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Numero do processo: 10830.720373/2011-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2007, 2008
NULIDADE. Não há que se falar em nulidade quando o procedimento fiscal observou integralmente a legislação processual, sendo que os atos e termos processuais viabilização a defesa do contribuinte.
DOCUMENTAÇÃO. EXTRAVIO. PROVIDÊNCIAS. É obrigação de todo
o contribuinte a guarda e conservação de livros e comprovantes, consoante o disposto no art. 264 do RIR/99, cabendo ao mesmo adotar as providências elencadas no parágrafo 1º do citado artigo quando do extravio ou destruição de documentos contábeis e fiscais.
OMISSÃO DE RECEITAS.Constatada movimentação de recursos da pessoa
jurídica autuada em contas correntes da pessoa física de sua sócia, mantém-se o lançamento, diante da verificação de omissão de receitas, não afastada pela defesa mediante prova documental.
MULTA DE OFICIO. QUALIFICAÇÃO. Justifica-se a qualificação da
penalidade aplicada sobre os tributos relativos à receita omitida, ante a reiterada constatação e confirmação pela autoridade fiscal de que recursos da pessoa jurídica, não contemplados em sua escrituração, foram, de fato, movimentados em conta corrente de pessoa física de titularidade de sócio,
ficando à margem da regular tributação.
Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.831
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente, o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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Não há que se falar em nulidade quando o procedimento fiscal observou integralmente a legislação processual, sendo que os atos e termos processuais viabilização a defesa do contribuinte. DOCUMENTAÇÃO. EXTRAVIO. PROVIDÊNCIAS. É obrigação de todo o contribuinte a guarda e conservação de livros e comprovantes, consoante o disposto no art. 264 do RIR/99, cabendo ao mesmo adotar as providências elencadas no parágrafo 1º do citado artigo quando do extravio ou destruição de documentos contábeis e fiscais. OMISSÃO DE RECEITAS.Constatada movimentação de recursos da pessoa jurídica autuada em contas correntes da pessoa física de sua sócia, mantémse o lançamento, diante da verificação de omissão de receitas, não afastada pela defesa mediante prova documental. MULTA DE OFICIO. QUALIFICAÇÃO. Justificase a qualificação da penalidade aplicada sobre os tributos relativos à receita omitida, ante a reiterada constatação e confirmação pela autoridade fiscal de que recursos da pessoa jurídica, não contemplados em sua escrituração, foram, de fato, movimentados em contacorrente de pessoa física de titularidade de sócio, ficando à margem da regular tributação. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Fl. 1484DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente, o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, João Carlos de Figueiredo Neto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório COLEGIO VIVENDO E APRENDENDO LTDA EPP recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Tratase dos autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, à Contribuição para o PIS/Pasep, à Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, cientificados à contribuinte em 21/03/2011, no valor total de R$ 5.743.913,23, devido às irregularidades assim descritas no auto de infração do IRPJ: “001 – OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE – A PARTIR DO AC 93 OMISSÃO DE RECEITAS – LUCRO PRESUMIDO. VALORES TRIBUTADOS COM BASE NA SISTEMÁTICA DO LUCRO PRESUMIDO – 3 TRIM 2007 a 4 TRIM 2008 – Conforme detalhadamente descrito no Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante e inseparável deste auto de infração. [Demonstrativo com fatos geradores de 30/09/2007 a 31/12/2008; valor tributável ou imposto e percentual de multa (150%)] Fl. 1485DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 3 Enquadramento Legal: Art. 528 do RIR/99. Razão do Arbitramento no(s) período(s): 03/2007 06/2007 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte, desenquadrado do SIMPLES FEDERAL não possui escrituração comercial e fiscal que permitam a apuração do lucro real. O contribuinte, conforme legislação de regência do SIMPLES FEDERAL, não pode optar pelo lucro presumido, sendo a única alternativa legal o LUCRO ARBITRADO como base de cálculo do IRPJ – 1 e 2 trimestres de 2007. 002 – RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) OMISSÃO DE RECEITAS – LUCRO ARBITRADO. VALORES TRIBUTADOS COM BASE NA SISTEMÁTICA DO LUCRO ARBITRADO – 1 TRIM e 2 TRIM de 2007 Conforme detalhadamente descrito no Termo de Verificação Fiscal, .... [Demonstrativo com fatos geradores de 31/03/2007 e 30/06/2007; valor tributável ou imposto e percentual de multa (150%)] (...) A autoridade fiscal elaborou o “Termo de Verificação Fiscal”, que, em síntese, se transcreve: “... 1 – CONTEXTO No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, com base no MPF 08.1.04002009009974, passamos a relatar os fatos verificados, relativos ao anoscalendário 2007 e 2008, conforme segue. Trata a fiscalizada de pessoa jurídica de direito privado, denominada COLÉGIO VIVENDO E APRENDENDO LTDA – EPP, CNPJ 54.142.419/000107, .... A pessoa física Sra. Maria José Di Santo Navarro, cpf 620.556.90868, sócia majoritária da pessoa jurídica Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, CNPJ 54.142.419/000107, em procedimento de fiscalização diverso do presente, MPF no. 08.1.04.002009007785, declarou ter recebido em contas bancárias de sua titularidade receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP nos anoscalendário 2006 a 2008. O total de créditos efetuados nas contas bancárias citadas no parágrafo anterior, quais sejam: 1) conta no. 21.1346, agência 12270 do Banco do Brasil, 2) conta no. 51.7046, agência 23892 do Banco Bradesco e 3) conta no. 40002191, agência 1191 do Banco Real; ao longo dos anoscalendário 2007 e 2008, perfazem um total de R$ 15.610.912,15, e encontramse abaixo discriminados tendo seus valores agrupados por histórico: [......] As contas, conforme anteriormente dito, são de titularidade da pessoa física Sra. Maria José Di Santo Navarro, cpf 620.556.90868, e referemse à receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, CNPJ Fl. 1486DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 4 54.142.419/000107, auferidas nos anoscalendário 2007 e 2008, declaração da Sra. Maria José Di Santo Navarro. Tais valores não foram oferecidos à tributação e os créditos tributários devidos em função desta omissão estão sendo constituídos de ofício, mediante lavratura de auto de infração, conforme descrito no tópico 3 deste Termo de Verificação Fiscal. 2 DO PROCEDIMENTO FISCAL A ação fiscal foi desenvolvida nos termos do MPFF 08.1.0400200900997 4, e neste processo administrativo fiscal abrange o período janeiro/2007 a dezembro/2008, tendo sido iniciada com o Termo de Início de Fiscalização, lavrado em 28/07/2009, intimando a fiscalizada a apresentar: [......] A pessoa jurídica COLÉGIO VIVENDO E APRENDENDO LTDA EPP, CNPJ 54.142.419/000107, representada pela sócia majoritária Sra. Maria José Di Santo Navarro, cpf 620.556.90868, declarou que os valores movimentados nas contas bancárias: 1) conta no. 21.1346, agência 12270 do Banco do Brasil, 2) conta no. 51.7046, agência 23892 do Banco Bradesco e 3) Conta no. 40002191, agência 1191 do Banco Real, em nome de Maria José Di Santo Navarro, na realidade são receitas advindas de cobrança do Colégio Vivendo e Aprendendo, CNPJ 54.142.419/000107, onde destacamos: Documento no. 2327, datado de 13/09/2010: "Nos anos de 2007, 2008, todas as contas mantidas no Banco do Brasil, Banco Real, Banco Bradesco, foram de uso e para uso do Colégio Vivendo e Aprendendo; e são as cobranças do Colégio Vivendo e Aprendendo que transitaram por estas contas."; A fim de quantificar o total de receita operacional da pessoa jurídica Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, recebida nas contas bancárias: ....., foi lavrado em 22/11/2010, termo de intimação contendo planilhas numeradas de 1 a 6 referentes às contas bancárias supracitadas, nos anoscalendário 2007 e 2008, solicitando: 1) Confirmar se os créditos/depósitos listados nas planilhas 1 a 6 referemse a valores de titularidade do COLÉGIO VIVENDO E APRENDENDO LTDA EPP, CNPJ 54.142.419/000107; 2) A que título os valores foram creditados/depositados nas contas bancárias: 1) conta n° 21.1346, agência 12270 do Banco do Brasil, 2) conta n° 51.704 6, agência 23892 do Banco Bradesco e 3) conta n° 40002191, agência 1191 do Banco Real; 3) Analisar as planilhas 1 a 6 fornecidas em ANEXO, apontando individualmente, em relação a cada crédito ou depósito bancário, a ORIGEM dos recursos que possibilitaram as realizações dessas operações, mediante a apresentação de documentação hábil, idônea e coincidente em datas e valores." Em 12/01/2011, no documento protocolizado sob o no. 00297, em resposta ao termo de intimação citado no parágrafo anterior, a fiscalizada confirma: Fl. 1487DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 5 "ratifica que todos os valores que transitaram pelas contas dos bancos do Brasil, Bradesco e Real, de titularidade de sua sócia majoritária Sra. Maria José Di Santo Navarro, são de propriedade ou originaram dos recebimentos da pessoa jurídica ora declarante." (negritamos) Ainda em resposta ao termo de intimação lavrado em 22/11/2010, ... a fiscalizada afirma: "6 Acrescenta ainda, que utiliza materiais pedagógicos e despesas, que não fazem parte da receita operacional da instituição, a fim de atender tanto a grade curricular como também as datas comemorativas durante o ano letivo, tais como dia dos pais, dia das crianças, descobrimento do Brasil, enfim, datas em que são utilizados materiais que os pais deveriam adquirir e fornecer para o colégio, mas que muitas vezes, até mesmo por falta de tempo, transferem tal responsabilidade a esta instituição, e, pedem para que os gastos sejam incorporados ao pagamento da mensalidade, acrescendo assim o valor a ser recebido mas não caracterizando uma receita para a instituição." (negrito do original) Para dar oportunidade da fiscalizada comprovar as alegações efetuadas, principalmente no que concerne a valores movimentados nas contas bancárias que não representam receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, foi lavrado em 02/02/2011, Termo de Constatação e Intimação, solicitando: 1) Tornar disponíveis para exame TODOS os documentos que serviram de base para o preenchimento da resposta ao termo de intimação lavrado em 17/12/2010, cuja resposta foi encaminhada à esta DRF/Campinas em 12 de janeiro de 2011; 2) Apresentar documentação hábil e idônea, compatível em data e valor, comprovando que a pessoa jurídica atuou meramente como intermediária no repasse de recursos relativos à “alimentação” e “materiais didáticos”; serviços estes efetuados por terceiros (contrato de prestação de serviços); 3) No tocante aos créditos/depósitos que correspondam à empréstimos e capital de giro, efetuados junto a instituições financeiras, apresentar documentação que comprove as alegações efetuadas; 4) Na hipótese de eventual crédito/depósito ter sido escriturado em livro caixa, bem como já ter sido tributado, apresentar documentos, hábeis e idôneos, compatíveis em data e valor que comprovem a sua efetiva tributação. Em resposta ao termo do parágrafo anterior, a fiscalizada afirmou: "Em data de janeiro de 2009, a empresa sofreu um alagamento em virtude de fortes chuvas, tendo inclusive parte do telhado de seu estabelecimento totalmente destruído, causando com isso uma grande perda de equipamentos, bem como uma total destruição de seu arquivo não mais tendo, desta forma, documentos que possam comprovar o alegado na resposta data em 12.01.2011, utilizandose de média de gastos com os repasses praticados nos pagamentos de materiais didáticos bem como com compra de refeições, haja visto que a mesma atua neste mercado desde 1985, ou seja há mais de 25 anos." (negritamos) Fl. 1488DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 6 Desta forma, com exceção dos ingressos que certamente não configuram receita, tais como: liberação de garantia e transferências interbancárias; os créditos bancários que a fiscalizada declarou como receita operacional da sua atividade, serão objeto de lançamento de ofício mediante a lavratura de Auto de Infração. Nas páginas seguintes, discriminamos valores de receita do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda. EPP, CNPJ 54.142.419/0001 07, recebidos nas contas especificadas. [........] 3 DA CONSTITUIÇÃO DO CREDITO TRIBUTÁRIO. 3.1 DA INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Como já citado anteriormente, a fiscalizada omitiu receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, CNPJ 54.142.419/000107, recebida nas contas bancárias: 1) conta no. 21.1346, agência 12270 do Banco do Brasil, 2) conta no. 51.7046, agência 23892 do Banco Bradesco e 3) conta no. 40002191, agência 1191 do Banco Real, de titularidade da pessoa física Maria José Di Santo Navarro, CPF 620.556.90868. Na página seguinte consta demonstrativo de totalização mensal das planilhas 1 a 6, constantes do tópico 2, referente à receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, bases de cálculo para apuração dos valores devidos do IRPJ e demais contribuições CSLL, PIS/PASEP e COFINS apurados de ofício. [.........] No demonstrativo de fls. 56/57 já foram descontados das receitas apuradas, os valores abaixo listados, que se referem a empréstimos e transferência interbancária, conforme demonstrativo: [........] Também foram descontados os cheques devolvidos, relativos às contas 1) conta no. 21.1346, agência 12270 do Banco do Brasil, 2) conta no. 51.704 6, agência 23892 do Banco Bradesco e 3) conta 40002191, agência 1191 do Banco Real, conforme colunas (3), (6) e (9) do demonstrativo nas fis. 56/57. A coluna (11) do Demonstrativo 7 (fis. 56/57) representa a totalização mensal da receita omitida apurada, constituindose em base de cálculo para lançamento de ofício do IRPJ e das demais contribuições PIS/PASEP, COFINS e CSLL (...) Período de Apuração | Regime de Tributação 1o. Trimestre de 2007 LUCRO ARBITRADO 2o. Trimestre de 2007 LUCRO ARBITRADO 3o. Trimestre de 2007 LUCRO PRESUMIDO 4o. Trimestre de 2007 1o. Trimestre de 2008 2o. Trimestre de 2008 Fl. 1489DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 7 3o. Trimestre de 2008 4o. Trimestre de 2008 Sendo o enquadramento legal diverso para a omissão de receita constatada ao longo dos anoscalendário 2007 e 2008, as infrações encontramse abaixo descritas: 001 RECEITA OMITIDA VALORES TRIBUTADOS COM BASE NA SISTEMÁTICA DO LUCRO PRESUMIDO – 3º. TRIM 2007 A 4º. TRIM 2008 002 RECEITA OMITIDA VALORES TRIBUTADOS COM BASE NA SISTEMÁTICA DO LUCRO ARBITRADO – 1º. TRIM E 2º. TRIM 2007. Os fatos geradores, vencimento, valor tributável e todos os elementos pertinentes ao lançamento encontramse, devidamente descritos na "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS)" nos respectivos autos de infração. 4 DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Pelo exposto nos tópicos anteriores, depreendese que a fiscalizada ao omitir receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, CNPJ 54.142.419/000107, nas contas bancárias: 1) conta no. 21.1346, agência 12270 do Banco do Brasil, 2) conta no. 51.7046, agência 23892 do Banco Bradesco e 3) conta no. 40002191, agência 1191 do Banco Real, de titularidade da pessoa física Maria José Di Santo Navarro, CPF 620.556.90868, conforme descrito nos tópicos 2 e 3 deste Termo de Verificação Fiscal, teve por intenção ocultar da Administração Tributária o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, conduta esta tipificada no inciso I do art 71 da Lei 4.502/64 (sonegação fiscal). "Art. 71 da Lei n° 4.502/64 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;" Na infração, foi aplicada multa de ofício de 150% do total da receita omitida, conforme inciso II do art 44 da Lei 9.430/96, também reproduzido abaixo: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: II cento e cinqüenta por cento, nos intuito de fraude, definido nos arts. 71 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A fiscalizada praticou a conduta descrita reiteradamente ao longo dos anos calendário 2006 a 2008. Desta forma, pela conduta da fiscalizada, configurar, em tese, Crime Contra a Ordem Tributária, definido pelos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, foi elaborada a competente Representação Fiscal para Fins Penais, processo administrativo nº 10830.015959/201019, conforme determinado no Decreto nº 2.730, de 10/08/1998 e na Portaria RFB nº 2939, Fl. 1490DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 8 de 21/12/2010, a qual deverá ser encaminhada ao Ministério Público Federal, observandose o artigo 3º da Portaria SRF nº 326/2005. 5 – CONCLUSÃO Este Termo de Verificação Fiscal constitui parte integrante dos Autos de Infração lavrados em decorrência dos fatos apurados na presente fiscalização. O processo de arrolamento de bens já se encontra formalizado – nº. 10830.015752/201036. Fica ressalvado o direito da Fazenda Nacional fazer verificações posteriores e cobrar o que for devido em razão de fatos e circunstâncias e elementos não verificados e/ou não conhecidos nessa oportunidade. Para constar e produzir os devidos efeitos legais, lavramos o presente termo em 03 (três) vias de igual forma e teor que vão assinadas pelos auditores signatários e pelo representante/preposto do contribuinte, que neste ato toma ciência de seu conteúdo e recebe uma de suas vias.” Inconformada com a exigência fiscal, da qual foi cientificada em 21/03/2011, a contribuinte por meio de seu representante legal, com instrumento de procuração juntada aos autos, apresentou em 05/04/2011, impugnação com as seguintes razões de defesa. Diz inicialmente que o auto de infração é nulo, porquanto o mesmo é impróprio, uma vez que inexistiu justa causa para sua lavratura, dada a inocorrência de qualquer ilicitude, principalmente aquela imposta à defendente. A corroborar sua assertiva, cita o art. 5º, inciso II, da CF/1988. Nesse sentido, acrescenta que não vulnerou os dispositivos legais inseridos no auto de infração. Ainda a justificar a impropriedade do auto de infração, e sua conseqüente nulidade, alega que nele “não exsurge o ânimo sancionatório exigido na exação sob contestação.” No tópico seguinte, acerca da opção pelo parcelamento especial, sustenta: “Requer os benefícios previstos na lei 11.941/2009, a fim de que, caso venha a responder, após total julgamento dos recursos cabíveis e previstos em lei, por débitos relativos a período abrangido por citada norma legal, seja autorizado a consolidálo para pagamento até o prazo máximo permitido, uma vez que a ora recorrente é optante pelo parcelamento especial. Assevera que não procede a notícia constante dos autos, de que não teria atendido à intimação datada de 22/11/2010, uma vez que solicitou prorrogação de prazo por mais trinta dias para atendimento do que lhe fora solicitado e antes de findo tal prazo cumpriu a intimação. A seguir, requer a suspensão de encaminhamento ao MPF da Representação Fiscal para Fins Penais, posto que, como provará, não praticou conduta que pudesse ser considerada, mesmo que em tese, desobediência ou crime contra a ordem tributária. Prosseguindo em sua defesa, transcreve trechos do Termo de Verificação Fiscal e assevera que em nenhum momento a interessa deixou de atender as intimações da Fl. 1491DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 9 autoridade fiscal, bem como negou que os valores movimentados nas contas elencadas pela fiscalização correspondiam a mensalidades dos alunos do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda. Acrescenta que a gerência da empresa estava totalmente a cargo de sua sócia majoritária e que esta não agiu com dolo ou máfé ao movimentar valores da empresa em sua conta particular, apenas tentou atender suas necessidades, uma vez que o banco oferecia vantagens na movimentação de sua conta bancária, bem como um atendimento diferenciado com descontos e taxas de serviços e créditos pela movimentação de um melhor saldo médio, podendo com isso formar caixa para pagamento de seus fornecedores e colaboradores da empresa. Assevera que a fiscalização não se preocupou em excluir itens como transferências entre contas de valores ou mesmo créditos de empréstimos, que não se relacionam com os ditos faturamentos omitidos. E acrescenta, em suas palavras: “Em relação à movimentação bancária particular da sócia da empresa ora recorrente, informa ainda que nem todos os valores que nelas transitaram podem ser qualificadas como receita operacional da pessoa jurídica, que como bem declara a titular das mesmas, “os valores pertencem ao Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda.” Acerca da movimentação bancária relacionada pela fiscalização e tida como receita operacional omitida, sustenta que, através dos demonstrativos e relatórios que acompanham a presente impugnação, verificase que em diversas oportunidades os valores correspondem a renegociação de receitas não recebidas mas já declaradas anteriormente e em outras depósitos de valores retirados através de saques efetuados em moeda corrente para o uso diário do caixa da empresa e por não serem totalmente utilizados enviados novamente para depósito a fim de evitar riscos em mantêlos no caixa da empresa. Inclui, em seus argumentos de defesa, trechos esparsos do que diz ser julgados onde tais situações são plenamente aceitas como provas, acrescendo ementa fundamentada na Súmula 182 do TRF. Por meio de tais excertos, depreendese que busca a contribuinte, em síntese, oporse à tributação calcada em mera presunção de renda, defender a inconstitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430/96, mencionar o princípio da legalidade como garantia dos contribuintes face a possíveis excessos por parte do Estado, e também, rechaçar o acesso a informações bancárias. Alega que a fiscalização utilizouse, para justificar a omissão de receita, de extratos bancários, passando ao contribuinte o ônus de provar o contrário, porém não comprovou em nenhum momento suas razões. Diz que a intenção da empresa – Colégio Vivendo e Aprendendo – foi sempre de manter uma relação escolaaluno da melhor forma, levando com isso, muitas vezes, a praticar atos que aos olhos punitivos do Estado sejam vistos como prática de atos tributariamente incorretos. A seguir, a defendente alega que foi intimada pela autoridade fiscal em 23/12/2010, a responder a inúmeras questões, o que fez, tempestivamente, em 12/01/2011. Junta documentos de fls. 970/1216, sendo: 1 das fls. 970 a 972 – Resposta ao Termo de Intimação de 17/12/2010 da qual se extrai: Fl. 1492DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 10 Que, tendo sido intimada a prestar informações acerca de suas movimentações bancárias, ratifica que todos os valores que transitaram pelas contas do banco do Brasil e Bradesco e Real, de titularidade de sua sócia majoritária Sra. Maria Jose Di Santo Navarro, são de propriedade ou originaram dos recebimentos da pessoa jurídica ora declarante. A fim de justificar alguns valores constantes na MPF, tornase necessária as seguintes NOTAS EXPLICATIVAS: 1. Que é de conhecimento público que a área educacional em nosso país vem, ao longo dos anos, sendo cada dia menos assistida pelas autoridades que deveriam de forma gratuita, fornecer à população que já arca com enorme carga de impostos, independente da classe social que pertença. 2. Que esta instituição de ensino, atende quase em sua totalidade as classes “C” e “D”, uma das mais carentes financeiramente e, para que possam exercer suas atividades, seu diaadia, dependem de contar, uma vez que, como já dito, não são atendidas pelas instituições publicas, com o atendimento particular, e o fazem, muitas vezes, contratando valores que se tornam acima da disponibilidade mensal, acumulando mensalidades impossíveis de serem pagas de forma imediata. 3. Como dependem de tal prestação de serviços, e as instituições particulares de ensino tem ciência do papel que exercem, imprescindível a quem as utiliza, vem sendo bastante compreensiva inclusive chegando a parcelar em até 12 meses os valores em atraso, recebendo para tanto cheques prédatados ou, na impossibilidade, emitindo boletos bancários, sempre visando atender e facilitar a vida financeira daquela mãe ou pai que depende de fornecer instrução ou atendimento a seus filhos e muitas vezes se vê obrigado a deixar de pagar a escola para atender outras necessidades tais como alimentação, transportes, serviços médicos etc. 4. Assim, sendo uma atividade extremamente de cunho social, tornase difícil deixar de atender quem necessita, fazendose necessário criar mecanismo que possa assistir a eles naquele momento, e muitas vezes deixando, por pura inocência e até mesmo, por desconhecimento, de atentar às normas legais impostas, mas sempre o fazendo sem dolo. 5. Estas situações podem ser claramente constatadas através dos extratos bancários apresentados, onde verificase a infinidade de devoluções de cheques e conseqüentemente o prejuízo que causa a esta instituição que mesmo por "teimosia" vem tentando manter o nível de atendimento a fim de não prejudicar os jovens alunos que utilizam os serviços então prestados. 6. Acrescenta ainda, que em muitos casos utiliza materiais e despesas, que não fazem parte da receita operacional da instituição, a fim de atender as datas comemorativas durante o ano letivo, tais como dia dos país, dia das crianças, descobrimento do Brasil, enfim, datas em que são utilizados materiais que os pais deveriam adquirir e fornecer para o colégio, mas que muitas vezes, até mesmo por falta de tempo, transferem tal responsabilidade a esta instituição, e pedem para que os gastos sejam incorporados ao pagamento da mensalidade, acrescendo assim o valor a ser recebido mas não caracterizando uma receita para a instituição. Fl. 1493DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 11 Informa ainda que muitas vezes recorre a fornecimento de trabalhos manuais realizados por artesões que não possui nenhum tipo de documento contábil uma vez que tal atividade é, por sua natureza, dispensado de elaboração. Esclarece também, que em diversas oportunidades, a instituição de ensino necessita de valores em moeda corrente em caixa, para atender pagamentos direto, e, muitas vezes retorna tais sobras de caixa em forma de depósitos em auto atendimento, justificando assim alguns itens elencados no termo de intimação sob tal nomenclatura. Portanto, após as explicações acima, fica facilmente visível o por que de depósitos realizados em conta corrente, muitas vezes com valores superiores aos declarados no livro caixa, haja visto que os mesmos já foram contabilizados em datas anteriores como receitas e devidamente recolhidos os impostos incidentes sobre os mesmos, fato este que se não acolhido serão considerados como dupla tributação, prejudicando em muito a esta instituição que tem como meta atender e tentar suprir a falta causada, como já dito, pelas próprias autoridades responsáveis pela educação e formação do caráter de nossas crianças. Desta forma, apresenta o relatório de créditos constantes no Termo de intimação, relativo aos anos de 2007 e 2008, e, na coluna "VALOR CONSIDERADO" informa o valor que, após deduzida as quantias correspondentes aos repasses para a aquisição de materiais pedagógicos e outros gastos representa a receita operacional da empresa. Comunica ainda, que no inicio do ano de 2009, a empresa ora fiscalizada foi alvo de um grande alagamento em suas dependências, atingindo equipamentos e arquivos onde encontravamse inclusive os documentos que facilmente poderiam provar a destinação dos valores repassados a titulo de aquisição de materiais didáticos e alimentação de seus alunos ( boletim de ocorrência anexo). Informa que em relação ao banco Bradesco, toda a movimentação apresentada se deu com recursos das retiradas pro labore bem como com a distribuição de lucros da sócia, estando portanto declarada em seu imposto de renda pessoa física, não representando receita da empresa. Em relação a movimentação junto ao banco Real, podese observar que o mesmo somente foi utilizado para a obtenção de empréstimos e capitais de giro, também não apresentando receita da empresa. Assim sendo apresenta os relatórios referente aos anos de 2007 e 2008 à seguir. .2 das fls. 973/1043 – Relatórios referentes a 2007 e 2008 [planilha com as colunas “Data”, “histórico”, “valor”, “valor considerado” e “histórico”]; .3 das fls. 1044/1153 – Planilhas – Relatório de Créditos constantes no Termo de Intimação MPF 08.1.04.00.2009.009974; .4 – das fls. 1154/1.157 – JUSTIFICATIVA RELATIVA A AQUISIÇÃO DOS MATERIAIS DIDÁTICOS, nos seguintes termos: Fl. 1494DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 12 Como citado no inicio da presente, a empresa sofreu grande perda de documentação em vista do alagamento sofrido em suas dependências, mas em contato com editoras fornecedoras de materiais didáticos, conseguiu copias de diversas notas, não representando sua totalidade, mas que mesmo assim, vem demonstrar os gastos com citados materiais, justificando de tal maneira os valores descontados nas planilhas 2007 e 2008. Mas mesmo assim, se os senhores julgadores considerarem como venda de livros e não simples repasse de valores entre seus alunos e empresa fornecedora, requer os benefícios previstos em relação a venda dos mesmos, ou seja. Como previsto em nossa Constituição Federal: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (. . .) VI instituir impostos sobre: (...) d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. • Bem de acordo com o artigo 6º da lei 11.033/04 que alterou o artigo 28 da lei 10.865/04 Assim sendo apresenta a seguir a relação das notas fiscais obtidas onde se poderá obter uma media aproximada dos gastos com materiais didáticos, bem como junta copias obtidas junto as editoras fornecedoras à saber: (...) TOTAL R$730.749,06 .5 de fls. 1.158/1.212 – Cópias de Notas Fiscais (cópia de 04 notas fiscais de aquisição de material, a primeira emitida por FTD Editora e as três seguintes pela Gráfica e Editora Anglo Ltda); .6 de fls. 1.213/1.216 – cont. Impugnação Representação Fiscal para Fins Penais e pedidos, nos seguintes termos: DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS IMPUGNA E CONSEQÜENTEMENTE REQUER O NÃO ENCAMINHAMENTO DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS AO DD. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, UMA VEZ QUE, CONFORME COMPROVA NOS RELATOS E FATOS AQUI CITADOS, EM NENHUM MOMENTO A RECORRENTE APRESENTOU CONDUTA QUE POSSA CONFIGURAR, MESMO QUE EM TESE, DE CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA, POIS CONFORME PREVÊ A LEI Nº 4.502/64 EM SEUS ARTIGOS 71 E SEGS., SONEGAÇÃO É TODA AÇÃO OU OMISSÃO DOLOSA TENDENTE A IMPEDIR OU RETARDAR, TOTAL OU PARCIALMENTE, O CONHECIMENTO POR PARTE DA AUTORIDADE FAZENDÁRIA...” Fl. 1495DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 13 FATO ESTE QUE JAMAIS OCORREU, TANTO QUE OS ELEMENTOS UTILIZADOS PELOS SENHORES AGENTES FISCAIS FORAM TODOS FORNECIDOS PELA ORA RECORRENTE, TAIS COMO EXTRATOS BANCÁRIOS, RELATÓRIOS, LIVROS ETC..., E, MESMO QUE SE ASSIM NÃO OCORRESSE, A MESMA ESTARIA ENQUADRADA NOS TERMOS DO ART. 83 DO DECRETO 2.730/98 CONFORME TRANSCREVE: [......] Requer, ainda, que seja desconsiderada a multa aplicada, uma vez que em momento algum foi demonstrado ou comprovado dolo, fraude ou simulação por parte da ora recorrente, citandose para tanto o que preceitua a PORTARIA CARF 106 e SUMULA 25 do mesmo órgão, conforme segue: [........] E, FINALMENTE REQUER A DISPENSA DO PROCESSO DE ARROLAMENTO DE BENS, TENDO EM VISTA O PAGAMENTO PARCIAL DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS APONTADOS NO PRESENTE AIIM. OUTROSSIM INFORMA TAMBÉM, QUE POR SER OPTANTE AO PARCELAMENTO PREVISTO NA LEI 11.941/2009 E, CASO VENHA SEU DÉBITO, DEFINITIVAMENTE SER OBJETO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO, O MESMO NÃO DEPENDE DE APRESENTAÇÃO DE GARANTIA OU ARROLAMENTO DE BENS, CONFORME DISPÕE O ARTIGO 11 INCISO I DE CITADA LEI. OS PEDIDOS Diante de todo o exposto na presente impugnação, requer: 1. Que sejam consideradas as afirmações, explicações e justificativas apresentadas pelo ora recorrente a fim de considerar os valores constantes no presente auto de infração como NÃO RECEITAS OPERACIONAIS, sendo portanto indevida sua tributação como tal!., 2. Que os recolhimentos efetuados, bem como a alíquota utilizada para tais apurações sejam declarados como suficientes e exatos., 3. Do não encaminhamento da representação penal bem como da não aplicação da multa de oficio, uma vez comprovada a não ocorrência de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964. 4. Requer que sejam aceitas as alegações referente as movimentações junto ao Banco Bradesco e Banco Real citadas no preâmbulo, como sendo movimentações de retiradas prólabore, distribuição de lucros e conta corrente de empréstimos, não representando receitas omitidas pela empresa fiscalizada. 5. A aplicação dos benefícios de isenção e/ou imunidade tributaria previstas para a venda e comercialização de livros previstas em nossa legislação conforme já citado nesta e, 6. Caso venha a responder com valores referente aos anos em questão seja beneficiado com sua inclusão no parcelamento previsto na Lei 11.941/2009 RAZÃO PELA QUAL, Há que ser tornado nulo ou insubsistente o auto de infração que ora se ataca, tonandose sem efeito o imposto exigido, bem assim a multa pretendida, com a competente baixa dos seus registros nesse órgão, por não estar legitimada a Fl. 1496DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 14 pretensão do agente do fisco, bem como, todos os pagamentos efetuados à maior sejam levados à credito no conta corrente da empresa ora recorrente, e que os mesmos possam ser compensados em impostos futuros. E, finalmente requer que todos os itens constantes preliminarmente nesta impugnação sejam aceitos, e na sua totalidade declarados como verdadeiro os fatos e declarações aqui elecandos, tornando desta forma IMPROCEDENTE EM TODO o presente auto de infração, fazendose desta forma nada mais do que J U S T I Ç A ! ” A decisão recorrida está assim ementada: NULIDADE. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. LIMITE DA LIDE. ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. PEDIDO DE PARCELAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO EM DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O julgado limitase à esfera de competência da autoridade julgadora administrativa, relativamente ao crédito tributário constituído de ofício, tempestivamente impugnado, não comportando análise de questões que tratam de arrolamento de bens, de parcelamento do crédito tributário mantido em decisão administrativa final, nem de representação fiscal para fins penais. PROVAS. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova em que se fundamentar. DOCUMENTAÇÃO. EXTRAVIO. PROVIDÊNCIAS. É obrigação de todo o contribuinte a guarda e conservação de livros e comprovantes, consoante o disposto no art. 264 do RIR/99, cabendo ao mesmo adotar as providências elencadas no parágrafo 1º do citado artigo quando do extravio ou destruição de documentos contábeis e fiscais. EXCLUSÃO DA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. Excluída da sistemática do SIMPLES, a pessoa jurídica sujeitase às demais normas tributárias aplicáveis as pessoas jurídicas. OMISSÃO DE RECEITAS. Constatada movimentação de recursos da pessoa jurídica autuada em contas correntes da pessoa física de sua sócia, mantémse o lançamento, diante da verificação de omissão de receitas, não afastada pela defesa mediante prova documental. ALEGAÇÃO DE TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS. Tendo a fiscalização discriminado as exclusões contempladas na determinação da base de cálculo, a alegação de ocorrência de transferências entre contas que não teriam sido consideradas, sem a demonstração das saídas e ingressos respectivos, com identidade de datas e valores, não é capaz de justificar a origem dos recursos e afastar a exigência. Fl. 1497DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 15 ALEGAÇÃO DE EMPRÉSTIMOS. As alegações de que os depósitos questionados decorreriam de empréstimos recebidos devem ser acompanhadas dos correspondentes contratos apontando coincidência de datas e valores. ALEGAÇÃO DE REPASSE DE RECURSOS A TERCEIROS PARA AQUISIÇÃO DE MATÉRIAL DIDÁTICO E ALIMENTAÇÃO. A alegação de que parte dos depósitos questionados não corresponderia a receitas operacionais porque teria sido repassada a terceiros para fornecimento de material didático e alimentação, não é hábil a afastar ou reduzir a exigência se desacompanhada das correspondentes provas documentais, mormente se adotada a forma de tributação pelo lucro arbitrado ou pelo lucro presumido, em que já está contemplada a exclusão de todas as despesas da atividade por meio dos percentuais aplicáveis para apuração das bases de cálculo. EXIGÊNCIAS REFLEXAS. CSLL. PIS. COFINS. Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, adotase igual orientação decisória. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Justificase a qualificação da penalidade aplicada sobre os tributos relativos à receita omitida, ante a reiterada constatação e confirmação pela autoridade fiscal de que recursos da pessoa jurídica, não contemplados em sua escrituração, foram, de fato, movimentados em contacorrente de pessoa física de titularidade de sócio, ficando à margem da regular tributação. Impugnação Improcedente. Credito Tributário Mantido. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 1270 e seguintes, no qual parece repisar, ipsis litteris as alegações da peça impugnatória. É o relatório. Fl. 1498DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 16 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, o contribuinte praticamente reapresentou a peça impugnatória, sem fazer qualquer referencia aos fundamentos da decisão de primeira instancia que enfrentou, com profundidade, todos as alegações da recorrente. Passo a reapreciar as razões de defesa. A recorrente reitera, em preliminar a nulidade do auto de infração, por inexistência de justa causa para sua lavratura, uma vez que não ocorreu qualquer ilicitude no seu procedimento e, ainda, por ausência de infração a disposições legais, invocando o art. 5º, II, da CF. Nesse aspecto, cumpre consignar que o art. 142 do CTN – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 estipula, como etapas do procedimento administrativo de lançamento, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido, a identificação do sujeito passivo e a aplicação da penalidade, quando cabível. No caso presente, o lançamento foi formalizado mediante lavratura de um auto de infração. Logo, o ato de sua formalização deve submeterse às prescrições do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que consistem na competência do autuante e na observância das formalidades pertinentes ao seu conteúdo indispensável, destacandose como essenciais: a qualificação do autuado; a descrição do fato, da disposição legal infringida e da penalidade aplicável; a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula – requisitos observados no presente caso. Nesse contexto, alegações no sentido de inexistência de infração que justificasse a lavratura do auto de infração, principalmente daquela atribuída à recorrente, dizem respeito à motivação que sustenta a prática do ato administrativo de lançamento, e somente poderiam acarretar a improcedência da exigência se acaso o ato contrário à lei fosse infirmado pela defesa. No mérito, conforme asseverado, no relatório acima, o lançamento foi formalizado em razão da constatação de omissão de receitas da pessoa jurídica nos anos calendário 2007 e 2008. Fl. 1499DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 17 Uma vez que a recorrente repisa as alegações da peça impugnatória, peço vênia para transcrever e adotar os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido “(...) Cumpre, assim, aferir, em seu mérito, se a contribuinte traz provas que infirmem a ocorrência de omissão de receita constatada pela fiscalização e/ou que atestem o oferecimento à tributação destas receitas consideradas omitidas, ou, ainda, que os recebimentos questionados pela autoridade fiscal corresponderiam a valores não tributáveis. Antes, porém, apreciamse os requerimentos formulados pela contribuinte, em sua peça de defesa, logo após a argüição de nulidade. Reportase a contribuinte à opção por parcelamento especial, requerendo os benefícios previstos na lei 11.941/2009, a fim de que, caso venha a responder, após total julgamento dos recursos cabíveis e previstos em lei, por débitos relativos a período abrangido por citada norma legal, seja autorizado a consolidálo para pagamento até o prazo máximo permitido, uma vez que a ora recorrente é optante pelo parcelamento especial. Acerca da questão, observese que não se insere, na esfera de competência das Delegacias de Julgamento, segundo o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB , Portaria MF nº 125, de 04, de março de 2009, publicada no DOU de 06/03/2009, revogada pela Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, a qual passou a partir de 23 de fevereiro de 2011, a apreciação de pedidos concernentes à pretensão de parcelamento do crédito tributário lançado de ofício. De todo modo, registrese que, nos termos do art. 5º da Lei nº 11.941/2009, a opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. Mas, nos termos do requerimento, vêse que a contribuinte externa pretensão de parcelar os valores lançados no Auto de Infração se suas razões de defesa não forem acatadas, ou seja, somente em caso de decisão administrativa que lhe seja desfavorável. Não manifesta, portanto, concordância com a totalidade da exigência e com a necessária confissão e demais condições previstas na referida Lei nº 11.941, de 2009, não se justificando a pretensão de valerse de reduções de encargos nela previstas. Prosseguese, assim, na apreciação das razões de defesa. Antes, porém, registrese que não se encontra, na impugnação apresentada, argumentos de defesa específicos em oposição às formas de tributação adotadas na autuação (lucro arbitrado e lucro presumido). Da defesa apresentada, depreendese que objetiva a Contribuinte destacar o cunho Fl. 1500DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 18 social de sua atividade de educação, que seria voltada para pessoas de escassos recursos financeiros e, com isso, justificar a inobservância das normas legais impostas. Todavia, argumentos dessa natureza não são hábeis a afastar a exigência tendo em conta que, em se tratando de matéria tributária, não importam os motivos pelos quais a pessoa jurídica deixou de atender às exigências fiscais. A infração é do tipo objetivo, na forma do art. artigo 136 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), isto é, “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Por outro lado, a atividade de fiscalização é vinculada e obrigatória, a teor do art. 142 do mesmo diploma legal, de modo que, verificada infração à legislação tributária em procedimento fiscal, é dever do Auditor Fiscal formalizar a correspondente exigência, inclusive sob pena de responsabilidade funcional. Prosseguindo, temse que a contribuinte transcreve trechos do Termo de Verificação Fiscal e assevera que em momento algum deixou de atender as intimações da autoridade fiscal, como também não negou que os valores movimentados nas contas elencadas pela fiscalização, correspondiam a mensalidades dos alunos do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda. De plano, vêse que, assim como já havia feito no curso do procedimento fiscal, a contribuinte confirma, também em sua peça de defesa, que os valores movimentados nas contas elencadas pela fiscalização correspondiam a mensalidades dos alunos do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda. E, nessas circunstâncias, se ausente prova de inclusão de tais valores como receitas da pessoa jurídica e de seu regular oferecimento à tributação, configurase a omissão de receitas imputada pela fiscalização. Quanto à alegação de que a contribuinte não teria deixado de atender a intimações, observese, de início, que a penalidade aplicada, no percentual de 150%, não foi qualificada em razão de eventual falta de atendimento de intimações, mas em decorrência do previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996 c/c art. 19, da Lei nº 9.317, de 1996, como constou no enquadramento legal do Demonstrativo de Multa e Juros de Mora. Ademais, descreve a autuante, no Termo de Verificação, que para dar oportunidade da fiscalizada comprovar as alegações efetuadas, principalmente no que concerne a valores movimentados nas contas bancárias que não representam receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, foi lavrado em 02/02/2011, Termo de Constatação e Intimação, solicitando: 1) Tornar disponíveis para exame TODOS os documentos que serviram de base para o preenchimento da resposta ao termo de intimação lavrado em 17/12/2010, cuja resposta foi encaminhada à esta DRF/Campinas em 12 de janeiro de 2011; 2) Apresentar documentação hábil e idônea, compatível em data e valor, comprovando que a pessoa jurídica atuou meramente como intermediária no repasse de recursos relativos à “alimentação” e “materiais didáticos”; serviços estes efetuados por terceiros (contrato de prestação de serviços); Fl. 1501DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 19 3) No tocante aos créditos/depósitos que correspondam à empréstimos e capital de giro, efetuados junto a instituições financeiras, apresentar documentação que comprove as alegações efetuadas; 4) Na hipótese de eventual crédito/depósito ter sido escriturado em livro caixa, bem como já ter sido tributado, apresentar documentos, hábeis e idôneos, compatíveis em data e valor que comprovem a sua efetiva tributação. Em resposta ao termo do parágrafo anterior, a fiscalizada afirmou: "Em data de janeiro de 2009, a empresa sofreu um alagamento em virtude de fortes chuvas, tendo inclusive parte do telhado de seu estabelecimento totalmente destruído, causando com isso uma grande perda de equipamentos, bem como uma total destruição de seu arquivo não mais tendo, desta forma, documentos que possam comprovar o alegado na resposta data em 12.01.2011, utilizandose de média de gastos com os repasses praticados nos pagamentos de materiais didáticos bem como com compra de refeições, haja visto que a mesma atua neste mercado desde 1985, ou seja há mais de 25 anos." (negritamos) Como se vê, foram solicitados documentos hábeis a comprovar as alegações relacionadas à identificação de valores depositados nas contas correntes, tendo a Fiscalização concedido oportunidades para a contribuinte se manifestar no curso do procedimento e comprovar suas alegações acerca das receitas questionadas, obtendose, em resposta, informação de que teria ocorrido alagamento. Na defesa, a Contribuinte apresenta planilhas com as colunas “Data”, “histórico”, “valor”, “valor considerado” e “histórico”, a exemplo de: “mensalidades escolares com inclusão de valores repassados para aquisição de materiais pedagógicos/alimentação” e “redepósito de saldo de valores sacados anteriormente para pagamento de pequenos fornecedores e não utilizado pela empresa”. Todavia, não traz prova documental alguma dos históricos que indica. Reprisa, em sua defesa, a alegação de ocorrência de alagamento em suas dependências, que teria atingido equipamentos e arquivos. Notese, sobre a conservação de livros e documentos contábeis e fiscais, o que dispõe o art. 264 do RIR/99: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decretolei nº486/69, art. 44º). § 1º. Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de 48 horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (Decretolei nº 486/69, art. 10). Fl. 1502DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 20 § 2º. A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (Decretolei nº 486/69, art. 10, parágrafo único). (Grifouse). Como se verifica, as empresas em geral, entre as quais se incluem as optantes pela sistemática do SIMPLES, são responsáveis pela manutenção, em boa guarda e ordem, de todos os livros, documentos e demais papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. No caso de extravio desses documentos, o fato deve ser divulgado em jornal de grande circulação dentro de 48 horas e comunicado ao órgão competente do Registro do Comércio e à Receita Federal da jurisdição da empresa. É de fundamental importância e de exclusivo interesse da contribuinte as providências acima transcritas, sendo imprescindíveis para o resguardo de seus interesses. E, no caso, não comprova a contribuinte que teria tomado as providências exigidas pela legislação. Embora na defesa a Contribuinte se refira a boletim de ocorrência, não se encontra documentação alguma nesse sentido instruindo sua defesa. De todo modo, é importante esclarecer que a adoção dos procedimentos previstos no parágrafo 1º supra transcrito, ainda que viesse a ser comprovada (o que, no presente caso, sequer ocorreu) apesar de necessária, não seria suficiente para excluir a responsabilidade do contribuinte pela guarda e conservação de seus documentos contábeis e fiscais. O certo é que, como já mencionado, em se tratando de matéria tributária, não importam os motivos pelos quais a pessoa jurídica deixou de atender às exigências fiscais. A infração é do tipo objetivo, na forma do art. artigo 136 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), isto é, “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Assim, ainda que as providências previstas no parágrafo § 1º do art. 264 do RIR/99 tivessem sido devidamente tomadas, não estaria o contribuinte eximido da obrigação de reconstituir a sua escrita contábil (ou pelo menos o livro Caixa, no caso das empresas optantes pelo SIMPLES) e, quando intimado, comprovar documentalmente suas operações, conforme se conclui das disposições do parágrafo 2º do dispositivo transcrito, que prevê a reconstituição dos livros fiscais. Caberia à interessada, no caso, buscar e obter as informações e cópias de documentos junto a terceiros, como instituições financeiras, repartições estaduais e federais, fornecedores, clientes etc. Somese a isso não poder a Contribuinte se furtar à responsabilidade pela alegada perda, ao não garantir a guarda segura de seus documentos. Portanto, não tendo a interessada apresentado as provas documentais solicitadas no curso da ação fiscal, permanece sem respaldo a pretensão, Fl. 1503DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 21 externada em resposta apresentada no curso do procedimento e reprisada na peça de defesa, de atribuir os valores questionados pela fiscalização a mensalidades de outros anoscalendário; a valores que teriam sido escriturados em outros anos; a repasses a terceiros a título de aquisição de material pedagógico/alimentação; a sobras de caixa; a valores que teriam sido depositados pela sócia no Banco Bradesco e que teriam sido recebidos a título de distribuição e lucro e prólabore; a valores de empréstimos no Banco Real. Na seqüência, alega a contribuinte não ter agido com dolo ou máfé, circunstância que será apreciada ao final deste voto. Quanto à alegação de que a fiscalização não se preocupou em excluir itens como transferências entre contas de valores ou mesmo créditos de empréstimos, que não se relacionam com os ditos faturamentos omitidos, também não é hábil a afastar a exigência. De fato, ao contrário do que alega a defendente, no Termo de Verificação, foi discriminada a Receita Omitida, objeto de lançamento de ofício, contemplando exclusões assim identificadas pela fiscalização: .... As colunas (4), (7) e (10) do demonstrativo de fls. 56/57, referemse à totalização mensal da receita do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, CNPJ 54.142.419 000107, recebida nas contas: 1) conta no. 21.1346, agência 12270 do Banco do Brasil, 2) conta no. 51.7046, agência 23892 do Banco Bradesco e 3) conta 40002191, agência 1191 do Banco Real. No demonstrativo de fls. 56/57 já foram descontados das receitas apuradas, os valores abaixo listados, que se referem a empréstimos e transferência interbancária, conforme demonstrativo: [planilha] Também foram descontados os cheques devolvidos, relativos às contas 1) conta no. 21.1346, agência 12270 do Banco do Brasil, 2) conta no. 51.7046, agência 2389 2 do Banco Bradesco e 3) conta 40002191, agência 1191 do Banco Real, conforme colunas (3), (6) e (9) do demonstrativo nas fis. 56/57. A coluna (11) do Demonstrativo 7 (fis. 56/57) representa a totalização mensal da receita omitida apurada, constituindose em base de cálculo para lançamento de ofício do IRPJ e das demais contribuições PIS/PASEP, COFINS e CSLL Como se vê, a fiscalização detalhou os valores apurados de modo que, para justificar a pretensão de excluir valores integrantes da base de cálculo autuada, sob alegação de que corresponderiam a transferências e empréstimos, deveria a contribuinte: a) identificar, de forma individualizada, os valores que teriam saído de outra conta de mesma titularidade e que teriam ingressado, na mesma data, e no mesmo montante, nas contas em questão, ou seja, deveria apontar as movimentações de transferência entre contas de mesma titularidade, da Fl. 1504DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 22 Pessoa Jurídica e/ou da Pessoa Física da sócia em que movimentadas receitas de mensalidades escolares, coincidentes em datas e valores. Somente poderiam ser excluídos da exigência valores que representam ingresso em conta da contribuinte para o qual exista prova de saída, no mesmo valor e na mesma data, de outra conta de mesma titularidade e, ainda, que integrem a listagem de créditos considerados, com base na qual foram obtidos os valores lançados. No caso presente não apresentou a contribuinte prova alguma nesse sentido; b) apresentar contratos de empréstimo (mútuo) em que verificada coincidência de datas e valores dos eventuais valores emprestados em relação aos depósitos questionados – provas essas também não identificadas na defesa. Reiterese que a fiscalização já havia admitido as exclusões que identificou nas colunas “3”, “6” e “9” das planilhas das páginas 56/57 e no “demonstrativo 8” das páginas 58/59. Nesse contexto, para que, em sede de impugnação ao lançamento, pudessem ser admitidas outras exclusões para redução da base de cálculo, necessária seria que a interessada apresentasse as provas documentais a darem respaldo a suas alegações. Os históricos contidos nas planilhas que integram a impugnação apenas reproduzem argumentos já ofertados no curso do procedimento que, por não estarem acompanhados das provas documentais, não foram acatados. De fato, seja na impugnação, seja no recurso voluntário, nenhuma prova documental foi trazida nesse sentido. Consignese que, nos termos do art. 16, parágrafos 4º e 5º do Decreto 70.235, de 1972, a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo, a contribuinte, do direito de apresentar documentos em momento outro que não o da impugnação, a menos que haja fundado motivo para tanto. E, se este for o caso, existe forma a observar. Na seqüência, argumenta a contribuinte que “Em relação à movimentação bancária particular da sócia da empresa ora recorrente, informa ainda que nem todos os valores que nelas transitaram podem ser qualificadas como receita operacional da pessoa jurídica, que como bem declara a titular das mesmas, “os valores pertencem ao Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda.” Através dos demonstrativos e relatórios que acompanham a presente impugnação, verificase que em diversas oportunidades os valores correspondem a renegociação.” Como se vê a contribuinte, mais uma vez, afirma que os valores movimentados nas contas bancárias auditadas pela fiscalização pertencem à pessoa jurídica autuada, mas que nem todos os valores que transitaram por tais contas podem ser tidos como receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda, dado que, pelos relatórios que acompanham sua peça de defesa, verificase que em diversas oportunidades os valores corresponderiam a renegociação. Fl. 1505DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 23 Todavia, não se identificam junto à defesa provas de tais alegações. Os demonstrativos e relatórios que integram a impugnação constituemse apenas de tabelas, desacompanhadas de provas documentais, que não permitem comprovar que valores integrantes da base de cálculo autuada corresponderiam a renegociações decorrentes de mensalidades escolares de outros períodos. De todo modo, não comprova a contribuinte que os valores recebidos a título de mensalidade escolares, quer relativas aos anos calendário de 2007 e 2008, quer recebidas em 2007 e 2008 e relativas a períodos anteriores, já teriam sido oferecidos à tributação. Também a alegação de que valores recebidos corresponderiam a repasses a terceiros para aquisição de material pedagógico e alimentação, não restou comprovada. Apresenta a defendente, no tópico “Justificativa para Aquisição de Material Didático”, relação de notas fiscais de 2008 que corresponderiam a aquisições da Editora FDT e Gráfica e Editora Anglo Ltda., mas, além de não apresentar todas as referidas notas (mas apenas 04 Notas Fiscais, 01 da FTD e 03 do Anglo), não comprova que os valores recebidos a título de receitas de mensalidades teriam, em parte, como contrapartida, o fornecimento de material didático. Ou seja, não comprova a correspondência entre os valores recebidos nas contas questionadas pela fiscalização e os valores que alega ter pago à Editora FTD e à Gráfica e Editora Anglo Ltda. Igualmente, injustificável a pretensão de que parte dos valores recebidos (créditos em contas correntes) não fosse tributada sob alegação de que corresponderia a venda de material escolar, amparada por imunidade constitucional, pois sequer foi comprovada a vinculação entre os créditos em conta bancária questionados e o eventual fornecimento de livros. Por outro lado, a aquisição de material junto à Editora FDT e a Gráfica e Editora Anglo para revenda aos alunos da pessoa jurídica (Colégio), ainda que viesse a ser comprovada (o que, repitase, não logrou a Contribuinte fazêlo), não afastaria a exigência formalizada, pois tais valores representariam despesas da pessoa jurídica que, tanto na sistemática do lucro presumido como na sistemática do lucro arbitrado, já estão excluídas da base de cálculo quando essa é calculada a partir da aplicação de um percentual sobre as receitas, conforme se verifica nos demonstrativos de apuração do IRPJ e da CSLL que integram os autos de infração. A contribuinte busca também atribuir os valores questionados pela fiscalização e integrantes da base de cálculo a depósitos de valores retirados através de saques efetuados em moeda corrente para o uso diário do caixa da empresa e por não serem totalmente utilizados, enviados novamente para depósito a fim de evitar riscos em mantêlos no caixa da empresa. Mas, também neste aspecto, assim como já havia ocorrido no curso do procedimento fiscal, não traz a defesa prova documental alguma da alegação apresentada. Não há, nos elementos apresentados pela defesa, forma alguma de se associar valores depositados nas contas correntes analisadas pela fiscalização a alegadas sobras de saques anteriores, que teriam sido feitos para pagamentos Fl. 1506DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 24 de despesas correntes da pessoa jurídica e novamente depositados na mesma conta corrente. O mesmo se diga em relação às alegações de que movimentações no Banco Bradesco corresponderiam a recursos das retiradas pro labore e de distribuição de lucros da sócia, estando portanto declarada em seu imposto de renda pessoa física e que movimentações no Banco Real teriam sido feitas para obtenção de empréstimo e capital de giro. Prova documental alguma foi apresentada nesse sentido. De todo modo, acrescentese, acerca da alegação de que receitas já teriam sido tributadas na declaração de pessoa física da sócia, que, tanto no curso do procedimento fiscal, como em tópicos da peça de defesa, a própria Interessada admite que os valores creditados em contas de titularidade da pessoa física, questionados pela fiscalização, correspondem a receitas da pessoa jurídica (Colégio). Registre que a própria Contribuinte instrui sua defesa com a resposta apresentada à Fiscalização em atendimento à Intimação de 17122010, em que declara que, tendo sido intimada a prestar informações acerca de suas movimentações bancárias, ratifica que todos os valores que transitaram pelas contas do Banco do Brasil, Bradesco e Real, de titularidade de sua sócia majoritária Sra. Maria José di Santo Navarro são de propriedade ou originaram dos recebimentos da pessoa jurídica ora declarante. Mas, no tópico da defesa denominado “atendimento ao Termo de Intimação de 17122010” alega que movimentações no Banco Bradesco corresponderiam a retiradas pró labore e distribuição de lucros. Todavia, além de nenhuma prova trazer nesse sentido, vêse, das Planilhas 2 e 5 que integram o Termo de Verificação, que créditos no Bradesco foram assim relacionados (antes da exclusão dos cheques devolvidos): Mês Totais mensais (R$) 2007 (Planilha 2) 2008 (Planilha 5) Jan 66.929,15 0,00 Fev 59.286,64 0,00 Mar 965,32 2.350,00 Abr 3.485,92 1.500,00 Mai 1.240,80 1.900,00 Jun 400,00 880,00 Jul 100,00 2.287,41 Ago 3.570,00 1.000,00 Set 400,00 200,00 Out 3.600,00 1.650,00 Nov 250,00 0,00 Dez 4.449,00 0,00 Constatase, das citadas planilhas, que os créditos mais significativos no Banco Bradesco foram efetuados nos meses de janeiro e fevereiro de 2007, totalizando, respectivamente, R$ 66.929,15 e R$ 59.286,64, distribuídos em Fl. 1507DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 25 várias datas ao longo desses dois meses, sob o histórico Dep Cheque, Dep dinheiro, não apresentando regularidade que seria esperada se correspondesse efetivamente a recebimento da pessoa física a título de pró labore. Para os demais meses, os créditos, em valores de menor monta (totais mensais entre R$ 200,00 em setembro/2008 e R$ 3.485,72 em abril/2007), também não se apresentam de forma regular em valor e data, e, em 30/07/2008, foram efetuados sob histórico Receb PagFor, incompatível com a alegação de que seriam recursos depositados a título de pro labore ou recebimento de lucro. Não, há, portanto, sequer indício que permita acatar a alegação relativa a créditos no Bradesco. Ademais, se a pretensão da Contribuinte é alegar que receitas da pessoa jurídica teriam sido tributadas em declaração da pessoa física, tal hipótese configuraria ofensa ao Princípio da Entidade, o qual, entre outros, rege as normas contábeis e reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição (art. 4º da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade, CFC, nº 750/93). Em face do mencionado princípio, todas as receitas da pessoa jurídica deveriam ser reconhecidas na sua contabilidade e integram o seu patrimônio, de modo que, eventual oferecimento à tributação de suas receitas em declaração de sua sócia (pessoa física) – fato que sequer foi comprovado – ainda que tivesse ocorrido, não é hábil a afastar a exigência formalizada na pessoa jurídica que auferiu as receitas. A contribuinte inclui, então, em seus argumentos de defesa, trechos esparsos que diz serem julgados onde tais situações são plenamente aceitas como provas, acrescendo ementa fundamentada na Súmula 182 do TFR. Nesse ponto, cumpre registrar, quanto à Súmula 182, do antigo Tribunal Federal de Recursos, que se trata de interpretação antiga, do já extinto tribunal, proferida antes da edição da Lei n.º 9.430, de 1996, que enunciou em seu artigo 42 a presunção de omissão de receitas em face de depósitos e créditos bancários não comprovados. Por conseguinte, não abrange o presente caso, levandose ainda em conta que, em face das disposições do art. 144 do CTN, aplicase ao lançamento a legislação vigente na data de ocorrência do fato gerador. Acerca da questão já se manifestou este Conselho, a exemplo do acórdão cuja ementa enuncia: “OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA nº 182/TRF – Na hipótese de existência de depósitos bancários não escriturados, se a empresa não provar, mediante razoável Fl. 1508DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 26 correlacionamento individualizado, que sua origem é a escrita regularmente contabilizada e que os saldos de caixa englobam os montantes em depósito, tornase correta a ação fiscal que adiciona à receita bruta contabilizada os depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. (Acórdão 10319781, publicado no D.O.U de 17/03/1999) Ademais, inaplicável ao caso tal argumentação, uma vez que nem há que se falar de “presunção” de omissão de receitas, pois referida omissão restou evidenciada na medida que consignou a fiscalização em seu Termo de Verificação, que em resposta ao termo de intimação citado no parágrafo anterior, a fiscalizada confirma: “ratifica que todos os valores que transitaram pelas contas dos bancos do Brasil, Bradesco e Real, de titularidade de sua sócia majoritária Sra. Maria José Di Santo Navarro, são de propriedade ou originaram dos recebimentos da pessoa jurídica ora declarante.” (Destaque acrescido). De fato, se a própria contribuinte, no curso do procedimento, admite que os valores creditados nas contas bancárias analisadas pelo autuante correspondem a receitas do Colégio ora autuado, e, em momento algum, comprova documentalmente que tais valores não corresponderiam a receitas operacionais do período em que foram creditados, nem que já teriam sido oferecidos à tributação antes do início do procedimento fiscal e da ciência da autuação, evidenciada está a ocorrência de omissão de receitas, sujeita a incidência de IRPJ e seus reflexos de CSLL, PIS e Cofins. Nesse contexto, reprisese que, tendo em conta que a própria defendente reconheceu na impugnação ofertada que se tratava de receita pertencente Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda., e, inexistentes provas contundentes em contrário, não há como não têlas como sendo decorrentes de sua atividade normal e, portanto, receita operacional da empresa. Ainda, cabível consignar que a fiscalização logrou apurar, por meio de métodos e critérios expressamente previstos em lei, a ocorrência de omissão de receita. E, diante dessa constatação, promoveu, por dever de ofício, a lavratura dos autos de infração para constituição do crédito tributário – atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, a teor do art. 142 do CTN. Também injustificáveis se mostram os questionamentos acerca de acesso a informações bancárias. No presente caso, a própria contribuinte, intimada, apresentou os extratos bancários solicitados no curso do procedimento, de modo que não há que se cogitar de quebra de sigilo. Na sequência, apreciase a alegação de inexistência de dolo, aspecto acerca do qual argumenta a contribuinte que a gerência da empresa estava totalmente a cargo de sua sócia majoritária e que esta não agiu com dolo ou máfé ao movimentar valores da empresa em sua conta particular, apenas tentou atender suas necessidades, uma vez que o banco oferecia vantagens na movimentação de sua conta bancária, bem como um atendimento diferenciado com descontos e taxas de serviços e créditos pela movimentação Fl. 1509DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 27 de um melhor saldo médio, podendo com isso formar caixa para pagamento de seus fornecedores e colaboradores da empresa. Contudo, a alegação de que a movimentação de recursos da pessoa jurídica (cujo oferecimento à tributação não foi comprovado) em conta de pessoa física da sócia teria ocorrido apenas para que essa se beneficiasse de melhores condições de taxas bancárias, não é hábil a afastar a imputação fiscal de que a fiscalizada ao transitar receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo .... nas contas bancárias ..... de titularidade da pessoa física Maria José Di Santo Navarro, ...., conforme descrito ..., teve por intenção ocultar da Administração Tributária o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, conduta esta tipificada no inciso I do art. 71 da Lei 4.502/64 (sonegação fiscal), com a conseqüente aplicação da multa de 150%. Ora, a alegação da defesa não permite afastar a imputação fiscal de que houve intenção de ocultar as receitas recebidas pela pessoa jurídica, pois, se assim não fosse, os valores questionados pela fiscalização deveriam estar contemplados no Livro Caixa e deveriam ter sido oferecidos à tributação pela pessoa jurídica, o que não comprovou a interessada, quer no curso do procedimento, quer na defesa que ora se analisa. Esclareçase também à defesa, quanto à alegação de que os elementos utilizados pelos senhores agentes fiscais foram todos fornecidos pela ora recorrente, tais como extratos bancários, relatórios, Livros, etc, que não se está imputando a multa qualificada, no percentual de 150%, por não ter a contribuinte atendido a intimações da fiscalização. Tal conduta ensejaria o agravamento da multa de ofício aplicada (de 150% para 225%), nos termos do art. 44, § 2º, “a” da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação da Lei nº 11.488/2007 o que não foi feito na presente autuação. Ademais, se como já mencionado, tanto no curso do procedimento como da impugnação, admite a contribuinte que os recursos movimentados nas contas correntes referemse a receitas da pessoa jurídica, inócua a pretensão de afastar a multa de ofício invocando a Súmula nº 25 do CARF, pois esta assim dispõe: Súmula CARF Nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. E, no presente caso, a qualificação da multa não se deu em razão de presunção legal de omissão de receita, mas sim porque evidenciada pela fiscalização o artifício da utilização de conta da pessoa física da sócia para movimentar recursos da pessoa jurídica, recursos estes não declarados e não oferecidos à tributação pela contribuinte autuada, a qual, apesar de regularmente intimada, não logrou comprovar documentalmente que os valores questionados não seriam receita tributável. Fl. 1510DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 28 Além do mais, a Súmula 34 do CARF, prevê a qualificação da multa de ofício para os lançamento em que se apurou omissão de receitas ou rendimentos decorrentes de depósitos bancários, quando há movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas, nos seguintes termos: Súmula CARF Nº 34 Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Nessas circunstâncias, não há como afastar imputação fiscal de sonegação fiscal e a aplicação da multa no percentual de 150%, a qual tem base legal no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996 (redação original), bem como no art. 44, § 1º, da mesma lei com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Quanto à oposição à formalização de Representação Fiscal para Fins Penais, esclareçase, desde já, à defendente que o julgado limitase à lide, ou seja, aos fatos descritos e identificados e devidamente enquadrados nos dispositivos legais que suportam a exação, e que foram tempestivamente impugnados. Logo, in casu, ao julgador compete, tãosomente, a análise da constituição do crédito tributário em litígio, sem comportar a questão da Representação Fiscal, porque se trata de atividade não afeta à autoridade julgadora, a teor do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 125, de 04 de março de 2009 (art. 212), atual Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010. A Representação Fiscal para Fins Penais foi formalizada pela autoridade fiscal por entender que a infração, em tese, configura crime contra ordem tributária, nos termos previstos no art. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990. Referida representação fiscal, tratada no processo nº 10830.015959/201019, não é objeto do presente julgado, tanto que se encontra apartado do presente processo e aguarda no Sefis da DRF/Campinas/SP, não tendo as Delegacias de Julgamento competência para a sua apreciação. Além disso, consoante disposto no “caput” do art. 83 da Lei n.º 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, mencionada representação somente será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final na esfera administrativa sobre a exigência fiscal do crédito tributário em discussão no presente processo. Especificamente acerca da questão, há, inclusive, Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) explicitando a incompetência daquele colegiado para sua análise, aplicandose, consequentemente, igual entendimento no julgamento em primeira instância nas Delegacias de Julgamento: Súmula CARF nº 28 Fl. 1511DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 29 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. O mesmo se diga em relação ao procedimento atinente ao Arrolamento de Bens, não estando a questão levantada pela defendente dentre aquelas inseridas na competência dos órgãos julgadores administrativos. Por fim, dentre os pedidos formulados, requer a Contribuinte que os recolhimentos efetuados, bem como a alíquota utilizada para tais apurações sejam declarados como suficientes e exatos. Neste aspecto, observese que, distintamente do que ocorreu em relação ao anocalendário de 2006, objeto de autuação no processo nº 10830.015574/201043, no qual o contribuinte apresentou pagamentos efetuados após a ciência do lançamento e relativos a parcelas da exigência com as quais concordou – no presente processo nenhum pagamento foi apresentado. Relativamente aos períodos fiscalizados (AC 2007 e 2008), o contribuinte apresentou Declarações de ajuste pelo SIMPLES, encontrando se, nos sistemas informatizados, apenas recolhimentos de código 6106 para períodos de apuração de janeiro a junho/2007 e recolhimentos de Simples Nacional a partir de julho de 2007. De todo modo, observese que quaisquer eventuais recolhimentos efetuados para os períodos em questão (2007 e 2008) somente poderiam afetar a exigência em litígio se a Contribuinte comprovasse que se referem às receitas objeto de autuação, quais sejam: aquelas que transitaram pelas contas correntes analisadas pela Fiscalização. Recordese que, como se extrai do Termo de Verificação, a Fiscalização não incluiu, na base de cálculo autuada, receitas declaradas, mas restringiu a exigência a valores de créditos encontrados nas contas correntes de titularidade da pessoa física da sócia, que, como se viu, a própria contribuinte admitiu corresponderem a receitas da pessoa jurídica – circunstância não revertida na impugnação. Portanto, não há como acatar a pretensão de que eventuais recolhimentos (que sequer são identificados pela defesa) sejam considerados suficientes e exatos. Quanto às exigências reflexas de CSLL, PIS e Cofins, não foram opostas razões de defesa específicas, distintas daquelas já apreciadas e afastadas, de modo que, tratandose de lançamentos decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, adotase igual orientação decisória. (...)” Ora, a omissão de receitas perpetrada pela recorrente é de clareza solar! As provas colecionadas pelo Fisco são irrefutáveis. No que tange à forma de tributação verificase que a utilização do Lucro Arbitrado/Presumido não merece reparos, isso porque os custos e despesas incorridos pela contribuinte foram todos considerados aplicandose o permissivo legal, uma vez que apenas parte das receitas foi tratada como lucro. Fl. 1512DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 30 A aplicação da multa qualificada, também não merece reparos, haja vista que restou patente a intenção da contribuinte de sonegar apresentando declarações falsas à Receita Federal, bem como efetuando recolhimentos a menor, reiteradamente. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1513DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE
score : 1.0
Numero do processo: 10530.721804/2013-34
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues, que deram provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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ME. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues, que deram provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 1662.785 da 1ª Turma da DRJ/SPO, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débito inscrito em Dívida RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .7 21 80 4/ 20 13 -3 4 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10530.721804/201334 Resolução nº 1001000.011 S1C0T1 Fl. 78 2 Ativa da União, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: Voto 2. Tempestiva a insurgência. Conhecida. 3. O critério de decidir segue no art. 6º, §§ 1º e 2º, inciso I, da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011: Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput ) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º). § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput ) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; 4. Pesquisa nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB (como abaixo mostrado), sobre o tópico “parcelamentos PAEX”, dá conta da existência de dois parcelamentos conduzidos sob dita modalidade: “OPÇÃO PARC 130” e “OPÇÃO PARC 120: SIMPLES”. Vejase: 5. Como se percebe, ambos foram rescindidos por “Pedido de desistência do contribuinte”, assim anotado em 11/11/2009. Vide consultas abaixo: Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10530.721804/201334 Resolução nº 1001000.011 S1C0T1 Fl. 79 3 6. D’outro tanto, junta o Contribuinte demonstrativos de “Parcelamento Simples Nacional – Débitos administrados pela RFB, com exceção das contribuições previdenciárias”, de “Parcelamento Simples Nacional – Débitos administrados pela PGFN”, esses inaugurados em julho/2007, bem que outros “Demonstrativos de Parcelas – Parcelamento Excepcional”, assim inaugurado em novembro/2009, tudo seguido de correspondentes comprovantes de arrecadação que sugerem regularidade dos mencionados expedientes pelo menos até janeiro/2013. 7. Considerada a data em que os parcelamentos “PAEX”, antes mencionados, foram rescindidos e a data em que inaugurado o expediente retratado no citado “Demonstrativos de Parcelas – Parcelamento Excepcional”, tudo em novembro/2009, igualmente sugere que os primeiros houveram de ser assimilados no último (terceiro parcelamento), isso pela via da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (art. 1º), por exemplo. Ocorre que é necessária prova de que o Contribuinte tenha atuado nesse justo sentido, que nãoé o caso ocorrente nesses autos. 8. Posto isto e tudo o mais que dos autos consta, este voto dá por IMPROCEDENTE O PEDIDO VEICULADO EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Voto Vencido Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. O Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional apenas indicou o seguinte: Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10530.721804/201334 Resolução nº 1001000.011 S1C0T1 Fl. 80 4 Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006) CNPJ: 16.370.116/000152 NOME EMPRESARIAL: EMPRESA NORDESTE DE LAVANDERIAS LTDA ME DATA DA SOLICITAÇÃO DE OPÇÃO: 23/01/2013 A pessoa jurídica acima identificada incorreu na(s) seguinte(s) situação(ões) que impediu(ram) a opção pelo Simples Nacional: Estabelecimento CNPJ: 16,370.116/000152 Débito não previdenciário com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Lista de Parcelamentos 1) Parcelamento: Empresa possui irregularidade de recolhimento nos parcelamentos PAEX. Os débitos foram listados em valor original. A recorrente, em seu recurso voluntário, alegou, em síntese, o seguinte: · A empresa possuí dois parcelamentos; · Ambos foram rescindidos por pedido de desistência em 11/11/2009; · No mesmo mês, novembro de 2009, optou pelo parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009; · Que reimprimiu todos os documentos relativamento ao parcelamento e o recibo da consolidação. DA DILIGÊNCIA Quanto à questão da necessidade de diligência, levantada por alguns Conselheiros, entendo que o processo reúne condições para ser julgado, prescindindo de mais informações. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Voto Vencedor Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Redator Designado Em que pese a respeitável posição esposada pelo ilustre Conselheiro Relator, o Colegiado, por voto de qualidade, considerou que o processo não reúne condições de julgamento, por faltarem informações indispensáveis à decisão que se há de tomar. Em assim sendo, decidese CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a Unidade Preparadora consulte os sistemas de processamento de dados da Receita Federal e informe se em 31/01/2013 o parcelamento em comento se Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10530.721804/201334 Resolução nº 1001000.011 S1C0T1 Fl. 81 5 encontrava ou não ativo, fazendo acostar aos autos os documentos comprobatórios (telas das consultas aos sistemas). Concluída a diligência, deve ser dada ciência de seu conteúdo à interessada, ofertandolhe prazo adequado para, se assim desejar, se pronunciar nos autos. Na sequência, o processo deve retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.100484/2008-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
Exclusão do Simples. Inexistência de Prova do Ato Declaratório e da Respectiva Intimação. DIPJ. Multa.
Não cabe multa por falta de entrega de DIPJ contra empresa excluída do Simples, se não houver prova da existência do ato administrativo de exclusão ou se não existir prova de que a empresa foi intimada desse ato.
Numero da decisão: 1301-002.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. INEXISTÊNCIA DE PROVA DO ATO DECLARATÓRIO E DA RESPECTIVA INTIMAÇÃO. DIPJ. MULTA. Não cabe multa por falta de entrega de DIPJ contra empresa excluída do Simples, se não houver prova da existência do ato administrativo de exclusão ou se não existir prova de que a empresa foi intimada desse ato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 10 04 84 /2 00 8- 33 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10768.100484/200833 Acórdão n.º 1301002.733 S1C3T1 Fl. 83 2 Relatório Tratase de recurso interposto por CAFÉ E BAR COLÔNIA ULTRAMAR LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1231.358, da 8ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, que, negando provimento à impugnação, manteve a multa aplicada contra a recorrente por falta de entrega da DIPJ do ano base 2002. A multa foi motivada por falta de entrega de DIPJ, obrigação acessória a que a recorrente ficou sujeita após ter sido excluída do Simples em razão de débito inscrito em dívida ativa. A recorrente impugnou o lançamento, alegando que não fora intimada do ato de exclusão e que, por isso, tentou tempestivamente, mas sem êxito, entregar a declaração simplificada de pessoa jurídica. A DRJ RJ1 negou provimento à impugnação em acórdão cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 DIPJ. MULTA POR FALTA DE ENTREGA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A exclusão da empresa do SIMPLES, torna obrigatória a entrega da DIPJ. Não cumprindo a obrigação, impõese a multa por falta de entrega. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não resignada, a contribuinte interpôs recurso, reiterando argumentos já apresentados na impugnação. Disse que não teve ciência do ato de exclusão do Simples. Vindo os autos a julgamento, decidiu a 2ª Turma Especial, da Primeira Seção, conforme a Resolução nº 1802000.049 (fls. 70 a 72), devolver os autos à unidade de origem para as seguintes providências: a) comprovar se o Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES n° 296.664 foi recebido pelo contribuinte CAFÉ E BAR COLÔNIA ULTRAMAR LTDA., juntando seu respectivo comprovante (AR) e os documentos enviados. b) Juntar cópia do Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES n° 296.664. Em resposta à diligência, a Diort da DRF RJ1 deu a seguinte informação: Em atendimento à diligência feita às fls. 72, informamos conforme pesquisa no SIVEX, de fls. 77, que não há 2ª via do ADE 296664 e, conforme pesquisa no SUCOP, fls. 78, o referido ADE foi emitido em 29/09/2000, mas não há imagem, entretanto, o contribuinte foi excluído do Simples em 01/11/2000, por pendências na PGFN (fls.36). Retornemse os autos ao CARF 1ª Seção. (fl. 79) Com essa informação, os autos retornaram para prosseguir o julgamento. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10768.100484/200833 Acórdão n.º 1301002.733 S1C3T1 Fl. 84 3 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia envolve o cabimento da multa por falta de entrega da DIPJ, que é uma obrigação acessória a que estavam sujeitas as pessoas jurídicas em geral, exceto aquelas incluídas no Simples. A recorrente não entregou a declaração. Disse não ter sido notificada do ato administrativo pelo qual teria sido excluída do Simples. A decisão de primeira instância não se dobrou a esse argumento e manteve a multa, afirmando que a recorrente fora excluída do Simples, com efeitos a partir de primeiro de novembro de 2000, pelo Ato Declaratório nº 296.664, cuja ciência fora efetuada. A prova seria o documento de fl. 36, extraído do sistema Sucop. Diante da controvérsia fática, determinouse diligência para que fosse juntada uma cópia do Ato Declaratório de Exclusão nº 296.664, bem como o comprovante de recebimento do ADE pela recorrente. A resposta da DRF RJ1 dá notícia de que não existe uma segunda via do ato declaratório, nem a possibilidade de extrair uma cópia dele. Não obstante, a DRF asseverou que o ato foi emitido em 29/09/2000. Há, como se percebe, uma controvérsia fática que a diligência não logrou resolver. Assim, considerando que se trata de aplicação de multa, a solução deve ser encontrada aplicandose o disposto no art. 112 do Código Tributário Nacional, que manda decidir favoravelmente ao contribuinte quando houver dúvida envolvendo as circunstâncias materiais do fato tido como infração. Portanto, persistindo a dúvida acerca da regular intimação do ato de exclusão do Simples (ADE 296.664), não se pode exigir do contribuinte a apresentação da DIPJ e, dessa forma, não subsiste a multa. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento, excluindo a multa por falta de entrega da DIPJ. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.001384/2006-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2004
COFINS. LEI nº 9.718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. REPERCUSSÃO GERAL DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL-STF.
O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias e serviços.
O artigo 62 § 2º, do Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016).
Numero da decisão: 9303-006.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2004 COFINS. LEI nº 9.718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. REPERCUSSÃO GERAL DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL-STF. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias e serviços. O artigo 62 § 2º, do Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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LEI nº 9.718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. REPERCUSSÃO GERAL DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERALSTF. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias e serviços. O artigo 62 § 2º, do Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 13 84 /2 00 6- 49 Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 10980.001384/200649 Acórdão n.º 9303006.539 CSRFT3 Fl. 1.660 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 7, incisos II, e 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 28/06/2007, do extinto Segundo Conselho de Contribuinte, contra o acórdão nº 20218.164, proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir as receitas financeiras da base de cálculo da contribuição COFINS. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Trata o presente processo de auto de infração, ás fls. 48/55, pelo qual se exige o recolhimento de R$ 2.745.317,48 de Cofins e R$ 2.058.988,08 de multa de lançamento de oficio de 75%, essa segundo a previsão do art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n" 70, de 30 de dezembro de 1991, e art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, além dos acréscimos legais. 2. A autuação, lavrada em 06/02/2006 e cientificada em 10/02/2006), ocorreu devido à falta de recolhimento da Cofins dos períodos de apuração de fevereiro a dezembro de 2003, conforme demonstrativos de apuração de fls. 48/49 e de multa e juros de mora de fls. 50/51, tendo como fundamento legal: art. 1" da Lei Complementar le 70, de 1991; arts. 2", 30 e 8° da Lei n°9,718, de 27 de novembro de 1998, com as alterações da Medida Provisória n°1.858, de 29 de junho de 1999, e suas reedições; e arts. 2", II e parágrafo único, 3", 10, 22 e 51 do Decreto n°4.524, de 17 de dezembro de 2002. O acórdão recorrido restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2004 Ementa: ATOS EMITIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. VALIDADE NO ÂMBITO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 10980.001384/200649 Acórdão n.º 9303006.539 CSRFT3 Fl. 1.661 3 Os atos praticados pela Receita Federal do Brasil, durante a existência daquele órgão, relativamente aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, são considerados como por essa emitidos, tendo plena validade. CONTESTAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE RAZÕES DE FATO E DE DIREITO. A simples alegação de incorreção, a destempo e desacompanhada de razões de fato e de direito em que se fundamenta, não é hábil para modificar o lançamento regularmente efetuado. COFINS. PERÍODO DE AUTUAÇÃO. REGIME NÃO CUMULATIVO. INAPLICABILIDADE. O regime da nãocumulatividade da Cofins só veio a ser instituído em 2004. COMPENSAÇÃO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO CONTABIL E FISCAL. INEXISTÊNCIA DE CONEXÃO. A simples alegação de que seria possível a compensação não tem o condão de elidir o lançamento efetuado, ainda mais quando comprovadamente a mesma não ocorreu. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. BASE DE CALCULO. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal consolidouse no sentido de considerar como base de cálculo das contribuições sociais o valor da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. TAXA SELIC. CABIMENTO. Legitima a aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic, para a cobrança dos juros de mora, como determinado pela Lei n2 9.065/95. Recurso provido em parte". Ciente do referido acórdão e tempestivamente, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, requer essa eminente Corte Superior que se digne em dar provimento ao presente recurso para reformar o r. acórdão recorrido também na parte que determina a exclusão das receitas financeiras da base de calculo da COFINS e restabelecer a decisão da Primeira Instância Administrativa, que bem aplicou a legislação ao caso concreto destes autos. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, aponta, como paradigma, o acórdão n°20401.913. Em seguida, o ex Presidente da Segunda Câmara do Conselho de Contribuinte, deu seguimento ao Recurso, por ter sido comprovada a divergência, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls. 1423/1424. Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 10980.001384/200649 Acórdão n.º 9303006.539 CSRFT3 Fl. 1.662 4 A contribuinte apresentou tempestivamente embargos de declaração contra o Acórdão nº 20218.164, proferido pela turma a quo. Contudo, sua análise e decisão ficaram prejudicadas, tendo em vista que, após a interposição, a Contribuinte protocolou, em 03/12/2009, o requerimento às fls. 1.659 (fls. 1.044), informando (requerendo) a desistência do Recurso e Contrarrazões e dos Embargos de Declaração, ressalvando dos efeitos da desistência e renúncia a parte do débito cancelada pela decisão embargada. Os autos foram remetidos para esta E. Câmara Superior, sorteado para este relator, visando à análise e julgamento do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, às fls. 1.387/1.404, cujo seguimento foi admitido por meio do Despacho de Exame de Admissibilidade. É o relatório. Voto Demes Brito Conselheiro Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Com efeito, em relação à inclusão de outras receitas, inclusive as receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, por força do alargamento previsto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em 09/11/2005, ao julgar os Recursos Extraordinários nºs 357.950, 390.480 e 358.273 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006) declarou, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/98. Sem embargo, como estou submetido ao artigo 62 § 2º, do Regimento Interno do CARF, PORTARIA MF Nº 343, DE 09 DE JUNHO DE 2015, o qual determina: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016.) Diante do exposto, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 10980.001384/200649 Acórdão n.º 9303006.539 CSRFT3 Fl. 1.663 5 Fl. 1664DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001553/2008-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/07/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço na construção civil. Ressalte-se que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mão-de-obra é aplicável, também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91), não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
Numero da decisão: 2201-004.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 05/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço na construção civil. Ressaltese que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mãodeobra é aplicável, também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91), não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 53 /2 00 8- 64 Fl. 564DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 516 2 (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 05/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório 1 – Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra decisão da DRJ que manteve o lançamento em parte de contribuição previdenciária oriunda da NFLD nº 35.575.0988 (fls. 3/41) no valor de R$ 143.549,58 com data de cientificação do contribuinte em 29/09/2003 às fls. 3. 2 Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 424/435) por sua clareza e precisão: “LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.575.0988 consolidado em 05/09/2003), no valor de R$ 90.263,95, acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 32/35), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa dos riscos ambientais do trabalho, referentes às competências 11/2001 a 07/2002. 2. As contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de serviços de construção civil, de acordo com o Fl. 565DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 517 3 artigo 30, VI, da Lei no 8.212/1991, com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa ESTRUTURAL SERVIÇOS INDUSTRIAIS LTDA, CNPJ: 94.480.480/000189, em cumprimento ao contrato 250.2.077.015. 2.1. A descrição dos serviços prestados, de acordo com o objeto do contrato encontrase no item 5 do Relatório Fiscal. DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS 3. A PETROBRAS, notificada do lançamento em 25/09/2003 apresentou impugnação em 14/10/2003, através do instrumento de fls. 53/57, alegando, em síntese: 3.1. afirma o contribuinte que é inegável a previsão da solidariedade passiva na Lei, contudo, essa solidariedade pressupõe sempre a configuração da dívida ou da obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários. Para que o devedor solidário seja cobrado, fazse necessário a declaração de existência da obrigação do devedor originário, e a constituição de sua liquidez; 3.2. devese proceder ao lançamento primeiro contra o contribuinte e, somente após, constituído o crédito contra o devedor principal é que, também o devedor solidário poderá ser cobrado; 3.3. inexistindo o lançamento contra a empresa devedora originária, capaz de conferir exigibilidade ao crédito tributário, não pode o INSS cobrar da Recorrente, pelo simples motivo de que a existência da obrigação dos devedores não se configurou; 3.4. certo é que o lançamento declara a obrigação, mas deve declarála em face de todos os devedores reputados solidários; 3.5. a Autarquia não apurou e não lançou o tributo contra os devedores principais, mas está louvandose do direito de constituir o crédito apenas contra a impugnante, tomando uma atitude totalmente injurídica; 3.6. em relação à base de cálculo, cumpre destacar que a notificação considerou o valor bruto das notas fiscais para a incidência da exação. Assim, a base de cálculo Fl. 566DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 518 4 da contribuição não se restringiu apenas à base de cálculo e ao fato gerador da contribuição social incidente sobre salários, uma vez que, embutidos no valor das notas fiscais ou da fatura, encontramse diversos outros valores, que não se referem à folha de salários da empresa prestadora de serviços; 3.7. a atitude tomada pelo INSS contamina o lançamento, pois este não revela a exata medida da responsabilidade solidária, além de ofender o princípio da legalidade, ante o alargamento da base de cálculo, sem considerar que esta deve guardar absoluta correspondência com o desempenho da atividade desenvolvida pelo contribuinte; 3.8. o INSS transfere para a recorrente, sem lei que o autorize, toda a fiscalização tributária sobre o contribuinte, ofendendo diretamente o princípio da legalidade e não pode prevalecer; 3.9. invoca a sua qualidade de ente integrante da administração pública indireta para concluir que, na presente exação, o governo postula o recebimento de crédito do próprio governo; 3.10. por fim, requer o cancelamento da notificação e protesta pela juntada de documentação superveniente. DA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS 4. A ESTRUTURAL, notificada do lançamento em 10/02/2004 (AR fls. 48), não apresentou impugnação. DO JULGAMENTO E RECURSO 5. O Lançamento foi julgado PROCEDENTE através da Decisão Notificação nº 17.401.4/0421/2004, de 27/04/2004, fls. 62/68. Devidamente notificada a PETROBRAS em 07/05/2004, fls. 69 e a ESTRUTURAL em 19/05/2004, fls. 262 . 6. Apenas a PETROBRAS apresentou Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, em 11/05/2004, fls. 71, juntando documentos de fls. 72/260, e aditamento em 26/05/2004, fls. 264/268, apresentando as mesmas alegações já mencionadas em sua defesa. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 519 5 7. Após a elaboração das ContraRazões, às fls. 273/274, o processo foi encaminhado ao CRPS, em 23/07/2004. 7.1. Em relação aos documentos acostados, ficou esclarecido nos itens 5 e 6 das CONTRARAZÕES do INSS: 5. Em sua peça recursal, o contribuinte oferece basicamente os mesmos argumentos expendidos na exordial, sem qualquer alteração quanto ao mérito do contencioso, observandose que os documentos adunados após a emissão da Decisão ora resistida resumemse a cópias de GPS e folhas de pagamento genéricas, insuficientes para o fim colimado de elidir o débito, uma vez que não se vislumbra nexo entre estas e os fatos geradores da exação. 6. Ressaltese, quanto aos demais argumentos esgrimidos pela recorrente, que a finalidade do oferecimento de contrarazões é, antes da apreciação pelo órgão colegiado ministerial, impugnar novos argumentos interpostos pelo sujeito passivo contra atos administrativos emitidos pela autarquia previdenciária (NFLD ou DN). Considerando,que a notificada não trouxe novos elementos, de fato ou de direito, reeditando, tão somente, os expendidos na defesa, não resta outra opção a este órgão a quo de controle da legalidade do ato administrativo, a não ser ratificar os termos da DecisãoNotificação n°17.401.4/0421/2004, tendo em vista que em nada inovou a apelação do contribuinte. (grifei) 8. A 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através do Acórdão nº 0001696, de 18/10/2004 (fls. 276/288), decidiu anular, por maioria, a Decisão Notificação – DN, determinando que o INSS adotasse as cautelas mínimas de auditoria fiscal previdenciária para evitar duplicidade de exação, tendo por base a mesma dívida, sob fundamento da responsabilidade solidária. 9. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que acarretasse a nulidade da DN, a Secretaria da Receita Previdenciária interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls. 289/293). 10. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão, assim como do Pedido de Revisão (fls. 294 e fls. 296), sendo concedido às mesmas, prazo Fl. 568DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 520 6 para manifestação, o que acarretou o pronunciamento da PETROBRAS (fls. 299/302), em 18/02/2005. 11. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pela 2ª Câmara de Julgamento, conforme o Acórdão nº 0001070, de 09/08/2005, sob a alegação de que divergência de entendimento não é causa para revisão de julgados deste conselho (fls. 307/309). DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 12. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. 13. De acordo com a Resolução mencionada é necessária apenas a verificação acerca do prestador ter sido alvo de procedimento fiscal com exame da contabilidade no período de interesse. Caso positivo, incabível a lavratura do crédito, caso contrário, permanece a lavratura do mesmo. 14. Em atendimento ao determinado no Acórdão do CRPS, em 14/01/2008, fls. 344, o AuditorFiscal assim se manifestou: 1 Efetuouse pesquisa nos sistemas informatizados da SRFB, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada e prestadora dos serviços, e constatouse que houve ação fiscal com exame da contabilidade englobando parcialmente o período referente ao lançamento em pauta, conforme cópia anexada à fls. 340. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 521 7 2 Emitiuse o competente FORCED, fl. 339, para exclusão das competências 11/2001 e 12/2001, fiscalizadas com cobertura contábil. 3 Procedeuse. também, a pesquisa no SISTEMA DE COBRANÇA MF/RFB verificandose que a empresa não aderiu ao parcelamento especial da Lei nº 9964/2000 REFIS, fls. 341. Aderiu, todavia, ao parcelamento especial da Lei nº. 10684/2003 PAES, conforme cópias de telas anexadas às fls. 342 e 343. 4 Assim sendo, encaminhase o presente à Chefe da Equipe Fiscal para prosseguimento. DA CIÊNCIA DAS SOLIDÁRIAS 15. Assim sendo, a PETROBRAS e ESTRUTURAL foram notificadas do Resultado da Diligência de 14/01/2008, fls. 344, assim como da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, através da INTIMAÇÃO nº 1810/2011 de 21/12/2011 (Petrobrás – fls. 348) em 03/01/2012, AR de fls. 350 e, da INTIMAÇÃO nº 1811/2011 de 21/12/2011 (ESTRUTURAL – fls. 349) em 03/01/2012, AR de fls. 351. 3 – A decisão de piso manteve em parte o lançamento conforme ementa abaixo indicada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/07/2002 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. A responsabilidade solidária não comporta benefício de ordem, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante, sem que haja apuração prévia no prestador de serviços artigo 220 do Decreto nº 3.048/99, c/c Fl. 570DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 522 8 artigo 124, parágrafo único, do Código Tributário Nacional Enunciado 30 do CRPS. PRESTADORA DE SERVIÇOS FISCALIZADA COM EXAME DA CONTABILIDADE. EFEITOS. Constatada a ocorrência de ação fiscal na empresa contratada, com exame de sua contabilidade, em período que inclui fatos geradores apurados na empresa tomadora de serviços, revelase incabível o lançamento de crédito tributário apurado por solidariedade na empresa contratante, relativamente às competências fiscalizadas, a teor da legislação de regência. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Cabe a autoridade rever seus atos quando apreciado fato não provado por ocasião da lavratura do débito. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 4 – A Petrobras apresenta Recurso Voluntário às fls. 446/456 pugnando pelo cancelamento da autuação. 5 – É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 6 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 523 9 7 Após análise pela DRJ reconhecendo pelo cancelamento parcial do lançamento das competências de 11/2001 e 12/2001 em decorrência da informação pela análise da contabilidade na empresa prestadora que já teria sido reconhecida pela autoridade lançadora às fls. 344, restando apenas para julgamento as competências 01/2002 a 07/2002 do presente lançamento. 8 – No caso vou me ater ao reconhecimento da nulidade do presente lançamento baseado nos fundamentos do Voto no Ac. 2201003.412 ocasião em que votei pelo provimento de tal recurso do mesmo contribuinte em vista de serem casos similares com cessão de mão de obra. 9 – Em suas razões o I. Relator do voto vencedor assim discorre a respeito da matéria objeto do presente recurso no qual peço vênia para que suas razões incorporar como fundamento de decidir do presente julgado, verbis: “Aponta o ínclito Relator que, no curso do processo administrativo tributário em que se discute o lançamento, o antigo Conselho de Recursos da Previdência Social, proferiu, em sede de recurso voluntário, a seguinte decisão (fls 156): "PREVIDENCÁRIO CUSTEIO Solidariedade decorrente de cessão de mãodeobra. Da cessão de mãodeobra. É necessário que o INSS aponte, desde o Relatório Fiscal, a forma como evidenciou a existência da cessão de obra. Da Solidariedade. É necessário que o INSS constate a existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços). Somente diante da não apresentação ou apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Anular a DN." Fl. 572DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 524 10 Perquirindo o voto condutor da decisão unânime, encontramos a seguinte motivação (fls. 158): Em recentes decisões está CaJ vem exigindo que o INSS caracterize a existência da cessão de mãodeobra, mesmo naquelas atividades arroladas na legislação, sendo oportuno verificarmos "parte" de manifestação do Sr. Presidente da 2ª CaJ/CRPS, AFPS Mário Humberto Cabus Moreira: "Todavia, assim como os serviços relacionados nos incisos 1 a IV, do § 41, do art. 31, da Lei n° 8.212191 (na redação atual), aqueles previstos no art. 219 do RPS devem ser demonstrados e caracterizados pelo Fisco como enquadráveis na definição legal, porque somente serão alcançados pela obrigação tributária da retenção, em consonância com a lei, se tais serviços forem realizados mediante cessão. O mesmo darseá em relação ao período em que vigia a obrigação solidária, no que tange ao referido enquadramento. A meu ver, sem ofensa aos princípios constitucionais tributários e, em especial, ao princípio da legalidade (CF/88, art. 5 1, II e art. 150, 1), a norma do RPS deve ser entendida como tendo caráter indicativo, regulação interpretativa tendente à fiel execução da lei, devendo sempre ser confrontada em face do conceito legal de cessão de mãodeobra, pois, exigir o cumprimento de uma obrigação tributária sem passar pelo crivo da definição legal, seria admitir obrigação tributária que não seja ex lege. A propósito, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142." (...) O Relatório Fiscal é vago ao se reportar a existência da cessão de mão de obra, descrevendo apenas que o objeto do contrato, sem especificar os motivos que levaram o INSS a constatar a existência da cessão de mãodeobra." (destaques não constam da decisão) Observo o mesmo vício no lançamento. Vejamos o teor do lançamento fiscal (fls. 30): Fl. 573DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 525 11 "1 Referese o presente relatório ao débito, lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD n° 35.490.4232, relativo a valores apurados por responsabilidade solidária decorrente de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, prestados pela empresa PWR MISSION INDUSTRIA MECÂNICA LTDA, CNPJ: 42.409.2011000000, conforme contrato(s) n °:1110.2.002.979. 5 O débito compõese de: contribuição dos segurados empregados, calculada pela alíquota mínima à época de ocorrência do fato gerador, contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social; contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de 40 trabalho — SAT até 00!1997, e para o financiamento dos beneficias concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, a partir de 0711997. (...) 5 — 0 débito referente ao presente contrato fora lançado, a menor, através da NFLD— Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n ° 35.371.9145, de 0111112001, quando foi adotado erroneamente o parâmetro de quatorze por cento (14%) quando deveria ter sido aplicado o parâmetro de quarenta por cento ( 40%), conforme justifica o item 14 do presente relatório. Tal equívoco levou a que o débito lançado naquela ocasião, pela NFLD — 35.371.9145, espelhasse somente parte do valor que deveria ter sido lançado razão por que emitese a presente NFLD, retratando a diferença não lançada na época 6 — Assim, por ocasião da emissão da NFID original, de n ° 35.371.9145, fora verificado durante o desenvolvimento da ação fiscal que a empresa contratara com a empresa prestadora, identificada no item 1 deste, a execução de serviços mediante cessão de mãodeobra, em cumprimento ao(s) contratos) n °: 110.2.062.979, cujo(s) objeto(s) era(m): EXCUÇÃO DOS SERVIÇOS DE BOMBEAM.ENTO DE FLUIDOS DO INTERIOR DE POÇOS DE PETRÓLEO ATÉ A ESTAÇÃO COLETORA, EM 16 { POÇOS DE Fl. 574DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 526 12 PETRÓLEO, UTILIZANDO BOMBEIO ELE! RICO CENTRIFUGO SUBMERSO, INCLUINDO DIMEZ~TSIONAlViENT0, ESPECIFICAÇÃO, FORNECIlir> 0, INSTALAÇÃO E REITRADA DOS CONJUNTOS DE BCS NOS POÇOS DE PETRÓLEO, BEM COMO A RESPONSABILIDADE TÉNCICA PELA. CONTINUIDADEOPERACIONAL DOA EQUIPAMENTOS INSTALADOS. Ocorre que a empresa contratante não comprovou o cumprimento das obrigaçóes da empresa contratada para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento específicas para o serviço contratado, nem a apresentação de folhas de pagamentos específicas dos segurados empregaáos alocados no serviço." (novamente os destaques não constam do original) Patente a ausência de comprovação da contratação da prestação de serviços, ensejadora da responsabilidade solidária, mediante cessão de mãodeobra. Como consequência da decisão do CRPS foi anulada a DN, decisão de primeiro grau, e recomeçado o processo administrativo com elaboração de novo relatório fiscal. Atentemos para o teor da decisão proferida pelo CRPS (fls. 158): "Assim entendo que o INSS, além de caracterizar a existência da cessão de mão deobra, desde o Relatório Fiscal (complementar), deve apresentar elementos, com base na contabilidade dos contribuintes, que justifique o procedimento adotado. Caso seja disponibilizada pelo contribuinte a documentação contábil referente às contribuições lançadas, deverá ela ser analisada com o intuito de se comprovar a existência do crédito lançado e seu real valor. CONCLUSÃO ` Face ao exposto voto no sentido de ANULAR A DECISAO NOTIFICAÇAO N.° 17.401.4/065512003, fls. 77184, determinando que se observe o que foi exposto no voto cima." (destaquei) Em que pese a total falta de técnica jurídica dos membros do Conselho de Recursos da Previdência Social posto que não houve nenhum vício na decisão recorrida e sim no lançamento tributário como sobejamente demonstrado pelos Fl. 575DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 527 13 Conselheiros que se manifestaram resta claro que o comando do Colegiado foi no sentido da elaboração de novo relatório fiscal do qual constasse a comprovação da prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra além de elementos que permitissem a constituição do crédito por responsabilidade solidária do contratante. Forçoso reconhecer que tal decisão expressa, inequivocamente, a constatação de que o lançamento tributário padecia de vício em sua constituição. Qualquer outra inferência invalidaria o comando expresso, constante do decisum, do retorno do procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ao passo inicial, ou seja, a busca pelo Fisco dos elementos comprobatórios e por isso constitutivos, da obrigação tributária decorrente da prática, pelo sujeito passivo, dos fatos eleitos pelo legislador como fato imponíveis. Imperioso ressaltar que embora este Conselheiro discorde totalmente da necessidade de comprovação pelo Fisco da existência de crédito, ou impossibilidade de constituição deste no devedor principal, posto que tal entendimento atingiria mortalmente o instituto da responsabilidade solidária como posta pelo artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época do lançamento a questão do lançamento por responsabilidade solidária, por ser questão relativa ao mérito da discussão, não será por mim aqui enfrentada, vez que entendo que as questões relativas ao lançamento tributário são preliminares e prejudiciais à análise do mérito. Voltando a questão do lançamento, uma vez anulada a DN, foi iniciado novo procedimento fiscal visando a elaboração de relatório fiscal complementar consoante se observa do despacho do Serviço do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária RJ Centro, fls. 190 e 195.” 10 – Às fls. 344 encontrase o relatório da diligência da RFB em cumprimento com os termos determinados pela decisão da CRPS: Fl. 576DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 528 14 11 – Prosseguindo com os fundamentos do Ac. 2201003.412: Patente a inovação do argumentos do Fisco no Relatório Fiscal Complementar. Tal inovação significa na prática a realização de novo lançamento tributário, posto que a comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária no caso em tela a contratação de empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra só restou comprovada por meio do mencionado relatório aditivo. Inegável o vício esculpido no lançamento original. Necessária a produção de novo procedimento administrativo para a constituição do crédito tributário. De fato, a decisão do CRPS, átecnica com visto, embora propugnasse pela nulidade da DN, motivouse pela nulidade do lançamento tributário por ausência de motivação, ou seja, falta de comprovação da ocorrência do fato gerador, da verificação da ocorrência deste. Tal conclusão decorre da mera leitura da decisão acostada às folhas 156, acima transcrita e isso, porque, como sabido, cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do Fl. 577DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 529 15 Código Tributário Nacional, por meio de procedimento do lançamento de ofício, constituir o crédito tributário, revisando nos casos de auto lançamento, os procedimentos do sujeito passivo. Para tanto, ele deve, após verificar a ocorrência do fato gerador, identificar o sujeito passivo, determinar a matéria tributável, quantificar o tributo devido e, quando for o caso, aplicar a penalidade cabível. Por ser atividade vinculada e obrigatória, é dever da autoridade fiscal empreender esforços na determinação do critério material da regra matriz de incidência tributária, base de cálculo do tributo e alíquota aplicável, apropriandonos dos ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho. A mensuração das grandezas tributárias já deveria ter sido corretamente efetuada quando da lavratura do auto de infração. Podese até compreender a impossibilidade do acerto em razão da ausência de comprovação por parte do contribuinte, o que, como dito, não se verificou no caso concreto. Ao reverso, o que se observa é a total ausência caracterização de que a a prestação de serviços contratada se deu mediante cessão de mãodeobra. Não obstante a omissão do Autoridade Lançadora no tocante a comprovação do fato escolhido pelo legislador para ser ensejador da obrigação tributária, mister ressaltar com tintas fortes que a Administração Tributária foi clara em determinar por meio de um ato que integra a legislação tributária como se deve realizar caracterizar a cessão de mãodeobra, posto que tal caracterização se encontram no Regulamento da Previdência Social e nos atos normativos do INSS. Tal rito foi simplesmente ignorado pelo Auditor Fiscal responsável pelo lançamento. O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, deixou de comprovar suas alegações, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado. Mister recordar que o Decreto nº 70.235/72 é claro ao exigir em seu artigo 9º: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os Fl. 578DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 530 16 termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (destaques nossos) Forçoso reconhecer o vício no procedimento do lançamento tributário. Como ato administrativo que é, o auto de infração não pode ser irregular. Celso A Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), assim comenta sobre a irregularidade dos atos administrativos: ATOS IRREGULARES SÃO AQUELES PADECENTES DE VÍCIOS MATERIAIS IRRELEVANTES, RECONHECÍVEIS DE PLANO, OU INCURSOS EM FORMALIZAÇÃO DEFEITUOSA CONSISTENTE EM TRANSGRESSÃO DE NORMAS CUJO REAL ALCANCE É MERAMENTE O DE IMPOR A PADRONIZAÇÃO INTERNA DOS INSTRUMENTOS PELOS QUAIS SE VEICULAM OS ATOS ADMINISTRATIVOS Verificando a irregularidade do ato administrativo, deve a Administração de ofício regularizálo, em face do princípio da autotutela. Nesse sentido, a Lei 9.784, de 1999, é clara ao determinar que: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. (...) Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." (grifos nossos) Observase que a Lei que regula o processo administrativo federal cinde as irregularidades do ato segundo a gravidade do mesmo. Atos portadores de defeitos sanáveis, meras irregularidades, poderão ser convalidados. Já os atos produzidos com ofensa a legalidade devem ser anulados. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 531 17 Sobre o tema, a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 14ª ed, p. 234), titular da inesquecível Faculdade de Direito do Largo São Francisco, leciona que convalidação ou saneamento "o ato administrativo pelo qual qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado". Além disso, a doutrinadora explicita que nem sempre é possível a convalidação, pois depende do tipo de vício que atinge o ato. Os defeitos atinentes à incompetência quanto à matéria, quanto ao motivo e finalidade, e ainda quanto ao objeto e conteúdo não são passíveis de convalidação. Especificamente quanto a impossibilidade de convalidação, esclarece a Professora: "O objeto ou conteúdo ilegal não pode ser objeto de convalidação." O remédio que deve ser tomado pela Administração é o previsto no artigo 53 da Lei nº 9.784/99, acima transcrito,: a anulação. Novamente, recordemos os ensinamentos de Maria Sylvia: "Quando o vício seja sanável ou convalidável, caracterizase hipótese de nulidade relativa; caso contrário, a nulidade é absoluta." Sobre o tema, devemos lembrar que as nulidades, absoluta ou relativa, produzem efeitos distintos para a Administração Tributária em razão do tempo que a lei determina para a correção do lançamento tributário viciado. Se este for convalidável, por eivado de vício formal, o saneamento deve ser realizado em 5 anos após o trânsito em julgado da decisão que anular o ato administrativo. Já o lançamento maculado por nulidade absoluta, deve ser refeito no prazo decadencial previsto no CTN, seja o do parágrafo 4º do artigo 150, seja o do inciso I do artigo 173. Tal distinção nos obriga a perquirir qual o vício existente no caso concreto. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 532 18 Para nós a distinção é simples e fundada no texto legal. Como ensina Maria Sylvia Zanela Di Pietro, lançamentos que contenham conteúdo ilegal não são passíveis de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta. Nesse sentido, qualquer ofensa às determinações do artigo 142 do CTN acima reproduzido, explicitados por meio do artigo 9ª do Decreto nº 70.235/72, viciam o conteúdo do ato, pois são requisitos do lançamento, atributos intrínsecos ao procedimento de constituição do crédito tributário. A lição de Paulo de Barros Carvalho corrobora a afirmação. Assevera o Professor Emérito (Curso de Direito Tributário, 14ª ed., p. 415): "O ato administrativo de lançamento será declarado nulo de pleno direito, se o motivo nele inscrito a ocorrência do fato jurídico tributário, por exemplo inexistiu. Nulo será, também, na hipótese de ser indicado sujeito passivo diferente daquele que deve integrar a obrigação tributária. Igualmente é nulo o lançamento de IR (pessoa física), lavrado antes do termo final do prazo legalmente estabelecido para que o contribuinte apresente sua declaração de rendimentos e bens. Para a nulidade se requer vício profundo, que comprometa viceralmente o ato administrativo. Seus efeitos, em decorrência, são 'ex tunc', retroagindo, linguisticamente, à data do correspondente evento. A anulação por outro lado, pressupõe invalidade iminente, que necessita de comprovação, a qual se objetiva em procedimento contraditório. Seus efeitos são 'ex nunc', começando a contar do ato que declara a nulidade" Continua o doutrinador: "(...) não importa que o ato administrativo haja sido celebrado e que nele conjuguem os elementos tidos como substanciais. Insta que seus requisitos estejam conformados às prescrições da lei" (grifamos) Fl. 581DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 533 19 No caso em apreço, observamos que não comprovou o Fisco a existência da contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra. Como visto é dever do Fisco anexar ao auto de infração o elementos de prova que embasam a constituição do crédito tributário. Tal comprovação não pode ser realizada a posteriori, consoante expressa vedação do parágrafo 3º do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, o que impede de modo absoluto a conversão em diligência nos casos de novação do lançamento, explicitando se tratar de novo lançamento, complementar ao primeiro. Nesse sentido, forçoso reconhecer que o relatório fiscal complementar, por inovar no lançamento, ou seja, por de fato realizar novo lançamento posto que veio ao mundo jurídico para reparar vício material, ou seja, vício insanável, deve respeitar os prazos previstos em lei complementar para que o Estado possa constituir seu direito de crédito. Reafirmo. O lançamento representado pela NFLD constante de fls. 2, consubstancia pelo Relatório Fiscal de folhas 29, foi tacitamente reconhecido como nulo pelo CRPS que ao determinar a nulidade da DN e a elaboração de novo relatório fiscal que explicitasse a ocorrência do fato gerador ensejador da responsabilidade solidária prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época ordenou que se elaborasse novo lançamento consubstanciado em provas da existência da contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra. Ocorre que tal lançamento repito, consubstanciado no relatório fiscal aditivo relativo às competências 09/98 a 12/98 se aperfeiçoou com a ciência do devedor em 28 de junho de 2007, fora portanto do lustro permitido pelo artigo 173, inciso I do CTN. Logo, extinto o direito de crédito do Fisco quando do lançamento tributário representado pelo relatório fiscal aditivo. Por via de consequência, voto por dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo a nulidade do lançamento tributário arguída, pela ocorrência de vício material, em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária.” Fl. 582DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 534 20 12 Portanto, em relação à construção civil entendo que deve ocorrer a comprovação da mesma forma que na cessão de mão de obra, indicando a declaração de voto do Conselheiro Mário Humberto Cabus Moreira Representante do Governo no CRPS, tomando como minhas as razões de decidir na época na declaração de voto às fls. 172/174 nos autos do PAF nº 18471001855200832 decisão nº 0035.463.9730 de 25/05/2004: "O fato de o contratante dos serviços prestados mediante cessão de mãodeobra não fazer prova hábil para a elisão da solidariedade, ao revés do entendimento do Fisco, não pode servir como presunção de existência de crédito tributário em relação ao contribuinte. A elisão da solidariedade não se trata de dever jurídico do contratante, porém, de faculdade sua, inscrita nos parágrafos 3o e 4o, do art.31, da Lei n° 8.212/91 (na redação em vigor até 31.01.1999), como exceção à regra geral prevista no caput, qual seja, a que atribui responsabilidade solidária na contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra a toda e qualquer empresa contratante. Apenas para reforçar a assertiva anterior, indagase qual o dispositivo da Lei de Custeio que prevê a elisão da solidariedade na construção civil. A resposta é: a responsabilidade solidária está inscrita no inciso VI, do art. 30 da Lei n° 8.212/91, todavia, não há previsão legal quanto à elisão na construção civil. A faculdade de elidir a solidariedade somente vem expressa no Regulamento da Previdência Social, em seu art. 220, § 3o. A elisão da solidariedade está dependente de obrigações acessórias, de elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas, exclusivas do executor (prestador de serviço). Somente o executor é punível pelo ilícito tributário de não preparar folhas e guias específicas na cessão de mãodeobra, mediante a lavratura do correspondente auto de infração. Em havendo o direito de elidir a solidariedade, a norma inserta no art. 31 da Lei de Custeio (na redação em vigor até 31.01.1999), unicamente incide para definir quem é o sujeito passivo: se apenas o contribuinte (haja vista estar provada a ocorrência de elisão da solidariedade); ou, o contribuinte e o responsável, conjuntamente. Todavia, não incide para atestar, a priori, a existência de crédito tributário oponível prontamente pelo Fisco contra o responsável, sem qualquer Fl. 583DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 535 21 outro procedimento administrativo relativamente ao contribuinte, como corolário de não restar provada a elisão. Ressaltese que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mãodeobra é aplicável, também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91). Ressaltese a diversidade dos institutos jurídicos: responsabilidade solidária e crédito tributário. Dispostos em tópicos distintos, não sem razão, desde o Código Tributário Nacional. Os conceitos de dívida e responsabilidade não se confundem e não têm entre si relação de necessária dependência. Com efeito, "dívida e responsabilidade são elementos que podem ou não estar reunidos em uma só pessoa (o devedor). Contudo, é possível haver responsabilidade sem dívida, ou seja, é possível que o patrimônio de uma pessoa responda pela obrigação sem ser ela o devedor, como se dá, v.g., com o fiador, o sucessor, o sócio etc." (BEBBER, Júlio César. "Fraude contra Credores e Fraude de Execução". In: NORRIS, Roberto (coord.) Execução Trabalhista: Visão Atual, Rio de Janeiro: Forense, 2001, pp. 157204, p. 161) Ainda, a Autarquia não traz evidências de qualquer procedimento fiscal tendente a verificar o descumprimento da obrigação tributária principal pelo contribuinte (neste caso, as empresas prestadoras de serviço mediante cessão de mãodeobra). A incompreensível omissão de procedimentos de auditoria estendese aos casos de fiscalização total das empresas prestadoras de serviço ou de adesão destas ao REFIS, ou opção pelo SIMPLES; situações trazidas a lume, com freqüência, após o lançamento do crédito, na fase de defesa ou recursal." 13 – Em vista da referida nulidade indicada alhures, entendo desnecessário a análise dos demais termos apresentados em ambos os recursos voluntários. Conclusão Fl. 584DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 536 22 14 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito dou provimento para reconhecer a nulidade do lançamento tributário por vício material em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 585DF CARF MF
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Numero do processo: 10218.000168/2003-84
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUBMETIDOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. FATORES DETERMINANTES. PAGAMENTO. DECLARAÇÃO PRÉVIA DE DÉBITO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
1- Para os tributos submetidos a lançamento por homologação, o ordenamento jurídico prevê a ocorrência de duas situações, autônomas e não cumulativas, aptas a concretizar contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, em detrimento do art. 150, §4º, ambos do CTN. Uma é constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo. Caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A outra é verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN, consoante Súmula CARF nº 72.
2 - No caso concreto, não há pagamento e tampouco confissão de dívida.. Aplicação do prazo previsto no art. 173, inciso I do CTN.
Numero da decisão: 9101-003.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUBMETIDOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. FATORES DETERMINANTES. PAGAMENTO. DECLARAÇÃO PRÉVIA DE DÉBITO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. 1- Para os tributos submetidos a lançamento por homologação, o ordenamento jurídico prevê a ocorrência de duas situações, autônomas e não cumulativas, aptas a concretizar contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, em detrimento do art. 150, §4º, ambos do CTN. Uma é constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo. Caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A outra é verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN, consoante Súmula CARF nº 72. 2 - No caso concreto, não há pagamento e tampouco confissão de dívida.. Aplicação do prazo previsto no art. 173, inciso I do CTN.
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TRIBUTOS SUBMETIDOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. FATORES DETERMINANTES. PAGAMENTO. DECLARAÇÃO PRÉVIA DE DÉBITO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. 1 Para os tributos submetidos a lançamento por homologação, o ordenamento jurídico prevê a ocorrência de duas situações, autônomas e não cumulativas, aptas a concretizar contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, em detrimento do art. 150, §4º, ambos do CTN. Uma é constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo. Caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A outra é verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN, consoante Súmula CARF nº 72. 2 No caso concreto, não há pagamento e tampouco confissão de dívida.. Aplicação do prazo previsto no art. 173, inciso I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 01 68 /2 00 3- 84 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10218.000168/200384 Acórdão n.º 9101003.286 CSRFT1 Fl. 123 2 conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego. Relatório Tratase de recurso especial (efls. 102/109) interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face do Acórdão nº 14010086, da sessão de 30 de julho de 2009, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que votou no sentido dar provimento ao recurso da INDÚSTRIA TRIÂNGULO DO PARÁ LTDA ("Contribuinte ") para acolher a decadência. O acórdão recorrido apresentou a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997 Ementa:CSLL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS No caso de tributos sujeitos a situação típica de lançamento por homologação sua decadência regerseá, independentemente de haver ou não pagamento, sempre pela regra do art. 150, §4° do CTN, excetuandose os casos de dolo, fraude ou simulação, em que se aplicaria o art. 173,1 do CTN. A PGFN interpôs recurso especial, arguindo divergência entre a decisão recorrida, no qual só admite contagem decadencial para tributos sujeitos a lançamentos por homologação nos termos do art. 150, 4º do CTN, e o paradigma, que no caso de ausência de pagamento aplica o prazo previsto no art. 173, inciso I do CTN. Requer pela aplicação do entendimento do paradigma e o afastamento da decadência. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10218.000168/200384 Acórdão n.º 9101003.286 CSRFT1 Fl. 124 3 O despacho de exame de admissibilidade (efls. 115/116) deu seguimento ao recurso especial. A Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade para conhecer do recurso especial da PGFN. Passo ao exame do mérito. Dois aspectos devem ser considerados na análise do prazo decadencial. Primeiro, o regime de tributação a que se encontra submetido o contribuinte, para que se possa estabelecer com clareza o termo inicial de contagem. Segundo, qual a regra do CTN aplicável ao caso concreto: (1) do art. 150, § 4º, ou (2) do art. 173, inciso I. Para a devida contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, há que se observar entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10218.000168/200384 Acórdão n.º 9101003.286 CSRFT1 Fl. 125 4 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(grifei) Ou seja, são dois elementos determinantes para verificar se cabe a contagem do prazo decadencial do art. 150, §4º ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN: 1º) constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo, sendo que, caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015; Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10218.000168/200384 Acórdão n.º 9101003.286 CSRFT1 Fl. 126 5 2º) verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN, consoante Súmula CARF nº 72 1. Quanto ao conceito de declaração prévia de débito, entendo, numa acepção geral, que se caracteriza por ato que implique em confissão da dívida por parte do sujeito passivo. Assim, podem também ser considerados, além do pagamento espontâneo, por exemplo, o debito confessado em DCTF, em compensação tributária ou parcelamento. No caso concreto, não consta nos autos nenhuma informação sobre pagamento e tampouco sobre confissão de débito. Os demonstrativos de efls. 25 e 28 demonstram a apuração no ano calendário em análise não foi apurado lucro contábil (lucro líquido) e a base de cálculo da CSLL foi negativa. A autuação fiscal, na realidade, consistiu em ajuste na base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores. Portanto, a contagem do prazo decadencial deve ser deslocada para o art. 173, inciso I do CTN. Sendo o fato gerador 31/12/1997, o Fisco só poderia efetuar o lançamento de ofício a partir do ano de 1998. O termo inicial previsto na norma é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, no caso em tela, em 01/01/1999, e o termo final em 31/12/2003. A ciência do lançamento de ofício deuse em 11/03/2003, razão pela qual se deve afastar a decadência. Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura 1 Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.000098/2003-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/03/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ACÓRDÃO DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Demonstrada a inexistência de créditos passíveis de restituição e/ou compensação, após a realização dos cálculos pela unidade administrativa a quo, nos exatos termos de Acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes (atual CARF), é de se considerar não homologada a compensação declarada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 14/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ACÓRDÃO DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Demonstrada a inexistência de créditos passíveis de restituição e/ou compensação, após a realização dos cálculos pela unidade administrativa a quo, nos exatos termos de Acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes (atual CARF), é de se considerar não homologada a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
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ACÓRDÃO DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Demonstrada a inexistência de créditos passíveis de restituição e/ou compensação, após a realização dos cálculos pela unidade administrativa a quo, nos exatos termos de Acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes (atual CARF), é de se considerar não homologada a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 00 98 /2 00 3- 71 Fl. 267DF CARF MF 2 Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 3ª Turma da DRJ/Curitiba (efl. 247 e ss): Trata o presente processo da Declaração de Compensação, apresentada em formulário (f. 02), no dia 14/01/2003, por meio da qual a contribuinte almeja a compensação do débito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade – Cofins, do período de apuração de dezembro de 2002, no valor de R$ 6.724,74, com créditos de PIS/Pasep dos períodos de apuração de 01/10/1995 a 29/02/1996, conforme documentos de folhas 04 a 11. Incialmente, o pedido da interessada foi submetido à apreciação da Seção de Análise e Orientação Tributária – SAORT, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá PR, a qual, proferiu despacho decisório (fls 33/35) que não reconheceu o direito ao crédito pleiteado e nem, conseqüentemente, à homologação da compensação, tendo em vista a constatação de ter ocorrido decurso do prazo decadencial, a teor do disposto nos arts. 165 e 168 do Código Tributário Nacional. Inconformada, a requerente interpôs manifestação de inconformidade e a 3ª Turma desta Delegacia da Receita Federal de Julgamento confirmou o despacho decisório contestado, por meio do Acórdão nº 06.13.047 – 3ª Turma da DRJ/CTA, cuja ementa segue abaixo reproduzida. “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE COFINS. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a compensação ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. Compensação não Homologada” Tendo sido apresentado recurso voluntário, a interessada obteve provimento parcial à sua pretensão, posto que a Terceira Turma Especial do 2º Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 29300048, de 20 de novembro de 2008, cuja ementa segue abaixo reproduzida, afastou a prejudicial de decadência, reconhecendo o direito à compensação/restituição da diferença entre os valores recolhidos e o que seria devido nos termos da Lei Complementar nº 07/70, no período de outubro de 1995 e fevereiro de 1996, considerandose como base de cálculo, nesse período, o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS Período de apuração: 01/01/1995 a 29/02/1996 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PIS. PRESCRIÇÃO.NÃO OCORRÊNCIA. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10950.000098/200371 Acórdão n.º 3001000.182 S3C0T1 Fl. 3 3 O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior, a título de contribuição para o PIS, com base nas alterações introduzidas pela Medida Provisória n°. 1.212, de 1995, extinguese em cinco anos, contados a partir da publicação do acórdão definitivo que julgou procedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade ADIN. Recurso voluntário provido em parte.” Na sequencia, a União (Fazenda Nacional) interpôs recurso especial de divergência contra o acórdão do Conselho de Contribuintes, tendo o mesmo sido admitido, mas negado o seu provimento. Após, em cumprimento a decisão administrativa acima, a Seção de Análise e Orientação Tributária – SAORT, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá –PR, emitiu o Despacho Decisório nº 21/2015, de 28 de janeiro de 2015, não reconhecendo o direito creditório solicitado e, em consequencia, não homologando a compensação intentada. Consoante a fundamentação contida no referido despacho decisório, a unidade de origem alega que os cálculos realizados, nos exatos termos do Acórdão proferido pela Terceira Turma Especial do 2º Conselho de Contribuintes, demonstraram a inexistência de créditos passíveis de restituição e compensação, oriundos dos pagamentos de PIS dos períodos de apuração de 01/10/1995 a 29/02/1996. Em 12/02/2015, a contribuinte foi cientificada do despacho decisório mencionado (nº 21/2015), por meio da Intimação nº 039/2015, apresentando, em 12/03/2015, manifestação de inconformidade, por meio da qual defende a improcedência da decisão administrativa. Alega, em síntese, que a DRF Maringá procedeu de forma unilateral, descrumprindo as determinações constantes do Acórdão nº 29300048 da Terceira Turma Especial do 2º Conselho de Contribuintes. Sustenta que na conclusão de referido acórdão não estão dispostos os critérios e métodos de cálculo que devem ser utilizados, e que, portanto, a Receita Federal do Brasil descumpriu o artigo 65 do Decreto 7.574, de 2011. Argumenta, também, que a autoridade administrativa está cobrando tributo sem qualquer fundamento e inexiste motivação na decisão contestada, em afronta ao que dispõe o art 93, inciso X, da Constituição Federal. Diante do exposto, requer o reconhecimento do crédito pleiteado e a homologação da compensação. A DRF de Curitiba produziu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/01/2003 DECLARAÇÃO DE Fl. 269DF CARF MF 4 COMPENSAÇÃO. ACÓRDÃO DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Demonstrada a inexistência de créditos passíveis de restituição e/ou compensação, após a realização dos cálculos pela unidade administrativa a quo, nos exatos termos de Acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes (atual CARF), é de se considerar não homologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em Recurso Voluntário (efl. 254 e ss) a Recorrente, em suma, repete os argumentos utilizados na manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 954,00, segundo Decreto nº 9.255, de 29 de dezembro de 2017. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 57.240,00. Como o valor em litígio é de R$ 6.724,74, (efl. 248), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. Lendose o voto do acórdão da Terceira Turma Especial do 2º Conselho de Contribuintes, constatase que não existe qualquer correção a ser realizada no procedimento da DRF de Maringá, ou do acórdão proveniente da DRJ/CTB. Neles houve o exato cumprimento das determinações daquela Turma. Abaixo uma passagem do referido acórdão do Conselho de Contribuintes: Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, reformando a decisão da 3ª turma da DRJ/Curitiba, para reconhecer o direito do contribuinte a compensação/restituição da diferença dos valores recolhidos e o Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10950.000098/200371 Acórdão n.º 3001000.182 S3C0T1 Fl. 4 5 que seria devido nos termos da Lei Complementar n°. 7/70, no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996. E ainda: ACORDAM os Membros da TERCEIRA TURMA ESPECIAL do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para fins de aplicar aos fatos geradores remanescentes a LC n° 7/70, em especial, observar a aplicação da semestralidade, conforme voto da relatora A DRF de Maringá, como já havia informado o acórdão da DRJ/Curitiba, apenas cumpriu o determinado pelo acórdão do CC. Assim, não cabe razão à Recorrente. Assim, pelo exposto, voto pro NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 271DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.722481/2010-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO E DESCRIÇÃO DOS FATOS. INEXISTÊNCIA.
É descabida a declaração de nulidade quando o auto de infração contém a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, com indicação dos dispositivos legais que amparam o lançamento, permitindo ao contribuinte expor os motivos de fato e de direito pelos quais discorda da constituição do crédito tributário e apresentar as provas que lhe aprouver.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). FINALIDADE.
À época da execução da ação fiscal, o Mandado de Procedimento Fiscal constituía um mero instrumento de controle gerencial e administrativo da atividade fiscalizatória, não tendo o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do agente tributário para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento de ofício.
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ATUALIZAÇÃO.
A partir do ano de 1996, para fins de apuração do ganho de capital, não há previsão legal para a atualização ou correção monetária do custo de aquisição do imóvel.
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. PROIBIÇÃO DE ATUALIZAÇÃO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que não permite a atualização do custo de aquisição do imóvel a partir de 1º de janeiro de 1996.
(Súmula Carf nº 2)
Numero da decisão: 2401-005.232
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL Recorrente ADEMAR CENCI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO E DESCRIÇÃO DOS FATOS. INEXISTÊNCIA. É descabida a declaração de nulidade quando o auto de infração contém a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, com indicação dos dispositivos legais que amparam o lançamento, permitindo ao contribuinte expor os motivos de fato e de direito pelos quais discorda da constituição do crédito tributário e apresentar as provas que lhe aprouver. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). FINALIDADE. À época da execução da ação fiscal, o Mandado de Procedimento Fiscal constituía um mero instrumento de controle gerencial e administrativo da atividade fiscalizatória, não tendo o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do agente tributário para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento de ofício. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ATUALIZAÇÃO. A partir do ano de 1996, para fins de apuração do ganho de capital, não há previsão legal para a atualização ou correção monetária do custo de aquisição do imóvel. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. PROIBIÇÃO DE ATUALIZAÇÃO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que não permite a atualização do custo de aquisição do imóvel a partir de 1º de janeiro de 1996. (Súmula Carf nº 2) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 24 81 /2 01 0- 59 Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10166.722481/201059 Acórdão n.º 2401005.232 S2C4T1 Fl. 473 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10166.722481/201059 Acórdão n.º 2401005.232 S2C4T1 Fl. 474 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), por meio do Acórdão nº 0647.312, de 03/06/2014, cujo dispositivo tratou de considerar a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido neste processo administrativo (fls. 442/451): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. OBJETO DA FISCALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADE. A expedição de Mandado de Procedimento Fiscal MPF não objetiva limitar o alcance da ação fiscal, mas apenas instaurá la, constituindo mero instrumento de planejamento e controle administrativo. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. GANHO DE CAPITAL. SUJEITO PASSIVO. O proprietário de imóvel que aufere ganho de capital em decorrência de sua alienação está sujeito ao pagamento de imposto de renda. GANHO DE CAPITAL. VENDA A PRAZO. CÁLCULO. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ATUALIZAÇÃO APÓS 1995. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Para fins de apuração do ganho de capital, não há previsão legal que permita a atualização do custo de aquisição a partir de 1º de janeiro de 1996. Impugnação Improcedente Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10166.722481/201059 Acórdão n.º 2401005.232 S2C4T1 Fl. 475 4 2. Extraise do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal, acostados às fls. 270/281 e 282/289, respectivamente, que o processo administrativo é, na origem, composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente aos anos calendário de 2007 a 2010, acrescido de juros de mora e da multa de ofício proporcional de 75%, decorrente das seguintes infrações: (i) omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos da Secretaria de Estado de Coordenação das Administrações Regionais, CNPJ 04.875.802/000104, no valor de R$ 7.335,00 (anocalendário de 2007); (ii) omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos da Brasfrigo S/A, CNPJ 19.166.180/000104, no valor de R$ 11.876,00 (ano calendário de 2007); e (iii) omissão de ganho de capital na alienação do imóvel rural denominado "Fazenda Larga do Arrasta Burro", localizado no município de Cristalina (GO), correspondente a fatos geradores de março/2007, maio/2007, junho/2007, outubro/2007, novembro/2007, dezembro/2007, julho/2008, agosto/2008, agosto/2009, setembro/2009, junho/2010 e setembro/2010). 3. A ciência do auto de infração aconteceu no dia 15/12/2010, tendo o contribuinte impugnado, em 14/01/2011, a exigência fiscal (fls. 292 e 294/300). 4. Intimado em 10/07/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 454/457, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 11/08/2014, em que aduz as seguintes questões de fato e direito contra a decisão de piso (fls. 466/468): (i) em preliminar, a nulidade do auto de infração no tocante às infrações relacionadas à omissão de rendimentos do trabalho, por falta da descrição dos fatos e dos motivos para a constituição do crédito tributário, além da inexistência de autorização para o lançamento no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF); (ii) o recorrente não detém a condição de contribuinte, porque não ocorreu a percepção do ganho de capital na transação efetuada, havendo, inclusive, valores que estão pendentes de pagamento; (iii) a falta de atualização do custo de aquisição é contrária ao princípio da propriedade, tornandose um confisco. É o relatório. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10166.722481/201059 Acórdão n.º 2401005.232 S2C4T1 Fl. 476 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Considerações Iniciais 6. Verifico da petição recursal que o autuado não apresentou novos elementos de defesa em segunda instância, apenas reitera os mesmos argumentos de fato e de direito deduzidos na impugnação. 7. À vista disso, desde já, acolho e adoto as razões de decidir do acórdão de primeira instância, conforme fls. 445/451, porque analisou com clareza os pontos controvertidos e resolveu ao amparo dos preceitos legais as questões submetidas ao contencioso administrativo tributário. 8. Nada obstante, com o propósito de deixar claro os motivos pelos quais deixo de considerar as alegações do sujeito passivo, acresço os fundamentos indicados na sequência deste voto. Preliminar 9. Quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, não há que se cogitar em falta de motivação do ato administrativo ou prejuízo ao exercício do direito de defesa, tampouco irregularidade na autorização para lançamento em decorrência do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). 10. O MPF Fiscalização nº 01.1.01.002010003743, emitido em 30/03/2010, determinou a realização de procedimento fiscal direcionado à verificação do cumprimento das obrigações tributárias vinculadas ao Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), relativas ao período de 01/2007 a 12/2007, posteriormente alterado, em 23/11/2010, para abarcar também os fatos geradores compreendidos entre 01/2008 e 11/2010 (fls. 447). 10.1 Além do mais, o Mandado de Procedimento Fiscal constituía à época da execução do procedimento de auditoria um mero instrumento de controle gerencial e administrativo da atividade fiscalizatória, não tendo o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do agente tributário para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento de ofício. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10166.722481/201059 Acórdão n.º 2401005.232 S2C4T1 Fl. 477 6 11. Por sua vez, o Termo de Verificação Fiscal, às fls. 289, detalha os dados das fontes pagadoras e o respectivo montante dos rendimentos percebidos pelo contribuinte, apurados pela autoridade tributária a partir das informações constantes da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf): 11.1 Desse modo, o auto de infração contém a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, com indicação dos dispositivos legais que amparam o lançamento, permitindo ao contribuinte expor os motivos de fato e de direito pelos quais discorda da constituição do crédito tributário e apresentar as provas que lhe aprouver. 12. Em síntese, a autoridade fiscal motivou adequadamente o ato administrativo do lançamento, conforme exigido no art. 10 do Decreto nº 70.235 de 6 de março de 1972, e no art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). Mérito 13. A tributação do imposto de renda incide sobre a riqueza nova decorrente da própria valorização de mercado do imóvel, que representa acréscimo patrimonial para o alienante. 14. Para os imóveis rurais adquiridos até o ano de 1991, como é a hipótese dos autos, o custo de aquisição foi corrigido pelo agente fazendário até 31 de dezembro de 1995, não sendo atribuída, por vedação em lei, qualquer correção monetária a partir de 1º de janeiro de 1996 (art. 96 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e art. 17, inciso I, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995). 15. O afastamento da presunção de constitucionalidade de dispositivo de lei, aprovada pelo Poder Legislativo, que impede a correção monetária e atualização a partir de 1996, demanda apreciação e decisão por parte do Poder Judiciário. Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10166.722481/201059 Acórdão n.º 2401005.232 S2C4T1 Fl. 478 7 15.1 Por essa razão, escapa à competência dos órgãos julgadores administrativos a declaração de inconstitucionalidade de lei tributária pela falta de compatibilidade com princípios constitucionais, tal como a vedação ao confisco. Argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. 15.2 Nesse sentido, não só o "caput" do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 16. Embora a fiscalização tenha feito alusão à parcela de R$ 55.133,36, pendente de recebimento à época do lançamento, o montante não compõe a base de cálculo da alienação para o cômputo do ganho de capital. 16.1 Com efeito, a apuração do ganho de capital levou em consideração exclusivamente os valores do preço efetivamente auferidos pelo alienante do imóvel rural, conforme Tabelas 1 e 2 do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 287/288, mediante tributação do acréscimo patrimonial na proporção das parcelas que foram recebidas (art. 21 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988). 17. Logo, não procede a alegação recursal de que o auto de infração exige o imposto sobre a renda incidente sobre valores ainda não recebidos pelo sujeito passivo. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO a preliminar e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 478DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.720025/2006-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS.
Diferentemente da hipótese de lançamento de ofício, em que o Fisco deve provar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, comprovar que possui o direito invocado. Assim, ao efetuar o pedido, deve dispor a empresa dos elementos de prova que sustentarão seu pleito, sem o que será indeferido.
JUNTADA TARDIA DE DOCUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. ART. 16, § 4º, DO DECRETO 70.235/1972.
A juntada de documentos após apresentada a impugnação pelo contribuinte, somente é possível nas exceções previstas pelo § 4º, do art. 16 do Decreto 70.235/1972, cuja existência não foi comprovada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 3302-005.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
José Renato Pereira de Deus - Relator.
EDITADO EM: 04/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael M. Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. Diferentemente da hipótese de lançamento de ofício, em que o Fisco deve provar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, comprovar que possui o direito invocado. Assim, ao efetuar o pedido, deve dispor a empresa dos elementos de prova que sustentarão seu pleito, sem o que será indeferido. JUNTADA TARDIA DE DOCUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. ART. 16, § 4º, DO DECRETO 70.235/1972. A juntada de documentos após apresentada a impugnação pelo contribuinte, somente é possível nas exceções previstas pelo § 4º, do art. 16 do Decreto 70.235/1972, cuja existência não foi comprovada pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Paulo Guilherme Deroulede Presidente. José Renato Pereira de Deus Relator. EDITADO EM: 04/04/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 25 /2 00 6- 91 Fl. 7224DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael M. Abad e Walker Araújo. Relatório Tratase de verificação de direito ao tomada de crédito objeto de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao período de apuração de 01/01/1999 a 31/12/2002. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma completa, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: "Tratase o processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório SAORT/DRF/Blumenau fl. 1088, que indeferiu o Pedido de Ressarcimento do IPI, formalizado em 31/10/2003, no valor total de R$ 184.545,35 , relativo ao período compreendido entre o 1º trimestre de 1999 ao 4º trimestre de 2002. O contribuinte inconformado pela demora na apreciação do Pedido de Ressarcimento, ajuizou em 26 de junho de 2006, Mandado de Segurança com pedido de liminar, processo nº 2006.72.05.0038147, para determinar o exame do Crédito. Em decisão, de 10 de julho de 2006, foi indeferida a liminar postulada. Entretanto, em decisão de Agravo de Instrumento, de 28 de julho de 2006, foi determinado que a Autoridade Administrativa proferisse decisão acerca do pedido formalizado pela empresa. A Autoridade Fiscal informa, no relatório, às fls. 1059 a 1070, que tendo o contribuinte sido intimado de forma reiterada, deixou de trazer elementos necessários à confirmação do crédito de IPI pleiteado, impedindo a verificação da efetividade e liquidez do crédito que alegava possuir e a comprovação de que o referido crédito foi apurado de acordo com as normas legais e em Decisão à fl. 1070 indefere o Pedido de Ressarcimento. Informa ainda que o contribuinte: “não possui memória de cálculo dos elementos indispensáveis à correta apuração do crédito, não quantificou seus estoques de MP, PI e ME em conformidade com a 1egislação e nem mesmo declarou seus estoques iniciais e finais no DCP. Logo, verificase que nem mesmo o requerente possuía condições de apurar o valor correto do beneficio” Conclui a fiscalização que: a) os arquivos digitais apresentados não possuem informações consistentes de todo o período analisado e não podem servir de base para calculo do valor do credito presumido solicitado. Fl. 7225DF CARF MF Processo nº 13971.720025/200691 Acórdão n.º 3302005.311 S3C3T2 Fl. 3 3 b) O tratamento dado aos estoques para o caso especifico do contribuinte, que não utiliza o sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração não permite a correta identificação e quantificação das MP, PI e ME sujeitas a incidência da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS e está em desacordo com a legislação vigente. c) O DCP não possui informações consistentes sobre os estoques iniciais e finais, tornando, isoladamente ou em conjunto, impossível a apuração do valor correto a ser ressarcido. Cientificada do despacho decisório em 23 de outubro de 2006, AR à fl. 1071, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, fls. 1095 a 1120, em 22 de novembro de 2006, alegando: “que os créditos pleiteados junto a SRF são na atual posição da Requerente as últimas e derradeiras finanças que poderão adimplir os débitos junto á comunidade e assim poder pelo menos andar de cabeça erguida” Argumenta sobre análise do seu Pedido de Reconsideração, dizendo que foi desprezado o art. 6, inciso I e o art. 56 parágrafo 1º da Lei 9784/99: “constatouse que o Pedido de Reconsideração havia sido encaminhado para o "SERV. CONTROLE DE JULGAMENTO/DRJ/POARS", ou seja remetido para Porto Alegre, o que fere incisivamente o direito da Requerente de ter seu pedido de reconsideração analisado pelo mesmo órgão que prolatou a decisão”. Destaca que cumpriu suas obrigações acessórias (DCTF, DCP) e que não é de sua capacidade a inserção dos créditos nestas declarações, que tais créditos são calculados pelo próprio programa fornecido pela SRF e conclue: “ao ser calculado pelo próprio programa e estar legalmente constituído por remessa eletrônica vinculada A SRF, não poderia em hipótese nenhuma ser indeferido de forma sumária, devendo sim ser buscado a todo custo a proteção a este direito a créditos legalmente protegidos” Insurgese contra o argumento da DRF/Blumenau, “não possuem credibilidade", e alega o princípio da Segurança Jurídica e da Impessoalidade e cita: “para que tais créditos sejam aprimorados não dependem de "credibilidade", mas sim tão somente de inserção de dados em programas de cálculos que por sua vez culminam em um resultado” “tais créditos não dependem de discricionariedade da Administração Pública, mas sim são atos vinculados, ou seja seguindo os princípios básicos da Administração Fl. 7226DF CARF MF 4 Pública e respeitando o devido processo legal, é ato que independem de "credibilidade" ou qualquer outro meio, é ato que a Administração Pública deverá proceder impreterivelmente e incondicionalmente.” Ademais, requer que o ato decisório seja totalmente invalidado isto que: “não apresentar a forma legal exigida no art. 22, § 4 0 , onde reza que o processo deverá ter suas páginas numeradas seqüencialmente e rubricadas, e sendo a decisão parte fundamental do processo estas deveriam estar de acordo com a norma legal, o que não aconteceu conforme se comprova in loco na decisão, pois suas paginas não contem a rubrica da autoridade prolatora em todas as páginas da Despacho Decisório. Sobre a documentação exigida sustenta que: “Foram exigidas por meio de intimações os Livros de Registro de Inventário, sendo que os mesmos deveriam apurar mensalmente os estoques de MP, PI e ME, sendo que o apresentado para analise não constava a apuração mensal”. “a Requerente adequou os Livros de Registro de Inventario para que os créditos possam ser analisados de maneira correta e definitivamente, sendo então apresentados ao final desta peça” “no período de 1999 a 2001, estava sob o Regime de Lucro Real Anual, sendo então dispensado a apuração mensal deste determinado Livro” “os anos de 2001 a 2002, a Requerente anexa os Balancetes Mensais adaptandose ás exigências da SRF” “aos arquivos digitais é necessário informar de forma incisiva que nos períodos após o 2° trimestre/2002, já não há mais movimentação contábil pela Requerente sendo que neste período a mesma encontravas em fase de liquidação” Requer por fim, que: “seja recebido o presente recurso com o efeito devolutivo e julgado procedente em sua totalidade” “sejam juntados os documentos em anexo para devida análise e formalização do crédito pretendido” “sejam os créditos vinculados ao processo em questão julgados procedentes em sua totalidade e creditados em conta bancária informada pela Requerente” “seja toda e qualquer decisão prolatada vinculada ao processo em questão, remetida via AR/MP ao representante legal da Requerente”". O Acórdão 0127.657, da 3ª Turma da DRJ/BEL, Sessão de 05 de novembro de 2013, do qual foi extraído o relatório alhures transcrito, por unanimidade de votos, indeferiu Fl. 7227DF CARF MF Processo nº 13971.720025/200691 Acórdão n.º 3302005.311 S3C3T2 Fl. 4 5 a solicitação contida na manifestação de inconformidade, não reconhecendo o crédito pleiteado, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 LEI Nº 9784/1999. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA. Em face do princípio da especialidade o processo administrativo fiscal é regido primordialmente pelo Decreto nº 70235/1972 aplicandose apenas subsidiariamente os preceitos da Lei nº 9784/1999. NUMERAÇÃO. A numeração do despacho decisório não é obrigatória e sua ausência não é causa de nulidade. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. Diferentemente da hipótese de lançamento de ofício, em que o Fisco deve provar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, comprovar que possui o direito invocado. Assim, ao efetuar o pedido, deve dispor a empresa dos elementos de prova que sustentarão seu pleito, sem o que será indeferido. ALEGAÇÕES ALUSIVAS À SITUAÇÃO ECONÔMICA DO CONTRIBUINTE Estando o julgador administrativo vinculado à letra da lei e incumbido apenas do exame da legalidade do ato administrativo, não lhe é possível exonerar e nem mitigar penalidade prevista em lei vigente em decorrência de constatação de dificuldades financeiras do sujeito passivo. Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, utilizando o princípio da verdade real como fundamento de seu suposto direito ao crédito. Em momento posterior ao protocolo do Recurso Voluntário, a contribuinte compareceu a Delegacia da Receita, requerendo a juntada de novos documentos, que mesmo solicitados diversas vezes pela fiscalização não foram juntados, muito menos foram trazidos ao processo no momento oportuno, qual seja, quando da apresentação da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: Fl. 7228DF CARF MF 6 O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Não há na peça recursal alegação de matérias para discussão em sede de preliminares, razão pela qual passase a deliberar sobre o mérito do processo. I PRELIMINARMENTE Conforme podemos verificar dos documentos juntados ao processo, de suas peças de defesa, bem como de todas as intimações realizadas na fase préprocessual, estamos diante de uma situação em que toda a prova do suposto direito esta a cargo do contribuinte, pois tratase de um pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI. Toda a documentação apresentada pela contribuinte, seja quando da verificação do suposto crédito pela autoridade fiscal, seja quando da juntada ao processo de sua manifestação de inconformidade, foram analisadas e demonstraramse insuficientes para a comprovação do direito. Ressaltase que mesmo a grande quantidade de documento juntada a destempo, uma vez que entregue após a interposição do recurso voluntário, não tem a força de comprovar por si mesmos o crédito pleiteado pela contribuinte. Com efeito, os §§ 4º e 5º, do art. 16 do Decreto 70.235/72, tratam de forma expressa sobre a produção de provas no processo administrativo tributário, observese: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos; § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior Conforme podemos observar da instrução do presente processo, nenhuma das hipóteses trazidas pelo mencionado dispositivo foi observada, não se enquadrando em nenhuma destas a situação econômica enfrentada pela contribuinte, razão pela qual acertada a decisão de se negar o crédito pleiteado tendo em vista a não comprovação de sua existência. Vale ressaltar ainda, que nos termos do art. 373, do Código de Processo Civil, que por disposição expressa é aplicável ao Processo Administrativo, por se tratar de um processo que envolve pedido de ressarcimento por parte do contribuinte, a este cabe a prova de seu direito, observese: Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 7229DF CARF MF Processo nº 13971.720025/200691 Acórdão n.º 3302005.311 S3C3T2 Fl. 5 7 I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; (...) Há que ser ter como acertada também a inaplicabilidade da Lei nº 9.784/1999, pelo menos da maneira como quer a contribuinte, pois como se sabe, a forma como é disciplinado e regido o Processo Administrativo Tributário, é estampada pelo Decreto 70.235/72. A decisão sobre a impossibilidade de ser observada a nulidade por eventual falta de numeração de documentos do processo, também deve ser mantida, pois como claramente demonstrado, tal fato não é considerado pela legislação como uma das hipóteses de nulidade do processo. Por todas as razões acima expostas, entende esse Conselheiro que a decisão de piso deve ser mantida em sua totalidade. II DO MÉRITO No sentir desse Conselheiro a decisão de mérito é atingida de inteiramente pelas disposições tratadas na preliminar, explicase. A Lei nº 9.363/1996 trouxe a possibilidade de utilização pelas empresas produtoras e exportadoras do crédito presumido de IPI, para abatimento dos valores devidos a título das contribuições para o PIS e a COFINS. A Instrução Normativa 38/97, que à época dos supostos créditos estabelecia a forma como este seria apurado, bem como as obrigações acessórias impostas ao contribuinte que pretendia fazer jus ao benefício, indicava a forma e os documentos necessários para a comprovação do direito. Conforme observouse durante toda a fase préprocessual, bem como no decorrer do presente processo, a contribuinte não logrou êxito em comprovar seu suposto crédito, uma vez que não apresentou a documentação hábil para tanto. Desta forma, considerando que não foram cumpridos os requisitos para a fruição do direito pleiteado, entende esse Conselheiro que a decisão de piso deve ser mantida e consequentemente negado provimento ao Recurso Voluntário. II Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, rejeitando a preliminar suscitada e, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 7230DF CARF MF 8 Fl. 7231DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000478/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 20/09/2003 a 31/07/2007
IPI. ISENÇÃO. TÁXIS. CARÊNCIA PROBATÓRIA.
Improcedente o lançamento quando a fiscalização opta por um caminho procedimentalmente fácil, mas juridicamente tormentoso, de contentar-se com a deficiente guarda de documentos pela autuada (ou a falta de zelo desta na checagem de validade de autorizações emitidas pela RFB), para penalizá-la por descumprimento de isenção, sem respaldo normativo e probatório específico.
Numero da decisão: 3401-004.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Fenelon Moscoso de Almeida (que negavam provimento apenas em relação às autorizações vencidas). Os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco votaram com o relator pelas conclusões, por discordarem em relação à limitação à sujeição passiva efetuada pelo relator, que agregará tal circunstância à ementa ao voto, conforme previsão regimental.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 20/09/2003 a 31/07/2007 IPI. ISENÇÃO. TÁXIS. CARÊNCIA PROBATÓRIA. Improcedente o lançamento quando a fiscalização opta por um caminho procedimentalmente fácil, mas juridicamente tormentoso, de contentar-se com a deficiente guarda de documentos pela autuada (ou a falta de zelo desta na checagem de validade de autorizações emitidas pela RFB), para penalizá-la por descumprimento de isenção, sem respaldo normativo e probatório específico.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Fenelon Moscoso de Almeida (que negavam provimento apenas em relação às autorizações vencidas). Os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco votaram com o relator pelas conclusões, por discordarem em relação à limitação à sujeição passiva efetuada pelo relator, que agregará tal circunstância à ementa ao voto, conforme previsão regimental. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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ISENÇÃO. TÁXIS. CARÊNCIA PROBATÓRIA. Improcedente o lançamento quando a fiscalização opta por um caminho procedimentalmente fácil, mas juridicamente tormentoso, de contentarse com a deficiente guarda de documentos pela autuada (ou a falta de zelo desta na checagem de validade de autorizações emitidas pela RFB), para penalizá la por descumprimento de isenção, sem respaldo normativo e probatório específico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Fenelon Moscoso de Almeida (que negavam provimento apenas em relação às autorizações vencidas). Os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco votaram com o relator pelas conclusões, por discordarem em relação à limitação à sujeição passiva efetuada pelo relator, que agregará tal circunstância à ementa ao voto, conforme previsão regimental. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 04 78 /2 00 8- 19 Fl. 700DF CARF MF 2 Renato Vieira de Ávila, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 1 a 611, lavrado em 18/09/2008, para exigência de IPI, no valor original de R$ 1.056.196,13, acrescido de multa de ofício (75%), e juros de mora, totalizando R$ 2.311.133,58, por ter a empresa autuada desrespeitado as normas legais que regem o benefício fiscal de isenção do IPI para táxis, de 20/09/2003 a 31/07/2007. Narra a fiscalização, no Relatório Fiscal de fls. 62 a 70, que: (a) a Lei no 8.989/1995, em seu artigo 3o, com vigência restabelecida pela Lei no 10.182/2001, rege o benefício de isenção de IPI nas revendas a condutores de táxis, tendo sido regulamentada, no período analisado, pelos Decretos no 2.637/1998 e 4.544/2002 (regulamentos do IPI) e pelas Instruções Normativas no 353/2003 e no 606/2006, da Receita Federal; e (b) no universo examinado de aproximadamente 6.400 vendas de automóveis com citada isenção, de 2003 a 2007, foram verificadas as seguintes irregularidades: (b1) falta de inclusão do ICMS isento na base de cálculo do IPI, conforme determina o Parecer Normativo no 6/1983; (b2) vendas de táxis com a isenção sem a Nota fiscal das concessionárias ou sem autorização original da RFB (condições normativas para a concessão), e com documentos ilegíveis, que não permitem a identificação de dados essenciais, ou divergentes das Notas Fiscais das Concessionárias; e (b3) vendas com isenção amparadas por autorizações fazendárias sem validade. Ciente da autuação em 18/09/2008 (fl. 1), a empresa apresentou Impugnação em 16/10/2008 (fls. 131 a 141), alegando, em síntese, que: (a) a base de cálculo do IPI é o valor da operação, portanto, não há qualquer fundamento para a exigência da inclusão, na sua base de cálculo, de ICMS referente a operação isenta desse tributo; (b) não há porque se questionar o imposto em comento em razão da ausência de destaque nas Notas Fiscais, já que o beneficiário da isenção do IPI/Táxi é o taxista e não a autuada, motivo pelo qual se o veículo vendido foi, de fato, destinado a um taxista, que fazia jus à isenção do IPI, não há fundamento para a cobrança do tributo (trazendo anexos documentos para comprovar que os veículos foram vendidos a taxistas – fls. 172 a 600); (c) cumpre ao taxista, ou, quando muito, à concessionária de veículos que vende os carros aos particulares, a responsabilidade pela verificação das condições impostas na lei isencional, o que faz a autuada parte ilegítima para figurar na lide, pois esta não vende veículos aos consumidores, mas às concessionárias, por imposição legal; (d) a Lei no 8.989/1995, ao tratar das obrigações acessórias, não faz nenhuma menção ao fabricante dos veículos; e (e) não incide juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Em 12/12/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 616 a 624), decidindo unanimemente o colegiado administrativo pela procedência parcial da impugnação, sob os seguintes fundamentos: (a) o estabelecimento fabricante fica obrigado ao recolhimento do imposto correspondente, quando der saída de veículo com isenção do IPI, para taxista, em desacordo com as normas e requisitos aos quais estava condicionado o benefício fiscal; (b) apenas na hipótese do ICMS dispensado se tornar exigível é que se deve computar também o montante de tal imposto no cálculo do valor tributável do IPI (exonerandose R$ 114.843,71, e 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 701DF CARF MF Processo nº 16045.000478/200819 Acórdão n.º 3401004.377 S3C4T1 Fl. 701 3 correspondentes multa e juros); (c) não compete à DRJ pronunciarse sobre evento futuro e incerto, como a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Cientificada da decisão de piso em 07/01/2013 (fl. 631), a empresa interpôs recurso voluntário em 05/02/2013 (fls. 634 a 655), reiterando a argumentação exposta em sede de impugnação, no sentido de que o beneficiário da isenção é o taxista, não havendo fundamento para cobrança do tributo na pessoa da recorrente, devendo, quando muito, o tributo ser exigido da concessionária de veículos que vende os táxis, pois o IPI somente será devido se o destinatário final do veículo não for taxista com a devida autorização, sendo desarrazoada a cobrança do tributo apenas porque a concessionária não localizou as autorizações efetivamente concedidas pela RFB. Agrega a defesa, ao final, precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre tema semelhante (apresentação a destempo de certificados de origem), reiterando a demanda pela não incidência de juros de ora sobre o valor da multa de ofício. No CARF, o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, em janeiro de 2017, tendo sido indicado para pauta desde julho de 2017, mas não incluído pelo excesso de número de processos a julgar. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Tendo a DRJ acolhido os argumentos de defesa no que se refere à inclusão de ICMS isento na base de cálculo do IPI, cabe aqui analisar os temas que restam contenciosos: a venda de táxis com isenção sem documentos exigidos pelas normas da RFB, ou amparadas em autorizações sem validade. Imperativo iniciar a análise pelo fundamento legal da autuação, referido à fl. 15: Na Lei no 8.989/1995, principal fundamento legal da autuação, percebese que a isenção de IPI para táxis, como estabelece o texto do artigo 1o: (seja na redação original ou na atribuída pela Lei no 10.690/2003), destinase a: I motoristas profissionais que exerçam, comprovadamente, em veículo de sua propriedade atividade de condutor autônomo de passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público e que destinam o automóvel à utilização na categoria de aluguel (táxi); Fl. 702DF CARF MF 4 II motoristas profissionais autônomos titulares de autorização, permissão ou concessão para exploração do serviço de transporte individual de passageiros (táxi), impedidos de continuar exercendo essa atividade em virtude de destruição completa, furto ou roubo do veículo, desde que destinem o veículo adquirido à utilização na categoria de aluguel (táxi); ou III cooperativas de trabalho que sejam permissionárias ou concessionárias de transporte público de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), desde que tais veículos se destinem à utilização nessa atividade. Tal direito, segundo o artigo 7o da mesma lei, estendese, no caso de falecimento ou incapacitação do motorista profissional alcançado pelos incisos I e II, sem que tenha efetivamente adquirido veículo profissional, ao cônjuge, ou ao herdeiro designado por esse ou pelo juízo, desde que seja motorista profissional habilitado e destine o veículo ao serviço de táxi. As demais leis parecem ter sido incluídas como fundamento da autuação de forma acessória e, às vezes, desconectada da própria imputação fiscal. Vejase que os artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/1964 tratam de sonegação, fraude e conluio, sequer ventilados nas razões de autuação ou no relatório fiscal, e que o artigo 80 da mesma lei, e os artigos 45 e 46 da Lei no 9.430/1996, tratam da exigência de multa de ofício no caso de falta de lançamento do IPI na nota fiscal ou falta de recolhimento. Não apresenta o autuante, assim, nenhum fundamento legal para exigência do tributo da fabricante do veículo, ainda que em caráter de solidariedade. E destaquese que a mesma Lei no 8.989/1995 estabelece nitidamente casos de solidariedade (embora restritos à isenção para “portadores de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal” inciso IV do artigo 1o): “Art. 1o, § 5o Os curadores respondem solidariamente quanto ao imposto que deixar de ser pago, em razão da isenção de que trata este artigo.” (grifo nosso) Não estabeleceu a lei, destaquese, caso expresso de solidariedade do fabricante de veículo vendido a taxista. E também não moveu esforço o autuante para invocar dispositivos do Código Tributário Nacional que apontassem para a responsabilização, isolada ou solidária, da empresa vendedora, argumentando em defesa de sua aplicação. Simplesmente ancorouse a autuação, segundo o relatório fiscal, na obrigação infralegal constante do artigo 5o da IN SRF no 353/2003 e do artigo 5o da IN RFB no 606/2006, conforme se percebe à fl. 69: Fl. 703DF CARF MF Processo nº 16045.000478/200819 Acórdão n.º 3401004.377 S3C4T1 Fl. 702 5 Lendo os referidos artigos 5o, no entanto, encontro a obrigação de o “distribuidor remeter ao fabricante a primeira via da autorização”, e ficar com a “segunda via” da autorização, que é emitida pela própria RFB: IN SRF no 353/2003: “Art. 5o A autoridade competente, se deferido o pleito, emitirá, em três vias, autorização para que o interessado adquira o veículo com isenção do IPI, na forma do Anexo VII, VIII, IX ou X, conforme o caso, sendo que as duas primeiras vias serlheão entregues, mediante recibo aposto na terceira via, a qual ficará no processo. § 1o Os originais das duas vias referidas no caput serão entregues pelo interessado ao distribuidor autorizado, com a seguinte destinação: I a primeira via será remetida pelo distribuidor autorizado ao estabelecimento industrial ou equiparado a industrial; e II a segunda via permanecerá em poder do distribuidor. § 2o O indeferimento do pedido será efetivado por meio de despacho decisório fundamentado. § 3o No caso do § 2o, a unidade da SRF reterá o requerimento, anexando ao processo cópias dos documentos originais fornecidos pelo requerente, devendo estes ser a ele devolvidos no ato da ciência do despacho. § 4o O prazo de validade da autorização referida no caput será de noventa dias, contado da sua emissão, sem prejuízo da possibilidade de formalização de novo pedido pelo interessado, na hipótese de não ser utilizada dentro desse prazo.” (grifos nossos) IN SRF no 606/2006: “Art. 5o A autoridade competente, se deferido o pleito, emitirá, em três vias, autorização para que o interessado adquira o veículo com isenção do IPI, na forma do Anexo VII, VIII, IX ou X, conforme o caso, sendo que as duas primeiras vias serlheão entregues, mediante recibo aposto na terceira via, a qual ficará no processo. § 1o Os originais das duas vias referidas no caput serão entregues pelo interessado ao distribuidor autorizado, com a seguinte destinação: I a primeira via será remetida pelo distribuidor autorizado ao estabelecimento industrial ou equiparado a industrial; e II a segunda via permanecerá em poder do distribuidor. § 2o O indeferimento do pedido será efetivado por meio de despacho decisório fundamentado. Fl. 704DF CARF MF 6 § 3o No caso do § 2o, a unidade da SRF reterá o requerimento, anexando ao processo cópias dos documentos originais fornecidos pelo requerente, devendo estes ser a ele devolvidos no ato da ciência do despacho. § 4o O prazo de validade da autorização referida no caput será de cento e oitenta dias, contado da sua emissão, sem prejuízo da possibilidade de formalização de novo pedido pelo interessado, na hipótese de não ser utilizada dentro desse prazo.” (grifos nossos) § 5o Na hipótese de novo pedido de que trata o § 4º, poderão ser aproveitados, a juízo da autoridade competente para a análise do pleito, os documentos já entregues à SRF. § 6o O beneficiário da isenção deverá enviar à autoridade que reconheceu o benefício cópia da Nota Fiscal relativa à aquisição do veículo, até o último dia do mês seguinte ao da sua emissão.” (grifo nosso) A fiscalização da RFB, de forma cômoda, intima o recebedor de terceira mão do documento (fornecedor), e não o de segunda mão (distribuidoras), ou de primeira (beneficiário) a apresentar uma autorização que, frisese, ela própria emitiu. E, diante da não localização dos documentos pelo recebedor de terceira mão, ou do caráter ilegível de outros documentos, cobra os tributos sem checar se restou cumprida de fato a isenção, ou seja, se a RFB efetivamente autorizou a isenção (art. 3o da Lei no 8.989/1995) e se o veículo foi destinado a taxista (art. 1o da mesma lei). Se já é questionável, seja sob o ponto de vista jurídico ou mesmo lógico, a RFB exigir de empresas documentos emitidos por ela própria, mais avesso à lógica e ao direito ainda é atribuir sem fundamento legal consequência tributária específica ao eventual descumprimento de tal obrigação. Aliás, não há fundamento nem infralegal para a atribuição da consequência de exigência de tributos do fabricante, por descumprimento de norma da IN. Vejamse, por exemplo, os artigos 8o da IN SRF no 353/2003 e da IN RFB no 606/2006, invocadas pela fiscalização: “Art. 8o A aquisição do veículo com isenção, realizada por pessoa que não preencha as condições estabelecidas nesta Instrução Normativa, bem assim a utilização do veículo por pessoa que não exerça a atividade de taxista ou a utilização em atividade diferente da de transporte individual de passageiros, sujeitará o adquirente ao pagamento do IPI dispensado, acrescido dos encargos previstos na legislação, sem prejuízo das sanções penais cabíveis.” A fiscalização confunde o (des)cumprimento da isenção com o descumprimento da obrigação de guarda regular de documentos em boa ordem, por empresa, à qual se aplica sanção diversa. Vejase que a penalidade pela falta de guarda de documentos em ordem ou pelo descumprimento de obrigação acessória independe de ter sido cumprida ou não a isenção. E para sua aplicação seria irrelevante se o veículo efetivamente foi destinado a taxista que cumpre os requisitos da Lei no 8.989/1995. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 16045.000478/200819 Acórdão n.º 3401004.377 S3C4T1 Fl. 703 7 No entanto, a exigência de tributos é incompatível com o cumprimento da isenção, que, no caso, sequer foi efetivamente verificada, porque à fiscalização bastou checar documentos por ela exigidos do fabricante. Reiterese que, ainda que descumpridos os requisitos da IN, seu texto (artigo 8o) apontava para a exigência de tributos do adquirente, e não do fabricante. Parece a fiscalização ter optado por uma caminho procedimentalmente fácil, mas juridicamente tormentoso, de contentarse com a deficiente guarda de documentos pela autuada (ou a falta de zelo desta na checagem de validade de autorizações emitidas pela RFB), para penalizála por descumprimento de isenção, em desacordo com as normas de regência, exigindo os tributos devidos de pessoa distinta do beneficiário, sem respaldo normativo e probatório. E não pode este julgador, por não se revestir da condição de lançador, reenquadrar a fundamentação da autuação, aplicando penalidade diversa, ainda que a entenda cabível. Assim, tenho que, de fato, os elementos apresentados na autuação são insuficientes para a exigência de tributos da autuada, por eventual descumprimento das normas de regência (digo eventual porque a fiscalização não relata um só caso em que tenha sido efetivamente descumprido requisito do artigo 1o ou 3o da Lei de regência, e os descumprimentos da norma infralegal possuem tratamento específico estabelecido nela própria). Resta, então, prejudicada a discussão sobre cabimento de juros de mora sobre a multa de ofício, tendo em vista não restar principal a ser exigido. De qualquer modo, endossase o posicionamento que vem sendo majoritariamente externado pela turma recentemente: “JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. É legítima a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada.” (Acórdão no 3401004.011, de 28/09/2017, Relator Cons. Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Redator designado Cons. Rosaldo Trevisan, vencidos, em relação ao tema, os Cons. André Henrique Lemos, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) Em adição, esclareço que, na votação, conforme registrado em Ata, a maioria do colegiado concordou com os argumentos relativos a carência probatória por parte do fisco, suficientes para afastar o lançamento, e que apenas o Conselheiro Renato Vieira de Ávila endossou os argumentos do relator referentes à limitação da sujeição passiva (que, apesar de restarem vencidos, não influenciaram o resultado final do julgamento). Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 706DF CARF MF 8 Fl. 707DF CARF MF
score : 1.0
