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Numero do processo: 13831.720024/2011-17
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
NÃO PRONUNCIAMENTO SOBRE QUESTÕES POSTAS NA IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
O julgamento de assunto em segunda instância de julgamento administrativo, sem que a autoridade de primeiro grau tenha se pronunciado a respeito, importa em preterição do direito de defesa, capaz de ocasionar a nulidade do acórdão recorrido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2802-002.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para declarar a nulidade da decisão de primeira instância, por ter sido proferida com preterição do direito de defesa, determinando o retorno dos autos à DRJ/SP1 para que esta, em novo julgamento, examine integralmente a matéria contestada nos presentes autos, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Júnior e Carlos André Ribas de Mello. Ausente momentaneamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 NÃO PRONUNCIAMENTO SOBRE QUESTÕES POSTAS NA IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. O julgamento de assunto em segunda instância de julgamento administrativo, sem que a autoridade de primeiro grau tenha se pronunciado a respeito, importa em preterição do direito de defesa, capaz de ocasionar a nulidade do acórdão recorrido. Recurso Voluntário Provido em Parte
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. O julgamento de assunto em segunda instância de julgamento administrativo, sem que a autoridade de primeiro grau tenha se pronunciado a respeito, importa em preterição do direito de defesa, capaz de ocasionar a nulidade do acórdão recorrido. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para declarar a nulidade da decisão de primeira instância, por ter sido proferida com preterição do direito de defesa, determinando o retorno dos autos à DRJ/SP1 para que esta, em novo julgamento, examine integralmente a matéria contestada nos presentes autos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 1. 72 00 24 /2 01 1- 17 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Júnior e Carlos André Ribas de Mello. Ausente momentaneamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, fls. 11, em virtude da constatação das seguintes infrações, apuradas na Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício financeiro de 2008, anocalendário de 2007: a) a omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à Previdência Privada, PGBL e FAPI, relativos à fonte pagadora Brasilprev Seguros e Previdência S/A (Ativa), CNPJ n° 27.665.207/000131, no valor de R$ 800,00, e; b) omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ 14.396,67. Impugnado tal lançamento pelo contribuinte às fls. 02 a 07, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou a impugnação improcedente, fls. 98 a 103, nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI. Considerase não impugnada e definitivamente consolidada na esfera administrativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Impugnação Improcedente” Cientificado em 13/06/2012, fls. 109, a interessada ingressou recurso voluntário em 05/07/2012, fls. 115 a 121, alegando, em síntese, que a decisão recorrida não apreciou as causas de pedir a seguir relacionadas:“a ilegitimidade da cobrança do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria paga pelo antigo Banespa, atual Banco Santander S.A., em face da multa imposta ao banco para recolher o imposto de renda sobre os valores provisionados para o pagamento das complementações devidas aos jubilados. bpela lei 7.713/88 e o art. 6º, VII, b, não havia previsão de incidência do imposto sobre os rendimentos e ganhos de capital correspondentes às contribuições dos participantes do fundo de pensão”. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13831.720024/201117 Acórdão n.º 2802002.818 S2TE02 Fl. 132 3 Quanto ao mérito, aduz que teria feito acordo com o Banco Santander, nos termos do contrato de cessão de direitos, fls. 82 a 84, mediante o qual ficou acordado que, da ação trabalhista ajuizada contra o INSS para fins de reajustamento dos benefícios de aposentadoria, relativos aos últimos cinco anos, a ela caberia somente 40% do valor da diferença recebida. Consta das fls. 08, cópia do Termo de Quitação, datado de 21/04/2007, firmado pelo Bando do Estado de São Paulo SA (Santander Banespa), no qual prevê, textualmente, que “A presente quitação se refere apenas aos valores recebidos até dezembro de 2004, na ação nº 2003.61.83.0130630, que tramitou perante o JCF SÃO PAULO/SP, cujos valores recuperados somam 31.989,44 (trinta e um mil novecentos e oitenta e nove reais e quarenta e quatro centavos), (...)”. O processo foi incluído na pauta da sessão realizada em 16 de julho de 2013, tendo esse Colegiado proferido a Resolução nº 2802000.164, que, por unanimidade de votos, sobrestou o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, fls. 128 a 130. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi novamente distribuído a este Conselheiro em 23/11/2013. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Conforme relatado, nos termos da Resolução nº 2802000.164, proferida por esse Colegiado, fls. 128 a 130, verificouse, de plano, que da Notificação de Lançamento consta a exigência de crédito tributário decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial. Quanto a essa matéria, o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral, cujo mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, com expressa decisão de sobrestar os demais julgamentos. Até a vigência do § 1º do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, havia previsão para que os julgamentos dos recursos interpostos no âmbito dos processos administrativos fiscais fossem sobrestados sempre que o e. STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria. Com a revogação de tal regra regimental pela Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, e diante do fato de os RE nº 614232 e 614406 que ainda se encontrarem pendentes de julgamento pelo STF, cabe a esse Colegiado examinar a matéria à luz da legislação tributária vigente. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Antes disso, cumprese apreciar, primeiramente, a questão suscitada na peça recursal relacionada ao fato de que supostamente a autoridade julgadora a quo não teria se pronunciado sobre questões postas na impugnação, o que caracterizaria a nulidade da decisão recorrida. A respeito do assunto, cabe salientar que, conforme jurisprudência pacífica do STJ, o julgador não é obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pelo recorrente, desde que sua decisão esteja devidamente fundamentada. Todavia, no presente caso, verificase que o contribuinte alegou na sua impugnação que o art. 6°, VII, b, Lei n° 7.713, de 1988, estabelecia a não incidência do imposto sobre rendimentos e ganhos de capital correspondentes às contribuições dos participantes do fundo de pensão. Citou, inclusive a jurisprudência expressa em razão do REsp 1065797/PR, 2a Turma, STJ, Dje 01/10/2008. Assim expressa o citado art. 6°, VII, b, Lei n° 7.713, de 1988, em sua redação original: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: ......................................................................................................... VII os benefícios recebidos de entidades de previdência privada: a) quando em decorrência de morte ou invalidez permanente do participante; b) relativamente ao valor correspondente às contribuições cujo ônus tenha sido do participante, desde que os rendimentos e ganhos de capital produzidos pelo patrimônio da entidade tenham sido tributados na fonte;” Com o advento da Lei nº 9.250, de 1995, referido comando legal passou a ter a seguinte redação: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: ......................................................................................................... VII os seguros recebidos de entidades de previdência privada decorrentes de morte ou invalidez permanente do participante. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Verificase, pois, que o assunto abordado na impugnação possui relação com a matéria descrita pela Notificação de Lançamento como omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à Previdência Privada, PGBL e FAPI, relativos à fonte pagadora Brasilprev Seguros e Previdência S/A (Ativa), CNPJ n° 27.665.207/000131, no valor de R$ 800,00. A decisão recorrida, contudo, considerou que a contribuinte não havia contestado tal lançamento. Em razão disso, entendeu que essa matéria se encontrava definitivamente consolidada na esfera administrativa. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13831.720024/201117 Acórdão n.º 2802002.818 S2TE02 Fl. 133 5 O julgamento desse assunto nessa segunda esfera de julgamento administrativo, sem que a autoridade de primeiro grau tenha se pronunciado a respeito, importa em supressão de instância, fato que obriga a declaração de nulidade do Acórdão nº 1639.633, proferido pela DRJ/SP1, consoante disposição expressa no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Em face do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade da decisão de primeira instância, por ter sido proferida com preterição do direito de defesa, determinando o retorno dos autos à DRJ/SP1 para que esta, em novo julgamento, examine integralmente a matéria contestada nos presentes autos. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 135DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10970.000936/2010-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras.
As receitas oriundas de todas as operações bancárias (receitas operacionais), em sentido lato, incluídas as receitas advindas da cobrança de taxas/tarifas (serviços bancários) e das operações de intermediação financeiras, compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre essas receitas, pois são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Fizeram sustençao, pela recorrente, o advogado Gustavo Lann, OAB/MG nº 87.168, e, pela Fazenda Nacional, o Procurador da Fazenda Nacional Paulo Riscado Junior.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas de todas as operações bancárias (receitas operacionais), em sentido lato, incluídas as receitas advindas da cobrança de taxas/tarifas (serviços bancários) e das operações de intermediação financeiras, compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre essas receitas, pois são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Recurso Voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2338; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 1.103 1 1.102 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10970.000936/201005 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.129 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2014 Matéria PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. Recorrente BANCO TRIÂNGULO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas de todas as operações bancárias (receitas operacionais), em sentido lato, incluídas as receitas advindas da cobrança de taxas/tarifas (serviços bancários) e das operações de intermediação financeiras, compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre essas receitas, pois são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Fizeram sustençao, pela recorrente, o advogado Gustavo Lann, OAB/MG nº 87.168, e, pela Fazenda Nacional, o Procurador da Fazenda Nacional Paulo Riscado Junior. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 09 36 /2 01 0- 05 Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 14/04/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 3202001.129 S3C2T2 Fl. 1.104 2 Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício veiculado através de auto de infração (efls. 2/ss), lavrado em 09/10/2010, para a cobrança do PIS, multa de ofício e juros de mora, no montante de R$ 8.834.754,06, em relação às receitas decorrentes da atividade de intermediação financeira da instituição bancária Com vistas a melhor elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa (e fls. 723/ss), verbis: Relatório: Contra o interessado foi lavrado auto de infração de PIS/Pasep no valor total de R$ 8.834.754,06 (fls. 74/91), em função da não inclusão na base de cálculo da contribuição das receitas decorrentes da atividade de intermediação financeiras, conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 02/73: A empresa apresenta impugnação às fls. 205/229 na qual alega, em síntese, que: a) "o Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, foi totalmente procedente ao Impugnante, nos estritos termos do seu pedido mandamental"; b) "a fiscalização desconsidera totalmente a decisão transitada em julgado favorável ao Impugnante e pretende estender o conceito de faturamento determinado pelo STF como sendo o estrito de receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, sendo essas as receitas entendidas como oriundas do exercício das atividades empresariais, para abarcar receitas estranhas a esse conceito, como a receita financeira"; c) "o acórdão do STF transitado em julgado a favor do Impugnante nos autos do MS n° 2000.38.03.000.7782 não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, mas também determinou o conceito de faturamento que deveria ser utilizado para incidência do PIS"; d) "a receita de prestação de serviços que configura o 'faturamento' das instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de 'faturamento' determinado pelo Supremo Tribunal Federal"; e) "a distinção entre 'serviços bancários' e 'operações bancárias', já foi discutida pelo próprio Supremo Tribunal Federal na ADIN n° 2591, que discutiu a aplicação do Código de Defesa do Consumidor para as instituições financeiras. Segundo o Informativo do STF, obtido no site do Tribunal, a discussão em torno da distinção entre 'serviços' e 'operações' bancárias, se deu nos seguintes termos: 'diferenciando as operações bancárias dos serviços bancários, concluiu que, no caso destes serviços prestados pelos bancos a clientes e usuários que não configuram relações Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 14/04/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 3202001.129 S3C2T2 Fl. 1.105 3 financeiras relativas a investimentos e depósitos e pelos quais as instituições financeiras são remuneradas —, haverseá de aplicar o CDC" f) "nesse contexto, não restam dúvidas que os serviços bancários, remunerados via taxas e tarifas, são tributados pelo ISS e compõem o 'faturamento' das instituições financeiras, enquanto as receitas financeiras decorrentes de operações bancárias (empréstimos, financiamentos etc.) estão fora do conceito de 'faturamento', que é a base de cálculo do PIS"; E o breve relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora proferiu o Acórdão nº 0935062 de 18 de maio de 2011 (efolhas 366/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008,2009 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo do PIS/Pasep para as instituições financeiras e assemelhadas é o faturamento, entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada cientificada do Acórdão em 30/05/2011 (efolha 375), interpôs Recurso Voluntário em 24/06/2011 (efolhas 376/ss), onde repisa os mesmos argumentos trazidos em sua impugnação, acrescentando apenas comentários e ponderações sobre o voto vencedor da decisão de primeira instância. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, relator. Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O objeto da controvérsia administrativa e a decisão judicial A discussão, ao fim e ao cabo, referese ao entendimento sobre o que vem a ser “receita” decorrente de serviços para as instituições do mercado financeiro. A Recorrente impetrou Mandado de Segurança com pedido de liminar, em Fevereiro/2000 na 1ª Vara da Subseção Judiciária de Uberlândia/MG, postulando o direito de recolher a contribuição ao PIS, a partir de 01/01/2000 à alíquota de 0,65% sobre o efetivo faturamento da Impetrante (artigo 195, I da Constituição tal como redigido à época da promulgação da Lei n° 9.718/98), que engloba a receita decorrente de prestação de serviços a Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 14/04/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 3202001.129 S3C2T2 Fl. 1.106 4 seus clientes, reconhecendo incidentalmente a inconstitucionalidade do artigo 3º da Lei n° 9.718/98. Após o trâmite do processo na esfera judicial, em 28/11/2005 o Supremo Tribunal Federal/STF conheceu do Recurso Extraordinário 401.3487, dandolhe provimento para excluir da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento da recorrente, entendido este como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais da impetrante, cujo inteiro teor segue abaixo transcrito: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do §1° do art. 3o da lei n° 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do §1º do art. 3º da Lei n" 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE n" 346.084PR, Rei. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE n" 357.950RS, RE n° 358.273RS e RE n° 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo SRF n"408,p.l). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. A decisão acima transcrita transitou em julgado em 19/12/2005. Portanto, como se vê, a questão referese ao sentido a ser atribuído à expressão “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” da Recorrente, uma instituição bancária. A autoridade fiscal alega (efolha 8), em síntese, que: “... o PIS e a COFINS incidem sobre as receitas oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras, serviços estes remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira, eis que as mesmas possuem natureza de receitas operacionais. Assim, dentro desta acepção de faturamento está o spread bancário, os juros, as operações cambiais e etc. Aliás, spread bancário nada mais é do que a remuneração recebida pela aludida intermediação, ou seja, é a diferença entre o que o banco paga para captar numerário e o valor cobrado quando do empréstimo a quem o procura” Por sua vez a Recorrente alega que a fiscalização estaria alterando o conceito de receita, em descumprimento à decisão judicial, aduzindo que: “(...) dessa forma, a receita de prestação de serviços que configura o ‘faturamento’ das instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de ‘faturamento’ determinado pelo Supremo Tribunal Federal”. Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 14/04/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 3202001.129 S3C2T2 Fl. 1.107 5 Pois bem. No meu entender, a referida decisão judicial (RE 401.3487) efetivamente não adentrou no mérito da discussão sobre o que deve ser entendido por receita de serviços para as instituições financeiras. Assim, não há que se falar em desrespeito a coisa julgada: a decisão judicial apenas afastou a aplicação do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, na esteira do que já restara assentado no Supremo Tribunal Federal, fixou o significado do conceito de “receita bruta” ao prescrever que deve ser equivalente à “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” e, por fim, ordenou “excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente”. E mais nada! Contudo, a meu ver, resta ainda a discussão sobre a conceito de “faturamento” para fins de incidência do PIS e da Cofins para as instituições financeiras, ou seja, sobre o que deve ser entendido por receitas oriundas do exercício das atividades empresariais em relação às instituições financeiras. Do conceito de receita para instituições financeiras Na decisão do Ministro Cezar Peluzo (RE 401.3487) restou definido que a base de cálculo do PIS é o faturamento, assim entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais da Recorrente. Pois bem. E quais são as atividades empresariais típicas de um banco? Uma primeira delimitação de quais são as atividades empresariais da Recorrente pode ser extraída do seu próprio Estatuto Social (efls. 253/ss), onde consta: Artigo 2º O objeto social do BANCO TRIÂNGULO S.A. é a prática de operações ativas, passivas e acessórias, inerentes à carteira comercial, à carteira de crédito, financiamento e investimento e à carteira de investimentos, de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor. Percebese, portanto, que o rol de atividades indicadas no objeto social da Recorrente (operações ativas e passivas inerentes às carteiras de comercial, de crédito, financiamento e investimento) envolve necessariamente, de forma ampla, todas as receitas decorrentes e/ou provenientes da prestação de serviços de intermediação financeira, dentre as quais podemos citar os “spreads bancários”, prêmios, ágios/deságios na venda de moedas estrangeiras (receitas cambiais), juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamento bancário, negociação de títulos e valores mobiliários, etc..., em suma, todas as receitas ordinárias, típicas, provenientes da prestação de serviços geradas pelos bancos. A meu ver, não há como fazer uma interpretação restritiva para abarcar no conceito de receita bruta apenas aquelas decorrentes das receitas com “taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários”, como pretende a Recorrente. Categoricamente, todos sabemos, o negócio principal de um banco não se restringe apenas em cobrar taxas ou tarifas pela prestação de serviços bancários (sobre a abertura ou manutenção de contascorrentes, pela emissão de talonário de cheques, pelo fornecimento de extratos bancários, etc...), até mesmo porque em muitos casos, após um determinado volume de movimentação financeira de seus clientes, estas taxas e tarifas são até Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 14/04/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 3202001.129 S3C2T2 Fl. 1.108 6 mesmo isentadas. Estas últimas representam, a bem da verdade, atividades acessórias àquela principal. A essência da atividade bancária reside justamente na prática de operações ativas e passivas inerente à sua carteira comercial (desconto de duplicatas, com um percentual de deságio, p. ex.), carteira de crédito (os valores depositados por determinados clientes na instituição são oferecidos a outros clientes, por meio de empréstimos, cheques especiais, etc... devidamente remunerados pelos juros cobrados), etc... Aliás, são justamente essas atividades que constam como objeto social no Estatuto Social da Recorrente. Destarte, é de concluirse que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Por conseguinte, as receitas oriundas de todas as operações bancárias (receitas operacionais), em sentido lato, aqui incluídas as receitas advindas da cobrança de taxas/tarifas (serviços bancários) e das operações de intermediação financeira, compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições, nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98. Importante registrar que a mesma matéria, em processo do mesmo Recorrente, já foi apreciada pela 1ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF, ocasião em que foi negado provimento ao recurso voluntário pelo voto de qualidade, conforme restou assentado no Acórdão nº 380101.096, de 21/03/2012. Por comungar com o mesmo entendimento exarado naquele julgado, adoto também, como razão de decidir, o voto vencedor proferido pelo ilustre Conselheiro Flávio de Castro Pontes, que em parte se transcreve: Consignese, de imediato, que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é o fórum adequado para se discutir a violação de coisa julgada. Ora, se a recorrente tivesse absoluta certeza dos efeitos da coisa julgada material, deveria pleitear ao órgão jurisdicional, que possui os meios necessários de tornar eficaz uma decisão judicial, o seu cumprimento. Assim sendo, não há contrariedade à coisa julgada, visto que a decisão transitada em julgado não definiu a composição da base de cálculo da contribuição PIS para as instituições financeiras. Incontestavelmente o cerne do litígio consiste em interpretar a coisa julgada na referida atividade jurisdicional. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre a coisa julgada in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 630: (...) a coisa julgada material corresponde à imutabilidade da declaração judicial sobre o direito da parte que requer alguma prestação jurisdicional. Portanto, para que possa ocorrer coisa julgada material, é necessário que a sentença seja capaz de declarar a existência ou não de um direito.(grifouse) Como bem relatado, o Excelso Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão monocrática do Relator, Ministro Cezar Peluso, recurso extraordinário 401.348, processo originário 2000.38.03.0007782/MG, decidiu não incluir na base de cálculo do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, in verbis: (...) Outrossim, sabese que o STF no julgamento do recurso extraordinário 346.084PR declarou inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 14/04/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 3202001.129 S3C2T2 Fl. 1.109 7 Neste julgamento, o Ministro César Peluso esclareceu o seu ponto de vista a respeito do conceito de faturamento: “Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado a ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas”. A propósito, o art. 2º e o caput do art. 3º da Lei 9.718/98 mantiveramse incólumes pela decisão do STF: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (grifouse) Necessário é lembrar que a decisão judicial declarou inconstitucional o parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, garantindose o direito da recorrente de apurar a contribuição PIS com base no faturamento, assim entendido a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviço de qualquer natureza, isto é, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Destarte, resta definir o que seja a soma das receitas oriundas das atividades empresariais. Tenhase presente que o conflito de interesses referese a um ramo peculiar da atividade econômica, o do sistema financeiro. O conceito de instituição financeira está definido no art. 17 da Lei 4.595/1964: Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. (grifouse) Configurase que as atividades de uma instituição financeira estão relacionadas com a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros, a exemplo de operações de créditos e aplicação em títulos e valores mobiliários. Percebese que as instituições financeiras transferem recursos para os diversos agentes econômicos. Como exemplo típico de uma receita de operação financeira, citase o spread, em regra, a diferença que as instituições financeiras pagam na captação de recursos e o que elas cobram dos clientes. É certo que a natureza dessa receita é operacional e está vinculada à atividade econômica da instituição financeira. A partir destes conceitos, podese inferir que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Neste contexto, as receitas oriundas das operações bancárias (receitas operacionais) compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições, nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98. Como bem assentado pelo Ministro Cezar Peluso, a inclusão ou não de eventuais receitas financeiras no conceito de receita bruta tem como variável a atividade empresarial. Assim, as receitas operacionais das instituições financeiras amoldam Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 14/04/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 3202001.129 S3C2T2 Fl. 1.110 8 se ao conceito de faturamento estabelecido no art. 2º e no caput do art. 3º da Lei 9.718/98, de sorte que as aludidas operações caracterizam uma peculiar prestação de serviços de qualquer natureza. Nesta esteira, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, também adotou o entendimento de que as receitas decorrentes das atividades financeiras integram a base de cálculo das contribuições PIS e Cofins como prestação de serviços. Por oportuno, colacionase alguns trechos do citado Parecer, inclusive a conclusão: “(...) 55. Assim, as operações bancárias consistem em prestação de serviços. Efetivamente, é possível considerar o conjunto da atividade exercida por um banco comercial, para fins tributários (definição da base de cálculo da COFINS) como prestação de serviços. (...) 60. (...) O resultado da atividade de intermediação financeira, apesar de não sujeita à ação de faturar, constituindo ato de comércio e decorrendo da própria atividade negocial da empresa, integra o seu faturamento para os efeitos fiscais de concretizar o fato gerador da COFINS/PIS. 61. O relevante para a norma é a identidade entre a receita bruta operacional e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do §1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Ao revés, apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora de veículos), mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras.(...) 66. Em face dos argumentos acima expendidos, concluise que: (...) d) o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que ampliou o conceito de receita bruta para abarcar as receitas não operacionais foi considerado inconstitucional pelo STF nos RREE n. 346.084, 357.950, 358.273, 390.840;(...) h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); (...) 66. Têmse, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao “plus” contido no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada.” (grifouse) Convém ressaltar que nas demonstrações de resultado dessas instituições, as questionadas receitas são classificadas como receitas operacionais da atividade financeira, por conseguinte de prestação de serviços nos termos da tese acima esposada. Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 14/04/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 3202001.129 S3C2T2 Fl. 1.111 9 E, mais, cabe acrescentar que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região também está consolidando esse entendimento, conforme recentes decisões judiciais, a exemplo do acórdão abaixo: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. LEI N. 9.718/1998, ART. 3º, § 1º. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA DECORRENTE DO EXERCÍCIO DO OBJETO SOCIAL. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA. 1. (...)2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, n. 390.840/MG, n. 358.273/RS e n. 346.084/PR. 3. No caso concreto, a questão vai além da simples declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998. Tratase, também, de definir o alcance do termo "faturamento", base sobre a qual incide o tributo. 4. Quando do julgamento dos Recursos Extraordinários mencionados, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS . Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. 5. Os impetrantes são instituições financeiras, que obtém receitas mediante as atividades de "coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros" (art. 17, da Lei n. 4.595/1964). Neste caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços. 6. Deve ser reconhecida a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, para que a impetrante possa apurar a COFINS tendo por base de cálculo o faturamento, correspondente à receita bruta decorrente do exercício do objeto social ao qual se dedica. (...)(grifouse) (Processo: 001092848.2005.4.03.6100, eDJF3 Judicial 1 DATA:04/05/2012) Com efeito, o voto vencedor do Desembargador Federal Márcio Moraes entendeu de forma explícita que compõe o faturamento das instituições financeiras todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, conforme excerto abaixo: É certo que, quando do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS. Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. (...) Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 14/04/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 3202001.129 S3C2T2 Fl. 1.112 10 Nesse caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços. (grifouse) (...) Assinalese, também, que este entendimento está em consonância com os princípios constitucionais da capacidade contributiva, que se aplica as diversas espécies tributárias, e universalidade do custeio da seguridade social. É indubitável a capacidade econômica das instituições financeiras, portanto devem suportar a incidência da contribuição PIS sobre suas receitas operacionais. De outro giro, o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, esteado no princípio da solidariedade, não autoriza a exclusão das aludidas receitas da tributação em referência. De modo que em face das razões acima, as receitas operacionais de instituições financeiras são para fins tributários consideradas como prestação de serviços e estão sujeitas a incidência da contribuição PIS. Conclusão Em face do exposto, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 14/04/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 19991.000078/2010-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral: Fernando Augusto Pena Fabri - OAB/MG 90.403.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral: Fernando Augusto Pena Fabri OAB/MG 90.403. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 99 91 .0 00 07 8/ 20 10 -1 7 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19991.000078/201017 Resolução nº 3302000.382 S3C3T2 Fl. 11 2 Tratase de pedidos de ressarcimento de créditos de PIS e Cofins recolhidos pela sistemática não cumulativa. Por retratar a realidade dos fatos, peço vênia a meus pares para transcrever o relatório citado na decisão de primeira instância administrativa, a saber: “Tratase de Pedidos de Ressarcimento de créditos de Pis/Cofins não cumulativos — exportação e Pis/Pasep não cumulativo — mercado interno, PA 1° ao 4o trimestres/2006 (fls. 0102) e de Dcomps relacionadas (fls. 0304) onde tais créditos foram vinculados. As fls. 121125 Decisão SARAC/DRF/PCS n° 971/2010 na qual não foi reconhecido o direito creditório nem homologadas as respectivas compensações. Ali foi esclarecido inicialmente que, consoante o Dacon retificado do período (linhas 06A ou 16A), pleiteouse créditos a titulo de: 01bens para revenda; 07 despesas de armazenagem e frete na operação de venda; 09encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado; 26 crédito presumido agroindústria. No mais, foram as seguintes as razões para a glosa de valores da base de cálculo ali operada: bens para revenda foram adquiridos de pessoas jurídicas inaptas e de omissas contumazes; nesse último caso, intimações "voltaram com aviso de que as empresas mudaramse [..], reputandose, portanto, não comprovadas as operações de compra destes fornecedores"; embora a contribuinte não tenha solicitado, apropriase indevidamente do crédito presumido — agroindústria (linha 26 do Dacon), vez que as notas fiscais de aquisição de café disponibilizadas, embora de entrada, indicam que as mercadorias continuam depositadas ou foram entregues no Internacional Arm. Gerais Ltda, sem indicação de que o café tenha transitado no estabelecimento da contribuinte para se submeter ao processo de produção. Além disso, a atividade descrita na declaração de fl. 160 do processo 19991.000019/201049 não atende ao disposto no § 6° do art. 8° da Lei n° 10.925/2004. As fls. 127145, manifestação de inconformidade assim articulada: 1. DOS FATOS 2. DO DIREITO 2.1 DA EFETIVA AQUISIÇÃO DAS MERCADORIAS. DA REAL EXISTÊNCIA DA OPERAÇÃO. 2.2 DA EXISTÊNCIA DAS MERCADORIAS NO ESTOQUE DA MANIFESTANTE 2.3 DA EFETIVA EXPORTAÇÃO DA MERCADORIA Fl. 338DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19991.000078/201017 Resolução nº 3302000.382 S3C3T2 Fl. 12 3 2.4 DAS AQUISIÇÕES DOS FORNECEDORES EXPORT DO BRASIL LTDA. E F. J. B. BARONI 2.5 DO CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRL4: A MANIFESTANTE É PESSOA JURÍDICA PRODUTORA, NOS TERMOS DA LEI 10.925/04 E DO DECRETO 4.544/02 2.5.1 O FATO DE A PRODUÇÃO SUPOSTAMENTE SER FEITA POR TERCEIRO NÃO RETIRA DA MANIFESTANTE A QUALIDADE DE PRODUTORA 3. DOS PEDIDOS (original contém negritos e sublinhas) É o relatório.” Após analisar as razões da Recorrente, a 2a Turma da DRJ/JFA proferiu o acórdão no 0937.097 (fls. 261/267), que restou da seguinte forma ementado: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório é ônus do qual deve se desincumbir. CRÉDITO DE BENS PARA REVENDA, ADQUIRIDOS DE INAPTAS E OMISSAS CONTUMAZES. Na qualidade de terceiro interessado, há que se reconhecer tão somente o direito credit6rio dos valores de Pis/Cofins não cumulativos relativos ante os quais a contribuinte comprovou o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias, de sorte a que se visse livre da inidoneidade das respectivas notas fiscais de aquisição. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA Para fazer jus ao crédito presumido agroindústria, na espécie, mister que a pessoa jurídica produza o café que revende, considerandose como produção o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Inconformada, a Recorrente opôs Recurso Voluntário às fls. digitais 316/330, por meio do qual reiterou os argumentos trazidos em sua impugnação. Em resumo a Recorrente defende: (i) a impossibilidade de desconsideração dos créditos de PIS e Cofins não cumulativo por problemas dos fornecedores, posto que a compra efetivamente ocorreu; (ii) o direito ao Fl. 339DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19991.000078/201017 Resolução nº 3302000.382 S3C3T2 Fl. 13 4 crédito em razão de realizar o processo produtivo exigido por lei, ainda que na forma da industrialização por encomenda. É o relatório. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, a questão referese à utilização de insumo no sistema não cumulativo da COFINS. Em síntese, os créditos pleiteados foram glosados pela fiscalização pelas seguintes razões: (i) AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA – glosa em virtude de a aquisição ter ocorrido de pessoas jurídicas inidôneas; (ii) CRÉDITO PRESUMIDO – glosado com base no §6º do artigo 8º, da Lei nº 10.925/04 em vista de a Recorrente não ter realizado o processo produtivo previsto na legislação, necessário para concessão do crédito tributário no caso de aquisição de pessoas físicas. A primeira questão pode ser resolvida com base na análise da legislação regente, todavia, a última, para que possa ser julgada, no entender desta julgadora, prescinde de maiores esclarecimentos fáticos. É que a discussão está pautada no fato de existência do processo produtivo de café e de quem realizou este processo produtivo. A Recorrente diz que realiza o beneficiamento do café, a fiscalização conclui que a Recorrente não realiza qualquer processo produtivo e o contrato social da Recorrente não traz a possibilidade de industrialização, mas apenas de comércio e exportação de grãos de café. Isto é, as informações são conflitantes e não constam, nos autos, documentos conclusivos. A Recorrente, em sua defesa, admite que pode não ter realizado todo o processo produtivo, mas que a terceirização da industrialização não lhe retiraria o direito ao crédito presumido, assim como não alteraria o fato de o café ter sido beneficiado. De qualquer forma não há, nos autos, como se afirmar sequer se os requisitos exigidos pela lei foram atendidos, seja pela Recorrente sozinha, seja pela Recorrente e seus parceiros. Em virtude deste fato, voto por converter o presente julgamento em diligência, para que a Recorrente seja intimada a, no prazo de 30 dias, esclarecer e comprovar seu processo produtivo elucidando: como é realizado este processo produtivo, definindo as fases (recebimento do café/moagem/torra/etc) e todo o procedimento ao qual se submete o grão de café; quem é que faz este processo produtivo, clareando a informação do que é feito em seus próprios estabelecimentos e o que é terceirizado, apresentado, se o caso, provas deste procedimento de industrialização em seus estabelecimentos; comprovar documentalmente o procedimento de envio para industrialização por encomenda, bem como que realiza a venda de produto industrializado. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19991.000078/201017 Resolução nº 3302000.382 S3C3T2 Fl. 14 5 Recebidas as informações da Recorrente, a autoridade administrativa deverá elaborar parecer conclusivo sobre a atividade de industrialização apresentada, no sentido de ser um procedimento de industrialização regular que atende aos requisitos do §6º, artigo 8º, da Lei nº 10.925/04, considerando para tanto ambas as fases: terceirizada e própria. Após, a Recorrente deverá ser intimada acerca do parecer emitido pela fiscalização para se manifestar, se quiser, no prazo de 30 dias. É como voto. Sala de Sessões, 29 de janeiro de 2014. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 341DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002248/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas. O Conselheiro Alexandre Gomes declarou-se impedido.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas. O Conselheiro Alexandre Gomes declarou-se impedido. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva - Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
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Vencida a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas. O Conselheiro Alexandre Gomes declarouse impedido. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .0 02 24 8/ 20 09 -1 3 Fl. 622DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/10/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.002248/200913 Resolução nº 3302000.247 S3C3T2 Fl. 620 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário (fls. 536 a 573) apresentado em 12 de setembro de 2011 contra o Acórdão no 1032.818, de 14 de julho de 2011, da 3ª Turma da DRJ/POA (fls. 396 a 400), cientificado em 11 de agosto de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de janeiro de 2007 a maio de 2008, julgou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 20/01/2007 a 31/05/2008 CRÉDITOS INDEVIDOS. GLOSA. Inexiste direito a créditos do IPI nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem em operações isentas, bem como na aquisição de partes e peças de máquinas que não sejam consumidas no processo produtivo, exceto quando houver lei específica possibilitando o creditamento ficto. Impugnação Improcedente O auto de infração foi lavrado em 05 de novembro de 2009 de acordo com o termo de fls. 161 a 180. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de impugnação ao lançamento de IPI, o qual teve por objeto a cobrança desse imposto em decorrência da glosa de créditos relativamente às aquisições de insumos em operações isentas oriundas da Amazônia e de aquisições de peças e ferramentas. Informanos o Relatório da Ação Fiscal (fls. 161/180) que os créditos relativos à aquisição de insumos da Amazônia Ocidental referemse à compras de tampas plásticas junto à empresa Arosucos Aromas e Sucos Ltda, de tampas metálicas à empresa Crown Tampas da Amazônia S/A e de filmes plásticos à Valfilm Amazônia Indústria e Comércio. Averba o agente fiscal que em análise às informações constantes nas notas fiscais dessas operações constatou que as saídas dos referidos produtos são isentas pelo fato de as empresas fornecedoras estarem enquadradas “no art. 69 , inciso II do RIPI/02 ou no art. 82, inciso III do mesmo Regulamento”, pontuando que nos documentos fiscais emitidos pelas empresas fornecedoras consta os números do projeto aprovado na SUFRAMA. Contudo, continua, somente haverá direito a crédito incentivado nessas operações, a teor do art. 175 do RIPI/2002, em se tratando de mercadorias produzidas na Amazônia Ocidental, mas desde que elaboradas com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Intimadas essas empresas fornecedoras (fls. 112/113, 127/128 e 154/155), as duas primeiras declararam que os seus produtos vendidos à autuada não possuem qualquer matériaprima agrícola, extrativa vegetal ou pecuária de produção regional. A Valfilm, entretanto, em relação aos filmes plásticos informou que a partir da Resolução Suframa nº 154, de 19 de junho de 2008, enquadrouse na isenção do art. 82, II, pois desenvolveu produto com matériaprima vegetal regional da Amazônia. Conclui a fiscalização que até essa data, 19/06/08, as entradas desses insumos basearamse, exclusivamente, no art. 68, II, do RIPI/02, isenção essa que não dá direito ao creditamento incentivado. Assim, foram glosados os créditos de insumos oriundos da Amazônia Fl. 623DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/10/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.002248/200913 Resolução nº 3302000.247 S3C3T2 Fl. 621 3 Ocidental até maio de 2008, conforme tabela às fls. 162/163. Igualmente, houve glosa de créditos relativo às aquisições de peças e ferramentas (conforme tabela às fls. 163/164), registradas no LAIPI na rubrica “crédito manutenção art 175 Decr. 4544 de 26/01/02”, destinados à manutenção do ativo permanente, ao fundamento de que tais bens não se enquadram no conceito de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, o que afasta a incidência do art. 164, I, do RIPI/02. Referese o Fisco ao Parecer Normativo CST 65/79, que dá o alcance do creditamento a que se refere à norma vazada no art. 164, I. Demonstrativos do auto de infração às fls. 183/199. Às fls. 207/211, Demonstrativo de Reconstituição da Escrita do IPI e os saldos da escrita antes da reconstituição. Não resignada com a exação, a empresa impugnaa tempestivamente, alegando, em suma, que tem direito ao creditamento dos insumos oriundos da Amazônia Ocidental independente de ser isenta ou não a operação de suas saídas, fundamentando sua assertiva no princípio da nãocumulatividade Demais disso, tece consideração acerca da natureza jurídica da isenção no sentido de que, com base em doutrina que colaciona, caracterizase como a dispensa legal do pagamento de determinado tributo, o que, entende, “gera direito a crédito escritural , por força do nascimento da obrigação tributária e exclusão do respectivo crédito”. Com arrimo nesse raciocínio, conclui que “ o valor do tributo devido que incidiu na operação anterior deve ser compensado com o valor do tributo devido pelo contribuinte subsequente”. Alega, ainda, que “tanto o incentivo fiscal do artigo 6º, do DecretoLei 1.435/1975, como também o incentivo fiscal do artigo 9º, do DecretoLei 288, de 28/02/1967, garantem o direito ao crédito presumido , pois vinculado à mercadoria”. Por fim, no que se refere à glosa sobre peças e ferramentas, alega a defendente que o art 25 da Lei 4.502/64 lhe assegura tal direito, aduzindo “que as peças de reposição destinadas ao funcionamento da máquina industrial não está classificada nas contas de bens do ativo permanente, mas em contas de “insumos aplicados na produção”. No recurso, a Interessada defendeu o direito ao crédito no caso de insumos isentos e procedentes da Zona Franca de Manaus ZFM e relativos a peças de reposição e ferramentas. É o relatório. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/10/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.002248/200913 Resolução nº 3302000.247 S3C3T2 Fl. 622 4 VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator Preliminarmente, esclareçase que, durante as sessões de julgamento do mês de setembro de 2012, a Turma tomou conhecimento dos Recursos Extraordinários (RE) 596.614, 593.615, 587.502, 585.663, que se referiram ao caso de repercussão geral reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no RE 592.891. A ementa da decisão de sobrestamento nos processos acima mencionados dizia o seguinte: DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SOBRESTAMENTO. 1. A União, no extraordinário de folha 414 a 420 articula com a impossibilidade de creditamento do Imposto sobre Produtos Industrializados na aquisição de produtos isentos, não tributados, ou sujeitos à alíquota zero, quando provenientes da Zona Franca de Manaus. 2. O Tribunal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 592.891/SP, da relatoria da Ministra Ellen Gracie, reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional relativa à tese do direito de creditamento de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI na entrada de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento deste processo. 4. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 5. Publiquem. Brasília, 9 de novembro de 2010. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (RE 596.614) Portanto, o julgamento do RE foi sobrestado, demonstrandose a condição prevista na Portaria Carf n. 1, de 2012, art. 2º, § 2º: § 2°. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: 1 decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/10/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.002248/200913 Resolução nº 3302000.247 S3C3T2 Fl. 623 5 A mencionada Portaria determina que, demonstrado o sobrestamento de recursos extraordinários no âmbito do STF, à vista de declaração de repercussão geral, os processos que tratem da mesma matéria no âmbito do Carf deverão ser sobrestados também. No caso dos autos, os RE citados demonstram que o STF suspende os RE que se refiram a direito de crédito de IPI no caso de insumos isentos originários da Zona Franca de Manaus. O caso dos autos trata da mesma matéria, uma vez que a Recorrente alega o direito de crédito, à vista do princípio constitucional da nãocumulatividade, de insumos adquiridos da ZFM. Superadas as questões anteriores e sendo determinante para o julgamento a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o direito de crédito relativo a insumos adquiridos da ZFM, voto por sobrestar o julgamento do presente recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 626DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/10/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10665.003177/2008-63
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 28/02/2004 a 31/03/2008
INCLUSÃO OU NÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO
O litígio refere-se à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, como é matéria cuja repercussão geral foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706-9, logo, aplica-se a Súmula Carf n° 2, dada a incompetência deste Conselho de pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Em sendo assim, não se conhece do recurso voluntário.
Numero da decisão: 3802-002.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
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Em sendo assim, não se conhece do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 31 77 /2 00 8- 63 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “O contribuinte acima identificado apresenta manifestação de inconformidade (fls. 14/26) contra o despacho decisório de fl.12, que indeferiu seu pedido de restituição de fl. 01 relativo ao PIS, nos termos resumidos a seguir. Narrando os fatos considerados pela repartição na formalização do presente processo e transcrevendo doutrina e jurisprudência acerca do assunto, propugna pela exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, por juridicamente não poder ser incluído em nenhum dos conceitos correspondentes ao faturamento ou à receita, a exemplo do entendimento exarado pelo Tribunal Superior de Justiça e pelo STF, em face de sua indevida e inconstitucional inclusão, uma vez que não guarda relação com o faturamento, tratandose de receita pertencente ao erário, com afronta ao art. 110 do CTN. Requerendo a atualização do crédito tributário pela Selic, propugna pela procedência da manifestação de inconformidade. Eis o essencial. É o relatório. “ O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BHE no 0228.362, de 30/08/2010, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 28/02/2004 a 31/03/2008 Faturamento Os valores correspondentes ao ICMS, por expressa falta de previsão legal, não podem ser excluídos da base de cálculo da contribuição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” O julgamento foi no sentido de tornar improcedente a manifestação de inconformidade interposta pelo interessado. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Invoca o RE 240.7852, ainda em análise, em fase de julgamento, bem como outros julgados da 8ª Turma do TRF. Ao seu pedido de restituição/compensação, à fl. 01, apresenta planilha de listagem de crédito a recuperar (fev/2004 a março/2008), às fls. 3 a 06. Enfim, que seja reconhecido seu direito creditório, com a devida atualização. Portanto, solicita a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, por juridicamente não poder ser incluído em nenhum dos conceitos correspondentes ao faturamento ou à receita; em face de sua indevida e inconstitucional inclusão, uma vez que não Fl. 89DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10665.003177/200863 Acórdão n.º 3802002.806 S3TE02 Fl. 89 3 guarda relação com o faturamento, tratandose de receita pertencente ao erário, com afronta ao art. 110 do CTN. Considerando que o Supremo Tribunal Federal determinou expressamente o sobrestamento de todos os recursos sobre o tema, aplico o art. 62A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, bem como o art. 2º, § 2º, I, da Portaria CARF nº 001 de 2012. Foi sobrestado o presente recurso voluntário até que esteja transitado em julgado o acórdão a ser proferido no recurso extraordinário acima mencionado, através da Resolução de n° 3201000.302, de 25/01/2012. Tendo em vista a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256, de 22 junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, foram devolvidos os autos a esta conselheira para seguimento. Então, desde a publicação da Portaria MF nº 545, de 20/11/2013, é passível o julgamento. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O recurso voluntário é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. O cerne da questão entre a Recorrente e a decisão recorrida referese à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS. No entanto, tratase de matéria cuja repercussão geral foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.7069, que assim dispõe: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. (RE 574706 RG, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, julgado em 24/04/2008, DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008 EMENT VOL0231910 PP02174 ) Observase que se trata de matéria submetida ao crivo do Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B do CPF, com repercussão geral admitida, porém ainda pendente de julgamento, cujo recurso paradigma é o de nº 240.7852 . Pois bem, o RE 240.7852/MG no STF discute a possibilidade de se incluir na base de cálculo de PIS e COFINS receita ou faturamento – o valor pago a título de ICMS. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Como já relatado, o processo, por meio de resolução aprovada por unanimidade na sessão de janeiro de 2012, cuja medida cabível foi o sobrestamento do julgamento, uma vez que o STF tem reiteradamente e de forma expressa sobrestado o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam sobre a mesma matéria, mas por conta da publicação da Portaria MF nº 545, de 20/11/2013, o processo veio a julgamento. Por todo o exposto, o entendimento é pela aplicação da SÚMULA CARF de n° 2, em não conhecer do recurso voluntário, dada a incompetência deste Conselho de pronunciar a despeito de inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos baixo: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em sendo assim, não conheço do recurso voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 91DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13816.000663/2002-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998
REFIS. OPÇÃO. VALIDADE. AUTO ELETRÔNICO. ILEGALIDADE.
A validade da opção do contribuinte pelo REFIS torna ilegal o lançamento de ofício eletrônico dos débitos que se encontravam confessados em DCTF na data da opção.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-002.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 REFIS. OPÇÃO. VALIDADE. AUTO ELETRÔNICO. ILEGALIDADE. A validade da opção do contribuinte pelo REFIS torna ilegal o lançamento de ofício eletrônico dos débitos que se encontravam confessados em DCTF na data da opção. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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OPÇÃO. VALIDADE. AUTO ELETRÔNICO. ILEGALIDADE. A validade da opção do contribuinte pelo REFIS torna ilegal o lançamento de ofício eletrônico dos débitos que se encontravam confessados em DCTF na data da opção. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 6. 00 06 63 /2 00 2- 51 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de auto de infração eletrônico notificado ao contribuinte em 07/06/2002, lavrado para exigir débitos em aberto do PIS relativo aos fatos geradores ocorridos entre julho e dezembro de 1997. Segundo se extrai do auto de infração eletrônico, o contribuinte não recolheu os saldos devedores do PIS declarados nas DCTF do terceiro e quarto trimestres de 1997, que foram entregues no dia 29/01/1998. Em sede de impugnação, o contribuinte confirma o não recolhimento das contribuições, alegando que incluiu esses débitos no REFIS. Alega também que possui ação judicial que impede a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic; que o auto é nulo por deficiência na motivação e que os débitos não poderiam ter sido lançados de ofício por terem sido incluídos no REFIS. Por meio do Acórdão 4.639, de 14 de agosto de 2003, a 1ª Turma da DRJ Campinas julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em julgado que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após a lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, além de não obstaculizar a formalização do lançamento, impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem cabe o julgamento, das razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário. Já, outros aspectos do lançamento, não submetidos ao Poder Judiciário, são passíveis de apreciação na esfera administrativa. REFIS. Não provado o recolhimento do tributo nem a inclusão do respectivo débito no Refis, mantémse a exigência, sem suspensão de sua exigibilidade. Lançamento Procedente Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 27/10/2005, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/11/2005. Alegou, em síntese, a nulidade do auto de infração por ausência de motivação, uma vez que não teria sido declinada a causa da autuação. No mérito, alegou que os débitos objeto do auto de infração já estavam confessados em DCTF, fato que afasta a possibilidade de serem lançados de ofício. Além disso, nos termos da Orientação nº 6, de 16 de junho de 2004, da Secretaria Executiva do Comitê Gestor do REFIS, todos os débitos confessados em DCTF antes da opção pelo referido programa devem ser consolidados para efeitos de parcelamento, de onde também decorre a nulidade deste auto de infração, uma vez que optara pela adesão ao Refis em 26/04/2000. Contestou os consectários do lançamento de ofício. Por meio da Resolução 3403000.501, o processo foi baixado em diligência à repartição de origem a fim de que fossem esclarecidos os seguintes quesitos: 1) Foi válida a opção do contribuinte pelo REFIS estampada no documento de fl. 24?; Fl. 131DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13816.000663/200251 Acórdão n.º 3403002.920 S3C4T3 Fl. 5 3 2) Os débitos exigidos no presente auto de infração foram incluídos no Refis?; 3) Se os débitos ora exigidos não tiverem sido incluídos no Refis, indicar o motivo pelo qual não foram incluídos. 4) Qual a data em que o contribuinte tomou ciência do auto de infração eletrônico? Os autos retornaram com os documentos de fls. 121 a 128. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Com base no disposto no art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235/72 deixo de apreciar a preliminar de nulidade e passo ao exame do mérito. A leitura do despacho de encaminhamento de fl. 128, no qual a autoridade administrativa respondeu aos quesitos formulados na diligência, deixa nas entrelinhas que a opção do contribuinte pelo REFIS, efetuada em 26/04/2000 (fl. 24), foi válida porque os débitos relacionados nas fls. 123/125 estavam incluídos no programa. Tais débitos só foram excluídos do REFIS em 2009 a pedido do contribuinte, para ingresso no parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Por outro lado, os demonstrativos de fls. 123/125 revelam que os débitos lançados no auto de infração (julho a dezembro de 1997) não estavam incluídos no REFIS. Ora, mas se os débitos lançados no auto de infração estavam declarados nas DCTF desde 29/01/1998 e o contribuinte optou pelo REFIS em 26/04/2000, por quê esses débitos não foram incluídos no programa? Ficou sem resposta o quesito 3 da diligência. Ou seja, não se sabe a razão pela qual a autoridade administrativa, diante da opção do contribuinte, deixou de incluir no REFIS os débitos do segundo semestre de 1997, que estavam confessados nas DCTF que originaram o auto eletrônico ora combatido. O art. 2º da Lei nº 9.964/2000 estabelece o seguinte: Art. 2 º O ingresso no Refis darseá por opção da pessoa jurídica, que fará jus a regime especial de consolidação e parcelamento dos débitos fiscais a que se refere o art. 1 o . § 1º A opção poderá ser formalizada até o último dia útil do mês de abril de 2000. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 § 2º Os débitos existentes em nome da optante serão consolidados tendo por base a data da formalização do pedido de ingresso no Refis. § 3º A consolidação abrangerá todos os débitos existentes em nome da pessoa jurídica, na condição de contribuinte ou responsável, constituídos ou não, inclusive os acréscimos legais relativos a multa, de mora ou de ofício, a juros moratórios e demais encargos, determinados nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores. (Grifei) O art. 3º do Decreto nº 3.431/2000, ao regulamentar este dispositivo legal, estabeleceu que a opção pelo REFIS implica a inclusão da totalidade dos débitos vencidos até 29/02/2000 no referido programa. Os débitos constituídos (lançados de ofício ou confessados) deveriam ser consolidados na data da opção e incluídos no programa, enquanto que os débitos não constituídos e nem confessados, deveriam ser objeto de declaração por parte do contribuinte para serem incluídos. Sendo assim, se o contribuinte optou pelo REFIS no dia 26/04/2000, dentro do prazo estabelecido no art. 2º, § 1º, da Lei nº 9.964/2000, conforme comprova a Confirmação do Recebimento do Termo de Opção de fls. 24, todos os débitos confessados em DCTF deveriam ter sido consolidados na data da opção e incluídos no referido programa, fato que por si fere de morte o auto de infração eletrônico objeto deste processo. Diante da opção válida do contribuinte pelo REFIS, os débitos confessados deveriam ser objeto de consolidação e inclusão no programa e não objeto de lançamento de ofício, sob pena de violação do art. 2º, § 1º, da Lei nº 9.964/2000. Salta aos olhos a ilegalidade do procedimento adotado pela autoridade administrativa quanto aos débitos tratados neste processo. A uma porque ao deixar sem resposta o quesito 3 da diligência, não apresentou nenhuma justificativa para a não inclusão dos débitos objeto do auto eletrônico no REFIS. E a duas porque cerca de dois anos após o contribuinte ter optado pelo parcelamento, lançou com multa de ofício os débitos que deveria ter incluído no programa por expressa determinação legal (art. 2º da Lei nº 9.964/2000). O contribuinte foi duplamente prejudicado, pois além do Fisco ter descumprido o art. 2º da Lei nº 9.984/2000, ainda lavrou auto de infração para exigir com multa de ofício os débitos que há muito deveriam estar parcelados. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração eletrônico. Antonio Carlos Atulim Fl. 133DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13816.000663/200251 Acórdão n.º 3403002.920 S3C4T3 Fl. 6 5 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10855.900479/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. VALORAÇÃO DAS PROVAS DOS AUTOS. REJEIÇÃO.
Rejeitam-se os embargos cuja omissão apontada reside em suposta falha na análise dos elementos dos autos pelo colegiado. O objetivo dos embargos é a revelação do verdadeiro sentido da decisão, não se prestando, a corrigir eventual decisão incorreta;
Numero da decisão: 1302-001.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcelo de Assis Guerra, Hélio Eduardo de Paiva Araujo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. VALORAÇÃO DAS PROVAS DOS AUTOS. REJEIÇÃO. Rejeitam-se os embargos cuja omissão apontada reside em suposta falha na análise dos elementos dos autos pelo colegiado. O objetivo dos embargos é a revelação do verdadeiro sentido da decisão, não se prestando, a corrigir eventual decisão incorreta;
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcelo de Assis Guerra, Hélio Eduardo de Paiva Araujo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
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OMISSÃO. VALORAÇÃO DAS PROVAS DOS AUTOS. REJEIÇÃO. Rejeitamse os embargos cuja omissão apontada reside em suposta falha na análise dos elementos dos autos pelo colegiado. O objetivo dos embargos é a revelação do verdadeiro sentido da decisão, não se prestando, a corrigir eventual decisão incorreta; Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcelo de Assis Guerra, Hélio Eduardo de Paiva Araujo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 04 79 /2 00 8- 44 Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10855.900479/200844 Acórdão n.º 1302001.289 S1C3T2 Fl. 1.814 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Delegada da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, em face do Acórdão nº 130200.586, proferido por esta 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara, em 26/05/2011, com a seguinte ementa: PROCURAÇÃO. ASPECTO FORMAL. E regular a representação processual, no caso de o instrumento de mandato apresentado junto com a manifestação de inconformidade ser comprovado com robusta documentação, ainda que acostada aos autos em sede de recursal (SIC) de modo a ratificar constituição de procuradores. Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acordaram em acolher a regularidade da representação processual e anular a decisão de primeira instância, Ao tomar conhecimento do acórdão a Delegada da DRJ/RPOSP, com base no inc. IV do § 1º do art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. 256/2009, opôs embargos de declaração em 02/07/2012, sustentando que ao dar provimento ao recurso voluntário, a turma julgadora incorreu em omissão sobre questão que deveria ter se pronunciado, aduzindo que: Verificase, portanto, a extemporaneidade do instrumento procuratório, outorgado após a prática do ato processual, que, conseqüentemente, foi realizado por terceiro sem o devido amparo do instituto jurídico do mandato, instrumentalizado, pela procuração válida. Coerente com esta orientação, o CARF já assim se manifestou: Ementa: “PROCESSO FISCAL Não se conhece de recurso voluntário subscrito por profissional do direito que venha desacompanhado de instrumento de procuração e ou substabelecimento e sem pleito de aplicação do regramento processual previsto no art. 37, segunda parte, do CPC. E com prazo ultrapassado para tal.” (Acórdão 2º CC nº 20168406/ 92) destaquei Não obstante, o acórdão ora embargado anulou a decisão de primeira instância para acolher a regularidade da representação processual e determinar à DRJ que proferisse nova decisão, examinando as demais matérias constantes da manifestação de inconformidade, sem se manifestar sobre o aspecto temporal da outorga da procuração. Ao final, a embargante requer que “seja conhecido e provido o presente recurso para sanar o vício acima indicado”. É o relatório. Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10855.900479/200844 Acórdão n.º 1302001.289 S1C3T2 Fl. 1.815 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Os embargos interpostos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade previsto no art. 65 do RICARF, assim, deles tomo conhecimento. Alega a Delegada da DRJ/RPO/SP, ora embargante, que o acórdão embargado, que anulou a decisão de primeira instância para acolher a regularidade da representação processual e determinar à DRJ que proferisse nova decisão, examinando as demais matérias constantes da manifestação de inconformidade, incorreu em omissão ao deixar de se manifestar sobre o aspecto temporal da outorga da procuração. Verifico que, a decisão embargada entendeu como “regular a representação processual, no caso de o instrumento de mandato apresentado junto com a manifestação de inconformidade ser comprovado com robusta documentação, ainda que acostada aos autos em sede de recursal (SIC) de modo a ratificar constituição de procuradores”. No caso em apreço, verificase que o colegiado acolheu os argumentos da relatora do acórdão, no sentido que os elementos trazidos aos autos eram suficientes para comprovar a regularidade da representação processual, independente do momento de sua apresentação. Tratase, à toda evidência, de valoração, pelo colegiado ,das provas apresentadas com vistas à formação da sua livre convicção. Como cediço, “o objetivo dos embargos é a revelação do verdadeiro sentido da decisão. Não se presta, portanto, esse recurso, a corrigir uma decisão errada” 1. Desta feita, mesmo que o acórdão recorrido não tenha adotado o melhor entendimento na análise dos elementos dos autos, como sustenta a embargante, não cabe em sede de embargos rediscutir a valoração dada pelo colegiado ao conjunto probatório apreciado. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer dos embargos para, no mérito rejeitálos. Sala das Sessões, em 12 de fevereiro de 2014 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator 1 Op. cit., p. 714. Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10855.900479/200844 Acórdão n.º 1302001.289 S1C3T2 Fl. 1.816 4 Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10880.905263/2009-49
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/05/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO
Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) que convertia o processo em diligência para apuração do crédito. Designado o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) que convertia o processo em diligência para apuração do crédito. Designado o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/05/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) que convertia o processo em diligência para apuração do crédito. Designado o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 52 63 /2 00 9- 49 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.905263/200949 Acórdão n.º 3801002.213 S3TE01 Fl. 82 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 82DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.905263/200949 Acórdão n.º 3801002.213 S3TE01 Fl. 83 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJSão Paulo I/SP, abaixo transcrito: Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP n 08986.53404.11 1006.1.3.043570 fls. (06 a 09) relativa ao pagamento indevido ou maior de COFINS, no montante de R$ 35.920,39, ocorrido em 13/05/2005. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 11/10/2006, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fls. 1, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da Requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência de crédito para tanto. Esclarecido no item 3 do referido Despacho de fls. 1 que para o DARF indicado no PER/DCOMP em questão foi localizado o pagamento devidamente identificado no mesmo campo (Débito código 5856 PA 30/04/2005), integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP em apreço. Inconformado, o Contribuinte impugnou o Despacho Decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 10, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas: Informa o pagamento indevido e o pedido de compensação; as compensações prévias realizadas e o crédito que entende restante, conforme PER/DCOMP e documentos que anexa (cópias do Despacho Decisório; da procuração; do documento pessoal do outorgado; da alteração com consolidação do contrato de trabalho; do comprovante de arrecadação do valor indevidamente pago e do PER/DCOMP). Ao final, requer seja acolhida a sua manifestação de inconformidade com o cancelamento da cobrança. Analisando o litígio, a DRJ São Paulo I/SP julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/05/2005 Ementa: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.905263/200949 Acórdão n.º 3801002.213 S3TE01 Fl. 84 4 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCOMP. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi totalmente utilizado para quitar outro débito do Contribuinte, a compensação não poderá ser homologada. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP) Negado o direito creditório a que se refere uma Declaração de compensação, não há como se homologar a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, invocando o princípio da Verdade Material, que retificou as suas declarações e que, com base nelas, é possível aferir o seu direito creditório. Além da DCTF retificada, junta documentos para comprovar as suas alegações. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.905263/200949 Acórdão n.º 3801002.213 S3TE01 Fl. 85 5 Voto Vencido Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, o contribuinte formulou pedido de compensação, no qual indicou supostos créditos de valores pagos indevidamente ou a maior, para o pagamento de débitos administrados pela Receita Federal do Brasil. Após a não homologação das compensações, por não ter sido detectado o crédito apontado pelo contribuinte, este apresentou Manifestação de Inconformidade. A douta Delegacia de Julgamento, por sua vez, negou provimento àquela, sob o argumento de que no momento do encontro das contas, o contribuinte não tinha o crédito indicado. Ocorre, contudo, que o Recorrente retificou a sua DCTF, o que, a princípio, lhe gerou um crédito passível de liquidar os débitos apontados no pedido de compensação. No julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de São Paulo I (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação Fl. 85DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.905263/200949 Acórdão n.º 3801002.213 S3TE01 Fl. 86 6 formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ......................................................................................................... ................. É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos Fl. 86DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.905263/200949 Acórdão n.º 3801002.213 S3TE01 Fl. 87 7 processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O Fl. 87DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.905263/200949 Acórdão n.º 3801002.213 S3TE01 Fl. 88 8 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, as declarações retificadas pelo Recorrente, bem como os demais documentos por ele acostados aos autos. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF, é que se poderá ter certeza de que os créditos indicados no pedido de compensação são suficientes para liquidar os débitos, como pretendeu a Recorrente. Tendo em vista o acima exposto, e o fato de que não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos, voto por converter o julgamento em diligência à DRF para: 1. Com base nas declarações retificadas pelo Recorrente e demais documentos que entender necessários, apurar a existência dos créditos e se esses são passíveis de liquidar o débito apontado no pedido de compensação; 2. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 3. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 88DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.905263/200949 Acórdão n.º 3801002.213 S3TE01 Fl. 89 9 Voto Vencedor Sidney Eduardo Stahl – Relator designado Apesar do excelente voto da relatora, ouso dele discordar. Tenho que em geral a retificação da DCTF obrigaria a autoridade fazendária a fazer prova contrária ao seu conteúdo, no entanto, estamos diante de um pedido de compensação e nesse caso entendo que caberia ao contribuinte, no mínimo, demonstrar satisfatoriamente a origem de seu crédito. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de documentos o valor e a origem do seu crédito. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento, por intermédio da presente compensação. Ademais, do mesmo modo que o Decreto n.º 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral, a saber: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recairia sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida, sendo imprescindível que as provas e argumentos tivessem sido carreadas aos autos. No caso em tela, a Recorrente limitouse a apresentar uma planilha indicativa dos supostos valores recolhidos à maior, sendo certo de que referida documentação não possui o condão de conferir a liquidez e a certeza necessárias ao deferimento da compensação. Não sendo apresentadas provas das alegações através de documentação hábil há que se negar o pedido realizado. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.905263/200949 Acórdão n.º 3801002.213 S3TE01 Fl. 90 10 Ante o acima exposto, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Relator designado Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10805.001877/2005-29
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. LANÇAMENTO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGULAR NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO DENTRO DO PRAZO DE CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA.
O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Aplicação da Súmula CARF nº 38. A intimação do lançamento dentro do prazo de cinco anos a contar do fato gerador implica considerar respeitado o prazo decadencial. A matéria já foi pacificada no âmbito desse Colegiado e do CARF, bem como foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, cujo recurso representativo de controvérsia sobre o prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento foi julgado no Recurso Especial Nº 973.733 - SC. Aplica-se a norma do art. 62-A do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). O contencioso administrativo não interfere na definição da decadência.
IRPF. LANÇAMENTO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO DE CONSUMO, ACRÉSCIMO PATRIMONIAL OU SINAL EXTERIOR DE RIQUEZA. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Na espécie de lançamento em questão, não se exige da Fiscalização provar acréscimo patrimonial ou sinal exterior de riqueza.
IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS.
Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. In casu, o contribuinte não se desincumbiu do ônus de provar a origem dos recursos.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-002.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencido, em preliminar, o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández que suscitou nulidade por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários da contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 IRPF. LANÇAMENTO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGULAR NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO DENTRO DO PRAZO DE CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Aplicação da Súmula CARF nº 38. A intimação do lançamento dentro do prazo de cinco anos a contar do fato gerador implica considerar respeitado o prazo decadencial. A matéria já foi pacificada no âmbito desse Colegiado e do CARF, bem como foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, cujo recurso representativo de controvérsia sobre o prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento foi julgado no Recurso Especial Nº 973.733 - SC. Aplica-se a norma do art. 62-A do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). O contencioso administrativo não interfere na definição da decadência. IRPF. LANÇAMENTO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO DE CONSUMO, ACRÉSCIMO PATRIMONIAL OU SINAL EXTERIOR DE RIQUEZA. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Na espécie de lançamento em questão, não se exige da Fiscalização provar acréscimo patrimonial ou sinal exterior de riqueza. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. In casu, o contribuinte não se desincumbiu do ônus de provar a origem dos recursos. Recurso negado.
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LANÇAMENTO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGULAR NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO DENTRO DO PRAZO DE CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Aplicação da Súmula CARF nº 38. A intimação do lançamento dentro do prazo de cinco anos a contar do fato gerador implica considerar respeitado o prazo decadencial. A matéria já foi pacificada no âmbito desse Colegiado e do CARF, bem como foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, cujo recurso representativo de controvérsia sobre o prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento foi julgado no Recurso Especial Nº 973.733 SC. Aplicase a norma do art. 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). O contencioso administrativo não interfere na definição da decadência. IRPF. LANÇAMENTO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO DE CONSUMO, ACRÉSCIMO PATRIMONIAL OU SINAL EXTERIOR DE RIQUEZA. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Na espécie de lançamento em questão, não se exige da Fiscalização provar acréscimo patrimonial ou sinal exterior de riqueza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 18 77 /2 00 5- 29 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. In casu, o contribuinte não se desincumbiu do ônus de provar a origem dos recursos. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencido, em preliminar, o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández que suscitou nulidade por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários da contribuinte. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) dos exercícios 2001, 2002 e 2003, anoscalendário 2000, 2001 e 2002, em virtude de apuração de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação as quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme,termo de verificação (fls. 229/233). Na primeira instância foram rejeitadas as preliminares de nulidade do lançamento, apreciadas as alegações do contribuinte considerouse que estas não foram comprovadas e, consequentemente, não foi comprovada a origem dos depósitos, o que também afasta a alegação de que deveriam ser tributados como atividade rural, entretanto em obediência à estrita legalidade foram excluídos do lançamento os depósitos inferiores a R$12.000,00 cuja soma em cada anocalendário não atingiu R$80.000,00, de forma que exonerou os créditos tributários dos anocalendário 2000 e 2001, restando somente em litígio o anocalendário 2002. Ciência do acórdão em 19/03/2009. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10805.001877/200529 Acórdão n.º 2802002.757 S2TE02 Fl. 397 3 A peça recursal, protocolada em 14/04/2009, em síntese, tem os seguintes argumentos: 1. decadência pois a impugnação não suspende a fluência do prazo de decadência e o lançamento somente é definitivo após a decisão final no processo administrativo; 2. impossibilidade de lançamento com base em depósitos bancários sem comprovação da existência de acréscimo patrimonial ou sinal exterior de riqueza, pois depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto sobre a renda; cita precedentes; e 3. os recursos transitaram pela sua conta sem acrescerem seu patrimônio, bem como não se levou em conta a saída de créditos, quase sempre de imediato, bem como os diversos cheques que foram devolvidos, que constam nos mesmos extratos utilizados para lavratura do auto de infração. Requer intimação dos patronos para tomarem ciência do dia da sessão de julgamento, tendo em vista o interesse de realizar sustentação oral, o que desde já requer. O julgamento foi sobrestado por meio da Resolução 2802000.093, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. De início, registro que segundo as norma aplicáveis ao julgamento no CARF, a intimação da sessão de julgamento se dá com a publicação no Diário Oficial da União, e não de forma pessoal como requer o recorrente. Após a decisão recorrida a autuação subsiste exclusivamente em relação ao anocalendário 2002. Não obstante, o recorrente insurgese contra a autuação nos três ano calendário em bloco, ao invés de apontar objetivamente as razões em relação tão somente ao que está em litígio. Desta forma, não são conhecidas alegações referentes aos períodos já excluídos da autuação. Anotese que as decisões do STF em controle difuso de constitucionalidade proferidas fora da sistemática do art. 543B do CPC (art. 62A do Regimento Interno do CARF) não vinculam os membros do CARF. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 De outro giro, a interpretação sistemática do Regimento Interno do CARF é no sentido de que a possibilidade de o CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou Decreto sob fundamento de inconstitucionalidade é medida excepcional e que, na matéria sob apreciação, não se pode tomar como declaração de inconstitucionalidade por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal (inciso I do parágrafo único do art. 62 do RICARF) a decisão dada no RE389.808/PR, uma vez que o Recurso Extraordinário designado como paradigma e ainda pendente de julgamento é o de nº 601314, este sim, uma vez julgado e com trânsito em julgado, será de reprodução obrigatória. Por estas razões, deve ser rejeitada a preliminar suscitada, em sessão de julgamento, pelo Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez, que foi vencido, decorrente da decisão no RE389.808/PR, quanto à nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários do contribuinte. Da decadência A forma de contagem do prazo decadencial na qual se ampara o recorrente é equivocada. A contencioso administrativo não interfere na definição da decadência. A matéria já foi pacificada no âmbito desse Colegiado e do CARF, bem como foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, cujo recurso representativo de controvérsia sobre o prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento foi julgado no Recurso Especial Nº 973.733 – SC. Aplicase a norma do art. 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). A intimação do lançamento ocorreu no dia 12/12/2005 (fls. 238), passados menos de cinco anos da data do fato gerador (§4º do art. 150 do CTN), de forma que foi respeitado o prazo de decadência relativo ao anocalendário 2002. Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Da tributação com base em depósitos bancários Quanto aos precedentes indicados, anotese que o recorrente não comprovou que se referem a fatos geradores regidos pela Lei 9.430/1996. Tais precedentes, ou se reportam à legislação vigente anteriormente à lei 9.430/1966 ou foram superados pela jurisprudência sumulada no CARF abaixo transcrita e de reprodução obrigatória neste Conselho. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Na espécie de lançamento em questão, não se exige da Fiscalização provar acréscimo patrimonial ou sinal exterior de riqueza. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10805.001877/200529 Acórdão n.º 2802002.757 S2TE02 Fl. 398 5 O art. 42 da lei 9.430/1996 estabelece inversão no ônus probatório. Uma vez intimado, caberia ao contribuinte comprovar a origem dos recursos. Das alegações sobre a origem dos recursos. Em sede recursal, as alegações que objetivam comprovar a origem dos recursos são superficiais. O recorrente limitase a alegar que os recursos transitaram pela sua conta sem acrescerem seu patrimônio; que não se levou em conta a saída de créditos, quase sempre de imediato e que houve devolução de diversos cheques, o que teria constado nos mesmos extratos utilizados para lavratura do auto de infração. Como o recorrente elaborou um recurso voluntário para todos os ano calendário, e somente um deles está em litígio, suas alegações funcionaram como um nuvem de fumaça, que se dissipa com a análise da relação de depósitos do ano que importa, o calendário 2002 (fls. 165/166). Não há indicação de cheques devolvidos. Caberia ao recorrente apontar quais os cheques devolvidos. A comprovação exigida do contribuinte referese à origem dos recursos, e não a saída. De todo modo, caberia ao recorrente apontar objetivamente quais os débitos realizados em 2002 que poderiam comprovar a origem e a qual crédito se referiria. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. O recorrente não se desincumbiu do ônus imposto pela presunção legal. Devese, portanto, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 444DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.727089/2012-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
FATOS COM REPERCUSSÃO EM PERÍODOS FUTUROS. DECADÊNCIA. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA.
É legítimo o exame, pelo fisco, de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial, no caso, volta-se apenas à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato.
SIMULAÇÃO POR VÍCIO DE CAUSA. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE.
Na simulação por vício de causa, inexiste o falseamento ou a manipulação de aspectos relevantes dos negócios jurídicos. As partes deixam às claras as formas jurídicas empregadas. É incabível a qualificação da multa aplicada porque não se concretizam condutas como a sonegação ou a fraude penais.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. INOCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, firmando-se o entendimento de inocorrência de dolo, e tendo ficado assentado na discussão a existência de pagamento antecipado, aplica-se a regra decadencial do art. 150, §4o, do CTN, contando-se o prazo fatal de cinco anos a partir do fato gerador.
Assim, para o ano de 2006, com fato gerador em 31/12/2006, está decaído o lançamento cientificado apenas em 4/10/2012.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE DOLO. IMPOSSIBILIDADE.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.
Nesse sentido, afastada a qualificação da penalidade sob o argumento de inexistência de dolo, perde-se o fundamento da acusação de prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei, devendo-se afastar a imputação de responsabilidade solidária aos sócios.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO.
É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento.
Numero da decisão: 1102-001.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e de preclusão do direito do fisco de investigar atos ocorridos em períodos abrangidos pela decadência, e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial aos recursos, para desqualificar a multa de ofício, e, nesta conformidade, reconhecer a decadência com relação ao ano calendário de 2006, e afastar a responsabilidade dos sócios Orlando von der Osten e Marise Osório von der Osten, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé (relator), e Antonio Carlos Guidoni Filho, que negavam provimento. Acompanharam o relator pelas conclusões: o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, no tocante à análise do mérito do lançamento, e o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, por entender que a sujeição passiva tributária deveria ser atribuída aos sócios em caráter subsidiário, e não solidário, com relação à contribuinte. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Evande Carvalho Araujo.
Documento assinado digitalmente.
JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente e Relator.
Documento assinado digitalmente.
JOSÉ EVANDE CARVALHO ARAUJO - Redator designado.
Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 FATOS COM REPERCUSSÃO EM PERÍODOS FUTUROS. DECADÊNCIA. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. É legítimo o exame, pelo fisco, de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial, no caso, volta-se apenas à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato. SIMULAÇÃO POR VÍCIO DE CAUSA. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. Na simulação por vício de causa, inexiste o falseamento ou a manipulação de aspectos relevantes dos negócios jurídicos. As partes deixam às claras as formas jurídicas empregadas. É incabível a qualificação da multa aplicada porque não se concretizam condutas como a sonegação ou a fraude penais. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. INOCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, firmando-se o entendimento de inocorrência de dolo, e tendo ficado assentado na discussão a existência de pagamento antecipado, aplica-se a regra decadencial do art. 150, §4o, do CTN, contando-se o prazo fatal de cinco anos a partir do fato gerador. Assim, para o ano de 2006, com fato gerador em 31/12/2006, está decaído o lançamento cientificado apenas em 4/10/2012. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE DOLO. IMPOSSIBILIDADE. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Nesse sentido, afastada a qualificação da penalidade sob o argumento de inexistência de dolo, perde-se o fundamento da acusação de prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei, devendo-se afastar a imputação de responsabilidade solidária aos sócios. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e de preclusão do direito do fisco de investigar atos ocorridos em períodos abrangidos pela decadência, e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial aos recursos, para desqualificar a multa de ofício, e, nesta conformidade, reconhecer a decadência com relação ao ano calendário de 2006, e afastar a responsabilidade dos sócios Orlando von der Osten e Marise Osório von der Osten, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé (relator), e Antonio Carlos Guidoni Filho, que negavam provimento. Acompanharam o relator pelas conclusões: o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, no tocante à análise do mérito do lançamento, e o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, por entender que a sujeição passiva tributária deveria ser atribuída aos sócios em caráter subsidiário, e não solidário, com relação à contribuinte. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Evande Carvalho Araujo. Documento assinado digitalmente. JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente e Relator. Documento assinado digitalmente. JOSÉ EVANDE CARVALHO ARAUJO - Redator designado. Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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IMPORTADORA E DISTRIBUIDORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Não havendo inovação por parte da decisão de primeira instância, e encontrandose ela devida e suficientemente fundamentada, inexiste nulidade apenas pelo fato de não terem sido rebatidos, um a um, todos os argumentos de direito apresentados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. SIMULAÇÃO. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem a alteração do controle das sociedades envolvidas, sem qualquer desembolso e com a utilização de empresa inativa ou de curta duração (sociedade veículo) constitui prova da artificialidade do ágio e torna inválida sua amortização, sem que seja necessário demandar a nulidade das operações societárias praticadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 FATOS COM REPERCUSSÃO EM PERÍODOS FUTUROS. DECADÊNCIA. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. É legítimo o exame, pelo fisco, de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial, no caso, volta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 70 89 /2 01 2- 64 Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 3 2 se apenas à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato. SIMULAÇÃO POR VÍCIO DE CAUSA. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. Na simulação por vício de causa, inexiste o falseamento ou a manipulação de aspectos relevantes dos negócios jurídicos. As partes deixam às claras as formas jurídicas empregadas. É incabível a qualificação da multa aplicada porque não se concretizam condutas como a sonegação ou a fraude penais. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. INOCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, firmandose o entendimento de inocorrência de dolo, e tendo ficado assentado na discussão a existência de pagamento antecipado, aplicase a regra decadencial do art. 150, §4o, do CTN, contandose o prazo fatal de cinco anos a partir do fato gerador. Assim, para o ano de 2006, com fato gerador em 31/12/2006, está decaído o lançamento cientificado apenas em 4/10/2012. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE DOLO. IMPOSSIBILIDADE. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Nesse sentido, afastada a qualificação da penalidade sob o argumento de inexistência de dolo, perdese o fundamento da acusação de prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei, devendose afastar a imputação de responsabilidade solidária aos sócios. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e de preclusão do direito do fisco de investigar atos ocorridos em períodos abrangidos pela decadência, e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento Fl. 1878DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 4 3 parcial aos recursos, para desqualificar a multa de ofício, e, nesta conformidade, reconhecer a decadência com relação ao ano calendário de 2006, e afastar a responsabilidade dos sócios Orlando von der Osten e Marise Osório von der Osten, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé (relator), e Antonio Carlos Guidoni Filho, que negavam provimento. Acompanharam o relator pelas conclusões: o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, no tocante à análise do mérito do lançamento, e o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, por entender que a sujeição passiva tributária deveria ser atribuída aos sócios em caráter subsidiário, e não solidário, com relação à contribuinte. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Evande Carvalho Araujo. Documento assinado digitalmente. JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ – Presidente e Relator. Documento assinado digitalmente. JOSÉ EVANDE CARVALHO ARAUJO Redator designado. Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por O.V.D. IMPORTADORA E DISTRIBUIDORA LTDA, contra acórdão proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/CuritibaPR, cuja ementa a seguir se transcreve: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. FUNDAMENTO ECONÔMICO EM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. AUSÊNCIA DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. É descabida a amortização de ágio interno, com fundamento econômico em expectativa de rentabilidade futura da empresa investida, pois não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica na operação, da falta de pagamento na aquisição da participação societária e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. ÁGIO COM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. SOMENTE O ÁGIO EFETIVAMENTE PAGO PODE SER AMORTIZADO. RECUPERAÇÃO DO CAPITAL APLICADO. Fl. 1879DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 5 4 É condição indispensável para apuração do ágio que haja sempre um preço ou custo de aquisição, ou seja, um dispêndio para se obter algo de terceiros; somente o ágio efetivamente pago, com expectativa de rentabilidade futura, pode ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou pelos lucros futuros da investida, cujos valores não representam um ganho efetivo, já que a investidora por eles pagou antecipadamente, mas uma recuperação do capital aplicado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUIU O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. Os sócios controladores devem compor o rol dos responsáveis solidários pelo crédito tributário em face de terem interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, além de as obrigações tributárias resultarem de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, porquanto participaram diretamente de todas as operações que possibilitaram à interessada amortizar o ágio gerado artificialmente sobre o seu próprio patrimônio líquido, tendo sido beneficiados, mediante remuneração e distribuição de lucros e dividendos, com os ganhos indevidos de natureza tributária decorrentes da amortização desse ágio interno. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. ESTIMATIVAS MENSAIS. Caracterizada a existência de dolo, fraude ou simulação, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN, tendo como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. POSSIBILIDADE DE FISCALIZAÇÃO DE FATOS OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. EFEITOS TRIBUTÁRIOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. Os contribuintes estão sujeitos à fiscalização de fatos ocorridos há mais de cinco anos, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando houver repercussão de seus efeitos em exercícios futuros ainda não decaídos; assim, não há como se iniciar a contagem do prazo decadencial no momento da constituição do ágio interno, pois não havia ainda crédito tributário algum a ser constituído; apenas com o início da amortização do ágio interno passou a haver redução indevida do resultado tributável, quando, então, foi iniciada a contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública efetuar o pertinente lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizado o intuito de fraude para possibilitar à contribuinte a amortização de ágio gerado artificialmente sobre o seu próprio patrimônio líquido, pois os sócios administradores estavam perfeitamente conscientes da falta de propósito negocial do ágio gerado em operações realizadas intragupo, em transações que não se revestem de substância econômica, sem efetivo pagamento e da indispensável independência entre as partes. DECORRÊNCIA. CSLL. Fl. 1880DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 6 5 Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL; a falta de fundamento, tanto nos seus aspectos contábeis como no âmbito tributário, para o ágio constituído com base em expectativa de rentabilidade futura tornam indedutíveis os encargos com sua amortização. O lançamento fiscal, consoante o exposto no Termo de Verificação e Encerramento de ação Fiscal (fls. 905935) decorre da glosa das despesas com a amortização de ágio reputado fictício, com reflexos na apuração do IRPJ e da CSLL devidos pelo contribuinte. As infrações foram apenadas com a multa qualificada (150%), em face do evidente intuito de fraude, e foram lavrados, contra os sócios administradores da pessoa jurídica fiscalizada Orlando von der Osten e Marise Osório von der Osten, termos de sujeição passiva solidária, uma vez que estes praticaram os atos que forjaram, de forma fraudulenta, o ágio combatido na autuação fiscal. De acordo com o relato fiscal, no curto espaço de dez dias, entre 20 e 29 de dezembro/2004, os sócios/quotistas da fiscalizada, utilizando duas razões sociais inativas controladas pelos mesmos, simularam atos societários que originaram o ágio fictício combatido no procedimento fiscal. As pessoas jurídicas utilizadas, a cronologia dos eventos e os instrumentos que resultaram na sonegação de tributos federais entre os anoscalendário 2005 a 2009 são descritos em minúcias ao longo do relatório. Em apertada síntese: Até 29/11/2004, Orlando von der Osten e sua esposa Marise Osório von der Osten eram únicos quotistas das seguintes pessoas jurídicas: OVD Importadora e Distribuidora Ltda (OVD, ou recorrente), Osten Ferragens Ltda, e Dismatal Distribuidora Ltda. A OVD Importadora e Distribuidora é empresa criada em 1968 e que concentra as atividades comerciais do grupo econômico. Em 29/11/2004, através da 41a Alteração Contratual, o casal von der Osten transfere uma pequena parcela dos R$11.694.000,00 relativos às quotas sociais que então detinham na fiscalizada para os seus três filhos. Em 20/12/2004, todas as quotas sociais, com exceção de 5 quotas individualmente mantidas em nome das pessoas físicas, foram transferidas para a Osten Ferragens Ltda, empresa criada em 2001, com capital de R$1.000,00, e que se declarava inativa desde a sua constituição. Com isto, a Osten Ferragens constituiuse em controladora da OVD. A 42a Alteração Contratual da OVD, datada de 20/12/2004, reflete esta nova situação. A Dismatal Distribuidora Ltda foi a empresa veículo do ágio simuladamente criado. Igualmente criada em 2001, com capital de R$1.000,00, também se declarava inativa desde a sua constituição. Em 23/12/2004, as quotas detidas pela Osten Ferragens na OVD foram transferidas para a Dismatal, cujo capital social foi então aumentado de R$1.000,00 para Fl. 1881DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 7 6 R$134.581.875,00. O valor atribuído às quotas entregues em aumento de capital leva em conta o valor econômico da OVD, apurado em laudo de avaliação de empresa especializada, elaborado com base na rentabilidade futura, e datado de 16/12/2004. A 43a Alteração Contratual da OVD, datada de 23/12/2004, reflete esta nova situação. Em 28/12/2004, é elaborado o laudo de avaliação do acervo líquido da Dismatal, a valores contábeis de 27/12/2004, por empresa especializada, para fins de incorporação desta pela OVD. Na mesma data é firmado também o Protocolo e Justificativa de Incorporação da Dismatal pela OVD. A incorporação é efetivada, e a 44a Alteração Contratual da OVD, datada de 29/12/2004, reflete a nova situação. Com a incorporação da Dismatal pela OVD, o ágio passa a integrar a contabilidade da OVD, iniciandose a sua amortização a partir de 2005. De se registrar que o ano de 2005 não foi lançado de ofício pela fiscalização em face da decadência do direito de o fisco constituir o crédito tributário relativo a este ano. A autuação foi integralmente mantida pela DRJ, com base nos fundamentos sinteticamente expostos na ementa ao norte transcrita. Em sede de impugnação (fls. 9771079) e recurso (fls. 14371554), aduz a recorrente, em síntese, os argumentos a seguir expostos. Em sede de preliminares, argui a preclusão da possibilidade de o fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio, uma vez que somente tomou ciência dos autos de infração em 04/10/2012. E, no mérito: A operação não pode ser analisada apenas do ponto de vista da validade dos atos societários considerados isoladamente, “quadro a quadro”, sendo necessário analisála como um todo (o “filme”), para que se possa compreender o propósito negocial e econômico das operações societárias realizadas que deram origem à amortização do ágio. Um dos objetivos da reestruturação societária perpetrada foi o reforço da estrutura patrimonial da Recorrente, haja vista que, com a extinção da correção monetária do balanço, as suas demonstrações financeiras encontravamse defasadas e não refletiam sua realidade patrimonial. A avaliação do seu patrimônio a valor de mercado confere solidez às suas demonstrações financeiras, com importantes reflexos junto a bancos, fornecedores e clientes. A reestruturação societária também permitiu ao grupo da Recorrente organizarse de maneira mais eficiente e racional, de modo a reduzir custos e aumentar sua lucratividade. A avaliação a valor de mercado das quotas detidas pela Osten Ferragens na OVD, e conferidas em aumento de capital na Dismatal, foi feita em conformidade com o Laudo de Avaliação Econômica Financeira elaborado pela elaborado pela Investiplan Planejamento Empresarial em 16/12/2004, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, tendo como database 30/11/2004. O fato de o laudo ter sido destinado à empresa Fl. 1882DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 8 7 avaliada (OVD), e não à empresa que viria a adquirir o seu controle societário (Dismatal) é mero aspecto formal, e não é apto a infirmar o ágio pago com base nas conclusões extraídas desse laudo. Ademais, o fato de o laudo ser anterior às operações societárias, longe de ser um indicativo de fraude, reflete apenas a ordem natural das coisas. Esta etapa da reorganização societária (integralização de capital com a avaliação da Recorrente a seu valor de mercado) se deu exatamente nos termos do quanto prescrito pelo art. 36 da Lei n° 10.637/02, tanto é assim que nessa operação a Osten Ferragens apurou ganho de capital, cuja tributação foi diferida com base no referido artigo. Com a incorporação da Dismatal pela recorrente, esta teve o seu capital aumentado em R$38.874.737,00. Longe de se tratar da “capitalização do valor sonegado”, conforme afirmou a fiscalização, tratase do valor do acervo líquido, a valores contábeis, da empresa a ser incorporada, apurado conforme laudo de avaliação elaborado pela Cartema Brasil Consultoria Empresarial S/S Ltda. Em uma reavaliação de investimento nos termos do art. 36 da Lei n° 10.637/02, tal como a realizada, se de um lado apurase ganho de capital tributável (ainda que sua tributação seja diferida para momento posterior), certo é que na outra ponta da operação será apurado ágio, decorrente da diferença entre o valor pelo qual o investimento foi reavaliado e o valor patrimonial do referido investimento. Ganho de capital e ágio são, assim, duas faces de uma mesma realidade indissociável, que se perfaz na reavaliação de um investimento, efetivada nos moldes do art. 36 da Lei n° 10.637/02. Não se trata, portanto, de um “planejamento tributário”, mas sim de uma “opção legal” do contribuinte (hipótese de conduta positivamente autorizada pelo ordenamento, conforme o entendimento do Professor Marco Aurélio Greco). O ágio interno é respaldado pelo Direito, pela legislação societária, e pela legislação tributária. Há limites para a aplicação da ciência contábil pelo direito, não se podendo consagrar o entendimento contábil como sendo sempre válido para fins de aplicação da legislação societária e tributária. Para o Direito Contábil Societário, o ágio ou deságio decorre da diferença entre o valor de aquisição e o valor patrimonial da participação societária adquirida, quando se adota o registro da participação societária pelo Método da Equivalência Patrimonial – MEP, sendo irrelevante o fato de as partes serem vinculadas ou não. A existência de partes vinculadas pode fazer com que determinadas operações sejam tratadas de forma diferenciada pelo Direito Tributário, de forma a evitar que essas operações sejam realizadas fora dos padrões de mercado. Este é o caso das regras de distribuição disfarçada de lucros e de preços de transferência. Contudo, não há qualquer dispositivo previsto na legislação tributária que estabeleça algum tratamento diferenciado para a integralização de capital social entre partes vinculadas. Ademais, no caso, as operações em questão já foram realizadas justamente conforme os parâmetros de mercado. A aquisição pode se dar por várias formas, não apenas pela compra e venda, com pagamento em espécie, mas também por conferência de bens em integralização de capital por subscrição de novas quotas. Neste caso, o custo de aquisição nada mais é do que o valor do capital aumentado e subscrito, o qual foi corretamente desmembrado em valor do investimento pela equivalência patrimonial e ágio. Fl. 1883DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 9 8 O artigo subscrito pelo Professor Eliseu Martins e por Jorge Vieira da Costa Júnior foi equivocadamente interpretado pelas autoridades fiscais para dar suporte ao lançamento fiscal de glosa do ágio interno, mas o entendimento ali exarado foi justamente no sentido de que a legislação tributária dá respaldo e sentido econômico para a operação da geração do ágio interno. Neste sentido é também a jurisprudência do CARF, estampada no Acórdão 110100.708, de 11/04/2012. As normas da CVM e os pronunciamentos do CPC, invocados pela fiscalização e decisão recorrida, estão preocupados apenas com a questão contábil, não tendo qualquer efeito na questão tributária. Deve ser conferida isonomia com o tratamento fiscal dado ao deságio gerado em operações societárias dentro do mesmo grupo, uma vez que a Receita Federal já se manifestou no sentido de que este deságio deveria ser tributado mesmo que fosse gerado em uma operação interna (Acórdão n° 10807.684). Não se pode dar tratamento desigual para situações idênticas. A participação da empresa Dismatal (denominada pela fiscalização e decisão recorrida como “empresa veículo”) na operação em questão é absolutamente necessária e justificada na configuração posta pelo art. 36 da Lei n° 10.637/02, pois, para a aplicação do referido artigo, obrigatoriamente tem de haver três empresas na operação: a investidora (no caso, a Osten), a empresa que será reavaliada (no caso, a Recorrente), e a empresa que receberá o investimento reavaliado (no caso, a Dismatal). O art. 299 do RIR/99, invocado pela fiscalização, não se presta a fundamentar a glosa das despesas relativas à amortização do ágio, ante a existência de dispositivos legais específicos à matéria (artigo 386, inciso III, § 2o, do RIR/99), os quais se sobrepõem ao dispositivo genérico ali previsto. Neste aspecto, o acórdão da DRJ foi omisso, pois apenas relatou que tal argumento havia sido invocado pela Recorrente, furtandose à sua tarefa de analisálo e deixando de emitir opinião sobre o assunto. Com isto, a decisão recorrida tornouse nula, por cerceamento do direito de defesa. Não houve simulação, pois nenhum ato praticado apresenta vontade diferente da aparentemente manifestada, bem como nenhum ato contém qualquer declaração ou cláusula não verdadeira. Ademais, a simulação não se presume e nem se prova por meio de indícios. Tampouco houve fraude, sonegação, ou conluio, pois não houve dolo ou intuito fraudulento, nem foi realizada qualquer operação com o intuito de prejudicar terceiros, muito menos o Fisco, não podendo prosperar a multa agravada. Todos os atos societários relacionados à operação foram levados a registro, todas as informações foram prestadas ao Fisco Federal por meio das declarações e obrigações acessórias, e todos os documentos necessários à investigação foram oferecidos ao agente fiscal. Demonstrada a não ocorrência de quaisquer das condutas ensejadoras da aplicação da multa agravada, verificase que os créditos tributários relativos ao anocalendário de 2006 não mais poderiam ser exigidos, em razão do decurso do prazo decadencial. Ad argumentandum, alega inexistir previsão legal para adição da despesa com amortização do ágio na base de cálculo da CSLL, bem como para cobrança dos juros de mora calculados com base na taxa Selic sobre a multa de ofício lançada. Fl. 1884DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 10 9 Finaliza pleiteando o cancelamento integral dos autos de infração lavrados, ou, subsidiariamente: (i) o reconhecimento da preclusão do direito do Fisco questionar os lançamentos contábeis que deram origem ao ágio; (ii) o cancelamento da multa de ofício agravada, pela inexistência de simulação, fraude, sonegação ou dolo e, consequentemente, (iii) o cancelamento das autuações com relação anobase de 2006 em razão do decurso do prazo decadencial; (iv) o cancelamento da autuação referente à CSLL, por ausência de fundamento legal; e (v) a exclusão dos juros sobre a multa. Os sócios administradores Orlando von der Osten e Marise Osório Von der Osten, aos quais foi atribuída responsabilidade solidária pelos créditos tributários constituídos, também apresentaram defesa, cujos argumentos apresentados nos recursos (fls. 16661686 e fls. 17411761, respectivamente), podem ser assim sintetizados: O recurso voluntário apresentado pela OVD Importadora e Distribuidora Ltda deve ser considerado parte integrante da presente defesa. A inclusão de responsáveis tributários no polo passivo da obrigação tributária não é competência do Agente Fiscal, mas sim exclusivamente da Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do artigo 4o, inciso V, da Lei n° 6.830/80, razão pela qual o auto de infração, ora combatido, deveria ter sido lavrado apenas em nome da pessoa jurídica que formalmente realizou os atos combatidos. A sujeição passiva antes do encerramento do processo administrativo gera significativo ônus às pessoas físicas envolvidas. Não se verifica no caso a presença do interesse comum previsto no art. 124, I, do CTN, apto a dar ensejo à responsabilidade solidária, pois para isto é imprescindível que as partes consideradas se encontrem lado a lado na relação jurídicotributária, sendo insuficiente o mero interesse fático eventual de determinada parte. A responsabilização de acionistas e administradores de uma pessoa jurídica somente pode ocorrer diante da comprovação da prática de atos contrários à lei e aos estatutos da empresa. O Agente Fiscal esquivouse de comprovar quais teriam sido os atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, limitandose a afirmar que os impugnantes participaram do processo decisório relativo às operações que teriam culminado na suposta redução indevida de tributos. Ainda que a OVD, em virtude dos atos que contaram com a participação dos mencionados recorrentes, tenha deixado de recolher tributos, o fato é que a infração de lei a que faz referência o art. 135 do CTN não pode ser entendida como a mera ausência de pagamento de tributo. Finalizam requerendo o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões aos recursos (fls. 18271875) defendendo a manutenção integral dos lançamentos, da multa qualificada, dos juros sobre a multa, e da imputação de responsabilidade solidária aos sócios administradores. Ad argumentandum, sustenta que, ainda que se considere as despesas com amortização de ágio dedutíveis para fins de IRPJ, devese têlas por indedutíveis da base de cálculo da CSLL, em vista da inexistência de norma expressa que autorize a sua dedução. Fl. 1885DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 11 10 Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Os recursos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. Preliminares Inicialmente, devese analisar o argumento recursal de nulidade da decisão recorrida, por não terem sido apreciados os seus argumentos quanto à inaplicabilidade de um dos dispositivos invocados pela fiscalização (art. 299 do RIR/99) para fundamentar a glosa das despesas relativas à amortização do ágio. Não assiste razão à recorrente. O argumento da recorrente é o de que há dispositivos legais específicos que versam sobre a dedutibilidade das despesas com ágio decorrente da aquisição de investimentos. Ocorre que esses dispositivos legais específicos, a que alude a recorrente (arts. 385 e 386 do RIR/99), também foram analisados e esmiuçados na autuação fiscal, em que se demonstrou que as operações em questão não se enquadravam no quanto neles exposto. O item 4 do Termo de Verificação Fiscal (Concepção Legal e Econômica de Ágio), aliás, inicia justamente com a transcrição dos referidos dispositivos. Apenas como argumento subsidiário, dentro deste item do relatório, aborda a fiscalização a questão relativa ao art. 299. Confirase: “Uma outra consideração deve ser ressaltada. Além de originada em ágio gerado internamente, esta despesa deve ser avaliada como desnecessária, portanto indedutível. O art. 299 do RIR/99 dispõe acerca das despesas necessárias: (...)” Ou seja, uma vez que o ágio em questão não poderia ser deduzido, em face de sua artificialidade, acrescentou a fiscalização que as correspondentes despesas com sua amortização também não preenchiam, portanto, os requisitos gerais de dedutibilidade, previstos no art. 299 do RIR/99. Não deixa de ser uma maneira de se ver a questão. O fato de a decisão recorrida não terse manifestado expressamente sobre o art. 299 do RIR/99 não caracteriza qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente, o qual foi amplamente exercido ao longo de todo o contencioso. Isto porque, em primeiro lugar, a autoridade julgadora a quo em nenhum momento valeuse do referido dispositivo para sustentar a procedência dos lançamentos efetuados, o que, em última análise, é exatamente o que está a demandar a recorrente (inaplicabilidade do dispositivo para fundamentar a autuação). Assim, por esta ótica, podese mesmo entender que a autoridade recorrida teria concordado com o argumento da recorrente. Fl. 1886DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 12 11 Por outro lado, é cediço que, tendo a autoridade julgadora encontrado motivação suficiente para que seja proferida a decisão, não é necessário que se ponha a rebater, um por um, todos os argumentos de defesa apresentados. Se a decisão não inovar com relação aos fundamentos utilizados na autuação, e estiver devidamente fundamentada, não há que se falar em nulidade por este motivo. Improcedente, portanto, o argumento. Em sede de preliminares, argui a recorrente a preclusão da possibilidade de o fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio, uma vez que somente tomou ciência dos autos de infração em 04/10/2012. Não lhe assiste razão. Não há dúvidas de que o fisco possui a prerrogativa de examinar fatos passados, mesmo que muito distantes no tempo, desde que deles extraia e atribua repercussão tributária apenas aos exercícios ainda não atingidos pela decadência. Neste sentido alinhamse tanto o art. 195 do CTN, quanto o art. 37 da Lei no 9.430/96, ao expressamente determinarem a guarda, pelo contribuinte, de todos os documentos relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros “até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios”. Em comentário ao § 3º do art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99, que tem por base legal o art. 37 da Lei no 9.430/96, seus autores ilustram com o seguinte exemplo a aplicabilidade do dispositivo em questão: “1 – GUARDA DE COMPROVANTES PRAZO – Esse dispositivo não representa uma “nova regra de decadência”, como a primeira vista aparenta. A compensação de prejuízo fiscal é um bom exemplo para ilustrar a sua aplicação. Deveras, a compensação de prejuízo fiscal, com a atual limitação de 30% do lucro real ajustado, pode levar, por exemplo, mais de 10 anos para esgotar o saldo do prejuízo apurado num exercício. Se essa compensação findarse no décimo ano, a empresa deve fazer a comprovação da existência desse prejuízo no momento de sua compensação (décimo ano), apresentando a documentação de 10 anos atrás para comprovar a geração pretérita do prejuízo. Contando do décimo ano (ano em que se operou a compensação), o Fisco tem cinco anos para fiscalizar esse fato, agindo portanto no período ainda não atingido pela decadência. Se não for comprovada a existência do prejuízo compensado, haverá a glosa dessa compensação. Todavia, o resultado do períodobase em que se originou o prejuízo (10 anos atrás) não pode ser atingido pela fiscalização, pois está protegido pela decadência.” 1 Neste mesmo sentido, a jurisprudência do CARF a seguir transcrita: Acórdão 1102000.657, sessão de 31 de janeiro de 2012, relator Leonardo de Andrade Couto: DECADÊNCIA. FATOS COM REPERCUSSÃO EM PERÍODOS FUTUROS. 1 Ferreira, Antonio Airton. Regulamento do imposto de renda 1999 anotado e comentado: atualizado até 30 de abril de 2009/Antonio Airton Ferreira, Luiz Martins Valero, Marcos Shigeo Takata, Juliana M. O. Ono, Victor Hugo Isoldi de Mello Castanho e Marcos Vinícius Neder de Lima.12ª ed. São Paulo: FISCOsoft, 2009, pg. 264. Fl. 1887DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 13 12 É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, quando têm impacto tributário em exercícios não atingidos pela caducidade. No caso, a restrição decadencial voltase à impossibilidade do lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato. Acórdão 1102000.785, sessão de 8 de agosto de 2012, relator João Otávio Oppermann Thomé: PERDA DO DIREITO DO FISCO DE REVISAR ATOS PASSADOS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO. O transcurso do prazo decadencial, que conduz à perda do direito do fisco de praticar o ato de lançamento, não dispensa o contribuinte da guarda dos documentos que lastreiam os registros contábeis, de modo a comprovar a efetiva existência de fatos, ocorridos em períodos passados, que repercutem em exercícios futuros. Se o tempo não pode desfazer o que se consolidou, também não pode transformar em verdadeiro o que não era real. Acórdão 1402001.278, sessão de 4 de dezembro de 2012, relator Leonardo de Andrade Couto DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da amortização.Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. Claro está, portanto, que os fatos escriturados, cujos efeitos jurídicos se projetam para o futuro, podem ser objeto de verificação e análise, por parte do fisco, a qualquer tempo, independente da época que os fatos foram produzidos, pois a limitação decorrente do transcurso do prazo decadencial atinge tão somente o lançamento relativo à repercussão tributária daquele fatos, e não os próprios fatos em si. O mero registro contábil do ágio, no ativo diferido, em decorrência de uma operação societária de incorporação, fusão ou cisão, não constitui fato gerador de nenhum tributo federal. A contagem do prazo decadencial, nos termos do CTN, tem como norte o direito do Fisco de constituir o crédito tributário pelo lançamento, o qual surge com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que será constituída. No caso, com o registro contábil das amortizações daquele ágio (despesas, as quais foram consideradas indedutíveis pela fiscalização). Neste aspecto, de se observar que um dos argumentos recursais diz respeito à decadência do direito de constituir o crédito tributário pelo lançamento, com relação ao ano calendário de 2006, em razão do decurso do prazo decadencial. Entretanto, esta questão será analisada mais adiante, em razão de sua vinculação com a manutenção, ou não, da multa qualificada. Afastadas as preliminares, passo ao mérito. Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 14 13 Amortização do ágio Consoante relato efetuado, entende o fisco que o ágio registrado em conta de ativo da fiscalizada é proveniente de reavaliação econômica de seu próprio patrimônio, ou, em última análise, “ágio de si mesma”, ou “ágio interno”, surgido em transação da qual não participou um terceiro independente, e que, como tal, infringe princípios contábeis vigentes e normas fiscais que versam sobre a dedutibilidade de despesas. E, ainda, que toda a operação de reorganização societária foi articulada pelas pessoas físicas que, direta ou indiretamente, controlam o capital das empresas envolvidas, de modo a produzir situação que na aparência conduziria à subsunção dos fatos ao quanto disposto nos artigos 7o e 8o da Lei n° 9.532/97, motivo pelo qual aplicou a esta infração a multa qualificada (150%) por fraude e simulação. E a recorrente, por seu turno, sustenta que todos os dispositivos legais atinentes à matéria foram rigorosamente observados: a Dismatal desdobrou o valor do custo de aquisição das quotas da recorrente que foram integralizadas em seu capital em valor de investimento pela equivalência patrimonial (R$20.246.352,02) e ágio (R$114.334.522,98), consoante o que prevê a Lei das S/A e a Instrução CVM nº 247/96, e a própria legislação tributária (art. 20 do D.L. nº 1.598/77). Aduz, ainda, que a autuação fiscal condena as operações realizadas pela contribuinte apenas com amparo em normas contábeis, mas que, havendo previsão expressa no Direito Tributário para a regulação de determinado fenômeno (art. 36 da Lei nº 10.637/2002), quaisquer orientações decorrentes da Ciência Contábil e do Direito Contábil restam prejudicadas. E que o referido artigo, vigente à época dos fatos, permite, para fins tributários, a reavaliação de participações societárias, quando da integralização de ações subscritas, com o diferimento da tributação do IRPJ e da CSLL, sendo que nos casos de cisão e incorporação, tal como no presente caso, permite a amortização fiscal do ágio. A análise da questão afeta à dedução ou amortização do ágio ou deságio na aquisição de participação societária comporta dois distintos momentos: (i) o do surgimento deste ágio e (ii) o de sua posterior dedução ou amortização. Cediço que o ágio ou deságio surge no momento da aquisição de participação societária em sociedade coligada ou controlada que a investidora avalie pelo valor de patrimônio líquido (equivalência patrimonial). Determina a lei fiscal (DecretoLei nº 1.598/77) que, nesse momento, a investidora deve desdobrar o custo de aquisição em (i) valor de patrimônio líquido na época da aquisição, e (ii) ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo total de aquisição do investimento e o valor referido no inciso anterior, e que deverá, obrigatoriamente, indicar o seu fundamento econômico. Regra geral, a lei determina que as posteriores amortizações do ágio ou deságio não sejam computadas na determinação do lucro real, vale dizer, que essas amortizações devem ser revertidas, via adição ou exclusão ao lucro líquido, para fins fiscais (art. 25 do DecretoLei nº 1.598/77). Contudo, há situações em que a lei admite que a amortização do ágio ou deságio gere reflexos fiscais. Uma dessas situações é a que está vinculada à apuração de ganho de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 33 do DecretoLei nº 1.598/77), em que a lei determina que, no cálculo deste ganho ou perda de capital, para fins fiscais, seja considerado não somente o ágio ou Fl. 1889DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 15 14 deságio ainda não amortizado contabilmente, mas inclusive o ágio ou deságio já amortizado contabilmente, e cujo saldo vinha sendo controlado no LALUR. Outra situação é a que está vinculada à extinção da participação societária adquirida com ágio ou deságio, por força dos eventos de fusão, incorporação ou cisão. Na legislação anterior à Lei n° 9.532/97 (art. 34 do DecretoLei nº 1.598/77), esta situação era tratada como hipótese de ganho ou perda de capital (que deveria levar em consideração no seu cálculo o valor do ágio ou deságio ainda não amortizado contabilmente) e que deveria ser imediatamente reconhecido(a) para fins fiscais, ressalvadas as hipóteses de diferimento deste ganho ou perda ali expressamente previstas. Nesta situação — de extinção da participação societária por força de fusão, incorporação ou cisão — não se afigurava relevante, para fins fiscais, o fundamento econômico anteriormente atribuído ao ágio, posto que todos eles recebiam tratamento equivalente, como ganho ou perda de capital. Com a edição da Lei n° 9.532/97, as possibilidades de dedução do ágio, nos casos de incorporação, fusão ou cisão, foram sensivelmente restringidas. Vejase: após a Lei n° 9.532/97, o ágio fundamentado em rentabilidade futura não mais pode ser deduzido imediatamente como perda, senão de forma “parcelada” em, no mínimo, cinco anos; o ágio fundamentado na diferença entre o valor contábil e o valor de mercado de bens do ativo não mais pode ser deduzido imediatamente como perda, senão de forma também “parcelada”, acompanhando a depreciação, amortização, ou exaustão normal do bem; e o ágio baseado em outros fundamentos econômicos não apenas não mais pode ser deduzido imediatamente como perda, como ainda sequer pode ser amortizado ao longo do tempo. O caráter manifestamente antielisivo, portanto, constante nos artigos 7o e 8o da Lei n° 9.532/97, é confirmado pela própria exposição de motivos ao art. 8° da Medida Provisória no 1.602/97 — origem daqueles artigos, na qual o legislador expõe as suas preocupações com alguns “planejamentos tributários” engendrados exclusivamente para gerar ganhos de natureza tributária, confirase: “O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vêm utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo.” Com estas breves considerações iniciais, procurouse demonstrar como a legislação evoluiu no sentido de restringir as possibilidades e a forma de aproveitamento fiscal do ágio anteriormente pago na aquisição de participação societária. Mas retornemos à análise do momento da aquisição da participação societária, que, no caso concreto, é o mais relevante para o deslinde da questão. Fl. 1890DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 16 15 Determina a lei (DecretoLei nº 1.598/77) que o custo de aquisição da participação societária deve ser desmembrado entre o valor do patrimônio líquido e o valor do ágio ou deságio. A recorrente sustenta que isto foi feito no caso concreto, e que a aquisição pode se dar por diversas formas, não sendo necessário que ocorra o efetivo pagamento em dinheiro, podendo este ser feito em bens, como, aliás, se deu no presente caso, em que a integralização de capital na Dismatal se deu mediante a dação em pagamento das quotas da OVD detidas pela Osten Ferragens, as quais haviam sido avaliadas a valor econômico. Não há dúvidas de que o pagamento não obrigatoriamente deva ser feito em dinheiro, a lei não contém expressamente tal exigência. Contudo, nesta, como de resto em quaisquer outras operações comerciais ou societárias, há necessidade de que a operação seja real, que exista uma efetiva causa que a justifique. Aliás, não seria o fato de eventualmente o pagamento de determinada operação ser feito em dinheiro que automaticamente a tornaria lícita ou apta a produzir os efeitos almejados (a tanto basta citar o exemplo de uma nota fiscal de prestação de serviços “de favor”, emitida sem amparo na efetiva prestação de serviços, e que tenha sido efetivamente paga à emitente). Custo de aquisição pressupõe, obrigatoriamente, um efetivo ônus para o adquirente, quer seja em espécie, quer seja em bens representativos de valor econômico. Em operações conduzidas entre partes independentes, não há maiores dificuldades em identificar e reconhecer este ônus. Já em operações conduzidas entre partes relacionadas, dada a maior facilidade para que o preço (custo) da operação possa sofrer manipulação, tornase necessária uma análise mais acurada, pelo fisco, no sentido de verificar a efetiva substância econômica da operação. O CARF tem sistematicamente rechaçado as operações envolvendo a amortização de ágio gerado em operações ocorridas dentro de um grupo societário sob controle comum (o denominado “ágio interno”, ou “ágio de si mesmo”), seja sob o fundamento da prática de simulação ou, em alguns casos, do abuso de direito. Confirase, neste sentido, as ementas dos seguintes julgados, um deles desta própria Turma, transcritas em sua parte relevante: Acórdão nº 10196.724, sessão de 28 de maio de 2008, relatora Sandra Maria Faroni: ATOS SIMULADOS. PRESCRIÇÃO PARA SUA DESCONST1TUIÇÃO. No campo do direito tributário, sem prejuízo da anulabilidade (que opera no plano da validade), a simulação nocente tem outro efeito, que se dá plano da eficácia: os atos simulados não têm eficácia contra o fisco, que não necessita, portanto, demandar judicialmente sua anulação. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES.. SIMULAÇÃO. A reorganização societária, para ser legitima, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. A Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 17 16 caracterização dos atos como simulados, e não reais, autoriza a glosa da amortização do ágio contabilziado. MULTA QUALIFICADA A simulação justifica a aplicação da multa qualificada. Acórdão nº 10517.219, sessão de 17 de setembro de 2008, relator Marcos Rodrigues de Mello: ÁGIO NA INCORPORAÇÃO Não demonstrado o pagamento de ágio, não há de se falar em aproveitamento do mesmo pela incorporadora. Acórdão nº 1301000.058, sessão de 13 de maio de 2009, relator Wilson Fernandes Guimarães: DESPESA DE ÁGIO. DESCARACTERIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE — Não há que se falar em despesas de ágio na situação em que os montantes correspondentes decorrem de expectativas de rentabilidade daquele que se beneficiou da redução do lucro tributável. Acórdão no 1103000.501, sessão de 30 de junho de 2011, relator Cons. José Sérgio Gomes: CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS. ENCARGO DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO GERADO COM UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. ÁGIO DE SI MESMO. ABUSO DE DIREITO. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem a alteração do controle das sociedades envolvidas, sem qualquer desembolso e com a utilização de empresa inativa ou de curta duração (sociedade veículo) constitui prova da artificialidade do ágio e torna inválida sua amortização. A utilização dos formalismos inerentes ao registro público de comércio engendrando afeiçoar a legitimidade destes atos caracteriza abuso de direito. Acórdão nº 120200753, sessão de 12 de abril de 2012, relatora Viviane Vidal Wagner: DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. OPERAÇÃO INTERNA. SIMULAÇÃO. GLOSA. A criação de ágio por meio de reorganização societária entre empresas do mesmo grupo econômico, pautada em fortes indícios, além de prova direta da ocorrência de simulação revelase artificial e não gera direito à dedução das respectivas despesas de amortização. MULTA QUALIFICADA. A constatação de evidente intuito de fraudar o Fisco, pela intencional prática de atos simulados, enseja a qualificação da multa de ofício. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 18 17 Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Acórdão 1102000.933, sessão de 08 de outubro de 2013, relator João Otávio Oppermann Thomé: INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. SIMULAÇÃO. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem a alteração do controle das sociedades envolvidas, sem qualquer desembolso e com a utilização de empresa inativa ou de curta duração (sociedade veículo) constitui prova da artificialidade do ágio e torna inválida sua amortização, sem que seja necessário demandar a nulidade das operações societárias praticadas. Em comum a todos os precedentes citados encontramse as referências à artificialidade do ágio gerado internamente — ausência de efetivo significado econômico, ausência de alteração do controle das sociedades envolvidas, ausência de pagamento ou de efetivo custo para o adquirente da participação societária, e utilização de sociedade de curta duração como “empresa veículo” para a criação do ágio. A ausência de uma efetiva causa ou significado econômico neste “ágio interno” constitui, de fato, o elemento central que tem norteado as decisões prolatadas pelo CARF no sentido evidenciado pelos citados precedentes. Em linha com esta expressiva e dominante corrente de pensamento, cumpre revisitar a sequência de operações societárias praticadas, no caso concreto. Conforme exposto no relatório ao norte, até 29/11/2004, Orlando von der Osten e sua esposa Marise Osório von der Osten eram únicos quotistas das três pessoas jurídicas envolvidas na operação: a OVD, a Osten Ferragens e a Dismatal, sendo que a única efetivamente operante era a OVD. Tanto a Osten Ferragens quanto a Dismatal declaravamse inativas desde a sua constituição, possuindo capital de apenas R$1.000,00. Entre os dias 20/12/2004 e 29/12/2004 deuse a sequência de operações que culminou com o registro do ágio na OVD, o qual decorre, em última análise, da sua própria avaliação econômica. Em 20/12/2004, a Osten Ferragens passou a ser a controladora da OVD, em razão da integralização de capital, pelos sócios, efetivada com as quotas que estes detinham na OVD. Nesta operação, a transferência das quotas se fez a valor histórico (R$11.693.995,00). Apenas três dias depois de ingressar na sociedade na qualidade de sua controladora (com 99,999957% do capital), a Osten Ferragens dela se retira, transferindo a totalidade das suas quotas para a Dismatal, em subscrição de capital. Nesta operação, as mesmas quotas da OVD foram agora integralizadas pelo seu valor econômico (R$134.580.875,00). Em 23/12/2004, portanto, a Osten Ferragens passa a controlar a Dismatal, e a Dismatal tornase a controladora da OVD. Nesta operação é que surge o registro contábil do Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 19 18 ágio, de R$114.334.522,98, na Dismatal, decorrente da diferença entre o valor econômico atribuído e o valor da participação da Dismatal na OVD, avaliada pela equivalência patrimonial. E, apenas seis dias depois deste fato, a OVD incorpora a Dismatal, absorvendo assim contabilmente o ágio decorrente de sua própria avaliação, e passando a amortizálo a partir de 2005. A sequência de operações praticadas no exíguo lapso temporal acima descrito não deixa margem a dúvidas. Na análise do “filme”, constatase que a situação ao final volta a ser a mesma existente antes das operações de reorganização societária, com a exceção, apenas, da parcela relativa ao ágio surgido, e que passou a ser subsequentemente amortizado. O controle societário permaneceu absolutamente inalterado, em mãos das mesmas pessoas em que se encontrava antes dos eventos de reorganização praticados. Ou seja, com operações levadas a efeito apenas entre partes relacionadas, ocorridas no lapso temporal de nove dias, sem que tenha havido qualquer alteração substancial com relação aos efetivos detentores das participações societárias na recorrente, e sem que qualquer empresa do grupo tenha incorrido em qualquer custo efetivo, que não o meramente escritural, intentouse criar um ativo que viesse a gerar, por meio de sua amortização, despesas aptas a reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL das próprias pessoas jurídicas cuja lucratividade futura seria o fundamento do ágio escriturado. Não há qualquer sentido econômico nas operações praticadas. De acordo com a recorrente, a reorganização societária levada a efeito pelo Grupo buscava, a um só tempo, a simplificação da estrutura societária adotada, com redução de custos e aumento da lucratividade, e a avaliação das demonstrações financeiras da Recorrente que refletisse seu efetivo valor de mercado. Ora, a estrutura societária do “grupo” não poderia ser mais simples do que era no seu estágio original, em que apenas uma das empresas era operante, as outras duas possuíam capital de R$1.000,00 e se encontravam inativas, e todas elas pertenciam às mesmas pessoas físicas. Ademais, dada a total inatividade das empresas Osten Ferragens e Dismatal, não se consegue imaginar como tais empresas poderiam contribuir para qualquer redução de custos s/ou aumento de lucratividade da OVD. Aliás, com as operações perpetradas, não houve de fato qualquer acréscimo nas receitas ou nos lucros a serem auferidos pela OVD. Se a OVD possuía rentabilidade futura, apurada com base em laudo de avaliação econômica, esta rentabilidade projetada já era dela (OVD) e em nada foi impactada positivamente por força e obra da reorganização societária implementada, simplesmente porque as empresas Osten Ferragens e Dismatal não exerciam qualquer atividade econômica. Pelos mesmos motivos, não há qualquer redução de custos passível de se obter mediante a reorganização societária implementada. Antes ao contrário, há que se destacar que o que a reorganização perpetrada ensejou foi justamente o aumento dos custos da recorrente, consubstanciado nas despesas com a amortização do ágio gerado internamente. Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 20 19 Este aumento dos custos só não é um problema para a empresa, porque — e isto a própria empresa o sabe, embora não o admita — as despesas em questão não são reais nem efetivas, cumprem tão somente o papel de reduzir o seu lucro tributável pelo IRPJ e CSLL. A reorganização societária empreendida, portanto, em sentido contrário aos nobres propósitos alegados, visou ao aumento dos custos e à redução da lucratividade da OVD. Esta redução da lucratividade só não produz quaisquer efeitos nocivos à empresa porque é irreal, sua função é a de tão somente evitar o pagamento do IRPJ e da CSLL sobre os futuros lucros da empresa. A recorrente sustenta que a fiscalização apontou questões meramente formais com relação ao laudo apresentado, nenhuma das quais apta a infirmar o ágio pago com base nas conclusões extraídas daquele laudo. Entretanto, há que se dizer que a mera confecção de um laudo por empresa especializada e não vinculada, por si só, não confere qualquer sentido econômico à operação, se não há um efetivo custo envolvido na operação. Os critérios de avaliação utilizados no laudo para apurar a rentabilidade futura, bem como o fato de essa rentabilidade projetada ter sido alcançada, ou até mesmo superada, não têm qualquer relevância, no caso, posto que não é o laudo, nem a rentabilidade projetada, que são objeto de questionamento, mas sim a completa ausência de propósito negocial e de substância econômica nas operações levadas a efeito, e que deram azo à geração de um “ágio interno”, originado de transação dos sócios com eles mesmos, de modo artificial. Não apenas o CARF, mas também a CVM – Comissão de Valores Mobiliários, e a própria doutrina contábil, condenam este tipo de operação. Não assiste razão à recorrente quando afirma que a autuação fiscal não pode buscar amparo em normas contábeis, pois a base de cálculo dos tributos incidentes sobre o lucro é o resultado da interseção de três feixes de normas: ciência contábil, lei societária e lei fiscal. Tomandose o IRPJ como exemplo, temos que a lei tributária determina que a sua base imponível (lucro real) tem como ponto de partida o lucro líquido, o qual, por sua vez, deve ser apurado com observância das leis comerciais e, em especial, da Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades por Ações), consoante expressamente dispõe os artigos 7o, § 4º, e 67, inciso XI, do DecretoLei no 1.598/77. E a lei societária (Lei das S/A, já referida), por sua vez, determina expressamente que a companhia observe, em sua escrituração mercantil, os princípios de contabilidade geralmente aceitos, fazendo, ainda, no seu art. 177, diversas outras referências a conceitos diretamente relacionados à ciência contábil, tais como “métodos ou critérios contábeis” e “regime de competência”, entre outros. Determina ainda a lei societária que as companhias abertas observem as normas expedidas pela CVM. Neste cenário, temse que, se a Contabilidade não aceita um determinado registro, no caso, um ágio na aquisição de um ativo, esse valor também será, em princípio, rejeitado pela lei comercial e pela lei tributária, na medida em que ele trará reflexos na apuração do lucro líquido da pessoa jurídica. Isto somente não seria verdade se houvesse Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 21 20 expressa determinação em contrário, por parte da lei tributária, o que, no caso, inocorre, conforme adiante se demonstrará. Para que não restem dúvidas do repúdio que a ciência contábil e a própria CVM demonstram com relação a este tipo de operação artificial, fazse aqui referência a diversas manifestações normativas e doutrinárias, algumas das quais também referidas pela fiscalização e/ou pela decisão recorrida: Resolução nº 750/93, do Conselho Federal de Contabilidade, que trata do Princípio do Registro pelo Valor Original; artigo do Professor Eliseu Martins, publicado em congresso realizado em 2004 na USP, expressando que o ágio decorre de processo de compra e venda de ativos somente quando estiverem envolvidas partes independentes e não relacionadas, não sendo passível de reconhecimento contábil o ágio gerado internamente; Resolução do Conselho Federal de Contabilidade – CFC nº 1.139, de 21.11.2008, que aprovou a Norma Brasileira de Contabilidade – NBC T 19.8, que expressamente afirma que o “ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo”; OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, que enfaticamente condena o ágio gerado em operações internas, afirmando inexistir geração de riqueza em transação consigo mesmo, e concluindo que “essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade”; Resolução CFC nº 1.110/2007, que destaca o fato de o ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente ser vedado pelas normas nacionais e internacionais, e que, portanto, “qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado”. O fato de algumas dessas normas ou manifestações serem posteriores aos eventos ocorridos não retira o seu caráter interpretativo, pois a base legal efetiva em que se amparam já se encontrava vigente à época. Conforme vimos, a preocupação do legislador, manifesta na exposição de motivos dos dispositivos que se converteram nos artigos 7o e 8o da Lei nº 9.532/97, foi a de regulamentar a dedutibilidade do ágio, restringindo as suas possibilidades de dedução “às hipóteses de casos reais”, na própria dicção do legislador. Tampouco o art. 36 da Lei nº 10.637/2002, citado pela recorrente em sua defesa, ampara e autoriza a conduta adotada pela recorrente, de modo a permitir a amortização fiscal do ágio interno gerado na pretensa reorganização societária engendrada. O mencionado dispositivo legal, atualmente já revogado — contudo vigente à época dos fatos — possuía a seguinte dicção: Fl. 1896DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 22 21 “Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. § 1o O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. § 2o Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1o.” De pronto verificase que o referido artigo nenhuma menção faz ao registro de ágio, tratando exclusivamente da mais valia que venha a ser atribuída a uma participação societária em evento de subscrição e integralização de capital em outra pessoa jurídica, e permitindo que esta mais valia não seja computada de imediato na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização com base no valor reavaliado da participação societária, ou seja, permitindo o diferimento deste ganho para o momento da concretização de um dos eventos previstos nos incisos I e II, os quais estão fundamentalmente ligados à efetiva realização (i) da participação societária subscrita ou (ii) da participação societária utilizada na subscrição. Vêse assim, que o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 visou a conferir à hipótese nele versada um tratamento tributário semelhante àquele que já era conferido aos ganhos decorrentes de reavaliação de bens classificados no ativo permanente, os quais, desde que mantidos em contas de reserva, podem ter sua tributação diferida para o momento de suas futuras realizações. É que até antes da edição deste artigo a tributação da mais valia decorrente de reavaliação de participação societária avaliada pelo método da equivalência patrimonial deveria ser imediatamente oferecida à tributação, consoante o disposto no art. 35, § 3º, do DecretoLei nº 1.598/77, verbis: “§ 3º Será computado na determinação do lucro real o aumento de valor resultante de reavaliação de participação societária que o contribuinte avaliar pelo valor de patrimônio líquido, ainda que a contrapartida do aumento do valor do investimento constitua reserva de reavaliação.” Fl. 1897DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 23 22 Confirase, ainda, a respeito, o que constou da exposição de motivos ao art. 39 da Medida Provisória no 66/2002, a qual foi convertida na Lei nº 10.637/2002, passando este a ser o seu artigo 36: “28. O art. 39 estabelece, igualmente, a neutralidade tributária nas operações de reorganização societária e, ao mesmo tempo, adequado controle fiscal para o acompanhamento dessas operações.” A referida manifestação do legislador confirma a assertiva antes feita, quanto ao objetivo e finalidade da norma editada, que podem ser também inferidos a partir da leitura e interpretação do quanto disposto no próprio artigo. O entendimento esposado no recurso, aliás, representa exatamente a antítese da neutralidade tributária proposta pelo dispositivo, pelo que refutase, neste aspecto, o entendimento manifestado pela doutrina de Eliseu Martins e Jorge Viera Costa, na parte em que os autores sustentam que estaria o Estado “transferindo riqueza via renúncia fiscal” para o grupo que efetuasse uma reorganização societária nos moldes em que implementada pela recorrente. Não há nada na lei que aponte neste sentido, ou que possa dar a entender que o dispositivo teria aplicação a situações que não envolvessem uma efetiva aquisição de participação societária conduzida entre partes independentes. Imaginar que o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 teria vindo para transferir riqueza via renúncia fiscal a empresas que promovessem reorganização societária interna, conferindo sentido a uma operação que, de tão artificial e vazia de conteúdo econômico, é veementemente rechaçada pela ciência contábil e pelo direito comercial e societário, vem de encontro a toda a racionalidade do sistema jurídico, representando uma interpretação manifestamente distorcida do quanto nele disposto. Os argumentos da recorrente no sentido da necessidade da participação da empresa Dismatal na operação também não prosperam. Não há dúvidas de que, para a configuração da situação descrita no art. 36 da Lei nº 10.637/2002, é necessária a existência de três partícipes na operação. Contudo, esta simples constatação de forma alguma legitima a utilização da referida empresa nas operações em comento, cuja única finalidade foi, conforme visto, a geração e transferência de uma despesa ficta à recorrente. Para arrematar, registrese que a indedutibilidade das despesas com a amortização do ágio estendese, em virtude do quanto exposto, à CSLL, pois, conforme visto, o registro desta amortização afetou diretamente, e de modo indevido, o próprio lucro líquido contábil, que também é o ponto de partida para a apuração da base de cálculo desta contribuição. É inadmissível a repercussão tributária de despesas artificialmente geradas, sem qualquer materialidade, nem sentido econômico, na formação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. Multa qualificada A recorrente não concorda com a aplicação da multa qualificada. Sustenta não ter havido fraude, nem simulação, nem qualquer outro ilícito nas operações societárias, aliás conduzidas com lisura e de forma transparente, tendo sido informadas às autoridades Fl. 1898DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 24 23 competentes. Que não se trata, no caso, de um “planejamento tributário”, senão antes de uma “opção legal” do contribuinte. E, ainda, que o fisco não provou a efetiva ocorrência de simulação ou fraude. Não lhe assiste razão. Não se questiona aqui a validade das operações societárias praticadas, e tampouco o fez o fisco, mesmo porque isto não é necessário. Aliás, o CTN é expresso neste sentido, ao estatuir, em seu artigo 118, que “a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose (...) da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes”. De há muito que a jurisprudência do CARF temse consolidado no sentido de que o fisco pode recusar os efeitos tributários delineados na forma exteriorizada pelos atos praticados com simulação. Para a eficácia dos efeitos tributários de uma operação, são necessários mais do que meros registros contábeis e atos contratuais formalmente perfeitos. Por todo o até aqui exposto, resta evidente que a recorrente agiu de modo consciente e doloso, com vistas a reduzir o montante dos tributos devidos sobre o lucro, por meio da geração de um ágio artificial cuja amortização viria a reduzir a base imponível destes tributos, situação esta que se enquadra no quanto disposto no art. 72 da Lei nº 4.502/64, abaixo transcrito: “Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” De fato, não se trata, no caso, de uma mera dedução indevida da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, fruto de algum erro de fato ou de incorreta interpretação da legislação tributária, senão antes da realização de uma sequência de operações, todas elas ostentando — quando individualmente consideradas — a aparência de negócio jurídico legítimo e válido, mas que, quando analisadas em conjunto, revelam estar estruturadas de modo a atingir um único e preponderante objetivo, qual seja, a indevida redução das bases de cálculo dos tributos, com o retorno da situação real ao status quo ante, isto é, sem que o efetivo controle das participações societárias tenha sido substancialmente alterado entre o início e o fim das operações. A isto denominase simulação. Neste aspecto, vale reproduzir a manifestação de Ricardo Mariz de Oliveira2, também mencionada pela decisão recorrida: “Geralmente, nesses casos de ‘encaixe’ a situação real impõe subseqüentes ou simultâneos atos para alterar ou anular os efeitos indesejados e emergentes dos atos arquitetados e exteriorizados, tudo consistindo em simulação, a qual, amiúde, somente se manifesta pela ocorrência de vários atos que, isoladamente, não se apresentam contrários à lei, mas, interligados e considerados em conjunto, revelam 2 In.: _______. Planejamento Tributário: Elisão e Evasão Fiscal, Curso de Direito Tributário, coordenador Ives Gandra da Silva Martins, 7ª ed., Saraiva, 2000 Fl. 1899DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 25 24 as verdadeiras intenções das partes e os verdadeiros negócios que praticaram, ou não praticaram.” Ademais, por todo o quanto exposto no presente voto, resta claro que não se está diante de nenhuma “opção legal” do contribuinte, visto que o ordenamento jurídico não dá qualquer respaldo ao entendimento por ele defendido, entendimento o qual faria com que, em última análise, nenhuma empresa mais tivesse que pagar qualquer tributo sobre os lucros da sua atividade, bastando apenas que periodicamente realizasse operações societárias nos mesmos moldes daquelas praticadas pela recorrente no presente caso. Pelo exposto, mantenho a multa qualificada. Decadência Argui a recorrente a decadência do direito do fisco de constituir os créditos tributários relativos ao anocalendário de 2006, ao argumento de não ter sido demonstrada a ocorrência de quaisquer das condutas ensejadoras da aplicação da multa qualificada. Entretanto, tendo sido mantida a multa qualificada, concluise não ter ocorrido a decadência com relação a este período, mas tão somente com relação ao ano de 2005, o qual, conforme já relatado, sequer foi objeto de lançamento fiscal, justamente por este motivo. Isto porque, consoante a remansosa jurisprudência do CARF, ora consolidada em súmula, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, como ocorre no presente caso, a decadência regese pelo disposto no art. 173, inciso I, do CTN, ou seja, conta se o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Confirase: “Súmula CARF nº 72 Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN.” Assim, a contagem do prazo decadencial para os fatos geradores relativos ao ano calendário de 2006 iniciase no dia 1o de janeiro de 2008, pelo que não se encontrava decaído o direito do fisco em 04/10/2012, data em que a recorrente tomou ciência dos autos de infração combatidos. Juros Selic sobre a multa de ofício Insurgese a recorrente contra a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, alegando inexistir previsão legal para a sua cobrança. Não lhe assiste razão. A previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício está plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN, que possui a seguinte redação: Fl. 1900DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 26 25 “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (......)” A acepção da palavra crédito deve ser feita em consonância com o fato de que, após o lançamento de ofício efetuado, a multa aplicada passa a integrar aquele valor. Afinal, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Pela própria localização do referido artigo no CTN, inserido em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito tributário, e numa seção que trata do pagamento, não se vislumbra amparo ao entendimento que visa a reduzir o alcance da palavra crédito, como se o artigo estivesse se referindo exclusivamente ao tributo, e não ao crédito tributário. Os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. O vencimento da multa por lançamento de oficio se dá no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração, momento a partir do qual, se não paga a multa, passa o contribuinte a encontrarse em mora. Conforme dispôs o próprio CTN, somente a lei pode dispor em sentido diverso, eventualmente cogitando da não aplicação de juros sobre alguma parcela do crédito tributário. Historicamente, o DecretoLei nº 1.736/1979 já previa a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, nos seguintes termos: Art 1° O débito decorrente do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, do imposto sobre produtos industrializados, do imposto sobre a importação e do imposto único sobre minerais, não pago no vencimento, será acrescido de multa de mora, consoante o previsto neste Decretolei. (......) Art 2° Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1°. Art 3° Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1° do Decretolei n°. 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 27 26 redação dada pelos Decretosleis n°. 1.569, de 8 de agosto de 1977, e n°. 1.645, de 11 de dezembro de 1978. (......) O parágrafo único do art. 2º acima transcrito expressamente ressalvava a não incidência de juros apenas sobre a multa de mora, mas não sobre a multa de oficio, prescrevendo o seu caput a incidência de juros sobre o “valor originário” dos “débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional”. O art. 3o, por sua vez, referia todas as parcelas do débito que não se consideram incluídas no “valor originário” do débito, não se encontrando ali também a previsão para a exclusão, deste valor, da multa de ofício. Houve, contudo, de fato, períodos em que, apesar da previsão geral de incidência de juros de mora contida no CTN, a lei expressamente restringiu os juros de mora apenas aos tributos e contribuições atualizados monetariamente, o que implicou, portanto, na sua não incidência, naqueles períodos, sobre a multa de ofício. Por exemplo, houve a Lei nº 7.738/89, cujo art. 23 possuía a seguinte redação: Art. 23. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. (........) Contudo, já com a Lei nº 8.218/91, retornou a incidência dos juros de mora sobre “os débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional”, juros estes que eram então calculados com base na TRD, confirase: Art. 3º Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, bem como para o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, incidirão: I juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; e Sem estender a análise histórica de modo a contemplar todos os diplomas legais que trataram do assunto, o que se verifica é que, sempre que o legislador visou a restringir o alcance dos juros a apenas parte (ou partes) do crédito tributário, o fez de modo expresso, ou usando a expressão “tributos e contribuições” para referir que somente estes se sujeitariam aos juros de mora, ou então mencionando expressamente todas as parcelas do crédito tributário (débito para com a Fazenda Nacional) que não deveriam sofrer a incidência daqueles juros. No caso dos autos, há que se levar em consideração o que dispõe o art. 61 da Lei nº 9.430/96, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, Fl. 1902DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 28 27 cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Rogando vênia à corrente desta Corte que se tem manifestado em sentido oposto, consoante julgados colacionados pela Recorrente, entendo que a expressão “decorrentes de tributos e contribuições” deva ser interpretada de modo a incluir a multa de ofício, e não a excluíla. Os débitos para com a Fazenda Nacional podem ser de diversas naturezas, não apenas tributária. Assim, tenho que a expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” visa a apenas ressaltar a natureza tributária dos débitos a que se refere o dispositivo em questão, em contraste com a mais abrangente expressão “débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional”, anteriormente empregada pela legislação de regência. Ademais, cumpre destacar ainda que o entendimento aqui exposto coaduna se com o que se vem consolidando no STJ, conforme se pode verificar na ementa abaixo transcrita (grifei): AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 – PR, Relator Min. Benedito Gonçalves, DJe: 10/12/2012: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido.” Com estas considerações, entendo cabível a incidência de juros de mora sobre a multa punitiva aplicada, os quais, nos termos da legislação de regência, são atualmente calculados com base na taxa Selic. Responsabilidade tributária A fiscalização imputou responsabilidade solidária aos sócios administradores da fiscalizada Orlando von der Osten e Marise Osório von der Osten. Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 29 28 Os recorrentes demandam o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados, com base nos seguintes fundamentos, em síntese: (i) competência exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional para a inclusão de responsáveis tributários no polo passivo da obrigação tributária; (ii) impossibilidade da imputação de responsabilidade solidária aos recorrentes antes de encerrada a esfera administrativa; (iii) ausência de demonstração do interesse comum a que alude o art. 124, I, do CTN, apto a dar ensejo à responsabilidade solidária; (iv) ausência de demonstração ou comprovação dos atos que teriam sido praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; (v) a mera ausência de pagamento de tributo não dá ensejo à responsabilidade do sócio pela dívida tributária. Preliminarmente, portanto, cabe analisar, e confirmar, a competência dos Auditores Fiscais para identificar, já no curso do procedimento administrativo, os responsáveis pelo crédito tributário. Em primeiro lugar, porque o art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN) expressamente determina que, no lançamento, a autoridade fiscal identifique o sujeito passivo da obrigação tributária. E o sujeito passivo, nos termos do art. 121 do mesmo CTN, engloba tanto o contribuinte quanto o responsável. A necessidade de identificação, ainda no curso do procedimento de fiscalização, pela autoridade fiscal, das pessoas físicas e jurídicas às quais deva ser atribuída a responsabilidade pelo crédito tributário lançado, é defendida não apenas por este relator, mas também por significativa e respeitável parte da doutrina pátria, conforme bem exposto por Fernando Brasil de Oliveira Pinto, em artigo publicado na Revista Dialética de Direito Tributário3 a respeito do assunto: “Em que pesem as dificuldades na caracterização da responsabilidade dos representantes legais de empresas, a questão de maior vulto “está na identificação correta do momento e da forma adequada para a apuração e formalização dessa responsabilidade”. 113 Sobre esse ponto, Leandro Paulsen discorre que embora em diversas oportunidades conste o nome do responsável na CDA há de se verificar se houve prévia apuração administrativa de modo a dar ensejo ao redirecionamento da execução em face do suposto responsável.114 Humberto Theodoro Júnior, por sua vez, entende que a execução não se constitui em forma de apuração de responsabilidade, mas sim modo de realização de créditos líquidos e certos, uma vez que “toda execução tem por base e por limite o título executivo”.115 Segundo Theodoro Júnior: 3 PINTO, Fernando Brasil de Oliveira. A apuração da responsabilidade tributária dos representantes legais de empresas no processo administrativo fiscal federal. Revista Dialética de Direito Tributário, n. 198, mar. 2012, p. 6285. 113 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 5. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 668. 114 PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA, Ingrid Schroder. Direito Processual Tributário: Processo Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 6. ed. rev. atual. – Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 194. 115 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Lei de Execução Fiscal: Comentários e Jurisprudência. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 25. Fl. 1904DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 30 29 para definirse a legitimação passiva do executivo, portanto, não basta pesquisar quem, em tese, pode responder pela dívida. É indispensável identificar quem, concretamente, se acha vinculado ao título, já que nulla executio sine titulo.116 Por fim, anota o jurista que “é o procedimento administrativo que precede à inscrição que enseja a oportunidade para definir quem vem a ser o devedor principal, subsidiário ou corresponsável”.117 Para Sacha Calmon, as provas devem ser apuradas previamente e em hipótese alguma no bojo do processo de execução, e assim conclui: “Daí a insuprimibilidade do processo administrativo em matéria fiscal e do autocontrole do ato administrativo pelo EstadoAdministração nos quadros de um Estado Democrático de Direito.”118 Do mesmo modo, Marins aponta que, com exceção das hipóteses em que a causa da responsabilidade ocorra em momento posterior à inscrição em dívida ativa, como por exemplo nos casos de dissolução irregular da pessoa jurídica, o modo juridicamente correto de imputação da aludida responsabilidade é o procedimento fiscal, ou ainda, o processo administrativo fiscal, quer dizer, somente após a apuração prévia e formal da responsabilidade dos representantes legais de empresas é que estes podem ser inseridos na CDA e consequente execução fiscal.119 (...) Conforme enfatiza Renato Lopes Becho, sob pena de violação ao princípio do devido processo legal, é imperiosa a apuração prévia da responsabilidade dos administradores em momento anterior à inscrição em dívida ativa, concluindo que “como o Estado executa o responsável tributário, ele deve ter um título hábil, já que na verdade se executa o título, não a pessoa do responsável”.233 Desse modo, tendo o Fisco conhecimento dos fatos que permitam responsabilizar tributariamente os responsáveis legais ainda durante o procedimento fiscal, deverá incluílos no polo passivo do lançamento, possibilitando a esses exerceram os meios de defesa disponíveis.234 Para Maria Rita Ferragut, não havendo processo administrativo prévio, a inclusão do administrador na CDA estará viciada, pois: (i) foi suprimida a instância administrativa, em desacordo com o artigo 5º, inciso LV, da Constituição; (ii) a indicação do nome na CDA não é ato jurídico que o direito reconheça como apto a constituir o crédito 116 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Lei de Execução Fiscal: Comentários e Jurisprudência. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 25. 117 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Lei de Execução Fiscal: Comentários e Jurisprudência. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 26. 118 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de Direito Tributário Brasileiro. 9.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2006, p. 731. 119 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 5. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 669. 233 BECHO, Renato Lopes. Sujeição Passiva e Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2000, p. 160 167. 234 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009, p. 176. Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 31 30 tributário perante ele; (iii) para que o administrador defendase na execução fiscal, deverá garantir o juízo em montante equivalente à dívida. Por certo que essa situação significará, muitas vezes, intransponível barreira ao exercício da ampla defesa, barreira essa que não teria existido caso o responsável tivesse tido oportunidade de se defender já no processo administrativo.235 No mesmo sentido, Zenildo Bodnar salienta que a condição de legalidade para que a execução seja proposta e desenvolvida também contra o administrador é que a responsabilidade tenha sido aferida na formalização da CDA236, tendo ainda como condição de validade a regular apuração em processo administrativo.237 Para Chiesa, lavrado o auto de infração não basta a realização da notificação do representante legal da empresa para, querendo, apresentar defesa no âmbito administrativo. É imprescindível que seja realizada a notificação também dos corresponsáveis para que possam ter a oportunidade de apresentar defesa no âmbito administrativo, conferindose eficácia ao princípio da ampla defesa e devido processo legal.238 (...)” Atenta a esta questão, cumpre observar que a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010, especificamente para regulamentar os procedimentos a serem adotados, no seu âmbito de atuação, nos casos de constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária, determinando que, nesses casos, todos os autuados sejam cientificados do auto de infração, de modo a terem oportunizada a sua respectiva defesa administrativa. Por fim, cumpre ainda observar que a tese esposada pela recorrente, de que a competência para a imputação de responsabilidade a terceiro seria exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional, não encontra amparo sequer no âmbito da própria Procuradoria, conforme se pode verificar pelo disposto na Portaria PGFN nº 180, de 25 de fevereiro de 2010, verbis (grifo nosso): “Art. 1º Para fins de responsabilização com base no inciso III do art. 135 da Lei Nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, entendese como responsável solidário o sócio, pessoa física ou jurídica, ou o terceiro não sócio, que possua poderes de gerência sobre a pessoa jurídica, independentemente da denominação conferida, à época da 235 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009, p. 178. 236 BODNAR, Zenildo. Responsabilidade Tributária do SócioAdministrador. 5. reimp. Curitiba: Juruá, 2010, p. 135. 237 BODNAR, Zenildo. Responsabilidade Tributária do SócioAdministrador. 5. reimp. Curitiba: Juruá, 2010, p. 137. 238 CHIESA, Clélio. Responsabilidade Tributária do Sócio e Administrador – Caracterização e Procedimento para sua Constituição – Nome Constante da CDA – Cabimento ou não de Exceção de Préexecutividade – Uma Reflexão sobre o Entendimento do STJ. In: ROCHA, Valdir de Oliveira (Coord.). Grandes Questões Atuais do Direito Tributário.14. vol. São Paulo: Dialética, 2010, p. 5758 Fl. 1906DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 32 31 ocorrência do fato gerador da obrigação tributária objeto de cobrança judicial. Art. 2º A inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de ao menos uma das quatro situações a seguir: (Redação dada pela Portaria PGFN nº 904, de 3 de agosto de 2010 ) I excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV dissolução irregular da pessoa jurídica. Parágrafo único. Na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, os sóciosgerentes e os terceiros não sócios com poderes de gerência à época da dissolução, bem como do fato gerador, deverão ser considerados responsáveis solidários.” Pelo exposto, correto o procedimento adotado pelo agente fiscal, de identificar os responsáveis tributários no curso do procedimento administrativo, e de contra eles lavrar os Termos de Sujeição Passiva ora combatidos. No mérito, cumpre observar que o fisco fundamentou a responsabilidade tributária das pessoas antes citadas nos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, os quais possuem a seguinte redação: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Na literalidade do art. 135 acima transcrito, poderseia inferir que a responsabilidade nele tratada seria exclusivamente pessoal, recaindo o ônus tributário integral e Fl. 1907DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 33 32 unicamente sobre as pessoas nele arroladas, em substituição ao contribuinte original. Entretanto, a doutrina e a jurisprudência vêm apresentando entendimentos diversos sobre a melhor interpretação do dispositivo, dividindose basicamente em três correntes de pensamento: os que entendem ser esta responsabilidade solidária, os que a entendem ser subsidiária, e os que a entendem ser exclusivamente pessoal. A PGFN manifestouse sobre esta questão no Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, de forma bastante abrangente e correta, a meu modo de ver. Considerandose que as normas de responsabilidade tributária constituem uma garantia especial do crédito tributário, não faz sentido interpretar o Código Tributário Nacional de modo a dotar essa espécie de crédito de garantia menor do que a que é concedida aos créditos comuns da empresa para com terceiros. Assim, se o Código Civil, no seu art. 1.016, estabeleceu que os administradores respondem solidariamente com a pessoa jurídica pelos atos ilícitos que cometerem, não é possível aceitar que, se o ato ilícito for cometido contra a Administração Tributária, a responsabilidade desse administrador: (i) fique condicionada à ausência de bens da sociedade (responsabilidade subsidiária); (ii) conduza à desoneração da pessoa jurídica por aquele ilícito (responsabilidade exclusivamente pessoal). Prevalece, portanto, o entendimento de que a responsabilidade ali tratada é solidária, conforme exposto pela PGFN no seguinte excerto do referido Parecer, verbis: “Se o elemento relevante para a caracterização da responsabilidade tributária do art. 135, III, do CTN fosse a condição de sócio, faria sentido a tese da responsabilidade subsidiária. Deveras, se o terceiro respondesse por ser sócio, seria plenamente razoável que demandasse o esgotamento do patrimônio da sociedade para que só então viesse a ser chamado a pagar o crédito tributário. Como, porém, não responde por ser sócio, mas porque, na condição de administrador, pratica ato ilícito, não faz o menor sentido que seja facultado a ele esquivarse da responsabilidade exigindo que, primeiro, responda a sociedade para, só em caso de sua insolvabilidade, seja a ele imposta a sanção pela ilicitude. A concepção de responsabilidade por ato ilícito exclui o caráter de subsidiariedade da obrigação do infrator. Este deve responder imediatamente por sua infração, independentemente da suficiência do patrimônio da pessoa jurídica. Eis o sentido de estar expresso no caput do art. 135 do CTN que são “pessoalmente responsáveis” os administradores infratores da lei. Dessa forma, deve ser excluída a tese da responsabilidade subsidiária em sentido próprio.” Na atribuição de responsabilidade tributária com base no artigo 135 do CTN, por outro lado, por certo não é qualquer infração à lei que ensejará a coresponsabilidade dos administradores, sendo necessário provar que estes agiram dolosamente, praticando ato ilícito com fraude ou excesso de poderes. Neste sentido é também a jurisprudência do STJ: “PROCESSUAL. CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO. SÓCIOGERENTE. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. NATUREZA SUBJETIVA. É dominante no STJ a tese de que o nãorecolhimento do tributo, por si só, não constitui infração à lei suficiente a ensejar a responsabilidade solidária dos sócios, ainda que exerçam gerência, sendo necessário provar que agiram os mesmos Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 34 33 dolosamente, com fraude ou excesso de poderes.” (Resp 898168, Rel. Eliana Calmon, 2ª Turma, DJ 05.03.08) No caso concreto, por todo o exposto, resta claro que não se está aqui tratando de mero inadimplemento de tributo, reiterandose, em especial, o quanto já exposto com relação à multa qualificada. E, conforme também já pontuara a fiscalização, bem como a decisão recorrida, foram os sócios administradores da recorrente acima nominados que participaram direta e ativamente da simulação praticada, deliberando e aprovando todas as operações societárias que levaram à criação e amortização do ágio fictício aqui combatido. Ademais, a solidariedade também é prevista pelo CTN no seu art. 124, já ao norte transcrito. Este artigo declara peremptoriamente a possibilidade da existência de múltiplos sujeitos passivos no lançamento tributário, ficando claro que, nesta hipótese, nada impede que alguns constem do lançamento na condição de contribuintes, e outros, na condição de responsáveis, exigindose apenas a demonstração do “interesse comum na situação que constitua o fato gerador”. Nesta seara há que se reconhecer que é muito forte a corrente jurisprudencial e doutrinária no sentido de que o interesse comum, a que alude o dispositivo, somente se aplicaria às pessoas que se encontram no mesmo polo da situação que constitui o fato jurídico tributário, ou seja, jamais haveria solidariedade, por exemplo, entre comprador e vendedor. Esta, aliás, é a tese esposada no recurso. Corolário deste entendimento, costumase alegar também que pessoas físicas não poderiam jamais revelar interesse comum, portanto, em fato gerador de tributo devido pela pessoa jurídica. Noutro giro, argumentase ainda que, acaso não fosse assim entendido, ou seja, se o “interesse comum” a que alude o dispositivo fosse analisado a partir de uma perspectiva meramente circunstancial ou econômica (interesse de fato), chegarseia ao absurdo de se considerar haver “interesse comum” também por parte de empregados, e até mesmo de credores, da pessoa jurídica. Ademais, nesta hipótese, os sócios sempre teriam interesse nas situações que constituem fatos geradores de tributos. Os argumentos são fortes. Contudo, penso que a correta interpretação do dispositivo não se encontra nem numa ponta, nem noutra. Em primeiro lugar, não há dúvidas de que as pessoas no mesmo polo da situação que constitui o fato jurídico tributário podem ser solidariamente coobrigadas, como no clássico exemplo do IPTU devido pelos condôminos de uma mesma propriedade. Por outro lado, entendo que não se possa reduzir o termo “interesse comum” apenas a esta singela hipótese, nem que se possa afirmar peremptoriamente que o art. 124 do CTN exclua a possibilidade de que pessoas físicas possam ser consideradas devedoras solidárias de tributos devidos pela pessoa jurídica, ou de que pessoas situadas em posições contrapostas no negócio jurídico (comprador e vendedor, por exemplo) possam ser consideradas devedoras solidárias de tributos devidos apenas por uma delas. Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 35 34 Contudo, na mesma linha da jurisprudência que se firmou com relação ao art. 135, já aqui referida, no sentido de não ser qualquer infração de lei que irá ensejar a responsabilidade, tampouco é a demonstração do simples “interesse comum” que terá o condão de fazêlo. Caso contrário, cairseá no absurdo de sempre responsabilizar, indiscriminadamente, os sócios da pessoa jurídica. Mas não avanço a ponto de considerar que o “interesse comum” a que alude o art. 124 do CTN seja apenas aquele interesse jurídico, das pessoas que estão no mesmo polo da situação. O dispositivo não contém esta restrição, e permite outras interpretações. Em conclusão, entendo, portanto, que a solidariedade pela demonstração do “interesse comum”, em situações que envolvam pessoas que não se encontram em um mesmo polo da relação jurídica, deva ser restrita às hipóteses em que configurada a prática de atos com intuito de fraude ou simulação. Por outro lado, este interesse pode ser sim, o interesse econômico, ou seja, o interesse em lograr proveito próprio daqueles atos. No caso do comprador e vendedor, por exemplo, para imputar a responsabilidade solidária com base no art. 124, caberia à fiscalização demonstrar que ambos lograram proveito com a situação que levou ao menor recolhimento de tributos por um deles (tratarseia, no caso, de uma hipótese de conluio). No caso concreto, o interesse comum dos sócios administradores Orlando von der Osten e Marise Osório von der Osten, com a prática dos atos eivados de fraude e simulação já exaustivamente analisados, e que levaram à redução dos tributos devidos pela pessoa jurídica, é evidente, à medida em que são eles mesmos, na qualidade de detentores da quase integralidade do capital da recorrente, os destinatários dos lucros, indevidamente não tributados, a serem distribuídos ou incorporados ao próprio capital. Pelo exposto, tanto com fundamento no art. 124, quanto no art. 135 do CTN, deve ser mantida a responsabilidade solidária imposta aos sócios administradores Orlando von der Osten e Marise Osório von der Osten. Conclusão Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e de preclusão do direito do fisco de investigar atos ocorridos em períodos abrangidos pela decadência, e, no mérito, nego provimento aos recursos voluntários da pessoa jurídica e dos responsáveis tributários apontados pela fiscalização. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Relator Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 36 35 Voto Vencedor Conselheiro José Evande Carvalho Araujo Na sessão de julgamento deste processo, ousei divergir do posicionamento do Ilustre Relator apenas no tocante à qualificação da multa de ofício, bem como dos seus efeitos na decadência e na responsabilização solidária dos sócios, entendimento que prevaleceu pela maioria dos votos da Turma. Isso porque entendo que, nos casos de planejamentos tributários como os analisados nos autos, formalmente lícitos, mas inoponíveis ao Fisco por abuso de direito, não se encontra presente o dolo necessário para caracterizar os ilícitos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, que, por sua vez, são requisitos indispensáveis para a duplicação da multa prevista no § 1o do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. De há muito, a doutrina e a jurisprudência vêm discutindo os limites dos planejamentos tributários feitos pelos contribuintes. Filiome ao grupo que entende que o ordenamento jurídico possui instrumentos de controle voltados à supressão de abusos. Em sede doutrinária, adoto o posicionamento do Prof. Marco Aurélio Greco em sua obra “Planejamento Tributário” 4. Assim, mesmo se o planejamento tributário envolver apenas atos lícitos, realizados antes da ocorrência do fato gerador, e sem a prática de simulação (vista como vício de vontade), ainda assim ele pode não ser oponível ao Fisco se sofrer de outras patologias do negócio jurídico, tais como o abuso de direito, a fraude à lei e o abuso de formas. A ressalva acima feita ao termo simulação como vício de vontade referese ao foco dado por alguns à vontade das partes para a validade do negócio jurídico, inadmitindo apenas os atos negociais onde a vontade real seja diferente da aparente. Contudo, não é possível se analisar os negócios na perspectiva do que as partes dizem que fazem, mas sim daquilo que efetivamente fazem, abandonandose a análise em um perspectiva meramente formal para uma perspectiva substancial. Assim, devese considerar a causa (motivo) como elemento do negócio jurídico, e entender a simulação como vício no plano da causa: viciado é o negócio onde o motivo real é diferente do motivo aparente. Nessa perspectiva, é possível classificar os fatos em análise como simulados, por ocultarem o verdadeiro motivo dos atos perpetrados. Essa Turma Julgadora já teve a oportunidade de desqualificar a penalidade em planejamento tributário inoponível ao Fisco por vício de causa, no Acórdão nº 1102000.933, de 8 de outubro de 2013, pelos argumentos do voto vencedor do Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio. Transcrevese a ementa da decisão relativa a essa parte: 4 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2011. Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 37 36 SIMULAÇÃO POR VÍCIO DE CAUSA. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. Na simulação por vício de causa, inexiste o falseamento ou a manipulação de aspectos relevantes dos negócios jurídicos. As partes deixam às claras as formas jurídicas empregadas. É incabível a qualificação da multa aplicada porque não se concretizam condutas como a sonegação ou a fraude penais. Pela excelência dos argumentos, transcrevo parte da fundamentação do citado voto vencedor, que adoto como razões de decidir: Portanto, a qualificação (duplicação) da multa não decorre de nova infração. Ela surge quando a falta de pagamento ou recolhimento, a falta de declaração ou a declaração inexata estiver associada a uma das condutas típicas definidas como sonegação, fraude ou conluio. Tais condutas supõem a inequívoca constatação de dolo, elemento essencial do tipo, no seu mais puro sentido penal. Nas palavras de Marco Aurélio Greco: Se não houve intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido que levava ao enquadramento em regime ou previsão legal tributariamente mais favorável , não se trata de caso regulado pelo § 1º do artigo 44, mas de divergência na qualificação jurídica dos fatos; hipótese completamente distinta da fraude e da sonegação a que se referem os dispositivos para os quais o § 1º remete. A fraude penal não se confunde com a fraude à lei (ou fraude civil) acima invocada. Nesta última, o contribuinte enquadra sua conduta numa norma, mas vem o Fisco e o faz em outra. É um problema de qualificação jurídica. Por sua vez, a fraude penal, assim como a sonegação, são condutas típicas do direito penal também caracterizadas como crimes contra a ordem tributária (artigos 1º e 2º, I, da Lei nº 8.137/90). Tanto é que o § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 ressalva a aplicação de outras penalidades criminais. (...) Na simulação por vício de vontade, há o requisito do falseamento ou manipulação de aspectos relevantes dos negócios jurídicos. As partes declaram algum aspecto que seja falso, portanto, uma vontade aparente ou simulada (simulação absoluta), ou algum aspecto que tem por objeto encobrir outro de natureza diversa, portanto, uma vontade aparente ou simulada que encobre uma vontade real ou dissimulada (simulação relativa ou dissimulação). Tratase, com efeito, das hipóteses em que se concretizam condutas como a sonegação ou a fraude penais. Estamos fora do campo dos planejamentos tributários propriamente ditos. Por outro lado, na simulação por vício de causa, situações em que se verificam os planejamentos tributários inoponíveis ao Fisco, inexistem condutas maculadas pelo falseamento ou manipulação de aspectos relevantes dos negócios jurídicos. As partes deixam às claras as formas jurídicas empregadas. Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10980.727089/201264 Acórdão n.º 1102001.080 S1C1T2 Fl. 38 37 Por esses argumentos, entendo ser necessária a desqualificação da multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. Contudo, essa providência traz consequências diretas à decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento e à responsabilização solidária dos sócios. Inexistindo o dolo, e tendo ficado assentado na discussão a existência de pagamento antecipado, aplicase a regra decadencial do art. 150, §4o, do Código Tributário Nacional, contandose o prazo fatal de cinco anos a partir do fato gerador. Assim, para o ano de 2006, com fato gerador em 31/12/2006, a decadência se operou em 31/12/2011, anteriormente à ciência do lançamento, em 4/10/2012. Dessa forma, reconhecese a decadência do crédito tributário do ano de 2006. Quanto à responsabilização solidária dos sócios, explicito minha total concordância com a fundamentação jurídica do voto vencido, sendo forçoso reconhecer que a solidariedade somente ocorrerá quando configurada a prática de atos com intuito doloso. Nesse sentido, afastada a qualificação da penalidade sob o argumento de inexistência de dolo, devese também afastar a imputação de responsabilidade solidária aos sócios. Foram essas as razões pelas quais a maioria da Turma decidiu por dar provimento parcial aos recursos, para desqualificar a multa de ofício, e, nesta conformidade, reconhecer a decadência com relação ao ano calendário de 2006, e afastar a responsabilidade dos sócios Orlando von der Osten e Marise Osório von der Osten. Documento assinado digitalmente. José Evande Carvalho Araujo – Redator designado Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO
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