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Numero do processo: 10980.906969/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.730
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 69 69 /2 01 1- 14 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.906969/201114 Acórdão n.º 3402003.730 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.906969/201114 Acórdão n.º 3402003.730 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.906969/201114 Acórdão n.º 3402003.730 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.906969/201114 Acórdão n.º 3402003.730 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.903594/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 03/01/2006
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1823; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.903594/201215 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.564 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de dezembro de 2016 Matéria PIS PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente WYNY DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE COUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 03/01/2006 PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 35 94 /2 01 2- 15 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903594/201215 Acórdão n.º 3402003.564 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.936, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903594/201215 Acórdão n.º 3402003.564 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903594/201215 Acórdão n.º 3402003.564 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903594/201215 Acórdão n.º 3402003.564 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903594/201215 Acórdão n.º 3402003.564 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000501/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007
ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. LANÇAMENTO EFETUADO SOB A VIGÊNCIA DA LEI N.º 10.101/2009. RITO PROCEDIMENTAL.
Para os lançamentos efetuados após a vigência da Lei n.º 12.101/2009, o fisco deve verificar se a entidade cumpre os requisitos previstos na legislação vigente na data dos fatos geradores, todavia, adotando o procedimento da lei nova.
Na peça de acusação, portanto, não basta mencionar a inexistência de ato declaratório de isenção ou sua cassação, há a necessidade de que se apresente quais os requisitos legais necessários ao gozo do benefício fiscal deixaram de ser cumpridos.
Para os créditos constituídos na vigência da legislação anterior, aplicam-se os procedimentos ali traçados.
ERRO DE PROCEDIMENTO. VÍCIO FORMAL.
Quando o fisco adota rito procedimental inadequado à legislação vigente na data do lançamento, este merece ser nulificado por vício formal.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 2402-005.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e declarar a nulidade do lançamento por vício formal.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, Theodoro Vicente Agostinho e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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LANÇAMENTO EFETUADO SOB A VIGÊNCIA DA LEI N.º 10.101/2009. RITO PROCEDIMENTAL. Para os lançamentos efetuados após a vigência da Lei n.º 12.101/2009, o fisco deve verificar se a entidade cumpre os requisitos previstos na legislação vigente na data dos fatos geradores, todavia, adotando o procedimento da lei nova. Na peça de acusação, portanto, não basta mencionar a inexistência de ato declaratório de isenção ou sua cassação, há a necessidade de que se apresente quais os requisitos legais necessários ao gozo do benefício fiscal deixaram de ser cumpridos. Para os créditos constituídos na vigência da legislação anterior, aplicamse os procedimentos ali traçados. ERRO DE PROCEDIMENTO. VÍCIO FORMAL. Quando o fisco adota rito procedimental inadequado à legislação vigente na data do lançamento, este merece ser nulificado por vício formal. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 05 01 /2 01 0- 36 Fl. 943DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e declarar a nulidade do lançamento por vício formal. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, Theodoro Vicente Agostinho e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15540.000501/201036 Acórdão n.º 2402005.513 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir auto de infração decorrente da falta de recolhimento das contribuições para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes de riscos ambientais do trabalho – GILRAT. A lavratura diz respeito ao DEBCAD n.º 37.198.8411, cujas circunstâncias da lavratura encontramse muito bem explanadas no relatório da decisão recorrida: Fl. 945DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Em seu recurso de fls. 789 e segs., a entidade inicialmente discorre acerca de sua atuação como entidade beneficente de assistência social. Depois passa a defender que possuía direito adquirido à isenção e que também cumpria os requisitos da Lei n.º 8.212/1991 para gozar do benefício de não recolher a cota patronal previdenciária. Afirma que possui título de utilidade pública federal desde 18/08/1985, de utilidade pública estadual desde 09/07/1975 e de utilidade pública municipal desde de 13/06/1973, bem como, é portadora de registro no CNAS desde de 13/09/1976, este renovado pelo Conselho Nacional de Assitência Social em 14/04/1997, fazendo, portanto, jus ao direito adquirido à isenção. Alega ainda que o ato administrativo de reconhecimento da isenção visa tão somente declarar o atendimento aos requisitos do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, os quais demonstrou estarem inteiramente atendidos, assim merece a isenção, posto que já a havia requerido ao INSS desde 1986. É o relatório. Fl. 946DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15540.000501/201036 Acórdão n.º 2402005.513 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme despacho de fl. 917, merecendo, portanto, conhecimento. Erro de procedimento Conforme se percebe do relatório, o lançamento foi edificado em razão da entidade haver se enquadrado como isenta do recolhimento das contribuições lançadas, sem, todavia, apresentar ato da administração reconhecendo o benefício fiscal. Outra fato não menos importante é que o lançamento ocorreu em 06/12/2010, com ciência do sujeito passivo na mesma data. Esse marco tem grande relevância, posto que a constituição do crédito tributário ocorreu sob a vigência da Lei n.º 12.101/2009, de 27/11/2009. Esse diploma legal trouxe nova regulamentação sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social, tratando também dos requisitos necessários para isenção das contribuições previdenciárias. Por outro lado, verificase que os fatos geradores (07/2006 a 12/2007) ocorreram quando se encontrava em vigência o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, norma revogada pela Lei n.º 12.101/2009. É cediço que a nova norma trouxe significativas alterações, podendose destacar duas em especial. Primeiro, a determinação de que a responsabilidade pela certificação das entidades beneficentes não seria mais exclusividade do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, ficando a cargo do ministério cuja competência abrange a área de atuação da entidade. A outra alteração relevante foi a desnecessidade da interessada requer à Administração o reconhecimento do benefício fiscal, o qual se dava mediante a emissão de ato declaratório de isenção. A nova disciplina legal causou grande alteração nos procedimentos fiscais, posto que a legislação revogada exigia ao fisco, para efetuar o lançamento baseado na perda da isenção, primeiramente a emissão de informação fiscal demonstrando o descumprimento dos requisitos legais pela entidade, garantindose a esta a possibilidade de se contrapor ao ato em primeira e segunda instâncias. A partir da Lei n.º 12.101/2009, a auditoria fiscal, ao constar a desconformidade da conduta do sujeito passivo com a norma de regência, já pode efetuar o lançamento dos tributos devidos, indicando os dispositivos que teriam sido desrespeitados. É isso que se infere do seu art. 32: Fl. 947DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 "Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção." Essa norma, inegavelmente tem caráter procedimental, uma vez que estabelece os atos a serem seguidos pelo fisco nas fiscalizações das entidades beneficentes de assistência social. Observese que a regra em tela não trata dos requisitos materiais necessários à isenção, mas apenas faz referência a esses e traça o procedimento a ser adotado em caso de desvio da norma de direito material. É oportuno esclarecer ainda que, por se tratar de norma de natureza procedimental, em consonância com disposto no art. 144, § 1º, do CTN, o comando normativo veiculado pelo art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009 deve ser aplicado na data da formalização do lançamento. Eis o dispositivo mencionado: "Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." Não tenho dúvida de que o art. 32 da Lei n.º 12.101/2009 introduziu novo procedimento para o fisco, subsumindose inteiramente ao § 1.º do art. 144 do Código Tributário Nacional CTN, motivo pelo qual deve ser aplicado na data do lançamento, independentemente deste se referir a fatos geradores ocorridos sob os auspícios do regramento jurídico precedente. Tanto isso é verdade que, os processos de pedido de reconhecimento e de cancelamento de isenção ainda pendentes de julgamento deixaram de seguir seu curso normal e passaram a ser devolvidos para as unidades competentes da Administração Tributária, conforme determinação do Decreto n.º 7.237, de 20/07/2010: “Art. 44. Os pedidos de reconhecimento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador. Parágrafo único. Verificado o direito à isenção, certificarseá o direito à restituição do valor recolhido desde o protocolo do pedido de isenção até a data de publicação da Lei n.º 12.101, de 2009. Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da Fl. 948DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15540.000501/201036 Acórdão n.º 2402005.513 S2C4T2 Fl. 5 7 isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei n.º 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador.” Observase que o Decreto que regulamentou à Lei n.º 12.101/2009 (posteriormente revogado pelo Decreto n.º 8.242/2014) era enfático ao determinar que os pedidos de reconhecimento de isenção e os processos de cancelamento de isenção submetamse à nova sistemática de reconhecimento deste benefício fiscal. Assim, de acordo com o texto regulamentar transcrito, os requisitos para gozo da isenção deverão ser aqueles previstos na legislação vigente à época do fato gerador, todavia, o rito procedimental há de se adequar a novel legislação. Diante dessas considerações, vejo que andou mal a autoridade lançadora quando, tendo efetuado o lançamento sob a égide da Lei n.º 12.101/2009, adotou o procedimento da lei antiga, desrespeitando o § 1.º do art. 144 do CTN. Essa conclusão encontrase em consonância com a jurisprudência desta turma de julgamento, como se pode observar dos acórdãos abaixo transcritos: Acórdão n.º 2402004.623, de 10/03/2015, Rel. Cons. Ronaldo de Lima Macedo ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 APLICAÇÃO DAS REGRAS PREVISTAS NA LEI 12.101/2009 E NO DECRETO 7.237/2010. POSSIBILIDADE. REGRAS PROCEDIMENTAIS. A nova Lei 12.101/2009, apesar de revogar o art. 55 da Lei 8.212/1991, estabeleceu que o auto de infração relatará os fatos que demonstram o não atendimento dos requisitos para o gozo da imunidade. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. OCORRÊNCIA. É nulo o lançamento efetuado se não há a demonstração de todos os requisitos determinados na legislação tributária, consignados na Lei 12.101/2009 e no Decreto 7.327/2010. A motivação por remissão (per relationem ou aliunde), que consiste em se reportar às razões fáticas consignadas na fundamentação de outro documento do Fisco, poderá ser utilizada, desde que não haja previsão expressa na legislação tributária exigindo o relato dos fatos dentro do período do lançamento e no próprio auto de infração. Em outras palavras, os fatos evidenciados pelo Fisco deverão constar no próprio auto de infração relativo ao período do lançamento, sob pena de configuração da nulidade formal. Recurso Voluntário Provido. Fl. 949DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 No mesmo sentido caminhou o Acórdão n.º 2402003.246, cujo voto vencedor foi redigido pelo Conselheiro Thiago Taborda Simões: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. APRESENTAÇÃO DO CEBAS NÃO ACOMPANHADO DE ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO JUNTO AO INSS NOS TERMOS DO § 1° DO ART. 55 DA LEI N° 8.212/91. A Recorrente é entidade portadora do CEBAS Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social que sofreu autuação sob o fundamento de que, apesar de reconhecidamente de natureza filantrópica, não atendeu a formalidade prevista no § 1° do art. 55 da Lei n° 8.212/91, segundo a qual a entidade deveria protocolar pedido de isenção junto ao INSS, a ser apreciado em 30 (trinta) dias e, somente a partir do deferimento, estaria esta alcançada pela isenção. DISPOSITIVO REVOGADO À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 106, II, DO CTN. RETROATIVIDADE DE NORMA SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. O art. 55 da Lei n° 8.212/91, à época da autuação, já se encontrava revogado pela Lei n° 12.101/09. A partir da revogação e com a nova redação dada à matéria em questão, passouse a desconsiderar a indispensabilidade do requerimento previsto pelo §1°. Apesar de a autoridade fiscal ter justificado a autuação por terem os fatos geradores ocorrido quando da vigência do dispositivo, patente a observância do quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional. Uma vez revogado o dispositivo, ainda que ocorridos supostos fatos geradores quando de sua vigência, se a nova disposição legal for mais favorável ao contribuinte, possível a aplicação retroativa da nova norma. Portanto, ante a inexistência na norma vigente de previsão que imponha procedimento de formalidade junto ao INSS para fins de gozo da isenção, aplicase ao caso o quanto dispõe o art. 106, II, do CTN. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE. ATO DECLARATÓRIO. EFEITO EX TUNC. Analisando a lógica imposta tanto pela previsão constitucional de imunidade quanto pela Lei n° 12.101/09, não se pode chegar a conclusão distinta daquela no sentido de que a concessão do CEBAS é ato meramente declaratório da condição da entidade e, em assim sendo, possua efeitos ex tunc. Neste sentido o Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento. Citese como exemplo o julgamento do REsp n° 768.889/DF, de relatoria do Min. Castro Meira. Assim, considerando o quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional, bem como os efeitos retroativos concedidos ao CEBAS, voto pelo conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, para Fl. 950DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15540.000501/201036 Acórdão n.º 2402005.513 S2C4T2 Fl. 6 9 reconhecer que a entidade Recorrente encontravase alcançada pela imunidade/isenção de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido. Como se percebe, o entendimento majoritário desta Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara é de que seja adotada a tese de que, para os créditos constituídos após a edição da Lei n.º 12.101/2009, devese observar o rito procedimental ali previsto, não sendo suficiente para fundamentar o lançamento a mera citação de que a entidade não possuía ou teve cassado o Ato Declaratório de Isenção. Frisese que este entendimento referese apenas aos procedimentos fiscais levados a efeito após a edição da nova lei, não tratando dos créditos constituídos na vigência do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991. No caso sob comento, apreciandose o relatório fiscal, observase que a autoridade lançadora não cuidou de elencar os fatos que comprovam o desatendimento dos requisitos da isenção. Naquele relato, o fisco apresenta como motivo para o lançamento apenas a inexistência de Ato Declaratório de Isenção. Nessa toada, não podemos inferir, com base nas informações prestadas pela Fazenda se no período do lançamento houve o descumprimento dos requisitos do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991 que viesse a constituir motivo para que a autuada estivesse impedida de usufruir da isenção. Esse vício, ocasionado por procedimento de fiscalização efetuado com base em legislação revogada para mim é motivo para que se decrete a nulidade do lançamento por defeito no rito da auditoria . A natureza da mácula é tema a ser tratado no tópico seguinte. Vício formal Inicialmente, devemos fazer um breve comentário acerca dos elementos que constituem o procedimento de lançamento, para depois tratar das consequências jurídicas advindas de vícios em cada uma das partes que compõem o ato procedimental de constituição do crédito tributário e, por fim, aplicar essa teorização ao caso trazido a lume. Compõem o ato de lançamento: a) Requisitos: são as formalidades que integram a substância do ato de lançamento, fazendo parte de sua própria estrutura. São tratados no art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Assim, a descrição do fato gerador, a determinação da base de cálculo, a aplicação da alíquota para obter o valor do tributo e a identificação do sujeito passivo são considerados requisitos do lançamento. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 b) Pressupostos: são as formalidades que, malgrado não integrem a estrutura do lançamento, são imprescindíveis para a formação do ato, a exemplo de cientificação do início do procedimento fiscal, intimação para apresentação de documentos, cumprimento de normas internas de Administração Tributária que interferem no cálculo dos consectários legais do crédito, inadequação do procedimento de apuração à legislação de regência e equívoco na citação dos fundamentos legais, etc. c) Condições: são providências que dão eficácia ao ato de lançamento, que sucedem a realização do mesmos, como é o caso da notificação ao sujeito passivo. Quando a mácula situase nos requisitos do lançamento, devese fulminálo por vício material, nos casos em que a autoridade julgadora esteja convencida de que efetivamente ocorreu o fato gerador, todavia, tenha verificado a ocorrência de falha na sua descrição, no cálculo do tributo ou na identificação do sujeito passivo. Ao contrário, os vícios situados nos pressupostos e condições do lançamento pedem o seu saneamento ou a declaração de vício formal, quando a mácula não possa ser afastada. Nessas situações, o ato pode ser refeito, sem alteração nos seus aspectos substanciais, posto que a falha localizase em elemento exterior ao lançamento. Ainda sobre os requisitos do lançamento, para as situações em que as provas colacionadas e a motivação do fisco não trazem o convencimento da ocorrência do fato gerador, posto que o mesmo não restam suficientemente demonstrados pela Autoridade Fiscal, há de se declarar a improcedência do lançamento. Votemos ao caso concreto. A falha cometida pelo fisco sem dúvida não se deu nos requisitos do lançamento, posto que os fatos geradores, as bases de cálculo, as alíquotas e a identificação do sujeito passivo estão apresentados com perfeição. O vício detectado situase em pressuposto do lançamento, referente ao rito procedimental observado na constituição do lançamento, que, fora de dúvida, não se confunde com os requisitos essenciais do crédito tributário. O fato do fisco, na sua narrativa haver adotado como motivação para o lançamento apenas a inexistência de Ato Declaratório de Isenção, quando deveria, nos termos do procedimento previsto na legislação vigente na data do lançamento, ter mencionado os requisitos legais que teriam sido descumpridos, não afeta o fato gerador, a base de cálculo, as alíquotas ou a identificação do sujeito passivo, tampouco impacta nos próprios requisitos da necessários ao gozo da isenção, que existem independentemente de haver um pronunciamento formal da administração quanto à existência do direito ao benefício fiscal. É certo dizer que este direito não se modifica em razão da análise ser feita mediante solicitação do sujeito passivo ou mediante procedimento de ofício. Observese que aqui os requisitos legais para isenção são aqueles do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, posto que os fatos geradores ocorreram sob a égide desta legislação, e essas exigências legais não sofrem qualquer interferência em razão do momento da verificação do seu cumprimento. Se houve o cumprimento dos requisitos materiais previstos na lei o direito à isenção existirá, quer a análise deste direito seja feita previamente por impulso do sujeito passivo, quer seja realizada em ação fiscal. No meu entender, o vício decorrente de inadequação de procedimento de fiscalização, por não se situar nos requisitos do lançamento, é de natureza formal. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15540.000501/201036 Acórdão n.º 2402005.513 S2C4T2 Fl. 7 11 Nesse mesmo caminho, embora com argumentos mais convincentes, trilhou o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, quando ao relatar o processo no qual foi exarado o Acórdão n.º 2402004.623, cuja ementa transcrevi acima, lançou as seguintes ponderações: "Sobre o vício praticado entendo ser o mesmo de natureza formal, pois o Fisco delineou uma motivação instrumental (procedimental e processual) equivocada do contexto legal, ensejando um lançamento que, conquanto identifique a infração imputada, não atende de forma adequada a determinação da sua exigência nos termos da legislação tributárioprevidenciária. De mais a mais, com a declaração de nulidade por vício formal, a situação de fato e de direito que permeia o fato gerador da contribuição previdenciária patronal não se modificará, permanecendo intangível – tanto nos registros contábeis da Recorrente como na legislação aplicável à época de sua ocorrência – os elementos (ou aspectos) que compõem tal fato gerador. Logo, não há que se falar em vício material, já que o vício apontado anteriormente não atinge os elementos substanciais desse fato gerador; em outras palavras o vício evidenciado nos autos não atinge os elementos enumerados no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (g.n.) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Em respeito à regra do art. 173, inciso II, do CTN, ressalto que o Fisco deverá cientificar o sujeito passivo dessa decisão e tomar as devidas providências estampadas na regra retromencionada, que concede ao Fisco um prazo de 5 (cinco) anos, da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulada, por vício formal, o lançamento anterior, para que o crédito seja constituído por meio de lançamento substitutivo. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (g.n.)" Diante do exposto, concluo que o lançamento deve ser anulado por vício formal, facultandose ao fisco, caso conclua pela inexistência do direito à isenção, a possibilidade de lançar as contribuições, no prazo fixado no inciso II do art. 173 do CTN. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 Conclusão Voto por conhecer do recurso e anular o lançamento por vício formal. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 11516.001989/2004-17
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL.
Acolhem-se, em parte, Embargos de Declaração visando a complementar acórdão embargado na parte em que foi atendida apenas parcialmente determinação judicial de análise de pontos de divergência apontados no Recurso Especial, e em que, provido o Recurso Especial da Fazenda Nacional, com o consequente provimento de recurso de ofício da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), deixaram de ser analisados argumentos constantes da Impugnação.
Numero da decisão: 9101-002.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente dos Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte e, na parte conhecida, por voto de qualidade, em acolhê-los parcialmente, com efeitos infringentes parciais, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento em maior extensão em relação às despesas alegadas, pela sua totalidade. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Julgamento iniciado na sessão de 18/10/2016 no período da tarde e concluído na sessão de 22/11/2016 no período da manhã.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL. Acolhem-se, em parte, Embargos de Declaração visando a complementar acórdão embargado na parte em que foi atendida apenas parcialmente determinação judicial de análise de pontos de divergência apontados no Recurso Especial, e em que, provido o Recurso Especial da Fazenda Nacional, com o consequente provimento de recurso de ofício da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), deixaram de ser analisados argumentos constantes da Impugnação.
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ACOLHIMENTO PARCIAL. Acolhemse, em parte, Embargos de Declaração visando a complementar acórdão embargado na parte em que foi atendida apenas parcialmente determinação judicial de análise de pontos de divergência apontados no Recurso Especial, e em que, provido o Recurso Especial da Fazenda Nacional, com o consequente provimento de recurso de ofício da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), deixaram de ser analisados argumentos constantes da Impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente dos Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte e, na parte conhecida, por voto de qualidade, em acolhêlos parcialmente, com efeitos infringentes parciais, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento em maior extensão em relação às despesas alegadas, pela sua totalidade. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Julgamento iniciado na sessão de 18/10/2016 no período da tarde e concluído na sessão de 22/11/2016 no período da manhã. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 19 89 /2 00 4- 17 Fl. 5951DF CARF MF Processo nº 11516.001989/200417 Acórdão n.º 9101002.477 CSRFT1 Fl. 5.952 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pelo contribuinte relativamente aos Acórdãos nºs 9101002.051, de 11 de novembro de 2014 (efls. 1.437 a 1.453), e 9101002.163, de 18 de janeiro de 2016 (efls. 5.831 a 5.841), que complementou aquele. Referidos Embargos (efls. 5.863 a 5.871), a que foram dados seguimento parcial (efls. 5.927 a 5.930), foram assim resumidos (efls. 5.927 e 5.928): a) que, com relação ao Acórdão nº 9101002.051, de 11 de novembro de 2014, este deixou de analisar parte das divergências apontadas, incorrendo em contradição e omissão sanável por meio dos Embargos; b) que essas divergências são: (a) impossibilidade de manutenção dos lançamentos reflexos; (b) inexistência de MPF para as exigências autônomas de PIS e COFINS; (c) inaplicabilidade da multa agravada em virtude da obtenção dos arquivos de controle operacional de títulos e da ausência de prejuízo à fiscalização; (d) impossibilidade de agravamento da multa pela inexistência de documentos a serem disponibilizados; e (e) qualificação da multa; c) que, no tocante ao Acórdão nº 9101002.163, de 18 de janeiro de 2016, a matéria de mérito que abordou a apuração do lucro real restou prejudicada, uma vez que a DRJ Florianópolis acatou preliminar da Impugnação, afastando a tributação de IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 1999 a 2002, decisão mantida pela 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, que negou provimento ao recurso de ofício interposto; d) que, tendo sido revertidas as decisões de 1ª e 2ª instâncias, deveria o acórdão ter determinado o retorno do processo à DRJ, para análise das matérias de mérito relativas à tributação de IRPJ e CSLL pelo lucro real, ocasionando cerceamento do direito de defesa e supressão de instâncias administrativas; e) que as matérias a serem analisadas são: (a) necessidade de consideração das despesas e perdas indicadas nos arquivos eletrônicos; e (b) efeito da apuração das receitas a título de reembolso de tarifas bancárias na apuração do IRPJ e da CSLL pelo regime de lucro real; f) que o acórdão embargado fundamentouse em outras razões para dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e restabelecer a tributação pelo Pis e pela Cofins, incidentes nas receitas financeiras da Embargante; Fl. 5952DF CARF MF Processo nº 11516.001989/200417 Acórdão n.º 9101002.477 CSRFT1 Fl. 5.953 3 g) que o acórdão embargado classifica equivocadamente as receitas tributadas pelo Pis e Cofins como operacionais; h) que os juros cobrados nos títulos pagos em atraso não são receitas operacionais da atividade de factoring, conforme estabelecido no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 31/97; e i) que a decisão embargada padece, portanto, de contradição acerca da natureza dos juros cobrados nas obrigações pagas em atraso pelos clientes da Embargante, e as razões que levaram à sua caracterização como receita operacional. Por sua vez, o seguimento parcial foi assim fundamentado (efls. 5.928 a 5.930, destaques do original): Da análise dos autos, entendo que devem ser admitidos, em parte, os presentes Embargos, conforme se demonstra a seguir. Com relação ao Acórdão nº 9101002.051, de 11 de novembro de 2014, apesar de terse entendido que, por determinação judicial, o recurso especial da Embargante deveria ser submetido à CSRF, fundamentouse, ele, para limitar as matérias a serem analisadas, no contido na sentença exarada no Mandado de Segurança nº 5466597.2011.4.01.3400, da Seção Judiciária do Distrito Federal, em 29 de agosto de 2012, de seguinte teor (efls. 1.445): Assim, tendo em vista a relação de dependência ao Mandado de Segurança já sentenciado neste Juízo de nº 21947 47.2011.4.01.3400 e demonstrado que havia julgamentos divergentes no que se refere à realização de perícia sem a presença ou o conhecimento da Contribuinte bem como a insegurança jurídica da prova consubstanciada em planilhas de computador, foi arbitrária a decisão que não recebeu o Recurso Especial, pelo que assiste razão ao impetrante. DISPOSITIVO Face ao exposto, concedo a segurança [para] determinar o recebimento e processamento do Recurso Especial interposto pela Impetrante no Processo nº 11516.001989/200417, para que sejam analisados os pontos de divergência pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sucede, porém, que, em sentença proferida em Embargos de Declaração opostos pela ora Embargante no mesmo Mandado de Segurança, o mesmo Juízo houve por bem, em data de 9 de abril de 2013, assim decidir (destaque do original): CÍRIO ADMINISTRADORA DE VALORES LTDA opôs embargos de declaração contra a sentença de fls. 1487/1491, requerendo complementação da parte dispositiva da sentença para constar ordem para “que sejam analisados os pontos de divergência pela Câmara Superior de Recursos Fiscais indicados pelo contribuinte na peça recursal”. Decido. Inexiste omissão a ser sanada, pois a sentença embargada concedeu a segurança na forma requerida na inicial (fl. 37), determinando que a Câmara Superior de Recursos Fiscais receba, Fl. 5953DF CARF MF Processo nº 11516.001989/200417 Acórdão n.º 9101002.477 CSRFT1 Fl. 5.954 4 processe e analise o Recurso Especial interposto pela autora justamente quanto aos pontos de divergência nele apontados. Portanto, REJEITO os embargos de declaração interpostos, mantendo a sentença embargada em todos os seus termos. Observase, portanto, que algumas matérias deixaram de ser analisadas pela CSRF, uma vez que não juntada aos autos esta última sentença, quando da prolação do Acórdão nº 9101 002.051, de 11 de novembro de 2014, pelo que devem ser agora analisadas, à exceção das a seguir relacionadas. A matéria relativa à “impossibilidade de manutenção dos lançamentos reflexos” restou prejudicada, uma vez que restabelecido o lançamento no que respeita ao IRPJ e à CSLL, relativamente aos anoscalendário de 1999, 2000, 2001 e 2002 (efls. 5.840). É que aquela matéria se fundamentava na impossibilidade de manutenção dos lançamentos reflexos diante do cancelamento do IRPJ para os anos 1999 a 2002. A matéria concernente à “inexistência de MPF para as exigências autônomas de PIS e COFINS” também restou prejudicada, pelo mesmo motivo acima. Essa matéria se fundamentava na inexistência de MPF que desse suporte às exigências autônomas de PIS e COFINS, em face do cancelamento do IRPJ para os anos 1999 a 2002. A matéria atinente à “qualificação da multa” não deve ser analisada, por se tratar de mera “questão de ordem” arguida pela Embargante, então recorrente, e não de “ponto de divergência” com a jurisprudência do CARF e da CSRF. Não foi indicado qualquer acórdão paradigma, não, estando, pois, essa matéria, albergada pela decisão judicial. Restam ser analisadas pela CSRF, por conseguinte, as seguintes matérias: a) inaplicabilidade da multa agravada em virtude da obtenção dos arquivos de controle operacional de títulos e da ausência de prejuízo à fiscalização; e b) impossibilidade de agravamento da multa pela inexistência de documentos a serem disponibilizados. No tocante ao Acórdão nº 9101002.163, de 18 de janeiro de 2016, o fato de ter restado prejudicada a matéria que abordou a apuração do lucro real, uma vez que a DRJ Florianópolis afastou a tributação de IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 1999 a 2002, decisão mantida pela 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, que negou provimento ao recurso de ofício interposto, não induz a que seja determinado o retorno do processo à DRJ, para análise dessa matéria. É que não se trata, no caso, de acatamento de preliminar pela DRJ, posteriormente rejeitada por esta CSRF. Aquela DRJ entendeu ser incabível a apuração pelo lucro real; esta CSRF entendeu ser cabível essa apuração. Logo, cumpre apenas ser examinado, por este Colegiado (e não pela instância a quo), a matéria decorrente desse cabimento. Fl. 5954DF CARF MF Processo nº 11516.001989/200417 Acórdão n.º 9101002.477 CSRFT1 Fl. 5.955 5 Restam ser analisadas pela CSRF, por conseguinte, as seguintes matérias, além das já anteriormente indicadas: a) necessidade de consideração das despesas e perdas indicadas nos arquivos eletrônicos; e b) efeito da apuração das receitas a título de reembolso de tarifas bancárias na apuração do IRPJ e da CSLL pelo regime de lucro real. No respeitante à afirmação de que o acórdão embargado teria se fundamentado em outras razões para dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e restabelecer a tributação pelo Pis e pela Cofins, incidentes nas receitas financeiras da Embargante, observase que aquele recurso especial se fundamentou na contrariedade à lei ou à evidência da prova. Ora, na medida em que foi efetivamente constatada, pelo acórdão embargado, a existência de contrariedade à lei, consistente em se aplicar norma legal inaplicável ao caso,1 atendido está o escopo desse recurso, privativo da Fazenda Nacional, não havendo, pois, que se falar em decisão extra petita. Por fim, quanto à questão relacionada aos juros cobrados nos títulos pagos em atraso não serem receitas operacionais da atividade de factoring, a decisão embargada apenas explicitou o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que tais receitas são oriundas das atividades empresariais das empresas de factoring. É o Relatório. 1 O § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, esclareço. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese à: a) inaplicabilidade da multa agravada, em virtude da obtenção dos arquivos de controle operacional de títulos e da ausência de prejuízo à fiscalização; b) impossibilidade de agravamento da multa pela inexistência de documentos a serem disponibilizados; c) necessidade de consideração das despesas e perdas indicadas nos arquivos eletrônicos; e d) efeito da apuração das receitas a título de reembolso de tarifas bancárias na apuração do IRPJ e da CSLL pelo regime de lucro real. Fl. 5955DF CARF MF Processo nº 11516.001989/200417 Acórdão n.º 9101002.477 CSRFT1 Fl. 5.956 6 Com relação às alegadas “inaplicabilidade da multa agravada, em virtude da obtenção dos arquivos de controle operacional de títulos e da ausência de prejuízo à fiscalização” e “impossibilidade de agravamento da multa pela inexistência de documentos a serem disponibilizados”, cumpre reconhecer que, no presente caso, o só fato de ter a fiscalização logrado obter os arquivos de controle operacional de títulos não é de molde a excluir a infração cometida pela Embargante, de que resultou o agravamento da multa. Destaco, de início, a existência de Termo de Embaraço de Fiscalização, lavrado de efls. 132 a 137, assim fundamentado (destaque do original): Por todo o exposto, a fiscalização encontrase, desde o início dos seus trabalhos, em setembro do corrente, sendo ludibriada e dificultada pelos atos e alegações insubsistentes dos sócios e procurador da empresa, que, por fim: alegam “haver perdido” os dados informatizados, como se assim fosse possível em uma empresa com o porte de mais de quarenta funcionários e movimentação financeira aproximada de R$ 50.000.000,00 por ano; alegam não cumprirem, deliberadamente, a legislação tributária; alegam não guardarem os documentos necessários à escrituração pelo regime do Lucro Real, embora por este regime tem entregue as DIPJ anteriores; alegam não existirem boletos bancários ou outros documentos bancários, já tendo o contador esclarecido que trabalham com o Banco de Crédito Nacional e outros; não entregam relação de contas bancárias, nem os extratos pertinentes, facilmente obtidos junto às instituições bancárias; e, ainda, vão “avaliar” se fazem ou não a escrituração, pedindo um prazo de quarenta dias para esta avaliação, descumprindo a Intimação Fiscal que intimou a fiscalizada a fazêla e demonstrando evidente intuito protelatório dos seus atos. Desta forma, lavrase o presente Termo de Embaraço à Fiscalização, e REINTIMASE a fiscalizada, a partir da ciência deste: [...]. O não atendimento de qualquer dos itens desta Reintimação, nos prazos previstos, ensejará a aplicação da multa agravada, conforme art. 959 do RIR/99, sem prejuízo das sanções penais que couberem. Esclareço, também, que as informações obtidas pela fiscalização somente o foram em face de diversos Mandados de Busca e Apreensão procedidos judicialmente pela Polícia Federal, por solicitação do Ministério Público Federal, após Representação Fiscal dirigida a este, em várias cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina onde se localizavam estabelecimentos da Embargante (efls. 154 a 206), após as suas contínuas negativas e evasivas. Fl. 5956DF CARF MF Processo nº 11516.001989/200417 Acórdão n.º 9101002.477 CSRFT1 Fl. 5.957 7 Assim, se conseguiu a fiscalização, por outros meios (judiciais), obter as informações que lhe foram reiteradamente sonegadas pela Embargante, significa dizer que não é verdade que “dispunha a fiscalização das informações requeridas”, conforme constou de um dos paradigmas por ela apontados em seu Recurso Especial, ou que havia a suposta “incapacidade de o contribuinte cumprir as intimações”, como constou de outro dos paradigmas por ela indicados. No tocante à pretensa “necessidade de consideração das despesas e perdas indicadas nos arquivos eletrônicos”, é bem de se ver que a Embargante entregou as DIPJ’s relativas aos anoscalendário de 1998 a 2002, no regime de tributação do Lucro Real, sendo que nenhuma alteração foi procedida nos dados dessas declarações pela fiscalização. Logo, todas as despesas e perdas, porventura incorridas por ela, já constam de suas declarações de renda (cf. Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal, efls. 345): Importante informar que os demais elementos informados nas DIPJ’s não foram objeto de alteração de ofício. Assim, havendo despesas ou perdas que não tenham constado de suas declarações de renda e, pois, de sua contabilidade, teriam, elas, por sua vez, o tratamento de novas omissões de receitas (art. 281, inciso II, do RIR/1999 – falta de escrituração de pagamentos efetuados), não podendo, pois, ser consideradas como despesas, para efeito de exclusão de omissões de receitas. A omissão de receitas se deveu, no caso, ao fato de a Embargante apenas tributar as receitas oriundas do Banco BCN e de não tributar (omitir) as receitas provenientes de outros bancos (cf. Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal, efls. 329): Analisando as receitas informadas nas planilhas encontradas no material apreendido (fls. 02 a 132 do Anexo 05) com as informadas nas DIPJ dos anoscalendário de 1999 a 2002 (Anexo 03 A), conforme já descrito no item anterior, verificou se que a fiscalizada declarou e pagou os tributos apenas sobre o valor apurado nas operações cujos pagamentos ocorreram através do Banco de Crédito NacionalBCN. Isto pode ser constatado confrontandose os valores mensais das contribuições informadas nas DIPJ (Anexo 03 A) e os valores mensais do Banco BCN constantes das planilhas Excel (fls. 02 a 132 do Anexo 05). A fiscalização analisou também os extratos bancários obtidos através das RMFs. Conforme já relatado, a fiscalizada realizou as operações de compras e cobranças de títulos através dos Bancos do Brasil e de Crédito Nacional BCN. Em maior volume, porém, através do Banco do Brasil, conforme extratos bancários (Anexos 01 A a J e Anexos 02 A a D). Por fim, quanto ao “efeito da apuração das receitas a título de reembolso de tarifas bancárias na apuração do IRPJ e da CSLL pelo regime de lucro real”, procede a irresignação da Embargante, como segue (cf. Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal, efls. 324, 327 e 328, grifei): Esclareçase que, de acordo com o “Regulamento Geral das Operações de Fomento Mercantil” (fls. 210 a 216), encontrado entre os materiais apreendidos pela Polícia Federal, são cobrados das empresas contratantes, na realização das Fl. 5957DF CARF MF Processo nº 11516.001989/200417 Acórdão n.º 9101002.477 CSRFT1 Fl. 5.958 8 operações de compra de títulos, e, portanto, compõem receita tributável, os valores dos seguintes campos do arquivo DFAREG: [...]. Tarifa: além da comissão “ad valorem” e do diferencial (deságio), são cobradas das empresas contratantes as tarifas bancárias. [...]. Na receita informada na planilha “DEMO TIT OPERADOS.xls” (fls. 133/134 do Anexo 05), não contém o valor cobrado das empresas contratantes a título de tarifa bancária, que deve fazer parte da receita auferida conforme Ato Declaratório Normativo COSIT nº 51, [de] 28/09/1994, que assim definiu: [...]. De acordo com este ADN, o valor da receita é a diferença entre o valor expresso no título de crédito e o valor negociado e pago pela empresa de factoring. Portanto, o valor deduzido dos títulos de créditos adquiridos a título de “tarifa”, ainda que seja tarifa posteriormente desembolsada para cobrança desses títulos nos bancos, compõe o valor da receita de factoring. [...]. Além da omissão acima apurada, conforme comentado no item anterior, constatouse, através do arquivo DFAREG (Anexo 08), que, no valor da receita auferida pela filial “Capital” (fls. 133 do Anexo 05), não foi incluído o valor cobrado a título de “Tarifa”, apurando assim a diferença que consiste em omissão de receita, de acordo com o quadro a seguir: [...]. Tratandose, pois, de despesa (tarifa bancária) oriunda da própria receita omitida (antecipação de tarifa bancária), não se lhe aplica o que foi dito anteriormente, quanto à indedutibilidade de despesas não contabilizadas, devendo ser excluído do lançamento fiscal, no que se refere ao IRPJ e à CSLL, os seguintes valores da matéria tributável do ano calendário de 2002: MÊS TRIMESTRE Janeiro 5.615,58 Fevereiro 3.552,33 Março 3.928,18 Primeiro 13.096,09 Abril 4.256,72 Maio 3.913,49 Junho 4.025,80 Segundo 12.196,01 Julho 4.309,93 Agosto 6.953,61 Setembro 8.248,84 Terceiro 19.512,38 Outubro 6.458,16 Novembro 5.008,61 Dezembro 4.129,70 Quarto 15.596,47 TOTAL 60.400,95 60.400,95 Fl. 5958DF CARF MF Processo nº 11516.001989/200417 Acórdão n.º 9101002.477 CSRFT1 Fl. 5.959 9 Isto posto, acolho, em parte, os Embargos apresentados pelo contribuinte, com efeitos infringentes parciais, para sanar as omissões apontadas e reduzir a matéria tributável do IRPJ e da CSLL relativa ao anocalendário de 2002. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Conforme art. 63, §§ 6º e 7º do Anexo II do RICARF, tendo em vista que não foi apresentada no prazo regimental, considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 5959DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.720677/2015-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.951
Decisão: Vistos e relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter os presentes autos em diligência, nos termos do voto do Relator.
ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1065; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 523 1 522 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.720677/201582 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401000.951 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de setembro de 2016 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA IPI IMPORTAÇÃO BENEFÍCIO FISCAL Recorrente COTIA VITORIA SERVICOS E COMERCIO S/A E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos e relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter os presentes autos em diligência, nos termos do voto do Relator. ROBSON JOSÉ BAYERL – Presidente FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 09 .7 20 67 7/ 20 15 -8 2 Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10909.720677/201582 Resolução nº 3401000.951 S3C4T1 Fl. 524 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração, lavrado em 01/04/2015 (fls1. 3/33) e cientificado na mesma data (TERMO à fl. 299), em razão de falta de recolhimento de IPI Importação (arts. 1º, 2º, inc. I, 13, 14, alínea “b”, 26, inc. I, 34 e 35, alínea “b”, da Lei nº 4.502/64, c/c art. 1º, do DecretoLei nº 34/66); e para exigência de multa, com base no art. 84 da MP nº 215835/2001, c/c art. 69, da Lei n° 10.833/2003; e art. 4º, c/c o item 8, do anexo único, da IN SRF nº 680/2006, por omissão de informação de natureza administrativo tributária, referente a fatos geradores ocorridos entre 28/08/2013 e 12/09/2013, totalizando crédito tributário no valor original de R$21.220.561,34, conforme quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) do Auto de Infração. A exigência foi cientificada aos solidários: COTIA VITÓRIA SERVIÇOS E COMÉRCIO S/A, em 01/04/2015, (TERMO à fl. 299); e ELECSONIC COMÉRCIO LTDA, em 25/04/2015, (EDITAL à fl. 301). No quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) do Auto de Infração às fls. 26/33, restou consignado que: (a) entre 26/08/2013 e 12/09/2013 a COTIA VITÓRIA SERVIÇOS E COMÉRCIO S/A importadora registrou 28 (vinte e oito) Declarações de Importação DI (Nacionalização de Entreposto Aduaneiro), tendo como encomendante a responsável solidária ELECSONIC COMÉRCIO LTDA, elencando às fls. 26/27; (b) a encomendante impetrou, em 06/02/2013, o Mandado de Segurança nº 19.727 DF, junto ao STJ, apontando como autoridade coatora o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio MDIC, pedindo que desse ordem para apreciar seu requerimento de habilitação no Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores INOVAR AUTO (benefício fiscal de redução da alíquota do IPI em 30 pontos percentuais) e não utilizar o disposto no art. 22, §2º do Decreto nº 7.819/2012 (veículos constantes do anexo VI da norma estariam excluídos da redução do IPI) como impedimento ao deferimento de seu requerimento; (c) em 23/08/2013, em cumprimento de decisão liminar no MS nº 19.727DF, acatando ambos os argumentos levantados pela impetrante, foi publicada a Portaria MDIC nº 260/2013, habilitando Sub Judice a encomendante no programa INOVAR AUTO, no período de 01/08/2013 a 31/07/2014, e autorizando a importadora a importar até 292 veículos entre 01/08/2013 e 31/12/2013, com redução de alíquotas do IPI, prevista no artigo 22, inciso II, do Decreto nº 7.819/2012; (d) em 03/10/2013, houve sentença, transitada em julgado em 10/12/2013, reconhecendo à impetrante apenas o direito da autoridade coatora (MDIC), apreciar seu requerimento de habilitação, no prazo de 30 dias; (e) conclui a acusação fiscal que, em razão da decisão liminar ter sido declarada insubsistente, retirou do mundo jurídico a ordem judicial que amparava a publicação do ato administrativo de habilitação sub judice (Portaria MDIC nº 260, de 22/08/2013, revogada pela Portaria MDIC nº 83, de 25/04/2014), o qual teria perdido seus efeitos desde o dia de seu nascimento; (d) como conseqüência, constituiu crédito tributário de IPI, nas importações de tratores rodoviários para semireboque, classificados no código NCM 8701.20.00, á aliquota de 30%, reduzidas à ZERO, pelo artigo 22, inciso II, do Decreto nº 7.819/2012, exclusivamente para empresas habilitadas no Programa INOVAR AUTO; além de multa por omissão da informação de natureza administrativotributária, quanto ao tipo e identificação do processo formalizado na esfera judicial (MS nº 19.727DF) que trate de pendência, consulta ou autorização relacionada à importação objeto do despacho. 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10909.720677/201582 Resolução nº 3401000.951 S3C4T1 Fl. 525 3 Cientificada do Auto de Infração, em 01/04/2015, (TERMO à fl. 299), COTIA VITÓRIA SERVIÇOS E COMÉRCIO S/A, apresentou Impugnação, em 30/04/2015 (fls. 311/335), alegando, em síntese: (a) erro na sujeição passiva, afirmando que a exigência do imposto devido no Programa INOVAR AUTO deve ser dirigida unicamente ao encomendante, habilitado no programa, nunca ao importador por encomenda; (b) ausência da prática de conduta antijurídica; e impossibilidade de figurar como sujeito passivo, por não ter dado causa ao não recolhimento; ao menos, quanto à não incidência de multa e juros de mora; (c) ilegitimidade da exigência do IPI à alíquota de 30%; (d) inexistência de omissão de informação e improcedência da multa isolada. Cientificada do Auto de Infração, em 25/04/2015, (EDITAL à fl. 301), ELECSONIC COMÉRCIO LTDA, apresentou Impugnação, em 26/05/2015 (fls. 398/409), alegando, em síntese: (a) nulidade na sujeição passiva solidária, por ausência de termo de sujeição passiva com as razões da imputação da solidariedade, "...ainda mais patente no que se refere à multa isolada por erro no preenchimento das DIs." (fl. 403); (b) ilegitimidade da exigência do IPI no desembaraço aduaneiro sobre bens importados para revenda (c) descabimento da exigência do IPI à alíquota de 30%; (d) ilegitimidade da aplicação da multa punitiva (75%). A decisão de primeira instância, proferida em 15/07/2015 (fls. 439/452) é pela improcedência da impugnação e manutenção do crédito tributário. Acordando a DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 28/08/2013 a 12/09/2013 INOVAR AUTO. HABILITAÇÃO. CANCELAMENTO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. AFASTAMENTO. Afastada a liminar que habilitava o encomendante no Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores INOVAR AUTO, deve ser igualmente afastada a redução de alíquota do imposto sobre produtos industrializados vinculada ao programa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 28/08/2013 a 12/09/2013 INFORMAÇÃO DO PROCESSO JUDICIAL. OMISSÃO. MULTA. A multa aplicase ao importador que prestar de forma inexata informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. As informações relacionadas à existência de processo judicial com autorização relacionada à importação objeto do despacho, devem ser informadas pelo importador nas respectivas declarações de importação, conforme estabelecido em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Importador e encomendante respondem solidariamente pelos tributos e infrações relacionados aos despachos de importação que promoverem. Responsabilidade objetiva prevista na legislação de comércio exterior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10909.720677/201582 Resolução nº 3401000.951 S3C4T1 Fl. 526 4 Após ciência ao acórdão de primeira instância (TERMO à fl. 459) em 17/07/2015, COTIA VITORIA SERVICOS E COMERCIO S/A apresentou o recurso voluntário de fls. 491/514, em 17/08/2015, em essência, reiterando a argumentação expressa na impugnação. O solidário ELECSONIC COMÉRCIO LTDA, não foi intimado do acórdão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de Auto de Infração, em razão da falta de recolhimento de IPIImportação (arts. 1º, 2º, inc. I, 13, 14, alínea “b”, 26, inc. I, 34 e 35, alínea “b”, da Lei nº 4.502/64, c/c art. 1º, do DecretoLei nº 34/66); e para exigência de multa, com base no art. 84 da MP nº 215835/2001, c/c art. 69, da Lei n° 10.833/2003; e art. 4º, c/c o item 8, do anexo único, da IN SRF nº 680/2006, por omissão de informação de natureza administrativotributária, referente a fatos geradores ocorridos entre 28/08/2013 e 12/09/2013. Preliminar Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar questão preliminar, ora suscitada de ofício, no que referese a ausência de intimação ao solidário ELECSONIC COMÉRCIO LTDA do acórdão de primeira instância. Compulsando os autos, depareime com o fato de inexistir qualquer documento ou informação que ateste a data em que o solidário ELECSONIC COMÉRCIO LTDA foi cientificado do Acórdão nº 0737.598 1ª Turma da DRJ/FNS (fls. 439/452). Nesse sentido, proponho que se baixe o presente à Alfândega da Receita Federal do Brasil do Porto De Itajaí/SC, em diligência, para que a autoridade preparadora intime o solidário ELECSONIC COMÉRCIO LTDA do acórdão de primeira instância, juntando aos autos cópia do documento que formalizou o ato de ciência, facultado recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência, nos termos da legislação em vigor. Posteriormente, os autos devem retornar ao CARF, para prosseguimento. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 526DF CARF MF
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Numero do processo: 10070.000245/95-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1991, 1992
PEDIDO DE PERÍCIA. MOTIVOS APRESENTADOS NÃO A JUSTIFICAM. QUESITOS SOBRE A MATÉRIA A SER EXAMINADA NÃO APRESENTADOS. ÚNICA MATÉRIA RECURSAL. INVIABILIDADE DO DEFERIMENTO DA PROVA PERICIAL
A Fiscalização demonstrou a extrapolação do limite de receita e a consequente perda do direito à opção pela tributação pelo lucro presumido. Para o deferimento da produção de prova por meio de perícia, além da exposição dos motivos que a justifiquem, é obrigatória a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, entre outros, em atendimento ao disposto no art. 16, Dec. nº 70.235, de 06/03/1972.
Numero da decisão: 1302-002.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, momentaneamente os Conselheiros Marcelo Calheiros Soriano e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, momentaneamente os Conselheiros Marcelo Calheiros Soriano e Alberto Pinto Souza Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1991, 1992 PEDIDO DE PERÍCIA. MOTIVOS APRESENTADOS NÃO A JUSTIFICAM. QUESITOS SOBRE A MATÉRIA A SER EXAMINADA NÃO APRESENTADOS. ÚNICA MATÉRIA RECURSAL. INVIABILIDADE DO DEFERIMENTO DA PROVA PERICIAL A Fiscalização demonstrou a extrapolação do limite de receita e a consequente perda do direito à opção pela tributação pelo lucro presumido. Para o deferimento da produção de prova por meio de perícia, além da exposição dos motivos que a justifiquem, é obrigatória a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, entre outros, em atendimento ao disposto no art. 16, Dec. nº 70.235, de 06/03/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, momentaneamente os Conselheiros Marcelo Calheiros Soriano e Alberto Pinto Souza Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 02 45 /9 5- 74 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10070.000245/9574 Acórdão n.º 1302002.007 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Despacho nr. 427 de 18/04/2001, relativamente aos valores lançados no Auto de Infração de fls.02 a 35, referentes ao arbitramento do imposto de renda sobre pessoa jurídica. O arbitramento do lucro foi efetuado tendo por base a receita bruta conhecida por meio dos valores declarados pela interessada nos livros fiscais de saída de mercadorias e discriminados, pelo Fiscal autuante, por filiais, às fls.09, bem como sobre os respectivos acréscimos moratórios. Não obstante os fatos e fundamentos sustentados em impugnação, o referido Despacho, que julgou procedentes em parte os lançamentos efetuados para considerar devido, nos exercícios de 1991 e 1992, o Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, no montante de 51.543,58 UFIR, acrescidos: a) de multa de ofício no percentual de 50%, no exercício de 1991 e de 75%, no exercício de 1992; b) dos juros de mora a serem recalculados à época do pagamento excluída a TRD no período de 04/02/1991 a 29/09/1991. Julgou improcedente o lançamento do valor da multa por atraso na entrega da declaração no montante de 15.574,12 UFIR que foi excluída pela aplicação da multa de ofício; e Julgou improcedentes os lançamentos de CSLL, nos exercícios de 1991 e 1992, no valor de 9.173,08 UFIR, por falta de previsão da base de cálculo, na lei de regência do tributo. Analisadas as razões de impugnação da recorrente, a DRF concluiu seu julgamento nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1991,1992 Ementa: ARBITRAMENTO DO LUCRO. A receita bruta anual superior ao limite estabelecido para tributação pelo lucro presumido obriga a empresa à escrituração regular dos livros comerciais obrigatórios, cuja a falta autoriza o arbitramento do lucro (art. 41, da Lei n° 7.799/1989 e art. 24, da Lei n° 8.218/1991). RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. A lei nova aplicase a ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática (art. 44 da Lei n° 9.430/1996, art. 106, II, "c", da Lei n° 5.172/1996). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A multa por lançamento de oficio exclui a multa por falta ou atraso na entrega da declaração. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10070.000245/9574 Acórdão n.º 1302002.007 S1C3T2 Fl. 4 3 Exercício: 1991,1992 Ementa: CSLL. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE DETERMINAÇÃO EXPRESSA DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. INEXIGIBILIDADE. Inexigíveis os lançamentos efetuados se a lei, vigente à época do fato gerador, não determinava, expressamente, a base de cálculo da Contribuição sobre o lucro arbitrado. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE A empresa foi regularmente intimada da Decisão, em 07/05/2001 (fl. 88) e interpôs Recurso Voluntário, em 06/06/2001 (fl. 90), cujas razões de defesa são resumidamente apresentadas a seguir: a) alegou nulidade do auto de infração; b) que não teve intenção de fraude, nem mesmo ilicitude; c) que o arbitramento teria desrespeitado princípios "comezinhos" do Direito, garantias constitucionais; e que só poderia ser utilizado em medida extrema; d) invocou o princípio da legalidade; e) requereu e alegou que, no caso, seria imprescindível a realização de perícia; salientando que a fiscalização teria se equivocado ao interpretar como venda da recorrente, as operações realizadas pela empresa Liottas Com. e Imp. e Exp. Ltda. o que teria excedido o limite de sua receita, perdendo o direito a optar pela tributação pelo lucro presumido; f) que na 16ª alteração contratual, mais precisamente na cláusula 3ª teria constado erroneamente como encerradas as atividades da filial da Av. Suburbana no ano 1991, sob a alegação de que o encerramento correto teria se dado no mês de junho de 1990, visto que a partir de agosto de 1990, se instalou neste local a empresa Liottas Com. e Import. e Export. Ltda.; juntou xerox de seu alvará, contrato social e de documento expedido pela Secretaria Estadual de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro para ser afixado na máquina registradora. É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL Na forma relatada, a empresa está regularmente representada e o recurso voluntário é tempestivo. Conheço do recurso. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10070.000245/9574 Acórdão n.º 1302002.007 S1C3T2 Fl. 5 4 Verificase que o recurso voluntário traz como pedido central, a necessidade de se realizar perícia contábil, com o objetivo de sanar o alegado equívoco da fiscalização, com relação à interpretação de que, teriam sido vendas realizadas pela recorrente, as transações que em realidade teriam sido efetuadas pela empresa Liottas Com. e Imp. e Exp. Ltda. Sustenta que esse equívoco teria sido o motivo da extrapolação do limite de sua receita, perdendo o direito a optar pela tributação pelo lucro presumido. Para reforçar seu pedido de perícia contábil, a recorrente sustenta que na 16ª alteração contratual, mais precisamente na cláusula 3ª. (fl. 120) teria constado erroneamente como encerradas as atividades da filial da Av. Suburbana no ano 1991, sendo que o encerramento correto teria se dado no mês de junho de 1990 (fl. 121 ), visto que a partir de agosto de 1990, se instalou neste local a empresa Liottas Com. e Import. e Export. Ltda.; juntou xerox de seu alvará, contrato social e de documento expedido pela Secretaria Estadual de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro para ser afixado na máquina registradora. Sobre essa alegação a Decisão recorrida, assim registrou: Ao contrário. A própria interessada parece não ter certeza, pois, declara que o engano "talvez" tenha sido em função, da sobredita firma estar estabelecida no mesmo endereço em que funcionou a interessada, até o ano de 1990. Novo engano. Do que se lê na cláusula terceira, da 16ª Alteração Contratual (fls.23), a filial, estabelecida na Av. Suburbana n° 5.474, lojas 315/316, Piso S, teve seu encerramento efetivado em 1991. A documentação apresentada em nome da empresa Liottas Comércio, Importação e Exportação Ltda. (cópia do recibo de entrega de declaração de rendimentos, do contrato social, fls. 52/56) é alheia ao objeto dos autos, não sendo prova capaz de ilidir os valores declarados pela própria interessada em seu livros fiscais. Verifico que, quanto às demais alegações, como a nulidade do auto de infração; de que não teria havido intenção de fraude, nem mesmo ilicitude; que o arbitramento teria desrespeitado princípios "comezinhos" do Direito, garantias constitucionais; que só poderia ser utilizado em medida extrema; e a alegação de que teria havido infração ao princípio da legalidade, a defesa da recorrente cingiuse a considerações genéricas. Não se adentrou nas demais matérias específicas julgadas na Decisão Monocrática recorrida. Com efeito, considerando que a contribuinte centrouse no referido pedido de perícia contábil e que não trouxe em suas razões de recurso todas as demais matérias julgadas na Decisão Monocrática recorrida, passo à análise do pedido Entendo que não seria suficiente a justificar o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a realização de perícia contábil, a alegação de que, por equívoco, teria constado na referida cláusula terceira da alteração décima sexta do contrato social da contribuinte, o encerramento de suas atividades no ano 1991, e que o encerramento correto teria se dado no mês de junho de 1990. É certo que, nos termos do art. 16, Dec. nº 70.235, de 06/03/1972, para o deferimento da produção de prova por meio de perícia, além da exposição dos motivos que a justifiquem, é obrigatória a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, entre outros. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10070.000245/9574 Acórdão n.º 1302002.007 S1C3T2 Fl. 6 5 Da mesma forma, não alcança os efeitos pretendidos pela recorrente a alegação de que a partir de agosto de 1990, se instalou neste local a empresa Liottas Com. e Import. e Export. Ltda. Quanto à cópia alvará de funcionamento, contrato social e de documento expedido pela Secretaria Estadual de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro para ser afixado na máquina registradora, entendo, também, que não há como acolhêlos com a força probande arguida pela recorrente. No que diz respeito, à nova empresa que teria se instalado no mesmo endereço da recorrente desde 1990, a fiscalização verificou que a documentação apresentada em nome da empresa Liottas Comércio, Importação e Exportação Ltda. (cópia do recibo de entrega de declaração de rendimentos, do contrato social, fls. 52/56) não se refere ao objeto dos autos. De outro lado, a fiscalização certificou que a própria recorrente registrou em seus livros os valores em questão, que seriam os responsáveis pela extrapolação do limite para o lucro presumido. Vejase, a seguir transcrito, os fundamentos da fiscalização para o arbitramento do lucro: Razão do Arbitramento Exercício/Mês 1991 e 1992 Exercício 1991, Período Base 1990 A empresa demonstrou no Quadro 11 da Declaração de Rendimentos o valor de receita operacional de Cr$95.166.603 e pelo levantamento efetuado com base no Livro de Saída de Mercadorias constatouse o total de Cr$103.014.814. Ocorre que a mesma entregou a declaração de rendimentos em 11/08/1994. Não efetuou o recolhimento do tributo. Exercício 1992, Período Base 1991 A empresa procede da mesma forma como descrito no ano anterior, porém declarou no Quadro 11 o valor de Cr$271.752.643 e apurouse pelo Livro de Saída de Mercadorias o valor de R$421.430.817. Os documentos da Liottas Comércio, Importação e Exportação Ltda., portanto, não permitem afastar tais valores declarados pela própria contribuinte. Nesse sentido, entendo que não há nos autos demonstração suficiente de que realmente seria possível alterar a conclusão da decisão recorrida, por meio de uma perícia contábil. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10070.000245/9574 Acórdão n.º 1302002.007 S1C3T2 Fl. 7 6 Fl. 202DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.002957/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROVA PERICIAL. SUPERAÇÃO DO CERCEAMENTO DE DEFESA.
A realização de diligência fiscal solicitada por este CARF supera a alegação de cerceamento de defesa pelo não exame da totalidade das provas.
COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO.
A aquisição de material de embalagem gera direito ao crédito da Cofins não cumulativa, conforme IN 247/2002.
COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO.
Tendo a fiscalização comprovado que determinados bens estão ligados diretamente à produção, deve ser deferido o direto creditório, já que inexistente a controvérsia.
COFINS. CRÉDITO. BENS NÃO RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO.
Não é possível o creditamento sobre despesas que não guardam relação direta com o processo produtivo do contribuinte ou que não foram devidamente comprovadas.
(ementa conforme Acórdão n.º 3201-001.689)
RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-002.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares. No mérito, por unanimidade deu-se provimento parcial ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Mércia Trajano D'Amorim e José Luiz Feistauer.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Tatiana Josefovicz Belisario e Jorge Rubem Folena De Oliveira
Ausente, justificadamente, os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROVA PERICIAL. SUPERAÇÃO DO CERCEAMENTO DE DEFESA. A realização de diligência fiscal solicitada por este CARF supera a alegação de cerceamento de defesa pelo não exame da totalidade das provas. COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. A aquisição de material de embalagem gera direito ao crédito da Cofins não cumulativa, conforme IN 247/2002. COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. Tendo a fiscalização comprovado que determinados bens estão ligados diretamente à produção, deve ser deferido o direto creditório, já que inexistente a controvérsia. COFINS. CRÉDITO. BENS NÃO RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO. Não é possível o creditamento sobre despesas que não guardam relação direta com o processo produtivo do contribuinte ou que não foram devidamente comprovadas. (ementa conforme Acórdão n.º 3201001.689) RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 29 57 /2 00 7- 05 Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares. No mérito, por unanimidade deuse provimento parcial ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Mércia Trajano D'Amorim e José Luiz Feistauer. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Tatiana Josefovicz Belisario e Jorge Rubem Folena De Oliveira Ausente, justificadamente, os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão 0720.091 da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (fls. 355 e seguintes). O feito foi assim relatado pela DRJ: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, cumulado com declaração de compensação, de créditos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, nãocumulativa, decorrentes de operações no mercado interno, que remanesceram ao final do quarto trimestre de 2005, após as deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: (a) aquisição de embalagens destinadas ao transporte dos produtos industrializados: entendeu a autoridade fiscal que não geram direito de crédito, por não se enquadram no conceito de insumo, as aquisições de materiais empregados em embalagens exclusivamente de transporte. (b) duplicidades: foram glosados valores referentes a despesas com empilhadeiras, informados como insumos no DACON, por já terem sido declarados em linha própria Linha 06 — Despesas de alugueis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica; Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10925.002957/200705 Acórdão n.º 3201002.249 S3C2T1 Fl. 1.094 3 (c) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: foram glosados os créditos efetuados a título de depreciação relativos a bens do ativo imobilizado adquiridos antes de 01/05/2004, face a limitação da utilização desse tipo de crédito imposta pela Lei n° 10.865/2004; os demais créditos foram glosados em razão de a autoridade fiscal considerar que as máquinas e equipamentos não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso, a produção de maçã. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, encaminhou a contribuinte sua manifestação de inconformidade, por meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. A contribuinte inicia contestando a glosa dos créditos relativos às aquisições de embalagens. Primeiro, esclarece que parte do total glosado referese a embalagens de transporte, que independentemente de sua função, consistem de insumos consumidos no processo de industrialização. Em relação à outra parte do valor glosado, afirma referiremse a embalagens aplicadas no acondicionamento de seu produto, que por objetivarem destacar e valorizar as frutas aos olhos do consumidor, caracterizamse como sendo de apresentação, e, portanto, dando direito de crédito. Assim argumenta: O acondicionamento da fruta ocorre após ultrapassado a fase de beneficiamento, as frutas dentro das caixas, são dispostas em camadas, assentadas em bandejas especialmente projetadas para separar, em cavidades, uma fruta da outra, mostrando ao consumidor o bom porte da maçã. Inclusive objetivando acentuar a característica da fruta, promovendo o produto. Á própria cor da bandeja merece menção em razão de sua notória influência da apresentação da maçã frente ao consumidor, destacando a fruta, de cor vermelha em oposição a cor da bandeja. Referido acondicionamento é feito em caixas de papelão com bom acabamento em sua parte externa, contendo dizeres, figuras e símbolos de fins promocionais, impressos com a finalidade de valorizar o produto. Conforme pode ser observado, o processo de acondicionamento aos quais as maçãs são submetidas possui o objetivo de promover o produto através de sua apuradas apresentação aos olhos dos potenciais consumidores, preservando, também, a sua integridade, mas não somente isso. Argumenta que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Nesse sentido, faz expressa remissão ao inciso II do art. 3ª da Lei n° 10.833 e ao Art. 8° na IN/SRF 404/2004 para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Traz a consulta respondida pela SRRF da 8ª Região Fiscal, a fim de corroborar a acepção ampla para o conceito de insumo. Menciona, ainda, a contribuinte, dispositivo legal que trata do IPI, no caso o Decreto 4.544/2002, que, a seu juízo, define o que se deve considerar como operação de industrialização (art. 4°) e como embalagem de transporte (art. 6°); e faz referência a uma decisão da DRJ/Juiz de Fora/MG para respaldar seu entendimento de que não cumpridos os requisitos postos no citado decreto, restam caracterizadas as embalagens de que se utiliza como de apresentação. Ao final, alternativamente pugna, caso não se entenda que as embalagens sejam de apresentação, pela realização de diligência à SAORT a fim de que se possa comprovar tal fato. Em outro item de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte contesta a glosa do crédito vinculado a aquisição de ÁCIDO ASCÓRBICO, defendendo que tal produto consiste de insumo consumido durante o processo produtivo. Por fim, contesta a glosa dos créditos relativos aos encargos com depreciação e amortização de bens incorporados ao ativo imobilizado argumentando que estes são empregados em sua atividade produtiva, que esclarece, pode ser dividida em duas partes: pomares e "packinghouse". Assim explica: a) Bens utilizados nos pomares: nesse grupo podese dar destaque aos tratores e implementos agrícolas utilizados para produção e desenvolvimento dos frutos. Tais implementos são utilizados no transporte, adubação do solo e na aplicação de defensivos usados no controle de pragas e desenvolvimento dos frutos. Esses procedimentos são efetuados a cada nova safra e visam especificamente a produção dos frutos. Também foram glosadas caixas de apicultura, cujas abelhas são utilizadas para a polinização dos pomares, caixa d'agua e poços artesianos usados para irrigação das plantas e diluição de defensivos e sanitários utilizados nos pomares. Os bens do ativo imobilizado utilizados nos pomares são de fundamental importância para o cultivo e produção da maçã, tendo, portanto, ação efetiva sobre o produto final. b) Bens utilizados no "packinghouse": também foram glosados bens inclusos no packinghouse, tais são utilizados no processo final da industrialização dos frutos aprimorando o processo produtivo. Entre os bens que se encontram no packinghouse, podese dar destaque as estruturas de aço que ficam dentro das câmaras frigoríficas para armazenagem de Bins com frutas sendo uma espécie de "prateleira gigante" Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10925.002957/200705 Acórdão n.º 3201002.249 S3C2T1 Fl. 1.095 5 (Conjunto porta pallets em aço galvanizado a fogo (drive in), adquirido em 16/12/2004), bem como as peças utilizadas na classificadora de frutas (inversor de frequência e câmara com lente e filtro) que servem para separar os frutos por cor e calibre. (...) Nos pomares ocorre todo o cultivo das plantas desde sua implantação até o momento da colheita. Ao longo do ano são realizados vários procedimentos (poda, adubação, irrigação, polinização, tratamentos fotossanitários e colheita) tendo como objetivo chegar a uma safra de qualidade. No "packinghouse" ocorre a industrialização dos frutos produzidos nos pomares. São lavados, selecionados e classificados de acordo com a cor e calibre, e embalados. Após estas etapas são vendidos ou acondicionados em câmaras frias que possuem o objetivo de conservar os produtos para que a venda possa ocorrer ao longo do ano. (...) A descrição dos bens glosados acima demonstra que estes são essenciais ao cultivo e industrialização da maçã, sendo aplicados diretamente no processo produtivo da empresa.... Afirma a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso na Lei n.° 10.833/2003, no seu art. 3°, VI e VII e art. 15, II, que possibilita a apuração de créditos sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação de produtos destinados à venda e também edificações e benfeitorias utilizadas nas atividades da empresa". A corroborar seu entendimento, transcreve a ementa da Solução de Consulta n° 182 de 27 de dezembro de 2007. Ante essas alegações, pede, a contribuinte, que seja reformado o Despacho Decisório para que sejam incluídos na base de cálculo dos créditos de COFINS nãocumulativo os valores contestados. A Turma Julgadora julgou a Impugnação parcialmente procedente, restando assim ementada a decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUIVIOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da nãocomutatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a título de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Intimado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 402 e seguintes, reiterando os argumentos da Impugnação no que diz respeito às glosas mantidas. Os autos foram remetidos a este CARF para julgamento e distribuídos ao Relator Luciano Lopes de Almeida Armando. Por unanimidade de votos, deliberouse pela conversão do feito em diligência, nos seguintes termos: Discutese nos autos a possibilidade de creditamento de PIS não cumulativo sobre a aquisição de embalagens destinadas ao Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10925.002957/200705 Acórdão n.º 3201002.249 S3C2T1 Fl. 1.096 7 transporte e apresentação dos produtos industrializados e da depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, dentre outros. A decisão da DRJ afastou a glosa relativa aos bens que entendeu tenha sido comprovada sua utilização na industrialização dos produtos. A recorrente se irresigna, pleiteando o direito integral ao seu crédito. Como vemos, o debate se restringe a questões mais materiais que formais, pois a base da decisão proferida foi de negar provimento ao pleito da contribuinte porque esta não logrou comprovar suas alegações, como vemos às fls.334: A razão pela qual estas considerações são feitas neste item preambular do voto é a de que, como se verá em relação a grande parte dos créditos pleiteados no presente processo (ver itens a seguir), a contribuinte se limita a apresentar listagens, registros contábeis e documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. O que se dizer aqui firmar, portanto, é que quando tal imprecisão na identificação da origem e natureza do crédito atinge de modo generalizado o pedido formulado pelo contribuinte, não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus 'onus probandi') por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Vemos que o contribuinte logrou juntar aos autos diversos documentos que, no seu entender, comprovariam o seu direito. A fiscalização, a contrario sensu, entendeu que aquelas informações e documentos não a satisfaziam, não sendo as necessárias para comprovar os referidos bens como insumos e, assim, deferir o direito de crédito pleiteado. Entretanto, ao contrário de intimar o contribuinte a apresentar o restante das informações que entendia necessárias para análise do pleito, entendeu por bem dar andamento e julgar o processo no estado em que se encontrava. Assim, na falta de todas as provas e informações que entendia deveriam ter sido prestadas, que foi negado grande parte do pleito pretendido pela recorrente. Entendo que se as informações e comprovações prestadas pela recorrente não eram satisfatórias para a autoridade fiscalizadora/julgadora, deveria a contribuinte ter sido intimada a complementála, e não simplesmente negar o seu direito. Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 Assim, entendo que o processo deva ser ajustado, em diligência, para fins de esclarecimento da real aplicação dos bens ora debatidos no processo produtivo da recorrente, com vistas a afastar a obscuridade existente nos autos e possibilitar o real exame do tema posto em discussão. Desta feita, entendo deva ser baixado em diligência o processo para que a autoridade preparadora verifique se todos os bens ora debatidos são utilizados diretamente no setor produtivo da empresa, listandoos. Nos casos em que entender não o sejam, especificar a sua efetiva utilização, listando os mesmos bens. Ainda, deve ser intimado o contribuinte a juntar aos autos cópia integral do mandado de segurança mencionado às fls. 06 ou, alternativamente, cópia das partes principais (inicial, sentença, acórdãos), bem como certidão narratória do processo. A Fiscalização apresentou a INFORMAÇÃO FISCAL SAORT 20140113 CCV (fls. 958 e seguintes), aduzindo que parte das glosas deixaram de ser contestadas pelo contribuinte, e mantendo os fundamentos das demais. Intimado do resultado da Diligência, o Contribuinte alegou, em síntese, que os itens glosados pela Fiscalização integram o seu processo produtivo e, portanto, dão direito à crédito do PIS não cumulativo. (fls. 1021 e seguintes) Os autos, então, retornaram ao CARF e, tendo em vista que o D. Relator originário não mais compõe este colegiado, foram a mim distribuídos por sorteio eletrônico, conforme "ATA DO MÊS DE MARÇO DE 2016 DA PRIMEIRA TURMA ORDINÁRIA DA SEGUNDA CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO". É o relatório. Voto Conselheira Relatora Tatiana Josefovicz Belisário A matéria em debate cingese à definição do conceito de insumo trazido pelas Lei nº 10.637/02 e 10.833/03 para fins de autorização da apuração de créditos de PIS e Cofins. A partir dessa definição, com a exata compreensão das atividades exercidas pelo contribuinte, é que se deve passar ao exame de cada uma das classes de créditos apropriados. Essa questão já é há muito debatida por essa Turma julgadora e por esse CARF, inclusive, com diversas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais que vêm concluindo pela necessária distinção do conceito de insumo da legislação do PIS e da COFINS relativamente ao IPI (conceito restritivo) e do Imposto de Renda (conceito amplo). Especificamente quanto ao Recorrente, essa mesma Turma Julgadora já se manifestou em reiteradas oportunidades, sempre para reconhecer o direito ao crédito sobre os bens diretamente empregados no processo produtivo. Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10925.002957/200705 Acórdão n.º 3201002.249 S3C2T1 Fl. 1.097 9 Pois bem. Passase a analisar cada um dos itens objeto de Recurso Voluntário. PRELIMINARMENTE DESCONSIDERAÇÃO INDEVIDA DAS PROVAS APRESENTADAS E INDEVIDO INDEFERIMENTO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA — CERCEAMENTO DE DEFESA Nesse aspecto, atenhome ao que foi consignado pelo Relator originário do feito quando da solicitação de diligência fiscal, que torno parte integrante das presentes razões de decidir: Discutese nos autos a possibilidade de creditamento de PIS não cumulativo sobre a aquisição de embalagens destinadas ao transporte e apresentação dos produtos industrializados e da depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, dentre outros. A decisão da DRJ afastou a glosa relativa aos bens que entendeu tenha sido comprovada sua utilização na industrialização dos produtos. A recorrente se irresigna, pleiteando o direito integral ao seu crédito. Como vemos, o debate se restringe a questões mais materiais que formais, pois a base da decisão proferida foi de negar provimento ao pleito da contribuinte porque esta não logrou comprovar suas alegações, como vemos às fls.334: A razão pela qual estas considerações são feitas neste item preambular do voto é a de que, como se verá em relação a grande parte dos créditos pleiteados no presente processo (ver itens a seguir), a contribuinte se limita a apresentar listagens, registros contábeis e documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. O que se dizer aqui firmar, portanto, é que quando tal imprecisão na identificação da origem e natureza do crédito atinge de modo generalizado o pedido formulado pelo contribuinte, não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus ónus probandí) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Vemos que o contribuinte logrou juntar aos autos diversos documentos que, no seu entender, comprovariam o seu direito. A fiscalização, a contrario sensu, entendeu que aquelas informações e documentos não a satisfaziam, não sendo as necessárias para comprovar os referidos bens como insumos e, assim, deferir o direito de crédito pleiteado. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 Entretanto, ao contrário de intimar o contribuinte a apresentar o restante das informações que entendia necessárias para análise do pleito, entendeu por bem dar andamento e julgar o processo no estado em que se encontrava. Assim, na falta de todas as provas e informações que entendia deveriam ter sido prestadas, que foi negado grande parte do pleito pretendido pela recorrente. Entendo que se as informações e comprovações prestadas pela recorrente não eram satisfatórias para a autoridade fiscalizadora/julgadora, deveria a contribuinte ter sido intimada a complementála, e não simplesmente negar o seu direito. Assim, entendo que o processo deva ser ajustado, em diligência, para fins de esclarecimento da real aplicação dos bens ora debatidos no processo produtivo da recorrente, com vistas a afastar a obscuridade existente nos autos e possibilitar o real exame do tema posto em discussão. Pelo exposto, entendo que a questão restou superada com a diligência ordenada por este CARF, que determinou a análise da documentação apresentada, bem como a realização de demais verificações acerca dos itens glosados a fim de verificar o correto emprego dos itens no processo produtivo da Recorrente. Quanto ao mérito, consoante razões recursais, a matéria deve ser analisada sob os seguintes tópicos: 04.1 QUANTO AS EMBALAGENS APLICADAS AOS PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS DESTINADAS AO TRANSPORTE 04.2 QUANTO AS EMBALAGENS DE APRESENTAÇÃO APLICADAS AOS PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS A DRJ, ao analisar o feito no que tange aos créditos oriundos da aquisição de embalagens pela Recorrente, atevese à distinção entre embalagens de transporte e embalagem de apresentação, conforme entendimento aplicável ao crédito de IPI. Não obstante, ao final, houve por bem manter integralmente a glosa efetuada pela Fiscalização sob o fundamento de que, ainda que se possa acatar os créditos relativos ao material de embalagem de apresentação, a contribuinte não teria logrado comprovar tal finalidade: Ocorre, porém, que como acima se viu, apenas as embalagens de apresentação é que geram o direito ao crédito, que faz com que não se possa acatar como aptas à geração de créditos as aquisições de pallets e cantoneiras, pois consistem claramente de embalagens de transporte, tanto que como tais foram informados pela contribuinte na listagem "item 03 (Embalagens de Transporte)". Do mesmo modo, não há como se aceitar que os materiais discriminados na listagem "Item 03 (Embalagens de Apresentação)", consistam de embalagens de apresentação ou materiais nelas empregados. De se ver. Primeiro, em relação às várias operações de aquisição de "rótulo e etiquetas" e "caixa, bandejas, diversos", não bastasse o fato de tais materiais não constarem como adquiridos para Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10925.002957/200705 Acórdão n.º 3201002.249 S3C2T1 Fl. 1.098 11 industrialização (códigos CFOP 1.556 e 1.949), também não há mais nada que possibilite a identificação específica de suas destinações. Da mesma forma, em relação às demais aquisições (CFOP 1101 e 2110) —tais como, plástico bolha, diversos tipos de caixas (descritas como TAMPA REFRAI, FUNDO MERCADO INTERNO, TAMPA REATAR EXPORTAÇÃO, FUNDO RE'NAR, TAMPA NATURA), fita adesiva, selos, sacolas, bandejas, fita pet, etc. na impossibilidade da identificação específica de suas destinações, não há como definir qual delas poderia eventualmente gerar direito a crédito, por consistirem de embalagem de apresentação ou materiais nela empregados. No caso específico das caixas, mencionese que a contribuinte apresentou a autoridade fiscal algumas fotos de vários tipos de embalagens que estariam incluídas dentre aquelas listadas como embalagens de apresentação — essas fotos se encontram no documento denominado "item 06" onde a contribuinte descreve o processo produtivo da empresa; e, em sede de defesa, juntou cópias de várias das notas fiscais lá listadas. Entretanto, tais elementos não ajudam muito. É que, apesar de as fotos 01 e 02 evidenciarem que as caixas que lá aparecem se tratam, aparentemente, de embalagens que poderiam ser classificadas como embalagens de apresentação, não tratou a contribuinte de indicar quais são as operações de aquisição constantes da lista de notas fiscais que se referem especificamente às aquisições destes bens, comprovando documentalmente tal vinculação. Assim, não há como reconhecer o direito pleiteado pela contribuinte. Como o creditamento relativo a embalagens não se estende a toda e qualquer embalagem, tornase imprescindível, para a definição quanto à existência ou não do direito, a minudente identificação da natureza das embalagens em relação às quais é pleiteado o crédito. Destarte o ônus de comprovar a natureza das embalagens e de identificar de forma individualizada quais aquisições estão associadas a quais embalagens é do contribuinte/pleiteante do crédito, nos termos em que já se expôs detalhadamente no item 1.1 deste voto. Como lá se viu, não cumpre seu ônus o contribuinte que se limita a listar operações de aquisição de pretensos insumos, sem que a natureza destas operações e a identificação do insumos adquiridos sejam definidas/produzidas. Como mencionado anteriormente, a matéria em exame nos presentes autos já foi exaustivamente discutida por esta Turma Julgadora, com cerca de uma dezena de processos envolvendo o mesmo contribuinte e os mesmos itens de glosa. Desse modo, por compreender exatamente o tópico ora abordado, utilizo como razão de decidir o seguinte trecho do Acórdão n.º 3201001.689 (Processo nº 10925.002948/200714), de relatoria do então Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes: Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 12 O conceito de embalagem, segundo o Ministério do Meio Ambiente é: A embalagem é essencial para a proteção dos produtos durante a sua etapa de distribuição, armazenamento, comercialização, manuseio e consumo. (...) Cabe à embalagem proporcionar segurança no manuseio do produto, manutenção de suas propriedades e informações legais sobre sua composição e validade, e mesmo rastreabilidade do lote de produção. Em certos casos cabe ainda à embalagem estender o prazo de vida dos produtos, evitando o seu desperdício. Lembramos, inclusive, que a legislação local de ICMS, usualmente mais restritiva que a legislação federal, entende que tais produtos dão direito a crédito, classificandoos como material auxiliar. Neste sentido é o que abstraímos da Instrução Normativa nº 45/98, Título I, Capítulo V, seção 2.0, item 2.1.2, neste sentido: 2.1.2 Não se incluem entre as mercadorias usadas ou consumidas no estabelecimento: a)as matérias primas e os materiais secundários, assim entendidas as mercadorias que se destinem a ser transformadas em constituintes do objeto central da produção, integrandose, agregandose ou incorporandose ao produto final por meio de qualquer processo, inclusive aquelas utilizadas na embalagem ou acondicionamento de mercadorias; (...) Ademais, a própria RFB permite o amplo e geral crédito sobre as compras de embalagem, entendoas como insumos, como vemos na IN 247/2002: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10925.002957/200705 Acórdão n.º 3201002.249 S3C2T1 Fl. 1.099 13 desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) (...) (grifo nosso) Assim, descabe qualquer outro debate sobre o tema. Assim, entendo que assiste razão à Recorrente no que tange ao reconhecimento do direito ao crédito sobre a aquisição de itens de embalagem, sejam estas destinadas ao transporte ou à apresentação, ressaltando que a legislação de regência da COFINS não traz qualquer distinção entre estas. 04.3 DEMAIS INSUMOS Sob o item "demais insumos" a Recorrente questiona apenas uma linha de glosa, relativa ao tem "ácido ascórbico". A glosa foi fundamentada exclusivamente na justificativa de que o contribuinte não teria comprovado a sua utilização no processo produtivo. Com efeito, a partir de detalhado exame do feito e de todos os documentos apresentados pelo contribuinte, noto que não há qualquer explanação acerca da forma de utilização do componente "ácido ascórbico" no processo produtivo da Recorrente. Esta apenas se limita a afirmar que se trata de item empregado no seu processo produtivo, além de apresentar a nota fiscal de aquisição do produto. Assim, ainda que, em senso comum, se possa conjecturar a efetiva utilização desse produto no processo produtivo das maçãs, é certo que a atividade julgadora deve ficar adstrita ao que se encontra nos autos. Desse modo, à míngua de justificativa, pelo contribuinte, acerca da forma de utilização do "ácido ascórbico" no seu processo produtivo, deixo de reconhecer o direito ao referido crédito. 04.4 QUANTO AOS ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO: Por fim, quanto às glosas relativas aos encargos de depreciação do Ativo Imobilizado cumpre, efetivamente, o exame da aplicação dos itens no processo produtivo da Recorrente. Nesse sentido respondeu a Fiscalização em diligência solicitada por esta Turma Julgadora: No que se refere a matéria controversa, verificase que a contribuinte deixou de contestar, se conformando, portanto, com as glosas, em relação aos bens do ativo adquiridos antes de 1º de maio de 2004, cuja base de cálculo importa em R$ 2.950,38 para cada um dos meses do trimestre, e se encontram especificados abaixo Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 14 Os bens abaixo relacionados, em nosso ver, não são passíveis do beneficio do uso do crédito a título de depreciação uma vez que os mesmos não se encontravam em contato direto com a produção. Tratase de máquinas ou equipamentos que realizam operações de suporte não ligados diretamente a produção, assim por não preencherem os requisitos da lei, devem ser mantidas as glosas realizadas. O valor da base de cálculo para o mês de Outubro – R$ 1.067,36, Novembro – R$ 1.065,29 e dezembro R$ 1.065,29. Em relação aos bens que a contribuinte apresentou contestação, observase pela descrição detalhada da utilização do bem ou sua função, no setor ou seção a que estão alocados, em confronto com as imagens fotográficas de cada item, ser possível estarem sendo utilizados nos setores em que se desenvolveu a produção, sendo possível, portanto o seu cômputo na base de cálculo dos créditos mensais. Valor da base de cálculo admitida para os meses de Outubro e Novembro – R$ 146,08 e R$ 604,45 para o mês de dezembro. Segue, a seguir, relação detalhada dos mesmos: Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10925.002957/200705 Acórdão n.º 3201002.249 S3C2T1 Fl. 1.100 15 Logo, têmse 3 (três) grupos distinto de itens sobre os quais incidiu a glosa efetuada pela Fiscalização: (a) Bens do ativo adquiridos antes de 1º de maio de 2004: sobre tais aquisições não houve questionamento por parte do contribuinte, pelo que tais glosas são mantidas. (b) Máquinas ou equipamentos que realizam operações de suporte não ligados diretamente a produção: Nesse item de glosa existem despesas para as quais não se comprovou a aplicação no processo produtivo (equipamentos utilizados no transporte de materiais e limpeza do terreno, tais como reboques, semireboques, triturador de galhos e plataforma) e, portanto, devem ser glosados; mas, também, itens aplicados ao processo produtivo, mais especificamente na armazenagem do produto, tais como o portapallets e seus materiais, e que, portanto, não devem ser glosados. (c) Utilizados nos setores em que se desenvolveu a produção: Para estes bens a Diligência fiscal chancelou a sua utilização no processo produtivo da Recorrente. Sendo assim, as glosas devem ser canceladas. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para excluir as glosas relativas à (i) totalidade dos itens de embalagem; (ii) das máquinas ou equipamentos que realizam operações de suporte, exclusivamente no que se refere aos portapallets e seus materiais; e da (iii) totalidade dos bens utilizados nos setores em que se desenvolveu a produção, sendo estes dois últimos itens em conformidade com o levantamento realizado pela diligência fiscal. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 11543.001207/2004-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/07/2004
VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Consideram-se isentas da Contribuição para o PIS/Pasep para as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação.
PIS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. ISENÇÃO. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO.
As variações cambiais ativas caracterizam-se como receitas decorrentes de exportação, para efeito da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Para fins de geração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep no regime da não cumulatividade caracteriza-se como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
Excluem-se deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado.
Numero da decisão: 3201-002.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA - Relator.
Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2002 a 31/07/2004 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideram-se isentas da Contribuição para o PIS/Pasep para as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação. PIS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. ISENÇÃO. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. As variações cambiais ativas caracterizam-se como receitas decorrentes de exportação, para efeito da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de geração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep no regime da não cumulatividade caracteriza-se como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluem-se deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado.
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COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da Contribuição para o PIS/Pasep para as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação. PIS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. ISENÇÃO. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. As variações cambiais ativas caracterizamse como receitas decorrentes de exportação, para efeito da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de geração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep no regime da não cumulatividade caracterizase como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluemse deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 12 07 /2 00 4- 12 Fl. 2553DF CARF MF 2 JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA Relator. Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Por se tratar de processo com retorno de diligência, transcrevo o Relatório constante da Resolução redigida por este CARF (fls. 2098 a 2105): Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o presente processo de Declarações de Compensação de débitos de IRPJ, CSLL e COFINS com créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS de que trata o § 1o do art. 5o da Lei 10.637/2002. A DRF/VITÓRIA procedeu à análise em conjunto as Declarações de Compensação formalizadas nos processos n° 11543.000583/200317, 11543.000680/200300, 11543.000973/200389, 11543.001384/200318, 11543.002341/200350, 11543.003111/200316, 11543.003332/200386, 11543.003841/200317, 11543.004370/200356, 11543.004855/200340, 11543.000123/200461, 11543.000576/200498, 11543.000484/200416, 11543.000958/200411 e 11543.001207/200412, este último adotado como principal. A análise visou à apuração do crédito de PIS correspondente ao período de dezembro de 2002 a julho de 2004 e, por fim, foi exarado o Despacho Decisório de fls. 1007, com base no Parecer DRF/VIT/SEORT n° 766/2007 de fls. 984 a 1006, reconhecendo o direito creditório no valor de R$2.989.776,24 referente ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS no período citado, na forma da Lei 10.637/2002 e IN/SRF 247/2002. Em decorrência, foram parcialmente homologadas as compensações constantes das declarações anexadas a todos os processos examinados, até o limite do crédito reconhecido, conforme valores relacionados nas planilhas às fls. 978 a 980. No Parecer Conclusivo consta consignado, em resumo, que: 1) A produção da Cia Nipo Brasileira de Pelotização Nibrasco é comercializada tanto no mercado interno, com vendas para a Companhia Vale do Rio Doce CVRD, como no mercado externo. A partir de 01/12/2002, a empresa interessada ficou sujeita ao regime de incidência não cumulativo da contribuição para o PIS; 2) A análise da escrituração do sujeito passivo, notas fiscais de saída, dos demonstrativos de apuração do PIS nãocumulativo e Fl. 2554DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 3201002.396 S3C2T1 Fl. 3 3 dos demais elementos apresentados pela empresa revelou inconsistências nos valores dos créditos compensados. Em face disso, foram realizados ajustes e adições à base de cálculo apurada pelo contribuinte, além de glosas dos créditos d descontar 3) No DACON a empresa informa que praticamente toda a sua produção foi destinada ao mercado externo. Conforme registrado nos Livros Registro de Apuração do ICMS, nos balancetes e nas Notas Fiscais de venda, a Nibrasco destinou grande parte de sua produção para a sua coligada CVRD, estabelecimento de CNPJ 33.592.510/022042, registrando as operações sob os Códigos Fiscais de Operação CFOP 5.11 e 5.101, utilizado para vendas no mercado interno. Da mesma forma, na escrituração contábil os lançamentos fazem menção a vendas no mercado interno; 4) O código utilizado nas Notas Fiscais revela a ausência da finalidade exigida pela Lei 10.637/02 para a fruição do benefício da isenção fiscal, bem como dá suporte para que o destinatário de seus produtos aproveite os créditos de PIS nãocumulativo vinculados às aquisições, o que em uma operação com fim específico de exportação não é admitido, de acordo com o art. 21, § 2o da IN 600/2005; 5) Em diligência realizada junto à CVRD, CNPJ 33.592.510/022042 verificouse que em muitos casos, o estabelecimento escriturou as compras como aquisições no mercado interno, com CFOP 1.12 è 1.102. As vendas realizadas pela CVRD são registradas sob os códigos 5.11 e 7.11 (até dez/02) e 5.101 e 7.101 (a partir de jan/03), todas identificadas como vendas de produção própria, não havendo registros no código 7.501 que identifica as exportações de mercadorias recebidas com fim específico de exportação; 6) Depreendese dos registros, tratarse de operações normais no mercado interno, em que se tributa a receita auferida pelo produtor e mantémse o crédito na escrita do comprador; 7) A própria CVRD em resposta ao Termo de Solicitação de Documentos afirma estar utilizando os de créditos do PIS decorrentes dessas vendas (fl. 879/993); 8) De acordo com a definição legal dada à expressão "fim específico de exportação", para fazer jus ao benefício fiscal, as mercadorias vendidas devem ser remetidas diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. É o que dispõem a IN/SRF 247/02, art. 46, § 1o, a Lei 9.532/97, art. 39, § 2o e o Decretolei 1.248/72, art. 1o, parágrafo único; 9) Intimada, a CVRD informou que as pelotas são entregues/recebidas no pátio da remetente. Cumpre observar que o estabelecimento industrial da Nibrasco não está compreendido Fl. 2555DF CARF MF 4 em área ou recinto alfandegado, conforme esclarecimento da Inspetoria da Receita Federal do Brasil (fls. 884/887); 10) Verificase, assim, que as vendas efetuadas pela Nibrasco à CVRD não estão amparadas pela isenção da contribuição para o PIS, uma vez que não se enquadram na definição legal de fim específico de exportação; 11) O sujeito passivo não incluiu na base de cálculo do PIS não cumulativo os valores decorrentes das variações cambiais dos passivos, conta esta de natureza devedora. Desse modo, os lançamentos registrados a crédito representam receita tributável; 12) O contribuinte apurou o saldo da conta de variações cambiais adotando um regime de contacorrente. A Lei 9.718/98 de forma alguma estipula que o valor tributável deva ser o saldo mensal positivo entre as variações ativas e passivas como entendeu o contribuinte. A Lei 10.637/2002 também não prevê tal abatimento; 13) Intimado, o contribuinte informou ter adotado o regime de competência no registro das variações cambiais. Assim sendo, para fins de apuração da base de cálculo do PIS não cumulativo, foram considerados os valores registrados no balancete nas contas de variações cambiais dos passivos e variações cambiais dos ativos; 14) Constatase do Livro Registro de Apuração do ICMS operações de transferência de créditos de ICMS, sob o código 5.601. No entanto, tais receitas não foram incluídas pelo contribuinte na base de cálculo do PIS nãocumulativo, em afronta à Lei 10.637/2002; 15) Intimada a apresentar planilha de custo dos insumos (bens e serviços) utilizados na produção, o sujeito passivo apresentou planilhas mensais elencando os itens que compuseram a base de cálculo dos créditos de PIS nãocumulativo; 16) Foram efetuadas glosas no item serviços contratados diretos SAC, tendo em vista que alguns desses serviços não se enquadram na definição de insumos delineada pela legislação; 17) Para que o serviço prestado possa ser considerado insumo, deve necessariamente ser aplicado ou consumido na fabricação do produto; 18) Foram elaboradas pela diligência as Tabelas de Serviços Contratados Diretos Serviços Excluídos (fl. 930) discriminando os contratos excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar e a Tabela dos Serviços Contratados Direto Base de Cálculo após dedução dos serviços excluídos (fls. 931/934); 19) A contribuinte também descontou créditos sobre serviços prestados pela CVRD, identificados como Fator C, Fator K, Fator Y e Fator T, previstos no contrato apresentado às fls. 899/927. O sujeito passivo aproveitou de forma integral os valores repassados pela CVRD. Foram glosadas partes desses Fl. 2556DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 3201002.396 S3C2T1 Fl. 4 5 serviços, conforme planilha de Serviços Contratados CVRD Glosas Efetuadas nos Fatores C, Y, K e PR (fls. 935/937); 20) No que tange ao Fator C foram glosados os serviços de apoio administrativo e serviços gerais, os gastos com pessoal e gastos diversos. Não foram glosados os gastos com materiais e energia elétrica, posto que tais valores já haviam sido excluídos pelo contribuinte; 21) O Fator K corresponde a despesas gerais e seus valores foram excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar por não serem aplicados diretamente na produção da empresa; 22) O Fator Y corresponde à remuneração do capital de giro provido pela CVRD. Não existe previsão legal que permita o aproveitamento de créditos sobre tais valores; 23) O Fator T corresponde a gastos realizados pela utilização de uma pilha adicional. Entendese que tal gasto enquadrase na definição legal de insumo, razão pela qual foi mantido na base de cálculo dos créditos a descontar; 24) Também foram glosados os valores correspondentes à participação nos resultados (PR) pagos aos inativos da Diretoria de Pelotização e Metálicos, pois não corresponde à despesa que gera direito a crédito; 25) Não houve correção a ser efetuada no que tange aos gastos Despesas Financeiras Mutuo CVRD, Saldo de Insumos no Estoque em 30/11/02 (estoque de abertura) e Insumos Adquiridos; 26) Foram elaboradas as Planilhas de apuração da contribuição para o PIS, anoscalendário 2002, 2003 e 2004 (fls. 938/977). Os campos Receita de Exportação, Receita de Venda no Mercado Interno e Receita de Prestação de Serviços foram preenchidos já com seus valores líquidos. No campo Receitas Financeiras foram incluídas as contas Variações Cambiais dos Passivos. Estão inseridos nesse campo o subgrupo 354 concernente a variação cambial dos passivos e o grupo 45 relativo a Receitas Financeiras; 27) No item Outras Receitas foi compreendida a conta receitas diversas (código 48). Foram retirados da base de cálculo, os valores correspondentes a três sub contas equivocadamente oferecidos à tributação pelo contribuinte (recuperação de despesas, Crédito PIS MP66 e venda de imobilizado); 28) O valor do crédito a descontar vinculado às receitas de exportação foi determinado com base no rateio proporcional entre as receitas de exportação e receitas no mercado interno, regime adotado pelo contribuinte; 29) Foi elaborada a planilha de compensação (fls. 978/980) ilustrando as compensações realizadas a partir dos valores de débitos e créditos apurados pela diligência, com destaque para Fl. 2557DF CARF MF 6 os meses de dezembro de 2002, abril, junho e julho de 2003 onde foi apurado saldo de PIS a recolher. Conseqüentemente foi emitido auto de infração para os referidos meses; 30) Foram descontados, primeiramente os créditos vinculados às vendas no mercado interno e depois os créditos vinculados às exportações. O saldo de créditos do mercado externo foi utilizado para fins de compensação, consoante as DCOMP apresentadas. De acordo com a planilha, grande parte das compensações não foi homologada por insuficiência de créditos. Cientificada da decisão em 30/08/2007 (fl. 1033), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 28/09/2007 (fls. 1036 a 1066), alegando, em síntese que: 1) A requerente não realiza operação de venda de pelota de minério de ferro que não seja destinada ao mercado externo; 2) A Carta Magna prescreve expressamente imunidade tributária atinente às receitas decorrentes de exportação (art. 149, § 2o, inciso I da CF). O art. 5o da Lei 10.637/2002 repete expressamente a determinação Constitucional; 3) O disposto no art. 5o da Lei 10.637/2002 referese diretamente à regra da imunidade constitucional das receitas de operações de exportação e, por isso, deve ser interpretado extensivamente; 4) Assim, para o aproveitamento da imunidade não importa que a venda seja destinada a recinto alfandegado ou mesmo que seja destinada diretamente ao embarque para exportação. Basta que o contribuinte comprove que figura na cadeia de exportação e que suas receitas decorrem de operações de exportação; 5) As vendas realizadas pela requerente para a CVRD são destinadas exclusivamente ao mercado externo, conforme os memorandos de exportação colacionados aos autos; 6) As variações monetárias ativas decorrentes do fechamento dos contratos de câmbio se subsumem ao conceito de "receita decorrente de operação de exportação"; 7) O crédito que goza a requerente com a variação cambial no fechamento do câmbio é direito creditório decorrente das operações de exportação imunes de tributação pelo PIS; 8) Com base no artigo 279 do Regulamento do Imposto de Renda, o crédito de ICMS não pode ser qualificado como receita, pois representa simplesmente um valor retificador do custo anteriormente suportado na aquisição de insumos; 9) Somente pode ser enquadrado no conceito de receita o ingresso de divisas proveniente de contraprestação decorrente do fornecimento de bens ou serviços; 10) Tanto o STJ como o STF têm entendimento pacificado no sentido de que a base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP deve ser pautada pelos limites das Leis Complementares 07/70 e 70/91, ou seja, o resultado decorrente do fornecimento de bens e serviços; Fl. 2558DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 3201002.396 S3C2T1 Fl. 5 7 11) O STJ entendeu que o crédito presumido de IPI não pode figurar na base de cálculo do PIS/PASEP; 12) Admitir a incidência do PIS sobre o crédito de ICMS eqüivaleria a nulificar a sistemática adotada pelo legislador, pois se restauraria a incidência em cascata daquele imposto sobre os insumos consumidos no processo produtivo voltado à exportação; 13) Ainda que se entenda que o crédito presumido é receita, seria incabível a sua inclusão na base de cálculo do PIS, uma vez que as receitas de exportação são isentas dessa contribuição; 14) O modo sob o qual os bens ou serviços são empregados no processo produtivo (se direta ou indiretamente) não é relevante para a ocorrência ou não do crédito. Tal interpretação se dá com base no art. 145, § 12 da CF e no art. 3o, inciso II, da Lei 10.637/2002; 15) O conceito de insumo é muito mais amplo que os conceitos de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem, juntos ou isoladamente. Dessa forma, não pode prosperar o entendimento restritivo esposado pela autoridade fiscal; 16) A autoridade fiscal não aceitou os créditos computados pela requerente decorrentes da utilização de serviços relativos à operação das usinas da requerente. Tal entendimento não pode prosperar, pois o inciso II do art. 3o da Lei 10.637/2002 deve ser interpretado à luz do regime nãocumulativo imposto pelo art. 195, § 12 da CF; 17) Tendo o legislador federal eleito que determinado setor da atividade econômica ficará submetido ao sistema da não cumulatividade, ele não poderá ultrapassar certos limites jurídicos impostos pela matriz constitucional das contribuições; 18) Para que seja atingida a nãocumulatividade imposta pela sistemática constitucional, o art. 3o da Lei 10.637/2002 deve ser interpretado de modo apto a desfazer os malefícios causados pela cumulatividade, ou seja, a incidência do tributo em cascata sobre todas as fases de produção; 19) Os serviços de frete decorrentes da operação da indústria da requerente oneram a atividade empresarial, pois são tributados em razão do faturamento da empresa prestadora e em virtude do faturamento da empresa vendedora, existindo, então, evidente cumulatividade na incidência das contribuições. Portanto, a exclusão de tais valores viola as prescrições do art. 195, § 12 da CF; 20) Dessa forma, não tem razão a autoridade fiscal ao excluir da base de cálculo do crédito referente à contribuição para o PIS relativa à aquisição dos serviços de operação das usinas de pelotização da requerente; Fl. 2559DF CARF MF 8 21) Por fim, requer seja dado provimento à manifestação de inconformidade, com a finalidade de reformar o despacho decisório proferido. Às fls. 1318 a 1348 consta manifestação de inconformidade apresentada em 11/01/2008, acompanhada dos anexos de fls. 1349 a 1453. Tais documentos, contudo, não se relacionam ao presente processo, mas sim ao de n° 11543.000506/200511, relativo a Declarações de Compensação mediante aproveitamento de crédito da COFINS nãocumulativa, tendo sido elaborado o Parecer SEORT/DRF/VIT n° 1499/2007, contestado pelo contribuinte. Por esta razão, foram extraídas as peças originais anexadas ao presente processo e encaminhadas à DRF/Vitória para anexação ao processo correspondente. Sobreveio decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II/RJ, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/07/2004 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para o PIS as receitas de venda efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. A exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da contribuição ao PIS não alcança as variações cambiais ativas, que têm natureza de receitas financeiras, devendo, como tal, sofrer a incidência daquela contribuição. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. TRIBUTAÇÃO. Os valores auferidos com a cessão de créditos do ICMS estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Fl. 2560DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 3201002.396 S3C2T1 Fl. 6 9 É o relatório. Em primeira análise, essa 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, houve por bem converter o processo em diligência, nos seguintes termos: Entre as questões em julgamento, divergem as partes acerca da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre as receitas decorrentes das vendas de pelotas de minério de ferro para a empresa Vale SA. Enquanto a RFB sustenta que tais vendas caracterizamse como vendas no mercado interno, e, portanto, tributáveis, a recorrente defende que as mercadorias foram destinadas ao exterior, o que ensejaria na não incidência do tributo. Em análise aos autos, verifico a necessidade de maiores esclarecimentos acerca do local em que as pelotas destinadas a exportação foram entregues pela recorrente – se este local corresponde a pátio alfandegado ou não. Assim sendo, voto no sentido de se converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) analise, por meio de diligências e auditorias que entender necessárias, se a área de destino das pelotas de minério de ferro revendidas à empresa Vale SA era considerada, à época dos fatos geradores exigidos neste processo, área alfandegada; Do resultado da diligência devera ser dada ciência à recorrente e à PGFN para manifestação no prazo de 30 dias, devolvendo os autos em seguida a este Conselho para a retomada do julgamento. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Em diligência realizada, a Autoridade Fiscal concluiu (fls. 2277 a 2281, grifos nossos): 1. INTRODUÇÃO No exercício das funções do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e para efeito de informação fiscal no processo nº 11543.001207/200412, haja vista solicitação do CARF, procedemos à diligência ora proposta, com base no Mandado de Procedimento Fiscal – Diligência nº 0720100.2016.00156, conforme os fatos a seguir relatados: Trata o presente processo de Declarações de Compensação de débitos de IRPJ, CSLL e COFINS com créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS de que trata o § 1º do art. 5º da Lei 10.637/2002, e apurados no período compreendido entre dezembro de 2002 e julho de 2004. Verificouse, durante o procedimento fiscal, que as vendas efetuadas pela Nibrasco à CVRD não estão amparadas pela Fl. 2561DF CARF MF 10 isenção da contribuição para o PIS, uma vez que não se enquadram na definição legal de fim específico de exportação. Cientificada da decisão em 30/08/2007 (fl. 1033), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 28/09/2007 (fls. 1036 a 1066), alegando, em síntese que a requerente não realiza operação de venda de pelota de minério de ferro que não seja destinada ao mercado externo. Inconformada com a decisão foi apresentado Recurso Voluntário ao CARF, reiterando os argumentos trazidos à baila em sua defesa inaugural. Com base na Resolução nº 3201000.646 da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF converteu o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: a) analise, por meio de diligências e auditorias que entender necessárias, se a área de destino das pelotas de minério de ferro revendidas à empresa Vale SA era considerada, à época dos fatos geradores exigidos neste processo, área alfandegada; Os pátios da Vale passaram a ser alfandegados desde 29 de julho de 1996, conforme determinado pelos Atos Declaratórios Executivos SRRF nº 24/1996, 132/2002 e 165/2004. Em contrapartida, os pátios das empresas coligadas da Vale, dentre elas a Nibrasco, não são e nunca foram alfandegados. Neste contexto, tornase imprescindível dirimir acerca do local aonde se deu ou se dava a entrega das pelotas de ferro: no pátio da Vale ou no pátio das suas empresas coligadas, dentre elas a Nibrasco. Muito embora a empresa tenha alegado que a entrega das pelotas de minério de ferro tenha ocorrido no pátio da Vale ou nos navios para exportação, não há nenhuma alusão dessa informação no Contrato para Operação da Usina de Pelotização, firmado entre a Nibrasco e Vale. Neste contrato foi estabelecida cláusula para a entrega das pelotas, na medida em que a própria Vale se encarregaria de transportar as pelotas de minério de ferro, do pátio das Brascos até o seu pátio, ou até os navios para exportação, conforme previsto no item 2.3, transcrito abaixo ipsis litteris: “A CVRD manuseará e carregará PELOTAS entregues pela NIBRASCO desde o começo da correia transportadora que sai do pátio de PELOTAS da NIBRASCO até o carregamento para compradores em Ponta de Tubarão, incluindo as operações de manuseio, após a recuperação e o carregamento adicionais especificados nos parágrafos 2.2.7 e 2.28 deste Contrato, a pesagem, amostragem e análise em Ponta de Tubarão. As operações de manuseio e carregamento de PELOTAS realizadas pela CVRD serão efetuadas com o máximo de eficiência e rapidez, compatível com os recursos e instalações próprias de manuseio, carregamento e facilidades da CVRD” (grifos no original) Fl. 2562DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 3201002.396 S3C2T1 Fl. 7 11 Com base neste contrato a entrega das pelotas de minério de ferro pelas empresas de pelotização (Brascos) ocorreria no próprio pátio das Brascos. Tanto é que a própria Vale manusearia e carregaria as pelotas entregues pela Nibrasco desde o começo da correia transportadora que sai do pátio de pelotas da Nibrasco até o carregamento para o mercado externo em Ponta de Tubarão. Ademais, durante os procedimentos de fiscalização, a própria Vale esclareceu que as pelotas eram entregues no pátio da remetente. Tal fato foi corroborado com visita realizada ao parque fabril da NIBRASCO em 2007, pela autoridade fiscal que procedeu a fiscalização nesta empresa. Assim, no entender da Receita Federal, a entrega das pelotas se deu ou se dava nos pátios das Brascos, e referidos pátios não eram, e continuam não sendo alfandegados. Além disso, no presente processo, restou provado que a CVRD (Vale) se aproveitou, em alguns meses, dos créditos de Pis decorrentes da aquisição de pelotas de minério de ferro da Nibrasco, no período de apuração sob análise. A CVRD (Vale) deu entrada em sua contabilidade, no que tange as aquisições de pelotas de minério de ferro da Nibrasco, de acordo com os CFOP 1.112 e 1.102¹, ao invés de ter utilizado os CFOP 1.86 1.501¹, aproveitandose integralmente dos créditos das contribuições nãocumulativas, nos meses de junho de 2003 a março de 2004. Com vistas a comprovar tais fatos, foram anexados os Livros Registros de Entrada e de Apuração de ICMS de dezembro de 2002 até dezembro de 2005, Demonstrativos apurados com base no Livro Registro de Entrada enviado em meio magnético de 2002 até dezembro de 2005, bem como o arquivo digital de notas fiscais em que se comprova que a Vale se aproveitou integralmente dos créditos decorrentes das vendas de pelotas de minério de ferro efetuadas pela Nibrasco, em vários meses, contrapondo a alegação de que não houve seu aproveitamento. 5. CONCLUSÃO Tendo em vista o exposto neste Termo, damos por encerrada a diligência ora proposta. O presente Termo constará do processo em comento bem como os demais elementos de prova produzidos nas diligências. Salientese que o contribuinte terá o prazo de 30 dias, conforme art. 35, § único do Decreto 7.574/2011, para, caso desejar e julgar necessário, apresentar sua manifestação, a qual deverá ser feita junto à Delegacia da Receita Federal de Vitória/ES, ou através de juntada de documentação através do portal eCAC, no caso de possuir certificação digital válida. Nesta oportunidade poderá solicitar cópia dos autos, em meio magnético, ou em papel mediante pagamento, conforme disposto na legislação em vigor. Fl. 2563DF CARF MF 12 O sujeito passivo poderá verificar a autenticidade do Mandado de Procedimento Fiscal – Diligência na página eletrônica da Secretaria da Receita Federal do Brasil (www.receita.fazenda.gov.br), opção Empresa/ Todos os Serviços/ Procedimento Fiscal/ Consulta Procedimento Fiscal MPF/TDPF, onde deverão ser informados o número do CNPJ e o código de acesso nº 19444879. Para cumprir todas as cautelas legais, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, infrafirmado, lavra o presente Termo de Encerramento Diligência, cuja ciência e cópia do contribuinte se darão eletronicamente via eprocesso, conforme opção manifestada pela empresa pela empresa por essa forma de ciência. Concedida vista à Recorrente, essa se manifestou sobre a conclusão fiscal, fls. 2287 a 2296, onde ressalta a posição confirmada na diligência sobre o efetivo alfandegamento da área da VALE S.A. (antiga CVRD), desde data bastante anterior à época dos fatos objeto do presente litígio. Ressalta que o objeto da diligência teria sido para dirimir dúvidas acerca do alfandegamento das áreas para as quais foram destinadas as mercadorias exportadas e questiona as conclusões obtidas a partir de seu contrato firmado com a Vale S.A. Quanto à diligência ter apontado que o pátio da Recorrente jamais teria sido alfandegado, argumenta que tal questão nunca foi debatida nos autos, considera irrelevante o fato da sua área ser ou não alfandegada, uma vez que os produtos por ela industrializados saem diretamente da sua Usina de Pelotização para a exportação, por meio de esteiras da Vale ou seguem para seu pátio de estocagem, não existindo circulação de mercadorias fora destes espaços físicos, nem tampouco a comercialização/venda, apenas estocagem. Conclui a sua manifestação, reafirmando que todas as mercadorias possuem uma única destinação e apresenta para embasar seus argumentos modelo esquematizado do Porto de Tubarão. Acrescenta, ainda, quanto ao argumento de que a VALE S.A. teria se aproveitado dos créditos das contribuições nãocumulativo, que seu único equívoco cometido seria relativo ao registro da CFOP, circunstância já sanada com as cartas de correção nos moldes que as normas relativas ao ICMS autorizam e com esteio em Convênios vigentes. Neste sentido, para reiterar que suas mercadorias eram destinadas ao fim específico de exportação, informa que cuidou de confeccionar cartas declarando que não se creditou do PIS/COFINS nas aquisições das mercadorias minério de ferro aglomerado “pelotas” adquiridas da Nibrasco com o fim de exportação. Aponta que todos os documentos aqui trazidos, bem como matéria idêntica, já foram julgados por este Eg. CARF em diversas vezes, inclusive recentemente (15586.001068/200724), também observa que estava juntando aos autos a íntegra do acórdão proferido no processo nº 15586.001061/200711, o qual teria julgado por unanimidade matéria idêntica à tratada nos presentes autos. Após, os autos foram remetidos a este CARF e, considerando que o Relator original do feito não mais integra este órgão, foram a mim redistribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Fl. 2564DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 3201002.396 S3C2T1 Fl. 8 13 Conselheiro Relator José Luiz Feistauer de Oliveira O Recurso Voluntário do contribuinte (fls. 1966 a 2000) atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme já relatado, trata o presente processo do resultado da análise de Declarações de Compensação de débitos de IRPJ, CSLL e COFINS com créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS de que trata o § 1º do art. 5º da Lei 10.637/2002, visando à apuração do crédito de PIS correspondente ao período de dezembro de 2002 a julho de 2004. O Despacho Decisório de fls. 1007, com base no Parecer DRF/VIT/SEORT n° 766/2007 de fls. 984 a 1006, reconheceu um direito creditório no valor de R$ 2.989.776,24 referente ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS no período citado, na forma da Lei 10.637/2002 e IN/SRF 247/2002. Em decorrência, foram parcialmente homologadas as compensações constantes das declarações anexadas a todos os processos examinados, até o limite do crédito reconhecido. A lide em questão tem como foco as seguintes matérias objeto de contestação no presente recurso voluntário: 1 Exigência de PIS sobre as vendas de produtos ao exterior, onde se discutidose se a imunidade alcança as vendas realizadas pela Recorrente com destino a exportação; 2 Incidência de PIS sobre as variações monetárias ativas, que também se tratariam de receitas oriundas da exportação; 3 Inclusão de valores relativos a créditos de ICMS como receita da empresa, para fins de tributação pelo PIS; 4 Glosa de créditos oriundos de bens e serviços que teriam sido usados indiretamente no processo produtivo, dentro da sistemática não cumulativa do PIS/PASEP; 5 Glosa de créditos oriundos de despesas relativas aos serviços para as operações das usinas da Recorrente. 1 Incidência de PIS sobre as vendas de produtos ao exterior Esta matéria foi o foco da diligência solicitada no presente processo, onde a resposta da fiscalização atestou que "Os pátios da Vale passaram a ser alfandegados desde 29 de julho de 1996, conforme determinado pelos Atos Declaratórios Executivos SRRF nº 24/1996, 132/2002 e 165/2004". Contudo, a resposta à diligência também afirmou que "os pátios das empresas coligadas da Vale, dentre elas a Nibrasco, não são e nunca foram alfandegados". Ou seja, a fiscalização ressalta que a entrega das pelotas não ocorre no pátio da Vale S.A., e sim nos pátios da própria Recorrente, que não são alfandegados. No caso, a decisão recorrida não considerou os produtos como exportados, com o fundamento de os mesmos não teriam sido remetidos à área alfandegada. Neste sentido, o processo foi encaminhado em diligência exatamente para que houvesse a comprovação, ou não, de que as mercadorias foram remetidas ao recinto alfandegado da Vale S.A.. Fl. 2565DF CARF MF 14 Pela análise dos autos, particularmente do teor da resposta apresentada à diligência solicitada, resta evidente que, em que pese as considerações ali externadas pela fiscalização, os produtos industrializados pela Recorrente tiveram efetivamente como destino final a exportação. O fato do pátio da Recorrente ser ou não alfandegado não afeta a fruição da isenção do PIS e da COFINS. O art. 14, IX da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que considera a venda para exportação para empresa que realize operações de comércio exterior e esteja devidamente registrada no SISCOMEX é suficiente para configurar a isenção do PIS e da COFINS. Conforme já observado pelo eminente conselheiro Winderley Morais Pereira, nos autos do processo nº 15586.001061/200711, ao julgar matéria análoga à que aqui se discute: As operações em discussão nos autos não ocorrem somente com a Recorrente, existindo outras empresas que operam de forma similar, industrializando produtos que posteriormente são vendidos a CVRD para exportação, estas empresas também atuam na área do Porto de Tubarão e foram também objeto de lançamento para exigência fiscal, nos termos constantes do presente lançamento. Duas destas atuações já foram enfrentadas pelo CARF, sendo decidido pela isenção do PIS e da COFINS nas operações realizadas com a CVRD. Um dos julgados ocorreu no Acórdão 3402003.299 da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara, quando em sede de recurso de ofício, por unanimidade, manteve a decisão da primeira instância que considerou isentas as operações realizadas nos mesmos moldes da Recorrente.O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 VENDAS NO MERCADO INTERNO. TRIBUTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Excluise do lançamento o crédito tributário relativo às contribuições ao PIS e COFINS apurado sobre receitas comprovadamente oferecidas à tributação pelo contribuinte nos DACON. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO. São isentas das contribuições ao PIS e COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação, devidamente comprovadas por meio de memorandos de exportação. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO DE OFÍCIO. A diferença a maior entre as bases de cálculo apuradas de ofício e aquelas informadas nos DACON, sujeitase à exigência por meio de lançamento de ofício. Fl. 2566DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 3201002.396 S3C2T1 Fl. 9 15 A matéria também foi enfrentada por esta Primeira Turma no Acórdão 3201001.459, que por unanimidade, também decidiu pela comprovação da exportação e da isenção das contribuições. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para o PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que onere a atividade da econômica, mas tão somente os que sejam diretamente empregados na produção de bens ou prestação de serviços. (Acórdão 3201 001.459, Relator Conselheiro Daniel Mariz Gudino, Sessão de 22/10/2013) BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. Excluise da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS os valores recebidos a título de transferência onerosa de créditos do ICMS. Precedentes do STF, RE 606.107. Repercussão geral. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão 3402003.299, Relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Sessão de 18/09/2014) Conforme, bem esclarecido nas diligências fiscais. As operações da Recorrente e a CVRD com a finalidade de exportação foram confirmadas. Assim, a Recorrente faz jus a isenção da COFINS. Por todo o antes exposto, evidenciase que as pelotas industrializadas no parque industrial da Recorrente, que fica próxima do recinto alfandegado da Vale S.A., na área do Porto de Tubarão, eram enviadas por meio de esteiras até o citado recinto alfandegado. Ainda, o simples fato da empresa ter estocado momentaneamente as mercadorias vendidas em seu pátio antes do envio, por meio de esteiras, à Vale S.A., não é suficiente para desconsiderar a sua entrega como sendo diretamente ao recinto alfandegado. Em que pese o alegado pela fiscalização, mesmo considerando a obrigatoriedade da interpretação literal de legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção obrigação, conforme preceitua o Art. 111 do CTN, os fatos descritos nos autos tornam evidente que as mercadorias foram sim enviadas do estabelecimento da recorrente para o recinto alfandegado da Vale S.A., que, de forma incontroversa, é empresa comercial exportadora. Fl. 2567DF CARF MF 16 Desta forma, voto para que seja reconhecido o direito da recorrente à isenção do PIS em relação às receitas objeto da presente lide, devendo ser dado provimento ao recurso voluntário quanto à esta primeira matéria. 2 Incidência de PIS sobre as variações cambiais ativas Quanto à inclusão das variações cambiais ativas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Tratase de tema que se encontra atualmente pacificado, em face da previsão constante do Art. 62A do Regimento Interno do Carf, que determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelo artigo 543B do CPC devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. Vejamos que a hipótese dos autos tratou justamente de matéria já decidida pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, conforme abaixo transcrevo (grifei): O que se discute nestes autos é se as receitas das variações cambiais ativas podem ser consideradas como receitas decorrentes de exportação, de modo a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência do PIS e da COFINS. Tenho que a resposta é positiva. Variações cambiais constituem atualizações de obrigações ou de direitos estabelecidos em contratos de câmbio. Estão compreendidas entre dois grandes marcos: a contratação (fechamento) do câmbio, com a venda, para uma instituição financeira, por parte do exportador, da moeda estrangeira que resultará da operação de exportação; e a liquidação do câmbio, com a entrega da moeda estrangeira à instituição financeira e o consequente pagamento, ao exportador, do valor equivalente em moeda nacional, à taxa de câmbio acertada na data do fechamento do contrato de câmbio. No âmbito tributário, as variações cambiais dizemse: i) ativas, quando são favoráveis ao contribuinte, gerandolhe receitas; e ii) passivas, quando o desfavorecem, implicando perdas. [...] Percebese que as receitas advindas de variações cambiais ativas são conseqüência direta das operações de exportação de bens e/ou serviços (conjugadas à oscilação cambial favorável), qualificandose como “receitas decorrentes de exportação”. De fato, o contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, estando diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas: o exportador vende a divisa estrangeira que receberá do comprador à instituição financeira autorizada a operar com câmbio, a fim de receber o pagamento em moeda nacional. Fl. 2568DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 3201002.396 S3C2T1 Fl. 10 17 [...] Corrobora, por fim, o presente posicionamento, o fato de a imunidade em questão não ser concedida apenas às “receitas de exportação”, senão às “receitas decorrentes de exportação” (art. 149, § 2º, I). O adjetivo “decorrentes” confere maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional; evidencia, por consequência, a intenção, plasmada na Carta Política, de se desonerarem as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. Em suma, eventual variação da taxa de câmbio entre fechamento e a liquidação do contrato configura receita decorrente de exportação, sempre que seja favorável ao exportador. Logo, as receitas cambiais relativas à exportação estão abrangidas pela imunidade do art. 149, § 2º, I, da Carta Constitucional. [...] 4. Isso posto, conheço do recurso extraordinário da União, mas negolhe provimento, assentando a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial ativa obtida nas operações de exportação de produtos. 5. Recurso extraordinário conhecido e não provido. 6. Aos recursos sobrestados, que aguardam a análise da matéria por esta Corte, aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE nº 627.815/PR, sessão de 23/05/2013, relatora Min. Rosa Weber) Pelo acima exposto, entendo que devem ser excluídas da base de cálculo do PIS as receitas decorrentes de variações cambiais ativas, no que assiste razão ao recurso quanto à esta segunda matéria. 3 Inclusão de valores relativos a créditos de ICMS como receita da empresa, para fins de tributação pelo PIS Ao analisar a terceira matéria, entendo que novamente deve ser suscitado o Art. 62A do Regimento Interno do Carf, que determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelo artigo 543B do CPC devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. A questão relativa à tributação do valor relativo à transferência onerosa dos créditos de ICMS, também está pacificada desde o julgamento do RE 606.107/RS pelo Supremo Tribunal Federal que, tendo sido submetido à sistemática prevista no art. 543B do Fl. 2569DF CARF MF 18 CPC, deve ser obrigatoriamente aplicado por este colegiado. Na parte em que interessa ao presente julgamento transcrevo abaixo excertos da ementa do RE 606.107/RS: "(...) VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC." Com base no acima exposto, há que se reconhecer o direito de a contribuinte ter excluído do presente lançamento a exigência decorrente de receitas estranhas ao faturamento, no caso, sobre as receitas decorrentes da cessão de créditos de ICMS. Assim, devese dar provimento a esta parte do recurso, relativa à terceira matéria recorrida. Conceito de Insumos Reclama a Recorrente que Autoridade Fiscal teria glosado créditos relacionados à aquisição de bens e prestação de serviços com o fundamento de que as mesmas não se enquadrariam dentro do conceito de insumos, pois não seriam diretamente aplicados na operação industrial da empresa. A recorrente também sustenta que todos os serviços estariam incluídos no conceito de insumos previsto no artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002. As Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, que tratam de PIS e Cofins não cumulativos, abordam, genericamente, nos seus Arts. 3º, II, a possibilidade de se apurar créditos sobre insumos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Como se vê acima, referido dispositivo referese a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produtos destinados a vendas. Dentro desse conceito é que normalmente se tentam enquadrar os mais variados custos e despesas incorridos durante a atividade de uma empresa produtora para o fim de creditamento das contribuições não cumulativas. Entretanto, é preciso ter em conta que, se de um lado, tal conceito não se confunde com o de insumo de IPI, restrito a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem; de outro, não é qualquer bem ou serviço adquirido que gera direito de Fl. 2570DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 3201002.396 S3C2T1 Fl. 11 19 crédito. No caso do IPI, o aproveitamento de créditos ficou restrito aos insumos classificados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Ou seja, para o IPI o critério para definição de insumo (mais restrito) é do consumo do bem no processo de produção. Por sua vez, tratandose de PIS e Cofins, no entanto, a condição expressamente prevista na lei é de que o bem ou serviço seja “utilizado” na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos. Até se poderia generalizar que insumo seja considerado como qualquer elemento necessário para produzir mercadorias ou serviços. Contudo, a lei exige que, para gerar crédito, ele seja utilizado na produção ou fabricação, embora não seja necessário seu consumo direto e imediato, como no caso do IPI. Como se vê, tal exigência, suficientemente clara, restringe as pretensões de se interpretar a disposição legal citada como referente a todo e qualquer insumo de produção. Podemos aqui já tirar uma primeira conclusão, elementar, no sentido de que custos e despesas posteriores à produção ou à prestação de serviços não geram direito de crédito com base no dispositivo. Assim, somente os casos previstos em outros incisos específicos do citado artigo geram crédito, quando não enquadrados no conceito de insumo utilizado na produção. Além disso, o critério adotado pela Lei para que uma despesa gere crédito não se pauta pela circunstância de se tratar de despesa necessária, imprescindível ou obrigatória para a obtenção do produto, o que, para o caso, é irrelevante. Cabe também destacar que o Art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, ao falar em “insumos”, restringese aqueles utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Neste sentido, excluemse deste critério todos os gastos que digam respeito à formação de receitas diferentes daquelas referentes à prestação de serviços ou à produção de bens, como p.ex., as despesas financeiras. O que não quer dizer que tais despesas não possam gerar créditos caso se enquadrem em alguma outra hipótese incluída no artigo 3º, apenas que não se caracterizam como insumos no teor do inciso II do Art. 3º. Da mesma forma, as despesas administrativas, que não possuem relação coma receita oriunda da prestação de serviços ou da produção e fabricação de bens, não geram direito a crédito. O momento da sua utilização, se antes, durante ou após o término do processo produtivo, também deve ser considerado na definição de que determinado bem será (ou não) insumo. No caso, apenas os bens utilizados durante o processo produtivo são considerados insumos, assim, os bens utilizados antes de iniciada a produção, ou após o término desta, não devem ser considerados como insumos para fins de geração de créditos. Em linhas gerais, essas são as regras que devem orientar a análise do direito de crédito de PIS e Cofins não cumulativos aplicáveis ao caso em exame. 4 Glosa de créditos oriundos de bens e serviços que teriam sido considerados como insumos pela Recorrente Conforme o Contrato de Operação De Usinas, efls. 1922 em diante, este foi firmado entre a Recorrente e a atualmente denominada Vale S.A.. A decisão recorrida, efl. 2082, relata que a glosa atingiu créditos decorrentes de serviços contratados pela Vale S.A., mas que teriam sido suportados pela Recorrente, registrados sob diversas rubricas. Fl. 2571DF CARF MF 20 Quanto às glosas referentes a serviços indiretos prestados à Recorrente, a matéria também já foi enfrentada por este colegiado no Acórdão nº 3201002.179, de relatoria do Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, quando foi decidido por reconhecer como possíveis de gerar créditos para as contribuições, somente as despesas referentes à contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental. Por concordar plenamente, com o voto condutor do referido acórdão, peço vênia para incluir no meu voto e fazer dele as minhas razões de decidir quanto a esta matéria: Conforme já esclarecido, apenas enquadramse com insumos para fins de creditamento os serviços adquiridos necessários para a percepção de receitas decorrentes da produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. A recorrente apresenta como objeto societário a produção e venda de pelotas de minério de ferro, bem como o exercício de outras atividades direta ou indiretamente relacionadas com a produção e venda de pelotas de minério de ferro. Tendo em vista o seu atuação empresarial, podese concluir que a contratação dos serviços técnicos acima descritos encontram se vinculados a sua atividade produtiva, de forma que se enquadram como insumos de seu processo produtivo, e, desta forma, gerando créditos no regime da não cumulatividade do PIS. Deve ser revista, portanto, a glosa destes créditos. 5 Glosa de créditos oriundos de despesas relativas aos serviços para as operações das usinas da Recorrente Quanto às demais glosas de créditos decorrentes de serviços contratados pela Vale S.A., conforme descritos na decisão recorrida, efl. 2082, foram também atingidos créditos decorrentes de serviços contratados pela Vale S.A., registrados sob as rubricas: "Fator K ", despesas gerais e " Fator Y" relativo ao custo financeiro de capital de giro provido pela Vale S.A., a natureza destes dispêndios encontrase prevista no contrato de efls. 1922 em diante. Da mesma forma como já decidiu o citado Acórdão nº 3201002.179, de relatoria do Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, concordo que a análise da natureza destas despesas evidencia que as mesmas não dizem respeito a atividade produtiva da recorrente, mas, sim, correspondem a despesas administrativas e financeiras, que não geram direito a créditos do PIS no regime não cumulativo. Correto, portanto, o procedimento fiscal de glosa destes créditos. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 2572DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 3201002.396 S3C2T1 Fl. 12 21 Diante de todo o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para que as receitas decorrentes de vendas à Vale S.A. sejam enquadradas como vendas ao mercado externo, bem como sejam excluídas da base de cálculo do PIS as receitas decorrentes de variações cambiais ativas e oriundas de transferências de créditos de ICMS. Devese, ainda, conceder os créditos vinculados às despesas com contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental. Porém, devem ser mantidas as demais glosas efetuadas pela fiscalização, relativas a serviços com despesas gerais (Fator K) e ao custo financeiro de capital de giro provido pela Vale S.A. (Fator Y). José Luiz Feistauer de Oliveira Relator Fl. 2573DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13878.000210/2005-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. SANEAMENTO. SEM EFEITO MODIFICATIVO
Configurada a omissão e contradição na decisão recorrida, acolhem-se os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para suprir os vícios apontados no acórdão embargado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3402-003.244
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, sem efeito modificativo, para suprir a omissão e contradição apontadas pela Embargante, inclusive na ementa constante do Acórdão nº 3402-002.825, de 25/01/2016.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. SANEAMENTO. SEM EFEITO MODIFICATIVO Configurada a omissão e contradição na decisão recorrida, acolhem-se os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para suprir os vícios apontados no acórdão embargado. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, sem efeito modificativo, para suprir a omissão e contradição apontadas pela Embargante, inclusive na ementa constante do Acórdão nº 3402-002.825, de 25/01/2016. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. SANEAMENTO. SEM EFEITO MODIFICATIVO Configurada a omissão e contradição na decisão recorrida, acolhemse os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para suprir os vícios apontados no acórdão embargado. Embargos Acolhidos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, sem efeito modificativo, para suprir a omissão e contradição apontadas pela Embargante, inclusive na ementa constante do Acórdão nº 3402002.825, de 25/01/2016. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Redator designado Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 8. 00 02 10 /2 00 5- 43 Fl. 837DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Relatório Tratase de Embargos de declaração, tempestivo, interposto pelo Contribuinte acima identificado (fls. 753/757), ao amparo do art. 65 e seguintes, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, em face do Acórdão nº 3402002.825, de 25/01/2016 (fls. 691/716), que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência não cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo vêse que o legislador optou por um regime de não cumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização. PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os gastos com embalagens de transporte pallet, papelão e os filmes strech, integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000210/200543 Acórdão n.º 3402003.244 S3C4T2 Fl. 838 3 A não comprovação dos créditos, referentes à não cumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. Na apuração de PIS/Cofins não cumulativo,aprovada existência do direito de crédito incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração por parte do contribuinte, deve a Fiscalização promover o lançamento com os dados que se encontram ao seu alcance. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Embargante em 11/04/2016 (segunda feira, data da abertura do DTE eletrônico à fl. 751). Cientificado do referido Acórdão, em 18/04/2016, tempestivamente portanto, foi interposto os Embargos de declaração de fls. 753/757, apontando omissão e contradição no referido julgado. Quando da análise dos referidos arestos, o Presidente da 2ª Turma, conforme o Despacho S/Nº (4ª Câmara/2ª Turma Ordinária) à fl. 828, encaminhou o processo a este Conselheiro para análise dos aclaratórios argumentados em sua petição e que após manifestação por meio de informação escrita nos autos, solicita que o processo seja restituído à presidência, a fim de que seja ouvido também o redator designado. Vejase: "(...) Os embargos alcançam tanto o voto vencido do relator originário, quanto o voto vencedor do redator designado. Tendo em vista o disposto art. 65, § 7º, do RICARF, encaminho o processo inicialmente ao relator originário, a fim de que se manifeste sobre a admissibilidade dos embargos de declaração na parte em que apontou vícios no voto vencedor. Após sua manifestação por meio de informação escrita nos autos, solicito que o processo seja restituído a esta presidência, a fim de que seja ouvido o redator designado. Pois bem. Como demonstrado no Acórdão embargado, no caso concreto, trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, cujo crédito provém do saldo credor da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência não cumulativa, referente ao 2º trimestre de 2005. Este Colegiado, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para reverter as seguintes glosas dos créditos tomados: (i) gastos com embalagens de transporte pallet, papelão e os filmes strech; e (ii) água e seu tratamento 40% que foram glosados por não ser utilizada no processo produtivo. Posto isto, a Embargante colaciona a seguir, no seu entender, os 3 vícios apontados pelo Acórdão embargado, na parte em que reverteu a glosa e a exigência do crédito tributário, os quais justificariam a oposição dos Embargos de declaração: 1ª contradição e omissão Fl. 839DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Aduz que ao redigir o Voto Vencedor, os fundamentos utilizados pelo Conselheiro designado contradizem o disposto na ementa do Acórdão embargado. "(...) Isto porque, o Voto Vencedor reverteu a glosa de crédito de PIS e COFINS sobre 40% do total de água (e seu respectivo tratamento) consumida pela Embargante em seu processo de produção. Entretanto, o trecho do Termo de Informação Fiscal colacionado pelo Relator não corresponde à glosa de créditos sobre água e produtos químicos acrescidos à água, mas, sim, à glosa de créditos oriundos dos gastos com produtos químicos acrescidos à água que se transforma em vapor durante o processo produtivo, in verbis (fls 702, do v. acórdão): "Acerca da glosa de 40% sobre o total de água consumida, entendo Que tal vedação de creditamento não deva prosperar, sobretudo diante do minucioso trabalho do fiscal durante o procedimento de fiscalização, como se vê no item 16 do Termo de Informação Fiscal elaborado pelo Fisco, argumenta que: "(...) A água que e utilizada nos processos produtivos da empresa, unidades matriz e filial, recebe inúmeros produtos químicos para garantir sua qualidade (ver fls 464 item 1). Inicialmente parte da água será utilizada nas caldeiras para produção de vapor, e a outra nos processos de fermentação, isolação e purificação. Ao final, 40% (quarenta por cento) da água será descartada, retornando ao rio, e os outros 60% (sessenta por cento) irão compor o fertilizante nitrogenado. Dos gastos tidos com a água e seu tratamento, 60% geram direito a crédito, pois irão compor o fertilizante nitrogenado (...)" [g n]. O trecho do Termo de Informação Fiscal colacionado no v. acórdão enfoca o "item 16", do referido Termo, como se este item contivesse a glosa de créditos oriundos de 40% do volume de água descartada e dos produtos químicos necessários à sua utilização e purificação. Entretanto, ao cotejar o "item 16" com os fundamentos expostos no acórdão, a Embargante observou que todos os valores glosados contidos no "item 16" correspondem, na realidade, a produtos químicos utilizados no processo de vaporização da água. Fica, portanto, demonstrada a contradição entre a ementa do v. acórdão e o Voto Vencedor. A glosa de créditos sobre o volume de 40% da água utilizada no processo produtivo e seu tratamento está contida no "item 17". Entretanto o Voto Vencedor do acórdão foi omisso por não incluir o "item 17" em sua fundamentação. Devese, portanto, sanar esta omissão, incluindo, na fundamentação do Voto Vencedor, o "item 17", para que ocorra, efetivamente, a reversão da glosa da água (e seu respectivo tratamento) que é descartada ao final do processo produtivo. 2ª contradição Argumenta que o acórdão contém uma segunda contradição entre a decisão prolatada e o item "5d", do voto do relator, que versa sobre a parcela de água que evapora antes de se incorporar ao processo produtivo. "(...) O Conselheiro Waldír Navarro Bezerra considerou procedente a glosa dos créditos originados na parcela de água que evapora durante o processo de produção, supostamente, porque a possibilidade de creditamento da energia sob a forma de vapor só teria sido concedida com a redação dada ao artigo 3º, da Lei n° 10.833/03, pela Lei n° 11.488/07. Ocorre que não há, na presente controvérsia, glosa de créditos sobre a água utilizada sob a forma de vapor, mas, sim e exclusivamente sobre os produtos químicos adicionados à água utilizada nas caldeiras para a produção de vapor, conforme descrição contida no "item 16". Fl. 840DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000210/200543 Acórdão n.º 3402003.244 S3C4T2 Fl. 839 5 Ora, os créditos glosados no "item 16" correspondem aos gastos com produtos acrescidos à água dedicada às caldeiras que se transforma em vapor. Consequentemente, tem a mesma natureza que os créditos glosados decorrentes das despesas com os produtos utilizados no tratamento da água utilizada no processo produtivo e descartada ao final do processo ("item 17", do Termo de Informação Fiscal"). No presente caso, reconhecese o direito ao crédito sobre os produtos necessários ao tratamento da água descartada que fez parte do processo produtivo da Embargante (item 17"), mas, contraditoriamente, mantémse a glosa de créditos sobre as despesas com produtos utilizados no tratamento da água utilizada nas caldeiras ("item 16") que gerarão o vapor utilizado no processo de produção. Deste modo, o item "5d", do voto do Relator, é contraditório, a uma por versar sobre elemento desconhecido, já que o "vapor" não foi glosado, mas, sim, as despesas com os produtos químicos utilizados na água que gerará o vapor e, a duas, porque concedeu o direito ao crédito sobre os gastos com o tratamento da água descartada, mas não com o tratamento da água que será transformada em vapor. 3ª contradição apontada Informa que há, ainda, contradição na ementa do acórdão que mencionou a suposta ausência de comprovação, por parte da Embargante, da utilização dos insumos no processo de produção. Ora, a única suposta glosa mantida foi a de produtos químicos utilizados na água que gerará o vapor ("item 16), sendo certo que restou comprovado, pelo voto vencedor, que toda a água é utilizada no processo produtivo, inclusive a água que gerará o vapor. Portanto, não há que se falar em ausência de comprovação. Além disso, consta do acórdão, que a glosa (inexistente) sobre o "vapor" foi acertada, já que a legislação que permitiria o seu creditamento (2007) é posterior aos fatos geradores do crédito (2005). Ou seja, ainda que subsista o erro, o motivo da manutenção da glosa (indevida) do "vapor" não é a ausência de comprovação, mas, sim, aplicação ou não da legislação (Lei n° 11.488/07). Ao final, requer que sejam os presentes embargos admitidos, postos para apreciação do Colegiado, para que sejam acolhidos para sanar os vícios apontados, na forma do art. 65, §§ 2º ao 6º, do RICARF. Esses são os fatos. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, relator. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, cabem Embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus Fl. 841DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser opostos, mediante petição fundamentada, no prazo de 5 dias contados da ciência do acórdão. Nesse espeque, foi procedida à análise dos Embargos de declaração apresentados, verificado que atendem aos requisitos de admissibilidade e considerando a omissão e as contradições acima expostas, os mesmos devem ser admitidos, a fim de serem corrigidos os vícios apontadas pela Embargante (omissão e contradição), conforme Despacho do Presidente desta Turma Ordinária à fl. 836 e do Despacho elaborado pelo Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto designado pelo Voto Vencedor à fl. 835. É cediço que o objeto dos Embargos de declaração tem como fulcro permitir que a decisão seja a mais hígida possível, de modo a permitir sua execução, sem margem à dúvida, quer quanto ao seu teor quer quanto à sua liquidação. Passamos, então, à análise dos pontos elencados pela Embargante e as considerações proferidas pelo Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, quanto ao voto vencedor: 1) Quanto ao Voto Vencedor: da alegada omissão e contradição no voto vencedor de que "A glosa de créditos sobre o volume de 40% da água utilizada no processo produtivo e seu tratamento está contida no 'item 17', do TIF Termo de Informação Fiscal", fazse necessária o seguinte aclaramento: A Embargante alega que na redação do Voto Vencedor foram invocados fundamentos que não se aplicariam à reversão da glosa proposta, nominalmente a menção ao item 16, mencionado no Acórdão embargado. Diante disso, apontou a existência de contradição, pelo fato do item 16 do Termo de Informação Fiscal versar sobre gastos com embalagens de transporte, pallet, papelão e filme stretch. Verificando às fls. 515/524 do processo, se verifica que o Embargante tem razão. Invocouse o item errado para reverter as glosas sobre a água evaporada, que não se integrou no fertilizante nitrogenado. Em rigor, o fundamento reside no item 18, verbis: Como se interpreta claramente da descrição acima dada, 100% da água é utilizada no processo produtivo, de diversas formas (produção de vapor, processos de fermentação, isolação e purificação, e composição do fertilizante nitrogenado), apesar de que apenas 60% dele será incorporado efetivamente ao produto final, restando 40% descartado após tratamento químico. Caso essa turma adotasse o vetusto conceito de insumo de IPI para os casos de PIS e COFINS, faria sentido a glosa de parcela da água que não fora incorporada ao produto. Todavia, temos firme entendimento de que a noção de insumo está relacionada ao processo produtivo como um todo e as despesas necessárias para sua ocorrência, ainda que não haja a incorporação física ao produto. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000210/200543 Acórdão n.º 3402003.244 S3C4T2 Fl. 840 7 Desse modo, corrigese a fundamentação da decisão embargada, para sanar a contradição apontada, mantendo a reversão da glosa de crédito de PIS e COFINS sobre os 40% da água descartada, contido no item 18 do TIF. 2) Quanto ao Voto do Relator: No que pertine à alegação de que o acórdão contém uma segunda contradição entre a decisão prolatada e o item "5, letra 'd" do Acórdão, que versa sobre a parcela de água que evapora antes de se incorporar ao processo produtivo, também assiste razão à Embargante e, portanto, aclarase o seguinte: De fato o Acórdão embargado considerou procedente a glosa elaborada pelo Fisco, dos créditos originados na parcela de água que evapora durante o processo de produção, porque a possibilidade de creditamento da energia sob a forma de vapor só teria sido concedida com a redação dada pelo artigo 3º, da Lei n° 10.833/03, incluído pela Lei n° 11.488/07. No entanto, na controvérsia, verificase que não há glosa de créditos sobre a água utilizada sob a forma de vapor, mas sim sobre os produtos químicos adicionados à água utilizada nas caldeiras para a produção de vapor, conforme descrição contida no "item 16" do Termo de Informação Fiscal (tratamento, que correspondem aos gastos com produtos acrescidos à água dedicada às caldeiras que se transforma em vapor). Verificase isto pelas alegações da Recorrente em seu recurso: "(...) Incorreta também é a glosa dos créditos correspondentes a parcela da água que não teve contato com o produto, uma vez que 100% da água utilizada é necessária para o processo produtivo, tal qual o vapor utilizado na secagem e finalização do produto, ou seja, parte indispensável na cadeia produtiva". Por outro lado, no presente caso, reconheceuse, pelo voto vencedor, o direito ao crédito sobre os produtos necessários ao tratamento da água descartada que fez parte do processo produtivo da Embargante (item 17, do TIF). Assim, o item "5, letra 'd" do voto (Da parcela da água que evapora antes de se incorporar ao processo produtivo (produção vapor), tornouse realmente contraditório, por versar sobre "vapor" (um tipo de energia), insumo este que não foi glosado pelo Fisco. O que foi objeto de glosa foram as despesas com os produtos utilizados na água que produzirá o vapor (tratamento), e tal glosa foi revertida pelo voto vencedor do Acórdão (conforme item (ii), dar provimento parcial, para reverter as seguintes glosas [...] água e seu tratamento). 3) Por fim, quanto à alegada contradição contida na ementa do acórdão que mencionou a suposta ausência de comprovação, por parte da Embargante, da utilização dos insumos no processo de produção, entendo que também assiste razão à Recorrente. Como a única glosa mantida foi a de produtos químicos utilizados na água que gerará o vapor (item 16, do TIF), sendo certo que restou comprovado pelo voto vencedor, que toda a água é utilizada no processo produtivo, inclusive a água que gerará o vapor (água e seu tratamento), não há mais que se falar em ausência de provas na ementa do Acórdão. Ressaltese que, com relação a glosa (inexistente) sobre o "vapor", muito embora se encontra fundamentada no Acórdão, já que a legislação que permitiria o seu creditamento (2007) é posterior aos fatos geradores do crédito (2005), o motivo da manutenção da glosa (indevida) do "vapor" não seria a ausência de comprovação, mas, sim, a aplicabilidade ou não da legislação do art. 3º, III, da Lei n° 10.833/07. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Conclusão Assim, voto no sentido de acolher os embargos declaratórios, sem efeito modificativo, para aclarar as contradições e omissão apontadas pela Embargante, inclusive na ementa da decisão constante no Acórdão nº 3402002.825, uma vez que não há que se falar em ausência de comprovação dos créditos referente ao "vapor". É como voto. (assinatura digital) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 844DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.903660/2012-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 10/04/2006
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 60 /2 01 2- 49 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903660/201249 Acórdão n.º 3402003.628 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06046.001, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903660/201249 Acórdão n.º 3402003.628 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903660/201249 Acórdão n.º 3402003.628 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903660/201249 Acórdão n.º 3402003.628 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903660/201249 Acórdão n.º 3402003.628 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
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