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Numero do processo: 11040.721967/2016-44
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
CONTRIBUIÇÕES. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE.
As contribuições dedutíveis são aquelas destinadas a custear benefícios complementares, assemelhados aos da previdência oficial, cujo ônus tenha sido do participante, e em benefício deste ou de seu dependente.
Numero da decisão: 2002-000.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES.CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. Recorrente CARL FRIEDRICH WALTHER TROGER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 CONTRIBUIÇÕES. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE. As contribuições dedutíveis são aquelas destinadas a custear benefícios complementares, assemelhados aos da previdência oficial, cujo ônus tenha sido do participante, e em benefício deste ou de seu dependente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 19 67 /2 01 6- 44 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11040.721967/201644 Acórdão n.º 2002000.037 S2C0T2 Fl. 114 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2013, ano calendário 2012, tendo em vista a apuração de omissões de rendimentos, compensação indevida de carnêleão e dedução indevida de previdência privada e FAPI. O contribuinte apresentou impugnação (fls.2/17), contestando parcialmente a exação. Alega que faz jus a deduzir o montante de R$3.966,75 a título de contribuição previdência privada. Acrescenta que o valor não ultrapassa 12% dos rendimentos tributáveis declarados e ele efetuou, em seu nome, contribuições para o regime de geral de previdência social. Indica a juntada dos recolhimentos efetuados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) negou provimento à Impugnação (fls. 79/83), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CARNÊLEÃO E DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI (PARCIAL). Consideramse não impugnadas, portanto não litigiosas, as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo contribuinte. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÕES DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual, todas as despesas estão sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea. Cientificado dessa decisão em 16/5/2017 (fl.88), o contribuinte formalizou, em 14/6/2017 (fl.91), seu recurso voluntário (fls. 91/107), no qual apresenta as seguintes alegações: Argumenta que juntou a sua defesa comprovantes de despesa dedutível no valor de R$3.966,75, representadas por guias GRU, com código 155608 (contribuição para o custeio das pensões militares), cuja fonte arrecadadora é Cmdo Ex/SEF/CPex, CNPJ 00.394.452/053304. Informa que essas contribuições têm base legal no artigo 2º da Lei nº 3.765, de 1960. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11040.721967/201644 Acórdão n.º 2002000.037 S2C0T2 Fl. 115 3 Diante da decisão de piso, que consignou que a natureza dos recolhimentos não estava identificada, indica a juntada de cartas emitidas pelo Ministério da Defesa Exército Brasileiro Comando da 3ª Região Militar, endereçadas a ele. Ao final, requer o acolhimento de seu recurso. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.109). É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11040.721967/201644 Acórdão n.º 2002000.037 S2C0T2 Fl. 116 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Juntada de Provas na Fase Recursal O Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação de provas em momento posterior a impugnação, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16. Porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos anexados aos autos após a impugnação, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. Nesse caso, entendo que os documentos apresentados em sede de recurso voluntário devem ser recepcionados e analisados, uma vez que se destinam a sanear falhas na instrução probatória apontadas pela decisão de piso. Mérito O recurso recai sobre a glosa do montante de R$3.966,75 declarado a título de contribuição à previdência privada. Sobre a dedução dessas contribuições, dispõe o artigo 8º, inciso II, alínea e, da Lei nº 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11040.721967/201644 Acórdão n.º 2002000.037 S2C0T2 Fl. 117 5 II das deduções relativas: ... e) às contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social; (destaques acrescidos) Por seu turno, o caput do artigo 11 da Lei nº 9.532, de 1997, dispõe: Art. 11. As deduções relativas às contribuições para entidades de previdência privada, a que se refere a alínea e do inciso II do art. 8o da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e às contribuições para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual Fapi, a que se refere a Lei no 9.477, de 24 de julho de 1997, cujo ônus seja da própria pessoa física, ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observada a contribuição mínima, e limitadas a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. (Redação dada pela Lei nº 10.887, de 2004) (destaques acrescidos) Verificase que o contribuinte informou o pagamento de contribuições à previdência privada no montante de R$9.085,52 a Seguro GBOEX CNPJ 92.872.100/000126 (fl.23). A autuação aponta que o contribuinte não apresentou documentação comprobatória dos valores declarados e, segundo informações prestadas à RFB pela GBOEX, os pagamentos efetuados pelo contribuinte seriam referentes a pecúlio. O sujeito passivo pleiteou em sede de impugnação o restabelecimento parcial da dedução. A decisão de piso consigna que, em sua impugnação, o contribuinte juntou apenas as guias de recolhimento de fls. 9 a 17, que não permitiriam identificar a natureza dos recolhimentos efetuados. Agora, em seu recurso, o contribuinte junta declaração e cartas emitidas pelo Ministério da Defesa/Exército Brasileiro/Comando da 3ª Região Militar/Região D.Diogo de Souza (fls.93/103). A declaração noticia que o contribuinte está cadastrado como contribuinte facultativo à pensão militar, na forma prevista no artigo 2º, da Lei nº3.765, de 1960, e vem recolhendo as contribuições para Pensão Militar desde maio de 1977. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11040.721967/201644 Acórdão n.º 2002000.037 S2C0T2 Fl. 118 6 A mencionada lei dispôs sobre as pensões deixadas pelos militares em caso de morte aos seus dependentes devidamente habilitados. Seu artigo 1º estabelece, alterado pela Medida Provisória nº 2.21510, de 31 de agosto de 2001, que todos os militares das Forças Armadas são contribuintes obrigatórios da pensão militar, mediante desconto em folha de pagamento: Art.1oSão contribuintes obrigatórios da pensão militar, mediante desconto mensal em folha de pagamento, todos os militares das Forças Armadas. Parágrafo único.Excluemse do disposto no caput deste artigo: Io aspirante da Marinha, o cadete do Exército e da Aeronáutica e o aluno das escolas, centros ou núcleos de formação de oficiais e de praças e das escolas preparatórias e congêneres; e IIcabos, soldados, marinheiros e taifeiros, com menos de dois anos de efetivo serviço. (NR) O art. 2º da citada lei, vigente até 29 de dezembro de 2000, por ter sido revogado pela Medida Provisória nº 2.131, de 29 de dezembro de 2000 (atual Medida Provisória nº 2.21510, de 31 de agosto de 2001), permitia que os oficiais demitidos a pedido pudessem continuar como contribuintes da pensão militar, desde que requeressem e se obrigassem ao pagamento da contribuição: Art 2º Os oficiais demitidos a pedido e as praças licenciadas ou excluídas poderão continuar como contribuintes da pensão militar, desde que o requeiram e se obriguem ao pagamento da respectiva contribuição, a partir da data em que forem demitidos, licenciados ou excluídos. § 1º O direito de requerer e de contribuir para a pensão militar, na forma dêste artigo, pode ser exercido também por qualquer beneficiário da pensão. § 2º A faculdade prevista neste artigo sòmente pode ser exercida no prazo de 1 (um) ano, contado da data da publicação do ato da demissão, licenciamento ou exclusão. § 3º Os contribuintes de que trata êste artigo, quando convocados ou mobilizados, passarão à categoria de obrigatórios, durante o tempo em que servirem. Apesar da revogação do retrocitado dispositivo legal, a Medida Provisória nº 2.131, de 2000, em seu art. 35, assegurou a condição de contribuinte ao oficial demitido a pedido que, até 29 de dezembro de 2000, contribuísse para a pensão militar. Art.35.Fica assegurada a condição de contribuinte ao oficial demitido a pedido e à praça licenciada ou excluída que, até 29 de dezembro de 2000, contribuíam para a pensão militar. Da análise da documentação acostada ao recurso, constatase que não se trata de previdência complementar do sujeito passivo. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11040.721967/201644 Acórdão n.º 2002000.037 S2C0T2 Fl. 119 7 Os documentos apontam que as contribuições efetuadas por ele para o Fundo de Pensões dos Militares representam aportes para garantir o pagamento de pensão militar a dependentes habilitados, quando do seu falecimento. Portanto, a dedução desses valores pelo contribuinte não encontra amparo na legislação de regência, acima destacada, visto que não se configura em complementação de benefício previdenciário. Ainda que se entenda que, para os terceiros habilitados ao recebimento da pensão, o benefício se assemelha ao benefício previdenciário, é preciso observar que a legislação que trata da dedução das contribuições para previdência complementar condiciona a que o titular da declaração seja contribuinte para a previdência oficial e, caso o beneficiário do plano de previdência seja dependente maior de 16 anos, deve este ser filiado ao Regime Geral de Previdência Social ou outro regime oficial de previdência social. É o disciplinamento contido na IN SRF nº 588, de 2005, em seus artigo 6º e 7º: Dedução das contribuições pagas pela pessoa física Art. 6º As deduções relativas às contribuições para entidades de previdência complementar e sociedades seguradoras domiciliadas no País e destinadas a custear benefícios complementares aos da Previdência Social, cujo ônus seja da própria pessoa física, ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observada a contribuição mínima, e limitadas a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. § 1º O disposto no caput aplicase, inclusive, às contribuições ao Fapi. § 2º Excetuamse da condição de que trata o caput os beneficiários de aposentadoria ou pensão concedidas por regime próprio de previdência ou pelo regime geral de previdência social, mantido, entretanto, o limite de 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. § 3º Os prêmios de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência são indedutíveis para fins de determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. Art. 7º As contribuições para planos de previdência complementar e para Fapi, cujo titular ou quotista seja dependente, para fins fiscais, do declarante, podem ser deduzidas desde que o declarante seja contribuinte do regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observado o disposto no art. 6º. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11040.721967/201644 Acórdão n.º 2002000.037 S2C0T2 Fl. 120 8 Parágrafo único. Na hipótese de dependente com mais de 16 anos, a dedução a que se refere o caput fica condicionada, ainda, ao recolhimento, em seu nome, de contribuições para o regime geral de previdência social, observada a contribuição mínima, ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (destaques acrescidos) Ocorre que, no caso, o sujeito passivo sequer informou dependente da Declaração apresentada (fl.19). Portanto, não há como acatar a dedutibilidade de tais valores a título de contribuição à previdência privada. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720233/2015-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO
A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada torna-se imperiosa.
MULTA AGRAVADA NO ARBITRAMENTO. CABIMENTO
Comprovado nos autos o reiterado procedimento da autuada em não atender às intimações lavradas pelo Fisco, omitindo-se completamente em relação às informações que deveria prestar, cabe o agravamento da multa de ofício lançada, aumentando-a em 50,00%, no caso elevando-a de 150,00% para 225%.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA.
São solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, quando presentes os pressupostos legais dos artigos 124 e 135, III, do CTN.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA
O artigo 42 da lei 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira e em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não faça prova de sua origem, com documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida.
ARBITRAMENTO. CABIMENTO.
A não existência, disponibilização ou exibição ao Fisco da escrituração exigida pela legislação durante a ação fiscal impõe o arbitramento do lucro na forma do artigo 530, inciso III, do RIR/1999, computando-se as receitas omitidas apuradas pela fiscalização na base de cálculo da tributação.
Numero da decisão: 1401-002.194
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário do Contribuinte e dos indicados como Responsáveis Solidários. Por maioria de votos, negado provimento ao recurso voluntário no tocante aos juros sobre a multa de ofício. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada torna-se imperiosa. MULTA AGRAVADA NO ARBITRAMENTO. CABIMENTO Comprovado nos autos o reiterado procedimento da autuada em não atender às intimações lavradas pelo Fisco, omitindo-se completamente em relação às informações que deveria prestar, cabe o agravamento da multa de ofício lançada, aumentando-a em 50,00%, no caso elevando-a de 150,00% para 225%. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, quando presentes os pressupostos legais dos artigos 124 e 135, III, do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA O artigo 42 da lei 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira e em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não faça prova de sua origem, com documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida. ARBITRAMENTO. CABIMENTO. A não existência, disponibilização ou exibição ao Fisco da escrituração exigida pela legislação durante a ação fiscal impõe o arbitramento do lucro na forma do artigo 530, inciso III, do RIR/1999, computando-se as receitas omitidas apuradas pela fiscalização na base de cálculo da tributação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário do Contribuinte e dos indicados como Responsáveis Solidários. Por maioria de votos, negado provimento ao recurso voluntário no tocante aos juros sobre a multa de ofício. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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QUALIFICAÇÃO A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. MULTA AGRAVADA NO ARBITRAMENTO. CABIMENTO Comprovado nos autos o reiterado procedimento da autuada em não atender às intimações lavradas pelo Fisco, omitindose completamente em relação às informações que deveria prestar, cabe o agravamento da multa de ofício lançada, aumentandoa em 50,00%, no caso elevandoa de 150,00% para 225%. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, quando presentes os pressupostos legais dos artigos 124 e 135, III, do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA O artigo 42 da lei 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 02 33 /2 01 5- 31 Fl. 3559DF CARF MF 2 instituição financeira e em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não faça prova de sua origem, com documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida. ARBITRAMENTO. CABIMENTO. A não existência, disponibilização ou exibição ao Fisco da escrituração exigida pela legislação durante a ação fiscal impõe o arbitramento do lucro na forma do artigo 530, inciso III, do RIR/1999, computandose as receitas omitidas apuradas pela fiscalização na base de cálculo da tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário do Contribuinte e dos indicados como Responsáveis Solidários. Por maioria de votos, negado provimento ao recurso voluntário no tocante aos juros sobre a multa de ofício. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da Decisão de Piso. Fl. 3560DF CARF MF Processo nº 19311.720233/201531 Acórdão n.º 1401002.194 S1C4T1 Fl. 3.560 3 Relatório I – DO LANÇAMENTO. I.1 – Dos Autos de Infração. Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foram lavrados os Autos de Infração e respectivos Anexos de fls. 2335/2420, a saber: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$13.084..695,08, cumulado com multa de ofício concomitantemente qualificada e agravada, no percentual total de 225%, e juros de mora pertinentes, calculados até 11.2015. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$6.003.897,16, cumulada com multa de ofício concomitantemente qualificada e agravada, no percentual total de 225%, e juros de mora pertinentes, calculados até 11.2015. Contribuição para o Financiamento da seguridade Social Cofins, no valor de R$16.711.469,22, cumulada com multa de ofício concomitantemente qualificada e agravada, no percentual total de 225%, e juros de mora pertinentes, calculados até 11.2015. Contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$3.620.818,23, cumulada com multa de ofício concomitantemente qualificada e agravada, no percentual total de 225%, e juros de mora pertinentes, calculados até 11.2015. I.2 Descrição dos Fatos. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Fatos Geradores ocorridos a partir de 01/04/1999: Art. 530, inciso III, do RIR/99. OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL INFRAÇÃO: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme relatório fiscal em anexo, que também esclarece e complementa o enquadramento legal.” I.3 Responsabilidade Solidária. Foram relacionados como responsáveis solidários pelo crédito tributário as seguintes pessoas jurídicas e físicas: Fl. 3561DF CARF MF 4 ADRIANA RESTUM, CPF – 120.853.19807; SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ –02.067.055/000144; PORT COMPANY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA – ME, CNPJ – 10.528.300/000100. II – RELATÓRIOS FISCAIS E TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL TVF. II.1 – Relatório Fiscal – Grupo Restum (fls. 2833/2879) Em 2014, foram lavrados autos de infração contra empresas integrantes do Grupo empresarial denominado “Restum”, e para melhor compreensão do procedimento fiscal do qual resultou os referidos lançamentos fazse necessário uma leitura cuidadosa do Relatório Fiscal – Grupo Restum, o qual relata minuciosamente os fatos verificados, o modus opeandi do grupo empresarial, as provas coletadas e a conclusão fiscal. Síntese do Relatório O Grupo Restum é comandado pelo Sr. ROBERTO RESTUM, CPF: 043.261.158 40 e pela esposa, a Sra. ADRIANA RESTUM, CPF: 120.853.19807, os quais são contribuintes de elevada capacidade contributiva, além de familiares e pessoas próximas. Conforme “Relatório Fiscal – Grupo Restum” o denominado Grupo Restum é constituído por um aglomerado de empresas (centenas de sociedades empresárias autônomas) que atuam no ramos de roupas, sapatos e acessórios, utilizandose de diversas marcas próprias, entre elas destacamse a Planet Girls, Hot Point, Venom, Polo Wear, A.R. Store, SMK, com o fulcro de atingir o mais variado público consumidor. Para tanto, o Grupo utilizase de importações e de encomendas de industrialização junto a terceiros, revendendo os produtos em sua grande maioria através de lojas próprias e uma pequena parcela para revendedores varejistas. Cada uma das lojas é constituída como uma empresa autônoma, possuindo ato constitutivo e CNPJ distintos, sendo que a pulverização do grupo em inúmeras empresas distintas teve como objetivo desmembrar seu faturamento, encobrindo seu real potencial econômico e mantendo o Fisco à margem de suas atividades, uma vez que os baixos faturamentos apresentados por cada unidade não despertam o interesse fiscal. A autoridade fiscal relacionou no Relatório Fiscal alguns procedimentos, a seguir sintetizados, que teria o grupo utilizado para ocultar do Fisco a ocorrência dos fatos geradores tributários: 1 Cada uma das empresas componentes cumpriam as obrigações acessórias de entrega de declarações, porém, o faziam inicialmente com valores “zerados” e, num segundo momento, classificavam suas receitas de forma errônea com aplicação incorreta do coeficiente do lucro presumido, diminuindo sobremaneira os valores dos tributos a pagar, dando ao Fisco a equivocada idéia de que as empresas eram cumpridoras do seu dever fiscal; 2 O Grupo constituía e encerrava constantemente novas empresas e para viabilizar estas operações de troca de empresas, o Grupo mantinha verdadeiro estoque de sociedades constituídas inicialmente na JUCESP, porém sem cadastro Fl. 3562DF CARF MF Processo nº 19311.720233/201531 Acórdão n.º 1401002.194 S1C4T1 Fl. 3.561 5 no CNPJ; assim, quando do encerramento das atividades de determinada empresa cadastrada junto a RFB, imediatamente já se realizava novo cadastro no CNPJ de empresa estocada na JUCESP, não havendo qualquer prejuízo na operação da unidade; 3 O grupo utilizavase de interpostas pessoas, seja para constituir a empresa, seja para operar fraudulentamente, seja para proteção patrimonial quando do encerramento, com a cíclica constituição de novas empresas em nome de “laranjas” e/ou “testas de ferro”; 4 Essas empresas, conforme sua função dentro do Grupo, por vezes eram transferidas aos reais titulares (família Restum), por vezes eram operadas em nome das interpostas pessoas e por vezes eram transferidas a estas quando de seus encerramentos, assim a responsabilidade tributária daí decorrente recairia sobre os “laranjas”, havendo, inclusive, ações judiciais movidas por terceiros contra o Grupo no sentido de verem seus nomes afastados das empresas componentes com a alegação do uso indevido de seus nomes; 5 As empresas próprias (aquelas em que a família Restum aparece no quadro societário) importavam ou industrializavam produtos e revendiam tais mercadorias a empresas fictas (empresas do Grupo constituídas em nome de interpostas pessoas) por valores que praticamente correspondiam aos custos de importação ou produção, assim, as empresas próprias não apuravam Lucro e apuravam o mínimo de tributos sobre o consumo (ICMS, IPI, PIS, COFINS, etc). Por sua vez, as empresas fictas vendiam estas mercadorias às empresas varejistas do Grupo por valores que se aproximavam muito do preço praticado ao consumidor final, de sorte que todo o lucro operacional e o passivo tributário dos tributos sobre consumo recaíam sobre as empresas “laranjas”, permitindo inclusive que as lojas varejistas pudessem se creditar dos tributos nãocumulativos (notadamente ICMS). Desta forma, praticamente nenhum passivo tributário recaía às empresas próprias do Grupo. 6 As empresas JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 13.385.771/000196, JOSCONF COMÉRCIO DE CONFECCÕES LTDA – CNPJ 12.374.212/000118, IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.431.673/000185, SPR IMPORT BRASIL LOJISTICA E COMÉRCIO LTDA – CNPJ 12.431.674/000120 e JURECÊ COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.755.478/0001 00 teriam sido constituídas em nome de interpostas pessoas e funcionaram de anteparo formal para acobertar fatos geradores tributários praticados pelo Grupo, cujo real beneficiário seria a empresa INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA – CNPJ 07.693.822/0001 44; 7 As empresas fictícias não possuíam sequer espaço físico, constituindose em mera formalidade e, desta forma, a importadora do grupo revendia quase a totalidade dos produtos e matérias primas para as empresas fictas as quais mandavam industrializar as matérias primas e revendiam os produtos para as lojas varejistas do Grupo, lojas estas que se creditam dos tributos não cumulativos e que tem pouco ou quase nenhum lucro. O passivo tributário recaía quase que totalmente às intermediárias fictícias. Fl. 3563DF CARF MF 6 8 Foram criadas novas empresas que praticaram também fatos geradores tributários, porém os valores destas operações decorrentes não foram oferecidos à tributação, tendo sido inclusive escondidos do Fisco Federal na tentativa de serem beneficiados pelo instituto da decadência; 9 Os bens necessários à percepção das receitas da atividade não eram registrados em nome de seus reais utilizadores, mas sim em nome de empresas patrimoniais (holdings) as quais, propositalmente, não praticam fatos geradores tributários, objetivando que seu patrimônio não pudesse ser alcançado em uma execução fiscal; 10 Os imóveis onde eram sediadas as diversas empresas do Grupo bem como os veículos utilizados na atividade encontramse registrados em nome das empresas PORT COMPANY PARTICIPAÇÕES E EMPREEENDIMENTOS LTDA – 10.528.300/000100 e SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 02.067.055/000144, além de esparsamente também estarem registrados em nome das lojas do Grupo. II.2 – Relatório Fiscal – Grupo Restum – COMPLEMENTO (fls. 2670/2675) Este relatório foi montado com base em resultados de procedimentos fiscais realizados em 2015 em três empresas do Grupo Restum. Estes procedimentos fiscais deram seguimento às fiscalizações realizadas em 2014 em outras empresas do grupo. Um dos resultados dessas fiscalizações de 2014 é o “Relatório Fiscal – Grupo Restum”, que relata fatos verificados, o modus operandi do grupo empresarial, os procedimentos fiscais realizados, a coleta de provas e a conclusão fundamentada. A leitura desse relatório de 2014 dá uma visão mais completa da atuação do grupo e facilita o entendimento do que se segue. Cópia completa do “Relatório Fiscal – Grupo Restum” está anexada a este processo. Assim, de certa forma, este “Relatório Fiscal – Grupo Restum – Complemento” acrescenta informações àquilo já descrito no “Relatório Fiscal – Grupo Restum”. (Grifouse) Da conclusão do “Relatório Fiscal – Grupo Restum” constou o seguinte trecho: “Por todo o exposto, também se conclui que há evidente confusão patrimonial entre as empresas do Grupo (...) Da mesma forma, devem os sóciosadministradores do Grupo Restum responder com seu próprio patrimônio pelos créditos tributários vencidos e vincendos decorrentes das operações do Grupo com fundamento no art. 135, III do CTN, haja vista a abundante prática de atos ilegais por eles adotada”. Em seguimentos aos procedimentos fiscais de 2014, foi proposta ação judicial de Cautela Fiscal 001702125.2014.403.6128 pela Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional de Jundiaí, visando ao bloqueio de contas bancárias, indisponibilidade de bens imóveis e veículos, e a indisponibilidade de marcas e patentes de diversas empresas do Grupo Restum e de seus sócios controladores. Nessa mesma ação se propôs a decretação judicial do levantamento do sigilo bancário das empresas Planet Girls Comércio de Roupas Ltda (CNPJ 12.154.102/000140), Planet Girls Comércio de Confecções Ltda (CNPJ 04.740.881/000138) e PlanetWorld Confecções Ltda (CNPJ 07.251.794/000105). Essas empresas foram determinadas Fl. 3564DF CARF MF Processo nº 19311.720233/201531 Acórdão n.º 1401002.194 S1C4T1 Fl. 3.562 7 por serem as que apresentavam as movimentações financeiras mais significativas dentro do Grupo Restum. (Grifouse) A 2ª Vara Federal de Jundiaí, acatando argumentação da Procuradoria da Fazenda, aceitou a cautelar fiscal e declarou a quebra do sigilo bancário e financeiro das três empresas, em decisão datada de 18/12/2014. Assim, foram abertos procedimentos fiscais para verificação da regularidade do IRPJ desses três contribuintes nos anoscalendário de 2011 a 2013. O resultado dessas fiscalizações foi a comprovação dos ilícitos praticados pelo Grupo Restum, reiterando e complementando o já mostrado no “Relatório Fiscal – Grupo Restum”. Cada uma dessas fiscalizações está demonstrada em anexos, nos quais constam cópias dos termos de verificação fiscal, consoante processos: 19311.720232/2015 97, 19311.720207/201511 e 19311.720233/201531 (processo fiscal objeto do presente acórdão). Quando as fiscalizações são analisadas em conjunto, fica evidente a confusão patrimonial entre as empresas do Grupo Restum. Uma única conta corrente do Grupo Restum, em nome da empresa Planet Girls Comércio de Confecções era usada para pagar salários de funcionários de mais de 200 empresas do Grupo, com valores ao longo de 3 anos superiores a R$56 milhões. Além disso, se demonstra que as contas correntes em nome das três empresas funcionavam como uma espécie de caixa central do Grupo Restum. As contas das três empresas recebiam créditos das demais empresas do Grupo, e também enviavam recursos para outras empresas. Os valores são expressivos, superiores a R$200 milhões transitados entre as três empresas e outras do grupo no período fiscalizado. Quando os detentores das contas foram intimados a apresentar justificativas para essa movimentação significativa, nenhum documento foi apresentado. Portanto, mais uma prova da confusão patrimonial entre as empresas do Grupo Restum. (Grifouse) Também se mostra que os sócios controladores do grupo, Adriana Restum e Roberto Restum, receberam valores significativos provenientes de cada uma das empresas, totalizando mais de R$3,2 milhões no período fiscalizado. Assim, demonstrada mais uma vez a confusão patrimonial entre os sócios controladores e as diversas empresas do Grupo Restum. Quanto à solidariedade passiva, do “Relatório Fiscal – Grupo Restum”, a Fiscalização destacou a forma adotada para salvaguardar o patrimônio do Grupo: “Utilizandose do conceito de autonomia das pessoas jurídicas e da limitação de responsabilidade ao capital social (art. 1052 da Lei 10.406/02 – Código Civil), uma vez que as empresas operacionais possuem nenhum ou mínimo patrimônio, o Grupo concentra seu patrimônio em duas empresas, a saber: Port Company Participações e Empreendimentos Ltda. – CNPJ 10.528.300/000100 e Sun Bloom Fl. 3565DF CARF MF 8 Participações Ltda. – CNPJ 02.067.055/000144. Estas empresas praticamente não executam atos negociais (exceção é a compra e venda do patrimônio), tentando assim manterse distante dos fatos geradores tributários. Essa segregação constituise tão somente de outro ardil do Grupo, já que tal patrimônio está intrinsicamente ligado às operações deste, sendo composto, basicamente, de imóveis onde estão localizadas as lojas, de veículos utilizados nas operações comerciais e de suas marcas e patentes. Logicamente há também imóveis e veículos não afetados pelas operações, entretanto, os recursos utilizados na sua aquisição provêm das operações e por conseguinte de créditos tributários sonegados, devendo portanto servir para satisfazer as pretensões fiscais.” Além do acima exposto, levantouse agora que a empresa SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 02.067.055/000144, umas das holdings patrimoniais do grupo, recebeu mais de R$1,5 milhão no período fiscalizado, proveniente da movimentação das contas correntes das três empresas fiscalizadas. Adicionalmente, verificase no processo 19311.720387/201442, que trata do arrolamento de bens, que essa empresa, conforme registro no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), é proprietária de diversas marcas utilizadas pelo Grupo Restum (por exemplo, Planet Girls, Venom, PWS Polo Wear Sport, SMK, etc) além de imóveis utilizados pela empresa (por exemplo, salão comercial no Shopping Center Ibirapuera; imóvel na Rua Professor João Brito, 85; etc). Cópia do termo de arrolamento que consta naquele processo também foi anexada a este relatório. A empresa PORT COMPANY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA – ME, CNPJ 10.528.300/000100, também teve seus bens arrolados. No processo 19311.720388/201497, que controla esses bens arrolados, consta imóvel utilizado pela empresa (imóvel à Rua João Brito, 150). Cópia do termo de arrolamento que consta naquele processo também foi anexada a este relatório. Esses fatos comprovam novamente que essas empresas (Sun Bloom e Port Company) devem responder pelos créditos tributários do Grupo Restum, com base no art. 124, I, do CTN. (Grifouse). II.3 – Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 2429/2455) 1) BREVE RESUMO Em continuidade aos levantamentos citados no “Relatório Fiscal – Grupo Restum”, foi obtida ordem judicial para quebra do sigilo bancário das contas pertencentes ao contribuinte PlanetWorld Comércio de Confecções Ltda, CNPJ 07.251.794/0001 05, nos anos calendários de 2011 a 2013, a fim de promover a fiscalização e IRPJ. Com base nessas informações dos bancos, se constatou movimentação financeira expressiva nessas contas no período fiscalizado. No entanto, a citada empresa foi extinta em 23/08/2010, mediante registro de ata de incorporação na Junta Comercial de São Paulo. Portanto, o encerramento foi anterior ao período em que ocorreu a movimentação financeira expressiva. A atividade comercial em empresa já encerrada, ou seja, em empresa sem personalidade jurídica, se configura uma sociedade de fato. Nessa situação, os Fl. 3566DF CARF MF Processo nº 19311.720233/201531 Acórdão n.º 1401002.194 S1C4T1 Fl. 3.563 9 sócios administradores respondem pelos impostos decorrentes da atividade comercial, de forma solidária e ilimitada. Roberto e Adriana Restum eram sócios no momento da incorporação, tinham poderes para movimentação das contas correntes da empresa extinta, receberam vultosos valores no decorrer dos 3 anos fiscalizados. Esses fatos, e outros detalhados posteriormente, mostram que esses sócios eram os administradores da empresa extinta e se beneficiaram do esquema empresarial fraudulento montado. Roberto e Adrian Restum foram intimados na qualidade de administradores, a apresentar documentação contábil e comprovar a regularidade fiscal dos valores transitados nas contas correntes da empresa extinta. Apesar de intimados e reintimados, nenhum documento foi apresentado. A prática habitual de operações comerciais acarreta a equiparação das pessoas físicas à pessoa jurídica, para efeitos de tributação. A tributação (IRPJ, CSLL, Pis e Cofins) se deu com base no lucro arbitrado obtido a partir da receita decorrente da movimentação financeira não justificada. A multa aplicada foi de 225%, conforme determina a legislação para os casos de evidente intuito de fraude cumulado com o não atendimento a intimações. Além de Roberto e Adriana Restum, indicados como sujeitos passivos, foram também indicados como sujeitos passivos solidários empresas do grupo, conforme indicado no item 3.4 deste termo. 2) A AÇÃO FISCAL (...) 2.2) Informações solicitadas a Roberto e Adriana Restum Inicialmente, antes de serem recebidas as informações dos bancos, se intimou os sócios da empresa incorporadora. Mais detalhes sobre a incorporação e os sócios da incorporadora constam do item 3.3. Foi disponibilizada no Domicílio Tributário Eletrônico do Sr. Roberto Restum em 25/05/2015, o “Termo 03 – Intimação”. A intimação informava do procedimento fiscal e solicitava a apresentação de documentação comprobatória da origem e natureza de créditos bancários que foram selecionados e apresentados individualmente a partir dos extratos encaminhados pelos bancos. A ciência por decurso de prazo ocorreu em 09/06/2015. Não foi apresentada resposta. O Sr. Roberto Restum foi reintimado a apresentar os documentos pendentes pelo “Termo 04 – Reintimação”, com disponibilização no DTE em 07/07/2015, e ciência por decurso de prazo em 22/07/2015. Não foi apresentada resposta. Houve nova reintimação ao Sr. Roberto Restum, através do “Termo 06 – Reintimação”, disponibilizado no DTE em 05/08/2015, e ciência por decurso de prazo em 20/08/2015. Não foi apresentada resposta. Pelo “Termo 10 – Intimação”, o Sr. Roberto foi intimado a apresentar os livros contábeis e fiscais referentes às transações comerciais realizadas. A intimação foi Fl. 3567DF CARF MF 10 pelo DTE, com disponibilização em 06/10/2015 e ciência por decurso de prazo em 21/10/2015. Não houve resposta. Da mesma forma que o Sr. Roberto Restum, a outra sócia administradora, a Sra. Adriana Restum, também foi intimada a prestar os mesmos esclarecimentos, mediante o “Termo 05 – Intimação”, “Termo 07 – Reintimação” e “Termo 11 – Intimação” . Não foram apresentadas respostas. Foram anexados ao processo todos os documentos citados neste item. 2.3) Informações solicitadas aos bancos e suas respostas Com base na decisão judicial da 2ª Vara Federal de Jundiaí na ação judicial de Cautelar Fiscal 001702125.2014.403.6128, foram solicitadas informações aos bancos Itaú, Bradesco, Safra e Santander sobre as contas da PlanetWorld Confecções Ltda (CNPJ 07.251.794/000105). Além dos extratos, também foram solicitadas aos bancos cópias de cartões de assinatura, de alguns cheques, tanto emitidos como depositados na conta corrente da empresa extinta, outros documentos selecionados por amostragem, e arquivos digitais que indicam a origem e destino dos recursos, conforme Carta Circular Bacen 3454/2010. As informações solicitadas aos bancos foram recebidas, em alguns casos em mais detalhes que em outros. Quando relevante, essas diferenças serão mencionadas abaixo. 3) DA SUJEIÇÃO PASSIVA 3.1) Aspectos jurídicos na sociedade de fato Ora, se a sociedade está extinta, suas atividades comerciais após o registro do encerramento caracterizam uma sociedade de fato ou irregular, que, no Código Civil, é definida como “sociedade em comum não personificada”, conforme artigos 986 a 990. Neste caso, a sociedade é desprovida de personalidade jurídica e os sócios administradores respondem pessoalmente com o seu patrimônio. A responsabilidade de cada sócio administrador é solidária e ilimitada em relação a terceiros, conforme CTN, art. 124, I e II, e Código Civil, art. 990. 3.2) Sujeição passiva de Roberto Restum e Adriana Restum Diversas provas dessa responsabilidade, descritas abaixo, foram levantadas neste procedimento fiscal. Primeiro, na “Ficha Cadastral Completa”, obtida na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), se verifica que ela teve sua incorporação registrada na Jucesp em 23/08/2010, pela inclusão de distrato social. Na data da incorporação, seus sócios eram Roberto Restum, CPF 04326115840, com participação de R$ 24.000,00 (80% do capital social) e Adriana Restum, CPF 12085319807, com participação de R$ 6.000,00 (20% do capital social). Roberto Restum, conforme essa ficha cadastral se enquadrava “na situação de sócio e administrador, assinando Fl. 3568DF CARF MF Processo nº 19311.720233/201531 Acórdão n.º 1401002.194 S1C4T1 Fl. 3.564 11 pela empresa”. A “Ficha Cadastral Completa” foi obtida no portal da Jucesp na internet e consta neste processo. O protocolo para registro da ata de incorporação foi assinado pela Sra. Adriana Restum. A ata de incorporação propriamente dita, foi assinada pelo Sr. Roberto e pela Sra. Adriana. Cópia da ata de incorporação e do protocolo para registro foram obtidos no portal da Jucesp na internet e constam neste processo. Os extratos das contas correntes remetidos pelos bancos, anexados a este processo, mostram que Roberto Restum e Adriana Restum continuaram movimentando as contas correntes da empresa, após o registro do distrato social na Jucesp. Ou seja, ambos os sócios estavam plenamente cientes da incorporação ocorrida. Os extratos das contas correntes remetidos pelos bancos, anexados a este processo, mostram que Roberto e Adriana Restum continuaram movimentando as contas correntes da empresa, após o registro da incorporação na Jucesp. Nos cartões de assinatura dos bancos Bradesco e Safra constam os dois sócios, Roberto Restum e Adriana Restum, como possuindo poderes para assinar pela empresa, isoladamente. O Itaú e o Santander não encaminharam o cartão de assinatura. Os cartões ou documentos que dão essa informação podem ser consultados nos documentos remetidos pelos bancos. Abaixo, um exemplo de um cartão de uma conta corrente no Safra da Sra. Adriana: (...) Todos os cheques emitidos a débito na conta do Itaú e do Bradesco, que tiveram as movimentações mais relevantes, em todos os períodos amostrados (no início, no meio e no fim do período fiscalizado) foram assinados pelo Sr. Roberto Restum. As cópias dos documentos podem ser consultadas nos documentos remetidos pelos bancos. Abaixo, exemplo de um cheque assinado pelo Sr. Roberto: (...) Além disso, tanto Roberto Restum quanto Adriana Restum foram beneficiários, no conjunto, de mais de R$ 780 mil de créditos oriundos das contas da empresa extinta apenas nos 3 anos fiscalizados. A tabela abaixo mostra os créditos provenientes do Itaú. A Sra. Adriana recebeu em suas contas correntes mais de R$690 mil, e o Sr. Roberto mais de R$60 mil, no período de 3 anos. A Sra. Adriana também recebeu valores provenientes do Safra. (...) Além disso, existem outras informações que confirmam a participação de Adriana Restum na administração do Grupo Restum. No site “adrianarestum.com.br”, consta a informação de autoria da própria Adriana que ela é “proprietária do Grupo Restum”. No site Empreendedor (linkempreendedor.com.br/perfil/82751), se descreve Adriana como “proprietária de quatro grifes – Planet Girls, G. Rock, A.R. Store e SMK”, e Adriana informa que “Sempre gostei de moda e tudo relacionado a valorizar a beleza feminina (...) Quis criar um conceito e fui muito focada. Hoje me sinto realizada com tudo que consegui criar”. Cópias desses sites constam neste processo. Em entrevista, disponível na internet (link Fl. 3569DF CARF MF 12 http://mais.uol.com.br/view/12688602), de 18/04/2012, ou seja, no meio do período fiscalizado, a entrevistadora introduz Adriana Restum como diretora e estilista da Planet Girls. Adriana, em seu depoimento, informa que: “lancei a marca (Planet) em Jundiaí..” “Coloquei minha primeira loja no Itaim Bibi...” “Eu sai para oferecer a clientes a minha marca...” “O ponto que eu queria, não tinha condições financeira de comprar na época... era muito caro, ... , mas depois de muito trabalho consegui adquirilo, uma grande realização pessoal e profissional... “ “Grupo com 37 franquias e 56 lojas próprias....” “Meu filho cuida do comércio exterior e a parte de exportação e importação... “ “Estou presente no desenvolvimento das peças,, ..., nada sai sem minha aprovação” Cópia dos primeiros 10 minutos do vídeo, no qual constam essas declarações, foi incluída neste processo. Esse conjunto de fatos prova provam que Roberto Restum e Adriana Restum são os titulares da sociedade extinta, e, portanto, responsáveis pelos tributos incidentes sobre sua atividade comercial. Ou seja, são os sujeitos passivos da obrigação tributária. Essa conclusão fica ainda mais evidente quando esses fatos são considerados em conjunto com o “Relatório Fiscal – Grupo Restum” e o Relatório Fiscal – Grupo Restum – Complemento”, que mostram os diversos ilícitos cometidos pelos sócios. 3.3) Informações adicionais sobre a incorporação fraudulenta Apesar de não afetar o enquadramento legal descrito nos itens 3.1 e 3.2, é necessário se detalhar um pouco mais a operação de incorporação, a fim de demonstrar seu intuito fraudulento, ao tentar ocultar os reais responsáveis pelas operações do Grupo Restum: “A empresa Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 11.066.160/0001 50, em 22/10/2010 teve seu quadro societário alterado na JUCESP (Anexo VIII), havendo o ingresso de César Augusto Costa CPF 216.211.04826 (pessoa sistematicamente utilizada como “laranja” pelo Grupo) no lugar da Sra. Adriana Restum, bem como a alteração de seu endereço para Avenida Jurecê, 667, Cj 03, Indianópolis, São Paulo – SP (sobre este endereço ver relato sobre a empresa Jurecê Comércio de Confecções Ltda. do item 2. DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS abaixo). Esta foi a última alteração contratual informada à RFB, assim, até a presente data a Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. encontrase ATIVA no CNPJ. Contudo, em 23/08/2010, registrouse na JUCESP a incorporação de 42 (quarenta e duas) empresas do Grupo tendo a Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda como incorporadora. Na mesma data retirouse da sociedade o Sr. Roberto Restum, sendo admitido em seu lugar Célio Martins de Oliveira – CPF 218.260.75879 (outra pessoa sistematicamente utilizada como “laranja” pelo Grupo). Na data de 27/02/2012 ocorre outra alteração societária ingressando Allan Borges de Melo – CPF 385.402.37822 e Rodrigo Vieira Rezende – CPF 374.871.71809 em substituição aos anteriores sócios. Em 03/09/2012 é protocolado o Distrato Social, dissolvendo assim a incorporadora . Fl. 3570DF CARF MF Processo nº 19311.720233/201531 Acórdão n.º 1401002.194 S1C4T1 Fl. 3.565 13 Desta feita, estas operações culminam com o desaparecimento das 43 (quarenta e três) empresas do Grupo, entretanto, a grande maioria destas empresas encontra se ativa no CNPJ, conforme vemos na Tabela 1 abaixo.” (Grifouse) Outra prova indiciária dessa ocultação fraudulenta dos reais responsáveis através de interpostas pessoas é a situação patrimonial dessas interpostas pessoas. O capital social da Venom, na data em que foi registrado seu distrato social, era de R$3,8 milhões, cabendo a cada sócio (Srs. Allan e Rodrigo), R$1,9 milhões, conforme cópia da ata de incorporação obtida no portal da Jucesp na Internet, anexada a este processo. Consultando os sistemas da RFB, verificase que nenhum dos sócios entregou suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, em nenhum ano. O Sr. Rodrigo não aparece em DIRF, no qual empresas empregadoras informam os valores pagos e retenções. Pior, o Sr. Allan, aparece como tendo recebido salário de R$623 em junho de 2011. Consultando o Renavam, verificase que o Sr. Allan não possui veículo, enquanto o Sr. Roberto tem apenas uma Honda CG 125 registrada em seu nome. Isso, quando em tese, são sócios de empresa com capital de quase R$4 milhões! As telas que comprovam essas informações foram anexadas ao processo. Os Srs. Allan e Rodrigo foram intimados a apresentar informações, mas não foram apresentadas quaisquer informações. 3.4) Sujeição passiva – confusão patrimonial no Grupo Restum A confusão patrimonial entre a atividade comercial exercida e seus sócios é evidente, conforme demonstra o item 3.2 acima. Além disso, existe também uma enorme confusão patrimonial entre as empresas do Grupo Restum. As contas correntes em nome da incorporada/extinta empresa Planet World Confecções Ltda foram utilizadas para acobertar movimentações de diversas empresas do Grupo Restum. (...) Essas informações estão detalhadas no Anexo I, no qual consta a lista das empresas que enviaram recursos para a conta da empresa extinta e aquelas que receberam recursos dessas contas. No “ Relatório Fiscal – Grupo Restum Complemento” se mostra que a empresa Sun Bloom Participações Ltda – CNPJ 02.067.055/000144 recebeu mais de R$ 1,5 milhão no período fiscalizado, provenientes de empresas do grupo, e também se detalha alguns dos bens registrados nessas empresas que são utilizados por empresas do grupo, bem como que Roberto Restum e Adriana Restum são sócios dessas empresas. (Grifouse) Diante desse conjunto probatório fica configurada a responsabilidade solidária entre as empresas do Grupo listadas no início deste termo e acima mencionadas, em consonância com o art. 124, I do CTN. 4) RESULTADO DA AÇÃO FISCAL Fl. 3571DF CARF MF 14 4.1) Equiparação à PJ e arbitramento do lucro As contas correntes da empresa extinta continuaram a ser movimentadas após o registro do distrato na Junta Comercial. Essa movimentação foi decorrente de atividade comercial exercida de forma habitual. Em função dessa prática habitual, as pessoas físicas responsáveis pela movimentação financeira no caso, os sócios Roberto Restum e Adriana Restum – são equiparados à pessoa jurídica, sendo sua tributação efetuada nessa condição, conforme o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/1999, art. 150, com base no Código Tributário Nacional, art. 126, III. Intimados e reintimados a apresentar livros fiscais, conforme termo de início de fiscalização, os sócios não apresentaram resposta. Como estabelece a Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, III, o lucro da pessoa jurídica será arbitrado em virtude da não apresentação à autoridade tributária dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Em virtude da apuração do IRPJ e da CSLL pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado, a apuração da Contribuição para o PIS e da COFINS será efetuada obrigatoriamente pelo regime cumulativo, conforme prescreve a legislação pertinente. 4.2) Valores utilizados no cálculo dos tributos O Sr. Roberto Restum e a Sra. Adriana Restum foram intimados a apresentar documentação comprobatória da origem e natureza dos créditos bancários registrados nas contas correntes da empresa extinta. Anexo às intimações foi encaminhado relatório detalhado indicado cada crédito a ser justificado. Desse relatório já haviam sido excluídos créditos oriundos de resgates de aplicações financeiras, empréstimos, estornos e transferências entre contas de mesma titularidade, quando foi possível essa identificação. Os contribuintes não apresentaram resposta à intimação. A não comprovação da natureza e origem dos créditos enseja a aplicação das disposições do artigo 42 da Lei 9.430/96. Abaixo, resumo dos valores dos créditos não comprovados, que foi utilizada para cálculo dos tributos, conforme consta nos autos de infração: (...) 4.3) Multa qualificada e agravada – 225% Conforme relatado no “Relatório Fiscal Grupo Restum” e “Relatório Fiscal – Grupo Restum – Complemento”, caracterizada a ocorrência, em tese, de condutas tipificadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, bem como no art. 1° da Lei 8.137, de 27 de dezembro de 1990, aplicase a multa qualificada, prevista no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. E agravada por não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos. 4.4) Representação Fiscal para fins penais Fl. 3572DF CARF MF Processo nº 19311.720233/201531 Acórdão n.º 1401002.194 S1C4T1 Fl. 3.566 15 Tendo sido constatada a ocorrência de fatos que, em tese, configuram Crimes Contra a Ordem Tributária, definidos no art. 1º da Lei nº 8.137/90, abaixo transcrito, será formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, em cumprimento ao disposto na Portaria RFB nº 2.439/10, com alterações trazidas pela Portaria RFB nº 3.182/11. III – CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O sujeito passivo e demais pessoas arroladas como responsáveis pelo crédito tributário constituído foram devidamente cientificadas da exigência fiscal, a saber: III.1 – Ciência Eletrônica. Roberto e Adriana Restum foram cientificados eletronicamente, por decurso de prazo, em 27.11.2015, conforme atestam os documentos de fls. 3396 e 3399, respectivamente. III.2 – Ciência via postal As empresas Sun Bloom Participações Ltda e Port Company Participações e Empreendimentos Ltda foram cientificadas via postal, em 16.11.2015, conforme atestam os “AR”s de fls. 3394 e 3395, respectivamente. IV – DA IMPUGNAÇÃO. Devidamente cientificados, foi apresentada contestação em nome de todos os envolvidos (sujeito passivo e demais responsáveis), em 22.12.2015, conforme atesta o Termo de Solicitação de Juntada de fls. 3403. A defesa consta do instrumento de fls. 3404/3439. Adiante compendiamse suas razões. PRELIMINARMENTE Requer seja anulado o presente auto de infração por ser mesmo objeto, ano e empresas dos Autos de Infração já lavrados em 2014 e que são objetos da Medida Cautelar em tramite perante a 2ª Vara Federal de Jundiaí – Autos n. 0017021 25.2014.403.6128. Necessário contextualizar a este órgão Julgador que as exigências fiscais aqui tratadas são resultantes do denominado “Relatório Fiscal – Grupo Restum”, o qual foi juntado aos autos pela Fiscalização e alegadamente subsidia as conclusões contidas no Termo de Verificação Fiscal. Os Autos lavrados são referentes aos anos de 2010, 2011,2012, mesmo ano no qual gerou o presente auto, lavrado com mesma base dos autos anteriores que gerou o Relatório – Grupo Restum – ou seja, descumprimento de obrigações tributárias relativos ao IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, relativos aos anos calendários 2011, 2012, 2013. Fl. 3573DF CARF MF 16 I – SÍNTESE DOS FATOS E DAS IMPUTAÇÕES As exigências fiscais foram fundadas na falta de apresentação de documentação contábil para comprovar a regularidade fiscal dos valores transitados em suas contas correntes. (esta é a imputação!). Na sequência das imputações contidas no comentado “Relatório Fiscal – Grupo Restum”, a própria Fiscalização reconhece que o simples fato de manter diversas empresas não constitui ilegalidade alguma, entretanto, concluiuse que no caso em análise seria “claro que tal manutenção se dá com a nítida e forte intenção de impedir que o Fisco tenha a correta visualização de seu porte e de suas operações comerciais”. Não houve uma imputação específica, mormente na solidarização levada a efeito, ou seja, partiuse de constatações genéricas para individualizar tanto um arbitramento, despropositado, como solidarizações ou seja, mesmo no âmbito da pura compreensão dos fatos, a improcedência dos autos de infração já se mostra inarredável. A Fiscalização, genericamente descreveu a atuação de empresas distintas, relacionadas que o sejam ou tenham sido, mas inegavelmente distintas, passando a tratálas como se fossem uma única coisa, arbitrando o lucro da Impugnante, com base em elementos das empresas desconsideradas e responsabilizando, solidariamente, a todos quantos de alguma maneira se viram envolvidos. Na sequência, imputouse a multa qualificada ao patamar de 150%, ao entender caracterizada, novamente no “Relatório Fiscal Grupo Restum”, a ocorrência das de condutas tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, bem como no artigo 1° da Lei 8.137/90, atraindo assim, a multa prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96. II – IMPOSSIBILIDADE E INAPLICABILIDADE DO ARBITRAMENTO A Fiscalização, ao fundamento de existir um “grupo econômico”, simplesmente passou a fazer alegações e suposições, sempre tendente a promover um punitivo arbitramento, ao singelo argumento de que as Impugnantes seriam empresas criadas com o propósito de suprimir o recolhimento de tributos. No entanto, o que se depreende dos autos é que não havia motivo justificado ao arbitramento do lucro. Importante anotar, para fins de aferir a desnecessidade do arbitramento promovido, que não houve imputação de total ausência de declarações e escrituração, a própria Fiscalização assentou que foram apresentados os elementos, tanto que sua receita foi quantificada sem maiores dificuldades, no entanto, valeuse de punitiva forma de apuração, ou seja, na espécie não há falar em arbitramento. É preciso deixar assentado que a Fiscalização não dispunha de fundamento válido para arbitrar o lucro da Impugnante. Temse assim, que o fundamento para o arbitramento do lucro, segundo consta expressamente nos autos de infração, foi o disposto no inciso III, do artigo 530, do Fl. 3574DF CARF MF Processo nº 19311.720233/201531 Acórdão n.º 1401002.194 S1C4T1 Fl. 3.567 17 RIR/99, ou seja, a falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Todavia, como já assinalado acima, era plenamente possível aferir a correta base tributável, considerando que a Impugnante apresentou regularmente suas declarações, sendo que a Fiscalização discordou, substancialmente, dos percentuais empregados, porém, não evidenciou a imprestabilidade da escrituração. Assim considerado, requerse de Vossas Senhorias, seja afastada no caso concreto a possibilidade de arbitramento, julgandose improcedentes os autos de infração, porquanto a contribuinte apresentou elementos que possibilitavam à Fiscalização adicionar eventual valores tidos por omitidos sem a necessidade de valerse do expediente adotado. Os nossos tribunais já tem se posicionado em desfavor a esses Autos de Infração lavrados pelo Fisco por entender que não é possível a caracterização de omissão de receita com base apenas em depósitos bancários, não havendo um nexo causal entre depósito bancário e omissão de receita, aplicandose o enunciado da Súmula 182 do TFR (fls. 12/14). As pessoas físicas e jurídicas fiscalizadas alegam que a quebra do sigilo fiscal somente é possível por determinação judicial, caso contrário, violaria os princípios do devido processo legal, contraditório e ampla defesa. III – DA SOLIDARIZAÇÃO E RESPONSABILIZAÇÃO Transpostas as alegações pelas quais entendem os Impugnantes impõese a improcedência dos autos de infração, seja porque ignorouse a personalidade jurídica de empresas regulamente constituídas, seja porque se apresentava inviável o arbitramento do lucro, remanesce uma última questão, de mérito, que precisa ser abordada com a máxima minudência. Isso se dá, precisamente no que toca à sujeição passiva tributária contida nos autos de infração, aliás, na multiplicidade de devedores solidarizados e responsabilizados pelo pagamento, sem que tenha havido, afora as alegações genéricas pelo Fisco, qualquer imputação específica de cada contribuinte, ou qual seria seu real interesse na ocorrência do fato gerador, muito menos quais as relações diretas e pessoais que tenham mantido na ocorrência do fato imponível. IV – INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO A vedação de confisco se direciona tanto ao tributo quanto às multas tributárias, sejam elas de mora, sejam punitivas. Tal linha de entendimento se funda no conhecido precedente do Supremo Tribunal Federal no qual restou assentado que a vedação de confisco se estende também às penalidades. No caso em lume o percentual de multa aplicado tem feição indubitavelmente confiscatória e desproporcional, pois revela imensa discrepância entre o suposto desrespeito à norma tributária e sua consequência jurídica. Fl. 3575DF CARF MF 18 V – ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA Ainda que se considerasse procedente a autuação, o que se admite apenas por apego ao argumento, não se poderia fazer incidir a taxa de juros sobre a multa aplicada, haja vista a previsão legal expressa de acréscimo de juros apenas aos valores referentes a tributos e contribuições sociais. Necessário frisar que a Lei nº 9.430/96, de igual forma, não autoriza a aplicação de juros sobre a multa de ofício, tratando apenas do caso de multa isolada, consoante jurisprudência acima posta, o que não se verifica nestes autos. DOS PEDIDOS Requer: Seja reconhecida a inaplicabilidade do arbitramento do lucro. Alternativamente, sejam os contribuintes solidarizados excluídos do pólo passivo da obrigação tributária. E a redução da multa aplicada para o patamar mínimo regulamentar, afastandose a multa qualificada. Por fim, requer o julgamento conjunto do presente processo com os demais resultantes do denominado “Relatório Fiscal – Grupo Restum”. É o relatório. Analisando as alegações da acusação e da impugnação a Delegacia de Julgamento proferiu decisão considerando improcedente a impugnação e mantendo o auto de infração integralmente. Cientificados da autuações os impugnantes, com exceção de PLANET GIRLS, apresentaram recurso voluntário onde aduziram as seguintes alegações: 1 Impossibilidade e Inaplicabilidade do arbitramento do lucro: Que o auto foi fundamento na existência do Grupo Restum e, a partir daí, foram feitas ilações e suposições para promover um punitivo arbitramento. Que a fiscalização não possuía fundamento válido para arbitrar o lucro. Entende que apresentou com regularidade suas declarações e que por isso o arbitramento era desnecessário. Alega que, havendo omissão de rendimentos, deveria ser feita a adição desta aos resultados já apurados e recalculados os tributos, conforme determinado pela legislação. Apresenta precedentes do CARF para confirmar suas alegações de que o arbitramento é excepcional e, assim, deveria ser oportunizado o refazimento da escrita ao contribuinte. Deveria haver a comprovação de que era impossível a apuração de outro modo. 2 Da Solidarização e Responsabilização: Alega que a DRJ apenas corroborou as conclusões da fiscalização. Que a solidarização foi feita sem o menor critério. Que não foi indicada uma única conduta para justificar a solidarização. Que foi desconsiderada a personalidade jurídica das empresas. Apresenta diversos argumentos em relação à imputação da responsabilidade para indicar que houve falha na comprovação da imputação e que, portanto esta seria indevida. Com relação ao Solidário "Roberto" (aspas do original) entende que a imputação da responsabilidade baseada no art. 135, III, do CTN, este seria um erro em razão do dispositivo tratar de outro tipo de responsabilidade. Fl. 3576DF CARF MF Processo nº 19311.720233/201531 Acórdão n.º 1401002.194 S1C4T1 Fl. 3.568 19 3 Inaplicabilidade da Multa Qualificada: Alternativamente, requer que caso seja mantida a autuação, que seja reduzia a multa qualificada aplicada em razão de ter efeito confiscatório se aplicada nesse patamar, que não foi comprovado o evidente intuito de fraude para permitir a qualificação, entende que os argumentos para fundamentar a qualificação foram genéricos constituindo bases fracas para a autuação. 4 Ilegalidade da Cobrança de Juros sobre a Multa. Apresenta fundamentos jurídicos que indicariam a impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 3577DF CARF MF 20 O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. Passemos a analisar os pontos de recurso apresentados pelo Contribuinte e responsáveis solidários. 1 Impossibilidade e Inaplicabilidade do arbitramento do lucro. Com relação ao tema da impossibilidade e Inaplicabilidade do arbitramento do lucro verificamos, em consulta aos termos apresentados pela recorrente que seu recurso voluntário apresentou os mesmos fundamentos de fato e de direito que foram objeto de análise por parte da DRJ, não havendo nenhuma discordância quanto aos fundamentos de decidir apresentados pela Delegacia de Julgamento. Ora, não havendo a apresentação de questionamentos quanto aos fundamentos de decidir apresentados pela Delegacia de Julgamento não se estabelece o contraditório a ser objeto de análise recursal. Assim, os recursos devem apresentar não os mesmos argumentos veiculados na impugnação. O Recurso Voluntário, como segunda instância do processo administrativo, tem o condão de se contrapor aos fundamentos e argumentos da decisão que não compartilharam com os elementos da impugnação. Ao não apresentar nenhum contraponto à decisão atacada, nem fundamentar os motivos pelos quais requer que a decisão seja modificada o recorrente não estabelece contraditório passível de análise recursal, ressalvese apenas o pedido de perícia que será analisado em separado. Para tanto, foi editada recentemente modificação do Regimento Interno deste CARF que trata desta hipótese. Vejamos o dispositivo. Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Referida regra foi editada com vistas ao atendimento ao princípio da economia processual aos casos em que se vislumbre que não existem novos argumentos ou elementos. Fl. 3578DF CARF MF Processo nº 19311.720233/201531 Acórdão n.º 1401002.194 S1C4T1 Fl. 3.569 21 Por esta razão, concordando este relator com os termos do acórdão formulado pela Decisão de Piso, tanto quanto ao arbitramento do lucro, quanto à possibilidade de lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovadas (apesar de não constar recurso expresso em relação a este item) passo a, na forma do art. 57, § 3º, do Regimento Interno do CARF, transcrever e adotar os mesmos fundamentos da decisão de Piso em relação ao presente ponto. 6. DO ARBITRAMENTO DO LUCRO. Segundo prescreve o art. 44 do CTN, o lucro, como base de cálculo do IRPJ e da CSLL, pode ser medido pelo seu montante real, arbitrado ou presumido. Sendo assim, uma vez ocorrido o fato gerador da obrigação tributária e na impossibilidade de apurarse o montante real ou presumido, o lucro, para efeito de tributação, deve ser arbitrado. Isso porque, à luz do art. 142 do mesmo CTN, o Fisco, ao constituir o crédito tributário pelo lançamento em atividade vinculada e obrigatória, está obrigado a determinar a matéria tributável e calcular o montante devido do imposto. A base legal para o arbitramento do lucro consta do art. 47, I, II, III e VII, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (matriz legal do art. 530, do RIR/1999), que dispõe o seguinte: “Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de1995. Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único. (...) VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário”. (Grifouse ) Portanto, a não apresentação ao Fisco dos livros fiscais e comerciais obrigatórios, notadamente, do Diário/Razão e do Livro Caixa, é hipótese que legitima, à luz das normas legais já mencionadas, o arbitramento do lucro nos períodos considerados. No TVF, item “4.1”, titulado por “Equiparação à PJ e arbitramento do lucro” restou devidamente evidenciado o fato que o Sr. Roberto e a Sra. Adriana Restum: Fl. 3579DF CARF MF 22 “intimados e reintimados a apresentar livros fiscais, conforme termo de início de fiscalização, os sócios não apresentaram resposta”. Também no item “2.2” do mesmo TVF, foram evidenciadas outras intimações a eles endereçadas para que apresentassem toda a documentação pendente de intimações anteriores, todavia, também essas intimações não foram respondidas. Então, diante da legislação citada, os motivos narrados na descrição dos fatos complementada pelo TVF são suficientes para garantir a legalidade do arbitramento do lucro levado a cabo pelo Fisco. E, segundo prescreve o art. 532, do RIR/1999, “o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei Nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I)”. Desse modo, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL foi considerada a partir da receita bruta conhecida, que no caso corresponde à presunção legal de depósitos bancários de origens não comprovadas. Conforme se viu, todo o procedimento fiscal está pautado nas normas regulamentares e foi realizado em consonância com as disposições do art. 142 do CTN. Evidenciase, portanto, que o contribuinte relegou a segundo plano as suas obrigações fiscais, tornandose inadimplente no tocante ao cumprimento de suas obrigações tributárias. Por tais motivos, a tributação com base no lucro arbitrado se fez ao amparo da lei e nada existe no procedimento que vicie o critério adotado. Desta forma, foi legítimo e legal o arbitramento do lucro. 7. – OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGENS NÃO COMPROVADAS. A Lei nº 9.430, de 1996, que embasou o lançamento nesta parte, com as alterações introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 9.481, de 1997, assim dispõe, acerca dos depósitos bancários: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações . § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira . §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica;” (Grifos acrescentados) Fl. 3580DF CARF MF Processo nº 19311.720233/201531 Acórdão n.º 1401002.194 S1C4T1 Fl. 3.570 23 A lei transcrita estabeleceu uma presunção de omissão de receitas ou rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. As presunções legais, também chamadas presunções jurídicas, dividemse em absolutas (juris et jure) e relativas (juris tantum). Denominase presunção juris et jure aquela que, por expressa determinação de lei, não admite prova em contrário nem impugnação; dizse que a presunção é juris tantum quando a norma legal é formulada de tal maneira que a verdade enunciada pode ser elidida pela prova de sua irrealidade. Concluise, por conseguinte, que a presunção legal de renda, caracterizada por depósitos bancários, é do tipo juris tantum (relativa). Caberia, portanto, ao contribuinte apresentar justificativas válidas para os ingressos ocorridos em suas contascorrentes. Corroborando com tal entendimento, nos ensina José Luiz Bulhões Pedreira in “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas”, JUSTEC RJ 1979 pág. 806: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume, cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Trata se, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Diante disso, o Fiscalizado titular de conta bancária, após devidamente intimado, não se exime de provar individualizadamente as origens dos depósitos/créditos ocorridos nessa conta. No caso vertente, como salientado no item “2.2” do TVF, titulado por “Informações solicitadas a Adriana e Roberto Restum”, sócios administradores da empresa, foram evidenciadas as diversas intimações a eles procedidas para comprovar mediante documentação hábil e idônea os créditos bancários individualmente listados nas respectivas intimações. Entretanto, nada foi comprovado ou apresentando, já que não houve resposta por parte de nenhum deles. Também no item “4.2” do mesmo TVF, consta: “4.2) Valores utilizados no cálculo dos tributos O Sr. Roberto Restum e a Sra. Adriana Restum foram intimados a apresentar documentação comprobatória da origem e natureza dos créditos bancários registrados nas contas correntes da empresa extinta. Anexo às intimações foi encaminhado relatório detalhado indicado cada crédito a ser justificado. Desse relatório já haviam sido excluídos créditos oriundos de resgates de aplicações financeiras, empréstimos, estornos e Fl. 3581DF CARF MF 24 transferências entre contas de mesma titularidade, quando foi possível essa identificação. Os contribuintes não apresentaram resposta à intimação. A não comprovação da natureza e origem dos créditos enseja a aplicação das disposições do artigo 42 da Lei 9.430/96.” (Grifouse) Enfim, Roberto e Adriana Restum, na qualidade de sujeito passivo e responsável tributário, após devidamente intimados, não comprovaram as origens dos créditos bancários. Portanto, é cabível a presunção legal de que trata o transcrito art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Do exposto e ratificando o entendimento deste relator em concordância com os termos da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento no que pertine à possibilidade de arbitramento do lucro no caso em tela, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário neste ponto. 2 Da Solidarização e Responsabilização: Alega que a DRJ apenas corroborou as conclusões da fiscalização. Que a solidarização foi feita sem o menor critério. Que não foi indicada uma única conduta para justificar a solidarização. Que foi desconsiderada a personalidade jurídica das empresas. Apresenta diversos argumentos em relação à imputação da responsabilidade para indicar que houve falha na comprovação da imputação e que, portanto esta seria indevida. Com relação ao Solidário "Roberto" (aspas do original) entende que a imputação da responsabilidade baseada no art. 135, III, do CTN, este seria um erro em razão do dispositivo tratar de outro tipo de responsabilidade. Para bem descrever e fundamentar este item, passemos a transcrição de robusto Voto proferido nos autos do processo nº 19311.720232/201597, acórdão nº 1402002.600 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, referente à empresa PLANET GIRLS COMÉRCIO DE ROUPAS LTDA, uma das muitas empresas envolvidas na operação formatada pelo grupo RESTUM. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Sobre a responsabilização solidária, a Autoridade Fiscal elegeu ROBERTO RESTUM, CPF – 043.261.15840; ADRIANA RESTUM, CPF – 120.853.19807; SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ – 02.067.055/000144, e PORT COMPANY PART. E EMPR. LTDA. – ME, CNPJ – 10.528.300/000100. Ainda que tenha sido apresentado recurso voluntário pelos quatro listados (em conjunto com o da autuada) restou claro, conforme já assentado neste voto, que as duas pessoas jurídicas incluídas no pólo passivo como responsáveis solidárias, Sun Bloom e Port Company tiveram suas impugnações entendidas como peremptas de modo que tais peças recursais em segunda instância não lhes socorre, decretandose sua perempção e imputação definitiva como “sujeitos passivos solidários”. Com relação às duas pessoas físicas, Roberto e Adriana, a Autoridade tributante enquadrou suas condutas nos artigos 124, I e 135, III, do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 3582DF CARF MF Processo nº 19311.720233/201531 Acórdão n.º 1401002.194 S1C4T1 Fl. 3.571 25 I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Na sua peça recursal alegam resumidamente: > “que as solidarizações foram efetivadas sem o menor critério de imputação, após elaborar o “Relatório Fiscal Grupo Restum”, a Fiscalização apenas indicou as pessoas e transcreveu o artigo 124 e 135 do CTN; > não ter sido realizada uma única imputação, uma descrição das condutas; > ter havido multiplicidade de devedores solidarizados e responsabilizados pelo pagamento, sem que tenha havido, afora as alegações genéricas contidas no “Relatório Fiscal – Grupo Restum”, qualquer imputação específica de cada contribuinte, ou qual seria seu real interesse na ocorrência do fato gerador, muito menos quais as relações diretas e pessoais que tenham mantido na ocorrência do fato imponível; > que o expediente adotado pela Fiscalização, generalista como se viu em todas as circunstâncias deste procedimento, arrolou as empresas e os sócios do que seria um conglomerado econômico, aludindo o que dispõem os artigos 124 e 135, do Código Tributário Nacional e simplesmente os colocou na posição de devedores solidários; > que, tirante as ilações do famigerado “Relatório Fiscal – Grupo Restum”, não houve qualquer imputação especificada, em relação aos nominados; > ter a Fiscalização ignorado, as regras mais comezinhas acerca da responsabilização, as quais saltam da mera leitura dos dispositivos por ela mesmo invocados, confundindo solidarização com responsabilidade pelo pagamento de débitos de terceiro; > fezse uma narrativa genérica e sumariamente arrolaramse diversos contribuintes sem demonstrar a efetiva participação nos fatos geradores, de receitas que já pertenciam a outras empresas; > não se pode conceber a solidarização de dezenas de contribuintes, pessoas físicas e jurídicas, ao mero argumento de que todas participaram de um “grupo econômico”; > tal fato poderia, dada a terminologia adotada pelo CTN, numa leitura apressada denotar que se permitiria a responsabilização de qualquer pessoa, independentemente de haver relação com o fato gerador. No entanto, mostrase equivocado esse raciocínio; > seria inaceitável até mesmo pensar que o legislador entendeu como responsável pessoa totalmente alheia à situação definida como fato gerador do tributo, daí Fl. 3583DF CARF MF 26 porque o artigo 128 prevê a obrigatoriedade desse terceiro ser pessoa "vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação"; > sem prejuízo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação; > ou seja, revelase verdadeira intensidade do vínculo entre a obrigação tributária e o responsável, sem, é claro, configurar um elo pessoal e direto porque, se assim for, tratarseá de contribuinte, não de responsável. Frisese, ainda, que a eleição desse terceiro como responsável decorre de razões de conveniência e necessidade; > anotese, portanto, que mesmo para eleição do responsável, o que nem é a hipótese tratada nos autos, é imprescindível haver expressa disposição legal para a responsabilidade tributária de terceiros, nos termos da legalidade geral estatuída no artigo 5º, inciso II, e da legalidade tributária, constante do artigo 145, inciso II, do texto constitucional, assim como dos artigos 97, inciso III, e 121, inciso II, do CTN, princípio da reserva legal segundo o qual ninguém é obrigada a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude de lei. Logo, sem lei expressa, o terceiro não pode ser responsabilizado; > caberia à Fiscalização demonstrar que houve, individualmente para cada solidarizado, interesse na situação que constitua o fato gerador (regra do 124, I) e todas tenham mantido relação direta e pessoal com tal situação, apresentase possibilidade de solidarização; > como se sabe, o instituto da solidariedade em matéria tributária, assegura o interesse do Fisco para a busca de seu direito de exigir do sujeito passivo o cumprimento da obrigação tributária, ocorrendo a solidariedade, sempre que se der a presença de mais de um sujeito passivo na mesma relação tributária, destacandose como premissa a existência de “interesse comum” das pessoas que participam da situação fática geradora da obrigação; > contudo, no caso dos autos, não houve imputação específica de qual seria a relação direta e pessoal de cada responsabilizado, tampouco quais seriam seus interesses, valendose a Fiscalização de uma imputação genérica e falaciosa, construída como se todos os responsabilizados fossem integrantes de um grupo econômico. Tal fato, por si só, como visto acima, não autoriza a solidarização; > em relação ao Impugnante “Roberto”, observase que fora responsabilizado nos termos do artigo 135, III, do CTN, ou seja, em tese, segundo a Fiscalização seria “pessoalmente responsável pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”; > neste ponto específico, além da mesma imputação genérica, a Fiscalização novamente incorreu em equívoco interpretativo sofrível, porquanto assinalou um evidente dispositivo que cuida de responsabilidade por pagamento de crédito de terceiros, como se tratasse de solidariedade; > diante disso, caso prevaleçam os impugnados autos de infração, expressamente se requer a exclusão, do polo passivo da presente obrigação tributária, de todos quantos foram solidarizados e/ou responsabilizados, reconhecendose que a Fiscalização não demonstrou na espécie os motivos que possibilitariam a solidarização, esbarrando assim, na legalidade”. Fl. 3584DF CARF MF Processo nº 19311.720233/201531 Acórdão n.º 1401002.194 S1C4T1 Fl. 3.572 27 Discordo do entendimento dos recorrentes Roberto Restum e Adriana Restum. Não se trata, como alegado, de responsabilizar dezenas de coobrigados aleatoriamente ou sem substrato legal, mas de impor aos verdadeiros sócios e administradores, a responsabilização solidária pelos créditos tributários constituídos neste procedimento, tendo em vista, dentre outros fatos incontroversos: 1. que na “Ficha Cadastral Completa” da empresa PlanetGirls Comercio de Confecções Ltda, CNPJ 04.740.881/000138, obtida na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), verificase que ela teve seu encerramento registrado na Jucesp em 30/06/2010; 2. na data de encerramento, seus sócios eram Roberto Restum, CPF 04326115840, com participação de R$ 18.000,00 (60% do capital social) e Adriana Restum, CPF 12085319807, com participação de R$ 12.000,00 (40% do capital social). Tanto Roberto quanto Adriana se enquadravam “na situação de sócios e administradores, assinando pela empresa; 3. a Ficha Cadastral citada foi obtida pelo Fisco no portal da internet da Jucesp e sua cópia consta deste processo; 4. os extratos das contas correntes remetidos pelos bancos, anexados a este processo, mostram que Roberto Restum e Adriana Restum continuaram movimentando as contas correntes da empresa, após o registro do distrato social na Jucesp; 5. nos cartões de assinatura dos bancos Santander, Bradesco e Safra constam os dois sócios, Roberto Restum e Adriana Restum, com poderes para assinar pela empresa, isoladamente; 6. abaixo, um exemplo de um cartão de uma conta corrente no Safra da Sra. Adriana: 7. todos os cheques emitidos a débito das contas dos bancos, em todos os períodos amostrados (no início, no meio e no fim do período fiscalizado) foram assinados pelo Sr. Roberto Restum. As cópias dos cheques podem ser consultadas nos documentos remetidos Fl. 3585DF CARF MF 28 pelos bancos, que constam neste processo. Abaixo, exemplo de um cheque assinado pelo Sr. Roberto: 8. portanto, fica comprovado que Roberto Restum e Adriana Restum são os responsáveis pela movimentação das contas correntes da empresa extinta no período fiscalizado; 9. estando as atividades da empresa já encerradas, estáse diante de uma situação de sociedade irregular, o que impõe aos sócios administradores a responsabilização pelos tributos apurados, de forma solidária e ilimitada; 10. como visto, Roberto Restum e Adriana Restum eram sócios no momento do distrato, tinham poderes para movimentação das contas correntes da empresa extinta, receberam elevados valores no decorrer dos 3 anos fiscalizados (conf. TVF). Esses fatos, e outros detalhados posteriormente, mostram que esses sócios eram os administradores da empresa extinta e se beneficiaram do esquema empresarial fraudulento montado; 11. o grupo empresarial liderado por Roberto e Adriana possuía um grande número de empresas ativas e tinha por hábito constituir e encerrar constantemente novas empresas o que permitia que quando determinada empresa começava a despertar interesse fiscal era sumariamente encerrada e uma outra era colocada no seu lugar; 12. a estratégia adotada pelo Gruo Restum para viabilizar estas trocas de empresas sustentavase no verdadeiro estoque de sociedades constituídas inicialmente na JUCESP, porém sem cadastro no CNPJ; assim, quando do encerramento das atividades de determinada empresa cadastrada junto à RFB, imediatamente já se realizava novo cadastro no CNPJ de empresa estocada na JUCESP, não havendo qualquer prejuízo na operação da unidade; 13. também era praxe a utilização de interpostas pessoas, seja para constituir a empresa, seja para operar fraudulentamente, seja para proteção patrimonial quando do encerramento, com a cíclica constituição de novas empresas em nome de “laranjas” e/ou “testas de ferro”. Essas empresas, conforme sua função dentro do Grupo, por vezes eram transferidas aos reais titulares (família Restum), por vezes eram operadas em nome das interpostas pessoas e por vezes eram transferidas a estas quando de seus encerramentos, de modo que, assim, a responsabilidade tributária daí decorrente recairia sobre os “laranjas”. Este Fl. 3586DF CARF MF Processo nº 19311.720233/201531 Acórdão n.º 1401002.194 S1C4T1 Fl. 3.573 29 fato, independentemente dos aspectos penais e de qualificação da multa de ofício que envolve, sem sombra de dúvida demonstra o intuito de evitar a satisfação efetiva do crédito tributário, posto que a imputação recairia sobre “laranjas” sem nenhuma capacidade financeira; 14. há, inclusive, ações judiciais movidas por terceiros contra o Grupo no sentido de verem seus nomes afastados das empresas componentes com a alegação do uso indevido de seus nomes. Todo este cenário – inconteste, como dito, encaixase, sem nenhuma dúvida, na descrição dos artigos 124, I e 135, III, do CTN, posto que revela o claro interesse comum dos dois sócios na situação relativa à constituição do fato gerador (a interposição de laranjas é apenas um destes sustentáculos) e a evidente prática de atos ao arrepio das leis vigentes levada a efeito pelos também administradores da autuada (Roberto e Adriana). No primeiro caso (artigo 124, I), o interesse comum é manifesto quando se constata a engenharia desenvolvida para que os dois sócios usufruíssem, em comunhão, dos benefícios resultantes de tal procedimento, e, ao mesmo tempo, ficassem ocultos como sócios de grande parte das empresas constituídas, artifício exteriorizado pelo uso costumeiro de praticar alterações contratuais e fincar “laranjas” no quadro social e na “administração” das mesmas, pessoas estas comprovadamente sem nenhuma capacidade financeira, econômica ou empresarial para dirigir uma companhia do porte da Planet Girls com centenas de lojas. Em síntese, ambos, indistintamente, por ação ou omissão, contribuindo para que pessoas sem condições financeiras, econômicas ascendessem a cargos diretivos e gerenciais ou fossem colocadas como interpostas pessoas (“laranjas”) possibilitando a Roberto e Adriana manteremse ocultos e usufruírem das vantagens que um negócio empresarial pode trazer, sem correr os riscos que este mesmo negócio pode apresentar. Somese a isso, o recebimento – ainda em comum – de valores retirados de contas bancárias de empresas já baixadas na Junta Comercial e, assim, irregulares, tudo sob a administração de ambos os sócios (Roberto e Adriana) que assinaram os cheques ou as autorizações de transferência para suas contas pessoais. Assim, não vejo ressalvas ao trabalho fiscal que concluiu pela responsabilização solidária de Roberto Restum e Adriana Restum consoante disposições do artigo 124, I, do CTN, posto se estar diante de “pessoa com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal", ainda mais porque, como sabido, a imputação fulcrada no mencionado dispositivo estatutário não exige o exercício de qualquer atividade de gestão, bastando o dito “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”, pelo que mantenho a inclusão de ambos no pólo passivo da lide. Igualmente me parece ter agido corretamente a Autoridade Fiscal quando enquadrou o procedimento dos dois administradores nos dizeres do artigo 135, III, do Código, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 3587DF CARF MF 30 Como bem exprimiu o I. Conselheiro desta Turma, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, no Acórdão 1402002.204, “para a caracterização da responsabilidade a que alude o art. 135, III, do CTN, fazse necessário a presença dois elementos: i) elemento pessoal: diz respeito ao sujeito que deu azo à ocorrência da infração, ou seja, o executor, partícipe ou mandante da infração. Tratase, na realidade, do administrador da sociedade, independentemente de ser ou não sócio. Assim sendo, não poderão ser incluídos como responsáveis quaisquer sujeitos que não possuam poder de decisão”; e, ii) “elemento fático: necessidade de conduta que implique excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto”. Significa dizer que muito mais que sócio é preciso que seja “administrador”, até porque podem existir sócios aos quais os estatutos ou contratos sociais não deleguem nem definam poderes gerenciais. Assim, mesmo que “sócios” (enquanto somente nesta condição) possam ficar albergados de uma possível responsabilização, aos “administradores” não cabe tal proteção, a teor da expressa definição imposta pelo artigo 135, III, desde que, indispensavelmente, exerçam as atribuições estatutárias ou contratuais de administração no período contemporâneo aos fatos geradores e sejam os responsáveis pelo crédito tributário constituído em razão de “atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”. In casu, não há dúvidas em relação à qualidade de administradores que possuíam Roberto e Adriana no período sob fiscalização, o que já os enquadra em uma das vertentes do artigo 135, III. O outro pólo (responsabilidade pelo crédito tributário oriundo de atos praticados ao arrepio das leis ou estatutos) deflui com clareza pela simples compulsação dos autos, seja pelo procedimento contumaz de inserir “laranjas” na “administração” de empresas do grupo, seja pela constituição e encerramento – muitas vezes irregulares – de sociedades, seja pela percepção de valores destas mesmas sociedades “encerradas” em favor próprio, seja, pela inadimplência tributária. A respeito desta última condição, adoto excertos do voto proferido pelo Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Ac. já citado) que, de forma precisa, bem define o quadro, em tudo aplicável também a este processo: “A autoridade fiscal, ao cominar a penalidade qualificada de 150%, entendeu restar caracterizado o conjunto fáticojurídico a ensejar a responsabilidade tributária. Entendo lhe assistir razão. Não desconheço da jurisprudência do STJ que pode ser resumida com a transcrição do Enunciado nº 430 da Súmula do STJ: O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Mais recentemente, julgouse a matéria sob a égide do disposto no art. 543C do CPC/1973 (“recurso repetitivo”), sendo que a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.101.728/SP, de Relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, consolidou entendimento segundo o qual “a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa”. Fl. 3588DF CARF MF Processo nº 19311.720233/201531 Acórdão n.º 1401002.194 S1C4T1 Fl. 3.574 31 Saliento que o simples inadimplemento da obrigação não pode gerar, de per si, a responsabilidade do administrador da pessoa jurídica. Ao assim dispor, por outro lado, o STJ deixou transparece que em hipóteses de um inadimplemento, digamos, “qualificado”, podese sim atribuir a responsabilidade de que tratar o art. 135 do CTN. Com efeito, não comungo do entendimento daqueles que limitam a aplicação do caput do art. 135 do CTN às hipóteses de cometimento de infração à lei societária, excluindo às infrações às normas tributária, excluase do rol de infrações, aptas a ensejar a corresponsabilidade, justamente as próprias leis aplicáveis aos tributos. E não se fala aqui de um simples inadimplemento de tributo, mas sim de inadimplemento doloso, penalizado administrativamente com multa de 150% que se aplica somente em casos de sonegação, fraude ou conluio (art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), dando ensejo à representação fiscal para fins penais por cometimento, em tese, de crime contra a ordem tributária a que alude o art. 1º da Lei nº 8.137/90. (...) No mesmo sentido, Emanuel Carlos Dantas de Assis dispôs: (...) Como a culpa ou o dolo deve ser comprovado, carece uma interpretação casuística. A solução vai depender de cada situação em concreto. Assim, se por um lado é certo que o simples inadimplemento de tributo se constitui em infração de lei, somente a análise dos fatos e circunstâncias irá demonstrar se o sócio tinha razões ou não para deixar de efetuar o pagamento. (...) Na caracterização do dolo reside a maior dificuldade para as administrações tributárias, na tentativa de responsabilizar os administradores e sócios de sociedades empresárias, por débitos tributários destas. Como demonstrar, afinal, a intenção da pessoa física? O dolo necessário à responsabilidade estatuída no art. 135 é o presente não só nos crimes contra a ordem tributária previstos na Lei nº 8.137/1990, no contrabando e descaminho (art. 334 do Código Penal, alterado pela Lei nº 4.729/1965), ou nas infrações tributárias dolosas como sonegação, fraude e conluio (Lei nº 4.502/1964, arts. 71 a 73, respectivamente). [...]21 [grifos nossos]. Também em pronunciamentos da PGFN e da Receita Federal podese extrair a mesma exegese de tal dispositivo legal: PARECER/ PGFN/CRJ/CAT/Nº 55/2009 [...] O administrador só é responsável por atos seus que denotem infração à lei ou excesso de poderes, como, por exemplo, a sonegação fiscal (que é ilícito punível inclusive penalmente) ou a dissolução irregular da sociedade; [grifos nossos] Fl. 3589DF CARF MF 32 NOTA GT RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA nº 1, de 17 de dezembro de 2010 (Ato conjunto entre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e Secretaria da Receita Federal do Brasil. Grupo de Trabalho constituído pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 8 / 2010). Observase que, se há multa qualificada, há responsabilidade pelo art. 135 do CTN, trazendo à responsabilidade os sócios do tempo do fato gerador. [grifos nossos]. (...) Na jurisprudência, o entendimento do STJ: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. NOVO PEDIDO DE REDIRECIONAMENTO PARA O SÓCIOGERENTE. ART. 135 DO CTN. POSSIBILIDADE. EXISTÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA EM CRIME DE SONEGAÇÃO FISCAL. CONFIRMADO. 1. Os efeitos da decisão, já transitada em julgado, que indeferiu anterior pedido de redirecionamento, não irradia efeitos de coisa julgada apta a impedir novo pedido de redirecionamento na mesma execução fiscal em face da existência de sentença condenatória em crime de sonegação fiscal, confirmada pelo Tribunal de 2º grau e com Habeas Corpus pendente de julgamento no STJ, porquanto aquele pleito inicial está fulcrado apenas em mero inadimplemento fiscal. 2. O redirecionamento da execução fiscal, e seus consectários legais, para o sóciogerente da empresa, somente é cabível quando reste demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa. A condenação em crime de sonegação fiscal é prova irrefutável de infração à lei. 3. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 935839/RS, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, decisão unânime, sessão de 05 de março de 2009) (...) Conforme se observa, ao se tratar não de um simples inadimplemento, mas sim de um inadimplemento qualificado, doloso, caracterizado por conduta fraudulenta e com repercussões na esfera criminal, incide o disposto no art. 135 do CTN, implicando que os administradores da pessoa jurídica (inciso III), os quais respondem, inclusive, na seara criminal, sejam também responsabilizados pela obrigação tributária”. (destaque deste Relator). Concluindo, entendo correta a inclusão de Roberto Restum e Adriana Restum no pólo passivo da lide na qualidade de sujeitos passivos solidários, com tipificação nos artigos 124, I, e 135, III, do CTN, ratificando o trabalho fiscal. Os argumentos acima apresentados para justificar a manutenção da responsabilização solidária imputada no presente auto de infração se encaixam perfeitamente aos elementos tratados neste processo, vez que se tratam de infrações praticadas com os Fl. 3590DF CARF MF Processo nº 19311.720233/201531 Acórdão n.º 1401002.194 S1C4T1 Fl. 3.575 33 mesmos atores, com o mesmo procedimento e utilizandose, inclusive, da mesma empresa para a movimentação dos recursos financeiros de todo o grupo. Em razão do exposto no voto acima, do qual adoto os fundamentos de fato e de direito para aplicação na decisão deste processo, é que entendo por absolutamente correta a imposição de responsabilidade tributária ao autuado ROBERTO RESTUM e aos demais responsáveis ADRIANA RESTUM, CPF – 120.853.19807; SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ –02.067.055/000144; PORT COMPANY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA – ME, CNPJ – 10.528.300/000100, por ter restado caracterizada a responsabilização na forma dos arts. 124, I e 135, III, do CTN. 3 Inaplicabilidade da Multa Qualificada.: Alternativamente, requer que caso seja mantida a autuação, que seja reduzia a multa qualificada aplicada em razão de ter efeito confiscatório se aplicada nesse patamar, que não foi comprovado o evidente intuito de fraude para permitir a qualificação, entende que os argumentos para fundamentar a qualificação foram genéricos constituindo bases fracas para a autuação. No que tange à qualificação e ao agravamento da multa, em razão do evidente intuito de fraude da conduta do contribuinte e em razão do não atendimento às intimações realizadas, novamente adotamos como fundamentos para decidir àqueles já apresentados pela Delegacia de Julgamento, tendo em vista que o Recurso Voluntário não apresentou novidades em relação aos argumentos aduzidos na impugnação e em razão de a Decisão de Piso ter apresentado robusta argumentação de fato e de direito a suportar a manutenção da qualificação e do agravamento da multa. Passemos à transcrição da Decisão de Piso em relação ao caso: 9. DAS MULTAS APLICADAS NO LANÇAMENTO. QUALIFICADA E AGRAVA. PERCENTUAL TOTAL DE 2255. No caso concreto, o lançamento impôs a sanção prevista no art. 44, inciso I, c/c o § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007), segundo o qual, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa de 75%, que será duplicada para 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964; o percentual qualificado de 150%, será ainda aumentado da metade (para 225%), nos casos de não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos, “in verbis”: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007 ) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) Fl. 3591DF CARF MF 34 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007). §2º. Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007 ) I – prestar esclarecimentos (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” (Grifouse) 9.1 Multa Proporcional Qualificada. Primeiramente, diante dos fatos narrados nos relatórios fiscais confeccionados ao longo do procedimento, a Fiscalização entendeu presente, no caso concreto, os pressupostos definidos em lei e necessários à qualificação. À luz da legislação pertinente, constitui hipótese de qualificação da multa de ofício a prática de sonegação, fraude ou o conluio, ou seja, ações ilícitas definidas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei 4.502, de 1964, nos seguintes termos: sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento; e conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos anteriormente como sonegação ou fraude. Logo, as ações caracterizadas como sonegação ou fraude (o conluio é o ajuste que combina ambas), nos termos acima definidos, são as que autorizam a qualificação da multa. Ocorre que as irregularidades existentes que envolveram as empresas autuadas, pertencentes ao denominado grupo “Restum”, devidamente e minuciosamente apontadas pela Fiscalização nos relatórios fiscais, indubitavelmente caracterizam a conduta dolosa perpetrada pela Impugnante, configurada pelas ações seus sócios administradores, Roberto e Adriana Restum, proprietários do referido grupo, no intuito de reduzir indevidamente o pagamento de tributos. Nesse sentido, vejase abaixo trecho do TVF: “Num breve resumo, que não substitui aquilo que consta nos referidos relatórios, se verificou a utilização de conta corrente de empresa já extinta, com o intuito de tentar iludir a fiscalização. Essa utilização foi dolosa, premeditada, pois não houve a comunicação do encerramento da empresa à Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme obriga a legislação. A Fl. 3592DF CARF MF Processo nº 19311.720233/201531 Acórdão n.º 1401002.194 S1C4T1 Fl. 3.576 35 própria utilização da conta de empresa extinta já caracteriza o ilícito, ainda mais quando são emitidos e assinados cheques, em nome de uma empresa inexistente, configurando emissão de título de crédito inidôneo. Além disso, continuaram a ser enviadas declarações à Receita Federal (GFIP, DIRF, etc.) mesmo após a incorporação da empresa, com o mesmo propósito de ocultar fatos do Fisco. Inclusive, foram efetuados recolhimentos de contribuições previdenciárias, de forma a passar a falsa idéia de que a empresa extinta ainda se encontrava em operação normal. A descrição das declarações entregues pelo contribuinte consta no item 2.1. Também se verifica a prática reiterada da atividade ilícita. O mesmo mecanismo de utilização da conta corrente de empresa já extinta ocorreu em cada um dos três anos fiscalizados . Adicionalmente, a omissão do contribuinte em prestar esclarecimentos, apesar d eregularmente intimado em seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), obriga ao agravamento da multa conforme art. 44, § 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. De se destacar que o contribuinte não pode alegar desconhecimento do mecanismo de intimação através do DTE. O termo de início foi aberto tanto pelo Sr. Roberto Restum quanto pela Sra. Adriana Restum em suas caixas postais, o que caracteriza não só ciência efetiva do conteúdo desse documento específico, como o conhecimento dos mecanismos envolvidos em intimações através do DTE, não podendo simplesmente alegar que a ciência nos outros casos ocorreu por decurso do prazo legal. Houve, isto sim, intenção deliberada de não responder as intimações.” Inegavelmente, inferese pela leitura dos relatórios fiscais constantes dos autos que foi engendrado um verdadeiro esquema fraudulento, com intuito único de sonegar tributos. 9.2 Multa Proporcional Agravada. Quanto ao agravamento do percentual qualificado de 150% para 225%, como autoriza a legislação acima transcrita, no TVF, item “2.2”, o Fisco justifica que, após diversas intimações a Roberto e Adriana Restum para apresentar documentação fiscal, comprovar depósitos bancários e prestar esclarecimentos, nada foi apresentado ou justificado. Segundo reza a lei, é cabível ainda aumentar da metade o percentual qualificado da multa (de 150% para 225%), quando o sujeito passivo não atender, no prazo marcado, intimação para prestar esclarecimentos. Ocorre que, após as intimações de praxe, nenhum esclarecimento foi prestado. Diante disso, a majoração do percentual da multa de ofício subsumese ao transcrito art. 44, §2, I, da Lei nº 9.430, de 1996, devendo ser mantida. 9.3 – Multas. Demais Questões. Fl. 3593DF CARF MF 36 De plano, salientese que a redução da multa postulada pela defesa não pode ser acatada, na medida em que não encontra respaldo legal. Por sua vez, também as alegações no sentido que o percentual aplicado teria o caráter de confisco (vedado pela Constituição Federal), não podem ser apreciadas, pois não cabe à autoridade administrativa apreciar questão afeta a inconstitucionalidade de lei. Vale considerar que o princípio contido no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, relativo à vedação ao confisco, antes de mais nada, é dirigido ao legislador. Tal princípio orienta a elaboração legislativa, que deve observar a capacidade econômica do contribuinte (art. 145, § 1o da CF), bem como não pode dar ao tributo conotação de confisco. Cumpre ressaltar ainda que o contencioso administrativo não é o foro próprio para examinar questões de tal natureza. Vale esclarecer que não cabe às autoridades administrativas se manifestarem sobre matéria do ponto de vista constitucional, excetuado os casos em que houver declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal de lei, de tratado ou de ato normativo, situação em que é permitido às autoridades fiscais a quo afastar a sua aplicação (Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, e Parecer da PGFN/CRE n.º 948, de 2 de junho de 1998). No caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria, não há como negar efetividade à cobrança da multa de ofício lançada sob o argumento acerca de sua natureza confiscatória ou da violação aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e moralidade. Do exposto, por todo o apresentado e demonstrandose que a condutas realizadas pelo contribuinte coadunamse às hipóteses legais de qualificação e agravamento das multas de ofício, voto do sentido de manter integralmente o agravamento e qualificações lançados. 4 Ilegalidade da Cobrança de Juros sobre a Multa. Apresenta fundamentos jurídicos que indicariam a impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa. Com relação à alegação de impossibilidade de incidência de juros calculados pela SELIC sobre a multa de ofício, entendo por bastante elucidativa a argumentação apresentada em voto proferido pela DRJ/Florianópolis no acórdão nº 0738.069 3ª Turma da DRJ/FNS relativo ao assunto. Por isso transcrevo a parte do mesmo o adoto como suficiente para justificar a não aceitação das alegações do recorrente quanto a este ponto. Fl. 3594DF CARF MF Processo nº 19311.720233/201531 Acórdão n.º 1401002.194 S1C4T1 Fl. 3.577 37 Fl. 3595DF CARF MF 38 Corroboram este entendimento os seguintes precedentes do CARF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. (Acórdão 9101003.009, de 08 de agosto de 2017) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.957, de 03 de julho de 2017) JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do Fl. 3596DF CARF MF Processo nº 19311.720233/201531 Acórdão n.º 1401002.194 S1C4T1 Fl. 3.578 39 crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. (Acórdão 3302004.496, de 25 de julho de 2017) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. (Acórdão 1401 001.903, de 20 de junho de 2017) Pelo apresentado acima, entendo estar correta a decisão de Piso na parte em manteve a exigência da aplicação da taxa SELIC sobre o crédito tributário relativo à multa de ofício. Assim, voto por negar provimento ao recurso quanto a este ponto. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte e dos solidários passivos. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 3597DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.720461/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1101-000.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em SOBRESTAR o julgamento dos recursos voluntário e de ofício, divergindo o Conselheiro José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
NARA CRISTINA TAKEDA TAGA Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, integrando o Colegiado a Conselheira Mônica Mônica Sionara Schpallir Calijuri.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em SOBRESTAR o julgamento dos recursos voluntário e de ofício, divergindo o Conselheiro José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (VicePresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, integrando o Colegiado a Conselheira Mônica Mônica Sionara Schpallir Calijuri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 40 .7 20 46 1/ 20 10 -1 1 Fl. 2292DF CARF MF Processo nº 10240.720461/201011 Resolução nº 1101000.083 S1C1T1 Fl. 6 2 RELATÓRIO Segundo o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (proc. fls. 746 a 753), a ação fiscal teve início em 19/04/2010 com a ciência do contribuinte do Termo de Início de Ação Fiscal. O procedimento de fiscalização foi instaurado tendo em vista que, no ano calendário de 2007, o contribuinte realizou expressiva movimentação financeira, a despeito de ter apresentado Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (PJSI 2007) e Declaração Anual do SIMPLES NACIONAL (DASN). Intimado a apresentar diversos documentos fiscais e contábeis, o contribuinte, após algumas prorrogações, não apresentou todos os documentos solicitados. Desta feita, a fiscalização emitiu Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira – RMF. De posse das informações prestadas pelas instituições financeiras, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos recursos movimentados. Entendeu a fiscalização que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos. Desta forma, para garantir o crédito tributário em favor da Fazenda Nacional, foi formalizado o lançamento objeto de questionamento. Lavrouse Auto de Infração (proc. fls. 662 a 744) imputandose ao contribuinte as seguintes infrações: omissão de receitas – depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada; e insuficiência de recolhimento. O contribuinte apresentou Impugnação em 23/11/2010 (proc. fls. 844 a 862) por meio da qual alegou que o Fisco não construiu arcabouço de provas que legitimam a manutenção da presunção de omissão de receitas. Esclareceu que os recursos que transitam em suas contas são originados de vendas de passagens aéreas. Tais recursos, em torno de 90%, são encaminhados às Companhias Aéreas, pelas agências de turismo e viagens. Desta forma, a tributação se deu não sobre o lucro do contribuinte, mas sim sobre renda que não pertence ao contribuinte. Com fundamento no Princípio da Verdade Material, o Impugnante questionou a negativa do órgão fazendário em diligenciar junto às Companhias Aéreas, Secretarias e Autarquias do Governo do Estado de Rondônia. Afirmou que em momento algum omitiu documentos ou dados, simplesmente tais provas são de difícil localização, motivo pelo qual a diligência facilitaria a obtenção de tais informações. Neste sentido, requereu a dilação de prazo para que pudesse apresentar os documentos aptos a comprovar a origem dos recursos e que foram solicitados a terceiros. No mérito, o Postulante alegou que o lançamento é nulo de pleno direito, pois meros depósitos não são documentos suficientes para comprovar e fundamentar a omissão de receitas. Afirmou as provas acostadas aos autos afastam a presunção de omissão de receitas. Fl. 2293DF CARF MF Processo nº 10240.720461/201011 Resolução nº 1101000.083 S1C1T1 Fl. 7 3 No tocante à multa aplicada, o fiscalizado alegou ser inconstitucional por ofensa ao Princípio do não confisco. Desta forma, purgou pela sua não aplicação. Por fim, o contribuinte juntou aos autos laudo pericial contábil que entende ser apto a afastar a exação. Em 08/03/2012, a 2ª Turma da DRJ em Belém exarou Acórdão julgando procedente em parte a Impugnação apresentada diminuindo o crédito de R$ 2.411.085,93 para R$ 984.325,42 (proc. fls. 1173 a 1246). De início o Colegiado afastou a preliminar de nulidade sob o argumento de que não se vislumbram as hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. O órgão julgador a quo esclareceu que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece uma presunção legal relativa de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, condicionada, apenas, à falta de comprovação da origem dos recursos que transitam, em nome do contribuinte, em instituições financeiras, ou seja, permitiu que se considere ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária. Dos documentos apresentados pelo contribuinte quando da Impugnação, a DRJ apenas aproveitou os que foram emitidos por entidades públicas, nos quais estão discriminados pagamentos efetuados ao Impugnante, que coincidem em valor e ocorrera, em datas muito próximas às listadas pela fiscalização. Desta forma, parte dos recursos considerados como receita omitida, restaram comprovados, o que acarretou na exclusão de tais valores da base de cálculo do crédito tributário objeto da presente ação fiscal. Quanto aos demais documentos apresentados, a Turma não os considerou aptos a comprovar a origem dos recursos. Entendeu que o contribuinte apenas carreou aos autos documentos sem especificar a qual depósitos referemse, motivo pelo qual, não foram suficientes a comprovar a origem dos depósitos questionados. No que tange à multa aplicada no percentual de 75%, o órgão julgador ressaltou que não tem competência para se manifestar sobre a constitucionalidade ou não de lei plenamente em vigor. Já quanto ao pedido de diligência, a Turma entendeu que tal requerimento não atendeu ao disposto no art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72. O órgão fazendário afirmou que o contribuinte teve a oportunidade de trazer aos autos, tanto na fase de autuação como na de impugnação, todos os documentos que entendesse necessário para comprovar a origem dos recursos e, no entanto, não apresentou. Destarte, entendem descabido o protesto do Impugnante por diligência fiscal junto a bancos, Companhias Aéreas, Secretarias e Autarquias do Governo do Estado de Rondônia, pois se estaria atribuindo ao Fisco o ônus da prova que segundo o art. 42 da Lei nº 9.430/96 é do contribuinte. Referente ao pedido de prazo para juntada de documentos faltantes, o Colegiado afirmou que o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 apenas admite tal possibilidade em caráter excepcional, e que tais hipóteses não se fazem presentes no julgamento em análise. Inconformado com a decisão da DRJ em Belém, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 20/09/2012 (proc. fls. 1817 a 1835). Fl. 2294DF CARF MF Processo nº 10240.720461/201011 Resolução nº 1101000.083 S1C1T1 Fl. 8 4 Mais uma vez o contribuinte alegou que em momento algum se recusou a apresentar ou omitiu documentos ou dados. Afirmou que como juntado aos autos, peticionou aos bancos e governo solicitando as informações necessárias pra afastar a autuação em questão. O Recorrente repisou que meros depósitos em conta corrente não podem ser suficientes para caracterizar omissão de receita referente a depósitos bancários de origem não comprovada. O Postulante mais uma vez requereu que o Fisco, valendose de sua competência fiscalizadora, oficiasse aos bancos e ao Governo do Estado de Rondônia, reiterando os requerimentos feitos pelo contribuinte, com o intuito de que sejam carreados aos autos os documentos faltantes e que são aptos a afastar a autuação. Postulou ainda a exclusão de depósitos realizados pelo Governo do Estado de Rondônia e que não foram excluídos da base de cálculo apurada. Referente à emissão de Requisições de Informação sobre Movimentações Financeiras, o fiscalizado alegou que a quebra do sigilo bancário pelo Fisco, sem autorização judicial, é ilegal tornando nulas as autuações baseadas em tais requisições. Referente à multa aplicada, o Recorrente alegou a sua inconstitucionalidade por ofensa à Constituição Federal requerendo desta forma a sua exclusão. Em 21/09/2012, o contribuinte protocola Aditamento ao Recurso Voluntário por meio do qual requer a juntada de comprovantes de depósitos realizados nas contas das seguintes empresas: Confiança Ag. de Passagem e Turismo Ltda., TAM Linhas Aéreas, Trip Linhas Aéreas, RICO Linhas Aéreas, GOL Linhas Aéreas e BRA Transportes Aéreos S/A (proc. fls. 1842 a 2290). É o relatório. VOTO Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. O Recorrente opõese ao Acórdão exarado pela 2ª Turma da DRJ em Belém que julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada excluindo parcela do crédito tributário. Por este motivo, o Fisco recorreu de ofício. Antes de adentrar na análise do caso em concreto, fazemse necessárias algumas observações sobre Requisição de Informação para Movimentação Financeira – RMF. A Lei Complementar nº 105/2001 autoriza que a autoridade fazendária requisite às instituições financeiras, por meio de RMF, as informações pertinentes ao contribuinte sob fiscalização, desde que satisfeitos os requisitos objetivos previstos em lei. A constitucionalidade desta lei tem sido questionada tanto em sede de controle concentrado de constitucionalidade como em Recurso Extraordinário, estando ambos pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal. Fl. 2295DF CARF MF Processo nº 10240.720461/201011 Resolução nº 1101000.083 S1C1T1 Fl. 9 5 De acordo com o previsto no art. 62A, § 1º do Regimento Interno deste Conselho RICARF (Portaria MF nº 256/2009), reconhecida a repercussão geral em sede de Recuso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, os julgamentos dos recursos devem ser sobrestados. Confirase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (grifei) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que desde 23/10/2009, o STF reconheceu a existência de repercussão geral sobre o tema no julgamento do RE 601.314 conforme se verifica na ementa a seguir: “Constitucional. Sigilo Bancário. Fornecimento de Informações sobre Movimentação Financeira, diretamente ao Fisco, sem prévia autorização judicial (Lei Complementar nº 105/2001). Possibilidade de aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de Repercussão Geral”. Destarte, entendo que os processos em tramite neste Conselho que versem sobre RMF, em conformidade com o previsto no RICARF, deveriam ficar sobrestados aguardando o julgamento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, tendo em vista que cabe a este Tribunal a última palavra sobre inconstitucionalidade no nosso ordenamento jurídico. Desta maneira, o presente voto é no sentido de SOBRESTAR O JULGAMENTO do recurso que pende de apreciação neste processo administrativo. (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA Relatora Fl. 2296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.907371/2010-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/07/2002
COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
Numero da decisão: 3201-003.291
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/07/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 73 71 /2 01 0- 85 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10830.907371/201085 Acórdão n.º 3201003.291 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou o seguinte: a) promovera medida judicial e obtivera provimento para o fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que o obrigasse a recolher a contribuição (PIS/Cofins) a partir da base de cálculo determinada pela Lei nº 9.718/98, no período sob comento, tendolhe sido autorizada a compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor; b) referida decisão judicial veio a ser objeto de recurso de apelação da Fazenda Nacional, o qual foi recebido simplesmente em seu efeito devolutivo; c) a própria PGFN já emitiu orientação para que tal matéria, uma vez submetida ao Poder Judiciário, não fosse mais objeto de contestação/recurso; d) a compensação declarada encontravase amparada em decisão judicial, em conformidade com o art. 170A do Código Tributário Nacional, e, tendo o recurso de apelação interposto pela PGFN sido recebido tão somente no efeito devolutivo, não havia que se falar em trânsito em julgado da decisão, a qual desde o seu nascimento gozava de liquidez e certeza quanto à forma; e) os valores objeto da compensação declarada são de fácil confirmação por parte da Secretaria da Receita Federal, uma vez que inúmeras informações constantes das DIPJs do período informam o montante das receitas operacionais sobre as quais o Contribuinte ou suas incorporadas recolheram indevidamente a título de PIS/COFINS; f) ao confeccionar a PERD/COMP para a devida compensação, deixara de mencionar referida informação, não sendo possível mais retificar a declaração pelo fato de que, quando se insere a informação de que o crédito é decorrente de ação judicial, o sistema entende que o tipo de crédito informado na PERD/COMP retificadora é diferente do tipo de crédito informado na PERD/COMP original, tratandose, portanto, de mero erro de fato. Nos termos do Acórdão nº 05039.402, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão sob o argumento de que a compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença, sem o que se rejeita a extinção de débitos por essa via. Além disso, a Delegacia de Julgamento consignou que o reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ele ser restituído ou utilizado em compensação. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário com os mesmos argumentos de defesa apresentados, aduzindo que a compensação realizada ocorrera em estrita conformidade com a decisão judicial proferida a seu favor. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10830.907371/201085 Acórdão n.º 3201003.291 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.276, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10830.903744/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.276): Como se verifica pelo relato dos fatos, a Recorrente promoveu a compensação de débitos tributários utilizandose de crédito alegadamente decorrente do recolhimento indevido da COFINS nos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (alargamento de base de cálculo). Ocorre que, tal compensação, ocorreu antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito de crédito do contribuinte, ou seja, em desconformidade com o art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Nesse aspecto, pontua o acórdão da DRJ: Não obstante, ao contrário do que pretende a contribuinte, tal decisão não lhe garante o direito à compensação administrativa do crédito que entende possuir. Em certo momento de sua manifestação, a contribuinte alega que a decisão judicial teria reconhecido o seu direito à compensação. No entanto, a própria sentença de primeiro grau que reconheceu a inconstitucionalidade condicionou a compensação ao trânsito em julgado. É o que se constata pelos termos da sentença conforme consta do sítio do Tribunal: Isto posto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, extinguindo o feito com exame de mérito, nos termos do art. 269, I, CPC, para o fim de: a) declarar a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a impetrante a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9718/98, nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, devendo, para tais períodos serem observadas as LC 7/70 e 70/91; b) reconhecer o direito líquido e certo da impetrante em compensarse dos indébitos tributários, após o trânsito em julgado, em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, nos períodos supra, com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da fundamentação retro. Outrossim, declaro o direito da impetrante em corrigir monetariamente seus créditos, pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor, relativamente Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10830.907371/201085 Acórdão n.º 3201003.291 S3C2T1 Fl. 5 4 aos períodos supra. Deverá a impetrante, nos termos do 1º, do artigo 74, da Lei nº 9430/96, quando do procedimento da compensação, efetuar a entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Custas na forma da lei, sem honorários de advogado (Súmula nº 105, STJ). Sentença sujeita ao reexame necessário. Comuniquese ao eminente relator do agravo noticiado nos autos a prolação da presente sentença, para as providências cabíveis. (destaque acrescentado) Com efeito, em que pese a sabida declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, é certo que, na hipótese do contribuinte, detentor de ação judicial, se fazia imprescindível, no momento da transmissão das Declarações de Compensação, o trânsito em julgado da decisão judicial. Desse modo, correto o entendimento da DRJ ao indeferir a compensação nos termos do art. 170A do CTN. Não obstante, há um segundo aspecto a ser considerado na hipótese dos autos. Ainda que ultrapassada a questão instrumental, a Recorrente não logrou demonstrar que os créditos que pretende restituir correspondem, efetivamente, à diferença da COFINS recolhida indevidamente em razão do alargamento da sua base de cálculo: É como assinala o Acórdão da DRJ: Noutra vertente, o crédito também não resta demonstrado, de vez que a contribuinte não consegue evidenciar que, no documento de arrecadação indicado na Declaração de Compensação, haveria alguma parcela indevida e, portanto, haveria crédito passível de utilização. Efetivamente, ainda que se admita a existência de um crédito decorrente de inconstitucionalidade no normativo que presidiu o recolhimento, é imprescindível que a contribuinte comprove a existência e o montante do crédito que reivindica. No caso, a inconstitucionalidade atingiu apenas uma parte do tributo que seria exigível, pelo que a demonstração do montante do crédito reivindicado assume contornos mais importantes. Nesse sentido, não cabe aqui a tentativa da manifestante no sentido de atribuir à Administração Tributária a responsabilidade pela apuração de seu crédito a partir das declarações que teria apresentado. Esta é uma incumbência da contribuinte, proponente original da extinção de débitos pela via da compensação. Nesse sentido, o Tribunal ao reformar parcialmente o provimento de primeira instância no que se refere ao direito à compensação, em decisão dada em 23/07/2012, é explícito ao atribuir à contribuinte o dever de comprovar seu crédito: Por fim, observo, in casu, não merecer acolhida a pretensão formulada pela Impetrante, no sentido de reconhecerse o direito à compensação das parcelas do PIS e da COFINS exigidas com base no art. 3º, § 1º da Lei n. 9718/98, à vista da ausência de documentos que comprovem o efetivo recolhimento do aludido tributo, razão pela qual a sentença deve ser reformada nesse ponto. (destaque acrescentado) Assim, o próprio Poder Judiciário, que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, em benefício da contribuinte, não corroborou o pleito de autorização à compensação Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.907371/201085 Acórdão n.º 3201003.291 S3C2T1 Fl. 6 5 pela inexistência de provas do crédito. Tal prova não foi trazida a este processo administrativo pelo que, igualmente, é de ser negada a compensação por falta da prova da materialidade do crédito utilizado. Acrescento que, nesse aspecto, o Recurso Voluntário do Contribuinte restou silente. Seja em sede de Manifestação de Inconformidade, seja em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte deixou de comprovar a materialidade do crédito que pretende ver reconhecido. Com efeito, ainda que tenha ocorrido o reconhecimento judicial do direito ao crédito, o valor a ser ressarcido deverá necessariamente ser liquidado, ou nos autos da ação judicial, ou por via administrativa. Nesta via, por meio do procedimento próprio de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial, cuja existência não foi sequer noticiada nos autos. Por todo o exposto, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido em sua integralidade, votando por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000193/97-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1996
RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INCIDÊNCIA DA SELIC. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO RICARF Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante indeferido.
Aplique-se a taxa Selic apenas sobre a parcela do crédito cujo ressarcimento foi obstado pelo ato estatal e a partir da data de protocolo do pedido do contribuinte.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3301-004.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, os embargos foram acolhidos, com efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1996 RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INCIDÊNCIA DA SELIC. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO RICARF Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante indeferido. Aplique-se a taxa Selic apenas sobre a parcela do crédito cujo ressarcimento foi obstado pelo ato estatal e a partir da data de protocolo do pedido do contribuinte. Embargos Acolhidos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, os embargos foram acolhidos, com efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Renato Vieira de Ávila.
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OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INCIDÊNCIA DA SELIC. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO RICARF Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante indeferido. Apliquese a taxa Selic apenas sobre a parcela do crédito cujo ressarcimento foi obstado pelo ato estatal e a partir da data de protocolo do pedido do contribuinte. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, os embargos foram acolhidos, com efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Renato Vieira de Ávila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 01 93 /9 7- 13 Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 13971.000193/9713 Acórdão n.º 3301004.138 S3C3T1 Fl. 1.009 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI relativo ao período de apuração de 1996, de que trata Lei nº 9.363/96, como ressarcimento das Contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, calculado com base nas aquisições no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação. Na análise do ressarcimento pela DRF de origem, foi emitido despacho decisório de fls. 280 a 281 reconhecendo em parte o direito da recorrente. A impugnação apresentada pela contribuinte contra o despacho decisório que reconheceu parcialmente seu alegado direito creditório foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento em Florianópolis SC, por acórdão que recebeu a seguinte ementa: SOLICITAÇÃO DE RESSARCIMENTO CRÉDITO PRESUMIDO DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI), PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E COFINS. Período. 1996 APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO PIS/COFINS BENEFÍCIO FISCAL. O beneficio fiscal de que trata a Lei n° 9.363/96, restringese as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME) empregados na fabricação de produtos exportados para o exterior, onde tenha havido incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. RECEITA OPERACIONAL BRUTA Para fins de apuração do crédito presumido de IPI, a definição de Receita Operacional Bruta é a prevista no art. 31 da Lei n°8.981, de 1995. RECEITA DE EXPORTAÇÃO O valor das receitas de exportação de produtos não tributados (NT), deve ser excluído do total das exportações na apuração do crédito presumido — IPI. CUSTOS Energia elétrica e serviço de transporte são considerados custos da empresa na apuração do crédito presumido. SOLICITAÇÃO IMPROCEDENTE. Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 13971.000193/9713 Acórdão n.º 3301004.138 S3C3T1 Fl. 1.010 3 Inconformada, interpôs a contribuinte o recurso voluntário de fls. 278/301, no qual, em síntese, repisa suas razões de impugnação e seu direito ao ressarcimento pleiteado. Em sessão de 01 de dezembro de 2004, pela Resolução nº 220200.762, por unanimidade de votos, o julgamento do recurso foi convertido em Diligência para que a autoridade preparadora intimasse a recorrente a esclarecer, detalhadamente, os insumos que efetivamente integram o demonstrativo das aquisições: a) como são eles efetivamente utilizados no processo produtivo da recorrente; b) se eles integram fisicamente o produto final e, em caso negativo, como são consumidos na elaboração do produto acabado; e c) apresente laudo técnico, emitido pela Companhia de Energia competente, definindo a real utilização de energia elétrica no processo produtivo da recorrente, por meio de levantamento, medições e análises de cargas elétricas produtivas e não produtivas. Após receber as respostas dos quesitos acima, em prazo hábil que deverá ser concedido interessada, deve a Fiscalização elaborar relatório de diligência consignando eventuais discrepâncias entre as informações prestadas pela recorrente e o efetivamente verificado no processo produtivo da empresa, sem prejuízo dos esclarecimentos que entender útil ao deslinde da presente contenda. As fls 858/881, está o relatório de diligência elaborado pela Delegacia da Receita Federal em Blumenau SC, cujas conclusões transcrevo: (...) 9 Conclusões Ao apontarmos para a conclusão dos trabalhos, mister se faz que se relembre o seu objetivo, a saber o esclarecimento detalhado, pelo contribuinte, sobre como os insumos que integram o demonstrativo de aquisições são efetivamente utilizados no processo produtivo, e também se estes insumos integram ou não o produto final, sendo que em caso negativo deveria explicar como se consomem na elaboração do produto acabado. Forma o objetivo, também, a apresentação de laudos técnicos emitidos pela Companhia de Energia competente, definindo a real utilização de energia no processo produtivo da empresa. Neste contexto, após todas as intimações e respostas apresentadas pelo contribuinte, apresentaramse as seguintes discrepâncias entre o que o contribuinte considera MatériaPrima, Produto Intermediário e Material de Embalagem e o que foi efetivamente Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 13971.000193/9713 Acórdão n.º 3301004.138 S3C3T1 Fl. 1.011 4 considerado, aos auspícios da legislação do IPI, e em especial o Parecer CST nº65/79. Estas discrepâncias foram detalhadas ao longo deste relatório e estão apresentadas de forma condensada abaixo: Aquisições consideradas pelo contribuinte como Matéria Prima, Produto Intermediário ou Material de Embalagem utilizadas no seu processo produtivo e desconsideradas no curso deste procedimento : De Produtos Utilizados na Criação de Animais Frangos e Suínos (item 5.1) R$ 7.948.192,65 Rações, Med. e Demais Aditivos 5.2) R$ 49.947.781,03 Subtotal : R$ 57.895.973,68 De Produtos Utilizados Não Enquadrados no Conceito de MP, PI ou ME Produtos de Uso ou Consumo (6.1) R$ 12.990.957,98 Produtos Não MP,PI ou ME (6.2) R$ 9.339.062,34 Subtotal : R$ 22.330.020,32 Posteriormente, houve nova diligência para ciência do contribuinte do relatório de diligência. Foi publicado o Acórdão no 3301002.921, em 26/04/2016, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1996 NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. Não há que se cogitar de nulidade quando o acórdão preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no CTN ou Decreto 70.235, de 1972. JULGAMENTO POR DELEGADO SUBSTITUTO. Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 13971.000193/9713 Acórdão n.º 3301004.138 S3C3T1 Fl. 1.012 5 Cabe à recorrente provar que o Delegado substituto não poderia substituir o Delegado titular no julgamento realizado. Inocorrência. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. A elaboração e a exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT) não dão direito ao crédito presumido instituído para compensar o ônus do PIS e da Cofins. Súmula CARF Nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA BRUTA OPERACIONAL. REVENDAS AO EXTERIOR. As receitas de exportação de produtos NT, bem assim as de produtos adquiridos de terceiros e exportados, devem ser excluídas da receita de exportação e da receita operacional bruta para efeito de apuração da proporção entre insumos empregados em produtos exportados e o total dos insumos adquiridos. INFORMAÇÃO INCORRETA DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA. A informação foi coletada pela fiscalização no balancete de verificação apresentado pela própria recorrente, sob intimação. GLOSA DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO DE AVES, SUÍNOS, FUBÁ E SOJA. GLOSA DA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS SOB CFOP 1.12 e 2.12 E DEMAIS INSUMOS. Há discrepâncias entre o que o contribuinte considera Matéria Prima, Produto Intermediário e Material de Embalagem e o que foi efetivamente considerado, aos auspícios da legislação do IPI no relatório de diligência. Devem prevalecer os exatos termos estabelecidos no relatório de diligência. IPI. RESSARCIMENTO. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. A energia elétrica e demais combustíveis consumidos no processo produtivo, não se caracterizam como produtos intermediários e como tal, seu consumo não poder ser incluído no cálculo do Crédito presumido. Súmula CARF Nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. TAXA SELIC. Em se tratando de ressarcimento uma espécie do gênero restituição, a atualização dos créditos está devidamente reconhecida pelas normas legais e administrativas que regem a matéria. Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 13971.000193/9713 Acórdão n.º 3301004.138 S3C3T1 Fl. 1.013 6 Recurso Voluntário Provido em parte. A Fazenda interpôs, tempestivamente, embargos de declaração contra o Acórdão 3301002.921, de 26/04/2016, por suposta omissão desse decisum. A Embargante alega que ocorreu omissão no acórdão recorrido. Os excertos de seus embargos, transcritos a seguir, identificam a omissão suscitada (efolha 1.002) : “Contudo, no voto, não existe fundamentação em relação à Selic. Consta apenas a seguinte observação: “8) Selic: Oposição ilegítima”. Ademais, convém destacar que a e. Turma também não se manifestou sobre Preclusão, pois a contribuinte não solicitou em Recurso Voluntário, a aplicação da Taxa Selic.” O Presidente da 1ª Turma, da 3ª Câmara, da 3ª Seção admitiu os embargos de declaração, por ter constatado omissão na decisão embargada. É o relatório. Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 13971.000193/9713 Acórdão n.º 3301004.138 S3C3T1 Fl. 1.014 7 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Os embargos de declaração podem ser interpostos nas hipóteses previstas no artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, que assim dispõe: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Preliminarmente, a embargante alega que a Turma não se manifestou sobre a preclusão, pois a contribuinte não teria solicitado em Recurso Voluntário, a aplicação da Taxa Selic. Discordo da embargante. Entendo que não há a obrigatoriedade de que a contribuinte solicite a aplicação da Taxa Selic para a correção dos seus créditos. A tese consolidada pelo Superior Tribunal de Justiça e submetida ao rito do artigo 543C, do antigo CPC no REsp 1035847/RS, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009 é que a resistência ilegítima constante de ato estatal, ocasionando a utilização de crédito de IPI sem a devida correção gera enriquecimento sem causa do Fisco. A aplicação de tal entendimento devese exclusivamente ao disposto no art. 62 do RICARF, isto é, em face da decisão proferida pelo STJ ter sido proferida sob a sistemática dos recursos repetitivos. Entendo, portanto, que a aplicação vinculada do entendimento exposto independe de requerimento do contribuinte. No segundo ponto, analisando o acórdão vergastado, constatouse a omissão do julgado, posto que não consta a fundamentação do provimento à atualização pela Selic. Consta do acórdão embargado: 8) Selic: Oposição ilegítima E nada mais foi escrito, estando portanto, evidente a omissão. Entendo que a resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI, decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade, descaracteriza o referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil, sendo legítima a incidência da taxa Selic, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 13971.000193/9713 Acórdão n.º 3301004.138 S3C3T1 Fl. 1.015 8 Entendo também que a atualização dos pedidos de ressarcimento de IPI aplicase também aos processos administrativos iniciados antes da vigência da Lei nº 11.457/2007. Entretanto, há mais dois pontos a serem esclarecidos: a partir de que momento os créditos serão corrigidos e sobre qual montante deverá ser aplicada a correção pela taxa Selic. Em relação ao primeiro ponto, há o entendimento de que seria cabível a incidência da taxa Selic apenas após a data do despacho decisório que denegou o pedido de ressarcimento. Contudo, entendo que deve incidir a correção monetária a partir da data de protocolo do pedido do contribuinte. Em relação à segunda controvérsia, me alinho ao entendimento exposto no voto vencedor do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, proferido no Acórdão da 3ª Turma/CSRF de nº 9303004.163, sessão de 05/07/2016, que aqui transcrevo: O colegiado dissentiu do voto da i. relatora apenas quanto à base para incidência dos juros Selic, tendo sido eu designado para redigir o acórdão quanto a isso. Em seu voto, a relatora propôs que a incidência se desse sobre todo o montante do crédito presumido, citando, inclusive, decisão do STF que a considera devida em caso de demora por parte da Administração tributária. Já a maioria a entendeu aplicável apenas sobre a parcela que não havia sido deferida até o julgamento do recurso. O argumento basilar para aqueles que assim pensaram é que o deferimento aqui reiterado se dá exclusivamente por força do disposto no art. 62 do RICARF, isto é, em face da decisão proferida pelo STJ no Resp 993.164, aliás, citado pela relatora e, este sim, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos. Lá, como se sabe, a justificativa adotada não foi a mera demora por parte da Administração tributária demora que muitas vezes sequer ocorre e em muitos casos decorre de procedimentos da própria interessada mas a existência de ato estatal que impede o deferimento pelas instâncias competentes. Concretamente, aquele julgamento enfrentou a restrição existente na IN SRF 23/97, vinculante, como se sabe, tanto da DRF quanto da DRJ. Não tem guarida, nesta casa, por outro lado, a tese segundo a qual a incidência da selic se daria como mera atualização ou correção monetária, para a qual os tribunais superiores têm entendido dispensável previsão em lei. A taxa selic não é índice de correção monetária, mas juros, e, como tal, sua aplicação sobre qualquer parcela requer, sim, comando legal expresso. E como se sabe, ele só existe no tocante a restituições de tributos recolhidos indevidamente ou a maior, situação que difere dos ressarcimentos previstos em lei, pois neste últimos nenhum tributo foi indevidamente recolhido. Atento a isso e examinando cuidadosamente a decisão do STJ por aplicar, percebese facilmente que sua motivação não permite que se estenda a incidência da taxa Selic aos valores que não foram controvertidos. Com efeito, sobre eles inexiste qualquer ato estatal impeditivo e, por isso mesmo, nada foi mesmo impedido. Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 13971.000193/9713 Acórdão n.º 3301004.138 S3C3T1 Fl. 1.016 9 Ademais, a parcela que é desde o início deferida, isto é, sobre a qual não se instaura divergência entre a Administração e o administrado fica, desde logo, disponível a este último. Destarte, só se justifica mesmo a incidência da Selic sobre a parcela que o contribuinte precisou continuar discutindo administrativamente, visto que as instâncias vinculadas à IN não a poderiam conceder. Com essas considerações, entendo deve ser deferida a aplicação da taxa Selic, e que ela se aplique à parcela do crédito cujo ressarcimento foi obstado pelo ato estatal e a partir da data de protocolo do pedido do contribuinte. Logo, acolho os embargos propostos, com efeitos infringentes, nos termos acima expostos. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 1016DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002638/2003-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2003
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE. PORTARIA MF. SÚMULA CARF 103.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF no 63, de 9/2/2017 (vigente a partir da data de publicação no DOU - 10/02/2017) estabeleceu o limite de alçada para interposição de recurso de ofício como R$ 2.500.000,00, referente a exoneração de pagamento de tributos e encargos de multa.
AUTUAÇÃO. ERROS MATERIAIS. CORREÇÃO.
Devem ser expurgados do lançamento os valores relativos a erros materiais do autuante, suscitados pelas partes e verificados pelo julgador.
Numero da decisão: 3401-004.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em função de não estar superado o atual limite de alçada, na forma estabelecida na Súmula CARF no 103, e em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para acolher como base de cálculo da contribuição, em 02/2003, o valor de R$ 18.584.139,52, e como crédito a descontar, em 04/2003, o valor de R$ 95.163,86, cabendo ainda à autoridade preparadora dar fiel cumprimento ao definitivamente decidido em juízo nos autos do processo judicial movido pela recorrente.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Cássio Schappo (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2003 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE. PORTARIA MF. SÚMULA CARF 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF no 63, de 9/2/2017 (vigente a partir da data de publicação no DOU - 10/02/2017) estabeleceu o limite de alçada para interposição de recurso de ofício como R$ 2.500.000,00, referente a exoneração de pagamento de tributos e encargos de multa. AUTUAÇÃO. ERROS MATERIAIS. CORREÇÃO. Devem ser expurgados do lançamento os valores relativos a erros materiais do autuante, suscitados pelas partes e verificados pelo julgador.
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LIMITE. PORTARIA MF. SÚMULA CARF 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF no 63, de 9/2/2017 (vigente a partir da data de publicação no DOU 10/02/2017) estabeleceu o limite de alçada para interposição de recurso de ofício como R$ 2.500.000,00, referente a exoneração de “pagamento de tributos e encargos de multa”. AUTUAÇÃO. ERROS MATERIAIS. CORREÇÃO. Devem ser expurgados do lançamento os valores relativos a erros materiais do autuante, suscitados pelas partes e verificados pelo julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em função de não estar superado o atual limite de alçada, na forma estabelecida na Súmula CARF no 103, e em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para acolher como base de cálculo da contribuição, em 02/2003, o valor de R$ 18.584.139,52, e como crédito a descontar, em 04/2003, o valor de R$ 95.163,86, cabendo ainda à autoridade preparadora dar fiel cumprimento ao definitivamente decidido em juízo nos autos do processo judicial movido pela recorrente. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 26 38 /2 00 3- 55 Fl. 773DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Cássio Schappo (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 27 a 431, datado de 10/03/2004 (com ciência em 17/03/2004 – fl. 27), para exigência de Contribuição para o PIS/PASEP, referente ao período de fevereiro de 1999 a setembro de 2003, no valor original de R$ 1.367.047,11, acrescido de juros de mora, por diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado. Não foi lançada multa em função de haver concessão de medida judicial (liminar em mandado de segurança) nos autos do processo no 99.00091175. Em 14/04/2004 a empresa apresentou Impugnação (fls. 48 a 53), argumentando, em síntese, que: (a) se o crédito tributário está com exigibilidade suspensa por força de medida judicial, não poderia ter sido efetuado o lançamento, tendo a disposição do artigo 62 do Decreto no 70.235/1972, que trata da matéria, sido alterada somente em 2002, por medida provisória não convertida em lei; (b) não foram considerados os recolhimentos efetuados nos meses de maio/2000 e maio e outubro/2001; e (c) a autuação não considera a nãocumulatividade e os créditos dela decorrentes, nos períodos de 31/12/2002 a 30/09/2003. Pelo despacho de fl. 256, de 11/02/2006, o julgamento foi convertido em diligência pela DRJ, para verificação e esclarecimentos em relação às alegações de que não houve desconto de créditos. A unidade local, em relação à diligência, limitase a intimar o contribuinte a apresentar prova dos créditos e repassar a resposta ao julgador (fl. 284), e a afirmar que os créditos foram descontados dos valores indicados no demonstrativo de apuração da contribuição (fl. 285). A decisão de primeira instância, proferida em 27/07/2007 (fls. 295 a 301) foi, unanimemente, pela procedência parcial do lançamento, sob os fundamentos de que: (a) o lançamento é atividade administrativa vinculada e obrigatória, por força do artigo 142 do Código Tributário Nacional, sendo, no caso, o lançamento para prevenção da decadência, não afrontando o artigo 62 do Decreto no 70.235/1972, em nenhuma de suas redações; (b) os pagamentos efetuados pelo contribuinte (maio/2000 e maio e outubro/2001) devem ser excluídos da autuação; e (c) o lançamento deve ser adequado à legislação que rege a não cumulatividade (de 12/2002 a 09/2003), tomandose em conta os créditos apurados, no Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração. Em função do valor exonerado, houve interposição de recurso de ofício. Após ciência da decisão da DRJ, em 30/08/2007 (AR de fl. 306), a empresa apresentou o Recurso Voluntário de fls. 317 a 323, em 01/10/2007, argumentando que: (a) houve erro do autuante em relação aos períodos de apuração 02/2003 (erro de digitação da base de cálculo) e 04/2003 (erro no valor dos créditos a descontar, desconsiderando DACON retificadora); (b) não deve haver cobrança dos valores lançados para prevenir a decadência; e (c) seja cancelado o lançamento no período de 02/1999 a 11/2002 em caso de procedência da demanda judicial da empresa. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 774DF CARF MF Processo nº 18471.002638/200355 Acórdão n.º 3401004.401 S3C4T1 Fl. 774 3 No CARF, por meio da Resolução no 220100.012, de 06/05/2009 (fls. 382 a 386), o julgamento foi convertido em diligência, para que a repartição de origem verifique: “(a) qual a base de cálculo correta do PA de fev/2003 (R$ 18.684.139,52 ou R$ 18.584.139,52) e; (b) se a contribuinte faz jus aos créditos que pretende utilizar para quitação do crédito tributário referente a abr/2003, que totaliza o montante de R$ 95.163,86.” Por meio do Relatório Fiscal de fls. 611/612, a fiscalização atesta que: (a) a base de cálculo correta é de R$ 18.684.710,43, em fevereiro de 2003, mas que a diferença, de R$ 100.571,31 seria devida a contabilização como receita de aplicações financeiras (Fundo de Investimento FIF BBA ICATU), juntando cópia do razão e de planilhas de acompanhamento; e (b) os valores contabilizados na Ficha 04 foram devidamente descontados e compõem os créditos a descontar. Em 21/03/2012, o julgamento foi novamente convertido em diligência, por unanimidade de votos, pelo Acórdão no 3401000.431, para que a unidade preparadora da RFB respondesse: “(a) qual a base de cálculo correta do PA de fev/2003 (R$ 18.684.139,52 ou R$ 18.584.139,52) e; (b) se a contribuinte faz jus aos créditos que pretende utilizar para quitação do crédito tributário referente a abr/2003, que totalizam o montante de R$ 95.163,86.” No despacho de fls. 623/624, datado de 11/01/2013, a unidade preparadora entendeu que as perguntas já haviam sido respondidas no relatório fiscal resultante da primeira conversão em diligência, e restituiu os autos ao CARF, para avaliação da real necessidade de diligência. Em 05/02/2014 a empresa juntou aos autos informação de que, na ação judicial no 99.00091175 (que rege a discussão para o período de 02/1999 a 11/2002), houve a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, com trânsito em julgado (certidão de objeto e pé às fls. 649 a 651), requerendo o cancelamento do lançamento em relação ao citado período. Em setembro de 2016, o processo foi a mim distribuído, por novo sorteio, visto que o relator original não mais compunha o colegiado. O processo não foi indicado para pauta nos meses novembro e dezembro de 2016, por estarem as sessões suspensas por determinação do CARF. O processo, derradeiramente, não foi indicado para o mês de janeiro de 2017, por ser a pauta mera reprodução da referente ao mês de outubro de 2016, que também teve a sessão suspensa por determinação do CARF. Em fevereiro, março e abril o processo foi indicado para pauta, mas não pautado, em função do excesso de número de processos a julgar. Em maio de 2017, por fim, o processo foi retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. Em julho o processo foi pautado, e retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento, não tendo sido incluído em pauta em agosto por não estar presente o relator, justificadamente, na sessão de julgamento. Em setembro e outubro, o processo foi incluído em pauta e retirado por falta de tempo hábil para julgamento. De volta ao CARF, e não mais compondo o relator original o colegiado, o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, em julho de 2017. Em janeiro de 2018, o processo foi pautado e retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Fl. 775DF CARF MF 4 Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Quanto ao recurso de ofício, percebe se que o valor exonerado a título de principal resulta em um total de crédito tributário exonerado de R$ 788.568,45, conforme tabela abaixo: Valor lançado Valor mantido Valor Exonerado mai/00 140.273,34 3.530,40 136.742,94 mai/01 114.850,48 11.907,94 102.942,54 out/01 94.867,06 2.437,62 92.429,44 dez/02 37.716,52 0,00 37.716,52 jan/03 38.954,16 0,00 38.954,16 fev/03 66.742,80 11.616,22 55.126,58 mar/03 45.518,60 0,00 45.518,60 abr/03 95.163,84 45.579,51 49.584,33 mai/03 57.202,91 0,00 57.202,91 jun/03 43.073,10 0,00 43.073,10 jul/03 44.324,59 0,00 44.324,59 ago/03 42.351,26 0,00 42.351,26 set/03 42.601,48 0,00 42.601,48 TOTAL 863.640,14 75.071,69 788.568,45 Sobre a interposição de recurso de ofício, assim dispõe o Decreto no 70.235/1972, que regula o processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário: “Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda” (...) Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...) Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício.” (grifo nosso) À época em que foi proferida a decisão de piso (27/07/2007), o Ministro da Fazenda fixava, para efeitos do disposto no artigo 34, I, do Decreto no 70.235/1972, o valor de R$ 500.000,00, na Portaria MF no 375/2001. Legítima, assim, em primeira análise, a interposição de recurso de ofício. Fl. 776DF CARF MF Processo nº 18471.002638/200355 Acórdão n.º 3401004.401 S3C4T1 Fl. 775 5 No entanto, dispõe a Súmula CARF no 103, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, que: “Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância”. E, na data de apreciação em segunda instância, já vige o limite fixado na Portaria MF no 63, de 09/02/2017, de R$ 2.500.000,00. Cabe ressaltar na que na primeira data de conversão em diligência (06/05/2009), já era vigente a Portaria MF no 3/2008, que alterou a alçada para R$ 1.000.000,00. Assim, não se deve conhecer do recurso de ofício, em função de não estar superado o atual limite de alçada, na forma estabelecida na Súmula CARF no 103. No recurso voluntário apresentado, percebese que dois dos temas suscitados preliminarmente pela defesa foram acolhidos pelo julgador (abatimento de pagamentos efetuados e tomada de créditos da não cumulatividade) e o terceiro (impossibilidade de lavratura da autuação em função de estará a matéria sendo discutida em juízo) não foi reiterado na peça recursal, que acolhe – a nosso ver, corretamente – a possibilidade de lavratura de autuação para prevenção da decadência, opondose apenas à cobrança imediata. Centrase o recurso voluntário no que alega serem dois erros materiais da autuação (erro de digitação da base de cálculo em 02/2003 e no valor dos créditos a descontar em 04/2003), e na demanda pelo cancelamento do lançamento vinculado à discussão judicial (02/1999 a 11/2002) em caso de procedência da ação proposta em juízo. E, por fim, informa a empresa ter transitado em julgado tal ação em seu favor. No que se refere ao trâmite da ação judicial, deve a unidade preparadora assegurarse de dar integral cumprimento ao decidido em juízo. Em relação às demais matérias questionadas, referentes a eventuais erros materiais, houve conversão em diligência, pela Resolução no 220100.012, de 06/05/2009, para que a unidade informasse qual a base de cálculo correta para o período 02/2003 (a usada na autuação, de R$ 18.684.139,52, ou a informada pela empresa, de R$ 18.584.139,52) e qual o valor do crédito a descontar em 04/2003 (R$ 45.579,51, como consta em DACON original, ou R$ 95.163,86, como consta em DACON retificadora). Deveria a unidade preparadora, objetivamente, responder a dois questionamentos (fl. 385): Buscando atender ao demandado pelo CARF, a fiscalização intimou, então, a empresa a apresentar (fl. 394) planilhas demonstrando a composição da base de cálculo para o mês 02/2003 e planilhas de composição dos créditos utilizados em 04/2003, o que foi atendido às fls. 401 a 406. No que se refere ao mês 02/2003, informou a empresa que o valor de R$ 100.571,31 foi contabilizado como receita de aplicações financeiras, mas não foi considerado na base de cálculo da contribuição em tal mês pelo fato de o ganho representar recuperação de perdas em meses anteriores, o que afirma comprovar com documentação anexa (fls. 411 a 460, e 464 a 610). Fl. 777DF CARF MF 6 No Relatório Fiscal de fls. 611/612, as duas questões ensejadoras da diligência são assim respondidas: Há que se ler com muita atenção o arrazoado da autoridade diligenciante para saber, objetivamente, qual a resposta aos questionamentos, que foi, no mínimo, tímida. Em relação ao primeiro quesito, parece a fiscalização, a priori, ter entendido como incorreta a exclusão da base de cálculo do valor alegadamente referente a receitas financeiras, pois afirmou cabalmente que “...a base de cálculo foi de R$ 18.684.710,43”. No que se refere à segunda indagação, se faz a empresa jus ao crédito, responde a fiscalização que o valor de crédito a ser tomado em 04/2003 é o constante da Ficha 04 (fls. 461 a 469 – numeração não eletrônica), ou seja, R$ 95.163,86. No entanto, a segunda conversão em diligência, a nosso ver, não resulta da timidez na resposta da primeira, mas de equívoco da turma julgadora. Aliás, o equívoco inicial do relator reside em manter em seu voto o excerto referente à apreciação de recurso de ofício em julgamento não definitivo da lide, já que houve a baixa em diligência. Vejase, no resultado do julgamento, que tal matéria (recurso de ofício) não foi julgada pela turma (fl. 614): Fl. 778DF CARF MF Processo nº 18471.002638/200355 Acórdão n.º 3401004.401 S3C4T1 Fl. 776 7 Percebase que o relator da Resolução no 3401000.431, de 21/03/2002, além de sequer fazer menção à primeira diligência (por ele mesmo proposta), que deve lhe ter passado despercebida, nos autos, efetua exatamente os mesmos dois questionamentos anteriormente externados pelo mesmo tribunal administrativo, aproximadamente três anos antes (fl. 618): A unidade preparadora da RFB, evidenciando tal equívoco, devolveu o processo ao CARF, informando, às fls. 623/624, que: Após tal resposta, resta cristalina a solução do segundo questionamento, pelo que deve ser tomado em conta, para desconto de créditos no mês de 04/2003, o valor de R$ 95.163,86, acolhendose, nesse aspecto, o demandado no recurso voluntário. Em relação à base de cálculo de 02/2003 (primeiro questionamento), a resposta à diligência, por certo, não pode resultar em majoração do valor lançado ou de suas bases de cálculo. Aliás, para tal questionamento, sequer era necessária conversão em diligência, a nosso ver, estando a matéria devidamente esclarecida nos autos. Vejase, inicialmente, o que alega a peça recursal (fl. 321): Fl. 779DF CARF MF 8 Comparandose as autuações de Contribuição para o PIS/PASEP (fl. 37, na parte superior) e de COFINS (fl. 347, na parte inferior), referentes ao mesmo período, confirmase a alegação recursal: De fato, ao que parece, efetivamente ocorreu erro de digitação, aqui (na autuação relativa à Contribuição para o PIS/PASEP) ou acolá (no lançamento de COFINS – fl. 347). Mas não é preciso muito esforço para perceber que o erro foi no presente processo. Veja se que a autuação (fl. 28), tem como fundamento a Planilha de Verificação: E, somandose os valores da planilha de verificação (R$ 18.115.614,02 e R$ 468.525,50 – fl. 11), chegase exatamente a R$ 18.584.139,52, e não a R$ 18.684.139,52. Assim, procedentes as razões de defesa também em relação a este tópico. Fl. 780DF CARF MF Processo nº 18471.002638/200355 Acórdão n.º 3401004.401 S3C4T1 Fl. 777 9 Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício, em função de não estar superado o atual limite de alçada, na forma estabelecida na Súmula CARF no 103, e em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para acolher como base de cálculo da contribuição, em 02/2003, o valor de R$ 18.584.139,52, e como crédito a descontar, em 04/2003, o valor de R$ 95.163,86, cabendo ainda à autoridade preparadora dar fiel cumprimento ao definitivamente decidido em juízo nos autos do processo judicial movido pela recorrente. Rosaldo Trevisan Fl. 781DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.721137/2015-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. Conforme se verifica nos presentes autos, o Contribuinte comprovou parte dos rendimentos lançados pela fiscalização, devendo ser assim, excluídos referidos valores da base de cálculo da infração.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DO CONTRIBUINTE.
Aplica-se o disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional, quando se demonstra que a origem do recurso decorre de transferência entre contas de mesma titularidade, não havendo dúvidas sobre a impossibilidade de tributação.
PROCEDIMENTO FISCAL.
A autoridade autuante procedeu de acordo com a legislação de regência da matéria, possibilitando à interessada, por meio de intimações, manifestar-se no curso da ação fiscal para fins de acolhimento de suas alegações, não havendo que se falar em irregularidade no procedimento administrativo que implique nulidade.
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. ILEGALIDADE INEXISTENTE.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de Janeiro de 2001.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF nº 38)
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO.
Para os tributos lançados por homologação, quando constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que poderia ter sido lançado, por força do art. 173, I, do CTN.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE.
A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
Numero da decisão: 2401-005.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares, afastar a decadência e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada o montante de R$ 1.175.524,00, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. Conforme se verifica nos presentes autos, o Contribuinte comprovou parte dos rendimentos lançados pela fiscalização, devendo ser assim, excluídos referidos valores da base de cálculo da infração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DO CONTRIBUINTE. Aplica-se o disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional, quando se demonstra que a origem do recurso decorre de transferência entre contas de mesma titularidade, não havendo dúvidas sobre a impossibilidade de tributação. PROCEDIMENTO FISCAL. A autoridade autuante procedeu de acordo com a legislação de regência da matéria, possibilitando à interessada, por meio de intimações, manifestar-se no curso da ação fiscal para fins de acolhimento de suas alegações, não havendo que se falar em irregularidade no procedimento administrativo que implique nulidade. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. ILEGALIDADE INEXISTENTE. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de Janeiro de 2001. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF nº 38) DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Para os tributos lançados por homologação, quando constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que poderia ter sido lançado, por força do art. 173, I, do CTN. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 46; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1861; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13609.721137/201599 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.150 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de dezembro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE Recorrente DONISETE GERALDO LEITE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. Conforme se verifica nos presentes autos, o Contribuinte comprovou parte dos rendimentos lançados pela fiscalização, devendo ser assim, excluídos referidos valores da base de cálculo da infração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DO CONTRIBUINTE. Aplicase o disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional, quando se demonstra que a origem do recurso decorre de transferência entre contas de mesma titularidade, não havendo dúvidas sobre a impossibilidade de tributação. PROCEDIMENTO FISCAL. A autoridade autuante procedeu de acordo com a legislação de regência da matéria, possibilitando à interessada, por meio de intimações, manifestarse no curso da ação fiscal para fins de acolhimento de suas alegações, não havendo que se falar em irregularidade no procedimento administrativo que implique nulidade. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. ILEGALIDADE INEXISTENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 11 37 /2 01 5- 99 Fl. 526DF CARF MF 2 O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de Janeiro de 2001. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF nº 38) DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Para os tributos lançados por homologação, quando constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que poderia ter sido lançado, por força do art. 173, I, do CTN. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 527DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 3 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares, afastar a decadência e, no mérito, darlhe parcial provimento para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada o montante de R$ 1.175.524,00, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 528DF CARF MF 4 Relatório Cuidam os presentes autos de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, fls. 195/200, relativo ao anocalendário de 2010, exercício de 2011, para formalização de exigência e cobrança de imposto suplementar no valor total de R$ 15.794.167,56, incluindo multa de ofício e juros de mora. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 196), que o lançamento é decorrente da omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada. Para melhor compreensão da matéria, cumpre transcrever trecho do Relatório Fiscal nos seguintes termos: II – Do histórico da fiscalização 2. Tratase de procedimento fiscal cujo objeto consiste em verificar a compatibilidade entre a movimentação financeira efetuada pelo contribuinte, no anocalendário 2010, e os rendimentos informados na declaração de imposto de renda pessoa física – DIRPF nesse período. 3. O procedimento iniciouse com o TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL (doc 1), cuja ciência via postal ocorreu em 31.03.2014, ocasião em que o contribuinte foi intimado a apresentar, em síntese, os seguintes documentos/informações: 2. Documentos/informações a serem apresentados: 2.1 Extratos bancários de contacorrente, aplicações financeiras e cadernetas de poupança, referente a todas as contas mantidas, inclusive de titularidade do cônjuge e outros dependentes, em instituições financeiras situadas no Brasil e no exterior. Devem ser apresentados, inclusive, os extratos das contas nas seguintes instituições financeiras: BANCO DO BRASIL SA, CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, ITAÚ UNIBANCO SA, BANCO BRADESCO SA, COOPERATIVA DE CRÉDITO DE SÃO ROQUE DE MINAS LTDA, BANCO SANTANDER BRASIL SA. 2. Em 17.04.2014, contribuinte solicita prorrogação do prazo em 30 (trinta) dias; deferida. (doc 2) 3. Em 16.05.2014 o contribuinte é cientificado do TERMO DE CIÊNCIA DE CONTINUIDADE DE PROCEDIMENTO FISCAL (doc 3) e, em resposta (doc 4) ao Termo de Início, informa que “deixa de apresentar os extratos bancários, entendendo que o caminho correto para solicitação passa pela devida autorização do Poder Judiciário, Fl. 529DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 4 5 inclusive conforme já decidido pelo Excelso Supremo Tribunal Federal.” 4. Em 03.06.2014, ante a não apresentação das informações bancárias solicitadas, com fundamento no art. 6º da Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, arts. 2º, §5º; 3º, incisos VII e XI e 4º do Decreto 3.724, de 10 de janeiro de 2001, lavramos relatório circunstanciado para fins de solicitação de emissão de Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira – RMF. (doc 5) 5. Em 05.06.2014, expedida Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira – RMF. (doc 5.1) 6. Em 08.07.2014 e 25.08.2014 ciência via postal do TERMO DE CIÊNCIA DE CONTINUIDADE DE PROCEDIMENTO FISCAL. (doc 6 e 6.2) 7. Em 24.09.2014, ciência via postal do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL 18.09.2014, em que o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos valores depositados/creditados nas contas bancárias que especifica, cujos extratos foram apresentados à Fiscalização pelas instituições financeiras em atendimento às RMF's expedidas (doc 7). Vejase: 2. Após solicitação de prorrogação de prazo de 30 dias, em 17.04.2014, o sujeito passivo, em 16.05.2014, informou que “deixa de apresentar os extratos bancários, entendendo que o caminho correto para solicitação passa pela devida autorização do Poder Judiciário, inclusive conforme já decidido pelo Excelso Supremo Tribunal Federal.” 3. Ante a negativa na apresentação dos extratos bancários foram expedidas Requisições de Movimentações Financeiras – RMF's com fundamento no art. 6º da Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, arts. 2º, §5º, 3º, incisos VII e XI e 4º do Decreto 3.724, de 10 de janeiro de 2001. 4. Em decorrência das RMF's obtivemos extratos bancários das seguintes contascorrentes/investimentos/bancos: Fl. 530DF CARF MF 6 5. O art. 42 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 estabelece que caracterizamse omissão de rendimento os valores creditados em conta bancárias cujo titular regularmente intimado não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Estabelece ainda que na hipótese de contas mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos dos titulares tenham sido apresentadas em separado, o que é caso, na hipótese de não comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos pela quantidade de titulares. Verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; [...] § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou Fl. 531DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 5 7 receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Grifamos) 6. Ante o exposto, com base nos mandamentos legais citados acima, fica o sujeito passivo intimado a comprovar, no prazo de 20 (vinte) dias, a origem dos valores relacionados no Anexo 1, parte integrante deste Termo, depositados/creditados nas contas bancárias que especifica, cujos extratos foram apresentados a esta Fiscalização pelas instituições financeiras em atendimento às RMF's expedidas. 7. Cumpre esclarecer que comprovar a origem dos depósitos ou créditos não se restringe à identificação de quem efetuou o depósito ou crédito, mas sim identificar, mediante documentação hábil e idônea, a natureza da operação que deu causa ao depósito/crédito. 8. Portanto, na hipótese de não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos referentes aos valores elencados no Anexo 1 deste Termo, restará caracterizada omissão de rendimento. 9. Em relação às transferências de outras contas do sujeito passivo – seja como 1º ou 2º titular – não foram considerados os valores cuja transferência restou comprovada mediante a conciliação bancária, vale dizer, onde foi possível identificar o débito e o crédito, com coincidência de valores e datas, nas contas do sujeito passivo (art. 42, §3º, I). Por outro lado, a despeito de constar no histórico de algumas operações “transferência entre contas”, não as localizamos mediante a conciliação bancária; com efeito, a origem dos valores a que se referem tais operações também deverá ser comprovada mediante documentação hábil e idônea. 10. Tendo em vista a existência de contas mantidas em conjunto com outros titulares, os cotitulares também serão intimados a comprovar a origem dos recursos nos termos do §6 art. 42 da Lei 9430/96 citado acima. 8. Tendo em vista a existência de contas mantidas em conjunto com outros titulares, os cotitulares, Letícia Costa Oliveira Leite e Maria Lúcia Leite, foram intimados, em 24.09.2014, a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados nas contas bancárias que especifica nos termos do §6 art. 42 da Lei 9430/96. (doc's 8 e 9) Fl. 532DF CARF MF 8 9. Em 17.10.2014 o contribuinte, bem como os demais cotitulares solicitaram dilação do prazo de 30 (trinta) dias para apresentar a documentação solicitada; deferida. (doc's 7.2, 8.2, 9.2) 10. Em 10.11.2014 e 29.12.2014, ciência via postal de TERMO DE CIÊNCIA DE CONTINUIDADE DE PROCEDIMENTO FISCAL. (doc's 10 e 11) 11. Em 13.02.2015, o titular e os cotitulares foram reiterados a comprovar a origem dos valores depositados/creditados nas contas bancárias que especifica, cujos extratos foram apresentados à Fiscalização pelas instituições financeiras em atendimento às RMF's expedidas. (doc's 12, 13, 14) 12. Em 06.04.2015, em resposta ao Termo de Intimação (reiteração), o titular e os cotitulares não apresentam documentação comprobatória da origem dos valores depositados/creditados e argumentam que “o sigilo de dados do contribuinte está protegido pela cláusula inserta no artigo 5°, inciso XII, da Constituição, sendo vedada à Receita Federal sua quebra sem prévia ordem judicial.” (doc's 12.2, 13.2, 14.2) 13. Em 15.05.2015, iniciado procedimento fiscal em face das cotitulares Letícia da Costa Oliveira Leite e Maria Lúcia Leite, nos termos do §6º do art. 42 da Lei 9430/96. (doc's 17 e 18) 14. Em 28.04.2015, 24.06.2015 e 11.08.2015 ciência via postal de TERMO DE CIÊNCIA DE CONTINUIDADE DE PROCEDIMENTO FISCAL. (doc's 15, 16 e 19). 15. Esse o histórico da fiscalização. III – Da expedição de Requisição de Movimentação Financeira – RMF 16. Conforme relatado no histórico da fiscalização, o sujeito passivo foi intimado a apresentar os “extratos bancários de contacorrente, aplicações financeiras e cadernetas de poupança, referente a todas as contas mantidas, inclusive de titularidade do cônjuge e outros dependentes, em instituições financeiras situadas no Brasil e no exterior. Após solicitação de prorrogação de prazo de 30 dias, o contribuinte limitouse a informar que “deixa de apresentar os extratos bancários, entendendo que o caminho correto para solicitação passa pela devida autorização do Poder Judiciário, inclusive conforme já decidido pelo Excelso Supremo Tribunal Federal.” 17. Ante a negativa na apresentação dos extratos bancários, com base no relatório circunstanciado (doc 5) foram expedidas Requisições de Movimentações Financeiras – RMF's com fundamento no art. 6º da Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, arts. 2º, §5º, 3º, incisos VII e XI e 4º do Decreto 3.724, de 10 de janeiro de 2001. 18. Em decorrência das RMF's obtivemos extratos bancários das seguintes contascorrentes/ investimentos/bancos (doc's 5.1, 5.2, 5.3, 5.4, 5.5, 5.6, 5.7, 5.8): Fl. 533DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 6 9 [..] IV – Das infrações apuradas 19. O artigo 42 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações da Lei n. 9481, de 13 de agosto de 1997, estabelece que se caracterizam omissão de rendimento os valores creditados em conta bancárias cujo titular regularmente intimado não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Estabelece ainda que na hipótese de contas mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos dos titulares tenham sido apresentadas em separado, o que é o caso, na hipótese de não comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos pela quantidade de titulares. Vejase: LEI Nº 9.430/96 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Fl. 534DF CARF MF 10 § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (grifamos) LEI Nº 9.481/97 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. 20. De posse dos extratos apresentados pelas instituições financeiras em face da expedição de RMF, o sujeito passivo e os cotitulares foram devidamente intimados em 24.09.2014 (doc's 7, 8 e 9) e reintimados em 13.02.2015 (doc's 12, 13 e 14) a comprovar a origem do crédito. 21. Acerca da comprovação da origem dos recursos, em relação às transferências entre contas do sujeito passivo – seja como 1º ou 2º titular – não foram considerados os valores cuja transferência restou comprovada mediante a conciliação bancária, vale dizer, onde foi possível identificar o débito e o crédito com o mesmo valor e data próxima, nas contas do sujeito passivo (art. 42, §3º, I). 22. Cumpre esclarecer que constam de alguns extratos bancários históricos – "TRANSF ENTRE AGENC DINH DONISETE GERALDO LEITE", "TRANSF ENTRE AGENC DINH LETICIA DA COSTA OLIVEIRA","TRANSF ENTRE AG CHQ/DINH O PROPRIO FAVORECIDO" – cujas movimentações poderiam indicar, aparentemente, transferências entre contas de mesma titularidade e, portanto, deveriam ser excluídas dos valores tributáveis. Entretanto, conforme Anexo 2 (doc 21.2) deste Termo, verificamos tratarse de valores depositados pelo titular/cotitular em sua conta; porém, em outra agência, daí a nomenclatura “transferência entre agência”. Portanto, para que tais movimentações fossem excluídas dos rendimentos tributáveis, o contribuinte deveria ter comprovado não se Fl. 535DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 7 11 tratar de rendimento tributável, o que não o fez em nenhuma oportunidade em que foi intimado para tal. 23. Salientamos ainda nos Termos de Intimação que comprovar a origem do crédito não significa simplesmente demonstrar quem fez o depósito, mas, também, identificar a natureza da operação que deu causa ao crédito, para se determinar, com certeza, se os valores são ou não rendimentos tributáveis, uma vez que a lei dispõe que, caso se comprove a origem, deve se verificar se os valores tributáveis foram oferecidos ou não a tributação. Caso contrário, não sendo possível determinar a natureza dos valores depositados, estes são considerados rendimentos omitidos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada. 24. Em resposta lavrada em 06.04.2015, o titular e o(s) cotitular (es) argumentaram, em síntese, a inconstitucionalidade da transferência do sigilo de dados para a Receita Federal, vejase (doc 12.2, 13.2 e 14.2): […] o Plenário do E. Supremo Tribunal Federal veio a decidir, nos autos do RE n° 389.808/PR, em Acórdão publicado aos 10/05/2011, o sigilo de dados do contribuinte está protegido pela cláusula inserta no artigo 5°, inciso XII, da Constituição, sendo vedada à Receita Federal sua quebra sem prévia ordem judicial. Confirase, a propósito, a Ementa do Acórdão em referência, na Relatoria do eminente Ministro MARCO AURÉLIO do STF: ‘SIGILO DE DADOS AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5o da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma lesai atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte.’ (STF, Plenário, RE n° 389.808/PR, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 15/12/2010, DJe de 10/05/2011; destacouse e grifou se). Registrese, ainda, que de acordo com o artigo 62, parágrafo único, inciso I, da Portaria do Ministério da Fazenda MF n° 256, de 22 de Junho de 2009 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e dá outras providências), É DE RIGOR A APLICAÇÃO DO Fl. 536DF CARF MF 12 ENTENDIMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL AO CASO DOS AUTOS, MESMO QUE NA ESFERA ADMINISTRATIVA: ‘Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal;’ (destacouse e grifouse) 25. Em relação ao RE n° 389.808/PR citado pelo sujeito passivo, oportuno esclarecer que, nos termos do art. 191 da Lei nº 10.522/2002 (alterada pela Lei nº 12.844/2013), a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) somente não constituirá créditos tributários relativos às matérias cujas decisões judiciais desfavoráveis à Fazenda Nacional tenham sido proferidas em sede de Recursos Extraordinários com Repercussão Geral (STF) ou em Recursos Especiais Repetitivos (STJ), após expressa manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). 26. Tendo em vista que decisão proferida nos autos do Recurso Extraordinário – RE 389.808/PR – cujo centro da discussão é a transferência do sigilo bancário para Receita Federal, conforme disposto na Lei Complementar 105/2001 e no Decreto 3.724/2001 – não foi submetida ao rito da repercussão geral, não há que se falar em vinculação da RFB aos efeitos daquela decisão. 27. Já no tocante ao art. 62, parágrafo único, inciso I, da Portaria do Ministério da Fazenda – MF n° 256, de 22 de Junho de 2009 – Regimento Interno do CARF, que foi substituída pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, mas manteve o entendimento acerca da matéria em análise, entendese por decisão definitiva, as quais deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, somente aquelas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B (repercussão geral) e 543C (recurso especial repetitivo) da Lei nº 5.869, de 1973 – Código de Processo Civil (CPC), vejase: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 537DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 8 13 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (grifei) 28. Verificase, pois, que o CARF também não está vinculado aos efeitos da decisão proferida nos autos do RE 389808/PR uma vez que este não foi julgado sob o rito da Repercussão Geral. Tanto que há súmulas vinculantes naquele Conselho Administrativo que versam sobre o tema, vejase: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010 Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010 Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010 29. Ante o exposto, considerando que o contribuinte não está sob o amparo da decisão proferida nos autos do RE 389808/PR; considerando que não há decisão em sede de recurso extraordinário com repercussão geral ou recurso especial repetitivo que versa sobre a matéria desses autos; e considerando que o contribuinte não apresentou documentação para comprovar a origem dos valores depositados nas contas que especifica, fazse necessário o lançamento de ofício nos termos do artigo 42 da Lei n. 9.430/96. Fl. 538DF CARF MF 14 30. Abaixo os valores sujeitos a lançamentos de ofício, consolidados por mês, cujo detalhamento encontrase no Anexo 1 (doc. 21.1), parte integrante deste Termo. 31. Em relação às contas abaixo mantidas em conjunto, tendo em vista a apresentação de declaração de rendimentos em separado, e considerando que não houve comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos foi imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos pela quantidade de titulares, nos termos do §6º do art. 42 da Lei 9430/96. Devidamente cientificado, o Interessado apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 254/291), alegando, resumidamente, o que segue: III.1 AUSÊNCIA DE BUSCA DA VERDADE MATERIAL PARA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOBSERVÂNCIA AO DEVER CONSTITUCIONAL DE INVESTIGAÇÃO E PROVA DA REALIZAÇÃO DO SUPORTE FÁTICO TRIBUTÁRIO. Primeiramente, enfatizese que o procedimento administrativo de lançamento, no caso em comento consubstanciado no auto de infração ora combatido, deve ter como objetivo a busca da verdade material, devendo esta ser demonstrada e provada objetivamente, à luz dos rigores do devido processo legal. Nesse sentido, a verdade material deve ser objeto de prova realizada pela autoridade administrativa, sendo este dever completamente Fl. 539DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 9 15 inerente à atividade administrativa de aplicação da lei tributária vislumbrada no lançamento. Tais constatações podem ser extraídas do próprio conceito de lançamento tributário, conforme se analisa: (...) Art. 142 do CTN – fls. 258 O lançamento é atividade completamente vinculada e, em decorrência do princípio da legalidade, deve constituir fundamentada e motivadamente o crédito tributário. Nesse sentido, a demonstração objetiva da realização do suporte fático tributário constitui o dever da fiscalização, que se não for observado tornará sem validade a atuação fiscal perpetrada. É nesse sentido que não há que se falar que verificados supostos indícios ou presunções que indicam fatos tributáveis (EXTRATOS BANCÁRIOS), haveria, a transferência do ônus da prova para o contribuinte, para que fizesse a demonstração e justificação dessas presunções. Em primeiro lugar porque o estado não te o ônus de provar a ocorrência dos suportes fáticos que desencadearam a sua ação, mas sim o dever jurídico de prova. Nas precisas, palavras do tributarista e professor da USP HELENILSON CUNHA PONTES, observase que é impossível qualquer inversão/flexibilização do ônus da prova quando se trata de lançamento tributário eis que é inerente à atividade vinculada do Estado, a demonstração cabal e objetiva das premissas fáticas que pretende ver tributada: (...) fls. 259 No caso em comento o Fisco Federal não cuidou de buscar a verdade material dos fatos, furtandose em cumprir o dever de prova das premissas que fundamentariam a exigência fiscal ora Impugnada. O que fez a fiscalização foi apenas se valer de extratos bancários do contribuinte como se todos os dados nele inseridos representassem disponibilidade econômica ao Impugnante, constituindose fato gerador do imposto de renda. Não houve, portanto a demonstração, como é dever inerente à atividade fiscalizatória, da base de incidência do tributo. O Fisco Federal deveria ter provado e demonstrado prova objetivamente que pudesse funcionar como o suporte fático da ocorrência do fato gerador que se pretende tributar. Não há nos autos qualquer demonstração de prova nesse sentido, revelandose, apenas meros indícios e presunções calcados em depósitos bancários cuja Fl. 540DF CARF MF 16 origem supostamente não foi comprovada, que certamente são imprestáveis a sustentar a atividade fiscal. Tanto é verdade que, mesmo em casos em que a própria Autoridade Lançadora admite dúvida, entendeu por bem em considerar determinadas linhas dos extratos bancários do Impugnante como receitas tributáveis, contrariando diretamente o que determina o art. 112, do CTN. Isso em casos em que se tratavam de TRANSFERÊNClAS ENTRE CONTAS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE, que evidentemente jamais poderiam ser consideradas, como acréscimo patrimonial por sua própria natureza (tratamse de meras transferências). Este é apenas um exemplo da, concessa vênia, arbitrariedade da autuação por omissão de receitas baseada apenas em depósitos bancários. É exatamente em razão dessa assertiva que não houve a observância ao dever constitucional de investigação e prova e ainda houve a desconsideração da busca pela verdade material dos fatos, pretendendose tributar apenas com base em indícios, presunções e ficções. De outro lado, e ainda apegado a ausência do cumprimento do dever de prova e investigação preterido pelo ilustre fiscal responsável pela autuação em comento, registrese que nem se pode alegar que caberia ao contribuinte o ônus de desfazer as presunções e indícios apontados pela Fiscalização, para desmontar a autuação em comento como pretendeu o Ente Tributante, exigindo a comprovação da origem dos depósitos bancários identificados cuja origem teria sido não comprovada. É que a Impugnante não pode concordar com a sistemática adotada pelo Fisco Federal, sendo que, a partir do momento que discordou do lançamento e questionou a presunção utilizada pela Administração Pública, não se pode falar em inversão do ônus da prova. Uma vez mais se diga que não se trata de ônus do Fisco, que poderia ser invertido, mas sim DEVER CONSTITUCIONAL DE PROVA, que não comporta qualquer inversão ou flexibilização. O lançamento fiscal com base em presunções e indícios, somente poderia prevalecer (admitindose tal possibilidade apenas por apego ao debate!) se o Impugnante não tivesse instaurado o contencioso administrativo, impugnando o Auto de Infração. Nos valemos da lição do mestre Geraldo Ataliba, sobre A questão do ônus da prova, Confirase: (...) fls. 261 Já Paulo Bonilha leciona que: (...) fls. 261 Assim, não há que se falar em inversão do ônus da prova, cabendo ao contribuinte, por exemplo, comprovar e demonstrar como foi feita sua movimentação financeira, devendo a Administração produzir provas Fl. 541DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 10 17 acerca da ocorrência fática da evento descrito no fato jurídico, não só na esfera administrativa, mas também na judicial. Ora, exigir de um contribuinte pessoa física que dê conta de forma esmiuçada de toda origem detalhada de seus depósitos bancários em período que remete a 5 anos atrás é medida que extrapola até os limites da razoabilidade. Isso além de configurar, sem qualquer sombra de dúvida, violação ao sigilo bancário, o que somente poderia ocorrer mediante autorização do Poder Judiciário, nos exatos termos de nossa Carta Política. Conforme tem reconhecido o próprio Colendo Conselho de Contribuintes, o Código de Processo Civil deve ser subsidiariamente empregado na seara administrativofiscal, devendo ser aplicado no caso o art. 333, I, do diploma processual, que determina expressamente: (...) fls. 261 Ora, é inquestionável que o fato constitutivo do direito de lançamento do fisco federal decorre do suposto auferimento de receitas não declaradas, sendo que a ele incumbe o ônus probatório (já demonstrado acima não tratarse de ônus e sim de dever de prova) e, digase de passagem, essa prova deve ser robusta, capaz de demonstrar cabalmente que ocorreu entrada de receita nos cofres do impugnante não levada à tributação. Neste diapasão, mister invocar a doutrina do eminente processualista, Professor Humberto Theodoro Júnior, no que se refere ao ônus da prova: (...) fls. 262 O Termo de Verificação Fiscal indica que era do contribuinte a obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários identificados, sendo que a simples falta dessas informações constituiria tais depósitos como base de incidência "automática" do tributo. Tal argumento somente comprova o fato de que fora utilizada mera presunção para fundamentar o lançamento fiscal, entendendo a Autoridade Administrativa que o ônus da prova seria do contribuinte, que deveria demonstrar a origem e destinação dos recursos financeiros apontados no Auto de Infração Todavia, não há que se falar que o fato do Impugnante ter sido intimado a demonstrar as justificativas para as movimentações em suas contascorrentes comprovaria suposta omissão de receitas, ensejando o procedimento utilizado pela fiscalização. Isso porque o ônus da prova (MAIS QUE ISSO: O DEVER CONSTITUCIONAL DE PROVA!) nesse caso é do Fisco, sendo que tanto o art. 330, I, do CPC, quanto a Jurisprudência do Conselho de Contribuintes são incisivos nesse sentido. Fl. 542DF CARF MF 18 A utilização da presunção como fundamento para a lavratura de autos de infração deve ser utilizada com extrema cautela pelo Fisco, sendo que quando o contribuinte questiona especificamente esse método, cabe à Autoridade Administrativa o ônus (DEVER) de comprovar a eficácia de sua autuação. Nos casos de abuso da utilização das presunções, há um nítido comprometimento quanto à legalidade e segurança na instância, administrativa. Sobre essa questão, o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda vem se pronunciando e reconhecendo a imprestabilidade de lançamentos que não trazem os mínimos elementos de segurança necessários a demonstrar e embasar o fato nele presumido pela fiscalização. Vejase, por exemplo, acórdão nº 10706.229, de 22.03.2001, que é claro ao concluir que: (...) fls. 263 Exatamente, na mesma linha, também decidiu a Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no acórdão nº 10330.41(de 29.01.2001), ao afastar uma tributação levada a efeito com fundamento na chamada “auditoria de produção". Diz a ementa da referida decisão: (...) fls. 263 Por fim, importante repisar que a exigência do crédito tributário em comento é propriamente lançamento tributário, devendo obedecer não só os requisitos formais destinados aos atos administrativos em geral, como também os requisitos descritos no art. 142 do Código Tributário Nacional, específicos para a constituição do crédito tributário In casu, o Auto de Infração tem a natureza jurídica de lançamento tributário (de ofício), devido ao fato de que exige o recolhimento do IRPF, tendo em vista suposta omissão de receitas. Nesse caso, conforme mencionado, devese observar integralmente todos os requisitos formais desse ato administrativo estritamente vinculado. Ainda nas palavras de HeleniIson Cunha Pontes a questão pode ser assim resumida: (...) fls. 264 Diante disso, (i) como nos autos não pôde ser comprovado inequivocamente a pretendida omissão de receitas indicadas pela fiscalização, (ii) deixando esta última de fazer a busca pela verdade material dos fatos e cumprir o dever objetivo de prova e investigação das premissas fáticas que dariam ensejo à autuação, (iii) sendo o presunção realizada pelo Fisco calcada apenas em depósitos bancários, insuficiente para conferir ao crédito tributário a certeza e a liquidez necessárias, deve a presente Impugnação ser provida para cancelar o Auto de Infração ora combatido. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 11 19 III.1.1 Autuação em Afronta ao Dever de Prova – Consideração de Indícios e Presunções – Afronta à Capacidade Contributiva do Impugnante. A exigência tributária, seguindo comando inserto na Constituição de 1988, deve observar a capacidade econômica do contribuinte, de tal forma que não seja subtraído do patrimônio particular parcela superior a possibilidade do sujeito passivo. Isso para garantir eficácia aos princípios da igualdade também da nãoconfiscatoriedade. A tributação, portanto, deve limitarse às identificações de real capacidade contributiva do contribuinte, sendo que qualquer exigência fiscal que não observe a efetiva manifestação de riqueza em consonância com a hipótese de incidência expressamente prevista em lei, importará em afronta à capacidade contributiva, resultando em atividade confiscatória por parte do Estado. Se a autoridade Fiscal imputa ao contribuinte autuação despida de qualquer prova objetiva que identifique a ocorrência do fato gerador, na forma como previamente determinada pela lei, considerando apenas meros indícios ou presunções, a exigência fiscal não estará pautada pelo princípio da capacidade contributiva, afrontando gravemente o principio constitucional. O tributarista Roque Antônio Carraza arremata com clareza a questão: (...) fls. 265 É nesse sentido que no caso em tela, tendo sido inobservado o dever de prova inerente ao lançamento tributário, não cuidando a fiscalização de provar objetivamente a ocorrência fática das premissas que justificariam a ação desencadeada, outra conclusão não se pode delinear senão que a tributação se efetivou com base em presunções, indícios e ficções, o que não pode ser tolerado dentro do Estado Democrático de Direito, especialmente à luz do princípio da capacidade contributiva. O auto de infração em comento, exatamente em razão de não ter provado objetivamente (DEVER DE PROVA!) a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, incorreu em tributação que desconsiderou a capacidade econômica do contribuinte, eis que o imposto incidiu sobre fatos que não exibem conteúdo econômico, sobretudo fatos que não são alcançados pelo imposto de renda. O mesmo autor acima citado impõe a conclusão, discorrendo especificamente sobre o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica: (...) fls. 266 Fl. 544DF CARF MF 20 Portanto, considerando que no caso em comento houve tributação desvinculada da limitação imposta pela princípio da capacidade contributiva eis que ausente qualquer prova cabal construída pela Fiscalização que sustente a ocorrência fática da hipótese de incidência do imposto de renda pessoa jurídica, a autuação também merece ser cancelada por inconstitucionalidade da exigência fiscal atacada. III.2 – DO POSICIONAMENTO DO EXCELSO STF SOBRE A IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO DIRETAMENTE PELO FISCO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Conforme constante do próprio Termo de Verificação Fiscal que acompanha o Auto de Infração, o Contribuinte deixou de apresentar seus extratos bancários e informações sobre suas contas em razão do entendimento de que para tanto, seria imprescindível que o Fisco obtivesse autorização judicial, tendo em vista que o sigilo bancário é expressamente resguardado por nossa Constituição Federal. Inclusive, o posicionamento do Impugnante e corroborado pela própria jurisprudência do excelso Supremo Tribunal Federal, conforme se verifica abaixo: (...) fls. 267 Esclarecese que não se defende um direito absoluto ao sigilo bancário, mas apenas que a própria Carta Política submeteu essa questão expressamente ao crivo do Poder Judiciário, sendo inafastável sua autorização, o que não foi realizado no presente caso. Ademais, o TVF ressalta que não há vinculação da decisão do STF citada acima ao Impugnante. Ora, é bem verdade que não há realmente qualquer causa legal que vincule obrigatoriamente a decisão acima ao presente caso. Todavia, estamos tratando de manifestação da Corte Suprema do país que certamente possui enorme peso na tomada de decisão dos julgadores administrativos, norteando o julgamento. De fato, até mesmo em homenagem aos princípios da eficiência (art. 37 da CF/88) e da celeridade, não há qualquer sentido em se insistir em uma exigência tributária cujos fundamentos já foram, afastados pela mais alta corte da Nação. Dessa forma, tendo em vista a jurisprudência do STF, que corrobora a tese do contribuinte, não há dúvidas sobre a necessidade jurídica de cancelamento do presente AI. III.3 – DA DECADÊNCIA DE PARTE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXIGIDO Conforme se passa a demonstrar no presente tópico da Impugnação, não pairam dúvidas sobre a decadência de parte do crédito tributário Fl. 545DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 12 21 exigido, eis que não é dado ao Fisco constituir em outubro de 2015 (a notificação do lançamento se concretizou em 02.10.2015) créditos tributários que tenham fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a setembro de 2010, ou seja, com lapso temporal superior a 05 (cinco) anos contados do fato gerador. Primeiramente, cabe ressaltar que a autuação em questão visa exigir do Impugnante o recolhimento IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física) e seus acréscimos legais, tributo sujeito ao lançamento por homologação, em que os contribuintes são responsáveis por levantar os fatos tributáveis, apurar o tributo devido e antecipar seu pagamento, sob a condição resolutória da ulterior homologação pelo ente tributante competente. Dessa forma, é aplicável a regra da decadência contida no art. 150, § 4º, do CTN. Segundo o dispositivo legal supramencionado, a Fazenda Pública tem o prazo de 05 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para realizar a homologação do tributo apurado e antecipado pelo contribuinte. Após decorrido esse prazo, sem manifestação do ente público, considerase homologado o pagamento e definitivamente extinto o crédito tributário. Desta forma, a disciplina, em se tratando de prazo decadencial para tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não reside no art. 173, inciso I, do CTN, mas sim no art. 150, § 4º, do CTN, conforme adverte a mais abalizada doutrina pátria, dentre os quais Sacha Calmon Navarro Coelho, Ives Gandra da Silva Martins, Hugo do Brito Machado e Misabel Abreu Machado Derzi. (...) fls. 269 Não há que se falar que, em casos como o presente, a regra do art. 150, § 4o do CTN deve ser “deslocada" para a do art. 173, inciso l, desse diploma legal em razão de que se trataria de lançamento de ofício e não de lançamento por homologação. Tal interpretação, além de se basear em premissa completamente equivocada, ou seja, a de que se homologaria apenas o pagamento e não todas as diligências realizados pelo contribuinte, simplesmente tornaria inútil o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional Ademais, cumpre ressaltar que HOUVE ATIVIDADE DE APURAÇÃO E ANTECIPAÇÃO DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NO PERÍODO, inclusive com a entrega das respectivas declarações ao Fisco, de forma que existiu matéria a homologar, fato que também afasta a tese de que não havendo recolhimento (inexistindo procedimentos a homologar) o prazo decadencial recairia no art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 546DF CARF MF 22 Exatamente nesse sentido é o posicionamento do Colendo Superior Tribunal de Justiça no Resp. nº 973733/SC, julgado sob a sistemática dos "recursos repetitivos"' art. 543C. do CPC que, portanto, tem aplicação obrigatória ao Processo AdministrativoFiscal, nos termos do art 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF. Cumpre esclarecer que a jurisprudência pacífica do CARF já vem adotando o entendimento do STJ, inclusive no tocante à contribuições previdenciárias, como se verifica através do seguinte julgado, dentre muitos outros: (...) art. 270 Importa salientar, ainda, que o imposto de renda, conforme sua matriz constitucional, bem como em razão da construção de sua regramatriz de incidência tributária trabalhada pela Legislação complementar (CTN), tem como aspecto material (o cerne de seu fato gerador) a aquisição da disponibilidade jurídica ou econômica de renda, sendo esta caracterizada mediante a verificação de acréscimo patrimonial. Não há dúvidas, portanto, que verificada a aquisição de renda ocorre imediatamente o fato gerador do imposto. É exatamente este o momento em que surge a obrigação do contribuinte para com o EstadoArrecadador, segundo a matriz constitucional do imposto. No presente caso, considerandose como possível a autuação simplesmente com base em depósitos bancários (o que se admite apenas para argumentar), o Fisco CONSEGUIU identificar claramente os momentos de aquisição dessa "disponibilidade econômica de renda”. Confirase tabela retirada do próprio AI: (...) fls. 271 Ora, tendo sido claramente identificados os períodos de aquisição da renda, resta evidente que se conhece o momento da ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda em questão (caso realmente pudesse prevalecer a presunção fiscal), sendo inequívoco que é este momento que deve ser levado em consideração para fins de contagem do prazo decadencial a que alude o art. 150, parág 4º, do CTN. Inclusive, cumpre salientar que o citado art. 150, parág. 4º, do CTN impõe como marco inicial a data de ocorrência do fato gerador, o que, no presente caso, corresponde exatamente aos períodos da tabela acima, identificados no próprio Auto de Infração. O Impugnante não desconhece as questões envolvendo o que se chama de “fato gerador complexivo ou composto" e que seriam aplicáveis ao IRPF. Todavia, o que se defende é que referidas questões somente são atinentes à apuração e arrecadação do tributo (relacionadas, inclusive com o ajuste do exercício), em homenagem à praticidade fiscal. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 13 23 A verdade é que tais considerações em nada alteram o arquétipo constitucional do Imposto de Renda e o fato de que seu fato gerador ocorre efetivamente com a aquisição da disponibilidade de renda. É justamente esse o momento a ser considerado para fins dc contagem do prazo decadencial. Ora, resta evidente que a sistemática dc recolhimento do tributo juridicamente não deve influenciar seu prazo decadencial, sendo que este se baseia na regramatriz de incidência, enquanto o recolhimento pode ser livremente disciplinado pelo legislador ordinário. Ressaltase que, nos termos do art. 146, inciso III, alíneas "a" e "B", da Constituição, cabe a lei complementar estabelecer regras gerais em matéria de fatos geradores dos impostos e de decadência tributária. O CTN, exercendo o papel de Lei Complementar, disciplinou o fato gerador do IR como sendo a aquisição da disponibilidade de renda, bem como o do início do prazo decadencial como o da ocorrência do fato gerador, sendo inequívoco que são esses os regramentos aplicáveis in casu. Se a legislação ordinária previu a forma de apuração e arrecadação do IRPF diferentemente do que foi determinado em lei complementar, tal previsto em nada implica na contagem do prazo decadencial do referido Imposto. Por fim, salientase que a jurisprudência pacífica do CARF também já definiu, inclusive em súmula, o que deve ser considerado como "antecipação de pagamento" para fins de aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4° do CTN. Nesse sentido, o tribunal administrativo entendeu que o recolhimento, ainda que parcial, dos tributos é considerado antecipação de pagamento, MESMO QUE AS RUBRICAS ESPECÍFICAS EXIGIDAS NO AUTO DE INFRAÇÃO NÃO TENHAM SIDO INCLUÍDAS EM SUAS BASES DE CÁLCULO. Referida situação é exatamente o que ocorre no presente caso, ou seja, caso realmente os depósitos sejam considerados como renda tributável (o que se admite apenas para argumentar), a verdade é que a Impugnante não incluiu tais valores na base de cálculo do IR (até mesmo por não considerálos como renda). Todavia, todo o restante das receitas efetivamente tributáveis não deixou de ser declarado e recolhido, o que, inquestionavelmente, atrai a aplicação do supracitado art. 150, § 4º do CTN. Dessa, forma, não restam dúvidas de que ocorreu o decurso do prazo para a realização do lançamento relativo ao crédito tributário no período de janeiro/2010 a setembro/2010, razão pela qual deve ser Fl. 548DF CARF MF 24 acolhida esta preliminar de DECADÊNCIA, para o fim de extinguir a exigência fiscal nesse interregno. IV – DO MÉRITO IV.1. – DA IMPOSSIBILIDADE DA AUTUAÇÃO FISCAL COM BASE EM EXTRATOS BANCÁRIOS – AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO INEQUÍVOCA DA DISPONIBILIDADE ECONÔMICA DE RENDA E PROVENTOS. De outro lado, da leitura do relatório fiscal se depreende que a autuação fundamentouse exclusivamente na suposta ausência de comprovação da origem de receitas creditadas nas contas bancárias do Contribuinte. Entretanto, o lançamento em debate não merece prosperar, eis que a autuação de contribuintes unicamente com base em extratos bancários não é cabível, tendo em vista que os dados constantes nesses documentos NUNCA serão capazes de caracterizar, com a necessária certeza, a disponibilidade econômica de renda e proventos. Nessa linha de entendimento, decidiu a 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: (...) fls. 274 No mesmo sentido são os Acórdãos nos 10193.056/00, 10244.195/00, 10417.493/00, 10419.268, do Primeiro Conselho de Contribuintes, e Acórdãos nos 0102.931/00, 0102.932/00, 01 02.741/99, 01 02.780/99, 0102.704/99 e 0102.670/99, da Câmara Superior de Recursos Fiscais daquele Órgão. Assim, a disponibilidade de dados relativos a movimentações bancárias ocorridas em determinado período não autoriza o Fisco a exigir o imposto incidente sobre a renda, justamente porque tais informações não guardam relação direta com a disponibilidade econômica de renda e de proventos. A autuação e imposição de severas penalidades com base em meras presunções (movimentação financeira) afrontam o ordenamento jurídico estabelecido, emergindo clara e cristalina a necessidade de a fiscalização comprove suas suspeitas, abandonando a posição de tributar por indícios não suficientemente investigados, ilações despropositadas e presunções, com flagrante arbitrariedade e '"excesso de exação” (art. 316, § 1º, do Código Penal). Ocorre que a fiscalização, em momento algum, diligenciou no sentido de tentar comprovar que os depósitos creditados na conta da Impugnante seriam efetivamente considerados como receita. Além da constatação de créditos ocorridos nas contascorrentes do Impugnante, haveria necessidade de comprovação do nexo causal entre eles e o fato que representasse efetiva omissão de receitas para Fl. 549DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 14 25 que pudesse ser aplicado o arbitramento e o lançamento fiscal fosse considerado procedente. Conforme restou demonstrado, somente foram constatadas as movimentações financeiras não se atendo o Fisco em comprovar o citado nexo de causalidade, sendo obrigatoriamente dele essa função. Desse modo, seguindo a orientação do próprio Conselho de Contribuintes, não há como considerar subsistente o Auto de Infração questionado. Vejamos: (...) fls. 276 Esse entendimento foi confirmado pela Câmara Superior de Recursos, como exemplifica o Acórdão CSRF/0102.741 (DOU de 06.12.2000). sintetizado na seguinte ementa: (...) fls. 276 Exatamente sobre o tema, o ilustre exMinistro do Supremo Tribunal Federal Carlos Mário da Silva Velloso, Com a propriedade que lhe é peculiar, assevera que: (...) fls. 277 Desse modo, também por essa razão, merece ser cancelada a exigência fiscal em comento eis que pautouse, equivocadamente, na movimentação financeira do Impugnante, deixando, no entanto, de demonstrar que os créditos em contacorrente apurados importariam em omissão de receitas tributáveis, dever de prova que certamente lhe incumbe como titular do ato administrativo do lançamento tributário. IV.1.1 DA AUSÊNCIA DE AQUISIÇÃO DA DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA DE RENDA OU PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA – INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA Em primeiro lugar, mister ressaltar que é o art. 153, inciso III, da Constituição de 1988 que instituí a competência impositiva à União Federal para a instituição do Imposto de Renda. Em seu turno, seguindo os ditames do art. 146 de nossa Carta Política, o Código Tributário Nacional, recepcionado com o status de lei complementar nesse tocante, traçou as normas gerais sobre o Imposto de Renda, definindo, em seu art. 43, as hipóteses de incidência desse imposto. Vejamos: (...) fls. 278 Fl. 550DF CARF MF 26 Dessa forma, resta inequívoco que o tributo não Incide sobre qualquer tipo de "ganho" ou "vantagem" que a pessoa (física ou jurídica) possa auferir, mas somente sobre aqueles que se caracterizarem como renda ou provento de qualquer natureza. Não há controvérsia, ainda, que se a Constituição Federal e a Lei Complementar (CTN) que regem a matéria disciplinam que somente a aquisição ou disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza é tributada pelo Imposto de Renda, não pode lei ordinária (ou legislação hierarquicamente inferior) dispor de forma diferente. Nem mesmo o Código Tributário Nacional poderia dar conceito de renda e proventos uma conotação ou denotação transbordantes do sentido admissível na intelecção normal e daqueles demarcados constitucionalmente. Caso não fosse observado o fato de que as significações das normas jurídicas de hierarquia inferior devem adequarse ao conceito de "renda” e "proventos" presentes no Texto Supremo, os preceptivos constitucionais teriam valência nula. Confirase, nesse sentido a lição do eminente Professor Celso Ribeiro de Bastos citada na obra de Roberto Quiroga Mosquera, in verbis: (...) fls. 279 Não há que se falar, portanto, na possibilidade de o Regulamento do Imposto de Renda alargar os conceitos de renda e provemos para o fim de aumentar espectro das hipóteses de incidência do IR. Isso quer dizer que somente o acúmulo de renda ou proventos constitucionalmente delimitados pode ser legalmente tributado em nosso ordenamento jurídico pelo citado imposto. Diante desse quadro, importante tecer algumas considerações sobre o conceito de renda e proventos a fim de determinar se meros depósitos em contacorrente podem ser considerados como fato gerador do Imposto de Renda. A doutrina pacificou o entendimento que a renda representa sempre um excedente ou mesmo um acréscimo patrimonial provenientes dos frutos de um patrimônio (capital, trabalho ou a combinação de ambos), com a qual não se confunde. A eminente tributarista Misabel Abreu Machado Derzi, ao comentar as lições do mestre Aliomar Baleeiro sobre o imposto ora analisado, ponderou que renda: (...) fls. 279/280 E continua a suprareferida autora: (...) fls. 280 Fl. 551DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 15 27 Resta claro, então, que apesar de complexa, o conceito de renda e proventos não pode ser dissociado da idéia de acréscimo patrimonial, fato que inocorre no caso do Auto de Infração combatido. Assim, resta inequívoco que a mera constatação de depósitos nas contas bancárias do Impugnante não podem ser considerados, em um maior aprofundamento, como renda, portanto passíveis da incidência do IRPF. Somente os depósitos que efetivamente acarretarem acréscimo patrimonial seriam tributáveis. Nos termos mencionados acima, a hipótese, de incidência do IR é aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos, somente sendo observada quando ocorre acréscimo patrimonial dos contribuintes, não podendo se afirmar que a mera existência de dinheiro em contacorrente possa ser passível da incidência do referido imposto federal, não encontrando tal fato respaldo no Código Tributário Nacional ou na própria Carta Magna. É impossível vislumbrar se, legalmente, a possibilidade do Ente Tributante determinar a incidência do IR e compelir, por conseguinte, o Impugnante ao adimplemento da obrigação tributária em casos como o presente. Desse modo, tendo em vista que a mera existência de depósitos em contas bancárias não representa, por si só, acréscimo patrimonial, não caracterizando aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos, não ocorre o fato gerador do Imposto de Renda no presente caso, sendo completamente indevida a exigência desse tributo. IV.1.2 Da Posição do Excelso STF Sujeição da Matéria à Sistemática da Repercussão Geral Cumpre salientar que a discussão sobre a possibilidade ou não da utilização de depósitos judiciais para caracterização de omissão de receitas foi recepcionada pelo Excelso Supremo Tribunal Federal sob a modalidade de "repercussão geral", conforme se verifica da ementa abaixo: (...) fls. 281/282 Dessa forma, ainda que V. Sas. entendam por bem em não acatar as razões acima, mantendo o lançamento que tem com fundamento apenas os extratos bancários do contribuinte, o que se admite apenas para argumentar, fato é que a última palavra sobre a questão será proferida pelo E. STF, com força vinculante ao presente processo administrativo Fiscal, nos termos do art. 62, inciso II, "b”, do atual RICARF (Portaria MF nº 343/2015). Fl. 552DF CARF MF 28 IV.2. DA COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES QUE DEMONSTRAM A INEXISTÊNCIA DE AUFERIMENTO DE RECEITAS OMITIDAS E DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS APONTADOS COMO NÃO COMPROVADOS – DA INTEGRAL REGULARIDADE FISCAL DO IMPUGNANTE. Ainda que ultrapassadas as alegações acima desenvolvidas que, por si só, fulminam a exigência fiscal em epígrafe, fato é caso se entenda necessária pela necessidade do contribuinte realizar a comprovação da origem dos depósitos efetuados nas contas correntes do Impugnante, que definitivamente não ensejaram qualquer tipo de receita omitida que deva ser oferecida à tributação, ainda assim a exigência fiscal em epígrafe deverá ser julgada insubsistente ante a inexistência de qualquer fato omitido ou não tributado envolvendo o contribuinte ora Impugnante. Ocorre, todavia, que o montante apontado pelo Fisco Federal como fato gerador dos tributos ora exigidos, não merece prosperar a exigência fiscal em comento, pois que o contribuinte, ainda que não seja sua obrigação, demonstra que as operações realizadas com pessoas físicas que efetuaram depósitos nas contas correntes titularizadas pelo Impugnante envolviam relações dc mútuo regularmente estabelecidas com tais pessoas, o que demonstra a ausência de qualquer fato gerador do IRPF ora exigido. Importante observar que durante a ação fiscal o contribuinte continuou diligenciando junto a sua contabilidade bem como junto as pessoas físicas com as quais estabeleceu as operações noticiadas (repitase, ainda que esse ônus não fosse seu) e conseguiu reunir documentação suficiente para demonstrar as alegações realizadas e comprovar a inexistência de fatos tributáveis omitidos ao Fisco Federal, senão vejamos. IV.2.1. Das operações de mútuo realizadas Da comprovação da origem dos depósitos realizados nas contas correntes vinculados aos contratos de mútuo Conforme já noticiado durante a ação fiscal, o contribuinte estabeleceu durante o anocalendário de 2010 diversas operações de mútuo com pessoas físicas, nas quais em algumas oportunidades figurou como mutuante e em outras oportunidades como mutuário. Depois de muito diligenciar em seus arquivos e também perante as próprias pessoas físicas mencionadas, o contribuinte localizou os contratos de mútuo firmados à época dos fatos, que dão conta de demonstrar que muitos dos depósitos apontados pelo Fisco Federal como sendo de origem não comprovada ou ainda como receita auferida pelo contribuinte e omitida à tributação cabível, se referem, na verdade, as operações de mútuo realizadas com tais pessoas. Ora, os documentos em anexo comprovam inequivocamente a origem dos recursos decorrentes dos contratos de mútuo neles representados, sendo que basta se verificar que eles correspondem exatamente aos valores constantes dos extratos bancários respectivos, inclusive como Fl. 553DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 16 29 indicado em cada planilha separada por Credor juntada à presente Impugnação. Cumpre esclarecer, por exemplo, que apenas os mútuos realizados entre o Impugnante e os Srs. Marcos Soares Rezende e Aureliano das Graças Oliveira beiram a quantia de R$ 1.300.000.00 (um milhão e trezentos mil reais), o que corrobora o entendimento da ausência de certeza e liquidez do suposto crédito tributário pretendido pela d. Fiscalização. As operações de mútuo, como não poderia deixar de ser, na mesma linha do que defendido acima, NÃO IMPLICAM EM ACRÉSCIMO PATRIMONIAL daquele que recebe as quantias pactuadas (até mesmo porque necessita devolvêlas), de forma que não há que se falar em incidência do IRPF, inclusive conforme reconhecido pela jurisprudência do CARF: (...) fls. 284 Na verdade, as operações de mútuo ora comprovadas, são exemplos claros do motivo pelo qual não se pode defender como juridicamente válido um lançamento por omissão de receitas calcado apenas em depósitos bancários. Em outras palavras, os documentos em anexo, mais do que comprovar a origem das operações específicas nele tratadas, reforçam a tese de que o lançamento como um todo deve ser cancelado. IV.3 – DA IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DO IMPUGNANTE Além da existência de diversas operações de mútuo que inequivocamente elidem a presunção de omissão de receitas constante do Auto de Infração, fato é que a d. Fiscalização utilizou o expediente de incluir na base de cálculo do tributo supostamente devido valores relativos a transferência entre contas do próprio Impugnante, corroborando o fato de que é completamente indevido o lançamento calcado apenas em depósitos judiciais. Ora, ainda que fosse possível a manutenção do lançamento calcado apenas em depósitos judiciais, o que se admite apenas para argumentar, fato é que a transferência entre contas do próprio Impugnante jamais pode ser considerada para fins de apuração do crédito tributário, tendo em vista que (i) além de não se tratar de riqueza nova (ocorreu apenas uma transferência), (ii) há evidente incidência em duplicidade sobre exatamente o mesmo valor, ou seja, quando considerado em uma conta e depois, quando transferido para outra conta do Impugnante. Fl. 554DF CARF MF 30 Dessa forma, caso prevaleça a lógica da autuação, o que se acata apenas para debate, não há dúvidas sobre a necessidade de exclusão das transferências entre contas do próprio Impugnante (Anexo 2 do AI ) , eis que, ao contrário do defendido no TVF, elas efetivamente não podem ser consideradas como novos valores, sendo que sua inclusão implica em exigência em duplicidade do tributo. V – DA INAPLICABILIDADE DAS MULTAS DA FORMA COMO PRETENDIDO PELO FISCO Antes mesmo de se adentrar na impossibilidade da aplicação das multas da forma como constante do lançamento, cumpre esclarecer que como inocorre o fato gerador do IRPF, na verdade não há que se falar em qualquer penalidade. No entanto, na eventual possibilidade de se prevalecer a tese da incidência do IRPF no caso em comento (o que se admite apenas para argumentar), resta claro que a penalidade não pode prevalecer no, concessa venia, absurdo patamar exigido. Senão vejase. V.1 – DA INFRIGÊNCIA AOS PRINCÍPIOS DA VEDAÇÃO AO CONFISCO E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA Data venia, mesmo havendo previsão legal, ditas sanções caracterizam a negação do princípio milenar da gradação da penalidade, isto é, a penalidade deve ser medida, levandose sempre em conta, a natureza e as circunstâncias da falta cometida. É pacífico, na doutrina e na jurisprudência, que os Limites ao Poder de Tributar são verdadeiros direitos e garantias fundamentais do contribuinte, caracterizandose como “cláusulas pétreas" em nossa Constituição, até mesmo porque decorrem de princípios insculpidos no art. 5º da Carta Política. Dentre esses limites, podemos citar proibição do confisco (o Princípio do NãoConfisco), instituído através do inciso IV, art. 150 da Carta Política. Segundo o mencionado dispositivo, a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal são proibidos de utilizar tributos com efeito de confisco. Assim, tem entendido os constitucionalistas e tributaristas que o primado, além de dever ser interpretado de forma ampla, por ser direito e garantia individual, visa proteger o patrimônio do contribuinte, não havendo sentido em não englobar também as multas e contribuições. Ademais, cobrar uma multa exorbitante em função de algum tributo, nada mais estaria se fazendo do que utilizar esse tributo de maneira confiscatória, mesmo que indiretamente. Desse modo, nada mais confiscatório do que a aplicação de multa referente a 75% de todo o imposto supostamente devido, e o que é pior, em caso em que não há que se falar em dolo. Ora, ilustres julgadores, se exigir uma multa tributária, ou seja, em razão do descumprimento de obrigações relacionadas à tributos, no Fl. 555DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 17 31 importe de 75% do valor da operação não é utilizar esse tributo com efeito de confisco, nada mais será. A doutrina do professor Sacha Calmon Navarro Coelho, é no sentido de: (...) fls. 286 Ademais, o art. 145, § 1º, de nossa Carta Política é claro, manifestandose expressamente que a autoridade administrativa deve respeitar o princípio da capacidade contributiva quando da apuração e exigência de tributos e contribuições. Deste modo, cabe a autoridade administrativa respeitar a capacidade contributiva do contribuinte, cabendo a este questionar os critérios adotados para o efetivo cumprimento desse dispositivo. Resta evidente, portanto, que a aplicação de multa não pode violar o princípio do Não confisco e é obrigada a observar a Capacidade Contributiva do Impugnante, devendo ser decotada do Auto de Infração, isso na impensável hipótese do tributo ser realmente considerado devido. V.2 – DA INFRINGÊNCIA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE/RAZOABILIDADE Não obstante, em homenagem ao princípio da eventualidade, vem o Recorrente combater a exigência de multa isolada, porque é excessivamente onerosa, desproporcional e, portanto, flagrantemente ofensiva aos princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade. Tradicionalmente, os atos legislativos e administrativos sujeitavamse exclusivamente ao controle de legalidade. Pouco a pouco, a partir do momento em que a Constituição deixou de ser mero repositório de normas pragmáticas para assumir densidade e normatividade jurídica, afastandose da doutrina clássica da separação dos Poderes, a jurisprudência passou a admitir que os atos do Poder Público possam ser contrastados também em sua razoabilidade (ou proporcionalidade), domínio até então infenso à apreciação judicial. Não se cuida de vedar a discricionariedade que permeia a atividade pública nem de transferila para os tribunais judiciais ou administrativos, mas apenas e tão somente impedir que na sua prática sejam cometidos excessos que maculam a Constituição, Luiz Roberto Barroso assim define o princípio constitucional da razoabilidade diz: (...) fls. 288 Fl. 556DF CARF MF 32 Ao prescrever o que vem a ser os tais elementos objetivos que permitem dizer se o ato do Poder Público é ou não razoável afirma que são eles: a adequação entre o fim perseguido e o instrumento empregado; a exigibilidade e/ou necessidade da medida; e a proporcionalidade em sentido estrito. No caso versado, conforme se vê no Auto de Infração, as multas correspondem a grande parte do Auto de Infração, ou seja, chegando a valores superiores ao próprio principal. Vale dizer, em termos econômicos, o imposto, fonte de arrecadação e fim último da tributação, transformase em acessório e o acessório em principal, o que vem demonstrar a grave ofensa ao princípio da razoabilidade (ou proporcionalidade), tendo em vista a desproporcionalidade entre os fins e o meio. Fato é que a penalidade não pode se transformar, em termos econômicos, na fonte principal de arrecadação, substituindo neste objetivo a obrigação principal, que é o pagamento do tributo. Essa subversão de objetivos fica clara no Auto de Infração ora impugnado. Há verdadeira subversão entre os fins e os meios e, embora legal, a exigência de multa isolada nestes patamares fere o princípio da razoabilidade, porque há inadequação, desproporcionalidade, entre o quantum das multas aplicadas e o quantum do imposto cujo recebimento se busca viabilizar através do Auto de Infração ora combatido. O Excelso Supremo Tribunal Federal, já repudiou multas que inconstitucionalmente deixam de cumprir suas funções educativas e repressivas para apropriarse do patrimônio do contribuinte, fato que além de infringir a Princípio da Proporcionalidade/Razoabilidade, acaba por violar também o primado que veda a utilização do Sistema Tributário Nacional com o fim de expurgar o patrimônio do contribuinte, conforme mencionado acima. Confirase: (...) fls. 290 Dessa forma, na hipótese de não prevalecer a improcedência do AI, requer a supressão da multa ou sua redução para o patamar mínimo. VI – DOS EQUÍVOCOS NO ARROLAMENTO DE BENS A douta Fiscalização procedeu no Arrolamento de Bens relacionado ao crédito tributário em comento, nos termos dos arts. 64 e 64A, da Lei nº 9.532/97 e do art. 2º da Instrução Normativa RFB 1.565/2015. Todavia, incluiu nesse arrolamento BENS QUE NÃO MAIS SÃO DE PROPRIEDADE DO IMPUGNANTE, o que evidentemente não pode prevalecer. Alguns dos imóveis arrolados não mais pertencem à pessoa física do Impugnante, mas foram integralizados em empresas de participações antes do arrolamento, de forma que não poderiam ser arroladas em nome do Autuado. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 18 33 De fato, as quotas de suas empresas de participação também foram arroladas, sendo este o procedimento correto observandose a titularidade dos bens. Dessa forma, não há dúvidas sobre a necessidade de se retirar do Arrolamento de Bens aqueles bens que não são de propriedade do Impugnante. VII – DO PEDIDO Por todo exposto, requer a Impugnante que seja recebida e provida a presente Impugnação julgandose improcedente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração ora combatido e determinando de pronto o seu trancamento, sendo a Autuada exonerada dos gravames decorrentes do litígio, pelo acolhimento das preliminares ou pela apreciação das razões de mérito, em especial a jurisprudência pacificada pelo c. STF (RE n° 389.808/PR). Alternativamente, caso não entenda possível o cancelamento do Auto de Infração, o que se admite apenas para argumentar, que seja determinada a retirada da multa ou sua redução ao menor patamar legalmente possível, tendo em vista as razões ora esboçadas. Requer, ainda, que sejam retirados do Arrolamento de Bens e Direitos realizado em decorrência do presente Auto de Infração todos os bens que à época do Arrolamento não mais eram de propriedade do Impugnante. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0836.531 da 1ª Turma da DRJ/FOR, às fls. 375/416, julgando improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de Fl. 558DF CARF MF 34 provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO. MÚTUO. A alegação da existência de empréstimo realizado com terceiro deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários para o mutuário, não bastando a simples apresentação de contrato sem registro. PROVA. CONTRATO PARTICULAR SEM REGISTRO PÚBLICO. O contrato particular, sem o devido registro público, não pode ser oposto a terceiros e, muito menos, ao Fisco, sem o subsídio de elementos concretos que comprovem a movimentação financeira resultante da transação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA Dada sua natureza complexiva, o fato gerador do imposto de renda da pessoa física, que abarca, em regra, a universalidade das rendas auferidas ao longo do anocalendário, incluídos os rendimentos omitidos, caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano. Descabida a argüição de decadência mensal. DIREITO TRIBUTÁRIO. VERDADE MATERIAL Embora estimulada, a busca da verdade material em Direito Tributário não é absoluta, haja vista que a legislação específica contém condições e pressupostos que limitam a possibilidade de alcançar esse objetivo. INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E AO PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. Os princípios constitucionais tributários são endereçados aos legisladores e devem ser observados na elaboração das leis tributárias. Logo, na esfera administrativa não cabe a discussão de ilegalidade ou inconstitucionalidade de legislação vigente. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. AUSÊNCIA. O Princípio da Vedação ao Confisco previsto na Constituição Federal é dirigido ao legislador, cabendo à Autoridade Fiscal somente a aplicação da multa de ofício, nos moldes da legislação de regência. A esfera competente para decidir sobre ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei é a judiciária, devendo o interessado recorrer a esta para tratar de tal questão, não cabendo ao julgador administrativo emitir qualquer juízo de valor acerca da razoabilidade ou da proporcionalidade do valor de multa aplicada nos termos de lei plenamente vigente. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. Não cabe a discussão de ilegalidade ou inconstitucionalidade de legislação vigente, na esfera administrativa. JURISPRUDÊNCIAS E DOUTRINAS. EXTENSÃO. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 19 35 As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela, objeto da decisão e a mais respeitável doutrina, ainda que dos mais consagrados tributaristas, não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo. ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. CONTESTAÇÃO EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO DE LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento administrativo da impugnação ao lançamento de ofício destina se à solução do litígio concernente ao crédito tributário, não comportando contestação ao arrolamento de bens e direitos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 425/480, reprisando os mesmos argumentos já lançados em sua peça de impugnação, a saber: a) Preliminarmente: que houve indevida inversão do ônus da prova; pela impossibilidade de quebra de sigilo bancário diretamente pelo fisco no caso específico dos autos; pela decadência de parte do crédito tributário exigido; b) Mérito: inocorrência do fato gerador do Imposto de Renda ante a ausência de aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza; que houve comprovação das operações que demonstram a inexistência de auferimento de receitas omitidas e da comprovação da origem dos depósitos apontados como não comprovados – Operações de Mútuo; pela impossibilidade de tributação das operações de transferência entre contas do recorrente (transferência entre contas do mesmo titular). É o relatório. Fl. 560DF CARF MF 36 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 28/06/2016 conforme tela às fls. 422, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 28/07/2016 (fl. 424), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES 2.1 – Dos depósitos bancários. O Recorrente, afirma que o procedimento administrativo de lançamento, no caso em comento consubstanciado no auto de infração ora combatido, deve ter como objetivo a busca da verdade material, devendo esta ser demonstrada e provada objetivamente, à luz dos rigores do devido processo legal. Com amparo no artigo 142 do CTN, sustenta que “NÃO há que se falar que verificados supostos indícios ou presunções que indicam fatos tributáveis (EXTRATOS BANCÁRIOS), haveria a transferência do ônus da prova para o contribuinte, para que fizesse a demonstração e justificação dessas presunções”. Ao final, defende que “(i) como nos autos não pôde ser comprovado inequivocamente a pretendida omissão de receitas indicadas pela fiscalização, (ii) deixando esta última de fazer a busca pela verdade material dos fatos e cumprir o dever objetivo de prova e investigação das premissas fáticas que dariam ensejo à autuação, (iii) sendo a presunção realizada pelo Fisco calcada apenas em depósitos bancários, insuficiente para conferir ao crédito tributário a certeza e a liquidez necessárias, deve o presente Recurso ser provido para reformar o v. acórdão recorrido e, consequentemente, cancelar o Auto de Infração ora combatido.” Entretanto, razão não lhe assiste. Salientese de imediato que não cabem mais questionamentos quanto à possibilidade de formalização da exigência com base em extratos bancários. Tal entendimento já foi superado desde o advento da Lei nº 9.430/96 que estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. A propósito, confirase: IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. 1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira. Por outro lado, o consequente Fl. 561DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 20 37 normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. 2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. Recurso Voluntário Negado. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2402005.592, Rel. Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, Sessão 19/01/2017) Vejase que é pacífico o entendimento deste Conselho no sentido de que “a presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Ademais, tendo sido o auto de infração lavrado por autoridade competente, observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário, e não demonstrado óbice ao pleno exercício do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. Portanto, a alegação de que em regra cabe ao Fisco comprovar as suas alegações, não merece acolhida. 3. Da quebra de sigilo bancário O Recorrente sustenta que Administração Tributária não pode, por si, exigir do contribuinte ou de terceiros a prestação de informações que representem a quebra de seu sigilo bancário, seja antes da edição da Lei Complementar nº 105/01, ou mesmo posterior à adição da referida lei. Desse modo, defende que é vedado à Administração, sem qualquer razoabilidade, exigir ou obter junto a terceiros, informações que dizem respeito à intimidade do contribuinte. Só o Judiciário, em procedimento fiscal regularmente instaurado e subscrito, pode eximir as instituições do dever de segredo. Interessante à solução do caso repisar a sucessão de eventos que justificam o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal quanto à Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira. O procedimento iniciouse com o TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL (fls. 02/03), cuja ciência via postal ocorreu em 31.03.2014, ocasião em que o contribuinte foi intimado a apresentar, em síntese, os seguintes documentos/informações: [...] 2. Documentos/informações a serem apresentados: Fl. 562DF CARF MF 38 2.1 Extratos bancários de contacorrente, aplicações financeiras e cadernetas de poupança, referente a todas as contas mantidas, inclusive de titularidade do cônjuge e outros dependentes, em instituições financeiras situadas no Brasil e no exterior. Devem ser apresentados, inclusive, os extratos das contas nas seguintes instituições financeiras: BANCO DO BRASIL SA, CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, ITAÚ UNIBANCO SA, BANCO BRADESCO SA, COOPERATIVA DE CRÉDITO DE SÃO ROQUE DE MINAS LTDA, BANCO SANTANDER BRASIL SA. [...] Em 17.04.2014, contribuinte solicita prorrogação do prazo em 30 (trinta) dias; deferida. (fls. 07/08) Em 16.05.2014 o contribuinte é cientificado do TERMO DE CIÊNCIA DE CONTINUIDADE DE PROCEDIMENTO FISCAL (fls. 09/10) e, em resposta (fls. 11/15) ao Termo de Início, informa que “deixa de apresentar os extratos bancários, entendendo que o caminho correto para solicitação passa pela devida autorização do Poder Judiciário, inclusive conforme já decidido pelo Excelso Supremo Tribunal Federal.” Em 03.06.2014, ante a não apresentação das informações bancárias solicitadas, com fundamento no art. 6º da Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, arts. 2º, §5º; 3º, incisos VII e XI e 4º do Decreto 3.724, de 10 de janeiro de 2001, a Fiscalização lavrou o relatório circunstanciado para fins de solicitação de emissão de Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira – RMF. (fls. 17/23) Em 05.06.2014, expedida Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira – RMF. (fl. 24) No caso dos autos, a questão levantada no recurso se refere à legalidade do procedimento adotado na requisição administrativa de informações bancárias diretamente às instituições financeiras, ante a recusa da apresentação dos extratos do cartão de crédito pelo Recorrente. Segundo entendimento do Recorrente, tal requisição consistiria violação ao dever de sigilo que alberga os dados financeiros, razão pela qual o Auto de Infração seria nulo. De proêmio, cumpre esclarecer que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu na sessão de 24/02/2016 o julgamento conjunto de cinco processos (ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 e do RE 601.314 repercussão geral) que questionavam dispositivos da Lei Complementar nº 105/2001, que permitem à Receita Federal do Brasil receber dados bancários de contribuintes fornecidos pelos bancos, sem prévia autorização judicial. No referido julgado, por maioria de votos prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos aos Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Recordese: Fl. 563DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 21 39 “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento”. (STF, Tribunal Pleno, RE 601314, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 24/02/2016, acórdão eletrônico repercussão geral DJe198 Divulg. 15/09/2016 publicado 16/09/2016) Portanto, a requisição de informações bancárias no curso de procedimento fiscal, ao contribuinte ou diretamente às instituições financeiras, não constitui quebra do sigilo bancário, dispensado, nesta ordem, a interferência do Poder Judiciário para a aquisição das referidas informações. 4. Da decadência Fl. 564DF CARF MF 40 Sobre o tema, o Recorrente alega que “não pairam dúvidas sobre a decadência de parte do crédito tributário exigido, eis que não é dado ao Fisco constituir em outubro de 2015 (a notificação do lançamento se concretizou em 02.10.2015) créditos tributários que tenham fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a setembro de 2010, ou seja, com lapso temporal superior a 05 (cinco) anos contados do fato gerador.” Entende que no caso deve ser aplicada a regra contida no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. O inconformismos não merece prosperar. Importante frisar que a Súmula CARF nº 38 (Vinculante) pacificou entendimento de que o fato gerador do IR ocorre no dia 31 de dezembro de cada ano calendário, e não mensalmente, como pretende o Recorrente. Recordese: “Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.” No caso dos autos, como o fato gerador do anocalendário 2010 ocorreu, em 31/12/2010, a decadência se daria apenas em 31/12/2015, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, sendo que a ciência do lançamento aconteceu em 02/10/2015. Logo, não há que se falar em decadência. 5. DO MÉRITO Consoante destacado anteriormente, o presente lançamento tem como fundamento legal o artigo 42 da Lei nº 9.430 de 1996, que assim dispõe acerca da presunção de omissão de rendimentos relativos aos valores depositados em conta cuja origem não seja comprovada: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 565DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 22 41 II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil Reais). (art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/1996 c/c art. 4º da Lei nº 9.481, de 13/08/1997). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (incluído pela Lei nº 10.637/2.002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (incluído pela Lei nº 10.637/2.002)” Da leitura dos dispositivos transcritos acima, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Na espécie, de posse dos valores movimentados nas contas bancárias do Recorrente, a fiscalização o intimou a comprovar e justificar documentalmente a origem dos depósitos nelas efetuados. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente, a teor do que dispõe o já citado artigo 42 da Lei n. 9.430/1996. Ao deixar de comprovar, o contribuinte dá ensejo à transformação do indício em presunção de omissão de rendimentos. A falta de justificativas por meio de documentação hábil e idônea, em relação à origem dos recursos que ensejaram a referida movimentação financeira, evidencia que ela corresponde a disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada. Ocorre que, no presente caso, conforme se observa da análise dos contratos de mútuos constantes dos autos, os próprios extratos bancários confirmam a transferência de valores entre credores e devedores dos contratos referentes ao Sr Aureliano das Graças Oliveira e do Sr. Marcos Soares rezende, inexistindo, s.m.j, qualquer embasamento legal capaz de afastar sua aplicação para fins de exclusão da base de cálculo do Imposto de Renda. Confirase: Fl. 566DF CARF MF 42 EXTRATOS DE MUTUANTE (SR. AURELIANO) E MUTUÁRIO (SR. DONISETE) Aureliano Sr. Donisete 1. 12/03/10 – R$ 6.000,00 (fls. 483) 12/03/10 – R$ 6.000,00 (fls.484) 2. 15/03/10 – R$ 13.200,00 (fls. 483) 15/03/10 – R$ 13.200,00 (fls.484) 3. 14/04/10 – R$ 5.000,00 (fls. 485) 14/04/10 – R$ 5.000,00 (fls.486) 4. 29/04/10 – R$ 11.000,00 (fls. 487) 29/04/10 – R$ 11.000,00 (fls.488) 5. 03/05/10 – R$ 19.200,00 (fls. 489) 03/05/10 – R$ 19.200,00 (fls.490) 6. 04/05/10 – R$ 6.000,00 (fls. 489) 04/05/10 – R$ 6.000,00 (fls.490) 7. 07/05/10 – R$ 20.000,00 (fls. 489) 07/05/10 – R$ 20.000,00 (fls.490) 8. 18/06/10 – R$ 10.000,00 (fls. 491) 18/06/10 – R$ 10.000,00 (fls.492) 9. 08/07/10 – R$ 6.000,00 (fls. 493) 08/07/10 – R$ 6.000,00 (fls.494) 10. 13/07/10 – R$ 7.000,00 (fls. 493) 12/03/10 – R$ 7.000,00 (fls.496) 11. 19/07/10 – R$ 11.950,00 (fls. 495) 19/07/10 – R$ 11.950,00 (fls.496) 12. 04/08/10 – R$ 4.000,00 (fls. 497) 04/08/10 – R$ 4.000,00 (fls.498) 13. 20/09/10 – R$ 8.974,00 (fls. 499) 20/09/10 – R$ 8.974,00 (fls.500) 14. 30/09/10 – R$ 50.000,00 (fls. 501) 30/09/10 – R$ 50.000,00 (fls.501) 15. 05/10/10 – R$ 3.800,00 (fls. 503) 05/10/10 – R$ 3.800,00 (fls.504) 16. 18/10/10 – R$ 5.800,00 (fls. 505) 18/10/10 – R$ 5.800,00 (fls.506) 17. 01/12/10 – R$ 8.200,00 (fls. 507) 01/12/10 – R$ 8.200,00 (fls.508) TOTAL : R$ 196.124,00 EXTRATOS DE MUTUANTE (SR. MARCOS) E MUTUÁRIO (SR. DONISETE) Aureliano Sr. Donisete 1. 11/01/10 – R$ 50.000,00 (fls. 510) 11/01/10 – R$ 50.000,00 (fls.511) 2. 04/06/10 – R$ 100.000,00 (fls. 512) 04/06/10 – R$ 100.000,00 (fls.513) 3. 23/06/10 – R$ 40.000,00 (fls. 512) 23/06/10 – R$ 40.000,00 (fls.514) 4. 29/06/10 – R$ 127.000,00 (fls. 515) 29/06/10 – R$ 127.000,00 (fls.516) Fl. 567DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 23 43 5. 31/08/10 – R$ 267.400,00 (fls. 517) 31/08/10 – R$ 267.400,00 (fls.518) 6. 13/09/10 – R$ 15.000,00 (fls. 519) 13/09/10 – R$ 15.000,00 (fls.520) 7. 30/12/10 – R$ 130.000,00 (fls. 521) 30/12/10 – R$ 130.000,00 (fls.522) TOTAL : R$ 729.400,00 Ainda nessa esteira de acontecimentos, ao analisar os autos, verificouse também que houve lançamento calcado em transferência entre contas do próprio Contribuinte, ora recorrente, no valor de R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais), considerado como depósito de origem não identificada, o que é vedado pela legislação que rege a matéria. Assim, não há dúvidas sobre a impossibilidade de transferência entre contas do mesmo contribuinte para apuração de crédito tributário em razão da aplicação do artigo 112 do CTN. Desta forma, dou provimento parcial para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada o montante de R$ 1.175.524,00, referente à soma da movimentação bancária (depósitos) decorrentes dos contratos de mútuos firmados entre o Recorrente com o Sr. Aureliano das Graças Oliveira e com o Sr. Marcos Soares Rezende, bem como da operação de transferência entre contas do Recorrente, na forma acima explicitada. 5.1 Das demais operações de mútuo realizadas Da comprovação da origem dos depósitos realizados nas contas correntes vinculados aos contratos de mútuo O Recorrente, para tentar justificar a comprovação da origem dos depósitos realizados, alega que firmou vários contratos de mútuo com terceiros. Para tanto, defende o que segue: “Conforme já noticiado durante a ação fiscal, o contribuinte estabeleceu durante o anocalendário de 2010 diversas operações de mútuo com pessoas físicas, nas quais em algumas oportunidades figurou como mutuante e em outras oportunidades como mutuário. Depois de muito diligenciar em seus arquivos e também perante as próprias pessoas físicas mencionadas, o contribuinte localizou os contratos de mútuo firmados à época dos fatos, que dão conta de demonstrar que muitos dos depósitos apontados pelo Fisco Federal como sendo de origem não comprovada ou ainda como receita auferida pelo contribuinte e omitida à tributação cabível, se referem, na verdade, as operações de mútuo realizadas com tais pessoas. De fato, como se comprova nos documentos anexados com a Impugnação, bem como naqueles que se apresenta juntamente com o presente Recurso, o Recorrente mantinha verdadeira “contacorrente” com outros empresários conhecidos, de forma que todos se ajudavam mutuamente, emprestando recursos quando necessário para as atividades dos parceiros, mas também recebendo valores quando havia essa necessidade. Fl. 568DF CARF MF 44 De fato, os extratos bancários do Recorrente já constantes dos autos, em cruzamento com os extratos bancários de alguns de seus parceiros, comprovam efetivamente o trânsito de numerário em suas contascorrentes, sem que isso seja caracterizado como fato gerador do importo de renda. Ora, os documentos anexados à Impugnação comprovam inequivocamente a origem dos recursos decorrentes dos contratos de mútuo neles representados, sendo que basta se verificar que eles correspondem exatamente aos valores constantes dos extratos bancários respectivos, inclusive como indicado em cada planilha separada por Credor juntada à Impugnação. Cumpre esclarecer, por exemplo, que apenas os mútuos realizados entre o Recorrente e os Srs. Marcos Soares Rezende e Aureliano das Graças Oliveira superam a quantia de R$1.000.000,00 (um milhão de reais), o que corrobora o entendimento da ausência de certeza e liquidez do suposto crédito tributário pretendido pela d. Fiscalização. As operações de mútuo, como não poderia deixar de ser, na mesma linha do que defendido acima, NÃO IMPLICAM EM ACRÉSCIMO PATRIMONIAL daquele que recebe as quantias pactuadas (até mesmo porque necessita devolvêlas), de forma que não há que se falar em incidência do IRPF, inclusive conforme reconhecido pela jurisprudência do CARF: [...] Na verdade, as operações de mútuo ora comprovadas são exemplos claros do motivo pelo qual não se pode defender como juridicamente válido um lançamento por omissão de receitas calcado apenas em depósitos bancários. Em outras palavras, os documentos juntados aos autos, mais do que comprovar a origem das operações específicas nele tratadas, reforçam a tese de que o lançamento como um todo deve ser cancelado.” Em que pese o seu esforço, entendo que as argumentações supra não tem o condão de alterar a bem fundamentada decisão de piso, e peço a mais respeitosa licença para transcrever parte do voto profícuo de primeira instância. Confirase: “Sobre empréstimos a título de mútuo, cabe observar. Especificamente no que se refere às alegações formuladas sobre os empréstimos supostamente contraídos junto a terceiros (pessoas físicas e jurídicas), dentre eles parentes, para suas comprovações, seria imprescindível que fossem juntados ao processo: a) a apresentação dos contratos de mútuo devidamente assinados e registrados pelas partes por ocasião da celebração dos respectivos acordos; b) que os empréstimos fossem regularmente informados nas Declarações de Ajuste Anual do interessado; c) que os mutuantes tivessem disponibilidade financeira para o empréstimo, bem como o mutuário para saldar tempestivamente seus compromissos; d) que restasse comprovada a efetiva transferência do numerário entre credor e devedor (na tomada do empréstimo), bem como a comprovação da restituição dos valores tomados pelo mutuário (bem suas previsões de restituição, caso os empréstimos ainda estivessem em andamento). Assim não fosse, abrirseia um enorme leque de possibilidades de fraudes mediante informações de ‘operações fantasmas’, permitindo, Fl. 569DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.150 S2C4T1 Fl. 24 45 por exemplo, que quem dispusesse de meios, ficticiamente ‘emprestasse’ a outro um determinado valor, ‘esquentando’, dessa forma, recursos do ‘mutuário’ não apresentados à tributação.” (grifei) Em outras palavras, a pretensão do interessado deveria estar baseada em outros documentos que não deixassem margem à dúvida quanto à consistência das operações, ou seja, recebimento das quantias que afirma terem sido emprestadas, como é o caso de transferências bancárias do numerário ou cópias de cheques emitidos e comprovadamente sacados ou creditados. Não consta dos autos a comprovação, seja da saída do numerário do patrimônio dos mutuantes seja da quitação efetuada pelo mutuário, não socorrendo ao contribuinte a alegação de que os empréstimos foram realizados por ambas as partes. É de se esclarecer que os fatos devem ser devidamente comprovados com elementos que não deixem margem à dúvida quanto à consistência da operação, em especial frente a matérias que cominem ao contribuinte o ônus probatório, como nos casos de presunções legais, sendo certo que tudo que é informado na declaração está sujeito à comprovação, por documento hábil, tendo a fiscalização a atribuição legal para verificar a autenticidade de todos os fatos declarados. Assim, com exceção dos valores decorrentes dos contratos de mútuo firmado com o Sr. Aureliano das Graças Oliveira e com o Sr. Marcos Soares Rezende, os demais contratos colacionados aos autos não possuem o condão de comprovar a transferência de numerário, razão pela qual não acato a alegação do Recorrente acerca do ingresso de recursos provenientes dos mencionados empréstimos, mantendo, nesse particular, inalterada a decisão de piso. 6. Da multa de ofício aplicada em caráter confiscatório Por fim, o Recorrente sustenta que a multa de ofício de 75% aplicada estaria ferindo o princípio do nãoconfisco, motivo pelo qual deveria ser anulada, e, além disso, o valor aplicado é exorbitante. Entretanto, o inconformismo não merece prosperar. Uma vez instaurado o procedimento de ofício e constatada infração à legislação tributária, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício (multa de 75%). “Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 570DF CARF MF 46 [...] § 1º O percentual de multa que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Neste sentido, o artigo 142 do CTN prevê que a autoridade lançadora tem o dever de lavrar a referida multa de ofício, sob pena de responsabilidade funcional, visto que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. Assim, no momento em que o auditor realiza de ofício o lançamento do imposto de renda, deve ser aplicada a multa do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 sobre o imposto suplementar calculado, por estrita determinação legal. Quanto às alegações de inconstitucionalidade levantadas pelo Recorrente, sobre a aplicação da multa com suposto efeito de confisco, devese esclarecer que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador, esta matéria é estranha à sua competência. Assim, não há razão para afastar a aplicação da multa de ofício. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário da recorrente, rejeitar as preliminares, afastar a decadência e, no mérito, darlhe parcial provimento para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada o montante de R$ 1.175.524,00, nos termos do voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 571DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13876.000299/2009-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decreto-lei nº. 2.124, de 13/06/1984.
INCONSISTÊNCIAS INFORMÁTICAS NA APRESENTAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO EM INSTÂNCIA A QUO.
A análise sobre a eventual ocorrência de problemas informáticos no sistema da Receita Federal não foi trazida à baila em sede de Impugnação, razão pela qual resta configurada a preclusão consumativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 1002-000.130
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins - Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Recorrente PROMAT INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decretolei nº. 2.124, de 13/06/1984. INCONSISTÊNCIAS INFORMÁTICAS NA APRESENTAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO EM INSTÂNCIA A QUO. A análise sobre a eventual ocorrência de problemas informáticos no sistema da Receita Federal não foi trazida à baila em sede de Impugnação, razão pela qual resta configurada a preclusão consumativa. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 02 99 /2 00 9- 91 Fl. 72DF CARF MF 2 Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 42 à 46) interposto contra o Acórdão n° 1426.577, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (efls. 30 e 32), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. CALCULO. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido, calculada mediante a aplicação do percentual de 2% ao mêscalendário ou fração sobre o montante dos impostos e contribuições informados na DCTF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os argumentos apresentados na Impugnação aduzem a inconformidade da Contribuinte tocante a metodologia de cálculo adotada na multa pelo descumprimento de obrigação acessória, decorrente do atraso na entrega da DCTF. Noutro giro, em sede de Recurso Voluntário, sustenta um atraso de 42 dias, ressaltando a diminuição da multa, a qual lhe foi conferida nos termos da lei. Contudo, sustenta ainda existir direito a mais uma redução do montante punitivo, conforme autoriza art. 6° da Lei 8.218/91, verbis: Tratase de Notificação de Lançamento (Modelo I)objetivando a cobrança de multa em razão de atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTFs), referente ao mês de Novembro/2008, cujo prazo para entrega expirou em 22/01/2009. (...) Tendo em vista que, em verdade, o atraso foi de apenas de 42 (quarenta e dois) dias, ou seja, nem mesmo dois meses desde a data definida para a entrega da aludida DCTF, foi apresentada a competente impugnação de forma a coadunar a falha da Recorrente com a correta multa prevista na legislação aplicável (...) Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13876.000299/200991 Acórdão n.º 1002000.130 S1C0T2 Fl. 3 3 Ato contínuo, apreciando os argumentos de defesa, a II.Agência da Receita Federal do Brasil em nu, reconhecendo o equívoco do sistema, reduziu a multa, inicialmente aplicada no valor de R$ 9.636,52, para a quantia de R$ 4.818,26. A r. decisão combatida se limitou a reduzir o valor da multa aplicada, sem, porém, permitir à Recorrente o usufruto do desconto que lhe é garantido por lei, previsto no artigo 6° da Lei 8.218/91, cujo teor segue abaixo: (...) (...) Por todo o exposto, requerse seja conhecido e integralmente provido o presente Recurso para que seja reconhecido o direito da Contribuinte ao gozo dos descontos previstos no artigo 6°, III e IV, da Lei 8.218/91, eis que a decisão recorrida foi omissa neste ponto. É o relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo; contudo, não atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele não o conheço. Percebese de imediato que os argumentos abordados em sede de Recurso Voluntário não foram objeto de análise na DRJ de origem. Tampouco constaram nas razões de Impugnação em primeira instância, as quais são resumidas abaixo (efl. 3): No campo "Dados da Declaração", item 2 da Notificação de Lançamento, consta como prazo final para a entrega da DCTF do mês de Dezembro de 2008, o dia 20/02/2009. A declaração foi entregue em 05/03/2009, com 13 dias de atraso do prazo da entrega. Deste modo, inadmissível a aplicação de multa equivalente a 2 meses de atraso da entrega da DCTF, no valor de 4% da montante do tributo informado na declaração. Como não transcorreu nem um mês completo de atraso na entrega, é pertinente a aplicação da multa de R$ 500,00, que é o valor mínimo da penalidade previsto no §3 do do art. 7o da Lei 10426/02. Ante o exposto, requer seja corrigido o valor da multa aplicada pelo atraso na entrega da DCTF para R$ 500,00, para que corresponda somente aos 13 dias em atraso realmente transcorridos. Notase, pois, que o Recurso não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, há interesse recursal, a Recorrente detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer; mas, em contra Fl. 74DF CARF MF 4 fluxo, existe fato extintivo do poder de recorrer relativo a preclusão consumativa que se operou quanto a matéria não apresentada em impugnação e constante no Recurso Voluntário, qual seja, a suposta ocorrência de problemas no sistema da Receita Federal. Portanto, não conheço do Recurso Voluntário, deixando de apreciar a referida matéria, inclusive, para evitar supressão de instância. Destaco que as informações apresentadas na peça recursal divergem daquelas exibidas na exordial defensiva, a citar: (i) Na Impugnação a Recorrente destaca 13 (treze) dias de atraso na entrega de sua DCTF, enquanto no Recurso Voluntário, o montante de dias é dito como se fosse 42 (quarenta e dois); (ii) A indigitada Impugnação destaca o prazo de entrega da DCTF do mês de dezembro de 2008 como sendo o dia 20/02/2009, sendo a declaração entregue em 05/03/2009. Contudo, no Recurso Voluntário, a Recorrente aduz o atraso atinente à entrega da DCTF do mês de novembro de 2009. Portanto, basta uma simples leitura para se notar a clara discrepância entre as duas peças defensivas, de modo impede a própria análise do teor Recursal, haja vista expor fatos distintos daqueles inerentes ao caso em tela. Nessa trilha, a possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13876.000299/200991 Acórdão n.º 1002000.130 S1C0T2 Fl. 4 5 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos ns.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), 3301002.475 (3.ª Seção/3.ª Câmara/1.ª Turma Ordinária) e 3402004.013 (4.ª Câmara/2.ª Turma Ordinária). Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.906976/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES.
De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
Numero da decisão: 1401-002.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES Recorrente LAB HORMON LABORATÓRIO ESPECIALIZADO EM DOSAGENS HORMONAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 69 76 /2 00 9- 22 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10805.906976/200922 Acórdão n.º 1401002.257 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que, por meio do Acórdão 03054.203, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 15), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 14397.98340.310107.1.3.046471, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do IRPJ, PA 30/06/2001, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 17/09/2010 (AR fl. 18). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Francisco Ferreira Neto), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 21 a 27) em 19/10/2010, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária e escorandose em jurisprudenciais e manifestações doutrinárias, em síntese, argumenta o seguinte: vinha apurando normalmente o IRPJ e a CSLL com base no lucro presumido aplicando 32% sobre a receita bruta para as prestadoras de serviços em geral. Com a nova redação dada pela Lei n° 10.684/2003, alterou a alíquota de 12% para 32%, exceto para "serviços hospitalares", para a apuração da CSLL; após a edição da IN SRF n° 539/2005 e da resposta a Solução de Consulta (anexa), verificouse que havia pago a maior os tributos de Código 2089 e 2372, nos períodos de 30/10/2000 a 28/07/2005. Em 19/01/2006, formulou vários pedidos de restituição, um para cada pagamento indevido ou a maior. Se valendo da faculdade do contribuinte, ao invés de aguardar o depósito em conta bancária do valor a restituir optou pela compensação; a forma da apuração do IRPJ e da CSLL, nos períodos de 2000 em diante, foram externadas nas DCTF relativas à época, no entanto, como a IN/SRF e a Solução de consulta só foram dadas em 2005/2006, mas de conteúdo interpretativo e retroativo, as DCTF não mais condizem com a verdade dos fatos; com a edição da IN/SRF n° 539 de 25/04/2009, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF n° 480/2004, a interessada foi equiparada a "serviços hospitalares". Assim, começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente; os impostos e as contribuições já pagas foram recalculadas e se verificou pagamentos maior os tributos devidos. Assim, providenciou o Pedido de Restituição por meio do programa Per/DComp, devidamente informado em suas Declarações de compensação; uma vez que a IN/SRF n° 539/2005 atribuiu nova interpretação a lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão; uma vez que já havia pago os respectivos DARF e lançado em DCTF o valor recolhido, bem como o valor apurado, segunda a legislação na época, o sistema da Receita Federal do Brasil não foi capaz de identificar o pagamento a maior; Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10805.906976/200922 Acórdão n.º 1401002.257 S1C4T1 Fl. 4 3 para se verificar o pagamento a maior, a fiscalização deverá examinar a aplicação das novas alíquotas nas bases de cálculos já conhecidas pela RFB, onde se constatará que cada pedido de restituição realizado corresponde a um DARF pago à maior. Por ultrapassar o qüinqüênio, está impedida de prestar estas informações através de retificadora de DCTF; não bastasse toda a legislação que dá amparo legal para que procedesse a compensação com estes novos créditos apurados, resta ainda trazer à baila o Comunicado SEORT n° 831/2006, que dá ciência da SOLUÇÃO DE CONSULTA, elaborado especialmente pela interessada (anexo), no Processo Administrativo n° 10805.000720/200403; a resposta ofertada à consulta contém uma interpretação autorizada que garante a segurança jurídica da consultante. A própria solução apresentada orienta o contribuinte a proceder com o novo enquadramento e reconhece o pagamento a maior efetuado ao longo do tempo; o Ato de NãoHomologação deve ser anulado e a fiscalização deve oportunizar a interessada em prestar esclarecimentos quanto ao montante apurado, com os devidos documentos fiscais que podem ser livremente exigidos por intimação; a 1N/SRF nº 791, de 10/12/2007, revogou a redação dada pela IN/SRF nº 539/2005, do artigo 20, da IN/SRF nº 480/2004. Ocorre que a nova interpretação só surtirá efeito após 10.12.2007, enquanto os pedidos de restituição foram realizados antes da nova interpretação e na vigência da resposta a consulta; outro não é o entendimento do Conselho de Contribuintes que conclui assim, certo de ter demonstrado que mesmo diante de uma infinidade de normas tributárias que cercam a interessada, esta não procurou obter vantagem indevida ou se aproveitar do instituto da restituição e da compensação para se livrar de suas obrigações tributárias. Pelo contrário, formulou o pedido de consulta e só depois da orientação dada pela autoridade competente é que procedeu aos pedidos eletrônicos de restituição e as declarações de compensação. Por fim, requer seja conhecida e julgada procedente esta interposição, anulando a decisão administrativa que nãohomologou as compensações realizadas, restaurar e manter os efeitos da extinção do crédito tributário compensado. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 03054.203, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10805.906976/200922 Acórdão n.º 1401002.257 S1C4T1 Fl. 5 4 Cientificada da decisão da DRJ na data de 04/11/2013 via ARECF de efls. 79 e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 04/12/2013 (efls. 88 a 97), conforme protocolo de efl. 88, repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas precipuamente atacando a decisão da DRJ nos seguintes pontos: É ausente, no v. acórdão, qualquer menção, ainda que de passagem, de que a recorrente não teria direito à aplicação dos coeficientes de 8% e 12%, respectivamente para a determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por não atender aos requisitos exteriorizados. E nesse ponto, peca a decisão, que deixou de analisar concretamente o caso para apenas expor a legislação tributária de caráter geral. Noutras palavras, para exemplificar, é como negar um pedido à uma empresa sob o fundamento de que somente indústria pode formular tal pedido, sem se perguntar se a empresa é, ou não, indústria. Outrossim, a recorrente reproduz a ementa da DRJ, que indica que o fundamento para indeferir o direito creditório pautase na falta de apresentação de documento expedido pela vigilância sanitária estadual e municipal. E conclui com o seguinte: Nobres Julgadores, o direito creditório deve ser reconhecido exatamente pelos mesmos fundamentos que o negaram, e para comprovar, segundo restou consignado na decisão hostilizada, que o fato se subsume à norma, faz juntar os documentos expedidos pelos órgãos de vigilância sanitária, responsáveis pela fiscalização e controle de cada um dos estabelecimentos da recorrente. Assim, não havendo divergência quanto ao direito invocado e aplicado, a questão se resume à matéria de fato, cuja prova conduz à reforma da decisão combatida. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.246, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10805.902133/201091. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.246): O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. No presente processo, devese avaliar se a atividade exercida pela empresa se enquadra no conceito de atividades hospitalares, para que possa tributar o IRPJ e a CSLL se servindo da base de presunção de tais atividades. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10805.906976/200922 Acórdão n.º 1401002.257 S1C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, convém reproduzir a legislação vigente à época dos fatos geradores apurados, incluídas suas alterações posteriores, aplicada às empresas que exercem atividades hospitalares (Lei nº 9.249/1995): IRPJ Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (Vide Lei nº 11.119, de 205) Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ................... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ......... CSLL Art. 20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário. Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10805.906976/200922 Acórdão n.º 1401002.257 S1C4T1 Fl. 7 6 jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014 (Vigência) Como se pode ver, a redação contemporânea à realização dos fatos geradores permitia que os serviços hospitalares poderiam se enquadrar nas alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento) para o IRPJ e CSLL, respectivamente. É de se notar, também, que não havia nenhuma outra condição para tal enquadramento. Em resposta à consulta formulada por meio do processo administrativo nº 10805.000720/200403, a Receita Federal estabeleceu as seguintes condições para que a empresa pudesse se enquadrar nas atividades de serviços hospitalares. Veja as conclusões da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT/Nº 273, de 15 de agosto de 2006 (efls. 46 a 53): (início do trecho da conclusão da Solução de Consulta) 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de calculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sabre o Lucre Liquido, respectivamente; 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresaria que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; (destaquei) 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10805.906976/200922 Acórdão n.º 1401002.257 S1C4T1 Fl. 8 7 concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. (destaquei) (término do trecho da conclusão da Solução de Consulta) Como visto, para que a empresa pudesse ter o direito ao enquadramento nas alíquotas de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento), além de exercer uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela Resolução RDC nº 50, de 2002, entendeu a Receita Federal que também deveria possuir estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por licença sanitária estadual ou municipal. Independentemente das atividades exercidas pela recorrente, vejo que a licença sanitária municipal mais remota apresentada licença nº 0208/2003 remete aos idos de 2003 (10/06/2003), período posterior ao crédito aqui solicitado. Desta forma, se fosse seguir o que dispõe a solução de consulta, não haveria como atestar que, no período objeto dos créditos solicitados, a recorrente se enquadrava nas condições estabelecidas pela Receita Federal. Não obstante o entendimento exarado pela Receita Federal, todavia, não posso compartilhar com tal decisão. O STJ, por meio da resolução constante no Recurso Repetitivo nº 217, entendeu que a atividade hospitalar caracterizase tão somente pela prestação de serviços de atendimento à saúde, e independe do local de prestação, excluindose desta regra, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar, veja: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 1 Dentre forma, os serviços de diagnóstico, tratamento, internação, desenvolvidos nos hospitais ou (inclusive) fora deles, enquadramse como serviços hospitalares nos termos do art. 15, III, "a" e art. 20, ambos da Lei nº 9.249/1995. 1 extraído do seguinte endereço eletrônico: http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10805.906976/200922 Acórdão n.º 1401002.257 S1C4T1 Fl. 9 8 Como a alegação da Receita Federal e da DRJ para o indeferimento do crédito pleiteado pela empresa pautouse na falta de apresentação de licença sanitária contemporânea aos fatos geradores e, uma vez vencida tal proposição pelo STJ, concluo que a referida empresa se enquadra no conceito de serviços hospitalares, podendo usufruir das alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e de 12% (doze por cento), para o IRPJ e CSLL, respectivamente, razão pela qual proponho dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.001957/2008-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 19 57 /2 00 8- 17 Fl. 111DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: DESPESAS MÉDICAS. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea, que preencha todos os requisitos estabelecidos em lei, restrita aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, mantendose a glosa sobre a parte não comprovada. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO COM DEPENDENTE DEDUÇÃO COM INSTRUÇÃO DESPESAS MÉDICAS (PARCIAL). Considerase como não impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente, com a consequente renúncia ao contencioso administrativo fiscal e consolidação administrativa dos respectivos créditos tributários apurados. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do voto do acórdão de impugnação destacamos as seguintes passagens: Da Matéria não Impugnada: 9. Quanto à matéria não impugnada ressalte se que o interessado acata as deduções referentes às seguintes glosas: a) Deduções Indevidas de Dependentes: Laura Lima de Oliveira (R$ 1.272,00); b) Deduções Indevidas de Despesas Médicas: Simone Nolasco Manhães (R$ 44,00); João Getúlio Pessanha Cardoso (R$ 6.000,00). c) Deduções Indevidas de Despesas com Instrução: no limite glosado de R$ 3.996,00. 9.1. Embora o Impugnante não tenha se manifestado expressamente acerca do plano de saúde UNIMED Campos (R$ 5.969,93), tal valor está ratificado em sua planilha de fls.3 do processo nº 10725.721011/201257. 9.2. Dessa forma, procedem, incontroversamente, os valores lançados pela fiscalização e mantidos por ocasião da Revisão de Ofício, relativos aos montantes listados no Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10725.001957/200817 Acórdão n.º 2001000.153 S2C0T1 Fl. 3 3 item oito acima, perfazendo um total glosado de R$ 11.312,00. 10.5. Por sua vez, no intuito de comprovar a incorreção da glosa, o contribuinte traz aos autos recibos dos profissionais Letícia AbiKair Borges (fls.31/33), Simone Nolasco Manhães (fls.24/29) e Ângela Augusta Néri Barros (fls.21/23 e 30) assim como traz aos autos recibos da UNIMED de Campos (fls.19/20). Tal documentação foi analisada em Revisão de Ofício e a glosa foi mantida conforme justificativas de fls.62. 10.6. Em análise as glosas efetuadas e aos documentos anexados observase que o contribuinte não traz aos autos documentos outros capazes de sanear a falta apontada. Os recibos apresentados referentes às profissionais Letícia AbiKair Borges e Simone Nolasco Manhães não discriminam o beneficiário dos serviços prestados e o endereço das profissionais conforme exigência legal acima transcrita. Atentese ainda para o fato de que nos recibos de fls.31 e 32 (08/01/2003), consta como responsável pelo pagamento Laura Lima de Oliveira, glosada como dependente do contribuinte por falta de comprovação da relação de dependência e cuja glosa foi acatada pelo interessado. Glosa mantida. 10.7. Quanto ao recibo da UNIMED Campos de fls.19, este não discrimina os usuários do plano. Quanto ao recibo de fls.20, como este discrimina Lucas Gomes de Oliveira como usuário do plano de saúde e considerando sentença de fls. 35 e acordo de fls.37/38, restabeleço a glosa no valor de R$ 1.003,53. Portanto, fica mantida parcialmente a glosa no valor de R$ 4.966,40. DRJ/RJ1 Fls. 79 7 10.8. Quanto as glosas referentes à Ângela Augusta Néri Barros entendo que houve erro de fato na indicação do código, muito embora os recibos apresentados não indiquem o beneficiário dos serviços prestados e sim quem pagou por tais serviços, assim como não indicam o endereço profissional e o nº do órgão de classe. Glosa mantida. Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, foram os seguintes: Fl. 113DF CARF MF 4 Houve revisão de ofício do lançamento, que assim dispôs: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10725.001957/200817 Acórdão n.º 2001000.153 S2C0T1 Fl. 4 5 Destacamos abaixo algumas passagens do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, onde se alega que os recibos são idôneos, que não há indicação no lançamento de elementos de irregularidades neles. Os recibos estão na fl. 20 e seguintes. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Fl. 115DF CARF MF 6 No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e como fundamento para lançar apenas foi afirmado que recibos não comprovam despesas médicas. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10725.001957/200817 Acórdão n.º 2001000.153 S2C0T1 Fl. 5 7 atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; Fl. 117DF CARF MF 8 VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 118DF CARF MF
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