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Numero do processo: 10932.000172/2009-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2006 a 30/11/2006
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 72 /2 00 9- 62 Fl. 1190DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 10932.000172/200962 Acórdão n.º 2202004.379 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 1192DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 10932.000172/200962 Acórdão n.º 2202004.379 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 1194DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 10932.000172/200962 Acórdão n.º 2202004.379 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13887.720200/2016-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
Outros elementos de prova podem acompanhar o laudo pericial emitido por serviço médico oficial, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV.
Numero da decisão: 2001-000.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
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MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. Outros elementos de prova podem acompanhar o laudo pericial emitido por serviço médico oficial, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 7. 72 02 00 /2 01 6- 71 Fl. 63DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre doença grave. A DRJ recusou o laudo fundamentando que a interpretação da legislação é literal, nos seguintes termos: O laudo de fl. 6 afirma que o interessado é portador de espondiloartrose lombar, doença não incluída no rol das moléstias que asseguram a isenção dos proventos de aposentadoria. Ressaltese que o único método de hermenêutica jurídica permitido para a definição do verdadeiro sentido e alcance da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção é o literal (inciso II do art. 111 do CTN). Assim, o benefício invocado não pode ser estendido a quem não preencha rigorosamente as condições e requisitos exigidos para sua concessão, especificados em consonância com o art. 176 do CTN. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de discussão sobre doença grave. A DRJ recusou o laudo fundamentando que a interpretação da legislação é literal. O laudo fala em espondiloartrose lombar, e a legislação em espondiloartrose anquilosante. Tratase de doença de denominação um pouco imprecisa, havendo vários termos para expressar a mesma doença como se observa nesse texto do Manual da Perícias e Auditorias Médicas do Distrito Federal: Espondilite Anquilosante, inadequadamente denominada de espondiloartrose anquilosante nos textos legais, é uma doença inflamatória de etiologia desconhecida que afeta principalmente as articulações sacroilíacas, interapofisárias e costovertebrais, os discos intervertebrais e o tecido conjuntivo frouxo que circunda os corpos vertebrais, entre estes e os ligamentos da coluna. (...) Dentre as denominações comumente dadas à espondilite anquilosante podemos destacar as seguintes: espondilite (ou espondilose) rizomélica, doença de PierreMarieStrumpell, espondilite ossificante ligamentar, síndrome (ou doença) de Veu Bechterew, espondilite reumatóide, espondilite juvenil ou do Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13887.720200/201671 Acórdão n.º 2001000.541 S2C0T1 Fl. 3 3 adolescente, espondilartrite anquilopoiética, espondilite deformante, espondilite atrófica ligamentar, pelviespondilite anquilosante, apesar de a Escola Francesa utilizar a designação de pelviespondilite reumática. No nosso entender, a literalidade exigida para isenção se aplica a doença, no caso espondiloartrose. A adjetivação anquilosante pode acompanhar a qualificação, como lombar também pode, e, de maneira nenhuma, existe a indicação de que a espondiloartrose que o contribuinte apresenta, e estava em tratamento há 8 anos, não seja anquilosante. Cirurgia total de quadril em janeiro 2015, e o tratamento contínuo e longo indicam que o seja. Não vemos restrição que outros elementos complementem o laudo. Considerando caracterizada a doença prevista, entendemos que faz jus o contribuinte, pois o fundamento para a recusa fica superado. O contribuinte apresentou, com o recurso voluntário, outras argumentações e documentos relativamente a doenças graves. A neoplasia apontada pelo contribuinte ocorreu em 1983, podendo ser doença sujeita a controle periódico, não há documentos nos autos indicando a continuidade. As doenças cardíacas relatadas, também poderiam apontar ao direito de isenção. No entanto, tais doenças estão relatadas parcialmente, sem laudo oficial, e não são examinadas aqui, pois o fundamento desse voto está em que a recusa apresentada no acórdão de impugnação foi vencida. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002701/2005-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO
O Recurso Voluntário, nos termos da legislação vigente, deve ser apresentado no prazo de 30 dias, contados da data de recebimento da intimação da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A apresentação após transcorrido aquele prazo, impõe o não conhecimento do Recurso Voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF.
Numero da decisão: 1302-002.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO O Recurso Voluntário, nos termos da legislação vigente, deve ser apresentado no prazo de 30 dias, contados da data de recebimento da intimação da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A apresentação após transcorrido aquele prazo, impõe o não conhecimento do Recurso Voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO O Recurso Voluntário, nos termos da legislação vigente, deve ser apresentado no prazo de 30 dias, contados da data de recebimento da intimação da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A apresentação após transcorrido aquele prazo, impõe o não conhecimento do Recurso Voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 01 /2 00 5- 24 Fl. 256DF CARF MF 2 Relatório Tratase o presente processo administrativo de Auto de Infração lavrado em face do contribuinte, Unimarco Editora e Publicações Ltda., ora Recorrente, através do qual foram constituídos créditos tributários de IRPJ, PIS, Cofins e CSLL. No Auto de Infração foram apontada a manutenção, no passivo, de obrigações não comprovadas, a ensejar omissão de receitas, nos termos da legislação. No que tange ao processo de fiscalização, o relatório do acórdão assim consignou: No Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 132 a 135, integrante dos autos de infração, consignouse que o contribuinte foi intimado e reintimado a comprovar 0 valor informado na conta Fomecedores ein 2001 (R$1.620.779,16), tendo alegado que nesse montante estaria incluído o valor de R$1.608.773,43, que teria sido reclassificado para Adiantamento de Clientes, cujo saldo resultaria de lançamentos ocorridos antes de 01/01/2000. Todavia, a empresa fiscalizada não apresentou prova documental de suas afirmações. Acrescenta o autuante que, no demonstrativo apresentado pela empresa, referente ao Passivo existente em 31/12/2002 (fl. 59), o mesmo valor foi informado como Resultado de Exercícios Futuros Em Impugnação apresentada, o Recorrente alegou (i) a nulidade do lançamento, (ii) que autuação seria confiscatória (iii) a decadência do direito do fisco de lançar os créditos tributários e, no mérito, (iv) que a reclassificação da sua conta contábil estaria de acordo com as normas contábeis vigentes. Em análise à impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I (SP), entendeu por bem rejeitar as preliminares e, no mérito, julgar o lançamento como sendo procedente. O acórdão proferido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendario: 2001 PRELINIINAR. NULIDADE. LOCAL LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. A legislação tributária não exige que a formalização do lançamento seja efetuada no domicílio do contribuinte. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado autoridade competente, com a observância requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A análise quanto à observância do prazo para efetuar o lançamento deve tomar por base o período de apuração indicado na autuação, porquanto não evidenciado erro na determinação da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 19515.002701/200524 Acórdão n.º 1302002.911 S1C3T2 Fl. 257 3 A manutenção, no passivo, de obrigação cuja exigibilidade não for comprovada autoriza a presunção legal de omissão de receita. DECORRÊNCIA. A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, às exigências de CSLL, PIS e COFINS, por serem fundamentados nos mesmos elementos de prova. Lançamento Procedente Devidamente intimado do acórdão, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, repisando, em síntese, os argumentos lançados em sua impugnação administrativa. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator Como se depreende dos autos, o Recorrente foi intimado, via AR, nos termos do comprovante de fls. 243, no dia 24/11/2008, segundafeira, sendo o dia 24/12/2008 o último dia para o manejo do Recurso Voluntário, uma vez que não houve nenhum feriado que pudesse postergar a data limite para apresentação do apelo. Entretanto, nos termos do comprovante de fl. 249, o Recurso Voluntário só foi protocolizado no dia 06/01/2009, ou seja, após extrapolado o prazo de 30 dias estipulado pela legislação para apresentação do referido recurso. A intempestividade, inclusive, foi certificada pelo auditor da Receita Federal do Brasil, nos termos da informação fiscal acostadas aos autos (fl. 255). Como é sabido, o art. 33 do Decreto 70.235/72 determina que o contribuinte deverá apresentar Recurso Voluntário no prazo de 30 dias, contados do recebimento da intimação do acórdão proferido pela DRJ. Confirase a redação do dispositivo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Por outro lado, o Decreto 70.235/72, assim estipula a forma de contagem dos prazos no âmbito do contencioso administrativo fiscal: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 258DF CARF MF 4 No caso em apreço, é incontroverso que o Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário depois de transcorridos 30 dias, contados do recebimento da intimação do Acórdão proferido pela DRJ. Desta feita, o recurso não deve ser conhecido, uma vez que intempestivo, à luz do que determina os preceitos do citado artigo 33 do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720186/2009-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
DÉBITOS COMPENSADOS. MULTA DE MORA. COMPENSAÇÃO POSTERIOR AO LANÇAMENTO. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
Os débitos compensados sofrem a incidência dos acréscimos moratórios previstos em lei, ou seja, juros e multa, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Não se aplica o instituto da Denúncia Espontânea quando a compensação ocorre posteriormente ao lançamento em DCTF.
Numero da decisão: 1001-000.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 DÉBITOS COMPENSADOS. MULTA DE MORA. COMPENSAÇÃO POSTERIOR AO LANÇAMENTO. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Os débitos compensados sofrem a incidência dos acréscimos moratórios previstos em lei, ou seja, juros e multa, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Não se aplica o instituto da Denúncia Espontânea quando a compensação ocorre posteriormente ao lançamento em DCTF.
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MULTA DE MORA. COMPENSAÇÃO POSTERIOR AO LANÇAMENTO. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Os débitos compensados sofrem a incidência dos acréscimos moratórios previstos em lei, ou seja, juros e multa, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Não se aplica o instituto da Denúncia Espontânea quando a compensação ocorre posteriormente ao lançamento em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 01 86 /2 00 9- 13 Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10680.720186/200913 Acórdão n.º 1001000.568 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório O presente feito tratase de Recurso Voluntário (fls. 107 a 125) interposto contra o Acórdão nº 0232.952, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (fls. 88 a 97), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. O presente feito já foi submetido à análise prévia da 1ª Turma Ordinária/1ª Câmara/1ª Seção deste CARF, que determinou a baixa dos autos para realização de diligência por meio da Resolução nº 1101000.092 exarada em 11/09/2013. Neste esteio, por sua precisão na descrição dos fatos que conduziram o presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da resolução citada: " Tratase de Pedido de Restituição(PER) e Declaração de Compensação (DCOMP), mediante solicitação/utilização de pretenso “Saldo Negativo de IRPJ”, apurado no AC de 1999, no valor de R$ 76.491,77. Despacho Decisório da DRF 2. A análise dos documentos protocolizados pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº 775485196 anexado à fl. 66, exarado aos 18/07/2008, de onde se extrai: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: Parcelas de composição do crédito confirmadas...............R$ 76.491,77 Valor do Saldo Negativo de IRPJ disponível....................R$ 76.491,77 2.1 Confirmado o direito de crédito utilizado pelo contribuinte nas DCOMP’s em análise, a DRF conclui: O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: • HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 38674.55757.111105.1.3.020048. • NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP 39399.31647.161105.1.3.021000. • Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP:00297.69888.150903.1.8.021000. 3. Em síntese, a DRF validou a totalidade do crédito pleiteado pelo contribuinte no PER (Pedido de Restituição), contudo, apurou que tal crédito não é suficiente para homologar a totalidade das compensações declaradas nas DCOMP’s Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10680.720186/200913 Acórdão n.º 1001000.568 S1C0T1 Fl. 4 3 vinculadas, homologando parcialmente as compensações declaradas pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade 4. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 30/07/2008, conforme documento anexado à fl. 87 do processo; irresignado, apresenta em 22/08/2008 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 01 a 07, onde, em síntese, argumenta: 4.1 “No entendimento da defendente, como se tratava de compensação a partir de saldo negativo de IRPJ/1999, não seria – como continua não sendo – exigível a inclusão da multa de mora e acréscimos, quanto ao débito compensado, em função do benefício da denúncia espontânea, conforme preceitua o art. 138, do Código Tributário Nacional.” 4.2 Tece diversas considerações acerca da Denúncia Espontânea, invocando entendimento do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça. Esclarece que a DCTF e o PER/DCOMP foram entregues quase que simultaneamente, o que afasta a possibilidade de argüição quanto à impossibilidade de usufruir o benefício legal no caso em apreço. Ilustra com passagem de Geraldo Ataliba. 4.3 Por fim, salienta que “no caso em apreço, a Defendente promoveu compensação do débito com crédito próprio decorrente de saldo negativo de IRPJ. Não há qualquer razão palpável para se exigir a multa de 20% diante da inexistência de qualquer prejuízo experimentado pelo fisco, notadamente o insignificante interstício entre a data do vencimento do tributo e o pleito compensatório.” 5. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide (fl.86). A decisão recorrida negou provimento à manifestação de inconformidade do contribuinte ao argumento de que a denúncia espontânea conforme disposição do artigo 138 do CTN aplicase somente ao afastamento de eventual multa de ofício, não sendo aplicável para o afastamento de multa moratória, conforme abaixo: “A regra fixada nesse artigo aplicase à multa de caráter punitivo, aplicável pela prática de ilícito tributário, ou seja, aquela penalidade que, para ser exigida depende de lançamento pela autoridade fiscal. Por esse motivo é que o legislador ressalvou no parágrafo único desse artigo que o início de qualquer procedimento administrativo relacionado com a infração exclui a denúncia espontânea. (...)Assim sendo, o art. 138 do CTN não tem a dimensão pretendida pelo impugnante, ou seja, de eximilo do pagamento da multa de mora, incidente em face do atraso na extinção (pela compensação) da obrigação, independentemente da ordem desta extinção ou da confissão do débito apurado, desde que efetuados antes da ação do fisco.” Regularmente intimada a recorrente protocolou Recurso Voluntário tempestivo, repetindo os argumentos de seu Recurso Voluntário." Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10680.720186/200913 Acórdão n.º 1001000.568 S1C0T1 Fl. 5 4 Superando os argumentos jurídicos que levaram a DRJ de origem a indeferir a manifestação de inconformidade, a Turma encarregada pelo julgamento à época determinou a baixa dos autos em diligência para que a autoridade fiscal esclarecesse se os tributos compensados foram informados em DCTF antes da transmissão da Dcomp, bem como se houve algum procedimento fiscal de cobrança prévio. Cumprida a diligência, retorna o feito para julgamento por esta Turma. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O exame de admissibilidade do presente recurso já foi realizado por ocasião do julgamento anterior, tendo sido o mesmo conhecido. Sem maiores considerações, concordo com o exame e passo à analise do mérito. Conforme já narrado no relatório, a controvérsia cerne do presente contencioso é a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea, preceituado no art. 138 do CTN, para exonerar a multa de mora no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Tal questão já foi pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça em recurso repetitivo, de efeito vinculante no presente julgamento, conforme bem elucidou o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Relator do presente feito por ocasião do último julgamento. Por economia processual, peço vênia para transcrever suas conclusões: "A matéria ora discutida já foi objeto de decisão do Superior Tribunal de Justiça – STJ, na forma de recurso repetitivo, ao qual está adstrito o julgamento por este órgão colegiado, nos termos do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria MF nº 256/09 e alterações). No Recurso Especial nº 1.149.022SP (01/09/2010)1: “RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10680.720186/200913 Acórdão n.º 1001000.568 S1C0T1 Fl. 6 5 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificada antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Documento: 10649420 EMENTA/ ACORDÃO Site certificado DJe: 24/06/2010 Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (grifos não pertencem ao original) Do julgado retro transcrito depreendese que os pagamentos efetuados pelos contribuintes, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que em Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10680.720186/200913 Acórdão n.º 1001000.568 S1C0T1 Fl. 7 6 atraso, em mora, estão exonerados da multa moratória por alcançados pelo instituto da denúncia espontânea, desde que os referidos recolhimentos sejam efetuados antes de qualquer procedimento de ofício ou informação prestada em DCTF." Das conclusões extraídas acima, evidenciase que a matéria já foi decidida em caráter definitivo, tendo prevalecido o entendimento de que a denúncia espontânea alcança à multa de mora nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, desde que o recolhimento ocorra antes de qualquer procedimento de ofício ou informação prestada em DCTF. Destarte, vencida a questão de direito, para o acolhimento das pretensões da Recorrente ainda era necessário, por ocasião do julgamento supracitado, que restassem efetivamente comprovados que a quitação dos débitos, via compensação, tivessem ocorrido antes do lançamento informado em DCTF. Portanto, a ilustre Turma decidiu por determinar diligência à autoridade fiscal, nos seguintes termos: "No caso em concreto, a autoridade a quo prescinde dessa análise por entender que a denúncia espontânea exonera somente a multa punitiva. Desta forma, mister é para dirimir o litígio que os autos retornem à unidade de jurisdição da recorrente para que se verifique se os tributos indicados como débitos a serem compensados foram informados em DCTF, antes das compensações realizadas, ou se houve qualquer procedimento de ofício para exigilos. A autoridade fiscal designada ao cumprimento desta diligência deverá elaborar um Relatório Fiscal abordando o resultado das pesquisas efetuadas. A recorrente deve ser informada sobre o resultado das diligências, sendolhe facultado se manifestar em prazo regulamentar. Após os autos deverão retornar a este Conselheiro para pronunciamento da decisão." Procedida a diligência nos termos determinados, a autoridade fiscal apresentou resposta às fls. 150 a 151 dos autos, replico a parte final e suas conclusões: " (...) Os débitos de Pis e Cofins de março de 2005 se encontram confessados em DCTF desde 07/10/2005. A retificadora desta declaração não alterou estes débitos. Isto é, houve constituição dos débitos anteriormente à compensação efetivada em 11/11/2005. Os débitos de Pis e Cofins de junho de 2005 se encontram confessados desde 07/10/2005, em DCTF. A retificadora desta declaração não alterou estes débitos. Isto é, houve constituição dos débitos anteriormente à compensação efetivada em 11/11/2005. Já a situação do Pis de julho de 2005 é inversa, ou seja, a constituição em DCTF foi posterior (em 07/04/2006) à compensação efetivada em 16/11/2005. A retificação da DCTF não alterou esta situação. Em relação a estes débitos, não foi localizado qualquer lançamento, isto é, em relação a eles não houve qualquer procedimento de ofício. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10680.720186/200913 Acórdão n.º 1001000.568 S1C0T1 Fl. 8 7 Tela do SAPO (sistema de apoio operacional), anexada a este eprocesso mostra os cálculos da compensação. Verificase que o único débito que estaria sujeito a denúncia espontânea (Pis de julho de 2005 – único caso em que a DCTF foi apresentada depois da compensação) não chegou a ser atingido pela compensação, pois o crédito se esvaiu antes disto: (...)" Da analise da resposta da diligência, temse que, à exceção do PIS de Julho de 2005, todos os débitos foram lançados em DCTF antes da respectiva compensação, logo, não cumprem o prérequisitos necessário para a caracterização da espontaneidade necessária para se afastar a multa moratória, conforme já exposto anteriormente. Já quanto ao PIS do período de Julho de 2005, a diligência demonstrou que houve espontaneidade, contudo, faltou a necessária quitação do débito, vez que os créditos que a Recorrente possuía não foram suficientes para satisfazêlos, logo não há que se falar em aplicação do art. 138 do CTN quanto a este lançamento. Por derradeiro, resta comprovado que nenhum dos débitos fiscais ainda em litígio são passíveis de aplicação da denúncia espontânea, conforme pretendia a Recorrente, portanto, não devem seus argumentos serem acolhidos. Em face a todo o exposto, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, com a consequente manutenção in totum da decisão de origem. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 440DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.720647/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo CARF, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a saná-las.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. INCAPACIDADE FINANCEIRA PARA O PAGAMENTO. ALEGAÇÃO ESTRANHA À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo.
O julgador administrativo deve se ater à verificação da adequação do lançamento em relação a normas legais vigentes, não podendo considerar, em sua apreciação e convencimento, situações de cunho pessoal.
Numero da decisão: 2301-005.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301-003.230, de 22/11/2012, alterar o dispositivo para "Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanharam a votação por suas conclusões os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira". Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo CARF, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a saná-las. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. INCAPACIDADE FINANCEIRA PARA O PAGAMENTO. ALEGAÇÃO ESTRANHA À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. O julgador administrativo deve se ater à verificação da adequação do lançamento em relação a normas legais vigentes, não podendo considerar, em sua apreciação e convencimento, situações de cunho pessoal.
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo CARF, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a sanálas. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. INCAPACIDADE FINANCEIRA PARA O PAGAMENTO. ALEGAÇÃO ESTRANHA À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. O julgador administrativo deve se ater à verificação da adequação do lançamento em relação a normas legais vigentes, não podendo considerar, em sua apreciação e convencimento, situações de cunho pessoal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301003.230, de 22/11/2012, alterar o dispositivo para "Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanharam a votação por suas conclusões os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira". Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. João Bellini Júnior – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 06 47 /2 01 0- 56 Fl. 437DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela União, representada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), respeitantes ao acórdão 2301003.229, de 22 de novembro de 2012. Os embargos restaram admitidos em face de contradição entre o resultado do julgamento e os seus fundamentos no acórdão embargado, pelo qual restou provido o recurso voluntário, por unanimidade de votos, nos termos do voto do relator, que por sua vez orientou seu voto por negar provimento ao recurso voluntário, mas concluiu, no mérito, por dar provimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator. Penso que as razões expostas pelo relator são suficientemente claras para que se possa verificar que seu voto orientouse por negar provimento ao recurso voluntário. Transcrevoas: DA NULIDADE DO LANÇAMENTO 2. Afirma a recorrente que o ato administrativo analisado merece desconstituição, em virtude de sua ilegalidade, inclusive no que se refere à aplicação da multa de mora. 3. Cabe destacar que não lhe assiste razão nesse sentido, posto que o ato administrativo analisado se reveste de legalidade, não constando das razões da recorrente argumentos que pudessem sustentar fundamentadamente a ocorrência de qualquer espécie de maculação desse ato. 4. No que tange à multa de mora, salientese que há previsão legal para tal exigência como consta do art. 35 da Lei 8.212/91, como transcrevo a seguir: "Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009)." 5. Desse modo, na sequência, passo a analisar o mérito, pois constatase que houve a devida fundamentação legal do ato discutido. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10950.720647/201056 Acórdão n.º 2301005.358 S2C3T1 Fl. 3 3 DO MÉRITO 6. O lançamento em questão teve como origem o levantamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações efetivamente pagas aos segurados contribuintes individuais a serviço do sujeito passivo. 7. Em suas razões, a recorrente dispõe que a sua fonte de receita é insuficiente para atender às necessidades que são próprias do atendimento às populações carentes. 8. Ademais, assevera que a decisão recorrida não é bem clara, não somente em sua redação, como também na justificação dos fundamentos do auto de infração lavrado, em confronto com as razões da impugnação. 9. Diante disso, entendo que não lhe assiste razão, pois a legislação previdenciária trata da obrigação principal em questão, estabelecendose uma relação de obrigatoriedade e vinculação da atividade fiscal nessas situações. 10. Quanto à alegação relativa à condição financeira da recorrente, cabe salientar que essa qualidade caracterizase como de cunho pessoal, não sendo, portanto, objeto de formação da minha convicção. 11. No que se refere à questão atinente à clareza da decisão, observase que o Acórdão 0633.926 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA) foi suficientemente claro e determinou a exclusão de parte do crédito exigido, pois, segundo essa decisão, no que tange à competência julho de 2007, constatouse que no mês anterior ao término da fiscalização na entidade autuada, ocorreu a entrega de GFIP complementar pela Unimed Regional de Campo Mourão, onde foram informados os salários de contribuição constantes em documentos apresentados com a impugnação, os quais não haviam sido considerados pelo Auditor Fiscal para efeito do lançamento. 12. Assim, restou retificado o valor lançado na aludida competência, excluindose R$ 3.033,08 (três mil e trinta e três reais e oito centavos) do valor originário lançado. 13. Além disso, Conforme a Lei 8.212/91, dentre as obrigações da empresa, está a de arrecadar e recolher as contribuições ou outras importâncias devidas à Seguridade Social, como segue: "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: (... ) b) recolher os valores arrecadados na forma da alínea a deste inciso, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22 desta Fl. 439DF CARF MF 4 Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da competência; (...)." 14. Por atender a legislação previdenciária, e, em motivo de não vislumbrar razões da recorrente que pudessem afastar a pertinência do lançamento, entendo que são devidas as contribuições sociais previdenciárias.(Grifouse.) Conclusão Voto, portanto, por ACOLHER os embargos de declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301003.230, de 22/11/2012, alterar o dispositivo para “Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanharam a votação por suas conclusões os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira”. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 440DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.720011/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS.
As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns.
As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetem-se ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitam-se ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetam-se, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017).
RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO.
Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas.
A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros.
A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo.
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. DECLARAÇÕES. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Para utilização de créditos extemporâneos é necessário que reste configurada a não utilização de tais créditos em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes ou a apresentação de outra prova inequívoca nesse sentido.
INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações.
No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País.
INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não-cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS.
Numero da decisão: 3402-005.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes acompanharam a relatora pelas conclusões; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" ; (b) por maioria de votos para (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", ¿serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra. (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo". Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto; (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. Em primeira votação, reconhecido que os uniformes dos aeronautas se enquadram no conceito de insumo. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. Em segunda votação, por entender que abrange tanto o transporte aéreo de cargas como o transporte aéreo internacional de passageiros. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra que restringiam somente ao transporte aéreo de cargas. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; (c) pelo voto de qualidade, para manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz irá apresentar declaração de voto neste ponto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes acompanharam a relatora pelas conclusões; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" ; (b) por maioria de votos para (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", ¿serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra. (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo". Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto; (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. Em primeira votação, reconhecido que os uniformes dos aeronautas se enquadram no conceito de insumo. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. Em segunda votação, por entender que abrange tanto o transporte aéreo de cargas como o transporte aéreo internacional de passageiros. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra que restringiam somente ao transporte aéreo de cargas. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; (c) pelo voto de qualidade, para manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz irá apresentar declaração de voto neste ponto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetem-se ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitam-se ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetam-se, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017). RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas. A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros. A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. DECLARAÇÕES. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos é necessário que reste configurada a não utilização de tais créditos em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes ou a apresentação de outra prova inequívoca nesse sentido. INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações. No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não-cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS.
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RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017). RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas. A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”. A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 00 11 /2 01 2- 15 Fl. 1785DF CARF MF 2 restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. DECLARAÇÕES. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos é necessário que reste configurada a não utilização de tais créditos em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes ou a apresentação de outra prova inequívoca nesse sentido. INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações. No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402005.313 S3C4T2 Fl. 1.786 3 Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes acompanharam a relatora pelas conclusões; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" ; (b) por maioria de votos para (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", ¿serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra. (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo". Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto; (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. Em primeira votação, reconhecido que os uniformes dos aeronautas se enquadram no conceito de insumo. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. Em segunda votação, por entender que abrange tanto o transporte aéreo de cargas como o transporte aéreo internacional de passageiros. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra que restringiam somente ao transporte aéreo de cargas. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; (c) pelo voto de qualidade, para manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz irá apresentar declaração de voto neste ponto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora (assinado digitalmente) Fl. 1787DF CARF MF 4 Thais De Laurentiis Galkowicz Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte, mas manteve o indeferimento do PER e a não homologação das compensações vinculadas. Versa o processo sobre Pedido de Ressarcimento (PER) de nº 05657.67176.201211.1.1.091917 ao qual foram vinculadas as Declarações de Compensação (Dcomp´s) n°s 19285.46828.201211.1.3.095371 e 14221.11891.221211.1.3.096373. O ressarcimento solicitado é de créditos de Cofins não cumulativa, apurados do 1º trimestre de 2009 em relação a suas operações de transporte aéreo internacional no montante de R$21.505.948,37. No procedimento fiscal, em relação ao mesmo período de apuração, foram examinados três Pedidos de Restituição de pagamentos indevidos ou a maior, incluídos nos seguintes processos: 12585.720235/201219, 12585.720236/201263 e 12585.720237/201216. O pedido de ressarcimento foi indeferido e a compensação não foi homologada sob os seguintes fundamentos: A empresa possui receitas sujeitas ao regime cumulativo, obtidas com o transporte aéreo de passageiros, e receitas sujeitas ao regime não cumulativo, obtidas com as demais atividades, entre elas o transporte aéreo nacional e internacional de cargas, sujeitas, portanto, ao rateio previsto nos §§ 7°, 8° e 9° do artigo 3° das Leis n° 10.637/2002 (PIS/Pasep) e 10.833/2003 (Cofins). O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total para aplicação do rateio proporcional a ser utilizado na apuração de créditos do PIS/Cofins, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas cuja obtenção teve o envolvimento do consumo dos insumos sobre os quais são apurados os créditos, razão pela qual as receitas financeiras e as receitas provenientes da venda de bens do ativo permanente não devem ser consideradas no estabelecimento da relação percentual destinada a apropriação dos créditos. A receita à qual se encontram vinculados os créditos tratados no pedido é a receita do transporte aéreo internacional de cargas, incluída no inciso V do artigo 46 da IN nº 247/2002. As glosas a seguir referemse não apenas aos créditos apurados no 1º Trimestre de 2009, mas também aos créditos que, em decorrência da releitura das normas feita pelo contribuinte, foram apurados no período de janeiro de 2007 a março de 2008: • 9.1 Tarifas Aeroportuárias • 9.2 Combustível de Aviação Utilizado no Transporte Internacional • 9.3 Gastos com o Atendimento ao Passageiro • 9.4 Aquisição de Bens Patrimoniais • 9.5 Créditos Extemporâneos • 9.6 Gastos com Importação • 9.7 Gastos com a Estadia de Tripulantes • 9.8 Gastos com o Reparo de Equipamentos Utilizados na Manutenção • 9.9 Gastos não Diretamente Aplicados na Ativ. de Transp. Aéreo • 9.10 Créditos Apurados sobre Pagamentos. Efetuados a Pessoas Físicas • 9.11 Outros Gastos não Classificáveis como Insumo". A interessada apresentou manifestação de inconformidade aduzindo, em síntese: Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402005.313 S3C4T2 Fl. 1.787 5 1. A divergência no cálculo dos valores relativos à “Receita Bruta Total” apurada pela fiscalização e calculada pela contribuinte são as seguintes: possibilidade ou não de a “Receita Financeira” compor a “Receita Bruta Não Cumulativa” e a “Receita Bruta Total”; e a possibilidade ou não de a “Receita de Transporte Internacional de Passageiros” compor a “Receita Bruta Não Cumulativa” e a “Receita Bruta Total”. 2. A fiscalização desgarrouse dos ditames legais ao fixar critérios próprios para a identificação das receitas que devem compor a referida fórmula para cálculo do percentual aplicável aos custos, despesas e demais gastos comuns, base para a apropriação de créditos do PIS/Cofins. As receitas financeiras são inquestionavelmente pertencentes ao rol de receitas não cumulativas auferidas pelas pessoas jurídicas contribuintes do PIS/Cofins, de forma que foi correto o procedimento da recorrente de incluílas no cálculo das receitas brutas não cumulativas a que se refere o mencionado inciso II do §8° do art. 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, do mesmo modo que foi correta a sua inclusão no cálculo das receitas brutas totais a que também se refere o aludido dispositivo. 4. As receitas originárias do transporte nacional de passageiros estão incluídas no regime cumulativo do PIS/Cofins, mas, jamais, o internacional. 5. Os créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins não devem alinharse às definições de custo e despesas de que trata o RIR/99, mas devem atender aos requisitos de imprescindibilidade à própria obtenção do produto ou serviço prestado e, ainda, devem possuir um estrito relacionamento com os processos de fabricação, produção ou prestação de serviços do contribuinte. Contesta a recorrente em caráter específico todas as glosas. A Delegacia de Julgamento acatou parcialmente as razões de defesa da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: Somente podem ser considerados insumos os bens ou os serviços intrinsecamente vinculados à produção de bens, isto é, quando aplicados ou consumidos diretamente na etapa produtiva da empresa requerente do crédito. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional a ser utilizado na apuração de créditos das contribuições, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não cumulatividade e da cumulatividade. Assim, as receitas financeiras, por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento das contribuições, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total. Interessa a análise da espécie de receita citada na 1ª parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Da literalidade do texto, constatase que se trata de norma que alberga dois requisitos: permanecem na cumulatividade das contribuições determinadas receitas (“receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”) se auferidas por determinadas pessoas jurídicas (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”). É de se concluir, portanto, que as empresas devem operar linhas aéreas domésticas, o que equivale a exigir que tais empresas sejam brasileiras. O valor adicional de crédito deferido pela DRJ em face da reversão de algumas glosas não foi suficiente para deduzir toda a contribuição devida do período de apuração. A consequência do deferimento desse crédito adicional ocorrerá no respectivo processo de restituição de pagamento indevido, que terá o crédito deferido pela fiscalização aumentado exatamente no valor ora reconhecido Não consta nos autos a data em que a contribuinte foi cientificada, mas ela apresentou recurso voluntário em 01/07/2016, mediante o qual repisou os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescentou outros, sob os seguintes tópicos: Fl. 1789DF CARF MF 6 I Dos Fundamentos que Confirmam que as Receitas Financeiras pertencem às receitas brutas não cumulativas II Dos Fundamentos que Confirmam que as Receitas de Transporte Internacional de Passageiros Pertencem às Receitas Brutas Não Cumulativas III Do Regime não cumulativo das contribuições ao PIS e Cofins 1. Da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias 2. Da glosa relacionada aos combustíveis utilizados no transporte 3. Da glosa relacionada aos gastos ao atendimento ao passageiro 4. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais 5. Da glosa relacionada aos créditos extemporâneos 6. Da glosa relacionada aos gastos com importação 7. Da glosa relacionada aos gastos com estadia de tripulantes 8. Da glosa relacionada aos gastos com o reparo de equipamentos utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos 9. Da glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo 10. Da glosa relacionada aos gastos com pagamentos efetuados a pessoas físicas 11. Da glosa relacionada aos gastos não considerados insumos Bens de uso e consumo A Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, sustentando a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Nos termos do art. 26, §5º da Lei nº 9.784/99, a falta de intimação é considerada suprida pelo comparecimento do administrado. Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. I Rateio Proporcional Receitas Financeiras Como se sabe, os créditos das contribuições do PIS e da Cofins podem somente ser apropriados pela contribuinte em relação à receita bruta não cumulativa, sendo Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402005.313 S3C4T2 Fl. 1.788 7 que, na hipótese de a empresa auferir receitas nos dois regimes (cumulativo e não cumulativo), o crédito da contribuição deverá ser apurado em conformidade com o disposto nos arts. 3º, §§7º a 9º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins) e 10.637/2002 (PIS/Pasep): Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. [negritei] § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) No caso, a recorrente adota o método do rateio proporcional, sendo o crédito da contribuição determinado pela multiplicação do valor integral do crédito por um percentual obtido pela razão entre a receita bruta não cumulativa e a receita bruta total auferida pela empresa no mês. Sustenta a fiscalização que as receitas financeiras, por não serem relacionadas aos insumos sobre os quais são apurados os créditos, não deveriam ser consideradas no estabelecimento da relação percentual destinada à apropriação dos créditos. No entanto, as receitas financeiras integram, sim, a receita bruta não cumulativa, inclusive, posteriormente aos períodos de apuração sob análise, mediante o Decreto nº 8.426/2015, foram restabelecidas as alíquotas das contribuições de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições. Nessa linha também é a orientação da própria Cosit órgão central da Receita Federal na Solução de Consulta nº 387 Cosit, de 31 de agosto de 2017, assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE APURAÇÃO. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Fl. 1791DF CARF MF 8 Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833/2003, arts. 10 e 15, V. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (...) Ademais, como se vê nos §§8º dos arts. 3º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins) e 10.637/2002 (PIS/Pasep) não há qualquer ressalva a respeito das receitas sujeitas à alíquota zero das contribuições ou da necessidade de ter havido pagamento das contribuições para o cômputo nas receitas brutas. Temse como princípio fundamental da hermenêutica que onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir. A respeito do tema, Carlos Maximiliano afirmou que,"quando o texto dispõe de modo amplo, sem limitações evidentes, é dever do intérprete aplicálo a todos os casos particulares que se possam enquadrar na hipótese geral prevista explicitamente; não tente distinguir entre as circunstâncias da questão e as outras; cumpra a norma tal qual é, sem acrescentar condições novas, nem dispensar nenhuma das expressas" (in "Hermenêutica e Aplicação do Direito", 17ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 1998, p. 247). 1 Dessa forma, no cálculo do rateio proporcional entre a receita auferida sob o regime não cumulativo em relação ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, devem ser consideradas as receitas financeiras como integrantes dessas outras duas receitas, ainda que tributadas à alíquota zero nos períodos de apuração. Nesse mesmo sentido já decidiu este Colegiado, por unanimidade de votos, no Acórdão cuja ementa se transcreve abaixo, relativamente a consideração das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional das receitas de exportação não cumulativas: Processo nº 16366.000413/200689 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402004.312– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Maria Aparecida Martins de Paula ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. Caracterizada a omissão sobre ponto que deveria o Colegiado se pronunciar, ela deve ser suprida pelos embargos de declaração com a apreciação da correspondente alegação. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA TOTAL. O método de rateio proporcional utilizado na apuração dos créditos da Cofins vinculados à exportação consiste na aplicação, sobre o montante de custos, despesas e encargos vinculados comumente a receitas brutas não cumulativas do mercado interno e da exportação, da proporcionalidade existente entre a Receita Bruta da Exportação não cumulativa e a Receita Bruta Total no regime não Cumulativo. Não há permissivo legal para a exclusão de qualquer valor, inclusive receitas financeiras, da Receita Bruta da Exportação não Cumulativa ou da Receita Bruta Total no Regime não cumulativo. 1 STJ REsp: 853086 RS 2006/01380157, Relator: Ministra DENISE ARRUDA, Data de Julgamento: 25/11/2008, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: <! DTPB: 20090212<br> > DJe 12/02/2009. Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402005.313 S3C4T2 Fl. 1.789 9 Embargos acolhidos Também no Acórdão nº 3201002.235– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 22 de junho de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, foi assim decidido: (...) Exclusão das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional O terceiro tema é matéria recorrente neste Colegiado Administrativo. Diz com a exclusão, pela fiscalização, das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional, previsto no art. 3º, § 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. Essa mesma Turma de Julgamento já se posicionou a respeito, entendendo ilegal a exclusão, uma vez que, não falando a lei em receita bruta sujeita ao pagamento da Cofins, mas apenas em receita bruta sujeita à incidência não cumulativa, não caberia ao intérprete restringir o que a lei não restringiu. Eis a ementa da decisão: CRÉDITOS DE COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, §8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõese o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de COFINS não cumulativo. (CARF/3ª Seção/2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Acórdão n.º 3202000.597, de 28/11/2012). De conseguinte, as receitas financeiras devem, sim, ser consideradas no cálculo do rateio proporcional dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. (...) Assim, cabe reforma na decisão recorrida para que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total e efetuado o correspondente ressarcimento/compensação no montante adicional. II Receitas de Transporte Internacional de Passageiros A matéria controvertida neste tópico envolve a interpretação do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep2, que assim dispõe: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: 2 [Lei nº 10.833/2003] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Fl. 1793DF CARF MF 10 I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, e na Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária (...) VII as receitas decorrentes das operações: (...) XII as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros; (...) XVI as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, e as decorrentes da prestação de serviço de transporte de pessoas por empresas de táxi aéreo; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [negritei] (...) Sustenta a autoridade administrativa no item 5.2 do Despacho Decisório que: "O contribuinte, na qualidade de “empresa aérea regular de passageiros”, deve, no entanto, observar o disposto nos incisos XVI do art. 10° e V do art. 15º da Lei N° 10.833/2003, que manteve regime cumulativo as receitas do transporte aéreo de passageiros, tenham elas sido obtidas no mercado doméstico ou no mercado internacional". O julgador a quo, com esteio na Solução de Consulta Interna nº 12 Cosit, de 11 de junho de 2014, interpreta a questão da seguinte forma: No caso ora debatido, interessa a análise da espécie de receita citada na 1ª parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Da literalidade do texto, constatase que se trata de norma que alberga dois requisitos: permanecem na cumulatividade das contribuições determinadas receitas (“receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”) se auferidas por determinadas pessoas jurídicas (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”). O primeiro requisito exige apenas que tais receitas sejam decorrentes da “prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, sem qualquer condição adicional. Em consequência, tais receitas alcançam tanto as decorrentes de transporte doméstico quanto de transporte internacional de passageiros. Deveras, se o legislador não estabeleceu expressamente, nem implicitamente, diferenciação de tratamento entre as duas modalidades de transporte aéreo citadas, não cabe ao intérprete fazêlo. Se o legislador almejasse estabelecer essa distinção, teria feito de forma clara, como fez no art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, ao isentar das contribuições em tela apenas as receitas decorrentes do “transporte internacional de cargas ou passageiros”. Por outro lado, o segundo requisito estabelecido na primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, para aplicação da cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, versa sobre as pessoas jurídicas que devem auferir as receitas contempladas pela norma: segundo o texto legal, tais receitas devem ser auferidas por “empresas regulares de linhas aéreas domésticas”. É de se concluir, portanto, que as empresas devem operar linhas aéreas domésticas, o que equivale a exigir que tais empresas sejam brasileiras, uma vez que, pela legislação atual, apenas essas podem prestar serviços de transporte aéreo público doméstico. Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402005.313 S3C4T2 Fl. 1.790 11 Quanto à menção legal a “empresas regulares”, como condição a ser cumprida pela pessoa jurídica, é de se ressaltar que a legislação estabelece que a qualidade de regular ou não regular é vinculada à modalidade do transporte aéreo praticada não à pessoa jurídica prestadora. Daí porque imperioso concluir que, conquanto se refira a “empresas regulares”, o dispositivo legal em comento quis alcançar as empresas que operam linhas aéreas regulares. Afinal, é ilógica a interpretação de que a qualidade “regular” atribuída ao vocábulo “empresa” tenha objetivado restringir a permanência na cumulatividade das contribuições em estudo às receitas auferidas pela empresa que esteja em situação regular. Apesar da atecnia, o legislador pretendeu apenas estabelecer paralelismo redacional no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, referindose em sua primeira parte às “empresas regulares de linhas aéreas”, para versar sobre o transporte aéreo regular, e às “empresas de táxi aéreo”, para versar sobre o transporte aéreo não regular (conforme art. 220 do CBA, “os serviços de táxiaéreo constituem modalidade de transporte público aéreo não regular”). Diante do exposto, concluise que a primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, determina que permanecem sujeitas ao regime de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins as receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo aéreo de passageiros, nacional (doméstico) ou internacional, efetuado por empresa que opera linhas aéreas domésticas e regulares. Por tal razão, a pessoa jurídica que opera linhas aéreas domésticas regulares de transporte coletivo não pode apurar créditos previstos na legislação da apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins em relação a custos, despesas e encargos vinculados à prestação de serviços de transporte aéreo internacional de passageiros. [negritei] Como se vê, a estratégia hermenêutica utilizada pela DRJ foi a seguinte: separou a primeira parte do inciso em dois requisitos, quais sejam, “receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros” e “empresas regulares de linhas aéreas domésticas” e conectou as duas com o vocábulo "auferidas", no lugar do vocábulo original "efetuado" do dispositivo legal. Daí, interpretou os dois requisitos de forma independente para juntálos, ao final, com o vocábulo "auferidas". Ocorreu que os pressupostos adotados pelo intérprete da DRJ já direcionaram a interpretação no sentido desejado previamente. Em verdade, no esforço interpretativo, partiu se da hipótese de que os dois requisitos seriam independentes para concluir que eles realmente são independentes, como se depreende do seguinte trecho do Acórdão recorrido: "O primeiro requisito exige apenas que tais receitas sejam decorrentes da “prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, sem qualquer condição adicional. [negritei] Em consequência, tais receitas alcançam tanto as decorrentes de transporte doméstico quanto de transporte internacional de passageiros. (...)". Ora, não se pode separar a primeira parte do inciso em dois requisitos independentes quando eles estão interligados! Os "dois requisitos" estão justamente ligados no pelo vocábulo "efetuado", que concorda em gênero e número com o substantivo "serviço", certamente com a função de restringilo. O dispositivo de interesse poderia ser reescrito com o termo omitido na construção linguística da redação original na seguinte forma: Art. 10 (...) [Lei nº 10.833/2003] (...) XVI as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, [quando o serviço for] efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, (...); Fl. 1795DF CARF MF 12 Ademais, como dito no próprio acórdão recorrido, "a qualidade de regular ou não regular é vinculada à modalidade do transporte aéreo praticada não à pessoa jurídica prestadora", o que é mais um elemento que corrobora no sentido de que o "segundo requisito" (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”) consta na redação do dispositivo para restringir o alcance do termo "serviço de transporte coletivo de passageiros" constante no "primeiro requisito". Seria até um contrassenso entender, no fim das contas, que “empresas regulares de linhas aéreas domésticas” [negritei] limitaria somente a "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros” no que concerne à modalidade de transporte regular aéreo e não quanto ao percurso doméstico, também expressamente referido no dispositivo. Aliás, trata se de mais elemento que corrobora o quanto os dois "requisitos" separados pela DRJ são interdependentes. Segundo o entendimento da fiscalização e da DRJ, a recorrente teria sido alcançada quanto à exclusão do regime não cumulativo porque opera no transporte coletivo de passageiros em linhas aéreas regulares, sejam elas domésticas ou internacionais, o que se contrapõe à ideia expressa no dispositivo de restringir tanto a modalidade de transporte aéreo regular quanto o percurso doméstico (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas). Também não se coaduna com a boa regra hermenêutica substituir o vocábulo "efetuado", ligado por concordância com o substantivo "serviço", pela palavra "auferidas", que estaria relacionada ao termo "as receitas", como feito no acórdão recorrido. Oportuno, neste ponto, transcrever algumas lições de Carlos Maximiliano3: 114 O processo gramatical exige a posse dos seguintes requisitos: (...) 4) certeza da autenticidade do texto, tanto em conjunto como em cada uma das partes (1). (...) 116 Merecem especial menção alguns preceitos, orientadores da exegese literal: a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação puramente verbal resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase, em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem com idéia inserta no dispositivo" (1). (...) f) Presumese que a lei não contenha palavras supérfluas; devem todas ser entendidas como escritas adrede para influir no sentido da frase respectiva (6). (...) i) Pode haver, não simples impropriedade de termos, ou obscuridade de linguagem, mas também engando, lapso, na redação. Este não se presume: Precisa ser demonstrado claramente. Cumpre patentear, não só a exatidão, mas também a causa da mesma, a fim de ficar plenamente provado o erro, ou o simples descuido (9). (...) 3 MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2001, p. 88/227. Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402005.313 S3C4T2 Fl. 1.791 13 Commodissimum est, id accipi, quo res de qua agitur, magis valeat quam pereat: "Prefirase a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade" (3). 304 (...) (...) 343. Não pode o intérprete alimentar a pretensão de melhorar a lei com desobedecer às suas prescrições explícitas. (...) Pelo que se depreende da leitura da Lei nº 10.833/2003, como regra geral, todas as pessoas jurídicas estão sujeitas a não cumulatividade da Cofins e do PIS/Pasep, excepcionandose dessa regra aquelas pessoas expressamente referidas nos incisos I a VI do seu art. 10, as quais permanecem sob o anterior regime cumulativo. De outra parte, cuida também o art. 10 da Lei nº 10.833/2003 de excepcionar algumas receitas da incidência não cumulativa, mesmo que a pessoa jurídica esteja sujeita ao regime não cumulativo. Esse entendimento veio depois ser confirmado na referida Solução de Consulta nº 387 Cosit, de 31 de agosto de 2017, nestes termos: (...) 12. A primeira forma de exceção à apuração não cumulativa exclui desse regime determinadas pessoas jurídicas. Assim, em função do objeto social ou de aspectos específicos (por exemplo, imunidade a impostos ou tributação pelo Imposto de Renda com base no lucro presumido), certas pessoas jurídicas permanecem sujeitas às normas da legislação anterior à instituição da não cumulatividade. 13. A segunda forma de exceção à apuração não cumulativa não se relaciona com nenhuma propriedade das pessoas jurídicas, mas decorre de uma característica do fato gerador das contribuições em questão. Assim, receitas específicas foram excluídas do regime de apuração não cumulativa, devendo, portanto, submeterse ao regime de apuração préexistente à instituição da não cumulatividade. 14. Dessa forma, o sujeito passivo que não se enquadra na primeira exceção, está sujeito ao regime de apuração não cumulativa. A pessoa jurídica não se submete ao regime de apuração cumulativa por auferir alguma das denominadas receitas cumulativas (excluídas do regime de apuração não cumulativa), ainda que essa seja a única receita por ela percebida. (...) Dessa forma, tendo em vista que a recorrente não se enquadra em nenhuma das hipóteses gerais de exclusão do regime, temse, inicialmente, que ela, como pessoa jurídica, está sujeita ao regime não cumulativo das contribuições de PIS/Cofins, sem prejuízo, como dito, de algumas de suas receitas, por disposição legal expressa, serem eventualmente excluídas da incidência não cumulativa. No caso, as receitas excluídas pela primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 dizem respeito às "receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros", mas somente quando esse serviço seja "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas". Como já delineado acima, esta última expressão tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, de forma que somente estariam excluídos do regime não cumulativo "as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros", assim considerado aquele operado em "linhas aéreas regulares domésticas". Fl. 1797DF CARF MF 14 Há que se observar que no inciso XII do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 foram excluídas "as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros" para as quais não houve qualquer ressalva quanto ao percurso, se nacional ou internacional, a se supor que aqui, diferentemente do inciso XVI sob análise, pretendeuse excluir do regime não cumulativo todos os serviços de transporte coletivo de passageiros, seja dentro ou fora do território nacional. Importante consignar, por fim, que a exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção comporta interpretação restritiva, de forma que, ainda que fosse possível a interpretação sugerida pela DRJ, deveria prevalecer a interpretação mais restritiva da exceção, adotada neste Voto. A interpretação restritiva das regras de exceção foi bem explicada no Recurso Especial do STJ, com apoio também nos ensinamentos de Carlos Maximiliano: RECURSO ESPECIAL Nº 853.086 RS (2006/01380157) RELATORA : MINISTRA DENISE ARRUDA EMENTA RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM. COMPETÊNCIA DE FISCALIZAÇÃO. ENFERMEIROS MILITARES. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA DAS REGRAS DE EXCEÇÃO. RECURSO DESPROVIDO. (...) 9. Ademais, relativamente à Lei 6.681/79, a qual estabeleceu ressalva à fiscalização dos médicos, cirurgiõesdentistas e farmacêuticos militares pelas Forças Armadas, salientese que, em se tratando de regra de exceção, tornase inviável a utilização de exegese ampliativa ou analógica. É inadequada a interpretação extensiva e a aplicação da analogia em relação a dispositivos infraconstitucionais que regulam situações excepcionais, porquanto enseja privilégio não previsto em lei. 10. "As disposições excepcionais são estabelecidas por motivos ou considerações particulares, contra outras normas jurídicas, ou contra o Direito comum; por isso não se estendem além dos casos e tempos que designam expressamente " (MAXIMILIANO, Carlos. ob. cit., pp. 225/227). (...) A EXMA. SRA. MINISTRA DENISE ARRUDA (Relatora): (...) Nesse contexto, cabe mencionar a lição de Carlos Maximiliano acerca do "Direito Excepcional " (ob. cit., pp. 225/227), in verbis: "Em regra, as normas jurídicas aplicamse aos casos que, embora não designados pela expressão literal do texto, se acham no mesmo virtualmente compreendidos, por se enquadrarem no espírito das disposições: baseiase neste postulado a exegese extensiva. Quando se dá o contrário, isto é, quando a letra de um artigo de repositório parece adaptarse a uma hipótese determinada, porém se verifica estar esta em desacordo com o espírito do referido preceito legal, não se coadunar com o fim, nem com os motivos do mesmo, presume se tratarse de um fato da esfera do Direito Excepcional, interpretável de modo estrito. Estribase a regra numa razão geral, a exceção, numa particular; aquela baseiase mais na justiça, esta, na utilidade social, local, ou particular. As duas proposições devem abranger coisas da mesma natureza; a que mais abarca, há de constituir a regra; a outra, a exceção. (...) O Código Civil explicitamente consolidou o preceito clássico Exceptiones sunt strictissimoe interpretationis ('interpretamse as exceções estritissimamente') no Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402005.313 S3C4T2 Fl. 1.792 15 art. 6.º da antiga Introdução, assim concebido: 'A lei que abre exceção a regras gerais, ·ou restringe direitos, só abrange os casos que especifica'. O princípio entronca nos institutos jurídicos de Roma, que proibiam estender disposições excepcionais, e assim denominavam as do Direito exorbitante, anormal ou anômalo, isto é, os preceitos estabelecidos contra a razão de Direito; limitava lhes o alcance, por serem um mal, embora mal necessário. (...) Os sábios elaboradores do Codex Juris Canonci (Código de Direito Canônico) prestigiaram a doutrina do brocardo com inserir no Livro I, título I, cânon 19, este preceito translúcido: 'Leges quoe poenam statuunt, aut liberum jurium exercitium coarctant, aut exceptionem a lege continent, strictae subsunt interpretationi' ('As normas positivas que estabelecem pena restringem o livre exercício dos direitos, ou contêm exceção a lei, submetemse a interpretação estrita'). (...) A fonte mediata do art. 6.° da antiga Lei de Introdução, do repositório brasileiro, deve ser o art. 4.º do Título Preliminar do Código italiano de 1865, cujo preceito decorria das leis civis de Nápoles e era assim formulado: 'As leis penais e as que restringem o livre exercício dos direitos, ou formam exceções a regras gerais ou a outras leis, não se estendem além dos casos e tempos que especificam'. As disposições excepcionais são estabelecidas por motivos ou considerações particulares, contra outras normas jurídicas, ou contra o Direito comum; por isso não se estendem além dos casos e tempos que designam expressamente. Os contemporâneos preferem encontrar o fundamento desse preceito no fato de se acharem preponderantemente do lado do princípio geral as forças sociais que influem na aplicação de toda regra positiva, como sejam os fatores sociológicos, a Werturteil dos tudescos, e outras. O art. 6º da antiga Lei de Introdução abrange, em seu conjunto, as disposições derrogatórias do Direito comum; as que confinam a sua operação a determinada pessoa, ou a um grupo de homens à parte; atuam excepcionalmente, em proveito, ou prejuízo, do menor número. Não se confunda com as de alcance geral, aplicáveis a todos, porém suscetíveis de afetar duramente alguns indivíduos por causa da sua condição particular. Referese o preceito àquelas que, executadas na íntegra, só atingem a poucos, ao passo que o resto da comunidade fica isenta." (grifouse) Dessa forma, neste tópico, está com razão a recorrente, no sentido de que as "receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo", sendo cabível a apropriação de créditos do PIS/Pasep e da Cofins que por ventura enquadremse no conceito de insumo, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/20044. III Do Regime não cumulativo das contribuições ao PIS e a Cofins Filiome ao entendimento deste CARF quanto ao cabimento de creditamento de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos 4 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 1799DF CARF MF 16 quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/995. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. No caso, entendeu a fiscalização e não discordou a DRJ, que a empresa possuiria receitas sujeitas ao regime cumulativo, obtidas com o transporte aéreo de passageiros (doméstico e internacional), e receitas sujeitas ao regime não cumulativo, obtidas com as demais atividades, entre elas o transporte aéreo nacional e internacional de 5 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402005.313 S3C4T2 Fl. 1.793 17 cargas, sujeitas, portanto, ao rateio previsto nos §§ 7°, 8° e 9° do artigo 3° das Leis n° 10.637/2002 (PIS/Pasep) e 10.833/2003 (Cofins). Como visto acima neste Voto, no caso do transporte coletivo de passageiros em linhas aéreas regulares internacionais, a incidência das contribuições deve se dar de forma não cumulativa, como pretendido pela recorrente, não sendo cabível a exclusão desse regime veiculada pelo inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Assim, para fins deste Voto, sobre as receitas da recorrente a incidência das contribuições de PIS/Cofins dáse na seguinte forma: regime cumulativo transporte aéreo doméstico de passageiros regime não cumulativo transporte aéreo internacional de passageiros; transporte aéreo de cargas nacional e internacional e demais atividades. Dentro desses parâmetros, passase a analisar a glosas especificamente contestadas no recurso voluntário. 1. Da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias Quanto a glosa sobre as tarifas aeroportuárias, decidiu a DRJ que se enquadrariam no conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS/Cofins os serviços prestados pela Infraero e cobrados por tarifas que são devidas pelas companhias aéreas, eis que fazem parte do processo produtivo da TAM Linhas Aéreas, afinal, sem a realização de tais serviços não seria possível fazer o transporte aéreo de cargas e passageiros, contudo determinou a aplicação do percentual de rateio para a reversão da glosa somente em relação ao transporte internacional de cargas. Considerando o conceito de insumo adotado neste Voto, a essencialidade/imprescindibilidade dos referidos serviços na prestação de serviços de transporte aéreo de cargas e passageiros pela recorrente, é cabível o creditamento correspondente. Assim, além da reversão da glosa das tarifas aeroportuárias proporcionalmente ao transporte internacional de cargas efetuada pela DRJ, cabe reverter neste Voto a parcela da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros. 2. Da glosa relacionada aos combustíveis utilizados no transporte A autoridade administrativa glosou o crédito de combustível consumido no transporte aéreo internacional sob os fundamentos abaixo, o que foi mantido pela DRJ: 9.2.1. A impossibilidade de apuração de créditos do COFINS sobre o valor do combustível consumido no transporte aéreo internacional deuse a partir de 26/09/2008, com a edição, da Lei N° 11.787, de 25/09/2008 – DOU 26.09.2008 – que deu nova redação ao artigo 3° da Lei N° 10.560, de 13/11/2002 – DOU 14.11.2002: Dispõem os artigos 2° e 3° da Lei 10.560, de 13/11/2002 (DOU 14.11.2002): Art. 2° A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, relativamente à receita bruta decorrente da venda de querosene de aviação, incidirá uma única vez, nas vendas realizadas pelo produtor ou importador, às alíquotas de 5% (cinco por Fl. 1801DF CARF MF 18 cento) e 23,2% (vinte e três inteiros e dois décimos por cento), respectivamente.(redação dada pela lei 10.865/2004) Art. 3° A Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não incidirão sobre a receita auferida pelo produtor ou importador na venda de querosene de aviação à pessoa jurídica distribuidora, quando o produto for destinado ao consumo por aeronave em tráfego internacional. (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008) Dispõe o parágrafo 2° do artigo 3° da Lei 10833/2003 § 2o Não dará direito a crédito o valor: II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. 9.2.2. A empresa sem observar os dispositivos citados – particularmente a redação dada pela Lei 11.787, de 25/09/2008, ao artigo 3° da Lei N° 10.560/2002 – manteve a apuração de créditos sobre a COFINS em relação ao consumo de combustível em suas rotas internacionais. 9.2.3. Os valores relativos ao consumo de combustível no transporte internacional foram identificados – na memória de cálculo da apuração do crédito – com o código “NOP E2.02: compra de insumos para utilização na prestação de serviço – combustível para voo internacional”. De outra parte alega a recorrente que não há na Constituição Federal qualquer proibição que diga respeito à vedação da apropriação de créditos relacionados a operações sujeitas à isenção ou qualquer outra hipótese desonerativa. Ocorre que a não cumulatividade das contribuições de PIS/Cofins é instituída por lei ordinária, diferentemente do que ocorre com o IPI e ICMS, cuja não cumulatividade tem previsão constitucional, conforme esclarece Nasrallah6: Muito embora o ICMS e o IPI e o PIS e a Cofins sejam tributos sujeitos à sistemática não cumulativa, existem diferenças muito relevantes entre as duas espécies de não cumulatividade. A não cumulatividade do ICMS e IPI é obrigatória e tem suas principais diretrizes oriundas da Constituição Federal, que enuncia que estes impostos são não cumulativos, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Vale dizer, a não cumulatividade destes impostos ocorre com o creditamento na escrita fiscal do montante do imposto pago e destacado nas notas fiscais de entrada e que sofre nova incidência em etapa posterior da cadeia. Por outro lado, a não cumulatividade da COFINS e do PIS não é obrigatória, pois somente existirá ser for instituída por lei ordinária e pode coexistir com o sistema cumulativo. É tratada pela legislação ordinária, com regras de deduções e estornos próprios, que podem ser alteradas livremente pela lei comum. No caso da recorrente, não há a incidência das contribuições na "venda de querosene de aviação à pessoa jurídica distribuidora, quando o produto for destinado ao consumo por aeronave em tráfego internacional", nos termos 3° da Lei 10.560/2002, razão pela qual incabível o correspondente creditamento, conforme determinação expressa do §§2°s, incisos II dos artigos 3°s das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002. 3. Da glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro 6 NASRALLAH, Amal. Diferenças entre a nãocumulatividade do ICMS e IPI e a do PIS e da Cofins. <http://www.migalhas.com.br> Acesso em 03/06/2018. Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402005.313 S3C4T2 Fl. 1.794 19 Os créditos pleiteados sob a rubrica gastos com atendimento ao passageiro foram glosados pela fiscalização sob o seguinte fundamento: "9.3.1. Não dão direito ao crédito, por estarem vinculadas ao regime cumulativo, nos termos do disposto no inciso XVI do artigo 10° da Lei N° 10.833/2003, as despesas ligadas exclusivamente à receita do transporte aéreo de passageiros, tais como gastos com o serviço de bordo, atendimento em área de embarque (VIP), hospedagem e alimentação de passageiros". Tal entendimento foi mantido parcialmente pela DRJ, que rebateu os argumentos da manifestante item a item dessa rubrica, abaixo discutidos. a) Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos Segundo a recorrente tratamse de gastos incorridos para disponibilizar uma estrutura física e de pessoal para atender os seus passageiros antes de embarcarem no voo a que se destinam, razão pela qual não há dúvida acerca que são pertinentes e essenciais para o serviço prestado pela recorrente de transporte aéreo de passageiros, e, portanto, geram direito a crédito das contribuições de PIS/Cofins no que concerne ao montante relativo ao transporte internacional de pessoas, sujeito ao regime não cumulativo, como decidido neste Voto. b) Serviços auxiliares aeroportuários Alegou a então manifestante que os "serviços auxiliares aeroportuários” seriam aqueles regulamentados pelo art. 1° da Resolução n° 116, de 20009, da ANAC, constantes no Anexo da aludida Resolução, o que foi rechaçado pela DRJ nestes termos: A contribuinte, porém, não tem razão. Isso porque, analisandose os itens das notas fiscais glosados pela fiscalização (“Anexo 9.3 – Gastos com atendimento ao passageiro”) constatase que os valores desconsiderados na conta “Serviços Auxiliares Aeroportuários” dizem respeito unicamente à “movimentação de passageiros”, os quais, como já se viu, não geram direito a crédito. A recorrente não apresentou a comprovação em sentido contrário à constatação da DRJ de que tais serviços estão efetivamente vinculados apenas ao transporte de passageiros, apenas repisando que tais serviços seriam aqueles referidos na Resolução nº 116/2009 da Anac, também relacionados ao transporte de cargas. Diante da ausência de demonstração de vinculação das despesas glosadas ao transporte de cargas é de ser mantido o entendimento de que elas estão associadas efetivamente ao transporte de passageiros. Dessa forma, entendo que deve ser revertida a glosa de serviços auxiliares aeroportuários no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. c) Serviços de handling Os serviços de handling são procedimentos em terra para apoio às aeronaves, passageiros, bagagem, carga e correio, os quais podem ser prestados pelos próprios aeroportos ou por empresas externas, sendo que, quando tal atividade é realizada pelas próprias companhias aéreas, denominase "autohandling”. Entendeu a DRJ que é uma despesa que pode estar vinculada tanto à movimentação de passageiros quanto de cargas, de forma que tais gastos gerariam direito ao crédito da não cumulatividade apenas em relação à parte relacionada ao transporte de cargas. Fl. 1803DF CARF MF 20 Assim, como nos casos precedentes, deve ser revertida também a parcela da glosa de serviços de handling relativa ao transporte internacional de passageiros. d) Serviços de Comissaria Conforme informado pela recorrente, tratase de serviço de preparo e ou aquisição, transporte por veículo apropriado e colocação no espaço designado na cabine da aeronave de alimentos e bebidas para consumo dos aeronautas, mecânicos e passageiros embarcados. Alega que tais serviços, além de atenderem os critérios de custo referido no art. 290 do RIR/99, também são pertinentes e essenciais para a prestação do serviço da Recorrente, e, sendo reconhecido o direito da recorrente de incluir as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros no sistema não cumulativo, haveria de se reconhecer também que os serviços de comissaria enquadramse no conceito de insumo para a legislação do PIS e da Cofins. A DRJ manteve tais glosas sob o fundamento de que tais despesas são vinculadas ao sistema cumulativo, ou seja, ao transporte de passageiros. Assim, deve ser revertida a parcela da glosa de serviços de comissaria no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. e) Gastos com equipamentos terrestres Sobre tais gastos assim se manifestou a DRJ: "Não há neste trimestre glosas relativas a “gastos com equipamentos terrestres”, razão pela qual as razões suscitadas não podem ser analisadas". Assim, da mesma forma, não se conhece aqui os argumentos da recorrente relativos aos gastos com equipamentos terrestres, constantes nos parágrafos 201 a 204 do recurso voluntário. f) Serviços de transportes de pessoas e cargas Alegou a então manifestante que se trataria de despesas relativas à movimentação de pessoas e cargas para embarque e desembarque; entretanto, apurou a DRJ que as despesas glosadas seriam relativas à contratação de serviços de vans, vinculados ao transporte de passageiros, razão pela qual entendeu que não haveria direito ao crédito. No que concerne à ausência de comprovação de vinculação dos gastos ao transporte de cargas, a recorrente nada contrapôs à decisão recorrida, apenas reafirmando seu direito ao crédito com relação ao transporte internacional de passageiros. Assim, revertese a glosa de "serviços de transporte de pessoas e cargas" no montante desses gastos relativo ao transporte internacional de passageiros. g) Gastos com voos interrompidos Em relação a “gastos com voos cancelados, atrasados ou interrompidos”, esclareceu a então manifestante que a ANAC impõe, por meio da Resolução de n° 141/2010, a responsabilidade da companhia aérea em relação à assistência devida aos seus passageiros quando os voos forem interrompidos, cancelados ou estiverem atrasados, de forma que tais gastos seriam essenciais à prestação dos serviços de transporte aéreo, especialmente por serem imposição da ANAC, anexando contrato (doc. 02) que comprovaria a contratação de serviços a fim de cumprir suas obrigações regulamentadas pela ANAC. Tendo a DRJ apurado que se tratam de despesas vinculadas exclusivamente ao transporte aéreo de passageiros, manteve tais glosas. Assim, da mesma forma que nos itens Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402005.313 S3C4T2 Fl. 1.795 21 anteriores, revertese a glosa de gastos com voos interrompidos no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. Dessa forma, em resumo deste tópico, da glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro devem ser revertidas, no montante relativo ao transporte internacional de pessoas, sujeito ao regime não cumulativo, como decidido mais acima neste Voto, as seguintes parcelas: Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, Serviços auxiliares aeroportuários, Serviços de handling, Serviços de comissaria, Serviços de transportes de pessoas e cargas e Gastos com voos interrompidos. 4. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais Sobre a matéria assim se manifestou a DRJ: No caso do 1º trimestre de 2009, os bens glosados dizem respeito a quatro contas: “Comissaria”, “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Materiais de Manutenção em Equipamentos” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos”. Relativamente às despesas com “Comissaria”, já se viu no tópico anterior que elas não podem gerar direito a crédito. Quanto às demais glosas, analisandose, especificamente, os itens das notas fiscais glosados na planilha “9.3 – Aquisição de bens patrimoniais”, percebese que se tratam, em verdade, de peças e partes e serviços de manutenção de equipamentos. A contribuinte, por sua vez, possui como atividade a prestação de serviços de manutenção de aeronaves, o que impõe considerar que os bens relacionados nas contas acima descritas são insumos. Ocorre, todavia, que em 23 de junho de 2008, foi publicada a Lei n° 11.727 que alterou a redação do inciso IV do art. 28 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, determinando o seguinte: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: ... IV – aeronaves classificadas na posição 88.02 da Tipi, suas partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluidos hidráulicos, tintas, anticorrosivos, lubrificantes, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, conservação, modernização, reparo, revisão, conversão e industrialização das aeronaves, seus motores, partes, componentes, ferramentais e equipamentos; Por isso, os bens e serviços de manutenção relacionados nas contas supracitadas não geram o direito ao crédito da não cumulatividade, já que o inc. II do §2º do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 impede o creditamento do valor “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”. Ressaltese que tal disposição entrou em vigor em 23/06/2008, conforme dispõe o caput do art. 41 da Lei n° 11.727/2008. Por tal razão, as glosas realizadas estão corretas. De outra parte, no recurso voluntário, a recorrente não acrescentou elemento modificativo ou extintivo quanto aos óbices opostos ao creditamento na decisão da DRJ, nem quanto à Conta Comissaria deste tópico, razão pela qual a decisão recorrida há de ser mantida nesta parte. Fl. 1805DF CARF MF 22 5. Da glosa relacionada aos créditos extemporâneos O legislador ordinário realmente previu a possibilidade de o contribuinte descontar nos meses subsequentes eventuais créditos oriundos de meses anteriores, nos termos dos §§4° dos arts. 3° das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003: Art. 3º (...) (...) § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [grifos da relatora] (...) Decorre diretamente desse dispositivo que o aproveitamento posterior ao mês em que os bens ou serviços foram adquiridos (ou as despesas foram incorridas) depende da comprovação por parte da requerente de não aproveitamento anterior (entre o mês da aquisição do bem ou serviço e o mês de aproveitamento extemporâneo). Assim, por exemplo, se a aquisição do insumo é do mês março e a requerente pretende apropriálo em setembro do mesmo ano, terá de comprovar que não o fez nos meses de março a agosto. Nesse sentido estão as orientações da Receita Federal quanto à necessidade de retificação dos DACONs e DCTFs originais, como instrumentos próprios para tal comprovação, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento de créditos. Há precedentes desta Seção de Julgamento do Carf, conforme trechos extraídos abaixo dos Votos dos Conselheiros Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan, no sentido de que pode ser admitida a relevação da formalidade de retificação das declarações e demonstrativos desde que demonstrada pela interessada a ausência de utilização do crédito extemporâneo em outros períodos: Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n° 3402002.603 4a Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2015 Relator: Alexandre Kern (...) Aproveitamento de Créditos Extemporâneos (...) A matéria no entanto já tem entendimento em sentido contrário, plasmado, por exemplo, no Acórdão n° 3403002.717, de 29 de janeiro de 2014 (Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime), em que quedou assente a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. Admitese a possibilidade de relevar formalidade de retificação das declarações desde que demonstrada conclusiva e irrefutavelmente, a ausência de utilização do crédito extemporaneamente registrado. De se reconhecer, no entanto, que a retificação das declarações é extremamente mais simples. Assim, omitindose em proceder à prévia retificação do Dacon respectivo e sem fazer prova cabal de que não aproveitou o crédito anacrônico, devese manter a glosa. (...) Processo nº 10380.733020/201158 Acórdão n° 3403002.717 4a Câmara / 3a Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2014 Relator: Rosaldo Trevisan (...) Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402005.313 S3C4T2 Fl. 1.796 23 Cabe destacar de início, que, por óbvio, a ausência de retificação a que se refere o fisco, é referente aos períodos anteriores, pois o que se busca é evitar o aproveitamento indevido, ou até em duplicidade. As retificações, como destaca o fisco, trazem uma série de consequências tributárias, no sentido de regularizar o aproveitamento e tornálo inequívoco. Quanto à afirmação de que a recorrente cumpriu em demonstrar a ausência de utilização anterior dos referidos créditos, indicando genericamente todos os documentos entregues à fiscalização e/ou acostados na impugnação, não logra instaurar apresentar elementos concretos que ao menos instaurem dúvida no julgador, demandando diligência ou perícia. Aliás, a perícia solicitada ao final do recurso voluntário considerase não formulada pela ausência dos requisitos do art. 16, IV do Decreto no 70.235/1972, na forma do § 1o do mesmo artigo. No mais, acordase com o julgador de piso sobre a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. E, ainda que se relevasse a formalidade de retificação das declarações, não restou no presente processo demonstrada conclusivamente, como exposto, ausência de utilização anterior dos referidos créditos. Sobre a afirmação de que a autuação "funda seu entendimento tão somente em uma solução de consulta, formulada por outro contribuinte", é de se reiterar de que forma o fisco utilizou soluções de consulta na autuação (fl. 35 do Termo de Verificação Fiscal): "O segundo requisito diz respeito à necessária retificação, em todos os períodos pertinentes, de todas as declarações (DACONs, DCTFs e DIPJs) cujos valores são alterados pelo recálculo e refazimento da apropriação de créditos de PIS e COFINS. Isto porque este procedimento implica também o recálculo de todos os tributos devidos em cada período de apuração, especialmente o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. É que na sistemática da nãocumulatividade, qualquer apropriação de créditos de PIS e de COFINS, resulta, necessariamente na redução, em cada período de apuração, de custos ou despesas incorridas e, por consequência, na elevação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Há diversas soluções de consulta no âmbito da RFB, que exprimem o entendimento acima, dentre elas citaremos a Solução de Consulta no 14 SRRF/6aRF/DISIT, de 17/02/2011, a Solução de Consulta no 335 SRRF/9aRF/DISIT, de 28/11/2008, e a Solução de Consulta no 40 SRRF/9aRF/DISIT, de 13/02/2009." Assim, patente que as soluções de consulta não são (e sequer constam no campo correspondente) a fundamentação da autuação. (...) Em adição ao que a DRJ estabelece, agregamos somente a possibilidade de, na ausência das retificações, haver comprovação inequívoca do alegado por outros meios, o que não se visualiza no caso dos presentes autos. É de se reconhecer, contudo, que extremamente mais simples é a retificação das declarações. (...) Nesse sentido também foi decidido por este Colegiado, em outra composição, no Acórdão nº 3402002.809, de 10/12/2015, sob minha relatoria: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 (...) Fl. 1807DF CARF MF 24 CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DECLARAÇÕES. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. Assim, no caso presente, não obstante se pudesse relevar a formalidade de retificação das declarações e demonstrativos, diante da ausência de demonstração inequívoca, a cargo da recorrente, de que os créditos extemporâneos, referentes à aquisições dos anos de 2005 e 2006, não foram aproveitados em outros períodos, não há como reformar a decisão recorrida. 6. Da glosa relacionada aos gastos com importação Trata este tópico das glosas relativas gastos com desembaraço aduaneiro e o posterior transporte dos bens importados. Segundo a recorrente seriam os bens importados máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves, os quais não estariam disponíveis no mercado nacional. A DRJ manteve a glosa dos gastos com desembaraço aduaneiro, com esteio no Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4/2012 e na Solução de Divergência Cosit nº 7/2012, abaixo transcritos, tendo em vista que não é permitido o desconto de créditos sobre tais dispêndios, os quais não compõem a base de cálculo das referidas contribuições incidentes na importação de mercadorias: Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4, de 26 de junho de 2012 DOU de 27.6.2012 “Dispõe sobre a impossibilidade do desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 273 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, e tendo em vista o disposto nos arts. 15 a 18 Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, e na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 24 de maio de 2012, declara: Artigo único. Os gastos com desembaraço aduaneiro na importação de mercadorias não geram direito ao desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), por falta de amparo legal. Solução de Divergência nº 7, Cosit, de 24/05/2012 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. GASTOS COM DESEMBARAÇO ADUANEIRO. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, relativos a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, decorrentes de importação de mercadorias, por falta de amparo legal. Dispositivos Legais: Lei nº 10.865, de 2004, art. 7º, I e art. 15 (...) 19. Portanto, considerandose que os dispêndios com desembaraço aduaneiro devem ser tratados como parte do custo de aquisição das mercadorias importadas, a Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402005.313 S3C4T2 Fl. 1.797 25 possibilidade de creditamento em relação ao referido custo deve ser aferida exclusivamente com base na Lei nº 10.865, de 2004, que dispõe sobre as contribuições incidentes na importação. 20. Por outro lado, mostrase absolutamente indevido, em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, qualquer creditamento com base nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que cuidam, respectivamente, de outras contribuições, quais sejam a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida pelas pessoas jurídicas no mercado interno. 21. Embora dispensável, observase que um mesmo dispêndio não poderá gerar crédito duplamente: na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, e do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Ou seja, não é possível a apuração de crédito sob a égide das duas espécies de contribuições em relação a um mesmo fato econômico, visto que ou se está numa “operação de importação” ou numa “operação doméstica”. 22. Exatamente por isso, o § 3º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e seu homólogo na Lei nº 10.833, de 2003, limitam o direito de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita exclusivamente “aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País”, e “aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País”. 23. Verificase, portanto, que a análise da possibilidade de se apurar créditos com relação aos gastos com desembaraço aduaneiro deve se basear exclusivamente na Lei nº 10.865, de 2004, que dispõe sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a importação de bens e serviços. 24. O direito ao crédito previsto na Lei retrocitada referese às contribuições efetivamente pagas na importação e corresponde ao valor resultante da aplicação das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes no mercado interno no regime de apuração não cumulativa (1,65% e 7,6%, respectivamente) sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições incidentes na importação, acrescido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), quando integrante do custo de aquisição. É o que se infere da leitura do § 1º e do § 3º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004: 25. De fato, há que se verificar se os gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada estão incluídos na base de cálculo das contribuições incidentes sobre a importação, pois, caso não estejam, não há que se falar em apuração de crédito para ulterior abatimento do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar incidentes sobre a receita bruta, visto que o crédito só existe em relação às contribuições efetivamente pagas. Em outras palavras, o crédito na importação não pode ser maior do que a Contribuição para o PIS/Pasep Importação e a CofinsImportação pagas pelo contribuinte. ...... 32. Assim, nos termos da legislação em estudo, os gastos com desembaraço aduaneiro não estão incluídos na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep– Importação e da Cofins–Importação por ocasião da importação de mercadorias. Consequentemente, não há contribuição efetivamente paga sobre esses gastos, não sendo, portanto, possível a apuração de crédito sobre os referidos dispêndios. 33. Assim, considerandose as hipóteses de creditamento previstas no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, combinado com o inciso I do art. 7º do referido diploma legal, não há autorização para apuração de crédito em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada. Isto porque, conforme o § 1º do art. 15, o direito ao crédito aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas Fl. 1809DF CARF MF 26 na importação, pagamento que não ocorre em relação a tais gastos, visto que eles não compõem a base de cálculo das aludidas contribuições. Conclusão 34. Diante do exposto, solucionase a presente divergência afirmandose que: a) os gastos com desembaraço aduaneiro devem ser considerados como integrantes do custo de aquisição de mercadoria importada; b) em se tratando de operação de importação de mercadoria, utilizada como insumo ou destinada à revenda, devese analisar a Lei nº 10.865, de 2004, para fins de verificação do direito ao desconto de crédito para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; c) os gastos com desembaraço aduaneiro decorrentes de importação de mercadoria não integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação, por força do disposto no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865, de 2004; d) não é permitido às pessoas jurídicas submetidas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins descontar créditos em relação a gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada, utilizada como insumo ou destinada à revenda, por falta de amparo legal, consoante disposto no § 1º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. De outra parte, os argumentos apresentados no recurso voluntário não convencem. Alega a recorrente que os gastos com despachantes aduaneiros seriam qualificados como custos dos produtos importados, o que, a seu ver, já justificaria a permissão para apropriar os respectivos créditos. Ora, o que poderia justificar o reconhecimento de um direito creditório é a sua previsão legal, o que inexiste para tais gastos, mormente quando esses valores sequer integram a base de cálculo das contribuições de PIS/Cofins na importação. Também não se poderia dizer que os gastos com despachantes aduaneiros seriam "imprescindíveis para a importação dos mencionados bens pela ora Recorrente", vez que as atividades relacionadas ao despacho aduaneiro de mercadorias também podem ser efetuadas por outras pessoas, inclusive empregado com vínculo empregatício exclusivo, nos termos do art. 5º, §1º do Decretolei nº 2.472/887, atualmente consolidado no art. 809 do Regulamento Aduaneiro/2009. A decisão recorrida deve ser mantida em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro pelos seus próprios fundamentos. Quanto ao frete nacional dos bens importados, melhor sorte não assiste à recorrente. 7 Art. 5º A designação do representante do importador e do exportador poderá recair em despachante aduaneiro, relativamente ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas e em toda e qualquer outra operação de comércio exterior, realizada apor qualquer via, inclusive no despacho de bagagem de viajante. 1º Nas operações a que se refere este artigo, o processamento em todos os trâmites, junto aos órgãos competentes, poderá ser feito: a) se pessoa jurídica de direito privado, somente por intermédio de dirigente, ou empregado com vínculo empregatício exclusivo com o interessado, munido de mandato que lhe outorgue plenos poderes para o mister, sem cláusulas excedentes da responsabilidade do outorgante mediante ato ou omissão do outorgado, ou por despachante aduaneiro; b) se pessoa física, somente por ela própria ou por despachante aduaneiro; c) se órgão da administração pública direta ou autárquica, federal, estadual ou municipal, missão diplomática ou repartição consular de país estrangeiro ou representação de órgãos internacionais, por intermédio de funcionário ou servidor, especialmente designado, ou por despachante aduaneiro. (...) Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402005.313 S3C4T2 Fl. 1.798 27 Os créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento das contribuições, no que concerne aos bens e serviços utilizados como insumo no processo produtivo da contribuinte, estão previstos no art. 15 da Lei nº 10.865/20048, sendo que, em seu §3º, está definida a base de cálculo do crédito como "o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição". Por sua vez, o art. 7º da Lei nº 10.865/2004 estabelece que a base de cálculo das contribuições será o valor aduaneiro. Nos termos do art. 77 do Regulamento Aduaneiro/2002 ou 2009, integram o valor aduaneiro o custo de transporte e os gastos relativos à carga, descarga e manuseio da mercadoria importada até o ponto de desembaraço no território aduaneiro, bem como o custo do seguro da mercadoria nessas operações. Dessa forma, não há possibilidade de, com fundamento no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, se autorizar o creditamento das despesas com frete e armazenagem incorridas após o desembaraço aduaneiro, que não integram a base de cálculo definida na Lei para o desconto dos créditos. De outra parte, também o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, obviamente, não poderia socorrer a recorrente relativamente a despesas em operações referentes à entrada do insumo, eis que se refere a despesas de frete e armazenagem relativas à operação de venda com o ônus suportado pelo vendedor. Analisemos agora a eventual aplicação do art. 3º, inciso II da Lei nº 10.833/2003 (ou o correspondente da Lei nº 10.637/2002), o qual dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) 8 Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: (...) II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (...) § 3º O crédito de que trata o caput deste artigo será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. Fl. 1811DF CARF MF 28 II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) [negritei] Como se sabe, o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 ou da Lei nº 10.637/2002 trata do creditamento relativo a um bem ou a um serviço que seja utilizado como insumo na processo produtivo, no caso, na prestação de serviços de transporte de passageiros ou cargas. Vejamos primeiro a hipótese de "serviço utilizado como insumo". Poderia o frete dos bens importados (máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves) ser considerado como "serviço utilizado como insumo" na prestação dos serviços de transporte pela ora recorrente? Entendo que não. Em que pese o CARF não adotar a interpretação restritiva das Instruções Normativas no conceito de insumo, é certo que o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 não abriga o creditamento de serviços utilizados em etapas anteriores, que não possam ser consideradas como a prestação do serviço em si (resultado do processo produtivo), no caso, o transporte de pessoas e cargas. Os referidos serviços (frete) são aplicados somente nos próprios insumos, que já foram importados na condição de insumos, de forma que também não se poderia considerar como algo relacionado à produção ou à fabricação anterior desses insumos. O dispositivo legal exige que o serviço (no caso, o frete) seja utilizado como insumo na própria prestação do serviço (transporte de pessoas e cargas), o que não é o caso. Tampouco haveria possibilidade de creditamento dessas despesas com frete em relação ao "bem utilizado como insumo", embora haja construção jurisprudencial no CARF9 no sentido de admitir o desconto de créditos, no que concerne ao frete relativos aos 9 Acórdão nº 3402002.662– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Relator: Alexandre Kern (...) Em se tratando de serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento tomado sobre o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3°, e no caso de serviço de frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, cfe. inc. IX. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, isso em razão de o valor do serviço integrar o valor de aquisição de tal bem, passando então a compor a base de cálculo do crédito decorrente da aquisição de bem para revenda ou para utilização como insumo. Há ainda uma quarta hipótese, defendida na jurisprudência deste Colegiado, decorrente do conceito de insumo que se adota, no caso de fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. O transporte de produto acabado isso é, depois de concluído o processo produtivo – não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas. Se do ponto de vista logístico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda, juridicamente, não. Esse entendimento está plasmado, por exemplo, no voto condutor do Acórdão nº 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012: Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402005.313 S3C4T2 Fl. 1.799 29 insumos, em relação aos bens utilizados como insumo e aos bens para revenda, relativamente às despesas de fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 ou 10.637/2002) ou de um bem para revenda (inciso I). Em relação ao bem adquirido de pessoa jurídica no exterior não se vislumbra hipótese de creditamento com base nos arts. 3ºs das Leis nºs 10.833/2003 ou 10.637/2002, em face da restrição contida no §3º, I desse dispositivo ("§ 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País;") e, em consequência, também não seria possível o creditamento de gastos com o frete nacional vinculados ao creditamento desses bens (apropriado ao custo de aquisição do bem utilizado como insumo). Mais importante é que, como visto, no caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial aplicável ao caso, a qual não prevê a inclusão dos gastos com frete. Assim, sob qualquer ponto de vista, não há que se falar em creditamento das despesas relativas a frete realizadas após o desembaraço aduaneiro, sendo o mesmo raciocínio aplicável aos gastos com desembaraço aduaneiro. Em situação semelhante ao presente caso, foi decidido no mesmo sentido do proposto acima por unanimidade de votos daquele Colegiado, sob a relatoria do Ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento, conforme ementa abaixo: Acórdão nº 3302003.212– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2016 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Relator: José Fernandes do Nascimento ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, “Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3°, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3°, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3°. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido.” Fl. 1813DF CARF MF 30 pois sobre tais gastos não há pagamento da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições (valor aduaneiro, segundo art. 7º, I, da Lei 10.865/2004), nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da Lei 10.833/2003. (...) 7. Da glosa relacionada aos gastos com estadia de tripulantes Com relação aos gastos com estadia de tripulantes alega a recorrente que: "Não há como desconsiderar a indispensabilidade do gasto com estadia dos tripulantes para que a empresa aérea possa desenvolver suas atividades. Afinal, na atividade de transporte aéreo se pressupõe que os tripulantes percorram longas distâncias para efetivarem a prestação do serviço a que se propõem. E, não raro, por conta da imperiosa necessidade de respeitar a duração da jornada de trabalho do aeronauta, para que este tenha condições de desempenhar seu trabalho, a estadia do tripulante é indispensável à continuidade da prestação do serviço pela companhia". No entanto, os serviços relativos à hospedagem de tripulantes não são utilizados como insumo na prestação de serviços de transporte pela recorrente em si, sendo usufruídos pelos tripulantes em face dos deslocamentos decorrentes da modalidade de trabalho que exercem. Tratamse de despesas que atendem a uma necessidade operacional da empresa, não se enquadrando no conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS/Cofins. Nesse sentido está a Solução de Divergência nº 15, de 30 de Maio de 2008: “Os gastos com passagem e hospedagem de empregados e funcionários, não são considerados “insumos” na prestação de serviços, não podendo ser considerados para fins de desconto de crédito na apuração da contribuição para a Cofins e o PIS nãocumulativo". 8. Da glosa relacionada aos gastos com o reparo de equipamentos utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos Neste tópico assim decidiu a DRJ: "No caso do 1º trimestre de 2008, os bens glosados (“Planilha 9.8 – Gastos com o Reparo de Equipamentos Utilizados na Manutenção”) dizem respeito às seguintes contas: “Gastos com Equipamentos Terrestres” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos”. Tais contas já foram analisadas no item “II.5.4 DA GLOSA RELACIONADA ÀS AQUISIÇÕES DE BENS PATRIMONIAIS”, tendo o crédito glosado sido indeferido à contribuinte. Pelas mesmas razões lá aduzidas, entendese serem corretas as glosas realizadas". Dessa forma, como decidido no tópico sobre a "glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais", os bens e serviços adquiridos para serem utilizados na manutenção de aeronaves, seus motores, partes, componentes, ferramentais e equipamentos não geram direito ao crédito da não cumulatividade, nos termos dos incisos II dos §§2º dos arts. 3ºs das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, vez que as alíquotas das contribuições respectivas foram reduzidas a zero a partir de 23/06/2008, em face da Lei n° 11.727 que alterou a redação do inciso IV do art. 28 da Lei n° 10.865/2004. 9. Da glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo Tratase de glosas relativas aos gastos decorrentes da (i) contratação de serviços de comunicação por rádio, (ii) serviços de despachantes, (iii) serviços de segurança patrimonial, (iv) serviços gráficos, (v) serviços gerais de limpeza, (vi) gastos com treinamentos, (vii) serviços de telefonia e banda larga, (viii) serviços de lavagem, (ix) Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402005.313 S3C4T2 Fl. 1.800 31 abastecimento de água (QTA) e energia (GPU equipamento móvel terrestre utilizado no fornecimento de energia a aeronaves em terra), (x) manutenção de instalações, (xi) aparelhos telefônicos e (xii) de ar condicionado, (xiii) manutenção de extintores e (xiv) de aparelhos de raio X, (xv) cadeiras, mesas, armários, estantes, divisórias e bancadas, (xvi) rede de dados e voz. Entendeu a autoridade administrativa que: "Tais serviços, por mais necessários às atividades desenvolvidas pela contratante, não estão diretamente ligados à atividade de transporte aéreo de cargas, fato que os afasta da conceituação de insumo". Os gastos com comunicação de rádio entre a companhia aérea e a torre de comando são remuneradas por tarifa e já estão incluídos no tópico "tarifas aeroportuárias". Quanto aos serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas, bem como para contato entre as áreas aeroportuárias, entendeu a DRJ que eles são empregados diretamente na prestação dos serviços de transporte aéreo de cargas e passageiros, concedendo o respectivo crédito no que concerne ao transporte de cargas. Dessa forma, como neste Voto foi considerado que o transporte internacional de passageiros está sujeito ao regime não cumulativo, deve ser aqui revertida a parcela da glosa sobre "serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros. Com relação à aquisição de “aparelhos de raio X”, como dito pelo julgador a quo, só poderia gerar créditos de depreciação. Como a recorrente não apresentou qualquer argumento que afastasse tal constatação, a glosa deve ser mantida nessa parte. No entanto, quanto “serviços de operação de equipamentos de raio X”, eles podem estar vinculados tanto ao transporte de passageiros como de carga, devendo a parcela da glosa de tais serviços aplicada no transporte internacional de cargas ou no transporte internacional de passageiros ser revertida. No tocante à segurança patrimonial e aos gastos com aquisição de extintores de incêndio, alega a interessada que ambos estão vinculados à segurança dos passageiros e das cargas transportadas. Tendo em vista a não demonstração pela recorrente de que os extintores de incêndio seriam bens não ativáveis, não se pode reverter essa parcela da glosa, entretanto, os serviços relativos à segurança dos passageiros e das cargas enquadramse no conceito de insumo adotado neste voto, eis que são essenciais e imprescindíveis ao transporte de passageiros e de cargas, devendo a parcela da glosa relativa à "segurança patrimonial" ser revertida relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. A glosa dos créditos relacionados ao fornecimento de energia às aeronaves (GPU: equipamento móvel terrestre utilizado no fornecimento de energia a aeronaves em terra), que se refere, na verdade, a gastos com a locação destes equipamentos e não com suas aquisições, foi mantida pela DRJ nos seguintes termos: "Ocorre, todavia, que a empresa não conseguiu demonstrar dois aspectos essenciais para ter direito ao crédito em discussão. Primeiro, provar que também a atividade aérea de transporte de cargas necessita deste tipo de equipamento. Pelo recurso apresentado, parece que tais equipamentos são utilizados apenas no transporte de passageiros que, como já se viu, está sujeito ao regime cumulativo. Além disso, o contrato apresentado pela manifestante (doc. 5), fls. 1.477/1.481, foi assinado em 04/11/2013 e o prazo de vigência, conforme cláusula 2.1 só se iniciou a partir da assinatura do contrato. Fl. 1815DF CARF MF 32 Portanto, como o crédito é do 1º trimestre de 2009, tal contrato não tem o condão de gerar o crédito pretendido". Assim, como a recorrente não apresentou qualquer elemento modificativo ou extintivo quanto a não vigência do contrato no período analisado, não restou comprovado o direito creditório relativo à locação do equipamento GPU, não cabendo reforma na decisão recorrida. Quanto aos gastos com treinamento de tripulantes, decidiu a DRJ no sentido de que "não há previsão legal expressa que autorize o creditamento com tal gasto. Por outro lado, tais despesas não se subsumem no conceito de “insumos”, pois não se caracterizam como “bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços” ou “serviços aplicados ou consumidos na prestação do serviço”. De outra parte, alega a recorrente que "as despesas com treinamento de tripulantes são indispensáveis para a aludida execução do serviço de transporte aéreo e estão diretamente relacionadas ao objeto social da Recorrente, razão pela qual as glosas devem ser revertidas por este E. CARF". No entanto, as despesas com treinamento de empregados embora sejam essenciais em qualquer ramo empresarial, não são se tratam de serviços aplicados na prestação de serviços de transporte, objeto social da recorrente, devendo ser mantida a decisão recorrida nesta parte. Quanto aos demais itens deste tópico, em que pesem os argumentos da recorrente, deve ser mantida a decisão recorrida, nos seguintes termos: "é facilmente observável que diversos bens glosados não dizem respeito diretamente ao serviço prestado pela manifestante, sendo apenas despesas operacionais da empresa. Obviamente, serviços gerais de limpeza, serviços de telefonia e banda larga, serviços de lavagem, gastos com cadeiras, mesas, armários, estantes, divisórias e bancadas entre diversos outros, não têm correspondência direta com os serviços prestados pela empresa, não podendo gerar o direito ao crédito. São bens de uso e consumo da empresa, que não geram o direito ao crédito". No que diz respeito a "rede de dados e voz", conforme já decidido por este CARF no Acórdão nº 3401002.857, de 27 de janeiro de 2015, em relação a uma transportadora de cargas, não há o direito ao creditamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário:2009, 2010, 2011 (...) DESPESAS COM TELEFONEVOZ E TELEFONEDADOS. VINCULAÇÃO A ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS. NÃO ENQUADRAMENTO COMO INSUMOS. As despesas com telefonevoz e telefonedados, por sua natureza, não se vinculam à prestação de serviço de transporte de cargas e não são indispensáveis a sua execução. Ademais, sua utilização está principalmente vinculada à realização das atividades administrativas da empresa, o que permitiria enquadrálas como necessária nos termos da legislação do IRPJ. Considerando a definição de insumos adotada, que não se confunde com o de despesa necessária do art. 299 do Decreto nº 3000/99, tais despesas não preenchem os requisitos para caracterização como insumo. Deve ser mantida a glosa em relação a estas despesas. Assim, em resumo, devem ser revertidas neste tópico, relativamente à glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo, somente as seguintes parcelas: Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402005.313 S3C4T2 Fl. 1.801 33 a) "serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros; e b) “serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. 10. Da glosa relacionada aos gastos com pagamentos efetuados a pessoas físicas A recorrente manifesta concordância com esta glosa. 11. Da glosa relacionada aos gastos não considerados insumos Bens de uso e consumo No tocante a estas glosas, assim decidiu a DRJ: Observase com as glosas levadas a cabo pela fiscalização (Anexo 9.11 – Outros gastos não classificáveis como insumos) que a interessada pretendeu se creditar de todos os gastos que possui. No referido anexo, percebese a glosa de, entre outros, dispêndios com lixas, thinner, fita crepe, rolo de espuma, aplicador de massa, estopa, bobinas, etc. Todavia, não é todo e qualquer custo que gera o crédito da não cumulatividade do PIS/Cofins. Bens de uso e consumo não podem gerar o crédito da não cumulatividade das referidas contribuições, razão pela qual correta as glosas efetividas pela fiscalização. Tais bens são de uso e consumo, não havendo previsão legal para este tipo de creditamento. Além do mais, como a própria interessada consignou em seu recurso, “os créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins não devem alinharse às definições de custo e despesas de que trata o RIR/99”. Especificamente, a interessada se insurge contra as glosas de despesas com vestuários e acessórios profissionais, entendidos como os uniformes utilizados pelos funcionários de rampa, aeroporto, os tripulantes, etc. Quanto a estas despesas em específico, vale observar que a Lei n° 11.898, de 08/01/2009, incluiu nos artigos 3o das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 o inciso X, prevendo tal direito a crédito, in verbis: X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Observase, portanto, que as despesas constantes do inciso acima transcrito não proporcionam o crédito indiscriminadamente a qualquer pessoa jurídica. Tais despesas possibilitam o crédito apenas a pessoas jurídicas que explorem a prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Como este não é o caso da manifestante, não há que se falar em direito a crédito em relação a essas despesas. Por fim, a manifestante reclama especificamente sobre as glosas de gastos com materiais de acondicionamento utilizados no transporte e armazenamento de materiais e ferramentas aeronáuticas, que são utilizados para a conservação e para a segurança das partes e peças que serão destinadas ou à manutenção ou à própria aplicação nas aeronaves. Tais bens, entretanto, por razões já exaustivamente debatidas neste voto, não se enquadram no conceito de insumo para a empresa em epígrafe, dado o seu objeto social. Afinal, não têm vinculação direta com a prestação de seus serviços. Fl. 1817DF CARF MF 34 Alega a recorrente que as "despesas com vestuários e acessórios profissionais" seriam custeadas pelo empregador, conforme determinação legal, não havendo como dissociar esse gasto ao conceito de insumo. Não obstante o conceito mais amplo de insumo no âmbito deste CARF, entendo que tais despesas não se enquadram no conceito de insumo, vez que não são aplicadas no transporte de pessoas e cargas, tratandose de despesas operacionais da empresa. No caso de fardamento e uniforme, o legislador ordinário optou por conceder o creditamento somente às atividades de "prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção", nos termos do art. 3º, IX das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Com relação aos "Materiais de Acondicionamento e Embalagens", embora afirme a recorrente que se tratariam de "materiais de acondicionamento utilizados no transporte e armazenamento de materiais e ferramentas aeronáuticos", não se tem prova nos autos de que natureza seriam tais materiais e embalagens ou se seriam não ativáveis, devendo a decisão recorrida ser mantida também nesta parte. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário na seguinte forma: a) Determinar à autoridade administrativa que efetue novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total, bem como a inclusão das receitas originadas do transporte internacional de passageiros no regime não cumulativo; e b) Reverter somente as seguintes parcelas das glosas abaixo: i) glosa relacionada às tarifas aeroportuárias no valor relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros; ii) glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro: Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, Serviços auxiliares aeroportuários, Serviços de handling, serviços de comissaria, Serviços de transportes de pessoas e cargas e Gastos com voos interrompidos; no montante relativo ao transporte internacional de pessoas; iii) gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo: iii.1)"serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros; e iii.2) “serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402005.313 S3C4T2 Fl. 1.802 35 Voto Vencedor Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Redatora Designada Com a devida vênia, ouso divergir da ilustre Relatora no que tange a glosa de despesas com os uniformes dos aeronautas relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. A questão de mérito discutida nestes autos é já amplamente conhecida pelos julgadores do CARF. Tratase do conceito de insumo para fins de apropriação de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade (artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002) Embora não seja essa premissa o objeto da minha divergência em relação ao voto da Conselheira Relatora mas sim a sua aplicação sobre uma específica glosa , vale repisar a evolução jurisprudencial administrativa sobre a matéria, que culminou no conceito aqui adotado para a solução da lide. Quando primeiramente instado a se manifestar sobre o tema, este Conselho convalidou o restritivo entendimento esposado pela Receita Federal, materializado nas Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04. Ou seja, transportouse o conceito de insumo do IPI para sistemática de PIS e COFINS não cumulativos. Assim, o CARF entendia que ao contribuinte somente seria legítimo descontar créditos referentes às aquisições de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários, os quais deveriam ser incorporados ou desgastados pelo contato físico com o produto final, para serem considerados insumos ensejadores de crédito de PIS e COFINS (e.g. Acórdão n. 20312.469). Num segundo momento, já assumindo a impropriedade de se aplicar como critério para aferir o crédito PIS e COFINS não cumulativos aquele do IPI uma vez que materialidades destas espécies de tributos são completamente distintas, sendo a do IPI, circunscrita ao âmbito da industrialização, enquanto a das Contribuições, é mais abrangente, por ser a receita como um todo , o CARF passou a utilizar as regras de dedutibilidade de despesa constante na legislação do pelo imposto sobre a renda (“IR”) para a definição de insumos (e.g. Acórdão n. 320200.226). Nesse sentido, a jurisprudência do CARF acabou conferindo uma amplitude maior ao conceito de insumo para o direito de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, entendido como qualquer despesa, desde que necessária à consecução do objeto social da pessoa jurídica. Finalmente, a jurisprudência deste Conselho chegou então a um terceiro momento, no qual se consolidou que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da COFINS “denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ”.10 Essa é a atual, e, a meu ver, correta orientação do CARF a respeito do tema. Com isso, constatase que este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando 10 AC nº 9303002.801, Processo nº 13052.000441/200307, rel. Rodrigo da Costa Pôssas , sessão de 23 de janeiro de 2014. Fl. 1819DF CARF MF 36 em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita (e.g. Acórdão n. 3302002.674). Exatamente neste sentido, este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99 (Acórdão 3402002.881), para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. Ademais, na recente data de 24 de abril de 2018, foi publicado pelo Superior Tribunal de Justiça o Acórdão relativo ao REsp 1.221.170 / PR, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, que pacifica a tese adotada por este Conselho, in verbis: 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Tal julgamento é de observância obrigatória pelo CARF, em conformidade com o que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno. Pois bem. Adotando o citado conceito para a aferição da legitimidade ou não da tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, fazse necessário analisar in casu a essencialidade dos insumos no processo formativo da receita. A Recorrente é concessionária de serviço público que se dedica à prestação de serviços de transporte aéreo regular de passageiros, de cargas, de malas e objetos postais, assim como à prestação de serviços de manutenção e reparação de aeronaves, motores, partes e peças de terceiros. Tendo em vista o citado objeto social, a Recorrente trouxe aos autos prova de seus dispêndios com vestuários e acessórios profissionais de seus funcionários. O custeio dessas vestimentas para os aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984 (com a redação mantida pela Lei n. 13.475/2017, a qual dispõe sobre o exercício da profissão de tripulante de aeronave, denominado aeronauta; e revoga a Lei no 7.183/1984), in verbis: Art. 46 O aeronauta receberá gratuitamente da empresa, quando não forem de uso comum, as peças de uniforme e os equipamentos exigidos para o exercício de sua atividade profissional, estabelecidos por ato da autoridade competente”. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade da Recorrente, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo Fl. 1820DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402005.313 S3C4T2 Fl. 1.803 37 de produção dos serviços prestados pela Recorrente, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais. Assim tem se manifestado esse Conselho em casos análogos, à medida que o fornecimento de uniformes decorre de imposição de lei específica do setor econômico da empresa. Citamos como exemplo o caso dos uniformes utilizados pelos funcionários em redes de supermercado, conferindo direito ao crédito das Contribuições, haja vista que para cada setor específico das lojas a legislação trabalhista brasileira prevê a obrigatoriedade do fornecimento de equipamentos de proteção individual bem como de uniformes para os seus funcionários (Acórdão n. 3301004.483). Por tudo quanto exposto, voto pela reversão das glosas de créditos pautados em "despesas com vestuário e acessórios profissionais" dos aeronautas, relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 1821DF CARF MF 38 Declaração de Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz Igualmente devo expressar minha discordância com a Ilustre Relatora no que tange ao direito creditório referente aos gastos com insumos importados, mais precisamente o frete nacional de insumos importados e os serviços aduaneiros. Como já noticiado, a Recorrente é concessionária de serviço público que se dedica à prestação de serviços de transporte aéreo regular de passageiros, de cargas, de malas e objetos postais, assim como à prestação de serviços de manutenção e reparação de aeronaves, motores, partes e peças de terceiros, sendo que, para o desenvolvimento destas atividades, tornase imprescindível o uso de máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves, que não estão disponíveis no mercado nacional. Por essa razão, necessita importálas do exterior, assim como transportálas para seus estabelecimentos e armazenálas com terceiros. Desta forma, os referidos gastos com frete nacional dos produtos e despachantes aduaneiros são imprescindíveis para a consecução do objeto social da Recorrente, o que os qualifica como insumos para fins de creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS, de acordo com a legislação que rege o tema, como passo a expor. Tratemos primeiramente do frete nacional de produtos importados. A garantia do direito dos créditos das Contribuições é imperiosa no presente caso, pois os motivos elencados pela Fiscalização e corroborados pela DRJ não se coadunam com a natureza do frete sob análise e, por conseguinte, com a legislação que garante seu aproveitamento. Com efeito, o frete em apreço tratase de frete nacional, e não internacional (custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado, conforme o artigo 77 do Regulamento Aduaneiro Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009). É por esta razão que os argumentos de que "inexiste norma garantidora do direito a tal crédito", e de que "a legislação disciplinadora da Contribuição ao PIS e da COFINS incidentes sobre as importações referese ao valor aduaneiro, dentro do qual não estaria incluído o frete", não se aplicam ao presente caso. Explico. Inicialmente, é preciso recordar a diferenciação da incidência/direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre importações ("PISimportação e COFINS importação", ou PIS/COFINSimportação), com a incidência/direito ao crédito das Contribuições ao PIS e da COFINS ("PIS e COFINS") incidentes sobre operações no ocorridas no mercado interno. O PISimportação e a COFINSimportação são exações tributárias disciplinadas pela Lei n. 10.685/04, que em seu artigo 1º, traz a materialidade que é atingida pelas Contribuições: a importação de bens e serviços. Assim, o PIS/COFINSimportação incide uma única vez, no momento da importação de bens e serviços. Tratandose de incidência tributária sobre as importações (paralelamente à desoneração na exportação pelos países estrangeiros), o PISimportação e a COFINS Fl. 1822DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402005.313 S3C4T2 Fl. 1.804 39 importação dão efetividade ao princípio do destino, que rege a tributação do comércio internacional, como decorrência da necessidade de harmonização das legislações entre Estados, como ensina Ricardo Lobo Torres.11 Desse modo, as mercadorias e serviços trazidos do exterior serão sujeitos à incidência dos tributos nacionais sobre o consumo (como o IPI, o ICMS e o ISS), tendo então o mesmo tratamento tributário das mercadorias e serviços produzidos no mercado nacional, com isso respeitando o princípio da não discriminação. Dessarte, o PIS–importação e a COFINS–importação incidem tão somente nas operações nas quais os fornecedores estão domiciliados fora do país, e é a essa situação que a Lei n. 10.685/04 abarcou. Consequentemente, a Lei n. 10.865/04 não trata das operações praticadas em território brasileiro, as quais, como é consabido, são regradas pelas Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003. Todavia, para as pessoas jurídicas que apuram as Contribuições pela sistemática da nãocumulatividade, a importação pode ser a primeira das etapas comerciais, industriais ou de prestação de serviços que ocorrerão em território nacional, a qual eventualmente poderá ser juntar a outros bens ou serviços adquiridos no mercado interno para a consecução das atividades empresarias. Justamente nesse sentido, a Lei n. 10.865/2004, em seu artigo 15, estabeleceu que um dos créditos que podem ser apurados na não cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS (cf. as Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003) corresponde aos valores pagos anteriormente a título de PIS/COFINSimportação. Vejamos Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) 11 Assim, a tributação é outorgada para o país onde os bens são consumidos. (O princípio da não cumulatividade e o IVA no direito comparado. In O princípio da nãocumulatividade, coord. Ives Gandra da Silva Martins, p. 161). Fl. 1823DF CARF MF 40 § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 1oA. O valor da CofinsImportação pago em decorrência do adicional de alíquota de que trata o § 21 do art. 8o não gera direito ao desconto do crédito de que trata o caput.(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 2o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. § 3o O crédito de que trata o caput será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no art. 8o sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7o, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição A dicção do caput do artigo 15 da Lei n. 10.865/2004 é clara: concedeserá o direito ao crédito, relativamente às IMPORTAÇÕES, sobre as contribuições efetivamente pagas (§1º), apurado de acordo com as demais normas que regem o PISimportação e a COFINSimportação, dentre elas a utilização do valor aduaneiro sobre da importação de bens (artigo 7º, inciso I). Como é possível perceber desde já, aqui se discute unicamente a incidência e o crédito nas importações. Esse é o marco final da disciplina da Lei n. 10.865/2004, que em nada pode ou deve prejudicar a incidência das Contribuições que ocorrem em momento subsequente (mercado nacional) e o respectivo direito ao crédito. Afinal, não há e nem poderia haver na Lei n. 10.865/2004 vedação à tomada de outros créditos decorrentes de dispêndios posteriores à importação, pois tais momentos não são objeto de sua normatização. Assim é que a discussão sobre o valor aduaneiro e falta de amparo legal, como já adiantado, em nada tangencia o presente caso, no qual o frete é nacional, uma vez que prestado depois do desembaraço aduaneiro. Tratase de serviço contratado pela Recorrente para que possa efetivar suas atividades empresariais. Com relação a tais fretes, é necessário observar o quanto disposto pelas Lei n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, pois estas sim cuidam da incidência e, por conseguinte, do direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS em casos como o presente. São inúmeras as manifestações da Receita Federal sobre o assunto, sempre tendo como pressuposto justamente a diferenciação acima exposta, como se depreende, a título exemplificativo, dos trechos das seguintes Soluções de Consulta: Solução de Consulta nº 113 SRRF09/Disit, datada de 11 de junho de 2012: É que os créditos a que a Leis nº 10.637, de 2002, e a Lei nº 10.833, de 2003, aludem são somente os relativos a aquisições no mercado interno, diferentemente dos créditos relativos à importação de bens e de serviços, que estão no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Solução de Consulta nº 75 SRRF08/Disit Data 27 de março de 2013: 12 Devese ressaltar a notável diferença existente entre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre as operações no mercado interno e a Contribuição para o PIS/Pasep–Importação e a Cofins–Importação incidentes sobre Fl. 1824DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402005.313 S3C4T2 Fl. 1.805 41 as importações de bens e serviços. Tratamse de tributos distintos, que possuem hipótese de incidência, base de cálculo e contribuintes diferentes. 13 De um lado, temse a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita (mercado interno), cuja autorização para sua criação fundase no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal (CF). O regime de apuração não cumulativa das mencionadas contribuições foi instituído pela Lei nº 10.637, de 2002, relativamente à Contribuição para o PIS/Pasep, e pela Lei nº 10.833, de 2003, no que se refere à Cofins. Com efeito, a Receita Federal parte do mesmo pressuposto do adotado no presente voto: há primeiro uma operação de importação de bens, sujeito à incidência do PIS importação e da COFINSimportação, dado direito ao crédito nos moldes do artigo 15 da Lei n. 10.865/2004; posteriormente outras operações passam a existir em âmbito nacional, sobre as quais vai incidir a Contribuição ao PIS e a COFINS nãocumulativas, e os créditos estão disciplinados pelos artigos 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Ocorre que, em razão do restrito juízo administrativo sobre o conceito de insumo no âmbito da Contribuição ao PIS e da COFINS no sentido daquele adotado na legislação do IPI (somente dariam direito ao crédito MP, PI e ME incorporados ao produto), o entendimento que hoje prevalece nas Soluções de Consulta é pela não autorização do direito ao crédito. Por todas, destaco a recente Solução de Consulta nº 121 Cosit, de 8 de fevereiro de 2017, na qual a questão do frete é análoga a que ora se discute: 13. No caso em tela, questionase a possibilidade de desconto de créditos em relação a gastos compreendidos entre o despacho aduaneiro e a revenda do produto, mais especificamente os serviços aduaneiros, o frete relativo ao transporte do produto importado do ponto de entrada no país até o estabelecimento da pessoa jurídica e as despesas com depósito (armazenagem), contratados com pessoa jurídica domiciliada no Brasil. 14. Em relação à despesa com serviços aduaneiros, verificase que não estão incluídas no rol de hipóteses de creditamento constantes do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Em que pese os serviços aduaneiros referiremse à aquisição de mercadorias importadas, também não encontramos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que enumera os créditos decorrentes da importação, hipótese passível de abarcar os referidos serviços. 15. Com relação ao frete concernente ao transporte do produto importado do ponto de entrada no país até o estabelecimento da pessoa jurídica, verificase que, dentre as hipóteses de crédito enumeradas pelo art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, apenas é possível perquirirse acerca da previsão de crédito em relação a frete na operação de venda (inciso IX). No que toca aos gastos com frete na aquisição dos produtos, têmse sedimentado o entendimento de que tal Fl. 1825DF CARF MF 42 dispêndio pode ser incorporado ao valor do item adquirido e, caso este se destine à revenda (art. 3º, I, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003) e seja adquirido de pessoa jurídica domiciliada no Brasil (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 3º, I, e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 3º, I), o crédito pode ser apurado pelo valor total (custo de aquisição do item + frete). Como não é o caso, já que a mercadoria importada não é adquirida de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, essa aquisição não dá direito a crédito com base no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Dessa forma, a possibilidade de apuração de crédito, nesse caso, deve ser analisada com base no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, que trata, como mencionado, de produtos importados. A conclusão inarredável é que a Fiscalização somente analisa o direito ao crédito do frete nacional de produto importado à luz do artigo 3º, incisos I e IX das Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003, e não com relação ao artigo 3º, inciso II das mesmas leis, o qual, como se sabe, traz a possibilidade de tomada de crédito das Contribuições sobre bens ou serviços contratados no âmbito de seus processos produtivos. Porém, o assunto dos gastos com fretes e seu consequente direito ao creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS encontrase inserido na questão maior do conceito de insumo para fins do direito ao crédito dessas Contribuições Sociais, o qual teve grande atenção desse Conselho, culminando em jurisprudência já consolidada sobre o tema. Adotandose a linha de entendimento exposta no voto vencedor acima colacionado,12 como vem ocorrendo nas decisões proferidas por este Colegiado, a consequência lógica incontornável é pela necessidade de garantia do direito ao crédito da Recorrente, porque o seu direito sobre o frete nacional de produtos importados é sustentado pelo artigo 3º, inciso II das Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Ademais, é preciso salientar, entendimento diverso significaria tratar a não cumulatividade da Contribuição ao PIS e a COFINS como se fosse técnica de tributos vinculados ao produto. Não é demais repetir, a Contribuição ao PIS e a COFINS incidem sobre a receita, e daí advém o entendimento do CARF que os custos de produção, por serem indispensáveis para as atividades empresariais, devem dar direito ao crédito. É essa a tranquila jurisprudência deste Conselho, conforme se verifica das ementas abaixo colacionadas: Número do processo: 10950.003052/200656 Acórdão nº 3403001.938 Data de Publicação: 03/05/2013 Contribuinte: PLANT BEM FERTILIZANTES S.A. Relator(a): ROSALDO TREVISAN Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 12 Este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99 (Acórdão 3402002.881), para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. Fl. 1826DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402005.313 S3C4T2 Fl. 1.806 43 Ementa: ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. Impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual não constituem insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. “[...] CRÉDITOS. FRETE DE BENS QUE CONFIGURAM INSUMOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE QUE CONFIGURA INSUMO, INDEPENDENTE DO BEM TRANSPORTADO ESTAR SUJEITO À CONTRIBUIÇÃO. O frete de um produto que configure insumo é, em si mesmo, um serviço aplicado como insumo na produção. O direito de crédito pelo serviço de transporte não é condicionado a que o produto transportado esteja sujeito à incidência das contribuições. [...] (Processo 13971.005202/200959, Acórdão 3403003.163, j. 20/08/2014, Relator Alexandre Kern) Outrossim, não permitir direito ao crédito do frete nacional (ou qualquer outro custo posterior à nacionalização) do insumo importado significaria o absurdo de que, com relação aquele insumo, nenhum outro gasto incorrerá a empresa em seu processo produtivo, ao fim do qual há a geração de receita, que sofrerá a tributação das Contribuições sociais em questão. Concluise assim que, efetivamente, ao tratamos do trânsito de matérias primas da zona portuária até o estabelecimento do contribuinte (frete nacional), o dispêndio com frete é custo da atividade da Recorrente, e deve ser entendido como insumo, nos termos do artigo 3º, inciso II das Lei n. 10.673 e 10.833, sendo capaz, portanto, de dar direito ao crédito, seja da Contribuição ao PIS, seja da COFINS. Nesse sentido, lembro que no tange à contratação do frete, como destaco alhures, está cumprido o requisito do artigo 3º, §3º inciso I das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, já que o crédito tomado pela Recorrente advém de serviços contratados de pessoas jurídicas domiciliadas no País. Fl. 1827DF CARF MF 44 Assim, entendo que deve ser concedido o direito ao crédito referente a fretes para o transporte de insumos da zona portuária até o estabelecimento do contribuinte. O mesmo raciocínio, exaustivamente tratado acima, se aplica aos gastos com serviços aduaneiros (despachantes). Nesse ponto, cumpre realçar que os gastos relacionados com despachantes aduaneiros referemse à contratação de pessoas jurídicas conforme contratos anexos à defesa. Esse Colegiado, no julgamento do Processo n. 11080.725358/201183, já entendeu pelo direito ao crédito sobre esse jaez de serviços aduaneiros. No mesmo sentido manifestouse a 1ª Turma da 2ª Câmara dessa Seção de Julgamento no 10976.000158/200871, do qual destaco o seguinte trecho do voto condutor da decisão: “Especificamente sobre os gastos incorridos com despachantes aduaneiros, durante a ação fiscal, a Recorrente apresentou documentos sobre a importação de jogos de cinta de prensagem brilhante para máquina de produção de cartões de plástico laminado marca Melzer (fls. 142/146). No arrazoado sobre o seu processo produtivo, a Recorrente esclareceu à fiscalização que adquire materiais no mercado externo para a confecção de cartões de pvc com tarja magnética, bem como de formulários e cheques. Ora, considerando que a atividade fim da Recorrente não está diretamente relacionada a comércio exterior, é natural que haja a contratação de terceiros para acompanhar esse tipo de operação, sendo desnecessária a contratação de empregados para tanto. Considerando ainda que o despachante aduaneiro contratado é pessoa jurídica, nomeadamente a Internacional Comissaria de Despachos Aduaneiros Ltda. (fls.97, 99, 101, 103, 105 e 107), não se aplica a restrição legal ao crédito decorrente da contratação de pessoas físicas. Com base em todas essas circunstâncias, entendo que a decisão recorrida merece ser reformada no tocante à glosa de créditos de COFINS oriundos de gastos com serviços de despachante aduaneiro.” (Processo nº 10976.000158/200871 – Acórdão nº 3201000.958 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária –julgado em 24/04/2012 – g.n.) Com esses fundamentos, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas de créditos relativas a frete nacional de insumos importados e gastos com despachantes aduaneiros. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 1828DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.920505/2009-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2005
RECURSO ESPECIAL. AUSENTE A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL E A SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIDO.
Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015.
Numero da decisão: 9303-006.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2005 RECURSO ESPECIAL. AUSENTE A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL E A SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2005 RECURSO ESPECIAL. AUSENTE A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL E A SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 330201.406, de 26 de janeiro de 2012, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 05 05 /2 00 9- 24 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10880.920505/200924 Acórdão n.º 9303006.980 CSRFT3 Fl. 206 2 O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. nos termos da seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2005 CIDE. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte" Inconformada com essa decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo o seu provimento para restabelecer a decisão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, alegando, em síntese, que a demonstração e comprovação da certeza e liquidez do crédito financeiro pleiteado e utilizado na Dcomp deve ser feita no momento de sua transmissão e não posteriormente, depois de intimado do despacho decisório, mediante a transmissão de DCTF retificadora. O art. 74 da Lei nº 9.430/1996 e o 170 do CTN exigem a existência de crédito financeiro liquido e certo contra a Fazenda Nacional para se efetuar a compensação via Dcomp. Por meio do despacho Exame de Admissibilidade de Recurso Especial às fls. 133/134, o recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido. Intimado do acórdão, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho de sua admissibilidade, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, requerendo o seu desprovimento e a baixa dos autos à unidade de origem, a fim de apurar a regularidade do crédito financeiro pleiteado, alegando, em síntese, que o fato de ter cometido erro no preenchimento da DCTF não é suficiente para que o Fisco ignore outros documentos que já analisados pela RFB comprovam a validade dos créditos reivindicados por ele. É o relatório em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, porém não deve ser conhecido por não cumprir com os requisitos essenciais de admissibilidade, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A matéria decidida na Câmara Baixa foi: a DCTF retificadora substitui a original, produzindo todos os efeitos tributários, inclusive, quanto a indébitos decorrentes de Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10880.920505/200924 Acórdão n.º 9303006.980 CSRFT3 Fl. 207 3 sua retificação, cabendo à autoridade fiscal apurar por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte. Para comprovar a divergência, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas a cópia do Acórdão nº 10517.143, às fls. 112/130. No entanto, o paradigma apresentado não serve para comprovar a divergência, em relação ao acórdão recorrido. Conforme se verifica de seu exame, a matéria nele tratada referese à retificação de DIPJ e não à retificação de DCTF. Tratase de declarações diferentes e com legislação própria. A DCTF constitui confissão de dívida enquanto a DIPJ não. Inclusive, o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica apurado nesta declaração deve obrigatoriamente ser declarado naquela. À luz do exposto, não conheço do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13891.000005/2010-77
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO.
A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1003-000.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 1. 00 00 05 /2 01 0- 77 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13891.000005/201077 Acórdão n.º 1003000.129 S1C0T3 Fl. 66 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 199/2010, o qual determinou a exclusão da empresa do Simples Nacional a partir de 01 de março de 2009, com fundamento na disposição contida no artigo 29, VII da Lei Complementar nº 123/2006, tendo em vista a comercialização, pela empresa, de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. A recorrente alega, em síntese, que não há provas nos autos de que os maços de cigarros apreendidos em seu estabelecimento comercial foram objeto de comercialização, que o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil signatário do ADE nunca esteve presente em seu estabelecimento comercial, que dos documentos emitidos pela Polícia Civil de Porto Ferreira constam a apreensão de quatro maços de cigarros encontrados "no local de localização do prédio da empresa", não havendo referência a comercialização, que "não há e nem poderia haver identificação de comercialização, visto a inexistência de compra e venda destes produtos pela manifestante, donde se conclui de que tais produtos não foram ou não seriam comercializados", que "cigarros não são comercializados avulsos, mas sim em maços de 20 unidades", que "no caso da localização dos 4 cigarros/maços de cigarros no estabelecimento comercial da empresa, está bastante claro que não se destinavam ao comércio", que "é muito mais razoável afirmar que não foram comercializados, pois foram apreendidos pela Polícia Civil de Porto Ferreira, e se foram comercializados, não o foram pela manifestante, visto que tais produtos jamais retornaram ao estabelecimento onde foram apreendidos, desconhecendo eta requerente o destino que os mesmos produtos tiveram", que "se foram comercializados, como afirma a autoridade signatária no Ato Declaratório, foram pela Polícia Civil, ou a quem os assumiu após a entrega destes pela Polícia Civil". Apresenta, ainda, a diferença semântica entre comercializar e depositar, e argumenta que para que fosse caracterizada a comercialização deveria haver nos autos notas fiscais de venda ou compra, relatos testemunhais, lançamentos no livro caixa, etc. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Os referidos quatro maços de cigarros foram apreendidos pela polícia no interior do estabelecimento comercial da recorrente, cuja atividade econômica é a de CNAE 4723700, comércio varejista de bebidas e o nome fantasia "Bar da Praça" (comprovante CNPJ à folha 64). A atividade é, portanto, afim à comercialização de cigarros. A argumentação da recorrente é confusa ao mencionar cigarros avulsos, já que foram apreendidos maços de cigarros em seu estabelecimento. As alegações de necessidade de notas fiscais e lançamentos contábeis para comprovação de comercialização de cigarros oriundos de crime de descaminho são desprovidas sentido, pois mercadorias com tal Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13891.000005/201077 Acórdão n.º 1003000.129 S1C0T3 Fl. 67 3 origem não apresentam registros regulares. A afirmação de que os cigarros podem ter sido comercializados pela própria Polícia Civil tampouco socorrem a recorrente . Conforme mencionado no acórdão de primeira instância, comercializar é colocar algo no comércio, oferecer um produto à venda. A presença dos quatro maços de cigarros em um bar corresponde, de forma evidente, à sua oferta no comércio. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000238/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA PARCIAL ACOLHIDA.
O termo inicial do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, conta-se da seguinte forma: (a) inexistindo pagamento antecipado ou existindo dolo, fraude ou simulação, incide o art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; (b) existindo pagamento antecipado e incorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo é de cinco anos contado do fato gerador, incidindo o art. 150, § 4º, do CTN.
SIGILO BANCÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA ENTRE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. EFEITOS.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trata o processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal.
A perícia técnica se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos.
Considera-se inexistente o pedido de diligência e perícia técnica, quando não atender aos ditames do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Aplicação da inteligência do § 1º do art. 16 do mesmo diploma legal.
Não configura cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerado desnecessário, prescindível ou formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72.
Existindo nos autos do processo os elementos de prova necessários à formação da livre convicção do julgador e constatando-se a inexistência de matéria que necessite perícia técnica para ser decidida, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia.
Não cabe realização de diligência fiscal ou perícia técnica para substituir a parte na produção de prova, quando não se desincumbiu do seu ônus probatório.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Para imputação, por presunção legal, da infração omissão de receitas (fato probando) basta que o fisco comprove a ocorrência do fato indiciário, ou seja, a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária.
A partir do fato indiciário - depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) - presume-se a ocorrência ou existência de omisssão de receitas à margem da tributação (fato probando).
A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova.
O ônus probatório da não ocorrência do fato probando - omissão de receitas - é do sujeito passivo.
A presunção legal tem caráter relativo, podendo ser elidida, afastada, por prova em contrário da não ocorrência da infração omissão de receitas.
OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE - RECEITAS NÃO ESCRITURADAS - NOTAS FISCAIS "CALÇADAS". PROVA DIRETA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
O calçamento de notas fiscais caracteriza omissão de receitas de acordo com a legislação em vigor na data do fato gerador.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1° do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NO MÉRITO MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
A multa de ofício aplicada está cominada na lei de regência vigente, com presunção de constitucionalidade, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negar vigência ou afastar sua aplicação, por falta de competência.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula CARF nº 2).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARFnº 4).
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5).
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL-SIMPLES, PIS -SIMPLES, COFIN- SIMPLES E CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - INSS-SIMPLES.
Por decorrerem dos mesmos elementos de fato, a decisão prolatada para o IRPJ-Simples aplica-se também aos tributos reflexos.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA.
Respondem solidariamente com a empresa autuada pelos créditos tributários as pessoas que agiram com excesso de poderes e/ou infração à lei, nos termos do artigo 135, III, do CTN, bem assim aquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I do CTN, somente naqueles créditos em foi comprovada a atuação dolosa, o que não ocorreu nos casos de omissão de receitas decorrentes de prova indireta, em que o lançamento foi presumido.
Numero da decisão: 1301-003.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer da matéria atinente ao sigilo bancário em face da concomitância entre processo administrativo e judicial, e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para exonerar, em razão de decadência, o crédito tributário dos períodos de apuração de junho e julho de 2004 relativos à infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários e à infração de insuficiência de recolhimentos de Simples. No que diz respeito à responsabilidade tributária, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para excluir a responsabilidade atribuída aos coobrigados em relação ao crédito tributário decorrente da infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, e da infração de insuficiência de recolhimentos de Simples. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel que mantinha integralmente a responsabilidade dos coobrigados. Designada a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
(assinado digitalmente)
Amelia Wakako Morishita Yamamoto - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer da matéria atinente ao sigilo bancário em face da concomitância entre processo administrativo e judicial, e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para exonerar, em razão de decadência, o crédito tributário dos períodos de apuração de junho e julho de 2004 relativos à infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários e à infração de insuficiência de recolhimentos de Simples. No que diz respeito à responsabilidade tributária, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para excluir a responsabilidade atribuída aos coobrigados em relação ao crédito tributário decorrente da infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, e da infração de insuficiência de recolhimentos de Simples. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel que mantinha integralmente a responsabilidade dos coobrigados. Designada a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. (assinado digitalmente) Amelia Wakako Morishita Yamamoto - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA PARCIAL ACOLHIDA. O termo inicial do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, conta-se da seguinte forma: (a) inexistindo pagamento antecipado ou existindo dolo, fraude ou simulação, incide o art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; (b) existindo pagamento antecipado e incorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo é de cinco anos contado do fato gerador, incidindo o art. 150, § 4º, do CTN. SIGILO BANCÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA ENTRE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. EFEITOS. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trata o processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal. A perícia técnica se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Considera-se inexistente o pedido de diligência e perícia técnica, quando não atender aos ditames do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Aplicação da inteligência do § 1º do art. 16 do mesmo diploma legal. Não configura cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerado desnecessário, prescindível ou formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. Existindo nos autos do processo os elementos de prova necessários à formação da livre convicção do julgador e constatando-se a inexistência de matéria que necessite perícia técnica para ser decidida, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia. Não cabe realização de diligência fiscal ou perícia técnica para substituir a parte na produção de prova, quando não se desincumbiu do seu ônus probatório. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação, por presunção legal, da infração omissão de receitas (fato probando) basta que o fisco comprove a ocorrência do fato indiciário, ou seja, a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário - depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) - presume-se a ocorrência ou existência de omisssão de receitas à margem da tributação (fato probando). A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando - omissão de receitas - é do sujeito passivo. A presunção legal tem caráter relativo, podendo ser elidida, afastada, por prova em contrário da não ocorrência da infração omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE - RECEITAS NÃO ESCRITURADAS - NOTAS FISCAIS "CALÇADAS". PROVA DIRETA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. O calçamento de notas fiscais caracteriza omissão de receitas de acordo com a legislação em vigor na data do fato gerador. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1° do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NO MÉRITO MATÉRIA NÃO CONHECIDA. A multa de ofício aplicada está cominada na lei de regência vigente, com presunção de constitucionalidade, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negar vigência ou afastar sua aplicação, por falta de competência. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARFnº 4). São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL-SIMPLES, PIS -SIMPLES, COFIN- SIMPLES E CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - INSS-SIMPLES. Por decorrerem dos mesmos elementos de fato, a decisão prolatada para o IRPJ-Simples aplica-se também aos tributos reflexos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. Respondem solidariamente com a empresa autuada pelos créditos tributários as pessoas que agiram com excesso de poderes e/ou infração à lei, nos termos do artigo 135, III, do CTN, bem assim aquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I do CTN, somente naqueles créditos em foi comprovada a atuação dolosa, o que não ocorreu nos casos de omissão de receitas decorrentes de prova indireta, em que o lançamento foi presumido.
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ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA PARCIAL ACOLHIDA. O termo inicial do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase da seguinte forma: (a) inexistindo pagamento antecipado ou existindo dolo, fraude ou simulação, incide o art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; (b) existindo pagamento antecipado e incorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo é de cinco anos contado do fato gerador, incidindo o art. 150, § 4º, do CTN. SIGILO BANCÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA ENTRE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. EFEITOS. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trata o processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 02 38 /2 00 9- 60 Fl. 4298DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.299 2 A perícia técnica se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Considerase inexistente o pedido de diligência e perícia técnica, quando não atender aos ditames do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Aplicação da inteligência do § 1º do art. 16 do mesmo diploma legal. Não configura cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerado desnecessário, prescindível ou formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. Existindo nos autos do processo os elementos de prova necessários à formação da livre convicção do julgador e constatandose a inexistência de matéria que necessite perícia técnica para ser decidida, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia. Não cabe realização de diligência fiscal ou perícia técnica para substituir a parte na produção de prova, quando não se desincumbiu do seu ônus probatório. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação, por presunção legal, da infração omissão de receitas (fato probando) basta que o fisco comprove a ocorrência do fato indiciário, ou seja, a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) presumese a ocorrência ou existência de omisssão de receitas à margem da tributação (fato probando). A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando omissão de receitas é do sujeito passivo. A presunção legal tem caráter relativo, podendo ser elidida, afastada, por prova em contrário da não ocorrência da infração omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITAS NÃO ESCRITURADAS NOTAS FISCAIS "CALÇADAS". PROVA DIRETA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. O calçamento de notas fiscais caracteriza omissão de receitas de acordo com a legislação em vigor na data do fato gerador. Fl. 4299DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.300 3 Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1° do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NO MÉRITO MATÉRIA NÃO CONHECIDA. A multa de ofício aplicada está cominada na lei de regência vigente, com presunção de constitucionalidade, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negar vigência ou afastar sua aplicação, por falta de competência. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARFnº 4). São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLLSIMPLES, PIS SIMPLES, COFIN SIMPLES E CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INSSSIMPLES. Por decorrerem dos mesmos elementos de fato, a decisão prolatada para o IRPJSimples aplicase também aos tributos reflexos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. Respondem solidariamente com a empresa autuada pelos créditos tributários as pessoas que agiram com excesso de poderes e/ou infração à lei, nos termos do artigo 135, III, do CTN, bem assim aquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I do CTN, somente naqueles créditos em foi comprovada a atuação dolosa, o que não ocorreu nos casos de omissão de receitas decorrentes de prova indireta, em que o lançamento foi presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer da matéria atinente ao sigilo bancário em face da concomitância entre processo administrativo e judicial, e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para exonerar, em razão de Fl. 4300DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.301 4 decadência, o crédito tributário dos períodos de apuração de junho e julho de 2004 relativos à infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários e à infração de insuficiência de recolhimentos de Simples. No que diz respeito à responsabilidade tributária, por maioria de votos, darlhe provimento parcial para excluir a responsabilidade atribuída aos coobrigados em relação ao crédito tributário decorrente da infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, e da infração de insuficiência de recolhimentos de Simples. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel que mantinha integralmente a responsabilidade dos coobrigados. Designada a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. (assinado digitalmente) Amelia Wakako Morishita Yamamoto Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 4301DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.302 5 Relatório Tratase do Recurso Voluntário, apresentado conjuntamente pela OKTA ALIMENTOS LTDA e pelos sujeitos passivos solidários Sr.Octávio José Pagnan e a Sra. Selene Gonçalves Pagnan, contra o Acórdão da 3ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto que julgou a impugnação improcedente: a) ao manter o crédito tributário lançado de ofício (autos de infração do Simples Federal) do anocalendário 2004; b) ao manter a sujeição passiva solidária dos sócios Sr.Octávio José Pagnan e a Sra. Selene Gonçalves Pagnan. Quanto aos fatos, consta dos autos: Em 13/08/2009, a fiscalização da DRF/Ribeirão Preto lavrou autos de infração do Simples Federal (IRPJSimples, PISSimples, CSLLSimples, CofinsSimples e Contribuição para Seguridade Social INSS Simples), anocalendário 2004, ao imputar as seguintes infrações (efls. 3988/4074): (...) 001 OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO ESCRITURADAS Valor apurado conforme Demonstrativo Mensal Consolidado de Omissão de Rendimentos (Notas Fiscais Calçadas), Demonstrativo Mensal Analítico de Omissão de Rendimentos (Notas Fiscais Calçadas), Demonstrativo de Omissão de Valores (Notas Fiscais Calçadas) por Comprador/Cliente, demais Termos e Termo de Encerramento de Ação Fiscal em anexo. (...) ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 24 da Lei n° 9.249/95; arts. 2°, § 2º , 3°, § 1º, alínea "a", 5°, 7°, § 1º, 18, da Lei n° 9.3l7/96.; Art. 3° da Lei n° 9.732/98.; Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. 002 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS Valor apurado conforme Demonstrativo Mensal de Créditos Não Comprovados Depósitos Bancários, Demonstrativo Mensal de Créditos Não Comprovados Consolidado Depósito Bancário, Termos e Termo de Encerramento de Ação Fiscal. Fl. 4302DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.303 6 ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 24 da Lei n° 9.249/95; arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alinea "a", 5°, 7°, § 1°, 18, da Lei n° 9.317/96; art. 42 da Lei n° 9.430/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98.; Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. 003 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme descrito no Termo de Encerramento de Ação Fiscal e demais documentos constantes do Processo. ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 5° da Lei n° 9.317/96 c/c art. 3° da Lei n° 9.732/98; Arts. 186 e 188, do RIR/99. (...) Valor tributável: Consta dos autos de infração e, também, do Termo de Encerramento Fiscal de efls. 4076/4089 e Anexo (efl.3969), parte integrante do lançamento fiscal, o Demonstrativo de Apuração de Valores Tributáveis, anocalendário 2004, e que transcrevo a seguir: A B C D E VALOR TRIBUTÁVEL APURADO 1 RECEITA DECLARADA2 (DIPJ) RECEITAS TRIBUTÁVEIS APURADAS (AB) OMISSÃO DE RENDIMENTO "NOTAS CALÇADAS" 3 OMISSÃO DE RENDIMENTO "DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO COMPROVADO" (CD) 4 JANEIRO R$ 538.323,53 R$ 34.218,69 R$ 504.104,84 R$ 61.839,61 R$ 442.265,23 FEVEREIRO R$ 463.281,75 R$ 33.824,45 R$ 429.457,30 R$ 66.904,68 R$ 362.552,62 MARÇO R$ 511.262,17 R$ 33.121,62 R$ 478.140,55 R$ 82.727,83 R$ 395.412,72 ABRIL R$ 585.988,03 R$ 35.104,78 R$ 550.883,25 R$ 72.444,93 R$ 478.438,32 MAIO R$ 708.367,06 R$ 34.828,92 R$ 673.538,14 R$ 106.479,01 R$ 567.059,13 JUNHO R$ 514.324,33 R$ 36.382,26 R$ 477.942,07 R$ 115.720,72 R$ 362.221,35 JULHO R$ 1.015.870,27 R$ 36.812,33 R$ 979.057,94 R$ 88.277,30 R$ 890.780,64 AGOSTO R$ 510.948,01 R$ 37.416,54 R$ 473.531,47 R$ 84.930,95 R$ 388.600,52 SETEMBRO R$ 343.859,11 R$ 38.128,47 R$ 305.730,64 R$ 57.467,81 R$ 248.262,83 OUTUBRO R$ 477.422,52 R$ 37.426,80 R$ 439.995,72 R$ 69.755,42 R$ 370.240,30 NOVEMBRO R$ 299.221,45 R$ 38.248,62 R$ 260.972,83 R$ 80.698,04 R$ 180.274,79 DEZEMBRO R$ 379.511,68 R$ 42.126,40 R$ 337.385,28 R$ 112.866,02 R$ 224.519,26 TOTAL R$ 6.348.379,91 R$ 437.639,88 R$ 5.910.740,03 R$ 1.000.112,32 R$4.910.627,71 Fl. 4303DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.304 7 1 Valores apurados conforme previsão legal do art. 42 da Lei 9.430/96 (Depósitos Bancários Não Comprovados); 2 Total de Receita Declarada pelo fiscalizado à Secretaria da Receita Federal (Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica Simples/ND n° 9305139); 3 Valores apurados conforme descrito no Demonstrativo Mensal Analítico de Omissão de Rendimentos (Notas Fiscais "Calçadas"), no Demonstrativo Mensal Consolidado de Omissão de Rendimentos (Notas Fiscais "Calçadas") e nos Demonstrativos Omissão de Valores (notas fiscais "calçadas") por comprador/cliente 4 Valor apurado pela diferença algébrica entre o Valor Total de Receitas Tributáveis Apuradas (coluna C) e o Valor Total de Omissão de Rendimentos provenientes de Notas Fiscais "Calçadas" (coluna D) . ( . . . ) Demonstrativo de percentuais aplicáveis de receita bruta (efl. 3989). Quanto à infração omissão receitas receitas não escrituradas "nota calçada", prova direta (Lei 9.249/95, art. 24), o fisco imputou a multa qualificada de 150%; Quanto às infrações omissão de receitas depósitos bancários não escriturados (Lei 9.430/96, art. 42) e insuficiência de recolhimento, o fisco imputou a multa de 75%. Sujeição passiva solidária aos sócios: Sr.Octávio José Pagnan e a Sra. Selene Gonçalves Pagnan (CTN, art. 124,I); Crédito tributário lançado de ofício (autos de infração do Simples Federal), anocalendário 2004, na data da lavratura dos autos de infração, perfaz o montante de R$ 1.512.948,27, assim especificado por exação fiscal: Autos de Infração Principal Juros de mora (calculados até a data de 31/07/2009 ) Multa de ofício Total IRPJSimples 45.198,26 30.209,07 39.563,47 114.970,80 PISSimples 45.198,26 30.209,07 39.563,47 114.970,80 CSLLSimples 70.551,28 47.222,85 61.721,26 179.495,39 Cofins Simples 141.102,52 94.445, 79 123.442,58 358.990,89 Contrib. Seg. Social INSS Simples 292.779,97 195.289,34 256.451,07 744.520,38 Fl. 4304DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.305 8 Total 1.512.948,27 Cientes do lançamento fiscal, a pessoa jurídica autuada OKTA ALIMENTOS LTDA e os responsáveis solidários apresentaram impugnação, cujas razões estão assim resumidas no relatório da decisão recorrida (efls. 4178/4182), in verbis: (...) IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento em 26/08/2009, através de ciência postal, conforme AR (fl. 3.896, 3.792, 3.794), a interessada e os sócios solidários, por seus advogados e procuradores, ingressaram, em 22/09/2009, com peça impugnatória de fls. 3.898/3.973, alegando, em suma: a) Responsabilidade Tributária A prescrição do art. 124, que caracteriza responsabilidade solidária passiva, (...). Para que se configure a responsabilidade tributária solidária é preciso que o fisco demonstre de forma justificada, mediante provas, a existência de interesse comum quanto ao fato gerador. No processo administrativo não existiu qualquer ato e prova demonstrando claramente a configuração dos requisitos legais a fim de justificar a imposição de responsabilidade tributária, destacando que solidariedade não se presume. Discorre sobre a solidariedade e interesse comum, concluindo que o interesse comum na “ocorrência do fato gerador demanda basicamente um interesse jurídico e não meramente fático, econômico, social, (...). Entende que no presente caso não restam caracterizados os requisitos legais, (...). Conclui pela inexistência do preenchimento dos requisitos legais para atribuição da responsabilidade tributária por solidariedade do art. 124, I, do CTN. (...) b) Decadência Mensal Alega a decadência quanto aos períodos cobrados até julho de 2004. O art.42, §l°, da Lei n° 9430/96 dispõe que o valor das receitas ou dos rendimentos omitidos serão considerados auferidos ou recebidos no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 4305DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.306 9 Assim, sendo o fato gerador mensal, nos termos do art. 150, § 4° do CTN e inexistindo o dolo configurado, há de se reconhecer a decadência com relação aos períodos de janeiro a julho de 2004. c) Cerceamento de Defesa. Devido Processo Legal Administrativo Discorre sobre os princípios da supremacia da constituição, da máxima efetividade ou eficácia, do devido processo legal, contraditório, ampla defesa, alegando que houve cerceamento de defesa com violação ao devido processo legal, por ter o auto de infração sido lavrado sem a explicitação clara da razão fática e jurídica da desconsideração de todos os documentos e esclarecimentos apresentados, (...). (...) No presente processo o lançamento por depósito bancário exige que se demonstre em planilha de forma individual referidos depósitos, fato não demonstrado pela fiscalização, implicando no cerceamento do direito de defesa da impugnante. d) Omissão de Receitas Presunção de Omissão de Receitas Receitas Não Escrituradas de Depósitos Bancário Não Escriturados Que o lançamento pautouse apenas em presunção, não havendo a efetiva comprovação da omissão de receitas no tocante aos extratos bancários, bem como relativamente à emissão de notas calçadas, sendo ilegal citado procedimento, bem como requerendo prova pericial. e) Obtenção de Prova Ilícita Ofensa aos Princípios Constitucionais do Sigilo Bancário Requer a nulidade do lançamento por utilização de prova obtida por meio ilícito. O sigilo bancário é direito individual fundamental que só pode ser violado por determinação judicial, motivo que a obtenção dos extratos diretamente pela Autoridade Fiscal é arbitrária, ilegal e inconstitucional. Que a autorização de quebra do sigilo bancário diretamente pelo fisco, prevista na Lei Complementar 105 de 2001 é inconstitucional. f) Omissão de Receitas Receitas Não Escrituradas Depósitos Bancários e o Conceito Constitucional de Renda Que depósito bancário não é renda, pois esta depende do confronto de receitas e despesas, sendo que a Autoridade Fiscal só apurou receitas e em nenhum momento fez alusão às despesas. Que dentro da movimentação bancária o mesmo dinheiro movimenta várias vezes pela conta, podendo os extratos Fl. 4306DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.307 10 bancários conter empréstimos, valores liberados de cheques especiais, circulação de valores entre bancos etc. Transcreve julgados do Conselho de Contribuintes e Súmula 182 do TRF, que entende corroborar sua argumentação. Reitera a necessidade da prova pericial. g) Exclusão dos Valores Pagos no Simples Que não foram considerados no lançamento os valores pagos pelo SIMPLES, devendo ser excluídos. h) Tributação Reflexa Sendo improcedente lançamento do Imposto de Renda, por conseqüência restam indevidos os lançamentos reflexos. i) Presunção de Omissão se Receitas PIS/COFINS/CSLL Falta de Previsão Legal Que a omissão de receita por presunção legal disposta no art.42 da Lei n° 9.430/1996 só é aplicável ao Imposto de Renda. A utilização de presunção para fins de tributação só é permitida se expressamente prevista em lei. Nesse sentido, somente com advento da Medida Provisória 449 de 2008, com a alteração do art. 8° da Lei 8.212/ 1991, se criou a discutível possibilidade de se tributar, mediante presunção, eventual omissão de receita, com base em depósito bancário, para as contribuições sociais. j) Aumento da Base de Cálculo da COFINS e do PIS As modificações instituídas pela Lei n° 9.718/98 são inconstitucionais, pois não respeitam o limite estabelecido originariamente pelo art. 195, I da CF/88, sendo distintas as expressões faturamento e receita bruta. A EC n° 20/98 não dá amparo à alteração veiculada na Lei n° 9.718/98, pois é anterior a tal modificação. Por ser nova fonte de custeio para seguridade social, qualquer modificação demandaria Lei Complementar nos termos dos art. 195, §4° e art. 154, I da CF/88. k) COFINS. Majoração de Alíquota. Lei ordinária não pode revogar disposições previstas em lei complementar, motivo da inconstitucionalidade da elevação da alíquota da COFINS de 2% para 3% prescrita pela Lei 9.718/98. l) Indevida Inclusão do ICMS na Base de Cálculo Do PIS e da COFINS Fl. 4307DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.308 11 Os valores do ICMS não podem ser incluídos na base de cálculo de PIS e COFINS, uma vez que não configuram faturamento ou receita. m) Disposições Específicas ao PIS Não é possível que lei ordinária altere base de cálculo do PIS, que e expressamente prevista em lei complementar, entretanto, o fisco tomou como base de cálculo o valor do mês anterior à ocorrência do fato gerador, desrespeitando o comando do art. 6°, parágrafo único da Lei Complementar 7/70.] n) Juros Contesta a utilização da SELIC como forma de cálculo dos juros, por entender que apresentam caráter remuneratório, sendo que a legislação apenas permitiria juros de caráter moratório. Entende que a Lei n” 9.065/95 alterou o conceito de juros de mora, contrariando o art. 161 do CTN. o) Multa Confiscatória Aplicada Questiona o alto valor da multa aplicada, ofendendo os princípios constitucionais da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco. Pede o cancelamento da multa imposta, ou redução, no mínimo, ao patamar de 20%. Ao menos redução da multa de 150% para 75%, por não ser aplicável multa qualificada por força de omissão de receitas relativas aos depósitos bancários. (...) p) Prova Pericial Requer a realização de prova pericial com o fito de se evidenciar a efetiva base de cálculo, bem como a ocorrência dos fatos geradores, apresentando quesitos e indicando assistente técnico. (...) Na sessão de 10/12/2009, a 3ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto julgou a impugnação improcedente, conforme Acórdão (efls. 4172/4201): a) ao manter os autos de infração; b) ao manter a sujeição passiva solidária dos sócios Sr.Octávio José Pagnan e a Sra. Selene Gonçalves Pagnan. Transcrevo, a seguir, a ementa e parte dispositiva do Acórdão recorrido, in verbis: (...) Fl. 4308DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.309 12 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITA. SIMPLES. PRESUNÇÃO LEGAL Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no SIMPLES, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. DEPÓSITO BANCÁRlO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ONU S DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS CALÇADAS. O calçamento de notas fiscais caracteriza omissão de receitas tributada de acordo com a legislação em vigor na data do fato gerador. OMISSÃO DE RECEITA. SIMPLES. ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTAS. PAGAMENTOS. Quando da apuração de omissão de receita no SIMPLES ocorre, de forma reflexa, a alteração das alíquotas aplicáveis, devem ser considerados os valores declarados ou pagos pela fiscalizada. COFINS. PIS. BASE DE CÁLCULO. ALÍQUOTA. Inaplicáveis ao lançamento de tributos pelo SIMPLES argumentação da impugnante em relação à alíquota e base de cálculo do PIS e da COFINS, quando apurados por outras formas de tributação. Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o oconhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Fl. 4309DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.310 13 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Existindo no processo os elementos necessários à formação da livre convicção do julgador e constatandose a inexistência nos autos de matéria que necessite da opinião de perito para ser decidida, indeferese, por prescindível, o pedido de perícia. SUSTENTAÇÃO ORAL. INDEFERIMENTO. Inexiste, no âmbito da legislação processual tributária, previsão para realização de sustentação oral, pela defesa, durante a sessão de julgamento administrativo de primeira instância. Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÚIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Pública, de ação judicial, por qualquer modalidade e a qualquer tempo, importa, nos estritos termos de seu objeto, renúncia às instâncias administrativas, as quais ficam vinculadas ao teor do provimento judicial. SOLIDARIEDADE PASSIVA. INTERESSE COMUM. DESIGNAÇÃO LEGAL. Nos termos do art. 124 do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e as pessoas expressamente designadas por lei. SOLIDARIEDADE PASSIVA. PROCEDIMENTO COBRANÇA E EXECUÇÃO. A qualificação dos responsáveis pelo crédito tributário é inerente aos procedimentos de cobrança e execução do débito, caracterizandose como questão subsidiária no julgamento administrativo, cujo foco é a constituição do crédito tributário. DECADÊNCIA. PAGAMENTO. DOLO COMPROVADO. Tratandose de lançamento de oficio, não tendo havido pagamento tempestivo ou comprovado que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial da decadência ocorre no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. DOLO. A multa de ofício, aplicada em auto de infração, é multa administrativa, de natureza punitiva, e nas infrações em que se Fl. 4310DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.311 14 constata a prática dolosa da fiscalizada que quis o resultado de sonegar tributos, há que ser mantida a multa qualificada de 150%. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. A proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por maioria de votos, julgar IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, para rejeitar as preliminares argüidas e, no mérito, por manter a exigência do crédito tributário tal como lançado, nos termos do relatório e voto. Vencido o julgador Paulo Régis Venter, que não acompanhou o voto do relator apenas quanto à preliminar de sujeição passiva solidária, tendo votado pelo acatamento do pedido de exclusão dos sócios solidários do pólo passivo da autuação, uma vez que entende que pessoa física não pode ser considerada sujeito passivo de lançamento de tributos devidos pela pessoa jurídica, cabendo apenas a sua eventual responsabilização solidária por ocasião do processo de execução fiscal do crédito tributário, sob competência da Procuradoria da Fazenda Nacional, com fulcro nos artigos 135 ou 137 do CTN, conforme o caso. (...) Cientes desse decisum em 09/02/2010 por via postal Aviso de Recebimento AR (efl. 4211), a OKTA ALIMENTOS LTDA e os sujeitos passivos solidários Sr.Octávio José Pagnan e a Sra. Selene Gonçalves Pagnan apresentaram, conjuntamente, o Recurso Voluntário em 01/03/2010, por via postal AR (efls. 4286/4287), reiterando, em suma, as mesmas razões já aduzidas na impugnação na primeira instância de julgamento, acrescentando, ainda, pedido para afastamento da cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Obs: Por último a recorrente, conforme petição de 25/11/2014, pediu o sobrestamento do presente processo administrativo até o trânsito em julgado do processo judicial 2007.61.02.0123743 (Ação de Mandado de Segurança contra o acesso direto do fisco aos dados de movimentação financeira bancária, sigilo bancário), juntando cópia do Acórdão da 3ª Turma do TRF/3ª Região que concedeu a segurança, em apelação civil, em 02/06/2014, e ainda juntou cópia do Acórdão da 3ª Turma do TRF/3ª Região que negou provimento ao Fl. 4311DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.312 15 agravo legal em Apelação Civil da Procuradoria da Fazenda Nacional, em 06/11/2014 (efls. 4290/4297). É o relatório. Fl. 4312DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.313 16 Voto Vencido Conselheiro Nelso Kichel, Relator O Recurso Voluntário foi apresentado, conjuntamente, pela OKTA ALIMENTOS LTDA e pelos sujeitos passivos solidários Sr.Octávio José Pagnan e a Sra. Selene Gonçalves Pagnan. O recurso é tempestivo, em relação a todos, e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. Conforme relatado, os autos tratam do crédito tributário lançado de ofício (autos de infração do Simples Federal), anocalendário 2004, pela imputação das seguintes infrações: a) omissão de receitas da atividade receitas não escrituradas (notas fiscais "calçadas"), prova direta (Lei 9.249/95, art. 24 c/c Lei 9.317/96), com imposição de multa qualificada de 150%; b) omissão de receitas depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (presunção legal, Lei 9.430/96, art. 42 c/c Lei 9.317/96), com multa de 75%; c) insuficiência de recolhimento (infração reflexa da omissão de receitas) (Lei 9.317/96), com multa de 75%. Ainda, o fisco imputou sujeição passiva solidária, responsabilidade pelo crédito tributário lançado de ofício: a) ao Sr.Octávio José Pagnan (CTN, art. 124,I); b) a Sra. Selene Gonçalves Pagnan (CTN, art. 124,I). PEDIDO DE SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. DISCUSSÃO EM JUÍZO DO SIGILO BANCÁRIO. Primeiro, a recorrente acostou aos autos petição de 25/11/2014, no sentido de sobrestamento do presente processo administrativo até o trânsito em julgado do processo judicial 2007.61.02.0123743 (Ação de Mandado de Segurança contra o acesso direto do fisco aos dados de movimentação financeira bancária, sigilo bancário), juntando cópia do Acórdão da 3ª Turma do TRF/3ª Região que concedera segurança, em apelação civil, em 02/06/2014, e ainda juntou cópia do Acórdão da 3ª Turma do TRF/3ª Região que negara provimento ao agravo legal em Apelação Civil da Procuradoria da Fazenda Nacional, em 06/11/2014 (efls. 4290/4297). Fl. 4313DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.314 17 Depois disso, consta publicação na internet de resultado de julgamento Ata de Julgamento da 3ª Turma do TRF/3ª Região, como informação mais recente, extraída da internet em 09/05/2018, às 11:01 horas, que a Fazenda Nacional reverteu essas decisões favoráveis da contribuinte. Senão vejamos: (...) ATA DE JULGAMENTO ATA DA 16ª SESSÃO ORDINÁRIA, REALIZADA EM 16 DE AGOSTO DE 2017. (...) 0016 AMSSP 312972 001237412.2007.4.03.6102 2007.61.02.0123743 RELATOR : DES.FED. NELTON DOS SANTOS APTE : OKTA ALIMENTOS LTDA ADV : SP189262 JOAO HENRIQUE GONCALVES DOMINGOS APDO(A) : Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) ADV : SP000003 JULIO CÉSAR CASARI E CLAUDIA AKEMI OWADA A TERCEIRA TURMA, POR UNANIMIDADE, DECIDIU EM JUÍZO DE RETRATAÇÃO, NEGAR PROVIMENTO À APELAÇÃO. (...) (Publicado DeJ em 29/08/2017) (...) Como demonstrado, a Fazenda Nacional, em juízo de retratação (esfera judicial), obteve êxito, conseguiu a reversão, ou seja, houve a reforma da decisão que, por último, beneficiava a contribuinte. A contribuinte apelou, porém a 3ª Turma do TRF/3ª Região negou provimento à apelação na sessão de 16/08/2017. Ademais, não consta dos presentes autos a partir da citada data a situação atual dessa discussão judicial. Em face do princípio do impulso oficial, não há no Regimento Interno do CARF previsão de sobrestamento do presente processo administrativo, por conta do fato da contribuinte estar discutindo em juízo a constitucionalidade da legislação que autoriza o acesso direto do fisco, sem ordem judicial, aos dados de movimentação financeira bancária, na forma da legislação de regência. De qualquer modo, em face do Princípio da Unidade de Jurisdição a última palavra é do Poder Judiciário quanto à matéria deduzida em juízo. Fl. 4314DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.315 18 Este processo, destarte, fica submetido à sorte do que restar decidido no citado processo judicial, quanto ao acesso do fisco aos dados de movimentação financeira bancária, sem ordem judicial, em relação à recorrente. Cabe à PFN, assim, observar o que restar decidido, em decisão transitada em julgado, naquele processo judicial em tramitação na esfera judicial de autoria da recorrente. Portanto, rejeito o pedido de sobrestamento do julgamento deste processo. SIGILO BANCÁRIO. LC 105/2001, ART, 6º. PROVAS ILÍCITAS. DISCUSSÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO RECURSO ADMINISTRATIVO NESSA PARTE. Os recorrentes argumentam, nas razões do recurso: que a Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, não tem o condão de tornar o fisco federal independente de autorização judicial, ou seja, não pode afastar o prévio exame do Poder Judiciário sobre o cabimento da quebra do sigilo, transferindo tal prerrogativa à própria administração pública; que o art. 6° da Lei Complementar nº 105/01, ao estabelecer a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, bastando a vontade do agente público, ainda que motivada e fundamentada, viola o artigo 5°, incisos X e XII, da Constituição da República. que, diante do exposto, é de rigor que se verifique que todo o procedimento fiscal já nasceu nulo de pleno direito, pois a fisco inobservou direitos fundamentais básicos inerentes aos cidadão. Requerse, portanto, a nulidade do processo, já que se valendo de dados obtidos, de forma ilegal, lavrou autos de infração contra a recorrente. Tratase de evidente utilização de prova ilícita, que contamina, consequentemente, todas as demais provas e atos decorrentes ("fruits of poisonous tree"). Durante o procedimento de fiscalização, a contribuinte impetrou Mandado de Segurança (2007.6l.02.0123743) (fls. 373/374) para impedir que o fisco tivesse acesso as suas informações financeiras bancárias. Nesse sentido consta do Termo de Encerramento de Ação Fiscal, in verbis: (...) 9. Transcorrido o prazo para apresentação das informações solicitadas, a fiscalizada solicitou prorrogações de prazo alegando exíguo o prazo concedido para atendimento das informações. Em virtude deste fato foram concedidas dilações no prazo. Depois de transcorrido os novos prazos concedidos a fiscalizada, a mesma apresentou documento informando que não iria apresentar o Livro Caixa e tampouco os extratos bancários, informando, ainda, que impetrara Mandado de Segurança (2007.6l.02.0123743) (fls. 373/374) para impedir o acesso as suas informações bancárias. Desta forma, a Receita Federal do Brasil entrou com pedido de indeferimento da liminar concedida. Fl. 4315DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.316 19 Diante dos fatos expostos pela RFB a liminar que havia sido concedida a fiscalizada foi indeferida na data de O8 de novembro de 2007(fls. 376). 10. Em virtude do indeferimento da liminar impetrada pela fiscalizada, a mesma foi novamente intimada a apresentar os documentos solicitados no item O8 deste termo (fls. 383/388). E, novamente, a fiscalizada apresentou documentação informando que não procederia a entrega dos extratos bancários e demais documentos solicitados, pois entendia que, dentre outros, “...tratase, primeiro de garantia constitucional...”. Desta forma, sendo observada a indispensabilidade destas informações para o prosseguimento da ação fiscal e, com base na Lei Complementar n. 105/2001, no Decreto 3.724/200l e no artigo 33 da lei 9;430/96, esta fiscalização solicitou Requisições de Movimentação Financeiras junto as Instituições nas quais a fiscalizada possuía movimentação financeira. (...) A discussão judicial pela contribuinte da constitucionalidade do art. 6º da Lei 105/01, desde a fase de fiscalização, implicou renúncia de discussão dessa matéria na órbita administrativa, mormente neste processo administrativo tributário, conforme o art. 38,§ único, da Lei nº 6.830/80, in verbis: (...) Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (...) Como visto, a contribuinte ajuizou Ação de Mandado de Segurança, durante do procedimento de fiscalização para evitar que o fisco tivesse acesso a contas bancárias, questionando, incidentalmente, a constitucionalidade do art. 6º da LC 105/2001. A decisão recorrida, não conheceu da matéria agitada judicialmente, conforme voto condutor que transcrevo, no que pertinente, in verbis: (...) 4 Quebra Sigilo Bancário sem Ordem Judicial. Da Concomitância entre o Processo Administrativo e o Judicial (...) Fl. 4316DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.317 20 Verificandose a documentação acostada aos autos, o contribuinte impetrou mandado de segurança, com pedido de liminar, contra o Delegado da Receita Federal em Ribeirão Preto (fls. 376), perante a 2ª Vara Federal de Ribeirão PretoSP (processo n.°2007.61.02.0123743). (...) Destarte, há que se observar o princípio da unicidade de jurisdição, de acordo com o qual não cabe à autoridade administrativa pronunciarse sobre o mérito de questão pendente de apreciação pelo Poder Judiciário, pois, ao final, prevalecerá a decisão da Justiça. (...) A propositura de ação judicial pelo contribuinte, em razão disso, nos pontos em que haja idêntico questionamento, toma ineficaz 0 processo administrativo. De fato, havendo 0 deslocamento da lide para o Poder Judiciário, perde o sentido a apreciação da mesma matéria na via administrativa. Do contrário, terseia a absurda hipótese de modificação, pela autoridade administrativa, de decisão judicial transitada em julgado e, portanto, definitiva. Portanto, em face da propositura da ação judicial, que importa renúncia à esfera administrativa, e tendo em vista a unicidade de jurisdição consagrada no art. 5.°, XXXV da CF/1988 e a orientação contida no Ato Declaratório Normativo COSIT n.° O3/1996, não conheço a matéria discutida judicialmente. (...) A propositura do AMS implicou, portanto, renúncia à discussão na órbita administrativa acerca da constitucionalidade do art. 6º da LC 105/2001. Ainda, apenas para argumentar, o Pleno do Supremo Tribunal Federal STF, na decisão de 24/02/2016, no RECURSO EXTRAORDINÁRIO 601.314SP, Repercussão Geral, Relator Ministro Edson Fachin, declarou constitucional, com efeito erga omnes, a legislação de regência que permite acesso direto do fisco aos dados de movimentação financeira dos contribuintes, conforme ementa do Acórdão que transcrevo, in verbis: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que Fl. 4317DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.318 21 se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. O STF entendeu que esse repasse das informações dos bancos para o fisco não pode ser chamado de quebra de sigilo bancário, pois as informações são passadas, transferidas para o fisco em caráter sigiloso e permanecem de forma sigilosa na Administração Tributária. Fl. 4318DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.319 22 Por conseguinte, o que ocorre é uma tramitação sigilosa entre os bancos e o fisco e, por não ser acessível a terceiros, não pode ser considerado violação do sigilo. Os fundamentos considerados pelo STF na declaração de constitucionalidade do art. 6º da LC 105/2001: (...) a) o sigilo bancário não é absoluto e deve ceder espaço ao princípio da moralidade nas hipóteses em que transações bancárias indiquem ilicitudes; b) prática prevista na LC 105/2001 é comum em vários países desenvolvidos e a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo questionado seria um retrocesso diante dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil para combater ilícitos como a lavagem de dinheiro e evasão de divisas e para coibir práticas de organizações criminosas; c) a identificação de patrimônio, rendimentos e atividades econômicas do contribuinte pela administração tributária dá efetividade ao princípio da capacidade contributiva, que, por sua vez, sofre riscos quando se restringem as hipóteses que autorizam seu acesso às transações bancárias dos contribuintes; d) a LC 105/2001 não viola a CF/88. Isso porque o legislador não estabeleceu requisitos objetivos para requisição de informação pela administração tributária às instituições financeiras e exigiu que, quando essas informações chegassem ao Fisco, ali mantivessem o dever de sigilo. Com efeito, o parágrafo único do art. 6º preconiza que o resulta do dos exames, as informações e os documentos deverão ser conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Assim, não há ofensa a intimidade ou qualquer outro direito fundamental, pois a LC 105/2001 não permite a quebra de sigilo bancário", mas sim a transferência desse sigilo dos bancos ao Fisco; e) o art. 6º da LC 105/2001 é taxativo e razoável ao facultar o exame de documentos, livros e registros de instituições financeiras somente se houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (...) A decisão da Suprema Corte foi proferida no julgamento das ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 e do RE 601.314SP (repercussão geral) Diante do exposto, nesta instância recursal ordinária do CARF, assim como já ocorrera com a decisão a quo, também, não conheço da matéria deduzida em juízo, em face da concomitância (matéria objeto do processo administrativo e judicial). Fl. 4319DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.320 23 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA PARCIAL O recorrentes suscitaram nas razões do recurso a decadência mensal, nos seguintes termos: (...) II.e. Decadência Mensal Artigo 42,§ 1° da Lei n° 9,430/96. Na rara e improvável hipótese de serem superadas as nulidades acima expostas, “data venia”, quanto ao período cobrado até julho de 2004, convém esclarecer que já transcorreu decadência, sendo de rigor a extinção do credito de conformidade com o art. 156, V, do Código Tributário Nacional. Sem delongas, o art. 42, § 1°, da Lei nº 9430/96 é incisivo ao dispor que o "valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito. efetuado pela instituição financeira". Portanto, dúvida não resta que o fato gerador. do imposto sobre a renda de pessoa jurÍdica para fins de tributação quando da existência de omissão de receita lançada por presunção com base em extratos bancários e receitas não escrituradas será o mês em que houver o crédito pela instituição financeira. (...) No Sistema Simples o fato gerador dos respectivos tributos é mensal. A questão da decadência está sedimentada, pacificada, nos Tribunais Superiores e também neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, inexistindo antecipação de pagamento dos tributos para o respectivo período de apuração ou existindo dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo de cinco anos dáse na forma do art. 173,I, do CTN. Por outro lado, existindo antecipação de pagamento para o período de apuração, o dies a quo do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador (CTN, art. 150,§4º), se não houver dolo, fraude ou simulação. Quanto a pagamentos consta dos autos Tela Sinal, informando pagamentos do Simples dos meses de junho e julho/2004, respectivamente, data de arrecadação 29/12/2004 e 10/08/2004 (fls. 3977) ou (efl. 4171). Nos autos não há comprovante de antecipação de pagamento do Simples para os meses de janeiro a maio/2004. A contribuinte tomou ciência dos autos de infração do Simples em 26/08/2009, por via postal Aviso de Recebimento AR (efl. 4075). Quanto às infrações imputadas Omissão de receitas Depósitos Bancários de Origem não Comprovada e Insuficiência de Recolhimento (infração reflexa da omissão de receitas), ambos com aplicação de multa de 75%, estão decaídas, caducadas, apenas a diferença de crédito tributário lançada de ofício atinente aos fatos geradores dos PA junho e julho de Fl. 4320DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.321 24 2004 (existência de antecipação de pagamento do Simples), pela aplicação do prazo decadencial do art. 150,§ 4º, do CTN. Entretanto, quanto à infração omissão de receitas da atividade receitas não escrituradas ("notas fiscais calçadas), em face da conduta dolosa, sonegação fiscal, que implicou a aplicação pelo fisco da multa qualificada (150%), todos os fatos geradores dessa infração do anocalendário 2004 estão a salvo da decadência, pela incidência do termo a quo do art. 173,I, do CTN, ou seja, 01/01/2005. O fisco tinha prazo para lançar de ofício até 01/01/2010. A contribuinte tomou ciência do lançamento fiscal 26/08/2009. A questão da multa qualificada, no mérito, será tratada, especificamente, mais adiante (apenas antecipando aqui, a multa qualificada restou demonstrada, justificada e deve ser mantida). Portanto, acolho a decadência parcial do crédito tributário: a) para a infração omissão de receitas depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, quanto aos períodos de apuração mensal do Simples Federal de junho e julho/2004; b) para a infração insuficiência de recolhimento do Simples Federal (sobre a receita declarada ao fisco na Declaração do Simples 2005, anocalendário 2004), também quanto aos períodos de apuração de junho e julho/2004. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA: Nas razões do recurso, os recorrentes pedem a realização de prova pericial com o fito de se evidenciar a efetiva base de cálculo, bem como a ocorrência dos fatos geradores, formulando quesitos nos seguintes termos, in verbis: (...) a) É possível aferir q o lançamento encontrase efetuado única e «exclusivamente com base em presunções quanto à omissão de receitas: extratos bancários e receitas nãoescrituradas? b) É possível afirmar, com exatidão, que todos os valores realmente podem ser considerados como omissão de receitas? c) Os documentos já juntados e os argumentos tecidos na impugnação retiram a presunção de certeza do auto de infração? d) O ICMS está incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS? e) Respeitouse a semestralidade da base de cálculo do PIS? f) Assim sendo, com base na argumentação do impugnante é possível afirmar que existe erros no procedimento fiscal? Fl. 4321DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.322 25 g) Havendo erros, os mesmos podem implicar na nulidade do auto? h) Com base nas respostas anteriores é possível afirmar que os valores cobrados estão totalmente corretos? (...) Ainda, a recorrente indicou perito. Quanto ao pedido de perícia, indefiroo por entender dispensável para o deslinde do presente julgamento, uma vez que não há matéria atinente aos autos de infração que necessite de opinião de perito para ser decidida e, ademais, constam dos autos do processo todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide quanto às infrações imputadas. Nesse sentido, transcrevo os seguintes precedentes deste CARF: NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR.. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. De conformidade com o artigo 29 do Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2°, do artigo 38, da Lei n° 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72.(Acórdãonº 20601.462, sessão de 09/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72.(Acórdãonº10249.407,sessãode06/11/2008). PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO.A admissibilidade de diligência ou perícia, por não se constituir em direito do autuado, depende do livre convencimento da autoridade julgadora como meio de melhor apurar os fatos, podendo como tal dispensar quando entender desnecessárias ao deslinde da questão. Ademais, temse como não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindível. (Acórdão nº 19300.018, sessão de 13/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide,indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.(Acórdão nº 10515.978,sessão de 20/07/2006). DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que Fl. 4322DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.323 26 o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal, quando restar evidenciado que o mesmo poderia trazêlas aos autos, se de fato existissem (Acórdão nº 10248.141, de 25/01/2007). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido pedido de diligencia quando prescindível, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. (Acórdão nº 20180.294, sessão de 23/05/2007). PERÍCIA. DESNECESSIDADE.. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando o exame de um técnico é desnecessário à solução da controvérsia, apenas circunscrita à matéria contá bil e aos argumentos jurídicos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do julgador.(Acórdão nº 10222.937, sessão de 28/03/2007). DILIGÊNCIA E PERÍCIA. NEGATIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a realização de diligência ou perícia para responder a quesitos de natureza legal, cujo conhecimento seja elementar ou que se refiram a prova passível de produção unilateral pelo contribuinte.(Ac. 330201.280, sessão de 09/11/2011, Relator José Antonio Francisco). PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA CONTÁBIL. MEIO DE PROVA DESNECESSÁRIO. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia técnica, para análise de dados que integram a escrituração contábil e já presentes nos autos, demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido. A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção devidamente motivada, podendo deferir perícias quando entendêlas necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos especí ficos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordi nários de convencimento.(Ac. nº 1802001.006, sessão de 17/10/2011). ASSUNTO: PERÍCIA/DILIGÊNCIA – PRESCINDIBILIDADE – A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos (Acórdão CSRF 10705.810, Relatora Karem Jureidini Dias). Ainda, quanto à infração omissão de receitas depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, em face da presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/96, o ônus probatório é da contribuinte. A diligência ou perícia técnica não se presta a produzir prova cujo ônus é da contribuinte. Fl. 4323DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.324 27 A diligência ou perícia técnica não pode ser utilizada para substituir a parte (contribuinte) na produção de provas. Por tudo que foi exposto, rejeito o pedido de realização de diligência/perícia técnica. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Os recorrentes alegaram, nas razões do recurso, que a autoridade administrativa lavrou os autos de infração do Simples Federal, anocalendário 2004, tendo, exclusivamente, por supedâneo, a mera presunção, sem demonstrar, cabalmente, como era de sua competência, os elementos que compõem o fato tributário. Carece de fundamento fáticojurídico a alegação dos recorrentes. Durante o procedimento de fiscalização. a contribuinte foi intimada pelo fisco a comprovar a origem dos depósitos bancários a crédito em suas contas correntes bancárias quanto ao anocalendário 2004, com respectivo demonstrativo dos créditos, opera ção por operação, de forma individualizada, com discriminação de data da operação, valor da operação, histórico, nº do documento, nº da conta bancária e instituição financeira, nos termos do art. 42, § 3º, da Lei 9.430/96, tudo consoante intimação fiscal e demonstrativo dos créditos a comprovar a origem, de 12/05/2009, e dos quais tomou ciência em 14/05/2009 (fls. 3571/3610). A contribuinte não comprovou a origem dos depósitos a crédito em suas contas correntes bancárias, quanto ao anocalendário 2004. A falta de comprovação da origem dos depósitos bancários não escriturados, não registrados na escrituração contábil e fiscal, implicou a inversão do ônus da prova, pois o art. 42 da Lei nº 9.430/96 trata de presunção legal. Para imputação da infração omissão de receitas por presunção legal (fato probando) basta o fisco comprovar a ocorrência do fato indiciário (fato conhecido), ou se ja, a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito nas suas contas correntes bancárias. A partir do fato indiciário depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) presumese a ocorrência ou existência de omissão de receitas à margem da tributação (fato probando). A presunção legal de omissão de receitas tem caráter relativo e inverte o ônus da prova. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando omissão de receitas é do sujeito passivo, que poderá afastála mediante produção de prova hábil e idônea. Vale dizer, o fisco pode presumir a omissão de receitas (com base em depósitos bancários de origem não comprovada), quando o contribuinte, regularmente intimada, não comprove através de documentos hábeis e idôneos a origem dos depósitos a Fl. 4324DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.325 28 crédito em suas contas bancárias, uma vez que não mais se aplica a vetusta Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Isso porque existem duas realidades distintas no que se refere ao uso da movimentação financeira bancária para a caracterização da omissão de receitas, sendo uma com base no art. 6°, § 5°, da Lei nº 8.021/1990 (dispositivo revogado pela Lei n. 9.430/96), e a outra com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Vejamos: Lei n° 8.021/1990 "Art. 6º. O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de ri queza. (...) . § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações."[revogado] Lei n° 9.430/1996 "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas opera ções." Com base nos dispositivos acima transcritos, verificase que o que distingue uma realidade da outra é que a partir de 01/01/1997 — entrada em vigor da Lei n° 9.430/96 a existência de depósitos não escriturados ou de origem não comprovada tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio a se juntar às outras já exis tentes no ordenamento jurídico, sendo que, a partir daí, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados, de origem não comprovada, mediante extratos bancários, para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Antes, tal previsão legal para depósitos bancários inexistia e, com isso, o fisco necessitava, nos estritos termos do art. 6°, caput, e § 5°, da Lei n° 8.021/1990, não apenas constatar a existência dos depósitos bancários, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre tais depósitos e alguma exteriorização de riqueza, renda consumida e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse dar ensejo à omissão de receitas. O fato é que, após a edição da Lei n° 9.430/1996, a movimentação bancária mantida ao largo da escrituração contábil da empresa ou sem comprovação da origem, presumese realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, não mais se aplicando, portanto, o entendimento exarado na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Fl. 4325DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.326 29 Para fatos geradores a partir de 1°/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos/receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, tem vigência única e plenamente o art. 42 da Lei n°9.430196. Esse diploma legal, como já dito alhures, encerra presunção legal que implica inversão do ônus da prova. O ônus da prova de que não houve omissão de receitas/rendimentos é da contribuinte. Não há que se falar em necessidade de sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários de origem não comprovada pelo contribuinte, conforme matéria já sumulada por este Egrégio Conselho Administrativo, in verbis: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Como demonstrado, o depósito bancário de origem não comprovada é rendimento tributável pelo imposto de renda, por presunção legal. Esse entendimento encontrase, também, pacificado no âmbito deste Conselho de Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujos precedentes transcrevo a título ilustrativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a orige d os recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 108 09.836, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relatora Valéria Ca bral Géo Verçoza). ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Anocale ndário:2002 a 2004. Ementa: IRPJ — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 101 97.116, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relator Valmir Sandri). ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E Fl. 4326DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.327 30 DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Exercício: 2003, 2004. Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA—PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas opera ções. ÔNUS DA PROVA PRESUNÇÃO LEGAL. Em se tratando de presunção legal, cabe ao Fisco a prova do fato indiciário. Ao contribuinte incumbe provar que o fato indiciário não leva, em seu caso concreto, ao fato presu mido por lei. Esse ônus não pode ser transferido pelo contribuinte à Administração Tributária.(Acórdão nº 105 17.369, sessão de 17 de dezembro de 2008, Relator Waldir Veiga Rocha). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício. 2000, 2001, 2002. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.(Acórdão nº 10249.393, sessão de 06 de novembro de 2008. Relatora Núbia Matos Moura). Assunto: SIMPLES NACIONAL. EXERCÍCIO: 2004, 2005 Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. (Acórdão nº 19500.088, sessão 09 de dezembro de 2008, Relator Benedicto Celso Benicio Junior). Fl. 4327DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.328 31 Por fim, apenas a título de argumentação, não há conflito entre o art. 42 da Lei n° 9.430/96, que presume como rendimento omitido os valores creditados em conta de depósitos para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove sua origem, e os arts. 43 e 44 do Código Tributário Nacional que definem o fato gerador do imposto de renda – IR e o conceito de renda e a Constituição Federal. Porém, eventual antinomia suscitada entre as normas somente poderia ser resolvida no âmbito de declaração de inconstitucionalidade das normas pelo Poder Judiciá rio, falecendo competência ao CARF para tanto, conforme entendimento já sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconsti tucionalidade de lei tributária. Ainda, no âmbito do Regime do Simples (autos de infração do Simples) não há que se falar em dedução de despesas, pois esse sistema de tributação simplificado tem por escopo o controle da receita bruta, apuração mensal, e sobre a qual incide diretamente a alíquota, para apuração do quantum devido mensalmente, conforme Lei 9.317/96. Em relação aos depósitos bancários a crédito em suas contas correntes bancárias, a fiscalização expurgou, excluiu transferências entre contas de mesma titularidade, estornos de cheques e CPMF e devoluções. Nesse sentido consta do Termo de Encerramento de Ação Fiscal, in verbis: (...) ll. De posse dos extratos solicitados partimos para a análise dos mesmos conforme dispõe a.legislação vigente. Logo de plano identificamos várias entradas (créditos) na conta da fiscalizada que não encontravam. respaldo na contabilidade da mesma. Estes créditos foram identificados e separados. Efetuouse a conciliação entre as diversas contas do mesmo, excluindose do total de créditos as operações referentes a transferências entre contas de mesma titularidade, estornos de cheques e CPMF, devoluções e demais créditos que, na nossa análise, não se enquadravam como receita proveniente da sua atividade comercial. 12. Após esta análise, os demais créditos que acreditávamos ser proveniente da sua atividade comercial ou proveniente de operações não identificadas foram relacionados e encaminhadas a fiscalizada para sua manifestação e/ou comprovação conforme consta no Termo de Constatação e Intimação Fiscal datado de O4/12/2007 (fls. 3571/3610). (...) 16. Transcorrido novamente o prazo solicitado pela fiscalizada (no total foram concedidos 40 dias para a fiscalizada comprovar a origem dos depósitos) a mesma não apresentou os documentos que justificassem a origem dos depósitos bancários. Fl. 4328DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.329 32 17. Desta forma. e, por se tratar de presunção legal, onde ocorre a inversão do ônus da prova, a simples afirmação da fiscalizada de que os créditos em sua conta bancária não são provenientes da sua atividade comercial não elidiu a prova. 18. Desta forma, concluise que a fiscalizada, mesmo após ser regularmente intimada, não apresentou documentação hábil e idônea que comprovasse a origem dos recursos utilizados nas suas operações sendo que as mesmas serão apuradas e tributadas Conforme a legislação vigente. 19. Para melhor compreensão dos valores apurados que estão sendo tributados foi elaborado “Demonstrativo Mensal de Créditos não Comprovados Depósito Bancário” contendo 46 páginas (fls. 3730/3775) onde estão discriminados individualmente cada 'valor lançado (crédito) em conta da fiscalizada e não comprovado pela fiscalizada, o “Demonstrativo Mensal de Creditos não Comprovados Consolidado Depósito Bancário” (fl. 3729) com os valores totais mensais não comprovados e, também, o Demonstrativo de Apuração de Valores Tributáveis (fls. 3776). (...) Impende registrar que os recorrentes não juntaram aos autos do processo prova alguma das alegações, seja na primeira instância, seja nesta instância recursal de julgamento, e meras alegações genéricas não têm o condão de alterar o lançamento. O PAF dispõe em seu art. 16, III, que devem ser apresentados junto com a impugnação os documentos e provas quanto aos fatos alegados nas razões de defesa. Portanto, a imputação da infração omissão de receitas depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, por presunção legal, deu se na forma da legislação de regência. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITAS NÃO ESCRITURADAS (NOTAS FISCAIS "CALÇADAS"). PROVA DIRETA: A infração foi apurada pelo fisco e os fatos constam relatados, narrados, no Termo de Encerramento de Ação fiscal, in verbis: (...) 33. Neste ponto e importante frisar que a fiscalizada utilizouse do subterfúgio chamado “nota fiscal calçada” para fraudar a fiscalização tributária. Abaixo segue narrativa do procedimento utilizado por esta fiscalização para apuração deste crime em tese. (...) VII. APURAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE “NOTA FISCAL CALÇADA” 34. No dia 31/10/2007 a fiscalizada foi intimada (fls.377/378) a apresentar TODAS as Notas Fiscais referentes à venda de Fl. 4329DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.330 33 produtos e/ou prestação de serviços do ano sob fiscalização. Em resposta ao Termo a fiscalizada apresentou documento (fls.379/381) onde informou estar apresentando todas as Notas Fiscais solicitadas. 35. Entretanto, após análise desta fiscalização foi constatado que a fiscalizada não havia apresentado TODAS as suas notas fiscais relativas a vendas efetuadas no ano calendário sob fiscalização. Para ser mais exato, havia mais de uma centena de notas fiscais que não haviam sido apresentadas. 36. Em decorrência deste fato esta fiscalização teve que organizar, separar e identificar, uma a uma, todas as notas fiscais entregues pela fiscalizada. Após o árduo trabalho de identificação individual das notas, todas as notas fiscais faltantes foram relacionadas no termo abaixo mencionado sendo a fiscalizada intimada a se pronunciar. 37. Desta forma foi emitido o Termo de Intimação e Constatação Fiscal MK6 (fls. 393/396) onde foi solicitada à fiscalizada apresentar todas as notas fiscais faltantes. Transcorrido o prazo a fiscalizada não apresentou a documentação solicitada e tampouco qualquer outra explicação, sendo desta forma emitido Termo de Reintimação e Constatação Fiscal MK7 (fls. 397/402) onde as notas fiscais faltantes foram novamente solicitadas. 38. Em atendimento a reintimação a fiscalizada solicitou prorrogação de 15 dias para entrega da documentação solicitada. Transcorrido o prazo solicitado a mesma somente apresentou documento informando que “...todas as notas fiscais de saída foram entregues à fiscalização...”(fls. 403/405). Ou seja, a fiscalizada furtouse de entregar as notas fiscais faltantes e infringiu não somente a legislação tributária como também incorreu em crime, em tese, contra a ordem tributária. (Lei 8.137, art. 1º, V) (...) 39. Não obstante este fato, foi possível efetuar todas as análises necessárias para configurar a prática de ilícito tributário pela fiscalizada, pois esta fiscalização já estava de posse dos demais livros fiscais/contábeis da fiscalizada. Através do Livro Registro de Saídas (fls. 148/316) foi possível verificar os valores escriturados nas notas fiscais emitidas pela fiscalizada e cotejar/confrontar estes valores com as notas fiscais obtidas junto às empresas diligenciadas. Desta forma ficou claramente configurada a prática de “nota fiscal calçada” e conseqüente configuração, em tese, de crime contra a ordem tributária. (Lei 8.137, art. 1°, II e III). (...) Fl. 4330DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.331 34 40. Cabe informar que os valores mencionados nos tópicos VI e VII, referentes à apuração de omissão de receitas provenientes de “notas fiscais calçadas” foram discriminados e apurados mensalmente, conforme determina a legislação, no “Demonstrativo de Omissão de Valores (Notas Fiscais Calçadas) por Cliente/Comprador” (fls. 3675/3728), no “Demonstrativo Mensal Analítico de Omissão de Rendimentos (Nota Fiscal Calçada)” (fls. 3636/3674), “Demonstrativo Mensal Consolidado de Omissão de Rendimentos (Notas Fiscais Calçadas)” (fl. 3635) e, tambem, no Demonstrativo de Apuração de'Valores Tributáveis (fls. 3776). (...) O demonstrativo do valor tributável da infração omissão de receitas da atividade receitas não escrituradas já foi transcrito alhures no relatório. Como visto, a infração omissão de receitas da atividade receitas não escrituradas foi imputada com base em prova direta (art. 24 da Lei 9.249/95 c/c Lei 9.317/96). Infração, também, está sobejamente comprovada nos autos. Os recorrentes, nesta instância de julgamento, não produziram prova alguma para elidir essa infração. Deve ser mantida integralmente a infração em tela. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO (INFRAÇÃO REFLEXA DA OMISSÃO DE RECEITAS): A infração em tela envolve a diferença de crédito tributário relativo à receita bruta informada pela contribuinte na declaração do Simples 2005 (anocalendário 2004). A contribuinte apurou e pagou os tributos do Simples com alíquotas menores do que as devidas. Por isso, foi lançada de ofício a diferença dos tributos do Simples sobre a receita declarada no Simples (significa que sobre a receita mensal declarada no simples foi aplicada a alíquota correta e foi dado o crédito do valor pago/recolhido anteriormente, e só lançada a diferença para cada período de apuração mensal). Portanto, não tem nexo, configura despautério, a alegação dos recorrentes de que a fiscalização não teria deduzido ou abatido os valores que já haviam sido pagos. PIS E CONFINS. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO MAJORADA. Insurgese a autuada contra a alíquota e forma de apuração da base de cálculo da COFINS e PIS. Cabe esclarecer que o lançamento fiscal foi realizado na forma de tributação de opção da recorrente, ou seja, pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Fl. 4331DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.332 35 Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, nos termos da Lei 9.317/96 e suas alterações. Logo, todos os tributos foram apurados pela aplicação de alíquota única sobre a receita bruta, que é distribuída entre os diversos tributos. A argumentação trazida pela recorrente, aspectos de constitucionalidade e legalidade quanto à base de cálculo e alíquotas do PIS e COFINS, está prejudica, pois não se aplica ao Simples Federal; aplicase a outras formas de tributação, que não é o caso. Destarte, improcedentes as alegações dos recorrentes, pois não são aplicáveis ao lançamento do Simples Federal. PIS BASE DE CÁLCULO SEXTO MÊS ANTERIOR. A questão da semestralidade da base de cálculo do PIS devido em todo o período anterior à Lei 9715/98. Sob o regime tributário instituído pela MP 1212/95 o PIS teve sua alíquota modificada, da mesma forma que alterouselhe a disciplina de recolhimento. Deflagrouse o novo regime a partir de 1º de outubro de 1995, quando então o PIS passou a incidir sobre o faturamento do mês sob alíquota de 0,65%, não mais vigendo o sistema de incidência sobre o faturamento do sexto mês anterior ao fato gerador sob percentual de 0,75%. A MP 1212/95 foi convertida na Lei 9715/98, depois de sucessivas reedições. Nova modificação no regime do PIS adveio da Lei 9718/98. A base de cálculo da exação foi definida como não só faturamento mas toda a receita bruta. No entanto, tal alteração foi rechaçada pelo Supremo Tribunal Federal em seguidos recursos extraordinários, sempre apontando a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei 9718/98, ao fundamento de que não se poderia ter ampliado a base de cálculo do PIS por ofensa ao artigo 195, I, "b", da Constituição Federal, consoante sua redação então vigente. Nem mesmo a modificação da própria Constituição pela EC 20/98, que alterou a redação do dispositivo, pôde emprestar constitucionalidade ao dispositivo que nascera sob comando magno impediente. As Cortes entenderam, acertadamente, que a EC 20/98, posterior à Lei 9718/98, não poderia promover uma "constitucionalização retroativa" do comando viciado, ainda que a eficácia da lei estivesse suspensa em decorrência da anterioridade mitigada. De fato, a eficácia suspensa não se confunde com o fenômeno legiferante que trouxe à realidade positiva do Ordenamento Jurídico a regra de estatura ordinária. De se lembrar que os DecretosLeis 2445/88 e 2449/88, anteriores às Leis 9715/98 e 9718/98, foram objeto da Resolução nº 49 do Senado Federal, que lhes suspendeu a eficácia, matéria essa já bastante sedimentada e que, pois, não necessita de maior abordagem neste momento. O que importa considerar é que em todo o período anterior à Lei 9715/98, por não vigerem os DecretosLeis inquinados, tem aplicação a legislação que estava ainda anteriormente vigente, pelo que o regime a se considerar para o PIS antes da Lei 9715/98 é o da Lei Complementar 7/70 e alterações posteriores. Aqui iniciase a análise da questão da semestralidade, que alguns pretendem ter sido revogada pela normatização posterior à LC 7/70 e anterior à Lei 9715/98. Fl. 4332DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.333 36 As mudanças introduzidas no PIS entre a LC 7/70 e a Lei 9715/95 (Leis 7691/88, 7799/89, 8218/91 e 8383/91), frisese, não derrogaram o artigo 6º da LC 07/70. Veja se que o fato gerador do PIS, como definido pela LC 7/70, é o faturamento do mês, sem embargo de ter a norma definido como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao mês do fato gerador. São conceitos que não se confundem com o prazo para o recolhimento do tributo, prazo esse que pode ser definido para tantos ou quantos dias do mês subseqüente. O prazo que a norma fixe para o recolhimento da exação não altera a base de cálculo dessa mesma exação, por todo o óbvio. Pois bem, a base de cálculo do PIS, durante toda a vigência do artigo 6º da LC 07/70 é o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, de nada importando se leis posteriores que modificaram o prazo para recolhimento. Como já visto, a base de cálculo só foi modificada com a Lei 9715/95 que mandou calcular o PIS com alíquota de 0,65% incidente no faturamento do mês. Daí porque carecer de fundamentos jurídicos a pretensão de fazer incidir correção monetária do faturamento do sexto mês anterior, que é a base de cálculo do PIS, para fins de efetivo cálculo do valor devido, pura e simplesmente porque não há previsão legal para tal atualização. Essa correção, digase, implicaria em afronta aos limites fixados pela lei, não se cogitando de acréscimos ainda que por atualização senão diante de lei autorizadora (STJ AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL – 699890 Processo: 200401552295 Data da decisão: 16/02/2006 DJ DATA:13/03/2006 PÁGINA:206 Relator(a) LUIZ FUX Data Publicação 13/03/2006). Como os autos tratam de PIS do anocalendário 2004, logo não se aplica a semestralidade que foi extinta a partir da Lei 9.715/95 Além do mais, todos os tributos do Simples Federal foram apurados pela aplicação de alíquota única sobre a receita bruta, que é distribuída entre os diversos tributos. Demonstrativo de percentuais aplicáveis de receita bruta (efl.. 3989). Mês/Ano Receita Bruta Mensal (Decl.) (R$) Diferença Apurada (R$) Receita Bruta Acumulada (R$) % Total SIMPLES 01/2004 34.218,69 504.104,84 538.323,53 6,60 02/2004 33.824.45 429.457,30 1.001.605,28 8,20 03/2004 33.121,62 165.273,10 8,60 03/2004 0,00 312.667,45 10,32 1.512.867,45 04/2004 35.104,78 550.883,25 2.098.855,48 10,32 05/2004 34.828,92 673.538,14 2.807.222,54 10,32 06/2004 36.382,26 477.942,07 3.321.546,87 10,32 07/2004 36.812,33 979.057,94 4.337.417,14 10,32 08/2004 37.416,54 473.531,47 4.848.365,15 10,32 09/2004 38.128.47 305.730,64 5.192.224,26 10,32 10/2004 37.426,80 439.995,72 5.669.646,78 10,32 11/2004 38.248,62 260.972,83 5.968.868,23 10,32 12/2004 42.126,40 337.385,28 6.348.379,91 10,32 A argumentação trazida pela recorrente, aspectos de constitucionalidade e legalidade quanto à base de cálculo e alíquotas do PIS e COFINS, está prejudica, pois não se aplica ao Simples Federal; aplicase a outras formas de tributação, que não é o caso. Fl. 4333DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.334 37 Destarte, improcedentes as alegações dos recorrentes, pois não são aplicáveis ao lançamento do Simples Federal. ICMS. BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS: Neste tópico, a contribuinte alegou que o fisco não teria subtraído da base de cálculo da Cofins e do PIS a parcela do ICMS. Primeiro, as ME e as EPP optantes pelo Simples Federal não apropriam nem transferem créditos relativos ao ICMS abrangido pelo Simples Federal. Além disso, quanto às infrações imputadas: a) omissão de receitas da atividade receitas não escrituradas (notas fiscais "calçadas"). Em relação ao valor omitido das vendas, não há nota fiscal emitida pela contribuinte. Logo, não houve destaque, nem pagamento do ICMS sobre a omissão de receitas. Configura um contrasenso essa pretensão da contribuinte. b) omissão de receitas depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada. Aqui, também, não há nota fiscal emitida. Logo, não houve destaque, nem pagamento do ICMS sobre a omissão de receitas. Configura um contrasenso essa pretensão da contribuinte. MULTAS DE OFÍCIO APLICADAS Os recorrentes alegam caráter confiscatório das multas aplicadas: a) de 150% (multa qualificada) acerca da infração omissão de receitas da atividade receitas não escrituradas (Nota Fiscal "Calçada"), prova direta; que referida multa seja redimensionada, reduzida para 20% de conformidade com o art. 61, § 2°, da Lei n. 9.430/96, retificandose o auto de infração lavrado; que a multa há de ser reduzida uma vez que não houve qualquer prática de conduta por meio de fraude; b) de 75% para as demais infrações imputadas, pleiteando a redução para 20%. Não tem guarida a pretensão dos recorrentes. Quanto à multa qualificada de 150%: O dolo de sonegação fiscal é patente. A fiscalização intimou a contribuinte a apresentar todas as notas fiscais referentes a vendas de produtos e/ou prestação de serviços quanto ao anocalendário 2004, constatando a não apresentação de todas as notas, faltando mais de uma centena, que foram relacionadas e novamente intimada para se pronunciar. A impugnante não apresentou as notas fiscais, informando que todas as notas de saída foram entregues à fiscalização. Não obstante esse fato, o fisco diligenciou 7 (sete) clientes da impugnante, sendo possível confrontar os valores escriturados das notas fiscais emitidas pela fiscalizada Fl. 4334DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.335 38 (livro registro de saídas de fls. 148/316) com os valores das notas fiscais obtidas das empresas diligenciadas. O procedimento de apuração das discrepâncias, entre as notas fiscais escrituradas pela contribuinte e seus clientes, foi discriminado em vários demonstrativos (fls.3.635 a 3.728) que apontam, de forma analítica e consolidada, cerca de 800 notas fiscais e mais de R$ l milhão em omissão de receitas decorrentes de nota fiscal "calçada”. Referida apuração foi realizada mensalmente, no “Demonstrativo de Omissão de Valores (Notas Fiscais Calçadas) por Cliente/Comprador; no “Demonstrativo Mensal Analítico de Omissão de Rendimentos (Nota Fiscal Calçada)”; “Demonstrativo Mensal Consolidado de Omissão de Rendimentos (Notas Fiscais Calçadas); “Demonstrativo de Apuraçao de Valores Tributáveis”. Portanto, restou demonstrada pela fiscalização a conduta dolosa quanto à infração omissão de receitas da atividade receitas não escrituradas (nota fiscal calçada). Pretensão descabida de redução para 20% para as multas aplicadas. No caso, a multa de ofício foi aplicada em atividade de fiscalização repressiva. A contribuinte perdeu a espontaneidade para excluir a responsabilidade por infração tributária quanto a fatos até então ocorridos, a partir da ciência do termo de início de fiscalização. A multa de 20% (multa de mora), suscitada pela recorrente, aplicase apenas para pagamento espontâneo de débitos vencidos e não pagos até a data de vencimento, e desde que o pagamento ocorra antes da ciência de início de procedimento de fiscalização, que não é o caso, pois tratase de lançamento de ofício em atividade repressiva de fiscalização. Ademais, não compete ao Órgão de Julgamento administrativo conhecer, no mérito, de pretensa inconstitucionalidade de lei vigente ou afastar ou afastar sua aplicação, sob pena de responsabilidade funcional dos seus membros. Matéria sumulada pelo CARF. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Também a multa de 2% prevista no Código de Defesa do Consumidor, bem como a prevista no Código Civil Brasileiro, não se aplicam a relações de natureza tributária, conforme verbete da Súmula CARF nº 51, in verbis: Súmula CARF nº 51: As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária. Por conseguinte, deve ser mantida a multa qualificada quanto à infração omissão de receitas da atividade receitas não escrituradas (nota fiscal "calçada") e a multa de 75% sobre a infração omissão de receitas depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada e para a infração insuficiência de recolhimento (infração reflexa). JUROS DE MORA TAXA SELIC: Fl. 4335DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.336 39 Requer a recorrente, outrossim, seja reconhecida a inaplicabilidade da Taxa SELIC na cobrança de tributos. A matéria é pacífica nos Tribunais e neste CARF pela aplicabilidade da Taxa SELIC na cobrança de tributos federais, inclusive, está sumulada. Transcrevo os verbetes das Súmulas: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Portanto, devese manter a aplicação da Taxa SELIC, como sucedâneo dos juros de mora, na cobrança dos tributos federais, nos pagamentos intempestivos. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: Alegam os recorrentes que não há previsão legal de incidência de juros de mora (taxa Selic) sobre a multa de ofício. Argumento dos recorrentes não merece prosperar. O crédito tributário comporta o tributo e a penalidade pecuniária. Assim, os juros de mora (taxa Selic) incidem sobre o crédito tributário que é composto pelo montante do tributo devido e da penalidade pecuniária. Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplica se ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo. A fluência dos juros de mora sobre a multa de ofício durante o curso do processo administrativo fiscal não representa afronta ao art. 161 do CTN, eis que no próprio CTN o termo "crédito tributário" não é utilizado somente para se referir à obrigação tributária principal. Conforme se depreende da leitura do art. 142 e do art. 113 do CTN. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõem o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa perma necer congelado no tempo. Mantémse a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS: Fl. 4336DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.337 40 A fiscalização lavrou Termos de Sujeição Passiva Solidária em face dos sócios da autuada, imputando responsabilidade solidária prescrita no art. 124, I, do CTN. Os recorrentes alegam inexistência de qualquer prova nos autos para justificar a inclusão como responsáveis solidários, por força do disposto no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional; que não há qualquer ato e prova demonstrando claramente a configuração dos requisitos legais a fim de justificar tal imposição, reveIando, assim, verdadeiro ato ilegal e de arbitrariedade flagrante. O fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não é o mero interesse de fato, mas o interesse jurídico que surge ai partir da exigência de direitos e deveres comuns entre pessoas situadas do mesmo lado de uma relação jurídica privada que 'constitua o fato jurídico tributárío”; que “interesse comum" na ocorrência do fato gerador demanda basicamente um interesse jurídico e não meramente fático, econômico, social, além de necessitar que as pessoas partícipes do fato jurídico tributário não estejam em situação oposta no ato, fato ou relação negocial, ou contrário, que se quedem em situação de comunhão. Diversamente do alegado pelos recorrentes, a sujeição passiva solidária dos sócios da autuada Sr.Octávio José Pagnan e a Sra. Selene Gonçalves Pagnan está demonstrada e comprovada pelo fisco nos autos. Nesse sentido, transcrevo a narrativa dos fatos constante do Termo de Encerramento de Ação Fiscal, in verbis: (...) I I I . PROPRIETÁRIOS 4. A fiscalizada possui como sócios o Sr. Octávio Jose Pagnan, CPF 019.988.39800 (50% do capital social) e a Sra. Selene Gonçalves Pagnan, CPF 047.709.38845 (50% do capital social). O Sr. Octávio José Pagnan figura como responsável pela fiscalizada. (...) VI. DILIGÊNCIAS EFETUADAS JUNTO AOS CLIENTES/COMPRADORES 20. Paralelamente a análise das informações financeiras/bancárias da fiscalizada, a fiscalização buscou também coletar informações, por amostragem, de alguns dos CLIENTES/COMPRADORES da fiscalizada. A. obtenção de informações junto aos clientes tinha a intenção de identificar a ocorrência de outras práticas de sonegação que viessem a provar e/ou tornar mais objetiva e contundente à prática de sonegação da fiscalizada. 21. Pelo fato da fiscalizada atuar principalmente no ramo de venda atacadista (cooperativas e supermercados) optouse por selecionar, por amostragem, alguns de seus clientes e proceder a auditorias de suas Vendas buscando indícios da prática de sonegação e, mais especificamente, omissão de Fl. 4337DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.338 41 rendimentos praticados conjuntamente com a prática de crimes contra a ordem tributária, conforme preceituada na lei 8.137/90. (...) 22. Em virtude disso foram selecionados alguns dos clientes da fiscalizada e estes foram intimados a apresentar cópias do Livro Razão, Notas Fiscais e Comprovantes de Pagamento referentes a compras efetuadas da fiscalizada no período sob fiscalização. 23. Cabe informar que a fiscalizada declarou, conforme Livro Registro de Saídas (fls. 148/316), ter efetuado vendas no valor total de R$ 799.822,91 no anocalendário sob fiscalização. Entretanto, declarou e pagou seu tributo a RFB, conforme DIPJ (Declaração Simplificada de Pessoa Juridica Simples/ND no 9305139) ter efetuado vendas no valor total de R$ 437.639,88 (fls. 12/29). Por esta simples análise já se constatou haver omissão de rendimentos entre o valor declarado e o valor escriturado. DILIGÊNCIAS 24. A empresa SUPER HOLDING GIMENES LTDA, CNPJ 71.323.380/000143, foi regularmente intimada a apresentar as cópias das páginas do Livro Razão, Notas Fiscais e Comprovantes de Pagamentos referentes aos lançamentos de COMPRAS efetuadas da fiscalizada no anocalendário de 2004. Em resposta as intimações a empresa apresentou documentação comprobatória de compras para a fiscalizada no anocalendário de 2004 que totalizaram R$ 233.897,60 (fls. 683/699 e 754/1655). 25. A empresa COOPERATIVA DOS CAFEICULTORES E CITRICULTORES DE SÃO PAULO, CNPJ 45.236.791/000191, foi regularmente intimada a apresentar as cópias das páginas do Livro Razão, Notas Fiscais e Comprovantes de Pagamentos referentes aos lançamentos de COMPRAS efetuadas da fiscalizada no anocalendário de 2004. Em resposta as intimações a empresa apresentou documentação comprobatória de compras para a fiscalizada no anocalendário de 2004 que totalizaram R$ 688.725,87 (fls. 700/717 e 1656/3011). 26. A empresa COOPERATIVA AGROPECUARIA DO SUDOESTE MINEIRO LTDA, CNPJ 23.272.263/000155, foi regularmente intimada a apresentar as cópias das páginas do Livro Razão, Notas Fiscais e Comprovantes de Pagamentos referentes aos lançamentos de COMPRAS efetuadas da fiscalizada no anocalendário de 2004. Em resposta as intimações a empresa apresentou documentação comprobatória de compras para a fiscalizada no anocalendário de 2004 que totalizaram R$ 10.157,15 (fls. 718/722 e 3012/3061). 27. A. empresa SUPERMERCADOS PALOMAX LTDA, CNPJ 61.256.335/000160, foi regularmente intimada a apresentar as Fl. 4338DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.339 42 Cópias das páginas do Livro Razão, Notas Fiscais e Comprovantes de Pagamentos referentes aos lançamentos de COMPRAS efetuadas da fiscalizada no anocalendário de 2004. Em resposta as intimações a empresa apresentou documentação comprobatória de compras para a fiscalizada no anocalendário de 2004 que totalizaram R$ 12.171,27 (fls. 723/729 e 3062/3142). 28. A empresa LUIZ TONIN E CIA LTDA, CNPJ 24.896.425/OOO199, foi regularmente intimada a apresentar as cópias das páginas do Livro Razão, Notas Fiscais e Comprovantes de Pagamentos referentes aos lançamentos de COMPRAS efetuadas da fiscalizada no anoCalendário de 2004. Em resposta as intimações a empresa apresentou documentação comprobatória de compras para a fiscalizada no anocalendário de 2004 que totalizaram R$ 236.577,25 (fls. 730/743 e 3143/3396). 29. A empresa IRMÃOS TONIN LTDA, CNPJ 17.949.231/0001 49, foi regularmente intimada a apresentar as cópias das paginas do Livro Razão, Notas Fiscais e Comprovantes de Pagamentos referentes aos lançamentos de COMPRAS efetuadas da fiscalizada no anocalendário de 2004. Em resposta as intimações a empresa apresentou documentação comprobatória de compras para a fiscalizada no anocalendário de 2004 que totalizaram R$ 32.970,01 (fls. 744/748 e 3397/3451). 30. A empresa SUPERMERCADO CARNEIRO, CNPJ 55.322.150/0001O3, foi regularmente intimada a apresentar as cópias das páginas do Livro Razão, Notas Fiscais e Comprovantes de Pagamentos referentes aos lançamentos de COMPRAS efetuadas da fiscalizada no anocalendário de 2004. Em resposta as intimações a empresa apresentou documentação comprobatória de compras para a fiscalizada no anocalendário de 2004 que totalizaram R$ 60.928,86 (fls. 749/753 e 3452/3559). 31. Como resultado da diligência, por amostragem, dos clientes da fiscalizada apurouse o total de vendas/saidas no valor de R$ 1.275.428,01: Constatase, desta forma, que o valor apurado é superior ao Valor declarado pela fiscalizada (R$ 437.639,88). 32. Cabe ressaltar que pelo fato da fiscalizada tratarse de Vendedora Atacadista, não é possível diligenciar todos os seus clientes, mas somente a partir desta amostragem (07 clientes) foi possivel observar que existe grande probabilidade da fiscalizada estar omitindo valores superiores aos apurados, fato este que foi constatado na operação de Omissão de Rendimentos Depósitos Bancários, acima relatada. 33. Neste ponto e importante frisar que a fiscalizada utilizouse do subterfúgio chamado “nota fiscal calçada” para fraudar a fiscalização tributária. Abaixo segue narrativa do procedimento utilizado por esta fiscalização para apuração deste crime em tese. Fl. 4339DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.340 43 VII. APURAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE “NOTA FISCAL CALÇADA” 34. No dia 31/10/2007 a fiscalizada foi intimada (fls.377/378) a apresentar TODAS as Notas Fiscais referentes à venda de produtos e/ou prestação de serviços do ano sob fiscalização. Em resposta ao Termo a fiscalizada apresentou documento (fls.379/381) onde informou estar apresentando todas as Notas Fiscais solicitadas. 35. Entretanto, após análise desta fiscalização foi constatado que a fiscalizada não havia apresentado TODAS as suas notas fiscais relativas a vendas efetuadas no ano calendário sob fiscalização. Para ser mais exato, havia mais de uma centena de notas fiscais que não haviam sido apresentadas. 36. Em decorrência deste fato esta fiscalização teve que organizar, separar e identificar, uma a uma, todas as notas fiscais entregues pela fiscalizada. Após o árduo trabalho de identificação individual das notas, todas as notas fiscais faltantes foram relacionadas no termo abaixo mencionado sendo a fiscalizada intimada a se pronunciar. 37. Desta forma foi emitido o Termo de Intimação e Constatação Fiscal MK6 (fls. 393/396) onde foi solicitada à fiscalizada apresentar todas as notas fiscais faltantes. Transcorrido o prazo a fiscalizada não apresentou a documentação solicitada e tampouco qualquer outra explicação, sendo desta forma emitido Termo de Reintimação e Constatação Fiscal MK7 (fls. 397/402) onde as notas fiscais faltantes foram novamente solicitadas. 38. Em atendimento a reintimação a fiscalizada solicitou prorrogação de 15 dias para entrega da documentação solicitada. Transcorrido o prazo solicitado a mesma somente apresentou documento informando que “...todas as notas fiscais de saída foram entregues a fiscalização...”(fls. 403/405). Ou seja, a fiscalizada furtouse de entregar as notas fiscais faltantes e infringiu não somente a legislação tributária como também incorreu em crime, em tese, contra a ordem tributária. (...) 39. Não obstante este fato, foi possível efetuar todas as análises necessárias para configurar a prática de ilícito tributário pela fiscalizada, pois esta fiscalização já estava de posse dos demais livros fiscais/contábeis da fiscalizada. Através do Livro Registro de Saídas (fls. 148/316) foi possível verificar os valores escriturados nas notas fiscais emitidas pela fiscalizada e cotejar/confrontar estes valores com as notas fiscais obtidas junto às empresas diligenciadas. Desta forma ficou claramente configurada a prática de “nota fiscal calçada” e conseqüente configuração, em tese, de crime contra a ordem tributária. Fl. 4340DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.341 44 (...) 40. Cabe informar que os valores mencionados nos tópicos VI e VII, referentes à apuração de omissão de receitas provenientes de “notas fiscais calçadas” foram discriminados e apurados mensalmente, conforme determina a legislação, no “Demonstrativo de Omissão de Valores (Notas Fiscais Calçadas) por Cliente/Comprador” (fls. 3675/3728), no “Demonstrativo Mensal Analítico de Omissão de Rendimentos (Nota Fiscal Calçada)” (fls. 3636/3674), “Demonstrativo Mensal Consolidado de Omissão de Rendimentos (Notas Fiscais Calçadas)” (fl. 3635) e, tambem, no Demonstrativo de Apuração de'Valores Tributáveis (fls. 3776). VIII. INFRAÇÕES APURADAS 41. As infrações apuradas durante a fiscalização foram OMISSÕES DE RECEITAS provenientes de RECEITAS NÃO ESCRITURADAS (COM OCORRÊNCIA. DE “NOTAS CALÇADAS”), DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS e, reflexamente, INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, cujos respectivos enquadramentos legais e memórias de Cálculo encontramse neste termo de encerramento, nos autos de infrações e demonstrativos de apurações constantes deste processo. (...) XII RESPONSABILIDADE SOL1DÁR1A (TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA) (...) 45. Durante a fiscalizaçÃo ficou demonstrado que os sócios da empresa, procuraram de forma dolosa, impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal. Para tanto, furtaramse de apresentar todas as suas notas fiscais, documento obrigatório a ser entregue a fiscalização, apresentando somente as Notas Fiscais que haviam sido emitidas sem o subterfúgio do “calçamento” da nota. E, não obstante este fato, após análise dos livros fiscais/contábeis da fiscalizada constatouse, conforme descrito acima, que a mesma “calçou” suas notas fiscais demonstrando claro interesse em fraudar a administração tributária. 46. Concluise, portanto, que os sócios da OKTA ALIMENTOS LTDA., Sr. Octavio José Pagnan, CPF 019.988.39800 e a Sra. Selene Gonçalves Pagnan, CPF 047.709.38845, tiveram. interesse comum (fato econômico/lucro) nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias tratadas no presente termo, sendo, portanto, solidariamente obrigados ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, de acordo com os artigos 121 e 124, inciso I, do CTN. Fl. 4341DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.342 45 (...) SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Art. 124, I, do CTN. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador` da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário, pois os atos da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes formais ou informais, posto que todos ganham com o fato econômico. (...) O valor tributável das infrações imputadas do anocalendário 2004 perfaz o montante de R$ 5.910.740,03, assim especificado: AC 2004 A B C D E VALOR TRIBUTÁVEL APURADO RECEITA DECLARADA (DIPJ) RECEITAS TRIBUTÁVEIS APURADAS (AB) OMISSÃO DE RENDIMENTO "NOTAS CALÇADAS" OMISSÃO DE RENDIMENTO "DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO COMPROVADO" (CD) TOTAL R$ 6.348.379,91 R$ 437.639,88 R$ 5.910.740,03 R$ 1.000.112,32 R$4.910.627,71 No anocalendário 2004, ambos os sócios Sr. Octávio José Pagnan e a Sra. Selene Gonçalves Pagnan tinham poder de gestão, administração da sociedade, conforme Cláusula Quinta da Nona Alteração do Contrato Social, de 10/12/2003 (efls.53/56), in verbis: (...) CLAUSULA QUINTA DA ADMINISTRAÇÃO E USO DO NOME COMERCIAL A administração e gestão dos negócios será exercida pelos sócios OCTÁVIO JOSÉ PAGNAN o SELENE GONÇALVES PAGNAN, que se incumbirão de todas as operações e representarão a sociedade, em conjunto e/ou isoladamente, com poderes e atribuições de realizarem todas as consecuções de seu objeto social, representando a sociedade ativa e passivamente, judicial e extra judicialmente. (...) Assim, está demonstrado o interesse jurídico e não meramente fático, econômico, social, das pessoas partícipes do fato jurídico tributário, no caso os sócios Sr. Octávio José Pagnan e a Sra. Selene Gonçalves Pagnan. Ademais, ainda adoto a fundamentação do voto condutor da decisão recorrida, in verbis: (...) O art. 124 do CTN prescreve que as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da Fl. 4342DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.343 46 obrigação principal, são solidariamente obrigadas, situação esta em que se inserem os sócios administradores de pessoa jurídica, quanto mais quando fica claramente configurada a prática dolosa de emissão de “nota fiscal calçada” e não fornecimento de documentos obrigatórios ao fisco. A própria extrema discrepância entre a movimentação financeira da impugnante e sua receita informada, gerando valor tributável quatorze vezes superior ao declarado, já demonstra a atividade dolosa dos sócios da pessoa jurídica de excluir da escrituração e tributação a quase totalidade da receita, corroborando na caracterização do interesse comum dos sócios e a pessoa jurídica. Esta conclusão, como traz Autoridade Fiscal, está respaldada em diversas decisões administrativas proferidas pelo Conselho de Contribuintes, conforme ementa abaixo transcrita: Acórdão 20312270 de 7/07/2007 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Art. 124, 1, do CTN. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário, pais os atos da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes formais ou informais, posto que todos ganham com o fato econômico. Recurso provido em parte. Entendese ainda que o art. 124 pode ser perfeitamente combinado com art. 135, III do CTN, que responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei. Argumenta a impugnante que caso se entenda que a responsabilidade solidária decorra da imputação à pessoa jurídica da responsabilidade prevista no art. l35, III do CTN, esta não é cabível, pois traz como requisitos que os atos tenham sido praticados com infração a lei, ao contrato social ou com excesso de poderes, sendo insuficiente a simples existência do credito tributário e do inadimplemento da obrigação. Complementa: “nÃo existe nem mesmo inadimplemento pela pessoa jurídica da qual foi sócia, mas de terceira, como já explicado”. Novamente parece que a impugnante desconhece a relação de solidariedade objeto do lançamento, pois continua a tecer argumentações em face de relação entre duas pessoas jurídicas distintas, entendendo ser solidariedade em face da sócia da contratante na relação comercial. Ficou claramente demonstrada nos autos, como restou analisado no item 5 do presente voto (conduta dolosa da impugnante), a prática dolosa de emissão de notas calçada, situação que por si só já prova a máfé, a fraude, o dolo na conduta dos Fl. 4343DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.344 47 administradores da pessoa jurídica, que aliada às discrepantes movimentações financeiras não contabilizas, deixa claro o enquadramento das condutas dos sócios administradores no art. 135, III do CTN. Salientase que, conforme entendimento disposto no Parecer PGFN/CRJ/CAT n° 55/2009, “a responsabilidade do administrador pode ser declarada no mesmo auto de infração que lançar o crédito tributário em face da pessoa jurídica contribuinte, como também poderá ser declarado em auto de infração e em momento distintos, independentemente de ter o ato ilícito sido praticado no mesmo átimo da ocorrência do fato jurídico tributário que deu origem à obrigação tributária principal; a responsabilidade de cada administrador pode ser declarada ao mesmo tempo e ato ou em tempos e atos distintos”. Assim, a responsabilidade ou solidariedade tributária poderá ser declarada, inclusive, na fase de execução fiscal, dado que a qualificação dos responsáveis pelo crédito tributário é inerente aos procedimentos de cobrança e execução do débito, caracterizandose como questão subsidiária no julgamento administrativo, cujo foco é a constituição do crédito tributário. Por fim, entendo caracterizada a solidariedade passiva dos sócios da fiscalizada. (...) Deve ser mantida a sujeição passiva solidária dos citados sócios. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLLSIMPLES, PIS SIMPLES, COFIN SIMPLES E CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INSSSIMPLES. Por decorrerem dos mesmos elementos de fato, a decisão prolatada para o IRPJSimples aplicase também aos tributos reflexos. Por tudo que foi exposto, voto dar provimento parcial ao recurso voluntário: a) para acolher a decadência para os fatos geradores dos períodos de apuração junho e julho do anocalendário 2004 pela aplicação do art. 150,§4º, do CTN, quanto à infração omissão de receitas depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada; e, b) não conhecer da matéria atinente ao sigilo bancário, em face da concomitância (processo administrativo e judicial), que implicou renúncia da autuada à discussão dessa matéria na órbita administrativa. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 4344DF CARF MF Processo nº 15956.000238/200960 Acórdão n.º 1301003.031 S1C3T1 Fl. 4.345 48 Voto Vencedor Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Redatora Designada. No que tange à responsabilidade tributária, entendeu o Colegiado que naquele caso em que o lançamento se deu através da prova indireta, ou seja, mediante presunção legal, nos termos do art. 42, da Lei 9.430/96, não há que se falar em responsabilidade solidária. Ora, se o lançamento foi efetuado mediante a aplicação da presunção, não vejo como persistir a responsabilidade tributária, nos termos do art. 124, I e 135, III, do CTN, já que não se verificou ou mesmo comprovouse a atuação dessas pessoas na ocorrência do fato gerador, já que a prova obtida fora a indireta. Ademais, o próprio dolo, que qualifica a multa, nestes casos, foi afastada, ou sequer foi aplicada nesses casos. Assim, há de se afastar a responsabilidade tributária para o caso em que a base do lançamento foi a presunção legal. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 4345DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.721089/2011-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados com documentação idônea que indique o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu.
Numero da decisão: 2002-000.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente ORLANDO DA GAMA RODRIGUES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados com documentação idônea que indique o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 10 89 /2 01 1- 67 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10280.721089/201167 Acórdão n.º 2002000.156 S2C0T2 Fl. 67 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2010, ano calendário 2009, tendo em vista a apuração de dedução indevida de despesas médicas (fls.17/18). O contribuinte apresentou impugnação (fls.2/13), explicando que se submete a tratamento odontológico especializado há vários anos, por ser portador de doença periodontal grave, de caráter progressivo. Requer o restabelecimento das despesas glosadas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) deu parcial provimento à Impugnação (fls. 39/41), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Somente são admitidas as despesas médicas pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. Cientificado dessa decisão em 10/5/2016 (fl.46), o contribuinte interpôs, em 8/6/2016 (fl.48), seu Recurso Voluntário (fls. 48/63), onde relata seus problemas de saúde, de forma a justificar os serviços médicos utilizados. Em relação à despesa não acatada pela DRJ, informa que não foi possível localizar o profissional em 2011, de forma a sanar a falha apontada no tocante à despesa ocorrida em 2009. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.43). É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10280.721089/201167 Acórdão n.º 2002000.156 S2C0T2 Fl. 68 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a despesa médica informada com Marcos Aurélio Monteiro de Melo, no valor de R$15.000,00. Na autuação, a autoridade fiscal consigna que o recibo apresentado estaria em desacordo com a legislação de regência (fl. 18). Em sua impugnação, o sujeito passivo juntou, no tocante a essa despesa, o recibo de fl.4. A DRJ assim decidiu: A Lei 9.250/1995, art. 8º, II, ‘a’, §§ 2º e 3º, dispõe que na declaração de ajuste anual, poderão ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos feitos, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos, restringindose aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao seu tratamento e ao de seus dependentes. A dedução fica condicionada ainda a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, não se aplicando às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro. Ante o exposto, examinando os recibos de fls. 3 a 6, verificase que foram omitidos os endereços dos profissionais Anália Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10280.721089/201167 Acórdão n.º 2002000.156 S2C0T2 Fl. 69 4 Monteiro Leite (fls. 3 e 6), Djanira do Socorro Guimarães (fl. 5) e Marco Aurélio Melo (fl. 4). ... Quanto ao profissional Marco Aurélio Melo, a falta não foi sanada e nem foram apresentados novos elementos de prova que permitissem o restabelecimento, pela autoridade julgadora, da glosa lançada. Assim, mantémse a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 4.125,00 (= R$ 15.000,00 x 27,5%, glosa mantida vezes alíquota aplicável ao caso). Em seu recurso, o contribuinte informa não ter sido possível localizar o profissional para emissão de laudo acerca do seu tratamento, juntando a mesma documentação apresentada na impugnação. Como consignado pela decisão de piso, o endereço do profissional é requisito previsto na lei para aceitação do recibo pelo Fisco. Deste modo, persistindo a falta de requisito legal do documento comprobatório da despesa, não há reparos a se fazer à decisão da DRJ. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 69DF CARF MF
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