas fontes pagadoras nos anoscalendário de 2002 a 2005; 7.10 que, como o processo administrativo n° 11618.002500/200214 ainda se encontrava em aberto, em face do pedido de reconsideração datado de 22/11/2005, a impugnante impetrou, em fevereiro de 2007, o Mandado de Segurança de n° 2007.82.00.0007394 com o fim de suspender a ação fiscal. O citado Mandado de Segurança foi extinto sem julgamento de mérito, por requerer dilação probatória por meio de perícia médica; 7.11 que somente em 06/03/2007 o pedido de reconsideração foi negado. Portanto, antes de concluído o processo administrativo em que se discutia o direito à isenção, iniciouse procedimento fiscal para lavratura de auto de infração. Que, se a impugnante não teve a oportunidade, após decisão administrativa definitiva acerca da revogação da isenção, de recolher espontaneamente os imposto, pois estaria sob fiscalização, não cabe a aplicação da multa abusiva de 75%; 7.12 que, de acordo com o inciso Ill do art. 151 do Código Tributário Nacional, CTN, as reclamações e recursos administrativos suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Que, enquanto não houvesse a certeza, por meio de decisão definitiva, de que a impugnante não era portadora de moléstia grave, não poderia ter sido efetuado o lançamento. Que a decisão definitiva acerca da existência ou não de doença incapacitante só veio a ocorrer em 06/03/2007 com o Parecer da Junta Médica Oficial n° 22/2007 (anexo 07 de fls. 249); 7.13 que não é cabível o lançamento de oficio visto que a contribuinte não se enquadra no inciso II do art. 149 do CTN, nem tampouco no inciso III do mesmo dispositivo, nem houve erro por parte da impugnante, pois as informações prestadas em sua declaração tiveram por base os laudos médicos oficiais e contracheques emitidos pelas fontes pagadoras e a questão de direito objeto do processo n° 116l8.002500/200214 ainda não havia sido definitivamente esclarecida; 7.14 que não poderia ter sido exigida multa de oficio de 75% prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/1996 visto que o procedimento que deu origem ao lançamento foi um pedido de restituição da própria impugnante. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 14751.000290/200798 Acórdão n.º 2301006.077 S2C3T1 Fl. 421 5 Transcreve jurisprudência do STJ e do TRF da 1* Região em apoio a suas alegações; 7.15 que houve cerceamento ao direito ao contraditório e à ampla defesa, pois não foi concedido à contribuinte a possibilidade de recolher os imposto espontaneamente após a decisão administrativa proferida em 03/03/2007; 7.16 que, relativamente ao direito à isenção, há três laudos médicos oficiais, sendo que o laudo do INSS, emitido com ajuda dos peritos da GRA modifica o entendimento anterior e prevalece sobre os dois outros laudos. Que não constam laudos médicos das fontes pagadoras Estado da Paraíba e UFPB no sentido de que a isenção seria indevida. Pelo contrário, os laudos existentes desses órgãos Estado da PB e UFPB atestam no sentido de conceder a isenção; 7.17 que a CARTA/[NSS/SRH n° 32, de 25/04/2006 (anexo 09 de fls. 252) demonstra a influência do Parecer da Junta Médica da GRA/DRF/PB sobre o INSS, e, entretanto, essa Junta representa os interesses da Receita Federal. Que esse laudo não poderia pevalecer sobre dois outros laudos médicos oficiais. Que o laudo da GRA foi elaborado sem a presença de assistente médico da impugnante e o próprio presidente da Junta média da GRA não possui a especialidade adequada por ser gastroenterologista (anexo 08 de fls. 250 a 251); 7.18 por fim, solicita: (i) seja declarado insubsistente o Auto de Infração, uma vez que existia processo administrativo pendente de decisão acerca do direito à isenção; (ii) seja possibilitada a realização de nova perícia, com a presença de seu assistente médico; e (iii) seja afastada a multa de oficio de 75% visto que o procedimento fiscal teve origem em pedido de restituição da própria impugnante". Julgado improcedente a impugnação, a recorrente interpõe Recurso Voluntário nas e fls. 284 e seguintes, alegando o seguinte: "A recorrente é titular de duas pensões, sendo uma da Universidade Federal da Paraíba UFPB e outra do Estado da Paraiba. Além destas, a recorrente percebe uma aposentadoria previdenciária; Em 2001 a interessada foi acometida de um AVC Acidente Vascular Cerebral, que deixou graves lesões no seu estado físico, inclusive a sua livre locomoção, sem o auxílio dos aparelhos indispensáveis (muletas); No dia 19/ l 1/2001 a recorrente foi submetida a um minucioso exame por parte da Comissão de Perícias Médicas da UFPB (vide anexo 02), com a seguinte conclusão: “A Comissão de Perícias Médicas, abaixo subscrita, após análise dos documentos constantes dos autos, em obediência ao inteiro teor do inciso XV do art. 6° da Lei 7. 713/1998, modificada pelo art. 47 da Lei 8541/1992, opina por julgar a servidora MARLENE BARACHY DE Fl. 296DF CARF MF Processo nº 14751.000290/200798 Acórdão n.º 2301006.077 S2C3T1 Fl. 422 6 PAIVA é portadora de patologias que se enquadram dentre as elencadas no parágrafo 1° do art. 186 da Lei 8112/90. É 0 parecer, SMJ; A recorrente foi ainda submetida a dois outros minuciosos exames especializados, sendo um realizado pela Junta Médica Central do Estado da Paraíba (anexo 04), e outro pela Junta Médica Especializada da Previdência Social (anexo 03). Em ambos ficou devidamente comprovado o direito de a recorrente receber as pensões e a aposentadoria sem qualquer desconto do imposto de renda na fonte, não pelo AVC em si, mas pelas conseqüências dele acarretadas (graves lesões no seu estado físico, inclusive a sua livre locomoção); Com base nestes 03 (três) criteriosos laudos médicos, a recorrente teve suspendido a retenção do imposto de renda na fonte a partir de janeiro de 2002; Em 02/08/2002, a recorrente requereu, nos termos do Processo Administrativo n.l16l8.002500/200214, restituição do imposto de renda retido na fonte, com base nos laudos médicos e na legislação vigente; Em novembro de 2005, a recorrente tomou conhecimento, através dos contracheques, que a isenção havia sido unilateralmente revogada, na repartição da Receita Federal, e com a comunicação à Universidade Federal da Paraíba e a Secretaria de Administração do Estado da Paraíba, os quais passaram a descontar o imposto de renda na fonte sobre o valor das pensões, tudo por determinação da Receita Federal; Vale ainda ressaltar que essa fiscalização só teve início justamente porque a recorrente, convicta de seu direito à isenção, requereu restituição do imposto anteriormente pago, restando claro que não houve qualquer máfé por parte da mesma. E mais, o art.l51, inc. III do Código de Tributário de Nacional determina que suspende a exigibilidade do crédito tributário as reclamações e os recursos nos termos das leis reguladoras do processo administrativo tributário, dessarte, enquanto não houvesse a certeza por decisão definitiva que a recorrente não era portadora de moléstia grave, não poderia ter sido lançado o respectivo auto de infração, sendo aceitável tal procedimento apenas para prevenir a decadência. Ressaltamos mais uma vez que a decisão definitiva acerca da existência ou não de doença incapacitante só veio a ocorrer em 06/03/2007 com o Parecer da Junta Médica Oficial n.22/2007 (anexo 07). Atente que o art. 149 do CTN determina o lançamento de oficio quando a declaração não seja prestada por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária (inc. II), todavia a recorrente apresentou todas as suas declarações com bases nos laudos médicos e nas informações e contracheques emitidos pelas fontes pagadores, declarações estas que não foram contestadas pela Receita Federal, tampouco foram objeto de malha fiscal. Muito menos se pode alegar que a pessoa legalmente obrigada, embora tivesse prestado declaração nos termos do inciso anterior, tivesse deixado de atender qualquer pedido de esclarecimento por parte da autoridade administrativa ou que tivesse se recusado a fazê lo (art.l49, inc. III do CTN). Tampouco, poderseia dizer que houve erro por parte da recorrente ao prestar informações em sua declaração. Como poderia ter havido erro se as informações foram prestadas com base em Fl. 297DF CARF MF Processo nº 14751.000290/200798 Acórdão n.º 2301006.077 S2C3T1 Fl. 423 7 laudos médicos oficiais e em contracheques emitidos pelas fontes pagadoras, e se a questão acerca do direito à isenção levantada nos autos do processo administrativo n. 1161 8.002500/200214 ainda não estava definitivamente esclarecida? No que diz respeito ao laudo médico do INSS e acerca do direito à isenção, esta questão ainda não está devidamente esclarecida. Veja que existiam 3 laudos médicos oficiais. E, de repente, o laudo do INSS emitido com a ajuda dos peritos da GRA modifica o seu entendimento anterior e prevalece sobre os dois outros laudos médicos oficiais. As fontes pagadoras (Estado da Paraíba e UFPB) passaram a fazer o desconto do imposto de renda por uma determinação da Receita Federal, mas não porque sua junta médica tivesse se manifestado acerca da revogação da isenção. Não constam do processo laudos médicos emitidos pelas juntas médicas das outras duas fontes pagadoras no sentido de que a isenção seria indevida. Pelo contrário, os laudos existentes destes órgãos atestam no sentido de conceder a isenção. Ressalto ainda que pelo teor da CARTA/INSS/SRII/n. 32 de 25/04/2006 (vide anexo 09), o INSS se fez influenciar pelo Parecer da Junta Médica Oficial da GRA/DRF/PB, entretanto esta Junta Médica representa os interesses da Receita Federal, como poderia este laudo prevalecer sobre dois outros laudos médicos oficiais? Ratificamos mais uma vez que a recorrente é portadora de seqüelas decorrentes do AVC, e que a emissão de novo parecer pelo INSS não poderia ter ocorrido como o auxílio de peritos da GRA e sem a presença de assistente médico da ora recorrente. Sabemos que em não raros casos, tantos os médicos do INSS, quanto os da GRA não possuem a especialidade necessária para avaliar o caso. O próprio Presidente da junta médica da GRA não possui a especialidade adequada por ser gastroenterologista (vide anexo 08). Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário é tempestivo. Assim, passo a analisálo. DA ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA Inicialmente, cumpre registrar que o recurso da recorrente informa diversos anexos, sendo, porém, que não estão juntados ao presente recurso. Assim, a análise de provas de se dar conforme as documentos juntados na impugnação da recorrente. Para fins do benefício pleiteado, o artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 22/12/1988, com a redação da Lei n.º 11.052, de 2004, dispõe sobre as moléstias consideradas isentas: "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... Fl. 298DF CARF MF Processo nº 14751.000290/200798 Acórdão n.º 2301006.077 S2C3T1 Fl. 424 8 XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma." (grifei). Para que seja deferido o benefício da isenção, para a constatação da moléstia grave acometida esse Tribunal exige que seja realizado por meio de laudo médico oficial, emitido por órgão público, conforme súmula n.º 63, in fine, de aplicação obrigatória pelos julgadores: "Súmula CARF nº 63. "Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios". Grifei. Nesse sentido, o do regulamento do imposto de renda 3.000/99, em seu artigo Art. 39. inciso XXXIII, cita o seguinte: "Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992,art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). Fl. 299DF CARF MF Processo nº 14751.000290/200798 Acórdão n.º 2301006.077 S2C3T1 Fl. 425 9 § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Assim, diante das provas analisadas, verifico que não assiste razão a recorrente. A moléstia tida como grave não é requisito que suporta o benefício da isenção. É necessário que a enfermidade seja reconhecida por Lei como sendo isenta. O laudo de efl. 194, emitido por serviço público oficial assim descreve: "Sra Marlene Baracuhy de Paiva Leite, 71 anos, é portadora de osteoartrite de joelhos, com comprometimento maior à direita, apresentando dor intensa, de inicio insidioso e progressivo, mecânica, difusa pelas articulações, acompanhada por aumento de volume e temperatura; piora ao subir escadas ou ao levantarse de uma cadeira. Estas dores, às vezes, são mais localizadas, indicando a associação com acometimentos periarticulares, como a tendinite dos joelhos. A referida patologia diminui o pleno exercício de suas atividades diárias e profissionais, necessitando de ajuda de terceiros para realização das mesmas". Apesar da gravidade da doença acometida pela recorrente, e que não se desconhece da dificuldade que deve enfrentar, ela não está no rol taxativo das doenças que possuem o deferimento da isenção do imposto de renda. A Instrução Normativa RFB nº 1.500, de 29 de outubro de 2014, ao detalhar o disposto no art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, assim esclarece: Art. 6º São isentos ou não se sujeitam ao imposto sobre a renda, os seguintes rendimentos originários pagos por previdências: II – proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos por pessoas físicas com moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida (Aids), e fibrose cística (mucoviscidose), comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial no caso de moléstias passíveis de controle, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma, observado o disposto no § 4º; Fl. 300DF CARF MF Processo nº 14751.000290/200798 Acórdão n.º 2301006.077 S2C3T1 Fl. 426 10 (...) § 4º As isenções a que se referem os incisos II e III do caput, desde que reconhecidas por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, observado o disposto no § 7º do art. 62, aplicamse: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1869, de 25 de janeiro de 2019) I aos rendimentos recebidos a partir: a) do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a moléstia for preexistente; b) do mês da emissão do laudo pericial, se a moléstia for contraída depois da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; ou c) da data, identificada no laudo pericial, em que a moléstia foi contraída, desde que correspondam a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão; Por outro lado, o laudo da efl. 166 descreve a recorrente como portadora de "baixo visual", não comportando nenhuma doença ou cegueira monocular. Ainda, o laudo de efl. 168, diz o seguinte: Sra. Marlene Baracuhy de Paiva Leite DN: 12/O2/1,934, foi acometida em Fevereiro de 2001. de Acidente Vascular Cerebral lsquêmico (lnfarto lsquêmico Occipital esquerdo),tendo apresentado como seqüelas; hemiparesia direita (prejudicando sua marcha independente), alterações e visuais (diplopia) alem de distúrbios da memória de caráter permanente impedindo o pleno exercício de suas atividades diárias e profissionais, uma vez que necessita de ajuda de terceiros para realização destas atividades. Alem desta patologia de caráter irreversível, a mesma e portadora de Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabetes necessitando acompanhamento medico permanente. Por fim, citase trecho do Acórdão da DRJ de origem, onde consta o seguinte: 29. (...) constam, do processo, os seguintes laudos ou pareceres médico em relação aos valores recebidos pela contribuinte no período abrangido pela autuação (anoscalendário de 2003 a 2005): (i) Parecer n° 185, emitido em 12/12/2003, pela Junta Médica do MF (fls. 165), informando que, naquela data 12/12/2003 a contribuinte não é portadora de moléstia grave; (ii) Parecer n° 094, emitido em 19/05/2006, pela Junta Médica do MF (fls. 198), informando que, naquela data 19/05/2006 a contribuinte não é portadora de moléstia grave; Fl. 301DF CARF MF Processo nº 14751.000290/200798 Acórdão n.º 2301006.077 S2C3T1 Fl. 427 11 (iii) ) Parecer n° 022, emitido em 06/03/2007, pela Junta Médica do MF (fls. 215), informando que, naquela data 06/03/2007 a contribuinte não é portadora de moléstia grave; (iv) Laudo médico s/n°, emitido em 05/06/2007, pela Perícia Médica do Governo do Estado PB (fls. 105), informando que, naquela data 05/06/2007 a contribuinte não é portadora de moléstia grave". Ocorre que as doenças acometidas pela recorrente não fazem jus ao benefício da moléstias graves com isenção do imposto de renda. Nesse sentido, não há como deferir o pleito da recorrente tendo em vista que a isenção tem interpretação taxativa, segundo consta o art. 111, do CTN, in verbis: "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção". O entendimento consolidado pelo STJ, em sede de representativo de controvérsia, no sentido de que o rol de enfermidades trazido pelo inciso XIV, do art. 6º, da Lei n. 7.713/88 é taxativo, sendo vedada a interpretação extensiva, forte no que dispõe o art. 111, do Código Tributário Nacional – CTN, conforme decisão que se transcreve abaixo: "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. SERVIDOR PÚBLICO PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ART. 6º DA LEI 7.713/88 COM ALTERAÇÕES POSTERIORES. ROL TAXATIVO. ART. 111 DO CTN. VEDAÇÃO À INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. 1. A concessão de isenções reclama a edição de lei formal, no afã de verificarse o cumprimento de todos os requisitos estabelecidos para o gozo do favor fiscal. 2. O conteúdo normativo do art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88, com as alterações promovidas pela Lei 11.052/2004, é explícito em conceder o benefício fiscal em favor dos aposentados portadores das seguintes moléstias graves: [...]. Por conseguinte, o rol contido no referido dispositivo legal é taxativo (numerus clausus), vale dizer, restringe a concessão de isenção às situações nele enumeradas. 3. Consectariamente, revelase interditada a interpretação das normas concessivas de isenção de forma analógica ou extensiva, restando consolidado entendimento no sentido de ser incabível interpretação extensiva do aludido benefício à situação que não se enquadre no texto expresso da lei, em conformidade com o estatuído pelo art. 111, II, do CTN. [...] 4. In casu, a recorrida é portadora de distonia cervical (patologia neurológica incurável, de causa desconhecida, que se caracteriza por dores e contrações musculares involuntárias fls. 178/179), Fl. 302DF CARF MF Processo nº 14751.000290/200798 Acórdão n.º 2301006.077 S2C3T1 Fl. 428 12 sendo certo tratarse de moléstia não encartada no art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88. (STJ. Primeira Seção. REsp 1.116.620/BA, relator: Min. Luiz Fux, data do julgamento: 09/08/2010, data da publicação/Fonte: DJe 25/08/2010, DECTRAB vol. 194 p. 19). Assim, deve ser mantida a decisão de primeira instância. DO PEDIDO DE PERÍCIA Em matéria tributária caberia à recorrente produzir as provas necessárias do seu direito. Se a contribuinte não possuía confiança plena na junta médica constituída pelo Ministério da Fazenda, de órgão local, tinha por direito de procurar outro serviço médico oficial da União, Estado ou Município, a exemplo do próprio INSS. Em processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que se alega é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei". O processo judicial em seu artigo art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil, inciso I, impõe ao interessado as comprovações de fato e de direito, tal qual como no processo administrativo: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor". Encontrase sedimentada a jurisprudência deste Conselho neste sentido, consoante se verifica pelo aresto abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (...) (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013). Grifouse. Nessas circunstâncias, correta a decisão da DRJ de origem. DA MULTA APLICADA No presente caso foi aplicada a multa do art. 44 inciso I, da Lei n°9.430/96, perfazendo o percentual de 75%. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 14751.000290/200798 Acórdão n.º 2301006.077 S2C3T1 Fl. 429 13 A multa é de aplicação obrigatória, vinculada. Inexiste possibilidade de cobrar o tributo sem que haja a incidência da multa, que busca penalizar a falta de comprimento da obrigação principal. CONCLUSÃO Com base no exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, promovendo a manutenção da decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 304DF CARF MF Processo nº 14751.000290/200798 Acórdão n.º 2301006.077 S2C3T1 Fl. 430 14 Fl. 305DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.920284/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 13/08/2004
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.086
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, o qual indeferiu o pedido de restituição efetuado por meio eletrônico (PER). Após análise automática foi proferido despacho decisório indeferindo o pedido. Como justificativa para o indeferimento foi apontado o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER como origem do crédito, referido valor teria sido totalmente utilizado na extinção de outro débito de contribuições (PIS e/ou Cofins). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 02 84 /2 01 2- 61 Fl. 78DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.086 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920284/2012-61 Devidamente cientificada, a recorrente interpôs Manifestação de Inconformidade, na qual relata que apurou crédito tributário de PIS e de Cofins em razão da declaração de inconstituicionalidade do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, proferida pela Supremo Tribunal Federal no RE 457553-1 em Sessão Plenária de 09/11/05 e aproveitou parte do referido crédito para compensar débitos, conforme lhe faculta o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Acredita que a razão de o PER haver sido indeferido estaria no fato de que referido crédito não consta nas bases de dados da Receita Federal do Brasil. Explica que extinguiu os déditos de PIS e Cofins conforme declarado em DCFT e, posteriormente, com a declaração de inconstituicionalidade do art. 3º § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, surgiu o crédito oponível ao Fisco incidente sobre as receitas financeiras. Ocorre que no processamento do PER, o sistema da RFB não localizou o crédito porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstituicional incidente sobre as receitas financeiras. Por seu turno, embora tenha reconhecido a inconstitucionalidade apontada pela recorrente, e declarada pelo Supremo Tribunal Federal, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender inexistir nos autos prova da origem do crédito apurado pela Recorrente. Em sua decisão, observou que, para fins de deferimento de pedido de restituição, o recolhimento indevido ou a maior, em virtude da declaração de inconstitucionalidade de dispositivo relativo ao alargamento da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, deve ser comprovado mediante documentação hábil e idônea. Novamente cientificada, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese: (i) que caso a Fiscalização entenda que a documentação apresentada pela recorrente não exaure a questão controvertida contida no Pedido de Restituição, com supedâneo na legislação de regência do processo administrativo fiscal, a Autoridade Administrativa pode determinar diligências com a finalidade de investigar e concluir o procedimento fiscal com o máximo de elementos para firmar a convicção que deve fundamentar o ato administrativo; (ii) não se alegue a impossibilidade de se admitir os documentos apresentados na atual etapa processual. Isto porque, somente por ocasião da prolação do acórdão recorrido, pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba, é que o direito creditório buscado pela recorrente foi indeferido com base na alegada ausência de comprovação dos recolhimentos da COFINS sobre as receitas financeiras; (III) que o crédito apurado diz respeito ao PIS/Cofins incidente sobre receitas financeiras; e (iv) qualquer conclusão diversa constituirá violação ao direito de defesa da contribuinte, resultando em vício insanável que gera a nulidade fixada no artigo 59, II do Decreto 70.235/1972: Juntou documentos para respaldar suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, Fl. 79DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.086 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920284/2012-61 de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.050, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920245/2012-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.050): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP nº 27989.81927.250108.1.2.04-4061 para compensar seu débito com crédito de COFINS. O crédito apurada pela Recorrente foi indeferido e sua declaração de compensação foi considerada "não homologado", considerando que o crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignada com a decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que com a declaração de inconstituicionalidade do art. 3º § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, surgiu o crédito oponível ao Fisco incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ R$ 6.135,06. Não juntou documentos na manifestação de inconformidade para comprovar seu direito. A decisão recorrida, por sua vez, afastou as pretensões da Recorrente, por entender que não restou comprovado o direito almejado pelo contribuinte, por total ausência de documentos comprobatórios, cujas razões peço vênia para colacionar: Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da COFINS que deve ser afastado, é necessário que a contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. No caso presente, verificou-se que nenhum documento comprobatório que pudesse comprovar inequivocamente a ocorrência de pagamentos indevidos em razão do alargamento da base de cálculo foi apresentado pela requerente. A propósito, o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito, dispõe que são aplicadas às manifestações de inconformidade as mesmas regras do Processo Administrativo Fiscal, previstas no Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 74. (...) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. E de acordo com o que estabelece o Decreto n.º 70.235, de 1972, a impugnação formalizada deve ser instruída com os documentos em que fundamente suas alegações: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 80DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.086 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920284/2012-61 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Grifou-se As disposições do Decreto n.º 70.235, de 1972 foram consolidadas pelo Decreto nº 7.574 de 29/09/2011, que mantém o entendimento da norma citada: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) Art. 57. A impugnação mencionará (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (...) Art. 119. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no art. 110, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 9o, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). (...) § 2o A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 1o obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 1972 (Título II deste Regulamento), e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 11, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). Além disso, é bom lembrar o que está disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, ou seja, de que o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito é do próprio autor do pedido. Art. 333 – O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Desse modo, tendo em vista que a manifestante não apresentou os elementos probatórios hábeis a comprovar a origem do indébito tributário, não há como reconhecer o direito creditório vindicado. Já em sede recursal, a Recorrente traz argumentos mais robustos sobre o direito ao crédito, bem como sobre o erro na base de cálculo da contribuição apurada, acompanhado de documentos para embasar suas pretensões. Fl. 81DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.086 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920284/2012-61 Contudo, entendo que os documentos carreados autos pela Recorrente, ainda que se prestem à comprovar seu pretenso direito, não devem ser considerados para julgamento do presente processo, considerando a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, que assim preceitua: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Com efeito, os documentos carreados no recurso deveriam ter sido trazidos em sede de manifestação de inconformidade, admitindo, no caso de negativa por parte da DRJ, a juntada complementar de documentos para contrapor as razões da decisão recorrida. No presente caso, a Recorrente não trouxe nenhum documento em sua manifestação para comprovar seu direito, sendo, totalmente, inadmissível o fazer nessa faze processual, em razão da preclusão prevista no §4º daquele dispositivo. Fl. 82DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.086 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920284/2012-61 Por fim, não vejo que a decisão proferida por este relator, seja ela qual for, acarreta alguma hipótese de nulidade prevista no artigo 59, do Decreto nº 70.235/1972, principalmente aquelas elencadas no inciso II, considerando inexistir despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Neste cenário, não vejo como acolher as pretensões da Recorrente . Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13981.000205/2004-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
ETIQUETAS. INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO.
A operação de etiquetagem é uma das fases do processo de industrialização, tal como acontece com a rotulagem e a marcação por estampagem, que são análogas, havendo, assim, na aquisição de etiquetas, direito ao crédito (entendimento expressamente consignado no Parecer Normativo Cosit nº 4/2014).
EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, NÃO RETORNÁVEIS, ESSENCIAIS À GARANTIA DA INTEGRIDADE DO PRODUTO. INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO.
As embalagens, ainda para transporte (desde que não retornáveis), essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo - como as que acondicionam portas de madeira, algumas inclusive partes de móveis - vertem sua utilidade diretamente sobre os bens em produção, os quais, sem elas, não se encontram ainda prontos para venda, gerando, assim, a sua aquisição, direito a crédito.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO SISTEMA DE VENTILAÇÃO E REMOÇÃO DE PARTÍCULAS. DIREITO AO CRÉDITO.
A remoção de resíduos de madeira no processo de fabricação de portas, feita por meio de ventiladores, filtros, e ciclones, armazenando-os em silos, faz parte do processo produtivo - ainda que indiretamente, e sem ela, inviável é a atividade, pelo que o industrial tem direito ao crédito sobre os encargos de depreciação destes bens do ativo permanente.
Numero da decisão: 9303-008.318
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 ETIQUETAS. INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. A operação de etiquetagem é uma das fases do processo de industrialização, tal como acontece com a rotulagem e a marcação por estampagem, que são análogas, havendo, assim, na aquisição de etiquetas, direito ao crédito (entendimento expressamente consignado no Parecer Normativo Cosit nº 4/2014). EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, NÃO RETORNÁVEIS, ESSENCIAIS À GARANTIA DA INTEGRIDADE DO PRODUTO. INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens, ainda para transporte (desde que não retornáveis), essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo - como as que acondicionam portas de madeira, algumas inclusive partes de móveis - vertem sua utilidade diretamente sobre os bens em produção, os quais, sem elas, não se encontram ainda prontos para venda, gerando, assim, a sua aquisição, direito a crédito. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO SISTEMA DE VENTILAÇÃO E REMOÇÃO DE PARTÍCULAS. DIREITO AO CRÉDITO. A remoção de resíduos de madeira no processo de fabricação de portas, feita por meio de ventiladores, filtros, e ciclones, armazenando-os em silos, faz parte do processo produtivo - ainda que indiretamente, e sem ela, inviável é a atividade, pelo que o industrial tem direito ao crédito sobre os encargos de depreciação destes bens do ativo permanente.
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INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. A operação de etiquetagem é uma das fases do processo de industrialização, tal como acontece com a rotulagem e a marcação por estampagem, que são análogas, havendo, assim, na aquisição de etiquetas, direito ao crédito (entendimento expressamente consignado no Parecer Normativo Cosit nº 4/2014). EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, NÃO RETORNÁVEIS, ESSENCIAIS À GARANTIA DA INTEGRIDADE DO PRODUTO. INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens, ainda para transporte (desde que não retornáveis), essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo como as que acondicionam portas de madeira, algumas inclusive partes de móveis vertem sua utilidade diretamente sobre os bens em produção, os quais, sem elas, não se encontram ainda prontos para venda, gerando, assim, a sua aquisição, direito a crédito. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO SISTEMA DE VENTILAÇÃO E REMOÇÃO DE PARTÍCULAS. DIREITO AO CRÉDITO. A remoção de resíduos de madeira no processo de fabricação de portas, feita por meio de ventiladores, filtros, e ciclones, armazenandoos em silos, faz parte do processo produtivo ainda que indiretamente, e sem ela, inviável é a atividade, pelo que o industrial tem direito ao crédito sobre os encargos de depreciação destes bens do ativo permanente. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 1. 00 02 05 /2 00 4- 72 Fl. 517DF CARF MF Processo nº 13981.000205/200472 Acórdão n.º 9303008.318 CSRFT3 Fl. 3 2 conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, contra o Acórdão 3401001.581. Em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento, a PGFN defende a aplicação, para fins de creditamento, do mesmo conceito de insumo da legislação do IPI, ou seja, “para considerar embalagens e depreciação de máquinas ou equipamentos do ativo imobilizado como insumos, fazse necessário o emprego destes diretamente na fabricação de produtos destinados à venda ... que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas”, concluídose que “1) a legislação não autoriza que os materiais utilizados no transporte sejam considerados insumos 2) somente considera os encargos de depreciação como insumos quando as máquinas são utilizadas diretamente no processo produtivo”. O contribuinte apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9303008.305, de 20 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13981.000156/200559, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 9303008.305): "Considerando que a PGFN apresenta um Acórdão paradigma que versa tanto sobre embalagens de transporte de produtos acabados, como de depreciação de itens do ativo imobilizado, e, ainda, foram preenchidos os demais requisitos e Fl. 518DF CARF MF Processo nº 13981.000205/200472 Acórdão n.º 9303008.318 CSRFT3 Fl. 4 3 respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. No mérito, como há tempo já o tem feito, de forma majoritária, o CARF, aqui não se adota o conceito do IPI, tampouco o do IRPJ, mas sim, um intermediário, hoje consagrado e melhor delineado – ainda que não seja possível, à vista da legislação posta, se chegar a um grau de determinação “cartesiano” – nas mais recentes decisões do STJ (mais especificamente, no REsp nº 1.221.170/PR), que levaram inclusive a que a PGFN e a RFB editassem normas interpretativas, para elas vinculantes, quais sejam, a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF e o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, sendo que transcrevo a ementa deste: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o "critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço": a.1) "constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço"; a.2) "ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência"; b) já o critério da relevância "é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja": b.1) "pelas singularidades de cada cadeia produtiva"; b.2) "por imposição legal". Dispositivos Legais. Lei n° 10.637, de 2002, art. 3°, inciso II; Lei n° 10.833, de 2003, art. 3°, inciso II. Em relação às etiquetas e às embalagens para transporte (estas, em casos específicos) há Acórdãos desta Turma relativamente recentes (antes mesmo dos posicionamentos Fl. 519DF CARF MF Processo nº 13981.000205/200472 Acórdão n.º 9303008.318 CSRFT3 Fl. 5 4 contundentes do STJ e da edição do citado Parecer Normativo), de minha relatoria, reconhecendo o direito ao creditamento. Tratemos primeiro das etiquetas (Acórdão nº 9303 006.090, de 12/12/2017): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AnoCalendário 2005 ETIQUETAS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. A operação de etiquetagem é uma das fases do processo de industrialização, tal como acontece com a rotulagem e a marcação por estampagem, que são análogas, havendo, assim, na aquisição de etiquetas, direito ao crédito (Inteligência do Parecer Normativo Cosit nº 4/2014). Como trazido na Ementa, desde 2014 há Parecer Normativo da Cosit em que a RFB reconhece, sem deixar margem a dúvidas, o direito ao crédito: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. ETIQUETAS APLICADAS EM PRODUTOS TRIBUTADOS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Ementa: O estabelecimento industrial poderá creditarse do imposto relativo a etiquetas compostas de qualquer matéria, adquiridas para serem aplicadas em produtos tributados. (...) 5. A etiqueta não tem a função de acondicionamento do material de embalagem e também não entra na composição do produto final em si, fugindo portanto ao conceito estrito de matériaprima, mas a ele se integra – seja diretamente, seja pela aposição na sua embalagem – podendo, assim, mais propriamente, ser tida como produto intermediário, para os efeitos em estudo. 6. E se mostra induvidoso que a operação de etiquetagem é uma das fases do processo de industrialização, tal como acontece com a rotulagem e a marcação por estampagem, que são análogas. Passando à análise se são enquadráveis ou não no conceito de insumo os materiais (chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço) utilizados na embalagem para transporte, neste caso, em que o industrial fabrica portas, com relevos decorativos ou “vazadas”, algumas delas partes de móveis, entendo que se aplica o mesmo entendimento consignado no Acórdão nº 9303005.934, de 28/11/2017, em um Processo de um fabricante de móveis: Fl. 520DF CARF MF Processo nº 13981.000205/200472 Acórdão n.º 9303008.318 CSRFT3 Fl. 6 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS NÃOCUMULATIVA. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, NÃO RETORNÁVEIS, ESSENCIAIS À GARANTIA DA INTEGRIDADE DO PRODUTO. DIREITO A CRÉDITO. As embalagens, ainda para transporte (desde que não retornáveis), essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo – como as que acondicionam partes de móveis –, vertem sua utilidade diretamente sobre os bens em produção (requisito trazido no Subitem 14, “a.3”, da Solução de Divergência Cosit nº 7/2016, para que se enquadre no conceito de insumo), os quais, sem elas, não se encontram ainda prontos para venda, gerando, assim, a sua aquisição pelo industrial, direito a crédito na sistemática de apuração da contribuição, conforme inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Novamente, tínhamos uma norma da RFB – neste caso não expressamente aplicável, mas que interpretei como tal – que trazia o entendimento sobre o conceito de insumo antes da edição do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, e, no dispositivo citado, convergia com ele, dizendo o seguinte: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: (...) a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou ... Minhas razões de decidir já estão aí embasadas, mas se mostram mais claras transcrevendo partes dos Votos Condutores dos Acórdãos citados (no caso do primeiro, tratase de uma “introdução”, já que, naquele caso, não foi reconhecido o direito ao crédito para as embalagens, pois se tratava de uma Fl. 521DF CARF MF Processo nº 13981.000205/200472 Acórdão n.º 9303008.318 CSRFT3 Fl. 7 6 indústria de cortes de frango congelados, já prontos, em sua embalagem de apresentação, para venda ao consumidor final): Acórdão nº 9303006.090: No que tange às embalagens para transporte, podemos dizer que há dois “tipos”: (1) aquelas que simplesmente servem para o transporte de produtos já prontos e acabados para venda a varejo nas embalagens para apresentação e (2) aquelas que são absolutamente essenciais para a garantia da integridade do produto transportado, tanto é que estes são vendidos a varejo nelas acondicionados. Como exemplos das primeiras, temos as caixas de papelão, sacos plásticos e semelhantes que acondicionam, por exemplo, a grande maioria dos produtos expostos nas prateleiras dos varejistas, e que são adquiridos da forma em que estão, em suas embalagens de apresentação. Já as segundas seriam, por exemplo, as caixas que acondicionam partes de móveis, os isopores, fitas metálicas e plásticos que protegem fogões e outros eletrodomésticos que, desta forma embalados, são entregues ao adquirente. A jurisprudência é tendente a admitir o crédito em relação às segundas, pois fazem parte do processo produtivo (o produto não está pronto e acabado sem elas). Quanto às primeiras, já ocorre o contrário, pois não se integram ao produto final, ou seja, não vertem sua utilidade diretamente sobre o bem em produção. Acórdão nº 9303005.934: “Não é de se imaginar, por exemplo, que um tampo de mesa – ou o que quer que seja da espécie – seja simplesmente colocado no caminhão sem uma embalagem que o proteja. Apenas na área de exposição das lojas é que se encontram os móveis montados e, obviamente, fora de qualquer embalagem. Não estamos aqui diante de um saquinho de batatas fritas, de maçãs, ou de uma lata de leite condensado. No caso concreto, qual é o produto destinado à venda a que se refere o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 ?? Os móveis ou (em regra) suas partes, devidamente embalados – sem que necessariamente este acondicionamento “objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional” (conceito, a contrario sensu, da embalagem para apresentação, trazido Fl. 522DF CARF MF Processo nº 13981.000205/200472 Acórdão n.º 9303008.318 CSRFT3 Fl. 8 7 no art. 6º, § 1º, I, do RIPI/2002, vigente à época dos fatos geradores). Assim, nesta vasta gama de produtos aqui citados – ou cujas características se amoldam à categoria a qual aqui se pretendeu caracterizar –, com a necessária redundância, o produto efetivamente só está acabado quando acondicionado nas embalagens em que vai ser transportado, pelo que elas fazem, sim, parte do processo produtivo, havendo portanto o direito ao creditamento na sua aquisição. Ressalvese, no entanto, que embalagens retornáveis, como pallets, as quais servem unicamente ao transporte de qualquer produto que seja, não se enquadram no conceito de bens utilizados como insumos, pois, sobre elas ou em seu interior, já estão perfeitamente acabados os produtos destinados à venda”. Por fim, no que concerne encargos de depreciação do sistema de ventilação e remoção de partículas, o que o contribuinte diz em suas Contrarrazões (fls. 590 e 591) é bastante esclarecedor: “ esse sistema é composto pelos seguintes equipamentos: 26 unidades de exaustão, compostos por ventiladores e filtros de mangas; 4 ventiladores de transporte; 4 filtros de manga; e 4 ciclones instalados sobre dois silos para armazenagem de partículas de madeira. As unidades de exaustão têm como finalidade sugar as partículas geradas nas operações de usinagem dos materiais usados na produção de componentes, para portas de madeira. Essas partículas são transportadas pelo fluxo de ar gerado pelos ventiladores através de tubos que ligam os equipamentos de usinagem até o filtro de mangas. Nos filtros, o ar é devidamente filtrado e liberado para o ambiente enquanto as partículas são descarregadas por uma válvula rotativa na tubulação de transporte. Frisase que todo o material aspirado e transportado corresponde a partículas de madeira e compostos de madeira como MDF, compensados e aglomerado. De pontuar, ainda, que a massa de partículas gerada na produção de portas de madeira, com utilização da capacidade de 70%, em 16 horas diárias de trabalho, é estimada em 85.455 kg. A densidade dessas partículas não comprimidas é de 70 kg/m3, portanto o volume diário de partículas gerado é de 1.220,80 m3. Portanto, esse sistema está estritamente vinculado ao processo produtivo da Contribuinte. Sem a aspiração desse considerável volume de partículas, a produção de portas tornase praticamente inviável, sendo, esse sistema, imprescindível para o processo produtivo da Recorrida”. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 13981.000205/200472 Acórdão n.º 9303008.318 CSRFT3 Fl. 9 8 O Acórdão Recorrido admite o creditamento dos encargos depreciação destes bens do ativo permanente pelo critério da “pertinência”, conforme já se depreende da Ementa e está claramente consignado no Voto Condutor (fls. 506 e 507): “É notório, os materiais pulverulentos (reduzidos a pó) que se produzem nas mais diversas atividades industriais, em função de suas características físico químicas, podem apresentar externalidades de ordem legal e ocupacional. Nesse aspecto, a pertinência requerida pelo conceito de insumo aqui defendido situase numa área gris. No entanto, não é necessário adentrála para que se conclua pela pertinência do equipamento com o processo produtivo. Basta que se perceba que as indústrias que processam produtos que em alguma de suas fases se apresentem na forma de pó são indústrias de alto potencial de risco quanto a incêndios e explosões, e devem tomar as precauções cabíveis para a proteção humana e patrimonial e também para a eficiente persecução de seus objetivos sociais. Nesse sentido, entendo que um sistema de aspiração e transporte de partículas, numa indústria de artefatos de madeira, é absolutamente pertinente”. “Essencial” ou relevante”? Bem o diz o relator do Acórdão Recorrido quando fala em “área gris”, ou seja, em uma “zona cinzenta”, já que esta remoção de resíduos faz parte do processo produtivo, mas não diretamente, e configurase essencial, pois sem ela efetivamente inviável é a atividade industrial, havendo, assim, uma combinação dos critérios hoje decisivos, pelo que, entendo, há que se reconhecer o direito ao crédito também neste caso. À vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 524DF CARF MF Processo nº 13981.000205/200472 Acórdão n.º 9303008.318 CSRFT3 Fl. 10 9 Fl. 525DF CARF MF
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Numero do processo: 13660.000437/2007-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. PARTE DO RECLAMADO.
É passível de dedução da base de cálculo do IRPF apenas a contribuição à Previdência Oficial a cargo do Reclamante.
RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. VALOR TOTAL DO DEPÓSITO JUDICIAL TRABALHISTA. EXCLUSÃO DA CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. PARTE DO RECLAMADO.
Não compõe os valores destinados ao Reclamante a contribuição à Previdência Oficial referente à parte do Reclamado informada no Depósito Judicial Trabalhista, devendo do total deste ser excluída para fins de apuração do imposto de renda, inclusive o IRRF.
RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DESPESAS VINCULADAS À AÇÃO JUDICIAL. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE.
Os rendimentos recebidos acumuladamente serão diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização.
Numero da decisão: 2402-007.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e, de ofício, reconhecer o saldo de Imposto de Renda a restituir, no montante de R$ 6.886,93 e referente ao Exercício 2005, apurado nos termos do voto do Relator e passível de atualização na forma da legislação.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. PARTE DO RECLAMADO. É passível de dedução da base de cálculo do IRPF apenas a contribuição à Previdência Oficial a cargo do Reclamante. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. VALOR TOTAL DO DEPÓSITO JUDICIAL TRABALHISTA. EXCLUSÃO DA CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. PARTE DO RECLAMADO. Não compõe os valores destinados ao Reclamante a contribuição à Previdência Oficial referente à parte do Reclamado informada no Depósito Judicial Trabalhista, devendo do total deste ser excluída para fins de apuração do imposto de renda, inclusive o IRRF. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DESPESAS VINCULADAS À AÇÃO JUDICIAL. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. Os rendimentos recebidos acumuladamente serão diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e, de ofício, reconhecer o saldo de Imposto de Renda a restituir, no montante de R$ 6.886,93 e referente ao Exercício 2005, apurado nos termos do voto do Relator e passível de atualização na forma da legislação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 66 0. 00 04 37 /2 00 7- 04 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13660.000437/200704 Acórdão n.º 2402007.350 S2C4T2 Fl. 167 2 (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 159/163) em face do Acórdão n. 09 27.923 1ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG ) DRJ/JFA (efls. 144/146), que julgou parcialmente procedente a impugnação (efls. 02/07) apresentada em 29/10/2007, mantendo em parte o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante a Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n. 2005/606450410014084 no valor total de R$ 38.714,08 (efls. 09/14) constituído em 01/10/2007 (data informada pelo Recorrente, pois não há registro de AR nos autos) com fulcro em compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e dedução indevida de Previdência Social. Cientificado da decisão de piso em 26/02/2010 (efl. 157), a impugnante, agora Recorrente, apresentou Recurso Voluntário em 24/03/2010 insurgindose tãosomente contra a infração tipificada por dedução indevida de Previdência Social, tornandose a infração por compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) matéria preclusa por não ter sido impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/1972. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/1972, portanto, dele conheço. Verificase que cerne do presente litígio restringese à dedução de Previdência Oficial no valor de R$ 13.224,78 consignada na Declaração de Ajuste Anual (DAA) Exercício 2005 ND 0621563245 (efls. 15/19). Sobre a matéria, informa a decisão recorrida: [...] Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13660.000437/200704 Acórdão n.º 2402007.350 S2C4T2 Fl. 168 3 Analisando a documentação referente ao processo trabalhista a que se referiu o contribuinte na peça impugnatória, verificase, fls. 17, que sobre a importância de R$ 102.193,38 a ele paga foi retida a importância de R$19.925,08 de IRPF e descontado o valor de R$13.563,27 de INSS, conforme afirmado na citada impugnação e informado na DAA IRPF2005, fls. 135. Entretanto o mesmo documento informa no item 6 INSS do reclamante R$338,49; item 7 INSS do reclamado R$13.224,78. A parcela do reclamante é que se deduz dos rendimentos recebidos, a do reclamado, evidentemente não. [...] Pois bem. Consta nos autos Guia da Previdência Social (GPS) recolhimento no valor de R$ 13.848,66 sob Código de Pagamento 2909 vinculado à Reclamatória Trabalhista n. 2071/00 (efl. 26). Na guia de Depósito Judicial Trabalhista data de 26/10/2004 (efl. 21), são discriminadas as seguintes verbas: i) valor total do depósito: R$ 102.193,38; ii) valor principal: R$ 45.610,78; iii) juros: R$ 23.094,25; iv) INSS do reclamante: R$ 338,49; v) INSS do reclamado: R$ 13.224,78; e vi) imposto de renda: R$ 19.925,06. Todavia, é informado nos autos que, até 01/04/2003, o valor bruto da liquidação era de R$ 74.274,95, conforme petição do Recorrente protocolizada em 15/04/2003 (efls. 64/66), sintetizada no resumo abaixo reproduzido: Posteriormente, em nova atualização, temse a seguinte configuração (efl. 110): Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13660.000437/200704 Acórdão n.º 2402007.350 S2C4T2 Fl. 169 4 Observase assim que a quantia referente ao INSS da Reclamada em nenhum momento integrou os valores destinados ao Recorrente. Na data de 15/12/2004, foi transferida a quantia de R$ 45.139,00 ao Recorrente, havendo como remetente o Sr. Leandro Meloni (efl. 25), patrono da Reclamatória Trabalhista n. 2071/00. É dizer, R$ 45.139,00 foi o valor efetivamente recebido pelo Recorrente em decorrência da referida ação trabalhista. Concluise assim que o valor de R$ 102.193,38 referese ao total do Depósito Judicial Trabalhista, que inclui diferentes verbas, conforme já informado, inclusive aquelas destinadas à Previdência Oficial, a cargo do Reclamante e do Reclamado, não sendo, todavia, o valor total destinado ao Recorrente. Nessa perspectiva, embora esteja correto o entendimento da instância de piso quanto à possibilidade de deduzirse apenas a Previdência Oficial relativa ao Recorrente (R$ 338,49), não se pode considerar que o valor total destinado ao Recorrente tenha sido de R$ 102.193,38, conforme inferese do Depósito Judicial Trabalhista, não obstante aquele ter declarado esse valor na sua declaração de ajuste anual. Na verdade, devese considerar que a parcela destinada ao Recorrente é no valor bruto de R$ 88.968,60 (R$ 102.193,38 R$ 13.224,78) que, deduzidos os honorários advocatícios (R$ 20.831,48) e periciais (R$ 3.473,00), perfaz um total de R$ 64.664,12 de rendimentos tributáveis, que devem ser adicionados aos rendimentos recebidos da Nesic Brasil S/A no valor de R$ 19.145,00. De se observar que, diferente da conclusão da decisão de piso, o imposto de renda no valor de R$ 19.925,06 não incidiu sobre o total do Depósito Judicial Trabalhista (R$ 102.193,38), vez que se assim fosse, teríamos IRRF de R$ 23.026,28. Na verdade, incidiu sobre o valor de R$ 88.968,60. Com efeito, aplicandose a alíquota de 27,5% e subtraindose R$ 5.076,90 (parcela a deduzir de IRPF para o Exercício 2005), obtémse o valor de R$ 19.389,47, bastante próximo de R$ 19.925,06 (IRRF indicado no Depósito Judicial Trabalhista). Assim, temse a seguinte configuração para apuração do imposto devido no Exercício 2005, considerandose a legislação do imposto de renda pessoa física: Descrição Valores (R$) 1. Rendimentos tributáveis apurados 83.809,12 2. Total das deduções apuradas 5.579,73 3. Base de Cálculo apurada 78.229,39 4. Imposto apurado 16.436,19 5. Imposto pago apurado 20.225,12 6. Imposto a restituir apurado 3.788,93 7. Imposto a pagar declarado 3.098,00 8. Saldo de Imposto a Restituir (linha 6 + linha 7) 6.886,93 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13660.000437/200704 Acórdão n.º 2402007.350 S2C4T2 Fl. 170 5 Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento, e de ofício, reconhecer saldo de imposto a restituir referente ao Exercício 2005 no valor de R$ 6.886,93, passível de atualização na forma da legislação vigente. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 170DF CARF MF
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Numero do processo: 13858.000410/2003-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/05/1998, 01/07/1998 a 31/10/1998
DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO. NÃO EQUIVALÊNCIA A PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRAMENTO DO ART. 173, I, DO CTN.
Para que seja aplicável a jurisprudência vinculante do STJ que remete ao art. 150, § 4º do CTN para a contagem do prazo decadencial (cinco anos do fato gerador), no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação - a exemplo da Cofins -, exige-se pagamento (stricto sensu) antecipado, a ele não equivalendo a compensação, forma distinta de extinção do crédito tributário, para a qual, então, aplica-se a regra do art. 173, I, do CTN (cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado).
COMPENSAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO JUDICIAL. ACÃO AJUIZADA ANTERIORMENTE À VIGÊNCIA DA LC Nº 104/2001. POSSIBILIDADE, CONFORME JURISPRUDÊNCIA VINCULANTE DO STJ.
A vedação da compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, prevista no art. 170-A do CTN, não se aplica a ações ajuizadas antes da sua introdução, pela Lei Complementar nº 104/2001, conforme jurisprudência vinculante do STJ (REsp nº 1.164.452/MG, julgado na sistemática do art 543-C do antigo CPC - Recursos Repetitivos).
Numero da decisão: 9303-008.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para não considerar albergados pela decadência os períodos de apuração abril, maio e julho de 1998, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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COMPENSAÇÃO. NÃO EQUIVALÊNCIA A PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRAMENTO DO ART. 173, I, DO CTN. Para que seja aplicável a jurisprudência vinculante do STJ que remete ao art. 150, § 4º do CTN para a contagem do prazo decadencial (cinco anos do fato gerador), no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação a exemplo da Cofins , exigese pagamento (stricto sensu) antecipado, a ele não equivalendo a compensação, forma distinta de extinção do crédito tributário, para a qual, então, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN (cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado). COMPENSAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO JUDICIAL. ACÃO AJUIZADA ANTERIORMENTE À VIGÊNCIA DA LC Nº 104/2001. POSSIBILIDADE, CONFORME JURISPRUDÊNCIA VINCULANTE DO STJ. A vedação da compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, prevista no art. 170A do CTN, não se aplica a ações ajuizadas antes da sua introdução, pela Lei Complementar nº 104/2001, conforme jurisprudência vinculante do STJ (REsp nº 1.164.452/MG, julgado na sistemática do art 543C do antigo CPC Recursos Repetitivos). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para não considerar albergados pela decadência os períodos de apuração abril, maio e julho de 1998, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 8. 00 04 10 /2 00 3- 72 Fl. 482DF CARF MF Processo nº 13858.000410/200372 Acórdão n.º 9303008.528 CSRFT3 Fl. 482 2 vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 445 a 468), contra o Acórdão 3201001.547, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 438 a 443), sob a seguinte ementa (no que interessa à discussão): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1998 a 31/05/1998, 01/07/1998 a 31/10/1998 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. COMPENSAÇÃO. Estando a Cofins sujeita ao regime de lançamento por homologação, e tendo ocorrido pagamento via compensação, o direito de o Fisco constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, segundo regra do artigo 150, § 4º, do CTN. Precedentes. COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO QUE RECONHECE A EXISTÊNCIA DE INDÉBITO PROFERIDA EM RELAÇÃO A AÇÕES AJUIZADAS ANTES DA LEI COMPLEMENTAR 104. ENTENDIMENTO REITERADO DO STJ. Na forma do art. 62A do Regimento Interno, reproduzo a seguir ementa da decisão do STJ, aplicável na forma do art. 543 do CPC: RECURSO ESPECIAL Nº 1.164.452/MG. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 471 a 474), a PGFN defende (i) a inocorrência de decadência para os meses de abril, maio e julho de 1998, uma vez que, no caso de compensação, o prazo deve regerse pelo art. 173, I, do CTN, pois não houve pagamento antecipado – utilizandose, como um de seus argumentos, trechos do Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, e (ii) a impossibilidade de compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial. O contribuinte não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 13858.000410/200372 Acórdão n.º 9303008.528 CSRFT3 Fl. 483 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. No mérito, duas matérias nos foram trazidas à apreciação: 1) Decadência. Estamos aqui diante de um Auto de Infração da Cofins (fls. 148 a 158), por compensação indevida declarada em DCTF, atingindo os períodos de apuração abril, maio e julho a outubro de 1998, do qual o contribuinte foi cientificado, por via postal, em 01/08/2003 (AR às fls. 171), sendo que a autuada suscita, em sua Impugnação (fls. 002 a 022) a decadência em relação aos meses de abril, maio e julho, pela aplicação da regra de contagem do prazo do art. 150, § 4º, do CTN (cinco anos da ocorrência do fato gerador). Se estivéssemos aqui diante da constatação da ocorrência de pagamento (stricto sensu – art. 156, I) antecipado, não caberia mais discussão a respeito, pois sendo a Cofins tributo sujeito a lançamento por homologação, há jurisprudência vinculante a respeito do STJ, determinando, efetivamente, a aplicação do art. 150, § 4º. Mas, como se trata de compensação, restanos decidir se esta forma distinta de extinção do crédito tributário (art. 156, II) equivale a pagamento, para fins de contagem do prazo decadencial (caso contrário, seria aplicável a regra de contagem do art. 173, I: cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado). Para fins de caracterização de denúncia espontânea, a Jurisprudência majoritária desta Turma é no sentido de que não há esta equivalência, conforme retratado no Acórdão nº 9303006.011, de 29/11/2017, de minha relatoria: MULTA DE MORA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA EM ATRASO, MAS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO, POIS AFASTADA SOMENTE EM CASO DE PAGAMENTO DE VALOR NÃO PREVIAMENTE CONFESSADO. A compensação é forma distinta da extinção do crédito tributário pelo pagamento, cuja não homologação somente pode atingir a parcela que deixou de ser paga (art. 150, § 6º, do CTN), enquanto, na primeira, a extinção se dá sob condição resolutória de homologação do valor compensado. Como o instituto da denúncia espontânea do art. 138 do CTN e a jurisprudência vinculante do STJ demandam o pagamento, stricto sensu ainda anterior ou concomitantemente à confissão da dívida (condição imposta somente por força de decisão judicial), cabe a cobrança da multa de mora sobre o valor compensado em atraso. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 13858.000410/200372 Acórdão n.º 9303008.528 CSRFT3 Fl. 484 4 O mesmo entendimento está pacificado no STJ: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou se no sentido de que é incabível a aplicação do benefício da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, aos casos de compensação tributária, justamente porque, nessa hipótese, a extinção do débito estará submetida à ulterior condição resolutória da sua homologação pelo fisco, a qual, caso não ocorra, implicará o não pagamento do crédito tributário, havendo, por consequência, a incidência dos encargos moratórios. Precedentes. (AgInt nos EDcl nos EREsp 1.657.437/RS, Relator Min. Gurgel de Faria, Dje 17/10/2018) Não vendo por que não se possa fazer a analogia quando se trata de contagem do prazo decadencial (foi, fundamentalmente, com base no Código Tributário Nacional que se decidiu desta forma), entendo que não se operou a decadência para os meses em questão, pois aplicável a regra do art. 173, I, ao caso concreto. 2) Possibilidade de compensação antes do trânsito em julgado de decisão judicial. Estamos aqui diante da Ação Ordinária nº 97.03180094, com pedido de tutela antecipada para que a autora pudesse compensar indébitos decorrentes da declaração de inconstitucionalidade da majoração das alíquotas do FINSOCIAL com débitos PIS/Cofins, sendo que a Petição Inicial (fls. 023 a 051) data de 15/12/1997. O trânsito em julgado deuse somente em 31/08/2007, então, em uma primeira análise, as compensações realizadas em 1998 estariam a contrariar o art. 170A do CTN, que reza que “É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. Ocorre, no entanto, que existe efetivamente jurisprudência vinculante (art. 62, § 1º, II, “b”, do RICARF) do STJ (Resp nº 1.164.452/MG, julgado na sistemática do art 543C do antigo CPC – Recursos Repetitivos) no sentido de admitir a compensação no caso de ações judiciais ajuizadas antes da vigência da Lei Complementar nº 104/2001, que introduziu o art. 170A: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do Fl. 485DF CARF MF Processo nº 13858.000410/200372 Acórdão n.º 9303008.528 CSRFT3 Fl. 485 5 trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para não considerar albergados pela decadência os períodos de apuração abril, maio e julho de 1998. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 486DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.000950/2007-22
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-000.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta anexe ao processo todas as DCTF referentes ao primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2002, identificando o primeiro momento em que foi declarado cada débito que deu origem às multas de mora objeto do lançamento de ofício.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta anexe ao processo todas as DCTF referentes ao primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2002, identificando o primeiro momento em que foi declarado cada débito que deu origem às multas de mora objeto do lançamento de ofício. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves. Relatório O presente processo trata de Auto de Infração lavrado em 16/03/2007 (fls. 41 a 75). Tem por objeto multa moratória sobre recolhimentos em atraso de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) devido no ano de 2002. Transcrevo, abaixo, o relatório da decisão de primeira instância, que resume o pleito (fls. 123 a 133): Em decorrência de auditoria interna de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), contra a contribuinte acima qualificada lançouse multa RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .0 00 95 0/ 20 07 -2 2 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13888.000950/200722 Resolução nº 1001000.101 S1C0T1 Fl. 241 2 moratória, no total de R$1.227,49, que incidiu sobre recolhimentos extemporâneos de Imposto de Renda Pessoa Física (IRRF) incidente sobre trabalho assalariado, código de receita 0561, relativos aos períodos de apuração de: a) janeiro de 200204, com vencimento em 30/01/2002, que incidiu sobre o principal de R$ 678,72, multa lançada de R$ 135,74; b) março de 200201, com vencimento em 06/03/2002, que incidiu sobre o principal de R$ 678,72, multa lançada de R$ 135,74; c) março de 200205, com vencimento em 03/04/2002, que incidiu sobre o principal de R$ 678,72, multa lançada de R$ 135,74; d) abril de 200204, com vencimento em 02/05/2002, que incidiu sobre o principal de R$ 678,72, multa lançada de R$ 135,74; e) junho de 200201, com vencimento em 05/06/2002, que incidiu sobre o principal de R$ 678,72, multa lançada de R$ 135,74; f) junho de 200205, com vencimento em 03/07/2002, que incidiu sobre o principal de R$ 678,72, multa lançada de R$ 135,74; g) julho de 200204, com vencimento em 31/07/2002, que incidiu sobre o principal de R$ 678,72, multa lançada de R$ 135,74; h) agosto de 200205, com vencimento em 04/09/2002, que incidiu sobre o principal de R$ 678,72, multa lançada de R$ 135,74; i) setembro de 200204, com vencimento em 02/10/2002, que incidiu sobre o principal de R$ 707,87, multa lançada de R$ 141,57. Descrição dos fatos, bem assim da base legal que sustentou a imposição tributária achamse registrados no auto de infração respectivo (fls. 20/36). Regularmente cientificada, a autuada ingressou com a impugnação de fls.01/17, declarada tempestiva conforme termo de fl. 60 e instruída com cópia do contrato social, em que alega seu direito aos benefícios do instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN) em face de que os recolhimentos foram efetuados voluntariamente. Escorouse em jurisprudência administrativa e jurisdicional. Por fim, requereu cancelamento do auto de infração ou alternativamente fosse a imposição tributária mitigada no percentual máximo permitido, nos moldes do acórdão n° 1413.865 5ª Turma da DRJ/RPO, prolatado no julgamento do processo 13888.001561/200391, que anexou por cópia (fls. 39/45). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, no acórdão às fls. 123 a 133 do presente processo (Acórdão 1421.598, de 25/11/2008), negou provimento à impugnação da empresa. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13888.000950/200722 Resolução nº 1001000.101 S1C0T1 Fl. 242 3 O instituto da denúncia espontânea não exclui a multa de mora estipulada na legislação tributária, porquanto o seu pagamento é expressamente previsto para os casos em que o recolhimento do tributo ocorre espontaneamente após o vencimento da obrigação, sendo irrelevante à questão a distinção doutrinária entre caráter indenizatório ou punitivo da sua exigência. No voto, observouse que não havia controvérsia quanto ao fato do tributo ter sido recolhido extemporaneamente, expressamente reconhecido pelo contribuinte. Que os juros de mora haviam sido recolhidos normalmente. Que a discussão cingiase à questão, unicamente de direito, do afastamento da multa de mora em face da denúncia espontânea versada no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). A decisão reproduziu trecho do acórdão de DRJ cuja fundamentação adotou. Este citava jurisprudência do STJ que havia concluído que “o instituto da denúncia espontânea exige que nenhum lançamento tenha sido feito, isto é, que a infração não tenha sido identificada pelo Fisco nem se encontre registrada nos livros fiscais e/ou contábeis do contribuinte” (STJ. Resp 516337/RJ. 1ª Turma. Decisão: 17/06/03. DJ de 15/09/03, p. 268). Quanto ao pedido alternativo de mitigação da multa de mora, ponderou que o caso trazido como exemplo pelo contribuinte referiase a redução de multa de ofício, imposta no percentual de 75% (Acórdão n° 1413.865, processo nº 13888.001561/200391, anexado pela empresa às fls. 38 a 44). Inicialmente prevista nos artigos 43 e 44 da lei nº 9.430/1996, a multa incidia nos casos de ausência de recolhimento ou recolhimento a destempo, desacompanhado da multa de mora correspondente. Entretanto, a partir do advento da MP nº 303, de 2006, que deu nova redação ao art. 44 da lei nº 9.430/1996, tal espécie de imposição fora afastada do campo de incidência. No caso presente, considerou que a imposição tributária deuse na vigência da MP nº 303/2006. Que, dentro da nova realidade, o lançamento corretamente cingiase à exigibilidade da multa de mora, no limite máximo de 20%. Assim, decidiu pela manutenção do crédito tributário. Cientificado da decisão de primeira instância em 14/01/2009 (Aviso de Recebimento à fl. 139), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 10/02/2009 (carimbo aposto à primeira folha do recurso, de fls. 140 a 176). Nele a empresa repetiu os argumentos da impugnação. Invocou, dentre outras decisões, jurisprudência do mesmo processo nº 13888.001561/200391 ali citado, agora em seu acórdão de segunda instância – Acórdão nº 156.598 do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, anexado pela empresa ao seu recurso voluntário (fls. 210 a 219). Informou que estava efetuando depósito do valor questionado, para conversão em pagamento caso seu recurso fosse julgado improcedente (comprovante à fl. 232). É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13888.000950/200722 Resolução nº 1001000.101 S1C0T1 Fl. 243 4 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Primeiramente, sobre o referido Acórdão nº 156.598 juntado pela empresa às fls. 210 a 219, por ela citado como exemplo, é preciso esclarecer que trata de situação jurídica distinta daquela aqui tratada, como já foi esclarecido na decisão de primeira instância. Refere se a multa de ofício, imposta no percentual de 75%. O acórdão decidiu pela exoneração da multa lançada porque a hipótese de incidência havia sido expurgada do ordenamento jurídico pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007. Na situação aqui enfrentada, conforme enquadramento legal do auto de infração às fl. 42, o lançamento da multa teve por base os artigos 43 e 61 da Lei nº 9.430/1996, bem como o art. 9º da Lei nº 10.426/2002, todos em plena vigência. Diz o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caput e parágrafos 1º e 2º: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Isto posto, tratemos do assunto objeto do recurso: a exclusão da multa de mora pela denúncia espontânea. O Superior Tribunal de Justiça, na pessoa do então Ministro Teori Albino Zavascki, decidiu, nos autos do processo nº 2007/01428689, sobre a aplicação do instituto da denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação previamente declarados pelo contribuinte e pagos extemporaneamente, nos seguintes termos. EMENTA 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13888.000950/200722 Resolução nº 1001000.101 S1C0T1 Fl. 244 5 (REsp 962379 RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) Posteriormente, o Superior Tribunal de Justiça, no rito do recurso repetitivo (art. 543C, do Código de Processo Civil), por meio do REsp 1.149.022, com decisão proferida em 09/06/10 (publicada em 24/06/10) e trânsito em julgado ocorrido em 30/08/10, tratou da matéria. Abaixo, sua ementa: RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE: BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO: SERGIO FARINA FILHO E OUTRO (S) RECORRIDO: UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR: PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano base 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13888.000950/200722 Resolução nº 1001000.101 S1C0T1 Fl. 245 6 ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações, determina que as matérias decididas em Repercussão Geral, pelo STJ, sejam reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte. Assim, conforme julgados acima, caracterizase a denúncia espontânea quando há o recolhimento, em atraso, de tributo que ainda não foi declarado à Receita Federal do Brasil, como nos casos em que o pagamento extemporâneo ocorre anteriormente à entrega da DCTF na qual é declarado o débito. No caso concreto, os pagamentos em atraso foram efetuados em 14/05/2002, 30/08/2002, 23/07/2003, 24/07/2003, e 12/05/2004, conforme demonstrativos que integram o auto de infração, às fls. 45 a 67. Consta no processo, na folha de rosto do auto de infração, apenas a data de entrega das DCTF retificadoras relativas ao primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2002 – períodos de apuração dos tributos pagos em atraso. Fazse necessário identificar a data exata em que pela primeira vez foram declarados à Receita Federal os débitos pagos em atraso, que deram origem ao lançamento de ofício da multa de mora. Se o pagamento for anterior à declaração original, configurase a denúncia espontânea. Para isso, é preciso conhecer a data de entrega de todas as DCTF relativas a esses períodos, originais e retificadoras, bem como os débitos delas constantes. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que esta: (i) anexe ao processo cópias de todas as DCTF relativas ao primeiro, segundo e terceiro trimestres do ano de 2002; (ii) identifique, nas referidas DCTF, o primeiro momento em que foi declarado cada débito, indicado no auto de infração, que deu origem às multas de mora objeto do lançamento de ofício (demonstrativos às fls. 45 a 67). A unidade de origem deverá elaborar relatório fiscal conclusivo sobre as apurações e cientificar o sujeito passivo do resultado da diligência realizada, conforme parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.926964/2016-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/08/2010
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.411
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/08/2010 COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 69 64 /2 01 6- 05 Fl. 48DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10680.926964/201605 Acórdão n.º 3401006.411 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 50DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10680.926964/201605 Acórdão n.º 3401006.411 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 52DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 53DF CARF MF
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Numero do processo: 13656.720501/2012-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/05/2007 a 31/12/2007
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Súmula Vinculante CARF nº 108).
ALUGUEIS. CAMINHÕES, AUTOMÓVEIS E CAMIONETAS. CUSTOS/ DESPESAS. ATIVIDADES DA EMPRESA. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com alugueis de caminhões, automóveis e camionetas utilizados nas atividades exploradas pela empresa geram créditos da contribuição passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
MATERIAL. EMBALAGEM. FRETES. TRANSPORTE. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTO PRÓPRIO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com material de embalagem, assim como os custos/despesas incorridos com fretes para o transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos do próprio contribuinte geram créditos da contribuição passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2007 a 31/03/2008
LEGISLAÇÃO CORRELATA. APLICAÇÃO.
Dada a correlação entre as normas que regem as contribuições, aplicam-se, na íntegra, as mesmas ementas e conclusões do PIS à Cofins.
Numero da decisão: 9303-008.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/05/2007 a 31/12/2007 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Súmula Vinculante CARF nº 108). ALUGUEIS. CAMINHÕES, AUTOMÓVEIS E CAMIONETAS. CUSTOS/ DESPESAS. ATIVIDADES DA EMPRESA. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com alugueis de caminhões, automóveis e camionetas utilizados nas atividades exploradas pela empresa geram créditos da contribuição passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. MATERIAL. EMBALAGEM. FRETES. TRANSPORTE. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTO PRÓPRIO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com material de embalagem, assim como os custos/despesas incorridos com fretes para o transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos do próprio contribuinte geram créditos da contribuição passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/2007 a 31/03/2008 LEGISLAÇÃO CORRELATA. APLICAÇÃO. Dada a correlação entre as normas que regem as contribuições, aplicam-se, na íntegra, as mesmas ementas e conclusões do PIS à Cofins.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Súmula Vinculante CARF nº 108). ALUGUEIS. CAMINHÕES, AUTOMÓVEIS E CAMIONETAS. CUSTOS/ DESPESAS. ATIVIDADES DA EMPRESA. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com alugueis de caminhões, automóveis e camionetas utilizados nas atividades exploradas pela empresa geram créditos da contribuição passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. MATERIAL. EMBALAGEM. FRETES. TRANSPORTE. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTO PRÓPRIO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com material de embalagem, assim como os custos/despesas incorridos com fretes para o transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos do próprio contribuinte geram créditos da contribuição passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2007 a 31/03/2008 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 05 01 /2 01 2- 95 Fl. 15244DF CARF MF Processo nº 13656.720501/201295 Acórdão n.º 9303008.575 CSRFT3 Fl. 15.245 2 LEGISLAÇÃO CORRELATA. APLICAÇÃO. Dada a correlação entre as normas que regem as contribuições, aplicamse, na íntegra, as mesmas ementas e conclusões do PIS à Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recursos especiais interpostos tempestivamente pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3301002.269, de 26/03/2014, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O Colegiado da Câmara Baixa, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos da ementa transcrita, na parte que interessa às matérias em litígio nesta fase recursal: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2007 BENS E SERVIÇOS. INSUMOS. CRÉDITOS. DESCONTOS. Geram créditos passíveis de descontos da contribuição apurada sobre o faturamento mensal os custos/despesas com bens e serviços utilizados na produção dos produtos fabricados/vendidos, dentre eles, matériasprimas, materiais e equipamentos, desde que não foram escriturados no ativo imobilizado, fretes para transportes de produtos semi elaborados e para transporte de produtos acabados entre filiais e fretes de vendas, combustíveis e manutenção industrial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2007 Fl. 15245DF CARF MF Processo nº 13656.720501/201295 Acórdão n.º 9303008.575 CSRFT3 Fl. 15.246 3 BENS E SERVIÇOS. INSUMOS. CRÉDITOS. DESCONTOS. Geram créditos passíveis de descontos da contribuição apurada sobre o faturamento mensal os custos/despesas com bens e serviços utilizados na produção dos produtos fabricados/vendidos, dentre eles, matériasprimas, materiais e equipamentos, desde que não foram escriturados no ativo imobilizado, fretes para transportes de produtos semi elaborados e para transporte de produtos acabados entre filiais e fretes de vendas, combustíveis e manutenção industrial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2007 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. A exigência de juros de mora sobre a multa de ofício somente é cabível se aquela não for paga depois de decorridos 30 (trinta) dias da ciência do sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário." Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, suscitando divergência, quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, defendendo sua exigência desde a data do vencimento da obrigação principal e não depois de decorridos os trinta dias da data da intimação da decisão administrativa definitiva, conforme consta do acórdão recorrido. Alega, em síntese, que a multa de oficio integra o crédito tributário e, portanto, os juros de mora são devidos desde a data do vencimento do prazo para o seu pagamento. Por meio do Despacho de Admissibilidade às fls. 14572e/14474e, o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional. Notificado do acórdão da Câmara Baixa, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho da sua admissibilidade, o contribuinte interpôs embargos de declaração, alegando contradições e omissões no acórdão. Contudo, analisados os embargos, estes foram rejeitados, nos termos do despacho às fls. 14564e/14571e. Inconformado com a rejeição dos embargos, o contribuinte apresentou recurso especial, suscitando divergências com relação a 13 (treze) matérias, conforme discriminação às fls. 15078e. Contudo, o recurso foi admitido apenas, quanto ao direito à tomada de créditos das contribuições sobre as despesas com alugueis de caminhões, automóveis, camionetas, etc, nos termos do Despacho de Admissibilidade às fls. 15076 e/15110e. Contra aquele despacho, o contribuinte interpôs Agravo, visando o acolhimento integral de seu recurso especial. Analisado o Agravo, este foi acolhido, em parte, pela Presidente da CSRF que deu seguimento parcial ao recurso com relação as seguintes matérias: 1) tomada de créditos sobre os gastos com material de embalagem; 2) tomada de créditos sobre os gastos com aquisições de equipamentos de proteção individual”, mas só em relação ao Acórdão nº 3302003.155; e, 3) tomada de créditos sobre os fretes incorridos pelo recorrente para o transporte de produtos acabados entre seus estabelecimentos. Fl. 15246DF CARF MF Processo nº 13656.720501/201295 Acórdão n.º 9303008.575 CSRFT3 Fl. 15.247 4 O acórdão recorrido, objeto do recurso especial em discussão, é o de 3301 002.269, de 26/03/2014, assim, o julgamento da matéria referente ao item 2 retro ficou prejudicado e não será enfrentada nesta fase recursal. Quanto às matérias admitidas (1) direito à tomada de créditos sobre as despesas com alugueis de caminhões, automóveis, camionetas, etc; (2) ) tomada de créditos sobre os gastos com material de embalagem; e, (3) tomada de créditos sobre os fretes incorridos pelo recorrente para o transporte de produtos acabados entre seus estabelecimentos. O contribuinte alega, em síntese, que as despesas com alugueis de caminhões, automóveis, camionetas são necessárias e imprescindíveis às suas atividades econômicas, sendo consideradas como insumos nos termos do inciso II do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/203, gerando, portanto, créditos; já os gastos com material de embalagem; e as despesas com fretes no transporte de produtos acabados entre seus próprios estabelecimentos constituem despesas na operação de venda e geram créditos nos termos do inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, e do art. 15, inciso I, desta mesma lei. Tanto a Fazenda Nacional como o contribuinte apresentaram contrarrazões aos recursos especiais interpostos por cada um deles, ambos pugnando pela manutenção do acórdão recorrido, na parte que beneficiou um e outro, respectivamente. Em síntese é o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O recurso especial da Fazenda Nacional atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria suscitada pela Fazenda Nacional, nesta fase recursal, se restringe à incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício lançada e exigida juntamente com as contribuições. A exigência de juros mora sobre a multa de ofício desde a data do seu respectivo vencimento constitui matéria sumulada pelo CARF, nos termos da Súmula nº 108 que assim dispõe: "Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício." Considerando que esta súmula possui efeito vinculante, atribuído pelo Ministro da Fazenda, por meio da Portaria MF nº 129, de 1º/04/2019, publicada no DOU de 02/04/2019, por força do disposto no art. 72 do Anexo II, do RICARF, aplicase ao presente caso a referida súmula, para dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Fl. 15247DF CARF MF Processo nº 13656.720501/201295 Acórdão n.º 9303008.575 CSRFT3 Fl. 15.248 5 Quanto ao recurso especial do contribuinte, para as matérias admitidas, o pressuposto de admissibilidade foi atendido, e o recurso deve ser conhecido. As matérias questionadas e admitidas nesta fase recursal são: 1) direito à tomada de créditos sobre as despesas com alugueis de caminhões, automóveis, camionetas, etc; 2) tomada de créditos sobre os gastos com material de embalagem; e, 3) tomada de créditos sobre os fretes incorridos pelo recorrente para o transporte de produtos acabados entre seus estabelecimentos. As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 que instituiu o regime não cumulativo para o PIS e a Cofins, respectivamente, assim dispunha, quanto aos insumos e aproveitamento de créditos, no período dos fatos geradores dos lançamentos em discussão: Lei nº 10.637, de 30/12/2002: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; [...]; § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [...].” Lei nº 10.833, de 29/12/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 15248DF CARF MF Processo nº 13656.720501/201295 Acórdão n.º 9303008.575 CSRFT3 Fl. 15.249 6 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...]; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; [...]; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; [...]; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...]; § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; [...]; Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I e II do § 3odo art. 1odesta Lei; [...].” As despesas com aluguéis de caminhões, automóveis, camionetas se enquadram no inciso IV dos arts. 3º, transcritos e citados acima; já os gastos com material de embalagem e as despesas com fretes incorridos para o transporte de produtos acabados entre seus estabelecimentos constituem despesas na operação de venda e se enquadram no inciso IX do art. 3º (Cofins) e no art. 15 (PIS); assim, geram créditos das contribuições. Além disto, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ampliou o conceito de insumos, para efeito de aproveitamento de créditos do PIS e da Cofins, reconhecendo como tal, os custos e despesas empregados direta ou indiretamente no processo de produção/fabricação de bens destinados a venda pelo contribuinte. Fl. 15249DF CARF MF Processo nº 13656.720501/201295 Acórdão n.º 9303008.575 CSRFT3 Fl. 15.250 7 Consoante a decisão do STJ "o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a impossibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Em face da decisão do STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF que autoriza seus procuradores a dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, contra decisão desfavorável à União Federal, quanto ao conceito de insumos e o respectivo direito de se aproveitar créditos sobre tais insumos, nos termos definidos no julgamento do referido REsp, observada a particularidade do processo produtivo de cada contribuinte. No presente caso, o contribuinte tem como objetivo econômico e social, dentre outros, a pesquisa e lavra de quaisquer substâncias minerais, bem como respectivos beneficiamento, armazenagem, transporte e comercialização; a produção, fabricação, transformação, distribuição, e venda de produtos metálicos ou nãometálicos, a produção, fabricação, transformação, refino, distribuição e venda de aluminas especiais, cimento refratário e outros produtos químicos, a importação e exportação de minérios. Assim, em face do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, c/c a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF da PGFN, e a Portaria PGFN n° 502, de 2016, adotase para o presente caso a decisão do STJ, no REsp nº 1.221.170/PR, para dar provimento ao recurso especial do contribuinte, para reconhecer seu direito de aproveitar créditos sobre: 1) as despesas incorridas com alugueis de caminhões, automóveis, camionetas, utilizados nas atividades da empresa; 2) os gastos com material de embalagem; e, 3) os fretes incorridos com o transporte de produtos acabados entre seus estabelecimentos. Em face do exposto, DOU PROVIMENTO a recurso especial da Fazenda Nacional para reconhecer a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício e também DOU PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte para reconhecer o direito de ele aproveitar créditos sobre: 1) as despesas incorridas com alugueis de caminhões, automóveis, camionetas, utilizados nas atividades da empresa; 2) os gastos com material de embalagem; e, 3) os fretes incorridos com o transporte de produtos acabados entre seus estabelecimentos e, 4) tomada de créditos sobre os gastos com aquisições de equipamentos de proteção individual”. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 15250DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.908387/2009-58
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/12/2003
DCTF. DIPJ. DACON. VALORES DIVERGENTES.
Sendo a DCTF uma declaração que constitui o crédito tributário, os valores dos tributos nela informados prevalecerão sobre as informações prestadas em declarações informativas, como a DIPJ e o Dacon, cabendo ao contribuinte o ônus de comprovar, documentalmente, eventuais erros cometidos naquela declaração.
DCTF. DCOMP. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Uma vez inexistente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, não se homologa a compensação declarada.
RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO IPSIS LITTERIS DA IMPUGNAÇÃO. § 3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO.
Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3003-000.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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DIPJ. DACON. VALORES DIVERGENTES. Sendo a DCTF uma declaração que constitui o crédito tributário, os valores dos tributos nela informados prevalecerão sobre as informações prestadas em declarações informativas, como a DIPJ e o Dacon, cabendo ao contribuinte o ônus de comprovar, documentalmente, eventuais erros cometidos naquela declaração. DCTF. DCOMP. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Uma vez inexistente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, não se homologa a compensação declarada. RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO IPSIS LITTERIS DA IMPUGNAÇÃO. § 3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO. Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marcos Antônio Borges Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 83 87 /2 00 9- 58 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.908387/200958 Acórdão n.º 3003000.256 S3C0T3 Fl. 3 2 Márcio Robson Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Por bem retratar os fatos reproduzo o relatório proferido pela DRJ na oportunidade em que apreciou a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) de nº 24329.42026.290905.1.3.044688, por meio da qual a contribuinte em epígrafe, utilizouse de crédito no montante de R$ 2.286,02, relativo ao DARF de Cofins, 2172, recolhido em 15/12/2003, no valor total de R$ 30.375,97, para extinguir os débito(s) nela informado(s). Em 25/03/2009 foi emitido Despacho Decisório de não homologação da compensação, pelo fato de o DARF discriminado na Dcomp estar integralmente utilizado para quitação de débito do mesmo tributo e período de apuração, não restando saldo credor disponível para a compensação pleiteada. Cientificada, a Manifestante apresentou, em 30/04/2009, Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte. Aduz que o valor devido a título de Cofins, no período de 12/2003, era de R$ 28.089,95 e não R$ 30.375,97, como mencionado no Despacho Decisório. Junta cópia da DIPJ, a qual demonstra que o valor do débito seria no montante de R$ 28.089,95. Diz, ainda, que quando do envio da DCTF, equivocouse no lançamento do valor devido a título de PIS, lançando, indevidamente, o montante de R$ 30.375,97. Aduz, entretanto, que possui direito ao valor de R$ 2.286,02, diferença entre o que pagou e o que era devido. Do recurso houve julgamento com o acórdão N.º 0638.840 3ª Turma DRJ/CTA cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/12/2003 DCTF. DIPJ. VALORES DIVERGENTES. Sendo a DCTF uma declaração que constitui o crédito tributário, os valores dos tributos nela informados Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.908387/200958 Acórdão n.º 3003000.256 S3C0T3 Fl. 4 3 prevalecerão sobre as informações prestadas em declarações informativas, como a DIPJ, cabendo ao contribuinte o ônus de comprovar, documentalmente, eventuais erros cometidos naquela declaração. DCTF. DCOMP. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Uma vez inexistente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, não se homologa a compensação declarada. Ao tomar ciência do Acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário replicando os termos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Márcio Robson Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. Inicialmente, cumpre observar que dispõe a Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprovou o RICARF vigente, verbis: (...) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10980.908387/200958 Acórdão n.º 3003000.256 S3C0T3 Fl. 5 4 voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) (...) Compulsando os autos verifico que o Recorrente ao apresentar o Recurso Voluntário replicou as razões da impugnação, deixando, assim, de apresentar novas razões de defesa perante este Colegiado, e tendo em vista minha absoluta concordância com os fundamentos do Colegiado a quo e amparado no fundamento regimental acima reproduzido, utilizo das razões de decidir do voto condutor do respectivo acórdão. A Manifestação de Inconformidade é tempestiva. Dela se toma conhecimento. Inicialmente, cabe observar que, relativamente ao 4o trimestre de 2003, a Interessada entregou apenas uma DCTF, de n° 0000.100.2004.91656499, em 12/02/2004. Nesta DCTF, o débito está declarado no montante de R$ 30.375,97, tendo sido extinto pela utilização integral do Darf informado na Dcomp. Por sua vez, a DIPJ apresentada pela Interessada informa com valor do débito de Cofins, 2172, do mês de 11/2003, o valor de R$ 28.089,95. A DIPJ, de n° 1295066, foi entregue em 03/10/2006, antes, portanto, da ciência do Despacho Decisório recorrido. Em função disso, a questão que se coloca é que existem duas informações conflitantes, relativamente ao mesmo tributo e período de apuração: na DCTF, consta o valor de R$ 30.375,97 e na DIPJ, o de R$ 28.089,95. Qual informação deve, portanto, prevalecer? A DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência, conforme art. 5º do Decreto lei nº 2.124/84. Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10980.908387/200958 Acórdão n.º 3003000.256 S3C0T3 Fl. 6 5 Por sua vez, o art. 16, da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, determina que “compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável”. Com base nestes dispositivos, a DCTF, instituída por instrução normativa do Secretário da Receita Federal do Brasil tem caráter de confissão de dívida. Aliás, apesar de desnecessário, o STF editou, em maio de 2010, a Súmula 436, com o seguinte enunciado A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Diante do exposto, podese concluir que o débito informado pela Interessada em sua DCTF está válida e eficazmente lançado no valor de R$ 30.375,97. Consequentemente, a conclusão emitida pela Autoridade Fiscal teve como pressuposto as informações prestadas pela própria contribuinte através de declarações fiscais próprias e válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório. Por isso, não é suficiente, para os fins pretendidos pela Contribuinte, a mera alegação de que sua DIPJ apresenta informações de débitos inferiores àqueles confessados em DCTF. Tem a contribuinte, nesses casos, a necessidade de comprovar, por meio de documentos contábeis e fiscais idôneos, a origem dos valores declarados e a composição da base de cálculo dos tributos confessados. Vale destacar que, enquanto a DCTF consiste no instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, a DIPJ é uma declaração informativa, que não têm o poder de constituir o crédito tributário. A própria legislação tributária prevê a necessidade da contribuinte apresentar DCTF retificadora sempre que eventual retificação do Dacon acarretar na modificação dos valores declarados em DCTF anterior. É o que se verifica desde a publicação da Instrução Normativa SRF nº 543, de 20/05/2005, que assim dispôs: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. ... Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10980.908387/200958 Acórdão n.º 3003000.256 S3C0T3 Fl. 7 6 § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. (destaques não constam do original) Tal dispositivo reforça o fato de que caso esse demonstrativo apresente valor divergente do confessado em DCTF, devese retificála, pois esta declaração tem a virtude de tornar o crédito tributário exigível. Por fim, cabe ainda destacar que, conforme §1° do art. 147 do CTN, para haver redução de débito validamente lançamento em declaração por iniciativa do próprio declarante, deve a Interessada comprovar o erro quem se funde: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No caso concreto, verificase que o valor devido da contribuição foi declarado por meio da DCTF enviada em 12/02/2004. Por se tratar de uma declaração que, como visto, constitui o crédito tributário, os valores dos tributos devidos constantes da DCTF, na verdade, prevalecerão sobre as informações prestadas por meio de declarações informativas, cabendo ao contribuinte o ônus de comprovar, documentalmente, eventuais erros cometidos naquela declaração. Aliás, não poderia ser diferente. Imagine a situação inversa, ou seja, os valores informados na DIPJ serem superiores aos declarados em DCTF. Não poderia a RFB cobrar essa diferença de débito simplesmente por este fato. Para cobrálo, fazse necessário, antes, constituir o crédito tributário pelo lançamento. Portanto, não há como o valor informado em DIPJ suplantar aquele informado em DCTF. Diante do exposto, voto pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, ratificando a não homologação da compensação declarada na Dcomp de n° 24329.42026.290905.1.3.044688. Complementando o prestigiado voto da DRJ de Curitiba, destaco que não há nos autos menção acerca da DCTF retificadora, bem como não há comprovação de que houve a retificação por parte do contribuinte, logo, concluise que a retificação não foi realizada, sendo esta uma condição primordial para análise do eventual crédito. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10980.908387/200958 Acórdão n.º 3003000.256 S3C0T3 Fl. 8 7 Concluo que por ausência da referida retificação da DCTF não há elementos suficientes para prover o Recurso Voluntário da Recorrente. Dispositivo Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É o meu entendimento. Márcio Robson Costa Relator Fl. 101DF CARF MF
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Numero do processo: 13051.720179/2011-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.049
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (relator), Corintho Oliveira Machado e Jorge Lima Abud, que lhe negavam provimento.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado)
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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(documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos de Cofins Não-Cumulativa – Exportação, de que trata o art. 6º, § 2º da Lei nº 10.833, de 2004, pleiteado pela empresa em epígrafe por meio do PER (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso). Não há informação de compensações declaradas com referência no crédito. A DRF de origem indeferiu o pedido, emitindo Despacho Decisório no qual foi consignado que se trata de pedido em duplicidade. No referido despacho, aponta-se o número de outro PER/DCOMP referente ao mesmo crédito. Como fundamento para a decisão é indicada a seguinte base legal: parágrafo 7º do art. 21 e Parágrafo 2º do art. 28 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, onde, preliminarmente, pugna pela nulidade do Despacho Decisório, que estaria eivado de vício formal insanável. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 51 .7 20 17 9/ 20 11 -2 2 Fl. 274DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.049 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720179/2011-22 Aponta que dito Despacho Decisório não veio acompanhado da devida fundamentação motivacional, mas apenas apontaria as supostas infrações cometidas pela Manifestante. Faltariam a exposição dos elementos de convicção, dos elementos fáticos e do motivo da inexistência de crédito. Concluiu que teria ocorrido cerceamento de defesa e colaciona doutrina, que entende corroborar seu raciocínio. Nesse trilhar, aponta ainda nulidade do procedimento por erro na capitulação legal. Faz um arrazoado sobre a validade do ato processual administrativo tributário, defendendo que o Despacho Decisório, para ser válido e eficaz, deve conter os requisitos fundamentais: agente capaz, forma prescrita ou não defesa em lei e objeto lícito. Aponta equívoco referente à tipificação do "enquadramento legal", ao indicar o parágrafo 7o do Art. 21 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, o qual trata sobre créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, que não guardaria relação com a suposta exigência descumprida. Aduz que, pelo erro cometido pela autoridade tributária (omissão da legislação que substanciaria a suposta irregularidade cometida no PER com a indicação de dispositivos imprecisos), haveria carência de elementos capazes e suficientes para precisar a real motivação da suposta duplicidade do pedido de ressarcimento em questão, dificultando o exercício de seu direito de defesa, importando em vício que acarreta a nulidade do Despacho Decisório. Argumenta que a capitulação legal é elemento essencial para a validade do Despacho Decisório, sob pena de cercear o direito de defesa do contribuinte. Traz julgados do Egrégio Conselho de Contribuintes que coadunam com suas alegações. No mérito, destaca, inicialmente, a correção do Pedido de Ressarcimento complementar de créditos. Argumenta que, apesar de serem referentes ao mesmo período, tratar-se-ia de pedidos diferentes. Acrescenta que no procedimento administrativo inexiste a figura da coisa julgada. Por fim, observa que enquanto não transcorrido o prazo prescricional para requerer créditos decorrentes da atividade da empresa, não estaria ela ofuscada pela decisão administrativa do pedido anterior. Relata que a apuração dos créditos no pedido original foi feita com a utilização do método "Base na Proporção da Receita Bruta Auferida", com base nos artigos 3º, § 7º e § 8º das Leis n.° 10.833/03 e 10.637/02, conforme se depreende do DACON. No entanto, narra que efetuou um trabalho de revisão fiscal com recálculo dos créditos de Cofins Não-Cumulativa – Mercado Interno no período, referente ao rateio proporcional da receita bruta auferida pela Manifestante, alterando os percentuais dos créditos passíveis de ressarcimento, mas que não foram alvos do outro pedido. Alega que havia inserido "receitas" das vendas, oriundas da comercialização de bens e mercadorias referente a atos cooperados, no primeiro pedido de ressarcimento de Cofins Não-Cumulativa. Então, ao recalcular a totalidade das receitas, desconsiderando as vendas referentes aos atos cooperados, conforme previsto em lei, chegou-se a um novo percentual de receitas para o mercado interno e exportação. Demonstra o recálculo por meio de um exemplo prático. Argumenta que, constatado o erro no percentual outrora empregado, verificou-se, por conseguinte, que a empresa havia requerido valor a menor, razão pela qual, dentro do prazo prescricional, fez pedido referente apenas à parcela que ficou de fora do outro pedido, por ser a Fl. 275DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.049 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720179/2011-22 única forma de haver ressarcido os valores decorrentes de tais créditos apurados após o trabalho de revisão fiscal, já que entende que as operações com cooperados não configuram receitas. Traz acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Assevera que a IN RFB 900/08, em seu art. 77, não permite que o contribuinte efetue a retificação do pedido de ressarcimento após a decisão administrativa. Então, como possui valores passíveis de ressarcimento que foram levantados no recálculo, apresentou novo pedido, já que não havia outra forma de pleitear a diferença. Por fim, destaca que referido pedido "complementar" não se trata de aumento de crédito, mas de realocação do rateio proporcional dos créditos passíveis de ressarcimento e que acarretaram no pedido "complementar". Da correção monetária ao pedido de ressarcimento Defende que a demora no reconhecimento do crédito implica que se proceda à devida correção pela Selic desde a data do protocolo do pedido a fim de reparar a mora e o poder aquisitivo do crédito. Pugna pela devida correção dos créditos pela taxa SELIC, desde a data dos seus protocolos, em conformidade com o art. 39, § 4.° da Lei n° 9.250/95 e com a Súmula n° 411 do STJ. Do Pedido Requer, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório face às irregularidades apontadas e, no caso de não acolhimento do pedido anterior, no mérito, a reforma do Despacho Decisório uma vez que o PER analisado trata-se de pedido complementar de crédito, o qual deve ser acrescido da devida correção monetária pela taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento/compensação. Por seu turno, a DRJ julgou a impugnação improcedente. Irresignado, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302-001.041, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13051.720140/2011-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 276DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3302-001.049 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720179/2011-22 Ressalte-se que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302-001.041). Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Entende o relator que o PER 40274.87969.270409.1.1.09-4700 objeto dos autos deve ser caracterizado como um pedido de retificação do pedido original nº 31498.58811.160508.1.5.09-2039, que trata do mesmo trimestre do tributo, sendo que a norma que regulamenta o pedido de ressarcimento só permite sua retificação antes de qualquer decisão administrativa, nos termos do art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, vigente na época dos fatos. Entende, ainda, que como já havia decisão administrativa sobre o pedido de ressarcimento original, quando do protocolo do pedido de retificação, que a retificação do PER original por força do impeditivo normativo não deve surtir efeitos. Entretanto, respeitosamente não concordo com as assertivas explicitadas pela i. relator, na medida em que inexiste no ordenamento jurídico pátrio qualquer restrição ao direito contribuinte de efetuar novo pedido de ressarcimento que tenha por objeto o mesmo trimestre de tributo já pedido anteriormente, desde que não haja similitude de créditos e que seja respeito o prazo prescricional para o exercício do direito de ressarcimento. Ora, entendo ser totalmente aceitável que ao contribuinte seja concedido o direito de rever seus lançamentos e, ultrapassado o prazo de retificar o pedido original previsto na IN 900/2008, realize novo de pedido de ressarcimento. No caso dos autos, a Recorrente afirmou tratar-se de pedidos de ressarcimento diferentes, decorrente de recálculo dos créditos de PIS/COFINS não cumulativo que modificou o percentual de rateio do mercado interno não-tributado e mercado de exportação. Ou seja, o primeiro pedido foi realizado em valor ao menor do que aquele efetivamente devido, fato este que motivou a apresentação de pedido complementar. Ao que parece estamos diante de dois pedidos distintos, o original e o complementar, que tem em comum o fato de se referirem ao mesmo trimestre do tributo. E, em se tratando de pedidos distintos, o limite para o exercício do direito ao pedido complementar é o prazo prescricional para o exercício do direito ao ressarcimento e, não do prazo de retificação previsto na IN 900/2008. Contudo, não obstante a Recorrente tenha carreado documentos para comprovar suas alegações, faz necessário que a fiscalização apure se há similitude dos créditos apresentados nos PER nº s 40274.87969.270409.1.1.09-4700 e 31498.58811.160508.1.5.09-2039, intimando, para tanto, à Recorrente para apresentar documentos que entender necessário à conclusão da diligência. O fundamento para o indeferimento foi por duplicidade de pedido, aparentemente, calcado na identidade do trimestre, do tributo e do tipo de crédito "Cofins Não- Cumulativa" - Mercado Interno. A base legal foram os artigos 21, §7º e 28, §2º da IN RFB nº 900/2008, a saber: Art. 21. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. [...]§ 7º Cada pedido de ressarcimento deverá: Fl. 277DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3302-001.049 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720179/2011-22 I - referir-se a um único trimestre-calendário; e II - ser efetuado pelo saldo credor passível de ressarcimento remanescente no trimestre calendário, após efetuadas as deduções na escrituração fiscal. Art. 28. O pedido de ressarcimento a que se refere o art. 27 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração em meio papel acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. [...]§ 2º Cada pedido de ressarcimento deverá: I - referir-se a um único trimestre-calendário; e II - ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre-calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação De início, entendo que o requisito de que cada pedido corresponda a um trimestre não implica a consequência contrária, ou seja, que cada trimestre corresponda a um único pedido. Esta possibilidade, inclusive está expressa no artigo 22 da referida instrução normativa, ao permitir a existência de pedido de ressarcimento residual relativo a créditos objeto de pedidos anteriores. Art. 22. O saldo credor passível de ressarcimento relativo a períodos encerrados até 31 de dezembro de 2006, remanescente de utilizações em pedido de ressarcimento ou Declaração de Compensação apresentados à RFB até 31 de março de 2007, bem como os relativos a trimestres encerrados após 31 de dezembro de 2006, remanescente de utilizações em pedidos de ressarcimento ou Declaração de Compensação formalizados mediante a apresentação de petição/ declaração em meio papel entregues à RFB a partir de 1º de abril de 2007, somente poderá ser ressarcido ou utilizado para compensação após apresentação de pedido de ressarcimento do valor residual. Assim, admito não haver incompatibilidade inerente entre a possibilidade de apresentar um pedido de ressarcimento relativo a um mesmo período e da mesma natureza já pedidos. Porém, é necessário entender que a instituição de sistemas eletrônicos e travas operacionais são plausíveis, de modo a possibilitar análises céleres e identificação de possíveis situações caracterizadoras de pedidos de ressarcimentos indevidos. Inclusive a regra de impossibilidade de retificação de PER após o despacho decisório é plausível, pois não faria sentido retroagir processualmente para inovar um pedido para o qual já houvesse decisão administrativa, com litígio eventual já delimitado. Todavia, ao interpretar que a instrução normativa, concluindo pela impossibilidade de PER complementar, estar-se-ia implementando um novo prazo prescricional, qual seja, a emissão de despacho decisório. Sabe-se que tal prescrição está contida no Decreto 20.910/32, cujo artigo 1º dispõe: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Contudo, ao admitir que cada trimestre seja realizado por apenas um pedido, sem possibilidade de complementação, acaba por resultar em estabelecimento de novo prazo prescricional para que o contribuinte exerça o direito ao ressarcimento de créditos. Assim, ainda que o contribuinte dispusesse de anos para pedir o ressarcimento, após a emissão do despacho decisório, qualquer valor ainda não pedido, seja por qualquer motivo, tornar-se-ia prescrito, já que impossível qualquer retificação ou apresentação de PER complementar. Como ficaria o direito do contribuinte se eventuais créditos somente fossem reconhecidos em ato normativo emitido pela própria RFB posterior a pedidos já decididos, mas antes de escoado o prazo do Decreto nº 20.910/32, tal qual o Parecer Normativo Cosit nº 5/2018, que estabeleceu novo conceito de insumos para efeito da não-cumulatividade das contribuições? Fl. 278DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3302-001.049 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720179/2011-22 Entendo que a IN não pretendeu a alteração deste prazo. Conforme já exposto, a retificação de PER é vedada após a emissão de despacho decisório e nesta vedação residem motivos de ordem processual e mesmo de eficiência da análise eletrônica de PER/DCOMPS. Todavia, o contribuinte não apresentou uma retificadora, mas um novo PER do mesmo período, tributo e tipo de crédito, que o sistema presumiu como duplicidade dos pedidos. Porém, tal presunção de indeferimento não se verifica, pois o pedido, em princípio, não está em duplicidade, em vista das alegações e documentos apresentados. A presunção de duplicidade ocorreu em função apenas do período, tributo e da natureza do crédito, mas não dos valores pleiteados, o revela um critério da Administração para o tratamento eletrônico, mas que pode não corresponder à verdade material dos pedidos, nem pode servir para a configuração de novo prazo prescricional. Assim, voto no sentido de afastar a presunção de duplicidade reconhecida eletronicamente, para que tal duplicidade seja aferida pela análise dos valores efetivamente pleiteados pela unidade de origem. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para que órgão de origem avalie a duplicidade de pedidos de ressarcimento e compensação reconhecida eletronicamente, mediante análise dos valores efetivamente pleiteados na unidade de origem. Após sanadas essas dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 279DF CARF MF
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