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Numero do processo: 13161.000811/2005-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 DCOMP. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. É nula a decisão de 1 a. instância que deixa de apreciar matérias impugnadas pelo contribuinte, ainda que não se trata de questões específicas do direito creditório pleiteado ou da compensação, especialmente alegações de decadência ou prescrição. Preliminar Acolhida. Decisão de 1 a. Instância Anulada.
Numero da decisão: 1402-000.747
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, para determinar que outra seja proferida, com o enfrentamento das alegações da defesa, inclusive as trazidas no recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. É nula a decisão de 1a. instância que deixa de apreciar matérias impugnadas pelo contribuinte, ainda que não se trata de questões específicas do direito creditório pleiteado ou da compensação, especialmente alegações de decadência ou prescrição. Preliminar Acolhida. Decisão de 1a. Instância Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, para determinar que outra seja proferida, com o enfrentamento das alegações da defesa, inclusive as trazidas no recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 140200.747 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório COMERCIAL DE PETROLEO ZENATTI, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Comercial de Petróleo Zenatti Ltda., acima qualificada, apresentou PER/DCOMP consignando crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, no valor de R$ 1.200.000,00, para compensação com débitos relativos ao IRPJ e CSLL, apuração trimestral, do primeiro trimestre de 2003, nos respectivos valores de R$ 185.101,87 e R$ 78.944,49 (incluídos os juros e a multa moratória). A compensação não foi homologada, conforme Parecer SARAC/DRF/DOU nº 302/2008 e respectivo despacho decisório (f. 26 a 30). O fundamento foi que não havia crédito de saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2001. A ciência quanto ao referido despacho decisório ocorreu em 8 de setembro de 2008 (AR à f. 36). Em 30 de setembro de 2008 foi protocolada a manifestação de inconformidade (f. 37 a 57), firmada pelo sócio gerente (cópia dos documentos pessoais do signatário e do contrato social da sociedade e respectivas alterações às f. 58 a 84). Nela, após breve relato dos fatos, é aduzido, em apertada síntese, que: a) uma vez tendo sido indeferida (sic) a compensação, não houve a produção de nenhum efeito tributário, não se podendo falar em confissão irretratável quanto aos débitos; b) os débitos, cujos fatos geradores ocorreram em 1º de janeiro de 2003, encontramse decaídos, conforme disposição do art. 150, § 4º, do CTN. Ao final, é requerida a declaração de decadência e a nulidade da cobrança. A decisão recorrida está assim ementada: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃOCONHECIMENTO. Manifestação de inconformidade cujas razões não abrangem assuntos cuja competência pertence às DRJs não pode ser conhecida. Impugnação não conhecida. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as decisões recorridas, nos seguintes termos:. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 140200.747 S1C4T2 Fl. 0 3 (...) a recorrente, tempestivamente, impugnou a exigência em epígrafe onde, através do Recurso de Manifestação de Inconformidade, argüindo a extinção do débito tributário compensado, mediante a superveniência da DECADÊNCIA na forma dos arts. 150, parágrafo 4°. c/c art. 156,V ambos do CTN, ao escopo de que: 3.1 Em se tratando de tributos cujo lançamento é por homologação, encontramse suscetíveis ao prazo decadencial desde a ocorrência dos fatos geradores, (01.01.2003), máxime porque ao não serem extintos, sob forma de compensação, o procedimento engendrado pela recorrente, não produziu quaisquer efeitos jurídicos tributários, necessitando serem, obrigatoriamente, constituídos riela recorrida para tornaremse oponíveis e exigíveis, sob pena de extinção por decurso de prazo ou caducidade. .3.2 Tendo os fatos geradores, em apreço, ocorridos em 01.01.2003, o direito potestativo do Sujeito Ativo, (recorrida) , de exigilos exauriu se em 31.12.2007, sendo que a notificação para pagamento em 08.09.2008 é extemporânea, pela qual perdeu eficácia e exigibilidade; Logo, extintos por excelência, (art. 150, parágrafo 4°. c/c art. 156, V do CTN). (...) 4. Sob análise, a Delegacia de Julgamento, (de 1 a• Instância), relatou que, embora o Recurso de Inconformidade apresentado seja regular e tempestivo, encontrandose atendido todos os requisitos legais para tanto, está impedida para apreciar e enfrentar as questões argüidas pela recorrente, de modo que a extinção do crédito tributário, por decadência, tratase de ” questão periférica" além da sua competência funcional estabelecida no art. 174, I, II e II do Regimento Interno. 5 Com efeito, agarrada nessa insígnia deixou de conhecer a manifestação de inconformidade, incontroversamente, regular e tempestiva proposta pela recorrente, restando assim Ementada: (...) 6. A r. decisão acima, é no mínimo surreal, sobretudo porque a A. julgadora " a quo" omitiu de forma mendaz as disposições do art. 174, parágrafo 20. do Ri o qual estabelece a competência exclusiva das Delegacias de Julgamento para apreciar e julgar os indeferimentos e nãohomologações dos pedidos de compensações ou ressarcimentos dos contribuintes, sujeitos passivos, (recorrente). 7. Portanto, deve ser irremediavelmente reformada, decretando sua nulidade plena, para que outra seja prolatada, esbatendo e enfrentando as questões suscitadas pela recorrente, senão vejamos: RAZÕES DE RECURSO. PRELIMINARMENTE NULIDADE DA R. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA — DRJ —OFENSA DOS PRINCIPIOS DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA E AMPLA DEFESA, . 8 A recorrente possuindo créditos tributários, referentes ao IRPJ, referente ao ano calendário de 2001, utilizando as prerrogativas legais do art. 74 da Lei 9.430/96 e INSRF 600/2005 procedeu a confluenciação entre débitos tributários, cujos fatos geradores ocorrem em • 01.01.2003, objetivando, como isso, a sua extinção mediante compensação, na forma do art. 156, II do CTN. 9 Ressalta aos olhos que ambos, créditos e débitos, se tratam se tributos Federais, administrados pela Secretaria da Receita Federal, plausíveis de exauriremse entre si. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 140200.747 S1C4T2 Fl. 0 4 10 Logo se vê que, de um lado a compensação é uma fattispecie da extinção do crédito tributário, como de outro, a decadência também é, encontrandose retratada no inciso V do mesmo versículo do art. 156. (..) 13 A malgrado a decisão ora recorrida, a competência da DRJ para julgar a manifestação de inconformidade proposta pela recorrente está plenamente evidenciada no art. 174 do Regimento Interno da Receita Federal, o qual foi utilizado de maneira míope e proteiforme na sanha malévola de, cerceando o direito Constitucional à ampla defesa e devido processo legal, cobrar tributo natimorto pelo instituto da decadência, cobrindo, com efeito, a sua desídia e incúria no exercício funcional de têlo constituído dentro do prazo qüinqüenal. 14 Ora, não tendo homologada a compensação pela Receita Federal de Dourados, desencadeouse, adrede, a cobrança dos respectivos débitos tributários, sendo que a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente teve por objetivo argüir a sua impossibilidade potestativa obrigacional, haja vista que os mesmos encontram se sucumbidos pelo instituto da decadência; 15 Factível que, a competência funcional da DRJ repontase inerente às questões argüidas pela recorrente, a teor do art. 174, I e parágrafo 2°. do Regimento Interno, caindo por terra os pífios argumentos trazidos pela recorrida, no intuito de esquivar se, às canhas, o enfrentamento da manifestação de inConformidade proposta, utilizando como pano de frente • argumentos inverídicos e carentes de boafé, exigidos do administrador publico, (art. 37 da CF188). 16 Vale dizer por fim que, as disposições do art. 174, I e parágrafo 2°. do Regimento Interno, (Portaria MF 95/2007), estão em perfeita sintonia e racionalidade com o art. 74 da Lei 9.430/96, parágrafos 9°., 10 e 11, os quais facultam ao sujeito passivo, (recorrente), propor impugnações e recursos contra o não reconhecimento da oposição à • exigibilidade do crédito tributário, especialmente, quando se tratar de causas extintivas de direito, como a prescrição e decadência, contidas, inclusive, no próprio RIR/99, art. 899. 17 Negar o enfrentamento da extinção do crédito tributário sob o prima da decadência, além de aviltar o princípio Constitucional da ampla defesa e contraditório, transformou a decisão administrativa proferida pela Delegacia da Receita Federal de Dourados, em una e irrecorrivel o que é extremamente vedado no ordenamento jurídico, espezinhando, "mutatis mutandi", o direito pétreo ao duplo grau de jurisdição; (...) 19 Ante aos fatos e fundamentos retro expendidos, PEDE a recorrente, seja o presente Recurso Ordinário conhecido e dadolhe integral provimento para, reconhecendo a competência jurisdicional da Delegacia de julgamento de Campo Grande, consoante as disposições dos arts. 174 do R.I c/c art. 74 da Lei 9.430/96, decretar a nulidade da decisão proferida na respectiva manifestação de inconformidade, determinando a • remessa do processo à aquela DRJ, para que outra seja proferida, submetendo a novo julgamento, enfrentando e esbatendo todas as questões 11 opostas, especialmente, a decadência, a quais tem o condão de extinguir o crédito tributário, na forma dos arts. 150, parágrafo 4°. c/c art. 156, V ambos do CTN e, art. 899 do RIR199. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 140200.747 S1C4T2 Fl. 0 5 DECADÊNCIA — EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO —MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA — ARGUIÇÃO Como anunciado, a decadência qüinqüenal imprimida nos débitos compensados, tratase de matéria de ordem pública capaz de extinguir o crédito tributário, por isso, nada impede que seja argüida e reconhecida em qualquer grau de jurisdição, inclusive, de ofício pelo julgador. 21 Porquanto, embora a decadência não tenha sido enfrentada pela r. decisão recorrida, nada impede que seja preliminarmente aferida em sede recursal, pela qual a recorrente repristina os argumentos expendidos em primeiro grau, os quais conduzem, ao reconhecimento da extinção do crédito tributário exigido, de modo que não foi tempestivamente constituído. (...) 34 De todo exposto, PEDE a recorrente seja o presente RECURSO ORDINÁRIO, conhecido e dadolhe integral provimento no sentido de: (1) Acolher a preliminar suscitada, reconhecendo a competência jurisdicional da Delegacia de julgamento de Campo Grande, consoante as disposições dos arts. 174 do R.I c/c art. 74 da Lei 9.430/96, DECRETANDO A NULIDADE DA DECISÃO proferida na respectiva manifestação de inconformidade, determinando a remessa do processo à aquela DRJ, para que profira nova decisão e julgamento, enfrentando e esbatendo todas as questões opostas, especialmente, a decadência, a quais tem o condão de extinguir o crédito tributário, (arts. 150, • parágrafo 40• cic art. 156, V ambos do CTN e, art. 899 do RIR199); (ii) PEDE, cumulativamente, por subsidiariedade, considerando a matéria de ordem Pública argüida, seja reconhecida a decadência sobre os débitos tributários em apreço, na forma do art. 150, parágrafo 4°. c/c art. 899 do RIR/99, uma vez que entre a data dos fatos geradores ocorridos em janeiro de 2003 até a notificação de cobrança, (08.09.2008), decorreu mais de 05 (cinco) anos, extinguindoos a teor do art. 156, V do CTN. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 140200.747 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Conforme relatado, a decisão de 1a. instância não conheceu da impugnação sendo que no recurso voluntário o contribuinte propugna a nulidade dessa decisão. Pois bem Nos fundamentos do voto condutor da aludida decisão extraise os seguintes excertos: (...) a competência das DRJs é limitada. Neste processo, o que está em discussão são as compensações declaradas por meio das DCOMPs referidas no primeiro parágrafo do relatório. E, ainda, quando a portaria se refere a manifestação de inconformidade contra apreciações das autoridades competentes relativos à restituição e compensação, restringe o julgamento ao fato de haver ou não o crédito pleiteado e se esse crédito é passível de compensação, conforme indicação efetuada pelo contribuinte na DCOMP. Ou seja, o litígio pode versar somente sobre a decisão anterior do delegado ou inspetor, no que tange à homologação da compensação declarada. Questões periféricas como a suspensão da exigibilidade dos débitos declarados na DCOMP, a exigência dos débitos em face de a declaração consistir em confissão de dívida, a incidência da multa moratória sobre esses débitos ou a prescrição intercorrente, não estão entre aquelas sobre as quais a DRJ pode se manifestar, por faltarlhe competência. Esse o motivo para que não sejam conhecidas as razões e argumentos relativamente aos débitos considerados como confessados de forma irretratável e, por conseguinte, à decadência deles. Conclusão. Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de não conhecer da manifestação de inconformidade, por incompetência. Do confronto das razões de decidir do acórdão recorrido com as alegações de defesa do contribuinte em 1a. instância (fl. 39 e seguintes), verificase de plano que a decisão deixou de enfrentar a principal alegação da recorrente, qual seja, a decadência do tributo devido (debito) na data da ciência do despacho que não homologou a DCOMP (8/9/2008), vide tópico “Pedido” à fl. 57. O contribuinte reitera essa alegação no recurso, todavia, entendo que, em principio, inocorreu a decadência, pelo que não é possível a aplicação do disposto no art. 59, §3o. do PAF. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 140200.747 S1C4T2 Fl. 0 7 ISSO POSTO, oriento meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, para determinar que outra seja proferida, com o enfrentamento das alegações da defesa, inclusive as trazidas no recurso voluntário. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007973/2009-83
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2006
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS IRP3, DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não
há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. (Acórdão CSRF 9101/00.401 de 2/10/2009).
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 1402-000.486
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá (relator), Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antônio José Praga de Souza.
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BALANÇO DE ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. AJUSTES. LIMITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. Recorrente WM SERVIÇOS DE LAVANDERIA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida 1a. TURMA DA DRJ EM CURTIBA PR ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS IRP3, DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. (Acórdão CSRF 9101/00.401 de 2/10/2009). Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá (relator), Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. (assinado digitalmente) Albertina Silva dos Santos Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá – Relator (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 79 73 /2 00 9- 83 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 167 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que manteve o Auto de Infração lavrado em razão do excesso de compensação de prejuízos fiscais com o lucro real relativo ao período de janeiro a agosto de 2006, levada à cabo por parte de SUZUKI TECNOLOGIA E SISTEMAS DE LAVANDERIA LTDA extinta em 22 de setembro de 2006 em razão de sua incorporação pela Recorrente. A Recorrente apresentou Impugnação (fls. 41/52), trazendo as seguintes alegações, conforme relatório da DRJ/CTA: "Inicialmente alega a inaplicabilidade da limitação do artigo 15 da Lei n° 9.065/1995 à compensação integral de prejuízos fiscais no caso de incorporação de sociedades, e se referindo a evolução legislativa sobre essa limitação, diz que essa foi originalmente introduzida pelos artigos 42 e 58 da Lei n. 8.981/1995, o qual teve sua constitucionalidade questionada em face do conceito Constitucional de renda que exsurge do artigo 153, III, da CF/1988 e do artigo 43 do CTN. Relata que tais questionamentos conduziram a que fosse introduzido na Medida Provisória n" 947/199, o artigo 12 com vistas a estabelecer a vigência temporária dos artigos 42 c 58 da Lei n°8.981/1995 até 31/12/1995. Diz que somente no texto da proposta de Lei de Conversão da Medida Provisória n° 998/1995, promulgada sob a forma da Lei n° 9.065/1995, é que foi introduzido o artigo 15 invocado pelo auto de infração, que com sua nova redação veio esclarecer que os limites a que se referia a lei aplicavam unicamente com relação aos prejuízos fiscais, evidenciando a revogação tácita dos limites temporais à compensação de prejuízos, previstos na legislação anterior e excluídos da nova sistemática. Argui que a limitação de 30% para a compensação de prejuízos fiscais estabelecida no artigo 15 da Lei n. 9.065/1995 constitui uma derrogação ao princípio segundo o qual só é legítima a tributação de acréscimos patrimoniais reais e efetivos consagrada no artigo 43 do CTN. Que a desconsideração de uma parcela dos prejuízos fiscais efetivamente incorridos leva a tributar um valor superior àquele que constitui a verdadeira renda, representando taxação de patrimônio ou capital. Aduz que a única razão que torna tolerável a limitação quantitativa em causa vis a vis o artigo 43 do CTN está em que se reconheceu que o direito a compensação desses prejuízos pode ser exercido sem qualquer limitação temporal. Revela que o Superior Tribunal de Justiça tem entendido ser válido o limite de 30% estabelecido inicialmente na Lei n. 8.981/1995, tornado permanente pela Lei n" 9.065/1995. Argumenta que tais fundamentos não se aplicam aos casos em que há a extinção da pessoa jurídica, tendo em vista incidir nesta hipótese a limitação especial prevista no artigo 33 do Decretolei n" 2.341/1987. Que a perda do direito de compensação na hipótese de reorganização societária constitui uma derrogação excepcional ao princípio da sucessão a título universal, e uma vez que não há a possibilidade Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 168 3 jurídica de uma compensação futura, pelo que o direito à compensação se extingue definitivamente e na sua totalidade com a incorporação. Alega que a única interpretação que permite validamente harmonizar tais limites como o sistema tributário é a de que a limitação quantitativa de 30% fica afastada naqueles casos em que seja aplicável a limitação contida no artigo 33 do Decreto lei n° 2.341/1987. Isto se dá porque a regra especial do artigo 33 do Decretolei n. 2.341/1987 derroga a limitação geral estabelecida pela Lei n° 9.065/1995, nos casos de fusão, cisão ou incorporação. Aduz que a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais é no sentido de se admitir a compensação integral do prejuízo fiscal, independentemente do limite quantitativo de 30%, no caso de incorporação de sociedade, com fundamento de que, determinando a perda definitiva desse direito, ele não é suscetível de utilização no futuro." A DRJ/CTA optou por manter a decisão de primeira instância, afirmando, em síntese, que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas constitui faculdade cujo exercício é admitido somente diante da efetiva existência desses saldos e limitado a 30% (trinta por cento) do lucro real ou da base de cálculo da CSLL do ano, inexistindo exceção para situações específicas, tais como, in casu, de extinção da pessoa jurídica por incorporação. Inconformada, a Contribuinte apresenta recurso voluntário, em que repisa os argumentos utilizados na sua Impugnação, além de trazer à colação vasta doutrina e jurisprudência sobre a matéria. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 169 4 Voto Vencido Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. O cerne da questão é saber se a Contribuinte está ou não autorizada a compensar integralmente os prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas, na apuração do imposto devido em seu último exercício social, quando esta for extinta por incorporação. Historicamente, a disciplina da compensação de prejuízos fiscais com lucros de exercícios futuros iniciouse com a Lei nº 154/1947. Referida lei limitava o exercício do direito a essa dedução em até três exercícios posteriores àquele em que fora apurado o prejuízo. Posteriormente, com o advento do DecretoLei nº 1.493/76, o exercício do direito de compensar prejuízos fiscais foi ampliado para possibilitar sua compensação com os lucros de até quatro exercícios futuros. Dita possibilidade mantevese com o advento da Constituição de 1967 e DecretoLei nº 1.598/77, sob a então nova sistemática de valores apurados e registrados na escrituração fiscal. Continuamente, com o advento da Lei 8.383/91 o prazo máximo para a compensação de prejuízos fiscais acumulados foi eliminado, posteriormente reinserido pela Lei nº 8.541/1992 e, por fim, novamente eliminado com o advento das Leis nº 8.981 e 9.065 de 1995. Contudo, apesar de não haver mais limitação temporal, as novas leis de 1995 inovaram trazendo uma limitação quantitativa, a denominada “trava dos 30%”. Vejamos: Art. 42 da Lei nº 8.981/95 A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Art. 15 da Lei nº 9.065/95 O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. A partir daí, a compensação de prejuízos fiscais acumulados passou a se sujeitar ao limite de 30% (trinta por cento) do lucro e o excesso pode ser compensado em exercícios seguintes, até a sua extinção total. Assim, a história nos conta que o legislador sempre reconheceu a importância e necessidade da compensação de prejuízos fiscais e, por isso, nunca houve limitação ao direito da plena compensação de prejuízos fiscais acumulados. Concluise, portanto, que o contexto Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 170 5 normativo brasileiro desde sempre tomou como base o pressuposto da continuidade da pessoa jurídica. O princípio da continuidade da pessoa jurídica foi desenvolvido pela ciência contábil, de forma que essa tivesse instrumentos hábeis para prever o auferimento de lucro em sociedades com prazo indeterminado. O próprio Conselho Federal de Contabilidade já discorreu que o princípio da continuidade pressupõe a continuação da entidade no futuro, fazendo com que “a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levem em conta essa circunstância” (Art. 5º, da Resolução CFC nº 750/1993, alterada pela Resolução CFC nº 1.282/2010). Esse pressuposto deve ser compreendido como princípio lógico e objetivo a nortear as regras de apuração do IRPJ e da CSLL. Da mesma forma e não por outra razão, a periodicização da apuração do resultado empresarial deve ser vista como ficção legal, reconhecida pela legislação societária e tributária com o simples objetivo de inserir, no contexto da continuidade da pessoa jurídica, um lapso temporal que possibilite a comparabilidade periódica do seu desempenho. Noutras palavras, digase que a regramatriz de incidência do IRPJ e da CSLL não se realiza em um só exercício. Inexistindo comunicabilidade entre os exercícios sociais estabelecidos, a apuração de qualquer resultado tributável será distorcida. É, pois, justamente esse o intuito da compensação, realizar a integração do resultado de exercícios passados e futuros, fazendo com que a tributação recaia sobre o que é de fato lucro tributável/acréscimo patrimonial e não sobre o que é patrimônio ou capital. Nesse sentido, citese o memorável trabalho do mestre e doutor Eurico Marcos Diniz de Santi a respeito do tema: “Aplicar a Regramatriz de Incidência do IRPJ e da CSLL significa constituir um enredo normativo formando um sistema de regras. Ou seja, a Regramatriz de Incidência do IRPJ e da CSLL é um feixe normativo formado (i) pelas regras de apuração do IRPJ e da CSLL (regras de conhecimento de receitas e despesas, adições e exclusões); (ii) pela regra de compensação de prejuízos fiscais (que integra o feixe das regras de apuração e estabelece a relação entre a regra de apuração do exercício atual e os prejuízos fiscais de exercícios anteriores); (iii) pela regra de ajuste anual (que consolida a relação entre apuração do lucro real e as estimativas e retenções na fonte desse mesmo anobase) e eventuais regras outras não pertinentes para essa análise. Portanto, a Regramatriz de Incidência do IRPJ e da CSLL pressupõe o cálculo lógico dessas três regras integradas. A incidência isolada de cada uma dessas regras, juridicizando determinado fato, implica em uma “fotografia” que é simples perspectiva parcial da Regramatriz de Incidência do IRPJ e da CSLL. Tão somente o conjunto ordenado dessas três regras aplicadas conjuntamente pode constituir o “filme normativo” que representa a hipótese de incidência e os respectivos fatos geradores do IRPJ e da CSLL.” (in Revista Dialética de Direito Tributável nº 185, pgs. 42 e 43). Em profunda consonância com esses pressupostos é que o Conselho de Contribuintes sempre afirmou, o que se comprova facilmente por seu histórico de decisões, que nos casos de encerramento ou extinção empresarial, não se aplica a trava de 30% (trinta por cento). Fl. 5DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 171 6 Isso porque, especialmente nesses casos, não haverá possibilidade de a pessoa jurídica utilizar os prejuízos fiscais acumulados em exercícios futuros. Lembrando, ainda, que o prejuízo da incorporada não se soma ao da incorporadora por expressa vedação legal. Vale dizer que a legislação atual não é limitadora, mas, sim, garantidora do direito dos contribuintes, já que torna imprescritível o direito do contribuinte compensar prejuízos fiscais acumulados com o lucro liquido apurado posteriormente. Como bem lembram os julgados do então Conselho de Contribuintes, “a norma ao impor a trava na compensação, não pretendeu tolher o direito dos contribuintes de não recolher o IRPJ sobre a recuperação do capital, correspondente ao lucro após o prejuízo. Pretendeu sim uma arrecadação mínima, se apurado lucro líquido, com a limitação de prejuízo fiscal acumulado” (1º Conselho de Contribuintes / 8ª. Câmara / Acórdão 10807.456 em 02.07.2003). Prova disso é que a Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 998 convertida na Lei nº 9.065/95 esclarece que a limitação quantitativa inserida no ordenamento jurídico só se justifica em razão de não haver limitação temporal: “Arts. 15 e 16 do Projeto: (...) A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo”. Além do que, o Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 183.155, já manifestou entendimento no sentido de que não há impedimentos para o aproveitamento do prejuízo fiscal acumulado até o seu esgotamento. Vejamos: “Observese detalhe de importância fundamental: embora esteja limitada a dedução de prejuízo ao exercício de 1995, não há empecilho de que os 70% (setenta por cento) restantes venham a ser abatidos nos anos seguintes, até o seu limite total, sendo integral a dedução”. Destarte, vale observar que o Supremo Tribunal Federal, no Recurso Especial nº 344.994, decidiu pela constitucionalidade da trava, da mesma forma como decidia este Conselho. Contudo, a decisão da suprema corte tem sido continuamente mal interpretada por parte de algumas autoridades fiscais que se apegam à literalidade em contrapartida à análise contextual e histórica das normas brasileiras. Esse entendimento contrário, culminou na decisão proferida pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão nº 910100.401. A esse respeito, cabe refletir que apesar de atual, esse julgado não condiz com a vasta e ampla jurisprudência do CARF sobre o assunto, tampouco atende aos preceitos preconizados por este Conselho ao longo dos últimos anos. Analisemos os dois principais argumentos utilizados no acórdão referido e adotados, desde então, por autoridades fiscais e algumas Delegacias Regionais de Julgamento, quais sejam: (i) não existe previsão legal expressa ao aproveitamento dos prejuízos fiscais nos casos de encerramento e extinção empresarial; e (ii) o direito ao abatimento de prejuízos fiscais acumulados é expressivo de benefício fiscal a favor do contribuinte. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 172 7 No que pertine ao argumento utilizado pelas autoridades fiscais de que as regras atuais não afirmam expressamente que a trava de 30% (trinta por cento) não se aplica aos casos de encerramento e extinção da pessoa jurídica, tal argumento não merece prosperar. É sabido que existem no ordenamento jurídico normas implícitas e normas explícitas. A possibilidade de compensar integralmente prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas em casos de encerramento e extinção empresarial é o típico exemplo de norma implícita, que decorre de normas explícitas e positivadas, bem como de normas fundamentais e princípios basilares do direito. Sua existência é conseqüência do raciocínio lógico que parte das normas expressas, dispensando, a redundância que seria, se observados os conceitos de renda, lucro e proventos de qualquer natureza, os princípios da continuidade empresarial e da comunicabilidade dos exercícios, a edição de norma expressa com o conteúdo que já decorre de normas explícitas. Aliás, o fisco não pode explorar lacunas da própria legislação fiscal para restringir a interpretação do conceito de renda, lucro e proventos de qualquer natureza e, ainda, deixar de observar a proporcionalidade no fluxo arrecadatório em contraponto a conceitos constitucionais como isonomia, capacidade contributiva e o nãoconfisco. De outro giro, o uso da expressão “benefício fiscal” não parece contextualizado, tampouco apropriado para os casos em comento. Em sua acepção, beneficio fiscal denota regime especial de tributação que se mostra mais vantajoso em relação aos regimes normais. Logo, benefícios fiscais não podem recair sobre bases em que sequer há tributação, como é o caso de prejuízos fiscais. No mais, incentivos fiscais, como são conhecidos os benefícios desoneradores concedidos pelo legislador tributário, pretendem induzir o contribuinte a um comportamento prédefinido, incentivando reações específicas, especialmente na esfera econômica. Sob esse prisma, negar ao contribuinte a possibilidade de compensar integralmente prejuízo ou base negativa acumulada quando do encerramento ou extinção de suas atividades performa conduta inversa e nitidamente desincentivadora àqueles que se arriscam na empreitada empresarial. Verificase, dessa forma, que os argumentos utilizados nas decisões desfavoráveis à compensação integral não se sustentam ou não se aplicam. Nesse escopo, desconsiderar prejuízos equiparase a desconsiderar deduções ou direito a créditos, perfazendo meios de majorar silenciosamente a tributação, sem autorização legal. Posto isso, entendo que as razões invocadas para negar o direito à compensação não podem prevalecer neste caso, de modo que voto por dar provimento ao recurso voluntário, para considerar correta a compensação integral dos prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas no momento em que extinta a pessoa jurídica, apurouse os resultados de seu último exercício social. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 7DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 173 8 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Redator Designado. Nos debates para julgamento do recurso voluntário interposto neste processo divergi do ilustre relator, conselheiro Carlos Pelá, quanto a legalidade da limitação das compensações de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, nas hipóteses de extinção da empresa. De inicio, repisei considerações acerca do limites de atuação deste colegiado no que tange a observância de normas legais e decretos. Isso porque, em razão de sua jurisdição limitada, não pode, o CARF, órgão administrativo de julgamento do Ministério da Fazenda, negar aplicação a dispositivo legal em vigor, enquanto não reconhecida pelo STF sua desconformidade com a Constituição. Essa matéria, inclusive, é objeto da Súmula do No. 1 do CARF, cujo enunciado é o seguinte: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Além disso, este Colegiado não detém competência para o afastamento de dispositivo legal regularmente inserido no ordenamento jurídico brasileiro, tampouco darlhe interpretação extensiva, sob a alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade do ato. Tal competência é privativa do Poder Judiciário, conforme determina a Constituição da República em seu artigo 102, I, “a”. Esse entendimento está sedimentado nas diversas turmas do CARF, da CSRF e dos antigos Conselhos, mas devo reconhecer que vem sendo extrapolado em muitas decisões em face da dificuldade de estabelecer qual o seu limite. Relembrei, inclusive, um exemplo emblemático da observação desse limite: a incidência de juros de mora à taxa Selic sobre ressarcimentos de IPI (crédito básico ou crédito presumido). Embora seja pacífico que ressarcimento não se confunde com restituição, a própria CSRF durante vários anos, em determinada composição de sua 2a. Turma, concedia a incidência de Selic sobre os ressarcimentos, a partir do momento que passei a presidila esse entendimento foi revertido, isso porque prevaleceu na nova composição daquele Colegiado que não há previsão legal para essa incidência. Reafirmo, então, que no presente caso, não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima do limite de trinta por cento do lucro real, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa, daí peço vênia para adotar os jurídicos fundamentos do voto condutor do acórdão CSRF 910100.401 de 2/10/2009, julgamento do qual participei: “(...) Quanto ao mérito, busca a Recorrente, na qualidade de incorporadora, reconhecimento do direito à compensação do pagamento que a incorporada realizou como estimativa. No balanço de incorporação foi realizado todo o prejuízo fiscal – mesmo acima do limite de 30% – de sorte que todas as estimativas se constituíram em saldo negativo de IRPJ, objeto do pedido de compensação. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 174 9 Em 30 de maio de 2003 ela apresenta Declaração de Compensação (PER/DCOMP), transmitida eletronicamente, objetivando compensar o crédito acima mencionado correspondente ao saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2000, apurado pela empresa incorporada, Fertilizantes Serrana S/A, no valor de R$ 7.778.295,55, com débito do IRPJ do período de apuração abril de 2003 (estimativa mensal), no valor de R$ 11.443.428,41. No acórdão recorrido a composição do crédito se apresenta na ordem seguinte: Imposto de Renda Retido na Fonte: R$ 1.242.157,81 Pagamentos efetuados: R$ 5.371.649,37 Estimativas Compensadas: R$ 1.164.488,37 Total: R$ 7.778.295,55 Conforme despacho decisório de fls. 58/59, a referida composição do crédito está representada pelos documentos de fls. 03/09. Nesse sentido, temos: Afirma a autoridade administrativa que inicialmente apreciou o pedido, o seguinte: (...) 1. os pagamentos estavam confirmados e declarados em DCTF; 2. as estimativas compensadas tinham sido devidamente declaradas em DCTF; e 3. no que tange ao imposto de renda na fonte, consideradas as Declarações de Imposto Retido na Fonte entregues pelas fontes pagadoras, o montante seria de R$ 995.956,60, inferior, portanto, ao declarado pela recorrente. Complementa a referida autoridade que o valor pleiteado pela recorrente não pode prevalecer porque a empresa incorporada não considerou o limite de 30% para compensação de prejuízos fiscais previsto em lei, daí ter resultado em errôneo saldo final de imposto de renda a recuperar. Ou melhor, se a contribuinte tivesse considerado o limite de 30% na compensação de prejuízo, não haveria imposto a ser restituído. Refeitos os cálculos para melhor apurar o imposto devido pela incorporada, dentro do limite legal de 30% da compensação dos prejuízos fiscais, indefere a homologação da compensação do imposto na forma requerida. Logo, considerando o limite do prejuízo de 30%, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária, em São Paulo, refez o quadro de apuração do saldo do imposto, concluindo que a sucessora ainda estaria em débito para com o Tesouro Nacional pela incorporação da empresa, já que a Recorrente, na qualidade de sucessora, é beneficiada ou responde por todos os direitos e obrigações da sucedida (ex vi do art. 227 da Lei n° 6.404, de 1976). A decisão recorrida dá razão à Recorrente, no tocante à análise da (Derat/SPO) ao considerar, para efeito de ajuste, sob o título ANTECIPAÇÕES POR ESTIMATIVA, o valor de R$ 7.724.358,93, apurando um saldo devedor no valor de R$ 434.592,27, sem, contudo, demonstrar a composição desses valores. Todavia, afirma que a discussão é irrelevante quando se constata que, mesmo considerando o total de imposto declarado e pago por estimativa, pela sucedida (R$ 7.970.560,37), ainda assim, se considerasse o limite dos prejuízos em 30%, restaria saldo de imposto a pagar eis que a compensação integral dos prejuízos fiscais pela extinção da empresa, face à incorporação, é, de fato, indevida. Daí resulta que o foco da presente lide consiste em analisar se há amparo legal que permita a compensação integral dos prejuízos fiscais, sem observância do Fl. 9DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 175 10 limite de 30% a que se refere o artigo 15 da Lei nº 9.065, de 1995, quando do desaparecimento da empresa, por incorporação, em decorrência de reorganização societária ou por qualquer outro motivo. Este o cerne da questão a ser enfrentada neste processo. Confesso seduzirme, inicialmente, a tese defendida pela Recorrente, de sorte que no acórdão paradigma, da então 8a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, com ela concordei. Todavia, melhor refletindo, revi meu posicionamento pelos motivos que neste voto discorro. Um dos exemplos trazidos a lume, também como paradigma, é a decisão proferida no recurso 126597, Ac. CSRF/0104.258 de 01/12/2002, do i. Conselheiro Celso Alves Feitosa, que negou provimento ao recurso da Fazenda Nacional e está assim decidido e ementado: (...) Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Verinaldo Henrique da Silva. COMPENSAÇÃO PREJUÍZO E BASE NEGATIVA – No caso de incorporação, uma vez que vedada a transferência de saldos negativos, não há impedimento legal para estabelecer limitação, diante do encerramento da empresa incorporada. Nesse julgado a decisão afirma que não há óbice a compensação integral, nos casos de declaração de encerramento de atividades, tanto do imposto de renda das pessoas jurídicas, quanto da contribuição social sobre o lucro E na mesma linha, com o brilhantismo habitual, o i. patrono da Recorrente sustenta que o limite imposto através do artigo 15 da Lei 9065/1995 não se aplica nos casos de extinção da pessoa jurídica em virtude de incorporação pois, caso contrário, a empresa incorporada perderia o direito à compensação de prejuízos, o que não corresponde à finalidade do mencionado artigo, conforme entendimento até então majoritário da jurisprudência deste Colegiado. Mas, esta não é a melhor interpretação para o conteúdo semântico do artigo 15 da Lei 9065/1995. Os Tribunais Superiores já definiram que na compensação de prejuízos não se trata de direito adquirido, mas sim de uma expectativa de direito, como demonstram decisões do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo o Recurso Especial no.307.389 RS, que ao enfrentar semelhante questão pronunciase da forma seguinte: O princípio da legalidade, do mesmo modo que impõe a exigência de cobrança a tributo só por lei expressa, também, exige que a compensação de prejuízos com lucros para fins tributários somente ocorra com autorização legislativa. Insubsistente a tese da recorrente de que não há proibição da compensação pretendida. No regime de direito público, especialmente no campo do direito tributário, a relação jurídica decorre de norma positiva. O silêncio da lei não cria direitos para nenhuma das partes: sujeito ativo e sujeito passivo. Outrossim, no trato de qualquer benefício fiscal, mesmo concedido por lei, a interpretação é restritiva. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 176 11 Também o STF se pronunciou acerca do tema, em 25/03/2009, no RE 344.9940 do Paraná, cujo Relator inicial, o Ministro Marco Aurélio restou vencido. Redige o voto vencedor o Ministro Eros Grau, acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N.8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 5o, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do inicio de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Neste recurso pretendia o autor que a trava não incidisse sobre os saldos de prejuízos ocorridos até dezembro de 1994, sob argumento de que se estava diante de um direito adquirido à compensação de todo prejuízo e a nova lei não poderia restringir tal direito. Aliás, quanto a interpretação teleológica pretendida no paradigma trazido à colação, no que toca aos prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sua composição Plenária, que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de benefício fiscal e pode, como instrumento de política tributária, ser revisto pelo legislador sem implicar, sequer, no direito adquirido. Destaque é de ser dado ao voto da Ministra Ellen Gracie, que bem traduz a lógica do que aqui defendemos e neutraliza os argumentos da Recorrente nos seguintes termos: (...) 4.Já quanto à limitação da compensação dos prejuízos fiscais apurados até 31.12.1994, destaco, por oportuno, as palavras sucintas e rigorosamente claras com que rejeitou o pedido de liminar,ocasião em que o eminente Juiz Federal Antônio Albino Ramos de Oliveira assentou quanto importa para o deslinde da questão: "A lei questionada limitou as deduções de prejuízos da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social referentes a exercício futuro. Vedado estaria fazêlo em relação a fatos geradores já ocorridos quando de sua publicação, ou para exigência no mesmo exercício. " (fl. 44) 5.(...) Entendo, com vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8.981/95 mera expectativa de direito donde o não cabimento da impetração. 6.Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 177 12 Ora, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8.981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7.A rigor, as empresas deficitárias não têm "crédito"oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito líquido e certo à "socialização"dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. É apenas por benesse da política fiscal atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. E a lei vigorante para o exercício fiscal que definirá se o benefício será calculado sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Mas, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Não se cuida, como parece claro, de qualquer alteração de base de cálculo do tributo, para que se invoque a exigibilidade de lei complementar. Menos ainda, de empréstimo compulsório. Não há, por isso, quebra dos princípios da irretroatividade (CF, art. 150, III, a e b ) ou do direito adquirido (CF, art. 5o, XXXVI). (...) 8.Por tais razões, peço licença para seguir a linha da divergência inaugurada pelo Ministro Eros Grau. Em sendo a compensação de prejuízos fiscais espécie incentivo fiscal outorgado por lei e não um patrimônio do contribuinte a ser socializado, não se pode ampliar o sentido da lei nem ampliar o seu significado eis que a norma que cuida de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma restritiva , nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional. Neste sentido é a jurisprudência consoante arestos a seguir elencados: Ementa: .... I. A legislação pertinente ao Simples ao prever exclusão do crédito tributário deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111, I do CTN. ....” (STJ. REsp 825012/MG. Rel.: Min. Castro Meira. 2ª Turma. Decisão: 16/05/06. DJ de 26/05/06, p. 250.) Ementa: .... I. Da leitura do art. 151 do CTN dessumese que as possibilidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário nele estão exauridas, não comportando interpretação extensiva do seu conteúdo, ante o teor do art. 111, inciso I, do CTN. ....” (STJ. Resp 782729/PR. Rel.: Min. Castro Meira. 2ª Turma. Decisão: 06/12/05. DJ de 01/02/06, p. 506.) “Ementa: .... I. O art. 111 do CTN, que prescreve a interpretação literal da norma, não pode levar o aplicador do direito à absurda conclusão de que esteja ele impedido, no seu mister de apreciar e aplicar as normas de direito, de valerse de uma equilibrada ponderação dos elementos lógicosistemático, histórico e finalístico ou teleológico, os quais integram a moderna Fl. 12DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 178 13 metodologia de interpretação das normas jurídicas. ....” (STJ. REsp 192531/RS. Rel.: Min. João Octavio de Noronha. 2ª Turma. Decisão: 17/02/05. DJ de 16/05/05, p. 275.) “Ementa: .... II. Nos termos do art. 111 do CTN, a interpretação das normas de índole tributária não comportam ampliações ou restrições, e, sendo possível mais de uma interpretação, todas razoáveis, deve prevalecer aquela que mais se aproxima do elemento literal. ....” (TRF 2ª Região. AMS 94.02.140859/RJ. Rel.: Des. Federal Poul Erik Dyrlun. 6ª Turma. Decisão: 15/12/04. DJ de 10/01/05, p. 52.) De fato, quando a lei quis que fosse liberado o limite a compensação de 30% dos prejuízos fiscais, o fez de forma expressa, como foi o caso dos lucros auferidos pelas empresas inseridas no regime Befiex, como se vê no artigo 95 da Lei 8981/1995, com a redação inserida através do artigo 1o. da Lei 9065/1995, a saber: "Art. 95. As empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação BEFIEX, poderão compensar o prejuízo fiscal verificado em um períodobase com o lucro real determinado nos seis anoscalendário subseqüentes, independentemente da distribuição de lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas." Nesta esteira a Instrução Normativa SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, vem determinando, quanto a Compensação de Prejuízos Fiscais, o seguinte: Art. 35. Para fins de determinação do lucro real, o lucro líquido, depois de ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda, poderá ser reduzido pela compensação de prejuízos fiscais em até, no máximo, trinta por cento. (...) § 4º O limite de redução de que trata este artigo não se aplica aos prejuízos fiscais decorrentes da exploração de atividades rurais, bem como aos apurados pelas empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação BEFIEX, nos termos do art. 95 da Lei nº 8.981 com a redação dada pela Lei nº 9.065, ambas de 1995. Nesta normativa, também, a confirmação do que dispunha o artigo 14 da Lei 8023/1990, no que tange ao tratamento diferenciado concedido às empresas que exercem atividades rurais que podiam compensar todos os prejuízos incorridos, sem limites. Lei 8023/1990: Art. 14. O prejuízo apurado pela pessoa física e pela pessoa jurídica poderá ser compensado com o resultado positivo obtido nos anosbase posteriores. O permissivo é posteriormente ampliado para a CSLL através do art. 41 da MP 2.11332 de 21/06/2001, como segue: MP 2.11332 de 21/06/2001 Art.41.O limite máximo de redução do lucro líquido ajustado, previsto no art. 16 da Lei no 9.065, de 20 de junho de 1995, não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural, relativamente à compensação de base de cálculo negativa da CSLL. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 179 14 A interpretação fundada em argumentos finalísticos serve de auxílio à interpretação, mas não pode ser fundamento para negar validade à interpretação jurídica consagrada aos conceitos tributários. Dessa forma, em homenagem ao comando legal do art. 111 do CTN, que impõe restrição de interpretação das normas que concedem benefícios fiscais, como é o caso, descabe o elastério interpretativo pretendido pela Recorrente. Mas, por amor ao debate, mesmo que de benefício fiscal não se tratasse, no mínimo teríamos que admitir que as normas jurídicas exceptivas à trava dos 30% acima referidas também devem ser interpretadas de maneira restrita. É de se ver. As normas jurídicas exceptivas, como é o caso, só abrange os antecedentes que especifica, devendo se utilizar, sim, do argumento a “contrario sensu”. Esse, inclusive, é o ensinamento do nosso mestre Jusfilósofo Pernambucano Lourival Vilanova em sua obra prima “As Estruturas Lógicas e o Sistema do Direito Positivo”, do qual extraímos o seguinte excerto: “A norma jurídica exceptiva só abrange os antecedentes que especifica, não outros, delineando conjuntounimembre ou conjuntomultimembre de sujeitos ou ações que caem fora da órbita de abrangência (da extensão em sentido lógico) ou âmbitodevalidade da norma geral. (...) Não consta, é certo, na enumeração das normas para preenchimento das lacunas, ao lado da inferência analógica, a inferência a contrario, mas ela está implícita em cânones, como meras diretivas (normas, ainda que sem a estrutura de verdadeiras normas de Direito Positivo), como a de que ´inclusão de um, importa na exclusão de outro´, ou no preceito já mencionado do art. 6º da antiga Introdução ao Código Civil, segundo o qual a lei que abre exceções a regras gerais só abrange os casos que especifica. Com isso, o legislador quis incorporar o adágio exceptiones strictissimae interpretationis sunt, ou indicar normativamente ao intérprete que, no Direito especial, como no Direito excepcional, não se deve pregar a extensão analógica, mas a excludência do que não está implícita ou explicitamente regulado, mediante a via do argumento a contrario sensu. Dizendo com F.Ferrar: ´pois se o legislador, por considerações especiais de utilidade, dispôs limitadamente a certos fatos ou pessoas, nos outros casos entendeu que o mesmo tratamento não tivesse lugar´(As Estruturas Lógicas e o Sistema de Direito Positivo, 1ª Edição, Ed. Max Lemond, páginas 263,265 e 266).(Destaquei) Vêse que a boa hermenêutica baseada nos ensinamentos de Lourival Vilanova ampara a utilização do argumento a contrario sensu, perfeitamente válido em se tratando de norma exceptiva. É quando um argumento que é considerado “quase lógico” (na visão de Perelman e Tyteca, no Tratado da Argumentação), passa a ser totalmente lógico no mundo do Direito (Lourival Vilanova). Não bastasse a obrigatoriedade da interpretação literal da norma que cuida de incentivo fiscal; dos argumentos expendidos pela Ministra Ellen Gracie; do tratamento interpretativo das normas exceptivas, por si, suficiente para ilidir os respeitáveis argumentos expendidos pela Recorrente que clama, em seu favor, por interpretação histórica e finalística, lembro, ainda, mais alguns pontos da evolução legislativa tratando de compensação em incorporações, cujas conclusões apontam para a total preocupação do legislador em não permitir, direta ou indiretamente, que esses eventos se transformem unicamente em instrumentos de aproveitamento disfarçados de prejuízos fiscais entre empresas: Fl. 14DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 180 15 a) no ano de 1976 foi elaborada a Lei no. 6.404/76, das Sociedades por Ações, que trazia no artigo 227 previsão de incorporação de uma sociedade por outra, sucedendo a incorporadora nos direitos e obrigações da incorporada; b) na esteira, o Decretolei no. 1.598/77, editado com finalidade de adaptar a legislação do imposto sobre a renda às inovações da Lei de Sociedade por Ações (Lei 6.404 de 15/12/76), instituiu a permissão, no § 5o. do artigo 64, de compensação dos prejuízos da sociedade extinta pela incorporadora; c) momento no qual obedeciase então ao princípio da legalidade estrita e era certo o direito à compensação d) O Decretolei no. 1.730, de 17 de dezembro de 1979, deu nova redação a este dispositivo (parágrafo 5o.do artigo 64), retirando a antiga redação do mundo jurídico. A redação do Decretolei 1.730 de 17 de dezembro de 1979 é a seguinte: Art. 1 São procedidas as seguintes alterações no Decretolei n 1.598 de 26 de dezembro de 1977: (omissis) § 3o. (omissis) IV São revogados os parágrafos 6o.e 8° do artigo 64, renumerado como parágrafo 6° o atual parágrafo 7o., e, passando o parágrafo 5o. a vigorar com a seguinte redação: "§ 5°. O Conselho Monetário Nacional pode autorizar a compensação do prejuízo de uma pessoa jurídica com o lucro real de outra, do mesmo grupo ou sob controle comum, quando a medida atender a interesses de segurança e fortalecimento da empresa nacional". Com a edição do Decretolei n° 2.341, de 29 de junho de 1987, enterrase a possibilidade de realizar esta compensação, ao dispor o artigo 33: Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos da sucedida. Deste modo, antes, em 1977 era possível compensar todo prejuízo. Em 1979, só com autorização do Conselho Monetário Nacional e, finalmente a partir de 1987, definitivamente, passou a ser proibido o aproveitamento em caso de incorporação. A mesma conclusão nos traz Hiromi Higushi in "Imposto de Renda Interpretação e Prática" 2002: " O art. 22 da MP n° 2.15835/01 dispõe que aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do Decretolei n° 2.341/87. Estes dois arts. estão assim redigidos: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 181 16 Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Antes da alteração, aquelas duas vedações para compensação somente eram aplicáveis na determinação do lucro real para pagamento do imposto de renda. A partir de 011099, as vedações aplicamse também para a base de cálculo da CSLL". A questão de direito é devidamente enfrentada no acórdão 10323.477, voto vencido do i. Conselheiro Antonio Bezerra Neto, a quem peço vênia para a transcrição seguinte, por bem definirem a matéria dos autos; (...)Em relação ao outro aspecto, a suposta peculiaridade do caso que se cuida (cisão parcial), em momento algum a lei estabeleceu exceções à regra de limitação para os casos ou de extinção, ou de sucessão por incorporação, fusão ou cisão. Ou seja, a lei não admitiu como direito subjetivo da empresa compensar seus prejuízos, de forma que, sobrevindo extinção ou sucessão, deixarseia de aplicar a limitação prevista na lei, de forma a permitir a compensação. O fato incerto de a lei estabelecer que a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente de seu patrimônio líquido, apenas implica reconhecer o fato óbvio de que a empresa não foi totalmente extinta, e por isso foi estipulado um critério matemático (proporcionalidade em relação ao percentual do capital cindido) para resguardar os prejuízos fiscais da empresa cindida, que por sua vez terá a oportunidade de compensar esses prejuízos, pela sistemática normal das demais empresas, o que implica em limitação dos 30% e não vedação da plena compensação de prejuízos ou da base de cálculo negativa da CSLL, como quer fazer crer a recorrente. Outrossim, data máxima vênia, também não cabe o argumento utilizado pela CSRF e em alguns julgados da 1ª Câmara, calcado em uma interpretação finalística. Dizem que pelo fato de o texto legal não ter cerceado o direito do contribuinte de compensar os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994 com o lucro real obtido a partir de 10 de janeiro de 1995 (extinção da trava temporal), isso implicaria dizer que estaria sempre garantido o aproveitamento de todo o estoque de prejuízos da empresa. É que esse raciocínio só é válido no pressuposto da continuidade da vida empresarial da empresa. É claro que em uma descontinuidade da mesma, como é o caso de uma incorporação ou cisão, a regra de limitação da “trava de 30%” deve prevalecer. Ademais, não é todo juízo de finalidade que derroga o conteúdo semântico de uma norma, mormente essa, que traz uma regra de vedação bastante clara sem comportar qualquer tipo de exceção. Um mínimo de conteúdo semântico merece ser respeitado, não podendo ficar ao livre arbítrio do intérprete. Diferentemente da pretensão exarada na tese vigente neste Conselho há vedação legal ao aproveitamento dos prejuízos nos casos de incorporação, como se vê na leitura do Decretolei 2.341/1987: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 182 17 Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. O artigo 32 explicita que a pessoa jurídica não pode compensar seus próprios prejuízos, quando “entre a data da apuração e da compensação ocorra modificação de seu controle societário ou ramo de atividade”. Para não deixar dúvidas quanto a impossibilidade de aproveitamento, no caso de extinção, o parágrafo único textifica que, nos casos de cisão parcial só é possível compensar a parcela que remanesce na cindida, na proporção dos próprios prejuízos. Exsurge do referido dispositivo que a lei determina, nos casos de extinção da empresa, que os prejuízos perecem junto com a incorporada em seu último ano de vida, que é a exata situação dos autos. Independentemente da proibição do artigo 15 da Lei 8.981/1995, o Decretolei já proibia qualquer aproveitamento de prejuízos nos casos de encerramento de atividades, o que prova que o suposto direito adquirido pretendido, já não existia desde então. Permanecer aceitando a tese implicaria negar vigência ao dispositivo de lei validamente editado. (...)” (Os grifos e destaques são do original). Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário e manter a tributação. É este o voto condutor do presente acórdão. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 17DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 16095.720151/2011-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF.
CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, conforme enunciado da Súmula CARF nº 04.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-005.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recuso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, conforme enunciado da Súmula CARF nº 04. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 51 /2 01 1- 77 Fl. 358DF CARF MF Processo nº 16095.720151/201177 Acórdão n.º 3302005.302 S3C3T2 Fl. 359 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recuso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr. Relatório Tratase de auto de infração para constituição de crédito tributário de IPI, relativo aos períodos de janeiro/2006 a dezembro/2007, em razão da utilização de saldos credores de anos anteriores e de créditos indevidos apurados sobre aquisições de insumos sujeitos à alíquota zero, imunes e não tributadas, bem como sobre correção monetária destes créditos escriturada no RAIPI, além de crédito lançado em duplicidade na escrita fiscal, conforme Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades (efl. 185 a ). Em impugnação, alegou cerceamento de defesa, que a vedação ao creditamento de IPI nas aquisições de insumos isentos, alíquota zero ou nãotributados fere o princípio constitucional a nãocumulatividade do IPI, citou doutrina e jurisprudência, afirmou que é irrelevante a destinação da mercadoria, sendo devido o crédito vinculado a saídas imunes ou tributadas à alíquota zero, alegou o caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, pugnando pela sua redução e a ilegalidade dos juros de mora à taxa Selic Apreciando a defesa da empresa, a Segunda Turma da DRJ em Recife julgou improcedente a impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao crédito de IPI, na aquisição de insumos, ligase à operação precedente em que o imposto foi cobrado. O produto amparado por suspensão de IPI, assim como, o isento, o não tributado ou o sujeito à alíquota zero não geram direito a crédito ao seu adquirente industrial. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas a aplicação da multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 16095.720151/201177 Acórdão n.º 3302005.302 S3C3T2 Fl. 360 3 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa SELIC tem previsão legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não se cogita da nulidade do auto de infração quando, além de formalmente perfeito, em nada malferido tenha sido o direito de defesa do contribuinte. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Com fundamento em juízo sobre ilegalidade de norma tributária, não compete à autoridade administrativa negar sua aplicação ao caso concreto. Prerrogativa esta exclusiva do Poder Judiciário, por força de dispositivo constitucional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas em impugnação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Em preliminar, a recorrente alega cerceamento de defesa por desconsiderar as informações por ela prestadas. Sem razão a recorrente, não havendo reparos a se fazer na decisão recorrida, cujas razões nesta parte, adoto como fundamento de decidir e abaixo transcrevo: "Do cerceamento do direito de defesa O impugnante manifesta em seu arrazoado postulação de nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, alegando que a fiscalização deixou de considerar informações Fl. 360DF CARF MF Processo nº 16095.720151/201177 Acórdão n.º 3302005.302 S3C3T2 Fl. 361 4 por ele prestadas. Por se configurar a análise de tal questão como prejudicial à apreciação dos demais temas, passo ao exame da matéria. Primeiramente, cumpre observar que o art. 142 do CTN estipula, como etapas do procedimento de lançamento, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido, a identificação do sujeito passivo e a aplicação da penalidade, quando cabível. Por pertinente, vejase o teor do mencionado dispositivo legal: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” No caso que se cuida, o lançamento foi efetivado mediante lavratura de auto de infração, cuja formalização deve submeter se aos requisitos estabelecidos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), que consistem na competência do autuante e na observância das formalidades pertinentes ao seu conteúdo indispensável, destacandose como essenciais: a qualificação do autuado; a descrição do fato, da disposição legal infringida e da penalidade aplicável; a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Em razão desses pressupostos, o art. 59 do PAF, com a redação da Lei nº 8.748/93, prevê, expressamente, duas hipóteses de nulidade para o aludido ato, a saber: a incompetência do agente e o cerceamento do direito de defesa, consoante dispõe, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente. II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A meu ver, o lançamento contestado, além de se revestir dos requisitos formais indispensáveis, posto que se encontra bem fundamentado e detalhado quanto às irregularidades identificadas, tendo sido estabelecida a correspondência entre os fatos constatados e as hipóteses de incidência tributária, bem como as penalidades pelo descumprimento da obrigação principal definidas na legislação, não se enquadra em nenhum dos dispositivos do artigo acima transcrito (59 do PAF), haja Fl. 361DF CARF MF Processo nº 16095.720151/201177 Acórdão n.º 3302005.302 S3C3T2 Fl. 362 5 vista que não se materializou a incompetência de que tratam os incisos I e II, e, ao contrário do que alega o impugnante, não se pode falar em cerceamento de defesa, tendo o autuado sido devidamente cientificado da autuação e apresentado todas as razões de defesa que entendeu pertinente, através das quais inclusive demonstrou ter entendido com clareza todo o procedimento fiscal realizado. Quanto à questão, é curial salientar também que a ação fiscal tem caráter inquisitivo e o diálogo probatório é conduzido pela fiscalização de forma discricionária, uma vez que não se trata tecnicamente de um processo, mas de um procedimento tendente a apurar a matéria tributável. Assim, o momento adequado à admissão das provas voluntárias por parte do contribuinte é a partir da impugnação, quando é instaurada a fase litigiosa do procedimento (art. 14 do PAF) e se inicia o processo fiscal propriamente dito, descabendo qualquer alegação de limitação no franqueamento à sua participação ao longo da ação fiscal. Portanto, é permitido a autoridade fiscal, baseandose nos elementos que dispuser, lavrar o auto de infração sem ter, necessariamente, que levar em consideração informações prestadas pelo contribuinte. Aliás, mesmo não tendo sido esclarecidas quais informações foram supostamente deixadas à margem pela fiscalização, vale frisar que eventual falha na consideração de elementos trazidos pelo contribuinte poderia repercutir na robustez probatória do lançamento efetuado e prejudicar a fundamentação do Fisco, mas nunca causar qualquer prejuízo ao contribuinte. Dessa forma, afastase a alegação de cerceamento do direito de defesa suscitada pelo defendente." De outro giro, destacase que a argüição de inconstitucionalidade de atos normativos deve ser formulada perante o Poder Judiciário, em vista da competência constitucional prevista nos artigos 97 e 102 da Carta Magna, sendo vedado a este conselho conhecer deste tipo de alegação, conforme artigo 59 do Decreto nº 7.574/2011, exceto nas hipóteses previstas no artigo 621 d Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Neste sentido, foi publicada a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 16095.720151/201177 Acórdão n.º 3302005.302 S3C3T2 Fl. 363 6 No mérito, o fundamento da autuação foi a escrituração indevida de créditos de IPI sobre aquisição de insumos tributados à alíquota zero, imunes e não tributadas. Ocorre que a recorrente ajuizou o Mandado de Segurança sob o nº 2001.61.00.0110650, tendo como objeto o reconhecimento judicial sobre as entradas de MP, PI e ME adquiridos com alíquota zero ou isentos e, ainda, dos produtos consumidos no processo de industrialização, bem como dos produtos destinados ao ativo permanente, segundo informações contidas no processo 10875.002415/200171, de acompanhamento da ação judicial pelo Setor de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF/Guarulhos. Em consulta processual ao site do Tribunal Regional da 3º Região, obtémse a seguinte decisão proferida: APELAÇÃO CÍVEL Nº 001106569.2001.4.03.6100/SP 2001.61.00.0110650/SP EMENTA TRIBUTÁRIO IPI INSUMOS NÃO TRIBUTADOS, ISENTOS OU COM ALÍQUOTAZERO PRODUTO FINAL TRIBUTADO COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS ADMNISTRADOS PELA SRF IMPOSSIBILIDADE. A Suprema Corte, mudando seu anterior entendimento sobre a matéria, decidiu pela inexistência de direito a crédito relativo à aquisição de produtos nãotributados, isentos ou tributados com alíquota zero. Prejudicada a questão da atualização monetária. Incabível o aproveitamento de crédito de IPI decorrente da aquisição de bens para compor o ativo fixo. Apelação da União Federal e remessa oficial, tida por ocorrida, providas. Apelação da impetrante prejudicada. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, dar provimento à apelação da União Federal e à remessa oficial, tida por ocorrida, e julgar prejudicada a apelação da impetrante, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 18 de fevereiro de 2010. NERY JÚNIOR Desembargador Federal Relator Constatase, assim, a existência de concomitância entre as esferas administrativa e judicial em relação à alegação de possibilidade de creditamento de IPI sobre as aquisições de insumos isentos, nãotributados ou sujeitos à alíquota zero e, portanto, deixase Fl. 363DF CARF MF Processo nº 16095.720151/201177 Acórdão n.º 3302005.302 S3C3T2 Fl. 364 7 de apreciar o recurso nesta parte. É o que dispõe o Decreto nº 7.574/2011, consolidando as normas do Processo Administrativo Fiscal, em seu art. 87: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. No mesmo sentido, o art. 78, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009 e a Súmula CARF nº 1: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Súmula CARF nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No caso, aplicase o disposto no Parecer Normativo Cosit nº 7/2014, que assim concluiu: Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; b) por conseguinte, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne à matéria distinta; Fl. 364DF CARF MF Processo nº 16095.720151/201177 Acórdão n.º 3302005.302 S3C3T2 Fl. 365 8 c) a renúncia às instâncias administrativas abrange os processos de constituição de crédito tributário, de reconhecimento de direito creditório do contribuinte (restituição, ressarcimento e compensação), de aplicação de pena de perdimento e qualquer outro processo que envolva a aplicação da legislação tributária ou aduaneira; d) a decisão judicial transitada em julgado, seja esta anterior ou posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável; e) a renúncia às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal aos seus procedimentos, a despeito do ingresso do sujeito passivo em juízo; proferirá, assim, decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, e deixará de apreciar suas razões e de conhecer de eventual petição por ele apresentada, encaminhando o processo para a inscrição em DAU do débito, quando existente, salvo a ocorrência de hipótese que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 151 do CTN; f) o mesmo raciocínio se aplica, no que couber, aos processos administrativos em que não se discuta a exigibilidade do crédito tributário lançado de ofício, mas envolvam quaisquer outras matérias de interesse do sujeito passivo, que ele opte por submeter ao exame do Poder Judiciário (nestes casos, de igual modo, o curso do processo administrativo não será suspenso, ressalvada decisão judicial incidental determinando sua suspensão); g) a competência para declarar a concomitância de instâncias e seus efeitos é da autoridade competente para decidir sobre a matéria na fase processual em que se encontra o processo administrativo, qualquer que seja o rito a que esteja submetido; h) se, no ato da impugnação do lançamento, da manifestação de inconformidade ou da interposição de qualquer espécie de recurso, o interessado não informar que a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, em desobediência ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, e ficar constatada a concomitância total ou parcial com processo judicial, deverá o Delegado ou o InspetorChefe da RFB negar o seguimento da impugnação ou da manifestação quanto ao objeto coincidente; i) é irrelevante, na espécie, que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação; j) a definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação; Fl. 365DF CARF MF Processo nº 16095.720151/201177 Acórdão n.º 3302005.302 S3C3T2 Fl. 366 9 k) o disposto neste Parecer aplicase de igual modo a qualquer modalidade de processo administrativo no âmbito da RFB, ainda que sujeito a rito processual diverso do Decreto nº 70.235, de 1972; l) a configuração da concomitância entre as esferas administrativa e judicial não impede a aplicação do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, c/c a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 12 de fevereiro de 2014; m) ficam revogados o Parecer MF/SRF/COSIT/GAB nº 27, de 13 de fevereiro de 1996 e o ADN Cosit nº 3, de 14 de fevereiro de 1996. Destarte, deixase de conhecer as alegações relativas à matéria objeto da ação judicial e declarase formalmente a definitividade do lançamento no âmbito administrativo, cabendo à unidade administrativa de origem a verificação do atual andamento processual e os efeitos das decisões vigentes sobre a matéria em questão. Concernente à alegação da necessidade de se manter o creditamento em relação às saídas desoneradas, dela não se conhece, em razão de o lançamento ter sido fundamentado, exclusivamente, na impossibilidade de aquisições de insumos sujeitos à alíquota zero, imunes ou não tributados, não tendo sido alegado qualquer argumento quanto à tributação dos produtos aos quais a recorrente deu saída. Relativamente à alegação da natureza confiscatória da multa aplicada, reitera se a impossibilidade de conhecimento por este Conselho de argüições de inconstitucionalidade, a teor da Súmula CARF nº 2 e que a aplicação da multa de ofício no percentual de 75% decorre da falta de recolhimento do tributo devido, conforme as disposições do artigo 80 da Lei nº 4.502/642, sendo sua aplicação atividade vinculada e obrigatória por parte da autoridade fiscal, nos termos do artigo 1423 do CTN. . 2 Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) 3 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 16095.720151/201177 Acórdão n.º 3302005.302 S3C3T2 Fl. 367 10 Sobre a legitimidade da taxa Selic como juros moratórios, previstos no artigo 61, §3º4 da Lei nº 9.430, de 1996, descabem maiores considerações, conforme decidido no REsp 879.844/MG, julgado em 11/11/2009 (recursos repetitivos), e no RE 582.461/SP, submetido à repercussão geral, julgado em 18/05/2011, e de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, a aplicação da taxa Selic como juros moratórios é legítima. Diante do exposto, voto para conhecer, em parte, do recuso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 4 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) ... § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 367DF CARF MF Processo nº 16095.720151/201177 Acórdão n.º 3302005.302 S3C3T2 Fl. 368 11 Fl. 368DF CARF MF
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Numero do processo: 13982.001173/2001-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/01/1997, 31/12/1998, 31/12/1999, 31/12/2000
ATOS COM ASSOCIADOS - ATOS COOPERATIVOS,
Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais.
Numero da decisão: 1201-001.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente, Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Leonam Rocha de Medeiros; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente, Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Leonam Rocha de Medeiros; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente, Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Leonam Rocha de Medeiros; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 11 73 /2 00 1- 70 Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 13982.001173/200170 Acórdão n.º 1201001.943 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de embargos de declaração, págs. 1.047/1.050, opostos pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), em face do Acórdão nº 10196957 de 15 de outubro de 2008, da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte CC, págs. 1.026/1.046. 2. Os embargos foram admitidos. 3. A Embargante aponta omissão: O voto do acórdão recorrido aduz serem cooperados os atos realizados entre o contribuinte e a Cooperativa A1 a partir do momento em que esta incorporou as Cooperativas Santa Lúcia e Arco íris, via sucessão legal. Entretanto, não ficou claro qual o fundamento legal para se considerar como associada ao contribuinte a empresa incorporadora Cooperativa A1. Há dispositivo expresso no estatuto ou na ata de constituição prevendo que a incorporadora de associadas, associada é?! O simples fato de incorporar associadas não lhe dá o condão de se considerar associada. Assim, faltou no acórdão, antes de qualquer outro assunto, qual o fundamento legal para considerar a incorporadora Cooperativa Al como associada? Dessa forma, requer o pronunciamento dessa Câmara sobre o fundamento legal para entender como associada a incorporadora de associadas Cooperativa Al. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 4. Consta do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 49. O presidente da Câmara participará do planejamento da quantidade de lotes a ser sorteada aos conselheiros dos colegiados vinculados à Câmara e dos recursos repetitivos. (...) §5º Os processos que retornarem de diligência, os conexos, decorrentes ou reflexos e os com embargos de declaração opostos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, mediante sorteio para qualquer conselheiro da turma. §6º Os embargos de declaração opostos contra decisões e os processos de retorno de diligência de turmas extintas serão distribuídos ao relator ou redator, independentemente de sorteio Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 13982.001173/200170 Acórdão n.º 1201001.943 S1C2T1 Fl. 4 3 ou, caso relator ou redator não mais pertencer à Seção, o Presidente da respectiva Câmara devolverá para sorteio no âmbito da Seção. 5. Haja vista a extinção da Turma a que pertencia o relator do acórdão embargado, passo à análise e voto. Mérito. 6. Trata o processo de auto de infração exigindo Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, devido à apuração incorreta, com fatos geradores em 31/12/1998, 31/12/1999 e 31/12/2000; e multa isolada pelo não recolhimento de estimativas mensais, com fatos geradores desde 31/12/1997 até 31/12/2000; o contribuinte impugnou o lançamento e a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC DRJ/FNS, julgou o lançamento nulo, porque efetuado ao desabrigo de Mandado de Procedimento Fiscal MPF; e recorreu de ofício de sua decisão; a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes CC, págs. 878/895, deu provimento ao recurso de ofício, restabelecendo a exigência; em relação a esta decisão, o contribuinte apresentou Recurso à Câmara Superior de Recursos Ficais CSRF, de págs. 903/908, no qual cita como processo matriz o de nº 13982.001172/200125, em relação ao qual junta cópia de Acórdão do CC que negou o recurso de ofício da DRJ/FNS, em relação a acórdão de teor análogo (nulidade por falta de MPF, págs. 910/924); a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN apresentou Contrarrazões de págs. 951/962 e apontou que o presente feito não é decorrente daquele; e o Recurso Especial do contribuinte foi negado pela CSRF, Acórdão nº 101132782 de 5 de dezembro de 2005, págs. 965/984. 7. À vista disso, os autos foram restituídos à DRJ/FNS, para análise do mérito; esta proferiu o Acórdão nº 1217.050, de 14 de novembro de 2007, págs. 988/998, considerando o lançamento procedente em parte e, na questão em pauta, sua decisão foi: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL Ano calendário: 1997,1998, 1999,2000 (...) ATOS COM NÃO ASSOCIADOS ATOS NÃO COOPERATIVOS .São considerados atos não cooperativos as operações de aquisições de matéria prima com terceiros, mesmo que em caráter de urgência. ATOS COM NÃO ASSOCIADOS ATOS NÃO COOPERATIVOS São considerados atos não cooperativos as operações de aquisições de matéria prima com Cooperativa não filiada. A incorporação de associados não confere a condição, à incorporadora, de filiada à Cooperativa (autuada). 8. No Recurso Voluntário, págs. 1.013/1.020 contra o Acórdão supra, o contribuinte argumentou: Objetouse na impugnação ser inadequada a interpretação fiscal, pois a Cooperativa era, de fato e de direito, associada da recorrente desde 1° janeiro/2000, pois, sendo incorporadora das Cooperativas Santa Lúcia e Arco íris, e sendo estas filiadas da recorrente ao tempo da incorporação, a Cooperativa A1 sucedeuas nos direitos e obrigações, na data da incorporação. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 13982.001173/200170 Acórdão n.º 1201001.943 S1C2T1 Fl. 5 4 As cooperativas incorporadas eram associadas da recorrente e esse direito não se extinguiu, e sim transmitiuse à Cooperativa Al por via da sucessão legal, processandose mais tarde, por formalidade, o registro de filiação que foi efetuado com efeito retroativo ao dia 01/01/2000. 9. No Acórdão embargado, o relator concluiu: Pois bem, em 1º de janeiro de 2000, a Cooperativa A1, incorporou as Cooperativas Santa Lúcia e Arco Iris, as quais eram filiadas à recorrente e realizavam antes dessa data, transações comerciais com a mesma. Após a incorporação, mais precisamente no período de 01/01/2000, até 16/06/2000, a Cooperativa A1, continuou realizando operações com a recorrente, digase de passagem, as mesmas operações que as cooperativas incorporadas realizavam, ou seja, ainda que a mencionada cooperativa tenha efetuado seu pedido de filiação à recorrente e aceito somente em 16/06/2000, todos os sócios das incorporadas eram filiados à interessada, e continuaram sendo mesmo após a incorporação. Diante disso, é de se aceitar como sendo atos cooperados, todos aqueles realizados entre a recorrente e a Cooperativa A1, a partir do momento em que esta incorporou as Cooperativas Santa Lúcia e Arco Iris, as quais eram regularmente filiadas à defendente. Ou seja, as cooperativas incorporadas eram associadas da recorrente e o direito não se extinguiu por ocasião da incorporação, e sim foi transmitido à Cooperativa Al, por via de sucessão legal, tendo sido formalizado, posteriormente, o registro de filiação. Nessas condições, sou pela exclusão da tributação do resultado das operações realizadas entre a recorrente e a Cooperativa Al. 10. Consta do termo de Verificação Fiscal que a Autuada é cooperativa central, cujas associadas são todas cooperativas que atuam no ramo da agropecuária; portanto, tratase de cooperativa definida no art. 6º, II da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971: Art. 6º As sociedades cooperativas são consideradas: II cooperativas centrais ou federações de cooperativas, as constituídas de, no mínimo, 3 (três) singulares, podendo, excepcionalmente, admitir associados individuais; (...) Dos Associados Art. 29. O ingresso nas cooperativas é livre a todos que desejarem utilizar os serviços prestados pela sociedade, desde que adiram aos propósitos sociais e preencham as condições estabelecidas no estatuto, ressalvado o disposto no artigo 4º, item I, desta Lei. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 13982.001173/200170 Acórdão n.º 1201001.943 S1C2T1 Fl. 6 5 § 1° A admissão dos associados poderá ser restrita, a critério do órgão normativo respectivo, às pessoas que exerçam determinada atividade ou profissão, ou estejam vinculadas a determinada entidade. § 2° Poderão ingressar nas cooperativas de pesca e nas constituídas por produtores rurais ou extrativistas, as pessoas jurídicas que pratiquem as mesmas atividades econômicas das pessoas físicas associadas. § 3° Nas cooperativas de eletrificação, irrigação e telecomunicações, poderão ingressar as pessoas jurídicas que se localizem na respectiva área de operações. § 4° Não poderão ingressar no quadro das cooperativas os agentes de comércio e empresários que operem no mesmo campo econômico da sociedade. Art. 30. À exceção das cooperativas de crédito e das agrícolas mistas com seção de crédito, a admissão de associados, que se efetive mediante aprovação de seu pedido de ingresso pelo órgão de administração, complementase com a subscrição das quotas partes de capital social e a sua assinatura no Livro de Matrícula. (...) Art. 59. Pela incorporação (Obs. de outra cooperativa), uma sociedade cooperativa absorve o patrimônio, recebe os associados, assume as obrigações e se investe nos direitos de outra ou outras cooperativas. Parágrafo único. Na hipótese prevista neste artigo, serão obedecidas as mesmas formalidades estabelecidas para a fusão, limitadas as avaliações ao patrimônio da ou das sociedades incorporandas. (...) Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. 11. O Autuante classificou como atos não cooperativos: Decorre também das aquisições de matériaprima (AVES E SUÍNOS) efetuadas junto à COOPERATIVA A1, CNPJ 03.470.626/000150, no período de 1s de Janeiro a 16 de Junho de 2000, às fls. 648. A relação das cooperativas filiadas, no período, encontrase apensada ao processo às lis. 180 a 182. Quanto as aquisições efetuadas junto à cooperativa A1, cumpre fazer os seguintes esclarecimentos: Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 13982.001173/200170 Acórdão n.º 1201001.943 S1C2T1 Fl. 7 6 Os estabelecimentos de SÃO MIGUEL DO OESTE (SUÍNOS), MARAVILHA E QUILOMBO (AVES) adquiriram matériaprima da COOPERATIVA A1, no período acima mencionado, como se fossem aquisições de cooperativa filiada, entretanto de acordo com a Lei n9 5.764/71 esta não o era, como demonstraremos a seguir. A cooperativa A1 foi criada em outubro de 1999 com 159 filiados, conforme ata de fundação às fls. 161 a 169. Em 01/01/2000 incorporou as cooperativas AGROPECUÁRIA SANTA LÚCIA e REGIONAL ARCO (RIS LTDA, as quais eram filiadas da COOPERCENTRAL (COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE), conforme ata nº 2. às fls. 170 a 171. Portanto a partir desta data estas foram extintas. A partir desta data a cooperativa A1 passou a fornecer matéria prima em seu nome para a COOPERCENTRAL. Esta por sua vez passou a considerar estas aquisições com se fossem de associados. Ocorre que a cooperativa A1 só efetuou o seu pedido de filiação em 15 de Maio de 2000, conforme documento às fls. 160, o qual foi aceito em 16/06/2000, conforme a ata do conselho de administração, às fls. 159. (...) O estatuto da COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE LTDA, o fiscalizado, assim estabelece, às fls, 115: REFORMA ESTATUTÁRIA: "Art. 39 Poderão filiarse todas as cooperativas agropecuárias, singulares, centrais ou federações, que exerçam quaisquer uma das atividades objeto daquela, funcionem legalmente e concordem com o que estabelece este estatuto. § 19 O pedido de ingresso será por escrito e mediante anexação da Ata da Assembléia Geral que aprovou a sua filiação. § 29 Aceita a admissão pelo Conselho de Administração, a filiada adquire os direitos e assume as obrigações deste estatuto, das deliberações tomadas e das imposições legais (grifo nosso); § 3 A admissão se formalizará na assinatura dos representantes legais no Livro de Matricula." Depreendese dos dispositivos legais acima mencionados que para a cooperativa A1 se tornar filiada da COOPERCENTRAL, fezse necessário que aquela manifestasse sua vontade (adesão voluntária) e que esta, por sua vez, aprovasse, através de deliberação do conselho de administração. Assim não fosse não haveria o pedido da cooperativa A1,às fls. 160, e não haveria a aprovação pela COOPERCENTRAL, às fls. 159. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 13982.001173/200170 Acórdão n.º 1201001.943 S1C2T1 Fl. 8 7 Ocorre que estes fatos só ocorreram em 15 de maio de 2000, e em 16 de junho de 2000. 1.1 PROCESSO Nº 13982.001172/200125 12. Com relação ao processo nº 13982.001172/200125, foi apensado ao processo nº 13982.000788/200421, do mesmos contribuinte, no qual a mesma questão foi objeto de Acórdão do CARF nº 1301002.082 (transcrito no exame de admissibilidade anexado às págs. 1.061/1.070) que decidiu: ASSOCIAÇÃO À COOPERATIVA. REQUISITOS Tornarse associado à cooperativa exige não só a manifestação de vontade de ser associado e de sujeitarse à disciplina estatutária da entidade objeto do interesse do pretendente; exigemse, ainda, aprovação do órgão de administração da cooperativa à qual se requer a associação, a subscrição do capital social e a assinatura do Livro de Matriculas. 13. O contribuinte apresentou recurso especial, que foi admitido, porém ainda não foi julgado; no recurso especial se socorre do Acórdão nº 10196.957 da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, de 15 de outubro de 2008: CSLL — ATOS COOPERATIVOS — São considerados atos cooperativos aqueles realizados com sociedade cooperativa incorporadora de outras sociedades cooperativas filiadas à Cooperativa (autuada), tendo em vista que as transações continuaram sendo realizadas regularmente. 14. Consta do processo nº 13982.000788/200421, em 18/10/20117, que o contribuinte aderiu ao parcelamento PERT, porém não havia validade até a data. 2 Petição. 15. Em 26/09/2017, a interessada juntou Petição: (...) requerer a desistência parcial dos pedidos formulados no presente processo e renunciar às respectivas alegações de direito nas quais se funda esta demanda, tendo em vista o interesse na inclusão dos débitos objeto da autuação fiscal no Programa Especial de Regularização Tributária – PERT, estabelecido pela MP nº 783/2017. Outrossim, requerse a imediata implementação pela Secretaria da Receita Federal, dos valores reduzidos em sede de julgamento do Recurso Voluntário, no qual acordaram os membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que : a) seja admitida a exclusão da tributação das transações realizadas com a Cooperativa A1; b) seja admitida a exclusão das despesas financeiras da base tributável das receitas financeiras; c) seja excluído o item relativo ao ganho de capital na venda de bens do ativo permanente; e d) excluída a multa de ofício isolada. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 13982.001173/200170 Acórdão n.º 1201001.943 S1C2T1 Fl. 9 8 Por fim, requerse a adesão parcial nos termos da Instrução Normativa RFB 1711/2017 que regulamentou a MP 783/2017, bem como, a implementação das reduções já obtidas, antes da consolidação do débito. 16. Em síntese, não há desistência da questão objeto dos Embargos. 3 Operações com empresa que incorporou cooperativas associadas. Ato cooperativo? Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 18/05/2017 Nº Acórdão 1201001.746 Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 COOPERATIVAS. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DIFERENCIADO. ALCANCE. ATOS COOPERATIVOS.O tratamento tributário diferenciado dispensado às cooperativas, conforme previsto no art. 146, III, c da CF não se aplica de forma automática e direta a qualquer ato das cooperativas, mas tão somente aos seus atos cooperativos. Não são as cooperativas que recebem tratamento diferenciado mas os atos cooperativos.A simples aquisição de mercadoria de não associadas no mercado local para posterior exportação, não configura ato cooperativo. 17. Não há decisão da CSRF sobre a questão em debate; há acórdãos divergentes das DRJ e do CC . 18. Cabe entender a disposição do art. 59 da Lei nº 5.764, de 1971, como base legal para a conclusão no Acórdão embargado? Art. 59. Pela incorporação (Obs. de outra cooperativa), uma sociedade cooperativa absorve o patrimônio, recebe os associados, assume as obrigações e se investe nos direitos de outra ou outras cooperativas. 19. No entanto, referido dispositivo se refere a dívidas e direitos de recebimento, ativos e passivos, e não a filiação a cooperativa central. 20. Conta às págs. 161/..., transcrição da Ata NR. 474 Conselho Administração, autenticada pelo Vice Presidente da Recorrente: Aos dezesseis dias do mês de junho de dois mil, às dezesete horas, na sala de reuniões da Presidência da Coopercentral, em Chapecó (SC)t reuniramse os membros do Conselho de Administração da Cooperativa Central Oeste Catarinense Lida, senhores: José Zeferino Pedrozo, Marcos Antonio Zordan e Darci Pedro Hartmann. Iniciandose a reunião o sr. Aury Luiz Bodanese convidou o Sr. Luiz Antonio Lise para fazer a apresentação do balancete do mês de maio/2000, sendo analisado amplamente pelos Conselheiros. Continuando, o Conselho comentou sobre estoques de produtos suínos e aves em nossas unidades industriais, bem como preços praticados no segmento. Na sequência o Sr. Presidente apresentou o pedido de filiação datado de 15/05/2000, com efeitos retroativo à partir de Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 13982.001173/200170 Acórdão n.º 1201001.943 S1C2T1 Fl. 10 9 01/01/2000, da COOPERATIVA A1, que hora incorpora o ativo e o passivo das cooperativas: Cooperativa Agropecuária Santa Lúcia Lida, e Cooperativa Regional Arco Iris Lida, Após discutido foi aceito o pedido de filiação. Nada mais havendo para ser tratado, a reunião foi encerrada lavrandose a presente ata que após lida e aprovada será por todos assinada. Chapecó (SC), 16 de junho de 2000. (Grifouse.) 21. Assim, uma vez que foram cumpridas as formalidades de associação da Cooperativa A1, no período autuado, cabe considerar as operações realizadas entre a autuada e a Cooperativa A1, como atos cooperativos. Conclusão. Voto por acolher e DAR provimento os embargos de declaração, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 1107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002149/2010-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1998
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 49 /2 01 0- 31 Fl. 193DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre porém que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Fl. 194DF CARF MF Processo nº 19515.002149/201031 Acórdão n.º 2201004.162 S2C2T1 Fl. 193 3 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito á defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Fl. 195DF CARF MF 4 Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 196DF CARF MF Processo nº 19515.002149/201031 Acórdão n.º 2201004.162 S2C2T1 Fl. 194 5 § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 197DF CARF MF
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Numero do processo: 18186.724582/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 10/04/1982 a 10/12/1983
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA NÃO FIXADOS NA DECISÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. POSSIBILIDADE.
Na atualização do indébito tributário é cabível a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais, denominados de expurgos inflacionários, fixados na Tabela Única da Justiça Federal, aprovado pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de Julho de 2007.
Numero da decisão: 1201-001.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 10/04/1982 a 10/12/1983 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA NÃO FIXADOS NA DECISÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. POSSIBILIDADE. Na atualização do indébito tributário é cabível a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais, denominados de expurgos inflacionários, fixados na Tabela Única da Justiça Federal, aprovado pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de Julho de 2007.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/04/1982 a 10/12/1983 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA NÃO FIXADOS NA DECISÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. POSSIBILIDADE. Na atualização do indébito tributário é cabível a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais, denominados de expurgos inflacionários, fixados na Tabela Única da Justiça Federal, aprovado pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de Julho de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 45 82 /2 01 1- 19 Fl. 596DF CARF MF 2 Relatório Adotase o relatório da decisão de primeira instância, com os complementos necessários: 1. Trata o presente processo de pedido de restituição de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ referente ao período de 10/04/1982 a 10/12/1983, decorrente de Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, no valor já atualizado de R$ 31.078.860,76, conforme o PER nº 41374.09158.250712.1.2.543755. 2. Juntamente com o referido PER, a empresa apresentou também as seguintes DCOMPs: 3. De acordo com o Despacho Decisório (fls 486 a 492), a Justiça Federal decidiu, nos autos da ação judicial nº 00.0943309 (fls 078 a 085), pela restituição da quantia de Cr$ 1.187.165.563, corrigidos da data do efetivo pagamento até o dia 28/02/1986 pela ORTN, e daí em diante pela variação da OTN, e juros de 1% ao mês. 4. Para efetuar a análise do referido pedido, a contribuinte apresentou, após ser intimada, a declaração de rendimentos referente ao exercício 1983, assim como, comprovantes de recolhimento de IR (fls 383 a 460). 5. De acordo com os documentos apresentados, apenas a parcela recolhida em dezembro de 1982 gerou crédito, o qual, convertido em ORTN, totalizou em 31/12/1983 a quantia de 541.677,59 ORTN, conforme quadro da folha 489. 6. Considerando que a decisão judicial (fls 084 a 085) determinou a correção do crédito pela ORTN até 28/02/1986 e na seqüência pela OTN, a fiscalização converteu o valor de 541.677,59 para Cruzados Novos, com a multiplicação pelo Fl. 597DF CARF MF Processo nº 18186.724582/201119 Acórdão n.º 1201001.990 S1C2T1 Fl. 3 3 valor da OTN de janeiro de 1989 (NCz$ 6,17), que totalizou NCz$ 3.342.150,73 em 31/01/1989. 7. Continuando seus cálculos, a autoridade fiscal fundamentou a atualização na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/1997 (para valores pagos ou recolhidos no período de 01/01/1988 e 31/12/1991). Com isso o valor em questão foi atualizado até 31/12/1995, conforme quadro abaixo: 8. Considerando também que a decisão judicial transitada em julgado determina a incidência de juros de 1% ao mês sobre o valor corrigido da causa, a fiscalização calculou que desde 30/12/1982 (data do recolhimento da parcela que originou o crédito) até 31/12/1995 são 156 meses, os quais geram 156% de juros, conforme abaixo: 9. Dessa forma, foi reconhecido crédito no valor de R$ 7.262.976,39, com data de 31/12/1995, sobre o qual incidirá o acréscimo de juros SELIC. 10. Conseqüentemente foram totalmente homologadas as DCOMPs nºs 35907.23303.250712.1.3.543748, 39775.18498.250712.1.3.540012, 11100.12654.231112.1.7.540342, 24140.23816.250912.1.3.542344, 17078.46795.251012.1.3.544387 e 38302.13865.231112.1.3.546720, parcialmente homologada a DCOMP nº 25932.83371.301112.1.3.548500, não tendo sido homologada a DCOMP nº 26249.60062.201212.1.3.548071 (vide folhas 496 a 500). 11. Assim, a contribuinte foi cientificada da referida decisão em 13/11/2014 (vide documento de fl. 504). Inconformada, apresentou manifestação de inconformidade, tempestivamente em 28/11/2014. Tal manifestação está consubstanciada no documento anexado às fls 530 a 540, onde resumidamente argumenta o que segue. Manifestação de Inconformidade 12. A interessada inicia sua defesa com uma narrativa sobre os fatos para, na seqüência, argumentar que a autoridade fiscal deveria ter considerado nos cálculos de atualização do crédito apenas os índices “... previstos no Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal conforme entendimento pacificado do E. Superior Tribunal de Justiça, inclusive em sede de recurso repetitivo, e aplicado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais”. 13. A defesa propriamente dita será relatada nos tópicos a seguir. Suficiência do Crédito Reconhecido Judicialmente 14. Alega a contribuinte “... que a diferença entre o valor do crédito reconhecido pelo r. despacho decisório e aquele apontado pela Impugnante no referido pedido de restituição, i.e., R$ 8.357.453,08 (valor histórico em janeiro de Fl. 598DF CARF MF 4 1996, correspondente a R$ 30.309.139,33 em agosto de 2011, mês em que protocolado o pedido de habilitação em tela, e a R$ 31.078.860,76 em julho de 2012, mês em que transmitido o pedido de restituição em referência, tudo conforme fls. 03, 182, 452 e 453) decorre única e exclusivamente dos índices de correção monetária adotados por esta d. Delegacia para a sua atualização”. 15. A interessada destaca que tanto ela quanto a fiscalização partiram do mesmo valor, qual seja, Cr$ 1.187.145.563,00. Tal valor foi atualizado pela autoridade fiscal de acordo com os índices da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08/1997: 16. No entanto, a empresa entende que os índices a serem utilizados para a atualização do crédito deveriam ser os aprovados pela Resolução 561/CFJ, de 02/07/2007, de acordo com o entendimento pacificado da Primeira Seção do STJ nos autos do Recurso Especial nº 1.012.903/RJ. 17. Ressalta a contribuinte que, “... em razão desse entendimento pacificado do E. Superior Tribunal de Justiça, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional já inclusive editou o Ato Declaratório nº 10/08, por meio do qual aprova o Parecer PGFN/CRJ nº 2.601/08 e ‘declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que visem obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007’”. 18. Para corroborar o seu entendimento, a empresa traz julgados do CARF relacionados ao tema e afirma que não resta dúvida sobre a necessidade de reforma do despacho decisório guerreado. 19. Por todo o exposto a interessada requer que a manifestação de inconformidade seja julgada procedente, o direito creditório seja reconhecido e as compensações homologadas. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente conforme decisão assim ementada: INDÉBITOS. CORREÇÃO. Ressalvado comando judicial em contrário, a correção dos indébitos originados no período de 01/01/1988 a 31/12/1991 atenderá ao que dispõe a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08/1997, corrigindoos até 31.12.1995. A Fl. 599DF CARF MF Processo nº 18186.724582/201119 Acórdão n.º 1201001.990 S1C2T1 Fl. 4 5 partir de 1° de janeiro de 1996, serão acrescidos juros SELIC e 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Em 31 de agosto de 2016 (Termo à fl. 565), foi solicitada a juntada do Recurso Voluntário (fls. 566 a 582) no qual, foi alegado: "... o Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Recurso Especial n° 1.012.903 e com base no regime do artigo 543C do CPC, já pacificou o entendimento por sua 1ª Seção de que una repetição do indébito tributário, a correção monetária é calculada segundo os índices indicados no Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução 561/CJF, de 02.07.2007, do Conselho da Justiça Federal. E a Corte Especial do E. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do RESP 1.112.524 já decidiu que "a correção monetária plena é mecanismo mediante o qual se empreende a recomposição da efetiva desvalorização da moeda, com o escopo de preservar o poder aquisitivo original, sendo certo que independe de pedido expresso da parte interessada, não constituindo um plus que se acrescenta ao crédito, mas um minus que se evita", ... Nesta hipótese, o Regimento Interno deste C. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em seu artigo 62, é expresso no sentido de que este E. Tribunal Administrativo não só pode como deve aplicar aos processos sob julgamento as decisões do Superior Tribunal de Justiça em sede de julgamento realizado nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil, como ocorre no caso da matéria em debate, estabelecendo o parágrafo 2° do referido artigo 62 que tais decisões definitivas dc mérito "deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF'\ "verbis": [...] Outrossim, em razão desse entendimento pacificado do E. Superior Tribunal de Justiça, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ja inclusive editou o Ato Declaratório n° 10/08, por meio do qual aprova o Parecer PGFN/CRJ n° 2.601/08 e ''declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n.° 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007". A respeito do Ato Declaratório n° 10/08 da PGFN entendeu a r. decisão recorrida que o mesmo não tem influencia no caso concreto pois "não consta dos autos nenhum documento que comprove que a empresa, no decorrer do processo judicial tenha Fl. 600DF CARF MF 6 pleiteado judicialmente a utilização dos índices constantes na Resolução n° 561 do Conselho da Justiça Federal". Ressaltou ainda a r. decisão recorrida que "o cálculo da restituição/compensação em questão foi realizado com a estrila observância ao que ficou determinado na ação ordinária n° 943.3090, na qual não consta que os índices inflacionários teriam sido determinados judicialmente (...) Dessa forma, coube a aplicação dos índices determinados nas normas administrativas, resultando correto o procedimento adotado". Ocorre que ainda que tal questão (aplicação de índices a título de correção monetária que reflitam a real perda de aquisição da moeda) não tenha sido objeto de discussão na ação judicial, é exatamente por esta razão que deve ser apreciada e decidida na esfera administrativa, evidenciando o referido Ato Declaratório n° 10/08 da PGFN que a matéria já está definitivamente pacificada no sentido defendido pela Recorrente, não havendo qualquer impedimento para que o entendimento do mencionado Ato Declaratório seja aplicado ao caso concreto. Nessas condições, fazse mister o reconhecimento do direito pleiteado pela Recorrente, cm conformidade à pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre a questão e nos termos do referido Ato Declaratório n° 10/08 da PGFN. [...] De fato, como já decidiu o E. Superior Tribunal de Justiça, a correção monetária é mecanismo que visa à mera recomposição do patrimônio, de modo que deve ser calculada por índices que reflitam a real perda do poder aquisitivo da moeda no período, independente de expressa previsão legal, sob pena de ser devolvido à ora Recorrente, mesmo após sagrarse vencedora em ação de repetição de indébito/compensação, valores inferiores àqueles indevidamente recolhidos, em flagrante violação ao direito de propriedade, à coisa julgada e aos princípios que vedam o confisco e o enriquecimento indevido de uma das partes no processo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator. Admissibilidade. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 18186.724582/201119 Acórdão n.º 1201001.990 S1C2T1 Fl. 5 7 A questão se resume na definição de quais os índices de atualização monetária devem ser aplicados aos créditos que detém a recorrente: se os da Resolução n° 561 do Conselho da Justiça Federal ou os da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08/1997. É pacífico de que na decisão proferida na ação ordinária n° 943.3090, não constou que os índices inflacionários teriam sido determinados judicialmente. A recorrente argumenta "que ainda que tal questão (aplicação de índices a título de correção monetária que reflitam a real perda de aquisição da moeda) não tenha sido objeto de discussão na ação judicial, é exatamente por esta razão que deve ser apreciada e decidida na esfera administrativa, evidenciando o referido Ato Declaratório n° 10/08 da PGFN que a matéria já está definitivamente pacificada no sentido defendido pela Recorrente, não havendo qualquer impedimento para que o entendimento do mencionado Ato Declaratório seja aplicado ao caso concreto". A questão já foi enfrentada neste colegiado, inclusive em outra Seção de Julgamento, assim como na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, adotase como razões de decidir, os excertos do voto proferido pelo i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, abaixo transcritos, condutor do acórdão nº 3302 003.748 de 29 de março de 2017: Em relação à utilização dos índices de correção monetária integral, denominados de expurgos inflacionários, fixados pelo Poder Judiciário, mas não previstos na legislação tributária, embora tenha suscitado ampla controvérsia no âmbito deste Conselho, quando não determinados na decisão definitiva transitada julgada, a partir do julgamento dos Recursos Especiais nºs. 1.012.903/RJ (Rel. Min. Teori Zavaski, julgado em 8/10/2008) e 1.112.524/DF (Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 1/9/2010), submetidos ao Rito dos Recursos Repetitivos (art. 543C, do CPC), os quais vinculam os julgamentos deste colegiado, por força do disposto no art. 62, § 1º, II, “b”, do RICARF/2015, a jurisprudência deste Conselho também passou admitir a correção monetária integral do indébito tributário. No caso, não há controvérsia de que a decisão judicial favorável a recorrente, que transitou em julgado em 16/4/1999, proferida no âmbito da Ação Ordinária nº 92.00263593, que tramitou perante a 17ª Seção Judiciária Federal de São Paulo, não determinara a inclusão dos expurgos inflacionários no cômputo dos índices de correção monetária dos créditos pleiteados pela recorrente. Aliás, sequer a matéria foi abordada no referido julgado, consoante se extrai dos relevantes excertos dos julgados colacionados aos autos, extraídos dos autos da citada ação judicial. No âmbito deste Colegiado, o assunto foi abordado com brilhantismo pela i. Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, no voto condutor da decisão consignada no acórdão nº 3302002.163. Aqui adotase razão decidir os fundamentos exarados nos excertos extraídos do referido voto, a seguir transcritos: É sabido que a Fazenda Nacional sempre manifestouse ser descabida a aplicação dos índices expurgados para fins de correção monetária de valores recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos, defendendo que somente seria possível, para este fim, a utilização de índices legalmente Fl. 602DF CARF MF 8 estatuídos e, neste sentido, foram inúmeras as decisões administrativas de 1ª instância de julgamento. Todavia, encontrase pacificado no âmbito do STJ entendimento diverso no sentido de que devem ser incluídos, para fins de correção monetária de indébitos tributários, os percentuais dos expurgos inflacionários verificados na implantação dos planos governamentais, com a orientação de que os índices a serem utilizados para correção dos débitos judiciais serão aqueles constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02/07/2007. Entende o STJ que a incidência da correção monetária decorre de lei (Lei nº 6.988/81), sendo, assim, desnecessária a expressa menção no pedido formulado em juízo, a teor do que dispõe o art. 293 do CPC. Exatamente neste sentido foram as decisões proferidas nos Recursos Especiais nºs. 1.112.524/DF (Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 01/09/2010) e 1.012.903/RJ (Rel. Min. Teori Zavaski), submetidos ao Rito dos Recursos Repetitivos (art. 543C, do CPC), os quais vinculam os julgamentos deste colegiado, nos termos do art. 62A, do RICARF, cuja ementa do Recurso Especial nº 1.112.524/DF se transcreve a seguir: Recurso Especial nº 1.112.524/DF RECURSO ESPECIAL 2009/00421318 (Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 01/09/2010; DJe 30/09/2010): RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO EXPRESSO DO AUTOR DA DEMANDA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO EXTRA OU ULTRA PETITA. INOCORRÊNCIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. TRIBUTÁRIO. ARTIGO 3º, DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP 1.002.932/SP). 1. A correção monetária é matéria de ordem pública, integrando o pedido de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo juiz ou tribunal, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão judicial (Precedentes do STJ: AgRg no REsp 895.102/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 15.10.2009, DJe 23.10.2009; REsp 1.023.763/CE, Rel.Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 09.06.2009, DJe 23.06.2009; AgRg no Fl. 603DF CARF MF Processo nº 18186.724582/201119 Acórdão n.º 1201001.990 S1C2T1 Fl. 6 9 REsp 841.942/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 16.06.2008; AgRg no Ag 958.978/RJ, Rel. Ministro Aldir Passarinho Júnior, Quarta Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 16.06.2008; EDcl no REsp 1.004.556/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 05.05.2009, DJe 15.05.2009; AgRg no Ag 1.089.985/BA, Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em 19.03.2009, DJe 13.04.2009; AgRg na MC 14.046/RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 24.06.2008, DJe 05.08.2008; REsp 724.602/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 21.08.2007, DJ 31.08.2007; REsp 726.903/CE, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 10.04.2007, DJ 25.04.2007; e AgRg no REsp 729.068/RS, Rel. Ministro Castro Filho, Terceira Turma, julgado em 02.08.2005, DJ 05.09.2005). 2. É que: "A regra da congruência (ou correlação) entre pedido e sentença (CPC, 128 e 460) é decorrência do princípio dispositivo. Quando o juiz tiver de decidir independentemente de pedido da parte ou interessado, o que ocorre, por exemplo, com as matérias de ordem pública, não incide a regra da congruência. Isso quer significar que não haverá julgamento extra, infra ou ultra petita quando o juiz ou tribunal pronunciarse de ofício sobre referidas matérias de ordem pública. Alguns exemplos de matérias de ordem pública: a) substanciais: cláusulas contratuais abusivas (CDC, 1º e 51); cláusulas gerais (CC 2035 par. ún) da função social do contrato (CC 421), da função social da propriedade (CF art. 5º XXIII e 170 III e CC 1228, § 1º), da função social da empresa (CF 170; CC 421 e 981) e da boafé objetiva (CC 422); simulação de ato ou negócio jurídico (CC 166, VII e 167); b) processuais: condições da ação e pressupostos processuais (CPC 3º, 267, IV e V; 267, § 3º; 301, X; 30, § 4º); incompetência absoluta (CPC 113, § 2º); impedimento do juiz (CPC 134 e 136); preliminares alegáveis na contestação (CPC 301 e § 4º); pedido implícito de juros legais (CPC 293), juros de mora (CPC 219) e de correção monetária (L 6899/81; TRF4ª 53); juízo de admissibilidade dos recursos (CPC 518, § 1º (...)" (Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery, in "Código de Processo Civil Comentado e Legislação Extravagante", 10ª ed., Ed. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2007, pág. 669). 3. A correção monetária plena é mecanismo mediante o qual se empreende a recomposição da efetiva desvalorização da moeda, com o escopo de se preservar o poder aquisitivo original, sendo certo que independe de pedido expresso da parte interessada, não constituindo um plus que se acrescenta ao crédito, mas um minus que se evita. Fl. 604DF CARF MF 10 4. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção desta Corte (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) enumera os índices oficiais e os expurgos inflacionários a serem aplicados em ações de compensação/repetição de indébito, quais sejam: (i) ORTN, de 1964 a janeiro de 1986; (ii) expurgo inflacionário em substituição à ORTN do mês de fevereiro de 1986; (iii) OTN, de março de 1986 a dezembro de 1988, substituído por expurgo inflacionário no mês de junho de 1987; (iv) IPC/IBGE em janeiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à OTN do mês); (v) IPC/IBGE em fevereiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à BTN do mês); (vi) BTN, de março de 1989 a fevereiro de 1990; (vii) IPC/IBGE, de março de 1990 a fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário em substituição ao BTN, de março de 1990 a janeiro de 1991, e ao INPC, de fevereiro de 1991); (viii) INPC, de março de 1991 a novembro de 1991; (ix) IPCA série especial, em dezembro de 1991; (x) UFIR, de janeiro de 1992 a dezembro de 1995; e (xi) SELIC (índice não acumulável com qualquer outro a título de correção monetária ou de juros moratórios), a partir de janeiro de 1996 (Precedentes da Primeira Seção: REsp 1.012.903/RJ, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 08.10.2008, DJe 13.10.2008; e EDcl no AgRg nos EREsp 517.209/PB, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.11.2008, DJe 15.12.2008). 5. Deveras, "os índices que representam a verdadeira inflação de período aplicamse, independentemente, do querer da Fazenda Nacional que, por liberalidade, diz não incluir em seus créditos" (REsp 66733/DF, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 02.08.1995, DJ 04.09.1995). 6. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/05 (09.06.2005), nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.") (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: RESP 1.002.932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 25.11.2009). 7. Outrossim, o artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado Fl. 605DF CARF MF Processo nº 18186.724582/201119 Acórdão n.º 1201001.990 S1C2T1 Fl. 7 11 a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial fazendário desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. E, em decorrência da jurisprudência pacificada do STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional emitiu o Parecer PGFN/CRJ nº 2601/2008, no sentido de que fosse dispensada a apresentação de contestação, recursos, bem como autorizada a desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visassem obter declaração de que era devida, como fator de atualização de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovado pela Resolução nº 561 do Conselho da justiça Federal, de 02 de Julho de 2007, o qual foi aprovado pelo o senhor Ministro da Fazenda para fins da Lei nº 10.522, de 19/07/2002 e do Decreto nº 2.346, de 10/10/97, conforme Despacho publicado no DOU em 08/12/2008, e do qual resultou a emissão do Ato Declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional nº 10, de 1º de Dezembro de 2008. Tal Parecer e Ato Declaratório emitidos na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, igualmente respaldam a presente decisão, tendo em vista o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso II, alínea “a” do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 (RICARF). Registrese que esta matéria inclusive já foi objeto de apreciação pela egrégia 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais,por meio do Acórdão nº 930300.248, de 21/10/2009, que mudou o sentido da jurisprudência administrativa em favor dos contribuintes, da lavra do eminente Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Assim, como bem exposto no referido voto, a questão foi submetida e decidida pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, previstas no artigo 543C do antigo CPC, em que foi reconhecida a utilização dos índices inflacionários expurgado. No mesmo sentido, a própria PGFN, por meio do Parecer PGFN/CRJ nº 2.601/2008, recomendou que fossem autorizadas pelo Senhor ProcuradorGeral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, nas ações judiciais que versassem sobre a atualização monetária de débitos judiciais pelos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Fl. 606DF CARF MF 12 Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007, o que culminou com a edição do Ato Declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional nº 10/2008, em que manifestada a concordância com a referida proposta. Assim, por força do disposto no art. 62, § 1º, II, alíneas “b” e “c”, e § 2º, do Anexo II do RICARF/2015, aqui devem ser reproduzidos os fundamentos aduzidos nos referidos julgados e Parecer, para reconhecer a aplicação os expurgos inflacionários. Da mesma forma, a 3ª Turma da CSRF vem decidindo a questão, conforme recentes julgados cujos enunciados das ementas seguem transcritos: Acórdão nº 9303003.096: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN no 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução no 561 do Conselho da Justiça Federal. Recurso Especial do Contribuinte Provido Concernente às alegações quanto aos pedidos de compensação, com razão a decisão recorrida, uma vez que não há pedidos de compensação formulados neste processo, mas apenas pedido de restituição, consistindo a alegação estranha a este processo, da qual não se conhece. Acórdão nº 9303003.282: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1990 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE FINSOCIAL RECONHECIDOS EM SENTENÇA JUDICIAL. CÁLCULO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. No presente caso, em razão de expressa previsão em decisão judicial de que os créditos reconhecidos deveriam ser atualizados plenamente, afigurase devida a atualização monetária. Além disso, a partir da edição do Ato Declaratório PGFN no 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução no 561 do Conselho da Justiça Federal. Aplicação do entendimento do E. STJ externado no REsp 1112524/DF, julgado na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, com base na Súmula 62A do CARF. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 18186.724582/201119 Acórdão n.º 1201001.990 S1C2T1 Fl. 8 13 Recurso Especial do Procurador Negado.. Com base nessas considerações, no caso em tela, devem ser aplicados os índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02/07/2007, conforme recomendação expressa no Parecer PGFN/CRJ nº 2.601/2008. Conclusão. Em face do exposto, conheço do recurso para, no mérito, DARLHE provimento. A unidade de origem deverá conferir os cálculos trazidos pela recorrente. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 608DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.693380/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.364
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: (a) verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; (b) aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (c) informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (d) informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (e) elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas.
(Assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(Assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, cuja motivação é a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 93 38 0/ 20 09 -5 4 Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10880.693380/200954 Resolução nº 3401001.364 S3C4T1 Fl. 4 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte esclareceu que houve recolhimento indevido de PIS, decorrente da inclusão de receitas financeiras na base de cálculo das contribuições, que obtivera decisão judicial que limitava a incidência da PIS às receitas de faturamento, no conceito veiculado pela LC 70/91; que haveria nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa, uma vez não detalhadas as razões de não homologação da compensação; que o direito creditório é procedente e que a legislação de regência ampara a compensação realizada; e, que, na hipótese de manutenção do despacho reclamado, devem ser exonerados a multa e os juros moratórios. Foram juntadas cópias do DARF, PERDCOMP, DCTF e certidões de objeto e pé das ações judiciais respectivas. A DRJ São Paulo I/SP julgou a manifestação improcedente, em decisão assim ementada: “ARGUIÇÃO DE NULIDADE. DESCRIÇÃO IMPRECISA DOS FATOS. IMPROCEDÊNCIA. Descabe a alegação de nulidade por descrição imprecisa dos fatos que ensejaram a não homologação da compensação quando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade evidenciam que a interessada entendeu perfeitamente a motivação do despacho decisório. PRODUÇÃO DE PROVAS DOCUMENTAIS. As provas devem ser apresentadas juntamente com a manifestação de inconformidade, salvo nos casos previstos no § 4º do artigo 57 do Decreto 7.574/2011. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PEDIDO NÃO FORMULADO. Temse por não formulado o pedido de diligência ou perícia que não atenda aos requisitos previstos na legislação de processo administrativo fiscal. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A retificação da DCTF deve obedecer ao prazo e pressupostos legais firmados pela legislação aplicável. A DCTF retificadora apresentada extemporaneamente não produz efeitos legais para alterar crédito tributário que já se encontrava formalmente homologado e definitivamente extinto perante a Fazenda Nacional. COISA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE DE BENEFICIAR TERCEIROS. A sentença faz coisa julgada entre as partes interessadas, não beneficiando e nem prejudicando terceiros. BASE DE CÁLCULO. RECEITA NÃO DECORRENTE DE VENDAS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10880.693380/200954 Resolução nº 3401001.364 S3C4T1 Fl. 5 3 A alegação de que parte das receitas seria diversa daquelas oriundas do exercício das atividades empresariais deve estar lastreada por provas. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INEXISTÊNCIA. Inexiste pagamento indevido ou a maior quando este já foi utilizado para quitar crédito tributário apurado de acordo com as normas então vigentes. DÉBITOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. O tributo ou contribuição objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais.” O recurso voluntário asseverou a impossibilidade de inclusão de receitas estranhas às operações de vendas e/ou prestação de serviços na apuração da PIS, sob a égide da Lei nº 9.718/98, conforme já decidido pelo STF; que era improcedente a alegação de retificação extemporânea da DCTF, sustentada pela decisão recorrida; que, na hipóteses de manutenção do despacho decisório, deveriam ser decotados a multa e os juros de mora; ou, alternativamente, a realização de diligência para certificação do crédito a repetir. Na oportunidade foram juntados demonstrativo de apuração do tributo e cópias do balancete. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.361, de 20 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.693376/200996, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.361: "O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Como questão preliminar, cabe examinar a exigência de retificação da DCTF correspondente, como condição para repetição do indébito, consoante acentuado pela decisão recorrida. No caso vertente, nada obstante tratarse do período de apuração dezembro/1999, o recolhimento a maior ocorreu em 09/02/2004 enquanto a verificação dessa situação e a formulação do competente pedido de restituição se deu em 14/06/2006, de maneira que a repetição do indébito era tempestiva, porém, não mais a possibilidade de retificação da DCTF, que se extinguiu com o transcurso do qüinqüênio a partir do mês a que se referia o fato gerador. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10880.693380/200954 Resolução nº 3401001.364 S3C4T1 Fl. 6 4 A tese defendida pelo colegiado a quo é que o impedimento à alteração do valor declarado a título de Cofins, dezembro/1999, obstaria o direito à restituição do montante pago indevidamente, mesmo que não ocorrida a decadência desse direito, nos termos do art. 165, I do Código Tributário Nacional, por entender que o crédito tributário já se encontrava formalmente homologado e definitivamente extinto perante a Fazenda Nacional. Todavia, ainda que o art. 150, § 4º do CTN disponha que a fluência do prazo de 05 (cinco) anos corporifica homologação tácita e transmuta o lançamento e respectivo pagamento em causa de extinção do crédito tributário, não se pode olvidar que o mencionado art. 165, I do mesmo diploma legal também garante o direito, independente de prévio protesto, à restituição do tributo pago em quantia maior que a devida, desde que observada a temporalidade do requerimento próprio (art. 168), o que se verificou nesse processo. Nestes autos, o decurso do prazo veda a constituição de crédito tributário complementar àquele declarado pelo sujeito passivo (art. 150, § 4º), entretanto, não obstaculiza a devolução do indébito, ao passo que feito o pedido dentro do prazo de 05 (cinco) anos do recolhimento(arts. 165, I e 168), mormente na situação sub examine, onde a quantia indevida corresponde justamente ao pagamento feito a destempo, acrescido de multa e juros de mora. Demais disso, esquadrinhando a IN SRF 600/05, vigente por ocasião da transmissão da PERDCOMP, não se localiza qualquer imposição de retificação da DCTF como requisito para processamento do pedido de restituição aviado, salvo na hipótese de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI (Leis nº 9.363/96 e 10.276/01), segundo o art. 16, § 5º, II do ato normativo. Portanto, mostrase improcedente a questão vestibular erigida pela decisão recorrida como fundamento à denegação do recurso. Tocante ao mérito, observase que o motivo inicial à não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notase, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua utilização em outra finalidade. Em outra linha argumentativa exposta na decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria a demonstração documental das razões arroladas pelo recorrente, o que não se verificou. Nesse passo, é certo que na primeira oportunidade processual o recorrente não produziu a prova necessária, limitandose a anexar cópias de declarações, que, por si só, assim como sua ausência não serve de causa ao indeferimento de restituição, também não é suficiente ao seu deferimento. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10880.693380/200954 Resolução nº 3401001.364 S3C4T1 Fl. 7 5 Contudo, em recurso voluntário, o contribuinte trouxe demonstrativo de apuração e balancetes, o que, a meu sentir, consubstancia um início razoável de prova a justificar o retorno dos autos à DRF de jurisdição para exame das alegações do recorrente a respeito do direito invocado (pagamento indevido de Cofins ante à inconstitucionalidade do conceito de faturamento veiculado pela Lei nº 9.718/98, decidida em repercussão geral no RE 585.235QO, de 10/09/2008). Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo,não se nega que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, eis que validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que em situações como a deste processo, onde há um início razoável de prova, composto por documentos outros que não apenas declarações ou mesmo debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Demais disso, ao fato constitutivo do direito ao crédito tributário posto pela Administração tributária – vinculação do direito de crédito a outro débito de titularidade do sujeito passivo –, contrapõe o recorrente um fato modificativo desse mesmo direito – a existência de pagamento a maior e o pedido tempestivo de sua restituição, acompanhado de início de prova –, o que milita em favor da verificação de procedência dessa alegação. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10880.693380/200954 Resolução nº 3401001.364 S3C4T1 Fl. 8 6 · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: · Verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722985/2011-97
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009, 2008
MULTA POR ATRASO. DCTF e DIPJ. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DECLARAÇÃO. INCIDÊNCIA.
É devida a multa por atraso na entrega de declarações fora do prazo normativamente estabelecido.
Numero da decisão: 1002-000.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009, 2008 MULTA POR ATRASO. DCTF e DIPJ. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DECLARAÇÃO. INCIDÊNCIA. É devida a multa por atraso na entrega de declarações fora do prazo normativamente estabelecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins - Presidente. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros.
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DCTF e DIPJ. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DECLARAÇÃO. INCIDÊNCIA. É devida a multa por atraso na entrega de declarações fora do prazo normativamente estabelecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 29 85 /2 01 1- 97 Fl. 67DF CARF MF 2 Relatório Por economia processual, adoto parte do relatório produzido pela DRJ/REC: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavradas as Notificações de Lançamento de folhas 41 e 43, por meio das quais é exigida multa em vista de atraso na entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais de Pessoa Jurídica – DIPJ/2010, relativa ao anocalendário 2009 (R$ 500,00), e de atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, relativa ao 2º semestre do anocalendário de 2008 (R$200,00), respectivamente. A exigência tributária foi impugnada pelo contribuinte e julgada improcedente pela DRJ/REC, conforme acórdão n. 1137.748 (efl. 47), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008, 2009 DIPJ/2010 (2009). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória fora do prazo previsto na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. DCTF 2008 (2º SEMESTRE). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória fora do prazo previsto na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresentou recurso voluntário no qual, em síntese, ratifica os fundamentos de fato e de direito apresentados em sede de impugnação, requerendo o deferimento de seu pleito. É o Relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O argumento central e único do Recorrente na contestação do lançamento, fundamentando no artigo 150 da Constituição, é no sentido de que a União não poderia instituir imposto sobre as entidades de assistência social que não tenham fins lucrativos. Esta matéria foi alvo de percuciente análise no acórdão exarado pela DRJ/REC e não merece reparos por este colegiado, motivo pelo qual peço vênia para extrair Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10480.722985/201197 Acórdão n.º 1002000.025 S1C0T2 Fl. 3 3 trechos daquela decisão onde são consignados os fundamentos para indeferimento do pleito do contribuinte, os quais, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e do §3º do art. 57, do RICARF, desde já adoto como razões de decidir: " (...) A impugnante não questiona a entrega intempestiva da DIPJ/2010 e da DCTF relativa ao 2º semestre de 2008. Suscita, apenas, a sua condição de ser entidade sem fins lucrativos para eximirse das multas aplicadas, já que a legislação mencionada é, conforme a própria impugnante, aplicável a partir de 2011. Como é mister, alegações dessa natureza não se prestam a se opor à obrigatoriedade do cumprimento de imposição(ões) tributária(s) e, muito menos, à aplicação de penalidade(s) resultante do pelo descumprimento da(s) mesma(s). Cabe salientar que a legislação que rege a matéria prevê a dispensa de apresentação da DCTF quando o sujeito passivo não apresenta movimento (inativas) durante todo o ano calendário, o que não se aplica ao presente caso, dado que a própria impugnante reconhece ter tido movimento, o que é corroborado pelas informações constantes de sua DIPJ. (...) " Assim, tendo em conta que o atraso na entrega da DIPJ/2010 e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF do 2º semestre do anocalendário de 2008 é fato incontroverso, e inexistindo fundamentos de fato e de direito para alteração do lançamento, considero legítima a cobrança das multas pelo atraso na entrega das referidas declarações. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.690966/2009-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe.
PROVAS. PRECLUSÃO.
Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite-se a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.056
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. PROVAS. PRECLUSÃO. Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite-se a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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Recorrente COMPANHIA DO METROPOLITANO DE SAO PAULO METRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. PROVAS. PRECLUSÃO. Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admitese a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 09 66 /2 00 9- 67 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.690966/200967 Acórdão n.º 3302005.056 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de COFINS não cumulativo. Por intermédio do Despacho Decisório eletrônico emitido pela unidade de origem, a compensação declarada não foi homologada, tendo em vista a inexistência do crédito. Ciente desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade alegando em síntese: Apurou e recolheu COFINS não cumulativo incluindo na base de cálculo do tributo, de forma indevida, montante referente a juros e variações monetárias ativas; Desta forma, faz jus ao crédito de COFINS não cumulativo calculado sobre os juros e as variações monetárias; Retificou o DACON c a DCTF, para fins de informar a correta base de cálculo de COFINS não cumulativo; Requer a homologação da compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 1632.940. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade e apresenta diversos documentos com vistas a comprovar o direito pleiteado. Ao final requer que não sendo possível a análise da documentação apresentada, que seja a mesma remetida à instância de origem, para que sobre ela se pronuncie a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.037, de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.690966/200967 Acórdão n.º 3302005.056 S3C3T2 Fl. 4 3 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.690947/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.037): "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preclusão probatória Argui o recorrente que apurou e recolheu o PIS/PASEP nãocumulativo de 10/2004 incluindo na base de cálculo do tributo, de forma indevida, montante referente a juros e variações monetárias ativas, fazendo jus, portanto ao crédito de PIS/PASEP não cumulativo calculado sobre os juros e as variações monetárias. Ressalta ainda em favor de sua tese que retificou o DACON c a DCTF, para fins de informar a correta base de cálculo do PIS/PASEP não cumulativo. Ocorre que ao apresentar a Manifestação de Inconformidade, momento processual que instaura a lide administrativa, não comprovou perante o órgão a quo com documentos hábeis e idôneos o recebimento dos referidos juros e variações monetárias ativas e, tampouco que os mesmos compuseram a base de cálculo do tributo, ensejando, por conseguinte pagamento a maior. Quando da apresentação do recurso voluntário acosta documentos não apresentados quando da manifestação de inconformidade. Nesse sentido cabem os seguintes esclarecimentos. A juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.690966/200967 Acórdão n.º 3302005.056 S3C3T2 Fl. 5 4 recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito)(grifei). Por oportuno registrese que o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, prescreve em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observase que a norma acima destacada é clara ao estabelecer o momento processual a serem carreadas as provas aos autos, pelo contribuinte, a fim de subsidiar o julgador com os elementos probatórios que possibilitem a livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme é assegurado pelo 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. No presente caso, como já demonstrado, o contribuinte deixou de apresentar quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, documento comprobatório quanto aos créditos pleiteados. Quanto ao ato de provar pondera 2Fabiana: Mediante a atividade probatória compõese a prova, entendida como fato jurídico em sentido amplo, que é o relato em linguagem competente de evento supostamente acontecido no passado, para que, mediante a decisão do julgador, constituase o fato jurídico em sentido estrito, desencadeando os correspondentes efeitos. (...) Iso não significa, contudo, que para provar algo basta simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar. A prova decorre exatamente do vínculo entre o documento e o fato probando.(grifei). Nesse mister, os documentos apresentados somente em sede recursal, visando comprovar os aludidos créditos não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, visto que sequer demonstra o recorrente estar abrigado em uma das hipóteses excepcionais disciplinadas nas alíneas de "a" a "c" do artigo 16, acima já reproduzidos. Na linha acima expendida revelase incabível devolver os autos à instância a quo para a análise dos documentos apresentados, já que deixaram de ser oportunamente apresentados à referida instância. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 2 Tomé, Fabiana Del Padre, A prova no Direito Tributário, São Paulo:Noeses, 2005, págs:177/178. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.690966/200967 Acórdão n.º 3302005.056 S3C3T2 Fl. 6 5 Tendo em vista que em votação, a maioria dos conselheiros acolheu apenas a conclusão desta relatora, seguem abaixo reproduzidos, conforme determina o artigo 63, § 8º do Anexo II do RICARF, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Por entender aplicável ao presente caso a norma prevista na letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72 que, diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite a juntada posterior de documentos, os demais Conselheiros decidiram afastar a preclusão aplicada pela i. Relatora. Isto porque, diferentemente do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação por inexistência do crédito, a matéria concernente a comprovação da origem dos créditos apurados pela Recorrente somente foi trazida aos autos quando do proferimento da decisão combatida, oportunizando, assim, a Recorrente contrapor os fatos novos com a juntada de documentos que entendese necessário para tanto. Por este motivo, restou decidido pelos demais Conselheiros afastar a preclusão e admitir a análise dos documentos juntados pela Recorrente em seu recurso voluntário. Pois bem. Em sede recursal a Recorrente trouxe as seguintes alegações de mérito: "A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo Capital indeferiu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente sob o argumento de que competia a ela apresentar documentos contábeis e fiscais que comprovassem o recolhimento a maior do tributo cuja homologação de compensação for requerida mas esta não os apresentou. (...) Nestas condições, em que a exigência do crédito tributário deve se pautar pelo princípio da verdade material, com base no mesmo princípio dever apurado o crédito reclamado pela Recorrente, razão pela qual a ela deve ser reconhecido o direito de trazer aos autos do presente processo, mesmo em sede de Recurso Voluntário, os documentos fiscais e contábeis que demonstram a sua existência, para seja homologada a compensação por ela realizada. Juntamente com suas razões recursais a Recorrente carreou aos autos os seguintes documentos para comprovar seu pretenso direito: (i) PER/DCOMP; (ii) Comprovantes de arrecadação; e (iii) planilhas e livros diário geral. Entretanto, constatase que no recurso interposto pela Recorrente não há uma linha argumentativa demonstrando a composição/origem do crédito perseguido pelo contribuinte, limitando, suas alegações, apenas em relação ao direito de juntar documentos em sede recursal. Ora, caberia a Recorrente explicitar, ainda que de forma concisa, a composição/origem do crédito e, apontar quais documentos dão suporte às suas alegações, nada neste sentido foi realizado pela Recorrente. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.690966/200967 Acórdão n.º 3302005.056 S3C3T2 Fl. 7 6 Ressaltase que o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC3). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. Deste modo, tornase imprestável os documentos juntados pela Recorrente para o fim de comprovar o direito ao crédito, motivo pelo qual os demais Conselheiros acompanharam a i. ilustre Relatora pelas conclusões. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720073/2014-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
ÁGIO ORIUNDO DE AQUISIÇÃO COM USO DE RECURSOS FINANCEIROS DE OUTREM. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição.
Não é possível o aproveitamento tributário do ágio se as investidoras reais transferiram recursos a "empresas veículos" com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outras empresas e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve as pessoas jurídicas que efetivamente desembolsaram os valores que propiciaram o surgimento dos ágios, ainda que as operações que os originaram tenham sido celebradas entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
MATÉRIAS NÃO EXAMINADAS NA FASE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DEVOLUÇÃO À TURMA A QUO.
Uma vez restabelecidas as autuações fiscais relativas às glosas das despesas de amortização de ágio, faz-se necessário o retorno dos autos à Turma a quo para análise dos pontos específicos suscitados no recurso voluntário que deixaram de ser apreciados no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9101-003.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que não conheceram do recurso e, no mérito lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário em relação à multa qualificada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 ÁGIO ORIUNDO DE AQUISIÇÃO COM USO DE RECURSOS FINANCEIROS DE OUTREM. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Não é possível o aproveitamento tributário do ágio se as investidoras reais transferiram recursos a "empresas veículos" com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outras empresas e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve as pessoas jurídicas que efetivamente desembolsaram os valores que propiciaram o surgimento dos ágios, ainda que as operações que os originaram tenham sido celebradas entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 MATÉRIAS NÃO EXAMINADAS NA FASE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DEVOLUÇÃO À TURMA A QUO. Uma vez restabelecidas as autuações fiscais relativas às glosas das despesas de amortização de ágio, faz-se necessário o retorno dos autos à Turma a quo para análise dos pontos específicos suscitados no recurso voluntário que deixaram de ser apreciados no acórdão recorrido.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 ÁGIO ORIUNDO DE AQUISIÇÃO COM USO DE RECURSOS FINANCEIROS DE OUTREM. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Não é possível o aproveitamento tributário do ágio se as investidoras reais transferiram recursos a "empresas veículos" com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outras empresas e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve as pessoas jurídicas que efetivamente desembolsaram os valores que propiciaram o surgimento dos ágios, ainda que as operações que os originaram tenham sido celebradas entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 MATÉRIAS NÃO EXAMINADAS NA FASE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DEVOLUÇÃO À TURMA A QUO. Uma vez restabelecidas as autuações fiscais relativas às glosas das despesas de amortização de ágio, fazse necessário o retorno dos autos à Turma a quo para análise dos pontos específicos suscitados no recurso voluntário que deixaram de ser apreciados no acórdão recorrido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 73 /2 01 4- 18 Fl. 3490DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que não conheceram do recurso e, no mérito lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário em relação à multa qualificada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Fl. 3491DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão constante do Acórdão nº 1402002.373, onde se analisou a legitimidade do lançamento do IRPJ e CSLL e multas de 150%, consumado por entender a fiscalização ser indedutível das bases dos referidos tributos a amortização fiscal do ágio gerado em operação de aquisição de participação societária de terceiros, através da constituição de empresas chamadas "veículo". No procedimento fiscal foram analisadas duas aquisições de participações societárias, por empresas do grupo da Contribuinte em questão de terceiros independentes, e a posterior incorporação das sociedades adquiridas. No TVF as duas aquisições são descritas separadamente, sendo intituladas, respectivamente: (a) "Aquisição da própria fiscalizada (KCB)"; e (b)"Aquisição da Kenko do Brasil Indústria e Comércio". Na "Aquisição da própria fiscalizada", analisouse a aquisição, pelo grupo empresarial Kimberly Clark, da Contribuinte em questão (KCB), empresa que anteriormente era controlada pelo grupo Klabin. Tal aquisição foi realizada de forma parcelada, iniciando em 1998, com a aquisição de 31, 375% da participação societária; com ágio de R$ 57.730.448,05 seguida da aquisição de 50%, em 2003, com ágio de R$ 222.416.919,95 e findando com a aquisição de 18,624% em 2007, sem ágio. Para a efetivação das aquisições em questão foram utilizadas duas sociedades holdings brasileiras: Kimberly Clark do Brasil Ltda (KCdoB), controlada por sociedades estrangeiras e Kimberly Clark Tissue do Brasil Ltda. (KCTissueB), controlada pela primeira (KCdoB) e que efetivamente realizou as aquisições das participações adquiridas de terceiros. Para efetivação das aquisições recursos eram transferidos do exterior para a KCdoB que posteriormente os transferia para KCTissueB, que efetivamente realizava as aquisições. Houve, também, operações de mútuo entre a KCtissue e empresas do grupo. Em setembro de 2007 a contribuinte em questão incorporou sua então controladora, KCTissueB, registrando em seu balanço a soma dos ágios gerados com a primeira e segunda aquisições anteriormente mencionadas, no valor total de R$ 280.147.368,00. Tal ágio passou a ser amortizado fiscalmente a partir de janeiro de 2008, à razão de 1/60. Para a fiscalização, toda a operação foi realizada com capital oriundo do exterior, em operações de extrema complexidade, com a finalidade de ocultar sua real origem e o fato de o ágio dever ser registrado pelos verdadeiros adquirentes, sociedades do grupo não residentes no Brasil. A aquisição da "Kenko do Brasil Indústria e Comércio Ltda", conforme relato da fiscalização, também se deu em três etapas. Na primeira etapa, em 1996, houve a aquisição de 51% da participação, através de empresa denominada KCC Comercial, que recebeu aporte de empresa estrangeira do Fl. 3492DF CARF MF 4 grupo, denominada Kimberly Clark Corporation (EUA). O valor aportado em KCC Comercial foi aportado em sociedade brasileira por ela controlada (Minority Comercial Ltda.), cujas quotas foram permutadas pelas quotas da Kenko, com ágio de R$ 66.150.440,30. Na segunda etapa, ocorrida em 2000, houve aquisição de 19% de participação da Kenko, através de capitalização da KCC Comercial por sociedade americana do grupo denominada KC Delaware, com posterior capitalização de sociedade limitada brasileira com ágio de R$ 99.420.135, 30 e resgate da participação da Kenko. No entendimento da fiscalização tal operação foi uma venda mascarada por uma operação casa/separa, sendo o real adquirente a empresa americana KC Delaware. Na terceira etapa, ocorrida no final de 2006, houve a aquisição dos 30% restantes de participação societária da Kenko. Nessa etapa, a referida empresa americana do grupo KC Delaware realiza capitalização em outra sociedade brasileira do grupo por ela controlada, denominada KCR. No mesmo período KCR adquire a participação restante em Kenko, com ágio de R$ 185.852.300,00. Em novembro de 2008 Kenko incorpora a KCC Comercial e KCR, contabilizando o ágio. Em dezembro de 2008 a contribuinte em questão incorpora a Kenko, passando a amortizar fiscalmente o ágio. No entendimento da fiscalização os reais adquirentes das participações societárias foram as empresas estrangeiras KC Delaware e Kimberly Clark Corporation. Nesse contexto, para motivar a lavratura do auto de infração a fiscalização compreendeu que a única motivação da escolha do esquema de empresas veículos interpostas entre as reais adquirentes das participações societárias foi exclusivamente tributária, valendose o contribuinte de expedientes tendentes a ocultar a realidade das operações de compra de participações societárias no Brasil. Para a fiscalização, embora as empresas veículo aparentemente tenham efetuado os pagamentos referentes à compra da KCB e da Kenko, na realidade quem comprou as empresas foi a KC Delaware e a Kimberly Clark Corporation, sediadas nos Estados Unidos da América. Concluiu a fiscalização que as operações ora relatadas revelaram etapas de uma engenharia societária abusiva e desprovida de qualquer propósito negocial ou motivação extratributária, engendrada com o evidente intiuto de puramente forjar a ocorrência de fatos que, no entender do contribuinte, gerariam condições estabelecidas pela legislação vigente para o aproveitamento fiscal do ágio. Para qualificar a multa a fiscalização entendeu estar presente nos fatos narrados a fraude trazida no artigo 72, da Lei 4.502/64. Impugnado o Auto de Infração, a DRJ decidiu pela improcedência dos argumentos de defesa. Assim,, tempestivamente foi aviado Recurso Voluntário. A Turma a quo, ao analisar o Recurso Voluntário do Contribuinte entendeu que o simples emprego de companhias holdings em estrutura de aquisição de investimento, ainda que com a finalidade de viabilizar e promover a compra de participações societárias, denominadas empresas veículo, não basta para justificar a glosa do ágio verificado em tais operações. Fl. 3493DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 4 5 A reorganização empresarial, procedida nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mesmo envolvendo incorporação de empresas veículo e a chamada incorporação reversa, desde que não tenha como resultado o aparecimento de novo ágio, não constitui economia de tributos por meio ilícito ou abuso. Vale a transcrição da ementa da referida decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO. DEDUÇÃO. Iniciase a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários referentes a glosa do aproveitamento de ágio a partir da sua efetiva dedução pelo contribuinte, antes disso não há como se cogitar a inércia do Fisco. ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. OPERAÇÃO COMPLEXA E DE LONGA DURAÇÃO. INVESTIMENTO ESTRANGEIRO. CONTEÚDO ECONÔMICO E OBJETIVOS EMPRESARIAIS CLAROS. AUSÊNCIA DE ILÍCITOS OU ABUSOS. O simples emprego de companhias holdings em estrutura de aquisição de investimento, ainda que com a finalidade de viabilizar e promover a compra de participações societárias, denominadas empresas veículo, não basta para justificar a glosa do ágio verificado em tais operações. A alocação de recursos e investimentos em empresa controlada não operacional, principalmente quando procedida por grupos estrangeiros que almejam participar do mercado brasileiro, é manobra não só lícita, como também justificável e costumeira, dentro da dinâmica de um mercado globalizado. Deve ser verificada, de forma concreta e objetiva, a presença dos requisitos econômicos, financeiros e contábeis da formação do ágio, à luz das previsões dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para o seu devido aproveitamento como despesa dedutível, independentemente das formas e modelos negociais adotados, desde que lícitos. A reorganização empresarial, procedida nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mesmo envolvendo incorporação de empresas veículo e a chamada incorporação reversa, desde que não tenha como resultado o aparecimento de novo ágio, não constitui economia de tributos por meio ilícito ou abuso. A desconsideração de atos e negócios jurídicos do contribuinte é medida extrema e excepcional. Cabe ao Fisco a demonstração específica, devidamente comprovada, de que determinada vantagem fiscal foi obtida através da prática de atos ilícitos ou Fl. 3494DF CARF MF 6 simulados, dentro dos moldes dos institutos de Direito Civil e de Direito Comercial brasileiros. Acusações de simulação e fraude não podem se valer apenas da rotulação das formas jurídicas adotadas pelo contribuinte como manifestamente defeituosas ou viciadas, independentemente de seu efetivo conteúdo e dos efeitos realmente verificados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Cientificada dessa decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando discutir dedutibilidade do ágio aproveitado através de empresas veículo. Em sua peça recursal a Fazenda pugna pelo conhecimento de seu apelo com base no acórdão paradigma de nº 9101002.188 onde essa 1ª Turma da CSRF decidiu que não há previsão legal, no contexto dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para transferência de ágio por meio de interposta pessoa juridica da pessoa jurídica que pagou o ágio para a pessoa jurídica que o amortizar. Entendeu a Fazenda estar configurada a divergência de entendimento nas Turmas do CARF, pois, diante de casos que envolvem a transferência de ágio, com a existência legal de empresas intermediárias, houve a adoção de soluções diversas, com base nos arts. 7 e 8º da Lei 9.532/97 (reprodução do art. 386 do RIR/99). O Recurso da Fazenda foi integralmente conhecido pelo despacho de admissibilidade. Em suas razões, alega a Fazenda, em suma: ü Que a interpretação literal da Lei nº 9.532/1997 autoriza a dedução do ágio somente quando ocorre a “confusão patrimonial” entre investida e a sua real investidora; ü Não é porque houve uma aquisição societária válida, que o ágio registrado necessariamente é dedutível; ü Não basta a uma empresa, ou grupo econômico, adquirir uma participação societária de terceiro independente, e mediante efetivo pagamento, para que o ágio pago seja reconhecido como dedutível. Se Fl. 3495DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 5 7 assim fosse, a Lei nº 9.532/1997 não teria razão de existir. Como será visto, para ser dedutível, o ágio deve cumprir determinados requisitos legais. Dentre esses requisitos, além do documento que ateste o seu fundamento econômico, há a necessária presunção de perda do investimento adquirido; ü Em face, portanto, dessa confusão patrimonial entre investidora e investida, a legislação admite que o contribuinte considere perdido o seu capital investido com ágio e, assim, deduza a despesa que teve com o pagamento da “mais valia”; ü Para que haja esse encontro num mesmo patrimônio do ágio com o investimento que lhe deu origem, é imprescindível que a “mais valia” contabilizada tenha sido efetivamente suportada por alguma das pessoas que participa da confusão patrimonial. O real investidor, portanto, deve se confundir com o investimento que adquiriu; ü Tal constatação é obtida em face da seguinte expressão utilizada pela legislação: “na qual detenha participação societária adquirida com ágio”. Vêse que o verbo “adquirir” é utilizado pela norma em seu sentido econômico, ou seja, decorrente de uma espécie de compra e venda, oriundo de um sacrifício patrimonial. Portanto, a Lei nº 9.532/1997 estabelece que a dedução do ágio somente é autorizada quando a pessoa jurídica que tiver adquirido outra, incorporála ou for por ela incorporada; ü Desta feita, ao contrário do decidido no acórdão recorrido, não se está diante de uma situação em que a legislação não veda uma possibilidade fática, mas sim de uma situação em que a legislação não a autoriza; ü Devese lembrar que a dedutibilidade do ágio traduz uma renúncia de receita ao Estado. Portanto, a Lei nº 9.532/1997 deve ser interpretada de forma literal e restritiva, segundo a qual ela expressamente reconhece a dedutibilidade do ágio somente com relação à empresa que adquire outra mediante o pagamento de ágio, e não com relação a uma empresa que recebe outra a fim de que o ágio seja transferido; ü Portanto, no caso de uma incorporação, por exemplo, para que o ágio registrado possa ter a sua amortização deduzida nos termos do artigo 386 do RIR/99, deve a pessoa jurídica que efetivamente suportou o ágio pago na aquisição de um investimento incorporar esse investimento, ou ser incorporada por ele. O ágio deve, portanto, ser de fato pago por alguma das pessoas jurídicas que participam da incorporação, fusão ou cisão societária. Se assim não for, será impossível o ágio ir de encontro com o investimento que lhe deu causa; ü Pois bem, o que impede a dedutibilidade do ágio registrado pelas empresasveículo KC TissueB, quando da aquisição da fiscalizada, e KCC/KCR, quando da aquisição da KEnko, é o fato de que, na verdade, não foram essas empresas que adquiriram as participações, mas sim as suas controladoras KC DELAWARE e KIMBERLY CLARK Fl. 3496DF CARF MF 8 CORPORATION, que forneciam sistematicamente os recursos necessários às aquisições; ü Nesse contexto requer a Fazenda Nacional o conhecimento e o provimento do seu Recurso, restabelecendo o lançamento, bem como o retorno dos autos à Turma a quo para prolação de nova decisão quanto à multa qualificada. Regularmente intimado da decisão e do Recurso da Fazenda, o Contribuinte apresentou contrarrazões, alegando, em suma: ü O não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, dada a ausência de divergência jurisprudencial e inadequação do acórdão utilizado como paradigma; ü O acórdão considerado como paradigma pela recorrente analisou típica operação de transferência de ágio, em que uma pessoa jurídica (Aché Laboratórios) adquire um investimento (Biosintética), apurando ágio, e, posteriormente, transfere o investimento para outra pessoa jurídica (Delta), constituída exclusivamente para esse fim, que é imediatamente incorporada pela investida (Biosintética incorpora Delta), com o intuito de aproveitamento fiscal da amortização do ágio; ü Diferentemente, no caso dos autos, conforme exposto no tópico anterior, o que ocorreu foi a constituição de holdings no Brasil, pelo Grupo KimberlyClark, com o intuito de realizar investimentos no país, o que foi efetivamente realizado; ü No acórdão paradigma, houve aquisição de investimento por uma determinada empresa, tida como adquirente original, e depois houve transferência do investimento adquirido para a empresa Delta, criada com esse objetivo, tendo sido a Delta incorporada. Já no acórdão recorrido, reconheceuse a efetividade das holdings KCdoB, KCTissueB, KCC e KCR4, tendo sido consignado que tais empresas não foram criadas para permitir a amortização do ágio, mas sim para atuarem como verdadeiras holdings, o que é algo absolutamente diferente do que se verificou com acórdão paradigma; ü Outro ponto que atesta inexistir divergência interpretativa entre as decisões, mas simples divergência de fatos é a análise crítica das decisões da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em sua atual composição; ü Essa Turma Julgadora, nas discussões envolvendo amortização do ágio transferido, tem se posicionado de forma contrária à utilização de empresas intermediárias nesse tipo de operação, justamente por entender que é necessário haver a “confusão patrimonial” entre investida e real investidor; ü Isso demonstra que a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF possui entendimento totalmente convergente com a tese que foi encampada pelo acórdão paradigma n. 9101002.188, quando os fatos são os mesmos; Fl. 3497DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 6 9 ü O principal aspecto a ser destacado é que o presente caso difere de todos os casos analisados pela jurisprudência administrativa, inclusive do acórdão paradigma, conforme demonstrado no tópico preliminar. Isso porque as holdings KCTissueB, KC do B, KCC e KCR tiveram efetivo papel na organização empresarial do Grupo KimberlyClark, não podendo ser taxadas de empresas veículo; ü A maior prova disso é o tempo de duração das referidas empresas; ü Com efeito, a decisão recorrida atestou que o investimento feito em “holdings” tinha por objetivo viabilizar o ingresso do Grupo Kimberly Clark no Brasil no ramo de higiene pessoal, mais precisamente na produção e comercialização de fraldas, absorventes, “wipes”, papel higiênico e toalhas e lenços. ü Tanto é verdade que o objetivo desses investimentos era negocial, e não fiscal, que as primeiras operações praticadas pelo Grupo KimberlyClark tiveram início em 1996 antes mesmo da edição da Lei n. 9532, que passou a autorizar a amortização fiscal de ágios sob certas condições. ü O processo de entrada e consolidação do Grupo KimberlyClark no Brasil, digase, foi iniciado na década de 1990, mais precisamente em 1996, com a aquisição de participação societária na Kenko, sendo que, posteriormente, a empresa também adquiriu participação na Klabin Tissue, antiga denominação da recorrente, e foi aumentando gradativamente sua participação em ambas as empresas, até o ano de 2006, momento em que o Grupo completou seu processo de consolidação no Brasil, tendo adquirido o controle integral de ambas as empresas; ü Quanto à inexistência de atividades comerciais, cumpre ressaltar que tal fato decorre da própria função das holdings que essencialmente se prestam para a gestão de investimentos em outras sociedades conforme lição de Modesto Carvalhosa; ü A inexistência de empregados, estrutura física e outras atividades, são características presentes em empresas holdings, que normalmente são utilizadas apenas para controle de participação societária em outras empresas, razão pela qual prescindem de estrutura física, funcionários e atividades operacionais; ü Além disso, devese destacar que as holdings KCdoB, KCTissueB, KCC e KCR tiveram participação efetiva na administração das empresas operacionais; É o relatório. Fl. 3498DF CARF MF 10 Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator CONHECIMENTO Diante o questionamento da admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda pelo Contribuinte, fazse importante sua análise. Aduz o contribuinte que o alegado dissídio jurisprudencial não existe, haja vista ser a matéria fática em discussão nos acórdãos paradigmas completamente distinta daquela analisada no presente caso. Informa o contribuinte que o acórdão considerado como paradigma pela Fazenda analisou típica operação de transferência de ágio, em que uma pessoa jurídica (Aché Laboratórios) adquire um investimento (Biosintética), apurando ágio, e, posteriormente, transfere o investimento para outra pessoa jurídica (Delta), constituída exclusivamente para esse fim, que é imediatamente incorporada pela investida (Biosintética incorpora Delta), com o intuito de aproveitamento fiscal da amortização do ágio. Alega que, no caso dos autos, o que ocorreu foi a constituição de holdings no Brasil, pelo Grupo KimberlyClark, com o intuito de realizar investimentos no país, o que foi efetivamente realizado e afirma que diferentemente do acórdão paradigma, no presente caso não houve a chamada “transferência de ágio”, pois o ágio e foi originalmente apurado pelas holdings, as quais foram incorporadas pelas empresas operacionais. Não se discute no presente caso a transferência do ágio como ocorre no paradigma utilizado. Pois bem. Entendo que tem razão o contribuinte quanto a ausência de similitude fática. Sobre a situação fática tratada no acórdão paradigma, é cirúrgico o relatório do acórdão 9101.002.188, de relatoria do Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, senão vejamos: " a fim de melhor entender a "engenharia societária" adotada pelo grupo ACHE para a aquisição da BIOSINTETICA, operação esta que deu origem ao ágio cuja dedutibilidade da despesa de amortização está sendo ora discutida, são transcritos os fatos relevantes em ordem cronológica: • 28/09/2005 as empresas ACHE LABORATÓRIOS FARMACÊUTICA S/A e MAGENTA PARTICIPAÇÕES S.A. constituem a empresa DELTA PARTICIPAÇÕES FARMACÊUTICAS S.A., com a subscrição e integralização do capital social no valor de R$ 100,00 (R$ 99,00 pela ACHE, e R$ 1,00 pela MAGENTA); • 17/10/2005 as empresas ACHE e MAGENTA adquirem a totalidade das quotas da empresa BIOSINTETICA (ora Recorrente) pelo valor de R$ 491.200.000,00. Em face dessa aquisição, a ACHE passa a deter o controle societário da BIOSINTETICA, enquanto a MAGENTA apenas 1 (uma) quota dessa empresa; Fl. 3499DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 7 11 • 30/11/2005 a ACHE subscreve e integraliza o aumento de capital da DELTA com a totalidade das quotas que detém da BIOSINTETICA pelo valor de R$ 491.200.000,00. Nessa operação a ACHE "cobra" da DELTA um ágio sobre as quotas da BIOSINTETICA no valor de R$ 437.552.361,10; • 31/03/2006 a BIOSINTETICA incorpora a DELTA, absorve o ágio "pago" por essa empresa sobre suas próprias quotas, e passa a amortizálo para fins tributários;" Já a situação fática tratada nos presentes autos, como já mencionado anteriormente, consiste na utilização de sociedades holdings brasileiras, capitalizadas e controladas por sociedades não residentes, efetivação da aquisição e pagamento do preço pelas holdings brasileiras, com sua posterior incorporação pelas sociedades operacionais adquiridas, com aproveitamento do ágio efetivamente pago. De fato, são situação fáticas distintas, muito embora a legislação aplicada seja a mesma. No presente caso houve aquisição e pagamento de preço pelas holdings brasileiras para os vendedores das participações, sendo discutido o propósito negocial de sua constituição. Já no caso tratado no paradigma, a aquisição e pagamento do preço se deu por empresas brasileiras (ACHE e MAGENTA), que posteriormente transferiram o ágio para DELTA, que foi incorporada pela sociedade operacional BIOSINTÉTICA. O que se decidiu no caso do paradigma foi a ausência de permissivo legal para a transferência de ágio para terceiros, conforme se pode depreender do seguinte trecho do voto do relator: A utilização de uma pessoa jurídica interposta (Delta Participações Farmacêuticas S.A.) para transferência do ágio, que veio a ser adquirida pela investida (Biosintética), mas que não foi investidora original (investidora de fato, a que pagou o ágio), implica no desatendimento dos aspectos pessoal e material e, conseqüentemente, na descaracterização da aplicação dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, que resulta na impossibilidade da amortização do ágio. A amortização do ágio seria devida apenas se a empresa investida (Biosintética) tivesse incorporado a investidora (Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A. investidora strico sensu), pois somente essa se enquadra nos aspectos pessoal e material. Nesse passo, devem ser restabelecidas as autuações fiscais a titulo de IRPJ e CSLL Não foi discutido no paradigma a regularidade de constituição de empresa brasileira por investidor estrangeiro, com efetiva capitalização e aquisição de participação com pagamento de preço. Fl. 3500DF CARF MF 12 Pelo contrário, no caso do paradigma o fato de o preço pela aquisição não ter sido pago pela sociedade que recebeu a participação não estava em discussão, já que a premissa era de que o pagamento foi realizado pelo investidor original. De muita valia a análise feita pelo Contribuinte em sede de contarrazões, no sentido de que a posição da atual da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Sessão converge com a decisão trazida no paradigma, nos casos que tratam da situação fática tratada nos autos do paradigma, que se convencionou denominar transferência de ágio. Isso evidencia o fato de estarmos diante de situações fáticas totalmente distintas. Para exemplificar tal posição da referida Turma de Julgamento vale a transcrição das seguintes passagens do acórdão n. 1402002.183: “IRPJ CSLL. INEXISTÊNCIA DE EXTINÇÃO DO INVESTMENTO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INDEVIDA. O direito à contabilização do ágio não pode ser confundido com o direito à sua amortização. Em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do RIR/99). A exceção trazida pelo caput do art. 386, e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida, ou vice versa (§6º, II). (...) Deuse, assim, a denominada ‘transferência de ágio’, hipótese não prevista em lei, uma vez que somente ao adquirente do investimento com mais valia cabe o direito à amortização do ágio, ou, em caso de incorporação reversa, à investida, desde que haja confusão patrimonial com a real adquirente do investimento.” (destaques da recorrida) Essas decisões demonstram que a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF possui entendimento totalmente convergente com a tese que foi encampada pelo acórdão paradigma n. 9101002.188, quando os fatos são os mesmos. Importante ainda destacar que essa Turma de julgamento não admitiu, por unanimidade, Recurso da Fazenda que objetivava discutir decisão que afastou a glosa de ágio em operação semelhante à presente, pois o paradigma tratava de hipótese de transferência de ágio, com integração do mesmo ao custo dos ativos. Entendeuse, naquela ocasião, estarmos diante de situações fáticas distintas. Tratase do acórdão 9101003.007, de relatoria da Conselheira Adriana Gomes Rêgo, cujos trechos adiante demonstram a similitude entre aquela situação e a presente: Fl. 3501DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 8 13 Como se viu, a Contribuinte alega em contrarrazões que o recurso fazendário não pode ser admitido uma vez que a Fazenda deixou de indicar os pontos divergentes entre o acórdão em questão (de n° 10323.290), bem como que esse acórdão "discute matéria completamente diversa, qual seja, a suposta ausência de tributação de ganhos de capital", e não a dedutibilidade de despesas de amortização de ágio e "apresenta fatos tão dissonantes em relação ao caso ora em exame que, em nenhuma hipótese poderia servir como paradigma". (...) Em primeiro lugar, equivocase a Contribuinte quando assenta no fato de no paradigma se discutir tributação de ganho de capital a ausência de dissídio jurisprudencial. É bem verdade que no caso do paradigma o aproveitamento fiscal do ágio (afastado pela Fiscalização) se perfaz com a alienação de bens (unidades de supermercado) da autuada (RDC) para o CARREFOUR. Mas o excerto antes reproduzido revela que, independentemente do aproveitamento do ágio como custo na alienação as unidades de supermercado, o colegiado considerou que o ágio aproveitado carregava o vício de ter sido transferido através de "empresa veículo". Destaquese que a infração "a" acima descrita do trecho do acórdão recorrido é: a) transferência do valor correspondente ao ágio pago pela BREPA na aquisição de participação societária na recorrente para ela própria, mediante a utilização de empresa criada unicamente para esse fim (RIVIEREPAR); Por outro lado, observase que o vício de transferência do ágio que se apresenta no caso do paradigma, e que é substancial para o colegiado decidir pela irregularidade do ágio aproveitado, inclusive afirmando que seria caso de multa qualificada, não se revela no caso do acórdão recorrido. Com efeito, não se vê nas operações levadas a cabo no presente caso transferência do ágio pago de uma empresa à outra. Aqui o ágio supostamente pago por EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES na aquisição de participação na SERASA S.A. nunca foi transferido, tendo sido amortizado por SERASA S.A. quando fez a incorporação (reversa) de EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES. O que se tem é uma acusação fiscal de que quem arcou com o ônus do ágio foram as pessoas jurídicas situadas no exterior, e, portanto, não houve a "confusão patrimonial" entre investidora e investida. Nesse sentido, equivocase a Fazenda quando, para sustentar o dissídio jurisprudencial afirma que "os fatos analisados nos acórdãos confrontados são idênticos: discutese a regularidade da 'transferência' do ágio contabilizado na controladora incorporada, para a controlada incorporadora, numa operação comumente denominada 'incorporação às avessas'". Fl. 3502DF CARF MF 14 Assim, as referências a "empresa veículo" feita em cada um dos julgados têm contornos bastante diferentes. Enquanto no acórdão recorrido designa empresa sediada no Brasil (EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES) que recebeu aporte em dinheiro de suas sócias sediadas no exterior com (supostamente, como alega a Fiscalização) o único fito de viabilizar o aproveitamento do ágio pago na aquisição de participação em empresa de terceiros (SERASA S.A.); no paradigma designa empresa sediada no Brasil (RIVIERAPAR) para a qual foi transferida participação societária (na RDC) adquirida com ágio pago por outra empresa (BREPA), com (supostamente, como alega a Fiscalização) o único fito "de transferir o ágio e a reserva de ágio para a RDC". Por fim conclui a relatora: Vêse, portanto, que não restou demonstrada a alegada divergência jurisprudencial em relação ao acórdão paradigma nº 10323.290, já que as soluções diversas adotadas nos acórdão recorrido e paradigma não se devem a dissídio na interpretação da legislação, mas sim porque as conclusões a que chegaram os respectivos colegiados a partir do conjunto fáticoprobatório que se apresentava foram em direções opostas. Como se vê, o caso acima se assemelha muito com o presente. Ambos tratam de glosa de ágio em operações com empresas estrangeiras que criam holdings nacionais para efetivação de operação de aquisição de participações societárias e em ambos os casos o paradigma trazido pela Fazenda para demonstrar a divergência trata de situação de transferência de ágio. Voltando ao presente caso, em resumo, no caso do paradigma discutese a possibilidade de transferência de ágio para interposta pessoa, já no presente caso discutese a existência de propósito negocial. Logo, entendo não haver a requerida similitude fática para conhecimento do Recurso da Fazenda Nacional. Assim, voto no sentido de que não deve ser conhecido o Recurso da Fazenda. Caso vencido no conhecimento, passo à análise de mérito. MÉRITO POSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO FISCAL DO ÁGIO EM OPERAÇÕES COM EMPRESA VEÍCULO No entender da fiscalização a grande razão a justificar a invalidação da amortização fiscal do ágio realizada pelo Contribuinte em questão foi a ausência de propósito negocial na criação de empresa holding, cujo único objetivo de nascimento foi de servir como meio para cumprimento de requisito legal para aproveitamento fiscal do ágio, mediante incorporação de sociedades. Penso que não assiste razão à fiscalização nessa interpretação dos fatos e das normas em análise. Fl. 3503DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 9 15 Em minha concepção o instituto doutrinário chamado propósito negocial vem sendo indiscrimidamente utilizado pelas fiscalizações, sem se observar os pormenores de cada situação. O propósito negocial, cuja discussão no Brasil foi inicialmente atribuída ao Professor Marco Aurélio Greco, teve seus contornos delimitados, com o fito de tratar qualquer operação que tivesse como objetivo principal a economia de tributos como inoponível ao fisco, admitindose a desconsideração de seus efeitos e a consequente cobrança dos tributos. Penso que essa posição deve ser vista com ressalvas, principalmente ao se considerar que essa teoria é oriunda de países da comon law. Um exemplo clássico que entendo que essa doutrina deve ser reavaliada é no caso de operações societárias que admitem a utilização fiscal do ágio. A possibilidade de amortização fiscal do ágio gerado por rentabilidade futura, após absorção de patrimônio de uma sociedade por outra, mediante incorporação, fusão ou cisão, inclusive da investidora (chamada operação reversa), surgiu em nosso ordenamento jurídico com o advento da Lei 9.532/97, artigos 7º e 8º, abaixo transcritos: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. Fl. 3504DF CARF MF 16 Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Referida Lei veio ao mundo jurídico num contexto histórico de privatizações ocorridas no país. Como amplamente divulgado na época em que publicada a norma, o objetivo da permissão contida em seu inciso III, de amortização do ágio gerado com base em rentabilidade futura, era o de incentivar a aquisição de empresas públicas e sociedades de economia mista pelos investidores privados. Logo, no cálculo do retorno de seu investimento, no âmbito de sua análise de viabilidade, os investidores já contavam com o benefício fiscal. E nesse contexto, tal norma é tida como indutora de comportamentos dos contribuintes, na medida em que incentivou as operações de aquisições de empresas públicas, bem como as aquisições de participações em âmbito privado, tanto por investidores não residentes, que se interessaram enormemente por um mercado em recente abertura, como por investidores residentes no Brasil. E é aí que a teoria do propósito negocial deve ser vista sobre outro ângulo, afinal, como um investidor não residente poderia se valer de tal incentivo, sem se fazer presente no país através de uma sociedade aqui residente? Como sociedades nacionais reguladas por órgãos específicos poderiam usufruir do incentivo diante de proibição legal de incorporação de sociedades com outras atividades? Ora, excluir a possibilidade dessas pessoas e possibilitar outras a terem benefício fiscal seria ferir a isonomia. Logo, essas e outras sociedades tiveram que planejar a forma como seria possível investir no país e aproveitar o incentivo da amortização do ágio, nas mesmas condições que sociedades nacionais sem restrições assim o poderiam. Foi nesse contexto que se utilizaram de sociedades holdings, que lhes permitia organizar a etapa pré aquisição, bem como posteriormente se valer do incentivo de amortização fiscal do ágio. Tais sociedades foram informalmente denominadas "empresas veículo". Mas a questão que se põe é: a criação de empresas holdings para organização de investimentos e utilização de incentivos fiscais é um ato de evasão fiscal ou é lícita a economia fiscal mediante planejamento realizado previamente à ocorrência do fato gerador do tributo e estimulado por norma legal? Em minha concepção, mesmo dentro da teoria do propósito negocial a economia de tributos é permitida, desde que realizada mediante atos e negócios lícitos. E para mim não há qualquer ilicitude em se criar uma sociedade, efetuar sua capitalização, adquirir participação societária de terceiros e, posteriormente realizar as operações societárias induzidas pela lei para se obter a economia de tributos. Fl. 3505DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 10 17 Economia de tributos é sim algo legitimamente objetivado pelos empresários, que buscam a maximização de lucros em seus negócios, desde que obtida mediante atos e negócios lícitos. O negócio jurídico pretendido, qual seja a aquisição de participação societária de fato ocorreu, ou seja, não há que se falar em simulação, seja ela absoluta, seja ela relativa. E aliese a isso, no caso de ingresso no país de sociedades não residentes, como o presente, o objetivo de explorar o mercado brasileiro e outros vizinhos, eventualmente. Não há como negar que o principal interesse de empresas multinacionais é a exploração de diversos mercados ao redor do mundo e, acessoriamente, havendo a possibilidade, de maximização de lucros através de utilização de incentivos fiscais, assim proceder. Sobre a legitimidade da utilização de "empresas veículos" para fins de amortização de ágio sábias foram as palavras do Conselheiro Marcelo Cuba Netto, proferidas no acórdão 1201001.267, que abaixo tomo a liberdade de transcrever: São, como visto acima, duas as razões pelas quais o auditor se convenceu da ilegalidade do aproveitamento do ágio pela fiscalizada: (i) falta de propósito negocial, e; (ii) emprego de empresa veículo. Quanto à falta de propósito negocial, há que se distinguir dentre as operações levadas a efeito pelos interessados, aquelas que tiveram por objetivo ocultar o ganho de capital auferido pelos alienantes, daquelas cujo objeto foi a transferência do ágio para a autuada. As primeiras não interessam ao presente processo, e são objeto do PA nº 10380.726.493/201018, que trata do ganho de capital. As últimas foram realizadas com o propósito do aproveitamento do ágio na aquisição da participação societária, e estão amparadas na interpretação que esta Turma vem emprestando aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, qual seja, a de que a finalidade daquelas normas é incentivar a absorção do patrimônio de empresas nacionais por outras, sejam nacionais, sejam estrangeiras. Em outras palavras, o propósito negocial foi exatamente o aproveitamento do ágio, propósito esse amparado pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Repare que a abusividade do planejamento tributário pode ter como característica (desde que não seja a única) justamente a ausência de propósito negocial. Entretanto, quando exista uma norma jurídica incentivando, sob o ponto de vista fiscal, a realização de um negócio jurídico, seria absurdo imaginarse que além do propósito de economia fiscal deveria haver também algum outro propósito. Esse é exatamente o caso dos presentes autos. Em relação ao emprego da chamada "empresa veículo" cumpre destacar que tal expressão tem sido utilizada pela fiscalização de uma maneira pejorativa, no sentido de um "mal em si mesmo". No entanto, como é cediço, não é possível sustentarse uma autuação fiscal lastreada na simples acusação de emprego de Fl. 3506DF CARF MF 18 "empresa veículo", até porque o simples emprego de "empresa veículo" não é tipificado como infração à legislação tributária. Caberia então à fiscalização apontar a relação entre o emprego da "empresa veículo" e a prática de alguma infração à legislação tributária. E, no caso dos autos, como o autor da ação fiscal não se desincumbiu de seu ônus, isso já seria razão suficiente para afastarse, de pronto, a autuação. Todavia, tendo em vista que existem algumas decisões do CARF mantendo a glosa da amortização do ágio justamente pelo emprego de "empresa veículo" (vide, por exemplo, o Acórdão 1101001.113), entendo cabível o exame da matéria. Em breve síntese, aqueles que defendem a impossibilidade do aproveitamento do ágio nestas condições sustentam que o emprego de empresa veículo, que ao fim incorpora ou é incorporada pela investida, “oculta” o verdadeiro investidor, qual seja, aquele que fornece os recursos para que a empresa veículo faça o investimento. Desse modo, dizem eles, não há incorporação entre o “verdadeiro investidor” e a investida, sendo portanto inaplicável os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Pois bem, quanto a este argumento devese ter em conta que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 foram originalmente criados com a finalidade de incentivo à aquisição de empresas públicas ou sociedades de economia mista por particulares, no âmbito do chamado Programa Nacional de Desestatização (Lei nº 9.491/97). E uma vez que pessoas físicas ou jurídicas estrangeiras têm direito a adquirir até 100% das ações ou quotas da empresa nacional objeto de desestatização (vide art. 12 da referida Lei nº 9.491/97), é de se perguntar: como poderia um investidor estrangeiro se beneficiar dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 senão por meio da constituição e capitalização de uma pessoa jurídica nacional que fizesse o investimento na empresa objeto da desestatização? Esse foi, de fato, o caminho adotado pelos investidores estrangeiros (vide também caso Celpe, Acórdão nº 120100.689). Ocorre que, de acordo com a teoria da "empresa veículo", ora sob exame, nem assim os investidores estrangeiros poderiam se beneficiar dos disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 pois a pessoa jurídica nacional por eles constituída e capitalizada não seria considerada o "verdadeiro investidor" na empresa objeto de desestatização. Na mesma situação de impossibilidade de aproveitamento do disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 estaria, por exemplo, um grupo de pessoas físicas nacionais que desejasse adquirir as ações ou quotas de uma empresa objeto de desestatização. Se fizessem o investimento diretamente, as pessoas físicas não poderiam se beneficiar das referidas normas (por óbvio, pessoa física não incorpora nem é incorporada por pessoa jurídica). Fl. 3507DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 11 19 A solução seria, novamente, a constituição e capitalização de uma pessoa jurídica justamente para que esta fizesse o investimento. Entretanto, de acordo com a aludida teoria da "empresa veículo", nem assim a pessoa jurídica criada pelo grupo de pessoas físicas poderia se beneficiar do disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 pois não seria considerada o "verdadeiro investidor" na empresa objeto de desestatização. Também em idêntica situação de impossibilidade de aproveitamento do disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 estariam as pessoas jurídicas nacionais que em razão de vedação contida em norma legal ou infralegal estejam impedidas de exercer atividades econômicas diversas daquelas previstas naquelas normas. Seria o caso, por exemplo, de um banco comercial adquirir as ações ou quotas de uma concessionária de energia elétrica. Tal aquisição é possível, desde que autorizada pelo Banco Central. O que não é juridicamente possível é a absorção do patrimônio da concessionária pelo banco comercial (ou viceversa) uma vez que o Banco Central proíbe que os bancos comercias exerçam atividades distintas daquelas previstas em Regulamento. A solução, mais uma vez, seria o banco comercial constituir e capitalizar uma pessoa jurídica a fim de que esta adquira as ações ou quotas da empresa objeto de desestatização. Ocorre que, segundo a mencionada teoria da "empresa veículo", nem assim a pessoa jurídica criada pelo banco comercial poderia se beneficiar do disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 pois não seria considerada o "verdadeiro investidor". Os exemplos acima, que a outros poderiam se somar, demonstram que a propalada teoria da "empresa veículo" aplicada aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 ensejaria uma interpretação restritiva dessas normas no tocante à idéia de "verdadeiro investidor". Todavia, a interpretação restritiva, tal como as demais espécies interpretativas, não é fruto da vontade do intérprete. Ao contrário, deve ser juridicamente fundamentada. No caso dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 tal interpretação restritiva reduziria significativamente as hipóteses de aproveitamento fiscal da amortização do ágio ali prevista, algo que vai de encontro (e não ao encontro) à finalidade do Programa Nacional de Desestatização, o qual, como dito antes, incentiva a aquisição de empresas públicas ou sociedades de economia mista por particulares. Em outras palavras, a teoria da "empresa veículo" defendida por alguns é frontalmente contrária à finalidade para à qual foram criados os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, daí porque não pode ser acolhida. Por tais razões, entendo que o ágio gerado no presente caso o foi de forma legítima. Nesse contexto, voto por negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. Fl. 3508DF CARF MF 20 (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 3509DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 12 21 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Redator designado Abordo neste voto os pontos a respeito dos quais divirjo dos entendimentos tão bem expostos pelo i. Conselheiro Relator, com a devida vênia. O nobre Relator restou vencido quanto: (i) ao não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional; e (ii) à negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, no que diz respeito à única matéria ali contestada, relacionada à possibilidade de a confusão patrimonial requerida pelo arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 envolver empresas veículos. I) Preliminar de não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional O recurso especial da PGFN narra que o acórdão recorrido teria entendido como possível a amortização do ágio sob discussão nos presentes autos, mesmo que a necessária confusão patrimonial tenha se dado entre empresas investidas e empresas veículos, em contrariedade aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, que somente admitiriam a confusão patrimonial quando verificada entre empresas investidas e as reais investidoras. Defende a recorrente que, no caso enfrentado no presente processo, a confusão patrimonial teria se dado entre a contribuinte fiscalizada, KIMBERLYCLARK BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS DE HIGIENE LTDA. (doravante citada apenas como KCB), no papel de investida, e empresas nacionais do grupo KIMBERLY CLARK, intermediárias no processo: as pessoas jurídicas KIMBERLYCLARK TISSUE DO BRASIL LTDA. (KCTissueB), KIMBERLYCLARK DO BRASIL LTDA. (KCdoB), KCC COMERCIAL LTDA. (KCC) e KIMBERLYCLARK HOLDING E REPRESENTAÇÕES DO BRASIL (KCR). As empresas nacionais, envolvidas na confusão patrimonial com a KCB, funcionavam como holdings do grupo KIMBERLYCLARK no Brasil e teriam recebido recursos de suas controladoras norteamericanas, KIMBERLYCLARK WORLDWIDE INC. DELAWARE (KC_DELAWARE) e KIMBERLYCLARK TISSUE COMPANY PENSILVANIA (KC_PENSILVANIA), para fins de aquisição de participação societária na contribuinte (que, à época, tinha denominação diversa) e na empresa KENKO DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. (posteriormente também incorporada pela contribuinte autuada). As operações societárias mencionadas teriam levado a autoridade tributária à conclusão de que as reais adquirentes das participações societárias foram as empresas estrangeiras do grupo KIMBERLYCLARK. Assim, a confusão patrimonial verificada entre as empresas nacionais não envolveriam as reais investidoras e, assim, não atenderiam ao requisito legalmente fixado pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 para fins de aproveitamento tributário do ágio. A PGFN, em seu recurso especial, afirma que o acórdão recorrido, ao analisar tal contexto e discordar do entendimento da Fiscalização, teria admitido a possibilidade de Fl. 3510DF CARF MF 22 ocorrência de confusão patrimonial entre investidas e empresas veículos. Embora tenha reconhecido que o investimento adveio, originalmente, das controladoras estrangeiras, o acórdão recorrido teria entendido que as empresas intermediárias (adquirentes apenas de direito, mas não de fato) teriam se revestido de investidoras quando do dispêndio para a aquisição societária. Segundo a recorrente, ao assim decidir, o acórdão recorrido teria interpretado os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 de forma oposta à encontrada no Acórdão nº 9101 002.188. A decisão indicada como paradigma teria firmado posição no sentido de que a dedutibilidade do ágio só pode ser reconhecida diante de confusão patrimonial entre a investida e a real investidora (adquirente de fato). Assim, afastou a possibilidade de intermediação ou de interposição de outras pessoas jurídicas no processo (veículos), ainda que com propósito negocial, por ausência de normatização que a ampare. O acórdão paradigma teria defendido que a participação, na confusão patrimonial, apenas de empresa intermediária, que não adquiriu a investida, não sendo investidora originária ou investidora de fato, implica no desatendimento dos aspectos pessoal e material da hipótese prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, descaracterizando sua aplicação e impossibilitando a pretendida amortização do ágio. A PGFN defende que o ponto fulcral da divergência jurisprudencial apontada diria respeito à possibilidade de a confusão patrimonial legalmente exigida envolver empresas intermediárias/veículos. Embora ambos os acórdãos contrapostos tenham reconhecido a participação de empresas intermediárias nas operações que transferiram o ágio, eles alcançaram conclusões divergentes. Intimada acerca do teor do recurso especial manejado pela Fazenda Nacional, a contribuinte recorrida opôslhe contrarrazões em que defendeu, entre outras coisas, que o recurso fazendário não poderia ser conhecido, em razão de a matéria fática discutida no acórdão paradigma ser completamente distinta daquela analisada nos presentes autos. A decisão paradigma trataria de típica operação de transferência de ágio, em que uma pessoa jurídica adquire um investimento com ágio, transferindoo em seguida, juntamente com o investimento, para outra pessoa jurídica, constituída exclusivamente para este fim, que posteriormente é incorporada pela própria investida, com o intuito de aproveitamento tributário do ágio. Já o acórdão recorrido se debruçaria sobre contexto fático diverso, em que empresas estrangeiras constituíram holdings no Brasil para aquisição de participações societárias de pessoas jurídicas nacionais. Após anos de atuação efetiva (12, no caso do investimento realizado na KENKO, e 10, no caso do investimento feito diretamente na contribuinte autuada), estas holdings foram incorporadas pelas investidas, o que teria propiciado a possibilidade de utilização do ágio para fins tributários. A recorrida apresenta ainda outras características do contexto fático apreciado pelo acórdão recorrido que o diferenciariam daquele analisado pela decisão paradigma: o grupo empresarial adquirente é multinacional; não houve transferência de investimento e ágio por aumento de capital; as holdings (apontadas pela Fiscalização como empresas veículos) participaram de joint ventures com terceiros independentes e a aquisição das participações societárias das investidas se deu por etapas. Fl. 3511DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 13 23 Além disso, aponta a contribuinte que o acórdão recorrido teria baseado sua conclusão não na admissão de que a confusão patrimonial requerida pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 poderia envolver empresas intermediárias ou veículos, mas no próprio afastamento da caracterização das holdings KCTissueB, KCdoB, KCC e KCR como empresas veículos, uma vez que lhes reconheceu o propósito negocial e a atuação efetiva. Assim, considerouse que as holdings foram as reais adquirentes das participações societárias, não havendo que se discutir, no caso julgado, confusão patrimonial entre investida e empresas veículos. As decisões conflitantes deverseiam então, segundo a contribuinte, não à diversidade de interpretações acerca da legislação tributária, mas ao fato de os contextos fáticos analisados serem distintos. A interpretação dada pelos dois julgados à legislação seria, inclusive, convergente: ambas exigem a necessidade de absorção patrimonial entre investida e investidora. No caso do acórdão recorrido, a decisão contrária à encontrada no paradigma deverseia ao fato de as holdings do grupo KIMBERLYCLARK terem sido consideradas as verdadeiras adquirentes, e não empresas veículos. A contribuinte recorrida defende, por fim, que inexiste divergência jurisprudencial que justifique a admissibilidade do recurso da PGFN, já que ausente a necessária similitude fática entre os casos analisados pelo recorrido e pelo paradigma. Assim, pede que o recurso especial da Fazenda Nacional não seja conhecido. Pois bem. A apreciação das alegações trazidas pela contribuinte recorrida deve iniciarse pelo exame dos trechos relevantes do Acórdão nº 9101002.188, indicado pela Fazenda Nacional como paradigma: "Relatório (...) DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL EXISTENTE a fim de melhor entender a "engenharia societária" adotada pelo grupo ACHÉ para a aquisição da BIOSINTÉTICA, operação esta que deu origem ao ágio cuja dedutibilidade da despesa de amortização está sendo ora discutida, são transcritos os fatos relevantes em ordem cronológica: • 28/09/2005 as empresas ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICA S/A e MAGENTA PARTICIPAÇÕES S.A. constituem a empresa DELTA PARTICIPAÇÕES FARMACÊUTICAS S.A., com a subscrição e integralização do capital social no valor de R$ 100,00 (R$ 99,00 pela ACHÉ, e R$ 1,00 pela MAGENTA); • 17/10/2005 as empresas ACHÉ e MAGENTA adquirem a totalidade das quotas da empresa BIOSINTÉTICA (ora Recorrente) pelo valor de R$ 491.200.000,00. Em face dessa aquisição, a ACHÉ passa a deter o controle societário da BIOSINTÉTICA, enquanto a MAGENTA apenas 1 (uma) quota dessa empresa; • 30/11/2005 a ACHÉ subscreve e integraliza o aumento de capital da DELTA com a totalidade das quotas que detém da BIOSINTÉTICA pelo valor de R$ 491.200.000,00. Nessa Fl. 3512DF CARF MF 24 operação a ACHÉ "cobra" da DELTA um ágio sobre as quotas da BIOSINTÉTICA no valor de R$ 437.552.361,10; • 31/03/2006 — a BIOSINTÉTICA incorpora a DELTA, absorve o ágio "pago" por essa empresa sobre suas próprias quotas, e passa a amortizálo para fins tributários; (...) Voto (...) Portanto, o §6° do art. 386 do RIR/99, sob o significado pessoal, se dirige investida que incorporar a investidora que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição da participação societária (tanto o valor do principal quanto o valor do ágio). Ou seja, quando ocorre a incorporação, pela investida, da investidora "original" ou investidora stricto sensu (no sentido de que a originalidade está indissociavelmente ligada a pessoa jurídica que paga o ágio e, por isso mesmo, tem confiança na rentabilidade futura, pois é quem assume o risco) é que se dá a subsunção do fato à norma e surge a prerrogativa de amortização do sobrepreço. Analisando as situações possíveis, sob a ótica dos dois tipos de incorporações, a partir do momento em que o ágio é transferido ou repassado para outras pessoas (de A para B, de B para C, de C para D e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora original (para, ao fim, incorporar a investida ou ser incorporada pela investida), a subsunção ao caput do art. 386 do RIR/99 ou ao §6° do mesmo artigo tornase impossível,vez que o fato imponivel (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal (seja no caso de a investidora que tiver incorporado a investida seja outra investidora que não a original, seja no caso de a investida estar incorporando uma investidora que não a original). Da mesma forma que no aspecto pessoal, a confusão de patrimônios, principal item do aspecto material, para fins de enquadramento no §6° do art. 386 do RIR/99, consumase quando, na investida, o lucro futuro e o investimento original com expectativa desse lucro (aquele que foi sobreavaliado) passam a se comunicar diretamente (os riscos se fundem: o risco do investimento assim entendido os recursos aportados e o risco do empreendimento). Compartilhando o mesmo patrimônio a investida e a investidora original, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que honrará a rentabilidade futura passa a ser detentora da mais valia (ágio) do investimento baseado na expectativa dessa rentabilidade. (...) Em síntese, a subsunção aos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Na atual redação destes dispositivos e para o caso de incorporação "às Fl. 3513DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 14 25 avessas", exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora, nessa linha de raciocínio as intermediárias não seriam investidoras de fato, apenas de direito) é que haverá o atendimento a esses aspectos, tendo em vista a ausência de normatização própria que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas. No caso dos autos, esses aspectos não foram satisfeitos, em especial dos aspectos pessoal e material, vejamos: A utilização de uma pessoa jurídica interposta (Delta Participações Farmacêuticas S.A.) para transferência do ágio, que veio a ser adquirida pela investida (Biosintética), mas que não foi investidora original (investidora de fato, a que pagou o ágio), implica no desatendimento dos aspectos pessoal e material e, conseqüentemente, na descaracterização da aplicação dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, que resulta na impossibilidade da amortização do ágio. A amortização do ágio seria devida apenas se a empresa investida (Biosintética) tivesse incorporado a investidora (Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A. investidora strico sensu), pois somente essa se enquadra nos aspectos pessoal e material." (grifouse) Da leitura dos trechos transcritos, verificase que a contribuinte recorrida tem razão ao afirmar que a situação fática examinada pela decisão paradigma não é igual àquela analisada pelo acórdão combatido. O acórdão paradigma se debruça sobre um processo de reorganização empresarial que consistiu na aquisição de participação societária por uma investidora originária, que posteriormente utilizou as quotas adquiridas e o ágio a elas associado em operação de aumento de capital de uma empresa controlada, aqui apontada como empresa veículo. Posteriormente, esta empresa veículo foi incorporada pela investida, com o intuito de que o citado ágio pudesse ser objeto de aproveitamento tributário, uma vez que passariam a coabitar no mesmo patrimônio tanto o ágio quanto o investimento cuja expectativa de rentabilidade futura em tese o teria justificado. Já o acórdão recorrido trata de operações societárias por meio das quais um grupo econômico multinacional adquiriu empresas operacionais brasileiras, utilizando pessoas jurídicas que constituiu especificamente para este fim e que denominou como holdings. Estas pessoas jurídicas, caracterizadas pela Fiscalização como empresas veículos, recebiam recursos financeiros de suas controladoras estrangeiras, predominantemente por operações de aumento de capital social, e os utilizavam para adquirir quotas das empresas nacionais com ágio. Posteriormente, as chamadas holdings foram incorporadas pelas empresas operacionais brasileiras e o ágio associado à aquisição das quotas destas últimas passou a ser utilizado para fins tributários, conforme autorização pretensamente concedida pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Fl. 3514DF CARF MF 26 Em que pese a existência de diferença entre os contextos fáticos contrapostos, entendo que eles são suficientemente semelhantes no que interessa à discussão jurídica suscitada pelo recurso especial da Fazenda Nacional. Como bem apontou o i. Conselheiro Relator do Acórdão nº 1402002.373, ora recorrido, a jurisprudência administrativa a respeito do tema da dedutibilidade das despesas de amortização de ágio, autorizada pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e pelo art. 386 do RIR/1999, veio se sedimentando a ponto de se poder afirmar: "Apesar da notória repercussão dos julgados sobre o tema, existe certa disparidade quanto à fixação precisa de todos requisitos de uma operação para permitir o livre aproveitamento do ágio. Mas é plenamente seguro afirmar que se entende relevante e necessário para a verificação objetiva da formação lícita do ágio, nos moldes das prescrições do art. 385 e 386 do RIR/99, a presença dos seguintes elementos: 1) o efetivo sacrifício econômico no momento do investimento que lhe originou; 2) realizado entre partes não relacionadas; 3) arrimado em laudo válido, contemporâneo, exarado por terceiro competente e; 4) nas operações em que há a extinção de pessoa jurídica, a absorção do patrimônio da investida pela investidora (ou vice versa)." Tanto o acórdão recorrido quanto a decisão paradigma analisam operações de reorganização societária em que estão presentes os três primeiros requisitos que a jurisprudência vem entendendo como necessários para que o ágio associado à aquisição de participação societária possa ser utilizado tributariamente nos termos dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997: 1) a aquisição das quotas das investidas, em ambos os casos, se deu mediante sacrifício patrimonial das investidoras, por meio de pagamentos em dinheiro; 2) a alienação das quotas das investidas se deu entre partes efetivamente independentes, o que afasta de plano a possibilidade de caracterização do ágio como sendo "interno"; e 3) os laudos de avaliação das investidas, que fundamentaram o respectivo ágio com base na expectativa de rentabilidade futura das adquiridas, foram considerados válidos e não contestados pela Fiscalização. A divergência jurisprudencial inaugurada pela comparação entre os acórdãos recorrido e paradigma se dá, então, no que concerne ao atendimento do quarto requisito exigido: a absorção do patrimônio da investida pela investidora. E é justamente este o ponto fulcral de divergência indicado pela Fazenda Nacional em seu recurso especial. O acórdão paradigma entende que somente pode figurar como investidora originária ou real, para fins da confusão patrimonial exigida pela legislação para fins de aproveitamento tributário do ágio, aquela empresa que "efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição da participação societária". Assim, a interposição de qualquer pessoa diversa daquela que originalmente adquiriu a participação societária com ágio desatenderia os aspectos pessoal e material, descaracterizando a aplicação dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e arts. 385 e 386 do RIR/1999. De forma contrária, o acórdão recorrido não enxerga impedimento à aplicação dos aludidos dispositivos legais no fato de empresas estrangeiras (caracterizadas pela Fiscalização como as reais investidoras) se valerem de holdings constituídas no Brasil, admitidas como empresas veículos, para realizar a aquisição de participação societária com Fl. 3515DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 15 27 ágio e posteriormente envolverem estas holdings na confusão patrimonial exigida pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e arts. 385 e 386 do RIR/1999. Neste sentido, declara o voto condutor da decisão recorrida: "Apenas um elemento daqueles acima elencados foi questionado pela Fiscalização, qual seja, a absorção patrimonial entre as empresas que transacionaram, vez que através de planejamento tributário abusivo, sem motivação extratributária, teria se mascarado os reais investidores, pela utilização de empresas veículos no Brasil. Ou seja, para a N. Autoridade Fiscal, a confusão patrimonial entre as empresas nacionais do Grupo não bastou para o aproveitamento do ágio. (...) Essa questão específica sobre o ágio também guarda controvérsia. Contudo, é possível se observar uma evolução de entendimento neste E. CARF, na qual se analisa mais profundamente as circunstâncias no emprego das chamadas empresas veículos e, dentro da correta e necessária racionalização da verificação de provas e fatos envolvidos, permitese a constatação, individual e concreta, da legalidade de tal manobra. (...) Em caso que tratava de acusação muito semelhante, ilustrase de maneira ampla tal entendimento no Acórdão nº 1201.001.267, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, de relatoria do I. Conselheiro Marcelo Cuba Neto, publicado em 18/02/2016: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Inexiste vedação legal para que uma pessoa jurídica, detentora de ágio na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial em razão da rentabilidade futura da investida, confira o aproveitamento deste ágio a outra pessoa jurídica por intermédio da absorção de seu patrimônio (art. 7º da Lei nº 9.430/96) ou viceversa (art. 8º). Se o ágio na aquisição do investimento efetivamente ocorreu, não sendo fruto de operações entre empresas do mesmo grupo econômico (ágio interno), incabível a glosa da despesa com sua amortização fundada no emprego da assim chamada "empresa veículo". (...) Fl. 3516DF CARF MF 28 Em relação ao emprego da chamada "empresa veículo" cumpre destacar que tal expressão tem sido utilizada pela fiscalização de uma maneira pejorativa, no sentido de um "mal em si mesmo". No entanto, como é cediço, não é possível sustentarse uma autuação fiscal lastreada na simples acusação de emprego de "empresa veículo", até porque o simples emprego de "empresa veículo" não é tipificado como infração à legislação tributária. Caberia então à fiscalização apontar a relação entre o emprego da "empresa veículo" e a prática de alguma infração à legislação tributária. E, no caso dos autos, como o autor da ação fiscal não se desincumbiu de seu ônus, isso já seria razão suficiente para afastarse, de pronto, a autuação. (...) Agora, afastada a possibilidade de glosar o ágio aproveitado pela mera constatação do emprego de estrutura que contemple empresas veículo, fazse importante analisar os elementos pelos quais a N. Autoridade Fiscal entendeu serem estas companhias parte de planejamento tributário abusivo, inclusive apurando se foram consideradas, formalmente em si, como argumento de invalidade da estrutura societária, contrariando o entendimento supra apresentado. (...) Por fim, diante de todas essas análises e demonstrações, entende este Conselheiro não se sustentar a acusação de inexistência de motivação extratributária, restando clara a legitimidade das operações que compuseram os planos de entrada e estabelecimento do Grupo KimberlyClark no Brasil, ao longo de sua efetiva execução por mais de 12 anos, sendo plenamente lícito o financiamento estrangeiro por controladoras, mesmo através do uso de empresas veículo na aquisição de participações societárias, bem como a reorganização do Grupo, em momento posterior, quando as circunstâncias empresariais, inclusive das parcerias inicialmente firmadas, alteraramse, não podendo se glosar o aproveitamento da regular despesa de ágio verificada ao longo de tal empreitada." (grifouse) Observese que, ao contrário do que alega a contribuinte recorrida, o Acórdão nº 1402002.373 não fundamenta sua decisão no fato de que as holdings nacionais do grupo KIMBERLYCLARK não poderiam ser caracterizadas como empresas veículos, mas sim no entendimento de que é plenamente lícita a utilização de empresas veículos em operações de reorganização societária (que não constituiria infração tipificada à legislação tributária), desde que seu emprego não viabilize a prática de outra infração (ou de uma infração propriamente dita, segundo a decisão). A utilização admitida obviamente contempla a possibilidade de as empresas veículos serem participantes da confusão patrimonial requerida pela legislação tributária para fins de aproveitamento tributário, uma vez que o acórdão recorrido concluiu que tal Fl. 3517DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 16 29 configuração, verificada na situação fática analisada, subsumirseia à hipótese legal prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Concluo, assim, que restou devidamente comprovada a existência de divergência jurisprudencial, arguida pela Fazenda Nacional, entre o acórdão recorrido e o Acórdão nº 9101002.188, no que diz respeito ao tema da possibilidade de a confusão patrimonial requerida pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 envolver empresas veículos diversas das investidoras originárias. Tendo sido cumpridos os requisitos de admissibilidade previstos no art. 67 do Anexo II do RICARF/2015, REJEITO a preliminar de não conhecimento da contribuinte e CONHEÇO do recurso especial da PGFN no que concerne à matéria. II) Mérito do recurso especial da Fazenda Nacional Vencida a análise da arguição preliminar apresentada pela contribuinte recorrida, restou conhecido o recurso especial da PGFN no que diz respeito à possibilidade ou não de a confusão patrimonial exigida pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, para fins de dedutibilidade das despesas de amortização de ágio, envolver empresas veículos, assim consideradas aquelas que sejam diferentes das investidoras reais, originárias, tema cujo mérito se passa a analisar. O ponto central do debate desenvolvido ao longo dos autos diz respeito à regularidade do procedimento adotado pela contribuinte KIMBERLYCLARK BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS DE HIGIENE LTDA (KCB), e condenado pela Fiscalização, de deduzir, nos anoscalendário 2008 a 2013, do lucro real e da base de cálculo da CSLL, despesas com amortização do ágio registrado originalmente na contabilidade das empresas KCTissueB, KCdoB, KCC e KCR, integrantes brasileiras do grupo KIMBERLY CLARK. As operações que geraram o ágio questionado foram realizadas em várias etapas, que podem ser divididas em dois grandes grupos, nomeados pela autoridade lançadora, no Termo de Verificação Fiscal (TVF), como "Aquisição da própria fiscalizada (KCB)" e "Aquisição da Kenko do Brasil Indústria e Comércio LTDA". A "Aquisição da própria fiscalizada (KCB)" teve início em maio de 1998, quando a KCTissueB adquiriu, junto ao grupo KLABIN, 31,375% das quotas da contribuinte fiscalizada KCB. A empresa KCTissueB era então controlada pela KC_DELAWARE, empresa norteamericana, e pela KCdoB, que, por sua vez, era controlada pela própria KC_DELAWARE e pela KC_PENSILVANIA, também norteamericana pertencente ao grupo internacional KIMBERLYCLARK. A aquisição se deu por R$ 132.532.900,00, valor recebido sucessivamente pela KCdoB e pela KCTissueB, em operações de aumento de capital promovidas pelas controladoras estrangeiras KC_DELAWARE e pela KC_PENSILVANIA. Nesta aquisição, foi contabilizado ágio de R$ 57.730.448,05. Posteriormente, em 04/08/2003, o grupo KIMBERLYCLARK, por meio da KCTissueB, adquiriu mais 50% das quotas da KCB, por R$ 335.681.999,61, apurando ágio de R$ 222.416.919,95. O valor desta aquisição foi formado pelas seguintes parcelas: 1) R$ 161.587.268,38 recebidos pela KCTissueB em operação de aumento de capital promovido pela Fl. 3518DF CARF MF 30 controladora estrangeira KC_DELAWARE; 2) R$ 151.021.119,74 tomados como empréstimo pela KCTissueB junto à KIMBERLYCLARK IRISH FINANCE CORP. e pagos posteriormente (29/12/2005) pela KCdoB com recursos oriundos da KIMBERLYCLARK HOLLAND HOLDINGS BV, que capitalizou a empresa nacional KC SAÚDE, que, por sua vez, integralizou aumento de capital na KCdoB; 3) R$ 11.373.611,87 emprestados pela KCC à KCTissueB, criando dívida posteriormente liquidada por confusão, visto que a KCTissueB veio a ser incorporada pela contribuinte KCB, assim como a KENKO, que antes incorporou a KCC; e 4) R$ 11.700.000,00 oriundos de vários mútuos de menor valor assumidos pela KCTissueB frente a outras empresas do grupo KIMBERLYCLARK. Os 18,625% restantes de participação societária da contribuinte KCB foram adquiridos pelo grupo KIMBERLYCLARK em operações de aquisições de empresas que não geraram ágio. Assim, ao final das operações descritas, a KCTissueB tinha registrado um ágio total de R$ 280.147.368,00 associado ao investimento adquirido na contribuinte KCB. Em setembro de 2007, a contribuinte incorporou sua então incorporadora e passou, a partir de janeiro de 2008, a deduzir do lucro real e da base de cálculo da CSLL despesas decorrentes da amortização do ágio recém introduzido em seu patrimônio, considerando que tal prática estaria amparada pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, também contempladas no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), nos arts. 385 e 386. Já a "Aquisição da Kenko do Brasil Indústria e Comércio LTDA", segundo conjunto de operações responsáveis pelo surgimento do ágio sob discussão nos presentes autos, iniciouse em julho de 1996, quando a KCC permutou quotas de sua controlada MINORITY COMERCIAL LTDA por 51% das quotas da KENKO, apurando ágio de R$ 66.150.440,30. O capital social da MINORITY COMERCIAL LTDA, no valor total de R$ 73.231.532,00, havia sido integralizado pela KCC com recursos recebidos de sua controladora estrangeira, a KIMBERLYCLARK CORPORATION. Já em dezembro de 2000, a KCC adquiriu mais 19% das quotas representativas do capital social da KENKO por meio de operação conhecida como casa separa, comumente utilizada para dissimular operações de compra e venda. A empresa FANTA EMPREENDIMENTOS E PARTIPAÇÕES (doravante apenas FANTA) e a KCC eram as únicas sócias da pessoa jurídica SALONICCO PARTICIPAÇÕES S.A.. Esta empresa teve aumento de seu capital social subscrito e aumentado pela FANTA por meio da conferência de 10.523.001 quotas da KENKO. Em seguida, novo aumento de capital foi integralizado pela KCC, mediante o pagamento de R$ 128.189.175,30 (valor recebido da empresa norteamericana KC_DELAWARE). Na sequência, a sociedade foi desfeita, ficando a FANTA com o dinheiro integralizado pela KCC e esta com as quotas da KENKO, acompanhadas de ágio no valor de R$ 99.420.135,30. Por fim, os 30% restantes das quotas do capital da KENKO foram adquiridas pelo grupo KIMBERLYCLARK, por meio da holding KCR. Esta empresa recebeu, a título de integralização de seu capital social, R$ 206.160.946,18 de sua controladora estrangeira KC_DELAWARE. Em novembro de 2006, a KCR utilizou R$ 205.380.500,00 do valor recebido para adquirir, junto à empresa ALSERCON COMÉRCIO DE PRODUTOS TÊXTEIS E PLÁSTICOS LTDA, o restante das quotas da KENKO, com um ágio de R$ 185.852.300,00. Fl. 3519DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 17 31 Em novembro de 2008, a KENKO incorporou suas controladoras diretas KCC e KCR, contabilizando o ágio total de R$ 351.422.875,60 originado com a aquisição de suas próprias quotas. Já em dezembro de 2008, a contribuinte KCB incorpora a KENKO e o ágio associado às quotas da empresa, passando a promover seu aproveitamento tributário a partir de janeiro de 2009, novamente julgandose amparada pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Muito bem. A respeito da figura do ágio, há que se dizer que seu conceito tributário foi introduzido no ordenamento brasileiro pelo DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. À época dos fatos discutidos nestes autos, dispunha o art. 20 do Decreto Lei, antes de ter sua redação alterada pela Lei nº 12.973, de 13/05/2014: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. O art. 385 do RIR/1999 é basicamente uma cópia do art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977. Em ambos os dispositivos, encontrase a determinação de que contribuintes que avaliam investimentos em sociedade controlada ou coligada pelo valor do patrimônio líquido registrem o ágio apurado na aquisição de participação societária em subconta separada daquela que registra o valor do patrimônio líquido da investida na época da aquisição. Além disso, os dispositivos prevêem que tal ágio deve ser fundamentado em pelo menos um dos três fatores: a) valor de mercado dos bens do ativo da investida superior ao registrado na contabilidade; b) expectativa de resultados positivos da investida nos exercícios futuros ou; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Fl. 3520DF CARF MF 32 Quando o art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977 e o art. 385 do RIR/1999 afirmam que o destinatário das regras ali expostas é o contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido, estão se referindo ao método da equivalência patrimonial. Segundo tal método, as variações observadas nos patrimônios líquidos da sociedades coligadas ou controladas provocam reflexos nos valores dos investimentos registrados na investidora. Observese o que dispõem os arts. 387 a 389 do RIR/1999, a respeito do método de equivalência patrimonial: Art. 387. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, e as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 21, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso III): : I o valor de patrimônio líquido será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada levantado na mesma data do balanço do contribuinte ou até dois meses, no máximo, antes dessa data, com observância da lei comercial, inclusive quanto à dedução das participações nos resultados e da provisão para o imposto de renda; (...) Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). (...) Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). (...) O art. 389 do RIR/1999 é explícito ao determinar que os resultados auferidos pelas empresas coligadas ou controladas não devem ser computados na determinação do resultado da investidora. Assim, lucros apurados em uma investida devem ser objeto de tributação somente no âmbito daquela empresa. Embora tenham o reflexo de majorar o valor do investimento registrado na investidora, os lucros da investida não devem integrar a base tributável da pessoa jurídica que nela detém participação societária, sob pena de configurarse hipótese de dupla tributação. Caso a investidora tenha registrado, em sua contabilidade, ágio decorrente da expectativa de rentabilidade futura da investida, concluise que a causa do pagamento a maior efetivamente se concretizou, mas foi tributada somente na coligada ou controlada. Sendo Fl. 3521DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 18 33 assim, não há que se cogitar de amortização do ágio na investidora, uma vez que não ocorre, nesta pessoa jurídica, tributação do resultado positivo da investida. Somente seria lógico falar em amortização daquele ágio caso a concretização do motivo que lhe deu causa, qual seja, a lucratividade futura da investida, tivesse reflexos tributários na pessoa jurídica que pagou a "mais valia". Dessa forma, o dispêndio a maior poderia ser gradativamente recuperado sob a forma de despesas dedutíveis, se os lucros que o motivaram provocassem um maior recolhimento de tributos nos períodos posteriores à aquisição do investimento. Como, por determinação legal, não é esta a hipótese que se verifica no método de equivalência patrimonial, podese concluir que a regra geral é a da impossibilidade de utilização fiscal do ágio registrado na investidora. É o que reza expressamente o art. 391 do RIR/1999: Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). Existem, contudo, duas exceções a tal regra. A primeira delas é indicada pelo próprio art. 391, quando ressalva o disposto no art. 426 do mesmo RIR/1999: Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. A primeira exceção à regra da impossibilidade de aproveitamento tributário do ágio tratado pelo art. 385 do RIR/1999 diz respeito, portanto, à apuração de ganho ou perda de capital. Se o investimento que deu causa à "mais valia" for alienado ou liquidado, o ágio ou deságio registrados na contabilidade da controladora devem compor o custo de aquisição Fl. 3522DF CARF MF 34 considerado no cálculo do resultado tributável da operação, sobre o qual incidirão IRPJ e CSLL. Já a segunda exceção, que interessa mais diretamente à discussão desenvolvida nos presentes autos, referese às transformações societárias envolvendo investidoras, investidas e o ágio associado aos investimentos. A respeito da evolução histórica das previsões legais que contemplaram a possibilidade de aproveitamento tributário do ágio em hipóteses de transformações societárias, remetome ao irretocável apanhado feito pelo nobre Conselheiro André Mendes de Moura no Acórdão nº 9101002.301: "Primeiro, o tratamento conferido à participação societária extinta em fusão, incorporação ou cisão, atendia o disposto no art. 34 do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Fl. 3523DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 19 35 § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada períodobase a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) O que se pode observar é que o único requisito a ser cumprido, como perda de capital, é que o acervo líquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão estivesse avaliado a preços de mercado. Contudo, para que se consumasse a perda de capital prevista no inciso I, o valor contábil deveria ser maior do que o acervo líquido avaliado a preços de mercado, e tal situação se mostraria viável, especialmente, quando, imediatamente após à aquisição do investimento com ágio, ocorresse a operação de incorporação, fusão ou cisão. Ocorre que tal previsão se consumou em operações um tanto quanto questionáveis por vários contribuintes, mediante aquisição de empresas deficitárias pagandose ágio, para, em logo em seguida, promover a incorporação da investidora pela investida. As operações ocorriam quase simultaneamente. E, nesse contexto, o aproveitamento do ágio, nas situações de transformação societária, sofreu alteração legislativa. Vale transcrever a Exposição de Motivos da MP nº 1.602, de 19971, que, posteriormente, foi convertida na Lei nº 9.532, de 1997. 11. O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vem utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária, mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. Não vacilou a doutrina abalizada de LUÍS EDUARDO SCHOUERI2 ao discorrer, com precisão sobre o assunto: 1 Exposição de Motivos publicada no Diário do Congresso Nacional nº 26, de 02/12/1997, pg. 18021 e segs, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). São Paulo : Dialética, 2012, p. 66 e segs. Fl. 3524DF CARF MF 36 Anteriormente à edição da Lei nº 9.532/1997, não havia na legislação tributária nacional regulamentação relativa ao tratamento que deveria ser conferido ao ágio em hipóteses de incorporação envolvendo a pessoa jurídica que o pagou e a pessoa jurídica que motivou a despesa com ágio. O que ocorria, na prática, era a consideração de que a incorporação era, per se, evento suficiente para a realização do ágio, independentemente de sua fundamentação econômica. (...) Sendo assim, a partir de 1998, ano em que entrou em vigor a Lei nº 9.532/1997, adveio um cenário diferente em matéria de dedução fiscal do ágio. Desde então, restringiramse as hipóteses em que o ágio seria passível de ser deduzido no caso de incorporação entre pessoas jurídicas, com a imposição de limites máximos de dedução em determinadas situações. Ou seja, nem sempre o ágio contabilizado pela pessoa jurídica poderia ser deduzido de seu lucro real quando da ocorrência do evento de incorporação. Pelo contrário. Com a regulamentação ora em vigor, poucas são as hipóteses em que o ágio registrado poderá ser deduzido, a depender da fundamentação econômica que lhe seja conferida. Merece transcrição o Relatório da Comissão Mista3 que trabalhou na edição da MP 1.609, de 19974: O artigo 8º altera as regras para determinação do ganho ou perda de capital na liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor do patrimônio líquido, quando agregado de ágio ou deságio. De acordo com as novas regras, os ágios existentes não mais serão computados como custo (amortizados pelo total), no ato de liquidação do investimento, como eram de acordo com as normas ora modificadas. O ágio ou deságio referente à diferença entre o valor de mercado dos bens absorvidos e o respectivo valor contábil, na empresa incorporada (inclusive a fusionada ou cindida), será registrado na própria conta de registro dos respectivos bens, a empresa incorporador (inclusive a resultante da fusão ou a que absorva o patrimônio da cindida), produzindo as repercussões próprias na depreciação normal. O ágio ou deságio decorrente de expectativa de resultado futuro poderá ser amortizado durante os cinco anoscalendário subsequentes à incorporação, à razão de 1/60 (um sessenta avos) para cada mês do período de apuração. (...) Percebese que, em razão de um completo desvirtuamento do instituto, o legislador foi chamado a intervir, para normatizar, 3 Relatório da Comissão Mista publicada no Diário do Congresso Nacional nº 27, de 03/12/1997, pg. 18494, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. 4 Na realidade, o número da Medida Provisória abordada é 1.602. Fl. 3525DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 20 37 nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, sobre situações específicas tratando de eventos de transformação societária envolvendo investidor e investida. Inclusive, no decorrer dos debates tratando do assunto, chegou se a cogitar que o aproveitamento do ágio não seria uma despesa, mas um benefício fiscal. Em breves palavras, caso fosse benefício fiscal, o próprio legislador deveria ter tratado do assunto, como o fez na Exposição de Motivos de outros dispositivos da MP nº 1.607, de 1997 (convertida na Lei nº 9.532, de 1997). Na realidade, a Exposição de Motivos deixa claro que a motivação para o dispositivo foi um maior controle sobre os planejamentos tributários abusivos, que descaracterizavam o ágio por meio de analogias completamente desprovidas de sustentação jurídica. E deixou claro que se trata de uma despesa de amortização." Depreendese da retrospectiva transcrita que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (produto da conversão da Medida Provisória nº 1.602/1997) foram erigidos pelo legislador com a específica finalidade de coibir a prática de planejamentos tributários abusivos em que empresas superavitárias adquiriam com ágio empresas deficitárias para serem em seguida incorporadas por elas. Tal incorporação reversa, também denominada de incorporação "às avessas", não tinha nenhum propósito negocial que não fosse a simples geração de ganhos de natureza tributária. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 foram integralmente incorporados ao RIR/1999 por meio de seu art. 386. Como este artigo faz referência expressa a dispositivos do art. 385 (cópia do já reproduzido art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977), transcrevemse ambos a seguir: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; Fl. 3526DF CARF MF 38 II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do §2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do §2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. §1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §1º). §2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. §3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §3º): Fl. 3527DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 21 39 I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. §4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §4º). §5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §5º). §6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. §7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no §2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Verificase que os arts. 385 e 386 do RIR/1999 guardam uma relação indissociável entre si, uma vez que requisitos à aplicação do segundo artigo são extraídos diretamente da redação do primeiro. O art. 385, conforme já mencionado, estabelece duas regras principais. A primeira determina que o ágio apurado em uma aquisição de participação societária em sociedade controlada ou coligada seja registrado em subconta separada daquela que registra o valor do patrimônio líquido da investida na época da aquisição. Já a segunda fixa os possíveis fundamentos econômicos do ágio pago na aquisição da participação societária (valor de mercado dos bens do ativo da investida superior ao registrado na contabilidade; expectativa de resultados positivos da investida nos exercícios futuros; fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas). Por fim, o artigo ainda prevê que o ágio fundamentado em valor de mercado dos bens do ativo da investida ou na expectativa de resultados futuros deve ser baseado em documentação comprobatória, devidamente arquivada. Já o art. 386 trata, entre outras coisas, da possibilidade de aproveitamento tributário do ágio decorrente do fundamento econômico previsto no inciso II do §2º do artigo Fl. 3528DF CARF MF 40 anterior (valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros). O caput do art. 386 traz o primeiro requisito que deve ser cumprido para que seja possível o aproveitamento do ágio: uma pessoa jurídica deve absorver o patrimônio de uma segunda, em que detenha participação societária adquirida com ágio. A respeito deste primeiro requisito exigido pela norma, recorro novamente ao Acórdão nº 9101002.301, pela assertividade da análise ali desenvolvida: "Percebese claramente, no caso, que o suporte fático delineado pela norma predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. A conclusão é ratificada analisandose a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA 5. Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, 5 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária, 6ª ed. São Paulo : Malheiros Editores, 2010, p. 51 e segs. Fl. 3529DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 22 41 possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoase o encontro de contas entre investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fl. 3530DF CARF MF 42 Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. SCHOUERI6, com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. Prosseguindo a análise da hipótese de incidência da norma em questão, no que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Considerandose o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo, aperfeiçoase o lançamento fiscal e o termo inicial para contagem do prazo decadencial." Concluise, portanto, que o art. 386 do RIR/1999, sob o aspecto pessoal, se dirige à investidora que vier a incorporar sua investida (ou por ela ser incorporada), após ter efetivamente acreditado na mais valia do investimento, feito os estudos de rentabilidade futura e desembolsado os recursos para a aquisição da participação societária (tanto o 6 SCHOUERI, 2012, p. 62. Fl. 3531DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 23 43 valor do principal quanto o do ágio). Ou seja, quando ocorre a incorporação é que se dá a subsunção do fato à norma e surge a prerrogativa de amortização do sobrepreço, pago em momento anterior pela investidora em razão da confiança na rentabilidade futura da investida. Destaquese que a regra se aplica tanto à incorporação da investida pela investidora quanto, no sentido inverso, à hipótese em que a investidora é que é incorporada por sua investida. Em ambos os casos, a lei exige que a investidora envolvida na incorporação seja a "original" ou stricto sensu (no sentido de que a originalidade está indissociavelmente ligada à pessoa jurídica que paga o ágio e, por isso mesmo, tem confiança na rentabilidade futura, pois é quem assume o risco). A situação em que a investida incorpora sua investidora é denominada de incorporação reversa ou ainda de incorporação "às avessas". A previsão da possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio nesta hipótese é trazida pelo § 6º, inciso II, do art. 386 do RIR/1999. O dispositivo faz uso de uma técnica legislativa transitiva, indicando assim que o que vale para o caput do art. 386 do RIR/1999 vale também para o seu § 6º. As premissas de exegese da norma não são afetadas, sendo necessárias apenas as devidas adaptações para contemplar a situação prevista. De forma correlata ao que se analisou quanto ao aspecto pessoal, a confusão de patrimônios, principal item do aspecto material para fins de enquadramento no art. 386 do RIR/1999, consumase quando, na sociedade incorporadora, o lucro futuro e o investimento original com expectativa desse lucro (aquele que foi sobreavaliado) passam a se comunicar diretamente (os riscos se fundem: o risco do investimento assim entendidos os recursos aportados e o risco do empreendimento). Compartilhando o mesmo patrimônio a investidora e a investida, consolidase cenário no qual a pessoa jurídica detentora da "mais valia" (ágio) do investimento baseado na expectativa de rentabilidade futura passa a ser responsável também por honrar tal rentabilidade. Assim, a legislação permite que o contribuinte considere perdido o capital que foi investido com o ágio e deduza a despesa relativa à "mais valia". Configuração semelhante ocorre na incorporação reversa, na medida em que a pessoa jurídica responsável por gerar a rentabilidade esperada para o futuro passa a ser a detentora do ágio baseado na expectativa de tal rentabilidade. Sendo assim, pressupõese que a "mais valia" porventura contabilizada tenha sido efetivamente suportada por alguma das pessoas que participam da "confusão patrimonial". Para fins de acesso à dedutibilidade estabelecida pelo art. 386 do RIR/1999, a pessoa jurídica que efetivamente suportou o ágio pago na aquisição de um investimento deve incorporar tal investimento (incorporação da investida pela investidora) ou ser incorporada pela empresa em que investiu (incorporação "às avessas"). Em síntese, a subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/1999, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material das hipóteses ali previstas. Na atual redação destes dispositivos, exclusivamente no caso em que houver o efetivo desembolso de valores (ou sacrifício de outros ativos) a título de investimento da investidora (futura incorporadora ou, no caso da incorporação reversa, incorporada) na investida (futura incorporada ou, no caso da incorporação reversa, incorporadora), é que haverá o atendimento aos aspectos pessoal e material. Se o ágio não foi de fato arcado por nenhuma das pessoas participantes da "confusão patrimonial", não há Fl. 3532DF CARF MF 44 sentido em clamarse pela dedutibilidade das despesas decorrentes de amortização de ágio instituída pelo art. 386 do RIR/1999. No caso analisado nos presentes autos, é incontroverso que houve desembolso de valores nas várias etapas que integraram a aquisição das quotas representativas do capital social da contribuinte KCB e da KENKO. Também não se discute que os valores despendidos superaram o valor contábil das quotas alienadas. A existência do ágio oriundo de tais operações não foi alvo de questionamento pela Fiscalização ou pela própria PGFN em seu recurso especial. Ocorre que os recursos financeiros utilizados na aquisição das quotas da contribuinte e da KENKO não pertenciam às empresas KCTissueB, KCdoB, KCC ou KCR, mas às controladores estrangeiras do grupo KIMBERLYCLARK: KC_DELAWARE, KC_PENSILVANIA, KIMBERLYCLARK HOLLAND HOLDINGS BV e KIMBERLY CLARK CORPORATION. Tais empresas internalizaram em território brasileiro a integralidade dos valores utilizados nas operações de aquisição de participações societárias com ágio, por meio de operações de integralização de aumento de capital das controladas brasileiras, de pagamentos de empréstimos contraídos no exterior ou ainda de concessão de empréstimos entre suas controladas brasileiras, posteriormente liquidados por confusão. Interpretandose o conteúdo do art. 386 do RIR/1999 sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária, verificase que não restaram observados, no caso concreto, os aspectos pessoal e material necessários à subsunção da situação fática à previsão normativa. Sendo assim, a contribuinte recorrida não fazia jus ao direito de deduzir as despesas decorrentes da amortização do ágio oriundo das operações de aquisição das suas quotas e das representativas do capital da empresa KENKO. Como não foram a KCTissueB, a KCdoB, a KCC ou a KCR que desembolsaram o valores que deram origem aos ágios contábeis, restou desatendido o aspecto pessoal da hipótese de incidência do art. 386 do RIR/1999. Os numerários que pagaram pela aquisição das quotas da contribuinte recorrida e da KENKO saíram dos ativos das reais investidoras, KC_DELAWARE, KC_PENSILVANIA, KIMBERLYCLARK HOLLAND HOLDINGS BV e KIMBERLYCLARK CORPORATION. As empresas KCTissueB, KCdoB, KCC e KCR, embora constem formalmente como as adquirentes das quotas da contribuinte e da KENKO, não tinham lastro econômico para efetivamente realizarem algum sacrifício patrimonial que justificasse a criação dos ágios. Pertencia às empresas estrangeiras KC_DELAWARE, KC_PENSILVANIA, KIMBERLYCLARK HOLLAND HOLDINGS BV e KIMBERLYCLARK CORPORATION a capacidade econômica para levar adiante os negócios de aquisição das participações societárias e foram efetivamente estas empresas que desembolsaram recursos para a aquisição das quotas da recorrida e da KENKO. As investidoras estrangeiras provavelmente sabiam que, se realizassem os investimentos diretamente na aquisição das quotas da contribuinte e da KENKO, sem a participação de empresas sediadas em território brasileiro, não poderiam posteriormente pleitear o aproveitamento tributário dos ágios oriundos das operações. Por se tratarem de pessoas jurídicas sediadas no exterior, as investidoras não se submetem à legislação tributária brasileira. A posterior incorporação de uma controlada brasileira provavelmente não provocaria os mesmos efeitos tributários para as investidoras em seu país de origem. Assim optaram as empresas estrangeiras integrantes do grupo multinacional KIMBERLYCLARK por adotar procedimentos de engenharia societária que permitissem, ao Fl. 3533DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 24 45 final, a reunião dos ágios e dos investimentos que lhes deram causa em uma mesma pessoa jurídica (a contribuinte KCB), situação semelhante à requerida pela legislação para permitir o uso tributário do ágio, mas não o suficiente para emularlhe os efeitos. Observase, pela conjugação dos indícios e das características das operações societárias que se sucederam, que a participação das empresas KCTissueB, KCdoB, KCC e KCR foi antecipada e artificialmente concebida como forma de o grupo econômico recém formado em território brasileiro poder posteriormente clamar pelo direito ao aproveitamento tributário do ágio previsto no art. 386 do RIR/1999. Não invalida tal conclusão o fato de a primeira operação de compra de participação societária da empresa KENKO ter se dado no ano de 1996, antes, portanto, do início da vigência da Lei nº 9.532/1997. Todas as demais operações, responsáveis pela geração de um ágio quantificado em assombrosos R$ 565.419.803,30 (de um total de R$ 631.570.243,60, quando considerada a operação realizada em 1996), foram realizadas após o início da vigência da citada lei. As holdings KCTissueB, KCdoB, KCC e KCR, constituídas pelo grupo KIMBERLYCLARK no Brasil, não possuíam patrimônio relevante antes de tomarem parte nas operações analisadas no presente processo. Sendo assim, atuaram efetivamente como "empresas veículos" ao receberem valores das reais investidoras estrangeiras com a finalidade específica de aplicálos na aquisição de quotas da contribuinte KCB e da KENKO e serem em seguida por estas incorporadas. Verificase que após a extinção das mencionadas holdings, por conta de sua incorporação pelas investidas, o único legado deixado foi a aventada possibilidade de utilização indevida de um benefício fiscal, como é característico das "empresas veículos". As empresas KCTissueB, KCdoB, KCC e KCR foram todas, ao final das operações de reorganização societária analisadas, incorporadas pela contribuinte KCB (de forma direta ou após terem sido incorporadas pela KENKO, esta posteriormente incorporada pela KCB). Depois disso, a contribuinte, julgando que estaria configurada a "confusão patrimonial" entre os ágios e os investimentos que lhes deram causa, passou a aproveitar as despesas da amortização do ágio para fins tributários. Ocorre que tal "confusão patrimonial", principal manifestação do aspecto material necessário à efetiva incidência da norma tributária prevista no art. 386 do RIR/1999, deve obrigatoriamente se dar entre a investida e a investidora originária, real. Por investidora originária, entendese aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição da participação societária. Ou seja, no caso sob análise, a reais investidoras são as empresas KC_DELAWARE, KC_PENSILVANIA, KIMBERLYCLARK HOLLAND HOLDINGS BV e KIMBERLYCLARK CORPORATION (e apenas estas). Sendo assim, a amortização operada pela recorrida não teve amparo dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 ou dos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Conforme se viu, a possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, só tem sentido em situações em que a investidora de fato, responsável por arcar com o dispêndio que faz nascer o ágio, incorpora a pessoa jurídica em que possua participação societária (investimento) ou é por ela incorporada. No caso dos autos, as investidoras reais não participaram de "confusão patrimonial" alguma. Fl. 3534DF CARF MF 46 Ainda que se analise a situação debatida nos autos sob outro enfoque, a conclusão alcançada continua sendo pela impossibilidade de utilização tributária dos ágios pela recorrida. O aproveitamento tributário dos ágios discutidos nos presentes autos consiste, como já foi dito por diversas vezes, na dedução de despesas decorrentes de sua amortização na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Fazse relevante, portanto, analisar o caso sob a perspectiva da teoria atinente às despesas que têm relevância fiscal. Uma vez mais, pedese vênia para transcreverse excerto extraído do Acórdão nº 9101002.301, por sua concisão e clareza: "Definido que o aproveitamento do ágio pode darse por meio de despesa de amortização, mostrase pertinente apreciar do que trata tal dispêndio. No RIR/99 (DecretoLei nº 3.000, de 26/03/1999), o conceito de amortização encontrase no Subtítulo II (Lucro Real), Capítulo V (Lucro Operacional), Seção III (Custos, Despesas Operacionais e Encargos). O artigo 299 do diploma em análise trata, no art. 299, na Subseção I, das Disposições Gerais sobre as despesas: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Para serem dedutíveis, devem as despesas serem necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, e serem usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Por sua vez, logo após as Subseções II (Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado) e III (Depreciação Acelerada Incentivada), encontra previsão legal a amortização, no art. 324, na Subseção IV do RIR/99. Percebese que a amortização constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99. Despesa Diante de Fatos Construídos Artificialmente Fl. 3535DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 25 47 No mundo real os fatos nascem e morrem, decorrentes de eventos naturais ou da vontade humana. O direito elege, para si, fatos com relevância para regular o convívio social. No que concerne ao direito tributário, são escolhidos fatos decorrentes da atividade econômica, financeira, operacional, que nascem espontaneamente, precisamente em razão de atividades normais, que são eleitos porque guardam repercussão com a renda ou o patrimônio. São condutas relevantes de pessoas físicas ou jurídicas, de ordem econômica ou social, ocorridas no mundo dos fatos, que são colhidas pelo legislador que lhes confere uma qualificação jurídica. Por exemplo, o fato de auferir lucro, mediante operações espontâneas, das atividades operacionais da pessoa jurídica, amoldase à hipótese de incidência prevista pela norma, razão pela qual nasce a obrigação do contribuinte recolher os tributos. Da mesma maneira, a pessoa jurídica, no contexto de suas atividades operacionais, incorre em dispêndios para a realização de suas tarefas. Contratase um prestador de serviços, comprase uma mercadoria, operações necessárias à consecução das atividades da empresa, que surgem naturalmente. Ocorre que, em relação aos casos tratados relativos á amortização do ágio, proliferaramse situações no qual se busca, especificamente, o enquadramento da norma permissiva de despesa. Tratamse de operações especificamente construídas, mediante inclusive utilização de empresas de papel, de curtíssima duração, sem funcionários ou quadro funcional incompatível, com capital social mínimo, além de outras características completamente atípicas no contexto empresarial, que recebem aportes de milhões e em questão de dias ou meses são objeto de operações de transformação societária. Tais eventos podem receber qualificação jurídica e surtir efeitos nos ramos empresarial, cível, contábil, dentre outros. Situação completamente diferente ocorre no ramo tributário. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Impossível estender atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas, independente sua espécie, derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. Admitindose uma construção artificial, consumarseia um tratamento desigual, desarrazoado e desproporcional, que afronta o princípio da capacidade contributiva e da isonomia, vez que seria conferida a uma determinada categoria de despesa Fl. 3536DF CARF MF 48 uma premissa completamente diferente, uma liberalidade não aplicável à grande maioria dos contribuintes." Concluise, assim, que as despesas de amortização de ágio criado em operações como as encontradas nos presentes autos, atípicas e integrantes de um processo de planejamento tributário que tem a finalidade específica de criar artificialmente hipótese próxima à requerida pelo art. 386 do RIR/1999, não se revestem das características de necessidade, usualidade e normalidade requeridas para sua dedutibilidade. Diante de todo o exposto, relativamente ao pedido de restabelecimento da glosa das despesas decorrentes da amortização dos ágios, indevidamente deduzidas pela contribuinte KCB entre os anos de 2008 e 2013, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN. Por fim, registrese que, como bem apontado pela contribuinte em suas contrarrazões, há duas matérias que constaram no recurso voluntário e que não foram apreciadas pela 2a Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF no bojo do Acórdão nº 1402002.373, em virtude da desoneração das verbas principais, atinentes ao IRPJ e a CSLL. Tais matérias referemse à qualificação da multa de ofício imputada à contribuinte pela autoridade lançadora e à arguida decadência do direito de o Fisco realizar lançamento tributário relativo ao anocalendário 2008. Conforme mencionado pelo acórdão recorrido, esta última questão depende da constatação ou não de fraude e dolo na conduta adotada pela contribuinte, que determinará a regra decadencial aplicável ao caso concreto: art. 150, § 4º, ou art. 173, I, ambos do CTN. Não cabe a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais se pronunciar a respeito de qualquer assunto antes que o faça a Turma a quo, sob o risco de supressão de instância que pode vir a prejudicar alguma das partes. Assim, mesmo entendendo a CSRF pelo restabelecimento das glosas das despesas de amortização dos ágios discutidos nos presentes autos, não poderá adentrar na análise de outros pontos da lide que pendam de análise pela turma que proferiu a decisão recorrida. Em julgado que tive sob minha relatoria prevaleceu por unanimidade o entendimento de que, em situações como a presente, no caso de restabelecimento da glosa cancelada no julgamento do recurso voluntário, a melhor prática consiste em devolver o processo à Turma recorrida (ou àquela que a houver substituído, caso já não exista) para novo julgamento acerca das matérias não apreciadas. Traz a emenda do Acórdão nº 9101002.188, no trecho que interessa à discussão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 MULTA QUALIFICADA. MATÉRIA NÃO EXAMINADA NA FASE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Uma vez restabelecidas as autuações fiscais, deverá haver julgamento quanto à multa qualificada, fazendose necessário o retorno à Turma a quo para análise dos pontos específicos suscitados em relação a essa matéria no recurso voluntário. Fl. 3537DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 9101003.363 CSRFT1 Fl. 26 49 Portanto, sendo restabelecidas por esta CSRF as glosas então canceladas, faz se necessária a devolução dos presentes autos à Turma a quo para que sejam analisadas as matérias retrocitadas, abordadas no recurso voluntário: (i) qualificação da multa de ofício; e (ii) decadência dos créditos tributários relativos ao anocalendário 2008. Desse modo, voto no sentido de: CONHECER do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional; DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para restabelecer a autuação fiscal relativa à glosa das despesas de amortização de ágio indevidamente deduzidas das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL referentes aos anoscalendário 2008 a 2013; e DETERMINAR o retorno dos autos à Turma a quo, para prolação de nova decisão quanto aos temas abordados em sede de recurso voluntário que deixaram de ser apreciados no acórdão nº 1402002.373, após ser dada ciência às partes desta decisão. (Assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 3538DF CARF MF
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