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Numero do processo: 16327.915390/2009-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-006.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 53 90 /2 00 9- 18 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 16327.915390/200918 Acórdão n.º 9303006.809 CSRFT3 Fl. 116 2 Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência tempestivo interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 64, II e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 330201.499, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, cuja ementa transcrevese a seguir: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo conseqüência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo.Acórdão nº 330201.406 sessão de 26/01/2012. Ciente do referido acórdão e tempestivamente, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, aponta dissídio interpretativo em relação aos Acórdãos nºs 203 12.207 e 120200.532. Em seguida, o Presidente da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, conforme se extrai do exame de admissibilidade, ás fls.80/84. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões, às fls. 90/96. No essencial é o Relatório. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 16327.915390/200918 Acórdão n.º 9303006.809 CSRFT3 Fl. 117 3 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. Passo ao julgamento. A controvérsia suscitada pela Fazenda Nacional referese aos efeitos da DCTF retificadora, entregue após despacho decisório de nãohomologação de declaração de compensação, ou seja, se este documento apresentado após o despacho é hábil para proceder à revisão do direito creditório. Na decisão recorrida, entendeuse que a DCTF retificadora, entregue após o despacho decisório de nãohomologação da compensação, alterou a situação jurídica existente na data do despacho, permitindo sua revisão, conforme apuração da certeza e liquidez do indébito a ser realizada em procedimento de diligência. Por outro lado, considerou que circunstância de não produção de efeitos da DCTF retificadora relativa a tributos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização não ocorrera nos autos. Para comprovar a divergência jurisprudencial, a Fazenda Nacional apresentou os acórdãos paradigmas de nºs 20312.207 e nº 120200.532: Transcrevo fragmentos do relatório e voto condutor do Acórdão paradigma nº 20312.207: Fl. 117DF CARF MF Processo nº 16327.915390/200918 Acórdão n.º 9303006.809 CSRFT3 Fl. 118 4 COMPENSAÇÃO ALEGAÇÃO COMO MEIO DE DEFESA. Descabida argumentação de realização de compensação para afastar exigência contida em auto de infração. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. Para fazer jus à compensação, deve o contribuinte observar todas as possível o almejado encontro de contas. No caso, a interessada, de forma direta e sem observar os requisitos legais — pedido de restituição, seguido de pedido ou declaração de compensação — considerou quitados débitos do PIS/Pasep mediante seu confronto com créditos originados da figura, digase, de passagem, já não mais vigente em nosso ordenamento jurídico, do "CréditoPrêmio de IPI". Tratase de auto de infração lavrado em 21/07/2004 para exigência do PIS/Pasep dos. períodos de apuração de 31/10/1998, 31/12/1998, 28/02/1999 a 31/01/2002, 31/03/2002 a 30/04/2002, 30/06/2002 a 30/09/2002, 30/11/2002 e 31/12/2002, no valor de R$ 1.010.598,57, nele incluídos juros de mora e multa de ofício calculada a 75%. No mérito, pugna pela exclusão da base de cálculo dos valores relativos às receitas financeiras, atacando, neste ponto, o alargamento da base de cálculo trazido pela Lei n°9.718/98, em seu artigo 3 0, § 1°, considerandoa, inclusive, inconstitucional. Outra questão de mérito trazida pela impugnante foi quanto a legitimidade das compensações de débitos do PIS/Pasep que efetuara, fundadas em crédito de IPI originado do créditoprêmio das exportações. Neste ponto tece extenso arrazoado para justificar o direito à utilização do referido benefício fiscal instituído pelo Decreto n° 491/69, bem como de que, na forma do artigo 165, I, do CTN, o direito de, independentemente de prévio protesto, à restituição daquilo que considera ter pago a maior a título de tributo ou contribuição. Assim, segundo entende, o seu direito à compensação está diretamente ligado a existência de um direito liquido e certo, em razão de pagamento indevido de tributo. Voto Compensações (débitos do PIS/Pasep x créditos do "Créditoprêmio do IPI") Parte da exação decorre do fato de o fisco ter desconsiderado algumas das compensações diretas efetuadas pela interessada sem que esta tivesse adotado o rito próprio. A interessada, de forma direta, isto é, sem a apresentação de Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação, nos quais estivessem indicados a origem dos créditos correspondentes, de modo a se submeterem ao crivo da administração visando à determinação de sua liquidez e certeza para fins de homologação da compensação, considerou, por conta e risco próprio, ter "quitado" parte dos valores do PIS/Pasep devidos nos períodos de apuração de julho de 2000 a dezembro de 2001, a teor do quadro por ela mesma elaborado à fl.641. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 16327.915390/200918 Acórdão n.º 9303006.809 CSRFT3 Fl. 119 5 Mas, diferentemente do entendimento da recorrente, a simples existência de um crédito — se fosse o caso, haja vista que o suposto crédito da empresa é o "créditoprêmio de IPI— não permite a sua utilização pura e simples para compensação. Enfim, há que se observar a necessidade de autorização legal e de cumprimento, por parte da interessada, de todos os requisitos e condições legalmente impostos, editados em razão da eficiência da arrecadação. Como visto, esta modalidade de extinção do crédito tributário tem aplicação restrita aos casos expressamente previstos em lei. Segundo o mandamento transcrito, a lei pode autorizar a utilização de créditos do próprio sujeito passivo contra a Fazenda Pública para quitação de seus débitos tributários. A Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, traz, no seu artigo 66, com a redação dada pela Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995, a disciplina legal para se fazer uso da compensação. A Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995 esclarece que esta compensação somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional. Mas, ainda que o seu procedimento de autocompensação pudesse se escorar no citado art. 66 da Lei n° 8.383/91, como, aliás, afirma que está, ainda assim não restaria razão à recorrente. Ela mesma reconhece, em seu Recurso Voluntário, à fl. 741, item 7.4, que, antes do advento da MP n° 66/2002; convertida na Lei n° 10.637, de 2002, a SRF previa três modalidades de compensação. E as cita: a) a realizada pelo contribuinte no regime de lançamento por homologação, com suporte no art. 66 da Lei 8.383/91; b) a pleiteada Pelo contribuinte à Administração e por esta efetuada, com suporte no art. 74 da Lei . n° 9.430, de 1996; c) a realizada de ofício pela Administração e por esta efetuada com suporte no art. 2.287/86, c,/c o art. 73 da Lei 9.430/96. E reconhece a recorrente que a modalidade descrita na letra "a" acima listada só podia ser feita entre tributos da mesma espécie e destinação, enquanto que a modalidade "b" podia abranger quaisquer tributos administrados pela SRF. Com efeito, em que pese o exame de admissibilidade não ter enfrentado análise do acórdão paradigma acima transcrito, verificase que não há qualquer divergência. A decisão recorrida, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinou que a DEINF/SP apurasse a certeza e a liquidez do crédito guerreado, considerando que o despacho decisório não homologatório não observou a DCTF retificadora transmitida um dia após a emissão do Despacho Decisório, embora antes da ciência da Contribuinte, o que caracteriza a sua espontaneidade. Vejamos: O despacho decisório foi emitido no dia 07/10/2009; a retificação da DCTF ocorreu no dia 08/10/2009; Fl. 119DF CARF MF Processo nº 16327.915390/200918 Acórdão n.º 9303006.809 CSRFT3 Fl. 120 6 a Contribuinte foi intimada do despacho decisório no dia 19/10/2009, conforme comprovase com documentos juntados aos autos ás fls. 30. Já no acórdão paradigma, o objeto central do processo diz respeito quanto a legitimidade das compensações de débitos do PIS/Pasep que efetuara, fundadas em crédito de IPI originado do créditoprêmio das exportações. Como se observa, o acórdão paradigma não aplica ao caso em espécie, de uma leitura detida no voto condutor, verifico que houve diligência proposta pela DRJ de Campo Grande/MS que retoma com a informação prestada pela DRF da mesma localidade (fl. 670) de que, exceção feita a dois pedidos de compensação, consubstanciados nos Processos Administrativos n° 10140.000026/200287 e 10140.003645/200142, não existem quaisquer outros entregues pela interessada envolvendo débitos do PIS/Pasep referentes ao período da autuação. Os dois pedidos de compensação referidos (cópias às fls. 664/666) têm como crédito um "ressarcimento/restituição" (apenas isto, sem se referir exatamente a que tipo) e como débitos a serem compensados a Cofins e o PIS dos períodos de apuração de novembro e dezembro de 2001. Esclarece ainda a diligência que os referidos débitos, por terem sido declarados em DCTF, não foram objeto da exigência que ora se discute no auto de infração. . Deste modo, essas dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” No que tange o Acórdão paradigma nº 120200.532 proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento, do confronto entre a ementa do acórdão recorrido e o excerto do voto condutor do paradigma, também não se comprova divergência. Vejamos a ementa e trecho do voto condutor do paradigma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 16327.915390/200918 Acórdão n.º 9303006.809 CSRFT3 Fl. 121 7 Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. Após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação informada no pedido/declaração PER/DCOMP, tornase inviável a alteração das informações contidas no pedido já formulado. DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Além disso, a DCTF retificadora não produz efeito quando a contribuinte não mais goza de espontaneidade, conforme dispõe o art. § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, combinado com o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, abaixo transcrito: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Compulsando aos autos da decisão recorrida, consta às fls. 22/23 que em 08/10/2009 fora transmitida pela internet DCTF retificadora, portanto no dia imediatamente posterior à emissão do Despacho Decisório Eletrônico (07/10/2009). Na mencionada retificadora foi declarado débito no valor total de R$124.511.120,46, constando como créditos o pagamento através de DARF no valor de R$123.571.443,11, através de compensação R$834.081,29 e com suspensão R$235.216,66. O Colegiado recorrido, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinou que a DEINF/SP apurasse a certeza e a liquidez do crédito guerreado, considerando que o despacho decisório não homologatório não observou a DCTF retificadora transmitida um dia após a emissão do Despacho Decisório, embora antes da ciência da Contribuinte, o que caracteriza a sua espontaneidade. Por sua vez, o acórdão paradigma, entendeu que a compensação não pode ser homologada sob o fundamento de que a Contribuinte havia transmitido DCTF retificadora em momento posterior à emissão do despacho decisório e de que teria demonstrado a existência do crédito. Diante de tudo que foi exposto, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 121DF CARF MF Processo nº 16327.915390/200918 Acórdão n.º 9303006.809 CSRFT3 Fl. 122 8 Demes Brito Relator Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909341/2008-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO.
O prazo para o contribuinte retificar sua DCTF, que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
Numero da decisão: 1001-000.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO. O prazo para o contribuinte retificar sua DCTF, que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 93 41 /2 00 8- 01 Fl. 146DF CARF MF 2 Tratase de Declarações de Compensação 04654.43327.300104.1.3.04.9367 (efls. 07/11), de 30/01/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade (IRPJ 4° Trim. / 2003) com créditos decorrentes de pagamentos indevidos (2° trimestre do anobase de 2002). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 781240365 (efl. 02), que analisou as informações e reconheceu que foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efls. 12/13) na qual alegou que declarou em DCTF original valor do débito de IRPJ com valor bruto (sem a dedução do IRF Retido na fonte), durante o ano de 2002. Requereu também que fosse retificada a Per/Dcomp referente ao Despacho Decisório recorrido e retificada as DCTF'S do 1° Trim/2003 ao 4° Trim/2003 pelo motivo da alteração quanto ao crédito compensado. A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 16 24.586 7a Turma da DRJ/SP1, efl. 51/57). A decisão de primeira instância julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, por entender que a intenção de retificar a declaração não pode ser reconhecida em sede de contencioso administrativo e que as DCTF retificadoras, noticiadas na manifestação de inconformidade do contribuinte, foram transmitidas em 02/07/2008, portanto após 5 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores correlatos ao IRPJ apurado no 2° trimestre do ano calendário 2002: denotase que a intenção de retificar a declaração não pode ser reconhecida para fins de alteração das informações reportadas na DCOMP original, haja vista que a pretensão motivouse a destempo, ou seja, manifestada imediatamente após a ciência da decisão administrativa, circunstância que indica descumprimento de requisito preliminar firmado pelo art. 57 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005. De outra parte, ante o exame simultâneo das alegações inerentes às alterações das informações prestadas por intermédio das DCTF correlatas ao 2° e 3° trimestres do anocalendário de 2002, fica patente que o interessado transmitiu as DCTF retificadoras extemporaneamente, uma vez que somente levou a efeito após o decurso do prazo decadencial admitido para que o contribuinte adotasse as providências necessárias visando promover correções de débitos regularmente confessados perante a Administração Tributária Federal. Retomando a situação fática tratada nos autos, evidenciase que as DCTF retificadoras, noticiadas na manifestação de inconformidade do contribuinte, foram transmitidas em 02/07/2008 (fls. 30 e 34), portanto após 5 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores correlatos ao IRPJ apurado no 20 trimestre do ano calendário 2002, visando flagrante intuito de incitar, a destempo, a desoneração de parcela do imposto pago e regularmente confessado por intermédio da DCTF do respectivo períodobase, assim, produzindo, de forma inoportuna e ilegítima, a constituição do saldo credor reivindicado no pleito em discussão. (...) Cientificada em 08/04/2010 (efl. 66), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 07/05/2007 (efl. 67), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e complementa que não operou a decadência, acreditou que não seria necessário comprovar aquilo que já era de conhecimento do Fisco Federal, pois o seu pleito estava escorado nas exatas informações que estavam processadas no próprio sistema de controle da RFB e requer diligência: Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.909341/200801 Acórdão n.º 1001000.535 S1C0T1 Fl. 147 3 há de se esclarecer que a retificação das DCTF do 2° e 3° Trimestres/2002 foram aceitas pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (doc. 03), tornando incompetente a DRJ para analisar o seu deferimento. Caso o Nobre Colegiado entenda por necessário à busca da verdade material, certamente determinará a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora ratifique a validade da DCTF retificadora, a qual está ativa no sistema da RFB. Ao tema, há de se considerar que, por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o ora Recorrente acreditou que não seria necessário comprovar aquilo que já era de conhecimento do Fisco Federal, pois o seu pleito estava escorado nas exatas informações que estavam processadas no próprio sistema de controle da RFB. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Quanto ao pedido para que a PER/DCOMP 04654.43327.300104.1.3.04.9367 seja retificada adiro aos fundamentos da decisão de primeira instância, pois retificação de PERDCOMP incluise na competência da DRF, e não matéria do contencioso administrativo. Acrescento que, conforme demonstrado na decisão de piso, mesmo as informações e documentos fiscais trazidos junto com a manifestação de inconformidade não se mostraram capazes de confirmar o direito creditório pleiteado. Isto porque sob este enfoque, importa frisar inclusive, que não basta que o interessado se limite a comprovar se houve ou não os pagamentos indevidos ou a maior do imposto reportado no curso do processo, ou mesmo restringirse a assegurar a lidimidade da apuração do crédito declarado na DCOMP, mas, também, deixar patente a constituição e a disponibilidade da importância pretensamente paga a maior, devendo apoiarse em demonstração comparativa, detalhada e lastreada nos livros fiscais e comerciais exigidos pela legislação tributária. A respeito da alegada decadência do direito do contribuinte de modificar as informações prestadas por intermédio das DCTF correlatas ao 2° e 3° trimestres do anocalendário de 2002, constato que as DCTF retificadoras foram apresentadas em 02/07/2008 (efls. 34/41) cabendo razão à decisão de primeira instância, visto que o "prazo para o contribuinte retificar sua DCTF (que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida) coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN". Por fim, ao contrário daquilo que alega o requerente, é importante ressaltar que os elementos carreados na manifestação de inconformidade por si só não perfazem prova suficiente da presença de erro de fato na elaboração da DCTF, tendo em conta que não possuem o condão de suprir prova documental que abrigue a alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva da imposto. Este CARF tem consignado que em tema de restituição e compensação cabe o atendimento de quatro premissas: Ia) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2a) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3a) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4a) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em Fl. 148DF CARF MF 4 autocompensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anos calendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pelo postulante da manifestação de inconformidade, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo do Imposto de Renda a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade de eventual saldo negativo de IRPJ declarado. Observo que o recorrente tenta trazer a esta segunda instância (CARF) documentos no intuito de provar seus créditos. Mas, conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. Desta forma indeferese também o pedido de diligência. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003140/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.663
Decisão:
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GFIP. DECLARAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES. AUTO DE INFRAÇÃO. ELEMENTOS DE PROVA E SUBSTRATOS FÁTICOS NOS AUTOS DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ENFRENTAMENTO DAS RAZÕES DE FATO E DIREITO JÁ ARGUIDAS PELA RECORRENTE. ECONOMIA PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE NOVA ARGUMENTAÇÃO OU FATO NOVO. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva responsável pelo trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. Apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores constitui infração à legislação previdenciária, ensejando a aplicação de multa punitiva. Deve ser declarada em GFIP a integralidade da remuneração paga ou creditada a segurados contribuintes individuais. O salário de contribuição para o empregado, a ser declarado em GFIP, consiste na remuneração auferida, compreendendo a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, pelos serviços prestados à empresa. Quando os elementos de prova e demais substratos fáticos do lançamento do AIOA constarem de Debcad/Processo de AIOP, havendo sido, inclusive, efetuada a devida apreciação com o enfrentamento das razões de fato e de direito arguidas pela Recorrente, bem assim julgamento do mérito em cada um dos respectivos processos, nos tópicos pertinentes de cada recurso voluntário, são dispensadas, até por economia processual, a repetição das AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 40 /2 01 0- 81 Fl. 620DF CARF MF 2 considerações já feitas acerca dos mesmos elementos materiais e das mesmas razões de direito alegadas pelo recorrente, quando ausente inovação de argumentativa e fato novo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 11065.003140/201081 Acórdão n.º 2402006.193 S2C4T2 Fl. 102 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Fl. 622DF CARF MF 4 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 450/606 em face do Acórdão n. 10 40.982 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA (efls. 397/445), que julgou improcedente a impugnação de efls. 48/185 e manteve o crédito tributário constituído pelo lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4010 consolidado no valor total de R$ 164.655,85 na data de 09/11/2010 Período de Apuração: 01/2007 a 11/2008 ciência do contribuinte em 18/11/2010 Código de Fundamentação Legal 68 (efls. 02/05) com fulcro em descumprimento de obrigação acessória, caracterizada por infringência ao disposto no art. 32, IV, e parágrafo 5º. da Lei n. 8.212/91, acrescido pela Lei n. 9.528/97 c/c art. 225, IV, § 4°., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 em razão da apresentação pela empresa de Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/2007 a 11/2008, conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 28/30. A Recorrente foi regularmente cientificada do AI DEBCAD n. 37.274.4010 (efls. 02/05) em 18/11/2010, e, irresignada, apresentou a impugnação de efls. 48/185. O crédito tributário de natureza previdenciária no AI DEBCAD n. 37.274.4010 (efls. 02/05) foi mantido no julgamento de primeiro grau, nos termos do Acórdão n. 1040.982 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) efls. 397/445, que sumarizou seu entendimento conforme ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 AI Debcad nº 37.274.4010 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GFIP. DECLARAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL E DE EMPREGADO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. SIMULAÇÃO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PERÍCIA. MULTA. Apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores constitui infração à legislação previdenciária, ensejando a aplicação de multa punitiva. O Auto de Infração que observa o regramento administrativo próprio à espécie não gera a nulidade do lançamento. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal obedece ao princípio da legalidade, sendo prestadas todas as informações necessárias ao sujeito passivo, possibilitando que este exerça plenamente o seu direito à defesa. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 11065.003140/201081 Acórdão n.º 2402006.193 S2C4T2 Fl. 103 5 Deve ser declarada em GFIP a integralidade da remuneração paga ou creditada a segurados contribuintes individuais. O salário de contribuição para o empregado, a ser declarado em GFIP, consiste na remuneração auferida, compreendendo a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, pelos serviços prestados à empresa. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva responsável pelo trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. Não é vedado o planejamento tributário, mas a prática abusiva, como a simulação de relações entre empresas com objetivo claro de obter vantagens tributárias. A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. A produção da prova pericial é indeferida quando o julgador administrativo a considerar prescindível. A multa aplicada nos estritos limites previstos em lei não ofende os princípios constitucionais do não confisco e da capacidade contributiva. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente foi cientificada do teor do Acórdão n. 1040.982 (efls. 397/445) em 07/02/2013 (efls. 447/448), e, em 08/03/2013, interpôs o Recurso Voluntário de efls. 450/606, guerreando contra a decisão a quo de forma total, conforme destaca na retrocitada peça recursal, esgrimindo, em linhas gerais, os argumentos apresentados na impugnação de efls. 48/185, abaixo resumidos: i) Inexistência de interposição de sociedades; ii) Inexistência de grupo econômico; iii) Isenção legal da divisão de lucros nos exercícios 2008 e 2009; iv) Inaplicabilidade do art. 201, II, do RPS face a imunidade veiculada no art. 7°., XI, da CF; v) Isenção legal Lei n. 8.212/91; vi) Regularidade da terceirização falta de lei que defina atividadefim; vii) Competência da Justiça do Trabalho não aplicação na matéria fiscal; viii) Competência da Justição do Trabalho para declarar a existência de vínculo empregatício; Fl. 624DF CARF MF 6 ix) Inexistência de pessoalidade na prestação de serviços (terceirização); x) Inexistência de subordinação; xi) Excesso de cobrança tributária; xii) Despesas consideradas como salário são, de fato, efetivos ressarcimentos; xiii) Inaplicabilidade do Direito do Trabalho na esfera do Direito Tributário; xiv) Inaplicabilidade do princípio da primazia da realidade para constituição de créditos previdenciários; xv) Inaplicabilidade do art. 126, III, do CTN ao caso concreto; xvi) Inaplicabilidade do art. 9°. e 444 da CLT ao caso concreto; xvii) Inversão do ônus da prova; xviii) Dilação probatória (perícia técnica); xix) Inexistência de simulação; xx) Inexistência de fraude; xxi) Inexistência de conluio; xxii) Inaplicabilidade da multa majorada; xxiii) Proibição de confisco e observância ao princípio da capacidade contributiva; xxiv) Não incidência de juros e atualização monetária sobre as multas aplicadas; xxv) Limite dos juros em 1% a.m; xxvi) Inconstitucionalidade na cobrança e exigência das contribuições de fundações e terceiros; xxvii) Inconstitucionalidade da exigência da contribuição denominada atualmente de GIILRAT. Este processo tem como raiz o processo n. 11065.003144/201060, ao qual encontrase apenso, consoante informado à efl. 389. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 11065.003140/201081 Acórdão n.º 2402006.193 S2C4T2 Fl. 104 7 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 450/606) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Consoante relatado, o Recurso Voluntário de efls. 450/606 guerreia contra o Acórdão n. 1040.982 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA (efls. 397/445), que julgou improcedente a impugnação de efls. 48/185 e manteve o crédito tributário constituído pelo lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4010, que teve como objeto o descumprimento de obrigação acessória, conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 28/30. É oportuno esclarecer que o lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4010 (efls. 02/05), em litígio, é parte de uma ação fiscal que deu origem à lavratura dos Autos de Infração infra discriminados: Neste processo a discussão está restrita à aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, caracterizada por infringência ao disposto no art. 32, IV, e parágrafo 5º. da Lei n. 8.212/91, acrescido pela Lei n. 9.528/97 c/c art. 225, IV, § 4°., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99 em razão da apresentação pela empresa de Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/2007 a 11/2008, relacionados a seus empregados e contribuintes individuais, bem assim em relação aos empregados e contribuintes individuais registrados nas empresas terceirizadas IM Indústria Mecânica Ltda. CNPJ 93.533.172/0001 01 e IBS Indústria de Balanças e Serviços Ltda. CNPJ 88.979.067/000160, que foram considerados, para efeito de lançamento dos créditos de contribuições previdenciárias, segurados integrantes de sua mãodeobra própria. Fl. 626DF CARF MF 8 Por oportuno, transcrevo a decisão de instância de piso, que bem delineia o foco desta análise: "Consoante descreve o Relatório Fiscal da Infração, fls. 28/29, o sujeito passivo da obrigação legal, deixou de informar, nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência – GFIP o que segue: 1) parte da remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais registrados na empresa Saturno, obtida do confronto entre os valores de remuneração declarados por aquela empresa em GFIP e aqueles constantes nas suas folhas de pagamento. Os valores não declarados em GFIP e os elementos de prova constam no processo n° 11065.003141/201026, Debcad nº 37.274.4028 e encontramse discriminados na planilha intitulada "DISCRIMINATIVO DOS VALORES NÃO DECLARADOS EM GFIP" (fls. 31/39). O cálculo da multa, bem como os valores das remunerações e descontos considerados na sua apuração encontramse totalizados na planilhas intitulada “1. VALORES NÃO DECLARADOS EM GFIP EMPRESA SATURNO S.A” (fls. 40). (grifei) 2) os fatos geradores de contribuições previdenciárias em relação aos segurados empregados e contribuintes individuais registrados nas empresas terceirizadas IM – Indústria Mecânica Ltda, CNPJ n° 93.533.172/000101 e IBS — Indústria de Balanças e Serviços Ltda, CNPJ n° 88.979.067/000160 e que foram considerados, para efeito de lançamento dos créditos de contribuições previdenciárias, segurados integrantes da mãodeobra própria da empresa Balanças Saturno S/A. A apuração destes valores foi obtida por aferição indireta utilizandose as folhas de pagamento e GFIP das empresas interpostas citadas, com fulcro nos parágrafos 3° e 6° do art 33, da Lei n° 8.212/1991, combinado com os arts. 233 e 235 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. Os elementos de prova constam nos autos do processo n° 11065.003144/201060, Debcad nº 37.274.4052. Os valores das remunerações objeto desta autuação encontramse totalizados nas planilhas intituladas “2. VALORES NÃO DECLARADOS EM GFIP EMPRESA IBS” e “3. VALORES NÃO DECLARADOS EM GFIP EMPRESA IM”, fls. 41 e 42. As evidências da simulação praticada pelas empresas Balanças Saturno S/A, IM – Indústria Mecânica Ltda e IBS — Indústria de Balanças e Serviços Ltda estão descritas no Relatório Fiscal da Infração (fls. 28/29), podendo ser assim sintetizadas: (grifei) • as empresas IBS e IM produziram de forma cativa para a Saturno em todo o período auditado, de 01/2007 a 12/2009, ou seja, operaram em regime de exclusividade, participando de uma ou mais fases do processo industrial; • as empresas IBS e IM atuam e fornecem mãodeobra na execução dos serviços essenciais da empresa autuada, ou seja, aquela que constitui o seu objeto principal; • as empresas IBS e IM têm total dependência econômica em relação à Saturno. Executam seus serviços exclusivamente para a tomadora, necessitando de repasses contínuos e permanentes de recursos financeiros daquela; • as empresas IBS e IM apresentam domicílio fiscal diverso (de fachada) mas operam, de fato, em instalações dentro do parque fabril da Saturno. A planta industrial onde estão situadas as empresas não possui separação física; Fl. 627DF CARF MF Processo nº 11065.003140/201081 Acórdão n.º 2402006.193 S2C4T2 Fl. 105 9 • as empresas IBS e IM são comandadas por pessoas ligadas por laços familiares e/ou antigos funcionários da Saturno; • despesas operacionais (água, luz, telefone, aluguéis de máquinas e equipamentos, aluguel de imóvel, fretes), que seriam de responsabilidade das empresas IBS e IM são suportados integralmente pela Saturno; • a Saturno paga e escritura como suas, despesas incorridas por empregados e sócios das terceirizadas – IBS e IM (Viagens/Representações, Comissões/Representantes; • as empresas IBS e IM utilizam, além das instalações da Saturno, também suas máquinas e equipamentos, sem desembolsarem qualquer pagamento; • IBS e IM, mesmo não possuindo escrituração relativa a custo com Materiais e/ou Matérias Primas, bem como com estoques, possuem no seu quadro de funcionários, empregados com as funções e cargos de almoxarifes e auxiliares de almoxarifado, empregados estes executando estas atividades no almoxarifado e junto aos empregados da autuada. Materiais e/ou matérias primas, bem como seus estoques, são lançados na contabilidade da Saturno; • Saturno, IBS e IM têm as suas escriturações contábil e fiscal executadas pela mesma empresa, MLC Associados Ltda Contabilidade e Assessoria, sendo o contador, Luiz Carlos Anflor Schmidt, CRCRS 004372/00, sócio da empresa MLC Associados, procurador da empresa IM; • atividades financeiras e administrativas, como por exemplo, o RH Recursos Humanos, são de responsabilidade da Saturno, sendo a Coordenadora de RH, a Sra. Letícia de Moraes, CPF n° 754.717.87072, empregada da Saturno. No período de 04/2009 a 12/2009, a mesma era registrada como empregada da IBS, e realizava lá as mesmas atividades; • a rede mundial de computadores noticia somente o website da Saturno. Em relação às empresas IBS e IM há somente links que direcionam para osítio da Saturno, ou seja, www.saturno.ind.br. Estes links indicam o endereço e o número de telefone da Saturno; • os empregados das empresas IBS e IM ocupam e exercem suas atividades lado a lado com os empregados da Saturno, sem nenhuma diferenciação. Uniformes quando usados, possuem todos um único logotipo da "Balanças Saturno". O registro de entrada e saída é realizado num único "relógio ponto" e controlado pelo RH da fiscalizada; • a empresa Saturno realiza serviços de assistência técnica a outras empresas, utilizandose de empregados da IM e IBS. Fl. 628DF CARF MF 10 Desta forma, o contribuinte apresentou as GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores a todas as contribuições previdenciárias. Esta infração é identificada nos sistemas informatizados desta Instituição sob o Código de Fundamento Legal CFL nº 68. A autuação referese a período anterior à MP nº 449/08, resultado da aplicação da penalidade mais benéfica para o sujeito passivo, conforme o disposto no art. 106, II, do CTN, consoante explicitado às fls. 45 e demonstrado através de planilha “COMPARATIVO DA MULTA APLICADA”(fls. 45/46). A multa corresponde a cem por cento (100%) do valor devido, relativamente às contribuições não declaradas em GFIP, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, limitada por competência, aos valores previstos no quadro constante no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.528/97, cujo enquadramento se deu em função do nº total de segurados em atividade na empresa em cada competência. A multa foi aplicada de acordo com a Lei nº 8.212/91, art. 32, parágrafo 5º, acrescentado pela Lei nº 9.528/97 e Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, art. 284 e art. 373, no valor de R$ 164.655,85 (cento e sessenta e quatro mil, seiscentos e cinqüenta e cinco reais e oitenta e cinco centavos), atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 333, de 29 de junho de 2010, publicada no Diário Oficial da União em 30/06/2010. O cálculo da multa aplicada foi demonstrado através da planilha “DEMONSTRATIVO DO CÁLCULO DA MULTA – 4.VALORES DAS CONTRIBUIÇÕES E DA MULTA APLICADA”, às fls. 43, com explicações às fls. 44." Destarte, resta evidenciado que os elementos de prova e demais substratos fáticos do lançamento consignado no Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) DEBCAD n. 37.274.4010 Código de Fundamentação Legal n. 68 (efls. 02/05) encontramse, de fato, nos Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n. 37.274.4028 (Processo n. 11065.003141/201026); n. 37.274.4036 (Processo n. 11065.003142/201071); n. 37.274.4044 (Processo n. 11065.003143/201015); n. 37.274.4052 (Processo n. 11065.003144/201060); n. 37.274.4060 (Processo n. 11065.003145/201012); e n. 37.274.4079 (Processo n. 11065.003146/201059), havendo sido, inclusive, efetuada a devida apreciação com o enfrentamento das razões de fato e de direito arguidas pela Recorrente em cada um dos respectivos processos, nos tópicos pertinentes de cada recurso voluntário, o que dispensa, no âmbito deste processo, até por economia processual, a repetição das considerações já feitas acerca dos mesmos elementos materiais e das mesmas razões de direito alegadas pela Recorrente na peça recursal de efls. 450/606, vez que esta nada inova em face daquelas já apresentadas nos processos acima discriminados. Isto posto, e considerandose ainda as planilhas discriminativas dos valores não declarados em GFIP (efls. 31/39), bem assim o demonstrativo do cálculo da multa (efls. 40/44), entendo que nenhum reparo há a fazer na decisão recorrida, mantendose hígido, portanto, o lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4010 Código de Fundamentação Legal 68 (efls. 02/05). Fl. 629DF CARF MF Processo nº 11065.003140/201081 Acórdão n.º 2402006.193 S2C4T2 Fl. 106 11 Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 450/606), e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 630DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.001544/2005-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49.
O instituto da denúncia espontânea previsto no Código Tributário Nacional não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
(Súmula CARF nº 49)
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO FISCAL. BASE DE CÁLCULO DA PENALIDADE. IMPOSTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE.
A multa pela entrega em atraso da Declaração do ITR tem por base de cálculo o valor do imposto declarado pelo contribuinte, e não o imposto devido apurado em procedimento de ofício.
Numero da decisão: 2401-005.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para reduzir a multa por atraso na entrega da declaração de ITR, relativa ao exercício de 2000, ao valor mínimo de R$ 50,00.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. O instituto da denúncia espontânea previsto no Código Tributário Nacional não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF nº 49) MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO FISCAL. BASE DE CÁLCULO DA PENALIDADE. IMPOSTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. A multa pela entrega em atraso da Declaração do ITR tem por base de cálculo o valor do imposto declarado pelo contribuinte, e não o imposto devido apurado em procedimento de ofício.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. O instituto da denúncia espontânea previsto no Código Tributário Nacional não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF nº 49) MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO FISCAL. BASE DE CÁLCULO DA PENALIDADE. IMPOSTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. A multa pela entrega em atraso da Declaração do ITR tem por base de cálculo o valor do imposto declarado pelo contribuinte, e não o imposto devido apurado em procedimento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 15 44 /2 00 5- 64 Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10930.001544/200564 Acórdão n.º 2401005.485 S2C4T1 Fl. 242 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento parcial para reduzir a multa por atraso na entrega da declaração de ITR, relativa ao exercício de 2000, ao valor mínimo de R$ 50,00. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10930.001544/200564 Acórdão n.º 2401005.485 S2C4T1 Fl. 243 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (DRJ/REC), por meio do Acórdão nº 1117.209, de 23/10/2006, cujo dispositivo considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário (fls. 41/47): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DITR. BASE DE CÁLCULO. Deve ser mantida a exigência relativa à multa por atraso na entrega da DITR, quando restar comprovada sua entrega fora do prazo previsto na legislação de regência, sendo que esta incide sobre o imposto devido apurado em procedimento de ofício e mantido após instaurado o litígio, e não sobre o imposto declarado. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pelo cometimento de infração à legislação tributária, prevista no art. 138 do CTN, é inaplicável às penalidades pecuniárias decorrentes do inadimplemento de obrigações acessórias. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Lançamento Procedente 2. Em face do contribuinte foi lavrado Auto de Infração para cobrança de Multa por Atraso na Entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativa ao exercício de 2000, no valor de R$ 5.429,38, vinculada ao imóvel rural denominado "Seringal", localizado no município de Machadinho D'Oeste (RO), cadastrado fiscal sob o nº 3.880.3208 (fls. 18). 3. O contribuinte foi cientificado da autuação por via postal, em 28/04/2005, e impugnou a exigência fiscal no dia 20/05/2005 (fls. 04/13 e 29). Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10930.001544/200564 Acórdão n.º 2401005.485 S2C4T1 Fl. 244 4 4. Intimado em 08/02/2007, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 06/03/2007, em que faz considerações a respeito da validade do acordão recorrido e repisa os argumentos de impugnação, a seguir resumidos (fls. 49/50 e 52/59): (i) em preliminar, reclama que o acórdão de primeira instância empregou expressões ofensivas, por considerar o autuado ignorante, hipótese que autoriza o juiz a mandar riscá las do ato administrativo; (ii) no mérito, afirma que entregou espontaneamente a declaração, estando protegido pelo instituto da denúncia espontânea; (iii) o lançamento da penalidade utilizou base de cálculo equivocada, desconsiderando o imposto declarado apurado pelo contribuinte; (iv) é inaplicável a multa por atraso na entrega da declaração de forma concomitante com a multa sobre o imposto devido calculado pela fiscalização no lançamento de ofício; e (v) alternativamente, devese aguardar o julgamento do lançamento de ofício do imposto, que deu origem ao processo administrativo nº 10240.000814/200415, em razão da íntima relação de causa e efeito estabelecida entre ambos os feitos. 5. Por meio da Resolução nº 3021.539, de 11/09/2008, a Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência a fim de aguardar a decisão final e irrecorrível nos autos do processo nº 10240.000814/200415, que trata do lançamento de ofício do imposto em decorrência do procedimento de revisão da declaração entregue pelo contribuinte (fls. 80/83). 6. A diligência foi cumprida pela unidade preparadora da RFB com a juntada de peças do processo nº 10240.000814/200415, tendo sido informado que se encontrava com decisão administrativa definitiva e crédito tributário remanescente extinto pelo pagamento (fls. 85/232). 7. O contribuinte tomou ciência do resultado da diligência, não constando, porém, manifestação (fls. 233/235). É o relatório. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10930.001544/200564 Acórdão n.º 2401005.485 S2C4T1 Fl. 245 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 8. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Considerações Iniciais 9. Previamente, o recorrente alega que o relator do acórdão recorrido empregou expressões ofensivas, requerendo ao julgador de segunda instância riscálas do ato administrativo. O desconforto do contribuinte referese ao seguinte trecho do julgado, que destaquei (fls. 45/46): (...) Como ele mesmo cita em sua impugnação, a Lei 9.393/96 estabeleceu que a base de cálculo para a apuração da multa é o imposto devido, não prescrevendo em qualquer momento que tal imposto devido é, obrigatoriamente, aquele declarado pelo contribuinte, o que seria uma incoerência já que as declarações estão sujeitas, legalmente, a revisões de ofício. Falarse em condenação prévia, arbitrariedade e ilegalidade demonstra, no mínimo, falta de conhecimento da legislação que norteia os atos dos servidores da Secretaria da Receita Federal, até porque o lançamento da Multa por Atraso na Entrega da Declaração é eletrônico, não está sujeito ao poder discricionário do servidor que é, também, legal. (...) (Destaquei) 10. Em minha avaliação, o texto redigido pelo julgador de primeira instância é despedido de potencial ofensivo para atingir a dignidade e o decoro do contribuinte, não devendo ser interpretado como aviltante, injurioso ou desrespeitoso. Todas as palavras foram empregadas no contexto da análise da legislação aplicável aos fatos, em que o relator do acórdão realça a falta de poder discricionário do agente fiscal no lançamento da multa por atraso, afastando a ideia de arbitrariedade e ilegalidade da conduta. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10930.001544/200564 Acórdão n.º 2401005.485 S2C4T1 Fl. 246 6 Mérito 11. Quanto à aplicação da regra da chamada "denúncia espontânea de infrações", prevista no art. 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), a decisão de piso não merece reparo. Com acerto, esclareceu que a entrega da declaração em atraso, mesmo de forma espontânea ou antes de qualquer notificação, não afasta a incidência da penalidade pecuniária. 12. O instituto da denúncia espontânea é inaplicável às hipóteses de descumprimento de obrigações formais, desvinculadas do fato gerador do tributo, como a entrega de declaração, porquanto, caso contrário, os prazos estabelecidos na legislação tributária ficariam desmoralizados. 13. A jurisprudência administrativa em segunda instância é firme nesse entendimento, conforme demonstra o verbete da Súmula nº 49 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. 14. No tocante ao critério legal de aplicação da penalidade pela entrega em atraso da declaração do ITR, confirase o que dispõe os arts. 7º a 9º da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996: Entrega do DIAC Fora do Prazo Art. 7º No caso de apresentação espontânea do DIAC fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. Seção V Da Declaração Anual Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10930.001544/200564 Acórdão n.º 2401005.485 S2C4T1 Fl. 247 7 § 3º O contribuinte cujo imóvel se enquadre nas hipóteses estabelecidas nos arts. 2º e 3º fica dispensado da apresentação do DIAT. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) (Vigência) Entrega do DIAT Fora do Prazo Art. 9º A entrega do DIAT fora do prazo estabelecido sujeitará o contribuinte à multa de que trata o art. 7º, sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. (Destaquei) 15. A toda a evidência, ante a falta de previsão na lei, a base de cálculo da multa por atraso não pode incidir sobre o imposto lançado de ofício e mantido após a decisão administrativa definitiva, mas sim é o valor do imposto devido apurado na declaração entregue a destempo pelo contribuinte. 16. Nesse sentido, a jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo do Acórdão nº 9202006.048, de 28/09/2017, cuja ementa reproduzo abaixo: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIAC. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. Por falta de previsão legal para a imposição de multa por atraso na entrega da DIAC sobre o valor lançado de oficio, tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR informado na declaração. 17. A multa aplicada pela fiscalização neste processo administrativo foi calculada com base no valor do imposto devido de R$ 14.674,60, lançado mediante o auto de infração formalizado no processo nº 10240.000814/200415, utilizandose do percentual de 37% correspondente ao número de meses em atraso, totalizando o crédito tributário em R$ 5.429,38 (fls. 18 e 32/36). 17.1 No entanto, as alterações efetuadas pelo agente fazendário na declaração original nada afetam o lançamento da multa pela sua entrega intempestiva. 18. Mais que isso, tendo em conta a autonomia das obrigações tributárias, a Lei nº 9.393, de 1996, autoriza a convivência simultânea entre a penalidade pela inobservância da obrigação acessória e a multa proporcional pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto, está última lançada de ofício no processo nº 10240.000814/200415, a qual pune o incumprimento de uma obrigação principal. 19. No caso dos autos, o contribuinte apurou na declaração do ITR entregue a destempo um imposto devido no montante de R$ 43,88 (fls. 25). Logo, considerando a quantidade de meses em atraso, é cabível a redução da multa por atraso na entrega da declaração do ITR ao patamar mínimo de R$ 50,00 (cinquenta reais), segundo o que impõe a Lei nº 9.393, de 1996. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10930.001544/200564 Acórdão n.º 2401005.485 S2C4T1 Fl. 248 8 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO PARCIAL para reduzir a multa por atraso na entrega da declaração de ITR, relativa ao exercício de 2000, ao valor mínimo de R$ 50,00. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 248DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.720103/2014-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
Ementa:
ARBITRAMENTO DO LUCRO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITA CONTÁBIL. NÃO COMPROVAÇÃO
Improcede o arbitramento do lucro, quando as razões elencadas pela fiscalização não são determinantes para fundamentar e comprovar a imprestabilidade da escrituração contábil/fiscal para fins de apuração do lucro real.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
CSLL. Decorrendo a exigência da CSLL do mesmo fato que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, a mesma decisão proferida para o imposto de renda em face da estreita relação de causa e efeito.
PIS e Cofins. Em razão da improcedência do arbitramento do lucro, considera-se indevida a apuração do Pis e da Cofins pelo regime cumulativo, já que a regra apuração pelo lucro real enseja o cálculo do Pis e da Cofins pelo regime não cumulativo, conforme legislação vigente.
Numero da decisão: 1201-002.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado para substituir o conselheiro Rafael Gasparello Lima). Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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IMPRESTABILIDADE DA ESCRITA CONTÁBIL. NÃO COMPROVAÇÃO Improcede o arbitramento do lucro, quando as razões elencadas pela fiscalização não são determinantes para fundamentar e comprovar a imprestabilidade da escrituração contábil/fiscal para fins de apuração do lucro real. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Decorrendo a exigência da CSLL do mesmo fato que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, a mesma decisão proferida para o imposto de renda em face da estreita relação de causa e efeito. PIS e Cofins. Em razão da improcedência do arbitramento do lucro, considerase indevida a apuração do Pis e da Cofins pelo regime cumulativo, já que a regra apuração pelo lucro real enseja o cálculo do Pis e da Cofins pelo regime não cumulativo, conforme legislação vigente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 01 03 /2 01 4- 36 Fl. 1176DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado para substituir o conselheiro Rafael Gasparello Lima). Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Por economia processual e considerar pertinente adoto o relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, autorizada pelo Mandado de Procedimento FiscalFiscalização nº 08.1.19.00 201200117, foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ,Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição Para o PIS/Pasep e Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social. Autos de infração de IRPJ e lançamentos reflexos 2. O auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 794 808) exige o recolhimento de R$ 1.558.008,10 de imposto, R$ 2.284.829,20 a título de multas de lançamento de ofício de 75% e 150%, prevista no art. 44, I, e § 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, e R$ 738.543,31 de juros de mora. 3. O lançamento fiscal, nos termos dos artigos 904 e 926 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999), efetuado com base no lucro arbitrado no anocalendário de 2009 e no lucro real no anocalendário de 2010, decorre das seguintes infrações: 3.1. arbitramento do lucro com base na receita bruta da venda de produtos de fabricação própria, apurado mediante totalização das notas fiscais eletrônicas registradas no SPED, conforme descrito no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 784789) e demonstrado nas planilhas de fls. 790791, com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, e art. 532 do RIR de 1999, com aplicação da multa de 150%: 31/01/2009........................................................ .R$ 5.373.583,48 27/02/2009...........................................................R$ 4.962.204,51 31/03/2009...........................................................R$ 5.745.412,19 30/04/2009..........................................................R$ 2.577.199,03 29/05/2009..........................................................R$ 4.780.112,82 30/06/2009..........................................................R$ 6.844.315,47 31/07/2009..........................................................R$ 6.072.841,82 31/08/2009..........................................................R$ 5.865.664,29 30/09/2009..........................................................R$ 5.642.604,59 30/10/2009..........................................................R$ 5.709.099,12 30/11/2009..................................................... R$ 5.154.360,08 31/12/2009.........................................................R$ 4.290.554,19 Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 10932.720103/201436 Acórdão n.º 1201002.113 S1C2T1 Fl. 3 3 3.2. compensação indevida do prejuízo fiscal declarado no ano calendário de 2009, conforme descrito no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 784789), com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, e arts. 247, 250, III, 251, 509 e 510 do RIR de 1999, com aplicação da multa de 75%: 31/03/2010.............................................................R$ 302.309,12 4. O auto de infração de Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL de fls. 809819 exige o recolhimento de R$ 680.593,88 de contribuição, R$ 1.020.890,82 a título de multa de lançamento de ofício de 150% e R$ 324.192,63 de juros de mora. O lançamento fiscal decorre do arbitramento do lucro realizado com base na receita bruta de venda de produtos de fabricação própria no anocalendário de 2009, com infração ao disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988 (com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990, e art. 17 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008), art.2º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996, art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. 5. O Auto de infração de CSLL de fls. 834838 exige o recolhimento de R$ 27.207,82 de contribuição, R$ 20.405,87 de multa de lançamento de ofício de 75% e R$ 11.555,16 de juros de mora. O lançamento decorre da compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL no 1º trimestre/2010 e tem como fundamento legal os arts.2º e 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988 (com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 8.034, de 1990, e art. 17 da Lei nº 11.727, de 2008). 6. O auto de infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 820826) exige R$ 1.377.818,83 de contribuição no regime cumulativo, R$ 2.066.728,27 de multa de ofício de 150% e R$ 676.005,54 de juros de mora. O lançamento decorre do arbitramento do lucro no anocalendário de 2009, e tem como fundamento legal o art. 1º da Lei Complementar n° 70, de 1991, arts. 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718, de 1998 (com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 41 da Lei nº 11.196, de 2005, e art. 7º da Medida Provisória nº 451, de 2008, convertida na Lei nº 11.945, de 2009). 7. O auto de infração de Contribuição para o Programa de Integração Social –PIS (fls. 827833) exige o recolhimento de R$ 298.302,51 de contribuição no regime cumulativo, R$ 447.453,80 de multa de ofício de 150% e R$ 146.363,41 de juros de mora. O lançamento fiscal decorre do arbitramento do lucro no anocalendário de 2009, e está fundamentado no art. 1º da Lei Complementar nº 7, de 1970, arts. 2º, I, 8º, I, e 9º da Lei nº 9.715, de 1998, arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998 (com as alterações introduzidas pelo art.2º da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 41 da Lei nº 11.196, de 2005, e art. 7º da Medida Provisória nº 451, de 2008, convertida na Lei nº 11.945, de 2009) e art. 79 da Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1178DF CARF MF 4 Termo de Verificação e Constatação Fiscal 8. As razões que justificaram o arbitramento do lucro restaram assim descritas no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 784789): Lavrado novo Termo de Constatação Fiscal em 17/10/2012, com ciência pessoal de mesma data, no qual é feita referência aos Termos de Início de 30/03/2012 e os Termos de Intimação de 17/07/2012, 01/08/2012 e 14/09/2012 nos quais são solicitados demonstrativos, documentos e sua correspondência em livros. Registrouse a constatação de que o contribuinte sempre solicitava prorrogações, que lhe eram concedidas, que apresentou elementos que supostamente foram utilizados para a contabilização de despesas, porém desacompanhado de ficha contábil e nenhuma ordem cronológica foi obedecida. Os documentos estão nas caixas de arquivo sem qualquer resumo ou controle dos gastos contabilizados. Não tendo sido atendido integralmente os pedidos da fiscalização, o contribuinte foi reintimado a apresentar no prazo de 20 dias os seguintes livros e documentos sempre referentes ao ano de 2009: livros fiscais de Entradas e de Saídas; Diário Geral autenticado; Razão Contábil referente às contas de despesas; Ficha ou arquivo contendo os lançamentos mensais das despesas do ano; Extratos bancários como movimento no ano. (...) Aos 07/11/2012 foi lavrado um Termo de Reintimação Fiscal, cuja ciência via postal por AR deuse em 12/11/2012, para reiterar a necessidade da entrega dos documentos solicitados no Termo de Constatação Fiscal de 17/10/2012 e renovar os alertas anteriores. Em carta datada de 19/11/2012 o contribuinte entrega os livros e documentos de referência Janeiro a Dezembro 2009: Registro de Saídas; Diários; Apuração de IPI; Razão analítico contas de bancos e conta de despesas e Extratos Bancários. No próprio corpo desta carta faziase a seguinte observação: “O livro Diário foi devolvido para autenticação na JUCESP. Restante dos documentos são cópias sem originais para autenticação. As cópias foram recebidas para conferência posterior, inclusive, se ainda há documentos solicitados no Termo de Intimação faltantes”. Novo Termo de Constatação Fiscal datado de 19/11/2012 tendo sua ciência postal por AR em 23/11/2012 foi lavrado para registrar as seguintes constatações: Livro de Saídas e Apuração de IPI sem a assinatura dos responsáveis; Diário Geral devolvido para autenticação na Junta Comercial de SP; cópia de Extratos bancários sem originais para autenticação e cópia do Razão extraído do sistema contábil. Desta forma o contribuinte foi intimado em um prazo de 20 dias a apresentar o Diário autenticado na JUCESP, retirar os Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 10932.720103/201436 Acórdão n.º 1201002.113 S1C2T1 Fl. 4 5 livros fiscais para a assinatura dos responsáveis legais e fazer a sua entrega regularizada. Os alertas também foram renovados. Em observação posterior constatamos que livro Diário autenticado não foi entregue e que o Razão apresentado é cópia de computador (sistema contábil),não assinada e que os demais livros continuam sem as devidas assinaturas. Assumida a fiscalização pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil que abaixo assina o presente Termo, em 18/06/2013 lavrou o Termo de Constatação, Intimação e Reintimação Fiscal, cuja ciência via postal por AR deuse em 02/07/2013, para inicialmente informar o contribuinte da substituição do Auditor anterior e adicionalmente informálo que todos os atos, livros e documentos anteriormente produzidos/entregues continuavam válidos. Registrar a constatação de nem todas as intimações feitas havia sido atendidas ou o foram de forma insatisfatória. Ainda, constatar que o Demonstrativo das despesas escrituradas na linha 32 da ficha 05A (outras despesas operacionais) de sua DIPJ era parcial e não listava a totalidade das contas que formam estas despesas. Constatar também que o Razão analítico das contas intimadas para serem apresentadas o foram de forma que não permitem a correta identificação do lançamento, sua origem e comprovação, uma vez que um significativo número de lançamentos apresenta se simplesmente com a descrição “Internet Bank”, algumas contas apresentamse mensalmente somente com lançamentos sintéticos, apenas totalizando o mês sem o detalhamento do seu conteúdo. (...) Até esta ocasião a fiscalização inicial procurou trabalhar com os livros e documentos intimados e reintimados, conforme o mostram todos os Termos citados em nossa exposição. Entretanto, conforme é mostrado nessa própria exposição, isto não se tornou viável em face da qualidade e confiabilidade das informações contábeis disponibilizadas pelo contribuinte nos livros e documentos apresentados. Por outro lado, em função de sua natureza jurídica, atividade econômica, receitas e apuração do IRPJ pelo Lucro Real, o contribuinte é obrigado a entregar via SPED a ECD Escrituração Digital Contábil (sic) referente ao período da fiscalização em curso, anocalendário de 2009, de acordo com o Decreto 6022 de 22/012007 e INInstrução Normativa 787 de 19/11/2007. (...) Assim, em 13/01/2014 lavramos o Termo de Constatação e Intimação Fiscal, cuja ciência pessoal deuse em mesma data, Fl. 1180DF CARF MF 6 para intimálo a proceder a entrega do referido ECD de acordo com o que preconiza o seu regramento, enviando cópia do protocolo de entrega a esta fiscalização. Ainda, através de Termos de Constatação e Reintimação Fiscal de 07/04/2014, 05/06/2014 e finalmente de 18/09/2014, com ciência pessoal de mesmas datas, reintimamos o contribuinte a cumprir com a sua obrigação de entrega ECD para que sua contabilidade pudesse ser oficialmente considerada e a fiscalização nesse sentido pudesse prosseguir. (...) A resposta do contribuinte através das cartas datadas de 04/02/2014, 27/04/2014, 25/06/2014 e 20/09/2014 sempre tratou de somente elencar dificuldades na troca de Contadores para justificar a ausência da entrega de seu ECD e que havia entregado outros livros e documentos à fiscalização. Entretanto, a cada um destes Termos sempre lhes apontamos a necessidade da entrega do ECD do ano de referência de 2009, obrigatória desde Junho/2010 para validar a sua contabilidade. Por outro lado, conforme acima exposto e transmitido ao contribuinte nos diversos Termos lavrados desde o início desta fiscalização aos livros e documentos apresentados não atendiam a legislação ou eram insuficientes e especialmente no caso da contabilidade também eram imprestáveis para demonstrála. (...) Portanto, em decorrência de todos os fatos acima expostos, em particular da impossibilidade de se considerar válida a contabilidade do contribuinte, restou impossível a esta fiscalização validar a receita declarada do contribuinte, bem como suas despesas, conforme relato acima, razão pela qual estamos desqualificando a sua opção de apuração do IRPJ pelo Lucro Real e, de acordo com os artigos 529 e 530 incisos II e VI do RIR/99, enquadrandoo na apuração do Lucro Arbitrado. Por conseguinte e conforme já verificado, considerando que são válidas as NFe emitidas pelo contribuinte, determinamos as suas Receitas. Para tanto, procedemos a um levantamento a partir do CFOPCódigo Fiscal de Operações e Prestações nelas registrados. (Grifouse) 9. A compensação indevida do prejuízo fiscal declarado no ano calendário de 2009 com o lucro real do 1º trimestre/2010 foi assim descrita no Termo de Verificação e Constatação Fiscal: Adicionalmente, no primeiro trimestre do ano de 2010 o contribuinte optou por apurar o IRPJ e CSLL na modalidade do Lucro Real Trimestral e obteve lucro fiscal na apuração do 1º trimestre. Compensou, então, este lucro com o prejuízo fiscal que apurou no ano anterior. Em decorrência da constituição dos créditos de IRPJ e CSLL através do presente Auto de Infração os valores destes tributos conforme apurados pelo contribuinte serão alterados no ano calendário de referência, 2009, e conseqüentemente nos anos subseqüentes. Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 10932.720103/201436 Acórdão n.º 1201002.113 S1C2T1 Fl. 5 7 Desta forma a compensação efetuada pelo contribuinte em relação ao IRPJ e CSLL tornouse indevida e, portanto, é objeto de infração no presente Auto de Infração. (...) Tendo em vista o quanto exposto, essencialmente que o contribuinte ou não atendeu a totalidade dos Termos de Intimação e de Reintimação desta fiscalização ou o fez de modo parcial, tornando impraticável a correta determinação de seu IRPJ pela modalidade do Lucro Real por ele escolhida efetuamos o lançamento da infração deste Auto com o percentual de multa qualificada, ou seja, 150% (cento e cinquenta por cento) conforme art. 44, § 1º da Lei 9.430/96 (Redação dada pela Lei 11.488/2007). (Grifouse) Impugnação 10. Regularmente intimada em 31/10/2014, a interessada, por intermédio do advogado Gaspar Osvaldo da Silveira Neto (mandato às fls. 18961897), apresentou, em 28/11/2014, a tempestiva impugnação de fls. 850890, instruída com os documentos de fls.8911036, cujas alegações são sintetizadas a seguir: a) no tópico “Da decadência parcial dos créditos tributários constituídos de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS” argui que se tratando de lançamentos por homologação, conforme previsto no § 4º do art. 150 do CTN, os créditos de IRPJ e CSLL do 1º ao 3º trimestre/2009 e de PIS e Cofins dos meses de janeiro a setembro/2009 já estariam alcançados pela decadência; cita julgados do Conselho de Contribuintes; b) no tópico “Da inaplicabilidade do lançamento das multas de ofício qualificadas impugnadas nos autos do IRPJ, CSLL, Cofins e PIS” contesta a aplicação da multa qualificada ao argumento de não ter ocorrido quaisquer das práticas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964; alega que não são verdadeiras as afirmações da autoridade fiscal autuante de que a impugnante não teria atendido a totalidade dos termos de intimação e de reintimação, ou o fez de modo parcial; que consta do próprio Termo de Verificação e Constatação Fiscal que todas as intimações e reintimações foram tempestivamente respondidas; se fosse essa uma das principais causas que motivaram a imputação da multa de ofício qualificada de 150%, teria a autoridade fiscal imputado uma multa de 300% em obediência ao disposto nos parágrafos 1º e 2º do já citado artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996; c) a falta de entrega de alguns dos documentos solicitados durante a ação fiscal, por si só, não ensejaria a caracterização de “sonegação”, “fraude” e ou “conluio”; não há previsão legal para se qualificar como crime contra a ordem tributária a não comprovação de parte dos valores declarados na linha 32 (Outras despesas operacionais) da Ficha 05A da DIPJ 2010; do total de R$ 11.218.658,39 declarado naquela linha, foram Fl. 1182DF CARF MF 8 apresentados documentos de despesas com fretes e carretos, despesas com viagens, material de consumo, despesas com juros, multas diversas, despesas bancárias e despesas com IOF, ficando apenas sem comprovação uma parcela de R$ 1.427.163,89; que, caberia, no máximo, a glosa das despesas não comprovadas, com aplicação da multa de ofício de 75%, conforme previsão legal do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996; d) a não transmissão dos arquivos da Escrituração Contábil DigitalECD do anocalendário de 2009 também não caracteriza crime contra a ordem tributária por se tratar de uma obrigação acessória; que deveria a autoridade fiscal ter aplicado multa isolada pelo descumprimento dessa obrigação acessória, fato esse perfeitamente admissível considerando que o Diário em meio gráfico, bem como as Fichas de Razão, foram entregues durante a ação fiscal; que deixou de recolher as estimativas mensais e os saldos de IRPJ e CSLL no ajuste anual em razão dos prejuízos contábeis e fiscais apurados e demonstrados na DIPJ do exercício de 2010; e) no tópico “Do indevido arbitramento dos lucros” argumenta que segundo consta na descrição dos fatos do auto de infração de IRPJ, as razões do arbitramento foram as seguintes: (i) o contribuinte não manteve em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou ficha utilizadas para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário (art. 530, VI, do RIR de 1999); (ii) a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do lucro real em virtude dos erros e falhas (art. 530, II, do RIR de 1999); f) que depreendese da leitura do inciso II do art. 530 ser fundamental que reste demonstrado que os vícios, erros ou deficiências tornaram a escrituração contábil imprestável para identificar a movimentação financeira e determinar o lucro real do período respectivo; que impõese verificar se os erros apontados pela autoridade fiscal são suficientes para impossibilitar a determinação do lucro real; a posição dominante no CARF é no sentido de que a aplicação do arbitramento do lucro é medida excepcional, extrema, ou seja, se faz necessário que a autoridade fiscal autuante percorra todos os caminhos disponíveis para tentar compor o lucro real com as informações contábeis apresentadas; g) relata que tendo sido intimada em 30/03/2012, através do Termo de Início do Procedimento Fiscal, a apresentar a última alteração contratual, eventuais procurações e balancetes mensais do período sob fiscalização, tal documentação foi entregue em 10/04/2012 e 23/04/2012; tendo sido intimada em 17/07/2012 a detalhar por conta contábil (natureza de despesas) o valor de R$ 11.218.658,39 declarado na linha 32 da Ficha 05A da DIPJ 2010, apresentou, em resposta, em 30/07/2012, demonstrativo com as informações solicitadas; como foi intimada em 01/08/2012 a apresentar os documentos correspondentes ao valor registrado na linha 32 da Ficha 05A, entregou em 06/09/2012 a documentação das despesas com fretes e carretos e em 12/09/2012 a de novas despesas de fretes, Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 10932.720103/201436 Acórdão n.º 1201002.113 S1C2T1 Fl. 6 9 despesas com viagens e despesas com materiais de usos e consumo; h) junta aos autos cópia da correspondência recepcionada pela DRF/São Bernardo do Campo, em 12/09/2012, que não quis conferir a documentação no ato da entrega, sob o argumento de “para posterior conferência”; posteriormente, a autoridade fiscal afirmou,maliciosamente, no Termo de Constatação e Verificação Fiscal que foi entregue um amontoado de documentos dentro de pastas sem qualquer organização; alega que a única afirmação da autoridade fiscal autuante que reconhece ser verdadeira é a falta de comprovação da parcela de R$ 1.427.163,89 do total de R$ 11.218.658,39 declarado na linha 32 da Ficha 05A; que o primeiro AFRFB que desempenhou suas funções de auditoria fiscal jamais compareceu na sede da empresa para conferir os documentos colocados à sua disposição, e que dessa prática pouco recomendável surgiram as dificuldades da impugnante em disponibilizar na repartição pública a grande quantidade de documentos solicitados; i) em 19/11/2012, atendendo a intimação fiscal encaminhada por via postal, a impugnante encaminhou os seguintes documentos: (i)Registro de saídas de janeiro a dezembro de 2009; (ii) Livro Diário de Janeiro a dezembro de 2009; (iii) Apuração de IPI de 2009; (iv) Razão analítico das contas de banco e conta de despesas de 2009; (v) Extratos bancários de 2009; j) argumenta que mesmo que o Livro Diário entregue à fiscalização, em 19/11/2012, não tenha sido registrado, tal fato, por si só, não justificaria sua devolução, pois o registro é uma obrigação acessória e sua falta não impediria a verificação da autenticidade da escrituração; contudo, a autoridade preferiu descartálo, pois ali já se vislumbrava a intenção em promover o arbitramento dos lucros da impugnante; para corroborar as informações escrituradas no citado Livro Diário, foram entregues ao fisco o Razão das contas de bancos e de despesas, o livro Registro de Saídas e de Apuração do IPI e os extratos bancários com toda a movimentação no anocalendário de 2009; portanto o Termo de Constatação Fiscal datado de 19/11/2012, informando as ocorrências descritas no parágrafo anterior, em nada invalida referidos documentos, pois caso fosse do interesse da fiscalização, todos serviriam para comprovar e demonstrar que a apuração do lucro real estaria amparada em assentamentos contábeis e fiscais rigorosamente idôneos; k) somente em 18/06/2013, o novo AFRFB assumiu os trabalhos fiscais e lavrou Termo de Constatação, Intimação e Reintimação Fiscal, registrando a constatação (o que não é verdade) de que nem todas as intimações até então lavradas haviam sido atendidas ou o foram de maneira insatisfatória; o Termo de Constatação de 18/06/2013 fez severas críticas ao Razão das contas de bancos e de despesas apresentados, mas espertamente e ardilosamente não se reportou aos documentos comprobatórios das despesas entregues ao seu colega auditor e nem fez menção se referidos documentos que lhe haviam sido Fl. 1184DF CARF MF 10 repassados (livros Diário e Razão, balancetes, extratos bancário, livro Registro de Saídas e Apuração do IPI e pastas contendo dezenas de documentos comprobatórios das despesas lançadas na DIPJ de 2010); já se notava claramente que esse segundo auditorfiscal teria vindo com a intenção de promover o arbitramento dos lucros, pois mudou o foco e os rumos da fiscalização sob o argumento de que os livros e documentos apresentados não teriam a qualidade e confiabilidade necessária; l) aduz que não há nos autos quaisquer provas da imprestabilidade dos livros fiscais e documentos apresentados, que deixaram de ser auditados por comodidade da autoridade fiscal; a melhor prova de que os livros apresentados são confiáveis é que a receita bruta utilizada para apuração da base de cálculo do lucro arbitrado foi extraída desses livros e documentos; a própria fiscalização informou que as NF(e)solicitadas conferiam com os valores transcritos no Livro Registro de Saídas; o SINTEGRA também foi utilizado para apuração da receita bruta utilizada na apuração da base de cálculo do lucro arbitrado; m) dando continuidade ação fiscal, a nova autoridade fiscal intimou a interessada a apresentar as notas fiscais de abril, maio e junho e os arquivos digitais contábeis e fiscais de acordo com a IN 86/2001 e ADE 15/2001; em resposta, referidas notas fiscais/arquivos digitais foram entregues, tendo a autoridade fiscal registrado que as NF(e)correspondem aos registros escriturados no Livro Registro de Saídas, entretanto, refutou por serem incompletos e insatisfatórios os arquivos digitais, sem comprovar e mostrar tecnicamente que razões seriam essas; n) em relação a ECD, destaca que mesmo não tendo sido transmitida, esse fato, por si só, não inviabiliza todos os livros contábeis entregues ao fisco em modo gráfico (livros Diário e Razão e balancetes); a autoridade fiscal não lavrou qualquer autuação de multa isolada pela falta de transmissão da ECD à RFB; que consta do Termo de Verificação que as notas fiscais emitidas pela impugnante mostram consistência com o Livro Registro de Saídas e com o Sistema “Sintegra”; que a escrituração da impugnante está revestida de todas as formalidades extrínsecas e intrínsecas, sendo completamente descabido o arbitramento dos lucros e caso parte dos valores que compõem os R$ 11.218.658,39 (linha 32 da ficha 5A da DIPJ de 2010) não fosse comprovada, bastaria ao fisco promover a glosa do valor correspondente e lavrar o competente auto de infração respeitando a opção pelo lucro real; o) o que justificou a constituição desses créditos tributários desproporcionais à capacidade contributiva da impugnante e rigorosamente incompatíveis com a realidade dos fatos foi a ânsia de se autuar grandes quantias a qualquer custo, ainda mais pelo fato de serem considerados “crimes praticados contra a ordem tributária nacional”; p) no tópico “Das bases de cálculos apuradas incorretamente do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do PIS” alega que o valor de R$ 63.017.951,59 não corresponde à correta base de cálculo dos Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 10932.720103/201436 Acórdão n.º 1201002.113 S1C2T1 Fl. 7 11 créditos tributários constituídos, pois nele foi computado o valor das vendas do ativo imobilizado (CFOP 6551Venda de bem do ativo imobilizado:R$ 10.000,00 em 06/2009, R$ 141.500,00 em 11/2009 e R$ 3.050,00 em 12/2009) sem o devido abatimento dos correspondentes custos na aquisição; que o valor que deveria integrar na base de cálculo do lucro arbitrado deveria ser o ganho de capital (artigo 536 do RIR/99); que não foram identificados quaisquer intimações/solicitações das notas fiscais de aquisição desses ativos imobilizados alienados; q) como cabe à autoridade fiscal o ônus de provar as bases de cálculos por ela produzidas e utilizadas, as bases tributáveis consideradas no lucro arbitrado de R$ 14.201.627,32 e R$ 15.154.013,39 dos 2º e 4º trimestres/2009, respectivamente, devem ser canceladas integralmente, não se admitindo quaisquer exclusões e/ou cancelamentos parciais, por força da legislação de regência e pela jurisprudência dominante no CARF; ainda que a escrituração da impugnante fosse imprestável, a fiscalização da RFB teria que ter intimado a impugnante para exibir as notas fiscais de aquisição dos bens alienados do ativo imobilizado para se apurar a perda ou ganho de capital; r) quanto à apuração das bases de cálculos do PIS e da Cofins, o desrespeito às regras estabelecidas na legislação de regência ficaram ainda mais flagrantes, considerando que não há qualquer permissivo legal à inclusão das receitas de vendas do ativo imobilizado nas bases de cálculos apuradas em junho, em novembro e em dezembro de 2009, ficando em decorrência desclassificada pela impugnante as planilhas denominadas “PIS: DACON x DCTF” e “COFINS: DACON x DCTF”, pois elas não se prestaram ao que objetivavam comprovar. s) no tópico “Da indevida glosa de prejuízos fiscais e das bases de cálculos negativas da CSLL” sustenta que a parcela de R$ 289.025,73 dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativas de CSLL compensados no 1º trimestre/2010 foi apurada no ano calendário de 2008; o que se vê, mais uma vez, é um atropelo dos trabalhos desenvolvidos pela autoridade fiscal autuante que se esqueceu de verificar se existiam prejuízos fiscais e bases de cálculos negativas anteriores ao anocalendário de 2009; t) ao final, no tópico “Dos Requerimentos” solicita: . preliminarmente, pela não caracterização de “Sonegação”, “Fraude” e “Conluio” e consequente desqualificação da multa de ofício de 150%, com o consequente reconhecimento da decadência para o IRPJ e a CSLL dos 1º ao 3º trimestre/2009 e para o PIS e a Cofins dos meses de janeiro a setembro/2009; . no mérito, pela improcedência dos autos de infrações de IRPJ e lançamentos reflexos, com total extinção dos créditos tributários neles consubstanciados; . pela improcedência das exigências de IRPJ e CSLL dos 2º e 4º trimestres/2009 e de Cofins e PIS dos meses de junho, novembro Fl. 1186DF CARF MF 12 e dezembro/2009 em decorrência a inclusão de valores relativos a venda de bens do ativo imobilizado; . pela improcedência de parte dos auto de infração do IRPJ e da CSLL relativo ao fato gerador de 31/03/2010, em face da existência de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL do anocalendário de 2008; . caso necessário, com fulcro no art. 16, § 4º do Decreto 70.235, de 1972, a juntada posterior de documentos comprobatórios do direito alegado, haja vista o vasto material probatório e o remoto período relativo aos fatos autuados. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (1ª Turma/ DRJ/Curitiba/PR) julgou procedente em parte a impugnação em decisão proferida no venerando, Acórdão nº 06 52.908, de 22 de junho de 2015, do seguinte modo: Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, não acatar a preliminar de decadência e, no mérito, julgar: (i) procedentes em parte os lançamentos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL, mantendo R$ 1.490.423,33 a título de imposto e R$ 681.789,39 de contribuição, além das respectivas multas de lançamento de ofício de 75% e 150% e dos acréscimos legais; (ii) julgar procedentes os lançamentos de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, mantendo as exigências correspondentes. O aludido acórdão está assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL IMPRESTÁVEL PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. Cabe arbitramento do lucro quando a escrituração comercial mantida pela contribuinte contém vícios, erros Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 10932.720103/201436 Acórdão n.º 1201002.113 S1C2T1 Fl. 8 13 ou deficiências que a tornaram imprestável para determinar o lucro real. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO A MAIOR. É indevida a compensação do prejuízo fiscal de exercício anterior em valor superior ao dos saldos existentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a existência de dolo, fraude ou simulação e inexistindo pagamento antecipado sem prévio exame da autoridade administrativa, aplicase o prazo decadencial de cinco previsto no art. 173, I do CTN, tendo como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizado que a interessada procurou, de forma premeditada, impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. DECORRÊNCIA. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL, ao PIS e à Cofins. O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 13/07/2015, conforme o Aviso de Recebimento (AR), efl.1.112, interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 04/08/2015, efls.1114/1162. No recurso voluntário, a recorrente afirma reproduzir na integra a peça impugnatória , "com exceção ao item III.3 DA INDEVIDA GLOSA DE PREJUÍZOS FISCAIS E DAS BASES DE CÁLCULOS NEGATIVAS DA CSLL, cujo julgamento foi favorável a empresa recorrente". É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O recurso voluntário apresentado é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Fl. 1188DF CARF MF 14 Conforme afirmado, pela recorrente, na parte final do recurso voluntário, não há litígio em relação às glosas de prejuízos fiscais e das bases de cálculos negativas da CSLL que foram objeto de autos de infração relativos ao ano calendário de 2010, na medida em que o contribuinte entendeu como solucionado a seu favor em sede de primeira instância. Assim, a lide resumese às infrações relativas aos fatos geradores referentes ao ano calendário de 2009. Preliminarmente a Recorrente argúi o decurso do prazo decadencial, conforme regra do artigo 150, § 4º, do CTN, em relação aos créditos de IRPJ e CSLL do 1º ao 3º trimestre/2009 e de PIS e Cofins dos meses de janeiro a setembro/2009. Conforme relatado, nos autos de infração fora aplicada a multa por infração qualificada (150%) sob o entendimento de que restou comprovado o evidente intuito de fraude. Tal matéria será tratada em ponto específico deste voto que se discorrerá adiante. Assim, a decadência será analisada após a análise das razões que ensejaram o lançamento com a multa qualificada. No mérito, tratase de exigências de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins), lançadas de ofício, em que se arbitrou o lucro da empresa com base no RIR/99, art.530, incisos II e IV. No auto de infração em que se exige o IRPJ, o autuante descreve que: a) a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas que enumera no Termo de Verificação Fiscal (TVF). (Enquadramento Legal: Art. 530, inciso II, do RIR/99), e, b) o contribuinte não manteve em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. (Enquadramento Legal: Art. 530, inciso VI, do RIR/99). Os incisos II e IV do artigo 530 do RIR/99 dados como fundamento legal ao arbitramento do lucro, assim dispõem: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): ... II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; ... VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. (Grifouse) Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 10932.720103/201436 Acórdão n.º 1201002.113 S1C2T1 Fl. 9 15 Os fatos que dizem respeito ao arbitramento do lucro constam do Relatório, extraídos do Termo de Verificação Fiscal (TVF), e, sintetizados no voto condutor da decisão recorrida do seguinte modo: 27. Portanto, a autoridade fiscal considerou que não era possível considerar válida a escrita contábil mantida pela interessada em decorrência das falhas e deficiências abaixo elencadas: . parte das intimações lavradas no curso da ação fiscal não foram atendidas, como a falta de apresentação do Livro Diário autenticado na JUCESP e dos Livros de Registro de Saídas e de Apuração do IPI devidamente assinados pelos responsáveis legais, ou o foram de maneira insatisfatória, como a intimação para comprovação das despesas no montante de R$ 11.218.658,39 declaradas na linha 32 (Outras Despesas Operacionais) da Ficha 05A (Despesas Operacionais) da DIPJ 2010; . o razão analítico das contas de bancos (fls. 340372) e de despesas (fls. 139337) não permitem a correta identificação do lançamento, sua origem e comprovação, uma vez que um significativo número de lançamentos apresentase simplesmente com o histórico “internet bank” e algumas contas apresentamse mensalmente somente com lançamentos sintéticos, apenas totalizando o mês sem o detalhamento do seu conteúdo; . a fiscalizada não transmitiu a ECD do anocalendário de 2009, cuja falta não foi suprida pela documentação disponibilizada no curso da ação fiscal, mormente pelo fato de o livro Diário não estar autenticado pela JUCESP. No recurso voluntário, reproduzindo a peça impugnatória, a recorrente, no essencial, alega que: para arbitramento do lucro é fundamental demonstrar que os vícios, erros ou deficiências tornaram a escrituração contábil imprestável para identificar a movimentação financeira e determinar o lucro real do período, sendo que a falta de autenticação do Livro Diário pela JUCESP não impediria a verificação da autenticidade da escrituração comercial; o Termo de Constatação de 18/06/2013 fez severas críticas ao Razão das contas de bancos e de despesas apresentados, mas espertamente e ardilosamente não se reportou aos documentos comprobatórios das despesas anteriormente entregues; a melhor prova de que os livros apresentados são confiáveis é que a receita bruta utilizada para apuração da base de cálculo do lucro arbitrado foi extraída desses livros e documentos; a autoridade fiscal refutou os arquivos digitais contábeis e fiscais apresentados por serem incompletos e insatisfatórios, mas não demonstrou tecnicamente que razões seriam essas; Fl. 1190DF CARF MF 16 em relação à ECD, destaca que mesmo não tendo sido transmitida, esse fato, por si só, não inviabiliza todos os livros contábeis entregues ao fisco em modo gráfico (Livros Diário e Razão e balancetes); consta do Termo de Verificação que as notas fiscais emitidas pela impugnante mostram consistência com o Livro Registro de Saídas e com o Sistema “Sintegra”; portanto, a escrituração da impugnante está revestida de todas as formalidades extrínsecas e intrínsecas, sendo completamente descabido o arbitramento dos lucros, e, caso parte dos valores que compõem os R$ 11.218.658,39 declarados na linha 32 da ficha 5A da DIPJ de 2010 não fosse comprovada, bastaria ao fisco promover a glosa do valor correspondente e lavrar o competente auto de infração respeitando a opção pelo lucro real. No que tange à Escrituração Contábil Digital (ECD), impende destacar que, apesar de a autoridade fiscal, intimar e reintimar o contribuinte a cumprir com a sua obrigação de entrega da Escrituração Contábil Digital (ECD), não foi a falta de apresentação do Livro Diário, seja na versão digital (não transmitida pela ECD), seja na versão impressa (não autenticada pela JUCESP),que justificou a determinação do imposto com base no lucro arbitrado, pois, como visto, o arbitramento do lucro não está fundamentado no inciso III do artigo 530 do RIR de 1999 (o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal), e sim, nos incisos II e VI do mencionado art.530 do RIR/99, acima reproduzidos. Depreendese da autuação que a fiscalização considerou que o interessado detinha os livros para a apuração do lucro real, mas pela falta de confiabilidade das informações contábeis disponibilizadas pelo contribuinte, os mesmos seriam imprestáveis para a apuração do tributo pelo lucro real. Tanto é assim, que enquadrou o arbitramento no art. 530, inciso II, do RIR/1999. Embora, também tenha enquadrado o arbitramento no art.530, inciso VI do RIR/99 por não manter o "Livro Razão Auxiliar" (sic). Com efeito, conforme expressa norma legal (incisos II e VI do mencionado art.530 do RIR/99), o lucro arbitrado é utilizado: inciso II quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real ou ainda, inciso VI quando o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Verificase que, desde julho/2012 até 29/10/2014 (Termo de Verificação e Constatação Fiscal e Autos de Infração) a ação fiscal gira em torno da Ficha 05A Despesas Operacionais PJ em Geral, para a comprovação do valor de R$ 11.218.658,39, conforme consta do TVF: Aos 17/07/2012 foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal com ciência via postal por AR em 20/07/2012, no qual o contribuinte foi intimado a apresentar um demonstrativo conforme segue: "Discriminar por conta contábil (natureza de despesas) o valor declarado na DIPJ do ano calendário 2009, ficha n° 05A (despesas operacionais) linha 32 no valor de R$ 11.218.658,39". ... Em 30/07/2012, através de carta o contribuinte entrega um demonstrativo com as informações intimadas. Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 10932.720103/201436 Acórdão n.º 1201002.113 S1C2T1 Fl. 10 17 ... Em 14/09/2012 lavrouse o Termo de Constatação Fiscal com ciência via postal por AR em 21/09/2012, no qual faz se referência ao Termo de Intimação de 01/08/2012 em que era solicitada a apresentação de documentos contábeis para a comprovação das contas de despesas e valores constantes do demonstrativo apresentado em anexo à sua carta de 30/07/2012 para comprovar o montante de gastos lançados na linha 32 da ficha 05A de sua DIPJ. Estas despesas eram: Fretes e carretos; Despesas com viagens; Material de consumo; Despesas com juros; multas diversas; despesas bancárias e IOF. Nesta ocasião já se apontava ao contribuinte que o demonstrativo apresentava uma diferença a menor de R$ 1.427.163,89 entre o valor de seu montante comparado àquele registrado na DIPJ, diferença esta que não foi esclarecida pelo contribuinte. Registrouse também que em 06/09/2012 o contribuinte apresentou apenas os comprovantes dos gastos com frete e sem a apresentação de registros contábeis (lançamentos/razão). Os comprovantes foram apresentados num "amontoado", sem a devida somatória que pudesse ser conferida. Do mesmo modo no dia 12/09/2012 junto a entrega dos documentos referentes às despesas de viagem e de uso e consumo foi solicitada uma prorrogação de 30 dias sendo concedidos 15. Assim, ainda neste Termo, o contribuinte foi novamente intimado a apresentar: relação de todas as contas de despesas que compõe o valor total lançado na linha 32, ficha 05A de sua DIPJ; o razão contábil e o diário geral dos lançamentos destas despesas e a totalização mensal dos comprovantes apresentados a fim de que se possa confrontar com os valores registrados. ... Lavrado novo Termo de Constatação Fiscal em 17/10/2012, com ciência pessoal de mesma data, no qual é feita referência aos Termos de Início de 30/03/2012 e os Termos de Intimação de 17/07/2012, 01/08/2012 e 14/09/2012 nos quais são solicitados demonstrativos, documentos e sua correspondência em livros. Registrouse a constatação de que o contribuinte sempre solicitava prorrogações, que lhe eram concedidas, que apresentou elementos que supostamente foram utilizados para a contabilização das despesas, porém desacompanhado de ficha contábil e nenhuma ordem Fl. 1192DF CARF MF 18 cronológica foi obedecida. Os documentos estão nas caixas de arquivo sem qualquer resumo ou controle dos gastos contabilizados. Não tendo atendido integralmente os pedidos da fiscalização o contribuinte foi reintimado a apresentar no prazo de 20 dias os seguintes livros e documentos sempre referentes ao ano de 2009: livros fiscais de Entradas e de Saídas; Diário Geral autenticado; Razão Contábil referente às contas de despesas; Ficha ou arquivo contendo os lançamentos mensais das despesas do ano; Extratos bancários com movimento no ano. ... Em observação posterior constatamos que livro Diário autenticado não foi entregue e que o Razão apresentado é cópia de computador (sistema contábil), não assinada e que os demais livros continuam sem as devidas assinaturas Assumida a fiscalização pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil que abaixo assina o presente Termo, em 18/06/2013 lavrou o Termo de Constatação, Intimação e Reintimação Fiscal, cuja ciência via postal por AR deuse em 02/07/2013, para inicialmente informar o contribuinte da substituição do Auditor anterior e adicionalmente informálo que todos os atos, livros e documentos anteriormente produzidos/entregues continuavam válidos. Registrar a constatação de nem todas as intimações feitas haviam sido atendidas ou o foram de maneira insatisfatória. Ainda, constatar que o Demonstrativo das despesas escrituradas na linha 32 da ficha 05A (outras despesas operacionais) de sua DIPJ era parcial e não listava a totalidade das contas que formam estas despesas. Constatar também que o Razão analítico das contas intimadas para serem apresentadas o foram de forma que não permitem a correta identificação do lançamento , sua origem e comprovação, uma vez que um significativo número de lançamentos apresentase simplesmente com a descrição "Internet Bank", algumas contas apresentam se mensalmente somente com lançamentos sintéticos, apenas totalizando o mês sem o detalhamento do seu conteúdo. Em decorrência reintimamos o contribuinte a apresentar: O completo e assinado demonstrativo das despesas anteriormente citadas que compõe o total da linha 32 da ficha 05A de sua DIPJ e o livro Razão Auxiliar que permita a individual identificação de cada lançamento registrado no Razão. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 10932.720103/201436 Acórdão n.º 1201002.113 S1C2T1 Fl. 11 19 Intimamos, ainda, o contribuinte a apresentar: As Notas Fiscais de Abril, Maio e Junho (amostragem) e os Arquivos Digitais Contábeis e Fiscais de acordo com a IN 86/2001 e ADE 15/2001. Em atendimento ao Termo acima referido o contribuinte apresentou as NFs e os arquivos digitais solicitados, observamos que as NF's correspondem aos registros escriturados no Livro Registro de Saídas, entretanto, os arquivos digitais apresentados segundo a IN 86/2001 e estão incompletos e insatisfatórios. ... Paralelamente, através do SPED Sistema Público de Escrituração Digital baixamos as NFe Notas Fiscais Eletrônicas emitidas pelo contribuinte e aquelas a ele eventualmente dirigidas. Iniciamos, então, nossa análise destas NFe a fim de podermos comparar números levantados através das mesmas com aqueles declarados em sua DIPJ e eventualmente recriarmos sua contabilidade. No âmbito das entradas esbarramos com a incerteza de contarmos com todas as NFe NF emitidas a desfavor do contribuinte e com a própria ausência desta contabilidade e discriminação de itens, tornando a comparação impraticável. A verificação das NF emitidas pelo contribuinte mostra consistência com o Livro de Registro de Saídas e com o sistema SINTEGRA Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços, desta forma possibilitando a sua utilização nesta fiscalização. Portanto, em decorrência de todos os fatos acima expostos em particular da impossibilidade de se considerar válida a contabilidade do contribuinte, restou impossível a esta fiscalização validar a receita declarada do contribuinte, bem como suas despesas, conforme relato acima, razão pela qual estamos desqualificando a sua opção de apuração do IRPJ pelo Lucro Real e, de acordo com os artigos 529 e 530 incisos II e VI do RIR/99, enquadrandoo na apuração do Lucro Arbitrado. A fiscalização deu, fundamentalmente, 2 (duas) razões para considerar imprestável a escrituração do interessado: 1) Deficiência na descrição dos fatos contabilizados e, 2) Falta de apresentação de Livro Razão Auxiliar. Fl. 1194DF CARF MF 20 Assim, a análise deve se ater as razões nas quais se baseou a fiscalização para considerar imprestável a escrituração fiscal. Em relação às despesas operacionais, objeto inicial da ação fiscal, como visto, no início do TVF consta que: Em 30/07/2012, através de carta o contribuinte entrega um demonstrativo com as informações intimadas. ... Em 14/09/2012 lavrouse o Termo de Constatação Fiscal com ciência via postal por AR em 21/09/2012, no qual faz se referência ao Termo de Intimação de 01/08/2012 em que era solicitada a apresentação de documentos contábeis para a comprovação das contas de despesas e valores constantes do demonstrativo apresentado em anexo à sua carta de 30/07/2012 para comprovar o montante de gastos lançados na linha 32 da ficha 05A de sua DIPJ. Estas despesas eram: Fretes e carretos; Despesas com viagens; Material de consumo; Despesas com juros; multas diversas; despesas bancárias e IOF. Nesta ocasião já se apontava ao contribuinte que o demonstrativo apresentava uma diferença a menor de R$ 1.427.163,89 entre o valor de seu montante comparado àquele registrado na DIPJ, diferença esta que não foi esclarecida pelo contribuinte. Registrouse também que em 06/09/2012 o contribuinte apresentou apenas os comprovantes dos gastos com frete e sem a apresentação de registros contábeis (lançamentos/razão). Os comprovantes foram apresentados num "amontoado", sem a devida somatória que pudesse ser conferida. Do mesmo modo no dia 12/09/2012 junto a entrega dos documentos referentes às despesas de viagem e de uso e consumo foi solicitada uma prorrogação de 30 dias sendo concedidos 15. Assim, ainda neste Termo, o contribuinte foi novamente intimado a apresentar: relação de todas as contas de despesas que compõe o valor total lançado na linha 32, ficha 05A de sua DIPJ; o razão contábil e o diário geral dos lançamentos destas despesas e a totalização mensal dos comprovantes apresentados a fim de que se possa confrontar com os valores registrados. ... A autoridade fiscal descreve no TVF, em síntese, que, atendendo as intimações do autuante, o contribuinte apresentou: o demonstrativo das despesas operacionais, no total de R$ 9.791.494,50, portanto, com "uma diferença a menor de R$ 1.427.163,89 entre o valor de seu montante Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 10932.720103/201436 Acórdão n.º 1201002.113 S1C2T1 Fl. 12 21 comparado àquele registrado na DIPJ" (efl.96), relativas a Fretes e carretos; Despesas com viagens; Material de consumo; Despesas com juros; multas diversas; despesas bancárias e IOF; os comprovantes dos gastos com frete e sem a apresentação de registros contábeis (lançamentos/razão); os documentos referentes às despesas de viagem e de uso e consumo. Conforme extraído do TVF, o autuante afirma, genericamente, que as fichas Razão Analítico das contas de Despesas Operacionais, Tributárias e Financeiras e de Bancos C/Movimento não permitem a correta identificação do lançamento, sua origem e comprovação, uma vez que um significativo número de lançamentos apresentase simplesmente com o histórico “Internet Bank” ou com históricos sintéticos, apenas totalizando o mês e sem o detalhamento do seu conteúdo. Repetese a transcrição do TVF: ... o Razão analítico das contas intimadas para serem apresentadas o foram de forma que não permitem a correta identificação do lançamento , sua origem e comprovação, uma vez que um significativo número de lançamentos apresentase simplesmente com a descrição "Internet Bank", algumas contas apresentamse mensalmente somente com lançamentos sintéticos, apenas totalizando o mês sem o detalhamento do seu conteúdo. Em decorrência reintimamos o contribuinte a apresentar: O completo e assinado demonstrativo das despesas anteriormente citadas que compõe o total da linha 32 da ficha 05A de sua DIPJ e o livro Razão Auxiliar que permita a individual identificação de cada lançamento registrado no Razão. Deveras os lançamentos contábeis devem conter histórico que descrevam a operação de forma analítica, clara e objetiva, com caracterização do documento que lhe deu amparo, conforme determinam os artigos 258, 259 e 269 do RIR de 1999. E, a não manutenção do livro Razão, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica (§ 2º, art.259). De outra banda, verifico que, apesar de o Livro Razão, em tese, agregar as contas Patrimoniais (contas do Balanço Patrimonial e da Demonstração de Resultado do Exercício), compostas por ativo, passivo e patrimônio líquido e por receitas, despesas e custos, o autuante não se reporta a qualquer deficiência na escrituração das demais contas que não sejam às específicas despesas operacionais "declarados na linha 32 da ficha 5A da DIPJ de 2010" Penso que há equívoco do autuante em exigir "Livro Razão Auxiliar", para o ano calendário de 2009, em razão de específica deficiência em contas de despesa, na medida em que apenas o Livro Razão (art.259, RIR/99) é obrigatório pela legislação comercial e já tem Fl. 1196DF CARF MF 22 a finalidade de demonstrar a movimentação analítica das contas escrituradas no diário e constantes do balanço. Porquanto, entendo que a deficiência na escrituração do livro Razão como as elencadas pelo autuante em relação às despesas operacionais, demonstradas pelo contribuinte (efl.96), e comprovadas parcialmente, não é, por si só, motivo suficiente para tornar toda a escrita contábil imprestável para a apuração do lucro real. Se fosse assim, praticamente não se teria mais autuações pelo lucro real, já que, invariavelmente, muitas despesas não são comprovadas e/ou escrituradas. A deficiência de escrituração de despesas específica e/ou a falta de sua comprovação determina a glosa de despesa e não a imprestabilidade da escrituração. Tem razão a Recorrente, "caso parte dos valores que compõem os R$ 11.218.658,39 declarados na linha 32 da ficha 5A da DIPJ de 2010 não fosse comprovada, bastaria ao fisco promover a glosa do valor correspondente e lavrar o competente auto de infração respeitando a opção pelo lucro real". Assim, tendo em vista que as razões elencadas pela fiscalização não são determinantes para demonstrar a imprestabilidade da escrituração contábil, não tem fundamento o arbitramento do lucro, sendo improcedente o auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. LANÇAMENTOS REFLEXOS CSLL Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. PIS e Cofins Como exposto acima, os autos de infração do IRPJ e da CSLL foram considerados improcedentes em razão da falta de fundamento ao arbitramento do lucro. Assim, preservando a coerência com o decidido no presente voto, entendo que há reparo quanto aos lançamentos dessas contribuições sociais, pois, a apuração do PIS e da Cofins pelo regime cumulativo foi indevida, já que a regra de apuração pelo lucro real enseja o cálculo do PIS e da Cofins pelo regime não cumulativo. Conforme dispõe o art. 10, II, da Lei nº 10.833, de 2003 (Cofins) e o art.8º, II, da Lei nº 10.637, de 2002 (PIS), o regime cumulativo somente é aplicável para pessoas tributadas pelo lucro presumido ou arbitrado. Para o lucro real, é o regime não cumulativo. Assim, diante da apuração destas contribuições, pelo regime cumulativo (lucro arbitrado) já que o correto seria pelo regime não cumulativo (lucro real), são improcedentes as autuações do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 10932.720103/201436 Acórdão n.º 1201002.113 S1C2T1 Fl. 13 23 Fl. 1198DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.940289/2011-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.619
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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COFINS. Recorrente Sociedade Paranaense de Ensino e InformáticaSPEI Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da COFINS. Argumenta que tal RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 40 28 9/ 20 11 -2 0 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10980.940289/201120 Resolução nº 3301000.619 S3C3T1 Fl. 3 2 dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da COFINS.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de COFINS prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/01”. No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a homologação da compensação pleiteada. A 3ª Turma da DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06046.058. Em seu recurso voluntário, a empresa: § Reitera os fundamentos de sua manifestação de inconformidade; § Declara que se subsume à isenção do art. 14, X da MP n° 2.15835; § Aduz que “todos os valores que são aplicados no desenvolvimento da atividade da entidade sem fins lucrativos são receitas decorrentes de atividades próprias”. § Defende a inaplicabilidade da IN n° 247/2002; § Junta documentos que comprovariam sua condição de isenta. É o relatório. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10980.940289/201120 Resolução nº 3301000.619 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.589, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934789/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.589): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Os fundamentos da negativa do pleito da Recorrente pela DRJ foram: I. Na interpretação do art. 14, X da MP, entendeu o voto condutor que seriam receitas de atividades próprias das instituições a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97, apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. A DRJ aplicou o art. 47, da Instrução Normativa n° 247/2002: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. II. Atendeu ao comando do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, aduzindo que se sujeitam à incidência da COFINS, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10980.940289/201120 Resolução nº 3301000.619 S3C3T1 Fl. 5 4 associados e em seu benefício e, receitas de aplicações financeiras. Concluiu que estão sujeitas à COFINS, por força da Lei nº 9.718/98, as receitas de caráter contraprestacional, inclusive as mensalidades cobradas por instituições de educação e as receitas financeiras auferidas. A revisão dos dois pontos será feita a seguir. Isenção do art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 Prescreve o art. 14, X da MP n° 2.15835: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Por sua vez, o art. 13 do mesmo veículo normativo dispõe: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Notese que o art. 13, III da MP nº 2.15835/2001 ao fazer remissão ao art. 12 da Lei n° 9.532/1997, condiciona a Instituição ao cumprimento das exigências impostas por esta Lei. O art. 12 da Lei n° 9.532/1997, com redação vigente à época, exigia: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10980.940289/201120 Resolução nº 3301000.619 S3C3T1 Fl. 6 5 d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinando exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. Ocorre que as mensalidades cobradas por instituições de educação estão ao abrigo da norma isentiva, como já pacificado pela Súmula CARF n° 107 e pelo REsp 1.353.111 RS, DJ 18/12/2015, julgado como recurso repetitivo, transitado em julgado desde 02/03/2016, verbis: Súmula CARF nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. REsp 1.353.111 – RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10980.940289/201120 Resolução nº 3301000.619 S3C3T1 Fl. 7 6 a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (...) 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Logo, deve a decisão de piso ser reformada nesse ponto. A respeito do cumprimento dos requisitos do art. 12 da lei n° 9.532/97, aponta a Instituição os artigos do seu Estatuto Social que comprovam exatamente o exigido pela Lei n° 9.532/97 (art. 1°, 3°, 30, 32, 34), junta a DIPJ alegando que sua condição sempre foi de conhecimento do fisco e prossegue: Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10980.940289/201120 Resolução nº 3301000.619 S3C3T1 Fl. 8 7 Entendo que a prova do cumprimento dos requisitos é da Recorrente, contudo não foi instada a isso quando da edição do Despacho Decisório. No recurso voluntário, acostou documentos que merecem a análise da Delegacia de Origem. Alargamento da Base de Cálculo da COFINS – RE n° 585.235/MG RG Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10980.940289/201120 Resolução nº 3301000.619 S3C3T1 Fl. 9 8 Logo, assiste razão à Recorrente quando alega que as receitas financeiras não podem compor a base de cálculo da COFINS. Conclusão Diante da plausibilidade do pleito da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pela COFINS sobre as receitas operacionais (“próprias”), bem como sobre as receitas financeiras. Isso porque a tributação sobre as “receitas próprias”, incluídas as mensalidades pagas por alunos, são isentas, nos termos do art. 14, X da Medida Provisória. Ao passo que a exclusão das receitas financeiras se dá com base na inconstitucionalidade do alargamento a base de cálculo da COFINS pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10980.940289/201120 Resolução nº 3301000.619 S3C3T1 Fl. 10 9 c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 111DF CARF MF
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Numero do processo: 13679.720028/2017-92
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO.
A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada.
Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave.
A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento. O laudo médico apresentado pela Recorrente supre a exigência legal.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RENDAS DE ALUGUÉIS.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2001-000.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada. Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave. A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento. O laudo médico apresentado pela Recorrente supre a exigência legal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RENDAS DE ALUGUÉIS. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira – Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 9. 72 00 28 /2 01 7- 92 Fl. 86DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por omissão à tributação de rendimentos considerados isentos pelo Recorrente em razão da alegada moléstia grave no período. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 1.156,17, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2014. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta a falta de comprovação suficiente para justificar a não aceitação da isenção, nos moldes que entende devam ser atendidos os requisitos legais, com a apresentação de elementos de forte comprovação da ocorrência da moléstia alegada no espaço temporal da utilização do benefício fiscal da isenção. A contestação do Lançamento é parcial tendo em vista que no que se refere à omissão de rendimentos de aluguéis não houve demanda contestativa de parte da Recorrente. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que os comprovantes não se enquadram nas exigências da legislação em vigor à época da ocorrência, como a seguir dispõe: (...) Em desfavor da contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento (fls. 5/10), relativamente ao ano calendário 2014, na qual foi apurado saldo de Imposto de Renda Pessoa FísicaSuplementar no valor de R$ 1.156,17, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, conforme demonstrativo (fl.6). (...) Tratase de impugnação parcial. No que diz respeito a Omissão de Rendimentos de Aluguéis da SavegnagoSupermercados LTDA, CNPJ: 71.332.150/000160, no nome do dependente da contribuinte, a impugnante concorda com esta infração. A lide restrita a Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia GraveNão Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado (R$ 62.645,35). Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13679.720028/201792 Acórdão n.º 2001000.356 S2C0T1 Fl. 86 3 Na Notificação de Lançamento o motivo do rendimento ser indevidamente considerados como isento por Moléstia Grave foi que: a contribuinte não apresentou ato concessivo da aposentadoria e a ausência de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, Distrito Federal, estados ou Municípios. Ambulatório Municipal/Posto de Saúde, têm competência para emitir laudos periciais para fins de isenção de imposto de renda, desde que possuam médico ou junta médica com atribuições periciais. A defesa alega que o valor contestado é isento, conforme laudo médico comprovando que é portadora de moléstia considerada grave e que é rendimento decorrente de aposentadoria. De início, cabe analisar a questão relacionada à isenção de rendimentos em virtude da existência de moléstia grave. A matéria é regida pelo Regulamento do Imposto de Renda – 1999 (RIR/99), aqui reproduzida nos trechos pertinentes: (...) A Instrução Normativa RFB Nº 1.500, de 2014, que estabelece normas gerais da legislação do IRPF, dispõe sobre os requisitos mínimos do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, in verbis: (...) Para efeito de reconhecimento da isenção, sem prejuízo das demais exigências legais, somente podem ser aceitos laudos periciais emitidos por instituições públicas, independentemente da vinculação destas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os laudos médicos expedidos por entidades privadas (hospitais, clínicas ou médicos particulares), não podem ser aceitos, ainda que o atendimento decorra de convênio referente ao SUS. (...) A isenção aqui tratada é de caráter individual, pois a lei restringe a abrangência do benefício às pessoas que preencham determinados requisitos. Dessa forma, o reconhecimento da isenção pela Administração Tributária é realizada caso a caso, de acordo com o pedido e os documentos apresentados, nos quais o interessado deve comprovar o atendimento aos requisitos e condições para o gozo do benefício fiscal. Passemos a análise do caso concreto. Na Fl. 13 consta Carta de Concessão/Memória de Cálculo do Benefício , que é concedida pensão por morte previdenciária a contribuinte a partir de 10/04/2010. À fl. 14 consta Carta de Concessão/Memória de Cálculo do Benefício, que é concedida aposentadoria por tempo de contribuição a contribuinte a partir de 28/02/2003. Na Notificação de Lançamento consta que a fonte pagadora dos Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave é o Fungo do Regime Geral de Previdência Social, CNPJ: 16.727.230/000197. Fl. 88DF CARF MF 4 Diante dos documentos constantes nos autos do processo se chega a conclusão que os rendimentos recebidos pela defendente e Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave são provenientes de aposentadoria e pensão. A contribuinte apresenta à fl. 13 Relatório Médico com o timbre do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto assinado pelo Dr. Lucas Eduardo Albieri, emitido em 17/01/2017. Este Relatório Médico não pode ser aceito, pois não contem o número do registro no órgão público do profissional que o emitiu. Além do mais este relatório tem como Emissão 17/01/2017 e não diz desde quando a contribuinte é portadora da moléstia. O ano calendário em lide é 2014. Não ficou comprovado no decorrer de procedimento fiscal e nem na impugnação, através de documentação hábil e idônea, que a defendente era portadora de moléstia grave, prevista em lei para isenção, no ano calendário em lide. De todo o exposto, voto pela improcedência da impugnação, para determinar a manutenção do resultado apurado na Notificação de Lançamento. Assim, ao final, conclui a decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter o crédito tributário exigido, pelo não reconhecimento do direito à isenção pleiteada referente período. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) (...) Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13679.720028/201792 Acórdão n.º 2001000.356 S2C0T1 Fl. 87 5 (...) (...) (...) Fl. 90DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A contestação do Lançamento é parcial tendo em vista que no que se refere à omissão de rendimentos de aluguéis não houve demanda contestativa de parte da Recorrente. A questão aqui tratada é de reconhecimento ou não ao direito à isenção do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, para portadores de moléstia grave prevista em lei, devendo para isso preencher os requisitos básicos, cumulativamente, no mesmo período, de recebimento de rendimentos de aposentaria, reforma, reserva remunerada ou pensão com a existência da enfermidade que permite a isenção do imposto. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13679.720028/201792 Acórdão n.º 2001000.356 S2C0T1 Fl. 88 7 O de natureza legal conforme disposto na legislação tributária que rege a questão, especialmente o art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 11.052, de 2004, assim estabelece: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. (grifei) Em sequência temse o previsto no inciso XXXIII, artigo 39 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, "não entrarão no cômputo do rendimento bruto": "XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);" O parágrafo 4º do mesmo dispositivo define as condições para reconhecimento de tal isenção: "§4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº9.250, de 1995, art. 30 e § 1º)." Seguindo no disciplinar das condições para verificação de enquadramento de contribuintes nas regras isentivas, o artigo 5º do mesmo artigo assim dispõe: "§5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; Fl. 92DF CARF MF 8 II do mês da emissão do laudo pericial ou do parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." A matéria inclusive já se encontra sumulada no CARF: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Outro, o de natureza comprobatória da existência da moléstia grave e a constatação da data de início da comprovação do direto ao benefício fiscal, apontado em laudo pericial específico, para esse fim elaborado, fulcro do objeto da lide. Assim, os elementos comprobatórios para a concessão da isenção do Imposto sobre a Renda no caso de Moléstia Grave, cumulativamente no mesmo período, são: 1 – Ser o contribuinte portador de moléstia especificada na Lei; 2 – Ser o contribuinte recebedor de rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão; 3 – Dispor o contribuinte de Laudo que constate a Doença Grave, identificando a data do início da ocorrência e, na falta desta informação a que corresponda à realização dos exames definidores da moléstia. Postas as condições para concessão da desoneração tributária em lide cumpre analisar, no caso concreto, a situação fática e legal de enquadramento do Recorrente. A Contribuinte efetuou sua declaração do Imposto de Renda considerando os rendimentos de aposentadoria no item específico que isenta do tributo com base no inciso XIV, art. 6º, da Lei nº 7.713/88 e inciso XXXIII, do art. 39, do Decreto nº 3.000/99, e por essa providência usufruir do benefício fiscal da isenção em razão da existência de sua moléstia considerada grave. A lide aponta de maneira fulcral para a questão da prova e data da constatação da moléstia e da data de início da efetiva causalidade do pressuposto básico e definidor do direito ao benefício da isenção com base nos dispositivos legais antes citados. A Recorrente é portadora de moléstia grave desde março de 2010, conforme laudo médico pericial oficial emitido pelo Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, ou simplesmente Hospital das Clinicas de Ribeirão Preto, vinculado à Secretaria da Saúde, autarquia mantida pelo Governo do Estado de São Paulo. O documento é de órgão público estadual e contém a indicação oficial da instituição, do médico que firma o relatório e atesta que a Contribuinte é portadora da moléstia Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13679.720028/201792 Acórdão n.º 2001000.356 S2C0T1 Fl. 89 9 grave desde março de 2010, como se vê às fls. 13 e 83 do processo. De consistente comprovação também a pensão e a aposentadoria que recebe como fonte de renda às fls. 14 a 19 do processo. Assim sendo, a documentação que comprova a existência da moléstia grave da Contribuinte é válida para habilitála ao benefício da isenção do imposto sobre rendas de pensão e aposentadoria. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito, na parte contestada, DAR PROVIMENTO, para reconhecer a isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria como constante na declaração do Imposto sobre a Renda. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.722254/2011-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF Nº 63, DE 2017. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº63,de09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser o valor estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$ 1.000.000,00 - um milhão de reais), para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS EM PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PELO EMPREGADOR EM PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR, POR CONTA E ORDEM DO EMPREGADO.
Não estão abrangidos pela isenção de que trata o art.6°, inciso VIII, da Lei n° 7.713/1988 os valores depositados pelo empregador em plano de previdência complementar, por conta e ordem do empregado, de parcelas remuneratórias pertencentes ao próprio empregado; este, no entanto, tem o direito de deduzir o valor das contribuições da base de cálculo do imposto na declaração de ajuste anual, até o limite permitido por lei.
DEPÓSITOS EM PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR FEITOS PELO EMPREGADOR. REQUISITOS PARA A ISENÇÃO.
Nos termos do art. 6, inciso VIII, da Lei nº 7.713, de 1988, e do art. 39, XI, do RIR/99, não entrarão no cômputo do rendimento bruto: as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes.
INDENIZAÇÕES PAGAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO.
As indenizações pagas na rescisão do contrato de trabalho somente são isentas do imposto de renda até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologadas pela Justiça do Trabalho; os valores que não se enquadram em nenhuma dessas hipóteses, pagos por força de disposição contratual, sob a denominação de indenização, estão sujeitos à incidência do imposto.
BITRIBUTAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
O imposto incidente sobre rendimentos recebidos de fontes pagadoras situadas no Brasil por pessoas aqui residentes não pode ser compensado com o imposto eventualmente pago nos Estados Unidos da América sobre esses mesmos rendimentos; nesse caso ocorre o contrário: o imposto pago aqui é que é compensável com o valor devido lá, de modo que, se o contribuinte omitiu tais rendimentos na declaração de ajuste anual entregue no Brasil, não pode pretender abater do valor aqui devido o imposto pago no exterior.
MULTA DE OFÍCIO. AFASTAMENTO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO CAUSADO POR INFORMAÇÕES ERRADAS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73.
Nos termos da Súmula CARF nº 73, o erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Recurso de Ofício Não Conhecido
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-004.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) afastar do lançamento por omissão de rendimentos os depósitos em plano de previdência privada feitos pelo empregador, exceto os depósitos feitos por conta e ordem do recorrente, nos termos do voto do Relator; b) afastar a multa de ofício decorrente de erro no preenchimento da declaração de ajuste anual causado por informação errada prestada pela fonte pagadora (Súmula CARF nº 73).
(assinado digitalmente)
Waltir de Carvalho - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF Nº 63, DE 2017. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº63,de09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser o valor estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$ 1.000.000,00 - um milhão de reais), para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS EM PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PELO EMPREGADOR EM PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR, POR CONTA E ORDEM DO EMPREGADO. Não estão abrangidos pela isenção de que trata o art.6°, inciso VIII, da Lei n° 7.713/1988 os valores depositados pelo empregador em plano de previdência complementar, por conta e ordem do empregado, de parcelas remuneratórias pertencentes ao próprio empregado; este, no entanto, tem o direito de deduzir o valor das contribuições da base de cálculo do imposto na declaração de ajuste anual, até o limite permitido por lei. DEPÓSITOS EM PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR FEITOS PELO EMPREGADOR. REQUISITOS PARA A ISENÇÃO. Nos termos do art. 6, inciso VIII, da Lei nº 7.713, de 1988, e do art. 39, XI, do RIR/99, não entrarão no cômputo do rendimento bruto: as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes. INDENIZAÇÕES PAGAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. As indenizações pagas na rescisão do contrato de trabalho somente são isentas do imposto de renda até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologadas pela Justiça do Trabalho; os valores que não se enquadram em nenhuma dessas hipóteses, pagos por força de disposição contratual, sob a denominação de indenização, estão sujeitos à incidência do imposto. BITRIBUTAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. O imposto incidente sobre rendimentos recebidos de fontes pagadoras situadas no Brasil por pessoas aqui residentes não pode ser compensado com o imposto eventualmente pago nos Estados Unidos da América sobre esses mesmos rendimentos; nesse caso ocorre o contrário: o imposto pago aqui é que é compensável com o valor devido lá, de modo que, se o contribuinte omitiu tais rendimentos na declaração de ajuste anual entregue no Brasil, não pode pretender abater do valor aqui devido o imposto pago no exterior. MULTA DE OFÍCIO. AFASTAMENTO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO CAUSADO POR INFORMAÇÕES ERRADAS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Nos termos da Súmula CARF nº 73, o erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso de Ofício Não Conhecido Recurso Voluntário Provido em Parte
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF Nº 63, DE 2017. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº63,de09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser o valor estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$ 1.000.000,00 um milhão de reais), para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS EM PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PELO EMPREGADOR EM PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR, POR CONTA E ORDEM DO EMPREGADO. Não estão abrangidos pela isenção de que trata o art.6°, inciso VIII, da Lei n° 7.713/1988 os valores depositados pelo empregador em plano de previdência complementar, por conta e ordem do empregado, de parcelas remuneratórias pertencentes ao próprio empregado; este, no entanto, tem o direito de deduzir o valor das contribuições da base de cálculo do imposto na declaração de ajuste anual, até o limite permitido por lei. DEPÓSITOS EM PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR FEITOS PELO EMPREGADOR. REQUISITOS PARA A ISENÇÃO. Nos termos do art. 6, inciso VIII, da Lei nº 7.713, de 1988, e do art. 39, XI, do RIR/99, não entrarão no cômputo do rendimento bruto: as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 22 54 /2 01 1- 24 Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 618 2 INDENIZAÇÕES PAGAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. As indenizações pagas na rescisão do contrato de trabalho somente são isentas do imposto de renda até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologadas pela Justiça do Trabalho; os valores que não se enquadram em nenhuma dessas hipóteses, pagos por força de disposição contratual, sob a denominação de indenização, estão sujeitos à incidência do imposto. BITRIBUTAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. O imposto incidente sobre rendimentos recebidos de fontes pagadoras situadas no Brasil por pessoas aqui residentes não pode ser compensado com o imposto eventualmente pago nos Estados Unidos da América sobre esses mesmos rendimentos; nesse caso ocorre o contrário: o imposto pago aqui é que é compensável com o valor devido lá, de modo que, se o contribuinte omitiu tais rendimentos na declaração de ajuste anual entregue no Brasil, não pode pretender abater do valor aqui devido o imposto pago no exterior. MULTA DE OFÍCIO. AFASTAMENTO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO CAUSADO POR INFORMAÇÕES ERRADAS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Nos termos da Súmula CARF nº 73, o erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso de Ofício Não Conhecido Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) afastar do lançamento por omissão de rendimentos os depósitos em plano de previdência privada feitos pelo empregador, exceto os depósitos feitos por conta e ordem do recorrente, nos termos do voto do Relator; b) afastar a multa de ofício decorrente de erro no preenchimento da declaração de ajuste anual causado por informação errada prestada pela fonte pagadora (Súmula CARF nº 73). (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 619 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratamse de Recursos de Ofício e Voluntário interpostos nos autos do processo nº 10830.722254/201124, em face do acórdão nº 1639.631, julgado pela 15ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), em sessão realizada em 5 de junho de 2012, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "DO LANÇAMENTO Versa este processo sobre exigência de crédito tributário relativa a imposto de renda da pessoa física, anoscalendário 2006 e 2007, conforme auto de infração de fls. 305/314. Foi lançado o imposto no valor de R$ 5.052.209,77, acrescido de juros de mora de R$ 1.890.930,23 (calculados até 31/05/2010) e de multa de ofício proporcional de R$ 3.789.157,32, resultando no montante de R$ 10.732.297,32. Trata a autuação de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica e de classificação indevida de rendimentos na DIRPF. O enquadramento legal é informado às fls. 308/310 e 312. A descrição dos fatos é apresentada no Termo de Verificação Fiscal (TVF), às fls. 315/380. DA IMPUGNAÇÃO O autuado tomou ciência do auto de infração em 30/06/2011, conforme consta à fl. 306, e apresentou, em 01/08/2011, por meio de procuradores (procuração à fl. 422), a impugnação de fls. 383/421, acompanhada dos documentos de fls. 422/458, abaixo resumida. I DOS FATOS É importante notar que a ação fiscal em questão foi instaurada como reflexo dos procedimentos fiscais anteriormente desenvolvidos junto às empresas Elektro Eletricidade e Serviços S/A (“Elektro”) e AEI América do Sul Holding Ltda. (“AEIAS”), “empregadoras” do impugnante nos anos fiscalizados (2006 e 2007). Existem longas passagens no Termo de Verificação Fiscal que não guardam qualquer relação com o presente caso, por se Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 620 4 tratar de fundamentos e razões utilizados pela fiscalização para exigir da pessoa jurídica o recolhimento de contribuição previdenciária ao INSS, e não de qualquer diferença relativa ao IRRF. Notase claramente que não houve por parte da DRFCampinas uma preocupação em identificar e caracterizar quais seriam os fundamentos específicos que fizeram com que, a seu ver, houvesse uma infração cometida também pelo impugnante no presente caso, sendo o exemplo maior disso os diversos trechos do Termo de Verificação Fiscal que discorrem sobre as características que teriam que ter sido seguidas pela empresas para que elas gozassem de isenção com relação à contribuição devida ao INSS sobre o valor pago a título de PRL a seus empregados. II DAS RAZÕES DE FATO E DE DIREITO II.A) INEXISTÊNCIA DA ALEGADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DO TRABALHO ASSALARIADO RECEBIDO DE PESSOA JURÍDICA II.A.1) Esclarecimento inicial: indevida inclusão de contribuições ordinárias feitas ao Plano de Previdência Complementar Os valores demonstrados no auto de infração, relativos às contribuições efetuadas pelas empregadoras do impugnante a plano de previdência complementar em seu favor, consideraram tanto as contribuições ordinárias como as contribuições extraordinárias, conforme quadro de fl. 391. Esse esclarecimento é importante, pois a intenção do auditor fiscal foi descaracterizar as contribuições extraordinárias feitas pela empresa em plano de previdência em nome do impugnante. Tanto é que toda sua argumentação se baseia na tentativa de descaracterizar sua natureza e sua devida implicação tributária. A essência da fundamentação do auto se baseia em argumentos de que as “contribuições” glosadas representavam de fato uma suposta remuneração variável e excepcional ao impugnante, sendo que o pagamento de contribuição ordinária claramente não se enquadra como “variável” e/ou “extraordinária”, já que ocorria mensalmente e com um valor fixo de R$ 7.678,49. Ressaltese que o único valor de contribuição ordinária que foi diferente desses R$ 7.678,49 foi a última contribuição ordinária (de 31/05/2007), a qual correspondeu apenas a uma fração de mês, já que o impugnante estava sendo desligado da empresa empregadora. Desta forma, não tendo sido “fundamentada” a inclusão das contribuições ordinárias, bem como sendo seus valores e periodicidade provas suficientes de sua natureza, cabe aplicar o tratamento que lhe é previsto na legislação tributária, qual seja, a regra isentiva prevista no art. 39, XI, do RIR/99. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 621 5 Em vista disso, de plano, deve ser anulada a parte do valor lançado relativamente aos R$ 125.287,36 das referidas contribuições ordinárias de 2006 e 2007, que indevidamente foram “reclassificadas” pelo auditorfiscal como sendo “rendimento tributável”. II.A.2) Indevida alegação de omissão de rendimento tributável – contribuição extraordinária As contribuições extraordinárias efetuadas em favor do impugnante por suas empregadoras durante 2006 e 2007 em plano de previdência complementar também tiveram o tratamento tributário previsto no art. 39, XI do RIR/99. Ocorre que o auditorfiscal equivocadamente entendeu por bem desconsiderar o plano de previdência complementar como um todo para fins de contribuições extraordinárias, “recaracterizando” os valores dessas contribuições extraordinárias como sendo meras remunerações variáveis da empregadora para o impugnante, essencialmente baseado em: (I) devida desproporção do valor dessas contribuições e a remuneração mensal ordinária; e (II) errônea suposição de que tais valores deveriam corresponder a um bônus e/ou participação sobre o lucro ou resultado (PLR). Quanto ao descabimento da alegação de desproporção entre valores das contribuições extraordinárias e o valor da remuneração ordinária mensal, o impugnante ressalta que a regra isentiva do art. 39, XI do RIR/99 não impõe qualquer limitação para a contribuição patronal a um plano de previdência complementar em favor de seus empregados. Consequentemente, a desproporção de valores mencionada no auto de infração não é condição legal impeditiva do gozo da referida isenção. Em outras palavras, não poderia o auditorfiscal utilizar um critério não previsto em lei para majorar a base de cálculo do imposto de renda do impugnante (ou da fonte pagadora), sob pena de ferir os princípios da estrita legalidade, tipicidade fechada e reserva absoluta da lei. Ainda, em consonância com esses princípios, o art. 108, § 1°, do CTN, proíbe expressamente o emprego de analogia na cobrança de tributos (no caso concreto, com regras específicas e válidas apenas para INSS). Não cabe aqui nem considerar alguns comentários sobre condições legais para fins de isenção de INSS (e.g., disponibilização do plano para todos os empregados), por não serem condições para fins de gozo de isenção de IR. Além disso, sendo o direito tributário um direito de sobreposição, a validade do ato jurídico (contribuição extraordinária a plano de previdência complementar), no caso concreto, decorre do Código Civil e de regras regulamentadoras do órgão fiscalizador das entidades que atuam no ramo de Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 622 6 previdência complementar (i.e, Superintendência de Seguros Privados – Susep). E, quanto à contratação do plano de previdência complementar pela empregadora em favor do impugnante, nenhuma irregularidade foi apontada pelo auto de infração. Nesse sentido, conforme autorizado pela regulamentação da Susep, a contratação do plano de previdência em questão possibilitava à empresa empregadora efetuar contribuições extraordinárias, sem qualquer “contrapartida” do empregado (beneficiário do plano). Quanto aos argumentos apresentados sobre PLR e Incentivos de Vendas no Termo de Verificação Fiscal, o impugnante ressalta que eles são essencialmente extraídos da autuação sofrida pelas suas empregadoras. Esses argumentos falam de situações genéricas dos empregados, podendose dali extrair apenas uma informação útil para o caso em questão, quando há a transcrição de parte do Acordo Coletivo de Trabalho 2005/2006 pactuado entre AEIAS e Sindicato dos Trabalhos na Indústrias de Energia Elétrica de São Paulo – STIEESP, na qual consta que tal Acordo abrange os empregados da Prisma (AEIAS), “excetuados os ocupantes dos cargos gerenciais e diretores, que, nas questões econômicas, têm política de remuneração própria e discricionária.” Assim, o próprio auto de infração declara que a remuneração do impugnante não está compreendida no negociado no Acordo. Ademais, o auditorfiscal faz menção ao Bônus de Performance a que o impugnante fazia jus, esclarecendo que ele (i) poderia ser pago dentro do Programa de PLR da empresa, (ii) poderia ser quitado via crédito em plano de previdência complementar e (iii) estava limitado a US$ 300.000,00 por ano pago em fevereiro. E, aparentemente, é justamente esse Bônus de Performance que o auditorfiscal imagina ser o valor (ou parte dele) depositado no plano de previdência complementar. Todavia, o TVF não demonstra claramente qual o valor de contribuição extraordinária autuado corresponderia a tal verba. Note, inclusive, que os valores de contribuições extraordinárias superam o limite anual do Bônus de Performance, o que demonstra a falha da pretensa cobrança de IR do impugnante. De fato, existe tal incoerência, pois o valor depositado no plano de previdência complementar nada mais é do que contribuição extraordinária, como declarada originariamente pela empresa e devidamente tratada pelo impugnante. O auditorfiscal também apresenta argumentação genérica sobre remuneração decorrente do Plano de Incentivo de Vendas, que também não é aplicável ao impugnante, já que não era diretor de vendas ou integrante do setor de vendas da empresa. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 623 7 Todavia, para sua total surpresa, consta na pág. 33 do TVF que a AEIAS informou durante a fiscalização que R$ 7.516.718,20 eram relacionados ao Plano de Incentivo de Vendas 2005. De fato, aqui parece ter ocorrido entendimento equivocado da situação. Ora, a venda aqui tratada era a venda da própria empresa e não de seus produtos/serviços, a qual dependia de resultado/meta exigida do impugnante. Assim, em sendo tal valor vinculado à referida venda da empresa, esta não decorreu de um desempenho do impugnante, ou seja, era uma verba totalmente extraordinária e sem contrapartida de trabalho do impugnante. Em suma, correspondia de fato a uma contribuição extraordinária depositada em plano de previdência de titularidade do impugnante. Quanto à referida autuação de R$ 448.000,00, não existe de fato argumentação/justificação no TVF, havendo uma breve menção de “equalização de impostos”, a qual não veio a ser esclarecida. Diante disso, não há porquê ou como prevalecer a intenção da fiscalização de autuação sobre esse valor sob alegação de que se trataria de verba do trabalho. Assim, comprovadamente, os valores depositados no plano de previdência eram de fato contribuições extraordinárias. Além disso, nos termos do CTN, o contribuinte deve ser tributado no momento de disponibilização da renda. No caso concreto, não há que se falar em disponibilização de valores de contribuições efetuadas no momento de seu depósito no plano de previdência; isso porque de fato o contribuinte (impugnante) somente terá a disponibilidade desses valores no momento do resgate ou pagamento de benefícios, quando, então, poderia ocorrer a tributação (como de fato já aconteceu, conforme comprovação mais adiante). Note, inclusive, que o auditorfiscal faz menção à Circular Susep 139 que veda a disponibilidade desses recursos, via resgate, pelo prazo mínimo de 360 dias. Em conexão com isso, seria possível também interpretar a regra isentiva do art. 39, XI, do RIR/99 de forma absolutamente literal e, ao mesmo tempo, de forma abrangente, no sentido de que a contribuição patronal a plano de previdência complementar em favor de empregado na essência sempre corresponde a parte da remuneração do empregado. Tanto é assim que, quando da contratação de um empregado, é muito usual a empresa empregadora informar que paga contribuição patronal a plano de previdência complementar como um dos itens da remuneração desse candidato. Poderseia entender, portanto, que qualquer contribuição patronal a plano de previdência complementar efetuada é abrangida pela regra isentiva do art. 39, XI, do RIR/99, independentemente de se vincular a uma simples contribuição ordinária ou extraordinária, ou mesmo de se relacionar essa contribuição com outro tipo de possível remuneração. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 624 8 II.A.3) Necessidade de “dedução” na base de cálculo – contribuição extraordinária A título meramente elucidativo, o impugnante explora a hipótese de manutenção da descaracterização da natureza dos valores depositados no plano de previdência complementar. Se por absurdo tal acontecesse, o impugnante entende importante frisar que, sendo a natureza dos valores destinados a contribuições ao plano simples parte do “salário” (contraprestação pelo trabalho), caberia, então, aplicar em sua integralidade as regras tributárias aplicáveis a tal hipótese, que são: (i) a tributação desse rendimento no momento de seu pagamento e (ii) a possibilidade de abater da base de cálculo do IR eventuais ônus do empregado para com o plano de previdência (art. 74 do RIR/99). Assim, caberia levar em conta algumas informações contidas no TVF: (i) que o valor tributável poderia ser pago via depósito em plano de previdência complementar, segundo a opção do beneficiário (pessoa física); e (ii) que tal opção deveria ser formalizada perante o departamento de Recursos Humanos da empresa (RH), conforme email do RH mencionado no TVF. Isso equivale a dizer que o empregado autorizou que a empresa efetuasse um desconto do “rendimento tributável” para transferir ao plano de previdência complementar contribuição por sua conta e ordem (ou seja, seu ônus). Assim, nos termos do art. 74 do RIR/99, caberia considerar o valor contribuído pelo empregado como redutor da base de cálculo do IR, levandose em consideração o limite anual para a dedução (12% do rendimento anual do empregado), conforme consta no § 2° desse artigo. A dedução em questão da base de cálculo do IR não foi observada pelo auditorfiscal. Tal procedimento é errado, pois o agente fiscal deve sempre buscar ajustar a base de cálculo de forma justa e com estrita observância legal. II.A.4) Bitributação das contribuições objeto da presente autuação fiscal – disponibilização do PGBL e pagamento de imposto no exterior (EUA) O auto de infração deve ser integralmente cancelado também em razão de sua manutenção resultar na bitributação dos rendimentos auferidos pelo impugnante, o que é completamente vedado por lei e pela Constituição Federal. Isso porque, em razão de o impugnante já ter obtido a disponibilização de todos os valores aportados em seu PGBL, o que o sujeitou à tributação característica dessa modalidade de plano sobre os rendimentos auferidos, bem como sobre as contribuições aportadas, era ele ainda residente fiscal nos Estados Unidos da América (EUA), o que o obrigou a também pagar naquele país imposto de renda sobre a totalidade do Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 625 9 PGBL em questão, sendo que a alíquota total pela qual os valores foram tributados foi de 35%. Conforme consta do próprio Termo de Verificação Fiscal, o impugnante informou na DIRPF relativa ao anocalendário 2007 um resgate de previdência privada complementar no valor de R$ 12.002.636,26, tendo sido constatado pela fiscalização que parte desse montante, no valor total de R$ 1.847.498,86, correspondia a depósitos efetuados pela empresa empregadora no ano de 2006. Em vista dessa constatação, a fiscalização excluiu da base de cálculo do anobase de 2007 o valor de R$ 1.847.498,86, pois, no seu entender, a manutenção de tal valor na base tributável do IRPF geraria uma bitributação. Como se vê, o que a fiscalização realizou no presente caso foi uma verdadeira descaracterização do PGBL mantido pelo impugnante, tratandoo meramente como uma simples conta bancária, o que se verifica pelo fato de ter sido exigida a tributação do valor das contribuições no momento do seu aporte e assegurada a sua não tributação quando do respectivo resgate. Ocorre, contudo, que a fiscalização não se atentou para o fato de que o mesmo procedimento de ajuste realizado no auto de infração com relação ao anobase de 2007 deveria também ter sido adotado com relação ao resgate efetuado pelo impugnante no anobase de 2009! De fato, durante a ação fiscal (concluída apenas em 2011), foi devidamente comprovado à DRFCampinas que, no ano de 2009, houve a liquidação total do PGBL mantido pelo impugnante, o que correspondeu à disponibilização do valor de R$ 17.223.147,11 (o informe do Unibanco demonstra que o saldo do PGBL em 31/12/2009 passou a ser zero – doc. 03), o qual foi originado a partir das demais contribuições extraordinárias recebidas nos anos de 2006 e 2007. Assim, sem dúvida nenhuma e até por um critério de coerência com o procedimento adotado no auto de infração com relação ao anobase de 2007, caberia à fiscalização ter igualmente excluído da base de cálculo tributável do anobase de 2009 os valores do PGBL disponibilizados relativos às contribuições extraordinárias recebidas em 2006 e 2007. A não realização dessa providência, contudo, fez com que o auto de infração em questão represente a bitributação dos valores correspondentes às demais contribuições extraordinárias recebidas em 2006 e 2007 pelo impugnante e que são objeto de discussão no presente processo. E o que se verifica agora é que, não tendo sido realizado tal ajuste quando do momento da autuação, ou seja, diretamente da base tributável no anobase de 2009, resta, como única medida Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 626 10 para evitar a bitributação em questão, cancelar o presente auto de infração. Somandose a isso, ainda existe o fato de o impugnante, além de ser residente fiscal no Brasil, também ser residente fiscal nos EUA (situação que perdura desde os anosbase autuados até os dias atuais), o que o obrigava a recolher naquele país imposto de renda sobre a totalidade dos rendimentos por ele auferidos, inclusive daqueles decorrentes de previdência complementar mantidos no Brasil. Assim, como decorrência dessa condição específica do impugnante, o que se verifica é que, de acordo com as normas tributárias americanas, a totalidade dos valores depositados pelas empresas empregadoras em sua conta de PGBL já foi tributada nos EUA. Registrese que a alíquota aplicável nos EUA a título de imposto de renda é de 35%. É importante notar, contudo, que, de acordo com a legislação interna brasileira, o valor do imposto de renda pago no exterior deve ser compensado com o imposto devido no Brasil sobre os mesmos rendimentos, nos casos em que há tratado firmado entre o Brasil e o país estrangeiro para evitar a dupla tributação da renda, ou, então, reciprocidade de tratamento declarado entre os dois países. No presente caso, muito embora ainda não tenha sido firmado um acordo para evitar a dupla tributação da renda entre Brasil e EUA, o Ato Declaratório SRF n° 28/2000 previu expressamente a possibilidade de compensação do imposto pago nos Estados Unidos com o imposto devido no Brasil. Considerando o acima exposto, portanto, é inquestionável que, no momento da realização do presente lançamento de ofício, já tendo a DRFCampinas conhecimento do fato de que o impugnante havia pago nos EUA imposto sobre a totalidade do seu PGBL mantido no Brasil, deveria ter ela considerado no momento da elaboração da autuação o montante pago no exterior sobre esses mesmos rendimentos. Para auxiliar a análise das alegações acima, o impugnante apresenta, à fl. 403, uma tabela na qual estão resumidos os valores de PGBL disponibilizados ao impugnante nos anos de 2006 a 2009 e a respectiva tributação total sobre eles pagas. A fim de comprovar o efetivo pagamento do imposto de renda norteamericano, o impugnante anexa correspondência elaborada por seus contadores norteamericanos (doc. 04), na qual é descrito como se deu a tributação dos PGBLs nos EUA e os valores totais pagos naquele país sobre tais rendimentos. Registrese que, a qualquer momento – se assim entender necessário essa turma julgadora –, o impugnante comprometese a apresentar cópia de suas declarações de ajuste anual entregues ao fisco norteamericano nos anos de 2007 e 2009, providência que somente não foi adotada agora, haja vista que, Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 627 11 no seu entender, a correspondência acima já faz a prova suficiente e precisa sobre a matéria em questão. Assim, devidamente demonstrada e comprovada a bitributação que decorre do presente auto de infração, é de rigor o cancelamento integral da autuação, sob pena de enriquecimento ilícito do Erário Público, prática condenada pelo ordenamento jurídico nacional. II.B) CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS NA DIRPF COMO ISENTOS/NÃO TRIBUTÁVEIS II.B.a) Da correção da classificação adotada pelo impugnante em razão da natureza dos rendimentos pagos Segundo descrito no auto de infração, o valor de R$ 1.290.160,00, referente a “Indenização desligamento” (relacionado a previsão de contrato de trabalho celebrado em 2002), e de R$ 8.959,44 , relativo a “13° salário indenizado”, os quais totalizam os R$ 1.299.119,44, não deveriam ter sido tratados como rendimentos isentos ou não tributáveis, por não haver previsão na legislação tributária para tal procedimento. Ocorre que, segundo o aditivo do contrato de trabalho do impugnante com a empresa Elektro, havia previsão de que, na hipótese de o contrato de trabalho ser unilateralmente rescindido (rescisão sem justa causa) pela Elektro, o empregado faria jus ao recebimento de uma indenização correspondente a doze meses de remuneração, incluída a média dos bônus recebidos nos últimos anos. Assim, notase que essa verba indenizatória corresponde a uma verdadeira compensação/recomposição de um direito perdido pelo impugnante, de maneira que não representa, sob qualquer prisma, um acréscimo patrimonial – única hipótese em que poderia haver a incidência do imposto de renda. Ressaltese que no anobase de 2006 houve uma severa mudança na estrutura administrativa das empresas nas quais o impugnante trabalhava, tendo sido substancialmente alteradas e reduzidas a um nível mínimo as suas funções e deveres funcionais, do que decorreu uma rescisão contratual indireta de seu vínculo empregatício. Considerando a materialização de uma rescisão de contrato de trabalho indireta e a violação dos direitos do impugnante configurados com a redução de suas funções profissionais não comunicadas pelas empresas, temse que os valores pagos a título de indenização pela rescisão de contrato de trabalho caracterizamse, em verdade, verdadeira indenização por danos morais. Nesse sentido, destaquese que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se manifestou com relação às indenizações por danos morais, decidindo que não se configurariam em fato gerador do Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 628 12 imposto de renda, a exemplo das indenizações por danos materiais. Vejamse nesse sentido as ementas de fls. 407/408. Notese, no tocante à decisão do STJ acima transcrita, que ela decorre de julgamento de recurso afeto à sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), o que significa que a sua observância é mandatória em se de julgamento administrativo, conforme determina o art. 62A do Regimento Interno do CARF. Assim, muito embora a presente impugnação se destine nesse primeiro momento a essa Delegacia de Julgamento, a qual, teoricamente, não se submete diretamente ao regimento interno do CARF, por questões de celeridade e economia processual, é de rigor o seu reconhecimento desde o primeiro momento. A partir de tal entendimento, verificarseá que foi correto o tratamento de “rendimentos isentos e não tributáveis” conferido pelo impugnante aos valores recebidos a título de indenização por rescisão do contrato de trabalho. II.B.b) Da bitributação dos rendimentos em caso de manutenção do auto de infração Ainda que não se venha a aceitar a argumentação acima, mesmo assim deverá o presente auto de infração ser cancelado, uma vez que, conforme já visto anteriormente, o impugnante era residente fiscal nos EUA no anobase de 2007 e pagou imposto de renda sobre a totalidade do rendimento em questão. Nos termos do já comentado Ato Declaratório SRF 28/2000, o imposto pago nos Estados Unidos deve ser compensado com o imposto devido no Brasil, providência essa que, no presente caso, foi solenemente ignorada pela fiscalização. De acordo com a legislação tributária norteamericana, as isenções e hipóteses de não tributação que sejam específicas da legislação brasileira não se aplicam nos EUA, razão pela qual a totalidade do valor recebido pelo impugnante a título de indenização pela rescisão do seu contrato de trabalho (R$ 2.791.677,78) foi tributada nos EUA. O impugnante junta à presente impugnação carta fornecida por seus contadores norteamericanos (doc. 04), na qual são declarados os valores que foram oferecidos à tributação ao fisco norteamericano e o valor do imposto pago no exterior sobre as verbas rescisórias em questão (relembrandose novamente que o impugnante se dispõe a apresentar a qualquer momento cópia da sua declaração de ajuste entregue às autoridades fiscais norte americanas no anobase de 2007, não a apresentando agora unicamente por entender que a carta elaborada por seus contadores fornece, de maneira mais completa e mais precisa, a informação relativa ao valor do imposto pago nos EUA). O que se conclui, portanto, é que o auto de infração em questão não pode prosperar também no tocante a esse item, uma vez que ele materializa a bitributação do valor em discussão, tendo em Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 629 13 vista que sobre ele já foi pago nos EUA um valor muito superior ao ora cobrado. II.C. DA INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO NO PRESENTE CASO II.C.1. Duplicidade de cobrança da multa de ofício sobre o mesmo tributo A multa de 75% foi exigida neste caso independentemente do fato de já ter sido lançada, quando da lavratura do auto de infração contra a pessoa jurídica, no percentual de 150%, calculada sobre o valor do IRRF que supostamente deveria ter sido retido e recolhido sobre esse mesmo “rendimento” tributável pago ao impugnante. O fundamento dos dois autos de infração é o mesmo, de modo que se trata de uma mesma e única suposta infração. Assim, houve a cobrança em duplicidade de multa (bis in idem) sobre uma mesma base tributável. Isso significa que houve a aplicação de uma multa de 225% sobre uma mesma infração, percentual esse que, ainda que exigido de maneira fracionada (150% da pessoa jurídica de 75% da pessoa física), não encontra qualquer respaldo na legislação aplicável. Tal procedimento, além de ilegal, configura também claro enriquecimento ilícito do Erário Público, além de ferir o princípio da proporcionalidade, na medida em que as duas multas aplicadas resultam em um valor absurdamente superior ao próprio tributo. Assim, a aplicação em duplicidade da multa aqui tratada configura uma situação abusiva e confiscatória, em flagrante desrespeito à Constituição Federal. Vejase nesses sentido a jurisprudência do CARF transcrita à fl. 414. Ressaltese que a multa exigida da pessoa jurídica já foi integralmente liquidada no respectivo processo, conforme comprovam os comprovantes de pagamento anexos (doc. 05). Desta forma, a multa de ofício exigida no presente caso não pode prevalecer. O impugnante requer ainda que, ao afastar a multa de ofício, essa turma julgadora deixe expressamente consignado no acórdão que a DRFCampinas não deve imputar indevidamente a multa de mora aos valores de imposto que eventualmente venham a ser mantidos. No presente caso não se poderia aplicar a multa de mora em razão de o motivo do cancelamento da multa de ofício ser exatamente o fato de já ter sido exigida em outro auto de infração (lavrado contra a pessoa jurídica) multa sobre o imposto ora em cobrança. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 630 14 II.C.2. Afastamento da multa de ofício em razão da estrita observância do impugnante aos informes de rendimento recebidos de sua fonte pagadora A multa de ofício exigida sobre a totalidade dos rendimentos considerados pela fiscalização como omitidos também não é cabível pelo fato de o impugnante ter sido induzido a erro pela fonte pagadora quando do recebimento dos respectivos informes de rendimentos. De fato, uma vez verificando nos informes de rendimentos recebidos que os valores depositados em sua conta de PGBL não eram rendimentos tributáveis e que os valores decorrentes da rescisão contratual foram tratados como isentos pela fonte pagadora, tratou o impugnante de seguir as orientações contidas no informe e assim preencher sua DIRPF. Uma vez verificado, em momento posterior, que o tratamento conferido pela fonte pagadora estava equivocado, cabe a cobrança do imposto não pago do contribuinte, mas nunca a imposição de multa de ofício, haja vista que a “infração” decorreu não de sua vontade própria, mas sim de informação errada por ele recebida. O próprio CARF vem assim decidindo em casos similares ao presente, conforme ementa transcrita à fl. 418." A DRJ de origem entendeu pela parcial procedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose, assim, parcialmente o crédito tributário lançado, conforme demonstrativo abaixo: Em razão do valor exonerado ser superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), foi interposto recurso de ofício. O crédito exonerado pela DRJ se deu pelos seguintes fundamentos: "(...) deve ser reconhecido ao impugnante o direito de deduzir da base de cálculo do imposto as contribuições feitas ao plano, até o limite de 12% do rendimento anual que compõe a base de cálculo do imposto, nos termos do § 2° do art. 74, II, do RIR/1999. Se considerarmos essa dedução, como se demonstrará Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 631 15 mais adiante, no tópico “DO CÁLCULO DO IMPOSTO A PAGAR”, o imposto devido pelo impugnante no anocalendário 2007 se reduz a R$ 1.334.477,19, além também de haver redução no valor do imposto relativo ao anocalendário 2006." O contribuinte, por sua vez, inconformado com o resultado do julgamento apresentou recurso voluntário (também com efeitos de contrarrazões a recurso de ofício), às fls. 551/606, reiterando as alegações expostas em impugnação quanto ao que foi vencido. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício foi apresentado haja vista que foi exonerado do lançamento fiscal o valor de R$ 2.384.903,87, referente a tributo e encargos de multa, conforme verificase abaixo: Período Tributo/multa Valor exonerado ano calendário 2006 tributo R$ 343.542,73 ano calendário 2006 multa R$ 257.657,05 ano calendário 2007 tributo R$ 1.019.259,48 ano calendário 2007 multa R$ 764.444,61 TOTAL R$ 2.384.903,87 No entanto, a Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser o valor estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$ 1.000.000,00 um milhão de reais), para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vejamos o texto da recente Portaria: Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 (Publicado(a) no DOU de 10/02/2017, seção 1, pág. 12) Estabelece limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, resolve: Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 632 16 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Por oportuno, salientase que a Súmula CARF nº 103 estabelece que o aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, vejamos: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, na presente data (sessão realizada em 05/10/2017) o limite de alçada vigente é superior ao valor exonerado pela julgamento da DRJ de origem, logo, não deve ser conhecido o recurso de ofício apresentado. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Omissão de rendimentos. Depósitos em plano de previdência complementar. 1.1 Aportes realizados pelo contribuinte. Os planos de previdência do contribuinte, mencionados no Termo de Verificação Fiscal (TVF) , foram instituídos em entidades abertas. É importante mencionar que tais planos podem ser individuais ou coletivos, nos termos do art. 26 da LC n° 109/2001. Os valores considerados pela fiscalização como omitidos correspondem a aportes feitos em planos coletivos do tipo PGBL, em favor do contribuinte. Defende o contribuinte que todos os valores depositados nesses planos, em seu favor, por seus empregadores estão abrangidos pela isenção de que trata o art. 39, XI, do RIR/1999, cuja matriz legal é o art. 6°, inciso VIII, da Lei n° 7.713/1988: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 633 17 [...] XI as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso VIII); Argumenta ele que a lei não impõe limites ou condições para a fruição da isenção ali prevista, de modo que todo e qualquer valor depositado pelo empregador em programa de previdência privada em favor do empregado estaria abrangido por essa isenção. Tal argumento, todavia, é insustentável, como a seguir se explica. Em primeiro lugar, a lei isentiva exige que a contribuição seja paga pelo empregador. Isso significa que não estão abrangidos pela isenção os valores pertencentes ao próprio empregado e depositados em plano de previdência privada diretamente pelo empregador. No Termo de Verificação Fiscal, à fl. 326, verificamos que o contribuinte fazia aportes voluntários a previdência privada, conforme memória de cálculo abaixo: Isso não descaracteriza o plano de previdência do empregado, mas altera substancialmente o tratamento tributário conferido ao valor depositado. Com efeito, estamos agora diante de rendimentos tributáveis, não obstante tenha o empregado o direito de deduzir a contribuição ao plano de previdência complementar na declaração de ajuste anual, ficando, tal dedução, no entanto, limitada a 12% dos rendimentos computados na base de cálculo do imposto, nos termos do art. 74, inciso II e §§ 1° e 2°, do RIR/1999. Assim, não estão abrangidos pela isenção de que trata o art.6°, inciso VIII, da Lei n° 7.713/1988 os valores depositados pelo empregador em plano de previdência complementar, por conta e ordem do empregado, de parcelas remuneratórias pertencentes ao próprio empregado; este, no entanto, tem o direito de deduzir o valor das contribuições da base de cálculo do imposto na declaração de ajuste anual, até o limite permitido por lei. 1.2 Depósitos em plano de previdência complementar feitos pelo empregador. Como já exposto, uma das ilegalidades apontadas pelo trabalho fiscal foi o fato do plano de previdência do Recorrente não ser disponível a todos os empregados, nos termos do artigo 16 da Lei Complementar nº 109/01. Seção II Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 634 18 Dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas [...] Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. É importante observar que o mencionado artigo aplicase às entidades fechadas de previdência complementar. Além disso, não é correto dizer que o Plano a Recorrente não foi oferecido à totalidade dos empregados, uma vez que tratase de um único plano. Tal plano, todavia, contempla contribuições suplementares e diferenciadas para os diretores. Dessa forma, a discussão jurídica trazida aos autos consiste em saber se é possível, nos planos abertos de previdência privada, instituir contribuições diferenciadas para seus participantes. A Lei Complementar nº 109/2001, ao regulamentar de previdência complementar, fez clara separação entre as norma aplicáveis aos regimes de previdência aberto e fechados. Isso porque, em seu Capítulo II, ao tratar dos Planos de Benefícios, reserva a Seção I para as Disposições Comuns, previstas nos artigos 6º ao 11º. A Seção II, que compreende os artigos 12º ao 25º, trata dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas e, por fim, a Seção III (arts. 26 ao 30), cuida dos Planos de Benefícios das Entidades Abertas. Dessa forma, cumpre verificar se, ao tratar dos Planos de Benefícios das Entidades Abertas, a mencionada lei, utilizada como fundamento do trabalho fiscal, contempla a possibilidade de benefícios diferenciados para determinada categoria de empregados. A resposta dada pelo artigo 26, § 3º, abaixo transcrito, é afirmativa: Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo refere se aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 635 19 específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. § 5o A implantação de um plano coletivo será celebrada mediante contrato, na forma, nos critérios, nas condições e nos requisitos mínimos a serem estabelecidos pelo órgão regulador. § 6o É vedada à entidade aberta a contratação de plano coletivo com pessoa jurídica cujo objetivo principal seja estipular, em nome de terceiros, planos de benefícios coletivos. Pela leitura na norma acima transcrita, fica clara a possibilidade de celebração de plano previdenciário coletivo na modalidade aberta que não abranja todos os empregados e diretores da Pessoa Jurídica, uma vez que pode ser contratado para "grupos de pessoas" que poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador". Além disso, o artigo 16 da LC nº 109/2001, que estabelece a obrigatoriedade de oferecimento do plano a todos os empregados, trata dos Planos de Benefícios de Entidade Fechadas de Previdência Social. Nesse mesmo sentido já se manifestou a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica pela decisão proferida no Acórdão nº 9202003.193, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE REMUNERAÇÃO PARA FINS DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A LC n° 109/2001 alterou a regulamentação da matéria antes adstrita à Lei n. 8.212/1991, passando a admitir que no caso de plano de previdência complementar em regime aberto a concessão pela empresa a grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria não caracteriza salário decontribuição sujeito à incidência de contribuições previdenciárias. (grifamos) Em face do exposto, entendo que, a isenção da tributação dos planos de previdência complementar deve obedecer os critérios estabelecidos na Lei Complementar n 109/01, dentre os quais, como visto, não está prevista a exigência dos planos serem igualmente aplicável a todos os empregados e diretores. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 636 20 Portanto, considero como abrangidos pela isenção de que trata o art. 6°, inciso VIII, da Lei n° 7.713/1988 os valores depositados pelo empregador em plano de previdência complementar (exceto os depósitos feitos por conta e ordem do recorrente), conforme igualmente disciplina o art. 39, XI, do RIR/1999, cuja matriz legal é o art. 6°, inciso VIII, da Lei n° 7.713/1988: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] XI as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso VIII); Deste modo, deve ser afastado do lançamento por omissão de rendimentos os depósitos em plano de previdência privada feitos pelo empregador, exceto os depósitos feitos por conta e ordem do recorrente. 1.3 Apuração dos valores: diferenciação dos depósitos do empregador e o depósitos realizados também pelo empregador, mas por conta e ordem do contribuinte. Verificase que a auditoria informou os valores que foram considerados na autuação (fls. 364). Ela entendeu que havia contribuições à previdência privada que apesar de terem sido efetuadas pelas empresas, eram em realidade remuneração variável pagas por meio de depósito em previdência privada aos segurados (chamadas de contribuições extraordinárias). Em vista disso, e considerando que o plano de previdência contratado desvirtuava do caráter previdenciário, pelas razões expostas no Termo de Verificação Fiscal (TVF), o Auditor Fiscal efetuou o lançamento sobre todos os depósitos efetuados pelas empresas nas contas de previdência privada dos segurados citados no TVF. Entretanto, devese distinguir que no quadro apresentado pela auditoria (fls. 364) há contribuições extraordinárias e contribuições básicas normais (6% sobre remuneração mensal), apesar de no contrato, fls. 48, a Elektro denominar estas últimas também por contribuições extraordinárias. Nesse sentido, entendendo que a autuação deveria ser apenas sobre as contribuições depositadas pela empresa por ordem do empregado, concluo que apenas sobre as contribuições extraordinárias (remuneração variável paga por meio de depósito em previdência privada) há incidência do IRRF, pois estas foram realizadas por conta e ordem do contribuinte. Assim, devese observar que da relação constante no quadro abaixo, devem ser excluídos os valores que se referem às contribuições básicas normais (6% sobre remuneração mensal) que foram feitas como contrapartida da empresa. Para esse entendimento transcrevo o que o auditor deixou consignado no relatório fiscal, quanto aos valores que considerou para a autuação: "Na tabela abaixo constam os valores depositados15 pelos empregadores (correspondentes à remuneração variável) em contas de previdência privada complementar, que estão sendo alvo de autuação". (Grifei). Em sequência ele expõe a tabela com os valores utilizados na apuração do imposto, da qual elaborei a planilha abaixo: Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 637 21 Data Dep participante Dep empresa Instituidora Plano Natureza da contribuição 13.03.06 1.740.000,00 Elektro UBB Prev Corporate I FIQE RF Extraordinária 27.11.06 7.678,49 Elektro UBB Prev Corporate I FIQE RF Extraordinária 01.02.06 7.678,49 Elektro UBB Prev Corporate I FIQE RF Extraordinária 02.03.06 7.678,49 Elektro UBB Prev Corporate I FIQE RF Extraordinária 04.04.06 7.678,49 Elektro UBB Prev Corporate I FIQE RF Extraordinária 03.05.06 7.678,49 Elektro UBB Prev Corporate I FIQE RF Extraordinária 01.06.06 7.678,49 Elektro UBB Prev Corporate I FIQE RF Extraordinária 05.07.06 7.678,49 Elektro UBB Prev Corporate I FIQE RF Extraordinária 02.08.06 7.678,49 Elektro UBB Prev Corporate I FIQE RF Extraordinária 01.09.06 7.678,49 Elektro UBB Prev Corporate I FIQE RF Extraordinária 02.10.06 7.678,49 Elektro UBB Prev Corporate I FIQE RF Extraordinária 01.11.06 7.678,49 Elektro UBB Prev Corporate I FIQE RF Extraordinária 05.12.06 7.678,49 Elektro UBB Prev Corporate I FIQE RF Extraordinária 28.12.06 7.678,49 Elektro UBB Prev Corporate I FIQE RF Extraordinária 29.12.06 7.678,49 Elektro UBB Prev Corporate I FIQE RF Extraordinária 07.02.07 7.678,49 Elektro UBB Prev Perfomance V Básica normal 01.03.07 7.678,49 Elektro UBB Prev Perfomance V Básica normal 02.04.07 7.678,49 Elektro UBB Prev Perfomance V Básica normal 08.05.07 2.431,52 Elektro UBB Prev Perfomance V Básica normal 05.04.06 448.412,39 Prisma Energy UBB Prev Corporate I Extraordinária 07.11.06 7.516.718,20 Prisma Energy UBB Prev Corporate I Extraordinária 20.04.07 7.234.456,00 Prisma Energy UBB Prev Corporate I Extraordinária Em que pese a Elektro ter denominado de "contribuição extraordinária" a sua contrapartida de 6% sobre a remuneração mensal (fls 48), depositando o valor fixo mensal de Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 638 22 R$ 7.678,491 (considerando os contracheques do fiscalizado, fls. 113/127), em realidade ela era contribuição básica normal (não decorrente de remuneração variável paga por meio de depósito em previdência privada). Por isso, além dos valores já identificados por "Básica normal", devem ser excluídos da tabela acima, e, portanto, da apuração, os valores abaixo: data dep participante dep empresa instituidora 01.02.06 7.678,49 Elektro 02.03.06 7.678,49 Elektro 04.04.06 7.678,49 Elektro 03.05.06 7.678,49 Elektro 01.06.06 7.678,49 Elektro 05.07.06 7.678,49 Elektro 02.08.06 7.678,49 Elektro 01.09.06 7.678,49 Elektro 02.10.06 7.678,49 Elektro 01.11.06 7.678,49 Elektro 05.12.06 7.678,49 Elektro 28.12.06 7.678,49 Elektro 29.12.06 7.678,49 Elektro Dessa forma, os valores a serem considerados na apuração do imposto devido são os seguintes (que correspondem à remuneração variável recebida pelo fiscalizado por meio de depósito em plano de previdência privada): Data Dep participante Dep empresa Instituidora Plano Natureza da contribuição 13.03.06 1.740.000,00 Elektro UBB Prev Corporate I FIQE RF Extraordinária 05.04.06 448.412,39 Prisma Energy UBB Prev Corporate I Extraordinária 07.11.06 7.516.718,20 Prisma Energy UBB Prev Corporate I Extraordinária 20.04.07 7.234.456,00 Prisma Energy UBB Prev Corporate I Extraordinária Portanto, reproduzindo o cálculo da apuração do imposto, efetuado pelo julgador a quo, considerando os valores acima temos o seguinte: Anocalendário 2006, exercício 2007 · O contribuinte já havia declarado, na DIRPF 2007 (fls. 468/472), o valor de R$ 92.141,88 de contribuição à previdência complementar e FAPI, ao qual devemos somar o valor de R$ 9.705.130,59, o que resulta em RS 9.797.272,47. · Ele tem o direito de deduzir esse valor na DIRPF 2007 até o limite de 12% dos rendimentos computados na base de cálculo do imposto. · O valor correto dos rendimentos tributáveis na DIRPF 2007 é 11.162.877,63 (= 1.365.605,16 + 9.797.272,47). · Calculandose 12% desse valor, temse R$ 1.339.545,32, que é o valor dedutível de contribuições à Previdência Privada e FAPI. 1 Apesar de a empresa ter efetuado o depósito no valor de R$ 7.678,49, a remuneração mensal do fiscalizado era R$ 107.513,32 (fls. 113/127). Aplicando o percentual de 6% sobre esse valor resultaria o montante de R$ 6.450,80, que deveria ser a contrapartida da empresa. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 639 23 · Como ele também declarou o valor de R$ 3.654,15 de contribuição à previdência oficial e R$ 56.988,17 de despesas médicas, o valor total das deduções na DIRPF 2007 é: · Deduções: 1.339.545,32 + 3.654,15 + 56.988,17 = 1.400.187,64 Podemos, assim, proceder ao cálculo do imposto a pagar: · Base de cálculo: 11.162.877,63 1.400.187,64 = 9.762.689,99 · Imposto devido: 27,5% x 9.762.689,99 5.993,73 = 2.678.746,02 · Imposto pago: 327.532,03 · Imposto a pagar: 2.678.746,02 327.532,03 = 2.351.213,99 Anocalendário 2007, exercício 2008 · O contribuinte já havia declarado, na DIRPF 2008 (fls. 474/479), o valor de R$ 25.466,99 de contribuição à previdência complementar e FAPI, ao qual devemos somar o valor de R$ 7.234.456,00, o que resulta em R$ 7.259.922,99. · Ele tem o direito de deduzir esse valor na DIRPF 2008 até o limite de 12% dos rendimentos computados na base de cálculo do imposto. · O valor correto dos rendimentos tributáveis na DIRPF 2008 é 31.098.876,00 (= 22.539.833,57 + 7.259.922,99 + 1.299.119,44). · Calculandose 12% desse valor, temse R$ 3.731.865,12, que é o valor dedutível de contribuições à Previdência Privada e FAPI. · Como ele também declarou o valor de R$ 1.232,80 de contribuição à previdência oficial, e R$ 101.671,17 de despesas médicas, o valor total das deduções na DIRPF 2008 é: · Deduções: 3.731.865,12 + 1.232,80 + 101.671,17 = 3.834.769,09 Podemos, assim, proceder ao cálculo do imposto a pagar: · Base de cálculo: 31.098.876,00 3.834.769,09 = 27.264.106,91 · Imposto devido: 27,5% x 27.264.106,91 6.302,32 = 7.491.327,08 · Imposto pago: 6.156.849,89 · Imposto a pagar: 7.491.327,08 6.156.849,89 = 1.334.477,19 Deste modo, pela procedência parcial do recurso, os valores exonerados/mantidos neste tópico, em relação ao inicialmente lançado e o ora afastado, conforme demonstrativo abaixo, seriam os seguintes: Anocalendário 2006 Imposto (R$) Multa de ofício (R$) EXIGIDO 2.698.473,10 2.023.854,82 EXONERADO 347.259,11 260.444,33 MANTIDO 2.351.213,99 1.763.410,49 Anocalendário 2007 Imposto (R$) Multa de ofício (R$) EXIGIDO 2.353.736,67 1.765.302,50 EXONERADO 1.019.259,48 764.444,61 MANTIDO 1.334.477,19 1.000.857,89 Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 640 24 2. Indenizações pagas na rescisão do contrato de trabalho. Por ocasião da rescisão do contrato de trabalho com a Elektro Eletricidade e Serviços S/A, em abril de 2007, o contribuinte recebeu as verbas discriminadas no termo de rescisão de fl. 94. A fiscalização chegou à conclusão de que o impugnante informou indevidamente como rendimentos isentos, na declaração de ajuste anual, as seguintes verbas: Indenização desligamento: R$ 1.290.160,00 13° salário indenizado: R$ 8.959,44 Total: R$ 1.299.119,44 Esse montante está incluído no item 06 do informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora (fl. 91), que também o tratou como rendimentos isentos e não tributáveis, conforme explicação dada por ela às fls. 300/301. Consta no termo de rescisão (fl. 94) que a indenização de R$ 1.290.160,00 foi paga conforme o item 9.1 da carta de 1° de abril de 2002, documento esse juntado às fls. 44/49, da qual podemos extrair as seguintes disposições: "9. Demissão involuntária ou Rescisão sem Justa Causa 9.1. No caso do Contrato de Trabalho ser unilateralmente rescindido pela ELEKTRO V.Sa. fará jus, também: (a) pagamento de indenização correspondente a 12 (doze) meses de remuneração, incluída a média dos bônus recebidos nos dois últimos anos, com o pagamento no ato da rescisão contratual. (...)" Os rendimentos isentos pagos por ocasião da rescisão do contrato de trabalho são aqueles discriminados no art. 39, XX, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/1999): Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (....) XX a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores e seus dependentes ou sucessores, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso V, e Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, art. 28); Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 641 25 A verba em análise não se confunde com o aviso prévio indenizado, que também foi pago ao impugnante, consoante se verifica no termo de rescisão, e cuja natureza indenizatória não foi questionada pela fiscalização. De acordo com o dispositivo legal acima transcrito, tanto a indenização quanto o aviso prévio pagos por rescisão do contrato de trabalho são isentos somente até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho. Ora, a verba em análise não se enquadra em nenhum desses casos. Ela decorre de um contrato firmado apenas e tão somente entre o empregador e o empregado, documento esse que não tem o condão de definir a natureza tributária dos rendimentos. Ressaltase que não faz sentido a tentativa do impugnante de tentar enquadrar essa verba como indenização por danos morais, em razão, segundo ele, de a rescisão ter sido provocada pela redução de suas funções profissionais não comunicadas pelas empresas, as quais teriam sido substancialmente alteradas e reduzidas a um nível mínimo. Em primeiro lugar, ele nem sequer apresentou provas dessas alegações. Em segundo lugar, está comprovado que essa verba foi paga em virtude de cláusula contratual, e não como forma de indenizar o empregado por possíveis danos morais; em outras palavras, com ou sem a ocorrência de danos morais, a Elektro assumiu o compromisso de fazer tal pagamento ao impugnante, bastando, para isso, a rescisão unilateral do contrato pela empresa. Assim, caso tivesse realmente ocorrido alguma forma de dano moral, caberia ao impugnante ter acionado o Poder Judiciário para exigir a reparação de seus direitos, providência essa que jamais tomou. E, se o Poder Judiciário condenasse o empregador a indenizar o empregado, tal indenização haveria de ser paga independentemente do pagamento da verba ora em discussão. Em síntese, não há nenhum dispositivo legal que confira isenção a essa verba de R$ 1.290.160,00, de modo que agiu corretamente a fiscalização ao reclassificála como rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual. No que se refere à reclassificação da verba descrita como 13° salário indenizado, no valor de R$ 8.959,44, também não há reparo a fazer no procedimento da fiscalização, uma vez que não há, igualmente, nenhum dispositivo legal que a isente da incidência do imposto de renda. Portanto, os valores recebidos pelo contribuinte estão sujeitos à incidência do imposto, devendo ser negado provimento o recurso quanto a esta matéria. 3. Da alegação de bitributação 3.1 Do imposto pago no resgate do PGBL De acordo com o impugnante, ele já procedeu ao resgate de todo o valor aportado no PGBL, ocasião em que pagou o imposto incidente sobre o valor resgatado. Sustenta, por isso, que a manutenção do auto de infração representa a bitributação das contribuições feitas ao PGBL. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 642 26 Não há como concordar com essa alegação, pelas razões abaixo expostas. Já vimos mais acima que as contribuições depositadas em favor do contribuinte como PGBL correspondem a salário indireto disfarçado de plano de previdência privada paga pelo empregador. Por essa razão, tais rendimentos não se enquadram na isenção de que trata o art. 6°, inciso VIII, da Lei n° 7.713/1988. O que ocorreu é que o empregador, em vez de depositar a remuneração em conta bancária do empregado, depositoua, por conta e ordem deste, diretamente em conta vinculada a PGBL em nome deste último. Em outras palavras, as contribuições foram feitas pelo próprio empregado, tendo apenas sido, por sua conta e ordem, depositadas pelo empregador. Desta forma, não é possível desconsiderar a legitimidade em si do PGBL, cuja existência não pode ser negada. As contribuições em discussão, no entanto, não são do empregador, mas do próprio empregado. Isso significa que o impugnante deveria ter informado, na declaração de ajuste anual, como tributáveis, os rendimentos assim recebidos, ficando, ao mesmo tempo, com o direito de se beneficiar da dedução correspondente, até o limite de 12% dos rendimentos computados na base de cálculo do imposto, nos termos do art. 74, inciso II e §§ 1° e 2°, do RIR/1999. Assim, há que se considerar três operações distintas: 1a) o recebimento pelo contribuinte dos rendimentos do trabalho; 2a) a aplicação pelo contribuinte desses rendimentos em PGBL; e 3a) o resgate dos valores aplicados em PGBL. A obrigação tributária decorrente da primeira operação – o recebimento dos rendimentos do trabalho – é completamente distinta da obrigação tributária decorrente da terceira operação – o resgate dos valores aplicados em PGBL, pois decorrem de fatos geradores distintos. Salientese que os fatos geradores dessas duas obrigações tributárias ocorrem em momentos diversos, podendo haver entre eles um lapso de tempo de vários anos e, até mesmo, de décadas. Registrese, também, que o fato gerador decorrente do recebimento dos rendimentos do trabalho não está sujeito à condição de que o contribuinte aplique ou não esses rendimentos em PGBL, nem tampouco de que resgate ou não o valor porventura aplicado; para a constatação de sua ocorrência é irrelevante analisar se o contribuinte resgatou, em momento posterior, as contribuições feitas ao PGBL. Sendo assim, não faz nenhum sentido a alegação de bitributação invocada pelo contribuinte. 3.2 Do imposto pago nos Estados Unidos da América O impugnante alega que todos os rendimentos incluídos na base de cálculo do imposto apurado no presente auto de infração já foram objeto de tributação nos Estados Unidos da América, sujeitandose lá à incidência de uma alíquota maior do que a que estariam sujeitos no Brasil. Sustenta, por isso, que a manutenção do auto de infração implicaria a bitributação desses rendimentos. Ele invoca em seu favor o Ato Declaratório SRF n° 28/2000. Vejamos o teor desse ato normativo: Ato Declaratório SRF nº 028, de 26 de abril de 2000 Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 643 27 Declara compensável com o imposto devido no Brasil o imposto pago nos Estados Unidos da América sobre receitas e rendimentos auferidos naquele País. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no § 3º do art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 73, de 21 de julho de 1998, declara que: I – a legislação federal dos Estados Unidos da América permite a dedução do tributo reconhecidamente pago no Brasil sobre receitas e rendimentos auferidos e tributados no Brasil, o que configura, nos termos do § 2º do art. 1º da Instrução Normativa nº 73, de 1998, a reciprocidade de tratamento; II – o imposto pago nos Estados Unidos da América pode ser compensado com o imposto devido no Brasil, observados os limites a que referem os arts. 14, § 3º, 15, § 6º e 16, § 1º da Instrução Normativa nº 73, de 1998; (...) A própria ementa desse ato declaratório já deixa claro que ele não se aplica à situação em análise. Com efeito, ele trata da possibilidade de se compensar no Brasil o imposto pago nos Estados Unidos sobre receitas e rendimentos auferidos nesse último País. Ora, os rendimentos em questão não foram pagos por fontes norte americanas, mas por empresas sediadas no Brasil. Eles foram, portanto, auferidos no Brasil. Ressaltese, ainda, que esse ato declaratório foi emitido à vista do disposto no § 3º do art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 73/1998, cujo teor transcrevo a seguir (os grifos são meus): Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital auferidos por pessoa física residente no País, de fontes situadas no exterior, inclusive de órgãos do Governo brasileiro localizados fora do Brasil, e os rendimentos e ganhos de capital auferidos no Brasil por pessoa física nãoresidente no País estão sujeitos à tributação pelo imposto de renda, conforme o disposto nesta Instrução Normativa, sem prejuízo dos acordos, tratados e convenções internacionais firmados pelo Brasil, para evitar a dupla tributação, ou da existência de reciprocidade de tratamento. (...) § 3º A Secretaria da Receita Federal editará ato declaratório informando os países que adotam reciprocidade de tratamento fiscal de que trata este artigo. Tendo os rendimentos sido pagos por fontes situadas no Brasil, e sendo o impugnante residente neste País, estamos diante de situação completamente diversa daquela de que trata a IN SRF nº 73/1998. A DRJ de origem assim se pronunciou sobre esta matéria, cujo entendimento compartilho: Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 644 28 "O impugnante deveria ter pago aqui no Brasil o imposto incidente sobre esses rendimentos, procedendose à compensação desse valor com o que fosse porventura devido nos Estados Unidos. Em outras palavras, esse imposto pertence, por direito, ao Tesouro Nacional brasileiro. Se, por não ter pago aqui o imposto devido, ele acabou por pagar um valor maior nos Estados Unidos, isso não significa que adquire o direito de compensar o valor pago lá com o que ora se cobra aqui. É claro que não há nenhum dispositivo legal que lhe conceda esse direito. Aceitar essa situação seria admitir que o Brasil simplesmente abre mão de receber o imposto que lhe devido, decorrente de rendimentos pagos por fonte situada no Brasil a pessoa residente também no Brasil. Pior ainda: seria a legalização da omissão de rendimentos, deixando ao belprazer do contribuinte decidir se os declara aqui ou não. Ou, se preferirmos, seria conceder ao próprio contribuinte a decisão sobre qual país ficará com a receita do imposto: se o Brasil ou os Estados Unidos, o que seria, naturalmente, um absurdo. O que se pode discutir é se, na hipótese de o contribuinte pagar o imposto que lhe está sendo corretamente cobrado por meio do presente auto de infração, poderia ele retificar sua declaração entregue nos Estados Unidos, com o fim de informar o valor que teria direito de compensar lá e, por consequência, receber, também lá, a restituição do valor que teria sido pago a maior naquele país. Mas esse, evidentemente, é um assunto que não diz respeito ao presente processo, cabendo ao impugnante discutilo com Fisco norteamericano." Desta forma, a análise da declaração apresentada pelo contribuinte ao Fisco norteamericano é totalmente irrelevante para o deslinde do presente julgamento. 4. Multa de ofício 4.1 Da alegação de duplicidade de cobrança da multa de ofício Alega o contribuinte que houve duplicidade da multa de ofício de 75%, em razão de ela já ter sido lançada (com qualificação para 150%), quando da lavratura do auto de infração contra a pessoa jurídica, calculada sobre o valor do IRRF que supostamente deveria ter sido retido e recolhido sobre os mesmos rendimentos pagos ao contribuinte. distintos. Como o próprio contribuinte afirma, a autuação sobre a pessoa jurídica decorre da falta de retenção ou recolhimento do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos pagos aos empregados. A base legal da multa aplicada é o art. 9° da Lei n° 10.426/2002, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007: Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 645 29 Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. O contribuinte, por sua vez, foi autuado por não declarar ou por informar como isentos rendimentos que deveriam ter sido oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. A multa a ele aplicada decorre diretamente do art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007. Como se isso não bastasse, estamos diante de sujeitos passivos diferentes, sem que haja qualquer previsão legal de que o cumprimento da obrigação tributária por um deles desobrigue o outro de também cumprir sua própria obrigação. Além disso, são também totalmente distintos os momentos da prática das infrações, tendo a infração da pessoa jurídica precedido em vários meses a infração cometida pela pessoa física. Ressaltese, por fim, que, ainda que possa ocasionalmente haver conexão entre essas infrações, a verdade é que uma não depende da outra. Com efeito, pode a pessoa jurídica reter e recolher o imposto de renda na fonte, sem que a pessoa física os ofereça à tributação na declaração de ajuste anual. Por outro lado, pode a pessoa física oferecer os rendimentos à tributação, sem que a pessoa jurídica tenha procedido à retenção e recolhimento do imposto na fonte. No primeiro caso, apenas a pessoa física teria cometido infração; no segundo caso, apenas a pessoa jurídica, o que demonstra que tais infrações são, em sua essência, independentes. Desta forma, o fato de a pessoa jurídica já ter pago a multa que lhe foi imposta não implica a extinção da multa exigida do contribuinte. Também não faz sentido o raciocínio do contribuinte de somar as duas multas, para se chegar ao percentual de 225%, com o fim de defender o desrespeito aos princípios da proporcionalidade e do não confisco. Ora, a multa paga pela pessoa jurídica não tem nenhum reflexo no patrimônio do contribuinte, que não foi reduzido em nem um único centavo por conta desse pagamento. Além disso, os princípios tributários citados são norteadores da atividade do legislador, não podendo o julgador administrativo invocálos para afastar o pagamento de penalidade pecuniária prevista em lei, por não ter competência para declarar a inconstitucionalidade de ato legal. 4.2 Da alegação de observância ao informe de rendimentos O contribuinte pretende também afastar a multa de ofício em razão de ter elaborado sua declaração de ajuste anual em consonância com os informes de rendimentos por ele recebidos, que trataram como isentos os rendimentos em discussão, o que o teria induzido em erro. Com razão o contribuinte. A súmula CARF nº 73 assim dispõe: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10830.722254/201124 Acórdão n.º 2202004.347 S2C2T2 Fl. 646 30 prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Desse modo, entendo que deve ser afastada a multa de ofício decorrente de erro no preenchimento da declaração de ajuste anual causado por informação errada prestada pela fonte pagadora (Súmula CARF nº 73). 5. Apuração final de valores exonerados e mantidos. Diante do que está sendo provido no presente recurso os valores mantidos e exonerados com o presente julgamento ficam da seguinte forma: Anocalendário 2006 Imposto (R$) Multa de ofício (R$) EXIGIDO 2.698.473,10 2.023.854,82 EXONERADO 347.259,11 2.023.854,82 MANTIDO 2.351.213,99 0 Anocalendário 2007 Imposto (R$) Multa de ofício (R$) EXIGIDO 2.353.736,67 1.765.302,50 EXONERADO 1.019.259,48 1.765.302,50 MANTIDO 1.334.477,19 0 6. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, voto por dar provimento parcial ao recurso para: a) afastar do lançamento por omissão de rendimentos os depósitos em plano de previdência privada feitos pelo empregador, exceto os depósitos feitos por conta e ordem do recorrente; b) afastar a multa de ofício decorrente de erro no preenchimento da declaração de ajuste anual causado por informação errada prestada pela fonte pagadora (Súmula CARF nº 73). (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 646DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.009231/2002-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA DE OFÍCIO.
No lançamento de ofício de crédito tributário, objeto de discussão judicial, dispensa-se a exigência dos juros de mora e da multa de ofício sobre os valores depositados.
Numero da decisão: 1201-002.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, ausência momentânea do Conselheiro suplente convocado Eduardo Morgado Rodrigues; ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1495; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.009231/200244 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.109 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2018 Matéria AUDITORIA DCTF Recorrente COMPANHIA MELHORAMENTOS NORTE DO PARANÁ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício de crédito tributário, objeto de discussão judicial, dispensase a exigência dos juros de mora e da multa de ofício sobre os valores depositados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, ausência momentânea do Conselheiro suplente convocado Eduardo Morgado Rodrigues; ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 92 31 /2 00 2- 44 Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10880.009231/200244 Acórdão n.º 1201002.109 S1C2T1 Fl. 3 2 Trata o processo de Auto de Infração, págs. 22/36, resultante de Auditoria Interna de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF do 3º e 4º trim/1997, em que se constatou falta de recolhimento cód 2484, CSLL DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL ESTIMATIVA MENSAL, no valor de R$180.854,83, exigidos com multa de ofício de 75% e juros de mora (demonstrados no Anexo III). 2. O contribuinte apresentou impugnação, págs. 4/6, em 11/06/2002. 3. À pág. 402, relato da Equipe de Análise e Acompanhamento de Medidas Judiciais e Controle do Crédito Subjudice da Derat em São Paulo/SP, de que: De modo objetivo, relato que este auto de infração cuida de créditos referentes à CSLL, de 07 a 10/1997, declarados suspensos pelo Mandado de Segurança 95.00354667. Quanto ao Mandado de Segurança basta dizer que houve desistência para adesão ao parcelamento da Lei 11.941/2009. Todavia, os débitos de CSLL. lavrados neste auto de infração não foram apontados no Anexo III do parcelamento (fls. 194/200). O contribuinte juntou aos autos quatro guias de depósitos (fls. 93/94) nas datas e valores corretos, porém realizados no Banco do Brasil e não na Caixa Econômica Federal conforme determinação legal já vigente à época. Importa ainda mencionar que o depósito judicial efetuado no Banco do Brasil S/A impossibilita a verificação em relação à existência do depósito e ao saldo atualizado da eventual conta. O DecretoLei 1.737/79 já trazia a obrigatoriedade dos depósitos judiciais na CEF em seu art. 1º portanto, seria necessária a especifica autorização judicial para a realização dos depósitos no Banco do Brasil S/A. Neste sentido, na esfera judicial, diante da desistência do Mandado de Segurança e da irregularidade dos depósitos, concluise pela não vigência de causa judicial suspensiva da exigibilidade do credito, possibilitando a cobrança imediata. Na esfera administrativa, há impugnação do contribuinte. 4. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo1 DRJ/SP1, no Despacho de págs. 422/423, determinou diligência para verificar a situação dos depósitos realizados pela litigante no Banco do Brasil; a litigante apresentou o extrato atualizado da conta judicial e manifestouse às págs. 433/435, no sentido de que 1. De acordo com os documentos acostados aos autos, a ora Requerente demonstrou ter efetuado os depósitos judiciais nas datas e valores corretos, porém no Banco do Brasil e não na Caixa Econômica Federal. Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10880.009231/200244 Acórdão n.º 1201002.109 S1C2T1 Fl. 4 3 2. Não obstante, a Requerente trouxe aos autos extrato da Caixa Econômica Federal em que consta a transferência em 27/10/2009 dos valores oriundos do Banco do Brasil. 5. E detalha os valores depositados no Banco do Brasil e a transferência dos valores corrigidos para a CEF em 27/10/2009. 6. A DRJ/SP1 no Acórdão nº 1636.713, de 15 de março de 2012, págs. 458/464, julgou o lançamento procedente em parte: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997 MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa de ofício vinculada deve ser exonerada, em conformidade com o artigo 106. II. "c" do CTN, uma vez que o lançamento de ofício previsto no artigo 90 da MP n° 2.158 35/2001 deixou de ser realizado, a partir da vigência do artigo 18 da Lei n° 10.833/2003. passando o débito declarado em DCTF a ser diretamente inscrito em dívida ativa, com a cobrança de multa moratória. 7. Cientificado em 08/05/2012, pág. 470, o contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo de págs. 471/477, em 06/06/2012, onde relata que efetuou depósitos vinculados ao MS impetrado e que estes foram transferidos para conta também vinculada ao mesmo processo judicial, na CEF, e que serão convertidos em renda, uma vez que a recorrente desistiu do processo judicial; que a decisão recorrida é contraditória porque, apesar de reconhecer os depósitos judiciais e afastar a multa de ofício, não reconheceu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; pugna pelo cancelamento do auto de infração e nulidade da decisão recorrida. Conclui requerendo que notificações e intimações sejam enviadas, sob pena de nulidade, aos seus advogados, que identifica. 8. Em 12/02/2014, págs. 490/500, a 3ª Turma, da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF emitiu a Resolução nº 1103000.133, para que o contribuinte provasse a conexão entre os depósitos e as dívidas objeto de parcelamento, e se os depósitos judiciais são suficientes à satisfação do crédito constituído. 9. Às págs. 502/654, documentos relativos à diligência, cujas conclusões constam do relatório de págs. 652/653, de que: – os depósitos realizados foram tempestivos e do montante integral, sendo portanto suficientes; e – o depósito judicial transferido para a Caixa Econômica Federal não foi aproveitado no parcelamento, levantado ou transformado em pagamento definitivo da União, sendo que continua à disposição do Juízo, tendo em vista atual discussão judicial acerca da destinação do depósito, conforme extrato emitido através do SIEF – documentos de arrecadação e consulta aos “sites” do Poder Judiciário. Como a Contribuinte realizou depósitos para o período compreendido neste processo, não há que se falar em parcelamento destes créditos tributários, uma vez que a Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10880.009231/200244 Acórdão n.º 1201002.109 S1C2T1 Fl. 5 4 transformação em pagamento definitivo da União extinguirá os CTs aqui controlados, de acordo com expressa disposição legal. 10. Cientificado em 01/07/2016, pág. 656, em 29/07/2016, tempestivamente, o contribuinte se manifestou conforme a seguir, págs. 661/666, no qual reitera os termos do recurso voluntário e pleiteia o cancelamento integral do auto de infração, na medida em que a exigência fiscal não se sustenta, em face do depósito no montante integral e ao parcelamento da exigência fiscal. 11. Aduz que os depósitos realizados equivocadamente no Banco do Brasil, foram transferidos para a CEF em 27/10/2009; transcreve trechos da diligência e conclui que: 7. Em breve resumo, na diligência concluiuse (a) a existência de depósitos judiciais relacionados ao débito exigido no presente processo administrativo, os quais foram tempestivos e em montante integral, se mostrando suficientes para satisfação da exigência fiscal, (b) que os depósitos foram transferidos do Banco do Brasil para a Caixa Econômica Federal, e (c) que o débito ora exigido foi parcelado nos termos da Lei nº 11.941/2009, inclusive com a desistência da aludida ação judicial, de modo que os depósitos judiciais aguardam a sua conversão em renda (fls. 652/653). 12. Requer o cancelamento dos autos e/ou que os juros de mora e multa no auto de infração sejam afastados, dado os depósitos tempestivos e em montante integral. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 13. Compete a esta relatora proferir o voto acerca do presente processo, conforme Despacho s/n da 1ª Seção de Julgamento do CARF de págs. 675/677. 14. A diligência esclareceu que os valores dos depósitos, já preenchiam as condições que eram: depósito na CEF e tempestivos e em valores integralmente correspondentes. 15. E confirmou que o débito constituído pelo auto de infração, que também era o do litígio judicial, foi objeto de Pedido de Parcelamento, Lei nº 11.941, de 2009, com desistência da ação judicial, porém, haja vista os depósitos, não foram aceitos para parcelamento, devendo os depósitos serem convertidos em renda, o que é objeto de: sendo que continua à disposição do Juízo, tendo em vista atual discussão judicial acerca da destinação do depósito, conforme extrato emitido através do SIEF – documentos de arrecadação e consulta aos “sites” do Poder Judiciário. 16. No que tange à multa de ofício, a DRJ/SP1, reduziua a multa de mora. 17. Contudo, a multa e os juros de mora são descabidos haja vista o depósito tempestivo em montante integral, conforme a legislação e a jurisprudência do CARF, citese: Tipo do Recurso: RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10880.009231/200244 Acórdão n.º 1201002.109 S1C2T1 Fl. 6 5 Data da Sessão: 17/10/2017 Nº Acórdão: 9303005.878 Ementa(s) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/10/1997, 31/12/1997, 31/07/1998, 30/09/1998, 30/11/1998, 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 31/12/1999 LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. DEPÓSITOS JUDICIAIS TEMPESTIVOS. IMPOSSIBILIDADE.Não incide multa de ofício e juros de mora sobre parcelas de valores depositados judicialmente tempestivos, mantémse a exigência (da multa de ofício e dos juros de mora nota da relatora) apenas sobre as parcelas correspondentes às diferenças não depositadas. 18. Do qual transcrevese alguns excertos do Voto: A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito unicamente a exoneração ou não da multa de oficio e dos juros de mora sobre os valores depositados judicialmente, bem como, a manutenção dessas parcelas em relação as diferenças não depositadas. (...) O depósito judicial do crédito tributário exigido, além da suspensão da sua exigibilidade, tem como objetivo, entre outros, eximir o sujeito passivo do pagamento de juros de mora e de penalidades, tais como multa de ofício. Neste sentido, a Lei nº 6.830, de 1980, dispõe o seguinte: “Art. 9º. Em garantia da execução, pelo valor da dívida, juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de Dívida Ativa, o executado poderá: (...). § 4º. Somente o depósito em dinheiro na forma do artigo 32, faz cessar a responsabilidade pela atualização monetária e juros de mora.” 19. E ainda o Acórdão a seguir: Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Data da Sessão 10/12/2015 Nº Acórdão 9303003.326 Tributo / Matéria Ementa(s) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10880.009231/200244 Acórdão n.º 1201002.109 S1C2T1 Fl. 7 6 Período de apuração: 31/07/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA DE OFÍCIO.No lançamento de ofício de crédito tributário, objeto de discussão judicial, dispensase a exigência dos juros de mora e da multa de ofício sobre os valores depositados, mantendose a exigência apenas sobre as parcelas correspondentes às diferenças não depositadas.Recurso Especial do Procurador Negado. 20. E excertos do voto: Demais disso, a finalidade do depósito, é, justamente, permitir ao sujeito passivo contestar determinado tributo sem se sujeitar a qualquer penalidade. Para tanto, basta fazer como o fez a autuada, deposite em juízo o montante do crédito devido e nenhuma punição advirá se, eventualmente, a decisão judicial for lhe desfavorável. Aliás, outro não é o entendimento da Receita Federal, pois o Parecer COSIT nº 2, de 05 de janeiro de 1999, diz textualmente não caber a inclusão de juros moratórios no lançamento de ofício destinado a prevenir a decadência de crédito tributário cuja exigibilidade se encontre suspensa por força de depósito prévio de seu montante integral. Com mais razão ainda, devese excluir a multa de ofício nos casos de o crédito tributário litigado encontrarse garantido por depósito judicial de seu montante integral. 21. À vista do exposto, cabe manter o auto de infração, que foi a forma como o débito foi constituído se a autuação fosse cancelada, o débito deixaria de existir, inviabilizando a conversão em renda da União dos depósitos. 22. E cabe cancelar as exigências de multa e juros de mora. 1 Conclusão. Voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 728DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.003770/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
Ementa:
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVAS OBTIDAS POR MEIO DECLARADO ILÍCITO PELO STJ. ÚNICAS PROVAS FISCAIS. PROCESSOS VINCULADOS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO
O trânsito em julgado da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que declarou ilícita a forma como foram obtidas as provas (quebra de sigilo bancário e busca e apreensão), nas quais baseou-se unicamente a autuação, torna nulo auto de infração e, por consequência, põe fim ao processo.
Numero da decisão: 1302-002.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade da autuação e, em consequência, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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PROCESSO VINCULADO. DECORRÊNCIA. PROC. 11020.003771/200983. IRPJ, CSLL. PIS/PASEP, COFINS Recorrente ARTEFATOS DE METAIS CONDOR LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVAS OBTIDAS POR MEIO DECLARADO ILÍCITO PELO STJ. ÚNICAS PROVAS FISCAIS. PROCESSOS VINCULADOS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO O trânsito em julgado da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que declarou ilícita a forma como foram obtidas as provas (quebra de sigilo bancário e busca e apreensão), nas quais baseouse unicamente a autuação, torna nulo auto de infração e, por consequência, põe fim ao processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade da autuação e, em consequência, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 37 70 /2 00 9- 39 Fl. 4468DF CARF MF Processo nº 11020.003770/200939 Acórdão n.º 1302002.624 S1C3T2 Fl. 3 2 Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1029.279 da 3ª Turma da DRJ de Porto Alegre, de 23/12/2010 que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2004 a 15/12/2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão proferida no processo decorrente deve seguir a mesma orientação decisória prolatada no processo principal. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas. DIREITO A CRÉDITOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito aos créditos do IPI depende da comprovação das aquisições de insumos produtivos, à vista dos respectivos documentos fiscais, e da consequente escrituração dos mesmos nos livros fiscais do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O recurso voluntário havia sido inicialmente distribuído para a 2ª Turma Ordinária, 4ª Câmara, 1ª Seção, por se tratar de autuação relativa a IPI. Todavia, converteuse o julgamento na Resolução nº 1402000.236, de 11/02/2014, por meio da qual, declinouse a competência para esta 2ª Turma Ordinária, 3ª Câmara, 1ª Seção, que já havia julgado o respectivo processo principal (Proc. 11020.003771/200983), relativo a IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS. À época da Resolução, o processo principal aguardava julgamento de embargos de declaração da contribuinte, o qual não foi acolhido, sob o entendimento de que não havia omissão no acórdão recorrido. A alegação de omissão referiase à decisão do STJ obtida em favor da recorrente, porém, proferida posteriormente ao acórdão nos autos do referido processo principal. O STJ não conheceu do Habeas Corpus impetrado pela recorrente, em substituição a Recurso Especial. Mesmo assim, concedeu, de ofício, em sede de Habeas Corpus, tutela por meio da qual concluiu que, na fase de fiscalização e investigação administrativas, antes de haver lançamento de crédito tributário, não caberia busca e apreensão de documentos e computador na sede da recorrente e na residência do sócio administrador. A Corte teria determinado a devolução dos documentos e computador apreendidos e a suspensão da quebra de sigilo bancário da recorrente. Fl. 4469DF CARF MF Processo nº 11020.003770/200939 Acórdão n.º 1302002.624 S1C3T2 Fl. 4 3 Os documentos e planilhas localizadas em computador mantidos na residência do sócio administrador, Sr. João César Presotto, foram confrontados pela fiscalização com as notas fiscais emitidas. Verificouse que, havia omissão de receitas, caracterizada pela falta de emissão de notas fiscais e notas emitidas em valor inferior à efetiva venda. Localizaramse planilhas contendo valores de venda, detalhados por mês e pelo nome dos vendedores, contendo, ainda, as respectivas comissões. Verificouse que tais vendas apresentavam valores inferiores nas respectivas notas fiscais, entre outras constatações que levaram à conclusão de que a recorrente omitiu receitas no período de 01/01/2004 a 15/12/2008. À vista do trânsito em julgado do acórdão proferido por esta Turma, nos autos do referido processo principal, a recorrente ingressou com Ação Declaratória, Proc. 001810781.2015.4.03.6100, perante a 6ª Vara Federal de Seção Judiciária de São Paulo SP, na qual proferiuse sentença, em 21/07/2016, cujas conclusões transcrevese a seguir: "Em que pese o entendimento pessoal desta Magistrada acerca da não aplicação do entendimento da Súmula Vinculante nº 24 do STF ao caso em tela, tendo em vista que (i) a instauração de procedimentos preliminares de investigação não implicam persecução penal; (ii) no caso de omissão de receitas, é antecedente lógico o acesso aos documentos que materializam a omissão; e (iii) o entendimento do STF visou somente coibir a persecução penal enquanto não finalizado o processo administrativo, e não o próprio acesso aos documentos que materializam o fato gerador, o fato é que a decisão proferida pelo STJ transitou em julgado, de forma que restou reconhecida a ilicitude das provas obtidas. Diferentemente do que afirma a União Federal, a decisão proferida nos autos do HC não contempla apenas os bens e documentos relativos ao paciente (Sr. João César Presotto), o que se depreende de sua própria leitura. Com efeito, a decisão proferida pelo STJ reconheceu a "ilicitude da prova obtida mediante a aludida cautelar" (fl. 239). Em momento algum o C. STJ limitou os efeitos da decisão apenas aos documentos e bens relativos ao paciente. Entendo, desta forma, que a ilicitude reconhecida abarca todas as provas provenientes da medida cautelar de busca e apreensão. No mais, levandose em consideração que o E. Superior Tribunal de Justiça igualmente determinou a devolução dos bens apreendidos, bem como o levantamento da quebra dos sigilos, verificase que não deixou margem para eventual ponderação sobre a possibilidade de utilização da prova, ainda que ilícita. Ademais, verificase que a autuação fiscal foi baseada, única e exclusivamente, em relatório de fiscalização realizada sobre documentos e bens que foram obtidos de forma ilícita, consoante decisão proferida pelo STJ. A autoridade fazendária não procedeu a nenhuma outra forma de investigação ou diligência para averiguação das infrações.Com efeito, no Relatório de Fiscalização (fls. 155/228), verificase nos itens I e II que se concluiu pela existência de subfaturamento da autora com base nos documentos apreendidos por meio da ordem judicial posteriormente declarada ilícita, notadamente planilhas de faturamento, relatórios de pagamento de comissões, relatórios de vendas por representante comercial, relatórios de comissões por representante comercial e manual do representante comercial, "onde está descrita e detalhada a forma de efetuar vendas sem a correspondente emissão de NF (fls. 157}. Assim, afigurase o vício de motivo no procedimento administrativo fiscal, na medida que os pressupostos de fato que fundamentam o ato administrativo federal advém de ato declarado ilícito, com a indevida concessão de medida de busca e apreensão e quebra de sigilo fiscal. Dessa forma, não obstante reste manifesto o subfaturamento perpetrado pela autora, em estrito cumprimento ao acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, tornase insustentável a manutenção do Auto de Infração lavrado pela Fl. 4470DF CARF MF Processo nº 11020.003770/200939 Acórdão n.º 1302002.624 S1C3T2 Fl. 5 4 autoridade fiscal. DISPOSITIVO Ante o exposto, nos termos do artigo 487, I do Código de Processo Civil, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para declarar a nulidade dos autos de infração decorrentes do processo administrativo nº 11020.003771/200983. Condeno a União Federal ao ressarcimento das custas processuais e ao pagamento de honorários advocatícios sobre o valor atualizado da causa, observadas as seguintes faixas: 10% sobre valores até 200 salários mínimos, 8% sobre valores entre 200 e 2.000 salários mínimos; e 5% sobre valores entre 2.000 e 20.000 salários mínimos, nos termos do artigo 85, 3S, I, II e III e 4°, III do CPC. Sentença sujeita ao duplo grau de jurisdição, a teor do artigo 496,1 do CPC.P.R.I.C." Conforme ressaltado ao final da parte dispositiva, acima transcrita, a decisão favorável à recorrente está sujeita a duplo grau de jurisdição. Em pesquisa no site da Seção Judiciária de São Paulo, registros abaixo transcritos, a decisão aguarda julgamento de Apelação da Fazenda Nacional: Proc. 001810781.2015.4.03.6100, Proc. 2015.61.00.0181072, Proc. Origem 001810781.2015.4.03.6100. Classe: 2223335 ApReeNec SP. Vara: 6ª São Paulo SP. Data de autuação: 22/02/2017. Partes: Apelante Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL). Apelado(A): ARTEFATOS DE METAIS CONDOR LTDA. Relator: DES.FED. NELTON DOS SANTOS. Assuntos: Descrição. Assunto IRPJ/Imposto de Renda de Pessoa Jurídica Impostos Direito Tributário. Cofins Contribuição Social Contribuições Direito Tributário. PIS Contribuição Social Contribuições Direito Tributário. Anulação de Débito Fiscal Crédito Tributário Direito Tributário. Decadência Extinção do Crédito Tributário Crédito Tributário Direito Tributário. Órgão julgador: TERCEIRA TURMA. Localização: GAB.DES.FED. NELTON DOS SANTOS (62) (pesquisa realizada em, 14/02/2017, 13:39h.): A recorrente, juntou a estes autos (Proc. 11020.003770/200939 IPI) decorrentes do referido processo principal (Proc. 11020.003771/200983 IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS) petição de 05/07/2017, na qual indica como fatos supervenientes, as referidas decisões do STJ e da 1ª instância da Seção Judiciária de São Paulo. Alega que, nesse caso, devese considerar tais decisões, não somente no referido processo principal, mas também neste processo decorrente. Anteriormente, a recorrente havia requerido a juntada de petição e documentos, como aditamento ao Recurso Voluntário, por meio dos quais noticiou a referida decisão do STJ (fls. 4.327/4.349). O Auto de Infração de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), (fls. 17/23); foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul RS, em 02/12/2009, com ciência em 04/12/2009 (fl. 3968). Exigiuse o recolhimento do crédito Fl. 4471DF CARF MF Processo nº 11020.003770/200939 Acórdão n.º 1302002.624 S1C3T2 Fl. 6 5 tributário no valor total de R$ 8.961.558,96, a título de imposto, acrescido de multa lançamento de ofício qualificada 150% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto referente aos exercícios de 2005 a 2009, correspondente aos anos calendário de 2004 a 2008, respectivamente. A fiscalização verificou que houve saída do estabelecimento da recorrente, sem emissão de nota fiscal de venda. Assim, considerou que houve falta de lançamento de imposto caracterizada pela saída do estabelecimento de produtos sem emissão de nota fiscal e/ou pela emissão de notas fiscais em valores inferiores aos reais valores dos produtos constantes das notas fiscais emitidas, apurada por meio de confronto entre as receitas por vendas com nota fiscal declaradas no LRAIPI e os valores constantes das planilhas apreendidas que contêm o faturamento efetivo do contribuinte, conforme consta do relatório de fiscalização em anexo, parte integrante do auto de infração em questão. Infração capitulada nos arts. 24, inciso II, 25, inciso II, 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea '"b" e inciso II, alínea "c", 127, 130, 131, inciso II, 199, 200, inciso IV, 202, inciso III, do Decreto n° 4.544/02 (RIPI/02). O Relatório de Fiscalização IPI (fls. 26/85), destacou os seguintes fatos e fundamentos: o presente trabalho teve por origem o cumprimento, em 09/12/2008, de Mandados de Busca e Apreensão Judicial (MBA's) realizados na sede do contribuinte acima identificado e na residência do titular da empresa, Sr. João César Presotto, conforme cópia dos mandados e termos lavrados em anexo (fls. 86 a 87 e 97 a 98). Ressaltase que no mesmo prédio onde funciona o estabelecimento do contribuinte Artefatos de Metais Condor Ltda., opera a empresa Ícaro Artefatos de Metais Ltda. e na qual também foi cumprido MBA na mesma data; o ramo de atividade do contribuinte sob fiscalização é a fabricação e venda de jóias e semijóias. Nos períodos sob fiscalização, anos de 2004 a 2008, o contribuinte fez a opção de tributação do IRPJ pelo Lucro Presumido (cópia das DIPJ's às fls. 498 a 651). O sócio majoritário da empresa é o Sr. João César Presotto, que é também o seu único administrador (cópia do contrato social e alterações às fls. 170 a 196); o relatório tratou do lançamento de oficio do IPI incidente sobre as vendas omitidas por falta de emissão de notas fiscais. O lançamento relativo ao IRPJ e reflexos PIS, COFINS e CSLL sobre estas mesmas receitas omitidas foi tratado em outro relatório, conforme processo administrativo protocolado sob n° 11020.003771/200983; os documentos foram apreendidos no cumprimento dos MBA's judiciais, assim como cópia de arquivos digitais encontrados em computadores localizados na sede da empresa (fls. 99 a 135) e na residência do sócio João César Presotto (fls. 88 a 89). Todo o material apreendido foi colocado em caixas de papelão, lacradas nos locais de cumprimento dos mandados, na presença do representante do contribuinte, Sra. Lisiane Führ, ocupante do cargo de gerente comercial. O titular da empresa, Sr. João César Presotto, conforme informação prestada na ocasião, não se encontrava na cidade naquele dia (fls. 86 verso); tal solicitação de busca e apreensão foi acatada pelo Judiciário, e de posse dos respectivos alvarás judiciais, a Fiscalização requisitou junto às instituições financeiras (fls. 446 a 476) o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária das pessoas físicas e jurídicas relacionadas no expediente dirigido ao Ministério Público; Fl. 4472DF CARF MF Processo nº 11020.003770/200939 Acórdão n.º 1302002.624 S1C3T2 Fl. 7 6 o subfaturamento praticado pela Condor caracteriza da omissão de receitas. Sendo assim, confrontandose os valores do faturamento constante das planilhas apreendidas com os valores declarados pelo contribuinte em DIPJ e escriturados em sua contabilidade, verificase de plano que a receita efetiva da Condor é muito superior à declarada à RFB, correspondendo aproximadamente ao dobro dos valores declarados e oferecidos a tributação; entre os demais documentos examinados, destacamos os seguintes por também conterem elementos e indícios que comprovam a existência e a prática do esquema de subfaturamento detalhado no documento apreendido denominado "Manual do Representante Comercial" (DOCS. 4, fls. 3375 a 3446) e que servem para corroborar os valores do faturamento total constantes das planilhas apreendidas. Todos os documentos listados foram selecionados a partir do rol de documentos apreendidos, exceto os extratos bancários que foram requisitados pela Fiscalização junto às instituições financeiras a partir da concessão de autorização judicial; documentos relativos a apuração e pagamento de comissões foram apreendidos, em diversas pastas do tipo "AZ", contendo documentos que demonstram o valor das comissões pagas. Esta documentação, conforme amostras selecionadas (fls. 794 a 1231), é relativa aos anos de 2006, 2007 e 2008; concluiu, amparado na farta documentação apreendida relativa a apuração e pagamento de comissões, que não restam dúvidas da prática da venda de produtos sem' emissão de notas fiscais, e o pagamento de comissões nos valores constantes das planilhas "comparativo mensal de comissões recebidas por representante" (fls. 1.233/1.240), restando, desta forma, convalidados os valores do faturamento total constantes das diversas planilhas apreendidas, especificamente àquelas que demonstram o faturamento total por período mensal/anual do contribuinte (fls. 743 a 778); os documentos que comprovam a emissão de NF com valores inferiores aos reais valores dos produtos constantes da NF (controles; notas fiscais; relatórios que contem o n° das NF e os valores das vendas sem notas fiscais; cópias de correspondências que tratam de vendas com documentação "50%"; relatórios de "vendas com ou sem NF"; relatório de "vendas com NF/controles" etc.); o primeiro destes documentos (fls. 3319), no valor de R$ 392,55, referese a uma venda para o cliente Mary Comercio Varejista de Bij. Ltda., e corresponde ao valor da NF 80484 (fls. 3320. a 3321), no valor de R$ 106,71, mais a parte sem NF (3x o valor dos produtos R$ 285,84. O n° de controle 011691, informado 'neste documento "comunicação interna" ao lado do n° da NE, corresponde ao documento "controle" emitido pela Condor na mesma data. da emissão da NF 80484 19/10/2007, e que serve de base para a cobrança do valor correspondente a venda que não está lançado na NF. Já o segundo documento "comunicação interna" apreendido (fls. 3322) traz o valor correspondente apenas ao controle 12902 (valor não constante da NF emitida), ou seja, 3x o valor dos produtos constantes da NF 82193 (fls. 3323 a 3327), de R$ 927,99, totalizando R$ 2.783,97. O n° da NF 82193 está manuscrito no documento "comunicação interna", e foi emitida em 26/02/2008 para o cliente Tainice de Souza Seubal; controles de ordens de pagamento, dentre os documentos apreendidos existem planilhas denominadas "Controles de ordens de pagamento" (DOCS. 03 fls. 3329 a 3353) onde constam relacionados recebimentos de clientes da Condor relativos a vendas sem cobertura de NF e que são direcionados para credores da Condor, que muitas Vezes são os próprios representantes comerciais da Condor que tem comissões a receber. Foram anexadas cópias de algumas NFs (subfaturadas ex Fl. 4473DF CARF MF Processo nº 11020.003770/200939 Acórdão n.º 1302002.624 S1C3T2 Fl. 8 7 fls.3331 a 3332, 3335, 3338, 3342, 3346 a 3347, 3351 a 3353) cujo recebimento, pelos "fornecedores" representantes comerciais, dos respectivos valores "cheios" (ex fls. 3329 e 3330, 3333 e 3334, 3336 e 3337, 3339 e 3340/3341, 3343, 3344, 3345, 3349/3350) decorrentes destas vendas comprovam as vendas sem cobertura de NF; "que em outro tipo desses controles identificados como "controle de ordens de pagamento — ordens de pagamento direcionadas fornecedores Condor" — (doc 03 — fls. 3367 a 3369) aparece na coluna" "fornecedor" o nome de Izabel Perondi, que é um dos funcionários da Condor, que mantém conta corrente para a qual foram, encontrados cheques assinados em branco no cofre da Condor. Examinandose os extratos da conta corrente 613, mantida no Bradesco, Ag. 29541, em nome de Izabel Zamban Perondi, CPF 679.862.00006 (fls. 3370 a 3373 verso), localizamse diversos créditos nos valores e datas listados no controle acima citado, oriundos de pagamento de clientes da Condor, os quais estão assinalados nos controles e nos extratos. Isto efetivamente também serve para comprovar a vinculação dessas contas correntes com as atividades comerciais da Condor; o manual do representante comercial durante o cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão Judicial foi apreendido, na residência do sócioadministrador da Condor, Sr. João César Presotto, um documento encadernado identificado como "Manual do Representante Comercial" (DOCS. 04, fls. 337'5 a 346), qual também traz na capa o logotipo e o nome "Jóias Condor" e a inscrição "outubro de 2006"; outros documentos que escancaram na prática o procedimento descrito no manual são os relatórios "Relatório de Comissões — Condor — Reais" (DOCS. 1.1 fls. 794 a 1230) e "Posição dos títulos a receber — Vendedor:" (DOCS. 2.1, fls. 1556 a 1795) onde aparecem os valores das vendas por n° de nota fiscal e cliente, separados em valores lançados na NF e valores relativos aos controles que correspondem aos valores dos produtos vendidos não lançados nas NF; dos valores das comissões e vendas contabilizadas, e os valores contabilizados pela Condor na conta comissões sobre vendas correspondem aos valores constantes dos documentos apreendidos (i) "Demonstrativos Resumo de Comissões" (doc. 1.1), e (ii) "Artefatos de Metais Condor Ltda. Comissões Referente Janeiro de 2007" (DOCS. 1.4 e 1.5), conforme demonstram as cópias do livro razão (fls. 1446 a 1490); concluiu pela falta de reconhecimento na contabilidade do contribuinte dos valores decorrentes das vendas que não foram lançados nas NF e amplamente comprovados pelos documentos e controles paralelos citados e analisados neste relatório; entendeu que está comprovado que a Condor pratica o subfaturamento de grande parte de suas vendas, deixando de lançar nas notas fiscais emitidas grande parte dos valores dos produtos vendidos, e que o faturamento real é o que consta das planilhas apreendidas, constantes das fls. 743 e 744, vinculados aos dados das demais planilhas (fls. 745 a 778, e que os valores das receitas de vendas declarados pelo contribuinte no Livro Registro de Saídas, nas quais houve destaque de IPI, e levados ao LRAIPI para apuração do IPI devido, são muito inferiores ao faturamento efetivo, apurouse, os valores mensais das receitas omitidas, tomando por base os valores de receitas declaradas pelo contribuinte na DIPJ referente ao ano de 2004 e nos DACON's a partir de 2005 e os valores de faturamento constantes das planilhas apreendidas; se verifica pelos livros de apuração do IPI LRAIPI escriturados pelo contribuinte (fls. 3741 a 3958) que apresentou saldos devedores na escrita do Fl. 4474DF CARF MF Processo nº 11020.003770/200939 Acórdão n.º 1302002.624 S1C3T2 Fl. 9 8 LRAIPI em todo o período sob fiscalização — janeiro de 2004 a novembro de 2008. Desta forma, não foi feita a reconstituição da escrita do LRAIPI por desnecessária, visto não haver saldos credores observados no período a serem compensados, sendo desta forma exigíveis em sua integralidade todos os débitos de IPI apurados mediante aplicação das alíquotas (20% e 12%, conforme o período de ocorrência dos fatos geradores) sobre as receitas omitidas apuradas; no que diz respeito a multa de ofício aplicada, é de se dizer que conforme já exaustivamente demonstrado neste relatório, o contribuinte, nos anos de 2004 a 2008, omitiu receitas mediante a prática de vender grande parte de seus produtos sem cobertura de nota fiscal, fazendo incidir o IPI sobre parcela reduzida de suas receitas; dessa forma, conforme previsto no artigo 44, inciso II, da Lei 9.430/96, e, para os fatos geradores ocorridos a partir de 15/06/2007, de acordo com a redação dada pela Lei 11.488, de 15 de junho de 2007, no artigo 44, inciso I, § 1° da Lei 9.430/96, aplicase aos presentes lançamentos de oficio a multa qualificada de 150%; que do crédito tributário apurado, neste sentido, em decorrência da auditoria realizada foi apurado um crédito tributário no valor consolidado de R$ 8.961.558,96 (oito milhões, novecentos e sessenta e um mil, quinhentos e cinqüenta e oito reais e noventa e seis centavos), correspondente ao auto de infração de IPI lavrado (fls. 17 a 23), conforme processo administrativo protocolado de n° 11020.003770/200939, cujos valores, separados por tributo, relativos a principal, multa e juros estão demonstrados no demonstrativo consolidado de fls.01. A recorrente foi intimada do Acórdão da DRJ, em 19/01/2011 (fls. 4.200). Interpôs Recurso Voluntário, em 17/02/2011. A recorrente está devidamente representada, conforme procuração outorgada aos seus advogados, às fls. 4.247/4.250. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes razões para a reforma do acórdão recorrido: alegou decadência, tanto com base no art. 150, § 4°, como no 173, inc. I, ambos do CTN e ressaltou que não havia a possibilidade de o Fisco constituir créditos tributários em relação a fatos geradores ocorridos antes de 31 de dezembro de 2004; requereu, portanto, a exclusão dos valores relativos ao ano de 2004, alegando que teria sido intimada do Auto de Infração em 2010; alegou que a decadência é questão de ordem pública e que deve ser acolhida pelo julgador; no que diz respeito à nulidade do procedimento fiscal e a impossibilidade do arbitramento ou presunção em matéria tributária e também a regularidade da escrita fiscal e contábil da contribuinte e inexistência de subfaturamento, é de se dizer que o Agente Administrativo Fiscal somente tem prerrogativa de utilizar o Arbitramento ou a Presunção, como técnica de tributação, quando, no seu entender (poder discricionário), for descaracterizada a escrita fiscal e contabilidade de determinado contribuinte; não há comprovação do alegado subfaturamento. É dever da administração, comprovar as alegações. Neste sentido, a presunção por si só não possui espaço, tampouco irradia efeitos, na esfera das relações tributárias. Por essa lógica e premissa, a obrigação tributária apenas se sustenta se comprovada de forma cabal a ocorrência do correspondente fato gerador; alega a imprestabilidade dos documentos apreendidos para comprovação da suposta prática de subfaturamento; Fl. 4475DF CARF MF Processo nº 11020.003770/200939 Acórdão n.º 1302002.624 S1C3T2 Fl. 10 9 não dispõe de outra maneira de provar o seu direito, a não ser mediante a prova pericial requerida; alega que tem direito de provar seus créditos de IPI relativos a aquisições de matériasprima, produto intermediário e material de embalagem empregado na industrialização, inclusive de produtos isento ou tributado a alíquota zero. requer a nulidade do procedimento de arbitramento das receitas supostamente omitidas do irreal e absurdo valor arbitrado pela fiscalização; os apontados "laranjas" pela Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul jamais atingiram movimentação financeira suficiente a embasar o valor atribuído como base de cálculo arbitrada levada a tributação; que o IPI, no arbitramento de valores sem o devido desconto de créditos na compra de insumos é desrespeito ao princípio constitucional da nãocumulatividade; requer a realização de perícia contábil para o fim de apurar os créditos a que faz jus; alega a inaplicabilidade da multa qualificada (150%) e ausência de comprovação válida de conduta dolosa pela recorrente; a inaplicabilidade da taxa SELIC aos supostos débitos como juros de mora e também a limitação dos juros de mora dada pelo Código Tributário Nacional; É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Conheço do Recurso Voluntário por atender aos requisitos de admissibilidade. Previamente ao exame das preliminares e das matérias de mérito, há questão específica a ser analisada, relativamente à Ação Declaratória (Proc. 0018107 81.2015.4.03.6100, 6ª Vara Federal, Seção Judiciária São Paulo), pendente de julgamento em segunda instância, movida pela Recorrente com o objetivo de anular o Auto de Infração referente ao IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS, do qual decorre o Auto de Infração em questão, sobre IPI. Conforme relatado, a sentença de primeira instância proferida nos autos dessa Ação Declaratória, à vista da decisão transitada em julgado do STJ, que concluiu pela impossibilidade (ilicitude) de busca e apreensão criminal, na de fiscalização ou investigação administrativa, sem lançamento de crédito tributário, julgou procedente o pedido de nulidade do processo administrativo e anulou o respectivo Auto de Infração. A recorrente juntou aos autos as decisões do STJ e da Seção Judiciária de São Paulo, sob o argumento de que, tratamse de fatos supervenientes ao Recurso Voluntário. Assim, requereu que tais julgados também fossem considerados na análise do seu pedido de anulação do Auto de Infração IPI. Fl. 4476DF CARF MF Processo nº 11020.003770/200939 Acórdão n.º 1302002.624 S1C3T2 Fl. 11 10 A decisão do STJ registrou a seguinte ementa: PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL. DESCABIMENTO. RECENTE ORIENTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL E DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. IMPETRAÇÃO ANTERIOR À ALTERAÇÃO DO ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL. ANÁLISE DO ALEGADO CONSTRANGIMENTO ILEGAL. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. MEDIDA CAUTELAR DE BUSCA E APREENSÃO DEFERIDA E EXECUTADA EM PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO ANTES DA CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DEFLAGRAÇÃO DA PERSECUÇÃO PENAL. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. ILEGALMENTE. CONSTRANGIMENTO ILEGAL CARACTERIZADO. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO. 1. Buscando dar efetividade às normas previstas no artigo 102, inciso II, alínea "a" , da Constituição Federal, e aos artigos 30 a 32, ambos da Lei n° 8.038/90, a mais recente jurisprudência do Supremo Tribunal Federal passou a não mais admitir o manejo do habeas corpus em substituição a recursos ordinários (apelação, agravo em execução, recurso especial), tampouco como sucedâneo de revisão criminal. 2. O Superior Tribunal de Justiça, alinhandose à nova jurisprudência da Colenda Corte, passou também a restringir as hipóteses de cabimento do habeas corpus, não admitindo que o remédio constitucional seja utilizado em substituição do recurso cabível. 3. No caso de o remédio constitucional ter sido impetrado antes da alteração do referido entendimento jurisprudencial, a fim de evitar prejuízos à ampla defesa e ao devido processo legal, o alegado constrangimento ilegal deverá ser enfrentado, para que se examine a possibilidade de eventual concessão de habeas corpus de ofício. 4. A jurisprudência desta Corte e do STF tem orientação firme no sentido da necessidade da constituição do crédito tributário, para que se possa instaurar persecução penal pela prática de crimes contra a ordem tributária, previstos no art. 1°, incisos I e II, da Lei n. 8.137/1990, configurando aquela uma condição objetiva de punibilidade. 5. Não existindo o lançamento definitivo do crédito tributário, revelase ilegal a concessão de medida de busca e apreensão e de quebra de sigilo fiscal, em procedimento investigatório, visando apurar os crimes em apreço. 6. Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida de ofício, para reconhecer a ilicitude da prova obtida mediante a aludida cautelar, bem como determinar a devolução dos objetos Fl. 4477DF CARF MF Processo nº 11020.003770/200939 Acórdão n.º 1302002.624 S1C3T2 Fl. 12 11 apreendidos na empresa e na residência do ora paciente e levantar a quebra do sigilo bancário, que restou igualmente deferido. Por sua vez, o juízo da 6ª Vara Federal, Seção Judiciária São Paulo, na referida sentença nos autos da referida Ação Declaratória (Proc. 001810781.2015.4.03.6100), concluiu que, se o STJ firmou o entendimento de que houve ilicitude na busca e apreensão criminal das provas por meio das quais a fiscalização lavrou os autos de infração relativos ao IRPJ, CSLL, PIS/PASEP, CONFINS (Proc. 11020.003771/200983) e IPI (Proc. 11020.003770/200939), não haveria outra medida, se não a de julgar procedente a Ação Declaratória para anular o respectivo Auto de Infração. Apesar dessa conclusão, a Magistrada registrou seu entendimento pessoal de que, não via ilicitude na referida busca e apreensão, tendo em vista que, a medida cautelar intentada pela fiscalização visava a comprovação de infrações tributária e não a persecução penal. Observase, portanto, que o STJ, ao determinar o afastamento das provas obtidas por meio de busca e apreensão e a suspensão da quebra de sigilo bancário, frustrou todo o trabalho realizado pela fiscalização. Tornou impossível a evidenciação do subfaturamento. Pois, a documentação e informações apresentadas pela recorrente, por óbvio, não revelam a prática de infrações tributárias. Assim, verificase que a referida decisão do STJ pôs fim a este processo, considerandose que, a autuação baseouse exclusivamente nas referidas provas, obtidas por meio de busca e apreensão e quebra de sigilo bancário, determinadas por liminar concedida na referida ação cautelar. Por não haver as provas, não há como se manter os respectivos autos de infração. Nesse sentido, voto por acolher a preliminar de nulidade e assim dar provimento ao recurso voluntário, por considerar nula a atuação, em virtude das conclusões quanto à ilicitude das provas. Rogério Aparecido Gil Relator Fl. 4478DF CARF MF
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