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Numero do processo: 13971.916305/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2001
COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO.
A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.929
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ANOCALENDÁRIO: 2001 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 05 /2 01 1- 61 Fl. 64DF CARF MF 2 Por trazer clara síntese do processo até a interposição da Manifestação de Inconformidade, adoto o relatório da decisão de primeira instância, no Acórdão da DRJ em Florianópolis: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC decidiu indeferilo (...), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados se referem a pagamentos a maior originados da declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal, em 9 de novembro de 2005. A contribuinte alega, ainda, a nulidade do Despacho Decisório, por ausência de diligência sobre o crédito pleiteado, nos termos do artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008." (grifei) A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente naquela oportunidade, tendo sido o referido acórdão ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A autoridade competente para decidir sobre restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de determinar a realização de diligência. Se pela DCOMP apresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Intimada pessoalmente desta decisão, foi apresentado Recurso tempestivo no qual a Recorrente alega, em síntese, a validade do crédito de PIS objeto do Pedido de Restituição, vez que calculado com base nas receitas não operacionais auferidas pela empresa, que não podem ser consideradas como base de cálculo do PIS e da COFINS como reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840. Alega ainda a nulidade do despacho decisório, por ausência de diligência prévia para verificação da validade do crédito. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13971.916305/201161 Acórdão n.º 3402003.929 S3C4T2 Fl. 3 3 Anexou ao Recurso Voluntário cópia do livro razão e planilha com a composição do crédito apurado. Em seguida, os autos foram remetidos a esse Conselho. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.923, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13971.916330/201144, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.923): "Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, adentrando em suas razões. Em recente julgado desta turma relatado pela Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, foi reconhecimento o cabimento dos pedidos de restituição que, tal como o presente, se respaldam na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Tratase do acórdão n.º 3402003.399, ementado nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF." (Número do Processo 10980.911525/201010. Data da Sessão 29/09/2016 Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz. Acórdão n.º 3402003.399) A situação trazida sob julgamento nos presente autos é idêntica àquela julgada naquela oportunidade, razão pela qual Fl. 66DF CARF MF 4 adoto integralmente as razões delineadas por aquela Ilustre Conselheira Relatora, à luz do art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/99, cujo voto foi acompanhado por unanimidade por esta Turma: "A questão de direito controversa no presente processo é amplamente conhecida. Tratase do inconstitucional alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (“Cofins”), sobre o qual cumpre tecer algumas breves explanações. A Cofins, sucessora do FINSOCIAL, foi disciplinada pela Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998 (“Lei n. 9.718/98”). Nos termos do artigo 3º da citada Lei, ficou estabelecido que a Cofins incidiria sobre a receita bruta de pessoa jurídica. Por sua vez, o §1º do mesmo artigo veio definir o que abrangia o termo "receita", dispondo que: entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, à época da edição da Lei n. 9.718/98, a Constituição da República brasileira, em seu artigo 195, estabelecia que as Contribuições Sociais a serem recolhidas aos Cofres da União pelos empregadores, dentre as quais se enquadra a Cofins, somente poderiam incidir sobre o “faturamento”. Diante dessa delimitação constitucional, o Supremo Tribunal Federal (“STF”) declarou que o §1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98 é inconstitucional, no julgamento dos Recursos Extraordinários (“RE”) n. 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134 em 09 de novembro de 2005. Posteriormente, o Pretório Excelso, no julgamento do RE n. 585.235, publicado em 28/11/2008, julgou pela aplicação da repercussão geral sobre matéria em exame, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. A ementa do referido julgado foi lavrada nos seguintes termos: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Isto porque, segundo o entendimento dos Ministros do STF, esse dispositivo alargou indevidamente a base de cálculo da COFINS, uma vez que igualou o conceito de faturamento (ou receita operacional) ao conceito de receita . Explicase. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13971.916305/201161 Acórdão n.º 3402003.929 S3C4T2 Fl. 4 5 Enquanto o faturamento é constituído pelas receitas advindas da venda de bens e serviços, a receita compreende "entrada de recursos financeiros remuneradores dos diferentes negócios jurídicos da atividade empresarial”, segundo a lição de José Antonio Minatel. 1 Assim, o faturamento (espécie) é menos amplo que a receita (gênero). Ocorre que tais conceitos não podem ser livremente manejados pelo legislador, pois o artigo 110 do Código Tributário Nacional determina que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Destarte, se a Constituição determinava que a COFINS somente poderia incidir sobre o faturamento; e o faturamento constitui as receitas provenientes da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica; concluise pela inconstitucionalidade da lei que determina a incidência sobre a receita sem sentido amplo, pois essa é mais abrangente que o faturamento2. Buscando solucionar os vícios constitucionais de que padecia a Lei n. 9.718/98, o Poder Legislativo editou a Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998 (“EC n. 20/98”). Tal Emenda alterou o texto do artigo 195 da Constituição, o qual restou positivado nos seguintes dizeres: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 132. 2 Ademais, há de se ressaltar que a Lei n. 9.718/98 tem status jurídico de lei ordinária, o que torna ainda mais patente a sua inconstitucionalidade, tendo em vista que somente por meio de lei complementar é que poderia ser criada outra fonte de custeio da seguridade social (incidente sobre outra materialidade), nos termos do artigo 195, §4 e do artigo 154, inciso I, ambos da Constituição. Disto depreendese que somente seria legítima a cobrança da COFINS sobre a receita, hipótese que na época não estava prevista no rol de incisos do artigo 195 da Constituição, caso tal situação tivesse sido instituída por meio de lei complementar. Afinal, tratarseia de nova fonte de custeio da seguridade social. Como a Lei n. 9.718/98 foi votada e publicada pelo rito legislativo próprio das leis ordinárias, mais uma vez concluise pela inconstitucionalidade da exação. Fl. 68DF CARF MF 6 preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). Em síntese, a EC n. 20/98 alargou a hipótese de incidência das contribuições sociais devidas pelo empregador, uma vez que a partir de então não só o faturamento pode ser tributado, como também a receita em sentido amplo. Entretanto, essa mudança no texto da Constituição não teve o poder de convalidar os dizeres da Lei n. 9.718/98, pois o sistema jurídico brasileiro não admite a constitucionalidade superveniente, vale dizer, tendo sido promulgada e publicada lei que contraria a Constituição, não é possível que posterior alteração da própria Constituição, por via de emenda, traga de forma retroativa a validade da lei. Foi assim que decidiu o STF. Pois bem. Tendo sido decidida a questão em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, torna se imperioso o seu acatamento por este Conselho, nos moldes do artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, é tranquila a jurisprudência do Conselho a respeito da necessidade de reprodução das decisões proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins – citadas alhures aos processos administrativos fiscais, nos quais os contribuintes formulam pedidos de restituição de valores indevidamente pagos a título da contribuição social em questão, exatamente como ocorre no presente caso. Destaco a seguir alguns julgados representativos do entendimento sobre a matéria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. 10 ANOS. PEDIDO REALIZADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. O prazo decadencial para o direito de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador quando o pedido for realizado Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13971.916305/201161 Acórdão n.º 3402003.929 S3C4T2 Fl. 5 7 antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, conforme entendimento do STF. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido (Processo 11618.002043/200519, MARCOS ANTONIO BORGES, Nº Acórdão 3801001.835) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/2000 DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. O prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Fl. 70DF CARF MF 8 PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido. (Processo 13855.001146/200586, Relator(a) FLAVIO DE CASTRO PONTES, Nº Acórdão , 3801001.722) COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §1o, I, do RICARF. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62A do RICARF. COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Em face da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da contribuição a COFINS, promovida pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 19.718/98, é cabível o deferimento da restituição do indébito, devendo a autoridade preparadora verificar a comprovação do pagamento indevido ou a maior para compor o crédito a ser deferido ao contribuinte. Sobre o crédito apurado incide correção pela incidência da SELIC desde a data do pagamento indevido ou a maior, na forma do §4º, do Art. 39, da Lei nº 9.250/95. Recurso Parcialmente Provido. (Processo 10950.000184/200626, Relator(a) JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Acórdão 3402001.697) COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse o lançamento quando constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no período compreendido pelo auto de infração. COFINS. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. Eventual direito à compensação da COFINS, em razão de recolhimento indevido ou efetuado a maior, deve ser apreciado no procedimento administrativo próprio de restituição/compensação, e não em processo de formalização de Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13971.916305/201161 Acórdão n.º 3402003.929 S3C4T2 Fl. 6 9 exigência de crédito tributário. Todavia, nada impede Requerê la em procedimento próprio. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição/compensação. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009) MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 10680.006962/200880, Relator(a) JOSE LUIZ BORDIGNON, Acórdão 3801000.984) Portanto é incontroverso o bom direito da Recorrente em relação à restituição dos recolhimentos indevidamente feitos a título de Cofins, no período de apuração em questão, haja vista que a presente lide administrativa tem como objeto principal a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento inconstitucional da base de cálculo da Cofins). Com efeito, como já tive a oportunidade de destacar em dissertação sobre o tema: Tanto a edição de leis inconstitucionais como a cobrança de tributos com base em tais leis tributárias inconstitucionais são atos ilícitos praticados pelo Poder Público. O primeiro constitui ilícito constitucional (edição de lei contrária aos dizeres da Constituição), enquanto o segundo Fl. 72DF CARF MF 10 caracteriza ilícito tributário (cobrança pelo Estado e consequente pagamento pelo contribuinte de tributo inválido). Lembrando que as normas jurídicas em sua feição completa são impreterivelmente dotadas de uma sanção em caso de descumprimento, aos citados atos ilícitos o ordenamento jurídico atrela as respectivas sanções: a declaração de inconstitucionalidade, com o objetivo de preservar a integralidade e coerência da ordem jurídica; e a restituição de tributos inconstitucionais, cuja função é conferir segurança jurídica e isonomia aos administrados. 3 Cumpre ainda salientar que à restituição de tributos inconstitucional, cuja natureza e regime jurídico são tributários, são totalmente aplicáveis as regras relativas às demais hipóteses de repetição de indébito dispostas no CTN (artigo 165 a 169). Entretanto, com relação ao quantum devido como restituição do tributo inconstitucional, compete à autoridade administrativa preparadora, com base na documentação apresentada pelo contribuinte no decorrer do processo administrativo, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Por fim, saliento que apurado o crédito, os valores originais devem sofrer correção pela incidência da SELIC, desde a data do pagamento indevido, como impõe o artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95, até a data do efetivo aproveitamento dos créditos pelo contribuinte. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, haja vista a necessidade de liquidação do julgado, nos termos descritos acima." (grifos no original) Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de COFINS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela empresa com fulcro no dispositivo inconstitucional da Lei n.º 9.718/98 (dentre as quais as receitas financeiras mencionadas pela Recorrente de "JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL" e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS")." Importante consignar que os documentos analisados no julgamento do paradigma (razão e planilha de apuração) encontram correspondência com os documentos juntados ao presente processo, variando apenas o período de apuração e os valores envolvidos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de PIS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela empresa com fulcro no dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98 (dentre as quais as receitas financeiras mencionadas pela Recorrente de "JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL" e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS"). 3 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13971.916305/201161 Acórdão n.º 3402003.929 S3C4T2 Fl. 7 11 assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720307/2008-70
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB-SP 210198, escritório Minatel Advogados.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Gustavo Froner Minatel, OABSP 210198, escritório Minatel Advogados. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 03 07 /2 00 8- 70 Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10865.720307/200870 Acórdão n.º 9101002.651 CSRFT1 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 120100.409, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. O Acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10865.720307/200870 Acórdão n.º 9101002.651 CSRFT1 Fl. 4 3 O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10865.720307/200870 Acórdão n.º 9101002.651 CSRFT1 Fl. 5 4 Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16366.000604/2006-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. DIREITO AO CRÉDITO.
Para fins de constituição de crédito da COFINS pela sistemática não cumulativa, deve-se analisar se determinado bem ou serviço prestado caracteriza-se como insumo. Para tanto, torna-se imperativo verificar a sua pertinência e essencialidade ao processo produtivo e atividade do sujeito passivo.
O que, por conseguinte, no caso vertente, resta concluir pela possibilidade de o sujeito passivo constituir créditos da Cofins não cumulativa sobre os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados nos veículos da empresa no transporte de matéria prima dos frigoríficos para a indústria e desta, após a industrialização para seus compradores e portos onde serão exportados, por serem tais serviços de transporte essenciais para a produção e atividade do sujeito passivo - industrialização e exportação.
NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE FRETE E CARRETO
A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
Somente se habilitam como insumos aptos a gerar créditos da não cumulatividade das contribuições da Cofins, serviços que sejam prestados e consumidos no processo produtivo da Empresa. Não cumprem tais requisitos aqueles serviços que sejam estranhos ao processo de produção.
BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRATAMENTO FISCAL.
O crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, apurado em função da ocorrência de exportação ou venda a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação, não consiste em receita da empresa, mas mera forma de incentivo fiscal concedido pelo Governo para desoneração das operações de exportação. O que, por conseguinte, deve-se afastar a tributação pela Cofins.
Numero da decisão: 9303-004.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para reconhecer o direito aos créditos de PIS e COFINS, exceto em relação aos combustíveis utilizados nos serviços de frete prestados pela a empresa a terceiros, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral; e os conselheiros Júlio César Alves Ramos e Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, que créditos presumidos de IPI são receitas não tributáveis, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Rodrigo da Costa Possas. Designado para redigir o voto vencedor, em relação aos combustíveis utilizados nos serviços de frete, o conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(assinado digitalmente)
Demes Brito
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. DIREITO AO CRÉDITO. Para fins de constituição de crédito da COFINS pela sistemática não cumulativa, deve-se analisar se determinado bem ou serviço prestado caracteriza-se como insumo. Para tanto, torna-se imperativo verificar a sua pertinência e essencialidade ao processo produtivo e atividade do sujeito passivo. O que, por conseguinte, no caso vertente, resta concluir pela possibilidade de o sujeito passivo constituir créditos da Cofins não cumulativa sobre os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados nos veículos da empresa no transporte de matéria prima dos frigoríficos para a indústria e desta, após a industrialização para seus compradores e portos onde serão exportados, por serem tais serviços de transporte essenciais para a produção e atividade do sujeito passivo - industrialização e exportação. NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE FRETE E CARRETO A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Somente se habilitam como insumos aptos a gerar créditos da não cumulatividade das contribuições da Cofins, serviços que sejam prestados e consumidos no processo produtivo da Empresa. Não cumprem tais requisitos aqueles serviços que sejam estranhos ao processo de produção. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRATAMENTO FISCAL. O crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, apurado em função da ocorrência de exportação ou venda a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação, não consiste em receita da empresa, mas mera forma de incentivo fiscal concedido pelo Governo para desoneração das operações de exportação. O que, por conseguinte, deve-se afastar a tributação pela Cofins.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para reconhecer o direito aos créditos de PIS e COFINS, exceto em relação aos combustíveis utilizados nos serviços de frete prestados pela a empresa a terceiros, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral; e os conselheiros Júlio César Alves Ramos e Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, que créditos presumidos de IPI são receitas não tributáveis, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Rodrigo da Costa Possas. Designado para redigir o voto vencedor, em relação aos combustíveis utilizados nos serviços de frete, o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Relatora (assinado digitalmente) Demes Brito Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. DIREITO AO CRÉDITO. Para fins de constituição de crédito da COFINS pela sistemática não cumulativa, devese analisar se determinado bem ou serviço prestado caracterizase como insumo. Para tanto, tornase imperativo verificar a sua pertinência e essencialidade ao processo produtivo e atividade do sujeito passivo. O que, por conseguinte, no caso vertente, resta concluir pela possibilidade de o sujeito passivo constituir créditos da Cofins não cumulativa sobre os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados nos veículos da empresa no transporte de matéria prima dos frigoríficos para a indústria e desta, após a industrialização para seus compradores e portos onde serão exportados, por serem tais serviços de transporte essenciais para a produção e atividade do sujeito passivo industrialização e exportação. NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE FRETE E CARRETO A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Somente se habilitam como insumos aptos a gerar créditos da não cumulatividade das contribuições da Cofins, serviços que sejam prestados e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 06 04 /2 00 6- 41 Fl. 584DF CARF MF 2 consumidos no processo produtivo da Empresa. Não cumprem tais requisitos aqueles serviços que sejam estranhos ao processo de produção. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRATAMENTO FISCAL. O crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, apurado em função da ocorrência de exportação ou venda a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação, não consiste em receita da empresa, mas mera forma de incentivo fiscal concedido pelo Governo para desoneração das operações de exportação. O que, por conseguinte, devese afastar a tributação pela Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar lhe provimento parcial para reconhecer o direito aos créditos de PIS e COFINS, exceto em relação aos combustíveis utilizados nos serviços de frete prestados pela a empresa a terceiros, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral; e os conselheiros Júlio César Alves Ramos e Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, que créditos presumidos de IPI são receitas não tributáveis, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Rodrigo da Costa Possas. Designado para redigir o voto vencedor, em relação aos combustíveis utilizados nos serviços de frete, o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 585DF CARF MF Processo nº 16366.000604/200641 Acórdão n.º 9303004.623 CSRFT3 Fl. 565 3 (assinado digitalmente) Demes Brito Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Apucacouros Indústria e Exportação de Couros S/A contra o Acórdão nº 330201.083, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, consignando acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO. INSUMOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Somente geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL A receita relativa ao crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, apurada em função da ocorrência de exportação ou venda a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação, deve ser contabilizada como receita operacional e oferecida à tributação do COFINS. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 586DF CARF MF 4 Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 DILIGÊNCIA. MATÉRIA DE DIREITO. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia cuja realização revelase prescindível para o deslinde da questão. Recurso Voluntário Negado. ” Irresignado, após apreciação da matéria pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, requerendo seu provimento em relação aos créditos glosados, bem como o ressarcimento dos créditos de IPI seja feito com a correção monetária pela taxa Selic, por tratarse de pagamento indevido. O apelo do sujeito passivo foi admitido integralmente, relativamente à discussão acerca do creditamento de Cofins relativo a gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de produtos acabados e à inclusão na base de cálculo da contribuição dos valores correspondentes ao crédito presumido de IPI, nos termos do Despacho de fls. 569/574 apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção em exercício à época. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, alegando, em síntese, ser inadequado entender por insumo os gastos com bens ligados supostamente “essenciais ao processo produtivo”, já que esse entendimento adota noção extremamente subjetiva. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso interposto pelo sujeito passivo. O que concordo com o exame feito em Despacho de fls. 569/574. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 16366.000604/200641 Acórdão n.º 9303004.623 CSRFT3 Fl. 566 5 No acórdão recorrido entendeuse que a condição para descontar o crédito da Cofins sobre combustíveis e lubrificantes é que eles sejam usados na fabricação de bens ou produtos e que, no presente caso, o gasto não gera direito ao creditamento eis que não são utilizados na fabricação ou produção. Enquanto nos acórdãos paradigma traz que o conceito de insumo abrange gastos com combustíveis e lubrificantes, vez que seria relacionado a gastos gerais de produção, no caso do primeiro paradigma, e a qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, no caso do segundo paradigma. E, quanto à discussão acerca da inclusão na base de cálculo da Cofins dos valores correspondentes ao crédito presumido de IPI, também foi comprovado o dissenso jurisprudencial. Sendo assim, resta comprovada a divergência jurisprudencial entre os arestos colacionados. As contrarrazões devem ser consideradas, pois tempestivas. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre a primeira discussão, que envolve os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito da Cofins trazida pela Lei 10.833/03 – para fins de se definir se o gasto com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículo da empresa no transporte de matéria prima dos frigoríficos para o seu estabelecimento industrial ou deste, para a industrialização, para seus clientes e portos onde são exportados, bem como os utilizados em fretes e carretos que são receitas de serviços sujeitas à Cofins geram crédito da contribuição à Cofins. Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Fl. 588DF CARF MF 6 Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, Fl. 589DF CARF MF Processo nº 16366.000604/200641 Acórdão n.º 9303004.623 CSRFT3 Fl. 567 7 porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos Fl. 590DF CARF MF 8 decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins Fl. 591DF CARF MF Processo nº 16366.000604/200641 Acórdão n.º 9303004.623 CSRFT3 Fl. 568 9 não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Fl. 592DF CARF MF 10 Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, pra tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de Fl. 593DF CARF MF Processo nº 16366.000604/200641 Acórdão n.º 9303004.623 CSRFT3 Fl. 569 11 propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e Fl. 594DF CARF MF 12 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 16366.000604/200641 Acórdão n.º 9303004.623 CSRFT3 Fl. 570 13 Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO Fl. 596DF CARF MF 14 CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na Fl. 597DF CARF MF Processo nº 16366.000604/200641 Acórdão n.º 9303004.623 CSRFT3 Fl. 571 15 impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É Fl. 598DF CARF MF 16 INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. O que, por conseguinte, entendo que deva ser reformada a decisão recorrida – eis que empregou o critério do IPI para fins de conceito de insumo a ser aplicável para fins de se analisar o direito ao crédito das referidas contribuições. Para melhor elucidar, importante considerar o art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/02 – com alterações posteriores, in verbis (Grifos meus): “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, Fl. 599DF CARF MF Processo nº 16366.000604/200641 Acórdão n.º 9303004.623 CSRFT3 Fl. 572 17 pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...]” Tal dispositivo traz que os gastos com combustíveis e lubrificantes “utilizados” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda devem gerar crédito da Cofins. O termo “utilizados” não pode ser interpretado de forma restritiva, por exemplo, como “consumido”, mas sim como “utilizados” na produção e prestação de serviço na acepção de serem tais combustíveis e lubrificantes essenciais para a atividade do sujeito passivo. É de se recordar que os combustíveis e lubrificantes em discussão, conforme notas de amostragem, são consumidos nos veículos da empresa no transporte de matéria prima dos frigoríficos para a indústria e desta, após a industrialização para seus compradores e portos onde serão exportados. E, ainda, utilizados em veículos da empresa que, por sua vez, presta ainda serviço de fretes e carretos. Relativamente aos serviços de fretes e carretos prestados pelo sujeito passivo, cabe trazer que o Estatuto Social da empresa traz que a Sociedade tem por objeto a exploração do ramo de indústria e comércio de couros e seus derivados, sebos, graxas e subprodutos, não fazendo referência a esse serviço. Não obstante, ainda que o sujeito passivo não tenha em seu Estatuto Social por objeto a prestação de serviço de transporte, foram anexados aos autos, junto à manifestação de inconformidade, cópia de alguns Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas, emitidos pela empresa, que atestam sua atuação neste ramo de serviço. Constatase, ainda, que a receita decorrente desta atividade se encontra registrada nos Balancetes mensais, anexados aos autos, na conta n° 3.6.01.01.00007 — "Prestação Serv. Fretes e Carretos". Fl. 600DF CARF MF 18 Em relação à omissão desse serviço no Estatuto Social, é de se trazer o respeito à autonomia da vontade das partes (sujeito passivo e terceiro contratante dos serviços), dando legitimidade dos atos o valor jurídico que merece. Sendo assim, independentemente de não constar tais serviços no objeto do Estatuto Social, é de se considerar como legítima tal prestação de serviço para a empresa. O que, por conseguinte, considerando que o sujeito passivo efetivamente prestou serviço de frete e carretos, tributando, inclusive, a receita pela Cofins, é de se aplicar, para fins de constituição de crédito dessa contribuição, o art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 – eis que o combustível e lubrificante foi utilizado e consumido “diretamente” nos veículos que serviram para a execução desse serviço. No que tange aos combustíveis e lubrificantes utilizados nos veículos da empresa no transporte de matéria prima dos frigoríficos para a indústria e desta, após a industrialização para seus compradores e portos onde serão exportados, vêse que tal transporte é essencial para a atividade do sujeito passivo. Ora, estamos tratando, conforme denominação da empresa, de Indústria e Exportação de Couros – ou seja, para a industrialização de couro e exportação do couro – é necessário e essencial que a empresa promova o transporte das matérias primas e produtos industrializados. Frisese tal entendimento o decidido pelo STJ quando da apreciação do REsp 1.235.979 – RS – que restou consignada a seguinte ementa: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS, LUBRIFICANTES E PEÇAS UTILIZADOS COMO INSUMOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ENTREGA DE MERCADORIAS VENDIDAS PELA PRÓPRIA EMPRESA. ARTS. 3º, II, DAS LEIS N. N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. O creditamento pelos insumos previsto nos arts. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 e da Lei n. 10.637/2002 abrange os custos com peças, combustíveis e lubrificantes utilizados por empresa que, conjugada com a venda de mercadorias, exerce também a atividade Fl. 601DF CARF MF Processo nº 16366.000604/200641 Acórdão n.º 9303004.623 CSRFT3 Fl. 573 19 de prestação de serviços de transporte da própria mercadoria que revende. 2. Recurso especial provido.” Proveitoso, assim, trazer que o ministro Mauro Campbell Marques considerou que, no caso, estão presentes todos os pressupostos para o creditamento ao pronunciar: “Tratase de combustíveis, lubrificantes e peças utilizados na prestação de serviços de transportes, serviços, estes componentes do objeto social da empresa e cujo custo é transferido para o elo subsequente na cadeia econômica e cujo faturamento sofre a tributação pelas contribuições ao PIS e Cofins não cumulativas”. Dessa forma, resta, nessa parte, dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Quanto à discussão acerca do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei 9.363/96, se seria base ao PIS e à Cofins, para melhor elucidar meu entendimento, transcrevo o voto vencido do acórdão recorrido redigido pelo ex Conselheiro Alexandre Gomes: “[...] Em relação a inclusão de valores relativos a créditos presumidos de IPI na base de cálculo da COFINS no mês de julho de 2006, assim se manifestou a decisão recorrida: Quanto à inclusão na base de cálculo da contribuição devida para o mês de julho, de valor registrado na contabilidade da empresa em conta representativa de receita a título de ressarcimento de IPI, a interessada alega que referido valor se refere a recuperação de crédito presumido de IPI e, como tal, não constitui receita da pessoa jurídica, conforme entendimento firmado pelo TRF da 4' Região. Registrese inicialmente que os documentos apresentados pelo contribuinte junto à manifestação de inconformidade não Fl. 602DF CARF MF 20 comprovam a origem da receita contestada, uma vez que se referem à cópia de decisões administrativas proferidas pela DRF/Londrina em agosto de 2004 reconhecendo, em nome da empresa interessada, direito creditório oriundo de crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9.363/96, apurado para o período de outubro a dezembro de 2003 e de janeiro a março de 2004. Já a receita incluída pela autoridade fiscal na base de cálculo do PIS foi escriturada na contabilidade da empresa no mês de julho de 2006, não havendo correspondência de datas nem de valores entre os créditos reconhecidos e a receita tributada. É de se estranhar também que a receita contabilmente reconhecida pela empresa em conta intitulada "ressarcimento de IPI" se refira de fato a crédito presumido de IPI, pois de acordo com o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 31 de março de 2004, abaixo transcrito, somente as pessoas jurídicas sujeitas à apuração cumulativa do PIS e da Cofins fazem jus ao referido crédito, não sendo este o caso do contribuinte. A Recorrente alega que os créditos presumidos de IPI referemse a apuração efetuada no 4º Trimestre de 2003 e 1º Trimestre de 2004 (somente do mês de janeiro de 2004) e teria sido calculado em período que não estava em vigor a Lei 10.833/03. E que estes créditos somente foram escriturados no mês de 07/2006, pois o pagamento pela Receita Federal somente ocorreu nesta data. Por fim, afirma que os valores relativos ao ressarcimento de crédito de IPI não estão sujeitos a incidência do PIS e da COFINS por não se constituírem receita da pessoa jurídica mas mera recomposição dos custos. Neste ponto também assiste razão a recorrente, pois de fato os ressarcimentos de créditos de IPI se caracterizam como mera recomposição dos custos existentes face a incidência das contribuições incidentes sobre os insumos adquiridos para a fabricação de produtos a serem exportados. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 16366.000604/200641 Acórdão n.º 9303004.623 CSRFT3 Fl. 574 21 Este entendimento segue a jurisprudência reiterada do STJ sobre o tema, citase: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI (LEI N. 9.363/96). IMPOSSIBILIDADE. 1. A jurisprudência desta Corte firmou seu entendimento no sentido de que as exações relativas ao PIS e à Cofins não incidem sobre os valores correspondentes ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n. 9.363/96. 2. Precedentes: REsp 1130033/SC, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 16.12.2009; AgRg no REsp 1059829/SC, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 4.11.2008; REsp 807.130/SC, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 21.10.2008; e REsp 1025833/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 17.11.2008. 3. Ademais, "ainda que se considerasse receita, incabível a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS porque as receitas decorrentes de exportações são isentas dessas contribuições" (REsp 807.130/SC, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 21.10.2008). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.075.961 RS (2008/01568603)) Neste contexto, indevida a inclusão na base de cálculo da COFINS dos valores relativos ao ressarcimento de créditos presumidos de IPI. Por fim, deixou de apreciar a questão relativa a inclusão da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de créditos da COFINS por ser matéria estranha aos autos e para que não haja supressão de instância. Assim, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, nos termos acima expostos, mantendo a decisão recorrida em relação aos demais temas por seus próprios fundamentos, nos termos do art. 50 § 1º da Lei 9.784/99.” Fl. 604DF CARF MF 22 Depreendendose da análise dos autos, concordo com o entendimento já pacificado proferido pelo STJ, vez que o crédito presumido do IPI não consiste em receita da empresa, mas mera recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo Governo para desoneração das operações de exportação. Vêse, ainda, que a análise do caso vertente, considerando sua especificidade, devese dar também observando os argumentos acolhidos pelo Colendo Supremo Tribunal Federal em recente julgado – Recurso Extraordinário 606.107 que tratou da incidência do PIS e COFINS sobre a transferência de saldos credores de ICMS. Eis que se enquadra perfeitamente ao presente caso. O Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou, na assentada de 22.5.2013, o RE 606.107, de relatoria da Ministra Rosa Weber, com repercussão geral reconhecida, definindo que os créditos de ICMS transferidos a terceiros por empresa exportadora não compõem a base de cálculo das contribuições para PIS e COFINS. Ao julgar o mérito desse RE, o Tribunal negou provimento à pretensão da União e definiu não incidirem as contribuições de PIS e de COFINS sobre créditos de ICMS transferidos a terceiros por empresas exportadoras. Não obstante o julgamento tenha tratado de empresa exportadora, impossível ignorar os fundamentos adotados, pois evidente válidos para o caso em questão. Sendo assim, retornando, temse que o Supremo Tribunal Federal afastou à época a cobrança das contribuições, baseando seu entendimento no fato de que tais créditos de ICMS representariam incentivo à exportação – e que não seriam passíveis de tributação pelas contribuições, pois se caracterizam como redução do custo econômico do ICMS – não se compreendendo, portanto, ao conceito de receita para fins de apuração desses tributos. Fl. 605DF CARF MF Processo nº 16366.000604/200641 Acórdão n.º 9303004.623 CSRFT3 Fl. 575 23 Compulsandose aos autos, o crédito presumido do IPI se resume em incentivo fiscal concedido pelo Governo para desoneração das operações de exportação. O que entendo, por óbvio, que tais créditos não seriam registrados como receita, em consonância com a fundamentação esposada pelo Supremo Tribunal Federal e com o entendimento já pacificado (do mesmo assunto) pelo STJ. Ora, insurgindo ao entendimento do Supremo Tribunal Federal no referido RE 606.107/RS de que o conceito constitucional de “receita bruta” pressupõe um “ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições” – o que, peço licença para transcrever o voto da Min. Rosa Weber, para melhor aclarar: “Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondências no passivo, vem acrescer seu vulto, como elemento novo e positivo. ” Em linha com o entendimento, notase que o crédito concedido não constitui “receita bruta” para fins da incidência das contribuições do PIS e da COFINS, pois não é concedido “sem reservas ou condições” e não representa elemento novo e positivo. Na mesma seara, ALIOMAR BALEEIRO no livro “Uma introdução é Ciência das Finanças” havia tratado tal conceito da mesma forma que o julgado no STF ao manifestar: "Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, MI, acrescer o seu vulto, como elemento novo e positivo. Frisese também o entendimento de Aires Barreto em seu artigo “A nova Cofins: primeiros apontamentos” contemplado na saudosa Revista Dialética de Direito Tributário: Fl. 606DF CARF MF 24 "receita é [...] a entrada que, sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, se integra ao patrimônio da empresa, acrescendoo, incrementandoo„". Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e darlhe provimento. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Demes Brito Redator Designado Com a devida vênia, divirjo da Ilustre Relatora Conselheira Relatora Tatiana Midori Migiyama, tocante ao direito a créditos de PIS/COFINS, em relação aos combustíveis utilizados nos serviços de frete prestados pela empresa a terceiros. Em outras oportunidades, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumo no Sistema de Apuração Não Cumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), todavia, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema Não Cumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou Fl. 607DF CARF MF Processo nº 16366.000604/200641 Acórdão n.º 9303004.623 CSRFT3 Fl. 576 25 classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve er incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o total das despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Fl. 608DF CARF MF 26 Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. No caso concreto, verifico que a Contribuinte não tem por objeto a prestação de serviço de transporte conforme dispõe o artigo 3° de seu Estatuto Social (fls. 478 a 485), e tão pouco comprovou os gastos suportados na aquisição de combustíveis efetivamente vinculados ao serviço de frete realizado a terceiros (fls. 521). Nada obstante, a Relatora do voto vencido sustenta que devese observar o princípio da essencialidade para definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento da Cofins não cumulativa. Compulsando os autos, verifico que a Contribuinte presta serviços de frete e carretos a terceiros, atividade estranha e sem nenhuma essencialidade ao seu objeto social, ademais, as despesas incorridas na aquisição de combustíveis relacionadas a tais serviços não foram comprovadas. Por outro lado, discordo do conceito de insumo empregado na decisão recorrida, considerando a utilização do critério do IPI para fins de analise ao direito a crédito da referida contribuição. Sem embargo, penso que o termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento da Cofins, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, entendo para que se mantenha o equilíbrio normativo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Fl. 609DF CARF MF Processo nº 16366.000604/200641 Acórdão n.º 9303004.623 CSRFT3 Fl. 577 27 Neste sentido, inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito da COFINS não cumulativa nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei n 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 610DF CARF MF 28 X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Deste modo, o conteúdo contido no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos da COFINS. Diferentemente do presente caso, o qual a Contribuinte prestava serviço de frete e carreto a terceiros, serviço estranho a sua atividade empresária, tendo em vista que os gastos incorridos na aquisição de combustíveis relacionados a tais serviços não foram comprovados. Portanto, por ausência de previsão legal, as despesas incorridas em combustíveis e lubrificantes para prestação de serviço de frete e carreto a terceiros, não geram direito a crédito da COFINS não cumulativa, pois as despesas aqui analisadas não cumprem os requisitos de essencialidade, fato que estão fora do processo produtivo. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como penso é como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 611DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.900043/2008-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA. PROVA INEQUÍVOCA.
Nos casos em que a existência do indébito, incluído em declaração de compensação, está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, deve ocorrer prova inequívoca por parte do contribuinte.
Numero da decisão: 3302-003.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Na votação realizada no mês de janeiro, por unanimidade de votos, foi rejeitada a alegação de impedimento dos conselheiros fazendários e a preliminar de nulidade do crédito tributário.
Por maioria de votos, na Reunião de março de 2017, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa prado, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA. PROVA INEQUÍVOCA. Nos casos em que a existência do indébito, incluído em declaração de compensação, está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, deve ocorrer prova inequívoca por parte do contribuinte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1582; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.900043/200890 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.732 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2017 Matéria PER/DCOMP COFINS Recorrente BANCO DO ESTADO DE SANTA CATARINA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA. PROVA INEQUÍVOCA. Nos casos em que a existência do indébito, incluído em declaração de compensação, está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, deve ocorrer prova inequívoca por parte do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Na votação realizada no mês de janeiro, por unanimidade de votos, foi rejeitada a alegação de impedimento dos conselheiros fazendários e a preliminar de nulidade do crédito tributário. Por maioria de votos, na Reunião de março de 2017, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa prado, que convertiam o julgamento em diligência. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 00 43 /2 00 8- 90 Fl. 416DF CARF MF 2 Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de processo, advindo de manifestação de inconformidade, cujo relatório é transcrito partir do relatório da Resolução nº 3802000.370, Relator Solon Sehn, fls. 166/167: Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos de fato e de direito resumidos na ementa a seguir transcrita (fls.138): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITOS PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. O acórdão recorrido reconheceu que houve retificação da Dctf após o despacho decisório. Todavia, entendeu que a retificação não teria o condão de fundamentar o direito de crédito, razão pela qual indeferiu o pedido. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 155 e ss., alega a existência de crédito capaz de fundamentar a compensação conforme Dcomp nº 20360.72083.141103.1.3.040038. Pleiteia o reconhecimento de um crédito original passível de compensação no valor de R$ 32.134,05 (fls. 39), relativo ao suposto pagamento a maior na competência outubro de 2002, cujo valor atualizado quando da transmissão seria de R$ 38.943,26 (fls. 04). Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10983.900043/200890 Acórdão n.º 3302003.732 S3C3T2 Fl. 3 3 É o Relatório. Ainda no que concerne às razões recursais, a Recorrente expôs o seguinte, fls. 155/161: i) A partir do advento da Circular Bacen n° 3.068/2001, as instituições financeiras obrigaramse na atualização dos Títulos e Valores Mobiliários de que fossem proprietárias, ajustados conforme a cotação de mercado (marcação a mercado); ii) No período acima citado, a Recorrente promoveu o oferecimento das receitas decorrentes dos ajustes positivos da marcação a mercado nas bases de cálculo do PASEP e da COFINS, rubrica 7.1.5.90.109, inseridas na receita bruta da empresa; iii) Ocorre que, posteriormente, observouse que o procedimento estaria em desconformidade com o art. 35 da Lei n° 10.637/2002, o qual previa considerar os ajustes da marcação a mercado somente quando da alienação dos títulos; iv) Assim, a Recorrente readequou a base de cálculo destas contribuições efetuandose a exclusão dos ajustes positivos a valor de mercado, conforme planilhas de apuração dos valores devidos, que foram acostadas à impugnação; v) O erro foi identificado e reprocessadas as bases de cálculo das referidas contribuições sociais, mas a empresa não retificou as declarações acessórias correspondentes (DIPJ e DCTF), evidenciandose incorretamente os débitos e créditos envolvidos. Apesar de não ter retificado a empresa transmitiu a DCOMP, objeto do processo administrativo em baila; vi) Em fevereiro/2008, a empresa foi cientificada a respeito do despacho decisório relativo à compensação declarada, no qual não foi reconhecida a suficiência do crédito a suportar o integral pagamento dos débitos declarados. Em decorrência, na manifestação de inconformidade da empresa, reconheceuse o equívoco consubstanciado na não retificação da DIPJ e DCTF respectivas, ao passo que foram comprovadas a correta apuração e contabilização dos tributos, juntandose, para tanto, planilhas de apuração e controle dos tributos, planilhas demonstrativas e atualização do crédito de pagamento a maior, razão contábil da conta 7.1.5.90.109; vii) Alega que o princípio da verdade material rege o processo administrativo e pleiteia pela nulidade da decisão de primeira instância, pois declarou a necessidade de retificação e o referido pedido foi ignorado pela DRJ/Florianópolis; viii) Colaciona uma série de precedentes, que demonstram que mesmo sem a retificação, se o contribuinte faz jus ao crédito, este deve ser deferido. O feito foi convertido em diligência nos seguintes termos, fls. 168: Devido às particularidades do caso concreto, sobretudo em razão do volume da escrituração fiscal e contábil de uma instituição bancária, entendese que o julgamento deve ser convertido em diligência, para que a unidade de origem informar, intimando o contribuinte se entender necessário: a) a diferença entre o valor recolhido aplicandose o regime de competência e o efetivamente devido quando da alienação do Fl. 418DF CARF MF 4 título (momento da ocorrência do fato gerador), na forma do art. 35 da Lei n° 10.637/2002; b) se houve pagamento de crédito tributário por ocasião da efetiva alienação dos títulos e valores mobiliários, instrumentos financeiros, derivativos e itens objeto de “hedge”, informando a data, valor e base de cálculo. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Preliminar 2.1. Princípio da verdade material e do pedido de nulidade da primeira instância A Recorrente alega que deve ser observado o princípio da verdade material, onde a realidade dos fatos deve prevalecer sobre a verdade formal. Ela alega que houve supressão de instância no julgamento por parte da DRJ/Florianópolis, uma vez que os documentos não foram analisados e que ficou afastado também o princípio do livre convencimento motivado do julgador. A decisão da DRJ/Florianópolis caminhou no sentido da impossibilidade de considerar a homologação da DCOMP, pois, no caso em análise, a retificação da DCTF ocorreu após o despacho decisório. Ora, tal foi o posicionamento do julgador, justamente, pela observância do princípio do livre convencimento motivado. Vide trecho da decisão abaixo, fls. 141: De se ressaltar, por fim, que não se discorda aqui de que, em regra, erros no preenchimento de declarações não podem se sobrepor à realidade dos fatos. Ocorre, porém, que é preciso diferenciar aquelas declarações que meramente “informam” algo à Administração Tributária, daquelas – como a DCTF – que para além do caráter informativo servem à conformação de situações jurídicas. Como acima se viu, os valores devidos declarados em DCTF têm o vigor de confissão de dívida, razão pela qual só se pode admitir sua retificação por parte do próprio contribuinte nas condições e prazos legalmente postos, não sendo lícito à autoridade fiscal produzir alterações de ofício no que foi declarado. Assim, mesmo concordandose com a posição de que erros formais não devem prevalecer sobre a verdade dos fatos, certo é que, do ponto de vista estrito da legislação tributária, a confissão de dívida, materializada pela declaração de débitos na DCTF, não pode ser tida como uma questão meramente formal. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10983.900043/200890 Acórdão n.º 3302003.732 S3C3T2 Fl. 4 5 Não há, portanto, como acatar aqui as razões postas pela contribuinte. Em face da demonstrada impossibilidade de validar a compensação efetuada antes da retificação da DCTF, deixase de apreciar aqui as razões trazidas pela contribuinte com o fim de demonstrar a existência integral de seu crédito contra a Fazenda Nacional. É que independentemente da existência ou não desse crédito, ele não foi utilizado de forma regular no procedimento que aqui se discute ( o que não significa que tal eventual crédito possa ser utilizado em outro procedimento compensatório, posterior à retificação da DCTF, formalizado dentro do prazo legal de repetição). Nula seria a decisão, caso ela não tivesse enfrentando os argumentos, opostos pela contribuinte, o que não foi o caso. Portanto, improcedente o argumento de nulidade da decisão. 3. Mérito No mérito, o cerne da controvérsia cingese a duas questões. A primeira, diz respeito à impossibilidade de validar/homologar a compensação antes da retificação DCTF. A segunda, referese à falta de comprovação da parcela do crédito não reconhecido e utilizada na compensação não homologada. 3.1. Da impossibilidade da compensação Segundo o voto condutor do julgado recorrido, o motivo apresentado pela Turma de julgamento a quo, para manter a não homologação parcial da compensação em apreço, foi a “impossibilidade de validar a compensação efetuada antes da retificação da DCTF”, baseada nos seguintes argumentos, in verbis, fls. 140: No caso concreto que aqui se tem, a contribuinte, na data de apresentação da DCOMP, não havia retificado a DCTF, documento no qual, como é sabido, são declarados, com força de confissão de dívida, os valores dos tributos devidos. Assim, não se pode dizer que, naquele momento, tivesse existência jurídica o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pela contribuinte, motivo pelo qual a não homologação promovida pela DRF/Joinville/SC foi correta. O fato de a contribuinte vir a, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, retificar formalmente a DCTF, não tem o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por DCOMP pois, como se viu, a existência do indébito só teria se aperfeiçoado bem depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), ela só pode ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional); ora, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida (em termos tanto de Fl. 420DF CARF MF 6 liquidez, quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF. (grifos não constam no original) Os argumentos apresentados pela Recorrente não procedem, pois, embora a compensação tenha sido efetivada antes da entrega da DCTF retificadora, ocorrida no dia 30/07/2004, ao contrário do asseverado pelo nobre Relator do voto condutor do julgado recorrido, a dita DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência do despacho decisório, que ocorreu no dia 28/2/2008, e o titular da unidade Receita Federal de origem não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada com base nos dados da referida DCTF retificadora, o que se constata mediante a comparação dos dados apresentados no Despacho Decisório de fls. 134 e com os dos dados apresentados nos extratos de fls. 175/177. Da simples leitura do questionado Despacho Decisório, verificase que o real motivo da não homologação da compensação foi a falta de comprovação da correspondente parcela do valor do crédito utilizado. Dessa forma, por também entender que o motivo da denegação parcial da compensação foi a falta de comprovação de parcela do direito creditório, afastase a alegada impossibilidade e passase a analisar os elementos as provas carreadas aos autos. 3.2. Do resultado da diligência A partir da análise da manifestação à informação fiscal por parte da Recorrente, verificase, a partir do resultado, que não há direito ao crédito, por ela pleiteado. Ela afirma que foi incluído a mais na base de cálculo referente à apuração dos ajustes positivos ao valor de mercado a quantia de R$ 1.071.134,69 outubro/2002. Posteriormente, afirma que foi apurado o valor de R$ 934.305,56 referente à COFINS, sendo que, quando houve a correção pela exclusão do ajuste positivo, o valor devido seria de R$ 902.171,51, o que lhe renderia um crédito de R$ 32.134,05. A Recorrente somente juntou cópia dos balancetes, mas, em momento algum, fez, efetivamente, prova cabal da base de cálculo em questão, sendo que o ônus da prova lhe compete1. Diferente, portanto, é o contido no relatório de informação fiscal nº 780/2015/DIORT/DRF/BSB, fls. 360/361: 7. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal (fls. 175/177), confirmouse, em primeiro lugar, o pagamento no valor de R$ 742.001,29, tendo sido alocado ao respectivo débito declarado em DCTF, em conformidade com o despacho decisório de nº de rastreamento 745558632, emitido em 14/02/2008 (fls. 134). 8. Ademais, notase a existência de duas DCTF para o período em análise (4º trimestre/2002): a original, entregue em 24/01/2003; e a retificadora, entregue em 30/07/2004, após, portanto, a apresentação da presente Dcomp. Não obstante, o que importa observar acerca do crédito pleiteado é que o valor 1 Lei nº 13.105 Código de Processo Civil Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10983.900043/200890 Acórdão n.º 3302003.732 S3C3T2 Fl. 5 7 do débito confessado na DCTF retificadora não coincide com o valor apurado pela Interessada, conforme parágrafo 6, razão pela qual a compensação não foi homologada, por inexistência de crédito. 9. Com o objetivo de subsidiar os trabalhos, de modo a confirmar ou refutar as alegações descritas no parágrafo 6 desta Informação, a Contribuinte foi intimada em 29/07/2015, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 531/2015 (fls. 178/179), a apresentar documentos e informações nos termos requeridos pelo Carf. 10. Ocorre que em sua resposta (fls. 181/358) a Interessada limitouse a apresentar documentos e informações já juntados aos autos por ocasião da manifestação de inconformidade, com exceção do balancete geral analítico (fls. 307/321) que mostra apenas a conta, com valor respectivo, em que foi registrado o ajuste positivo ao valor de mercado. Cabe notar que os supostos balancetes de fls. 323/336 nada revelam, pois, não há identificação do período a que se referem. 11. No que diz respeito ao solicitado no item “b” do parágrafo 4 desta Informação, a Interessada apresentou a planilha de fls. 183, informando que houve alienação de títulos nos meses de maio, junho, julho e agosto, todos de 2003. Entretanto, tratase de simples informação, sem que esteja acompanhada de elementos de prova. 12. Assim sendo, tendo em vista que não foram devidamente comprovados os valores referidos no parágrafo 6, em especial a base de cálculo da Cofins efetivamente devida em outubro/2002, por meio de apresentação de documentação contábil idônea, nada se pode afirmar acerca da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (grifos não constam no original) Portanto, não há nos autos, nem posteriormente à diligência, tendo em vista que não foram devidamente comprovados os valores referidos no parágrafo 6, em especial a base de cálculo da COFINS efetivamente devida em outubro/2002. Diante da falta de prova, mantémse a decisão que indeferiu o pleito da Recorrente. 4. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, rejeitando a preliminar arguida e, no mérito, indefiro o provimento. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 422DF CARF MF 8 Fl. 423DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727323/2015-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. É indispensável a presença cumulativa desses dois requisitos para fazer jus à isenção.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Relatora), Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Cecília Dutra Pillar.
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. É indispensável a presença cumulativa desses dois requisitos para fazer jus à isenção. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 73 23 /2 01 5- 08 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10166.727323/201508 Acórdão n.º 2202003.633 S2C2T2 Fl. 80 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Relatora), Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Cecília Dutra Pillar. Relatório Tratase de notificação de lançamento de IRPF (fls. 36/40), relativa ao ano calendário 2012, exercício 2013, por omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte, CNPJ 04.892.707/000100, no valor de R$ 70.474,88. Na impugnação (fls. 02/11), o Contribuinte alegou que havia declarado esse montante como isento, sob a justificativa de ser portador de doença de Parkinson desde 2010. Citou jurisprudência do Poder Judiciário e trouxe aos autos os documentos de fls. 12/28. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília (DF), às fls. 56/59, negou provimento à impugnação pelo fato do contribuinte ter se aposentado por invalidez em 07/11/2013 (documento de fls. 26) e os rendimentos considerados omitidos se referem ao anocalendário de 2012. Inconformado, o sujeito passivo interpôs o recurso voluntário de fls. 68/72, alegando que apesar de sua aposentadoria ter sido publicada em 07/11/2013, desde 2010 foi afastado do trabalho e submetido a diversos procedimentos periciais, conforme laudos médicos anexados, que davam o paciente como incapaz para o exercício de seu trabalho. Cita jurisprudência do TRF da 4ª Região, que diz demonstrar que o doente de mal de Parkinson tem direito à isenção desde o acometimento da moléstia grave. Diz que essa isenção é cabível desde que a pessoa se enquadre isolada ou cumulativamente na disposição do art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88, ou seja, mesmo sem estar aposentado, mas tãosomente afastado do trabalho em licença de saúde atestado pelos laudos médicos oficiais. Acrescenta que o indivíduo portador desse doença tem isenção de ICMS e IPI na aquisição de veículo. É o relatório. Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10166.727323/201508 Acórdão n.º 2202003.633 S2C2T2 Fl. 81 3 Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, conforme Lei nº 7.713/1998 e Súmula CARF nº 63, a seguir: Lei nº 7.713/1988 : Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (destaquei) Súmula CARF Nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso em análise, é incontroverso que a aposentadoria por invalidez do contribuinte foi concedida em 07/11/2013, conforme Portaria às fls. 26. O argumento do recorrente se concentra na afirmação de que são isentos do imposto de renda os rendimentos recebidos por portador de moléstia grave, ainda que não provenientes de aposentadoria, quando a doença já foi diagnosticada e a pessoa está impossibilitada de exercer suas atividades laborais. Entretanto, nos termos do art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), há que se interpretar literalmente a legislação de outorga de isenção, conforme abaixo: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; (...) Assim, como a isenção concedida pelo inciso XIV, art. 6º, da Lei nº 7.713/88, exige que os proventos sejam de aposentadoria e que a pessoa seja portadora de uma das moléstias relacionadas naquele dispositivo, a falta de um desses requisitos impede o reconhecimento do direito ao benefício fiscal. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10166.727323/201508 Acórdão n.º 2202003.633 S2C2T2 Fl. 82 4 Mencionase ainda que, embora a decisão do Tribunal Regional Federal da 4º Região (citada pelo contribuinte) obrigue apenas as partes nela envolvidas, naquela situação o interessado já estava aposentado/reformado quando do diagnóstico de sua doença, conforme trecho do referido julgado extraído do sítio do TRF4 na Internet e abaixo transcrito, não se amoldando ao caso em análise o exemplo trazido pelo recorrente: Voto (...) Dessa forma, preenche o autor as condições necessárias para que seja concedida a isenção ora combatida. A sua enfermidade restou comprovada por meio de laudo pericial (fls. 14 e 18) realizado por médico do Exército Brasileiro, reconhecendo que "é portador de doença especificada na Lei 7.713/88", desde 9 de junho de 2005. (...) Por conseguinte, estando o autor já aposentado/reformado em razão de idade limite desde 1996, não existem motivos para conceder outra aposentadoria/reforma em razão do acometimento de doença incapacitante e, 2005. (...) (TRF4, APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.71.10.0017700/RS) (Grifo nosso) Acrescentase também que a isenção de ICMS e IPI para portadores de deficiências físicas ou mentais não se confunde com a isenção de imposto de renda sobre rendimentos de aposentadoria recebidos por portadores de moléstia grave, visto que se tratam de isenções regradas por legislações distintas. Por fim, em razão do descumprimento da exigência legal de que os valores recebidos sejam de aposentadoria, o que já impede o reconhecimento da isenção, deixase de apreciar os documentos relacionados à demonstração da moléstia grave. Dessa forma, como não restou confirmado o direito do contribuinte à alegada isenção, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10166.727323/201508 Acórdão n.º 2202003.633 S2C2T2 Fl. 83 5 Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.721967/2013-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
JUROS SOBRE MULTA- Em conformidade com o art. 61 da Lei 9430/96, é legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2401-004.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em conhecer dos embargos de declaração quanto aos juros sobre multa de ofício. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Carlos Alexandre Tortato
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 19 67 /2 01 3- 47 Fl. 1219DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em conhecer dos embargos de declaração quanto aos juros sobre multa de ofício. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Carlos Alexandre Tortato (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 10880.721967/201347 Acórdão n.º 2401004.543 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Embargos Declaratórios interpostos em 23/08/2016 pela contribuinte em face do Acórdão 2401004.344 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária que negou provimento ao Recurso Voluntário. A ciência da decisão embargada ocorreu em 18/08/2016. O crédito tributário deste processo resultou do não recolhimento de imposto de renda sobre o lucro na alienação por incorporação de ações. A contribuinte entende não ser devido o tributo porque não teria havido a efetiva venda das ações e, portanto, não teria ocorrido a realização do lucro. Alega ainda que a autoridade fiscal considerou um custo menor para as ações e, também, que teria direito à isenção concedida pelo Decreto Lei 1510/76. Na decisão embargada concluiuse que não existe, na legislação, norma isentiva para tal tipo de situação. Mais ainda, que o DecretoLei 1.510/76 fora revogado expressamente pelo art. 58 da Lei 7.713/88. Observase que o custo médio das ações, utilizado para o cálculo do ganho de capital, foi informado pela própria contribuinte, conforme resposta ao Termo de Intimação Fiscal n. 3. Ademais, não houve qualquer correção no custo das ações conforme informações constantes das DIRPF´s da embargante. A Embargante alegou que o julgado apresentava omissões, conforme a seguir. Primeira omissão: não teria sido analisado o questionamento relativo a se considerar substituição de ações como permuta de bens sem torna, situação na qual não haveria a caracterização de ganho de capital. Segunda omissão: não teria sido analisada a argumentação da recorrente relativamente a aplicabilidade do art. 2 da Lei 7.713/1988, que prevê que o imposto de renda incide somente quando a renda for efetivamente recebida pelo beneficiário. Alega que, por esse artigo, ainda que as ações da companhia incorporadora fossem recebidas e registradas a um custo superior, não haveria que se falar na incidência de IRPF, pois não teria havido a realização da renda. Terceira omissão: não teria sido analisado o caso do aumento de capital resultante da incorporação de lucros apurados ou de reservas constituídas com estes lucros, no qual o custo de aquisição das ações detidas será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado que corresponder ao acionista beneficiário. Tal incremento deixou de ser adicionado nas DIRPF´s da embargante, e reduziriam o valor do registro do custo do investimento. A contribuinte teria juntado aos autos relatório elaborado por contador independente que teria sido completamente desconsiderado na decisão. Quarta omissão: não teria sido analisado o pedido referente a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre multa. É o relatório. Fl. 1221DF CARF MF 4 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora Os Embargos Declaratórios foram interpostos tempestivamente. O artigo 1022 do novo Código de Processo Civil Brasileiro disciplina a possibilidade de interposição de embargos, conforme a seguir. Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: I esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; II suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; III corrigir erro material. A contribuinte busca através de embargos, rediscutir a questão posta no processo. Em que pese a irresignação da contribuinte, entendo que a decisão está devidamente justificada com os parâmetros legais que a embasaram. Não cabem embargos para rediscutir a lide apenas porque a Turma julgadora não adotou os parâmetros legais alegados pela recorrente. No caso, os motivos da decisão da turma estão expressos no acórdão e não se vislumbra possibilidade de embargos, exceto por omissão do último item do recurso, qual seja o afastamento do juros sobre a multa de ofício que, segundo a embargante, ofenderia a legislação pátria e o princípio da segurança jurídica. Passo assim a analisar a argumentação da contribuinte sobre o pedido de afastamento dos juros sobre a multa de ofício. O art. 61 da Lei 9430/1996, a seguir transcrito, dispõe sobre a ocorrência de juros sobre o crédito tributário não pago no prazo previsto na legislação. Assim, sem razão a contribuinte quanto a essa alegação feita no Recurso Voluntário. Lei 9430/1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 10880.721967/201347 Acórdão n.º 2401004.543 S2C4T1 Fl. 4 5 mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Nesse sentido, também já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça conforme jurisprudência a seguir colacionada. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). Desta forma, voto por conhecer dos embargos no que se refere à omissão do julgado sobre o questionamento pela não incidência de juros sobre multa de ofício (contida no Recurso Voluntário) e, no mérito, nego acolhimento. (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins. Fl. 1223DF CARF MF 6 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Divirjo da Relatora no ponto específico da incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, consoante as razões que apresento a seguir. A Recorrente pleiteia a exclusão da incidência dos juros de mora (TAXA SELIC) sobre o montante devido a título de “multa de ofício”. Entendo que a Recorrente tem razão, posto que não há previsão legal que albergue a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. O fundamento legal que supostamente dá abrigo à incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício é o artigo 61, § 3º, da Lei nº. 9.430/96, contudo, entendo não ser esta a melhor interpretação. Eis a redação: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O caput do referido artigo é bastante claro: “Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal [...]”. O § 3º estabelece a incidência dos juros de mora sobre os débitos “a que se refere este artigo”. Para se defender a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, temse que entender ser esta “decorrente de tributos e contribuições”. Ora, as multas de ofício não são débitos decorrentes de tributos, pois são penalidades que decorrem de punição aplicada pela fiscalização quando verificadas as seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo para tal; e b) falta de declaração e declaração inexata. Incorridas alguma dessas condutas, surge o direito da fiscalização de imputar ao contribuinte a multa de ofício, nos termos do artigo 44 da Lei nº. 9.430/96 (redação atual): Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 10880.721967/201347 Acórdão n.º 2401004.543 S2C4T1 Fl. 5 7 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Assim, entendo que a incidência dos acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei nº. 9.430/96 se dá sobre “débitos decorrentes de tributos e contribuições”, ao passo que a multa de ofício não decorre de tributos ou contribuições, mas sim do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo. Ainda, destacase que o art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional é frequentemente usado como fundamento para autorizar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Do mesmo modo, entendo que o referido dispositivo legal não autoriza esta incidência, posto que a previsão ali contida está condicionada a edição de uma lei específica regulando a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Portanto, discordo do entendimento do ilustre Relator apresentando as razões pela qual afasto a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, posto que tanto o artigo 61, § 3º, da Lei nº. 9.430/96, quanto o art. 161, do CTN, não são fundamento legal apto a permitir tal incidência. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato. Fl. 1225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.720156/2011-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/05/2008
REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR.
Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.399
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/05/2008 REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado.
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 01 56 /2 01 1- 00 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 12448.720156/201100 Acórdão n.º 3401003.399 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração, para exigência de multa, com base no arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800/2007 e arts. 37 e 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, referente ao fato gerador de 29/05/2008, conforme quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) do Auto de Infração, no qual restou consignado, em síntese que: a realização da desconsolidação deve ser feita até o registro da atracação no porto de destino, pois é o porto de referência para este tipo de operação, sendo esse o limite temporal imposto e vigente para a data do fato gerador em referencia; no caso, não há dúvida quanto à materialidade do fato, qual seja, a não apresentação de informação na forma e no prazo definido pela legislação aduaneira; o art. 50, da IN RFB n° 800/2007, fixando que: o prazo (48 horas antes da atracação no porto de destino) de antecedência previsto no art. 22 desta IN somente será obrigatório a partir de 1° de abril de 2009 (Redação dada pela IN RFB n° 899/2008), não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais, nos termos do parágrafo único, do mesmo art. 50. A decisão de primeira instância, foi pela improcedência da impugnação, nos termos do Acórdão 08032.309. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a recorrente apresentou o recurso voluntário, alegando, em síntese: (a) a inobservância do art. 50, da IN RFB nº 800/2007, sobre os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal do Brasil entraram em vigor apenas em 1º de abril de 2009, estando dispensada de tal obrigação por ocasião dos fatos (29/05/2008) que deram ensejo à autuação, pois, na condição de agente de carga, não lhe são aplicáveis as disposições sobre transportador de carga do parágrafo único do referido art. 50; (b) ao definir a impugnante, agente de carga, como transportadora, distorceuse conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN; (c) tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.381, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.006616/201054, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.381): Fl. 85DF CARF MF Processo nº 12448.720156/201100 Acórdão n.º 3401003.399 S3C4T1 Fl. 4 3 "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de Auto de Infração, lavrado para exigência de multa no valor de R$ 5.000,00, do art. 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, referente ao fato gerador de 11/09/2008, com base no arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800/2007. A Recorrente defende que as disposições do art. 22, da IN RFB nº 800/2007, não são aplicáveis ao caso em exame, visto que os fatos datam de setembro de 2008 e os efeitos do artigo citado ocorreram somente após 1º de abril de 2009, na forma do caput do artigo 50, da mesma IN, com redação dada pela IN RFB nº 899/2008. Entretanto, foi correta a fiscalização ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único, do artigo 50, da IN RFB nº 800/2007, cuja redação segue abaixo: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. O art. 50, da IN RFB nº 800/2007, não eliminou a exigência de prazo para a prestação das informações até 1º de abril de 2009, apenas permitiu que os dados exigidos fossem fornecidos com menor antecedência, no caso, ao invés das 48 horas antes da atracação no porto de destino, o limite temporal é até o registro da atracação no porto de destino. Vejase que, o parágrafo único, do artigo 50, da IN RFB nº 800/2007, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22, da IN RFB nº 800/2007, “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais. Assim como, os arts. 3º e 5º, da IN RFB nº 800/2007, afirma referirse a transportador, abrangendo o agente de carga: "Seção II Da Representação do Transportador Fl. 86DF CARF MF Processo nº 12448.720156/201100 Acórdão n.º 3401003.399 S3C4T1 Fl. 5 4 Art. 3º O consolidador estrangeiro é representado no País por agente de carga. [...] Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga " (grifei) Por outro lado, tanto o transportador, quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere a ora Recorrente, por força do caput e § 1º do art. 37, do Decretolei nº 37/66, com redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, têm o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos por ela estabelecidos. Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Tendo em vista que a embarcação atracou em 08/09/2008 e a Recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga em 11/09/2008, não houve respeito aos prazos de antecedência previstos na legislação de regência em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, não há como afastar a multa aplicada, pois, esta decorre de lei específica, dispondo expressamente aplicarse ao agente de carga, na forma do artigo 107, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; (...) [grifei] Assim, penso que a presente exigência fiscal, cujo objetivo é desestimular o descumprimento das obrigações aduaneiras, resulta de adequada subsunção dos fatos às normas que regem a matéria, de modo que não vislumbro argumentos capazes de invalidar o presente auto de infração. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 12448.720156/201100 Acórdão n.º 3401003.399 S3C4T1 Fl. 6 5 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a exigência fiscal." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.000498/2010-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
SEGURO DE VEICULOS - AQUISIÇÃO DE CARTEIRA DE CLIENTES - NEGÓCIO DE FATO RECONHECIDO PELA FISCALIZAÇÃO - POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO NO MESMO EXERCÍCIO - IRRELAVÂNCIA DO PRAZO ESTABELECIDO NO CONTRATO - INTEPRETAÇÃO DO NEGÓCIO A FAVOR DO CONTRIBUINTE
No pressuposto utilizado pela autoridade fiscal autuante de que o negócio entabulado limitou-se a aquisição dos direitos inerentes a uma carteira de clientes, assim os artigos 324, e 325, I, c, do RIR/99 permitiriam que o custo de aquisição fosse amortizado no prazo estipulado em cada um dos contratos. Tratando-se de seguros de veículos, o padrão vigente é de contratos com duração de um ano.
Ou o ativo adquirido é intangível amortizável no prazo dos contratos de seguros adquiridos, ou, a quem entender não aplicável o art. 325, I, c, do RIR/99, é custo dos direitos de crédito adquiridos, devendo ser levado ao resultado em confronto com a receita respectiva (princípio da confrontação das despesas com as receitas e com os períodos contábeis). O que não se admite é entender que tal custo não venha a compor os resultados apurados pelo contribuinte, tachando-o de indedutível.
O valor efetivamente deduzido pelo contribuinte na apuração de seus resultados foi menor do que se tivesse adotado a forma preconizada pela autoridade fiscal (aquisição de carteira de clientes)
Numero da decisão: 1402-002.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos em primeira votação do recurso voluntário os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Paulo Mateus Ciccone e Luiz Augusto de Souza Gonçalves que negavam-lhe provimento por entender que a operação sob exame corresponderia a uma aquisição de ativos sem possibilidade de gerar ágio dedutível. Designado o Conselheiro Demetrius Nichele Macei para redigir o voto vencedor da primeira votação. O Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto apresentará declaração de voto.
ASSINADO DIGITALMENTE
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
]
ASSINADO DIGITALMENTE
Demetrius Nichele Macei - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Tratandose de seguros de veículos, o padrão vigente é de contratos com duração de um ano. Ou o ativo adquirido é intangível amortizável no prazo dos contratos de seguros adquiridos, ou, a quem entender não aplicável o art. 325, I, “c”, do RIR/99, é custo dos direitos de crédito adquiridos, devendo ser levado ao resultado em confronto com a receita respectiva (princípio da confrontação das despesas com as receitas e com os períodos contábeis). O que não se admite é entender que tal custo não venha a compor os resultados apurados pelo contribuinte, tachandoo de indedutível. O valor efetivamente deduzido pelo contribuinte na apuração de seus resultados foi menor do que se tivesse adotado a forma preconizada pela autoridade fiscal (aquisição de carteira de clientes) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos em primeira votação do recurso voluntário os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Paulo Mateus Ciccone AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 04 98 /2 01 0- 48 Fl. 2940DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 762 2 e Luiz Augusto de Souza Gonçalves que negavamlhe provimento por entender que a operação sob exame corresponderia a uma aquisição de ativos sem possibilidade de gerar ágio dedutível. Designado o Conselheiro Demetrius Nichele Macei para redigir o voto vencedor da primeira votação. O Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto apresentará declaração de voto. 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A irregularidade tributária decorreu da indevida amortização de despesas com ágio. decorrente da aquisição pela fiscalizada da carteira de seguros de veículos da HSBC Seguradora. O histórico das operações analisadas assim se desenvolveu: 1. A HSBC Seguros de Automóveis e Bens S.A. CNPJ 07.470.3551000193 foi criada em 19 de janeiro de 2005 sob a denominação de HSBC Seguros Gerais (Brasil) S.A. pelos contribuintes HSBC Seguros Brasil S.A. CNPJ 76.538.446/000136 e HSBC Capitalização Brasil S.A. CNPJ 33.602.0531000194, detentores de 100% de suas ações ordinárias capital social inicial de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais) — fls. 122 sendo que consta 01 de Julho de 2005 como data de abertura no cadastro de CNPJ, já com a nova denominação; 2. A HSBC Seguros de Automóveis e Bens recebeu da HSBC Seguros Brasil, por força de cessão onerosa a carteira então existente de seguros de automóveis e demais ramos chamados "elementares" então de titularidade da HSBC Seguros Brasil, já com o objetivo da transação de alienação supracitada, conforme noticias de imprensa — fls. 42 e 43 e preâmbulo do Contrato de Compra e Venda de Ações entre os grupos HSBC (vendedores) e HDI (compradores), de 14 de Julho de 2005; 3. Este mesmo Contrato de 14 de Julho de 2005, lavrado com cláusulas de condição suspensiva e resolutiva, estabeleceu a transferência da totalidade do controle acionário da HSBC Seguros de Automóveis e Bens S.A. para a HDI Seguros S/A,CNPJ 29.980.1581000157 e outro acionista pessoa física pelo valor de R$ 300.000.000,00 (trezentos milhões de reais), transferência esta a ser efetivada em 30 de Novembro de 2005. 4. Em 10 de Agosto de 2005 a HSBC Seguros de Automóveis e Bens S.A. promoveu o aumento de seu capital social para R$ 85.000.000,00 (oitenta e cinco milhões de reais), conforme AGE ; 5. Em 30 de Novembro de 2005, em decorrência de Termo Definitivo de Fechamento— Compra e Venda de Ações de Emissão da HSBC Seguros de Automóveis e Bens S.A. — ações estas então de propriedade dos acionistas indicados no item 1 deste tópico, ocorreu a concretização da transferência do seu controle acionário em favor da HDI Seguros S.A. e outras deliberações, tais como a alteração da denominação social da HSBC Seguros de Automóveis e Bens S.A para HDI Seguros de Automóveis e Bens S.A., alteração de endereço, consolidação de estatutos sociais e eleição de nova Diretoria; e: 6. Em 01 de Abril de 2006, em Assembléias Gerais Extraordinárias de ambas foi efetivada a incorporação da antiga HSBC Seguros de Automóveis e Bens S.A., já sob a nova denominação de HDI SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS S/A., CNPJ Fl. 2942DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 764 4 07.470.3551000193, pela agora fiscalizada HDI SEGUROS S/A., CNPJ 29.980.1581000157. Instruem estas atas Protocolo e Justificação de Incorporação datado de 20 de Março de 2006 e Laudo de Avaliação de lavra de KPMG Auditores Independentes datado de 23 de Março de 2006; O valor da transação estabelecido no Contrato de Compra e Venda de Ações, de 14 de Julho de 2005 foi de R$ 300 .000.000,00 (trezentos milhões de reais ), pagos em duas parcelas: • R$ 100.000.000,00 (cem milhões de reais), pagos a título de adiantamento, no ato de assinatura do Contrato; e: • R$ 200.000.000,00 (duzentos milhões de reais), a serem pagos no Fechamento e sujeitos a correção pelo IGPM a partir de 1° de Outubro de 2005 , fechamento este ocorrido em 30 de Novembro de 2005. No ato de Fechamento em 30 de Novembro de 2005, o valor do saldo efetivamente pago foi de R$ 202 .004.800,00 ( duzentos e dois milhões quatro mil e oitocentos reais), item 3.1 do referido Termo Para fazer face a estes compromissos a HDI Seguros S.A. promoveu três sucessivos aumentos de seu capital social , passando dos então R$ 67.720 .291,80 em 12 de Julho de 2005 para R$ 372.576.441,80 em 27 de Janeiro de 2006 . Estes aumentos foram devidamente integralizados mediante aporte de recursos externos sob a forma de investimentos diretos. Tendo em vista cláusulas contratuais em relação a apuração do patrimônio líquido em 28 de Fevereiro de 2006 , data base do Laudo de Avaliação acima mencionado, o valor final da transação foi de R$ 303.291.260,75, sendo R$ 88.291.260,75 referentes ao Patrimônio Líquido da HDI Seguros de Automóveis e Bens S/A. e R$ 215.000.000,00 referentes a ágio apurado na aquisição da participação societária. Para justificar o valor da transação em R$ 300.000.000,00 pactuada em 14/07/2005, foi apresentado laudo datado de 04/04/2006, após a data de transferência do controle acionário (30/11/2005) e após a data da incorporação (01/04/2006). Por esse motivo, entendeu o Fisco que o documento não poderia fundamentar o ágio na previsão do resultado de exercícios futuros, implicando no investimento ter sido avaliado com base nos incisos I ou II, do art. 385 do RIR/99, ou seja, fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Concluiu a Fiscalização que a principal finalidade desse laudo teria sido indicar qual montante do ágio anteriormente pago poderia ser dedutível nos períodos de apuração subsequentes, pois numa transação desta natureza o documento de avaliação econômicofinanceira deveria ser o primeiro a ser elaborado e servir de subsidio e fundamentação econômica ao Contrato de Compra e Venda de Ações de 14 de Julho de 2005 e não como efetivamente ocorreu, ao ser elaborado após consumados os fatos, com pretenso efeito de convalidar atos já praticados sem fundamentação legal. Aduz o Fisco que toda a engenharia societária montada pela HDI em combinação com a HSBC teria visado a criação artificial de um beneficio fiscal indevido, uma vez que, para concretizar seus objetivos de expansão no mercado nacional, bastaria à HDI formalizar o acordo operacional de exploração do canal bancário representado por mais de Fl. 2943DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 765 5 2.000 (dois mil) pontos de venda no território nacional e toda a clientela do grupo HSBC como efetivamente fez. Acrescenta a autoridade lançadora que o fundamento econômico verificado representou nada mais do que uma mera aquisição da carteira de seguros já contratados e, em cumprimento das disposições contratuais de Compra e Venda, transferidos entre as companhias HSBC em 31 de Outubro de 2005, sem qualquer conexão com rentabilidade futura, conforme mencionado nas publicadas Demonstrações Financeiras da HDI Seguros de Automóveis e Bens S.A., antiga HSBC Seguros de Automóveis e Bens (Brasil) S.A., relativas ao período de 19 de Janeiro de 2005, data de autorização de funcionamento, a 31 de Dezembro de 2005, em especial das notas explicativas n° 1 e 11. — fls. 334: "A referida transferência das carteiras foi efetuada com base nos respectivos valores contábeis dos ativos e passivos transferidos no montante de R$ 332.930 mil. Portanto, esta transferência não gerou nenhum resultado contábil e, além disso, não houve diferença entre o valor financeiro da operação e o saldo da provisão de prêmios não ganhos das apólices recebidas. " Conclui a autoridade fiscal estar demonstrado que no momento previsto para a escrituração do ágio e indicação de seu fundamento econômico artigo 385 do RIR/99 — qual seja, a data da aquisição do controle acionário, iniciada em 14 de Julho de 2005 e efetivada em 30 de Novembro de 2005, a HDI não possuía qualquer demonstração exigida pela legislação de regência da matéria que lhe permitisse classificar o fundamento econômico do ágio pago com base em rentabilidade futura ou ainda com base em valor de mercado, Assim, o fundamento econômico deste ágio estaria definido como sendo por "Outras razões econômicas" conforme previsto no inciso III do § 2° do artigo 385 do RIR/99, pelo que se desenquadraria o procedimento adotado pela HDI com a conseqüente lavratura da presente autuação. Em função da glosa das despesas apropriadas e recomposição do resultado mensal, foi também cobrada multa isolada sobre estimativas não recolhidas. Inconformada com a exigência, a interessada impugnou o feito arguindo em síntese o que se segue: Afirma que a constituição e utilização de uma sociedade para segregar um negócio a ser alienado para um terceiro é prática usual no mercado por razões não apenas fiscais, mas também operacionais e judiciais. A partir daí explica de que forma a operação foi estruturada; Apresenta razões pelas quais a operação não poderia ser definida apenas como uma simples aquisição de carteira. Cita a transferência de empregados, a assunção de responsabilidade perante ações judiciais e de indenização de sinistros,a aprovação pelo CADE e pela Susep, transferência de contratos relevantes, artigos e entrevistas enfatizando tratarse da compra de um negócio e publicação de demonstrações financeiras nesse sentido; Sustenta que todos os atos praticados tiveram substância econômica e que o Fisco reconhece a inexistência de simulação, não sendo justificável a descaracterização, o que teria sido feito com base em ilegítima presunção; Fl. 2944DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 766 6 Reclama que a autuação teve por base simples interpretação econômica sem indicação ou delimitação do fato gerador o que implica em nulidade por violação aos princípios da legalidade e tipicidade; Aduz que a apuração do ágio foi regular e que preencheu todos os requisitos para dedução inclusive estudos da avaliação econômica para formação do preço a ser pago. Alerta que tais estudos foram preliminares ao negócio não havendo porque o Fisco se basear na data em que foi elaborado o laudo da KPMG; Questiona a concomitância entre a multa isolada e a multa de ofício aplicada junto com o tributo que, inclusive, violaria o princípio do não confisco e da proporcionalidade; Ressalta a existência de erro na apuração da multa isolada sobre estimativas do IRPJ; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP prolatou o Acórdão 1626.944 acolhendo parcialmente o pleito exclusivamente para reconhecer o erro na apuração da multa isolada. Foi interposto recurso de ofício. Em relação à parte mantida, a interessada apresentou recurso voluntário ratificando e reforçando as razões expedidas na peça impugnatória, principalmente no que se refere à demonstração do valor que gerou o ágio. Acrescenta que, no caso da base de cálculo da CSLL, inexiste dispositivo legal estabelecendo a indedutibilidade da despesa com ágio. Por fim questiona a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. É o Relatório. Fl. 2945DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 767 7 Voto Vencido Conselheiro Leonardo de Andrade Couto RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado motivo pelo qual dele conheço. Preliminarmente, importa definir o alcance da matéria sob julgamento. Isso porque a recorrente sustenta de forma veemente e reiterada, tendo como apoio a decisão de primeira instância, que a glosa de amortização do ágio teria sido motivada exclusivamente pelo não atendimento do requisito previsto no 3º do art. 385, do RIR/99, qual seja, a ausência previamente à operação de demonstração hábil que embasasse a rentabilidade futura. Transcrevemse abaixo alguns trechos do Termo de Verificação Fiscal (destaques acrescidos): [...] A distribuição no tempo dos vários procedimentos adotados pelo grupo estrangeiro proprietário da empresa fiscalizada revela um planejamento fiscal minucioso efetuado com a finalidade única de dar credibilidade a práticas que individualmente poderiam não contrapor, aparentemente, o ordenamento jurídico, mas que, se analisadas em conjunto, demonstram a tentativa da fiscalizada em se inserir indevidamente em um contexto societário ao qual são conferidos os benefícios fiscais pleiteados . O caso em foco é composto de operações estruturadas em sequência, vale dizer, de uma seqüência de etapas em que cada uma corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial encadeado com o subseqüente para obter determinado efeito fiscal mais vantajoso . Neste caso, cada etapa só tem sentido se existir a que lhe antecede e se for deflagrada a que lhe sucede. [...] Na medida em que o conjunto dessas etapas da incorporação realizada corresponde apenas a uma pluralidade de meios para atingir um fim, é preciso indagar também, nas operações em sequência, qual a situação existente antes da deflagração da sequência de etapas e qual a situação final resultante da última das etapas. Desse modo, só assim será assegurado um exame abrangente de uma operação complexa, subdividida em múltiplas etapas que são meros segmentos de uma operação maior, de modo a verificar, na realidade, qual a operação que se está pretendendo opor ao Fisco (a complexa ou cada parte da operação). Fl. 2946DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 768 8 [...] Cabe ressaltar aqui que toda a engenharia societária montada pela HDI em combinação com a HSBC visou exclusivamente a criar artificialmente um beneficio fiscal que se mostrou indevido, uma vez que, para concretizar seus objetivos de expansão no mercado nacional, bastaria à HDI formalizar o acordo operacional de exploração do canal bancário representado por mais de 2.000 (dois mil) pontos de venda no território nacional e toda a clientela do grupo HSBC como efetivamente fez. Outro aspecto relevante é que se considera desnecessária a aquisição da HSBC pela HDI sob o ponto de vista de atuação no mercado nacional de seguros, uma vez que a HDI já estava operando neste mercado desde 1978 como empresa própria, já possuindo as devidas autorizações legais dos órgãos reguladores, estabelecimentos, clientela, sistemas operacionais e conhecimento do negócio, uma vez que faz parte de renomado grupo segurador internacional. Poderia a HDI ainda, para fins de incrementar imediatamente sua participação no mercado nacional de seguros, adquirir diretamente da HSBC Seguros Brasil S.A a carteira de seguros transferida à HSBC Seguros de Automóveis e Bens companhia esta com efêmera vida operacional de alguns meses, comprovandose ter sido criada exclusivamente para servir de veículo para esta operação. [...] A leitura da transcrição supra deixa clara a contestação do Fisco à legitimidade das operações realizadas para efeito de dedução do ágio obtido. Registrese que nesse questionamento não há qualquer menção à inobservância do requisito previsto no § 3º do art. 385, do RIR/99, qual seja, a ausência previamente à operação de demonstração hábil que embasasse a rentabilidade futura. Ratificase que, no entendimento do Fisco, as operações foram questionadas no que se refere à possibilidade de gerar um ágio dedutível. Em outras palavras, o fato de não serem tidas como simuladas tornaas legítimas isoladamente, mas não significa que numa análise em conjunto preencham os requisitos de dedução do ágio sob as regras tributárias. Do até aqui exposto, firmei entendimento de que a autoridade lançadora analisou a questão sob dois aspectos: 1) a legitimidade das operações exclusivamente para efeito de dedução do ágio; e: 2) o não atendimento do requisito previsto no 3º do art. 385, do RIR/99 qual seja a ausência, previamente à operação, de demonstração hábil que embasasse a rentabilidade futura. A decisão recorrida adota posição dúbia. Deixa clara a concordância quanto à irregularidade das operações: [...] 6.2. Embora não se ídentifiquem atos simulados ou fraudulentos nas operações descritas nos autos, não há como negar que o ágio escriturado pelo contribuinte surgiu na aquisição de ações de sociedade recémcriada, e que todas as tratativas havidas entre os grupos HSBC e HDI indicam que referida sociedade seria extinta por incorporação em momento imediatamente posterior. Fl. 2947DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 769 9 6.3. Ora, a criação de sociedade para posterior extinção, por incorporação revela evidente falta de propósito negocial, ou seja, inexistência de fundamento econômico da transformação societária. Não se concebe, nas operações normais dos agentes econômicos, que se crie uma empresa com o fim de extinguila logo em seguida. As empresas são entidades criadas para a exploração de determinada atividade econômica e, como regra geral, têm como premissa a continuidade de suas operações. Portanto, se na criação de uma determinada sociedade os sócios já manifestam a intençao de imediatamente extinguila, evidenciase verdadeiro abuso de forma jurídica. Assim, sob a ótica do conjunto de operações realizadas, o acórdão recorrido caminha na linha da Fiscalização. Por outro lado, mais além manifestase de forma a indicar que regularidade das operações foi questão subsidiária (destaques acrescidos): [...] 6.4. O Termo de Verificação indica que a autuação não foi decorrente apenas da seqüência de operações que culminaram com a incorporação da empresa “HDI Seguros de Automóveis e Bens S.A.” pela interessada, mas principalmente, do fato de a interessada não ter comprovado o adimplemento de condição sine qua non para usufruir do beneficio fiscal de amortização de ágio previsto nos §§ 2°, inciso II, § 3° do artigo 385, combinado com o art. 386, inciso III e § 2° inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 Decreto n° 3.000, de 26/03/1999. [...] A partir daí, entretanto, o acórdão recorrido afirmou que o cerne da autuação seria a ausência de comprovação da rentabilidade futura e passou a analisar a lide exclusivamente sob essa ótica. Cumpre salientar que a decisão de primeira instância deixou de analisar a regularidade das operações não por entendêlas passíveis de gerar um ágio dedutível mas sim por considerar equivocadamente a meu ver – que o Fisco não teria utilizado essa matéria na autuação. Tal posicionamento não impede que tal questão seja apreciada em sede de recurso voluntário, como efetivamente o será, pois a decisão recorrida deixou claro, conforme transcrição dos itens 6.2 e 6.3 acima, que concordaria com a autoridade lançadora. Assim, inexiste a supressão de instância que prejudicasse a defesa. Regularidade das operações para efeito de dedução do ágio: Em qualquer procedimento de análise de uma operação societária que gerou um ágio, devese ter em mente que a regra geral é a INDEDUTIBILIDADE do ágio. No acórdão 1102000.873 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, o Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé faz uma paralelo da legislação que trata da matéria antes e depois da Lei nº 9.532/97, para concluir que essa norma tem caráter antielisivo (destaque acrescido): A profunda alteração levada a efeito pela Lei no 9.532/97 consiste no seguinte: antes dela (na vigência do art. 34 do DecretoLei no 1.598/77), era absolutamente irrelevante (nos casos de incorporação, fusão ou cisão) o fundamento no qual baseavase o anterior registro do ágio ou deságio. Bastaria à pessoa jurídica Fl. 2948DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 770 10 avaliar o acervo líquido recebido a preços de mercado, e toda a diferença entre este acervo e o valor contabilmente registrado, relativo à participação societária extinta, era imediatamente deduzido como perda, para fins fiscais, qualquer que fosse o fundamento daquele ágio. Após a Lei no 9.532/97, nos casos de incorporação, fusão ou cisão, o ágio fundamentado em rentabilidade futura não mais pode ser deduzido imediatamente como perda, senão de forma “parcelada” em, no mínimo, cinco anos; o ágio fundamentado na diferença entre o valor contábil e o valor de mercado de bens do ativo não mais pode ser deduzido imediatamente como perda, senão de forma também “parcelada”, acompanhando a depreciação, amortização, ou exaustão normal do bem; e o ágio baseado em outros fundamentos econômicos não apenas não mais pode ser deduzido imediatamente como perda, como ainda sequer pode ser amortizado ao longo do tempo. A nova lei, portanto, possui caráter manifestamente antielisivo. Não somente pelo seu próprio conteúdo normativo, já que a partir de sua edição foram sensivelmente restringidas as possibilidades de dedução do ágio, conforme acima exposto, como também pela própria manifestação do legislador, contida na exposição de motivos ao art. 8° da MP 1.602/97, posteriormente convertido no art.7° da Lei nº 9.532/97, verbis: “O art.8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vêm utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo.” O caráter antielisivo da norma levame ao entendimento de que, sem embargo do direito da pessoa jurídica buscar legalmente a prática societária que implique na menor carga tributária, é inaceitável para efeitos fiscais a realização de negócio jurídico que, da forma como constituído, denota fins exclusivamente tributários. A interessada foi submetida a procedimento fiscal para os anoscalendário de 2006, 2007 e 2008 referente à idêntica matéria aqui tratada (processo 16327.000260/201012). O processo foi julgado neste colegiado com decisão formalizada no acórdão 1402001.029, que acompanhei. Sendo assim passo a usála, em termos, como razão de decidir: As operações dignas de realce foram assim resumidas: [...] Em 19/01/2005 as empresas HSBC SEGUROS (BRASIL) S.A. e HSB C CAPITALIZAÇÃO (BRASIL) S.A. constituem uma nova empresa para o Grupo HSBC, a HSBC SEGUROS GERAIS (BRASIL) S.A., com um capital social inicial de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais) (fl. 122). Fl. 2949DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 771 11 Em 13/05/2005, por meio da 1a Assembléia Geral Extraordinária, a denominação social da HSBC SEGUROS GERAIS (BRASIL) S.A. é alterada para HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. (fls. 125/126). Nesse ponto, vale a pena ressaltar que, apesar da constituição da mencionada empresa ter ocorrido em 19/01/2005, consta nos autos que a sua efetiva abertura somente ocorreu em 01/07/2005 (fl. 124). Com efeito, percebese no "Sumário da Ata da 2a Assembléia Geral Extraordinária" da HSBC SEGUROS (BRASIL) S.A. (fls. 132/133) que em junho de 2005 ainda restava pendência com a Superintendência de Seguros Privados SUPEP. Ou seja, somente em julho, depois de cumpridos todos os requisitos e exigências, é que a HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. passou a existir juridicamente. Continuando o histórico, em 14/07/2005 é firmado o contrato de compra e venda das ações da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. (fls. 47/70). Nesse acordo, restou acertado que a HDI SEGUROS S.A. pagaria o montante de R$300.000.000,00 (trezentos milhões de rais) a HSBC SEGUROS (BRASIL) S.A. e a HSBC CAPITALIZAÇÃO (BRASIL) S.A., em contrapartida à aquisição da participação societária integral da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A.. Conforme consta do preâmbulo do citado contrato (fl. 48 3° "considerando"), as empresas vendedoras se comprometiam a, até a data do "fechamento" da compra e venda, transferir a HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. todo o negócio de seguros de danos por elas explorados, em especial por força da cessão onerosa da "carteira de clientes". [...] Com base na transcrição supra, a decisão entendeu que a intenção principal das partes seria a negociação da carteira de clientes relativa ao seguros de danos do Grupo HSBC .Finalizando o histórico: [...] Nesse ponto, vale a pena registrar que houve um aumento do capital social da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões reais) para R$ 85.000.000,00 (oitenta e cinco milhões reais) (fls. 134/135). Esse dado é interessante apenas para definir o valor do “ágio” pago na operação pelo contribuinte autuado a HSBC SEGUROS (BRASIL) S.A. e a HSBC CAPITALIZAÇÃO (BRASIL) S.A. Ato contínuo, em 30/11/2005 há a finalização do contrato de compra e venda das ações da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A., data esta em que foi realizada a transferência das ações dessa empresa para o contribuinte autuado. Além disso, nesse mesmo dia, é alterada a denominação social da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. para HDI SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS S.A. (fls. 141/156). Ou seja, em 30/11/2005 a "carteira de clientes" relativa aos seguros de danos que até então pertencia ao Grupo HSBC fora formalmente transferida ao Grupo HDI, tanto que o nome da pessoa jurídica que "representava" essa "carteira" fora alterado do nome de um Grupo para o outro. Fl. 2950DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 772 12 Finalmente, em 01/04/2006 há a incorporação da HDI SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS S.A. pela HDI SEGUROS S.A. conforme se verifica na atas das assembléias gerais das duas empresas (fls. 157/168). Nessa data, por fim, a "carteira de clientes" do HSBC é incorporada ao patrimônio de sua adquirente, sendo retirado do negócio a ROUPAGEM da personalidade jurídica que o seu vendedor lhe havia dado. Com a referida incorporação, a HDI SEGUROS S.A. extingue a participação societária que havia adquirido anteriormente com ágio, e passa a deduzir a amortização dessa parcela nos anoscalendário de 2006 a 2008 com base nos artigos 385 e 386 do RIR/99. [...] A seguir o voto reforça o entendimento quanto ao objeto real do negócio jurídico: [...] Pois bem, o primeiro passo para demonstrar o verdadeiro propósito do contribuinte na aquisição da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. é analisar alguns aspectos do "acordo operacional" firmado entre a HSBC BANK BRASIL S.A., a HSBC SEGUROS (BRASIL) S.A., a HSBC CORRETORA DE SEGUROS BRASIL S.A., a HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. e a HDI SEGUROS S.A. (fls. 71/101). Isso porque, notadamente, o referido acordo foi pactuado entre as partes para viabilizar os resultados pretendidos com o "Contrato de Compra e Venda de Ações" da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A.. Sendo assim, chamase a atenção para o seguinte trecho do referido acordo: 2.1. Objeto. O presente Acordo tem por objeto estabelecer os termos e condições que regularão o relacionamento de Preferred Provider entre, de um lado, o HSBC, a HSBC Corretora e a Rede HSBC, e, de outro lado, a Companhia e a Parceira [HDI SEGUROS S.A.], relativamente ao desenvolvimento, divulgação, distribuição e comercialização dos Produtos e Serviços a serem oferecidos pela Companhia [HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A.] à Base de Clientes do HSBC, mediante a utilização da Rede HSBC e mediante a realização de marketing direto e qualquer outro meio de divulgação, distribuição e comercialização permitido em lei, com o intuito de que a Companhia [HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A.] seja reconhecida perante os clientes da Base de Clientes do HSBC como a sucessora da HSBC Seguros naprodução e comercialização de Produtos e Serviços. O HSBC envidará seus melhores esforços para, nos 60 dias seguintes à data deste Acordo, e desde que a Companhia e a Parceira assim desejem, comunicar adequadamente à Rede HSBC aqueles termos e condições deste Acordo cujo conhecimento pela Rede HSCB seja relevante para o bom e fiel cumprimente deste Acordo. Para os fins do disposto nesta Cláusula, a Companhia e a Parceira deverão, se assim solicitadas a fazêlo pelo HSBC, participar juntamente com o HSBC de reuniões de trabalho junto à Rede HSBC. (negritos não constam no original) 2.2.Direito de Preferência. O relacionamento de Preferred Provider será materializado por meio do regime de direito de preferência, por meio do qual o HSBC e a HSBC Corretora têm a obrigação de oferecer e fazer com que a Rede HSBC ofereça, por meio de todos os seus integrantes, em primeiro lugar, os Produtos e Serviços da Companhia [HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A.] para a Base de Clientes do HSBC, encaminhando a ela, Companhia, toda e qualquer Proposta. O HSBC comprometese a envidar seus melhores esforços para que, na medida do possível, a Companhia realize um percentual de até 100%, e um percentual indicativo mínimo de 85%, dos negócios envolvendo os Produtos e Serviços realizados com a Base de Clientes do HSBC através da Rede HSBC. (...) (grifo nosso) Fl. 2951DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 773 13 Constatase, portanto, do citado trecho, que o contrato de compra e venda firmado entre o Grupo HSBC e o Grupo HDI tinha como elemento fundamental a chamada "base de clientes do HSBC". A preocupação com esse negócio sempre foi fazer com que a "carteira de clientes" do Grupo HSBC fosse transferida ao contribuinte aqui autuado. Repitase: as partes envolvidas na operação ora analisada firmaram um pacto negocial cuja finalidade era proporcionar a HDI SEGUROS S.A. a captação dos clientes que compunham a "base de clientes do HSBC". Além desses dados que constam no objeto do "acordo operacional", também é possível identificar mais indícios de que o ponto crucial do negócio firmado era apenas a alienação da carteira de clientes do HSBC. Esse aspecto é facilmente percebido em outros trechos do referido acordo, tais como a cláusula 3.5, na qual se verifica a estipulação de diversas obrigações assumidas pelo Grupo HSBC no sentido de disponibilizar a sua "base de clientes" ao contribuinte. Nesse esteio, a partir dessas informações, não é nada exagerado concluir que: o "acordo operacional" foi firmado para viabilizar os efeitos pretendidos com a compra da "participação societária da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A." pela HDI SEGUROS S.A.; se o ponto fundamental do aludido "acordo operacional" era possibilitar a transferência da "carteira de clientes" do HSBC a HDI SEGUROS S.A., fica evidente que a compra da "participação societária da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A." tinha como único objetivo a alienação da "carteira de clientes". A seguir, a decisão tece considerações sobre os motivos que levaram a interessada a realizar o negócio jurídico nos termos em que foi formalizado: [...] Considerando esse contexto, poderseia perguntar: se o objetivo era apenas comprar a "carteira de clientes", qual razão então levou a HDI SEGUROS S.A. a adquirir primeiro a participação societária da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS. e depois incorporala? Por que a HDI SEGUROS S.A. não adquiriu diretamente a referida "carteira de clientes"? Ora, o motivo é muito simples, para tentar utilizar o benefício previsto no art. 385 e 386 do RIR/99, qual seja: deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL a despesa com a amortização do ágio decorrente do investimento que seria extinto (participação societária da HSBS SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A.. Caso o contribuinte tivesse realizado diretamente o negócio que realmente pretendia (aquisição da "carteira de clientes" do HSBC), não poderia obter o mencionado benefício fiscal. Se ele tivesse adquirido diretamente a "carteira de clientes" do HSBC: a um, tal investimento não se traduziria em uma participação societária; a dois, tal investimento não seria passível de ser extinto em virtude de incorporação, fusão ou cisão ("caput" do art. 386). Contudo, como a HDI SEGUROS S.A., juntamente com o Grupo HSBC, "orquestrou" que essa aquisição ocorresse por meio de uma participação societária, o ágio então pago passou a se revestir, aparentemente, dos requisitos previstos nos artigos 385 e 386 do RIR/99. Fl. 2952DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 774 14 Dessa maneira, temse que todo o conjunto de atos e operações societárias realizado tinha como finalidade exclusiva tornar a despesa com a amortização do ágio uma despesa dedutível o que não ocorreria se o contribuinte tivesse adquirido diretamente a "carteira de clientes" do HSBC. A "engenharia societária" adotada visou unicamente a transformar um ágio indedutível em dedutível. Assim, como premissa para concluir que o ágio registrado pelo contribuinte não é dedutível nos termos do art. 385 e 386 do RIR/99, é preciso destacar os elementos que atestam a falta de propósito negocial da criação da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. Nesse esteio, é importante analisar os fatos e circunstâncias que envolveram a "alienação da participação societária" da referida pessoa jurídica. Primeiramente, o contribuinte autuado tenta justificar o conjunto de operações societárias realizadas na complexidade do negócio jurídico. Assim, segundo o Recorrente, foi necessário que o Grupo HSBC constituísse uma outra pessoa jurídica e direcionasse a esta apenas a parte de sua carteira de seguros que pretendia alienar. Nesse sentido, o Recorrente argumenta que era preciso aguardar a aprovação da SUSEP, pois havia riscos de o negócio não ser autorizado. Por essa razão, ele afirma que a compra direta poderia trazer prejuízos no caso de eventual desfazimento da operação, o que tornaria inevitável a aquisição da "carteira de clientes" do Grupo HSBC por meio da participação societária da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. Entretanto, para aceitar essa justificativa temse que perguntar: o alegado risco de o negócio ser desfeito pelas Autoridades Públicas tornava indispensável a aquisição da "carteira de clientes" do Grupo HSBC por meio de uma participação societária? Pelo que se verifica dos autos, a transferência efetiva do controle acionário da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. para o Recorrente ocorreu em 30/11/2005 data em que a HDI SEGUROS S.A. finalizou o pagamento do valor acordado entre as partes. Nesse ponto, vale a pena lembrar que foi nessa data também que houve a mudança da denominação social HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. para HDI . SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS S.A. Portanto, podese afirmar que a operação estava concluída em 30/11/2005, sendo que, a partir daquela data, a HDI SEGUROS S.A. assumiu integralmente as atividades de seguro que antes eram da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. e, o mais relevante, passou a ter a sua disposição a "base de clientes" do Grupo HSBC. importante registrar que a aprovação pela SUSEP da transferência do controle acionário da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. para a HDI SEGUROS S.A. somente ocorreu em 15 de março de 2006 (fl. 177). Implica dizer que no momento da aprovação da SUSEP o contribuinte já era o proprietário da "carteira de clientes" e atuava normalmente, inclusive operando com o nome de HDI SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS S.A. Dessa maneira, fica evidente que, em relação à concordância da SUSEP, o negócio realizado entre o contribuinte e a HSBC SEGUROS (BRASIL) S.A. teria o mesmo efeito prático se tivesse ocorrido a venda direta da "carteira de clientes". Fl. 2953DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 775 15 [...] As questões envolvendo transferência de empregados, sucessão em ações cíveis e garantia da transferência de contratos relevantes foram utilizadas pela defesa para sustentar que a negociação sob exame não envolveria apenas a aquisição da carteria de clientes. Nesse ponto, a decisão assim se manifestou: [...] Por seu turno, a transferência de empregados, a sucessão em ações cíveis e a garantia da transferência de contratos relevantes em nada contribuem para demonstrar a necessidade de haver a compra e venda da "carteira de clientes" do Grupo HSBC por meio da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A.. Nesse ponto, a "nova" pergunta que se faz é se era realmente indispensável a criação daquela empresa. Novamente, fica difícil sustentar a necessidade do conjunto de operações efetivadas pelo grupo HSBC e pelo Recorrente, ainda que se admita que os três elementos apontados no parágrafo anterior eram realmente imprescindíveis para a continuidade da prestação dos serviços de seguros. [...] Quanto a essa última questão, no meu entendimento a linha de raciocínio exposta no voto – que endosso – indica que o fato de a aquisição da carteira de clientes trazer em seu bojo a transferência de empregados, a sucessão em ações cíveis e a garantia da transferência de contratos relevantes a ela inerentes não é suficiente para justificar que a operação deva ser feita com a criação de uma empresa e posterior incorporação de forma a gerar um ágio dedutível: [...] Com efeito, se o contribuinte adquirisse diretamente a "carteira de clientes", nada impediria a transferência dos empregados bastaria a previsão no contrato de compra e venda. Por outro lado, a sucessão em ações cíveis relacionadas aos contratos de seguro firmados com os clientes da antiga seguradora seria uma decorrência natural da transmissão da "carteira de clientes". Vale dizer, o normal nesse tipo de operação é que a empresa sucessora dos contratos de seguro assuma também as questões judiciais inerentes a esse tipo de atividade. Portanto, se o Recorrente optasse por realizar a compra direta da "carteira de clientes" do Grupo HSBC, a atribuição de responder às ações cíveis fatalmente recairia sobre a HDI SEGUROS S.A.. Por fim, no que diz respeito aos contratos chamados de "relevantes" pelo contribuinte, podese desenvolver o mesmo raciocínio acima, qual seja: os referidos contratos poderiam ter sido repassados a HDI SEGUROS c A. independente do modo de aquisição da "carteira de clientes". Desse modo, não haveria a necessidade de se constituir uma nova pessoa jurídica no caso, a HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. para garantir que os tais "contratos relevantes" fossem disponibilizados ao contribuinte autuado. A recorrente tece longo arrazoado com motivos de caráter mercadológico e societário que, sustenta, justificariam o procedimento adotado. Entendo pela desnecessidade de pronunciamento sobre cada um deles e ressalto que tais razões justificariam a aquisição do Fl. 2954DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 776 16 ativo mas não uma estrutura negocial que gerasse um ágio dedutível. O acórdão 1402001.029 ratifica: [...] Todos esses pontos discutidos acima servem para demonstrar que os argumentos trazidos pelo Recorrente não conseguem, em nenhum momento, justificar a engenharia societária adotada. Significa dizer que o fim pretendido pelo contribuinte que era adquirir a "carteira de clientes" do Grupo HSBC seria atingido perfeitamente mesmo sem o conjunto de negócios jurídicos praticados. [...] Nesse contexto é que se verifica o verdadeiro objetivo do contribuinte, qual seja: tornar o ágio pago na aquisição da "carteira de clientes" em um ágio decorrente da aquisição de uma participação societária, transformando a despesa com a amortização do ágio em uma despesa dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL o que não ocorreria se o contribuinte tivesse adquirido diretamente a "carteira de clientes". [...] Diferentemente do suscitado na defesa, a aquisição de um ativo (carteira de clientes) não implicaria em fato gerador de tributo para gerar aumento de carga tributária. Assim, a opção a ser exercida não seria entre pagar mais ou menos imposto mas sim entre registrar o negócio jurídico através de uma operação tributariamente neutra e compatível com os documentos que a embasam, ou montar uma estrutura que gerasse um benefício fiscal e como tal sujeito a comprovação específica em relação ao propósito que o justifique. Em conclusão, a decisão faz considerações de forma inclusive a derrubar os argumento de defesa quanto à desobediência à tipicidade fechada ou legalidade, dexando claro os dipositivos legais agredidos: […] Em verdade, materialmente, não ocorreu nenhuma aquisição de participação societária e, conseqüentemente, não há que se falar em rentabilidade futura de empresa coligada ou controlada, ou extinção do investimento em razão de uma incorporação. No máximo, haveria a rentabilidade da "carteira de clientes", que não se enquadra na hipótese prevista no supramencionado dispositivo do RIR/99. Considerando esses aspectos, forçoso concluir que o ágio somente poderia apresentar como fundamento econômico o disposto no inciso III do § 2° do art. 385 do RIR/99: "fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas". Desse modo, temse que o ágio não é dedutível, segundo determinação expressa do inciso II do art. 386 do RIR/99. Diante disso, resta evidente que o ágio gerado na operação não poderia ser deduzido da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em observância ao que determina o inciso II do art. 386 do RIR/99, tal qual fundamentado na acusação fiscal acima transcrita. [...] Fl. 2955DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 777 17 De todo o exposto, voto por manter a glosa das despesas com amortização de ágio. Se o ágio tem, poderseia dizer, um vício de origem, tornase irrelevante a discussão quanto ao não atendimento do requisito previsto no 3º do art. 385, do RIR/99 qual seja a ausência, previamente à operação, de demonstração hábil que embasasse a rentabilidade futura. CASO SEJA VENCIDO PELOS MEUS PARES, ou seja, no entendimento hipotético de que teria havido de fato uma aquisição de participação societária, entendo que esse item deve ser analisado levandose em consideração que a operação foi celebrada entre pessoas não ligadas e houve pagamento. A partir daí, não vejo como negar efeito probante aos documentos apresentados. Foi demonstrada a realização de estudos preliminares de avaliação ao negócio para justificar o valor pactuado. Em relação ao laudo, a formalização em momento posterior não seria motivo para descaracterizalo. Além de inexistir para o período sob exame a exigência legal específica de laudo mas sim de comprovação da rentabilidade futura – a empresa de auditoria apresentou documentos endossando os estudos preliminares feitos pela interessada. Entendo que o laudo e os demais documentos só poderiam ser desprezados em duas hipóteses: falta de habilidade para comprovação, o que implicaria contestação técnica quanto ao conteúdo, atividade essa que foge à alçada deste julgador; ou: falta de idoneidade para comprovação, implicando na ocorrência de faude e imputação de multa qualificada, o que não ocorreu. Dedução da despesa com ágio na base de cálculo da CSLL: Em relação à ausência de dispositivo legal específico que estabeleça a indedutibilidade da despesas com ágio na base de cálculo da CSLL, tratase de matéria não suscitada na impugnação. Nesse ponto entendo que a não apresentação de defesa na fase impugnatória implica na preclusão de fazêlo em momento posterior. Não se pode inovar na postulação recursal para incluir questão diversa daquela que foi originalmente originariamente deduzida quando da impugnação do lançamento na instância a quo. Apenas os fatos ainda não ocorridos na fase impugnatória ou os de que o contribuinte não tinha conhecimento é que podem ser suscitados no recurso ou durante o seu processamento.1 Salientese que não se trata aqui da apresentação de elementos probantes onde a jurisprudência administrativa, sob a égide do princípio da busca da verdade material, flexibiliza moderadamente a preclusão processual. Multa isolada: 1 NEDER, Marcos Vinicius e LÓPEZ Maria Teresa Martínez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, São Paulo, 2002, p.67. Fl. 2956DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 778 18 O pagamento do imposto por estimativa foi instituído pela Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Essa Lei estabeleceu período de apuração trimestral para o IRPJ, com a opção anual sendo que, nesse último caso, existe a obrigatoriedade de recolher o tributo mensalmente, determinado sobre uma base de cálculo estimada mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei nº 9.249/95. Entendeu o legislador que, feita a opção pelo recolhimento por estimativa, a ausência ou insuficiência desses pagamentos constituiria em sanção passível de punição via multa de ofício calculada sobre o montante não recolhido e aplicada isoladamente, nos termos do inciso IV, do § 1º , do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original. A questão de fato é polêmica. Neste Colegiado, alguns entendem que não se justificaria a aplicação da multa após o encerramento do período de apuração, quando já teriam sido realizados os devidos ajustes. Nesse caso bastaria a cobrança de eventual imposto apurado no ajuste acompanhado, aí sim, da respectiva multa. Esse posicionamento praticamente nega eficácia ao dispositivo legal supra mencionado, pois limitaria sua aplicabilidade a procedimentos de fiscalização efetuados durante o período sob exame. Além do mais, ignora a literalidade do texto legal que determina a aplicação da multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ajuste, ou seja, a Lei determina claramente que a multa pode ser imputada após o encerramento do período e mesmo sem tributo apurado no ajuste A principal e respeitável linha argumentativa daqueles que defendem essa tese parte do próprio texto legal. Na redação original temse: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (....) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (....) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (......) (grifo acrescido) Com base na redação do caput essa corrente defende que, mesmo na forma isolada, a multa incidiria sobre a totalidade ou diferença de tributo. Com a ressalva de que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, a lógica do pagamento de Fl. 2957DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 779 19 estimativas seria antecipar para os meses do anocalendário o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria devido apenas ao final do exercício. Sob essa ótica, a tese defende que o tributo apurado no ajuste e a estimativa paga ao longo do período devem estar intrinsecamente relacionados de forma a que a provisão para pagamento do tributo deve coincidir com o montante pago de estimativa ao final do exercício. Assim, concluem que só há que se falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido. A princípio, alinheime nessa posição e com ela votei em alguns julgados. Hoje, após cuidadosa reflexão penso que essa tese está equivocada porque, apesar de sua construção lógica ser irrefutável, mistura situações distintas. O texto original da lei estabelece que a multa isolada seria calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. Entendeuse assim que o legislador estabeleceu uma norma de imposição tributária quando na verdade o não recolhimento das estimativas impõe a aplicação de uma regra sancionatória. Aquela avaliação não mais se justifica a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (.......) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (......) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (.....) (grifo acrescido) Inexiste assim a estreita correlação entre o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano. Registrese que essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa, Simplesmente torna mais clara a intenção do legislador. Em voto que a meu ver bem reflete a tese aqui exposta, o ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES foi preciso na análise do tema (Acórdão 10323.370, Sessão de 24/01/2008): (........) Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Fl. 2958DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 780 20 Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. A inexistência de correlação entre o tributo e a estimativa fezme refletir também sobre a questão da concomitância, ou seja, a aplicação da multa de ofício exigida junto com o tributo e a multa sobre as estimativas. Manifesteime em outra ocasiões pela aplicação ao caso do princípio da consunção, pelo qual prevalece a penalidade mais grave quando uma pluralidade de normas é violada no desenrolar de uma ação. Fl. 2959DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 781 21 De forma geral, o princípio da consunção determina que em face a um ou mais ilícitos penais denominados consuntos, que funcionam apenas como fases de preparação ou de execução de um outro, mais grave que o(s) primeiro(s), chamado consuntivo, ou tão somente como condutas, anteriores ou posteriores, mas sempre intimamente interligado ou inerente, dependentemente, deste último, o sujeito ativo só deverá ser responsabilizado pelo ilícito mais grave.2. Vejase que a condição básica para aplicação do princípio é a íntima interligação entre os ilícitos. Pelo até aqui exposto, podese dizer que a intenção do legislador tributário foi justamente deixar clara a independência entre as irregularidades, inclusive alterando o texto da norma para ressaltar tal circunstância. No voto paradigma que decidiu casos como o presente sob a ótica do princípio da consunção, o relator cita Miguel Reale Junior que discorre sobre o crime progressivo, situação típica de aplicação do princípio em comento. Pois bem. Doutrinariamente, existe crime progressivo quando o sujeito, para alcançar um resultado normativo (ofensa ou perigo de dano a um bem jurídico), necessariamente deverá passar por uma conduta inicial que produz outro evento normativo, menos grave que o primeiro. Noutros termos: para ofender um bem jurídico qualquer, o agente, indispensavelmente, terá de inicialmente ofender outro, de menor gravidade — passagem por um minus em direção a um plus. 3 (destaques acrescidos). Estaríamos diante de uma situação de conflito aparente de normas. Aparente porque o princípio da especialidade definiria a questão, com vistas a evitar a subsunção a dispositivos penais diversos e, por conseguinte, a confusão de efeitos penais e processuais. Aplicandose essa teoria às situações que envolvem a imputação da multa de ofício, a irregularidade que gera a multa aplicada em conjunto com o tributo não necessariamente é antecedida de ausência ou insuficiência de recolhimento do tributo devido a título de estimativas, suscetível de aplicação da multa isolada. Assim, não há como enquadrar o conceito da progressividade ao presente caso, motivo pelo qual tal linha de raciocínio seria injustificável para aplicação do princípio da consunção. Ainda seguindo a analogia com o direito penal, a grosso modo poderseia dizer que a situação sob exame representaria um concurso real de normas ou, mais especificamente, um concurso material: duas condutas delituosas causam dois resultados delituosos. Abstraindose das questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo 2 RAMOS, Guilherme da Rocha. Princípio da consunção: o problema conceitual do crime progressivo e da progressão criminosa. Jus Navigandi, Teresina, ano 5, n. 44, 1 ago. 2000. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/996>. Acesso em: 6 dez. 2010. 3 Idem, Idem Fl. 2960DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 782 22 devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo. Sob essa ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou a norma ao caso concreto, no exercício do poderdever legal, motivo pelo qual voto por manter a imputação da multa isolada em sua integralidade. Importa ressaltar que a Súmula CARF nº 101 NÃO SE APLICA A FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI Nº 11.488/2007, eis que todas as decisões que serviram de base à edição da Súmula não levaram em consideração a mudança legislativa. Multa – Violação ao princípio do não confisco: A arguição quanto à eventual natureza confiscatória da multa envolve matéria constitucional, cuja apreciação foge à alçada deste Colegiado, nos termos da Súmula CARF nº 2, de Enunciado: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Juros de mora sobre a multa de ofício : Em relação à aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, cabe simplesmente registrar que a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer essa incidência, como se pode ver abaixo em julgados recentíssimos de todas as turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Em resumo do exposto, conduzo meu voto no sentido no sentido de rejeitar a arguição de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 2961DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 783 23 RECURSO DE OFÍCIO Quanto ao recurso de ofício, a decisão recorrida simplesmente efetuou a correção da exigência da multa isolada incidente sobre estimativas do IRPJ, eis que o valor cobrado (R$ 2.722.300,26) foi diverso e maior que o apurado (R$ 1.717.083,89). Sendo assim, negase provimento ao recurso de ofício Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 2962DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 784 24 Voto Vencedor Conselheiro Demetrius Nichele Macei Tratase de autos de infração para cobrança do IRPJ, CSLL e multas isoladas referentes ao anocalendário de 2009 no montante de R$ !8.632.233,76; R$ 8.674.113,14 e R$ 5.200.135,24; respectivamente, sendo que no valor indicado para o tributo e a contribuição estão incluídos juros de mora e multa de ofício. Conforme relatado, a irregularidade tributária decorreu da indevida amortização de despesas com ágio. decorrente da aquisição pela fiscalizada da carteira de seguros de veículos da HSBC Seguradora. O ilustre Conselheiro relator votou no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a exigência fiscal. Sem esquecer da profundidade e equilíbrio sempre presentes nos votos proferidos pelo colega Relator, ousei discordar das suas conclusões neste caso específico Antes contudo, saliento que a divergência foi aberta pelo colega Dr. Fernando Brasil, cujas certeiras conclusões acompanhei e delas extraio o meu voto. A premissa da autoridade lançadora foi que o fundamento econômico verificado representou nada mais do que uma mera aquisição da carteira de clientes já contratados e transferidos entre as companhias HSBC, sem qualquer conexão com rentabilidade futura. Ocorre que se tal premissa estivesse correta, não teria havido qualquer ganho tributário por parte do Recorrente, pois seria possível deduzir a integralidade do valor desembolsado na aquisição da carteira de clientes, no prazo de duração dos contratos de seguros adquiridos (que por se tratar de seguros de automóveis, sabese que os contratos têm prazo usual de 01 ano), nos termos do art. 325, I, “c”, do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99)4. Assim, considerando o prazo de 5 anos em relação ao ágio amortizado, o quantum deduzido (somente o ágio) seria muito inferior ao caso de amortização ao custo de aquisição dos contratos e direitos adquiridos nos prazos de suas vigências (em média, 01 ano). Do ponto de vista contábil, como bem salientou o ilustre Cons. Fernando Brasil em sua justificação da divergência, que ora me alio, embora o Pronunciamento Técnico 4 Art. 325. Poderão ser amortizados: I o capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada, ou de bens cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo legal ou contratualmente limitado, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58): [...] c) custo de aquisição, prorrogação ou modificação de contratos e direitos de qualquer natureza, inclusive de exploração de fundos de comércio; [...] Fl. 2963DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 785 25 CPC 11 – Contratos de Seguro5, aprovado em 05 de dezembro de 2008, sugira que a contabilização da aquisição de uma carteira de clientes em uma combinação de negócios desdobre os lançamentos a valor levandose em consideração também o valor dos passivos assumidos6, e afirme que não ser aplicável aos contratos de seguro o Pronunciamento Técnico CPC 04 – Ativo Intangível, faz a ressalva, em seu item 33, de que esse pronunciamento é aplicado para carteira de clientes e relacionamentos com clientes que reflitam a expectativa de contratos futuros que não fazem parte dos direitos por contratos de seguro e obrigações por contratos de seguro já existentes na data da combinação de negócios ou transferência de carteira. Analisando o Pronunciamento Técnico CPC 04 – Ativo Intangível7 (editado em 05 de novembro de 2010), ressaltou o Conselheiro citado: Alcance [...] 3. Se outro Pronunciamento Técnico estabelecer o tratamento contábil para um tipo específico de ativo intangível, a entidade deve aplicar referido Pronunciamento específico ao invés deste. Por exemplo, este Pronunciamento não deve ser aplicado nos seguintes casos: [...] (g) custos de aquisição diferidos e ativos intangíveis advindos de direitos contratuais de seguradora, dentro do alcance do Pronunciamento Técnico CPC 11 – Contratos de Seguro. O Pronunciamento Técnico CPC 11 contém exigências de divulgação específicas para referidos custos de aquisição diferidos, porém não trata dos aludidos ativos intangíveis. Assim sendo, as exigências de divulgação deste Pronunciamento devem ser aplicadas para tais ativos intangíveis; [...] Vida útil [...] 90. Muitos fatores devem ser considerados na determinação da vida útil de ativo intangível, inclusive: 5 Disponível em: <http://static.cpc.mediagroup.com.br/Documentos/215_CPC_11_rev%2003.pdf>. Acesso em: 22 fev 2017. 6 31. A seguradora deve, na data de aquisição, e tão logo esteja em vigência o pronunciamento técnico sobre combinação de negócios a ser emitido por este Comitê de Pronunciamentos Contábeis em consonância com as normas internacionais de contabilidade, mensurar a valor justo os passivos por contrato de seguro assumidos e os ativos por contratos de seguro adquiridos em uma combinação de negócios. Entretanto, é permitido à seguradora, mas não exigido, utilizar uma apresentação expandida que divida o valor justo dos contratos de seguro adquiridos em dois componentes: (a) passivo mensurado de acordo com as políticas contábeis para os contratos de seguro emitidos pela seguradora; e (b) ativo intangível, representando a diferença entre (i) o valor justo dos direitos por contratos de seguro adquiridos e obrigações por contrato de seguro assumidas e (ii) o montante descrito em (a). A mensuração subseqüente desse ativo deve ser consistente com a mensuração do passivo por contrato de seguro relacionado. 32. A seguradora, ao adquirir uma carteira de contratos de seguro, pode utilizar a apresentação expandida descrita no item 31. 7Disponível em: < http://static.cpc.mediagroup.com.br/Documentos/187_CPC_04_R1_rev%2008.pdf>. Acesso em: 22 fev 2017. Fl. 2964DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 786 26 (a) [...] (b) os ciclos de vida típicos dos produtos do ativo e as informações públicas sobre estimativas de vida útil de ativos semelhantes, utilizados de maneira semelhante; (c) [...] 94. A vida útil de ativo intangível resultante de direitos contratuais ou outros direitos legais não deve exceder a vigência desses direitos, podendo ser menor dependendo do período durante o qual a entidade espera utilizar o ativo. Caso os direitos contratuais ou outros direitos legais sejam outorgados por um prazo limitado renovável, a vida útil do ativo intangível só deve incluir o prazo de renovação, se existirem evidências que suportem a renovação pela entidade sem custo significativo. A vida útil de um direito readquirido reconhecido como ativo intangível em uma combinação de negócios é o período contratual remanescente do contrato em que o direito foi concedido e não incluirá períodos de renovação. 95. Podem existir tanto fatores econômicos como legais influenciando a vida útil de ativo intangível. Os fatores econômicos determinam o período durante o qual a entidade receberá benefícios econômicos futuros, enquanto os fatores legais podem restringir o período durante o qual a entidade controla o acesso a esses benefícios. A vida útil a ser considerada deve ser o menor dos períodos determinados por esses fatores. [...] Ativo intangível com vida útil definida Período e método de amortização 97. O valor amortizável de ativo intangível com vida útil definida deve ser apropriado de forma sistemática ao longo da sua vida útil estimada. [...]. A despesa de amortização para cada período deve ser reconhecida no resultado, a não ser que outra norma ou pronunciamento contábil permita ou exija a sua inclusão no valor contábil de outro ativo. [...] 99. A amortização deve normalmente ser reconhecida no resultado. [...] De todo modo, ressaltase que a Lei nº 11.941/2009, em seus artigos 15 a 24, instituiu o denominado Regime Tributário de Transição – RTT, tratando dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei nº 11.638/2007, e pelos arts. 37 e 38 da própria Lei nº 11.941/2009, sendo que o RTT teria início já no ano calendário de 2008 e vigeria até a entrada em vigor de lei que viesse a disciplinar os efeitos tributários dos novos métodos e critérios contábeis, buscando a neutralidade tributária. Fl. 2965DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 787 27 Com o intuito de manter a neutralidade tributária, buscavase, justamente, que fossem aplicadas as regras tributárias e contábeis vigentes até 31/12/2007 para cálculo dos tributos federais. Portanto, no período sob exame (anocalendário de 2009), vigiam sem quaisquer limitações os arts. 324 e 325 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), que assim dispõem: Art. 324. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, § 1º). § 1º Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de amortização não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem ou direito, ou o valor das despesas (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 2º). § 2º Somente serão admitidas as amortizações de custos ou despesas que observem as condições estabelecidas neste Decreto (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 5º). § 3º Se a existência ou o exercício do direito, ou a utilização do bem, terminar antes da amortização integral de seu custo, o saldo não amortizado constituirá encargo no período de apuração em que se extinguir o direito ou terminar a utilização do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 4º). § 4º Somente será permitida a amortização de bens e direitos intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Art. 325. Poderão ser amortizados: I o capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada, ou de bens cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo legal ou contratualmente limitado, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58): [...] c) custo de aquisição, prorrogação ou modificação de contratos e direitos de qualquer natureza, inclusive de exploração de fundos de comércio; [...] Ora, partindose do pressuposto utilizado pela autoridade fiscal autuante de que o negócio entabulado limitouse a aquisição dos direitos inerentes a uma carteira de clientes, não resta dúvida de que os artigos 324, e 325, I, “c”, do RIR/99 permitiriam que o custo de aquisição fosse amortizado no prazo estipulado em cada um dos contratos (em média, 01 ano, repitase). Mais uma vez, reiterando as palavras do colega Conselheiro que abriu a divergência em relação ao colega Relator: ou o direito adquirido é ativo intangível amortizável no prazo dos contratos de seguros adquiridos, ou, a quem entender não aplicável o art. 325, I, “c”, do RIR/99, é custo dos direitos de crédito adquiridos, devendo ser levado ao resultado em confronto com a receita respectiva (princípio da confrontação das despesas com as receitas e Fl. 2966DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 788 28 com os períodos contábeis). O que não se admite é entender que tal custo não venha a compor os resultados apurados pelo contribuinte, tachandoo de indedutível. Em suma: o valor efetivamente deduzido pelo contribuinte na apuração de seus resultados foi menor do que se tivesse adotado a forma preconizada pela autoridade fiscal (aquisição de carteira de clientes). Com efeito, se a autoridade fiscal concluiu que o ágio amortizado pelo Recorrente era indedutível, deixou de analisar quais efeitos tributários decorreriam de sua classificação como uma mera aquisição de carteira de clientes. Se assim o fizesse, constataria, a toda evidência, que se o contribuinte seguisse tal entendimento, teria recolhido IRPJ e CSLL em valores inferiores ao que efetivamente recolheu. Logo, inexistindo vantagem tributária nas operações registradas pelo Recorrente, entendo também que não há que se falar em planejamento tributário. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 2967DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 789 29 Declaração de Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Em que pesem os valorosos argumentos do ilustre Conselheiro Relator, ouso discordar de suas conclusões. Sem adentrar no mérito da operação levada a efeito pelo Recorrente, para fins argumentativos, parto do princípio de que a afirmação da autoridade fiscal autuante estiver correta, qual seja, que o fundamento econômico verificado representou nada mais do que uma mera aquisição da carteira de seguros já contratados e transferidos entre as companhias HSBC, sem qualquer conexão com rentabilidade futura. O que não se discutiu nos autos, mas foi abordado pela defesa em sua sustentação oral, é que se tal premissa estivesse correta, não teria havido qualquer ganho tributário por parte do Recorrente, muito pelo contrário, pois seria possível deduzir a integralidade do valor desembolsado na aquisição da carteira de clientes, no prazo de duração dos contratos de seguros adquiridos (em sua maioria, os contratos possuíam prazo de um ano), nos termos do art. 325, I, “c”, do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99) 8. Se correto o raciocínio do Recorrente, de fato, o lançamento não deverá persistir, pois no caso concreto, além do prazo de 5 anos em relação ao ágio amortizado, o quantum deduzido (somente o ágio) seria muito inferior ao caso de amortização ao custo de aquisição dos contratos e direitos adquiridos nos prazos de suas vigências. Pois, de fato, há de existir vantagem tributária com ilícito ou abuso para que o Fisco possa desconsiderar as operações9. 8 Art. 325. Poderão ser amortizados: I o capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada, ou de bens cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo legal ou contratualmente limitado, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58): [...] c) custo de aquisição, prorrogação ou modificação de contratos e direitos de qualquer natureza, inclusive de exploração de fundos de comércio; [...] 9 Nesse sentido, o tema foi muito bem abordado pelo ilustre Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella no acórdão nº 1402002.373: Aproveitando toda a matéria aqui debatida, é notório que, há mais de uma década, este E. CARF e o antecessor E. Conselho de Contribuintes, vêm adotando tese que prega a prevalência da substância sobre a forma dos negócios jurídicos, ainda que longe de ser uma unanimidade doutrinária, mas celebrada pela cátedra de muitos notórios Autores, como o Prof. Marco Aurélio Greco. Curiosamente, como já relatado, observase que em algumas conclusões que levaram às desconsiderações que permitiram a lavratura das Autuações e, principalmente, nas acusações de ocorrência de fraude, privilegiouse o inverso: a verificação das formas utilizadas pela Recorrente, em detrimento à constatação de que essas possuíam conteúdo econômico, seja per si ou, até mesmo, quando inseridas dentro um plano negocial maior e complexo. Não pode o Fisco desconsiderar negócios, atos e pessoas jurídicas por simples alegações formais e rótulos conceituais objetivos, sem a devida, concreta e robusta demonstração de vantagem fiscal, real e palpável, por parte Contribuinte, através de ilícitos ou mesmo abusos perpetrados por este, dolosamente. Fl. 2968DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 790 30 E, analisando o caso concreto, entendo assistir razão ao Recorrente. Do ponto de vista contábil, embora o Pronunciamento Técnico CPC 11 – Contratos de Seguro10, aprovado em 05 de dezembro de 2008, sugira que a contabilização da aquisição de uma carteira de clientes em uma combinação de negócios desdobre os lançamentos a valor levandose em consideração também o valor dos passivos assumidos11, e afirme que não ser aplicável aos contratos de seguro o Pronunciamento Técnico CPC 04 – Ativo Intangível, faz a ressalva, em seu item 33, de que esse pronunciamento é aplicado para carteira de clientes e relacionamentos com clientes que reflitam a expectativa de contratos futuros que não fazem parte dos direitos por contratos de seguro e obrigações por contratos de seguro já existentes na data da combinação de negócios ou transferência de carteira. Analisando o Pronunciamento Técnico CPC 04 – Ativo Intangível12 (editado em 05 de novembro de 2010), ressalto alguns excertos de interesse, com os destaques por mim apostos: Alcance [...] 3. Se outro Pronunciamento Técnico estabelecer o tratamento contábil para um tipo específico de ativo intangível, a entidade deve aplicar referido Pronunciamento específico ao invés deste. Por exemplo, este Pronunciamento não deve ser aplicado nos seguintes casos: [...] (g) custos de aquisição diferidos e ativos intangíveis advindos de direitos contratuais de seguradora, dentro do alcance do Pronunciamento Técnico CPC 11 – Contratos de Seguro. O Pronunciamento Técnico CPC 11 contém exigências de divulgação específicas para referidos custos de aquisição diferidos, porém não trata dos aludidos ativos intangíveis. Assim sendo, as exigências de divulgação deste Pronunciamento devem ser aplicadas para tais ativos intangíveis; [...] Vida útil [...] É necessária a conjugação comprovada de ambos elementos (vantagem tributária com ilícito ou abuso). 10 Disponível em: <http://static.cpc.mediagroup.com.br/Documentos/215_CPC_11_rev%2003.pdf>. Acesso em: 22 fev 2017. 11 31. A seguradora deve, na data de aquisição, e tão logo esteja em vigência o pronunciamento técnico sobre combinação de negócios a ser emitido por este Comitê de Pronunciamentos Contábeis em consonância com as normas internacionais de contabilidade, mensurar a valor justo os passivos por contrato de seguro assumidos e os ativos por contratos de seguro adquiridos em uma combinação de negócios. Entretanto, é permitido à seguradora, mas não exigido, utilizar uma apresentação expandida que divida o valor justo dos contratos de seguro adquiridos em dois componentes: (a) passivo mensurado de acordo com as políticas contábeis para os contratos de seguro emitidos pela seguradora; e (b) ativo intangível, representando a diferença entre (i) o valor justo dos direitos por contratos de seguro adquiridos e obrigações por contrato de seguro assumidas e (ii) o montante descrito em (a). A mensuração subseqüente desse ativo deve ser consistente com a mensuração do passivo por contrato de seguro relacionado. 32. A seguradora, ao adquirir uma carteira de contratos de seguro, pode utilizar a apresentação expandida descrita no item 31. 12Disponível em: < http://static.cpc.mediagroup.com.br/Documentos/187_CPC_04_R1_rev%2008.pdf>. Acesso em: 22 fev 2017. Fl. 2969DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 791 31 90. Muitos fatores devem ser considerados na determinação da vida útil de ativo intangível, inclusive: (d) [...] (e) os ciclos de vida típicos dos produtos do ativo e as informações públicas sobre estimativas de vida útil de ativos semelhantes, utilizados de maneira semelhante; (f) [...] 94. A vida útil de ativo intangível resultante de direitos contratuais ou outros direitos legais não deve exceder a vigência desses direitos, podendo ser menor dependendo do período durante o qual a entidade espera utilizar o ativo. Caso os direitos contratuais ou outros direitos legais sejam outorgados por um prazo limitado renovável, a vida útil do ativo intangível só deve incluir o prazo de renovação, se existirem evidências que suportem a renovação pela entidade sem custo significativo. A vida útil de um direito readquirido reconhecido como ativo intangível em uma combinação de negócios é o período contratual remanescente do contrato em que o direito foi concedido e não incluirá períodos de renovação. 95. Podem existir tanto fatores econômicos como legais influenciando a vida útil de ativo intangível. Os fatores econômicos determinam o período durante o qual a entidade receberá benefícios econômicos futuros, enquanto os fatores legais podem restringir o período durante o qual a entidade controla o acesso a esses benefícios. A vida útil a ser considerada deve ser o menor dos períodos determinados por esses fatores. [...] Ativo intangível com vida útil definida Período e método de amortização 97. O valor amortizável de ativo intangível com vida útil definida deve ser apropriado de forma sistemática ao longo da sua vida útil estimada. [...]. A despesa de amortização para cada período deve ser reconhecida no resultado, a não ser que outra norma ou pronunciamento contábil permita ou exija a sua inclusão no valor contábil de outro ativo. [...] 99. A amortização deve normalmente ser reconhecida no resultado. [...] Portanto, do ponto de vista contábil, não há dúvidas de que a vida útil de um direito readquirido reconhecido como ativo intangível em uma combinação de negócios é o período contratual remanescente do contrato em que o direito foi concedido, e que tal amortização deve ser reconhecida no resultado do respectivo exercício. De todo modo, ressaltase que a Lei nº 11.941/2009, em seus artigos 15 a 24, instituiu o denominado Regime Tributário de Transição – RTT, tratando dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei nº 11.638/2007, e pelos arts. 37 e 38 da própria Lei nº 11.941/2009, sendo que o RTT teria início já no ano calendário de 2008 e vigeria até a entrada em vigor de lei que viesse a disciplinar os efeitos tributários dos novos métodos e critérios contábeis, buscando a neutralidade tributária. Fl. 2970DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 792 32 Com o intuito de manter a neutralidade tributária, buscavase, justamente, que fossem aplicadas as regras tributárias e contábeis vigentes até 31/12/2007 para cálculo dos tributos federais. Portanto, no período sob exame (anocalendário de 2009), vigiam sem quaisquer limitações os arts. 324 e 325 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), que assim dispõem: Art. 324. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, § 1º). § 1º Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de amortização não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem ou direito, ou o valor das despesas (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 2º). § 2º Somente serão admitidas as amortizações de custos ou despesas que observem as condições estabelecidas neste Decreto (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 5º). § 3º Se a existência ou o exercício do direito, ou a utilização do bem, terminar antes da amortização integral de seu custo, o saldo não amortizado constituirá encargo no período de apuração em que se extinguir o direito ou terminar a utilização do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 4º). § 4º Somente será permitida a amortização de bens e direitos intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Art. 325. Poderão ser amortizados: I o capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada, ou de bens cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo legal ou contratualmente limitado, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58): [...] c) custo de aquisição, prorrogação ou modificação de contratos e direitos de qualquer natureza, inclusive de exploração de fundos de comércio; [...] Ora, partindose do pressuposto utilizado pela autoridade fiscal autuante de que o negócio entabulado limitouse a aquisição dos direitos inerentes a uma carteira de clientes, não resta dúvida de que os artigos 324, e 325, I, “c”, do RIR/99 permitiriam que o custo de aquisição fosse amortizado no prazo estipulado em cada um dos contratos. Tratando se de seguros de veículos, não há dúvida que o padrão vigente é de contratos com duração de um ano. Em resumo, ou o direito adquirido é ativo intangível amortizável no prazo dos contratos de seguros adquiridos, ou, a quem entender não aplicável o art. 325, I, “c”, do RIR/99, é custo dos direitos de crédito adquiridos, devendo ser levado ao resultado em confronto com a receita respectiva (princípio da confrontação das despesas com as receitas e com os períodos contábeis). O que não se admite é entender que tal custo não venha a compor os resultados apurados pelo contribuinte, tachandoo de indedutível. Fl. 2971DF CARF MF Processo nº 16327.000498/201048 Acórdão n.º 1402002.403 S1C4T2 Fl. 793 33 Por conseguinte, o valor a ser contabilizado a débito de contas de resultado seria realizado em espaço de tempo muito menor do que via amortização de ágio, sendo que no primeiro caso o valor seria equivalente a todo o custo, enquanto nos moldes praticados pelo Recorrente somente o valor do ágio foi amortizado, permanecendo o restante ativado como investimento. Em outras palavras: o valor efetivamente deduzido pelo contribuinte na apuração de seus resultados foi menor do que se tivesse adotado a forma preconizada pela autoridade fiscal (aquisição de carteira de clientes). Com efeito, se a autoridade fiscal concluiu que o ágio amortizado pelo Recorrente era indedutível, deixou de analisar quais efeitos tributários decorreriam de sua classificação como uma mera aquisição de carteira de clientes. Se assim o fizesse, constataria, a toda evidência, que se o contribuinte seguisse tal entendimento, teria recolhido IRPJ e CSLL em valores inferiores ao que efetivamente recolheu. Logo, inexistindo vantagem tributária nas operações registradas pelo Recorrente, não há que se falar em planejamento tributário. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Fl. 2972DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726192/2015-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
IRPF. ISENÇÃO. NEOPLASIA MALIGNA. PROVA DA EXISTÊNCIA DA DOENÇA.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria e complementos de aposentadoria percebidos pelos portadores de neoplasia maligna, quando a patologia for comprovada, mediante laudo médico emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. A falta de indicação no laudo sobre o seu prazo de validade e sobre a possibilidade de controle da doença não pode ser razão para negar o direito à isenção, quando há laudo médico oficial que comprova a existência da doença.
Numero da decisão: 2202-003.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
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ISENÇÃO. NEOPLASIA MALIGNA. PROVA DA EXISTÊNCIA DA DOENÇA. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria e complementos de aposentadoria percebidos pelos portadores de neoplasia maligna, quando a patologia for comprovada, mediante laudo médico emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. A falta de indicação no laudo sobre o seu prazo de validade e sobre a possibilidade de controle da doença não pode ser razão para negar o direito à isenção, quando há laudo médico oficial que comprova a existência da doença. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 61 92 /2 01 5- 79 Fl. 93DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo (SP): Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2014, anocalendário 2013, da contribuinte acima identificada, procedeuse ao lançamento de ofício, originário da apuração das infrações abaixo descritas, por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em 27/07/2015, de fls. 06/10. (...) Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados, com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – Dirf, para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 28.312,15, conforme relacionado abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. (...) DA IMPUGNAÇÃO Devidamente intimada das alterações processadas em sua declaração, a contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento de fls. 02/03, alegando, em síntese, que: em relação à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica da fonte pagadora INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, no valor de R$ 25.126,36, informa que os rendimentos são isentos por serem proventos de aposentadoria, reforma ou pensão e suas respectivas complementações recebidos por portador de moléstia grave; anexa documentos e solicita análise de sua impugnação. Cientificada da decisão acima transcrita (AR fls. 60), a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 63/67, no qual alega que a DRJ não poderia ter negado o direito à isenção por não constar do laudo "informação se a doença é passível de controle e, em caso afirmativo, deveria conter o prazo de validade do referido laudo". Fl. 94DF CARF MF Processo nº 15504.726192/201579 Acórdão n.º 2202003.795 S2C2T2 Fl. 87 3 É o relatório Voto Conselheira Relatora JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. A isenção dos proventos de aposentadoria e reforma percebidos por portadores de moléstias graves foi disciplinada pelo art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 22/12/1.988, nos seguintes termos: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos recebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;”(grifamos) Com a publicação da Lei nº 9.250/95 foi incluída passou a ser exigido, para o reconhecimento das isenções, requeridas a partir de 1º de janeiro de 1996, que a doença fosse comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, nestes termos: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1.996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” De acordo com os dispositivos legais transcritos, dois são os requisitos para o gozo da isenção neles prevista: a) Que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão Fl. 95DF CARF MF 4 b) Que o contribuinte seja portador de alguma das moléstias previstas no texto legal comprovada "mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Embora a DRJ tenha reconhecido que os rendimentos recebidos pela Recorrente são oriundos de aposentadoria, apresentou às seguintes objeções ao Laudo médico emitido pela Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais (fls. 14): (...) cópia de um documento intitulado “Laudo de Junta Médica Oficial” emitido em 01/07/2015, pela Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais, e assinado por três médicos, fl. 06, em que consta que a servidora Rachel Neves Dourado, matrícula 61271, submeteuse à perícia médica e, com base na avaliação realizada, é considerada portadora de neoplasia maligna. Consta que o laudo foi elaborado naquela data, com vigência a partir de 12/11/2007 (data da primeira biópsia que confirmou a patologia), em caráter permanente, para fins do disposto no inc. XIV do art. 6o. da Lei 7.713/1988, nos termos da Emenda Constitucional no. 47/2005 e no Parecer no. 5.126/2010 da ProcuradoriaGeral desta Casa, fundamentado na jurisprudência do Superior de Justiça nele mencionada. Na fl. 09 deste processo há cópia do Resultado da Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL, lavrada em 03/08/2015, cujo indeferimento deveuse à: Conforme laudo pericial emitido pelo INSS, a isenção por moléstia grave alcança os períodos de 12/11/07 a 12/11/08, 31/07/09 a 31/07/10 e 31/03/14 a 20/03/16. Ressaltese que a contribuinte não anexou ao presente processo o laudo pericial emitido pelo INSS que explicita os períodos de isenção alcançados pela moléstia grave. No “Laudo de Junta Médica Oficial” não consta informação se a doença é passível de controle e, em caso afirmativo, deveria conter o prazo de validade do referido laudo. Conforme visto na fl 09, no laudo pericial emitido pelo INSS constavam os períodos em que a contribuinte estaria isenta do Imposto de Renda da Pessoa Física. Por meio dos períodos elencados, verificase que no anocalendário 2011 a contribuinte não estaria isenta do referido imposto Em resumo, duas foram as objeções apontadas pela DRJ: a) não consta do laudo a informação se a doença é passível de controle e, em caso afirmativo, o seu prazo de validade; b) o anocalendário objeto do pedido de isenção não está abrangido pelo laudo pericial emitido pelo INSS. Em primeiro lugar, cumpre ressaltar que a decisão recorrida faz menção, simultaneamente, a dois laudos periciais. O laudo emitido pela Assembléia Legislativa de Fl. 96DF CARF MF Processo nº 15504.726192/201579 Acórdão n.º 2202003.795 S2C2T2 Fl. 88 5 Minas Gerais, juntado pela Recorrente, e o laudo médico emitido pelo INSS. Em relação a este último, a própria decisão recorrida reconhece que este não se encontra nos autos. O laudo emitido pela Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais (fls. 14) traz as seguintes informações: a) A servidora Rachel Neves Dourado, matrícula 6127, submeteuse à perícia médica e foi considerada portadora de Neoplasia Maligna; b) o laudo foi elaborado em 01 de julho de 2015, com vigência a partir de 12/11/2007 (data da primeira biópsia que confirmou a patologia) em caráter permanente. c) o laudo foi emitido pela Junta médica da Assembléia Legislativa do Estado Minas Gerais composta pelos médicos Otávio Trivellato Soares, CRM 27129, Lourenço César Meneses Santos, CRM 29433 e Paulo Alves de Oliveira CRM 27.191. Incorretas, portanto, as objeções da decisão recorrida. Isso porque, a omissão quanto ao fato da moléstia ser ou não passível de controle não permite concluir que a doença era passível de controle e, portanto, que o laudo deveria prever um prazo de validade. Muito pelo contrário, se o laudo não afirma que a moléstia é passível de controle a conclusão lógica seria admitir que não é, uma vez que a competência para tal informação requer conhecimento técnico. De resto, é importante ressaltar que tais requisitos não estão dentre as previsões legais. A respeito do termo inicial da isenção, a Instrução Normativa SRF nº 15, de 06/02/2001, dispõe em seu artigo 5º, § 2º: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) § 2º A isenção a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.(grifamos) Os rendimentos glosados referemse ao anocalendário 2013, período abrangido pelo laudo médico que atesta que a doença diagnosticada em 12/11/2007. Em face do exposto, dou provimento do Recurso Voluntário (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 97DF CARF MF 6 Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721418/2014-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
REGRA DE SUBCAPITALIZAÇÃO. INAPLICÁVEL AO CASO.
Mesmo para uma holding pura, é equivocado afirmar que ela não exerce atividade econômica substantiva apenas porque tem por objeto a participação no capital de outras sociedades, com o fim de obter rendas decorrentes da distribuic¸ão de lucro e do ganho de capital.
Uma holding desenvolve atividade econo^mica substantiva quando possui, na jurisdic¸a~o de seu domici´lio, capacidade operacional compati´vel para exercer a gesta~o do grupo econo^mico, especialmente para tomar deciso~es relativas a` administrac¸a~o de seus ativos e de suas participac¸o~es societa´rias. A capacidade operacional e´ mensurada pela existe^ncia de instalac¸o~es fi´sicas e de nu´mero de empregados qualificados para exercer a administrac¸a~o do grupo de forma compati´vel com a complexidade das func¸o~es exercidas.
INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. DESPESA COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DEDUTÍVEL.
A norma não prevê uma forma para a demonstração da suposta rentabilidade futura e não dispõe expressamente sob contemporaneidade com a incorporação.
Não havendo capital aplicado na aquisição de direito de exploração de subconcessão imprópria de serviço público no momento da assinatura do contrato, não há também, à luz do art. 325, I, do RIR/99, que ser feito qualquer registro no ativo a título de intangível neste momento
A metodologia do fluxo de caixa descontado (FCD) é amplamente aceita, inclusive é um dos métodos de avaliação aceitos pela CVM, conforme expressamente dispõe o § 4º do art. 4º da Lei 6.404/76. O ROIC calculado sobre valores projetados altera totalmente a inteligência de tal índice, além do que falta autorização legal para que seja utilizado como referencial de análise da qualidade de avaliações de empresas pelo FCD.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 1302-002.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, e, no mérito, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso voluntário quanto à glosa de despesas de juros (subcapitalização); e em REJEITAR a preliminar de decadência com relação à glosa de amortização de ágio; e, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso para cancelar a glosa amortização de ágio. Vencido o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, que solicitou a apresentação de declaração de voto.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO- Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Julio Lima Souza Martins (Suplente Convocado) Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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(denominação atual de Teconvi S/A Terminais de Contêineres do Vale do Itajaí). Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 REGRA DE SUBCAPITALIZAÇÃO. INAPLICÁVEL AO CASO. Mesmo para uma holding pura, é equivocado afirmar que ela não exerce atividade econômica substantiva apenas porque tem por objeto a participação no capital de outras sociedades, com o fim de obter rendas decorrentes da distribuicã̧o de lucro e do ganho de capital. Uma holding desenvolve atividade econômica substantiva quando possui, na jurisdição de seu domicílio, capacidade operacional compatível para exercer a gestão do grupo econômico, especialmente para tomar decisões relativas à administração de seus ativos e de suas participações societárias. A capacidade operacional é mensurada pela existência de instalações físicas e de número de empregados qualificados para exercer a administração do grupo de forma compatível com a complexidade das funções exercidas. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. DESPESA COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DEDUTÍVEL. A norma não prevê uma forma para a demonstração da suposta rentabilidade futura e não dispõe expressamente sob contemporaneidade com a incorporação. Não havendo capital aplicado na aquisição de direito de exploração de subconcessão imprópria de serviço público no momento da assinatura do contrato, não há também, à luz do art. 325, I, do RIR/99, que ser feito qualquer registro no ativo a título de intangível neste momento A metodologia do fluxo de caixa descontado (FCD) é amplamente aceita, inclusive é um dos métodos de avaliação aceitos pela CVM, conforme expressamente dispõe o § 4º do art. 4º da Lei 6.404/76. O ROIC calculado sobre valores projetados altera totalmente a inteligência de tal índice, além do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 14 18 /2 01 4- 74 Fl. 5581DF CARF MF 2 que falta autorização legal para que seja utilizado como referencial de análise da qualidade de avaliações de empresas pelo FCD. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, e, no mérito, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso voluntário quanto à glosa de despesas de juros (subcapitalização); e em REJEITAR a preliminar de decadência com relação à glosa de amortização de ágio; e, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso para cancelar a glosa amortização de ágio. Vencido o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, que solicitou a apresentação de declaração de voto. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Julio Lima Souza Martins (Suplente Convocado) Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0369.259 da 2ª Turma da DRJ/BSB, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 SUBCAPITALIZAÇÃO Os juros pagos ou creditados por fonte situada no Brasil à pessoa jurídica domiciliada ou constituída no exterior, em pais com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado, nos termos dos arts. 24 e 24A da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, somente serão dedutíveis, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, quando se verifique constituírem despesa necessária à atividade, conforme definido pelo art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, no período de apuração, atendendo cumulativamente ao requisito de que o valor total do somatório dos endividamentos com todas as entidades situadas em país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado não seja superior a 30% (trinta por cento) do valor do patrimônio líquido da pessoa jurídica residente no Brasil. Fl. 5582DF CARF MF Processo nº 11516.721418/201474 Acórdão n.º 1302002.011 S1C3T2 Fl. 5.578 3 DECADÊNCIA. PRAZO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO Na hipótese de lançamento por homologação, inexistindo disposição legal diversa à do CTN e ocorrendo a antecipação do pagamento sem prévio exame do Fisco, a decadência de a Fazenda Pública efetuar o lançamento operase após cinco anos, contados do fato gerador, sem que aquela tenha se pronunciado. Inexistindo antecipação do pagamento, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera empresa veículo para transferência do ágio à incorporadora. Nas operações estruturadas em sequência, deve a fiscalização apurar se cada uma das etapas realizadas tem propósito negocial. Caso não tenham, devese considerar, para fins tributários, o conjunto das operações como um todo e não as etapas isoladas. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O dispositivo do acórdão recorrido assim dispõe: “Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, rejeitar preliminares suscitadas; afastar a decadência; cancelar o valor referente a infração do excesso de juros creditados a mutuante estabelecido no exterior sob regime fiscal privilegiado para o fato gerador de 31/12/2009, no valor tributável de R$ 501.522,34. Mantendo todo o resto. Declarar definitivo na esfera administrativa as infrações relativas às variações cambiais.” A recorrente, cientificada do Acórdão nº 0369.259 em 15/09/2015 (AR a fls. 3373), interpôs, em 14/10/2015 (carimbo da ARFItajaí a fls. 3374), recurso voluntário (doc. a fls. 3374 e segs.), no qual aduz, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que a presente autuação deve integralmente ser cancelada em razão dos seguintes fundamentos: Fl. 5583DF CARF MF 4 b) quanto ao item Subcapitalização: b.1) que é nula a decisão da DRJ que deixou de analisar todos os fundamentos e documentos apresentados pela Recorrente ao longo da Impugnação que demonstram que a infração relativa a subcapitalização deve ser integralmente cancelada, uma vez que a APMM, apesar de ser uma holding company, exerce de fato atividade econômica substantiva. não estando sujeita a nenhum regime fiscal privilegiado na Dinamarca; b.2) que a APMM, tomadora do empréstimo contraído pela Recorrente, não preenche nenhum dos requisitos exigidos pelo art. 24A da Lei n° 9.420/96 para que possa vir a ser caracterizada como pessoa jurídica sujeita a regime fiscal privilegiado, pois: b.2.1) todas as rendas auferidas pela APMM estavam sujeitas a tributação pelo imposto de renda sob a aliquota de 25% nos anos de 2009 a 2012, exceto quando presentes isenções específicas na legislação (isenções essas que não alcançam os juros pagos pela Recorrente); b.2.2) a APMM é pessoa jurídica residente na Dinamarca que não possui vantagens fiscais e exerce atividade econômica substantiva, quer seja em relação à atividade de participação societária, quer seja em relação à atividade de produção e exploração de petróleo e atividades de navegação; b.2.3) os juros pagos pela Recorrente estão sujeitas a tributação pela Dinamarca, tanto que o Brasil possui acordo para evitar a dupla tributação com a Dinamarca; e, b.2.4) a Dinamarca não tem restrições quanto ao acesso a informações da pessoa jurídica dinamarquesa e, além disso, o acordo para evitar a dupla tributação entre Brasil e Dinamarca prevê mecanismos para a troca de informações entre os países; b.3) que deve ser cancelada a autuação até junho de 2010, uma vez que a lista de regime fiscal privilegiado prevista pela IN RFB n° 1.037/2010 é taxativa e, por isso, as regras de subcapitalização presentes no art. 25 da MP 472/09 e 12.249/10 só podem ser aplicadas após a edição da mencionada lista que ocorreu em junho de 2010; b.4) que é impossível a aplicação das regras de subcapitalização anteriormente a 09/2010 para a CSLL e 01/2011 para o IRPJ, uma vez que, por representarem majoração de tributos, mencionadas normas estão sujeitas aos princípios da anterioridade e da anterioridade nonagesimal, cujo dies a quo e a data da publicação da Lei n° 12.249/10, resultado da conversão da MP n° 472/09, haja vista as profundas alterações sofridas pela MP durante sua tramitação no Congresso Nacional; c) quanto ao item relativo ao Ágio; c.1) que não há qualquer fundamento jurídico para a DRJ considerar ilegítimos os laudos de expectativa de rentabilidade futura que fundamentam a decisão dos investidores e, desse modo, entender que a Recorrente não teria direito a dedução das despesas de ágio da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, uma vez que não havia previsão em lei estabelecendo que o estudo de rentabilidade futura deve ser anterior a operação que deu origem ao ágio; c.2) que a motivação econômica do ágio pago na aquisição do investimento na Recorrente não estava fundamentada na aquisição do direito de concessão, isto é, um ativo intangível, mas sim integralmente justificado com base na expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido, conforme suportado pelos estudos realizados à época pelo Grupo APM Terminals e posteriormente pelos Relatórios de Avaliação da PwC; c.3) que a amortização do ágio realizada pela Recorrente é totalmente válida e legítima, já que preenchidos os requisitos dos artigos 385 e 386 do RIR, tendo origem em atos que obedeceram a forma válida, tiveram objeto lícito, bem como foram respaldados em Fl. 5584DF CARF MF Processo nº 11516.721418/201474 Acórdão n.º 1302002.011 S1C3T2 Fl. 5.579 5 legítimos propósitos negociais, societários e regulatórios, não sendo possível qualificálos como abusivos, motivo pelo qual são plenamente oponíveis ao Fisco, não sendo também possível caracterizar a Technical e a Itajai como "empresa veículo" para a transferência do ágio; c.4) que foram observados os requisitos básicos para que seja reconhecido o direito à amortização do ágio: (a) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; (b) a realização das operações originais entre partes não dependentes; (c) a demonstração da fundamentação econômica do ágio pago com base na expectativa de rentabilidade futura, fatos esses incontroversos nos autos do presente processo administrativo; c.5) que a recorrente agiu em absoluta conformidade com a legislação aplicável e não obteve economia fiscal indevida, uma vez que o resultado tributário obtido nas operações realizadas poderia ter sido atingido, inclusive, por meio de outras operações societárias; c.6) que não existia dispositivo legal à época dos fatos que impedisse a dedutibilidade do ágio da base de cálculo da CSLL, tampouco qualquer norma que estendesse a essa contribuição as disposições relativas ao IRPJ, motivo pelo qual não há qualquer óbice ou limitação quanto à amortização do ágio para a CSLL; d) que o Auto de Infração tem por objeto período já atingido pela decadência, já que no ano de 2014 não caberia mais as autoridades fiscais requalificar as operações societárias realizadas em 2005 e 2007; e) que deve ser cancelada a cobranca dos juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, sobre a multa de oficio lançada no Auto de Infracao; f) que requer o conhecimento e provimento do presente recurso voluntário, por qualquer um dos fundamentos aqui apresentados, a fim dc que seja determinado o imediato e integral cancelamento do auto de infração em comento com a consequente desconstituição dos créditos tributários, bem como o restabelecimcnto dos saldos de prejuízo fiscal e base negativas utilizados pela autoridade lançadora. A fls. 5525 e segs., a D. Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, nas quais, pelos fundamentos ali expendidos, requer seja negado provimento in totum ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, mantendose incólume o lançamento fiscal questionado. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme art. 30 do Estatuto Social (a fls. 2026), razão pela qual voto pelo seu conhecimento. Vale ressaltar que a recorrente reconheceu a procedência dos lançamentos referentes a “adições não computadas de variações cambiais ativas em operações liquidadas (regime de caixa), bem como exclusão indevida e adição não computada de variação Fl. 5585DF CARF MF 6 cambial passiva em operação não liquidada (regime de competência)”, conforme expressamente declarado em sua impugnação, no parágrafo 4 a fls. 1890 e no parágrafo 416 a 419 a fls. 1992. Assim, as questões postas em julgamento resumemse à aplicação da norma de subcapitalização aos empréstimos contraídos pela recorrente e a glosa de despesa e de exclusão relativas à amortização do ágio, ou seja, itens 001, 003 e 005 do auto de infração do IRPJ e itens 001, 002 e 005 do auto de infração da CSLL. De plano, observo que a Súmula CARF nº 2 dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DA GLOSA DAS DESPESAS DE JUROS (SUBCAPITALIZAÇÃO) Em preliminar, o recorrente alega que a decisão da DRJ é nula, pois deixou de analisar todos os fundamentos e documentos, por ele, apresentados. Não procede a alegação, pois a DRJ se pronunciou sobre a questão, se não vejamos o seguinte excerto da decisão recorrida: “Dessa forma, não se pode entender que em 2009, antes da IN RFB nº 1.037/2010, a Dinamarca teria um regime fiscal privilegiado, em assim, sendo para o anocalendário de 2009 a glosa aqui analisada não tem razão de ser, e deve ser cancelada. Por outro lado, em relação aos outros anoscalendário, em que pese as alegações da impugnante, a Dinamarca está prevista na IN RFB nº 1.037/2010 como sendo um pais de regime fiscal privilegiado. Quanto à APMM para a caracterização dela (mutuante) como pessoa jurídica sob regime fiscal privilegiado, primeiramente ela está constituída na Dinamarca, fato incontroverso. Segundo estar constituída como Holding Company, também fato incontroverso. Quanto à empresa APMM exercer atividade econômica substantiva a alegação é basicamente que suas subsidiárias exercem atividades econômicas, contudo, a empresa APMM em questão parece que apenas tem participações em outras empresas. Dessa forma, como a APMM não conseguiu provar que exerce atividade econômica substantiva, não há reparos adicionais a fazer nesta infração.” O acórdão recorrido sustenta que a recorrente não demonstrou que a APMM exercia atividade econômica substantiva. Embora o voto do relator não esclareça o que ele entende por atividade econômica substantiva, sustentou que uma sociedade cujo objeto seja participar do capital de outras sociedades (holding pura) não exerce atividade econômica substantiva. Assim, pela interpretação da DRJ bastava restar demonstrado que a APMM (mutuante) era um holding pura domiciliada na Dinamarca, para se concluir que gozava de regime fiscal privilegiado, razão pela qual tornaramse despiciendos todos os argumentos e provas apresentados pelo recorrente. Assim, tendo a DRJ apresentado fundamento suficiente para a sua decisão, não estava obrigada a analisar cada um dos documentos e argumentos apresentados pelo recorrente, conforme pacífico entendimento dos nossos tribunais, muito bem resumido no seguinte acórdão: Fl. 5586DF CARF MF Processo nº 11516.721418/201474 Acórdão n.º 1302002.011 S1C3T2 Fl. 5.580 7 “AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.130.754 RS (2009/01224909) RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS AGRAVANTE : VITASSIR ÂNGELO FERRAREZE ADVOGADO : LUIZ JUAREZ NOGUEIRA DE AZEVEDO E OUTRO(S) AGRAVADO : DARCI ÂNGELO TICIANI ADVOGADO : CAITANO GATTO EMENTA 1. A leitura do acórdão evidencia que a decisão foi proferida de maneira clara e precisa, contendo fundamentos de fato e de direito suficientes para uma prestação jurisdicional completa. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. (...)”. Desta forma, afasto a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. Por outro lado, no mérito, há que se analisar se basta demonstrar que a APMM era uma holding pura domiciliada na Dinamarca, para se concluir que ela gozava de regime fiscal privilegiado. Inicialmente, cabe trazer a lume, a Instrução Normativa 1037/10, cujo inciso II do seu art. 2º assim dispõe: “Art. 2º São regimes fiscais privilegiados: (...) II com referência à legislação da Dinamarca, o regime aplicável às pessoas jurídicas constituídas sob a forma de holding company que não exerçam atividade econômica substantiva. (...)”. Há que se interpretar este dispositivo cum granus salis, pois concordo com o autuante quando sustenta que existem três condições para se considerar que, como base no dispositivo acima, uma pessoa jurídica esteja usufruindo de um regime fiscal privilegiado: primeiro, que esteja domiciliada na Dinamarca; segundo que seja uma Holding Company; e, terceiro, que não exerça atividade econômica substantiva. Ora, o fato de ser uma holding não pode ser tido, por si só, como razão para concluir que não exerça atividade econômica substantiva, pois, se assim fosse, bastava que a norma dispussesse sobre duas condições: holding company sediada na Dinamarca. Por essa razão, há que se perquirir o que seja “atividade econômica substantiva”, pois é incontroverso que a mutuante é uma holding company sediada na Dinamarca. Incialmente, ressalto que consta, no sítio da RFB na Web, a Consulta Pública RFB nº 007/2016, de 30/05/2016, cujo assunto é justamente: “Definição de atividade econômica substantiva para fins de identificaçaõ de regimes fiscais privilegiados”. Anexa a referida Consulta, consta uma exposição de motivos de minuta de instrução normativa, a qual vale ser trazida à colação: Fl. 5587DF CARF MF 8 “Em cumprimento ao dever institucional de atualização e melhoria dos atos normativos, identificouse a necessidade de estabelecer uma definiçaõ para o termo “atividade econômica substantiva” para fins de identificaçaõ de regimes fiscais privilegiados, previstos no art. 2o da IN RFB no 1.037, de 4 de junho de 2010, que relaciona países ou dependências com tributaçaõ favorecida e regimes fiscais privilegiados. 2. Diferentemente da classificacã̧o europeia das atividades empresariais em econômicas (compra e venda de bens e serviços) e nãoeconômicas (as outras), o conceito de substância econômica é fundamental para distinguir entre investimentos produtivos, que geram emprego e renda no país, e investimentos meramente especulativos, que visam apenas auferir ganhos sem contrapartida socioeconômica. Ao estabelecer critérios objetivos de recursos humanos e materiais compatíveis com as atividades realizadas, o conceito de substância econômica permite a extensão de incentivos fiscais a atividades essencialmente gerenciais, que não representam compra ou venda de bens ou serviços. 3. No am̂bito do Projeto BEPS (Base Erosion and Profit Shifting), criado pelo G20 em parceria com a OCDE, com objetivo de prevenir a erosão da base tributável de lucros de garantir que as atividades econômicas estivessem sendo tributadas onde estivessem gerando valor, o conceito de substância econômica foi amplamente discutido, especialmente na Açaõ 5, que trata do combate às práticas tributárias danosas. 4. Desde a edicã̧o do relatório da OCDE sobre regimes preferenciais prejudiciais de 1998, há um consenso acerca da necessidade de que os regimes dos países não incentivem os contribuintes a realizarem operações ou acordos que tenham puramente o objetivo de reduzir tributo. A fim de combater de forma eficaz o uso de tais regimes, a Acã̧o 5 condicionou a comprovacã̧o da atividade econômica substancial para que o regime não seja declarado prejudicial. No contexto do projeto BEPS, essa exigen̂cia contribui para assegurar que os lucros tributáveis em um país não sejam artificialmente deslocados para jurisdicõ̧es de baixa tributacã̧o. 5. O Fórum de Práticas Danosas (FHTP Forum on Harmful Tax Practices) no am̂bito da OCDE também leva em consideração o critério da substância econômica para analisar se o regime fiscal privilegiado é prejudicial ou não. Dentre as abordagens utilizadas para se verificar se atividade desenvolvida pelo contribuinte é substantiva, temse a abordagem que requer que o contribuinte desenvolva atividades relacionadas a sua principal atividade (core business) e que sejam legalmente os proprietários dos ativos que dão origem ao benefício fiscal e, por fim, que os contribuintes suportem os riscos econômicos relacionados às atividades. 6. Assim, entendese que uma holding que desenvolve atividade econômica substantiva é aquela possui, na jurisdicã̧o de seu domicílio, capacidade operacional compatível para exercer a gestão do grupo econômico. Especialmente para tomar decisões relativas à administração de seus ativos e de suas participações Fl. 5588DF CARF MF Processo nº 11516.721418/201474 Acórdão n.º 1302002.011 S1C3T2 Fl. 5.581 9 societárias. Por fim, é importante destacar que a capacidade operacional é mensurada pela existência de instalações físicas e de número de empregados qualificados para exercer a administração do grupo de forma compatível com a complexidade das funcõ̧es exercidas. 7. Essas são as razões que justificam a elaboração da instrução normativa que ora se submete a Consulta Pública.”. Vale ressaltar o disposto no parágrafo 6 da exposição de motivos acima transcrita, segundo o qual entendese que uma holding desenvolve atividade econômica substantiva quando: a) possui, na jurisdição de seu domicílio, capacidade operacional compatível para exercer a gestão do grupo econômico, especialmente para tomar decisões relativas à administração de seus ativos e de suas participacõ̧es societárias; e b) que a capacidade operacional é mensurada pela existência de instalações físicas e de número de empregados qualificados para exercer a administração do grupo de forma compatível com a complexidade das funções exercidas. A interpretação dada no parágrafo 6 da exposição de motivos foi seguida de uma proposta de instrução normativa nessa mesma linha, se não vejamos como dispõe seu art. 1º da minuta de IN: “Art. 1º Para fins de identificação de regimes fiscais privilegiados previstos no art. 2o da Instruçaõ Normativa no 1.037, de 4 de junho de 2010, entendese que a pessoa jurídica legalmente constituída sob a forma de holding exerce atividade econômica substantiva quando possui, no seu país de domicílio, capacidade operacional e instalacõ̧es adequadas para o exercício da gestão e efetiva tomada de decisões relativas: I ao desenvolvimento das atividades com o fim de obter rendas derivadas dos ativos de que dispõe, exceto rendas decorrentes da distribuição de lucro e do ganho de capital; ou II à administração de participacõ̧es societárias com o fim de obter rendas decorrentes da distribuição de lucro e do ganho de capital.” A interpretação acima é bem razoável, na medida em que não anulou o sentido da expressão “atividade econômica substantiva” e deu um conceito que reconhece a substância econômica de holdings puras, ou seja, de sociedades que se dedicam apenas a manter investimentos em outras empresas e, assim sendo, seu patrimônio é composto basicamente de ações de outras sociedades. Tomando a interpretação proposta pela RFB na referida minuta como razoável, cabe agora perquirir as razões pelas quais o autuante entendeu que a recorrente não desenvolvia atividade econômica substantiva, ressaltando, conforme já dito, que, no acórdão recorrido, nenhuma definição foi dada ou citada sobre o que venha a ser “atividade econômica substantiva”. No item 3.3 do TVF ( a fls. 1754 e segs.), intitulado “Enquadramento da mutuante AP Moller – Maersk em regime fiscal privilegiado, o autuante sustenta que: Fl. 5589DF CARF MF 10 “Como visto no subtópico 3.1, há três requisitos para que se configure a mutuante AP MOLLER – MAERSK como uma pessoa jurídica sob regime fiscal privilegiado: (i) estar constituída na Dinamarca; (ii) sob a forma de holding company; e (iii) não exercer atividade econômica substantiva. Quanto a estar constituída na Dinamarca, não há qualquer dúvida a respeito. Por exemplo: no item INI.25 do TIAF (fl. 6) foram solicitados os Contratos de Câmbio (CC) relativos ao empréstimo contraído junto à AP MOLLER – MAERSK. Não obstante a FISCALIZADA não ter fornecido todos os CCs que ampararam as operações, podese constatar, dentre os apresentados, a identificação da A.P. MOLLER – MAERSK A/S, na Dinamarca, como “pagador no exterior” (no caso de CC de compra = ingresso de dólares no Brasil – vide Figura 2) ou do “recebedor no exterior” (no caso de CC de venda = saída de dólares do Brasil – vide Figura 3). Como exemplo: (...) No que se refere a mutuante AP MOLLER – MAERSK tratarse de uma holding company, a questão foi levantada no item 1.15 do TIF nº 1 (fl. 32). A resposta da FISCALIZADA, expressa no arquivo “DSU 1842013 Resposta à intimação 1.15.docx”, é inequívoca: “Informamos que a empresa A.P. Moller – Maersk A/S é sociedade constituída sob a forma de holding company da A.P. Moller – Maersk Group” (impressão à fl. 54). A FISCALIZADA não respondeu de forma clara e direta à indagação principal elaborada pela fiscalização no item 1.16 do TIF nº 1 (fl. 32), qual seja, se a AP MOLLER – MAERSK explorou, a partir de 2009, alguma atividade empresarial que não apenas a participação no capital de outras sociedades. Todavia, as informações prestadas não deixam dúvidas de que a holding company AP MOLLER – MAERSK não exerce diretamente atividade econômica substantiva. Senão, vejase. Na planilha “Breve História” do arquivo “1.16.xlsx” são citadas as principais áreas de atuação das empresas que compõem o grupo AP MOLLER – MAERSK: O grupo A.P. Moller Maersk foi fundado em 1904 na Dinamarca. Atualmente possui cerca de 108.000 funcionários em 130 países. O grupo tem presença global e é composto por empresas nos setores de navegação, energia e negócios similares. Suas frotas de transporte de contêineres, navios tanque e serviços logísticos movem uma grande parte dos produtos que são diariamente distribuídos ao redor do globo. Suas empresas de óleo e gás fornecem energia de fontes na Europa, África e Oriente Médio. Outras unidades de negócio prestam serviços de abastecimento, perfuração de reboque e de emergência, e inclui ainda uma grande rede varejista européia. No mesmo arquivo “1.16.xlsx”, agora na planilha “Item 1.16”, consta um rol das atividades em que atuam as empresas subsidiárias da holding AP MOLLER – MAERSK, bem como a Fl. 5590DF CARF MF Processo nº 11516.721418/201474 Acórdão n.º 1302002.011 S1C3T2 Fl. 5.582 11 representatividade dessas atividades na receita bruta do grupo entre 2009 e 2012. Tais informações estão compiladas na Tabela 2 a seguir. (...) Sendo assim, os encargos decorrentes dos empréstimos tomados pela FISCALIZADA junto à AP MOLLER – MAERSK estão sujeitos ao limite de dedutibilidade de que trata o art. 25 da Medida Provisória nº 472, de 2009, convertida na Lei nº 12.249, de 2010.”. Do trecho do TVF acima transcrito, fica claro que o autuante sustenta que a APMM, por ser uma holding pura, não exerce atividade econômica substantiva. Em outras palavras o autuante sustenta que a atividade de controlar outras empresas não se constitui um atividade econômica substantiva. Ora, tomando a definição de “atividade econômica substantiva” proposta pela RFB como razoável, já teríamos que afastar de plano o entendimento sustentado no TVF, pois cabia ao autuante perquirir se a APMM tinha capacidade operacional e instalacõ̧es adequadas, na Dinamarca, para o exercício da gestão e efetiva tomada de decisões relativas à administração das empresas que controla em mais de 130 países, com o fim de obter rendas decorrentes da distribuiçaõ de lucro e do ganho de capital. Nisso reside o maior equívoco da autuação em tela, pois não se pode negar substância econômica à atividade exercida por holdings puras, logo, o que se deveria ter investigado era se a APMM possuía capacidade operacional e instalações adequadas para atividades própria de uma holding pura com presença, por meio de suas contradas, em 130 países e com 108 mil empregados. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode determinar que se refaça o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente, mesmo porque, in casu, isso importaria em reabrir a investigação, para verificarmos qual a capacidade operacional e as instalações da APMM. Por essas razões, entendo que não restou demonstrado pela Fiscalização que a APMM não exercia atividade econômica substancial, razão pela qual entendo inaplicável na espécie o art. 25 da Medida Provisória nº 472, de 2009, convertida na Lei nº 12.249, de 2010. Ademais, notese que, no trecho do TVF acima referido, restou bem demonstrado que a APMM controla várias empresas com atuação na área de petróleo e gás, terminais, navios tanques e outros negócios, como também, que o grupo existe desde 1904 e emprega 108 mil funcionários. Assim, não se trata de uma holding que esteja a especular com a compra e venda de participações em outras empresas, mas de uma holding que representa um grupo que explora efetivamente atividades econômicas substantivas em específicos setores. Outras informações trazidas pela recorrente em sua impugnação, as quais, embora não tenham sido verificadas pelas autoridades julgadora de primeira instância nem analisadas pela fiscalização, vêm corroborar com esse entendimento, em especial, a alegação da recorrente de que o Acordo do Mar do Norte, firmado entre a APMM e o Ministério do Comércio e da Economia Dinamarquês, no ano de 2003, dispõe que a APMM e a Maersk Olie og Gas A/S detêm o direito de explorar petróleo (hidrocarboneto) do solo dinamarquês até o ano de 2042. Alerto que não consta dos autos a tradução juramentada do referido acordo documento 12, razão pela qual o tomo como simples alegação. Fl. 5591DF CARF MF 12 Por essas razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário neste ponto. GLOSAS DE DESPESA E DE EXCLUSÃO RELATIVAS À AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO Em preliminar de mérito, a recorrente alega que o Auto de Infração tem por objeto período já atingido pela decadência, já que no ano de 2014 não caberia mais as autoridades fiscais requalificar as operações societárias realizadas em 2005 e 2007. Tratase de um rotundo equívoco da recorrente, pois a decadência, como perda do direito potestativo de o Fisco efetuar o lançamento tributário, tem sempre como baliza, seja diretamente (art. 150, § 4º, do CTN) ou indiretamente (art. 173, I, do CTN), o fato gerador do tributo. Pelo art. 150, § 4º, do CTN, o dies a quo do prazo decadencial é a própria data do fato gerador do tributo, já, na regra do art. 173, I, do CTN, o primeiro dia do exercício seguinte ao que o Fisco poderia lançar, o que exige também que primeiro identifiquemos a data do fato gerador do tributo, para depois concluir quando o Fisco poderia ter efetuado o lançamento. Ora, o recorrente tenta alterar a disciplina legal para sustentar que o marco do prazo decadencial tributário seria o fato gerador do ágio contabilizado, ou seja, a data do evento do qual resultou o registro contábil do ágio, o que é totalmente infundado. O fato gerador que fixa a decadência tributária é aquele que faz nascer o tributo e, o pagamento do ágio não gera qualquer impacto nas bases tributáveis do investidor naquele momento. Ademais, a despesa com amortização do ágio é apenas um elemento que irá compor a base tributável do fato gerador em tela, sendo que todos os elementos que compõem tal base tributável são auditáveis pelo Fisco, logicamente, dentro do prazo decadencial fixado no CTN. É, por isso, que o legislador ordinário previu a obrigatoriedade de o contribuinte guardar a documentação comprobatória de eventos que possam impactar resultados tributáveis futuros, se não vejamos como dispõe o art. 37 da Lei 9.430/96. Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Por essas razões, voto por afastar a preliminar de decadência. No mérito, inicialmente, cabe esclarecer que, neste tópico, reside tanto a glosa de despesas com amortização do ágio na contabilidade; como a glosa de exclusão relativa a amortização do ágio controlado na parte B do Lalur (parcela do ágio que já havia sido amortizado contabilmente antes da incorporação). Antes de adentrarmos no mérito, vale expor de maneira resumida as operações em tela, se não vejamos o que se segue. A recorrente, antes denominada Teconvi S/A (alteração ocorrida na AGE de 15/10/2010) tinha o seu quadro societário assim formado: Cattaliini – 23,65% Fecajo – 0,92% Itajai Açu Participações – 7,54% Marcon – 21,34 Consórcio Sta. Catarina, assim formado: Andraus – 15,79% Fl. 5592DF CARF MF Processo nº 11516.721418/201474 Acórdão n.º 1302002.011 S1C3T2 Fl. 5.583 13 EEJ – 17,73% Kanian – 7,11% Bernadi – 5,91% Por sua vez, o quadro societário de Itajaí Açu Participações era assim formado: Cattaliini – 25,58% Fecajo – 1,00% Marcon – 23,08% Consórcio Sta. Catarina, assim formado: Andraus – 17,08% EEJ – 19,18% Kanian – 7,69% Bernadi – 6,39% Em 2005, a Cattalini adquiriu participações do Consórcio Sta. Catarina e de Marcon tanto na Teconvi como na Itajaí Açu e vendeu para a Technical (empresa do Grupo dinamarquês AP Moller Maersk): 2.817.500 ações da Teconvi e 390.000 ações da Itajaíaçu. Nesta operação, a Technical registrou um ágio pago na aquisição no valor de R$ 70.716.331,70 (vide TVF a fls. 1766). Em 2007, a Technical detinha 46,23% do capital social da Teconvi e 50% do capital social da Itajaí Açu. Da mesma forma, a Cattalini detinha 46,23% do capital social da Teconvi e 50% do capital social da Itajaí Açu. A Itajai Açu detinha 7,54% do capital social da Teconvi. Neste ano, a Itajaí Investimentos empresa controlada pelo mesmo grupo dinamarquês que controlava a Technical adquiriu as participações da Cattalini tanto na Teconvi como na Itajaí Açu e registrou um ágio de R$ 59.736.222,20 na aquisição das ações da Teconvi (vide TVF a fls. 1769). Após essas operações, tanto a Tecnical como a Itajaí Investimentos detinham cada uma 50% da Itajaí Açu e 46,23% da Teconvi (lembrando que a Itajaí Açu detinha 7,54% da Teconvi). Seguemse, então, várias operações, das quais, para a questão posta em julgamento, cabe apenas ressaltar que a Teconvi incorporou, em 30/11/2007, a Technical e a Itajai Açu e, em 30/11/2009, a Itajaí Investimentos. Conforme o TVF a fls. 1762, a glosa das amortizações de ágio são fundamentadas em quatro pontos: “i) Inexistência de documentos contemporâneos às aquisições que atestassem a suposta rentabilidade futura, contrariando expressa previsão legal. Os “Relatórios de Avaliação” adotados pela FISCALIZADA foram elaborados após as aquisições (subtópico 4.4 do TVF); ii) Desvirtuamento do verdadeiro fundamento do ágio, qual seja, a mais valia da concessão para operar as instalações do Porto de Itajaí até dezembro/2025. Tratase de um ativo intangível para o qual a legislação fiscal não autoriza a amortização (subtópico 4.5 do TVF); Fl. 5593DF CARF MF 14 iii) Os “Relatórios de Avaliação” terem se baseado exclusivamente em pressupostos e estimativas fornecidos pela Administração da empresa, o que levou a expectativas de rentabilidade futura desarrazoadas, senão impossíveis (subtópico 4.6 do TVF); e iv) As aquisições terem sido realizadas por investidor estrangeiro, o qual valeuse de “empresas veículo” constituídas no País visando exclusivamente ao aproveitamento fiscal do ágio (subtópico 4.7 do TVF).”. Quanto à inexistência de documentos contemporâneos às aquisições que atestassem a suposta rentabilidade futura, cabe inicialmente, trazer à colação a norma do RIR/99 na qual a Fiscalização se baseou, in verbis: “Art. 385. Omissis. (...) § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): (...) II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; (...) § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º).” É importante observar que a norma não prevê uma forma pela qual a demonstração deva ser feita. Além disso, a norma não fala expressamente sob contemporaneidade, mas é lógico que, se o contribuinte não tivesse guardado as informações, não teria como formalizar uma demonstração quando solicitado pelo Fisco, o que poderia ocorrer enquanto não decaídos os fatos geradores cujas bases tributáveis foram impactadas pela amortização do ágio. Assim, o contribuinte não pode deixar para elaborar tais demonstrações quando e se for intimado pelo Fisco a fazêlo, pois seja laudo ou qualquer outra forma escolhida para responder ao Fisco, as informações deverão guardar coerência com o contexto fático do momento em que se deu a operação da qual resultou o registro do ágio. No caso em tela, notese que o Termo de Início de Fiscalização data de 03/10/2013 e os dois laudos de avaliação elaborados pela Price WaterHouseCoopers (doc. a fls. 965 a 1095) foram elaborados em 15 de outubro de 2007, do que se conclui que não foram elaborados ad hoc para atender a Fiscalização em tela. No que tange à aquisição pela Itajaí Investimentos das ações tanto da Teconvi como da Itajai Açu, ocorrida em junho de 2007, a situação ainda é mais tranquila, pois não há como falar em falta de contemporaneidade se o laudo foi elaborado em outubro de 2007. Quanto à aquisição pela Technical das ações tanto da Teconvi e da Itajai Açu, ocorrida em junho de 2005, parece de todo razoável que o contribuinte tivesse esse cuidado de suportar o fundamento do ágio, o qual já estava registrado em sua contabilidade, Fl. 5594DF CARF MF Processo nº 11516.721418/201474 Acórdão n.º 1302002.011 S1C3T2 Fl. 5.584 15 em laudos de empresa de auditoria independente, já que, com as incorporações que viriam a ocorrer posteriormente, a amortização do ágio passaria a impactar bases tributáveis e, logicamente, o contribuinte passaria a estar sujeito a ter que demonstrar o fundamento do ágio ao Fisco a qualquer momento, como terminou por ocorrer em 2013. Assim, aquilo que era antes estudos internos ou mera demonstração da recorrente ou de seus controladores estrangeiros passou a ser laudos emitidos por uma auditoria independente. Por essas razões, afasto o argumento da Fiscalização acerca da falta de contemporaneidade dos laudos de avaliação apresentados pela recorrente, para justificar o fundamento do ágio por ela amortizado. Quanto ao segundo argumento da Fiscalização para justificar as glosas de despesa/exclusão relativa à amortização do ágio, o qual reside no entendimento de que o ágio em tela teria como fundamento a mais valia da concessão para operar as instalações do Porto de Itajaí até dezembro/2025, também, não procede, se não vejamos o que se segue. Primeiro, o autuante se equivoca em algumas colocações, mormente, quando mistura os conceitos de ágio por expectativa de rentabilidade futura do DL 1.598/77 (antes das alterações que lhe foram feitas pela Lei 12.973/14) com o goodwill de que trata a Lei 11.638/07. É um rotundo engano, por vário motivos, por exemplo, só há falar em goodwill da Lei 11.638/07 em combinação de negócios, já o ágio por expectativa de rentabilidade futura do DL 1.598/77 (antes da Lei 12.973/77) pode ocorrer independentemente de haver ou não transferência de controle. Outra importante diferença é que o goodwill é residual já que é obrigatória a avaliação a valor justo dos ativos da adquirida em caso de combinação de negócios, por sua vez, o ágio por expectativa de resultado futuro em tela não é necessariamente residual, pois não havia exigência na legislação tributária de avaliação dos ativos da adquirida a valor de mercado. Assim, não havia qualquer obrigação das compradoras (Technical e Itajaí) de avaliar qualquer ativo das adquiridas (Teconvi e Itajaí Açu) a valor de mercado. Ademais, o autuante se equivoca quando alega que a recorrente deveria ativar um intangível referente à uma concessão do Porto de Itajaí. Da simples leitura do contrato a fls. 762 e segs., facilmente se verifica que não se trata aqui de um contrato de concessão típico, como sustentou o autuante. Se, por um lado, contrato é denominado como um arrendamento, inclusive tratando as partes como arrendatária e arrendador, por outro lado, o objeto vai muito além de um simples arrendamento, além do que o preâmbulo do contrato faz referência à Lei 8.630/93. Sobre a natureza jurídica que se estabeleceu entre a Teconvi e Superintendência do Porto de Itajaí, é bastante esclarecedor o seguinte trecho do artigo da lavra de Flávio Amaral Garcia e Rafael Véras de Freitas, publicado na Revista de Direito Público da Economia – RDPE nº 47, p. 96 e segs., in verbis: “O sistema de exploração da infraestrutura portuária se inicia a partir do art. 20, VII, da Constituição Federal: Art. 20. São bens da União: [...] VII – os terrenos de marinha e seus acrescidos; Esses terrenos fronteiriços ao oceano sempre possuíram uma afetação natural à defesa do território nacional e à construção de instalações portuária. Sua definição remonta ao Aviso Imperial de 12 de julho de 1833, que neles incluía todos os terrenos “que, banhados pelas águas do mar ou dos rios navegáveis, em sua foz, vão até a distância de 33 Fl. 5595DF CARF MF 16 metros para a parte das terras, contados desde o ponto em que chega o preamar médio”. Essa qualificação dos terrenos de marinha como um bem público federal tem como consequência prática a necessidade de os interessados em explorar infraestruturas portuárias terem de requerer ao Serviço do Patrimônio da União (SPU) um título habilitante para tanto, usualmente materializado por contratos de aforamento, consoante determina o disposto no art. 9º do Decreto nº 9.760, de 05 de setembro de 1946. Prosseguindo, o art. 22, X, da Carta Constitucional confere à União a competência privativa para legislar sobre o regime dos portos: Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: [...] X – regime dos portos, navegação lacustre, fluvial, marítima, aérea e aeroespacial; E, complementando o desenho constitucional da infraestrutura portuária, o art. 21, XII, “f”: Art. 21. Compete à União: [...] XII – explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão: [...] f) os portos marítimos, fluviais e lacustres; Ora bem, extraise do dispositivo constitucional uma dualidade de regimes jurídicos para a exploração da infraestrutura portuária: o dos serviços públicos e a das atividades econômicas. Exposto em outros termos, quando a exploração dos serviços portuários for delegada para o setor privado, por meio dos institutos da “concessão” e da “permissão”, terseá, consoante o disposto no art. 175 da Constituição da República, a delegação de um serviço público, os quais serão informados pelo conceito constitucional de serviço público adequado (art. 175, parágrafo único, IV, da CRFB). Por outro lado, quando a exploração desses serviços for delegada pela via da “autorização”, tratarseá uma atividade econômica em sentido estrito, que sofrerá os influxos da regulação estatal. O ponto será doravante aprofundado, mas pretendese, à partida, fixar a premissa de que foi a própria Constituição da República que previu duas modalidades com contornos distintos de exploração dos serviços portuários. A rigor, o legislador infraconstitucional apenas deu concretude a uma diretriz extraída do texto constitucional. Daí poderse afirmar que, tanto o regime instituído pela revogada Lei nº 8.630/1993, como o da novel Lei nº 12.815/2013, ao preverem uma dualidade de regime para a exploração portuária, por meio de concessões e de autorizações, não estão inquinados pela pecha da inconstitucionalidade. É dizer: a “autorização” para o exercício de uma atividade privada de interesse público não subverte a ordem constitucional brasileira; ao revés, materializa uma ponderação entre o princípio da liberdade de iniciativa (fundamento da República e da ordem econômica, artigos 1º, IV, e 170 da CRFB), e o exercício da função de polícia administrativa, função estatal atrelada ao princípio da legalidade administrativa (previsto no art. 37 da CRFB). O Marco Regulatório do Setor Portuário — tanto o revogado como o em vigor — foi elaborado com a incorporação das mutações Fl. 5596DF CARF MF Processo nº 11516.721418/201474 Acórdão n.º 1302002.011 S1C3T2 Fl. 5.585 17 ocorridas no Direito Administrativo Econômico e, em especial nos contornos do “serviço público”, agora orientado por uma lógica predominantemente concorrencial. (...) Sob a égide da Lei nº 8.630/1993, como já demonstrado, a exploração da infraestrutura portuária era levada a efeito por contratos de arrendamento e por autorizações para a exploração de terminais privativos. Aqueles prestadores de serviços públicos; estes exploradores de atividades econômicas em sentido estrito. Havia, ainda, outra peculiaridade na assimetria regulatória consagrada no diploma revogado: a exploração privada de infraestruturas portuárias ocorria por intermédio de terminais privativos de uso exclusivo, destinados à movimentação da “carga própria”, e de terminais privativos de uso misto, destinados à movimentação de “carga própria” e de “carga de terceiro”. (...) Como se sabe, sob a vigência da Lei nº 8.630/1993, o conceito de “Porto Organizado” estava relacionado à afetação de uma infraestrutura à prestação dos serviços portuários, tanto os de natureza pública, prestados por arrendatários, como os de natureza de atividade econômica em sentido estrito, prestados pelos autorizatários (então terminais privativos), sendo ambos sujeitos às determinações de uma autoridade portuária. (...) Mas ressaltese que, malgrado o concessionário exerça a função de polícia administrativa, isso não desvirtua a qualidade de delegação de serviços públicos da concessão do Porto Organizado, como ressaltado por Marçal Justen Filho, ainda sob a égide da Lei nº 8.630/1993: A concessão de porto significa a delegação à iniciativa privada da competência (deverpoder) para organizar e explorar esse conjunto heterogêneo de atividades, bens e sujeitos, tendo por objeto a instituição e a exploração de um porto. Portanto, continuará a existir um porto público, mas a sua gestão farseá por meio de atuação de um particular. A concessão do porto significa a instituição de uma unidade econômica disciplinada pelo direito privado. E assim se afirma precisamente porque o instituto da delegação não altera a natureza jurídica do objeto delegado. (...) Nos termos do art. 2º, XI, da Lei nº 12.815/2013, o contrato de arrendamento das instalações portuárias se configura como a “cessão onerosa de área e infraestrutura públicas localizadas dentro do Porto Organizado, para exploração por prazo determinado”. Não se trata de um típico contrato de arrendamento de bem público, por meio do qual o arrendatário explora os frutos de determinada propriedade pública, mediante condições especiais, aprovadas pelo Ministro da Fazenda, por prazo superior a 20 anos (art. 96, parágrafo único, do DecretoLei nº 9.760/1946, com a redação dada pela Lei nº 11.314/2006). Fl. 5597DF CARF MF 18 Cuidase, na verdade, de um contrato que veicula um serviço público, por meio do qual a Administração pública transfere não só o uso de determinado bem público, mas, também, a prestação de um serviço de sua titularidade (art. 21, XII, “f”, da CRFB). Nesse sentido, importante relembrar o entendimento de Alexandre Santos de Aragão sobre os contratos de arrendamento sob a vigência da Lei nº 8.630/1993, mas que continua, plenamente, compatível com a sua disciplina no Novo Marco Regulatório: “Atreladas ao arrendamento encontramse exigências relativas a quantidades, padrões e metas mínimas, e que a exploração e percepção de frutos decorrentes desse serviço pelo particular constituem um dever, e não apenas uma faculdade oferecida ao arrendatário, não tendo essa liberdade sobre a forma como melhor aproveitar a exploração do bem concedido. À medida que tais contratos são celebrados em parcelas territoriais do “Porto Organizado”, é possível assentar que tais ajustes têm natureza de uma subconcessão de serviços públicos, posto que estão, necessariamente, vinculadas à concessão do serviço público portuário, prestado na infraestrutura do “Porto Organizado”; daí por que se aplica a tais contratos, supletivamente, o art. 26 da Lei nº 8.987/1995, a seguir transcrito: Art. 26. É admitida a subconcessão, nos termos previstos no contrato de concessão, desde que expressamente autorizada pelo poder concedente. §1º A outorga de subconcessão será sempre precedida de concorrência. §2º O subconcessionário se subrogará todos os direitos e obrigações da subconcedente dentro dos limites da subconcessão. Mas não se trata de uma subconcessão de serviços públicos tradicional, na qual não existe vínculo jurídico de Direito Público entre concessionário e subconcessionário. O arrendamento portuário se configura como o que Marçal Justen Filho denomina de uma “subconcessão imprópria”, na medida em que o concessionário exercerá a função de autoridade portuária, exercendo parcela da função de polícia administrativa em face dos arrendatários (art. 4º, I e II, do Decreto nº 8.033/2013). Outra razão pela qual se entende que o arrendamento portuário tem natureza jurídica de uma subconcessão imprópria é a que estabelece, nos contratos de arrendamento portuário, uma relação direta entre Poder Concedente (a União) e os subconcessionários (arrendatário). E isso se justifica, pois o arrendatário irá prestar um serviço público de titularidade da União.” A Cláusula Quarta do contrato em tela expressamente dispõe que a exploração do terminal pela recorrente farseia no regime previsto na letra “b” do inciso II do § 2º do art. 4º de tal Lei 8.630/93, ou seja, na modalidade de uso privativo misto das instalações portuárias destinados à movimentação de “carga própria” e de “carga de terceiro, razão pela qual, concluo que estamos diante de uma subconcessão imprópria de serviços públicos. Não estamos diante nem de um simples arrendamento de bem público nem de uma concessão ou subconcessão tradicional, mas, sim, de uma subconcessão imprópria. Fl. 5598DF CARF MF Processo nº 11516.721418/201474 Acórdão n.º 1302002.011 S1C3T2 Fl. 5.586 19 Uma vez concluído que estamos a tratar de uma subconcessão imprópria de serviços públicos, cabe verificar se estaria a recorrente autorizada, pela legislação tributária, a adotar contabilização do contrato da forma como sugere o autuante. O art. 325, I, b, do RIR/99, cuja base legal é o art. 58 da Lei 4.506/64, assim dispõe: “Art. 325. Poderão ser amortizados: I o capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada, ou de bens cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo legal ou contratualmente limitado, tais como: (...) b) investimento em bens que, nos termos da lei ou contrato que regule a concessão de serviço público, devem reverter ao poder concedente, ao fim do prazo da concessão, sem indenização; .......................................................................................................................” A Cláusula DécimaOitava do Contrato em tela dispõe que a arrendatária deverá realizar investimentos no terminal, compreendendo a execução de obras de infraestrutura e aparelhamento das instalações a serem arrendadas, nos prazos e nas condições definidas. Isso, porém, não quer dizer que a recorrente pudesse registrar no ativo tais investimentos antes de eles serem executados ou os bens adquiridos, como se fossem um direito concessão. Nas Cláusulas 22ª, 23ª e 24ª do contrato de arrendamento sub examine, verificamos que a remuneração ali estabelecida é tipicamente vinculada ao uso do bem pela sua exploração econômica e, não, pela aquisição do direito de exploração do serviço portuário. É verdade que está previsto um pagamento de parte da remuneração pelo arrendamento no momento da assinatura do contrato, conforme item 2 da Cláusula 23ª. Todavia, fica clara que se trata uma mera antecipação do arrendamento, mas, ainda que essa parcela tivesse que ser ativada, não seria como sugerido pelo autuante. Com efeito, não houve capital aplicado na aquisição do direito de exploração dos serviços no momento da assinatura do contrato, logo, à luz do art. 325, I, do RIR/99, não havia que ser feito qualquer registro no ativo a título de intangível. Ademais, conforme já dito, ainda que a investida o tivesse ativado da forma como sugere o autuante, não estava obrigado o investidor a avaliar os ativos da investida a valor de mercado. O terceiro ponto levantado pela Fiscalização também não procede, pois o autuante tenta desqualificar os laudos elaborados pela PWC por meio da metodologia do fluxo de caixa descontado, pela comparação entre índices de retorno de capital investido (ROIC return on invested capital, índice obtido pela divisão do NOPLAT1 pelo capital investido) por ele calculado com base em dados projetados nos laudos de avaliação da Teconvi em 2007, com o ROIC apurado em 2009 e 2013 pela APM Terminals B.V., com base em suas demonstrações financeiras (vide figuras 21 e tabelas 9 e 10 do TVF a fls. 1783 a 1785). Primeiro, a metodologia do fluxo de caixa descontado é amplamente aceita, inclusive é um dos métodos de avaliação aceitos pela CVM, conforme expressamente dispõe o § 4º do art. 4º da Lei 6.404/76, in verbis: “Art. 4º Para os efeitos desta Lei, a companhia é aberta ou fechada conforme os valores mobiliários de sua emissão estejam ou não admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários. 1 Net operating profits less adjusted taxes. Fl. 5599DF CARF MF 20 (...) § 4o O registro de companhia aberta para negociação de ações no mercado somente poderá ser cancelado se a companhia emissora de ações, o acionista controlador ou a sociedade que a controle, direta ou indiretamente, formular oferta pública para adquirir a totalidade das ações em circulação no mercado, por preço justo, ao menos igual ao valor de avaliação da companhia, apurado com base nos critérios, adotados de forma isolada ou combinada, de patrimônio líquido contábil, de patrimônio líquido avaliado a preço de mercado, de fluxo de caixa descontado, de comparação por múltiplos, de cotação das ações no mercado de valores mobiliários, ou com base em outro critério aceito pela Comissão de Valores Mobiliários, assegurada a revisão do valor da oferta, em conformidade com o disposto no art. 4oA.”. Segundo, o autuante não aponta qualquer erro na aplicação do CAPM (capital asset princing model), método utilizado pela PWC para o cálculo da taxa de desconto. Terceiro, o ROIC utiliza apenas informações apuradas nas demonstrações contábeis da empresa, ou seja, no seu cálculo buscase o retorno sobre o capital investido em ativos já existentes e assim assumese que o valor contábil da dívida e do capital próprio englobará corretamente esse investimento. Ora, o ROIC calculado sobre valores projetados altera totalmente a inteligência de tal índice, o que merecia um aprofundamento do estudo, para se saber até que ponto esse indicador poderia ser utilizado como referencial para análise da qualidade de avaliações de empresas pelo FCD. Todavia, há que se reconhecer a criatividade do auditor. Quarto, o autuante alega que: “A análise prospectiva da administração da empresa sobre o movimento do Porto de Itajaí tomada como premissa na elaboração dos “Relatórios de Avaliação” foi também muito positiva. Esperavase um incremento de 15% em 2006, 10% ao ano em 2007 e 2008, 7% ao ano entre 2009 e 2015 e 5% ao ano a partir de 2016 e até 2025, prazo final da concessão”. Ora, o autuante não fundamenta com dados objetivos porque considerou tal previsão tão otimista em 2005 e 2007, a não ser que tudo se resuma ao ROIC por ele calculado sobre valores futuros estimados. Em uma das premissas que constam do laudo referente a 2005 (a fls. 988), a administração projetou um aumento de 19,2% no seu mercado em 2005, o que estava abaixo do seu crescimento histórico de 20,9% em 2004 e de 39,4% em 2003, por outro lado, diz também o laudo que, de 2007 em diante, esperavase que a margem de EBITDA aumentasse consistentemente de 27,8% até 32,4% em 2025, devido a ganhos de escala (aumento de quantidade de movimentações e, portanto, diluição de custos fixos e de despesas), melhores níveis de produtividade a serem obtidos como novos e mais eficientes equipamentos, como novas empilhaldeiras e guindastes. O autuante não explica onde estavam os exageros em tais premissas e em nehuma outra. Por outro lado, ressaltese que o otimismo foi realmente uma marca da economia brasileira em 2007, quando o PIB brasileiro cresceu 6,1% (lembrando que, em 2008, o PIB cresceu 5%). Ademais, a grande dificuldade para a avaliação de uma empresa pela metodologia do fluxo de caixa descontado decorre do fato de que, para fazer a estimativa do fluxo de caixa futuro de uma empresa, é necessário que se tenha uma estimativa do comportamento da economia nos próximos anos e, caso essa estimativa não se confirme, é evidente que o resultado obtido será afetado, em razão de erros na previsaõ de variáveis que influenciaram o fluxo de caixa da empresa avaliada. Por último, há que se lembrar que tais laudos de avaliação com base em FCD guarda uma grande subjetividade, conforme se pode constatar da simples leitura do seguinte excerto do TVF: Fl. 5600DF CARF MF Processo nº 11516.721418/201474 Acórdão n.º 1302002.011 S1C3T2 Fl. 5.587 21 “Pelo até aqui exposto, percebese que a parcela mais importante das avaliações, o somatório dos “fluxos de caixa descontados”, é obtido da aplicação das taxas de desconto aos “fluxos de caixa líquidos” projetados para cada ano (fl. 1017 e fl. 1092). Fluxo de caixa líquido (valor futuro) taxa de descontoà Fluxo de caixa descontado(valor presente) Os “fluxos de caixa líquidos”, por sua vez, correspondem à soma algébrica de cada ano das seguintes variáveis: EBITDA + IRPJ e CSLL + res. financeiro + variação no capital de giro + investimentos + variação da dívida A variável “resultado financeiro” é obtida diretamente de projeções feitas pela Administração. Da mesma forma é a variável “investimentos”, cujo valor corresponde à projeção das necessidades de aquisição de equipamentos e expansão da infraestrutura do Porto. Essa variável, em conjunto com as estimativas despesas de depreciação e amortização, impactam o valor do grupo patrimonial “Ativo Permanente”. O EBITDA tem como ponto de partida o lucro da empresa. É valor do lucro sem se considerar juros, impostos, depreciação e amortização. Portanto, é consequência das receitas, custos e despesas projetadas para cada ano. A parcela “variação no capital de giro” corresponde à diferença do capital de giro líquido entre os anos 20X2 e 20X1. Capital de giro líquido, por sua vez, é a diferença entre o Ativo Circulante e o Passivo Circulante dentro de um mesmo ano. A parcela “variação da dívida” é a diferença do Passivo de Longo Prazo dos anos 20X2 e 20X1.” Como se vê, tratase de laudo que parte de muitos valores projetados pela administração da empresa, logo, ainda que aceitemos como válida a alegação do autuante de que houve otimismo exacerbado por parte da recorrente ao fazer as suas projeções, qual a norma infringida por ela? Ademais, a constatação de que houve uma projeção superestimada de alguma premissa, pode levar a nulidade do laudo que avaliou a empresa? E pior, significaria por desconsiderar todo o ágio, ou seja, desconsiderar todo o valor pago a maior do que o valor patrimonial contábil da investida? Caso contrário, em quanto deveria ser fixado o ágio por expectativa de rentabilidade futura? Ora, não me parece que houvesse na legislação fiscal nem autorização nem parâmetros para que a Fiscalização refizesse o laudo de avaliação de empresas a partir de sua considerações sobre as premissas pelas quais ele foi elaborado. Em boa hora, a Lei 12.973/14 transformou o ágio por expectativa de resultado futuro em residual e, assim sendo, tornou obrigatório apenas o laudo da mais valia. O quarto ponto levantado pelo autuante reside na alegação de que a Technical e a Itajaí Investimentos seria empresas veículos. Notese inicialmente, que os autuantes não enquadraram a conduta como simulação ou fraude, tanto que não houve qualificação da multa, assim fica a questão: qual a natureza jurídica do termo “empresa veículo”? Não há nos autos qualquer esclarecimento. Pela narrativa do autuante, o que se depreende é que os investidores estrangeiros, ao invés de adquirirem diretamente as empresas brasileiras, resolveram aportar capital em subsidiárias brasileiras, para que estas adquirissem com ágio as empresas visadas e posteriormente, com as incorporações reversas, as adquiridas pudessem se valer da Fl. 5601DF CARF MF 22 dedutibilidade da amortização do ágio. Ora, qual o ilícito de tal conduta? Nenhum, pois são caminhos permitidos pela legislação tributária. Todavia, o autuante entende que o verdadeiro adquirente (quem pagou pelo ágio) das empresas adquiridas foi o controlador estrangeiro, desconsiderando assim a personalidade jurídica da Technical e da Itajaí Investimento, para então, concluir que não se aplicaria a norma do art. 7º da Lei 9.532/97 (aqui ele se confunde, pois a norma aplicável na espécia é o art. 8º que trata de incorporações reversas), porque não teria havido a reunião do patrimônio de quem pagou pelo ágio e o patrimônio da sociedade que presumivelmente vai gerar os lucros justificadores desse pagamento. Com base em que norma legal, um AuditorFiscal desconsidera a personalidade jurídica de uma sociedade regularmente constituída? Certamente, não é com base no parágrafo único do art. 116 do CTN, pois esse além de inaplicável por falta de regulamentação, só admite a desconsideração de atos ou negócios jurídicos. Não me parece que se possa tomar personalidade jurídica como sinônimo de negócio jurídico, razão pela qual tal dispositivo não autoriza, por via oblíqua, a Autoridade Fiscal a desconsiderar contratos ou estatutos sociais de sociedades, ainda que regulamentado estivesse. O mais grave, porém, é que, talvez por falta de qualquer suporte legal, o autuante passa ao largo dessa questão. Por essas razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário também neste ponto. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Declaração de Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. No julgamento da matéria relacionada à glosa de amortização de ágio divergi do relator do acórdão especificamente no ponto em que trouxe o entendimento de que os laudos apresentados pelo contribuinte, ainda que emitidos após as operações de aquisição do investimento, realizada em junho de 2005 e junho de 2007, seriam hábeis para justificar o reconhecimento do ágio com base na expectativa de rentabilidade futura, na medida em que os laudos foram elaborados em outubro de 2007 e a fiscalização somente teve início em 03/10/2013. Com a devida vênia, penso que se a lei não estabeleceu uma forma específica para a demonstração de que o ágio pago tem fundamento na expectativa de rentabilidade futura, com vistas a sua dedutibilidade, deixou meridianamente claro que esta demonstração deveria existir ao menos na data do seu reconhecimento contábil. É o que dispõe o § 3ºdo art. 385 do RIR/1999, verbis: “Art. 385. Omissis. (...) § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): Fl. 5602DF CARF MF Processo nº 11516.721418/201474 Acórdão n.º 1302002.011 S1C3T2 Fl. 5.588 23 (...) II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; (...) § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º).” Ora, o lançamento contábil deve ser realizado na data dos fatos. Como realizálo sem uma demonstração de que a diferença paga decorre de tal expectativa de rentabilidade e não de outro fundamento econômico? Não se está a exigir que o contribuinte apresente um laudo específico, mas ao menos um documento que demonstre que o valor pago pelo investimento acima que espelha o patrimônio líquido decorre de um projeção de rentabilidade por um dado período, que justifique o pagamento do ágio. É evidente que se o investidor pagou mais do que espelhava o patrimônio líquido da empresa investida deve ter razões econômicas para têlo feito. E é intuitivo que este foi o fator determinante para ser pago um sobrepreço. Ocorre que existem outros fatores econômicos, além da rentabilidade futura que podem justificar o ágio pago e apenas a este último é autorizada legalmente a dedução de sua amortização antes mesmo da sua alienação ou extinção. Assim, entendo que, à míngua de outros elementos de demonstração, um laudo de avaliação elaborado meses ou anos após a realização do investimento, como no presente caso, não se constitui em documento hábil para justificar o lançamento do ágio, conforme previsto no §3º do art. 385 do RIR/1999. Por tais razões, com a devida vênia do relator, votei no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 5603DF CARF MF
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