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Numero do processo: 10580.721203/2009-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2201-000.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinho Teixeira, OAB 23.911/BA.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(assinatura digital)
RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator.
(assinatura digital)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves De Oliveira Franca, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinho Teixeira, OAB 23.911/BA. MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator. (assinatura digital) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves De Oliveira Franca, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinho Teixeira, OAB 23.911/BA. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. (assinatura digital) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves De Oliveira Franca, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad (VicePresidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do acórdão 1526.438 3ª Turma da DRJ/SDR que deu provimento parcial à impugnação ao Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física referente aos exercícios de 2005, 2006 e 2007, no qual foi apurado crédito tributário no valor de R$ 165.207,43, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora para excluir o valor de R$ 4.930,32 do imposto e seus reflexos em multa e juros. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 21 20 3/ 20 09 -5 0 Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10580.721203/200950 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.113 S2C2T1 Fl. 245 2 Conforme descrição constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis, rendimentos estes que foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar Estadual nº 20, de 08 de setembro de 2003. O contribuinte sustentou em sua impugnação, em apertada síntese que: a) classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10580.721203/200950 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.113 S2C2T1 Fl. 246 3 natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A DRJ/BSB manteve o crédito tributário sob o argumento de que: a) a diferença apurada pela conversão do valor do salário em URV tem natureza salarial incidindo o IRPF; b) o IRPF é regido por legislação Federal não sendo legítima a concessão de isenção por legislação Federada; c) Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, que dispõe que a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF extinguese no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme abaixo transcrito; d) que a citada consulta na realidade não seguiu o rito do processo administrativo de consulta previsto no art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, teve caráter meramente informativo, sem qualquer efeito vinculante, bem como as demais normas e pareceres; e) que nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como, já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão; f) que o art. 55, inciso XIV, do RIR/99 dispõe claramente que tanto os juros moratórios, quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, estão sujeitos à tributação, a menos que correspondam a rendimentos isentos ou não tributáveis; e) que a Resolução do STF nº 245 não pode ser estendida às verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10580.721203/200950 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.113 S2C2T1 Fl. 247 4 O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos formais e materiais, razão pela que deles conheço. Inicialmente entendo que o caso reclama o sobrestamento. Em que pese o entendimento deste relator, certo é que esta Colenda Turma julgadora por maioria vem entendendo pela procedência parcial do lançamento, forçando no presente caso a análise da questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados. Ocorre que ao apreciar a admissibilidade do RE nº 614406, que versa exatamente sobre tal forma de cálculo do imposto objeto dos presentes autos, o Supremo Tribunal Federal determinou o sobrestamento dos demais feitos que versam sobre o mesmo tema, nos termos do artigo 543B do CPC, in verbis: RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SUL REPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 – Publicação DJe043 DIVULG 03032011 PUBLIC 04032011 EMENT VOL0247601 PP00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395414 TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Decisão Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral objeto do recurso e reformou a decisão de inadmissibilidade do extraordinário. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Diante do exposto, proponho o sobrestamento do presente feito, tendo em vista o disposto no art. 62A do RICARF por tratarse de matéria com repercussão geral acolhida pelo STF. É como voto Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10580.721203/200950 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.113 S2C2T1 Fl. 248 5 Fl. 248DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727360/2009-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. URV. INCIDÊNCIA IRPF.
As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA.
1. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972).
2. Questão não impugnada nem tratada pelo acórdão recorrido não é devolvida por meio de recurso voluntário ao CARF, que não possui competência originária para conhecê-la, uma vez que sua competência se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, a teor do art. 1º do Anexo II do Ricarf.
ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE CAUSADO POR INFORMAÇÕES ERRADAS DA FONTE PAGADORA NÃO AUTORIZA O LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO.
Nos termos da Súmula CARF nº 73, o erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Numero da decisão: 2301-005.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar tributáveis as parcelas recebidas a título de URV, determinar que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte e determinar a exclusão da multa de ofício incidente sobre o tributo devido em decorrência das parcelas recebidas a título de URV; vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (Relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Bellini Júnior.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: Relator
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. URV. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA. 1. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). 2. Questão não impugnada nem tratada pelo acórdão recorrido não é devolvida por meio de recurso voluntário ao CARF, que não possui competência originária para conhecê-la, uma vez que sua competência se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, a teor do art. 1º do Anexo II do Ricarf. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE CAUSADO POR INFORMAÇÕES ERRADAS DA FONTE PAGADORA NÃO AUTORIZA O LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Nos termos da Súmula CARF nº 73, o erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar tributáveis as parcelas recebidas a título de URV, determinar que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte e determinar a exclusão da multa de ofício incidente sobre o tributo devido em decorrência das parcelas recebidas a título de URV; vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (Relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Bellini Júnior. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
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URV. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANOBASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA. 1. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). 2. Questão não impugnada nem tratada pelo acórdão recorrido não é devolvida por meio de recurso voluntário ao CARF, que não possui competência originária para conhecêla, uma vez que sua competência se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, a teor do art. 1º do Anexo II do Ricarf. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 73 60 /2 00 9- 79 Fl. 145DF CARF MF 2 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE CAUSADO POR INFORMAÇÕES ERRADAS DA FONTE PAGADORA NÃO AUTORIZA O LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Nos termos da Súmula CARF nº 73, o erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar tributáveis as parcelas recebidas a título de URV, determinar que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte e determinar a exclusão da multa de ofício incidente sobre o tributo devido em decorrência das parcelas recebidas a título de URV; vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (Relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Bellini Júnior. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3 a 7, integrado pelos demonstrativos de fls. 8 a 10, pelo qual se exige a importância de R$58.030,17, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, referente aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. O procedimento fiscal encontrase resumido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 5 a 7, na qual o autuante esclarece que o contribuinte classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei do Estado da Bahia no 8.730, de 08 de setembro de 2003. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 36 a 70, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 77 e 78): O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10580.727360/200979 Acórdão n.º 2301005.206 S2C3T1 Fl. 3 3 a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução n° 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5° da Lei Estadual da Bahia n° 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Público do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia n° 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Apreciando a impugnação apresentada, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador (BA) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 1527.160 (fls. 76 a 81), de 18/05/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Fl. 147DF CARF MF 4 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia n° 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Notificado do Acórdão de primeira instância, em 26/07/2011 (vide AR de fl. 85), o contribuinte interpôs, em 04/08/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 86 a 124, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 72 e 73), expondo as razões de sua irresignação. Em 16 de maio de 2012, a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF emitiu a Resolução n. 220200.220 (fls. 126 e ss), pela qual foi sobrestado o julgamento do Recurso Voluntário, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Da Questão da Tributação das Diferenças de Remuneração decorrentes da Conversão de Cruzeiro Real para URV Tal qual exposto no Acórdão da DRJ, vale citar que os rendimentos objeto do lançamento fiscal foram recebidos em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de 2003, que em seu art. 2º dispõe sobre “diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. A referida conversão era realizada mês a mês no período de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e visava a manutenção do valor real do salário. Verificase, portanto, que as diferenças reconhecidas através da citada lei tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos membros do Ministério Público Estadual. Tanto é assim, que as parcelas recebidas no devido tempo foram espontaneamente oferecidas à tributação pelo contribuinte, que reconhecia a ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do art. 43, inciso I, do CTN. Com relação ao art. 3º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10580.727360/200979 Acórdão n.º 2301005.206 S2C3T1 Fl. 4 5 indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. O art. 55, inciso XIV, do RIR/99 dispõe claramente que tanto os juros moratórios, quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, estão sujeitos à tributação, a menos que correspondam a rendimentos isentos ou não tributáveis. No tocante à alegação de que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas a funcionários do Poder Judiciário que não sejam os juízes federais. No que diz respeito à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Da Questão dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente Com relação à questão sobre a potencial ilegalidade da tributação integral dos valores de rendimentos recebidos de forma acumulada quando do efetivo recebimento, cumpre destacar que no anocalendário de recebimento de rendimentos pelo recorrente, vigia o artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, que possuía a seguinte redação: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Todavia, a Lei 12.350, de 2010 introduziu o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, que definiu como regra, a tributação exclusiva na fonte para os rendimentos recebidos acumuladamente, quando decorrentes de rendimentos do trabalho, aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, pagos pelas entidades públicas de previdência social: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês Fl. 149DF CARF MF 6 do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Lei 12.350, de 2010) Não há dúvida sobre a aplicação do art. 12A da Lei nº 7.713/88 para os exercícios posteriores a 2010, no entanto, poderia haver dúvida sobre a aplicação do referido artigo para os exercícios anteriores a 2010, tal qual o caso em tela em que os rendimentos foram recebidos em 2006. Ocorre que a questão da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente de períodos até o anocalendário 2009 foi recentemente objeto do Acórdão CSRF 9202003.695, julgado em 27/01/2016, o qual recebeu a seguinte ementa: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Vale destacar que decidiu o STJ nos Recursos Especiais REsp 1.470.720 e REsp n1.118.429, ambos julgados sob rito do artigo 543C do CPC que o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos: RESP 1.470.720 1. O valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente (em ação trabalhista, como no caso, o FACDT fator de atualização e conversão dos débitos trabalhistas). A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. RESP 1.118.429 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Por fim, considerando que o presente caso estava sobrestado até o julgamento do Recurso Extraordinário 614406RS, pelo Supremo Tribunal Federal, conforme Resolução nº 2802000.134, e o referido Recurso Extraordinário foi julgado, sob rito do artigo 543B do CPC, salientamos que a percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos, "in verbis": RE 614.406 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10580.727360/200979 Acórdão n.º 2301005.206 S2C3T1 Fl. 5 7 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Ademais, conforme o artigo 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, o entendimento do STF e STJ deverão ser reproduzidos por essa turma: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, voto no sentido de que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Da Aplicação da Multa Tal qual exposto no Acórdão da DRJ, no tocante à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão do Recorrente ter agido de boafé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cumpre observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Todavia, cumpre ressaltar que a Súmula CARF n. 73 dispõe de forma específica sobre o tema afastando a multa de ofício quando houver erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Considerando que somente houve lançamento de multa de ofício, não tendo havido lançamento de multa de mora, não se aplica multa alguma no presente caso. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento parcial (i) reconhecendo que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte; e (ii) aplicando a Súmula CARF n. 73, que não autoriza o lançamento da multa de ofício, de modo que como somente houve lançamento de multa de ofício, não tendo havido lançamento de multa de mora, não se aplica multa alguma no presente caso. Fl. 151DF CARF MF 8 É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Voto Vencedor Ouso divergir do respeitado conselheiro Alexandre Evaristo Pinto no tocante a não ser exigível, conjuntamente com o tributo e juros de mora, qualquer tipo de multa. Por primeiro, cumpre assinalar que não houve na impugnação qualquer alusão à aplicação da multa de mora. Assim, por força do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, esta matéria, não contestada, considerase não impugnada, e, por conseguinte, estranha ao presente processo administrativo fiscal: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Registro que às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não tendo sido impugnada, tal questão não foi tratada pelo acórdão recorrido; não há como, por decorrência, ser devolvida por meio de recurso voluntário a este CARF, que não possui competência originária para conhecer da matéria, uma vez que sua competência se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, a teor do art. 1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf): Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). (Grifouse.) Ademais, mesmo que a matéria pudesse ser conhecida, entendo que, ao ser cancelada a multa de ofício, a multa de mora é exigível por expressa disposição legal (art. 61, caput¸da Lei 9.430, de 1996), independentemente de constar no lançamento, sendo devida pela mera falta de recolhimento nos prazo previsto em legislação: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Grifou se.) Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10580.727360/200979 Acórdão n.º 2301005.206 S2C3T1 Fl. 6 9 Diferentemente da multa de ofício, que possui expressa previsão de ser lançada (art. 44 da Lei 9.439, de 1996), não há previsão legal para constituição da multa de mora pelo lançamento; por decorrência lógica, também não há previsão para sua exclusão em sede de julgamento de lançamento, não existindo, portanto, competência deste CARF para dispor sobre sua exclusão ou cancelamento. Sobre esta questão, assumo, como razões de decidir, mutatis mutandis, o voto do conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator do Acórdão 9202004.244, da 2ª Turma da CSRF, que passo a transcrever. II.2 Sobre a conversão da multa de ofício em multa de mora No tocante à matéria recorrida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, substituição da multa de ofício lançada pela multa de mora, é necessário fazer referência à legislação que disciplina as multas. A multa de ofício está prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme a seguir reproduzido, na parte que importa ao deslinde da questão em discussão: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... Da leitura do texto acima, reparase que não há previsão de lançamento de ofício de multa de mora. Contudo, a multa de mora está prevista no art. 61 do mesmo diploma legal, conforme a seguir reproduzido, também na parte que importa ao deslinde da questão em discussão: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 153DF CARF MF 10 ... Da leitura do texto acima, reparase que a exigência de multa de mora não está condicionada a qualquer lançamento de ofício, sendo devida a multa de mora pela mera falta de recolhimento nos prazo previsto em legislação. Portanto, não há previsão nem necessidade de conversão de multa de ofício em multa de mora em sede de julgamento de recurso o âmbito do Processo Administrativo Fiscal, para exigência do valor devido. A multa de mora, por expressa determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que houver recolhimento de tributo após o vencimento. Na verdade, a decisão a quo decidiu sobre tema que no entender deste conselheiro não tinha competência para discutir, a multa de mora, que é exigida de pleno direito, não compondo o lançamento. Ora, se não há previsão legal para constituição da multa de mora em sede de lançamento, também não há previsão para sua exclusão em sede de julgamento de lançamento. Dessa forma, pela impossibilidade jurídica da conversão das multas em sede de julgamento do lançamento tributário, é de se de dar provimento em parte ao Recurso da Fazenda Nacional, para afastar a exclusão da multa de mora, determinada pelo colegiado recorrido, devendo essa multa ser exigida de pleno direito em sede de cobrança / execução do crédito tributário, pela autoridade competente. (Grifouse.) Em conclusão, voto, nessa questão, por cancelar a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF 73, não conhecendo da questão da incidência da multa de mora, que deve ter a regular aplicação determinada pela legislação tributária. João Bellini Junior Fl. 154DF CARF MF
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Numero do processo: 11330.000255/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/07/1998 a 31/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Conhece-se do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedou-se preclusa.
RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. ARROLAMENTO DE DIRETORES.
No termos da Súmula Carf nº 88, a relação de co-responsáveis é apenas informativa e não compõe o contencioso tributário.
ESPONTANEIDADE. PAGAMENTO NO CURSO DA AÇÃO FISCAL.
Excluída a espontaneidade com ato de ofício, os pagamentos posteriores não alteram a matéria lançada. Pagamentos efetuados no curso da ação fiscal não integram a lide, por não influírem no lançamento.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 STF. INCONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212, DE 1991.
Segundo o STF, são inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Súmula Vinculante nº8, de 12/06/2008. Decai em cinco anos o direito de o Fisco lançar os créditos previdenciários.
Numero da decisão: 2301-005.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, nos termos do voto do relator e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência e excluir do lançamento os períodos de apuração até 12/2001.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 31/07/1998 a 31/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Conhece-se do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedou-se preclusa. RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. ARROLAMENTO DE DIRETORES. No termos da Súmula Carf nº 88, a relação de co-responsáveis é apenas informativa e não compõe o contencioso tributário. ESPONTANEIDADE. PAGAMENTO NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. Excluída a espontaneidade com ato de ofício, os pagamentos posteriores não alteram a matéria lançada. Pagamentos efetuados no curso da ação fiscal não integram a lide, por não influírem no lançamento. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 STF. INCONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212, DE 1991. Segundo o STF, são inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Súmula Vinculante nº8, de 12/06/2008. Decai em cinco anos o direito de o Fisco lançar os créditos previdenciários.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, nos termos do voto do relator e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência e excluir do lançamento os períodos de apuração até 12/2001. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, e João Bellini Junior (Presidente).
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PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Conhecese do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedouse preclusa. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. ARROLAMENTO DE DIRETORES. No termos da Súmula Carf nº 88, a relação de coresponsáveis é apenas informativa e não compõe o contencioso tributário. ESPONTANEIDADE. PAGAMENTO NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. Excluída a espontaneidade com ato de ofício, os pagamentos posteriores não alteram a matéria lançada. Pagamentos efetuados no curso da ação fiscal não integram a lide, por não influírem no lançamento. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 STF. INCONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212, DE 1991. Segundo o STF, são inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Súmula Vinculante nº8, de 12/06/2008. Decai em cinco anos o direito de o Fisco lançar os créditos previdenciários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, nos termos do voto do relator e, no mérito, dar parcial AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 02 55 /2 00 7- 31 Fl. 228DF CARF MF 2 provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência e excluir do lançamento os períodos de apuração até 12/2001. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, e João Bellini Junior (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 03/01/2007 (efl. 111), Debcad nº 37.005.8593, para a exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre remuneração paga a segurados contribuintes individuais, na forma do disposto no inc. III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva (efls. 114 a 121) em que alegou que parte dos créditos tributários teria sido atingida pela decadência e a outra parte teria sido extinta por pagamento. Também contestou a inclusão dos diretores no pólo passivo da relação tributária. Julgada a impugnação, resultou no Acórdão nº 1215.500 (efls. 174 a 182), que manteve o lançamento. Então, a Recorrente apresentou recurso voluntário (efls. 190 a 201) no qual reafirmou as alegações da impugnação e aduziu seu inconformismo pela aplicação da taxa de juros baseada na Selic. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. 1 Do conhecimento O recurso é tempestivo. 1.1 INCIDÊNCIA DE JUROS COM BASE NA SELIC Sobre a incidência de juros com base na taxa Selic, a matéria não foi questionada na impugnação, momento processual em que se delimita a lide, quedandose, pois, preclusa. Como já se manifestou esta turma, unanimemente, no Acórdão nº 2301005.165, não se conhece de matéria não impugnada: Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11330.000255/200731 Acórdão n.º 2301005.333 S2C3T1 Fl. 229 3 Não é possível conhecer da matéria porque não foi questionada pela recorrente na impugnação e, consoante o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. É a impugnação, ao instaurar a fase litigiosa, que delimita a lide. Não suscitada a matéria na fase própria, precluso estará o direito de fazêlo em outro momento processual. Nesse sentido, há vários precedentes no Carf (por exemplo, os acórdãos nºs 3302004.356, 3402004.318, 2402 005.903, 2402005.808 e 9101002.719). 1.2 DO ARROLAMENTO DOS DIRETORES NA RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS A matéria encontrase sumulada pelo Carf, que adotou o entendimento de que as relações de coresponsáveis não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, além de não comporem o contencioso administrativo fiscal, sendo apenas uma medida informativa para eventuais efeitos executórios. Assim estabelece a Súmula Carf nº 88: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. 1.3 DO PAGAMENTO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS NÃO DECAÍDOS Sem questionar o mérito do lançamento, a Recorrente alegou que os períodos que não foram atingidos pela decadência teriam sido pagos e juntou os comprovantes de pagamento (efls. 203 a 222). Acontece que tais pagamentos foram efetuados em 28/12/2006, quando o contribuinte já estava sob procedimento fiscal e às vésperas da conclusão do auto de infração, do qual tomou ciência pela vista postal em 03/01/2007 (efl. 111). Nos termos do parágrafo único do art. 138 do CTN, não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Isto significa que o pagamento sob procedimento fiscal não exclui o lançamento. Não se trata, pois, de matéria litigiosa e, portanto, dela não é possível conhecer. Destaquese que cabe à autoridade preparadora, porém, quando da cobrança dos crédito tributários lançados, fazer o aproveitamento dos pagamentos apresentados neste processo e, também, no processo nº 12259.000890/200872. Portanto, não conheço do recurso em relação às matérias relacionadas nos itens 1.1, 1.2 e 1.3. Dele conheço, entretanto, apenas da questão relacionada à decadência. Fl. 230DF CARF MF 4 2 Da prejudicial de mérito 2.1 DA DECADÊNCIA Preliminarmente, antes mesmo de analisar o mérito do lançamento, constata se de pronto a ocorrência de decadência, em face do Súmula Vinculante STF nº 8 que declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991, editada após o julgamento de primeira instância administrativa. Esta turma já decidiu, unanimemente, acerca da matéria nos termos do voto do iminente relator Alexandre Evaristo Pinto, no Acórdão nº 2301005.092, in verbis: Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal STF na Súmula Vinculante nº8, de 12/06/2008, de eficácia retroativa para os contribuintes com solicitações administrativas apresentadas até a data do julgamento da referida Súmula, os créditos da Seguridade Social pendentes de pagamento não podem ser cobrados, em nenhuma hipótese, após o lapso temporal quinquenal. Dessa forma, ao contrário do disposto no Acórdão da DRJ (fls. 543 a 544), que aplicou a decadência de 10 anos prevista nos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, deverão ser considerados como decaídos os períodos de apuração que vão até novembro de 2002, uma vez que a Recorrente foi notificada da NFLD em 27/11/2007 (fls. 521), isto é, os períodos de apuração que superaram o prazo quinquenal. Para os períodos em que tenha havido, comprovadamente, antecipação de pagamento, devese aplicar a regra decadencial é a prevista no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), cujo termo inicial do prazo de decadência é a data do fato gerador. Para os períodos em que não estejam comprovados, nos autos, antecipação de pagamento, a regra de decadência é a do inc. I do art. 173 do CTN, que estabelece o termo a quo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, considerando que o lançamento ocorreu em 03/01/2007 (e fl. 111), e há antecipações de pagamento, conforme se constata no Relatório de Documentos Apresentados (efls. 38 a 45), para todos os períodos, com exceção de 12/1998, 01/1999, 02/1999, 04/2005, 11/2005 e 12/2005, estava decaído o direito de o Fisco constituir o crédito tributário dos períodos de apuração até 12/2001. A Recorrente está correta quanto à existência de decadência, embora tenha se equivocado quanto aos períodos atingidos pelo instituto, porquanto, ao contrário do que afirmou, os períodos de 01 a 12 de 2002 ainda não haviam decaído quando do lançamento, em 03/01/2007. 3 Conclusões Voto por não conhecer do recurso voluntário quanto à incidência de juros com base na Selic, ao arrolamento de diretores na relação de coresponsáveis e ao pagamento dos períodos não decaídos. Voto ainda por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao apelo para admitir a decadência e excluir do lançamento os períodos de apuração até 12/2001. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11330.000255/200731 Acórdão n.º 2301005.333 S2C3T1 Fl. 230 5 (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Fl. 232DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.728342/2013-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 30/06/2013
VÍCIOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Constatado o não-recolhimento total ou parcial de contribuições para outras entidades e fundos (terceiros), o auditor-fiscal da Receita Federal do Brasil efetuará o lançamento do crédito tributário.
MULTA DE OFÍCIO PREVISTA NO ARTIGO 44 DA LEI Nº 9.430/1996.
Nos casos de lançamento de ofício de contribuições para outras entidades e fundos (terceiros) aplica-se o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996.
CONTRIBUIÇÃO PARA O SESI E SENAI. EXIGIBILIDADE.
Os artigos 4º do Decreto-lei nº 4.048/1942, e 3º do Decreto-lei nº 9.403/1946, deixam claro que todas as pessoas jurídicas que possuam estabelecimento(s) que se dedique(m) a atividade abrangida pela Confederação Nacional da Indústria, de acordo com o quadro a que se refere o artigo 577 da Consolidação das Leis do Trabalho, se sujeitam às contribuições para o SESI e o SENAI.
CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EXIGIBILIDADE.
A contribuição para o INCRA, mesmo após a publicação das Leis nº 7.787/89, nº 8.212/91 e nº 8.213/91, permanece plenamente exigível, inclusive em relação às empresas dedicadas a atividades urbanas.
CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE.
O § 3º do artigo 8º da Lei nº 8.029/90, prevê um adicional de 0,3% às contribuições devidas ao SESI/SENAI e SESC/SENAC, que perfazem uma contribuição totalmente autônoma para o SEBRAE de 0,6%.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO SALÁRIO-EDUCAÇÃO.
Em nenhum momento, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, a contribuição social do salário-educação deixou de ser exigível.
Numero da decisão: 2301-005.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, desconhecendo das alegações de inconstitucionalidades de lei, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos dos votos do relator
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 30/06/2013 VÍCIOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Constatado o não-recolhimento total ou parcial de contribuições para outras entidades e fundos (terceiros), o auditor-fiscal da Receita Federal do Brasil efetuará o lançamento do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO PREVISTA NO ARTIGO 44 DA LEI Nº 9.430/1996. Nos casos de lançamento de ofício de contribuições para outras entidades e fundos (terceiros) aplica-se o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. CONTRIBUIÇÃO PARA O SESI E SENAI. EXIGIBILIDADE. Os artigos 4º do Decreto-lei nº 4.048/1942, e 3º do Decreto-lei nº 9.403/1946, deixam claro que todas as pessoas jurídicas que possuam estabelecimento(s) que se dedique(m) a atividade abrangida pela Confederação Nacional da Indústria, de acordo com o quadro a que se refere o artigo 577 da Consolidação das Leis do Trabalho, se sujeitam às contribuições para o SESI e o SENAI. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EXIGIBILIDADE. A contribuição para o INCRA, mesmo após a publicação das Leis nº 7.787/89, nº 8.212/91 e nº 8.213/91, permanece plenamente exigível, inclusive em relação às empresas dedicadas a atividades urbanas. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. O § 3º do artigo 8º da Lei nº 8.029/90, prevê um adicional de 0,3% às contribuições devidas ao SESI/SENAI e SESC/SENAC, que perfazem uma contribuição totalmente autônoma para o SEBRAE de 0,6%. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO SALÁRIO-EDUCAÇÃO. Em nenhum momento, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, a contribuição social do salário-educação deixou de ser exigível.
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Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial de contribuições para outras entidades e fundos (terceiros), o auditorfiscal da Receita Federal do Brasil efetuará o lançamento do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO PREVISTA NO ARTIGO 44 DA LEI Nº 9.430/1996. Nos casos de lançamento de ofício de contribuições para outras entidades e fundos (terceiros) aplicase o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. CONTRIBUIÇÃO PARA O SESI E SENAI. EXIGIBILIDADE. Os artigos 4º do Decretolei nº 4.048/1942, e 3º do Decretolei nº 9.403/1946, deixam claro que todas as pessoas jurídicas que possuam estabelecimento(s) que se dedique(m) a atividade abrangida pela Confederação Nacional da Indústria, de acordo com o quadro a que se refere o artigo 577 da Consolidação das Leis do Trabalho, se sujeitam às contribuições para o SESI e o SENAI. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EXIGIBILIDADE. A contribuição para o INCRA, mesmo após a publicação das Leis nº 7.787/89, nº 8.212/91 e nº 8.213/91, permanece plenamente exigível, inclusive em relação às empresas dedicadas a atividades urbanas. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 83 42 /2 01 3- 88 Fl. 296DF CARF MF 2 O § 3º do artigo 8º da Lei nº 8.029/90, prevê um adicional de 0,3% às contribuições devidas ao SESI/SENAI e SESC/SENAC, que perfazem uma contribuição totalmente autônoma para o SEBRAE de 0,6%. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO SALÁRIOEDUCAÇÃO. Em nenhum momento, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, a contribuição social do salárioeducação deixou de ser exigível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, desconhecendo das alegações de inconstitucionalidades de lei, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos dos votos do relator (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratamse de dois autos de infração lavrados contra a sociedade empresária META Metalúrgica e Equipamentos para Tratamento de Água Ltda (DEBCAD nº 51.037.919 2 e nº 51.037.9206) No auto de infração de DEBCAD nº 51.037.9192 foram lançadas contribuições sociais previdenciárias da empresa sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas, a segurados empregados, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, relativas às competências 01/2009 a 11/2009 e 13/2009, e contribuições sociais previdenciárias da empresa sobre remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, a segurados contribuintes individuais, relativas às competências 01/2009 a 12/2009, acrescidas de multa de ofício de 75% e juros de mora. Já no auto de infração de DEBCAD nº 51.037.9206, foram lançadas contribuições para outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE) relativas às competências 01/2009 a 11/2009 e 13/2009, acrescidas de multa de ofício de 75% e juros. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10980.728342/201388 Acórdão n.º 2301005.225 S2C3T1 Fl. 3 3 O lançamento de tais contribuições para outras entidades e fundos foi efetuado, conforme exposto pela autoridade fiscal, com base na diferença apurada entre os valores das remunerações registradas como pagas a segurados empregados nas folhas de pagamento da Autuada e os valores de remunerações declaradas a este título nas GFIP da Autuada. A Autuada, ainda de acordo com a autoridade fiscal, embora não fosse optante pelo Simples Nacional, declarou nas suas GFIP referentes às competências 01/2009 a 13/2009, ser optante por tal regime de tributação. Os valores totais lançados referentes aos autos de infração de DEBCAD nº 51.037.9192 e nº 51.037.9206, correspondiam, na data da consolidação dos débitos (06/12/2013), respectivamente, aos montantes de R$ 667.177,62 (seiscentos e sessenta e sete mil e cento e setenta e sete reais e sessenta e dois centavos) e R$ 164.608,66 (cento e sessenta e quatro mil e seiscentos e oito reais e sessenta e seis centavos). Devido à configuração, em tese, de crime contra a Ordem Tributária (artigo 2º, inciso I, da Lei nº 8.137/90), a autoridade fiscal informou que iria emitir representação fiscal para fins penais. Irresignada com o lançamento, a Autuada apresentou a impugnação de fls. 229 a 268, instruída com os documentos de fls. 269 a 276. Diz que o fundamento do auto de infração impugnado foi a sua exclusão do Simples Nacional promovida pela Receita do Estado do Paraná. Afirma que a sua exclusão do Simples Nacional é ato manifestamente nulo, já que não foi, em momento algum, intimada para o exercício da ampla defesa e do contraditório. Relata que, no ano de 2008, simplesmente recebeu um comunicado informando sua exclusão do Simples Nacional em decorrência de débitos de ICMS perante o Estado do Paraná. Afirma que referidos “débitos” nunca existiram, visto que, com fulcro no artigo 78 do ADCT da Constituição Federal, foram compensados com precatórios requisitórios, adquiridos de terceiros, vencidos e não pagos, emitidos pelo próprio Estado do Paraná. Diz que tal fato foi simplesmente desconsiderado pelo Estado do Paraná. Assevera que ocorreu afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório na sua exclusão do Simples Nacional, já que não foi concedida oportunidade para exercer adequadamente a sua defesa. Frisa que os incisos LIV e LX do artigo 5º da Constituição Federal preceituam que “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal” e que “a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem”. Aduz que é inequívoca a irregularidade do procedimento administrativo que originou a decisão da sua exclusão do Simples Nacional, já que restou omisso em relação “à possibilidade de regularização da suposta infração cometida”. Fl. 298DF CARF MF 4 Alega que tal omissão afronta o princípio da proporcionalidade e demonstra que ocorreu inobservância de uma formalidade essencial à garantia dos direitos do administrado. Cita que o parágrafo único do artigo 2º da Lei nº 9.784/1999, em seu inciso VIII, preceitua que nos processos administrativos serão observados, entre outros, o critério de “observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados”. Ressalta que “as condições de validade dos atos administrativos provenientes do poder de polícia são as mesmas do ato administrativo comum, ou seja, a competência, a finalidade e a forma, acrescida da proporcionalidade da sanção”. Frisa que “os atos decorrentes do Poder de Polícia são vinculados e estão adstritos a uma forma, ou seja, o revestimento exteriorizado do ato é imprescindível à sua perfeição o que, inclusive, não poderia ser diferente, sob pena de se aniquilar os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório”. Diz que o procedimento administrativo relativo a sua exclusão do Simples Nacional é manifestamente ilegal, pois não observou os princípios e requisitos inerentes a todo ato administrativo. Afirma que o referido procedimento administrativo de exclusão do Simples Nacional deve ser declarado nulo e arquivado definitivamente, por força do disposto no artigo 53 da Lei nº 9.784/1999 e da súmula 473 do Supremo Tribunal Federal. Aduz que, caso as autoridades julgadoras entendam que é impossível revisar um ato administrativo praticado por outra esfera da administração, devem, pelo menos, desconsiderálo, por ser manifestamente ilegal e inconstitucional. Assevera que “o procedimento administrativo originário da decisão de exclusão da Impugnante do Regime Simples Nacional carece de fundamento legal que permita qualquer imposição em face da Impugnante”. Cita ementa de julgado do Tribunal de Justiça de São Paulo (APL 994051177647, Relator Xavier de Aquino, Data de Julgamento 11/01/2010, 5ª Câmara de Direito Público, Data de Publicação 29/01/2010) onde restou asseverado que a pena de desenquadramento de empresa do “Simples Paulista” por mero erro em procedimento de escrituração de nota fiscal mostrase desproporcional no caso em que o contribuinte tenha agido de boafé e em que não tenha ocorrido dano ao Fisco. Cita ementa de julgado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (100240619844720031, Relator Armando Freire, Data de Julgamento 11/12/2007, Data de Publicação 29/01/2008) onde restou asseverado que são assegurados ao contribuinte excluído do “Simples Minas” as garantias do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, e que “o desenquadramento automático, sem que seja instaurado procedimento administrativo para apuração de sua motivação viola direito líquido e certo”. Cita ementa de julgado do Tribunal de Justiça do Paraná (APCVREEX 1591077, Relator Antônio Lopes de Noronha, Data de Julgamento 15/12/2004, Data de Publicação 14/02/2005) onde restou asseverado que “é ilegal e abusivo o ato administrativo que enquadra empresa no sistema normal de tributação, sem que tenha sido oportunizada à interessada manifestação sobre o agravamento da situação fiscal, em flagrante cerceamento de defesa”. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10980.728342/201388 Acórdão n.º 2301005.225 S2C3T1 Fl. 4 5 Alega que ato administrativo de exclusão praticado pelo Estado do Paraná é ilegal e inconstitucional. Alega que a insubsistência do auto de infração impugnado é flagrante devido a ausência de requisito formal indispensável para a sua plena eficácia, “qual seja, o desenquadramento da impugnante n o sistema SIMPLES”. Assevera que o abuso de direito se configura “quando se verifica que o titular do poder discricionário o exerceu com desnaturamento do instituto jurídico a que correspondia o ato realizado, de maneira a desconhecer a sua categoria” e os princípios que o informam como figura jurídica. Afirma que no abuso de direito se pratica, sob aparência de legalidade, ato arbitrário, com desrespeito indireto ao texto legal. Aduz que, “em momento algum, infringiu dispositivos legais que levassem à sua exclusão do Regime Simples Nacional”. Frisa, porém, que “em determinados períodos efetivamente deixou de pagar os tributos estaduais em espécie, fazendoo, como visto alhures, com créditos devidos pelo próprio ente arrecadador”. Afirma que a sua exclusão do Simples Nacional, além de passar longe dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, certamente a levará a falência. Alega que o auto de infração impugnado é totalmente nulo, visto que a autoridade fiscal omitiu a fundamentação legal em que se baseou a imposição tributária e a descrição da matéria tributável. Assevera que a autoridade fiscal não observou o disposto no inciso IV do artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, já que se limitou “a anexar relação confusa, genérica e imprecisa da legislação que rege as contribuições ao INSS, não correlacionando os dispositivos com a matéria tributária glosada”. Diz que o auto de infração impugnado violou o disposto no inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal, que assegura aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e a ampla defesa. Afirma que, no auto de infração impugnado, deveriam constar, detalhadamente, somente os dispositivos que teriam sido infringidos, e não a relação de todos os dispositivos legais pertinentes à incidência das contribuições para a Seguridade Social. Assevera que é direito do contribuinte que “a exigência fiscal esteja de tal modo composta que lhe propicie contestála, ponto por ponto, item por item”. Ressalta que, na ausência de uma discriminação e uma circunstanciação dos dispositivos infringidos, o contribuinte é impedido de exercer sua defesa de forma ampla e irrestrita, já que não há uma delimitação do campo de luta. Aduz que o auto de infração impugnado possui o vício da incompleta e imprecisa descrição dos dispositivos que foram atribuídos ao contribuinte como infringidos. Fl. 300DF CARF MF 6 Diz que o auto de infração impugnado não aponta os artigos que dão suporte para a lavratura das exigências tributárias, mas apenas menciona, aleatoriamente, uma série de textos legais. Alega que foi obrigada a efetuar um verdadeiro trabalho de adivinhação dos tipos legais em que foi enquadrada. Afirma que é “nulo o lançamento tributário destituído de capitulação legal e sem a descrição da matéria tributável, por caracterizar manifesto cerceamento de defesa”. Diz que o início da contagem do prazo decadencial é a data do fato gerador. Afirma que os fatos geradores ocorridos entre os meses de janeiro/2013 a fevereiro/2014 estão fulminados pela decadência, já que recebeu o auto infração na data de 28 de março de 2014. Diz que a “a disciplina da matéria relativa ao custeio dos encargos do SENAI e do SESI está vertida, respectivamente, no artigo 5º do Decreto nº 494, de 10 de janeiro de 1962 e no artigo 11 do Decreto nº 57.375, de 2 de dezembro de 1965”. Afirma que as contribuições para o SESI e SENAI, conforme os dispositivos citados no parágrafo acima, “têm como sujeitos passivos os estabelecimentos industriais, de transporte, de comunicação e da pesca”. Afirma que “o simples fato do Ministério Público do Trabalho, mediante Portarias, submeter à Confederação Nacional da Indústria outras atividades ou categorias econômicas que não àquelas especificamente relacionadas nos referidos Decretos regulamentares, não implica em que os estabelecimentos alheios à dita atividades passem a ser considerados como contribuintes do SENAI e do SESI”. Afirma que tais portarias ferem o princípio constitucional da legalidade (artigo 5º, inciso II, da Constituição Federal), o princípio constitucional implícito da tipicidade cerrada e o princípio constitucional da estrita legalidade em matéria tributária (artigo 150, inciso I, da Constituição Federal, e artigo 97 do Código Tributário Nacional). Assevera que o seu contrato social demonstra que as atividades que desenvolve não correspondem aos ramos estabelecidos nos Decretos nº 494/1962 e nº 57.375/1965. Frisa que o princípio da tipicidade, que se confunde com o princípio da legalidade, “impõe que a lei disponha de modo inequívoco e exaustivo, sobre todos os aspectos da hipótese tributária” e que a ocorrência de um evento concreto esteja em perfeita correspondência com o fato hipoteticamente previsto pela norma jurídica tributária. Ressalta que as leis instituidoras das contribuições para o SENAI e para o SESI não preveem como sujeito passivo da obrigação tributária empresas de construção civil. Frisa que o artigo 108, inciso II, do Código Tributário Nacional determina que “na ausência de disposição expressa”, um dos critérios que deve ser utilizado pela “autoridade competente para aplicar a legislação tributária” são os princípios gerais do direito tributário. Diz que o adicional de 0,2% recolhido ao INCRA a título de contribuição social surgiu na esteira da seguinte evolução legislativa: A Lei 2.613/55 criou o adicional para o então Serviço Social Rural; Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10980.728342/201388 Acórdão n.º 2301005.225 S2C3T1 Fl. 5 7 com a Lei 4.863/65, a alíquota daquele adicional foi fixada em 0,4%; o DecretoLei 582/69 (art. 6º) destinou metade da contribuição (0,2%) ao Instituto Brasileiro de Reforma Agrária – IBRA e ao Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário – INDA; o Decreto 1.146/70 destinou ao INCRA a receita em questão, 0,2% (art. 1º c/c art. 3º); a Lei Complementar nº 11/71, depois modificada pela Lei Complementar nº 16/73, fixou o adicional em 2,6% calculado sobre a contribuição previdenciária das empresas urbanas, destinando ao Funrural o percentual de 2,4%, mantendo 0,2% ao INCRA; recentemente, a Lei nº 7.787, de 30 de junho de 1989, eliminou, a partir de setembro daquele ano, a contribuição destinada ao Funrural (art. 2º, §1º), restando, pois, o adicional de 0,2% ao INCRA. Ressalta que existem três correntes doutrinárias e jurisprudenciais a respeito da natureza jurídica do referido adicional (INCRA): a primeira, que defende que corresponde a contribuição de intervenção no domínio econômico, recepcionada pela Constituição Federal em seu artigo 149; a segunda, que afirma tratarse de uma contribuição social, adequada às especificação do artigo 195 da Constituição Federal; e a terceira, que defende que o adicional é imposto. Diz que tal tributo é indevido, independentemente da orientação doutrinária e jurisprudencial adotada. Afirma que “não se pode considerar o adicional ao INCRA como contribuição de intervenção no domínio econômico, pois não preenche os requisitos necessários para a sua implementação”. Frisa que o artigo 149 da Constituição Federal determina que uma nova contribuição só pode ser criada caso não seja cumulativa, seja instituída por lei complementar e não fira os princípios constitucionais da legalidade, irretroatividade e anterioridade. Alega que a contribuição para o INCRA, caso seja enquadrada como contribuição de intervenção no domínio econômico, fere diversos dispositivos da Constituição Federal de 1988, como: o artigo 146, inciso III, visto que a Lei Complementar nº 11/1971 não legisla sobre competência, hipótese de incidência, prazo de recolhimento, mas apenas faz uma remissão à contribuição; e o artigo 150, inciso I (princípio da legalidade), visto que a contribuição é regulada em parte por DecretosLei. Diz que a contribuição para o INCRA também fere a Constituição Federal pelo fato de ter “base de cálculo e fato gerador semelhante à contribuição sobre folha de salário”. Afirma que o texto original da Constituição Federal de 1988, em nenhum momento, fez referência a recepção da contribuição de 0,2% destinada ao INCRA. Alega que tal contribuição não guarda qualquer ligação com a previdência ou assistência social. Fl. 302DF CARF MF 8 Aduz que “não se deve confundir a contribuição em questão, 0,2% destinados ao INCRA, criada pela Lei 2.615/55, alterada pelo Decreto 1.146/70, com a contribuição destinada ao FUNRURAL – criada pela Lei Complementar nº 11/71, julgada devida pelos tribunais”. Assevera que a contribuição criada pela Lei nº 2.613/1955 era inteiramente justificável, “vez que o Serviço Social Rural foi criado com o fim específico de prestar serviços na área rural”. Frisa que o Decreto nº 582/1969 alterou os destinatários da contribuição, “que passaram a ser o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária – IBRA e o Instituto Nacional de desenvolvimento Agrário – INDA, ambos idealizados com o objetivo de promover a reforma agrária do país, sem qualquer vínculo ou projetos no campo da previdência ou assistência social”. Ressalta que o DecretoLei nº 1.146/70 destinou a contribuição em questão ao então criado INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, sucessor do IBRA e do INDA. Diz que “a Lei Complementar nº 11/71, que instituiu o Programa de Assistência ao Trabalhador Rural, criou a contribuição do FUNRURAL, que foi acatada pela jurisprudência, mantendo o adicional ao INCRA”. Alega que, mesmo após a Lei Complementar nº 11/1971, a base jurídica da cobrança da contribuição para o INCRA permaneceu sendo o Decreto nº 1.146/1970. Frisa que o §1º do artigo 3º da Lei nº 7.787/1989, extinguiu expressamente a contribuição para o PRORURAL. Assevera que a contribuição para o INCRA foi extinta juntamente com a contribuição para o PRORURAL, já que era um adicional atrelado a esta. Alega que a contribuição ao PRORURAL deve ser considerada extinta a partir da Constituição Federal de 1988. Ressalta que a Constituição Federal de 1988 não faz nenhuma menção ao INCRA e muito menos a contribuição para custeálo. Afirma que a contribuição para o INCRA não tem nenhum vínculo com a seguridade social, posto que é revertida a um instituto ligado a reforma agrária, sem previsão de qualquer benefício ou contraprestação. Assevera que a contribuição para o INCRA desrespeita o disposto no artigo 154, inciso I, da Constituição Federal de 1988, já que é cumulativa. Afirma que as restrições previstas no artigo 154, inciso I, da Constituição Federal de 1988, se aplicam aos tributos que foram instituídos após a promulgação da Constituição Federal e àqueles que não foram expressamente recepcionados por ela. Cita trecho de julgado do Supremo Tribunal Federal (ADC nº 11DF, publicada no DJ de 16 de junho de 1995), onde o ministro relator assevera que “o princípio da não cumulatividade aplicase às contribuições sociais instituídas na órbita da competência residual da União, nos termos do artigo 195, parágrafo 4º, da Constituição Federal”. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10980.728342/201388 Acórdão n.º 2301005.225 S2C3T1 Fl. 6 9 Alega que a contribuição para o INCRA fere o disposto no artigo 149 da Constituição Federal de 1988, visto que somente por lei complementar a União pode instituir novas contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. Afirma que não há base legal e constitucional para a exigência de contribuição ao INCRA. Alega que a exigência de contribuição para o INCRA fere o disposto no inciso V do artigo 194 da Constituição Federal de 1988. Alega que a contribuição para o INCRA, mesmo que fosse enquadrada como imposto, continuaria eivada de inconstitucionalidade, já que o inciso IV do artigo 167 da Constituição Federal de 1988, veda a vinculação da receita proveniente da arrecadação de tal espécie tributária. Frisa que a Lei nº 8.029/1990 autorizou o Poder Executivo a desvincular da Administração Pública o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa – CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo. Ressalta que o Poder Executivo, seguindo autorização legalmente atribuída, desvinculou da Administração Pública, através do Decreto nº 99.570/1990, o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa – CEBRAE, transformandoo em um serviço social autônomo – o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), “sendo tais atividades custeadas pelo adicional de que trata o § 3º do artigo 8º da Lei nº 8.029/90”. Afirma que o disposto no artigo 240 da Constituição Federal de 1988 refere se somente “às contribuições compulsórias pagas pelos empregadores sobre a folha de salários, destinadas ao Serviço Nacional da Indústria (SENAI); Serviço Social da Indústria (SESI); Serviço Nacional do Comércio (SENAC) e Serviço Social do Comércio (SESC)”. Ressalta que o “adicional” ao SEBRAE foi criado posteriormente à entrada em vigor do novo Sistema Tributário Nacional, e que consiste em nova contribuição que não tem respaldo constitucional. Alega que, se a contribuição para o SEBRAE fosse de fato adicional, “deveria ter a mesma destinação, ou pelo menos correlata, à do seu principal, o que não ocorre”. Assevera que não há justificativa para a exigência de contribuição ao SEBRAE “posto que criada sem autorização constitucional e incidente sobre a folha de salários, mesmo não sendo contribuição destinada ao custeio da seguridade social”. Aduz que, mesmo que a contribuição para o SEBRAE fosse enquadrada como contribuição de intervenção no domínio econômico, ela seria inconstitucional, já que, por força do disposto no inciso III do artigo 146 Constituição Federal de 1988, teria que ser instituída por lei complementar. Alega que a contribuição para o SEBRAE, mesmo que encontrasse fundamento no artigo 195, §4º, ou no artigo 149 da Constituição Federal, teria que ser instituída via lei complementar, por força do disposto nos artigos 146, inciso III, e 154, inciso I, da Constituição Federal. Fl. 304DF CARF MF 10 Diz que, na vigência das Constituições pretéritas a Constituição Federal de 1988, “as empresas estavam obrigadas a manter o ensino primário, vale dizer, existia uma obrigação de fazer, que poderia ser substituída pela contribuição do salárioeducação, cuja alíquota era fixada por decreto levando em consideração o custo atuarial desse ensino”. Afirma que, na atual ordem constitucional, “as empresas não mais estão obrigadas a manter o ensino primário de seus empregados e dos filhos destes, mas a pagar (obrigação de dar) o salárioeducação, que é fonte adicional de financiamento e, por isso, não pode ser cobrado nas mesmas bases anteriores, quando existia uma obrigação de fazer (manter o ensino primário de seus empregados e dos filhos destes), que podia ser substituída pela contribuição especial do salárioeducação, cujo quantum era apurado em base no custo atuarial dessa obrigação”. Frisa que o salárioeducação passou, no novo ordenamento constitucional, a deter natureza jurídica de tributo. Assevera que a contribuição social do salárioeducação submetese ao disposto no artigo 149 da Constituição Federal de 1988. Alega que as normas editadas na égide das Constituições anteriores não podem ser consideradas recepcionadas pela Constituição Federal de 1988, visto que, anteriormente, “o salárioeducação não tinha natureza tributária e sua alíquota era fixada por decreto, tomando por base o cálculo atuarial correspondente ao custo do ensino primário dos empregados e filhos destes, cuja obrigação em manter era das empresas”. Assevera que o salárioeducação não pode ser cobrado pelo fato de não existir lei que ofereça todos os elementos necessários para a apuração do montante a recolher. Aduz que a cobrança de contribuição social do salárioeducação fere o disposto nos artigos 5º, inciso II, e 150, inciso I, da Constituição Federal, e o artigo 97, inciso IV, do Código Tributário Nacional. Frisa que somente lei formal tem o condão de fixar a alíquota de qualquer tributo. Afirma que o seu entendimento é reforçado pelo fato da União Federal, através da Medida Provisória nº1.518, 12 de outubro de 1996, que já foi reeditada por diversas vezes, ter pretendido instituir, de fato, o tributo à luz da Constituição Federal de 1988. Diz que as medidas provisórias mencionadas não foram convertidas em lei. Alega que o artigo 15 da Lei nº 9.424/1996 é inconstitucional, já que a contribuição social do salárioeducação só poderia ser instituída por lei complementar. Frisa que, do início da vigência da Constituição Federal de 1988 até a edição da Lei nº 9.424/1996, inexistia qualquer norma válida sobre contribuição social do salárioeducação. Lembra que o artigo 25 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias revogou expressamente, a partir de cento e oitenta dias da promulgação da nova Constituição, todos os dispositivos legais que delegavam a órgão do Poder Executivo competência atribuída pelo Legislador Constituinte ao Congresso Nacional, especialmente, no que se referisse a ação normativa. Diz que na autuação impugnada “a zelosa fiscalização cominou ilegalmente uma pesada multa pelo pretenso descumprimento das obrigações tributárias acessórias (75%)”. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10980.728342/201388 Acórdão n.º 2301005.225 S2C3T1 Fl. 7 11 Afirma que a única finalidade das sanções tributárias é desestimular o descumprimento das obrigações tributárias. Assevera que a multa fiscal “não pode ser utilizada com intuito arrecadatório, valendose como tributo disfarçado”. Aduz que a autoridade fiscal não poderia ter lançado a multa de ofício de 75%, visto que não se vislumbra caracterizada qualquer infração cometida. Afirma que a multa de ofício de 75% deve ser cancelada, porquanto existe “incerteza da jurisprudência sobre a matéria”. Cita diversos precedentes judiciais que tratam da análise da consfiscatoriedade ou não de multas tributárias. Alega que a exigência de multa de ofício de 75% “resulta em confisco de patrimônio do suposto devedor, ferindo princípios constitucionais basilares: da moralidade e vedação do enriquecimento sem causa (CF art. 37 caput); da propriedade (CF art. 5º, caput, XXII e 170, II) e princípio do não confisco de tributos/multas (CF art. 150, IV)”. Requer, por fim, sucessivamente: a declaração de nulidade do auto de infração hostilizado; o reconhecimento da decadência de parte do crédito tributário constituído; a declaração de improcedência do referido auto de infração; e o afastamento ou a redução da multa de ofício lançada. Alternativamente, requer a produção de prova pericial, aduzindo que a formulação de quesitos e a indicação de assistente técnico será feita posteriormente. O Acórdão n. 0735.656 da DRJ (fls. 205 e ss) julgou a impugnação improcedente nos termos abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de Apuração: 01/01/2010 a 30/06/2013 LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial de contribuições para outras entidades e fundos (terceiros), o auditorfiscal da Receita Federal do Brasil efetuará o lançamento do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO PREVISTA NO ARTIGO 44 DA LEI Nº 9.430/1996. Nos casos de lançamento de ofício de contribuições para outras entidades e fundos (terceiros) aplicase o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. CONTRIBUIÇÃO PARA O SESI E SENAI. EXIGIBILIDADE. Os artigos 4º do Decretolei nº 4.048/1942, e 3º do Decretolei nº 9.403/1946, deixam claro que todas as Fl. 306DF CARF MF 12 pessoas jurídicas que possuam estabelecimento(s) que se dedique(m) a atividade abrangida pela Confederação Nacional da Indústria, de acordo com o quadro a que se refere o artigo 577 da Consolidação das Leis do Trabalho, se sujeitam às contribuições para o SESI e o SENAI. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EXIGIBILIDADE. A contribuição para o INCRA, mesmo após a publicação das Leis nº 7.787/89, nº 8.212/91 e nº 8.213/91, permanece plenamente exigível, inclusive em relação às empresas dedicadas a atividades urbanas. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. O § 3º do artigo 8º da Lei nº 8.029/90, prevê um adicional de 0,3% às contribuições devidas ao SESI/SENAI e SESC/SENAC, que perfazem uma contribuição totalmente autônoma para o SEBRAE de 0,6%. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO SALÁRIOEDUCAÇÃO. Em nenhum momento, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, a contribuição social do salárioeducação deixou de ser exigível. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 30/06/2013 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE PERÍCIA CONSIDERADO NÃO FORMULADO. Deverá se considerado não formulado o pedido de perícia apresentado sem a exposição dos motivos pelos quais o requerente entende que deva ser produzida tal prova e sem a indicação de quesitos e do nome, endereço e qualificação profissional de perito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 30/06/2013 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. A decadência das contribuições sociais previdenciárias é regida pelas disposições contidas no Código Tributário Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10980.728342/201388 Acórdão n.º 2301005.225 S2C3T1 Fl. 8 13 Nacional, conforme determinado pela Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal nº 08, publicada no DOU de 20/06/2008" Em 27 de fevereiro de 2015, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 242 e ss.), reiterando os argumentos trazidos em sede de Impugnação: (i) nulidade do auto de infração em razão do indevido desenquadramento da Recorrente no Simples; (ii) abuso do direito como limite ao poder discricionário; (iii) nulidade do auto de infração em razão de sua imprecisa capitulação legal; (iv) ilegitimidade e inconstitucionalidade dos adicionais devidos ao SESI/SENAI; (v) ilegalidade e inconstitucionalidade do adicional devido ao INCRA; (vi) ilegalidade e inconstitucionalidade do adicional devido ao SEBRAE; (vii) inconstitucionalidade do adicional devido ao FNDE; (viii) não incidência da contribuição previdenciária sobre verbas de caráter indenizatório; (ix) ilegalidade e inconstitucionalidade da exigência de contribuição previdenciária sobre auxíliodoença, aviso prévio indenizado, salário maternidade, férias indenizadas e 1/3 de férias; e (x) efeito confiscatório da multa cominada. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso voluntário é tempestivo, no entanto, o Recorrente argui a inconstitucionalidade dos adicionais devidos ao SESI/SENAI, do adicional devido ao INCRA, do adicional devido ao SEBRAE, do adicional devido ao FNDE, bem como o efeito confiscatório da multa cominada e a potencial ofensa aos princípios do contraditório, da ampla defesa, do devido processo legal, da proporcionalidade e da razoabilidade quando do seu desenquadramento do Simples. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade supramencionadas e tampouco a potencial ofensa aos princípios da vedação ao confisco, do contraditório, da ampla defesa, do devido processo legal, da proporcionalidade e da razoabilidade. Da Questão da Exclusão do Simples Nacional A Recorrente alega que era enquadrada no Simples Nacional e que foi excluída de tal regime de tributação de forma ilegal e inconstitucional. Aduz que o procedimento adotado feriu as garantidas da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, visto que simplesmente recebeu um comunicado do Estado do Paraná, informando que a sua exclusão ocorreu devido a débitos de ICMS. Afirma que os supostos “débitos” não existiam, já que foram compensados com precatórios Fl. 308DF CARF MF 14 requisitórios, adquiridos de terceiros, vencidos e não pagos, emitidos pelo próprio Estado do Paraná. Alega que o procedimento de exclusão adotado também fere os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, já que não foi oportunizada possibilidade de regularização da suposta infração cometida. Ocorre que, a partir de análise da manifestação de fls. 47 a 49, que é a resposta que foi dada ao Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 41/42), verificase que a própria Autuada admitiu que contestou judicialmente a sua exclusão do Simples Nacional e que não obteve êxito em tal tentativa. Como prova disso, cabe citar o seguinte trecho da manifestação de fls. 47 a 49: No ano de 2008, recebemos um comunicado informando nossa exclusão do SIMPLES NACIONAL em decorrência de débitos de ICMS perante o Estado do Paraná. (...) (...) Prontamente entramos em contado com o advogado que nos orientava nesse procedimento fiscal para que tomasse as providências cabíveis, pois não poderíamos perder a “benesse legal” e ser excluídos do Simples Nacional. Prontamente foi ingressado com um Mando [sic] de Segurança nº 34.290/000, perante a 3ª Vara da Fazenda Pública (doc. em anexo), visando à obtenção o [sic] reconhecimento do direito postulado e, em consequência, a reintegração da peticionaria do [sic] SIMPLES NACIONAL. Na sequência, nos foi informado que poderíamos continuar pagando os tributos através do SIMPLES NACIONAL até o término do referido mandado de segurança. Porém, após o recebimento da intimação fiscal ora respondida, entramos em contato visando à obtenção das informações requeridas e fomos surpreendidos pelo fato de que referido processo já tinha sido encerrado no final do na [sic] de 2011 com desfecho desfavorável a peticionaria, sendo que o mesmo já se encontra, inclusive, arquivado, conforme podemos perceber pela análise da fase processual em anexo. Assim, fica claro que as alegações do Recorrente já foram discutidas judicialmente e que o desfecho da lide no Poder Judiciário, conforme a própria Autuada, não foi favorável a ela. Ante o exposto, a exclusão da Recorrente do Simples Nacional, ao contrário do que ela entende, deve ser considerada válida e legítima para fins de manutenção do presente auto de infração (DEBCAD nº 51.058.9170). Da Questão da Imprecisa Capitulação Legal do Auto de infração de DEBCAD nº 51.037.9192 As alegações de que o lançamento das exigências contidas no auto de infração de DEBCAD nº 51.037.9192 foi efetuado sem a exposição clara e suficiente das fundamentações fáticas e jurídicas que o embasaram não podem prosperar, porquanto foram perfeitamente identificados na referida autuação e em seus anexos, as contribuições lançadas, Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10980.728342/201388 Acórdão n.º 2301005.225 S2C3T1 Fl. 9 15 seus fatos geradores, os períodos a que se referem, as bases de cálculo utilizadas e os fundamentos legais do débito, o que possibilita a completa compreensão dos créditos lançados. Da análise do auto de infração de DEBCAD nº 51.037.9192, do seu relatório Discriminativo do Débito de fls. 04 a 07 e do relatório fiscal de fls. 18 a 23, observase que os mesmos demonstram, de forma clara, que foram lançadas contribuições sociais previdenciárias da empresa sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas, a segurados empregados, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, relativas às competências 01/2009 a 11/2009 e 13/2009, e contribuições sociais previdenciárias da empresa sobre remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, a segurados contribuintes individuais, relativas às competências 01/2009 a 12/2009, acrescidas de multa de ofício de 75% e juros de mora. Já da análise conjunta do relatório fiscal de fls. 18 a 23 com o Discriminativo do Débito de fls. 04 a 07, verificase que os mesmos expõem que as bases de cálculo utilizadas no auto de infração de DEBCAD nº 51.037.9192 foram apuradas com supedâneo nas remunerações pagas a segurados empregados e segurados contribuintes individuais declaradas nas GFIP da Autuada. Além disso, verificase, ainda com base na análise conjunta de tais documentos, que a Autuada, embora não fosse optante pelo Simples Nacional, declarou nas suas GFIP referentes às competências 01/2008 a 13/2008, ser optante por tal regime de tributação. A fundamentação legal do lançamento das exigências contidas no auto de infração de DEBCAD nº 51.037.9192, por sua vez, encontrase expressamente exposta no relatório “Fundamentos Legais do Débito FLD” de fls. 08/09. Cabe ressaltar que, da simples análise do referido relatório (fls. 08/09), verificase que as alegações no sentido de que não teria sido exposta de maneira clara, precisa e completa, a fundamentação legal do lançamento são totalmente improcedentes, pois tanto a legislação que autoriza os auditoresfiscais da Receita Federal do Brasil a fiscalizar e lançar contribuições sociais previdenciárias, como a que prevê as contribuições e acréscimos legais lançados, foram minuciosamente discriminadas pela autoridade fiscal. Com efeito, resta claro que não há que se falar na existência de qualquer vício que macule o lançamento das exigências contidas no auto de infração de DEBCAD nº 51.037.9192 no que tange a exposição de seus fundamentos fáticos e legais. Consequentemente, também não há que se falar na ocorrência de qualquer prejuízo ao exercício da ampla defesa e do contraditório. Da Questão da Imprecisa Capitulação Legal do Auto de infração de DEBCAD nº 51.037.9206 As alegações de que o lançamento das exigências contidas no auto de infração de DEBCAD nº 51.037.9206 foi efetuado sem a exposição clara e suficiente das fundamentações fáticas e jurídicas que o embasaram não podem prosperar, porquanto foram perfeitamente identificados na referida autuação e em seus anexos, as contribuições lançadas, seus fatos geradores, os períodos a que se referem, as bases de cálculo utilizadas e os fundamentos legais do débito, o que possibilita a completa compreensão dos créditos lançados. Fl. 310DF CARF MF 16 Da análise do auto de infração de DEBCAD nº 51.037.9206, do seu relatório Discriminativo do Débito de fls. 11 a 13 e do relatório fiscal de fls. 18 a 23, observase que os mesmos demonstram, de forma clara, que foram lançadas contribuições para outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), relativas às competências 01/2009 a 11/2009 e 13/2009. Já da análise conjunta do relatório fiscal de fls. 18 a 23 com o Discriminativo do Débito de fls. 11 a 13, verificase que as bases de cálculo utilizadas no auto de infração de DEBCAD nº 51.037.9206 foram apuradas com supedâneo nas remunerações pagas a segurados empregados declaradas nas GFIP da Autuada. Ademais, verificase, ainda com base na análise conjunta de tais documentos, que a Autuada, embora não fosse optante pelo Simples Nacional, declarou nas suas GFIP referentes às competências 01/2008 a 13/2008, ser optante por tal regime de tributação. A fundamentação legal do lançamento das exigências contidas no auto de infração de DEBCAD nº 51.037.9206, por sua vez, encontrase expressamente exposta no relatório “Fundamentos Legais do Débito FLD” de fls. 13 a 15. Cabe ressaltar que, da simples análise do referido relatório (fls. 13 a 15), verificase que as alegações no sentido de que não teria sido exposta de maneira clara, precisa e completa, a fundamentação legal do lançamento são totalmente improcedentes, pois tanto a legislação que autoriza os auditoresfiscais da Receita Federal do Brasil a fiscalizar e lançar contribuições para outras entidades e fundos, como a que prevê as contribuições e acréscimos legais lançados, foram minuciosamente discriminadas pela autoridade fiscal. Com efeito, resta claro que não há que se falar na existência de qualquer vício que macule o lançamento das exigências contidas no auto de infração de DEBCAD nº 51.037.9206 no que tange a exposição de seus fundamentos fáticos e legais. Consequentemente, também não há que se falar na ocorrência de qualquer prejuízo ao exercício da ampla defesa e do contraditório. Da Questão das Contribuições para o SESI e para o SENAI As alegações de que a Recorrente não se sujeita às contribuições para o SESI e para SENAI não podem prosperar. Os artigos 4º do Decretolei nº 4.048/1942, e 3º do Decretolei nº 9.403/1946, determinam que os sujeitos passivos das contribuições para o SESI e o SENAI são as pessoas jurídicas que possuem estabelecimentos cuja atividade se enquadre dentre as abrangidas pela Confederação Nacional da Indústria, conforme o disposto no artigo 577 da Consolidação das Leis do Trabalho: Decretolei nº 4.048/1942 Art. 4º Serão os estabelecimentos industriais das modalidades de indústrias enquadradas na Confederação Nacional da Indústria obrigados ao pagamento de uma contribuição mensal para montagem e custeio das escolas de aprendizagem. (...) Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10980.728342/201388 Acórdão n.º 2301005.225 S2C3T1 Fl. 10 17 § 2º A arrecadação da contribuição de que trata este artigo será (...), sendo o produto posto à disposição do Serviço Nacional de Aprendizagem dos Industriários. (...) Decretolei nº 9.403/1946 Art. 3º Os estabelecimentos industriais enquadrados na Confederação Nacional da Indústria (artigo 577 do Decretolei n.º 5.452, de 1 de Maio de 1943), bem como aqueles referentes aos transportes, às comunicações e à pesca, serão obrigados ao pagamento de uma contribuição mensal ao Serviço Social da Indústria para a realização de seus fins. (...) No caso em tela, observase que o próprio contrato social da Recorrente, conforme exposto no relatório fiscal de fls. 16 a 20, demonstra que, dentre as atividades exercidas por ela, se encontra a de “Fabricação de Estruturas Metálicas.” Ademais, verificase que a própria Recorrente, também conforme exposto no relatório fiscal de fls. 16 a 20, enquadrou sua atividade preponderante no código CNAE 2513 6/00, que está englobada como atividade de indústria. Desse modo, resta evidente que a autoridade fiscal agiu legitimamente ao considerar que a sociedade empresária META Metalúrgica e Equipamentos para Tratamento de Água Ltda se sujeita às contribuições para o SESI e o para o SENAI, visto que ela se dedica a atividade (indústria metalúrgica/mecânica) abrangida pela Confederação Nacional da Indústria no quadro a que se refere o artigo 577 da Consolidação das Leis do Trabalho (DecretoLei nº 5.452/1943). Da Questão da Contribuição para o INCRA As alegações de que a contribuição para o INCRA não tem base legal para ser exigida são totalmente improcedentes, visto que os dispositivos legais que amparam a exigência de tal contribuição encontramse expressamente discriminados no item “405 – TERCEIROS – INCRA” do relatório de Fundamentos Legais do Débito de fls. 12/13. Da mesma forma, as alegações no sentido de que a contribuição para o INCRA foi extinta pela Lei nº 7.787/1989 são totalmente improcedentes, já que tal Lei (nº 7.787/1989) apenas suprimiu a parcela de custeio do “Prorural”. Nessa linha, extraise da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça os seguintes precedentes: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. EXIGIBILIDADE. ENTENDIMENTO FIRMADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO. ERESP 770.451/SC. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. A Primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, no julgamento dos EREsp 770.451/SC, em 27 de setembro de 2006 (acórdão ainda não Fl. 312DF CARF MF 18 publicado), dirimindo dissídio existente entre as duas Turmas de Direito Público acerca da possibilidade de compensação entre a contribuição para o INCRA e a contribuição incidente sobre a folha de salários, consignou que a exação destinada ao INCRA, criada pelo DecretoLei 1.110/70, não se destina ao financiamento da Seguridade Social. Isso porque esta assegura direitos relativos à Saúde, à Previdência Social e à Assistência Social, enquanto aquela é contribuição de intervenção no domínio econômico, destinada à reforma agrária, à colonização e ao desenvolvimento rural. 2. Na ocasião, seguindo essa orientação, os Ministros integrantes daquele órgão julgador, reformulando orientação anteriormente consagrada pela jurisprudência desta Corte, entenderam que a contribuição destinada ao INCRA permanece plenamente exigível, na medida em que: (a) a Lei 7.787/89 apenas suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Lei 8.213/91, com a unificação dos regimes de previdência, tãosomente extinguiu a Previdência Rural; (c) a contribuição para o INCRA não foi extinta pelas Leis 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91. 3. Na linha da jurisprudência consagrada no Supremo Tribunal Federal, esta Corte de Justiça passou a decidir pela possibilidade da cobrança das contribuições destinadas ao FUNRURAL e ao INCRA de empresas vinculadas exclusivamente à previdência urbana. 4. Ante o entendimento de que a contribuição destinada ao INCRA permanece plenamente exigível, inclusive em relação às empresas dedicadas a atividades urbanas, restam prejudicados os demais pedidos formulados pelo ora recorrente na petição de recurso especial. 5. Recurso especial parcialmente provido. (STJ. 1ª Turma. REsp 696460/CE ; RECURSO ESPECIAL2004/01354352. Rel. Min. Denise Arruda. DJ 14.05.2007, p. 251) (destacouse) AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA (0,2%). LEIS 7.789/1989 8.212/1991. 1. O agravo regimental não merece prosperar, tendo em vista que (i) a exigibilidade da contribuição devida ao Incra (0,2%) constitui tema infraconstitucional, (ii) a referida contribuição não foi revogada pelas Leis 7.787/1989 e 8.212/1991 e (iii) é exigível das empresas urbanas. Precedentes. 2. Agravo regimental não provido. (STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1065742/PR. Rel. Min. Castro Meira. DJe 21.05.2013) VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS 7.789/89 E 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. I Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10980.728342/201388 Acórdão n.º 2301005.225 S2C3T1 Fl. 11 19 à conclusão de que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor. II Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp nº 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, sessão de 27/09/2006. Naquele julgado restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. III Agravo regimental improvido. (STJ. 1ª Turma. AgRg no REsp 841598/RS ; AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2006/00841140. Rel. Min. Francisco Falcão. DJ 14.05.2007, p. 262.) Cumpre salientar que a contribuição para o INCRA não tem natureza de contribuição social, mas sim de contribuição especial de intervenção no domínio econômico (CIDE). Assim, o fato da contribuição para o INCRA não ter referibilidade direta com a Recorrente, não tem o condão de afastar a sua exigência, visto que a referibilidade direta não é elemento constitutivo das CIDE’s. As alegações no sentido de que a exigência de contribuição para o INCRA não foi recepcionada pela Constituição Federal e que fere o disposto nos artigos 146, inciso III, 149, 150, inciso I, 167, inciso IV, 194, inciso V, e 195, §4º, da Constituição Federal de 1988, por suas vezes, não podem ser apreciadas no presente julgamento, visto que é vedado à autoridade julgadora, em sede de processo administrativo fiscal, afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de lei, decreto ou ato normativo em vigor. Tal impedimento se deve ao caráter vinculado da atuação das instâncias administrativas. Dessa forma, quaisquer discussões acerca da inconstitucionalidade de atos legais exorbitam da competência das autoridades administrativas, às quais cabe, apenas, cumprir as determinações da legislação em vigor, tal qual preceitua a Súmula CARF nº 2, já mencionada nesse voto. Da Questão da Contribuição para o SEBRAE Ao tratar da exigência de contribuição para o SEBRAE, a Recorrente alega que tal contribuição é inconstitucional, visto que, no seu entendimento, tal tributo, além de não ter amparo na Constituição Federal de 1988, fere o disposto nos seus artigos 146, inciso III, 149, 154, inciso I, e 195, §4º. Dessa forma, tendo em vista que a contribuição para o SEBRAE encontrase devidamente amparada na legislação pátria, conforme demonstrado no item “415 – TERCEIROS –SEBRAE” do relatório Fundamentos Legais do Débito de fls. 12/13, cabe apenas frisar que tais alegações não podem ser apreciadas no presente julgamento, porquanto, Fl. 314DF CARF MF 20 conforme já dito, é vedado à autoridade julgadora, em sede de processo administrativo fiscal, afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de lei, decreto ou ato normativo em vigor (artigo 8º, § 3º, alínea “c”, da Lei nº 8.029/90). Cabe ressaltar, porém, que o Supremo Tribunal Federal já firmou entendimento declarando a constitucionalidade da contribuição para o SEBRAE prevista no artigo 8º, § 3º, da Lei nº 8.029/90: Recurso extraordinário. 2. Tributário. 3. Contribuição para o SEBRAE. Desnecessidade de lei complementar. 4. Contribuição para o SEBRAE. Tributo destinado a viabilizar a promoção do desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Natureza jurídica: contribuição de intervenção no domínio econômico. 5. Desnecessidade de instituição por lei complementar. Inexistência de vício formal na instituição da contribuição para o SEBRAE mediante lei ordinária. 6. Intervenção no domínio econômico. É válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte. 7. Recurso extraordinário não provido. 8. Acórdão recorrido mantido quanto aos honorários fixados. (STF, Tribunal Pleno. RE 635682 / RJ. Rel. Min. Gilmar Mendes. Julgamento em 23/05/2013. DJe098 Divulg 23/05/2013 Public 24/05/2013) AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. CONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES. Esta colenda Corte, no julgamento do RE 396.266, Rel. Min. Carlos Velloso, firmou o entendimento de que a contribuição para o SEBRAE configura contribuição de intervenção no domínio econômico, sendo legítima a sua cobrança de empresa que exerce atividade econômica. Precedentes: RE 396.266, Rel. Min. Carlos Velloso; RE 399.653AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes; RE 404.919AgR, Rel. Min. Eros Grau; e RE 389.016AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence. Agravo regimental a que se nega provimento. (STF, 1ª T.. REAgR 437.839. Rel. Min. Carlos Britto. DJ 18.11.2005, p. 8) Assim, não merece prosperar a alegação da Recorrente no tocante à ilegalidade ou inconstitucionalidade da contribuição ao SEBRAE. Da Questão da Contribuição social do salárioeducação A constitucionalidade e a exigibilidade da contribuição social do salário educação sob o regime da Lei nº 9.424/1996 já foi atestada em súmula pelo Supremo Tribunal Federal: SÚMULA Nº 732 DO STF: É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9424/1996. Carecem de razão, portanto, as alegações de que a exigência da contribuição do salárioeducação, com supedâneo na Lei nº 9.424/96 e na Medida Provisória nº 1.565/97 (após várias reedições convertida na Lei nº 9.766/98) é inconstitucional, e de que vários Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10980.728342/201388 Acórdão n.º 2301005.225 S2C3T1 Fl. 12 21 aspectos da hipótese de incidência da contribuição ora discutida não foram adequadamente definidos pelos citados atos legais. Da Questão da Contribuição Previdenciária sobre o 13º Salário A Recorrente, ao tratar especificamente da exigência da contribuição social previdenciária prevista no artigo 22, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, alega, primeiramente, que a cobrança de contribuição social previdenciária da empresa de 20%, especialmente sobre o 13% salário, com base neste dispositivo legal, fere o disposto no artigo 195, §§ 2º e 5º, da Constituição Federal, já que tal dispositivo legal manteve a elevação da alíquota para 20% e a supressão do limite para as remunerações que aduz terem sido implementados pelo artigo 3º da Lei nº 7.787/1989. Ademais, afirma que o referido dispositivo legal feriu o disposto no artigo 146 da Constituição Federal, já que, no seu entendimento, as alterações promovidas pelo artigo 3º da Lei nº 7.787/1989, que foram mantidas pelo artigo 22, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, só poderiam ter sido efetuadas por lei complementar, e que feriu o princípio constitucional da isonomia, visto que estipulou teto máximo para a contribuição dos empregados e não o estendeu para os empregadores. Sucede que estas alegações não podem ser apreciadas no presente julgamento, porquanto é vedado à autoridade julgadora, em sede de processo administrativo fiscal, afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de lei, decreto ou ato normativo em vigor (artigo 22, inciso I, da Lei nº 8.212/1991). Tal impedimento se deve ao caráter vinculado da atuação das instâncias administrativas. Assim, quaisquer discussões acerca da inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais exorbitam da competência das autoridades administrativas, às quais cabe, apenas, cumprir as determinações da legislação em vigor. Nesse sentido, preceitua o caput do artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (inserido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009) Em igual sentido, há a Súmula CARF n. 2, já mencionada anteriormente. Por fim, cabe ressaltar, ainda, que é totalmente inócua a discussão sobre a constitucionalidade ou não da Lei nº 7.787/1989, visto que nenhuma das exigências efetuadas nos autos de infração de DEBCAD nº 51.054.7699 e nº 51.058.9162 tem base legal nesta lei. Da Questão da Contribuição Previdenciária sobre Verbas de Caráter Indenizatório A Recorrente alega a ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição previdenciária sobre o auxíliodoença, aviso prévio indenizado, salário maternidade, férias indenizadas e 1/3 de férias. Conforme já mencionado acima, a Súmula CARF n. 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 316DF CARF MF 22 No tocante ao potencial caráter indenizatório das referidas verbas, cumpre destacar que, tal qual assinalado no Acórdão da DRJ, embora a Recorrente aduza que nos autos de infração de DEBCAD nº 51.054.7699 e nº 51.058.9162, foram lançadas contribuições sociais previdenciárias sobre verbas que não visam retribuir o trabalho ou o tempo a disposição do empregador, como remunerações pagas nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, e os valores pagos a título de saláriomaternidade, férias, adicional constitucional de férias de 1/3 (um terço) e aviso prévio indenizado, não houve qualquer comprovação de que as bases de cálculo apuradas pela autoridade fiscal englobam tais verbas, de modo que tal alegação não merece prosperar. Da Questão da Multa de ofício de 75% A multa de ofício de 75% exigida juntamente com as contribuições lançadas encontrase expressamente prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, conforme demonstrado abaixo: Lei nº 8.212/1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) Analisando a legislação transcrita, verificase que existe expressa previsão legal de aplicação de multa de ofício no percentual de 75% em casos como o presente, de lançamento de ofício de contribuições para terceiros. Resta evidente, portanto, que são totalmente improcedentes as alegações de que a exigência de multa de ofício de 75% no auto de infração hostilizado é ilegal e que não teria se configurado o caso previsto para sua aplicação. Já as alegações no sentido de que a multa de ofício de 75% feriu os princípios constitucionais do nãoconfisco, da moralidade, da vedação do enriquecimento sem causa e da propriedade privada, não podem ser apreciadas no presente julgamento, porquanto, conforme já dito, é vedado à autoridade julgadora, em sede de processo administrativo fiscal, afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de lei, decreto ou ato normativo em vigor. Conclusão Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10980.728342/201388 Acórdão n.º 2301005.225 S2C3T1 Fl. 13 23 Com base no exposto, voto por conhecer em parte do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 318DF CARF MF
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Numero do processo: 11330.000256/2007-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/03/2000 a 31/07/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Conhece-se do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedou-se preclusa.
RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. ARROLAMENTO DE DIRETORES.
No termos da Súmula Carf nº 88, a relação de co-responsáveis é apenas informativa e não compõe o contencioso tributário.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 STF. INCONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212, DE 1991.
Segundo o STF, são inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Súmula Vinculante nº8, de 12/06/2008. Decai em cinco anos o direito de o Fisco lançar os créditos previdenciários.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL.
O art. 22, IV da Lei 8.212, de 1991, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no RE 595.838/SP, paradigma da Tese de Repercussão Geral 166: É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
Numero da decisão: 2301-005.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias relativas à aplicação da taxa Selic e ao arrolamento dos sócios na relação de corresponsáveis, acatar a prejudicial de decadência dos períodos de apuração até 11/2001 e, nas demais questões de mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Conhecese do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedouse preclusa. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. ARROLAMENTO DE DIRETORES. No termos da Súmula Carf nº 88, a relação de coresponsáveis é apenas informativa e não compõe o contencioso tributário. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 STF. INCONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212, DE 1991. Segundo o STF, são inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Súmula Vinculante nº8, de 12/06/2008. Decai em cinco anos o direito de o Fisco lançar os créditos previdenciários. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL. O art. 22, IV da Lei 8.212, de 1991, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no RE 595.838/SP, paradigma da Tese de Repercussão Geral 166: “É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 02 56 /2 00 7- 86 Fl. 201DF CARF MF 2 fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias relativas à aplicação da taxa Selic e ao arrolamento dos sócios na relação de corresponsáveis, acatar a prejudicial de decadência dos períodos de apuração até 11/2001 e, nas demais questões de mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, e João Bellini Junior (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 03/01/2007 (efl. 101), Debcad nº 37.005.8615, para a exigência DA contribuição previdenciária patronal de 15% (quinze por cento) incidente sobre o valor dos serviços prestados por cooperativas contratadas pela empresa, nos termos do inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva (efls. 104 a 122), na qual questionou a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a cooperativas e, também, a decadência de alguns períodos lançados. O lançamento foi considerado procedente pelos julgadores de primeira instância administrativa (efls. 165 a 175). Foi, então, interposto recurso voluntário (efls. 179 a 196) em que foram questionados os mesmos tópicos da impugnação e, ainda, a incidência da taxa Selic para cálculo dos juros e a inclusão dos sócios no pólo passivo da relação tribuária. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. 1 Do conhecimento O recurso é tempestivo. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11330.000256/200786 Acórdão n.º 2301005.274 S2C3T1 Fl. 202 3 1.1 INCIDÊNCIA DE JUROS COM BASE NA SELIC Sobre a incidência de juros com base na taxa Selic, a matéria não foi questionada na impugnação, momento processual em que se delimita a lide, quedandose, pois, preclusa. Como já se manifestou esta turma, unanimemente, no Acórdão nº 2301005.165, não se conhece de matéria não impugnada: Não é possível conhecer da matéria porque não foi questionada pela recorrente na impugnação e, consoante o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. É a impugnação, ao instaurar a fase litigiosa, que delimita a lide. Não suscitada a matéria na fase própria, precluso estará o direito de fazêlo em outro momento processual. Nesse sentido, há vários precedentes no Carf (por exemplo, os acórdãos nºs 3302004.356, 3402004.318, 2402 005.903, 2402005.808 e 9101002.719). 1.2 DO ARROLAMENTO DOS DIRETORES NA RELAÇÃO DE CORRESPONSÁVEIS A matéria encontrase sumulada pelo Carf, que adotou o entendimento de que as relações de coresponsáveis não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, além de não comporem o contencioso administrativo fiscal, sendo apenas uma medida informativa para eventuais efeitos executórios. Assim estabelece a Súmula Carf nº 88: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Portanto, não conheço do recurso em relação às matérias relacionadas nos itens 1.1, 1.2 e 1.3. Dele conheço, entretanto, quanto às demais matérias. 2 Da prejudicial de mérito 2.1 DECADÊNCIA Constatase, de pronto, a ocorrência de decadência, em face do Súmula Vinculante STF nº 8 que declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991, editada após o julgamento de primeira instância administrativa. Esta turma já decidiu, unanimemente, acerca da matéria nos termos do voto do iminente relator Alexandre Evaristo Pinto, no Acórdão nº 2301005.092, in verbis: Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal STF na Súmula Vinculante nº8, de 12/06/2008, de eficácia retroativa para os contribuintes com solicitações administrativas apresentadas até a data do julgamento da Fl. 203DF CARF MF 4 referida Súmula, os créditos da Seguridade Social pendentes de pagamento não podem ser cobrados, em nenhuma hipótese, após o lapso temporal quinquenal. Dessa forma, ao contrário do disposto no Acórdão da DRJ (fls. 543 a 544), que aplicou a decadência de 10 anos prevista nos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, deverão ser considerados como decaídos os períodos de apuração que vão até novembro de 2002, uma vez que a Recorrente foi notificada da NFLD em 27/11/2007 (fls. 521), isto é, os períodos de apuração que superaram o prazo quinquenal. Para os períodos em que tenha havido, comprovadamente, antecipação de pagamento, devese aplicar a regra decadencial é a prevista no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), cujo termo inicial do prazo de decadência é a data do fato gerador. Para os períodos em que não estejam comprovados, nos autos, antecipação de pagamento, a regra de decadência é a do inc. I do art. 173 do CTN, que estabelece o termo a quo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, considerando que o lançamento ocorreu em 03/01/2007 (e fl. 111), e não há antecipações de pagamento, estava decaído o direito de o Fisco constituir o crédito tributário dos períodos de apuração até 11/2001. 3 Do mérito 3.1 PAGAMENTOS A COOPERATIVAS DE TRABALHO O art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, que estabelecia a contribuição sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como razão de decidir, reproduzo parte do voto do destacado Conselheiro João Bellini Júnior, unanimemente aprovado por esta turma no Acórdão nº 2301005.076: Em 11/03/2015 transitou em julgado o acórdão publicado em 25/02/2015, o qual rejeitou os embargos de declaração opostos pela União, com o fito de modular o decidido no julgamento do RE 595.838/SP, o qual, proferido em 23/04/2014, declarou inconstitucional a exação prevista na Lei 8.212, de 1991, art. 22, IV: RE 595838 ED / SP Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11330.000256/200786 Acórdão n.º 2301005.274 S2C3T1 Fl. 203 5 risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. É de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. 5. Embargos de declaração rejeitados RE 595838 / SP Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser Fl. 205DF CARF MF 6 instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (Grifouse.) Ademais, o STF reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada no RE 595.838, para o qual firmou a Tese de Repercussão Geral 166: É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Em face disso, o Senado Federal emitiu a Resolução nº 10, de 2016, pela qual “É suspensa, nos termos do art. 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, declarado inconstitucional por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 595.838”. De acordo com o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf) as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869, de 1973 ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF: Ricarf Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, existindo decisão definitiva do STF, submetida à sistemática da repercussão geral, no sentido de ser inconstitucional o fato gerador incidente sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de DF CARF MF Fl. 387 6 cooperativas de trabalho (art. 22, IV, da Lei 8.212, de 1991), deve esta Turma reproduzir o conteúdo de tal decisão em seus acórdãos. 4 Conclusões Voto por não conhecer das matérias relativas à aplicação da taxa Selic e ao arrolamento dos sócios na relação de coresponsáveis, acatar a prejudicial de decadência dos períodos de apuração até 11/2001 e, nas demais questões de mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11330.000256/200786 Acórdão n.º 2301005.274 S2C3T1 Fl. 204 7 (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Fl. 207DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.000923/2010-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2006 a 30/11/2008
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA JURÍDICA. ARBITRAMENTO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PROCEDÊNCIA.
O salário de contribuição decorrente de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica será apurado com base na área construída constante no projeto, e no padrão da obra. quando a empresa não apresentar a contabilidade ou a apresentar de forma deficiente.
Numero da decisão: 2301-005.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
EDITADO EM: 11/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Fernanda Melo Leal e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator EDITADO EM: 11/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Fernanda Melo Leal e Alexandre Evaristo Pinto.
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ARBITRAMENTO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PROCEDÊNCIA. O salário de contribuição decorrente de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica será apurado com base na área construída constante no projeto, e no padrão da obra. quando a empresa não apresentar a contabilidade ou a apresentar de forma deficiente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 11/07/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 09 23 /2 01 0- 39 Fl. 1774DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Fernanda Melo Leal e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de crédito tributário, lançado contra a empresa em epígrafe, AIOP n.° 37.229.9210, referente às contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (FNDE, INCRA. SENAI, SESI e SEBRAE). competência 07/2008, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da obra de construção civil matrículas CEI n.° 50.022.47520/76/76, de 14/01/02, construção de um viaduto em Campina Grande, calculadas a partir do Custo Unitário Básico CUB e referemse às contribuições parte segurados, no período de 03/2006 a 11/2008. Tempestivamente, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 395 a 418), alegando em síntese que: (i) ilegalidade do método excepcional de aferição indireta adotado, diante da inexistência de quaisquer requisitos elencados na IN 971/2009, uma vez que não ficou configurada a recusa ou a sonegação de documentos ou informações por parte da empresa e nem que a contabilidade tenha deixado de registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço; (ii) necessidade de verificação prévia da regularidade das obrigações previdenciárias de responsabilidade das empresas prestadoras de serviços, sob pena de ocorrer duplicidade de recolhimento de contribuições ou a nulidade daquele método excepcional de apuração precocemente adotado pelo fisco; (iii) a alegada omissão quanto ao ônus de exigir da empresa prestadora as cópias dos recolhimentos não tem o condão de permitir a autuação; (iv) as informações com relação ao salário família foram retificadas e previamente encaminhadas por meio do MANAD, através do arquivo Relatório de Glosa de Sal. Família (fls. 19 a 20), comprovando o real número de dependentes, impondose, então, que seja afastada a glosa quanto aos valores pagos a esse título; e (v) o processo deve ser encaminhado em diligencia, de forma a que seja promovida a intimação das empresas prestadoras de serviços envolvidas na presente autuação para que apresentem as guias de recolhimento das contribuições supostamente inadimplidas. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recorrido (fls. 471 a 479) recebeu a seguinte ementa: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/03/2006 a 30/11/2008 AIOP DEBCAB n.° 37.229.9210 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA JURÍDICA. ARBITRAMENTO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PROCEDÊNCIA. O salário de contribuição decorrente de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica será apurado com base na área construída constante no projeto, e no padrão da obra. quando a empresa não apresentar a contabilidade ou a apresentar de forma deficiente. PRECLUSÃO TEMPORAL. Fl. 1775DF CARF MF Processo nº 10120.000923/201039 Acórdão n.º 2301005.051 S2C3T1 Fl. 3 3 A impugnação é o momento para a apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual (Decreto n° 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido." Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário reiterando as alegações anteriormente feitas na impugnação. Em 18/01/2012, foi aprovado o Despacho nº 2403.000.044 da 3ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF (fls. 1729 a 1742) pelo qual o julgamento foi convertido em diligência para que se verifique (i) a colação de provas demonstrando concretamente a lista dos nomes dos trabalhadores que encontravamse laborando em condições informais, documentos de valores recebidos e das tarefas realizadas por esses e exibição de das CTPS sem registro; (ii) propostas de empresas concorrentes para prestação de mesmo serviços diante da afirmação de que os preços dos serviços foram subfaturados, uma vez que a não exigência das GFIPs com o código 150 permitiu às prestadoras burlar o fisco e reduzir os custos para a tomadora; (iii) a demonstração de que a quantidade que compôs a amostra de prestadoras pesquisada tem substância bastante para representar o universo de empresas contratadas no período de modo a servir de parâmetro para validar suposição de que todas as demais prestadoras não pesquisadas tiveram comportamento idêntico; (iv) identificação de quais trabalhadores prestaram serviços para as tomadoras, nomeálos e verificar nas GFIPs das prestadoras se aqueles empregados estavam a elas vinculados no período fiscalizado; (v) verificação se as prestadoras foram fiscalizadas no mesmo período da autuada, se estavam adimplentes pelo resultado das ações, se tiveram pedido de parcelamento para contribuições para o mesmo período. Em 24/06/2015, foi emitida Resposta à Solicitação de Diligência (fls. 1749 a 1750), na qual o auditor fiscal enumera as razões e indícios que o levaram a lavrar o auto de infração, sem que, no entanto, sejam enfrentadas as verificações solicitadas na conversão em diligência do julgado. Em 06/07/2015, a Recorrente apresentou manifestação à Resposta à Solicitação de Diligência (fls. 1753 a 1761) reiterando os argumentos do recurso voluntário no sentido de: (i) restar declarada a nulidade dos lançamentos tributários objetos do Auto de Infração diante da ilegalidade do procedimento de aferição indireta adotado pelo Fisco seja por não restarem preenchidos quaisquer requisitos exigidos pela lei para fins de adoção de tal método excepcional de apuração de obrigação previdenciária, seja pelo fato de que o procedimento de aferição indireta deveria ter sido precedido da verificação pela Autoridade Fiscal junto às empresas prestadoras de serviços, da regularidade das obrigações previdenciárias de responsabilidade original destas; e (ii) seja reconhecida a ilegalidade da imputação de responsabilização solidária da Manifestante e, via de conseqüência, a nulidade dos lançamentos procedidos pela autoridade fiscal. É o relatório. Fl. 1776DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Vale destacar que o lançamento objeto da autuação "in casu" se refere a crédito de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a mão de obra utilizada em obra de construção civil de pessoa jurídica, lançado por arbitramento, de acordo com a área construída e ao padrão da obra, com base na tabela regional do CUB Custo Unitário Básico, fornecida pelo Sindicato da Indústria de Construção Civil de Goiás SINDUSCON/GO, conforme NBR 12.721/92 e art. 54 da Lei 4.591/64. A Recorrente questiona a legalidade do método excepcional de aferição indireta ante a inexistência de quaisquer requisitos elencados na Instrução Normativa MPS/SRP n.º 971/2009, visto que não restou configurada a recusa ou a sonegação de documentos ou informações por parte da empresa e nem que a contabilidade tenha deixado de registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço. Todavia, conforme pode ser observado do Relatório Fiscal, itens 5.4 a 6.15, a contabilidade da empresa padece de algumas irregularidades e tampouco está de acordo com todos os princípios e convenções contábeis vigentes. Assim, em que pese o esforço empreendido pela fiscalização em apurar os fatos geradores e descontos previdenciários através da contabilidade, fornecida em meio digital (MANAD), consubstanciada nos Livros Diários n 169 a 207. do período de janeiro de 2006 a novembro de 2008, todos devidamente registrados junto ao órgão competente, a fiscalização entendeu por bem não considerar a contabilidade da Recorrente pelas seguintes razões (transcrevo aqui a descrição sintetizada de tais razões que constou no Acórdão recorrido): a) a contabilidade não atende, em suas formalidades intrínsecas e extrínsecas, aos princípios contábeis e ao previsto no inciso II do art. 32 da Lei n 8.212/91 e no inciso II do parágrafo 13 do art. 225, do RPS Decreto 3.048/99; b) na contabilização dos fatos contábeis, se utiliza do regime de caixa, quando deveria ser o de competência, em afronta ao principio contábil da oportunidade, não satisfazendo a exigência legal, além de impossibilitar a apuração dos créditos previdenciários através da contabilidade: c) não registrou, em sua contabilidade, as folhas de pagamento em contas próprias, como também os valores declarados em GFIP da obra em questão: d) não utilizou o centro de custos único e próprio de sua contabilidade para registrar os pagamentos efetuados de cada obra, efetuando registro das despesas com mão de obra de todos os trabalhadores que têm por função a manutenção de máquinas, veículos e equipamentos inerentes a todas as obras por ela mantidas no mesmo centro de custos de código 960, sendo que o centro de custo da obra em questão é o de código 670: Fl. 1777DF CARF MF Processo nº 10120.000923/201039 Acórdão n.º 2301005.051 S2C3T1 Fl. 4 5 e) contabilizou indevidamente remuneração de trabalhadores pertencentes à obra em questão, centro de custos 670, na obra de centro de custo 652; f) contabilizou indevidamente pagamento a pessoa jurídica na conta 3330118 Custo Serv. Pessoa Física; g) não efetuou, integralmente, com relação à mão de obra terceirizada, as retenções previdenciárias legais, como também não exigiu a apresentação das respectivas GFIP. por parte das empresas prestadoras de serviço. Destaca ainda que, em algumas notas fiscais, a prestadora deixou de destacar o respectivo valor da retenção; Desse modo, os procedimentos adotados para o levantamento estão de acordo com a legislação em vigor na data do lançamento, isto é, o artigo 33. §§ 4° e 6º da Lei 8.212/91. art. 234 do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99 e Instrução Normativa MPS/SRP n.º 971/2009. "in verbis": § 4º Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução da obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. ('Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O Decreto n.º 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social) determina seu artigo 234 que: "na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos para a execução de obra de construção civil, pode ser obtido mediante o cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão da execução da obra, de acordo com os critérios estabelecidos pelo INSS. cabendo ao proprietário, dono da obra, incorporador, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário". O artigo 343 da Instrução Normativa MPS/SRP n.° 971/09 prevê que a aferição indireta da remuneração dos segurados na obra de construção civil sob responsabilidade de pessoa jurídica, inclusive a relativa à execução de conjunto habitacional popular, com base na área construída e no padrão da obra, será efetuada de acordo com os procedimentos estabelecidos no Capítulo IV deste Título. Fl. 1778DF CARF MF 6 O artigo 381 da Instrução Normativa MPS/SRP n.° 971/09 estabelece ainda que, "in verbis": "Ari. 381. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3", 4" c 6" do art. 33 da Lei n" 8.212. de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: I quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil e não a possuir de forma regular: II quando não houver apresentação de escrituração contábil na forma estabelecida no § 5º do art. 47; III quando a contabilidade não espelhar a realidade econômicofinanceira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro. IV quando houver sonegação ou recusa, pelo responsável, de apresentação de qualquer documento ou informação de interesse da RFB; V quando os documentos ou informações de interesse da RFB forem apresentados deforma deficiente". No caso, a fiscalização constatou que a escrituração contábil não espelha a realidade econômicofinanceira da empresa, tendo optado pela desconsideração da contabilidade e o arbitramento das contribuições sociais previdenciárias e para terceiros sobre a obra de construção civil fiscalizada, de acordo com a área construída e o padrão de execução de obra de construção civil, conforme previsto nos parágrafos 3°. 4º e 6º do art. 33 da Lei n.° 8.212/91. Com relação à alegação da necessidade de verificação prévia da regularidade das obrigações previdenciárias de responsabilidade das empresas prestadoras de serviços, não pode prosperar, pois a já citada Instrução Normativa n.° 971/09 condiciona o aproveitamento dos valores retidos dos serviços de empreiteiros à informação contida na GFIP, o que não ocorreu também no presente caso, conforme pode ser depreendido artigo 355 da referida Instrução Normativa: "Art. 355. A remuneração relativa à mãodeobra terceirizada, inclusive ao décimo terceiro salário, cujas correspondentes contribuições recolhidas lenham vinculação inequívoca à obra. será atualizada até o mês anterior ao da emissão do ARO com aplicação das taxas de juros previstas na alínea "b " do inciso II e no inciso III do art. 402, e aproveitada na forma do art. 353, considerandose: I a remuneração declarada cm GFIP referente à obra, identificada com a matrícula CEI no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra ", com comprovante de entrega, emitida por empreiteira contratada diretamente pelo responsável pela obra, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos com base nas notas fiscais, nas faturas ou nos recibos de prestação de serviços, emitidos pela empreiteira: Fl. 1779DF CARF MF Processo nº 10120.000923/201039 Acórdão n.º 2301005.051 S2C3T1 Fl. 5 7 II a remuneração declarada em GFIP referente à obra, identificada com a matricula CEI no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", emitida pela subempreiteira contratada por empreiteiro interposto, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos pelo empreiteiro contratante com base nas notas fiscais, nas faturas ou nos recibos de prestação de serviços, emitidos pela subempreiteira: § 1º Nas obras de pessoa física, poderão ser aproveitadas as remunerações de empresas contratadas, da seguinte forma: I no caso de cooperativa de trabalho, a resultante da divisão da contribuição dos segurados cooperados que trabalharam na obra por 0,368 (trezentos e sessenta e oito milésimos), tomando se como base as contribuições individuais descontadas dos segurados cooperados correspondentes a 20% (vinte por cento) do saláriodecontribuição de cada um, efetivamente recolhidas pela cooperativa, desde que esses segurados tenham sido informados na GFIP referente ã ohm emitiria pela cooperativa; II no caso de empreiteira ou subempreiteira, a remuneração declarada em GFIP referente à obra. desde que comprovado o recolhimento integral das contribuições constantes dessa GFIP. § 2º A remuneração relativa ao período decadência! não poderá ser aproveitada para fins da dedução prevista neste artigo". A não exigência de GFIP por parte do tomador de serviços se configuraria. em tese, prática de ilícito penal, pois estaria concorrendo para a não inclusão do segurado que realizou o serviço no Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS, o que inviabilizaria futuros benefícios ao trabalhador ou a seus dependentes. Cabe frisar que a auditoria deixou claro em seu relatório que, para apurar o salário de contribuição para a obra, foram computadas todas as remunerações em GFIP vinculadas à obra declarada pela EMSA e pelas prestadoras de serviços. Ainda no que tange à alegação de que compete ao fisco previdenciário verificar previamente o fiel cumprimento das obrigações das contratadas, cabe frisar que o art. 334 da Instrução Normativa 971/09, vigente à época, é claro quando dispõe, "in verbis": "Art. 334. A empresa contratante é obrigada a manter em arquivo, por empresa contratada, em ordem cronológica, à disposição da RFB, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, as notas fiscais, as faturas ou os recibos de prestação de serviços e as correspondentes GFIP e, se for o caso, as cópias dos documentos relacionados no § 2" do art. 127, por disposição expressa no § 6" do art. 219 do RPS. Parágrafo único. Para os fins do caput, a empresa contratante deverá exigir as cópias das GFIP emitidas pelas empresas contratadas, com informações específicas para a obra e identificação de todos os segurados que executaram serviços na obra e suas respectivas remunerações". Fl. 1780DF CARF MF 8 Dessa forma, tendo em vista que a Recorrente não exigiu as respectivas GFIP de todas as empresas prestadoras de serviços, com as informações dos trabalhadores que construíram sua obra, agiu corretamente a autoridade fazendária ao efetuar o lançamento aproveitando, como contribuição, o salário de contribuição informado em GFIP vinculada à obra, perdendo também o sentido de se proceder à diligência com o objetivo de intimar as empresas prestadoras de serviços envolvidas na presente autuação para que apresentassem as guias de recolhimento das contribuições supostamente inadimplidas. Ainda que o julgamento da 3ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF tenha sido convertido em diligência conforme o Despacho nº 2403.000.042 (fls. 1757 a 1776) e que as questões levantadas na referida diligência não tenham sido diretamente respondidas na Resposta à Solicitação de Diligência (fls. 1780 a 1784), cumpre destacar que há elementos ao longo do processo administrativo para confirmar e validar a necessidade do uso da aferição indireta. Assim, considerando que a diligencia solicitada não traria elementos novos ao processo e que há elementos suficientes para a aferição indireta, resta clara a desnecessidade de diligência, de forma que não há que se falar em nulidade do lançamento tributário em virtude da aferição indireta. Também fica demonstrado que o lançamento se refere a obrigação tributária própria da Recorrente, também não fazendo sentido se falar em ilegalidade da imputação de responsabilização solidária da Manifestante, pois não se trata de caso de responsabilização solidária de terceiro vinculado ao fato gerador. Nesse sentido, está elucidado com clareza na Resposta à Solicitação de Diligência (fls. 1780 a 1784) que no presente caso a Recorrente responde por obrigação tributária própria e não por obrigação tributária de terceiro por atribuição legal de responsabilidade, conforme pode ser observado abaixo: 10. Cabe também argumentar que não se trata de solidariedade – responde pelas obrigações previdenciárias na obra em questão a EMSA S.A, que contratou prestadoras de serviços – e que a adimplência de tais prestadoras não ilide responsabilidade pelas obrigações da tomadora – a não ser relativamente às alocações dos trabalhadores que colocou à disposição da tomadora em GFIP, código 150 – para que pudesse aproveitar os créditos retidos, com a indicação indubitável de que, efetivamente, tais mãosdeobra foram utilizadas na obra objeto da ação fiscal – ilidindo assim a responsabilidade da tomadora – não foi o que se viu – por isso foi efetuado o lançamento necessário ao resguardo dos direitos da Previdência Social, para garantir os benefícios dos segurados que laboraram em prol da tomadora, ainda que não tenham sido declinados, tanto por ela quanto pelas prestadoras – haja vista que tal omissão propicia às prestadoras reaverem as retenções que em seus nomes foram recolhidas pela tomadora. Em resumo, o lançamento "in casu" se refere a crédito de contribuições previdenciárias próprias da Recorrente devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a mão de obra utilizada em obra de construção civil de pessoa jurídica, sendo que o uso da aferição indireta, de acordo com o CUB Custo Unitário Básico, ocorreu em virtude de fatos legalmente descumpridos pela Recorrente, dentre os quais a inconsistência dos registros contábeis e a não averiguação se as prestadoras recolheram os valores devidos (esta última foi uma conseqüência das inconsistências na contabilidade), assim como verificouse a Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 10120.000923/201039 Acórdão n.º 2301005.051 S2C3T1 Fl. 6 9 impossibilidade da execução da obra, tendo em vista o número de segurados declarados em GFIP/Folha de pagamentos no confronto com faturas e notas fiscais. Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 1782DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14337.000016/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004
VÍCIOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N°8. REVISÃO DO LANÇAMENTO.
Declarada a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/ 91 pelo Supremo Tribunal Federal - STF na Súmula Vinculante nº8, de 12/06/2008, publicada no DOU de 20/06/2008, de eficácia retroativa para os contribuintes com solicitações administrativas apresentadas até a data do julgamento da referida Súmula, os créditos da Seguridade Social pendentes de pagamento não podem ser cobrados, em nenhuma hipótese, após o lapso temporal quinquenal.
DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. OBSERVÂNCIA DOS PROCEDIMENTOS FIXADOS PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA.
A compensação é uma prerrogativa deferida ao contribuinte; no entanto, este deve observar os procedimentos fixados pela Administração Tributária a fim de fazer valer o seu direito, sendo que não cabe compensação de oficio, que é autorizada apenas em caso de verificação de débitos quando da análise de pedido de restituição, previsto no art. 205 da IN MPS/SRP n° 03/2005.
Numero da decisão: 2301-005.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, e dar-lhe parcial provimento para reconhecimento da decadência das competências de janeiro de 2000 a novembro de 2002 (inclusive).
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
EDITADO EM: 08/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Jorge Hernique Backes (suplente convocado), Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente convocado).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N°8. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Declarada a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/ 91 pelo Supremo Tribunal Federal STF na Súmula Vinculante nº8, de 12/06/2008, publicada no DOU de 20/06/2008, de eficácia retroativa para os contribuintes com solicitações administrativas apresentadas até a data do julgamento da referida Súmula, os créditos da Seguridade Social pendentes de pagamento não podem ser cobrados, em nenhuma hipótese, após o lapso temporal quinquenal. DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. OBSERVÂNCIA DOS PROCEDIMENTOS FIXADOS PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 00 16 /2 00 8- 91 Fl. 678DF CARF MF 2 A compensação é uma prerrogativa deferida ao contribuinte; no entanto, este deve observar os procedimentos fixados pela Administração Tributária a fim de fazer valer o seu direito, sendo que não cabe compensação de oficio, que é autorizada apenas em caso de verificação de débitos quando da análise de pedido de restituição, previsto no art. 205 da IN MPS/SRP n° 03/2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, e darlhe parcial provimento para reconhecimento da decadência das competências de janeiro de 2000 a novembro de 2002 (inclusive). (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 08/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Jorge Hernique Backes (suplente convocado), Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada em 27/11/2007, em desfavor de ESTACON ENGENHARIA S/A, face às contribuições devidas à Seguridade Social no montante de R$ 388.569,99 (trezentos e oitenta e oito mil, quinhentos e sessenta e nove reais e noventa e nove centavos), referentes à parte dos segurados, da empresa, inclusive ao adicional para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT e SAT, bem como a terceiros. Relata o AFRFB que a presente NFLD é composta do levantamento GFP – SALÁRIO DECLARADO EM GFIP. O presente levantamento tem como fato gerador os rendimentos pagos, devidos ou creditados aos segurados empregados lotados na obra de construção civil matriculada sob o CEI n° 33.720.00350/72, declarados em GFIP, conforme se depreende do Relatório Fiscal de fls. 458/475. Narra que em se tratando de obra contratada por empreitada total, tendo como contratante órgão público da administração direta, não há que se falar em responsabilidade solidária, razão pela qual o contratante não responde pelo débito ora lançado. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 14337.000016/200891 Acórdão n.º 2301005.092 S2C3T1 Fl. 3 3 Expõe que os valores lançados foram apurados com base nas folhas de pagamento, GRFP e GFIP, recibos de férias e rescisão, bem como documentação solicitada no TIAD. Salienta que o Relatório de Lançamento RL demonstra as remunerações consideradas como base de cálculo das contribuições previdenciárias, pagamentos a contribuintes individuais, valores descontados dos segurados empregados, contribuições descontadas dos segurados contribuintes individuais, deduções a título de salários família e maternidade, as bases de cálculos do adicional de riscos ambientais do trabalho e compensações de retenções, dentre outros. No Relatório de Documentos Apresentados — RDA constam todos os recolhimentos efetuados pelo Contribuinte sob ação fiscal. O relatório discrimina também os parcelamentos, Lançamentos de Débito Confessados — LDC, que a empresa mantém junto à RFB que correspondem ao período fiscalizado, débitos identificados com os DEBCAD n° 35.138.2232 e 35.138.2240. Inconformado, o contribuinte ofereceu Impugnação (fls. 478 a 506), tendo sido lavrado o acórdão (fls. 520 a 548), julgando o lançamento procedente em parte, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004 NFLD N° 37.118.7095. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COMPENSAÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. As remunerações de empregados informadas em GFIP’s constituemse em termo de confissão de dívida em caso de inadimplemento, servindo o lançamento para formalizar a exigência. A compensação é uma prerrogativa deferida ao contribuinte; no entanto, este deve observar os procedimentos fixados pela Administração Tributária a fim de fazer valer o seu direito. Não cabe a compensação de oficio, autorizada apenas em caso de verificação de débitos quando da análise de pedido de restituição, previsto no art. 205 da IN MPS/SRP n° 03/2005. Em se tratando de empreitada total, o valor retido na forma do art. 31 da lei 8.212/91, somente pode ser compensado pela matrícula CEI que sofreu a retenção, na qual foi emitida a nota fiscal de prestação de serviços, vedada a compensação entre estabelecimentos distintos. É vedado aos órgãos do Poder Executivo afastar, no âmbito administrativo, a aplicação de lei, decreto ou ato normativo, por inconstitucionalidade ou ilegalidade. Fl. 680DF CARF MF 4 O Décimo Terceiro Salário e o adicional de 1/3 de férias integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias conforme disposto inciso I e § 7° do art. 28 da Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores, regulamentado pelo Decreto n° 3.048/99, art. 214 , §§ 4° e 6°. O crédito previdenciário plenamente regular, de conformidade com o art. 37 da Lei n° 8.212/91 e alterações c/c art. 142 do CTN, inclusive constituído de provas dos fatos geradores lançados, somente será elidido mediante a apresentação de provas, pelo contribuinte, que comprove a não ocorrência desses fatos. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 11° caput, da Portaria RFB Receita Federal do Brasil, n° 10.875, de 16/08/07). Será indeferido o requerimento de perícia quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. A realização de diligência ou de perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. É nulo, por vício formal, o lançamento fiscal que comprometa a garantia de liquidez e certeza do crédito previdenciário e que comprometa o exercício do direito de defesa do contribuinte. Lançamento Procedente em Parte". Irresignado, o ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 565 a 596), alegando, em síntese que: a) havendo comprovação da existência de recolhimentos indevidos ou a maior por parte do contribuinte no tocante a estas Contribuições Sociais, cabe à União avaliar a possibilidade de compensação por parte do contribuinte e não se escusar de fazêlo sob a necessária e útil argumentação de que a receita advinda destas mesmas Contribuições pertencem a outras entidades ou fundos e não à própria União; b) tendo sido apresentado os comprovantes de depósitos realizados, deveria haver a correta apropriação dos valores diretamente recolhidos a titulo de SAT, incidindo o estorno respectivo, fazendo com que a discussão circunscreva apenas no que tange a diferença de 1% (um por cento) não inseridos nos respectivos depósitos, com os acréscimos moratórios e punitivos correlatos e proporcionais; c) deve haver o reconhecimento dos créditos oriundos das retenções de 11% (onze por cento) feitas pelo Tomador de Serviços, recolhidas e comprovadas mediante as notas fiscais de serviços emitidas, dos recibos ou de qualquer outro elemento indiciário comprobatório levantado pela fiscalização, assim como dos pagamentos a maior realizados em cada matrícula CEI, para que, após, nos termos do art. 211, §1° e art. 212, §§ 1° e 2° da IN/100/03, fosse realizado o confrontamento dos créditos identificados, por meio de compensação de ofício daquilo que não houvesse sido compensado em GFIP, com os valores levantados por ocasião dos trabalhos fiscalizatórios; Fl. 681DF CARF MF Processo nº 14337.000016/200891 Acórdão n.º 2301005.092 S2C3T1 Fl. 4 5 d) o prazo de decadência para efetuar cobrança de contribuições previdenciárias é de 5 (cinco) anos conforme se depreende no art. 150, §4°, do CTN, a contar da ocorrência do fato gerador razão por que todos os tributos cobrados até a competência de novembro de 2002 encontramse decaídos; Em 28/07/2011, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF aprovou o Despacho nº 2301000.141 (fls. 640 a 642), que converteu o julgamento em diligência para que a Fiscalização esclareça se os comprovantes de depósito judicial juntados aos autos referemse ao SAT cobrado na presente NFLD. Em 14/09/2011, o Chefe da Equipe de Contencioso Fiscal ECOF (fls. 665) propôs o encaminhamento do presente processo ao SEFIS/DRF/BEL, para as evidências de sua alçada. Em 03/04/2012, o auditor fiscal da DRF/BEL emitiu resposta à diligência fiscal (fls. 670), na qual constou a seguinte conclusão: "II. A empresa foi intimada, ciência postal em 05/03/2012, prazo de cinco dias, nos seguintes termos: 1 Por solicitação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais essa empresa deverá apresentar as Guias de Recolhimento relacionadas aos depósitos judiciais referentes ao riscos ambientais do trabalho (Sat/Rat) das obras de construção civil matriculadas no Cadastro Especifico do INSS — CEI sob os números 33.720.00350/72 e 33.720.02289/77. 2 As edificações/estabelecimentos mencionados foram objeto de lançamento fiscal nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLD 37.118.7095 e 37.126.5860. 3 Nos recursos apresentados ao Conselho, é alegado que essa empresa possui ação judicial onde são questionados os percentuais do Rat/Sat, inclusive com a efetivação de depósitos judiciais. 4 É necessário, neste momento, que sejam apresentadas as guias de recolhimentos dos depósitos judiciais relacionados aos estabelecimentos mencionados. 5 O não atendimento do solicitado implicará na manutenção dos valores lançados nos documentos de crédito. III. Vencido o prazo estipulado pela fiscalização e como não houve qualquer tipo de manifestação da interessada, é de concluir sobre a inexistência dos recolhimentos judiciais para as obras mencionadas, razão pela qual é sugerida a manutenção integral dos créditos tributários". É o relatório. Fl. 682DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo, no entanto, no Recurso Voluntário é mencionada a potencial inconstitucionalidade do artigo 211 da Instrução Normativa 100/2003 (fl. 592) como norma que regula a compensação de contribuições previdenciárias. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Decadência Quinquenal e Aplicação da Regra Decadencial do Artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal STF na Súmula Vinculante nº8, de 12/06/2008, de eficácia retroativa para os contribuintes com solicitações administrativas apresentadas até a data do julgamento da referida Súmula, os créditos da Seguridade Social pendentes de pagamento não podem ser cobrados, em nenhuma hipótese, após o lapso temporal quinquenal. Dessa forma, ao contrário do disposto no Acórdão da DRJ (fls. 543 a 544), que aplicou a decadência de 10 anos prevista nos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, deverão ser considerados como decaídos os períodos de apuração que vão até novembro de 2002, uma vez que a Recorrente foi notificada da NFLD em 27/11/2007 (fls. 521), isto é, os períodos de apuração que superaram o prazo quinquenal. Vale ressaltar, ainda, que a regra decadencial a ser aplicada é a do artigo 150, §4º, do CTN, uma vez que houve recolhimentos de contribuição previdenciária nos referidos períodos conforme pode ser depreendido dos "Créditos Considerados" constantes no Discriminativo Analítico de Débito DAD (fls. 14 a 20), sendo que o entendimento de aplicação do artigo 150, §4º, do CTN quando houver recolhimentos consta inclusive na Súmula CARF nº 99, "in verbis": Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Ante o exposto, deverão ser consideradas decaídas as competências da contribuição previdenciária de janeiro de 2000 a novembro de 2002. Compensação dos valores recolhidos a título de SAT depositados judicialmente A Recorrente trouxe a necessidade de compensação dos débitos do presente processo administrativo com créditos decorrente de valores recolhidos a título de SAT depositados judicialmente. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 14337.000016/200891 Acórdão n.º 2301005.092 S2C3T1 Fl. 5 7 Nesse sentido, houve inclusive emissão do Despacho nº 2301000.141 (fls. 640 a 642), que converteu o julgamento em diligência para que a Fiscalização esclareça se os comprovantes de depósito judicial juntados aos autos referemse ao SAT cobrado na presente NFLD. Todavia, conforme resposta à diligência fiscal (fls. 670), o auditor fiscal da DRF/BEL assinalou que a Recorrente não respondeu à intimação para apresentação das Guias de Recolhimento relacionadas aos depósitos judiciais referentes ao riscos ambientais do trabalho (Sat/Rat) das obras de construção civil matriculadas no Cadastro Especifico do INSS — CEI sob os números 33.720.00350/72 e 33.720.02289/77. Assim, o auditor fiscal da DRF/BEL concluiu no sentido de que "vencido o prazo estipulado pela fiscalização e como não houve qualquer tipo de manifestação da interessada, é de concluir sobre a inexistência dos recolhimentos judiciais para as obras mencionadas, razão pela qual é sugerida a manutenção integral dos créditos tributários". Diante do exposto, não há como reconhecer que as guias de recolhimento relacionadas aos depósitos judiciais se relacionam com os débitos do presente processo administrativo. Compensação de valores recolhidos indevidamente ou maior a título de contribuição previdenciária e Compensação de créditos oriundos das retenções de 11% feitas pelo Tomador de Serviços Tal qual já exposto na impugnação e enfrentado no Acórdão da DRJ, o Recorrente traz o argumento no Recurso Voluntário da necessidade de compensação dos débitos tributários do presente processo diante da existência de valores que deixaram de ser compensados, oriundos tanto de valores retidos, quanto de recolhimentos efetuados a maior. Não resta dúvida de que havendo tais créditos tributários, o contribuinte tem direito creditório contra o Fisco, sendo que o contribuinte pode requerer a restituição ou realizar a compensação em competências supervenientes. Todavia, a compensação desses valores somente é possível quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a teor do § 1º do art. 31 da lei n° 8.212/91 e alterações posteriores, de forma que a iniciativa da compensação tributária cabe ao contribuinte e não à autoridade fiscal. Assim, diante da inexistência de comprovação de qualquer pedido de compensação pelo contribuinte e sua posterior homologação pelas autoridades fiscais, não há que se falar em compensação no presente processo. O mesmo entendimento vale para os eventuais valores não apropriados oriundos de retenções, visto que não houve realização do procedimento de compensação tal qual previsto na legislação tributária, no qual seriam devidamente analisados os livros contábeis, dentre outros documentos. Ante o exposto, não há como reconhecer a compensação de valores recolhidos indevidamente ou maior a título de contribuição previdenciária e tampouco a compensação de créditos oriundos das retenções de 11% feitas pelo Tomador de Serviços Fl. 684DF CARF MF 8 Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, e darlhe parcial provimento para reconhecimento da decadência das competências de janeiro de 2000 a novembro de 2002. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 685DF CARF MF
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Numero do processo: 35582.000224/2007-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência com a finalidade de que: (a) a fiscalização promova a juntada aos presentes autos do conteúdo do CD-ROM fornecido pela Power Well Brasil Serviços de Testes Geológicos Ltda. (atual Expro do Brasil Serviços Ltda.); (b) a fiscalização manifeste-se sobre o impacto das informações fornecidas tanto pela Power Well Brasil Serviços de Testes Geológicos Ltda. (atual Expro do Brasil Serviços Ltda.) quanto pela Halliburton Produtos Ltda. sobre o crédito tributário constituído pela NFLD; (c) a fiscalização manifeste-se sobre a informação de pagamento de efls. 387 e sobre a repercussão desse ato sobre o montante do crédito tributário constituído pela NFLD, até para delimitar a matéria controvertida e submetida a julgamento; (d) a fiscalização manifeste-se sobre a existência de informações nos registros públicos ou fiscais que possibilite comprovar o grau de risco do estabelecimento denominado "Landmark" (CNPJ nº 29.504.214/0029-88). Após, abra-se vista à Recorrente para se manifestar sobre a informação fiscal, no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fabio Piovesan Bozza, João Mauricio Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni (suplente), Andrea Brose Adolfo (presidente em exercício).
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência com a finalidade de que: (a) a fiscalização promova a juntada aos presentes autos do conteúdo do CDROM fornecido pela Power Well Brasil Serviços de Testes Geológicos Ltda. (atual Expro do Brasil Serviços Ltda.); (b) a fiscalização manifestese sobre o impacto das informações fornecidas tanto pela Power Well Brasil Serviços de Testes Geológicos Ltda. (atual Expro do Brasil Serviços Ltda.) quanto pela Halliburton Produtos Ltda. sobre o crédito tributário constituído pela NFLD; (c) a fiscalização manifestese sobre a informação de pagamento de efls. 387 e sobre a repercussão desse ato sobre o montante do crédito tributário constituído pela NFLD, até para delimitar a matéria controvertida e submetida a julgamento; (d) a fiscalização manifestese sobre a existência de informações nos registros públicos ou fiscais que possibilite comprovar o grau de risco do estabelecimento denominado "Landmark" (CNPJ nº 29.504.214/002988). Após, abrase vista à Recorrente para se manifestar sobre a informação fiscal, no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fabio Piovesan Bozza, João Mauricio Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 55 82 .0 00 22 4/ 20 07 -8 7 Fl. 574DF CARF MF Processo nº 35582.000224/200787 Resolução nº 2301000.672 S2C3T1 Fl. 3 2 Medeiros da Silveira (suplente), Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni (suplente), Andrea Brose Adolfo (presidente em exercício). Relatório e Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Tratase de recurso voluntário interposto pela Halliburton Serviços Ltda. contra o acórdão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado. A fiscalização havia emitido a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.026.1135, de 26/09/2006, por meio da qual restou constituído o crédito de contribuições previdenciárias sobre as seguintes remunerações, relativas às competências 07/2000 a 10/2005: (i) de segurados admitidos em determinada competência, que não teriam sido incluídos na folha de pagamento, na GFIP e, consequentemente, na guia de recolhimento da previdência social (levantamento ADL, nas competências 07/2000 a 10/2005); (ii) inconsistências nas folhas de pagamento, como empregados que teriam deixado de constar na folha de pagamento e, posteriormente, teriam voltado a constar na mesma, sem que houvesse quaisquer justificativas (levantamento ADM, nas competências 04/2003 a 07/2005); e (iii) de empregados que deixaram de existir nas folhas de pagamento e GFIP, sem que houvesse qualquer justificativa (levantamento DEM, nas competências 02/2003 a 11/2004). A ciência da autuação ocorreu em 29/09/2006. Foi apresentada impugnação, mas o acórdão de primeira instância julgoua improcedente (efls. 332). Foi interposto recurso voluntário, mas esta turma do CARF, entendeu por bem converter o julgamento em diligência (acórdão nº 2301000.138, de 28/07/2011, efls. 1) com o objetivo de esclarecer questões fáticas relacionadas com a acusação (iii), supra. Mais precisamente, a Recorrente informou que teria havido sucessão trabalhista: – para a empresa Power Well Brasil Serviços de Testes Geológicos Ltda. (atual Expro do Brasil Serviços Ltda.), em relação aos empregados listados em efls. 375376; – para a empresa Halliburton Produtos Ltda., em relação aos empregados listados em efls. 377. A fiscalização providenciou a intimação das duas supostas sucessoras. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 35582.000224/200787 Resolução nº 2301000.672 S2C3T1 Fl. 4 3 A Expro do Brasil Serviços Ltda. manifestouse às efls. 475476 e juntou CD ROM com fichas de registros e folha de pagamento de seus empregados do período de 10/2004 a 10/2005. A Halliburton Produtos Ltda. manifestouse às efls. 478493 e juntou cópia de fichas de registros de empregados. No Relatório de Diligência Fiscal, a fiscalização elencou as datas de admissão dos empregados e as datas em que eles passaram a constar da folha de pagamento e da GFIP dessas empresas (efls. 495497). Não houve, todavia, o cotejo dessas informações com as exigências constituídas na NFLD. Ou seja, não se sabe se, diante desses fatos, tal matéria ainda resta ou não controvertida a exigir manifestação dos órgãos de controle. Em manifestação de 04/12/2015, a Recorrente informa que o conteúdo do CD ROM apresentado pela Expro não foi juntado aos autos, inviabilizando seu conhecimento e consequente manifestação a respeito, fato que viola os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa (efls. 537539). Adicionalmente, percebo que a Recorrente reconhece a procedência parcial da acusação (i), supra, originada de “um equívoco de sua parte quando da contratação de funcionários estrangeiros (expatriados), razão pela qual efetuou o pagamento da contribuição previdenciária exigida em relação a essa matéria para as competências 12/2003, 13/2003, 01/2004 e 10/2005, importando na conseqüente extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional”. A Recorrente apenas não concorda com a alíquota SAT aplicada aos empregados do estabelecimento Landmark (a seu ver, a alíquota deveria ser 2%)1 e com a exigência relativa à competência 07/2000 (a seu ver, já decaída). A guia de recolhimento consta das efls. 387 e o cálculo que suporta o referido valor consta das efls. 389393. Sobre o ponto, o acórdão de primeira instância aduz o seguinte: 1 A pretensão da Recorrente de ver reconhecida alíquota SAT de acordo com a atividade desempenhada pelo estabelecimento não se apresentada descabida, especialmente se for considerado o teor da Solução de Consulta COSIT nº 90/2016: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS EMENTA: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SAT. GILRAT. GRAU DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. CNAE. A atividade econômica principal da empresa, que define o código CNAE principal a ser informado no cadastro do CNPJ, não se confunde com a atividade preponderante do estabelecimento (matriz ou filial), atividade esta que é utilizada para se determinar o grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT/SAT). Para fins do disposto no art. 72, § 1º, da IN RFB nº 971, de 2009, devese observar as atividades efetivamente desempenhadas pelos segurados empregados e trabalhadores avulsos, independentemente do objeto social da pessoa jurídica ou das atividades descritas em sua inscrição no CNPJ. O enquadramento do estabelecimento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, e deve ser feito mensalmente, de acordo com sua atividade econômica preponderante. Os segurados empregados que prestam serviços em atividadesmeio deverão ser considerados na apuração do grau de risco. SOLUÇÃO DE CONSULTA PARCIALMENTE VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 78, DE 24 DE MARÇO DE 2015. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 8.212, de 1991, art. 22, II; IN RFB nº 1436, de 2013, art. 17; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 202; IN RFB nº 971, de 2009, art. 72” Fl. 576DF CARF MF Processo nº 35582.000224/200787 Resolução nº 2301000.672 S2C3T1 Fl. 5 4 8. A empresa reconhece a procedência de parcela do crédito apurado, tendo inclusive efetuado o pagamento do montante que entendeu devido, como se observa da GPS. de fls. 309. Notese que o contribuinte efetuou o pagamento de acordo com cálculos próprios, não tendo considerado o montante apurado pelo auditor notificante e constante desta Notificação Fiscal. 9. Após a emissão da DecisãoNotificação, o presente processo será encaminhado ao Serviço de Orientação de Recuperação de Créditos Previdenciários para que os valores pagos sejam apropriados a esta NFLD, no entanto irão restar valores a serem exigidos dessas rubricas. Todavia, entendo que a discussão sobre a imputação do pagamento feito pela Recorrente deverá ser realizada na fase contenciosa, até para possibilitar o devido contraditório. Por esse motivo, imperioso a manifestação fiscal a tal respeito. Em vista do exposto, voto por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência a fim de: (a) a fiscalização promova a juntada aos presentes autos do conteúdo do CD ROM fornecido pela Power Well Brasil Serviços de Testes Geológicos Ltda. (atual Expro do Brasil Serviços Ltda.); (b) a fiscalização manifestese sobre o impacto das informações fornecidas tanto pela Power Well Brasil Serviços de Testes Geológicos Ltda. (atual Expro do Brasil Serviços Ltda.) quanto pela Halliburton Produtos Ltda. sobre o crédito tributário constituído pela NFLD; (c) a fiscalização manifestese sobre a informação de pagamento de efls. 387 e sobre a repercussão desse ato sobre o montante do crédito tributário constituído pela NFLD, até para delimitar a matéria controvertida e submetida a julgamento; e (d) a fiscalização manifestese sobre a existência de informações nos registros públicos ou fiscais que possibilite comprovar o grau de risco do estabelecimento denominado “Landmark” (CNPJ nº 29.504.214/002988). Após, abrase vista à Recorrente para se manifestar sobre a informação fiscal, no prazo de 30 dias. É como voto. Fábio Piovesan Bozza –Relator Fl. 577DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.727764/2011-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto.
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score : 1.0
Numero do processo: 15465.004153/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
Numero da decisão: 2301-005.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para dar-lhe parcial provimento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto- Relator
EDITADO EM: 08/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Maria Anselma Croscato dos Santos (suplente convocada) e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1384; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 65 1 64 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15465.004153/201016 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.000 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de abril de 2017 Matéria Rendimentos Recebidos Acumuladamente Recorrente CELSO COUTINHO Recorrida União ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para darlhe parcial provimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 08/09/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 5. 00 41 53 /2 01 0- 16 Fl. 65DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Maria Anselma Croscato dos Santos (suplente convocada) e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0830.361, de 11/07/2014, (fls. 41 a 44). No lançamento, relativo ao anocalendário 2008 (fls. 11 a 15), houve exigência de imposto suplementar no valor de R$ 618,03, acrescido de multa de ofício o valor de R$ 463,52 e juros de mora, em virtude da omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 71.440,49. Na impugnação (fls. 2 e 3), o recorrente argumentou que o valor líquido recebido de acordo com a sentença judicial seria de R$ 61.139,01. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA. ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. Procedente a tributação de rendimentos omitidos pelo contribuinte, e que foram informados em DIRF apresentada pela fonte pagadora. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AÇAO TRABALHISTA. Não será dedutível para fins de apuração do imposto de renda os valores de contribuição previdenciária suportados pelo empregador/reclamado, sem descontos nos rendimentos recebidos pelo contribuinte/reclamante. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 51 a 53) requerendo que seja aplicado cálculo de rendimentos recebidos acumuladamente conforme o número de meses que foi objeto da ação trabalhista. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 15465.004153/201016 Acórdão n.º 2301005.000 S2C3T1 Fl. 66 3 Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Em primeiro lugar, cabe ressaltar que não se trata de cancelamento do auto de infração conforme solicitado pelo recorrente, mas de pedido para que seja considerado o cálculo da tributação de rendimentos recebimentos acumuladamente. Com relação à tributação integral dos valores de rendimentos recebidos de forma acumulada quando do efetivo recebimento, cumpre destacar que no anocalendário de recebimento de rendimentos pelo recorrente, vigia o artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, que possuía a seguinte redação: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Todavia, a Lei 12.350, de 2010 introduziu o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, que definiu como regra, a tributação exclusiva na fonte para os rendimentos recebidos acumuladamente, quando decorrentes de rendimentos do trabalho, aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, pagos pelas entidades públicas de previdência social: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Lei 12.350, de 2010) Não há dúvida sobre a aplicação do art. 12A da Lei nº 7.713/88 para os exercícios posteriores a 2010, no entanto, poderia haver dúvida sobre a aplicação do referido artigo para os exercícios anteriores a 2010, tal qual o caso em tela em que os rendimentos foram recebidos em 2008. Ocorre que a questão da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente de períodos até o anocalendário 2009 foi recentemente objeto do Acórdão CSRF 9202003.695, julgado em 27/01/2016, o qual recebeu a seguinte ementa: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Fl. 67DF CARF MF 4 Vale destacar que decidiu o STJ nos Recursos Especiais REsp 1.470.720 e REsp n1.118.429, ambos julgados sob rito do artigo 543C do CPC que o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos: RESP 1.470.720 1. O valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente (em ação trabalhista, como no caso, o FACDT fator de atualização e conversão dos débitos trabalhistas). A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. RESP 1.118.429 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Também é importante destacar que o STF no RE 614.406 sob rito do artigo 543B do CPC que a percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos: RE 614.406 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Ademais, conforme o artigo 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, o entendimento do STF e STJ deverão ser reproduzidos por essa turma: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 15465.004153/201016 Acórdão n.º 2301005.000 S2C3T1 Fl. 67 5 Dessa forma, voto no sentido de que não seja cancelado o auto de infração, mas que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja recalculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe parcial provimento para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes no mês em que a parcela foi reconhecida como devida, na decisão judicial, segundo os critérios estabelecidos pelo Resp. 1.470.720. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 69DF CARF MF
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