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Numero do processo: 13678.000132/2005-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 IRPF. RESTITUIÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. RETENÇÃO SOBRE 13º SALÁRIO. MOLÉSTIA PROFISSIONAL. COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS. Exclui-se do cômputo do rendimento bruto os proventos de aposentadoria para os portadores de moléstia profissional, a qual deve ser comprovada por laudo pericial oficial. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO     2    Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira  do Prado.       Ronaldo de Lima Macedo ­ Presidente      Kleber Ferreira de Araújo Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Ronaldo  de  Lima  Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie  Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Natanael Vieira dos Santos.  Fl. 418DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13678.000132/2005­33  Acórdão n.º 2402­005.303  S2­C4T2  Fl. 418          3    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  pelo  sujeito  passivo  acima  identificado contra decisão que declarou improcedente a sua manifestação de inconformidade  contra decisão que indeferiu o pedido de restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o  13.° salário.  Os principais aspectos envolvidos no PAF até o julgamento da defesa podem  ser visualizados no relatório da decisão de primeira instância:  "A  autoridade  "a  quo"  justifica  a  decisão  com  base  no  pronunciamento da Junta Médica do Núcleo de Saúde e Perícias  Médicas do Ministério da Fazenda em Minas Gerais, Parecer n°  0154­07, de 26 de março de 2007, fl. 140.  Ciente  em 10/05/2007  (fl.  145­verso),  o  contribuinte  entrou  em  01/06/2007  com  manifestação  de  inconformidade  147  a  187,  instruída  com os  documentos  de  fls. As  fls.  188/257 e  260/339,  alegando  em  síntese,  que  por  ser  portador  de  moléstia  profissional,  seus  rendimentos  de  aposentadoria  são  isentos.  Discorda  do  mencionado  parecer,  alegando,  em  síntese,  que  existe  nexo  causal  entre  o  ambiente  de  trabalho  e  a  perda  auditiva, alem disso, a aposentadoria por tempo de serviço não  descaracteriza a existência da doença profissional.  Ademais,  requer  que  seja  juntada  a  integra  do  processo  que  originou o parecer, bem como as respostas aos ofícios emitidos à  Superintendência  de  Recursos  Humanos  de  FURNAS  e  ao  médico Edil Vilela.  Com o objetivo de sustentar suas teses de defesa, o contribuinte  cita decisões judiciais e acórdãos do Conselho de Contribuintes,  bem como entendimentos de juristas."  A  DRJ  declarou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  fls.  365/368. Prevaleceu o entendimento de que o parecer da Junta Médica do Núcleo de Saúde e  Perícias Médicas do Ministério da Fazenda em Minas Gerais não reconheceu a existência de  moléstia grave, descabendo a isenção pretendida.  Cientificado  da  decisão  em  24/10/2007,  fl.  373,  o  sujeito  passivo  interpôs  tempestivamente  recurso  em 21/11/2007,  fls.  374/394,  acompanhado dos  documentos  de  fls.  395/411, no qual, apresentou, em síntese, as alegações abaixo.  Se  o  órgão  de  primeira  instância  tivesse  aplicado  a  interpretação  literal  prevista  no  art.  111  do Código Tributário Nacional  ­ CTN  teria  deferido  o  seu  pedido,  haja  vista que a documentação acostada comprova a existência da moléstia grave e por conseguinte  o direito à isenção do IRPF.  Fl. 419DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO     4  Os laudos acostados que foram elaborados seguindo as normas estabelecidas  pela Receita Federal do Brasil ­ RFB confirmam que a doença do recorrente não é passível de  controle e se insere na isenção do art. 6.° da Lei n.° 7.713/1988.  O laudo médico pericial, a decisão do médico oficial da Previdência Social,  bem como, os próprios laudos periciais em formulários próprios da RFB, anexados, por si só  são suficientes para espancar de vez a interpretação errônea praticada pelos membros da Turma  de Julgamento.  O parecer médico  em que  se baseou  a decisão  recorrida deixou de  analisar  vários documentos comprobatórios da existência da doença profissional, quais sejam:  a) fl. 48 — exame audiométrico realizado em 23.03.72 quando da admissão;  b)  fl.  49.  exame  audiométrico  realizado  em  16.09.81,  demonstrando  a  existência de diacusia;  c) fls. 50/51 — exame de 1982 confirmando a diacusia;  d) fls. 52/53, Laudo Médico Periódico indicando que o Recorrente trabalhava  em  local  de  elevado  índice  de  ruídos,  em  contato  com  óleo,  solventes,  tricloroetano  e  lã  de  vidro, causadores de doença profissional;  e)  fls.  56/57,  Folha  de  Exame  Periódico  onde  se  verifica  os  riscos  e  problemas  detectados  no  requerente  em  1995,  como:  exposição  a  choque  acústico  e  a  tricloroetano  /outros  solventes,  risco  de  acidente  grave,  trabalho  em  altura,  bem  como,  depressão e ansiedade;  f) fls 58, exame audiométrico realizado em 04.08.97 classificando a doença  do Recorrente no CID 83.3 — Z­57­0;  g)  fls.  60,  folha  de  exame  periódico  comprovando  a  doença  ocupacional  classificada como efeitos do ruído sobre o ouvido interno, Cid 388.1/4;  h) fls. 61/64, Laudo Médico realizado por otorrino responsável pelos exames  de audiometria nos empregados de Furnas, comprovando o nexo causal e incapacidade  do recorrente em virtude do índice de ruído elevado;  i)  fls.  65/66,  receitas  médicas  e  fls.  67  documento  comprovando  a  evolução do zumbido no ouvido;  j)  fls.  68,  confirmação  através  de  receituário  de Furnas  da  doença  em  virtude dos efeitos de ruídos sobre o ouvido interno, o qual se trata de risco de natureza  ocupacional;  k)  fls.  86,  atestado  confirmando  que  a  doença  em  virtude  dos  efeitos  de  ruídos sobre o ouvido interno, o qual se trata de risco de natureza ocupacional, é sequela  irreversível e não melhora com medicação;  l) fls. 94/139, exames audiométricos realizados durante o período trabalho em  Furnas, os quais comprovam a doença profissional do requerente.  Fl. 420DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13678.000132/2005­33  Acórdão n.º 2402­005.303  S2­C4T2  Fl. 419          5  Afirma  que  o  parecer  emitido  pela  Junta  do  Ministério  da  Fazenda  não  obedece  ao  princípio  constitucional  da  legalidade,  criando  empecilhos  não  previstos  em  lei  para a concessão do benefício da isenção.  Não  há  lei  isentiva  quaisquer  disposições  que  dê  guarida  as  seguintes  conclusões do referido parecer i) não é possível estabelecer nexo causal; ii) considerando o fato  que o PAIR não progride quando o paciente é afastado da exposição;  iii) que a presença de  PAIR por si só, não significa incapacidade para o trabalho; iv) o interessado foi aposentado por  tempo de serviço, e não por incapacidade laborativa.  Afirma  haver  cumprido  estritamente  a  legislação  pertinente,  com  apresentação,  para  fins  de  obtenção  do  direito  à  isenção,  do  laudo  pericial  de  médico  especializado, bem como, do parecer de médico oficial do INSS que, categoricamente concluiu  ser o mesmo portador de doença profissional. Sendo este último o documento essencial para  materialização do direito ao benefício fiscal requerido.  A declaração de improcedência do seu pedido contrariou frontalmente a lei, a  doutrina, a  jurisprudência e até mesmo as  respostas dadas pela Receita Federal em consultas  versando sobre o tema. Cita soluções de consulta emanadas da RFB e decisões administrativas.  O  laudo  do  INSS  somente  poderia  ser  afastado  mediante  decisão  fundamentada  e  que  contestasse  efetivamente  a  sua  consistência  técnica,  não  devendo  prevalecer o entendimento de que as conclusões de outro parecer emitido pela administração  tenham mais força de que aquele emitido pela perícia da Autarquia Previdenciária.  Apresenta  diversos  argumentos  técnicos  no  sentido  de  demonstrar  as  fragilidades do Parecer da Junta Médica do Núcleo de Saúde e Perícias Médicas do Ministério  da Fazenda em Minas Gerais.  O órgão a quo, ao tomar como único fundamento as conclusões do parecer da  Perícia do Ministério da Fazenda, desprezando outras provas constantes dos autos, laborou em  grande equívoco, posto que as conclusões jurídicas não cabe ao médico perito, mas aos órgãos  de julgamento administrativo.  Em homenagem ao princípio da verdade material requer a juntada de outros  documentos que confirmam a existência da moléstia.  Finalmente,  alegando  ser  portador  da  doença  com  CID  Z_67.0,  H90.3,  H83.3;  H81.3  e  H91.01,  devidamente  reconhecida  por  médico  oficial,  defende  que  a  única  conclusão  plausível  deve  ser  pelo  reconhecimento  da  isenção  prevista  no  art.  6°  ,  da  Lei  n.  7.713/88 com as alterações posteriores e, portanto, pelo provimento ao recurso, com restituição  dos valores constantes do pedido inicial.  Sem contrarrazões, os autos vieram a julgamento.  É o relatório.  Fl. 421DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO     6    Voto             Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator  Admissibilidade  Conforme relatado, o recurso voluntário foi interposto no prazo legal. Assim,  por terem sido atendidos os demais requisitos normativos, deve ser conhecido o recurso.  Mérito  O mérito da causa resume­se em concluir se o laudo emitido pelo INSS deve  prevalecer sobre o Parecer da Junta Médica do Ministério da Fazenda e, em caso afirmativo, se  a moléstia a que foi acometido o recorrente confere­lhe o direito à isenção e, por conseguinte, à  restituição pleiteada.  Façamos inicialmente um relato das provas que interessam para o deslinde do  feito.  Às fls. 03/08 consta laudo emitido em 01/09/2004 por médico do trabalho, no  qual se conclui que o recorrente foi acometido de moléstia decorrente de exposição à ruído na  sua atividade laboral, com diagnóstico de CID Z 57.0 , H 90.3 e­H 83.3, a partir de 04/08/1997,  doença esta que não é passível de controle.  Há despacho de médico do INSS em processo de requerimento de isenção do  IRPF  concluindo,  com  base  no  laudo  do  médico  do  trabalho,  que  o  recorrente  faz  jus  ao  benefício fiscal, posto que acometido da moléstia profissional desde 04/08/1997. O despacho é  datado de 13/10/2004. Vale a pena transcrever a parte conclusiva do despacho:  " 3 — Pelo verificado, concluímos que o requerente labutou em  locais  com  níveis  elevados  de  pressão  sonora,  que  possui  padecimento comprovado que consta na legislação, que inclui a  previdenciária e a da Receita Federal, sendo portador de doença  especificada em lei que lhe dá direito à isenção do IRPF­ doença  profissional;  4  —  Pelo  exposto  consideramos  que  o  requerente  faz  jus  á  isenção de pagamento de Imposto de Renda de Pessoa Física."  A Real Grandeza  ­ Fundação de Previdência  emitiu declaração de  fl. 10 de  que  o  contribuinte  recebe  daquela  instituição  benefício  vitalício,  o  qual  conforme  laudo  do  INSS faz jus a isenção do IRPF que vem sendo comandada na folha de pagamento desde abril  de 2005.  O  contribuinte  foi  aposentado  por  tempo  de  serviço  pelo Regime Geral  de  Previdência Social ­ RGPS a partir de 01/09/1995, conforme carta de concessão de fl. 11.  Foram acostados diversos documentos para comprovar a moléstia  tais como  laudos médicos não oficiais, exames médicos, consultas e outros (fls. 54/95)  Fl. 422DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13678.000132/2005­33  Acórdão n.º 2402­005.303  S2­C4T2  Fl. 420          7  Há  dois  ofícios  da  Junta Médica  do Ministério  da  Fazenda  requerendo  ao  Superintendente de Recursos Humanos de Furnas e do Médico do Trabalho Edil Vilela (o que  emitiu  o  laudo  de  fl.  3)  informações  complementares  acerca  de  verificações  realizados  no  recorrente e no seu local de trabalho (fls. 97/98).  Reproduzo  abaixo  Parecer  Médico  n.°  0154/07  da  Junta  Médica  do  Ministério  da  Fazenda,  fl.  147,  onde  indefere­se  o  pedido  de  isenção,  por  não  se  tratar  de  moléstia profissional.    Com  base  neste  Parecer  foi  emitido  o  Despacho  Decisório  indeferindo  o  pedido  de  restituição,  fls.  150/151,  contra  o  qual  foi  apresentada  manifestação  de  inconformidade declarada improcedente pela DRJ, nos termos do relatório.  Ressalte­se ainda que com a defesa foi acostado outro laudo médico, fl. 258,  este datado de 13/04/2007, emitido pelo Serviço Médico da Prefeitura Municipal de São João  da Barra, o qual atesta o contribuinte foi acometido desde 04/08/1997 da moléstia profissional  "PAIRO"  Assim,  a  controvérsia  gira  em  torno  de  definir  que  documento  deve  prevalecer,  o  laudo  do  INSS  que  atesta  a  existência  de  doença  profissional  ou  parecer  do  Ministério da Fazenda, que não reconhecia a anomalia como doença profissional.  Ressalte­se, por oportuno, que esta  instância  julgadora administrativa  tem o  dever  de  solucionar  o  litígio  a  partir  dos  laudos  médicos  juntados  aos  autos,  não  ficando,  Fl. 423DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO     8  todavia, adstrita a qualquer dos laudos, pois é cediço que o julgador não se vincula, de forma  absoluta, a qualquer laudo pericial, devendo apenas fundamentar adequadamente sua decisão.   Obviamente que havendo laudo pericial e não se convencendo o julgador do  acerto dele, deve submeter o caso a nova perícia, pois não parece razoável que o julgador, que  não  é  perito,  possa  afastar  as  conclusões  de  um  laudo  de  profissional  competente.  Porém,  havendo  laudos  díspares  no  processo,  à  luz  das  demais  provas  juntadas  aos  autos,  pode  o  julgador solucionar diretamente a lide.  A isenção decorrente do acometimento de moléstia profissional vem prevista  no inciso XIV do art. 6.° da Lei n.° 7.713/1988 e alterações, nos seguintes termos:  "Art.  6º  Ficam  isentos  do  imposto  de  renda  os  seguinte  rendimentos percebidos por pessoas físicas:   (...)  XIV – os proventos de aposentadoria ou  reforma motivada por  acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia  profissional,  tuberculose  ativa,  alienação  mental,  esclerose  múltipla,  neoplasia  maligna,  cegueira,  hanseníase,  paralisia  irreversível  e  incapacitante,  cardiopatia  grave,  doença  de  Parkinson,  espondiloartrose  anquilosante,  nefropatia  grave,  hepatopatia  grave,  estados  avançados  da  doença  de  Paget  (osteíte  deformante),  contaminação  por  radiação,  síndrome  da  imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina  especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois  da aposentadoria ou reforma;  (...)"  A Lei n.° 9.250/2005 dispôs acerca da comprovação da doença profissional  ou moléstia grave nos seguintes termos:  "  Art.  30.  A  partir  de  1º  de  janeiro  de  1996,  para  efeito  do  reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e  XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a  redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de  1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial  emitido  por  serviço médico  oficial,  da União,  dos  Estados,  do  Distrito Federal e dos Municípios.   §  1º  O  serviço  médico  oficial  fixará  o  prazo  de  validade  do  laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.  (...)"  Assim,  entendo  que  o  sujeito  passivo  está  acobertado  pela  documentação  exigida pela  lei para comprovar que  foi  acometido de doença profissional desde 04/08/1997,  conforme os dois laudos emitidos por serviços médicos profissionais do INSS e da Prefeitura  Municipal de São João da Barra.  Por outro lado, com a minha visão de leigo, tenho que o Parecer do Serviço  Médico  do  Ministério  da  Fazenda  em  Minas  Gerais,  acima  reproduzido,  traz­me  menos  convencimento  de  que  o  Laudo  Médico  Pericial  de  fl.  03  que  foi  tomado  como  base  para  elaboração dos dois laudos exarados por serviços médicos oficiais.  Fl. 424DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13678.000132/2005­33  Acórdão n.º 2402­005.303  S2­C4T2  Fl. 421          9  O Parecer afirma não se poder estabelecer um nexo causal entre a doença e a  vida  laboral  do  contribuinte.  Observo  que  o  Laudo  do  Médico  do  Trabalho  conclui  com  extenso  e  fundamentado  arrazoado  acerca  da  vinculação  entre  a  moléstia  e  o  histórico  ocupacional do sujeito passivo. Peço licença para colar aqui a parte conclusiva do laudo:    Outro  ponto  que  adotado  como  fundamento  pelo  Parecer  do  MF  é  que  a  moléstia,  tecnicamente denominada de "PAIR" não progride quando o paciente é afastado da  exposição.  Ora  se  os  laudos  oficiais  afirmam  que  desde  1997  o  paciente  já  havia  sido  Fl. 425DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO     10  identificado com  tal moléstia e que a mesma não seria passível de  reversão, não há, no meu  pouco entendimento, motivo para se deixar de reconhecer a doença profissional pelo fato de a  doença não vir a se agravar com o passar do tempo. Atestando o documento previsto em lei que  o interessado foi acometido pelo mal e que este não tem controle, não haveria o que se falar em  necessidade de agravamento para que a doença seja tratada como ocupacional.  Mais um argumento do Parecer é o de que a "PAIR" por si só não representa  incapacidade para o trabalho. Esse motivo não encontra respaldo na lei, uma vez que não há a  exigência legal de que a moléstia profissional seja incapacitante para a vida laboral, todavia, a  isenção  somente  abrange os  proventos de  aposentadoria  e  reforma, mas  não  se proíbe que o  beneficiário possa exercer alguma atividade profissional.  Por  fim,  o  quarto  e  último  motivo  apresentado  no  Parecer  MF  para  não  reconhecer a existência da doença profissional é o fato do contribuinte não ter se aposentado  pelo INSS por invalidez. Data venia, este argumento me parece dezarrazoado e excedente das  exigências legais.  Primeiro porque na lei, como já frisei, não há exigência relativa à necessidade  de que a doença provoque a total incapacidade do trabalhador para reconhecimento da isenção  e  depois  pelo  fato  de  que  a  aposentação  pode  ocorrer  até  depois  de  contraída  a  moléstia  profissional.  Imagine uma pessoa que laborou em condições prejudiciais a saúde, digamos  por  dez  anos,  caso  seja  acometido  de  doença  profissional  que  lhe permita  trabalhar,  ele  não  seria  aposentado  nem  por  invalidez,  tampouco  por  tempo  de  serviço, mas  poderia  continuar  trabalhando  até  atingir  o  tempo  mínimo  exigido  pelo  INSS  para  concessão  do  benefício.  Pergunto, neste caso a doença profissional não seria reconhecida pelo fato do contribuinte não  haver se aposentado por invalidez? O bom senso diz que não.  Diante dessas ponderações, encaminho para que se reconheça a existência de  doença profissional e, por conseguinte, o direito à isenção.  Conclusão  Voto por dar provimento ao recurso.    Kleber Ferreira de Araújo.                              Fl. 426DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

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Numero do processo: 10680.008315/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação, em que ocorre a antecipação do pagamento do imposto, deve-se aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543-C do CPC c/c § 2º do art. 62 do RICARF (Portaria MF nº 343/2009), conforme prevê § 4º do art. 150 do CTN. Como o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado em bases mensais e tributado na Declaração de Ajuste Anual, o termo inicial do prazo de decadência conta-se a partir do encerramento do ano-calendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. No caso de omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto, a inclusão da distribuição de lucros como origem de recurso no fluxo financeiro, só pode ser aceita se restar comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da transferência de numerário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DOAÇÃO. A justificativa do acréscimo patrimonial, seja por doação ou qualquer outro meio, deve ser comprovada através de documento hábil e idônea. O fato de a doação estar consignada na declaração do doador e do donatário, não é meio suficiente de prova.
Numero da decisão: 2201-002.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente-Substituto e Relator. EDITADO EM: 14/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2040; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1 1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.008315/2008­11  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­002.897  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de fevereiro de 2016  Matéria  IRPF  Recorrente  LUCIANA DUCA COSTA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2004, 2005  Ementa:  ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TERMO  INICIAL DO  PRAZO DE DECADÊNCIA.  Nos casos de lançamento por homologação, em que ocorre a antecipação do  pagamento do imposto, deve­se aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c  art. 543­C do CPC c/c § 2º do art. 62 do RICARF (Portaria MF nº 343/2009),  conforme prevê § 4º do  art. 150 do CTN. Como o acréscimo patrimonial a  descoberto deve ser apurado em bases mensais e tributado na Declaração de  Ajuste  Anual,  o  termo  inicial  do  prazo  de  decadência  conta­se  a  partir  do  encerramento do ano­calendário.  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO.  DISTRIBUIÇÃO  DE  LUCROS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.  No  caso  de  omissão  de  rendimentos  com  base  em  acréscimo  patrimonial  a  descoberto, a  inclusão da distribuição de  lucros como origem de recurso no  fluxo  financeiro,  só  pode  ser  aceita  se  restar  comprovada,  mediante  documentação hábil e idônea, a efetividade da transferência de numerário.  ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DOAÇÃO.  A justificativa do acréscimo patrimonial,  seja por doação ou qualquer outro  meio, deve ser comprovada através de documento hábil e idônea. O fato de a  doação estar consignada na declaração do doador e do donatário, não é meio  suficiente de prova.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 83 15 /2 00 8- 11 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  a  preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.      Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah – Presidente­Substituto e Relator.    EDITADO EM: 14/03/2016  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah  (Presidente  Substituto), Marcio  de  Lacerda Martins  (Suplente  Convocado),  Ivete Malaquias  Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto  Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia  Lustosa  da  Cruz.  Ausente,  justificadamente,  o  Conselheiro  Heitor  de  Souza  Lima  Júnior  (Presidente).  Relatório  Trata  o  presente  processo  de  lançamento  de  ofício  relativo  ao  Imposto  de  Renda Pessoa Física, anos­calendário 2003 e 2004, consubstanciado no Auto de Infração, fls.  06/13, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 264.411,80.  A fiscalização apurou, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 14/24):  • omissão de rendimentos apurados a partir de levantamento de  Acréscimo  Patrimonial  a  Descoberto  (APD),  tendo  em  vista  realização  de  gastos  não  respaldados  por  rendimentos  declarados/comprovados.  • Glosa de deduções pleiteadas a título de despesas médicas, nos  valores  de  R$3.075,60  e  R$6.308,37,  exercícios  2004  e  2005,  respectivamente, pelos motivos expostos às fls. 23.  Cientificada  do  lançamento,  a  contribuinte  apresenta  impugnação  alegando,  conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis:  ...  a  contribuinte  apresentou  impugnação  (fls.  199  a  220),  em  30/07/2008,  contestando o  lançamento. Principia recapitulando  os fatos. Prossegue alegando, em síntese, que na data da ciência  do  lançamento  já  teria  ocorrido  a  decadência  do  direito  de  a  Fazenda  exigir  imposto  relativamente  a  fatos  geradores  ocorridos de janeiro a maio de 2003.  Discorda  do  entendimento  da  autoridade  lançadora  quanto  às  doações  recebidas  de  seu  genitor,  Otacílio  de  Araújo  Costa,  CPF 070.067.996­00, no total de R$750.000,00. Pondera que o  doador tinha disponibilidade financeira devidamente declarada,  apta  a  suportar  as  doações  efetuadas.  Invoca  a  informalidade  entre  pais  e  filhos  para  justificar  seu  posicionamente  de  que  é  descabido  exigir  outros  elementos  de  prova  além  dos  que  já  apresentou  à  fiscalização,  bem  como  informa  que  as  doações  recebidas foram diretamente aplicadas na aquisição dos imóveis  que  lista  às  fls.  206  e  207,  sem  transitar  por  suas  contas  Fl. 342DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.008315/2008­11  Acórdão n.º 2201­002.897  S2­C2T1  Fl. 3          3 bancárias.  Protesta  pelo  cômputo,  a  título  de  origem  de  recursos,  de  percepção  de  lucros  distribuídos  pela  Pessoa  Jurídica da qual é sócia (Rede Brasil Participações Ltda.).  Defende  que  os  documentos  já  apresentados  (Livro  Razão  e  Comprovante  de  Rendimentos  e  Retenção  de  Fonte),  corroborados  pelos  novos  documentos  trazidos  aos  autos  comprovam  a  percepção,  no  ano­calendário  2003,  em  espécie,  de lucros distribuídos no valor de R$64.000,00.  A  contribuinte,  ao  longo  de  sua  impugnação,  invoca  posições  jurisprudenciais,  doutrinárias  e  julgados  do  Conselho  de  Contribuintes para robustecer seus argumentos, concluindo que  o  lançamento  está  lastreado  em mera  presunção,  não  podendo  prosperar.  A  impugnação  está  instruída  com  os  documentos  de  fls.  221  a  275, a saber, cópias de: informação extraída do Comprot acerca  destes autos; documentos de identificação da contribuinte; Livro  Diário  2003 de Rede Brasil Participações Ltda.  e  notas  fiscais  referentes a operações de venda de gado bovino por Otacílio de  Araújo Costa.  A  7ª  Turma  da  DRJ  em  Belo  Horizonte/MG  julgou  improcedente  a  impugnação, conforme ementas abaixo transcritas:  PRELIMINAR.  DECADÊNCIA.  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL.  FATO GERADOR.  O  fato  gerador  do  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Física,  relativo  à  omissão  de  rendimentos  apurada  a  partir  de  acréscimo  patrimonial  a  descoberto,  ocorre  no  dia  31  de  dezembro do ano­calendário.  ACRÉSCIMO PATRIMONIAL (APD).  São  tributáveis  as  quantias  correspondentes  ao  acréscimo  patrimonial  da  pessoa  física,  quando  esse  acréscimo  não  for  justificado  pelos  rendimentos  isentos,  tributáveis,  não­ tributáveis,  tributados  exclusivamente  na  fonte  ou  objeto  de  tributação definitiva.  VARIAÇÃO  PATRIMONIAL.  ORIGEM  DE  RECURSOS.  DOAÇÕES. LUCROS DISTRIBUÍDOS. PROVA.  A aceitação de doações e percepção de lucros distribuídos como  origem  de  recursos  para  fins  de  apuração  de  variação  patrimonial  está  condicionada  à  comprovação,  por  meio  de  documentos  hábeis  e  idôneos,  da  efetiva  transferência  de  recursos entre os envolvidos.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Fl. 343DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     4 A  contribuinte  foi  cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  16/04/2012  (fl.  303)  e,  em  15/05/2012,  interpôs  o  recurso  de  fls.  307/333,  sustentando,  exatamente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator  O recurso reúne os requisitos de admissibilidade.    Cinge­se a  controvérsia, nesta  segunda  instância,  à omissão de  rendimentos  apurados  a  partir  de  Acréscimo  Patrimonial  a  Descoberto  (APD),  relativamente  a  fatos  ocorridos nos anos­calendário 2003 e 2004.  Antes  de  se  entrar  no mérito  da  questão,  cumpre  enfrentar  a  preliminar  de  decadência suscitada pela recorrente.  Em  relação  à  alegação  de  decadência,  este  Órgão  tem  reiteradamente  decidido  que  as  alterações  legislativas  do  imposto  de  renda,  ao  atribuir  ao  sujeito  passivo  a  incumbência de apurar e antecipar o pagamento do imposto, sem prévio exame da autoridade  administrativa, classifica­se na modalidade de lançamento por homologação, na forma do art.  150 do CTN:  Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  (...)  § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Nos casos em que ocorre a antecipação do pagamento do imposto, consoante  se extrai da DIRPF/2003 às fls. 154/159, deve­se aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c  art. 543­C do CPC c/c § 2º do art. 62 do RICARF (Portaria MF nº 343/2009), contando­se o  prazo de decadência a partir da data do fato gerador, conforme prevê § 4º do art. 150 do CTN,  supracitado.  Contudo, a omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial  a descoberto deve ser apurada em bases mensais, como ocorre com vários tipos de rendimentos  auferidos  pelas  pessoas  físicas,  em  consonância  com  as  disposições  da Lei  nº  7.713/1988,  e  tributadas na Declaração de Ajuste Anual.   Portanto,  no  caso  dos  autos,  o  fato  gerador  do  IRPF  relativo  ao  ano­ calendário de 2003 perfez­se em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o dies a quo para a  Fl. 344DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.008315/2008­11  Acórdão n.º 2201­002.897  S2­C2T1  Fl. 4          5 contagem do prazo de decadência inicia­se em 01 de janeiro de 2004 e, considerando o lapso  temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a  data fatal completa­se em 31 de dezembro de 2008. Como a ciência do lançamento ocorreu em  30/06/2008  (fl.  07),  o  crédito  tributário  relativo  ao  ano­calendário  de  2003  não  havia  sido  atingido pela decadência.  Quanto ao mérito,  cumpre  trazer a  lume a  legislação que serviu de base ao  lançamento, no caso, os arts. 1º, 2o e 3o da Lei no 7.713/1988 (fl. 215):  Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir  de  1º  de  janeiro  de  1989,  por  pessoas  físicas  residentes  ou  domiciliados no Brasil,  serão  tributados pelo  imposto de renda  na  forma  da  legislação  vigente,  com  as  modificações  introduzidas por esta Lei.  Art.  2o  O  imposto  de  renda  das  pessoas  físicas  será  devido,  mensalmente,  à  medida  em  que  os  rendimentos  e  ganhos  de  capital forem percebidos.  Art.  3o  O  imposto  incidirá  sobre  o  rendimento  bruto,  sem  qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9o a 14 desta  Lei.  § 1o Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do  trabalho  ou  da  combinação  de  ambos,  os  alimentos  e  pensões  percebidas  em  dinheiro,  e  ainda  os  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  também entendidos  os  acréscimos  patrimoniais  não correspondentes aos rendimentos declarados.  [...]  § 4o ­ A tributação independe da denominação dos rendimentos,  títulos  ou  direitos,  da  localização,  condição  jurídica  ou  nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda,  e  da  forma  de  percepção  das  rendas  ou  proventos,  bastando,  para  a  incidência  do  imposto,  o  benefício  do  contribuinte  por  qualquer forma e a qualquer título. (grifei)  Da  leitura  dos  dispositivos  legais  acima mencionados,  depreende­se  que  se  devem confrontar, mensalmente, as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos para  se apurar a evolução patrimonial do contribuinte, cujo período de apuração dos rendimentos e  deduções, conforme mencionado, completa em 31 de dezembro de cada ano­calendário.   Trata­se  de  uma  presunção  legal  do  tipo  juris  tantum  (relativa),  pois  demonstrada  pelo  fisco  a  existência  de  acréscimos  patrimoniais  a  descoberto  presume­se  a  ocorrência  de  omissão  de  rendimentos,  cabendo  ao  contribuinte  justificar  a  origem  de  tais  acréscimos com rendimentos já tributados, isentos, não tributáveis ou de tributação exclusiva.  Permanecendo injustificados tais acréscimos, prevalece a presunção relativa de que provêm de  fonte ou atividade não declaradas, com o objetivo de subtraí­las à tributação devida.  Passando às questões pontuais de mérito, alega a suplicante que recebeu de  seu  pai  doação  no  montante  de  R$  750.000,00  e  aplicou  o  valor  recebido  diretamente  em  imóveis, razão pela qual não houve o trânsito do numerário na conta bancária. Assevera ainda  que recebeu da Rede Brasil Participações Ltda., CNPJ 02.038.219/0001­05, lucros distribuídos  Fl. 345DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     6 no valor de R$ 64.000,00; entretanto o citado montante não foi considerado como origem da  planilha de acréscimo patrimonial a descoberto.  De  pronto,  cumpre  esclarecer  que  os  dados  constantes  da  Declaração  de  Rendimentos  e  de  bens  do  contribuinte  são  informações  prestadas  voluntariamente,  sob  sua  responsabilidade,  e  sujeitos  a  comprovação,  se  o  fisco  entender  necessária.  O  art.  806  do  Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda ­ RIR/1999), assim determina:  Art.  806.  A  autoridade  fiscal  poderá  exigir  do  contribuinte  os  esclarecimentos  que  julgar  necessários  acerca  da  origem  dos  recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que  as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição  do patrimônio (Lei nº 4.069/1962, art 51, § 1º).  No que se refere à revisão da declaração, o art. 836 do RIR/1999 estabelece:  Art.  836.  As  declarações  de  rendimentos  estarão  sujeitas  a  revisão  das  repartições  lançadoras,  que  exigirão  os  comprovantes necessárias (Decreto­lei nº 5.844, art. 74).  Da  leitura  dos  dispositivos  legais  resta  claro  que  todo  o  contribuinte  do  imposto  de  renda  está  sujeito  a  comprovar,  mediante  documentos  e  esclarecimentos,  os  rendimentos auferidos e as alterações ocorridas em seu patrimônio sempre que intimado a fazê­ lo, quando da revisão da declaração de rendimentos.  No caso em exame, foi exigida, conforme Termos de Intimação de fls. 25, 29  e 337, a comprovação, mediante documentação hábil e idônea, do recebimento dos numerários,  da  doação  consignada  pela  contribuinte  em  sua  DIRPF/2005  (fl.  173),  bem  como  da  distribuição de lucros informada na DIRPF/2004 (fl. 156). Entretanto; tal comprovação não foi  apresentada. Às fls. 16/17 dos autos, a autoridade autuante justifica a não inclusão da suposta  doação e da distribuição de lucros como origem de recursos no fluxo patrimonial.  É  preciso  esclarecer,  primeiramente,  que  uma  doação,  para  poder  ser  considerada como origem de recursos deve preencher alguns requisitos. Além de ser necessário  seu registro nas declarações de rendimentos do doador e do donatário, é imprescindível que a  transferência do numerário esteja cabalmente demonstrada.  Não  obstante  a  doação  constar  na  declaração  da  recorrente,  fl.  173,  essa  informação, isoladamente, não pode ser considerada como meio suficiente de prova. A questão  se  resume, portanto, na comprovação de que o doador efetivamente entregou o numerário ao  donatário. A falta de comprovação da  transferência do recurso, na qualidade de doação, para  que  haja  a  indicação  correta da  entrada  do  recurso  no  fluxo  financeiro,  é  fator  determinante  para a desconsideração dos mesmos.  Impende  deixar  assentado  que  a  informalidade  dos  negócios  entre  parentes  próximos não pode eximir o contribuinte de apresentar prova da efetividade das transações. Tal  informalidade diz respeito, apenas, a garantias mútuas que deixam de ser exigidas em razão da  confiança  entre  as  partes  (um  empréstimo  sem  nota  promissória,  por  exemplo),  mas  não  se  pode querer aplicar a mesma informalidade ou vínculo de confiança na relação do contribuinte  com a Fazenda Pública,  já que a relação entre fisco e contribuinte é formal e vinculada à lei.  Logo,  o  grau  de  parentesco  com  o  doador  ou  a  forma  convencionada  entre  as  partes  diz  respeito somente às partes; não exime o contribuinte de apresentar a prova do recebimento do  dinheiro, e não pode ser oposta à Fazenda Pública. Esse tem sido o entendimento deste Órgão,  conforme ementas abaixo transcritas:   Fl. 346DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.008315/2008­11  Acórdão n.º 2201­002.897  S2­C2T1  Fl. 5          7 DOAÇÃO  ­  A  justificativa  do  acréscimo  patrimonial,  seja  por  doação ou qualquer outro meio, deve ser comprovada através de  documento hábil para tal. O fato de a doação estar consignada  na declaração do doador e do donatário não é meio suficiente de  prova. (Ac. 104­7.314/90)  DOAÇÃO  ­  Não  se  considera  justificado  o  acréscimo  patrimonial  pela  alegação  de  percepção  de  doação  de  valor  significativo,  quando  não  formalizada  segundo  as  regras  jurídicas pertinentes ou comprovada a efetiva  transferência do  valor  correspondente.  (Ac.  106­11619,  sessão de 10/11/2000,  e  Ac.CSRF/01­748/87) (grifei)  O  raciocínio  supra  aplica­se  também  à  distribuição  de  lucros,  fundamentalmente  porque  a  recorrente  não  incluiu  em  sua  DIRPF/2004  o  valor  dos  lucros  distribuídos por Rede Brasil Participações Ltda., CNPJ 02.038.219/0001­05 (fls. 171/173). Não  obstante a apresentação dos livros fiscais da pessoa jurídica, bem como a identificação do lucro  de R$ 64.000,00,  nos  sistemas  informatizados  administrados  pela SRFB,  como não  houve  a  apresentação  da  efetiva  transferência  dos  recursos  (TVF  de  fls.  14/24  e  intimações  às  fls.  31/33, 35/38 e cópias de AR às fls. 42 e 44), não há como considerar o valor de R$ 64.000,00  como origem de recurso na planilha que apurou o Acréscimo Patrimonial a Descoberto.  Ante  a  todo  o  exposto,  voto  por  rejeitar  a  preliminar  e,  no  mérito,  negar  provimento ao recurso.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah                                          Fl. 347DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH

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Numero do processo: 10715.005896/2010-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2008 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005896/2010­09  Acórdão n.º 9303­003.773  CSRF­T3  Fl. 246          2 advento da nova  redação do art.  102 do Decreto­Lei nº 37/1966, dada  pelo  art. 40 da Lei nº 12.350/2010.   Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do  recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos  Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao  recurso  especial,  para  considerar  inaplicável  ao  caso  a  denúncia  espontânea,  devendo  o  processo  retornar  à  instância a quo  para  apreciação  das  demais  questões  trazidas  no  recurso  voluntário  e  que  não  foram  objeto  de  deliberação  por  aquele  Colegiado.  Vencidos  os  Conselheiros  Tatiana  Midori  Migiyama,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Érika  Costa  Camargos  Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.    CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO ­ Presidente    HENRIQUE PINHEIRO TORRES ­ Relator   Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres,  Tatiana Midori  Migiyama,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Demes  Brito,  Gilson Macedo  Rosenburg  Filho,  Érika  Costa  Camargos  Autran,  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Vanessa Marini  Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).     Relatório  Trata­se de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na  prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art.  107,  inciso  IV,  alínea "e", do DL 37, de 1966,  cuja  redação  foi alterada pela Lei 10.833, de  2003.  Julgando  o  feito,  a  Turma  recorrida  deu  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  Acórdão  3801­004.894,  aplicando  a  denúncia  espontânea  para  afastar  a  exigência da multa acima citada.   Cientificada  do  acórdão mencionado  o Representante  da  Fazenda Nacional  apresentou  recurso  especial  suscitando  divergência  quanto  à  exoneração  da  penalidade  em  comento  por  aplicação  da  denúncia  espontânea  prevista  no  art.  102,  §  2º,  do Decreto­lei  nº  37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010.  O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara  recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões.  É o relatório, em síntese.  Fl. 246DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005896/2010­09  Acórdão n.º 9303­003.773  CSRF­T3  Fl. 247          3 Voto             Carlos Alberto Freitas Barreto, relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­003.553, de  26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/2010­33 , paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio  nos  termos  regimentais,  o  inteiro  teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303­003.553):  "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos  demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido.  De  fato,  ao  cotejarmos  o  objeto  desta  lide  com  o  da  discutida  no  acórdão  paradigma nº 3802­001.128, de 28/06/2012, vê­se que tratam exatamente da mesma matéria, in  casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto­Lei nº 37/1966, com a  redação dada pela Lei nº 10.833/2003:  Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas: (Redação dada  pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) .  I­ omissis  .....................................................................................................   IV ­ de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº  10.833, de 29.12.2003) .  a) omissis  .......................................................................................................  e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele  transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no  prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada  à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de  serviços  de  transporte  internacional  expresso porta­a­porta,  ou  ao agente de carga; e  As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma,  são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita  acima.  No  recorrido,  aplicou­se  a  denúncia  espontânea,  já  no  acórdão  paradigma,  não.  Acrescente­se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o  recurso foi apresentado, no tempo  regimental, por quem de direito.  Mais  uma  vez,  ressalte­se  que  recorrido  e  paradigma,  além  de  tratarem  da  mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida  na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, §  2º, do Decreto­Lei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras.  Frise­se  que,  tanto  no  paradigma  quanto  no  recorrido,  enfrentou­se  a  aplicação  da  denúncia  espontânea  nas  infrações  aduaneiras  relativas  ao  descumprimento  do  Fl. 247DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005896/2010­09  Acórdão n.º 9303­003.773  CSRF­T3  Fl. 248          4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito,  sendo  que,  no  paradigma,  afastou­se  a  possibilidade  de  aplicação  da  denúncia  espontânea  a  esse tipo de  infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional,  desprezando,  completamente,  em  seus  fundamentos,  a  novel  legislação.  Já  no  acórdão  recorrido,  tanto  o CTN quanto  a  nova  redação  do  §  2º  do  art.  102  do Decreto  Lei  37/1966  foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob  exame.  Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a  alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois  não  são  os  fundamentos  adotados  pelo  colegiado  que  configuram  a  divergência.  No  caso,  diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do  paradigma), ambos  realizados na vigência dos mesmos dispositivos  legais,  entendo presentes  os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial.  Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do  apelo apresentado pela Fazenda Nacional.  A matéria devolvida ao Colegiado cinge­se, exclusivamente, à possibilidade  de  aplicar  a  denúncia  espontânea  após  a  alteração  promovida  pela  Lei  12.350/2010,  para  afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga  nele transportada.  O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como  o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos  são  como  uma  ponte  de  ouro,  como  diriam  os  penalistas,  para  aqueles  que  se  encontram  à  margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte  de  ouro  para  a  legalidade.  Por  essa  ponte  só  podem  passar  aqueles  que,  voluntariamente,  desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitam­lhe o resultado.   Nos delitos unissubsistentes1  não  se admite desistência voluntária,  uma vez  que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os  crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que,  encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser  evitado".   No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais  é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado,  o que não veio a ocorrer no caso em exame.  Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não  são  suscetíveis  de  denúncia  espontânea.  São  aquelas  em  que  a  mera  conduta,  por  si  só,  já  configura  o  ilícito,  o  qual,  uma  vez  ocorrido,  não  há  possibilidade  jurídica,  ou  até  mesmo  física, de se evitar o resultado.                                                              1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta.  2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes  formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa  produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele  poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada.  3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra.  Fl. 248DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005896/2010­09  Acórdão n.º 9303­003.773  CSRF­T3  Fl. 249          5 O  exemplo  mais  característico  desse  tipo  de  infração,  é,  justamente,  a  referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se  exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o  atraso não poderá ser reparado.   Em  outras  palavras,  atendo­se  às  normas  do  Direito  Tributário,  o  dano  relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagando­se o tributo e os  consectários  legais.  Todavia,  se  se  tratar  de  infrações  referentes  a  obrigações  acessórias  autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o  núcleo do bem  jurídico protegido, uma vez violado, não  tem como ser  restabelecido. Assim,  por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi  apresentada  no  prazo  determinado,  não  há  como  cumprir  a  obrigação  acessória  tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível  hoje.  No  caso  dos  autos,  a  obrigação  acessória  autônoma,  descumprida  pelo  transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados  de  embarque  de  mercadorias  no  prazo  estabelecido  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil. Note­se  que,  uma  vez  exaurido  o  prazo  para  se  prestar  as  informações  sem  que  elas  tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais  possibilidade de se evitar o resultado.  Note­se que, se a sanção fosse destinada, apenas e tão­somente, a punir o não  cumprimento  da  obrigação  acessória,  poder­se­ia  admitir  que,  o  adimplemento  a  destempo,  desde  que  espontâneo,  poderia  ser  beneficiado  com  a  norma  excludente  da  penalidade.  Entretanto,  se a  sanção é destinada a  coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez  ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea.  Essa  questão  da  denúncia  espontânea  envolvendo  descumprimento  de  obrigação  acessória  encontrava­se  apascentada,  tanto  no  Judiciário4  quanto  no  âmbito  administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº  49, cujo enunciado transcreve­se a seguir:   Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código  Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso na entrega de declaração.  Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação  ao art. 102 do Decreto­Lei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência                                                              4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO  DE RENDIMENTOS.  1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do  atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações  acessórias autônomas.  2.  Agravo  Regimental  não  provido.”  (STJ.  2ª  T.  AgRg  nos  EDcl  no  AREsp  209663/BA.  Rel.  Min.  Herman  Benjamin. DJe 10/05/2013).'    5  Art.  102.  A  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento  do  imposto  e  dos  acréscimos,  excluirá  a  imposição  da  correspondente  penalidade.  (Redação  dada  pelo  Decreto­Lei  nº  2.472,  de  01/09/1988).  § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  a) no  curso  do despacho aduaneiro,  até o desembaraço da mercadoria;  (Incluído  pelo Decreto­Lei nº  2.472, de  01/09/1988)  Fl. 249DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005896/2010­09  Acórdão n.º 9303­003.773  CSRF­T3  Fl. 250          6 e  na  doutrina,  mas,  a  meu  sentir,  não  há  razão  alguma  para  se  modificar  o  entendimento  anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança  a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª  Câmara da Terceira Seção, Acórdão 3102­00.988, cujo voto condutor  foi da lavra do insigne  Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui  transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto.  "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular  que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a  prática  das  infrações  de  natureza  tributária  e  administrativa  instituídas  na  legislação  aduaneira.  Nesta  última,  incluída  todas  as  obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que  tenham  por  objeto  as  prestações  positivas  (fazer  ou  tolerar)  ou  negativas  (não  fazer)  instituídas  no  interesse  fiscalização  das  operações  de  comércio  exterior,  incluindo  os  aspectos  de  natureza  tributária, administrativo, comercial, cambial etc.  Não  se  pode  olvidar  que,  para  aplicação  do  instituto  da  denúncia  espontânea,  é  condição  necessária  que  a  infração  de  natureza  tributária ou administrativa seja passível de denunciação à  fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da  excludente  de  responsabilidade  em  apreço  que  a  infração  seja  denunciável.  No  âmbito  da  legislação  aduaneira,  em  consonância  com  o  disposto  no  retrotranscrito  preceito  legal,  as  impossibilidades  de  aplicação  dos  efeitos  da  denúncia  espontânea  podem  decorrer  de  circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica).  No  caso  de  impedimento  legal,  é  o  próprio  ordenamento  jurídico  que  veda  a  incidência  da  norma  em  apreço,  ao  excluir  determinado  tipo  de  infração  do  alcance  do  efeito  excludente  da  responsabilidade por denunciação espontânea da  infração cometida.  A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário,  sancionadas  com  a  pena  de  perdimento,  conforme  expressamente  determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102.  A  impossibilidade  de  natureza  lógica  ou  racional  ocorre  quando  fatores  de  ordem material  tornam  impossível  a  denunciação  espontânea da  infração. São dessa modalidade as  infrações que  têm  por  objeto  as  condutas  extemporâneas  do  sujeito  passivo,  caracterizadas  pelo  cumprimento  da  obrigação  após  o  prazo  estabelecido  na  legislação.  Para  tais  tipos  de  infração,  a  denúncia  espontânea  não  tem  o  condão  de  desfazer  ou  paralisar  o  fluxo  inevitável do tempo.  Compõem  essa  última  modalidade  toda  infração  que  tem  o  atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como  elementar  do  tipo  da  conduta  infratora.  Em  outras  palavras,  toda                                                                                                                                                                                           b)  após  o  início  de  qualquer  outro  procedimento  fiscal,  mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  §  2º  A  denúncia  espontânea  exclui  a  aplicação  de  penalidades  de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela  Lei nº 12.350, de 2010).   (...)    Fl. 250DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005896/2010­09  Acórdão n.º 9303­003.773  CSRF­T3  Fl. 251          7 infração  que  tem  o  fluxo  ou  transcurso  do  tempo  como  elemento  essencial da tipificação da infração.  São  dessa  última  modalidade  todas  as  infrações  que  têm  no  núcleo  do  tipo  da  infração  o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação  legalmente  estabelecida.  A  título  de  exemplo,  pode  ser  citada  a  conduta  do  transportador  de  registrar  extemporaneamente  no  Siscomex  os  dados  das  cargas  embarcadas,  infração  objeto  da  presente autuação.  Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é  deixar  de  prestar  informação  sobre  a  carga  no  prazo  estabelecido,  que  é  diferente  da  conduta  de,  simplesmente,  deixar  de  prestar  a  informação  sobre  a  carga.  Na  primeira  hipótese,  a  prestação  intempestiva  da  informação  é  fato  infringente  que  materializa  a  infração,  ao  passo  que  na  segunda  hipótese,  a  mera  prestação  de  informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no  cumprimento  da  correspondente  obrigação  acessória.  Nesta  última  hipótese,  se  a  informação  for  prestada  antes  do  início  do  procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configura­se  e a respectiva penalidade é excluída.  De  fato,  se  registro  extemporâneo  da  informação  da  carga  materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo  ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a  denúncia espontânea da correspondente infração.  De  modo  geral,  se  admitida  a  denúncia  espontânea  para  infração  por  atraso  na  prestação  de  informação,  o  que  se  admite  apenas  para  argumentar,  o  cometimento  da  infração,  em  hipótese  alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que  a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a  conduta  configuradora  da  denúncia  espontânea  da  respectiva  infração.  Em  consequência,  ainda  que  comprovada  a  infração,  a  multa  aplicada  seria  sempre  inexigível,  em  face  da  exclusão  da  responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração.  Esse  sentido  e  alcance  atribuído  a  norma,  com  devida  vênia,  constitui  um  contrassenso  jurídico,  uma  espécie  de  revogação  da  penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a  sanção  estabelecida  para  a  penalidade  não  poderá  ser  aplicada  em  hipótese  alguma,  excluindo  do  ordenamento  jurídico  qualquer  possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez."  No  mesmo  sentido,  posicionou­se  o  Conselheiro  Solon  Sehn  no  Acórdão  3802­002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos:  "Destarte,  a  aplicação  da  denúncia  espontânea  às  infrações  caracterizadas  pelo  fazer  ou  não­fazer  extemporâneo  do  sujeito  passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia  ser  cumprido  há  qualquer  tempo,  ao  alvedrio  do  sujeito  passivo.  Exegese  dessa  natureza  comprometeria  toda  a  funcionalidade  dos  deveres instrumentais no sistema tributário.  Destaca­se, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara:  'Caso  se  entenda  que  o  descumprimento  de  dever  instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem  o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá  Fl. 251DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005896/2010­09  Acórdão n.º 9303­003.773  CSRF­T3  Fl. 252          8 mais  infração  da  obrigação  acessória.  Seria,  a  rigor,  uma  verdadeira  anistia,  que  somente poderá  ser  concedida por  lei específica.  Exemplificando,  uma  empresa  que  deixou  de  registrar  e  escriturar  livros  fiscais,  com  a  denúncia  espontânea  da  infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a  aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6.  Entende­se,  portanto,  que  a  denúncia  espontânea  (art.  138  do  CTN  e  art.  102  do  Decreto­Lei  n°  37/1966)  não  alcança  as  penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental  caracterizado  pelo  atraso  na  prestação  de  informação  à  administração aduaneira.  (...)"  Não destoando desse entendimento, manifestou­se recentemente o e. Tribunal  Regional Federal da 4ª Região, conforme se  infere do enunciado da ementa e dos  trechos do  voto condutor do julgado, a seguir transcritos:   EMBARGOS À  EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE  DA  INFORMAÇÃO  INTEMPESTIVA  DE  DADOS  DE  EMBARQUE.  AGENTE  MARÍTIMO.  LEGITIMIDADE  PASSIVA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  AUTÔNOMA.  INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA.  PROPORCIONALIDADE  E  RAZOABILIDADE.  VALOR  QUE  NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO.  1.  O  agente  marítimo  assume  a  condição  de  representante  do  transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  transportada,  concorre  diretamente  para  a  infração,  daí  decorrendo  a  sua  responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo  95, I, do Decreto­Lei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia  espontânea  para  os  casos  de  descumprimento  de  obrigações  tributárias  acessórias  autônomas.  3.  A  finalidade  punitiva  e  dissuasória  da  multa  justifica  a  sua  fixação  em  valores  mais  elevados,  sem  que  com  isso  ela  ofenda  os  princípios  da  razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco.   [...]Voto.  [...]  Não  é  caso,  também,  de  acolhimento  da  alegação  de  denúncia espontânea.   A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do Decreto­Lei  nº 37, de 1966, a seguinte redação:   [...]  Bem  se  vê  que a  norma não  é  inovadora em  relação ao artigo  138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse  sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia  espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à  obrigação tributária acessória autônoma.                                                               6  ICHIHARA,  Yoshiaki.  Sanções  tributárias  ­  questões  sugeridas.  In:  MACHADO,  Hugo  de  Brito  (coord.).  Sanções administrativas tributárias. São Paulo: Dialética­ICET, 2004, p. 502.  Fl. 252DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005896/2010­09  Acórdão n.º 9303­003.773  CSRF­T3  Fl. 253          9 [...]  (BRASIL.  TRF4.  2ª  Turma.  Apelação  Cível  nº  5005999­ 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013)  (grifo acrescido)  Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar  a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107,  inciso IV, alínea  "e",  do DL 37,  de  1966,  alcança,  indistintamente,  a  exigência  dessa  penalidade  nas  diversas  situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria  embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc.   Afastada  a  aplicação  da  denúncia  espontânea,  necessário  verificar  o  efeito  desse  entendimento  sobre  o  resultado  do  julgamento,  tendo  em  vista  que  a  decisão  neste  processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do  RICARF (recursos repetitivos).  Como  a  denúncia  espontânea  é  questão  prejudicial  de  mérito,  impede  o  julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que  o  voto  condutor  do  recorrido  tenha  se  pronunciado  sobre  outras  questões  de  mérito,  tal  pronunciamento  não  representa  julgamento  pelo  colegiado  a  quo,  constituindo,  apenas,  manifestação pessoal do relator.  Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância  a  quo  para  que  sejam  enfrentadas  as  questões  de  mérito  trazidas  pelo  Sujeito  Passivo  no  recurso voluntário.  Com  essas  considerações,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso  interposto  pela  Fazenda  Nacional,  para  considerar  inaplicável  ao  caso  a  denúncia  espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões  trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado."  Aplicando­se  as  razões  de  decidir,  o  voto  e  o  resultado  acima  do  processo  paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do  RICARF,  dá­se  provimento  parcial  ao  recurso  interposto  pela  Fazenda  Nacional,  para  considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância  a  quo  para  apreciação  das  demais  questões  trazidas  no  recurso  voluntário  e  que  não  foram  objeto de deliberação por aquele Colegiado.    CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO                            Fl. 253DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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Numero do processo: 10120.720254/2011-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITE DA LIDE. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso. PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÃO. BENEFICIÁRIO NÃO DEPENDENTE. MANUAL DE PERGUNTAS E RESPOSTAS. Conforme o próprio “Manual de Perguntas e Respostas” elaborado pela Receita Federal para o exercício de 2008, ano-calendário de 2007, era possível a dedução das despesas efetuadas com plano de saúde de filho ou cônjuge, mesmo quando este não tivesse sido incluído na declaração como dependente. Essa permissão era afastada caso o beneficiado tivesse considerado aquela despesa em sua própria declaração, ou caso tivesse realizado declaração simples. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2202-003.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de despesas médicas no valor de R$ 1.762,44. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (Assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. EDITADO EM: 31/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), DILSON JATAHY FONSECA NETO, MARTIN DA SILVA GESTO, MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Ausente justificadamente a Conselheira JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2197; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 153          1 152  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10120.720254/2011­04  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2202­003.394  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de maio de 2016  Matéria  IRPF  Recorrente  LUIZ JESUS D'AVILA MAGALHÃES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2007  PROCESSO  ADMINISTRATIVO.  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  LIMITE  DA LIDE.  Para  a  solução  do  litígio  tributário  deve  o  julgador delimitar,  claramente,  a  controvérsia  posta  à  sua  apreciação,  restringindo  sua  atuação  apenas  a  um  território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado,  pela  pretensão  do  Fisco  e,  por  outro,  pela  resistência  do  contribuinte,  expressos,  respectivamente,  pelo  ato  de  lançamento  e  pela  impugnação/recurso.  PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÃO. BENEFICIÁRIO NÃO DEPENDENTE.  MANUAL DE PERGUNTAS E RESPOSTAS.  Conforme  o  próprio  “Manual  de  Perguntas  e  Respostas”  elaborado  pela  Receita  Federal  para  o  exercício  de  2008,  ano­calendário  de  2007,  era  possível  a  dedução  das  despesas  efetuadas  com  plano  de  saúde  de  filho  ou  cônjuge, mesmo quando  este  não  tivesse  sido  incluído  na declaração  como  dependente.  Essa  permissão  era  afastada  caso  o  beneficiado  tivesse  considerado  aquela  despesa  em  sua  própria  declaração,  ou  caso  tivesse  realizado declaração simples.   Recurso Voluntário Provido em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  afastar  a  glosa  de  despesas  médicas  no  valor  de  R$  1.762,44. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 02 54 /2 01 1- 04 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA     2   (Assinado digitalmente)  Marco Aurélio de Oliveira Barbosa ­ Presidente.     (Assinado digitalmente)  Dilson Jatahy Fonseca Neto ­ Relator.    EDITADO EM: 31/05/2016  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO  DE  OLIVEIRA  BARBOSA  (Presidente),  DILSON  JATAHY  FONSECA  NETO, MARTIN  DA SILVA GESTO, MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MÁRCIO  HENRIQUE SALES PARADA. Ausente  justificadamente  a Conselheira  JUNIA ROBERTA  GOUVEIA SAMPAIO.      Relatório  Em  breves  linhas,  trata­se  de  auto  de  infração  lavrado  em  desfavor  do  Recorrente  no  qual  se  indica  como  infração  a  “Dedução  Indevida  de  Despesas  Médicas”.  Intimado  do  lançamento,  o  Contribuinte  apresentou  impugnação,  a  qual  foi  considerada  improcedente  pela  DRJ.  Ainda  inconformado,  o  Contribuinte  interpôs  Recurso  Voluntário.  Chegando  ao  CARF,  o  processo  foi  convertido  em  diligência,  a  qual  já  foi  realizada,  retornando os autos para decisão.  Pois bem.  A  autoridade  fiscal  interpelou  o  Contribuinte,  por  meio  de  Termo  de  Intimação Fiscal lavrado em 31/05/2010 (fl. 12) a comprovar (i) o pagamento de contribuição à  Previdência  Privada  e  Fapi;  (ii)  despesas  médicas  com  identificação  do  paciente;  e  (iii)  despesas médicas com planos de saúde com valores discriminados por beneficiário.   O Contribuinte apresentou em 21/06/2010, conforme Termo de Atendimento  (fl.  11),  os  documentos  que  entendeu  comprobatórios.  Também,  apresentou  Declaração  Retificadora.  A  autoridade  fiscalizadora  lavrou  o  auto  de  infração  em  20/12/2010  (fls.  24/29). Apontou como infração “Dedução Indevida de Despesas Médicas”, e glosou o valor de  R$  5.228,45  ao  argumento  de  que  o  “Valor  glosado  refere­se  a  pagamento  à  CASSI,  em  benefício de pessoas não dependentes na declaração.”   Constituiu os seguintes créditos tributários:  Fl. 154DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10120.720254/2011­04  Acórdão n.º 2202­003.394  S2­C2T2  Fl. 154          3   Ano­ calendário  IRPF –  Suplementar  Multa  Juros  Total  2007  1.437,82  1.078,36  392,38  2.908,56    Intimado do Auto de Infração em 31/10/2010 (fl. 30), e inconformado com o  lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação (fl. 2), na qual:    · Questionou parte da glosa (R$ 1.178,96), ao argumento de que o valor  de  despesas  médicas  realmente  foi  efetuado  em  favor  de  filho  que  cursava universidade naquele exercício;  · Acrescentou que omitiu seu filho como dependente, o que lhe geraria  direito a dedução no valor de R$ 1.584,60, além de dedução referente  à contribuição à CASSI no valor de R$ 1.762,44; e  · Que  entregara  a  documentação  relevante  em  resposta  a  intimação  fiscal.    Tendo  em  vista  que  o  próprio Contribuinte  admitia  ter  impugnação  apenas  parcialmente  a  glosa,  a  SRFB  proferiu  despacho  transferindo  a  parte  não  impugnada  (R$  1.111,14) para o processo nº 10120.720262/2011­42, em 04/02/2011 (fls. 34/35). Fê­lo com o  propósito de dar continuidade à cobrança, sob o fundamento de que o Contribuinte não o havia  impugnado.  Também  registrou  nesse  despacho  que  não  foi  recebida  resposta  da  Intimação  Fiscal.   Recebendo  carta  de  cobrança  desse  valor,  o  Contribuinte  fez  então  adendo/retificando a impugnação (fls. 39/40). Explicou que:    · Apresentara sim resposta à intimação fiscal;   · Ratificou os fundamentos da impugnação;  · Que errou ao preencher o formulário da Impugnação, registrando R$  1.178,96 quando na verdade impugnava o valor de R$ 4.319,84;   · Que  havia  tentado  apresentar  Declaração  de  Ajuste  Anual  Retificadora  após  o  recebimento  do  primeiro  Termo  de  Intimação  Fiscal,  mas  que  não  lograra  êxito  porquanto  o  sistema  estava  bloqueado; e  · Admite dever imposto suplementar no valor de R$ 861,27, mas pede  que  seja  afastada  a  multa  –  ao  menos  em  parte  –  porque  sempre  Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA     4 respondeu tempestivamente as intimações e porque tentou apresentar  declaração retificadora.     Como consequência do adendo, foi lavrado novo Termo de Transferência de  Crédito Tributário em 04/06/2012, reduzindo o valor  transferido para o processo de cobrança  para R$ 249,87 (fl. 55/56).   Levado a julgamento em 1ª Grau, a DRJ/BSB proferiu o acórdão nº 03.048­ 841 (fls. 58/63), em 21/06/2010, que restou assim ementado:    “ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  FÍSICA  –  IRPF  Exercício: 2008  Ementa: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA PARCIALMENTE  – DESPESA MÉDICA  Considera­se  não  impugnada,  portanto  não  litigiosa,  a  matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo  contribuinte.  DECLARAÇÃO  DE  IMPOSTO  DE  RENDA.  ERRO  DE  PREENCHIMENTO.  Não comprovado o  erro de preenchimento da Declaração  do  Imposto  de  Renda,  com  base  nas  informações  e  documentos  constantes  no  processo  e  nos  sistemas  informatizados  da  Receita  Federal  do  Brasil,  impõe­se  a  manutenção do lançamento.  DESPESAS  COM  PLANO  DE  SAÚDE.  NECESSIDADE  DE  IDENTIFICAÇÃO  DO  BENEFICIÁRIO  E  DOS  VALORES CORRESPONDENTES A CADA UM DELES  A  dedutibilidade  das  despesas  com  planos  de  saúde  restringe­se  aos  pagamentos  efetuados  em  proveito  do  próprio contribuinte e de seus dependentes. Por essa razão,  não  são  dedutíveis  as  despesas  cujos  comprovantes  não  identifiquem  os  beneficiários  dos  planos  com  a  identificação  dos  valores  correspondentes  a  cada  um  dos  beneficiários do plano.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido” (fl. 58)    Os fundamentos foram:    Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10120.720254/2011­04  Acórdão n.º 2202­003.394  S2­C2T2  Fl. 155          5 · Que o Contribuinte não impugnou, parcialmente, a dedução indevida  de despesas médicas no valor de R$ 3.446,01;   · Que  o  Contribuinte  não  juntou  provas  de  que  o  filho  era  estudante  universitário no ano­calendário 2007;   · Que  o  filho  não  pode  ser  incluído  na  declaração  como  dependente  nesse momento;  · Que, mesmo que fosse incluído, o Contribuinte não juntou aos autos  comprovante das despesas pleiteadas;  · Que o Contribuinte  tampouco  comprovou  a  sua  contribuição  para  a  Unimed.    Tomando ciência do julgamento de primeiro grau em 20/07/2012 (fls. 68/69),  o  Contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  (fls.  71/72  e  docs.  anexos  fls.  73/102)  em  06/08/2012 (fl. 103), no qual, em resumo, alegou:    · Que  já  havia  juntado  aos  autos  prova  de  que  seu  filho  cursara  faculdade no ano­calendário de 2007 (diploma e histórico escolar);  · Que já havia comprovado as despesas médicas realizadas em favor de  seu filho junto à Caixa de Assistência aos Funcionários do Banco do  Brasil (CASSI);  · Que já havia comprovado as despesas realizadas junto à Unimed;  · Reconhece como correta a glosa no montante de R$ 249,87;  · Que  realizou  parcelamento  do  valor  de R$  2.448,96  junto  à  SRFB,  pedindo compensação dos valores já pagos até aquele momento com  o valor reconhecido pelo próprio Contribuinte; e  · Que  já  tinha,  à época do Recurso Voluntário, 64  (sessenta  e quatro)  anos e, portanto, tinha tramitação prioritária.    O  processo  alcançou  então  o CARF  que,  por meio  da Resolução  nº  2801­ 000.343 (fls. 108/114), datada de 10/03/2015, converteu o julgamento em diligência para que a  autoridade fiscal averiguasse:    · “Se  Diego  Trindade  D’Avila Magalhães  apresentou  DIRPF  própria  referente do exercício 2008, ano­calendário 2007;  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA     6 · Se  houve  a  dedução  de  Diego  Trindade  D’Avila  Magalhães  como  dependente, bem como a dedução de despesas médicas com a Unimed  Goiânia  referente  ao  beneficiário  LUIZ  JESUS  D’AVILA  MAGALHÃES,  na DIRPF  do  exercício  2008,  ano­calendário  2007,  da Contribuinte JEANE LUSTOSA MACHADO DE ARAÚJO, CPF  267.848.151­49”    Explicou  ainda  que,  conforme  o  “Manual  de  Perguntas  e  Respostas”  da  Declaração de Ajuste Anual do exercício 2008, o Contribuinte podia deduzir as despesas com  planos  de  saúde  de  seus  cônjuges  ou  filhos,  mesmo  que  não  fossem  declarados  como  seus  dependentes, desde que os valores não tivessem sido deduzidos nas declarações destes, ou que  estes não tivessem feito a declaração simplificada.  Em seu Relatório Fiscal  (fl. 125), a AFRFB informou: (i) que não constava  apresentação de DIRPF própria do sr. Diego Trindade D’Avila Magalhães; (ii) que não houve  dedução  de  Diego  Trindade  D’Avila  Magalhães  como  dependente  da  Contribuinte  Jeane  Lustosa Machado de Araújo; e (iii) que não houve deduções referentes à Unimed Goiânia na  declaração desta referentes ao beneficiário Luiz Jesus D’Avila Magalhães.  Intimado, o Contribuinte ratificou (fls. 131/132 e docs. anexos fls. 133/148)  tudo quando afirmado anteriormente, juntando documentação novamente.    É o relatório.    Voto             Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto ­ Relator    Juízo de Admissibilidade:  Os  pressupostos  e  requisitos  de  admissibilidade  do  Recurso  Voluntário,  determinados  pelo  Decreto  70.235/1972  e  pelo  Regimento  Interno  do  CARF,  fazem­se  presentes.    DOS PONTOS CONTROVERTIDOS   Ultrapassado o juízo de admissibilidade, os pontos controvertidos são:    I.  Delimitação da lide: o que foi impugnado?   II.  É possível deduzir as despesas da CASSI?  Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10120.720254/2011­04  Acórdão n.º 2202­003.394  S2­C2T2  Fl. 156          7   DO MÉRITO  DELIMITAÇÃO DA LIDE  O auto de infração glosou o valor de R$ 5.228,45 referente ao pagamento à  CASSI uma vez que  esse valor  teria  sido pago em benefício de pessoas  não dependentes na  declaração. Em sua impugnação, o Contribuinte afirma expressamente que o valor se refere a  despesas médicas  do  filho,  que  tinha menos  de  24  anos  e  cursava  universidade  à  época  dos  fatos. Informou ainda que o valor questionado seria de R$ 1.187,96, tão somente.  Percebendo  seu  erro no  tocante  ao valor,  o Contribuinte  apresentou petição  retificando a impugnação, afirmado ter cometido erro material, e esclarecendo que impugnava  efetivamente  o  valor  de  R$  4.319,84.  Destes,  apenas  R$  1.762,44  referiam­se  à  glosa  propriamente dita, admitindo uma dedução indevida de R$ 3.466,011.  Uma vez que o Contribuinte expressamente contestou a glosa na impugnação  (“O  valor  refere­se  a  despesas  médicas  do  filho(a)  ou  enteado(a)  universitário  ou  que  está  cursando  escola  técnica  de  segundo  grau,  com  idade  até  24  anos”),  é  aceitável  a  petição  posterior que busca tão somente corrigir o valor questionado, alterando­o de R$ 1.187,96 para  R$ 1.762,44.   Essa  foi  a  mesma  conclusão  alcançada  pela  DRJ/BSB  que,  analisando  a  situação, entendeu assim:    “O  contribuinte  não  impugnou  parcialmente  a  dedução  indevida  de  despesas  médicas,  no  valor  de  R$  3.446,01.  Desta  forma,  conforme  previsto  no  art.  17  do Decreto  nº  70.235/1972,  considera­se  não  impugnada  a  matéria  que  não  foi  expressamente  contestada,  razão  pela  qual  o  assunto  não  será  objeto  de  discussão  no  presente  julgamento.” (fl. 60)    O  Contribuinte  não  recorreu  desse  ponto.  Ainda  que  tivesse  recorrido,  o  entendimento  da  autoridade  fiscal  foi  correto:  o  lançamento  é  feito  por  meio  do  auto  de  infração, o qual indicou tão somente a dedução a título de despesas médicas com a CASSI. Se  o próprio Contribuinte admite ter pago somente R$ 1.762,96, e não R$ 5.228,45, então esse é o  limite da lide. O restante da glosa, efetivamente não tendo sido impugnada, deve ser mantida.  No  tocante  ao  pedido  de  retificação  da DIRPF,  essa  não  pode  ser  feita  em  sede de impugnação ou de recurso voluntário do lançamento. . Ressalvadas algumas matérias                                                              1  O  restante  da  impugnação  é  composto  de  outros  argumentos;  especificamente,  novas  deduções  que  o  Contribuinte  entende  ter  direito,  a  despeito  de  não  as  ter  informado  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  original.  Assim,  o Contribuinte  afirma  impugnar R$  4.319,84. Contudo,  apenas R$ 1.782,44  referem­se  à  dedução  com  despesas médicas em função da CASSI. Os R$ 2.537,40 faltantes são compostos de: (i) R$ 1.584,60 a título de  dedução por ser o Sr. Diego Trindade d’Avila Magalhães seu filho e dependente; e (ii) R$ 972,80 por pagamentos  realizados à Unimed que têm o próprio Contribuinte como beneficiário.   Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA     8 de  ordem  pública,  a  competência  do  julgador  para  a  revisão  do  lançamento  restringe­se  à  hipótese prevista no art. 145 do CTN, sendo a revisão de ofício de iniciativa exclusiva da RFB  (art. 149 do CTN).   Não obstante  as  lições  processuais  retro  transcritas,  conforme o Regimento  Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de  2012, temos que:  Das Competências das Unidades Descentralizadas  Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil ­ DRF, à  Delegacia  Especial  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Pessoas  Físicas  ­  Derpf,  às  Alfândegas  da  Receita  Federal  do  Brasil  ­  ALF  e  às  Inspetorias  da  Receita  Federal  do  Brasil  ­  IRF  de  Classes “Especial A”, “Especial B” e “Especial C”, quanto aos  tributos  administrados  pela  RFB,  inclusive  os  destinados  a  outras  entidades  e  fundos,  compete,  no  âmbito  da  respectiva  jurisdição,  no  que  couber,  desenvolver  as  atividades  de  arrecadação,  controle  e  recuperação  do  crédito  tributário,  de  análise  dos  dados  de  arrecadação  e  acompanhamento  dos  maiores  contribuintes,  de  atendimento  e  interação  com  o  cidadão,  de  comunicação  social,  de  fiscalização,  de  controle  aduaneiro,  de  tecnologia  e  segurança  da  informação,  de  programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento,  avaliação, organização, modernização, e, especificamente:  (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 512, de 02 de outubro de  2013)   ...  X  ­  executar  as  atividades  relacionadas  à  restituição,  compensação,  reembolso,  ressarcimento,  redução  e  reconhecimento  de  imunidade  e  isenção  tributária,  inclusive  as  relativas a outras entidades e fundos;   ...  XXII  ­  proceder  à  retificação  de  declarações  aduaneiras,  à  revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas  pelo  sujeito  passivo,  e  ao  cancelamento  ou  reativação  de  declarações a pedido do sujeito passivo;  (sublinhei/grifei)    Portanto, não podem os demais pedidos, além da comprovação de despesas  com a CASSI, ser resolvidos em sede desse processo, uma vez que se encontra limitado pela  Notificação de Lançamento. Cabe à Unidade de origem observar a possibilidade de revisão de  ofício, em face dos documentos apresentados.     DESPESAS COM A CASSI  Fl. 160DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10120.720254/2011­04  Acórdão n.º 2202­003.394  S2­C2T2  Fl. 157          9 Impende  analisar  o  valor  de  R$  1.762,96  que  o  Contribuinte  efetivamente  contestou.   Repetimos,  por  ser  conveniente,  o  excerto  do  “Manual  de  Perguntas  e  Respostas” já colacionado na Resolução nº 2801­000.343:    “PLANO DE SAÚDE – DECLARAÇÃO EM SEPARADO 355 –  O contribuinte,  titular de plano de saúde, pode deduzir o valor  integral  pago  ao  plano,  incluindo  os  valores  referentes  ao  cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado?  Como  regra  geral,  somente  são  dedutíveis  na  declaração  os  valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas  dependentes  perante  a  legislação  tributária  e  incluídas  na  declaração  do  responsável  em  que  forem  consideradas  dependentes. Contudo, na hipótese em que o outro cônjuge ou os  filhos constarem do plano, e, embora podendo ser considerados  dependentes  perante  a  legislação  tributária,  apresentarem  declarações em  separado no modelo completo,  o  valor  integral  pago  ao  plano  pode  ser  deduzido  na  declaração  de  ajuste  do  titular do plano, desde que não seja utilizado como dedução nas  declarações do outro cônjuge ou filhos.  No caso de apresentação de declaração em separado no modelo  simplificado pelo outro cônjuge ou pelos filhos, na qual todas as  deduções  a  que  estes  teriam  direito  são  substituídas  pelo  desconto  simplificado,  a  parcela  do  plano  de  saúde  correspondente  ao  outro  cônjuge  ou  aos  filhos  é  considerada  indedutível na declaração do titular do plano.”    Inicialmente, conforme certidão de nascimento anexada aos autos  (fl. 9), há  comprovação  de  que  o  Sr.  Diego  Trindade  d’Ávila  Magalhães  é  filho  do  Contribuinte,  e  completou 22 anos ao longo do ano­calendário de 2007. Ainda, conforme atesta o Diploma de  Graduação  e  o  Histórico  Escolar  (fls.  87/91),  o  Sr.  Diego  Magalhães  efetivamente  cursou  universidade  ao  longo desse  ano  calendário. Consequentemente,  ainda que o  filho não  tenha  sido declarado expressamente como dependente do Contribuinte, poderia ter sido, preenchendo  um dos requisitos ali elencados.   Segundo, conforme atestou o relatório fiscal, não consta DIRPF em separado  do Sr. Diego Magalhães nesse exercício. Também, não houve dedução dele como dependente  da Sra. Jeane Lustosa Machado de Araújo (fl. 125).  Terceiro,  há  nos  autos  recibo  da CASSI  no  valor  de R$  1.762,44,  no  qual  consta como beneficiário o Sr. Diego Magalhães (fl. 93).  Por tudo isso, entendo que a glosa deve ser reduzida em R$ 1.762,44, por ter  o contribuinte comprovado essa despesa.    Fl. 161DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA     10 DISPOSITIVO  Diante de tudo quanto exposto, voto por conhecer e dar parcial provimento ao  recurso  voluntário  para  deduzir  o  valor  de  R$  1.762,44  da  glosa  efetuada  em  função  da  comprovação da despesa.    (Assinado digitalmente)  Dilson Jatahy Fonseca Neto­ Relator                                  Fl. 162DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA

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Numero do processo: 10880.001815/99-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório (Relator) que prosseguia no julgamento. Designado o Conselheiro Antonio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente e Redator Designado. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por TELEFÔNICA BRASIL S.A. (atual denominação de TELESP PARTICIPAÇÕES S/A) contra acórdão proferido pela DRJ/São Paulo I que concluiu pela procedência parcial da manifestação de inconformidade acerca de pedido de restituição cumulado com compensações de crédito decorrente de IRPJ. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Trata o presente feito de pedido de restituição de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo ao ano-calendário de 1997, apurado pela empresa Telecomunicações Brasileiras S.A. - Telebrás, CNPJ n° 00.336.701/0001- 04. Em virtude de cisão parcial da Telebrás, ocorrida em 28 de fevereiro de 1998, parte de seu acervo liquido foi transferida à interessada, conforme documentos e demonstrativos de fls. 02 a 17 e declarações de IRPJ da empresa cindida (fls. 18 a 93). Pleiteia-se a restituição do valor atualizado de R$ 55.000.000,00 (fls. 01 e 05), relativo a parte do saldo negativo de IRPJ, de R$ 65.731.081,00 (fl. 27), que integra o crédito no montante de R$ 105.150.983,00, transferido em decorrência da cisão (fl. 03). A interessada apresentou ainda os Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, constantes destes autos (fls. 125, 126 e 227 a 237) e dos Processos n° 10880.004917/99-55 e 10880.007966/99-77, além do Pedido de Compensação de débito próprio, objeto do Processo n° 10880.004916/99-92, processos esses apensados ao presente feito. O crédito indicado nos citados pedidos de compensação é aquele requerido nestes autos. A DERAT/SP/DIORT proferiu o Despacho Decisório de fls. 341 a 345, por meio do qual indeferiu o pedido de restituição e, em conseqüência, não homologou os pedidos de compensação, uma vez não demonstrada a liquidez e certeza do crédito, ante a ausência de esclarecimentos no tocante a diversas inconsistências apuradas. Em 10/02/2005, a contribuinte tomou ciência dessa decisão (fl. 347, verso). Em 14/03/2005, representada por procuradores (fls. 353 a 355, 450 e 451), apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 378 a 449. Alega a interessada, em síntese, que a transferência da titularidade do crédito da empresa cedente para a empresa cessionária, que a autoridade recorrida reputou não comprovada, está devidamente lastreada pelo Laudo de Avaliação e pelas declarações de Imposto de Renda da Telecomunicações Brasileiras - Telebrás (anos-calendário 1997 e 1998), já anexados aos autos, e também pelos lançamentos contábeis (lis. 452 a 464). Acrescenta que não pode ser prejudicada pelo não atendimento da intimação, já que não possui legitimidade para apresentar os documentos e esclarecimentos solicitados pelo Fisco, relativos à Telebrás. Por fim, requer seja integralmente reconhecido o direito creditório demonstrado inicialmente. Alternativamente, pleiteia a intimação da Telebrás para que ela apresente todos os documentos solicitados e posterior deferimento do pedido de restituição. Baixado o feito em diligência, conforme despacho de fls. 518 e 519, a DRF/Brasília/DIFIS esclareceu, em informação de fls. 994 a 998, que o crédito pleiteado nestes autos integra o saldo de "Tributos Diferidos e a Recuperar", registrado na empresa Telebrás em fevereiro de 1998, concluindo-se que todo o crédito de IRPJ, então existente, passou à empresa Telesp. No tocante à majoração do saldo negativo decorrente de retificação da DIRPJ/1998 (ano-calendário de 1997) da Telebrás, informou-se que tal fato não acarretou alteração do crédito da Telesp. Por fim, a Fiscalização considerou comprovadas as parcelas que compõem o saldo negativo em questão (recolhimentos por estimativa, compensações com créditos de períodos anteriores e Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF), informadas na declaração de IRPJ. Na seqüência, foram os autos enviados à DEFIS/SP, com vistas verificação da escrituração contábil dos créditos e de sua utilização, pela empresa cessionária (Telesp), tendo sido produzido o relatório de fls. 1141 a 1143. Conforme Resolução de fls. 1160 e 1161, esta Terceira Turma determinou o retorno dos autos à DRF/Brasilia, para esclarecimentos no tocante ao saldo de prejuízos fiscais existente na Telebrás em 31/12/1997 e em relação ao oferecimento tributação dos juros sobre o capital próprio auferidos no ano-calendário de 1997. O relatório de fls. 1179 e 1180 informa as conclusões da Fiscalização. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 3ª Turma da já mencionada DRJ/São Paulo I proferiu o Acórdão nº 16-20.158, de 21 de janeiro de 2009, por meio do qual decidiu pela procedência parcial da manifestação de inconformidade. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997 VERIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A verificação da regularidade da apuração da base de cálculo do tributo deve ser feita no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado pelo sujeito passivo, para extinção de débitos fiscais. Evidenciada a compensação a maior de prejuízos fiscais de períodos anteriores, cabe a recomposição do resultado, constatando-se a existência parcial do indébito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDOS EM DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Consoante a legislação tributária vigente, os pedidos de compensação constantes destes autos e dos processos apensos foram convertidos em declarações de compensação desde a data de seu protocolo. Declara-se a homologação tácita dessas compensações, até o limite do crédito nelas informado, porquanto não apreciadas no prazo de cinco anos da data em que formalizadas. Solicitação Deferida em Parte Cumpre esclarecer que o voto condutor dessa decisão, depois de apresentar os diversos pontos que foram objeto de questionamento para fins de análise do direito creditório pleiteado, concluiu que o crédito indicado no pedido de restituição (fls. 01 e 05) seria insuficiente para as compensações a ele vinculadas. Entretanto, por força do que dispõem os §§ 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, todos os pedidos de compensação contidos no presente processo e seus apensos foram convertidos em declaração de compensação e o prazo para sua homologação tácita foi expirado antes da ciência, pelo contribuinte, do despacho decisório da unidade de origem. Por conseguinte, considerou homologadas tacitamente as referidas compensações até o limite do crédito informado nos pedidos. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual, essencialmente, alega que: (i) a diferença entre o saldo de IRPJ a restituir apurado pela TELEBRÁS e o apurado na decisão recorrida, quando efetuou a recomposição da base de cálculo do ano-calendário de 1997, é justificada por uma compensação de prejuízos fiscais equivocadamente efetuada pela DRJ; (ii) ainda que se admita que a recomposição da base de cálculo está correta, a restituição pleiteada é inferior ao crédito existente; e (iii) a decisão deve ser reformada no sentido de se reconhecer a integralidade do crédito pleiteado para que a parcela não compensada no presente processo e seus anexos possa ser aproveitada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo, mas para ser conhecido há que se verificar, primeiramente, se há o interesse de agir. A recorrente solicita que se reconheça a integralidade do crédito pleiteado para que a parcela não compensada no presente processo e seus anexos possa ser aproveitada. O crédito pleiteado é aquele indicado no pedido de restituição (fls. 01 e 05), qual seja, correspondente a R$ 55.000.000,00. Esse valor se refere a uma parte do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1997 que havia sido apurado pela TELEBRÁS e, depois, transferido para o patrimônio da recorrente por decorrência de uma operação de cisão parcial (a outra parte, informa o item 32 do recurso, foi utilizada para compensações diretas na contabilidade da empresa). Posteriormente, a empresa protocolou Pedidos de Compensação de Créditos com Débitos de Terceiros vinculados ao referido crédito (fls. 125, 126 e 227 a 237 do presente processo, bem como nos processos apensos de nº 10880.004917/99-55 e 10880.007966/99-77). Além disso, vinculado ao mesmo crédito, protocolou também um Pedido de Compensação com débito próprio no processo apenso de nº 10880.004916/99-92. Por não concordar com elementos da apuração daquele saldo negativo, a unidade de origem indeferiu o pedido de restituição. Contudo, a DRJ verificou que os pedidos de compensação com débitos de terceiros passaram a ser pedidos de compensação com débito próprio a partir da incorporação, pela recorrente, da empresa que detinha aqueles débitos. Ademais, por conta do que consta nos §§ 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, constatou que todos aqueles pedidos de compensação foram convertidos em declarações de compensação e, como o despacho decisório da unidade de origem foi proferido depois do prazo de cinco anos contado das datas em que foram protocolados os referidos pedidos, as correspondentes compensações haviam sido tacitamente homologadas. Os débitos indicados nesses pedidos de compensação, salvo melhor juízo, totalizam o valor de R$ 55.935.846,75. Isto porque há cópias do mesmo pedido que se repetem em algumas folhas deste e dos outros processos. Depois de fazer uma depuração para eliminar essas cópias repetidas, pode-se concluir que foram protocolados os seguintes pedidos: Data do Protocolo Débitos Discriminados Valor (R$) 10/02/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 01/99 Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo 1.027.677,26 18/02/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 01/99 Devedor: TELESP S/A 13.099.025,73 09/03/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 02/99 Devedor: TELESP S/A 19.704.469,14 10/03/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 02/99 Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo 1.908.957,42 10/03/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 02/99 Devedor: TELESP Participações S/A 414.490,25 09/04/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 03/99 Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo 1.697.060,29 12/04/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 03/99 Devedor: TELESP S/A 17.189.828,72 04/05/99 Código 2372 do período de apuração 03/99 Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo 578.526,54 13/05/99 Código 8109 do período de apuração 04/99 Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo 315.811,40 TOTAL: 55.935.846,75 Todavia, considerando que a taxa SELIC nos meses de fevereiro, março, abril e maio daquele ano variou segundo os índices de 2,38%, 3,33%, 2,35% e 2,02%, respectivamente, é possível que haja ainda algum saldo a restituir quando se fizer a imputação do crédito aos débitos nas suas datas de vencimento. Por isso, há interesse de agir e o recurso deve, então, ser conhecido. Como bem esclarecido no recurso, depois de terem sido superados quase todos os questionamentos que foram levantados contra a apuração do saldo negativo de 1997 efetuada pela TELEBRÁS, o único motivo para a DRJ ter declarado que o crédito indicado no pedido de restituição seria insuficiente para as compensações a ele vinculadas foi o fato de ela não concordar com o valor dos prejuízos fiscais de anos anteriores compensado naquela apuração. Ao invés dos R$ 45.289.350,88 compensados, a DRJ entendeu que só havia um saldo a compensar de R$ 33.966.654,66. Foi motivada pelo fato de autoridade fiscal que efetuou a diligência pela DRF/Brasília ter dito que "o saldo de prejuízo fiscal no LALUR é o mesmo constante do SAPLI à fl. 332". Com efeito, o relatório do Sistema SAPLI, às fls. 332, indica que o saldo de prejuízos fiscais da TELEBRÁS era de R$ 33.966.654,66. Isso destoou dos R$ 45.289.350,88 compensados conforme indicava a DIRPJ/98 (fls. 314). Por isso, já no despacho decisório da unidade de origem, essa questão foi uma das razões pela qual se indeferiu o pedido de Restituição. Aquela singela manifestação da autoridade fiscal, reforçada pelo relatório do SAPLI, foi suficiente para a convicção do julgamento na primeira instância. A recorrente, contudo, alega que a autoridade fiscal deve ter se equivocado. Isso porque não só o valor de R$ 33.966.654,66 aparece no relatório do SAPLI às fls. 332, mas, também, o valor de R$ 45.289.350,88. Assim, diz a recorrente, a autoridade fiscal tomou por base em seu relatório o valor compensado. Para comprovar que o valor do saldo negativo constante do LALUR era realmente de R$ 45.289.350,88, junta com o recurso cópias das Partes A e B do LALUR da TELEBRÁS (fls. 1267 e 1268). De fato, tudo indica que a autoridade fiscal deve ter se equivocado. Dentre os documentos juntados na citada diligência, só consta a cópia da Parte A do LALUR (fls. 1175). Nada obstante, não é na Parte A que se encontra a informação do saldo de prejuízos fiscais acumulados, e, sim, na Parte B. Nesta Parte, como se verifica às fls. 1268, o valor do saldo de prejuízos acumulados era, efetivamente, de R$ 45.289.350,88. Não se deve esquecer que o Sistema SAPLI é um mero banco de dados que é alimentado pelas informações prestadas pelos próprios contribuintes (nas DIRPJ até 1998 e nas DIPJ a partir de 1999). O Sistema colhe os valores de prejuízos apurados e aproveitados a cada ano e tenta manter um controle dos saldos acumulados. Contudo, é sujeito a erros porque muitas vezes correções diversas são feitas no LALUR sem que se tome o cuidado de enviar as devidas declarações retificadoras. Além disso, as alterações nos prejuízos fiscais provocadas por autos de infração e resultados de julgamentos nem sempre são devidamente informadas no Sistema. Por isso, entre as informações contidas no SAPLI e no LALUR, deve-se dar preferência às últimas. Destarte, assiste razão à recorrente em querer ver reconhecido a totalidade do crédito pleiteado em seu pedido de restituição. Porém, deve-se advertir a unidade de origem que o saldo a restituir será somente a parcela que restar da imputação do crédito indicado no pedido (R$ 55.000.000,00) aos débitos informados para compensação (conforme a tabela acima). Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de restituição da parcela que restar da imputação do crédito aos débitos informados para compensação. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório (Relator) que prosseguia no julgamento. Designado o Conselheiro Antonio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente e Redator Designado. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por TELEFÔNICA BRASIL S.A. (atual denominação de TELESP PARTICIPAÇÕES S/A) contra acórdão proferido pela DRJ/São Paulo I que concluiu pela procedência parcial da manifestação de inconformidade acerca de pedido de restituição cumulado com compensações de crédito decorrente de IRPJ. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Trata o presente feito de pedido de restituição de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo ao ano-calendário de 1997, apurado pela empresa Telecomunicações Brasileiras S.A. - Telebrás, CNPJ n° 00.336.701/0001- 04. Em virtude de cisão parcial da Telebrás, ocorrida em 28 de fevereiro de 1998, parte de seu acervo liquido foi transferida à interessada, conforme documentos e demonstrativos de fls. 02 a 17 e declarações de IRPJ da empresa cindida (fls. 18 a 93). Pleiteia-se a restituição do valor atualizado de R$ 55.000.000,00 (fls. 01 e 05), relativo a parte do saldo negativo de IRPJ, de R$ 65.731.081,00 (fl. 27), que integra o crédito no montante de R$ 105.150.983,00, transferido em decorrência da cisão (fl. 03). A interessada apresentou ainda os Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, constantes destes autos (fls. 125, 126 e 227 a 237) e dos Processos n° 10880.004917/99-55 e 10880.007966/99-77, além do Pedido de Compensação de débito próprio, objeto do Processo n° 10880.004916/99-92, processos esses apensados ao presente feito. O crédito indicado nos citados pedidos de compensação é aquele requerido nestes autos. A DERAT/SP/DIORT proferiu o Despacho Decisório de fls. 341 a 345, por meio do qual indeferiu o pedido de restituição e, em conseqüência, não homologou os pedidos de compensação, uma vez não demonstrada a liquidez e certeza do crédito, ante a ausência de esclarecimentos no tocante a diversas inconsistências apuradas. Em 10/02/2005, a contribuinte tomou ciência dessa decisão (fl. 347, verso). Em 14/03/2005, representada por procuradores (fls. 353 a 355, 450 e 451), apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 378 a 449. Alega a interessada, em síntese, que a transferência da titularidade do crédito da empresa cedente para a empresa cessionária, que a autoridade recorrida reputou não comprovada, está devidamente lastreada pelo Laudo de Avaliação e pelas declarações de Imposto de Renda da Telecomunicações Brasileiras - Telebrás (anos-calendário 1997 e 1998), já anexados aos autos, e também pelos lançamentos contábeis (lis. 452 a 464). Acrescenta que não pode ser prejudicada pelo não atendimento da intimação, já que não possui legitimidade para apresentar os documentos e esclarecimentos solicitados pelo Fisco, relativos à Telebrás. Por fim, requer seja integralmente reconhecido o direito creditório demonstrado inicialmente. Alternativamente, pleiteia a intimação da Telebrás para que ela apresente todos os documentos solicitados e posterior deferimento do pedido de restituição. Baixado o feito em diligência, conforme despacho de fls. 518 e 519, a DRF/Brasília/DIFIS esclareceu, em informação de fls. 994 a 998, que o crédito pleiteado nestes autos integra o saldo de "Tributos Diferidos e a Recuperar", registrado na empresa Telebrás em fevereiro de 1998, concluindo-se que todo o crédito de IRPJ, então existente, passou à empresa Telesp. No tocante à majoração do saldo negativo decorrente de retificação da DIRPJ/1998 (ano-calendário de 1997) da Telebrás, informou-se que tal fato não acarretou alteração do crédito da Telesp. Por fim, a Fiscalização considerou comprovadas as parcelas que compõem o saldo negativo em questão (recolhimentos por estimativa, compensações com créditos de períodos anteriores e Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF), informadas na declaração de IRPJ. Na seqüência, foram os autos enviados à DEFIS/SP, com vistas verificação da escrituração contábil dos créditos e de sua utilização, pela empresa cessionária (Telesp), tendo sido produzido o relatório de fls. 1141 a 1143. Conforme Resolução de fls. 1160 e 1161, esta Terceira Turma determinou o retorno dos autos à DRF/Brasilia, para esclarecimentos no tocante ao saldo de prejuízos fiscais existente na Telebrás em 31/12/1997 e em relação ao oferecimento tributação dos juros sobre o capital próprio auferidos no ano-calendário de 1997. O relatório de fls. 1179 e 1180 informa as conclusões da Fiscalização. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 3ª Turma da já mencionada DRJ/São Paulo I proferiu o Acórdão nº 16-20.158, de 21 de janeiro de 2009, por meio do qual decidiu pela procedência parcial da manifestação de inconformidade. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997 VERIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A verificação da regularidade da apuração da base de cálculo do tributo deve ser feita no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado pelo sujeito passivo, para extinção de débitos fiscais. Evidenciada a compensação a maior de prejuízos fiscais de períodos anteriores, cabe a recomposição do resultado, constatando-se a existência parcial do indébito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDOS EM DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Consoante a legislação tributária vigente, os pedidos de compensação constantes destes autos e dos processos apensos foram convertidos em declarações de compensação desde a data de seu protocolo. Declara-se a homologação tácita dessas compensações, até o limite do crédito nelas informado, porquanto não apreciadas no prazo de cinco anos da data em que formalizadas. Solicitação Deferida em Parte Cumpre esclarecer que o voto condutor dessa decisão, depois de apresentar os diversos pontos que foram objeto de questionamento para fins de análise do direito creditório pleiteado, concluiu que o crédito indicado no pedido de restituição (fls. 01 e 05) seria insuficiente para as compensações a ele vinculadas. Entretanto, por força do que dispõem os §§ 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, todos os pedidos de compensação contidos no presente processo e seus apensos foram convertidos em declaração de compensação e o prazo para sua homologação tácita foi expirado antes da ciência, pelo contribuinte, do despacho decisório da unidade de origem. Por conseguinte, considerou homologadas tacitamente as referidas compensações até o limite do crédito informado nos pedidos. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual, essencialmente, alega que: (i) a diferença entre o saldo de IRPJ a restituir apurado pela TELEBRÁS e o apurado na decisão recorrida, quando efetuou a recomposição da base de cálculo do ano-calendário de 1997, é justificada por uma compensação de prejuízos fiscais equivocadamente efetuada pela DRJ; (ii) ainda que se admita que a recomposição da base de cálculo está correta, a restituição pleiteada é inferior ao crédito existente; e (iii) a decisão deve ser reformada no sentido de se reconhecer a integralidade do crédito pleiteado para que a parcela não compensada no presente processo e seus anexos possa ser aproveitada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo, mas para ser conhecido há que se verificar, primeiramente, se há o interesse de agir. A recorrente solicita que se reconheça a integralidade do crédito pleiteado para que a parcela não compensada no presente processo e seus anexos possa ser aproveitada. O crédito pleiteado é aquele indicado no pedido de restituição (fls. 01 e 05), qual seja, correspondente a R$ 55.000.000,00. Esse valor se refere a uma parte do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1997 que havia sido apurado pela TELEBRÁS e, depois, transferido para o patrimônio da recorrente por decorrência de uma operação de cisão parcial (a outra parte, informa o item 32 do recurso, foi utilizada para compensações diretas na contabilidade da empresa). Posteriormente, a empresa protocolou Pedidos de Compensação de Créditos com Débitos de Terceiros vinculados ao referido crédito (fls. 125, 126 e 227 a 237 do presente processo, bem como nos processos apensos de nº 10880.004917/99-55 e 10880.007966/99-77). Além disso, vinculado ao mesmo crédito, protocolou também um Pedido de Compensação com débito próprio no processo apenso de nº 10880.004916/99-92. Por não concordar com elementos da apuração daquele saldo negativo, a unidade de origem indeferiu o pedido de restituição. Contudo, a DRJ verificou que os pedidos de compensação com débitos de terceiros passaram a ser pedidos de compensação com débito próprio a partir da incorporação, pela recorrente, da empresa que detinha aqueles débitos. Ademais, por conta do que consta nos §§ 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, constatou que todos aqueles pedidos de compensação foram convertidos em declarações de compensação e, como o despacho decisório da unidade de origem foi proferido depois do prazo de cinco anos contado das datas em que foram protocolados os referidos pedidos, as correspondentes compensações haviam sido tacitamente homologadas. Os débitos indicados nesses pedidos de compensação, salvo melhor juízo, totalizam o valor de R$ 55.935.846,75. Isto porque há cópias do mesmo pedido que se repetem em algumas folhas deste e dos outros processos. Depois de fazer uma depuração para eliminar essas cópias repetidas, pode-se concluir que foram protocolados os seguintes pedidos: Data do Protocolo Débitos Discriminados Valor (R$) 10/02/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 01/99 Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo 1.027.677,26 18/02/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 01/99 Devedor: TELESP S/A 13.099.025,73 09/03/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 02/99 Devedor: TELESP S/A 19.704.469,14 10/03/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 02/99 Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo 1.908.957,42 10/03/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 02/99 Devedor: TELESP Participações S/A 414.490,25 09/04/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 03/99 Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo 1.697.060,29 12/04/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 03/99 Devedor: TELESP S/A 17.189.828,72 04/05/99 Código 2372 do período de apuração 03/99 Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo 578.526,54 13/05/99 Código 8109 do período de apuração 04/99 Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo 315.811,40 TOTAL: 55.935.846,75 Todavia, considerando que a taxa SELIC nos meses de fevereiro, março, abril e maio daquele ano variou segundo os índices de 2,38%, 3,33%, 2,35% e 2,02%, respectivamente, é possível que haja ainda algum saldo a restituir quando se fizer a imputação do crédito aos débitos nas suas datas de vencimento. Por isso, há interesse de agir e o recurso deve, então, ser conhecido. Como bem esclarecido no recurso, depois de terem sido superados quase todos os questionamentos que foram levantados contra a apuração do saldo negativo de 1997 efetuada pela TELEBRÁS, o único motivo para a DRJ ter declarado que o crédito indicado no pedido de restituição seria insuficiente para as compensações a ele vinculadas foi o fato de ela não concordar com o valor dos prejuízos fiscais de anos anteriores compensado naquela apuração. Ao invés dos R$ 45.289.350,88 compensados, a DRJ entendeu que só havia um saldo a compensar de R$ 33.966.654,66. Foi motivada pelo fato de autoridade fiscal que efetuou a diligência pela DRF/Brasília ter dito que "o saldo de prejuízo fiscal no LALUR é o mesmo constante do SAPLI à fl. 332". Com efeito, o relatório do Sistema SAPLI, às fls. 332, indica que o saldo de prejuízos fiscais da TELEBRÁS era de R$ 33.966.654,66. Isso destoou dos R$ 45.289.350,88 compensados conforme indicava a DIRPJ/98 (fls. 314). Por isso, já no despacho decisório da unidade de origem, essa questão foi uma das razões pela qual se indeferiu o pedido de Restituição. Aquela singela manifestação da autoridade fiscal, reforçada pelo relatório do SAPLI, foi suficiente para a convicção do julgamento na primeira instância. A recorrente, contudo, alega que a autoridade fiscal deve ter se equivocado. Isso porque não só o valor de R$ 33.966.654,66 aparece no relatório do SAPLI às fls. 332, mas, também, o valor de R$ 45.289.350,88. Assim, diz a recorrente, a autoridade fiscal tomou por base em seu relatório o valor compensado. Para comprovar que o valor do saldo negativo constante do LALUR era realmente de R$ 45.289.350,88, junta com o recurso cópias das Partes A e B do LALUR da TELEBRÁS (fls. 1267 e 1268). De fato, tudo indica que a autoridade fiscal deve ter se equivocado. Dentre os documentos juntados na citada diligência, só consta a cópia da Parte A do LALUR (fls. 1175). Nada obstante, não é na Parte A que se encontra a informação do saldo de prejuízos fiscais acumulados, e, sim, na Parte B. Nesta Parte, como se verifica às fls. 1268, o valor do saldo de prejuízos acumulados era, efetivamente, de R$ 45.289.350,88. Não se deve esquecer que o Sistema SAPLI é um mero banco de dados que é alimentado pelas informações prestadas pelos próprios contribuintes (nas DIRPJ até 1998 e nas DIPJ a partir de 1999). O Sistema colhe os valores de prejuízos apurados e aproveitados a cada ano e tenta manter um controle dos saldos acumulados. Contudo, é sujeito a erros porque muitas vezes correções diversas são feitas no LALUR sem que se tome o cuidado de enviar as devidas declarações retificadoras. Além disso, as alterações nos prejuízos fiscais provocadas por autos de infração e resultados de julgamentos nem sempre são devidamente informadas no Sistema. Por isso, entre as informações contidas no SAPLI e no LALUR, deve-se dar preferência às últimas. Destarte, assiste razão à recorrente em querer ver reconhecido a totalidade do crédito pleiteado em seu pedido de restituição. Porém, deve-se advertir a unidade de origem que o saldo a restituir será somente a parcela que restar da imputação do crédito indicado no pedido (R$ 55.000.000,00) aos débitos informados para compensação (conforme a tabela acima). Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de restituição da parcela que restar da imputação do crédito aos débitos informados para compensação. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10880.001815/99­79  Resolução nº  1401­000.384  S1­C4T1  Fl. 1.385          2 Relatório    Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  por  TELEFÔNICA  BRASIL  S.A.  (atual  denominação  de  TELESP  PARTICIPAÇÕES  S/A)  contra  acórdão  proferido  pela  DRJ/São  Paulo  I  que  concluiu  pela  procedência  parcial  da manifestação  de  inconformidade  acerca de pedido de restituição cumulado com compensações de crédito decorrente de IRPJ.   Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso:  Trata o presente  feito de pedido de restituição de saldo negativo de Imposto de  Renda  Pessoa  Jurídica  (IRPJ),  relativo  ao  ano­calendário  de  1997,  apurado  pela  empresa Telecomunicações Brasileiras S.A. ­ Telebrás, CNPJ n° 00.336.701/0001­ 04.  Em virtude de cisão parcial da Telebrás, ocorrida em 28 de fevereiro de 1998, parte de  seu acervo liquido foi transferida à interessada, conforme documentos e demonstrativos  de  fls.  02 a 17  e declarações de  IRPJ da empresa  cindida  (fls.  18 a 93). Pleiteia­se  a  restituição do valor atualizado de R$ 55.000.000,00 (fls. 01 e 05),  relativo a parte do  saldo negativo de IRPJ, de R$ 65.731.081,00 (fl. 27), que integra o crédito no montante  de R$ 105.150.983,00, transferido em decorrência da cisão (fl. 03).  A  interessada  apresentou  ainda  os  Pedidos  de  Compensação  de  Crédito  com  Débito de Terceiros, constantes destes autos (fls. 125, 126 e 227 a 237) e dos Processos  n°  10880.004917/99­55  e  10880.007966/99­77,  além  do  Pedido  de  Compensação  de  débito próprio, objeto do Processo n° 10880.004916/99­92, processos esses apensados  ao  presente  feito.  O  crédito  indicado  nos  citados  pedidos  de  compensação  é  aquele  requerido nestes autos.  A DERAT/SP/DIORT proferiu o Despacho Decisório de fls. 341 a 345, por meio  do  qual  indeferiu  o  pedido  de  restituição  e,  em  conseqüência,  não  homologou  os  pedidos de compensação, uma vez não demonstrada a liquidez e certeza do crédito, ante  a ausência de esclarecimentos no tocante a diversas inconsistências apuradas.  Em 10/02/2005, a contribuinte tomou ciência dessa decisão (fl. 347, verso). Em  14/03/2005,  representada  por  procuradores  (fls.  353  a  355,  450  e  451),  apresentou  a  manifestação de inconformidade de fls. 378 a 449.  Alega a interessada, em síntese, que a transferência da titularidade do crédito da  empresa  cedente  para  a  empresa  cessionária,  que  a  autoridade  recorrida  reputou  não  comprovada, está devidamente lastreada pelo Laudo de Avaliação e pelas declarações  de  Imposto  de  Renda  da  Telecomunicações  Brasileiras  ­  Telebrás  (anos­calendário  1997 e 1998), já anexados aos autos, e também pelos lançamentos contábeis (lis. 452 a  464).  Acrescenta que não pode ser prejudicada pelo não atendimento da intimação, já  que  não  possui  legitimidade  para  apresentar  os  documentos  e  esclarecimentos  solicitados pelo Fisco, relativos à Telebrás.  Por fim, requer seja  integralmente reconhecido o direito creditório demonstrado  inicialmente. Alternativamente, pleiteia a intimação da Telebrás para que ela apresente  todos os documentos solicitados e posterior deferimento do pedido de restituição.  Baixado  o  feito  em  diligência,  conforme  despacho  de  fls.  518  e  519,  a  DRF/Brasília/DIFIS  esclareceu,  em  informação  de  fls.  994  a  998,  que  o  crédito  pleiteado nestes autos integra o saldo de "Tributos Diferidos e a Recuperar", registrado  Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10880.001815/99­79  Resolução nº  1401­000.384  S1­C4T1  Fl. 1.386          3 na empresa Telebrás em fevereiro de 1998, concluindo­se que todo o crédito de IRPJ,  então existente, passou à empresa Telesp.  No  tocante  à  majoração  do  saldo  negativo  decorrente  de  retificação  da  DIRPJ/1998  (ano­calendário  de  1997)  da  Telebrás,  informou­se  que  tal  fato  não  acarretou alteração do crédito da Telesp.  Por  fim,  a  Fiscalização  considerou  comprovadas  as  parcelas  que  compõem  o  saldo negativo em questão (recolhimentos por estimativa, compensações com créditos  de  períodos  anteriores  e  Imposto  de Renda Retido  na  Fonte  ­  IRRF),  informadas  na  declaração de IRPJ.  Na  seqüência,  foram os  autos  enviados  à DEFIS/SP,  com  vistas  verificação  da  escrituração contábil dos créditos e de sua utilização, pela empresa cessionária (Telesp),  tendo sido produzido o relatório de fls. 1141 a 1143.  Conforme  Resolução  de  fls.  1160  e  1161,  esta  Terceira  Turma  determinou  o  retorno dos autos à DRF/Brasilia, para esclarecimentos no tocante ao saldo de prejuízos  fiscais  existente  na Telebrás  em  31/12/1997  e  em  relação  ao  oferecimento  tributação  dos  juros  sobre o capital próprio auferidos no ano­calendário de 1997. O  relatório de  fls. 1179 e 1180 informa as conclusões da Fiscalização.    Ao apreciar a  impugnação apresentada, a 3ª Turma da já mencionada DRJ/São  Paulo I proferiu o Acórdão nº 16­20.158, de 21 de janeiro de 2009, por meio do qual decidiu  pela procedência parcial da manifestação de inconformidade.  Assim figurou a ementa do referido julgado:    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 1997  VERIFICAÇÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DO  TRIBUTO.  COMPROVAÇÃO  PARCIAL DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO.  A verificação da regularidade da apuração da base de cálculo do tributo deve ser feita  no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da  certeza  e  liquidez  do  crédito  invocado  pelo  sujeito  passivo,  para  extinção  de  débitos  fiscais. Evidenciada a compensação a maior de prejuízos fiscais de períodos anteriores,  cabe a recomposição do resultado, constatando­se a existência parcial do indébito.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 1999  PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDOS EM DCOMP. HOMOLOGAÇÃO  TÁCITA.  Consoante a legislação tributária vigente, os pedidos de compensação constantes destes  autos e dos processos apensos foram convertidos em declarações de compensação desde  a data de  seu protocolo. Declara­se a homologação  tácita dessas compensações, até o  limite do crédito nelas informado, porquanto não apreciadas no prazo de cinco anos da  data em que formalizadas.  Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10880.001815/99­79  Resolução nº  1401­000.384  S1­C4T1  Fl. 1.387          4 Solicitação Deferida em Parte    Cumpre esclarecer que o voto condutor dessa decisão, depois de apresentar os  diversos pontos que foram objeto de questionamento para fins de análise do direito creditório  pleiteado,  concluiu  que  o  crédito  indicado  no  pedido  de  restituição  (fls.  01  e  05)  seria  insuficiente para as compensações a ele vinculadas. Entretanto, por força do que dispõem os §§  4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, todos os pedidos de compensação contidos no presente  processo e seus apensos foram convertidos em declaração de compensação e o prazo para sua  homologação tácita foi expirado antes da ciência, pelo contribuinte, do despacho decisório da  unidade  de  origem.  Por  conseguinte,  considerou  homologadas  tacitamente  as  referidas  compensações até o limite do crédito informado nos pedidos.  Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual, essencialmente,  alega  que:  (i)  a  diferença  entre  o  saldo  de  IRPJ  a  restituir  apurado  pela  TELEBRÁS  e  o  apurado  na  decisão  recorrida,  quando  efetuou  a  recomposição  da  base  de  cálculo  do  ano­ calendário de 1997, é  justificada por uma compensação de prejuízos fiscais equivocadamente  efetuada pela DRJ; (ii) ainda que se admita que a recomposição da base de cálculo está correta,  a  restituição pleiteada  é  inferior  ao  crédito  existente;  e  (iii)  a decisão deve ser  reformada no  sentido  de  se  reconhecer  a  integralidade  do  crédito  pleiteado  para  que  a  parcela  não  compensada no presente processo e seus anexos possa ser aproveitada.    É o relatório.     Voto Vencido    Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator     O recurso voluntário é tempestivo, mas para ser conhecido há que se verificar,  primeiramente, se há o interesse de agir.  A recorrente solicita que se reconheça a integralidade do crédito pleiteado para  que a parcela não compensada no presente processo e seus anexos possa ser aproveitada.  O crédito pleiteado é aquele indicado no pedido de restituição (fls. 01 e 05), qual  seja, correspondente a R$ 55.000.000,00. Esse valor se refere a uma parte do saldo negativo de  IRPJ do ano­calendário de 1997 que havia sido apurado pela TELEBRÁS e, depois, transferido  para  o  patrimônio  da  recorrente  por  decorrência  de  uma  operação  de  cisão  parcial  (a  outra  parte, informa o item 32 do recurso, foi utilizada para compensações diretas na contabilidade  da empresa). Posteriormente, a empresa protocolou Pedidos de Compensação de Créditos com  Débitos  de  Terceiros  vinculados  ao  referido  crédito  (fls.  125,  126  e  227  a  237  do  presente  processo, bem como nos processos apensos de nº 10880.004917/99­55 e 10880.007966/99­77).  Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10880.001815/99­79  Resolução nº  1401­000.384  S1­C4T1  Fl. 1.388          5 Além disso, vinculado ao mesmo crédito, protocolou também um Pedido de Compensação com  débito próprio no processo apenso de nº 10880.004916/99­92.  Por  não  concordar  com  elementos  da  apuração  daquele  saldo  negativo,  a  unidade de origem indeferiu o pedido de restituição. Contudo, a DRJ verificou que os pedidos  de compensação com débitos de terceiros passaram a ser pedidos de compensação com débito  próprio  a  partir  da  incorporação,  pela  recorrente,  da  empresa  que  detinha  aqueles  débitos.  Ademais, por conta do que consta nos §§ 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, constatou que  todos aqueles pedidos de compensação foram convertidos em declarações de compensação e,  como o despacho decisório da unidade de origem foi proferido depois do prazo de cinco anos  contado  das  datas  em  que  foram  protocolados  os  referidos  pedidos,  as  correspondentes  compensações haviam sido tacitamente homologadas.   Os  débitos  indicados  nesses  pedidos  de  compensação,  salvo  melhor  juízo,  totalizam o valor de R$ 55.935.846,75. Isto porque há cópias do mesmo pedido que se repetem  em algumas folhas deste e dos outros processos. Depois de fazer uma depuração para eliminar  essas cópias repetidas, pode­se concluir que foram protocolados os seguintes pedidos:  Data do Protocolo  Débitos Discriminados  Valor (R$)  10/02/99  Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 01/99   Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo  1.027.677,26  18/02/99  Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 01/99  Devedor: TELESP S/A  13.099.025,73  09/03/99  Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 02/99  Devedor: TELESP S/A  19.704.469,14  10/03/99  Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 02/99   Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo  1.908.957,42  10/03/99  Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 02/99   Devedor: TELESP Participações S/A  414.490,25  09/04/99  Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 03/99   Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo  1.697.060,29  12/04/99  Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 03/99  Devedor: TELESP S/A  17.189.828,72  04/05/99  Código 2372 do período de apuração 03/99   Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo  578.526,54  Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10880.001815/99­79  Resolução nº  1401­000.384  S1­C4T1  Fl. 1.389          6 13/05/99  Código 8109 do período de apuração 04/99   Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo  315.811,40  TOTAL:  55.935.846,75    Todavia, considerando que a taxa SELIC nos meses de fevereiro, março, abril e  maio  daquele  ano  variou  segundo  os  índices  de  2,38%,  3,33%,  2,35%  e  2,02%,  respectivamente, é possível que haja ainda algum saldo a restituir quando se fizer a imputação  do crédito aos débitos nas suas datas de vencimento. Por isso, há interesse de agir e o recurso  deve, então, ser conhecido.   Como bem esclarecido no recurso, depois de terem sido superados quase todos  os  questionamentos  que  foram  levantados  contra  a  apuração  do  saldo  negativo  de  1997  efetuada pela TELEBRÁS, o único motivo para a DRJ ter declarado que o crédito indicado no  pedido de restituição seria insuficiente para as compensações a ele vinculadas foi o fato de ela  não  concordar  com  o  valor  dos  prejuízos  fiscais  de  anos  anteriores  compensado  naquela  apuração.  Ao  invés  dos  R$  45.289.350,88  compensados,  a  DRJ  entendeu  que  só  havia  um  saldo  a  compensar  de  R$  33.966.654,66.  Foi  motivada  pelo  fato  de  autoridade  fiscal  que  efetuou a diligência pela DRF/Brasília ter dito que "o saldo de prejuízo fiscal no LALUR é o  mesmo constante do SAPLI à fl. 332".  Com  efeito,  o  relatório  do  Sistema SAPLI,  às  fls.  332,  indica  que  o  saldo  de  prejuízos fiscais da TELEBRÁS era de R$ 33.966.654,66. Isso destoou dos R$ 45.289.350,88  compensados conforme indicava a DIRPJ/98 (fls. 314). Por isso,  já no despacho decisório da  unidade  de  origem,  essa  questão  foi  uma  das  razões  pela  qual  se  indeferiu  o  pedido  de  Restituição.  Aquela  singela  manifestação  da  autoridade  fiscal,  reforçada  pelo  relatório  do  SAPLI, foi suficiente para a convicção do julgamento na primeira instância.  A recorrente, contudo, alega que a autoridade fiscal deve ter se equivocado. Isso  porque não só o valor de R$ 33.966.654,66 aparece no  relatório do SAPLI  às  fls. 332, mas,  também, o valor de R$ 45.289.350,88. Assim, diz a recorrente, a autoridade fiscal tomou por  base  em  seu  relatório  o  valor  compensado.  Para  comprovar  que  o  valor  do  saldo  negativo  constante  do  LALUR  era  realmente  de  R$  45.289.350,88,  junta  com  o  recurso  cópias  das  Partes A e B do LALUR da TELEBRÁS (fls. 1267 e 1268).   De fato,  tudo  indica que a autoridade  fiscal deve  ter se equivocado. Dentre os  documentos juntados na citada diligência, só consta a cópia da Parte A do LALUR (fls. 1175).  Nada obstante,  não  é na Parte A que  se  encontra a  informação do  saldo de prejuízos  fiscais  acumulados, e, sim, na Parte B. Nesta Parte, como se verifica às fls. 1268, o valor do saldo de  prejuízos acumulados era, efetivamente, de R$ 45.289.350,88.  Não se deve esquecer que o Sistema SAPLI é um mero banco de dados que é  alimentado pelas informações prestadas pelos próprios contribuintes (nas DIRPJ até 1998 e nas  DIPJ a partir de 1999). O Sistema colhe os valores de prejuízos apurados e aproveitados a cada  ano  e  tenta  manter  um  controle  dos  saldos  acumulados.  Contudo,  é  sujeito  a  erros  porque  muitas vezes correções diversas são feitas no LALUR sem que se tome o cuidado de enviar as  devidas  declarações  retificadoras. Além disso,  as  alterações  nos  prejuízos  fiscais  provocadas  Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10880.001815/99­79  Resolução nº  1401­000.384  S1­C4T1  Fl. 1.390          7 por autos de infração e resultados de julgamentos nem sempre são devidamente informadas no  Sistema.  Por  isso,  entre  as  informações  contidas  no  SAPLI  e  no  LALUR,  deve­se  dar  preferência às últimas.  Destarte,  assiste  razão  à  recorrente  em querer ver  reconhecido  a  totalidade  do  crédito pleiteado em seu pedido de  restituição. Porém, deve­se advertir  a unidade de origem  que o saldo a restituir será somente a parcela que restar da imputação do crédito indicado no  pedido  (R$  55.000.000,00)  aos  débitos  informados  para  compensação  (conforme  a  tabela  acima).  Pelo  exposto,  oriento  meu  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  para  reconhecer  o  direito  de  restituição  da  parcela  que  restar  da  imputação  do  crédito aos débitos informados para compensação.    Documento assinado digitalmente.  Ricardo Marozzi Gregorio ­ Relator      Voto Vencedor Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Redator Designado   Ouso  divergir  do  sempre  bem  fundamentado  voto  do  Conselheiro  Ricardo  Marozzi  apenas por não achar que o processo estava pronto para  julgamento. Nesse  sentido,  propus baixá­lo em diligência para que a fiscalização aprofundasse melhor as investigações a  respeito do saldo de prejuízos fiscais compensado que impacta, por sua vez, no montante a ser  restituído.  O Relator foi preciso no relato dos fatos relevantes que me aproveito aqui para  esclarecer a controvérsia:  Como bem esclarecido no recurso, depois de terem sido superados quase todos os  questionamentos  que  foram  levantados  contra  a  apuração  do  saldo  negativo  de  1997  efetuada  pela  TELEBRÁS,  o  único  motivo  para  a  DRJ  ter  declarado  que  o  crédito  indicado  no  pedido  de  restituição  seria  insuficiente  para  as  compensações  a  ele  vinculadas  foi  o  fato  de  ela  não  concordar  com o  valor  dos  prejuízos  fiscais de  anos  anteriores  compensado  naquela  apuração.  Ao  invés  dos  R$  45.289.350,88  compensados,  a  DRJ  entendeu  que  só  havia  um  saldo  a  compensar  de  R$  33.966.654,66. Foi motivada pelo fato de autoridade fiscal que efetuou a diligência pela  DRF/Brasília ter dito que "o saldo de prejuízo fiscal no LALUR é o mesmo constante  do SAPLI à fl. 332".  Ao invés dos R$ 45.289.350,88 compensados, a DRJ entendeu que só havia um  saldo  a  compensar  de R$ 33.966.654,66.  Foi motivada  pelo  fato  de  autoridade  fiscal  que efetuou a diligência pela DRF/Brasília  ter dito que "o saldo de prejuízo  fiscal no  LALUR é o mesmo constante do SAPLI à fl. 332".  Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10880.001815/99­79  Resolução nº  1401­000.384  S1­C4T1  Fl. 1.391          8 Com  efeito,  o  relatório  do  Sistema  SAPLI,  às  fls.  332,  indica  que  o  saldo  de  prejuízos  fiscais  da  TELEBRÁS  era  de  R$  33.966.654,66.  Isso  destoou  dos  R$  45.289.350,88 compensados conforme  indicava a DIRPJ/98  (fls. 314). Por  isso,  já no  despacho decisório da unidade de origem, essa questão foi uma das razões pela qual se  indeferiu  o  pedido  de  Restituição.  Aquela  singela  manifestação  da  autoridade  fiscal,  reforçada  pelo  relatório  do  SAPLI,  foi  suficiente  para  a  convicção  do  julgamento  na  primeira instância.  A recorrente, contudo, alega que a autoridade fiscal deve ter se equivocado. Isso  porque não só o valor de R$ 33.966.654,66 aparece no relatório do SAPLI às fls. 332,  mas, também, o valor de R$ 45.289.350,88. Assim, diz a recorrente, a autoridade fiscal  tomou por base em seu relatório o valor compensado. Para comprovar que o valor do  saldo negativo constante do LALUR era realmente de R$ 45.289.350,88, junta com o  recurso cópias das Partes A e B do LALUR da TELEBRÁS (fls. 1267 e 1268).   De fato, tudo  indica que a autoridade fiscal deve ter se equivocado. Dentre  os  documentos  juntados  na  citada  diligência,  só  consta  a  cópia  da  Parte  A  do  LALUR (fls. 1175). Nada obstante, não é na Parte A que se encontra a informação  do saldo de prejuízos fiscais acumulados, e, sim, na Parte B. Nesta Parte, como se  verifica às fls. 1268, o valor do saldo de prejuízos acumulados era, efetivamente, de  R$ 45.289.350,88. (Grifei)  Muito embora concorde em linhas gerais com tudo quanto o relator colocou em  seu  voto,  discordo  apenas  da  conclusão  tomada  no  sentido  de  não  se  aprofundar  mais  em  relação a essa divergência.  O  Sistema  SAPLI  é  um  banco  de  dados  confiável  que  é  alimentado  pelas  informações prestadas pelos próprios contribuintes através de suas declarações de rendimentos.  Se  houve  inconsistências,  essas  tem  que  ser  demonstradas  e  devidamente  esclarecidas.  Também é sabido como bem colocou o próprio relator que:  (...)  as  alterações  nos  prejuízos  fiscais  provocadas  por  autos  de  infração  e  resultados  de  julgamentos  nem  sempre  são  devidamente  informadas  no  Sistema.  Por  isso, entre as informações contidas no SAPLI e no LALUR, deve­se dar preferência às  últimas."  Sendo assim, e apenas por dever de cautela, baixo o feito em diligência para que  a fiscalização aprofunde a investigação, intimando o contribuinte se for o caso, no sentido de  esclarecer  tais  inconsistências,  chegando  a  uma  conclusão  a  respeito  do  verdadeiro  saldo  de  prejuízos fiscais ora em questão.  Se  for  possível,  trazer  também  aos  autos  a  evolução  de  forma  ampla  da  formação  desses  prejuízos  através  dos  respectivos  LALUR/Sapli;  bem  assim  verificar  a  existência de algum auto de infração que tenha porventura impactado nesses prejuízos.  Ao fim, elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas. Entregar cópia  do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre  as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento  do julgamento.   Documento assinado digitalmente.  Antonio Bezerra Neto ­ Redator Designado     Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO

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Numero do processo: 16624.001160/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 Dimob. Multa por Atraso na Entrega. O descumprimento da obrigação acessória por parte dos contribuintes enseja a aplicação da multa prevista na legislação tributária. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 Penalidade. Alteração Legislação. Princípio da Retroatividade Benigna. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 Prescrição Intercorrente. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11) Inconstitucionalidade De Normas. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 02) Súmulas. Observância Obrigatória. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf).
Numero da decisão: 1302-001.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH

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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 Dimob. Multa por Atraso na Entrega. O descumprimento da obrigação acessória por parte dos contribuintes enseja a aplicação da multa prevista na legislação tributária. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 Penalidade. Alteração Legislação. Princípio da Retroatividade Benigna. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 Prescrição Intercorrente. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11) Inconstitucionalidade De Normas. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 02) Súmulas. Observância Obrigatória. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf).

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO     2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento,  os  Conselheiros:  Ana  de  Barros  Fernandes  Wipprich,  Rogério  Aparecido  Gil,  Marcelo  Calheiros  Soriano,  Marcos  Antonio  Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).      Relatório  Este  litígio  foi  objeto  da Resolução  nº  1801­000.332,  deliberada  em  03  de  junho  de  2014,  complementada  posteriormente  pela  Resolução  nº  1801­000.375/14  (para  ciência da recorrente do resultado da diligência), e­fls. 204 a 207 e 224 a 225, respectivamente,  pelo que aproveito trechos do Relatório e Voto já redigidos para historiar os fatos:   RELATÓRIO E VOTO  A  empresa  entregou  a  Declaração  de  Informações  sobre  Atividades  Imobiliárias  (Dimob)  com  atraso/falta  de  informações,  relativamente  ao  ano­ calendário de 2006, sendo notificada a pagar multa no valor de R$ 130.000,00.  A obrigação acessória,  à época dos  fatos,  era  regida pelas  seguintes normas  tributárias infra e legais: Lei nº 9.779/99, art. 16; MP nº 2158­35/2001, art. 57; IN  SRF nº 304/2003 e IN SRF 576/2005.  A entrega intempestiva da declaração em questão é inconteste.  A Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP exarou o Acórdão  nº 0540.582/13, e­fls. 151 a 159, mantendo a autuação da recorrente.  A empresa interpôs Recurso Voluntário às e­fls. 166 a 200 tempestivamente,  argüindo  a  ilegalidade  das  normas  infra­legais  que  exigem  e  disciplinam  o  recolhimento da multa em questão.  Ocorre  que,  em  2012,  novas  regras  vieram  a  ser  editadas  para  disciplinar  a  cominação de multas devidas pelo não cumprimento de obrigações acessórias:  Lei nº 12.766, de 2012   Art.  57. O  sujeito  passivo que  deixar  de apresentar nos  prazos  fixados  declaração,  demonstrativo  ou  escrituração  digital  Fl. 253DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16624.001160/2009­15  Acórdão n.º 1302­001.934  S1­C3T2  Fl. 3          3 exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro  de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será  intimado para apresentá­los ou para prestar esclarecimentos nos  prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil  e sujeitar­se­á às seguintes multas:  I ­ por apresentação extemporânea:  a)  R$500,00  (quinhentos  reais)  por  mês­calendário  ou  fração,  relativamente  às  pessoas  jurídicas  que,  na  última  declaração  apresentada, tenham apurado lucro presumido;  b)  R$1.500,00  (mil  e  quinhentos  reais)  por  mês­calendário  ou  fração,  relativamente  às  pessoas  jurídicas  que,  na  última  declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham  optado pelo autoarbitramento;  (grifos não pertencem ao original)  Em  Parecer  Normativo,  nº  03/2013,  a  Cosit  (Coordenação  do  Sistema  de  Tributação)  explicita  o  alcance  da  norma  nova  em  relação  aos  fatos  pretéritos,  aplicando o princípio da retroatividade benigna em matéria de penalidade tributária  (art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional – CTN):  Esclarece o PN Cosit nº 03 / 2013:  (...)  2.1.  A  multa  tinha  um  escopo  genérico:  quando  não  houvesse  nenhuma  específica,  ela  seria  aplicada  a  quaisquer  situações  que  decorressem  do  descumprimento  de  uma  obrigação  acessória.  Várias  situações  contidas  em  atos  normativos infralegais da RFB são sancionadas com essa multa.  2.2. A Lei nº 12.766, de 2012, alterou a redação do art. 57 da MP nº 2.158­35,  de 2001, que passou a ser:  Art.  57. O  sujeito  passivo que  deixar  de apresentar nos  prazos  fixados  declaração,  demonstrativo  ou  escrituração  digital  exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro  de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será  intimado para apresentá­los ou para prestar esclarecimentos nos  prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil  e sujeitar­se­á às seguintes multas:  I ­ por apresentação extemporânea:  a)  R$500,00  (quinhentos  reais)  por  mês­calendário  ou  fração,  relativamente  às  pessoas  jurídicas  que,  na  última  declaração  apresentada, tenham apurado lucro presumido;  b)  R$1.500,00  (mil  e  quinhentos  reais)  por  mês­calendário  ou  fração,  relativamente  às  pessoas  jurídicas  que,  na  última  declaração apresentada,  tenham apurado  lucro  real ou  tenham  optado pelo autoarbitramento;  II  ­  por  não atendimento à  intimação  da Secretaria  da Receita  Federal  do  Brasil,  para  apresentar  declaração,  demonstrativo  Fl. 254DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO     4 ou  escrituração  digital  ou  para  prestar  esclarecimentos,  nos  prazos  estipulados  pela  autoridade  fiscal,  que  nunca  serão  inferiores  a  45  (quarenta  e  cinco)  dias: R$1.000,00  (mil  reais)  por mês­calendário;  III  ­  por  apresentar  declaração,  demonstrativo  ou  escrituração  digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2%  (dois  décimos  por  cento),  não  inferior a R$100,00  (cem  reais),  sobre  o  faturamento  do  mês  anterior  ao  da  entrega  da  declaração,  demonstrativo  ou  escrituração  equivocada,  assim  entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias  e serviços.  §  1º  Na  hipótese  de  pessoa  jurídica  optante  pelo  Simples  Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III  deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento).  §  2º  Para  fins  do  disposto  no  inciso  I,  em  relação  às  pessoas  jurídicas  que,  na  última  declaração,  tenham  utilizado  mais  de  uma  forma  de  apuração  do  lucro,  ou  tenham  realizado  algum  evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa  de que trata a alínea “b” do inciso I do caput.  § 3º A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando  a  declaração,  demonstrativo  ou  escrituração  digital  for  apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento  de ofício.” (NR)  2.3.  A  multa  genérica  para  descumprimento  de  obrigação  acessória  passou  para uma que serve para os casos de não apresentação de declaração, demonstrativo  ou  escrituração  digital1  por  qualquer  sujeito  passivo,  ou  que  os  apresentar  com  incorreções ou omissões. Como novidade, o inciso II determina que os prazos para a  apresentação  dos  documentos  descritos  no  caput  não  podem  ser  inferiores  a  45  (quarenta e cinco) dias da intimação. [...] (iii) Como ficam as multas cuja base legal  é a antiga redação do art. 57 da MP nº 2.158­35, de 2001? (iv) Continuam vigentes  as multas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002,  do art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º  da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 2004?  6. Há que se verificar diversas multas atualmente cobradas pela  fiscalização  ou pelo controle do crédito tributário e se elas foram ou não afetadas pela nova Lei.  (...)  6.1.1. A IN RFB nº 787, de 2007 (ECD), a IN RFB nº 989, de 2009 (e­Lalur),  a  IN RFB nº 1.052, de 2010  (EFD), a  IN RFB nº 1.115, de 2010 (Dimob) e a  IN  RFB nº 985, de 2009 (Dmed), direcionam­se apenas às pessoas jurídicas de direito  privado ou equiparadas, motivo pelo qual todos os aspectos da regra­matriz da multa  do novo art. 57 da MP são passíveis de aplicação.   (...)  6.1.3. Os dispositivos das  IN devem ser alterados para conterem a sua nova  base legal.  6.1.4. Nas multas anteriormente  lançadas que, no caso concreto,  sejam mais  gravosas que a nova multa, a  lei nova mais benéfica deve retroagir, tratando­se de  ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do  CTN.  Fl. 255DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16624.001160/2009­15  Acórdão n.º 1302­001.934  S1­C3T2  Fl. 4          5 Compulsando os autos, verifica­se que não se pode concluir com certeza qual  o  regime  de  tributação  adotado  pela  recorrente  em  sua  última  declaração  apresentada.   Para a acertada cominação da multa isolada em apreço, mister é que:  a)  os  autos  retornem à  unidade  de  jurisdição  da  recorrente  e  informe­se,  no  presente,  qual  o  regime  de  tributação  optado  pela  recorrente  em  sua  última DIPJ  apresentada;  b) se a entrega em atraso da Dimob ocorreu antes de qualquer procedimento  de ofício.  Destas  informações  fiscais,  compendiadas  em  relatório,  a  recorrente  deverá  tomar  ciência,  facultando­se­lhe  prazo  regulamentar  para  se  manifestar.  Após  retornem os autos para esta Conselheira prosseguir ao julgamento do litígio.  (grifos no origial)  Às  e­fls.  231  a  232  a  autoridade  fiscal  designada  ao  cumprimento  das  diligências solicitadas informou:  [...]  2  –  Em  despacho  exarado  pela  1a  Turma  da DRJ/CPS,  em  26/01/2012,  os  autos  foram  baixados  em  diligência,  após  o  quê,  ficou  comprovado  que  a  impugnante  efetivamente  praticou  operações  imobiliárias  no  ano­calendário  em  questão  e,  de  fato,  apresentou  extemporaneamente  a  respectiva Dimob,  a  qual  foi  entregue em 06/04/2008 (sic), quando a data para entrega era até 29/02/2007.  [...]  4  ­  Após  apreciação  de  recurso  tempestivo  do  interessado,  o  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, através da Resolução nº 1801000.332  e,  posteriormente,  da  Resolução  nº  1801000.375,  ambas  da  1ª  Turma  Especial,  solicitou diligências,  tendo em vista que, com a edição da Lei nº 12.766, de 2012,  foram  criadas  novas  regras  para  a  cominação  de  multas  devidas  pelo  não  cumprimento  de  obrigações  acessórias,  como  é  o  caso.  A  correta  aplicação  do  dispositivo implica conhecer:  ­  o  regime  de  tributação  adotado  pela  recorrente  em  sua  última  declaração  apresentada, e  ­ se a entrega em atraso da Dimob ocorreu antes de qualquer procedimento de  ofício.  5 – Isto posto, respondendo aos quesitos acima, esclareço que:  ­ O  regime  de  tributação  adotado  pela  empresa  permanece  sendo  o  do  Lucro Presumido, conforme nova pesquisa efetuada, em anexo;  ­ Não havia qualquer tipo de procedimento fiscalizatório instaurado em nome  da empresa ANTES da entrega da DIMOF em atraso, conforme informação contida  no seu Dossiê Eletrônico, em anexo;  ­ A  notificação  de  Lançamento  é  gerada  automaticamente APÓS  o  sistema  detectar a entrega da declaração em atraso. Portanto, a entrega da DIMOB foi em  Fl. 256DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO     6 atraso, mas espontânea, pois ocorreu ANTES de qualquer procedimento de ofício  por parte da Autoridade Administrativa.  (grifos não pertencem ao original)  Devidamente  cientificada  da  realização  das  diligências,  a  recorrente  manifestou­se da seguinte forma:  a) reitera os argumentos do Recurso Voluntário;  b) requer a prescrição intercorrente, pela imposição da multa ter sido lavrada  a mais de cinco anos;  c) se não acatada a prescrição requer a redução da multa para o valor de R$  6.500,00,  em  vista  das  normas  editadas  posteriormente,  mais  benéficas,  a  saber,  artigo  57,  inciso I, alínea 'a', c/c o § 3º da MP nº 2.159­35, com redação dada pela Lei nº 12.766/12.  É o relatório. Passo ao voto.    Voto             Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora  O Recurso Voluntário já foi conhecido, por tempestivo.  I)  Da  ilegalidade  e  inconstitucionalidade  das  normas  tributárias  legais  e  infralegais  A Recorrente no Recurso Voluntário ataca o artigo 16 da Lei nº 9.779/99, a  seguir transcrito, por delegar à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) competência para  dispor  sobre  o  cumprimento  de  obrigações  acessórias  e,  por  consequência,  as  Instruções  Normativas que  regem a entrega das DIMOB ­ Declaração sobre  Informações de Atividades  Imobiliárias:  Art. 16.  Compete  à  Secretaria  da  Receita Federal  dispor  sobre  as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições  por  ela administrados,  estabelecendo,  inclusive,  forma, prazo  e  condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável.  E  também  taxa de  inconstitucional a Medida Provisória nº 2.158­35/01 que  em seu artigo 57 disciplinou sobre o descumprimento das obrigações acessórias.  O  acórdão  recorrido  esclareceu  à  recorrente  que  a  atividade  do  lançamento  tributário é vinculada e obrigatória, bem como a atividade do julgamento administrativo, não  sendo permitido  apreciar  ilegalidade  ou  constitucionalidade das  normas  tributárias. Dispõe  o  artigo 142, em seu § único, do CTN:   Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  Fl. 257DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16624.001160/2009­15  Acórdão n.º 1302­001.934  S1­C3T2  Fl. 5          7 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.      Parágrafo único. A atividade administrativa de  lançamento é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  A Medida Provisória nº 2.158­35/01 e a Lei nº 9.799/09 não foram declaradas  inconstitucionais  e  estão  em  plena  vigência,  pelo  que  as  Instruções  Normativas  RFB  que  disciplinam os deveres  relacionados às obrigações acessórias e albergadas por esta legislação  também encontram­se em cumprimento e devem ser observadas pelos contribuintes.  Ademais,  no  que  respeita  às  argüições  de  inconstitucionalidade/ilegalidade  das normas tributárias em vigência, é defeso a este colegiado administrativo de julgamento se  pronunciar  sobre  o  assunto,  sendo mansa  e  pacífica  a  jurisprudência  firmada  neste  sentido,  conforme se depreende da Súmula CARF nº 02:  Súmula  CARFnº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.   Em se tratando de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma  divergir  do  enunciado,  nos  termos  do  artigo  72,  caput,  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09):  Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão  consubstanciadas  em  súmula  de  observância  obrigatória  pelos membros do CARF.   Afasto as arguições da recorrente neste tópico.  II) Da prescrição intercorrente  A recorrente alega que o lançamento da penalidade objeto dos autos deve ser  declarado prescrito, por emitido a mais de cinco anos. Trata­se, pois, de alegação de prescrição  intercorrente (ocorrida no curso do processo administrativo fiscal).  Esta matéria também já é objeto de súmula editada por este Conselho:  Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no  processo administrativo fiscal.  III) Da nova redação do artigo 57 da Medida Provisória nº 2.158­35/01, dada  pela Lei nº 12.766, de 2012 e da retroatividade benigna  Cabe razão à recorrente nesta questão.  Considerando que  a  empresa  é  optante pelo  regime de  tributação  do Lucro  Presumido  e  que  a  Notificação  de  Lançamento  de  e­fls.  42  foi  emitida  após  a  entrega  espontânea da Dimob,  consoante nos  informa a  autoridade  fiscal  às  e­fls.  231 e 232, há que  aplicar­se as disposições legais a seguir transcritas e recalcular o valor da multa por atraso na  entrega da Dimob, por força do princípio da retroatividade da legislação tributária quando, no  curso do processo, comine ao ato praticado pelo contribuinte penalidade menos severa que a  prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, consagrado no artigo 106, alínea "c", do CTN.  Fl. 258DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO     8 Art.  57  da  MP  nº  2.159­35/01,  com  redação  dada  pelo  art.  8º  da  Lei  nº  12.766/12:  Art.  57. O  sujeito  passivo que  deixar  de apresentar nos  prazos  fixados  declaração,  demonstrativo  ou  escrituração  digital  exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro  de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será  intimado para apresentá­los ou para prestar esclarecimentos nos  prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil  e sujeitar­se­á às seguintes multas:  I ­ por apresentação extemporânea:  a)  R$500,00  (quinhentos  reais)  por  mês­calendário  ou  fração,  relativamente  às  pessoas  jurídicas  que,  na  última  declaração  apresentada, tenham apurado lucro presumido;  [...]  § 3º A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando  a  declaração,  demonstrativo  ou  escrituração  digital  for  apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento  de ofício.  A recorrente entregou a Dimob em atraso em 06 de abril de 2009, quando o  prazo legal para a referida entrega era em 28 de fevereiro de 2007, portanto, 26 meses após a  data fixada.  Destarte, pela aplicação do dispositivo acima, a penalidade devida é da ordem  de R$6.500,00 (500,00 x 26 = 13.000,00 /2).  Voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes Wipprich                                   Fl. 259DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO

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Numero do processo: 12326.004552/2009-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2201-003.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah (Presidente e Relator) que aplicavam aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ser adimplidos. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Presidente e Relator Assinado Digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2306; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 182          1 181  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12326.004552/2009­40  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­003.201  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de maio de 2016  Matéria  IRPF  Recorrente  ROBERTO DE CARVALHO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2008  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE.  BASE  DE  CÁLCULO  E  ALÍQUOTA.  APURAÇÃO.  REGIME  DE  COMPETÊNCIA.  A  incidência  do  imposto  de  renda  pela  regra  do  regime  de  caixa,  como  prevista  na  redação  do  artigo  12  da  Lei  7.713/1988,  gera  um  tratamento  desigual  entre  os  contribuintes.  Aquele  que  entrou  em  juízo  para  exigir  diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas  também  por  uma  alíquota  maior.  A  incidência  do  imposto  de  renda  sobre  rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes  na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês  a mês. Não  é  razoável,  nem proporcional,  a  incidência da  alíquota máxima  sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido  pelo  STF  no  Recurso  Extraordinário  nº  614406,  com  repercussão  geral  reconhecida.  Recurso Voluntário Provido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao  recurso  para  cancelar  a  infração  de  omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoa  jurídica  decorrentes  de  ação  trabalhista.  Vencidos  os  Conselheiros  Carlos  Henrique  de  Oliveira  e  Eduardo  Tadeu  Farah  (Presidente  e  Relator)  que  aplicavam  aos  rendimentos  recebidos  acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ser adimplidos.  Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida.         Assinado Digitalmente     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 45 52 /2 00 9- 40 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12326.004552/2009­40  Acórdão n.º 2201­003.201  S2­C2T1  Fl. 183          2 EDUARDO TADEU FARAH – Presidente e Relator             Assinado Digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida – Redator Designado.    Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah  (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira,  Jose Alfredo Duarte Filho  (Suplente Convocado),  Maria  Anselma  Coscrato  dos  Santos  (Suplente  Convocada),  Carlos  Alberto Mees  Stringari,  Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.  Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.  Relatório  Trata  o  presente  processo  de  lançamento  de  ofício  relativo  ao  Imposto  de  Renda Pessoa Física, ano­calendário 2009, consubstanciado na Notificação de Lançamento, fls.  05/09, que alterou o resultado da Declaração de Ajuste Anual, de imposto a restituir declarado  de R$ 9.425,60 para saldo de imposto a pagar apurado de R$ 5.198,99.   De  acordo  com  descrição  dos  fatos  de  fl.  07  foi  constatada  omissão  de  rendimentos  tributáveis  recebidos  acumuladamente, decorrente de Ação Trabalhista, no valor  de R$ 55.760,02.  Cientificado do  lançamento, o contribuinte apresenta  impugnação alegando,  conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis:  ...  informa que a RFB  fez os  cálculos com base nos alvarás de  pagamento,  sem  ter  acesso  à  discriminação  entre  verbas  salariais  e  verbas  indenizatórias,  que  se  referem  a  52%  do  montante  recebido  de  R$  80.460,17,  excluídos  os  honorários  advocatícios.   4.1.  Informa  ainda,  que  está  anexando  aos  autos  documento  extraído de seu processo na justiça, contendo o cálculo efetuado  pela  Sra  Anabel  M.  Tang  Sing,  Secretária  Calculista  e  responsável pelo cálculo preliminar do IRPF.  4.2. Assim sendo entende necessário rever o cálculo para apurar  somente o montante de 48%, referente à verba salarial, sobre o  total de R$ 80.460,17.   4.3.  Aponta  que  refez  os  cálculos,  concluindo  que  o  imposto  devido seria de R$ 6.815,47, sendo que já pagou R$ 13.122,29, o  que daria um imposto a restituir de R$ 6.306,82.  4.4. No mérito alega que seu processo se refere, principalmente  a FGTS não depositado, verba esta não  sujeita ao desconto de  IR. Requer o cancelamento do débito fiscal reclamado.  A 7ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro/RJI julgou improcedente a impugnação,  conforme ementa abaixo transcrita:  Fl. 183DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12326.004552/2009­40  Acórdão n.º 2201­003.201  S2­C2T1  Fl. 184          3 RENDIMENTOS  RECEBIDOS  EM  DECORRÊNCIA  DE  DECISÃO JUDICIAL.  Os  rendimentos  recebidos  em  decorrência  decisão  judicial  devem  ser  oferecidos  à  tributação  cumulativamente  com  os  outros  rendimentos  tributáveis  informados  na  Declaração  de  Ajuste  Anual,  excluindo­se  as  verbas  de  natureza  indenizatória  devidamente discriminadas e comprovadas.  O  contribuinte  foi  cientificado  da  decisão  de  primeira  instância  em  23/01/2013  (fl.  41)  e,  em  20/02/2013,  interpôs  o  recurso  de  fls.  45/177,  sustentando,  essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação.  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator  O recurso reúne os requisitos de admissibilidade.    Cuida  o  presente  lançamento  de  omissão  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente a título de reclamatória trabalhista, no valor de R$ 55.760,02.  Em  seu  apelo  alega  o  suplicante  que  “nos  documentos  anexados,  restará  claro que grande parte do processo deveu­se ao não recolhimento de FGTS entre 1972 e 1992,  as  verbas  provenientes  de  salários,  comissões  etc,  referiram­se  apenas  aos  últimos  5  anos  (1988­1992)”.  Concluiu  seu  recurso  asseverando  que  “Considerando  a  condição  do  contribuinte,  idoso, com renda modesta, aposentado e sem condições financeiras de oferecer  defesa  assinada  por  profissional  competente  e  experiente,  pede­se  que  (...)  a  RFB  possa,  dentro  de  sua  reconhecida  competência,  identificar  um  percentual  tributável  que  consiga  preservar o interesse do Estado brasileiro, em equilíbrio com o direito do cidadão”.  Pois bem, analisando detidamente as planilhas juntadas aos autos por acasião  do  recurso,  fls.  58/68  e  fls  71/90,  não  consegui  identificar  como  rendimento  tributável  o  percentual informado pelo suplicante em seu apelo.   Entretanto,  no  que  tange  à  tributação  dos  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  verifica­se  que  os  cálculos  foram  efetuados  tomando  por  base  a  tabela  do  imposto de renda vigente no mês do recebimento. Contudo, de acordo com o § 2º do art. 62 do  RICARF (Portaria MF nº 343/2015), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior  Tribunal de Justiça na sistemática prevista pelos arts. 543­C da Lei nº 5.869, de 1973 ­ Código  de  Processo  Civil  (CPC),  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF. Veja­se:  § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973  ­  Código  de  Processo  Civil  (CPC),  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Fl. 184DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12326.004552/2009­40  Acórdão n.º 2201­003.201  S2­C2T1  Fl. 185          4 Assim sendo, deve­se aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento  sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos  recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à  época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Veja­se:  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA  FÍSICA.  AÇÃO  REVISIONAL  DE  BENEFÍCIO  PREVIDENCIÁRIO.  PARCELAS  ATRASADAS  RECEBIDAS  DE  FORMA  ACUMULADA.  1.  O  Imposto  de  Renda  incidente  sobre  os  benefícios  pagos  acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e  alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido  adimplidos,  observando  a  renda  auferida  mês  a  mês  pelo  segurado. Não  é  legítima a  cobrança  de  IR  com parâmetro  no  montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ.  2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do  art.  543C do CPC e do art.  8º  da Resolução STJ 8/2008. Resp  1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei)  Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos  autos,  ou  seja,  parcelas  atrasadas  recebidas  acumuladamente  a  título  de  reclamatória  trabalhista. Assim, deve­se  aplicar  sobre os  rendimentos pagos  acumuladamente  as  tabelas  e  alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos.  Ante ao exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para aplicar aos  rendimentos  recebidos  acumuladamente  as  tabelas  vigentes  à  época  em  que  os  valores  deveriam ter sido pagos.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah        Voto Vencedor  Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado  Em que pese o brilhantismo do voto do Ilustre Relator, Conselheiro Eduardo  Tadeu Farah, permito­me discordar de seu entendimento, pelas razões lançadas abaixo.  O  “Demonstrativo  de  Apuração  do  Imposto  Devido”,  acostado  à  fl.  8,  evidencia que a base de cálculo do imposto de renda apurado após as alterações efetuadas pela  Autoridade lançadora foi calculada com fundamento na regra estabelecida no art. 12 da Lei nº  7.713, de 22 de dezembro de 1988, ou seja, a base de cálculo foi apurada mediante a utilização  do denominado “regime de caixa”.   No julgamento do Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010,  o Superior Tribunal de  Justiça – STJ havia decidido,  sob o  rito do  art.  543­C do Código de  Processo  Civil  –  CPC  (recurso  repetitivo),  que  “O  Imposto  de  Renda  incidente  sobre  os  Fl. 185DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12326.004552/2009­40  Acórdão n.º 2201­003.201  S2­C2T1  Fl. 186          5 benefícios  pagos  acumuladamente  deve  ser  calculado  de acordo  com as  tabelas  e  alíquotas  vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida  mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global  pago extemporaneamente”.  Por entender que a ratio decidendi da  tese  repetitiva estava fundada em ato  ilícito praticado pela Administração e que o pagamento decorrente de  ato  ilegal não poderia  constituir fato gerador de tributo, posto que inadmissível que o Fisco se aproveitasse da própria  torpeza  em  detrimento  do  segurado  da  previdência  social,  este  julgador  vinha  aplicando  o  entendimento do STJ no sentido de dar provimento parcial aos recursos dos contribuintes para  que  o  cálculo  do  imposto  de  renda  incidente  sobre  os  rendimentos  de  benefícios  previdenciários  recebidos  acumuladamente  fosse  apurado  mensalmente,  em  correlação  aos  parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos  fatos geradores.  Em outras palavras: a  tese  fixada como “repetitiva”, no entendimento deste  Relator, limitava­se ao pagamento acumulado de benefícios previdenciários, não se aplicando a  rendimentos  recebidos  acumuladamente  decorrentes  de  litígios  outros  que  não  versasse  a  concessão/revisão  de  benefícios  previdenciários,  a  exemplo  de  reclamatórias  trabalhistas  envolvendo somente particulares, haja vista que, nestas hipóteses, o pagamento a destempo não  decorria  de  ato  ilegal  da  administração.  Assim,  em  relação  aos  processos  de  rendimentos  recebidos acumuladamente decorrentes de ação  trabalhista o entendimento deste  julgador era  no sentido da aplicabilidade do art. 12 da Lei nº 7.713/1988.  Nos  casos  de  verbas  adimplidas  em  reclamatória  trabalhista,  portanto, meu  entendimento  era  no  sentido  de  se  observar  a  natureza  dos  rendimentos  recebidos,  fazendo  incidir o imposto de renda sobre verbas que resultassem em acréscimo patrimonial e não incidir  sobre verbas isentas e não tributáveis.  A  linha  de  entendimento  por  mim  adotada  foi  mantida  até  a  sessão  de  novembro de 2014.   Sabia­se, todavia, que a controvérsia relativa à (in) constitucionalidade do art.  12 da Lei nº 7.713/1988 teve a repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal ­  STF  em  20/10/2010,  no  julgamento  da  questão  de  ordem  em  agravo  regimental  no Recurso  Extraordinário  nº  614406,  em  razão  da  declaração  de  inconstitucionalidade  do  referido  dispositivo  legal,  proferida  em  controle  difuso  pela  Corte  Especial  do  Tribunal  Regional  Federal da 4ª Região.   Em 23 de outubro de 2014 o STF, finalmente, concluiu o julgamento relativo  à  forma de  incidência do  imposto de renda sobre  rendimentos  recebidos acumuladamente. A  Corte entendeu que a alíquota do imposto deve ser aplicada ao rendimento recebido mês a mês,  e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez.  Naquela  assentada  veiculou­se,  no  sítio  eletrônico  do  STF,  notícia  com  o  seguinte teor, na parte que interessa:  Foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) caso relativo  à  forma  de  incidência  do  Imposto  de  Renda  (IR)  sobre  rendimentos recebidos acumuladamente, como ocorre no caso de  disputas previdenciárias e trabalhistas. A Corte entendeu que a  Fl. 186DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12326.004552/2009­40  Acórdão n.º 2201­003.201  S2­C2T1  Fl. 187          6 alíquota  do  IR  deve  ser  a  correspondente  ao  rendimento  recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total  pago de uma única vez, e, portanto, mais alta.  (...)  O  julgamento  do  caso  foi  retomado  hoje  com  voto­vista  da  ministra  Cármen  Lúcia,  para  quem,  em  observância  aos  princípios  da  capacidade  contributiva  e  da  isonomia,  a  incidência do IR deve  considerar as alíquotas  vigentes na data  em  que  a  verba  deveria  ter  sido  paga,  observada  a  renda  auferida mês  a mês.  “Não  é  nem  razoável  nem proporcional  a  incidência da alíquota máxima  sobre o  valor global,  pago  fora  do prazo, como ocorre no caso examinado”, afirmou.  A ministra citou o voto do ministro Marco Aurélio, proferido em  sessão de maio de 2011, segundo o qual a incidência do imposto  pela  regra  do  regime  de  caixa,  como  prevista  na  redação  original  do  artigo  12  da  Lei  7.713/1988,  gera  um  tratamento  desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para  exigir  diferenças  na  remuneração  seria  atingido  não  só  pela  mora, mas por uma alíquota maior.  Em  seu  voto,  a  ministra  mencionou  ainda  argumento  apresentado  pelo  ministro  Dias  Toffoli,  que  já  havia  votado  anteriormente,  segundo  o  qual  a  própria  União  reconheceu  a  ilegalidade  da  regra  do  texto  original  da  Lei  7.713/1988,  ao  editar a Medida Provisória 497/2010, disciplinando que a partir  dessa  data  passaria  a  utilizar  o  regime de  competência  (mês a  mês).  A  norma,  sustenta,  veio  para  corrigir  a  distorção  do  IR  para os valores recebidos depois do tempo devido.  Em 04 de novembro de 2014 a decisão foi noticiada no Informativo nº 764 do  STF, ostentando a seguinte redação:  IRPF e valores recebidos acumuladamente ­ 4   É  inconstitucional  o  art.  12  da  Lei  7.713/1988  (“No  caso  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  o  imposto  incidirá,  no  mês  do  recebimento  ou  crédito,  sobre  o  total  dos  rendimentos,  diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias  ao  seu  recebimento,  inclusive  de  advogados,  se  tiverem  sido  pagas  pelo  contribuinte,  sem  indenização”).  Com  base  nessa  orientação,  em  conclusão  de  julgamento  e  por  maioria,  o  Plenário negou provimento a  recurso extraordinário em que se  discutia  a  constitucionalidade  da  referida  norma  —  v.  Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia  apenar  o  contribuinte  duas  vezes.  Esse  fenômeno  ocorreria,  já  que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria,  deveria  ingressar  em  juízo  e,  ao  fazê­lo,  seria  posteriormente  tributado  com  uma  alíquota  superior  de  imposto  de  renda  em  virtude  da  junção  do  que  percebido.  Isso  porque  a  exação  em  foco  teria  como  fato  gerador  a  disponibilidade  econômica  e  jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse  alusão  expressa  ao  regime  de  competência,  teria  implicado  a  Fl. 187DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12326.004552/2009­40  Acórdão n.º 2201­003.201  S2­C2T1  Fl. 188          7 adoção  desse  regime  mediante  inserção  de  cálculos  que  direcionariam  à  consideração  do  que  apontara  como  “épocas  próprias”,  tendo  em  conta  o  surgimento,  em  si,  da  disponibilidade  econômica.  Desse  modo,  transgredira  os  princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a  configurar  confisco  e  majoração  de  alíquota  do  imposto  de  renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao  recurso  por  reputar  constitucional  o  dispositivo  questionado.  Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da  capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria  o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que  exigiria  o  pagamento  do  imposto  à  luz  dos  rendimentos  efetivamente percebidos, independentemente do momento em que  surgido o direito a eles.   RE  614406/RS,  rel.  orig. Min.  Ellen Gracie,  red.  p/  o  acórdão  Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE­614406)  Sobreveio a publicação do acórdão do STF, cujo “Extrato de Ata” resume o  resultado do julgamento da seguinte forma:  Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria,  decidindo o tema 368 da Repercussão Geral, negou provimento  ao recurso, vencida a Ministra Ellen Gracie (Relatora), que lhe  dava provimento. Ausente, neste  julgamento, o Ministro Gilmar  Mendes.  Não  votou  a  Ministra  Rosa  Weber  por  suceder  à  Ministra Ellen Gracie (Relatora). Redigirá o acórdão o Ministro  Marco  Aurélio.  Presidiu  o  julgamento  o  Ministro  Ricardo  Lewandowski. Plenário, 23.10.2014.  Colhe­se, no voto condutor vencedor redigido pelo Ministro Marco Aurélio,  as seguintes passagens:  Qual  é a consequência de  se  entender de modo diverso do que  assentado  pelo  Tribunal  Regional  Federal  da  4ª  Região?  Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir  de  2003,  transgressão  ao  princípio  da  isonomia.  Aqueles  que  receberam  os  valores  nas  épocas  próprias  ficaram  sujeitos  a  certa alíquota. O contribuinte que  viu  resistida a  satisfação do  direito  e  teve  que  ingressar  em  Juízo  será  apenado,  alfim,  mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem­ se  o  envolvimento  da  capacidade  contributiva,  porque  não  é  dado  aferi­la,  tendo  em  conta  o  que  apontei  como  disponibilidade  financeira,  que  diz  respeito  à  posse,  mas  o  estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à  parcela  sujeita  ao  Imposto  de  Renda.  O  desprezo  a  esses  dois  princípios conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração  da alíquota do Imposto de Renda.  (...)  Por  isso,  no  caso,  desprovejo  o  recurso,  assentando  a  inconstitucionalidade do artigo 12 – não do 12­A, que resultou  da medida provisória, da conversão em  lei –, no que conferida  Fl. 188DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12326.004552/2009­40  Acórdão n.º 2201­003.201  S2­C2T1  Fl. 189          8 interpretação  alusiva  à  junção  do  que  alcançado  pelo  contribuinte, considerados os vários exercícios.  Verifica­se, portanto, que o voto condutor do acórdão negou provimento ao  recurso da União e afastou a aplicabilidade da regra prevista no art. 12 da Lei nº 7.713/1998,  declarando­a  inconstitucional,  em  controle  difuso,  com  julgamento  submetido  ao  rito  da  repercussão geral (CPC, art. 543­B).  O  entendimento  da  Suprema  Corte,  em  sede  de  repercussão  geral,  é  de  observância  obrigatória  pelos  membros  deste  Conselho,  conforme  disposto  no  art.  62­A  do  Regimento Interno do CARF, assim descrito:  Artigo  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.   Assim,  impõe­se  a  aplicação  do  entendimento  externado  pelo  STF  em  julgamento realizado na sistemática da repercussão geral ao caso concreto, reconhecendo que  houve um vício material no lançamento (apuração indevida da base de cálculo do tributo com  repercussão na alíquota aplicável), haja vista que, embora os valores recebidos pelo Recorrente  não  se  refiram a benefícios previdenciários,  foram apurados  com  fundamento no  famigerado  art. 12 da Lei nº 7.713/1998.  Não bastasse isso, em 04/11/2015 a Procuradoria da Fazenda Nacional emitiu  a Nota PGFN/CRJ nº 981/2015 por meio da qual dispôs sobre vários aspectos relacionados à  análise do  julgamento do Recurso Extraordinário nº 614406/RS, acima comentado. Colhe­se,  na referida Nota, os seguintes excertos, por oportuno:  Por meio da Nota PGFN CASTF nº 1466, de 2014, a Secretaria  da Receita Federal do Brasil foi cientificada quanto à conclusão  do  julgamento  do  RE  614.406/RS,  assim  como  da  provável  inclusão da matéria na lista de dispensa de contestar e recorrer,  não  tendo  encaminhado,  até  a  presente  data,  quaisquer  considerações  ou  questionamentos  quanto  à  extensão,  ao  alcance oi à operacionalização do cumprimento da decisão, na  forma do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014.  Em  sequência,  esta  Procuradoria­Geral,  por  meio  de  sua  Coordenação­Geral  de  Representação  Judicial,  em  04  de  fevereiro  de  2015,  emitiu  orientação  nacional  de  dispensa  de  contestação e recursos judiciais, conforme lhe franqueia a atual  redação do art. 19, inciso IV, da Lei nº 10.522, de 2002.  (...)  Diante  desse  novo  contexto,  permitir­se­á  a  repetição/compensação  do  montante  do  imposto  de  renda  recolhido  a  maior,  desde  que  ainda  não  consumado  o  prazo  extintivo  do  art.  168  do CTN,  consoante  entendimento  firmado  no Parecer PGFN/CDA/CRJ nº 393, de 2013.   Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12326.004552/2009­40  Acórdão n.º 2201­003.201  S2­C2T1  Fl. 190          9 Em 29/03/2016 foi publicada no Diário Oficial da União o Despacho MF nº  SN1, de 14 de março de 2016, do Exmo. Ministro de Estado da Fazenda, com o seguinte teor:  Despacho:  Aprovo  a  NOTA  PGFN/CRJ/Nº  981,  de  04  de  novembro  de  2015,  da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional,  que  trata  da  análise  do  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  nº  614.406/RS,  submetido  à  sistemática  do  art.  543­B  do  CPC,  no  qual  o  Supremo  Tribunal  Federal  ­  STF  declarou a  inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de  22  de  dezembro  de  1998,  que  disciplinava  a  incidência  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  sobre  os  rendimentos  tributáveis recebidos acumuladamente.  NELSON HENRIQUE BARBOSA FILHO  Nesse  cenário,  e  com o  devido  respeito  aos  que  pensam o  contrário,  penso  não  ser  sustentável  a  manutenção  de  lançamento  cujo  fundamento  foi  o  art.  12  da  Lei  nº  7.713/1988,  declarado  inconstitucional  pelo  STF  sem modulação  de  efeitos,  vale  dizer,  com  eficácia ex tunc.  Conclusão  Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a infração de  omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista.    Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida                    Fl. 190DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH

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Numero do processo: 13973.000553/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1995 JUIZADO ESPECIAL FEDERAL. RENÚNCIA A CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. APLICAÇÃO. COISA JULGADA MATERIAL Com a expressa renúncia do contribuinte a crédito tributário excedente a sessenta salários mínimos, prevista no Art. 3 e § 4o do art. 17 da Lei 10.259/2001, ficam definitivamente extintos tais valores. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1858; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 73          1 72  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13973.000553/2009­53  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2202­003.283  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de março de 2016  Matéria  IRPF ­ RESTITUIÇÃO  Recorrente  LUIZ CARLOS GONZAGA DOS SANTOS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1995  JUIZADO  ESPECIAL  FEDERAL.  RENÚNCIA  A  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  EXTINÇÃO.  APLICAÇÃO.  COISA  JULGADA  MATERIAL  Com  a  expressa  renúncia  do  contribuinte  a  crédito  tributário  excedente  a  sessenta  salários  mínimos,  prevista  no  Art.  3  e  §  4o  do  art.  17  da  Lei  10.259/2001, ficam definitivamente extintos tais valores.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso  (Assinado digitalmente)  MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA ­ Presidente.   (Assinado digitalmente)  JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO ­ Relatora  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO  DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO  MAURÍCIO  PINHEIRO  MONTEIRO,  EDUARDO  DE  OLIVEIRA,  JOSÉ  ALFREDO  DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO  DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 3. 00 05 53 /2 00 9- 53 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA     2   Relatório    Adoto  o  detalhado  relatório  da  Delegacia  Regional  de  Julgamento  em  Curitiba (PR):    1.  Trata­se  de  pedido  de  restituição  de  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte,  protocolado  em  20.04.2009,  com  base  em  decisão  judicial  (Processo  008.72.59.0028187)  transitada  em  julgado  junto  ao  Juizado  Especial  da  Justiça  Federal  de  Santa  Catarina,  que  reconheceu  a  inexigibilidade  de  retenção  de  Imposto  de  Renda  sofrida  pelo  contribuinte  sobre  aportes  de  contribuições  a  plano  de  previdência  complementar no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, na vigência da  Lei 7.713/88 (fls. 03/04).  Pedido de Restituição  2. Com base nos fundamentos do processo judicial acima mencionado,  o  contribuinte  protocolou  o  pedido  administrativo  de  restituição  de  IRRF sob exame (fls. 3/4), o qual, após análise de autoridade fiscal, foi  objeto do Despacho Decisório juntado às folhas  41/43, que traz em síntese os seguintes argumentos:  2.1. o interessado, funcionário do Banco do Brasil e contribuinte para  o Fundo de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, ajuizou  Ação  Declaratória  de  Inexigibilidade  Tributária  C/C  Repetição  de  Indébito, junto ao Juizado Especial Federal deJaraguá do Sul, autos n°  2008.72.59.0028187,  pleiteando, em síntese, o reconhecimento da inexigibilidade do imposto  de  renda  incidente  sobre os  valores  recebidos a  titulo de previdência  complementar,  correspondentemente  ao  valor  das  contribuições  recolhidas  pelo  autor,  anteriormente  a  vigência  da  Lei  9.250/95,  e  a  restituição  do  imposto  de  renda  indevidamente  cobrado  sobre  a  complementação  de  aposentadoria.  Nessa  ocasião  a  parte  autora  renunciou  expressamente  aos  valores  que  excedessem  ao  máximo  permitido peloJuizado Especial Federal (fls. 31);  2.2. a sentença monocrática julgou procedente o pedido do autor, para  manter a incidência do IR sobre a complementação de aposentadoria e  proceder à devolução  do  tributo  exigido  na  fonte  sobre  os  aportes  feitos  ao  sistema,  na  vigência da Lei n.° 7.713/88 (fls 5/12);  2.3. no  tocante a  liquidação da sentença,  foram adotados os  cálculos  apresentados  pela Fazenda Nacional,  reduzindo,apenas,  ao  limite  de  60 (sessenta) salários  mínimos da época do ajuizamento da ação, estabelecidos no art.  3.°  da  Lei  10.259/2001,  observado  quando  da  renúncia  apresentada  na  petição inicial (item "f' da fl.31);  2.4.  No  caso  concreto,  verifica­se  que  o  interessado  optou  por  ingressar  com  ação  judicial  no  Juizado  Especial  Federal,  renunciou  expressamente aos valores que excedessem ao máximo permitido para  fins de competências do citado JEF (60 salários mínimos da época do  Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13973.000553/2009­53  Acórdão n.º 2202­003.283  S2­C2T2  Fl. 74          3 ajuizamento  da  ação)  e  que  a  sentença  foi  liquidada  em  março  de  2009, com emissão de Requisição de Pequeno Valor (RPV);  2.5. Não há, portanto, previsão legal para a restituição pleiteada pelo  contribuinte, sendo indeferido o pedido de restituição administrativo;    Manifestação de Inconformidade    3.  Irresignado  com  a  decisão  prolatada  no  citado  Despacho,  o  contribuinteingressou  com Manifestação  de  Inconformidade,  alegando  em síntese que:   3.1. “A CONSTITUIÇÃO FEDERAL Seção II Das Limitações do Poder  de Tributar Art 150, parágrafo 7° diz:  A  lei  poderá  atribuir  a  sujeito  passivo  de  obrigação  tributária  a  condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição,  cujo  fato  gerador  deva  ocorrer  "posteriormente",  assegurada  a  imediata e preferencial restituição da  quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido.    3.2. A Lei n°7.713/88 que  instituiu a  cobrança  de RRF sobre  valores  vertidos  ao  Fundo  de  Pensão  (PREVI)  levou  em  consideração  "fato  gerador com ocorrência  posterior",  pois  o  fato  gerador  ocorreria  somente  quando  de  minha  aposentadoria e  conseqüente recebimento do beneficio a que faria jus.    3.3.  Já  a  Lei  9.250/95  revogou  a  decisão  anterior  (lei  n  7.713/88),  passando  a  exigir  o  recolhimento  quando  do  efetivo  recebimento  do  beneficio não levando em consideração a parte in fine do parágrafo 7°  do  Art.150  da  CONSTITUIÇÃO  FEDERAL  IMEDIATA  E  PREFERENCIAL  RESTITUIÇÃO  DA  QUANTIA  PAGA,  regra  que  a  própria Receita Federal deixou de cumprir/observar já que iria cobrar  novamente quando do efetivo recebimento do beneficio por parte deste  requerente, nem definiu se haveria compensação.  3.4.  Portanto  não  haveria  necessidade  de  ação  judicial  caso  tivesse  sido  cumprida  aquela  determinação  IMEDIATA  E  PREFERENCIAL  RESTITUIÇÃO DA  QUANTIA PAGA.  3.5. Já a questão de utilização do Juizado Especial da Justiça Federal  deus  e  de  que  o  advogado  contratado  não  tinha  como  identificar/calcular o valor da  restituição  a  que  tenho  direito,  assim  como  ela  só  foi  utilizada  em  função  de  a  própria  Receita  Federal  não  ter  observado/cumprido  aquela  determinação  máxima  "IMEDIATA  E  PREFERENCIAL  RESTITUIÇÃO DA QUANTIA PAGA".  3.6.  Portanto,  com  base  no  parágrafo  7°  do  Art.  150  da  CONSTITUIÇÃO FEDERAL, requeiro  (sic) a  imediata  restituição do  valor complementar que tenho direito,  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA     4 assim como do IRRF (3%) vide anexo, retido quando do recebimento  do  valor  limite  do  Juizado Especial  Federal  que  por  ser  restituição  não pode haver incidência de imposto”    A Delegacia Regional de Julgamento julgou improcedente a Manifestação de  Inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita:    "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF  Período de Apuração: 01/01/1989 a 31/12/1995  MANIFESTAÇÃO  DE  INCONFORMIDADE.  PEDIDO  NOVO.  AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO.  Considera­se  não  conhecido,  por  ausência  de  litígio,  pedido  contido  em manifestação de inconformidade que não tenha sido apresentado à  análise da autoridade fiscal.  JUIZADO ESPECIAL FEDERAL. RENÚNCIA A CRÉDITO  TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. APLICAÇÃO.  Com a expressa renúncia do contribuinte a crédito tributário excedente  a sessenta salários mínimos, prevista no Art. 3 e § 4o do art. 17 da Lei  10.259/2001, ficam definitivamente extintos tais valores.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido"       Em relação ao pedido de restituição do IRRF cobrado a alíquota de 3% sobre  o valor do tributo indevidamente exigido no período de 1988 a 1995, cuja devolução ocorreu  no  bojo  do  processo  2008.72.59.002818,  entendeu  a  DRJ  que  esse  pedido  não  constava  do  requerimento administrativo inicialmente apresentado pelo contribuinte em 20.04.2009 (fls. 3 e  4).  Sendo  assim,  tal  pedido  não  deveria  ser  conhecido,  pois  a  competência  para  analisar  o  pedido de restituição é da Delegacia da Receita Federal do Brasil ­ DRF.    Em relação aos valores objeto de renúncia não foi acatada a argumentação do  contribuinte, pois este renunciou expressamente aos créditos tributários excedentes ao teto de  sessenta salários mínimos, configurada, portanto, extinção do obrigação de restituir os valores  que eventualmente pudessem ultrapassar esses limites.     Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, no qual alega,  resumidamente que:    a) que a suposta  renúncia ao crédito  tributário excedente a sessenta salários  mínimos,  só  ocorreu  em  razão  do  advogado  contratado  ter  tido  acesso  e  conhecimento  dos  valores retidos após a apresentação, em juízo, pela Receita Federal do Brasil, da planilha com  os cálculos atualizados.     b) que a DRJ não se manifestou sobre a sua alegação de descumprimento, por  parte  da  Receita  Federal,  da  parte  final  do  §7º  do  art.  150  da  Constituição  Federal  quando  determina a imediata e preferencial restituição da quantia paga.     c) que a Receita Federal deixou de cumprir a constituição federal o que fez  com que ele tivesse que ajuizar ação e o advogado contratado incorresse em erro involuntário.     É o relatório   Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13973.000553/2009­53  Acórdão n.º 2202­003.283  S2­C2T2  Fl. 75          5 Voto             Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora  O  recurso  está  dotado  dos  pressupostos  legais  de  admissibilidade  devendo,  portanto, ser conhecido.   A Lei 10.259/2001 que trata dos Juizados Especiais  federais estabelece, em  seu  artigo 3º,  que "compete ao  Juizado Especial Federal Cível processar,  conciliar  e  julgar  causas de competência da Justiça Federal até o valor de sessenta salários mínimos, bem como  excecutar  suas  sentenças. Com  sua  publicação  foi  criado  um  processo  diferenciado  e  mais  célere para as causas de menor valor.   A referida lei conferiu a faculdade do autor litigar perante o Juizado Especial  desde que renunciasse ao crédito do valor excedente, para aquelas ações que versassem sobre  direitos disponíveis  (como é o caso dos autos) e que superassem o valor de sessenta salários  mínimos. Tal faculdade está prevista no artigo 17 da referida lei, nestes termos:    Art.  17.  Tratando­  se  de  obrigação  de  pagar  quantia  certa,  após  o  trânsito em julgado da decisão, o pagamento será efetuado no prazo de  sessenta dias, contados da entrega da requisição, por ordem do Juiz, à  autoridade  citada  para  a  causa,  na  agência  mais  próxima  da  Caixa  Econômica  Federal  ou  do  Banco  do  Brasil,  independentemente  de  precatório  § 1o Para os efeitos do § 3o do art. 100 da Constituição Federal, as  obrigações  ali  definidas  como  de  pequeno  valor,  a  serem  pagas  independentemente  de  precatório,  terão  como  limite  o  mesmo  valor  estabelecido nesta Lei para a competência do Juizado Especial Federal  Cível (art. 3o, caput).  (...)  §  4o  Se  o  valor  da  execução  ultrapassar  o  estabelecido  no  §  1o,  o  pagamento far­se­á,sempre, por meio do precatório, sendo facultado à  parte  exeqüente a  renúncia ao  crédito do  valor  excedente,  para que  possa optar pelo pagamento do  saldo  sem o precatório,  da  forma  lá  prevista.    Do conjunto probatório juntado ao presente processo não há dúvida sobre a  renúncia, pois o item “V­ DO REQUERIMENTO, Letra f)” da petição inicial apresentada pelo  contribuinte  ao  processo  judicial  2008.72.59.0028187  (fls.  31)  traz  expressamente  tal  declaração de renúncia, a qual foi regulamente aceita e homologada pelo juiz da causa, em sua  sentença, nesses termos (fls.11):    Face ao exposto, ficam analisados os préquestionamentos feitos pelas partes  quanto às normas constitucionais e legais aplicados 6 espécie, homologa­se  eventual  desistência  expressa  do  valor  excedente  à  competência  do  JEF  (considerados  conforme  Súmula  n.  12,  da  TRSC),  para  JULGAR  Fl. 85DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA     6 PROCEDENTE  a  presente  ação  para  reconhecer  a  inexigibilidade  do  imposto de renda incidente sobre a parcela percebida pela parte autora em  complementação  de  aposentadoria,  decorrente  de  suas  próprias  contribuições ao sistema de previdência privada já tributadas na origem (na  vigência da Lei n.° 7.713/88), devendo a  tributação atual  se dar de  forma  integral  e  se  efetuar  a  restituição  do  imposto  retido  na  fonte  sobre  os  aportes  feitos  ao  sistema  na  vigência  da  Lei  no  7.713/88,  conforme  a  fundamentação, condenando a União Federal/Fazenda Nacional a restituir  a  parte  autora,  pelo  sistema  de  requisição  próprio  do  Juizado  Especial,  o  valor  de R$24.900,00  (atualizado  até  09/2008),  já  JEF,  corrigidos  desde  09/2008 até a emissão da RPV pela SELIC (Lei n.o 9.250/95 em aplicação  isonômica  6  situação  do  Fisco  quando  credor)  e,  a  partir  de  então,  exclusivamente pelos índices próprios do setor de Precatório do TRF da 4a  Região.    A alegação do Recorrente de que a  "suposta  renúncia" ao  crédito  tributário  excedente  a  sessenta  salários mínimos  só  ocorreu  em  razão  do  advogado  contratado  ter  tido  acesso e conhecimento dos valores retidos após a apresentação, em juízo, pela Receita Federal  do Brasil, da planilha com os cálculos atualizados não procede.     Isso porque cabe a Autor da ação o ônus de provar o seu direito. No caso,  para o ajuizamento da ação, caberia ao Recorrente fazer prova de que era possuidor do plano e  das  retenções  efetuadas.  Tais  retenções,  inclusive,  deveriam  constar  das  suas  declarações  de  imposto de renda.     Sendo assim, não se desimcumbiu o Recorrente de apontar qualquer vício no  ato  jurídico  de  renúncia,  uma  vez  que  se  tratava  de  direito  disponível,  realizado  por  agente  capaz, cujo objeto era lícito e realizado na forma prescrita em lei.     De todo modo, não compete a esse Conselho a análise de qualquer vício no  ato  de  renúncia,  uma  vez  que,  nos  termos  do  artigo  269,  V,  do  Código  de  Processo  Civil,  haverá extinção do processo com resolução de mérito quando o autor renunciar ao direito sobre  o qual se funda a ação. Sendo assim, a desconstituição da sentença que homologou a renúncia  só poderia se dar por meio de ação rescisória.     Em  relação  a  alegação  de  desobediência  ao  disposto  no  artigo  150,  §7º  da  Constituição Federal, verifica­se sua improcedência, por diversos motivos.     Em  primeiro  lugar,  porque,  no  caso  dos  autos,  não  se  trata  da  substituição  tributária  progresssiva  instituida  pelo  referido  dispositivo  constitucional.  Em  segundo  lugar,  porque  somente  ao  poder  judiciário  é  conferida  a  competência  para  declarar  a  inconstitucionalidade de lei. Exatamente por isso a súmula CARF nº 2 é clara ao dispor que :    Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar  sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário.  (Assinado digitalmente)  Júnia Roberta Gouveia Sampaio    Fl. 86DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13973.000553/2009­53  Acórdão n.º 2202­003.283  S2­C2T2  Fl. 76          7                           Fl. 87DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA

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Numero do processo: 13896.722672/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO. Petição apresentada fora do prazo não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento e não suspende a exigibilidade do crédito tributário, salvo se suscitada a tempestividade como preliminar. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. PRECEDENTE DO STJ NO RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC. A ausência de pagamento antecipado, ou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ no Recurso Especial n° 973.733/SC julgado nos termos do art. 543-C do CPC o que implica, em razão do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, vinculação dos membros deste Colegiado à tese vencedora no âmbito do STJ. INCORPORAÇÃO. ÁGIO INTERNO. ÁGIO INEXISTENTE E DECORRENTE DE ATOS ARTIFICIAIS. GLOSA. É indedutível a amortização de despesa a título de ágio, gerado internamente e apurado mediante atos artificiais desprovidos de propósitos negociais que não sejam a própria economia tributária fraudulenta buscada pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150% quando demonstrado o evidente intuito de fraudar o fisco. TRIBUTOS DECORRENTES. CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estende-se, no que couber, ao lançamento da CSLL, quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas no que for concomitante com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007. Precedentes do STJ: AgRg no REsp 1499389/PB e REsp 1496354/PR. SUJEIÇÃO PASSIVA. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. A cominação da penalidade qualificada baseada em conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na esfera criminal, ensejam a responsabilização dos administradores da pessoa jurídica à época da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária em questão.
Numero da decisão: 1402-002.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário da pessoa jurídica autuada em relação à tempestividade da impugnação e negar-lhe provimento. Em relação ao recurso dos responsáveis solidários: i) por maioria de votos, manter a responsabilidade dos coobrigados.Vencidos os Conselheiros Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto que votaram para excluí-los da relação jurídico-tributária. Os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Gilberto Baptista votaram pelas conclusões; ii) Por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência; e: iii) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada até o limite da concomitância com a multa proporcional. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Gilberto Baptista e Demetrius Nichele Macei, que votaram por cancelar integralmente essa penalidade. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Roberto Silva Júnior.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO. Petição apresentada fora do prazo não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento e não suspende a exigibilidade do crédito tributário, salvo se suscitada a tempestividade como preliminar. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. PRECEDENTE DO STJ NO RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC. A ausência de pagamento antecipado, ou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ no Recurso Especial n° 973.733/SC julgado nos termos do art. 543-C do CPC o que implica, em razão do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, vinculação dos membros deste Colegiado à tese vencedora no âmbito do STJ. INCORPORAÇÃO. ÁGIO INTERNO. ÁGIO INEXISTENTE E DECORRENTE DE ATOS ARTIFICIAIS. GLOSA. É indedutível a amortização de despesa a título de ágio, gerado internamente e apurado mediante atos artificiais desprovidos de propósitos negociais que não sejam a própria economia tributária fraudulenta buscada pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150% quando demonstrado o evidente intuito de fraudar o fisco. TRIBUTOS DECORRENTES. CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estende-se, no que couber, ao lançamento da CSLL, quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas no que for concomitante com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007. Precedentes do STJ: AgRg no REsp 1499389/PB e REsp 1496354/PR. SUJEIÇÃO PASSIVA. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. A cominação da penalidade qualificada baseada em conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na esfera criminal, ensejam a responsabilização dos administradores da pessoa jurídica à época da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária em questão.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário da pessoa jurídica autuada em relação à tempestividade da impugnação e negar-lhe provimento. Em relação ao recurso dos responsáveis solidários: i) por maioria de votos, manter a responsabilidade dos coobrigados.Vencidos os Conselheiros Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto que votaram para excluí-los da relação jurídico-tributária. Os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Gilberto Baptista votaram pelas conclusões; ii) Por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência; e: iii) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada até o limite da concomitância com a multa proporcional. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Gilberto Baptista e Demetrius Nichele Macei, que votaram por cancelar integralmente essa penalidade. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Roberto Silva Júnior.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.225          2 Cabível  a  imposição  da multa  qualificada  de  150% quando  demonstrado  o  evidente intuito de fraudar o fisco.  TRIBUTOS DECORRENTES. CSLL.   A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas  Jurídicas,  estende­se, no que couber,  ao  lançamento da CSLL, quando  tiver  por fundamento o mesmo suporte fático.  MULTA  ISOLADA  E  MULTA  DE  OFÍCIO  PROPORCIONAL.  CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE.  É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas no que  for concomitante com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido  no  ajuste  anual, mesmo  após  a  vigência  da  nova  redação  do  art.  44  da Lei  9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007. Precedentes do STJ: AgRg no REsp  1499389/PB e REsp 1496354/PR.  SUJEIÇÃO PASSIVA. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE  ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135,  III, DO CTN. POSSIBILIDADE.  A  cominação  da  penalidade  qualificada  baseada  em  conduta  dolosa  que  denote  sonegação,  fraude  ou  conluio  com  repercussões,  em  tese,  na  esfera  criminal, ensejam a responsabilização dos administradores da pessoa jurídica  à época da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária em questão.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em  parte  do  recurso  voluntário  da  pessoa  jurídica  autuada  em  relação  à  tempestividade  da  impugnação e negar­lhe provimento. Em relação ao recurso dos responsáveis solidários: i) por  maioria  de  votos,  manter  a  responsabilidade  dos  coobrigados.Vencidos  os  Conselheiros  Demetrius  Nichele  Macei  e  Leonardo  de  Andrade  Couto  que  votaram  para  excluí­los  da  relação  jurídico­tributária. Os Conselheiros Frederico Augusto Gomes  de Alencar  e Gilberto  Baptista  votaram  pelas  conclusões;  ii)  Por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  a  arguição  de  decadência;  e:  iii)  Por maioria  de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  cancelar a multa isolada até o limite da concomitância com a multa proporcional. Vencidos os  Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Gilberto Baptista e Demetrius Nichele Macei,  que votaram por cancelar integralmente essa penalidade.  (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Demetrius  Nichele  Macei,  Frederico  Augusto  Gomes  de  Alencar,  Fernando  Brasil  de  Oliveira  Pinto,  Gilberto  Baptista,  Leonardo  de  Andrade  Couto,  Leonardo  Luís  Pagano  Gonçalves  e  Roberto  Silva  Júnior. Fl. 3225DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.226          3 Relatório  VENBO  COMERCIO  DE  ALIMENTOS  LTDA.  recorre  a  este  Conselho,  com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 01­ 30.317 lavrado pela 1ª Turma da DRJ em Belém que não conheceu de sua impugnação por ser  considerada intempestiva.  RICARDO  FIGUEIREDO  BOMENY  e  RÔMULO  BORGES  FONSECA  também  recorrem  a  este  Conselho,  com  fulcro  no  art.  33  do  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  objetivando a reforma do acórdão nº 01­30.317 lavrado pela 1ª Turma da DRJ em Belém que  julgou improcedentes as impugnações por eles apresentadas.  Por bem refletir o  litígio, adoto o relatório da decisão de primeira instância,  complementando­o ao final:  I – DO LANÇAMENTO  Trata­se  de  auto  de  infração  de  Imposto  de  Renda  de  Pessoa  Jurídica  (IRPJ),  de  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL)  e  de  Multa  Isolada,  referente  aos  anos­calendário  de  2007  e  2008,  com  os  lançamentos  discriminados no quadro 1 a seguir (principal, multa e juros, calculados até .12.2013).  TRIBUTO  IMPOSTO­  R$  JUROS DE MORA­  R$  MULTA – R$  MULTA ISOLDA  – R$  TOTAL – R$  IRPJ  3.300.728,15  1.770.271,01  4.951.092,23  1.974.817,27  11.996.908,66  CSLL  1.202.640,98  644.682,12  1.803.961,48  716.873,80  4.368.158,38  TOTAL          16.365.067,04  O  Contribuinte  tomou  ciência  do  auto  de  Infração  em  17/12/2013.(fl. 1.414 ).  O  Responsável  solidário  Ricardo  Figueiredo  Bomeny  tomou  ciência em 19/12/2013 (fl. 1.413).  O Responsável solidário Rômulo Borges Fonseca tomou ciência em  14/01/2014. (fl. 1.416).  II– DAS INFRAÇÕES LANÇADAS  01.  A  Empresa  foi  autuada  pelas  seguintes  infrações  à  legislação  tributária, a saber:  01 – AMORTIZAÇÃO  VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS  Amortização  indedutível  de  ágio,  conforme  relatório  fiscal em anexo  Fato  Valor Apurado  Multa  Fl. 3226DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.227          4 Gerador  (R$)  (%)  31/12/2007  3.672.000,00  150,00  31/12/2008  3.672.000,00  150,00  ....................................................................................... .................................    Glosas das exclusões mensais do  lucro  real de valor  R$594.000,00,  efetuadas  nos  livros  de  apuração  do  lucro  real  de  2007  e  2008,  sob  o  histórico  "MANUTENÇÃO DO PL CONFORME LANÇAMENTO  NO  LIVRO  DIÁRIO  NA  CONTA  1.3.3.2.08",  totalizando R$7.128.000,00 em 2007 e 2008.  ....................................................................................... .................................  O CONTRIBUINTE  lançou, na apuração do resultado  dos  anos  calendário  2007  e  2008,  despesas  irregulares,  relativas  à  amortização  de  ágio  gerado  artificialmente dentro do próprio grupo societário, bem  como promoveu exclusões irregulares na apuração do  lucro  real,  relativas  ao  mencionado  ágio  fictício,  conforme será detalhado na sequência.  Em  apertada  síntese,  esta  fiscalização  constatou  a  realização de planejamento  tributário abusivo,  levado  a  efeito  por  intermédio  de  transações  societárias  simuladas, entre o CONTRIBUINTE, doravante citado  apenas como VENBO,  e empresas do mesmo grupo  econômico, geridas pelos mesmos administradores, a  saber,  22N  PARTICIPAÇÕES  LTDA,  CNPJ  07.720.382/0001­77,  doravante  22N,  PERONIA  PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ 08.258.684/0001­38,  doravante PERONIA, e BRAZIL FAST FOOD CORP,  CNPJ  05.714.446/0001­00,  doravante  BRAZIL  FAST  FOOD.    02 – EXCLUSÃO/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL –  EXCLUSÕES INDEVIDAS  Valor  excluído  indevidamente  do  Lucro  Líquido  do  período,  na  determinação  do  Lucro  Real,  conforme  relatório fiscal em anexo.  Fato  Gerador  Valor  Apurado (R$)  Multa (%)  31/12/2007  7.128.000,00  150,00  31/12/2008  7.128.000,00  150,00  Glosas das despesas mensais de valor R$306.000,00,  efetuadas  na  conta  551205  ­  INCORPORAÇÃO  PERONIA,  totalizando  R$  3.672.000,00  em  2007  e  2008.  ....................................................................................... .................................  A  combinação  das  duas  tabelas  anteriores  permite  concluir  que  o  CONTRIBUINTE  aproveitou  o  ágio  proveniente  da  incorporação  da  PERONIA  para  efetuar, na apuração do lucro real, exclusões mensais  de  R$594.000,00,  totalizando  R$1.782.000,00  no  Fl. 3227DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.228          5 trimestre, R$7.128.000,00 no ano e R$35.640.000,00  em  60  meses,  ao  mesmo  tempo  em  que  também  lançou  despesas  de  ágio  na  conta  de  resultado  551205  ­INCORPORAÇÃO  PERONIA,  em  valores  mensais de R$900.000,00 a crédito e R$594.000,00 a  débito,  resultando  em  uma  despesa  mensal  de  R$306.000,00. totalizando R$918.000,00 no trimestre.  R$3.672.000.00  no  ano  e  R$18.360.000,00  em  60  meses.  Resumindo, o CONTRIBUINTE além de aproveitar­se  do  ágio  fictício  de  R$35.640.000,00,  através  de  exclusões  mensais  de  R$594.000,00  durante  60  meses, reduziu ainda mais a base de cálculo do IRPJ  e  da  CSLL  através  de  despesas  mensais  de  amortização  do  mesmo  ágio,  de  R$306.000,00  durante 60 meses, resultando no aproveitamento total  indevido  de  ágio  no  valor  mensal  de  R$900.000,00,  R$2.700.000,00 no trimestre, R$10.800.000,00 ao ano  e R$54.000.000,00 em 60 meses.  As tabelas da sequência, extraídas das escriturações  contábeis  digitais  dos  anos  calendário  2008  e  2009.  apresentadas  pelo  CONTRIBUINTE  no  sistema  SPED.  mostram  que  os  lançamentos  de  despesas  mensais  na  conta  551205  ­  INCORPORAÇÃO  PERONIA,  efetuadas a  titulo de  amortização de ágio  decorrente  de  incorporação  da  PERONIA,  resultam  em despesas mensais de R$306.000,00 e anuais de  R$3.672.000,00.    03 – MULTA OU JUROS ISOLADOS  FALTA  DE  RECOLHIMENTOS  DO  IRPJ/  DA  CSLL  SOBRE  A  BASE DE CÁLCULO ESTIMADA  Falta  de  pagamento  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  e  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro,  incidente sobre a base de cálculo estimada em função  da  receita  bruta  e  acréscimos  e/ou  balanços  de  suspensão ou redução.  ....................................................................................... ............................................  A glosa das exclusões e das despesas detalhadas no  item  anterior  afeta  a  determinação  das  bases  de  cálculo  das  estimativas mensais  do  IRPJ e  da CSLL  dos  anos  calendário  de  2007  e  2008,  conforme  mostrado  nas  tabelas  da  sequência,  resultando  na  apuração de valores de IRPJ e de CSLL que deixaram  de ser efetivamente recolhidos pelo CONTRIBUINTE.  MULTA ISOLADA – IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA  Fato  Gerador  Multa R$  31/12/2007  1.171.586,43  31/01/2008  113.894,43  29/02/2008  107.086,96  31/03/2008  5.634,77  30/06/2008  169.731,69  31/07/2008  226.137,22  31/08/2008  150.338,96  30/09/2008  30.406,81  Fl. 3228DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.229          6 MULTA  ISOLADA  –  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  Fato  Gerador  Multa R$  31/12/2007  425.332,69  31/01/2008  40.500,00  29/02/2008  38.911,31  31/03/2008  2.388,52  30/06/2008  61.728,88  31/07/2008  82.223,93  31/08/2008  54.482,82  30/09/2008  11.306,45    04 ­ DA MULTA QUALIFICADA  O CONTRIBUINTE praticou  condutas que  caracterizam a  prática de sonegação e fraude nos termos dos arts. 71 e 72  da  Lei  4.502/64,  cujo  teor  transcreve­se  na  sequência,  contendo grifos desta  fiscalização nos  textos aplicáveis ao  caso em tela.  Ari. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento por parte da autoridade fazendária:  I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributaría  principal,  sua  natureza  ou  circunstâncias  materiais:  II  ­  das  condições  pessoais  de  contribuinte,  suscetíveis  de  afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário correspondente.  Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do  fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir  ou modificar as suas características essenciais, de modo a  reduzir o montante do  imposto devido a evitar ou diferir o  seu pagamento.  Os sócios administradores da VENBO praticaram atos que  denotam  o  evidente  intuito  de  sonegação  e  fraude  nos  termos  dos  arts.  71  e  72  da  Lei  4.502/1964,  posto  que  promoveram  uma  artificial  reestruturação  societária  destinada  a  gerar  um  expressivo  ágio  ficticio  de  R$54.000.000,00,  convenientemente  utilizado  para  reduzir  indevidamente  a  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL  nos  periodos de 01/2007 a 12/2011.  As  evidências  relatadas  no  item  2  do  presente  termo  apontam  que  o  CONTRIBUINTE  e  seus  administradores  não praticaram tais atos de forma involuntária, desavisada  ou  por  mero  erro,  posto  que  a  sequência  de  transações  foram  realizadas  mediante  instrumentos  jurídicos  complexos,  devidamente  assinados  pelos  sócios  administradores e valendo­se da utilização de empresas de  prateleira  fornecidas  pelos  consultores  que  prestaram  o  serviço de planejamento tributário.  Cabe  também  destacar  que  o  CONTRIBUINTE  não  se  limitou a reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL no  montante  relativo  ao  ágio  ficticio  originalmente  arquitetado, no valor de R$ R$35.640.000,00, posto que foi  além  na  fraude  e  sonegação  contra  o Fisco,  aproveitando  Fl. 3229DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.230          7 para lançar despesas de amortização de ágio que alçaram a  redução  das  bases  de  cálculo  para  o  montante  de  R$54.000.000,00. conforme relatado no item 2 do presente  termo.  Diante  do  exposto,  esta  fiscalização  aplicará  a  multa  qualificada  de  150%.  prevista  no  art.  44,  §1°,  da  Lei  9.430/1996,  c/c  art.  71  e  72  da  Lei  4.502/64,  sobre  os  créditos  tributários  constituídos  em  decorrência  da  glosa  das  exclusões  e  das  despesas  relativas  à  amortização  de  ágio.  em  procedimento  formalizado  dentro  do  AUTO  DE  INFRAÇÃO do processo digital 13896.722672/2013­15.    05 – DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA  Tendo sido evidenciada a prática de infração à lei, na  forma de sonegação e fraude, nos termos dos arts. 71  e  72  da  Lei  4.502/64,  esta  fiscalização  responsabilizará  pelos  créditos  tributários  ora  lançados, de forma solidária com o CONTRIBUINTE e  pessoal,  os  sócios  administradores  da  empresa  à  época  dos  fatos  geradores.  RÓMULO  BORGES  DA  FONSECA,  CPF  342.145.347­00,  e  RICARDO  FIGUEIREDO BOMENY, CPF 008.979.327­73.  A  responsabilidade  solidária  e  pessoal  dos  mencionados sócios administradores é  atribuida  com  base no Inciso I do art. 124 e no Inciso III do art. 135  do CTN, a seguir transcritos, uma vez que os mesmos  tinham evidente  interesse  financeiro no resultado dos  atos praticados com infração à lei.  Art. 124 São solidariamente obrigadas:  I  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  gue  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II  ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  (...)  Parágrafo único. A solidariedade  referida  neste  artigo não  comporta  beneficio de ordem.  (...)  Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social  ou estatutos:  III ­ os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de  direito privado.  Os  sócios  administradores  da  empresa  à  época  dos  fatos  geradores, RÓMULO BORGES DA FONSECA,  CPF  342.145.347­00,  e  RICARDO  FIGUEIREDO  BOMENY,  CPF  008.979.327­73,  serão  cientificados  pessoalmente  dos  créditos  tributários  ora  lançados,  mediante  encaminhamento  de  cópias  do  presente  termo e do AUTO DE INFRAÇÃO do processo digital  13896.722672/2013­15,  bem  como  de  termos  de  sujeição passiva solidária, com abertura de prazo para  que apresentem  impugnação contra o  feito, na  forma  do art. 3o da Portaria RFB 2.284/10.    Fl. 3230DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.231          8 III  ­  DA  IMPUGNAÇÃO  –  DO  CONTRIBUINTE  –  VENBO  COMÉRCIO  DE  ALIMENTOS    Em  17/01/2014,  a  Empresa  apresentou  impugnação  ao  Auto  de  infração (fl. 2.022/2.369), e alega em síntese:  1 – DA TEMPESTIVIDADE  Conforme disposto no artigo 15,  do PAF, o  trintídio  para  oferecimento  de  impugnação  ao  Auto  de  Infração  se  inaugura  com  a  intimação  do  contribuinte.  Tendo  a  Impugnante  sido  intimada  apenas em 19.12.2013 (quinta­feira), o referido prazo  findará em 18.01.2014 (sábado), estendendo­se até o  primeiro  dia  útil  subsequente,  20.01.2014  (segunda­ feira).  Oferecida  antes  do  transcurso  do  prazo,  infere­se  a  tempestividade da presente impugnação.  2 – DA AUTUAÇÃO  ....................................................................................... ............................................  A constatação do i. Fiscal, contudo, é absolutamente  equivocada  e,  conforme  será  demonstrado  adiante,  encontra­se  viciada  por  preconceitos  perigosamente  simplistas,  gerados  por  uma  visão  distorcida  que  de  antemão,  em  notório  prejulgamento,  parte  da  premissa de caracterização como prática de fraude e  sonegação  toda  e  qualquer  operação  de  reorganização  societária  que  tenha  promovido  o  surgimento, e posterior aproveitamento fiscal, de ágio  fundado em goodwill.  Diante disso, a Impugnante se dedicará a demonstrar  que a operação de reestruturação societária por que  passou  o  grupo  econômico  em que  está  inserida,  foi  realizada  (a)  com  firme  propósito  negocial,  (b)  calcada  em  laudos  e  avaliações  técnicas  realizadas  por empresas especializadas de renome internacional,  (c) de acordo com as normas legais vigentes à época,  (d)  através  de  práticas  e  atos  tornados  públicos,  na  medida  das  exigências  dessa  legislação,  (e)  em  consonância com as melhores práticas contábeis e (f)  sem prejuízo ao erário,  tendo gerado o recolhimento  de  imposto  de  renda  sobre  a  reavaliação  do  empreendimento,  logo,  (g)  de  forma  lícita  e  economicamente coerente.  ....................................................................................... .......................................  3  –  RAZÕES  DE  ORDEM  ECONÔMICA  PARA  A  REESTRUTURAÇÃO  SOCIETÁRIA.  Fl. 3231DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.232          9 ­ O controle da Venbo era exercido por uma holding – Brasil Fast Food Corporation;  ­  A  BFF  corp.  era  obrigada  a  manter  o  valor  do  investimento  registrado  o  Banco  Central do Brasil – Em virtude de ser a Venbo controlada por empresa estrnageira, a  legislação lhe impunha uma série de restrições ( ver art. 39 da Lei 4.131/1962);  ­ O montante do investimento da BFF Corp. na Venbo registrado no BACEN ser na ser  na época, por um lado, superior ao valor contábil da Venbo (que possuía PL negativo), e, por  outro, inferior ao efetivo valor de mercado da Venbo;  ­ Essas gravíssimas distorções causavam muitos prejuízos ao empreendimento, e sua correção  constituiu um dos pilares, um dos motivos mais relevantes na reestruturação das empresas;  ­ Em  face  disso,  foi  tomada  a  decisão  de  corrigir  essa  grave  distorção,  de  tornar  visível  e  efetiva, jurídica e contabilmente, a realidade econômica do negócio, a verdadeira dimensão de  seu tônus empresarial:  E,  para  lograr  tal  desiderato,  teve  a  sociedade  holding BFF Corp  de  proceder  a  uma  avaliação  da  Venbo,  levada  a  efeito  com  todo  rigor  técnico  pela  Deloitte,  para  em  seguida  conferir  as  quotas  da  Venbo por esse mesmo valor ao capital de uma nova  holding  brasileira,  apurando  nessa  operação  um  ganho  e  recolhendo  o  imposto  de  renda  incidente  pela diferença a maior entre o valor da avaliação e o  do investimento que originariamente realizara!  Assim,  prima  facie  nota­se que  nenhum  resquício  de  artificialidade conteve a operação de que se originou  o ágio do investimento na Venbo.........  Tais  fatos  sugeriam,  portanto,  a  formação  de  uma  holding  brasileira  para  o Grupo  e  a  reavaliação  do  investimento  de  forma  a  refletir,  pelas  melhores  práticas  contábeis,  o  real  valor  de  mercado  do  negócio  Bob's.  Criar  esta  holding  brasileira  permitiria a flexibilidade necessária para ingresso na  Bolsa  de  valores  brasileira,  então  em  estudos,  ingresso de novos sócios, tomada de empréstimos, etc.  ....................................................................................... ..........................................  ­ Em 2006 com o objetivo da reestruturação do Grupo, desta vez com fundamento em  outra razão de cunho operacional:   a  segregação  das  atividades  como  forma  de  obter  ganhos  de  eficiência,  com  a  otimização  de  cada  empreendimento,  sob  o  conceito  de  alocação  de  recursos e focos em função de cada atividade distinta.  Contratou  os  serviços  da  Deloitte  Touche  Tomhmatsu  para  dar  forma a operação, que após os estudos chegou a conclusão da necessidade de criação  de uma holding brasileira, com uma nova estrutura societária para o grupo.  Dessa  maneira,  deu­se,  em  11.12.2006,  o  primeiro  passo no sentido da reestruturação do Grupo Bob's,  Fl. 3232DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.233          10 com  a  aquisição  de  empresa  até  então  não  operacional, com estrutura societária que atendia aos  interesses  do  Grupo,  a  22N  Participações  Ltda.  Registre­se  que  esta  sociedade,  em  12.10.2007,  passou  a  ser  denominada  "BFFC  do  Brasil  Participações  Ltda."  (doe.  05)  e,  em  25.04.2011,  "BFFC do Brasil  ­ Comércio  e Participações  Ltda."  (doe. 02), estando ativa até os dias atuais.  A 22N, portanto, foi adquirida pela BFF Corp e pelos  Srs.  Ricardo  Bomeny  e  Rómulo  Borges  da  Fonseca,  com  o  objetivo  de  dar  corpo  à  nova  holding  do  Grupo,  a  BFFC  do  Brasil.  Em  razão  disso,  a  BFF  Corp transferiu a participação que detinha na Venbo  para a 22N, aportando­a em aumento de capital.  ....................................................................................... ............................................  Como dito, a transferência da participação na Venbo  da  BFF  Corp  para  a  22N  foi  realizada  adotando  como base o valor de mercado da Venbo apurado no  laudo  de  avaliação  econômico­financeira  elaborado  pela  Deloitte,  com  fundamento  na  expectativa  de  rentabilidade futura (goodwill) do negócio, qual seja,  R$54.000.000,00  (ciquenta  e  quatro  milhões  de  reais).  ....................................................................................... ...........................................  A 22N ao receber a participação na Venbo pelo valor  de  R$54.000.000,00  (Cinquenta  e  Quatro  Milhões)  conforme mencionado no  tópico anterior, e seguindo  as  determinações  do  artigo  20,  do  Decreto­Lei  n°  1.598/77, desdobrou o custo de aquisição entre o ágio  e o valor do Patrimônio Líquido Contábil da Venbo,  que na ocasião era negativo. Resultou desse processo  que  todo  o  valor  do  investimento  recebido  pela  22N  teve o tratamento de ágio com base na expectativa de  rentabilidade  futura,  com  base  no  laudo  mencionado.(grifamos)    ­ A operação resultou em ganho de capital para a BFF Corp., que apurou e recolheu o  IR ganho de capital (doc. 06) no valor de R$ 281.324,88 ( principal R$ 278.567,07, e  juros de mora R$ 2.757,81);   Concluída  essa  etapa,  cogitou­se  da  caracterização  da 22N como uma empresa com atividade própria, de  gestão  de  marcas  e  realização  de  novas  aquisições  para o Grupo, atividade que exerce até os dias atuais  (como BFFC do Brasil). Assim, continuando o projeto  de  segregação  de  atividades,  optou­se  por  adquirir  uma  nova  sociedade,  a Peronia Participações Ltda.,  que  serviria  como  holding  pura  para  as  principais  atividades  do  Grupo  (franquia,  lojas  próprias  e  imobiliária),  resultante  da  cisão  da  Venbo  (etapa  final  da  reestruturação),  e  que  recebeu  da  22N  um  Fl. 3233DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.234          11 aporte de capital com as quotas do capital da Venbo  anteriormente  recebidas  da  BFF  Corp  pelo  mesmo  valor por que a 22N havia recebido  .......  a  Peronia  adotou  o  mesmo  procedimento  contábil  da  22N,  reconhecendo  o  mesmo  ágio  anteriormente refletido nos livros da 22N.  Além  disso,  e  com  base  nas  técnicas  contábeis  adotadas à época, a Peronia constituiu uma provisão  para  desvalorização  do  ágio  no  exato  valor  do  mesmo,  ou  seja,  R$  54.000.000,00  (Cinquenta  e  Quatro  Milhões  de  Reais).  Destaque­se  que  a  validade desta prática foi posteriormente refletida na  Resolução CFC n° 1.139/08, do Conselho Federal de  Contabilidade  que  aprovou  a  Norma  Brasileira  de  Contabilidade  ­  NBC  T  19.8  —  Ativo  Intangível,  a  qual estabelece, em seu tópico 47, o seguinte:  "Ágio  derivado  da  expectativa  de  rentabilidade  futura (Goodwill) gerado internamente  47. O  ágio  derivado  da  expectativa  de  rentabilidade  futura  (goodwill)  gerado  internamente  não  deve  ser  reconhecido como ativo.  48. Em alguns casos incorre­se em gastos para gerar  benefícios econômicos futuros, mas que não resultam  na  criação  de  ativo  intangível  que  se  enquadre  nos  critérios de reconhecimento estabelecidos na presente  Norma.  Esses  gastos  costumam  ser  descritos  como  contribuições para o ágio derivado da expectativa de  rentabilidade." (grifos originais)  Dessa maneira, foi constituída, como dito acima, uma  provisão  para  tornar  o  ágio  neutro  nas  demonstrações  financeiras  da  Peronia  e  do Grupo.  Referida provisão não afetou a base fiscal da empresa  uma vez que sua natureza foi de provisão indedutível.  Atendendo­se  novamente  à  boa  prática  contábil,  a  Sociedade  constituiu  um  ativo  diferido  no  valor  de  R$18.360.000,00  (dezoito  milhões,  trezentos  e  sessenta  mil  reais)  ­  correspondentes  a  aproximadamente 34% (trinta e quatro por cento) do  valor  da  provisão  constituída  (R$54.000.000,00)  ­  a  título  de  Imposto  de  Renda  e  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  Diferidos  (expectativa  de  dedutibilidade  futura  por  ocasião  das  amortizações  do  ágio),  tendo  como  contrapartida  a  despesa  de  Imposto de Renda e CSLL nos resultados.  ­  Ocorre  que  a  etapa  seguinte,  que  consistia  na  cisão  da  Venbo  com  a  segregação  das  atividades,  mostrou­se  inviável  naquele  momento.(  informando  um  dos  impedimentos,  que  consistia  na  impossibilidade  de  a  Venbo  obter  Certidão Negativa  de Débitos  ­  CND previdenciária, necessária para a realização de tal ato)  Com isso, demonstrou­se desnecessária a manutenção  da Peronia  Fl. 3234DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.235          12 dentro do organograma do Grupo, sendo conveniente  em termos societários promover a incorporação desta  pela Venbo (doc. 08).  Registre­se  que,  naquela  ocasião,  constava  no  balanço  da  Peronia  o  registro  contábil  do  investimento  na  Venbo,  segregado da seguinte maneira:  ATIVO __________________________R$18.361.000,00  Caixa  R$1.000,00  Participação em empresa controlada (Venbo) R$0,00  Ágio em empresa controlada (Venbo)  R$54.000.000,00  Provisão redutora do ágio  (R$54.000,00,00)  ATIVO DIFERIDO  R$18.360.000,00  PATRIMÔNIO LÍQUIDO __________ R$18.361.000,00  Capital social integralizado  R$54.001.000,00  Lucros acumulados  (R$35.640.000,00)  O ágio  lançado no ativo da Peronia,  cabe  registrar,  foi apurado em virtude da reavaliação de ativo, pela  BFF Corp,  correspondente à participação  societária  na  própria  Venbo,  tendo  surgido  na  22N  e  sido  transferido  para  a  Peronia  em  virtude  do  segundo  passo da  reestruturação  societária planejada para o  Grupo.  Isto significa que uma vez esclarecidas as motivações  empresariais  e  o  suporte  técnico  que  deram  substância  às  operações  de  que  se  originou  o  ágio,  segue­se  que  os  atos  subsequentes  descritos  são  desdobramentos que não tem o condão de macular a  legitimidade de constituição do ágio.  ....................................................................................... ............................................  Ora,  caso  a  motivação  da  operação  fosse  exclusivamente  o  benefício  fiscal,  bastaria  que  (i)  após a transferência do investimento na Venbo para  a  22N,  com  ágio  fundado  em  goodwill,  fosse  (ii)  realizada  a  incorporação  da  22N  na  Venbo,  ou  o  contrário.  O  ágio  poderia  ser  da  mesma  forma  aproveitado,  sem  a  necessidade  de  todas  essas  transformações no Grupo Bob's!(grifo original)  ....................................................................................... ...........................................  Apresentado o  cenário  em que  foi modelada e posta  em  prática  a  reorganização  societária  do  Grupo  Bob's no  final do ano de 2006 e  início de 2007,  fica  nítido  que  o  surgimento  do  ágio  posteriormente  amortizado  pela  Venbo  foi  consequência,  e  não  causa,  de  toda  a  reestruturação.  A  operação  como  um  todo, conforme se vê, é consideravelmente mais  complexa  que  aquela  apresentada  no  simplório  relato da fiscalização; o i. Fiscal focou em operações  isoladas,  sem avaliar  a movimentação  societária  de  Fl. 3235DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.236          13 maneira sistemática, isso certamente não por falta de  capacidade, mas  por  uma  preconcebida  condenação  da reestruturação.(grifo original)  ....................................................................................... ...........................................  Esta  demonstração  fática,  por  si,  já  reflete  a  substância  econômica  da  reorganização,  cujo  sucesso,  a  propósito,  está  muito  atrelado  à  boa  condução técnica anterior à sua realização (fundada  em sólida avaliação e projeção dos negócios).  ....................................................................................... ...........................................  Repita­se:  essa  complexidade  da  reestruturação  societária  levada  a  cabo  pela  Impugnante  foi  ignorada pela fiscalização, que se ateve a elementos  pró­forma,  como  o  modo  de  aquisição  das  sociedades,  na  tentativa  de  atribuir  a  toda  a  operação ares  de  ilicitude,  sob  o  rótulo  de  fraude  e  sonegação  fiscal,  o  que,  data  venia,  constitui  verdadeiro absurdo!  Feitas essas ponderações, a Impugnante dedicar­se­á  a demonstrar, ponto a ponto, os equívocos cometidos  pela fiscalização.    4 – APROVEITAMENTO FISCAL FISCAL DO ÁGIO – Legalidade da apuração e aproveitamento do ágio pela  Venbo.  O artigo 20, do DL 1.598/77 estabelecia as diretrizes  para  verificação  do  ágio  na  aquisição  de  participações societárias da seguinte forma:    Art  20  ­ O  contribuinte  que avaliar  investimento  em  sociedade  coligada  ou  controlada  pelo  valor  de  patrimônio  líquido deverá, por ocasião da  aquisição  da participação, desdobrar o custo de aquisição em:  I ­ valor de patrimônio líquido na época da aquisição,  determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e  II  ­  ágio  ou  deságio  na  aquisição,  que  será  a  diferença entre o custo de aquisição do investimento e  o valor de que trata o número I.  §1°  ­  O  valor  de  patrimônio  líquido  e  o  ágio  ou  deságio  serão  registrados  em  subcontas  distintas  do  custo de aquisição do investimento.  §2°  ­  O  lançamento  do  ágio  ou  deságio  deverá  indicar, dentre os  seguintes, seu fundamento econômico:  [...]  Fl. 3236DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.237          14 b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada,  com  base  em  previsão  dos  resultados  nos  exercícios  futuros;  [•••]  §3°  ­  O  lançamento  com  os  fundamentos  de  que  tratam as letras a e b do § 2o deverá ser baseado em  demonstração  que  o  contribuinte  arquivará  como  comprovante da escrituração.  Por seu turno, o artigo 7o, da Lei n° 9.532/97, previa  que  a  pessoa  jurídica  que  absorvesse  patrimônio  de  outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na  qual detivesse participação societária adquirida com  ágio apurado por expectativa de rentabilidade futura  (goodwill ­ alínea "b", do § 2—, do art. 20, do DL n°  1.598/77),  poderia  amortizá­lo,  à  razão  de 1/60  (um  sessenta  avos)  para  cada  mês  do  período  de  apuração.  A  alínea  "b",  do  artigo  8o,  subsequente,  autorizava  esta  amortização  também  quando  a  empresa  incorporada,  fusionada  ou  cindida  fosse  aquela  que  detinha  a  propriedade  da  participação  societária.  ....................................................................................... ...........................................  ..........incorporação da Peronia pela Venbo, tendo em  vista  que  o  ágio  surgido  na  22N  foi  apurado  com  fundamento  em  rentabilidade  futura,  com  base  em  laudo  formulado  por  empresa  independente  e  de  renome no mercado, a Venbo procedeu, na forma do  artigo  7o,  inciso  III,  da  Lei  n°  9.532/97,  à  sua  amortização.  Note­se,  portanto,  que,  além  de  a  reestruturação  societária  ter  sido  realizada  com  base  em  firmes  propósitos  negociais,  o  ágio  posteriormente  amortizado  pela  Impugnante  foi  apurado  e  aproveitado  com  integral  observância  das  normas  legais vigentes à época.  5 – CADEIA DE EQUÍVOCOS QUE REDUNDARAM NA AUTUAÇÃO.  a)"o CONTRIBUINTE [...] deixou de apresentar os livros DIÁRIO, CAIXA e LALUR de  2005,2006 e 2007 da empresa PERONIA [...].»  ....................................................................................... ............................................  A  guarda  dos  livros  referentes  a  2006,  portanto,  deveria ser mantida somente até o ano de 2012, data  anterior à de início dessa fiscalização. Já em 2007, a  empresa  havia  sido  incorporada,  compartilhando  a  escrita contábil da Impugnante.  ....................................................................................... ..........................................  b)  "O CONTRIBUINTE, [...] deixou de esclarecer a origem da provisão redutora de ágio na  PERONIA, no valor de R$35.640.000,00, bem como deixou de apresentar a documentação  Fl. 3237DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.238          15 comprobatória  dos  pagamentos  efetuados  pelas  partes  envolvidas  para  quitação  das  transações envolvendo a PERONIA e a VENBO."  ­ A Peronia  constituiu a provisão para desvalorização do ágio no exato valor dele,  ou seja, R$ 54.000.000,00 (Cinquenta e Quatro Milhões de Reais);  ­ A Sociedade constituiu ainda um ativo diferido no valor de R$18.360.000,00  (dezoito  milhões,  trezentos  e  sessenta  mil  reais)  ­correspondentes  a  aproximadamente  34%  (trinta e quatro por cento) do valor da provisão constituída (R$54.000.000,00);  c)  "Observam­se coincidências no valor do capital das empresas 22N e PERONIA, bem como  de seus sócios e endereços, evidenciando  tratar­se de empresas de prateleira abertas pelo  prestador de  serviços de  consultoria no planejamento  tributário.  [...]  indícios da  falta de  propósito negocial nas transações efetuadas."  ....................................................................................... ............................................  A  forma  de  aquisição  e  a  identidade  dos  quadros  societários  originários  das  empresas  não  são  suficientes  para  contaminar  toda  a  operação,  principalmente  porque  não  há  qualquer  vedação  na  legislação com relação à aquisição de sociedades da  forma como realizada. Na ocasião, foi oportunizada a  aquisição  dessas  sociedades,  as  quais  se  apresentavam  regulares  em  sua  constituição  e  funcionamento,  o  que  se  demonstrou  um modo mais  célere e menos oneroso — tendo em vista a habitual  burocracia  na  constituição de novas  sociedades  ­  de  se conduzir a reorganização societária.  Fica  evidente  o  intuito  do  Fiscal  de,  a  partir  de  argumentos  vazios  de  conteúdo,  trazer  a  reorganização do Grupo Bob's para a vala comum da  sonegação  e  fraude  em  que  são  lançados  os  planejamentos  abusivos,  o  que  claramente  não  cabe  no presente caso.  d)  "o  expressivo  aumento  de  capital  na  22N,  no  valor  de  R$54.000.000,00,  não  decorreu  de  qualquer  transação  de  compra  e  venda,  posto  que  ninguém  pagou  algo  a  alguém,  tratando­se  de  mera  reavaliação  do  ativo  que  representava  as  quotas  da  VENBO,  decorrente  de  acordo  interno  entre  os  sócios  comuns  à  22N  e  à  VENBO,  sem  qualquer  agente  externo,  portanto,  não há que se falar em geração ou pagamento de ágio nesta transação.    Para organizar o raciocínio neste ponto, é importante  ter em mente que o aumento de capital  foi  realizado  pela BFF Corp na 22N. Dessa maneira, a reavaliação  do  investimento  na  Venbo  ocorreu  em  momento  anterior  ao  aporte  em  questão,  gerando,  como  já  mencionado, ganho de capital submetido à tributação  pela BFF Corp. essa reavaliação e aporte das quotas  da  Venbo,  como  visto,  atendeu  a  vários  propósitos  substanciais  no  interesse  límpido  e  cristalino  do  empreendimento.  Com  a  transferência  da  participação  na  Venbo,  por  aporte  de  capital,  para  a  22N,  esta  procedeu  aos  lançamentos  contábeis  próprios  à  aquisição  de  Fl. 3238DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.239          16 investimento, observando a forma prescrita no artigo  20, do DL 1.598/77, já mencionado. Assim, segregou  o montante do  investimento em "valor de patrimônio  líquido" e "ágio na aquisição".  A  vedação  à  apuração  do  ágio  nesse  evento,  sob  o  fundamento de que "ninguém pagou algo a alguém  ", não possui correspondente em lei.  ....................................................................................... ............................................  e) o planejamento tributário é consumado em 2911212006. na 25a alteração da VENBO, na  qual  ocorre  a  incorporação  da  PERONIA  na  VENBO,  cujo  capital  é  aumentado  em  R$18.361.000,00,  valor  do  patrimônio  líquido  da  incorporada.  No  mesmo  instrumento  ocorre  o  ingresso  da  22N,  a  título  gracioso,  ficando  a mesma  com  R$27.643.003,27  do  capital  da VENBO,  e  RÓMULO BORGES DA FONSECA  e  RICARDO FIGUEIREDO  BOMENY com R$0,01 cada."  Não  houve  planejamento  tributário  consumado  em  29/12/2006. Tampouco a reorganização societária do  Grupo  Bob's  se  encerrou  com  a  incorporação  da  Peronia. A segregação das atividades do Grupo em 3  (três)  sociedades  distintas,  como  previa  a  segunda  etapa  da  reestruturação,  não  foi  possível  à  época,  conforme  demonstrado,  mas  vem  se  desenhando  ao  longo dos anos, tendo, hoje, em vias de ser concluída,  com um ou outro ajuste de caráter gerencial.  ....................................................................................... ...........................................  Ademais,  destaque­se  que  o  ingresso  da  22N  na  Venbo não ocorreu "a título gracioso", como sustenta  o  Fiscal.  A  aquisição  de  quotas  da  incorporadora  pelos  sócios  da  sociedade  incorporada  é  consequência natural da extinção desta sociedade (v.  artigo 224, inciso I, da Lei 6.404/76).  Conforme consta no ato de incorporação, a versão do  acervo  líquido  para  a  Venbo  originou  aumento  de  capital  cuja  contrapartida  para  os  sócios  da  sociedade  incorporada  foi  a  proporcional  aquisição  de quotas da incorporadora.  f) "o CONTRIBUINTE além de aproveitar­se do ágio fictício de R$35.640.000,00, através de  exclusões mensais [...], reduziu ainda mais a base de cálculo do IRPJ e da CSLL através de  despesas mensais de amortização do mesmo ágio [...], resultando no aproveitamento total  indevido  de  ágio  no  valor  mensal  de  R$900.000,00,  R$2.700.000,00  no  trimestre,  R$10.800.000,00 ao ano e R$54.000.000,00 em 60 meses."  Como se viu, o surgimento e o aproveitamento  fiscal  do  ágio  foram  realizados  corretamente  pela  Venbo,  não  havendo  que  se  falar  em  "ágio  fictício".  A  forma  como  o  ágio  foi  tratado  internamente,  pela  contabilidade,  seguiu  as  práticas  mais  adequadas  adotadas  no  período, consistindo no seguinte:  Fl. 3239DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.240          17 i.  O ágio foi lançado em conta do ativo da Venbo,  no  valor  de  R$54.000.000,00,  acompanhado de uma provisão  redutora  do ágio  em  igual montante.  ii.  Como  "ativo  diferido",  foi  lançado  o  valor  de  R$18.360.000,00  (dezoito  milhões, trezentos e sessenta mil reais) ­ 34% (trinta e  quatro  por  cento)  do  total  da  provisão  constituída.  Este  lançamento  de  R$18.360.000,00  foi  convertido  mensalmente,  na  proporção  de  1/60,  em  "despesa  de  amortização  do ágio" (R$306.000,00/mês).  iii.Além  disso,  o  montante  de  R$35.640.000,00,  resultou  na  realização  de  exclusões  na  apuração  do  Lucro  Real,  também  na  proporção  de  1/60  (R$594.000,00/mês).  Este  procedimento  resultou  no  aproveitamento  fiscal  do  montante  exato  do  ágio  apurado  no  curso  da  operação de reestruturação societária, nada havendo  de irregular no seu tratamento contábil.  6 – ILEGALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO  a)  Imputação infundada da prática de fraude e sonegação  ..........  um  dos  requisitos  essenciais  para  a  configuração  de  uma  conduta  como  fraude  ou  sonegação é a demonstração cabal da  existência de  dolo  específico1,  ou  seja,  é  imprescindível,  para  o  enquadramento  em  qualquer  um  dos  tipos  legais,  a  exposição  clara  e  inequívoca  de  que  a  ação  ou  omissão foi empreendida com a intenção de burlar a  norma. Para tanto, não basta  No  presente  caso,  não  há  qualquer  prova  de  que  a  reestruturação  se  deu  com  a  intenção  de  se  auferir  algo  vedado  pela  legislação,  pelo  contrário,  com  o  intuito  de  demonstrar  a  suposta  prática  de  ilícito  tributário  o  Fiscal  utilizou  pré­conceitos  completamente infundados como se fossem indícios de  fraude  ou  de  sonegação,  retratados  nas  seguintes  assertivas,  outrora  citadas:  "empresas  do  mesmo  grupo econômico"; "posto que ninguém pagou algo a  alguém";  "não  parece  ser  razoável  uma  empresa  cobrar  ágio  de  si  mesma";  e  "empresas  fornecidas  como se fossem mercadorias em uma prateleira".  As  "evidências"  elencadas  pela  fiscalização  são  na  verdade  suposições  e  suspeitas  de  foro  íntimo,  que  geram uma  ilícita presunção,  infirmada pelo  suporte  fático  e  normativo  da  reestruturação  e  seus  efeitos,  seja  por  expressa autorização  legal ou por ausência  de  vedação.  Ainda,  no  caso  concreto,  não  se  pode  sequer cogitar a constatação de vontade direcionada  a  fins  ilícitos,  visto  que  o  reconhecimento  e  a  amortização do ágio encontram vasto amparo legal e  jurisprudencial.  Fl. 3240DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.241          18 Portanto,  a  convicção  do  contribuinte  que  age  calcado  em  permissivo  legal  e  com  base  em  firme  jurisprudência,  além  de  respeitáveis  e  tangíveis  motivos  de  interesse  empresarial,  não  pode  ser  confundida  ou  mesmo  assemelhada  ao  dolo  necessário  para  a  configuração  de  fraude  ou  de  sonegação,  sob  pena  de  subversão  do  disposto  nos  artigos  71  e  72  da  Lei  4.502/64,  que  tem  por  finalidade  inibir condutas  intencionalmente adotadas  para fins ilícitos.  a.l) Ilegitimidade passiva dos sócios:  ............................................................................... ...  Conforme o relato  fiscal, a  responsabilidade pessoal  e  solidária  dos  sócios  administradores  foi  atribuída  com base no inciso I do artigo 124 e no inciso III do  artigo 135, ambos do CTN, que preceituam:    Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal;  Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato  social  ou  estatutos:  [...]  III  ­  os  diretores,  gerentes ou  representantes de  pessoas jurídicas de direito privado.  Primeiramente, cumpre ressaltar que não se aplica ao  presente  caso  o  disposto  no  artigo  124,  inciso  I,  do  CTN,  visto  que  o  referido  dispositivo  não  trata  de  forma  de  eleição  de  responsável  tributário,  alcançando  apenas  hipóteses  em  que  há  interesse  jurídico comum ­ diferente de interesse econômico na  consecução  da  situação  ­  vinculado  à  realização  conjunta  do  fato  imponível,  de  modo  que  a  solidariedade é forma de graduar a responsabilidade  entre sujeitos que já constam no polo passivo.  ............................................................................... .........  Sendo  assim,  resta  evidente  o  equívoco  da  fiscalização ao pretender a aplicação do artigo 124,  inciso  I,  do  CTN,  com  a  finalidade  de  atribuir  responsabilidade  aos  sócios  administradores  pelos  créditos tributários.  Ao seu turno, a aplicação do artigo 135, inciso III, do  CTN,  pressupõe:  (i)  a  prática  de  ato  ilícito,  dolosamente,  pelas  pessoas  elencadas  no  referido  Fl. 3241DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.242          19 dispositivo;  (ii) conduta  ilícita, como infração de lei,  contrato  social  ou  estatuto,  normas  que  regem  as  relações entre contribuinte e terceiro, externamente à  norma  tributária  matriz;  e  (iii)  a  atuação  tanto  da  norma  básica  (que  disciplina  a  obrigação  tributária  em sentido restrito) quanto da norma  ............................................................................... ...........  Ocorre  que,  conforme  visto  acima,  não  houve  no  presente  caso  comprovação  da  existência  de  dolo,  seja  por  parte  da  Impugnante  ou  de  seus  administradores, bem como não se praticou qualquer  conduta  contrária  às  normas  vigentes,  de modo  que  não  cabe  a  responsabilização  dos  sócios  administradores  por  ausência  dos  requisitos  postos  no artigo 135 do CTN.  Dessa maneira, é evidente a ilegitimidade passiva dos  administradores,  razão pela qual  se  faz necessária a  exclusão  da  responsabilidade  destes  pelo  crédito  tributário lançado.  ............................................................................... .............................  a.2) Homologação tácita do tributo:  Ao proceder à análise da documentação pertinente ao  ano­calendário  de  2007,  apresentada  pela  Impugnante,  a  fiscalização  procedeu  ao  lançamento  de  créditos  de  IRPJ  e  CSLL  relativos  a  tal  período,  com imposição de multa qualificada de 150%.  Todavia,  consoante  plenamente  comprovado,  no  presente  caso  não  houve  a  prática  de  fraude  ou  de  sonegação, de modo que a contagem do prazo para o  lançamento  de  ofício  de  eventuais  diferenças  deve  observar  ao  disposto  no  parágrafo  4o  do  artigo  150  do CTN,.........  ....................................................................................... ............................................  Desse modo, em relação ao ano­calendário de 2007,  os  fatos  geradores  dos  referidos  tributos  se  consumaram em 31/12/2007,  tendo  sido apresentada  pela  Impugnante  a  DIPJ  referente  ao  período  (doe.  10).  Portanto, conforme o disposto no artigo 150, §4°, do  CTN,  ocorreu  a  homologação  tácita  do  tributo  declarado  e  pago  pela  Impugnante  em  31/12/2012,  antes mesmo do início do procedimento fiscalizatório,  cujo  termo  inicial  foi  14/05/2013,  havendo,  consequentemente,  a  decadência  do  direito  de  proceder  ao  lançamento  de  quaisquer  diferenças  relativas ao IRPJ e à CSLL incidentes sobre os fatos  geradores  compreendidos  no  período  de 01/01/2007  até 31/12/20076.  Fl. 3242DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.243          20 ............................................................................... ......................................  a.3) Descabimento das multas qualificadas  Ao  imputar  a  prática  de  ilícito  tributário  à  Impugnante,  o  Fiscal  procedeu à aplicação de multa qualificada de 150%,  prevista  no  artigo  44,  §1°,  da  Lei 9.430/96, c/c artigos 71 e 72 da Lei 4.502/64 ­ os  quais  dispõem  sobre  sonegação  e  fraude  ­,  sobre  os  créditos  de  IRPJ  e  CSLL  constituídos  pelo  lançamento.    7  AgRg  nos  EREsp  1199262/MG,  Rei.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado em 26/10/2011, DJe 07/11/2011.  Ocorre  que,  conforme  demonstrado,  não  houve  sonegação ou fraude, pois (i) não restou configurada  qualquer  intenção  da  Impugnante  ou  de  seus  administradores  de  obter  resultados  ilícitos  decorrentes  de  condutas  delituosas,  bem  como  (ii)  o  surgimento  e  o  aproveitamento  do  ágio  possuem  plenos fundamentos legais e econômicos.  Desse modo, não há incidência das normas inseridas  nos artigos 71 e 72 da Lei 4.502/64, razão pela qual,  por si só, deve ser afasta a qualificação da multa de  ofício  prevista  no  inciso  I  do  artigo  44  da  Lei  9.430/96.  ....................................................................................... ..........................................  a.4) Impossibilidade de cumulação de multas de ofício e isoladas  Além  de  todas  as  ilegalidades  e  inconsistências  do  lançanieiuo  já  demonstradas,  a  fiscalização  determinou  a  aplicação  de  multas  isoladas  de  50%  sobre  supostas  diferenças  entre  as  estimativas  mensais de IRPJ e CSLL, com base nos artigos 43 e  44, inciso II, alínea "b", da Lei 9.430/96.  Entretanto,  tal aplicação resultou na penalização em  duplicidade  da  Impugnante  pelo  mesmo  suposto  ilícito que  lhe é atribuído,  configurando bis  in  idem.  Isto  porque  a  estimativa  mensal  consiste  em  etapa  preparatória  da  apuração  anual  do  tributo,  sendo  meio de execução de uma conduta­fim, praticada por  ocasião  do  encerramento  do  exercício  fiscal.  Assim,  após  a  efetiva  apuração  do  imposto,  caso  se  pretendesse  penalizar  o  contribuinte  por  eventual  descumprimento da obrigação principal, qual seja, de  recolhimento do tributo, caberia a aplicação somente  da multa de ofício.  Ao  seu  turno,  a  multa  isolada  poderia  ser  imposta  apenas  quando  verificada  a  insuficiência  dos  Fl. 3243DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.244          21 recolhimentos das estimativas antes do encerramento  do  período  de  apuração,  tendo  em  vista  que  a  exigência  mensal  deixa  de  ter  eficácia  uma  vez  apurado o lucro real anual, ocasião em que prevalece  o tributo efetivamente devido.  ............................................................................... .........................................  b) Legalidade da apuração e amortização do ágio  O ágio corresponde à parcela do custo de aquisição  de  participação  societária  que  se  sobreponha  ao  valor  do patrimônio  líquido da  sociedade adquirida.  O  tratamento  contábil  conferido  ao  custo  de  aquisição  destas  participações  é  disciplinado  pelo  artigo  20,  do DL  1.598/77,  já  reproduzido  acima,  o  qual  determina  o  desdobramento  deste  custo  em  contas que  informem, separadamente,  (i) o "valor de  patrimônio  líquido"  e  (ii)  o  "ágio  na  aquisição".  O  referido  dispositivo  obriga  o  adquirente  a  indicar  o  fundamento econômico que originou o ágio, dentre os  quais admite o "valor de rentabilidade da coligada ou  controlada, com base em previsão dos resultados nos  exercícios  futuros",  lastrado  em  demonstração  que  deverá  ser  arquivada  pelo  contribuinte  como  comprovante da escrituração.  ....................................................................................... .........................................................  Em  termos  gerais,  as  amortizações  de  ágio  possuem  efeito fiscal neutro ao passo em que são adicionadas  ao lucro líquido como não dedutíveis. A amortização  passa  a  ter  relevância  do  ponto  de  vista  fiscal  somente  quando  o  sujeito  passivo  se  enquadra  na  hipótese  estabelecida  no artigo  7o,  inciso  III,  da Lei  9.532/97  (ou  na  exceção  do  §2°),  também  já  transcrito.  O referido dispositivo autoriza a amortização do ágio  verificado  na  aquisição  de  participações  societárias  avaliadas  com  fundamento  em  expectativa  de  rentabilidade  futura,  apresentando  como  exigência  apenas que após a aquisição da participação ocorra,  entre controladora e controlada, a absorção (total ou  parcial) do patrimônio de uma pela outra, mediante  incorporação  ou  cisão  (veja­se  também  o  artigo  8o,  "b",  da  Lei),  ou  a  reunião  de  seus  patrimônios  em  uma terceira sociedade, através de fusão.  ....................................................................................... ............................................  Sendo essencialmente neutra do ponto de vista fiscal,  a  amortização  do  ágio  depende,  portanto,  dessa  autorização  do  art.  7°,  da  Lei  9.532/97.  Esta  afirmativa, porém, comporta uma segunda conclusão,  a  de  que,  não  sendo  espontânea  a  amortização,  seu  aproveitamento  está  condicionado  exclusivamente  ao  preenchimento  das  condições  que  a  legislação  Fl. 3244DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.245          22 impõe ­uma vez preenchidas, é direito do contribuinte  aproveitar o benefício.  ....................................................................................... ............................................  Extrai­se das lições do acatado doutrinador que (i) o  aproveitamento do  ágio  está condicionado apenas a  (i.a)  que  a  aquisição  de  uma  sociedade  pela  outra  tenha  se  dado  com  a  apuração  de  ágio  por  rentabilidade  futura,  independente  da  forma  como  a  aquisição  foi  realizada,  e  (i.b)  haja  reunião  dos  patrimônios da controladora (que apurou o ágio) e da  controlada  (cuja  expectativa  de  lucros  justificou  o  ágio);  bem  como  (ii)  a  natureza  das  condições  impostas tornam claro o intuito do legislador de fazer  com que o efeito fiscal da amortização do ágio reflita  sobre os lucros cuja expectativa deram  fundamento ao próprio ágio.  141. Tem­se,  assim,  lançadas  as  bases  quanto  às  condições  e  à  ratio  da norma, sobre as quais a Impugnante demonstrará  que  a  amortização  do  ágio  por si realizada está dentro dos limites legais vigentes  à época.  i  Pois  bem.  Na  autuação,  o  fiscal  lança  dois  questionamentos diretos acerca da forma como o ágio  foi  apurado  pela  Impugnante:  o  primeiro  deles  diz  respeito ao fato de o ágio ter surgido em decorrência  da  aquisição  de  participação  societária  com  aporte  de capital em bens e, o segundo, por se tratar de ágio  gerado  através  de  operações  promovidas  dentro  de  um mesmo grupo (ágio interno).  ....................................................................................... ....................................  Forma de aquisição de participação societária:  O Fiscal sustenta que (i) "a geração de ágio [...] sem  qualquer  desembolso  [...]  constitui  prova  da  artificialidade  do  ágio  e  torna  inválida  sua  amortização";  pois  (ii)  "a  substância  econômica  do  ágio  está  condicionada a  [...] que o ágio  tenha  sido  efetivamente  pago";  portanto,  (iii)  o  "ágio  sob  comento não se coaduna com o conceito existente no  art. 7°, da Lei 9.532/97".  Ora,  vê­se  que  o  Fiscal  pretende  ser mais  restritivo  que a norma.  Inicialmente,  esclareça­se  que  o  dispositivo  que  especifica as hipóteses em que será apurado o ágio é  o  artigo  20,  do  DL  1.598/77,  segundo  o  qual,  o  conceito  de  ágio  compreende:  a  diferença  positiva  entre o custo de aquisição do  investimento e o  valor  Fl. 3245DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.246          23 do  patrimônio  líquido  da  investida  na  época  da  aquisição.  Complementa  a  descrição  do  ágio,  o  seu  fundamento  econômico,  sendo  prevista  como  tal  também a expectativa de rentabilidade futura.  No  surgimento  do  ágio,  o  art.  20,  do  DL,  exige  apenas  que  o  custo  de  aquisição  da  participação  societária  tenha  superado  (na  avaliação  de  investimento  em  sociedade  coligada  ou  controlada  pelo  valor  de  patrimônio  líquido)  o  valor  do  PL  da  sociedade  adquirida,  bem  como  que  esta  diferença  positiva  (ágio  propriamente  dito)  tenha  por  base  razões econômicas.  Fixado o ágio com base no artigo 20, do DL, deve­se,  aí  sim,  transportá­lo  para  enquadramento  no  artigo  7o,  da Lei  9.532/97. Neste momento,  caso o ágio  (já  existente)  tenha sido  justificado pelo goodwill e caso  tenha  sido  promovida  a  reunião  de  patrimônios  mencionada  anteriormente,  será  autorizada  a  sua  amortização na forma do inciso III, deste dispositivo.  Os  artigos  citados,  porém,  não  apontam  qualquer  restrição  relacionada  à  forma  de  aquisição  das  participações societárias; não há  restrição para a amortização do ágio ­ quanto menos,  na  forma  que  propõe  o  Fiscal,  para  a  própria  qualificação do ágio.  ....................................................................................... ............................................  No  caso  presente,  o  surgimento  do  ágio  ocorreu  em  virtude do aporte de capital realizado pela BFF Corp  na  22N  (atual  BFFC  do  Brasil),  com  a  versão  de  quotas  da  Venbo,  ocasião  em  que  esta  adquiriu  a  participação societária avaliada com uma expectativa  de rentabilidade futura (fundada em laudo técnico) no  valor  de  R$54.000.000,00,  contra  um  PL  então  negativo  da  incorporada.  No  desdobramento  do  investimento,  a  22N  alocou,  portanto,  os  R$54.000.000,00  como  ágio,  informando  o  valor  do  Patrimônio Líquido da investida de R$0,00.  A  integralização de capital com a entrega de bens é  forma aceita pela legislação, estando autorizada pelo  artigo  7o,  da  Lei  n°  6.404/76,  segundo  o  qual  "o  capital social poderá ser  formado com contribuições  [...]  em  qualquer  espécie  de  bens  suscetíveis  de  avaliação em dinheiro". Ademais, o §2°, do artigo 8o,  da  referida  lei,  dispõe  ainda  que  "se  o  subscritor  aceitar  o  valor  aprovado  pela  assembleia,  os  bens  incorporar­se­ão  ao  patrimônio  da  companhia",  enquanto  o  artigo  9o  ilide  qualquer  dúvida,  ao  estabelecer que "na  falta de declaração expressa em  contrário, os bens transferem­se à companhia a título  de propriedade".  Não  há  dúvidas  de  que  o  controle  societário  da  empresa que representava a marca Bob's no Brasil é  Fl. 3246DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.247          24 suscetível  de  avaliação  em  dinheiro.  Esta  avaliação  foi  realizada por  empresa  especializada, que apurou  (i)  a  faixa  de  valor  econômico  da  Venbo  (As  Is)  na  data­base 31 de dezembro de 2006 e (ii) o valor (Fair  Market Value) de cada um dos  três negócios por ela  operados  considerando  uma  eventual  separação  das  atividades,  na  mesma  data­base.  A  partir  desta  análise  é  que  se  apurou  o  valor  de  mercado  da  Venbo, fixando­o em R$54.000.000,00.  Em contrapartida ao aporte de  capital,  a BFF Corp  adquiriu  quotas  do  capital  da  22N,  em  quantidade  equivalente ao valor do aporte realizado, passando a  ter  participação  indireta  na  Venbo,  mas  com  o  controle  direto  sobre  a  sociedade  que  passou  a  concentrar as marcas e investimentos do grupo, o que  indica a razoabilidade nas transferências.  Sobre  o  alcance  do  termo  "aquisição",  cabe  trazer  lição de Edmar Oliveira Andrade Filho, que afirma:  "O  termo  aquisição  possui  grande  espectro  significativo  e  abrange  todas  as  formas  pelas  quais  um bem ou direito passa a integrar o patrimônio de  alguém.  A  aquisição  da  participação  societária  (ações ou quotas) a que se refere preceptivo legal sob  análise abrange as operações de compra, de permuta,  de  recebimento  em dação de pagamento, doação, de  subscrição  e  integralização  de  capital,  etc.  A  aquisição  também  pode  ocorrer  em  casos  de  sucessão  por  incorporação, fusão e cisão."20 (Grifos postos)  O  Fiscal,  porém,  desconfia  da  regularidade  do  ágio  apurado  nessa  operação,  pois  "ninguém  pagou  algo  para alguém em momento algum".  Ora,  do  escólio  de  Orlando  Gomes,  da  Teoria  do  Pagamento do Direito das Obrigações, extrai­se que:  "[...]  Pode  a  obrigação  extinguir­se  por  diversos  modos.  Desaparece  normalmente  com a  execução.  Satisfeita  a  prestação,  o  vínculo  deixa  de  existir.  O  cumprimento da obrigação por esse modo chama­se,  tecnicamente, pagamento."21 (Grifos postos)  Tecnicamente,  a  AQUISIÇÃO  de  quotas  da  Venbo  pela  22N  foi  adimplida  pela  entrega,  para  a  BFF  Corp,  de  participação  societária  na  22N.  Satisfizeram­se,  assim,  as  obrigações  pactuadas,  sendo  certo  que  houve  "pagamento",  realizado  mediante a entrega de bens. A mesma lógica se seguiu  na  operação  subsequente  da  reestruturação  societária, na transferência do ativo para a Peronia.  Não  houve,  de  fato,  circulação  de  dinheiro  em  espécie,  mas  isto  não  é  contraprestação  necessária,  no  âmbito  do  direito  Privado,  para  que  se  realize  a  aquisição de determinado ativo.  ....................................................................................... ............................................  Fl. 3247DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.248          25 Portanto,  a  aquisição  de  participação  societária  na  Venbo  pela  22N,  operação  que  fez  surgir  o  ágio,  é  absolutamente  válida  para  fins  do  artigo  20,  do DL  1.598/77, nada podendo ser questionado com relação  ao surgimento desse ágio. Bem assim ocorreu com a  operação subsequente, de transferência do ativo para  a Peronia, estando em conformidade com as normas  do Direito Privado.  b.2.) Ágio gerado internamente:  Da mesma forma que na hipótese acima, a legislação  não  veda  em  momento  algum  o  aproveitamento  de  ágio  gerado  dentro  de  um mesmo  grupo  econômico.  Novamente, não há no artigo 20, do DL, exigência de  que  as  operações,  para  justificarem  a  apuração  de  ágio,  devam  envolver  terceiros  estranhos  ao  grupo  econômico, tampouco o artigo 7o, da Lei 9.532/97, faz  tal exigência.  ....................................................................................... ..........................  A  Lei  9.532/97  foi  editada  em  um  ambiente  macroeconômico  em  que  se  buscava  desenvolver  os  negócios  no  Brasil,  com  a  atração  de  investimentos  para  incentivar,  especialmente,  o  programa  de  privatizações.  Criou­se,  dessa  forma,  o  benefício  da  amortização  do  ágio  apurado  com  base  em  rentabilidade  futura,  sob  certas  condições  que  evidenciavam  o  intuito  existente  à  época  de  se  promover uma redução da carga fiscal à medida em  que as atividades desses empreendimentos gerassem  lucros.  Assim, como já demonstrado, o requisito legal para a  amortização do ágio  redundava no carregamento do  ágio  fundado  em  goodwill  para  a  sociedade  cuja  expectativa de rentabilidade lhe deu causa, de modo a  que os tributos devidos sobre os lucros desse negócio  sejam calculados após a amortização do ágio23.  ....................................................................................... ............................................  Viu­se que a amortização do ágio estava calcada em  rentabilidade  futura  cuja  realização  (efetivação  do  lucro  projetado)  deveria  ser  impactada  pela  amortização  do ágio no  resultado. Além disso,  ficou  claro  que  o  intuito  da  norma  era  estimular  os  negócios no País.  Pois  bem.  Reorganização  societária  que  possua  substância  econômica  será,  necessariamente,  realizada com o  intuito de dinamizar os negócios do  grupo  econômico  específico;  não  é  da  lógica  empresarial  reestruturação  societária  que  vise  a  tornar  o  empreendimento  menos  interessante  sob  o  ponto de vista negocial. Este ponto específico dialoga  bem, portanto, com o requisito do propósito negocial,  comum  ao  tema  planejamento  tributário,  Fl. 3248DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.249          26 apresentando­se  suficiente  para  amoldar  uma  reestruturação  societária  à  ratio  legis.  E  no  caso  concreto  de  solar  clareza  a  motivação,  a  conveniência  empresarial  em  revelar  os  números  verdadeiros de seu negócio, bem como de reorganizar  seu organograma societário.  No  bojo  dessa  impugnação,  ficou  claramente  demonstrado  o  propósito  negocial  da  operação,  nada havendo que  se  questionar,  portanto,  quanto  a  este requisito.  Já  o  outro  requisito  para  a  amortização  do  ágio,  a  presença  do  fundamento  econômico  "expectativa  de  rentabilidade futura" na aquisição do investimento, é  possível se verificar tanto em sociedades pertencentes  a um mesmo grupo econômico quanto em sociedades  independentes.  Isto  porque  "expectativa  de  rentabilidade"  é  característica  que  se  vincula  exclusivamente à operação do negócio da sociedade,  bastando  que  esta  sociedade  exista  para  que  possa  ser avaliada.  ............................................................................... ..............  Fica claro, pelo formato da operação, que não houve  a criação de um cenário artificial, com o sacrifício de  uma  das  empresas  do  Grupo,  para  gerar  ganhos  tributários  em  outra.  Ocorreu,  sim,  uma  reestruturação  das  atividades,  tendente  a  fortalecer  as  empresas  do  grupo  como  um  todo,  o  que  seria  plenamente  admissível  em  um  ambiente  de  negócios  entre partes independentes.  Sendo assim,  tendo a reestruturação do Grupo Bob's  alcançado  as  exigências  expressas  e  possíveis  das  normas  que  estabeleciam  o  surgimento  e  o  aproveitamento  do  ágio  e  sendo  certo  que  as  operações  realizadas  não  foram  desconexas  de  uma  realidade  negocial  razoável,  não  há  nenhuma  razão  de  se  desconsiderar  o  ágio  pelo  simples  fato  de  ter  sido  apurado  em  operações  envolvendo  empresas  relacionadas.    b.3) Agio interno: alterações da MP 627/13.  ....................................................................................... ............................................  Com  a  edição  da  Medida  Provisória  n°  627/2013  ­  editada com o objetivo principal de revogar o Regime  Tributário de Transição ­ RTT,  instituído pela Lei n°  11.941/2009  ­  foram promovidas diversas alterações  na legislação do IRPJ e da CSLL, dentre as quais se  incluem modificações no  tratamento contábil e  fiscal  do ágio.  Fl. 3249DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.250          27 Dentre  estas  alterações,  merece  especial  destaque  o  fato de que, pela  redação do artigo 21 da MP, para  que  seja  autorizada  a amortização do  ágio,  além do  requisito  de  este  estar  fundamentado  em  goodwill,  passa­se  a  exigir  que  a  aquisição  de  participação  societária  tenha  ocorrido  entre  partes  não  dependentes.  Esta nova condição posta  expressamente na  lei  casa  perfeitamente com o que foi sustentado acima, quanto  à necessidade de as condições (limites) para fruição  do  benefício  demandarem  expressa  previsão  legal.  Essa  inserção  do  ágio  interno  no  rol  das  restrições  vem  confirmar  que  os  limites  para  a  indicação  de  restrições  pelo  intéprete  da  norma  não  alcançavam  esta  modalidade,  i.e.,  não  estando  vedado  pela  norma então vigente, o  intérprete que restringisse o  ágio  interno  estava  fazendo  as  vezes  de  legislador  positivo, o que é inaceitável — quanto mais na esfera  administrativa.  Reforça­se,  pois,  a  legalidade  do  procedimento  realizado pela Impugnante.    07 ­ CONCLUSÃO    (a)poderosas razões de cunho empresarial inspiraram  e  presidiram  as  operações  de  reestruturação  do  Grupo  Bob's,  dentre  as  quais  primordialmente  a  fixação  contábil/jurídica  da  verdadeira  dimensão  econômica do negócio e a segregação de atividades;  (b)para tanto, a avaliação da Venbo, feita sob estrito  rigor  técnico  por  renomada  empresa  independente,  ensejou subsequente aporte de suas quotas pelo valor  assim apurado  em  empresa  que  se  tornou  a  holding  brasileira do Grupo;  (c)naquela operação, a BFF Corp apurou e recolheu  o  imposto  de  renda  pelo  ganho  de  capital  que  resultou  da  diferença  a  maior  entre  o  valor  do  investimento  que  realizara  e  o  da  avaliação  retromencionada;  (d)exsurge assim a  legitimidade do ágio apurado na  holding brasileira;  (e)o  posterior  deslocamento  do  ágio  até  a  empresa  cuja  avaliação  lhe  dera  origem  (venbo)  constituiu  processo  natural  que  atendeu  às  melhores  práticas  contábeis;  (f)em  consequência,  os  efeitos  fiscais  e  societários  decorrentes  da  amortização  do  ágio  qualificaram­se  igualmente  como  legítimos  e  naturais,  pois  não  constituíram  o  primeiro  nem  principal  motivo  da  reestruturação.  Fl. 3250DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.251          28 (g)doutrina e jurisprudência prevalentes asseveram a  validade  da  dedução  da  amortização  de  ágio  proveniente  de  uma  reorganização  interna  que  seja  ditada  por  razões  de  conveniência  e  interesse  de  negócio.  (h)  é  flagrante  o  abuso  do  lançamento  fiscal  em  enquadrar  a  conduta  da  impugnante  nos  tipos  de  sonegação  e  fraude,  o  que  invalida  a  aplicação  da  multa  qualificada  e  a  responsabilização  pessoal  de  administradores da Impugnante;  (i)  é de se reconhecer a decadência do crédito referente ao ano  base de 2007;  (ii)  (j)  descabe,  ainda,  a  imposição  de  multa  isolada,  confia  a  Impugnante  que  será  acolhida  in  totum  sua  impugnação  e  desconstituído  integralmente  o  crédito,  ou,  se  assim  não  entender V. Sa., será desconstituído em parte o lançamento,  pelas razões acima expostas.  Requer que todas as intimações sejam encaminhadas  para  o  endereço  da  subscritora  desta  (Rua  Padre  João  Manuel,  199,  cj.  33,  São  Paulo,  capital,  CEP  01411­001)  e/ou  encaminhados  por  mensagem  eletrônica  para:  Paloma@fsl.adv.br  e  flaviocancherini@fsl.adv.br    IV  ­  DA  IMPUGNAÇÃO  –  DO  RESPONSÁVEL  TRIBUTÁRIO  –  RICARDO  FIGUEIREDO ROMENY  Em  17/01/2014,  a  Empresa  apresentou  impugnação  ao  Auto  de  infração (fl. 1.470/1.741 e 1.744/2.015), e alega em síntese:  1 – DA TEMPESTIVIDADE  Conforme disposto no artigo 15,  do PAF, o  trintídio  para  oferecimento  de  impugnação  ao  Auto  de  Infração  se  inaugura  com  a  intimação  do  contribuinte.  Tendo  a  Impugnante  sido  intimada  apenas em 19.12.2013 (quinta­feira), o referido prazo  findará em 18.01.2014 (sábado), estendendo­se até o  primeiro  dia  útil  subsequente,  20.01.2014  (segunda­ feira).  Oferecida  antes  do  transcurso  do  prazo,  infere­se  a  tempestividade da presente impugnação.  2 – DA AUTUAÇÃO  ....................................................................................... ............................................  O  Impugnante,  sócio  administrador  da  Autuada  à  época,  foi  equivocadamente  incluído  como  responsável  tributário  pelos  referidos  créditos  com  base nos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, ambos  Fl. 3251DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.252          29 do CTN, vez que foi considerada a prática de ilícitos  tributários pela Autuada.  A inclusão do Impugnante no polo passivo, contudo, é  absolutamente  ilegal  e,  conforme  será  demonstrado  adiante,  teve  origem  em  uma  visão  deturpada  da  fiscalização,  viciada por preconceitos perigosamente  simplistas que de antemão, em notório prejulgamento,  parte da premissa de caracterização como prática de  fraude  e  sonegação  toda  e  qualquer  operação  de  reorganização  societária  que  tenha  promovido  o  surgimento, e posterior aproveitamento fiscal, de ágio  fundado em goodwill.  Diante disso, a Impugnante se dedicará a demonstrar  que a operação de reestruturação societária por que  passou  o  grupo  econômico  em que  está  inserida,  foi  realizada  (a)  com  firme  propósito  negocial,  (b)  calcada  em  laudos  e  avaliações  técnicas  realizadas  por empresas especializadas de renome internacional,  (c) de acordo com as normas legais vigentes à época,  (d)  através  de  práticas  e  atos  tornados  públicos,  na  medida  das  exigências  dessa  legislação,  (e)  em  consonância com as melhores práticas contábeis e (f)  sem prejuízo ao erário,  tendo gerado o recolhimento  de  imposto  de  renda  sobre  a  reavaliação  do  empreendimento,  logo,  (g)  de  forma  lícita  e  economicamente coerente.  ....................................................................................... .......................................    3  –  RAZÕES  DE  ORDEM  ECONÔMICA  PARA  A  REESTRUTURAÇÃO  SOCIETÁRIA.  ­ O controle da Venbo era exercido por uma holding – Brasil Fast Food Corporation;  ­  A  BFF  corp.  era  obrigada  a  manter  o  valor  do  investimento  registrado  o  Banco  Central do Brasil – Em virtude de ser a Venbo controlada por empresa estrangeira, a  legislação lhe impunha uma série de restrições ( ver art. 39 da Lei 4.131/1962);  ­ O montante do investimento da BFF Corp. na Venbo registrado no BACEN ser na ser  na época, por um lado, superior ao valor contábil da Venbo (que possuía PL negativo), e, por  outro, inferior ao efetivo valor de mercado da Venbo;  ­ Essas gravíssimas distorções causavam muitos prejuízos ao empreendimento, e sua correção  constituiu um dos pilares, um dos motivos mais relevantes na reestruturação das empresas;  ­ Em  face  disso,  foi  tomada  a  decisão  de  corrigir  essa  grave  distorção,  de  tornar  visível  e  efetiva, jurídica e contabilmente, a realidade econômica do negócio, a verdadeira dimensão de  seu tônus empresarial:  E,  para  lograr  tal  desiderato,  teve  a  sociedade  holding BFF Corp  de  proceder  a  uma  avaliação  da  Venbo,  levada  a  efeito  com  todo  rigor  técnico  pela  Deloitte,  para  em  seguida  conferir  as  quotas  da  Venbo por esse mesmo valor ao capital de uma nova  holding  brasileira,  apurando  nessa  operação  um  ganho  e  recolhendo  o  imposto  de  renda  incidente  Fl. 3252DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.253          30 pela diferença a maior entre o valor da avaliação e o  do investimento que originariamente realizara!  Assim,  prima  facie  nota­se que  nenhum  resquício  de  artificialidade conteve a operação de que se originou  o ágio do investimento na Venbo.........  Tais  fatos  sugeriam,  portanto,  a  formação  de  uma  holding  brasileira  para  o Grupo  e  a  reavaliação  do  investimento  de  forma  a  refletir,  pelas  melhores  práticas  contábeis,  o  real  valor  de  mercado  do  negócio  Bob's.  Criar  esta  holding  brasileira  permitiria a flexibilidade necessária para ingresso na  Bolsa  de  valores  brasileira,  então  em  estudos,  ingresso de novos sócios, tomada de empréstimos, etc.  ....................................................................................... ..........................................  ­ Em 2006 com o objetivo da reestruturação do Grupo, desta vez com fundamento em  outra razão de cunho operacional:   a  segregação  das  atividades  como  forma  de  obter  ganhos  de  eficiência,  com  a  otimização  de  cada  empreendimento,  sob  o  conceito  de  alocação  de  recursos e focos em função de cada atividade distinta.  Contratou  os  serviços  da  Deloitte  Touche  Tomhmatsu  para  dar  forma a operação, que após os estudos chegou a conclusão da necessidade de criação  de uma holding brasileira, com uma nova estrutura societária para o grupo.  Dessa  maneira,  deu­se,  em  11.12.2006,  o  primeiro  passo no sentido da reestruturação do Grupo Bob's,  com  a  aquisição  de  empresa  até  então  não  operacional, com estrutura societária que atendia aos  interesses  do  Grupo,  a  22N  Participações  Ltda.  Registre­se  que  esta  sociedade,  em  12.10.2007,  passou  a  ser  denominada  "BFFC  do  Brasil  Participações  Ltda."  (doc.  05)  e,  em  25.04.2011,  "BFFC do Brasil  ­ Comércio  e Participações  Ltda."  (doc. 02), estando ativa até os dias atuais.  A 22N, portanto, foi adquirida pela BFF Corp e pelos  Srs.  Ricardo  Bomeny  e  Rômulo  Borges  da  Fonseca,  com  o  objetivo  de  dar  corpo  à  nova  holding  do  Grupo,  a  BFFC  do  Brasil.  Em  razão  disso,  a  BFF  Corp transferiu a participação que detinha na Venbo  para a 22N, aportando­a em aumento de capital.  ....................................................................................... ............................................  Como dito, a transferência da participação na Venbo  da  BFF  Corp  para  a  22N  foi  realizada  adotando  como base o valor de mercado da Venbo apurado no  laudo  de  avaliação  econômico­financeira  elaborado  pela  Deloitte,  com  fundamento  na  expectativa  de  rentabilidade futura (goodwill) do negócio, qual seja,  R$54.000.000,00  (ciquenta  e  quatro  milhões  de  reais).  Fl. 3253DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.254          31 ....................................................................................... ...........................................  A 22N ao receber a participação na Venbo pelo valor  de  R$54.000.000,00  (Cinquenta  e  Quatro  Milhões)  conforme mencionado no  tópico anterior, e seguindo  as  determinações  do  artigo  20,  do  Decreto­Lei  n°  1.598/77, desdobrou o custo de aquisição entre o ágio  e o valor do Patrimônio Líquido Contábil da Venbo,  que na ocasião era negativo. Resultou desse processo  que  todo  o  valor  do  investimento  recebido  pela  22N  teve o tratamento de ágio com base na expectativa de  rentabilidade  futura,  com  base  no  laudo  mencionado.(grifamos)    ­ A operação resultou em ganho de capital para a BFF Corp., que apurou e recolheu o  IR ganho de capital (doc. 06) no valor de R$ 281.324,88 ( principal R$ 278.567,07, e  juros de mora R$ 2.757,81);   Concluída  essa  etapa,  cogitou­se  da  caracterização  da 22N como uma empresa com atividade própria, de  gestão  de  marcas  e  realização  de  novas  aquisições  para o Grupo, atividade que exerce até os dias atuais  (como BFFC do Brasil). Assim, continuando o projeto  de  segregação  de  atividades,  optou­se  por  adquirir  uma  nova  sociedade,  a Peronia Participações Ltda.,  que  serviria  como  holding  pura  para  as  principais  atividades  do  Grupo  (franquia,  lojas  próprias  e  imobiliária),  resultante  da  cisão  da  Venbo  (etapa  final  da  reestruturação),  e  que  recebeu  da  22N  um  aporte de capital com as quotas do capital da Venbo  anteriormente  recebidas  da  BFF  Corp  pelo  mesmo  valor por que a 22N havia recebido  .......  a  Peronia  adotou  o  mesmo  procedimento  contábil  da  22N,  reconhecendo  o  mesmo  ágio  anteriormente refletido nos livros da 22N.  Além  disso,  e  com  base  nas  técnicas  contábeis  adotadas à época, a Peronia constituiu uma provisão  para  desvalorização  do  ágio  no  exato  valor  do  mesmo,  ou  seja,  R$  54.000.000,00  (Cinquenta  e  Quatro  Milhões  de  Reais).  Destaque­se  que  a  validade desta prática foi posteriormente refletida na  Resolução CFC n° 1.139/08, do Conselho Federal de  Contabilidade  que  aprovou  a  Norma  Brasileira  de  Contabilidade  ­  NBC  T  19.8  —  Ativo  Intangível,  a  qual estabelece, em seu tópico 47, o seguinte:    "Ágio  derivado  da  expectativa  de  rentabilidade  futura (Goodwill) gerado internamente  47. O  ágio  derivado  da  expectativa  de  rentabilidade  futura  (goodwill)  gerado  internamente  não  deve  ser  reconhecido como ativo.  Fl. 3254DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.255          32 48. Em alguns casos incorre­se em gastos para gerar  benefícios econômicos futuros, mas que não resultam  na  criação  de  ativo  intangível  que  se  enquadre  nos  critérios de reconhecimento estabelecidos na presente  Norma.  Esses  gastos  costumam  ser  descritos  como  contribuições para o ágio derivado da expectativa de  rentabilidade." (grifos originais)  Dessa maneira, foi constituída, como dito acima, uma  provisão  para  tornar  o  ágio  neutro  nas  demonstrações  financeiras  da  Peronia  e  do Grupo.  Referida provisão não afetou a base fiscal da empresa  uma vez que sua natureza foi de provisão indedutível.  Atendendo­se  novamente  à  boa  prática  contábil,  a  Sociedade  constituiu  um  ativo  diferido  no  valor  de  R$18.360.000,00  (dezoito  milhões,  trezentos  e  sessenta  mil  reais)  ­  correspondentes  a  aproximadamente 34% (trinta e quatro por cento) do  valor  da  provisão  constituída  (R$54.000.000,00)  ­  a  título  de  Imposto  de  Renda  e  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  Diferidos  (expectativa  de  dedutibilidade  futura  por  ocasião  das  amortizações  do  ágio),  tendo  como  contrapartida  a  despesa  de  Imposto de Renda e CSLL nos resultados.  ­  Ocorre  que  a  etapa  seguinte,  que  consistia  na  cisão  da  Venbo  com  a  segregação  das  atividades,  mostrou­se  inviável  naquele  momento.(  informando  um  dos  impedimentos,  que  consistia  na  impossibilidade  de  a  Venbo  obter  Certidão Negativa  de Débitos  ­  CND previdenciária, necessária para a realização de tal ato)  Com isso, demonstrou­se desnecessária a manutenção  da Peronia dentro do organograma do Grupo, sendo  conveniente  em  termos  societários  promover  a  incorporação desta pela Venbo (doc. 08).  Registre­se  que,  naquela  ocasião,  constava  no  balanço  da  Peronia  o  registro  contábil  do  investimento  na  Venbo,  segregado  da  seguinte  maneira:  ATIVO __________________________R$18.361.000,00  Caixa  R$1.000,00  Participação em empresa controlada (Venbo) R$0,00  Ágio em empresa controlada (Venbo)  R$54.000.000,00  Provisão redutora do ágio  (R$54.000,00,00)  ATIVO DIFERIDO  R$18.360.000,00  PATRIMÔNIO LÍQUIDO __________ R$18.361.000,00  Capital social integralizado  R$54.001.000,00  Lucros acumulados  (R$35.640.000,00)  O ágio  lançado no ativo da Peronia,  cabe  registrar,  foi apurado em virtude da reavaliação de ativo, pela  BFF Corp,  correspondente à participação  societária  na  própria  Venbo,  tendo  surgido  na  22N  e  sido  transferido  para  a  Peronia  em  virtude  do  segundo  passo da  reestruturação  societária planejada para o  Grupo.  Fl. 3255DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.256          33 Isto significa que uma vez esclarecidas as motivações  empresariais  e  o  suporte  técnico  que  deram  substância  às  operações  de  que  se  originou  o  ágio,  segue­se  que  os  atos  subsequentes  descritos  são  desdobramentos que não tem o condão de macular a  legitimidade de constituição do ágio.  ....................................................................................... ............................................  Ora,  caso  a  motivação  da  operação  fosse  exclusivamente  o  benefício  fiscal,  bastaria  que  (i)  após a transferência do investimento na Venbo para  a  22N,  com  ágio  fundado  em  goodwill,  fosse  (ii)  realizada  a  incorporação  da  22N  na  Venbo,  ou  o  contrário.  O  ágio  poderia  ser  da  mesma  forma  aproveitado,  sem  a  necessidade  de  todas  essas  transformações no Grupo Bob's!(grifo original)  ....................................................................................... ...........................................  Apresentado o  cenário  em que  foi modelada e posta  em  prática  a  reorganização  societária  do  Grupo  Bob's no  final do ano de 2006 e  início de 2007,  fica  nítido  que  o  surgimento  do  ágio  posteriormente  amortizado  pela  Venbo  foi  consequência,  e  não  causa,  de  toda  a  reestruturação.  A  operação  como  um  todo, conforme se vê, é consideravelmente mais  complexa  que  aquela  apresentada  no  simplório  relato da fiscalização; o i. Fiscal focou em operações  isoladas,  sem avaliar  a movimentação  societária  de  maneira sistemática, isso certamente não por falta de  capacidade, mas  por  uma  preconcebida  condenação  da reestruturação.(grifo original)  ....................................................................................... ...........................................  Esta  demonstração  fática,  por  si,  já  reflete  a  substância  econômica  da  reorganização,  cujo  sucesso,  a  propósito,  está  muito  atrelado  à  boa  condução técnica anterior à sua realização (fundada  em sólida avaliação e projeção dos negócios).  ....................................................................................... ...........................................  Repita­se:  essa  complexidade  da  reestruturação  societária  levada  a  cabo  pela  Impugnante  foi  ignorada pela fiscalização, que se ateve a elementos  pró­forma,  como  o  modo  de  aquisição  das  sociedades,  na  tentativa  de  atribuir  a  toda  a  operação ares  de  ilicitude,  sob  o  rótulo  de  fraude  e  sonegação  fiscal,  o  que,  data  venia,  constitui  verdadeiro absurdo!  Feitas essas ponderações, a Impugnante dedicar­se­á  a demonstrar, ponto a ponto, os equívocos cometidos  pela fiscalização.  Fl. 3256DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.257          34   4 – APROVEITAMENTO FISCAL FISCAL DO ÁGIO – Legalidade da apuração e aproveitamento do ágio pela  Venbo.  O artigo 20, do DL 1.598/77 estabelecia as diretrizes  para  verificação  do  ágio  na  aquisição  de  participações societárias da seguinte forma:    Art  20  ­ O  contribuinte  que avaliar  investimento  em  sociedade  coligada  ou  controlada  pelo  valor  de  patrimônio  líquido deverá, por ocasião da  aquisição  da participação, desdobrar o custo de aquisição em:  I ­ valor de patrimônio líquido na época da aquisição,  determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e  II  ­  ágio  ou  deságio  na  aquisição,  que  será  a  diferença entre o custo de aquisição do investimento e  o valor de que trata o número I.  §1°  ­  O  valor  de  patrimônio  líquido  e  o  ágio  ou  deságio  serão  registrados  em  subcontas  distintas  do  custo de aquisição do investimento.  §2°  ­  O  lançamento  do  ágio  ou  deságio  deverá  indicar,  dentre  os  seguintes,  seu  fundamento  econômico:  [...]  b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada,  com  base  em  previsão  dos  resultados  nos  exercícios  futuros;  [•••]  §3°  ­  O  lançamento  com  os  fundamentos  de  que  tratam as letras a e b do § 2o deverá ser baseado em  demonstração  que  o  contribuinte  arquivará  como  comprovante da escrituração.  Por seu turno, o artigo 7o, da Lei n° 9.532/97, previa  que  a  pessoa  jurídica  que  absorvesse  patrimônio  de  outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na  qual detivesse participação societária adquirida com  ágio apurado por expectativa de rentabilidade futura  (goodwill ­ alínea "b", do § 2—, do art. 20, do DL n°  1.598/77),  poderia  amortizá­lo,  à  razão  de 1/60  (um  sessenta  avos)  para  cada  mês  do  período  de  apuração.  A  alínea  "b",  do  artigo  8o,  subsequente,  autorizava  esta  amortização  também  quando  a  empresa  incorporada,  fusionada  ou  cindida  fosse  aquela  que  detinha  a  propriedade  da  participação  societária.  ....................................................................................... ...........................................  ..........incorporação da Peronia pela Venbo, tendo em  vista  que  o  ágio  surgido  na  22N  foi  apurado  com  Fl. 3257DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.258          35 fundamento  em  rentabilidade  futura,  com  base  em  laudo  formulado  por  empresa  independente  e  de  renome no mercado, a Venbo procedeu, na forma do  artigo  7o,  inciso  III,  da  Lei  n°  9.532/97,  à  sua  amortização.  Note­se,  portanto,  que,  além  de  a  reestruturação  societária  ter  sido  realizada  com  base  em  firmes  propósitos  negociais,  o  ágio  posteriormente  amortizado  pela  Impugnante  foi  apurado  e  aproveitado  com  integral  observância  das  normas  legais vigentes à época.  5 – CADEIA DE EQUÍVOCOS QUE REDUNDARAM NA AUTUAÇÃO.  a)"o CONTRIBUINTE [...] deixou de apresentar os livros DIÁRIO, CAIXA e LALUR de  2005,2006 e 2007 da empresa PERONIA [...].»  ....................................................................................... ............................................  A  guarda  dos  livros  referentes  a  2006,  portanto,  deveria ser mantida somente até o ano de 2012, data  anterior à de início dessa fiscalização. Já em 2007, a  empresa  havia  sido  incorporada,  compartilhando  a  escrita contábil da Impugnante.  ....................................................................................... ..........................................  b)  "O CONTRIBUINTE, [...] deixou de esclarecer a origem da provisão redutora de ágio na  PERONIA, no valor de R$35.640.000,00, bem como deixou de apresentar a documentação  comprobatória  dos  pagamentos  efetuados  pelas  partes  envolvidas  para  quitação  das  transações envolvendo a PERONIA e a VENBO."  ­ A Peronia  constituiu a provisão para desvalorização do ágio no exato valor dele,  ou seja, R$ 54.000.000,00 (Cinquenta e Quatro Milhões de Reais);  ­ A Sociedade constituiu ainda um ativo diferido no valor de R$18.360.000,00  (dezoito  milhões,  trezentos  e  sessenta  mil  reais)  ­correspondentes  a  aproximadamente  34%  (trinta e quatro por cento) do valor da provisão constituída (R$54.000.000,00);  c)  "Observam­se coincidências no valor do capital das empresas 22N e PERONIA, bem como  de seus sócios e endereços, evidenciando  tratar­se de empresas de prateleira abertas pelo  prestador de  serviços de  consultoria no planejamento  tributário.  [...]  indícios da  falta de  propósito negocial nas transações efetuadas."  ....................................................................................... ............................................  A  forma  de  aquisição  e  a  identidade  dos  quadros  societários  originários  das  empresas  não  são  suficientes  para  contaminar  toda  a  operação,  principalmente  porque  não  há  qualquer  vedação  na  legislação com relação à aquisição de sociedades da  forma como realizada. Na ocasião, foi oportunizada a  aquisição  dessas  sociedades,  as  quais  se  apresentavam  regulares  em  sua  constituição  e  funcionamento,  o  que  se  demonstrou  um modo mais  célere e menos oneroso — tendo em vista a habitual  burocracia  na  constituição de novas  sociedades  ­  de  se conduzir a reorganização societária.  Fl. 3258DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.259          36 Fica  evidente  o  intuito  do  Fiscal  de,  a  partir  de  argumentos  vazios  de  conteúdo,  trazer  a  reorganização do Grupo Bob's para a vala comum da  sonegação  e  fraude  em  que  são  lançados  os  planejamentos  abusivos,  o  que  claramente  não  cabe  no presente caso.  d)  "o expressivo aumento de capital na 22N, no valor de R$54.000.000,00, não decorreu de  qualquer transação de compra e venda, posto que ninguém pagou algo a alguém, tratando­ se  de  mera  reavaliação  do  ativo  que  representava  as  quotas  da  VENBO,  decorrente  de  acordo interno entre os sócios comuns à 22N e à VENBO, sem qualquer agente externo,  portanto,não há que se falar em geração ou pagamento de ágio nesta transação.    Para organizar o raciocínio neste ponto, é importante  ter em mente que o aumento de capital  foi  realizado  pela BFF Corp na 22N. Dessa maneira, a reavaliação  do  investimento  na  Venbo  ocorreu  em  momento  anterior  ao  aporte  em  questão,  gerando,  como  já  mencionado, ganho de capital submetido à tributação  pela BFF Corp. essa reavaliação e aporte das quotas  da  Venbo,  como  visto,  atendeu  a  vários  propósitos  substanciais  no  interesse  límpido  e  cristalino  do  empreendimento.  Com  a  transferência  da  participação  na  Venbo,  por  aporte  de  capital,  para  a  22N,  esta  procedeu  aos  lançamentos  contábeis  próprios  à  aquisição  de  investimento, observando a forma prescrita no artigo  20, do DL 1.598/77, já mencionado. Assim, segregou  o montante do  investimento em "valor de patrimônio  líquido" e "ágio na aquisição".  A  vedação  à  apuração  do  ágio  nesse  evento,  sob  o  fundamento de que "ninguém pagou algo a alguém  ", não possui correspondente em lei.  ....................................................................................... ............................................  e) o planejamento  tributário  é  consumado em 29/12/2006. na 25a  alteração da VENBO, na  qual  ocorre  a  incorporação  da  PERONIA  na  VENBO,  cujo  capital  é  aumentado  em  R$18.361.000,00,  valor  do  patrimônio  líquido  da  incorporada.  No  mesmo  instrumento  ocorre  o  ingresso  da  22N,  a  título  gracioso,  ficando  a mesma  com  R$27.643.003,27  do  capital  da VENBO,  e  RÔMULO BORGES DA FONSECA  e  RICARDO FIGUEIREDO  BOMENY com R$0,01 cada."  Não  houve  planejamento  tributário  consumado  em  29/12/2006. Tampouco a reorganização societária do  Grupo  Bob's  se  encerrou  com  a  incorporação  da  Peronia. A segregação das atividades do Grupo em 3  (três)  sociedades  distintas,  como  previa  a  segunda  etapa  da  reestruturação,  não  foi  possível  à  época,  conforme  demonstrado,  mas  vem  se  desenhando  ao  longo dos anos, tendo, hoje, em vias de ser concluída,  com um ou outro ajuste de caráter gerencial.  ....................................................................................... ...........................................  Fl. 3259DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.260          37 Ademais,  destaque­se  que  o  ingresso  da  22N  na  Venbo não ocorreu "a título gracioso", como sustenta  o  Fiscal.  A  aquisição  de  quotas  da  incorporadora  pelos  sócios  da  sociedade  incorporada  é  consequência natural da extinção desta sociedade (v.  artigo 224, inciso I, da Lei 6.404/76).  Conforme consta no ato de incorporação, a versão do  acervo  líquido  para  a  Venbo  originou  aumento  de  capital  cuja  contrapartida  para  os  sócios  da  sociedade  incorporada  foi  a  proporcional  aquisição  de quotas da incorporadora.  f) "o CONTRIBUINTE além de aproveitar­se do ágio fictício de R$35.640.000,00, através de  exclusões mensais [...], reduziu ainda mais a base de cálculo do IRPJ e da CSLL através de  despesas mensais de amortização do mesmo ágio [...], resultando no aproveitamento total  indevido  de  ágio  no  valor  mensal  de  R$900.000,00,  R$2.700.000,00  no  trimestre,  R$10.800.000,00 ao ano e R$54.000.000,00 em 60 meses."  Como se viu, o surgimento e o aproveitamento  fiscal  do  ágio  foram  realizados  corretamente  pela  Venbo,  não havendo que se falar em "ágio fictício". A forma  como  o  ágio  foi  tratado  internamente,  pela  contabilidade,  seguiu  as  práticas  mais  adequadas  adotadas no período, consistindo no seguinte:  i.  O ágio foi lançado em conta do ativo da Venbo,  no  valor  de R$54.000.000,00,  acompanhado  de  uma  provisão redutora do ágio em igual montante.  ii.  Como  "ativo  diferido",  foi  lançado  o  valor  de  R$18.360.000,00  (dezoito  milhões,  trezentos  e  sessenta mil  reais) ­ 34% (trinta e quatro por cento)  do  total da provisão constituída. Este  lançamento de  R$18.360.000,00  foi  convertido  mensalmente,  na  proporção  de  1/60,  em  "despesa  de  amortização  do  ágio" (R$306.000,00/mês).  iii.Além  disso,  o  montante  de  R$35.640.000,00,  resultou  na  realização  de  exclusões  na  apuração  do  Lucro  Real,  também  na  proporção  de  1/60  (R$594.000,00/mês).  Este  procedimento  resultou  no  aproveitamento  fiscal  do  montante  exato  do  ágio  apurado  no  curso  da  operação de reestruturação societária, nada havendo  de irregular no seu tratamento contábil.  6 – ILEGALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO  b)  Imputação infundada da prática de fraude e sonegação  ..........  um  dos  requisitos  essenciais  para  a  configuração  de  uma  conduta  como  fraude  ou  sonegação é a demonstração cabal da  existência de  dolo  específico1,  ou  seja,  é  imprescindível,  para  o  enquadramento  em  qualquer  um  dos  tipos  legais,  a  exposição  clara  e  inequívoca  de  que  a  ação  ou  omissão foi empreendida com a intenção de burlar a  norma. Para tanto, não basta  No  presente  caso,  não  há  qualquer  prova  de  que  a  reestruturação  se  deu  com  a  intenção  de  se  auferir  Fl. 3260DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.261          38 algo  vedado  pela  legislação,  pelo  contrário,  com  o  intuito  de  demonstrar  a  suposta  prática  de  ilícito  tributário  o  Fiscal  utilizou  pré­conceitos  completamente infundados como se fossem indícios de  fraude  ou  de  sonegação,  retratados  nas  seguintes  assertivas,  outrora  citadas:  "empresas  do  mesmo  grupo econômico"; "posto que ninguém pagou algo a  alguém";  "não  parece  ser  razoável  uma  empresa  cobrar  ágio  de  si  mesma";  e  "empresas  fornecidas  como se fossem mercadorias em uma prateleira".  As  "evidências"  elencadas  pela  fiscalização  são  na  verdade  suposições  e  suspeitas  de  foro  íntimo,  que  geram uma  ilícita presunção,  infirmada pelo  suporte  fático  e  normativo  da  reestruturação  e  seus  efeitos,  seja  por  expressa autorização  legal ou por ausência  de  vedação.  Ainda,  no  caso  concreto,  não  se  pode  sequer cogitar a constatação de vontade direcionada  a  fins  ilícitos,  visto  que  o  reconhecimento  e  a  amortização do ágio encontram vasto amparo legal e  jurisprudencial.  Portanto,  a  convicção  do  contribuinte  que  age  calcado  em  permissivo  legal  e  com  base  em  firme  jurisprudência,  além  de  respeitáveis  e  tangíveis  motivos  de  interesse  empresarial,  não  pode  ser  confundida  ou  mesmo  assemelhada  ao  dolo  necessário  para  a  configuração  de  fraude  ou  de  sonegação,  sob  pena  de  subversão  do  disposto  nos  artigos  71  e  72  da  Lei  4.502/64,  que  tem  por  finalidade  inibir condutas  intencionalmente adotadas  para fins ilícitos.  a.l) Ilegitimidade passiva dos sócios:  ............................................................................... ...  Conforme o relato  fiscal, a  responsabilidade pessoal  e  solidária  dos  sócios  administradores  foi  atribuída  com base no inciso I do artigo 124 e no inciso III do  artigo 135, ambos do CTN, que preceituam:  Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal;  Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato  social  ou  estatutos:  [...]  III  ­  os  diretores,  gerentes ou  representantes de  pessoas jurídicas de direito privado.  Primeiramente, cumpre ressaltar que não se aplica ao  presente  caso  o  disposto  no  artigo  124,  inciso  I,  do  CTN,  visto  que  o  referido  dispositivo  não  trata  de  Fl. 3261DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.262          39 forma  de  eleição  de  responsável  tributário,  alcançando  apenas  hipóteses  em  que  há  interesse  jurídico comum ­ diferente de interesse econômico na  consecução  da  situação  ­  vinculado  à  realização  conjunta  do  fato  imponível,  de  modo  que  a  solidariedade é forma de graduar a responsabilidade  entre sujeitos que já constam no polo passivo.  ............................................................................... .........  Sendo  assim,  resta  evidente  o  equívoco  da  fiscalização ao pretender a aplicação do artigo 124,  inciso  I,  do  CTN,  com  a  finalidade  de  atribuir  responsabilidade  aos  sócios  administradores  pelos  créditos tributários.  Ao seu turno, a aplicação do artigo 135, inciso III, do  CTN,  pressupõe:  (i)  a  prática  de  ato  ilícito,  dolosamente,  pelas  pessoas  elencadas  no  referido  dispositivo;  (ii) conduta  ilícita, como infração de lei,  contrato  social  ou  estatuto,  normas  que  regem  as  relações entre contribuinte e terceiro, externamente à  norma  tributária  matriz;  e  (iii)  a  atuação  tanto  da  norma  básica  (que  disciplina  a  obrigação  tributária  em sentido restrito) quanto da norma  ............................................................................... ...........  Ocorre  que,  conforme  visto  acima,  não  houve  no  presente  caso  comprovação  da  existência  de  dolo,  seja  por  parte  da  Impugnante  ou  de  seus  administradores, bem como não se praticou qualquer  conduta  contrária  às  normas  vigentes,  de modo  que  não  cabe  a  responsabilização  dos  sócios  administradores  por  ausência  dos  requisitos  postos  no artigo 135 do CTN.  Dessa maneira, é evidente a ilegitimidade passiva dos  administradores,  razão pela qual  se  faz necessária a  exclusão  da  responsabilidade  destes  pelo  crédito  tributário lançado.  ............................................................................... .............................  a.2) Homologação tácita do tributo:  Ao proceder à análise da documentação pertinente ao  ano­calendário  de  2007,  apresentada  pela  Impugnante,  a  fiscalização  procedeu  ao  lançamento  de  créditos  de  IRPJ  e  CSLL  relativos  a  tal  período,  com imposição de multa qualificada de 150%.  Todavia,  consoante  plenamente  comprovado,  no  presente  caso  não  houve  a  prática  de  fraude  ou  de  sonegação, de modo que a contagem do prazo para o  lançamento  de  ofício  de  eventuais  diferenças  deve  observar  ao  disposto  no  parágrafo  4o  do  artigo  150  do CTN,.........  Fl. 3262DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.263          40 ....................................................................................... ............................................  Desse modo, em relação ao ano­calendário de 2007,  os  fatos  geradores  dos  referidos  tributos  se  consumaram em 31/12/2007,  tendo  sido apresentada  pela  Impugnante  a  DIPJ  referente  ao  período  (doe.  10).  Portanto, conforme o disposto no artigo 150, §4°, do  CTN,  ocorreu  a  homologação  tácita  do  tributo  declarado  e  pago  pela  Impugnante  em  31/12/2012,  antes mesmo do início do procedimento fiscalizatório,  cujo  termo  inicial  foi  14/05/2013,  havendo,  consequentemente,  a  decadência  do  direito  de  proceder  ao  lançamento  de  quaisquer  diferenças  relativas ao IRPJ e à CSLL incidentes sobre os fatos  geradores  compreendidos  no  período  de 01/01/2007  até 31/12/20076.  ............................................................................... ......................................  a.3) Descabimento das multas qualificadas  Ao  imputar  a  prática  de  ilícito  tributário  à  Impugnante, o Fiscal procedeu à aplicação de multa  qualificada  de  150%,  prevista  no  artigo  44,  §1°,  da  Lei 9.430/96, c/c artigos 71 e 72 da Lei 4.502/64 ­ os  quais  dispõem  sobre  sonegação  e  fraude  ­,  sobre  os  créditos  de  IRPJ  e  CSLL  constituídos  pelo  lançamento.  7  AgRg  nos  EREsp  1199262/MG,  Rei.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado em 26/10/2011, DJe 07/11/2011.  Ocorre  que,  conforme  demonstrado,  não  houve  sonegação ou fraude, pois (i) não restou configurada  qualquer  intenção  da  Impugnante  ou  de  seus  administradores  de  obter  resultados  ilícitos  decorrentes  de  condutas  delituosas,  bem  como  (ii)  o  surgimento  e  o  aproveitamento  do  ágio  possuem  plenos fundamentos legais e econômicos.  Desse modo, não há incidência das normas inseridas  nos artigos 71 e 72 da Lei 4.502/64, razão pela qual,  por si só, deve ser afasta a qualificação da multa de  ofício  prevista  no  inciso  I  do  artigo  44  da  Lei  9.430/96.  ....................................................................................... ..........................................  a.4) Impossibilidade de cumulação de multas de ofício e isoladas  Além  de  todas  as  ilegalidades  e  inconsistências  do  lançanieiuo  já  demonstradas,  a  fiscalização  determinou  a  aplicação  de  multas  isoladas  de  50%  sobre  supostas  diferenças  entre  as  estimativas  mensais de IRPJ e CSLL, com base nos artigos 43 e  44, inciso II, alínea "b", da Lei 9.430/96.  Fl. 3263DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.264          41 Entretanto,  tal aplicação resultou na penalização em  duplicidade  da  Impugnante  pelo  mesmo  suposto  ilícito que  lhe é atribuído,  configurando bis  in  idem.  Isto  porque  a  estimativa  mensal  consiste  em  etapa  preparatória  da  apuração  anual  do  tributo,  sendo  meio de execução de uma conduta­fim, praticada por  ocasião  do  encerramento  do  exercício  fiscal.  Assim,  após  a  efetiva  apuração  do  imposto,  caso  se  pretendesse  penalizar  o  contribuinte  por  eventual  descumprimento da obrigação principal, qual seja, de  recolhimento do tributo, caberia a aplicação somente  da multa de ofício.  Ao  seu  turno,  a  multa  isolada  poderia  ser  imposta  apenas  quando  verificada  a  insuficiência  dos  recolhimentos das estimativas antes do encerramento  do  período  de  apuração,  tendo  em  vista  que  a  exigência  mensal  deixa  de  ter  eficácia  uma  vez  apurado o lucro real anual, ocasião em que prevalece  o tributo efetivamente devido.  ............................................................................... .........................................  b) Legalidade da apuração e amortização do ágio  O ágio corresponde à parcela do custo de aquisição  de  participação  societária  que  se  sobreponha  ao  valor  do patrimônio  líquido da  sociedade adquirida.  O  tratamento  contábil  conferido  ao  custo  de  aquisição  destas  participações  é  disciplinado  pelo  artigo  20,  do DL  1.598/77,  já  reproduzido  acima,  o  qual  determina  o  desdobramento  deste  custo  em  contas que  informem, separadamente,  (i) o "valor de  patrimônio  líquido"  e  (ii)  o  "ágio  na  aquisição".  O  referido  dispositivo  obriga  o  adquirente  a  indicar  o  fundamento econômico que originou o ágio, dentre os  quais admite o "valor de rentabilidade da coligada ou  controlada, com base em previsão dos resultados nos  exercícios  futuros",  lastrado  em  demonstração  que  deverá  ser  arquivada  pelo  contribuinte  como  comprovante da escrituração.  ....................................................................................... ............................................  Em  termos  gerais,  as  amortizações  de  ágio  possuem  efeito fiscal neutro ao passo em que são adicionadas  ao lucro líquido como não dedutíveis. A amortização  passa  a  ter  relevância  do  ponto  de  vista  fiscal  somente  quando  o  sujeito  passivo  se  enquadra  na  hipótese  estabelecida  no artigo  7o,  inciso  III,  da Lei  9.532/97  (ou  na  exceção  do  §2°),  também  já  transcrito.  O referido dispositivo autoriza a amortização do ágio  verificado  na  aquisição  de  participações  societárias  avaliadas  com  fundamento  em  expectativa  de  rentabilidade  futura,  apresentando  como  exigência  apenas que após a aquisição da participação ocorra,  entre controladora e controlada, a absorção (total ou  Fl. 3264DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.265          42 parcial) do patrimônio de uma pela outra, mediante  incorporação  ou  cisão  (veja­se  também  o  artigo  8o,  "b",  da  Lei),  ou  a  reunião  de  seus  patrimônios  em  uma terceira sociedade, através de fusão.  ....................................................................................... ............................................  Sendo essencialmente neutra do ponto de vista fiscal,  a  amortização  do  ágio  depende,  portanto,  dessa  autorização  do  art.  7°,  da  Lei  9.532/97.  Esta  afirmativa, porém, comporta uma segunda conclusão,  a  de  que,  não  sendo  espontânea  a  amortização,  seu  aproveitamento  está  condicionado  exclusivamente  ao  preenchimento  das  condições  que  a  legislação  impõe ­uma vez preenchidas, é direito do contribuinte  aproveitar o benefício.  ....................................................................................... ............................................  Extrai­se das lições do acatado doutrinador que (i) o  aproveitamento do  ágio  está condicionado apenas a  (i.a)  que  a  aquisição  de  uma  sociedade  pela  outra  tenha  se  dado  com  a  apuração  de  ágio  por  rentabilidade  futura,  independente  da  forma  como  a  aquisição  foi  realizada,  e  (i.b)  haja  reunião  dos  patrimônios da controladora (que apurou o ágio) e da  controlada  (cuja  expectativa  de  lucros  justificou  o  ágio);  bem  como  (ii)  a  natureza  das  condições  impostas tornam claro o intuito do legislador de fazer  com que o efeito fiscal da amortização do ágio reflita  sobre os  lucros cuja expectativa deram fundamento  ao próprio ágio.  141. Tem­se,  assim,  lançadas  as  bases  quanto  às  condições  e  à  ratio  da  norma,  sobre  as  quais  a  Impugnante demonstrará que a  amortização do ágio  por si realizada está dentro dos limites legais vigentes  à época.  i  Pois  bem.  Na  autuação,  o  fiscal  lança  dois  questionamentos diretos acerca da forma como o ágio  foi  apurado  pela  Impugnante:  o  primeiro  deles  diz  respeito ao fato de o ágio ter surgido em decorrência  da  aquisição  de  participação  societária  com  aporte  de capital em bens e, o segundo, por se tratar de ágio  gerado  através  de  operações  promovidas  dentro  de  um mesmo grupo (ágio interno).  ....................................................................................... ....................................  Forma de aquisição de participação societária:  O Fiscal sustenta que (i) "a geração de ágio [...] sem  qualquer  desembolso  [...]  constitui  prova  da  artificialidade  do  ágio  e  torna  inválida  sua  amortização";  pois  (ii)  "a  substância  econômica  do  Fl. 3265DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.266          43 ágio  está  condicionada a  [...] que o ágio  tenha  sido  efetivamente  pago";  portanto,  (iii)  o  "ágio  sob  comento não se coaduna com o conceito existente no  art. 7°, da Lei 9.532/97".  Ora,  vê­se  que  o  Fiscal  pretende  ser mais  restritivo  que a norma.  Inicialmente,  esclareça­se  que  o  dispositivo  que  especifica as hipóteses em que será apurado o ágio é  o  artigo  20,  do  DL  1.598/77,  segundo  o  qual,  o  conceito  de  ágio  compreende:  a  diferença  positiva  entre o custo de aquisição do  investimento e o  valor  do  patrimônio  líquido  da  investida  na  época  da  aquisição.  Complementa  a  descrição  do  ágio,  o  seu  fundamento  econômico,  sendo  prevista  como  tal  também a expectativa de rentabilidade futura.  No  surgimento  do  ágio,  o  art.  20,  do  DL,  exige  apenas  que  o  custo  de  aquisição  da  participação  societária  tenha  superado  (na  avaliação  de  investimento  em  sociedade  coligada  ou  controlada  pelo  valor  de  patrimônio  líquido)  o  valor  do  PL  da  sociedade  adquirida,  bem  como  que  esta  diferença  positiva  (ágio  propriamente  dito)  tenha  por  base  razões econômicas.  Fixado o ágio com base no artigo 20, do DL, deve­se,  aí  sim,  transportá­lo  para  enquadramento  no  artigo  7o,  da Lei  9.532/97. Neste momento,  caso o ágio  (já  existente)  tenha sido  justificado pelo goodwill e caso  tenha  sido  promovida  a  reunião  de  patrimônios  mencionada  anteriormente,  será  autorizada  a  sua  amortização na forma do inciso III, deste dispositivo.  Os  artigos  citados,  porém,  não  apontam  qualquer  restrição  relacionada  à  forma  de  aquisição  das  participações  societárias;  não  há  restrição  para  a  amortização  do  ágio  ­  quanto  menos,  na  forma  que  propõe o Fiscal, para a própria qualificação do ágio.  ....................................................................................... ............................................  No  caso  presente,  o  surgimento  do  ágio  ocorreu  em  virtude do aporte de capital realizado pela BFF Corp  na  22N  (atual  BFFC  do  Brasil),  com  a  versão  de  quotas  da  Venbo,  ocasião  em  que  esta  adquiriu  a  participação societária avaliada com uma expectativa  de rentabilidade futura (fundada em laudo técnico) no  valor  de  R$54.000.000,00,  contra  um  PL  então  negativo  da  incorporada.  No  desdobramento  do  investimento,  a  22N  alocou,  portanto,  os  R$54.000.000,00  como  ágio,  informando  o  valor  do  Patrimônio Líquido da investida de R$0,00.  A  integralização de capital com a entrega de bens é  forma aceita pela legislação, estando autorizada pelo  artigo  7o,  da  Lei  n°  6.404/76,  segundo  o  qual  "o  capital social poderá ser  formado com contribuições  [...]  em  qualquer  espécie  de  bens  suscetíveis  de  Fl. 3266DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.267          44 avaliação em dinheiro". Ademais, o §2°, do artigo 8o,  da  referida  lei,  dispõe  ainda  que  "se  o  subscritor  aceitar  o  valor  aprovado  pela  assembleia,  os  bens  incorporar­se­ão  ao  patrimônio  da  companhia",  enquanto  o  artigo  9o  ilide  qualquer  dúvida,  ao  estabelecer que "na  falta de declaração expressa em  contrário, os bens transferem­se à companhia a título  de propriedade".  Não  há  dúvidas  de  que  o  controle  societário  da  empresa que representava a marca Bob's no Brasil é  suscetível  de  avaliação  em  dinheiro.  Esta  avaliação  foi  realizada por  empresa  especializada, que apurou  (i)  a  faixa  de  valor  econômico  da  Venbo  (As  Is)  na  data­base 31 de dezembro de 2006 e (ii) o valor (Fair  Market Value) de cada um dos  três negócios por ela  operados  considerando  uma  eventual  separação  das  atividades,  na  mesma  data­base.  A  partir  desta  análise  é  que  se  apurou  o  valor  de  mercado  da  Venbo, fixando­o em R$54.000.000,00.  Em contrapartida ao aporte de  capital,  a BFF Corp  adquiriu  quotas  do  capital  da  22N,  em  quantidade  equivalente ao valor do aporte realizado, passando a  ter  participação  indireta  na  Venbo,  mas  com  o  controle  direto  sobre  a  sociedade  que  passou  a  concentrar as marcas e investimentos do grupo, o que  indica a razoabilidade nas transferências.  Sobre  o  alcance  do  termo  "aquisição",  cabe  trazer  lição de Edmar Oliveira Andrade Filho, que afirma:  "O  termo  aquisição  possui  grande  espectro  significativo  e  abrange  todas  as  formas  pelas  quais  um bem ou direito passa a integrar o patrimônio de  alguém.  A  aquisição  da  participação  societária  (ações ou quotas) a que se refere preceptivo legal sob  análise abrange as operações de compra, de permuta,  de  recebimento  em dação de pagamento, doação, de  subscrição  e  integralização  de  capital,  etc.  A  aquisição  também  pode  ocorrer  em  casos  de  sucessão  por  incorporação, fusão e cisão."20 (Grifos postos)  O  Fiscal,  porém,  desconfia  da  regularidade  do  ágio  apurado  nessa  operação,  pois  "ninguém  pagou  algo  para alguém em momento algum".  Ora,  do  escólio  de  Orlando  Gomes,  da  Teoria  do  Pagamento do Direito das Obrigações, extrai­se que:  "[...]  Pode  a  obrigação  extinguir­se  por  diversos  modos.  Desaparece  normalmente  com a  execução.  Satisfeita  a  prestação,  o  vínculo  deixa  de  existir.  O  cumprimento da obrigação por esse modo chama­se,  tecnicamente, pagamento."21 (Grifos postos)  Tecnicamente,  a  AQUISIÇÃO  de  quotas  da  Venbo  pela  22N  foi  adimplida  pela  entrega,  para  a  BFF  Corp,  de  participação  societária  na  22N.  Satisfizeram­se,  assim,  as  obrigações  pactuadas,  sendo  certo  que  houve  "pagamento",  realizado  Fl. 3267DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.268          45 mediante a entrega de bens. A mesma lógica se seguiu  na  operação  subsequente  da  reestruturação  societária, na transferência do ativo para a Peronia.  Não  houve,  de  fato,  circulação  de  dinheiro  em  espécie,  mas  isto  não  é  contraprestação  necessária,  no  âmbito  do  direito  Privado,  para  que  se  realize  a  aquisição de determinado ativo.  ....................................................................................... ............................................  Portanto,  a  aquisição  de  participação  societária  na  Venbo  pela  22N,  operação  que  fez  surgir  o  ágio,  é  absolutamente  válida  para  fins  do  artigo  20,  do DL  1.598/77, nada podendo ser questionado com relação  ao surgimento desse ágio. Bem assim ocorreu com a  operação subsequente, de transferência do ativo para  a Peronia, estando em conformidade com as normas  do Direito Privado.  b.2.) Ágio gerado internamente:  Da mesma forma que na hipótese acima, a legislação  não  veda  em  momento  algum  o  aproveitamento  de  ágio  gerado  dentro  de  um mesmo  grupo  econômico.  Novamente, não há no artigo 20, do DL, exigência de  que  as  operações,  para  justificarem  a  apuração  de  ágio,  devam  envolver  terceiros  estranhos  ao  grupo  econômico, tampouco o artigo 7o, da Lei 9.532/97, faz  tal exigência.  ....................................................................................... ...........................................  A  Lei  9.532/97  foi  editada  em  um  ambiente  macroeconômico  em  que  se  buscava  desenvolver  os  negócios  no  Brasil,  com  a  atração  de  investimentos  para  incentivar,  especialmente,  o  programa  de  privatizações.  Criou­se,  dessa  forma,  o  benefício  da  amortização  do  ágio  apurado  com  base  em  rentabilidade  futura,  sob  certas  condições  que  evidenciavam  o  intuito  existente  à  época  de  se  promover uma redução da carga fiscal à medida em  que as atividades desses empreendimentos gerassem  lucros.  Assim, como já demonstrado, o requisito legal para a  amortização do ágio  redundava no carregamento do  ágio  fundado  em  goodwill  para  a  sociedade  cuja  expectativa de rentabilidade lhe deu causa, de modo a  que os tributos devidos sobre os lucros desse negócio  sejam calculados após a amortização do ágio23.  ....................................................................................... ............................................  Viu­se que a amortização do ágio estava calcada em  rentabilidade  futura  cuja  realização  (efetivação  do  lucro  projetado)  deveria  ser  impactada  pela  amortização  do ágio no  resultado. Além disso,  ficou  Fl. 3268DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.269          46 claro  que  o  intuito  da  norma  era  estimular  os  negócios no País.  Pois  bem.  Reorganização  societária  que  possua  substância  econômica  será,  necessariamente,  realizada com o  intuito de dinamizar os negócios do  grupo  econômico  específico;  não  é  da  lógica  empresarial  reestruturação  societária  que  vise  a  tornar  o  empreendimento  menos  interessante  sob  o  ponto de vista negocial. Este ponto específico dialoga  bem, portanto, com o requisito do propósito negocial,  comum  ao  tema  planejamento  tributário,  apresentando­se  suficiente  para  amoldar  uma  reestruturação  societária  à  ratio  legis.  E  no  caso  concreto  de  solar  clareza  a  motivação,  a  conveniência  empresarial  em  revelar  os  números  verdadeiros de seu negócio, bem como de reorganizar  seu organograma societário.  No  bojo  dessa  impugnação,  ficou  claramente  demonstrado  o  propósito  negocial  da  operação,  nada havendo que  se  questionar,  portanto,  quanto  a  este requisito.  Já  o  outro  requisito  para  a  amortização  do  ágio,  a  presença  do  fundamento  econômico  "expectativa  de  rentabilidade futura" na aquisição do investimento, é  possível se verificar tanto em sociedades pertencentes  a um mesmo grupo econômico quanto em sociedades  independentes.  Isto  porque  "expectativa  de  rentabilidade"  é  característica  que  se  vincula  exclusivamente à operação do negócio da sociedade,  bastando  que  esta  sociedade  exista  para  que  possa  ser avaliada.  ............................................................................... ........................................  Fica claro, pelo formato da operação, que não houve  a criação de um cenário artificial, com o sacrifício de  uma  das  empresas  do  Grupo,  para  gerar  ganhos  tributários  em  outra.  Ocorreu,  sim,  uma  reestruturação  das  atividades,  tendente  a  fortalecer  as  empresas  do  grupo  como  um  todo,  o  que  seria  plenamente  admissível  em  um  ambiente  de  negócios  entre partes independentes.  Sendo assim,  tendo a reestruturação do Grupo Bob's  alcançado  as  exigências  expressas  e  possíveis  das  normas  que  estabeleciam  o  surgimento  e  o  aproveitamento  do  ágio  e  sendo  certo  que  as  operações  realizadas  não  foram  desconexas  de  uma  realidade  negocial  razoável,  não  há  nenhuma  razão  de  se  desconsiderar  o  ágio  pelo  simples  fato  de  ter  sido  apurado  em  operações  envolvendo  empresas  relacionadas.    b.3) Agio interno: alterações da MP 627/13.  Fl. 3269DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.270          47 ....................................................................................... ............................................  Com  a  edição  da  Medida  Provisória  n°  627/2013  ­  editada com o objetivo principal de revogar o Regime  Tributário de Transição ­ RTT,  instituído pela Lei n°  11.941/2009  ­  foram promovidas diversas alterações  na legislação do IRPJ e da CSLL, dentre as quais se  incluem modificações no  tratamento contábil e  fiscal  do ágio.  Dentre  estas  alterações,  merece  especial  destaque  o  fato de que, pela  redação do artigo 21 da MP, para  que  seja  autorizada  a amortização do  ágio,  além do  requisito  de  este  estar  fundamentado  em  goodwill,  passa­se  a  exigir  que  a  aquisição  de  participação  societária  tenha  ocorrido  entre  partes  não  dependentes.  Esta nova condição posta  expressamente na  lei  casa  perfeitamente com o que foi sustentado acima, quanto  à necessidade de as condições (limites) para fruição  do  benefício  demandarem  expressa  previsão  legal.  Essa  inserção  do  ágio  interno  no  rol  das  restrições  vem  confirmar  que  os  limites  para  a  indicação  de  restrições  pelo  intéprete  da  norma  não  alcançavam  esta  modalidade,  i.e.,  não  estando  vedado  pela  norma então vigente, o  intérprete que restringisse o  ágio  interno  estava  fazendo  as  vezes  de  legislador  positivo, o que é inaceitável — quanto mais na esfera  administrativa.  Reforça­se,  pois,  a  legalidade  do  procedimento  realizado pela Impugnante.    07­  CONCLUSÃO    (a)poderosas razões de cunho empresarial inspiraram  e  presidiram  as  operações  de  reestruturação  do  Grupo  Bob's,  dentre  as  quais  primordialmente  a  fixação  contábil/jurídica  da  verdadeira  dimensão  econômica do negócio e a segregação de atividades;  (b)para tanto, a avaliação da Venbo, feita sob estrito  rigor  técnico  por  renomada  empresa  independente,  ensejou subsequente aporte de suas quotas pelo valor  assim apurado  em  empresa  que  se  tornou  a  holding  brasileira do Grupo;  (c)naquela operação, a BFF Corp apurou e recolheu  o  imposto  de  renda  pelo  ganho  de  capital  que  resultou  da  diferença  a  maior  entre  o  valor  do  investimento  que  realizara  e  o  da  avaliação  retromencionada;  (d)exsurge assim a  legitimidade do ágio apurado na  holding brasileira;  Fl. 3270DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.271          48 (e)o  posterior  deslocamento  do  ágio  até  a  empresa  cuja  avaliação  lhe  dera  origem  (venbo)  constituiu  processo  natural  que  atendeu  às  melhores  práticas  contábeis;  (f)em  consequência,  os  efeitos  fiscais  e  societários  decorrentes  da  amortização  do  ágio  qualificaram­se  igualmente  como  legítimos  e  naturais,  pois  não  constituíram  o  primeiro  nem  principal  motivo  da  reestruturação.  (g)doutrina e jurisprudência prevalentes asseveram a  validade  da  dedução  da  amortização  de  ágio  proveniente  de  uma  reorganização  interna  que  seja  ditada  por  razões  de  conveniência  e  interesse  de  negócio.  (h)é  flagrante  o  abuso  do  lançamento  fiscal  em  enquadrar  a  conduta  da  impugnante  nos  tipos  de  sonegação  e  fraude,  o  que  invalida  a  aplicação  da  multa  qualificada  e  a  responsabilização  pessoal  de  administradores da Impugnante;  (i)todas  as  operações  foram  lastreadas  em  debates  travados  no  âmbito  do  Conselho  de  Administração,  tendo  sido  dada  voz  aos  demais  diretores  e  conselheiros,  não  tendo  portanto  resultado  de  atos  unilaterais do administrador;  (j)as  tomadas  de  decisão  seguiram  a  forma  da  lei,  sendo embasadas em opinamentos técnicos;  (k) ademais, é de reconhecer a decadência do crédito  tributário referente ao ano base de 2007;  (l)descabe,  ainda,  a  imposição  de  multa  isolada,confia  o  Impugnante  que  será  acolhida  in  totum sua impugnação, de que resultará sua exclusão  do  polo  passivo,  bem  como  será  desconstituído  integralmente o crédito, ou, se assim não entender V.  Sa., será desconstituído em parte o lançamento, pelas  razões acima expostas  Requer que todas as intimações sejam encaminhadas  para  o  endereço  da  subscritora  desta  (Rua  Padre  João  Manuel,  199,  cj.  33,  São  Paulo,  capital,  CEP  01411­001)  e/ou  encaminhados  por  mensagem  eletrônica  para:  Paloma@fsl.adv.br  e  flaviocancherini@fsl.adv.br    V  ­  DA  IMPUGNAÇÃO  –  DO  RESPONSÁVEL  TRIBUTÁRIO  –  RÔMULO  BORGES FONSECA  Em  17/01/2014,  a  Empresa  apresentou  impugnação  ao  Auto  de  infração (fl. 2.372/2.641), e alega em síntese:  1 – DA TEMPESTIVIDADE  Fl. 3271DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.272          49 Conforme disposto no artigo 15,  do PAF, o  trintídio  para  oferecimento  de  impugnação  ao  Auto  de  Infração  se  inaugura  com  a  intimação  do  contribuinte.  Tendo  a  Impugnante  sido  intimada  apenas em 19.12.2013 (quinta­feira), o referido prazo  findará em 18.01.2014 (sábado), estendendo­se até o  primeiro  dia  útil  subsequente,  20.01.2014  (segunda­ feira).  Oferecida  antes  do  transcurso  do  prazo,  infere­se  a  tempestividade da presente impugnação.  2 – DA AUTUAÇÃO  ....................................................................................... ............................................  O  Impugnante,  sócio  administrador  da  Autuada  à  época,  foi  equivocadamente  incluído  como  responsável  tributário  pelos  referidos  créditos  com  base nos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, ambos  do CTN, vez que foi considerada a prática de ilícitos  tributários pela Autuada.  A inclusão do Impugnante no polo passivo, contudo, é  absolutamente  ilegal  e,  conforme  será  demonstrado  adiante,  teve  origem  em  uma  visão  deturpada  da  fiscalização,  viciada por preconceitos perigosamente  simplistas que de antemão, em notório prejulgamento,  parte da premissa de caracterização como prática de  fraude  e  sonegação  toda  e  qualquer  operação  de  reorganização  societária  que  tenha  promovido  o  surgimento, e posterior aproveitamento fiscal, de ágio  fundado em goodwill.  Diante disso, a Impugnante se dedicará a demonstrar  que a operação de reestruturação societária por que  passou  o  grupo  econômico  em que  está  inserida,  foi  realizada  (a)  com  firme  propósito  negocial,  (b)  calcada  em  laudos  e  avaliações  técnicas  realizadas  por empresas especializadas de renome internacional,  (c) de acordo com as normas legais vigentes à época,  (d)  através  de  práticas  e  atos  tornados  públicos,  na  medida  das  exigências  dessa  legislação,  (e)  em  consonância com as melhores práticas contábeis e (f)  sem prejuízo ao erário,  tendo gerado o recolhimento  de  imposto  de  renda  sobre  a  reavaliação  do  empreendimento,  logo,  (g)  de  forma  lícita  e  economicamente coerente.  ....................................................................................... .......................................    3  –  RAZÕES  DE  ORDEM  ECONÔMICA  PARA  A  REESTRUTURAÇÃO  SOCIETÁRIA.  ­ O controle da Venbo era exercido por uma holding – Brasil Fast Food Corporation;  Fl. 3272DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.273          50 ­  A  BFF  corp.  era  obrigada  a  manter  o  valor  do  investimento  registrado  o  Banco  Central do Brasil – Em virtude de ser a Venbo controlada por empresa estrnageira, a  legislação lhe impunha uma série de restrições ( ver art. 39 da Lei 4.131/1962);  ­ O montante do investimento da BFF Corp. na Venbo registrado no BACEN ser na ser  na época, por um lado, superior ao valor contábil da Venbo (que possuía PL negativo), e, por  outro, inferior ao efetivo valor de mercado da Venbo;  ­ Essas gravíssimas distorções causavam muitos prejuízos ao empreendimento, e sua correção  constituiu um dos pilares, um dos motivos mais relevantes na reestruturação das empresas;  ­ Em  face  disso,  foi  tomada  a  decisão  de  corrigir  essa  grave  distorção,  de  tornar  visível  e  efetiva, jurídica e contabilmente, a realidade econômica do negócio, a verdadeira dimensão de  seu tônus empresarial:  E,  para  lograr  tal  desiderato,  teve  a  sociedade  holding BFF Corp  de  proceder  a  uma  avaliação  da  Venbo,  levada  a  efeito  com  todo  rigor  técnico  pela  Deloitte,  para  em  seguida  conferir  as  quotas  da  Venbo por esse mesmo valor ao capital de uma nova  holding  brasileira,  apurando  nessa  operação  um  ganho  e  recolhendo  o  imposto  de  renda  incidente  pela diferença a maior entre o valor da avaliação e o  do investimento que originariamente realizara!  Assim,  prima  facie  nota­se que  nenhum  resquício  de  artificialidade conteve a operação de que se originou  o ágio do investimento na Venbo.........  Tais  fatos  sugeriam,  portanto,  a  formação  de  uma  holding  brasileira  para  o Grupo  e  a  reavaliação  do  investimento  de  forma  a  refletir,  pelas  melhores  práticas  contábeis,  o  real  valor  de  mercado  do  negócio  Bob's.  Criar  esta  holding  brasileira  permitiria a flexibilidade necessária para ingresso na  Bolsa  de  valores  brasileira,  então  em  estudos,  ingresso de novos sócios, tomada de empréstimos, etc.  ....................................................................................... ..........................................  ­ Em 2006 com o objetivo da reestruturação do Grupo, desta vez com fundamento em  outra razão de cunho operacional:   a  segregação  das  atividades  como  forma  de  obter  ganhos  de  eficiência,  com  a  otimização  de  cada  empreendimento,  sob  o  conceito  de  alocação  de  recursos e focos em função de cada atividade distinta.  Contratou  os  serviços  da  Deloitte  Touche  Tomhmatsu  para  dar  forma a operação, que após os estudos chegou a conclusão da necessidade de criação  de uma holding brasileira, com uma nova estrutura societária para o grupo.  Dessa  maneira,  deu­se,  em  11.12.2006,  o  primeiro  passo no sentido da reestruturação do Grupo Bob's,  com  a  aquisição  de  empresa  até  então  não  operacional, com estrutura societária que atendia aos  Fl. 3273DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.274          51 interesses  do  Grupo,  a  22N  Participações  Ltda.  Registre­se  que  esta  sociedade,  em  12.10.2007,  passou  a  ser  denominada  "BFFC  do  Brasil  Participações  Ltda."  (doe.  05)  e,  em  25.04.2011,  "BFFC do Brasil  ­ Comércio  e Participações  Ltda."  (doe. 02), estando ativa até os dias atuais.  A 22N, portanto, foi adquirida pela BFF Corp e pelos  Srs.  Ricardo  Bomeny  e  Rómulo  Borges  da  Fonseca,  com  o  objetivo  de  dar  corpo  à  nova  holding  do  Grupo,  a  BFFC  do  Brasil.  Em  razão  disso,  a  BFF  Corp transferiu a participação que detinha na Venbo  para a 22N, aportando­a em aumento de capital.  ....................................................................................... ............................................  Como dito, a transferência da participação na Venbo  da  BFF  Corp  para  a  22N  foi  realizada  adotando  como base o valor de mercado da Venbo apurado no  laudo  de  avaliação  econômico­financeira  elaborado  pela  Deloitte,  com  fundamento  na  expectativa  de  rentabilidade futura (goodwill) do negócio, qual seja,  R$54.000.000,00  (ciquenta  e  quatro  milhões  de  reais).  ....................................................................................... ...........................................  A 22N ao receber a participação na Venbo pelo valor  de  R$54.000.000,00  (Cinquenta  e  Quatro  Milhões)  conforme mencionado no  tópico anterior, e seguindo  as  determinações  do  artigo  20,  do  Decreto­Lei  n°  1.598/77, desdobrou o custo de aquisição entre o ágio  e o valor do Patrimônio Líquido Contábil da Venbo,  que na ocasião era negativo. Resultou desse processo  que  todo  o  valor  do  investimento  recebido  pela  22N  teve o tratamento de ágio com base na expectativa de  rentabilidade  futura,  com  base  no  laudo  mencionado.(grifamos)    ­ A operação resultou em ganho de capital para a BFF Corp., que apurou e recolheu o  IR ganho de capital (doc. 06) no valor de R$ 281.324,88 ( principal R$ 278.567,07, e  juros de mora R$ 2.757,81);   Concluída  essa  etapa,  cogitou­se  da  caracterização  da 22N como uma empresa com atividade própria, de  gestão  de  marcas  e  realização  de  novas  aquisições  para o Grupo, atividade que exerce até os dias atuais  (como BFFC do Brasil). Assim, continuando o projeto  de  segregação  de  atividades,  optou­se  por  adquirir  uma  nova  sociedade,  a Peronia Participações Ltda.,  que  serviria  como  holding  pura  para  as  principais  atividades  do  Grupo  (franquia,  lojas  próprias  e  imobiliária),  resultante  da  cisão  da  Venbo  (etapa  final  da  reestruturação),  e  que  recebeu  da  22N  um  aporte de capital com as quotas do capital da Venbo  Fl. 3274DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.275          52 anteriormente  recebidas  da  BFF  Corp  pelo  mesmo  valor por que a 22N havia recebido  .......  a  Peronia  adotou  o  mesmo  procedimento  contábil  da  22N,  reconhecendo  o  mesmo  ágio  anteriormente refletido nos livros da 22N.  Além  disso,  e  com  base  nas  técnicas  contábeis  adotadas à época, a Peronia constituiu uma provisão  para  desvalorização  do  ágio  no  exato  valor  do  mesmo,  ou  seja,  R$  54.000.000,00  (Cinquenta  e  Quatro  Milhões  de  Reais).  Destaque­se  que  a  validade desta prática foi posteriormente refletida na  Resolução CFC n° 1.139/08, do Conselho Federal de  Contabilidade  que  aprovou  a  Norma  Brasileira  de  Contabilidade  ­  NBC  T  19.8  —  Ativo  Intangível,  a  qual estabelece, em seu tópico 47, o seguinte:    "Ágio  derivado  da  expectativa  de  rentabilidade  futura (Goodwill) gerado internamente  47. O  ágio  derivado  da  expectativa  de  rentabilidade  futura  (goodwill)  gerado  internamente  não  deve  ser  reconhecido como ativo.  48. Em alguns casos incorre­se em gastos para gerar  benefícios econômicos futuros, mas que não resultam  na  criação  de  ativo  intangível  que  se  enquadre  nos  critérios de reconhecimento estabelecidos na presente  Norma.  Esses  gastos  costumam  ser  descritos  como  contribuições para o ágio derivado da expectativa de  rentabilidade." (grifos originais)  Dessa maneira, foi constituída, como dito acima, uma  provisão  para  tornar  o  ágio  neutro  nas  demonstrações  financeiras  da  Peronia  e  do Grupo.  Referida provisão não afetou a base fiscal da empresa  uma vez que sua natureza foi de provisão indedutível.  Atendendo­se  novamente  à  boa  prática  contábil,  a  Sociedade  constituiu  um  ativo  diferido  no  valor  de  R$18.360.000,00  (dezoito  milhões,  trezentos  e  sessenta  mil  reais)  ­  correspondentes  a  aproximadamente 34% (trinta e quatro por cento) do  valor  da  provisão  constituída  (R$54.000.000,00)  ­  a  título  de  Imposto  de  Renda  e  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  Diferidos  (expectativa  de  dedutibilidade  futura  por  ocasião  das  amortizações  do  ágio),  tendo  como  contrapartida  a  despesa  de  Imposto de Renda e CSLL nos resultados.  ­  Ocorre  que  a  etapa  seguinte,  que  consistia  na  cisão  da  Venbo  com  a  segregação  das  atividades,  mostrou­se  inviável  naquele  momento.(  informando  um  dos  impedimentos,  que  consistia  na  impossibilidade  de  a  Venbo  obter  Certidão Negativa  de Débitos  ­  CND previdenciária, necessária para a realização de tal ato)  Com isso, demonstrou­se desnecessária a manutenção  da Peronia  Fl. 3275DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.276          53 dentro do organograma do Grupo, sendo conveniente  em termos societários promover a incorporação desta  pela Venbo (doc. 08).  Registre­se  que,  naquela  ocasião,  constava  no  balanço  da  Peronia  o  registro  contábil  do  investimento  na  Venbo,  segregado da seguinte maneira:  ATIVO __________________________R$18.361.000,00  Caixa  R$1.000,00  Participação em empresa controlada (Venbo) R$0,00  Ágio em empresa controlada (Venbo)  R$54.000.000,00  Provisão redutora do ágio  (R$54.000,00,00)  ATIVO DIFERIDO  R$18.360.000,00  PATRIMÔNIO LÍQUIDO __________ R$18.361.000,00  Capital social integralizado  R$54.001.000,00  Lucros acumulados  (R$35.640.000,00)  O ágio  lançado no ativo da Peronia,  cabe  registrar,  foi apurado em virtude da reavaliação de ativo, pela  BFF Corp,  correspondente à participação  societária  na  própria  Venbo,  tendo  surgido  na  22N  e  sido  transferido  para  a  Peronia  em  virtude  do  segundo  passo da  reestruturação  societária planejada para o  Grupo.  Isto significa que uma vez esclarecidas as motivações  empresariais  e  o  suporte  técnico  que  deram  substância  às  operações  de  que  se  originou  o  ágio,  segue­se  que  os  atos  subsequentes  descritos  são  desdobramentos que não tem o condão de macular a  legitimidade de constituição do ágio.  ....................................................................................... ............................................  Ora,  caso  a  motivação  da  operação  fosse  exclusivamente  o  benefício  fiscal,  bastaria  que  (i)  após a transferência do investimento na Venbo para  a  22N,  com  ágio  fundado  em  goodwill,  fosse  (ii)  realizada  a  incorporação  da  22N  na  Venbo,  ou  o  contrário.  O  ágio  poderia  ser  da  mesma  forma  aproveitado,  sem  a  necessidade  de  todas  essas  transformações no Grupo Bob's!(grifo original)  ....................................................................................... ...........................................  Apresentado o  cenário  em que  foi modelada e posta  em  prática  a  reorganização  societária  do  Grupo  Bob's no  final do ano de 2006 e  início de 2007,  fica  nítido  que  o  surgimento  do  ágio  posteriormente  amortizado  pela  Venbo  foi  consequência,  e  não  causa,  de  toda  a  reestruturação.  A  operação  como  um  todo, conforme se vê, é consideravelmente mais  complexa  que  aquela  apresentada  no  simplório  relato da fiscalização; o i. Fiscal focou em operações  isoladas,  sem avaliar  a movimentação  societária  de  Fl. 3276DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.277          54 maneira sistemática, isso certamente não por falta de  capacidade, mas  por  uma  preconcebida  condenação  da reestruturação.(grifo original)  ....................................................................................... ...........................................  Esta  demonstração  fática,  por  si,  já  reflete  a  substância  econômica  da  reorganização,  cujo  sucesso,  a  propósito,  está  muito  atrelado  à  boa  condução técnica anterior à sua realização (fundada  em sólida avaliação e projeção dos negócios).  ....................................................................................... ...........................................  Repita­se:  essa  complexidade  da  reestruturação  societária  levada  a  cabo  pela  Impugnante  foi  ignorada pela fiscalização, que se ateve a elementos  pró­forma,  como  o  modo  de  aquisição  das  sociedades,  na  tentativa  de  atribuir  a  toda  a  operação ares  de  ilicitude,  sob  o  rótulo  de  fraude  e  sonegação  fiscal,  o  que,  data  venia,  constitui  verdadeiro absurdo!  Feitas essas ponderações, a Impugnante dedicar­se­á  a demonstrar, ponto a ponto, os equívocos cometidos  pela fiscalização.    4 – APROVEITAMENTO FISCAL FISCAL DO ÁGIO – Legalidade da apuração e aproveitamento do ágio pela  Venbo.  O artigo 20, do DL 1.598/77 estabelecia as diretrizes  para  verificação  do  ágio  na  aquisição  de  participações societárias da seguinte forma:    Art  20  ­ O  contribuinte  que avaliar  investimento  em  sociedade  coligada  ou  controlada  pelo  valor  de  patrimônio  líquido deverá, por ocasião da  aquisição  da participação, desdobrar o custo de aquisição em:  I ­ valor de patrimônio líquido na época da aquisição,  determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e  II  ­  ágio  ou  deságio  na  aquisição,  que  será  a  diferença entre o custo de aquisição do investimento e  o valor de que trata o número I.  §1°  ­  O  valor  de  patrimônio  líquido  e  o  ágio  ou  deságio  serão  registrados  em  subcontas  distintas  do  custo de aquisição do investimento.  §2°  ­  O  lançamento  do  ágio  ou  deságio  deverá  indicar, dentre os  seguintes, seu fundamento econômico:  [...]  Fl. 3277DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.278          55 b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada,  com  base  em  previsão  dos  resultados  nos  exercícios  futuros;  [•••]  §3°  ­  O  lançamento  com  os  fundamentos  de  que  tratam as letras a e b do § 2o deverá ser baseado em  demonstração  que  o  contribuinte  arquivará  como  comprovante da escrituração.  Por seu turno, o artigo 7o, da Lei n° 9.532/97, previa  que  a  pessoa  jurídica  que  absorvesse  patrimônio  de  outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na  qual detivesse participação societária adquirida com  ágio apurado por expectativa de rentabilidade futura  (goodwill ­ alínea "b", do § 2—, do art. 20, do DL n°  1.598/77),  poderia  amortizá­lo,  à  razão  de 1/60  (um  sessenta  avos)  para  cada  mês  do  período  de  apuração.  A  alínea  "b",  do  artigo  8o,  subsequente,  autorizava  esta  amortização  também  quando  a  empresa  incorporada,  fusionada  ou  cindida  fosse  aquela  que  detinha  a  propriedade  da  participação  societária.  ....................................................................................... ...........................................  ..........incorporação da Peronia pela Venbo, tendo em  vista  que  o  ágio  surgido  na  22N  foi  apurado  com  fundamento  em  rentabilidade  futura,  com  base  em  laudo  formulado  por  empresa  independente  e  de  renome no mercado, a Venbo procedeu, na forma do  artigo  7o,  inciso  III,  da  Lei  n°  9.532/97,  à  sua  amortização.  Note­se,  portanto,  que,  além  de  a  reestruturação  societária  ter  sido  realizada  com  base  em  firmes  propósitos  negociais,  o  ágio  posteriormente  amortizado  pela  Impugnante  foi  apurado  e  aproveitado  com  integral  observância  das  normas  legais vigentes à época.  5 – CADEIA DE EQUÍVOCOS QUE REDUNDARAM NA AUTUAÇÃO.  a)"o CONTRIBUINTE [...] deixou de apresentar os livros DIÁRIO, CAIXA e LALUR de  2005,2006 e 2007 da empresa PERONIA [...].»  ....................................................................................... ............................................  A  guarda  dos  livros  referentes  a  2006,  portanto,  deveria ser mantida somente até o ano de 2012, data  anterior à de início dessa fiscalização. Já em 2007, a  empresa  havia  sido  incorporada,  compartilhando  a  escrita contábil da Impugnante.  ....................................................................................... ..........................................  b)  "O CONTRIBUINTE, [...] deixou de esclarecer a origem da provisão redutora de ágio na  PERONIA, no valor de R$35.640.000,00, bem como deixou de apresentar a documentação  Fl. 3278DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.279          56 comprobatória  dos  pagamentos  efetuados  pelas  partes  envolvidas  para  quitação  das  transações envolvendo a PERONIA e a VENBO."  ­ A Peronia  constituiu a provisão para desvalorização do ágio no exato valor dele,  ou seja, R$ 54.000.000,00 (Cinquenta e Quatro Milhões de Reais);  ­ A Sociedade constituiu ainda um ativo diferido no valor de R$18.360.000,00  (dezoito  milhões,  trezentos  e  sessenta  mil  reais)  ­correspondentes  a  aproximadamente  34%  (trinta e quatro por cento) do valor da provisão constituída (R$54.000.000,00);  c)  "Observam­se coincidências no valor do capital das empresas 22N e PERONIA, bem como  de seus sócios e endereços, evidenciando  tratar­se de empresas de prateleira abertas pelo  prestador de  serviços de  consultoria no planejamento  tributário.  [...]  indícios da  falta de  propósito negocial nas transações efetuadas."  ....................................................................................... ............................................  A  forma  de  aquisição  e  a  identidade  dos  quadros  societários  originários  das  empresas  não  são  suficientes  para  contaminar  toda  a  operação,  principalmente  porque  não  há  qualquer  vedação  na  legislação com relação à aquisição de sociedades da  forma como realizada. Na ocasião, foi oportunizada a  aquisição  dessas  sociedades,  as  quais  se  apresentavam  regulares  em  sua  constituição  e  funcionamento,  o  que  se  demonstrou  um modo mais  célere e menos oneroso — tendo em vista a habitual  burocracia  na  constituição de novas  sociedades  ­  de  se conduzir a reorganização societária.  Fica  evidente  o  intuito  do  Fiscal  de,  a  partir  de  argumentos  vazios  de  conteúdo,  trazer  a  reorganização do Grupo Bob's para a vala comum da  sonegação  e  fraude  em  que  são  lançados  os  planejamentos  abusivos,  o  que  claramente  não  cabe  no presente caso.  d)  "o  expressivo  aumento  de  capital  na  22N,  no  valor  de  R$54.000.000,00,  não  decorreu  de  qualquer  transação  de  compra  e  venda,  posto  que  ninguém  pagou  algo  a  alguém,  tratando­se  de  mera  reavaliação  do  ativo  que  representava  as  quotas  da  VENBO,  decorrente  de  acordo  interno  entre  os  sócios  comuns  à  22N  e  à  VENBO,  sem  qualquer  agente  externo,  portanto,  não há que se falar em geração ou pagamento de ágio nesta transação.    Para organizar o raciocínio neste ponto, é importante  ter em mente que o aumento de capital  foi  realizado  pela BFF Corp na 22N. Dessa maneira, a reavaliação  do  investimento  na  Venbo  ocorreu  em  momento  anterior  ao  aporte  em  questão,  gerando,  como  já  mencionado, ganho de capital submetido à tributação  pela BFF Corp. essa reavaliação e aporte das quotas  da  Venbo,  como  visto,  atendeu  a  vários  propósitos  substanciais  no  interesse  límpido  e  cristalino  do  empreendimento.  Com  a  transferência  da  participação  na  Venbo,  por  aporte  de  capital,  para  a  22N,  esta  procedeu  aos  lançamentos  contábeis  próprios  à  aquisição  de  Fl. 3279DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.280          57 investimento, observando a forma prescrita no artigo  20, do DL 1.598/77, já mencionado. Assim, segregou  o montante do  investimento em "valor de patrimônio  líquido" e "ágio na aquisição".  A  vedação  à  apuração  do  ágio  nesse  evento,  sob  o  fundamento de que "ninguém pagou algo a alguém  ", não possui correspondente em lei.  ....................................................................................... ............................................  e) o planejamento tributário é consumado em 2911212006. na 25a alteração da VENBO, na  qual  ocorre  a  incorporação  da  PERONIA  na  VENBO,  cujo  capital  é  aumentado  em  R$18.361.000,00,  valor  do  patrimônio  líquido  da  incorporada.  No  mesmo  instrumento  ocorre  o  ingresso  da  22N,  a  título  gracioso,  ficando  a mesma  com  R$27.643.003,27  do  capital  da VENBO,  e  RÓMULO BORGES DA FONSECA  e  RICARDO FIGUEIREDO  BOMENY com R$0,01 cada."  Não  houve  planejamento  tributário  consumado  em  29/12/2006. Tampouco a reorganização societária do  Grupo  Bob's  se  encerrou  com  a  incorporação  da  Peronia. A segregação das atividades do Grupo em 3  (três)  sociedades  distintas,  como  previa  a  segunda  etapa  da  reestruturação,  não  foi  possível  à  época,  conforme  demonstrado,  mas  vem  se  desenhando  ao  longo dos anos, tendo, hoje, em vias de ser concluída,  com um ou outro ajuste de caráter gerencial.  ....................................................................................... ...........................................  Ademais,  destaque­se  que  o  ingresso  da  22N  na  Venbo não ocorreu "a título gracioso", como sustenta  o  Fiscal.  A  aquisição  de  quotas  da  incorporadora  pelos  sócios  da  sociedade  incorporada  é  consequência natural da extinção desta sociedade (v.  artigo 224, inciso I, da Lei 6.404/76).  Conforme consta no ato de incorporação, a versão do  acervo  líquido  para  a  Venbo  originou  aumento  de  capital  cuja  contrapartida  para  os  sócios  da  sociedade  incorporada  foi  a  proporcional  aquisição  de quotas da incorporadora.  f) "o CONTRIBUINTE além de aproveitar­se do ágio fictício de R$35.640.000,00, através de  exclusões mensais [...], reduziu ainda mais a base de cálculo do IRPJ e da CSLL através de  despesas mensais de amortização do mesmo ágio [...], resultando no aproveitamento total  indevido  de  ágio  no  valor  mensal  de  R$900.000,00,  R$2.700.000,00  no  trimestre,  R$10.800.000,00 ao ano e R$54.000.000,00 em 60 meses."  Como se viu, o surgimento e o aproveitamento  fiscal  do  ágio  foram  realizados  corretamente  pela  Venbo,  não  havendo  que  se  falar  em  "ágio  fictício".  A  forma  como  o  ágio  foi  tratado  internamente,  pela  contabilidade,  seguiu  as  práticas  mais  adequadas  adotadas  no  período, consistindo no seguinte:  Fl. 3280DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.281          58 i.  O ágio foi lançado em conta do ativo da Venbo,  no  valor  de  R$54.000.000,00,  acompanhado de uma provisão  redutora  do ágio  em  igual montante.  ii.  Como  "ativo  diferido",  foi  lançado  o  valor  de  R$18.360.000,00  (dezoito  milhões, trezentos e sessenta mil reais) ­ 34% (trinta e  quatro  por  cento)  do  total  da  provisão  constituída.  Este  lançamento  de  R$18.360.000,00  foi  convertido  mensalmente,  na  proporção  de  1/60,  em  "despesa  de  amortização  do ágio" (R$306.000,00/mês).  iii.Além  disso,  o  montante  de  R$35.640.000,00,  resultou  na  realização  de  exclusões  na  apuração  do  Lucro  Real,  também  na  proporção  de  1/60  (R$594.000,00/mês).  Este  procedimento  resultou  no  aproveitamento  fiscal  do  montante  exato  do  ágio  apurado  no  curso  da  operação de reestruturação societária, nada havendo  de irregular no seu tratamento contábil.  6 – ILEGALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO  c)  Imputação infundada da prática de fraude e sonegação  ..........  um  dos  requisitos  essenciais  para  a  configuração  de  uma  conduta  como  fraude  ou  sonegação é a demonstração cabal da  existência de  dolo  específico1,  ou  seja,  é  imprescindível,  para  o  enquadramento  em  qualquer  um  dos  tipos  legais,  a  exposição  clara  e  inequívoca  de  que  a  ação  ou  omissão foi empreendida com a intenção de burlar a  norma. Para tanto, não basta  No  presente  caso,  não  há  qualquer  prova  de  que  a  reestruturação  se  deu  com  a  intenção  de  se  auferir  algo  vedado  pela  legislação,  pelo  contrário,  com  o  intuito  de  demonstrar  a  suposta  prática  de  ilícito  tributário  o  Fiscal  utilizou  pré­conceitos  completamente infundados como se fossem indícios de  fraude  ou  de  sonegação,  retratados  nas  seguintes  assertivas,  outrora  citadas:  "empresas  do  mesmo  grupo econômico"; "posto que ninguém pagou algo a  alguém";  "não  parece  ser  razoável  uma  empresa  cobrar  ágio  de  si  mesma";  e  "empresas  fornecidas  como se fossem mercadorias em uma prateleira".  As  "evidências"  elencadas  pela  fiscalização  são  na  verdade  suposições  e  suspeitas  de  foro  íntimo,  que  geram uma  ilícita presunção,  infirmada pelo  suporte  fático  e  normativo  da  reestruturação  e  seus  efeitos,  seja  por  expressa autorização  legal ou por ausência  de  vedação.  Ainda,  no  caso  concreto,  não  se  pode  sequer cogitar a constatação de vontade direcionada  a  fins  ilícitos,  visto  que  o  reconhecimento  e  a  amortização do ágio encontram vasto amparo legal e  jurisprudencial.  Fl. 3281DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.282          59 Portanto,  a  convicção  do  contribuinte  que  age  calcado  em  permissivo  legal  e  com  base  em  firme  jurisprudência,  além  de  respeitáveis  e  tangíveis  motivos  de  interesse  empresarial,  não  pode  ser  confundida  ou  mesmo  assemelhada  ao  dolo  necessário  para  a  configuração  de  fraude  ou  de  sonegação,  sob  pena  de  subversão  do  disposto  nos  artigos  71  e  72  da  Lei  4.502/64,  que  tem  por  finalidade  inibir condutas  intencionalmente adotadas  para fins ilícitos.  a.l) Ilegitimidade passiva dos sócios:  ............................................................................... ...  Conforme o relato  fiscal, a  responsabilidade pessoal  e  solidária  dos  sócios  administradores  foi  atribuída  com base no inciso I do artigo 124 e no inciso III do  artigo 135, ambos do CTN, que preceituam:    Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal;  Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato  social  ou  estatutos:  [...]  III  ­  os  diretores,  gerentes ou  representantes de  pessoas jurídicas de direito privado.  Primeiramente, cumpre ressaltar que não se aplica ao  presente  caso  o  disposto  no  artigo  124,  inciso  I,  do  CTN,  visto  que  o  referido  dispositivo  não  trata  de  forma  de  eleição  de  responsável  tributário,  alcançando  apenas  hipóteses  em  que  há  interesse  jurídico comum ­ diferente de interesse econômico na  consecução  da  situação  ­  vinculado  à  realização  conjunta  do  fato  imponível,  de  modo  que  a  solidariedade é forma de graduar a responsabilidade  entre sujeitos que já constam no polo passivo.  ............................................................................... .........  Sendo  assim,  resta  evidente  o  equívoco  da  fiscalização ao pretender a aplicação do artigo 124,  inciso  I,  do  CTN,  com  a  finalidade  de  atribuir  responsabilidade  aos  sócios  administradores  pelos  créditos tributários.  Ao seu turno, a aplicação do artigo 135, inciso III, do  CTN,  pressupõe:  (i)  a  prática  de  ato  ilícito,  dolosamente,  pelas  pessoas  elencadas  no  referido  Fl. 3282DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.283          60 dispositivo;  (ii) conduta  ilícita, como infração de lei,  contrato  social  ou  estatuto,  normas  que  regem  as  relações entre contribuinte e terceiro, externamente à  norma  tributária  matriz;  e  (iii)  a  atuação  tanto  da  norma  básica  (que  disciplina  a  obrigação  tributária  em sentido restrito) quanto da norma  ............................................................................... ...........  Ocorre  que,  conforme  visto  acima,  não  houve  no  presente  caso  comprovação  da  existência  de  dolo,  seja  por  parte  da  Impugnante  ou  de  seus  administradores, bem como não se praticou qualquer  conduta  contrária  às  normas  vigentes,  de modo  que  não  cabe  a  responsabilização  dos  sócios  administradores  por  ausência  dos  requisitos  postos  no artigo 135 do CTN.  Dessa maneira, é evidente a ilegitimidade passiva dos  administradores,  razão pela qual  se  faz necessária a  exclusão  da  responsabilidade  destes  pelo  crédito  tributário lançado.  ............................................................................... .............................  a.2) Homologação tácita do tributo:  Ao proceder à análise da documentação pertinente ao  ano­calendário  de  2007,  apresentada  pela  Impugnante,  a  fiscalização  procedeu  ao  lançamento  de  créditos  de  IRPJ  e  CSLL  relativos  a  tal  período,  com imposição de multa qualificada de 150%.  Todavia,  consoante  plenamente  comprovado,  no  presente  caso  não  houve  a  prática  de  fraude  ou  de  sonegação, de modo que a contagem do prazo para o  lançamento  de  ofício  de  eventuais  diferenças  deve  observar  ao  disposto  no  parágrafo  4o  do  artigo  150  do CTN,.........  ....................................................................................... ............................................  Desse modo, em relação ao ano­calendário de 2007,  os  fatos  geradores  dos  referidos  tributos  se  consumaram em 31/12/2007,  tendo  sido apresentada  pela  Impugnante  a  DIPJ  referente  ao  período  (doe.  10).  Portanto, conforme o disposto no artigo 150, §4°, do  CTN,  ocorreu  a  homologação  tácita  do  tributo  declarado  e  pago  pela  Impugnante  em  31/12/2012,  antes mesmo do início do procedimento fiscalizatório,  cujo  termo  inicial  foi  14/05/2013,  havendo,  consequentemente,  a  decadência  do  direito  de  proceder  ao  lançamento  de  quaisquer  diferenças  relativas ao IRPJ e à CSLL incidentes sobre os fatos  geradores  compreendidos  no  período  de 01/01/2007  até 31/12/20076.  Fl. 3283DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.284          61 ............................................................................... ......................................  a.3) Descabimento das multas qualificadas  Ao  imputar  a  prática  de  ilícito  tributário  à  Impugnante,  o  Fiscal  procedeu à aplicação de multa qualificada de 150%,  prevista  no  artigo  44,  §1°,  da  Lei 9.430/96, c/c artigos 71 e 72 da Lei 4.502/64 ­ os  quais  dispõem  sobre  sonegação  e  fraude  ­,  sobre  os  créditos  de  IRPJ  e  CSLL  constituídos  pelo  lançamento.    7  AgRg  nos  EREsp  1199262/MG,  Rei.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado em 26/10/2011, DJe 07/11/2011.  Ocorre  que,  conforme  demonstrado,  não  houve  sonegação ou fraude, pois (i) não restou configurada  qualquer  intenção  da  Impugnante  ou  de  seus  administradores  de  obter  resultados  ilícitos  decorrentes  de  condutas  delituosas,  bem  como  (ii)  o  surgimento  e  o  aproveitamento  do  ágio  possuem  plenos fundamentos legais e econômicos.  Desse modo, não há incidência das normas inseridas  nos artigos 71 e 72 da Lei 4.502/64, razão pela qual,  por si só, deve ser afasta a qualificação da multa de  ofício  prevista  no  inciso  I  do  artigo  44  da  Lei  9.430/96.  ....................................................................................... ..........................................  a.4) Impossibilidade de cumulação de multas de ofício e isoladas  Além  de  todas  as  ilegalidades  e  inconsistências  do  lançamento  já  demonstradas,  a  fiscalização  determinou  a  aplicação  de  multas  isoladas  de  50%  sobre  supostas  diferenças  entre  as  estimativas  mensais de IRPJ e CSLL, com base nos artigos 43 e  44, inciso II, alínea "b", da Lei 9.430/96.  Entretanto,  tal aplicação resultou na penalização em  duplicidade  da  Impugnante  pelo  mesmo  suposto  ilícito que  lhe é atribuído,  configurando bis  in  idem.  Isto  porque  a  estimativa  mensal  consiste  em  etapa  preparatória  da  apuração  anual  do  tributo,  sendo  meio de execução de uma conduta­fim, praticada por  ocasião  do  encerramento  do  exercício  fiscal.  Assim,  após  a  efetiva  apuração  do  imposto,  caso  se  pretendesse  penalizar  o  contribuinte  por  eventual  descumprimento da obrigação principal, qual seja, de  recolhimento do tributo, caberia a aplicação somente  da multa de ofício.  Ao  seu  turno,  a  multa  isolada  poderia  ser  imposta  apenas  quando  verificada  a  insuficiência  dos  Fl. 3284DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.285          62 recolhimentos das estimativas antes do encerramento  do  período  de  apuração,  tendo  em  vista  que  a  exigência  mensal  deixa  de  ter  eficácia  uma  vez  apurado o lucro real anual, ocasião em que prevalece  o tributo efetivamente devido.  ............................................................................... .........................................  b) Legalidade da apuração e amortização do ágio  O ágio corresponde à parcela do custo de aquisição  de  participação  societária  que  se  sobreponha  ao  valor  do patrimônio  líquido da  sociedade adquirida.  O  tratamento  contábil  conferido  ao  custo  de  aquisição  destas  participações  é  disciplinado  pelo  artigo  20,  do DL  1.598/77,  já  reproduzido  acima,  o  qual  determina  o  desdobramento  deste  custo  em  contas que  informem, separadamente,  (i) o "valor de  patrimônio  líquido"  e  (ii)  o  "ágio  na  aquisição".  O  referido  dispositivo  obriga  o  adquirente  a  indicar  o  fundamento econômico que originou o ágio, dentre os  quais admite o "valor de rentabilidade da coligada ou  controlada, com base em previsão dos resultados nos  exercícios  futuros",  lastrado  em  demonstração  que  deverá  ser  arquivada  pelo  contribuinte  como  comprovante da escrituração.  ....................................................................................... ............................................  Em  termos  gerais,  as  amortizações  de  ágio  possuem  efeito fiscal neutro ao passo em que são adicionadas  ao lucro líquido como não dedutíveis. A amortização  passa  a  ter  relevância  do  ponto  de  vista  fiscal  somente  quando  o  sujeito  passivo  se  enquadra  na  hipótese  estabelecida  no artigo  7o,  inciso  III,  da Lei  9.532/97  (ou  na  exceção  do  §2°),  também  já  transcrito.  O referido dispositivo autoriza a amortização do ágio  verificado  na  aquisição  de  participações  societárias  avaliadas  com  fundamento  em  expectativa  de  rentabilidade  futura,  apresentando  como  exigência  apenas que após a aquisição da participação ocorra,  entre controladora e controlada, a absorção (total ou  parcial) do patrimônio de uma pela outra, mediante  incorporação  ou  cisão  (veja­se  também  o  artigo  8o,  "b",  da  Lei),  ou  a  reunião  de  seus  patrimônios  em  uma terceira sociedade, através de fusão.  ....................................................................................... ............................................  Sendo essencialmente neutra do ponto de vista fiscal,  a  amortização  do  ágio  depende,  portanto,  dessa  autorização  do  art.  7°,  da  Lei  9.532/97.  Esta  afirmativa, porém, comporta uma segunda conclusão,  a  de  que,  não  sendo  espontânea  a  amortização,  seu  aproveitamento  está  condicionado  exclusivamente  ao  preenchimento  das  condições  que  a  legislação  Fl. 3285DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.286          63 impõe ­uma vez preenchidas, é direito do contribuinte  aproveitar o benefício.  ....................................................................................... ............................................  Extrai­se das lições do acatado doutrinador que (i) o  aproveitamento do  ágio  está condicionado apenas a  (i.a)  que  a  aquisição  de  uma  sociedade  pela  outra  tenha  se  dado  com  a  apuração  de  ágio  por  rentabilidade  futura,  independente  da  forma  como  a  aquisição  foi  realizada,  e  (i.b)  haja  reunião  dos  patrimônios da controladora (que apurou o ágio) e da  controlada  (cuja  expectativa  de  lucros  justificou  o  ágio);  bem  como  (ii)  a  natureza  das  condições  impostas tornam claro o intuito do legislador de fazer  com que o efeito fiscal da amortização do ágio reflita  sobre os  lucros cuja expectativa deram fundamento  ao próprio ágio.  141. Tem­se,  assim,  lançadas  as  bases  quanto  às  condições  e  à  ratio  da norma, sobre as quais a Impugnante demonstrará  que  a  amortização  do  ágio  por si realizada está dentro dos limites legais vigentes  à época.  i  Pois  bem.  Na  autuação,  o  fiscal  lança  dois  questionamentos diretos acerca da forma como o ágio  foi  apurado  pela  Impugnante:  o  primeiro  deles  diz  respeito ao fato de o ágio ter surgido em decorrência  da  aquisição  de  participação  societária  com  aporte  de capital em bens e, o segundo, por se tratar de ágio  gerado  através  de  operações  promovidas  dentro  de  um mesmo grupo (ágio interno).  ....................................................................................... ....................................  Forma de aquisição de participação societária:  O Fiscal sustenta que (i) "a geração de ágio [...] sem  qualquer  desembolso  [...]  constitui  prova  da  artificialidade  do  ágio  e  torna  inválida  sua  amortização";  pois  (ii)  "a  substância  econômica  do  ágio  está  condicionada a  [...] que o ágio  tenha  sido  efetivamente  pago";  portanto,  (iii)  o  "ágio  sob  comento não se coaduna com o conceito existente no  art. 7°, da Lei 9.532/97".  Ora,  vê­se  que  o  Fiscal  pretende  ser mais  restritivo  que a norma.  Inicialmente,  esclareça­se  que  o  dispositivo  que  especifica as hipóteses em que será apurado o ágio é  o  artigo  20,  do  DL  1.598/77,  segundo  o  qual,  o  conceito  de  ágio  compreende:  a  diferença  positiva  entre o custo de aquisição do  investimento e o  valor  do  patrimônio  líquido  da  investida  na  época  da  Fl. 3286DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.287          64 aquisição.  Complementa  a  descrição  do  ágio,  o  seu  fundamento  econômico,  sendo  prevista  como  tal  também a expectativa de rentabilidade futura.  No  surgimento  do  ágio,  o  art.  20,  do  DL,  exige  apenas  que  o  custo  de  aquisição  da  participação  societária  tenha  superado  (na  avaliação  de  investimento  em  sociedade  coligada  ou  controlada  pelo  valor  de  patrimônio  líquido)  o  valor  do  PL  da  sociedade  adquirida,  bem  como  que  esta  diferença  positiva  (ágio  propriamente  dito)  tenha  por  base  razões econômicas.  Fixado o ágio com base no artigo 20, do DL, deve­se,  aí  sim,  transportá­lo  para  enquadramento  no  artigo  7o,  da Lei  9.532/97. Neste momento,  caso o ágio  (já  existente)  tenha sido  justificado pelo goodwill e caso  tenha  sido  promovida  a  reunião  de  patrimônios  mencionada  anteriormente,  será  autorizada  a  sua  amortização na forma do inciso III, deste dispositivo.  Os  artigos  citados,  porém,  não  apontam  qualquer  restrição  relacionada  à  forma  de  aquisição  das  participações societárias; não há  restrição para a amortização do ágio ­ quanto menos,  na  forma  que  propõe  o  Fiscal,  para  a  própria  qualificação do ágio.  ....................................................................................... ...........................................  No  caso  presente,  o  surgimento  do  ágio  ocorreu  em  virtude do aporte de capital realizado pela BFF Corp  na  22N  (atual  BFFC  do  Brasil),  com  a  versão  de  quotas  da  Venbo,  ocasião  em  que  esta  adquiriu  a  participação societária avaliada com uma expectativa  de rentabilidade futura (fundada em laudo técnico) no  valor  de  R$54.000.000,00,  contra  um  PL  então  negativo  da  incorporada.  No  desdobramento  do  investimento,  a  22N  alocou,  portanto,  os  R$54.000.000,00  como  ágio,  informando  o  valor  do  Patrimônio Líquido da investida de R$0,00.  A  integralização de capital com a entrega de bens é  forma aceita pela legislação, estando autorizada pelo  artigo  7o,  da  Lei  n°  6.404/76,  segundo  o  qual  "o  capital social poderá ser  formado com contribuições  [...]  em  qualquer  espécie  de  bens  suscetíveis  de  avaliação em dinheiro". Ademais, o §2°, do artigo 8o,  da  referida  lei,  dispõe  ainda  que  "se  o  subscritor  aceitar  o  valor  aprovado  pela  assembleia,  os  bens  incorporar­se­ão  ao  patrimônio  da  companhia",  enquanto  o  artigo  9o  ilide  qualquer  dúvida,  ao  estabelecer que "na  falta de declaração expressa em  contrário, os bens transferem­se à companhia a título  de propriedade".  Não  há  dúvidas  de  que  o  controle  societário  da  empresa que representava a marca Bob's no Brasil é  suscetível  de  avaliação  em  dinheiro.  Esta  avaliação  Fl. 3287DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.288          65 foi  realizada por  empresa  especializada, que apurou  (i)  a  faixa  de  valor  econômico  da  Venbo  (As  Is)  na  data­base 31 de dezembro de 2006 e (ii) o valor (Fair  Market Value) de cada um dos  três negócios por ela  operados  considerando  uma  eventual  separação  das  atividades,  na  mesma  data­base.  A  partir  desta  análise  é  que  se  apurou  o  valor  de  mercado  da  Venbo, fixando­o em R$54.000.000,00.  Em contrapartida ao aporte de  capital,  a BFF Corp  adquiriu  quotas  do  capital  da  22N,  em  quantidade  equivalente ao valor do aporte realizado, passando a  ter  participação  indireta  na  Venbo,  mas  com  o  controle  direto  sobre  a  sociedade  que  passou  a  concentrar as marcas e investimentos do grupo, o que  indica a razoabilidade nas transferências.  Sobre  o  alcance  do  termo  "aquisição",  cabe  trazer  lição de Edmar Oliveira Andrade Filho, que afirma:  "O  termo  aquisição  possui  grande  espectro  significativo  e  abrange  todas  as  formas  pelas  quais  um bem ou direito passa a integrar o patrimônio de  alguém.  A  aquisição  da  participação  societária  (ações ou quotas) a que se refere preceptivo legal sob  análise abrange as operações de compra, de permuta,  de  recebimento  em dação de pagamento, doação, de  subscrição  e  integralização  de  capital,  etc.  A  aquisição  também  pode  ocorrer  em  casos  de  sucessão  por  incorporação, fusão e cisão."20 (Grifos postos)  O  Fiscal,  porém,  desconfia  da  regularidade  do  ágio  apurado  nessa  operação,  pois  "ninguém  pagou  algo  para alguém em momento algum".  Ora,  do  escólio  de  Orlando  Gomes,  da  Teoria  do  Pagamento do Direito das Obrigações, extrai­se que:  "[...]  Pode  a  obrigação  extinguir­se  por  diversos  modos.  Desaparece  normalmente  com a  execução.  Satisfeita  a  prestação,  o  vínculo  deixa  de  existir.  O  cumprimento da obrigação por esse modo chama­se,  tecnicamente, pagamento."21 (Grifos postos)  Tecnicamente,  a  AQUISIÇÃO  de  quotas  da  Venbo  pela  22N  foi  adimplida  pela  entrega,  para  a  BFF  Corp,  de  participação  societária  na  22N.  Satisfizeram­se,  assim,  as  obrigações  pactuadas,  sendo  certo  que  houve  "pagamento",  realizado  mediante a entrega de bens. A mesma lógica se seguiu  na  operação  subsequente  da  reestruturação  societária, na transferência do ativo para a Peronia.  Não  houve,  de  fato,  circulação  de  dinheiro  em  espécie,  mas  isto  não  é  contraprestação  necessária,  no  âmbito  do  direito  Privado,  para  que  se  realize  a  aquisição de determinado ativo.  ....................................................................................... ............................................  Fl. 3288DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.289          66 Portanto,  a  aquisição  de  participação  societária  na  Venbo  pela  22N,  operação  que  fez  surgir  o  ágio,  é  absolutamente  válida  para  fins  do  artigo  20,  do DL  1.598/77, nada podendo ser questionado com relação  ao surgimento desse ágio. Bem assim ocorreu com a  operação subsequente, de transferência do ativo para  a Peronia, estando em conformidade com as normas  do Direito Privado.  b.2.) Ágio gerado internamente:  Da mesma forma que na hipótese acima, a legislação  não  veda  em  momento  algum  o  aproveitamento  de  ágio  gerado  dentro  de  um mesmo  grupo  econômico.  Novamente, não há no artigo 20, do DL, exigência de  que  as  operações,  para  justificarem  a  apuração  de  ágio,  devam  envolver  terceiros  estranhos  ao  grupo  econômico, tampouco o artigo 7o, da Lei 9.532/97, faz  tal exigência.  ....................................................................................... ..........................  A  Lei  9.532/97  foi  editada  em  um  ambiente  macroeconômico  em  que  se  buscava  desenvolver  os  negócios  no  Brasil,  com  a  atração  de  investimentos  para  incentivar,  especialmente,  o  programa  de  privatizações.  Criou­se,  dessa  forma,  o  benefício  da  amortização  do  ágio  apurado  com  base  em  rentabilidade  futura,  sob  certas  condições  que  evidenciavam  o  intuito  existente  à  época  de  se  promover uma redução da carga fiscal à medida em  que as atividades desses empreendimentos gerassem  lucros.  Assim, como já demonstrado, o requisito legal para a  amortização do ágio  redundava no carregamento do  ágio  fundado  em  goodwill  para  a  sociedade  cuja  expectativa de rentabilidade lhe deu causa, de modo a  que os tributos devidos sobre os lucros desse negócio  sejam calculados após a amortização do ágio23.  ....................................................................................... ............................................  Viu­se que a amortização do ágio estava calcada em  rentabilidade  futura  cuja  realização  (efetivação  do  lucro  projetado)  deveria  ser  impactada  pela  amortização  do ágio no  resultado. Além disso,  ficou  claro  que  o  intuito  da  norma  era  estimular  os  negócios no País.  Pois  bem.  Reorganização  societária  que  possua  substância  econômica  será,  necessariamente,  realizada com o  intuito de dinamizar os negócios do  grupo  econômico  específico;  não  é  da  lógica  empresarial  reestruturação  societária  que  vise  a  tornar  o  empreendimento  menos  interessante  sob  o  ponto de vista negocial. Este ponto específico dialoga  bem, portanto, com o requisito do propósito negocial,  comum  ao  tema  planejamento  tributário,  Fl. 3289DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.290          67 apresentando­se  suficiente  para  amoldar  uma  reestruturação  societária  à  ratio  legis.  E  no  caso  concreto  de  solar  clareza  a  motivação,  a  conveniência  empresarial  em  revelar  os  números  verdadeiros de seu negócio, bem como de reorganizar  seu organograma societário.  No  bojo  dessa  impugnação,  ficou  claramente  demonstrado  o  propósito  negocial  da  operação,  nada havendo que  se  questionar,  portanto,  quanto  a  este requisito.  Já  o  outro  requisito  para  a  amortização  do  ágio,  a  presença  do  fundamento  econômico  "expectativa  de  rentabilidade futura" na aquisição do investimento, é  possível se verificar tanto em sociedades pertencentes  a um mesmo grupo econômico quanto em sociedades  independentes.  Isto  porque  "expectativa  de  rentabilidade"  é  característica  que  se  vincula  exclusivamente à operação do negócio da sociedade,  bastando  que  esta  sociedade  exista  para  que  possa  ser avaliada.  ............................................................................... ..............  Fica claro, pelo formato da operação, que não houve  a criação de um cenário artificial, com o sacrifício de  uma  das  empresas  do  Grupo,  para  gerar  ganhos  tributários  em  outra.  Ocorreu,  sim,  uma  reestruturação  das  atividades,  tendente  a  fortalecer  as  empresas  do  grupo  como  um  todo,  o  que  seria  plenamente  admissível  em  um  ambiente  de  negócios  entre partes independentes.  Sendo assim,  tendo a reestruturação do Grupo Bob's  alcançado  as  exigências  expressas  e  possíveis  das  normas  que  estabeleciam  o  surgimento  e  o  aproveitamento  do  ágio  e  sendo  certo  que  as  operações  realizadas  não  foram  desconexas  de  uma  realidade  negocial  razoável,  não  há  nenhuma  razão  de  se  desconsiderar  o  ágio  pelo  simples  fato  de  ter  sido  apurado  em  operações  envolvendo  empresas  relacionadas.    b.3) Agio interno: alterações da MP 627/13.  ....................................................................................... ............................................  Com  a  edição  da  Medida  Provisória  n°  627/2013  ­  editada com o objetivo principal de revogar o Regime  Tributário de Transição ­ RTT,  instituído pela Lei n°  11.941/2009  ­  foram promovidas diversas alterações  na legislação do IRPJ e da CSLL, dentre as quais se  incluem modificações no  tratamento contábil e  fiscal  do ágio.  Fl. 3290DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.291          68 Dentre  estas  alterações,  merece  especial  destaque  o  fato de que, pela  redação do artigo 21 da MP, para  que  seja  autorizada  a amortização do  ágio,  além do  requisito  de  este  estar  fundamentado  em  goodwill,  passa­se  a  exigir  que  a  aquisição  de  participação  societária  tenha  ocorrido  entre  partes  não  dependentes.  Esta nova condição posta  expressamente na  lei  casa  perfeitamente com o que foi sustentado acima, quanto  à necessidade de as condições (limites) para fruição  do  benefício  demandarem  expressa  previsão  legal.  Essa  inserção  do  ágio  interno  no  rol  das  restrições  vem  confirmar  que  os  limites  para  a  indicação  de  restrições  pelo  intéprete  da  norma  não  alcançavam  esta  modalidade,  i.e.,  não  estando  vedado  pela  norma então vigente, o  intérprete que restringisse o  ágio  interno  estava  fazendo  as  vezes  de  legislador  positivo, o que é inaceitável — quanto mais na esfera  administrativa.  Reforça­se,  pois,  a  legalidade  do  procedimento  realizado pela Impugnante.    07­  CONCLUSÃO    (a)poderosas razões de cunho empresarial inspiraram  e  presidiram  as  operações  de  reestruturação  do  Grupo  Bob's,  dentre  as  quais  primordialmente  a  fixação  contábil/jurídica  da  verdadeira  dimensão  econômica do negócio e a segregação de atividades;  (b)para tanto, a avaliação da Venbo, feita sob estrito  rigor  técnico  por  renomada  empresa  independente,  ensejou subsequente aporte de suas quotas pelo valor  assim apurado  em  empresa  que  se  tornou  a  holding  brasileira do Grupo;  (c)naquela operação, a BFF Corp apurou e recolheu  o  imposto  de  renda  pelo  ganho  de  capital  que  resultou  da  diferença  a  maior  entre  o  valor  do  investimento  que  realizara  e  o  da  avaliação  retromencionada;  (d)exsurge assim a  legitimidade do ágio apurado na  holding brasileira;  (e)o  posterior  deslocamento  do  ágio  até  a  empresa  cuja  avaliação  lhe  dera  origem  (venbo)  constituiu  processo  natural  que  atendeu  às  melhores  práticas  contábeis;  (f)em  consequência,  os  efeitos  fiscais  e  societários  decorrentes  da  amortização  do  ágio  qualificaram­se  igualmente  como  legítimos  e  naturais,  pois  não  constituíram  o  primeiro  nem  principal  motivo  da  reestruturação.  Fl. 3291DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.292          69 (g)doutrina e jurisprudência prevalentes asseveram a  validade  da  dedução  da  amortização  de  ágio  proveniente  de  uma  reorganização  interna  que  seja  ditada  por  razões  de  conveniência  e  interesse  de  negócio.  (h)é  flagrante  o  abuso  do  lançamento  fiscal  em  enquadrar  a  conduta  da  impugnante  nos  tipos  de  sonegação  e  fraude,  o  que  invalida  a  aplicação  da  multa  qualificada  e  a  responsabilização  pessoal  de  administradores da Impugnante;  (i)todas  as  operações  foram  lastreadas  em  debates  travados  no  âmbito  do  Conselho  de  Administração,  tendo  sido  dada  voz  aos  demais  diretores  e  conselheiros,  não  tendo  portanto  resultado  de  atos  unilaterais do administrador;  (j)as  tomadas  de  decisão  seguiram  a  forma  da  lei,  sendo embasadas em opinamentos técnicos;  (k) ademais, é de reconhecer a decadência do crédito  tributário referente ao ano base de 2007;  (l)descabe,  ainda,  a  imposição  de  multa  isolada,confia  o  Impugnante  que  será  acolhida  in  totum sua impugnação, de que resultará sua exclusão  do  polo  passivo,  bem  como  será  desconstituído  integralmente o crédito, ou, se assim não entender V.  Sa., será desconstituído em parte o lançamento, pelas  razões acima expostas  Requer que todas as intimações sejam encaminhadas  para  o  endereço  da  subscritora  desta  (Rua  Padre  João  Manuel,  199,  cj.  33,  São  Paulo,  capital,  CEP  01411­001)  e/ou  encaminhados  por  mensagem  eletrônica  para:  Paloma@fsl.adv.br  e  flaviocancherini@fsl.adv.br    VI– DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS  Para consubstanciar as suas argumentações a  Impugnante  e  os  Responsáveis  Solidários  mencionaram  Decisões  Administrativas e Judiciais.                  Fl. 3292DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.293          70 Analisando as impugnações apresentadas, a 1ª Turma da DRJ em Belém não  conheceu  da  impugnação  apresentada  pela  pessoa  jurídica  por  intempestiva,  uma  vez  que  a  ciência  do  lançamento  se  deu  em  17/01/2013  (terça­feira)  e  a  impugnação  fora  apresentada  somente em 17/01/2014, um dia após o trigésimo dia após a  intimação (dia 16/01/2014, uma  quinta­feira). Em  relação  às  impugnações  dos  corresponsáveis,  a  decisão  recorrida  julgou­as  improcedentes.  O  contribuinte  foi  cientificado  da  decisão  em 08  de dezembro  de  2014  (fl.  2821), uma segunda­feira, apresentando recurso voluntário de fls. 2825­2881 em 06 de janeiro  de  2015.  Na  mesma  data  os  coobrigados  apresentaram  seus  recursos  voluntários  (Ricardo  Figueiredo Bomeny às fls. 2950­3004 e Rômulo Borges Fonseca às fls. 3051­3105).  Em resumo, reafirmam os termos das impugnações apresentadas.  A pessoa jurídica, em especial, requer o afastamento da intempestividade de  sua impugnação declarada pela decisão de primeira instância, alegando que havia comparecido  à repartição fiscal após um de seus sócios ser intimado do lançamento, não tendo sido juntado  aos  autos,  até  aquele  momento,  qualquer  prova  da  ciência,  de  sua  parte,  do  lançamento  realizado. Assim  sendo,  com base  no  princípio  da  verdade material,  requer  que  o mérito  do  presente recurso seja analisado.  É o relatório.    Fl. 3293DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.294          71 Voto             Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator.  1 ADMISSIBILIDADE  Conforme  relatado,  o  contribuinte  foi  cientificado  da  decisão  em  08  de  dezembro de 2014 (fl. 2821).   Logo, tendo sido o recurso voluntário interposto de fls. 2825­2881 em 06 de  janeiro  de  2015,  o mesmo mostra­se  tempestivo. O mesmo  raciocínio  aplica­se  aos  recursos  dos coobrigados.  Em  consequência,  considerando  que  foram  preenchidos  os  demais  pressupostos legais, tomo conhecimento dos recursos voluntários.  2 DO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE  Alega  a  Recorrente  (pessoa  jurídica)  que  a  intempestividade  de  sua  impugnação  deve  ser  superada  por  este  colegiado  em  razão  da  aplicação  do  princípio  da  verdade material.  Aduz que compareceu à repartição após um de seus sócios ser cientificado do  lançamento e, compulsando os autos, não teria identificado o aviso de recebimento dirigido a  ela própria, interponto assim sua impugnação o quanto antes, mesmo sem saber a data efetiva  da ciência do lançamento, o que, ao final, redundou na apresentação intempestiva, por um dia.  Argumenta ainda que tal aviso de recebimento somente foi anexado aos autos posteriormente.  Entendo  não  lhe  assistir  razão.  Em  primeiro  lugar  porque  o  aviso  de  recebimento foi encaminhado ao seu endereço cadastral e foi devidamente recebido, conforme  consta  nos  autos  (fato  incontroverso).  Nesse  cenário,  ainda  que  considere  os  fatos  pela  Recorrente narrados a respeito da suposta confusão perpetrada, em nada alteraria o panorama a  respeito das conclusões já exaradas pela decisão recorrida a respeito da intempestividade.  Ademais,  sendo  o  processo  digital  desde  o  seu  início,  sequer  se  fazia  necessário o comparecimento à unidade para vista dos autos, disponível no ambiente E­cac no  sítio  da  Receita  Federal.  De  toda  forma,  trata­se,  em  verdade  de  alegações  sem  qualquer  comprovação material que as comprove.  A  respeito  da  aplicação  do  princípio  da  verdade material  ao  caso  concreto,  salvo em flagrantes casos de matérias de ordem pública, que não é o  caso dos autos, não se  pode  superar  a  questão  da  intempestividade  dos  recursos,  sob  pena  de  afastar­se  de  modo  definitivo quaisquer prazos fixados em lei para manejo dos recursos.  Há de se ressaltar que não haverá qualquer prejuízo à análise dos argumentos  contidos  no  recurso  especial  da  Recorrente,  uma  vez  que  os  recursos  apresentados  pelos  coobrigados  contemplam  todas  as  razões  expedidas  pela  Recorrente  em  sua  impugnação  e  também em seu recurso especial.  Fl. 3294DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.295          72 Assim  sendo,  apesar  de  conhecer  do  recurso  da Recorrente,  entendo  que  o  mesmo  deva  ser  negado  em  razão  da  não  instauração  do  litígio  decorrente  da  apresentação  intempestiva de impugnação.    3 RECURSO DOS COOBRIGADOS  3.1 PRELIMINAR DE MÉRITO – ARGUIÇÃO DE DECADÊNCIA  Segundo os Recorrentes,  o  crédito  tributário  referente  ao  ano­calendário  de  2007  deve  ser  extinto  em  razão  de  decadência,  uma  vez  que  constituído  somente  no  ano­ calendário de 2013, e, portanto, cinco anos após a ocorrência do fato gerador, em 31/12/2007.  Alegam que não a tese de dolo a justificar a contagem do prazo decadencial  com base no art. 173, I, do CTN não prospera no caso concreto, havendo ainda antecipação de  pagamentos de IRPJ e de CSLL, conforme indicaria o próprio lançamento ao deduzir valores  recolhidos a título de estimativas de IRPJ e de CSLL para apuração dos tributos devidos e ora  exigidos de ofício. Por conseguinte, arguem que deve ser aplicado o disposto no art. 150, § 4º,  do CTN para fins de contagem do prazo decadencial no caso concreto.  No  que  atine  à  existência  de  pagamento  antecipado,  razão  assiste  aos  Recorrentes.  No  próprio  auto  de  infração  consta  ter  havido  recolhimentos  de  estimativa  de  IRPJ e de CSLL. Vejam­se excertos dos demonstrativos, com os destaques por mim apostos:    Fl. 3295DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.296          73     Por outro lado, conforme discorrei em tópico específico deste voto, entendo  restar caracterizado o dolo, o que determina a contagem do prazo decadencial com base no art.  173,  I,  do  CTN,  conforme  pacificado  pelo  STJ  no  julgamento  do  recurso  repetitivo  REsp  973.733/SC, de aplicação obrigatória pelos membros do CARF.  Assim sendo, considerando­se que o período de apuração mais longínquo se  encerrou  em  31/12/2007,  o  lançamento  somente  poderia  ter  sido  realizado  no  ano  de  2008,  sendo o primeiro dia do ano seguinte o dia 01/01/2009, primeiro dia da contagem de prazo de  Fl. 3296DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.297          74 cinco  anos  para  realização  do  lançamento,  cujo  prazo  fatal  se  deu  em  31/12/2013,  ou  seja,  posteriormente à ciência do lançamento.  Isso posto, rejeito a arguição de decadência.  3.2 MÉRITO  3.2.1 Amortização de Ágio  Trata­se  de  operações  levadas  a  efeito  por  empresas  do  grupo  Bob´s  que  redundaram na presente exigência.  Em  09/12/2005  pessoa  jurídica  autuada  (VENBO)  era  controlada  (99,99%)  por BRAZIL FAST FOOD, empresa domiciliada no exterior. O restante ínfimo das ações era  de propriedade dos coobrigados, ora Recorrentes.  Em  25/11/2005  foi  constituída  a  empresa  22N  (capital  social  de  R$  1.000,00), cujos sócios são prestadores de serviços de consultoria e planejamento tributário.  Outra  empresa  envolvida  na  operação  é  PERONIA,  constituída  em  14/08/2006 com o mesmo capital social e mesmos sócios de 22N, situada no mesmo endereço  em que um de seus sócios presta serviços de consultoria. O endereço eletrônico desse mesmo  sócio, ao menos até o ano­calendário de 2013 constava no cadastro do CNPJ de VENBO como  sendo o correio eletrônico dessa própria pessoa jurídica.  Em  11/12/2006  ocorre  alteração  no  quadro  societário  de  22N,  retirando­se  seus  sócios  (consultores)  e  ingressando  em  seus  quadros  BRAZIL  FAST  FOOD  e  os  ora  coobrigados.  Um dia após, 12/12/2006, BRAZIL FAST FOOD aumenta o capital de 22N  em R$ 54.000.000,00 mediante conferência da totalidade das quotas de VENBO que até então  detinha.  A esse respeito, assim consta no Termo de Verificação Fiscal:  Cabe  observar  que  o  expressivo  aumento  de  capital  na  22N,  no  valor  de  R$54.000.000.00,  não  decorreu  de  qualquer  transação  de  compra  e  venda,  posto  que  ninguém pagou  algo  a  alguém,  tratando­se  de mera  reavaliação  do  ativo que representava as quotas da VENBO, decorrente de acordo interno entre  os  sócios comuns à  22N e  à VENBO,  sem qualquer agente  externo,  portanto,  não há que se falar em geração ou pagamento de ágio nesta transação.  Contudo, em tal operação, 22N passou a registrar ágio. Foi apresentado laudo  de rentabilidade de futura que atestaria tal montante.  Como  decorrência,  em  13/12/2006  foi  formalizada  a  retirada  de  BRAZIL  FAST FOOD  como  sócia  de VENBO,  que  passou  a  ser  controlada  diretamente  por  22N  no  Brasil, e indiretamente pela empresa situada no exterior.  Alegam os Recorrentes que houve recolhimento de ganho de capital em razão  de tal integralização de capital (recolhido por 22N) em razão de o aumento de capital ter sido  realizado  em  valor  superior  ao  constante  nos  cadastros  do  BACEN  (recolhimento  de  R$  284.324,88).  Fl. 3297DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.298          75 Um  dia  após  (14/12/2006),  22N  ingressa  nos  quadros  de  PERONIA  em  substituição  de  seus  sócios  consultores,  utilizando  para  tanto  as  ações  de  VENBO,  com  os  mesmos  valores  antes  vertidos  para  a  própria  22N,  passando  o  ágio  então  contabilizado  a  compor o ativo de PERONIA, então controladora direta de VENBO.  Mais  quatro  dias  se  passaram  (18/12/2006)  e  os  sócios  administradores  de  VENBO (ora coobrigados) firmaram protocolo de incorporação assumindo o compromisso de  aprovar a incorporação de PERONIA por VENBO (pessoa jurídica autuada).  Foi elaborado laudo de avaliação do patrimônio líquido de PERONIA quatro  dias após decisão de incorporação (22/12/2006).  A esse respeito, a Fiscalização assevera que a autuada,   [...] apesar de expressamente intimado, deixou de apresentar os livros DIÁRIO,  CAIXA e LALUR de 2005, 2006 e 2007 da empresa PERONIA, de modo que o  esclarecimento  sobre  os  lucros  acumulados  também não pôde  ser  obtida  nos  livros contábeis.  Ressalte­se  que  a  curiosidade  desta  fiscalização  sobre  a  origem  dos  lucros  acumulados  na  PERONIA,  no  valor  de  R$35.640.000,00,  decorre  da  estranheza causada pela existência de lucros acumulados em uma empresa que  sequer chegou a operar, evidenciando o planejamento tributário abusivo, posto  que  as  transações  não  mantêm  coerência  com  os  documentos  emitidos  para  dar­lhes ares de veracidade.  A  falta de veracidade nos documentos atinge seu ápice no  laudo que avaliou  em R$18.361.000,00 o patrimônio liquido da PERONIA em 30/11/2006. posto  que, que nesta data a PERONIA ainda possuía capital de R$1.000,00 e ainda  pertencia aos sócios EDUARDO DUARTE E ROGÉRIA DE CÁSSIA, uma vez  que sua 1a alteração social foi assinada somente em 14/12/2006.  Por  fim,  o  planejamento  tributário  é  consumado  em  29/12/2006.  na  25a  alteração da VENBO, na qual ocorre a incorporação da PERONIA na VENBO,  cujo capital é aumentado em R$18.361.000,00, valor do patrimônio liquido da  incorporada.  No  mesmo  instrumento  ocorre  o  ingresso  da  22N.  a  título  gracioso,  ficando  a  mesma  com  R$27.643.003.27  do  capital  da  VENBO.  e  RÓMULO BORGES DA FONSECA e RICARDO FIGUEIREDO BOMENY com  R$0.01 cada.  O  CONTRIBUINTE  aproveita  esta  última  transação  para  considerar  como  ágio amortizável o valor de R$35.640.000,00. correspondente à diferença entre  o fictício valor de aquisição da PERONIA. R$54.000.000,00 e o seu patrimônio  líquido R$18.361.000,00 [...]  Para os Recorrentes, a  reestruturação  levada a efeito  teve o condão de criar  uma  holding  no  Brasil,  pois  a  manutenção  do  investimento  diretamente  controlado  por  BRAZIL FAST FOOD sediada no exterior estaria trazendo dificuldades às operações do grupo,  como,  por  exemplo,  a  obtenção  de  empréstimos  por  parte  de  VENBO  em  instituições  financeiras  no  Brasil,  situação  que  seria  revertida  com  a  criação  de  uma  holding  no  Brasil  (22N, posteriormente denominada BBFC DO BRASIL).  Fl. 3298DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.299          76 Além  disso,  antes  das  reestruturações  societárias,  VENBO  estaria  com  patrimônio  líquido  negativo,  o  que  também  lhe  acarretava  dificuldades  operacionais  e  estratégicas (operações de crédito, atração de investimentos, etc.), percalço que também seria  superado com a criação de uma holding no Brasil, controlando diretamente VENBO.  Aduz ainda que na reunião do Conselho de Administração da controlada no  exterior tratou­se de um projeto estrutural que levaria à separação de VENBO em uma firma  franqueadora  e  outra  com  a  operação  de  lojas  próprias,  já  que,  naquele  momento,  ambas  operações se davam sob a guarida da própria VENBO. Esse teria sido o motivo da utilização de  PERONIA.   Contudo, alega que a “etapa seguinte, que consistia na cisão da VENBO com  a segregação das atividades, mostrou­se inviável naquele momento”. Cita como exemplo a ata  o  registro  na  ata  de  reunião  do  Conselho  de  Administração  da  BFF  Corp  realizada  em  05/09/2007  em  que  se  informou  que  um  dos  impedimentos  viria  da  impossibilidade  de  VENBO obter certidão negativa de débitos previdenciários necessária para a realização de tal  ato.  Considerando tais fatos, entendo já ser suficiente o julgamento do feito.  Conforme se observa, estamos diante de evidente tentativa de amortização de  valores  classificados  pela  autuada  como  ágio. Mesmo que  assim  fosse,  estaríamos  diante  do  denominado  ágio  interno,  formado  em  operação  realizada  por  partes  absolutamente  dependentes e sem qualquer desembolso de recursos.  Sobre o ágio interno, convém transcrever a fundamentação do voto condutor  do aresto recorrido:  O  doutrinador Marco  Aurélio Greco  (“Planejamento  Tributário”,  Editora  Dialética),  já  citado  neste  voto,  ao  enumerar  algumas  modalidades  de  planejamentos  tributários com escassas chances de oposição contra o Fisco,  também  se posiciona contrariamente à figura do ágio sobre si mesmo:  “Capítulo XVI – Operações Preocupantes  XVI.1. Razão desta Denominação  A  experiência  no  campo  do  Direito  Tributário  mostra  que, muitas  vezes,  surgem  casos  em  que  são  desenhadas  determinadas  operações  que  exigem  uma  particular  atenção  do  intérprete  antes de emitir um pronunciamento quanto à sua  oponibilidade ou não contra o Fisco.  Como reiteradamente exposto, uma conclusão só  pode ser emitida à vista de cada caso concreto e  diante das múltiplas circunstâncias que o  cerca,  não apenas no plano da  formulação abstrata da  operação,  mas  também,  à  vista  da  história  que  cerca aquele determinado contribuinte (seu perfil  e  relevância,  o  empreendimento  concreto,  condutas anteriores que tenha realizado etc.).  Não  obstante  as  conclusões  dependam  do  caso  concreto,  existem  algumas  situações  que,  por  si  só,  recomendam  especial  atenção,  pois  geram  preocupação aos que diante delas se encontram.  Fl. 3299DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.300          77 Por  isso,  será  feita  uma  singela  enumeração  destas  situações,  sem que  isto esgote o conjunto  de  hipóteses  que  podem  gerar  preocupação  aos  que atuam nessa área.   (...)  XVI.10. Ágio de si Mesmo  Por  vezes,  quando  uma  pessoa  adquire  determinada  participação  societária  o  faz  com  ágio,  pois  o  valor  da  aquisição  é  superior  ao  respectivo valor de patrimônio líquido.  Ocorre que, num momento posterior à aquisição,  por  vezes  sucede  de  ser  feita  uma  incorporação  às  avessas  que  gera  uma  situação  curiosa  em  relação  ao  ágio  na  aquisição  da  participação  societária. Com efeito, o ágio tem por objeto uma  participação  societária  de  titularidade  da  controladora,  que  representa  fração  do  capital  da  pessoa  jurídica  controlada  à  qual  ele  se  reporta.  Na  medida  em  que  a  controlada  incorpora  a  controladora,  desaparece  o  sujeito  jurídico titular da participação societária. Assim,  caso preservado, o montante do ágio passaria a  estar  dentro  da  incorporadora  (antiga  controlada),  possuindo  como  origem  um  elemento  que  agora  integra  a  própria  incorporadora.  Seria  um  ‘ágio  de  si  mesmo’,  o  que sugere uma preocupação quando se analisa  caso  concreto  que  apresente  este  feitio.”  (Grifamos).  Esse  impedimento  decorre  da  Ciência  Contábil  e  foi  consagrado  pelo  Conselho  Federal  de  Contabilidade  que  o  enunciou,  expressamente,  como  consequência  do  Princípio  do  Registro  pelo  Valor  Original,  consoante  art.  7º  da  Resolução CFC nº 750/1993, em sua redação original:  “SEÇÃO IV  O PRINCÍPIO DO REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL  Art.  7º  Os  componentes  do  patrimônio  devem  ser  registrados  pelos  valores  originais  das  transações  com  o mundo  exterior,  expressos  a  valor  presente  na moeda  do  País,  que  serão mantidos  na  avaliação  das  variações  patrimoniais  posteriores,  inclusive  quando  configurarem  agregações  ou  decomposições  no  interior  da  ENTIDADE.  Parágrafo  único.  Do  Princípio  do  REGISTRO  PELO  VALOR  ORIGINAL resulta:  I – a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base  nos  valores de  entrada,  considerando­se  como  tais  os  resultantes do  consenso com os agentes externos ou da imposição destes;  II – uma vez integrado no patrimônio, o bem, direito ou obrigação não  poderão ter alterados seus valores intrínsecos, admitindo­se, tão­somente,  sua decomposição em elementos e/ou sua agregação, parcial ou integral, a  outros elementos patrimoniais;  III  –  o  valor  original  será  mantido  enquanto  o  componente  permanecer  como  parte  do  patrimônio,  inclusive  quando  da  saída  deste;  Fl. 3300DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.301          78 IV – os Princípios da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA e do REGISTRO  PELO VALOR ORIGINAL são compatíveis entre si e complementares,  dado que o primeiro apenas atualiza e mantém atualizado o valor de  entrada;  V – o uso da moeda do País na  tradução do valor dos componentes  patrimoniais constitui imperativo de homogeneização quantitativa dos  mesmos.”  O Conselho  Federal  de  Contabilidade  editou,  ainda,  a  Resolução  CFC nº 1.110/2007 para aprovar a NBC T 19.10 – Redução ao Valor Recuperável de  Ativos,  aplicável  aos  exercícios  encerrados  a  partir  de  dezembro  de  2008,  cujo  item  120 determina expressamente:  “O  reconhecimento  de  ágio  decorrente  de  rentabilidade  futura  gerado  internamente  (goodwill  interno)  é  vedado  pelas  normas  nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio  dessa  natureza  anteriormente  registrado  precisa  ser baixado.” (Grifamos)  Mais  recentemente,  em  25/11/2010,  o  Conselho  Federal  de  Contabilidade  aprovou  a  NBC  TG  04  –  Ativo  Intangível,  que  tem  por  base  o  Pronunciamento Técnico CPC 04 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, no qual  foi  definido  o  tratamento  contábil  de  ativos  intangíveis  e  determinado  que  o  ágio  derivado  da  expectativa  de  rentabilidade  futura  (goodwill)  gerado  internamente  não  deve ser reconhecido como ativo:  “Ágio  derivado  da  expectativa  de  rentabilidade  futura (goodwill) gerado internamente  48.  O  ágio  derivado  da  expectativa  de  rentabilidade  futura  (goodwill)  gerado  internamente não deve ser reconhecido como  ativo.  49.  Em alguns  casos  incorre­se  em  gastos  para  gerar  benefícios  econômicos  futuros,  mas  que  não  resultam  na  criação  de  ativo  intangível  que  se  enquadre  nos  critérios  de  reconhecimento  estabelecidos  no  presente  Pronunciamento. Esses gastos costumam ser  descritos  como  contribuições  para  o  ágio  derivado  da  expectativa  de  rentabilidade  futura  (goodwill)  gerado  internamente,  o  qual  não  é  reconhecido  como  ativo  porque  não é um recurso identificável (ou seja, não  é  separável  nem  advém  de  direitos  contratuais  ou  outros  direitos  legais)  controlado  pela  entidade  que  pode  ser  mensurado com confiabilidade ao custo.  50.   As  diferenças  entre  valor  de  mercado  da  entidade  e  o  valor  contábil  de  seu  patrimônio  líquido,  a  qualquer  momento,  podem  incluir  uma  série  de  fatores  que  afetam  o  valor  da  entidade.  No  entanto,  essas  diferenças  não  representam  o  custo  dos  ativos  intangíveis  controlados  pela  entidade.” (Grifamos)  Fl. 3301DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.302          79 Por oportuno, esclareço que a argumentação dos Recorrentes que não se pode  utilizar normas expedidas após a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária em questão  não prospera, pois não se trata de qualquer norma  legal, mas sim interpretações sobre  toda a  legislação já existente à época da ocorrência dos fatos geradores.  Retornando ao cerne da questão, mesmo em períodos em que este colegiado,  com composição  absolutamente distinta da  atual,  possuía um entendimento mais  favorável  à  amortização de ágio (por exemplo, mediante utilização de empresa veículo), exigia­se que: (i)  o ágio efetivamente fosse efetivamente pago;  (ii) o ágio houvesse surgido em operação entre  empresas não ligadas; (iii) o ágio estivesse calcado em laudo que comprovasse a expectativa de  rentabilidade futura.  No  caso  concreto,  resta  evidente  que  não  foram  cumpridas  duas  dessas  etapas, uma vez que a operação foi realizada entre partes ligadas e sem qualquer desembolso.  Por isso, entendo que aqui sequer se pode falar de ágio, pois se tratou, a toda  de evidência, de operação absolutamente artificial a fim de que o ágio pudesse ser amortizado  por VENBO.  Veja­se  que  todas  as  operações  narradas  se  deram  em  curtíssimo  lapso  temporal (18 dias, entre 11 e 29/12/2006), e, embora a criação de 22N pudesse até mesmo ser  justificada  diante  das  questões  operacionais  citadas  (mas  não  o  ágio  nos  termos  formados  e  posteriormente amortizado), o mesmo não se pode dizer da interposição de PERONIA.  PERONIA efetivamente compôs a estrutura organizacional do grupo por 15  dias  sem  ter  realizado qualquer operação. Sequer  foram apresentados  seus  livros  contábeis  à  autoridade fiscal, embora tenham sido intimados para tanto.   Tratava­se,  na  realidade,  de  empresa  de  prateleira,  também  denominada  empresa  veículo,  que  serviu  somente  como  um meio  utilizado  para  burla  da  legislação  com  vistas a reduzir os valores de IRPJ e de CSLL devidos.  Os argumentos a respeito da necessidade de separação das operações em duas  empresas distintas (operações em lojas próprias do Bob´s em separado das operações em lojas  franqueadas)  é  bastante  plausível, mas  o  cronograma  das  operações  levadas  a  efeito  tornam  absolutamente  inverossímil  a  versão  trazida  pelos  Recorrentes:  integralizou­se  capital  em  PERONIA  no  dia  14/12/2006  e,  quatro  dias  após,  detectou­se  que  seria  inviável  a  cisão  de  VENBO  (protocolo  de  incorporação  é  datado  de  18/12/2006)?  Veja­se  que  a  própria  justificativa trazida aos autos a respeito da pretensa inviabilidade de cisão de VENBO em razão  da  ausência  de  certidão  negativa  consta  somente  em  ata  de  reunião  do  Conselho  de  Administração  da  BFF  Corp  realizada  em  05/09/2007,  9  meses  após  a  decisão  de  incorporação de PERONIA por VENBO.  As  demais  questões  trazidas  aos  autos  a  respeito  dos  novos  traços  legais  trazidos pela Lei nº 12.973/2014, em especial em relação à formação e à amortização do ágio,  em nada  salvaguardam as operações  levadas  a  efeito pela  autuada, posto que  a utilização de  PERONIA se deu absolutamente de  forma artificial  e  sem qualquer outro propósito negocial  que  não  fosse  a  amortização  do  ágio  também  gerado  em  operação  sem  lastro  financeiro  na  integralização de capital de 22N.  Fl. 3302DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.303          80 Por  isso,  sequer  lhe  dá  guarida  também  o  disposto  no  art.  7º  da  Lei  nº  9.532/97  a  respeito  da  possibilidade  de  amortização  de  ágio  em  caso  de  extinção  do  investimento. E, a bem da verdade, se ainda esse fosse o entendimento, não houve, em nenhum  momento,  extinção  do  investimento,  pois  a  investidora  inicial  manteve­se  no  exterior  e  VENBO, que era sua controlada direta no Brasil antes das operações levadas a efeito, também  se manteve  operando  normalmente.  Ou  seja,  não  houve  extinção  real,  confusão  patrimonial  entre investida e investidora. Houve sim a transferência deliberada de um “ativo amortizável”  (pois,  como  dito  alhures,  nem  de  ágio  pode  ser  chamada  a  mais  valia  em  questão)  entre  empresas  do  mesmo  grupo  a  fim  de  que  VENBO  pudesse  amortizar  tais  valores  de  seus  próprios  resultados  fiscais  sem que qualquer desembolso  e operação efetiva  entre partes não  relacionadas  houvesse  ocorrido.  Por  essas  mesmas  razões,  mostra­se  absolutamente  desarrazoada a tese da Recorrente de que mesmo sem a utilização de PERONIA o ágio poderia  ser amortizado.  Em  relação  ao desenho das operações  realizadas pela  autuada, não  se pode  olvidar que o contribuinte tem o direito de estruturar o seu negócio de maneira que melhor lhe  convém, com vistas à redução de custos e despesas, inclusive à redução dos tributos, sem que  isso implique, necessariamente, qualquer ilegalidade.  Entretanto,  o  que  não  se  admite  atualmente  é  que  os  atos  e  negócios  praticados  se  baseiem  numa  aparente  legalidade,  sem  qualquer  finalidade  empresarial  ou  negocial,  para  disfarçar  o  real  objetivo  da  operação,  quando  unicamente  almeje  reduzir  o  pagamento de tributos, ainda mais na forma como foi engendrada a operação em questão.  Não estamos aqui sequer diante de caso de planejamento tributário abusivo,  mas sim de evidente caso de evasão fiscal, baseada em atos dolosos e não condizentes com a  realidade a fim de minorar a carga tributária da autuada.  Por esses motivos, além de entender que deva ser mantida a glosa da despesa,  entendo restar caracterizada a fraude a que alude o art. 72 da Lei nº 4.502/64, o que, a teor do  que dispõe o art. 44 da Lei nº 9.430/96, justifica a exasperação da penalidade.  No  caso  concreto,  ressaltam  aos  olhos  o  posicionamento  artificial  e  fraudulento da autuada.  3.2.2 Da responsabilidade atribuída aos sócios administradores  Entendo perfeitas  as  considerações  tecidas pela decisão  recorrida  a  respeito  do tema, por isso, transcrevo­a em sua integralidade:  O  Responsáveis  Solidários  indicados  pela  Fiscalização  RÔMULO  BORGES  DA  FONSECA,  e  RICARDO  FIGUEIREDO  BOMENY,  apresentaram  as  suas  defesas  com  os  mesmos  argumentos  e  fundamentações,  conforme descrito, em síntese, abaixo:  ................................................................................. ..................................................  O Impugnante, sócio administrador da Autuada à  época,  foi  equivocadamente  incluído  como  responsável  tributário  pelos  referidos  créditos  com base nos artigos 124,  inciso  I,  e 135,  inciso  Fl. 3303DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.304          81 III,  ambos  do  CTN,  vez  que  foi  considerada  a  prática de ilícitos tributários pela Autuada.  A  inclusão  do  Impugnante  no  polo  passivo,  contudo,  é absolutamente  ilegal  e,  conforme  será  demonstrado  adiante,  teve  origem  em  uma  visão  deturpada  da  fiscalização,  viciada  por  preconceitos  perigosamente  simplistas  que  de  antemão,  em  notório  prejulgamento,  parte  da  premissa  de  caracterização  como  prática  de  fraude e  sonegação  toda e qualquer operação de  reorganização  societária  que  tenha  promovido  o  surgimento,  e  posterior  aproveitamento  fiscal,  de  ágio fundado em goodwill.  Diante  disso,  a  Impugnante  se  dedicará  a  demonstrar  que  a  operação  de  reestruturação  societária por que passou o grupo econômico em  que  está  inserida,  foi  realizada  (a)  com  firme  propósito  negocial,  (b)  calcada  em  laudos  e  avaliações  técnicas  realizadas  por  empresas  especializadas  de  renome  internacional,  (c)  de  acordo com as normas legais vigentes à época, (d)  através  de  práticas  e  atos  tornados  públicos,  na  medida  das  exigências  dessa  legislação,  (e)  em  consonância com as melhores práticas contábeis e  (f)  sem  prejuízo  ao  erário,  tendo  gerado  o  recolhimento  de  imposto  de  renda  sobre  a  reavaliação  do  empreendimento,  logo,  (g)  de  forma lícita e economicamente coerente.  ................................................................................. .............................................  Ilegitimidade passiva dos sócios:  .......................................................................... ..............................................  Conforme  o  relato  fiscal,  a  responsabilidade  pessoal e solidária dos sócios administradores foi  atribuída com base no inciso I do artigo 124 e no  inciso  III  do  artigo  135,  ambos  do  CTN,  que  preceituam:  Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação principal;  Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos correspondentes a obrigações tributárias  resultantes  de  atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato  social  ou  estatutos:  [...]  III  ­ os diretores, gerentes ou representantes  de pessoas jurídicas de direito privado.  Fl. 3304DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.305          82 Primeiramente,  cumpre  ressaltar  que  não  se  aplica ao presente caso o disposto no artigo 124,  inciso  I, do CTN, visto que o  referido dispositivo  não  trata  de  forma  de  eleição  de  responsável  tributário,  alcançando  apenas  hipóteses  em  que  há  interesse  jurídico  comum  ­  diferente  de  interesse econômico na consecução da situação ­  vinculado  à  realização  conjunta  do  fato  imponível, de modo  que  a  solidariedade  é  forma  de graduar  a  responsabilidade  entre  sujeitos que  já constam no polo passivo.(grifo original)  .......................................................................... ..............  Sendo  assim,  resta  evidente  o  equívoco  da  fiscalização  ao  pretender  a  aplicação  do  artigo  124, inciso I, do CTN, com a finalidade de atribuir  responsabilidade  aos  sócios  administradores  pelos créditos tributários.  Ao seu turno, a aplicação do artigo 135, inciso III,  do  CTN,  pressupõe:  (i)  a  prática  de  ato  ilícito,  dolosamente, pelas pessoas elencadas no referido  dispositivo;  (ii)  conduta  ilícita,  como  infração de  lei, contrato social ou estatuto, normas que regem  as  relações  entre  contribuinte  e  terceiro,  externamente  à  norma  tributária matriz;  e  (iii)  a  atuação  tanto  da  norma básica  (que  disciplina  a  obrigação  tributária  em  sentido  restrito)  quanto  da norma  .......................................................................... ..............................................  Ocorre que,  conforme visto acima, não houve no  presente caso comprovação da existência de dolo,  seja  por  parte  da  Impugnante  ou  de  seus  administradores,  bem  como  não  se  praticou  qualquer  conduta  contrária  às  normas  vigentes,  de  modo  que  não  cabe  a  responsabilização  dos  sócios  administradores  por  ausência  dos  requisitos postos no artigo 135 do CTN.  Dessa maneira, é evidente a ilegitimidade passiva  dos  administradores,  razão  pela  qual  se  faz  necessária a exclusão da responsabilidade destes  pelo crédito tributário lançado.  .......................................................................... ..............................................  DAS IMPUTAÇÕES DESCRITAS PELA FISCALIZAÇÃO.  Tendo sido evidenciada a prática de  infração à  lei, na  forma de sonegação e fraude, nos termos dos arts. 71 e  72  da  Lei  4.502/64,  esta  fiscalização  responsabilizará  pelos  créditos  tributários  ora  lançados,  de  forma  solidária  com  o CONTRIBUINTE  e  pessoal,  os  sócios  administradores  da  empresa  à  época  dos  fatos  geradores.  RÓMULO  BORGES  DA  FONSECA,  CPF  Fl. 3305DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.306          83 342.145.347­00, e RICARDO FIGUEIREDO BOMENY,  CPF 008.979.327­73.  A  responsabilidade  solidária  e  pessoal  dos  mencionados  sócios  administradores  é  atribuida  com  base no Inciso I do art. 124 e no Inciso III do art. 135  do CTN,  a  seguir  transcritos,  uma  vez  que  os mesmos  tinham  evidente  interesse  financeiro  no  resultado  dos  atos praticados com infração à lei.  Art. 124 São solidariamente obrigadas:  I  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  gue  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal;  II  ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  (...)  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida neste  artigo não  comporta beneficio de ordem.  (...)  Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato social ou estatutos:  III  ­  os  diretores,  gerentes  ou  representantes  de  pessoas  jurídicas de direito privado.  Os  sócios  administradores  da  empresa  à  época  dos  fatos  geradores,  RÓMULO  BORGES  DA  FONSECA,  CPF  342.145.347­00,  e  RICARDO  FIGUEIREDO  BOMENY,  CPF  008.979.327­73,  serão  cientificados  pessoalmente  dos  créditos  tributários  ora  lançados,  mediante encaminhamento de cópias do presente termo  e  do  AUTO  DE  INFRAÇÃO  do  processo  digital  13896.722672/2013­15,  bem  como  de  termos  de  sujeição passiva solidária, com abertura de prazo para  que apresentem impugnação contra o feito, na forma do  art. 3o da Portaria RFB 2.284/10.  Acertou  a  Fiscalização  ao  incluir  os  sócios  diretores  como  responsáveis  tributários,  com  fundamento  no  inciso  III  do  art.  135,  do CTN,  pois  tiveram participação em todas as decisões na “engenharia das mutações” ( atas de  reunião  de  conselhos,  alterações  contratuais,  laudo  de  avaliação  do  patrimônio  liquido,  protocolo  de  avaliação  de  fls.  1.531/1.627)  que  originaram  os  supostos  ágios,  com  a  utilização  de  empresas  “veículos”,  como  já mencionamos  nos  itens  anteriores deste voto.  No  entanto,  ao  analisarmos  as  imputações  acima,  não  constatamos  a  comprovação,  por  parte  da  Fiscalização,  do  interesse  comum  na  situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal. Logo, não  concordamos com sujeição passiva fundamentada no art. 124, I, do CTN.  Convém ressaltar que votei pela manutenção da multa qualificada. Em razão  disso,  entendo  serem  necessários  alguns  esclarecimentos  adicionais  a  respeito  da  responsabilidade tributária atribuída aos administradores da autuada.  O  termo  responsabilidade,  em  sentido  amplo,  possui  estreita  ligação  com o  direito civil, em especial com o direito das obrigações. Karl Larenz aduz que a possibilidade de  Fl. 3306DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.307          84 o devedor responder, em regra, com seu patrimônio perante o credor surgiu de longa evolução  do direito de obrigações e do direito de execução.1  A obrigação, em sentido  técnico,  tem origem em uma relação  jurídica entre  duas ou mais partes, na qual o polo ativo (credor) passa a ter o direito de exigir do polo passivo  (devedor)  uma  prestação,  ou,  de  modo  contrário,  o  devedor  passa  a  ter  obrigação  de  determinado comportamento ou conduta para com o credor.2  No  bojo  dessa  relação  jurídica  obrigacional,  tem­se  como  elemento  necessário o denominado vínculo. Este pode se originar de inúmeras fontes e obriga o devedor  a cumprir determinada prestação para com o credor. Subdivide­se em débito  (prestação a ser  cumprida conforme pactuado) e responsabilidade (o direito de o credor exigir o cumprimento  da obrigação quando não satisfeita a prestação, podendo esta exigência incidir, inclusive, sobre  os bens do devedor).  Segundo Gonçalves  A  responsabilidade  é,  assim,  a  consequência  jurídica  patrimonial do descumprimento da relação obrigacional. Pode­ se,  pois,  afirmar  que  a  relação  obrigacional  tem  por  fim  precípuo  a  prestação  devida  e,  secundariamente,  a  sujeição  do  patrimônio do devedor que não a satisfaz.3  No âmbito da responsabilidade civil e tributária, a sujeição tem como limite o  patrimônio do  responsável,  ainda que não  seja este,  necessariamente,  o  infrator da norma de  conduta desrespeitada.  Já o  termo responsabilidade tributária, em sentido ainda amplo, é entendido  como a sujeição do patrimônio de uma pessoa, física ou jurídica, ao cumprimento de obrigação  tributária  inadimplida  por  outrem.  Assim,  pode­se  afirmar  que  “responsabilidade  tributária”  possui conceito próximo a “sujeição passiva  tributária”, porém,  ressalte­se que há diferenças  entre estes conceitos: enquanto a sujeição tributária nasce a partir da ocorrência do fato gerador  da obrigação tributária principal, a responsabilidade exsurge somente se a pretensão tributária  tornar­se  exigível,  ou  nas  palavras  de  Luciano  Amaro,  “a  presença  do  responsável  como  devedor  na  obrigação  tributária  traduz  uma  modificação  subjetiva  no  polo  passivo  da  obrigação, na posição que, naturalmente, seria ocupada pela figura do contribuinte”.4  É  importante  distinguir  a  responsabilidade  tributária  da  responsabilidade  civil. Esta advém da prática de ato ilícito lato sensu causador de dano a terceiro, sobrevindo a  obrigação  de  indenizar,  enquanto  aquela,  em  que  pesem  algumas  hipóteses  de  surgimento  a  partir  de atos  ilícitos  (artigos 134, 135 e 137 do CTN), possui  também como propulsor  atos  lícitos.5                                                              1 LARENZ, 1958, apud GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro: Teoria Geral das Obrigações.  Vol. II. 6. ed. rev. – São Paulo: Saraiva, 2009, p. 35.  2 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro: Teoria Geral das Obrigações. Vol. II. 6. ed. rev. –  São Paulo: Saraiva, 2009, p. 22.  3 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro: Teoria Geral das Obrigações. Vol. II. 6. ed. rev. –  São Paulo: Saraiva, 2009, p. 35.  4 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 10. ed. atual. – São Paulo: Saraiva, 2004, p. 295.  5 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária: Conceitos Fundamentais. In.: NEDER, Marcos Vinicius;  FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 11.  Fl. 3307DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.308          85 Assim discorre Maria Rita Ferragut sobre a responsabilidade:  É  a  ocorrência  de  um  fato  qualquer,  lícito  ou  ilícito  (morte,  fusão,  excesso  de  poderes  etc.),  e  não  tipificado  como  fato  jurídico  tributário,  que  autoriza  a  constituição  da  relação  jurídica entre o Estado­credor e o responsável, relação essa que  deve pressupor a existência do fato jurídico tributário. 6   Ao  ponderar  sobre  a  matéria,  Marcos  Vinícius  Neder  anota  que  a  responsabilidade tributária tem respaldo no CTN, o qual consagra normas gerais sobre sujeição  passiva  de  tal  forma  a  redirecionar  a  responsabilidade  pela  dívida  tributária  do  contribuinte  para um  terceiro,  facilitando e  tornando mais efetivo o  trabalho dos órgãos da administração  tributária7, e afirma que a “lei tributária autoriza ao Fisco incluir terceira pessoa, distinta da que  pratica o fato jurídico tributário, no polo passivo da obrigação tributária como responsável pelo  pagamento do crédito tributário”.8  O CTN contempla  em seus  artigos 128  a 138 os  casos de  responsabilidade  tributária, assim distribuídos:  Disposição geral (art. 128);  Responsabilidade dos sucessores (arts. 129 a 133);  Responsabilidade de terceiros (art. 134 e 135) e  Responsabilidade por infrações (arts. 136 a 138).  O que nos interessa, no momento, é a análise da responsabilidade dos representantes  legais de empresas a que se refere o art. 135, III, do CTN, verbis:  Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações  tributárias  resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato social ou estatutos:  [...]  III ­ os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.  Doravante, de modo genérico, o tema será tratado como responsabilidade dos  representantes legais de empresas.  · Elementos da Responsabilidade Tributária do Representante Legal de Empresas  Para a caracterização da responsabilidade a que alude o art. 135, III, do CTN,  faz­se necessário a presença dois elementos:                                                              6 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária: Conceitos Fundamentais. In.: NEDER, Marcos Vinicius;  FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 11.  7  NEDER,  MARCOS  Vinícius.  Solidariedade  de  Direito  e  de  Fato  –  Reflexões  acerca  de  seu  Conceito.  In.:  NEDER,  Marcos  Vinicius;  FERRAGUT,  Maria  Rita  (Coord.).  Responsabilidade  Tributária.  São  Paulo:  Dialética, 2007, p. 28.  8  NEDER,  MARCOS  Vinícius.  Solidariedade  de  Direito  e  de  Fato  –  Reflexões  acerca  de  seu  Conceito.  In.:  NEDER,  Marcos  Vinicius;  FERRAGUT,  Maria  Rita  (Coord.).  Responsabilidade  Tributária.  São  Paulo:  Dialética, 2007, p. 28.  Fl. 3308DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.309          86 Elemento  pessoal:  diz  respeito  ao  sujeito  que  deu  azo  à  ocorrência  da  infração,  ou  seja,  o  executor,  partícipe  ou  mandante  da  infração.  Trata­se,  na  realidade,  do  administrador da sociedade, independentemente de ser ou não sócio. Assim sendo, não poderão  ser incluídos como responsáveis quaisquer sujeitos que não possuam poder de decisão;  Elemento fático: necessidade de conduta que implique excesso de poderes ou  infração de lei, contrato social ou estatuto.9  Desse  modo,  “não  basta  ser  sócio  da  empresa  (pessoa  jurídica),  é  indispensável  que  exerça  função  de  administração  no  período  contemporâneo  aos  fatos  geradores”.10  Conforme já salientado, o art. 135, III, do CTN possibilita responsabilizar os  diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado desde que sejam os  responsáveis  pela  ocorrência  do  elemento  fático  que  ensejou  o  nascimento  da  obrigação  tributária.  O  conceito  de  diretor  é  dado  pelo  art.  144  da  Lei  nº  6.404/76  –  Lei  das  Sociedades Anônimas: o  sócio ou administrador de uma organização é o que possui poderes  para representá­la, inclusive em juízo, bem como para praticar todos os atos necessários ao seu  regular funcionamento.11  Já a definição de gerente é trazida pelo Código Civil (art. 1.172 e seguintes):  considera­se  gerente  o  preposto  permanente  no  exercício  da  empresa,  na  sede  desta,  ou  em  sucursal,  filial  ou  agência. Note­se  que  na  hipótese  de  lei  não  determinar  poderes  especiais,  considera­se o gerente autorizado a praticar todos os atos necessários ao exercício dos poderes  que lhe foram outorgados.12  Maria Rita Ferragut assim conceitua representante:  é  a  pessoa  física  ou  jurídica  que,  em  função  de  um  contrato  mercantil,  obriga­se  a  obter  pedidos  de  compra  e  venda  de  mercadorias  fabricadas  ou  comercializadas  pelo  representado,  não  tendo  poderes  para  concluir  a  negociação  em  nome  do  representado.  Não  possui  vínculo  empregatício,  e  sua  subordinação  tem  caráter  empresarial,  cingindo­se  à  organização do exercício da atividade econômica.13  Percebe­se  que,  para  a  caracterização  da  responsabilidade  de  que  trata  o  dispositivo legal em questão, faz­se necessária a coexistência de dois elementos essenciais em  relação  a  um  fato:  que  seja  praticado  por  um  representante  legal  de  empresa  e  que  denote  excesso de poder ou infração à lei ou atos constitutivos da pessoa jurídica.                                                              9 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009, p.  124.  10 BODNAR, Zenildo. Responsabilidade Tributária do Sócio­Administrador. 5. reimp. Curitiba: Juruá, 2010,  p. 99.  11 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009,  p. 125.  12 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009,  p. 126.  13 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009,  p. 126.  Fl. 3309DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.310          87 Passo à análise do caso concreto.  A autoridade fiscal, ao cominar a penalidade qualificada de 150%, entendeu  restar caracterizado o conjunto fático­jurídico a ensejar a responsabilidade tributária.  Entendo lhe assistir razão.  Não  desconheço  da  jurisprudência  do  STJ  que  pode  ser  resumida  com  a  transcrição do Enunciado nº 430 da Súmula do STJ:  O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só,  a responsabilidade solidária do sócio­gerente  Mais recentemente, julgou­se a matéria sob a égide do disposto no art. 543­C  do CPC/1973  (“recurso  repetitivo”),  sendo  que  a  Primeira  Seção  do  STJ,  no  julgamento  do  REsp 1.101.728/SP, de Relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, consolidou entendimento  segundo o qual “a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese,  circunstância  que  acarreta  a  responsabilidade  subsidiária  do  sócio,  prevista  no  art.  135  do  CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei,   ao contrato social ou ao estatuto da empresa”.  Saliento que o simples inadimplemento da obrigação não pode gerar, de per  si, a responsabilidade do administrador da pessoa jurídica. Ao assim dispor, por outro lado, o  STJ  deixou  transparecer  que  em  hipóteses  de  um  inadimplemento,  digamos,  “qualificado”,  pode­se sim atribuir a responsabilidade de que tratar o art. 135 do CTN.   Com efeito, não comungo do entendimento daqueles que limitam a aplicação  do  caput  do  art.  135  do  CTN  às  hipóteses  de  cometimento  de  infração  à  lei  societária,  excluindo às infrações às leis tributárias. Não me parece ser crível que, em se tratando de uma  norma  tributária,  exclua­se  do  rol  de  infrações,  aptas  a  ensejar  a  corresponsabilidade,  justamente as próprias leis aplicáveis aos tributos.  E  não  se  fala  aqui  de  um  simples  inadimplemento  de  tributo,  mas  sim  de  inadimplemento  doloso,  penalizado  administrativamente  com  multa  de  150%  que  se  aplica  somente  em  casos  de  sonegação,  fraude  ou  conluio  (art.  44,  inciso  I,  c/c  §  1º,  da  Lei  nº  9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), dando ensejo à representação fiscal para fins  penais por cometimento, em tese, de crime contra a ordem tributária a que alude o art. 1º da Lei  nº 8.137/90.  Doutrina, ainda em que  franca minoria, e  farta  jurisprudência,  endossam tal  entendimento.  O  Juiz  Federal,  Zenildo  Bodnar,  assim  se  manifestou  a  respeito  do  inadimplemento tributário:  Uma vez definido com precisão o que vem a ser “atos práticos com infração à  lei”,  é  fácil  concluir  que  o  simples  inadimplemento  tributário  da  pessoa  jurídica não autoriza a responsabilização do sócio­gerente ou administrador,  salvo, evidentemente, quando acompanhado de condutas dolosas ou culposas,  a exemplo da sonegação fiscal e outras fraudes.14 [grifos nossos]                                                              14 BODNAR, Zenildo. Responsabilidade Tributária do Sócio­Administrador. Curitiba: Juruá, 2010, p. 128.  Fl. 3310DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.311          88 No mesmo sentido, Emanuel Carlos Dantas de Assis dispôs:  A diferenciação entre os arts. 134 e 135 do CTN pode ser resumida assim:  ­ Art.  134:  exigência  de  culpa,  restrição  da  responsabilidade  à  obrigação  tributária  principal  e  limitação  do  montante  ao  valor  do  tributo, acrescido de juros de multa de mora;  ­ Art.  135:  exigência  de  dolo,  abrangência  da  responsabilidade  para  abarcar as penalidades por descumprimento de obrigação acessória e  ampliar o montante, com inclusão da multa de ofício.   Como  a  culpa  ou  o  dolo  deve  ser  comprovado,  carece  uma  interpretação  casuística. A solução vai depender de cada situação em concreto. Assim, se por  um  lado  é  certo  que  o  simples  inadimplemento  de  tributo  se  constitui  em  infração de lei, somente a análise dos fatos e circunstâncias irá demonstrar se  o sócio tinha razões ou não para deixar de efetuar o pagamento.  O  que  não  pode  é  a  responsabilidade  ser  atribuída  à  pessoa  física  com  supedâneo no art. 134 ou 135, sem qualquer investigação sobre a existência de  culpa  ou  dolo.  Permitir  que  assim  aconteça  é  substituir  a  responsabilidade  subjetiva por outra, objetiva, sem guarida no ordenamento jurídico.  Na caracterização do dolo reside a maior dificuldade para as administrações  tributárias,  na  tentativa  de  responsabilizar  os  administradores  e  sócios  de  sociedades  empresárias,  por  débitos  tributários  destas.  Como  demonstrar,  afinal, a intenção da pessoa física?  O dolo necessário à responsabilidade estatuída no art. 135 é o presente não só  nos  crimes  contra  a  ordem  tributária  previstos  na  Lei  nº  8.137/1990,  no  contrabando  e  descaminho  (art.  334  do  Código  Penal,  alterado  pela  Lei  nº  4.729/1965),  ou nas  infrações  tributárias dolosas como  sonegação,  fraude e  conluio  (Lei  nº  4.502/1964,  arts.  71  a  73,  respectivamente).  [...]15  [grifos  nossos]  Também em pronunciamentos da PGFN e da Receita Federal pode­se extrair  a mesma exegese de tal dispositivo legal:  ­  PARECER/PGFN/CRJ/CAT/Nº 55/2009  [...]  60. Podemos  enumerar  aqui  as  conclusões  gerais  decorrentes  da  doutrina  da responsabilidade subjetiva dos administradores, na forma da jurisprudência  hoje pacificada do Superior Tribunal de Justiça:   a) O sócio que não possui poderes de gerência não responde pelas obrigações  tributárias da sociedade;  b)  O  administrador  não  responde  pelas  obrigações  tributárias  surgidas  em  período em que não detinha os poderes de gerência;                                                              15  DANTAS  DE  ASSIS,  Emanuel  Carlos.  Arts.  134  e  135  do  CTN:  Responsabilidade  Culposa  e  Dolosa  dos  Sócios e Administradores de Empresas por Dívidas Tributárias da pessoa Jurídica. In.: NEDER, Marcos Vinicius;  FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 158­159.  Fl. 3311DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.312          89 c)  A mera  ausência  de  recolhimento  de tributos devidos  pela  pessoa  jurídica  não pode ser atribuída ao administrador, não respondendo este em razão desse  mero inadimplemento da sociedade;  d) O administrador só é responsável por atos seus que denotem infração à lei  ou excesso de poderes,  como, por  exemplo, a  sonegação  fiscal  (que  é  ilícito  punível inclusive penalmente) ou a dissolução irregular da sociedade; [grifos  nossos]     ­  NOTA  GT RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA nº  1,  de  17  de  dezembro de 2010 (Ato conjunto entre Procuradoria­Geral da Fazenda  Nacional  e  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil.  Grupo  de  Trabalho constituído pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 8 / 2010)  55.  Em  relação  ao  excesso  de  poder,  infração  à  lei,  ao  contrato  social  ou  estatuto, é oportuno destacar:  a) Infração  ao  contrato  social  ou  estatuto  –  deve  ser  uma  infração  a  texto  expresso  do  contrato  ou  estatuto.  Ex.:  Desenvolver  atividade  expressamente  proibida nos atos constitutivos e alterações.  b) Excesso de poder – não precisa haver vedação. Basta não  ter previsão no  contrato. Ex. Sócio age como gerente, sem ser (a hipótese do art. 135 abrange  inclusive o sócio de fato).  c)  Infração  à  lei  –  não  precisa  ser  uma  lei tributária,  porém,  deve  ter  conseqüências tributárias.  56. Observa­se  que,  se  há  multa  qualificada,  há responsabilidade pelo  art.  135 do CTN, trazendo à responsabilidade os sócios do tempo do fato gerador.  [grifos nossos]    E a jurisprudência também caminho nesse mesmo sentido. Vejamos:  ­  Tribunal Regional Federal da 3ª Região:  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  OCORRÊNCIA  DE  OMISSÃO.  INTELIGÊNCIA  DO  AR  TIGO  535  DO  CÓDIGO  DE  PROCESSO  CIVIL.  EXECUÇÃO  FISCAL.  ENCERRAMENTO  DA  FALÊNCIA  DA  EMPRESA  EXECUTADA.  REDIRECIONAMENTO  AO  SÓCIO­GERENTE.  DECRETO­ LEI  Nº  1.736/79.  POSSIBILIDADE.  RECURSO  PROVIDO  PARA  DAR  PROVIMENTO  À  APELAÇÃO  DA  UNIÃO  E  JULGAR  PREJUDICADA  A  APELAÇÃO INTERPOSTA PELO EXECUTADO.  1. Os embargos declaratórios somente podem ser utilizados quando houver no  acórdão  obscuridade,  contradição  ou  omissão  acerca  de  ponto  sobre  o  qual  deveria pronunciar­se o Tribunal e não o fez, isso nos exatos termos do artigo  535 do Código de Processo Civil.  2.  Assiste  razão  à  embargante,  pois  efetivamente  o  acórdão  embargado  não  apreciou detidamente a questão referente a aplicação do artigo 8º do Decreto­ lei nº 1.736, de 20/12/1979, sendo omissa nesta parte.  Fl. 3312DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.313          90 3. Os  débitos  em  execução  referem­se  a  IRPJ­Fonte,  devendo  ser aplicado o  Artigo 8º do Decreto­lei nº 1.736/79, porque está autorizado pelo artigo 124,  II, do Código Tributário Nacional (são solidariamente obrigadas... as pessoas  expressamente designadas por  lei... A  solidariedade referida neste artigo não  comporta benefício de ordem).  4. É  correto  fixar a  responsabilidade dos  sócios­gerentes ou administradores  nos casos de IPI e imposto de renda retido na fonte, pois nesses casos o não­ pagamento  revela  mais  que  inadimplemento, mas  também  o  descumprimento  do  dever  jurídico  de  repassar  ao  erário  valores  recebidos  de  outrem  ou  descontados de terceiros, tratando­se de delito de sonegação fiscal previsto na  Lei  nº  8.137/90,  o  que  atrai  a  responsabilidade  prevista  no  artigo  135  do  Código Tributário Nacional (infração a lei).  5.  Recurso  provido  para  dar  provimento  à  apelação  da  União  e  julgar  prejudicada a apelação interposta pelo executado.  (Embargos de Declaração  em  Apelação  Cível  Nº  0509878­  53.1997.4.03.6182/SP,  Relator  Desembargador  Federal  JOHONSOM DI  SALVO,  Sexta  Turma  do  Tribunal  Regional Federal da 3ª Região, sessão de 24/10/2013) [grifos nossos]    ­  Tribunal Regional Federal da 4ª Região:  EXECUÇÃO  FISCAL.  EMBARGOS.  RESPONSABILIDADE  DO  SÓCIO.  REDIRECIONAMENTO.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA.  1. A  jurisprudência  da  1ª  Seção  desta Corte  firmou­se,  em  consonância  com  entendimento atual da 1ª e da 2ª Turmas do Superior Tribunal de Justiça, no  sentido de que o redirecionamento contra o sócio­gerente somente tem lugar  com  início  de  prova  de  que  o  sócio  agiu  com  excesso  de  mandato  ou  infringência à  lei  ou estatuto, não decorrendo da  simples  inadimplência no  recolhimento de tributos. 2. Nos casos em que a empresa deixa de recolher aos  cofres  públicos  as  contribuições  previdenciárias  descontadas  dos  segurados  empregados,  é  possível  a  responsabilização  solidária  dos  sócios,  pois  configura  infração  expressa  à  lei,  não  em  razão  do mero  inadimplemento,  mas em virtude da prática, em tese, de infração penal  (apropriação indébita  de  contribuições  previdenciárias  ­  168­A  do CP).  (EMBARGOS  INFRINGENTES  Nº  2006.70.99.002075­0/PR,  Relatora  Juíza  VÂNIA  HACK  DE ALMEIDA, 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, decisão  unânime, sessão de 04 de junho de 2009) [grifos nossos]    ­  Superior Tribunal de Justiça – STJ – Primeira Turma:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL.  TRIBUTÁRIO.  EXECUÇÃO  FISCAL.  NOVO  PEDIDO  DE  REDIRECIONAMENTO  PARA  O  SÓCIO­ GERENTE.  ART. 135 DO CTN.  POSSIBILIDADE.  EXISTÊNCIA  DE  SENTENÇA  CONDENATÓRIA  EM  CRIME  DE  SONEGAÇÃO  FISCAL.  CONFIRMADO.  1.  Os  efeitos  da  decisão,  já  transitada  em  julgado,  que  indeferiu  anterior  pedido  de  redirecionamento,  não  irradia  efeitos  de  coisa  julgada  apta  a  Fl. 3313DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.314          91 impedir novo pedido de redirecionamento na mesma execução fiscal em face da  existência de sentença condenatória em crime de sonegação fiscal, confirmada  pelo Tribunal de 2º grau e com Habeas Corpus pendente de julgamento no STJ,  porquanto aquele pleito inicial está fulcrado apenas em mero inadimplemento  fiscal.  2. O redirecionamento da execução fiscal, e seus consectários legais, para o  sócio­gerente da  empresa,  somente  é  cabível quando  reste demonstrado que  este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na  hipótese  de  dissolução  irregular  da  empresa.  A  condenação  em  crime  de  sonegação fiscal é prova irrefutável de infração à lei.  3. Recurso especial parcialmente provido.  (REsp  935839/RS,  Relator  Ministro  MAURO  CAMPBELL  MARQUES,  Segunda  Turma,  decisão  unânime,  sessão  de  05  de  março  de  2009)  [grifos  nossos]  Conforme se observa,  ao  se  tratar não de um simples  inadimplemento, mas  sim de um inadimplemento qualificado, doloso, caracterizado por conduta fraudulenta e com  repercussões  na  esfera  criminal,  incide  o  disposto  no  art.  135  do  CTN,  implicando  que  os  administradores  da  pessoa  jurídica  (inciso  III),  os  quais  respondem,  inclusive,  na  seara  criminal, sejam também responsabilizados pela obrigação tributária.  Entendo  ser  desarrazoado  pensar  que  o  responsável  pela  administração  da  pessoa  jurídica  possa vir  a  ser  responsabilizado  penalmente,  inclusive  com  restrições  ao  seu  direito  de  ir  e  vir,  e  não  possa,  diante  dos mesmos  fatos,  responder  também pela  obrigação  tributária correspondente.  Portanto, nas hipóteses em que se mostra correta a qualificação da penalidade  com  esteio  no  art.  44,  inciso  I,  c/c  §  1º,  da  Lei  nº  9.430/96  e  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  nº  4.502/64, incide, automaticamente, a responsabilidade tributária dos administradores da pessoa  jurídica que, à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores, também poderão vir a ser  responsabilizados pelo cometimento de crimes contra a ordem tributária.  Por fim, tal implicação não possui correspondência biunívoca, ou seja, não se  pode  fazer  o  raciocínio  inverso  a  ponto  de  se  concluir  que,  na  ausência  de  tal  penalidade  qualificada, não incidiria a responsabilidade tributária de que trata o art. 135, III, do CTN.  Isso porque há hipóteses em que sequer é necessário o lançamento de ofício  do  crédito  tributário  para  que  o  responsável  legal  da  pessoa  jurídica  responda  pelo  crédito  tributário, como, por exemplo, nos casos de apropriação indébita previdenciária (art. 168­A do  Código Penal) e na apropriação indébita de que trata como crime contra a ordem tributária pela  art. 2º, inciso II, da Lei nº 8.137/90 (falta de recolhimento de imposto de renda retido na fonte e  de IPI destacado na nota fiscal, por exemplo). Em tais hipóteses, basta o contribuinte declarar o  débito  e  não  recolhê­lo  para  que  o  administrador  da  pessoa  jurídica,  ao  lado  da  própria  empresa,  passe  a  responder  pelo  débito  correspondente,  sem que haja  necessidade  sequer  da  realização do lançamento de ofício, e, muito menos, de penalidade qualificada.  Nesse mesmo sentido, este colegiado vem decidindo que nos lançamentos em  que  reste  configurado  que  a  pessoa  jurídica  autuada  encontra­se  em  nome  de  interpostas  pessoas, mas o fato gerador correspondente não tem qualquer correlação com tal interposição  Fl. 3314DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.315          92 (por exemplo, depósitos bancários, sem comprovação de origem, nas próprias contas da pessoa  jurídica autuada – art. 42 da Lei nº 9.430/96), não há incidência de multa qualificada, mas os  reais  proprietários  de  tal  pessoa  jurídica  devem  responder  pelo  crédito  tributário  correspondente, quer por força do art. 124,  I, do CTN, quer pelo disposto no art. 135,  III, do  CTN quando demonstrados que administravam tal pessoa jurídica.16  Assim sendo, voto por manter a imputação de responsabilidade tributária aos  coobrigados.  3.2.3 Da exigência de CSLL  A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica­se, no que couber,  à CSLL, dada a  relação de causa e  efeito entre as glosas  efetuadas para  fins de apuração do  lucro real e da CSLL.  3.2.4 Da exigência de multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e  CSLL  Em razão da glosa de despesas, os Recorrentes deixou de recolher valores a  título de estimativas de IRPJ e CSLL, ensejando a exigência de multas isoladas.  Embora não questionado diretamente pelos Recorrentes, esclareço que não há  que se falar em decadência da exigência de tais penalidades no caso concreto, pois a contagem  do  prazo  decadencial  deve  ser  realizada  com  base  no  art.  173,  I,  do  CTN,  nos  termos  da  Súmula CARF nº 104, verbis:  Súmula CARF nº 104: Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência  de  recolhimento  de  estimativa  de  IRPJ  ou  de  CSLL  submete­se  ao  prazo  decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN.  Retornando  ao  cerne  desse  litígio,  há  de  se  separar  a  exigência  de  multas  isoladas  em  dois  períodos  distintos  em  razão  da  nova  redação  dada  ao  art.  44  da  Lei  nº  9.430/1996: o primeiro até o advento da Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº  11.488/2007) e o segundo após a edição de tal ato.                                                              16 A esse respeito, veja­se o Acórdão 1402­002.120, por mim relatado e julgado por esta turma na sessão de 01 de  março de 2016, cujo o seguinte excerto do voto condutor do aresto é elucidativo:   “[...]A meu ver, os elementos apontados pela autoridade fiscal não permitem concluir ter o contribuinte  tenha agido com dolo, de modo a caracterizar a fraude a que alude o artigo 72 da Lei nº 4.502/1964.  Em primeiro lugar porque a autuação baseia­se única e exclusivamente em presunção legal de omissão de  receitas,  sendo  que  as  contas  bancárias  em  que  se  apoia  o  lançamento  estavam  em  nome  da  própria  empresa. No mais, o fato de a fiscalização acusar o contribuinte de possuir interpostas pessoas, embora  possa  surtir  efeitos  no  que  atine  à  responsabilidade  tributária  de  terceiros,  em  nada  altera  as  características da ocorrência do fato gerador, este sim, elemento a ser levado em consideração para fins  de dosimetria da penalidade a ser cominada.  Veja­se  que  o  fato  de  a  empresa  estar  em  nome  de  terceiros  em  nada  dificultou  a  seleção  da  pessoa  jurídica para procedimento fiscal, ou seja, não impediu, dificultou ou retardou tanto o conhecimento da  ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fiscal (sonegação) quanto a própria ocorrência do fato  gerador  (fraude),  uma  vez  que  as  contas  bancárias  a  partir  das  quais  se  apurou  a  omissão  de  receita  estavam em nome da própria RECORRENTE.  Assim, concluo que a  fraude detectada  tem a ver com a  cobrança do  crédito  tributário, e não  com  sua  constituição.”    Fl. 3315DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.316          93 Em relação à aplicação da multa isolada de forma concomitante com a multa  de ofício, em que pese meu entendimento pessoal sobre a matéria, recentemente foi aprovada  súmula impedindo tal cobrança quando baseada no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96,  conforme  se  observa  do  enunciado  nº  105  da  Súmula CARF:  "A multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas,  lançada  com  fundamento  no  art.  44  §  1º,  inciso  IV  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  não  pode  ser  exigida  ao  mesmo  tempo  da  multa  de  ofício  por  falta  de  pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício."   No caso  concreto  somente há  lançamentos para  fatos geradores ocorridos  a  partir de 2007. Passo à análise da novel legislação.  Com  a  edição  da  Medida  Provisória  nº  351/2007  em  22/01/2007,  posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007, a multa isolada por falta de recolhimento de  estimativas de IRPJ e CSLL passou a ter novo regramento.  Particularmente,  entendo  que  com  o  advento  da  Medida  Provisória  nº  351/2007  todos  os  óbices  para  aplicação  da  penalidade  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativa, em concomitância com a multa proporcional, deixaram de existir.  Contudo, resguardando meu posicionamento, a fim de se evitar a designação  de redator para o voto vencedor, adoto o entendimento firmado pela maioria deste colegiado,  utilizando como fundamento as razões expedidas pelo Conselheiro Frederico Augusto Gomes  de Alencar em seus votos sobre o tema, as quais a seguir reproduzo:  Quanto  a  essa matéria,  este  Conselho  possui  entendimento  firmado,  para  fatos geradores anteriores à mudança legislativa trazida pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de  2007, com a edição da Súmula CARF nº 101, in verbis.  A  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas,  lançada com  fundamento no art. 44 § 1º,  inciso  IV da Lei nº  9.430,  de  1996,  não  pode  ser  exigida  ao  mesmo  tempo  da  multa  de  ofício  por  falta  de  pagamento  de  IRPJ  e  CSLL  apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.  Com  efeito,  a  inteligência  da  citada  súmula  é  clara  quanto  à  impossibilidade  de  exigência  concomitante  das  multas  quando  relativas  a  fatos  geradores  anteriores a 2007, nada aclarando, no meu entender, quanto a fatos geradores a partir daquela  data.   Nesse  esteira,  quanto  a  fatos  geradores  posteriores  à  citada  mudança  legislativa,  como  é  o  caso  dos  autos  deste  processo,  este  Colegiado  possui  entendimento  sedimentado,  embora  não  unânime,  no  sentido  da  inaplicabilidade  da multa  isolada  quando  concomitante  com  a  multa  de  ofício  proporcional  ao  tributo  apurado.  Nesse  sentido,  cito,  dentre outros, o acórdão CSRF 9101­00.450, de 4/11/2009, cuja ementa elucida:  MULTA  ISOLADA  NA  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  POR  ESTIMATIVA.  É  inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o  ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual.  E acórdão nº 1102­001.315 de 25/09/2015, conforme ementa abaixo.   Ementa:  “Assunto:  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  Ano­ calendário:  2006,  2007  MULTA  ISOLADA.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  POR  ESTIMATIVA.  CONCOMITÂNCIA  COM  MULTA  DE  OFÍCIO  EXIGIDA  EM  LANÇAMENTO  LAVRADO  PARA  A  COBRANÇA DE  TRIBUTO.  ALTERAÇÕES  Fl. 3316DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.317          94 DA LEI  11.488/07. A multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas  não  pode  ser  exigida  ao mesmo  tempo  da multa  de  ofício  por  falta  de  pagamento  de  IRPJ, mesmo após as alterações no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, promovidas  pela Lei nº 11.488/07.”  A jurisprudência no e.Superior Tribunal de Justiça também se coaduna com  esse entendimento. Veja­se, nesse sentido, o AgRg no REsp 1499389/PB.  TRIBUTÁRIO.  MULTA  ISOLADA  E  MULTA  DE  OFÍCIO.  ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N.  11.488/07).  EXIGÊNCIA  CONCOMITANTE.  IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTE. 1. A Segunda  Turma  desta  Corte,  quando  do  julgamento  do  REsp  nº  1.496.354/PR,  de  relatoria  do  Ministro  Humberto  Martins,  DJe 24.3.2015, adotou entendimento no sentido de que a multa  do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 somente poderá ser  aplicada  quando  não  for  possível  a  aplicação  da  multa  do  inciso  I  do  referido  dispositivo.  2.  Na  ocasião,  aplicou­se  a  lógica  do  princípio  penal  da  consunção,  em  que  a  infração  mais grave abrange  aquela menor  que  lhe  é preparatória  ou  subjacente,  de  forma  que  não  se  pode  exigir  concomitantemente  a  multa  isolada  e  a  multa  de  ofício  por  falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício  e  também  por  falta  de  antecipação  sob  a  forma  estimada.  Cobra­se apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento  de tributo. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp  1499389 / PB)  E o citado REsp 1496354/PR, julgado pela segunda Turma daquela Corte,  que, à unanimidade, confirmou o entendimento quanto à impossibilidade da aplicação das duas  multas, quando concomitantes.  PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  VIOLAÇÃO  DO  ART.  535  DO  CPC.  DEFICIÊNCIA  DA  FUNDAMENTAÇÃO.  SÚMULA  284/STF. MULTA  ISOLADA E DE OFÍCIO.  ART.  44  DA  LEI  N.  9.430/96  (REDAÇÃO  DADA  PELA  LEI  N.  11.488/07).  EXIGÊNCIA  CONCOMITANTE.  IMPOSSIBILIDADE NO CASO.  1.  Recurso  especial  em  que  se  discute  a  possibilidade  de  cumulação das multas  dos  incisos  I  e  II  do art.  44  da Lei  n.  9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo.  2.  Alegação  genérica  de  violação  do  art.  535  do  CPC.  Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal.  3. A multa de ofício do  inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96  aplica­se aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata".  4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre  o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei  no  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado, ainda que não  tenha sido apurado  imposto a pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa  física;  (Incluída  pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  tenha  sido  apurado  prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição  Fl. 3317DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.318          95 social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei  n. 11.488, de 2007)".  5. As multas isoladas limitam­se aos casos em que não possam  ser  exigidas  concomitantemente  com  o  valor  total  do  tributo  devido.  6.  No  caso,  a  exigência  isolada  da  multa  (inciso  II)  é  absorvida  pela  multa  de  ofício  (inciso  I).  A  infração  mais  grave  absorve  aquelas  de  menor  gravidade.  Princípio  da  consunção.  Recurso especial improvido.  Transcrevo  agora  excertos  do  voto  condutor  daquele  julgado,  com  os  fundamentos que adoto:   "[...]  Para fins de esclarecimento da controvérsia, cito as normas que, segundo a  parte recorrente, foram violadas:  "Art.  44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004)   I ­ de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou  diferença de  imposto ou contribuição nos casos de  falta de  pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de  declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004)   II  ­  de  50%  (cinqüenta  por  cento),  exigida  isoladamente,  sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei  nº 11.488, de 2007)  a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de  1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido  apurado  imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso  de  pessoa  física;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488,  de  2007)  b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado,  ainda  que  tenha  sido  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488,  de  2007)"   Não  prospera  a  pretensão  recursal,  na  medida  em  que  não  reconheço  a  possibilidade de exigência cumulativa de tais multas.   A multa  do  inciso  I  é  aplicável  nos  casos  de  "totalidade  ou  diferença  de  imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta  de declaração e nos de declaração inexata".   A multa do  inciso  II,  entretanto, é cobrada  isoladamente sobre o valor do  pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa  física;  (Incluída  pela  Lei  nº  11.488,  de 2007)  e  b)  na  forma  do  art.  2°  desta Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que  tenha  sido  apurado prejuízo  fiscal  ou base de  cálculo negativa  para a  Fl. 3318DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.319          96 contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007)".   Sistematicamente,  nota­se  que  a  multa  do  inciso  II  do  referido  artigo  somente poderá ser aplicada quando não possível a multa do inciso I.    Destaca­se que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de  renda  não  implicam,  por  si  só,  a  ilação  de  que  haverá  tributo  devido.  Os  recolhimentos  mensais,  ainda  que  configurem  obrigações  de  pagar,  não  representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final  do ano­calendário, quando ocorrer o fato gerador.   As hipóteses do inciso II, 'a' e 'b', em regra, não trazem novas hipóteses de  cabimento  de  multa.  A melhor  exegese  revela  que  não  são multas  distintas,  mas  apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos  caso ali descritos, não haver nada a  ser  cobrado a  título de obrigação  tributária  principal.  As chamadas "multas isoladas", portanto, apenas servem aos casos em que  não possam ser as multas exigidas  juntamente com o  tributo devido  (inciso  I),  na  medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput.  Esse  entendimento  é  corolário  da  lógica  do  sistema  normativo­tributário  que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De  fato,  a  infração  que  se  pretende  repreender  com  a  exigência  isolada  da  multa  (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente  abrangida  por  eventual  infração  que  acarrete,  ao  final  do  ano  calendário,  o  recolhimento  a menor  dos  tributos,  e que  dê azo,  assim,  à  cobrança  da multa  de  forma conjunta.    Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplica­se a  lógica  do  princípio  penal  da  consunção,  em  que  a  infração  mais  grave  abrange  aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente.   O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção)  é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência  de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave  absorve aquelas de menor gravidade.    Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e  a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício  e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobra­se apenas a multa  de oficio pela falta de recolhimento de tributo.  [...]".  Portanto, as multas de oficio  isoladas, naquilo em que forem concomitantes  com  as multas  de  ofício  proporcionais,  devem  ser  exoneradas.  Em  outras  palavras,  a multa  isolada  será  cancelada  até  o montante  de  base  de  cálculo menor  ou  igual  à  base  de  cálculo  sobre a qual incidiu a multa de ofício proporcional, nos termos abaixo, para o caso concreto:    Fl. 3319DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722672/2013­15  Acórdão n.º 1402­002.180  S1­C4T2  Fl. 3.320          97 Ano­calendário BC multa de ofício  proporcional IRPJ BC multa isolada  IRPJ BC multa isolada  remanescente Multa isolada  remanescente R$ 2.342.229,29 R$ 2.343.172,86 R$ 943,57 R$ 471,78 (fl. 1391) (fls. 1089 e 1389) R$ 958.498,86 R$ 1.606.461,68 R$ 647.962,82 R$ 323.981,41 (fl. 1391) (fls. 1089 e 1390) Ano­calendário BC multa de ofício  proporcional CSLL BC multa isolada  CSLL BC multa isolada  remanescente Multa isolada  remanescente R$ 850.665,39 R$ 850.665,39 R$ 0,00 R$ 0,00 (fl. 1403) (fls. 1089 e 1394) R$ 351.975,59 R$ 583.082,22 R$ 231.106,63 R$ 115.553,32 (fl. 1403)  (fls. 1089 e 1395) 2007 2008 2007 2008   Assim, há que se considerar devida a multa exigida isoladamente, relativa ao  IRPJ, no valor de R$ 471,78 para o ano­calendário de 2007 e de R$ 323.981,41 para o ano­ calendário de 2008.   Já em relação à CSLL, cancela­se integralmente a multa exigida isoladamente  relativa  ao  ano­calendário  de  2007,  considerando­se  devido  o  valor  de  R$  115.553,32  em  relação ao ano­calendário de 2008.  4 CONCLUSÃO  Isso  posto,  voto  por  rejeitar  a  arguição  de  decadência  e,  no  mérito,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  cancelar  a  multa  isolada  até  o  limite  da  concomitância com a multa proporcional.   (assinado digitalmente)  FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator                              Fl. 3320DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO

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6443111 #
Numero do processo: 13502.000847/2004-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1998 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. ALTERAÇÃO SUPERVENIENTE. PARCELA AFASTADA INFERIOR AO NOVO LIMITE. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Havendo alteração superveniente no valor do limite de alçada, e constatando-se que a parcela (principal mais multa) afastada em primeira instância é inferior ao novo limite, o recurso de ofício não deve ser conhecido. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. PERDA DE OBJETO. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Restando provado que a recorrente desistiu integralmente do recurso voluntário para fins de adesão a programa especial de parcelamento, o recurso não deve ser conhecido, por perda de objeto.
Numero da decisão: 1301-002.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatório e voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, José Roberto Adelino da Silva e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000847/2004­17  Acórdão n.º 1301­002.083  S1­C3T1  Fl. 220          2 Participaram do presente  julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa,  José  Eduardo  Dornelas  Souza,  Roberto  Silva  Júnior,  Marcos  Paulo  Leme  Brisola  Caseiro,  Milene de Araújo Macedo, José Roberto Adelino da Silva e Waldir Veiga Rocha.    Relatório  ACRINOR ACRILONITRILA DO NORDESTE  S/A,  já  qualificada  nestes  autos,  foi  autuada  e  intimada  a  recolher  crédito  tributário  no  valor  total  de  R$  855.179,45,  discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 3.  Por bem descrever o ocorrido, valho­me do  relatório  elaborado por ocasião  do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito.  Trata o processo em questão de Auto de Infração referente ao ano­calendário  de  1999,  de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica,  às  fls.  02  a  13,  no  valor  de  R$331.092,75  (trezentos  e  trinta  e  um mil,  noventa  e  dois  reais  e  setenta  e  cinco  centavos), proveniente de:  1) ausência de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real, do lucro  inflacionário a  ser  realizado no período, no valor de R$96,25,  sem observância do  percentual  mínimo  de  realização,  previsto  na  legislação  de  regência.  O  enquadramento  legal  aponta:  artigo  8º  da  Lei  nº  9.065,  de  20  de  junho  de  1995;  artigos 6º e 7º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; e artigos 249, inciso I, e  449 do Regulamento do  Imposto de Renda  (RIR/1999),  aprovado pelo Decreto nº  3.000, de 26 de março de 1999;   2)  insuficiência  de  recolhimento  do  IRPJ,  tendo  em  vista  que  o  valor  registrado na Declaração de Informações Econômico­Fiscais (DIPJ) era superior ao  valor  constante  na  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  (DCTF)  em  R$206.946,21.  O  enquadramento  legal  aponta:  artigo  841,  incisos  I,  III  e  IV  do  RIR/1999;   3) glosa de parcela da dedução a  título de  redução do  imposto de  renda, de  empresa situada na área da SUDENE, no valor de R$124.129,70, pela constatação  de  incorreção  no  cálculo  do  benefício,  apurado  com  base  no  lucro  da  exploração,  que teria sido superestimado. O enquadramento legal aponta: artigos 544, 551 e § 1º,  e 552 do RIR/1999.   Às  fls.  73  a  83,  a  pessoa  jurídica  apresentou  impugnação  parcial  ao  feito  fiscal, alegando, em resumo, que:  · reconhece  a  procedência  do  item  1  do  Auto  de  Infração,  pelo  que  procedeu ao recolhimento do valor correspondente, conforme DARF em anexo (doc.  03);  · no caso do item 2, o valor de R$206.946,21, exigido a título de falta de  recolhimento  do  IRPJ  declarado  na  DIPJ,  relativo  aos  períodos  de  apuração  de  novembro  (R$163.122,04)  e  dezembro  de  1999  (R$43.824,17),  foi  incluído  no  Programa de Recuperação Fiscal (REFIS), conforme se pode observar na Declaração  REFIS em anexo (doc. 04), bem como no Demonstrativo dos Débitos Consolidados  (doc. 05);  Fl. 220DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000847/2004­17  Acórdão n.º 1301­002.083  S1­C3T1  Fl. 221          3 · a  Impugnante  vem  cumprindo  integralmente  suas  obrigações  em  relação ao REFIS, efetuando regularmente os recolhimentos das parcelas, conforme  Extrato em anexo (doc. 06). Vale ressaltar que o REFIS é um parcelamento especial,  conforme  disposto  no  art.  2º  da  Lei  nº  9.964/2000  (transcreve).  Assim,  o  crédito  tributário encontra­se com a exigibilidade suspensa, nos  termos do art. 151,  inciso  VI, do CTN (transcreve);  · além  disso,  a  inclusão  de  débitos  no  REFIS  implica  em  confissão  irrevogável e irretratável dos débitos, nos termos do disposto no art. 3º, inciso I, da  Lei  nº  9.964/2000  (transcreve).  Isto  posto,  não  poderia  ter  sido  efetuado  o  lançamento de ofício de débito já constituído, posto que incluído no REFIS. Nesse  sentido, transcreve ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes;  · em relação ao item 3 do Auto de Infração, a Impugnante é beneficiária  de  redução  do  Imposto  sobre  a  Renda,  por  estar  instalada  na  área  da  extinta  SUDENE, e gozava do benefício durante o ano­calendário de 1999, calculado com  base  no  lucro  da  exploração,  que  corresponde  ao  lucro  líquido  do  período  de  apuração ajustado pela exclusão, dentre outros, dos resultados não operacionais, nos  termos dos artigos 544 e 546 do RIR/1999;  · realmente,  a  Impugnante  informou  equivocadamente  em  sua  DIPJ  o  valor  de  R$2.208.545,12  como  “receita  não­operacional”,  embora  essa  receita  tivesse natureza operacional e devesse integrar o cálculo do lucro da exploração. O  referido  valor  corresponde  à  reversão  de  provisões  que  a  Impugnante  havia  constituído, relativas (i) às possíveis contingências com o pagamento da CSLL, no  valor de R$1.821.975,63 e (ii) às perdas esperadas na alienação de Certificados de  Créditos de ICMS com deságio, no valor de R$386.569,49;  · a  reversão  da provisão  da CSLL  se  deu em  razão  de  que,  juntamente  com outras empresas do Pólo Petroquímico de Camaçari, a Impugnante havia obtido  decisão judicial transitada em julgado, reconhecendo seu direito ao não recolhimento  da  CSLL.  Posteriormente,  a  Fazenda  ajuizou  ação  rescisória,  julgada  procedente  pelo  TRF  da  1ª  Região.  A  Impugnante,  então,  constituiu  provisão  do  valor  do  principal e dos acréscimos legais;  · em  19/01/1999,  foi  editada  a  Lei  nº  9.799  que,  em  seu  artigo  17  (transcreve), instituiu anistia de multa e juros aos tributos declarados constitucionais  pelo STF, que fossem objeto de questionamento na esfera judicial. A MP 1.807/99  estendeu  o  benefício  a  outras  hipóteses  que  não  aquelas  previstas  no  texto  legal  original.  Com  efeito,  a  Impugnante  efetuou,  em  30/07/1999,  o  recolhimento  da  CSLL dos períodos­base de 1989 a 1997, exceto os em que apurou base negativa,  com os benefícios da anistia de multa e  juros. Assim, como a provisão constituída  incluía  os  acréscimos  legais,  mostrou­se  superior  ao  valor  devido,  tendo  a  Impugnante  revertido  a  provisão  que  havia  constituído,  conforme  livros  Razão  e  Diário  (doc.  07),  nas  contas  0021.4002.00003  e  0036.2000.00003  ­  resultado  (Provisão Contribuição Social);  · a respeito da reversão das perdas decorrentes das vendas de certificados  de créditos de ICMS com deságio, cabe esclarecer que a Impugnante, em função de  sua  atividade,  acaba  por  acumular  saldo  credor  de  ICMS,  vindo  a  solicitar  a  restituição  à  Fazenda  Estadual  da  Bahia,  que  emite  Certificados  de  Crédito  do  Imposto.  Em  vista  da  demora  para  utilização  desses  créditos,  os  certificados  são  vendidos  pela  Impugnante,  com  deságio.  Então,  a  Impugnante  constituiu  provisão  para a perda na venda de certificados de crédito;  Fl. 221DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000847/2004­17  Acórdão n.º 1301­002.083  S1­C3T1  Fl. 222          4 · ocorre  que  a  provisão  relativa  ao  saldo  de  créditos  de  ICMS  de  dezembro  de  1998  excedeu  as  perdas  efetivas  em  R$1.349.925,78.  Entretanto,  a  Impugnante provisionou, na mesma conta,  perdas na alienação dos  certificados de  créditos relativos ao saldo de 30/09/1999 no valor de R$963.356,29. Desse modo, o  saldo  nessa  conta  foi  uma  receita  de  R$386.569,49,  a  qual  foi  para  a  conta  de  resultado 0036.2000.00005 (doc. 08);  · o  artigo  418  do  RIR/1999  estabelece  que  são  resultados  não­ operacionais  os  ganhos  ou  perdas  de  capital  decorrentes  da  alienação,  desapropriação,  baixa  por  perecimento,  extinção,  desgaste,  obsolescência  ou  exaustão,  ou da  liquidação de bens do  ativo permanente. A  respeito do  assunto,  o  Parecer  Normativo  CST  nº  114/78  esclarece  que  são  considerados  como  não­ operacionais os ganhos ou perdas de capital na alienação ou baixa, a qualquer título,  de bens ou direitos vinculados ao ativo permanente, ou seja, os classificados como  investimentos, ativo  imobilizado ou ativo diferido.  Igualmente não­operacional é a  provisão para perdas prováveis na realização de investimentos. Portanto, ainda que a  receita tenha sido informada como não­operacional na DIPJ, ela se enquadra como  receita operacional por sua natureza;  · o  erro  de  declaração  do  contribuinte  não  faz  surgir  o  fato  gerador  do  tributo, prevalecendo a real natureza do fato. Esse é o entendimento do Conselho de  Contribuintes (transcreve ementas de acórdãos);  · por  todo  o  exposto,  requer  seja  a  presente  impugnação  conhecida  e  provida,  determinando­se  o  cancelamento  da  exigência  fiscal  materializada,  em  razão: (i) da inclusão no REFIS do crédito tributário exigido no item 2 do Auto de  Infração, e  (ii) da natureza operacional das receitas que foram glosadas no cálculo  do lucro da exploração e do benefício de redução do Imposto de Renda.  Juntamente com a impugnação, a Interessada trouxe aos autos os documentos  de fls. 84 a 148.  A 2ª Turma da DRJ em Salvador/BA analisou a impugnação apresentada pela  contribuinte  e,  por  via  do  Acórdão  nº  15­13.275,  de  26/07/2007  (fls.  158/164),  considerou  procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 1997  CONFISSÃO  DE  DÍVIDA.  PROGRAMA  DE  RECUPERAÇÃO  FISCAL ­ REFIS.  Cumpre  desonerar  a  exigência  fiscal  objeto  de  lançamento  de  ofício,  quando  resta  comprovado  que,  à  época  do  início  do  procedimento  fiscal,  ela  já  se  encontrava  devidamente  confessada e incluída no Programa REFIS.  PROVISÕES. REVERSÃO. NATUREZA DAS RECEITAS.  A  reversão  da  provisão  constituída  para  pagamento  da  Contribuição  Social  gera  uma  receita  de  caráter  operacional,  enquanto  que  a  receita  oriunda  da  reversão  da  provisão  para  perdas  decorrentes  da  venda,  com  deságio,  de  certificados  de  crédito tem natureza nitidamente financeira.  Fl. 222DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000847/2004­17  Acórdão n.º 1301­002.083  S1­C3T1  Fl. 223          5 REDUÇÃO  DO  IMPOSTO  DE  RENDA.  LUCRO  DA  EXPLORAÇÃO.  As  receitas  financeiras  que  excedem  as  despesas  financeiras  devem ser excluídas do lucro líquido do exercício, para efeito de  apuração do lucro da exploração da atividade incentivada, que  serve de base para o cálculo do valor da redução do imposto.  Esclareço,  por  oportuno,  que  referida  decisão  afastou  integralmente  a  infração  nº  2  e  parcialmente  a  infração  nº  3.  Quanto  a  esta  última,  foi  mantida  a  parcela  correspondente  à  reversão  de  provisão  para  perdas  na  venda  de Certificados  de Créditos  do  ICMS.  Ciente da decisão de primeira  instância em 13/08/2007, conforme Aviso de  Recebimento à fl. 168, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/09/2007 conforme  carimbo de recepção à folha 172.  No  recurso  interposto  (fls.  174/183),  a  recorrente  afirma  a  natureza  não  operacional  da  parcela  mantida  em  primeira  instância,  e  refuta  que  se  trate  de  receita  de  natureza financeira. Em suas palavras:  No  exercício  de  suas  atividades,  a  Recorrente  exporta  grande  parte  de  sua  produção. Assim, tendo em vista que adquire insumos tributados pelo ICMS e efetua  saída sem a incidência do tributo, acaba por acumular saldo credor deste imposto.  Nesse  sentido,  visando  a  restituição  do  saldo  credor  acumulado  a  título  de  ICMS, a Recorrente apresentou requerimento à Secretaria da Fazenda do Estado da  Bahia, que emite Certificados de Crédito do imposto para tanto.  Ocorre  que,  diante  da  dificuldade  do  Estado  em  efetivar  a  devolução  em  espécie do aludido crédito, a Recorrente realiza a venda dos certificados de crédito  àqueles que tenham interesse na sua aquisiçao, constituindo provisao para as perdas  esperadas com o deságio do crédito.  No  caso  do  lançamento,  a  Recorrente  constituiu  provisão  no  valor  de  R$  1.349.925,78  (um  milhão,  trezentos  e  quarenta  e  nove  mil,  novecentos  e  vinte  e  cinco reais e setenta e oito centavos), ao passo que a perda concretizada foi de R$  963.356,29  (novecentos  e  sessenta  e  três mil,  trezentos  e  cinqüenta  e  seis  reais  e  vinte e nove centavos).  Deste modo, o saldo nessa conta foi uma receita de R$ 386.569,49 (trezentos  e oitenta e seis mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e nove centavos),  conforme já restou comprovado por ocasião da impugnação.  Referido  resultado,  contudo,  diferentemente  do  apontado  pelo  r.  acórdão  recorrido, tem a natureza de receita não­operacional, passível de exclusão no cálculo  do lucro da exploração, ensejando, portanto, o cancelamento integral da Infração 03.  [...]  A recuperação de crédito em aberto perante o Fisco não possui, em regra, a  natureza de receita, para fins de tributação pelo IRPJ, ainda que o seu ingresso possa  contribuir para a configuração de aumento do resultado financeiro da pessoa jurídica  no momento da recuperação.  Fl. 223DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000847/2004­17  Acórdão n.º 1301­002.083  S1­C3T1  Fl. 224          6 Isto  porque,  o  efeito  concreto  se  traduz  no  retorno  ao  status  quo  ante,  não  reunindo,  em  regra,  condiçoes  de  materializar  ingresso  de  elemento  novo  que  o  qualifique  no  conceito  de  receita  financeira,  com  entendeu  equivocadamente  o  acórdão recorrido.  No caso em tela, o saldo credor de ICMS acumulado pela Recorrente incidiu  em etapa econômica do processo produtivo e foi suportado como parte integrante do  preço de insumos adquiridos pela empresa, cujo crédito tem a função de minimizar  os custos de fabricação do produto final. Dessa forma, a restituição do saldo credor  de ICMS tem nítida natureza de recuperação de custos.  [...]  Isto porque, repita­se, no caso em tela, a reversão de provisão para perdas com  deságio na venda de certificados de crédito do ICMS nao advém do tipico exercício  de atividade ou esforço na busca de parcela positiva patrimonial.  O resultado tido como receita financeira pelo r. acórdao recorrido não decorre  de uma investida financeira da Recorrente, mas tão­somente da recuperação de um  crédito em aberto perante o Fiscal Estadual no exercício regular de suas atividades,  cuja realização é passível de perdas com deságio.  A recorrente sustenta, ainda, que “erro não constitui fato gerador de tributo”,  referindo­se ao preenchimento supostamente equivocado da DIPJ.  Conclui  com  o  pedido  de  reforma  parcial  do  acórdão  recorrido,  que  seja  negado provimento ao recurso de ofício e dado provimento ao recurso voluntário, cancelando,  assim, integralmente a exigência.  Como  a  exoneração  de  crédito  tributário  superou  o  limite  de  alçada  (R$  500.000,00),  a Turma  Julgadora  também  recorreu  de  ofício  a  este Colegiado. À  época,  esse  procedimento  era  disciplinado  pelo  art.  34  do  Decreto  nº  70.235/1972,  com  as  alterações  introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 375/2001.   É o Relatório.    Voto             Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator  RECURSO DE OFÍCIO  Quanto  à  admissibilidade  do  recurso  de  ofício,  deve­se  ressaltar  o  teor  da  Súmula CARF nº 103:  Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de  ofício,  aplica­se  o  limite  de  alçada  vigente  na  data  de  sua  apreciação em segunda instância.  Em assim sendo, relevante a modificação introduzida pelo art. 1º da Portaria  MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito:  Fl. 224DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000847/2004­17  Acórdão n.º 1301­002.083  S1­C3T1  Fl. 225          7 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  recorrerá  de  ofício  sempre  que  a  decisão  exonerar  o  sujeito  passivo  do  pagamento  de  tributo  e  encargos  de  multa,  em  valor  total  superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais).  No  caso  em  tela,  ao  somar  os  valores  correspondentes  a  tributo  e  multa  exonerados em primeira instância, verifico que não alcançam o limite de um milhão de reais,  estabelecido  pela  norma  em  referência.  O  quadro  à  fl.  164  especifica  o  valor  de  principal  afastado  R$  309.351,13,  o  qual,  acrescido  da  multa  de  ofício  de  75%  alcança  exatos  R$  541.364,47.   Portanto, com a alteração do limite de alçada, o recurso de ofício deixa de ser  cabível,  e  não  deve  ser  conhecido.  Com  isso,  torna­se  irreformável  a  decisão  de  primeira  instância, no que tange à parcela de crédito tributário afastada.  RECURSO VOLUNTÁRIO  Em  petição  datada  de  04/07/2016  (fls.  204/217),  a  recorrente  informa  a  desistência  expressa  e  irrevogável  do  recurso  voluntário  para  fins  de  adesão  ao PRORELIT,  instituído  pela  Lei  nº  13.202/2015.  A  desistência  alcança  a  integralidade  do  débito mantido  após  a  decisão  de  primeira  instância,  o  que  se  constata  ao  confrontar  a  intimação  de  fls.  166/167 do processo e o requerimento de quitação à fl. 206.  Assim  sendo,  o  recurso  voluntário  não  deve  ser  conhecido,  por  perda  de  objeto.  CONCLUSÃO  Em conclusão, voto por não conhecer dos recursos de ofício e voluntário.  O  processo  deverá  ser  encaminhado  à  Unidade  da  RFB  de  jurisdição  do  contribuinte, para as providências de sua competência.  (assinado digitalmente)  Waldir Veiga Rocha                                Fl. 225DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA

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