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Numero do processo: 10980.727959/2013-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
MÚTUO ENTRE EMPRESAS.
Caracteriza mútuo entre empresas a transformação, todo final de ano, de dívida da mutuária, presente no circulante da mutuante, em dívida do realizável a longo prazo.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE.
O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito a que se refere o caput do artigo.
Numero da decisão: 3302-006.106
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Jorge Lima Abud (relator), Walker Araújo e José Renato Pereira de Deus. Designado o Conselheiro Corintho Oliveira Machado para redigir o voto vencedor.
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud
Relator
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado
Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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OCORRÊNCIA DE MÚTUO. Recorrente A.C. COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2009, 2010, 2011 MÚTUO ENTRE EMPRESAS. Caracteriza mútuo entre empresas a transformação, todo final de ano, de dívida da mutuária, presente no circulante da mutuante, em dívida do realizável a longo prazo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010, 2011 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Jorge Lima Abud (relator), Walker Araújo e José Renato Pereira de Deus. Designado o Conselheiro Corintho Oliveira Machado para redigir o voto vencedor. Paulo Guilherme Déroulède Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 79 59 /2 01 3- 86 Fl. 528DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tomase por base o RELATÓRIO do Acórdão de Impugnação. Trata o presente processo de impugnação a exigência de créditos tributários constituídos em auto de infração, por meio do qual a contribuinte é compelida a recolher à Fazenda Nacional a importância de R$ 910.789,59 a título de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF, exações acrescidas de multa de ofício de 75% e juros moratórios devidos à época do pagamento. Estas exigências referemse a fatos geradores ocorridos no período de apuração encerrados em 31122009, 31122010 e 31122011, períodos em que a contribuinte apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, onde apurou resultados com base no Lucro Real anual. Do Termo de Verificação Fiscal temse que: ü A.C. Comercial celebrou contrato de industrialização por encomenda com Indústrias Todeschini S.A., CNPJ 76.483.890/000100, pelo qual adquire matériaprima e embalagens e as remete à industrializadora que por sua vez envia os produtos acabados à contratante; ü a remuneração pelos serviços de industrialização estipulada mensalmente “o valor correspondente à integralidade dos custos de produção inerentes ao processo de industrialização”, além de uma quantia de R$ 130.000,00 mensais; ü em verdade A C Comercial arca com todos os custos de Todeschini; Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10980.727959/201386 Acórdão n.º 3302006.106 S3C3T2 Fl. 3 3 ü • o controle contábil é exercido por meio de três contas contábeis: a)“117040 PARA CUSTOS OPERACIONAIS (INDS. TODESCHINI)”; b) “11042 () FATURAMENTO INDL. TODESCHINI; c) “121006 INDUSTRIAS TODESCHINI S/A; Entendeu a Fiscalização que ocorreram fatos geradores do IOF nas operações registradas por estas contas contábeis e alicerçada no art. 13 da Lei n° 9.779 e artigos 2°, 3°, 4°, 5° e 7° do Decreto n° 6.306, de 2007 [que regulamenta o IOF], e com base nestas contas contábeis citadas, a autoridade fiscal apurou a base de cálculo do IOF inclusive a que incide a alíquota adicional prevista no § 15, do art. 7° do já citado Decreto n° 6.306, de 2007; e lançou o IOF e adicional de IOF onde aplicou a penalidade de 75%. Irresignada a Interessada apresenta, tempestivamente, sua impugnação onde: preliminarmente, pugna pela nulidade da exigência fiscal em razão da, segundo alega, ausência de MPF mandado de procedimento fiscal. Cita o art. 9° do Decreto n° 70.235, de 1972 e art. 300 da Portaria 203, de 2012 [Regimento Interno] e art. 2° da Portaria SRF n° 1.265/99. Afirma haver a verificação de vício formal na emissão do MPF, uma vez que a seu entendimento o Mandado de Procedimento Fiscal deveria ter sido emitido por Superintendente Regional da RFB e não por Delegado, tal como ocorreu; e, quanto ao mérito afirma que “[...] em momento algum houve concessão de crédito através de mútuo, mas, apenas, OPERAÇÕES JURÍDICAS MERCANTIS DE SERVIÇO DE INDUSTRIALIZAÇÃO E COMPRA DE INSUMOS”. traz longa argumentação sobre a definição dos termos “operação de crédito” e “mútuo”, citando artigo da CF, do Código Civil Brasileiro e de leis ordinárias, para concluir que a autoridade fiscal emprestou conformação diferente destes termos no auto de infração; combate a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Destacando que “a penalidade pecuniária não é um débito com a União decorrente do tributo, mas sim decorrente do descumprimento de uma obrigação legal de efetuar o recolhimento do crédito tributário [...]”. Traz julgado do CARF neste sentido. Ao final requer seja “julgado improcedente o Auto de Infração lavrado para cobrança de IOF, haja vista a comprovação da existência de prática relacionada à operações jurídicas mercantis de compra e venda de produtos alimentares e dos Fl. 530DF CARF MF 4 serviços de industrializações, as quais não ensejam a cobrança de IOF.” “Ad argumentandum, requer seja reconhecida a inexigibilidade da multa de ofício prevista no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996, ante a ausência de infração a legislação apontada”. “Ad argumentandum tantum, não sendo o entendimento de V.Sas. pela total improcedência do Auto de Infração, requer seja reconhecida a inaplicabilidade do art. 61, §3° da Lei n° 9.430/1996 (juros de mora) à multa de ofício exigida nos presentes autos, em respeito ao Princípio da Legalidade”. Requer também por derradeiro que seja afastada a cobrança de juros. Em 8 de agosto de 2014, a 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis, através do Acórdão de Impugnação n° 0735.359, por unanimidade de votos, em julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Regularmente intimada do Acórdão de Impugnação, via Aviso de Recebimento, em 26/08/2014, a empresa autuada ingressou com Recurso Voluntário em 23/09/2014 (folhas 502) de folhas 478 à 500. Foram alegados os mesmos argumento da impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Lima Abud Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 16/01/2015, via aviso de recebimento, às folhas 519 do processo digital., quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário apresentando a recorrente recurso voluntário tempestivo, em 12 de fevereiro de 2015. O recurso é tempestivo. Da controvérsia. São controvertidos os seguintes pontos: a) A incidência tributária do imposto sobre operações de crédito – IOF; b) A inexistência da multa e seu caráter confiscatório; c) A não incidência de juros de mora (Selic) sobre a multa de ofício. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10980.727959/201386 Acórdão n.º 3302006.106 S3C3T2 Fl. 4 5 Do mérito. A incidência tributária do imposto sobre operações de crédito – IOF. Nos limites da autorização constitucional e do fixado no CTN, a Lei n° 9.779, de 1999, em seu art. 13, caput, estabeleceu, de forma expressa, que os mútuos de recursos financeiros realizados entre pessoas jurídicas, como no presente caso, sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Tal disposição não distinguiu, de modo algum, o fato de trataremse de empresas do mesmo grupo. Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Em destaque o artigo 3° inciso III do Decreto nº 6.306/2007: Art. 3o O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei no 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). (...) § 3o A expressão “operações de crédito” compreende as operações de: (...) III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 1999, art. 13). Portanto, o fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado. Sobre a base de cálculo, o Artigo 7º assim dispõe: Art. 7o A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei no 8.894, de 1994, art. 1o, parágrafo único, e Lei no 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041%; Fl. 532DF CARF MF 6 (...) § 13. Nas operações de crédito decorrentes de registros ou lançamentos contábeis ou sem classificação específica, mas que, pela sua natureza, importem colocação ou entrega de recursos à disposição de terceiros, seja o mutuário pessoa física ou jurídica, as alíquotas serão aplicadas na forma dos incisos I a VI, conforme o caso. (...) § 15. Sem prejuízo do disposto no caput, o IOF incide sobre as operações de crédito à alíquota adicional de trinta e oito centésimos por cento, independentemente do prazo da operação, seja o mutuário pessoa física ou pessoa jurídica. (Incluído pelo Decreto n° 6.339, de 2008). § 16. Nas hipóteses de que tratam a alínea “a” do inciso I, o inciso III, e a alínea “a” do inciso V, o IOF incidirá sobre o somatório mensal dos acréscimos diários dos saldos devedores, à alíquota adicional de que trata o § 15. (Incluído pelo Decreto n° 6.339, de 2008). (Grifo e negrito nossos) A regra transcrita estabelece que a base de cálculo na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, quando não ficar definido o valor do principal, é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês. A alíquota, no caso de pessoa jurídica, é de 0,0041%. Dos claros termos da norma acima transcrita decorre que o imposto incide não só nas operações de crédito intermediadas por instituição financeira, como também nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros realizadas entre quaisquer pessoas jurídicas, ou entre pessoa jurídica e pessoa física, sendo também irrelevante que as operações realizadas tenham se dado entre empresas do mesmo grupo econômico, pois o dispositivo legal retromencionado, em nenhum momento, assim distinguiu, bastando que referidas operações se caracterizem como mútuo, observandose para tanto, a definição contida no abaixo transcrito art. 586 do Código Civil de 2002 (Lei n° 10.406, de 2002), o qual que manteve a redação do art. 1256 do Código Civil anterior (Lei 3.071, de 1916): Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. No mesmo sentido, as disposições abaixo transcritas dos artigos 2°, I, “c” e art. 3°, § 3°, I e III do Regulamento do IOF (Decreto n° 6.306, de 2007), já presentes nos arts. 2°, I, “c” e art. 3°, § 4°, I, III do Regulamento que o antecedeu (Decreto n° 4.494, de 2002): “Art. 2° O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: a) por instituições financeiras (Lei n° 5.143, de 20 de outubro de 1966, art. 1°); (...)’ Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10980.727959/201386 Acórdão n.º 3302006.106 S3C3T2 Fl. 5 7 c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 13); (...) “Art. 3° O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei n° 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). (...) § 3° A expressão "operações de crédito" compreende as operações de: I empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito e desconto de títulos (DecretoLei n° 1.783, de 18 de abril de 1980, art. 1°, inciso I); (...) III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei n° 9.779, de 1999, art. 13).(destaquei) DOS RESPONSÁVEIS Art. 5° São responsáveis pela cobrança do IOF e pelo seu recolhimento ao Tesouro Nacional: I as instituições financeiras que efetuarem operações de crédito (DecretoLei n° 1.783, de 1980, art. 3°, inciso I); II as empresas de factoring adquirentes do direito creditório, nas hipóteses da alínea "b" do inciso I do art. 2° (Lei n° 9.532, de 1997, art. 58, § 1°); III a pessoa jurídica que conceder o crédito, nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros (Lei n° 9.779, de 1999, art. 13, § 2°).” (Grifo e negrito nossos). Frisese, ainda, que antes mesmo da edição da Lei n° 9.779, de 1999, o Supremo Tribunal Federal, ao apreciar a Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 17638/DF, já havia adotado posicionamento no sentido de que o âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras: EMENTA: IOF: incidência sobre operações de factoring (L. 9.532/97, art. 58): aparente constitucionalidade que desautoriza a medida cautelar. O âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras, de tal modo que, à primeira vista, a lei questionada poderia estendêla às operações de factoring, quando impliquem financiamento (factoring com direito de regresso ou com adiantamento do valor do crédito vincendo — conventional factoring); quando, ao contrário, não contenha operação de crédito, o Fl. 534DF CARF MF 8 factoring, de qualquer modo, parece substantivar negócio relativo a títulos e valores mobiliários, igualmente susceptível de ser submetido por lei à incidência tributária questionada.”(destaquei) Esse assunto também já foi levado ao antigo Conselho de Contribuintes, e ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF onde foi confirmado o entendimento acima exposto. Citase como exemplo o Acórdão 330100.217, de 14/08/2009, disponível no site do CARF na internet, assim ementado: “IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF (...), mútuo entre empresas ligadas. incidência do IOF. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre quaisquer pessoas jurídicas ou entre qualquer pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do 10F, ainda que o concedente do crédito não seja instituição financeira nem entidade a ela equiparada. Recurso voluntário provido em parte.(...)” É alegado às folhas 04 do Recurso Voluntário: A proposta desta impugnação para que seja reconhecido o direito da impugnante e respectiva inexigibilidade de crédito tributário, darseá através da desconstrução dos argumentos contidos no auto de infração, informandoos, sabendose que a conduta modalizada, adotada pelo Sr. Auditor Fiscal, não pode fazer parte do mundo jurídico por completa ausência de fato suficiente para tanto, o que significa que inexistiu fato, não houve atendimento da hipótese de incidência, muito menos pode se falar em consequente normativo. Assim, após breve explicação e avaliação sobre a fenomenologia de incidência tributária do IOF, imprescindível ao correto entendimento da causa em apreço, farseá a exata distinção entre as operações praticadas pela empresa contribuinte e as operações consideradas pela Fiscalização da Receita Federal, demonstrando que o critério adotado não foi pautado pela ciência do direito, deixou de respeitar a correta definição de institutos estabelecidos pelo Direito Privado e aproveitadas pela Constituição Federal, cuja observação é obrigatória quando da incidência do Direito Tributário dada a superposição deste. E assim conclui: Portanto, os fatos praticados pela contribuinte nos anos calendários de 2009, 2010 e 2011 somente podem adentrar ao mundo jurídico sob a chancela de compra e venda de produtos alimentares e serviços de industrialização. (Grifo e negrito próprios do original) O teor da ação fiscal pode ser compreendido através dos seguintes pontos extraídos do Termo de Verificação Fiscal, às folhas 317 do processo digital e seguintes: A empresa A C Comercial Importadora e Exportadora Ltda. celebrou contrato de industrialização por encomenda com a empresa Indústrias Todeschini S/A, CNPJ 76.483.890/000100 (atual ITSA Indústrias S/A), em 21/11/2006, pelo qual adquire a matéria prima e as embalagens necessárias ao processo e as Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10980.727959/201386 Acórdão n.º 3302006.106 S3C3T2 Fl. 6 9 remete à industrializadora (ITSA), que fabrica produtos alimentícios (massas e biscoitos) e envia os produtos acabados à contratante (A C Comercial), para comercialização. Um típico caso de industrialização por encomenda (documento 07). O contrato estipula que, como remuneração pelos serviços de industrialização por encomenda prestados pela Todeschini (ITSA), a A C Comercial pagará mensalmente “o valor correspondente à integralidade dos custos de produção inerentes ao processo de industrialização” (Cláusula Quinta), além de uma quantia de R$ 130.000,00 mensais (Parágrafo Primeiro da Cláusula Quinta). Na prática a A C Comercial arca com todos os custos da Todeschini. O controle contábil desse arranjo é feito com a utilização de 3 contas. Vejamos o funcionamento de cada uma. Ia conta: “117040 PARA CUSTOS OPERACIONAIS ( INDS. TODESCHINI )”, classificada no Plano de Contas da seguinte maneira: 100000 ATIVO 110000 CIRCULANTE 117000 OUTROS CRÉDITOS A RECEBER 117001 ADIANTAMENTO 117007 A FORNECEDOR 117040 PARA CUSTOS OPERACIONAIS (INDS. TODESCHINI) Tratase, portanto, de uma conta de adiantamento a fornecedor. Nesta conta são debitados os custos da Todeschini pagos pela A C Comercial a título de adiantamento vinculado à aquisição dos serviços de industrialização por encomenda. Em outras palavras, a A C Comercial adianta recursos na forma de pagamento dos custos da Todeschini, para que esta possa funcionar e fornecer o serviço de industrialização a ser adquirido pela A C Comercial. 2a conta: “117042 () FATURAMENTO INDL. TODESCHINI”, conta redutora da conta anterior, na qual são creditados os valores dos serviços prestados (faturados) pela Todeschini, com contrapartida debitada na conta 211059 INDUSTRIAS TODESCHINI S/A INDUSTRIALIZAÇÃO (fornecedor passivo circulante). Esses lançamentos representam os pagamentos ao fornecedor de serviços Todeschini. Na prática, portanto, estas duas contas, a 117040 e a ()l 17042, funcionam em conjunto como se fossem uma só, sendo debitada quando realizado um adiantamento (na forma de pagamento de um custo da Todeschini) e creditada quando pago o serviço de industrialização prestado pela Todeschini (baixa de fornecedor a pagar). Fl. 536DF CARF MF 10 O valor dos adiantamentos feitos em um mês não coincide exatamente com o total dos pagamentos, restando então um saldo entre as duas contas consideradas em conjunto. Para se ter uma idéia, no início de 2009 o saldo (devedor) da conta de adiantamento 117040 era 25.778.681,02, e o saldo (credor) da conta redutora () 117042 era de 29.521.070,63. Diante destes números, à primeira vista pode parecer que o total dos pagamentos à Todeschini até aquela data superava o total dos adiantamentos, mas não é isso que ocorre, conforme a explicação a seguir. O saldo credor da conta redutora ()l 17042 aumenta mês a mês, ano a ano. Ao contrário, a conta dos adiantamentos (117040), depois de receber no fim de cada ano um acréscimo substancial em seu saldo a título de juros sobre mútuo, tem parte de seu valor transferido para uma conta de adiantamento a fornecedor com vencimento a longo prazo, que é a 3a conta do esquema: 3a conta: “121006 INDUSTRIAS TODESCHINI S/A”, do Ativo Realizável a Longo Prazo. Esta conta recebe apenas um lançamento por ano, realizado em 31 de dezembro, que transfere um certo valor da conta de adiantamentos do Ativo Circulante (117040) para esta do Realizável a Longo Prazo: ü Débito: 121006 INDUSTRIAS TODESCHINI S/A; ü Crédito: 117040 PARA CUSTOS OPERACIONAIS (INDS. TODESCHINI). Ø Em 31/12/2009: 10.973.714,46; Ø Em 31/12/2010: 9.956.586,70; Ø Em 31/12/2011: 10.550.537,64. Portanto, considerandose também os adiantamentos com vencimento a longo prazo, cujo saldo no início de 2009 era de 15.267.677,86 (devedor), o saldo total dos adiantamentos feitos à Todeschini e ainda não baixados por pagamentos pelos serviços de industrialização era, no início daquele ano (01/01/2009): 778.681,02 29.521.070,63 + 15.267.677,86 = 11.525.288,25 (devedor) Este era, portanto, o saldo da contacorrente a favor da A C Comercial no início de 2009, caracterizando mútuo financeiro entre as empresas. Em relação aos juros sobre mútuo, mostramos, a seguir, os lançamentos de 31 de dezembro de cada ano: Débito: 117040 PARA CUSTOS OPERACIONAIS (INDS. TODESCHINI ) Crédito: 353007 ATUALIZAÇÃO MONETARIA S/MUTUO Em 31/12/2009: R$ 7.624.850,98 Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10980.727959/201386 Acórdão n.º 3302006.106 S3C3T2 Fl. 7 11 Histórico: VLR. REF. PROVISÕES JUROS S/CTA ADTO INDUSTRIALIZAÇÃO TODESCHINI CFE PLANILHA Em 31/12/2010: R$ 8.899.648,18 Histórico: VLR. REF. PROVISÃO JUROS S/CTA INDUSTRIALIZAÇÃO TODESCHINI CFE PLANILHA Em 31/12/2011: R$ 8.500.295,88 Histórico: VLR.REF.PROVISÃO JUROS S/CTA ADTO INDUSTRIALIZAÇÃO TODESCHINI CFE PLANILHA Transcreve, mais uma vez o artigo 586 do Código Civil de 2002 (Lei n° 10.406, de 2002): Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Estes serão os esteios para o deslinde da questão. Tomase por prisma a seguinte afirmação feita pela fiscalização: (...) o saldo devedor do mútuo só se altera no fim do mês, que é quando fica definido o valor adiantado no mês para fins de aquisição de serviços da Todeschini e não baixado pelos 7respectivos pagamentos mensais (o valor dos pagamentos mensais corresponde à emissão das notas fiscais pela Todeschini). Explicando a diferença entre as duas colunas assinaladas: Fl. 538DF CARF MF 12 ü Quando negativa, significa que o total pago à Todeschini no mês foi maior que o total adiantado, resultando em diminuição no saldo do mútuo; Sobre a questão, o Acórdão de Impugnação assim conclui (folhas 462 do processo digital): De se dizer que a autoridade fiscal, em momento algum, descaracterizou as operações realizadas pela empresa com sua contratada ITSA. O que se verificou foi a ocorrência de maior pagamento direcionado à contratada do que o fornecimento de produtos acabados enviados à AC Comercial, gerando sim, nos anos de 2009, 2010 e 2011, saldos em favor de AC, caracterizando mútuo financeiro entre as empresas. Digase que assim também entendia a Impugnante, tanto é que registrava lançamentos na conta 353007 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA S/ MÚTUO: (...) (Grifo e negrito nossos) |Em linhas gerais, podese caracterizar o Contrato de Mútuo a partir das seguintes premissas ( em http://www.normaslegais.com.br/guia/clientes/mutuo.htm, 29/04/2018): CONTRATO DE MÚTUO O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. Coisas fungíveis é a característica de bens que podem ser substituídos por outro da mesma espécie, qualidade ou quantidade (exemplo: dinheiro, mercadorias). PARTES Mutuante é a parte que empresta. Mutuário é a parte que recebe o empréstimo. OBRIGAÇÕES DO MUTUÁRIO O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Este empréstimo transfere o domínio da coisa emprestada ao mutuário, por cuja conta correm todos os riscos dela desde a tradição (entrega). O Termo de Verificação Fiscal assim se inicia ( folhas 317 do processo digital ): A empresa A C Comercial Importadora e Exportadora Ltda. celebrou contrato de industrialização por encomenda com a empresa Indústrias Todeschini S/A, CNPJ 76.483.890/000100 (atual ITSA Indústrias S/A), em 21/11/2006, pelo qual adquire a matéria prima e as embalagens necessárias ao processo e as remete à industrializadora (ITSA), que fabrica produtos alimentícios (massas e biscoitos) e envia os produtos acabados à Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10980.727959/201386 Acórdão n.º 3302006.106 S3C3T2 Fl. 8 13 contratante (A C Comercial), para comercialização. Um típico caso de industrialização por encomenda (documento 07). O contrato estipula que, como remuneração pelos serviços de industrialização por encomenda prestados pela Todeschini (ITSA), a A C Comercial pagará mensalmente “o valor correspondente à integralidade dos custos de produção inerentes ao processo de industrialização” (Cláusula Quinta), além de uma quantia de R$ 130.000,00 mensais (Parágrafo Primeiro da Cláusula Quinta). Na prática a A C Comercial arca com todos os custos da Todeschini. É tido como ponto incontroverso que o contrato em análise tem por objeto serviços de industrialização por encomenda prestados pela Todeschini à A C Comercial. Se a empresa Todeschini recebe recursos da empresa A.C. COMERCIAL e como contrapartida fornece produtos industrializados, a princípio não se pode falar em restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Contudo, no Termo de Verificação Fiscal, folhas 319 e 320 do processo digital, há uma informação que claramente comunga com a prática de mútuo: A conta 353007 ATUALIZAÇÃO MONETARIA S/MUTUO é uma conta de resultado (receita), assim classificada no Plano de Contas da empresa: 300000 RESULTADO DO EXERCÍCIO 350000 RESULTADO FINANCEIRO 353000 VARIACAO MONETARIA E CAMBIAL ATIVA 353001 VARIACAO MONETARIA ATIVA 353003 DE INSTITUIÇÃO FINANCEIRA (sic) 353007 ATUALIZAÇÃO MONETARIA S/MUTUO Em síntese, os adiantamentos não baixados com pagamentos pelos serviços de industrialização formam um mútuo de recursos financeiros entre as empresas, inclusive anualmente acrescido de juros. Tal mútuo não possui valor e prazo definidos ou contrato formalmente celebrado entre as partes, conforme informou a A C Comercial na resposta ao item 2 do Termo de Intimação Fiscal n° 03: Questão: “2. Esclarecer, por escrito, como foram calculados os juros sobre os adiantamentos à ITSA (...) e apresentar o respectivo contrato que estabelece os juros sobre o mútuo” Resposta: Fl. 540DF CARF MF 14 “O cálculo dos juros sobre os adiantamentos da Todeschini sobre o saldo do mês, será acrescido mensalmente a correção pelo IGPM mais juros de 1%, aonde ficou estabelecido verbalmente a utilização do mesmo critério do Contrato de Industrialização conforme Cláusula quinta parágrafo segundo.” (sic) Dessa forma, mais que uma constatação, uma admissão por parte das empresas envolvidas, de que: 1. Sobre os adiantamentos da Todeschini incide mensalmente a correção pelo IGPM mais juros de 1%. Esse é o ponto nevrálgico da testilha. Não se trata de um mero adiantamento, mas um adiantamento sujeito à correção pelo IGPM mais juros de 1%. De outro modo, mensalmente o saldo diferença entre o total pago à Todeschini e o total adiantado – sofre a correção pelo IGPM mais juros de 1%. Mas, ainda assim, não se consegue formatar a situação descrita – o adiantamento do “valor correspondente à integralidade dos custos de produção inerentes ao processo de industrialização” (Cláusula Quinta), em face de uma industrialização por encomenda – no conceito de mútuo, justamente pela ausência da restituição de coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Em destaque, mais uma vez, o item 14 do Termo de Verificação Fiscal, às folhas 322 do processo digital, explicação que precede a planilha de cálculo reproduzida a pouco. 14. Determinação dos saldos devedores diários em 2009: o saldo devedor do mútuo só se altera no fim do mês, que é quando fica definido o valor adiantado no mês para fins de aquisição de serviços da Todeschini e não baixado pelos respectivos pagamentos mensais (o valor dos pagamentos mensais corresponde à emissão das notas fiscais pela Todeschini): (Grifo e negrito nossos) Assim, o próprio Termo de Verificação Fiscal avaliza que o saldo dos adiantamentos, terá por contrapartida a aquisição de serviços da Todeschini. Não sendo essa uma restituição de coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade, não há o que se falar em mútuo, ainda que o saldo dos adiantamentos seja sujeito à correção e juros. A inexistência da multa e seu caráter confiscatório. DAS PENALIDADES. DA ARGUIÇÃO DE CONFISCO E DESRESPEITO AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. Quanto às acusações de inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação que embasou a autuação, devese esclarecer que, sendo as Delegacias da Receita Federal de Julgamento do Brasil DRJ órgãos do Poder Executivo, não lhes compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10980.727959/201386 Acórdão n.º 3302006.106 S3C3T2 Fl. 9 15 ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. Assim, falece competência ao julgador administrativo para exercer esse juízo de constitucionalidade deixando de aplicar normas integrantes do ordenamento jurídico, em face da mera alegação suscitada em processo administrativo, ressalvadas as hipóteses previstas no art. 26A, § 6º, do Decreto nº 70.235/1972, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, que não se identificam com o caso concreto. “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993.” Ressaltese que a atividade administrativa do lançamento é obrigatória e vinculada, sob pena de responsabilidade funcional, consoante disposição expressa do art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Portanto, a autoridade fiscal não pode eximir se de cumprir seu dever legal de aplicar a multa no exato quantum previsto em lei, sendolhe vedado dispensar ou reduzir penalidades sem previsão legal. É o que dispõe o art. 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional (CTN): “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.” Fl. 542DF CARF MF 16 A solução inversa, ou seja, assentir com a redução da multa, sem que isso esteja previsto em lei, implicaria sustentar que a vontade da autoridade administrativa sobrepõese à norma escrita, alterando, dessa maneira, a própria obrigação tributária, o que resultaria afronta ao princípio da legalidade, que norteia toda a atividade do setor público. Sobre legalidade e atividade administrativa, escreve JOSÉ AFONSO DA SILVA, citando HELY LOPES MEIRELLES: "(...) Lembra Hely Lopes Meirelles que ‘a eficácia de toda a atividade administrativa está condicionada ao atendimento da lei.’ ‘Na administração pública’, prossegue, ‘não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. A lei para o particular significa pode fazer assim; para o administrador significa deve fazer assim.’ " (destaquei) (SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo, 9ª ed., Malheiros, São Paulo, 1996, pág. 373) Ao discorrer sobre atos vinculados, ensina HELY LOPES MEIRELLES: “Nessa categoria de atos, as imposições legais absorvem, quase que por completo, a liberdade do administrador, uma vez que sua ação fica adstrita aos pressupostos estabelecidos pela norma legal para a validade da atividade administrativa.” (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 17ª edição, atualizada por Eurico de Andrade Azevedo, Délcio Balesteiro Aleixo e José Emmanuel Burle Filho. São Paulo: Malheiros, 1992, pg. 149) Cabe ressaltar que o presente julgamento também constitui atividade vinculada e, assim, cingese aos ditames legais aplicáveis à espécie, o que impede a adoção de quaisquer orientações doutrinárias ou jurisprudenciais que, fundadas em argumentos de razoabilidade ou proporcionalidade, propugnam a redução ou dispensa de multas. A exclusão ou redução de multas, em se constituindo uma situação excepcional, eis que dispensa a prática, por parte da autoridade administrativa, de uma atividade vinculada e obrigatória, deve ser feita tãosomente nas hipóteses expressamente previstas na legislação, sem o que equivaleria aventar que a atividade ora exercida seria uma atividade discricionária quando, ao contrário, se trata de atividade vinculada. Ainda no que tange aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, o seu emprego pela instância julgadora administrativa não vai a ponto de autorizar a dispensa ou redução de multas, quando expressas na lei em valor ou percentual único, sem que haja expressa previsão legal para graduação da penalidade dentro de uma faixa variável de valor, a ser fixado em cada caso pela autoridade fiscal, levandose em conta determinados critérios, tais como natureza ou às circunstâncias materiais do fato ou extensão dos seus efeitos. A lei em comento não confere âmbito de discricionariedade à autoridade administrativa no tocante à dosimetria da punição, sendo suficiente que se caracterize a situação descrita na lei para que haja a aplicação da penalidade no percentual único previsto. Assim, a matéria em pauta não comporta alegação de ofensa ao princípio da razoabilidade e proporcionalidade. Ademais, o exame da proporcionalidade entre o fato infracional e o valor da multa não é passível de exame neste foro, porquanto a autoridade administrativa não pode usurpar a competência do legislador para alterar o valor da multa definido na lei. O citado juízo Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10980.727959/201386 Acórdão n.º 3302006.106 S3C3T2 Fl. 10 17 de proporcionalidade foi exercido pelo legislador ao aprovar a lei fixando o valor da multa, somente podendo ser revisto pelo próprio Poder Legislativo ou, em caso de inconstitucionalidade, pelo Judiciário, estando, porém, fora da esfera de competência da autoridade administrativa a quem cabe tãosomente aplicar a lei. Portanto, o órgão administrativo não detém competência legal para dispensar ou reduzir multas, sem que isso esteja expressamente previsto em lei. Nesse mesmo sentido aponta a jurisprudência administrativa: “(...). MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária. (Súmula nº 1º CC nº 2). (Primeiro Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, Acórdão nº 10196.612, processo 11618.003150/200556, Relª Cons. Sandra Maria Faroni; sessão de 06/03/2008, DOU 10/09/2008, pág. 23) “MULTA. PENALIDADE. A aplicação de percentual de multa determinado em lei não afronta os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, nem o princípio da vedação ao confisco, dado seu caráter punitivorepressivo. Recurso negado.” (Segundo Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Acórdão nº 20217.799, processo nº 11543.001077/200418, sessão de 28 de fevereiro de 2007). Compete às DRJ tãosomente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. A não incidência de juros de mora (Selic) sobre a multa de ofício. A matéria já se encontra pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais através de Súmula. Súmula CARF n° 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Contribuinte, no que tange ao MÉRITO, afastando a exigência dada a não ocorrência do fato gerador do imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários IOF. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator. Fl. 544DF CARF MF 18 Voto Vencedor Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Redator designado. Sem embargo das razões ofertadas pela recorrente e das brilhantes considerações tecidas pelo i. conselheiro Relator, o Colegiado, pelo voto de sua maioria, firmou entendimento de que a exigência fiscal deve ser mantida no caso do recurso voluntário. A divergência foi inaugurada pelo e. conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho que alertou para o fato de em todos os períodos auditados (2009 a 2011) uma empresa receber recursos financeiros da outra e nunca saldar a dívida, sendo sempre lançados os saldos para frente, como se fosse um mútuo sem data para terminar. Com base nisso, atentei para o voto do i. conselheiro Jorge Lima Abud, e encontrei no próprio voto as razões para o desprovimento do recurso especial. Começando pela terceira conta da contabilidade da recorrente que fecha o esquema que transforma, todo final de ano, a dívida da mutuária, presente no circulante da mutuante, dívida do realizável a longo prazo: (...) Na prática a A C Comercial arca com todos os custos da Todeschini. O controle contábil desse arranjo é feito com a utilização de 3 contas. Vejamos o funcionamento de cada uma. Ia conta: “117040 PARA CUSTOS OPERACIONAIS ( INDS. TODESCHINI )”, classificada no Plano de Contas da seguinte maneira: 100000 ATIVO 110000 CIRCULANTE 117000 OUTROS CRÉDITOS A RECEBER 117001 ADIANTAMENTO 117007 A FORNECEDOR 117040 PARA CUSTOS OPERACIONAIS (INDS. TODESCHINI) Tratase, portanto, de uma conta de adiantamento a fornecedor. Nesta conta são debitados os custos da Todeschini pagos pela A C Comercial a título de adiantamento vinculado à aquisição dos serviços de industrialização por encomenda. Em outras palavras, a A C Comercial adianta recursos na forma de pagamento dos custos da Todeschini, para que esta possa funcionar e fornecer o serviço de industrialização a ser adquirido pela A C Comercial. 2a conta: “117042 () FATURAMENTO INDL. TODESCHINI”, conta redutora da conta anterior, na qual são creditados os valores dos serviços prestados (faturados) pela Todeschini, com contrapartida debitada na conta 211059 INDUSTRIAS TODESCHINI S/A INDUSTRIALIZAÇÃO (fornecedor passivo circulante). Esses lançamentos representam os pagamentos ao fornecedor de serviços Todeschini. Na prática, portanto, estas duas contas, a 117040 e a ()l 17042, funcionam em conjunto como se fossem uma só, sendo debitada quando realizado um adiantamento (na forma de pagamento de um custo da Todeschini) e creditada quando Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10980.727959/201386 Acórdão n.º 3302006.106 S3C3T2 Fl. 11 19 pago o serviço de industrialização prestado pela Todeschini (baixa de fornecedor a pagar). O valor dos adiantamentos feitos em um mês não coincide exatamente com o total dos pagamentos, restando então um saldo entre as duas contas consideradas em conjunto. Para se ter uma idéia, no início de 2009 o saldo (devedor) da conta de adiantamento 117040 era 25.778.681,02, e o saldo (credor) da conta redutora () 117042 era de 29.521.070,63. Diante destes números, à primeira vista pode parecer que o total dos pagamentos à Todeschini até aquela data superava o total dos adiantamentos, mas não é isso que ocorre, conforme a explicação a seguir. O saldo credor da conta redutora ()l 17042 aumenta mês a mês, ano a ano. Ao contrário, a conta dos adiantamentos (117040), depois de receber no fim de cada ano um acréscimo substancial em seu saldo a título de juros sobre mútuo, tem parte de seu valor transferido para uma conta de adiantamento a fornecedor com vencimento a longo prazo, que é a 3a conta do esquema: 3a conta: “121006 INDUSTRIAS TODESCHINI S/A”, do Ativo Realizável a Longo Prazo. Esta conta recebe apenas um lançamento por ano, realizado em 31 de dezembro, que transfere um certo valor da conta de adiantamentos do Ativo Circulante (117040) para esta do Realizável a Longo Prazo: Débito: 121006 INDUSTRIAS TODESCHINI S/A; Crédito: 117040 PARA CUSTOS OPERACIONAIS (INDS. TODESCHINI). Em 31/12/2009: 10.973.714,46; Em 31/12/2010: 9.956.586,70; Em 31/12/2011: 10.550.537,64. Portanto, considerandose também os adiantamentos com vencimento a longo prazo, cujo saldo no início de 2009 era de 15.267.677,86 (devedor), o saldo total dos adiantamentos feitos à Todeschini e ainda não baixados por pagamentos pelos serviços de industrialização era, no início daquele ano (01/01/2009): 778.681,02 29.521.070,63 + 15.267.677,86 = 11.525.288,25 (devedor) Este era, portanto, o saldo da contacorrente a favor da A C Comercial no início de 2009, caracterizando mútuo financeiro entre as empresas. (...) Fl. 546DF CARF MF 20 Outro detalhe que corrobora a existência, na prática, do mútuo entre as empresas é o fato de haver atualização monetária mensal sobre o saldo dos adiantamentos entregues por uma empresa à outra: (...) Contudo, no Termo de Verificação Fiscal, folhas 319 e 320 do processo digital, há uma informação que claramente comunga com a prática de mútuo: A conta 353007 ATUALIZAÇÃO MONETARIA S/MUTUO é uma conta de resultado (receita), assim classificada no Plano de Contas da empresa: 300000 RESULTADO DO EXERCÍCIO 350000 RESULTADO FINANCEIRO 353000 VARIACAO MONETARIA E CAMBIAL ATIVA 353001 VARIACAO MONETARIA ATIVA 353003 DE INSTITUIÇÃO FINANCEIRA (sic) 353007 ATUALIZAÇÃO MONETARIA S/MUTUO Em síntese, os adiantamentos não baixados com pagamentos pelos serviços de industrialização formam um mútuo de recursos financeiros entre as empresas, inclusive anualmente acrescido de juros. Tal mútuo não possui valor e prazo definidos ou contrato formalmente celebrado entre as partes, conforme informou a A C Comercial na resposta ao item 2 do Termo de Intimação Fiscal n° 03: Questão: “2. Esclarecer, por escrito, como foram calculados os juros sobre os adiantamentos à ITSA (...) e apresentar o respectivo contrato que estabelece os juros sobre o mútuo” Resposta: “O cálculo dos juros sobre os adiantamentos da Todeschini sobre o saldo do mês, será acrescido mensalmente a correção pelo IGPM mais juros de 1%, aonde ficou estabelecido verbalmente a utilização do mesmo critério do Contrato de Industrialização conforme Cláusula quinta parágrafo segundo.” (sic) Dessa forma, mais que uma constatação, uma admissão por parte das empresas envolvidas, de que: Sobre os adiantamentos da Todeschini incide mensalmente a correção pelo IGPM mais juros de 1%. Esse é o ponto nevrálgico da testilha. Não se trata de um mero adiantamento, mas um adiantamento sujeito à correção pelo IGPM mais juros de 1%. De outro modo, mensalmente o saldo diferença entre o total pago à Todeschini e o total adiantado – sofre a correção pelo IGPM mais juros de 1%. (...) Ao meu sentir, a dificuldade encontrada pelo i. relator para ver caracterizado o mútuo no caso vertente Não sendo essa uma restituição de coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade, não há o que se falar em mútuo, ainda que o saldo dos adiantamentos seja sujeito à correção e juros ocorre porque seus olhos estavam voltados para o contrato de Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10980.727959/201386 Acórdão n.º 3302006.106 S3C3T2 Fl. 12 21 industrialização por encomenda celebrado; e a caracterização do mútuo ocorre, em verdade quando tal contrato opera, na prática, e isso fica claro apenas na contabilidade, que registra todas as operações relativas a tal contrato. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 548DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.724463/2014-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 11/01/2011 a 16/01/2014
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. MULTA.
A ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, consiste em infração punível com a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou tenha sido consumida.
Recurso especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-007.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de impedimento do conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire suscitada pelo patrono em sede de petição. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Julgamento iniciado na reunião 10/2018.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 11/01/2011 a 16/01/2014 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. MULTA. A ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, consiste em infração punível com a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou tenha sido consumida. Recurso especial do Procurador provido.
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OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. MULTA. A ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, consiste em infração punível com a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou tenha sido consumida. Recurso especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de impedimento do conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire suscitada pelo patrono em sede de petição. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Julgamento iniciado na reunião 10/2018. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 44 63 /2 01 4- 94 Fl. 5268DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência do Procurador (fls. 4960/4981), admitido pelo despacho de fls. 5040/5043. Insurgese contra o Acórdão 3402004.366 (fls. 4932/4958), de 30/08/2017, que restou assim ementado na parte objeto do recurso: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA PARA O IMPORTADOR FORMAL. IMPOSSIBILIDADE. SANÇÃO MAIS ESPECÍFICA. MULTA DE 10% PELA CESSÃO DE NOME. ERRO DE DIREITO Na hipótese de interposição fraudulenta, a sanção a ser aplicada ao importador que formalmente aparece para o controle aduaneiro é, em razão da sua especialidade, aquela capitulada no art. 33 da lei n. 11.488/07 e não a sanção prescrita no art. 23, inciso V do Decretolei nº 1455/76. Erro de direito configurado. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. PROVA O vasto e elucidativo acervo probatório produzido pelos recorrentes nos autos é suficiente para demonstrar a inexistência de interposição fraudulenta comprovada no caso em espécie. Em verdade, o que existe são atividades lícitas, promovidas em compasso com as ideias de livre iniciativa privada e autonomia de vontade, sem qualquer mácula de caráter aduaneiro e/ou fiscal. Recursos voluntários providos. Sanções aduaneiras afastadas. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro, Pedro Bispo e Jorge Freire. O especial fazendário colaciona como paradigma o aresto 3302004.291, cuja ementa no que pertine ao recurso abaixo se transcreve, fazendo o devido cotejo analítico da matéria versada nestes autos com a debatida naqueles: ADIANTAMENTO DE RECURSOS FINANCEIROS PARA FINANCIAR OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OPERAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. LEI Nº 10.637/2002, ARTIGO 27 A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da MP nº 2.158 35/2001. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. Considerase fraudulenta a ocultação intencional do real adquirente nas operações presumidas por conta e ordem, consistindo em dano ao Erário, de acordo com o artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976. A pena de perdimento será convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, quando a Fl. 5269DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 4 3 mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” Consigna a Fazenda que revestese "a interposição fraudulenta como o ato em que uma pessoa se apresenta como titular de uma operação no comércio exterior, sem, no entanto, sêlo de fato, encartandose fraudulentamente entre o ente público e o real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, com o fim de ocultar este, o qual colima esquivar se de seus deveres". E acresce: No tocante à importação por conta e ordem de terceiro, a sua previsão legal adveio com a MP n.º 2.15835/2001, que em seu art. 80, I, estabelece a possibilidade de a Secretaria da Receita Federal estabelecer requisitos e condições ao importador que efetuar tal operação. Na mesma direção, foi editada a Medida Provisória n.º 66, de 29/08/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002, com o objetivo de aperfeiçoar a legislação aduaneira e obviar atuações fraudulentas no comércio exterior, no que se enquadrou como infração que causa dano ao Erário, nas importações e exportações, a ocultação do sujeito passivo, vendedor ou adquirente, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiro. Aduz que em conformidade com as fartas provas colacionadas, a fiscalização demonstrou que a Oito Brasil era a verdadeira destinatária das mercadorias que foram importadas pela Glikimport, pontuando a relevância dos dados constantes na contabilidade e nos recursos oriundos daquela em data e valores muito próximos dos custos das importações analisadas. Transcreve o seguinte excerto do auto de infração a atestar sua assertiva: “Por meio do cruzamento dos dados fornecidos pela GLIKIMPORT, através do ANEXO 1 e dos extratos bancários (<Documentos Diversos Outros – Documentos Entregues pela GLIKIMPORT Extratos>), chegouse, mais uma vez, a conclusão de que existiu, sim, adiantamento de recursos por parte do cliente da GLIKIMPORT, a OITO BRASIL. O quadro abaixo mostra que no mesmo dia do pagamento para a importadora SERTRADING dos valores das notas fiscais de vendas das mercadorias importadas por encomenda, ou em dias muito próximos, a OITO BRASIL depositava, de forma recorrente, valores semelhantes na conta da GLIKIMPORT. Há também depósitos de valores maiores aos pagamentos à SERTRADING, mas que são facilmente explicados uma vez que havia também no mesmo dia outros pagamentos a serem realizados pela GLIKIMPORT como pagamentos de tributos (ICMS, IRPJ e Contribuições). Exemplificando: no dia 14/02/11, abaixo, foi feito o pagamento de R$ 245.444,25 para pagamento da NF 5323 e no mesmo dia houve um deposito de R$ 251.000,00 na conta da GLIKIMPORT Fl. 5270DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 5 4 feito pela empresa OITO BRASIL e assim sucessivamente para pagamento da SERTRADING. No dia 28/02/11, abaixo, foi feito o pagamento de R$ 477.256,75 para pagamento da NF 5529 e no mesmo dia houve um deposito de R$ 655.000,00 feito pela OITO BRASIL. Este valor está a maior por uma razão clara, nesse mesmo dia houveram pagamentos de tributos feito pela GLIKIMPORT de aproximadamente R$ 168.000,00. Total de despesas aproximadas de R$ 645.256,75. Essas informações são a prova cabal de que quem realmente pagava por essas importações era a Real Adquirente das mercadorias, a OITO BRASIL. Ou seja, a GLIKIMPORT cedeu seu nome para OITO BRASIL nas DIs mencionadas, ocultando a, com a finalidade de fraudar o Controle Aduaneiro. (...)6.7.3 – DOS EXTRATOS BANCÁRIOS Através dos extratos bancários, entregues pela empresa GLIKIMPORT (<Documentos Diversos Outros – Documentos Entregues pela GLIKIMPORT Extratos>), corroborei as informações de pagamentos de seu cliente. Os extratos mostram recebimentos (depósitos) do cliente, OITO BRASIL, de fácil identificação, ou seja, nominal, e no mesmo dia, ou em dias muito próximos, ao pagamentos de títulos de outros bancos. Os extratos mostram que a OITO BRASIL pagava indiretamente títulos identificados nos extratos bancários como “PFOR TIT OURTROS BANCOS”. Esses títulos nada mais eram que títulos em nome da SERTRADING, referente aos pagamentos das notas fiscais de venda das mercadorias importadas por encomenda, conforme já explicitado no item 6.7.2. Importante ressaltar que os extratos mostram nitidamente que sem esses depósitos feitos pela a OITO BRASIL a GLIKIMPORT não teria condições de efetuar os pagamentos das importações feito pela SERTRADING. Os extratos mostram também que além dos pagamentos efetuados a SERTRADING a OITO BRASIL pagava de forma recorrente pelos tributos da GLIKIMPORT, ou seja, ICMS, CSLL, IRPJ, o que demonstra mais uma vez que ela é financiada pela OITO BRASIL. Em outras palavras, a OITO BRASIL criou a GLIKIMPORT com o intuito de se ocultar do controle Aduaneiro e consequentemente obter vantagens diversas, entre elas o não pagamento do IPI equiparado a industrial que será mais detalhado no item 7.0. Abaixo ilustro alguns casos dos depósitos efetuados pela OITO BRASIL nos extratos da GLIKIMPORT: Fl. 5271DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 6 5 Conclui que por todos os elementos de prova, "está devidamente tipificada a infração descrita no artigo 23, inciso V do Decretolei 1.455/76". Ademais, procura a Fazenda demonstrar que a multa por cessão de nome, tipificada no art. 33 da Lei 11.488/2007, pode ser aplicada em conjunto com a pena de perdimento, inclusive acostando paradigmas nesse sentido. Fl. 5272DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 7 6 Contudo, delimitando a contenda, nestes autos o objeto do lançamento trata se tãosomente da pena de perdimento convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro. A multa por cessão de nome foi aplicada à empresa Glikimport, objeto de outros autos, julgados na mesma sentada do acórdão ora recorrido. Nestes autos a Glikimport foi autuada como responsável solidária. Em contrarrazões (fls. 5082/5100), informa a autuada que "houve trânsito em julgado do acórdão 3402004.365, proferido no PAF 10314.723792/201418, devido à expressa renúncia da União em interpor recurso especial em tal caso". No referido processo é que houve imputação à Glikimport da multa por cessão de nome à Oito Brasil. Na sequência, alega que em relação ao acórdão 3302.004.291, não houve "o cotejo analítico entre o suposto paradigma e os fundamentos vitoriosos do Ilmo. Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, acompanhado pela maioria daquela Turma", postulando o não conhecimento do recurso. Por fim, pede a improcedência do especial de divergência. O processo foi a mim sorteado em 20/09/2018 e o pautei para julgamento para as Sessões de outubro de 2018 (a publicação da Pauta deuse no DOU nº 192, de 04/10/2018, Seção 1, págs. 30 à 31). O contribuinte peticionou em 27/09/2018 (fl. 5116) alegando meu impedimento para participar do julgamento deste recurso especial sob o seguinte fundamento: É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator IMPEDIMENTO Acerca da petição que alega meu impedimento para ser relator do especial e, mesmo, de participar do julgamento deste sob a alegação de que tendo participado do julgamento na Câmara baixa, estaria eu, ipso facto, impedido, nos termos do art. 42, § 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), absolutamente despropositada. Causame até certa estranheza, pois não raro os membros desta 3ª Turma fizeram parte de Turma Ordinárias, e o Regimento é expresso sobre a matéria. Fl. 5273DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 8 7 De asseverar, preambularmente, que não fui relator do Acórdão recorrido, nº 3402004.366 (fls. 4932/4958), de 30/08/2017, tendo apenas feito declaração de voto nos termos regimentais. Sobre o impedimento, regula o art. 42 do RICARF, nos seguintes termos: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: I atuado como autoridade lançadora ou praticado ato decisório monocrático; II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; e III como parte, cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 3º (terceiro) grau. § 1º Para efeitos do disposto no inciso II do caput, considerase existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes preste ou tenha prestado consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ou perceba remuneração do interessado, ou empresa do mesmo grupo econômico, sob qualquer título, no período compreendido entre o primeiro dia do fato gerador objeto do processo administrativo fiscal até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso. § 2º As vedações de que trata o § 1º também são aplicáveis ao caso de conselheiro que faça ou tenha feito parte como empregado, sócio ou prestador de serviço, de escritório de advocacia que preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, bem como tenha atuado como seu advogado, nos últimos cinco anos. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) § 3º O conselheiro estará impedido de atuar como relator em recurso de ofício, voluntário ou recurso especial em que tenha atuado, na decisão recorrida, como relator ou redator relativamente à matéria objeto do recurso. Os incisos I, II e III a mim não se aplicam e sobre eles o contribuinte não se refere. A matéria resta perfeitamente esclarecida no § 3º do art. 42 que, às explícitas, consigna que só haverá impedimento do Conselheiro relator do recurso especial caso na decisão recorrida tenha atuado como relator. E por mais de uma vez declareime impedido justamente por ter sido relator na decisão recorrida, o que não ocorre no caso em testilha. Ora, basta ler o aresto recorrido para ver que o relator foi outro conselheiro. Assim, não há que se falar em meu impedimento para relatar o presente recurso, vez que no recorrido apenas fui voto vencido, tendo optado por fazer declaração de voto. Portanto, não fui "redator do voto vencido", uma vez que o voto vencedor foi de lavra do relator. Fl. 5274DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 9 8 Para que dúvidas não pairem, solicito que a votação seja encaminhada no sentido de que, primeiramente, esta 3ª Turma da CSRF vote o incidente de impedimento, e que o resultado dessa votação conste na Ata de Julgamento. CONHECIMENTO Em relação à multa por cessão de nome, equivocase a recorrente, pois a mesma não foi objeto destes autos, e sim do processo 10314.723792/201418, que, segundo informado nas contrarrazões ao recurso, não foi objeto de recurso especial fazendário. Creio que a douta Procuradoria tenha se equivocado porque os acórdãos, embora distintos por processo, tenham abarcado a lide como um todo, pois dúvida não há quanto à promiscuidade entre as empresas Oito Brasil e Glikimport. Fato, porém, que nestes autos o mérito exclusivo é o perdimento de mercadoria por dano ao erário convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro. Assim, tomo por prejudicado o recurso em relação àquela matéria, posto que estranha aos autos. Há, ainda, um terceiro processo conexo, de nº 10314.724465/201483, que trata do lançamento do IPI, sobre o qual não se tem notícia se foi objeto de recurso especial. Talvez o fato de que o corpo da descrição dos fatos e penalidades aplicáveis terem sido a mesma para os 3 processos, embora nítido o enquadramento e a penalidade distinta por processo, possa ter induzido a recorrente a erro. Quanto ao conhecimento dessa matéria, não tenho dúvida que o mesmo deva ser conhecido, não havendo que se falar em preclusão lógica porque a Fazenda não tenha recorrido em relação ao processo de outra empresa, a Glikimport, eis que se tratam de infrações distintas, em que pese o mesmo conjunto probatório. Até causa perplexidade essa alegação à medida que o núcleo da defesa da autuada centrase na liberdade para abertura de distintas empresas. O certo é que afasto essa alegação. O que temos no autos é a constatação de que a Oito Brasil, com fins escusos a que me reportarei quando do enfrentamento do mérito, "criou" a Glikimport utilizandoa como interposta pessoa para importação dos produtos de beleza que comercializa. Portanto, esse é o núcleo da controvérsia, a interposição fraudulenta na importação. Desse fato é que decorrem as infrações imputadas pelo Fisco, quer à autuada nestes autos, quer à interposta pessoa, a Glikimport no processo em que lhe é imputada cessão de nome. E o recorrido trata exatamente dessa matéria. Vejase: ADIANTAMENTO DE RECURSOS FINANCEIROS PARA FINANCIAR OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OPERAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. LEI Nº 10.637/2002, ARTIGO 27 A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da MP nº 2.15835/2001. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. Considerase fraudulenta a ocultação intencional do real adquirente nas operações presumidas por conta e ordem, consistindo em dano ao Erário, de acordo com o artigo 23 do Fl. 5275DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 10 9 Decretolei nº 1.455/1976. A pena de perdimento será convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida. O acórdão recorrido decidiu, por maioria de votos, que, diante do vasto e elucidativo acervo probatório produzido pelo contribuinte, restou claro que não houve interposição fraudulenta, mas sim operações empresariais válidas. Afirma ainda que se houvesse o financiamento da Glikimport por parte da Oito Brasil, haveria, por conseguinte, uma movimentação de estoques das duas empresas. De sua feita, o acórdão paradigma decidiu de forma contrária, quando afirma que há presunção de interposição fraudulenta quando houver operação presumida por conta e ordem, consistindo em dano ao erário, caracterizada pela utilização de recursos de terceiros, com base na prova produzida na ação fiscalizatória. A divergência única é quanto à análise da prova. Percebese que na declaração de voto constante do aresto recorrido fica evidente que houve transferências bancárias da Oito Brasil para a Glikimport com o intuito de pagamentos de títulos referentes a notas fiscais de vendas de mercadorias importadas. Essas transferências demonstram a utilização de recursos financeiros da Oito Brasil pela Glikimport o que caracterizaria operação presumida por conta e ordem com o respectivo dano ao erário, tal qual decidido pelo acórdão paradigma e desconsiderado pelo voto vencedor do acórdão recorrido. Portanto, a mim resta evidente a similitude fática, demonstrada analiticamente pela Fazenda. Em consequência, é de ser conhecido o recorrido na matéria versada nestes autos, qual seja, a pena de perdimento da mercadoria convertida em multa equivalente a cem por cento do valor aduaneiro ante a constatação de interposição fraudulenta na importação. MÉRITO Acerca do mérito, já tive oportunidade de analisálo detidamente, tanto que por discordar diametralmente do voto vencedor, que, com a devida vênia, esquivouse de analisar o vasto material probatório acostado aos autos pela fiscalização em proficiente trabalho, vime forçado a apresentar declaração de voto A mim restou evidente que foi montado um "esquema", sem qualquer business purpose (propósito negocial) para criação da Glikimport com o fito exclusivo de reduzir o IPI pago pela Oito Brasil, na condição de equiparada a industrial como a seguir passo a discorrer. Não haveria outro motivo para que a Oito Brasil não efetuasse ela mesma, por qualquer modalidade, as importações das mercadorias se não a escrachada intenção de fraudar o Fisco reduzindo em milhões de Reais do valor de IPI a ser pago. O Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 (RIPI) preconiza: “Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); Fl. 5276DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 11 10 (...) IX os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 79, e Lei no 11.281, de 20 de fevereiro de 2006, art. 13); Inconteste da análise dos referidos processos, em relação aos quais participei do julgamento na Câmara baixa, que a empresa Glikimport Comércio importava por mercadorias estrangeiras (cosméticos das marcas L´anza e Paul Mitchell), para a Oito Brasil valendose, para tanto, da Sertrading (BR) Ltda. (“Sertrading”). E aqui pontuo fato essencial ao deslinde da quaestio: quando a importação é feita por conta e ordem (todas as operações foram feitas por conta e ordem da Glikimport por meio da trading Sertrading CNPJ 04.626.426/000106), cabe ao importador dispor da capacidade econômica para o pagamento da importação, pela via cambial e pesa sobre este a obrigação de revender as mercadorias importadas ao encomendante predeterminado, mas da mesma forma, o encomendante também deve ter capacidade econômica para adquirir, no mercado interno, as mercadorias revendidas pelo importador contratado. E como articulo na sequência, farto é o material probatório no sentido de que a Glikimport não dispunha dessa capacidade econômica, eis que quem arcava com o ônus da importação, consoante robusta documentação produzida e acostada aos autos, foi a Oito Brasil. Ademais, todas as mercadorias importadas pela empresa Glikimport Comércio eram, necessariamente, vendidas no mercado interno para a empresa Oito Brasil, a qual, por seu turno, distribuía tais bens para salões de beleza espalhados pelo país. A farta documentação produzida ao longo da ação fiscal, e devidamente articulada pelos agentes fiscais, é mais que suficiente para que se chegue a tal conclusão. Não se tratam os autos de planejamento tributário, mas sim de fraude tributária como, bem dito pelo Fisco, com o claro intento de ocultar o real adquirente, a Oito Brasil. Assevera a fiscalização que a Oito Brasil criou a Glikimport com o intuito de se ocultar ao controle aduaneiro e não pagar IPI, evitando equipararse a estabelecimento industrial. Como mencionado alhures, salta aos olhos a falta de qualquer propósito negocial, fato bem pontuado no relatório fiscal (fls. 02/91), digno de leitura, quando, em verdade, as empresas OITO BRASIL e GLIKIMPORT são uma só. O quadro societário de ambas as empresas é assim constituído, sendo seus endereços contíguos. Outro dado a demonstrar a identidade e confusão das empresas foram as informações coligidas junto ao 29º Tabelião de Notas. Vejase o descrito pelo Fisco quanto à essa informação (fl. 52 do processo de cobrança do IPI): Fl. 5277DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 12 11 Cabe ilustrar que a procuração entregue pelo senhor Renato Rudge foi emitida pelo Cartório do 29° Tabelião de Notas, no dia 19/01/2012, livro 1085, paginas 116/118, onde a GLIKIMPORT nomeia e constituí o senhor Renato Santos Telles Rudge, CPF 105.127.62848, o senhor Brunno Amadeu Muniz Barreto Romano, CPF 303.728.86809 e o senhor Cláudio Cabido Vasconcelos, CPF 041.630.68880 seus procuradores. Aos quais confere poderes para , isoladamente, independente da ordem de nomeação, tratar e resolver sobre qualquer assunto, negócio e interesse da outorgante, podendo praticar, resumidamente, entre outros, os seguintes atos: movimentar contas bancárias, emitir e endossar cheques, representála perante Repartições Públicas e etc. Dentre os documentos obtidos desse Cartório posso citar uma procuração emitida nos mesmos termos, no mesmo dia, no mesmo livro e na pagina seguinte da procuração entregue pelo senhor Renato Rudge, citada acima (<Documentos Diversos Outros – Documentos do Cartório>). Porém, a outorgante desta vez é a empresa OITO BRASIL, mas os procuradores são as mesmas pessoas: o senhor Renato Santos Telles Rudge, CPF 105.127.62848, o senhor Brunno Amadeu Muniz Barreto Romano, CPF 303.728.86809 e o senhor Cláudio Cabido Vasconcelos, CPF 041.630.68880. Ou seja, o senhor Renato Rudge e as demais pessoas citadas aqui são os administradores tanto da empresa GLIKIMPORT como da empresa OITO BRASIL. Também a demonstrar a absoluta falta de propósito negocial é que todas as operações de venda da Glickimport têm como único cliente a Oito Brasil, conforme rol de notas fiscais às fls. 53/54 processo de final 201483 (IPI). Isso evidencia que AS MERCADORIAS JÁ TINHAM A OITO BRASIL COMO ADQUIRENTE PREDETERMINADO, QUE AS ESCOLHEU NO EXTERIOR, E SEM A QUAL A OPERAÇÃO JAMAIS TERIA OCORRIDO. Não bastassem todas essas evidências, a contabilidade da Glikimport faz prova de que os recursos para pagamentos das importações advieram da Oito Brasil, o que vai de encontra ao conceito de importação por conta e ordem, na qual o real importador deve ter disponibilidade financeira para pagar os produtos importados por sua conta e ordem. Isso está cabalmente provado (fls. 60/63) quando da análise que o Fisco fez da contabilidade daquela empresa, a importadora. Na tabela anexada ao auto de infração resta evidente que os depósitos realizados na conta Bancos são feitos com o objetivo de exclusivo de financiar os pagamentos existentes. Como se pode notar, ocorreram depósitos e pagamentos com valores muito equivalentes e em dias próximos. Vejase o exemplo (o auto de infração espraia o período) que transcrevo: CONTABILIDADE DA GLIKIMPORT Fl. 5278DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 13 12 CONTABILIDADE SERTRADING Quanto a tais fatos, articula o Fisco: O quadro abaixo mostra que no mesmo dia do pagamento para a importadora SERTRADING dos valores das notas fiscais de vendas das mercadorias importadas por encomenda, ou em dias muito próximos, a OITO BRASIL depositava, de forma recorrente, valores semelhantes na conta da GLIKIMPORT. Há também depósitos de valores maiores aos pagamentos à SERTRADING, mas que são facilmente explicados uma vez que havia também no mesmo dia outros pagamentos a serem realizados pela GLIKIMPORT como pagamentos de tributos (ICMS, IRPJ e Contribuições). ... No dia 28/02/11, foi feito o pagamento de R$ 477.256,75 para pagamento da NF 5529 e no mesmo dia houve um deposito de R$ 655.000,00 feito pela OITO BRASIL. Este valor está a maior por uma razão clara, nesse mesmo dia houveram pagamentos de tributos feito pela GLIKIMPORT de aproximadamente R$ 168.000,00. Total de despesas aproximadas de R$ 645.256,75. Fl. 5279DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 14 13 Essas informações, por si só, são a prova cabal de que quem realmente pagava por essas importações era a real adquirente das mercadorias, qual seja a OITO BRASIL. À toda evidência, portanto, que a GLIKIMPORT cedeu seu nome para OITO BRASIL nas DIs mencionadas, ocultandoa, com a finalidade de fraudar o Controle Aduaneiro. A fiscalização exemplifica alguns casos de depósito efetuados pela OITO BRASIL nos extratos da Glikimport. Vejase: Em relação à essas evidências contábeis e legais, sequer foi objeto dos recursos voluntários, calcados apenas na vetusta tese de cerceamento de direito de defesa e em laudo produzido unilateralmente pela então recorrente, e do qual valeuse o relator do recorrido. A decisão de piso (fls. 3800/3839) fez uma excelente análise das provas encartadas nos autos. Transcrevo, por oportuno, os seguintes excertos: Conforme depoimento gravado (arquivo não paginável anexado, conforme fl. 561), prestado pelo senhor Renato Santo Telles Rudge, que é administrador tanto da OITO BRASIL quanto da GLIKIMPORT (procurações às fls. 530535), este informou que o endereço que está registrado como sendo da empresa GLIKIMPORT, na Rua Américo Brasiliense 2119, seria, na verdade, o armazém da empresa. O endereço da matriz, segundo o senhor Renato, é na Rua Américo Brasiliense 2109, ou seja, no mesmo endereço da empresa OITO BRASIL (fl. 36). Ainda segundo o senhor Renato (fl. 36): “(...) a GLIKIMPORT ela representa duas marcas de produtos profissionais para cabelos vendidos para salões de cabelo. As marcas são a Lanza e a Paul Mitchell As duas vem dos Estados Unidos. Ela atua na importação de produtos através de uma trading. Então na verdade quem importa é a SERTRADING por encomenda da GLIKIMPORT. A SERTRADING entrega as mercadorias para nossa filial no Espírito Santo e de lá as mercadorias são transferidas para nossa matriz. Depois, nossa matriz entrega para uma distribuidora para serem distribuídos pros salões de beleza”. Ao ser perguntado sobre quem seria o principal cliente da GLIKIMPORT, o senhor Renato esclareceu que todas as mercadorias importadas são vendidas para apenas um cliente, "distribuidor", a empresa OITO BRASIL (fl. 37): Fl. 5280DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 15 14 “Quem faz a distribuição é a Oito Brasil. Nós vendemos todos os produtos para a Oito Brasil e esta é responsável pela distribuição” Ao ser questionado sobre se a GLIKIMPORT tinha empregados, o senhor Renato respondeu (fl. 37): “Tem sim. No armazém tem o Anderson que é supervisor financeiro, eu sou o procurador e tem as pessoas de etiquetagem, que são umas 4 pessoas”. Essas informações indicam confusão entre as empresas, falta de estrutura da GLIKIMPORT e que os produtos importados são destinados, na verdade, à OITO BRASIL. Isso é corroborado pelo fato de, conforme fotografias constantes da fl. 38, ter sido encontrada pela fiscalização, no estabelecimento da GLIKIMPORT (depósito), caixa contendo o logotipo da OITO BRASIL e com espaço para preenchimento do nome do cliente, e pelo fato de, conforme fl. 562, haver, no “site” da OITO BRASIL na internet, informação de ser esta empresa representante exclusiva das marcas L’ANZA e Paul Mitchell, importados dos Estados Unidos. Isso contradiz a informação prestada pelo senhor Renato, acima, e indica que esses produtos são destinados, desde o início, à OITO BRASIL, e não à GLIKIMPORT. Esta empresa realmente consta como encomendante destes produtos, a exemplo do que ocorre com a DI nº 11/00653394, em que há importação de produtos da Paul Mitchell (fls. 862864), e da DI nº 11/01766079, em que há importação de produtos da L’ANZA (fl. 883). Ora, sendo a representante a OITO BRASIL, esta empresa era, desde a negociação, a destinatária (encomendante) desses produtos. Bem concluiu a decisão de piso (Acórdão 0832013): Os fatos apreciados no presente voto demonstram claramente que houve simulação da encomenda por parte de GLIKIMPORT, com conhecimento da OITO BRASIL, evidenciando a fraude fiscal. A operação comercial não ocorreu como declarado, visto que todas provas são convergentes no sentido de apontar a verdadeira situação fática: importações por encomenda de terceira pessoa. Na terminologia doutrinária, antes enunciada, o caso em moldura se ajusta à espécie de simulação relativa, já que nesta, como vimos, existem dois negócios: um real, encoberto, dissimulado, destinado a valer entre as partes, que foi acordo simulatório entre as empresas autuadas, e um outro ostensivo, aparente, simulado, destinado a operar perante terceiros, no caso, o fisco, que se materializou como resultado de tal embuste, burlando os controles aduaneiros, o que expressa a conduta dolosa na prática da infração. O cerne da fraude/simulação está no fato de a GLIKIMPORT, com a anuência da OITO BRASIL, haver feito com que as declarações de importação fossem preenchidas como sendo por encomenda da primeira, omitindose ao Fisco que, em verdade, realizaramse por encomenda da OITO BRASIL, quando estava legalmente obrigada a prestar essa informação e cumprir as obrigações principais e acessórias relativas a essa modalidade de importação. Conforme se verifica no campo “Dados Complementares” das DI’s, foi inserida informação falsa com os seguintes dizeres: “ ENCOMENDANTE: GLIKIMPORT COMÉRCIO IMPORT. E EXPOR. DE COSM.LTDA” (p. ex. fl. 860). A Instrução Normativa SRF nº 634/2006, ao estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora, em operações realizadas por Fl. 5281DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 16 15 encomenda, determina, dentre outras obrigações, em seu artigo 3º, que “O importador por encomenda , ao registrar a DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ”. Como visto, a GLIKIMPORT, com a anuência da OITO BRASIL, ao assinar contrato de importação por encomenda (fls. 818846) com a SERTRADING, fez com que as DI’s fossem preenchidas simuladamente tendo como encomendante a GLIKIMPORT. De todas as evidências probatórias deflui claro que a GLIKIMPORT ocultou a real encomendante das mercadorias estrangeiras (OITO BRASIL), simulando ser esta uma mera adquirente de mercadorias já nacionalizadas. A OITO BRASIL, real interessada nas importações e adquirente das mercadorias importadas, tendo pleno conhecimento de que os produtos encomendados, que eram a ela direcionados, seriam importados por meio de outra empresa, forneceu recursos financeiros para viabilizar a aquisição, pela GLIKIMPORT, dos produtos importados, anuindo que seu nome ficasse oculto, como real encomendante, perante a Aduana. Com isso, acabou se beneficiando indevidamente, uma vez que, além de se furtar ao controle aduaneiro, em razão das importações promovidas por encomenda sua, deixou de cumprir as obrigações legais decorrentes, inclusive, no que se refere à equiparação a estabelecimento industrial e ao recolhimento do IPI na saída dos produtos de seu estabelecimento. Com isso, a GLIKIMPORT e a OITO BRASIL concorreram para que esta empresa, a real interessada e encomendante das mercadorias permanecesse oculta perante a repartição aduaneira, revelando que desejaram a produção do resultado ilícito ou, no mínimo, assumiram o risco de produzilo, o que expressa a sua conduta dolosa. ... Assim, a autuação oferece elementos vários que convergem para a conclusão acerca do ilícito em todas as operações de importação relacionadas neste processo. Esse conjunto probatório, é óbvio, deve ser cotejado com elementos contrários eventualmente trazidos pelas impugnantes e, dessa contraposição, no presente caso, resulta que a prova produzida pela fiscalização se inclina favoravelmente ao direito reclamado pelo Fisco devendo, assim, prevalecer, uma vez que nenhuma outra prova a veio ilidir. Com efeito, os documentos apresentados pelas impugnantes em nada alteram as conclusões sobre o quadro probatório produzido pela fiscalização. Em verdade, as defesas não apresentaram nenhuma contraprova, seja ela qual for, que atestasse a regularidade das importações e destituísse a conclusão do relatório fiscal. Assim, subsiste o vigor da prova trazida aos autos pela fiscalização, que não cedeu diante dos argumentos aduzidos pelas litigantes. Diante de tais fatos, concluise: 1 A GLIKIMPORT vende todas as mercadorias que importa para apenas um cliente, a OITO BRASIL, em uma clara demonstração de que essas mercadorias já tinham destinatários predeterminados, antes mesmo do registro da DI, ou seja, a real adquirente das mercadorias; 2 Os documentos fornecidos pelo Cartório, assim como a análise dos quadro societário, ilustram que tanto a empresa GLIKIMPORT como a empresa OITO BRASIL são administrados pelas mesmas pessoas, ou seja, essas empresas nada mais são que Fl. 5282DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 17 16 uma empresa só. A PROMISCUIDADE ENTRE ELAS É TOTAL. Daí concluirse que a GLIKIMPORT foi criada com o objetivo de ocultar a real compradora das mercadorias, a OITO BRASIL; 3 O saldo da conta Bancos da contabilidade da GLIKIMPORT nos anos de 2011 a 2013 são insignificantes, denotando uma visível evidência de que a empresa era financiada pela OITO BRASIL; 4 Em sua contabilidade, no Razão das contas Clientes e Bancos, a GLIKIMPORT exibe de forma transparente o adiantamento de cliente, no caso OITO BRASIL, para pagamento das importações; 5 Os extratos mostram de forma irrefutável os depósitos efetuados pela OITO BRASIL na conta da GLIKIMPORT para pagamentos diversos, entre eles os títulos referentes às notas fiscais de venda de mercadorias importadas pela empresa SERTRADING; FRAUDE DO IPI Por fim, analiso, o que meu juízo foi a causa da montagem de toda essa "farsa" empresarial sem qualquer fim negocial que possa explicála, qual seja, o desidério de pagar menos, muito menos IPI na importação. De acordo com o disposto no inciso I, do art. 9º, do RIPI (decreto n°7.212/10), que reproduz o inciso I, do art. 4º, da Lei nº 4.502/64, as pessoas jurídicas que importarem diretamente produtos industrializados e que derem saída a esses produtos no mercado interno são considerados estabelecimentos equiparados a industrial para efeitos da incidência do IPI. Nesse mesmo caminho, as pessoas jurídicas que importarem indiretamente produtos industrializados, por meio da contratação de pessoas jurídicas para operar por sua conta e ordem ou por sua encomenda, também são considerados, pelo inciso IX, do art. 9º, do RIPI, estabelecimentos equiparados a industrial. Para as operações de importação de produtos industrializados de procedência estrangeira, a base de cálculo do IPI consiste no valor aduaneiro do produto, acrescido do montante do imposto de importação (II) e dos encargos cambiais efetivamente recolhidos pelo importador ou dele exigíveis, conforme disposto na alínea "b", do inciso I, do artigo 14, da Lei nº 4.502/64 e no inciso I, do artigo 47, do CTN. No que diz respeito às operações de saída de produtos industrializados para o mercado interno, a base de cálculo é, em regra, o valor total da operação de saída dos produtos do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. É de fácil identificação que caso a GLIKIMPORT fizesse a importação direta, seria ela equiparada à industrial, uma vez que se enquadraria no inciso IX do art. 9° do RIPI, e por conseguinte contribuinte do IPI. Porém, conforme demonstrado, a GLIKIMPORT "apareceu" apenas para ocultar a real adquirente, a OITO BRASIL. Essa a meu sentir, hígidas as provas nesse sentido, foi a causa isolada da criação da Glikimport. O quadro abaixo colacionado pelo Fisco deixa isso patente. Observese o fluxograma reproduzido nos autos do processo : Fl. 5283DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 18 17 Pelo que se pode depreender do esquema montado, a OITO BRASIL se ocultou das importações realizadas com o objetivo de se afastar da sua condição de contribuinte do IPI na importação, ou seja, equiparado à industrial. Para isso criouse a figura da GLIKIMPORT para atuar como encomendante das importações e, por conseguinte equiparado a industrial, de forma a manipular fraudulentamente a base de cálculo do IPI na venda para o Real Adquirente das mercadorias. Apesar de existir fisicamente, com endereço fixo, com empregados e com armazém de estoque de mercadoria, a GLIKIMPORT nada mais é que uma empresa criada e financiada para se interpor na operação de forma a reduzir a base de cálculo do IPI. O fluxograma acima mostra de forma clara porque houve a inserção da figura da GLIKIMPORT nessa cadeia de empresas. O que se depreende em valores aproximados é uma sonegação de aproximadamente R$ 12.3 milhões (R$ 16.2 – R$ 3.9) de IPI. Como dito alhures, houve exação de IPI nos autos do processo de nº 10314.724465/201483. Forçoso concluir que nessa situação, na qual foram utilizados métodos fraudulentos com o objetivo de ocultar o real comprador dos produtos de procedência estrangeira, fica configurado o afastamento doloso das suas condições de contribuintes do IPI na figura de estabelecimentos equiparados a industrial, acarretando o intencional não recolhimento do IPI e no descumprimento das obrigações acessórias derivadas da legislação de regência desse imposto. E para tanto foram fraudados controles aduaneiros, em flagrante ofensa à livre concorrência, núcleo do direito econômico nacional. Deveras, diante dos fatos descritos, arrimados no farto e convergente conjunto probatório anexado aos autos, concluise pela ocorrência de interposição fraudulenta nas importações em causa, infração punível com a pena de perdimento das mercadorias, devendo, no caso, ser substituída pela multa equivalente ao valor aduaneiro, conforme determina o art. 23, inciso V, §§ 1º e 3º do Decretolei nº 1.455/1976, visto que os produtos foram destinados a consumo. CONCLUSÃO Forte no exposto, rejeito o pedido que postula meu impedimento para ser relator do presente recurso especial, conheço do recurso especial do Procurador e doulhe provimento, desta forma mantendo o auto de infração em toda sua extensão. É como voto. Fl. 5284DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 19 18 (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 5285DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 20 19 Fl. 5286DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.000586/2005-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
Somente pode ser deduzida na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte a pensão alimentícia decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, desde que seu pagamento esteja comprovado mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-000.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 1.570,00.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 1.570,00. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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DEDUÇÃO. Somente pode ser deduzida na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte a pensão alimentícia decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, desde que seu pagamento esteja comprovado mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 1.570,00. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 05 86 /2 00 5- 71 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13558.000586/200571 Acórdão n.º 2002000.602 S2C0T2 Fl. 127 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 08/12) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2003 (efls. 53/59), onde se apurou a Dedução Indevida a Título de Pensão Alimentícia Judicial. O contribuinte apresentou impugnação tempestiva (efls. 02/07), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 82): O contribuinte contesta o lançamento, argumentando em síntese que em agosto/2002 impetrara Ação de Oferecimento de Alimentos, na qual fora arbitrada a pensão alimentícia em 35% dos seus vencimentos líquidos, conforme Mandado de Citação Processo n° 188/2002, que junta à fls.29/31. Refere que os comprovantes de pagamento de pensão alimentícia apresentados correspondem a todos os pagamentos realizados aos alimentandos, inclusive os provisionais fixados pela Justiça no ano de 2002. E que a homologação do acordo judicial em 2003 não teria repercussão de ordem financeira no ano de 2002, em que apenas fora arbitrado o pagamento a título de alimentos provisionais. Ratifica o direito à dedução como previsto na legislação tributária, cita decisões de Ia instância administrativa e requer ao final a restituição do valor de R$433,25, apurado com base na equivalência de 35% do total dos rendimentos líquidos recebidos no ano de 2002, em substituição ao imposto suplementar apurado no lançamento (fls.l a 5). A impugnação foi julgada procedente em parte pela 3ª Turma da DRJ/SDR conforme decisão assim ementada (efls. 81/83): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUÇÃO. Mantémse indevida a dedução de pensão alimentícia judicial na declaração de ajuste anual quando não autorizada pela legislação tributária. Cientificado da decisão de piso em 28/09/2010 (efls. 89), o contribuinte ingressou com recurso voluntário em 22/10/2010 (efls. 102/107) com os argumentos a seguir sintetizados: Alega que a turma julgadora entendeu equivocadamente somente ser possível restabelecer a dedução de pensão alimentícia de R$ 600,00 equivalente aos valores pagos em novembro/2002 e dezembro/2002 com base no valor fixado no acordo homologado judicialmente. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13558.000586/200571 Acórdão n.º 2002000.602 S2C0T2 Fl. 128 3 Assevera que não foi considerado para efeito de dedução tributária o valor dos alimentos provisionais pagos nos meses de setembro/2002 e outubro/2002, fixado em 35% dos vencimentos líquidos pela Juíza de Direito da Vara Cível e Comercial da Comarca de Ibicaraí (BA) em decisão interlocutória datada de 02 de setembro de 2002, conforme Mandado de Citação acostado a este procedimento administrativo. Expõe que, embora os julgadores tenham observado corretamente a cronologia da sucessão dos fatos na Ação de Oferecimento de Alimentos Proc. 188/2002, fizeram juízo equivocado em relação ao registrado nas cláusulas 02 e 03 da petição de acordo firmado entre o alimentante e a representante das alimentandas. Sustenta que no referido acordo, embora o crédito tenha sido limitado ao valor de R$ 300,00, foi também estabelecida a obrigação do alimentante arcar com os dispêndios de educação, saúde e vestuário de suas filhas. Aduz que, conforme consta dos autos deste contencioso administrativo, recebia o valor líquido mensal de R$ 926,03 da Câmara Municipal de Ibicaraí, de R$ 490,03 da Secretaria da Educação do Estado da Bahia e de R$ 2.110,58 da Prefeitura Municipal de Potiraguá. Dessa forma, defende que, a título de alimentos provisionais, nos meses de setembro e outubro do ano de 2002 pagou, no mínimo, o total de R$ 2.468,64, conforme se verifica nos quadros demonstrativos por ele elaborados. Apresenta cálculo do imposto que julga devido. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No que concerne à dedução de pensão alimentícia, extraise do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, que o valor pago pelo contribuinte a esse título, somente pode ser deduzido em sua Declaração de Ajuste Anual se for decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e se estiver devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea. As pensões pagas por liberalidade não são dedutíveis por falta de previsão legal. Cumpre ressaltar que todas as deduções informadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, por documentação hábil e idônea, a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do RIR/99, e que cabe ao contribuinte apresentar em sua defesa todos os documentos necessários à confirmação de suas alegações, conforme disposto no art. 15 do Decreto 70.235/72. No caso em exame a decisão de piso acatou parcialmente a dedução pleiteada conforme trecho a seguir reproduzido (efls. 82): Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13558.000586/200571 Acórdão n.º 2002000.602 S2C0T2 Fl. 129 4 Os documentos que o contribuinte junta aos autos demonstram que em agosto/2002 impetrara Ação de Comunicação de Rendimentos para fixação de pensão alimentícia (fls.30/31). Em setembro/2002 fora citada a representante das alimentandas para conhecer da ação e, se lhe conviesse, contestar o arbitramento da pensão em 35% dos vencimentos líquidos do autor, em audiência de conciliação e julgamento designada para o mesmo mês (fl.29). Em outubro/2002 ambos requereram a homologação do acordo judicial em que fora fixado o pagamento mensal de pensão alimentícia no valor de R$300,00, equivalente a um salário mínimo e meio, a partir de novembro/2002, quando também fora ressaltado inexistir qualquer débito alimentar referente aos meses de setembro/2002 e outubro/2002, além de que as demais despesas a que se obrigava o alimentante, em relação a saúde, vestuário e educação, não integrariam a pensão alimentícia avençada (fls.66/67). Esse acordo fora homologado em novembro/2002 (fl.68). Do que se extrai somente ser possível restabelecerse a dedução de pensão alimentícia na declaração de ajuste anual no valor total de R$600,00, equivalente aos valores pagos em novembro/2002 e dezembro/2002, com base no valor fixado no acordo homologado judicialmente, na previsão da legislação tributária pertinente e na prova de que o pagamento fora de fato realizado (fl.27). Com efeito, extraise do acordo homologado judicialmente (efls. 69/71) que o recorrente estava obrigado, a partir de 11/2002, ao pagamento de pensão alimentícia em favor de suas filhas Amanda, Samantha e Ingrid no valor de R$ 300,00 mensais, devendo ser efetuado diretamente à genitora, Luciane Alves Cruz (efls. 18/20), com comprovação através de recibo ou depósito em conta bancária. Cabia ainda ao recorrente arcar com as despesas de saúde, vestuário e educação das alimentandas. Nesse ponto, devese esclarecer que apenas as despesas médicas e com instrução de alimentandos, realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, podem ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual, nos termos do art. 80, §5º, e do art. 81, §3º, do RIR/99. Essas despesas devem ser consignadas em seus campos próprios, observado o limite anual relativo às despesas com instrução. Os demais valores não são dedutíveis por falta de previsão legal. Da análise dos autos verificase que os recibos referentes a 11 e 12/2002 ultrapassam os R$ 300,00 mensais estipulados no acordo judicial, motivo pelo qual o acórdão de primeira instância acatou apenas a dedução de R$ 600,00 correspondente a esses dois meses. Além dos recibos de pensão alimentícia, o contribuinte trouxe à sua defesa o recibo de despesa com instrução de suas filhas (efls. 23), cujo montante foi informado na declaração em exame e não foi objeto de glosa pela autoridade lançadora (efls. 55), não cabendo, portanto, sua apreciação por este Colegiado. Relativamente aos meses 09 e 10/2002, verificase que, de acordo com o Mandado de Citação de 09/09/2002 (efls. 31), a Juíza de Direito, de fato, arbitrou alimentos provisórios em 35% dos vencimentos líquidos do sujeito passivo, tal como consta do recurso voluntário. Não obstante, ainda que os alimentos provisionais estejam abrangidos pela dedução Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13558.000586/200571 Acórdão n.º 2002000.602 S2C0T2 Fl. 130 5 prevista no art. 78 do RIR/99, observase que os recibos trazidos aos autos (efls. 28) demonstram apenas o pagamento mensal de R$ 785,00, devendo ser restabelecida a dedução total de R$ 1.570,00 para esses dois meses. Como já mencionado neste voto, o valor pago a título de pensão alimentícia somente pode ser deduzido na Declaração de Ajuste Anual se for decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e se estiver devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea. Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 1.570,00. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 130DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.901628/2006-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/11/2001
PER/DCOMP. PROVA DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. NÃO DEMONSTRADO.
Em pedidos de ressarcimento e compensação, cabe ao contribuinte a prova da liquidez e certeza do crédito por meio de demonstrações contábeis e fiscais, o que não foi trazido aos autos. Crédito não reconhecido
PER/DCOMP. PROVA DO EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DO DÉBITO. PROVIDO.
No momento do preenchimento do montante do débito a compensar, a contribuinte equivocou-se e preencheu um montante muito superior ao devido, o que foi comprovado por documentos e confirmado por diligência da unidade de origem, devendo ser este valor o montante ainda devido.
Numero da decisão: 3301-005.176
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CANDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/11/2001 PER/DCOMP. PROVA DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. NÃO DEMONSTRADO. Em pedidos de ressarcimento e compensação, cabe ao contribuinte a prova da liquidez e certeza do crédito por meio de demonstrações contábeis e fiscais, o que não foi trazido aos autos. Crédito não reconhecido PER/DCOMP. PROVA DO EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DO DÉBITO. PROVIDO. No momento do preenchimento do montante do débito a compensar, a contribuinte equivocou-se e preencheu um montante muito superior ao devido, o que foi comprovado por documentos e confirmado por diligência da unidade de origem, devendo ser este valor o montante ainda devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CANDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/11/2001 PER/DCOMP. PROVA DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. NÃO DEMONSTRADO. Em pedidos de ressarcimento e compensação, cabe ao contribuinte a prova da liquidez e certeza do crédito por meio de demonstrações contábeis e fiscais, o que não foi trazido aos autos. Crédito não reconhecido PER/DCOMP. PROVA DO EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DO DÉBITO. PROVIDO. No momento do preenchimento do montante do débito a compensar, a contribuinte equivocouse e preencheu um montante muito superior ao devido, o que foi comprovado por documentos e confirmado por diligência da unidade de origem, devendo ser este valor o montante ainda devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CANDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 16 28 /2 00 6- 85 Fl. 773DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Tratase de pedido de restituição e compensação realizado pela contribuinte no PER/DCOMP 14443.92745.220503.1.3.040946 (fls. 2429) transmitido em 22/05/2003 informando um crédito de R$ 329,45 (trezentos e vinte e nove reais e quarenta e cinco centavos) por um suposto recolhimento à maior de IOF imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguros, realizado em 01/08/2001 (período de apuração 25/07/2001). Para compensar com este montante, foi declarado um débito de R$ 271.040,71 (duzentos e setenta e um mil e quarenta reais e setenta e um centavos) supostamente devido para o período de apuração referente à segunda semana de fevereiro de 2003, com vencimento em 12/02/2003 Em 14/02/2008, a Secretaria da Receita Federal do Brasil proferiu despacho decisório indeferindo o crédito pleiteado (fls. 21), sob o fundamento de que o pagamento da guia DARF do período foi identificado, no entanto, integralmente utilizado para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição, verbis: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data da transmissão informado no PER/DCOMP: 329,45 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Com a não homologação do pedido de compensação, o valor de R$ 271.040,71 (duzentos e setenta e um mil e quarenta reais e setenta e um centavos) declarado como débito restou constituído, mas sem pagamento. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1014) para instaurar o contencioso administrativo, pleiteando a nulidade do "auto de infração" por cerceamento de defesa e, no mérito, juntou demonstrativos e argumentos para desconstituir a declaração do débito, pois houve equívoco no preenchimento do PER/DCOMP. Em 17/05/2010 a d. 3ª Turma da DRJ de Campinas proferiu o r. acórdão nº 0528.790 para negar o direito creditório pleiteado e manter a cobrança do débito declarado em PER/DCOMP, restando assim ementado (fls. 3743): Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Anocalendário: 2003 Fl. 774DF CARF MF Processo nº 16327.901628/200685 Acórdão n.º 3301005.176 S3C3T1 Fl. 774 3 Compensação. Pagamento indevido ou a maior. Argüição de nulidade. Despacho decisório. Motivação. Válida a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. Despacho Decisório Eletrônico. Fundamentação. Cerceamento de Defesa. Na medida em que o despacho decisório que não homologou a compensação declarada teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declaração pelo próprio sujeito passivo, não há falar em cerceamento de defesa, máxime quando a manifestação de inconformidade demonstra o entendimento das razões do despacho decisório. Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade. Retificação. Impossibilidade. A retificação dos débitos declarados em declaração de compensação está submetida a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade. Compensação. Créditos. Comprovação. É prérequisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em face desta decisão, a DRJ enviou carta de cobrança com a Guia DARF para pagamento do débito informado (fls. 4546). Inconformada, a contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, que ora se julga, (fls. 4853), argumentando, em síntese: a não homologação da compensação pleiteada ocorreu por conta de equívocos cometidos pela Recorrente; a Recorrente possui um sistema de dados que captura os débitos de tributos de terceiros a serem recolhidos pelo Recorrente na qualidade de responsável tributário para recolhimento do IOF; Para o período de apuração da 2ª semana de fevereiro/2003, com vencimento de 12/02/2003, o sistema apurou um total de débito de R$ 257.109,48. Ainda, no final do mesmo dia, o sistema acusou um valor de complementar de R$ 601,17, totalizando o valor de R$ 257.710,65 devido de IOF para o período. Estes valores foram declarados em DCTF e recolhidos por guia DARF (fls. 34 e 68 respectivamente); Fl. 775DF CARF MF 4 Após alguns meses, o sistema indicou que o montante devido de IOF para o período da 2ª semana de fevereiro/2003 seria de R$ 271.040,71, o que resultou em um saldo a pagar de R$ 13.330,06; Para pagar esta diferença, a Recorrente realizou 35 PER/DCOMPs, informando créditos de IOF decorrentes de pagamentos a maior de 35 períodos diferentes, porém, ao invés de informar o débito equivalente ao crédito para compor a soma de R$ 13.330,06, realizou a declaração total do débito no montante de R$ 271.040,71, para o mesmo período de fevereiro/2003 em cada uma das 35 PER/DCOMPs; Em relação à PER/DCOMP específica destes autos, à Recorrente informou um valor original de crédito de R$ 329,45 por um pagamento a maior realizado em dezembro/2001, informando ainda o débito de R$ 271.040,71. Este valor do débito, como dito , foi erroneamente informado em cada uma das 35 PER/DCOMP, constituindo um crédito tributário, somente o principal, de R$ 7.047.058,46 (sete milhões e quarenta e sete mil e cinqüenta e oito reais e quarenta e seis centavos) para a 2ª semana de fevereiro/2003; Quanto aos créditos, argumentou sobre sua existência e a necessidade de reconhecimento independentemente de retificação na DCTF, em nome da verdade material, porém, não indicou a origem do pagamento a maior, muito menos demonstrou documentalmente; Diante destes argumentos e das provas juntadas aos autos, em 14 de fevereiro de 2012 esta colenda 1ª turma ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção, proferiu a resolução nº 3301000.143 (fls. 7583) para converter o julgamento em diligência, para que a autoridade administrativa analisasse os documentos e argumentos da Recorrente e respondesse os seguintes pontos: (...) sendo constatada a veracidade dos argumentos apresentados, estarseia exigindo pagamento de valores extremamente elevados em relação ao que de fato pudesse ser devido. Assim, em homenagem aos princípios da proporcionalidade, formalidade moderada e da verdade real, que devem nortear o processo administrativo fiscal e, ainda, de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a DRF de origem analise os documentos acostados aos presentes autos e, caso entenda necessário, intime a contribuinte a comprovar a pertinência e veracidade das alegações supramencionadas, em duas vertentes, sendo a primeira em relação às declarações ditas equivocadas e a segunda, quanto à existência e disponibilidade do indébito, conforme abaixo: a) visando à constatação de que de fato as declarações apresentadas encontramse equivocadas e, caso os equívocos fossem saneados, a exigência correta limitarseia ao valor a compensar pretendido, ou seja, cerca de treze mil reais, acrescidos de multa e juros: b) demonstrar e existência do indébito alegado, bem como sua condição de haver suportado o ônus financeiro do IOF retido na qualidade de responsável. O processo então foi baixado para DEINF/SPO para análise e elaboração de relatório de diligência. Para tanto, intimou a Recorrente (intimação 273/2013 fls. 8182) para Fl. 776DF CARF MF Processo nº 16327.901628/200685 Acórdão n.º 3301005.176 S3C3T1 Fl. 775 5 apresentar registros contábeis para demonstrar o lançamento da despesa (desembolso) de IOF período de apuração 02/2003, a fim de que seja comprovado a existência do efetivo erro de declaração do débio na DCTF; Em relação aos créditos, pediu demonstrativo, acompanhado de notas explicativas, para demonstrar a existência do pagamento indevido ou maior que o devido quando dos pagamentos realizados por meio de DARF e apresentar os documentos fiscais e contábeis (lançamentos contábeis, retificação da dívida na DCTF, relatórios internos, etc) que comprovem a ocorrência do indébito; Relatório contendo o número das DCOMP e/ou processos administrativos utilizadas para extinguir a dívida R$ 13.931,23. relacionando a situação atual do débito (homologação/não homologação). Salientese que este processo administrativo foi apensado ao considerado processo principal de número 16327.901630/200654, conforme termo de apensação de fls. 746, sendo, portanto, julgados em conjunto neste ato. Em atendimento à intimação 273/2013, a Recorrente apresentou petição de fls. 163168 explicando seu equívoco na declaração do débito complementar, bem como buscou demonstrar a liquidez de seus créditos. Juntou documentos como DCTF e planilhas e lançamentos contábeis de contas do passivo (fls. 181265), no entanto, sem inovações em relação ao já apresentado no Recurso Voluntário, acrescentando um relatório de auditoria independente para comprovar o erro na declaração dos débitos (fls. 680703) Nas conclusões da diligência fiscal, a autoridade de origem emitiu relatório (fls. 749753) confirmando as alegações e documentos da Recorrente no sentido de que houve um equívoco na informação do montante do débito, devendo ser retificado para o valor correto apurado pela diligência conforme demonstrativos da Recorrente e informações fiscais da RFB. A autoridade confirmou que este erro se repetiu em todas as 35 PER/DCOMPs envolvidas, merecendo a retificação de ofício para constar o valor correto do débito, no total de R$ 13.931,23 para as 35 DCOMPs, embora reconhecendo que em 09 delas já teria operado a homologação tácita. Quanto aos créditos, afirmou a inaptidão dos lançamentos contábeis juntados para demonstrar a liquidez de seus créditos, pelo fato de que os lançamentos representam contas do passivo (conta credora), sem a indicação da efetiva despesa e nem a ligação com DCTF e DARF. c) Verificouse que das 35 Declarações de Compensação transmitidas pelo contribuinte, 13 foram objeto de diligência fiscal cumprida por esta Delegacia Especial da Receita Federal (DEINF), cujo resultado foi pelo reconhecimento do erro no preenchimento das DCOMP transmitidas pelo contribuinte, porém sem a homologação da extinção do crédito. Nove delas, foram homologadas pelo sistema. E o restante, faz parte desta diligência fiscal. d) Restou comprovado pela documentação trazida aos autos, em resposta a intimação, de que, realmente, o contribuinte incorreu em erro ao informar nas DCOMP o valor de R$ 271.109,48 (sic) como valor principal do débito a extinguir. Assim, com base no princípio da verdade material, que norteia o direito administrativo fiscal , devese retificar de ofício a informação constante das 35 Declarações de Compensação apresentadas, conforme documento em anexo. Fl. 777DF CARF MF 6 e) Com relação ao suposto crédito de IOF, decorrente de pagamento indevido ou maior que o devido, utilizados nas DCOMP visando a extinção da dívida no valor total de R$ 13.931,23, informase que foram analisados os documentos apresentados pelo contribuinte (Doc. 4 – relação demonstrando a baixa do passivo, conta 4801.354 – TR/IOF S/OPER. TVM, pelos recolhimentos dos DARF com retenção indevida), cuja conclusão foi a de que os mesmos em nada comprovam que houve a retenção indevida de IOF, pois os registros contábeis referemse a lançamento de conta de natureza credora que se presta a registrar a assunção ou extinção de dívidas. O que, de fato, comprovaria que houve o pagamento feito indevidamente, seria: o lançamento contábil do registro da dívida, do estorno do valor pago indevidamente, do crédito fiscal (razão contábil da conta IOF a recuperar), o registro na DCTF do valor real da dívida, bem como, a apresentação de termo circunstanciado das razões que levaram ao pagamento da obrigação a maior que o devido. A exigência da comprovação por meio de todos esses documentos é necessária pois se trata de obrigação tributária em que o contribuinte é tãosomente o responsável pelo recolhimento do tributo, e segundo o que preconiza o art. 166 do Código Tributário Nacional para ter direito à repetição do pagamento que alega indevido, precisa comprovar que assumiu o ônus da dívida. (...) 10. Desta forma, respondese aos questionamentos elaborados pelo Sr. Conselheiro da seguinte forma: a) O contribuinte incorreu em erro ao indicar o valor de R$ 271.040,71 em 35 Declarações de Compensação, a título de dívida de IOF, código 6854, período de apuração 2° semana de fevereiro de 2003, pois esse valor referese ao valor total da dívida apurada. O valor correto a ser compensado seria o de R$ 13.931,23. b) Não restou comprovado por meio de documentos contábeis e fiscais a existência de crédito líquido e certo, oriundo de pagamento indevido de IOF que possa ser utilizado na extinção da dívida da mesma natureza, declarada em DCOMP. (grifo não consta do original) Percebese que nesta diligência a autoridade fiscal apontou o valor total do débito decorrente das 35 DCOMPs, porém, ao contrário do que realizado nas outras diligências, não apontou o valor do débito específico para esta DCOMP nº 14443.92745.220503.1.3.040946. Apesar disso, consta de fls. 166 e seguintes, na resposta à intimação para atender a diligência fiscal, demonstrativos e documentos que informam o montante de R$ 415,95 para esta DCOMP específica. Estes documentos foram analisados em diligência e a autoridade fiscal emitiu parecer confirmando a veracidade dos valores. Intimada para se manifestar sobre o resultado da diligência (Termo de Ciência nº 45 em 12/01/2015, fls. 754 Ciência em 13/01/2015, fls. 757), a Recorrente nada fez, apresentando apenas procuração de advogado. Fl. 778DF CARF MF Processo nº 16327.901628/200685 Acórdão n.º 3301005.176 S3C3T1 Fl. 776 7 É a síntese do necessário Voto Conselheiro SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR O recurso voluntário é tempestivo, merecendo ser conhecido e analisado em seu mérito. Da síntese acima, constatase que o problema envolvido neste processo deixou de ser o direito ao crédito alegado pela Recorrente informado na PER/DCOMP em questão, passando a ser mais relevante a discussão do equívoco na declaração do débito a compensar. Em fevereiro de 2003, o sistema informatizado de apuração tributária da Recorrente apurou como valor devido a titulo de IOF na segunda semana de fevereiro do ano calendário de 2003, como responsável tributário, o montante de R$ 257.109,48 (duzentos e cinqüenta e sete mil e cento e nove reais e quarenta e oito centavos), mais um complemento de R$ 601,17 (seiscentos e um reais e dezessete centavos), resultando no montante de R$ 257.710,65 (duzentos e cinqüenta e sete mil setecentos e dez reais e sessenta e cinco centavos). Este montante somado de débito foi informado em DCTF e foram pagos via Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) no código "6854", uma guia para cada valor, na data de vencimento da obrigação (dia 12 de fevereiro de 2003) e o valor total (R$ 257.710,65), conforme demonstrado em fls. 68. No entanto, em decorrência de um reprocessamento da base de cálculo do imposto, apurouse um valor adicional para a mesma competência da segunda semana de fevereiro de 2003. O montante total do período em referência era de R$ 271.040,71 (duzentos e setenta e um mil e quarenta reais e setenta e um centavos). Considerando o valor de R$ 257.710,65 (duzentos e cinqüenta e sete mil setecentos e dez reais e sessenta e cinco centavos) já declarado e pago, restou em aberto uma diferença no montante de R$ 13.330,06 (treze mil trezentos e trinta reais e seis centavos). Para declarar e recolher esta diferença, a Recorrente verificou que possuía créditos de IOF por recolhimentos a maior em outros períodos de apuração, então optou por realizar a quitação do correspondente valor da diferença via compensação, realizando de 35 (trinta e cinco) PER/DCOMP, cada uma com um montante de crédito próprio decorrente de um específico período de apuração, porém, ao informar o débito, informou em cada uma destas PER/DCOMPs o montante total do período de apuração da segunda semana de fevereiro/2003, qual seja, R$ 271.040,71 (duzentos e setenta e um mil e quarenta reais e setenta e um centavos), o que engloba inclusive os montantes que já haviam sido recolhidos. Estes supostos créditos teriam origem, como dito, em diferentes períodos de apuração. No caso desta PER/DCOMP específica, este suposto recolhimento a maior teria sido realizado em 01/08/2001 para a competência 25/07/2001, no montante de R$ 329,45 (trezentos Fl. 779DF CARF MF 8 e vinte e nove reais e quarenta e cinco centavos), porém, não foi realizada a retificação da DCTF relativa à competência deste crédito, assim, o crédito foi negado. Consta dos autos que esse mesmo equívoco foi repetido em todas a 35 (trinta e cinco) declarações de compensação. Deste universo de declarações, 26 (vinte e seis) resultaram não homologadas, gerando igual número de processos de cobrança com o objetivo de exigir o pagamento dos débitos tributários informados em cada PER/DCOMP pela Recorrente. As outras 09 (nove) declarações de compensação foram homologadas tacitamente pelo decurso do tempo. Percebendo o equívoco após a não homologação da compensação, a Recorrente buscou evidenciar o equívoco na declaração do débito informado na DCOMP, pleiteando a retificação de ofício, porém, esquecendose de comprovar seu crédito. Quanto ao débito: por todos os documentos que constam dos autos, inclusive confirmado na resposta da diligência pela autoridade administrativa, o montante do débito está equivocado, pois foi informado o montante total do período de apuração, merecendo a retificação do quantum devido de ofício. O valor correto, conforme relatório da diligência, para esta PER/DCOMP específica, confirmando os documentos juntados aos autos, é o de R$ 164,99 (sem juros e multa), devendo ser, por isso, corrigido. Quanto ao crédito: consta dos autos lançamentos contábeis de contas do passivo com referências ao IOF (fls. 181265). No entanto, como bem salientado no relatório da diligência, tais documentos não se prestam a apurar e demonstrar a liquidez e certeza do crédito alegado, a uma porque são contas do passivo, a duas porque muitos lançamentos estão ilegíveis, a três porque não foi indicada a correspondência dos valores contábeis com declarações DCTF e recolhimentos em guias DARF, muito menos uma ligação entre estes dados, tampouco a demonstração da razão do pagamento indevido. A razão da não homologação do crédito foi a não retificação da DCTF do período de origem, de modo a informar à Receita Federal do Brasil a existência de um saldo credor a compensar. No entanto, a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), ao afirmar que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não haveria impedimentos para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a Fl. 780DF CARF MF Processo nº 16327.901628/200685 Acórdão n.º 3301005.176 S3C3T1 Fl. 777 9 comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrado por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301004.545) Entretanto, cabe à Recorrente a demonstração da origem e liquidez de seu crédito pleiteado. A Recorrente não trouxe aos autos qualquer prova documental hábil capaz de sustentar a existência e liquidez de seu direito de crédito (escrita contábil e fiscal). É assente o entendimento de que, nos pedidos de restituição e compensação, o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução Fl. 781DF CARF MF 10 probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) Neste diapasão, é de se negar o direito creditório pleiteado. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário para lhe dar parcial provimento, negando o direito de crédito pleiteado, mas reduzindo o montante de débito devido à Fazenda Nacional à título de IOF nos termos da diligência de fls. 749753. SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator Fl. 782DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10315.000475/2006-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2002
RESPONSABILIDADE. CONTRABANDO DE CIGARROS. ART. 467, RIPI/1998.
O art. 467 do RIPI/1998 impõe ao transportador a responsabilidade de recolhimento do IPI e das penalidades pela impossibilidade da cobrança dos valores dos proprietários, por sua não localização. Trata-se de uma presunção legal de propriedade imposta pela lei aos transportadores, possuidores ou detentores dos produtos.
Afastada a presunção legal pela identificação dos proprietários em inquérito policial no qual se respaldou a fiscalização para a lavratura da autuação, deve ser afastada a responsabilidade do transportador.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-005.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a exigência fiscal quanto à 17 (dezessete) caixas de cigarro objeto da autuação, para as quais a propriedade das mercadorias foi identificada no inquérito policial, devendo ser mantida a exigência fiscal correspondente à 2 (duas) caixas de cigarro, vencidos os conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes e Pedro Sousa Bispo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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CONTRABANDO. Recorrente FRANCISCO ERBES DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2002 RESPONSABILIDADE. CONTRABANDO DE CIGARROS. ART. 467, RIPI/1998. O art. 467 do RIPI/1998 impõe ao transportador a responsabilidade de recolhimento do IPI e das penalidades pela impossibilidade da cobrança dos valores dos proprietários, por sua não localização. Tratase de uma presunção legal de propriedade imposta pela lei aos transportadores, possuidores ou detentores dos produtos. Afastada a presunção legal pela identificação dos proprietários em inquérito policial no qual se respaldou a fiscalização para a lavratura da autuação, deve ser afastada a responsabilidade do transportador. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a exigência fiscal quanto à 17 (dezessete) caixas de cigarro objeto da autuação, para as quais a propriedade das mercadorias foi identificada no inquérito policial, devendo ser mantida a exigência fiscal correspondente à 2 (duas) caixas de cigarro, vencidos os conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes e Pedro Sousa Bispo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 04 75 /2 00 6- 18 Fl. 120DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração para exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI sobre cigarros apreendidos pela Polícia Federal em território nacional, que se encontravam em poder do sujeito autuado na condição de transportador da mercadoria. Como indicado no Auto de Infração, o transporte era realizado "sem a devida documentação fiscal comprobatória da regular aquisição, ficando assim caracterizada a falta de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) devido" (efl. 5) Conforme Laudo de Exame Mercadológico referente ao inquérito policial, que deu origem ao presente processo (IPL n.º 245/2002 efls. 9/12), tratavase de 9.500 (nove mil e quinhentos) maços de cigarros da marca "US Mild American Blend", apreendidas em abril de 2002. Intimado da autuação, o sujeito autuado apresentou declaração informando não ser o dono da mercadoria e que os donos foram informados no depoimento prestado na delegacia, quem sejam, JOSÉ POSSIDÔNIO DA SILVA, JOSÉ OLIVEIRA DA SILVA e ORLANDO NICOLAU ROCHA (efl. 25). Esta defesa foi julgada improcedente, diante da impossibilidade de "identificar o proprietário, dado tratarse de operação não acobertada por documentário fiscal" (efl. 33). O acórdão ementado nos seguintes termos: "Assumo: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 30/04/2002 Ementa: CIGARROS NACIONAIS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO, ENCONTRADOS EM SITUAÇÃO IRREGULAR NO PAIS. PROPRIETÁRIO NÃO IDENTIFICADO. O transportador ou qualquer outro detentor de cigarros nacionais destinados à exportação, encontrados no País em situação irregular, fica sujeito ao IPI que deixou de ser pago, acrescido da multa de cento e cinqüenta por cento do valor desse tributo e de juros de mora, quando não tiver sido identificado o proprietário dos cigarros. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 31) Intimado da decisão em 31/01/2011 (efl. 36), apresentou Recurso Voluntário em 21/02/2011 (efls. 37/39) alegando em síntese a ausência de responsabilidade em razão da identificação dos efetivos proprietários das mercadorias, não se enquadrando no tipo do art. 467, do RIPI 1998, no qual se respaldou a fiscalização para atribuir a responsabilidade ao autuado. Anexa aos autos distintos documentos relacionados ao inquérito policial (efls. 48/84) Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10315.000475/200618 Acórdão n.º 3402005.822 S3C4T2 Fl. 121 3 e à correspondente ação penal instaurada em razão do contrabando de cigarros (peças e decisões judiciais efls. 85/115) Em seguida, o processo foi direcionado a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Como relatado, trata o presente processo de Auto de Infração para a exigência do valor do IPI devido em operações de cigarro sem documentação fiscal. A autuação foi lavrada em razão da "RESPONSABILIDADE DO POSSUIDOR OU DETENTOR PRODUTOS PARA EXPORTAÇÃO" (efl. 5). Conforme indicado no fundamento legal da autuação, a fiscalização se respaldou nos seguintes dispositivos do Regulamento do IPI/1998, aprovado pelo Decreto n.º 2.637/1998, que tratam da responsabilidade do transportador: "Art. 244. Os transportadores não podem aceitar despachos ou efetuar transporte de produtos que não estejam acompanhados dos documentos exigidos neste Regulamento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 60). Parágrafo único. A proibição estendese aos casos de manifesto desacordo dos volumes com sua discriminação nos documentos, de falta de discriminação ou de descrição incompleta dos volumes que impossibilite ou dificulte a sua identificação, e de falta de indicação do nome e endereço do remetente e do destinatário (Lei nº 4.502, de 1964, art. 60, parágrafo único). Art. 263. Consideramse como produtos estrangeiros introduzidos clandestinamente no Território Nacional, para todos os efeitos legais, os cigarros nacionais destinados à exportação que forem encontrados no País, salvo nas hipóteses previstas no art. 260, desde que observadas as formalidades previstas para cada operação (DecretoLei nº 1.593, de 1977, art. 18). Art. 467. Será exigido do proprietário do produto encontrado na situação irregular descrita no arts. 258 e 263 o imposto que deixou de ser pago, aplicandoselhe, independentemente de outras sanções cabíveis, a multa de cento e cinqüenta por cento do seu valor (DecretoLei nº 1.593, de 1977, art. 18, § 1º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 45, inciso II). Parágrafo único. Se o proprietário não for identificado, considerase como tal, para os efeitos deste artigo, o possuidor, transportador ou qualquer outro detentor do produto (DecretoLei nº 1.593, de 1977, art. 18, § 2º)." A hipótese do art. 467 do RIPI/1998 é uma hipótese de responsabilidade tributária que decorre da lei (art. 121, II, do CTN), cumulada com a responsabilidade pela sanção incorrida em operações com mercadoria clandestina. Essa responsabilidade legal, prevista no art. 18, §2º do Decretolei n.º 1.593/19771, condiciona, para sua aplicação, a não 1 Redação vigente à época, antes da alteração pela Lei n.º 10.833/2003: "Art 18 Consideramse como produtos estrangeiros introduzidos clandestinamente no território nacional, para todos os efeitos legais, os cigarros Fl. 122DF CARF MF 4 identificação do proprietário, com uma presunção legal de propriedade aos possuidores, transportadores ou detentores das mercadorias clandestinas. Observase que os dispositivos normativos e legal no qual se respaldam a autuação não identificam, precisamente, a forma a ser utilizada para a identificação do proprietário. Segundo a fiscalização e a r. decisão de primeira instância, essa identificação deveria ser feita em "documentação fiscal comprobatória da regular aquisição" (efl. 5). Assim, inexistente os documentos fiscais necessários para a identificação precisa dos proprietários, a hipótese de responsabilidade foi aplicada. Contudo, no Recurso Voluntário, o Recorrente acostou aos autos robusto conjunto probatório que demonstra que, desde o início do Inquérito Policial, em abril/2002, ele informou às autoridades policiais quem eram os destinatários de parte das mercadorias e, por conseguinte, seus efetivos proprietários. Os proprietários de 17 (dezessete) caixas de cigarro foram devidamente identificados no inquérito policial, concluído em 2004, antes, portanto, da lavratura do presente auto de infração, em 2006. Primeiramente, importante mencionar que, como se depreende do extrato do inquérito policial (efl. 84), ele inicialmente foi numerado como IPL n.º 245/2002 (número ao qual o fiscal fez referência no Auto de Infração), sendo posteriormente renumerado para IPL n.º 148/2003. E o relatório completo deste inquérito relata que efetivamente, desde o início das investigações, era possível confirmar que 17 (dezessete) das 19 (dezenove) caixas de cigarros localizadas no veículo do autuado tinham proprietários conhecidos em razão das informações prestadas pelo transportador. Vejamos os exatos termos do relatório do inquérito (efls. 80/82): nacionais destinado, a exportação que forem encontrados no País, salvo se em trânsito, diretamente entre o estabelecimento da empresa industrial e os destinos referidos nos incisos do artigo 8º, desde que observadas as formalidades previstas para a operação. § 1º Será exigido do proprietário do produto em infração a este artigo o imposto que deixou de ser pago aplicandoselhe, independentemente de outras sanções cabíveis, a multa de 50% (cinquenta por cento) do seu valor. § 2º Se o proprietário não for identificado, considerase como tal, para os efeitos do parágrafo anterior, o possuidor, transportador ou qualquer outra detentor do produto." Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10315.000475/200618 Acórdão n.º 3402005.822 S3C4T2 Fl. 122 5 As informações pessoais e cópias dos documentos dos proprietários foram acostados ao inquérito policial nos Autos de Qualificação e Interrogatório de José Possidônio da Silva (efl. 59/64) e de José Oliveira da Silva (efls. 65/70), ambos lavrados em 27/04/2002. Inclusive, o depoimento prestado pelo ora Recorrente no inquérito foi peça chave para o oferecimento da denúncia contra os proprietários das mercadorias pelo crime de contrabando dos cigarros, tipificado à época no art. 334, do Código Penal (efls. 85/113). Assim, o relatório do Inquérito Policial no qual se respaldou a fiscalização para proceder com a lavratura do auto de infração efetivamente detalha que foi possível a identificação dos proprietários de 17 (dezessete) das 19 (dezenove) caixas de cigarros localizados no veículo do autuado. Essa identificação foi feita considerando as informações Fl. 124DF CARF MF 6 prestadas pelo transportador no curso da ação policial, não podendo ser meramente desconsideradas neste processo fiscal. Importante frisar que os proprietários das mercadorias, de fato, deixaram de emitir os documentos fiscais necessários para a comercialização, não exigidos pelo transportador conforme exigido no art. 244, do RIPI/1998. Contudo, o art. 467 do RIPI/1998 não impõe uma responsabilidade ao transportador pela ausência de exigência de documento fiscal, mas sim, pela impossibilidade da cobrança dos valores do imposto e da penalidade dos proprietários, por sua não localização. Tratase, como dito, de uma presunção legal de propriedade imposta pela lei aos transportadores, possuidores ou detentores dos produtos. No presente caso, a identificação precisa dos proprietários de parte das mercadorias em documento elaborado pela própria Policia Federal (Inquérito Policial n.º 148/2003, inicialmente numerado n.º 245/2002) afasta a presunção legal de propriedade do transportador, não lhe sendo cabível, portanto, a imputação da responsabilidade tributária. É uma verdadeira de ausência de tipicidade legal: identificado o proprietário por meio de documentos idôneos (inquérito policial), não há subsunção à hipótese legal da responsabilização do art. 467, do RIPI/1998, aplicável "se o proprietário não for identificado". Contudo, como visto, para 2 (duas) caixas de cigarros o transportador não informou quem eram os proprietários das mercadorias, que não foram identificados. Portanto, para essas mercadorias, não foi afastada a responsabilidade do transportador na forma da lei, que merece ser mantida. De forma final, essencial salientar que a hipótese autuada nos presentes autos não se confunde com aquelas que ensejaram a edição da Súmula CARF n.º 90, segundo a qual: "Caracteriza infração às medidas de controle fiscal a posse e circulação de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória da importação regular, sendo irrelevante, para tipificar a infração, a propriedade da mercadoria." Com efeito, como já exaustivamente evidenciado acima, a presente autuação foi lavrada em face do transportador para a exigência do IPI não recolhido na operação (art. 467, RIPI/1998) e a correspondente sanção. Não se trata, portanto, de autuação para a exigência de multa regulamentar por ausência de documentação comprobatória da importação dos cigarros, à qual se refere a mencionada súmula (art. 3º, do Decretolei n.º 399/19682) Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a exigência quanto à 17 (dezessete) caixas de cigarro objeto da autuação, para as quais a propriedade das mercadorias foi identificada no inquérito policial, devendo ser mantida a exigência fiscal correspondente à 2 (duas) caixas de cigarro. 2 "Art 3º Ficam incursos nas penas previstas no artigo 334 do Código Penal os que, em infração às medidas a serem baixadas na forma do artigo anterior adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuirem ou consumirem qualquer dos produtos nêle mencionados. § 1º Sem prejuízo da sanção penal referida neste artigo, será aplicada, além da pena de perda da respectiva mercadoria, a multa de 5% (cinco por cento) do maior salário mínimo vigente no País, por maço de cigarro ou por unidade dos demais produtos apreendidos. Parágrafo único. Sem prejuízo da sanção penal referida neste artigo, será aplicada, além da pena de perdimento da respectiva mercadoria, a multa de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarro ou por unidade dos demais produtos apreendidos. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)" Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10315.000475/200618 Acórdão n.º 3402005.822 S3C4T2 Fl. 123 7 É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.900050/2014-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.492
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para apresentação de provas quanto à validade do crédito. Vencidos os Conselheiros Pedro Sousa Bispo, Maria Aparecida Martins de Paula e Waldir Navarro Bezerra, que entendiam ser desnecessária a diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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CRÉDITO PRESUMIDO. Recorrente BUGIO AGROPECUÁRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para apresentação de provas quanto à validade do crédito. Vencidos os Conselheiros Pedro Sousa Bispo, Maria Aparecida Martins de Paula e Waldir Navarro Bezerra, que entendiam ser desnecessária a diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .9 00 05 0/ 20 14 -2 4 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10925.900050/201424 Resolução nº 3402001.492 S3C4T2 Fl. 106 2 A DRF Joaçaba não homologou a compensação por meio do despacho decisório eletrônico, já que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito mesmo período de apuração. Cientificado do despacho, o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, para alegar que o despacho decisório não teria encontrado saldo de pagamento disponível, pois primeiramente, teria retificado apenas o Dacon, e não a DCTF. A retificação da DCTF teria ocorrido antes da emissão do despacho. O interessado argumentou que seria frigorífico, sendo que sua atividade consistiria da aquisição de suínos vivos, de pessoas físicas, para abate. Estaria abrangido pela hipótese tratada no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Até dezembro de 2010, teria aplicado o dispositivo legal para deduzir crédito presumido, correspondente à 60% da alíquota do PIS e da Cofins, calculado sobre o valor dos bens adquiridos de pessoa física ou cooperado pessoa física Alegou que a partir de janeiro de 2011 teria deixado de fazer tal dedução, motivo pelo qual os pagamentos efetuados no período teriam sido a maior. Esclareceu que o art. 2º da Medida Provisória nº 552/2011 teria alterado o art. 8º da Lei nº 10.925/2004, para suprimir a dedução, se os bens fossem utilizados em produtos sobre os quais não incidissem o PIS e a Cofins, estivessem sujeitos à alíquota zero ou com a exigibilidade suspensa. Contudo, tal artigo não teria sido recepcionado pela Lei nº 12.655/2012, quando a Medida Provisória foi convertida. O Decreto nº 247/2012 teria tornado sem efeito as relações jurídicas constituídas e decorrentes do art. 8º da MP. O contribuinte concluiu, para defender que desde a edição da Lei nº 10.925/2004 teria direito à dedução tratada em seu art. 8º. Solicitou a realização de perícias e diligências para comprovar as retificações da DCTF e do Dacon. Por fim, requereu a anulação ou revisão do despacho decisório e a homologação da compensação. Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP), através do Acórdão nº 14 057.456, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Empresa suscitou apenas questões de mérito, apresentando as mesmas argumentações da sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10925.900050/201424 Resolução nº 3402001.492 S3C4T2 Fl. 107 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.491 de 27 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10925.900049/201408, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.491): "Em sessão, ousei divergir do I. Relator por entender que seria cabível, no caso, a conversão do processo em diligência para verificar a validade do crédito pleiteado pelo sujeito passivo. Como se depreende dos presentes autos, a Recorrente entende que seria suficiente a retificação do DACON e, posteriormente, da DCTF, para confirmar a validade do seu crédito. Contudo, necessário ainda que, além deste indício da existência do crédito, sejam analisados os documentos contábeis e fiscais necessários à confirmar a validade das informações constantes do DACON. Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito (DACON retificador e DCTF retificadora), entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que podem confirmar sua validade. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito presumido tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito presumido informado pelo contribuinte (art. 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10925.900050/201424 Resolução nº 3402001.492 S3C4T2 Fl. 108 4 8º da Lei nº 10.925/2004) e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito presumido tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito presumido informado pelo contribuinte (art. 8º da Lei nº 10.925/2004) e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 109DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.911559/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. CANCELAMENTO. DESPACHO DECISÓRIO.
Existe impedimento para o cancelamento do pedido de compensação (PER/DCOMP), após o respectivo despacho decisório. Entretanto, haverá a revisão da citada declaração compensação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), quando comprovada a inexistência do débito, apurado pelo regime do lucro real, mediante documentos hábeis e idôneos.
OPÇÃO PELO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IRRETRATABILIDADE.
A opção pelo regime de tributação é irretratável para todo ano-calendário, prevalecendo a primeira pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES.
Numero da decisão: 1201-002.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10783.911556/2009-63, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10783.911556/2009-63, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 PER/DCOMP. CANCELAMENTO. DESPACHO DECISÓRIO. Existe impedimento para o cancelamento do pedido de compensação (PER/DCOMP), após o respectivo despacho decisório. Entretanto, haverá a revisão da citada declaração compensação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), quando comprovada a inexistência do débito, apurado pelo regime do lucro real, mediante documentos hábeis e idôneos. OPÇÃO PELO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IRRETRATABILIDADE. A opção pelo regime de tributação é irretratável para todo anocalendário, prevalecendo a primeira pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10783.911556/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 15 59 /2 00 9- 05 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10783.911559/200905 Acórdão n.º 1201002.611 S1C2T1 Fl. 3 2 (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães. Relatório O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão recorrido, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o Despacho Decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) de pagamento indevido (código: 6106 SIMPLES). De acordo com referido Despacho Decisório,"a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Entretanto, o contribuinte argumenta que mencionado PER/DCOMP não proporcionou qualquer efeito, requerendo seu cancelamento, não havendo tributo devido pelo regime do Lucro Real, em síntese, considerando: (i) Em janeiro de 2005, o contribuinte formalizou sua opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, inclusive recolhendo o valor devido sobre esse regime simplificado; (ii) Em maio de 2006, data prevista para transmissão da declaração anual simplificada, a Receita Federal do Brasil ainda não havia se pronunciado sobre o pedido do contribuinte, permanecendo no seu cadastrado como "NÃO OPTANTE" do regime diferenciado; (iii) Receando a imposição de multa pela falta de entrega da declaração simplificada, o contribuinte modificou sua escrituração contábil para o regime do Lucro Real, possibilitando a transmissão da respectiva Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ); (iv) O pagamento indevido originou dos recolhimentos dos Simples Federal (código: 6106), enquanto não confirmada a opção pela Receita Federal do Brasil, efetivando as respectivas compensações (PER/DCOMPs) com IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, apurados pelo Lucro Real; (v) Em julho de 2006, a Receita Federal do Brasil deferiu o pedido do contribuinte de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, com vigência a partir de janeiro de 2005; (vi) Assim sendo, confirmada a opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, retroagindo a janeiro de 2005, não houve pagamento indevido (código: 6106), nem qualquer tributo devido pela apuração do Lucro Real, prevalecendo a sistemática do regime simplificado e determinando o cancelamento dos referidas PER/DCOMPs. É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10783.911559/200905 Acórdão n.º 1201002.611 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.608, de 16/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10783.911556/2009 63, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.608): O acórdão recorrido identificou "que a interessada não manifesta inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório e faz pleito de cancelamento de compensação à DRJ/RJO1, bem como da consequente anulação do débito constante do respectivo despacho decisório, sendo que, como adiante será demonstrado, não seria a DRJ a esfera competente para apreciação da respectiva demanda." prosseguindo que "tendo em vista suas idas e vindas pelas sistemáticas de apuração do lucro, é meu dever esclarecer que, de acordo com a legislação a que esta Relatora está submissa e que rege a matéria, adotada a forma de apuração do IRPJ com base no lucro real, anual ou trimestral, esta será irretratável (definitiva) para todo anocalendário, conforme o art. 3º, caput, da Lei nº 9.430, de 1996 ("A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário")." Todavia, a primeira e irretratável opção do contribuinte foi pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, conforme o artigo 8º, § 2º, da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996: Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: (...) § 2° A opção exercida de conformidade com este artigo submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente, sendo definitiva para todo o período. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10783.911559/200905 Acórdão n.º 1201002.611 S1C2T1 Fl. 5 4 Posteriormente, a Receita Federal do Brasil convalidou a opção do contribuinte pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, retroagindo a janeiro de 2005. Adicionalmente, o contribuinte ressaltou que não realizou qualquer pagamento no anocalendário de 2005, inerente ao lucro real, nem foi transmitida a Declaração de Débito e Créditos Tributários Federais (DCTF), demonstrando a modificação do regime simplificado. Embora a atual redação do artigo 74, § 6º, da Lei nº 9.430/1996, preceitue que a "declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil o suficiente para exigência do débitos indevidamente compensados", vemos que prevaleceu a opção do contribuinte pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, impossibilitando qualquer exigência tributária oriunda da apuração do lucro real. O cancelamento da declaração de compensação, requerida pelo sujeito passivo, limitarseá enquanto não sobrevier a respectiva decisão administrativa, segundo o artigo 82 da Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (RFB) nº 900/2008, reiterando a previsão da antecedente Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (RFB) nº 600/2005. Entretanto, não haverá impedimento para revisão da citada declaração compensação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), sobretudo, quando evidenciada a inexistência do débito, apurado pelo regime do lucro real. Portanto, retroagindo a opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES para janeiro de 2005, consoante decisão da própria Receita Federal do Brasil, ineficazes as declarações de compensação (PER/DCOMP) para liquidação de tributos devidos pelo regime do Lucro Real. Isto posto, voto pelo conhecimento e DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, determinando o cancelamento dos PER/DCOMPs e a alocação dos pagamentos (código: 6106 SIMPLES) no correspondente regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10783.911559/200905 Acórdão n.º 1201002.611 S1C2T1 Fl. 6 5 Fl. 59DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.902556/2012-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 04/09/2007
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Numero da decisão: 3302-005.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 04/09/2007 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 04/09/2007 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 25 56 /2 01 2- 70 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.902556/201270 Acórdão n.º 3302005.993 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER) da contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que o direito creditório decorria do pagamento a maior da contribuição, dada a inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 09061.750, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando ser incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, especialmente o novel posicionamento do STF no sentido de declarar a inconstitucionalidade da manutenção do ICMS na base de cálculo das contribuições. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.902556/201270 Acórdão n.º 3302005.993 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.969, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.679818/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.969): O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência e a matéria é de competência deste Colegiado. A presente discussão jurídica gravita exclusivamente em torno da possibilidade jurídica de se computar, na base de cálculo do PIS e da COFINS, o ICMS incidente sobre as mercadorias vendidas ou dos serviços prestados. A recorrente insurgese contra a inclusão do ICMS no faturamento, base de cálculo das contribuições exigidas, no caso específico Cofins e PIS, argüindo ser inconstitucional sua cobrança. Ressalta que o parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, norma conhecida como alargamento da base de cálculo dessas contribuições, foi reconhecida como inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Assim concluindo ser inconstitucional a cobrança da Cofins e do PIS sobre os valores indevidos na base de cálculo do faturamento, mais precisamente do ICMS. Argumenta que o valor do ICMS não revela medida de riqueza. Em razão da similitude com o presente caso concreto, adoto as razões de decidir da I. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158), que também foi adotado pelo I. Conselheiro Walker Araújo, processo administrativo nº 13609.000892/200998 (acórdão 3302005.708), que peço venia para transcrever: "II Mérito II.3 ICMS/ISSQN na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS/ISSQN na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação do RE 240.7852/MS. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS/ISSQN na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.902556/201270 Acórdão n.º 3302005.993 S3C3T2 Fl. 5 4 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.902556/201270 Acórdão n.º 3302005.993 S3C3T2 Fl. 6 5 empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da nãocumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.902556/201270 Acórdão n.º 3302005.993 S3C3T2 Fl. 7 6 Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.902556/201270 Acórdão n.º 3302005.993 S3C3T2 Fl. 8 7 julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Aplicase ao ISSQN, os mesmos fundamentos explicitados pelo Superior Tribunal de Justiça para manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, considerando, inclusive, que o RESP 1.144.469/PR tratou dos referidos impostos. III. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Assim, pelas já esposadas razões, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 141DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.005677/2003-37
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPOSIÇÃO COM RETENÇÃO DE RENDIMENTOS. NÃO OFERECIMENTO DOS RENDIMENTOS À TRIBUTAÇÃO. GLOSA. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
A demonstração analítica do direito creditório, a partir da apresentação de documentos em posse do contribuinte, com a comprovação e confrontação dos valores retidos e dos rendimentos respectivos oferecidos à tributação, evidenciando as retenções que compuseram o crédito que se convencionou denominar de saldo negativo, formado após encerramento da apuração do exercício, integra o ônus de prova atribuído ao sujeito passivo, notadamente quando se discute direito de crédito objeto de pedido de compensação.
Para legitimar a composição do saldo negativo, formado por retenções na fonte, é necessário comprovar o oferecimento dos respectivos rendimentos à tributação. Isto porque, a pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real somente pode deduzir do IRPJ devido no encerramento do período o IRRF quando incidente sobre as receitas computadas na sua determinação. Na falta de comprovação de composição regular do saldo negativo, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.456
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPOSIÇÃO COM RETENÇÃO DE RENDIMENTOS. NÃO OFERECIMENTO DOS RENDIMENTOS À TRIBUTAÇÃO. GLOSA. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. A demonstração analítica do direito creditório, a partir da apresentação de documentos em posse do contribuinte, com a comprovação e confrontação dos valores retidos e dos rendimentos respectivos oferecidos à tributação, evidenciando as retenções que compuseram o crédito que se convencionou denominar de saldo negativo, formado após encerramento da apuração do exercício, integra o ônus de prova atribuído ao sujeito passivo, notadamente quando se discute direito de crédito objeto de pedido de compensação. 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(assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 788/811) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 770/778), proferida em sessão de 28 de abril de 2009, consubstanciada no Acórdão n.º 0222.085, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (DRJ/BHE), que, por maioria de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 615/626), que pretendia reformar o Despacho Decisório (DD), emanado pela Autoridade Administrativa (efls. 586/590) que analisou o Pedido de Restituição e a Declaração de Compensação, e não homologou integralmente a compensação declarada, por não reconhecer a totalidade do direito crédito vindicado, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 IRRF. A pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real somente pode deduzir do IRPJ devido no encerramento do período o IRRF quando incidente sobre as receitas computadas na sua determinação. Declaração de Compensação à data da entrega da Declaração de Compensação é o marco temporal para valoração do crédito e para a incidência de acréscimos legais sobre o débito. A Declaração de Compensação Retificadora transmitida a partir de 1.º/10/2003 com aumento do valor do débito não pode ser admitida por falta de previsão legal. Solicitação Indeferida Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10680.005677/200337 Acórdão n.º 1002000.456 S1C0T2 Fl. 815 3 Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o presente processo de Declaração de Compensação referente ao saldo negativo de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ no valor de R$ 145.175,95 do anocalendário de 2001, fls. 100 [efl. 102], e à homologação da compensação dos débitos informados em 30/04/2003, fl. 01 [efl. 02], posteriormente retificados em 25/08/2004, fls. 123 [efl. 125]. Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 176/180 [efls. 180/184], as informações referentes ao IRPJ foram analisadas e foi reconhecido o valor de R$ 101.216,30 a título de saldo negativo de IRPJ para o anocalendário de 2001 e homologadas as compensações dos débitos constantes às fls. 01 [efl. 02] e 123 [efl. 125] nas Per/Dcomp nos 14992.52188.310703.1.3.022769, 12867.71278.120903.1.3.02 7540. Houve homologação parcial da compensação dos débitos constantes na Per/Dcomp n.º 07320.69897.301003.1.3.029514. Em relação aos débitos constantes nas Per/Dcomp ns.º 29193.89743.051103.1.3.020408, 15018.76954.290404.1.3.02 1504 não houve homologação da compensação, fl. 194 [efl. 198]. Consta que: Como se verificou pelo documento de fl. 123 [efl. 125], o contribuinte entregou declaração retificadora em 25/08/2004, aumentando os valores dos respectivos débitos. Tal procedimento contraria o disposto no art. 59 da IN 600, de 28/12/2005, o qual determina que "a retificação da Declaração de Compensação não será admitida quando tiver por objeto a inclusão de novo débito ou aumento do valor do débito compensado mediante apresentação de Declaração de Compensação à SRF". De acordo com o parágrafo único deste artigo, o sujeito passivo que desejar o novo débito ou diferença de débito deverá apresentar nova Declaração de Compensação. Desta forma, as diferenças apuradas deverão ser compensadas na data da entrega da declaração retificadora com os devidos acréscimos legais. Cientificada em 08/10/2008, fl. 203 [efl. 207], a requerente apresentou sua manifestação de inconformidade em 06/11/2008, fls. 205/216 [efls. 209/220], com as alegações abaixo sintetizadas. Diz que apresenta a peça de defesa dentro do prazo legal. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Argúi que houve um equívoco na glosa do IRRF no valor de R$ 43.959,65 relativo aos rendimentos recebidos da fonte pagadora Usiminas S/A a título de juros sobre capital próprio no valor de R$ 293.064,34, porque se referem ao anocalendário de 2000. Suscita que, como houve a homologação parcial da compensação do pedido, os valores remanescentes estão sendo exigidos com acréscimos legais. Esclarece que a presente Declaração de Compensação deve ser analisada em conjunto com aquela apresentada no processo n.º 10680.004638/200312. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 10680.005677/200337 Acórdão n.º 1002000.456 S1C0T2 Fl. 816 4 Explica que sua Declaração de Compensação originalmente apresentada poderia ser alterada, tendo em vista o erro cometido na indicação dos valores dos débitos. Argumenta que não tem cabimento a aplicação de multa em relação aos débitos, cuja compensação não foi homologada, pela "inexistência efetiva de mora a justificar a imposição da penalidade". Com o objetivo de justificar seus argumentos de fato e de direito, a requerente interpreta a legislação de regência, cita entendimentos jurisprudenciais e diz que princípios constitucionais foram violados. Assim, a requerente específica: IV — Do Pedido Diante de todo exposto, requer seja reformado o Despacho Decisório (...), sendo consequentemente homologadas todas as declarações de compensações analisadas nos presentes autos, livrandose a Manifestante de quaisquer ônus relacionados ao feito. Alternativamente, caso Vossas Senhorias não entendam por bem em reformar integralmente a decisão recorrida, o que se admite apenas para argumentar, requer que seja excluído do crédito tributário o valor exigido a título de multa moratória, sendo intimada a Manifestante a apresentar novos PER/DCOMP's sobre a diferença não compensada, apenas para regularizar os equívocos formais ora noticiados. A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do direito crédito na parte que não havia sido acolhido e, por conseguinte, não homologando a compensação respectiva, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Está sendo proferido o presente acórdão devido a correção de inexatidões materiais constantes no Acórdão DRJ/BHE n.º 0221.537, de 12 de março de 2009, fls. 276/283 [efls. 281/288], que fica cancelado (art. 22 da Portaria MF n.º 58, de 17 de março de 2006). A requerente esclarece que a presente Declaração de Compensação deve ser analisada em conjunto com aquela apresentada no processo n.º 10680.004638/200312. A Portaria RFB n.º 666, de 24 de abril de 2008, prevê: Art. 1.º Serão objeto de um único processo administrativo: (...) IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; Tendo em vista que a Declaração de Compensação analisada no processo n.º 10680.004638/200312 se refere a direito creditório de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998, fls. 260/265 [efls. 265/270], não tem cabimento que a presente Declaração de Compensação seja examinada em conjunto com aquela. A requerente argúi que houve um equívoco na glosa do IRRF no valor de R$ 43.959,65 relativo aos rendimentos recebidos da fonte pagadora Usiminas S/A a título de juros sobre capital próprio no valor de R$ 293.064,34. O IRPJ deve ser apurado conforme os critérios previstos na legislação tributária (Lei n.º 8.383, de 30 de dezembro de 1991, Fl. 816DF CARF MF Processo nº 10680.005677/200337 Acórdão n.º 1002000.456 S1C0T2 Fl. 817 5 na Lei n.º 8.981, de 20 de janeiro de 1996 e na Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real somente pode deduzir do IRPJ devido no encerramento do período o Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF quando incidente sobre as receitas computadas na sua determinação (art. 34 da Lei n.º 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 1.º da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, art. 2.º e art. 51 da Lei 9.430, de 1996 e art. 10 da Lei n.º 9.532, de 10 de dezembro de 1997). O IRRF referente ao código de arrecadação n.º 5706 relativo aos juros sobre capital próprio, além do art. 83 da Lei n.º 8.981, de 20 de janeiro de 1995, também é regido pela Lei n.º 9.249, de 26 de dezembro de 1995, que determina: Art. 9.º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. (...) § 2.º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3.º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; (...) § 6.º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2.º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. De acordo com as informações constantes nas Declarações do Imposto Retido na Fonte — DIRF, fls. 257/259 [efls. 262/264], apresentadas pelas fontes pagadoras no ano calendário de 2001 (art. 11 do Decretolei n.º 1.068, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do Decretolei n.º 2.065, de 26 de outubro de 1983), temse os seguintes valores de IRRF do código de arrecadação n.º 5706 relativo aos juros sobre capital próprio: CNPJ Fonte Pagadora Rendimento Tributável R$ Imposto Retido R$ 60.894.730/000105 293.064,34 43.959,65 70.955.034/000115 1.753.850,00 263.077,50 24.315.129/000157 18,20 2,73 Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 176/180 [efls. 180/184], consta que: Conforme DIRF anexada a fl. 168 [efl. 172], o contribuinte teve, no exercício 2002, retenção na fonte no valor de R$ 307.176,23, sendo esta decorrente de receitas de aplicações financeiras de renda fixa (136,35) e de receitas de juros sobre capital próprio (R$ 307.079,88). Demonstram as telas anexadas às fls. 174/175 [efls. 178/179] que a empresa também teve IRRF a pagar no valor de R$ 162.000,00 em função dos rendimentos de juros s/capital próprio por ela distribuído aos seus sócios e dirigentes. Não consta recolhimento em nossos sistemas relativo a esta retenção. De acordo com as previsões legais do Regulamento do Imposto de Renda — RIR, vigente à época, o imposto a Fl. 817DF CARF MF Processo nº 10680.005677/200337 Acórdão n.º 1002000.456 S1C0T2 Fl. 818 6 pagar devido pela empresa, incidente s/ juros do capital próprio por ela distribuído, poderia ser compensado com o imposto de igual natureza retido na mesma. Deduzido assim o IRRF devido no ano, restou ao contribuinte, "em tese", um crédito de R$ 145.175,95, conforme lançado na DIPJ. (...) Constatamos que somente parte dos rendimentos relativos a receitas de juros sobre capital próprio (R$ 1.753.866,44) foi oferecido à tributação, conforme demonstra a ficha 6A — linha 23 da DIPJ anexada aos autos (vide fls. 95 e 171) [efls. 97 e 175]. A receita da mesma natureza, recebida da fonte pagadora Usiminas S/A, no valor de R$ 293.064,34, não se encontra na DIPJ. Por estas constatações, impõese que, do valor apurado pelo contribuinte (R$ 145.175,95), seja glosado o equivalente a R$ 43.959,65, uma vez que a receita correspondente não foi oferecida à tributação. Com isso, o valor efetivo do seu Saldo Negativo de IRPJ do exercício de 2002 é de R$ 101.216,30 e não o valor apurado em sua DIPJ. Cabe esclarecer que não foram acostados aos autos quaisquer fatos ou fundamentos de direto supervenientes àqueles que já tenham sido objeto de exame detalhado pela autoridade fiscal. Ao contrário do que afirma a requerente, em relação ao anocalendário de 2000, ela não declarou qualquer valor a título de receita operacional de juros sobre capital próprio, fls. 269/274 [efls. 274/279]. Ademais, no anocalendário de 2001, ela demonstrou o IRRF inclusive com a fonte pagadora CNPJ 60.894.730/000105 nos valores já indicados, fl. 118 [efl. 120]. Por conseguinte, não cabem reparos ao valor do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 reconhecido no Despacho Decisório, fls. 176/180 [efls. 180/184]. A requerente diz que tem direito à homologação da compensação dos débitos declarados, uma vez que a Declaração de Compensação originalmente apresentada poderia ser alterada, tendo em vista o erro cometido na indicação dos valores dos débitos. Alega que não tem cabimento a incidência dos acréscimos legais em relação aos débitos, cuja compensação não foi homologada, pela "inexistência efetiva de mora a justificar a imposição da penalidade". Especificamente, a Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1.º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1.º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2.º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3.º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3.º do art. 5.º a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...) Fl. 818DF CARF MF Processo nº 10680.005677/200337 Acórdão n.º 1002000.456 S1C0T2 Fl. 819 7 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. § 1.º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2.º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 4.º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (...) § 6.º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. A Instrução Normativa SRF n.º 900, de 30 de dezembro de 2008, determina: Art. 36. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 72 e 73 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1.º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 79. Art. 79. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel não será admitida quando tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à RFB. § 1.º Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à RFB nova Declaração de Compensação. § 2.º Para verificação de inclusão de novo débito ou aumento do valor do débito compensado, as informações da Declaração de Compensação retificadora serão comparadas com as informações prestadas na Declaração de Compensação original. (...) Art. 81. A retificação da Declaração de Compensação não altera a data de valoração prevista no art. 36, que permanecerá sendo a data da apresentação da Declaração de Compensação original. Fl. 819DF CARF MF Processo nº 10680.005677/200337 Acórdão n.º 1002000.456 S1C0T2 Fl. 820 8 A Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec n.º 6, de 21 de novembro de 2007, estabelece: DCOMP retificadora com aumento ou inclusão de débito A verificação de aumento ou inclusão de débito só é feita para as DCOMP retificadoras transmitidas a partir de 1.º/10/2003, data da entrada em vigor da IN SRF n.º 360/2003. A comparação para verificação de aumento ou inclusão de débitos é feita em relação à DCOMP original, uma vez que este é o documento que será considerado para efeito de determinação da data de valoração. Quando a DCOMP original e a retificadora tiverem sido transmitidas na mesma data, não se considera que houve aumento ou inclusão de débitos, visto que não há alteração na data de valoração. DCOMP retificadora com aumento de débito Considerase aumento de débito: Se a DCOMP original foi transmitida até 30/09/2003: quando o somatório dos valores informados no campo "Principal" da DCOMP retificadora for superior ao somatório dos valores informados no campo "Valor original do débito compensado" da DCOMP a ser retificada. Se a DCOMP original foi transmitida a partir de 1.º/10/2003: quando o somatório dos valores informados no campo "Principal" da DCOMP retificadora for superior ao somatório dos mesmos valores da DCOMP original, e ainda, tenha havido aumento no valor do campo "Total dos débitos desta DCOMP". Na DCOMP, o valor confessado do débito referese ao principal. O acréscimo de multa e/ou juros a um débito anteriormente compensado não configura aumento de débito. A data da entrega da Declaração de Compensação é o marco temporal para valoração do crédito e para a incidência de acréscimos legais sobre o débito. Assim, por falta de fundamentação legal, não podem ser afastados os acréscimos legais aplicados em decorrência do não pagamento espontâneo do tributo devido no prazo legal, que sofre a incidência de acréscimos legais até a data de entrega da Declaração de Compensação. A Declaração de Compensação Retificadora transmitida a partir de 1.º/10/2003 com aumento do valor do débito não pode ser admitida por falta de previsão legal. A requerente apresentou em 09/04/2003 a Declaração de Compensação, fl. 01 [efl. 02], em que relaciona os débitos a serem compensados e em 25/08/2004 apresentou a Declaração de Compensação Retificadora com aumento dos valores desses débitos, fls. 123 [e fl. 125]. Nesse sentido, em relação à diferença a maior desses débitos declarados deve ser considerada a data de 25/08/2004 como a entrega de nova Declaração de Compensação e marco temporal para a incidência de acréscimos legais. Por conseguinte, não cabem reparos ao Despacho Decisório, fls. 176/180 [efls. 180/184]. Com o objetivo de justificar seus argumentos de fato e de direito, a requerente interpreta a legislação de regência, cita entendimentos jurisprudenciais e diz que princípios constitucionais foram violados. A Constituição Federal determina: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Fl. 820DF CARF MF Processo nº 10680.005677/200337 Acórdão n.º 1002000.456 S1C0T2 Fl. 821 9 Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Por sua vez, o Código Tributário Nacional que determina: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A Lei n.º 8.112, de 11 de dezembro de 1990, prevê: Art.116. São deveres do servidor. I exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo; (...) III observar as normas legais e regulamentares; Logo, os argumentos relativos à interpretação da legislação, aos princípios constitucionais supostamente violados e aos pronunciamentos jurisprudenciais indicados pela requerente não podem prosperar. Em face do exposto, voto por indeferir da solicitação da requerente. Do recurso voluntário No recurso voluntário (efls. 788/811), o contribuinte reitera os argumentos suscitados na manifestação de inconformidade para vindicar o direito creditório pretendido, defendendo, ainda, em acréscimo, que há nulidade no ato de cancelamento do primeiro acórdão da DRJ (efls. 687/694), ainda mais quando agiu de ofício, sob o argumento de "inexatidões materiais", consequentemente, também, devendo se anular o segundo acórdão (efls. 770/778), ora recorrido, para prevalecer o primeiro proferido, haja vista que o segundo acórdão traria maiores prejuízos ao contribuinte, de mais a mais não haveria inexatidões materiais e já havia notificação válida do sujeito passivo quanto ao conteúdo da primeira decisão (efls. 687/694) e recurso voluntário interposto tempestivamente (efls. 705/721) em relação ao famigerado primeiro acórdão anulado de ofício. Explicou que o primeiro acórdão entendeu possível a retificação de DCOMP, caso pendente decisão administrativa em relação a declaração original, enquanto que o acórdão recorrido (posterior) compreendeu que a DCOMP retificadora, com aumento do valor do débito, não pode ser admitida por falta de previsão legal. Alega que, por causa disso, um dos julgadores da primeira votação, que foi unânime, divergiu na segunda, que foi por maioria de votos, exatamente para manter a posição anterior quanto a possibilidade de retificação dos PER/DCOMP's. Sustentou que, no mais, os acórdãos são materialmente similares. Nesse contexto, sobreveio determinação para encaminhamento destes autos para o Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (efl. 812). Posteriormente, o processo foi distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Fl. 821DF CARF MF Processo nº 10680.005677/200337 Acórdão n.º 1002000.456 S1C0T2 Fl. 822 10 Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 12/05/2009, terçafeira, efls. 779/780 e 786/787, e protocolo recursal realizado em 12/06/2009, sextafeira, efl. 788, primeiro dia útil posterior ao feriado de Corpus Christi, que ocorreu em 11/06/2009, quintafeira), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 43.959,65. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Apreciação de requerimento antecedente a análise do mérito Pedido de nulidade do Acórdão (efls. 770/778) Quanto ao pedido de nulidade, ora conhecido como matéria preliminar ao mérito, entendo que não assiste razão ao recorrente. Vejase, alega o contribuinte que o segundo acórdão (efls. 770/778, de 28 de abril de 2009) é nulo, pois deveria prevalecer o primeiro acórdão (efls. 687/694, de 12 de março de 2009), que o antecedeu. Para sustentar a nulidade argumenta que o segundo acórdão lhe é mais prejudicial, pois não admitiu a retificação da DCOMP, caso pendente decisão administrativa em relação a declaração original, enquanto que o primeiro acórdão admitia essa possibilidade. Fl. 822DF CARF MF Processo nº 10680.005677/200337 Acórdão n.º 1002000.456 S1C0T2 Fl. 823 11 Importa esclarecer, ao seu turno, que a DRJ fundamenta que proferiu novo acórdão para correção de inexatidões materiais, utilizando para tanto como fundamento o art. 22 da Portaria MF n.º 58, de 17 de março de 2006. Pois bem. Analisando a situação, observo que, seja no primeiro, seja no segundo acórdão, a tese de defesa não foi aceita pela DRJ, demais disto, independentemente do segundo acórdão dizer que não se pode retificar a DCOMP, enquanto que o primeiro acórdão diz que poderia, o fato é que nenhum dos acórdãos alterou o conteúdo do despacho decisório, mantendoo pelos próprios fundamentos. A decisão da DRJ, seja a primeira, seja a segunda, é negativa quanto a homologação da DCOMP, não tendo nenhum efeito constitutivo para alterar o conteúdo do dito despacho decisório. Aliás, analisando trechos de ambos os acórdãos, ainda que pudesse se falar em efeito constitutivo neles, o que faço apenas para argumentar, tais efeitos seriam aqueles "aplicados" pela não homologação do próprio "despacho decisório" e este não foi reparado em quaisquer dos acórdãos. Então, o eventual efeito é tão somente confirmar o despacho decisório em seu próprio conteúdo, este que impôs os efetivos efeitos e não está sendo alterado em quaisquer aspectos. Por conseguinte, é fato que a decisão da DRJ, seja a primeira, seja a segunda, não modificou o despacho decisório, especialmente no ponto relativo ao questionamento, vejase: Trecho do Primeiro Acórdão: (...). "Ademais, por falta de fundamentação legal, não podem ser afastados os acréscimos legais aplicados em decorrência do não pagamento espontâneo do tributo devido no prazo legal, que sofre a incidência de acréscimos legais até a data de entrega da Declaração de Compensação." "Assim, não cabem reparos ao Despacho Decisório, fls. 176/180." Trecho do Segundo Acórdão: (...). "Assim, por falta de fundamentação legal, não podem ser afastados os acréscimos legais aplicados em decorrência do não pagamento espontâneo do tributo devido no prazo legal, que sofre a incidência de acréscimos legais até a data de entrega da Declaração de Compensação." (...). "Por conseguinte, não cabem reparos ao Despacho Decisório, fls. 176/180." Por isso, concluo que não houve prejuízos para a defesa, de modo que, com fulcro no art. 60 do Decreto n.º 7.235, de 1972, entendo que eventual irregularidade no referido procedimento adotado pela primeira instância não importa em nulidade, pois não influi na solução do litígio. A solução do litígio estará especialmente focada na análise do reconhecimento, ou não, do crédito. Desta forma, rejeito a preliminar de nulidade. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, oportunidade em que o sujeito passivo efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). Fl. 823DF CARF MF Processo nº 10680.005677/200337 Acórdão n.º 1002000.456 S1C0T2 Fl. 824 12 O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise originária do direito creditório, a Administração Tributária reconheceu apenas em parte a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte. Em relação a parte não reconhecida sobreveio a instauração do litígio. Compulsando os autos, verificase que se está diante de DCOMP's tendo por crédito saldo negativo de imposto de renda do anocalendário de 2001. O saldo negativo apurado, na ordem de R$ 145.175,95, tem em sua composição retenções (IRRF) no valor de R$ 43.959,65 relativo a supostos rendimentos (R$ 293.064,34) recebidos da fonte pagadora Usiminas S/A a título de Juros sobre Capital Próprio (JCP). O referido valor de R$ 43.959,65 foi glosado do crédito de saldo negativo de imposto de renda do anocalendário de 2001, sob o principal argumento de que o valor dos rendimentos (R$ 293.064,34) recebidos da fonte pagadora Usiminas S/A a título de Juros sobre Capital Próprio (JCP) não foi oferecido à tributação no anocalendário de 2001. O art. 231, III, do Regulamento do Imposto de Renda, com fundamento no art. 2.º, § 4.º, da Lei 9.430, de 1996, estabelece que para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre as receitas computadas na determinação do lucro real. Então, em suma, efetivamente, ainda que tenha ocorrido a retenção, se o rendimento não foi oferecido à tributação, deixase de ter direito a dedução, de modo que não poderá compor o saldo negativo do período. A DRJ está correta quando informa que o IRPJ deve ser apurado conforme os critérios previstos na legislação tributária (Lei n.º 8.383, de 30 de dezembro de 1991, na Lei n.º 8.981, de 20 de janeiro de 1996 e na Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996), assim como quando afirma que a pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real somente pode deduzir do IRPJ devido no encerramento do período o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) quando incidente sobre as receitas computadas na sua determinação (art. 34 da Lei n.º 8.981, de 20 de janeiro de 1995; art. 1.º Fl. 824DF CARF MF Processo nº 10680.005677/200337 Acórdão n.º 1002000.456 S1C0T2 Fl. 825 13 da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995; art. 2.º e art. 51 da Lei n.º 9.430, de 1996; e art. 10 da Lei n.º 9.532, de 10 de dezembro de 1997). Acerca desta controvérsia, relacionada ao não oferecimento dos rendimentos do JCP à tributação no anocalendário de 2001, o recurso voluntário tenta argumentar que o valor estaria incluso na apuração do anocalendário de 2000 (face ao regimento de competência aplicado na contabilidade), vale dizer, de certo modo, teria sido ofertado, até mesmo, antecipadamente, restando unicamente a retenção para o exercício de 2001 (regime de caixa, pagamento do JCP). No entanto, com a devida vênia, apesar da alegação, o contribuinte não comprova essa afirmativa e não desconstitui as razões de decidir muito bem detalhadas pela DRJ. A despeito de juntar novos documentos (efls. 722/769), não se vê, nem se demonstra o oferecimento à tributação dos rendimentos de JCP no valor de R$ 293.064,37, seja no anocalendário de 2000, seja no anocalendário de 2001. A parte apresentada do razão da recorrente do ano de 2000, quando muito (efls. 767/769), mostra o lançamento do valor do JCP de R$ 293.064,37 em conta de dividendos, que não é tributada, logo não oferecida à tributação (efl. 769). Aliás, o total da conta de dividendos (efls. 769, no valor de R$ 510.148,77) aparece lançado na DIPJ 2001, ano 2000, em linhas de exclusões, exatamente por não serem tributados (efls. 727, ficha 9A e 732, ficha 17). No mais, parecemme corretos os argumentos da DRJ, não tendo sido infirmados pelo sujeito passivo para fins de desconstituilos. Isto é, não se colacionou fatos ou fundamentos de direto supervenientes àqueles que já tenham sido objeto de exame detalhado e não se conseguiu ilidir os fundamentos do despacho decisório. Como bem pontuou a DRJ, o contribuinte, para o anocalendário de 2000, não declarou rendimentos de JCP (efls. 274/279). Este é o fato; a prova dos autos indica isso. A necessidade de comprovação é ponto fundamental na apreciação recursal, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) tem entendimentos elucidativos, vejase: ACÓRDÃO 3201002.303 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. (...) Recurso Voluntário Negado Portanto, sem reparos até aqui a decisão de primeira instância. Outro ponto sustentado pela recorrente, é o pleito para analisar estes autos em conjunto com o Processo n.º 10680.004638/200312, no entanto a DRJ está correta ao invocar o inciso IV do art. 1.º da Portaria RFB n.º 666, de 24 de abril de 2008, não sendo caso de apreciação conjunta, especialmente porque aquele caderno processual é relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998, logo não guardando relação com o presente processo. Fl. 825DF CARF MF Processo nº 10680.005677/200337 Acórdão n.º 1002000.456 S1C0T2 Fl. 826 14 Por conseguinte, sem razão o pleito de julgar os autos em conjunto com o Processo n.º 10680.004638/200312. Em mais um ponto do recurso o contribuinte afirma que não poderia incidir os acréscimos legais em relação aos débitos, cuja compensação não foi homologada, pela "inexistência efetiva de mora a justificar a imposição da penalidade", no entanto tal alegação do contribuinte não se sustenta como bem explicado na decisão de primeira instância, face a aplicação da legislação que rege a matéria prever que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1.º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, deverem ser acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, sendo o percentual aplicado limitado a vinte por cento, incidindo juros de mora calculados à taxa SELIC a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento (Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 61, §§ 1.º, 2.º, 3.º). Demais disto, a mesma ordem legal reza que o sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão, sendo que a compensação é efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados, tendo efeito de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, ademais os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa são considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo e a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados (Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 74, §§ 1.º, 2.º, 4.º, 6.º). Por conseguinte, na compensação os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. Isto porque, a compensação tem o mesmo efeito do pagamento; é como se o pagamento fosse feito na data de entrega da DCOMP. Logo, a data da entrega da Declaração de Compensação é o marco temporal para a incidência de acréscimos legais sobre o débito. Desta forma, por falta de fundamentação legal, está correta a DRJ quando conclui que não podem ser afastados os acréscimos legais aplicados em decorrência do não pagamento espontâneo do tributo devido no prazo legal, que sofre a incidência de acréscimos legais até a data de entrega da Declaração de Compensação. A DRJ também está correta quando esclarece que as Declarações de Compensação transmitidas a partir de 1.º/10/2003, com aumento do valor do débito, não podem ser admitidas por falta de previsão legal. Desta forma, quando a requerente apresenta, em 09/04/2003, Declaração de Compensação (efl. 02) e, em 25/08/2004, transmite DCOMP retificadora, com aumento dos valores desses débitos (efl. 125), à Fl. 826DF CARF MF Processo nº 10680.005677/200337 Acórdão n.º 1002000.456 S1C0T2 Fl. 827 15 diferença a maior deve ser tratada como se estivesse sendo suportada em nova DCOMP, cujo marco temporal para a incidência de acréscimos legais é a data da sua transmissão. Logo, também aqui não cabe reparos na decisão da primeira instância. Outros pontos tratados no recurso são interpretações da legislação, entendimentos jurisprudenciais e princípios constitucionais supostamente violados, contudo não vejo, igualmente, reparos na decisão a quo e não observo violações legais e principiológicas. O fato é que a Administração Tributária atuou dentro da margem da legislação e observando sua atuação vinculada e obrigatória, inclusive esclarecendo cada disposição legislativa aplicada e estando os efeitos bem delineados e minuciados. Importante ressaltar, em linhas finais, que, para a diferença não homologada, a não homologação decorreu do não reconhecimento do crédito, mas assistiu razoável razão para a Administração Tributária em desfavor do contribuinte, já que este poderia afastar efetuais dúvidas, mas não o fez, havendo controvérsia quanto a certeza e liquidez da parcela do crédito não reconhecido, já que o JCP não foi oferecido à tributação. É fato que a demonstração analítica do direito creditório, a partir da apresentação de documentação hábil a afastar as dúvidas, com a evidenciação da composição inconteste do crédito, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte. Na falta de comprovação do saldo negativo, não há que se falar de crédito passível de compensação por carecer de certeza e liquidez o direito creditório vindicado. Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado. Observese, em que pese afirmar ter saldo negativo líquido e certo, o sujeito passivo não o comprova. A escrita contábil, por si só, ainda mais quando em divergência com outras fontes, não é suficiente para atestar a liquidez e certeza necessárias ao reconhecimento do crédito. Deixou a contribuinte de juntar documentos essenciais para a prova do seu vindicado direito, inclusive para demonstrar de forma comentada e elucidativa a prova de sua eventual existência, não havendo demonstração analítica que leve este Juízo Recursal, no âmbito de seu controle de legalidade, a se convencer sobre a certeza e liquidez do crédito cujo reconhecimento o contribuinte requer. Aliás, em verdade, as últimas provas colacionadas dão mais segurança ao entendimento de que o JCP não foi oferecido à tributação. Nesse sentido: ACÓRDÃO 3001000.312 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas Fl. 827DF CARF MF Processo nº 10680.005677/200337 Acórdão n.º 1002000.456 S1C0T2 Fl. 828 16 de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez que a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso e juntando tempestivamente os documentos necessários a demonstração do seu direito. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação a ser juntada não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo sempre de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se devem extrair da escrita e dos documentos, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a crédito que se pretende comprovar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. Este ônus, face as divergências apontadas no crédito não reconhecido, a contribuinte não se desincumbiu. Destarte, não logrando o sujeito passivo êxito em comprovar existência do seu crédito, ônus que lhe competia e sendo atribuição desta instância recursal tão somente exercer o controle de legalidade, verificando ter sido o modus operandi da Administração Tributária exercido em total consonância com os ditames legais, não subsistem motivos que justifiquem reparo na decisão recorrida, razão pela qual entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário, rejeitando a preliminar de nulidade, e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 828DF CARF MF
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Numero do processo: 11618.003428/2003-23
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPUTAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA SUMULADA.
Imputação de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, e lançamento de multa de ofício. Sendo os fatos geradores anteriores ao ano de 2007, aplica-se a Súmula nº 105 do CARF, sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007, para afastar a multa isolada.
Numero da decisão: 9101-003.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 10508.000384/2006-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator e Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPUTAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA SUMULADA. Imputação de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, e lançamento de multa de ofício. Sendo os fatos geradores anteriores ao ano de 2007, aplica-se a Súmula nº 105 do CARF, sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007, para afastar a multa isolada.
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