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Numero do processo: 10932.000172/2009-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2006 a 30/11/2006 INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON

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2202­004.379  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  08 de maio de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  EMPARSANCO S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/03/2006 a 30/11/2006  INTEMPESTIVIDADE  CARACTERIZADA.  RECURSO  VOLUNTÁRIO  NÃO CONHECIDO.  Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados  da ciência da decisão de primeira instância.  Efetiva­se  a  ciência  do  contribuinte  através  do  Domicílio  Tributário  Eletrônico  por  decurso  de  prazo,  que  ocorre  quinze  dias  após  a  disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento,  o que ocorrer primeiro.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso por intempestividade.    (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva  Dias,  Martin  da  Silva  Gesto,  Waltir  de  Carvalho,  Junia  Roberta  Gouveia  Sampaio,  Fabia  Marcilia  Ferreira  Campelo  (suplente  convocada),  Dilson  Jatahy  Fonseca  Neto,  Virgilio  Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).   Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 72 /2 00 9- 62 Fl. 1190DF CARF MF     2 Relatório  O  presente  recurso  foi  objeto  de  julgamento  na  sistemática  dos  Recursos  Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09  de  junho  de  2015.  Portanto,  adoto  o  relatório  objeto  do  Acórdão  nº  2202­004.377  ­  2ª  Câmara/2ª  Turma  Ordinária,  de  08  de  maio  de  2018,  proferido  no  âmbito  do  processo  n°  10932.000179/2009­84, paradigma deste julgamento.  Acórdão nº 2202­004.377 ­ 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária  "Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  acórdão  de  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento,  que  julgou a impugnação improcedente.  Conforme  Relatório  Fiscal,  a  fiscalização  foi  comandada  para  fins  de  verificação  da  regularidade  do  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  e  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.  Após  intimada  e  reintimada  a  apresentar  a  Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a  empresa não a apresentou, o que  levou a auditoria a  efetuar o  lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da  Lei  nº  8.212/91  e  do  art.  473  da  IN  03/2005  e  alterações  posteriores.  Os  autos  de  Infração  lavrados  no  procedimento  fiscal  foram  discriminados  pela  fiscalização  na  seguinte  planilha:    DEBCAD N°  LEVANTAMENTO REFERENTE  REF. AO  ESTABELECIMENTO  37.227.364­5 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI  56.473.317/0001­08  37.227.365­3 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios  56.473.317/0001­08  37.227.366­1 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186  70.000.52148/71  37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186  70.000.52148/71  37.227.368­8 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186  70.000.52148/71  37.227.369­6 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220  50.022.27566/71  37.227.370­0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220  50.022.27566/71  37.227.371­8 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220  50.022.27566/71  37.227.372­6 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232  50.022.27644/77  37.227.373­4 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232  50.022.27644/77  37.227.374­2 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232  50.022.27644/77  37.227.375­0 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233  50.022.27538/76  37.227.376­9 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233  50.022.27538/76  37.227.377­7 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233  50.022.27538/76  37.227.378­5 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234  50.025.43828/73  37.227.379­3 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240  50.022.27455/79  37.227.380­7 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240  50.022.27455/79  37.227.381­5 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240  50.022.27455/79  37.227.382­3 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243  50.011.88359/75  37.227.383­1 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243  50.011.88359/75  37.227.384­0 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243  50.011.88359/75  37.227.385­8 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244  70.000.52155/71  37.227.386­6 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244  70.000.52155/71  37.227.387­4 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244  70.000.52155/71  37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G  50.022.22636/70  Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 10932.000172/2009­62  Acórdão n.º 2202­004.379  S2­C2T2  Fl. 3          3 37.227.389­0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G  50.022.22636/70  37.227.390­4 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G  50.022.22636/70  37.227.391­2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252  70.000.52167/72  37.227.392­0 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252  70.000.52167/72  37.227.393­9 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252  70.000.52167/72  37.231.622­0 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254  50.024.17099/73  37.231.623­9 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254  50.024.17099/73  37.231.621­/  Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254  50.024.17099/73  37.231.625­5 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255  50.024.19184/76  37.231.626­3 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255  50.024.19184/76  37.231.627­1 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255  50.024.19184/76  37.231.628­0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256  50.025.43742/79  37.231.629­8 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34  70.000.52152/74  37.231.630­1 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34  70.000.52152/74  37.231.631­0 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34  70.000.52152/74  37.231.632­8 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01  70.000.52150/79  3/.231.633­6  Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01  70.000.52150/79  37.231.634­4 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01  70.000.52150/79  37.231.635­2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G  70.000.52161/78  37.231.636­0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G  70.000.52161/78  37.231.637­9 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G  70.000.52161/78  37.231.638­7 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G  70.000.52163/73  37.231.639­5 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G  70.000.52163/73  37.231.640­9 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G  70.000.52163/73  37.231.641­7 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/0001­08  37.231.642­5 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco  56.473.317/0001­08  3/.231.643­3  Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco  56.473.317/0001­08  37.231.644­1 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui  56.473.317/0001­08  37.231.645­0 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui  56.473.317/0001­08    Cientificado  da  autuação  a  recorrente  apresentou  impugnação  alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição  indireta.  Diante  das  alegações  da  recorrente  a  autoridade  julgadora  de  primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim  de  que  a  fiscalização  se  pronunciasse  sobre  os  argumentos  levantados pela defesa.  No  resultado  da  diligência  a  fiscalização  se  manifestou  sobre  todos os  processos  gerados  no  procedimento  fiscal,  listando os  seguintes:    10932.000171/2009­18 10932.000187/2009­21 10932.000205/2009­74  10932.000172/2009­62 10932.000190/2009­44 10932.000206/2009­19  10932.000173/2009­15 10932.000192/2009­33 10932.000207/2009­63  10932.000174/2009­51 10932.000189/2009­10 10932.000208/2009­16  10932.000175/2009­04 10932.000191/2009­99 10932.000209/2009­52  10932.000177/2009­95 10932.000193/2009­88 10932.000210/2009­87  10932.000176/2009­41 10932.000194/2009­22 10932.000211/2009­21  10932.000178/2009­30 10932.000197/2009­66 10932.000212/2009­76  Fl. 1192DF CARF MF     4 10932.000180/2009­17 10932.000200/2009­41 10932.000213/2009­11  10932.000179/2009­84 10932.000195/2009­77 10932.000214/2009­65  10932.000181/2009­53 10932.000196/2009­11 10932.000215/2009­18  10932.000183/2009­42 10932.000198/2009­19 10932.000217/2009­07  10932.000182/2009­06 10932.000199/2009­55 10932.000218/2009­43  10932.000184/2009­97 10932.000202/2009­31 10932.000219/2009­98  10932.000186/2009­86 10932.000204/2009­20 10932.000220/2009­12  10932.000185/2009­31 10932.000201/2009­96 10932.000221/2009­67  10932.000188/2009­75 10932.000203/2009­85 10932.000222/2009­10     10932.000223/2009­56  A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição  indireta,  de  cujo  Termo  de  Constatação  extraio  os  seguintes  trechos:  “Ora,  se  a  empresa  possui  controles  analíticos  de  salários,  se possui  controles contábeis para  identificação  individual dos lançamentos dos encargos previdenciários,  isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização  e muito menos  na  documentação  anexada  como meio  de  prova,  nesta  fase  de  defesa  administrativa,  Todos  os  documentos  apresentados  nesta  fase  se  referem  a  VALORES  GLOBAIS,  como  o  resumo  da  folha  de  pagamento  GERAL  e  os  tais  relatórios  de  composição  contábil, como detalharemos mais abaixo.  Portanto,  em  nenhum  momento  desta  defesa,  o  contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos  próprios,  por  obra  de  construção  civil,  dos  fatos  geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei  8.212/91.”  A  recorrente  apresentou  contrarrazões  ao  resultado  da  diligência, reafirmando a improcedência do lançamento.  A  impugnação  foi  julgada  improcedente  pela  Delegacia  de  Julgamento  da  Receita  Federal  do  Brasil,  cujo  resultado  foi  levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na  Caixa Postal, Módulo e­CAC do Site da Receita Federal. Após  ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via  Termo  de  Abertura  de  Documento,  não  houve  manifestação  dentro  do  prazo  que  teria  para  apresentação  de  Recurso  Voluntário.  Diante  disso,  lavrou­se  o  respectivo  Termo  de  Perempção  e  o  processo  foi  encaminhado  à  PGFN. Nessa  fase,  passados mais  de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ,  pelo  contribuinte,  este  protocolizou  recurso  voluntário  em  face  da  Decisão  de  1ª  Instância  Administrativa.  O  processo,  então,  retornou  à  fase  administrativa  para  apreciação  do  recurso  interposto, no qual se alega, em síntese:  · Tempestividade. Admissibilidade do recurso.  · Alteração  da  forma  de  intimação  de  meio  papel  para  digital  sem  autorização do recorrente.  · Falta  de  comprovação  da  intimação  do  resultado  do  julgamento  de  primeira instância.  · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação.  Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 10932.000172/2009­62  Acórdão n.º 2202­004.379  S2­C2T2  Fl. 4          5   Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em  dívida  ativa  e  o  retorno  ao  trâmite  administrativo,  para  declaração de nulidade do auto de infração.  É o relatório."  Voto             Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator.    Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 2202­004.377 ­  2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n°  10932.000179/2009­84, paradigma ao qual o presente processo encontra­se vinculado.    Transcreve­se, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o  inteiro  teor  do  voto  condutor  proferido  pela Conselheira Rosy Adriane  da  Silva Dias,  digna  relatora  da  susodita  decisão  paradigma,  reprise­se, Acórdão  nº  2202­004.377  ­  2ª Câmara/2ª  Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018:  Acórdão nº 2202­004.377 ­ 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária  "O  Recurso  Voluntário  é  intempestivo,  o  que  prejudica  sua  admissibilidade.  Primeiramente,  informo  que  a  matéria  tratada  nos  autos  é  a  mesma  discutida  nos  processos  nº  10932.000187/2009­21,  10932.000190/2009­44,  10932.000192/2009­33,  originados  do  mesmo procedimento  fiscal, conforme relatado anteriormente, e  que  já  foram  julgados  pelo  CARF  em  08/03/2016,  tendo  sido  exarados  os  acórdãos  nº  2201­002.966,  2201­002.965,  2201­ 002.964, respectivamente.  Conforme  relatórios  constantes  nos  acórdãos  citados,  os  processos  foram  baixados  em  diligência,  a  fim  de  que  fosse  comprovada  a  opção  do  recorrente  pelo  Domicílio  Tributário  Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201­ 002.966 (processo 10932.000187/2009­21):  “O  processo  baixou  em  diligência  para  comprovar  a  opção  do  contribuinte  pelo  Domicílio  Tributário  Eletrônico  ­  DTE,  apresentar  as  normas  e  condições  de  sua utilização e  confirmar a data de entrada do Recurso  Voluntário na Receita Federal.  A  DERAT/SP  informou  que  a  empresa  realizou  a  opção  pelo  DTE  em  13/01/2012  e  em  27/08/2012,  anexou  tela  com  as  orientações  sobre  o  funcionamento  do  DTE  na  Caixa Postal do e­CAC e confirmou o de recebimento do  Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013.  Fl. 1194DF CARF MF     6 ­ Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo  SERPRO, cujo resultado encontra­se nas fls. 1369­1373 e  comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001­ 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no  dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012.  ­  De  acordo  com  o  despacho  do  SETEC,  fl.  1366,  foi  anexada  a  tela  na  fl.  1365  com  as  orientações  sobre  o  funcionamento do DTE na Caixa Postal do e­CAC  ­  Considerando­se  na  fl.  1336  (última  do  Recurso  Voluntário)  a  menção  ao  recebimento  dos  documentos  naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do  Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos  no  SICOB,  na  JL1374  (campo data  do Evento  ­ Recurso  Voluntário), compreende­se que a data de recebimento do  Recurso  Voluntário  pela  Receita  Federal  foi  em  05/08/2013.”  Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos,  que a recorrente  fez opção pelo DTE, o que  levou o Colegiado  de  segunda  instância  a  não  conhecer  dos  recursos,  conforme  dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do  Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso,  por intempestivo.".  Diante  da  informação  exarada  nos  acórdãos  citados,  a  qual  aproveito  para  análise  do  presente  processo,  entendo  que  a  ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu  pela  Abertura  dos  Arquivos  correspondentes  no  link  Processo  Digital,  disponibilizados  no  Centro  Virtual  de  Atendimento  ao  Contribuinte  (Portal  e­CAC),  por  meio  da  opção  Consulta  Comunicados/Intimações,  conforme  Termo  de  Abertura  de  Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo  2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF):  “Art. 23. Far­se­á a intimação:  [...]  III  ­  por  meio  eletrônico,  com  prova  de  recebimento,  mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  a)  envio  ao  domicílio  tributário  do  sujeito  passivo;  ou  (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005)  [...]  § 2° Considera­se feita a intimação:  [...]  III  ­  se  por  meio  eletrônico:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  12.844, de 2013)  a)  15  (quinze)  dias  contados  da  data  registrada  no  comprovante  de  entrega  no  domicílio  tributário  do  sujeito  passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013)  b)  na  data  em  que  o  sujeito  passivo  efetuar  consulta  no  endereço  eletrônico  a  ele  atribuído  pela  administração  tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a;  ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).”    Registre­se, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério  de  ciência  do  contribuinte  por  decurso  de  prazo,  previsto  na  Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 10932.000172/2009­62  Acórdão n.º 2202­004.379  S2­C2T2  Fl. 5          7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto  nº  70.235/72,  ainda  assim  o  recurso  voluntário  interposto  pelo  Sujeito  Passivo  permaneceria  infectado  pelo  vício  da  intempestividade,  eis que, na data de  sua  interposição, o prazo  recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses.    Portanto,  como  o  Recurso  Voluntário  foi  apresentado  após  o  limite  estabelecido  pelo  Decreto  nº  70.235/72,  ele  é  extemporâneo.  Conclusão  Por  todo  o  exposto,  voto  por  não  conhecer  do  recurso,  por  intempestividade.  (assinado digitalmente)  Ana Maria Bandeira."    Nesse  contexto,  pelas  razões  de  fato  e  de Direito  ora  expendidas,  voto  por  NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva.  (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson.                                Fl. 1196DF CARF MF

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7407121 #
Numero do processo: 13887.720200/2016-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. Outros elementos de prova podem acompanhar o laudo pericial emitido por serviço médico oficial, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV.
Numero da decisão: 2001-000.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES

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2001­000.541  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  24 de julho de 2018  Matéria  IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA   Recorrente  MARIO CORNEGIAN  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2012  PROVENTOS  DE  APOSENTADORIA.  MOLÉSTIA  GRAVE.  COMPROVAÇÃO.  Outros elementos de prova podem acompanhar o  laudo pericial emitido por  serviço médico oficial, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas  na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao Recurso Voluntário.    (assinado digitalmente)  Jorge Henrique Backes ­ Presidente e Relator  Participaram  das  sessões  virtuais  não  presenciais  os  conselheiros  Jorge  Henrique  Backes  (Presidente),  Jose  Alfredo  Duarte  Filho,  Jose  Ricardo  Moreira,  Fernanda  Melo Leal.       Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 7. 72 02 00 /2 01 6- 71 Fl. 63DF CARF MF     2 Trata­se de Notificação de Lançamento relativa à  Imposto de Renda Pessoa  Física, glosa de Despesas Médicas.  O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como  os  documentos  do  lançamento,  da  impugnação  e  do  acórdão  de  impugnação,  e  demais  documentos  que  embasaram o  voto  do  relator. Esses  destaques  não  constam desse  relatório,  pois estão disponíveis no processo.  Trata­se  de  discussão  sobre  doença  grave.  A  DRJ  recusou  o  laudo  fundamentando que a interpretação da legislação é literal, nos seguintes termos:  O  laudo  de  fl.  6  afirma  que  o  interessado  é  portador  de  espondiloartrose  lombar,  doença  não  incluída  no  rol  das  moléstias  que  asseguram  a  isenção  dos  proventos  de  aposentadoria.  Ressalte­se  que  o  único  método  de  hermenêutica  jurídica  permitido  para  a  definição  do  verdadeiro  sentido  e  alcance  da  legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção é o  literal  (inciso  II  do  art.  111  do  CTN).  Assim,  o  benefício  invocado  não  pode  ser  estendido  a  quem  não  preencha  rigorosamente  as  condições  e  requisitos  exigidos  para  sua  concessão,  especificados  em  consonância  com  o  art.  176  do  CTN.    Voto             Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator  Verificada  a  tempestividade  do  recurso  voluntário,  dele  conheço  e  passo  à  sua análise.  Trata­se  de  discussão  sobre  doença  grave.  A  DRJ  recusou  o  laudo  fundamentando  que  a  interpretação  da  legislação  é  literal.  O  laudo  fala  em  espondiloartrose  lombar, e a  legislação em espondiloartrose anquilosante. Trata­se de doença de denominação  um pouco imprecisa, havendo vários termos para expressar a mesma doença como se observa  nesse texto do Manual da Perícias e Auditorias Médicas do Distrito Federal:   Espondilite  Anquilosante,  inadequadamente  denominada  de  espondiloartrose  anquilosante  nos  textos  legais,  é  uma  doença  inflamatória de etiologia desconhecida que afeta principalmente  as  articulações  sacroilíacas,  interapofisárias  e  costovertebrais,  os  discos  intervertebrais  e  o  tecido  conjuntivo  frouxo  que  circunda  os  corpos  vertebrais,  entre  estes  e  os  ligamentos  da  coluna.   (...)  Dentre  as  denominações  comumente  dadas  à  espondilite  anquilosante  podemos  destacar  as  seguintes:  espondilite  (ou  espondilose)  rizomélica,  doença  de  Pierre­Marie­Strumpell,  espondilite ossificante ligamentar, síndrome (ou doença) de Veu­ Bechterew,  espondilite  reumatóide,  espondilite  juvenil  ou  do  Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13887.720200/2016­71  Acórdão n.º 2001­000.541  S2­C0T1  Fl. 3          3 adolescente,  espondilartrite  anquilopoiética,  espondilite  deformante,  espondilite  atrófica  ligamentar,  pelviespondilite  anquilosante, apesar de a Escola Francesa utilizar a designação  de pelviespondilite reumática.  No nosso entender, a literalidade exigida para isenção se aplica a doença, no  caso  espondiloartrose.  A  adjetivação  anquilosante  pode  acompanhar  a  qualificação,  como  lombar também pode, e, de maneira nenhuma, existe a indicação de que a espondiloartrose que  o contribuinte apresenta, e estava em tratamento há 8 anos, não seja anquilosante. Cirurgia total  de quadril em janeiro 2015, e o  tratamento contínuo e longo  indicam que o seja. Não vemos  restrição que outros elementos complementem o laudo.  Considerando  caracterizada  a  doença  prevista,  entendemos  que  faz  jus  o  contribuinte, pois o fundamento para a recusa fica superado.  O contribuinte apresentou, com o recurso voluntário, outras argumentações e  documentos  relativamente  a  doenças  graves. A neoplasia  apontada  pelo  contribuinte ocorreu  em  1983,  podendo  ser  doença  sujeita  a  controle  periódico,  não  há  documentos  nos  autos  indicando a continuidade. As doenças cardíacas relatadas, também poderiam apontar ao direito  de isenção. No entanto, tais doenças estão relatadas parcialmente, sem laudo oficial, e não são  examinadas aqui, pois o fundamento desse voto está em que a recusa apresentada no acórdão  de impugnação foi vencida.  Conclusão  Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário.  É como voto.   (assinado digitalmente)  Jorge Henrique Backes ­ Relator                                Fl. 65DF CARF MF

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7387492 #
Numero do processo: 19515.002701/2005-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO O Recurso Voluntário, nos termos da legislação vigente, deve ser apresentado no prazo de 30 dias, contados da data de recebimento da intimação da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A apresentação após transcorrido aquele prazo, impõe o não conhecimento do Recurso Voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF.
Numero da decisão: 1302-002.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS

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camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO O Recurso Voluntário, nos termos da legislação vigente, deve ser apresentado no prazo de 30 dias, contados da data de recebimento da intimação da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A apresentação após transcorrido aquele prazo, impõe o não conhecimento do Recurso Voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

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secao_s : Primeira Seção de Julgamento

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1569; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 256          1 255  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.002701/2005­24  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­002.911  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de julho de 2018  Matéria  RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO  Recorrente  UNIMARCO EDITORA E PUBLICIDADE LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2009  RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO  O Recurso Voluntário, nos termos da legislação vigente, deve ser apresentado  no prazo de 30 dias, contados da data de recebimento da intimação da decisão  proferida pela Delegacia da Receita Federal de  Julgamento. A apresentação  após  transcorrido  aquele  prazo,  impõe  o  não  conhecimento  do  Recurso  Voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Flávio Machado Vilhena Dias ­ Relator.  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal  Moreira  Filho,  Marcos  Antonio  Nepomuceno  Feitosa,  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo,  Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado  Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 01 /2 00 5- 24 Fl. 256DF CARF MF   2 Relatório  Trata­se o presente processo administrativo de Auto de Infração lavrado em  face  do  contribuinte, Unimarco Editora  e Publicações Ltda.,  ora Recorrente,  através  do  qual  foram constituídos créditos tributários de IRPJ, PIS, Cofins e CSLL.  No  Auto  de  Infração  foram  apontada  a  manutenção,  no  passivo,  de  obrigações não comprovadas, a ensejar omissão de receitas, nos termos da legislação.   No  que  tange  ao  processo  de  fiscalização,  o  relatório  do  acórdão  assim  consignou:  No Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 132 a 135,  integrante  dos  autos  de  infração,  consignou­se  que  o  contribuinte  foi  intimado  e  reintimado  a  comprovar  0  valor  informado  na  conta  Fomecedores  ein  2001  (R$1.620.779,16),  tendo  alegado  que  nesse  montante  estaria  incluído  o  valor  de  R$1.608.773,43, que teria sido reclassificado para Adiantamento  de  Clientes,  cujo  saldo  resultaria  de  lançamentos  ocorridos  antes  de  01/01/2000.  Todavia,  a  empresa  fiscalizada  não  apresentou prova documental de suas afirmações. Acrescenta o  autuante  que,  no  demonstrativo  apresentado  pela  empresa,  referente ao Passivo  existente  em 31/12/2002  (fl.  59),  o mesmo  valor foi informado como Resultado de Exercícios Futuros  Em  Impugnação  apresentada,  o  Recorrente  alegou  (i)  a  nulidade  do  lançamento, (ii) que autuação seria confiscatória (iii) a decadência do direito do fisco de lançar  os créditos tributários e, no mérito, (iv) que a reclassificação da sua conta contábil estaria de  acordo com as normas contábeis vigentes.   Em  análise  à  impugnação  apresentada,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento de São Paulo I (SP), entendeu por bem rejeitar as preliminares e, no mérito, julgar  o lançamento como sendo procedente. O acórdão proferido recebeu a seguinte ementa:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Ano­calendario: 2001   PRELINIINAR.  NULIDADE.  LOCAL  LAVRATURA  DO  AUTO  DE INFRAÇÃO.   A  legislação  tributária  não  exige  que  a  formalização  do  lançamento seja  efetuada no domicílio do contribuinte. Não há  que  se  cogitar  de  nulidade  do  lançamento  efetuado  autoridade  competente, com a observância requisitos previstos na legislação  que rege o processo administrativo fiscal.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA PESSOA JURÍDICA ­  IRPJ Ano­calendário: 2001 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.  A  análise  quanto  à  observância  do  prazo  para  efetuar  o  lançamento deve tomar por base o período de apuração indicado  na autuação, porquanto não evidenciado erro na determinação  da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária.  OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO.  Fl. 257DF CARF MF Processo nº 19515.002701/2005­24  Acórdão n.º 1302­002.911  S1­C3T2  Fl. 257          3 A manutenção, no passivo, de obrigação cuja exigibilidade não  for  comprovada  autoriza  a  presunção  legal  de  omissão  de  receita.  DECORRÊNCIA.  A  decisão  relativa  ao  lançamento  principal  se  aplica,  no  que  couber,  às  exigências  de  CSLL,  PIS  e  COFINS,  por  serem  fundamentados nos mesmos elementos de prova.  Lançamento Procedente  Devidamente  intimado  do  acórdão,  o  Recorrente  apresentou  Recurso  Voluntário, repisando, em síntese, os argumentos lançados em sua impugnação administrativa.   Este é o relatório.    Voto             Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias ­ Relator  Como se depreende dos autos, o Recorrente foi intimado, via AR, nos termos  do comprovante de fls. 243, no dia 24/11/2008, segunda­feira, sendo o dia 24/12/2008 o último  dia para o manejo do Recurso Voluntário, uma vez que não houve nenhum feriado que pudesse  postergar a data limite para apresentação do apelo.   Entretanto, nos  termos do comprovante de fl. 249, o Recurso Voluntário só  foi protocolizado no dia 06/01/2009, ou seja, após extrapolado o prazo de 30 dias estipulado  pela legislação para apresentação do referido recurso.  A intempestividade, inclusive, foi certificada pelo auditor da Receita Federal  do Brasil, nos termos da informação fiscal acostadas aos autos (fl. 255).   Como é sabido, o art. 33 do Decreto 70.235/72 determina que o contribuinte  deverá  apresentar  Recurso  Voluntário  no  prazo  de  30  dias,  contados  do  recebimento  da  intimação do acórdão proferido pela DRJ. Confira­se a redação do dispositivo:  Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência  da decisão.  Por outro lado, o Decreto 70.235/72, assim estipula a forma de contagem dos  prazos no âmbito do contencioso administrativo fiscal:  Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindo­se na sua contagem  o dia do início e incluindo­se o do vencimento.  Parágrafo único. Os prazos  só se iniciam ou vencem no dia de  expediente  normal  no  órgão  em que  corra  o  processo  ou  deva  ser praticado o ato.  Fl. 258DF CARF MF   4 No caso em apreço, é incontroverso que o Recorrente apresentou seu Recurso  Voluntário depois de transcorridos 30 dias, contados do recebimento da intimação do Acórdão  proferido pela DRJ.  Desta  feita, o  recurso não deve ser conhecido, uma vez que  intempestivo, à  luz do que determina os preceitos do citado artigo 33 do Decreto 70.235/72.  Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Flávio Machado Vilhena Dias                                  Fl. 259DF CARF MF

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7371972 #
Numero do processo: 10680.720186/2009-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 DÉBITOS COMPENSADOS. MULTA DE MORA. COMPENSAÇÃO POSTERIOR AO LANÇAMENTO. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Os débitos compensados sofrem a incidência dos acréscimos moratórios previstos em lei, ou seja, juros e multa, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Não se aplica o instituto da Denúncia Espontânea quando a compensação ocorre posteriormente ao lançamento em DCTF.
Numero da decisão: 1001-000.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 DÉBITOS COMPENSADOS. MULTA DE MORA. COMPENSAÇÃO POSTERIOR AO LANÇAMENTO. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Os débitos compensados sofrem a incidência dos acréscimos moratórios previstos em lei, ou seja, juros e multa, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Não se aplica o instituto da Denúncia Espontânea quando a compensação ocorre posteriormente ao lançamento em DCTF.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1423; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C0T1  Fl. 2          1 1  S1­C0T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.720186/2009­13  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1001­000.568  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  05 de junho de 2018  Matéria  PER/DCOMP  Recorrente  BRAFER INVESTIMENTOS S A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 1999  DÉBITOS  COMPENSADOS.  MULTA  DE  MORA.  COMPENSAÇÃO  POSTERIOR  AO  LANÇAMENTO.  DENUNCIA  ESPONTÂNEA.  INAPLICABILIDADE.  Os  débitos  compensados  sofrem  a  incidência  dos  acréscimos  moratórios  previstos em lei, ou seja, juros e multa, até a data da entrega da Declaração de  Compensação. Não  se  aplica  o  instituto  da Denúncia Espontânea  quando  a  compensação ocorre posteriormente ao lançamento em DCTF.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.    (assinado digitalmente)  LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  EDUARDO MORGADO RODRIGUES ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Edgar  Bragança  Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de  Sousa (Presidente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 01 86 /2 00 9- 13 Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10680.720186/2009­13  Acórdão n.º 1001­000.568  S1­C0T1  Fl. 3          2   Relatório  O  presente  feito  trata­se  de Recurso Voluntário  (fls.  107  a  125)  interposto  contra o Acórdão nº 02­32.952, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte/MG  (fls.  88  a  97),  que,  por  unanimidade,  julgou  improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente.  O presente  feito  já  foi  submetido à análise prévia da 1ª Turma Ordinária/1ª  Câmara/1ª Seção deste CARF, que determinou a baixa dos autos para realização de diligência  por meio da Resolução nº 1101­000.092 exarada em 11/09/2013.  Neste  esteio,  por  sua  precisão  na  descrição  dos  fatos  que  conduziram  o  presente  processo,  peço  licença  para  adotar  e  reproduzir os  termos do  relatório da  resolução  citada:  "  Trata­se  de  Pedido  de  Restituição(PER)  e  Declaração  de  Compensação  (DCOMP), mediante solicitação/utilização de pretenso “Saldo Negativo de IRPJ”,  apurado no AC de 1999, no valor de R$ 76.491,77.  Despacho Decisório da DRF 2.  A análise dos documentos protocolizados pelo contribuinte  foi efetuada pela  DRF  através  do Despacho Decisório  nº  775485196  anexado  à  fl.  66,  exarado  aos  18/07/2008, de onde se extrai:  Analisadas  as  informações  prestadas  no  documento  acima  identificado  e  considerando  que  a  soma  das  parcelas  de  composição  do  crédito  informadas  no  PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a  apuração do saldo negativo, verificou­se:  Parcelas de composição do crédito confirmadas...............R$ 76.491,77 Valor  do Saldo Negativo de  IRPJ disponível....................R$ 76.491,77 2.1 Confirmado o  direito  de  crédito  utilizado  pelo  contribuinte  nas  DCOMP’s  em  análise,  a  DRF  conclui:  O  crédito  reconhecido  foi  insuficiente  para  compensar  integralmente  os  débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual:  •  HOMOLOGO  PARCIALMENTE  a  compensação  declarada  no  PER/DCOMP 38674.55757.111105.1.3.020048.  •  NÃO  HOMOLOGO  a  compensação  declarada  no  PER/DCOMP  39399.31647.161105.1.3.021000.  •  Não  há  valor  a  ser  restituído/ressarcido  para  o(s)  pedido(s)  de  restituição/ressarcimento  apresentado(s)  no(s)  PER/DCOMP:00297.69888.150903.1.8.021000.  3.  Em  síntese,  a  DRF  validou  a  totalidade  do  crédito  pleiteado  pelo  contribuinte no PER (Pedido de Restituição), contudo, apurou que tal crédito não é  suficiente para homologar a totalidade das compensações declaradas nas DCOMP’s  Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10680.720186/2009­13  Acórdão n.º 1001­000.568  S1­C0T1  Fl. 4          3 vinculadas,  homologando  parcialmente  as  compensações  declaradas  pelo  contribuinte.  Manifestação de Inconformidade  4. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 30/07/2008, conforme  documento  anexado  à  fl.  87  do  processo;  irresignado,  apresenta  em  22/08/2008  a  manifestação  de  inconformidade  anexada  às  fls.  01  a  07,  onde,  em  síntese,  argumenta:  4.1 “No entendimento da defendente, como se tratava de compensação a partir  de saldo negativo de IRPJ/1999, não seria – como continua não sendo – exigível a  inclusão da multa de mora e acréscimos, quanto ao débito compensado, em função  do  benefício  da  denúncia  espontânea,  conforme  preceitua  o  art.  138,  do  Código  Tributário Nacional.”  4.2 Tece diversas  considerações  acerca da Denúncia Espontânea,  invocando  entendimento do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça.  Esclarece  que  a  DCTF  e  o  PER/DCOMP  foram  entregues  quase  que  simultaneamente, o que afasta a possibilidade de argüição quanto à impossibilidade  de usufruir o benefício legal no caso em apreço. Ilustra com passagem de Geraldo  Ataliba.  4.3 Por  fim,  salienta que “no caso em apreço, a Defendente promoveu  compensação do débito com crédito próprio decorrente de saldo negativo de  IRPJ. Não há qualquer razão palpável para se exigir a multa de 20% diante  da inexistência de qualquer prejuízo experimentado pelo fisco, notadamente  o  insignificante  interstício  entre a data  do  vencimento do  tributo  e o pleito  compensatório.”  5. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o  processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide (fl.86).  A  decisão  recorrida  negou  provimento  à  manifestação  de  inconformidade do contribuinte ao argumento de que a denúncia espontânea  conforme disposição do artigo 138 do CTN aplica­se somente ao afastamento  de eventual multa de ofício, não sendo aplicável para o afastamento de multa  moratória, conforme abaixo:  “A  regra  fixada nesse  artigo  aplica­se  à multa de  caráter punitivo,  aplicável  pela  prática  de  ilícito  tributário,  ou  seja,  aquela  penalidade  que,  para  ser  exigida  depende de lançamento pela autoridade fiscal.  Por esse motivo é que o legislador ressalvou no parágrafo único desse artigo  que  o  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  relacionado  com  a  infração  exclui a denúncia espontânea.  (...)Assim  sendo,  o  art.  138  do  CTN  não  tem  a  dimensão  pretendida  pelo  impugnante, ou seja, de eximi­lo do pagamento da multa de mora, incidente em face  do  atraso  na  extinção  (pela  compensação)  da  obrigação,  independentemente  da  ordem desta extinção ou da confissão do débito apurado, desde que efetuados antes  da ação do fisco.”  Regularmente  intimada  a  recorrente  protocolou  Recurso  Voluntário  tempestivo, repetindo os argumentos de seu Recurso Voluntário."  Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10680.720186/2009­13  Acórdão n.º 1001­000.568  S1­C0T1  Fl. 5          4 Superando os argumentos jurídicos que levaram a DRJ de origem a indeferir  a manifestação de inconformidade, a Turma encarregada pelo julgamento à época determinou a  baixa  dos  autos  em  diligência  para  que  a  autoridade  fiscal  esclarecesse  se  os  tributos  compensados  foram  informados  em  DCTF  antes  da  transmissão  da  Dcomp,  bem  como  se  houve algum procedimento fiscal de cobrança prévio.  Cumprida a diligência, retorna o feito para julgamento por esta Turma.  É o relatório.      Voto             Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues  O exame de admissibilidade do presente recurso já foi realizado por ocasião  do julgamento anterior, tendo sido o mesmo conhecido. Sem maiores considerações, concordo  com o exame e passo à analise do mérito.  Conforme  já  narrado  no  relatório,  a  controvérsia  cerne  do  presente  contencioso é a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea, preceituado no  art. 138 do CTN, para exonerar a multa de mora no caso dos tributos sujeitos a lançamento por  homologação.  Tal  questão  já  foi  pacificada  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  recurso  repetitivo, de efeito vinculante no presente julgamento, conforme bem elucidou o Conselheiro  Luiz  Guilherme  de  Medeiros  Ferreira,  Relator  do  presente  feito  por  ocasião  do  último  julgamento. Por economia processual, peço vênia para transcrever suas conclusões:  "A  matéria  ora  discutida  já  foi  objeto  de  decisão  do  Superior  Tribunal  de  Justiça – STJ, na forma de recurso repetitivo, ao qual está adstrito o julgamento por  este órgão colegiado, nos termos do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno  do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria MF nº 256/09 e  alterações).  No Recurso Especial nº 1.149.022SP (01/09/2010)1:  “RELATOR  :  MINISTRO  LUIZ  FUX  EMENTA  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  IRPJ  E  CSLL.  TRIBUTOS  SUJEITOS  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  DECLARAÇÃO  PARCIAL  DE  DÉBITO  TRIBUTÁRIO  ACOMPANHADO  DO  PAGAMENTO  INTEGRAL.  POSTERIOR  RETIFICAÇÃO  DA  DIFERENÇA  A  MAIOR  COM  A  RESPECTIVA QUITAÇÃO.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  EXCLUSÃO  DA  MULTA  MORATÓRIA.  CABIMENTO.  Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10680.720186/2009­13  Acórdão n.º 1001­000.568  S1­C0T1  Fl. 6          5 1.  A  denúncia  espontânea  resta  configurada  na  hipótese  em  que  o  contribuinte,  após  efetuar  a  declaração  parcial  do  débito  tributário  (sujeito  a  lançamento  por  homologação)  acompanhado  do  respectivo  pagamento  integral,  retificada antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando  a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente.  2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a  conseqüente  exclusão  da  multa  moratória,  nos  casos  de  tributos  sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e  recolhidos  fora  do  prazo  de  vencimento,  à  vista  ou  parceladamente,  ainda  que  anteriormente  a  qualquer  procedimento  do  Fisco  (Súmula  360/STJ)  (Precedentes  da Primeira  Seção  submetidos  ao  rito  do  artigo  543C,  do  CPC:  REsp  886.462/RS,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.10.2008,  DJe  28.10.2008;  e  REsp  962.379/RS,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008).  3.  É  que  "a  declaração  do  contribuinte  elide  a  necessidade  da  constituição  formal  do  crédito,  podendo  este  ser  imediatamente  inscrito  em  dívida  ativa,  tornando­se  exigível,  independentemente  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  de  notificação  ao  contribuinte"  (REsp  850.423/SP,  Rel.  Ministro  Castro  Meira,  Primeira  Seção,  julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008).  4.  Destarte, quando  o  contribuinte  procede  à  retificação  do  valor  declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  atinente  à  parte  não declarada  (e  quitada  à  época da  retificação),  razão  pela qual  aplicável  o  benefício  previsto no artigo 138, do CTN.  5.  In  casu,  consoante  consta  da  decisão  que  admitiu  o  recurso  especial  na  origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças  de  recolhimento  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  e  Documento:  10649420  EMENTA/ ACORDÃO Site certificado DJe: 24/06/2010 Contribuição Social sobre  o Lucro,  ano­base  1995  e  prontamente  recolheu  esse montante  devido,  sendo  que  agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do  tributo  em  atraso,  antes  da  ocorrência  de  qualquer  procedimento  fiscalizatório.  Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma  verdadeira  confissão  de  dívida  e  pagamento  integral,  de  forma  que  resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo  138, do Código Tributário Nacional."  6. Conseqüentemente, merece  reforma o  acórdão  regional,  tendo  em vista  a  configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine .  7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da  denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas  de  caráter  eminentemente  punitivo,  nas  quais  se  incluem  as  multas  moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte.  8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do  CPC, e da Resolução STJ 08/2008.”  (grifos não pertencem ao original)  Do julgado retro transcrito depreende­se que os pagamentos efetuados pelos  contribuintes,  nos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação,  ainda que em  Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10680.720186/2009­13  Acórdão n.º 1001­000.568  S1­C0T1  Fl. 7          6 atraso, em mora, estão exonerados da multa moratória por alcançados pelo instituto  da denúncia espontânea, desde que os referidos recolhimentos sejam efetuados antes  de qualquer procedimento de ofício ou informação prestada em DCTF."  Das  conclusões  extraídas  acima,  evidencia­se  que  a matéria  já  foi  decidida  em caráter definitivo, tendo prevalecido o entendimento de que a denúncia espontânea alcança  à multa de mora nos casos de tributos sujeitos ao  lançamento por homologação, desde que o  recolhimento  ocorra  antes  de  qualquer  procedimento  de  ofício  ou  informação  prestada  em  DCTF.  Destarte, vencida a questão de direito, para o acolhimento das pretensões da  Recorrente  ainda  era  necessário,  por  ocasião  do  julgamento  supracitado,  que  restassem  efetivamente  comprovados  que  a  quitação  dos  débitos,  via  compensação,  tivessem  ocorrido  antes  do  lançamento  informado  em DCTF. Portanto,  a  ilustre Turma decidiu  por determinar  diligência à autoridade fiscal, nos seguintes termos:  "No  caso  em  concreto,  a  autoridade  a  quo  prescinde  dessa  análise  por  entender que a denúncia espontânea exonera somente a multa punitiva.  Desta forma, mister é para dirimir o litígio que os autos retornem à unidade de  jurisdição da recorrente para que se verifique se os tributos indicados como débitos a  serem  compensados  foram  informados  em  DCTF,  antes  das  compensações  realizadas, ou se houve qualquer procedimento de ofício para exigi­los.  A  autoridade  fiscal  designada  ao  cumprimento  desta  diligência  deverá  elaborar um Relatório Fiscal abordando o resultado das pesquisas efetuadas.  A recorrente deve ser  informada sobre o resultado das diligências, sendo­lhe  facultado se manifestar em prazo regulamentar.  Após  os  autos  deverão  retornar  a  este  Conselheiro  para  pronunciamento  da  decisão."  Procedida  a  diligência  nos  termos  determinados,  a  autoridade  fiscal  apresentou resposta às fls. 150 a 151 dos autos, replico a parte final e suas conclusões:  " (...)  Os débitos de Pis e Cofins de março de 2005 se encontram confessados em  DCTF desde 07/10/2005. A retificadora desta declaração não alterou estes débitos.  Isto  é,  houve  constituição  dos  débitos  anteriormente  à  compensação  efetivada  em  11/11/2005.  Os débitos de Pis e Cofins de junho de 2005 se encontram confessados desde  07/10/2005,  em DCTF.  A  retificadora  desta  declaração  não  alterou  estes  débitos.  Isto  é,  houve  constituição  dos  débitos  anteriormente  à  compensação  efetivada  em  11/11/2005.  Já  a  situação  do  Pis  de  julho  de  2005  é  inversa,  ou  seja,  a  constituição  em  DCTF  foi  posterior  (em  07/04/2006)  à  compensação  efetivada  em  16/11/2005.  A  retificação da DCTF não alterou esta situação.  Em relação a estes débitos, não foi localizado qualquer lançamento, isto é, em  relação a eles não houve qualquer procedimento de ofício.  Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10680.720186/2009­13  Acórdão n.º 1001­000.568  S1­C0T1  Fl. 8          7 Tela  do  SAPO  (sistema  de  apoio  operacional),  anexada  a  este  e­processo  mostra  os  cálculos  da  compensação.  Verifica­se  que  o  único  débito  que  estaria  sujeito a denúncia espontânea (Pis de julho de 2005 – único caso em que a DCTF foi  apresentada depois da compensação) não chegou a ser atingido pela compensação,  pois o crédito se esvaiu antes disto:  (...)"  Da analise da resposta da diligência, tem­se que, à exceção do PIS de Julho  de 2005,  todos os débitos  foram  lançados  em DCTF antes da  respectiva  compensação,  logo,  não  cumprem o  pré­requisitos  necessário  para  a  caracterização  da  espontaneidade necessária  para se afastar a multa moratória, conforme já exposto anteriormente.  Já quanto ao PIS do período de Julho de 2005, a diligência demonstrou que  houve espontaneidade, contudo, faltou a necessária quitação do débito, vez que os créditos que  a  Recorrente  possuía  não  foram  suficientes  para  satisfazê­los,  logo  não  há  que  se  falar  em  aplicação do art. 138 do CTN quanto a este lançamento.  Por derradeiro,  resta  comprovado que nenhum dos débitos  fiscais  ainda  em  litígio  são  passíveis  de  aplicação  da  denúncia  espontânea,  conforme  pretendia  a  Recorrente,  portanto, não devem seus argumentos serem acolhidos.   Em face a todo o exposto, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso  Voluntário, com a consequente manutenção in totum da decisão de origem.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Eduardo Morgado Rodrigues ­ Relator                              Fl. 440DF CARF MF

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Numero do processo: 10950.720647/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo CARF, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a saná-las. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. INCAPACIDADE FINANCEIRA PARA O PAGAMENTO. ALEGAÇÃO ESTRANHA À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. O julgador administrativo deve se ater à verificação da adequação do lançamento em relação a normas legais vigentes, não podendo considerar, em sua apreciação e convencimento, situações de cunho pessoal.
Numero da decisão: 2301-005.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301-003.230, de 22/11/2012, alterar o dispositivo para "Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanharam a votação por suas conclusões os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira". Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1949; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 2          1 1  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10950.720647/2010­56  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  2301­005.358  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  7 de junho de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE HOSPITAL SANTA CASA DE  MISERICÓRDIA DE CAMPO MOURÃO    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.   Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão  exarado pelo CARF, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a  saná­las.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  SEGURADO  CONTRIBUINTE  INDIVIDUAL. INCAPACIDADE FINANCEIRA PARA O PAGAMENTO.  ALEGAÇÃO ESTRANHA À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.  A  empresa  é  obrigada  a  arrecadar  a  contribuição  do  segurado  contribuinte  individual  a  seu  serviço,  descontando­a  da  respectiva  remuneração,  e  a  recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo.  O  julgador  administrativo  deve  se  ater  à  verificação  da  adequação  do  lançamento em relação a normas legais vigentes, não podendo considerar, em  sua apreciação e convencimento, situações de cunho pessoal.      Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos,  acordam  os  membros  do  Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício  apontado no Acórdão nº 2301­003.230, de 22/11/2012, alterar o dispositivo para "Acordam os  membros  do  colegiado,  I)  por  unanimidade  de  votos:  a)  negar  provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  voto  do  relator.  Acompanharam  a  votação  por  suas  conclusões  os  Conselheiros  Bernadete  de  Oliveira  Barros  e  Marcelo  Oliveira".  Ausente  justificadamente  o  conselheiro  Marcelo Freitas de Souza Costa.  João Bellini Júnior – Presidente e Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 06 47 /2 01 0- 56 Fl. 437DF CARF MF     2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:  João Maurício Vital,  Wesley Rocha, Antônio  Sávio Nastureles,  Juliana Marteli  Fais  Feriato  e  João Bellini  Júnior  (presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.  Relatório  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela União,  representada  pela  Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional (PGFN), respeitantes ao acórdão 2301­003.229, de 22  de novembro de 2012.  Os embargos restaram admitidos em face de contradição entre o resultado do  julgamento e os seus fundamentos no acórdão embargado, pelo qual restou provido o recurso  voluntário, por unanimidade de votos, nos termos do voto do relator, que por sua vez orientou  seu  voto  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  mas  concluiu,  no  mérito,  por  dar  provimento ao recurso.  É o relatório.  Voto             Conselheiro João Bellini Júnior – Relator.  Penso que as razões expostas pelo relator são suficientemente claras para que  se  possa  verificar  que  seu  voto  orientou­se  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  Transcrevo­as:  DA NULIDADE DO LANÇAMENTO  2.  Afirma  a  recorrente  que  o  ato  administrativo  analisado  merece desconstituição, em virtude de sua ilegalidade, inclusive  no que se refere à aplicação da multa de mora.  3. Cabe destacar que não lhe assiste razão nesse sentido, posto  que o ato administrativo analisado se reveste de legalidade, não  constando das razões da recorrente argumentos que pudessem  sustentar  fundamentadamente  a  ocorrência  de  qualquer  espécie de maculação desse ato.  4.  No  que  tange  à multa  de mora,  saliente­se  que  há  previsão  legal para tal exigência como consta do art. 35 da Lei 8.212/91,  como transcrevo a seguir:  "Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições  sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11  desta Lei, das contribuições  instituídas a título de substituição e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação,  serão  acrescidos  de multa  de mora  e  juros  de mora,  nos  termos  do  art.  61  da  Lei  n°  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009)."  5.  Desse  modo,  na  sequência,  passo  a  analisar  o  mérito,  pois  constata­se  que  houve  a  devida  fundamentação  legal  do  ato  discutido.  Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10950.720647/2010­56  Acórdão n.º 2301­005.358  S2­C3T1  Fl. 3          3 DO MÉRITO  6. O  lançamento  em questão  teve  como origem o  levantamento  de contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações  efetivamente  pagas  aos  segurados  contribuintes  individuais  a  serviço do sujeito passivo.  7. Em suas razões, a recorrente dispõe que a sua fonte de receita  é insuficiente para atender às necessidades que são próprias do  atendimento às populações carentes.  8. Ademais, assevera que a decisão recorrida não é bem clara,  não somente em sua redação, como também na justificação dos  fundamentos do auto de infração lavrado, em confronto com as  razões da impugnação.  9.  Diante  disso,  entendo  que  não  lhe  assiste  razão,  pois  a  legislação  previdenciária  trata  da  obrigação  principal  em  questão,  estabelecendo­se  uma  relação  de  obrigatoriedade  e  vinculação da atividade fiscal nessas situações.  10.  Quanto  à  alegação  relativa  à  condição  financeira  da  recorrente,  cabe  salientar  que  essa  qualidade  caracteriza­se  como  de  cunho  pessoal,  não  sendo,  portanto,  objeto  de  formação da minha convicção.  11.  No  que  se  refere  à  questão  atinente  à  clareza  da  decisão,  observa­se que o Acórdão 06­33.926 ­ 5a Turma da Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Curitiba  (DRJ/CTA) foi suficientemente claro e determinou a exclusão  de parte do crédito exigido, pois, segundo essa decisão, no que  tange  à  competência  julho  de  2007,  constatou­se  que  no  mês  anterior  ao  término  da  fiscalização  na  entidade  autuada,  ocorreu a entrega de GFIP complementar pela Unimed Regional  de  Campo  Mourão,  onde  foram  informados  os  salários  de  contribuição  constantes  em  documentos  apresentados  com  a  impugnação,  os  quais  não  haviam  sido  considerados  pelo  Auditor Fiscal para efeito do lançamento.  12.  Assim,  restou  retificado  o  valor  lançado  na  aludida  competência,  excluindo­se R$  3.033,08  (três  mil  e  trinta  e  três  reais e oito centavos) do valor originário lançado.  13.  Além disso, Conforme a Lei 8.212/91, dentre as obrigações  da empresa, está a de arrecadar e recolher as contribuições ou  outras importâncias devidas à Seguridade Social, como segue:  "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93)  I ­ a empresa é obrigada a:  (... )  b)  recolher  os  valores  arrecadados  na  forma  da  alínea  a  deste  inciso, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22 desta  Fl. 439DF CARF MF     4 Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as  remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos  segurados  empregados,  trabalhadores  avulsos  e  contribuintes  individuais a seu serviço até o dia 20 (vinte) do mês subsequente  ao da competência; (...)."  14.  Por  atender  a  legislação  previdenciária,  e,  em  motivo  de  não  vislumbrar  razões  da  recorrente  que  pudessem  afastar  a  pertinência  do  lançamento,  entendo  que  são  devidas  as  contribuições sociais previdenciárias.(Grifou­se.)    Conclusão  Voto,  portanto,  por  ACOLHER  os  embargos  de  declaração  com  efeitos  infringentes  para,  sanando  o  vício  apontado  no  Acórdão  nº  2301­003.230,  de  22/11/2012,  alterar o dispositivo para “Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a)  negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanharam a votação por suas  conclusões os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira”.      (assinado digitalmente)  João Bellini Júnior  Relator                             Fl. 440DF CARF MF

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Numero do processo: 12585.720011/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetem-se ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitam-se ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetam-se, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017). RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas. A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”. A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. DECLARAÇÕES. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos é necessário que reste configurada a não utilização de tais créditos em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes ou a apresentação de outra prova inequívoca nesse sentido. INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações. No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não-cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS.
Numero da decisão: 3402-005.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes acompanharam a relatora pelas conclusões; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" ; (b) por maioria de votos para (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", ¿serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra. (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo". Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto; (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. Em primeira votação, reconhecido que os uniformes dos aeronautas se enquadram no conceito de insumo. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. Em segunda votação, por entender que abrange tanto o transporte aéreo de cargas como o transporte aéreo internacional de passageiros. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra que restringiam somente ao transporte aéreo de cargas. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; (c) pelo voto de qualidade, para manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz irá apresentar declaração de voto neste ponto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes acompanharam a relatora pelas conclusões; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" ; (b) por maioria de votos para (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", ¿serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra. (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo". Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto; (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. Em primeira votação, reconhecido que os uniformes dos aeronautas se enquadram no conceito de insumo. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. Em segunda votação, por entender que abrange tanto o transporte aéreo de cargas como o transporte aéreo internacional de passageiros. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra que restringiam somente ao transporte aéreo de cargas. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; (c) pelo voto de qualidade, para manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz irá apresentar declaração de voto neste ponto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetem-se ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitam-se ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetam-se, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017). RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas. A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”. A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. DECLARAÇÕES. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos é necessário que reste configurada a não utilização de tais créditos em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes ou a apresentação de outra prova inequívoca nesse sentido. INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações. No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não-cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS.

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3402­005.313  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de junho de 2018  Matéria  COFINS  Recorrente  TAM LINHAS AÉREAS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009  PIS/COFINS.  RATEIO  PROPORCIONAL.  CRÉDITOS.  RECEITAS  FINANCEIRAS.  As  receitas  financeiras  devem  ser  consideradas  no  cálculo  do  rateio  proporcional  entre  a  receita  bruta  sujeita  à  incidência  não  cumulativa  e  a  receita  bruta  total,  auferidas  em  cada mês,  aplicável  aos  custos,  despesas  e  encargos comuns.  As  receitas  financeiras  não  estão  listadas  entre  as  receitas  excluídas  do  regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins  e,  portanto,  submetem­se  ao  regime  de  apuração  a  que  a  pessoa  jurídica  beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitam­se ao regime de apuração não  cumulativa dessas contribuições as  receitas  financeiras auferidas por pessoa  jurídica  que  não  foi  expressamente  excluída  desse  regime,  ainda  que  suas  demais receitas submetam­se, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de  apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017).  RECEITAS.  TRANSPORTE  INTERNACIONAL  DE  PASSAGEIROS.  REGIME NÃO CUMULATIVO.  Estão  excluídas  do  regime  não  cumulativo  as  receitas  decorrentes  de  prestação  de  serviço  de  transporte  coletivo  de  passageiros  no  que  concerne  somente ao transporte em linhas regulares domésticas.   A expressão  "efetuado por empresas  regulares de  linhas aéreas domésticas"  contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo  de  restringir  o  termo  inicial  "prestação de  serviço de  transporte  coletivo  de  passageiros”.   A exclusão de algumas  receitas da  regra geral da  incidência do  regime não  cumulativo,  por  se  tratar  de  regra  de  exceção,  comporta  interpretação     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 00 11 /2 01 2- 15 Fl. 1785DF CARF MF     2 restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de  passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo.  PIS/COFINS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS.  INSUMOS.  CONCEITO.   Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas  são  todos  aqueles  bens  e  serviços  pertinentes  e  essenciais  ao  processo  produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo  de  produção  naquilo  que  não  seja  conflitante  com  o  disposto  nas  Leis  nºs  10.637/02 e 10.833/03.  CRÉDITO  EXTEMPORÂNEO.  DECLARAÇÕES.  RETIFICAÇÕES.  COMPROVAÇÃO.  Para utilização de créditos extemporâneos é necessário que reste configurada  a não utilização de tais créditos em períodos anteriores, mediante retificação  das declarações correspondentes ou a apresentação de outra prova inequívoca  nesse sentido.  INSUMOS  IMPORTADOS.  FRETE  NACIONAL.  DESPESAS  COM  DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.  Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao  frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas  não  integram  a  base  de  cálculo,  estabelecida  em  lei,  do  crédito  das  contribuições relativo às importações.   No  caso  de  bem  importado  utilizado  como  insumo,  o  creditamento  relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que  é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou  com  despachantes  aduaneiros,  mas  é  a  que  prevalece  em  relação  a  outras  normas  gerais.  Ainda  que  assim  não  fosse,  não  se  vislumbraria  a  possibilidade  de  creditamento  das  contribuições  de  PIS/Cofins  como  "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação  de  serviços  de  transporte  de  passageiros  e  carga  pela  recorrente,  nem  tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os  bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no  País.   INSUMOS.  UNIFORMES  DE  AERONAUTAS.  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.   Os  dispêndios  com  aquisição  de  uniformes  para  aeronautas  é  de  responsabilidade do  empregador,  conforme determinação  legal  constante  na  Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças  de  uniformes  aos  aeronautas  não  é  uma  liberalidade,  mas  sim  decorre  de  obrigação  legal,  caracterizando então  requisito  sine qua non para que possa  estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como  dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como  custo  dos  serviços  prestados,  claramente  essencial  para  o  exercício  de  suas  atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não­ cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 12585.720011/2012­15  Acórdão n.º 3402­005.313  S3­C4T2  Fl. 1.786          3 Acordam os membros do Colegiado em dar parcial  provimento  ao Recurso  Voluntário  da  seguinte  forma:  (a)  por  unanimidade  de  votos  para  (a.1)  seja  efetuado  novo  cálculo do percentual de  rateio proporcional  levando em consideração as  receitas  financeiras  como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas  de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual  os  Conselheiros  Diego  Diniz  Ribeiro,  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz  e  Rodrigo  Mineiro  Fernandes  acompanharam a  relatora pelas  conclusões;  (a.3)  reverter  as  glosas de  créditos de  insumos  no  montante  relativo  ao  transporte  internacional  de  cargas,  correspondentes  às  despesas  relacionadas  às  aquisições de bens patrimoniais  relativamente  à  conta  "Gastos  com  combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de  equipamentos  de  raio  X"  e  "segurança  patrimonial"  ;  (b)  por  maioria  de  votos  para  (b.1)  reconhecer  que  as  receitas  originadas  do  transporte  internacional  de  passageiros  estão  abrangidas pelo regime não cumulativo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes  e Waldir Navarro Bezerra; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo  ao  transporte  aéreo  internacional  de  passageiros  correspondentes:  (b.2.1)  às  tarifas  aeroportuárias,  (b.2.2)  aos  seguintes  gastos  com  atendimento  ao  passageiro:  serviços  de  atendimento  de  pessoas  nos  aeroportos,  serviços  auxiliares  aeroportuários,  serviços  de  handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos  com  voos  interrompidos;  (b.2.3)  rubrica  "gastos  não  relacionados  à  atividade  de  transporte  aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do  embarque e desembarque de passageiros e cargas", ¿serviços de operação de equipamentos de  raio X"  e  "segurança patrimonial"). Vencidos  os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes  e  Waldir Navarro Bezerra. (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a  rubrica  "gastos  não  relacionados  à  atividade  de  transporte  aéreo". Vencidos  os Conselheiros  Thais De  Laurentiis Galkowicz, Maysa  de  Sá  Pittondo Deligne  e  Rodolfo  Tsuboi  (Suplente  Convocado)  que  davam  provimento  ao  Recurso  neste  ponto;  (b.4)  reverter  a  glosa  para  as  despesas  com  os  uniformes  dos  aeronautas  na  forma  da  Lei  n.º  7.183/1994  relativo  ao  transporte  aéreo  de  cargas  e  internacional  de  passageiros. Em primeira  votação,  reconhecido  que  os  uniformes  dos  aeronautas  se  enquadram  no  conceito  de  insumo.  Vencidos  os  Conselheiros  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula  (relatora),  Pedro  Sousa  Bispo  e  Waldir  Navarro Bezerra. Em segunda votação, por entender que abrange  tanto o  transporte aéreo de  cargas  como  o  transporte  aéreo  internacional  de  passageiros.  Vencidos  os  Conselheiros  Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra que restringiam somente ao transporte  aéreo  de  cargas.  Designada  a  Conselheira  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz;  (c)  pelo  voto  de  qualidade, para manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e  os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais  De  Laurentiis  Galkowicz,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne  e  Rodolfo  Tsuboi  (Suplente  Convocado)  que  davam  provimento  ao  Recurso  neste  ponto.  A  Conselheira  Thais  De  Laurentiis Galkowicz irá apresentar declaração de voto neste ponto.     (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente   (assinado digitalmente)  Maria Aparecida Martins de Paula ­ Relatora  (assinado digitalmente)  Fl. 1787DF CARF MF     4 Thais De Laurentiis Galkowicz ­ Redatora Designada  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Waldir  Navarro  Bezerra,  Diego  Diniz  Ribeiro,  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e  Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).    Relatório  Trata­se de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em  Curitiba  que  julgou  procedente  em  parte  a manifestação  de  inconformidade  da  contribuinte,  mas manteve o indeferimento do PER e a não homologação das compensações vinculadas.  Versa  o  processo  sobre  Pedido  de  Ressarcimento  (PER)  de  nº  05657.67176.201211.1.1.09­1917  ao  qual  foram  vinculadas  as Declarações  de Compensação  (Dcomp´s)  n°s  19285.46828.201211.1.3.09­5371  e  14221.11891.221211.1.3.09­6373.  O  ressarcimento solicitado é de créditos de Cofins não cumulativa, apurados do 1º trimestre de  2009  em  relação  a  suas  operações  de  transporte  aéreo  internacional  no  montante  de  R$21.505.948,37. No procedimento fiscal, em relação ao mesmo período de apuração, foram  examinados  três  Pedidos  de Restituição  de  pagamentos  indevidos  ou  a maior,  incluídos  nos  seguintes processos: 12585.720235/2012­19, 12585.720236/2012­63 e 12585.720237/2012­16.  O  pedido  de  ressarcimento  foi  indeferido  e  a  compensação  não  foi  homologada sob os seguintes fundamentos:  ­ A empresa possui receitas sujeitas ao regime cumulativo, obtidas com o transporte  aéreo de passageiros, e receitas sujeitas ao regime não cumulativo, obtidas com as demais atividades,  entre elas o transporte aéreo nacional e internacional de cargas, sujeitas, portanto, ao rateio previsto nos  §§ 7°, 8° e 9° do artigo 3° das Leis n° 10.637/2002 (PIS/Pasep) e 10.833/2003 (Cofins).  ­  O  percentual  a  ser  estabelecido  entre  a  receita  bruta  sujeita  à  incidência  não  cumulativa e a receita bruta total para aplicação do rateio proporcional a ser utilizado na apuração de  créditos do PIS/Cofins, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do  somatório somente das receitas cuja obtenção teve o envolvimento do consumo dos insumos sobre os  quais  são  apurados  os  créditos,  razão  pela  qual  as  receitas  financeiras  e  as  receitas  provenientes  da  venda  de  bens  do  ativo  permanente  não  devem  ser  consideradas  no  estabelecimento  da  relação  percentual destinada a apropriação dos créditos. A receita à qual se encontram vinculados os créditos  tratados no pedido é a receita do transporte aéreo internacional de cargas, incluída no inciso V do artigo  46 da IN nº 247/2002.  ­ As glosas a seguir referem­se não apenas aos créditos apurados no 1º Trimestre de  2009, mas  também  aos  créditos  que,  em  decorrência  da  releitura  das  normas  feita  pelo  contribuinte,  foram apurados no período de janeiro de 2007 a março de 2008: • 9.1 ­ Tarifas Aeroportuárias • 9.2 ­  Combustível de Aviação Utilizado no Transporte  Internacional  • 9.3  ­ Gastos com o Atendimento ao  Passageiro • 9.4 ­ Aquisição de Bens Patrimoniais • 9.5 ­ Créditos Extemporâneos • 9.6 ­ Gastos com  Importação • 9.7 ­ Gastos com a Estadia de Tripulantes • 9.8 ­ Gastos com o Reparo de Equipamentos  Utilizados na Manutenção • 9.9 ­ Gastos não Diretamente Aplicados na Ativ. de Transp. Aéreo • 9.10 ­  Créditos  Apurados  sobre  Pagamentos.  Efetuados  a  Pessoas  Físicas  •  9.11  ­  Outros  Gastos  não  Classificáveis como Insumo".   A  interessada  apresentou  manifestação  de  inconformidade  aduzindo,  em  síntese:  Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 12585.720011/2012­15  Acórdão n.º 3402­005.313  S3­C4T2  Fl. 1.787          5 1. A divergência no  cálculo dos valores  relativos  à  “Receita Bruta Total” apurada  pela  fiscalização  e  calculada  pela  contribuinte  são  as  seguintes:  possibilidade  ou  não  de  a  “Receita  Financeira” compor a “Receita Bruta Não Cumulativa” e a “Receita Bruta Total”; e a possibilidade ou  não  de  a  “Receita  de  Transporte  Internacional  de  Passageiros”  compor  a  “Receita  Bruta  Não  Cumulativa” e a “Receita Bruta Total”.  2. A fiscalização desgarrou­se dos ditames  legais ao  fixar critérios próprios para a  identificação das receitas que devem compor a referida fórmula para cálculo do percentual aplicável aos  custos, despesas e demais gastos comuns, base para a apropriação de créditos do PIS/Cofins. As receitas  financeiras  são  inquestionavelmente  pertencentes  ao  rol  de  receitas  não  cumulativas  auferidas  pelas  pessoas jurídicas contribuintes do PIS/Cofins, de forma que foi correto o procedimento da recorrente de  incluí­las no cálculo das receitas brutas não cumulativas a que se refere o mencionado inciso II do §8°  do art. 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, do mesmo modo que foi correta a sua inclusão no  cálculo das receitas brutas totais a que também se refere o aludido dispositivo.  4. As  receitas  originárias do  transporte  nacional  de passageiros  estão  incluídas  no  regime cumulativo do PIS/Cofins, mas, jamais, o internacional.  5.  Os  créditos  da  não  cumulatividade  do  PIS/Cofins  não  devem  alinhar­se  às  definições  de  custo  e  despesas  de  que  trata  o  RIR/99,  mas  devem  atender  aos  requisitos  de  imprescindibilidade  à  própria  obtenção  do  produto  ou  serviço  prestado  e,  ainda,  devem  possuir  um  estrito  relacionamento  com  os  processos  de  fabricação,  produção  ou  prestação  de  serviços  do  contribuinte. Contesta a recorrente em caráter específico todas as glosas.  A  Delegacia  de  Julgamento  acatou  parcialmente  as  razões  de  defesa  da  impugnante, sob os seguintes fundamentos principais:  ­ Somente podem ser considerados insumos os bens ou os serviços intrinsecamente  vinculados à produção de bens, isto é, quando aplicados ou consumidos diretamente na etapa produtiva  da empresa requerente do crédito.  ­  O  percentual  a  ser  estabelecido  entre  a  receita  bruta  sujeita  à  incidência  não  cumulativa e a  receita bruta  total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional a ser  utilizado  na  apuração  de  créditos  das  contribuições,  referente  a  custos,  despesas  e  encargos  comuns,  deve  ser  aquele  resultante  do  somatório  somente  das  receitas  que,  efetivamente,  foram  incluídas  nas  bases  de  cálculo  de  incidências  e  recolhimentos  nos  regimes  da  não  cumulatividade  e  da  cumulatividade.  Assim,  as  receitas  financeiras,  por  não  integrarem  ou  estarem  excluídas  da  base  de  cálculo de incidência e recolhimento das contribuições, não integram também os respectivos montantes  da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total.  ­ Interessa a análise da espécie de receita citada na 1ª parte do inciso XVI do art. 10  da Lei nº 10.833, de 2003. Da literalidade do texto, constata­se que se trata de norma que alberga dois  requisitos:  permanecem  na  cumulatividade  das  contribuições  determinadas  receitas  (“receitas  decorrentes  de  prestação  de  serviço  de  transporte  coletivo  de  passageiros”)  se  auferidas  por  determinadas  pessoas  jurídicas  (“empresas  regulares de  linhas  aéreas  domésticas”). É  de  se  concluir,  portanto,  que  as  empresas  devem  operar  linhas  aéreas  domésticas,  o  que  equivale  a  exigir  que  tais  empresas sejam brasileiras.  ­ O valor  adicional de  crédito deferido pela DRJ em  face da  reversão de  algumas  glosas  não  foi  suficiente  para  deduzir  toda  a  contribuição  devida  do  período  de  apuração.  A  consequência do deferimento desse crédito adicional ocorrerá no respectivo processo de restituição de  pagamento indevido, que terá o crédito deferido pela fiscalização aumentado exatamente no valor ora  reconhecido  Não consta nos autos a data em que a contribuinte  foi cientificada, mas ela  apresentou  recurso  voluntário  em  01/07/2016,  mediante  o  qual  repisou  os  argumentos  da  manifestação de inconformidade e acrescentou outros, sob os seguintes tópicos:  Fl. 1789DF CARF MF     6 I  ­  Dos  Fundamentos  que  Confirmam  que  as  Receitas  Financeiras  pertencem  às  receitas brutas não cumulativas  II ­ Dos Fundamentos que Confirmam que as Receitas de Transporte Internacional  de Passageiros Pertencem às Receitas Brutas Não Cumulativas  III ­ Do Regime não cumulativo das contribuições ao PIS e Cofins   1. Da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias  2.  Da  glosa  relacionada  aos  combustíveis  utilizados  no  transporte   3.  Da  glosa  relacionada  aos  gastos  ao  atendimento  ao  passageiro  4.  Da  glosa  relacionada  às  aquisições  de  bens  patrimoniais  5. Da glosa relacionada aos créditos extemporâneos  6. Da glosa relacionada aos gastos com importação  7.  Da  glosa  relacionada  aos  gastos  com  estadia  de  tripulantes  8.  Da  glosa  relacionada  aos  gastos  com  o  reparo  de  equipamentos  utilizados  na  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos  9.  Da  glosa  relacionada  aos  gastos  não  relacionados  à  atividade de transporte aéreo  10.  Da  glosa  relacionada  aos  gastos  com  pagamentos  efetuados a pessoas físicas  11.  Da  glosa  relacionada  aos  gastos  não  considerados  insumos ­ Bens de uso e consumo  A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  (PFN)  apresentou  contrarrazões  ao  recurso voluntário, sustentando a manutenção da decisão recorrida.  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora  Nos  termos  do  art.  26,  §5º  da  Lei  nº  9.784/99,  a  falta  de  intimação  é  considerada suprida pelo comparecimento do administrado.  Atendidos  aos  requisitos  de  admissibilidade,  toma­se  conhecimento  do  recurso voluntário.  I ­ Rateio Proporcional ­ Receitas Financeiras   Como  se  sabe,  os  créditos  das  contribuições  do  PIS  e  da  Cofins  podem  somente  ser  apropriados  pela  contribuinte  em  relação  à  receita  bruta  não  cumulativa,  sendo  Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 12585.720011/2012­15  Acórdão n.º 3402­005.313  S3­C4T2  Fl. 1.788          7 que, na hipótese de a empresa auferir receitas nos dois regimes (cumulativo e não cumulativo),  o  crédito  da  contribuição  deverá  ser  apurado  em  conformidade  com  o  disposto  nos  arts.  3º,  §§7º a 9º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins) e 10.637/2002 (PIS/Pasep):  Lei nº 10.833/2003:  Art.  3o  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos calculados em relação a:  (...)  §  7o  Na  hipótese  de  a  pessoa  jurídica  sujeitar­se  à  incidência  não­cumulativa  da  COFINS,  em  relação  apenas  à  parte  de  suas  receitas,  o  crédito  será  apurado,  exclusivamente,  em  relação  aos  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  a  essas  receitas.  § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no  caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas  submetidas  ao  regime  de  incidência  cumulativa  dessa  contribuição,  o  crédito  será  determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de:   I  ­  apropriação  direta,  inclusive  em  relação  aos  custos,  por  meio  de  sistema  de  contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou   II  ­  rateio  proporcional,  aplicando­se  aos  custos,  despesas  e  encargos  comuns  a  relação  percentual  existente  entre  a  receita  bruta  sujeita  à  incidência  não­ cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. [negritei]  § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do  §  8o,  será  aplicado  consistentemente  por  todo  o  ano­calendário  e,  igualmente,  adotado  na  apuração  do  crédito  relativo  à  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­ cumulativa,  observadas  as  normas  a  serem  editadas  pela  Secretaria  da  Receita  Federal.  (...)   No caso, a recorrente adota o método do rateio proporcional, sendo o crédito  da contribuição determinado pela multiplicação do valor integral do crédito por um percentual  obtido  pela  razão  entre  a  receita  bruta  não  cumulativa  e  a  receita  bruta  total  auferida  pela  empresa no mês.  Sustenta a fiscalização que as receitas financeiras, por não serem relacionadas  aos  insumos  sobre  os  quais  são  apurados  os  créditos,  não  deveriam  ser  consideradas  no  estabelecimento da relação percentual destinada à apropriação dos créditos.   No  entanto,  as  receitas  financeiras  integram,  sim,  a  receita  bruta  não  cumulativa,  inclusive,  posteriormente  aos  períodos  de  apuração  sob  análise,  mediante  o  Decreto  nº  8.426/2015,  foram  restabelecidas  as  alíquotas  das  contribuições  de  PIS/Pasep  e  Cofins  incidentes  sobre  as  receitas  financeiras  auferidas  pelas  pessoas  jurídicas  sujeitas  ao  regime de apuração não cumulativa dessas contribuições.  Nessa linha também é a orientação da própria Cosit ­ órgão central da Receita  Federal na Solução de Consulta nº 387 ­ Cosit, de 31 de agosto de 2017, assim ementada:  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep   RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE APURAÇÃO.  As  receitas  financeiras não  estão  listadas  entre  as  receitas  excluídas  do  regime de  apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e, portanto, submetem­se  ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida.  Fl. 1791DF CARF MF     8 Assim,  sujeitam­se  ao  regime de  apuração não cumulativa da Contribuição para o  PIS/Pasep  as  receitas  financeiras  auferidas  por  pessoa  jurídica  que  não  foi  expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetam­se,  parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa.  Dispositivos Legais: Lei nº 10.833/2003, arts. 10 e 15, V.  Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins   (...)  Ademais, como se vê nos §§8º dos arts. 3º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins)  e 10.637/2002 (PIS/Pasep) não há qualquer ressalva a respeito das receitas sujeitas à alíquota  zero  das  contribuições  ou  da  necessidade  de  ter  havido  pagamento  das  contribuições  para  o  cômputo nas receitas brutas.  Tem­se  como  princípio  fundamental  da  hermenêutica  que  onde  a  lei  não  distingue,  não  pode o  intérprete  distinguir. A  respeito  do  tema, Carlos Maximiliano  afirmou  que,"quando o  texto  dispõe  de modo  amplo,  sem  limitações  evidentes,  é dever  do  intérprete  aplicá­lo  a  todos  os  casos  particulares  que  se  possam  enquadrar  na  hipótese  geral  prevista  explicitamente;  não  tente  distinguir  entre  as  circunstâncias  da  questão  e  as  outras;  cumpra  a  norma tal qual é, sem acrescentar condições novas, nem dispensar nenhuma das expressas" (in  "Hermenêutica e Aplicação do Direito", 17ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 1998, p. 247). 1  Dessa forma, no cálculo do rateio proporcional entre a receita auferida sob o  regime não cumulativo em relação ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, devem  ser consideradas as receitas financeiras como integrantes dessas outras duas receitas, ainda que  tributadas à alíquota zero nos períodos de apuração.  Nesse mesmo sentido  já decidiu este Colegiado, por unanimidade de votos,  no  Acórdão  cuja  ementa  se  transcreve  abaixo,  relativamente  a  consideração  das  receitas  financeiras no cálculo do rateio proporcional das receitas de exportação não cumulativas:   Processo nº 16366.000413/200689   Recurso nº Embargos   Acórdão nº 3402­004.312– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de 25 de julho de 2017  Relatora: Maria Aparecida Martins de Paula  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006   EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO.  Caracterizada  a  omissão  sobre  ponto  que  deveria  o  Colegiado  se  pronunciar,  ela  deve ser suprida pelos embargos de declaração com a apreciação da correspondente  alegação.  RATEIO  PROPORCIONAL.  RECEITAS  FINANCEIRAS.  RECEITA  BRUTA  TOTAL.  O  método  de  rateio  proporcional  utilizado  na  apuração  dos  créditos  da  Cofins  vinculados à exportação consiste na aplicação, sobre o montante de custos, despesas  e  encargos  vinculados  comumente  a  receitas  brutas  não  cumulativas  do  mercado  interno  e  da  exportação,  da  proporcionalidade  existente  entre  a  Receita  Bruta  da  Exportação não cumulativa e a Receita Bruta Total no regime não Cumulativo. Não  há permissivo legal para a exclusão de qualquer valor, inclusive receitas financeiras,  da  Receita  Bruta  da  Exportação  não  Cumulativa  ou  da  Receita  Bruta  Total  no  Regime não cumulativo.                                                              1  STJ  ­  REsp:  853086  RS  2006/0138015­7,  Relator:  Ministra  DENISE  ARRUDA,  Data  de  Julgamento:  25/11/2008, T1 ­ PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: <!­­ DTPB: 20090212<br> ­­> DJe 12/02/2009.  Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 12585.720011/2012­15  Acórdão n.º 3402­005.313  S3­C4T2  Fl. 1.789          9 Embargos acolhidos  Também no Acórdão nº 3201­002.235– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de  22 de junho de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, foi assim  decidido:  (...)  Exclusão das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional   O terceiro tema é matéria recorrente neste Colegiado Administrativo. Diz com  a  exclusão,  pela  fiscalização,  das  receitas  financeiras  no  cálculo  do  rateio  proporcional, previsto no art. 3º, § 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de  2003, dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes  cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins.  Essa mesma  Turma  de  Julgamento  já  se  posicionou  a  respeito,  entendendo  ilegal  a  exclusão,  uma  vez  que,  não  falando  a  lei  em  receita  bruta  sujeita  ao  pagamento  da  Cofins,  mas  apenas  em  receita  bruta  sujeita  à  incidência  não  cumulativa,  não  caberia  ao  intérprete  restringir  o  que  a  lei  não  restringiu.  Eis  a  ementa da decisão:  CRÉDITOS  DE  COFINS.  RATEIO  PROPORCIONAL.  RECEITAS  FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA  BRUTA TOTAL.  O  art.  3º, §8º,  II,  da  Lei  nº  10.833/2003  não  fala  em  receita  bruta  total  sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a  lei  não  o  faz.  Impõe­se  o  cômputo  das  receitas  financeiras  no  cálculo  da  receita  brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de COFINS não cumulativo.  (CARF/3ª Seção/2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Thiago Moura  de Albuquerque Alves, Acórdão n.º 3202­000.597, de 28/11/2012).  De  conseguinte,  as  receitas  financeiras  devem,  sim,  ser  consideradas  no  cálculo do rateio proporcional dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas  submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins.  (...)  Assim, cabe reforma na decisão recorrida para que seja efetuado novo cálculo  do  percentual  de  rateio  proporcional  levando  em  consideração  as  receitas  financeiras  como  integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total e efetuado o correspondente  ressarcimento/compensação no montante adicional.  II ­ Receitas de Transporte Internacional de Passageiros  A matéria controvertida neste  tópico envolve a  interpretação do  inciso XVI  do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep2, que assim dispõe:  Art.  10.  Permanecem  sujeitas  às  normas  da  legislação  da  COFINS,  vigentes  anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o:                                                              2 [Lei nº 10.833/2003]   Art.  15.  Aplica­se  à  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­cumulativa  de  que  trata  a  Lei  no  10.637,  de  30  de  dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)   (...)  V ­ nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196,  de 2005)  (...)    Fl. 1793DF CARF MF     10 I ­ as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998,  e na Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983;   II  ­  as  pessoas  jurídicas  tributadas  pelo  imposto  de  renda  com  base  no  lucro  presumido ou arbitrado; (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010)   III ­ as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES;   IV ­ as pessoas jurídicas imunes a impostos;   V  ­  os  órgãos  públicos,  as  autarquias  e  fundações  públicas  federais,  estaduais  e  municipais,  e as  fundações  cuja  criação  tenha  sido autorizada por  lei,  referidas no  art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição;  VI ­ sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária (...)  VII ­ as receitas decorrentes das operações:  (...)  XII  ­  as  receitas  decorrentes  de  prestação  de  serviços  de  transporte  coletivo  rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros;  (...)  XVI ­ as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de  passageiros, efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, e as  decorrentes da prestação de  serviço de  transporte de pessoas por  empresas de  táxi  aéreo; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [negritei]  (...)  Sustenta a autoridade administrativa no item 5.2 do Despacho Decisório que:  "O  contribuinte,  na  qualidade  de  “empresa  aérea  regular  de  passageiros”,  deve,  no  entanto,  observar o disposto nos  incisos XVI do art. 10° e V do art. 15º da Lei N° 10.833/2003, que  manteve  regime  cumulativo  as  receitas  do  transporte  aéreo  de  passageiros,  tenham elas  sido  obtidas no mercado doméstico ou no mercado internacional".  O julgador a quo, com esteio na Solução de Consulta Interna nº 12 ­ Cosit, de  11 de junho de 2014, interpreta a questão da seguinte forma:  No  caso  ora  debatido,  interessa  a  análise  da  espécie  de  receita  citada  na  1ª  parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Da literalidade do texto,  constata­se  que  se  trata  de  norma  que  alberga  dois  requisitos:  permanecem  na  cumulatividade  das  contribuições  determinadas  receitas  (“receitas  decorrentes  de  prestação  de  serviço  de  transporte  coletivo  de  passageiros”)  se  auferidas  por  determinadas pessoas jurídicas (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”).   O primeiro requisito exige apenas que tais receitas sejam decorrentes da  “prestação  de  serviço  de  transporte  coletivo  de  passageiros”,  sem  qualquer  condição  adicional.  Em  consequência,  tais  receitas  alcançam  tanto  as  decorrentes  de  transporte  doméstico  quanto  de  transporte  internacional  de  passageiros.  Deveras,  se  o  legislador  não  estabeleceu  expressamente,  nem  implicitamente, diferenciação de tratamento entre as duas modalidades de transporte  aéreo citadas, não cabe ao  intérprete  fazê­lo. Se o  legislador almejasse estabelecer  essa distinção, teria feito de forma clara, como fez no art. 14 da Medida Provisória  nº 2.158­35, de 24 de agosto de 2001, ao isentar das contribuições em tela apenas as  receitas decorrentes do “transporte internacional de cargas ou passageiros”.   Por outro  lado, o  segundo requisito estabelecido na primeira parte do  inciso  XVI  do  art.  10  da  Lei  nº  10.833,  de  2003,  para  aplicação  da  cumulatividade  do  PIS/Pasep e da Cofins, versa sobre as pessoas jurídicas que devem auferir as receitas  contempladas pela norma:  segundo o  texto  legal,  tais  receitas devem ser auferidas  por  “empresas  regulares  de  linhas  aéreas  domésticas”.  É  de  se  concluir,  portanto,  que as empresas devem operar linhas aéreas domésticas, o que equivale a exigir que  tais  empresas  sejam  brasileiras,  uma  vez  que,  pela  legislação  atual,  apenas  essas  podem prestar serviços de transporte aéreo público doméstico.   Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 12585.720011/2012­15  Acórdão n.º 3402­005.313  S3­C4T2  Fl. 1.790          11 Quanto à menção legal a “empresas regulares”, como condição a ser cumprida  pela pessoa jurídica, é de se ressaltar que a legislação estabelece que a qualidade de  regular ou não regular é vinculada à modalidade do transporte aéreo praticada  não à pessoa jurídica prestadora. Daí porque  imperioso concluir que, conquanto  se  refira  a  “empresas  regulares”,  o  dispositivo  legal  em  comento  quis  alcançar  as  empresas que operam linhas aéreas regulares.  Afinal,  é  ilógica  a  interpretação  de  que  a  qualidade  “regular”  atribuída  ao  vocábulo  “empresa”  tenha  objetivado  restringir  a  permanência  na  cumulatividade  das  contribuições  em  estudo  às  receitas  auferidas  pela  empresa  que  esteja  em  situação  regular.  Apesar  da  atecnia,  o  legislador  pretendeu  apenas  estabelecer  paralelismo redacional no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, referindo­se  em sua primeira parte às “empresas regulares de linhas aéreas”, para versar sobre o  transporte  aéreo  regular,  e  às  “empresas  de  táxi  aéreo”,  para  versar  sobre  o  transporte aéreo não regular (conforme art. 220 do CBA, “os serviços de táxi­aéreo  constituem modalidade de transporte público aéreo não regular”).   Diante do exposto, conclui­se que a primeira parte do inciso XVI do art. 10 da  Lei nº 10.833, de 2003, determina que permanecem sujeitas ao regime de apuração  cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins as receitas decorrentes da  prestação  de  serviços  de  transporte  coletivo  aéreo  de  passageiros,  nacional  (doméstico)  ou  internacional,  efetuado  por  empresa  que  opera  linhas  aéreas  domésticas  e  regulares.  Por  tal  razão,  a  pessoa  jurídica  que  opera  linhas  aéreas  domésticas  regulares  de  transporte  coletivo  não  pode  apurar  créditos  previstos  na  legislação  da  apuração  não  cumulativa  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins  em  relação  a  custos, despesas e encargos vinculados à prestação de serviços de  transporte aéreo  internacional de passageiros. [negritei]  Como  se  vê,  a  estratégia  hermenêutica  utilizada  pela  DRJ  foi  a  seguinte:  separou  a  primeira  parte  do  inciso  em  dois  requisitos,  quais  sejam,  “receitas  decorrentes  de  prestação  de  serviço  de  transporte  coletivo  de  passageiros”  e  “empresas  regulares  de  linhas  aéreas  domésticas”  e  conectou  as  duas  com  o  vocábulo  "auferidas",  no  lugar  do  vocábulo  original  "efetuado"  do  dispositivo  legal.  Daí,  interpretou  os  dois  requisitos  de  forma  independente para juntá­los, ao final, com o vocábulo "auferidas".  Ocorreu que os pressupostos adotados pelo intérprete da DRJ já direcionaram  a interpretação no sentido desejado previamente. Em verdade, no esforço interpretativo, partiu­ se da hipótese de que os dois requisitos seriam independentes para concluir que eles realmente  são independentes, como se depreende do seguinte trecho do Acórdão recorrido: "O primeiro  requisito  exige  apenas  que  tais  receitas  sejam  decorrentes  da  “prestação  de  serviço  de  transporte  coletivo  de  passageiros”,  sem  qualquer  condição  adicional.  [negritei]  Em  consequência,  tais  receitas  alcançam  tanto  as  decorrentes  de  transporte  doméstico  quanto  de  transporte internacional de passageiros. (...)".  Ora,  não  se  pode  separar  a  primeira  parte  do  inciso  em  dois  requisitos  independentes quando eles estão interligados! Os "dois requisitos" estão justamente ligados no  pelo  vocábulo  "efetuado",  que  concorda  em  gênero  e  número  com  o  substantivo  "serviço",  certamente com a função de restringi­lo. O dispositivo de interesse poderia ser reescrito com o  termo omitido na construção linguística da redação original na seguinte forma:  Art. 10 (...) [Lei nº 10.833/2003]  (...)  XVI  ­  as  receitas  decorrentes  de  prestação  de  serviço  de  transporte  coletivo  de  passageiros, [quando o serviço for] efetuado por empresas regulares de linhas aéreas  domésticas, (...);  Fl. 1795DF CARF MF     12 Ademais, como dito no próprio acórdão recorrido, "a qualidade de regular ou  não  regular  é  vinculada  à  modalidade  do  transporte  aéreo  praticada  não  à  pessoa  jurídica  prestadora", o que é mais um elemento que corrobora no sentido de que o "segundo requisito"  (“empresas  regulares  de  linhas  aéreas  domésticas”)  consta  na  redação  do  dispositivo  para  restringir  o  alcance  do  termo  "serviço  de  transporte  coletivo  de  passageiros"  constante  no  "primeiro requisito".   Seria  até  um  contrassenso  entender,  no  fim  das  contas,  que  “empresas  regulares de linhas aéreas domésticas” [negritei] limitaria somente a "prestação de serviço de  transporte coletivo de passageiros” no que concerne à modalidade de transporte regular aéreo e  não quanto ao percurso doméstico, também expressamente referido no dispositivo. Aliás, trata­ se  de  mais  elemento  que  corrobora  o  quanto  os  dois  "requisitos"  separados  pela  DRJ  são  interdependentes.   Segundo  o  entendimento  da  fiscalização  e  da  DRJ,  a  recorrente  teria  sido  alcançada quanto à exclusão do regime não cumulativo porque opera no transporte coletivo de  passageiros  em  linhas  aéreas  regulares,  sejam  elas  domésticas  ou  internacionais,  o  que  se  contrapõe à ideia expressa no dispositivo de restringir tanto a modalidade de transporte aéreo  regular quanto o percurso doméstico (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas).  Também não se coaduna com a boa regra hermenêutica substituir o vocábulo  "efetuado", ligado por concordância com o substantivo "serviço", pela palavra "auferidas", que  estaria relacionada ao termo "as receitas", como feito no acórdão recorrido.  Oportuno, neste ponto, transcrever algumas lições de Carlos Maximiliano3:  114 ­ O processo gramatical exige a posse dos seguintes requisitos:  (...)  4)  certeza  da  autenticidade  do  texto,  tanto  em  conjunto  como  em cada uma  das partes (1).  (...)  116  ­  Merecem  especial  menção  alguns  preceitos,  orientadores  da  exegese  literal:  a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso ­  vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação  puramente  verbal  resulta  ora  mais,  ora  menos  do  que  se  pretendeu  exprimir.  Contorna­se, em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si,  mas também em conjunto, em conexão com outros; e indagar do seu significado em  mais  de  um  trecho  da  mesma  lei,  ou  repositório.  Em  regra,  só  do  complexo  das  palavras  empregadas  se  deduz  a  verdadeira  acepção  de  cada  uma,  bem  com  idéia  inserta no dispositivo" (1).  (...)  f)  Presume­se  que  a  lei  não  contenha  palavras  supérfluas;  devem  todas  ser  entendidas como escritas adrede para influir no sentido da frase respectiva (6).  (...)  i)  Pode  haver,  não  simples  impropriedade  de  termos,  ou  obscuridade  de  linguagem, mas  também engando,  lapso, na redação. Este não se presume: Precisa  ser  demonstrado  claramente. Cumpre  patentear,  não  só  a  exatidão, mas  também a  causa da mesma, a  fim de ficar plenamente provado o erro, ou o simples descuido  (9).  (...)                                                              3 MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2001, p. 88/227.  Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 12585.720011/2012­15  Acórdão n.º 3402­005.313  S3­C4T2  Fl. 1.791          13 Commodissimum  est,  id  accipi,  quo  res  de  qua  agitur,  magis  valeat  quam  pereat: "Prefira­se a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés  da que os reduza à inutilidade" (3).  304­ (...)  (...)  343.  Não  pode  o  intérprete  alimentar  a  pretensão  de  melhorar  a  lei  com  desobedecer às suas prescrições explícitas. (...)  Pelo  que  se  depreende  da  leitura  da  Lei  nº  10.833/2003,  como  regra  geral,  todas  as  pessoas  jurídicas  estão  sujeitas  a  não  cumulatividade  da  Cofins  e  do  PIS/Pasep,  excepcionando­se  dessa  regra  aquelas pessoas  expressamente  referidas nos  incisos  I  a VI  do  seu  art.  10,  as  quais  permanecem  sob  o  anterior  regime  cumulativo.  De  outra  parte,  cuida  também o  art.  10  da Lei  nº  10.833/2003  de  excepcionar  algumas  receitas  da  incidência  não  cumulativa, mesmo que a pessoa jurídica esteja sujeita ao regime não cumulativo.   Esse  entendimento  veio  depois  ser  confirmado  na  referida  Solução  de  Consulta nº 387 ­ Cosit, de 31 de agosto de 2017, nestes termos:  (...)  12.  A  primeira  forma  de  exceção  à  apuração  não  cumulativa  exclui  desse  regime  determinadas  pessoas  jurídicas.  Assim,  em  função  do  objeto  social  ou  de  aspectos específicos (por exemplo, imunidade a impostos ou tributação pelo Imposto  de  Renda  com  base  no  lucro  presumido),  certas  pessoas  jurídicas  permanecem  sujeitas às normas da legislação anterior à instituição da não cumulatividade.  13. A segunda forma de exceção à apuração não cumulativa não se relaciona  com nenhuma propriedade das pessoas jurídicas, mas decorre de uma característica  do  fato  gerador  das  contribuições  em  questão.  Assim,  receitas  específicas  foram  excluídas do regime de apuração não cumulativa, devendo, portanto, submeter­se ao  regime de apuração pré­existente à instituição da não cumulatividade.  14. Dessa forma, o sujeito passivo que não se enquadra na primeira exceção,  está sujeito ao regime de apuração não cumulativa. A pessoa jurídica não se submete  ao  regime  de  apuração  cumulativa  por  auferir  alguma  das  denominadas  receitas  cumulativas (excluídas do regime de apuração não cumulativa), ainda que essa seja a  única receita por ela percebida.  (...)  Dessa forma,  tendo em vista que a recorrente não se enquadra em nenhuma  das  hipóteses  gerais  de  exclusão  do  regime,  tem­se,  inicialmente,  que  ela,  como  pessoa  jurídica, está sujeita ao regime não cumulativo das contribuições de PIS/Cofins, sem prejuízo,  como dito,  de  algumas  de  suas  receitas,  por  disposição  legal  expressa,  serem  eventualmente  excluídas da incidência não cumulativa.  No caso, as receitas excluídas pela primeira parte do inciso XVI do art. 10 da  Lei  nº  10.833/2003  dizem  respeito  às  "receitas  decorrentes  de  prestação  de  serviço  de  transporte  coletivo  de  passageiros",  mas  somente  quando  esse  serviço  seja  "efetuado  por  empresas  regulares  de  linhas  aéreas  domésticas".  Como  já  delineado  acima,  esta  última  expressão tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte  coletivo de passageiros”, de forma que somente estariam excluídos do regime não cumulativo  "as  receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros", assim  considerado aquele operado em "linhas aéreas regulares domésticas".  Fl. 1797DF CARF MF     14 Há que se observar que no inciso XII do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 foram  excluídas  "as  receitas decorrentes de prestação de  serviços de  transporte  coletivo  rodoviário,  metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros" para as quais não houve qualquer ressalva  quanto ao percurso, se nacional ou internacional, a se supor que aqui, diferentemente do inciso  XVI  sob  análise,  pretendeu­se  excluir  do  regime  não  cumulativo  todos  os  serviços  de  transporte coletivo de passageiros, seja dentro ou fora do território nacional.  Importante consignar, por  fim, que a exclusão de algumas  receitas da  regra  geral  da  incidência  do  regime  não  cumulativo,  por  se  tratar  de  regra  de  exceção  comporta  interpretação  restritiva,  de  forma que,  ainda  que  fosse possível  a  interpretação  sugerida pela  DRJ, deveria prevalecer a interpretação mais restritiva da exceção, adotada neste Voto.  A interpretação restritiva das regras de exceção foi bem explicada no Recurso  Especial do STJ, com apoio também nos ensinamentos de Carlos Maximiliano:  RECURSO ESPECIAL Nº 853.086 ­ RS (2006/0138015­7)  RELATORA : MINISTRA DENISE ARRUDA   EMENTA  RECURSO  ESPECIAL.  ADMINISTRATIVO.  CONSELHO  REGIONAL  DE  ENFERMAGEM.  COMPETÊNCIA  DE  FISCALIZAÇÃO.  ENFERMEIROS  MILITARES.  INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA DAS REGRAS DE EXCEÇÃO.  RECURSO DESPROVIDO.  (...)  9.  Ademais,  relativamente  à  Lei  6.681/79,  a  qual  estabeleceu  ressalva  à  fiscalização dos médicos, cirurgiões­dentistas e farmacêuticos militares pelas Forças  Armadas,  saliente­se  que,  em  se  tratando de  regra  de  exceção,  torna­se  inviável  a  utilização  de  exegese  ampliativa  ou  analógica.  É  inadequada  a  interpretação  extensiva  e  a  aplicação  da  analogia  em  relação  a  dispositivos  infraconstitucionais  que regulam situações excepcionais, porquanto enseja privilégio não previsto em lei.  10.  "As  disposições  excepcionais  são  estabelecidas  por  motivos  ou  considerações  particulares,  contra  outras  normas  jurídicas,  ou  contra  o  Direito  comum;  por  isso  não  se  estendem  além  dos  casos  e  tempos  que  designam  expressamente " (MAXIMILIANO, Carlos. ob. cit., pp. 225/227).  (...)  A EXMA. SRA. MINISTRA DENISE ARRUDA (Relatora):  (...)  Nesse  contexto,  cabe  mencionar  a  lição  de  Carlos  Maximiliano  acerca  do  "Direito Excepcional " (ob. cit., pp. 225/227), in verbis:  "Em  regra,  as  normas  jurídicas  aplicam­se  aos  casos  que,  embora  não  designados  pela  expressão  literal  do  texto,  se  acham  no  mesmo  virtualmente  compreendidos,  por  se  enquadrarem  no  espírito  das  disposições:  baseia­se  neste  postulado a exegese extensiva. Quando se dá o contrário,  isto é, quando a  letra de  um  artigo  de  repositório  parece  adaptar­se  a  uma  hipótese  determinada,  porém  se  verifica  estar  esta  em  desacordo  com  o  espírito  do  referido  preceito  legal,  não  se  coadunar com o  fim, nem com os motivos do mesmo, presume se  tratar­se de um  fato da esfera do Direito Excepcional, interpretável de modo estrito.  Estriba­se  a  regra  numa  razão  geral,  a  exceção,  numa  particular;  aquela  baseia­se  mais  na  justiça,  esta,  na  utilidade  social,  local,  ou  particular.  As  duas  proposições  devem  abranger  coisas  da mesma  natureza;  a  que mais  abarca,  há  de  constituir a regra; a outra, a exceção.  (...)  O Código Civil  explicitamente  consolidou  o preceito  clássico  ­ Exceptiones  sunt strictissimoe interpretationis ('interpretam­se as exceções estritissimamente') no  Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 12585.720011/2012­15  Acórdão n.º 3402­005.313  S3­C4T2  Fl. 1.792          15 art.  6.º  da  antiga  Introdução,  assim  concebido:  'A  lei  que  abre  exceção  a  regras  gerais, ·ou restringe direitos, só abrange os casos que especifica'.  O princípio entronca nos institutos jurídicos de Roma, que proibiam estender  disposições excepcionais, e assim denominavam as do Direito exorbitante, anormal  ou  anômalo,  isto  é,  os  preceitos  estabelecidos  contra  a  razão  de Direito;  limitava­ lhes o alcance, por serem um mal, embora mal necessário.  (...)  Os sábios elaboradores do Codex Juris Canonci (Código de Direito Canônico)  prestigiaram a doutrina do brocardo com inserir no Livro I,  título I, cânon 19, este  preceito  translúcido:  'Leges  quoe  poenam  statuunt,  aut  liberum  jurium  exercitium  coarctant,  aut  exceptionem  a  lege  continent,  strictae  subsunt  interpretationi'  ('As  normas positivas que estabelecem pena restringem o livre exercício dos direitos, ou  contêm exceção a lei, submetem­se a interpretação estrita'). ­ (...)  A  fonte  mediata  do  art.  6.°  da  antiga  Lei  de  Introdução,  do  repositório  brasileiro, deve ser o art. 4.º do Título Preliminar do Código italiano de 1865, cujo  preceito decorria das leis civis de Nápoles e era assim formulado: 'As leis penais e as  que restringem o livre exercício dos direitos, ou formam exceções a regras gerais ou  a outras leis, não se estendem além dos casos e tempos que especificam'.  As  disposições  excepcionais  são  estabelecidas  por  motivos  ou  considerações particulares, contra outras normas jurídicas, ou contra o Direito  comum;  por  isso  não  se  estendem  além  dos  casos  e  tempos  que  designam  expressamente.  Os  contemporâneos  preferem  encontrar  o  fundamento  desse  preceito  no  fato  de  se  acharem  preponderantemente  do  lado  do  princípio  geral  as  forças sociais que influem na aplicação de toda regra positiva, como sejam os fatores  sociológicos, a Werturteil dos tudescos, e outras.  O art. 6º da antiga Lei de Introdução abrange, em seu conjunto, as disposições  derrogatórias  do  Direito  comum;  as  que  confinam  a  sua  operação  a  determinada  pessoa, ou a um grupo de homens à parte; atuam excepcionalmente, em proveito, ou  prejuízo, do menor número. Não se confunda com as de alcance geral, aplicáveis a  todos,  porém  suscetíveis  de  afetar  duramente  alguns  indivíduos  por  causa  da  sua  condição  particular.  Refere­se  o  preceito  àquelas  que,  executadas  na  íntegra,  só  atingem a poucos, ao passo que o resto da comunidade fica isenta." (grifou­se)  Dessa forma, neste tópico, está com razão a recorrente, no sentido de que as  "receitas  originadas  do  transporte  internacional  de  passageiros  estão  abrangidas  pelo  regime  não  cumulativo",  sendo  cabível  a  apropriação  de  créditos  do PIS/Pasep  e  da Cofins  que  por  ventura enquadrem­se no conceito de insumo, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/20044.  III ­ Do Regime não cumulativo das contribuições ao PIS e a Cofins   Filio­me ao entendimento deste CARF quanto ao cabimento de creditamento  de  PIS/Cofins  relativos  a  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  que  são  pertinentes  e  essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o  custo de produção naquilo que não  seja  conflitante  com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e  10.833/03,  conforme  conceito  de  insumo  delineado  no Voto  do Conselheiro Antonio Carlos  Atulim no Acórdão nº 3403­002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de  2014, abaixo transcrito:  Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é  calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos                                                              4  Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o  PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.  Fl. 1799DF CARF MF     16 quais  deve  ser  aplicada  a  mesma  alíquota  que  incidiu  sobre  o  faturamento  para  apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os  eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º  e  seus  incisos,  onde  se  nota  claramente  que  houve  uma  ampliação  do  número  de  eventos  que  dão  direito  ao  crédito  em  relação  ao  direito  previsto  na  legislação  do  IPI.  Essa  distinção  entre  os  regimes  jurídicos  dos  créditos  de  IPI  e  das  contribuições  não­cumulativas  permite  vislumbrar  que  no  IPI  o  direito  de  crédito  está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que  no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte  de produção da riqueza.  Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das  contribuições,  aliada  à  ampliação  do  rol  dos  eventos  que  ensejam  o  crédito  pelas  Leis  nº  10.637/02  e  10.833/04,  demonstra  a  impropriedade  da  pretensão  fiscal  de  adotar  para  o  vocábulo  “insumo”  o  mesmo  conceito  de  “produto  intermediário”  vigente no âmbito do IPI.  Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”,  implícito na redação do  art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos  e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de  despesas  operacionais  existem  gastos  que  não  estão  diretamente  relacionados  ao  processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de  calcular  o  crédito  das  contribuições  não  cumulativas  em  relação  a  todas  despesas  operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e  10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao  cálculo do crédito.  Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo  semântico  de  “insumo”  é mais  amplo  do  que  aquele  da  legislação  do  IPI  e  mais  restrito do que  aquele da  legislação do  imposto de  renda,  abrangendo os “bens”  e  “serviços”  que,  não  sendo  expressamente  vedados  pela  lei,  forem  essenciais  ao  processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado.  Na busca de um conceito adequado para o vocábulo  insumo, no âmbito das  contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no  sentido  de  considerar  o  conceito de  insumo  coincidente  com conceito  de  custo  de  produção,  pois  além  de  vários  dos  itens  descritos  no  art.  3º  da  Lei  nº  10.833/04  integrarem  o  custo  de  produção,  esse  critério  oferece  segurança  jurídica  tanto  ao  fisco  quanto  aos  contribuintes,  por  estar  expressamente  previsto  no  artigo  290  do  Regulamento do Imposto de Renda.  Nessa linha de  raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem  ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das  Leis  nº  10.637/2002  e  10.833/2002,  ele  deve  ser  aplicado  ao  processo  produtivo  (integrar  o  custo  de  produção)  e  não  ser  passível  de  ativação  obrigatória  à  luz do  disposto no art. 301 do RIR/995.  Se  for  passível  de  ativação  obrigatória,  o  crédito  deverá  ser  apropriado  não  com base no  custo de  aquisição, mas  sim com base na despesa de depreciação ou  amortização, conforme normas específicas.  No  caso,  entendeu  a  fiscalização  e  não  discordou  a  DRJ,  que  a  empresa  possuiria  receitas  sujeitas  ao  regime  cumulativo,  obtidas  com  o  transporte  aéreo  de  passageiros  (doméstico  e  internacional),  e  receitas  sujeitas  ao  regime  não  cumulativo,  obtidas  com  as  demais  atividades,  entre  elas  o  transporte  aéreo  nacional  e  internacional  de                                                              5 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional,  salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos,  ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art.  20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30).  Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 12585.720011/2012­15  Acórdão n.º 3402­005.313  S3­C4T2  Fl. 1.793          17 cargas,  sujeitas,  portanto,  ao  rateio  previsto  nos  §§  7°,  8°  e  9°  do  artigo  3°  das  Leis  n°  10.637/2002 (PIS/Pasep) e 10.833/2003 (Cofins).  Como visto acima neste Voto, no caso do transporte coletivo de passageiros  em linhas aéreas regulares internacionais, a incidência das contribuições deve se dar de forma  não cumulativa, como pretendido pela  recorrente, não sendo cabível a exclusão desse regime  veiculada pelo inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003.  Assim, para fins deste Voto, sobre as receitas da recorrente a incidência das  contribuições de PIS/Cofins dá­se na seguinte forma:  regime cumulativo  transporte aéreo doméstico de passageiros  regime não cumulativo  transporte  aéreo  internacional  de  passageiros;  transporte aéreo de cargas nacional e internacional e  demais atividades.  Dentro  desses  parâmetros,  passa­se  a  analisar  a  glosas  especificamente  contestadas no recurso voluntário.  1. Da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias  Quanto  a  glosa  sobre  as  tarifas  aeroportuárias,  decidiu  a  DRJ  que  se  enquadrariam no conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS/Cofins  os  serviços  prestados  pela  Infraero  e  cobrados  por  tarifas  que  são  devidas  pelas  companhias  aéreas,  eis  que  fazem  parte  do  processo  produtivo  da  TAM  Linhas  Aéreas,  afinal,  sem  a  realização  de  tais  serviços  não  seria  possível  fazer  o  transporte  aéreo  de  cargas  e  passageiros, contudo determinou a aplicação do percentual de rateio para a reversão da glosa  somente em relação ao transporte internacional de cargas.   Considerando  o  conceito  de  insumo  adotado  neste  Voto,  a  essencialidade/imprescindibilidade  dos  referidos  serviços  na  prestação  de  serviços  de  transporte  aéreo  de  cargas  e  passageiros  pela  recorrente,  é  cabível  o  creditamento  correspondente. Assim, além da reversão da glosa das tarifas aeroportuárias proporcionalmente  ao transporte internacional de cargas efetuada pela DRJ, cabe reverter neste Voto a parcela da  glosa  relacionada  às  tarifas  aeroportuárias  no  montante  relativo  ao  transporte  aéreo  internacional de passageiros.  2. Da glosa relacionada aos combustíveis utilizados no transporte  A autoridade  administrativa glosou o  crédito de  combustível  consumido no  transporte aéreo internacional sob os fundamentos abaixo, o que foi mantido pela DRJ:  9.2.1. A impossibilidade de apuração de créditos do COFINS sobre o valor do  combustível  consumido  no  transporte  aéreo  internacional  deu­se  a  partir  de  26/09/2008, com a edição, da Lei N° 11.787, de 25/09/2008 – DOU 26.09.2008 –  que  deu  nova  redação  ao  artigo  3°  da  Lei  N°  10.560,  de  13/11/2002  –  DOU  14.11.2002:  Dispõem os artigos 2° e 3° da Lei 10.560, de 13/11/2002 (DOU 14.11.2002):  Art.  2°  ­  A  contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS,  relativamente  à  receita bruta decorrente da venda de querosene de aviação, incidirá uma única vez,  nas vendas  realizadas pelo produtor ou  importador,  às  alíquotas de 5%  (cinco por  Fl. 1801DF CARF MF     18 cento)  e  23,2%  (vinte  e  três  inteiros  e  dois  décimos  por  cento),  respectivamente.(redação dada pela lei 10.865/2004)  Art. 3° ­ A Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não incidirão sobre a  receita  auferida  pelo  produtor  ou  importador  na  venda  de  querosene  de  aviação  à  pessoa  jurídica  distribuidora,  quando  o  produto  for  destinado  ao  consumo  por  aeronave  em  tráfego  internacional.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.787,  de  25  de  setembro de 2008)  Dispõe o parágrafo 2° do artigo 3° da Lei 10833/2003   § 2o Não dará direito a crédito o valor:  II  ­  da  aquisição  de  bens  ou  serviços  não  sujeitos  ao  pagamento  da  contribuição,  inclusive  no  caso  de  isenção,  esse  último  quando  revendidos  ou  utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos  ou não alcançados pela contribuição.  9.2.2. A  empresa  sem  observar  os  dispositivos  citados  –  particularmente  a  redação dada pela Lei 11.787, de 25/09/2008, ao artigo 3° da Lei N° 10.560/2002 –  manteve  a  apuração  de  créditos  sobre  a  COFINS  em  relação  ao  consumo  de  combustível em suas rotas internacionais.  9.2.3.  Os  valores  relativos  ao  consumo  de  combustível  no  transporte  internacional foram identificados – na memória de cálculo da apuração do crédito –  com  o  código  “NOP  E2.02:  compra  de  insumos  para  utilização  na  prestação  de  serviço – combustível para voo internacional”.  De outra parte alega a recorrente que não há na Constituição Federal qualquer  proibição  que  diga  respeito  à  vedação  da  apropriação  de  créditos  relacionados  a  operações  sujeitas à isenção ou qualquer outra hipótese desonerativa.  Ocorre que a não cumulatividade das contribuições de PIS/Cofins é instituída  por  lei  ordinária,  diferentemente do que ocorre  com o  IPI  e  ICMS,  cuja  não cumulatividade  tem previsão constitucional, conforme esclarece Nasrallah6:  Muito  embora  o  ICMS e o  IPI  e  o PIS  e  a Cofins  sejam  tributos  sujeitos  à  sistemática  não  cumulativa,  existem  diferenças  muito  relevantes  entre  as  duas  espécies de não cumulatividade.  A  não  cumulatividade  do  ICMS  e  IPI  é  obrigatória  e  tem  suas  principais  diretrizes oriundas da Constituição Federal, que enuncia que estes impostos são não  cumulativos, compensando­se o que for devido em cada operação com o montante  cobrado nas anteriores. Vale dizer, a não cumulatividade destes impostos ocorre com  o creditamento na escrita fiscal do montante do imposto pago e destacado nas notas  fiscais de entrada e que sofre nova incidência em etapa posterior da cadeia.  Por outro lado, a não cumulatividade da COFINS e do PIS não é obrigatória,  pois  somente  existirá  ser  for  instituída  por  lei  ordinária  e  pode  coexistir  com  o  sistema  cumulativo. É  tratada  pela  legislação  ordinária,  com  regras de deduções  e  estornos próprios, que podem ser alteradas livremente pela lei comum.  No caso  da  recorrente,  não  há  a  incidência  das  contribuições  na  "venda  de  querosene  de  aviação  à  pessoa  jurídica  distribuidora,  quando  o  produto  for  destinado  ao  consumo por aeronave em tráfego internacional", nos termos 3° da Lei 10.560/2002, razão pela  qual  incabível  o  correspondente  creditamento,  conforme  determinação  expressa  do  §§2°s,  incisos II dos artigos 3°s das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002.  3. Da glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro                                                              6  NASRALLAH,  Amal.  Diferenças  entre  a  não­cumulatividade  do  ICMS  e  IPI  e  a  do  PIS  e  da  Cofins.  <http://www.migalhas.com.br> Acesso em 03/06/2018.      Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 12585.720011/2012­15  Acórdão n.º 3402­005.313  S3­C4T2  Fl. 1.794          19 Os créditos pleiteados  sob a  rubrica gastos com atendimento ao passageiro  foram glosados pela fiscalização sob o seguinte fundamento: "9.3.1. Não dão direito ao crédito,  por estarem vinculadas ao regime cumulativo, nos termos do disposto no inciso XVI do artigo  10° da Lei N° 10.833/2003, as despesas ligadas exclusivamente à receita do transporte aéreo de  passageiros,  tais  como  gastos  com  o  serviço  de  bordo,  atendimento  em  área  de  embarque  (VIP), hospedagem e alimentação de passageiros". Tal entendimento foi mantido parcialmente  pela  DRJ,  que  rebateu  os  argumentos  da  manifestante  item  a  item  dessa  rubrica,  abaixo  discutidos.  a) Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos  Segundo a recorrente tratam­se de gastos incorridos para disponibilizar uma  estrutura física e de pessoal para atender os seus passageiros antes de embarcarem no voo a que  se  destinam,  razão  pela  qual  não  há  dúvida  acerca  que  são  pertinentes  e  essenciais  para  o  serviço prestado pela recorrente de transporte aéreo de passageiros, e, portanto, geram direito a  crédito  das  contribuições  de PIS/Cofins  no  que  concerne  ao montante  relativo  ao  transporte  internacional de pessoas, sujeito ao regime não cumulativo, como decidido neste Voto.  b) Serviços auxiliares aeroportuários  Alegou  a  então  manifestante  que  os  "serviços  auxiliares  aeroportuários”  seriam  aqueles  regulamentados  pelo  art.  1°  da  Resolução  n°  116,  de  20009,  da  ANAC,  constantes no Anexo da aludida Resolução, o que foi rechaçado pela DRJ nestes termos:  A contribuinte, porém, não tem razão. Isso porque, analisando­se os itens das  notas  fiscais glosados pela  fiscalização  (“Anexo 9.3 – Gastos com atendimento ao  passageiro”)  constata­se  que  os  valores  desconsiderados  na  conta  “Serviços  Auxiliares  Aeroportuários”  dizem  respeito  unicamente  à  “movimentação  de  passageiros”, os quais, como já se viu, não geram direito a crédito.  A  recorrente  não  apresentou  a  comprovação  em  sentido  contrário  à  constatação da DRJ de que tais serviços estão efetivamente vinculados apenas ao transporte de  passageiros,  apenas  repisando  que  tais  serviços  seriam  aqueles  referidos  na  Resolução  nº  116/2009 da Anac, também relacionados ao transporte de cargas.  Diante da ausência de demonstração de vinculação das despesas glosadas ao  transporte de cargas é de ser mantido o entendimento de que elas estão associadas efetivamente  ao transporte de passageiros. Dessa forma, entendo que deve ser revertida a glosa de serviços  auxiliares aeroportuários no montante relativo ao transporte internacional de passageiros.  c) Serviços de handling  Os serviços de handling são procedimentos em terra para apoio às aeronaves,  passageiros, bagagem, carga e correio, os quais podem ser prestados pelos próprios aeroportos  ou  por  empresas  externas,  sendo  que,  quando  tal  atividade  é  realizada  pelas  próprias  companhias aéreas, denomina­se "auto­handling”.  Entendeu  a  DRJ  que  é  uma  despesa  que  pode  estar  vinculada  tanto  à  movimentação de passageiros quanto de cargas, de forma que  tais gastos gerariam direito ao  crédito da não cumulatividade apenas em relação à parte relacionada ao transporte de cargas.   Fl. 1803DF CARF MF     20 Assim, como nos casos precedentes, deve ser revertida também a parcela da  glosa de serviços de handling relativa ao transporte internacional de passageiros.  d) Serviços de Comissaria  Conforme  informado  pela  recorrente,  trata­se  de  serviço  de  preparo  e  ou  aquisição,  transporte  por  veículo  apropriado  e  colocação  no  espaço  designado  na  cabine  da  aeronave  de  alimentos  e  bebidas  para  consumo  dos  aeronautas,  mecânicos  e  passageiros  embarcados. Alega que tais serviços, além de atenderem os critérios de custo referido no art.  290 do RIR/99, também são pertinentes e essenciais para a prestação do serviço da Recorrente,  e,  sendo  reconhecido  o  direito  da  recorrente  de  incluir  as  receitas  decorrentes  do  transporte  internacional de passageiros no sistema não cumulativo, haveria de se reconhecer também que  os serviços de comissaria enquadram­se no conceito de insumo para a legislação do PIS e da  Cofins.  A  DRJ  manteve  tais  glosas  sob  o  fundamento  de  que  tais  despesas  são  vinculadas ao sistema cumulativo, ou seja, ao transporte de passageiros.   Assim,  deve  ser  revertida  a  parcela  da  glosa  de  serviços  de  comissaria  no  montante relativo ao transporte internacional de passageiros.  e) Gastos com equipamentos terrestres  Sobre tais gastos assim se manifestou a DRJ: "Não há neste trimestre glosas  relativas  a  “gastos  com  equipamentos  terrestres”,  razão  pela  qual  as  razões  suscitadas  não  podem  ser  analisadas".  Assim,  da  mesma  forma,  não  se  conhece  aqui  os  argumentos  da  recorrente  relativos  aos gastos  com equipamentos  terrestres,  constantes nos parágrafos 201 a  204 do recurso voluntário.  f) Serviços de transportes de pessoas e cargas  Alegou  a  então  manifestante  que  se  trataria  de  despesas  relativas  à  movimentação de pessoas  e  cargas para  embarque  e desembarque;  entretanto,  apurou  a DRJ  que  as  despesas  glosadas  seriam  relativas  à  contratação  de  serviços  de  vans,  vinculados  ao  transporte de passageiros, razão pela qual entendeu que não haveria direito ao crédito.  No  que  concerne  à  ausência  de  comprovação  de  vinculação  dos  gastos  ao  transporte de cargas, a recorrente nada contrapôs à decisão recorrida, apenas reafirmando seu  direito ao crédito com relação ao  transporte  internacional de passageiros. Assim,  reverte­se a  glosa  de  "serviços  de  transporte  de  pessoas  e  cargas"  no montante  desses  gastos  relativo  ao  transporte internacional de passageiros.  g) Gastos com voos interrompidos  Em  relação  a  “gastos  com  voos  cancelados,  atrasados  ou  interrompidos”,  esclareceu a então manifestante que a ANAC impõe, por meio da Resolução de n° 141/2010, a  responsabilidade  da  companhia  aérea  em  relação  à  assistência  devida  aos  seus  passageiros  quando  os  voos  forem  interrompidos,  cancelados  ou  estiverem  atrasados,  de  forma  que  tais  gastos seriam essenciais à prestação dos serviços de transporte aéreo, especialmente por serem  imposição da ANAC, anexando contrato (doc. 02) que comprovaria a contratação de serviços a  fim de cumprir suas obrigações regulamentadas pela ANAC.  Tendo a DRJ apurado que se tratam de despesas vinculadas exclusivamente  ao transporte aéreo de passageiros, manteve tais glosas. Assim, da mesma forma que nos itens  Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 12585.720011/2012­15  Acórdão n.º 3402­005.313  S3­C4T2  Fl. 1.795          21 anteriores,  reverte­se  a  glosa  de  gastos  com  voos  interrompidos  no  montante  relativo  ao  transporte internacional de passageiros.  Dessa forma, em resumo deste  tópico, da glosa relacionada aos gastos com  atendimento  ao  passageiro  devem  ser  revertidas,  no  montante  relativo  ao  transporte  internacional de pessoas, sujeito ao regime não cumulativo, como decidido mais acima neste  Voto,  as  seguintes  parcelas:  Serviços  de  atendimento  de  pessoas  nos  aeroportos,  Serviços  auxiliares  aeroportuários,  Serviços  de  handling,  Serviços  de  comissaria,  Serviços  de  transportes de pessoas e cargas e Gastos com voos interrompidos.  4. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais  Sobre a matéria assim se manifestou a DRJ:  No  caso  do  1º  trimestre  de  2009,  os  bens  glosados  dizem  respeito  a  quatro  contas:  “Comissaria”,  “Gastos  com  Equipamentos  Terrestres”,  “Materiais  de  Manutenção em Equipamentos” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos”.  Relativamente às despesas com “Comissaria”, já se viu no tópico anterior que  elas não podem gerar direito a crédito.  Quanto  às  demais  glosas,  analisando­se,  especificamente,  os  itens  das  notas  fiscais  glosados  na  planilha  “9.3 – Aquisição  de  bens  patrimoniais”,  percebe­se  que  se  tratam,  em  verdade,  de  peças  e  partes  e  serviços  de  manutenção  de  equipamentos.  A contribuinte, por sua vez, possui como atividade a prestação de serviços de  manutenção  de  aeronaves,  o  que  impõe  considerar  que  os  bens  relacionados  nas  contas acima descritas são insumos.  Ocorre, todavia, que em 23 de junho de 2008, foi publicada a Lei n° 11.727  que  alterou a  redação do  inciso  IV do art.  28 da Lei n° 10.865, de 30 de abril  de  2004, determinando o seguinte:  Art.  28.  Ficam  reduzidas  a  0  (zero)  as  alíquotas  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP e da COFINS  incidentes sobre a  receita bruta decorrente da venda, no  mercado interno, de:   ...   IV  –  aeronaves  classificadas  na  posição  88.02  da  Tipi,  suas  partes,  peças,  ferramentais,  componentes,  insumos,  fluidos  hidráulicos,  tintas,  anticorrosivos,  lubrificantes,  equipamentos,  serviços  e  matérias­primas  a  serem  empregados  na  manutenção,  conservação,  modernização,  reparo,  revisão,  conversão  e  industrialização  das  aeronaves,  seus motores,  partes,  componentes,  ferramentais  e  equipamentos;   Por  isso,  os  bens  e  serviços  de  manutenção  relacionados  nas  contas  supracitadas não geram o direito ao crédito da não cumulatividade, já que o inc. II  do §2º do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 impede o creditamento do  valor “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”.   Ressalte­se  que  tal  disposição  entrou  em  vigor  em  23/06/2008,  conforme  dispõe o caput do art. 41 da Lei n° 11.727/2008. Por tal razão, as glosas realizadas  estão corretas.    De outra parte, no recurso voluntário, a recorrente não acrescentou elemento  modificativo ou extintivo quanto aos óbices opostos ao creditamento na decisão da DRJ, nem  quanto à Conta Comissaria deste tópico, razão pela qual a decisão recorrida há de ser mantida  nesta parte.  Fl. 1805DF CARF MF     22 5. Da glosa relacionada aos créditos extemporâneos  O  legislador  ordinário  realmente  previu  a  possibilidade  de  o  contribuinte  descontar nos meses subsequentes eventuais créditos oriundos de meses anteriores, nos termos  dos §§4° dos arts. 3° das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003:  Art. 3º (...)  (...)  §  4o  O  crédito  não  aproveitado  em  determinado  mês  poderá  sê­lo  nos  meses  subseqüentes. [grifos da relatora]  (...)  Decorre diretamente desse dispositivo que o aproveitamento posterior ao mês  em que os  bens  ou  serviços  foram  adquiridos  (ou  as  despesas  foram  incorridas)  depende  da  comprovação por parte da requerente de não aproveitamento anterior (entre o mês da aquisição  do  bem  ou  serviço  e  o  mês  de  aproveitamento  extemporâneo).  Assim,  por  exemplo,  se  a  aquisição  do  insumo  é  do  mês  março  e  a  requerente  pretende  apropriá­lo  em  setembro  do  mesmo ano, terá de comprovar que não o fez nos meses de março a agosto. Nesse sentido estão  as orientações da Receita Federal quanto à necessidade de retificação dos DACONs e DCTFs  originais, como instrumentos próprios para tal comprovação, de modo a não dar ensejo a duplo  aproveitamento de créditos.  Há  precedentes  desta  Seção  de  Julgamento  do  Carf,  conforme  trechos  extraídos abaixo dos Votos dos Conselheiros Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan, no sentido  de  que  pode  ser  admitida  a  relevação  da  formalidade  de  retificação  das  declarações  e  demonstrativos  desde  que  demonstrada  pela  interessada  a  ausência  de  utilização  do  crédito  extemporâneo em outros períodos:  Processo nº 12585.720420/2011­22   Acórdão n° 3402­002.603 ­ 4a Câmara / 2a Turma Ordinária   Sessão de 28 de janeiro de 2015   Relator: Alexandre Kern (...)  Aproveitamento de Créditos Extemporâneos   (...)  A matéria  no  entanto  já  tem  entendimento  em  sentido  contrário,  plasmado,  por  exemplo,  no Acórdão n°  3403­002.717,  de  29 de  janeiro  de  2014  (Rel. Cons.  Rosaldo  Trevisan,  unânime),  em  que  quedou  assente  a  necessidade  de  que  reste  documentado  o  aproveitamento  dos  créditos,  mediante  as  retificações  das  declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a  irregularidades  decorrentes.  Admite­se  a  possibilidade  de  relevar  formalidade  de  retificação das declarações desde que demonstrada conclusiva e irrefutavelmente, a  ausência de utilização do crédito extemporaneamente registrado. De se reconhecer,  no entanto, que a retificação das declarações é extremamente mais simples.  Assim,  omitindo­se  em proceder  à  prévia  retificação  do Dacon  respectivo  e  sem fazer prova cabal de que não aproveitou o crédito anacrônico, deve­se manter a  glosa.  (...)    Processo nº 10380.733020/2011­58   Acórdão n° 3403­002.717 ­ 4a Câmara / 3a Turma Ordinária   Sessão de 29 de janeiro de 2014   Relator: Rosaldo Trevisan     (...)  Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 12585.720011/2012­15  Acórdão n.º 3402­005.313  S3­C4T2  Fl. 1.796          23 Cabe  destacar  de  início,  que,  por  óbvio,  a  ausência  de  retificação  a  que  se  refere  o  fisco,  é  referente  aos  períodos  anteriores,  pois  o  que  se  busca  é  evitar  o  aproveitamento  indevido,  ou  até  em  duplicidade.  As  retificações,  como  destaca  o  fisco,  trazem  uma  série  de  consequências  tributárias,  no  sentido  de  regularizar  o  aproveitamento e torná­lo inequívoco.  Quanto à afirmação de que a recorrente cumpriu em demonstrar a ausência de  utilização  anterior  dos  referidos  créditos,  indicando  genericamente  todos  os  documentos  entregues  à  fiscalização  e/ou  acostados  na  impugnação,  não  logra  instaurar  apresentar  elementos  concretos  que  ao  menos  instaurem  dúvida  no  julgador,  demandando  diligência  ou  perícia. Aliás,  a  perícia  solicitada  ao  final  do  recurso voluntário  considera­se não  formulada pela  ausência dos  requisitos do art.  16, IV do Decreto no 70.235/1972, na forma do § 1o do mesmo artigo.  No mais, acorda­se com o  julgador de piso sobre a necessidade de que reste  documentado  o  aproveitamento  dos  créditos,  mediante  as  retificações  das  declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a  irregularidades decorrentes. E,  ainda que  se  relevasse a  formalidade de  retificação  das  declarações,  não  restou  no  presente  processo  demonstrada  conclusivamente,  como exposto, ausência de utilização anterior dos referidos créditos.  Sobre a afirmação de que a autuação "funda seu entendimento tão somente em  uma solução de consulta, formulada por outro contribuinte", é de se reiterar de que  forma  o  fisco  utilizou  soluções  de  consulta  na  autuação  (fl.  35  do  Termo  de  Verificação Fiscal):  "O  segundo  requisito  diz  respeito  à  necessária  retificação,  em  todos  os  períodos  pertinentes,  de  todas  as  declarações  (DACONs,  DCTFs  e  DIPJs)  cujos  valores  são alterados pelo  recálculo e  refazimento da apropriação de  créditos de  PIS e COFINS. Isto porque este procedimento implica também o recálculo de todos  os  tributos  devidos  em  cada  período  de  apuração,  especialmente  o  Imposto  de  Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.  É  que  na  sistemática  da  não­cumulatividade,  qualquer  apropriação  de  créditos  de  PIS  e  de  COFINS,  resulta,  necessariamente  na  redução,  em  cada  período  de  apuração,  de  custos  ou  despesas  incorridas  e,  por  consequência,  na  elevação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.  Há  diversas  soluções  de  consulta  no  âmbito  da  RFB,  que  exprimem  o  entendimento  acima,  dentre  elas  citaremos  a  Solução  de  Consulta  no  14  ­  SRRF/6aRF/DISIT,  de  17/02/2011,  a  Solução  de  Consulta  no  335  ­  SRRF/9aRF/DISIT,  de  28/11/2008,  e  a  Solução  de  Consulta  no  40  ­  SRRF/9aRF/DISIT, de 13/02/2009."  Assim,  patente  que  as  soluções  de  consulta  não  são  (e  sequer  constam  no  campo correspondente) a fundamentação da autuação. (...)  Em adição ao que a DRJ estabelece, agregamos somente a possibilidade de,  na ausência das retificações, haver comprovação  inequívoca do alegado por outros  meios,  o  que  não  se  visualiza  no  caso  dos  presentes  autos.  É  de  se  reconhecer,  contudo, que extremamente mais simples é a retificação das declarações.  (...)  Nesse sentido também foi decidido por este Colegiado, em outra composição,  no Acórdão nº 3402­002.809, de 10/12/2015, sob minha relatoria:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS   Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007  (...)  Fl. 1807DF CARF MF     24 CREDITAMENTO  EXTEMPORÂNEO.  DECLARAÇÕES.  RETIFICAÇÕES.  COMPROVAÇÃO.  Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não  utilização  em  períodos  anteriores,  mediante  retificação  das  declarações  correspondentes ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização.  Assim,  no  caso  presente,  não  obstante  se  pudesse  relevar  a  formalidade  de  retificação das declarações e demonstrativos, diante da ausência de demonstração inequívoca, a  cargo  da  recorrente,  de  que  os  créditos  extemporâneos,  referentes  à  aquisições  dos  anos  de  2005  e  2006,  não  foram  aproveitados  em  outros  períodos,  não  há  como  reformar  a  decisão  recorrida.  6. Da glosa relacionada aos gastos com importação  Trata este tópico das glosas relativas gastos com desembaraço aduaneiro e o  posterior  transporte  dos  bens  importados.  Segundo  a  recorrente  seriam  os  bens  importados  máquinas,  equipamentos,  aparelhos  e  ferramentas  específicas  para  o  uso  em  aeronaves,  os  quais não estariam disponíveis no mercado nacional.  A DRJ manteve a glosa dos gastos com desembaraço aduaneiro, com esteio  no  Ato  Declaratório  Interpretativo  RFB  nº  4/2012  e  na  Solução  de  Divergência  Cosit  nº  7/2012, abaixo transcritos, tendo em vista que não é permitido o desconto de créditos sobre tais  dispêndios, os quais não compõem a base de cálculo das referidas contribuições incidentes na  importação de mercadorias:  Ato  Declaratório  Interpretativo  RFB  nº  4,  de  26  de  junho  de  2012  DOU  de  27.6.2012   “Dispõe sobre a impossibilidade do desconto de créditos da Contribuição para  o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins)  em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro.  O  SECRETÁRIO  DA  RECEITA  FEDERAL  DO  BRASIL,  no  uso  da  atribuição  que  lhe  confere  o  inciso  III  do  art.  273  do  Regimento  Interno  da  Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 587, de 21 de  dezembro de 2010, e tendo em vista o disposto nos arts. 15 a 18 Lei nº 10.865, de 30  de abril de 2004, e na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 24 de maio de 2012,  declara:  Artigo  único.  Os  gastos  com  desembaraço  aduaneiro  na  importação  de  mercadorias  não  geram  direito  ao  desconto  de  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social  (Cofins),  por falta de amparo legal.    Solução de Divergência nº 7, Cosit, de 24/05/2012  Assunto:  Contribuição  para  o  PIS/Pasep REGIME  DE  APURAÇÃO  NÃO  CUMULATIVA. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. GASTOS COM DESEMBARAÇO  ADUANEIRO.  A  pessoa  jurídica  sujeita  ao  regime  de  apuração  não  cumulativa  da  Contribuição para o PIS/Pasep  não  pode  descontar  créditos  calculados  em  relação  aos  gastos  com  desembaraço  aduaneiro,  relativos  a  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica domiciliada no País, decorrentes de importação de mercadorias, por falta de  amparo legal.  Dispositivos Legais: Lei nº 10.865, de 2004, art. 7º, I e art. 15  (...)  19. Portanto, considerando­se que os dispêndios com desembaraço aduaneiro  devem ser tratados como parte do custo de aquisição das mercadorias importadas, a  Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 12585.720011/2012­15  Acórdão n.º 3402­005.313  S3­C4T2  Fl. 1.797          25 possibilidade  de  creditamento  em  relação  ao  referido  custo  deve  ser  aferida  exclusivamente  com  base  na  Lei  nº  10.865,  de  2004,  que  dispõe  sobre  as  contribuições incidentes na importação.  20. Por outro lado, mostra­se absolutamente indevido, em relação aos gastos  com desembaraço aduaneiro, qualquer creditamento com base nas Leis nº 10.637, de  2002, e nº 10.833, de 2003, que cuidam,  respectivamente, de outras contribuições,  quais  sejam a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins  incidentes  sobre  a  receita  bruta auferida pelas pessoas jurídicas no mercado interno.  21.  Embora  dispensável,  observa­se  que  um  mesmo  dispêndio  não  poderá  gerar crédito duplamente: na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, e do art. 3º  das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Ou seja, não é possível a apuração  de crédito sob a égide das duas espécies de contribuições em relação a um mesmo  fato  econômico,  visto  que  ou  se  está  numa  “operação  de  importação”  ou  numa  “operação doméstica”.  22. Exatamente por  isso,  o § 3º do  art.  3º  da Lei nº 10.637, de 2002,  e  seu  homólogo  na  Lei  nº  10.833,  de  2003,  limitam  o  direito  de  creditamento  da  Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita exclusivamente  “aos  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País”,  e  “aos  custos e despesas  incorridos, pagos ou creditados a pessoa  jurídica domiciliada no  País”.  23. Verifica­se, portanto, que a análise da possibilidade de se apurar créditos  com relação aos gastos com desembaraço aduaneiro deve se basear exclusivamente  na Lei  nº  10.865,  de  2004,  que  dispõe  sobre  a Contribuição para o PIS/Pasep e  a  Cofins incidentes sobre a importação de bens e serviços.  24. O direito ao crédito previsto na Lei retrocitada refere­se às contribuições  efetivamente pagas na importação e corresponde ao valor resultante da aplicação das  alíquotas  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  incidentes  no  mercado  interno  no  regime  de  apuração  não  cumulativa  (1,65%  e  7,6%,  respectivamente)  sobre  o  valor  que  serviu  de  base  de  cálculo  das  contribuições  incidentes  na  importação,  acrescido  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI),  quando  integrante do custo de aquisição. É o que se infere da leitura do § 1º e do § 3º do art.  15 da Lei nº 10.865, de 2004:  25. De fato, há que se verificar se os gastos com desembaraço aduaneiro de  mercadoria  importada  estão  incluídos  na  base  de  cálculo  das  contribuições  incidentes  sobre  a  importação,  pois,  caso  não  estejam,  não  há  que  se  falar  em  apuração  de  crédito  para  ulterior  abatimento  do  valor  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep e da Cofins a pagar incidentes sobre a receita bruta, visto que o crédito só  existe em relação às contribuições efetivamente pagas. Em outras palavras, o crédito  na  importação  não  pode  ser  maior  do  que  a  Contribuição  para  o  PIS/Pasep­ Importação e a Cofins­Importação pagas pelo contribuinte.  ......  32. Assim, nos  termos da  legislação em estudo, os gastos com desembaraço  aduaneiro não estão incluídos na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep– Importação  e  da  Cofins–Importação  por  ocasião  da  importação  de  mercadorias.  Consequentemente,  não há  contribuição efetivamente paga  sobre esses gastos, não  sendo, portanto, possível a apuração de crédito sobre os referidos dispêndios.  33. Assim, considerando­se as hipóteses de creditamento previstas no art. 15  da Lei nº 10.865, de 2004, combinado com o inciso I do art. 7º do referido diploma  legal,  não  há  autorização  para  apuração  de  crédito  em  relação  aos  gastos  com  desembaraço aduaneiro de mercadoria  importada.  Isto porque, conforme o § 1º do  art. 15, o direito ao crédito aplica­se em relação às contribuições efetivamente pagas  Fl. 1809DF CARF MF     26 na  importação, pagamento que não ocorre  em  relação a  tais gastos,  visto que  eles  não compõem a base de cálculo das aludidas contribuições.  Conclusão   34. Diante do exposto, soluciona­se a presente divergência afirmando­se que:  a)  os  gastos  com  desembaraço  aduaneiro  devem  ser  considerados  como  integrantes do custo de aquisição de mercadoria importada;  b) em se  tratando de operação de  importação de mercadoria, utilizada como  insumo ou destinada à revenda, deve­se analisar a Lei nº 10.865, de 2004, para fins  de  verificação  do  direito  ao  desconto  de  crédito  para  fins  de  determinação  da  Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins;  c)  os  gastos  com  desembaraço  aduaneiro  decorrentes  de  importação  de  mercadoria  não  integram  a  base  de  cálculo  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep­  Importação e da Cofins­Importação, por força do disposto no inciso I do art. 7º da  Lei nº 10.865, de 2004;  d) não é permitido às pessoas jurídicas submetidas ao regime de apuração não  cumulativa  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  descontar  créditos  em  relação  a  gastos  com  desembaraço  aduaneiro  de  mercadoria  importada,  utilizada  como insumo ou destinada à revenda, por falta de amparo legal, consoante disposto  no § 1º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004.  De  outra  parte,  os  argumentos  apresentados  no  recurso  voluntário  não  convencem. Alega a recorrente que os gastos com despachantes aduaneiros seriam qualificados  como  custos  dos  produtos  importados,  o  que,  a  seu  ver,  já  justificaria  a  permissão  para  apropriar os respectivos créditos. Ora, o que poderia justificar o reconhecimento de um direito  creditório  é  a  sua  previsão  legal,  o  que  inexiste  para  tais  gastos,  mormente  quando  esses  valores  sequer  integram  a  base  de  cálculo  das  contribuições  de  PIS/Cofins  na  importação.  Também  não  se  poderia  dizer  que  os  gastos  com  despachantes  aduaneiros  seriam  "imprescindíveis para  a  importação dos mencionados  bens pela ora Recorrente",  vez que as  atividades  relacionadas  ao  despacho  aduaneiro  de mercadorias  também  podem  ser  efetuadas  por outras pessoas,  inclusive empregado com vínculo empregatício exclusivo, nos  termos do  art.  5º,  §1º do Decreto­lei  nº 2.472/887,  atualmente consolidado no art.  809 do Regulamento  Aduaneiro/2009.  A  decisão  recorrida  deve  ser  mantida  em  relação  aos  gastos  com  desembaraço aduaneiro pelos seus próprios fundamentos.  Quanto  ao  frete  nacional  dos  bens  importados,  melhor  sorte  não  assiste  à  recorrente.                                                               7 Art. 5º A designação do representante do importador e do exportador poderá recair em despachante aduaneiro,  relativamente ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas e em toda e qualquer outra operação  de comércio exterior, realizada apor qualquer via, inclusive no despacho de bagagem de viajante.           1º  Nas  operações  a  que  se  refere  este  artigo,  o  processamento  em  todos  os  trâmites,  junto  aos  órgãos  competentes, poderá ser feito:           a)  se  pessoa  jurídica  de  direito  privado,  somente  por  intermédio  de  dirigente,  ou  empregado  com vínculo  empregatício  exclusivo  com o  interessado, munido de mandato que  lhe outorgue plenos poderes para o mister,  sem  cláusulas  excedentes  da  responsabilidade  do  outorgante  mediante  ato  ou  omissão  do  outorgado,  ou  por  despachante aduaneiro;           b) se pessoa física, somente por ela própria ou por despachante aduaneiro;           c) se órgão da administração pública direta ou autárquica, federal, estadual ou municipal, missão diplomática  ou  repartição  consular  de  país  estrangeiro  ou  representação  de  órgãos  internacionais,  por  intermédio  de  funcionário ou servidor, especialmente designado, ou por despachante aduaneiro.   (...)    Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 12585.720011/2012­15  Acórdão n.º 3402­005.313  S3­C4T2  Fl. 1.798          27 Os créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento das contribuições,  no  que  concerne  aos  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  no  processo  produtivo  da  contribuinte,  estão  previstos  no  art.  15  da Lei  nº  10.865/20048,  sendo  que,  em  seu  §3º,  está  definida  a  base  de  cálculo  do  crédito  como  "o  valor  que  serviu  de  base  de  cálculo  das  contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação,  quando integrante do custo de aquisição".   Por sua vez, o art. 7º da Lei nº 10.865/2004 estabelece que a base de cálculo  das  contribuições  será  o  valor  aduaneiro.  Nos  termos  do  art.  77  do  Regulamento  Aduaneiro/2002 ou 2009, integram o valor aduaneiro o custo de transporte e os gastos relativos  à  carga,  descarga  e  manuseio  da  mercadoria  importada  até  o  ponto  de  desembaraço  no  território  aduaneiro,  bem  como  o  custo  do  seguro  da  mercadoria  nessas  operações.  Dessa  forma, não há possibilidade de, com fundamento no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, se autorizar  o  creditamento  das  despesas  com  frete  e  armazenagem  incorridas  após  o  desembaraço  aduaneiro, que não integram a base de cálculo definida na Lei para o desconto dos créditos.   De outra parte, também o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, obviamente, não  poderia  socorrer  a  recorrente  relativamente  a despesas  em operações  referentes  à  entrada do  insumo, eis que se refere a despesas de frete e armazenagem relativas à operação de venda com  o ônus suportado pelo vendedor.  Analisemos  agora  a  eventual  aplicação  do  art.  3º,  inciso  II  da  Lei  nº  10.833/2003 (ou o correspondente da Lei nº 10.637/2002), o qual dispõe:  Art.  3o  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:  (...)  II  ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o  da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)   (...)  § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de  2004)   I  ­  de mão­de­obra paga  a pessoa  física;  e  (Incluído pela Lei nº 10.865, de  2004)                                                              8 Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos  dos arts. 2º e 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação  dessas  contribuições,  em  relação  às  importações  sujeitas  ao  pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses:  (...)  II  – bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na prestação  de  serviços  e  na produção  ou  fabricação de bens ou  produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes;  (...)  § 3º O crédito de que trata o caput deste artigo será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput  do art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor  que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado  à importação, quando integrante do custo de aquisição.     Fl. 1811DF CARF MF     28 II  ­  da  aquisição  de  bens  ou  serviços  não  sujeitos  ao  pagamento  da  contribuição,  inclusive  no  caso  de  isenção,  esse  último  quando  revendidos  ou  utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos  ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)  § 3o O direito ao crédito aplica­se, exclusivamente, em relação:   I ­ aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País;   II  ­  aos  custos  e despesas  incorridos,  pagos ou  creditados  a pessoa  jurídica  domiciliada no País;   III ­ aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir  do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei.  (...) [negritei]  Como  se  sabe,  o  inciso  II  do  art.  3º  da  Lei  nº  10.833/2003  ou  da  Lei  nº  10.637/2002 trata do creditamento relativo a um bem ou a um serviço que seja utilizado como  insumo na processo produtivo, no caso, na prestação de serviços de transporte de passageiros  ou cargas.  Vejamos primeiro a hipótese de "serviço utilizado como insumo". Poderia  o  frete  dos  bens  importados  (máquinas,  equipamentos,  aparelhos  e  ferramentas  específicas  para o uso em aeronaves) ser considerado como "serviço utilizado como insumo" na prestação  dos serviços de transporte pela ora recorrente? Entendo que não.   Em  que  pese  o  CARF  não  adotar  a  interpretação  restritiva  das  Instruções  Normativas no conceito de insumo, é certo que o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 não  abriga  o  creditamento  de  serviços  utilizados  em  etapas  anteriores,  que  não  possam  ser  consideradas como a prestação do serviço em si (resultado do processo produtivo), no caso, o  transporte de pessoas e cargas. Os referidos serviços (frete) são aplicados somente nos próprios  insumos,  que  já  foram  importados  na  condição  de  insumos,  de  forma  que  também  não  se  poderia considerar como algo relacionado à produção ou à fabricação anterior desses insumos.  O dispositivo legal exige que o serviço (no caso, o frete) seja utilizado como insumo na própria  prestação do serviço (transporte de pessoas e cargas), o que não é o caso.  Tampouco haveria possibilidade de creditamento dessas despesas  com  frete  em  relação  ao  "bem  utilizado  como  insumo",  embora  haja  construção  jurisprudencial  no  CARF9  no  sentido de  admitir  o desconto de  créditos,  no que  concerne ao  frete  relativos  aos                                                              9 Acórdão nº 3402­002.662– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de 24 de fevereiro de 2015  Relator: Alexandre Kern  (...)  Em se tratando de serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento tomado sobre o frete pago  quando o serviço de  transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem  destinado à venda, com base no inc. II do art. 3°, e no caso de serviço de frete na operação de venda, quando o  ônus for suportado pelo vendedor, cfe. inc. IX. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos  sobre  despesas  com  fretes  pagos  a  pessoas  jurídicas  quando  o  custo  do  serviço,  suportado  pelo  adquirente,  é  apropriado ao de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda,  isso em razão de o  valor do serviço integrar o valor de aquisição de tal bem, passando então a compor a base de cálculo do crédito  decorrente  da  aquisição  de  bem  para  revenda  ou  para  utilização  como  insumo. Há  ainda  uma  quarta  hipótese,  defendida na  jurisprudência deste Colegiado, decorrente do conceito de  insumo que  se adota, no caso de  fretes  pagos  a  pessoa  jurídica  para  transporte  de  insumos  ou  produtos  inacabados  entre  estabelecimentos,  dentro  do  contexto do processo produtivo da pessoa jurídica.  O transporte de produto acabado isso é, depois de concluído o processo produtivo – não se enquadra em qualquer  dessas hipóteses permissivas. Se do ponto de vista logístico pode ser compreendido como etapa da futura operação  de venda, juridicamente, não.  Esse entendimento está plasmado, por exemplo, no voto condutor do Acórdão nº 3403001.556, Rel. Cons. Marcos  Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012:  Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 12585.720011/2012­15  Acórdão n.º 3402­005.313  S3­C4T2  Fl. 1.799          29 insumos, em relação aos bens utilizados como insumo e aos bens para revenda, relativamente  às  despesas  de  fretes  pagos  a  pessoas  jurídicas  quando  o  custo  do  serviço,  suportado  pelo  adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo (inciso II do  art. 3º da Lei nº 10.833/2003 ou 10.637/2002) ou de um bem para revenda (inciso I).   Em relação ao bem adquirido de pessoa jurídica no exterior não se vislumbra  hipótese de creditamento com base nos arts. 3ºs das Leis nºs 10.833/2003 ou 10.637/2002, em  face  da  restrição  contida  no  §3º,  I  desse  dispositivo  ("§  3o  O  direito  ao  crédito  aplica­se,  exclusivamente, em relação:  I ­ aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada  no País;") e, em consequência, também não seria possível o creditamento de gastos com o frete  nacional  vinculados  ao  creditamento  desses  bens  (apropriado  ao  custo  de  aquisição  do  bem  utilizado como insumo).  Mais importante é  que,  como  visto,  no  caso  de  bem  importado  utilizado  como  insumo,  o  creditamento  relativamente  ao  bem  é  feito  com  base  no  art.  15  da  Lei  nº  10.865/2004, que é a norma especial aplicável ao caso, a qual não prevê a inclusão dos gastos  com frete.  Assim, sob qualquer ponto de vista, não há que se falar em creditamento das  despesas relativas a frete realizadas após o desembaraço aduaneiro, sendo o mesmo raciocínio  aplicável aos gastos com desembaraço aduaneiro.  Em situação semelhante ao presente caso, foi decidido no mesmo sentido do  proposto  acima  por  unanimidade  de  votos  daquele  Colegiado,  sob  a  relatoria  do  Ilustre  Conselheiro José Fernandes do Nascimento, conforme ementa abaixo:  Acórdão nº 3302­003.212– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Sessão de 16 de maio de 2016   Matéria PIS ­ RESTITUIÇÃO   Relator: José Fernandes do Nascimento  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007   (...)  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  GASTOS  COM  FRETE  INTERNO  NO  TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE  CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.  Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada  no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep,                                                                                                                                                                                           “Porque  na  sistemática  da  nãocumulatividade  do  PIS  e  da  COFINS,  os  dispêndios  da  pessoa  jurídica  com  a  contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese  específica de creditamento, referida pelo art. 3°, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais  de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito  em razão do previsto no artigo 3°, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre  unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como  insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3°.  De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista  logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente  falando  não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido.”    Fl. 1813DF CARF MF     30 pois  sobre  tais  gastos  não  há  pagamento  da Cofins­Importação  e  da Contribuição  para  o  PIS/Pasep­Importação,  por  não  integrarem  a  base  de  cálculo  destas  contribuições  (valor  aduaneiro,  segundo  art.  7º,  I,  da  Lei  10.865/2004),  nem  se  enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a  XI do art. 3º da Lei 10.833/2003.  (...)  7. Da glosa relacionada aos gastos com estadia de tripulantes  Com  relação  aos  gastos  com  estadia  de  tripulantes  alega  a  recorrente  que:  "Não há como desconsiderar a indispensabilidade do gasto com estadia dos tripulantes para que  a empresa aérea possa desenvolver suas atividades. Afinal, na atividade de transporte aéreo se  pressupõe  que  os  tripulantes  percorram  longas  distâncias  para  efetivarem  a  prestação  do  serviço  a  que  se  propõem.  E,  não  raro,  por  conta  da  imperiosa  necessidade  de  respeitar  a  duração da  jornada de  trabalho do aeronauta, para que  este  tenha condições de desempenhar  seu trabalho, a estadia do tripulante é indispensável à continuidade da prestação do serviço pela  companhia".  No  entanto,  os  serviços  relativos  à  hospedagem  de  tripulantes  não  são  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  de  transporte  pela  recorrente  em  si,  sendo  usufruídos pelos tripulantes em face dos deslocamentos decorrentes da modalidade de trabalho  que exercem. Tratam­se de despesas que atendem a uma necessidade operacional da empresa,  não  se  enquadrando  no  conceito  de  insumo  para  fins  de  creditamento  das  contribuições  de  PIS/Cofins. Nesse sentido está a Solução de Divergência nº 15, de 30 de Maio de 2008: “Os  gastos  com  passagem  e  hospedagem  de  empregados  e  funcionários,  não  são  considerados  “insumos”  na prestação  de  serviços,  não  podendo  ser  considerados  para  fins  de  desconto  de  crédito na apuração da contribuição para a Cofins e o PIS não­cumulativo".  8.  Da  glosa  relacionada  aos  gastos  com  o  reparo  de  equipamentos  utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos  Neste tópico assim decidiu a DRJ: "No caso do 1º trimestre de 2008, os bens  glosados (“Planilha 9.8 – Gastos com o Reparo de Equipamentos Utilizados na Manutenção”)  dizem  respeito  às  seguintes  contas:  “Gastos  com  Equipamentos  Terrestres”  e  “Serviços  de  Manutenção em Equipamentos”. Tais contas já foram analisadas no item “II.5.4 ­ DA GLOSA  RELACIONADA ÀS AQUISIÇÕES DE BENS PATRIMONIAIS”,  tendo  o  crédito  glosado  sido indeferido à contribuinte. Pelas mesmas razões lá aduzidas, entende­se serem corretas as  glosas realizadas".  Dessa  forma,  como  decidido  no  tópico  sobre  a  "glosa  relacionada  às  aquisições  de  bens  patrimoniais",  os  bens  e  serviços  adquiridos  para  serem  utilizados  na  manutenção  de  aeronaves,  seus  motores,  partes,  componentes,  ferramentais  e  equipamentos  não  geram direito  ao  crédito  da  não  cumulatividade,  nos  termos  dos  incisos  II  dos  §§2º  dos  arts.  3ºs  das  Leis  n°s  10.637/2002  e  10.833/2003,  vez  que  as  alíquotas  das  contribuições  respectivas foram reduzidas a zero a partir de 23/06/2008, em face da Lei n° 11.727 que alterou  a redação do inciso IV do art. 28 da Lei n° 10.865/2004.  9.  Da  glosa  relacionada  aos  gastos  não  relacionados  à  atividade  de  transporte aéreo  Trata­se  de  glosas  relativas  aos  gastos  decorrentes  da  (i)  contratação  de  serviços de  comunicação por  rádio,  (ii)  serviços de despachantes,  (iii)  serviços de  segurança  patrimonial,  (iv)  serviços  gráficos,  (v)  serviços  gerais  de  limpeza,  (vi)  gastos  com  treinamentos,  (vii)  serviços  de  telefonia  e  banda  larga,  (viii)  serviços  de  lavagem,  (ix)  Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 12585.720011/2012­15  Acórdão n.º 3402­005.313  S3­C4T2  Fl. 1.800          31 abastecimento  de  água  (QTA)  e  energia  (GPU  ­  equipamento  móvel  terrestre  utilizado  no  fornecimento de energia a aeronaves em terra), (x) manutenção de instalações,  (xi) aparelhos  telefônicos e (xii) de ar condicionado, (xiii) manutenção de extintores e (xiv) de aparelhos de  raio X,  (xv) cadeiras, mesas, armários,  estantes,  divisórias e bancadas,  (xvi)  rede de dados  e  voz.  Entendeu  a  autoridade  administrativa  que:  "Tais  serviços,  por  mais  necessários  às  atividades  desenvolvidas  pela  contratante,  não  estão  diretamente  ligados  à  atividade de transporte aéreo de cargas, fato que os afasta da conceituação de insumo".  Os  gastos  com  comunicação  de  rádio  entre  a  companhia  aérea  e  a  torre  de  comando são remuneradas por tarifa e já estão incluídos no tópico "tarifas aeroportuárias".  Quanto  aos  serviços  de  comunicação  de  rádio  entre  os  funcionários  da  empresa para  controle do  embarque  e desembarque de passageiros  e  cargas,  bem como para  contato entre as áreas aeroportuárias, entendeu a DRJ que eles são empregados diretamente na  prestação  dos  serviços  de  transporte  aéreo  de  cargas  e  passageiros,  concedendo o  respectivo  crédito no que concerne ao transporte de cargas. Dessa forma, como neste Voto foi considerado  que o transporte  internacional de passageiros está sujeito ao regime não cumulativo, deve ser  aqui revertida a parcela da glosa sobre "serviços de comunicação de rádio entre os funcionários  da  empresa  para  controle  do  embarque  e  desembarque  de  passageiros  e  cargas"  no  que  concerne ao transporte internacional de passageiros.  Com relação à aquisição de “aparelhos de raio X”, como dito pelo julgador a  quo,  só  poderia  gerar  créditos  de  depreciação.  Como  a  recorrente  não  apresentou  qualquer  argumento  que  afastasse  tal  constatação,  a  glosa  deve  ser mantida  nessa  parte.  No  entanto,  quanto “serviços de operação de equipamentos de raio X”, eles podem estar vinculados tanto  ao  transporte  de  passageiros  como  de  carga,  devendo  a  parcela  da  glosa  de  tais  serviços  aplicada no transporte internacional de cargas ou no transporte internacional de passageiros ser  revertida.  No tocante à segurança patrimonial e aos gastos com aquisição de extintores  de incêndio, alega a interessada que ambos estão vinculados à segurança dos passageiros e das  cargas transportadas. Tendo em vista a não demonstração pela recorrente de que os extintores  de incêndio seriam bens não ativáveis, não se pode reverter essa parcela da glosa, entretanto, os  serviços  relativos  à  segurança  dos  passageiros  e  das  cargas  enquadram­se  no  conceito  de  insumo  adotado  neste  voto,  eis  que  são  essenciais  e  imprescindíveis  ao  transporte  de  passageiros  e  de  cargas,  devendo  a  parcela  da  glosa  relativa  à  "segurança  patrimonial"  ser  revertida  relativamente  ao  transporte  internacional de cargas  e  ao  transporte  internacional de  passageiros.  A glosa  dos  créditos  relacionados  ao  fornecimento  de  energia  às  aeronaves  (GPU:  equipamento  móvel  terrestre  utilizado  no  fornecimento  de  energia  a  aeronaves  em  terra), que se refere, na verdade, a gastos com a locação destes equipamentos e não com suas  aquisições,  foi mantida pela DRJ nos  seguintes  termos:  "Ocorre,  todavia, que a empresa não  conseguiu  demonstrar  dois  aspectos  essenciais  para  ter  direito  ao  crédito  em  discussão.  Primeiro, provar que também a atividade aérea de transporte de cargas necessita deste tipo de  equipamento. Pelo recurso apresentado, parece que tais equipamentos são utilizados apenas no  transporte de passageiros que, como já se viu, está sujeito ao regime cumulativo. Além disso, o  contrato apresentado pela manifestante (doc. 5), fls. 1.477/1.481, foi assinado em 04/11/2013 e  o  prazo  de  vigência,  conforme  cláusula  2.1  só  se  iniciou  a  partir  da  assinatura  do  contrato.  Fl. 1815DF CARF MF     32 Portanto, como o crédito é do 1º  trimestre de 2009,  tal contrato não tem o condão de gerar o  crédito pretendido".  Assim, como a recorrente não apresentou qualquer elemento modificativo ou  extintivo  quanto  a  não  vigência  do  contrato  no  período  analisado,  não  restou  comprovado o  direito  creditório  relativo  à  locação  do  equipamento GPU,  não  cabendo  reforma  na  decisão  recorrida.  Quanto aos gastos com treinamento de tripulantes, decidiu a DRJ no sentido  de que "não há previsão  legal expressa que autorize o creditamento com  tal gasto. Por outro  lado, tais despesas não se subsumem no conceito de “insumos”, pois não se caracterizam como  “bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços”  ou  “serviços  aplicados  ou  consumidos na prestação do serviço”.   De  outra  parte,  alega  a  recorrente  que  "as  despesas  com  treinamento  de  tripulantes são  indispensáveis para a aludida execução do serviço de  transporte aéreo e estão  diretamente relacionadas ao objeto social da Recorrente,  razão pela qual as glosas devem ser  revertidas por este E. CARF".   No  entanto,  as  despesas  com  treinamento  de  empregados  embora  sejam  essenciais em qualquer ramo empresarial, não são se tratam de serviços aplicados na prestação  de serviços de transporte, objeto social da recorrente, devendo ser mantida a decisão recorrida  nesta parte.  Quanto  aos  demais  itens  deste  tópico,  em  que  pesem  os  argumentos  da  recorrente,  deve  ser  mantida  a  decisão  recorrida,  nos  seguintes  termos:  "é  facilmente  observável que diversos bens glosados não dizem respeito diretamente ao serviço prestado pela  manifestante, sendo apenas despesas operacionais da empresa. Obviamente, serviços gerais de  limpeza, serviços de telefonia e banda larga, serviços de lavagem, gastos com cadeiras, mesas,  armários, estantes, divisórias e bancadas entre diversos outros, não têm correspondência direta  com os serviços prestados pela empresa, não podendo gerar o direito ao crédito. São bens de  uso e consumo da empresa, que não geram o direito ao crédito".  No que diz  respeito a "rede de dados e voz", conforme  já decidido por este  CARF  no  Acórdão  nº  3401­002.857,  de  27  de  janeiro  de  2015,  em  relação  a  uma  transportadora de cargas, não há o direito ao creditamento, conforme a seguinte ementa:   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Ano calendário:2009, 2010, 2011  (...)  DESPESAS COM TELEFONE­VOZ E TELEFONE­DADOS. VINCULAÇÃO A  ATIVIDADES  ADMINISTRATIVAS.  NÃO  ENQUADRAMENTO  COMO  INSUMOS. As despesas com telefone­voz e telefone­dados, por sua natureza, não se  vinculam à prestação de serviço de transporte de cargas e não são indispensáveis a  sua  execução.  Ademais,  sua  utilização  está  principalmente  vinculada  à  realização  das  atividades  administrativas  da  empresa,  o  que  permitiria  enquadrá­las  como  necessária nos termos da legislação do IRPJ. Considerando a definição de insumos  adotada, que não se confunde com o de despesa necessária do art. 299 do Decreto nº  3000/99,  tais  despesas  não  preenchem  os  requisitos  para  caracterização  como  insumo. Deve ser mantida a glosa em relação a estas despesas.  Assim, em resumo, devem ser revertidas neste tópico, relativamente à glosa  relacionada  aos  gastos  não  relacionados  à  atividade  de  transporte  aéreo,  somente  as  seguintes parcelas:   Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 12585.720011/2012­15  Acórdão n.º 3402­005.313  S3­C4T2  Fl. 1.801          33 a) "serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para  controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte  internacional de passageiros; e  b)  “serviços  de  operação  de  equipamentos  de  raio  X"  e  "segurança  patrimonial"  relativamente ao  transporte  internacional de cargas e ao  transporte  internacional  de passageiros.  10. Da glosa relacionada aos gastos com pagamentos efetuados a pessoas  físicas  A recorrente manifesta concordância com esta glosa.  11. Da glosa relacionada aos gastos não considerados insumos ­ Bens de  uso e consumo  No tocante a estas glosas, assim decidiu a DRJ:  Observa­se  com  as  glosas  levadas  a  cabo  pela  fiscalização  (Anexo  9.11  – Outros  gastos  não  classificáveis  como  insumos)  que  a  interessada  pretendeu  se  creditar  de  todos  os  gastos  que  possui. No  referido  anexo,  percebe­se  a  glosa  de,  entre outros, dispêndios com lixas, thinner, fita crepe, rolo de espuma, aplicador de  massa, estopa, bobinas, etc.  Todavia,  não  é  todo  e  qualquer  custo  que  gera  o  crédito  da  não  cumulatividade do PIS/Cofins.  Bens de uso e consumo não podem gerar o crédito da não cumulatividade das  referidas contribuições, razão pela qual correta as glosas efetividas pela fiscalização.  Tais  bens  são  de  uso  e  consumo,  não  havendo  previsão  legal  para  este  tipo  de  creditamento. Além do mais, como a própria interessada consignou em seu recurso,  “os  créditos  da  não  cumulatividade  do  PIS/Cofins  não  devem  alinhar­se  às  definições de custo e despesas de que trata o RIR/99”.  Especificamente,  a  interessada  se  insurge  contra  as  glosas  de  despesas  com  vestuários e acessórios profissionais, entendidos como os uniformes utilizados pelos  funcionários de rampa, aeroporto, os tripulantes, etc.  Quanto a estas despesas em específico, vale observar que a Lei n° 11.898, de  08/01/2009, incluiu nos artigos 3o das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 o inciso  X, prevendo tal direito a crédito, in verbis:  X  ­  vale­transporte,  vale­refeição  ou  vale­alimentação,  fardamento  ou  uniforme  fornecidos aos empregados por pessoa  jurídica que explore as atividades  de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção.  Observa­se,  portanto,  que  as  despesas  constantes  do  inciso  acima  transcrito  não  proporcionam  o  crédito  indiscriminadamente  a  qualquer  pessoa  jurídica.  Tais  despesas possibilitam o crédito apenas a pessoas jurídicas que explorem a prestação  de  serviços  de  limpeza,  conservação  e  manutenção.  Como  este  não  é  o  caso  da  manifestante, não há que se falar em direito a crédito em relação a essas despesas.  Por  fim,  a  manifestante  reclama  especificamente  sobre  as  glosas  de  gastos  com materiais  de  acondicionamento  utilizados  no  transporte  e  armazenamento  de  materiais e ferramentas aeronáuticas, que são utilizados para a conservação e para a  segurança  das  partes  e  peças  que  serão  destinadas  ou  à manutenção  ou  à  própria  aplicação nas aeronaves.  Tais bens, entretanto, por razões já exaustivamente debatidas neste voto, não  se enquadram no conceito de insumo para a empresa em epígrafe, dado o seu objeto  social.  Afinal, não têm vinculação direta com a prestação de seus serviços.  Fl. 1817DF CARF MF     34 Alega  a  recorrente  que  as  "despesas  com  vestuários  e  acessórios  profissionais"  seriam custeadas pelo empregador,  conforme determinação  legal, não havendo  como  dissociar  esse  gasto  ao  conceito  de  insumo.  Não  obstante  o  conceito  mais  amplo  de  insumo no âmbito deste CARF, entendo que  tais despesas não se enquadram no conceito de  insumo, vez que não são aplicadas no transporte de pessoas e cargas, tratando­se de despesas  operacionais da empresa. No caso de fardamento e uniforme, o legislador ordinário optou por  conceder  o  creditamento  somente  às  atividades  de  "prestação  de  serviços  de  limpeza,  conservação e manutenção", nos termos do art. 3º, IX das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003.  Com  relação  aos  "Materiais  de  Acondicionamento  e  Embalagens",  embora  afirme a recorrente que se tratariam de "materiais de acondicionamento utilizados no transporte  e armazenamento de materiais e ferramentas aeronáuticos", não se tem prova nos autos de que  natureza  seriam  tais  materiais  e  embalagens  ou  se  seriam  não  ativáveis,  devendo  a  decisão  recorrida ser mantida também nesta parte.  Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso  voluntário na seguinte forma:   a)  Determinar  à  autoridade  administrativa  que  efetue  novo  cálculo  do  percentual  de  rateio  proporcional  levando  em  consideração  as  receitas  financeiras  como  integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total, bem como a inclusão das  receitas originadas do transporte internacional de passageiros no regime não cumulativo; e  b) Reverter somente as seguintes parcelas das glosas abaixo:  i)  glosa  relacionada  às  tarifas  aeroportuárias  no  valor  relativo  ao  transporte aéreo internacional de passageiros;  ii)  glosa  relacionada  aos  gastos  com  atendimento  ao  passageiro:  Serviços  de  atendimento  de  pessoas  nos  aeroportos,  Serviços  auxiliares  aeroportuários,  Serviços  de handling,  serviços  de  comissaria,  Serviços  de  transportes  de  pessoas  e  cargas  e  Gastos com voos interrompidos; no montante relativo ao transporte internacional de pessoas;  iii)  gastos  não  relacionados  à  atividade  de  transporte  aéreo:  iii.1)"serviços  de  comunicação  de  rádio  entre  os  funcionários  da  empresa  para  controle  do  embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional  de  passageiros;  e  iii.2)  “serviços  de  operação  de  equipamentos  de  raio  X"  e  "segurança  patrimonial"  relativamente ao  transporte  internacional de cargas e ao  transporte  internacional  de passageiros.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Maria Aparecida Martins de Paula   Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 12585.720011/2012­15  Acórdão n.º 3402­005.313  S3­C4T2  Fl. 1.802          35 Voto Vencedor  Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Redatora Designada  Com a devida vênia, ouso divergir da ilustre Relatora no que tange a glosa de  despesas  com  os  uniformes  dos  aeronautas  relativo  ao  transporte  aéreo  de  cargas  e  internacional de passageiros.   A questão de mérito discutida nestes autos é já amplamente conhecida pelos  julgadores do CARF. Trata­se do  conceito de  insumo para  fins de  apropriação de  crédito da  Contribuição ao PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade  (artigo 3º,  inciso  II  das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002)  Embora não seja essa premissa o objeto da minha divergência em relação ao  voto  da  Conselheira  Relatora  ­ mas  sim  a  sua  aplicação  sobre  uma  específica  glosa  ­,  vale  repisar  a  evolução  jurisprudencial  administrativa  sobre  a matéria,  que  culminou  no  conceito  aqui adotado para a solução da lide.  Quando primeiramente  instado a se manifestar sobre o  tema,  este Conselho  convalidou  o  restritivo  entendimento  esposado  pela  Receita  Federal,  materializado  nas  Instruções  Normativas  SRF  247/02  e  SRF  404/04.  Ou  seja,  transportou­se  o  conceito  de  insumo do IPI para sistemática de PIS e COFINS não cumulativos. Assim, o CARF entendia  que  ao  contribuinte  somente  seria  legítimo  descontar  créditos  referentes  às  aquisições  de  matéria­prima,  material  de  embalagem  e  produtos  intermediários,  os  quais  deveriam  ser  incorporados ou desgastados pelo contato físico com o produto final, para serem considerados  insumos ensejadores de crédito de PIS e COFINS (e.g. Acórdão n. 203­12.469).   Num  segundo momento,  já  assumindo  a  impropriedade  de  se  aplicar  como  critério  para  aferir  o  crédito  PIS  e  COFINS  não  cumulativos  aquele  do  IPI  ­  uma  vez  que  materialidades  destas  espécies  de  tributos  são  completamente  distintas,  sendo  a  do  IPI,  circunscrita  ao  âmbito da  industrialização,  enquanto  a das Contribuições,  é mais  abrangente,  por  ser  a  receita  como  um  todo  ­,  o  CARF  passou  a  utilizar  as  regras  de  dedutibilidade  de  despesa  constante  na  legislação  do  pelo  imposto  sobre  a  renda  (“IR”)  para  a  definição  de  insumos  (e.g.  Acórdão  n.  3202­00.226).  Nesse  sentido,  a  jurisprudência  do  CARF  acabou  conferindo  uma  amplitude  maior  ao  conceito  de  insumo  para  o  direito  de  crédito  da  Contribuição ao PIS e da COFINS, entendido como qualquer despesa, desde que necessária à  consecução do objeto social da pessoa jurídica.  Finalmente,  a  jurisprudência  deste  Conselho  chegou  então  a  um  terceiro  momento, no qual se consolidou que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da  COFINS “denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja  tão  extensivo  quanto  aquele  aplicável  ao  IRPJ”.10  Essa  é  a  atual,  e,  a  meu  ver,  correta  orientação do CARF a respeito do tema.  Com isso, constata­se que este Tribunal passou a defender uma abrangência  específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando                                                              10  AC  nº  9303002.801,  Processo  nº  13052.000441/200307,  rel.  Rodrigo da Costa Pôssas ,  sessão  de  23 de janeiro de 2014.  Fl. 1819DF CARF MF     36 em  conta  a materialidade  das  contribuições  (receita),  pelo  que  se  impõe  conceder  o  crédito  relativo a custos  indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita  (e.g. Acórdão n.  3302002.674).   Exatamente  neste  sentido,  este  Colegiado  tem  adotado  como  parâmetro  o  conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto  sobre a Renda ­ RIR/99 (Acórdão 3402­002.881), para a solução dos casos controversos entre  contribuintes e Fisco.  Ademais, na recente data de 24 de abril de 2018, foi publicado pelo Superior  Tribunal de Justiça o Acórdão relativo ao REsp 1.221.170 / PR, julgado sob o rito dos recursos  repetitivos, que pacifica a tese adotada por este Conselho, in verbis:  4. Sob o rito do art. 543­C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes  do  CPC/2015),  assentam­se  as  seguintes  teses:  (a)  é  ilegal  a  disciplina de creditamento prevista nas  Instruções Normativas  da  SRF  ns.  247/2002  e  404/2004,  porquanto  compromete  a  eficácia do  sistema de não­cumulatividade da  contribuição ao  PIS  e  da COFINS,  tal  como  definido  nas  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz  dos  critérios  de  essencialidade  ou  relevância,  ou  seja,  considerando­se  a  imprescindibilidade  ou  a  importância  de  terminado  item ­ bem ou  serviço  ­ para o desenvolvimento da  atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.  Tal  julgamento  é de  observância obrigatória  pelo CARF,  em  conformidade  com o que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno.  Pois bem. Adotando o citado conceito para a aferição da legitimidade ou não  da tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, faz­se necessário analisar in casu a  essencialidade dos insumos no processo formativo da receita.  A Recorrente é concessionária de serviço público que se dedica à prestação  de serviços de transporte aéreo regular de passageiros, de cargas, de malas e objetos postais,  assim como à prestação de serviços de manutenção e reparação de aeronaves, motores, partes e  peças de terceiros.  Tendo em vista o citado objeto social, a Recorrente trouxe aos autos prova de  seus dispêndios com vestuários e acessórios profissionais de seus funcionários.   O  custeio  dessas  vestimentas  para  os  aeronautas  é  de  responsabilidade  do  empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de  1984  (com  a  redação mantida  pela  Lei  n.  13.475/2017,  a  qual  dispõe  sobre  o  exercício  da  profissão de tripulante de aeronave, denominado aeronauta; e revoga a Lei no 7.183/1984), in  verbis:  Art.  46  ­  O  aeronauta  receberá  gratuitamente  da  empresa,  quando  não  forem  de  uso  comum,  as  peças  de  uniforme  e  os  equipamentos  exigidos  para  o  exercício  de  sua  atividade  profissional, estabelecidos por ato da autoridade competente”.  Ou  seja,  o  fornecimento  de  peças  de  uniformes  aos  aeronautas  não  é  uma  liberalidade da Recorrente, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito  sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte,  não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo  Fl. 1820DF CARF MF Processo nº 12585.720011/2012­15  Acórdão n.º 3402­005.313  S3­C4T2  Fl. 1.803          37 de produção dos serviços prestados pela Recorrente, claramente essencial para o exercício de  suas atividades empresariais.   Assim tem se manifestado esse Conselho em casos análogos, à medida que o  fornecimento  de  uniformes  decorre  de  imposição  de  lei  específica  do  setor  econômico  da  empresa. Citamos como exemplo o caso dos uniformes utilizados pelos funcionários em redes  de  supermercado,  conferindo  direito  ao  crédito  das  Contribuições,  haja  vista  que  para  cada  setor  específico  das  lojas  a  legislação  trabalhista  brasileira  prevê  a  obrigatoriedade  do  fornecimento  de  equipamentos  de  proteção  individual  bem  como  de  uniformes  para  os  seus  funcionários (Acórdão n. 3301004.483).   Por tudo quanto exposto, voto pela reversão das glosas de créditos pautados  em "despesas com vestuário e acessórios profissionais" dos aeronautas,  relativo ao transporte  aéreo de cargas e internacional de passageiros.  (assinado digitalmente)  Thais De Laurentiis Galkowicz  Fl. 1821DF CARF MF     38 Declaração de Voto  Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz   Igualmente devo expressar minha discordância com a Ilustre Relatora no que  tange ao direito creditório referente aos gastos com insumos importados, mais precisamente o  frete nacional de insumos importados e os serviços aduaneiros.  Como já noticiado, a Recorrente é concessionária de serviço público que se  dedica à prestação de serviços de transporte aéreo regular de passageiros, de cargas, de malas e  objetos postais, assim como à prestação de serviços de manutenção e reparação de aeronaves,  motores,  partes  e  peças  de  terceiros,  sendo  que,  para  o  desenvolvimento  destas  atividades,  torna­se imprescindível o uso de máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas  para  o  uso  em  aeronaves,  que  não  estão  disponíveis  no  mercado  nacional.  Por  essa  razão,  necessita  importá­las  do  exterior,  assim  como  transportá­las  para  seus  estabelecimentos  e  armazená­las com terceiros.  Desta  forma,  os  referidos  gastos  com  frete  nacional  dos  produtos  e  despachantes aduaneiros são imprescindíveis para a consecução do objeto social da Recorrente,  o  que  os  qualifica  como  insumos  para  fins  de  creditamento  da  Contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS, de acordo com a legislação que rege o tema, como passo a expor.  Tratemos primeiramente do frete nacional de produtos importados.   A garantia do direito dos créditos das Contribuições é imperiosa no presente  caso, pois os motivos elencados pela Fiscalização e corroborados pela DRJ não se coadunam  com  a  natureza  do  frete  sob  análise  e,  por  conseguinte,  com  a  legislação  que  garante  seu  aproveitamento.  Com efeito, o frete em apreço trata­se de frete nacional, e não internacional  (custo  de  transporte  da  mercadoria  importada  até  o  porto  ou  o  aeroporto  alfandegado  de  descarga ou o ponto de fronteira alfandegado, conforme o artigo 77 do Regulamento Aduaneiro  ­ Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009).  É  por  esta  razão  que os  argumentos  de que  "inexiste  norma garantidora  do  direito  a  tal  crédito",  e  de  que  "a  legislação  disciplinadora  da  Contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS  incidentes  sobre  as  importações  refere­se  ao  valor  aduaneiro,  dentro  do  qual  não  estaria incluído o frete", não se aplicam ao presente caso. Explico.  Inicialmente,  é  preciso  recordar  a  diferenciação  da  incidência/direito  ao  crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre importações ("PIS­importação e COFINS­ importação",  ou  PIS/COFINS­importação),  com  a  incidência/direito  ao  crédito  das  Contribuições  ao  PIS  e  da  COFINS  ("PIS  e  COFINS")  incidentes  sobre  operações  no  ocorridas no mercado interno.   O  PIS­importação  e  a  COFINS­importação  são  exações  tributárias  disciplinadas pela Lei n. 10.685/04, que em seu artigo 1º,  traz a materialidade que é atingida  pelas  Contribuições:  a  importação  de  bens  e  serviços.  Assim,  o  PIS/COFINS­importação  incide uma única vez, no momento da importação de bens e serviços.  Tratando­se  de  incidência  tributária  sobre  as  importações  (paralelamente  à  desoneração  na  exportação  pelos  países  estrangeiros),  o  PIS­importação  e  a  COFINS­ Fl. 1822DF CARF MF Processo nº 12585.720011/2012­15  Acórdão n.º 3402­005.313  S3­C4T2  Fl. 1.804          39 importação  dão  efetividade  ao  princípio  do  destino,  que  rege  a  tributação  do  comércio  internacional, como decorrência da necessidade de harmonização das legislações entre Estados,  como  ensina  Ricardo  Lobo  Torres.11  Desse  modo,  as  mercadorias  e  serviços  trazidos  do  exterior  serão  sujeitos  à  incidência  dos  tributos  nacionais  sobre  o  consumo  (como  o  IPI,  o  ICMS  e  o  ISS),  tendo  então  o  mesmo  tratamento  tributário  das  mercadorias  e  serviços  produzidos no mercado nacional, com isso respeitando o princípio da não discriminação.   Dessarte,  o  PIS–importação  e  a  COFINS–importação  incidem  tão  somente  nas operações nas quais os fornecedores estão domiciliados fora do país, e é a essa situação que  a  Lei  n.  10.685/04  abarcou.  Consequentemente,  a  Lei  n.  10.865/04  não  trata  das  operações  praticadas  em  território  brasileiro,  as  quais,  como  é  consabido,  são  regradas  pelas  Leis  n.  10.637/2002 e n. 10.833/2003.  Todavia,  para  as  pessoas  jurídicas  que  apuram  as  Contribuições  pela  sistemática  da  não­cumulatividade,  a  importação  pode  ser  a  primeira  das  etapas  comerciais,  industriais  ou  de  prestação  de  serviços  que  ocorrerão  em  território  nacional,  a  qual  eventualmente poderá ser juntar a outros bens ou serviços adquiridos no mercado interno para a  consecução das atividades empresarias.  Justamente nesse sentido, a Lei n. 10.865/2004, em seu artigo 15, estabeleceu  que um dos créditos que podem ser apurados na não cumulatividade da Contribuição ao PIS e  da  COFINS  (cf.  as  Leis  n.  10.637/2002  e  n.  10.833/2003)  corresponde  aos  valores  pagos  anteriormente a título de PIS/COFINS­importação. Vejamos    Art.  15.  As  pessoas  jurídicas  sujeitas  à  apuração  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS,  nos  termos  dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002,  e 10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação  dessas  contribuições,  em  relação  às  importações  sujeitas  ao  pagamento  das  contribuições  de  que  trata  o  art.  1o desta  Lei,  nas  seguintes  hipóteses:  I ­ bens adquiridos para revenda;  II  –  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes;  III ­ energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa  jurídica;  IV ­ aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  embarcações  e  aeronaves,  utilizados na atividade da empresa;  V ­ máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo  imobilizado,  adquiridos  para  locação  a  terceiros  ou  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.196,  de  2005)                                                              11 Assim, a tributação é outorgada para o país onde os bens são consumidos. (O princípio da não cumulatividade e  o IVA no direito comparado. In O princípio da não­cumulatividade, coord. Ives Gandra da Silva Martins, p. 161).   Fl. 1823DF CARF MF     40 § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta  Lei  aplica­se  em  relação  às  contribuições  efetivamente  pagas  na  importação  de  bens  e  serviços  a  partir  da  produção  dos  efeitos desta Lei.  §  1o­A. O valor  da Cofins­Importação pago  em decorrência  do  adicional  de  alíquota  de  que  trata  o  §  21  do  art.  8o não  gera  direito ao desconto do crédito de que trata o caput.(Incluído pela  Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência)  § 2o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê­lo  nos meses subseqüentes.  §  3o  O  crédito  de  que  trata  o caput será  apurado  mediante  a  aplicação  das  alíquotas  previstas  no  art.  8o sobre  o  valor  que  serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7o,  acrescido  do  valor  do  IPI  vinculado  à  importação,  quando  integrante do custo de aquisição  A dicção do caput do artigo 15 da Lei n. 10.865/2004 é clara: concede­ser­á o  direito  ao  crédito,  relativamente  às  IMPORTAÇÕES,  sobre  as  contribuições  efetivamente  pagas  (§1º),  apurado  de  acordo  com  as  demais  normas  que  regem  o  PIS­importação  e  a  COFINS­importação, dentre elas a utilização do valor aduaneiro sobre da importação de bens  (artigo 7º, inciso I). Como é possível perceber desde já, aqui se discute unicamente a incidência  e o crédito nas importações. Esse é o marco final da disciplina da Lei n. 10.865/2004, que em  nada  pode  ou  deve  prejudicar  a  incidência  das  Contribuições  que  ocorrem  em  momento  subsequente (mercado nacional) e o respectivo direito ao crédito. Afinal, não há e nem poderia  haver  na Lei  n.  10.865/2004 vedação  à  tomada  de  outros  créditos  decorrentes  de  dispêndios  posteriores à importação, pois tais momentos não são objeto de sua normatização.   Assim  é  que  a  discussão  sobre  o  valor  aduaneiro  e  falta  de  amparo  legal,  como já adiantado, em nada tangencia o presente caso, no qual o frete é nacional, uma vez que  prestado depois do desembaraço aduaneiro. Trata­se de serviço contratado pela Recorrente para  que possa efetivar suas atividades empresariais. Com relação a tais fretes, é necessário observar  o  quanto  disposto  pelas  Lei  n.  10.637/2002  e  n.  10.833/2003,  pois  estas  sim  cuidam  da  incidência e, por conseguinte, do direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS em  casos como o presente.   São  inúmeras  as manifestações  da Receita Federal  sobre  o  assunto,  sempre  tendo como pressuposto justamente a diferenciação acima exposta, como se depreende, a título  exemplificativo, dos trechos das seguintes Soluções de Consulta:  Solução de Consulta nº 113 ­ SRRF09/Disit, datada de 11 de junho de 2012:  É que os  créditos a que a Leis nº 10.637, de 2002, e a Lei nº  10.833, de 2003, aludem são somente os relativos a aquisições  no  mercado  interno,  diferentemente  dos  créditos  relativos  à  importação de bens e de serviços, que estão no art. 15 da Lei nº  10.865, de 30 de abril de 2004.  Solução de Consulta nº 75 ­ SRRF08/Disit Data 27 de março de 2013:  12  Deve­se  ressaltar  a  notável  diferença  existente  entre  a  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  a  Cofins  incidentes  sobre  as  operações  no  mercado  interno  e  a  Contribuição  para  o  PIS/Pasep–Importação  e  a Cofins–Importação  incidentes  sobre  Fl. 1824DF CARF MF Processo nº 12585.720011/2012­15  Acórdão n.º 3402­005.313  S3­C4T2  Fl. 1.805          41 as  importações  de  bens  e  serviços.  Tratam­se  de  tributos  distintos, que possuem hipótese de incidência, base de cálculo e  contribuintes diferentes.   13  De  um  lado,  tem­se  a  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  a  Cofins  incidentes  sobre  a  receita  (mercado  interno),  cuja  autorização  para  sua  criação  funda­se  no  art.  195,  I,  “b”,  da  Constituição  Federal  (CF).  O  regime  de  apuração  não  cumulativa das mencionadas contribuições foi instituído pela Lei  nº  10.637,  de  2002,  relativamente  à  Contribuição  para  o  PIS/Pasep,  e  pela  Lei  nº  10.833,  de  2003,  no  que  se  refere  à  Cofins.  Com  efeito,  a  Receita  Federal  parte  do mesmo  pressuposto  do  adotado  no  presente voto: há primeiro uma operação de importação de bens, sujeito à  incidência do PIS­ importação e da COFINS­importação, dado direito ao crédito nos moldes do artigo 15 da Lei n.  10.865/2004; posteriormente outras operações passam a  existir em âmbito nacional,  sobre as  quais  vai  incidir  a  Contribuição  ao  PIS  e  a  COFINS  não­cumulativas,  e  os  créditos  estão  disciplinados pelos artigos 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003.   Ocorre  que,  em  razão  do  restrito  juízo  administrativo  sobre  o  conceito  de  insumo  no  âmbito  da  Contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS  no  sentido  daquele  adotado  na  legislação do IPI (somente dariam direito ao crédito MP, PI e ME incorporados ao produto), o  entendimento que hoje prevalece nas Soluções de Consulta é pela não autorização do direito ao  crédito.   Por  todas,  destaco  a  recente  Solução  de  Consulta  nº  121  ­  Cosit,  de  8  de  fevereiro de 2017, na qual a questão do frete é análoga a que ora se discute:  13. No caso em tela, questiona­se a possibilidade de desconto de  créditos em relação a  gastos  compreendidos  entre  o  despacho  aduaneiro  e  a  revenda  do  produto,  mais  especificamente  os  serviços  aduaneiros, o  frete  relativo  ao  transporte  do  produto  importado do ponto de entrada no país até o estabelecimento da  pessoa  jurídica  e  as  despesas  com  depósito  (armazenagem),  contratados com pessoa jurídica domiciliada no Brasil.  14. Em relação à despesa com serviços aduaneiros, verifica­se  que  não  estão  incluídas  no  rol  de  hipóteses  de  creditamento  constantes do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da  Lei  nº  10.833,  de  2003.  Em  que  pese  os  serviços  aduaneiros  referirem­se  à  aquisição  de  mercadorias  importadas,  também  não encontramos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de  2004,  que  enumera  os  créditos  decorrentes  da  importação,  hipótese passível de abarcar os referidos serviços.   15. Com relação ao frete concernente ao transporte do produto  importado do ponto de entrada no país até o estabelecimento da  pessoa  jurídica,  verifica­se  que,  dentre  as hipóteses  de  crédito  enumeradas pelo art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º  da Lei nº 10.833, de 2003, apenas é possível perquirir­se acerca  da previsão de crédito em relação a frete na operação de venda  (inciso IX). No que toca aos gastos com frete na aquisição dos  produtos,  têm­se  sedimentado  o  entendimento  de  que  tal  Fl. 1825DF CARF MF     42 dispêndio  pode  ser  incorporado  ao  valor  do  item  adquirido  e,  caso  este  se destine à  revenda  (art.  3º,  I,  da Lei nº 10.637, de  2002,  e da Lei nº 10.833, de 2003) e  seja adquirido de pessoa  jurídica domiciliada no Brasil (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, §  3º, I, e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 3º, I), o crédito pode ser  apurado  pelo  valor  total  (custo  de  aquisição  do  item +  frete).  Como  não  é  o  caso,  já  que  a  mercadoria  importada  não  é  adquirida  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  Brasil,  essa  aquisição não dá direito a crédito com base no inciso I do art.  3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no inciso I do art. 3º da Lei nº  10.833,  de  2003. Dessa  forma,  a  possibilidade  de  apuração de  crédito, nesse caso, deve  ser analisada com base no art. 15 da  Lei nº 10.865, de 2004, que trata, como mencionado, de produtos  importados.  A  conclusão  inarredável  é  que  a  Fiscalização  somente  analisa  o  direito  ao  crédito  do  frete  nacional  de  produto  importado  à  luz  do  artigo  3º,  incisos  I  e  IX  das  Lei  n.  10.637/2002 e 10.833/2003, e não com relação ao artigo 3º, inciso II das mesmas leis, o qual,  como  se  sabe,  traz  a  possibilidade  de  tomada  de  crédito  das  Contribuições  sobre  bens  ou  serviços contratados no âmbito de seus processos produtivos.   Porém,  o  assunto  dos  gastos  com  fretes  e  seu  consequente  direito  ao  creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS encontra­se inserido na questão maior do  conceito  de  insumo para  fins  do  direito  ao  crédito  dessas Contribuições Sociais,  o  qual  teve  grande atenção desse Conselho, culminando em jurisprudência já consolidada sobre o tema.  Adotando­se  a  linha  de  entendimento  exposta  no  voto  vencedor  acima  colacionado,12  como  vem  ocorrendo  nas  decisões  proferidas  por  este  Colegiado,  a  consequência  lógica  incontornável  é  pela  necessidade  de  garantia  do  direito  ao  crédito  da  Recorrente,  porque  o  seu  direito  sobre  o  frete  nacional  de  produtos  importados  é  sustentado  pelo artigo 3º, inciso II das Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003.  Ademais,  é  preciso  salientar,  entendimento  diverso  significaria  tratar  a  não  cumulatividade  da  Contribuição  ao  PIS  e  a  COFINS  como  se  fosse  técnica  de  tributos  vinculados ao produto. Não é demais repetir, a Contribuição ao PIS e a COFINS incidem sobre  a  receita,  e  daí  advém  o  entendimento  do  CARF  que  os  custos  de  produção,  por  serem  indispensáveis para as atividades empresariais, devem dar direito ao crédito. É essa a tranquila  jurisprudência deste Conselho, conforme se verifica das ementas abaixo colacionadas:  Número do processo: 10950.003052/2006­56   Acórdão nº 3403­001.938   Data de Publicação: 03/05/2013   Contribuinte: PLANT BEM FERTILIZANTES S.A.   Relator(a): ROSALDO TREVISAN   Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins   Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005                                                               12 Este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a  291 do Regulamento do  Imposto  sobre  a Renda  ­ RIR/99    (Acórdão  3402­002.881),    para  a  solução dos  casos  controversos entre contribuintes e Fisco.  Fl. 1826DF CARF MF Processo nº 12585.720011/2012­15  Acórdão n.º 3402­005.313  S3­C4T2  Fl. 1.806          43 Ementa:  ANÁLISE  ADMINISTRATIVA  DE  CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.   COFINS. NÃO­CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O  conceito  de  insumo  na  legislação  referente  à  COFINS  não  guarda  correspondência  com  o  extraído  da  legislação  do  IPI  (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado).  Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário  ao  processo  produtivo/fabril,  não  havendo  a  possibilidade  de  cogitar­se  a  existência  de  um  produto  final  na  ausência  do  insumo.  Impressos,  materiais  de  escritório,  uniformes  e  equipamentos  de  proteção  individual  não  constituem  insumos  para  uma  empresa  fabricante  e  revendedora  de  adubos  e  fertilizantes.   COFINS.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  SERVIÇOS  VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA  ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.   É  possível  o  creditamento  em  relação  a  serviços  sujeitos  a  tributação  (transporte,  carga  e  descarga)  efetuados  em/com  bens não sujeitos a tributação pela contribuição.   “[...]  CRÉDITOS.  FRETE  DE  BENS  QUE  CONFIGURAM  INSUMOS.  SERVIÇO  DE  TRANSPORTE  QUE  CONFIGURA  INSUMO,  INDEPENDENTE  DO  BEM  TRANSPORTADO  ESTAR SUJEITO À CONTRIBUIÇÃO.   O frete de um produto que configure insumo é, em si mesmo, um  serviço aplicado como insumo na produção. O direito de crédito  pelo serviço de  transporte não é condicionado a que o produto  transportado esteja sujeito à incidência das contribuições. [...]   (Processo  13971.005202/2009­59,  Acórdão  3403­003.163,  j.  20/08/2014, Relator Alexandre Kern)  Outrossim,  não  permitir  direito  ao  crédito  do  frete  nacional  (ou  qualquer  outro  custo  posterior  à  nacionalização)  do  insumo  importado  significaria  o  absurdo  de  que,  com  relação  aquele  insumo,  nenhum  outro  gasto  incorrerá  a  empresa  em  seu  processo  produtivo, ao fim do qual há a geração de receita, que sofrerá a  tributação das Contribuições  sociais em questão.   Conclui­se  assim  que,  efetivamente,  ao  tratamos  do  trânsito  de  matérias  primas  da  zona  portuária  até  o  estabelecimento  do  contribuinte  (frete  nacional),  o  dispêndio  com frete é custo da atividade da Recorrente, e deve ser entendido como insumo, nos termos do  artigo 3º, inciso II das Lei n. 10.673 e 10.833, sendo capaz, portanto, de dar direito ao crédito,  seja da Contribuição ao PIS, seja da COFINS.   Nesse  sentido,  lembro  que  no  tange  à  contratação  do  frete,  como  destaco  alhures,  está  cumprido  o  requisito  do  artigo  3º,  §3º  inciso  I  das  Leis  n.  10.637/2002  e  10.833/2003,  já  que  o  crédito  tomado  pela  Recorrente  advém  de  serviços  contratados  de  pessoas jurídicas domiciliadas no País.  Fl. 1827DF CARF MF     44 Assim, entendo que deve ser concedido o direito ao crédito referente a fretes  para o transporte de insumos da zona portuária até o estabelecimento do contribuinte.   O mesmo raciocínio, exaustivamente tratado acima, se aplica aos gastos com  serviços  aduaneiros  (despachantes). Nesse  ponto,  cumpre  realçar  que  os  gastos  relacionados  com despachantes aduaneiros referem­se à contratação de pessoas jurídicas conforme contratos  anexos à defesa.   Esse  Colegiado,  no  julgamento  do  Processo  n.  11080.725358/2011­83,  já  entendeu  pelo  direito  ao  crédito  sobre  esse  jaez  de  serviços  aduaneiros.  No mesmo  sentido  manifestou­se a 1ª Turma da 2ª Câmara dessa Seção de Julgamento no 10976.000158/2008­71,  do qual destaco o seguinte trecho do voto condutor da decisão:  “Especificamente  sobre  os  gastos  incorridos  com despachantes  aduaneiros,  durante  a  ação  fiscal,  a  Recorrente  apresentou  documentos sobre a importação de jogos de cinta de prensagem  brilhante  para  máquina  de  produção  de  cartões  de  plástico  laminado marca Melzer (fls. 142/146).  No  arrazoado  sobre  o  seu  processo  produtivo,  a  Recorrente  esclareceu  à  fiscalização  que  adquire  materiais  no  mercado  externo  para  a  confecção  de  cartões  de  pvc  com  tarja  magnética,  bem  como  de  formulários  e  cheques.  Ora,  considerando  que  a  atividade  fim  da  Recorrente  não  está  diretamente  relacionada  a  comércio  exterior,  é  natural  que  haja a  contratação de  terceiros para acompanhar esse  tipo de  operação,  sendo  desnecessária  a  contratação  de  empregados  para tanto.  Considerando ainda que o despachante aduaneiro contratado é  pessoa  jurídica,  nomeadamente  a  Internacional  Comissaria  de  Despachos  Aduaneiros  Ltda.  (fls.97,  99,  101,  103,  105  e  107),  não  se  aplica  a  restrição  legal  ao  crédito  decorrente  da  contratação  de  pessoas  físicas.  Com  base  em  todas  essas  circunstâncias,  entendo  que  a  decisão  recorrida  merece  ser  reformada no tocante à glosa de créditos de COFINS oriundos  de  gastos  com  serviços  de  despachante  aduaneiro.”  (Processo  nº  10976.000158/2008­71  –  Acórdão  nº  3201000.958  –  2ª  Câmara / 1ª Turma Ordinária –julgado em 24/04/2012 – g.n.)  Com esses fundamentos, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para  reverter  as  glosas de  créditos  relativas  a  frete nacional de  insumos  importados  e  gastos  com  despachantes aduaneiros.   (assinado digitalmente)  Thais De Laurentiis Galkowicz    Fl. 1828DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.920505/2009-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2005 RECURSO ESPECIAL. AUSENTE A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL E A SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015.
Numero da decisão: 9303-006.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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9303­006.980  –  3ª Turma   Sessão de  13 de junho de 2018  Matéria  CIDE ­ DCOMP  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  TIM CELULAR S.A.    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 31/03/2005  RECURSO  ESPECIAL.  AUSENTE  A  DIVERGÊNCIA  JURISPRUDENCIAL E A SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIDO.  Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação  do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que,  na  mesma  situação  fática,  sobrevieram  soluções  jurídicas  distintas,  nos  termos  do  art.  67  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do Recurso Especial.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge  Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da  Costa Pôssas.  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  interposto  tempestivamente  pela  Fazenda  Nacional contra o Acórdão nº 3302­01.406, de 26 de janeiro de 2012, proferido pela Segunda  Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 05 05 /2 00 9- 24 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10880.920505/2009­24  Acórdão n.º 9303­006.980  CSRF­T3  Fl. 206          2 O Colegiado  da Câmara Baixa,  por unanimidade  de  votos,  deu  provimento  parcial ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. nos termos da seguinte ementa:  "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 15/04/2005  CIDE.  COMPENSAÇÃO.  NÃO  HOMOLOGAÇÃO.  DCTF  RETIFICADORA. EFEITOS.  A  DCTF  retificadora,  nas  hipóteses  em  que  é  admitida  pela  legislação,  substitui  a  original  em  relação  aos  débitos  e  vinculações  declarados,  sendo  consequência  de  sua  apresentação,  após  a  não  homologação  de  compensação  por  ausência  de  saldo  de  créditos  na  DCTF  original,  a  desconstituição da causa original da não homologação, cabendo  à  autoridade  fiscal  apurar,  por meio  de  despacho  devidamente  fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo.  Recurso Voluntário Provido em Parte"  Inconformada  com  essa  decisão,  a  Fazenda  Nacional  interpôs  Recurso  Especial,  requerendo  o  seu  provimento  para  restabelecer  a  decisão  da  DRJ  que  julgou  improcedente a manifestação de  inconformidade do contribuinte, alegando, em síntese, que a  demonstração e comprovação da certeza e liquidez do crédito financeiro pleiteado e utilizado  na  Dcomp  deve  ser  feita  no  momento  de  sua  transmissão  e  não  posteriormente,  depois  de  intimado do despacho decisório, mediante a transmissão de DCTF retificadora. O art. 74 da Lei  nº 9.430/1996 e o 170 do CTN exigem a existência de crédito financeiro liquido e certo contra  a Fazenda Nacional para se efetuar a compensação via Dcomp.  Por meio do despacho Exame de Admissibilidade de Recurso Especial às fls.  133/134, o recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido.  Intimado do acórdão, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho  de  sua  admissibilidade,  o  contribuinte  apresentou  suas  contrarrazões,  requerendo  o  seu  desprovimento  e  a  baixa  dos  autos  à  unidade  de  origem,  a  fim  de  apurar  a  regularidade  do  crédito  financeiro  pleiteado,  alegando,  em  síntese,  que  o  fato  de  ter  cometido  erro  no  preenchimento da DCTF não é  suficiente para que o Fisco  ignore outros  documentos que  já  analisados pela RFB comprovam a validade dos créditos reivindicados por ele.  É o relatório em síntese.  Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator  O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, porém não deve ser  conhecido  por  não  cumprir  com  os  requisitos  essenciais  de  admissibilidade,  nos  termos  do  Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.  A  matéria  decidida  na  Câmara  Baixa  foi:  a  DCTF  retificadora  substitui  a  original,  produzindo  todos os  efeitos  tributários,  inclusive,  quanto  a  indébitos decorrentes de  Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10880.920505/2009­24  Acórdão n.º 9303­006.980  CSRF­T3  Fl. 207          3 sua  retificação,  cabendo  à  autoridade  fiscal  apurar  por  meio  de  despacho  devidamente  fundamentado, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte.  Para  comprovar  a  divergência,  a  Fazenda  Nacional  apresentou  como  paradigmas a cópia do Acórdão nº 105­17.143, às fls. 112/130.  No  entanto,  o  paradigma  apresentado  não  serve  para  comprovar  a  divergência,  em relação ao acórdão  recorrido. Conforme se verifica de  seu exame, a matéria  nele  tratada  refere­se  à  retificação  de  DIPJ  e  não  à  retificação  de  DCTF.  Trata­se  de  declarações  diferentes  e  com  legislação  própria.  A  DCTF  constitui  confissão  de  dívida  enquanto  a  DIPJ  não.  Inclusive,  o  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  apurado  nesta  declaração deve obrigatoriamente ser declarado naquela.  À luz do exposto, não conheço do recurso especial da Fazenda Nacional.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas                                  Fl. 208DF CARF MF

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7406699 #
Numero do processo: 13891.000005/2010-77
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1003-000.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON

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1003­000.129  –  Turma Extraordinária / 3ª Turma   Sessão de  09 de agosto de 2018  Matéria  SIMPLES NACIONAL  Recorrente  ANTONIO DE FATIMA SANTOS ­ ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário: 2009  SIMPLES  NACIONAL.  EXCLUSÃO.  COMERCIALIZAÇÃO  DE  PRODUTO OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO.  A  comercialização  de  mercadoria  objeto  de  contrabando  ou  descaminho  constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Presidente  (assinado digitalmente)  Sérgio Abelson ­ Relator   Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Sérgio  Abelson,  Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).             AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 1. 00 00 05 /2 01 0- 77 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13891.000005/2010­77  Acórdão n.º 1003­000.129  S1­C0T3  Fl. 66          2 Relatório  Trata­se  de Recurso Voluntário  contra  o  acórdão  de  primeira  instância  que  julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Ato Declaratório  Executivo DRF/RPO/SP nº  199/2010,  o  qual  determinou  a  exclusão  da  empresa  do Simples  Nacional a partir de 01 de março de 2009, com fundamento na disposição contida no artigo 29,  VII  da Lei Complementar  nº  123/2006,  tendo  em  vista  a  comercialização,  pela  empresa,  de  mercadorias objeto de contrabando ou descaminho.  A recorrente alega, em síntese, que não há provas nos autos de que os maços  de  cigarros  apreendidos  em  seu  estabelecimento  comercial  foram objeto  de  comercialização,  que o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil signatário do ADE nunca esteve presente em  seu  estabelecimento  comercial,  que  dos  documentos  emitidos  pela  Polícia  Civil  de  Porto  Ferreira constam a apreensão de quatro maços de cigarros encontrados "no local de localização  do prédio da empresa", não havendo referência a comercialização, que "não há e nem poderia  haver  identificação  de  comercialização,  visto  a  inexistência  de  compra  e  venda  destes  produtos pela manifestante, donde se conclui de que tais produtos não  foram ou não seriam  comercializados",  que "cigarros não  são comercializados avulsos, mas  sim em maços de 20  unidades", que "no caso da localização dos 4 cigarros/maços de cigarros no estabelecimento  comercial da empresa, está bastante claro que não se destinavam ao comércio", que "é muito  mais  razoável  afirmar  que não  foram comercializados,  pois  foram apreendidos  pela Polícia  Civil de Porto Ferreira, e se foram comercializados, não o foram pela manifestante, visto que  tais produtos jamais retornaram ao estabelecimento onde foram apreendidos, desconhecendo  eta  requerente  o  destino  que  os mesmos  produtos  tiveram",  que  "se  foram  comercializados,  como afirma a autoridade signatária no Ato Declaratório, foram pela Polícia Civil, ou a quem  os assumiu após a entrega destes pela Polícia Civil". Apresenta, ainda, a diferença semântica  entre  comercializar  e  depositar,  e  argumenta  que  para  que  fosse  caracterizada  a  comercialização  deveria  haver  nos  autos  notas  fiscais  de  venda  ou  compra,  relatos  testemunhais, lançamentos no livro caixa, etc.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Sérgio Abelson Relator  O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço.  Os  referidos  quatro  maços  de  cigarros  foram  apreendidos  pela  polícia  no  interior do  estabelecimento  comercial  da  recorrente,  cuja  atividade  econômica  é  a de CNAE  4723­7­00,  comércio  varejista  de  bebidas  e  o  nome  fantasia  "Bar  da  Praça"  (comprovante  CNPJ à folha 64). A atividade é, portanto, afim à comercialização de cigarros.   A  argumentação  da  recorrente  é  confusa  ao mencionar  cigarros  avulsos,  já  que  foram  apreendidos  maços  de  cigarros  em  seu  estabelecimento.  As  alegações  de  necessidade de notas fiscais e lançamentos contábeis para comprovação de comercialização de  cigarros oriundos de crime de descaminho são desprovidas sentido, pois mercadorias com tal  Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13891.000005/2010­77  Acórdão n.º 1003­000.129  S1­C0T3  Fl. 67          3 origem  não  apresentam  registros  regulares.  A  afirmação  de  que  os  cigarros  podem  ter  sido  comercializados pela própria Polícia Civil tampouco socorrem a recorrente .  Conforme  mencionado  no  acórdão  de  primeira  instância,  comercializar  é  colocar  algo  no  comércio,  oferecer  um  produto  à  venda.  A  presença  dos  quatro  maços  de  cigarros em um bar corresponde, de forma evidente, à sua oferta no comércio.  Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Sérgio Abelson ­ Relator                              Fl. 67DF CARF MF

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7382667 #
Numero do processo: 15956.000238/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA PARCIAL ACOLHIDA. O termo inicial do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, conta-se da seguinte forma: (a) inexistindo pagamento antecipado ou existindo dolo, fraude ou simulação, incide o art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; (b) existindo pagamento antecipado e incorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo é de cinco anos contado do fato gerador, incidindo o art. 150, § 4º, do CTN. SIGILO BANCÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA ENTRE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. EFEITOS. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trata o processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal. A perícia técnica se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Considera-se inexistente o pedido de diligência e perícia técnica, quando não atender aos ditames do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Aplicação da inteligência do § 1º do art. 16 do mesmo diploma legal. Não configura cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerado desnecessário, prescindível ou formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. Existindo nos autos do processo os elementos de prova necessários à formação da livre convicção do julgador e constatando-se a inexistência de matéria que necessite perícia técnica para ser decidida, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia. Não cabe realização de diligência fiscal ou perícia técnica para substituir a parte na produção de prova, quando não se desincumbiu do seu ônus probatório. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação, por presunção legal, da infração omissão de receitas (fato probando) basta que o fisco comprove a ocorrência do fato indiciário, ou seja, a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário - depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) - presume-se a ocorrência ou existência de omisssão de receitas à margem da tributação (fato probando). A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando - omissão de receitas - é do sujeito passivo. A presunção legal tem caráter relativo, podendo ser elidida, afastada, por prova em contrário da não ocorrência da infração omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE - RECEITAS NÃO ESCRITURADAS - NOTAS FISCAIS "CALÇADAS". PROVA DIRETA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. O calçamento de notas fiscais caracteriza omissão de receitas de acordo com a legislação em vigor na data do fato gerador. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1° do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NO MÉRITO MATÉRIA NÃO CONHECIDA. A multa de ofício aplicada está cominada na lei de regência vigente, com presunção de constitucionalidade, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negar vigência ou afastar sua aplicação, por falta de competência. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARFnº 4). São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL-SIMPLES, PIS -SIMPLES, COFIN- SIMPLES E CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - INSS-SIMPLES. Por decorrerem dos mesmos elementos de fato, a decisão prolatada para o IRPJ-Simples aplica-se também aos tributos reflexos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. Respondem solidariamente com a empresa autuada pelos créditos tributários as pessoas que agiram com excesso de poderes e/ou infração à lei, nos termos do artigo 135, III, do CTN, bem assim aquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I do CTN, somente naqueles créditos em foi comprovada a atuação dolosa, o que não ocorreu nos casos de omissão de receitas decorrentes de prova indireta, em que o lançamento foi presumido.
Numero da decisão: 1301-003.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer da matéria atinente ao sigilo bancário em face da concomitância entre processo administrativo e judicial, e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para exonerar, em razão de decadência, o crédito tributário dos períodos de apuração de junho e julho de 2004 relativos à infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários e à infração de insuficiência de recolhimentos de Simples. No que diz respeito à responsabilidade tributária, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para excluir a responsabilidade atribuída aos coobrigados em relação ao crédito tributário decorrente da infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, e da infração de insuficiência de recolhimentos de Simples. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel que mantinha integralmente a responsabilidade dos coobrigados. Designada a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. (assinado digitalmente) Amelia Wakako Morishita Yamamoto - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: NELSO KICHEL

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer da matéria atinente ao sigilo bancário em face da concomitância entre processo administrativo e judicial, e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para exonerar, em razão de decadência, o crédito tributário dos períodos de apuração de junho e julho de 2004 relativos à infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários e à infração de insuficiência de recolhimentos de Simples. No que diz respeito à responsabilidade tributária, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para excluir a responsabilidade atribuída aos coobrigados em relação ao crédito tributário decorrente da infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, e da infração de insuficiência de recolhimentos de Simples. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel que mantinha integralmente a responsabilidade dos coobrigados. Designada a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. (assinado digitalmente) Amelia Wakako Morishita Yamamoto - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.

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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA PARCIAL ACOLHIDA. O termo inicial do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, conta-se da seguinte forma: (a) inexistindo pagamento antecipado ou existindo dolo, fraude ou simulação, incide o art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; (b) existindo pagamento antecipado e incorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo é de cinco anos contado do fato gerador, incidindo o art. 150, § 4º, do CTN. SIGILO BANCÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA ENTRE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. EFEITOS. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trata o processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal. A perícia técnica se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Considera-se inexistente o pedido de diligência e perícia técnica, quando não atender aos ditames do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Aplicação da inteligência do § 1º do art. 16 do mesmo diploma legal. Não configura cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerado desnecessário, prescindível ou formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. Existindo nos autos do processo os elementos de prova necessários à formação da livre convicção do julgador e constatando-se a inexistência de matéria que necessite perícia técnica para ser decidida, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia. Não cabe realização de diligência fiscal ou perícia técnica para substituir a parte na produção de prova, quando não se desincumbiu do seu ônus probatório. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação, por presunção legal, da infração omissão de receitas (fato probando) basta que o fisco comprove a ocorrência do fato indiciário, ou seja, a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário - depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) - presume-se a ocorrência ou existência de omisssão de receitas à margem da tributação (fato probando). A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando - omissão de receitas - é do sujeito passivo. A presunção legal tem caráter relativo, podendo ser elidida, afastada, por prova em contrário da não ocorrência da infração omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE - RECEITAS NÃO ESCRITURADAS - NOTAS FISCAIS "CALÇADAS". PROVA DIRETA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. O calçamento de notas fiscais caracteriza omissão de receitas de acordo com a legislação em vigor na data do fato gerador. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1° do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NO MÉRITO MATÉRIA NÃO CONHECIDA. A multa de ofício aplicada está cominada na lei de regência vigente, com presunção de constitucionalidade, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negar vigência ou afastar sua aplicação, por falta de competência. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARFnº 4). São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL-SIMPLES, PIS -SIMPLES, COFIN- SIMPLES E CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - INSS-SIMPLES. Por decorrerem dos mesmos elementos de fato, a decisão prolatada para o IRPJ-Simples aplica-se também aos tributos reflexos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. Respondem solidariamente com a empresa autuada pelos créditos tributários as pessoas que agiram com excesso de poderes e/ou infração à lei, nos termos do artigo 135, III, do CTN, bem assim aquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I do CTN, somente naqueles créditos em foi comprovada a atuação dolosa, o que não ocorreu nos casos de omissão de receitas decorrentes de prova indireta, em que o lançamento foi presumido.

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1301­003.031  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de maio de 2016  Matéria  OMISSÃO DE RECEITAS  Recorrente  OKTA ALIMENTOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Ano­calendário: 2004  TRIBUTOS  SUJEITOS  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  ANTECIPAÇÃO  DE  PAGAMENTO.  DECADÊNCIA  PARCIAL  ACOLHIDA.  O termo inicial do prazo decadencial para constituição do crédito tributário,  nos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  conta­se  da  seguinte  forma:  (a)  inexistindo  pagamento  antecipado  ou  existindo  dolo,  fraude  ou  simulação,  incide  o  art.  173,  I,  do  CTN,  ou  seja,  o  prazo  é  de  cinco  anos  contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento  poderia ter sido efetuado"; (b) existindo pagamento antecipado e incorrendo  dolo, fraude ou simulação, o prazo é de cinco anos contado do fato gerador,  incidindo o art. 150, § 4º, do CTN.  SIGILO  BANCÁRIO.  DISCUSSÃO  JUDICIAL.  CONCOMITÂNCIA  ENTRE  CONTENCIOSO  ADMINISTRATIVO  E  JUDICIAL.  EFEITOS.  A  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  que  tenha  por  objeto  idêntico  pedido  sobre  o  qual  trata  o  processo  administrativo  importa  em  renúncia  ao  contencioso  administrativo. Ocorrerá,  todavia,  a  instauração  do  contencioso  somente  em  relação  à  matéria  distinta  daquela  discutida  judicialmente.  PEDIDO  DE  DILIGÊNCIA  OU  PERÍCIA  TÉCNICA.  INDEFERIMENTO.  Indefere­se  o  pedido  de  diligência  ou  perícia,  cujo  objetivo  é  instruir  o  processo  com  as  provas  que  o  recorrente  deveria  produzir  em  sua  defesa,  juntamente com a peça impugnatória ou recursal.     AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 02 38 /2 00 9- 60 Fl. 4298DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.299          2 A perícia técnica se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram  conhecimentos  especializados  para  deslinde  do  litígio,  não  se  justificando  quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos.  Considera­se inexistente o pedido de diligência e perícia técnica, quando não  atender  aos  ditames  do  art.  16,  IV,  do  Decreto  70.235/72.  Aplicação  da  inteligência do § 1º do art. 16 do mesmo diploma legal.  Não configura cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de  diligência  considerado  desnecessário,  prescindível  ou  formulado  sem  atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72.  Existindo  nos  autos  do  processo  os  elementos  de  prova  necessários  à  formação da  livre  convicção do  julgador  e  constatando­se  a  inexistência de  matéria  que  necessite  perícia  técnica  para  ser  decidida,  indefere­se,  por  prescindível, o pedido de realização de perícia.  Não  cabe  realização  de  diligência  fiscal  ou  perícia  técnica para  substituir  a  parte  na  produção  de  prova,  quando  não  se  desincumbiu  do  seu  ônus  probatório.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  NÃO  ESCRITURADOS  E  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  PRESUNÇÃO  LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.  Caracterizam  como  omissão  de  receitas  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito,  poupança  e/ou  investimento,  junto  à  instituição  financeira,  em  relação aos quais o  titular, pessoa  física ou  jurídica,  regularmente intimado,  não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos  utilizados nessas operações.  Para  imputação,  por  presunção  legal,  da  infração  omissão  de  receitas  (fato  probando) basta que o fisco comprove a ocorrência do fato indiciário, ou seja,  a  existência  de  extratos  bancários  de  conta  corrente  cuja  movimentação  financeira  bancária  não  foi  registrada  na  escrituração  contábil/fiscal  e  a  pessoa  jurídica,  embora  intimada,  não  comprove  a  origem  dos  recursos  ingressados a crédito na conta corrente bancária.  A partir do fato indiciário ­ depósitos bancários não escriturados e de origem  não comprovada (fato conhecido) ­ presume­se a ocorrência ou existência de  omisssão de receitas à margem da tributação (fato probando).  A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova.  O ônus probatório da não ocorrência do fato probando ­ omissão de receitas ­  é do sujeito passivo.  A  presunção  legal  tem  caráter  relativo,  podendo  ser  elidida,  afastada,  por  prova em contrário da não ocorrência da infração omissão de receitas.  OMISSÃO  DE  RECEITAS  DA  ATIVIDADE  ­  RECEITAS  NÃO  ESCRITURADAS  ­  NOTAS  FISCAIS  "CALÇADAS".  PROVA  DIRETA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.  O calçamento de notas fiscais caracteriza omissão de receitas de acordo com  a legislação em vigor na data do fato gerador.  Fl. 4299DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.300          3 Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1° do artigo  44,  da Lei  n°  9.430/96,  restando demonstrado  que  o  procedimento  adotado  pelo sujeito passivo enquadra­se nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I,  da Lei n° 4.502/64.  ARGUIÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  NO  MÉRITO  MATÉRIA NÃO CONHECIDA.  A multa  de  ofício  aplicada  está  cominada  na  lei  de  regência  vigente,  com  presunção  de  constitucionalidade,  não  sendo  permitido  ao  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais negar vigência ou afastar sua aplicação,  por falta de competência.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.(Súmula CARF nº 2).  JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA.  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais (Súmula CARFnº 4).  São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo  quando  existir  depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5).  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de  mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela  devem incidir juros de mora.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL­SIMPLES, PIS ­SIMPLES, COFIN­  SIMPLES E CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ­ INSS­SIMPLES.  Por  decorrerem  dos mesmos  elementos  de  fato,  a  decisão  prolatada  para  o  IRPJ­Simples aplica­se também aos tributos reflexos.  RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA.   Respondem solidariamente com a empresa autuada pelos créditos tributários  as pessoas que agiram com excesso de poderes e/ou infração à lei, nos termos  do artigo 135, III, do CTN, bem assim aquelas que tenham interesse comum  na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nos termos do  art. 124, I do CTN, somente naqueles créditos em foi comprovada a atuação  dolosa,  o  que  não  ocorreu  nos  casos  de omissão  de  receitas  decorrentes  de  prova indireta, em que o lançamento foi presumido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos    Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer  da matéria atinente ao sigilo bancário em face da concomitância entre processo administrativo  e judicial, e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para exonerar, em razão de  Fl. 4300DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.301          4 decadência, o crédito tributário dos períodos de apuração de junho e julho de 2004 relativos à  infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários e à infração de insuficiência  de recolhimentos de Simples. No que diz respeito à responsabilidade tributária, por maioria de  votos, dar­lhe provimento parcial para excluir a responsabilidade atribuída aos coobrigados em  relação  ao  crédito  tributário  decorrente  da  infração  de  omissão  de  receitas  com  base  em  depósitos  bancários  sem  comprovação  de  origem,  e  da  infração  de  insuficiência  de  recolhimentos de Simples. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel que mantinha integralmente a  responsabilidade  dos  coobrigados.  Designada  a  Conselheira  Amélia  Wakako  Morishita  Yamamoto para redigir o voto vencedor.    (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Nelso Kichel­ Relator.    (assinado digitalmente)  Amelia Wakako Morishita Yamamoto ­ Redatora Designada  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior,  Jose  Eduardo  Dornelas  Souza,  Nelso  Kichel,  Marcos  Paulo  Leme  Brisola  Caseiro,  Amelia  Wakako  Morishita  Yamamoto  e  Fernando  Brasil  de  Oliveira  Pinto  (Presidente).  Ausente,  justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.                       Fl. 4301DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.302          5 Relatório  Trata­se  do  Recurso  Voluntário,  apresentado  conjuntamente  pela  OKTA  ALIMENTOS LTDA e pelos sujeitos passivos solidários Sr.Octávio José Pagnan e a Sra.  Selene Gonçalves Pagnan, contra o Acórdão da 3ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto que julgou a  impugnação improcedente:  a)  ao  manter  o  crédito  tributário  lançado  de  ofício  (autos  de  infração  do  Simples Federal) do ano­calendário 2004;  b) ao manter a sujeição passiva solidária dos sócios Sr.Octávio José Pagnan  e a Sra. Selene Gonçalves Pagnan.  Quanto aos fatos, consta dos autos:   ­  Em  13/08/2009,  a  fiscalização  da  DRF/Ribeirão  Preto  lavrou  autos  de  infração  do  Simples  Federal  (IRPJ­Simples,  PIS­Simples,  CSLL­Simples,  Cofins­Simples  e  Contribuição  para Seguridade Social  ­  INSS  ­ Simples),  ano­calendário  2004,  ao  imputar  as  seguintes infrações (e­fls. 3988/4074):  (...)  001 ­ OMISSÃO DE RECEITAS   RECEITAS NÃO ESCRITURADAS   Valor apurado conforme Demonstrativo Mensal Consolidado de  Omissão  de  Rendimentos  (Notas  Fiscais  Calçadas),  Demonstrativo  Mensal  Analítico  de  Omissão  de  Rendimentos  (Notas Fiscais Calçadas), Demonstrativo de Omissão de Valores  (Notas  Fiscais  Calçadas)  por  Comprador/Cliente,  demais  Termos e Termo de Encerramento de Ação Fiscal em anexo.  (...)  ENQUADRAMENTO LEGAL:  Art. 24 da Lei n° 9.249/95; arts. 2°, § 2º , 3°, § 1º, alínea "a", 5°,  7°, § 1º, 18, da Lei n° 9.3l7/96.;  Art. 3° da Lei n° 9.732/98.;  Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99.    002 OMISSÃO DE RECEITAS  DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS  Valor apurado conforme Demonstrativo Mensal de Créditos Não  Comprovados  ­ Depósitos Bancários, Demonstrativo Mensal de  Créditos  Não  Comprovados  Consolidado  ­  Depósito  Bancário,  Termos e Termo de Encerramento de Ação Fiscal.  Fl. 4302DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.303          6 ENQUADRAMENTO LEGAL:  Art. 24 da Lei n° 9.249/95; arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alinea "a", 5°,  7°, § 1°, 18, da Lei n° 9.317/96; art. 42 da Lei n° 9.430/96.  Art. 3º da Lei nº 9.732/98.;  Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99.    003 ­ INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO   Insuficiência  de  valor  recolhido  apurada  conforme  descrito  no  Termo  de  Encerramento  de  Ação  Fiscal  e  demais  documentos  constantes do Processo.  ENQUADRAMENTO LEGAL:  Art. 5° da Lei n° 9.317/96 c/c art. 3° da Lei n° 9.732/98;  Arts. 186 e 188, do RIR/99.  (...)  ­ Valor tributável:  Consta dos autos de  infração e,  também, do Termo de Encerramento Fiscal  de  e­fls.  4076/4089  e  Anexo  (e­fl.3969),  parte  integrante  do  lançamento  fiscal,  o  Demonstrativo de Apuração de Valores Tributáveis, ano­calendário 2004, e que transcrevo  a seguir:      A  B  C  D  E    VALOR  TRIBUTÁVEL  APURADO 1  RECEITA  DECLARADA2  (DIPJ)  RECEITAS  TRIBUTÁVEIS  APURADAS  (A­B)  OMISSÃO DE  RENDIMENTO  "NOTAS  CALÇADAS" 3  OMISSÃO DE RENDIMENTO  "DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO  COMPROVADO" (C­D) 4  JANEIRO  R$ 538.323,53  R$ 34.218,69  R$ 504.104,84  R$ 61.839,61  R$ 442.265,23  FEVEREIRO  R$ 463.281,75  R$ 33.824,45  R$ 429.457,30  R$ 66.904,68  R$ 362.552,62  MARÇO  R$ 511.262,17  R$ 33.121,62  R$ 478.140,55  R$ 82.727,83  R$ 395.412,72  ABRIL  R$ 585.988,03  R$ 35.104,78  R$ 550.883,25  R$ 72.444,93  R$ 478.438,32  MAIO  R$ 708.367,06  R$ 34.828,92  R$ 673.538,14  R$ 106.479,01  R$ 567.059,13  JUNHO  R$ 514.324,33  R$ 36.382,26  R$ 477.942,07  R$ 115.720,72  R$ 362.221,35  JULHO  R$ 1.015.870,27  R$ 36.812,33  R$ 979.057,94  R$ 88.277,30  R$ 890.780,64  AGOSTO  R$ 510.948,01  R$ 37.416,54  R$ 473.531,47  R$ 84.930,95  R$ 388.600,52  SETEMBRO  R$ 343.859,11  R$ 38.128,47  R$ 305.730,64  R$ 57.467,81  R$ 248.262,83  OUTUBRO  R$ 477.422,52  R$ 37.426,80  R$ 439.995,72  R$ 69.755,42  R$ 370.240,30  NOVEMBRO  R$ 299.221,45  R$ 38.248,62  R$ 260.972,83  R$ 80.698,04  R$ 180.274,79  DEZEMBRO  R$ 379.511,68  R$ 42.126,40  R$ 337.385,28  R$ 112.866,02  R$ 224.519,26              TOTAL  R$ 6.348.379,91  R$ 437.639,88  R$ 5.910.740,03  R$ 1.000.112,32  R$4.910.627,71    Fl. 4303DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.304          7   1  ­  Valores  apurados  conforme  previsão  legal  do  art.  42  da  Lei  9.430/96  (Depósitos Bancários Não Comprovados);  2­ Total de Receita Declarada pelo fiscalizado à Secretaria da Receita Federal  (Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica ­ Simples/ND n° 9305139);  3 ­ Valores apurados conforme descrito no Demonstrativo Mensal Analítico de  Omissão  de  Rendimentos  (Notas  Fiscais  "Calçadas"),  no  Demonstrativo  Mensal Consolidado de Omissão de Rendimentos (Notas Fiscais "Calçadas") e  nos  Demonstrativos  Omissão  de  Valores  (notas  fiscais  "calçadas")  por  comprador/cliente  4­  Valor  apurado  pela  diferença  algébrica  entre  o  Valor  Total  de  Receitas  Tributáveis Apuradas (coluna C) e o Valor Total de Omissão de Rendimentos  provenientes de Notas Fiscais "Calçadas" (coluna D) .   ( . . . )     ­ Demonstrativo de percentuais aplicáveis de receita bruta (e­fl. 3989).  ­  Quanto  à  infração  omissão  receitas  ­  receitas  não  escrituradas  "nota  calçada", prova direta (Lei 9.249/95, art. 24), o fisco imputou a multa qualificada de 150%;  ­Quanto  às  infrações  omissão  de  receitas  ­  depósitos  bancários  não  escriturados (Lei 9.430/96, art. 42) e insuficiência de recolhimento, o fisco imputou a multa  de 75%.  ­ Sujeição passiva solidária aos sócios: Sr.Octávio José Pagnan e a Sra.  Selene Gonçalves Pagnan (CTN, art. 124,I);  ­ Crédito tributário lançado de ofício (autos de infração do Simples Federal),  ano­calendário  2004,  na  data  da  lavratura  dos  autos  de  infração,  perfaz  o  montante  de R$  1.512.948,27, assim especificado por exação fiscal:    Autos de Infração  Principal  Juros  de  mora  (calculados  até  a  data  de  31/07/2009 )  Multa de ofício  Total  IRPJ­Simples   45.198,26   30.209,07   39.563,47  114.970,80  PIS­Simples   45.198,26   30.209,07   39.563,47  114.970,80  CSLL­Simples   70.551,28   47.222,85   61.721,26  179.495,39  Cofins ­ Simples  141.102,52   94.445, 79  123.442,58  358.990,89  Contrib.  Seg.  Social  ­INSS­ Simples  292.779,97  195.289,34  256.451,07  744.520,38  Fl. 4304DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.305          8 Total        1.512.948,27    Cientes do lançamento fiscal, a pessoa jurídica autuada OKTA ALIMENTOS  LTDA  e  os  responsáveis  solidários  apresentaram  impugnação,  cujas  razões  estão  assim  resumidas no relatório da decisão recorrida (e­fls. 4178/4182), in verbis:  (...)  IMPUGNAÇÃO   Cientificada  do  lançamento  em  26/08/2009,  através  de  ciência  postal, conforme AR (fl. 3.896, 3.792, 3.794), a interessada e os  sócios  solidários,  por  seus  advogados  e  procuradores,  ingressaram,  em  22/09/2009,  com  peça  impugnatória  de  fls.  3.898/3.973, alegando, em suma:  a) Responsabilidade Tributária   A  prescrição  do  art.  124,  que  caracteriza  responsabilidade  solidária passiva, (...).  Para que se configure a  responsabilidade  tributária solidária é  preciso  que  o  fisco  demonstre  de  forma  justificada,  mediante  provas, a existência de interesse comum quanto ao fato gerador.  No  processo  administrativo  não  existiu  qualquer  ato  e  prova  demonstrando claramente a configuração dos requisitos legais a  fim  de  justificar  a  imposição  de  responsabilidade  tributária,  destacando que solidariedade não se presume.  Discorre  sobre  a  solidariedade  e  interesse  comum,  concluindo  que o interesse comum na “ocorrência do fato gerador demanda  basicamente  um  interesse  jurídico  e  não  meramente  fático,  econômico, social, (...).  Entende  que  no  presente  caso  não  restam  caracterizados  os  requisitos legais, (...).  Conclui pela inexistência do preenchimento dos requisitos legais  para atribuição da responsabilidade tributária por solidariedade  do art. 124, I, do CTN.  (...)  b) Decadência Mensal  Alega a decadência quanto aos períodos cobrados até  julho de  2004.   O art.42, §l°, da Lei n° 9430/96 dispõe que o valor das receitas  ou  dos  rendimentos  omitidos  serão  considerados  auferidos  ou  recebidos no mês do crédito efetuado pela instituição financeira.  Fl. 4305DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.306          9 Assim, sendo o fato gerador mensal, nos termos do art. 150, § 4°  do CTN e inexistindo o dolo configurado, há de se reconhecer a  decadência com relação aos períodos de janeiro a julho de 2004.  c)  Cerceamento  de  Defesa.  Devido  Processo  Legal  Administrativo   Discorre sobre os princípios da supremacia da constituição, da  máxima  efetividade  ou  eficácia,  do  devido  processo  legal,  contraditório, ampla defesa, alegando que houve cerceamento de  defesa com violação ao devido processo legal, por ter o auto de  infração sido lavrado sem a explicitação clara da razão fática e  jurídica  da  desconsideração  de  todos  os  documentos  e  esclarecimentos apresentados, (...).  (...)  No presente processo o lançamento por depósito bancário exige  que  se  demonstre  em  planilha  de  forma  individual  referidos  depósitos,  fato  não  demonstrado  pela  fiscalização,  implicando  no cerceamento do direito de defesa da impugnante.  d) Omissão de Receitas  ­ Presunção de Omissão de Receitas  ­  Receitas  Não  Escrituradas  de  Depósitos  Bancário  Não  Escriturados   Que o lançamento pautou­se apenas em presunção, não havendo  a  efetiva  comprovação  da  omissão  de  receitas  no  tocante  aos  extratos bancários, bem como relativamente à emissão de notas  calçadas,  sendo  ilegal  citado  procedimento,  bem  como  requerendo prova pericial.  e)  Obtenção  de  Prova  Ilícita  ­  Ofensa  aos  Princípios  Constitucionais do Sigilo Bancário   Requer a nulidade do lançamento por utilização de prova obtida  por meio ilícito.  O sigilo bancário é direito  individual  fundamental que  só pode  ser  violado  por  determinação  judicial,  motivo  que  a  obtenção  dos  extratos  diretamente  pela  Autoridade  Fiscal  é  arbitrária,  ilegal e inconstitucional.  Que  a  autorização  de  quebra  do  sigilo  bancário  diretamente  pelo  fisco,  prevista  na  Lei  Complementar  105  de  2001  é  inconstitucional.  f) Omissão de Receitas ­ Receitas Não Escrituradas ­ Depósitos  Bancários e o Conceito Constitucional de Renda   Que  depósito  bancário  não  é  renda,  pois  esta  depende  do  confronto de receitas e despesas, sendo que a Autoridade Fiscal  só  apurou  receitas  e  em  nenhum  momento  fez  alusão  às  despesas.  Que  dentro  da  movimentação  bancária  o  mesmo  dinheiro  movimenta  várias  vezes  pela  conta,  podendo  os  extratos  Fl. 4306DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.307          10 bancários  conter  empréstimos,  valores  liberados  de  cheques  especiais, circulação de valores entre bancos etc.  Transcreve julgados do Conselho de Contribuintes e Súmula 182  do TRF, que entende corroborar sua argumentação.   Reitera a necessidade da prova pericial.  g) Exclusão dos Valores Pagos no Simples   Que  não  foram  considerados  no  lançamento  os  valores  pagos  pelo SIMPLES, devendo ser excluídos.  h) Tributação Reflexa   Sendo  improcedente  lançamento  do  Imposto  de  Renda,  por  conseqüência restam indevidos os lançamentos reflexos.  i)  Presunção  de  Omissão  se  Receitas  ­  PIS/COFINS/CSLL  ­  Falta de Previsão Legal   Que a omissão de receita por presunção legal disposta no art.42  da Lei n° 9.430/1996 só é aplicável ao Imposto de Renda.  A utilização de presunção para fins de tributação só é permitida  se expressamente prevista em lei.  Nesse sentido, somente com advento da Medida Provisória 449  de 2008, com a alteração do art. 8° da Lei 8.212/ 1991, se criou  a  discutível  possibilidade  de  se  tributar,  mediante  presunção,  eventual  omissão  de  receita,  com  base  em  depósito  bancário,  para as contribuições sociais.  j) Aumento da Base de Cálculo da COFINS e do PIS   As  modificações  instituídas  pela  Lei  n°  9.718/98  são  inconstitucionais,  pois  não  respeitam  o  limite  estabelecido  originariamente  pelo  art.  195,  I  da  CF/88,  sendo  distintas  as  expressões faturamento e receita bruta.  A EC n° 20/98 não dá amparo à alteração veiculada na Lei n°  9.718/98, pois é anterior a tal modificação.  Por  ser nova  fonte de custeio para seguridade social, qualquer  modificação demandaria Lei Complementar nos termos dos art.  195, §4° e art. 154, I da CF/88.  k) COFINS. Majoração de Alíquota.  Lei  ordinária  não  pode  revogar  disposições  previstas  em  lei  complementar, motivo  da  inconstitucionalidade  da  elevação  da  alíquota da COFINS de 2% para 3% prescrita pela Lei 9.718/98.  l) Indevida Inclusão do ICMS na Base de Cálculo Do PIS e da  COFINS   Fl. 4307DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.308          11 Os valores do ICMS não podem ser incluídos na base de cálculo  de PIS e COFINS, uma vez que não configuram faturamento ou  receita.  m) Disposições Específicas ao PIS  Não é possível  que  lei  ordinária altere base de cálculo do PIS,  que e expressamente prevista em lei complementar, entretanto, o  fisco  tomou  como  base  de  cálculo  o  valor  do  mês  anterior  à  ocorrência  do  fato  gerador,  desrespeitando  o  comando  do  art.  6°, parágrafo único da Lei Complementar 7/70.]  n) Juros   Contesta  a  utilização  da  SELIC  como  forma  de  cálculo  dos  juros,  por  entender  que  apresentam  caráter  remuneratório,  sendo  que  a  legislação  apenas  permitiria  juros  de  caráter  moratório.  Entende  que  a  Lei  n”  9.065/95  alterou  o  conceito  de  juros  de  mora, contrariando o art. 161 do CTN.  o) Multa Confiscatória Aplicada   Questiona  o  alto  valor  da  multa  aplicada,  ofendendo  os  princípios  constitucionais  da  razoabilidade  ou  proporcionalidade e da proibição do confisco.  Pede o cancelamento da multa imposta, ou redução, no mínimo,  ao patamar de 20%.  Ao  menos  redução  da  multa  de  150%  para  75%,  por  não  ser  aplicável  multa  qualificada  por  força  de  omissão  de  receitas  relativas aos depósitos bancários.  (...)  p) Prova Pericial   Requer a realização de prova pericial com o fito de se evidenciar  a  efetiva  base  de  cálculo,  bem  como  a  ocorrência  dos  fatos  geradores, apresentando quesitos e indicando assistente técnico.  (...)  Na  sessão  de  10/12/2009,  a  3ª  Turma  da  DRJ/Ribeirão  Preto  julgou  a  impugnação improcedente, conforme Acórdão (e­fls. 4172/4201):  a) ao manter os autos de infração;  b) ao manter a sujeição passiva solidária dos sócios Sr.Octávio José Pagnan  e a Sra. Selene Gonçalves Pagnan.  Transcrevo,  a  seguir,  a  ementa  e parte dispositiva do Acórdão  recorrido,  in  verbis:  (...)  Fl. 4308DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.309          12 ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE ­ SIMPLES   Ano­calendário: 2004   OMISSÃO DE RECEITA. SIMPLES. PRESUNÇÃO LEGAL   Aplicam­se à microempresa e à empresa de pequeno porte todas  as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de  regência  dos  impostos  e  contribuições  incluídos  no  SIMPLES,  desde  que  apuráveis  com  base  nos  livros  e  documentos  a  que  estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas.  DEPÓSITO BANCÁRlO. OMISSÃO DE RECEITA.  Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados  em  conta  de  depósito  mantida  em  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  a  contribuinte,  regularmente  intimada,  não  comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos  recursos utilizados nessas operações.  PRESUNÇÃO LEGAL. ONU S DA PROVA.  A  presunção  legal  tem  o  condão  de  inverter  o  ônus  da  prova,  transferindo­o para o contribuinte, que pode refutá­la mediante  oferta de provas hábeis e idôneas.  OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS CALÇADAS.  O  calçamento  de  notas  fiscais  caracteriza  omissão  de  receitas  tributada de acordo com a  legislação em vigor na data do  fato  gerador.  OMISSÃO  DE  RECEITA.  SIMPLES.  ALTERAÇÃO  DE  ALÍQUOTAS. PAGAMENTOS.  Quando da apuração de omissão de receita no SIMPLES ocorre,  de forma reflexa, a alteração das alíquotas aplicáveis, devem ser  considerados os valores declarados ou pagos pela fiscalizada.  COFINS. PIS. BASE DE CÁLCULO. ALÍQUOTA.  Inaplicáveis  ao  lançamento  de  tributos  pelo  SIMPLES  argumentação  da  impugnante  em  relação  à  alíquota  e  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS,  quando  apurados  por  outras  formas de tributação.  Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Ano­calendário: 2004   CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.  Não  se  configura  cerceamento  do  direito  de  defesa  se  o  oconhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito  de  resposta  ou  de  reação  se  encontraram  plenamente  assegurados.  Fl. 4309DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.310          13 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.  Existindo  no  processo  os elementos  necessários  à  formação da  livre convicção do julgador e constatando­se a  inexistência nos  autos  de  matéria  que  necessite  da  opinião  de  perito  para  ser  decidida, indefere­se, por prescindível, o pedido de perícia.  SUSTENTAÇÃO ORAL. INDEFERIMENTO.  Inexiste, no âmbito da legislação processual tributária, previsão  para  realização  de  sustentação  oral,  pela  defesa,  durante  a  sessão de julgamento administrativo de primeira instância.  Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Ano­calendário: 2004  INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÚIÇÃO.  A  autoridade  administrativa  é  incompetente  para  apreciar  argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei.  AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS.  A  propositura  pelo  contribuinte,  contra  a  Fazenda  Pública,  de  ação  judicial,  por  qualquer  modalidade  e  a  qualquer  tempo,  importa, nos estritos termos de seu objeto, renúncia às instâncias  administrativas, as quais ficam vinculadas ao teor do provimento  judicial.  SOLIDARIEDADE  PASSIVA.  INTERESSE  COMUM.  DESIGNAÇÃO LEGAL.  Nos termos do art. 124 do CTN, são solidariamente obrigadas as  pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o  fato gerador da obrigação principal e as pessoas expressamente  designadas por lei.  SOLIDARIEDADE PASSIVA. PROCEDIMENTO COBRANÇA E  EXECUÇÃO.  A  qualificação  dos  responsáveis  pelo  crédito  tributário  é  inerente  aos  procedimentos  de  cobrança  e  execução  do  débito,  caracterizando­se  como  questão  subsidiária  no  julgamento  administrativo, cujo foco é a constituição do crédito tributário.  DECADÊNCIA. PAGAMENTO. DOLO COMPROVADO.  Tratando­se  de  lançamento  de  oficio,  não  tendo  havido  pagamento  tempestivo  ou  comprovado  que  o  sujeito  passivo  tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial  da  decadência  ocorre  no  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.  MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. DOLO.  A  multa  de  ofício,  aplicada  em  auto  de  infração,  é  multa  administrativa, de natureza punitiva, e nas  infrações em que se  Fl. 4310DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.311          14 constata a prática dolosa da fiscalizada que quis o resultado de  sonegar  tributos,  há  que  ser  mantida  a  multa  qualificada  de  150%.  MULTA.  CARÁTER  CONFISCATÓRIO.  PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE.  A proporcionalidade,  razoabilidade e vedação ao confisco pela  Constituição  Federal  é  dirigida  ao  legislador,  cabendo  à  autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da  legislação que a instituiu.  JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC.  A  cobrança  de  juros  de  mora  está  em  conformidade  com  a  legislação vigente.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  (...)  Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por maioria  de  votos,  julgar  IMPROCEDENTE  A  IMPUGNAÇÃO,  para  rejeitar  as  preliminares  argüidas  e,  no  mérito,  por  manter  a  exigência do crédito tributário tal como lançado, nos termos do  relatório e voto.  Vencido o julgador Paulo Régis Venter, que não acompanhou o  voto do relator apenas quanto à preliminar de sujeição passiva  solidária,  tendo votado pelo acatamento do pedido de  exclusão  dos sócios solidários do pólo passivo da autuação, uma vez que  entende  que  pessoa  física  não  pode  ser  considerada  sujeito  passivo de lançamento de tributos devidos pela pessoa jurídica,  cabendo apenas a  sua eventual  responsabilização solidária por  ocasião do processo de execução fiscal do crédito tributário, sob  competência da Procuradoria da Fazenda Nacional, com fulcro  nos artigos 135 ou 137 do CTN, conforme o caso.  (...)  Cientes desse decisum em 09/02/2010 por via postal ­ Aviso de Recebimento  ­ AR (e­fl. 4211), a OKTA ALIMENTOS LTDA e os sujeitos passivos solidários Sr.Octávio  José  Pagnan  e  a  Sra.  Selene  Gonçalves  Pagnan  apresentaram,  conjuntamente,  o  Recurso  Voluntário  em 01/03/2010, por via postal  ­ AR  (e­fls.  4286/4287),  reiterando,  em suma,  as  mesmas razões já aduzidas na impugnação na primeira instância de julgamento, acrescentando,  ainda, pedido para afastamento da cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício.  Obs:  Por  último  a  recorrente,  conforme  petição  de  25/11/2014,  pediu  o  sobrestamento  do  presente  processo  administrativo  até  o  trânsito  em  julgado  do  processo  judicial 2007.61.02.012374­3 (Ação de Mandado de Segurança contra o acesso direto do fisco  aos dados de movimentação financeira bancária, sigilo bancário),  juntando cópia do Acórdão  da 3ª Turma do TRF/3ª Região que concedeu a segurança, em apelação civil, em 02/06/2014, e  ainda  juntou  cópia  do  Acórdão  da  3ª  Turma  do  TRF/3ª  Região  que  negou  provimento  ao  Fl. 4311DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.312          15 agravo  legal em Apelação Civil da Procuradoria da Fazenda Nacional,  em 06/11/2014 (e­fls.  4290/4297).  É o relatório.                                                          Fl. 4312DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.313          16     Voto Vencido  Conselheiro Nelso Kichel, Relator    O  Recurso  Voluntário  foi  apresentado,  conjuntamente,  pela  OKTA  ALIMENTOS LTDA e pelos sujeitos passivos solidários Sr.Octávio José Pagnan e a Sra.  Selene Gonçalves Pagnan.  O recurso é tempestivo, em relação a todos, e atende aos demais pressupostos  de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso.  Conforme  relatado,  os  autos  tratam  do  crédito  tributário  lançado  de  ofício  (autos  de  infração  do  Simples  Federal),  ano­calendário  2004,  pela  imputação  das  seguintes  infrações:  a)  omissão  de  receitas  da  atividade  ­  receitas  não  escrituradas  (notas  fiscais "calçadas"), prova direta (Lei 9.249/95, art. 24 c/c Lei 9.317/96), com imposição de  multa qualificada de 150%;  b) omissão de receitas ­ depósitos bancários não escriturados e de origem  não comprovada (presunção legal, Lei 9.430/96, art. 42 c/c Lei 9.317/96), com multa de 75%;  c)  insuficiência  de  recolhimento  (infração  reflexa  da  omissão  de  receitas)  (Lei 9.317/96), com multa de 75%.  Ainda,  o  fisco  imputou  sujeição  passiva  solidária,  responsabilidade  pelo  crédito tributário lançado de ofício:  a) ao Sr.Octávio José Pagnan (CTN, art. 124,I);  b) a Sra. Selene Gonçalves Pagnan (CTN, art. 124,I).  PEDIDO  DE  SOBRESTAMENTO  DO  PROCESSO  ADMINISTRATIVO. DISCUSSÃO EM JUÍZO DO SIGILO BANCÁRIO.   Primeiro, a recorrente acostou aos autos petição de 25/11/2014, no sentido de  sobrestamento  do  presente  processo  administrativo  até  o  trânsito  em  julgado  do  processo  judicial 2007.61.02.012374­3 (Ação de Mandado de Segurança contra o acesso direto do fisco  aos dados de movimentação financeira bancária, sigilo bancário),  juntando cópia do Acórdão  da 3ª Turma do TRF/3ª Região que concedera segurança, em apelação civil, em 02/06/2014, e  ainda  juntou  cópia  do  Acórdão  da  3ª  Turma  do  TRF/3ª  Região  que  negara  provimento  ao  agravo  legal em Apelação Civil da Procuradoria da Fazenda Nacional,  em 06/11/2014 (e­fls.  4290/4297).  Fl. 4313DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.314          17 Depois disso, consta publicação na internet de resultado de julgamento ­ Ata  de  Julgamento  da  3ª  Turma  do  TRF/3ª  Região,  como  informação mais  recente,  extraída  da  internet  em  09/05/2018,  às  11:01  horas,  que  a  Fazenda  Nacional  reverteu  essas  decisões  favoráveis da contribuinte. Senão vejamos:  (...)  ATA  DE  JULGAMENTO  ATA  DA  16ª  SESSÃO  ORDINÁRIA,  REALIZADA EM 16 DE AGOSTO DE 2017.  (...)  0016  AMS­SP  312972  0012374­12.2007.4.03.6102  2007.61.02.012374­3   RELATOR : DES.FED. NELTON DOS SANTOS   APTE : OKTA ALIMENTOS LTDA   ADV : SP189262 JOAO HENRIQUE GONCALVES DOMINGOS   APDO(A) : Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL)   ADV : SP000003 JULIO CÉSAR CASARI E CLAUDIA AKEMI  OWADA   A  TERCEIRA  TURMA,  POR  UNANIMIDADE,  DECIDIU  EM  JUÍZO  DE  RETRATAÇÃO,  NEGAR  PROVIMENTO  À  APELAÇÃO.  (...)  (Publicado DeJ em 29/08/2017)  (...)  Como  demonstrado,  a  Fazenda  Nacional,  em  juízo  de  retratação  (esfera  judicial),  obteve  êxito,  conseguiu  a  reversão,  ou  seja,  houve  a  reforma  da  decisão  que,  por  último, beneficiava a contribuinte.  A  contribuinte  apelou,  porém  a  3ª  Turma  do  TRF/3ª  Região  negou  provimento à apelação na sessão de 16/08/2017.   Ademais, não consta dos presentes autos ­ a partir da citada data ­ a situação  atual dessa discussão judicial.  Em  face  do  princípio  do  impulso  oficial,  não  há  no Regimento  Interno  do  CARF  previsão  de  sobrestamento  do  presente  processo  administrativo,  por  conta  do  fato  da  contribuinte estar discutindo em juízo a constitucionalidade da legislação que autoriza o acesso  direto do fisco, sem ordem judicial, aos dados de movimentação financeira bancária, na forma  da legislação de regência.   De qualquer modo, em face do Princípio da Unidade de Jurisdição a última  palavra é do Poder Judiciário quanto à matéria deduzida em juízo.  Fl. 4314DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.315          18 Este  processo,  destarte,  fica  submetido  à  sorte  do  que  restar  decidido  no  citado  processo  judicial,  quanto  ao  acesso  do  fisco  aos  dados  de  movimentação  financeira  bancária, sem ordem judicial, em relação à recorrente.  Cabe à PFN, assim, observar o que restar decidido, em decisão transitada em  julgado, naquele processo judicial em tramitação na esfera judicial de autoria da recorrente.  Portanto, rejeito o pedido de sobrestamento do julgamento deste processo.  SIGILO  BANCÁRIO.  LC  105/2001,  ART,  6º.  PROVAS  ILÍCITAS.  DISCUSSÃO  JUDICIAL.  CONCOMITÂNCIA.  RENÚNCIA  AO  RECURSO  ADMINISTRATIVO NESSA PARTE.  Os recorrentes argumentam, nas razões do recurso:  ­  que  a  Lei  Complementar  n°  105,  de  10  de  janeiro  de  2001,  não  tem  o  condão de tornar o fisco federal independente de autorização judicial, ou seja, não pode afastar  o  prévio  exame  do  Poder  Judiciário  sobre  o  cabimento  da  quebra  do  sigilo,  transferindo  tal  prerrogativa à própria administração pública;  ­  que  o  art.  6°  da Lei Complementar  nº  105/01,  ao  estabelecer  a quebra  do  sigilo  bancário  sem  autorização  judicial,  bastando  a  vontade  do  agente  público,  ainda  que  motivada  e  fundamentada, viola o artigo 5°, incisos X e XII, da Constituição da República.  ­ que, diante do exposto, é de rigor que se verifique que todo o procedimento  fiscal  já  nasceu  nulo  de  pleno  direito,  pois  a  fisco  inobservou  direitos  fundamentais  básicos  inerentes aos cidadão. Requer­se, portanto, a nulidade do processo, já que se valendo de dados  obtidos,  de  forma  ilegal,  lavrou  autos  de  infração  contra  a  recorrente.  Trata­se  de  evidente  utilização  de  prova  ilícita,  que  contamina,  consequentemente,  todas  as  demais  provas  e  atos  decorrentes ("fruits of poisonous tree").  Durante o procedimento de fiscalização, a contribuinte impetrou Mandado de  Segurança  (2007.6l.02.012374­3)  (fls.­  373/374)  para  impedir  que  o  fisco  tivesse  acesso  as  suas informações financeiras bancárias.  Nesse sentido consta do Termo de Encerramento de Ação Fiscal, in verbis:  (...)  9.  Transcorrido  o  prazo  para  apresentação  das  informações  solicitadas,  a  fiscalizada  solicitou  prorrogações  de  prazo  alegando  exíguo  o  prazo  concedido  para  atendimento  das  informações. Em virtude deste fato foram concedidas dilações no  prazo.  Depois  de  transcorrido  os  novos  prazos  concedidos  a  fiscalizada, a mesma apresentou documento informando que não  iria apresentar o Livro Caixa e tampouco os extratos bancários,  informando,  ainda,  que  impetrara  Mandado  de  Segurança  (2007.6l.02.012374­3)  (fls.­  373/374)  para  impedir  o  acesso  as  suas informações bancárias. Desta forma, a Receita Federal do  Brasil entrou com pedido de indeferimento da liminar concedida.  Fl. 4315DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.316          19 Diante  dos  fatos  expostos  pela  RFB  a  liminar  que  havia  sido  concedida  a  fiscalizada  foi  indeferida  na  data  de  O8  de  novembro de 2007(fls. 376).  10.  Em  virtude  do  indeferimento  da  liminar  impetrada  pela  fiscalizada,  a  mesma  foi  novamente  intimada  a  apresentar  os  documentos solicitados no item O8 deste termo (fls. 383/388). E,  novamente,  a  fiscalizada  apresentou  documentação  informando  que  não  procederia  a  entrega  dos  extratos  bancários  e  demais  documentos  solicitados,  pois  entendia  que,  dentre  outros,  “...trata­se, primeiro de garantia constitucional...”. Desta forma,  sendo observada a indispensabilidade destas informações para o  prosseguimento da ação fiscal e, com base na Lei Complementar  n.  105/2001,  no  Decreto  3.724/200l  e  no  artigo  33  da  lei  9;430/96,  esta  fiscalização  solicitou  Requisições  de  Movimentação  Financeiras  junto  as  Instituições  nas  quais  a  fiscalizada possuía movimentação financeira.  (...)  A discussão judicial pela contribuinte da constitucionalidade do art. 6º da Lei  105/01, desde  a  fase de  fiscalização,  implicou  renúncia de discussão dessa matéria na órbita  administrativa, mormente neste processo administrativo tributário, conforme o art. 38,§ único,  da Lei nº 6.830/80, in verbis:  (...)  Art.  38  ­  A  discussão  judicial  da  Dívida  Ativa  da  Fazenda  Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo  as  hipóteses  de  mandado  de  segurança,  ação  de  repetição  do  indébito  ou  ação  anulatória  do  ato  declarativo  da  dívida,  esta  precedida  do  depósito  preparatório  do  valor  do  débito,  monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora  e demais encargos.  Parágrafo  Único  ­  A  propositura,  pelo  contribuinte,  da  ação  prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer  na  esfera  administrativa  e  desistência  do  recurso  acaso  interposto.  (...)  Como visto, a contribuinte ajuizou Ação de Mandado de Segurança, durante  do  procedimento  de  fiscalização  para  evitar  que  o  fisco  tivesse  acesso  a  contas  bancárias,  questionando, incidentalmente, a constitucionalidade do art. 6º da LC 105/2001.  A  decisão  recorrida,  não  conheceu  da  matéria  agitada  judicialmente,  conforme voto condutor que transcrevo, no que pertinente, in verbis:  (...)  4  Quebra  Sigilo  Bancário  sem  Ordem  Judicial.  Da  Concomitância entre o Processo Administrativo e o Judicial  (...)  Fl. 4316DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.317          20 Verificando­se  a  documentação  acostada  aos  autos,  o  contribuinte  impetrou  mandado  de  segurança,  com  pedido  de  liminar,  contra  o  Delegado  da  Receita  Federal  em  Ribeirão  Preto (fls. 376), perante a 2ª Vara Federal de Ribeirão Preto­SP  (processo n.°2007.61.02.012374­3).  (...)  Destarte,  há  que  se  observar  o  princípio  da  unicidade  de  jurisdição,  de  acordo  com  o  qual  não  cabe  à  autoridade  administrativa pronunciar­se sobre o mérito de questão pendente  de apreciação pelo Poder Judiciário, pois, ao final, prevalecerá  a decisão da Justiça.  (...)  A propositura de ação judicial pelo contribuinte, em razão disso,  nos pontos em que haja idêntico questionamento, toma ineficaz 0  processo  administrativo.  De  fato,  havendo  0  deslocamento  da  lide  para  o Poder  Judiciário,  perde  o  sentido  a  apreciação  da  mesma matéria na  via administrativa. Do contrário,  ter­se­ia a  absurda  hipótese  de  modificação,  pela  autoridade  administrativa,  de  decisão  judicial  transitada  em  julgado  e,  portanto, definitiva.  Portanto, em face da propositura da ação judicial, que importa  renúncia à esfera administrativa, e tendo em vista a unicidade de  jurisdição  consagrada  no  art.  5.°,  XXXV  da  CF/1988  e  a  orientação  contida  no  Ato  Declaratório  Normativo  COSIT  n.°  O3/1996, não conheço a matéria discutida judicialmente.  (...)  A  propositura  do  AMS  implicou,  portanto,  renúncia  à  discussão  na  órbita  administrativa acerca da constitucionalidade do art. 6º da LC 105/2001.  Ainda, apenas para argumentar, o Pleno do Supremo Tribunal Federal ­ STF,  na  decisão  de  24/02/2016,  no  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  601.314­SP,  Repercussão  Geral,  Relator  Ministro  Edson  Fachin,  declarou  constitucional,  com  efeito  erga  omnes,  a  legislação  de  regência  que  permite  acesso  direto  do  fisco  aos  dados  de  movimentação  financeira dos contribuintes, conforme ementa do Acórdão que transcrevo, in verbis:  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  REPERCUSSÃO  GERAL.  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  DIREITO  AO  SIGILO  BANCÁRIO.  DEVER  DE  PAGAR  IMPOSTOS.  REQUISIÇÃO  DE  INFORMAÇÃO  DA  RECEITA  FEDERAL  ÀS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  ART.  6º  DA  LEI  COMPLEMENTAR  105/01.  MECANISMOS  FISCALIZATÓRIOS.  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF.  PRINCÍPIO  DA  IRRETROATIVIDADE  DA  NORMA  TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01.   1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre  o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos  referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que  Fl. 4317DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.318          21 se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da  tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a  autonomia individual e o autogoverno coletivo.  2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é  uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em  ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências  ou  ofensas,  qualificadas  como  arbitrárias  ou  ilegais,  de  quem  quer  que  seja,  inclusive  do  Estado  ou  da  própria  instituição  financeira.   3.  Entende­se  que  a  igualdade  é  satisfeita  no  plano  do  autogoverno  coletivo  por  meio  do  pagamento  de  tributos,  na  medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez  vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação  das necessidades coletivas de seu Povo.   4.  Verifica­se  que  o  Poder  Legislativo  não  desbordou  dos  parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de  conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu  requisitos  objetivos  para  a  requisição  de  informação  pela  Administração Tributária às instituições financeiras, assim como  manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras  do contribuinte, observando­se um translado do dever de  sigilo  da esfera bancária para a fiscal.   5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01  não  atrai  a  aplicação  do  princípio  da  irretroatividade  das  leis  tributárias,  uma  vez  que  aquela  se  encerra  na  atribuição  de  competência  administrativa  à  Secretaria  da  Receita  Federal,  o  que  evidencia  o  caráter  instrumental  da  norma  em  questão.  Aplica­se,  portanto,  o  artigo  144,  §1º,  do  Código  Tributário  Nacional.  6.  Fixação  de  tese  em  relação  ao  item  “a”  do  Tema  225  da  sistemática  da  repercussão  geral:  “O  art.  6º  da  Lei  Complementar  105/01  não  ofende  o  direito  ao  sigilo  bancário,  pois realiza a  igualdade em relação aos cidadãos, por meio do  princípio  da  capacidade  contributiva,  bem  como  estabelece  requisitos  objetivos  e  o  translado  do  dever  de  sigilo  da  esfera  bancária para a fiscal”.   7.  Fixação  de  tese  em  relação  ao  item  “b”  do  Tema  225  da  sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a  aplicação  do  princípio  da  irretroatividade  das  leis  tributárias,  tendo em vista o caráter  instrumental da norma, nos termos do  artigo 144, §1º, do CTN”.   8. Recurso extraordinário a que se nega provimento.  O STF entendeu que esse repasse das informações  dos  bancos  para  o fisco não pode ser chamado de quebra de sigilo bancário, pois as informações são passadas,  transferidas para o fisco em caráter sigiloso e permanecem de forma sigilosa na Administração  Tributária.   Fl. 4318DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.319          22 Por  conseguinte, o que ocorre é uma tramitação sigilosa entre os bancos e o  fisco e, por não ser acessível a terceiros, não pode ser considerado violação do sigilo.  Os  fundamentos  considerados  pelo  STF  na  declaração  de  constitucionalidade do art. 6º da LC 105/2001:  (...)  a)  o  sigilo  bancário  não  é  absoluto  e  deve  ceder  espaço  ao  princípio  da  moralidade  nas  hipóteses  em  que  transações  bancárias indiquem ilicitudes;    b) prática prevista na LC 105/2001 é comum em vários países  desenvolvidos  e  a  declaração  de  inconstitucionalidade  do  dispositivo  questionado  seria  um  retrocesso  diante  dos  compromissos  internacionais  assumidos  pelo  Brasil  para  combater  ilícitos  como  a  lavagem  de  dinheiro  e  evasão  de  divisas e para coibir práticas de organizações criminosas;   c)  a  identificação  de  patrimônio,  rendimentos  e  atividades  econômicas  do  contribuinte  pela  administração  tributária  dá  efetividade ao princípio da capacidade contributiva, que, por sua vez,  sofre  riscos  quando  se  restringem  as  hipóteses  que  autorizam seu acesso às transações bancárias dos contribuintes;   d)  a  LC  105/2001  não  viola  a CF/88.  Isso  porque  o legislador  não  estabeleceu  requisitos  objetivos  para  requisição  de  informação  pela  administração  tributária  às  instituições  financeiras  e  exigiu  que,  quando  essas  informações  chegassem  ao Fisco, ali mantivessem o dever de sigilo.   Com efeito, o parágrafo único do art. 6º preconiza que o resulta­ do dos exames,  as  informações  e  os  documentos  deverão  ser  conservados em sigilo, observada a legislação tributária.   Assim, não há ofensa a  intimidade  ou  qualquer  outro  direito  fundamental,  pois  a  LC  105/2001 não permite a  quebra de  sigilo bancário", mas sim a transferência desse sigilo dos bancos  ao Fisco;   e)  o  art.  6º  da LC  105/2001 é taxativo e  razoável ao facultar  o  exame  de  documentos,  livros  e  registros  de  instituições  financeiras  somente  se  houver  processo  administrativo  instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  administrativa  competente.    (...)  A  decisão  da  Suprema  Corte  foi  proferida  no  julgamento  das  ADIs  2390,  2386, 2397 e 2859 e do RE 601.314­SP (repercussão geral)  Diante do exposto, nesta  instância recursal ordinária do CARF, assim como  já ocorrera com a decisão a quo, também, não conheço da matéria deduzida em juízo, em face  da concomitância (matéria objeto do processo administrativo e judicial).   Fl. 4319DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.320          23 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA PARCIAL  O  recorrentes  suscitaram  nas  razões  do  recurso  a  decadência  mensal,  nos  seguintes termos:  (...)  II.e. Decadência Mensal ­ Artigo 42,§ 1° da Lei n° 9,430/96.  Na rara e improvável hipótese de serem superadas as nulidades  acima  expostas,  “data  venia”,  quanto  ao  período  cobrado  até  julho  de  2004,  convém  esclarecer  que  já  transcorreu  decadência,  sendo  de  rigor  a  extinção  do  credito  de  conformidade com o art. 156, V, do Código Tributário Nacional.   Sem delongas,  o  art.  42,  §  1°,  da Lei  nº  9430/96  é  incisivo  ao  dispor que o "valor das receitas ou dos rendimentos omitido será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito.  efetuado  pela instituição financeira".  Portanto, dúvida não resta que o fato gerador. do imposto sobre  a  renda  de  pessoa  jurÍdica  para  fins  de  tributação  quando  da  existência  de  omissão  de  receita  lançada  por  presunção  com  base  em  extratos  bancários  e  receitas  não  escrituradas  será  o  mês em que houver o crédito pela instituição financeira.  (...)  No Sistema Simples o fato gerador dos respectivos tributos é mensal.  A  questão  da  decadência  está  sedimentada,  pacificada,  nos  Tribunais  Superiores e também neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.  Para  os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  inexistindo  antecipação  de  pagamento  dos  tributos  para  o  respectivo  período  de  apuração  ou  existindo  dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo de cinco anos dá­se na forma do art. 173,I, do  CTN. Por outro lado, existindo antecipação de pagamento para o período de apuração, o dies a  quo do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador  (CTN, art. 150,§4º),  se não  houver dolo, fraude ou simulação.  Quanto  a pagamentos  consta  dos  autos Tela Sinal,  informando pagamentos  do  Simples  dos  meses  de  junho  e  julho/2004,  respectivamente,  data  de  arrecadação  29/12/2004 e 10/08/2004 (fls. 3977) ou (e­fl. 4171).  Nos autos não há comprovante de antecipação de pagamento do Simples para  os meses de janeiro a maio/2004.  A  contribuinte  tomou  ciência  dos  autos  de  infração  do  Simples  em  26/08/2009, por via postal ­ Aviso de Recebimento ­ AR (e­fl. 4075).  Quanto às infrações imputadas Omissão de receitas ­ Depósitos Bancários de  Origem  não  Comprovada  e  Insuficiência  de  Recolhimento  (infração  reflexa  da  omissão  de  receitas), ambos com aplicação de multa de 75%, estão decaídas, caducadas, apenas a diferença  de  crédito  tributário  lançada de ofício  atinente  aos  fatos  geradores dos PA  junho e  julho de  Fl. 4320DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.321          24 2004  (existência  de  antecipação  de  pagamento  do  Simples),  pela  aplicação  do  prazo  decadencial do art. 150,§ 4º, do CTN.  Entretanto, quanto à infração omissão de receitas da atividade ­ receitas não  escrituradas  ("notas  fiscais  calçadas),  em  face  da  conduta  dolosa,  sonegação  fiscal,  que  implicou a  aplicação pelo  fisco da multa qualificada  (150%),  todos os  fatos geradores dessa  infração do ano­calendário 2004 estão a salvo da decadência, pela  incidência do termo a quo  do  art.  173,I,  do  CTN,  ou  seja,  01/01/2005.  O  fisco  tinha  prazo  para  lançar  de  ofício  até  01/01/2010.  A  contribuinte  tomou  ciência  do  lançamento  fiscal  26/08/2009.  A  questão  da  multa qualificada, no mérito, será  tratada, especificamente, mais adiante  (apenas antecipando  aqui, a multa qualificada restou demonstrada, justificada e deve ser mantida).  Portanto, acolho a decadência parcial do crédito tributário:  a) para a infração omissão de receitas ­depósitos bancários não escriturados e  de origem não  comprovada, quanto  aos períodos de  apuração mensal do Simples Federal  de  junho e julho/2004;  b) para a infração insuficiência de recolhimento do Simples Federal (sobre a  receita  declarada  ao  fisco  na  Declaração  do  Simples  2005,  ano­calendário  2004),  também  quanto aos períodos de apuração de junho e julho/2004.    PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA:  Nas  razões  do  recurso,  os  recorrentes  pedem a  realização  de prova  pericial  com  o  fito  de  se  evidenciar  a  efetiva  base  de  cálculo,  bem  como  a  ocorrência  dos  fatos  geradores, formulando quesitos nos seguintes termos, in verbis:  (...)  a) É possível aferir q o lançamento encontra­se efetuado única e  «exclusivamente  com  base  em presunções  quanto  à omissão  de  receitas: extratos bancários e receitas não­escrituradas?  b)  É  possível  afirmar,  com  exatidão,  que  todos  os  valores  realmente podem ser considerados como omissão de receitas?   c) Os documentos  já  juntados  e os argumentos  tecidos na  impugnação  retiram  a  presunção  de  certeza  do  auto  de  infração?    d) O  ICMS está  incluído na base de  cálculo do PIS  e da  COFINS?  e)  Respeitou­se  a  semestralidade  da  base  de  cálculo  do  PIS?  f) Assim sendo, com base na argumentação do impugnante  é possível afirmar que existe erros no procedimento fiscal?  Fl. 4321DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.322          25  g) Havendo erros, os mesmos podem implicar na nulidade  do auto?   h)  Com  base  nas  respostas  anteriores  é  possível  afirmar  que os valores cobrados estão totalmente corretos?   (...)  Ainda, a recorrente indicou perito.  Quanto  ao  pedido  de  perícia,  indefiro­o  por  entender  dispensável  para  o  deslinde do presente  julgamento, uma vez que não há matéria atinente aos autos de  infração  que necessite de opinião de perito para ser decidida e, ademais, constam dos autos do processo  todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da  lide quanto às  infrações  imputadas.  Nesse sentido, transcrevo os seguintes precedentes deste CARF:  NORMAS  GERAIS  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  LIVRE  CONVICÇÃO  JULGADOR..  PROVA  PERICIAL.  INDEFERIMENTO.  De  conformidade  com  o  artigo  29  do  Decreto  n°  70.235/72,  a  autoridade  julgadora  de  primeira  instância,  na  apreciação  das  provas,  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  diligência  que  entender  necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se  desnecessária  e/ou protelatória,  com arrimo no § 2°,  do artigo  38,  da  Lei  n°  9.784/99,  ou  quando  deixar  de  atender  aos  requisitos  constantes  no  artigo  16,  inciso  IV,  do  Decreto  n°  70.235/72.(Acórdãonº 20­601.462, sessão de 09/10/2008).   PEDIDO  DE  PERÍCIA.  INDEFERIMENTO.  Não  constitui  cerceamento do direito de defesa o  indeferimento do pedido de  diligência  considerada  desnecessária,  prescindível  e  formulado  sem  atendimento  aos  requisitos  do  art.  16,  IV,  do  Decreto  n°  70.235/72.(Acórdãonº10249.407,sessãode06/11/2008).   PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO.A admissibilidade de  diligência  ou  perícia,  por  não  se  constituir  em  direito  do  autuado,  depende  do  livre  convencimento  da  autoridade  julgadora como meio de melhor apurar os fatos, podendo como  tal  dispensar  quando  entender  desnecessárias  ao  deslinde  da  questão.  Ademais,  tem­se  como  não  formulado  o  pedido  de  perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art.  16  do  Decreto  n°  70.235/72,  principalmente  quando  este  se  revela  prescindível.  (Acórdão  nº  19300.018,  sessão  de  13/10/2008).   PEDIDO  DE  PERÍCIA  PRESCINDIBILIDADE.  INDEFERIMENTO. Presentes  nos  autos  todos  os  elementos  de  convicção  necessários  à  adequada  solução  da  lide,indefere­se,  por prescindível,  o pedido de diligência ou perícia.(Acórdão nº  105­15.978,sessão de 20/07/2006).   DILIGÊNCIA OU PERÍCIA.  Indefere­se o pedido de diligência  ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que  Fl. 4322DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.323          26 o recorrente deveria produzir em sua defesa,  juntamente com a  peça impugnatória ou recursal, quando restar evidenciado que o  mesmo  poderia  trazê­las  aos  autos,  se  de  fato  existissem  (Acórdão nº 102­48.141, de 25/01/2007).  PEDIDO  DE  DILIGÊNCIA.  Deve  ser  indeferido  pedido  de  diligencia  quando prescindível,  a teor  do  art.  18  do Decreto  nº  70.235/72. (Acórdão nº 20180.294, sessão de 23/05/2007).   PERÍCIA. DESNECESSIDADE.. Deve ser indeferido o pedido de  perícia,  quando  o  exame  de  um  técnico  é  desnecessário  à solução da controvérsia, apenas circunscrita à matéria contá­ bil e aos argumentos jurídicos ordinariamente compreendidos na  esfera  do  saber  do julgador.(Acórdão  nº  10222.937,  sessão  de  28/03/2007).   DILIGÊNCIA  E  PERÍCIA.  NEGATIVA.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  INOCORRÊNCIA.  É  incabível  a  realização  de  diligência  ou  perícia  para  responder  a  quesitos  de  natureza  legal,  cujo  conhecimento  seja  elementar  ou  que  se  refiram  a  prova  passível  de  produção  unilateral  pelo  contribuinte.(Ac. 3302­01.280,  sessão  de  09/11/2011,  Relator  José Antonio Francisco).   PEDIDO  DE  PERÍCIA  TÉCNICA  CONTÁBIL.  MEIO  DE  PROVA DESNECESSÁRIO. INDEFERIMENTO. O pedido de  perícia  técnica,  para  análise  de  dados  que  integram  a  escrituração  contábil  e  já  presentes  nos  autos,  demonstra  intenção  protelatória  e  não  caracteriza  cerceamento  do  direito de defesa quando indeferido. A autoridade julgadora é  livre para formar sua convicção devidamente motivada, podendo  deferir perícias quando entendê­las necessárias, ou indeferir as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  sem  que  isto  configure preterição do direito de defesa.  Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos especí­ ficos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a  apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordi­ nários de convencimento.(Ac. nº 1802­001.006, sessão de  17/10/2011).   ASSUNTO: PERÍCIA/DILIGÊNCIA – PRESCINDIBILIDADE –  A  perícia  se  reserva  à  elucidação  de  pontos  duvidosos  que  requeiram  conhecimentos  especializados  para  deslinde  do  litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado  pela  juntada  de  documentos  (Acórdão  CSRF  107­05.810,  Relatora Karem Jureidini Dias).   Ainda,  quanto  à  infração  omissão  de  receitas  ­  depósitos  bancários  não  escriturados  e  de  origem  não  comprovada,  em  face  da  presunção  legal  do  art.  42  da  Lei  9.430/96, o ônus probatório é da contribuinte.   A diligência ou perícia técnica não se presta a produzir prova cujo ônus é da  contribuinte.   Fl. 4323DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.324          27 A diligência ou perícia  técnica não pode ser utilizada para substituir a parte  (contribuinte) na produção de provas.   Por  tudo  que  foi  exposto, rejeito o pedido de realização  de  diligência/perícia técnica.  OMISSÃO  DE  RECEITAS  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  NÃO  ESCRITURADOS  E  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  PRESUNÇÃO  LEGAL.  INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.  Os  recorrentes  alegaram,  nas  razões  do  recurso,  que  a  autoridade  administrativa  lavrou  os  autos  de  infração  do  Simples  Federal,  ano­calendário  2004,  tendo,  exclusivamente, por supedâneo, a mera presunção, sem demonstrar, cabalmente, como era de  sua competência, os elementos que compõem o fato tributário.  Carece de fundamento fático­jurídico a alegação dos recorrentes.  Durante o procedimento de fiscalização. a contribuinte foi intimada pelo fisco  a  comprovar  a  origem  dos  depósitos  bancários  a  crédito  em  suas  contas  correntes  bancárias quanto ao ano­calendário 2004, com  respectivo demonstrativo dos créditos, opera­ ção por operação, de  forma individualizada, com discriminação de data da operação, valor da  operação, histórico, nº do documento, nº da conta bancária e instituição financeira, nos termos  do art. 42, § 3º, da Lei 9.430/96, tudo consoante intimação fiscal e demonstrativo dos créditos a  comprovar  a  origem,  de  12/05/2009,  e  dos  quais  tomou  ciência  em  14/05/2009 (fls.  3571/3610).   A  contribuinte  não  comprovou  a  origem  dos  depósitos  a  crédito  em  suas  contas correntes bancárias, quanto ao anocalendário 2004.   A falta de comprovação da origem dos depósitos bancários não escriturados,  não registrados na escrituração contábil e fiscal, implicou a inversão do ônus da prova, pois o  art. 42 da Lei nº 9.430/96 trata de presunção legal.    Para  imputação  da  infração  omissão  de  receitas  por  presunção  legal  (fato probando) basta o fisco comprovar a ocorrência do fato indiciário (fato conhecido), ou se­ ja, a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária  não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica jurídica, embora intimada,  não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito nas suas contas correntes bancárias.  A partir do fato indiciário  depósitos bancários não escriturados e de origem  não  comprovada  (fato  conhecido)  presume­se  a  ocorrência  ou  existência  de  omissão  de  receitas à margem da tributação (fato probando).   A presunção legal de omissão de receitas tem caráter relativo e inverte o ônus  da prova.   O ônus probatório da não ocorrência do fato probando  omissão de receitas  é do sujeito passivo, que poderá afastá­la mediante produção de prova hábil e idônea.   Vale  dizer,  o  fisco  pode  presumir  a  omissão  de  receitas  (com  base  em  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada),  quando  o  contribuinte,  regularmente  intimada,  não  comprove  através  de  documentos  hábeis  e  idôneos  a  origem  dos  depósitos  a  Fl. 4324DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.325          28 crédito  em  suas  contas  bancárias,  uma vez  que  não mais  se  aplica  a  vetusta Súmula  182  do  extinto Tribunal Federal de Recursos.   Isso  porque  existem  duas  realidades  distintas  no  que  se  refere  ao  uso  da  movimentação  financeira  bancária  para  a  caracterização  da  omissão  de  receitas,  sendo  uma  com base no art. 6°, § 5°, da Lei nº 8.021/1990 (dispositivo revogado pela Lei n.  9.430/96), e a  outra com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Vejamos:  Lei n° 8.021/1990   "Art. 6º. O lançamento de oficio, além dos casos já especificados  em lei, far­se­á arbitrando­se os rendimentos com base na  renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de ri­ queza. (...) .  §  5º  O  arbitramento  poderá  ainda  ser  efetuado  com  base  em  depósitos  ou  aplicações  realizadas  junto  a  instituições  financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos  recursos utilizados nessas operações."[revogado]   Lei n° 9.430/1996    "Art.  42.  Caracterizamse  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantido junto  a instituição financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente intimado, não comprove, mediante documentação  hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas opera­ ções."  Com base nos dispositivos acima transcritos, verifica­se que o que distingue  uma realidade da outra é que a partir de 01/01/1997 — entrada em vigor da Lei n° 9.430/96  ­ a  existência  de  depósitos  não  escriturados  ou  de  origem  não  comprovada  tornou­se  uma  nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio a se juntar às outras já exis­ tentes no ordenamento jurídico, sendo que, a partir daí, atenuou­se a carga probatória atribuída  ao  fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não  escriturados,  de origem não comprovada, mediante extratos bancários, para satisfazer o onus probandi a seu  cargo.    Antes,  tal  previsão  legal  para  depósitos  bancários  inexistia  e,  com  isso,  o  fisco necessitava, nos estritos termos do art. 6°, caput, e § 5°, da Lei n° 8.021/1990,  não apenas constatar a existência dos depósitos bancários, mas estabelecer uma conexão, um  nexo causal,  entre  tais  depósitos  e  alguma  exteriorização  de  riqueza,  renda  consumida  e/ou  operação concreta do sujeito passivo que pudesse dar ensejo à omissão de receitas.    O fato é que, após a edição da Lei n° 9.430/1996, a movimentação bancária  mantida  ao  largo  da  escrituração  contábil  da  empresa  ou  sem  comprovação  da  origem,  presumese realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, não mais se  aplicando,  portanto,  o  entendimento  exarado  na  Súmula  182  do  extinto  Tribunal  Federal  de  Recursos.   Fl. 4325DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.326          29 Para  fatos  geradores  a  partir  de  1°/01/1997,  no  tocante  à  omissão  de  rendimentos/receitas  com  base  em  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  tem  vigência única e plenamente o art. 42 da Lei n°9.430196.   Esse diploma legal, como já dito alhures, encerra presunção legal que implica inversão do ônus da prova.   O  ônus  da  prova  de  que  não  houve  omissão  de  receitas/rendimentos  é  da  contribuinte.   Não há que se falar em necessidade de sinais exteriores de riqueza ou prova  do  consumo  da  renda  para  tributar  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  pelo  contribuinte,  conforme  matéria  já  sumulada  por  este  Egrégio  Conselho  Administrativo,  in  verbis:  Súmula CARF nº 26:   A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa  o Fisco  de  comprovar  o  consumo da  renda  representada pelos  depósitos bancários sem origem comprovada.   Como  demonstrado,  o  depósito  bancário  de  origem  não  comprovada  é  rendimento tributável pelo imposto de renda, por presunção legal.   Esse  entendimento  encontra­se,  também,  pacificado  no  âmbito  deste  Conselho de Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos  Fiscais, cujos precedentes transcrevo a título ilustrativo.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  IRPJ.  Exercício:  2001,  2002,  2003,  2004,  2005  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.  Caracterizam  omissão  de  receitas  os  valores  creditados  em  conta de depósito ou de investimento mantidos junto à instituição financeira,  quando  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a orige d os  recursos  utilizados  nessas  operações.(Acórdão  nº  108­­ 09.836, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relatora Valéria Ca­ bral Géo Verçoza).   ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Anocale ndário:2002  a  2004.  Ementa:  IRPJ  —  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  —  OMISSÃO  DE  RECEITAS  PRESUNÇÃO  LEGAL  Caracterizam  como  omissão  de  receitas  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  junto  à  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente intimado,  não  comprova, mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.(Acórdão nº 101­ 97.116, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relator Valmir  Sandri).  ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  Fl. 4326DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.327          30 DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE  —  SIMPLES  Exercício:  2003,  2004.  Ementa:  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA—PROCEDÊNCIA. Caracterizam  omissão  de  receita  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida junto  a instituição financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente intimado, não comprove, mediante documentação  hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas opera­ ções.   ÔNUS  DA  PROVA  PRESUNÇÃO  LEGAL.  Em  se  tratando  de  presunção  legal,  cabe  ao Fisco  a  prova  do  fato  indiciário.  Ao  contribuinte incumbe  provar  que  o fato indiciário não leva, em seu caso concreto, ao fato presu­ mido por lei. Esse ônus não pode  ser  transferido  pelo  contribuinte  à  Administração  Tributária.(Acórdão nº 105­ 17.369, sessão de 17 de dezembro de 2008, Relator Waldir Veiga  Rocha).   ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF.  Exercício.  2000,  2001,  2002.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  ARTIGO  42  DA  LEI  N°  9.430,  DE 1996.  A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  autoriza  o  lançamento  com  base  em  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  pelo  sujeito  passivo.   ÔNUS DA PROVA.   Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe  a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar  seus  depósitos  bancários.(Acórdão  nº  10249.393,  sessão  de  06  de novembro de 2008. Relatora Núbia Matos Moura).   Assunto:  SIMPLES  NACIONAL.  EXERCÍCIO:  2004,  2005  Ementa:  PRESUNÇÃO  LEGAL.  OMISSÃO  DE  RECEITAS  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  SEM  COMPROVAÇÃO  DE  ORIGEM.  INVERSÃO  DO  ÔNUS  DA  PROVA.  ARTIGO  42,  DA LEI N°. 9.430, DE 1996.  Caracteriza  omissão  de  rendimentos  a  existência  de  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem dos  recursos  utilizados nessas operações.   PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA. As presunções  legais  relativas  obrigam  a  autoridade  fiscal  a  comprovar,  tão  somente,  a  ocorrência  das  hipóteses  sobre  as  quais  se  sustentam  as  referidas  presunções,  atribuindo  ao  contribuinte  o  ônus  de  provar  que  os  fatos  concretos  não ocorreram na forma como presumidos pela lei. (Acórdão nº  195­00.088, sessão 09 de dezembro de 2008, Relator Benedicto  Celso Benicio Junior).   Fl. 4327DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.328          31 Por  fim, apenas a título de argumentação,  não  há conflito entre o art.  42 da  Lei  n°  9.430/96,  que  presume  como  rendimento  omitido  os  valores  creditados  em  conta  de depósitos para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove sua origem, e  os arts. 43 e 44 do Código Tributário Nacional que definem o fato gerador do imposto de renda  – IR e o conceito de renda e a Constituição Federal.   Porém,  eventual  antinomia  suscitada  entre  as  normas  somente  poderia  ser resolvida no âmbito de declaração de inconstitucionalidade das normas pelo Poder Judiciá­ rio, falecendo competência ao CARF para tanto, conforme entendimento já sumulada:   Súmula CARF nº 2:   O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconsti­ tucionalidade de lei tributária.  Ainda, no âmbito do Regime do Simples (autos de infração do Simples) não  há que se falar em dedução de despesas, pois esse sistema de tributação simplificado tem por  escopo  o  controle  da  receita  bruta,  apuração  mensal,  e  sobre  a  qual  incide  diretamente  a  alíquota, para apuração do quantum devido mensalmente, conforme Lei 9.317/96.  Em  relação  aos  depósitos  bancários  a  crédito  em  suas  contas  correntes  bancárias, a fiscalização expurgou, excluiu transferências entre contas de mesma titularidade,  estornos de cheques e CPMF e devoluções. Nesse sentido consta do Termo de Encerramento  de Ação Fiscal, in verbis:  (...)  ll. De posse dos extratos solicitados partimos para a análise dos  mesmos conforme dispõe a.legislação vigente.   Logo de plano identificamos várias entradas (créditos) na conta  da  fiscalizada que não encontravam.  respaldo na contabilidade  da  mesma.  Estes  créditos  foram  identificados  e  separados.  Efetuou­se  a  conciliação  entre  as  diversas  contas  do  mesmo,  excluindo­se  do  total  de  créditos  as  operações  referentes  a  transferências  entre  contas  de  mesma  titularidade,  estornos  de  cheques  e  CPMF,  devoluções  e  demais  créditos  que,  na  nossa  análise,  não  se  enquadravam  como  receita  proveniente  da  sua  atividade comercial.  12. Após esta análise, os demais créditos que acreditávamos ser  proveniente  da  sua  atividade  comercial  ou  proveniente  de  operações não identificadas foram relacionados e encaminhadas  a fiscalizada para sua manifestação e/ou comprovação conforme  consta no Termo de Constatação e  Intimação Fiscal datado de  O4/12/2007 (fls. 3571/3610).  (...)  16. Transcorrido novamente o prazo  solicitado pela  fiscalizada  (no total foram concedidos 40 dias para a fiscalizada comprovar  a origem dos depósitos) a mesma não apresentou os documentos  que justificassem a origem dos depósitos bancários.  Fl. 4328DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.329          32 17. Desta forma. e, por se tratar de presunção legal, onde ocorre  a inversão do ônus da prova, a simples afirmação da fiscalizada  de  que  os  créditos  em  sua  conta  bancária  não  são  provenientes da sua atividade comercial não elidiu a prova.  18. Desta  forma,  conclui­se  que  a  fiscalizada, mesmo  após  ser  regularmente  intimada,  não  apresentou  documentação  hábil  e  idônea  que  comprovasse  a  origem  dos  recursos  utilizados  nas  suas  operações  sendo  que  as  mesmas  serão  apuradas  e  tributadas Conforme a legislação vigente.  19.  Para melhor  compreensão  dos  valores  apurados  que  estão  sendo  tributados  foi  elaborado  “Demonstrativo  Mensal  de  Créditos  não Comprovados  ­ Depósito  Bancário”  contendo  46  páginas  (fls.  3730/3775)  onde  estão  discriminados  individualmente  cada  'valor  lançado  (crédito)  em  conta  da  fiscalizada  e  não  comprovado  pela  fiscalizada,  o  “Demonstrativo  Mensal  de  Creditos  não  Comprovados  Consolidado  ­  Depósito  Bancário”  (fl.  3729)  com  os  valores  totais mensais não comprovados e, também, o Demonstrativo de  Apuração de Valores Tributáveis (fls. 3776).  (...)  Impende  registrar  que  os  recorrentes  não  juntaram  aos  autos  do  processo  prova  alguma  das  alegações,  seja  na  primeira  instância,  seja  nesta  instância  recursal  de  julgamento,  e meras  alegações  genéricas  não  têm o  condão  de  alterar  o  lançamento. O PAF  dispõe em seu art. 16, III, que devem ser apresentados junto com a impugnação os documentos  e provas quanto aos fatos alegados nas razões de defesa.  Portanto, a imputação da infração omissão de receitas  ­  depósitos  bancários  não  escriturados  e  de  origem  não  comprovada,  por presunção legal, deu­ se na forma da legislação de regência.   OMISSÃO  DE  RECEITAS  DA  ATIVIDADE  ­  RECEITAS  NÃO  ESCRITURADAS (NOTAS FISCAIS "CALÇADAS"). PROVA DIRETA:  A infração foi apurada pelo fisco e os fatos constam relatados, narrados, no  Termo de Encerramento de Ação fiscal, in verbis:  (...)  33. Neste ponto e importante frisar que a fiscalizada utilizou­se  do  subterfúgio  chamado  “nota  fiscal  calçada”  para  fraudar  a  fiscalização tributária. Abaixo segue narrativa do procedimento  utilizado  por  esta  fiscalização  para  apuração  deste  crime  em  tese.  (...)  VII.  APURAÇÃO  DA  OCORRÊNCIA  DE  “NOTA  FISCAL  CALÇADA” 34.   No  dia  31/10/2007  a  fiscalizada  foi  intimada  (fls.377/378)  a  apresentar  TODAS  as  Notas  Fiscais  referentes  à  venda  de  Fl. 4329DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.330          33 produtos e/ou prestação de serviços do ano sob fiscalização. Em  resposta  ao  Termo  a  fiscalizada  apresentou  documento  (fls.379/381)  onde  informou  estar  apresentando  todas  as Notas  Fiscais solicitadas.  35.  Entretanto,  após  análise  desta  fiscalização  foi  constatado  que  a  fiscalizada  não havia  apresentado TODAS as  suas  notas  fiscais  relativas  a  vendas  efetuadas  no  ano  calendário  sob  fiscalização. Para ser mais exato, havia mais de uma centena de  notas fiscais que não haviam sido apresentadas.  36.  Em  decorrência  deste  fato  esta  fiscalização  teve  que  organizar,  separar  e  identificar,  uma  a  uma,  todas  as  notas  fiscais  entregues  pela  fiscalizada.  Após  o  árduo  trabalho  de  identificação  individual  das  notas,  todas  as  notas  fiscais  faltantes foram relacionadas no termo abaixo mencionado sendo  a fiscalizada intimada a se pronunciar.  37. Desta forma foi emitido o Termo de Intimação e Constatação  Fiscal  MK6  (fls.  393/396)  onde  foi  solicitada  à  fiscalizada  apresentar todas as notas fiscais faltantes.  Transcorrido  o  prazo  a  fiscalizada  não  apresentou  a  documentação solicitada e tampouco qualquer outra explicação,  sendo desta forma emitido Termo de Reintimação e Constatação  Fiscal MK7 (fls. 397/402) onde as notas  fiscais  faltantes  foram  novamente solicitadas.  38.  Em  atendimento  a  reintimação  a  fiscalizada  solicitou  prorrogação  de  15  dias  para  entrega  da  documentação  solicitada.  Transcorrido  o  prazo  solicitado  a  mesma  somente  apresentou  documento  informando  que  “...todas  as  notas  fiscais  de  saída  foram  entregues  à  fiscalização...”(fls.  403/405).  Ou  seja,  a  fiscalizada  furtou­se  de  entregar  as  notas  fiscais  faltantes  e  infringiu  não  somente  a  legislação  tributária  como  também  incorreu  em  crime,  em  tese,  contra  a  ordem  tributária.  (Lei  8.137, art. 1º, V)  (...)  39. Não obstante este fato, foi possível efetuar todas as análises  necessárias  para  configurar  a  prática  de  ilícito  tributário  pela  fiscalizada, pois esta fiscalização já estava de posse dos demais  livros fiscais/contábeis da fiscalizada. Através do Livro Registro  de  Saídas  (fls.  148/316)  foi  possível  verificar  os  valores  escriturados  nas  notas  fiscais  emitidas  pela  fiscalizada  e  cotejar/confrontar  estes  valores  com  as  notas  fiscais  obtidas  junto  às  empresas  diligenciadas. Desta  forma  ficou  claramente  configurada  a  prática  de  “nota  fiscal  calçada”  e  conseqüente  configuração, em tese, de crime contra a ordem tributária. (Lei  8.137, art. 1°, II e III).  (...)  Fl. 4330DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.331          34 40. Cabe informar que os valores mencionados nos tópicos VI e  VII,  referentes à apuração de omissão de  receitas provenientes  de  “notas  fiscais  calçadas”  foram  discriminados  e  apurados  mensalmente,  conforme  determina  a  legislação,  no  “Demonstrativo  de  Omissão  de  Valores  (Notas  Fiscais  Calçadas)  por  Cliente/Comprador”  (fls.  3675/3728),  no  “Demonstrativo Mensal  Analítico  de  Omissão  de  Rendimentos  (Nota  Fiscal  Calçada)”  (fls.  3636/3674),  “Demonstrativo  Mensal Consolidado de Omissão de Rendimentos (Notas Fiscais  Calçadas)” (fl. 3635) e, tambem, no Demonstrativo de Apuração  de'Valores Tributáveis (fls. 3776).  (...)  O  demonstrativo  do  valor  tributável  da  infração  omissão  de  receitas  da  atividade ­ receitas não escrituradas já foi transcrito alhures no relatório.  Como  visto,  a  infração  omissão  de  receitas  da  atividade  ­  receitas  não  escrituradas foi imputada com base em prova direta (art. 24 da Lei 9.249/95 c/c Lei 9.317/96).  Infração, também, está sobejamente comprovada nos autos.  Os recorrentes, nesta instância de julgamento, não produziram prova alguma  para elidir essa infração.  Deve ser mantida integralmente a infração em tela.  INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO (INFRAÇÃO REFLEXA DA  OMISSÃO DE RECEITAS):  A infração em tela envolve a diferença de crédito tributário relativo à receita  bruta informada pela contribuinte na declaração do Simples 2005 (ano­calendário 2004).  A contribuinte apurou e pagou os tributos do Simples com alíquotas menores  do que as devidas.   Por  isso,  foi  lançada  de  ofício  a  diferença  dos  tributos  do  Simples  sobre  a  receita  declarada  no  Simples  (significa  que  sobre  a  receita mensal  declarada  no  simples  foi  aplicada  a  alíquota  correta  e  foi  dado  o  crédito  do  valor  pago/recolhido  anteriormente,  e  só  lançada a diferença para cada período de apuração mensal).   Portanto, não tem nexo, configura despautério, a alegação dos recorrentes de  que a fiscalização não teria deduzido ou abatido os valores que já haviam sido pagos.  PIS  E  CONFINS.  RECEITAS  FINANCEIRAS.  BASE DE CÁLCULO  MAJORADA.   Insurge­se a autuada contra a alíquota e forma de apuração da base de cálculo  da COFINS e PIS.  Cabe esclarecer que o lançamento fiscal foi realizado na forma de tributação  de  opção  da  recorrente,  ou  seja,  pelo  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Fl. 4331DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.332          35 Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte ­ SIMPLES, nos termos da  Lei 9.317/96 e suas alterações.   Logo, todos os tributos foram apurados pela aplicação de alíquota única sobre  a receita bruta, que é distribuída entre os diversos tributos.  A  argumentação  trazida  pela  recorrente,  aspectos  de  constitucionalidade  e  legalidade quanto à base de cálculo e alíquotas do PIS e COFINS, está prejudica, pois não se  aplica ao Simples Federal; aplica­se a outras formas de tributação, que não é o caso.  Destarte, improcedentes as alegações dos recorrentes, pois não são aplicáveis  ao lançamento do Simples Federal.  PIS ­BASE DE CÁLCULO SEXTO MÊS ANTERIOR.  A  questão  da  semestralidade  da  base  de  cálculo  do  PIS  devido  em  todo  o  período anterior à Lei 9715/98.  Sob o  regime  tributário  instituído pela MP 1212/95 o PIS  teve sua alíquota  modificada, da mesma forma que alterou­se­lhe a disciplina de recolhimento. Deflagrou­se o  novo regime a partir de 1º de outubro de 1995, quando então o PIS passou a incidir sobre  o faturamento do mês sob alíquota de 0,65%, não mais vigendo o sistema de  incidência  sobre o faturamento do sexto mês anterior ao fato gerador sob percentual de 0,75%. A  MP 1212/95 foi convertida na Lei 9715/98, depois de sucessivas reedições.  Nova  modificação  no  regime  do  PIS  adveio  da  Lei  9718/98.  A  base  de  cálculo da exação foi definida como não só faturamento mas toda a receita bruta. No entanto,  tal  alteração  foi  rechaçada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  em  seguidos  recursos  extraordinários, sempre apontando a  inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei 9718/98,  ao  fundamento  de  que  não  se  poderia  ter  ampliado  a  base  de  cálculo  do  PIS  por  ofensa  ao  artigo 195, I, "b", da Constituição Federal, consoante sua redação então vigente. Nem mesmo a  modificação da própria Constituição pela EC 20/98, que alterou a redação do dispositivo, pôde  emprestar constitucionalidade ao dispositivo que nascera sob comando magno impediente. As  Cortes  entenderam,  acertadamente,  que  a  EC  20/98,  posterior  à  Lei  9718/98,  não  poderia  promover uma "constitucionalização retroativa" do comando viciado, ainda que a eficácia da  lei estivesse suspensa em decorrência da anterioridade mitigada. De  fato, a eficácia suspensa  não se confunde com o fenômeno legiferante que trouxe à realidade positiva do Ordenamento  Jurídico a regra de estatura ordinária.  De  se  lembrar  que  os Decretos­Leis  2445/88  e  2449/88,  anteriores  às  Leis  9715/98 e 9718/98, foram objeto da Resolução nº 49 do Senado Federal, que lhes suspendeu a  eficácia, matéria essa já bastante sedimentada e que, pois, não necessita de maior abordagem  neste momento.  O que importa considerar é que em todo o período anterior à Lei 9715/98, por  não  vigerem  os  Decretos­Leis  inquinados,  tem  aplicação  a  legislação  que  estava  ainda  anteriormente vigente, pelo que o regime a se considerar para o PIS antes da Lei 9715/98 é o  da Lei Complementar 7/70 e alterações posteriores.  Aqui inicia­se a análise da questão da semestralidade, que alguns pretendem  ter sido revogada pela normatização posterior à LC 7/70 e anterior à Lei 9715/98.  Fl. 4332DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.333          36 As  mudanças  introduzidas  no  PIS  entre  a  LC  7/70  e  a  Lei  9715/95  (Leis  7691/88, 7799/89, 8218/91 e 8383/91), frise­se, não derrogaram o artigo 6º da LC 07/70. Veja­ se  que  o  fato  gerador  do  PIS,  como  definido  pela  LC  7/70,  é  o  faturamento  do  mês,  sem  embargo de ter a norma definido como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao  mês do fato gerador. São conceitos que não se confundem com o prazo para o recolhimento do  tributo, prazo esse que pode ser definido para tantos ou quantos dias do mês subseqüente. O  prazo  que  a  norma  fixe  para  o  recolhimento  da  exação  não  altera  a  base  de  cálculo  dessa  mesma exação, por todo o óbvio. Pois bem, a base de cálculo do PIS, durante toda a vigência  do artigo 6º da LC 07/70 é o  faturamento do sexto mês anterior ao do  fato gerador, de nada  importando se leis posteriores que modificaram o prazo para recolhimento.  Como  já visto,  a base de cálculo  só  foi modificada com a Lei 9715/95 que  mandou calcular o PIS com alíquota de 0,65% incidente no faturamento do mês. Daí porque  carecer  de  fundamentos  jurídicos  a  pretensão  de  fazer  incidir  correção  monetária  do  faturamento do sexto mês anterior, que é a base de cálculo do PIS, para fins de efetivo cálculo  do valor devido, pura e simplesmente porque não há previsão legal para  tal atualização. Essa  correção,  diga­se,  implicaria  em  afronta  aos  limites  fixados  pela  lei,  não  se  cogitando  de  acréscimos  ainda  que  por  atualização  senão  diante  de  lei  autorizadora  (STJ  ­ AGRAVO  REGIMENTAL NOS  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  NO RECURSO  ESPECIAL –  699890  Processo:  200401552295  Data  da  decisão:  16/02/2006  DJ  DATA:13/03/2006  PÁGINA:206 Relator(a) LUIZ FUX Data Publicação 13/03/2006).  Como os autos  tratam de PIS do ano­calendário 2004,  logo não se  aplica a  semestralidade que foi extinta a partir da Lei 9.715/95  Além  do  mais,  todos  os  tributos  do  Simples  Federal  foram  apurados  pela  aplicação de alíquota única sobre a receita bruta, que é distribuída entre os diversos tributos.  ­ Demonstrativo de percentuais aplicáveis de receita bruta (e­fl.. 3989).  Mês/Ano  Receita Bruta Mensal  (Decl.) (R$)  Diferença Apurada  (R$)  Receita Bruta  Acumulada (R$)  %  Total  SIMPLES  01/2004  34.218,69  504.104,84  538.323,53  6,60  02/2004  33.824.45  429.457,30  1.001.605,28  8,20  03/2004  33.121,62  165.273,10    8,60  03/2004  0,00  312.667,45    10,32        1.512.867,45    04/2004  35.104,78  550.883,25  2.098.855,48  10,32  05/2004  34.828,92  673.538,14  2.807.222,54  10,32  06/2004  36.382,26  477.942,07  3.321.546,87  10,32  07/2004  36.812,33  979.057,94  4.337.417,14  10,32  08/2004  37.416,54  473.531,47  4.848.365,15  10,32  09/2004  38.128.47  305.730,64  5.192.224,26  10,32  10/2004  37.426,80  439.995,72  5.669.646,78  10,32  11/2004  38.248,62  260.972,83  5.968.868,23  10,32  12/2004  42.126,40  337.385,28  6.348.379,91  10,32    A  argumentação  trazida  pela  recorrente,  aspectos  de  constitucionalidade  e  legalidade quanto à base de cálculo e alíquotas do PIS e COFINS, está prejudica, pois não se  aplica ao Simples Federal; aplica­se a outras formas de tributação, que não é o caso.  Fl. 4333DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.334          37 Destarte, improcedentes as alegações dos recorrentes, pois não são aplicáveis  ao lançamento do Simples Federal.  ICMS. BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS:  Neste tópico, a contribuinte alegou que o fisco não teria subtraído da base de  cálculo da Cofins e do PIS a parcela do ICMS.  Primeiro, as ME e as EPP optantes pelo Simples Federal não apropriam nem  transferem créditos relativos ao ICMS abrangido pelo Simples Federal.  Além disso, quanto às infrações imputadas:  a) omissão de  receitas da atividade  ­  receitas não escrituradas  (notas  fiscais  "calçadas").  Em  relação  ao  valor  omitido  das  vendas,  não  há  nota  fiscal  emitida  pela  contribuinte. Logo, não houve destaque, nem pagamento do ICMS sobre a omissão de receitas.  Configura um contra­senso essa pretensão da contribuinte.  b) omissão de receitas ­ depósitos bancários não escriturados e de origem não  comprovada.  Aqui,  também,  não  há  nota  fiscal  emitida.  Logo,  não  houve  destaque,  nem  pagamento do ICMS sobre a omissão de receitas. Configura um contra­senso essa pretensão da  contribuinte.  MULTAS DE OFÍCIO APLICADAS  Os recorrentes alegam caráter confiscatório das multas aplicadas:  a)  de  150%  (multa  qualificada)  acerca  da  infração  omissão  de  receitas  da  atividade­  receitas não  escrituradas  (Nota Fiscal  "Calçada"),  prova direta;  que  referida multa  seja  redimensionada,  reduzida  para  20%  de  conformidade  com  o  art.  61,  §  2°,  da  Lei  n.  9.430/96, retificando­se o auto de infração lavrado; que a multa há de ser reduzida uma vez que  não houve qualquer prática de conduta por meio de fraude;  b)  de  75%  para  as  demais  infrações  imputadas,  pleiteando  a  redução  para  20%.  Não tem guarida a pretensão dos recorrentes.  Quanto à multa qualificada de 150%:  O dolo de sonegação fiscal é patente.  A  fiscalização  intimou  a  contribuinte  a  apresentar  todas  as  notas  fiscais  referentes  a  vendas  de  produtos  e/ou  prestação  de  serviços  quanto  ao  ano­calendário  2004,  constatando a não apresentação de  todas  as notas,  faltando mais de uma centena,  que  foram  relacionadas e novamente intimada para se pronunciar.  A impugnante não apresentou as notas fiscais, informando que todas as notas  de saída foram entregues à fiscalização.  Não obstante  esse  fato,  o  fisco diligenciou 7  (sete) clientes da  impugnante,  sendo  possível  confrontar  os  valores  escriturados  das  notas  fiscais  emitidas  pela  fiscalizada  Fl. 4334DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.335          38 (livro registro de saídas de fls. 148/316) com os valores das notas fiscais obtidas das empresas  diligenciadas.   O  procedimento  de  apuração  das  discrepâncias,  entre  as  notas  fiscais  escrituradas  pela  contribuinte  e  seus  clientes,  foi  discriminado  em  vários  demonstrativos  (fls.3.635 a 3.728) que apontam, de forma analítica e consolidada, cerca de 800 notas fiscais e  mais de R$ l milhão em omissão de receitas decorrentes de nota fiscal "calçada”.  Referida apuração foi realizada mensalmente, no “Demonstrativo de Omissão  de  Valores  (Notas  Fiscais  Calçadas)  por  Cliente/Comprador;  no  “Demonstrativo  Mensal  Analítico  de  Omissão  de  Rendimentos  (Nota  Fiscal  Calçada)”;  “Demonstrativo  Mensal  Consolidado  de  Omissão  de  Rendimentos  (Notas  Fiscais  Calçadas);  “Demonstrativo  de  Apuraçao de Valores Tributáveis”.  Portanto,  restou  demonstrada  pela  fiscalização  a  conduta  dolosa  quanto  à  infração omissão de receitas da atividade ­ receitas não escrituradas (nota fiscal calçada).  Pretensão descabida de redução para 20% para as multas aplicadas.  No  caso,  a  multa  de  ofício  foi  aplicada  em  atividade  de  fiscalização  repressiva.  A contribuinte perdeu a  espontaneidade para excluir  a  responsabilidade por  infração tributária quanto a fatos até então ocorridos, a partir da ciência do termo de início de  fiscalização.  A multa de 20% (multa de mora), suscitada pela recorrente, aplica­se apenas  para pagamento espontâneo de débitos vencidos e não pagos até a data de vencimento, e desde  que o pagamento ocorra antes da ciência de início de procedimento de fiscalização, que não é o  caso, pois trata­se de lançamento de ofício em atividade repressiva de fiscalização.  Ademais, não compete ao Órgão de Julgamento administrativo conhecer, no  mérito, de pretensa inconstitucionalidade de lei vigente ou afastar ou afastar sua aplicação, sob  pena de responsabilidade funcional dos seus membros. Matéria sumulada pelo CARF.  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Também a multa de 2% prevista no Código de Defesa do Consumidor, bem  como a prevista no Código Civil Brasileiro, não se aplicam a relações de natureza tributária,  conforme verbete da Súmula CARF nº 51, in verbis:  Súmula CARF nº 51: As multas previstas no Código de Defesa  do  Consumidor  não  se  aplicam  às  relações  de  natureza  tributária.  Por  conseguinte,  deve  ser  mantida  a  multa  qualificada  quanto  à  infração  omissão de receitas da atividade ­ receitas não escrituradas (nota fiscal "calçada") e a multa de  75% sobre a  infração omissão de receitas  ­ depósitos bancários não escriturados e de origem  não comprovada e para a infração insuficiência de recolhimento (infração reflexa).  JUROS DE MORA ­ TAXA SELIC:  Fl. 4335DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.336          39 Requer a  recorrente, outrossim,  seja  reconhecida a  inaplicabilidade da Taxa  SELIC na cobrança de tributos.  A matéria é pacífica nos Tribunais e neste CARF pela aplicabilidade da Taxa  SELIC na cobrança de tributos federais, inclusive, está sumulada.  Transcrevo os verbetes das Súmulas:  Súmula  CARFnº  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo  quando  existir  depósito  no  montante integral.  Portanto,  deve­se manter  a  aplicação  da Taxa SELIC,  como  sucedâneo  dos  juros de mora, na cobrança dos tributos federais, nos pagamentos intempestivos.  JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO:  Alegam  os  recorrentes que não há previsão legal de  incidência de juros  de mora (taxa Selic) sobre a multa de ofício.  Argumento dos recorrentes não merece prosperar.  O crédito tributário comporta o tributo e a penalidade pecuniária.  Assim, os juros de mora (taxa Selic) incidem sobre o crédito tributário que é  composto pelo montante do tributo devido e da penalidade pecuniária.   Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem  sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplica­ se ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a  cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo.  A  fluência  dos  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício  durante  o  curso  do  processo administrativo  fiscal não  representa afronta ao art. 161 do CTN,  eis que  no  próprio CTN o termo "crédito tributário" não é utilizado somente para se referir à obrigação  tributária principal. Conforme se depreende da leitura do art. 142 e do art. 113 do CTN.  Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao  tributo  são  aplicáveis  os  mesmos  procedimentos  e  critérios  de  cobrança.  E  não  poderia  ser  diferente, porquanto ambos compõem o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros  no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa perma­ necer congelado no tempo.  Mantém­se a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício.  SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS:  Fl. 4336DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.337          40 A  fiscalização  lavrou  Termos  de  Sujeição  Passiva  Solidária  em  face  dos  sócios da autuada, imputando responsabilidade solidária prescrita no art. 124, I, do CTN.  Os  recorrentes  alegam  inexistência  de  qualquer  prova  nos  autos  para  justificar a  inclusão como responsáveis solidários, por força do disposto no art. 124,  inciso I,  do Código Tributário Nacional; que não há qualquer ato e prova demonstrando claramente a  configuração  dos  requisitos  legais  a  fim  de  justificar  tal  imposição,  reveIando,  assim,  verdadeiro ato ilegal e de arbitrariedade flagrante.  O  fato  jurídico  suficiente  à  constituição  da  solidariedade  não  é  o  mero  interesse de fato, mas o interesse jurídico que surge ai partir da exigência de direitos e deveres  comuns entre pessoas situadas do mesmo lado de uma relação jurídica privada que 'constitua o  fato  jurídico  tributárío”;  que  “interesse  comum"  na  ocorrência  do  fato  gerador  demanda  basicamente  um  interesse  jurídico  e  não  meramente  fático,  econômico,  social,  além  de  necessitar que as pessoas partícipes do fato jurídico tributário não estejam em situação oposta  no ato, fato ou relação negocial, ou contrário, que se quedem em situação de comunhão.  Diversamente do alegado pelos  recorrentes,  a  sujeição passiva  solidária dos  sócios  da  autuada  Sr.Octávio  José  Pagnan  e  a  Sra.  Selene  Gonçalves  Pagnan  está  demonstrada e comprovada pelo fisco nos autos.  Nesse  sentido,  transcrevo  a  narrativa  dos  fatos  constante  do  Termo  de  Encerramento de Ação Fiscal, in verbis:  (...)  I I I . PROPRIETÁRIOS   4. A fiscalizada possui como sócios o Sr. Octávio Jose Pagnan,  CPF  019.988.398­00  (50%  do  capital  social)  e  a  Sra.  Selene  Gonçalves  Pagnan,  CPF  047.709.388­45  (50%  do  capital  social). O Sr. Octávio José Pagnan figura como responsável pela  fiscalizada.  (...)  VI.  DILIGÊNCIAS  EFETUADAS  JUNTO  AOS  CLIENTES/COMPRADORES   20.  Paralelamente  a  análise  das  informações  financeiras/bancárias  da  fiscalizada,  a  fiscalização  buscou  também  coletar  informações,  por  amostragem,  de  alguns  dos  CLIENTES/COMPRADORES  da  fiscalizada.  A.  obtenção  de  informações  junto aos clientes  tinha a  intenção de  identificar a  ocorrência  de  outras  práticas  de  sonegação  que  viessem  a  provar  e/ou  tornar  mais  objetiva  e  contundente  à  prática  de  sonegação da fiscalizada.  21. Pelo  fato da  fiscalizada atuar principalmente  no  ramo de  venda  atacadista  (cooperativas  e  supermercados)  optou­se  por  selecionar,  por  amostragem,  alguns  de  seus  clientes  e  proceder  a  auditorias  de  suas Vendas  buscando  indícios  da  prática  de  sonegação  e,  mais  especificamente,  omissão  de  Fl. 4337DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.338          41 rendimentos  praticados  conjuntamente  com  a  prática  de  crimes  contra a ordem  tributária,  conforme preceituada na  lei 8.137/90.  (...)  22. Em virtude disso  foram selecionados alguns dos clientes da  fiscalizada e estes foram intimados a apresentar cópias do Livro  Razão, Notas Fiscais e Comprovantes de Pagamento referentes a  compras efetuadas da fiscalizada no período sob fiscalização.  23.  Cabe  informar  que  a  fiscalizada  declarou,  conforme  Livro  Registro  de  Saídas  (fls.  148/316),  ter  efetuado  vendas  no  valor  total de R$ 799.822,91 no ano­calendário sob fiscalização.  Entretanto, declarou e pagou seu tributo a RFB, conforme DIPJ  (Declaração  Simplificada  de  Pessoa  Juridica  ­  Simples/ND  no  9305139)  ter  efetuado  vendas  no  valor  total  de  R$  437.639,88  (fls.  12/29).  Por  esta  simples  análise  já  se  constatou  haver  omissão  de  rendimentos  entre  o  valor  declarado  e  o  valor  escriturado.  DILIGÊNCIAS  24.  A  empresa  SUPER  HOLDING  GIMENES  LTDA,  CNPJ  71.323.380/0001­43,  foi regularmente  intimada a apresentar as  cópias  das  páginas  do  Livro  Razão,  Notas  Fiscais  e  Comprovantes  de  Pagamentos  referentes  aos  lançamentos  de  COMPRAS efetuadas da fiscalizada no ano­calendário de 2004.  Em resposta as intimações a empresa apresentou documentação  comprobatória de compras para a fiscalizada no ano­calendário  de  2004  que  totalizaram  R$  233.897,60  (fls.  683/699  e  754/1655).  25.  A  empresa  COOPERATIVA  DOS  CAFEICULTORES  E  CITRICULTORES DE SÃO PAULO, CNPJ 45.236.791/0001­91,  foi regularmente intimada a apresentar as cópias das páginas do  Livro  Razão,  Notas  Fiscais  e  Comprovantes  de  Pagamentos  referentes  aos  lançamentos  de  COMPRAS  efetuadas  da  fiscalizada  no  ano­calendário  de  2004.  Em  resposta  as  intimações a empresa apresentou documentação comprobatória  de  compras  para  a  fiscalizada  no  ano­calendário  de  2004  que  totalizaram R$ 688.725,87 (fls. 700/717 e 1656/3011).  26.  A  empresa  COOPERATIVA  AGROPECUARIA  DO  SUDOESTE  MINEIRO  LTDA,  CNPJ  23.272.263/0001­55,  foi  regularmente  intimada  a  apresentar  as  cópias  das  páginas  do  Livro  Razão,  Notas  Fiscais  e  Comprovantes  de  Pagamentos  referentes  aos  lançamentos  de  COMPRAS  efetuadas  da  fiscalizada  no  ano­calendário  de  2004.  Em  resposta  as  intimações a empresa apresentou documentação comprobatória  de  compras  para  a  fiscalizada  no  ano­calendário  de  2004  que  totalizaram R$ 10.157,15 (fls. 718/722 e 3012/3061).  27.  A.  empresa  SUPERMERCADOS  PALOMAX  LTDA,  CNPJ  61.256.335/0001­60,  foi regularmente  intimada a apresentar as  Fl. 4338DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.339          42 Cópias  das  páginas  do  Livro  Razão,  Notas  Fiscais  e  Comprovantes  de  Pagamentos  referentes  aos  lançamentos  de  COMPRAS efetuadas da fiscalizada no ano­calendário de 2004.  Em resposta as intimações a empresa apresentou documentação  comprobatória de compras para a fiscalizada no ano­calendário  de  2004  que  totalizaram  R$  12.171,27  (fls.  723/729  e  3062/3142).  28.  A  empresa  LUIZ  TONIN  E  CIA  LTDA,  CNPJ  24.896.425/OOO1­99, foi regularmente intimada a apresentar as  cópias  das  páginas  do  Livro  Razão,  Notas  Fiscais  e  Comprovantes  de  Pagamentos  referentes  aos  lançamentos  de  COMPRAS efetuadas da fiscalizada no ano­Calendário de 2004.  Em  resposta  as  intimações  a  empresa  apresentou  documentação comprobatória de compras para a fiscalizada no  ano­calendário  de  2004  que  totalizaram  R$  236.577,25  (fls.  730/743 e 3143/3396).  29. A empresa IRMÃOS TONIN LTDA, CNPJ 17.949.231/0001­ 49,  foi  regularmente  intimada  a  apresentar  as  cópias  das  paginas  do  Livro  Razão,  Notas  Fiscais  e  Comprovantes  de  Pagamentos referentes aos lançamentos de COMPRAS efetuadas  da  fiscalizada  no  ano­calendário  de  2004.  Em  resposta  as  intimações a empresa apresentou documentação comprobatória  de  compras  para  a  fiscalizada  no  anocalendário  de  2004  que  totalizaram R$ 32.970,01 (fls. 744/748 e 3397/3451).  30.  A  empresa  SUPERMERCADO  CARNEIRO,  CNPJ  55.322.150/0001­O3, foi regularmente intimada a apresentar as  cópias  das  páginas  do  Livro  Razão,  Notas  Fiscais  e  Comprovantes  de  Pagamentos  referentes  aos  lançamentos  de  COMPRAS efetuadas da fiscalizada no ano­calendário de 2004.  Em resposta as intimações a empresa apresentou documentação  comprobatória de compras para a fiscalizada no ano­calendário  de  2004  que  totalizaram  R$  60.928,86  (fls.  749/753  e  3452/3559).  31. Como resultado da diligência, por amostragem, dos clientes  da fiscalizada apurou­se o total de vendas/saidas no valor de R$  1.275.428,01: Constata­se,  desta  forma,  que  o  valor apurado é  superior ao Valor declarado pela fiscalizada (R$ 437.639,88).  32.  Cabe  ressaltar  que  pelo  fato  da  fiscalizada  tratar­se  de  Vendedora Atacadista,  não  é  possível  diligenciar  todos  os  seus  clientes, mas somente a partir desta amostragem (07 clientes) foi  possivel observar que existe grande probabilidade da fiscalizada  estar omitindo valores superiores aos apurados, fato este que foi  constatado na operação de Omissão de Rendimentos ­ Depósitos  Bancários, acima relatada.  33. Neste ponto e importante frisar que a fiscalizada utilizou­se  do  subterfúgio  chamado “nota  fiscal  calçada” para  fraudar  a  fiscalização tributária. Abaixo segue narrativa do procedimento  utilizado  por  esta  fiscalização  para  apuração  deste  crime  em  tese.  Fl. 4339DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.340          43 VII.  APURAÇÃO  DA  OCORRÊNCIA  DE  “NOTA  FISCAL  CALÇADA”   34. No dia 31/10/2007 a fiscalizada foi intimada (fls.377/378) a  apresentar  TODAS  as  Notas  Fiscais  referentes  à  venda  de  produtos e/ou prestação de serviços do ano sob fiscalização. Em  resposta  ao  Termo  a  fiscalizada  apresentou  documento  (fls.379/381)  onde  informou  estar  apresentando  todas  as Notas  Fiscais solicitadas.  35.  Entretanto,  após  análise  desta  fiscalização  foi  constatado  que  a  fiscalizada  não havia  apresentado TODAS as  suas  notas  fiscais  relativas  a  vendas  efetuadas  no  ano  calendário  sob  fiscalização. Para ser mais exato, havia mais de uma centena de  notas fiscais que não haviam sido apresentadas.  36.  Em  decorrência  deste  fato  esta  fiscalização  teve  que  organizar,  separar  e  identificar,  uma  a  uma,  todas  as  notas  fiscais  entregues  pela  fiscalizada.  Após  o  árduo  trabalho  de  identificação  individual  das  notas,  todas  as  notas  fiscais  faltantes foram relacionadas no termo abaixo mencionado sendo  a fiscalizada intimada a se pronunciar.  37. Desta forma foi emitido o Termo de Intimação e Constatação  Fiscal  MK6  (fls.  393/396)  onde  foi  solicitada  à  fiscalizada  apresentar todas as notas fiscais faltantes.  Transcorrido  o  prazo  a  fiscalizada  não  apresentou  a  documentação solicitada e tampouco qualquer outra explicação,  sendo desta forma emitido Termo de Reintimação e Constatação  Fiscal MK7 (fls. 397/402) onde as notas  fiscais  faltantes  foram  novamente solicitadas.  38.  Em  atendimento  a  reintimação  a  fiscalizada  solicitou  prorrogação  de  15  dias  para  entrega  da  documentação  solicitada.  Transcorrido  o  prazo  solicitado  a  mesma  somente  apresentou  documento  informando  que  “...todas  as  notas  fiscais  de  saída  foram  entregues  a  fiscalização...”(fls.  403/405).  Ou  seja,  a  fiscalizada  furtou­se  de  entregar  as  notas  fiscais  faltantes  e  infringiu  não  somente  a  legislação  tributária  como  também  incorreu em crime, em tese, contra a ordem tributária.  (...)  39. Não obstante este fato, foi possível efetuar todas as análises  necessárias  para  configurar  a  prática  de  ilícito  tributário  pela  fiscalizada, pois esta fiscalização já estava de posse dos demais  livros fiscais/contábeis da fiscalizada. Através do Livro Registro  de  Saídas  (fls.  148/316)  foi  possível  verificar  os  valores  escriturados  nas  notas  fiscais  emitidas  pela  fiscalizada  e  cotejar/confrontar  estes  valores  com  as  notas  fiscais  obtidas  junto  às  empresas  diligenciadas. Desta  forma  ficou  claramente  configurada  a  prática  de  “nota  fiscal  calçada”  e  conseqüente  configuração, em tese, de crime contra a ordem tributária.  Fl. 4340DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.341          44 (...)  40. Cabe informar que os valores mencionados nos tópicos  VI  e  VII,  referentes  à  apuração  de  omissão  de  receitas  provenientes  de  “notas  fiscais  calçadas”  foram  discriminados  e  apurados  mensalmente,  conforme  determina a legislação, no “Demonstrativo de Omissão de  Valores (Notas Fiscais Calçadas) por Cliente/Comprador”  (fls.  3675/3728),  no  “Demonstrativo  Mensal  Analítico  de  Omissão  de  Rendimentos  (Nota  Fiscal  Calçada)”  (fls.  3636/3674),  “Demonstrativo  Mensal  Consolidado  de  Omissão  de  Rendimentos  (Notas  Fiscais  Calçadas)”  (fl.  3635)  e,  tambem,  no  Demonstrativo  de  Apuração  de'Valores Tributáveis (fls. 3776).  VIII. INFRAÇÕES APURADAS   41.  As  infrações  apuradas  durante  a  fiscalização  foram  OMISSÕES  DE  RECEITAS  provenientes  de  RECEITAS  NÃO  ESCRITURADAS  (COM  OCORRÊNCIA.  DE  “NOTAS  CALÇADAS”),  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  NÃO  ESCRITURADOS  e,  reflexamente,  INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO,  cujos  respectivos  enquadramentos  legais  e  memórias  de  Cálculo  encontram­se  neste  termo  de  encerramento,  nos  autos  de  infrações  e  demonstrativos  de  apurações constantes deste processo.  (...)  XII  ­  RESPONSABILIDADE  SOL1DÁR1A  (TERMO  DE  SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA)   (...)  45. Durante a  fiscalizaçÃo  ficou demonstrado que os sócios da  empresa, procuraram de forma dolosa, impedir o conhecimento ­  por  parte  da  autoridade  fazendária  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  principal.  Para  tanto,  furtaram­se  de  apresentar todas as suas notas fiscais, documento obrigatório a  ser  entregue  a  fiscalização,  apresentando  somente  as  Notas  Fiscais  que  haviam  sido  emitidas  sem  o  subterfúgio  do  “calçamento”  da  nota.  E,  não  obstante  este  fato,  após  análise  dos livros fiscais/contábeis da fiscalizada constatou­se, conforme  descrito  acima,  que  a  mesma  “calçou”  suas  notas  fiscais  demonstrando  claro  interesse  em  fraudar  a  administração  tributária.  46. Conclui­se,  portanto,  que os  sócios da OKTA ALIMENTOS  LTDA., Sr. Octavio José Pagnan, CPF 019.988.398­00 e a Sra.  Selene  Gonçalves  Pagnan,  CPF  047.709.388­45,  tiveram.  interesse  comum  (fato  econômico/lucro)  nas  situações  que  constituíram  os  fatos  geradores  das  obrigações  tributárias  tratadas  no  presente  termo,  sendo,  portanto,  solidariamente  obrigados ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, de  acordo com os artigos 121 e 124, inciso I, do CTN.  Fl. 4341DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.342          45 (...)  SUJEIÇÃO  PASSIVA  SOLIDÁRIA.  Art.  124,  I,  do  CTN.  As  pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o  fato  gerador`  da  obrigação  principal  são  solidariamente  obrigadas  em  relação  ao  crédito  tributário,  pois  os  atos  da  empresa  são  sempre  praticados  através  da  vontade  de  seus  dirigentes formais ou informais, posto que todos ganham com o  fato econômico.  (...)  O valor  tributável das infrações  imputadas do ano­calendário 2004 perfaz o  montante de R$ 5.910.740,03, assim especificado:  AC  2004  A  B  C  D  E    VALOR  TRIBUTÁVEL  APURADO   RECEITA  DECLARADA  (DIPJ)  RECEITAS  TRIBUTÁVEIS  APURADAS  (A­B)  OMISSÃO DE  RENDIMENTO  "NOTAS  CALÇADAS"   OMISSÃO DE RENDIMENTO  "DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO  COMPROVADO" (C­D)   TOTAL  R$ 6.348.379,91  R$ 437.639,88  R$ 5.910.740,03  R$ 1.000.112,32  R$4.910.627,71      No ano­calendário 2004, ambos os sócios Sr. Octávio José Pagnan e a Sra.  Selene  Gonçalves  Pagnan  tinham  poder  de  gestão,  administração  da  sociedade,  conforme  Cláusula Quinta da Nona Alteração do Contrato Social, de 10/12/2003 (e­fls.53/56), in verbis:  (...)  CLAUSULA  QUINTA  ­  DA  ADMINISTRAÇÃO  E  USO  DO  NOME COMERCIAL   A  administração  e  gestão  dos  negócios  será  exercida  pelos  sócios  OCTÁVIO  JOSÉ  PAGNAN  o  SELENE  GONÇALVES  PAGNAN,  que  se  incumbirão  de  todas  as  operações  e  representarão a sociedade, em conjunto e/ou isoladamente, com  poderes e atribuições de realizarem todas as consecuções de seu  objeto  social,  representando  a  sociedade  ativa  e  passivamente,  judicial e extra ­ judicialmente.  (...)  Assim,  está  demonstrado  o  interesse  jurídico  e  não  meramente  fático,  econômico,  social,  das  pessoas  partícipes  do  fato  jurídico  tributário,  no  caso  os  sócios  Sr.  Octávio José Pagnan e a Sra. Selene Gonçalves Pagnan.  Ademais,  ainda  adoto  a  fundamentação  do  voto  condutor  da  decisão  recorrida, in verbis:  (...)  O  art.  124  do  CTN  prescreve  que  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  Fl. 4342DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.343          46 obrigação principal, são solidariamente obrigadas, situação esta  em que se inserem os sócios administradores de pessoa jurídica,  quanto  mais  quando  fica  claramente  configurada  a  prática  dolosa de emissão de “nota fiscal calçada” e não fornecimento  de documentos obrigatórios ao fisco.  A  própria  extrema  discrepância  entre  a  movimentação  financeira  da  impugnante  e  sua  receita  informada,  gerando  valor  tributável  quatorze  vezes  superior  ao  declarado,  já  demonstra  a  atividade  dolosa  dos  sócios  da  pessoa  jurídica  de  excluir  da  escrituração  e  tributação  a  quase  totalidade  da  receita, corroborando na caracterização do interesse comum dos  sócios e a pessoa jurídica.  Esta  conclusão,  como  traz  Autoridade  Fiscal,  está  respaldada  em  diversas  decisões  administrativas  proferidas  pelo  Conselho  de Contribuintes, conforme ementa abaixo transcrita:  Acórdão  203­12270  de  7/07/2007  SUJEIÇÃO  PASSIVA  SOLIDÁRIA.  Art.  124,  1,  do  CTN.  As  pessoas  que  tenham  interesse  comum na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal  são  solidariamente  obrigadas  em  relação  ao  crédito  tributário,  pais  os  atos  da  empresa  são  sempre  praticados  através  da  vontade  de  seus  dirigentes  formais  ou  informais,  posto  que  todos  ganham  com  o  fato  econômico.  Recurso provido em parte.  Entende­se  ainda  que  o  art.  124  pode  ser  perfeitamente  combinado  com  art.  135,  III  do  CTN,  que  responsabiliza  pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas  jurídicas  de  direito  privado  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados  com  infração de lei.   Argumenta  a  impugnante  que  caso  se  entenda  que  a  responsabilidade  solidária  decorra  da  imputação  à  pessoa  jurídica  da  responsabilidade  prevista  no  art.  l35,  III  do  CTN,  esta não é cabível, pois traz como requisitos que os atos tenham  sido  praticados  com  infração  a  lei,  ao  contrato  social  ou  com  excesso  de  poderes,  sendo  insuficiente  a  simples  existência  do  credito tributário e do inadimplemento da obrigação.  Complementa:  “nÃo  existe  nem  mesmo  inadimplemento  pela  pessoa  jurídica  da  qual  foi  sócia,  mas  de  terceira,  como  já  explicado”.  Novamente  parece  que  a  impugnante  desconhece  a  relação  de  solidariedade  objeto  do  lançamento,  pois  continua  a  tecer  argumentações em face de relação entre duas pessoas jurídicas  distintas,  entendendo  ser  solidariedade  em  face  da  sócia  da  contratante na relação comercial.  Ficou claramente demonstrada nos autos, como restou analisado  no  item  5  do  presente  voto  (conduta  dolosa  da  impugnante),  a  prática dolosa de emissão de notas calçada, situação que por si  só  já  prova  a  má­fé,  a  fraude,  o  dolo  na  conduta  dos  Fl. 4343DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.344          47 administradores  da  pessoa  jurídica,  que  aliada  às  discrepantes  movimentações  financeiras  não  contabilizas,  deixa  claro  o  enquadramento das condutas dos sócios administradores no art.  135, III do CTN.  Salienta­se  que,  conforme  entendimento  disposto  no  Parecer  PGFN/CRJ/CAT  n°  55/2009,  “a  responsabilidade  do  administrador  pode  ser  declarada  no  mesmo  auto  de  infração  que  lançar  o  crédito  tributário  em  face  da  pessoa  jurídica  contribuinte,  como  também  poderá  ser  declarado  em  auto  de  infração e em momento distintos, independentemente de ter o ato  ilícito  sido  praticado  no  mesmo  átimo  da  ocorrência  do  fato  jurídico  tributário  que  deu  origem  à  obrigação  tributária  principal;  a  responsabilidade  de  cada  administrador  pode  ser  declarada ao mesmo tempo e ato ou em tempos e atos distintos”.  Assim, a responsabilidade ou solidariedade tributária poderá ser  declarada,  inclusive,  na  fase  de  execução  fiscal,  dado  que  a  qualificação dos  responsáveis pelo crédito  tributário  é  inerente  aos  procedimentos  de  cobrança  e  execução  do  débito,  caracterizando­se  como  questão  subsidiária  no  julgamento  administrativo, cujo foco é a constituição do crédito tributário.  Por  fim,  entendo  caracterizada  a  solidariedade  passiva  dos  sócios da fiscalizada.  (...)  Deve ser mantida a sujeição passiva solidária dos citados sócios.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL­SIMPLES, PIS ­SIMPLES, COFIN­  SIMPLES E CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ­ INSS­SIMPLES.  Por  decorrerem  dos mesmos  elementos  de  fato,  a  decisão  prolatada  para  o  IRPJ­Simples aplica­se também aos tributos reflexos.  Por tudo que foi exposto, voto dar provimento parcial ao recurso voluntário:  a) para acolher a decadência para os fatos geradores dos períodos de apuração  junho e julho do ano­calendário 2004 pela aplicação do art. 150,§4º, do CTN, quanto à infração  omissão de receitas ­ depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada; e,  b)  não  conhecer  da  matéria  atinente  ao  sigilo  bancário,  em  face  da  concomitância  (processo  administrativo  e  judicial),  que  implicou  renúncia  da  autuada  à  discussão dessa matéria na órbita administrativa.    (assinado digitalmente)  Nelso Kichel    Fl. 4344DF CARF MF Processo nº 15956.000238/2009­60  Acórdão n.º 1301­003.031  S1­C3T1  Fl. 4.345          48     Voto Vencedor    Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Redatora Designada.    No que tange à responsabilidade tributária, entendeu o Colegiado que naquele  caso em que o lançamento se deu através da prova indireta, ou seja, mediante presunção legal,  nos termos do art. 42, da Lei 9.430/96, não há que se falar em responsabilidade solidária.  Ora,  se  o  lançamento  foi  efetuado mediante  a  aplicação  da  presunção,  não  vejo como persistir a responsabilidade tributária, nos termos do art. 124, I e 135, III, do CTN,  já que não se verificou ou mesmo comprovou­se a atuação dessas pessoas na ocorrência do fato  gerador, já que a prova obtida fora a indireta.  Ademais, o próprio dolo, que qualifica a multa, nestes casos, foi afastada, ou  sequer foi aplicada nesses casos.  Assim,  há  de  se  afastar  a  responsabilidade  tributária  para  o  caso  em  que  a  base do lançamento foi a presunção legal.    (assinado digitalmente)  Amélia Wakako Morishita Yamamoto                Fl. 4345DF CARF MF

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Numero do processo: 10280.721089/2011-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados com documentação idônea que indique o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu.
Numero da decisão: 2002-000.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ

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2002­000.156  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  19 de junho de 2018  Matéria  IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.  Recorrente  ORLANDO DA GAMA RODRIGUES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2009  DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.  A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam  devidamente  comprovados  com  documentação  idônea  que  indique  o  nome,  endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do recurso, para, no mérito, negar­lhe provimento.  (assinado digitalmente)  Claudia  Cristina  Noira  Passos  da  Costa  Develly  Montez  ­  Presidente  e  Relatora    Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira  Passos  da  Costa  Develly  Montez,  Fábia Marcília  Ferreira  Campêlo,  Thiago  Duca  Amoni  e  Virgílio Cansino Gil.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 10 89 /2 01 1- 67 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10280.721089/2011­67  Acórdão n.º 2002­000.156  S2­C0T2  Fl. 67          2   Relatório  Trata­se  de  lançamento  decorrente  de  procedimento  de  revisão  interna  da  Declaração de  Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF,  referente ao  exercício de 2010,  ano­ calendário  2009,  tendo  em  vista  a  apuração  de  dedução  indevida  de  despesas  médicas  (fls.17/18).  O contribuinte apresentou impugnação (fls.2/13), explicando que se submete  a tratamento odontológico especializado há vários anos, por ser portador de doença periodontal  grave, de caráter progressivo. Requer o restabelecimento das despesas glosadas.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte  (MG) deu parcial provimento à Impugnação (fls. 39/41), em decisão cuja ementa é a seguinte:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Exercício: 2010  DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.  Somente  são  admitidas  as  despesas  médicas  pleiteadas  com  a  observância da legislação tributária e que estejam devidamente  comprovadas nos autos.  Cientificado dessa decisão em 10/5/2016 (fl.46), o contribuinte interpôs, em  8/6/2016 (fl.48), seu Recurso Voluntário (fls. 48/63), onde relata seus problemas de saúde, de  forma a justificar os serviços médicos utilizados. Em relação à despesa não acatada pela DRJ,  informa  que  não  foi  possível  localizar  o  profissional  em  2011,  de  forma  a  sanar  a  falha  apontada no tocante à despesa ocorrida em 2009.   Processo  distribuído  para  julgamento  em  Turma  Extraordinária,  tendo  sido  observadas as disposições do artigo 23­B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de  2015, e suas alterações (fl.43).    É o relatório.  Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10280.721089/2011­67  Acórdão n.º 2002­000.156  S2­C0T2  Fl. 68          3   Voto             Conselheira  Claudia  Cristina  Noira  Passos  da  Costa  Develly  Montez  ­  Relatora      Admissibilidade  O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele  tomo conhecimento.    Mérito  O  litígio  recai  sobre  a  despesa  médica  informada  com  Marcos  Aurélio  Monteiro de Melo, no valor de R$15.000,00.  Na autuação, a autoridade fiscal consigna que o recibo apresentado estaria em  desacordo com a legislação de regência (fl. 18).  Em sua  impugnação, o  sujeito passivo  juntou, no  tocante  a  essa despesa,  o  recibo de fl.4.  A DRJ assim decidiu:  A  Lei  9.250/1995,  art.  8º,  II,  ‘a’,  §§  2º  e  3º,  dispõe  que  na  declaração  de  ajuste  anual,  poderão  ser  deduzidos  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  os  pagamentos  feitos,  no  ano­ calendário,  a  médicos,  dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como  as  despesas  provenientes  de  exames  laboratoriais  e  serviços  radiológicos,  restringindo­se  aos  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte  relativos  ao  seu  tratamento  e  ao  de  seus  dependentes.  A dedução fica condicionada ainda a que os pagamentos sejam  especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço  e  CPF  ou  CNPJ  de  quem  os  recebeu,  podendo,  na  falta  de  documentação,  ser  feita  indicação  de  cheque  nominativo  pelo  qual  foi  efetuado  o  pagamento,  não  se  aplicando  às  despesas  ressarcidas  por  entidade  de  qualquer  espécie  ou  cobertas  por  contrato de seguro.  Ante o exposto, examinando os recibos de fls. 3 a 6, verifica­se  que  foram  omitidos  os  endereços  dos  profissionais  Anália  Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10280.721089/2011­67  Acórdão n.º 2002­000.156  S2­C0T2  Fl. 69          4 Monteiro Leite (fls. 3 e 6), Djanira do Socorro Guimarães (fl. 5)  e Marco Aurélio Melo (fl. 4).  ...  Quanto  ao  profissional Marco  Aurélio  Melo,  a  falta  não  foi  sanada  e  nem  foram  apresentados  novos  elementos  de  prova  que permitissem o restabelecimento, pela autoridade julgadora,  da  glosa  lançada.  Assim,  mantém­se  a  exigência  de  imposto  suplementar no valor de R$ 4.125,00 (= R$ 15.000,00 x 27,5%,  glosa mantida vezes alíquota aplicável ao caso).  Em  seu  recurso,  o  contribuinte  informa  não  ter  sido  possível  localizar  o  profissional para emissão de laudo acerca do seu tratamento, juntando a mesma documentação  apresentada na impugnação.  Como consignado pela decisão de piso, o endereço do profissional é requisito  previsto na lei para aceitação do recibo pelo Fisco.  Deste  modo,  persistindo  a  falta  de  requisito  legal  do  documento  comprobatório da despesa, não há reparos a se fazer à decisão da DRJ.    Conclusão  Pelo  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso,  para,  no  mérito,  negar­lhe  provimento.    (assinado digitalmente)  Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez                                Fl. 69DF CARF MF

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