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Numero do processo: 11516.006539/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
Ementa:
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. ENUNCIADO DA SÚMULA CARF N. 99.
O art. 62ª do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No caso em tela, o lançamento cientificado em 08/11/2010, conforme fls. 01, e existindo presunção relativa de recolhimento parcial [fl. 72], aplico a regra do §4º, do art. 150, do CTN, restando, por conseguinte, fulminadas pela decadência as competências até 10/2003.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS
A empresa é obrigada a recolher à Seguridade Social as contribuições sob sua responsabilidade, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço.
Numero da decisão: 2301-003.922
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 10/2003, anteriores a 11/2003, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 06/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 Ementa: DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. ENUNCIADO DA SÚMULA CARF N. 99. O art. 62ª do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No caso em tela, o lançamento cientificado em 08/11/2010, conforme fls. 01, e existindo presunção relativa de recolhimento parcial [fl. 72], aplico a regra do §4º, do art. 150, do CTN, restando, por conseguinte, fulminadas pela decadência as competências até 10/2003. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A empresa é obrigada a recolher à Seguridade Social as contribuições sob sua responsabilidade, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço.
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TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. ENUNCIADO DA SÚMULA CARF N. 99. O art. 62ª do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No caso em tela, o lançamento cientificado em 08/11/2010, conforme fls. 01, e existindo presunção relativa de recolhimento parcial [fl. 72], aplico a regra do §4º, do art. 150, do CTN, restando, por conseguinte, fulminadas pela decadência as competências até 10/2003. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A empresa é obrigada a recolher à Seguridade Social as contribuições sob sua responsabilidade, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 65 39 /2 00 8- 44 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 10/2003, anteriores a 11/2003, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 06/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO. Relatório Tratase de Auto de Infração, DEBCAD no 37.000.9614, no montante de R$ 100.728,86 (cem mil e setecentos e vinte e oito reais e oitenta e seis centavos), consolidado em 17 de outubro de 2008, tendo como sujeito passivo a Secretaria da Administração do Estado de Santa Catarina. Conforme Relatório do Auto de Infração [fls. 75 e 79], o lançamento refere se às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes a parte da empresa, dos segurados empregados e dos contribuintes individuais, não descontadas pela empresa, e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — SAT/RAT,nas competências de 01/2003 a 12/2007. O Estado de Santa Catarina, cientificado em 03 de novembro de 2008 [fl. 89] da notificação, apresentou, em 02 de dezembro de 2008 [fl. 90], impugnação ao presente lançamento, alegando, em síntese [fls. 90 a 97]: a) erro formal do lançamento: “Atentandose ao RL Relatório de Lançamentos ora impugnado, verificaseque existem incorreções no mesmo que determinam a sua anulação, ou pelomenos sua correção para exclusão dos valores indevidos, referentes àexigência de retenção de empresas tomadoras de serviços optantes peloSIMPLES, bem como referentes a inclusão de valores diversos da prestação de serviços, como base de cálculo da notificação”. “Afinal, não se pode exigir a retenção antecipada da contribuiçãoprevidenciária de empresa que aderiu ao Sistema Fl. 260DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11516.006539/200844 Acórdão n.º 2301003.922 S2C3T1 Fl. 195 3 Simplificado de Recolhimento de Impostos, SIMPLES, instituído pela Lei n° 9.317/96, em face da incompatibilidade deste regime com o recolhimento antecipado de 11%sobre a fatura do serviço, o que afasta a aplicação da norma geral, em respeito ao princípio da especialidade”. b) nulidade do processo de lançamento em razão da inadequação e ilegalidade da base de cálculo: “[...] a base de cálculo do valor das contribuições previdenciárias supostamente devidas foi efetuada de oficio, através de arbitramento, aferição indireta, englobando, não apenas valores referentes à prestação de serviços,mas também valores referentes à aquisição de materiais e equipamentos”. “Entretanto, como o ato de lançamento é atividade administrativa vinculada e considerando que a aferição indireta somente poderá ser realizada quando verificada omissão, fraude ou simulação daquele que tenha a obrigação legal de informar, o que não ocorre no presente caso, concluise que foi nulo o procedimento de lançamento, e, do mesmo modo são nulos os títulos executivos, ora impugnados, em função da iliquidez dos valores apurados no processo administrativo de lançamento”. O contribuinte, no mérito, arguiu que devem ser extirpados valores que comprovadamente a Administração Estadual recolheu. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, em 30 de janeiro de 2009, no acórdão no 0714.974 – 6a Turma da DRJ/FNS, manteve o crédito tributário exigido [fls. 116 a118], concluindo que: “[...] contribuições sociais ora impugnadas foram calculadas observando os valores constantes das folhas de pagamento da autuada, não caracterizando, portanto, arbitramento. Isto porque, como demonstrou saber a impugnante, esta técnica é utilizada, somente, quando restar comprovada a falta de credibilidade dos documentos apresentados pelo sujeito passivo, o que não ocorre no presente caso. Escorreito, portanto, o procedimento adotado pela autoridade fiscal”. “[...] verificase que, conforme demonstrativo abaixo, somente os valores constantes dos empenhos n° 597, 850 e 858, fazem parte do auto de infração em tela, sendo que, os valores recolhidos, ao contrário do que pretende a defendente, também foram apropriados”. “Todavia, considerandose que, os valores constantes dos Empenhos n° 805, 910e 940, não foram lançados pelo auditor, não cabe a este órgão julgador deduzir os valores então recolhidos, uma vez que os mesmos não fazem parte do presente litígio”. O Estado de Santa Catarina recebeu o ofício em 20 de fevereiro de 2009[fl. 126] e, em 11 de março de 2009 [fl. 121], apresentou recurso voluntário repisando os mesmos argumentos constantes na impugnação [fls. 121 a 125]. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 O processo foi encaminhado ao CARF para julgamento [fl. 189]. É o que tenho a relatar. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. DECADÊNCIA De fato, o Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “ São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103ª da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : Fl. 262DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11516.006539/200844 Acórdão n.º 2301003.922 S2C3T1 Fl. 196 5 "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerasse homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O Superior Tribunal de Justiça (STJ), julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contasse do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, Fl. 263DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 consoante doutrina abalizada, encontrasse regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; Extrai se do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Tal entendimento restou consignado no Enunciado da Súmula CARF n. 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Ressaltase que o lançamento cientificado em 08/11/2008, conforme fls. 01, e existindo presunção relativa de recolhimento parcial [fl. 72], aplico a regra do §4º, do art. 150, do CTN, restando, por conseguinte, fulminadas pela decadência as competências até 10/2003. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO Tratase de benefício concedido pelo órgão público em pecúnia, conforme consta da folha de pagamento. Para o fisco, a incidência decorreu do fato da recorrente não ser inscrita no PAT, além de que neste programa não há previsão para fornecimento de alimentação em pecúnia. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11516.006539/200844 Acórdão n.º 2301003.922 S2C3T1 Fl. 197 7 Para afastar a exigência de contribuições sobre essa verba, a notificada alegou que a lei que institui o benefício expressamente afastou seu caráter salarial, não se enquadrando a verba no conceito de salário de contribuição. Assevera ainda que a sua forma de pagamento é incompatível com a sistemática do PAT. Sobre essa questão devo me afastar do entendimento dado pelo órgão recorrido. Inclusive deixarei de abordar a legislação de regência ou mesmo de ponderar acerca da questão da natureza/conceituação de aludida verba, uma vez que a Advocacia Geral da União, mediante aprovação do Parecer n° AC 030/2005, afastou a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos servidores da administração federal, a despeito da vinculação ao Regime Geral de Previdência Social RGPS, senão vejamos: “EMENTA: DIREITO PREVIDENCIÁRIO, ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA DE SERVIDORES PELA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL. LEI nº 8.745/93. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO E AUXÍLIO PRÉESCOLAR. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. I Não são devidas contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxílioalimentação e auxílio préescolar aos servidores contratados nos termos da Lei nº 8.745/93, a despeito de sua vinculação ao Regime Geral de Previdência Social, tendo em vista o disposto no artigo 22 da Lei nº 8.460/92 e no artigo 7º do Decreto nº 977/93.” Em que pese o Parecer da Advocacia Geral da União contemplar o caso de pagamento/concessão de auxílio alimentação aos servidores públicos temporários no âmbito federal, temos que admitir que este se presta a elucidar a controvérsia posta nos autos, sobretudo com arrimo no princípio da analogia. Isto porque, além da verba sob análise possuir a mesma natureza e ter destinação idêntica nos dois casos (servidores estaduais e federais), a não incidência das contribuições previdenciárias, ou melhor, a desvinculação da remuneração, encontrase amparada pela própria legislação de regência que trata de referido beneficio. Na hipótese do servidor público federal com fundamento nos preceitos contidos no artigo 22 da Lei n° 8.460/92. Na mesma linha, para os servidores da Secretaria da Educação e do Desporto do Estado de Santa Catarina, com esteio no § 1. do art. 1. da Lei Estadual n. 11.647/2000, verbis: Art. 1. O Poder Executivo disporá sobre a concessão mensal de auxílio alimentação por dia de trabalho aos servidores públicos civis e militares ativos da administração pública estadual direta, autárquica e fundacional. § 1. A concessão de auxílio alimentação será feita em espécie e terá caráter indenizatório. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 (...) Diante das razões supra, ainda que o Parecer AGU n° AC 030 se refira aos servidores federais, com arrimo no princípio da analogia, o entendimento ali inserido deve prevalecer no caso dos autos, o que rechaça a incidência de contribuições sobre aludida verba, em face da sua natureza eminentemente indenizatória, assim definida pela própria legislação que regulamentou o tema. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS As contribuições lançadas têm como fatos geradores os pagamentos de valores conforme folha de pagamentos e comprovantes de pagamentos de contribuintes individuais, cujos valores não foram declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, apresentadas pelo contribuinte, sobre os quais o Órgão deixou de recolher, parte da contribuição devidas, estabelecida nos incisos "I", "II" e"III" do art. 22 da Lei 8.212/91, motivo pelo qual esta Auditoria lançou a diferença entre os valores devidos e aquele efetivamente recolhidos. Do lançamento das contribuições devidas, incidentes sobre as diferenças de remunerações pagas pela Secretaria aos segurados empregados constantes das folhas de pagamento apresentadas, com aquelas informadas à Previdência Social através da GFIP, levantamento "DIF"; Na ação fiscal, ao serem comparadas as remunerações constantes das folhas de pagamento dos segurados empregados, apurada pela Auditoria, com aquelas informadas à Previdência Social, através da "GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social", constatouse que a Secretaria informou a menor à base de cálculo das contribuições previdenciárias em diversas competências, bem como, não efetuou, parte, dos recolhimentos devidos à Previdência Social sobre estas diferenças. Nesta condição, essas pessoas físicas se enquadram como segurados obrigatórios do RGPS na categoria de CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, em conformidade com o art. 12, V, alínea g e h da Lei 8.212/91, sujeitando ao recolhimento da contribuição patronal de 20% incidente sobre respectiva remuneração, de acordo com o artigo 22, III, da referida Lei. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer a decadência para as competências até 10/2003, devendo ser mantida em relação aos contribuintes individuais. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 266DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11516.006539/200844 Acórdão n.º 2301003.922 S2C3T1 Fl. 198 9 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 13864.000225/2010-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator .
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator . (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.
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Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator . (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 64 .0 00 22 5/ 20 10 -2 8 Fl. 838DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 13864.000225/201028 Resolução nº 2301000.486 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de crédito Previdenciário lançado contra o Recorrente, relativo a contribuições devidas pela empresa incidentes sobre remuneração dos segurados e não recolhidas devido à compensação indevida. A Recorrente não informou em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social/GFIP todos os tomadores de serviços e respectivas retenções e informou indevidamente compensação referente a estes tomadores, em relação ao estabelecimento CNPJ n° 06.982.156/000100, pois não existem créditos de retenções nos meses anteriores conforme demonstrativo, fls 105/112. No período de 12/2007 a 05/2009 a empresa declarou compensações em GFIP em relação aos estabelecimentos CNPJ 06.982.156/000100, CNPJ nº 06.982.156/000363, CNPJ nº 06.982.156/000797, e nas obras de construção civil CEI nº 50.036.92296/71, CEI nº 51.201.29577/75 e CEI nº 51.202.30709/71. Consta do relatório fiscal que a Recorrente informou que as compensações eram relativas a títulos públicos estaduais (Apólices de Títulos da Dívida Pública nº 11046 a 11049 e 11059 representativas de empréstimos contraídos pelo Estado do Rio de Janeiro em 1927) vinculados a ação judicial nº 2008.34.00.0259112, que objetiva o reconhecimento da extinção dos débitos tributários, inclusive de natureza previdenciária. Encontrase apensado ao presente auto o seguinte processo, formalizado com base nos mesmos elementos de prova: Processo 13864.000215/201092, referente ao Debcad nº 37.287.4355. Após ciência da autuação, aviou sua impugnação, cuja qual não foi capaz de modificar o lançamento. Às fls 576 dos autos consta que a Recorrente foi notificada da decisão em 02 de dezembro de 2011, uma sextafeira e no dia 03 de janeiro aviou o presente remédio recursivo. É a síntese do necessário. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 13864.000225/201028 Resolução nº 2301000.486 S2C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator O presente remédio recursivo acode as exigências processuais, sendo, inclusive, tempestivo, razão pela qual, desde já o conheço, mas, antes da analise e julgamento, penso que há uma questão que implica em diligência, conforme explicito. A ‘quaestio vexata’ trata do fato de a Recorrente não informar em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social/GFIP todos os tomadores de serviços e respectivas retenções e informou compensação referente a estes tomadores. Sendo que as compensações realizadas eram relativas a títulos públicos estaduais (Apólices de Títulos da Dívida Pública nº 11046 a 11049 e 11059 representativas de empréstimos contraídos pelo Estado do Rio de Janeiro em 1927). O Autuador informou que os supramencionados títulos estavam vinculados a ação judicial nº 2008.34.00.0259112, que objetiva o reconhecimento da extinção dos débitos tributários, inclusive de natureza previdenciária. Mas, a Recorrente aviou outra ação, conforme comprovou com os documentos acostados ao remédio recursivo, ação ordinária declaratória de extinção de relação jurídica obrigacional tributária, constitutiva e condenatória de cumprimento, sob nº 2009.34.00.041591 5 que tramita pela seção judiciária de Brasília (DF). O objeto desta última ação não é a declaração de validade, liquidez ou autencidade dos títulos utilizados na compensação, porque, segundo a Recorrente, isto já estaria superado pela declaração do Tesouro Nacional que a acompanha, mas o que se requer é a tutela jurisdicional para ver declarado o acertamento da relação jurídica compulsória existente entre o Fisco e a Recorrente, ou seja, deseja através do pálio Judicial a ratificação da compensação por ela realizada com os títulos já mencionados. Nesta razões vejo imprescindível a realização de diligência para que a Unidade Preparadora nos informe a respeito das duas ações, ou seja, ação judicial nº 2008.34.00.0259112 e de nº 2009.34.00.0415915, que tramitam na Seção Judiciária de Brasília (DF). A Unidade Preparadora deverá juntar inicial das duas ações, sentenças e certidões de trânsito em julgado, se houver. Caso a ação sob nº 2008.34.00.0259112 já tenha sido finalizada, juntar cópia de documentos que demonstrem as razões pelas quais a levaram a termo final. A razão de assim determinar é pelo fato de o CTN, Artigo 170A, vedar compensação mediante o aproveitamento de tributo, antes de trânsito em julgado. Por outro lado, como se vê da cópia da inicial da última ação proposta, o objeto da ação judicial é o mesmo que se discute no presente PAF. Todavia, a ação declaratória é limitada a julgar tão somente a valia da compensação, como se vê da inicial juntada no RV, como se o título que deseja a compensação fosse válido, liquido e autentico por uma suposta declaração do Tesouro Nacional. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 13864.000225/201028 Resolução nº 2301000.486 S2C3T1 Fl. 5 4 Em sendo confirmado através da diligência a ser realizada, há de observar a existência de renúncia ao contencioso administrativo, face ter a ação judicial o mesmo objeto do presente processo administrativo fiscal, sendolhe aplicado a Súmula nº 01, ‘in verbis’: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, converto em diligência para que a Autoridade Preparadora junte aos autos cópias das peças iniciais, sentenças e certidões de trânsito em julgado das ações sob nº 2008.34.00.0259112 e de nº 2009.34.00.0415915, que tramitam na Seção Judiciária de Brasília (DF). É como Voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator (assinado digitalmente) Fl. 841DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por MARCELO OLIVE IRA
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Numero do processo: 10830.010513/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Adriano Gonzales Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10314.728321/2015-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
SUB-ROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS FÍSICAS.
A constitucionalidade do instituto da sub-rogação veiculada pelo art. 30, IV, da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 9.528, de 1997, foi objeto do Recurso Extraordinário 718.874, julgado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 30/03/2017 (tema 669 da repercussão geral). Restou decidido serem constitucionais, na égide da Lei 10.256, de 2001, tanto a norma que prevê a imposição tributária (art. 25 da lei 8.212, de 1991) quanto a norma que determina a responsabilidade tributária/sub-rogação (art. 30, IV, da lei 8.212, de 1991).
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemáticas, respectivamente, da repercussão geral e dos recursos repetitivos (arts. 1.036 a 1.041 da Lei 13.105, de 2015), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62, § 2º do Anexo II do Ricarf.
PROCEDIMENTO FISCAL. DESNECESSIDADE DE MPF E DE AUTO DE INFRAÇÃO ESPECÍFICO PARA CADA FILIAL.
O procedimento fiscal se desenvolve junto ao sujeito passivo, assim entendida a pessoa jurídica em sua totalidade, não havendo necessidade de emissão de MPF e de auto de infração específico para cada filial.
DILIGÊNCIA - DESNECESSIDADE. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. - Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária.
Numero da decisão: 2301-005.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, admitir, além das matérias constantes no despacho de admissibilidade do Presidente da Turma, a matéria relativa a multa e juros de mora, por ser decorrente de matéria admitida e acolhida relacionado com o tributo lançado, ou seja, a inexistência de concomitância com ação judicial, para acolher os embargos com efeitos infringentes, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-005.268, de 09/05/2018, fazendo constar como resultado do julgamento "rejeitar o pedido de diligência e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator".
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado para substituir a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente), Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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A constitucionalidade do instituto da subrogação veiculada pelo art. 30, IV, da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 9.528, de 1997, foi objeto do Recurso Extraordinário 718.874, julgado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 30/03/2017 (tema 669 da repercussão geral). Restou decidido serem constitucionais, na égide da Lei 10.256, de 2001, tanto a norma que prevê a imposição tributária (art. 25 da lei 8.212, de 1991) quanto a norma que determina a responsabilidade tributária/subrogação (art. 30, IV, da lei 8.212, de 1991). As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemáticas, respectivamente, da repercussão geral e dos recursos repetitivos (arts. 1.036 a 1.041 da Lei 13.105, de 2015), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62, § 2º do Anexo II do Ricarf. PROCEDIMENTO FISCAL. DESNECESSIDADE DE MPF E DE AUTO DE INFRAÇÃO ESPECÍFICO PARA CADA FILIAL. O procedimento fiscal se desenvolve junto ao sujeito passivo, assim entendida a pessoa jurídica em sua totalidade, não havendo necessidade de emissão de MPF e de auto de infração específico para cada filial. DILIGÊNCIA DESNECESSIDADE. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 83 21 /2 01 5- 87 Fl. 6026DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, admitir, além das matérias constantes no despacho de admissibilidade do Presidente da Turma, a matéria relativa a multa e juros de mora, por ser decorrente de matéria admitida e acolhida relacionado com o tributo lançado, ou seja, a inexistência de concomitância com ação judicial, para acolher os embargos com efeitos infringentes, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301 005.268, de 09/05/2018, fazendo constar como resultado do julgamento "rejeitar o pedido de diligência e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator". (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado para substituir a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente), Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte (efls. 5962 a 5974), em face do Acórdão nº 2301005.268 (efls. 5929 a 5951), proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento de 09/05/2018. Alega o embargante a existência de erro e omissões no acórdão, a seguir destacados: a) Erro quanto ao objeto do mandado de segurança nº 2001.61.00.0000509. Ausência de concomitância com a ação judicial; b) Omissão quanto à necessidade de afastar a multa e os juros exigidos; c) Omissão quanto à nulidade do Auto de Infração pelo lançamento centralizado na matriz; d) Omissão quanto ao art. 142 do CTN, princípio da verdade material. Inexistência de provas de que os produtores são segurados especiais. Erro de Fato e; e) Omissão quanto à necessidade de realizar diligência. Os Embargos foram acolhidos parcialmente apenas com relação às matérias contidas nos itens "a", "c" e "e". É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 6027DF CARF MF Processo nº 10314.728321/201587 Acórdão n.º 2301005.747 S2C3T1 Fl. 3 3 Os Embargos são tempestivos e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Item a) Da concomitância Com relação à concomitância os embargos foram acolhidos tão somente para que este relator justificasse os fundamentos que levaram a conclusão da existência da concomitância entre a ação judicial com o período sob análise. Analisando mais detidamente os autos, verificase que realmente este julgador foi levado ao erro ao entender pela concomitância entre o MS 2001.60.00.0000509, Apelação 500033397.2010.404.7102 e a presente autuação. Explicase: Durante todo o processo, a recorrente insiste que a presente autuação foi lavrada apenas para evitar a decadência e que não deveriam incidir juros e multa. Nos próprios embargos afira a embargante: Em seu Recurso Voluntário, a Embargante demonstrou que em razão da sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n°2001.61.00.0000509, favorável aos interesses da Embargante, o Auto de Infração poderia ter sido lavrado apenas para evitar a decadência. Ora, se havia sentença judicial que justificaria a não incidência de juros e multa no lançamento, consequentemente seria por conta de que a discussão naqueles autos tratava da mesma matéria da presente autuação, logicamente haveria a concomitância observada no Acórdão guerreado. Contudo, após nova análise, observase através do trecho da sentença do MS 2001.60.00.0000509, transcrito no TVF de efls. 5.321, item 3.7, que a decisão desobrigava a recorrente de reter a contribuição junto a produtores rurais EMPREGADORES e a presente autuação versa sobre produtores rurais pessoas físicas sem empregados. Vejamos o item do TVF mencionado: (...) 3.8 Na mesma intimação de 20/10/2015, foi solicitado os itens 2, 3 e 4 conforme descrito abaixo: 2) Apresentar documentação dos fornecedores produtor rural pessoa física empregador que estejam relacionados na planilha entregue no item 1, que atenda a obrigação contida na decisão judicial referente ao processo 2001.60.00.0000509 da 22ª Vara Federal da Capital SP, (conforme observação I( justificando os eventuais valores não declarados e não recolhidos. 3) Observação I : na sentença que julgou o mérito no processo 2001.60.00.0000509 temos que, a empresa deve exigir de seus fornecedores e apresentar à fiscalização os documentos que comprovem a aquisição de produtos de produtor rural pessoa física empregador, conforme o trecho da sentença destacado a seguir: Fl. 6028DF CARF MF 4 "Assim, não deve a impetrante reter Novo Funrural nos casos de aquisição de bovinos junto a produtores rurais que sejam empregadores, devendo, pra fins de comprovação dessa condição junto à fiscalização, exigir dos fornecedores, os documentos comprobatórios pertinentes, em especial cópia da folha de pagamento ou outro documento semelhante, como relações de recolhimento do FGTS, relações enviadas ao Ministério do Trabalho, etc.." Motivo pelo qual cabe exclusivamente a empresa comprovar essa condição para eximirse de recolher a contribuição previdenciária. (....) Logo, os embargos devem ser acolhidos com relação a essa matéria para sanar o erro apontado, passandose à análise desta questão da seguinte maneira. DA SUBROGAÇÃO Embora inicialmente adotasse o entendimento de que a Lei 10.256/2001 não tivesse restabelecido a adoção do art. 30, IV, da Lei n.º 8.212/1991, e para não parecer contraditório ao voto proferido nos presentes autos quando do Acórdão nº 2301005.268 em relação à matéria SENAR, esclareço que recentemente me curvei ao entendimento majoritário deste colegiado em sentido contrário. Para tanto, adoto o voto do Ilustre Conselheiro Presidente desta Colenda turma, que assim se manifestou no Acórdão 2301005.357 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária de 07 de junho de 2018: "(...) Preceitua o art. 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf) que as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemáticas, respectivamente, da repercussão geral e dos recursos repetitivos (arts. 1.036 a 1.041 da Lei 13.105, de 2015), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Tal norma excetua o principio do livre convencimento, que vem veiculado pelo art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 6029DF CARF MF Processo nº 10314.728321/201587 Acórdão n.º 2301005.747 S2C3T1 Fl. 4 5 Tal questão – a constitucionalidade do instituto da subrogação veiculada pelo art. 30, IV, da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 9.528, de 1997 – foi objeto do Recurso Extraordinário 718.874, julgado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 30/03/2017, apreciando o tema 669 da repercussão geral. Restou decidido serem constitucionais, na égide da Lei 10.256, de 2001, tanto a norma que prevê a imposição tributária (art. 25 da lei 8.212, de 1991) bem como a norma que determina a responsabilidade tributária/subrogação (art. 30, IV, da lei 8.212, de 1991). Logo, tal decisão deve ser reproduzida por este CARF. Eis os preceitos normativos em questão: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (...) Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Passo a demonstrar o julgamento da questão pelo Supremo Tribunal Federal, bem como as razões pelas quais entendeu ser constitucional a norma. Primeiramente, demonstro que a matéria foi debatida no Recurso Extraordinário 718.874, como se evidencia dos seguintes votos: Voto do Min. Edson Facchin, relator No mesmo sentido, devese declarar inconstitucional o artigo 30, IV, da Lei 8.212/91, para excluir a expressão "pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12". Isso porque a dogmática fiscal não permite a imputação de responsabilidade tributária a terceiros pelo pagamento de tributo manifestamente inconstitucional. (Grifouse.) (...) Fl. 6030DF CARF MF 6 Ademais, por arrastamento, devese declarar parcialmente inconstitucional o artigo 30, IV, da Lei 8.212/91, apenas no que toca à expressão “da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12”. Isso porque a dogmática fiscal não permite a imputação de responsabilidade tributária a terceiros pelo pagamento de tributo manifestamente inconstitucional. (Grifou se.) Voto do Min. Gilamr Mendes, votovogal O objeto do presente recurso extraordinário é a constitucionalidade da redação atual dos artigos 12, incisos V e VII; 25, incisos I e II; e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, bem como de toda sucessão de normas alteradoras que afetaram esses dispositivos, ou seja: Lei 8.540/92; Lei 8.870/94; Lei 9.528/97 e Lei 10.256/2001. Voto Min. Luís Roberto Barroso 15. Por sua vez, a Lei 10.256/01 modificou a redação do caput do art. 25 da Lei 8.212/1999 e, aproveitando a disciplina dos incisos I e II, que permaneceu válida e em vigor para cobrança do segurado especial, recriou a contribuição com base no produto da comercialização da produção para o empregador rural pessoa física. Vale mais uma vez lembrar que a Corte no julgamento do RE 363.852 de forma clara declarou “a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/1992, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/1991, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/1998, venha a constituir a contribuição". (Grifouse.) Voto Min. Luiz Fux No art. 30, inciso IV, por sua vez, a Lei nº 8.212/91 instituiu hipótese de responsabilidade tributária, relegando ao adquirente, consignatário ou à cooperativa, a obrigação de recolhimento da referida contribuição do segurado especial incidente sobre a receita da comercialização da produção. Confirase a redação original do dispositivo: (...) O intuito da referida previsão constitucional e legislativa foi justamente o de permitir a integração dos produtores pessoas físicas em regime de economia familiar à Seguridade Social, já que a cobrança de contribuição mensal, nos moldes da contribuição normal do art. 195, I, poderia provocar a sua inviabilidade econômica, excluindo diversos trabalhadores do sistema previdenciário. Atribuiu, ainda, a responsabilidade pelo pagamento da referida contribuição ao adquirente da produção, como mais uma forma de garantia do segurado especial.. Ocorre que o artigo 25 da Lei 8.212/91 – e igualmente o inciso IV, do art. 30 – foi sucessivamente alterado, entre 1991 e 2001, por três leis: a Lei 8.540/92, a Lei 9.528/97 e a Lei 10.256/01, a fim de expandir a incidência da referida contribuição Fl. 6031DF CARF MF Processo nº 10314.728321/201587 Acórdão n.º 2301005.747 S2C3T1 Fl. 5 7 originalmente prevista apenas para o segurado especial – assim entendido como o produtor, pessoa física, que exerce suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados – ,também para o produtor rural pessoa física – assim entendido como aquele que exerce atividade rural por conta própria, com o auxílio de empregados, com o objetivo de substituir a cota patronal que este recolhe na condição de equiparado a empregador. Destaquese que se expandiu a incidência e igualmente a hipótese de responsabilidade do adquirente, que passou a ter de recolher também a contribuição sobre a receita relativa ao produtor rural pessoa física, além da relativa ao segurado especial. E é justamente aí que se inicia a controvérsia ora posta sob análise da Corte. (...) Ou seja, a referida lei instituiu uma contribuição sobre a receita bruta da comercialização da produção de pessoa física, diversa do segurado especial, inserindo ainda a expressão “da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12” no inciso IV, do art. 30, da Lei 8.212/91, criando também uma hipótese de responsabilidade relativa à recémcriada contribuição, cuja obrigação de recolhimento ficou a cargo do adquirente da produção, nos moldes do que já ocorria com o segurado especial. Confirase: (...) Posteriormente, a Lei 9.528/97 modificou o caput do art. 25, para incluir a expressão “empregador rural pessoa física” e a redação dos incisos I e II sem, no entanto, modificarlhes o conteúdo prescritivo. O artigo passou a ter a seguinte redação: (...) O mesmo foi feito em relação à hipótese de responsabilidade do inciso IV, do art. 30: (Grifouse.) Assim, examinadas as questões postas em julgamento, inclusive o instituto da subrogação, veiculado no art. 30, IV, da Lei 8.212, de 1991, o Plenário do STF decidiu conhecer e dar provimento ao recurso extraordinário da União. Após, fixou a seguinte tese: “É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. O referido instituto da subrogação – que nada mais é do que responsabilidade tributária da sociedade adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, pelas contribuições sociais previdenciárias devidas pelo produtor rural pessoal física e pelo segurado especial – que havia sido considerado, face à legislação anterior, examinada nos RE 363.842 e 596.177, inconstitucional por arrastamento (sendo inconstitucional a norma que impõe o tributo, também o é a que define a responsabilidade), foi Fl. 6032DF CARF MF 8 considerado constitucional, também por arrastamento: sendo constitucional a norma que impõe o tributo, também o é a que define a responsabilidade. Vejase os seguintes trechos dos votos vencedores do julgado em apreço: Min. Gilmar Mendes 4.6) Art. 12, incisos V e VII, e 30, IV, da Lei 8.212/1991 (...) O art. 30, por sua vez, trata das normas destinadas à arrecadação e ao recolhimento das contribuições sociais. A norma institui hipótese de responsabilidade tributária, destinada a instrumentalizar a arrecadação do tributo previsto no art. 25 da Lei 8.212/1991, tanto do segurado especial quanto do empregador rural pessoa física. Assim, ao entregar o produtor rural sua produção a qualquer das entidades econômicas ali indicadas – empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa –, passam estas à condição de responsável pelo pagamento do tributo, mediante aplicação da alíquota prevista no art. 25 da lei ao montante da produção adquirido. É evidente a relação que o art. 30, IV, mantém com a disposição do art. 25. Apenas a inconstitucionalidade deste contaminaria aquele. Por isso, uma vez reconhecida a constitucionalidade da contribuição do empregador rural pessoa física, com base na receita de sua produção, não há razão para declarar a invalidade da hipótese de subrogação prevista no art. 30. (Grifouse.) Frisase, ademais, que no julgamento dos RE 363.842 e 596.177 houve apenas a declaração da invalidade da aplicação, para o empregador rural pessoa física, das normas impositivas relativas à contribuição prevista no art. 25 da Lei 8.212, de 1991, sem redução de texto. Nas palavras do Min. Fux: (...) a declaração de inconstitucionalidade dos incisos do art. 25 da Lei 8.212/91 pelo STF, em sede de controle difuso, nos já mencionados RE's 363.842 e 596.177, não retirou os referidos dispositivos do ordenamento jurídico, mas apenas declarou a invalidade de sua aplicação para o empregador rural pessoa física, no período anterior à EC 20/98 e às alterações promovidas pela Lei 10.256/01. (Grifouse.) É certo que, no julgamento do primeiro Recurso Extraordinário, constou da proclamação a declaração da “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97”, sem ressalva, portanto, quanto à situação do segurado especial. No entanto, esse mesmo dispositivo do julgado limitou a declaração de inexistência de relação tributária à situação dos empregadores, pessoas naturais”, produtores rurais (RE 363.852). Assim, com um mínimo de interpretação, percebese que não houve a declaração de inconstitucionalidade de todo o texto do artigo. Fl. 6033DF CARF MF Processo nº 10314.728321/201587 Acórdão n.º 2301005.747 S2C3T1 Fl. 6 9 O Min. Gilmar Mendes, demonstrando que não houve, no julgamento dos RE 363.842 e 596.177, a declaração de inconstitucionalidade de todo o texto do artigo 25 da Lei 8.212, de 1991, mas apenas da expressão “do empregador rural pessoa física”, sendo que todo o demais o texto dessa Lei se manteve íntegro, asseverou: É certo que, no julgamento do primeiro Recurso Extraordinário, constou da proclamação a declaração da “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97”, sem ressalva, portanto, quanto à situação do segurado especial. No entanto, esse mesmo dispositivo do julgado limitou a declaração de inexistência de relação tributária à situação dos empregadores, pessoas naturais”, produtores rurais (RE 363.852). Assim, com um mínimo de interpretação, percebese que não houve a declaração de inconstitucionalidade de todo o texto do artigo. (...) (...) O texto normativo não se confunde com a norma jurídica. Para encontrarmos a norma, para que possamos afirmar o que o direito permite, impõe ou proíbe, é preciso descobrir o significado dos termos que compõem o texto e decifrar, assim, o seu sentido linguístico. De um mesmo texto legal, podem ser extraídas várias normas. (...) No entanto, a única fração do texto legal passível de supressão por força da inconstitucionalidade é a expressão “do empregador rural pessoa física”, constante do caput. A vigência do restante é indispensável para extração da norma tributária do segurado especial. Ou seja, mesmo que a inconstitucionalidade resida nos incisos, não seria possível a redução em seu texto. A única redução possível residia na expressão mencionada no caput. (Grifouse.) No mesmo sentido o Min. Dias Toffoli, para o qual, “no julgamento do RE nº 363.852/MG, Relator o Ministro Marco Aurélio, o Tribunal Pleno, levando em consideração, dentre outros, aqueles dispositivos, concluiu ser inconstitucional tão somente a norma relativa à contribuição devida pelo produtor rural pessoa física empregadora incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção”. (Grifos no original.) DA MULTA E JUROS Embora não tenham sido admitidos os embargos quanto esta matéria, como não houve mais o reconhecimento da concomitância, entendo que deva ser analisada a questão, razão pela qual proponho seu acolhimento. A recorrente sustenta a não incidência de juros e multa exclusivamente sob o argumento de que teria a seu favor sentença nos autos do MS nº 2001.61.00.0000509, sendo que o presente Auto de Infração somente poderia ter sido lavrado para prevenir a decadência. Fl. 6034DF CARF MF 10 Como já dito no início do tópico anterior, a decisão desobrigava a recorrente de reter a contribuição junto a produtores rurais EMPREGADORES e a presente autuação versa sobre produtores rurais pessoas físicas sem empregados. Portanto, sem razão à recorrente. DO LANÇAMENTO NA MATRIZ Insurgese a recorrente contra o lançamento efetuado em sua matriz, entendendo que os fatos eram imponíveis relativos às filiais devendo a autuação ter sido lavrada contra cada CNPJ específico. Temos que, no momento da ação fiscal encontravase em vigor a Instrução Normativa SRF nº 971, de 2009, que ao tratar sobre o domicílio tributário assim dispõe: Art. 487. Domicílio tributário é aquele eleito pelo sujeito passivo ou, na falta de eleição, aplicase o disposto no art. 127 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). Art. 488. Estabelecimento é uma unidade ou dependência integrante da estrutura organizacional da empresa, sujeita à inscrição no CNPJ ou no CEI, onde a empresa desenvolve suas atividades, para os fins de direito e de fato. Do que se depreende dos autos, no Discriminativo do Débito DD, o débito relativo a cada um dos estabelecimentos esteja claramente individualizado. Não há impedimento para a lavratura do AI que abranja débitos relativos a matriz e suas filiais num mesmo documento, podendo a fiscalização, nos casos de empresas com mais de um estabelecimento eleger o centralizador para realização dos trabalhos. Assim, sem razão à recorrente. DA DILIGÊNCIA No que se refere ao pedido de diligência, embora não abordado especificamente no acórdão combatido, temos que esta este pedido está intimamente ligado ao do reconhecimento de inexistência de provas de que os produtores rurais são segurados especiais (item "d" dos embargos). É que no acórdão embargado, entendese que caberia à recorrente demonstrar a condição dos produtores rurais como empregadores, o que não ocorreu. Como o pedido de diligência era no mesmo sentido, de que a fiscalização comprovasse essa condição, ao se negar a inversão d o ônus da prova, logicamente não haveria que se acatar o pedido de diligência. Ademais, como já mencionado acima, a sentença no MS 2001.60.00.000050 9 foi clara no sentido de que a recorrente deveria exigir dos produtores as provas que o embargante quer verem produzidas pela fiscalização. Retranscrevemos o trecho: "Assim, não deve a impetrante reter Novo Funrural nos casos de aquisição de bovinos junto a produtores rurais que sejam empregadores, devendo, pra fins de comprovação dessa condição junto à fiscalização, exigir dos fornecedores, os Fl. 6035DF CARF MF Processo nº 10314.728321/201587 Acórdão n.º 2301005.747 S2C3T1 Fl. 7 11 documentos comprobatórios pertinentes, em especial cópia da folha de pagamento ou outro documento semelhante, como relações de recolhimento do FGTS, relações enviadas ao Ministério do Trabalho, etc.." Ademais, diligência só se faz necessária quando indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios ou de prova que caberia ao recorrente, o que impõe o seu indeferimento nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, § 1º do Decreto 70.235/72, que assim dispõe: “Lei 9.784/99 Art. 38. [...]§ 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.” “Decreto 70.235/72 Art. 16. [...]IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” Ante ao Exposto, Voto no sentido de CONHECER DOS EMBARGOS, para, retificar o Acórdão nº 2301005.268 de 09/05/2018, rejeitar o pedido de diligência e Negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 6036DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.000103/2008-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1998 a 28/02/2000, 01/04/2000 a 31/08/2007
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIDO.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Recurso de Ofício interposto da decisão da DRJ (fls. 342) não atingiu o limite legal. Recurso de Ofício não conhecido.
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. SÚMULA CARF nº 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, mesmo que parcial, do tributo na competência do fato gerador a que se referir a autuação. Havendo evidência de recolhimento antecipado por depósito judicial em demanda que trata a exigibilidade do tributo, deve ser aplicada, para fins de reconhecimento de eventual decadência, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN.
DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. IMPOSSIBILIDADE DE SE EXIGIR MULTA E JUROS DE MORA
Havendo decisão judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário, só poderão ser objeto do lançamento, visando a prevenir a decadência, os acréscimos legais que não tiverem um caráter punitivo/sancionatório, já que o contribuinte não pode ser prejudicado por estar cumprindo uma decisão judicial que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário, ainda mais se realizou o pagamento, por depósito judicial, antes do vencimento. Portanto, com base no artigo 63 da Lei 9.430/96, no lançamento preventivo, não cabe a multa de ofício, assim como, não há razão para o lançamento dos juros de mora, uma vez que não houve mora passível de gerar acréscimos moratórios em função da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por depósito do montante
Numero da decisão: 2301-005.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário pela regra do art. 150, § 4º, e cancelar a multa e juros lançados.
.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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NÃO CONHECIDO. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Recurso de Ofício interposto da decisão da DRJ (fls. 342) não atingiu o limite legal. Recurso de Ofício não conhecido. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. SÚMULA CARF nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, mesmo que parcial, do tributo na competência do fato gerador a que se referir a autuação. Havendo evidência de recolhimento antecipado por depósito judicial em demanda que trata a exigibilidade do tributo, deve ser aplicada, para fins de reconhecimento de eventual decadência, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. IMPOSSIBILIDADE DE SE EXIGIR MULTA E JUROS DE MORA Havendo decisão judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário, só poderão ser objeto do lançamento, visando a prevenir a decadência, os acréscimos legais que não tiverem um caráter punitivo/sancionatório, já que o contribuinte não pode ser prejudicado por estar cumprindo uma decisão judicial que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário, ainda mais se realizou o pagamento, por depósito judicial, antes do vencimento. Portanto, com base no artigo 63 da Lei 9.430/96, no lançamento preventivo, não cabe a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 01 03 /2 00 8- 08 Fl. 329DF CARF MF 2 multa de ofício, assim como, não há razão para o lançamento dos juros de mora, uma vez que não houve mora passível de gerar acréscimos moratórios em função da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por depósito do montante Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do poderdever de constituir o crédito tributário pela regra do art. 150, § 4º, e cancelar a multa e juros lançados. . (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 278 e ss.) interposto em face da decisão da DRJ (fls. 264) proferida pela 10ª Turma da DRJ/RJOI, Acórdão 1219.959 de 10/07/2008, que indeferiu em parte a Impugnação e determinou a procedência em parte do lançamento, cuja Ementa: Assumo: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1998 a 31/08/2007 CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. DECADÊNCIA PARCIAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS. I A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorre, todavia, a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 19740.000103/200808 Acórdão n.º 2301005.552 S2C3T1 Fl. 317 3 II A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não é óbice ao lançamento, uma vez que a formalização do crédito não implica, necessariamente, na sua exigência imediata. III o direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser constituído. IV Tratandose de lançamento destinado resguardar o crédito dos efeitos da decadência, justificase acautelar tanto a importância principal quanto os seus consectários legais, visto que indisponível o interesse público subjacente controvérsia. Lançamento procedente em parte Crédito Tributário Mantido Conforme consta da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls.2 e ss. (DEBCAD n. 37.061.1788), a Contribuinte foi condenada ao pagamento de crédito tributário na importância correspondente a R$ 21.932.805,31, sendo R$13.629.709,36 de imposto a recolher, R$6.258.639,53 de juros e R$2.044.456,42 de multa, referente a omissões de recolhimento de Contribuição Social proveniente de depósito judicial à autônomos, apurado de 01/02/1998 a 31/08/2007. Segundo o relatório fiscal de fls. 55 e ss., a notificada ingressou com duas demandas judiciais, a primeira para que fosse declarada a inexigibilidade de contribuição à seguridade social dos pagamentos efetuados a corretores autônomos, quando a Contribuinte ainda era denominada Companhia União de Seguros Gerais e a outra, um mandado de segurança. A primeira demanda, autos n° 1996.00095159, tramitou perante a 7ª Vara Federal, da Seção Judiciária do Distrito Federal. Embora negada a antecipação da tutela, foi deferido o depósito judicial integral do montante discutido. O processo foi julgado improcedente, assim como negado provimento ao Recurso de Apelação, Recurso Especial e Recurso Extraordinário, estando o processo em cumprimento de sentença. Além desta demanda, a Companhia União de Seguros Gerais também propôs ação semelhante, autos n. 2000.71.00.0099859, que tramitou perante a 8ª Vara Federal de Porto Alegre/RS, sendo julgado improcedente, negado provimento ao recurso de apelação e ao recurso especial. O Recurso Extraordinário foi julgado recentemente, aguardandose o transcurso do prazo. Em 28/09/2001 (fl. 61 a 67), a empresa NOVO HAMBURGO COMPANHIA DE SEGUROS GERAIS foi incorporada à COMPANHIA UNIÃO DE SEGUROS GERAIS, quando houve a alteração da denominação social para UNIÃO NOVO HAMBURGO SEGUROS S/A. Posteriormente, houve nova mudança da denominação social, novamente, que passou a reger pela atual denominação, Bradesco Auto/Re Companhia de Seguros. Antes da incorporação de 28/09/2001, a empresa NOVO HAMBURGO COMPANHIA DE SEGUROS GERAIS também ingressou com ação semelhante processo n° 2000.71.08.0028905, com pedidos similares ao da COMPANHIA UNIÃO DE SEGUROS Fl. 331DF CARF MF 4 GERAIS, não obtendo êxito, sendo realizado depósito judicial da quantia devida de contribuições sociais mensalmente. Destacase que, a partir de 10/2001, com a incorporação, os depósitos judiciais desta demanda começaram a ser efetuados nos autos 2000.71.00.0099859. Já os depósitos anteriores à incorporação, os do período de 04/2000 a 09/2001, foram apropriados ao processo n° 2000.71.08.0028905. Portanto foi efetuado lançamento na presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito com o intuito de prevenir a decadência, referente às contribuições sobre as remunerações de corretores autônomos, para as quais houve depósito judicial, autorizado nos autos dos processos 96.00095159 e 2000.71.00.0099859. Nas fls. 57/59 a Autoridade Fiscal aponta em uma planilha simplificada a competência e os valores dos Depósitos Judiciais Autônomos efetuados em ambos os processos, lançando o valor final de R$ 21.932.805,31 como débito da infração. Nas fls. 68/152 constam os comprovantes de depósitos judiciais efetuados em ambos os processos. Na Impugnação juntada nas fls. 156/168, a Contribuinte alega decadência do período de fevereiro de 1998 a fevereiro de 2000 e de abril de 2000 a novembro de 2002, por se tratar de contribuição previdenciária de tributo sujeito a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN; e requer a exclusão da multa e dos juros impostos, diante da suspensão da exigibilidade do crédito, nos termos do artigo 63 da Lei n° 9.430/1996. Nos termos da decisão da DRJ, fls. 264/273, a Autoridade Fiscal entendeu pela procedência parcial da impugnação, na seguinte razão: A) A existência de ação judicial não impede o desenvolvimento regular da sequência lógica de atos que perfazem o contencioso fiscal, sendo que a renúncia total ao contencioso só ocorrerá quando a ação judicial tiver por objeto “idêntico pedido” sobre o qual versa o processo administrativo (art. 126, § 3° da Lei 8.213/1991), sendo que se na impugnação também for deduzida matéria distinta da discutida em juízo, o sujeito passivo terá direito ao contencioso administrativo para que seja apreciada a matéria diferenciada, como ocorre no presente processo; B) Com relação à decadência suscitada, não cabe a aplicação do artigo 150, § 4°, do CTN, citado pelo contribuinte em sua defesa, que diz respeito ao prazo de cinco anos ofertado à Fazenda Pública para homologar o lançamento no qual o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento do tributo, quando a lei não determinar prazo diverso, sendo que, no presente caso, têm se um lançamento de oficio, previsto no artigo 149, inciso V do CTN, lavrado em vista da omissão ou inexatidão por parte do contribuinte no exercício da atividade, sendo que os lançamentos de oficio, arrolados no artigo 149 do CTN, sujeitamse ao prazo decadencial estipulado no artigo 173, inciso I do CTN. Tendo em vista que o lançamento ocorreu em 18/12/2007, contribuições lançadas no período de 02/1998 até 11/2001, ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, sendo estas, portanto excluídas do levantamento, já as contribuições previdenciárias relativas às competências de 12/2001 a 08/2007, permanece válido o lançamento. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 19740.000103/200808 Acórdão n.º 2301005.552 S2C3T1 Fl. 318 5 C) Com relação aos juros, improcede a alegação de que não há incidência de juros em virtude da suspensão da exigibilidade do crédito por decisão judicial, eis que a decisão eventualmente deferida no curso do processo é passível de reforma, sendo que a única forma de ser afastada a incidência dos juros seria o contribuinte efetuar, concomitantemente à ação judicial, o depósito integral do montante discutido; D) Com relação à multa, o “caput” do art. 63 da Lei 9.430/96 prevê a dispensa da multa de ofício no lançamento de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, que não se aplica às contribuições analisadas no processo, uma vez que essa figura (multa de oficio) é estranha aos lançamentos formalizados através de NFLD. E) Por conta do reconhecimento da decadência parcial, o lançamento ficou retificado conforme demonstrativo DADR DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DO DÉBITO RETIFICADO – de fls. 232/244. Nas fls. 278/288, a Contribuinte junta seu Recurso Voluntário alegando: A) Tendo em vista que se trata de contribuição previdenciária de tributo sujeito a lançamento por homologação, deveria ter sido aplicado o §4º do art. 150 do CTN, deve ser reconhecida a decadência do lançamento fiscal do período consistente de dezembro de 2001 a novembro de 2002 B) Indevido o lançamento dos juros de mora e multa moratória em face do reconhecimento do depósito judicial da contribuição previdenciária, na totalidade do imposto exigido; Nas fls. 285, houve a juntada de manifestação por parte do FISCO, na qual requer o reconhecimento de que, de acordo com o disposto no parágrafo único do art. 42 do Decreto n° 70.235/72, estão constituídos definitivamente na esfera administrativa, os créditos previdenciários correspondentes aos períodos de dezembro de 2002 a agosto de 2007, visto que não foram objeto de recurso, embora estejam suspensos, nos termos do Art. 151, II do CTN. Este é o relatório Voto Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato Relatora ADMISSIBILIDADE Conforme consta das fls. 256, a Contribuinte tomou ciência da decisão em 29/08/2008, apresentando Recurso Voluntário em 30/09/2008 (fls. 238). Fl. 333DF CARF MF 6 Nos termos do Art. 5º do Decreto 70.235/1972 em que determina que “os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento”, verificase que o Recurso Voluntário foi interposto dentro do prazo recursal, visto que o dia 29/08/2008 foi uma sextafeira, iniciandose o prazo na segundafeira, 01/09, encerrando no dia 30/09, data do protocolo. Portanto, reconheço a tempestividade do Recurso Voluntário apresentado pela Contribuinte, passando à análise de seu mérito. MÉRITO Do Recurso de Oficio Conforme consta da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls.2 e ss. (DEBCAD n. 37.061.1788), a Contribuinte foi condenada ao pagamento de crédito tributário na importância correspondente a R$ 21.932.805,31, sendo R$13.629.709,36 de imposto a recolher, R$6.258.639,53 de juros e R$2.044.456,42 de multa, referente a omissões de recolhimento de Contribuição Social proveniente de depósito judicial à autônomos, apurado de 01/02/1998 a 31/08/2007. No julgamento da DRJ, modificouse o valor, exonerando a Contribuinte em parte do valor lançado: “(...) Acordam, por unanimidade de votos, (...), julgar, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, PROCEDENTE EM PARTE o lançamento efetuado, para considerar devidas as contribuições sociais previdenciárias, no valor de R$12.184.009,99, acrescidos de juros e multa a serem calculados no ato da liquidação (...)”. Portanto, exonerou a contribuinte em R$ 1.445.699,37 (hum milhão quatrocentos e quarenta e cinco mil seiscentos e noventa e nove reais e trinta e sete centavos), que na época ultrapassava o teto de alçada previsto no art. 1º da Portaria MF n. 3 de 03/01/2008. Nos termos da Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. O valor de alçada modificou. Conforme constata a Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017: O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 334DF CARF MF Processo nº 19740.000103/200808 Acórdão n.º 2301005.552 S2C3T1 Fl. 319 7 § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Conforme visto na DRJ, o valor exonerado ao Contribuinte é inferior ao limite legal de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), conforme previsto na Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 e, com fulcro na Súmula CARF nº 103, não conheço do Recurso de Ofício. Do Recurso de Voluntário Tratase de Recurso Voluntário que requer o reconhecimento da decadência do lançamento fiscal do período consistente de dezembro de 2001 a novembro de 2002 e da retirada dos juros e multa moratória, diante do depósito judicial integral da cobrança. Com relação à decadência suscitada, necessário destacar que o presente processo diz respeito ao lançamento de crédito tributário de contribuições previdenciárias não recolhidas pela Contribuinte. Na DRJ, o FISCO entendeu que o lançamento das contribuições previdenciárias são de oficio, nos termos artigo 149 do CTN, sujeitandose ao prazo decadencial estipulado no artigo 173, inciso I do CTN e não no §4º do art. 150 do CTN. Já a Contribuinte requer a aplicação do §4º do art. 150 do CTN. A Súmula 99 deste Conselho determina: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração Assim como, em consulta às jurisprudências consolidadas deste Conselho, verificase a aplicação do §4º do art. 150 do CTN, quando há o recolhimento do imposto, mesmo que parcial: Fl. 335DF CARF MF 8 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Aplicação da Súmula CARF nº 99. Acórdão nº 9202003.572 Sessão de 29 de janeiro de 2015 ................. DECADÊNCIA. ENUNCIADO DA SÚMULA CARF Nº 99. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devendo ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Além disso, o enunciado da Súmula CARF nº 99 dispõe que “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração”. Acórdão nº 9202003.313 16/09/2014 .................... TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Os documentos constantes nos autos, especificamente, o Relatório de Documentos Apresentados RDA (fls. 58) consta a relação dos documentos de recolhimento de contribuições previdenciárias referentes à competência 12/1999. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregandose, entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros. Portanto, concluo que, pelo menos, houve a ocorrência da questionada antecipação de pagamento. Acórdão nº 9202 002.928, Sessão de 05 de novembro de 2013. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 19740.000103/200808 Acórdão n.º 2301005.552 S2C3T1 Fl. 320 9 .................. PRAZO DECADENCIAL. CONCLUSÃO ACERCA DE ANTECIPAÇÃO DE RECOLHIMENTO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Quando se conclui, com esteio nos elementos constantes dos autos, que houve antecipação de pagamento das contribuições, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Acórdão nº 2401 003.198, Sessão de 17 de setembro de 2013. .................. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a contribuição incidente sobre valores reembolsados a título de auxílio excepcional. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregandose, entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros. Os documentos constantes nos autos, especificamente o Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF (fls. 66/67), possibilitam concluir que houve antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo no período em discussão, tendo em vista o fato de que o referido termo aponta que para o período fiscalizado foram examinados as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) e os respectivos comprovantes de recolhimento do período em questão e, ainda, que os créditos tributários constituídos referemse, exclusivamente, a parcelas que o fisco considerou haver incidência de contribuições previdenciárias, ao contrário do contribuinte. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 02/10/2007, as contribuições com fatos geradores ocorridos até a competência 09/2002 encontravamse fulminados pela decadência. Acórdão nº 240101.981, Sessão de 22 de agosto de 2011. Fl. 337DF CARF MF 10 ............... SÚMULA CARF nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, evidência de recolhimento antecipado para as competências lançadas, devendose assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN. Acórdão nº 9202 003.355, Sessão de 17 de setembro de 2014. Verificase que a Contribuinte recolheu judicialmente as contribuições previdenciárias exigidas no lançamento, conforme comprovam os depósitos judiciais juntados nas fls. 68/152. Inclusive consta na manifestação do FISCO de fls. 310 que o depósito efetuado pela contribuinte foi no montante integral da NFLD lançada. Portanto, tendo a Contribuinte recolhido o imposto exigido no presente processo administrativo, imputase a aplicação do §4º do Art. 150 do CTN para o cômputo da Decadência, ou seja: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação Tendo em vista que o lançamento ocorreu em 12/2007, verificase a decadência das contribuições previdenciárias que tiveram fatos geradores anteriores a 12/2002. Portanto, permanecem válidas apenas as contribuições previdenciárias relativas às competências que vão de 12/2002 a 08/2007, reconhecendo a decadência das anteriores, ou seja, das contribuições previdenciárias relativas às competências de 12/2001 a 11/2002. Ante ao exposto voto por conhecer e dar procedência ao Recurso Voluntário, no que consiste a decadência alegada pela Contribuinte, no intuito de determinar a validade das contribuições previdenciárias relativas às competências que vão de 12/2002 a 08/2007. Com relação ao pedido de exclusão da multa e dos juros moratórios lançados nos presentes autos, verificase entendimento sumulado por este Conselho: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que Fl. 338DF CARF MF Processo nº 19740.000103/200808 Acórdão n.º 2301005.552 S2C3T1 Fl. 321 11 suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Súmula CARF n° 17 (VINCULANTE): Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo Assim como, utilizo do julgamento deste Conselho para apresentar o presente Voto: Ementa(s) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. DECADÊNCIA Os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91 que fixavam em dez anos o prazo para o INSS constituir e cobrar seus créditos, tiveram sua aplicação obstada pela edição da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal STF, que firmou entendimento sobre a inconstitucionalidade desses artigos, publicada no DOU de 20/06/2008. Portanto, com base na legislação precedente, cabe revisão do lançamento fiscal a luz do Código Tributário Nacional CTN, observandose a vinculação das decisões administrativas ao enunciado das Súmulas Vinculantes editadas pelo Supremo Tribunal Federal STF e o Parecer PGFN/CRJ/CDA N° 143712008, estão decadentes todas as competências objeto neste Auto de Infração, anteriores a 15 de dezembro de 2003, isto porque há de ser aplicado o artigo 150, § 4° do CTN, eis que a Recorrente é contribuinte geral, ou seja, antecipou de uma certa forma parte das contribuições e, não olvidemos que foi lançamento para prevenir decadência. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. IMPOSSIBILIDADE DE SE EXIGIR MULTA E JUROS DE MORA Nos presentes autos a matéria discutida é diferente da que foi debatida na ação Judicial nos autos do MS sob n° 2000.38.00.0131552, razão pela qual não há que se falar em renúncia à esfera administrativa. Ou seja, no RV não discute a legitimidade da cobrança da contribuição previdenciária, mas apenas a incidência da multa e dos juros moratórios sobre crédito cuja exigibilidade encontrase suspensa por depósito judicial. Fl. 339DF CARF MF 12 De fato, de fundamental importância é quando diz respeito à definição do que deva ser objeto do lançamento tributário, se tão somente o principal corrigido, ou se deverão ser incluídos os acréscimos moratórios (juros de mora e multa de mora) e penalidades (descumprimento de obrigações acessórias, infrações à lei tributária). A situação do caso é que há uma decisão judicial que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, que só poderão ser objeto do lançamento visando a prevenir a decadência os acréscimos que não tiverem um caráter punitivo/sancionatório, já que o contribuinte não pode ser prejudicado por estar cumprindo uma decisão judicial que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário. Sobretudo porque realizou antes do vencimento. Por fim, deve ser mencionado que, na área federal, existe legislação específica que trata do ponto aqui examinado, qual seja, a Lei 9.430/96, artigo 63. Esse artigo estabelece, em seu caput, que não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos cuja exigibilidade tiver sido suspensa por liminar em Mandado de Segurança. Com base na Lei 9.430/96, artigo 63, no lançamento preventivo, como é o caso em tela não cabe a multa de ofício. Razão, portanto, assiste a Recorrente. Também não há razão para o lançamento dos juros de mora, uma vez que não houve mora passível de gerar acréscimos moratórios em função da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por depósito do montante integral. Recurso Voluntário Provido em Parte. CARF. Acórdão 2301005.009. 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária/ 2ª Seção. Autos 15504.021489/200815. Seção 09/05/2017. Verificase nos autos, na petição de fls. 310 que a própria Autoridade Fiscal reconheceu o recolhimento total do imposto cobrado pela Contribuinte, comprovado pelos depósitos judiciais juntados nas fls. 68/152. Os depósitos judiciais foram efetuados, inclusive, antes do início do procedimento fiscal. Portanto, a Contribuinte nunca esteve em mora com o recolhimento, visto que, embora suspensa a exigibilidade do tributo, efetuou seu pagamento por intermédio dos depósitos judiciais. Além das súmulas supramencionadas, observa o art. 63 da Lei 9.430/96 aplicável ao presente caso. Por esta razão entendo ser indevida a imposição de juros e multa moratória nos termos da legislação, visto que houve recolhimento integral do imposto cobrado. Diante do exposto, voto por dar provimento ao pedido. CONCLUSÃO Fl. 340DF CARF MF Processo nº 19740.000103/200808 Acórdão n.º 2301005.552 S2C3T1 Fl. 322 13 Ante o exposto, voto por nao conhecer o recurso de oficio; conhecer do recurso voluntário e dar provimento ao mesmo, para que se reconheça a decadência das competências anteriores a 12/2002 nos termos do artigo 150, parágrafo 4 do CTN e cancelar a multa e os juros lançados. É como voto. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato – Relatora. Fl. 341DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.001256/2010-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2010
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS.
Quando o contribuinte regularmente intimado para apresentar os livros e documentos fiscais não o faz, deve ser aplicada a multa por não atender a solicitação de autoridade fiscal.
SÓCIO ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
CONFIGURAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA.
A responsabilização do sócio administrador da empresa pelo crédito constituído é atribuída quando constata, nos procedimentos fiscais, a ocorrência das situações do art. 135, do CTN, e quando não é afastada pelos interessados a ocorrência registrada das infrações cometidas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2010 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS. Quando o contribuinte regularmente intimado para apresentar os livros e documentos fiscais não o faz, deve ser aplicada a multa por não atender a solicitação de autoridade fiscal. SÓCIO ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONFIGURAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA. A responsabilização do sócio administrador da empresa pelo crédito constituído é atribuída quando constata, nos procedimentos fiscais, a ocorrência das situações do art. 135, do CTN, e quando não é afastada pelos interessados a ocorrência registrada das infrações cometidas. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2010 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS. Quando o contribuinte regularmente intimado para apresentar os livros e documentos fiscais não o faz, deve ser aplicada a multa por não atender a solicitação de autoridade fiscal. SÓCIO ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONFIGURAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA. A responsabilização do sócio administrador da empresa pelo crédito constituído é atribuída quando constata, nos procedimentos fiscais, a ocorrência das situações do art. 135, do CTN, e quando não é afastada pelos interessados a ocorrência registrada das infrações cometidas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 12 56 /2 01 0- 29 Fl. 214DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. Relatório Conselheiro Relator Wesley Rocha Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa MOVIMENTA MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS LTDA. E OUTROS, contra o Acórdão de Julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (6ª Turma da DRJ/CPS), que julgou improcedente as impugnações e manteve o crédito tributário lançado, inclusive a sujeição passiva solidária dos sócios da empresa, Sr. BRUNO GUILHERMINO e Sr. AMÉRICO MATHIAS. Da mesma ação fiscal resultou em outros autos de infrações, do qual conforme relatório da DRJ de origem, este Auto de Infração de nº 37.276.2921, em procedimento fiscal com início no dia 02/03/2010 e finalizado em 16/06/2010, consta que o "contribuinte o contribuinte não apresentou seus livros contábeis (Diário e Razão), nem as Folhas de Pagamento de empregados e contribuintes individuais, o que constitui infração ao disposto no § 2º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c/c os art. 232 e 233 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99". Consoante o relatório fiscal (REFISC) e descrições lançadas no relatório da DRJ de origem , os fatos que originam as infrações foram as seguintes: 1º) A empresa não foi encontrada no endereço constante do cadastro do CNPJ; 2º) Os sócios foram intimados por Termo de Intimação Fiscal enviado pelo Correio, com ciência por AR, a efetuar a regularização cadastral:da empresa, mas, em 24/05/2010, compareceu à DRF Barueri uma procuradora da empresa, apresentando uma alteração contratual datada de 14/07/2008, não registrada em Cartório, da qual constava o endereço “Rua Caio Prado, 267”. Todavia, em diligência ao referido local em 14/06/2010, a .fiscalização constatou haver ali apenas uma empresa de locação de "escritórios virtuais", ou seja, não havia nenhum empregado da “MOVIMENTA” no local, embora na GFIP de 03/2010 constasse a existência de 136 vínculos trabalhistas; 3º) A ocultação do endereço real da empresa, por obstar o procedimento fiscal, foi considerado como circunstância agravante da multa, conforme art. 290, inciso IV, do RPS; 4º) O valor base da multa, de R$ 18.561,50, foi estipulado pelos art. 92 e 102 da Lei 8.212/91, c/c o art. 283, inciso II, alínea "j" e art 373 do RPS, e atualizado na forma veiculada pela Portaria Conjunta MPS/MF n° 350 de 30/12/2009; 5º) Em razão da circunstância agravante retro citada, a multa foi agravada em duas vezes o valor base, conforme artigo 292, Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13896.001256/201029 Acórdão n.º 2301005.349 S2C3T1 Fl. 215 3 inciso III, do RPS, ficando o valor total em R$ 37.123,00, o qual será atualizado pela SELIC, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 10/2008 de 14/11/2008, publicada no DOU de 17/11/2008, e da legislação que a ampara. A recorrente devidamente intimada, bem como os seus sócios, apresentam razões de seus recursos, conforme transcrevese abaixo. i) Das razões do Recurso voluntário da empresa Movimenta (fls. 162/191): A autuada não apresentou preliminares. Quanto ao mérito a empresa alega que, deveriam ser consideradas, para fins de aplicação da penalidade do presente auto de infração, as informações prestadas nas GFIPs, no sentido de considerar que houve prestação de informações ao fisco dos recolhimentos, ainda que imprecisos ou inexatos. Nesse sentido, a recorrente discorda da imputação de dolo em seus atos, uma vez que no seu entendimento "a auditora fiscal, não avaliou positivamente a transparência de procedimentos praticados pela empresa consubistanciados pela apresentação das respectivas GFIPs e RAIS. Desta feita, não pode prosperar a afirmação de que a empresa agiu com dolo, "artifícios ...". Pediu, ainda, a descaracterização de Sonegação fiscal de que trata o artigo 71, da lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1.964, cancelandose o crédito constituído, no tocante ao agravamento dos lançamentos de ofício (§1° artigo 44 da Lei 9.430/96). Solicitou, ainda, a irretroatividade de Lei ao caso concreto, ante a aplicação dos artigos 32 e 35 da lei 8.212/ 91, com alterações trazidas pela Medida Provisória 449/2008 e Lei 11.941/2009, bem como o benefício da retroatividade prevista no CTN, artigo 106, inciso II, "c". Ainda, a recorrente informa que não houve ocultação da empresa e nem de seus sócios. Registrase que, a contribuinte não recorreu aos demais pontos da decisão de primeira instância. ii) das Razões recursais dos sócios solidários AMÉRICO MATHIAS (fls. 107/127) e BRUNO GUILHERMINO (fls. 128/148). Os recorrentes reproduzem as mesmas argumentações do recurso da empresa contribuinte, acrescentando apenas que não houve nenhuma intenção dos sócios em lesar o fisco por alguma atitude dolosa que pudesse configurar sonegação, tendo em vista não terem se ocultado para receber intimações para apresentar documentos e informações, aduzindo que apresentaram, mesmo que de forma imprecisa as informações em GFIP/RAIZ. Por fim, todos os recursos pedem análise mais benéfica na aplicação da multa quando das alterações nas legislações que regiam na época dos fatos geradores (competências 01/2006 a 11/2008). Diante dos fatos, é o relatório. Voto Fl. 216DF CARF MF 4 Conselheiro Wesley Rocha Relator Os recursos voluntários apresentados estão revestidos do quesito formal da tempestividade. Portanto, deles o conheço. Cumpre registrar que o auto de infração cumpre os requisitos formais da legislação tributária e do PAF, estando de acordo com as normas legais. Diante dos recursos apresentados, para fins de análise de mérito, tomo por unificar o julgamento dos recursos interpostos. DELIMITAÇÃO DA LIDE EM FASE RECURSAL Toda a matéria abordada no recurso foi objeto de análise nos demandas principais, restando este da obrigação acessória mantido integralmente, já que constitui infração a não entrega dos documentos contábeis solicitados pela fiscalização, referente ao período apurado. A fiscalização lavrou autos de infração com o intuito de exigir da ora Recorrente o recolhimento de multa por falta de apresentação dos documentos fiscais, bem como teria se ocultado para prestar esclarecimentos e informações, motivo de agravamento da multa, infringindo, dessa forma, a regra contida no art. 32, §2º e 3§º da Lei nº 8.212/91. Portanto, passo a analisar o que de fato os recorrentes alegaram em seus recursos. DO DEVER DE CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Constitui infração não apresentar livros contábeis (Diário e Razão), nem as Folhas de Pagamento de empregados e contribuintes individuais. A Lei, que é taxativa, não permite mera liberalidade de não aplicar a pena para os casos dos autos, sendo, portanto, devida a aplicação da multa pelo descobrimento da obrigação acessória, constituindo infração ao disposto no § 2º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c/c os art. 232 e 233 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. DA SOLIDARIEDADE ATRIBUÍDA A solidariedade fiscal se deu em razão de que os sócios teriam agido de maneira contrária à legislação, não informando o endereço correto da empresa, bem como por registrar informações equivocadas em GFIP, conforme o relatório fiscal (fl. 408) assim transcrito: Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13896.001256/201029 Acórdão n.º 2301005.349 S2C3T1 Fl. 216 5 Nesse sentido, os recorrentes alegam as informações foram todas prestadas em GFIP, mesmo que de forma equivocada, mas que esse ato não configura a sonegação capaz de mantêlos como solidários do credito fiscal. Quanto à questão de não ter sido informado ao fisco o endereço correto, alegam que a pessoa que recebeu o fisco quando da diligência realizada nas dependências da empresa não teria poderes para responder por ela. Apesar dos fatores citados no relatório fiscal não impedirem a fiscalização de lançar o crédito fiscal, tornando elas apenas possivelmente dificultosas, entendo que são reais motivos para manter não só a multa qualificada como também a solidariedade em questão, uma vez que precede de exigências legais apresentar os dados, documentos e informações correntes e necessárias para análise e apuração da constituição do crédito, quando da ocorrência do fato gerador. Conclusão Nessas circunstâncias, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17546.001025/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/05/2003
EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em seu art. 66, cabem embargos inominados quando o Acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos para correção, mediante a prolação de um novo acórdão, naquilo que for necessário para sanar o vício apontado.
EMBARGOS INOMINADOS. PROVIMENTO.
Havendo incorreção no período de competência da autuação citado pelo relator, deve ser sanada o equívoco para incluir o período correto.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2301-005.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos sem efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301- 004.065, de 16/07/2014, fazer constar que os períodos de apuração objeto do lançamento da multa em questão são os de 01/2000 a 05/2003.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada em substituição ao conlheiro Antonio Sávio Nastureles), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/05/2003 EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em seu art. 66, cabem embargos inominados quando o Acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos para correção, mediante a prolação de um novo acórdão, naquilo que for necessário para sanar o vício apontado. EMBARGOS INOMINADOS. PROVIMENTO. Havendo incorreção no período de competência da autuação citado pelo relator, deve ser sanada o equívoco para incluir o período correto. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos sem efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301- 004.065, de 16/07/2014, fazer constar que os períodos de apuração objeto do lançamento da multa em questão são os de 01/2000 a 05/2003. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada em substituição ao conlheiro Antonio Sávio Nastureles), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
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CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em seu art. 66, cabem embargos inominados quando o Acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos para correção, mediante a prolação de um novo acórdão, naquilo que for necessário para sanar o vício apontado. EMBARGOS INOMINADOS. PROVIMENTO. Havendo incorreção no período de competência da autuação citado pelo relator, deve ser sanada o equívoco para incluir o período correto. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos sem efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301 004.065, de 16/07/2014, fazer constar que os períodos de apuração objeto do lançamento da multa em questão são os de 01/2000 a 05/2003. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 10 25 /2 00 7- 41 Fl. 725DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada em substituição ao conlheiro Antonio Sávio Nastureles), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles. Relatório Tratase de embargos inominados opostos pelo Presidente da 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 2ª Seção Do CARF, contra Acórdão de Recurso Voluntário de n.º 2301004.065, de 16 de julho de 2014, pelo colegiado da 2ª Turma, da 4ª Câmara, da 2ª Seção de julgamento, que deu parcial provimento ao recurso, contendo a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/05/2003 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Tratandose de descumprimento de dever instrumental incide do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores correspondia a uma multa de 100% do valor relativo à contribuição não declarada, dependendo do número de segurados, e apresentar GFIP com erro de preenchimento com dados não relacionados a fatos geradores sujeitava à penalidade do artigo 92 da Lei 8.212/91, conforme §§ 5º e 6º do artigo 32 da Lei 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos. ALÍQUOTAS DO RAT. SUMULA 351 DO STJ. PARECER PGFN/CRJ/Nº2120 /2011. A alíquota do RAT, de acordo com a jurisprudência do STJ, acolhida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, deve ser calculada por estabelecimento identificado por CNPJ. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a Fl. 726DF CARF MF Processo nº 17546.001025/200741 Acórdão n.º 2301005.632 S2C3T1 Fl. 1.116 3 multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte". Após a oposição de embargos de declaração pela DRF, o Presidente desta Turma recebeu não conheceu do recurso,mas embargou de ofiício, de maneira inomiada para requerer a análise do seguinte comando: "(...) 2. De acordo com o voto do Relator, observamos no demonstrativo anexo ao presente Auto de Infração (fls. 408/410), que o período apurado está compreendido entre janeiro de 2000 a maio de 2003, verificandose a decadência para o período de janeiro de 2000 a novembro de 2000. 3. Ressaltamos ainda, que nos termos da fundamentação, foi verificada a incidência da retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5172/66,“... devendo [de acordo com o voto do relator] a multa lançada na competência 12/2003 ser calculada nos termos do artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.” 4. Contudo, inexiste tal competência no período apurado no presente Auto, o que gerou dúvidas quanto à correta interpretação do voto do relator. Entretanto, o período citado não foi objeto de autuação no presente processo. É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator Os embargos inominados guardam as formalidades necessárias para seu recebimento. Portanto, passo a analisálos. O artigo 66 do Regimento Interno deste Conselho (RICARF Portaria mf nº 343, de 09 de junho de 2015), assim dispõe: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Os embargos de inominados se prestam para sanar vícios materiais encontrados no processo, podendo resultar em raras vezes em efeitos infringentes. Fl. 727DF CARF MF 4 Nesse sentido, os embargos servem exatamente para trazer compreensão e clarificação pelo órgão julgador ao resultado final do julgamento proferido, privilegiando inclusive ao princípio do devido processo legal, entregando às partes e interessados de forma clara e precisa a o entendimento do colegiado julgador. Nesse sentido, existe inexatidão material e contradição no período deferido quanto à multa mais benéfica, onde o relator incluiu competência inexistente, uma vez que em seu voto proporcionou a retroação para o período de 12/2003, quando na verdade a autuação compreendia as competências de 01/01/2000 a 31/05/2003, e omissão de matéria quanto à multa a ser aplicada no presente auto de infração. Assim, o referido vício deve ser sanado. Assim, devem ser acatados os embargos, nos limites de seu recebimento, tendo nesse caso efeitos de aclaramento ao disposto do que já foi decidido. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por Conhecer e dar Provimento aos embargos inominados, sem efeitos infringentes, para sanar o equívoco material do período em que acolheu a decadência, para compreender que a competência alcançada no período de apuração foi de 01.2000 a 05.2003, nos termos do Acórdão de n.º 2301004.065, de 16 de julho de 2014. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 728DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000585/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.709
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que seja comprovada a existência de pagamentos de contribuição previdenciária devidas pelos segurados, nos períodos de apuração de 12/1999 a 11/2001.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Wesley Rocha, João Maurício Vital e Reginaldo Paixão Emos.
RELATÓRIO
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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E DISTRIBUIÇÃO LTDA Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que seja comprovada a existência de pagamentos de contribuição previdenciária devidas pelos segurados, nos períodos de apuração de 12/1999 a 11/2001. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Wesley Rocha, João Maurício Vital e Reginaldo Paixão Emos. RELATÓRIO Tratase de embargos de declaração opostos tempestivamente pela Fazenda Nacional, contra Acórdão de Recurso Voluntário n.º 2301004.172, em 08 de outubro de 2014, proferido pelo colegiado da 1ª Turma da 3ª Câmara, da 2ª Seção, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, tendo a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/2005 NULIDADE RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 58 5/ 20 08 -5 1 Fl. 1926DF CARF MF Processo nº 19515.000585/200851 Resolução nº 2301000.709 S2C3T1 Fl. 2.443 2 AUTUAÇÃO Não há que se falar em nulidade quando o Auto de Infração cumpre os requisitos exigidos pela legislação de regência DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. PRÊMIOS CARTÃO DE PREMIAÇÃO Havendo a ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias decorrente dos pagamentos efetuados mediante cartão de premiação, procedente o lançamento exigindo as contribuições previdenciárias. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática". No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação. A Fazenda Nacional opõe embargos de declaração apontando vício no acórdão proferido, uma vez que ao declarar a decadência no presente caso, a decisão teria sido omissa, conforme despacho de admissibilidade: (a) a existência de omissão, pois a Turma a quo, não se manifestou sobre o discriminativo de fls. 09/11 que indica que nas competências 12/2000 a 11/2001 não houve recolhimento parcial de nenhuma rubrica; (b) o acórdão embargado não se manifestou sobre o fato de que o contribuinte sequer reconhece os fatos geradores, logo em relação aos mesmos, não haveria de antecipar qualquer tipo de pagamento". É o breve relatório1. 1 Impugnção fls. 732 e ss. Decisão da DRJ: fls. 1042 e ss. Recurso Voluntário: fls. 1.080 e ss. Fl. 1927DF CARF MF Processo nº 19515.000585/200851 Resolução nº 2301000.709 S2C3T1 Fl. 2.444 3 VOTO Conselheiro Wesley Rocha Relator Os embargos apresentados são tempestivos. Assim, ficando restrito às matérias conhecidas na decisão de recebimento dos embargos opostos pela Fazenda Nacional, passo a analisálos. Os artigos 64 e 65, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF Portaria mf nº 343, de 09 de junho de 2015). assim dispõe: "Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração; Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto 53 sobre o qual deveria pronunciar se a turma". Os embargos de declaração se prestam para sanar contradição, omissão ou obscuridade, e não possui efeitos modificativos da decisão recorrida, salvo casos específicos que pode resultar em efeitos infringentes do julgamento. Esse instrumento, por vezes pode ser considerado sensível em sua análise, uma vez que excepcionalmente pode contribuir com a modificação de interpretação ou resultado anteriormente esposado. Nesse sentido, o referido instrumento serve exatamente para trazer compreensão e clarificação pelo órgão julgador ao resultado final do julgamento proferido, privilegiando inclusive ao princípio do devido processo legal, entregando às partes e interessados de forma clara e precisa a o entendimento do colegiado julgador. Segundo a Fazenda, o acórdão teria sido omisso ao declarar período de decadência que não teria havido recolhimento, pois a Turma não se manifestou sobre o discriminativo de fls. 09/11 que indica que nas competências 12/2000 a 11/2001 não houve recolhimento parcial de nenhuma rubrica. Somando a isso, alega que a recorrente não teria nem reconhecido os fatos geradores, o que teria pressuposto o não recolhimento do tributo. A fim de abordar a questão com claridade, analisase o que o colegiado decidiu, transcrito no dispositivo: "Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator. (...)". Para atrair a regra do art. 150, § 4 do CTN basta que o recolhimento seja parcial. Sobre isso o voto do relator discorreu bem sobre as normas e conceitos e dispositivos aplicados ao caso, do qual entendo ser desnecessário reproduzilos aqui. Contudo, não foi localizado no presente processo os comprovantes dos pagamentos realizados, referente ao período questionado pela embargante. Fl. 1928DF CARF MF Processo nº 19515.000585/200851 Resolução nº 2301000.709 S2C3T1 Fl. 2.445 4 Assim, com o intuito de obter a verdade material, princípio percorrido em processo administrativo fiscal, deve ser o julgamento convertido em diligência para que sejam realizadas as devidas comprovações, referente ao período questionado, ainda que sejam parciais, relativo às contribuições dos segurados. Conclusão Nessas circunstâncias, voto por converter o julgamento em diligência, determinando que a empresa junte ao feito os pagamentos, relativos aos períodos questionados, sobre a verba de segurados. Após, seja a Unidade Preparadora intimada para manifestação. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 1929DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14485.001903/2007-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/05/2000
NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALORES DEVIDOS.
Deve ser mantida a cobrança do débito fiscal dos valores que o contribuinte não obrou comprovar. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida exigência fiscal.
CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Deve ser indeferido o pedido de conversão do julgamento em diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Numero da decisão: 2301-005.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: negar a proposta de conversão do julgamento em diligência; vencidos os conselheiros Wesley Rocha (relator), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato. Dando continuidade ao julgamento, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer da alegação de prescrição e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator; vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Juliana Marteli Fais Feriato, que reconheciam a existência de prescrição. Manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto. Designado para fazer o voto vencedor o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
(assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Wesley Rocha, e Reginaldo Paixão Emos.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALORES DEVIDOS. Deve ser mantida a cobrança do débito fiscal dos valores que o contribuinte não obrou comprovar. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida exigência fiscal. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de conversão do julgamento em diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: negar a proposta de conversão do julgamento em diligência; vencidos os conselheiros Wesley Rocha (relator), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato. Dando continuidade ao julgamento, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer da alegação de prescrição e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator; vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Juliana Marteli Fais Feriato, que reconheciam a existência de prescrição. Manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto. Designado para fazer o voto vencedor o conselheiro Antônio Sávio Nastureles. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 19 03 /2 00 7- 00 Fl. 928DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator (assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Wesley Rocha, e Reginaldo Paixão Emos. Relatório O crédito fiscal constituise em razão da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, de nº N F L D 35.418.6523, lavrado em 22/11/2001 em face de AIR LIQUIDE BRASIL LTDA, em virtude do não recolhimento de contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social, referentes à parte descontada dos segurados empregados, de acordo com o Relatório Fiscal que integra a NFLD. O processo foi baixado em diligência mais de uma vez. Nesse sentido, adoto o relatório e voto do relator que me antecedeu, para esclarecimento dos fatos: “Tratase de pedido de uniformização de jurisprudência efetuada pelo Serviço da Receita Previdenciária da Gerência Executiva do INSS São Paulo SulSP,com base no art. 63 da Portaria MPS nº 88/2004. Antes da efetiva análise da procedência do pedido, entendo necessário fazer uma breve síntese do histórico do referido processo. (...) 1. Conforme narrado no relatório fiscal a empresa foi fiscalizada “em decorrência de solicitação da Delegacia de Prevenção e Repressão a Crimes Previdenciários –Inquérito Policial n.º 141522/2000 – DELEPREV/SR/DPF/SP, solicitado através do Ofício n.º 25.173/2000DELEPREV/ SR/DPF/SP.” (fl. 18) 2. Por esse motivo, o fisco procedeu ao lançamento de crédito previdenciário contra a recorrente, referentes à parte da empresa, para o financiamento dos riscos em razão do grau de incidência laborativa decorrentes de riscos ambientais do trabalho, destinadas a Terceiros (SESC, SENAC, Salário Educação, INCRA E SEBRAE). 3. Porém, alega o contribuinte que “efetuou os pagamentos que lhe cabiam regularmente uma vez que as autenticações mecânicas contidas nas respectivas guias de recolhimento foram perpetradas inegavelmente pela Caixa Econômica Federal – CEF e é contra ela que o INSS tem se insurgir.” (fl. 261) Fl. 929DF CARF MF Processo nº 14485.001903/200700 Acórdão n.º 2301005.529 S2C3T1 Fl. 929 3 4. E tal alegação restou demonstrada pelos documentos juntados às fls. 87/201: cópias das GPS (Guias da Previdência Social), autenticadas pela CEF, referentes ao período de apuração; cheques dados em pagamento; e extratos de movimentação de conta da empresa, evidenciando a compensação dos referidos cheques. 5. Importante ressaltar que, segundo o Ofício da Caixa OFGISES/SP643/2001, juntado à fl. 296, em resposta ao INSS, nas GPS da empresa efetivamente recolhidas na CEF constam o abono do caixa executivo que efetuou a autenticação. 6. Em sua primeira decisão, a 4ª CaJ – Quarta Câmara de Julgamento, determinou que o processo permanecesse sobrestado até que a autoridade policial concluísse oinquérito. E no Despacho n.º 93/2005, a 4ª CaJ baixou os autos em diligência para que fosse informado o resultado da ação penal promovida pela Delegacia de Representação a Crimes Previdenciários DELEPREV. 7. Ao responder à solicitação, a DELEPREV informou que o “IPL 141522/2000, processo n.º 2000.61.81.0080371, da 2ª Vara Criminal de São Paulo/P, foi remetido à Justiça Federal com pedido de baixa em 22/01/2003 e não retornou a este Departamento de Polícia Federal.” (fl. 416) 8. Ocorre que, ao proferir sua decisão, o Juízo Federal proferiu o seguinte entendimento: “... conforme se depreende do documento de fls. 708 a empresa Air Liquide Brasil Ltda. efetuou o recolhimento integral das mencionadas contribuições previdenciárias. Assim, remetamse os autos à Justiça Comum Especial, a qual declino da competência. Dêse baixa na Distribuição.” (fl. 418). 9. Dessa forma, podese dizer que o processo não terminou, apenas foi remetido à Justiça Comum Especial, posto que a Justiça Federal declinou de competência, conforme decisão de 13.08.2004. 10. Por esse motivo, considerando o acima exposto e a necessidade de se comprovar plenamente a ausência de participação do contribuinte em eventual fraude, tenho que o presente julgamento deve ser convertido em diligência, a fim de que o Fisco junte ao processo as seguintes informações: a) o resultado final ou parcial da ação penal promovida, inclusive com cópia de todo o processo em trâmite na Justiça Comum Estadual, conforme relatando no documento de fl. 418"; Nas fls. 609/615 do eprocesso a autoridade fiscal proferiu despacho, contendo informações relevantes ao desfecho da demanda. Nas fls. 622/644 a recorrente apresentou cópia da decisão judicial, que teria julgado improcedente a ação penal contra os réus indicados, pessoas ocupantes de cargos da CEF. Fl. 930DF CARF MF 4 Nas fls. 646 e seguintes do eprocesso, a recorrente apresenta manifestação aduzindo que foi vítima de fraude, como anteriormente vem alegando, e juntou uma série de documentos, que no seu entender excluíram a sua responsabilidade sobre os fatos, juntando cópias dos cheques destinados aos recolhimento das contribuições sociais, e destaque de compensações que efetivamente foram pagas, mas que por um ato ilícito cometido por funcionários da CEF não teriam sido compensadas, tendo adulterações nos cheques emitidos. Juntou ainda auditoria interna da CEF, levantando informações importantes ao presente caso. Nas fls. 899 e seguintes do eprocesso, a reconte apresentou pedidos de conexão, com o processo 14485.001904/200746, NFLD 35.418.6515, referente a cota patronal e de terceiros, devidos pela empresa no mesmo período do presente processo, por haver correlação dos lançamentos dos fatos autuados. Por fim, cabe mencionar que a recorrente em seu recurso (fls. 402 e seguintes do eprocesso), alega que foi foi vítima de manobra criminosa com o intuito de desviar os pagamentos que, regularmente, encaminhava à CEF, relativamente à suas obrigações previdenciárias, juntado documentos como a inicial da ação penal em desfavor de agentes da CEF. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário apresentado está revestido do requisito formal de tempestividade e a matéria de competência dessa Turma. Portanto, dele o conheço. Assim, sem preliminares a analisar, decido sobre o recurso interposto. DO PEDIDO DE CONEXÃO Pede a recorrente, que seja feita a conexão dos processos, uma vez que o processo do processo n°. 14485.001904/200746, poderia trazer conflito de decisões. O referido processo teria os mesmos argumentos que a presente demanda, e que também teria lançamento em razão dos mesmos fatos ocorridos nesse feito. Entretanto, entendo não ser necessário, uma vez que o que for decidido aqui pode fazer cosia julgada material positiva, e não negativa, no sentido de que em eventual decisão favorável no presente julgamento pode favorecer no processo que se pretende a conexão. DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Pelo conjunto probatório, entendo que faltam elementos necessários para o desfecho e compreensão mais detalhada da demanda, a exemplo do resultado da auditoria feita pela CEF, onde consta apenas conclusões imprecisas sobre o evento fraudulento. Em situação complexa como a dos autos, em que a prova que possa ser produzida deve estar ao alcance do contribuinte, há de se considerar que o julgador pode requerer a análise de provas que entender necessária, dentro dos limites que lhe é permitido. Nesse sentido, verificase a contribuinte não teve acesso integral ao resultado da apuração dos fatos pela acusada Caixa. Em especial do que consta dos documentos de efls. 819 e seguintes, Fl. 931DF CARF MF Processo nº 14485.001903/200700 Acórdão n.º 2301005.529 S2C3T1 Fl. 930 5 as quais remetem a fatos inclusivos do que teria ocorrido, bem como ao que tudo indica, falta informações conclusivas para ter certeza de que foi de fato um erro no procedimento ou a tentativa de lesar o fisco partiu do contribuinte. Tanto questionável e duvidosa é a situação que, em processo criminal não foi imputada responsabilidade à recorrente, mas também não provado irregularidade perante os procedimentos realizados pelos servidores da CEF. Resultado: estamos diante de um fato que precisa ser melhor esclarecido, e no meu entender, o resultado da auditoria ou as informações prestadas pela CEF poderia ajudar a resolver a questão dos autos, levantada pela recorrente. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, intimando a Caixa Econômica Federal para que junte ao processo cópia integral da auditoria feita, referente ao presente caso. Em caso de restar vencido. Passo a proferir o voto de mérito. MÉRITO DA DEMANDA FISCAL DA DESFECHO DA AÇÃO CRIMINAL E DO TRIBUTO DEVIDO Na ação criminal não foi constata a participação dos agentes da caixa econômica federal, e menciona que eventual lesão de não recolhimento deveria ser ajuizada pela recorrente contra a caixa, que suportaria eventuais danos causados, se assim fosse constata. No presente caso, verifico que não há nenhuma informação de ajuizamento de ação cível para buscar o ressarcimento dos valores referentes ás contribuições previdenciárias, e que supostamente teria lesado. Nesse sentido, entendo que não há como afastar a responsabilidade pelas contribuições exigidas. Isso porque elas de fato não foram recolhidas, e eventuais erros no procedimento de pagamento entre recorrente, terceirizada e CEF deve ser resolvido na seara cível, entre as partes envolvidas, diferente do que ocorre no processo . Vejase que a recorrente sequer chamou a CEF ou a empresa terceirizada responsável por chancelar os pagamentos junto à instituição financeira para o pólo passivo da ação executiva fiscal. Fato esse que ensejaria no âmbito fiscal a análise e amplo debate para perquirir o verdadeiro responsável tributário do tributo devido. Numa eventual execução fiscal judicial esse procedimento certamente será realizado pela interessada. Nesse sentido, em processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que se alega é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Encontrase sedimentada a jurisprudência deste Conselho neste sentido, consoante se verifica pelo aresto abaixo: Fl. 932DF CARF MF 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (...) (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013). Grifouse. Assim, não obrou a recorrente afastar sua responsabilidade, e, tampouco, provou por meio de documentos idôneos que não deveria ser imputada a tributação para a contribuinte, responsável tributária na relação jurídica com o fisco. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por Conhecer e NEGAR PROVIMENTO ao recurso interposto, para manter a exigência fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Voto Vencedor Conselheiro Antonio Sávio Nastureles Redator designado1. 1. Esclareçase de início, que o teor do presente voto vencedor está circunscrito à decisão a que chegou o Colegiado, por voto de qualidade, na sessão de julgamento realizada em 08/08/2018, no que respeita à rejeição da proposta de conversão do julgamento em diligência formulada no voto do Ilustre Relator, que tinha por desiderato obter e instruir os autos com informações conclusivas sobre auditoria interna empreendida pela Caixa Econômica Federal para apurar eventuais irregularidades na função de agente arrecadador de tributos. 2. Conforme relatado, o lançamento foi derivado da instauração do Inquérito Policial IPL Nº 141522/200, conduzido pela Deleprev/SR/DPF/SP. Seguindo o curso, no campo processual penal, após o trânsito pela Justiça Federal, foi feita a autuação do processo judicial nº 2000.61.81.0080371 perante a 2ª Vara Criminal de São Paulo SP. 3. Detendose nas peças anexadas ao processo administrativo fiscal, e conforme já acentuado no Relatório da presente decisão, verificase terem sido exaradas duas Resoluções anteriores (Resolução nº 2301000.097 e Resolução nº 2301000.401), ao proporem a conversão dos julgamentos em diligência, para se obter informações conclusivas de processos judiciais em matéria penal conexos ao processo fiscal. 1 Durante a sessão realizada em dois de outubro de dois mil e dezoito, às oito horas e trinta minutos, o Colegiado votou, por unanimidade de votos, para retificar a ata de oito de agosto do ano de dois mil e dezoito, às oito horas e trinta minutos, em relação ao Processo 14485.001903/200700. Dentre as deliberações, consta a designação do conselheiro Antonio Sávio Nastureles para redigir o voto vencedor. Fl. 933DF CARF MF Processo nº 14485.001903/200700 Acórdão n.º 2301005.529 S2C3T1 Fl. 931 7 4. Podese divisar também a produção de duas informações fiscais pela Equipe de Orientação da Recuperação de Crédito EqRec, vinculada à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (Derat): a primeira, datada de 25/05/2012 (e fls 545/552); a segunda, de 06/02/2014 (efls 609/615). 5. Sob a perspectiva da exigência fiscal, o Colegiado se depara com a relevante questão de estabelecer se o conjunto probatório presente nos autos, se mostra suficiente para dirimir a controvérsia instaurada sobre a caracterização do alegado pagamento. 6. E, no curso dos debates, não obstante a intrincada controvérsia instaurada no campo do processo penal, parte dos membros do Colegiado entendeu que os autos estão instruídos com informações suficientes e seguras para formar a convicção sobre o deslinde da controvérsia, sob o ângulo do processo administrativo fiscal. 7. Tal convicção encontra alicerce nas informações produzidas no Despacho (efls 609/615) exarado pela Derat/EqRec, e destacadamente pelas razões expostas no item 6 do citado despacho, que ora se transcreve: ficou claro e evidente de que a empresa não podia garantir que seus cheques de fato chegavam na agência determinada da Caixa Econômica Federal conforme defendeu na impugnação e no recurso, de acordo com o depoimento do Sr. Carlos Emílio de Miranda o próprio gerente financeiro da empresa, fls. 297 e 298 nos autos; evidente que se a empresa se utilizava do serviço de malote era porque muitos documentos e muitos cheques seguiam para a agência da Caixa Econômica Federal determinada, pois não haveria encaminhamento do malote com apenas um cheque e uma guia da Previdência Social; não existem os elementos, portanto, para se cogitar de que eventual prova de que o malote teria sido recebido na agência da Caixa Econômica Federal pudesse isentar a empresa de sua obrigação não cumprida, ou de que houvesse algum ilícito perpetrado entre agências desta instituição, uma vez que ficou comprovado pelas palavras de seu próprio gerente financeiro (da empresa) que a empresa usava serviços de terceiros sem os devidos cuidados, haja vista: "... QUE os cheques são (eram) entregues para o representante da empresa Rápido Skiva LtdaME, o qual fica (ficava) em uma sala junto à tesouraria; QUE sempre no dia seguinte recebia de volta as guias devidamente autenticadas, .. " o procurador da empresa na impugnação e no recurso, obviamente ocultando a forma negligente da empresa de encarregar "o representante da empresa Rápido Skiva LtdaME", que "ficava em uma sala junto à tesouraria" de preparar e encaminhar o malote para os pagamentos feitos na agência da Caixa Econômica Federal, defende indevidamente que a decisão do processo administrativo deve ocorrer após a decisão judicial, e agora a decisão judicial veio confirmar que este processo judicial não poderia trazer nenhum subsídio validamente aplicável no julgamento do presente processo administrativo fiscal. O próprio Ministério Público Federal no despacho da conclusão equivocada, fl. 718 do processo judicial e fl. 534 do presente processo, de que "Apurouse que a empresa AIR LIQUIDE LTDA efetuou o recolhimento (fls. 708) das contribuições previdenciárias mencionadas, assim que apurados os valores pela autarquia previdenciária", na verdade aplicou o raciocínio lógico de que não seria razoável que pudesse haver um desfecho diferente para a questão que não seja a Fl. 934DF CARF MF 8 obrigação da empresa de assumir a responsabilidade pelo recolhimento, a qual posteriormente deveria buscar o seu direto ao ressarcimento junto aos seus prestadores de serviços. 8. Evidenciase, portanto, que os autos do processo administrativo fiscal estão instruídos com elementos de provas suficientes para dar prosseguimento ao julgamento da controvérsia devolvida ao Colegiado, dentre as quais se destaca a minuciosa exposição contida no despacho produzido pela Derat/EqRec (efls. 609/615). 9. Assim, voto por rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Redator designado. Declaração de Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O presente processo traz uma situação extremamente complexa, na qual são exigidos tributos (acrescidos de multa e juros) que já foram pagos pela Recorrente. Conforme pode ser observado nos documentos trazidos ao longo do processo, o não recolhimento das contribuições previdenciárias se deu em razão de fraude praticada no âmbito interno do agente financeiro arrecadador, agente este que foi autorizado pela Fazenda Nacional. Tal fraude resta comprovada em ação pena transitada em julgado, de modo que a Caixa Econômica Federal, enquanto agente arrecadador, deveria ser responsabilizada pelo crédito tributário aqui lançado, em situação na qual membros do agente arrecadador autenticavam “fraudulentamente” as guias de arrecadação e devolviam tais guias autenticadas para a Recorrente. Vale destacar que a Recorrente agiu de boafé, na medida em que cumpriu com todas as obrigações acessórias relativas aos tributos aqui lançados, bem como efetuou o pagamento, tendo um decréscimo em seu fluxo de caixa (fluxo financeiro), ainda que o agente arrecadador não tenha devidamente cumprido com a sua obrigação e repassado o tributo recolhido aos cofres públicos. A própria entrega da obrigação acessória relativa às contribuições previdenciárias, no caso a GFIP, também configura um lançamento tributário, para ser mais preciso o lançamento por homologação, ainda que não houvesse disposição expressa em tal sentido na época dos fatos geradores. Diante do exposto, entendo que o lançamento tributário efetuado de ofício pela Fazenda Nacional deve ser declarado nulo. Ainda que não seja declarado nulo, entendo que a Caixa Econômica Federal deverá ser responsável tributária pelo recolhimento, destacandose que o artigo 46 da Portaria Fl. 935DF CARF MF Processo nº 14485.001903/200700 Acórdão n.º 2301005.529 S2C3T1 Fl. 932 9 SRF n. 2.609/01, que regula a rede arrecadadora de receitas federais, dispõe que “o agente arrecadador é responsável pelas ações e omissões de seus funcionários ou prepostos”. Por fim, ainda que seja entendido que a Caixa Econômica Federal não deve ser considerada responsável tributária pelos tributos lançados no presente processo administrativo, fica claro que a Caixa Econômica Federal deve ser responsabilizada civilmente pelos danos causados à Recorrente, (i) ressarcindoa pelo crédito tributário aqui lançado, (ii) ressarcindoa pelos demais custos decorrentes de todos os processos administrativos e judiciais relacionados com o crime praticado no seio da Caixa Econômica Federal; e (iii) outros danos causados à Recorrente (ex.: danos morais, lucros cessantes). Ante o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 936DF CARF MF
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Numero do processo: 11030.721778/2011-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO.
A situação "processada" não significa que o resultado apurado na declaração de rendimentos tenha sido homologado, podendo ser revisto de ofício pela Administração Tributária. Também, o depósito da quantia postulada a título de restituição pelo contribuinte em sua conta bancária também não caracteriza a homologação expressa do lançamento.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS OMITIDOS. VALOR RECEBIDO ESTAVA COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DECAÍDA A SUSPENSÃO, NECESSIDADE DO RECOLHIMENTO IR. OMISSÃO CONSTATADA.
Quando do trânsito em julgado da medida judicial desfavorável ao Contribuinte que antes concedia a suspensão da exigibilidade do recolhimento do tributo, necessária a retificação e o pagamento do mesmo. Omissão Constatada.
VALOR INCONTROVERSO PELO CONTRIBUINTE. INDEFERIMENTO DO PEDIDO.
Os rendimentos tributáveis comprovadamente omitidos na declaração de ajuste, detectados em procedimentos de oficio, serão adicionados à base de cálculo declarada para efeito de apuração do imposto devido.
DECLARAÇÃO ANUAL DE AJUSTES. RESPONSABILIDADE PELO PREENCHIMENTO DO CONTRIBUINTE.
Independente do fato de o Contribuinte ter utilizado documento errôneo fornecido pela Fonte Pagadora, é incumbência do Contribuinte o correto preenchimento da Declaração Anual de Ajustes.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO
Constatada a omissão, devido o lançamento da multa de ofício. Não constatado no presente caso a aplicação do Art. 63 da Lei 9430/96.
Numero da decisão: 2301-005.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Joao Bellini Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Antônio Sávio Nastureles e Marcelo Freitas de Souza.
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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HOMOLOGAÇÃO. A situação "processada" não significa que o resultado apurado na declaração de rendimentos tenha sido homologado, podendo ser revisto de ofício pela Administração Tributária. Também, o depósito da quantia postulada a título de restituição pelo contribuinte em sua conta bancária também não caracteriza a homologação expressa do lançamento. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS OMITIDOS. VALOR RECEBIDO ESTAVA COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DECAÍDA A SUSPENSÃO, NECESSIDADE DO RECOLHIMENTO IR. OMISSÃO CONSTATADA. Quando do trânsito em julgado da medida judicial desfavorável ao Contribuinte que antes concedia a suspensão da exigibilidade do recolhimento do tributo, necessária a retificação e o pagamento do mesmo. Omissão Constatada. VALOR INCONTROVERSO PELO CONTRIBUINTE. INDEFERIMENTO DO PEDIDO. Os rendimentos tributáveis comprovadamente omitidos na declaração de ajuste, detectados em procedimentos de oficio, serão adicionados à base de cálculo declarada para efeito de apuração do imposto devido. DECLARAÇÃO ANUAL DE AJUSTES. RESPONSABILIDADE PELO PREENCHIMENTO DO CONTRIBUINTE. Independente do fato de o Contribuinte ter utilizado documento errôneo fornecido pela Fonte Pagadora, é incumbência do Contribuinte o correto preenchimento da Declaração Anual de Ajustes. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 17 78 /2 01 1- 86 Fl. 326DF CARF MF 2 Constatada a omissão, devido o lançamento da multa de ofício. Não constatado no presente caso a aplicação do Art. 63 da Lei 9430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Joao Bellini Junior Presidente. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Antônio Sávio Nastureles e Marcelo Freitas de Souza. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 310 e ss.) interposto em face da decisão da DRJ proferida pela 4ª Turma da DRJ/POA, Acórdão 1054.649 de 16/04/2015 (fls. 299 e ss), que indeferiu a Impugnação e determinou a procedência do lançamento, cuja Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 INCONSTITUCIONALIDADE. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO. A situação "processada" não significa que o resultado apurado na declaração de rendimentos tenha sido homologado, podendo ser revisto de ofício pela Administração Tributária. Também, o depósito da Fl. 327DF CARF MF Processo nº 11030.721778/201186 Acórdão n.º 2301005.649 S2C3T1 Fl. 327 3 quantia postulada a título de restituição pelo contribuinte em sua conta bancária também não caracteriza a homologação expressa do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Conforme consta do Auto de Infração de fls. 2/16 e ss., o Contribuinte foi condenado ao pagamento de crédito tributário na importância correspondente a R$ 112.955,78, sendo R$56.955,04 de imposto suplementar a pagar, R$13.214,45 de juros e R$42.746,29 de multa, diante da Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo Empregatício recebidos de Pessoa Jurídica, no Ano Calendário de 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010. A omissão na Declaração se deu diante do fato de o Contribuinte ser beneficiário do programa de Complementação Temporária de Proventos – CTP – Benefício Saldado, da aposentadoria paga pela Fonte Pagadora Fundação CEEE de Seguridade Social (ELETROCEEE), cuja exigibilidade do pagamento do Imposto de Renda estava suspensa diante dos efeitos da antecipação de tutela proveniente da demanda interposta pelo próprio Contribuinte em face da Fazenda Federal (autos 2003.71.00.0693084/RS). Diante da suspensão da exigibilidade, a Fonte Pagadora efetuou os pagamentos mensais do programa supracitado ao Contribuinte, que teve acréscimo à sua renda, sem reter o imposto de renda na fonte. Da mesma forma, o Contribuinte, ao apresentar suas DAA do período analisado (fls. 21/48), declarou o valor recebido como rendimentos isentos e não tributáveis “outros: Proc. Lim. Isenc. IRPF 2003.71.00.0693084 – 5ª Vara Federal”. Ocorre que o processo, cuja liminar suspendia a exigibilidade do recolhimento de Imposto de Renda foi extraída, foi julgado desfavorável ao Contribuinte, com trânsito em julgado e, 01/03/2009 (vide informação da Auditora Fiscal na fl. 18), tornandose, portanto, exigível a cobrança. Apesar da negativa judicial, o Contribuinte não apresentou as Declarações retificadoras, para incluir os rendimentos recebidos que estavam com a exigibilidade suspensa, razão pela qual a Autoridade Fiscal efetuou o lançamento, conforme fundamentação do Termo de Verificação Fiscal de fls. 18 e ss., lançando o valor de R$56.995,04 de Imposto de Renda Suplementar; R$13.214,45 de Juros e R$42.746,29 de Multa. Na Impugnação juntada nas fls. 110/293, o Contribuinte requer a nulidade do auto de infração por força da extinção do crédito tributário com a homologação expressa da Declaração pela Fazenda Nacional, tendo em vista que com a restituição do Imposto de Renda nas declarações apresentadas, houve a homologação expressa pela autoridade fazendária dessas declarações, sendo indevido o lançamento do crédito tributário depois de homologada a Declaração. Nos termos da decisão da DRJ, fls. 299/304, a Autoridade Fiscal entendeu pela improcedência da impugnação, na seguinte razão: · Nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo artigo 25 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, compete às Delegacias de Julgamento tão somente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a Fl. 328DF CARF MF 4 adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, não podendo afastálos, sob pena de ultrapassar os limites legais; · Não se vislumbra no presente caso a nulidade do Auto de Infração alegada na Impugnação, visto que não ocorrem os pressupostos dos incisos I e II do Art. 59 do Decreto 70.235/1972; · Com relação à jurisprudência judicial, esclarecese que, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação, a eficácia dos acórdãos dos tribunais limitase especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a sentença, não aproveitando esses acórdãos em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da sentença, ainda que de idêntica natureza; · Com relação à alegação da homologação da declaração tendo a Autoridade Fiscal inclusive feito o pagamento das restituições, em que há a extinção do crédito tributário, a DRJ entendeu que processamento da declaração nada mais é do que o procedimento de ordenamento e classificação dos seus dados, o qual é efetuado sem nenhuma crítica quanto às informações nela prestadas pelo contribuinte, ou seja, situação "processada" não significa que o resultado apurado tenha sido homologado, assim como o depósito da quantia postulada a título de restituição pela contribuinte em sua conta bancária também não caracteriza a homologação expressa do lançamento, a qual somente se poderá considerar efetuada através da existência de ato administrativo praticado por escrito e por servidor público com competência para tanto; · Diante disso, no presente caso, não houve a homologação expressa alegada, portanto, devido o lançamento, pois constatada a omissão; · Nas fls. 310/323, o Contribuinte junta seu Recurso Voluntário alegando, novamente, a questão a nulidade do auto de infração por força da extinção do crédito tributário com a homologação expressa da Declaração pela Fazenda Nacional, tendo em vista que com a restituição do Imposto de Renda nas declarações apresentadas, ou seja, o pagamento ao Contribuinte das restituições, significa na a homologação expressa pela autoridade fazendária dessas declarações, sendo indevido o lançamento do crédito tributário depois de homologada a Declaração; por fim, requer o cancelamento da multa de ofício, nos termos do Art. 63, da Lei 9.430/96. Este é o relatório. Voto Fl. 329DF CARF MF Processo nº 11030.721778/201186 Acórdão n.º 2301005.649 S2C3T1 Fl. 328 5 Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Conforme consta das fls. 308, o Contribuinte tomou ciência da decisão em 30/04/2015, apresentando Recurso Voluntário em 28/05/2015, nos termos das fls. 310. Portanto, tempestivo o Recurso, conheço do mesmo, passando à análise de seu mérito. Mérito Tratase de Recurso Voluntário do indeferimento da impugnação apresentada pelo Contribuinte referente à revisão do Imposto de Renda do mesmo, durante o período apurado, diante da omissão de recebimento de rendimentos de pessoa jurídica com vínculo empregatício, que culminou no lançamento de crédito tributário correspondente a R$ 112.955,78, sendo R$56.955,04 de imposto suplementar a pagar, R$13.214,45 de juros e R$42.746,29 de multa. O lançamento do imposto suplementar teve origem à valores recebidos pelo Contribuinte, por sua Fonte Pagadora, à título de Complementação Temporária de Proventos – CTP – Benefício Saldado, durante o AnoCalendário de 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010. Com relação aos valores lançados, observase que tanto na Impugnação, quanto que também, no Recurso Voluntário, o Contribuinte NÃO NEGA que recebeu tais valores declarados pela Fonte Pagadora no período apurado. Portanto, incontroverso os valores lançados pela Autoridade Fiscal no Auto de Infração. Sua defesa consiste única e simplesmente na alegação de que, diante da ocorrência do pagamento, pela autoridade fiscal, da restituição do imposto de renda durante o período apurado significa na sua homologação expressa das declarações, ou seja, extinto o crédito tributário lançando, devendo o auto de infração ser declarado nulo. Portanto, a questão posta em análise no presente processo administrativo/tributário, diz respeito à análise de que o pagamento (compensação/restituição) do imposto de renda declarado significa na aceitação/homologação, pela Fazenda, das declarações apresentadas. Sobre este ponto, observase que o Imposto de Renda deve ser recolhido na Fonte e seu beneficiário deverá apresentar, anualmente, a Declaração de Ajuste Anual, cujo lançamento depende de homologação pela Autoridade Fiscal, nos termos do Art. 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Fl. 330DF CARF MF 6 § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A homologação é ato de reponsabilidade e competência única da Autoridade Fiscal que, neste tipo de tributo, é efetuado pelos auditores da Receita Federal que recebem e processam as declarações de imposto de renda, tendo o prazo de 05 anos para processálas. A homologação pode se dar da forma expressa ou tácita. A expressa depende da lavratura de termo no livro fiscal do sujeito passivo fiscalizado, ou seja, reconhecimento expresso pela Autoridade Fiscal de que a Declaração foi processada e aceita. Segundo o Contribuinte, essa declaração adveio com o fato de a Autoridade Fiscal ter processado as Declarações e ter feito o pagamento das compensações/restituições. Não existe na legislação atual qualquer determinação legal que indique que a compensações/restituições do saldo do imposto de renda, efetuado pela Fazenda Nacional, signifique na homologação expressa da DIRF. Conforme se observa no extrato do processamento das declarações analisadas, observase que todas constam como processadas, e em nenhuma há “homologada”. Declaração processada significa que ela foi recebida e o seu processamento, concluído. É importante que o contribuinte saiba que a situação "processada" não significa que o resultado apurado tenha sido homologado, podendo ser revisto de ofício pela Administração Tributária, dentro do prazo prescricional. Inclusive é isto que diz a única prova sustenta a alegação do Contribuinte – os extratos dos IRPF. Conforme se vislumbra no extrato do IRPF de 2008, nas fls. 170, do de 2009 nas fls. 208 e o de 2010 nas fls.248, no final do processamento há expressamente o indicativo de que: “a situação de declaração PROCESSADA não corresponde a homologação do lançamento, disposto no §4º do Art. 150, da Lei 5.172/1966 (CTN), podendo ser revista de ofício pela Administração Tributária”. Portanto, dentro do prazo prescricional, apesar de a Autoridade Tributária ter processada a Declaração, se não houve o ato da HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA, poderá, a mesma, ser revisada. E é isto que ocorreu no presente caso. Apesar de as Declarações terem sido processadas e efetuado o pagamento das restituições de imposto de renda, as mesmas foram revisadas quando da notícia de que a medida judicial que suspendia a exigibilidade do recolhimento do imposto havia decaído, sendo lançado, antes da ocorrência do lapso temporal da prescrição, o crédito tributário em análise. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 11030.721778/201186 Acórdão n.º 2301005.649 S2C3T1 Fl. 329 7 Ademais, com relação à Jurisprudência trazida pelo Contribuinte em suas razões recursais, essas decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, não constituem normas complementares do Direito Tributário, a menos que haja lei que atribua eficácia normativa a estas decisões. Portanto, não podem ser estendidas genericamente a outros casos. Somente aplicamse às questões e às partes envolvidas naqueles litígios, nos termos do inciso II do art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; Portanto, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação, a eficácia dos acórdãos dos tribunais limitase especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a sentença, não aproveitando esses acórdãos em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela do objeto da sentença, ainda que de idêntica natureza. Verificase que a extensão dos efeitos de decisões judiciais possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal e que tal decisão se refira especificamente à inconstitucionalidade da lei, do tratado ou do ato normativo federal que esteja em litígio. Não é o caso do Contribuinte. Os julgados trazidos dizem respeito apenas às partes do processo. Portanto, não havendo previsão legal para que este Conselho entenda que uma declaração “processada” signifique na sua homologação expressa quando há o pagamento da compensação/restituição de imposto ao Contribuinte e levandose em consideração a impossibilidade deste Conselho utilizar julgamentos Jurisprudenciais com efeitos inter partes, voto por negar provimento ao pedido, mantendose hígida a cobrança, visto que houve omissão do contribuinte em suas Declarações. Com relação à multa de ofício, o Contribuinte requer seu cancelamento, nos termos do art. 63 da Lei 9430/96, que assim determina: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição Fl. 332DF CARF MF 8 Indevida a colocação do Contribuinte. Isto, pois, quando da apuração da omissão no auto de infração e do lançamento do imposto suplementar, o Contribuinte já não era mais beneficiário da decisão judicial que suspendia a exigibilidade do tributo. Temse nas fls. 18 dos autos que a decisão desfavorável ao Contribuinte, ou seja, quando de fato decaiu a tutela antecipada que determinava a suspensão da exigibilidade, teve seu trânsito em julgado em 01/03/2009. Já o auto de infração e o lançamento do crédito ocorreu em 29/09/2011, ou seja, quando o Contribuinte já não possuía ao seu favor a decisão judicial que determinava a suspensão do crédito. Portanto, o presente Auto de Infração não foi lançado para prevenir a decadência, por haver medida judicial que suspende a exigibilidade. Desta forma, não se aplica o art. 63 no presente caso, mas sim, o art. 44: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Portanto, não havendo previsão legal para a retirada ou a redução da multa de ofício, sendo sua redução mera liberalidade do FISCO quando da sua cobrança, impossível de este Conselho rever, a multa lançada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao pedido. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO. É como voto. Juliana Marteli Fais Feriato – Relatora. (assinado digitalmente) Fl. 333DF CARF MF Processo nº 11030.721778/201186 Acórdão n.º 2301005.649 S2C3T1 Fl. 330 9 Fl. 334DF CARF MF
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