Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10909.005544/2007-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3301-000.211
Decisão: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2004
Ementa:
LANÇAMENTO DECORRENTE. PROCEDIMENTO REFLEXO. LEGISLAÇÃO IRPJ. COMPETÊNCIA 1ª SEÇÃO.
Quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, cujas exigências estejam lastreadas em fatos que serviram para configurar a prática à legislação do IRPJ, a competência para julgamentos de recursos, no âmbito do CARF é da competência da Primeira Seção (art. 2º, IV, do Anexo II, do RICARF).
Recurso não Conhecido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DECLINAR da competência para a primeira seção de julgamento do CARF. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Jeferson Eugênio Dossa Borges, OAB/SC 11155.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
FÁBIA REGINA FREITAS - Relatora.
EDITADO EM: 14/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: RODRIGO DA COSTA POSSAS, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MONICA ELISA DE LIMA, ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, FABIA REGINA FREITAS, SIDNEY EDUARDO STAHL
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10909.005544/2007-72
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5448333
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3301-000.211
nome_arquivo_s : Decisao_10909005544200772.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FABIA REGINA FREITAS
nome_arquivo_pdf_s : 10909005544200772_5448333.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2004 Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE. PROCEDIMENTO REFLEXO. LEGISLAÇÃO IRPJ. COMPETÊNCIA 1ª SEÇÃO. Quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, cujas exigências estejam lastreadas em fatos que serviram para configurar a prática à legislação do IRPJ, a competência para julgamentos de recursos, no âmbito do CARF é da competência da Primeira Seção (art. 2º, IV, do Anexo II, do RICARF). Recurso não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DECLINAR da competência para a primeira seção de julgamento do CARF. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Jeferson Eugênio Dossa Borges, OAB/SC 11155. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. FÁBIA REGINA FREITAS - Relatora. EDITADO EM: 14/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: RODRIGO DA COSTA POSSAS, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MONICA ELISA DE LIMA, ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, FABIA REGINA FREITAS, SIDNEY EDUARDO STAHL
dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
id : 5880439
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703736287232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1658; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.005544/200772 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.211 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de fevereiro de 2015 Assunto IPI Recorrente F MARINE INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS NAUTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2004 Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE. PROCEDIMENTO REFLEXO. LEGISLAÇÃO IRPJ. COMPETÊNCIA 1ª SEÇÃO. Quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, cujas exigências estejam lastreadas em fatos que serviram para configurar a prática à legislação do IRPJ, a competência para julgamentos de recursos, no âmbito do CARF é da competência da Primeira Seção (art. 2º, IV, do Anexo II, do RICARF). Recurso não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DECLINAR da competência para a primeira seção de julgamento do CARF. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Jeferson Eugênio Dossa Borges, OAB/SC 11155. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. FÁBIA REGINA FREITAS Relatora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 09 .0 05 54 4/ 20 07 -7 2 Fl. 1904DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.005544/200772 Resolução nº 3301000.211 S3C3T1 Fl. 3 2 EDITADO EM: 14/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: RODRIGO DA COSTA POSSAS, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MONICA ELISA DE LIMA, ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, FABIA REGINA FREITAS, SIDNEY EDUARDO STAHL RELATÓRIO Tratase, na origem, de Auto de Infração para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI sobre as saídas de produtos tributados pelo imposto, mas sem nota fiscal, dos anoscalendários de 2005 e 2006. Segundo a informação fiscal, houve omissão de receita, verificada por meio de depósitos bancários sem origem comprovada. Em resumo, as irregularidades, em relação ao IPI foram as seguintes: 1.Venda sem emissão de Nota Fiscal, apurada em decorrência de Receita não comprovada (Depósitos Bancários); 2. IPI não lançado – Erro de classificação fiscal/ alíquota a menor; Apresentada impugnação pela contribuinte, a Delegacia de Ribeirão Preto em aresto de fls. 831/846, manteve a autuação por constatar que, de fato, a contribuinte deixou de lançar o IPI, na medida em que teria dado saída de seu estabelecimento de produto sem emissão de nota fiscal. Tal fato, segundo informado nesses autos, foi apurado por meio de receita de origem não comprovada em razão de movimentação financeira em instituições bancárias incompatível com os valores de receitas registrados na escrita fiscal. A omissão de receitas no presente caso já foi objeto de julgamento pela DRJ/Florianópolis no processo n° 10909.003790/200528 (fls. 808/830), relativo ao auto de infração de IRPJ e contribuições, Acórdão n° 078148, de 14/07/2006, que concluiu caracterizada a omissão de receitas. Tal decisão tornouse definitiva. Em vista dessa constatada omissão de receitas em razão de depósitos bancários de origem não comprovada (art. 42 da Lei n. 9430/96), apurada pela Fiscalização em ação fiscal de IRPJ, a qual originou também o presente Auto de Infração, a fiscalização entendeu por bem empregar, quanto à exigência decorrente (IPI), os mesmos critérios estabelecidos nos parágrafos 1º. e 2º. da referida Lei. A partir dessa conclusão a DRJ de RibeirãoPreto manteve a autuação por entender que “estando caracterizada a omissão de receita, causa eficiente da imposição fiscal na esfera do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), é inafastável a autuação decorrente, por falta de lançamento do IPI, dada a presunção legal de vendas sem emissão de nota fiscal”. Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.005544/200772 Resolução nº 3301000.211 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada em 12/12/2008 (AR – fl. 850), a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 851/899, alegando preliminar de nulidade do acórdão recorrido por preterição do seu direito de defesa, na medida em que não foi analisada matéria atinente à classificação fiscal e à multa de ofício e, no mérito, reiterando os mesmos fundamentos constantes da impugnação para o cancelamento da presente autuação, quais sejam: 1. A base de cálculo possível para o IPI é o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria, base econômica esta a ser apurada com espeque nas receitas tributáveis escrituradas nos Livros Registros de Saída, razão pela qual a movimentação financeira, não pode servir de suporte fático de incidência do IPI. 2. A empresa fabrica cascos de embarcação, e não embarcações, como equivocadamente afirma o autuante, produto este que se classifica na posição 8906.90.00 da TIPI, alíquota de 5%, com amparo na Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI; os cascos fabricados não propiciam a aferição da natureza específica das embarcações que irão se formar, pois somente com a montagem final da embarcação é que se torna possível determinar a natureza da embarcação. 3. O lançamento ocorreu de forma discricionária, não tendo sido acompanhado de catálogos e laudos técnicos. 4. A empresa não fabrica somente cascos para embarcações de recreio ou de esporte, como presume a fiscalização, pois os cascos são adaptáveis para a utilização na busca e salvamento, policiamento, fiscalização e como ambulância; o autuante classifica erroneamente estes cascos na posição 8901.90.00. Nesse sentido sustenta que os "cascos" fabricados pela empresa autuada, por configurar uma simples parte de um todo composto de várias partes e diversos acessórios, tecnicamente denominada "embarcação", não tem o condão de revelar a natureza específica desta, conforme já teve a oportunidade de decidir a 3° Câmara do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: "IPI CLASSIFICAÇÃO FISCAL As partes e peças que não preencham os requisitos de uma máquina completa 'são partes e peças separadas', classificáveis segundo regime próprio, independentemente da classificação do produto final. (Acórdão 20300893, Rel. Osvaldo José de Souza, Sessão de 09.12.1993). Logo, não há como prosperar a insubsistente alegação lançada às fls. 15 do acórdão recorrido, de que "para efeitos de caracterização da industrialização, e da classificação fiscal dos produtos, é indiferente se a fabricação é somente de cascos, ou também de embarcações." 5. A autoridade aplicou dupla penalidade pecuniária, uma a título de multa proporcional e outra a título de multa de IPI não lançado com cobertura de crédito, chegandose, no caso concreto, à aplicação de uma desautorizada multa de oficio não qualificada de 150% do valor do imposto que deixou de ser lançado. Fl. 1906DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.005544/200772 Resolução nº 3301000.211 S3C3T1 Fl. 5 4 Por fim, pleiteou o cancelamento da autuação ou, alternativamente, que a base de cálculo se restrinja às receitas escrituradas no Livro de Saída, com aplicação de alíquota de 5%, com multa de 75% do imposto que deixou de ser lançado. Às fls. 1809/1813, em 22/05/2012, este Colegiado anulou o v. acórdão de fls. 831/846, determinandose o retorno dos autos para a origem para julgamento das questões atinentes à classificação fiscal, bem como relacionadas à multa de ofício qualificada. Tendo retornado os autos para a origem, a Eg. DRJ de Ribeirão PretoSP analisou novamente os autos e prolatou novo aresto às fls. 1833/1853, mantendo o entendimento anteriormente descrito pela manutenção da autuação. A ementa do julgado tem a seguinte redação: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2005, 2006 INDUSTRIALIZAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A fabricação de cascos e/ou embarcações caracterizase como industrialização, sujeitando as operações à incidência do IPI. Havendo conhecimento prévio da natureza das embarcações para os quais se destinam os cascos fabricados, afastase a aplicação da Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI, devendo o produto ser classificado no mesmo código da natureza das embarcações de destino. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2005, 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, considerarse ão provenientes de vendas/saídas não registradas e sobre elas será exigido o IPI. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. Em face do mencionado aresto, foi interposto Recurso Voluntário de fls. 1865/1901, mediante o qual se pleiteia o acolhimento de preliminar de nulidade da Autuação por quebra de sigilo bancário sem autorização judicial competente. No mérito, reitera todas as razões já expostas no seu Recurso Voluntário anterior. É o relatório Fl. 1907DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.005544/200772 Resolução nº 3301000.211 S3C3T1 Fl. 6 5 VOTO O recurso voluntário é tempestivo, mas não preenche os requisitos de validade, não devendo ser conhecido. Cuidase de retorno de novo Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente em face de decisão que, analisando as questões atinentes à classificação fiscal e multa qualificada, manteve a autuação por entender que: 1 No caso concreto, os produtos comercializados sem as respectivas notas fiscais pela recorrente estão sujeitos ao IPI por se tratarem de produtos industrializados classificados em código próprio na TIPI. 2 Houve omissão de receitas apuradas em fiscalização cujo objetivo era fiscalização para fins de IRPJ (PA nº. 10909.003790/200558) e reflexos e que em razão da dita omissão a base de cálculo utilizada pela fiscalização, quais sejam, o total das receitas não comprovadas, foi corretamente considerada pelo Fisco. De se destacar, em primeiro lugar, que a presente autuação, tal como reconhecido pela própria Recorrente é reflexa da fiscalização de IRPJ e que resultou no processo nº 10909.003790/200558, julgado definitivamente pela Delegacia de Florianópolis, uma vez que houve desistência do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte naqueles autos. Por ser decorrente do auto de infração relativo ao IRPJ e contribuições, só se pode concluir, na esteira do que também já decidiu esse Colegiado nos autos do outro processo similar da mesma empresa (PA 10909.003793/200561, Relator Conselheiro Antônio Lisboa, Ac. 330100154 – alterase apenas o período de apuração), fazse mister declinar a competência para análise da questão posta, por força do que determina o art. 2º, IV, do Anexo II, do RICARF. De fato, tal dispositivo regimental dispõe que é da Primeira Seção a competência para o julgamento de recursos que versem sobre demais tributos e o IRRF, “...quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ”, como ocorreu no caso. Consoante Acórdão CSRF/0305.390, prolatado na sessão de 15 de maio de 2007, é nulo o acórdão que versa sobre matéria diversa da competência regimental de outra Seção, in verbis: Acórdão : CSRF/0305.390 CSLL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. INCOMPETÊNCIA. NULIDADE. É nulo o acórdão do 32 Conselho que versa sobre compensação de CSLL com outros tributos, uma vez que a referida matéria é da competência do 1º Conselho de Contribuintes. Processo anulado a partir da decisão da 1° Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, inclusive. Declarada nulidade do acórdão. Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.005544/200772 Resolução nº 3301000.211 S3C3T1 Fl. 7 6 Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso, para declinar da competência para a 1ª Seção deste colendo CARF, em razão de tratarse de processo de auto de infração de IPI, cuja base de cálculo foi apurada através dos valores arbitrados no auto de infração de IRPJ, nos autos do processo nº 10909.003790/200528, nos termos do art. 2º, IV, do Anexo II, do RICARF. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, entendo por não conhecer do recurso em razão da incompetência da 3ª. Seção para analisar a matéria de fundo e determino o encaminhamento dos autos para a 1ª. Seção para exame do Recurso Voluntário ora analisado. FÁBIA REGINA FREITAS Relatora Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 15922.001296/2009-06
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI
À míngua de comprovação através de documentação hábil e idônea, das despesas efetivamente realizadas, devida é a glosa fiscal.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. REQUISITOS.
Para serem considerados hábeis e permitirem a dedução de despesas médicas na declaração de IRPF, é necessário que os recibos apresentados contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, bem como o responsável pelo pagamento e o beneficiário dos serviços prestados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos,negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Tânia Mara Paschoalin Presidente
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araújo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI À míngua de comprovação através de documentação hábil e idônea, das despesas efetivamente realizadas, devida é a glosa fiscal. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. REQUISITOS. Para serem considerados hábeis e permitirem a dedução de despesas médicas na declaração de IRPF, é necessário que os recibos apresentados contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, bem como o responsável pelo pagamento e o beneficiário dos serviços prestados. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15922.001296/2009-06
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5438440
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2801-003.982
nome_arquivo_s : Decisao_15922001296200906.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : JOSE VALDEMIR DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 15922001296200906_5438440.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos,negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Tânia Mara Paschoalin Presidente Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araújo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
id : 5847914
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703754113024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1941; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 60 1 59 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15922.001296/200906 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.982 – 1ª Turma Especial Sessão de 10 de fevereiro de 2015 Matéria IRPF Recorrente JOSE CARLOS BRINHOLI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI À míngua de comprovação através de documentação hábil e idônea, das despesas efetivamente realizadas, devida é a glosa fiscal. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. REQUISITOS. Para serem considerados hábeis e permitirem a dedução de despesas médicas na declaração de IRPF, é necessário que os recibos apresentados contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, bem como o responsável pelo pagamento e o beneficiário dos serviços prestados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos,negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Tânia Mara Paschoalin – Presidente Assinado digitalmente José Valdemir da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araújo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 92 2. 00 12 96 /2 00 9- 06 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 15922.001296/200906 Acórdão n.º 2801003.982 S2TE01 Fl. 61 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 11a Turma da DRJ/SP2. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão. Da Notificação Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual com base nos arte. 788, 835 a 839, 841, 844, 871 e 992 do Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), foi lavrada, em 17/08/2009 a Notificação de Lançamento às fls. 17 a 21, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, do anocalendário 2004, por intermédio da qual lhe é exigido crédito tributário conforme abaixo demonstrado: Demonstrativo do Crédito Tributário Cód. DARF Valores em Reais (R$) IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICASUPLEMENTAR (Sujeito a Multa de Oficio) 2904 6.497,04 MULTA DE OFÍCIO (Passível de Redução) 4.872,78 JUROS DE MORA (Calculados até 31/08/2009 ) 3.655,23 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA (Sujeito a Multa MULTA DE MORA (Não Passível de Redução) 0,00 JUROS DE MORA (Calculados até 31/08/2009) 0,00 Valor do Crédito Tributário Apurado 15.025,05 Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o procedimento fiscal resultou na apuração das seguintes infrações: Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi .em Glosa do valor de R$ 1.717,47, indevidamente deduzido a título de contribuição à Previdência Privada e Fapi, por falta de comprovação, ou cujo ônus não tenha sido do contribuinte, ou cujo benefício não tenha sido deste ou de seus dependentes, ou ainda em virtude de adequação do valor da dedução declarada ao limite percentual de 12% dos rendimentos computados, após alterações, na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. No informe de rendimentos apresentado (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, CNPJ 33.754.482/0001 24) a contribuição à previdência privada ocorrida no ano calendário de 2004 foi de R$ 6.443,96. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 15922.001296/200906 Acórdão n.º 2801003.982 S2TE01 Fl. 62 3 Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 21.908,13, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Os recibos de despesas médicas apresentado não apresentam as características (nome, endereço, CPF) de aceitabilidade dispostas no Art. 80, §1°, inciso III do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99)a saber: Cássio Renato I Romano, CPF 271.119.28614, valor R8.000,00; Ma Cristina Mazon, CPF 044.086.39801, valor R$1.651,00; Antônio Carlos Mazon, CPF 776.754.60804, valor total R$2.260,00; Jussara Eleonor F. Elias, CPF 053.264.91842, R$600,00; Renato A Ferro, CPF 266.648.11800, valor R$8000,00. Falta de comprovação de gastos junto a CASSI, CNPJ 33.719.485/0001 27, no valor de R$1.397,13. Da Impugnação Cientificado do lançamento o contribuinte apresentou, em 18/09/2009, a impugnação de fls. 01 e 02, alegando que: Os recibos de despesas médicas em desacordo com o Decreto n° 3.000/99 desconhecimento da legislação pelos recebedores e pelo contribuinte, deve ser levado em conta a complexidade das normas; O valor glosado da CASSI já foi informado que referese a pagamento de plano de Saúde do filho que à época cursava faculdade; Valor glosado de previdência Privada por entendimento equivocado uma vez que referese a pecúlio. Quanto ao valor glosado, R$ 1.717,47, está apresentando informe do Banco do Brasil onde consta a contribuição dedutível no valor de R$ 1.278,27, logo a glosa deveria ser de R$ 439,20 valor pago a Caixa de Pecúlio. Requer a insubsistentes dos lançamentos de multa e juros e reitera a solicitação de concessão da oportunidade de retificar a Declaração de Ajuste Anual A impugnação apresentada foi julgada procedente em parte, conforme acórdão de ( fls.33/39numeração digital), assim ementado a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Fí s i ca I R PF Anocalendário: 2004 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 15922.001296/200906 Acórdão n.º 2801003.982 S2TE01 Fl. 63 4 CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO . Comprovado o pagamento de contribuições a plano de previdência privada, informado na declaração de ajuste do ano calendário fiscalizado, deve ser restabelecida a dedução relativa à despesa comprovada. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. RECIBOS. REQUISITOS LEGAIS . PAGAMENTOS Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os recibos emitidos devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto de renda pessoa física. VEDAÇÃO . RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. APÓS NOTIFICAÇÃO . É vedada pela legislação a retificação da Declaração de Ajuste Anual após a notificação do lançamento, a teor do art. 147, § I o, do CTN. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de 1a instância em 09.08.2011(fl.42numeração digital), o contribuinte apresentou recurso em 08.09.2011(fls.43/46numeração digital). Em sua defesa sustenta os argumentos da impugnação. É o Relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuidase o presente lançamento de glosa de dedução de previdência privada e fapi (R$ 1.717,47) e de dedução de despesas médicas (R$ 21.908,13). A decisão recorrida restabeleceu a parcela de R$ 1.278,27 de dedução de previdência privada e fapi, mantendo a glosa do valor não comprovado de R$ 439,20. Em sede de recurso, não restou comprovada a despesa de previdência privada da parcela remanescente de R$ 439,20, portanto, não merece reparos a decisão recorrida no que se refere a esse aspecto. Melhor sorte não socorre o recorrente quanto à glosa de dedução de despesas médicas, que foi assim fundamentada: Fl. 63DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 15922.001296/200906 Acórdão n.º 2801003.982 S2TE01 Fl. 64 5 Os recibos de despesas médicas apresentado não apresentam as características (nome, endereço, CPF) de aceitabilidade dispostas no Art. 80, §1°, inciso III do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99)a saber: Cássio Renato I Romano, CPF 271.119.28614, valor R$8000,00; Ma Cristina Mazon, CPF 044.086.39801, valor R$1.651,00;Antônio Carlos Mazon, CPF 776.754.60804, valor total R$2.260,00; Jussara Eleonor F. Elias, CPF 053.264.918 42, R$600,00; Renato A Ferro, CPF 266.648.11800, valor R$8000,00. Falta de comprovação de gastos junto à CASSI, CNPJ 33.719.485/000127, no valor de R$1.397,13. A decisão de primeira instância bem esclareceu que o valor de R$ 1.397,13 pago à CASSI, referente ao Plano de Saúde de seu filho, não pode ser deduzido, uma vez que o filho não foi relacionado como dependente na DIRPF em tela. Ademais, não há prova nos autos de que o contribuinte apresentou declaração retificadora antes do início do procedimento fiscal para que se caracterizasse a denúncia espontânea em relação às alterações pretendidas das despesas médicas. Para comprovar as despesas médicas, cujos recibos apresentados à fiscalização não foram aceitos pois não atendem às exigências dispostas no Art. 80, §1°, inciso III do Decreto n° 3.000/99, tendo em vista a falta de indicação de nome, endereço e CPF dos profissionais, o recorrente reapresenta os recibos complementados com as informações faltantes, que, pelo que se observa, não foram lançadas pelo mesmo punho. Neste contexto, entendo que o recorrente não apresentou elementos que dirimam as dúvidas a respeito dos recibos e permitam a convicção na apreciação da prova. Salientandose que, na análise de prova, à instância julgadora é assegurada a liberdade de convicção, a teor do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, é de se manter glosa referente a despesas médicas. Ante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 64DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 15922.001296/200906 Acórdão n.º 2801003.982 S2TE01 Fl. 65 6 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10410.003344/2003-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. INCORREÇÃO. NULIDADE.
Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem à autuação, elemento obrigatório do auto de infração, é incabível a manutenção do lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3301-002.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Sidney Eduardo Stahl, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. INCORREÇÃO. NULIDADE. Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem à autuação, elemento obrigatório do auto de infração, é incabível a manutenção do lançamento. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10410.003344/2003-53
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5451318
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3301-002.613
nome_arquivo_s : Decisao_10410003344200353.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 10410003344200353_5451318.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Sidney Eduardo Stahl, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
id : 5887331
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703757258752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1626; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 308 1 307 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.003344/200353 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.613 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria Auto de Infração DCTF Recorrente S/A USINA CORURIPE AÇÚCAR E ÁLCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. INCORREÇÃO. NULIDADE. Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem à autuação, elemento obrigatório do auto de infração, é incabível a manutenção do lançamento. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Sidney Eduardo Stahl, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 33 44 /2 00 3- 53 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003344/200353 Acórdão n.º 3301002.613 S3C3T1 Fl. 309 2 Relatório Por economia processual adoto o relatório elaborado na decisão recorrida, abaixo transcrito: Contra a pessoa jurídica acima identificada foi lavrado o AUTO DE INFRAÇÃO Nº 0001258, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls.14/26, inclusive demonstrativos), nos períodos acima especificados, para exigência dos créditos tributários adiante relacionados. Enquadramento legal na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” do AUTO DE INFRAÇÃO. Juros de mora calculados até 30/06/2003. Crédito Tributário Valores em Reais Períodos de Apuração Contribuição 2.475.750,01 Jan a Dez/1998 Juros de Mora 2.314.611,18 Jan a Dez/1998 Multa de Ofício 75% 1.856.812,51 Jan a Dez/1998 Total 6.647.173,70 Jan a Dez/1998 2. O lançamento encontrase acompanhado do ANEXO I DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS (fls.18/21), do ANEXO Ia – RELATÓRIO DE AUDITORIA INTERNA DE PAGAMENTOS INFORMADOS NA DCTF (fls.22) e do ANEXO III DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR (fls.238), que fazem parte integrante dos autos de infração como se neles transcritos estivessem. 3. A autoridade fiscal, na “Descrição dos fatos e enquadramento legal” do AUTO DE INFRAÇÃO (fls.17), assim descreveu os fatos que deram origem ao lançamento : “O presente Auto de Infração originouse da realização de Auditoria Interna na(s) DCTF discriminada(s) no quadro 3 (três), conforme INSRF nº 045 e 077/98. Foi(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I), e/ou no “Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na(s) DCTF” (Anexos Ia ou Ib), e/ou “Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento” (Anexos IIa ou IIb), e/ou no “Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar” (Anexo III) e/ou no “Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar – Não Pagos ou Pagos a Menor” (Anexo IV). (...) FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo III. ” Fl. 328DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003344/200353 Acórdão n.º 3301002.613 S3C3T1 Fl. 310 3 4. Devidamente cientificada do lançamento em 08/08/2003 (fls.189), a pessoa jurídica autuada apresentou, em 19/08/2003, impugnação (fls.01/02), subscrita por dois dos seus diretores, acompanhada de cópias de documentos (fls.03/62). Por meio dessa peça de defesa, alegou e requereu, em síntese, o que a seguir se relata. 4.1. “(...) não assiste razão à digna autoridade AUTUANTE em face de que o tributo questionado se encontra com sua exigibilidade suspensa a teor do Art. 151, II do CTN. ” 4.2. “Com efeito, a AUTUADA está discutindo em juízo o referido tributo nos autos do processo nº 94.00035691da 4ª Vara Federal de Alagoas e fez regularmente os depósitos judiciais dos montantes questionados no presente auto, conforme se infere das Guias de Depósito Judicial em anexo.” 4.3. “Quanto ao Proc.n.95.0202.2734 da Única Vara Federal de Uberaba/MG, a AUTUADA não logrou êxito, encerrandose a demanda em 08/04/2002. Inclusive os depósitos judiciais efetuados regularmente já foram convertidos em renda para a União Federal, bem como, a AUTUADA, já efetuou o pagamento de honorários de sucumbência (...).” 4.4. “Assim sendo, o presente Auto de Infração é nulo de pleno direito, devendo, por isso mesmo, ser cancelado (...).” 5. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maceió – DRF/Maceió AL acostou aos autos as peças de fls.63/191, sendo que esta última folha consiste em informação prestada por servidor daquela unidade local, com a qual anuiu a respectiva Chefia. Eis o conteúdo dessa informação. 5.1. “Os depósitos judiciais relacionados à ação judicial nº 95.02.022734, 1ª Vara Federal/Uberaba/MG, que transitou em julgado favoravelmente à Fazenda nacional em 30/10/2002 foram convertidos em renda da união (sic) em 06/11/2001.” 5.2. “Os demais depósitos judiciais estavam vinculados à Ação Judicial 94.00035691, 1ª Vara Federal/AL, que teve como objetivo a declaração de inexistência de relação jurídica cumulada com repetição de indébito. A sentença de 1º grau foi desfavorável ao contribuinte. A apelação Cível nº 81692 AL/95.05.150008, foi provida. O Recurso Extraordinário, interposto pela União, foi inadmitido pelo TRF 5a Região. Contra esta decisão foi interposto o Agravo de Instrumento ao STF nº 523.1519 que transitou em julgado em 14/08/2006, nos termos seguintes: “Assim, conheço do agravo e convertoo em recurso extraordinário (art. 544, §§ 3º e 4º, do CPC) para darlhe provimento (art. 577, § 1ºA do CPC) e determinar que o FINSOCIAL e a COFINS incidem sobre operações relativas a venda de álcool. (...).” 5.3. “Acontece que os depósitos judiciais vinculados à ação judicial 94.00035691, efetuados nas contas 2394/005/000064980 e 2394/005/000064998 foram levantados, conforme fls. 169/174, em 08/10/1998.” 5.4. “Questionado sobre o levantamento, o contribuinte alegou ter pedido a compensação dos débitos relacionados à ação judicial 94.00035691 com créditos da ação judicial nº 99.00020219 ainda não transitada em julgado no processo 10410.001085/0030, fls.175/184, que está atualmente sob controle e análise da SAORT/DRF/MAC.” Fl. 329DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003344/200353 Acórdão n.º 3301002.613 S3C3T1 Fl. 311 4 6. Uma vez nesta DRJ/Recife, foram os presentes autos devolvidos à DRF/MaceióAL para saneamento relativo à legitimidade dos subscritores da impugnação (fls.192/196). Retornados a esta DRJ/Recife, ainda restando dúvida acerca da matéria, foi proferido o Despacho DRJ/REC/2ª Turma/Nº 607 (fls.197/197verso), cujos itens 3 a 5 são a seguir reproduzidos. “3. Uma vez nesta DRJ/Recife, foram os autos do presente processo devolvidos à DRF/MaceióAL para saneamento no que tange à identificação de quem subscreveu a impugnação. Intimada pela unidade local a anexar cópia da ata relativa à eleição dos diretores SÍLVIO MÁRCIO CONDE DE PAIVA, EDSON LOPES AGRA e PAULO CARVALHO WANDERLEY, bem como cópias dos documentos de identificação dos signatários da impugnação, para conferência das assinaturas (fls.193), a S/A Usina Coruripe Açúcar e Álcool encaminhou correspondência à DRF/MaceióAL (fls.194), em que afirma atender a intimação por meio da cópia da Ata da Assembléia GeralExtraordinária que elegeu como diretores os senhores retromencionados, bem como cópias autenticadas dos documentos de identidade e dos cartões CPF dos mesmos. Entretanto, apesar da menção constante daquela correspondência, não consta dos autos a referida ata da assembléia, mas tãosomente cópia da cédula de identidade e do Cartão de Inscrição do Contribuinte – CIC (cartão CPF) do senhor SÍLVIO MÁRCIO CONDE DE PAIVA (fls. 195), cuja assinatura guarda certa semelhança com uma das apostas na peça de defesa. 4. Assim sendo, além de não terem sido identificados os signatários da impugnação e não ter sido possível conferir as assinaturas, não há, nos autos, elemento comprobatório de estarem eles investidos de poderes para agir em nome da S/A Usina Coruripe Açúcar e Álcool. 5. Tendo em conta o exposto – em especial os mandatos dos diretores eleitos em 15/04/1997, que expirariam até o mês de abril de 2000, tendo em vista o Estatuto Social aprovado em 19/04/1999, bem como o disposto nos arts. 10, 15 e 32 do mesmo estatuto –, proponho o encaminhamento dos autos do presente processo à DRF/Maceió – AL, para que seja a pessoa jurídica intimada para apresentar cópias legíveis dos seguintes documentos, vigentes na data da subscrição da impugnação de fls.01/03 : i) os documentos de identificação dos diretores que subscreveram a referida peça de defesa, para que seja possível conferir suas respectivas assinaturas; ii) a Ata de Assembléia Geral (Ordinária ou Extraordinária) em que conste a eleição, como diretores, dos senhores que subscreveram a impugnação; iii) o Estatuto Social, com indicação da(s) cláusula(s) que lhes concedeu(ram) poderes para presentar a S/A Usina Coruripe Açúcar e Álcool.” Fl. 330DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003344/200353 Acórdão n.º 3301002.613 S3C3T1 Fl. 312 5 7. O atendimento do Despacho DRJ/REC/2ª Turma/Nº 607 foi efetuado por meio dos documentos de fls.198/212. Esta Julgadora anexou aos presentes autos a “Ata das Assembléias Gerais Ordinária e Extraordinária Cumuladas Realizadas em 30.04.2003” (fls.213/216), em que consta a reeleição da diretoria por mais um triênio, estendendose os mandatos dos diretores – dentre os quais se encontram os subscritores da impugnação – até a investidura daqueles a serem eleitos na Assembléia Geral incumbida de apreciar as demonstrações financeiras do ano calendário 2005 (cópia extraída das fls.173/176 do processo administrativo nº 10410.003856/200239). Saneado, pois, o processo, no que tange à legitimidade dos subscritores da impugnação. Ao julgar referida impugnação a 2ª Turma da DRJ/RecifePE proferiu o Acórdão nº 1130866, de 26/08/2010, com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos consubstanciadores do lançamento revestidos de suas formalidades essenciais e, não tendo restado comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. COFINS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Há que se manter a Cofins lançada de ofício, tendo em vista que o respectivo valor, declarado em DCTF, não teve seu pagamento ou compensação comprovado nem se encontrava com a exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual sustenta em síntese as seguintes alegações: que houve decadência parcial do crédito tributário referente aos períodos de apuração de 01/1998 a 07/1998, já que na data da ciência do lançamento, 08/08/2003, havia transcorrido mais de cinco anos da data do fato gerador. Defende a aplicação do § 4º do art. 150, pois teria havido antecipação de pagamento em face do levantamento de depósito judicial em favor da União; aduz nulidade do auto de infração em razão da inobservância ao devido processo legal e da incompetência do agente, pois os valores exigidos encontramse contemplados em pedidos de compensação formulados nos autos de processo pendente de análise no processo 10410.001085/0030. Descaberia assim, promover a cobrança dos créditos por meio de auto de infração, na medida em que os valores compensados estariam extintos sob condição resolutória. Cita jurisprudência que corroboraria com tais alegações. Ademais, uma vez formulada a compensação, caberia ao chefe da unidade administrativa da Secretaria da Fl. 331DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003344/200353 Acórdão n.º 3301002.613 S3C3T1 Fl. 313 6 Receita Federal do Brasil de jurisdição enfrentar o pedido de compensação e não, como se procedeu, a lavratura do auto de infração; defende que as compensações em análise encontramse definitivamente homologadas desde o ano de 2005, na medida em que o processo onde as mesmas foram declaradas foi formulado no ano de 2000 e, até o dia 26/11/2010, encontrarseia em andamento no mesmo setor. Anexa tela do sistema Comprot e cita jurisprudência; por outro lado, aduz que os depósitos atrelados ao processo judicial 95.0202.2734, convertidos em renda da União, ainda que insuficientes para a suspensão da exigibilidade da integralidade do crédito, alcançariam fração do montante ora exigido. Assim, a ausência de avaliação acerca destes acarretaria a formulação da exigência em duplicidade; sustenta, noutro giro, que, em homenagem ao instituto da retroatividade benigna, caberia, ainda, afastar a multa de ofício, em razão da revogação parcial do art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. No seu sentir, a partir do início da vigência da medida provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, a multa em questão só seria aplicável em algumas hipóteses de compensação indevida; finalmente, contesta a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, sob o argumento de que inexistiria respaldo legal para sua incidência . Cita jurisprudência do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes e excerto de matéria divulgada no jornal Valor Econômico. É o relatório. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003344/200353 Acórdão n.º 3301002.613 S3C3T1 Fl. 314 7 Voto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Preliminar de Nulidade do Auto de Infração O lançamento efetuado por meio do auto de infração de fls. 16/25, relativo aos períodos de apuração de 01 a 12/1998, decorreu da auditoria eletrônica das DCTF entregues pelo contribuinte que informava a existência de vinculação dos débitos declarados com as ações judiciais de nº 9400035691 e 9502002734. O fundamento do lançamento foi "Proc. Jud. Não Comprovado". Como visto no relatório e de toda a análise processual ambos os processos existiam e ambos tratavam da possibilidade de aproveitamentos de créditos do contribuinte para compensação com débitos de sua responsabilidade. Por sua vez a decisão recorrida manteve o lançamento considerando que o contribuinte não conseguiu provar a efetividade das compensações ou que referidos débitos estavam com a exigibilidade suspensa. Ou seja está claro que houve uma mudança da fundamentação entre a decisão recorrida e o auto de infração. Tenho manifestado o entendimento de que a simples existência do processo judicial informado na DCTF não é motivo por si só suficiente para declarar a nulidade do auto de infração. Como se trata de uma análise realizada por meios eletrônicos a partir de informações prestadas pelo próprio contribuinte, não acho que ocorra deficiência na descrição dos fatos a simples informação de que o processo judicial não está comprovado. Como o contribuinte tem conhecimento do processo judicial informado, basta a ele demonstrar a sua existência e, além disto, demonstrar que neste processo discute ou deliberase sobre o débito declarado, justificando a suspensão de seu pagamento. Não entendo que nesta situação haja cerceamento do direito de defesa. Porém, no presente processo está comprovado a existência dos dois processos e também a vinculação da discussão dos referidos com o débito objeto da declaração em DCTF. Tanto é que estes mesmos débitos estão com exigibilidade suspensa no processo de compensação nº 10410.001085/0030, conforme extrato do processo de fls. 175/184. Desta forma, concluise que a ocorrência que deu origem à presente autuação, "Processo judicial não comprovado", não se confirma, uma vez que a autuada efetivamente figura como autora nas referidas ações. Nesta condição a incorreta descrição dos fatos motivadores da autuação ofende frontalmente o disposto no art. 10, inc. III do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) Fl. 333DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003344/200353 Acórdão n.º 3301002.613 S3C3T1 Fl. 315 8 III a descrição do fato; " (destaquei) Portanto, por ser a descrição dos fatos elemento essencial ao lançamento, entendo que a sua descrição com incorreção resulta em nulidade do lançamento em decorrência de vício de natureza material. Há que se esclarecer também que os débitos objetos do presente lançamento foram confessados por meio de DCTF e também por meio de declaração de compensação que é objeto do processo administrativo nº 10410.001085/0030, o qual aguarda o desfecho do processo judicial. Necessário frisar que a nulidade do auto de infração em nada afeta os débitos que são objeto do citado processo de compensação. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício de natureza material. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000049/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
REMESSAS AO EXTERIOR. ROYALTIES. EXPLORAÇÃO DE USO DE MARCAS E PATENTES. INCIDÊNCIA. COMPENSAÇÃO. VALORES PAGOS NO PERÍODO ANTERIOR.
O direito ao crédito, oponível em compensação ao débito da CIDE no período subsequente, só nasce após o efetivo pagamento da Contribuição, não bastando sua apuração contábil pelo regime de competência.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-002.614
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso e voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo DEça,
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 REMESSAS AO EXTERIOR. ROYALTIES. EXPLORAÇÃO DE USO DE MARCAS E PATENTES. INCIDÊNCIA. COMPENSAÇÃO. VALORES PAGOS NO PERÍODO ANTERIOR. O direito ao crédito, oponível em compensação ao débito da CIDE no período subsequente, só nasce após o efetivo pagamento da Contribuição, não bastando sua apuração contábil pelo regime de competência. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16561.000049/2008-11
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5428342
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3402-002.614
nome_arquivo_s : Decisao_16561000049200811.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ALEXANDRE KERN
nome_arquivo_pdf_s : 16561000049200811_5428342.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso e voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo DEça,
dt_sessao_tdt : Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
id : 5822784
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703761453056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1924; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.294 1 1.293 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000049/200811 Recurso nº 16.651.000049200811 Voluntário Acórdão nº 3402002.614 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2015 Matéria CIDE REMESSAS AO EXTERIOR AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente BRIDGESTONE FIRESTONE DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 REMESSAS AO EXTERIOR. ROYALTIES. EXPLORAÇÃO DE USO DE MARCAS E PATENTES. INCIDÊNCIA. COMPENSAÇÃO. VALORES PAGOS NO PERÍODO ANTERIOR. O direito ao crédito, oponível em compensação ao débito da CIDE no período subsequente, só nasce após o efetivo pagamento da Contribuição, não bastando sua apuração contábil pelo regime de competência. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso e voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 49 /2 00 8- 11 Fl. 812DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 BRIDGESTONE FIRESTONE DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. teve lavrad contra si, em 12/05/2008, o Auto de Infração, das fls. 609 a 615, para formalizar a determinação e a exigência de crédito tributário atinente à. Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico —Remessa ao Exterior (CIDE — Remessa de Valores ao Exterior), relativo a fatos geradores de maio a dezembro do anocalendário de 2003, no valor total de R$ 3.226.331,59. De acordo com o TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO FISCAL – 20/05/2008 – ENCERRAMENTO PARCIAL – CIDE S/ REMESSAS AO EXTERIOR, fls. 599 a 607, a sociedade autuada firmou o contrato de transferência de tecnologia com "Bridgestone/Firestone Inc." dos Estados Unidos da América, em abril de 1995, e que, no tocante aos pagamentos da CIDE relativo as remessa dos royalties inerentes ao contrato, constatouse que os mesmos créditos apurados no anobase foram objeto de compensações sucessivas e em repetição, ensejando a glosa dos valores compensados indevidamente. Exemplifica a irregularidade, explicando que o valor da CIDE apurada em janeiro ano de 2001 no valor de R$ 98.203,23, foi recolhida, gerando crédito de valor idêntico, passível de utilização no mês subseqüente; o valor da contribuição apurado em fevereiro de 2001 totalizou R$ 117.328,72, foi objeto de compensação mediante aproveitamento integral do crédito apurado em janeiro e pagamento da diferença, equivalente ao valor de R$ 19.125,49; já no mês de março seguinte, a CIDE de R$ 112.053,20, foi extinta pela compensação com o pagamento efetuado no mês anterior, R$ 19.125,49, e com o crédito apurado em janeiro de 2001, o que teria gerado saldo credor de R$ 5.275,52. Ressalta que tal procedimento repetiuse nos demais meses dos anos calendário de 2001, estendendose, inclusive, aos períodos do anobase de 2002 e seguintes. Sobreveio impugnação, fls. 631 a 659, por meio da qual o autuado defende se, alegando que as compensações procedidas encontram guarida no art. 4° da Medida Provisória nº 2.15970, de 24 de agosto de 2001, e que o procedimento fiscal violou os arts. 2° e 3° da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, com a redação dada pela Lei nº 10.332, de 19 de dezembro de 2001. Acrescenta que, ainda que pudesse prevalecer a interpretação da Fiscalização, desconsiderou os efeitos tributários decorrentes da própria autuação, especialmente o previsto no art. 4° da MP nº 2.15970, de 2001, isto porque, ao exigir a CIDE devida na competência anterior, deveria computar o importe devido como crédito do período subseqüente. Sustenta que o crédito deve ser determinado com base na contribuição devida, ou seja, sobre o valor apurado que deveria ser recolhido pela autuada e não sobre o valor pago, conforme quer fazer prevalecer a Fiscalização. Adotando a tese de que o valor compensável é o do pagamento da Contribuição devida no mês anterior, e não o valor apurado, a 7ª Turma da DRJ/SP1 julgou a impugnação improcedente. O Acórdão nº 1625.884, de 29 de junho de 2010, fls. 705 a 741, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO – CIDE Anocalendário: 2003 CIDE REMESSAS AO EXTERIOR. ROYALTIES. EXPLORAÇÃO DE USO DE MARCAS E PATENTES. INCIDÊNCIA. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16561.000049/200811 Acórdão n.º 3402002.614 S3C4T2 Fl. 1.295 3 A hipótese de incidência da CIDE REMESSAS AO EXTERIOR ocorre em relação aos valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a título de royalties, por intermédio de fontes pagadoras domiciliadas no Brasil, a residentes ou domiciliados no exterior, relativamente a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. CIDE REMESSAS AO EXTERIOR. EXPLORAÇÃO DE USO DE MARCAS E PATENTES. INTERPRETAÇÃO QUANTO À CONCESSÃO DE CRÉDITO PARA DEDUÇÃO EM OPERAÇÕES SUBSEQÜENTES DE MESMA NATUREZA. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. VERDADE MATERIAL. O crédito de CIDE REMESSAS AO EXTERIOR vinculado às importâncias de royalties decorrentes de contratos de exploração de patentes e de uso de marcas será determinado com base no valor da contribuição devida, em conformidade com os pressupostos fixados na legislação de regência. A fruição do crédito com a finalidade de dedução da contribuição incidente em operações supervenientes de mesma natureza está sujeito a caracterização da ocorrência de pagamento da CIDE relacionada às transações anteriores, bem como da comprovação da origem e a oportuna disponibilidade dos importes reclamados, mediante apresentação de documentação fiscal e escrituração contábil hábil e idônea, objetivando resguardar o direito da autoridade administrativa aferir a certeza e liquidez dos aludidos benefícios. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 7ª Turma da DRJ/SP1. O arrazoado de fls. 747 a 783, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma as alegações exclusivamente de direito, lembrando que não se discutem os valores da CIDE compensada, mas tão somente o direito de fazêlo em relação aos valores apurados, razão pela qual rechaça a insinuação de que devesse comprovar os valores das remessas, feitas no voto condutor da decisão recorrida. Na continuação, digressiona sobre qual deva ser a melhor interpretação do art. 4° da MP nº 2.158970, de 2001, que, no seu entender, foi editado com o objetivo de conferir beneficio fiscal aos contribuintes, quando da instituição da CIDE. Pugna pela adoção do método literal, segundo o qual se concluirá que está autorizada a compensação com o valor da CIDE apurada. Nesse sentido, requer que sejam repercutidos os valores do lançamento na apuração da CIDE devida nos períodos subseqüentes aos períodos lançados, dando efetividade ao art. 4° da MP nº 2.15970, de 2001. Pede provimento. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 747 a 783 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJSP17ª Turma nº 1625.884, de 29 de junho de 2010. Controvertese o aproveitamento do crédito da CIDE, previsto no art. 4° da MP nº 2.15970, de 2001, assim redigido: Art. 4° É concedido crédito incidente sobre a Contribuição de Intervenção Domínio Econômico, instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, aplicável às importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a titulo de rôialties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. § 1° O crédito referido no caput: I será determinado com base na contribuição devida, incidente sobre pagamentos, créditos, entregas, emprego ou remessa ao exterior a titulo de rôialties de que trata o caput deste artigo, mediante utilização dos seguintes percentuais: a) cem por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 12 de janeiro de 2001 até 31 de dezembro de 2003; b) setenta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 12 de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; c) trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 12 de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013; II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a rôialties previstos no caput deste artigo. § 2° O Comitê Gestor definido no art. 5° da Lei nº 10.168, de 2000, será composto por representantes do Governo Federal, do setor industrial e do segmento acadêmicocientifico. Para a solução do litígio, apoiome em precedente do STJ, consubstanciado no REsp nº 11861601, relatado pelo Ministro Mauro Campbell Marques, que expressamente rejeitou a tese da ora recorrente de que a dedução autorizada pelo art. 4° da MP nº 2.15970, de 2001, não se constitui em benefício fiscal, mas apenas um abrandamento temporário da carga tributária por meio da técnica do creditamento. 1 Data do Julgamento 26/08/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 30/09/2010 Fl. 815DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16561.000049/200811 Acórdão n.º 3402002.614 S3C4T2 Fl. 1.296 5 Nessa esteira, interpretando sistematicamente a legislação, julgou que o direito ao crédito nasce somente com o efetivo recolhimento da exação paga no mês, aproveitandose nos períodos subsequentes. Penso que o legislador pretendeu com a referida sistemática amenizar os efeitos da tributação, reduzindo o ônus da carga tributária temporariamente, por meio da técnica do creditamento. Não se almejou com isso criar incentivo, pela criação de créditos desvinculados do efetivo pagamento do tributo, mas apenas amenizar o ônus por período determinado. Daí porque a tese recursal não merece acolhida, pois o crédito surge apenas com o efetivo recolhimento da exação paga no mês, aproveitandose nos períodos subsequentes. Pensar de modo diverso feriria a própria lógica da instituição do referido crédito, por permitir um efeito contrário ao pretendido pelo legislador, pois o Estado, além de deixar de receber o montante integral da Cide, passaria, ainda, a financiar a atividade desenvolvida pelo contribuinte, em detrimento do mercado nacional. Transcrevo a respectiva ementa para maior clareza: TRIBUTÁRIO. CIDE. ROYALTIES. EXPLORAÇÃO DE PATENTES E DE USO DE MARCAS. CRÉDITO. ART. 4º DA MP N. 2.15970. SURGIMENTO COM O EFETIVO PAGAMENTO DO TRIBUTO. 1. O cerne da controvérsia consiste em definir se o crédito estabelecido na MP n. 215970, incidente sobre a Cide instituída pela Lei n. 10.168/2000, tem origem a partir do surgimento do dever de pagar essa contribuição ou apenas quando há o seu efetivo pagamento. 2. A Cide da Lei n. 10.168/00 tem nítido intuito de fomentar o desenvolvimento tecnológico nacional por meio da intervenção em determinado setor da economia, a partir da tributação da remessa de divisas ao exterior, propiciando o fortalecimento do mercado interno de produção e consumo dos referidos serviços, bens e tecnologia. 3. Não obstante, o legislador entendeu por bem reduzir temporariamente o montante da carga tributária devida, por meio da instituição de um crédito incidente sobre a referida Cide (art. 4ºda MP n. 2.15970). 4. A referida sistemática ameniza os efeitos da tributação, reduzindo o ônus da carga tributária temporariamente, por meio da técnica do creditamento. Não se almejou com isso criar incentivo,pela criação de créditos desvinculados do efetivo pagamento do tributo, mas apenas amenizar o ônus por período determinado. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 5. Daí concluise que o crédito surge apenas com o efetivo recolhimento da exação paga no mês, aproveitandose nos períodos subseqüentes. 6. Recurso especial não provido Quanto ao pleito incidental para que se repercuta os valores lançados no AI nas apurações dos períodos subsequente, há de se indeferilo, posto que o recolhimento da contribuição configura requisito essencial para fins materializar a constituição do crédito dedutível. Não havendo pagamento, não há do que se creditar. Com essas consideração, nego provimento ao recurso. Sala de sessões, em 29 de janeiro de 2015 Fl. 817DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11050.001704/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 25/08/2009, 01/09/2009
EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO.
Aplica-se a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, valor este multiplicado por quantas vezes for o número de ações ou procedimentos de fiscalização prejudicados pela conduta punível.
NAVEGAÇÃO DE CABOTAGEM.
Considera-se cabotagem a navegação realizada entre portos de carregamento e descarregamento nacionais, para o registro das cargas nacionais transportadas em navegação marítima.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, pelo voto de qualidade. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Mônica Elisa de Lima e Fábia Regina Freitas. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
(assinado digitalmente)
SIDNEY EDUARDO STAHL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 25/08/2009, 01/09/2009 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Aplica-se a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, valor este multiplicado por quantas vezes for o número de ações ou procedimentos de fiscalização prejudicados pela conduta punível. NAVEGAÇÃO DE CABOTAGEM. Considera-se cabotagem a navegação realizada entre portos de carregamento e descarregamento nacionais, para o registro das cargas nacionais transportadas em navegação marítima. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11050.001704/2009-77
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5455180
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3301-002.514
nome_arquivo_s : Decisao_11050001704200977.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : SIDNEY EDUARDO STAHL
nome_arquivo_pdf_s : 11050001704200977_5455180.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, pelo voto de qualidade. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Mônica Elisa de Lima e Fábia Regina Freitas. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. (assinado digitalmente) SIDNEY EDUARDO STAHL - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5895875
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703767744512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1947; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 279 1 278 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11050.001704/200977 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.514 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria Embaraço à Fiscalização Recorrente ALIANCA NAVEGACAO E LOGISTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 25/08/2009, 01/09/2009 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Aplicase a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, valor este multiplicado por quantas vezes for o número de ações ou procedimentos de fiscalização prejudicados pela conduta punível. NAVEGAÇÃO DE CABOTAGEM. Considerase cabotagem a navegação realizada entre portos de carregamento e descarregamento nacionais, para o registro das cargas nacionais transportadas em navegação marítima. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, pelo voto de qualidade. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Mônica Elisa de Lima e Fábia Regina Freitas. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. (assinado digitalmente) SIDNEY EDUARDO STAHL Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 17 04 /2 00 9- 77 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /04/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHA GAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11050.001704/200977 Acórdão n.º 3301002.514 S3C3T1 Fl. 280 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /04/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHA GAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11050.001704/200977 Acórdão n.º 3301002.514 S3C3T1 Fl. 281 3 Relatório Tratase de auto de infração no qual foi lançada multa por embaraço à fiscalização cujo histórico apontado é o seguinte: Nos dias 25/08/2009 e 01/09/2009, chegaram ao porto de Rio Grande, respectivamente, os navios ALIANÇA MANAUS e ALIANÇA MARACANÃ, trazendo, a bordo, as mercadorias relativas aos Manifestos de Cargas n°s 2109301482170, 2109301436640, 2109301554243 e 2109301561762. O armador responsável pela operação da embarcação e também transportador emissor dos conhecimentos de transporte é a ALIANÇA NAVEGAÇÃO E LOGÍSTICA LTDA. (...) Ocorre que, verificando as condições em que se deu o transporte, constatase que os containeres embarcados em Pecém, Manaus, Salvador e Itaguaí foram levados ao portos de Buenos Aires, Argentina, e Montevidéu, Uruguai, descaracterizando uma operação de navegação de CABOTAGEM e, além disso, que as cargas foram levadas ao exterior sem controle aduaneiro, conforme a seguir demonstrado. (...) Nos termos da legislação em vigor, TODA a mercadoria destinada ao exterior está sujeita a despacho de exportação, sendo que se considera também estrangeira a mercadoria nacional ou nacionalizada exportada que retornar ao Pais (art. 1°, § 1°, do DecretoLei n° 37/66, com a redação que lhe deu o DecretoLei n° 2.472/88). Por tal motivo, toda mercadoria nacional saída do território aduaneiro, ao retornar ao pais, é considerada estrangeira e nesta situação deve ser informada em manifesto eletrônico de LONGO CURSO IMPORTAÇÃO, o qual é destinado ao transporte de cargas estrangeiras, com carregamento em porto estrangeiro e descarregamento em porto nacional (art. 2°, § 1°, inciso III, alínea "a", da Instrução Normativa RFB n° 800/07). (...) As condutas que caracterizam a infração são embaraçar, dificultar ou impedir a ação da fiscalização aduaneira. No caso presente, ao promover a saída de mercadorias do território aduaneiro sem autorização da fiscalização aduaneira, verifica Fl. 281DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /04/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHA GAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11050.001704/200977 Acórdão n.º 3301002.514 S3C3T1 Fl. 282 4 se que atuada praticou conduta que se constitui impedimento à ação da fiscalização, pois as mercadorias saíram do país sem qualquer tipo de conferência ou controle pelas autoridades aduaneiras. Se pretendia levar as cargas ao exterior, deveria ter, ao menos, requerido autorização para tal fim. Se não o fez, foi por livre escolha, inclusive porque sabia que tal autorização não seria concedida, posto que não há amparo legal. (...) Por tal motivo, constatase que a autuada incidiu na infração prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c”, do DecretoLei n° 37/66, relativa a nove operações de transporte, cada uma consubstanciada em um conhecimento de transporte, motivo pelo qual aplicase a multa total de R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais). Entendendo assim que a navegação de cabotagem envolve apenas portos nacionais foi laçada multa por embaraço à fiscalização com base no artigo 107, inciso IV, alínea “c”, do DecretoLei n.º 37/1966. Cientificada do lançamento o sujeito passivo apresentou impugnação na qual alega em síntese que (a) não há expressa proibição de que as mercadorias embarcadas no Brasil para serem entregues no Brasil, fiquem impedidas de transitar por um porto estrangeiro antes do destino. (b) que há de se primar pelo destino final da mercadoria para que se possa identificar a origem da operação de transporte; (c) que não existe mais a chamada “grande cabotagem” que se configurava como uma modalidade mista (nacional e internacional) de transporte de mercadorias; (d) que somente existe exportação quando o destino final for o exterior e importação se o produto de origem estrangeira advém do exterior, tendo o seu desembarque destinado a um porto brasileiro; (e) que não é verdadeira a afirmação do fiscal aduaneiro acerca do total desconhecimento da Receita Federal sobre a escala que o navio faria no porto de Buenos Aires/ARG e Montevidéu/URU, anteriormente a atracação no porto de Rio Grande/RS, pois, toda a rota de transporte foi prévia e regularmente informada às autoridades fiscais, conforme comprova o documento “Consulta de Escala”; (f) que o procedimento de informação foi feito no próprio site da Receita Federal, pelo sistema SISCOMEX; (g) que tratandose de cabotagem, não há que se falar em necessidade de pedido de autorização ou de licença à Receita Federal, não ocorrendo qualquer tentativa de embaraço ou impedimento à fiscalização, já que o transporte de cargas entre portos nacionais dispensa tal procedimento; (h) e que, não havendo a incidência do imposto, não há que se falar em dano ao Erário capaz de fundamentar a aplicação da penalidade pecuniária, já que não há valor a ser restituído ao Fisco. A DRJ de Fortaleza/CE julgou improcedente a impugnação com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 25/08/2009, 01/09/2009 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Aplicase a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, valor este multiplicado por quantas vezes for o número de ações ou Fl. 282DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /04/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHA GAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11050.001704/200977 Acórdão n.º 3301002.514 S3C3T1 Fl. 283 5 procedimentos de fiscalização prejudicados pela conduta punível. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fundamenta a DRJ a improcedência da impugnação no artigo 669 do Regulamento Aduaneiro no qual temse que “entendese por cabotagem o transporte efetuado entre portos e aeroportos nacionais” e no artigo 23 do Código Tributário Nacional que expressa que o fato gerador do Imposto de Exportação é a saída de produtos nacionais ou nacionalizados do território nacional, expressando que: Entendese deste último dispositivo, por conseguinte, que a exportação é a saída de mercadorias do território nacional. As definições, conforme vêse, foram estabelecidas pelo legislador que, se pretendesse uma combinação de institutos, visando a relativizar os conceitos de exportação, ou criar tratamentos específicos à esta em determinadas condições, como pretende o contribuinte, o teria feito expressamente, autorizando a realização da dita “grande cabotagem”, a partir da previsão da possibilidade de que mercadorias que saíssem do território nacional pudessem a este retornar sem que houvesse o entendimento de tratarse de fato tributável, como ocorre em diversas situações como a da Exportação Temporária, regime aduaneiro através do qual permitese a saída de mercadorias do País, com a suspensão do pagamento do imposto de exportação, condicionada ao seu retorno dentro de um prazo determinado. (...) A multa objeto do auto de infração questionado encontra sua base legal no art. 107, IV, c, do DecretoLei nº 37/66, abaixo transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal;(grifei) Da descrição dos fatos em relatório fiscal, e também da argumentação da defesa, em que pese o esforço genérico que visa a negar a prática do embaraço, é possível concluir pela ocorrência de fatos que dificultaram ou impediram a realização de procedimento fiscal, nos termos em que este deve ser realizado. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /04/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHA GAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11050.001704/200977 Acórdão n.º 3301002.514 S3C3T1 Fl. 284 6 A Recorrente apresenta o presente Recurso Voluntário apontando os mesmos argumentos que ante apontados na impugnação. É o que importa relatar. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /04/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHA GAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11050.001704/200977 Acórdão n.º 3301002.514 S3C3T1 Fl. 285 7 Voto Vencido Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A autuação referese a infração fiscal de embaraço à fiscalização, consoante o que dispõe a alínea “c” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n.º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n.º 10.833/2003, assim expresso: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (…) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (…) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Tratase, portanto, de previsão de aplicação de multa pelo silêncio ou atraso na apresentação de resposta à procedimento fiscal instaurado para fiscalização ou averiguação de outra natureza conduzido pela Receita Federal do Brasil. Esse dispositivo versa sobre qualquer ato que atrapalhe a ação fiscal em matéria aduaneira, seja qual for a natureza dos esclarecimentos solicitados pela autoridade fiscal. Pareceme que nesse caso o enquadramento foi incorreto. O enquadramento, caso houvesse ilícito, deveria ser o da alínea “e” do mesmo inciso, assim expressa: e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Assim, a conduta da alínea “e” do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n.º 37/1966 expressamente indica a informação sonegada (sobre veículo ou carga transportada), prevê a possibilidade de aplicação de multa quando a informação é apresentada a destempo e, ainda, estabelecea para os casos em que a norma legal exige informações sobre veículo ou carga em operações de comércio exterior. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /04/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHA GAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11050.001704/200977 Acórdão n.º 3301002.514 S3C3T1 Fl. 286 8 Contudo, a alínea “ e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei n.º 37/66 não foi citada no auto de infração. Na verdade, a autoridade fiscal enquadrou o Contribuinte na conduta da alínea “c” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei n.º 37/66, no que incorreu em nulidade. Uma vez inadequado o enquadramento legal conferido à hipótese, não deve ser mantido o lançamento. Não assim o fosse a alteração do artigo 2º, § 1º, inciso III da Instrução Normativa RFB n.º 800/2007, que serviu também de fundamento para o Auto de Infração em comento, também implica em procedência do pedido. Vejase que a redação que era: III o manifesto eletrônico será denominado: (...) a) Longo Curso Importação (LCI), quando emitido no transporte de cargas estrangeiras, com carregamento em porto estrangeiro e descarregamento em porto nacional, mesmo que a praça de entrega seja no exterior; Passou com a Instrução Normativa RFB n.º 1.473, de 2 de junho de 2014 a ter a seguinte redação: III o manifesto eletrônico será denominado: (...) a) para registro de cargas nacionais: 1. Cabotagem (CAB), aquele com portos de carregamento e descarregamento nacionais, para o registro das cargas nacionais transportadas em navegação marítima, inclusive quando combinada com a navegação interior; 2. Interior (ITR), aquele com portos de carregamento e descarregamento nacionais, para o registro das cargas nacionais transportadas exclusivamente em navegação interior; ou, 3. Baldeação de Carga Nacional (BCN), aquele com portos de carregamento e descarregamento nacionais, para o registro das cargas nacionais submetidas a baldeação ou transbordo, inclusive cargas nacionais que venham a sair temporariamente do País por motivos exclusivamente de logística; O exame da redação original da alínea “a” é clara no sentido de que o manifesto de Longo Curso Importação (LCI) somente ocorre quando houver transporte de cargas com carregamento em porto estrangeiro o que não parece ser o caso, considerando que não houve carregamento em porto estrangeiro e o exame da atual redação deixa claro que o que ocorreu foi efetivamente cabotagem porque os portos de carregamento e descarregamento são nacionais. Apesar de que, nessa nova redação a disposição do item 3 da alínea “a” Baldeação de Carga Nacional (BCN), talvez fosse a mais adequada. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /04/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHA GAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11050.001704/200977 Acórdão n.º 3301002.514 S3C3T1 Fl. 287 9 Nesse sentido voto por dar provimento ao presente Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 287DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /04/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHA GAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11050.001704/200977 Acórdão n.º 3301002.514 S3C3T1 Fl. 288 10 Voto Vencedor A recorrente alega que, na falta de regulamentação mais específica a respeito das navegações de grande cabotagem, ou seja, aquelas que envolveriam escalas em portos internacionais, ao longo de viagens entre portos nacionais, faz com que não haja qualquer proibição a este tipo de atividade. Assim, vejamos o que determina a Lei 9.432/97, que dispõe sobre a ordenação do transporte aquaviário e dá outras providências: Lei 9.432/97, Art. 2º Para os efeitos desta Lei, são estabelecidas as seguintes definições: (...) IX navegação de cabotagem: a realizada entre portos ou pontos do território brasileiro, utilizando a via marítima ou esta e as vias navegáveis interiores; No mesmo sentido está o Regulamento Aduaneiro: Art. 669. Para os efeitos deste Decreto, entendese por cabotagem o transporte efetuado entre portos e aeroportos nacionais. Assim, está claro que a legislação ao conceituar o instituto da cabotagem, mecanismo registrado pelo contribuinte em relação às operações em questão, entende esta somente quando envolver portos ou aeroportos nacionais. Por sua vez, temos o conceito de fato gerador da exportação esculpido no Código Tributário Nacional CTN: Art. 23. O imposto, de competência da União, sobre a exportação, para o estrangeiro, de produtos nacionais ou nacionalizados tem como fato gerador a saída destes do território nacional. Em relação a navegação de “grande cabotagem”, como admite o recorrente, isto não ocorre, daí que não se pode acatar os seus argumentos, diante do caráter vinculante informado à atividade fiscal, nos termos do art. 142 do CTN. A multa objeto do auto de infração questionado encontra sua base legal no art. 107, IV, c, do DecretoLei no 37/66, abaixo transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, Fl. 288DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /04/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHA GAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11050.001704/200977 Acórdão n.º 3301002.514 S3C3T1 Fl. 289 11 inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Pelos documentos carreados ao processo, é possível concluir pela ocorrência de fatos que dificultaram ou impediram a realização de procedimento fiscal, nos termos em que este deve ser realizado. Embora seja evidente o prejuízo ao controle aduaneiro, no presente caso a responsabilidade é objetiva, independe da intenção do agente ou responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. É o que preceitua o artigo 136 da Lei n° 5.172/66 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O contribuinte alega que não há tributos a serem pagos e que a mercadoria foi transportada sob o amparo da documentação correspondente. Entretanto, a necessidade do cumprimento das obrigações acessórias independe da existência ou não da obrigação principal, quando tratase de matéria tributária. O contribuinte informou a realização de navegação de cabotagem, sendo que de fato realizou transporte em condições não correspondentes a este instituto, posto que transitando por portos internacionais, em viagem originada em território nacional envolvendo transporte de mercadorias que ficaram, durante as escalas internacionais, ao largo da possibilidade fiscal da administração tributária brasileira. Uma vez que observouse a irregularidade envolvendo nove conhecimentos de transporte, o que corresponde a nove operações, procede também a multiplicação deste número pelo valor da multa prevista, diante da individualização das condutas em relação ao número de procedimentos fiscais que poderiam ser adotados em face de cada um dos conhecimentos de transporte. Há de se ressaltar ainda que a infração em tela é classificada como de mera conduta, isto é, já constituise em elemento consumativo do tipo, o que faz com o que o lançamento deva ser mantido. Conclusão Ante o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 289DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /04/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHA GAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11050.001704/200977 Acórdão n.º 3301002.514 S3C3T1 Fl. 290 12 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /04/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHA GAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 12269.002109/2010-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2008 a 31/10/2008
COOPERATIVA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Foi comprovada a existência dos requisitos que ensejaram o reconhecimento do vínculo empregatício, configurada a irregularidade na condição de cooperada da Recorrente. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FATO GERADOR. INCIDÊNCIA. Embora caiba à legislação infraconstitucional a definição dos fatos geradores dos tributos, tal fixação deve ser efetivada observando-se os limites das regras de competência tributária constantes da Constituição Federal. Nesse contexto, a Constituição da República determina que ascontribuições sociais para custeio da seguridade social incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço. COMPENSAÇÃO. VALORES RECOLHIDOS PELO TOMADOR. POSSIBILIDADE. A contribuição de 15% retida pelo tomador nos regimes de contratação de serviços pode ser compensada pela empresa cedente com os valores devidos a título de contribuição sobre a folha de pagamentos dos segurados a seu serviço.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento para admitir a compensação proporcional a cada competência e a cada empregado com vínculo reconhecido, bem como para que seja aplicada a multa nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Vencida nessa parte a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2008 a 31/10/2008 COOPERATIVA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Foi comprovada a existência dos requisitos que ensejaram o reconhecimento do vínculo empregatício, configurada a irregularidade na condição de cooperada da Recorrente. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FATO GERADOR. INCIDÊNCIA. Embora caiba à legislação infraconstitucional a definição dos fatos geradores dos tributos, tal fixação deve ser efetivada observando-se os limites das regras de competência tributária constantes da Constituição Federal. Nesse contexto, a Constituição da República determina que ascontribuições sociais para custeio da seguridade social incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço. COMPENSAÇÃO. VALORES RECOLHIDOS PELO TOMADOR. POSSIBILIDADE. A contribuição de 15% retida pelo tomador nos regimes de contratação de serviços pode ser compensada pela empresa cedente com os valores devidos a título de contribuição sobre a folha de pagamentos dos segurados a seu serviço. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 12269.002109/2010-08
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5445068
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2402-004.471
nome_arquivo_s : Decisao_12269002109201008.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : THIAGO TABORDA SIMOES
nome_arquivo_pdf_s : 12269002109201008_5445068.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento para admitir a compensação proporcional a cada competência e a cada empregado com vínculo reconhecido, bem como para que seja aplicada a multa nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Vencida nessa parte a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Thiago Taborda Simões - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
id : 5872357
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703771938816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2010; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12269.002109/201008 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.471 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de dezembro de 2014 Matéria COOPERATIVA DE TRABALHO Recorrente META COOPERATIVA DE SERVIÇOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2008 a 31/10/2008 COOPERATIVA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Foi comprovada a existência dos requisitos que ensejaram o reconhecimento do vínculo empregatício, configurada a irregularidade na condição de cooperada da Recorrente. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FATO GERADOR. INCIDÊNCIA. Embora caiba à legislação infraconstitucional a definição dos fatos geradores dos tributos, tal fixação deve ser efetivada observandose os limites das regras de competência tributária constantes da Constituição Federal. Nesse contexto, a Constituição da República determina que ascontribuições sociais para custeio da seguridade social incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço. COMPENSAÇÃO. VALORES RECOLHIDOS PELO TOMADOR. POSSIBILIDADE. A contribuição de 15% retida pelo tomador nos regimes de contratação de serviços pode ser compensada pela empresa cedente com os valores devidos a título de contribuição sobre a folha de pagamentos dos segurados a seu serviço. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 21 09 /2 01 0- 08 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento para admitir a compensação proporcional a cada competência e a cada empregado com vínculo reconhecido, bem como para que seja aplicada a multa nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Vencida nessa parte a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.002109/201008 Acórdão n.º 2402004.471 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de autuação para cobrança de crédito que tem como fato gerador a descaracterização de segurados contribuintes individuais (cooperados), caracterizandoos como segurados empregados, tendo em vista que na verdade enquadravamse no art. 12, I, "a", da Lei nº 8.212/91, pois desempenhavam as atividades com pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. A autuação se refere às contribuições devidas pelos segurados empregados, nas competências de 01/2007 a 10/2008. Relatório Fiscal às fls. 10/19. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 37/52, que restou improcedente às fls. 79/92, sob os seguintes fundamentos: 1. Não ocorre a incorreção alegada quanto à ausência de autorização para realização do procedimento fiscal em especial do período de 08/2005 a 12/2006, haja vista a autorização contida no MPF, devidamente cientificado ao contribuinte na forma da legislação aplicável; 2. Inexiste óbice para que a fiscalização realize o correto enquadramento de segurados empregados, identificando o sujeito passivo e as contribuições devidas sobre os fatos geradores efetivamente ocorridos, enquanto não alcançados pela decadência. Nesse sentido há o artigo 33 da Lei n° 8.212/91; 3. Eventuais incorreções no MPF não constituem motivo de nulidade do lançamento, nos termos do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72 e artigo 142 do CTN; 4. À luz das disposições contidas na Lei n° 5.764/71, que define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, considerou que a empresa afastouse dos princípios do cooperativismo, em relação aos segurados objeto do presente lançamento, restando caracterizada a condição de empregadora de segurados empregados de que trata a alínea "a" do inciso I do artigo 12, da Lei n° 8.212/91, por ela considerados como segurados contribuintes individuais em razão de sua condição de associado da cooperativa de trabalho; 5. Perfeitamente justificável o procedimento da fiscalização de tomar por base a GFIP com maior número de segurados, pois considerou os elementos de convicção que julgou cabíveis, na ausência da apresentação da contabilidade, consoante estabelece o artigo 233 do Regulamento da Previdência Social; Fl. 117DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 6. Considerar o correto enquadramento dos segurados da Previdência Social não significa desconstituir a pessoa jurídica. Até mesmo porque, no presente caso, pode a Cooperativa agir, relativamente a alguns trabalhadores cooperados, como verdadeira cooperativa de trabalho, em consonância com seus objetivos sociais, e, por outro lado, em relação a outros segurados, atuar como empregadora da mão de obra, na medida em que desobedece as determinações da Lei 5.764/71, em relação a esses; 7. As sentenças judiciais trabalhistas proferidas contra a autuada reconheceram o vínculo empregatício com a cooperativa de trabalho por estarem presentes os requisitos de pessoalidade, nãoeventualidade, onerosidade e subordinação. Os trabalhadores cooperados recebiam um valor fixo de pró labore, sem que tivessem acesso a outros benefícios, inclusive ao valor das sobras líquidas previsto no Estatuto Social. Foi constatada a obtenção de lucro, evidenciando que a cooperativa desenvolvia suas atividades com as Prefeituras com ânimo empresarial, a qual tratavase na verdade de empresa intermediadora de mãodeobra; 8. A impugnante limitase a referir algumas sentenças judiciais em sentido contrário em que foi considerada como cooperativa regular. Todavia, deixou de contrapor as afirmativas da fiscalização e de anexar documentos comprobatórios do seu regular funcionamento em prol dos associados; 9. Por ocasião do lançamento foram desconsiderados os segurados cujas reclamatórias trabalhistas não tiveram reconhecimento de vínculo empregatício com a autuada. Embora a impugnante tenha feito referências e transcrição de parte dos julgados, não juntou aos autos cópias dos documentos comprobatórios de suas alegações, nem mesmo das petições relativas às ações judiciais dos segurados por ela referidos, conforme determina o Decreto n° 70.235/72, artigo 16, incisos III e IV e parágrafo 4°; 10. Foi localizado apenas "Jusimar Gaspar" e não "Jusimara Gaspar" como referido na peça impugnatória, não havendo como ser excluído do levantamento por trataremse de nomes distintos, cujo lançamento teve por base as GFIP entregues pela própria impugnante; 11. Em relação a Anselma Ferreira e a Jéferson Alex Lasch, que, além de não integrarem o lançamento, as assertivas contidas nas decisões judiciais, transcritas pela impugnante, no sentido da regularidade no funcionamento da cooperativa, dizem respeito às provas contidas naqueles processos. A própria decisão relativa à Anselma Ferreira contém a ressalva "em face dos elementos constantes dos autos"; 12. Cabe à fiscalização, exercer o seu poderdever de identificar o sujeito passivo, apurar os fatos geradores, lançando em auto de infração as contribuições devidas. Desta forma, desnecessária a prévia existência de sentença judicial proferida pela Justiça do Trabalho reconhecendo o vínculo empregatício de todos os cooperados ou ainda de sentença desconstituindo o negócio jurídico efetuado entre as partes, com força retroativa, como alegou a impugnante; Fl. 118DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.002109/201008 Acórdão n.º 2402004.471 S2C4T2 Fl. 4 5 13. Não há como serem aproveitados os eventuais recolhimentos efetuados por outro sujeito passivo, o qual sofreu o ônus do pagamento de contribuição diversa das lançadas no presente auto de infração; Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 101/110 alegando, em síntese: 1. No caso presente, o contribuinte não foi intimado da "autorização de reexame do período 08/2005 a 12/2006”, para ter conhecimento de seu conteúdo e da autoridade emissora. A ausência dessa intimação, obrigatória sob pena de nulidade do procedimento, acarreta a invalidade deste Processo Administrativo Fiscal, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972; 2. Segundo expresso no DD DISCRIMINATIVO DO DÉBITO, pg. 01, as competências objeto deste levantamento referemse a período em que já houve ação fiscal, e na ocasião foram entregues à fiscalização contratos e outros documentos referentes às operações da Cooperativa e a autoridade administrativa nada contestou; 3. Comprovam a regularidade da Sociedade Cooperativa todos os documentos ora juntados, como a Ata de Assembléia de Constituição, Estatuto Social e Consolidação, Registro e Regularidade na Ocergs, Atas de Assembléia e Publicações e etc; 4. A impugnante cumpre e faz cumprir todos os regramentos legais a que se acha adstrita pela legislação aqui já citada, atuando como verdadeira cooperativa, de fato e de direito, servindo como instrumento democrático e participativo de desenvolvimento profissional, educacional e social. Assim, descabe a descaracterização levada a efeito pela senhora fiscal e o consequente enquadramento dos cooperados como se fossem empregados com vínculo empregatício; 5. Não há que extrair de algumas sentenças que determinaram a existência de vínculo de emprego a certeza de os demais cooperados também tem este vínculo. Para que se pudesse fazer a ilação desejada pela senhora fiscal, necessário seria a existência de uma sentença, declarando que a Cooperativa, ora Impugnante, era na verdade uma empresa, necessário seria a existência de uma sentença declarando que todos os cooperados eram empregados; 6. Não é justo nem legal que se aceite a descaracterização da relação entretida entre os cooperados e a cooperativa sem o devido processo legal, sem uma sentença que determine a desconstituição daquela relação, desta forma, também se requer a anulação deste Auto de Infração por este motivo; Fl. 119DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 7. Caso os membros deste conselho entendam em sua decisão que se esta diante da prestação de serviços de empregados, com vínculo empregatício, há que se creditar na conta do impugnante os valores referentes aos descontos de 15% (quinze por cento) gue foram descontados e retidos do Impugnante e que foram calculados sobre o total das notas fiscais de serviços apresentadas; Por fim, o contribuinte requereu que, caso este recurso não seja provido na sua totalidade, este Conselho determine a apuração e a compensação dos valores descontados pelos tomadores dos serviços pela modalidade de cooperativa com os valores exigidos pelo fisco neste auto, aplicandose as penalidades tais como multas e juros proporcionalmente as diferenças encontradas. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.002109/201008 Acórdão n.º 2402004.471 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Tratase de Auto de Infração lavrado para a cobrança de crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas creditadas a segurados contribuintes individuais mascarados como cooperados. Foi apontado pela autoridade fiscal que os “cooperados” se enquadravam no art. 12, I, "a", da Lei nº 8.212/91, já que desempenhavam as atividades com pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. Alega a Recorrente que seu Estatuto Social, Ata de Assembléia de Constituição e demais documentos societários comprovam a regularidade da cooperativa e que, nos termos do art. 442, parágrafo único, da CLT, não há vínculo de emprego entre a cooperativa e seus associados. “Art. 442 Contrato individual de trabalho é o acordo tácito ou expresso, correspondente à relação de emprego. Parágrafo único Qualquer que seja o ramo de atividade da sociedade cooperativa, não existe vínculo empregatício entre ela e seus associados, nem entre estes e os tomadores de serviços daquela.” Ocorre que o Direito do Trabalho tem como um de seus pilares o princípio da realidade, que visa à priorização da verdade real diante da verdade formal. Temse então, que entre os documentos sobre a relação de emprego e o modo efetivo como, concretamente, os fatos ocorreram, devemse reconhecer estes em detrimento dos papéis. Nesse sentido foram as sentenças judiciais trabalhistas proferidas contra a Autuada, que reconheceram o vínculo empregatício com a cooperativa de trabalho por estarem presentes os requisitos de pessoalidade, nãoeventualidade, onerosidade e subordinação. Os trabalhadores cooperados recebiam um valor fixo de pró labore, sem que tivessem acesso a outros benefícios, inclusive ao valor das sobras líquidas previsto no Estatuto Social. Foi constatada a obtenção de lucro, evidenciando que a cooperativa desenvolvia suas atividades com as Prefeituras com ânimo empresarial, tratandose, portanto, de empresa intermediadora de mãodeobra. Sendo assim, verificase a violação aos arts. 3° e 4° da Lei nº 5.764/1971, que define a política nacional de cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas: “Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o Fl. 121DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: I adesão voluntária, com número ilimitado de associados, salvo impossibilidade técnica de prestação de serviços; II variabilidade do capital social representado por quotaspartes; III limitação do número de quotaspartes do capital para cada associado, facultado, porém, o estabelecimento de critérios de proporcionalidade, se assim for mais adequado para o cumprimento dos objetivos sociais; IV incessibilidade das quotaspartes do capital a terceiros, estranhos à sociedade; V singularidade de voto, podendo as cooperativas centrais, federações e confederações de cooperativas, com exceção das que exerçam atividade de crédito, optar pelo critério da proporcionalidade; VI quorum para o funcionamento e deliberação da Assembléia Geral baseado no número de associados e não no capital; VII retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral; VIII indivisibilidade dos fundos de Reserva e de Assistência Técnica Educacional e Social; IX neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial e social; X prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa; XI área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião, controle, operações e prestação de serviços.” Ausente algum dos requisitos caracterizadores do alegado cooperativismo, é de se reconhecer a existência de vínculo empregatício entre as partes, reconhecendose os direitos trabalhistas aos empregados e a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores à eles creditados. A finalidade do trabalho cooperativo não pode ser reduzida ao barateamento da mãodeobra, como se verifica no caso, em detrimento do interesse dos “cooperados”. Nessas condições e ainda levandose em conta que, pelos elementos constantes dos autos, mais especificamente as decisões proferidas pela Justiça do trabalho, reconhecendo a existência de relação de emprego entre a Recorrente e seus funcionários por demonstrada pessoalidade, subordinação, onerosidade e continuidade, necessária a manutenção da autuação. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.002109/201008 Acórdão n.º 2402004.471 S2C4T2 Fl. 6 9 Ressaltese que por ocasião do lançamento foram desconsiderados os segurados cujas reclamatórias trabalhistas não tiveram reconhecimento de vínculo empregatício com a Autuada, compondo a base de cálculo apenas os valores pagos aos cooperados considerados pela justiça trabalhista como empregados. Passemos a análise do pedido de compensação dos valores exigidos neste Auto com aqueles descontados pelos tomadores dos serviços pela modalidade de cooperativa. Nos termos do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, a contribuição social a cargo da empresa, além do disposto no art. 23, é de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura da prestação de serviço por intermédio de cooperativa de trabalho. “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999)” No caso dos autos, a Recorrente, quando contratada na qualidade de cooperativa de trabalho pelos tomadores, alega ter sofrido a retenção na forma prevista em lei, razão pela qual requer a compensação destes valores retidos para fins de cálculo do crédito ora em análise. Merece guarida. A retenção sofrida pela Recorrente quando da emissão de nota fiscal ou fatura da prestação de serviços tem o condão de pagar as contribuições em tese por ela devidas na alíquota de 15% das contribuições. Assim, considerando que a retenção do art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91 se confunde com a contribuição imposta nos presentes autos, diferindo apenas quanto à alíquota aplicável, entendemos pela possibilidade de abatimento dos valores retidos pelos tomadores, sendo necessária a apuração destes valores e o recálculo do crédito sob análise. Da multa aplicada Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa de ofício aplicada sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n°11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em Fl. 123DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores (art. 35 da Lei 8.212/1991). De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos destacados, é muito clara nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo a essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP n° 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Logo, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício Fl. 124DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.002109/201008 Acórdão n.º 2402004.471 S2C4T2 Fl. 7 11 aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Embora os fatos geradores tenham ocorrido antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência dos fatos geradores, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela auditoria fiscal: 1. Uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL 68) , com base no art. 32, IV e § 5°, da Lei n° 8.212/91, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. Outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea ‘a’, da Lei n° 8.212/91. Tal artigo traz expressos os percentuais da multa moratória a ser aplicada. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Em decorrência disso, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei n° 9.430/96 se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, aplicase aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso destes autos. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009), portanto, aplicase aos lançamentos de ofício em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e, consequentemente, de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Fl. 125DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212/91 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei n° 8.212/91 supere o seu patamar. Conclusão Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e a ele dou PARCIAL PROVIMENTO para admitir compensação proporcional a cada competência e a cada empregado com vínculo reconhecido, bem como para que seja aplicada a multa nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, nos termos do voto. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10640.901642/2008-10
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Estando comprovada a existência e suficiência do direito creditório, deve ser homologada a compensação.
Numero da decisão: 1802-002.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Estando comprovada a existência e suficiência do direito creditório, deve ser homologada a compensação.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10640.901642/2008-10
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5449208
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1802-002.566
nome_arquivo_s : Decisao_10640901642200810.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 10640901642200810_5449208.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
id : 5883929
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703784521728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1415; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.901642/200810 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1802002.566 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de março de 2015 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SUDESTE CAMINHÕES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Estando comprovada a existência e suficiência do direito creditório, deve ser homologada a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 16 42 /2 00 8- 10 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10640.901642/200810 Acórdão n.º 1802002.566 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação – DCOMP apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem (DRF Juiz de Fora/MG). Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 0931.547, às fls. 56 a 58: O interessado apresentou o PER/Dcomp n° 00068.28270.270904.1.7.023099 (fls. 05/10), visando compensar crédito relativo a saldo negativo IRPJ referente ao anocalendário 2003, no valor de R$ 4.865,62, com débito de IRPJ Estimativa referente a Dez/2003, no valor de R$ 4.378,48. Em 26/08/2008, a DRF/JFA emitiu o Despacho Decisório de fl. 04, no qual decidiuse pela não homologação do referido PER/Dcomp por ter constatado que não foi apurado saldo negativo, uma vez que na DIPJ/04 consta imposto a pagar. Contra o feito, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01 e 02, alegando, em suma, o seguinte: Consta do despacho ora impugnado que após analise das informações prestadas no PER/DCOMP 00068.28270.270904.1.7.023099, não foi possível localizar saldo negativo de base de calculo de IRPJ na DIPJ correspondente ao período de apuração do crédito informado no aludido PER/DCOMP, e que por isso não foi homologada a compensação preiteada pela requerente. Face a não homologação, resultou na cobrança de R$ 4.378,48 a titulo de principal além dos acréscimos legais pertinentes. Não concordando com a cobrança desse crédito tributário, vem a peticionária, nessa oportunidade, apresentar suas razões fundamentadas nas provas que com esta seguem. Na verdade, causou espécie a não homologação pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, por conseguinte a almejada compensação não foi aceita. Salvo melhor juízo, toda a rotina relativa ao preenchimento do indigitado documento foi seguido de acordo com as normas que disciplinam a matéria, no particular informou devidamente a origem do crédito de que dispunha. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10640.901642/200810 Acórdão n.º 1802002.566 S1TE02 Fl. 4 3 Em virtude do não acolhimento pela via de processamento eletrônico, restou a requerente então essa oportunidade, que o faz com as provas a seguir: Cópia da declaração de Imposto de Renda apresentada no ano de 2003. Observem que nela está corretamente demonstrado o resultado do exercício de 2002, o crédito de IRPJ no valor de RS 7.587,59, é resultado de R$ 4.552,24 que foi recolhido em 31/07/02 por estimativa conf. Darf em anexo e a diferença no valor de R$ 3.035,35 vem do ano de 1999 que foi recolhido a maior, bem assim o débito no valor de R$ 4.378,48 foi devidamente compensado no Perd/Comp com base no ano de 2002, pois no final do exercício de 2002 o imposto a pagar foi menor que o recolhido. Senhores Julgadores! Não há, portanto, necessidade de a peticionaria alongar em seus argumentos e justificativas para provar que é possuidora do credito que dá sustentação à compensação pleiteada. N. termos espera deferimento. Como já mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. Uma vez não caracterizada a ocorrência de erro de fato, bem como a existência do direito creditório solicitado, não há como homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não. Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 08/11/2010, a Contribuinte apresentou em 03/12/2010 o recurso voluntário de fls. 63 a 65, no qual aduziu: Que em momento algum a empresa desconhece o débito relativo ao anocalendário 2003 e por isso mesmo, junta cópia da DIPJ relativa ao anocalendário de 2002 na qual constam de forma clara o saldo de imposto recolhido a maior em razão da estimativa, comparada com o valor devido em função do lucro real anual; Que na página 4 do PER/DCOMP juntado a este recurso está literalmente demonstrado que o crédito utilizado para compensação é oriundo de exercícios anteriores, no particular o Fl. 144DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10640.901642/200810 Acórdão n.º 1802002.566 S1TE02 Fl. 5 4 ano calendário 2002. Tal registro por si só rechaça qualquer dúvida a respeito da legitimidade da pretensão da recorrente; A própria decisão recorrida sustenta a existência de base negativa de IR naquele ano. Porém, inusitadamente afirma que tal saldo nada tem a ver com a situação fática descrita; Aliás não poderia ser de outra forma, vez que a recorrente não apurou crédito em 2003 e sim em 2002. Por tudo isso, a juntada da DIPJ 2003/2002, tem a ver sim com o pedido de compensação. Junta todos os DARF's, relativos ao ano de 2002, que comprovam os recolhimentos das estimativas durante o ano calendário, muito superiores ao débito de 2002, haja vista que, apurouse um lucro menor do que aquele que serviu de base para os recolhimentos efetuados durante o ano na estimativa, tornando então, o excesso indevido, por essa razão se pleiteou a compensação, devidamente assegurada por lei, em períodos subseqüentes; Junta cópia da DIPJ processada pela Secretaria da Receita Federal, que constitui a prova definitiva de todo o crédito de sua titularidade. Nessa robusta prova os Senhores irão encontrar registrados todos os valores que dão sustentação à pretensão da recorrente, tais como o saldo de imposto a recuperar, os valores das bases de cálculos em questão, enfim, todos os elementos indispensáveis à solução satisfatória para a recorrente ver seu direito reconhecido. Indica que na página 12 da aludida declaração encontrase o imposto devido de R$3.064,04, que em confronto com os recolhimentos da estimativa e retenções na fonte, acusam um saldo credor de R$ 8.074,73, tudo por conseqüência de recolhimentos durante o ano calendário em valores superiores ao devido sobre o lucro final do exercício; No balanço patrimonial constante da declaração está literalmente registrado a existência de saldo de R$20.154,72 de impostos e contribuições a recuperar. Desse saldo é que pretende buscar a compensação, por isso a menção no PER/DCOMP (pág. 43 DIPJ 2002/2003). Na sessão realizada em 09/10/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.362 (fls. 89 a 94), solicitando realização de diligência à Delegacia de origem, para onde os autos foram encaminhados. O Processo foi devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 135 a 137, para a retomada do julgamento do recurso. Este é o Relatório. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10640.901642/200810 Acórdão n.º 1802002.566 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou a declaração de compensação nº 00068.28270.270904.1.7.023099, em que utiliza um alegado crédito referente a saldo negativo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que não foi possível localizar saldo negativo de IRPJ na DIPJ correspondente ao período de apuração do crédito informado no aludido PER/DCOMP (anocalendário 2003). Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, registrando que não houve apuração de saldo negativo de IRPJ para o anocalendário de 2003, e que também não restou caracterizada a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração de compensação. Desde a fase processual anterior (manifestação de inconformidade), a Contribuinte vêm informando que o reivindicado direito creditório corresponde a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, e não de 2003. E para comprovar o seu direito, ela juntou cópias da DIPJ do anocalendário 2002 e de guias de recolhimento de estimativas mensais que dariam origem ao alegado crédito. O recurso voluntário objeto destes autos começou a ser examinado em 09/10/2013, e sua análise resultou na mencionada Resolução nº 1802000.362. Naquela ocasião, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF entendeu que a indicação equivocada no PERD/COMP do anocalendário 2003, ao invés de 2002, não inviabilizava a compensação pretendida; que pelos documentos juntados, principalmente pelo PERD/COMP, era possível concluir que a Contribuinte pretendeu quitar débito de estimativa de 2003 com a utilização de crédito de saldo negativo referente ao ano calendário de 2002; mas que apesar da juntada da DIPJ do anocalendário de 2002, demonstrando a existência de saldo negativo de IRPJ, ainda não era possível extrair a liquidez e certeza do alegado direito creditório, e nem verificar se ele já fora compensado com outros débitos, o que motivou a realização de diligência para instrução complementar dos autos. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Juiz de Fora/MG prestou a Informação Fiscal de fls. 135 a 137, com o seguinte conteúdo: [...] Assim, havendo necessidade de verificar a liquidez e certeza do saldo negativo do exercício financeiro de 2003, anocalendário de 2002, por meio da Resolução nº 1802000.362, datada de Fl. 146DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10640.901642/200810 Acórdão n.º 1802002.566 S1TE02 Fl. 7 6 09/10/2013, o presente processo foi enviado ao órgão de origem para que se verifique e informe (docs.fls.89/94): 1 o valor do saldo negativo de IRPJ, do anocalendário de 2002; 2 se o eventual saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, já fora compensado com outros débitos federais e; 3 se o eventual saldo negativo do anocalendário de 2002, suporta a compensação pretendida através do PER/DCOMP nº 00068.28270.270904.1.7.023099. Ao final, solicita que se apresente relatório circunstanciado esclarecendo os questionamentos, cientificando a interessada desse relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias, se assim desejar. Foram juntados ao processo os documentos de fls.96/133. Inicialmente, analisando conjuntamente a DIPJ/2004 (AC 2003), o PER/DCOMP nº 00068.28270.270904.1.7.023099 (retificador do PER/DCOMP nº 14399.15989.300604.1.3.02 5814), a tela de consulta do sistema SIEF/FISCEL, que registra os dados declarados na DCTF (contacorrente da PJ), bem como a relação de pagamentos efetuados a título de IRPJ, conforme documentos anexados às fls. 97/111 e 132/133, verificase ser inviável a compensação do débito de estimativa do IRPJ, do período de dezembro de 2003, no valor de R$ 4.865,62, com Saldo Negativo do próprio IRPJ – SN/IRPJ/2004, apurado em 31/12/2003, já que a estimativa de dezembro de 2003 entra na composição desse saldo negativo. Nesse sentido a Resolução do CARF concluiu, com base na documentação carreada aos autos do processo, que a pretensão da empresa foi, de fato, quitar o débito da estimativa de dezembro de 2003, com crédito oriundo do SN/IRPJ/2003 (AC 2002). Acrescentese ainda que considerando as informações constantes da DIPJ/2004 (AC 2003), relativamente às estimativas mensais apuradas no anocalendário de 2003, a ausência de confissão dos débitos em DCTF das antecipações do IRPJ (mês de setembro = R$ 2.765,61 e mês de dezembro = R$ 4.865,62), conforme telas anexadas às fls.103/111, e apenas a tentativa de extinção, por compensação, do débito do mês de dezembro, podese inferir que, na realidade, a intenção da pessoa jurídica era ajustar o IRPJ anual para “zerar” o seu saldo. Veja o quadro abaixo. QUADRO COMPARATIVO – IRPJ/2004 (AC 2003) DECLARADO AJUSTADO IRPJ Anual Apurada no AC de 2003 6.509,59 6.509,59 () IR FONTE 1.643,97 1.643,97 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10640.901642/200810 Acórdão n.º 1802002.566 S1TE02 Fl. 8 7 () Antecipação do Mês de Setembro (sem recolhimento) 0,00 0,00 () Antecipação do Mês de Dezembro (compensação) 0,00 4.865,62 Saldo da CSLL 4.865,62 0,00 Ultrapassada a preliminar passase ao atendimento dos itens solicitados: Tomandose por base as estimativas declaradas na DIPJ/2003 (AC 2002), o Imposto Renda Retidos na Fonte – IRFONTE pelas fontes pagadoras informados nas DIRF e compensáveis na declaração de ajuste, bem como a estimativa do mês de junho de 2002, efetivamente recolhida, foi elaborada a planilha de cálculo de fls.131, com a demonstração da apuração do SN/IRPJ/2003 (AC 2002), no valor de R$ 5.039,38. Cumpre esclarecer que as consultas realizadas no SIEF/FISCEL (fls.124/127) e na relação de pagamentos efetuados a título de IRPJ (fls.132/133), revelam que os únicos débitos de IRPJ (código 2089), referentes ao 1º, 2º e 3º trimestres de 1999 estão vinculados a pagamentos e a compensações, sem valor disponível. Acrescentese que a empresa não comprovou, nos autos, a existência de saldo de pagamento a maior no ano de 1999, nem sua disponibilidade para quitação do débito do imposto de renda ano de 2003, bem como não declarou a obrigatória vinculação em DCTF, dentro do prazo legal. A tela de consulta do SIEF/PERDCOMP indica não haver transmissão de PER/DCOMP com utilização do SN/IRPJ/2003 (AC 2002). Por último, a simulação, de fls. 128/130, procedida por meio do aplicativo NEOSAPO, versão 4.2.2.8 homologada pela RFB, aponta que o débito da estimativa do IRPJ, do mês de dezembro de 2003, no valor de R$ 4.378,48 declarado na DCOMP nº 00068.28270.270904.1.7.02 3099 é integralmente extinto com a utilização do crédito, referente ao SN/IRPJ/2003 (AC 2002), apurado na planilha de cálculo de fls.131. Intimada do resultado da diligência fiscal, a Contribuinte não apresentou nenhuma manifestação para contraditar as constatações e os valores acima mencionados, pelo que os adoto como fundamento deste voto. Estando comprovada a existência e suficiência do direito creditório, deve ser homologada a compensação objeto dos presentes autos. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário de 2002, no valor de R$ 5.039,38, e homologar a compensação contida nestes autos. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 148DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10640.901642/200810 Acórdão n.º 1802002.566 S1TE02 Fl. 9 8 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002032/2007-96
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - EXISTÊNCIA DE OMISSÃO - ACOLHIMENTO.
Verificada a decisão embargada continha omissão entre suas razões de decidir e as provas dos autos, é de se conhecer os embargos de declaração opostos.
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Somente são dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
Embargos Acolhidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-004.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão apontada, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - EXISTÊNCIA DE OMISSÃO - ACOLHIMENTO. Verificada a decisão embargada continha omissão entre suas razões de decidir e as provas dos autos, é de se conhecer os embargos de declaração opostos. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Somente são dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10840.002032/2007-96
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5448273
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2801-004.048
nome_arquivo_s : Decisao_10840002032200796.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
nome_arquivo_pdf_s : 10840002032200796_5448273.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão apontada, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
id : 5879599
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703805493248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1692; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 110 1 109 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.002032/200796 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2801004.048 – 1ª Turma Especial Sessão de 11 de março de 2015 Matéria IRPF Embargante MARIO LANIA DE ARAÚJO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO ACOLHIMENTO. Verificada a decisão embargada continha omissão entre suas razões de decidir e as provas dos autos, é de se conhecer os embargos de declaração opostos. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Somente são dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão apontada, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 20 32 /2 00 7- 96 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10840.002032/200796 Acórdão n.º 2801004.048 S2TE01 Fl. 111 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fl. 94 à 100 deste processo digital) opostos pelo Recorrente em face do Acórdão nº 2801003.718 (fls. 85/88 deste processo digital), por meio do qual este Colegiado, por unanimidade de votos, não conheceu do recurso interposto, por intempestividade. Cientificado em 03/11/2014 (Fls. 92), o Recorrente apresentou Embargos de Declaração em 06/11/2014 (Fls.94). Insurgese o embargante, argumentando que o relator do acórdão embargado não considerou tratarse o prazo final para interposição do recurso de feriado municipal e que portanto, o prazo seria estendido até o próximo dia útil seguinte. Conforme despacho de fls. 107, os embargos foram acolhidos para corrigir a omissão acima relatada. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço dos embargos, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. No caso, o lançamento é decorrente de suposta dedução indevida de despesas médicas, previdência privada e pensão judicial por falta de comprovação. Após o julgamento de sua impugnação pela DRJ restou em litígio apenas a dedução de pensão judicial. Os julgadores do acórdão embargado entenderam por não conhecer do recurso, uma vez que consideram o mesmo como sendo intempestivo. No tocante à tempestividade, argumentou o embargante que o dia em que supostamente se esgotaria o prazo para interposição do recurso voluntário 19/06/2009 (sexta feira) – tratavase de feriado municipal em seu domicílio tributário, qual seja Ribeirão Preto, e que por tal razão o prazo seria postergado ao dia útil seguinte 22/06/2009 (segundafeira). O recorrente fez juntar documento de fls. 96 e 97, que comprova que, de fato, o dia final para interposição do recurso era feriado municipal em Ribeirão Preto e que o prazo Fl. 111DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10840.002032/200796 Acórdão n.º 2801004.048 S2TE01 Fl. 112 3 realmente deveria ser postergado para 22/06. Portanto o acórdão foi contraditório ao considerar intempestivo recurso que, na verdade, não o era. Necessário, portanto, passarmos à análise do mérito do recurso voluntário agora considerado tempestivo. Em sede de recurso voluntário requer o recorrente concessão de prazo para apresentação de documentos bancários contendo os depósitos comprobatórios do efetivo pagamento da pensão alimentícia judicial, a qual teria sido deduzida indevidamente. Alega ainda que os extratos bancários que viriam a ser anexados seriam suficientes para comprovar os montantes declarados à título de pensão alimentícia judicial. Quanto a glosa de pensão alimentícia, assim entendeu a fiscalização: “Da análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, constatase que à época dos pagamentos não havia acordo ou pagamento judicial, tampouco foram comprovados os pagamentos a títulos de pensão judicial para os beneficiários.” (pág 20 dos autos) Após a análise dos documentos apresentados na impugnação, entendeu a DRJ que: “O comprovante de despesa apresentado pelo impugnante a fls. 14, referese ao processo no 2008/238, da 3 1 Vara Especializada de Família e Sucessões da Comarca de Cuiabá – MT, na qual homologa o acordo de fls. 08/26 do processo judicial, que o interessado não trouxe aos autos e, além disso , constatase que a prestação de alimentos, conforme normas do Direito de Família, só se deu à partir 'de 01/04/2008, por conseguinte diferente do ano calendário deste lançamento 2005. Assim, pela legislação citada, inferese que somente o documento de fls. 14, acostado na impugnação, é insuficiente para que o contribuinte pudesse deduzir as despesas a título de pensão alimentícia.(pág 64 dos autos) A dedução da pensão alimentícia, de acordo com a legislação, somente são dedutíveis as importâncias pagas a titulo de pensão alimentícia decorrentes de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente. Assim estabelece a legislação: art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR199, aprovado pelo Decreto 3.000/99 Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita a incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a titulo de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei n°9.250, de 1995, art. 4°, inciso II). Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10840.002032/200796 Acórdão n.º 2801004.048 S2TE01 Fl. 113 4 Neste ponto, destaco que a DRJ entendeu por bem manter parte da glosa em razão da falta de comprovação de parte do pagamento da referida pensão. Contudo, apesar de alertado pela DRJ sobre a necessidade de comprovar o pagamento até o presente momento, não apresentou o contribuinte documentos capazes de comprovar a realização de tais pagamentos. Razão pela qual cumpre manter referida glosa. Diante do exposto, voto por acolher os embargos de declaração, sem efeitos infrinentes, para retificar o Acórdão nº 2801003.718, de 11/09/2014, suprindo a omissão apontada, e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 113DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002924/2003-59
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1998 a 30/06/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. DEPÓSITO JUDICIAL.
A existência de processo judicial não afasta a possibilidade de lançamento para prevenção de decadência, já que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não atinge o lançamento, que é ato administrativo vinculado da Fazenda Pública.
MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO JUDICIAL.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário pressupõe que o depósito integral. Se o depósito é efetuado após o vencimento, cumpre ao contribuinte adicionar ao principal os acréscimos legais devidos. Por outro lado, não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício. Súmula CARF n° 17.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-004.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/1998 a 30/06/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. DEPÓSITO JUDICIAL. A existência de processo judicial não afasta a possibilidade de lançamento para prevenção de decadência, já que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não atinge o lançamento, que é ato administrativo vinculado da Fazenda Pública. MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO JUDICIAL. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário pressupõe que o depósito integral. Se o depósito é efetuado após o vencimento, cumpre ao contribuinte adicionar ao principal os acréscimos legais devidos. Por outro lado, não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício. Súmula CARF n° 17. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16327.002924/2003-59
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5449189
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-004.112
nome_arquivo_s : Decisao_16327002924200359.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : SOLON SEHN
nome_arquivo_pdf_s : 16327002924200359_5449189.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
id : 5883910
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703893573632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2098; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 83 1 82 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.002924/200359 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802004.112 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recorrente GESTION FOMENTO MERCANTIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1998 a 30/06/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. DEPÓSITO JUDICIAL. A existência de processo judicial não afasta a possibilidade de lançamento para prevenção de decadência, já que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não atinge o lançamento, que é ato administrativo vinculado da Fazenda Pública. MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO JUDICIAL. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário pressupõe que o depósito integral. Se o depósito é efetuado após o vencimento, cumpre ao contribuinte adicionar ao principal os acréscimos legais devidos. Por outro lado, não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício. Súmula CARF n° 17. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 29 24 /2 00 3- 59 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Bernardo do Campo, que manteve o lançamento impugnado, assentado nos fundamentos de fato e de direito resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 42): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFNS Período de apuração: 01/02/1998 a 30/06/1998, 01/10/1998 a 31/12/998. LANÇAMENTO. DEPÓSITO JUDICIAL. O depósito judicial, desde que integral, embora tenha o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário a que se refira, não obsta o lançamento do correspondente tributo e/ou contribuição. MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO JUDICIAL. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário pressupõe que o depósito seja feito na sua integralidade. O depósito efetuado após o vencimento da contribuição deve estar acompanhado dos acréscimos legais devidos (multa de mora e, se for o caso, juros de mora). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O auto de infração impugnado foi lavrado para fins de prevenção de decadência, em razão da falta de recolhimento da Cofins nos 1°, 2° e 4° trimestres de 1998. A DRJ entendeu que o lançamento para prevenção de decadência não viola direito subjetivo do contribuinte, mas protege os interesses da Fazenda Pública. A multa de ofício não foi excluída, porquanto o depósito não compreendeu o valor integral. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 49 e ss., sustenta que os créditos tributários constituídos pelo auto de lançamento impugnado estariam garantidos por depósito judicial na Ação Declaratória n° 1999.03.99.0109191. Assim, por estarem com exigibilidade suspensa, seria indevida a multa de ofício. É o Relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.002924/200359 Acórdão n.º 3802004.112 S3TE02 Fl. 84 3 Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão recorrida ocorreu em 02/03/2010 (fls. 49), ao passo que o recurso foi protocolizado, por meio postal, em 01/04/2010 (fls. 64), dentro do prazo legal (cf. ADN nº 19/1997, item “a”1). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. Inicialmente, cabe destacar que, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/1994, é perfeitamente lícita a lavratura de auto de infração visando à prevenção de decadência: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Tratase de entendimento pacificado no CARF (Súmula nº 17) e no âmbito jurisprudencial, consoante se depreende do seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. 4. Embargos de divergência providos. (EREsp 572.603/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2005, DJ 05/09/2005, p. 199). 1 “a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente;” Fl. 85DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Por outro lado, razão assiste ao Recorrente quanto à impossibilidade de incidência de multa de ofício nos lançamentos relativos aos período de apuração em que houve o depósito integral do crédito tributário, consoante Súmula CARF n° 17: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Logo, estando caracterizado o depósito integral, conforme planilha constante da decisão recorrida, deve ser excluída a multa de ofício: Votase, assim, pelo conhecimento e provimento parcial do recurso, apenas para excluir a incidência da multa de ofício nos períodos de apuração seguintes: 01/04/1998, 01/05/1998 e 01/06/1998. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 16366.000389/2010-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1998
PER/DCOMP. COMPETÊNCIA. CRÉDITO
Não deve ser conhecido Recurso Voluntário que não tem como ponto controvertido a existência do crédito, pois o objeto do contencioso administrativo nas hipóteses de revisão de indeferimento de pedido de compensação restringe-se ao exame da existência (ou não) do crédito informado na respectiva declaração. Impossível a análise do débito declarado, posto seja objeto de confissão pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1102-001.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Acompanhou o relator pelas conclusões o conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Participou do julgamento em seu lugar o conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermam Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Marcos Vinicius Barros Ottoni e João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1998 PER/DCOMP. COMPETÊNCIA. CRÉDITO Não deve ser conhecido Recurso Voluntário que não tem como ponto controvertido a existência do crédito, pois o objeto do contencioso administrativo nas hipóteses de revisão de indeferimento de pedido de compensação restringe-se ao exame da existência (ou não) do crédito informado na respectiva declaração. Impossível a análise do débito declarado, posto seja objeto de confissão pelo sujeito passivo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16366.000389/2010-64
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5449216
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1102-001.297
nome_arquivo_s : Decisao_16366000389201064.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
nome_arquivo_pdf_s : 16366000389201064_5449216.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Acompanhou o relator pelas conclusões o conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Participou do julgamento em seu lugar o conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermam Thomé - Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Marcos Vinicius Barros Ottoni e João Otávio Oppermann Thomé.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
id : 5883937
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703918739456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1931; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1‐C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16366.000389/201064 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102001.297 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de março de 2015 Matéria PER/DCOMP Recorrente VIVO S/A, nova denominação de GLOBAL TELECOM S/A, sucessora por incorporação de TELERJ CELULAR S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1998 PER/DCOMP. COMPETÊNCIA. CRÉDITO Não deve ser conhecido Recurso Voluntário que não tem como ponto controvertido a existência do crédito, pois o objeto do contencioso administrativo nas hipóteses de revisão de indeferimento de pedido de compensação restringese ao exame da existência (ou não) do crédito informado na respectiva declaração. Impossível a análise do débito declarado, posto seja objeto de confissão pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Acompanhou o relator pelas conclusões o conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarouse impedido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Participou do julgamento em seu lugar o conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermam Thomé Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 03 89 /2 01 0- 64 Fl. 756DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Marcos Vinicius Barros Ottoni e João Otávio Oppermann Thomé. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 0641.011 (fls. 556/565), proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA), na sessão de 16 de maio de 2013, que, unanimemente, julgou improcedente a manifestação de inconformidade protocolada em decorrência da não homologação da PER/DCOMP 11396.08618.301208.1.3.022541, transmitida em 30/12/2008 (fl. 09). Em suma, na data acima informada, a Contribuinte efetuou pedido de compensação1 de crédito no valor original de R$ 3.437.471,31 (fl. 04), decorrente de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998. Esse mesmo saldo negativo de 1998 foi informado no pedido de restituição de nº 29047.79697.311204.1.2.0283522. Os débitos constantes na DCOMP são de estimativa mensal de IRPJ (01 e 11/2003) e de estimativa mensal de CSL (01 e 11/2003) (fls. 05/06). Em 30/09/2009 foi proferido Despacho Decisório (Rastreamento nº 848039268), o qual considerou a DCOMP não declarada. A decisão assim foi fundamentada (fl. 09): “Considero não declaradas as compensações apresentadas no PER/DCOMP acima identificado, uma vez que se trata de matéria já apreciada pela autoridade administrativa e não foi 1 A Recorrente, por erro, enviou a DCOMP em nome da VIVO S.A, e, por tal motivo, em 30/08/2010 (fl. 51), requereu sua retificação (fls. 51/52 e docs. fls. 53/68), a qual foi deferida em 30/09/2010, nos seguintes dizeres: “Em relação ao pedido da empresa quanto ao CNPJ ao qual se vinculam os débitos incluídos [nesta DCOMP], verificase, pelas informações prestadas em DCTF por ambas as empresas (incorporada e incorporadora – fls. 84/105), que assiste razão à interessada, devendo ser exigidos com o CNPJ 02.330.506/000194.” – fl. 371. 2 Esse processo de restituição recebeu o nº 15374.919841/200887. Em 10/04/2014, a 2ª TO da 4ª Câmara da 1ª Seção, por unanimidade, por meio do Acórdão 1402001.648, afastou a decadência, aplicando a Súmula CARF nº 91, e ordenou o retorno dos autos à DRF para apurar o valor do eventual crédito. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 4 3 reconhecido direito creditório suficiente para extinção de novos débitos por compensação. Período de apuração do crédito: EXERCÍCIO 1999 (DE 01/01/1998 A 31/12/1998) PER/DCOMP do mesmo crédito objeto de despacho decisório proferido pela autoridade administrativa: 29047.79697.311204.1.2.028352.” Em 07/10/2009, a Contribuinte foi intimada (fl. 11) e, no dia 05/11/2009 (fl. 12), recorreu da decisão (fls. 12/16 e docs. fls. 17/50). Argumentou, em síntese, que a decisão do PER/DCOMP 29047.79697.311204.1.2.028352, citado no despacho decisório desta DCOMP, foi enviada para endereço diverso de sua sede (fl. 13) e, por tal motivo, a Contribuinte não sabia do indeferimento do saldo negativo de 1998, razão pela qual, de boafé, “utilizou o mesmo direito creditório na compensação veiculada nos presentes autos (PER/DCOMP nº 11396.08618.301208.1.3.022541)” – fl. 13. Por fim, pediu a decretação da nulidade do despacho decisório. O Recurso foi posto para julgamento e, por meio do Parecer SAORT/DRF/LON nº 1070/2010 (fl. 113/119), e do respectivo despacho decisório (fl. 120), decidiuse pela anulação do Despacho Decisório de número de rastreamento 848039268, mas considerou a DCOMP como não declarada, agora sob o fundamento do transcurso do prazo de 5 (cinco) anos para pleitear restituição (fl. 116). Após ter sido intimada em 18/10/2010 (fl. 123), a Contribuinte protocolou pedido de reconsideração (fls. 124/131 e docs. fls. 132/356) em 28/10/2010 (fl. 124). Essa petição foi recebida como Recurso Hierárquico, o qual foi provido, em 11/01/2011, pelo Despacho Decisório nº 5 – SRRF09/Disit (fls. 360/363), nos seguintes termos: “5. Vêse que a decisão ora atacada há de ser reformada pelas seguintes razões: 5.1 a. Se a ciência pela interessa quanto ao indeferimento do pedido de restituição, decididos pela DERAT/Rio de Janeiro e pela DRJ/Rio de Janeiro, ocorreu após a apresentação da DCOMP, esta não pode ser considerada nãodeclarada ao fundamento de anterior denegação de pedido de restituição. 5.1 b. O saldo negativo de IRPJ é passível de compensação por ser restituível, consoante o art. 4º da IN RFB n. 900/2008. Portanto, não há falar em compensação nãodeclarada porque o crédito em análise (saldo negativo de IRPJ) é passível de restituição / compensação. Uma vez que o pedido de restituição feito pela interessada ainda resta pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, a decisão recorrida há de ser reformada para que haja nova decisão pela Unidade (DRF/Londrina) de homologação ou não da compensação, em vez de nãodeclaração.” – fls. 361/362. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 5 4 Por consequência, foi elaborado o Parecer SAORT/DRF/LON nº 247/2011 (fls. 367/371) e, em 18/03/2011, foi firmado novo Despacho Decisório (fl. 372), decidindo novamente pela anulação do Despacho Decisório de número de rastreamento 848039268 e, desta vez, não homologando a DCOMP, nos seguintes termos: “Crédito: Saldo Negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) do exercício 1999, anocalendário 1998. O direito de pleitear a restituição ou utilizar em compensação Saldo Negativo de IRPJ extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) contado a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração (art. 168, inciso I, da Lei nº 5.172/1996 – Código Tributário Nacional – CTN. Art. 4º, inciso I, da IN RFB nº 900/2008). Compensação não homologada”. – fl. 367. Em 29/03/2011 (fl. 374), a Contribuinte foi intimada do Parecer SAORT/DRF/LON nº 247/2011 e do respectivo Despacho Decisório. A ora Recorrente se contrapôs ao referido ato administrativo por meio de Manifestação de Inconformidade (fls. 375/408 e docs. fls. 409/552), apresentada em 25/04/2011 (fl. 375). Os fundamentos dessa petição foram precisamente resumidos pelo r. Relator da 1ª Turma da DRJ/CTA, razão pela qual transcrevemos o seguinte trecho (fls. 560/561): “a) o prazo decadencial para pleitear a restituição/compensação de valores pagos a maior ou indevidamente é de 10 anos (tese dos 5 + 5); não ocorrendo a homologação expressa, o crédito se extingue com o decurso do prazo de cinco anos contado da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN), a chamada homologação tácita, e o prazo quinquenal (art. 168, I, do CTN) para restituição do tributo somente começa a fluir a partir da extinção do crédito tributário; b) como o nascimento do crédito e seu efetivo aproveitamento ocorreram antes da vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005, o prazo decadencial para a restituição era de dez anos a contar do fato gerador, segundo entendimento consagrado pelo STJ; c) em que pese a tentativa do art. 4° da Lei Complementar n° 118, de 2005, de aplicar retroativamente o novo prazo estabelecido no seu art. 3° (cinco anos, a contar da data do pagamento do tributo indevido ou a maior), o fato é que nas restituições e compensações decorrentes de pagamentos indevidos realizados antes de sua vigência (julho/2005) o prazo decadencial continua sendo de dez anos; o art. 4° não é norma interpretativa (art. 106, I, do CTN), pois pretende inovar a ordem jurídica, modificando o prazo decadencial para a restituição do indébito tributário; d) o despacho decisório fundase apenas em instruções normativas da Receita Federal para defender o entendimento do prazo de cinco anos, contado a partir de janeiro do ano Fl. 759DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 6 5 subsequente ao período de apuração do saldo negativo; se o despacho decisório não utiliza expressamente a LC n° 118, de 2005, em sua fundamentação, devese aplicar o entendimento anteriormente consolidado do prazo de dez anos; e) argumenta que o saldo negativo de R$ 22.308.424,97 de IRPJ foi apurado deduzindose do imposto devido de R$ 23.960.819,39 (alíquota de 15% + adicional) as seguintes parcelas: (i) R$ 551.666,90 de IRRF sobre aplicações financeiras; (ii) R$ 575.635,66 de incentivos fiscais e (iii) R$ 45.141.941,80 de pagamento de estimativas mensais; que as retenções de IRRF somam, em realidade, R$ 671.493,96, o que eleva o saldo negativo apurado no anocalendário de 1998 para R$ 22.428.252,03; que as retenções de IRRF por órgãos públicos foram desconsideradas em face da falta dos respectivos comprovantes; f) contesta a exigência de multa de mora pelo envio da declaração de compensação em atraso, ao argumento de que os recolhimentos que resultaram nos créditos da requerente deram se anteriormente ao surgimento dos débitos com eles compensados, já que foram apropriados ao erário desde dezembro/1998; g) aduz que as estimativas de IRPJ e CSLL não são exigíveis depois de encerrado o anocalendário, pois o saldo do imposto apurado em 31 de dezembro deve ser pago em quota única ou compensado como imposto a ser pago no ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer a restituição do montante pago a maior; h) argúi a decadência do direito do Fisco de exigir os débitos cujas compensações não foram homologadas, na hipótese de se entender que a constituição do crédito tributário se dá pelo despacho decisório que nega a compensação; o suposto direito da Fazenda encontrase fulminado pela decadência, haja vista que o despacho decisório deuse após um período superior a cinco anos dos fatos geradores dos tributos exigidos. i) entende que é ilegal a incidência dos juros de mora sobre a multa em face da inexistência de previsão legal.” A 1ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade, não reconheceu o direito creditório. O Acórdão nº 0641.011 (fls. 556/565), proferido em 16 de maio de 2013, foi assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 PRAZO DECADENCIAL PARA SOLICITAÇÃO DE RESTITUIÇÃO Fl. 760DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 7 6 O prazo para solicitação de restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contado da data da extinção do crédito tributário, que ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado do tributo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” – fl. 556. Os fundamentos apresentados pelos integrantes daquele órgão colegiado foram os seguintes: DO PRAZO DECADENCIAL PARA REQUER RESTITUIÇÃO E/OU COMPENSAÇÃO “Portanto, somente as pretensões ajuizadas perante o Poder Judiciário até o dia 08/06/2005 é que estariam socorridas pela orientação consolidada pelo STJ de que o prazo para repetição é de 10 anos, contado a partir do fato gerador, não sendo possível interpretar extensivamente a expressão ações ajuizadas de maneira a abarcar, de igual sorte, petições administrativas. No caso concreto, além de a declaração de compensação em análise ter sido apresentada em 30/12/2008, a compensação pretendida foi levada ao conhecimento apenas da autoridade administrativa tributária, não se identificando uma ação formulada perante autoridade judiciária. Dessa forma, já estava esgotado o prazo para que ela pudesse pleitear a restituição do indébito” fl. 564. DO CRÉDITO PLEITEADO “Acrescentese que o crédito cujo reconhecimento pleiteia nos autos não está computado no direito creditório de R$ 12.395.965,39 indicado no PER/DCOMP n° 29047.79697.311204.1.2.028352 (fls. 7477), nos autos do processo n° 15374.919841/2008 87, porquanto tal crédito já foi integralmente utilizado na compensação dos débitos de estimativa de IRPJ dos meses de junho, julho, agosto e setembro/1998. Na Ficha 13 – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real da DIPJ 1999, a Telerj Celular S/A não declarou o saldo negativo de R$ 22.302.424,97 indicado na declaração de compensação em análise (PER/DCOMP nº 11396.08618.301208.1.3.022541), mas um saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 19.308.121,44” – fls. 564/565. DA MULTA E DOS JUROS DE MORA “Com relação à exigência de multa de mora sobre os débitos vencidos indicados na declaração de compensação, cabe ressaltar Fl. 761DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 8 7 que o crédito e o débito devem ser valorados na data da apresentação da declaração de compensação, razão pela qual o débito vencido ficou sujeito à incidência de acréscimos moratórios, conforme disposto no artigo 36 da IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Deixase de se pronunciar a respeito da incidência dos juros de mora sobre a multa em face de inexistir a exigência a esse título no presente processo” – fl. 565. A contribuinte foi intimada da decisão em 24/05/2013, uma sextafeira (fl.572). Objetivando ver reformado o Acórdão nº 0641.011, da 1ª Turma da DRJ/CTA, interpôs Recurso Voluntário (fls. 574/585 e anexos fls. 586/637), via postal, em 21/06/2013 (fl. 573), argumentando: DAS ESTIMATIVAS DE CSLL E IRPJ APÓS O TÉRMINO DO ANOCALENDÁRIO “Em verdade, são reiteradas as recentes decisões do CARF e da CSRF que corroboram com o acima alegado, desvelando com clareza meridiana a natureza jurídica das estimativas e sua inaptidão a configurar fato gerador do IRPJ e CSLL. Neste sentido, a fim de por fim à discussão, o CARF aprovou recentemente a Súmula n° 82” – fl. 581”. DA DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO “Daí decorre a conclusão de que estão decaídas as estimativas de IRPJ e CSLL referentes ao período de janeiro e novembro de 2003, haja vista que a ciência do despacho decisório original que as considerou não declaradas deuse em 07.10.2009 (doc. n° 05 da manifestação de inconformidade) e, ainda mais o despacho decisório que anulou o despacho original, que ocorreu em 29.03.2011 (doc. n° 03 da manifestação de inconformidade, cit.)” – fl. 583. (...) “Portanto, é aplicável ao caso o lustro decadencial previsto no artigo 150, § 4º do CTN, não tendo o condão de afetálo o artigo 74, § 5º da Lei n° 9.430/96, que estabelece prazo de cinco anos do envio da declaração de compensação para sua apreciação pela autoridade fiscal, já que a decadência é matéria reservada à lei complementar” – fl. 584. Por fim, pede: “Pelo exposto, pede a Recorrente o regular recebimento e processamento do presente recurso voluntário, com a sua consequente procedência, declarandose extintos os débitos de Fl. 762DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 9 8 estimativas IRPJ e CSLL, PA 01 e 11/2003, tendo em vista a patente inexigibilidade dos mesmos” – fl. 585. Registrase, ainda, que, em 11/11/2010, foi formalizado o processo n. 16366.000546/201031 (fl. 357), processo dos débitos vinculados à DCOMP em análise, quais sejam, IRPJ e CSLL devidos por estimativa nos meses de janeiro e novembro/2003 e, em 13/09/2012, aludido processo foi apensado a estes autos (fl. 553). É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto Relator I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Um dos pressupostos e requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, não se faz presente, senão vejamos. Nos termos dos art. 7º, § 1º3, do Regimento Interno do CARF, combinado com o art. 2º, inciso I4, desse mesmo diploma, os recursos interpostos em processo de compensação, cujo crédito alegado seja IRPJ, são da competência desta Primeira Seção. No que tange à legitimidade, a petição está assinada (fl. 585) por advogados com poderes para a prática deste ato, conforme se comprova pelo substabelecimento (fls. 589/591) outorgado por advogada, a qual, por sua vez, recebeu poderes através de procuração pública (fls. 588/587). 3 Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. §1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. 4 Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); Fl. 763DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 10 9 O recurso é tempestivo, haja vista que a decisão proferida pela DRJ em 16/05/2013 (fl. 556) chegou ao conhecimento da Contribuinte em 24/05/2013, uma sextafeira (fl. 572) e a postagem foi feita em 21/06/2013 (fl. 573). Vêse, assim, a tempestividade do ato, à luz da norma prevista no art. 33, do Decreto 70.235/70, haja vista que o termo final foi o dia 25/06/2013, uma terçafeira. Observase, entretanto, que a Contribuinte tenta incluir na lide discussão acerca dos débitos por ela declarados e constituídos na apresentação da DCOMP: as estimativas de IRPJ e CSL dos meses de janeiro e novembro/2003 “quitadas” através dessa DCOMP. Esta matéria não é passível de discussão em processo de PER/DCOMP. O crédito fazendário é constituído pela DCOMP. Em caso de não homologação da DCOMP, tal crédito deve ser imediatamente cobrado e, inadimplida a exigência fiscal, transmitido diretamente para a Procuradoria da Fazenda Nacional e inscrito na Dívida Ativa. Enfim, igualase à hipótese de DCTF, não sendo cabível instauração de processo fiscal. É o que se depreende do art. 147, §1º do CTN e do art. 74, especialmente §§6º e seg., da Lei nº 9.430/96. Situação semelhante já foi apreciada por esta e. Turma, inclusive em processo de minha relatoria, na sessão realizada em 07/11/2013, e assim foi decidido, por unanimidade – Acórdão nº 1102000.969: “De fato, conforme é de conhecimento geral, o objeto do contencioso administrativo nas hipóteses de revisão de indeferimentos de pedidos de compensação restringese ao exame da existência (ou não) do crédito informado na respectiva declaração, já que o débito respectivo é objeto de confissão pelo sujeito passivo. Nestes termos, não conheço do pedido relativo ao cancelamento de ofício da PER/DCOMP n. 33974.71089.310804.1.3.031181”. Ademais, ainda que pudesse ser conhecido o ponto referente ao débito, não assistiria razão à Recorrente quando afirma que não é possível cobrar estimativas após o término do anocalendário. Ao contrário do que afirma a Contribuinte, o e. STJ e este CARF entendem que após o término do anocalendário não é possível aplicar a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, entendimento esse que, inclusive, foi sumulado, recentemente em 08/12/2014, pelo Pleno deste e. CARF: “Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício”. Quanto à citada Súmula CARF nº 82, ela veda o lançamento de ofício, contudo, no caso dos autos, a constituição do débito ocorreu por ato praticado pela Recorrente. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 11 10 Vejamos: “Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas”. A Contribuinte afirma também que (fl. 582): “Assim, encerrado o anocalendário, não há falar em exigência de estimativas a título de IRPJ e CSLL, mas, sim, de eventual exigência de insuficiência de IR e CSLL pagos a menor, pois imposto efetivamente devido é aquele apurado ao final do exercício e não aquele que deveria ser antecipado ao longo do ano”. Todavia, não deve ser essa a interpretação, pois os débitos das estimativas foram considerados na composição do saldo negativo de IRPJ e da base de cálculo negativa da CSL: AC 2003 IRPJ Estimativa Mensal AC 2003 CSLL Estimativa Mensal Janeiro R$ 2.262.556,12 Fl. 530 Janeiro R$ 815.176,58 Fl. 535 Fevereiro R$ 0,00 Fl. 530 Fevereiro R$ 0,00 Fl. 535 Março R$ 0,00 Fl. 530 Março R$ 0,00 Fl. 535 Abril R$ 0,00 Fl. 531 Abril R$ 0,00 Fl. 536 Maio R$ 0,00 Fl. 531 Maio R$ 0,00 Fl. 536 Junho R$ 0,00 Fl. 531 Junho R$ 0,00 Fl. 536 Julho R$ 0,00 Fl. 532 Julho R$ 0,00 Fl. 537 Agosto R$ 0,00 Fl. 532 Agosto R$ 0,00 Fl. 537 Setembro R$ 0,00 Fl. 532 Setembro R$ 0,00 Fl. 537 Outubro R$ 0,00 Fl. 533 Outubro R$ 0,00 Fl. 538 Novembro R$ 1.432.314,50 Fl. 533 Novembro R$ 518.135,54 Fl. 538 Dezembro R$ 0,00 Fl. 533 Dezembro R$ 0,00 Fl. 538 TOTAL R$ 3.694.870,62 Fl. 533 TOTAL R$ 1.333.312,12 Fl. 538 Saldo Negativo R$ 3.694.870,62 Fl. 534 Base de Cálculo Negativa R$ 1.333.312,12 Fl. 539 Por fim, cabe lembrar o PARECER PGFN/CAT/Nº 88/2014, que, em nosso entender, aplicase com perfeição ao caso: “15. O IRPJ e a CSLL substituem as estimativas, contudo, é possível que os valores relativos à estimativa tenham sido compensados e computados como pagamento no momento do ajuste anual, contudo, essa compensação pode não ser homologada, ocorrendo a decisão após a apuração do lucro real. Assim, tratarseiam de valores referentes a tributo consolidados com o ajuste anual, não mais de mera estimativa do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 12 11 (...) Ocorre que, após o ajuste, a estimativa é substituída pelo tributo, portanto, a estimativa extinta por meio de compensação foi incorporada ao ajuste, como explicado pela própria Receita Federal do Brasil na Nota Cosit n.º 31/2013 (...): O entendimento que podemos extrair do excerto acima é de que tratamos de tributo em si, não mais de estimativas, cuja existência se encerra com o ajuste anual, consoante exposto nos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, razão pela qual podemos ter uma conclusão diferente daqueles constantes nos pareceres mencionados, contudo, sem modificarlhes em nenhum ponto, apenas por considerar que no caso estamos tratando de tributo propriamente dito. A conclusão que podemos formular, a partir do questionamento da Receita Federal do Brasil, é pela legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo à substituição da estimativa pelo imposto de renda”. No caso dos autos, a estimativa extinta por meio de compensação foi incorporada ao ajuste na composição do saldo negativo de IRPJ e da base de cálculo negativa da CSL, como demonstrado acima e reconhecido pela própria Recorrente: “No presente caso, destacase, foi apurado saldo negativo de IRPJ e CSLL no anocalendário de 2003, exatamente nos valores das compensações realizadas e não homologadas no presente processo” – fl. 582. Isso significa que a extinção das estimativas resultará em enriquecimento ilícito da Contribuinte, haja vista que as estimativas de IRPJ e CSL dos meses de janeiro e novembro de 2003 foram considerados no saldo negativo e, possivelmente, tal crédito foi apresentado em alguma DCOMP. A Recorrente alega também que o Fisco decaiu do direito de exigir as estimativas, haja vista que a constituição do crédito ocorreu com o Despacho Decisório que chegou ao seu conhecimento originariamente em 07/10/2009 e, posteriormente, em despacho decisório que anulou o primeiro mas que também não homologou a compensação em 29/03/2011. Mais uma vez, não assiste razão à Contribuinte, pois este e. CARF entende pacificamente, assim como entende o Judiciário, que a DCOMP constitui o crédito tributário. Desse modo, nos termos do art. 74, §§ 6º e 7º da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, o crédito está constituído desde 30/12/2008, dispensando o Fisco de efetuar lançamento de ofício; considerando que o Fisco tem 5 (cinco) anos para intimar a Contribuinte da análise da declaração, não há que se falar em decadência, já que a última ciência da ora Recorrente se deu em 29/03/2011, ou seja, em dois anos e três meses após a apresentação da DCOMP. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 13 12 Também seria afastado o argumento que deve prevalecer o art. 150, § 4º do CTN em lugar do 74, § 5º da Lei n° 9.430/96, haja vista que este tem como fundamento o art. 168, do CTN. Por fim, considerando que na petição interposta não há nenhum enfrentamento do crédito, apenas de questões relacionadas ao débito, cujos valores foram apresentados pela própria Recorrente sem questionar a existência e valor dos mesmos, não conheço do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 767DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME
score : 1.0
