Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,275)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,621)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,034)
- Primeira Turma Ordinária (15,998)
- Primeira Turma Ordinária (15,960)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,348)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,399)
- Quarta Câmara (84,588)
- Terceira Câmara (66,999)
- Segunda Câmara (55,305)
- Primeira Câmara (19,845)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,258)
- 1ª SEÇÃO (6,816)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (123,995)
- Segunda Seção de Julgamen (114,032)
- Primeira Seção de Julgame (76,215)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,956)
- Câmara Superior de Recurs (37,845)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,019)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,619)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,373)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,717)
- HELCIO LAFETA REIS (3,595)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,216)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,468)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 13603.001622/2007-92
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. DISTRIBUIDORES E VAREJISTAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
A incidência monofásica é incompatível com o creditamento nas etapas desoneradas da contribuição, nas quais não há cumulatividade a ser evitada. A inclusão das receitas com a venda de óleo diesel e gasolina no regime não cumulativo não abarca os distribuidores e comerciantes varejistas dos produtos, que ficam impossibilitados de se creditar das despesas com frete e armazenagem vinculados à revenda de bens ou produtos.
EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Os encargos de depreciação devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal em função do prazo de vida útil do bem e somente pode haver a sua contabilização, no caso de benfeitorias em imóveis de terceiros, se a assunção do ônus com as obras se der em caráter definitivo.
Numero da decisão: 3803-005.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto a serem submetidas ao regime de tributação do PIS/Cofins não-cumulativo as operações de revenda de produtos tributados à alíquota zero e ao creditamento de PIS/Cofins sobre custos ou despesas de frete e armazenamento nas operações mencionadas; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o conselheiro Belchior Melo de Sousa. E por unanimidade, negou-se provimento quanto aos demais pedidos.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. DISTRIBUIDORES E VAREJISTAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A incidência monofásica é incompatível com o creditamento nas etapas desoneradas da contribuição, nas quais não há cumulatividade a ser evitada. A inclusão das receitas com a venda de óleo diesel e gasolina no regime não cumulativo não abarca os distribuidores e comerciantes varejistas dos produtos, que ficam impossibilitados de se creditar das despesas com frete e armazenagem vinculados à revenda de bens ou produtos. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de depreciação devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal em função do prazo de vida útil do bem e somente pode haver a sua contabilização, no caso de benfeitorias em imóveis de terceiros, se a assunção do ônus com as obras se der em caráter definitivo.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13603.001622/2007-92
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351442
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.245
nome_arquivo_s : Decisao_13603001622200792.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13603001622200792_5351442.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto a serem submetidas ao regime de tributação do PIS/Cofins não-cumulativo as operações de revenda de produtos tributados à alíquota zero e ao creditamento de PIS/Cofins sobre custos ou despesas de frete e armazenamento nas operações mencionadas; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o conselheiro Belchior Melo de Sousa. E por unanimidade, negou-se provimento quanto aos demais pedidos. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5475655
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046809731923968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2535; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 1.304 1 1.303 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.001622/200792 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.245 – 3ª Turma Especial Sessão de 29 de janeiro de 2014 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente ALESAT COMBUSTÍVEIS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. DISTRIBUIDORES E VAREJISTAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A incidência monofásica é incompatível com o creditamento nas etapas desoneradas da contribuição, nas quais não há cumulatividade a ser evitada. A inclusão das receitas com a venda de óleo diesel e gasolina no regime não cumulativo não abarca os distribuidores e comerciantes varejistas dos produtos, que ficam impossibilitados de se creditar das despesas com frete e armazenagem vinculados à revenda de bens ou produtos. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de depreciação devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal em função do prazo de vida útil do bem e somente pode haver a sua contabilização, no caso de benfeitorias em imóveis de terceiros, se a assunção do ônus com as obras se der em caráter definitivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto a serem submetidas ao regime de tributação do PIS/Cofins nãocumulativo as operações de revenda de produtos tributados à alíquota zero e ao creditamento de PIS/Cofins sobre custos ou despesas de frete e armazenamento nas operações mencionadas; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor, nesta AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 16 22 /2 00 7- 92 Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 parte, o conselheiro Belchior Melo de Sousa. E por unanimidade, negouse provimento quanto aos demais pedidos. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira – Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/ DCOMP através do qual a Alesat busca compensar crédito de COFINS, referente ao último trimestre de 2006, no valor de R$ 574.452,87 com débitos de COFINS que totalizam o mesmo valor. O contribuinte é empresa que se dedica a atividade de comércio atacadista de combustíveis, tais como, gasolina, óleo diesel e gás natural veicular (GNV). Em razão da alteração do domicílio fiscal do sujeito passivo, o presente processo, que foi protocolizado na DRF/Contagem/MG para exame do PER/DCOMP acima, foi encaminhado a Seção de Fiscalização SAFIS da DRF/NATAL/RN, que elaborou o Termo de Informação Fiscal, cujo teor antecipou entendimento contrário ao direito creditório requerido. Após proferir entendimento preliminar, a SAFIS/DRF/NATAL remeteu os autos ao SAORT/DRF/NATAL para apreciação do direito creditório levando em conta a atividade da empresa e os produtos que comercializa, de conformidade com rol apresentado pelo sujeito passivo, conclui que, para verificação dos créditos seria necessária a análise da escrituração da empresa para identificar as receitas vinculadas a cada um dos regimes de apuração da contribuição para o PIS/COFINS. Concluída a diligência requerida veio o Relatório Fiscal que serviu de fundamento para o Despacho decisório que, em síntese, glosou os valores referentes a: I) revenda dos derivados de petróleo em foco, devido a tributação monofásica, onde os tributos são concentrados nas refinarias, consequentemente, o critério de rateio proporcional adotado pela contribuinte a partir de outubro de 2005 estaria equivocado. II) armazenagem e frete de operação de venda dos combustíveis derivados do petróleo, ou de álcool para fins carburantes, fundamentando na lei n° 10.833/2003. III) despesas de aluguel e pagamentos a maior que os estipulados em contratos, não comprovados. Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001622/200792 Acórdão n.º 3803005.245 S3TE03 Fl. 1.305 3 IV) encargos de depreciação. Reconheceu direito creditório em relação a: I) alugueis, demonstrados por documentação suporte; II) energia elétrica; III) mercadorias para revenda. Dispõe que relativamente ao 4° trimestre de 2005 não restou qualquer crédito, a título de contribuição da COFINS. Conclui, portanto, pelo NÃO RECONHECIMENTO do direito creditório no valor original de R$ 574.452,87 e indeferiu o PER/DCOMP. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade a DRJ/REC. O manifestante apresenta contratos com o propósito de comprovar a parte referente a aluguéis. Em relação ao pleito de créditos de COFINS sobre armazenagem e frete constrói sua tese, alegando, em síntese: I) que o direito creditório pleiteado não se vincula aos combustíveis adquiridos (com tributação concentrada na fase anterior, "monofásica") e sim aos gastos com fretes e armazenamento decorrentes de tais receitas. II) discorre sobre a nãocumulatividade da COFINS em relação a gasolina e óleo diesel. III) que o fato de as receitas se sujeitarem ao regime monofásico não significa que tais receitas não se sujeitam à sistemática da nãocumulatividade. IV) que os percentuais de rateio proporcionais adotados pela recorrente a partir de outubro de 2005 estão corretos, pois tanto as receitas de óleo diesel quanto as de gasolina são computadas na sistemática nãocumulativa. V) que pratica atividade de beneficiamento da gasolina, ao misturar gasolina, tipo A, a álcool anidro, tendo como resultado gasolina tipo C. VI) que, diante de todo o processo produtivo acima qualificado, a recorrente não se enquadra como uma mera comerciante revendedora de combustíveis, mas como uma empresa que desenvolve verdadeiro e típico processo de beneficiamento de gasolina. Requer ao final a reforma do Despacho Decisório e pede o reconhecimento da compensação efetuada e sua total homologação, no valor total de R$ 574.452,87. A Delegacia de Julgamento deu provimento parcial a Manifestação de Inconformidade, reconhecendo parte dos créditos sobre encargos de depreciação de edificação e benfeitorias não contabilizadas como sendo em propriedade de terceiros. Ementou como segue: Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INDEFERIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório, o Pedido de Ressarcimento será indeferido e as Declarações de Compensação a ele vinculadas não serão homologadas, implicando a cobrança dos valores indevidamente compensados, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. DISTRIBUIDORA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A inclusão das refinarias e dos importadores de combustíveis derivados de petróleo na sistemática não cumulativa da Cofins pela Lei nº 10.865/2004 em nada alterou a situação dos distribuidores e varejistas, que continuaram tributados à alíquota zero, sem direito a crédito, seja relativo aos custos nas aquisições dos produtos revendidos, seja referente às despesas e encargos de comercialização. A incidência monofásica é incompatível com a técnica do creditamento nas etapas desoneradas do tributo, nas quais não há cumulatividade a ser evitada, razão pela qual as receitas com a revenda de produtos cuja cadeia de produção e comercialização tem tributação concentrada em etapa anterior devem ser consideradas fora da nãocumulatividade no cálculo do rateio proporcional de que trata o inciso II do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. PRODUTOS TRIBUTADOS PELO IPI. COMBUSTÍVEIS. IMUNIDADE. Somente são considerados estabelecimentos industriais aqueles que fabricam produtos tributados pelo IPI (art. 8º do RIPI/2010) e os combustíveis são imunes ao imposto (art. 155, § 3º, da CF). Assim, os distribuidores de combustíveis que misturam álcool anidro à gasolina tipo “A”, para a obtenção da gasolina tipo “C”, não são produtores. Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001622/200792 Acórdão n.º 3803005.245 S3TE03 Fl. 1.306 5 ALUGUÉIS DE PRÉDIOS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. CREDITAMENTO. CONDICIONANTES. O sujeito passivo poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis de prédios, comprovadamente pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, utilizados nas atividades da empresa (art. 3º, IV, e § 3º, II, da Lei nº 10.833/2003). EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. CONDICIONANTES. Poderão ser descontados créditos calculados em relação aos encargos de depreciação incorridos no mês de edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa (art. 3º, VII, e § 1º, III, da Lei nº 10.833/2003). Os referidos encargos devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal em função do prazo de vida útil do bem (art. 1º, § 1º da IN/SRF nº 457/2004, c/c IN/SRF nos 162/98 e 130/99) e somente pode haver a sua contabilização, no caso de imóveis de terceiros, se a assunção do ônus com as obras se der em caráter definitivo. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO, CONDICIONANTES. Poderão ser descontados créditos calculados em relação aos encargos de depreciação incorridos no mês de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, desde que adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (art. 3º, VI, e § 1º, III, da Lei nº 10.833/2003). RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE OU PELA VIA DA COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EXCEDENTE, APÓS DEDUÇÃO DOS DÉBITOS. Somente serão passíveis de ressarcimento/compensação, após o encerramento do trimestrecalendário, os créditos da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 que não puderem ser utilizados no desconto de débitos da referida contribuição (art. 21 da IN/SRF nº 600/2005). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 PROVAS. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a”, “b” e “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas documentais que possam atestar a legitimidade do direito creditório não reconhecido pela autoridade administrativa competente devem ser apresentadas na Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. PERÍCIAS. DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. REQUISITOS. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. O pedido de perícia deve expor os motivos que a justifiquem, apresentar os quesitos referentes aos exames desejados e indicar o nome, endereço e a qualificação profissional do perito, sob pena de ser considerado não formulado (art. 18 e art. 16, IV e § 1º, do Decreto nº 70.235/72). Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual afirma que diferentemente do que ocorre no caso do IPI, há regra expressa permitindo o creditamento mesmo quando as saídas/vendas são desoneradas, conforme previsão expressa no art. 3º, § 2º, II, das Leis nº10.637/2002 e nº10.833/2003. Reitera que o crédito pleiteado não é apurado em função das aquisições desses produtos para venda, que busca ver reconhecido o crédito de outras despesas e ônus suportados pela recorrente. Com isso, versa sobre o direito de creditarse de gastos referentes a fretes e armazenagem de mercadorias, por entender, serem insumos próprios da sua atividade. Alega, em relação a depreciação de edificações e benfeitorias feitas em imóveis de terceiros, que tem direito ao crédito pois afirma estar plenamente comprovado nos autos que esse ônus foi suportado pela Recorrente(franqueadora) e que a previsão contratual não tem o condão de deferir ou não o direito ao crédito. Ainda se insurge contra a glosa do crédito de depreciação da “estação compressora de gás GNV”, afirmando se enquadrar no conceito de industrial por realizar a operação de beneficiamento da gasolina, e salienta que a restrição imposta pela RFB ao creditamento sobre esses encargos por empresas comerciais se trata de condição não prevista em lei, uma vez que na redação do dispositivo não há qualquer restrição à utilização dos referidos créditos apenas às empresas industriais. Ao final requer a reforma do acórdão recorrido para: a) reconhecer que o direito ao crédito de PIS e COFINS, à exceção dos créditos decorrentes da aquisição de produtos sujeitos à incidência monofásica, está assegurado sempre Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001622/200792 Acórdão n.º 3803005.245 S3TE03 Fl. 1.307 7 que houver a incidência dessas contribuições sobre as receitas auferidas por terceiros correspondentes aos respectivos custos (que geram crédito) incorridos pela Recorrente; b) declarar que as receitas decorrentes das vendas de gasolina e óleo combustível pelas distribuidoras de combustíveis, como a Recorrente, passaram, desde 01/08/2004, a se submeter ao regime da não cumulatividade do COFINS, determinandose, por conseguinte, a revisão da Tabela elaborada pelo auditor fiscal para fins de cálculo dos créditos comuns, de modo a incluir as aludidas receitas (inseridas na Coluna “Demais Receitas”) entre as chamadas receitas nãocumulativas, com o consequente recálculo dos créditos comuns homologados pela fiscalização; c) reconhecer o direito da empresa ao aproveitamento dos créditos de COFINS de frete e armazenagem vinculados às vendas de gasolina e óleo diesel; d) reconhecer o direito ao crédito da depreciação dos custos/despesa incorridos com edificações e benfeitorias realizadas em imóveis de terceiros, quando comprovado que o ônus foi suportado pela Recorrente, independentemente da existência de previsão contratual prevendo tal assunção de custos/despesas; e) reconhecer o direito da Recorrente aos créditos decorrentes dos encargos de depreciação sobre estação compressora de gás; f) reconhecer em sua integralidade o crédito representado pelo PER n 06216.14815.210207.1.1.112699, para reconhecer a regularidade da compensação efetuada e homologas em sua totalidade as DCOMP`s nº 04526.04875.210207.1.3.113030 e nº 07932.35331.190307.1.3.119978; g) determinar a suspensão da exigibilidade dos débitos objeto de cobrança nos autos do Processo nº 10469.728087/201281 até decisão definitiva irrecorrível nos autos em epígrafe. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 O Recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente é empresa que se dedica à atividade de comércio atacadista de produtos combustíveis, como gasolina, óleo diesel e gás natural veicular. Analisando as contribuição para o PIS e para a COFINS vemos que passaram a ser regidas a partir do anocalendário de 1999, pela Lei n° 9.718, de 27/11/1998 cujo art. 4° impôs regime de substituição tributária por meio do qual a contribuição para o PIS e a COFINS devida pelas distribuidoras e pelos comerciantes varejistas sobre as receitas de derivados de petróleo eram recolhidas antecipadamente pelas refinarias. O instituto da "Substituição Tributária" destinava às refinarias a função legal de recolher antecipadamente o valor das contribuições devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas, isto é, antes da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, no que diz respeito aos demais participantes da cadeia de comercialização. Posteriormente, o art. 3° da Lei n° 9.990, de 21/07/2000 c/c o art. 42, I, da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001 instituíram regime de tributação monofásico da contribuição supracitada. O modelo foi implementado com a fixação da alíquota de 0% (zero por cento) quando da ocorrência da venda desses derivados por parte dos revendedores, ou seja, dos distribuidores e comerciantes varejistas. As lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003 criaram, nas situações ali especificadas, tributação nãocumulativa em relação à contribuição para o PIS/COFINS. Quando inicialmente instituídas foram excluídas da sistemática nãocumulativa da contribuição para o PIS as operações de venda de combustíveis derivados de petróleo nas redações do art. 1°, §3°, IV; do art. 2°; do art. 3°, I e II e §§7° e 8°; e art. 8°, VII, “a” da Lei n° 10.637/2002, da mesma forma para a COFINS nas redações do art. 1°, §3°, IV; do art. 2°; do art. 3°; I e II e §§7° e 8°; e art. 10°, VII, “a” da Lei n° 10.833/2003. Em 1° de agosto de 2004, entraram em vigor novas alterações na incidência da contribuição para PIS/Cofins no que se refere aos derivados de petróleo, desta vez, trazidas pela Lei 10.865/2004. As mudanças trouxeram a sistemática não cumulativa da Contribuição para o PIS e para a COFINS, por meio dos artigos 37 e 21, respectivamente, da Lei n° 10.865/2004. Reforçando este entendimento o artigo 15 da Lei nº 10.833/03 determina expressamente que a aplicação da nãocumulatividade do PIS para o caso dos incisos I e II do parágrafo 3º do artigo 1º da mesma norma. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: I nos incisos I e II do § 3o do art. 1o desta Lei; Os dispositivos legais transcritos a seguir, da Lei n° 10.637/2002, com a nova redação, são de suma importância para o pleno entendimento da questão: “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001622/200792 Acórdão n.º 3803005.245 S3TE03 Fl. 1.308 9 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero;[...] III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária;[...] IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; IV de venda de álcool para fins carburantes; Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I – nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural;[...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos:[...] b) no § 1o do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;[...] Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o:[...] VII— as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3 do art. 1º;” Com a nova redação, a restrição do art. 8º, VII, “a” da Lei nº 10.637/2002 e no art. 10, VII, “a” da Lei nº 10.833/2003 passou a não mais abranger os derivados de petróleo de que trata a Lei 9.990/2000. O que se discute agora, visto não se tratar de um sistema cumulativo, é a possibilidade das distribuidoras se creditarem dos custos de distribuição dos combustíveis, em especial, os custos com fretes e armazenagem deste produtos. Percebese que a lei não instituiu que as distribuidoras e varejistas não possam se creditar dos custos de distribuição, mas vedaram (à época dos fatos), expressamente, o creditamento em relação a bens adquiridos para revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária e de venda de álcool para fins carburantes. O crédito pedido pela Recorrente diz respeito ao art. 3º, IX da Lei nº 10.833/03, que, no seu entendimento, permiti o desconto de créditos de frete e armazenagem sobre os produtos que comercializa. O inciso IX do art. 3º da lei 10.833/03 dispõe que o crédito se aplica nos casos dos incisos I e II do mesmo artigo. Por sua vez, a Fazenda Nacional afirma que o contribuinte não é regulado pelos dois primeiros incisos desse artigo, uma vez que não se trata de um produtor ou prestador de serviços (inciso II) e que a alínea “b” do inciso I exclui as mercadorias e produtos referidos nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º da mesma lei, onde se encontra a gasolina e o óleo diesel. O Recorrente afirma não ser meramente um comerciante, mas sim uma empresa que desenvolve verdadeiro processo de beneficiamento da gasolina. Afirma então ser a gasolina tipo ”C” obtida após mistura de álcool anidro e gasolina tipo “A”, um típico produto industrializado. Nesta duvidosa interpretação, quer a empresa provar que o frete e armazenagem são insumos em sua atividade industrial, de forma a se enquadrar no inciso II do art. 3º da lei 10.833/03, uma vez que tal inciso referese a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. A simples mistura de dois produtos, para a adequação do combustível à legislação, não caracteriza atividade industrial. Menciono parte do voto preferido pelo relator Gilson Macedo Rosenburg Filho, por ocasião do recurso nº 504.580, processo administrativo 10865.002267/200881, julgado pela 1a turma da 4a Câmara da 3a seção: “Por outro lado, com a devida vênia, e a exemplo da Recorrente, não compartilho com a primeira parte dos argumentos utilizados pela instância de piso, qual seja, a de apoiarse na regra do inciso II do artigo 3º da Lei nº Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001622/200792 Acórdão n.º 3803005.245 S3TE03 Fl. 1.309 11 10.833, de 29/12/2003, pois, a meu ver, e na linha do que defendera a Unidade de origem, e, agora, diferentemente do que entende a Recorrente, o correto, ou a motivação para o indeferimento é encontrada, dentre outros, na regra do inciso I, letra “a”, do mesmo dispositivo. Ou seja, uma distribuidora de combustíveis que adquire o álcool anidro com o fim exclusivo de adicionálo à gasolina “A” para obter a gasolina “C” que vende ao mercado, e isso, essa mistura, por conta de uma determinação expressa do órgão governamental regulador desse mercado1, não pode ser equiparada ou considerada como um “fabricante” ou “produtor” de bens ou produtos de que trata o inciso II acima reproduzido; bem diferente disso, tratase de um mero comerciante que, como tal, adquire bens para revenda de que trata o inciso I. Como se sabe, não há nenhuma ciência no procedimento de obtenção da gasolina “C”, visto que a mesma decorre da mera adição de determinado percentual do álcool anidro à gasolina “A”, tarefa essa que é feita mediante o simples despejo da primeira no tanque reservatório da segunda. Daí, portanto, a análise do pleito da Recorrente depender da interpretação que se faz da regra contida no inciso I, do artigo 3º e não no inciso II do mesmo artigo.”Grifamos. Não resta dúvida de que o contribuinte não realiza produção ou fabricação. Por outro lado, o contribuinte defende que a referência que o inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/03 faz aos incisos I e II do mesmo artigo é apenas para deixar livre de dúvidas que o frete geraria o crédito tanto nas hipóteses de revenda do produto acabado como nas hipóteses de venda do produto fabricado. Nesse ponto tem razão o contribuinte tendo em vista que a hipótese de creditamento de armazenagem e frete é expressamente prevista no inciso IX disposto da seguinte forma: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Perceba que o dispositivo remete ao caos dos incisos I e II, quais sejam, resumidamente, às hipóteses de revenda ou produção de bens ou produtos. Entendemos que a menção aos incisos I e II é tão somente para especificar as atividades desenvolvidas para o creditamento, necessitando que o ônus da armazenagem e frete sejam suportados pelo vendedor. 1 Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 Importa ressaltar que os produtos descritos nos incisos I e II da Lei nº 10.833/03, que por si só não tem direito a creditamento, são irrelevantes para a finalidade de gerar crédito sobre sua armazenagem e frete. Veja que são situações distintas reguladas por dispositivos distintos, uma concede armazenagem e frete e a outra impossibilita o creditamento sobre os produtos especificados (exemplo, álcool, gasolina e diesel). Em nenhuma hipótese a vedação estabelecida para o creditamento sobre tais produtos (principais) são limitativos do aproveitamento do créditos dos custos com armazenagem e frete, que, no nosso entendimento, é expressamente permitido. Caso não fosse a intenção do legislador atribuir creditamento sobre armazenagem e frete em relação aos mesmos produtos excetuados nas alíneas do inciso I do art. 3º da Lei 10.833/03, tal exceção deveria constar expressamente no próprio inciso IX que regula tal hipótese. Por fim, claro se mostra que as exceções sobre o creditamento dos produtos referidos no incisos I e II do art. 3º da Lei 10.833/03 não são exceções de creditamento de armazenagem e frete. Ponto incontroverso é a aplicação do inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/03 da COFINS para o PIS, conforme a DRJ/REC assim expresso “De toda forma, ainda que a interpretação da manifestante fosse plausível, a própria lógica da tributação concentrada, por si só, já faz a exclusão que o diligenciante viu na remissão do inciso IX da Lei nº 10.833/2003, também aplicável à Contribuição para o PIS. (G.N.)” pelo que não me oponho neste ponto específico. Da depreciação de edificações e benfeitorias feitas em imóveis de terceiros. A DRJ afirma a possibilidade do desconto de créditos de depreciação em edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, mas que a recorrente somente poderia se aproveitar de encargos de depreciação sobre imóveis de terceiros com os quais firmou contrato de franquia na hipótese de ter assumido, contratualmente, o ônus por tais despesas, que, legalmente, competem ao franqueado. A DRJ ainda afirma que a quase totalidade dos encargos de depreciação em relação a benfeitorias em imóveis de terceiros foram realizadas à taxa de 100% ao ano. A Recorrente, por outro lado, afirma que suportou o ônus de forma plenamente comprovada nos autos e que a previsão ou não no contrato da responsabilidade a quem recai os custos de instalações e equipamentos afetará exclusivamente a relação comercial e jurídica firmada entre a Recorrente e os postos revendedores, não interferindo em nada na relação jurídico tributária estabelecida com o Estado Federal. A empresa alega que as leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 prevêem, no art 3º, §3º, inciso II, a vinculação do direito ao crédito exclusivamente aos custos e despesas incorridos. Nesta lide cabe dar razão a DRJ, uma vez que o direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional. Deve constar no contrato quem de fato suportará o ônus das benfeitorias realizadas. Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001622/200792 Acórdão n.º 3803005.245 S3TE03 Fl. 1.310 13 De outra forma poderia ocorrer um aproveitamento ilícito dos contribuintes, exigindo créditos referentes a mesma depreciação por duas vezes, uma por parte do franqueador e outra por parte do franqueado. Da depreciação da “estação compressora de gás GNV” A DRJ afirmou que não sendo a estação compressora adquirida ou fabricada para locação, e sendo a ALESAT uma distribuidora (não utiliza o equipamento na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços), é de se considerar que não foram atendidos os requisitos do inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 para a apuração de crédito decorrente de encargo de depreciação desse equipamento. A Recorrente afirma se enquadrar no conceito de industrial por realizar a operação de beneficiamento da gasolina, e alega que a restrição imposta pela RFB ao creditamento sobre esses encargos por empresas comerciais se trata de condição não prevista em lei, uma vez que na redação do dispositivo não há qualquer restrição à utilização dos referidos créditos apenas às empresas industriais. Ainda afirma que entendimento contrário ofende o princípio da isonomia. Assiste razão a DRJ, pois de fato o dispositivo legal apenas dá direito ao crédito pela depreciação de bens utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Como já exposto anteriormente a contribuinte não pratica atividade industrial de produção de bens destinados à venda, entendemos que a simples mistura de álcool anidro à gasolina não caracteriza atividade industrial. Portanto, em relação aos pedidos finais da recorrente expressamos o seguinte entendimento: a) Em relação ao pedido de reconhecimento do direito ao crédito de PIS/COFINS sobre os custos relacionados a produtos com incidência monofásica, entendo que há direito ao crédito mesmo quando sobre a operação incida a alíquota “zero”. b) No que diz respeito ao regime de apuração e cálculo da contribuição para o PIS decorrente das vendas de gasolina e óleo combustível, entendemos que a partir das alterações introduzidas pela Lei 10.865/04 no artigo 1º, § 3º, inciso IV da Lei nº 10.637/02 as refinarias, importadores, distribuidoras e varejistas passaram e ser submetidas ao regime da nãocumulatividade para o PIS/COFINS quanto às receitas decorrentes das vendas de gasolina e óleo combustível, desta forma, revisese a tabela de cálculo efetuada pela auditoria fiscal. c) Por tudo o que foi dito, entendemos que os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero em razão do regime monofásico, podem creditarse dos custos e despesas com frete e armazenagem decorrentes da revenda de bens ou produtos, ainda que estes bens ou produtos estejam vedados para o creditamento sobre suas próprias aquisições (alíneas “a” e “b”, incisos I, art.3º da Lei 10.833/03), as exceções previstas para o creditamento do produto principal não se aplicam ao creditamento sobre o creditamento de armazenagem e frete previstos no inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/03. d) Quanto ao reconhecimento ao direito ao crédito da depreciação dos custos incorridos com edificações e benfeitorias, não é possível tal creditamento sem a prova de que a contribuinte arcou com o ônus decorrente de tais benfeitorias, em especial, previsão contratual neste sentido. Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 e) Não é possível reconhecer, como requerido pela recorrente, o direito aos créditos dos encargos de depreciação sobre estação compressora de gás, por não se tratar de máquina utilizada na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO, para que seja revista a tabela elaborada pelo auditor fiscal considerando as receitas de revenda de óleo diesel e gasolina como receitas nãocumulativas e assim revise os valores dos créditos concedidos nesta nova proporção, bem como conceder creditamento PIS/COFINS sobre custos e despesas de armazenagem e frete e NEGAR os pedidos referentes a crédito sobre depreciação dos custos incorridos com edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros em que não ficou comprovado que a Alesat assumiu o ônus e NEGAR os pedidos referentes a crédito sobre encargos de depreciação sobre estação compressora de gás. Sala das sessões, 29 de janeiro de 2014 (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O presente voto vencedor é para consignar a divergência levantada em relação ao do entendimento do eminente Relator que sustentou o voto pelo parcial provimento ao recurso voluntário, reformando a decisão recorrida. Seu encaminhamento culminou em considerar nãocumulativas as receitas de revenda de óleo diesel e gasolina inclusas no regime monofásico, e, consequentemente, em alterar a composição da tabela de receitas elaborada pelo Auditor Fiscal, e em determinar: (i) a revisão dos valores dos créditos concedidos tomando como base a nova proporção (para fins de rateio das despesas e custos comuns) e (ii) a inclusão entre esses créditos os relativos às despesas de armazenagem e frete vinculados à revenda dos produtos. A divergência amparase na interpretação da norma do art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002, que, ao dispor sobre a aferição do quantum devido na sistemática não cumulativa, excepciona a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores da regra geral contida na cabeça do artigo, à alíquota de 1,65%, incluindoa no regime monofásico, com alíquotas diferenciadas em função de cada tipo de produto derivado de petróleo. Reza o dito dispositivo legal: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1ª, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas:[grifo aqui] I – nos incisos I a III do art. 4º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001622/200792 Acórdão n.º 3803005.245 S3TE03 Fl. 1.311 15 petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural;[...][grifei] Ao excepcionar a receita auferida pelos produtores e importadores da regra geral, a norma está a dizer, no antecedente, que as bases de cálculo apuradas por esses agentes com os citados produtos, “conforme o disposto no art. 1º”, passaram a estar enquadradas na sistemática não cumulativa, aplicandose a estas alíquotas distintas. Não se está aqui a patrocinar interpretação literal do conteúdo da norma. Todavia, é elementar que o sentido de uma norma é edificado a partir da apreensão tópica do significado, do alcance ou da delimitação de vocábulos expressos e claros de que o texto se serve, e que somente podem ser mitigados ou estendidos se a construção da norma é justificada de forma consistente mediante a integração com outro(s) texto(s) do sistema. No caso presente, a norma do art. 2º, acima, é o substrato por meio do qual se visualizam os agentes da monofasia que ingressaram na não cumulatividade, uma vez ali identificados os destinatários da norma – os produtores e importadores à qual compreensão subordinamse as regras de creditamento na sistemática da não cumulatividade das aludidas contribuições, neste segmento econômico. Não há no ordenamento outro texto que a este se conjugue cuja possível norma que resulte ofereça um olhar amplo e extensivo acerca de outros destinatários submetidos à monofasia dos derivados de petróleo abarcados na sistemática da não cumulatividade. Assento que a norma contida no art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 10.865/04, é a que migra a arrecadação concentrada dos produtos derivados de petróleo para o campo de apuração da sistemática não cumulativa, ao tempo em que desenha a coexistência parcial de ambos os regimes. A parcialidade reside na eleição dos sujeitos destinatários da norma, já referidos, na exclusão dos créditos sobre os ditos produtos submetidos à arrecadação concentrada e na inclusão de demais custos e despesas vinculados ao auferimento das respectivas receitas, inclusive armazenagem e frete na operação de venda. Este fundamento conjugase com o art. 1º, § 3º, I, da mesma lei, que estipula que as receitas decorrentes de saídas sujeitas à alíquota zero não integram a base de cálculo mencionada na cabeça do artigo, vale dizer, as receitas dos distribuidores e comerciantes varejistas de derivados de petróleo (sujeitas à alíquota zero) não integram a base de cálculo na sistemática da não cumulatividade, verbis: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.[...] § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero;[...] Assim: Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 a) identificados os destinatários, segundo o disposto no § 1º, do art. 2º, da Lei nº 10.637/02, acima – estes, os produtores ou importadores; b) inexistente outro texto legal que permita dar a este, acima, uma significação extensiva, relativamente aos sujeitos; e c) excluídas da não cumulatividade as receitas submetidas à alíquota zero, segundo o disposto no § 1º, do art. 1º, acima, não há como se afirmar que as receitas auferidas por cada um dos demais agentes intervenientes na cadeia de circulação dos produtos derivados de petróleo submetidos ao regime monofásico (à exceção das receitas decorrentes da venda de álcool para fins carburantes) – estes, os distribuidores e os comerciantes varejistas passaram a se sujeitar, concomitantemente, à sistemática da não cumulatividade. No olhar da Recorrente o fato juridicizado pela norma trazida pela redação da Lei nº 10.865/04 são as receitas obtidas com os produtos submetidos ao regime monofásico, sendo a mensagem por ela veiculada restrita a este objeto genérico. Enxergar por esta lente é um mote para interpretar que todas as receitas com tais produtos desembarcaram na sistemática não cumulativa abarcando assim os distribuidores e os comerciantes varejistas de tais produtos, indistintamente, como destinatários da norma. Vejo que essa perspectiva de observação e apreensão é notoriamente enviesada e parcial, na medida em que, de modo deliberado, a Interessada irreleva a referência, no texto, aos produtores e importadores e, via de consequência, desconsidera o fato de que é exatamente a presença desses atores no ventre do art. 2º (que se reporta ao art. 1º, ambos da Lei nº 10.637/02) que revela a circunstância de estes sujeitos passivos operarem a apuração das contribuições na sistemática não cumulativa. Estes, e só estes operam na não cumulatividade. Construída a norma nos termos acima, desfiguramse os argumentos na defesa do suposto direito, com fulcro: a) no art. 21, II, da IN SRF 600/05, reproduzido no art. 27, II, da IN SRF 900/2008, eis que elas regram para situações fáticas abrangidas pela sistemática da não cumulatividade; b) no art. 17 da Lei nº 11.033/04, pela observação de que este artigo inscreve se na sequência de outros (art. 13 ao art. 17) que têm um destinatário específico, os beneficiários do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária – REPORTO, constituindose, por isso, em norma especial a compor a política de benefício fiscal a este setor. Não há na norma do art. 17 parâmetro algum (vocábulo ou expressão) que a conecte com as normas gerais de creditamento previstas nas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, ou até na Lei nº 10.865/04. A conexão com estas, pela técnica legislativa usual, haveria de se dar por meio de nova redação dada ao respectivo artigo de lei, com a introdução de parágrafo inscrevendo a norma permissiva. Nada obstante a técnica legislativa adotada, numa interpretação um pouco mais ampla, podese ter que a aplicação do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004 a par de não estar criando novas possibilidades de créditos destinase a manter o creditamento sobre determinados insumos aplicados em produtos e mercadorias cujas receitas de vendas sofrem normalmente a incidência das contribuições, que poderiam ser utilizados caso não houvesse a adoção de alíquota zero na saída destes. Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001622/200792 Acórdão n.º 3803005.245 S3TE03 Fl. 1.312 17 c) nas disposições das medidas provisórias nºs 413/08 e 415/08, pelo fato de que elas não vieram excluir direito preexistente aos créditos pleiteados. A conclusão a se alcançar das ditas medidas provisórias é que elas vieram apenas destacar expressamente o entendimento de que não se aplica o disposto no art. 17 da Lei 11.033∕04 aos distribuidores, comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias, consoante o que já previsto no art. 2º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. A força deste entendimento está em convergir com o que já se disse no art. 17, citado. Os dispositivos das medidas provisórias interpretaram a lógica da incompatibilidade do regime monofásico dos distribuidores, comerciantes atacadistas e varejistas das ditas mercadorias com o sistema de apuração de créditos da não cumulatividade. Tal incompatibilidade não existe, como já manifestado, em relação aos produtores e importadores, que suportam a carga do tributo. Para os demais da cadeia de comercialização o que se dá é repercussão econômica do tributo. Que lógica haveria no sistema, para o âmbito das finanças públicas, que anda pari passu com o Direito Tributário, este como tributário daquelas , com a instituição de regime monofásico para diversos setores, se a Fazenda tem que permitir o creditamento a todos ao agentes da cadeia de circulação, com enorme possibilidade de sempre gerar ressarcimento aos que não apuram a contribuição, por influxo da alíquota zero? Qual a lógica, no plano da Administração Tributária, de instituir o regime concentrado de arrecadação e ocupar um arsenal de fatores de atuação para administrar ressarcimentos às pessoas jurídicas distribuidores e comerciantes varejistas, nos moldes da presente disputa? Acaso as receitas com a revenda dos referidos produtos sujeitos à tributação monofásica estivessem realmente incluídas na sistemática da não cumulatividade, gerando direito aos créditos pleiteados, não seria mais pragmático, já que concentrada, operar com alíquotas menores incidentes sobre as receitas dos produtores e importadores e com isso otimizar o uso da máquina fazendária Ambas as reflexões acima não são postas aqui como fundamento da decisão, porquanto, nada obstante ser idéias subsidiárias que auxiliam a compreender o sistema, não são argumentos jurídicos. Qual a lógica (jurídica) dentro do próprio regime da não cumulatividade “ressarcir” créditos sem a contrapartida de débitos que esses outros sujeitos não apuram, quando o princípio convertido em regra da Lei nº 10.637/02 é: “Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação:...”? Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 29 de janeiro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 18 Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 19839.009052/2011-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1998
PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES - RAIS
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Sendo constatado a ocorrência de fraude na escrituração contábil, afasta-se a aplicação da decadência consubstanciada no art. 150, , § 4º do CTN, aplicando-se a decadência de acordo com o disposto no art. 173, I do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Não cabe apreciação entre cumulattividade entre UFIR e SELIC se as competências remanescentes, após a aplicação da decadência qüinqüenal não vislumbram tal cumulatividade.
DIREITO AO ABATIMENTO DE REEMBOLSOS - NÃO COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VALORES NÃO DESCONTADOS
Tendo o auditor descrito no próprio relatório fiscal, o desconto de todos os recolhimentos, parcelamentos e reembolsos a que o recorrente tinha direito, não há o que ser apreciado, se simplesmente argumenta o recorrente sem apresentar nenhum erro efetivo da fiscalização.
Numero da decisão: 2401-003.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; II) rejeitar a argüição de decadência; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1998 PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES - RAIS O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Sendo constatado a ocorrência de fraude na escrituração contábil, afasta-se a aplicação da decadência consubstanciada no art. 150, , § 4º do CTN, aplicando-se a decadência de acordo com o disposto no art. 173, I do CTN. Recurso Voluntário Negado. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Não cabe apreciação entre cumulattividade entre UFIR e SELIC se as competências remanescentes, após a aplicação da decadência qüinqüenal não vislumbram tal cumulatividade. DIREITO AO ABATIMENTO DE REEMBOLSOS - NÃO COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VALORES NÃO DESCONTADOS Tendo o auditor descrito no próprio relatório fiscal, o desconto de todos os recolhimentos, parcelamentos e reembolsos a que o recorrente tinha direito, não há o que ser apreciado, se simplesmente argumenta o recorrente sem apresentar nenhum erro efetivo da fiscalização.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19839.009052/2011-88
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352445
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-003.415
nome_arquivo_s : Decisao_19839009052201188.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19839009052201188_5352445.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; II) rejeitar a argüição de decadência; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5484032
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046809833635840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2368; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19839.009052/201188 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.415 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2014 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES Recorrente EMPRESA AUTO ÔNIBUS PENHA SÃO MIGUEL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1998 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO VALORES APURADOS EM PROCEDIMENTO FISCAL COM APREENSÃO DE DOCUMENTOS CONSTATAÇÃO DE NÃO ESCRITURAÇÃO DA TOTALIDADE DOS FATOS GERADORES LANÇAMENTO DAS DIFERENÇAS A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AI de obrigação acessória e principal. Resta claro no relatório fiscal, que os valores apurados são fruto da apreensão de documentos, embasando o lançamento das diferenças encontradas. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Não cabe apreciação entre cumulattividade entre UFIR e SELIC se as competências remanescentes, após a aplicação da decadência qüinqüenal não vislumbram tal cumulatividade. DIREITO AO ABATIMENTO DE REEMBOLSOS NÃO COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VALORES NÃO DESCONTADOS Tendo o auditor descrito no próprio relatório fiscal, o desconto de todos os recolhimentos, parcelamentos e reembolsos a que o recorrente tinha direito, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 83 9. 00 90 52 /2 01 1- 88 Fl. 514DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 não há o que ser apreciado, se simplesmente argumenta o recorrente sem apresentar nenhum erro efetivo da fiscalização. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1998 PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES RAIS O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Sendo constatado a ocorrência de fraude na escrituração contábil, afastase a aplicação da decadência consubstanciada no art. 150, , § 4º do CTN, aplicandose a decadência de acordo com o disposto no art. 173, I do CTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; II) rejeitar a argüição de decadência; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19839.009052/201188 Acórdão n.º 2401003.415 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório A presente NFLD, lavrado sob o n. 35.421.942, em desfavor do recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados empregados. arrecadadas pela empresa, mediante desconto das remunerações de seus segurados, e deixaram de ser recolhidas à Previdência Social. O lançamento compreeende, no período de 01/1993 a 12/1998 Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 71, constituem fatos geradores do débito os valores totais das remunerações pagas, devidas ou creditadas pela empresa aos seus segurados empregados em cada competência, apurados de acordo com as folhas de pagamento de empregados e seus respectivos resumos relativas ao período de 01/1993 à 12/1998 (inclusive 13.° salário). Os valores das contribuições dos segurados empregados arrecadadas pela empresa mediante desconto em folha de pagamento encontramse lançados nos levantamentos FPREMUNERAÇÃO EMPREGADOS/ADMIN, e F P 1 R E M U N E R A Ç Ã O EMPREGADOS do Discriminativo Analítico de Débito DAD. As contribuições recolhidas parcialmente pela empresa através de Guias de Recolhimento da Previdência S o c i a í GRPS e.Guias da Previdência Social GPS, bem como, os valores pagos pela empresa a título. de SalárioFamília. SalárioMaternidade e Auxílio Natalidade, foram deduzidos das contribuições apuradas, conforme demonstrado no DAD. Também foram deduzidas as contribuições declaradas, confessadas e parceladas pela empresa junto ao INSS através dos DEBCAD ns.°. 32.376.5777, 32.376.5785, 32.376.5793 e 35.070.6654, relativas ao período de 01/1994 à 12/1998 (inclusive 13.° salário). Todos esses valores foram obtidos j u n to ao Sistema Informatizado de Dados INSS/DATAPREV. Ainda de acordo com o referido relatório foi realizado procedimento fiscal, onde apurouse Dentre os documentos apreendidos, além das folhas de pagamento de empregados e seus respectivos resumos do período de 01/1993 à 12/1998, contemplando a totalidade das remunerações pagas pela empresa, havia também outros resumos de folhas de pagamento de empregados do mesmo período. Analisandose esses outros resumos, constatou se que eles registravam parcialmente as remunerações pagas pela empresa aos seus segurados empregados. Verificouse também, que esses outros resumos foram os mesmos1 apresentados à fiscalização durante o procedimento de revisão de auditoria fiscal encerrado em 27/05/2002 e que foram desconsiderados naquela oportunidade, pois, comparandose os valores das remunerações registradas nesses resumos, aos valores das remunerações aferidos com base nos depósitos lançados nos Extratos Empresa para Análise de Ocorrências do FGTS fornecidos pela CEF, aos valores das remunerações declarados na RAIS, e finalmente, aos valores das remunerações informados nas planilhas fornecidas pela São Paulo Transportes S.A SPTrans, ficou patente que esses resumos não contemplavam a totalidade das remunerações pagas pela empresa aos seus segurados empregados. Com relação à escrituração contábil apreendida, foi constatado que os Livros Diário n.°47 à 66, relativos ao período de 01/1993 à 12/1997, também registravam parcialmente as remunerações pagas aos segurados empregados da empresa constante das folhas de pagamento de empregados e de seus respectivos resumos. Esses registros parciais Fl. 516DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 também foram verificados nos Livros Razão dos anos de 1994, 1996 e 1997. No entanto, nos Livros Razão de 1993 e 1995 foi constatado o seguinte: Livros Razão de 1993 Nesse ano, a empresa elaborou Livros Diário e Razão contendo registros distintos. Nos Livros Razão foram verificados lançamentos contendo a totalidade das remunerações pagas aos segurados empregados da empresa. Porém, nos Livros Diário desse período, omitiuse parcialmente esses lançamentos. Exemplificando, na folha 110 do Livro Razão de 10/1993, existem dois lançamentos a débito na conta n.° 3.1.1.1.02 (Cobradores), um datado de 29/10/1993 no valor de CR$ 66.658.302,58 e outro datado de 31/10/1993 no valor de CR$ 22.219.434,20. No entanto, no Livro.Diário n,° 50 (autenticação n.° 196809 JUCESP) relativo ao período de 10/1993 à 12/1993, co*hstatoiíse unicamente o lançamento do dia 31/10/1993, conforme folha 126 do Livro Diário. Já o lançamento do dia 29/10/1993 foi omitido no Livro Diário, pois, pela seqüência cronológica de escrituração contábil, deveria ter sido lançado na folha 106 (anexo cópia das folhas citadas). O mesmo fato ocorre com outros lançamentos do dia 29/10/1993 envolvendo outras contas, tais como: conta n.° 3.1.1.1.01 (Motoristas) e conta n.° 3.1.1.1.03 (Fiscais). Livros Razão de 1995 Excepcionalmente, em 1995, a empresa além de elaborar Livros Diário e Razão contendo registros distintos conforme verificado no ano de 1993, elaborou também um segundo Livro Razão registrando parcialmente as remunerações pagas aos segurados empregados da empresa, conforme verificado nos anos 1994, 1996 e 1997. Ou seja, existem dois Livros Razão relativos as mesmas competências, porém, um registra a totalidade das remunerações pagas aos segurados empregados da empresa e o outro omite lançamentos. Foram anexadas a presente notificação cópias das folhas 151 e 152 do Livro Razão que registra parcialmente as remunerações dos empregados e das folhas 116 e 180 do Livro Diário n.° 57 (autenticação n.° 55812 JUCESP) que também registram parcialmente essas remunerações, conforme verificado nas contas ns.° 3.1.1.1.01 (Motoristas), 3.1.1.1.02 (Cobradores) e 3.1.1.1.03 (Fiscais). Anexouse ainda, cópias das folhas 156 e 157 do Livro Razão que registra a totalidade das remunerações dos empregados e das folhas 123 e 159 do Livro Diário n.° 57, onde pela seqüência cronológica de escrituração contábil deveriam ter sido registrados, nas mencionadas contas, os lançamentos dos dias 21/07/95 e 28/07/95 constantes do Livro Razão. Assim, considerandose que a própria documentação contábil da empresa ora registra a totalidade das remunerações pagas aos seus segurados empregados e ora registra apenas parcialmente essas remunerações, descumprindo as normas legais pertinentes, fatos que, em tese, configuram crime contra a Seguridade Social definido no art. 95, alínea "c", da Lei n.° 8.212/91 e os crimes de falsificação de documento e de uso de documento falso, previstos nos artigos 297 e 304 do Decreto Lei n.° 2.848, de 07 de dezembro de 1940 (Código Penal), foi formalizada e encaminhada à autoridade competente Representação Fiscal para Fins Penais. Tendo em vista tudo que foi exposto no item 2, a fiscalização utilizouse das folhas de pagamento de empregados e seus respectivos resumos, contemplando a totalidade das remunerações pagas aos segurados empregados da empresa, no período de 01/1993 à 12/1998 (inclusive 13.° salário), para apuração das contribuições sociais devidas. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 24/02/2003, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 27/02/2003. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 170 a 174, onde alega em síntese, cerceamento do direito de defesa, face a não devolução dos Fl. 517DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19839.009052/201188 Acórdão n.º 2401003.415 S2C4T1 Fl. 4 5 documentos apresentados, decadência, não foram deduzidos os valores a que tem direito: salário família, maternidade, faltas etc. Pugna que seja suspendo o procedimento até a devolução dos documentos e reabertura do prazo de defesa. Tendo sido restituídos os documentos a empresa apresenta nova impugnação, fls. 205 a 211, onde volta a alegar decadência, que as supostas diferenças foram incluídas no REFIS, e que não foram abatidos os reembolsos a que a empresa tem direito. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 224 a 231, destes autos: CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA DOS SEGURADOS. DECADÊNCIA. ENCARGOS MORATÓRIOS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, descontandoas da respectiva remuneração, e recolhêlas ao INSS no prazo ditado pelo art. 30, inc. I, da Lei n° 8.212/91. Extinguese após 10 (dez) anos o direito da Seguridade constituir seus créditos. Vencido o débito tributário, sujeitase o inadimplente aos acréscimos legais previstos na legislação vigente à data da ocorrência do fato gerador. LANÇAMENTO PROCEDENTE Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 236 a 242 , no corpo do processo 16045.000206/201033, tido pela fiscalização como AI Principal, onde alega: Ocorre que, uma vez concluída a fiscalização e elaborada a Notificação aqui guerreada, nenhum dos documentos apreendidos utilizados para subsidiar o pedido do Instituto, foram restituídos à recorrente. Inobstante este fato, a recorrente foi cientificada pelo Instituto aos 2 7 / 0 2 / 2 0 0 3 , para no prazo de 15 (quinze) dias da data da ciência apresentar sua defesa, ato esse de todo impossível pela absoluta falta de subsídios diante da RETENÇÃO SEM A DEVOLUÇÃO DEVIDA dos documentos apreendidos. Por esses motivos, em respeito ao princípio Constitucional do contraditório e ao previsto pelo artigo 398 do Estatuto Processual vigente é que, a recorrente, requereu que, o Instituto Nacional da Previdência e Assistência Social, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal intimados a procederem a imediata devolução de todos os documentos apreendidos com ulterior restabelecimento do prazo para apresentação da defesa. Finalmente, diante da mais absoluta impossibilidade de elaboração de defesa condizente, a impugnante pode tão somente aduzir com base nos parcos documentos constantes da Fl. 518DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 própria N.F.L.D. que nela foram incluídos também os valores eventualmente pagos a título de prólabore aos sócios gerentes. Há de ser realçado, ainda, que não foram observados pela m.d. fiscalização, por ocasião do levantamento do débito, os abatimentos e deduções a que a recorrente tem direito, tais como salário família, salário maternidade, faltas, e demais consectarios, o que também constitui clara e inegável afronta ao rigor que merece ser dispensado nas apurações fiscais, eivando de inexigibilidade e incerteza o lançamento fiscal. Além do mais, a empresa contribuinte foi optante do programa REFIS, tendo apresentado os documentos comprobatórios, conforme se infere do relatório fiscal, sendo que as eventuais diferenças encontradas nos recolhimentos, se existentes, foram devidamente incluídas naquele programa. É de rigor, ainda, o reconhecimento da comulatividade da correção dos débitos apresentados, vez que a incidência da correção pela UFIR cumulativamente com a aplicação da taxa SELIC j á é considerada abusiva e inconstitucional pela mais moderna doutrina e jurisprudência, onerando o contribuinte abusivamente. A empresa encaminhou a procuradoria pedido de cancelamento dos débitos, correspondentes a 01/1993 a 01/1998, bem como a exclusão do parcelamento, fls. 267 e seguintes. Foi elaborado despacho, fl. 337, onde o importante a se destacar 19)Tendo em vista que a NFLD n° 35.421.9421 é substitutiva, em parte, da NFLD n° 35.421.6740, devese verificar, primeiramente, se o lançamento substitutivo foi realizado ou não dentro do prazo legal estabelecido no art. 173, II, do CTN, o qual dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. 20) De acordo com o exposto acima, constatase que a NFLD n° 35.421.9421 foi constituída, em última análise, dentro do prazo legal supramencionado, consequentemente, não houve decadência nos termos do disposto no art. 173, II, do CTN. 21) Outrossim, não se pode olvidar, na aplicação da referida súmula vinculante, a modulação dos efeitos da decisão que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 5 o do DecretoLei n° 1.569/1977 e dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 quanto aos valores recolhidos antes de 11/06/2008, conforme Parecer PGFN/CRJ/CDA N° 1437/2008. Para o crédito tributário correspondente às competências 12/1996 e 01/1997 a 13/1998 da NFLD n° 35.421.9421, não é possível reconhecer a decadência com fulcro no art. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19839.009052/201188 Acórdão n.º 2401003.415 S2C4T1 Fl. 5 7 173,1, do CTN, uma vez que, para a competência mais antiga desse período (12/1996), o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado foi 01/01/1998, pois o vencimento da respectiva obrigação tributária ocorreu em 02/01/1997 (art. 30, I, "b", da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n° 9.063/1995), logo a decadência somente se verificaria em 01/01/2003, data posterior à constituição da NFLD n° 35.421.6740 (substituída). A procuradoria emitiu novo despacho, onde destacou, fl. 342: O presente débito foi incluído no Parcelamento previsto na Lei 11.941/2009, motivo pelo qual não foi possível solicitar a sua devolução para a fase administrativa, Solicito o seu encaminhamento para a DERAT/EQREC para análise d e decadência parcial d o presente crédito, uma vez que o MM. Juiz Federal nos intimou para nos manifestarmos c om urgência sobre a decadência nos embargos a execução 2008.61.82.0001764 que tramita na I a Vara d e Execuções Fiscais. Diante d a urgência d o caso, mesmo que o Sistema não permita o cancelamento do débito na Receita (uma vez que o Sistema do Parcelamento está "congelado" impedindo qualquer anotação no Sistema Plenus), solicitamos que a análise seja feita por gentileza com presteza e encaminhada a esta Procuradoria Divisão d e Grandes Devedores para peticionarmos na a ç ã o judicial. Foi emitido despacho decisório que reconheceu a decadência parcial do lançamento até 111996, fls. 354 a 356, cuja ementa transcrevo a seguir: LANÇAMENTO DE DÉBITO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REVISÃO DE OFÍCIO. Enunciado de Súmula Vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, após a sua publicação, vincula toda a administração pública. A autoridade competente deve rever de ofício o lançamento de débito que não observou o prazo decadencial qüinqüenal do Código Tributário Nacional, face à declaração de inconstitucionalidade do Art. 45 da Lei n° 8.212/91 pela Súmula Vinculante n° 8 do STF (DOU 20/06/2008). LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE A empresa manifestouse pedindo o cancelamento dos débitos, bem como a exclusão dos mesmos do parcelamento da lei 11.941/99, por estarem extintos pela decadência.os débitos até a competência 01/1998. O contribuinte, apresentou pedido a PGFN, fls. 406 e seguintes, no seguinte de que embora tenha interposto recurso ao CARF o mesmo não foi concedido em função da falta de depósito recursal, contudo tal decisão fere a súmula vinculante n. 21. Isso significa que a Execução Fiscal 2005.61.82.0162620, em curso pela 1 a Vara Federal de Execuções Fiscais, é fundamentada em CDA nula, porque constituída em desacordo com a Súmula Vinculante n° 21 do Colendo Supremo Tribunal Federal. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Foi emitido parecer da PGFN, fls. 435, destacando a inclusão dos referidos débitos em parcelamento. Ocorre, entretanto, que o interessado consolidou seu parcelamento dos débitos referentes a estes autos, reconhecendo a liquidez e certeza do débito, nos termos do art. 6 o da Lei 11.941/2009. Assim, com a confissão irretratável do débito, descabe qualquer análise de recurso administrativo, posto que o reconhecimento do débito importa necessariamente a desistência de eventual recurso. Pelo exposto, indeferese o pedido do interessado, sendo certo que eventual deferimento futuro, por qualquer meio, implicará desistência do parcelamento em curso e reconstituição dos débitos sem as reduções previstas na mesma Lei 11.941/2009. A empresa encaminhou pedido de reconsideração a procuradoria, 406 e eguintes, onde requer a PGFN RECONSIDERAR a decisão anterior e determinar o CANCELAMENTO do débito aqui versado da Dívida Ativa da União, bem como promover, junto ao meritíssimo Juízo da 1 a Vara Federal de Execuções Fiscais, a EXTINÇÃO da Execução Fiscal n° 2005.61.82.0162620. A DRFB apresentou manifestação encaminhando ao recorrente intimação para em desejando apresentar novo recurso, fl. 454. A empresa aditou o recurso manifestandose, fls. 462 Por se tratar de uma consequência da r. decisão de fls. 262, o débito definitivamente constituído também é nulo, assim como são nulas a certidão de dívida ativa (CDA), que o representa, e a execução fiscal que a tem por fundamento. De fato, é o que diz expressamente o parágrafo 1o do referido artigo 59 do Decreto 70.235/7. Nesse sentido, muito embora tenha gerado um débito, a r. decisão de fls. 262 produziu efeitos favoráveis à recorrente, porque esse débito é eivado de vício que o impede de ser legitimamente cobrado. Ora, tendo sido proferida em 08 de março de 2005, o direito de a administração anular a r. decisão de fls. 244 se extinguiu, pela decadência, em 08 de março de 2010. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19839.009052/201188 Acórdão n.º 2401003.415 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 126. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Em sede de preliminares duas são as alegações do recorrente: a) Por se tratar de uma consequência da r. decisão de fls. 244, o débito definitivamente constituído também é nulo, assim como são nulas a certidão de dívida ativa (CDA), que o representa, e a execução fiscal que a tem por fundamento. De fato, é o que diz expressamente o parágrafo 1o do referido artigo 59 do Decreto 70.235/7. b) Nesse sentido, muito embora tenha gerado um débito, a r. decisão de fls. 244 produziu efeitos favoráveis à recorrente, porque esse débito é eivado de vício que o impede de ser legitimamente cobrado. QUANTO A NULIDADE DO PROCEDIMENTO Ao apreciarmos os termos do recurso do recorrente, identificamos que o mesmo entende que a nulidade do despacho às fls. 244 importará a nulidade de todos os atos praticados a posteriori, bem como acaba por viciar todo o procedimento, entendo que razão não lhe assiste, para que seja decretada a nulidade do lançamento. Assim, após análise do procedimento fiscal e dos demais procedimentos que importaram a constituição da CDA, bem como o fato de ter sido reintimado o recorrente, entendo que razão não assiste ao mesmo. Em primeiro lugar, a constituição do crédito em si, não apresenta qualquer vício capaz de nulidificálo. Observase que quando da primeira intimação do lançamento, ao apresentar impugnação argumentou o recorrente me sede preliminar a supressão do direito de defesa, já que os documentos apreendidos que ensejaram a lavratura da presente NFLD não haviam sido devolvidos. Constatada a razão do recorrente, e que os documentos foram devolvidos após o prazo para interposição da defesa, o contribuinte foi novamente cientificado, oportunizandolhe a reabertura do prazo para a apresentação da defesa. Dessa forma, afastada encontrase qualquer nulidade até então aventada. Daí em diante, o procedimento seguiu o tramite correto, tendo sido emitida a decisão de primeira instância, fl. que negou provimento ao recurso, porém reformada essa decisão por meio de despacho decisório que reconheceu a decadência parcial do crédito, fls. 314 a 326 Contudo, após essa segunda decisão o recorrente apresentou recurso ao este Conselho, porém foi negado seguimento ao mesmo em dezembro/2004, tendo em vista que a ausência de depósito recursal à época importava deserção ao direito. Entendo que correto o Fl. 522DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 procedimento adotado à época, já que a súmula vinculante n. 21, somente foi editada em 2009, ou seja, o prosseguimento correto foi adotado com a constituição da CDA. Tendo requerido a aplicação da súmula vinculante n. 21 ao caso concreto, decidiu aquela autoridade (DRFB) pelo cancelamento da CDA em andamento e a cientificação do recorrente para em desejando proceder ao aditamento do recurso apresentado Assim, afasto qualquer nulidade argüida pelo recorrente, considerando que os elementos constantes do processo tornaram claro o procedimento realizado, e que a nulidade da execução não anulou todo o procedimento fiscal, mas reinstalou o contencioso administrativo, permitindo ao recorrente o exercício do amplo direito de defesa. Ora, o crédito foi devidamente constituído, e correu o trâmite devido até que fosse questionada a aplicação da súmula vinculante n. 21. Assim, rejeito a nulidade argüida pelo recorrente. DA DECADÊNCIA Já quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, entendo cabível a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos analisar o contexto da NFLD,ora objeto de julgamento, qual seja, foram apurados diversos levantamentos ora sobre diferenças de contribuições, ora sobre fatos geradores não considerados pelo recorrente como ensejadores de contribuição previdenciária, tendo em vista a apreensão de diversos documentos, por meio de devido procedimento fiscal específico, onde restou comprovado que a empresa não incluía em folhas de pagamento e na própria contabilidade a totalidade dos fatos geradores, omitindo pagamentos feitos aos segurados empregados. Referida constatação, pode ser concluída da leitura do relatório fiscal, fl. 78 e seguintes. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de imediato, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas Fl. 523DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19839.009052/201188 Acórdão n.º 2401003.415 S2C4T1 Fl. 7 11 esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito Fl. 524DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o Fl. 525DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19839.009052/201188 Acórdão n.º 2401003.415 S2C4T1 Fl. 8 13 pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in Fl. 526DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido. Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 527DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19839.009052/201188 Acórdão n.º 2401003.415 S2C4T1 Fl. 9 15 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173, I ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Não fosse apenas esse o argumento, o próprio § 4º do art. 150 do CTN, afasta a sua aplicação, quando constatado dolo, fraude ou simulação. Senão vejamos: “Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha Fl. 528DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.”(grifo nosso) Ora, entendo que a situação que ensejou o presente lançamento se amolda ao exceção do dispositivo transcrito, já que constatado pela fiscalização diversos lançamentos contábeis distintos nos livros, bem como o fato de nas folhas de pagamentos não estarem incluídos diversos pagamentos:, indicou o auditor em seu relatório a tipificação penal, como argumentos para representação fiscal para fins penais elaborado pelo mesmo. Citese trecho do relatório: Assim, considerandose que a própria documentação contábil da empresa ora registra a totalidade das remunerações pagas aos seus segurados empregados e ora registra apenas parcialmente essas remunerações, descumprindo as normas legais pertinentes, fatos que, em tese, configuram crime contra a Seguridade Social definido no art. 95, alínea "c", da Lei n.°8.212/91 e os crimes de o artigos 297 e 304 do DecretoLei n.° 2.848, de 07 de dezembro de 1940 (Código Penal), foi formalizada e encaminhada à autoridade competente Representação Fiscal para Fins Penais. Na verdade, entendo ser aplicável em regra o art. 173, I do CTN, considerando a indicação de fraude na falsificação de documentos contábeis e fiscais. O art. 72 da Lei nº 4.502, de 30.11.1964, definiu a fraude, sob a ótica tributária, ao conceituar que "é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento". ( Assim, no lançamento em questão a lavratura da NFLD deuse em 24/02/2003, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 27/02/2003, os fatos geradores descritos nos levantamentos acima ocorreram entre as competências 01/1993 a 12/1998, dessa forma em aplicandose o art. 173, I do CTN, encontrariamse decadentes as contribuições até 11/1997, contudo referida decadência já foi declarada pelo julgador de primeira instância, não havendo qualquer reparo a ser feito na decisão proferida. DO MÉRITO Quanto ao mérito não há muito o que ser apreciado. Primeiramente, o procedimento adotado pelo auditor na aplicação da presente AIOP seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Não houve ataque ao mérito do lançamento, qual seja ausência de recolhimentos dos valores descontados dos segurados empregados. mas tão somente a nulidade do mesmo, face o entendimento do recorrente de que o procedimento era nulo, face a declaração que o processo retornasse ao CARF e fosse anulada a CDA. Passemos agora apreciar os termos trazidos no recurso original quanto ao mérito:: I. Documentos não foram devolvidos II. Inclusão das verbas em parcelamento especial; III. Cumulatividade da correção pela UFIR e taxa SELIC; IV. Não procedeu o auditor as deduções cabíveis. DOCUMENTOS NÃO FORAM DEVOLVIDOS Fl. 529DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19839.009052/201188 Acórdão n.º 2401003.415 S2C4T1 Fl. 10 17 Conforme consta dos autos a empresa teve reaberto o prazo de impugnação, uma vez , que os documentos apreendidos, foram devolvidos, conforme despachos fls. 197 a 200, senão vejamos: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls.69/75, apurou divergências entre os valores das remunerações arbitradas na revisão fiscal anterior, através da NFLD 354216740 e os valores obtidos junto aos documentos apreendidos em ação conjunta com o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, mediante Mandado de Busca e Apreensão. 2. Irresignada com o procedimento fiscal, a notificada se insurge, apresentando defesa tempestiva (fls.170/176), alegando, preliminarmente, que "uma vez concluída a fiscalização e elaborada a Notificação, nenhum dos documentos apreendidos utilizados para subsidiar o pedido do Instituto, foram restituídos à impugnante". 3. Temos que assiste razão à defendente ao afirmar que não estava de posse dos documentos apreendidos, objeto do presente levantamento. Conforme se depreende da cópia do Termo de Entrega, acostada às fls.197 a 200, a restituição somente ocorreu aos 22/04/2003, após o decurso do prazo para impugnação do levantamento. 4. Destarte, uma vez acolhida a preliminar arguida, deverá ser devolvido o prazo de 15 (quinze) dias, para apresentação de nova defesa, devidamente instruída com os documentos em que irá se fundamentar, especificando as provas que pretende produzir. Ao 21.4053 ORACOB, para que possa dar ciência à notificada, ora defendente. Dessa forma, não há como acatar os argumentos trazidos pelo recorrente, de que não teve a oportunidade de se defender, razão pela qual não há o que ser apreciado a esse respeito. INCLUSÃO EM PARCELAMENTO Quanto a inclusão em parcelamento especial, observase à fls. 445 que o DEBCAD em questão não foi incluído no referido parcelamento, tendo inclusive sido alvo de execução fiscal/ APLICAÇÃO DE JUROS Quanto a cumulatividade de UFIR e SELIC, não há o que ser enfrentado, já que todo o lançamento referese a fatos geradores ocorridos após a edição do plano real, sendo apenas os valores não pagos atualizados com base na SELIC, o que não apenas encontra respaldo legal, como conduz o próprio entendimento do CARF. Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de Fl. 530DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” DAS DEDUÇÕES Quanto as deduções melhor sorte não assiste ao recorrente, tendo em vista que citado no relatório fiscal o abatimento de tais valores, conforme transcrito abaixo: 4.1 As contribuições recolhidas parcialmente pela empresa através de Guias de Recolhimento da Previdência Social GRPS e Guias da Previdência Social GPS, bem como, os valores pagos pela empresa a título de SalárioFamília. Salário Maternidade e Auxílio Natalidade, foram deduzidos das contribuições apuradas, conforme demonstrado no DAD. Também foram deduzidas as contribuições declaradas, confessadas e parceladas pela empresa junto ao INSS através Fl. 531DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19839.009052/201188 Acórdão n.º 2401003.415 S2C4T1 Fl. 11 19 dos DEBCAD ns.° 31.620.0336, 31.384.9463, 32.376.5742, 32.376.575 0, 32.376.5769 e 35.070.6654,^ relativas ao período de 01/1993 à 12/1998 (inclusive 13.°salário). Todos esses valores foram obtidos junto ao Sistema Informatizado de Dados INSS/DATAPREV. Tendo o auditor descrito no próprio relatório fiscal, o desconto de todos os recolhimentos, parcelamentos e reembolsos a que o recorrente tinha direito, não há o que ser apreciado, se simplesmente argumenta o recorrente sem apresentar nenhum erro efetivo da fiscalização. No caso, competiria ao recorrente pelo menos indicar algum reembolso que não tivesse sido efetivamente descontado. Por todo o exposto, entendo que o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da decisão proferida, haja vista os argumentos apontados pela recorrente serem incapazes de refutar a presente autuação. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para rejeitar a nulidade do lançamento e no mérito NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10510.723751/2012-43
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2009
OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS COLIGADAS.
As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas coligadas sujeitam-se à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras.
ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2/CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária que institui penalidade.
MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS.
A qualificação da multa de ofício a que se refere o art. 44 da Lei no 9.430/1996 requer a precisa configuração de uma das situações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964.
Numero da decisão: 3403-003.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para afastar a qualificação da multa de ofício, aplicando-a no patamar de 75%. Sustentou pela recorrente o Dr. William Guimarães Cyrelli, OAB/RS no 76.361.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário: 2009 OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS COLIGADAS. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas coligadas sujeitam-se à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária que institui penalidade. MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. A qualificação da multa de ofício a que se refere o art. 44 da Lei no 9.430/1996 requer a precisa configuração de uma das situações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10510.723751/2012-43
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5366691
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3403-003.112
nome_arquivo_s : Decisao_10510723751201243.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10510723751201243_5366691.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para afastar a qualificação da multa de ofício, aplicando-a no patamar de 75%. Sustentou pela recorrente o Dr. William Guimarães Cyrelli, OAB/RS no 76.361. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5560341
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046809881870336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2012; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 211 1 210 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.723751/201243 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.112 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2014 Matéria AIIOF Recorrente VULCABRÁS AZALEIASE CALÇADOS E ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2009 OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS COLIGADAS. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas coligadas sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária que institui penalidade. MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. A qualificação da multa de ofício a que se refere o art. 44 da Lei no 9.430/1996 requer a precisa configuração de uma das situações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para afastar a qualificação da multa de ofício, aplicandoa no patamar de 75%. Sustentou pela recorrente o Dr. William Guimarães Cyrelli, OAB/RS no 76.361. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 37 51 /2 01 2- 43 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração lavrado em 15/10/2012 (fls. 2 a 91) para exigência de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF) referente a fatos geradores de 31/01/2009 a 31/12/2009, acrescidos de juros de mora e de multa de ofício qualificada (150%), em total de R$ 1.557.157,33, por falta de recolhimento, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (TVF). No TVF (fls. 10 a 18), narrase que: (a) foi constatada a existência de lançamentos contábeis de contratos de mútuo sem o lançamento de IOF, e sem declaração em DCTF, omitindose valores da tributação, ficando evidente o intuito de sonegar; (b) a empresa (antigamente denominada Calçados Hispana LTDA) foi intimada em 24/02/2012 a demonstrar apropriação e recolhimento de IOF, sem atendimento; (c) pela documentação digital apresentada, apurouse a existência de dois contratos de mútuo (firmados com a Vulcabrás S.A. e a Vulcabrás do Nordeste S.A.); (c) a empresa foi intimada em 20/04/2012 a apresentar contratos de empréstimo que geraram lançamentos a débito nas contas “empréstimos a receber Vulcabrás/Reebok” e “empréstimos a rec. Empr. Ligada Nacional”, tendo sido apresentado como resposta o já mencionado contrato de mútuo com a Vulcabrás do Nordeste S.A., e seu aditamento; (d) pelo art. 13, I a III da Lei no 9.779/1999 (regulamentado pelos arts. 2o, 5o e 7o do Decreto no 6.306/2007, e disciplinado pelo art. 7o da Instrução Normativa RFB no 907/2009), as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros sujeitam se à incidência de IOF, sendo responsável pelo recolhimento a pessoa jurídica que conceder o crédito; (e) com base nos contratos de mútuo, e na análise de lançamentos contábeis, percebeu se a existência de vários lançamentos de empréstimos, chegandose a demonstrativos de apuração mensal; e (f) caracterizada a existência dos contratos de mútuo, e a falta reiterada de lançamento do IOF devido, bem como a falta de declaração em DCTF, cabível a qualificação da multa de ofício (com fundamento nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/1964), destacandose que o conhecimento da obrigação de lançamento contábil era patente, pois a empresa já havia impetrado Mandado de Segurança (no 000286494.2010.4.05.8500) tendo como objeto a declaração de inconstitucionalidade exatamente do art. 13 da Lei no 9.779/1999, pedindo a compensação dos valores pagos a título de IOF dos últimos dez anos (com sentença denegada em primeiro grau, e apelação denegada no TRF da 5a Região, tendo sido apresentados Recursos Especial e Extraordinário). Cientificada da autuação em 18/10/2012 (cf. AR de fl. 107), a empresa solicita parcelamento dos débitos de IOF lançados em 12/11/2012 (fls. 108 a 125), que é 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 212DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10510.723751/201243 Acórdão n.º 3403003.112 S3C4T3 Fl. 212 3 indeferido com base em vedação legal em 16/11/2012 (fl. 128), e apresenta impugnação à autuação em 19/11/2012 (fls. 129 a 153), alegando, em síntese, que: (a) o IOF é imposto extrafiscal e não condiz com as relações jurídicas privadas havidas entre pessoas jurídicas não atuantes no mercado financeiro, não incidindo IOF sobre operações de mútuo entre instituições não financeiras coligadas; (b) o imposto não onera o crédito, v.g., mas as operações de crédito (operações que envolvam instituições financeiras e entidades a elas assemelhadas), sendo o art. 13 da Lei no 9.779/1999 inconstitucional; (c) as Leis no 5.143/1966 e no 5.172/1966, por serem normas gerais, foram ambas recepcionadas pela CF 1988 como leis complementares; (d) o STF já reconheceu a repercussão geral da matéria no RE no 590.186/RS; (e) não houve dolo, pois a impugnante trouxe ao fisco seu posicionamento sobre o tema, e não haveria sentido declarar em DCTF obrigação tributária com a qual o contribuinte não apenas não concorda, mas discute judicialmente; e (f) o CARF já assentou entendimento de que a simples apuração de omissão de receita ou rendimento, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” (Súmula 14). Em 21/08/2013 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 172 a 175), no qual se acorda unanimemente pela procedência do lançamento efetuado, sob o fundamento de que: (a) a impugnante não contesta a existência das operações de mútuo, tendo inclusive apresentado pedido de parcelamento (indeferido) dos valores lançados; (b) a extrafiscalidade do IOF em nada afeta o lançamento, tendo em vista o caráter explícito da base legal de regência (art. 13 da Lei no 9.779/1999), cuja constitucionalidade/legalidade não pode ser objeto de análise pelo colegiado administrativo; e (c) houve dolo, na acepção do art. 18, I do Código Penal (assunção do resultado ou risco de produzilo), tendo a empresa a vontade de agir ou se omitir, a consciência da conduta e de seu resultado, e de que a conduta leva ao resultado (nexo causal). Cientificada da decisão de piso em 13/11/2013 (cf. AR de fl. 177), a empresa apresenta recurso voluntário em 06/12/2013 (fls. 179 a 203), basicamente reiterando os argumentos expostos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. São matérias controversas a aplicação do art. 13 da Lei no 9.779/1999 e a qualificação da multa de ofício. Como é incontroversa a existência de contratos de mútuo, assim como dos cálculos que levaram aos valores lançados, as discussões são basicamente sobre a aplicação dos dispositivos legais referentes à matéria. Em relação ao art. 13 da Lei no 9.779/1999, entende a recorrente que não deve ser aplicado ao caso em análise, seja pelo caráter extrafiscal do tributo, que não é Fl. 213DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 compatível com a exigência de instituições não financeiras, seja por ser inconstitucional o comando, ou ainda por contrariar o artigo as disposições de leis complementares (Leis no 5.143/1966 e no 5.172/1966). Vejase o que dispõe o artigo 13 da Lei no 9.779/1999: “Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1o Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2o Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3o O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subsequente à da ocorrência do fato gerador.” (grifo nosso) A leitura do texto não deixa dúvidas sobre a irrelevância de serem ou não as pessoas jurídicas participantes do mútuo instituições financeiras. E acrescentese ainda a irrelevância de ser o IOF um tributo extrafiscal para afrontar a legalidade estrita do comando. Sobre a alegação de inconstitucionalidade, cabe menção à Súmula 2 deste CARF, que veda a análise administrativa do tema: “Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. E, na leitura do art. 146, III da Constituição de 1988, não se entende aqui que um comando legal, como o do art. 1o da Lei no 5.143/1966, que estabeleça detalhamento do fato gerador (e não normas gerais de legislação tributária sobre a definição de fatos geradores) tenha envergadura de lei complementar. O Código Tributário Nacional, que disciplina o tema em seus arts. 63 a 67, não restringe a exigência a instituições financeiras. Em seu art. 66, deixa claro que “contribuinte do imposto é qualquer das partes na operação tributada, como dispuser a lei”. Assim, o comando do art. 13 da Lei no 9.779/1999, além de compatível com o CTN, é posterior e de mesma estatura hierárquica que o art. 1o da Lei no 5.143/1966. Cabe ainda destacar que o reconhecimento de repercussão geral, sem julgamento definitivo pelo STF, não mais acarreta sobrestamento na esfera administrativa, em função da revogação dos §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF pela Portaria MF no 545, de 18/11/2013. Aplicável ao caso, então, a norma do art. 13 da Lei no 9.779/1999, como já vem decidindo este CARF: Fl. 214DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10510.723751/201243 Acórdão n.º 3403003.112 S3C4T3 Fl. 213 5 “INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 13 DA. LEI N° 9.779/99. A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE EMPRESAS.INCIDÊNCIA DO IOF. Nos termos da legislação em vigor, incide o IOF nas operações de crédito realizadas entre pessoas jurídicas, na modalidade de mútuo de recursos financeiros.” (Acórdão no 3201001.637, Rel. Cons. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, unânime, sessão de 25.abr.2014) “OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS COLIGADAS. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas coligadas sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.” (Acórdão no 3202001.076, Rel. Cons. Luís Eduardo Garrossino Barbieri, unânime em relação ao tema, sessão de 25.fev.2014) Procedente, assim, a exigência do IOF. Em relação à qualificação da multa de ofício, há que se verificar se a autuação traz elementos que indiquem a existência de dolo, à luz da Súmula CARF no 14: “Súmula CARF no 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Tal súmula foi editada a partir de cinco acórdãos paradigmas, todos da 1a Seção do CARF, tratando de IRPJ/IRPF, e todos versando sobre não comprovação da origem de montantes que transitaram por contacorrente bancária, gerando presunção de omissão de receitas: Acórdão no 10194258, de 01/07/2003; Acórdão no 10194351, de 10/09/2003; Acórdão no 10419384, de 11/06/2003; Acórdão no 10419806, de 18/02/2004; e Acórdão no 10419855, de 17/03/2004. A questão recebeu tratamento mais aperfeiçoado na Súmula CARF no 25: “Súmula CARF no 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64.” No caso em concreto, não há ausência de comprovação, mas precisa indicação da origem dos recursos que não foram oferecidos a tributação. Havia contratos de Fl. 215DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 mútuo, e legislação vigente estabelecendo que os valores objeto do mútuo seriam objeto de incidência de IOF. Não há, ainda, presunção legal de omissão de receita. Há, sim, a comprovação pelo fisco de que os valores decorrente de mútuo não foram oferecidos a tributação. Ou seja, a situação fática não se amolda ao teor das súmulas em comento. Contudo, isso não é suficiente para se concluir pela qualificação da multa de ofício. Como o próprio comando legal instituidor (art. 44 da Lei no 9.430/1996) o estabelece, para a qualificação é necessário que se comprove uma das condutas previstas nos arts. 71 (sonegação), 72 (fraude) a 73 (conluio) da Lei no 4.502/1964. Na autuação (mais especificamente no TVF), a conduta imputada é a de sonegação (art. 71 da Lei no 4.502/1964), em que pese haver menção genérica, ao final doTVF (fl. 17), a todos os artigos (71 a 73): “Em procedimento de fiscalização no contribuinte, desenvolvido para o anocalendário de 2009, ficou constatado (sic) a existência de lançamentos contábeis de contratos de mútuo, sem o respectivo lançamento contábil do IOF devido e sem que fossem os seus valores foram (sic) declarados em DCTF, consequentemente estes valores de IOF foram omitidos da tributação, ficando evidente o intuito de sonegar indevidamente o tributo devido.” (fl. 10) (grifo nosso) “Conforme já exposto, ficou evidente a existência de contratos de mútuo, mais (sic) sem o respectivo lançamento contábil do IOF devido, bem como a falta de declaração do IOF em DCTF, consequentemente estes valores, apesar de serem legalmente previstos, foram omitidos da tributação, ficando evidente o intuito de sonegar indevidamente o tributo devido para o ano calendário de 2009.” (fl. 15) (grifo nosso) E o fisco endossa a tese com a informação de que a empresa era obrigada a apresentar DCTF, de que houve a reiterada prática de omitir em DCTF os valores devidos, e de que a empresa já havia pleiteado judicialmente compensação de valores de períodos anteriores pagos em função do art. 13 da Lei no 9.779/1999, cuja inconstitucionalidade suscitava incidentalmente, tendo seu pleito sido negado. Dispõe o art. 71 da Lei no 4.502/1964: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” A nosso ver, não há precisa configuração da situação prevista no art. 71 na autuação. O TVF sequer se dedica a indicar sobre qual inciso do art. 71 está a falar. O tributo não estava declarado em DCTF nem lançado na escrituração, mas as operações ensejadoras do Fl. 216DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10510.723751/201243 Acórdão n.º 3403003.112 S3C4T3 Fl. 214 7 fato gerador estavam. Poderseia conjecturar que a autuação tenderia a informar ter havido retardo do conhecimento da ocorrência do fato gerador em função da omissão de declaração em DCTF e do lançamento de IOF. Mas isso não consta do TVF. A menção à existência de ação judicial (digase, com numeração de 2010) e a sentença desfavorável ao contribuinte (também em 2010) não podem ser tomadas como pressupostos de que o contribuinte era sabedor de que seu entendimento em relação à matéria estava incorreto quando dos lançamentos, em 2009. Consultandose o referido processo (Mandado de Segurança no 0002864 94.2010.4.05.8500) no sítio web da Justiça Federal de Sergipe, percebese que o pedido era para declarar incidentalmente a constitucionalidade do art. art. 13 da Lei no 9.779/1999, a fim de reconhecer o direito à compensação dos valores pagos a título de IOF pela empresa nos últimos 10 anos (desde julho de 2000) com outros tributos administrados pela RFB. Ao que tudo indica (ainda no reino das conjecturas, porque ausente o detalhamento nestes autos), a empresa efetuava recolhimento de IOF sobre as operações de mútuo, e, em algum momento, deixou de fazêlo, por entender não cabível tal recolhimento em função de não ser uma instituição financeira (entendimento que, apesar de rechaçado nestes autos, ainda está pendente de manifestação no STF no RE no 590.186/RS, com repercussão geral reconhecida, como aqui já destacado). Não se vê, assim, na autuação, a demonstração de dolo na conduta da empresa, nem a precisa configuração de situação ensejadora da qualificação da multa. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para afastar a qualificação da multa de ofício, aplicandoa no patamar de 75%. Rosaldo Trevisan Fl. 217DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000098/2009-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2004 a 30/06/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - ABONO - INCIDÊNCIA - Para que o abono pago ao empregado não sofra incidência de contribuições previdenciárias, deve obedecer as determinações contidas no art. 28, I, § 9º, “e” da Lei 8212/91, ou seja, deve estar expressamente desvinculado do salário. CLÁUSULA DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO - Não basta constar em cláusula de Convenção Coletiva a determinação do pagamento de uma verba para que ela não sofra incidência de contribuições previdenciárias, é preciso que as verbas ali constantes estejam dentro das isenções contidas na legislação vigente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.501
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Marcelo Freitas de Souza Costa
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - ABONO - INCIDÊNCIA - Para que o abono pago ao empregado não sofra incidência de contribuições previdenciárias, deve obedecer as determinações contidas no art. 28, I, § 9º, “e” da Lei 8212/91, ou seja, deve estar expressamente desvinculado do salário. CLÁUSULA DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO - Não basta constar em cláusula de Convenção Coletiva a determinação do pagamento de uma verba para que ela não sofra incidência de contribuições previdenciárias, é preciso que as verbas ali constantes estejam dentro das isenções contidas na legislação vigente. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 14041.000098/2009-70
conteudo_id_s : 5358133
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2403-002.501
nome_arquivo_s : Decisao_14041000098200970.pdf
nome_relator_s : Marcelo Freitas de Souza Costa
nome_arquivo_pdf_s : 14041000098200970_5358133.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5515110
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046810083196928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Programa Gerador de Documentos; xmp:CreatorTool: Writer; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; language: pt-BR; dcterms:created: 2014-05-07T19:10:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Programa Gerador de Documentos; pdf:docinfo:creator_tool: Writer; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; dc:title: Programa Gerador de Documentos; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; dc:language: pt-BR; meta:author: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; meta:creation-date: 2014-05-07T19:10:19Z; created: 2014-05-07T19:10:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2014-05-07T19:10:19Z; pdf:charsPerPage: 1707; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-05-07T19:10:19Z | Conteúdo => Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 463 462 S2-C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.000098/2009-70 Recurso nº Acórdão nº 2403-002.501 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente JORLAN S/A VEÍCULOS AUTOMOTIVOS IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - ABONO - INCIDÊNCIA - Para que o abono pago ao empregado não sofra incidência de contribuições previdenciárias, deve obedecer as determinações contidas no art. 28, I, § 9º, “e” da Lei 8212/91, ou seja, deve estar expressamente desvinculado do salário. CLÁUSULA DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO - Não basta constar em cláusula de Convenção Coletiva a determinação do pagamento de uma verba para que ela não sofra incidência de contribuições previdenciárias, é preciso que as verbas ali constantes estejam dentro das isenções contidas na legislação vigente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari,- Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator. 1 Fl. 463DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. . 2 Fl. 464DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 463 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado por descumprimento de obrigação principal correspondentes às contribuições de Terceiros (Sal. Educação, INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE) nas competências 05 e 06 de 2004. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 19/25, os fatos geradores das contribuições lançadas foram as verbas pagas aos segurados empregados, a titulo de Abono Salarial, conforme ANEXO 1, as quais constavam da folha de pagamento, mas não integraram a base de cálculo para a contribuição previdenciária e não foram declaradas em GF1P. Inconformado com a Decisão de fls. 64/70 que julgou procedente o lançamento, a empresa recorre a este conselho alegando em síntese: Que a rubrica (740) Abono Salarial identificada pela fiscalização nos meses de competências 05/2004 e 06/2004, é assegurado pela Convenção Coletiva de Trabalho firmado entre o Sindicado dos Empregados no Comércio do Distrito Federal e o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Distrito Federal – SINCODIVE. Defende que, alegar como fez a fiscalização que os acordos Coletivos firmados entre as empresas e o Sindicato da categoria não tem eficácia legal é no mínimo um absurdo! Portanto, não há que se falar em descumprimento de incidência de contribuições sociais sobre abono salarial referente ao mês de competências 05/2004 e 06/2004, porque feito, de acordo com a Convenção Coletiva de Trabalho firmado entre o Sindicado dos Empregados no Comércio do Distrito Federal e o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Distrito Federal - SINCODIVE. Requer o recebimento do recurso para que seja julgada improcedente a autuação, com também a multa imposta ou, alternativamente a retificação da multa e o recálculo dos juros. O processo foi baixado em diligência por duas vezes para que o contribuinte anexasse os Acordos Coletivos a que faz referência. É o relatório. 3 Fl. 465DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Inicialmente é importante esclarecer que os autos foram baixados em diligência para que a recorrente anexasse os Acordos Coletivos para verificação da possibilidade de aplicação do PARECER PGFN/CRJ/Nº 2114/2011, que, em virtude de decisões reiteradas de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça ─ STJ no sentido de que o abono único, disposto em Convenção Coletiva de Trabalho, quando desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não é passível de incidência de contribuição previdenciária. Em resposta à diligência solicitada a autuada anexou Convenções Coletivas de período diverso da autuação, ou seja, os documentos anexados são datados de 22/11/2004 e 28/11/2005, logo em período posterior aos fatos geradores constantes no presente lançamento que ocorreram em 05 e 06 de 2004. Logo, entendo como não atendida a diligência devendo os autos serem julgados estado em que se encontram. O presente lançamento foi efetuado em face da recorrente devido a pagamento de abonos efetuados aos seus funcionários, caracterizados pela fiscalização como valores que integram o salário de contribuição. Aduz a recorrente que, por se tratarem de verbas pagas em decorrência de Acordos Coletivos estabelecidos pelos sindicatos das categorias, tais valores não estão sujeitos à incidência de contribuições, posto que desvinculados dos salários de seus funcionários. Logo, a questão a ser resolvida é se as verbas pagas pela Recorrente, a título de abono, integram, ou não, o salário de contribuição para fins de incidência das contribuições previdenciárias. Em um primeiro momento, entendo que as Convenções e Acordos Coletivos tem caráter normativo vez que, às empresas, não cabe descumprir a convenção coletiva, eis que estariam descumprido norma expressa do nosso ordenamento jurídico, sujeitando-se a sanções administrativas e judiciais cabíveis (Auto de Infração pela Delegacia Regional do Trabalho; Ação de Cumprimento pelo Sindicato; etc...), já que a mesma é equiparada à lei, tendo efeito obrigacional sobre todas as empresas e trabalhadores dos sindicatos signatários na sua base territorial. A força de lei da convenção coletiva é conferida pela Constituição Federal, através dos artigos 7º, inciso XXVI, e 114, e pela Consolidação das Leis do Trabalho, através do artigo 611, que equiparam as mesmas as leis ordinárias, devendo, portanto, ser respeitada e cumprida. Contudo, temos que a não incidência de contribuição sobre as verbas pagas a título de abono, devem cumprir outros requisitos, em especial, o de ser expressamente desvinculado do salário. 4 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 463 De acordo com a transcrição da Cláusula Primeira, Parágrafo Primeiro da Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre o Sindicado dos Empregados no Comércio do Distrito Federal e o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Distrito Federal – SINCODIVE, constante no item 10 do Relatório Fiscal, referido abono seria pago no percentual de 70% do salário base do empregado. Logo, não há como deixar de verificar a vinculação desta verba com o salário dos empregados da recorrente, o que fulmina as razões defendidas no presente recurso. Não basta apenas constar em acordo ou convenção coletiva de trabalho a determinação do pagamento de referida verba para que ela seja considerada isenta de contribuições, há que harmonizar tais cláusulas com as determinações da legislação vigente. Nos termos da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, os abonos pagos pelo empregador integram o conceito de salário, Art. 457 - Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º - Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (g.n.). A Lei 8.212/91, observadas as alterações posteriores, assim se manifesta sobre o salário de contribuição e sobre as parcelas pagas a título de acordo: Art. 28 - Entende-se por salário de contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidade e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) § 9º - Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 5 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (g.n.) O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99, incluídas as alterações posteriores, dispõe: Art. 214 - Entende-se por salário de contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidade e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) § 9º - Não integram o salário-de-contribuição,, exclusivamente: (...) V) as importâncias recebidas a título de: (...) j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei. (g.n.) Em análise aos dispositivos legais e regulamentares acima transcrito, conclui- se que os "abonos" só não integram o salário de contribuição quando expressamente os desvinculados destes, ou seja, para que não sofram a incidência de contribuição previdenciária, não podem ter qualquer vínculo com o salário e, em conseqüência, encontrarem-se fora do campo de incidência de contribuição previdenciária; Conclui-se que o legislador ao fazer constar da Lei 8.212/91, art. 28, § 9, alínea "e", item 7, a condição "expressamente desvinculado do salário", o fez com intuito exclusivo de evitar a evasão de contribuições previdenciárias, senão, quaisquer valores pagos aos empregados a título de remuneração poderiam, com certeza, não sofrer a incidência de contribuição previdenciária, se pagos sob a denominação de abono. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso e no mérito Negar-lhe Provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa 6 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 463 7 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13603.001642/2007-63
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. DISTRIBUIDORES E VAREJISTAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
A incidência monofásica é incompatível com o creditamento nas etapas desoneradas da contribuição, nas quais não há cumulatividade a ser evitada. A inclusão das receitas com a venda de óleo diesel e gasolina no regime não cumulativo não abarca os distribuidores e comerciantes varejistas dos produtos, que ficam impossibilitados de se creditar das despesas com frete e armazenagem vinculados à revenda de bens ou produtos.
EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Os encargos de depreciação devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal em função do prazo de vida útil do bem e somente pode haver a sua contabilização, no caso de benfeitorias em imóveis de terceiros, se a assunção do ônus com as obras se der em caráter definitivo.
Numero da decisão: 3803-005.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto a serem submetidas ao regime de tributação do PIS/Cofins não-cumulativo as operações de revenda de produtos tributados à alíquota zero e ao creditamento de PIS/Cofins sobre custos ou despesas de frete e armazenamento nas operações mencionadas; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o conselheiro Belchior Melo de Sousa. E por unanimidade, negou-se provimento quanto aos demais pedidos.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. DISTRIBUIDORES E VAREJISTAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A incidência monofásica é incompatível com o creditamento nas etapas desoneradas da contribuição, nas quais não há cumulatividade a ser evitada. A inclusão das receitas com a venda de óleo diesel e gasolina no regime não cumulativo não abarca os distribuidores e comerciantes varejistas dos produtos, que ficam impossibilitados de se creditar das despesas com frete e armazenagem vinculados à revenda de bens ou produtos. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de depreciação devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal em função do prazo de vida útil do bem e somente pode haver a sua contabilização, no caso de benfeitorias em imóveis de terceiros, se a assunção do ônus com as obras se der em caráter definitivo.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13603.001642/2007-63
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351444
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.247
nome_arquivo_s : Decisao_13603001642200763.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13603001642200763_5351444.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto a serem submetidas ao regime de tributação do PIS/Cofins não-cumulativo as operações de revenda de produtos tributados à alíquota zero e ao creditamento de PIS/Cofins sobre custos ou despesas de frete e armazenamento nas operações mencionadas; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o conselheiro Belchior Melo de Sousa. E por unanimidade, negou-se provimento quanto aos demais pedidos. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5475657
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046810166034432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2531; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 2.370 1 2.369 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.001642/200763 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.247 – 3ª Turma Especial Sessão de 29 de janeiro de 2014 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente ALESAT COMBUSTÍVEIS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. DISTRIBUIDORES E VAREJISTAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A incidência monofásica é incompatível com o creditamento nas etapas desoneradas da contribuição, nas quais não há cumulatividade a ser evitada. A inclusão das receitas com a venda de óleo diesel e gasolina no regime não cumulativo não abarca os distribuidores e comerciantes varejistas dos produtos, que ficam impossibilitados de se creditar das despesas com frete e armazenagem vinculados à revenda de bens ou produtos. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de depreciação devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal em função do prazo de vida útil do bem e somente pode haver a sua contabilização, no caso de benfeitorias em imóveis de terceiros, se a assunção do ônus com as obras se der em caráter definitivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto a serem submetidas ao regime de tributação do PIS/Cofins nãocumulativo as operações de revenda de produtos tributados à alíquota zero e ao creditamento de PIS/Cofins sobre custos ou despesas de frete e armazenamento nas operações mencionadas; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 16 42 /2 00 7- 63 Fl. 2370DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 para redigir o voto vencedor, nesta parte, o conselheiro Belchior Melo de Sousa. E por unanimidade, negouse provimento quanto aos demais pedidos. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira – Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP através do qual a Alesat, empresa que se dedica a atividade de comércio atacadista de combustíveis, tais como, gasolina, óleo diesel e gás natural veicular (GNV), busca compensar crédito de COFINS, referente ao primeiro trimestre de 2006, no valor de R$ 419.937,66, cujos débitos totalizam o mesmo valor, tendo como período de apuração os meses de outubro e novembro de 2006. Em razão da alteração do domicílio fiscal do sujeito passivo, o presente processo, que foi protocolizado na DRF/Contagem/MG para exame do PER/DCOMP acima, foi encaminhado à Seção de Fiscalização SAFIS de Natal (DRF/NATAL/RN), que elaborou Termo de Informação Fiscal e antecipou seu entendimento contrário ao direito creditório requerido. Ato contínuo, a SAFIS/DRF/NATAL remeteu os autos à SAORT/DRF/NATAL que, após superadas as diligências requeridas, proferiu Despacho Decisório no sentido de não reconhecer o direito creditório pleiteado a título de COFINS, indeferir o pedido de ressarcimento formalizado e não homologar as compensações formalizadas nos PER/DCOMPS apresentados, sustentando que: a) as mudanças que trouxeram a sistemática não cumulativa da COFINS aplicada aos derivados de petróleo só se aplicam às refinarias; b) os créditos devem ser apurados exclusivamente em relação aos custos, despesas e encargos vinculados à incidência não cumulativa da COFINS, o que não se encaixa em frete ou armazenagem de combustíveis derivados de petróleo ou álcool para fins carburantes quando se tratar de revenda; c) os documentos apresentados como decorrentes de despesas com aluguéis nem sempre atendem aos requisitos legais para fins de apuração de créditos de COFINS; d) não ficou comprovado pela empresa o cumprimento dos requisitos legais necessários para fruição de créditos advindos de encargo de depreciação. Fl. 2371DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001642/200763 Acórdão n.º 3803005.247 S3TE03 Fl. 2.371 3 Irresignada, a Alesat apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que as glosas efetuadas não mereciam ser mantidas uma vez que se fundamentaram equivocadamente em relação à norma legal disposta no art. 3º e incisos das Leis n.º 10.637/02 e n.º 10.833/03. Defendeu, em síntese, que: 1. somente o álcool para fins carburantes permaneceu na sistemática cumulativa, sendo que a gasolina e o óleo diesel ingressaram na nãocumulatividade, pouco importando se o envolvido na operação de venda é fabricante, importador, distribuidor ou varejista; 2. o direito creditório pleiteado não se vincula aos combustíveis adquiridos, mas sim às despesas com fretes e armazenamento decorrentes de tais receitas, sustentando que as mesmas estão sujeitas ao regime nãocumulativo; 3. a empresa, por desenvolver processo produtivo quando da obtenção da Gasolina C, tem a opção de enquadrar suas despesas com armazenagem e frete na venda como insumos, entendidos estes como todos os bens e serviços adquiridos pelos contribuintes que são necessários ao exercício de suas atividades; 4. deve ser feita revisão dos valores referentes ao aluguel uma vez que apresentou a documentação faltante; 5. no tocante à depreciação, não deve haver imposição não prevista em lei, sob pena de ferir a vinculação a que o administrador deve estar sujeito, aduzindo, ainda, que apresentou documentação faltante. Em julgamento exarado pela DRJ/REC, a 2ª turma negou o pedido de perícia e deu parcial provimento à Manifestação para reconhecer o direito ao creditamento dos valores referentes a aluguéis e depreciação cujas despesas foram comprovadas, ressalvando que o valor total dos créditos apurados se mostra insuficiente para que haja excedente a ser ressarcido/compensado. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INDEFERIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório, o Pedido de Ressarcimento será indeferido e as Declarações de Compensação a ele vinculadas não serão homologadas, implicando a cobrança dos valores indevidamente Fl. 2372DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 compensados, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. DISTRIBUIDORA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A inclusão das refinarias e dos importadores de combustíveis derivados de petróleo na sistemática não cumulativa da Cofins pela Lei nº 10.865/2004 em nada alterou a situação dos distribuidores e varejistas, que continuaram tributados à alíquota zero, sem direito a crédito, seja relativo aos custos nas aquisições dos produtos revendidos, seja referente às despesas e encargos de comercialização. A incidência monofásica é incompatível com a técnica do creditamento nas etapas desoneradas do tributo, nas quais não há cumulatividade a ser evitada, razão pela qual as receitas com a revenda de produtos cuja cadeia de produção e comercialização tem tributação concentrada em etapa anterior devem ser consideradas fora da nãocumulatividade no cálculo do rateio proporcional de que trata o inciso II do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. PRODUTOS TRIBUTADOS PELO IPI. COMBUSTÍVEIS. IMUNIDADE. Somente são considerados estabelecimentos industriais aqueles que fabricam produtos tributados pelo IPI (art. 8º do RIPI/2010) e os combustíveis são imunes ao imposto (art. 155, § 3º, da CF). Assim, os distribuidores de combustíveis que misturam álcool anidro à gasolina tipo “A”, para a obtenção da gasolina tipo “C”, não são produtores. ALUGUÉIS DE PRÉDIOS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. CREDITAMENTO. CONDICIONANTES. O sujeito passivo poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis de prédios, comprovadamente pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, utilizados nas atividades da empresa (art. 3º, IV, e § 3º, II, da Lei nº 10.833/2003). EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. CONDICIONANTES. Poderão ser descontados créditos calculados em relação aos encargos de depreciação incorridos no mês de edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa (art. 3º, VII, Fl. 2373DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001642/200763 Acórdão n.º 3803005.247 S3TE03 Fl. 2.372 5 e § 1º, III, da Lei nº 10.833/2003). Os referidos encargos devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal em função do prazo de vida útil do bem (art. 1º, § 1º da IN/SRF nº 457/2004, c/c IN/SRF nos 162/98 e 130/99) e somente pode haver a sua contabilização, no caso de imóveis de terceiros, se a assunção do ônus com as obras se der em caráter definitivo. RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE OU PELA VIA DA COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EXCEDENTE, APÓS DEDUÇÃO DOS DÉBITOS. Somente serão passíveis de ressarcimento/compensação, após o encerramento do trimestrecalendário, os créditos da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 que não puderem ser utilizados no desconto de débitos da referida contribuição (art. 21 da IN/SRF nº 600/2005). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PROVAS. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a”, “b” e “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas documentais que possam atestar a legitimidade do direito creditório não reconhecido pela autoridade administrativa competente devem ser apresentadas na Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. PERÍCIAS. DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. REQUISITOS. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. O pedido de perícia deve expor os motivos que a justifiquem, apresentar os quesitos referentes aos exames desejados e indicar o nome, endereço e a qualificação profissional do perito, sob pena de ser considerado não formulado (art. 18 e art. 16, IV e § 1º, do Decreto nº 70.235/72). Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 2374DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Inconformado, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, sustentando que a hipótese de nãocumulatividade trazida pela 2ª Turma da DRJ não se aplica ao caso em comento, que trata sobre PIS e COFINS, e não sobre IPI e ICMS, e, assim, não haveria previsão constitucional, ou mesmo legal, que estabelecesse a exigência de que a entrada e a saída da mercadoria fossem tributadas. Assevera não haver como admitir que a desoneração tributária descaracteriza a condição de sujeito passivo das contribuições, pois, embora a alíquota seja 0%, continua sujeito à tributação pelo PIS/COFINS e, dessa forma, tem direito ao aproveitamento de créditos. Também entende que somente o álcool para fins carburantes permaneceu na sistemática cumulativa, sendo que a gasolina e o óleo diesel ingressaram na não cumulatividade, pouco importando se o envolvido na operação de venda é fabricante, importador, distribuidor ou varejista. Desta maneira, requer a revisão da tabela elaborada pela Fazenda para incluir as receitas decorrentes das vendas de gasolina e óleo combustível entre as chamadas receitas nãocumulativas. Defende que o direito creditório pleiteado não se vincula aos combustíveis adquiridos, mas sim às despesas com fretes e armazenamento decorrentes de tais receitas, sustentando que as mesmas estão sujeitas ao regime nãocumulativo, e que a empresa, por desenvolver processo produtivo quando da obtenção da Gasolina C, tem a opção de enquadrar suas despesas com armazenagem e frete na venda como insumos, entendidos estes como todos os bens e serviços adquiridos pelos contribuintes que são necessários ao exercício de suas atividades. Insurge em face da glosa dos créditos de depreciação por edificações e benfeitorias feitas em imóveis de terceiros, alegando que o ônus foi suportado pela recorrente e, por isso, conferese a ela o direito à apropriação dos créditos correspondentes. Também se insurge contra a glosa do crédito de depreciação da estação compressora de gás GNV, alegando que se enquadra no conceito de industrial por realizar operação de beneficiamento da gasolina, e que a restrição imposta pela RFB a tal creditamento não está prevista em lei. Ao final requer a reforma do acórdão recorrido para: a) reconhecer que o direito ao crédito de PIS e COFINS, à exceção dos créditos decorrentes da aquisição de produtos sujeitos à incidência monofásica, está assegurado sempre que houver a incidência dessas contribuições sobre as receitas auferidas por terceiros correspondentes aos respetivos custos (que geram crédito) incorridos pela Recorrente; b) declarar que as receitas decorrentes das vendas de gasolina e óleo combustível pelas distribuidoras de combustíveis, como a Recorrente, passaram, desde 01/08/2004, a se submeter ao regime da não cumulatividade do COFINS, determinandose, por conseguinte, a revisão da Tabela elaborada pelo auditor fiscal para fins de cálculo dos créditos comuns, de modo a incluir as aludidas receitas (inseridas na Coluna “Demais Receitas”) entre as chamadas receitas nãocumulativas, Fl. 2375DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001642/200763 Acórdão n.º 3803005.247 S3TE03 Fl. 2.373 7 com o consequente recálculo dos créditos comuns homologados pela fiscalização; c) reconhecer o direito da empresa ao aproveitamento dos créditos de COFINS de frete e armazenagem vinculados às vendas de gasolina e óleo diesel; d) reconhecer o direito ao crédito da depreciação dos custos/despesa incorridos com edificações e benfeitorias realizadas em imóveis de terceiros, quando comprovado que o ônus foi suportado pela Recorrente, independentemente da existência de previsão contratual prevendo tal assunção de custos/despesas; e) reconhecer o direito da Recorrente aos créditos decorrentes dos encargos de depreciação sobre estação compressora de gás; f) reconhecer em sua integralidade o crédito representado pelo PER n 14340.80614.131106.1.1.110800, para reconhecer a regularidade da compensação efetuada e homologas em sua totalidade as DCOMP`s nº 40753.46659.141106.1.3.111480 e n.º 37059.63039.151206.1.3.110897; g) determinar a suspensão da exigibilidade dos débitos objeto de cobrança nos autos do Processo nº 10469.728115/201261 até decisão definitiva irrecorrível nos autos em epígrafe. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O Recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente é empresa que se dedica à atividade de comércio atacadista de produtos combustíveis, como gasolina, óleo diesel e gás natural veicular. Analisando as contribuição para o PIS e para a COFINS vemos que passaram a ser regidas a partir do anocalendário de 1999, pela Lei n° 9.718, de 27/11/1998 cujo art. 4° impôs regime de substituição tributária por meio do qual a contribuição para o PIS e a COFINS devida pelas distribuidoras e pelos comerciantes varejistas sobre as receitas de derivados de petróleo eram recolhidas antecipadamente pelas refinarias. O instituto da "Substituição Tributária" destinava às refinarias a função legal de recolher antecipadamente o valor das contribuições devidas pelos distribuidores e Fl. 2376DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 comerciantes varejistas, isto é, antes da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, no que diz respeito aos demais participantes da cadeia de comercialização. Posteriormente, o art. 3° da Lei n° 9.990, de 21/07/2000 c/c o art. 42, I, da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001 instituíram regime de tributação monofásico da contribuição supracitada. O modelo foi implementado com a fixação da alíquota de 0% (zero por cento) quando da ocorrência da venda desses derivados por parte dos revendedores, ou seja, dos distribuidores e comerciantes varejistas. As lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003 criaram, nas situações ali especificadas, tributação nãocumulativa em relação à contribuição para o PIS/COFINS. Quando inicialmente instituídas foram excluídas da sistemática nãocumulativa da contribuição para o PIS as operações de venda de combustíveis derivados de petróleo nas redações do art. 1°, §3°, IV; do art. 2°; do art. 3°, I e II e §§7° e 8°; e art. 8°, VII, “a” da Lei n° 10.637/2002, da mesma forma para a COFINS nas redações do art. 1°, §3°, IV; do art. 2°; do art. 3°; I e II e §§7° e 8°; e art. 10°, VII, “a” da Lei n° 10.833/2003. Em 1° de agosto de 2004, entraram em vigor novas alterações na incidência da contribuição para PIS/Cofins no que se refere aos derivados de petróleo, desta vez, trazidas pela Lei 10.865/2004. As mudanças trouxeram a sistemática não cumulativa da Contribuição para o PIS e para a COFINS, por meio dos artigos 37 e 21, respectivamente, da Lei n° 10.865/2004. Reforçando este entendimento o artigo 15 da Lei nº 10.833/03 determina expressamente que a aplicação da nãocumulatividade do PIS para o caso dos incisos I e II do parágrafo 3º do artigo 1º da mesma norma. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: I nos incisos I e II do § 3o do art. 1o desta Lei; Os dispositivos legais transcritos a seguir, da Lei n° 10.637/2002, com a nova redação, são de suma importância para o pleno entendimento da questão: “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero;[...] III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária;[...] IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer Fl. 2377DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001642/200763 Acórdão n.º 3803005.247 S3TE03 Fl. 2.374 9 outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; IV de venda de álcool para fins carburantes; Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I – nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural;[...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos:[...] b) no § 1o do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;[...] Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o:[...] VII— as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3 do art. 1º;” Com a nova redação, a restrição do art. 8º, VII, “a” da Lei nº 10.637/2002 e no art. 10, VII, “a” da Lei nº 10.833/2003 passou a não mais abranger os derivados de petróleo de que trata a Lei 9.990/2000. Fl. 2378DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 O que se discute agora, visto não se tratar de um sistema cumulativo, é a possibilidade das distribuidoras se creditarem dos custos de distribuição dos combustíveis, em especial, os custos com fretes e armazenagem deste produtos. Percebese que a lei não instituiu que as distribuidoras e varejistas não possam se creditar dos custos de distribuição, mas vedaram (à época dos fatos), expressamente, o creditamento em relação a bens adquiridos para revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária e de venda de álcool para fins carburantes. O crédito pedido pela Recorrente diz respeito ao art. 3º, IX da Lei nº 10.833/03, que, no seu entendimento, permiti o desconto de créditos de frete e armazenagem sobre os produtos que comercializa. O inciso IX do art. 3º da lei 10.833/03 dispõe que o crédito se aplica nos casos dos incisos I e II do mesmo artigo. Por sua vez, a Fazenda Nacional afirma que o contribuinte não é regulado pelos dois primeiros incisos desse artigo, uma vez que não se trata de um produtor ou prestador de serviços (inciso II) e que a alínea “b” do inciso I exclui as mercadorias e produtos referidos nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º da mesma lei, onde se encontra a gasolina e o óleo diesel. O Recorrente afirma não ser meramente um comerciante, mas sim uma empresa que desenvolve verdadeiro processo de beneficiamento da gasolina. Afirma então ser a gasolina tipo ”C” obtida após mistura de álcool anidro e gasolina tipo “A”, um típico produto industrializado. Nesta duvidosa interpretação, quer a empresa provar que o frete e armazenagem são insumos em sua atividade industrial, de forma a se enquadrar no inciso II do art. 3º da lei 10.833/03, uma vez que tal inciso referese a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. A simples mistura de dois produtos, para a adequação do combustível à legislação, não caracteriza atividade industrial. Menciono parte do voto preferido pelo relator Gilson Macedo Rosenburg Filho, por ocasião do recurso nº 504.580, processo administrativo 10865.002267/200881, julgado pela 1a turma da 4a Câmara da 3a seção: “Por outro lado, com a devida vênia, e a exemplo da Recorrente, não compartilho com a primeira parte dos argumentos utilizados pela instância de piso, qual seja, a de apoiarse na regra do inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, pois, a meu ver, e na linha do que defendera a Unidade de origem, e, agora, diferentemente do que entende a Recorrente, o correto, ou a motivação para o indeferimento é encontrada, dentre outros, na regra do inciso I, letra “a”, do mesmo dispositivo. Ou seja, uma distribuidora de combustíveis que adquire o álcool anidro com o fim exclusivo de adicionálo à gasolina “A” para obter a gasolina “C” que vende ao mercado, e isso, essa mistura, por conta de uma determinação expressa do órgão governamental regulador desse mercado1, não pode ser 1 Fl. 2379DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001642/200763 Acórdão n.º 3803005.247 S3TE03 Fl. 2.375 11 equiparada ou considerada como um “fabricante” ou “produtor” de bens ou produtos de que trata o inciso II acima reproduzido; bem diferente disso, tratase de um mero comerciante que, como tal, adquire bens para revenda de que trata o inciso I. Como se sabe, não há nenhuma ciência no procedimento de obtenção da gasolina “C”, visto que a mesma decorre da mera adição de determinado percentual do álcool anidro à gasolina “A”, tarefa essa que é feita mediante o simples despejo da primeira no tanque reservatório da segunda. Daí, portanto, a análise do pleito da Recorrente depender da interpretação que se faz da regra contida no inciso I, do artigo 3º e não no inciso II do mesmo artigo.”Grifamos. Não resta dúvida de que o contribuinte não realiza produção ou fabricação. Por outro lado, o contribuinte defende que a referência que o inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/03 faz aos incisos I e II do mesmo artigo é apenas para deixar livre de dúvidas que o frete geraria o crédito tanto nas hipóteses de revenda do produto acabado como nas hipóteses de venda do produto fabricado. Nesse ponto tem razão o contribuinte tendo em vista que a hipótese de creditamento de armazenagem e frete é expressamente prevista no inciso IX disposto da seguinte forma: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Perceba que o dispositivo remete ao caos dos incisos I e II, quais sejam, resumidamente, às hipóteses de revenda ou produção de bens ou produtos. Entendemos que a menção aos incisos I e II é tão somente para especificar as atividades desenvolvidas para o creditamento, necessitando que o ônus da armazenagem e frete sejam suportados pelo vendedor. Importa ressaltar que os produtos descritos nos incisos I e II da Lei nº 10.833/03, que por si só não tem direito a creditamento, são irrelevantes para a finalidade de gerar crédito sobre sua armazenagem e frete. Veja que são situações distintas reguladas por dispositivos distintos, uma concede armazenagem e frete e a outra impossibilita o creditamento sobre os produtos especificados (exemplo, álcool, gasolina e diesel). Em nenhuma hipótese a vedação estabelecida para o creditamento sobre tais produtos (principais) são limitativos do aproveitamento do créditos dos custos com armazenagem e frete, que, no nosso entendimento, é expressamente permitido. Caso não fosse a intenção do legislador atribuir creditamento sobre armazenagem e frete em relação aos mesmos produtos excetuados nas alíneas do inciso I do Fl. 2380DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 art. 3º da Lei 10.833/03, tal exceção deveria constar expressamente no próprio inciso IX que regula tal hipótese. Por fim, claro se mostra que as exceções sobre o creditamento dos produtos referidos no incisos I e II do art. 3º da Lei 10.833/03 não são exceções de creditamento de armazenagem e frete. Ponto incontroverso é a aplicação do inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/03 da COFINS para o PIS, conforme a DRJ/REC assim expresso “De toda forma, ainda que a interpretação da manifestante fosse plausível, a própria lógica da tributação concentrada, por si só, já faz a exclusão que o diligenciante viu na remissão do inciso IX da Lei nº 10.833/2003, também aplicável à Contribuição para o PIS. (G.N.)” pelo que não me oponho neste ponto específico. Da depreciação de edificações e benfeitorias feitas em imóveis de terceiros. A DRJ afirma a possibilidade do desconto de créditos de depreciação em edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, mas que a recorrente somente poderia se aproveitar de encargos de depreciação sobre imóveis de terceiros com os quais firmou contrato de franquia na hipótese de ter assumido, contratualmente, o ônus por tais despesas, que, legalmente, competem ao franqueado. A DRJ ainda afirma que a quase totalidade dos encargos de depreciação em relação a benfeitorias em imóveis de terceiros foram realizadas à taxa de 100% ao ano. A Recorrente, por outro lado, afirma que suportou o ônus de forma plenamente comprovada nos autos e que a previsão ou não no contrato da responsabilidade a quem recai os custos de instalações e equipamentos afetará exclusivamente a relação comercial e jurídica firmada entre a Recorrente e os postos revendedores, não interferindo em nada na relação jurídico tributária estabelecida com o Estado Federal. A empresa alega que as leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 prevêem, no art 3º, §3º, inciso II, a vinculação do direito ao crédito exclusivamente aos custos e despesas incorridos. Nesta lide cabe dar razão a DRJ, uma vez que o direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional. Deve constar no contrato quem de fato suportará o ônus das benfeitorias realizadas. De outra forma poderia ocorrer um aproveitamento ilícito dos contribuintes, exigindo créditos referentes a mesma depreciação por duas vezes, uma por parte do franqueador e outra por parte do franqueado. Da depreciação da “estação compressora de gás GNV” O contribuinte discorre sobre direito creditório sobre as despesas de depreciação decorrentes do desgaste da “Estação Compressora de Gás GNV”, mas como foram apuradas somente a partir de julho de 2006, não interessam a este processo. Portanto, em relação aos pedidos finais da recorrente expressamos o seguinte entendimento: Fl. 2381DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001642/200763 Acórdão n.º 3803005.247 S3TE03 Fl. 2.376 13 a) Em relação ao pedido de reconhecimento do direito ao crédito de PIS/COFINS sobre os custos relacionados a produtos com incidência monofásica, entendo que há direito ao crédito mesmo quando sobre a operação incida a alíquota “zero”. b) No que diz respeito ao regime de apuração e cálculo da contribuição para o PIS decorrente das vendas de gasolina e óleo combustível, entendemos que a partir das alterações introduzidas pela Lei 10.865/04 no artigo 1º, § 3º, inciso IV da Lei nº 10.637/02 as refinarias, importadores, distribuidoras e varejistas passaram e ser submetidas ao regime da nãocumulatividade para o PIS/COFINS quanto às receitas decorrentes das vendas de gasolina e óleo combustível, desta forma, revisese a tabela de cálculo efetuada pela auditoria fiscal. c) Por tudo o que foi dito, entendemos que os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero em razão do regime monofásico, podem creditarse dos custos e despesas com frete e armazenagem decorrentes da revenda de bens ou produtos, ainda que estes bens ou produtos estejam vedados para o creditamento sobre suas próprias aquisições (alíneas “a” e “b”, incisos I, art.3º da Lei 10.833/03), as exceções previstas para o creditamento do produto principal não se aplicam ao creditamento sobre o creditamento de armazenagem e frete previstos no inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/03. d) Quanto ao reconhecimento ao direito ao crédito da depreciação dos custos incorridos com edificações e benfeitorias, não é possível tal creditamento sem a prova de que a contribuinte arcou com o ônus decorrente de tais benfeitorias, em especial, previsão contratual neste sentido. Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO, para que seja revista a tabela elaborada pelo auditor fiscal considerando as receitas de revenda de óleo diesel e gasolina como receitas nãocumulativas e assim revise os valores dos créditos concedidos nesta nova proporção, bem como conceder creditamento PIS/COFINS sobre custos e despesas de armazenagem e frete e NEGAR os pedidos referentes a crédito sobre depreciação dos custos incorridos com edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros em que não ficou comprovado que a Alesat assumiu o ônus. Sala das sessões, 29 de janeiro de 2014 (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O presente voto vencedor é para consignar a divergência levantada em relação ao do entendimento do eminente Relator que sustentou o voto pelo parcial provimento ao recurso voluntário, reformando a decisão recorrida. Seu encaminhamento culminou em considerar nãocumulativas as receitas de revenda de óleo diesel e gasolina inclusas no regime monofásico, e, consequentemente, em alterar a composição da tabela de receitas elaborada pelo Auditor Fiscal, e em determinar: (i) a revisão dos valores dos créditos concedidos tomando como base a nova proporção (para fins de rateio das despesas e custos comuns) e (ii) a inclusão Fl. 2382DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 entre esses créditos os relativos às despesas de armazenagem e frete vinculados à revenda dos produtos. A divergência amparase na interpretação da norma do art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002, que, ao dispor sobre a aferição do quantum devido na sistemática não cumulativa, excepciona a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores da regra geral contida na cabeça do artigo, à alíquota de 1,65%, incluindoa no regime monofásico, com alíquotas diferenciadas em função de cada tipo de produto derivado de petróleo. Reza o dito dispositivo legal: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1ª, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas:[grifo aqui] I – nos incisos I a III do art. 4º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural;[...][grifei] Ao excepcionar a receita auferida pelos produtores e importadores da regra geral, a norma está a dizer, no antecedente, que as bases de cálculo apuradas por esses agentes com os citados produtos, “conforme o disposto no art. 1º”, passaram a estar enquadradas na sistemática não cumulativa, aplicandose a estas alíquotas distintas. Não se está aqui a patrocinar interpretação literal do conteúdo da norma. Todavia, é elementar que o sentido de uma norma é edificado a partir da apreensão tópica do significado, do alcance ou da delimitação de vocábulos expressos e claros de que o texto se serve, e que somente podem ser mitigados ou estendidos se a construção da norma é justificada de forma consistente mediante a integração com outro(s) texto(s) do sistema. No caso presente, a norma do art. 2º, acima, é o substrato por meio do qual se visualizam os agentes da monofasia que ingressaram na não cumulatividade, uma vez ali identificados os destinatários da norma – os produtores e importadores à qual compreensão subordinamse as regras de creditamento na sistemática da não cumulatividade das aludidas contribuições, neste segmento econômico. Não há no ordenamento outro texto que a este se conjugue cuja possível norma que resulte ofereça um olhar amplo e extensivo acerca de outros destinatários submetidos à monofasia dos derivados de petróleo abarcados na sistemática da não cumulatividade. Assento que a norma contida no art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 10.865/04, é a que migra a arrecadação concentrada dos produtos derivados de petróleo para o campo de apuração da sistemática não cumulativa, ao tempo em que desenha a coexistência parcial de ambos os regimes. A parcialidade reside na eleição dos sujeitos destinatários da norma, já referidos, na exclusão dos créditos sobre os ditos produtos submetidos à arrecadação concentrada e na inclusão de demais custos e despesas vinculados ao auferimento das respectivas receitas, inclusive armazenagem e frete na operação de venda. Fl. 2383DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001642/200763 Acórdão n.º 3803005.247 S3TE03 Fl. 2.377 15 Este fundamento conjugase com o art. 1º, § 3º, I, da mesma lei, que estipula que as receitas decorrentes de saídas sujeitas à alíquota zero não integram a base de cálculo mencionada na cabeça do artigo, vale dizer, as receitas dos distribuidores e comerciantes varejistas de derivados de petróleo (sujeitas à alíquota zero) não integram a base de cálculo na sistemática da não cumulatividade, verbis: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.[...] § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero;[...] Assim: a) identificados os destinatários, segundo o disposto no § 1º, do art. 2º, da Lei nº 10.637/02, acima – estes, os produtores ou importadores; b) inexistente outro texto legal que permita dar a este, acima, uma significação extensiva, relativamente aos sujeitos; e c) excluídas da não cumulatividade as receitas submetidas à alíquota zero, segundo o disposto no § 1º, do art. 1º, acima, não há como se afirmar que as receitas auferidas por cada um dos demais agentes intervenientes na cadeia de circulação dos produtos derivados de petróleo submetidos ao regime monofásico (à exceção das receitas decorrentes da venda de álcool para fins carburantes) – estes, os distribuidores e os comerciantes varejistas passaram a se sujeitar, concomitantemente, à sistemática da não cumulatividade. No olhar da Recorrente o fato juridicizado pela norma trazida pela redação da Lei nº 10.865/04 são as receitas obtidas com os produtos submetidos ao regime monofásico, sendo a mensagem por ela veiculada restrita a este objeto genérico. Enxergar por esta lente é um mote para interpretar que todas as receitas com tais produtos desembarcaram na sistemática não cumulativa abarcando assim os distribuidores e os comerciantes varejistas de tais produtos, indistintamente, como destinatários da norma. Vejo que essa perspectiva de observação e apreensão é notoriamente enviesada e parcial, na medida em que, de modo deliberado, a Interessada irreleva a referência, no texto, aos produtores e importadores e, via de consequência, desconsidera o fato de que é exatamente a presença desses atores no ventre do art. 2º (que se reporta ao art. 1º, ambos da Lei nº 10.637/02) que revela a circunstância de estes sujeitos passivos operarem a apuração das contribuições na sistemática não cumulativa. Estes, e só estes operam na não cumulatividade. Construída a norma nos termos acima, desfiguramse os argumentos na defesa do suposto direito, com fulcro: a) no art. 21, II, da IN SRF 600/05, reproduzido no art. 27, II, da IN SRF 900/2008, eis que elas regram para situações fáticas abrangidas pela sistemática da não cumulatividade; Fl. 2384DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 b) no art. 17 da Lei nº 11.033/04, pela observação de que este artigo inscreve se na sequência de outros (art. 13 ao art. 17) que têm um destinatário específico, os beneficiários do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária – REPORTO, constituindose, por isso, em norma especial a compor a política de benefício fiscal a este setor. Não há na norma do art. 17 parâmetro algum (vocábulo ou expressão) que a conecte com as normas gerais de creditamento previstas nas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, ou até na Lei nº 10.865/04. A conexão com estas, pela técnica legislativa usual, haveria de se dar por meio de nova redação dada ao respectivo artigo de lei, com a introdução de parágrafo inscrevendo a norma permissiva. Nada obstante a técnica legislativa adotada, numa interpretação um pouco mais ampla, podese ter que a aplicação do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004 a par de não estar criando novas possibilidades de créditos destinase a manter o creditamento sobre determinados insumos aplicados em produtos e mercadorias cujas receitas de vendas sofrem normalmente a incidência das contribuições, que poderiam ser utilizados caso não houvesse a adoção de alíquota zero na saída destes. c) nas disposições das medidas provisórias nºs 413/08 e 415/08, pelo fato de que elas não vieram excluir direito preexistente aos créditos pleiteados. A conclusão a se alcançar das ditas medidas provisórias é que elas vieram apenas destacar expressamente o entendimento de que não se aplica o disposto no art. 17 da Lei 11.033∕04 aos distribuidores, comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias, consoante o que já previsto no art. 2º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. A força deste entendimento está em convergir com o que já se disse no art. 17, citado. Os dispositivos das medidas provisórias interpretaram a lógica da incompatibilidade do regime monofásico dos distribuidores, comerciantes atacadistas e varejistas das ditas mercadorias com o sistema de apuração de créditos da não cumulatividade. Tal incompatibilidade não existe, como já manifestado, em relação aos produtores e importadores, que suportam a carga do tributo. Para os demais da cadeia de comercialização o que se dá é repercussão econômica do tributo. Que lógica haveria no sistema, para o âmbito das finanças públicas, que anda pari passu com o Direito Tributário, este como tributário daquelas , com a instituição de regime monofásico para diversos setores, se a Fazenda tem que permitir o creditamento a todos ao agentes da cadeia de circulação, com enorme possibilidade de sempre gerar ressarcimento aos que não apuram a contribuição, por influxo da alíquota zero? Qual a lógica, no plano da Administração Tributária, de instituir o regime concentrado de arrecadação e ocupar um arsenal de fatores de atuação para administrar ressarcimentos às pessoas jurídicas distribuidores e comerciantes varejistas, nos moldes da presente disputa? Acaso as receitas com a revenda dos referidos produtos sujeitos à tributação monofásica estivessem realmente incluídas na sistemática da não cumulatividade, gerando direito aos créditos pleiteados, não seria mais pragmático, já que concentrada, operar com alíquotas menores incidentes sobre as receitas dos produtores e importadores e com isso otimizar o uso da máquina fazendária Ambas as reflexões acima não são postas aqui como fundamento da decisão, porquanto, nada obstante ser idéias subsidiárias que auxiliam a compreender o sistema, não são argumentos jurídicos. Fl. 2385DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001642/200763 Acórdão n.º 3803005.247 S3TE03 Fl. 2.378 17 Qual a lógica (jurídica) dentro do próprio regime da não cumulatividade “ressarcir” créditos sem a contrapartida de débitos que esses outros sujeitos não apuram, quando o princípio convertido em regra da Lei nº 10.637/02 é: “Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação:...”? Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 29 de janeiro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 2386DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000841/2005-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.232
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara, que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no parágrafo 3. do art. 2. da Portaria CARF n. 001, de 3 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 14041.000841/2005-68
conteudo_id_s : 5353288
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 19 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2202-000.232
nome_arquivo_s : Decisao_14041000841200568.pdf
nome_relator_s : ODMIR FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 14041000841200568_5353288.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara, que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no parágrafo 3. do art. 2. da Portaria CARF n. 001, de 3 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
dt_sessao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
id : 5490708
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046810406158336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1678; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.000841/200568 Recurso nº Resolução nº 220200231 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 16 de maio de 2012 Assunto Sobrestamento de Julgamento Recorrente OLDEMAR BORGES DE MATOS Espólio Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara, que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no parágrafo 3. do art. 2. da Portaria CARF n. 001, de 3 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Eivanice Canário da Silva, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 14041.000841/200568 Resolução n.º 220200231 S2C2T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento de Brasília/DF que manteve parte da autuação sobre autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF relativa à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, apurado mediante a quebra do sigilo bancário, com requisição endereçada ao “Banco do Brasil” (extratos fls. fls. 25/75) e “Banco ABN Amro Real” (fls. 78/114), ambas expedidas pela d. Autoridade Lançadora – MPF (fls. 23/24 e fls. 76/77, respectivamente) e dedução indevida de despesas médicas e aplicação de multas isoladas. Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF, referente ao exercício 2001, anocalendário de 2000, por AFRF da DRF/Brasília/DF. A ciência do lançamento ocorreu em 03/11/2005, conforme Aviso de Recebimento de fl. 278, verso. O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: Imposto: R$ 460.193,52; Juros de Mora (cálculo até 30/09/2005): R$ 361.712,10; Multa Proporcional (passível de redução): R$ 46.019,35; Multa Exigida Isoladamente: R$ 16.903,55; Total do Crédito Tributário: R$ 884.828,52. O lançamento teve origem na constatação das seguintes infrações: 1) Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Físicas — omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, decorrentes do trabalho sem ví: tculo empregatício, nos valores de R$ 1.366,19 (25/05/2000), R$ 14.577,37 (06/06/2000), RS 35.763,00 (24/11/2000) e R$ 950,00 (31/12/2000). 2) Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas — glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pelo contribuinte no valor de R$ 10.51$,96. A glosa corresponde ao somatório das mensalidades pagas para cobertura de assistência médica de familiares não dependentes do contribuinte feitos à Caixa de Assistência dos Advogados do DF. 3) Omissão e Rendimentos Provenientes de Depósitos Bancários — omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários no valor de R$ 1.610.255,47, caracterizada por valores creditados nas contas de depósito ou de investimento, mantidas nas instituições financeiras Caixa Econômica Federal, Banco ABN AMRO Real S/A e Banco do Brasil S/A, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Multa Exigida Isoladamente pela Falta de Recolhimento do IRPF Devido a Título de CarnêLeão — falta de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Física devido a título de carnêleão, em decorrência de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, no valor de R$ 16.903,55. Termo início da verificação fiscal às fls. 10, demonstrativo do crédito tributário às fls. 005, no importe total de R$ 884.828,52. Auto de Infração a fls. 254/262, onde consta a descrição dos fatos e o enquadramento legal, apontando como causa do crédito tributário em tela a omissão de Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 14041.000841/200568 Resolução n.º 220200231 S2C2T2 Fl. 3 3 rendimentos, dedução indevida de despesas médicas, depósitos bancários de origem não comprovada, e multas isoladas. Demonstrativo de apuração IR e multa, às fls. 273; termo de encerramento fls. 277. Contribuinte ciente do lançamento (autuação) em 03/11/2005 (AR de fls. 278/verso). Decisão recorrida a fls. 300/305. Ciência às fls. 312 (AR assinado em 19/03/2008). Ao a decisão recorrida reduziu a multa isolada de 75% para 50% (R$ 11.269,04) mantendo inalterado o restante do crédito lançado. Recurso Voluntário às fls. 313/322, onde o Recorrente pede o sobrestamento do feito até decisão final no processo judicial de exibição de documentos, promovida contra a Caixa Econômica Federal (constante de fls. 287/291, com cópia da decisão de deferimento às fls. 292/293), para que não seja cerceado o direito constitucional da ampla defesa, possibilitando que o recorrente carreie aos presentes autos os alvarás emitidos pela Justiça do Trabalho, os quais comprovarão cabalmente o equívoco da fiscalização na apuração da base de cálculo do lançamento de oficio, ora combatido. Salienta que o equívoco da decisão impugnada se materializou ao entender a primeira instância pela presença de “elementos” suficientes ao julgamento do feito, pois que, em seu entendimento, o feito não fora suficientemente instruído, a viabilizar o seu julgamento, tendo em vista a não juntada dos documentos por ele solicitados à CEF, o que motivou a propositura da aludida cautelar de exibição de documentos!! Sustenta que foi essa a causa de seu pedido de dilatação do prazo para apresentar os documentos exigidos, aduzindo que tais documentos estão em poder da CEF, a qual possui em seu banco de dados todos os alvarás de levantamento emitidos pela Justiça do Trabalho nas ações em que o recorrente em tela atuou como advogado, e que somente com a apresentação desses alvarás, será possível identificar qual foi a renda do contribuinte e quais valores foram repassados aos seus clientes. Informa o recorrente que a CEF, a fim de procrastinar o feito, e para não pagar a multa diária fixada pelo r. Juízo da 22ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, insiste em juntar documentos que nada tem a ver com o pedido. Assim, com o intuito de comprovar que esta fazendo o possível para obter os alvarás, junta, no presente Recurso a última petição feita no processo judicial, seu andamento e todos os documentos que foram, até agora, apresentados pela CEF. Alternativamente, pede a inaplicabilidade da multa isolada concomitante com a multa de oficio, asseverando, que a multa proporcional, em conjunto com a multa isolada, utiliza a mesma base de cálculo, é matéria esta condenada por esse Egrégio Conselho, que possui entendimento unânime no sentido de ser inaplicável a multa isolada em concomitância com a multa de oficio, com a mesma base de cálculo. (cita Acórdão 10614239) É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 14041.000841/200568 Resolução n.º 220200231 S2C2T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. Tratase de autuação com quebra do sigilo bancário, sem ordem judicial. Assim, ante a repercussão geral sobre a matéria no C. STF, a apreciação do presente recurso encontrase prejudicada pela quebra do sigilo e deve ser sobrestado com base no art. 62A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Em face da existência de Repercussão Geral sobre a quebra do sigilo bancário, sem autorização judicial, no C. STF, objeto do RE n° 601.314, necessário o sobrestamento do feito para ulterior deliberação, na forma do art. 62A, do Reg. Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22.06.2009: Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11050.000314/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração:11/03/2004 a 27/03/2004
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX.DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A alteração do art. 102, § 2º do Decreto-Lei nº 37/66 permite a aplicação do instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas, contudo, o regime jurídico das penas impõe sua aplicação retroativa, haja vista que vige o princípio excludente da punibilidade sempre que a norma nova é mais benéfica ao acusado (princípio positivado no âmbito tributário no art. 106 do CTN).
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3101-001.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres que fará declaração de votos.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes,
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração:11/03/2004 a 27/03/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX.DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A alteração do art. 102, § 2º do Decreto-Lei nº 37/66 permite a aplicação do instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas, contudo, o regime jurídico das penas impõe sua aplicação retroativa, haja vista que vige o princípio excludente da punibilidade sempre que a norma nova é mais benéfica ao acusado (princípio positivado no âmbito tributário no art. 106 do CTN). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11050.000314/2009-80
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5357251
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3101-001.534
nome_arquivo_s : Decisao_11050000314200980.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 11050000314200980_5357251.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres que fará declaração de votos. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes,
dt_sessao_tdt : Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
id : 5508468
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046810481655808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 81 1 80 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11050.000314/200980 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3101001.534 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2013 Matéria MULTA REGULAMENTAR OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente OCEANUS AGÊNCIA MARÍTIMA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração:11/03/2004 a 27/03/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX.DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A alteração do art. 102, § 2º do DecretoLei nº 37/66 permite a aplicação do instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas, contudo, o regime jurídico das penas impõe sua aplicação retroativa, haja vista que vige o princípio excludente da punibilidade sempre que a norma nova é mais benéfica ao acusado (princípio positivado no âmbito tributário no art. 106 do CTN). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres que fará declaração de votos. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 03 14 /2 00 9- 80 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/06/ 2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHE IRO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 3101001.534 S3C1T1 Fl. 82 2 Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 41 verso dos autos emanados da decisão DRJ/FNS, por meio do voto da relatora Rosane Oliveira de Souza, nos seguintes termos: “O presente Auto de Infração, no valor de R$ 20.000,00, foi lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar as informações dos dados de embarque de mercadorias para exportação, no Siscomex, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõem os artigos 37e 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls.03/06), a apuração da infração dáse a cada operação de embarque, considerandose cada navio e viagem realizada, cujas cargas estão amparadas nas Declarações de Despacho de Exportação — DDEs relacionadas no quadro, na qual também consta os nomes dos navios, as datas dos embarques, as datas dos registros dos respectivos dados, as datas dos fatos geradores e a quantidade de dias de atraso na prestação das informações após os sete dias previstos no art. 37, § 2º da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pelo parágrafo único do art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005. Intimada do lançamento (fl. 10), a interessada apresentou a impugnação de fls. 11/25, na qual, em breve síntese: Alega que multa ora impugnada não pode ser aplicada à agência marítima, mas tão somente ao transportador marítimo ou ao agente de carga (NVOCC), conforme as disposições do art. 107 inciso IV, alínea "e" do DecretoLei 37, de 1966. Desta forma, não pode figurar no pólo passivo da autuação por ser mera mandatária da empresa transportadora. Afirma que o agente marítimo não pode ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária. Argui que, à época da suposta infração, não havia um prazo expressamente previsto para a realização do registro no sistema Siscomex, uma vez que o termo “imediatamente” é um conceito indeterminado, sendo perfeitamente aceitável a realização dos registros em prazo superior a 7 dias. Afirma que a autoridade fazendária não pode se valer de posterior alteração da redação do artigo 37, dada pela IN 510/2005. Alega que a aplicação da multa ofende aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade e que não se está diante de fraude, máfé ou tentativa de burlar ou causar embaraço à fiscalização. Requer, pelos motivos expostos, seja reconhecida a nulidade ou improcedência da autuação em tela.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0726.741 de fls. 41 traz a seguinte ementa: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/06/ 2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHE IRO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 3101001.534 S3C1T1 Fl. 83 3 “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/03/2004 a 27/03/2004 Ementa: Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10/11/2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF onde apresenta as mesmas alegações de sua impugnação inicial. Finalmente requer seja acolhido o presente Recurso Voluntário, determinandose, consequentemente, o cancelamento integral do crédito tributário reclamado e o definitivo arquivamento do processo administrativo. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Por ser o presente processo idêntico aos processos 11128000143/200603 e 11128001966/200729 julgados nessa 1º Turma da 1º Câmara Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do CARF em 26/01/2012, que teve como relator o Conselheiro Luiz Roberto Domingos, adoto as suas razões de decidir, com minhas homenagens, nos seguintes termos: “A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, em que a Recorrente protesta pela atipicidade dos fatos praticados, pela nulidade do auto de infração que apresentou fundamentos conflitantes para a penalidade, bem como requer o benefício da denúncia espontânea, haja vista ter apresentado as informações previstas pela IN/SRF nº 28/94. Preliminarmente afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa agência marítima e não transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Ocorre que sua responsabilização é expressamente determinada pelo §1º do art. 37 do DecretoLei nº 37/66, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Fl. 83DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/06/ 2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHE IRO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 3101001.534 S3C1T1 Fl. 84 4 § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Igualmente afasto o argumento de que a matéria em tela é regida pelo art. 41 da Instrução Normativa nº 28/94, haja vista não guardar relação alguma com os fatos narrados no Auto de Infração, que descreve o atraso na entrega das informações ao SISCOMEX a respeito do embarque de mercadorias destinadas ao exterior, o que se subsume adequadamente à hipótese do art. 37 dessa mesma Instrução Normativa, não havendo, quanto a esse aspecto específico, qualquer inexatidão nos fundamentos da autuação. Ultrapassados tais argumentos, contudo, entendo que a penalidade em tela deve ser afastada, por força da retroatividade da norma mais benigna prevista pelo art. 106, II, “a” do CTN. Vencida essa etapa, contudo, entendendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. É que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela estamos diante de uma excludente da punibilidade, haja vista estar a Recorrente perfeitamente amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. É que a penalidade correspondente é excluída. Dispõe o art. 102 (caput §2º) do DecretoLei nº 37/66 que: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Com isso recompensase a boafé do administrado, que espontaneamente declara ao Poder Público a prática de infrações que poderiam trazer consequências negativas a bem da atividade administrativa. Leandro Paulsen1 leciona no sentido de que a denúncia espontânea tem a virtude de apontar para o Fisco determinadas pendências que sequer seriam percebidas no contexto das infinitas relações jurídicas das quais ele deve dar conta. O sistema é falível e o 1 PAULSEN, Leandro. DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 9ª Ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado: ESMAFE, 2007, p. 927. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/06/ 2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHE IRO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 3101001.534 S3C1T1 Fl. 85 5 contribuinte, imbuído de boafé, não pode ser responsabilizado quando corrobora com o trabalho da administração, suprindolhe lacunas estruturais, vejamos: O objetivo da norma é de estimular o contribuinte infrator a colocarse em situação de regularidade, resgatando as pendências deixadas e ainda desconhecidas por parte do Fisco [...] A previsão legal é absolutamente consentânea com uma estrutura tributária incapaz de proceder à fiscalização efetiva de todos os contribuintes e que precisa, demais, estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias, seja tempestiva, seja tardiamente. Na medida em que a responsabilidade por infrações resta afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservase a higidez do sistema [...] Para esse autor, tal instituto tem a função de estimular o cumprimento espontâneo das obrigações, quando já inadimplente o contribuinte. Isso nos permite ver emergir um aspecto de relevada importância. É que o jurisdicionado, confiante na exclusão da penalidade, fornece as informações ao Fisco, permitindolhe a ciência de fatos, que poderiam até passar despercebidos. Transportando esses argumentos para o caso em tela, percebemos que as condicionantes para aplicabilidade dos efeitos da denúncia espontânea estão satisfeitos. Está evidenciado que o procedimento fiscalizatório iniciouse depois que o contribuinte apresentou à autoridade competente as retificações noticiadas, muito embora estivessem fora do prazo determinado pela IN/SRF nº28/94. Foi à denúncia espontânea que permitiu ao fisco autuálo pelo atraso na entrega das informações e/ou retificações, conforme exigido por lei, bem como foi à denúncia espontânea que forneceu à administração as informações necessárias para que identificasse a regularidade ou não dos atos declarados. Tal constatação se reveste de grande relevância para o caso, haja vista que as mercadorias já embarcadas, depois de sete dias, estarão em altomar e sua conferência física é impossível, não havendo diferença substancial se a entrega foi tempestiva ou não. Ademais, o contribuinte não foi impedido de apresentar as informações relativas ao embarque antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório, o que não acontece, por exemplo, com as DCTF´s entregues em atraso, pois o próprio sistema da Receita Federal condiciona sua entrega extemporânea à automática ciência da autuação. Com isso, sabendo que a Recorrente informou o embarque antes de qualquer ato de ofício por parte da autoridade aduaneira ou do auto de infração, estando satisfeita a condição temporal da denúncia espontânea, ou seja, sua apresentação antes de qualquer procedimento fiscal. Além disso, por ser legalmente possível a denúncia espontânea nos casos de infrações de natureza administrativa (§2º do art. 102 d DecretoLei nº 37/66), entendo pela incidência desse instituto ao caso, impondo a imediata exclusão da penalidade lavrada nos autos. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/06/ 2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHE IRO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 3101001.534 S3C1T1 Fl. 86 6 Ressaltese que a alteração do art. 102, § 2º, do DecretoLei n° 37/66, que permite a aplicação do instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas, só ingressou para o sistema de direito positivo com a publicação da Lei n°12.350/2010. Contudo, o regime jurídico das penas impõe sua aplicação retroativa, haja vista que vige princípio excludente da punibilidade sempre que a norma nova é mais benéfica ao acusado (princípio positivado no âmbito tributário no art. 106 do CTN).” Isto posto, DOU PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 86DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/06/ 2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHE IRO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 3101001.534 S3C1T1 Fl. 87 7 Declaração de Voto A teor do relatado, a questão a ser aqui decidida versa sobre penalidade por descumprimento de obrigação acessória. A Ilustre relatora entendeu aplicável ao caso a denúncia espontânea, desse posicionamento ouso divergir pelas razões seguintes: O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz está para o Direito Penal. É uma ponte de ouro, como diria os penalistas, para aqueles que se encontram no chafurdar do ilícito lhes é dada uma ponte de ouro para voltar ao caminho do bem. Por essa ponte só pode passar aqueles que, voluntariamente, reconhecem o ilícito praticado e evitalhe o resultado. No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Assim como no arrependimento penal, o tributário deve ser espontâneo e eficaz. Faltando uma dessas condições não há a ponte de ouro. Não há qualquer benefício ao infrator. No primeiro caso, porque se não é espontâneo não há o arrependimento, no segundo caso, se a boa conduta não é efetiva, ficando apenas no plano da intenção, também não há o benefício. Aqui, vale o adágio popular, de boas intenções o inferno está cheio. Notese que o Código Tributário Nacional encampou, por completo, esse instituto do Direito Penal, fazendo as adaptações necessárias, alterandolhe o nome para denúncia espontânea, mas preservando sua essência, o arrependimento e a reparação do dano (no penal a obrigação é de se evitar o resultado). Se o dano não for evitado, no direito penal, ou se ocorrido no Direito Tributário, não for reparado, não há qualquer benefício ao infrator. Atendose ao Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje, não há como cumprir a obrigação acessória. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Diante disso, e considerando que não há controvérsia sobre o inadimplemento dessa obrigação acessória, e que o descumprimento dessa obrigação sujeita o infrator à multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei 37/66 (com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003) não há como deixar de reconhecer a procedência do lançamento fiscal, nessa matéria. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/06/ 2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHE IRO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 3101001.534 S3C1T1 Fl. 88 8 Releva citar aqui o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça sobre o alcance da denúncia espontânea, quando se trata de descumprimento de obrigação acessória. Segundo essa Excelsa Corte, a inobservância de norma fixadora de obrigação acessória pelo sujeito passivo, por se tratar de descumprimento de ato puramente formal exigido do contribuinte, não se confunde com o pagamento do tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. Predito entendimento encontra arrimo nos Acórdãos proferidos nos julgamentos dos seguintes recursos: RESP 357.001RS, julgado em 07/02/2002; AGRESP 258.141PR, DJ de 16/10/2000, e RESP 246.963PR, DJ de 05/06/2000. A motivação de tais decisões está muito bem explanada no voto do julgamento do Agravo Regimental no RESP258.141PR, em que a Primeira Turma confirmou a decisão monocrática do Eminente Ministro José Delgado, do qual extraio o seguinte excerto: “Penso que a configuração da “denúncia espontânea” como consagrada no artigo 138 do CTN, não tem a elasticidade que lhe emprestou o v. Acórdão supradestacado, deixando sem punição as infrações administrativas pelo atraso no cumprimento das obrigações fiscais. A extemporaneidade na entrega da declaração do tributo é considerada como sendo o descumprimento no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento do tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador do mesmo. A multa aplicada é em decorrência do poder de polícia exercido pela administração pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte.” O Relator remetese, ainda, ao voto que proferiu no RESP 190.388GO, publicado no DOU de 22/03/1999, onde se posiciona quanto à entrega da Declaração do Imposto de Renda fora do prazo fixado pela administração tributária e antes de iniciado qualquer procedimento administrativo tendente à verificação do ilícito e onde afirma que: “A entrega extemporânea da Declaração do Imposto de Renda, como ressaltado pela recorrente, constitui infração formal, que não pode ser tida como pura infração de natureza tributária, apta a atrair a aplicação do invocado no art. 138 do CTN. O precedente afigurase perigoso, na medida em que pode comprometer a própria administração fiscal do imposto em questão, ficando ao talante do contribuinte a fixação da época Fl. 88DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/06/ 2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHE IRO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 3101001.534 S3C1T1 Fl. 89 9 em que deverá entregar sua Declaração do Imposto de Renda, sem qualquer penalidade.” Nesse mesmo sentido foi o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, quando do julgamento do Acórdão CSRF/020.833, assim ementado: “DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa pela omissão na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo artigo 138 do CTN. Precedentes do STJ. Recurso a que se dá provimento.” Também merece ser transcrito excerto do voto do ilustre conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, que muito bem enfrentou a matéria, quando do julgamento do recurso voluntário interposto nos autos do Processo nº 10521.000208/200940. Por fim, quanto à alegação de que houve a denúncia espontânea da infração, suscitada pela Recorrente, entendo que o instituto não pode ser aplicado ao caso em debate, pelos fundamentos que passo a expor. O instituto da denúncia espontânea referese à declaração prestada pelo sujeito passivo, acompanhada do pagamento, ou antecedida deste, e tem como efeito a exclusão das multas incidentes sobre os tributos devidos e pagos antes do início de qualquer ação fiscal. Deste modo, é possível o “arrependimento” do sujeito passivo, com o seu comparecimento espontâneo, visando à regularização dos tributos inadimplidos antes da iniciativa do sujeito ativo. Entretanto, no caso em tela estamos diante de uma multa por descumprimento de obrigação acessória autônoma, qual seja: deixar de prestar informações no Siscomex sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e prazo fixado pela Receita Federal. Não devemos confundir multa punitiva ou moratória decorrente da inadimplência no cumprimento da obrigação tributária principal, objeto da denúncia espontânea prevista no artigo 138/CTN, com a multa aplicada pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas. Estas são desvinculadas do fato jurídico tributário (“fato gerador do tributo”) que terá como consequente a relação jurídicotributária (obrigação tributária principal), cujo objeto é o pagamento do tributo. A prevalecer a tese de que a denúncia espontânea afastaria a multa por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, não haveria motivo para que os contribuintes se preocupassem em cumprir prazos para a entrega de declarações e/ou prestação de informações ao Fisco, ficando a critério exclusivo de cada contribuinte a apresentação das informações no momento em que entendesse adequado, ou oportuno, uma vez que não faria qualquer diferença o fato da apresentação ser tempestiva ou não, pois já não haveria mais sanção. É a lógica do absurdo! Fl. 89DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/06/ 2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHE IRO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 3101001.534 S3C1T1 Fl. 90 10 A denúncia espontânea tratada pelo artigo 138 do CTN buscou estimular o pagamento de tributos, concedendo ao sujeito passivo uma “premiação” pelo cumprimento da obrigação tributária principal, mesmo após o prazo previsto na legislação. Neste sentido o próprio CTN, em seu artigo 113, tratou de diferenciar a obrigação principal da obrigação acessória, verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Essa linha de entendimento vem sendo adotada pelo STJ. É pacífica e remansosa a jurisprudência nesse Tribunal sobre a matéria, conforme ementas de julgados abaixo transcritos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Precedentes do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp nº 916.168 SP, Relator Ministro Herman Benjamin, sessão de 24/03/2009) PROCESSO CIVIL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA ADMINISTRATIVA. PRETENSÃO JÁ ACOLHIDA PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL. 1. Na origem, cuidase de mandado de segurança impetrado contra ato do Delegado da Receita Federal do Brasil, no qual se pleiteia o não pagamento das penalidades pecuniárias (multas), em razão da não entrega das Declarações de Imposto Retido na Fonte (DIRF's) dos anos de 1994 e 1997. 2. Segundo orientação firmada nesta Corte, "a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas " (AgRg no AREsp 11340/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.9.2011, DJe 27.9.2011). Fl. 90DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/06/ 2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHE IRO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 3101001.534 S3C1T1 Fl. 91 11 3. A Corte de origem reconheceu que é "legítima a exigência da multa administrativa", afastando a aplicação da denúncia espontânea. Assim, as alegações no sentido que não ocorreu denúncia espontânea em relação à multa administrativa é infundada, pois tal pretensão já foi acolhida pela Corte Regional, revelandose, portanto, a falta de interesse recursal da recorrente. Agravo regimental improvido. (grifei) (AgRg no REsp nº 1.279.038 MG, Relator Ministro Humberto Martins, sessão de 02/02/2012) TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECLARAÇÕES DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS. 1. Esta Corte não admite a aplicação do instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do CTN, para afastar a multa pelo não cumprimento no prazo legal de obrigação acessória. 2. Agravo regimental improvido. (grifei) (AgRg no REsp nº 751.493 RJ, Relator Ministro Castro Meira, sessão de 18/08/2005) Tal entendimento encontra arrimo também nos Acórdãos proferidos pela antiga Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementas abaixo transcritas: IRPJ DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS PRAZO DE ENTREGA INOBSERVÂNCIA DENÚNCIA ESPONTÂNEA – MULTA. A entrega da declaração de rendimentos, espontaneamente, porém com inobservância do prazo fixado, por se tratar de obrigação acessória, não se beneficia do instituto da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado. (grifei) (Acórdão CSRF nº 40405212, de 13/06/2005) OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Por se tratar a DCTF de ato puramente formal e de obrigação acessória autônoma, sem qualquer vínculo direto com a ocorrência do fato gerador do tributo, o atraso na sua entrega não encontra guarida no instituto da denúncia espontânea. Precedentes do STJ e da CSRF. Recurso especial negado. (Acórdão CSRF nº 40304332, de 16/05/2005) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/06/ 2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHE IRO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 3101001.534 S3C1T1 Fl. 92 12 Concluise, deste modo, adotando a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal de Justiça, não há que se falar em denúncia espontânea quando se trata de inobservância de norma fixadora de prazo para cumprimento de obrigação acessória autônoma, por se tratar de infração desvinculada da obrigação tributária principal (pagamento do tributo). Afastase parte do crédito lançado pela aplicação da retroatividade benigna prevista no artigo 106, inciso “b” do CTN, por conta da ampliação, para 7 dias, do prazo para registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria ( IN/RFB n° 1.096/2010). Por último, mas não menos importante, faço minhas as sábias palavras da Conselheira Mércia Helena Trajano de Amorim ditas na declaração de voto juntada ao acórdão nº 3201001.212, nos autos do Processo nº 10909.004544/200917, transcritas a seguir: Com o devido respeito à decisão acordada nesta Turma, seguem abaixo os motivos, mediante os quais exponho a minha discordância em relação à dispensa da multa prevista no art. 77 da Lei no 10.833, de 29/12/2003, tendo em vista a nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 18/11/1966, por conta da MP 497/2010, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010. A multa referida foi aplicada por conta da ocorrência de atraso no registro no Siscomex das informações sobre dados de embarque na exportação. Cabendo à empresa transportadora a multa específica prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei no 37/1966, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 61 da Medida Provisória no 135, de 30/10/2003 (DOU de 31/10/2003), que veio a ser convertido no art. 77 da Lei no 10.833, de 29/12/2003, que estabeleceu, verbis: “Art. 77. Os arts. 1o, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do Decreto Lei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (...) "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, Fl. 92DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/06/ 2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHE IRO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 3101001.534 S3C1T1 Fl. 93 13 inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...)”Ou seja, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”. O descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, a informação sobre as cargas transportadas passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do DecretoLei no 37/1966. Ressaltese que a IN RFB no 1.096, de 13/12/2010 (DOU 14/12/2010), aumentou o prazo para a apresentação de dados pertinentes ao embarque para 7 (sete) dias, antes era de 2 (dois) dias (IN n° 510/2005), verbis: “Art. 1º Os arts. 37, 41 e 52 da Instrução Normativa SRF no 28, de 27 de abril de 1994, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque.” (destaquei) Concluindo, pois, o prazo é de 7 (sete) dias para efeitos de cumprimento dessa obrigação acessória. O Art. 40 Lei 12.350, de 20/12/2010 (das demais alterações na legislação tributária), passa a vigorar dessa forma: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) Fl. 93DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/06/ 2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHE IRO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 3101001.534 S3C1T1 Fl. 94 14 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento." (NR) De acordo com o item 40 da Exposição de Motivos da MP 497/2010 (que foi convertida na Lei 12.350/2010) a nova redação dada ao § 2º do art. 102 do DecretoLei 37/66 "visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza". Ainda, consta na Nota Descritiva sobre a Exposição de Motivos da MP 497/2010, em seu item 7, das alterações do DecretoLei de n° 37/66, declaração sobre previsão de que a denúncia espontânea exclua, também, penalidades de natureza meramente administrativa. Quanto à figura de denúncia espontânea, contemplada no art. 138 do CTN somente é possível sua ocorrência de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso de atraso na entrega da declaração, ou pela prestação de informações sobre o embarque de cargas transportadas no Siscomex, a destempo, que se torna ostensivo com decurso do prazo fixado para a entrega tempestiva da mesma ou do prazo a ser observado. Pois bem, sempre entendi que denúncia espontânea tratavase de um procedimento formal, pertinente a uma comunicação à RFB, que tinha como consequência a exclusão de penalidades, a partir de alguma informação desconhecida pela própria Receita. No entanto, agora surge essa corrente que propugna pela aplicação da regra para o caso de não cumprimento de procedimentos em prazo fixado, como é o caso do não cumprimento de prazo para a prestação de informações. Trata se, no meu entender, de infração que já ocorreu. A valer desse entendimento, a RFB, por exemplo, iria ter que manter um agente de plantão (fiscalização) para que, no dia seguinte que ultrapassar o prazo de prestação de informações pelo transportador, seja formalizado o auto de infração. E deverá ser feito um auto de infração por dia, porque se o fiscal esperar para juntar diversas omissões do transportador, poderá incorrer na possibilidade de que, em dia que se seguir, já tenha sido apresentada a informação, embora a destempo, mas que viria a abrigar o transportador com a pretendida denúncia espontânea. Com esse argumento, não vejo aplicabilidade às multas fixas (como é o caso), nem às sanções de advertência suspensão e cassação. E, mais, seria o caso, de aplicação da súmula CARF n° 49, pois a prestação de informações é uma obrigação acessória. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/06/ 2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHE IRO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 3101001.534 S3C1T1 Fl. 95 15 A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Falando no art.138 do Código Tributário Nacional, analisando o Capítulo V – “Responsabilidade Tributária” e Seção IV – “Responsabilidade por Infrações”, que trata acerca do instituto da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Pela leitura, o pagamento do tributo se torna necessário para a ocorrência da denúncia espontânea, com a devida atualização monetária e juros de mora, atentandose para outra condição, qual seja: apresentar a denúncia espontânea antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco. Adotando este procedimento, o contribuinte tem a seu favor a exclusão da penalidade, em outro dizer, multa moratória incidente sobre o valor objeto da denúncia. O legislador teve a intenção de criar a denúncia espontânea como um estímulo aos contribuintes a se manterem regulares perante o Fisco. Antecipandose em relação à administração fazendária e realizando o pagamento da obrigação tributária que está em atraso, a multa moratória deve ser excluída, ante o seu caráter de penalidade. Como leciona Hugo de Brito Machado, em sua obra “Curso de Direito Tributário”, 27ª Edição, Malheiros, página 184: O Art. 138 do Código Tributário Nacional é um instrumento de política legislativa tributária. O legislador estimulou o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias, premiando o sujeito passivo com a exclusão de penalidades quando este espontaneamente denuncia a infração cometida e paga, sendo o caso, o tributo devido. No entendimento do STJ, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. É pacífica a jurisprudência da Corte Superior no sentido da impossibilidade de se estender os benefícios da denúncia espontânea quando se tratar de entrega com atraso da declaração de rendimentos. Os diversos julgados existentes salientam que as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/06/ 2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHE IRO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 3101001.534 S3C1T1 Fl. 96 16 A Egrégia 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 195161/GO (98/00849050), em que foi relator o Ministro José Delgado (DJ de 26 de abril de 1999), por unanimidade de votos, que embora tenha tratado de declaração do Imposto de renda é, também, aplicável à entrega de DCTF: "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. INCIDÊNCIA. ART. 88 DA LEI 8.981/95. 1 A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. 2 As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. 3 Há de se acolher a incidência do art. 88 da Lei n.º 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138 do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. 4 Recurso provido." Destaco alguns trechos do RESP 738.397RS, do relator ministro Teori Albino Zavascki, da 1ª Turma, STJ, linhas que resumem de uma forma geral as razões do posicionamento adotado pela STJ, após diversos julgados na mesma linha de julgamento, com destaques: (...) Não se pode confundir nem identificar denúncia espontânea com recolhimento em atraso do valor correspondente a crédito tributário devidamente constituído. O art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa de mora, a que o Código também faz referência (art. 134, par. único). A denúncia espontânea é instituto que tem como pressuposto básico e essencial o total desconhecimento do Fisco quanto à existência do tributo denunciado. A simples iniciativa do Fisco de dar início à investigação sobre a existência do tributo já elimina a espontaneidade (CTN, art. 138, par. único). Conseqüentemente, não há possibilidade lógica de haver denúncia espontânea de créditos tributários já constituídos e, portanto, líquidos, certos e exigíveis. Em tais casos, o recolhimento fora de prazo não é denúncia espontânea e, portanto, não afasta a incidência de multa moratória. (...) 4.À luz dessas circunstâncias, fica evidenciada mais uma importante conseqüência, além das já referidas, decorrentes da constituição o crédito tributário: a de inviabilizar a configuração de denúncia espontânea, tal como prevista no art. 138 do CTN. A essa altura, a iniciativa do contribuinte de promover o recolhimento do tributo declarado nada mais representa que um pagamento em atraso. E não se pode Fl. 96DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/06/ 2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHE IRO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 3101001.534 S3C1T1 Fl. 97 17 confundir pagamento atrasado com denúncia espontânea. Com base nessa linha de orientação, a 1ª Seção firmou entendimento de que não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos declarados, porém pagos a destempo pelo contribuinte, ainda que o pagamento seja integral. Assim, v.g, ficou decidido no ERESP 531249DJ de 09.08.2004, Min. Castro Meira: "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO DECLARADO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A posição majoritária da Primeira Seção desta Corte é no sentido da não admitir a denúncia espontânea nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando houver declaração desacompanhada do recolhimento do tributo. 2. Embargos de divergência rejeitados. Assim, considerase que, nessas hipóteses, a declaração formaliza a existência do crédito tributário, trazendoo para o mundo jurídico, e, constituído o crédito, ocorrendo o seu recolhimento a destempo, não enseja o benefício do art. 138 do CTN, que é incompatível com a expressão “do pagamento do tributo devido e dos juros de mora” nele contida, haja vista que uma das características para o benefício da denúncia espontânea é o pagamento na data do tributo, estabelecida em lei. Ao efetuar o pagamento do tributo fora de prazo (ainda que pelo valor integral, corrigido monetariamente e com juros), o STJ considera tal ato como sendo fator inibidor para a incidência da aplicação do benefício de denúncia espontânea. Então, por todo o raciocínio desenvolvido, pelas correntes acima apontadas; aplicamse, ao caso, perfeitamente, o de prestar informações de embarque na exportação sobre cargas transportadas a destempo no Siscomex. Assim sendo, o disposto no art. 138 do CTN não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas. Diante do exposto, voto por que se negue provimento ao recurso e procedência do lançamento para considerar devida a multa legalmente prevista pelo registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação, no Siscomex, fora do prazo fixado que constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Fl. 97DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/06/ 2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHE IRO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.005241/2010-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2006, 2007
PIS/COFINS. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.
O PIS/COFINS não incide sobre as vendas com fim específico de exportação realizadas a empresa comercial exportadora.
PIS/COFINS. VENDAS COM SUSPENSÃO.
A suspensão do pagamento do PIS/COFINS a que alude o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 está condicionada ao prévio envio à contribuinte, por parte do destinatário dos produtos, da declaração prevista na Instrução Normativa SRF nº 660/2006.
Numero da decisão: 1201-001.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2006, 2007 PIS/COFINS. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. O PIS/COFINS não incide sobre as vendas com fim específico de exportação realizadas a empresa comercial exportadora. PIS/COFINS. VENDAS COM SUSPENSÃO. A suspensão do pagamento do PIS/COFINS a que alude o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 está condicionada ao prévio envio à contribuinte, por parte do destinatário dos produtos, da declaração prevista na Instrução Normativa SRF nº 660/2006.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10950.005241/2010-40
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5355908
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1201-001.033
nome_arquivo_s : Decisao_10950005241201040.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCELO CUBA NETTO
nome_arquivo_pdf_s : 10950005241201040_5355908.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado.
dt_sessao_tdt : Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
id : 5502886
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046810491092992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1882; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.005241/201040 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.033 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2014 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS E OUTRAS INFRAÇÕES Recorrente A.I.J. COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PASSIVO FICTÍCIO. Caracteriza omissão de receita a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006, 2007 PIS/COFINS. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. O PIS/COFINS não incide sobre as vendas com fim específico de exportação realizadas a empresa comercial exportadora. PIS/COFINS. VENDAS COM SUSPENSÃO. A suspensão do pagamento do PIS/COFINS a que alude o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 está condicionada ao prévio envio à contribuinte, por parte do destinatário dos produtos, da declaração prevista na Instrução Normativa SRF nº 660/2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 52 41 /2 01 0- 40 Fl. 4091DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005241/201040 Acórdão n.º 1201001.033 S1C2T1 Fl. 3 2 Convocada), Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 0633.134, exarado pela 2ª Turma da DRJ em Curitiba PR. Conforme informado no termo de verificação fiscal, a autoridade acusa a contribuinte de haver cometido as seguintes infrações à legislação tributária (fl. 253 e ss.): a) omissão de receitas caracterizada pela existência de passivo fictício em todos os trimestres dos anos de 2006 e 2007. Afirma a autoridade que, apesar de intimada para tanto, a fiscalizada não se manifestou sobre a irregularidade apontada; b) omissão de receitas caracterizada pela existência de saldo credor de caixa em todos os trimestres do ano de 2006. Explica o auditor que, da mesma forma, a fiscalizada não se manifestou sobre a irregularidade apontada; c) falta de declaração e recolhimento da contribuição para o PIS e da Cofins devidas em todos os meses dos anos de 2006 e 2007. Diz o auditor que a contribuinte apresentou Dacon “sem movimento” relativamente ao período objeto da fiscalização. Afirma também que, intimada a demonstrar as bases de cálculo dessas contribuições, a contribuinte informou que a integralidade de suas receitas está sujeita à alíquota zero. Explica que, intimada sobre o porquê, a fiscalizada silenciou. Verificou também o auditor que a contribuinte apresentou “sem movimento” as DCTFs dos períodos fiscalizados, bem como não recolheu qualquer tributo relativamente ao ano de 2007. Em razão das infrações acima apontadas foram lavrados autos de infração para exigência de IRPJ, contribuição para o PIS, Cofins e CSLL (fl. 260 e ss.). Impugnada a exigência (fl. 315 e ss.), a DRJ de origem observou a existência de divergência entre valores de omissão de receita apurados pelo auditor. Constatou, por exemplo, que relativamente ao ano de 2007 o passivo fictício indicado no termo de verificação fiscal não havia sido transportado para o auto de infração. Em razão dessa e de outras incorreções, o órgão julgador de primeiro grau solicitou à autoridade lançadora que sanasse as irregularidades, se fosse o caso (fl. 1245 e ss.). Referidas irregularidades foram sanadas por meio de intimação dirigida à contribuinte (fl. 1293 e ss.), bem como de lavratura de auto de infração complementar (fl. 1249 e ss.). Impugnado também o lançamento complementar, a DRJ de origem decidiu pela procedência parcial da exigência para afastar a imputação decorrente da apuração de saldo credor de caixa referente aos 2º, 3º e 4º trimestres do ano de 2006 (fl. 3106 e ss.). Fl. 4092DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005241/201040 Acórdão n.º 1201001.033 S1C2T1 Fl. 4 3 Irresignada com a parcela da exigência mantida a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as seguintes alegações, em síntese (fl. 3151 e ss.): a) decadência relativamente à omissão de receita no valor de R$ 857.577,03, tendo em vista que o suprimento de caixa é um fato que remonta ao ano de 2003; b) é confiscatória a multa de 75% calculada sobre os tributos apurados pela fiscalização; c) o valor de R$ 857.577,03 não corresponde a passivo fictício, e sim a empréstimo obtido junto ao sócio, conforme contrato em anexo; d) a atividade econômica exercida pela contribuinte é a de cerealista. Nessa atividade são comercializadas commodities agrícolas cujo preço é fixado diariamente pelo mercado, também denominado de preço de lousa. O cerealista armazena os produtos entregues pelos produtores, e os vende somente quando estes dão a ordem; e) no momento da entrega da commodity à cerealista é emitida uma nota fiscal (CFOP 1102) e o produtor recebe apenas uma pequena parte do valor dos produtos entregues. A venda somente se concretiza no dia que o produtor der a ordem, razão pela qual aplicase ao caso o disposto no art. 116, II, do CTN; f) é ilegal a exigência de juros de mora calculados com base na taxa Selic; g) quanto à contribuição para o PIS e à Cofins, sua exigência é ao menos em parte improcedente, tendo em vista que não incidem sobre vendas com fim específico de exportação; h) a receita omitida oriunda de passivo fictício e saldo credor de caixa não pode ser utilizada para o lançamento das contribuições; i) os produtos saídos do estabelecimento da contribuinte encontramse sob o regime de suspensão da contribuição para o PIS e da Cofins, conforme disposto na Instrução Normativa nº 660/2006. Se as saídas não estivessem suspensas, a empresa teria direito ao crédito dessas contribuições; j) não poderia ter sido realizado lançamento complementar, visto que o feito envolve fatos geradores prescritos. Ademais, houve violação ao direito de defesa, já que o Decreto nº 3.724/2001 determina que os procedimentos fiscais devam ser precedidos de mandado; k) tendo em vista que a atividade exercida pela contribuinte tem natureza agroindustrial, não há que se falar em exigência de Cofins, mas sim de Funrural. Trazidos os autos à julgamento, esta Turma resolveu convertêlo em diligência para que a contribuinte apresentasse de maneira organizada os documentos juntados aos autos, bem como para que a fiscalização sobre eles se manifestasse. Cumprida a providência, a autoridade elaborou informação fiscal onde se pronunciou sobre os quesitos formulados no pedido de diligência. Por sua vez, intimada para tanto, a recorrente apresentou contrarrazões à informação fiscal. Fl. 4093DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005241/201040 Acórdão n.º 1201001.033 S1C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Alegação de Decadência Alega a defesa que os créditos tributários lançados em virtude da apuração do passivo fictício no valor de R$ 857.577,03, presente no balanço da empresa levantado em 31/12/2006, foram alcançados pelo decurso do prazo decadencial, haja vista que referese a mútuo contraído junto ao Sr. André Luiz Pereira no ano de 2003, conforme contrato anexado ao voluntário (fl. 3186 e ss.). Ocorre que conforme reconhecido pela própria recorrente, o mutuante vem a ser seu sócio administrador. Em assim sendo, a data aposta no contrato de mútuo anexado pela defesa não pode ser aqui admitida como verdadeira, haja vista que o documento foi assinado por pessoas que têm interesse comum na situação (a empresa e seu sócio), e não foi registrado em cartório de títulos e documentos, que confirmaria a data da assinatura do contrato. Isso posto, permanece a presunção de omissão de receita caracterizada por passivo fictício apurado no balanço levantado em 31/12/2006. E segundo o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, os créditos tributários lançados em virtude dessa infração seriam alcançados pelo decurso do prazo decadencial em 31/12/2011. Ocorre que os lançamentos original e complementar foram cientificados ao sujeito passivo antes dessa data, respectivamente em 28/09/2010 e em 18/02/2011. 3) Das Omissões de Receita Saldo Credor de Caixa e Passivo Fictício A autoridade fiscal verificou a existência saldo credor de caixa na contabilidade da empresa relativamente aos quatro trimestres de 2006. Ademais, apesar de intimada para tanto, a contribuinte deixou de comprovar as obrigações mantidas em seu passivo nos quatro trimestres do ano de 2006 e nos quatro trimestres do ano de 2007. A DRJ de origem afastou a ocorrência de saldo credor de caixa relativamente aos 2º, 3º e 4º trimestres de 2006 por haver constatado que a autoridade havia deixado de zerar o saldo credor na passagem de um trimestre para o seguinte. Dessa decisão não coube recurso de ofício. Quanto ao passivo fictício, manteve integralmente o lançamento. No que concerne ao passivo fictício a recorrente torna a alegar que o valor de R$ 857.577,03 referese a empréstimo contraído junto ao sócio em 2003. Quanto aos valores apurados pela fiscalização a título de passivo fictício na rubrica fornecedores, alega que, atuando como cerealista, recebe e armazena os grãos faturando apenas uma fração do valor dos produtos entregues. Afirma que somente quando o produtor dá a ordem de venda é que fatura o restante do preço. Explica que o passivo questionado pela fiscalização é existente, e decorre da sistemática empregada na comercialização dos grãos. Fl. 4094DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005241/201040 Acórdão n.º 1201001.033 S1C2T1 Fl. 6 5 Em sua informação fiscal a autoridade diligenciante acolheu a explicação do passivo fictício somente quanto à rubrica fornecedores, ainda assim apenas parcialmente, haja vista que manteve a presunção legal relativamente às aquisições desamparadas de nota fiscal. Nas contrarrazões à informação fiscal a interessada afirma haver anexado as notas fiscais faltantes. Ocorre que, pelo exame dos documentos anexados às contrarrazões apresentadas pela recorrente é possível verificar a inexistência das aludidas notas fiscais, razão pela qual devese manter o passivo fictício quanto a estas. Igualmente, em virtude da não apresentação dos documentos necessários à comprovação do passivo referente demais valores lançados a título de passivo fictício, devese manter a exigência. Quanto ao saldo credor de caixa do 1º trimestre de 2006 não há reparos a fazer ao lançamento. Referido saldo foi encontrado na própria contabilidade da fiscalizada, sem que o auditor promovesse qualquer ajuste no registro da conta caixa. Por fim, não há como se acolher a alegação segundo a qual sobre a omissão de receita lastreada em presunções legais não incidem o PIS/Cofins. Uma vez que as bases de cálculo dessas contribuições é o faturamento, a omissão de receita de vendas dá ensejo ao lançamento de ofício. Ademais, como não é possível provarse que a omissão corresponde a vendas de produtos beneficiados com suspensão ou não incidência do PIS/Cofins, impõese a exigência dos valores lançados. 4) Do PIS/Cofins Vendas com Suspensão Cerealista A autoridade fiscal constituiu crédito tributário relativo à contribuição para o PIS e à Cofins referente à totalidade de suas vendas dos anos de 2006 e 2007 em virtude de a empresa haver apresentado as respectivas DACONs “zeradas” e de não ter respondido à intimação que lhe foi dirigida com vistas a explicar o fato. Em sua defesa a interessada alega que tratase, em parte, de produtos de vendas com fim específico de exportação, em relação à quais não incide o PIS/Cofins, e em parte de vendas com incidência suspensa dessas contribuições nos termos da Instrução Normativa SRF nº 660/2006. No que concerne às vendas com suspensão do PIS/Cofins, a autoridade diligenciante entendeu que a recorrente deixou de cumprir as condições estabelecidas pela Instrução Normativa SRF nº 660/2006. Em especial, alegou a autoridade que: (i) a recorrente deixou de registrar nas respectivas notas fiscais que a venda foi realizada em regime de suspensão da incidência das contribuições, e; (ii) somente parte dos adquirentes das mercadorias apresentou o termo de responsabilidade exigido pela legislação e, mesmo os que apresentaram, o fizeram somente após o início da ação fiscal. Pois bem, sobre a suspensão do PIS/Cofins os arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 assim estabelecem: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse Fl. 4095DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005241/201040 Acórdão n.º 1201001.033 S1C2T1 Fl. 7 6 capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3odasLeis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº11.196, de 21/11/2005); (...) Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Grifamos) I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Grifamos) (...) Como base no acima transcrito art. 9º, § 2º, da Lei nº 10.925/2004 a SRF, por meio de sua Instrução Normativa nº 660/2006, estabeleceu as condições para o gozo do benefício, entre elas, a que exige que a empresa adquirente apresente à fornecedora declaração nos seguintes termos (anexo I da IN SRF 660/2006): ANEXO I DECLARAÇÃO Ilmo. Sr. ........................................................... (representante legal da pessoa jurídica vendedora) Fl. 4096DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005241/201040 Acórdão n.º 1201001.033 S1C2T1 Fl. 8 7 (Nome da pessoa jurídica adquirente), com sede (endereço completo), inscrita no CNPJ sob o nº ........................................., neste ato representada por (nome e CPF do representante legal da pessoa jurídica adquirente), DECLARA à (nome da pessoa jurídica vendedora), para fins de suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), na forma do art. 9º e do § 3º do art. 15 da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, que apura o imposto de renda com base no lucro real. DECLARA, ainda, que os produtos adquiridos (destinamse / NÃO se destinam) à fabricação dos produtos: I relacionados no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004; ou II classificados na posição 22.04 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Para esse efeito, a declarante assume o compromisso de informar à Secretaria da Receita Federal e à pessoa jurídica vendedora, imediatamente, eventual alteração da presente situação e afirma estar ciente de que a falsidade ou omissão na prestação destas informações, sem prejuízo do disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, sujeitálaá, juntamente com as demais pessoas que para ela concorrerem, às penalidades previstas na legislação criminal e tributária, relativas à falsidade ideológica (art. 299 do Código Penal) e ao crime contra a ordem tributária (art. 1º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990). Local e data...................................................... ___________________________________________ Representante Legal da Pessoa Jurídica Adquirente Ora, como a recorrente não possuía, à época dos fatos geradores ora sob exame, as declarações que deveriam ter sido apresentadas pelos adquirentes de suas mercadorias, não poderia ter se beneficiado da suspensão do PIS/Cofins. Por fim, quanto à alegação de que não é contribuinte da Cofins, e sim do Funrural, é de se dizer que o art. 5º da Lei nº 10.833/2003 estabelece que é contribuinte da Cofins toda pessoa jurídica que auferir as receitas aludidas no art. 1º da mesma Lei, como é o caso da ora recorrente. 5) Do PIS/Cofins Vendas com Não Incidência Fim Específico de Exportação Como dito no início do capítulo anterior deste voto, a autoridade fiscal constituiu crédito tributário relativo à contribuição para o PIS e à Cofins referente à totalidade de suas vendas dos anos de 2006 e 2007 em virtude de a empresa haver apresentado as respectivas DACONs “zeradas” e de não ter respondido à intimação que lhe foi dirigida com vistas a explicar o fato. Em sua defesa a interessada alega que tratase, em parte, de produtos de vendas com fim específico de exportação, em relação à quais não incide o PIS/Cofins, e em Fl. 4097DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005241/201040 Acórdão n.º 1201001.033 S1C2T1 Fl. 9 8 parte de vendas com suspensão dessas contribuições nos termos da Instrução Normativa SRF nº 660/2006, estas últimas tratadas no capítulo anterior. No que toca às vendas com fim específico de exportação a autoridade diligenciante acolheu em parte a não incidência. Conforme se observa na informação fiscal, o auditor reconheceu que todas as notas fiscais em questão foram emitidas pela recorrente com CFOP correspondente a fim específico de exportação, e as mercadorias tiveram como destinatárias empresas comerciais exportadoras. Todavia a autoridade admitiu apenas as notas fiscais que constavam nos memorandos de exportação emitidos pelas empresas comerciais exportadoras. Entendo, entretanto, que a responsabilidade da recorrente pela não incidência do PIS/Cofins limitase ao cumprimento das seguintes condições: (i) a nota fiscal mencione que a remessa é feita com fim específico de exportação, e; (ii) o destinatário das mercadorias seja empresa comercial exportadora. É o que estabelecem o art. 5º, III, da Lei nº 10.637/2002 e o art. 6º, III, da Lei n º 10.833/2003, in verbis: Lei nº 10.637/2002: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) Lei nº 10.833/2003: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) Acaso as empresas comerciais exportadoras deixarem de exportar no prazo legal as mercadorias recebidas com fim específico de exportação, caberá a elas a responsabilidade pelo pagamento do PIS/Cofins alcançados pela não incidência condicionada acima referida, conforme prescreve o abaixo transcrito art. 9º da Lei nº 10.833/2003: Art. 9º A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. Fl. 4098DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005241/201040 Acórdão n.º 1201001.033 S1C2T1 Fl. 10 9 Isso posto, devese afastar a exigência do PIS/Cofins sobre a totalidade das vendas com fim específico de exportação, haja vista o cumprimento, por parte da recorrente, das condições da não incidência daquelas contribuições. 6) Multa e Juros Alega a defesa ser confiscatória a multa de 75% imposta sobre os valores dos tributos lançados. Ocorre que a penalidade em questão encontra previsão no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Em assim sendo, esta Turma não detém competência para apreciar, neste ponto, os argumentos da defesa, haja vista o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e a Súmula nº 2 do CARF, que assim dispõem: Decreto nº 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Súmula nº 2 do CARF (DOU de 09/12/2010) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Alega também a interessada ser incabível a adoção da taxa Selic no cálculo do juros de mora. Sobre esse assunto o CARF, por meio de sua Súmula nº 4, assim se pronunciou de maneira vinculante perante as Turmas que o compõem: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 7) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, conforme abaixo: a) manter a exigência do IRPJ, contribuição para o PIS, Cofins e CSLL incidente sobre o passivo fictício abaixo demonstrado: Período Passivo Fictício Apurado Passivo Fictício Mantido 1º Trim. 2006 2.200.826,43 114.596,95 2º Trim. 2006 1.888.387,74 272.139,82 3º Trim. 2006 2.286.603,38 112.506,46 4º Trim. 2006 2.677.528,83 1.281.960,70 Fl. 4099DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005241/201040 Acórdão n.º 1201001.033 S1C2T1 Fl. 11 10 1º Trim. 2007 3.267.656,57 249.810,72 2º Trim. 2007 1.625.695,55 89.745,49 3º Trim. 2007 3.204.128,74 44.254,36 4º Trim. 2007 1.497.166,15 244.739,41 b) afastar a exigência do PIS/Cofins incidente sobre a totalidade das vendas com fim específico de exportação (item 5 do voto), inclusive aquelas não aceitas na informação fiscal elaborada pela autoridade que realizou a diligência. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 4100DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.720357/2010-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência do julgamento deste processo para a 1a. Turma da 3a. Câmara desta Seção visando julgamento em conjunto com o de nº 13708.000627/2003-04. Ausente justificadamente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna.
(assinado digitalmente)
Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
RELATÓRIO
A empresa TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A recorreu a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou improcedente seu pleito, requerendo sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF).
Adoto o relatório da decisão de 1ª. instância:
Versa presente processo inicialmente sobre a declaração de compensação nº 03908.19352.220507.1.7.02-0033, fls. 01/05, retificadora de outra DCOMP entregue em 04/01/2007, na qual a interessada objetiva compensar débito de IRRF, período de apuração 3º dec. dezembro/2006, no valor de R$ 23.715.194,65, com crédito de Saldo Negativo de IRPJ, apurado no ano-calendário de 2002, cujo valor original na data da transmissão era de R$ 14.091.641,73, fl. 02. Ao longo do processo foram agregadas outras 24 DCOMPs relacionadas ao mesmo crédito.
Através do Despacho Decisório da DEMAC/RJO/DIORT, fls. 44/45, de 28/09/2010, com base no Parecer 014/2010, fls. 40/43, não se homologaram as DCOMP listadas às fls. 44, bem como foram consideradas não declaradas as DCOMP 29011.47304.141205.1.3.02-8602 e 03908.19352.220507.1.7.02-0033, pelos motivos abaixo:
- o crédito se refere a Saldo Negativo de IRPJ do ano-calendário de 2002, informado na DCOMP nº 18347.50275.150503.1.3.02-7991, objeto de análise no Processo nº 13708.000627/2003-04, assim como 08 (oito) DCOMPs listadas às fls. 40, que não foram homologadas no referido processo por inexistência do crédito, conforme Parecer/Despacho nº 208/2005, fls. 11/13, cientificado em 21/11/2005, e objeto de Acórdão nº 12-13.181/2007 da DRJ/RJO-I, fls. 22/30;
- em consulta aos sistemas da RFB, contatou-se entrega de mais 25 (vinte e cinco) DCOMPs listadas às fls. 40/41 objeto do mesmo crédito, vinculadas à DCOMP 18347.50275.150503.1.3.02-7991, que estão sendo ora analisadas;
- de acordo com as IN SRF nºs. 460/2004, 600/2005 e 900/2008, a interessada não poderia apresentar DCOMP quando já apreciada DCOMP anterior de origem do crédito e não reconhecido o direito creditório;
- ocorreu ainda que as DCOMP retificadas entregues em 2003 e 2004 e listadas à fl. 42, foram apresentadas antes da ciência da decisão, mas não foram identificadas e vinculadas pelo Sistema SIEF/PERDCOMP ao crédito analisado no Processo nº 13708.000627/2003-04, em razão da informação de que o Saldo se referia ao exercício de 2002, o qual foi retificado para exercício de 2003 através das retificadoras apresentadas em 2007, listadas às fls. 42;
- tais 23 (vinte e três) DCOMPs retificadoras serão consideradas não homologadas pelos motivos já expostos;
- além disso, tendo em vista que a DCOMP retificada de nº 25347.78987.040107.1.3.02-0973 foi transmitida em data posterior à ciência da decisão em tela, conforme destaque em sua numeração, sua retificadora de nº 03908.19352.220507.1.7.02-0033, assim como a DCOMP original nº 29011.47304.141205.1.3.02-8602, serão consideradas Não-declaradas, nos termos do inciso I do § 12 do art. 74 da Lei 9.430/96, alterado pela Lei 11051/2004 c/c inciso I do § 1º do art. 31 da IN SRF 460/2004, incluído pela IN SRF 534/2005 e inciso I do § 1º do art. 31 da IN SRF 600/2005. Sendo assim, não surtem os efeitos próprios das DCOMP, não extinguindo o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação e não possibilitando manifestação de inconformidade.
Cientificada em 08/11/2010, fl. 64, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 65/74, em 30/11/2010, fl.226, alegando, em síntese:
- preliminarmente, o efeito suspensivo da manifestação de inconformidade em relação aos débitos controlados nos processos apensos, pois, quando do protocolo do recurso, todos os processos devem estar com sua exigibilidade suspensa no conta-corrente;
- o crédito pleiteado é objeto do Processo 13708.000627/2003-04 que ainda está aguardando julgamento perante o CARF;
- a existência de saldo negativo não chegou a ser analisada no referido Processo porque o não reconhecimento do crédito decorreu unicamente da existência de lançamento para o período, objeto do Processo 18471.000999/2005-29, ainda não julgado definitivamente na esfera administrativa, portanto, o motivo, também adotado no despacho decisório ora recorrido não é válido, razão pela qual a decisão padece de nulidade;
- se ao final for julgada procedente a impugnação, a conseqüência será a homologação da apuração do contribuinte e o reconhecimento do crédito pleiteado;
- além do lançamento, o despacho do Processo se limitou a afirmar existência de supostas divergências entre a DIPJ e planilhas demonstrativas de crédito sem explicitar as divergências;
- alega os requisitos dos atos administrativos, bem como da busca da verdade material, a teoria dos motivos determinantes, cita doutrina e Acórdão da DRJ/RJO-I que anulou Despacho Decisório que tratou de situação idêntica, a merecer igual tratamento;
- por fim, caso se rejeite a preliminar de nulidade, dada a correlação entre o presente processo e o Processo nº 13708.000627/2003-04, que por sua vez tem sua sorte vinculada ao Processo nº 18471.000999/2005-29, devem ser julgados em conjunto, nos termos do art. 1º, I, a da Portaria SRF nº 6129 de 02/12/2005;
- pede seja reconhecida a nulidade do Despacho Decisório, em razão da inexistência de motivação autônoma para não homologar as compensações; e. requer a reunião do presente ao Processo nº 13708.000627/2003-04, para serem decididos em conjunto, após a decisão final do Processo nº 18471.000999/2005-29.
Encontra-se apenso ao presente processo o Processo de nº 16682.720.103/2011-69, cujo Despacho de fl. 09 esclarece que este foi formalizado para cadastramento do crédito informado na DCOMP nº 18347.50275.150503.1.3.02-7991, cuja cópia encontra-se às fls. 01/06.
Juntou-se às fls. 238/239 a localização do Processo nº 13708.000627/2003-04 ( DCOMP original do direito creditório), com a informação de que foi juntado ao processo nº 16682.720007/2010-30 e que se encontra atualmente na DRF-RJ1-DIORT.
Juntou-se, também, às fls. 240/245, a Resolução nº 1301-00.019 da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária do CARF referente ao citado Processo nº 13708.000627/2003-04, que converteu o julgamento em diligência na sessão de 28/09/2009."
A decisão recorrida está assim ementada:
NULIDADE. Inexistindo qualquer indício de violação às determinações contidas nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972, não há que se cogitar de nulidade do Despacho Decisório.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Não cabe a homologação das compensações quando o direito creditório já foi objeto de análise em outro processo, e não foi reconhecido, não permitindo nova apreciação por esta Delegacia de Julgamento, por ferir o Princípio da Segurança Jurídica.
Manifestação de Inconformidade Improcedente Do Recurso Voluntário:
Cientificada da aludida decisão em 9/12/2011 (fl. 271), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 5/1/2012 (fls. 315 e seguintes), cujas alegações estão a seguir resumidas:
- a Requerente já havia transmitido novas compensações utilizando-se do mesmo saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2002, com base no PER/DCOMP de crédito nº 18347.50275.150503.1.3.02-7991;
- para analisar essas compensações, foi formalizado o presente processo administrativo (15374.720357/2010-17), no qual foi proferido o despacho decisório de fls. 44/45 (com base no Parecer Conclusivo 014/2010), que também não homologou as compensações ao argumento de que o crédito aqui utilizado já havia sido indeferido no PTA 13708.000627/2003-04.
- entretanto, como demonstrado na manifestação de inconformidade, a existência de saldo negativo não chegou a ser analisada no PTA 13708.000627/2003-04. É que naqueles autos o não reconhecimento do crédito decorreu unicamente da existência de lançamento para o período (objeto do PTA 18471.000999-2005-29), que sequer tinha sido julgado definitivamente na esfera administrativa.
Assim, em resumo, o caso dos autos é o seguinte:
a) O despacho decisório não homologou as compensações ao argumento de que o saldo negativo utilizado já teria sido analisado e indeferido no PTA 13708.000627/2003-04.
b) Entretanto, no PTA 13708.000627/2003-04 não chegou a ser analisada a existência de saldo negativo; na verdade, o crédito não foi reconhecido naquele processo exclusivamente em razão da existência de lançamento de ofício para o período (ano-calendário de 2002), objeto do PTA 18471.000999/2005-29;
c) Por sua vez, no momento em que proferido o despacho decisório, tanto o PTA 18471.000999/2005-29 quanto o PTA 13708.000627/2003-04 encontram-se pendentes de julgamento na esfera administrativa, de modo que o despacho decisório se fundamentou em decisões precárias e passíveis de alteração.
- a não homologação das compensações aqui tratadas vinculou-se umbilicalmente à validade do lançamento de ofício realizado no PTA 18471.000999/2005-29.
-A Recorrente vem sustentando desde a manifestação de inconformidade, o despacho decisório proferido nestes autos padece de evidente nulidade porque não apresentou fundamento autônomo para não reconhecer o direito creditório.
- A vinculação do despacho decisório a ato administrativo ainda não definitivo na esfera administrativa (o lançamento realizado no PTA nº 18471.000999/2005-29 recentemente anulado pelo CARF) revela a fragilidade da análise do crédito feita pela autoridade fiscal. O caso, portanto, é de nulidade do despacho decisório.
- A empresa, agindo conforme a legislação de regência, realizou as compensações ora em análise. Pela sistemática vigente para as compensações no âmbito federal, após o contribuinte apresentar a declaração de compensação cabe à Receita Federal fazer sua análise, a respeito da existência e validade do crédito.
- Assim, concordando com a compensação, a RFB deve proferir despacho decisório homologando-a. Caso contrário, deverá não homologar. É exatamente nessa fase que a DERAT tem a competência para analisar toda a matéria referente à existência e a validade dos créditos, como: a apuração dos tributos que lhe deram origem, confirmar os pagamentos realizados, se a compensação foi transmitida com observância da legislação de regência etc.
- No caso dos autos, como visto, ao fazer a análise das compensações, o despacho decisório limitou-se a afirmar que a existência de lançamento de ofício para o período do crédito (objeto do PTA 18471.000999/2005-29), seria incompatível com a liquidez e certeza dos créditos compensados.
- Uma vez declarada a improcedência da premissa utilizada pela DERAT para não homologar a compensação (a existência de auto de infração lavrado para o período), resta evidenciada a nulidade do despacho decisório amparado em premissas faltas.
- Dessa forma, comprovada a invalidade dos motivos que ensejaram o não reconhecimento do crédito deve-se reconhecer a nulidade do despacho decisório objurgado, e, consequentemente, devem ser homologadas as compensações aqui tratadas.
É o Relatório.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15374.720357/2010-17
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5350815
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1402-000.246
nome_arquivo_s : Decisao_15374720357201017.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 15374720357201017_5350815.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
dt_sessao_tdt : Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
id : 5470211
ano_sessao_s : 2014
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência do julgamento deste processo para a 1a. Turma da 3a. Câmara desta Seção visando julgamento em conjunto com o de nº 13708.000627/2003-04. Ausente justificadamente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. RELATÓRIO A empresa TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A recorreu a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou improcedente seu pleito, requerendo sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão de 1ª. instância: Versa presente processo inicialmente sobre a declaração de compensação nº 03908.19352.220507.1.7.02-0033, fls. 01/05, retificadora de outra DCOMP entregue em 04/01/2007, na qual a interessada objetiva compensar débito de IRRF, período de apuração 3º dec. dezembro/2006, no valor de R$ 23.715.194,65, com crédito de Saldo Negativo de IRPJ, apurado no ano-calendário de 2002, cujo valor original na data da transmissão era de R$ 14.091.641,73, fl. 02. Ao longo do processo foram agregadas outras 24 DCOMPs relacionadas ao mesmo crédito. Através do Despacho Decisório da DEMAC/RJO/DIORT, fls. 44/45, de 28/09/2010, com base no Parecer 014/2010, fls. 40/43, não se homologaram as DCOMP listadas às fls. 44, bem como foram consideradas não declaradas as DCOMP 29011.47304.141205.1.3.02-8602 e 03908.19352.220507.1.7.02-0033, pelos motivos abaixo: - o crédito se refere a Saldo Negativo de IRPJ do ano-calendário de 2002, informado na DCOMP nº 18347.50275.150503.1.3.02-7991, objeto de análise no Processo nº 13708.000627/2003-04, assim como 08 (oito) DCOMPs listadas às fls. 40, que não foram homologadas no referido processo por inexistência do crédito, conforme Parecer/Despacho nº 208/2005, fls. 11/13, cientificado em 21/11/2005, e objeto de Acórdão nº 12-13.181/2007 da DRJ/RJO-I, fls. 22/30; - em consulta aos sistemas da RFB, contatou-se entrega de mais 25 (vinte e cinco) DCOMPs listadas às fls. 40/41 objeto do mesmo crédito, vinculadas à DCOMP 18347.50275.150503.1.3.02-7991, que estão sendo ora analisadas; - de acordo com as IN SRF nºs. 460/2004, 600/2005 e 900/2008, a interessada não poderia apresentar DCOMP quando já apreciada DCOMP anterior de origem do crédito e não reconhecido o direito creditório; - ocorreu ainda que as DCOMP retificadas entregues em 2003 e 2004 e listadas à fl. 42, foram apresentadas antes da ciência da decisão, mas não foram identificadas e vinculadas pelo Sistema SIEF/PERDCOMP ao crédito analisado no Processo nº 13708.000627/2003-04, em razão da informação de que o Saldo se referia ao exercício de 2002, o qual foi retificado para exercício de 2003 através das retificadoras apresentadas em 2007, listadas às fls. 42; - tais 23 (vinte e três) DCOMPs retificadoras serão consideradas não homologadas pelos motivos já expostos; - além disso, tendo em vista que a DCOMP retificada de nº 25347.78987.040107.1.3.02-0973 foi transmitida em data posterior à ciência da decisão em tela, conforme destaque em sua numeração, sua retificadora de nº 03908.19352.220507.1.7.02-0033, assim como a DCOMP original nº 29011.47304.141205.1.3.02-8602, serão consideradas Não-declaradas, nos termos do inciso I do § 12 do art. 74 da Lei 9.430/96, alterado pela Lei 11051/2004 c/c inciso I do § 1º do art. 31 da IN SRF 460/2004, incluído pela IN SRF 534/2005 e inciso I do § 1º do art. 31 da IN SRF 600/2005. Sendo assim, não surtem os efeitos próprios das DCOMP, não extinguindo o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação e não possibilitando manifestação de inconformidade. Cientificada em 08/11/2010, fl. 64, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 65/74, em 30/11/2010, fl.226, alegando, em síntese: - preliminarmente, o efeito suspensivo da manifestação de inconformidade em relação aos débitos controlados nos processos apensos, pois, quando do protocolo do recurso, todos os processos devem estar com sua exigibilidade suspensa no conta-corrente; - o crédito pleiteado é objeto do Processo 13708.000627/2003-04 que ainda está aguardando julgamento perante o CARF; - a existência de saldo negativo não chegou a ser analisada no referido Processo porque o não reconhecimento do crédito decorreu unicamente da existência de lançamento para o período, objeto do Processo 18471.000999/2005-29, ainda não julgado definitivamente na esfera administrativa, portanto, o motivo, também adotado no despacho decisório ora recorrido não é válido, razão pela qual a decisão padece de nulidade; - se ao final for julgada procedente a impugnação, a conseqüência será a homologação da apuração do contribuinte e o reconhecimento do crédito pleiteado; - além do lançamento, o despacho do Processo se limitou a afirmar existência de supostas divergências entre a DIPJ e planilhas demonstrativas de crédito sem explicitar as divergências; - alega os requisitos dos atos administrativos, bem como da busca da verdade material, a teoria dos motivos determinantes, cita doutrina e Acórdão da DRJ/RJO-I que anulou Despacho Decisório que tratou de situação idêntica, a merecer igual tratamento; - por fim, caso se rejeite a preliminar de nulidade, dada a correlação entre o presente processo e o Processo nº 13708.000627/2003-04, que por sua vez tem sua sorte vinculada ao Processo nº 18471.000999/2005-29, devem ser julgados em conjunto, nos termos do art. 1º, I, a da Portaria SRF nº 6129 de 02/12/2005; - pede seja reconhecida a nulidade do Despacho Decisório, em razão da inexistência de motivação autônoma para não homologar as compensações; e. requer a reunião do presente ao Processo nº 13708.000627/2003-04, para serem decididos em conjunto, após a decisão final do Processo nº 18471.000999/2005-29. Encontra-se apenso ao presente processo o Processo de nº 16682.720.103/2011-69, cujo Despacho de fl. 09 esclarece que este foi formalizado para cadastramento do crédito informado na DCOMP nº 18347.50275.150503.1.3.02-7991, cuja cópia encontra-se às fls. 01/06. Juntou-se às fls. 238/239 a localização do Processo nº 13708.000627/2003-04 ( DCOMP original do direito creditório), com a informação de que foi juntado ao processo nº 16682.720007/2010-30 e que se encontra atualmente na DRF-RJ1-DIORT. Juntou-se, também, às fls. 240/245, a Resolução nº 1301-00.019 da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária do CARF referente ao citado Processo nº 13708.000627/2003-04, que converteu o julgamento em diligência na sessão de 28/09/2009." A decisão recorrida está assim ementada: NULIDADE. Inexistindo qualquer indício de violação às determinações contidas nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972, não há que se cogitar de nulidade do Despacho Decisório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Não cabe a homologação das compensações quando o direito creditório já foi objeto de análise em outro processo, e não foi reconhecido, não permitindo nova apreciação por esta Delegacia de Julgamento, por ferir o Princípio da Segurança Jurídica. Manifestação de Inconformidade Improcedente Do Recurso Voluntário: Cientificada da aludida decisão em 9/12/2011 (fl. 271), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 5/1/2012 (fls. 315 e seguintes), cujas alegações estão a seguir resumidas: - a Requerente já havia transmitido novas compensações utilizando-se do mesmo saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2002, com base no PER/DCOMP de crédito nº 18347.50275.150503.1.3.02-7991; - para analisar essas compensações, foi formalizado o presente processo administrativo (15374.720357/2010-17), no qual foi proferido o despacho decisório de fls. 44/45 (com base no Parecer Conclusivo 014/2010), que também não homologou as compensações ao argumento de que o crédito aqui utilizado já havia sido indeferido no PTA 13708.000627/2003-04. - entretanto, como demonstrado na manifestação de inconformidade, a existência de saldo negativo não chegou a ser analisada no PTA 13708.000627/2003-04. É que naqueles autos o não reconhecimento do crédito decorreu unicamente da existência de lançamento para o período (objeto do PTA 18471.000999-2005-29), que sequer tinha sido julgado definitivamente na esfera administrativa. Assim, em resumo, o caso dos autos é o seguinte: a) O despacho decisório não homologou as compensações ao argumento de que o saldo negativo utilizado já teria sido analisado e indeferido no PTA 13708.000627/2003-04. b) Entretanto, no PTA 13708.000627/2003-04 não chegou a ser analisada a existência de saldo negativo; na verdade, o crédito não foi reconhecido naquele processo exclusivamente em razão da existência de lançamento de ofício para o período (ano-calendário de 2002), objeto do PTA 18471.000999/2005-29; c) Por sua vez, no momento em que proferido o despacho decisório, tanto o PTA 18471.000999/2005-29 quanto o PTA 13708.000627/2003-04 encontram-se pendentes de julgamento na esfera administrativa, de modo que o despacho decisório se fundamentou em decisões precárias e passíveis de alteração. - a não homologação das compensações aqui tratadas vinculou-se umbilicalmente à validade do lançamento de ofício realizado no PTA 18471.000999/2005-29. -A Recorrente vem sustentando desde a manifestação de inconformidade, o despacho decisório proferido nestes autos padece de evidente nulidade porque não apresentou fundamento autônomo para não reconhecer o direito creditório. - A vinculação do despacho decisório a ato administrativo ainda não definitivo na esfera administrativa (o lançamento realizado no PTA nº 18471.000999/2005-29 recentemente anulado pelo CARF) revela a fragilidade da análise do crédito feita pela autoridade fiscal. O caso, portanto, é de nulidade do despacho decisório. - A empresa, agindo conforme a legislação de regência, realizou as compensações ora em análise. Pela sistemática vigente para as compensações no âmbito federal, após o contribuinte apresentar a declaração de compensação cabe à Receita Federal fazer sua análise, a respeito da existência e validade do crédito. - Assim, concordando com a compensação, a RFB deve proferir despacho decisório homologando-a. Caso contrário, deverá não homologar. É exatamente nessa fase que a DERAT tem a competência para analisar toda a matéria referente à existência e a validade dos créditos, como: a apuração dos tributos que lhe deram origem, confirmar os pagamentos realizados, se a compensação foi transmitida com observância da legislação de regência etc. - No caso dos autos, como visto, ao fazer a análise das compensações, o despacho decisório limitou-se a afirmar que a existência de lançamento de ofício para o período do crédito (objeto do PTA 18471.000999/2005-29), seria incompatível com a liquidez e certeza dos créditos compensados. - Uma vez declarada a improcedência da premissa utilizada pela DERAT para não homologar a compensação (a existência de auto de infração lavrado para o período), resta evidenciada a nulidade do despacho decisório amparado em premissas faltas. - Dessa forma, comprovada a invalidade dos motivos que ensejaram o não reconhecimento do crédito deve-se reconhecer a nulidade do despacho decisório objurgado, e, consequentemente, devem ser homologadas as compensações aqui tratadas. É o Relatório.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046810508918784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1604; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.720357/201017 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.246 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 9 de abril de 2014 Assunto DCOMP ELETRONICO SALDO NEGATIVO DO IRPJ Recorrente TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência do julgamento deste processo para a 1a. Turma da 3a. Câmara desta Seção visando julgamento em conjunto com o de nº 13708.000627/200304. Ausente justificadamente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .7 20 35 7/ 20 10 -1 7 Fl. 478DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 15374.720357/201017 Resolução nº 1402000.246 S1C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO A empresa TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A recorreu a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou improcedente seu pleito, requerendo sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão de 1ª. instância: Versa presente processo inicialmente sobre a declaração de compensação nº 03908.19352.220507.1.7.020033, fls. 01/05, retificadora de outra DCOMP entregue em 04/01/2007, na qual a interessada objetiva compensar débito de IRRF, período de apuração 3º dec. dezembro/2006, no valor de R$ 23.715.194,65, com crédito de Saldo Negativo de IRPJ, apurado no anocalendário de 2002, cujo valor original na data da transmissão era de R$ 14.091.641,73, fl. 02. Ao longo do processo foram agregadas outras 24 DCOMPs relacionadas ao mesmo crédito. Através do Despacho Decisório da DEMAC/RJO/DIORT, fls. 44/45, de 28/09/2010, com base no Parecer 014/2010, fls. 40/43, não se homologaram as DCOMP listadas às fls. 44, bem como foram consideradas não declaradas as DCOMP 29011.47304.141205.1.3.028602 e 03908.19352.220507.1.7.020033, pelos motivos abaixo: o crédito se refere a Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, informado na DCOMP nº 18347.50275.150503.1.3.027991, objeto de análise no Processo nº 13708.000627/200304, assim como 08 (oito) DCOMPs listadas às fls. 40, que não foram homologadas no referido processo por inexistência do crédito, conforme Parecer/Despacho nº 208/2005, fls. 11/13, cientificado em 21/11/2005, e objeto de Acórdão nº 1213.181/2007 da DRJ/RJOI, fls. 22/30; em consulta aos sistemas da RFB, contatouse entrega de mais 25 (vinte e cinco) DCOMPs listadas às fls. 40/41 objeto do mesmo crédito, vinculadas à DCOMP 18347.50275.150503.1.3.027991, que estão sendo ora analisadas; de acordo com as IN SRF nºs. 460/2004, 600/2005 e 900/2008, a interessada não poderia apresentar DCOMP quando já apreciada DCOMP anterior de origem do crédito e não reconhecido o direito creditório; ocorreu ainda que as DCOMP retificadas entregues em 2003 e 2004 e listadas à fl. 42, foram apresentadas antes da ciência da decisão, mas não foram identificadas e vinculadas pelo Sistema SIEF/PERDCOMP ao crédito analisado no Processo nº 13708.000627/200304, em razão da informação de que o Saldo se referia ao exercício de 2002, o qual foi retificado para exercício de 2003 através das retificadoras apresentadas em 2007, listadas às fls. 42; tais 23 (vinte e três) DCOMPs retificadoras serão consideradas “não homologadas” pelos motivos já expostos; além disso, tendo em vista que a DCOMP retificada de nº 25347.78987.040107.1.3.020973 foi transmitida em data posterior à ciência da decisão em tela, conforme destaque em sua numeração, sua retificadora de nº 03908.19352.220507.1.7.02 0033, assim como a DCOMP original nº 29011.47304.141205.1.3.028602, serão consideradas “Nãodeclaradas”, nos termos do inciso I do § 12 do art. 74 da Lei 9.430/96, alterado pela Lei 11051/2004 c/c inciso I do § 1º do art. 31 da IN SRF 460/2004, incluído pela IN SRF 534/2005 e inciso I do § 1º do art. 31 da IN SRF 600/2005. Sendo assim, não surtem os efeitos próprios Fl. 479DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 15374.720357/201017 Resolução nº 1402000.246 S1C4T2 Fl. 4 3 das DCOMP, não extinguindo o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação e não possibilitando manifestação de inconformidade. Cientificada em 08/11/2010, fl. 64, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 65/74, em 30/11/2010, fl.226, alegando, em síntese: preliminarmente, o efeito suspensivo da manifestação de inconformidade em relação aos débitos controlados nos processos apensos, pois, quando do protocolo do recurso, todos os processos devem estar com sua exigibilidade suspensa no contacorrente; o crédito pleiteado é objeto do Processo 13708.000627/200304 que ainda está aguardando julgamento perante o CARF; a existência de saldo negativo não chegou a ser analisada no referido Processo porque o não reconhecimento do crédito decorreu unicamente da existência de lançamento para o período, objeto do Processo 18471.000999/200529, ainda não julgado definitivamente na esfera administrativa, portanto, o motivo, também adotado no despacho decisório ora recorrido não é válido, razão pela qual a decisão padece de nulidade; se ao final for julgada procedente a impugnação, a conseqüência será a homologação da apuração do contribuinte e o reconhecimento do crédito pleiteado; além do lançamento, o despacho do Processo se limitou a afirmar existência de supostas divergências entre a DIPJ e planilhas demonstrativas de crédito sem explicitar as divergências; alega os requisitos dos atos administrativos, bem como da busca da verdade material, a teoria dos motivos determinantes, cita doutrina e Acórdão da DRJ/RJOI que anulou Despacho Decisório que tratou de situação idêntica, a merecer igual tratamento; por fim, caso se rejeite a preliminar de nulidade, dada a correlação entre o presente processo e o Processo nº 13708.000627/200304, que por sua vez tem sua sorte vinculada ao Processo nº 18471.000999/200529, devem ser julgados em conjunto, nos termos do art. 1º, I, “a” da Portaria SRF nº 6129 de 02/12/2005; pede seja reconhecida a nulidade do Despacho Decisório, em razão da inexistência de motivação autônoma para não homologar as compensações; e. requer a reunião do presente ao Processo nº 13708.000627/200304, para serem decididos em conjunto, após a decisão final do Processo nº 18471.000999/200529. Encontrase apenso ao presente processo o Processo de nº 16682.720.103/2011 69, cujo Despacho de fl. 09 esclarece que este foi formalizado para cadastramento do crédito informado na DCOMP nº 18347.50275.150503.1.3.027991, cuja cópia encontrase às fls. 01/06. Juntouse às fls. 238/239 a localização do Processo nº 13708.000627/200304 ( DCOMP original do direito creditório), com a informação de que foi juntado ao processo nº 16682.720007/201030 e que se encontra atualmente na DRFRJ1DIORT. Juntouse, também, às fls. 240/245, a Resolução nº 130100.019 da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária do CARF referente ao citado Processo nº 13708.000627/200304, que converteu o julgamento em diligência na sessão de 28/09/2009." A decisão recorrida está assim ementada: NULIDADE. Inexistindo qualquer indício de violação às determinações contidas nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972, não há que se cogitar de nulidade do Despacho Decisório. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 15374.720357/201017 Resolução nº 1402000.246 S1C4T2 Fl. 5 4 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Não cabe a homologação das compensações quando o direito creditório já foi objeto de análise em outro processo, e não foi reconhecido, não permitindo nova apreciação por esta Delegacia de Julgamento, por ferir o Princípio da Segurança Jurídica. Manifestação de Inconformidade Improcedente Do Recurso Voluntário: Cientificada da aludida decisão em 9/12/2011 (fl. 271), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 5/1/2012 (fls. 315 e seguintes), cujas alegações estão a seguir resumidas: a Requerente já havia transmitido novas compensações utilizandose do mesmo saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, com base no PER/DCOMP de crédito nº 18347.50275.150503.1.3.027991; para analisar essas compensações, foi formalizado o presente processo administrativo (15374.720357/201017), no qual foi proferido o despacho decisório de fls. 44/45 (com base no Parecer Conclusivo 014/2010), que também não homologou as compensações ao argumento de que o crédito aqui utilizado já havia sido indeferido no PTA 13708.000627/200304. entretanto, como demonstrado na manifestação de inconformidade, a existência de saldo negativo não chegou a ser analisada no PTA 13708.000627/200304. É que naqueles autos o não reconhecimento do crédito decorreu unicamente da existência de lançamento para o período (objeto do PTA 18471.000999200529), que sequer tinha sido julgado definitivamente na esfera administrativa. Assim, em resumo, o caso dos autos é o seguinte: a) O despacho decisório não homologou as compensações ao argumento de que o saldo negativo utilizado já teria sido analisado e indeferido no PTA 13708.000627/200304. b) Entretanto, no PTA 13708.000627/200304 não chegou a ser analisada a existência de saldo negativo; na verdade, o crédito não foi reconhecido naquele processo exclusivamente em razão da existência de lançamento de ofício para o período (ano calendário de 2002), objeto do PTA 18471.000999/200529; c) Por sua vez, no momento em que proferido o despacho decisório, tanto o PTA 18471.000999/200529 quanto o PTA 13708.000627/200304 encontramse pendentes de julgamento na esfera administrativa, de modo que o despacho decisório se fundamentou em decisões precárias e passíveis de alteração. a não homologação das compensações aqui tratadas vinculouse umbilicalmente à validade do lançamento de ofício realizado no PTA 18471.000999/200529. A Recorrente vem sustentando desde a manifestação de inconformidade, o despacho decisório proferido nestes autos padece de evidente nulidade porque não apresentou fundamento autônomo para não reconhecer o direito creditório. A vinculação do despacho decisório a ato administrativo ainda não definitivo na esfera administrativa (o lançamento realizado no PTA nº 18471.000999/200529 recentemente anulado pelo CARF) revela a fragilidade da análise do crédito feita pela autoridade fiscal. O caso, portanto, é de nulidade do despacho decisório. A empresa, agindo conforme a legislação de regência, realizou as compensações ora em análise. Pela sistemática vigente para as compensações no âmbito federal, após o contribuinte apresentar a declaração de compensação cabe à Receita Federal fazer sua análise, a respeito da existência e validade do crédito. Assim, concordando com a compensação, a RFB deve proferir despacho decisório homologandoa. Caso contrário, deverá não homologar. É exatamente nessa fase que a DERAT tem a competência para analisar toda a matéria referente à existência e a Fl. 481DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 15374.720357/201017 Resolução nº 1402000.246 S1C4T2 Fl. 6 5 validade dos créditos, como: a apuração dos tributos que lhe deram origem, confirmar os pagamentos realizados, se a compensação foi transmitida com observância da legislação de regência etc. No caso dos autos, como visto, ao fazer a análise das compensações, o despacho decisório limitouse a afirmar que a existência de lançamento de ofício para o período do crédito (objeto do PTA 18471.000999/200529), seria incompatível com a liquidez e certeza dos créditos compensados. Uma vez declarada a improcedência da premissa utilizada pela DERAT para não homologar a compensação (a existência de auto de infração lavrado para o período), resta evidenciada a nulidade do despacho decisório amparado em premissas faltas. Dessa forma, comprovada a invalidade dos motivos que ensejaram o não reconhecimento do crédito devese reconhecer a nulidade do despacho decisório objurgado, e, consequentemente, devem ser homologadas as compensações aqui tratadas. É o Relatório. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 15374.720357/201017 Resolução nº 1402000.246 S1C4T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso manuseado pela recorrente está previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, é tempestivo, encontrase devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada. Assim. conheçoo e passo ao exame do mérito. Conforme relatado, em litígio a não homologação de compensações em face do não reconhecimento de direito creditório relativo ao Saldo Negativo de Recolhimentos do ano calendário de 2002, tratado originalmente no processo 13708.000627/200304. Aduz o recorrente que esse direito creditório não teria sido reconhecido naquele processo em razão do lançamento de oficio (auto de infração) para o mesmo anocalendário no processo 13708.000627/200304. Todavia, no voto condutor da decisão de 1a. instância do aludido processo extraise os seguinte fundamentos sob essa questão (fl. 157): “(...) 7. Suscita, no entanto, preliminar de nulidade do Despacho Decisório exarado pelo Sr. Delegado da DERAT/RJ, argumentando, em sua defesa, que aquela autoridade indeferiu o pleito sem exame do mérito do pedido formulado, sob a alegação de inexistência de certeza e liquidez do crédito apresentado em face da autuação lavrada nos autos do processo administrativo n° 18471.000999/200529. 8. Saliento que a matéria objeto dos mencionados autos já foi examinada em 1a instância administrativa por esta Turma de Julgamento, da qual fui o relator, através do Acórdão DRJ/RJO I n° 9.283, de 28/12/2005, oportunidade em que pude constatar que, para efeito de apuração do IRPJ exigido o saldo negativo (credor) informado na DIPJ/2003 (ficha 12A, fls. 67) não foi deduzido do valor apurado do tributo, por ocasião da lavratura do auto de infração. Basta, para tanto, uma simples leitura da cópia acostada a estes autos pela interessada (fls. 81/87). 9. Tal fato levame a concluir que não há qualquer vínculo entre o presente processo e o de n° 18471.000999/200529. Isto porque, em caso de julgamento definitivo na esfera administrativa desfavorável à interessada, o IRPJ exigido nos autos do processo n° 18471.000999/200529 poderá ser cobrado independentemente de se aferir sobre a existência ou não de saldo negativo (credor) de IRPJ no presente processo, passível de compensação. Caso o referido julgamento seja favorável à interessada, nada será dela exigido a título de IRPJ, sem qualquer conseqüência em relação aos pedidos de restituição e compensação formulados nos presentes autos. 10. Se acaso o fiscal autuante, nos autos do processo n° 18471.000999/200529, houvesse deduzido do valor do IRPJ o mencionado saldo credor, aí sim estaria caracterizado o vínculo entre os processos. 11. Se o ato impugnado nestes autos, que indeferiu o pleito da interessada, fosse calcado exclusivamente no argumento de existência do processo n° 18471.000999/200529 a preliminar de nulidade Fl. 483DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 15374.720357/201017 Resolução nº 1402000.246 S1C4T2 Fl. 8 7 mereceria acolhida, eis que o motivo seria juridicamente inadequado para a produção do resultado obtido. A meu juízo, estaria caracterizada a incongruência entre o motivo e o objeto e o ato proferido se apresentaria inquinado pelo vício de inexistência de motivo, ofendendo os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, dando azo, portanto, à sua nulidade. 12. Porém, contrariando o entendimento da interessada, considero que o Parecer Conclusivo n° 208/05 cuidou do mérito, ao deixar registrado às fls. 10 (in fine) o seguinte: "... não há compatibilidade de valores nem mesmo entre os dados apresentados nas planilhas trazidas pela própria interessada às fls. 03/06 e aqueles por ela declarados na DIPJ/2003, ano calendário de 2002." 13. Ora, o exame de dados informados em planilhas e em DIPJ é matéria de mérito, o que torna insubsistente o argumento apresentado pela interessada de nulidade do Despacho Decisório por ausência de apreciação do mérito do pedido interposto. 14. Nestes termos deixo de acolher a preliminar suscitada. Qualquer decisão tomada em relação a um deles afetaria o outro. Porém, não é o caso. (...)”Assim, em que pese o fato de a decisão do Carf no processo nº 18471.000999/200529, a favor do contribuinte, ter sido definitiva e o processo arquivado, resta patente que tal fato não pode motivar a nulidade dos atos anteriores no presente processo, tampouco o reconhecimento do direito creditório. Aliás, na decisão de primeira instância deste processo foi determinado que: “o presente processo deverá ser juntado por anexação ao processo de nº 13708.000627/200304, conforme determina a citada Portaria. Cumpre esclarecer que o referido processo administrativo está localizado na Equipe de Compensação e Restituição PJDIORTDRFRJ1, conforme pesquisa às fls. 238/239." Todavia, ao que parece isso não foi cumprido. Outrossim, verificase nos Sistemas e Registros do Carf que o processo 13708.000627/200304 foi originalmente distribuído ao conselheiro Wilson Fernandes Guimarães e se encontram em julgamento na 1a. Turma da 3a. Câmara desta Seção. Diante do exposto voto no sentido de declinar a competência do julgamento deste processo para a 1a. Turma da 3a. Câmara desta Seção visando julgamento em conjunto com o de nº 13708.000627/200304. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 484DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001641/2008-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/2006
NORMAS GERAIS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
No caso, há recolhimentos parciais, motivo da negativa do provimento do recurso.
NORMAS GERAIS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.231
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, quanto à decadência. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso, quanto à multa. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/2006 NORMAS GERAIS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No caso, há recolhimentos parciais, motivo da negativa do provimento do recurso. NORMAS GERAIS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11065.001641/2008-17
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352117
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9202-003.231
nome_arquivo_s : Decisao_11065001641200817.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCELO OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11065001641200817_5352117.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, quanto à decadência. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso, quanto à multa. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
dt_sessao_tdt : Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
id : 5482447
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046810569736192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2069; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.001641/200817 Recurso nº 999.999 Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.231 – 2ª Turma Sessão de 8 de maio de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente POCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) Interessado CALÇADOS MARTE LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/2006 NORMAS GERAIS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No caso, há recolhimentos parciais, motivo da negativa do provimento do recurso. NORMAS GERAIS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 16 41 /2 00 8- 17 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, quanto à decadência. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso, quanto à multa. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11065.001641/200817 Acórdão n.º 9202003.231 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0141, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0131, que decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/2006 PRELIMINAR.NULIDADE.INCOMPETÊNCIA.AUDITOR FISCAL. NÃO RECONHECIMENTO. O auditor fiscal designado para o cumprimento da ação fiscal não infringiu os limites determinados para a auditoria, motivo pelo qual não há o que se falar em causa de nulidade. PRELIMINAR. DECADÊNCIA PARCIAL QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Fl. 195DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só seria aplicado quando fosse constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PAGAMENTO A SEGURADOS. PRÊMIOS. HABITUALIDADE. VERBA SALARIAL. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VALOR ACRESCIDO DE MULTA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. ART.35, CAPUT, DA LEI N 8.212/91. OBSERVÂNCIA AO ART.106, INCISO II, ALÍNEA C DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Na presente autuação, foi verificado que ocorreu o pagamento habitual, aos segurados da empresa, como contrapartida à assiduidade destes ao trabalho, revestindose tais verbas de caráter salarial, razão pela qual a contribuição social previdenciária incidirá com o recálculo da multa de mora e dos juros com base na taxa SELIC na forma do art.35, caput, da Lei n 8.212/91, que foi alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106, II, c do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência da competências até 04/2003, com base no § 4º, do artigo 150, do CTN. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial para determinar o recalculo do valor da multa de mora, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício na questão da multa de mora. Sinteticamente, o recurso em questão trata de duas questões: a) qual regra decadencial expressa no CTN, deve ser aplicada ao caso; e b) sobre a a forma de cálculo da aplicação da multa, com a determinação do Art. 106, do CTN, que trata da retroatividade benéfica. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. Há decisões que divergem dos entendimentos exarados; 2. A regra decadencial a ser aplicada ao caso deve ser a expressa no I, Art. 173 do CTN, pois não há recolhimentos parciais efetuados pelo sujeito passivo, o que impede a aplicação da regra decadencial expresso no Art. 150, do CTN, como determinado no acórdão recorrido; 3. A decisão determinou, também, de forma equivocada, a comparação entre multa de mora e multa de ofício; Fl. 196DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11065.001641/200817 Acórdão n.º 9202003.231 CSRFT2 Fl. 4 5 4. Assim, para correção na decisão, deve ser dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido, a fim de : a) aplicara a regra decadencial expressa no I, Art. 173, do CTN e b) no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei 8.212/91 (na atual redação conferida pela Lei n°11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei if 8.212/91, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei 8.212/91. Por despacho, fls. 0149, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo, devidamente intimado, apresentou suas contra razões, que mais se assemelham a recurso especial, mas sem as formalidades exigidas. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergências confirmadas e não reformadas conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. DECADÊNCIA: O cerne da questão sobre a decadência é a discussão sobre qual regra decadencial, presentes no CTN, aplicarseá, a expressa no § 4°, Art. 150 do CTN ou a constante do I, Art. 173 do CTN. Para a recorrente, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, pois não houve a necessária e obrigatória antecipação parcial de pagamento nas rubricas lançadas. Para o acórdão recorrido devese aplicar a regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 198DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11065.001641/200817 Acórdão n.º 9202003.231 CSRFT2 Fl. 5 7 ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Antes de decidir sobre qual regra decadencial utilizar, cabe deixar claro que o fato gerador da contribuição previdenciária é a totalidade da remuneração paga ou creditada pelos serviços, independentemente do título que se lhe atribua, tanto em relação ao tomador do serviço (empresa), quanto do segurado contribuinte. Portanto, para a definição da regra decadencial, devemos levar em conta se houve alguma antecipação de pagamento, não por tipo de remuneração (levantamento) pois é a totalidade desses pagamentos que se denomina SaláriodeContribuição (SC), que é todo e qualquer pagamento ou crédito feito ao segurado, em decorrência da prestação de serviço, de forma direta ou indireta, em dinheiro ou sob a forma de utilidades, habituais em relação ao segurado empregado. Elucidativo o texto contido em decisão proferida na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), processo 10640.001896/200747, pelo nobre Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior: “Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao recolhimento específico da rubrica eventualmente lançada, conforme defende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ou se seria suficiente para caracterização de pagamento antecipado o recolhimento genérico relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo. Em relação à essa matéria, creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do recolhimento total ou parcial referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter Fl. 200DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11065.001641/200817 Acórdão n.º 9202003.231 CSRFT2 Fl. 6 9 incidência da contribuição previdenciária, tal fato não descaracteriza a antecipação de pagamento para o restante calculado e recolhido indicado pela folha de pagamento do empregador. Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações e específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, para efeito de identificação do pagamento antecipado, não deve ser exigido o recolhimento específico de uma ou outra rubrica paga pelo empregador, mas sim a consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na folha de pagamento.” Cabe destacar, que na análise dos autos encontramos registro no Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF) que o Fisco verificou recolhimentos efetuados, fls. 053. Portanto, claro está que existiram recolhimentos a homologar e que qualquer recolhimento está contido no termo remuneração, o que leva, conseqüentemente, a aplicação da regra esculpida no § 4º, Art. 150 do CTN. Pelo motivo exposto, nego provimento ao recurso da nobre PGFN, neste ponto. MULTA: Quanto a qual multa deve ser aplicada nos lançamentos de ofício, na análise da questão, verificamos que assiste razão ao pleito da recorrente. Concordo com o acórdão recorrido a respeito da aplicabilidade do Art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi Fl. 202DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11065.001641/200817 Acórdão n.º 9202003.231 CSRFT2 Fl. 7 11 objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da Fl. 204DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11065.001641/200817 Acórdão n.º 9202003.231 CSRFT2 Fl. 8 13 obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado as penalidades sofridas de ofício antes da legislação, com as penalidade que podem ocorrer com a nova legislação. Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas, para dar razão ao pleito da recorrente, conforme solicitado. Por fim, cabe destacar que o sujeito passivo apresentou “contra razões” ao recurso especial, mas com argumentos contra a parte que lhe foi desfavorável, o que poderia ocorrer em recurso especial. Ocorre que não há nenhuma dos requisitos exigidos para impetração de recurso especial, para análise da peça, conforme Regimento Interno do CARF (RICARF). RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência argüida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício. Assim, como a peça elaborada pelo sujeito passivo não possui nenhum dos requisitos que o configurem como recurso especial, nem mesmo o nome, não há como analisá lo. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em negar provimento ao recurso quanto à decadência e em dar provimento ao recurso quanto à questão da multa, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 206DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
