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Numero do processo: 19515.003680/2003-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ
Ano-calendário: 1997
PRAZO DECADENCIAL PARA O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO
Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário via lançamento de oficio, começa a fluir a partir da data do fato gerador da obrigação tributária, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que o prazo começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Numero da decisão: 1401-000.308
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, reconhecer a decadência, vencidos os conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Viviane Vidal Wagner
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Ano-calendário: 1997 PRAZO DECADENCIAL PARA O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário via lançamento de oficio, começa a fluir a partir da data do fato gerador da obrigação tributária, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que o prazo começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
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Numero do processo: 10680.916444/2009-57
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO MATERIAL. ADEQUAÇÃO NO ÂMBITO DO PROCESSO. POSSIBILIDADE.
As inexatidões materiais cometidas por ocasião do preenchimento da Declaração de Compensação podem ser retificadas após o despacho decisório que indefere a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 9101-003.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro André Mendes de Moura, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO MATERIAL. ADEQUAÇÃO NO ÂMBITO DO PROCESSO. POSSIBILIDADE. As inexatidões materiais cometidas por ocasião do preenchimento da Declaração de Compensação podem ser retificadas após o despacho decisório que indefere a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro André Mendes de Moura, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 64 44 /2 00 9- 57 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10680.916444/200957 Acórdão n.º 9101003.154 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório A Fazenda Nacional recorre a este Colegiado, contra acórdão de turma ordinária, por meio do qual foi dado provimento parcial ao recurso voluntário. A contribuinte apresentou à Receita Federal do Brasil declaração de compensação a qual foi não homologada por aquele órgão. O Acórdão ora recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário, adotando o entendimento de que o fato de a contribuinte ter apontado como crédito da DCOMP um valor por ele classificado, erradamente, como pagamento indevido ou a maior, não obsta a verificação da legitimidade do crédito requerido, agora classificado como saldo negativo, conforme a manifestação do contribuinte no curso do contencioso administrativo. Em seguida, a Fazenda Nacional apresentou o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a existência de erro material na DCOMP em respeito à indicação da natureza do crédito tributário (saldo negativo, e não pagamento indevido) é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada nos acórdãos paradigmas. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.150, 05/10/2017, proferido no julgamento do processo nº 13609.900608/200802, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Inexistindo preliminar suscitada pelas partes, e quanto ao mérito transcreve se, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.150): (...) Erro material A contribuinte apresentou declaração de compensação apontando indébito oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal do Brasil não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento apontado estava devidamente afetado a crédito tributário confessado pela contribuinte. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10680.916444/200957 Acórdão n.º 9101003.154 CSRFT1 Fl. 4 3 Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte afirmou que errou quando preencheu a correspondente declaração de compensação, pois o crédito que dispõe surge na apuração do saldo negativo do tributo, pelo que deveria ter apontado o seu crédito como sendo de natureza de saldo negativo e não de pagamento indevido. A decisão recorrida não reconheceu, de pronto, o erro no preenchimento da declaração, mas entendeu que essa alegação de erro poderia ser suscitada em sede de manifestação de inconformidade e, como não há vedação legal para tal retificação, pois somente é feita por instrução normativa da RFB, decidiu por determinar o retorno dos autos à unidade de origem para verificação se de fato houve o erro no preenchimento da declaração, como também que se verificasse “eventuais compensações posteriores com o mesmo crédito pleiteado” . O recurso especial da Fazenda veio com o pedido para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, impedindo a superação do alegado erro na declaração de compensação, por considerar essa superação como uma inadmissível inovação do pedido de compensação. Para tanto, o recorrente cita a legislação pertinente e apresenta sua interpretação, pela qual o pedido de compensação deve ser apreciado, exclusivamente, nos limites da declaração de compensação apresentada pelo contribuinte. As normas citadas pela Recorrente são aquelas encontradas nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, merecendo destaque o §3º, caput, e seus incisos V e VI, do referido artigo 74, a seguir transcritos: § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Entretanto, é de se entender que a limitação contida no §3º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ao contrário do sugerido pela Recorrente, não trata da hipótese de inexatidão material do pedido originário. Aliás, como bem destacado pela decisão recorrida, inexiste óbice a essa retificação, na lei. Tanto é assim que a própria Administração Tributária permite a retificação da declaração de compensação, embora limite essa prerrogativa do contribuinte ao tempo em que a declaração está pendente de decisão administrativa, conforme a referida IN SRF nº 460, de 2004, citada pela Recorrente, cujos artigos 56, 57 e Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10680.916444/200957 Acórdão n.º 9101003.154 CSRFT1 Fl. 5 4 58 a seguir transcritos, estabelecem o óbice para tal retificação a posteriori: Art. 56. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 57 e 58. Art. 57. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 58. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. (Destacouse) Ressaltese que tais regras foram reproduzidas nas instruções normativas que se sucederam à IN SRF nº 460, de 2004 (arts. 57, 58 e 59 da IN SRF nº 600, de 2005; arts. 77, 78 e 79 da IN RFB nº 900, de 2008; arts. 88, 89 e 90 da IN RFB nº 900, de 2012, e 107, 108 e 109 da IN RFB nº 1717, de 2017). Analisandoas, é de se compreender que estas limitações temporais ao direito de retificar decorrem do fato de não se querer permitir que as compensações sejam alteradas a todo instante, ou seja, a RFB expede um despacho denegatório e na sequência, o sujeito passivo altera o seu pedido, e assim sucessivamente, tornando a atividade administrativa de homologação algo sem fim . Contudo, não se pode em sede de recurso voluntário ou especial, conceber, uma vez identificado pelo sujeito passivo, na sua primeira oportunidade de defesa, que a não homologação decorreu de um erro que cometera, que ele não possa aduzir e demonstrar que cometera uma inexatidão material. Aliás, no âmbito deste colegiado, a matéria em análise já foi apreciada em processo similar, quando foi prolatado o Acórdão nº 9101002.203, de 02/02/2016, relatado pelo Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, cuja decisão unânime foi no sentido de superar o erro na declaração e apreciar o direito material. Naquela ocasião, foi adotada a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE DCOMP E DIPJ. ESCLARECIMENTO E SANEAMENTO DE ERRO NO CURSO DO PROCESSO. POSSIBILIDADE. 1 Um erro de preenchimento de DCOMP, que motivou uma primeira negativa por parte da administração tributária (DRF Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10680.916444/200957 Acórdão n.º 9101003.154 CSRFT1 Fl. 6 5 de origem), não pode gerar um impasse insuperável, uma situação em que a contribuinte não pode apresentar nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo. Tal interpretação estabelece uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal. Não há como acolher a idéia de preclusão total, sustentada no entendimento de que a contribuinte pretende realizar uma nova compensação por vias indiretas, dentro do processo, especialmente pelas circunstâncias do caso concreto, em que ela não pretende modificar a natureza do crédito (saldo negativo de IRPJ), nem seu período de apuração (anocalendário de 2003), e nem mesmo aumentar o seu valor. 2 A decisão de primeira instância administrativa decidiu não examinar as informações que pretendiam justificar as divergências entre DCOMP e DIPJ, sustentando seu entendimento na questão formal da impossibilidade de retificação de DCOMP após ter sido exarado o despacho decisório, óbice que nesse momento está sendo afastado. Afastado o óbice formal que fundamentou a decisão da Delegacia de Julgamento, o processo deve retomar àquela fase, para que se examine o mérito do direito creditório e das compensações pretendidas pela contribuinte. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Procuradoria e negar o seu provimento, mantendo se a decisão recorrida que foi no sentido de que o processo retorne à unidade competente da Receita Federal do Brasil para verificação quanto à procedência do erro alegado, bem como quanto ao efetivo direito creditório. Assim, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do Procurador, mantendose a decisão recorrida que, afastando óbice formal, foi no sentido de que o processo retorne à unidade de origem da Receita Federal do Brasil para verificação quanto à procedência do erro alegado, bem como quanto à liquidez e certeza do direito creditório reclamado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.903545/2013-96
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 151, III DO CTN.
O inciso III do artigo 151 do CTN, prevê que "as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário".
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO À MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. PRECLUSÃO.
Face à ausência de contestação quanto a desconsideração fiscal dos custos inerentes ao consumo de gás, quando da apuração do crédito presumido do IPI, em sua manifestação de inconformidade, no julgamento de primeiro grau, a matéria quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir nesta instância recursal.
IPI. BENEFÍCIO FISCAL. SUSPENSÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAL EXPORTADORAS COM FINS ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO.
Somente considera adquirido com o fim específico de exportação o produto remetido diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE.
Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei 9.363 de 1996.
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. SÚMULA DO STJ. INAPLICABILIDADE.
Inaplicável ao caso sob exame, que trata de litígio acerca da integração da base de cálculo os custos correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda, a Súmula 494 do Superior Tribunal de Justiça, na medida que seu enunciado reporta-se ao "benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias-primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP".
DIREITO TRIBUTÁRIO. REGRAS ISENTIVAS. INTERPRETAÇÃO LITERAL.
No direito tributário, as regras sobre isenção devem ser interpretadas literalmente, não cabendo fazer interpretação extensiva e/ou ampliativa dos dispositivos, conforme disciplina o artigo 111 do CTN.
Numero da decisão: 3001-000.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 151, III DO CTN. O inciso III do artigo 151 do CTN, prevê que "as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário". NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO À MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. PRECLUSÃO. Face à ausência de contestação quanto a desconsideração fiscal dos custos inerentes ao consumo de gás, quando da apuração do crédito presumido do IPI, em sua manifestação de inconformidade, no julgamento de primeiro grau, a matéria quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir nesta instância recursal. IPI. BENEFÍCIO FISCAL. SUSPENSÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAL EXPORTADORAS COM FINS ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO. Somente considera adquirido com o fim específico de exportação o produto remetido diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE. Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei 9.363 de 1996. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. SÚMULA DO STJ. INAPLICABILIDADE. Inaplicável ao caso sob exame, que trata de litígio acerca da integração da base de cálculo os custos correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda, a Súmula 494 do Superior Tribunal de Justiça, na medida que seu enunciado reporta-se ao "benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias-primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP". DIREITO TRIBUTÁRIO. REGRAS ISENTIVAS. INTERPRETAÇÃO LITERAL. No direito tributário, as regras sobre isenção devem ser interpretadas literalmente, não cabendo fazer interpretação extensiva e/ou ampliativa dos dispositivos, conforme disciplina o artigo 111 do CTN.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 151, III DO CTN. O inciso III do artigo 151 do CTN, prevê que "as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário". NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO À MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. PRECLUSÃO. Face à ausência de contestação quanto a desconsideração fiscal dos custos inerentes ao consumo de gás, quando da apuração do crédito presumido do IPI, em sua manifestação de inconformidade, no julgamento de primeiro grau, a matéria quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir nesta instância recursal. IPI. BENEFÍCIO FISCAL. SUSPENSÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAL EXPORTADORAS COM FINS ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO. Somente considera adquirido com o fim específico de exportação o produto remetido diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE. Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei 9.363 de 1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 35 45 /2 01 3- 96 Fl. 123DF CARF MF 2 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. SÚMULA DO STJ. INAPLICABILIDADE. Inaplicável ao caso sob exame, que trata de litígio acerca da integração da base de cálculo os custos correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda, a Súmula 494 do Superior Tribunal de Justiça, na medida que seu enunciado reportase ao "benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP". DIREITO TRIBUTÁRIO. REGRAS ISENTIVAS. INTERPRETAÇÃO LITERAL. No direito tributário, as regras sobre isenção devem ser interpretadas literalmente, não cabendo fazer interpretação extensiva e/ou ampliativa dos dispositivos, conforme disciplina o artigo 111 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 104 a 121) interposto contra o Acórdão 0131.569, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA DRJ/BEL, em sessão de julgamento realizada em 03.03.2015 (fls. 85 a 89), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente (fls. 02 a 14), mantendo, por conseguinte, a decisão exarada pela autoridade administrativa na repartição de origem. Do Pedido de Ressarcimento O requerente, por meio dos "Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação" PER/DCOMP 36265.24322.090210.1.1.011344, na qual informa possuir um saldo credor de IPI no montante de R$ 30.602,12, em que solicita o ressarcimento do tributo, referente ao 4º trimestrecalendário do ano de 2009. Vinculou ao citado ressarcimento, o PER/DCOMP 36717.39996.070410.1.3.018006 (fls. 54 a 81). Do Despacho Decisório Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10783.903545/201396 Acórdão n.º 3001000.069 S3C0T1 Fl. 124 3 Em face do referido pedido, foi exarado despacho decisório Número de Rastreamento 076068246 que, com arrimo no Parecer SEFIS 191/2013, não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo ora recorrente. Para uma melhor compreensão, transcrevo, a seguir, seu item 3 (fl. 74): 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 30.602,12 Valor do crédito reconhecido: R$ 20.861,75 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Redução do saldo credor do trimestre, passível de ressarcimento, resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 36717.39996.070410.1.3.018006 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 36265.24322.090210.1.1.011344 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 28/02/2014. PRINCIPAL MULTA JUROS 6.916,81 1.383,35 2.571,42 Para informações complementares da análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço Fl. 125DF CARF MF 4 www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento Legal: Art. 11 da Lei nº 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Da Manifestação de Inconformidade Diante da decisão supra, o contribuinte apresentou, em 25.03.2014, manifestação de inconformidade para aduzir, em apertada síntese: Em preliminar, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso III do artigo 151 do CTN. No mérito: (a) discordando da argumentação da autoridade fiscal, quando esta afirma que para se aproveitar, na apuração da base de cálculo do tributo, dos valores referentes à industrialização por encomenda e combustível (gás), deveria o impugnante ter optado pela apuração do crédito presumido através do regime instituído pela Lei 10.276/2001, aduz que para seu aproveitamento nem mesmo se faz necessário ser contribuinte do imposto, consoante prescreve a súmula 494 do STJ, entendimento, inclusive, já pacificado pela CSRF, conforme dispõem as ementas dos acórdãos CSRF/0201.905, CSRF/0201.857 e CSRF/0201.754; (b) quanto a acusação de descumprimento dos prérequisitos estipulados na legislação de regência, para que determinada operação seja aceita como venda para empresa comercial exportadora com fim específico de exportação, aduz que sobressai incontroverso, não obstante admitir não ter seguido "passoapasso" as normas que a legislação impõem para a caracterização desta modalidade de exportação, que, consoante a documentação apresentada à fiscalização, comprovou que encaminhou sua produção para exportação por meio de empresa comercial exportadora, bem como que referidas mercadorias foram efetivamente exportadas, razão pela qual reafirma seu direito a homologação do crédito de IPI que apropriara em decorrência das exportações realizadas. Em face do exposto, requer seja acolhida a provida a manifestação de inconformidade para ver declarada as compensações realizadas, vez que se encontram de acordo com os preceitos legais e regulamentares de regência; e a inclusão no benefício em questão dos valores referentes à operação de industrialização por encomenda, bem como as aquisições de mercadorias para industrialização realizadas no exterior, nos moldes como antes explicitado. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio a decisão contida no voto condutor do acórdão recorrido, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a decisão proferida pela autoridade administrativa na repartição de origem, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10783.903545/201396 Acórdão n.º 3001000.069 S3C0T1 Fl. 125 5 COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Destarte, a passagem desses produtos por outros estabelecimentos intermediários, descaracteriza a aquisição com o fim específico de exportação. CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO. OPÇÃO. Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do IPI, na forma da Lei nº 10.276, de 2001, valendo essa opção por todo o anocalendário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário Irresignado com a decisão formalizada pelo acórdão vergastado, o requerente interpôs recurso voluntário, reprisando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Para demonstrar a absoluta identidade das alegações suscitadas em ambas as peças recursais, é suficiente transcrevermos o trecho denominado "3 DO PEDIDO": (...) À vista do exposto, demonstrada a insubsistência da autuação fiscal em comento, requer que seja acolhido e provido o presente Recurso para: 3.1 declarar que as compensações realizadas se encontram de acordo com os preceitos legais e normatização de regência; e 3.2 incluir no benefício em questão os valores referentes às exportações indiretas e industrialização por encomenda. Nestes Termos, Pede Deferimento. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Prolegômeno O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Fl. 127DF CARF MF 6 Portaria MF 343 de 09.06.2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3001000.074 de 31 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 15586.721132/201254, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3001000.074): "Da Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Preâmbulo 1 Contextualizando o presente litígio, cabe ressaltar que, como já explicitado no relatório supra, o contribuinte reitera seus argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, na qual, em síntese, defende a possibilidade de utilização dos custos de serviços de industrialização por encomenda e, no caso das vendas para comercial exportadora, alega que embora não tenha cumprido com as normas administrativas e procedimentais impostas pela legislação de regência, entende ser inconteste o direito pleiteado, haja vista ter comprovado a exportação das mercadorias. Preâmbulo 2 O cotejo entre a manifestação de inconformidade e a presente peça recursal, ora examinada, revela que, quando da apresentação do primeiro recurso, é induvidoso que o contribuinte em nenhum momento se defendeu quanto a desconsideração, quando da elaboração do cálculo da base de cálculo dos valores referentes aos combustíveis (gás); tal como efetuada pela fiscalização. É o que se depreende do subitem 4.2 do item 4 "DO PEDIDO" da sua manifestação de inconformidade, na medida em que requer, tal como está escrito, "incluir no benefício em questão os valores referentes à operação de industrialização por encomenda, bem como aquisições de mercadorias para industrialização realizadas no exterior, nos moldes como explicitado na presente peça". Mister notar que o recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação do princípio da congruência e ofensa aos artigos 16 e 17 do Decreto 70.235 de 1972, bem como aos artigos 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil (CPC). Cumpre, destarte, não conhecer da inconformidade baseada na referida divergência, por estar tal razão recursal preclusa, por força de expressa disposição legal. Preâmbulo 3 Sem embargo, embora neste processo não se aprecia qualquer discussão acerca da suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da compensação, tratarei do tema, em breves linhas, tendo em vista a preocupação demonstrada pelo recorrente, a fim de não dar margem a eventual alegação de cerceamento de defesa. É fato que a partir de 31.10.2003, com a edição da MP 135 convertida na Lei 10.833 de 2003, a suspensão da exigibilidade de débito compensado tornouse possível uma vez que a declaração de compensação feita pelo contribuinte passou a ter caráter de confissão de dívida e ser instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10783.903545/201396 Acórdão n.º 3001000.069 S3C0T1 Fl. 126 7 Neste passo, o inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN, norma complementar, dispõe que: as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Nestes termos, reafirmo a suspensão da exigibilidade dos débitos informados até o julgamento definitivo na esfera administrativa do presente litígio. Mérito Das vendas para comercial exportadora. Fim específico de exportação O indeferimento do pleito, neste tópico, deveuse pelo descumprimento do “fim específico de exportação” na venda para a comercial exportadora. Alega o recorrente em seu recurso premissas que diz consistirem de aspectos não controvertidos no caso concreto os quais seriam capazes de conduzir à correta conclusão no sentido de que realizou a exportação, mesmo que, sem cumprir com os ditames legais e regulamentares que regem a matéria e de forma indireta, por meio da venda com fim específico. A fiscalização, com base nas notas fiscais apresentadas e demais informação prestada pelo contribuinte, verificou que nas respectivas operações de vendas os produtos eram enviados para o estabelecimento do próprio adquirente, que não é recinto alfandegado. Esclarecendo que juntamente com a relação das exportações feitas através de comerciais exportadoras e das notas fiscais que comprovassem estas vendas, o contribuinte apresentou “memorandos de exportações”, a fim de comprovar a efetiva exportação das mercadorias. Diante dos fatos apontados, o Fisco constatou que o contribuinte descumpriu o disposto no artigo 42, inciso V, alínea "a", parágrafo 1º, do Decreto 4.544 de 2002 RIPI, bem como o artigo 39, inciso I, parágrafo 2º, da Lei 9.532 de 1997, que determinam que a remessa direta dos produtos a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, é condição necessária para a fruição da suspensão do IPI na saída dos produtos do estabelecimento industrial. Nesse contexto, para avaliar se as operações de venda efetuadas pelo “produtor/vendedor” estão ou não cobertas pela suspensão do IPI, há que se perquirir as normas relativas às operações de comércio exterior, que regulamentam as empresas comerciais exportadoras (ECE), bem como as suas aquisições de mercadorias no mercado interno para o fim específico de exportação. Adianto desde já que o benefício fiscal de que aqui se trata não é o previsto na Constituição Federal (imunes à incidência de contribuições, por força do inciso I, § 2º, do artigo 149, da CF) para as operações de exportação, mas sim o previsto em Lei e sua regulamentação, para as operações de vendas realizadas pelo produtor/vendedor às empresas comerciais exportadoras, quando os produtos sejam adquiridos com o fim específico de exportação. Desta forma, quanto ao imposto tratado nestes autos (IPI), temos que o artigo 42 do Decreto 4.544 de 2002, assim dispõem: Fl. 129DF CARF MF 8 Art. 42 Poderão sair com suspensão do imposto: (...) V os produtos, destinados A exportação, que saiam do estabelecimento industrial para (Lei nº 9.532, de 1997, art. 39): a) empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação nos termos do parágrafo único deste artigo (Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, inciso I); (...) § 1º No caso da alínea a do inciso V, consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º). (grifei) Destacase que os dispositivos acima citados, regulamentaram o artigo 39 da Lei 9.532 de 1997, que estabelece: Art. 39 Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. § 1º Fica assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização dos produtos a que se refere este artigo. § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Para melhor deslinde da presente questão, trago, por oportuno, a manifestação da Divisão de Tributação da SRRF/9ª RF, por meio da Nota Disit 8 de 25.08.2004, da qual transcrevo, com as devidas adaptações, alguns excertos, adotandoas como razão de decidir, com fundamento no § 1º do artigo 50 da Lei 9.784 de 1999. Pois bem. Observase que o artigo 14, inciso VIII, da Medida Provisória 2.15835 de 2001, ao tratar das empresas comerciais exportadoras, restringeas àquelas do DecretoLei 1.248 de 1972, sendo que, logo em seguida, o inciso IX do mesmo artigo se refere a “empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior”. Os demais artigos da Lei falam simplesmente em “empresa comercial exportadora”, sem apontarlhe qualquer característica especial. E, em todas as hipóteses, condicionase a fruição dos benefícios fiscais em tela (isenção ou nãoincidência do IPI, nas vendas à comercial exportadora) ao “fim específico de exportação” da venda. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10783.903545/201396 Acórdão n.º 3001000.069 S3C0T1 Fl. 127 9 Disso isto, e se valendo, ainda, da conhecida regra de hermenêutica segundo a qual o intérprete não deve distinguir onde a lei não o fez, decorre que quando a lei não é expressa em sentido contrário (como ocorre na norma antes referenciada), a alusão que faz a empresa comercial exportadora abrange qualquer pessoa jurídica do gênero e não apenas aquelas disciplinadas pelo DecretoLei 1.248 de 1972. Com efeito, existem, no ordenamento jurídico pátrio, duas espécies de empresas comerciais exportadoras: (i) a empresa comercial exportadora que poderíamos chamar de comum, e (ii) a constituída nos termos da mencionada norma legal, também conhecida como trading company. A primeira (ECE comercial exportadora comum) é regida pelo Código Civil, não se diferenciando, em seus aspectos formais, das demais pessoas jurídicas, entre as quais se individualiza tãosomente em função do seu objeto social. À segunda (trading company), ao contrário, aplicamse requisitos especiais de constituição e funcionamento, previstos no artigo 2º do citado DecretoLei, quais sejam: (a) exigência de registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A (Cacex) (hoje cadastro do Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex), da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), e na Receita Federal do Brasil, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda e veiculadas na Portaria/MF 438 de 26.05.1992; (b) constituição sob a forma de sociedades por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; e (c) exigência de capital mínimo, fixado pelo Conselho Monetário Nacional e tornado público pela Resolução/Banco Central do Brasil 1.928 de 26.05.1992. As empresas comerciais exportadoras comum (ECE) ou não trading, sujeitamse às regras gerais a que estão submetidos todos os exportadores, entre elas a inscrição no Registro de Exportadores e Importadores (REI), da SECEX, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, inscrição essa disciplinada por Portaria da SECEX, que consolida as disposições regulamentares das operações de exportação. Essa mesma Portaria dispõe, que “o registro especial para operar como Empresa Comercial Exportadora, de que trata o DecretoLei e legislação complementar, deverá observar os procedimentos previstos em Comunicado DECEX”. Em termos de legislação tributária, a menção a empresa comercial exportadora deve ser entendida, em regra, como abarcando tanto aquelas sujeitas a registro especial, como as demais, inscritas somente no REI. A Coordenação do Sistema de Tributação (CST), no Parecer Normativo 42 de 1975, reconhecia que o DecretoLei 1.248 de 1972, não revogara as demais disposições legais atinentes a empresas exportadoras não trading, aduzindo o que segue: (...) 9. Diante dessas considerações tornamse claras as diferenças, para os efeitos da legislação reguladora de estímulos fiscais à exportação de manufaturados, entre Empresa Comercial Exportadora de que trata o DecretoLei nº 1.248/72 e as empresas exportadoras ou que operam no comércio exterior referidas no art. 8º do Decreto nº 64.833/69 e no artigo 7º, inciso X, letra “a”, do RIPI. Diferenças advindas, principalmente, das Fl. 131DF CARF MF 10 formas de operações que executam, resultando em momento e condições diversas de gozo de incentivos fiscais. 10. A conclusão que se impõe, pois, é a de que, tratandose de empresas sujeitas a normas reguladoras diferentes, as atividades exercidas por uma não atingem e nem limitam ou excluem as atividades da outra. (...) Assim sendo, no presente caso, como a indústria estava lidando com comercial exportadora comum (não trading), para valerse da isenção do imposto (IPI) na operação de venda, deveria remeter os produtos diretamente, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, enquanto que se a venda estiver sendo feita a comercial exportadora do DecretoLei 1.248 de 1972 (trading), ela (a indústria) poderia enviar os produtos, ainda, ao recinto de uso privativo da comercial exportadora de que trata o artigo 14 da IN SRF 241 de 2002, por sua conta e ordem. A única dúvida que se poderia suscitar diz com a interpretação do que seria, no caso, o “fim específico de exportação”. No entanto, a definição dada pelo § 2º do artigo 39 da Lei 9.532 de 1997 não deixa margem de dúvidas. Vejase. Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I (...) § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (grifei) Nesse sentido, o § 1º do artigo 42 do Decreto 4.544 de 2002, que regulamenta o IPI (RIPI), adotou expressamente o texto fixado no § 2º do artigo 39 da Lei 9.532 de 1997, para efeito de condicionar a isenção prevista no artigo 14 da MP 2.15835 de 2001. Portanto, foi o próprio artigo 39 da citada lei que sujeitou a suspensão em tela à condição de que a aquisição tivesse o “fim específico de exportação”, caracterizado esse “fim específico” pela remessa direta dos produtos, pelo estabelecimento industrial vendedor, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, norma incorporada pelos regulamentos do IPI, editados a partir de 1997 (§ 2º do inciso VI do artigo 40 do Decreto 2.637 de 1998 (RIPI/1998), e § 2º do inciso V do artigo 42 do Decreto 4.544 de 2002 (RIPI/2002). Desta forma, a suspensão do IPI está condicionada à remessa direta dos produtos vendidos ao embarque de exportação ou a recinto alfandegado, tratandose de providência da alçada da indústria (produtora), ainda que por conta e ordem da comercial exportadora e, nem poderia ser diferente, pois é com essa obrigatoriedade que o Fisco consegue manter controle dos benefícios fiscais auferidos pelos contribuintes, dificultando eventuais desvios na destinação dos produtos, evitando que sejam comercializados indevidamente no mercado interno. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10783.903545/201396 Acórdão n.º 3001000.069 S3C0T1 Fl. 128 11 Ocorre que o contribuinte, conforme consta dos dados das notas fiscais e sua própria informação, entregou os produtos no endereço do próprio adquirente, que não é recinto alfandegado, infringindo a determinação legal. Em que pese a seu pleito, não há como prosperar a argumentação do recorrente, haja vista que a legislação tributária (a lei e o regulamento do IPI) estabelece que “consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora”, devendo tal norma, uma vez que concede suspensão do IPI, ser interpretada de forma literal, consoante o que dispõe o artigo 111 do CTN, não cabendo, pois, interpretação ampliativa, como defende o recorrente. Serviços de industrialização por encomenda O indeferimento do pleito, neste tópico, deveuse ao fato de o contribuinte não ter optar pelo regime alternativo instituído pela Lei 10.276 de 2001, cujos incisos I e II do § 1º do seu artigo 1º traz textualmente quais os custos que poderão ser aproveitados na base de cálculo do crédito presumido. Alega o recorrente, basicamente, que faz jus ao aproveitamento desses créditos, pois além de a norma não exigir sequer que seja contribuinte do IPI, para gozar do referido benefício, a questão já foi pacificada, a seu favor, no âmbito do STJ, consoante prescreve a súmula 494 daquela corte. Esta matéria, qual seja, a da possibilidade de inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9.363 de 1996, os valores pagos a título de industrialização por encomenda, não é nova no âmbito do processo administrativofiscal. Neste sentido esclareço, desde já, que me filio à corrente de que no regime estatuído pela citada norma tal apropriação não encontra amparo legal. Como antes já manifestado, entendo que qualquer modalidade de incentivo ou benefício fiscal deve estar sujeito a regras de interpretação literal da legislação que o concede. Para tanto, esclareço que discordo do entendimento segundo o qual as formas de exclusão do crédito tributário sejam somente as previstas no artigo 175 do CTN, pois, partilho da opinião de que referida prescrição somente estabeleceu que a isenção e a anistia excluem o crédito tributário, mas por evidente, não podem ser consideradas as únicas formas existentes de exclusão do crédito tributário. A concessão de crédito presumido de IPI é uma forma indireta de excluir o crédito tributário, na medida em que permite se apropriar de um crédito antes inexistente para ser compensado com tributos devidos. Fosse correta a conclusão de que as únicas formas de exclusão do crédito tributário são a isenção e a anistia, intuo que a redação do artigo 111 do CTN seria, no mínimo, inaplicável quando prever no seu inciso II uma regra que já se encaixava no próprio inciso I, ou seja, seria desnecessário constar no inciso II que se interpreta literalmente as regras de outorga de isenção já que esta é uma forma de exclusão do crédito tributário já contemplado no inciso I. Vejamos a redação do artigo 111 do CTN: Fl. 133DF CARF MF 12 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. É neste sentido que no presente caso deve se dar interpretação literal à norma tributária que concede o benefício fiscal nos exatos termos de que dispõe a norma retro reproduzida. Em verdade, entendo que a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção, na medida em que escampa às regras do que seria o tratamento tributário ordinário. Me permito, a fim de corroborar meu entendimento quanto ao tema, transcrever, a seguir, trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (grifei) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Estabelecido a presente premissa, vejamos então como o crédito presumido do IPI está disciplinado na Lei 9.363 de 1996: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8 de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10783.903545/201396 Acórdão n.º 3001000.069 S3C0T1 Fl. 129 13 dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (grifei) Portanto, a interpretação literal que se extrai do comando normativo acima transcrito é que gera direito ao crédito presumido do IPI os valores decorrentes da aquisição no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para aplicação no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras. A industrialização por encomenda é um serviço prestado ao industrial e não se identifica definitivamente com qualquer dos itens citados na norma, quais sejam matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Logo, ainda que nessa prestação de serviço possa se agregar algum insumo ou mesmo que do serviço resulte uma matériaprima a ser utilizada no seu processo produtivo próprio, concluo que a lei não permitiu essa apropriação. Tanto que posteriormente à edição do referido benefício fiscal sobreveio, com a edição da Lei 10.276 de 2001, uma forma alternativa de apuração do crédito presumido, desta feita prevendo expressamente a possibilidade de se apropriar do valor correspondente aos serviços com industrialização por encomenda. Segue transcrição do dispositivo legal, na parte que interessa ao presentes exame: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Fl. 135DF CARF MF 14 II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...) § 5º Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei nº 9.363, de 1996. Evidente que se o contribuinte quisesse se apropriar dos valores gastos com industrialização por encomenda, obrigatoriamente, deveria ter feito a opção pelo cálculo do crédito presumido do IPI na forma alternativa proposta pela Lei 10.276 de 2001, o que, como sabido, não fez. Logo, ao ter optado pela fórmula de cálculo da Lei 9.363 de 1996 impossível fazer uso desse benefício, por absoluta falta de previsão legal. Então é de se afastar a tese defendida pelo recorrente de que neste caso, a industrialização por encomenda teria dado suporte a aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem para posterior utilização no seu processo produtivo. Noutros termos, rechaçasse a ideia de que a industrialização por encomenda seria uma forma de aquisição destes insumos para utilização no processo produtivo e atenderia então ao disposto no artigo 1º da Lei 9.363 de 1996. Da Súmula 494 do STJ Por fim, o recorrente avoca, em assento aos seus argumentos de defesa, a aplicação dos ditames contidos no enunciado da súmula 494 do STJ, relativamente a não aceitação, para fins do aproveitamento na base de cálculo do crédito presumido do IPI, dos custos inerentes a prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda. No entanto, o que foi sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça, por meio da mencionada súmula, diz respeito a tema diverso do tratado nos presentes autos. Vejamos, pois seu enunciado: "O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP." Naquela oportunidade o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, quanto a sistemática do recurso repetitivo previsto no artigo 543C do CPC, quanto ao condicionamento para fins de aplicação de incentivo fiscal aos insumos adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/Pasep, na apuração do cálculo do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei 9.363 de 1996. Portanto, descabida a pretensão do recorrente, no que se refere a Súmula 494 do STJ, o que torna impossível suscitar a cominação da alínea "b" do inciso II do § 1º do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10783.903545/201396 Acórdão n.º 3001000.069 S3C0T1 Fl. 130 15 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do RICARF (Portaria MF 343 de 09.06.2015), nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19396.720090/2014-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS CONSIDERADAS DESNECESSÁRIAS. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS.
Não restando comprovado por parte da contribuinte ser a efetiva responsável pelos custos/despesas glosados, correta a interpretação dada pela fiscalização quanto ao caráter de falta de necessidade das mesmas, haja vista ter assumido obrigações que não lhe cabiam por força contratual. Em assim fazendo, a recorrente reduziu indevidamente a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2009
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS.
Aplica-se aos tributos lançados reflexamente ao IRPJ os mesmos fundamentos para manter a exigência, haja vista a inexistência de matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles.
Numero da decisão: 1402-002.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio César Nader Quintella.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS CONSIDERADAS DESNECESSÁRIAS. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. Não restando comprovado por parte da contribuinte ser a efetiva responsável pelos custos/despesas glosados, correta a interpretação dada pela fiscalização quanto ao caráter de falta de necessidade das mesmas, haja vista ter assumido obrigações que não lhe cabiam por força contratual. Em assim fazendo, a recorrente reduziu indevidamente a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2009 LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. Aplica-se aos tributos lançados reflexamente ao IRPJ os mesmos fundamentos para manter a exigência, haja vista a inexistência de matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles.
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RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. Não restando comprovado por parte da contribuinte ser a efetiva responsável pelos custos/despesas glosados, correta a interpretação dada pela fiscalização quanto ao caráter de falta de necessidade das mesmas, haja vista ter assumido obrigações que não lhe cabiam por força contratual. Em assim fazendo, a recorrente reduziu indevidamente a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2009 LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase aos tributos lançados reflexamente ao IRPJ os mesmos fundamentos para manter a exigência, haja vista a inexistência de matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 6. 72 00 90 /2 01 4- 94 Fl. 8639DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio César Nader Quintella. Relatório Fl. 8640DF CARF MF Processo nº 19396.720090/201494 Acórdão n.º 1402002.725 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Tratase de Recurso de Ofício decorrente do julgamento pela DRJ de insubsistência de exigência de crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, através do qual foi imputada infração por Glosa de custos, despesas operacionais e encargos não necessários relativas ao ano calendário de 2009 e 10. Diante do detalhado relatório empreendido pela DRJ adotoo em sua íntegra completandoo ao final no que necessário: 1. Da Autuação Conforme descrição dos fatos de fls 932/962 , as autuações tiveram como fundamento as seguintes infrações : 1.1 Glosa de despesas consideradas não necessárias ao desenvolvimento da atividade operacional. Os valores glosados, que totalizam R$ 26.351.490,79 e R$ 46.379.924,25 para 2009 e 2010, respectivamente, foram discriminados, por rubrica contábil, às fls 962. 1.2 Compensação Indevida, no ano calendário 2010, de Prejuízos Fiscais e Base negativa de CSLL por ausência de saldo. A compensação tida como indevida foi de R$ 5.858.850,65 (IRPJ e CSLL) e, conforme fls 907 ,916 e 917, decorreu da ausência de saldos disponíveis. 2. Descrição de Fatos Os fatos apurados e as conclusões alcançadas ao longo da auditoria, descritos às fls 932/962 , foram a seguir sintetizados: Glosa de Despesas 2.1 O objeto social da Maré Alta (autuada) é a exploração de serviços de navegação através de embarcações próprias ou afretadas de terceiros; operação de embarcações próprias ou afretadas em apoio a sondas ou plataformas de perfuração de petróleo; agenciamento marítimo e atividades de operador portuário, consultoria sobre agenciamento marítimo e/ou operações de embarcação; 2.2 As empresas Maré Alta, situada no Brasil, e Java Boat Corporation BV, situada em Amsterdam, pertencem a um mesmo grupo econômico, chamado “ Tide Water Marine Group”. Segundo informações prestadas em resposta ao Termo de intimação 001/2014, não haveria entre as duas pessoas jurídicas dependência legal, econômica ou fiscal.; 2.3 Não obstante as informações prestadas pela autuada, constatouse que : 2.3.1 a Java Boat e a Maré Alta possuem sócios em comum, sócios estes que também fazem parte do “ Tide Water Marine Group”; 2.3.2 O administrador da Java Boat, Sr Geoffrey Laerance Youngs, CPF 062.265.68720, é diretor geral da Maré Alta, possuindo como domicílio fiscal a Rua Odílio Bacilar, nº 10, Urca, RJ, mesmo endereço da Maré Alta; Fl. 8641DF CARF MF 4 2.3.3 Maré Alta e Java Boat atuaram em conjunto dezenas de vezes, em afretamentos realizados em território nacional, nos anos de 2009 e 2010, sempre assumindo, nos contratos assinados, responsabilidade solidária. 2.4 Os afretamentos realizados pelas empresas em referência com a Petrobrás eram formalizados por duas maneiras distintas, que se repetiam para diversas embarcações : (a) um contrato único de afretamento onde a Maré Alta e a Java Boat figuravam como solidárias; ou (b) dois contratos vinculados, um de afretamento e outro de prestação de serviços; 2.4.1 Na primeira modalidade (contratos únicos), Java Boat e Maré Alta aparecem indistintamente na qualidade de “fretadoras” e são designadas como “contratadas”. O objeto do contrato é o “afretamento por tempo” de embarcações de apoio, conforme definição ofertada pelo art 2º, inciso II da Lei 9.432/97; 2.4.2 A redação do art 2º , inciso II da Lei 9.432/97 é a que segue: Art 2º Para os efeitos desta Lei, são estabelecidas as seguintes definições: ................................................. II afretamento por tempo: contrato em virtude da qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado; 2.4.3 As obrigações de ambas as “contratadas” , inerentes à determinação legal de entregar a embarcação armada e tripulada, conforme art 2º, inciso II, da lei 9.432/97 foram discriminadas na cláusula 3 do contrato de afretamento : providenciar liberação, vistoria , admissão temporária, tripular a embarcação, fornecer alimentação para os tripulantes, arcar com encargos decorrentes da legislação trabalhista e previdenciária, providenciar embarque e desembarque de cargas, arcar com custos de lubrificantes, combustíveis e outros materiais consumíveis, responsabilizarse por manutenção e reparos da embarcação etc. 2.4.4 Tendo em vista que no contrato realizado as obrigações acima eram atribuídas indistintamente às duas empresas qualificadas como fretadoras, a divisão de tarefas entre ambas foi disciplinada por Instrumento Particular de Acordo entre Java Boat e Maré Alta. 2.4.5 No Segundo modelo jurídico adotado , eram formalizados dois contratos vinculados, um de afretamento e outro de prestação de serviços; 2.4.6 Em ambos os contratos (afretamento e prestação de serviços) a Maré Alta e a Java Boat se obrigavam solidariamente perante a Petrobrás; 2.4.7 Os contratos de afretamento eram realizados, na maior parte das vezes, entre a Petrobrás e a Java Boat. Em alguns casos, a Maré Alta também figurava nestes acordos (como fretadora). Seguiam um determinado padrão, deles constando que seria obrigação da fretadora entregar as embarcações “em condições operacionais” . Eram executados em conjunto com um outro contrato, este último de prestação de serviços, realizado entre a Petrobrás e a Maré Alta. A rescisão de um dos contratos acarretava, também a rescisão do outro; 2.4.8 Os contratos de serviços celebrados entre a Petrobrás e a Maré Alta tinham como objeto a operação das embarcações, abrangendo a função de tripular, alimentar a tripulação, arcar com encargos trabalhistas, providenciar registros, licenças e trâmites inerentes à admissão temporária, fornecer combustíveis e outros materiais consumíveis, realizar a operação náutica, manutenção das Fl. 8642DF CARF MF Processo nº 19396.720090/201494 Acórdão n.º 1402002.725 S1C4T2 Fl. 1.113 5 embarcações, etc. Tais obrigações já estavam contidas contrato de afretamento, já que neste a Java Boat e a Maré Alta assumiram, de forma solidária, a obrigação de disponibilizar as embarcações “em condições operacionais”; 2.4.9 Diante da vasta gama de atividades inerentes ao cumprimento da obrigação de disponibilizar a embarcação “em condições de operar”, diante da aparente sobreposição de atribuições e, ainda, diante da falta de clareza de critérios, no que tange à divisão de tarefas entre a pessoa jurídica estrangeira e a brasileira, a interessada esclareceu, quando intimada, que também neste segundo modelo jurídico, as atribuições da Java Boat e Maré Alta eram reguladas por Instrumento Particular de Acordo entre Java Boat e Maré Alta . 2.5 O “Instrumento Particular de Acordo entre Java Boat e Maré Alta” (fls 6.657 a 6.662)) foi formalizado em 18/01/2002. Sua motivação foi assim exposta : Considerando que : ....................... A Java Boat e a Maré Alta celebram contratos para o fornecimento de embarcações de apoio para empresas dedicadas às atividades de construção submarina, lançamento e manutenção de dutos, emploração e produção de petróleo, que atuam na plataforma continental brasileira, doravante denominados “contratos”; A Java Boat e a Maré Alta tem o interesse comum de se organizarem para ofertar cooperação técnica e profissional de cada uma com a finalidade de cumprir as obrigações específicas dos contratos de forma eficiente, integrada e uniforme. 2.6 As cláusulas pertinentes ao objeto e duração do acordo foram abaixo transcritas. Segundo elas, o acordo abrangeria os contratos com a Petrobrás referentes às embarcações listadas no Anexo A: Cláusula 1 A O presente acordo tem por objeto o atendimento aos contratos para a prestação de serviços de apoio em toda a extensão da plataforma brasileira B – Os contratos serão especificados no “Anexo A Contratos em vigor”, que será específico e abrangente e será atualizado sempre que houver inclusão, exclusão ou modificação dos contratos; ........ Cláusula 2 Duração 2A O acordo entrará em vigor na data da assinatura do presente instrumento e vigorará pelo prazo dos contratos especificados no “Anexo A Contratos em vigor”. 2.7 Das cláusulas 3D e 3E constava que : “ 3D A Maré Alta, à pedido da Java Boat, atuará como simples agente da Java Boat no Brasil a fim de providenciar os devidos trâmites e registros junto aos órgãos oficiais competentes para a regularização da entrada e permanência das embarcações no Brasil” Fl. 8643DF CARF MF 6 “ 3E Quando solicitada, a Maré Alta, às expensas da Java Boat, proporcionará aos barcos da Java Boat no Brasil o apoio logístico relativo às obrigações atribuídas à Java Boat que a mesma não possa, no todo ou em parte, cumprir em razão de limitações de ordem legal ou prática; 2.8 Conforme Cláusulas 3 e 4 do acordo, os custos inerentes à disponibilização das embarcações em condições operacionais seriam da Java Boat, aí incluídos: reparações técnicas em geral, operação das embarcações, emprego de pessoal, encargos trabalhistas, fornecimento de alimentos, material de limpeza e combustíveis, realização de seguros etc. À Maré Alta ficou designado o papel de mera agente da empresa estrangeira no Brasil, responsável pelos trâmites necessários para que os contratos de afretamento pudessem ser executados.; 2.9 Conforme cláusula 5 do “Instrumento Particular de Acordo entre Java Boat e Maré Alta”, quando o contrato for exclusivo entre o cliente e a Java Boat, a mesma pagará à Maré Alta o percentual de 2,5% para contratos de até 30 dias e 1,25 para contratos mais longos. 2.10 Por meio do Termo de Intimação 001/2014 a Maré Alta foi questionada sobre a natureza das seguintes rubricas contábeis classificadas no Ativo: “Constas a receberintercompania” –1.510.0029 e “Contas a receber de Terceiros – 1.501.0010. Em resposta, esclareceu que as referidas contas funcionavam como um conta corrente entre ela e as empresas com as quais se relacionava, entre elas a Java Boat. 2.11 A exata redação da resposta da autuada ao Termo de intimação 001/2014 foi : “ A Conta contábil 15100029 ( Ctas a receber Intercompanhia) é utilizada para registrar reeembolsos de despesas provenientes das operações efetuadas entre as empresas relacionadas, mediante contrato. A relação entre a Maré Alta e a Java Boat é estabelecida através de Instrumento de Acordo Particular entre a Maré Alta e a Java Boat. Com relação aos reembolsos da Maré Alta junto à Java Boat, esclarecemos que a Maré Alta, como é usual em contratos de afretamento marítimo e os correspondentes contratos de prestação de serviços, responde pelas despesas operacionais relacionadas ou necessárias para o cumprimento dos contratos de afretamento ou prestação de serviços contratados pela Petrobrás ou outros clientes, como, por exemplo, combustíveis, lubrificantes, água, marítimos contratados no Brasil, fornecimento de material de consumo e gastos de manutenção considerados usuais para a operação de cada embarcação. São por conta da fretadora (Java Boat) as despesas relacionadas e em benefício da embarcação em si, como reparos, manutenção de motores, obras de upgrade (melhoramentos das condições da embarcação). Estas despesas são reembolsadas pela Java Boat à Maré Alta.” 2.12 Os custos relativos aos serviços prestados pela Maré Alta, relativos a embarcações de propriedade de terceiros, se mostraram excessivamente elevados nos anos de 2009 e 2010. A desproporção apontada foi ilustrada com a seguinte tabela, que leva em conta apenas os gastos diretos com as embarcações, havendo sido expurgados todos os tipos de despesas administativas : Ano Receitas Totais Custos Relação Custos/Receitas 2009 79.568.171,69 93.762.879,16 117,84% 2010 116.887.301,61 111.993.042,45 95,81% 2.13 A análise dos pagamentos feitos pela Petrobrás em função dos afretamentos de que participaram a Java Boat e a Maré Alta revela que a Java Boat recebeu cerca de 70 % a mais do que a Maré Alta. As remessas feitas ao Fl. 8644DF CARF MF Processo nº 19396.720090/201494 Acórdão n.º 1402002.725 S1C4T2 Fl. 1.114 7 exterior, em benefício da Java Boat, foram efetuadas sem a incidência de IRRF por força da alíquota zero prevista na Lei 9.481/97, art I, inciso I. 2.14 Por todos os fatos expostos concluiu a autoridade autuante que: 2.14.1 A Maré Alta apropriou, indevidamente, custos que eram de incumbência da Java Boat, real fretadora das embarcações. Tais custos geraram receitas para a empresa estrangeira e não para a brasileira e, conforme Instrumento Particular de Acordo entre Java Boat e Maré Alta, pertenciam à Java Boat. Por estes motivos, os custos em referência foram considerados não necessários e, com base no art 299 do RIR/1999, foram glosados; 2.14.2 As contas de resultado que tiveram custos glosados foram : 1 Serviços prestados PJ – Salários ( cta 60000040) 2 Serviços prestados PJ – Encargos ( cód 6.004.0410) 3 Encargos Marítimos – Rateio ( Cód 6.004.0015); 4 Encargos Marítimos – Despesas Médicas ( cód 6.004.0010); 5 Serviços Prestados PJ (Benefícios) (cód 6.004.0400); 6 Despesas de Viagem – Mudança de Turma (Cód 6.0060.0080); 7 Alimentação e lavanderia (cta 60100010) ; 8 Reparo e manutenção Geral (cta 6.015.0030) ; 9 Suprimentos – Tinta/Filtro/Cabos (cta 6.020.0010); 10 Lubrificantes (cód 6.025.0020); 2.14.3 Conforme resposta ao Termo de Intimação 001/2014, as despesas registradas nas contas elencadas nos subitens 01 a 07, acima, seriam referentes a : salários de marítimos (1); encargos incidentes sobre a folha de pagamentos (2); assistência médica e tickets alimentação dos embarcados (3); Despesas médicas dos embarcados (4); viagens dos marítimos, hospedagem e deslocamento nas mudanças de turmas (6) e alimentação (7). Todas estas despesas são de responsabilidade da Java Boat, conforme conforme cláusulas 4C e 4D e 4E do Instrumento Particular de Acordo entre Java Boat e Maré Alta ; As despesas registradas na conta elencada no subitem 08, acima, seriam referentes a manutenção e reparos. . Conforme cláusula 4F do Acordo, era de responsabilidade da Java Boat custear qualquer tipo de reparo ou manutenção das embarcações, sejam elas de pequeno ou grande vulto; As despesas registradas na conta elencada no subiten 09, acima, seriam referentes a gastos com material de uso e consumo, bens de natuteza permanente, material elétrico e material de construção para as embarcações. Tais despesas eram de responsabilidade da Java Boat conforme cláusula 4A do Acordo, segundo a qual à aquela pessoa jurídica incumbiria manter as embarcaçõe em bom estado e devidamente equipadas Fl. 8645DF CARF MF 8 Por fim, as despesas registradas na conta elencada no subiten 10 seriam referentes a gastos com Lubrificantes, também de responsabilidade da Java Boat conforme cláusula 4K do Acordo. 2.15 Os custos/despesa glosados foram apenas os referentes às embarcações estrangeiras, que eram de propriedade da Java Boat e que foram afretadas à Petrobrás. Compensação indevida de bases de cálculo 2.16 O valor indevidamente compensado foi de R$ 5.858.850,65 (IRPJ e CSLL) e, conforme fls 907 ,916 e 917, decorreu da ausência de saldos disponíveis. Parte dos prejuízos compensados originalmente pela interessada em 2010 foram absorvidos pelas bases de cálculo lançadas para o ano 2009, fato este que ocasionou a insuficiência de saldos disponíveis em 2010. 3. Da Impugnação Inconformada, a interessada protocolizou a impugnação de fls 7.987 a 8015 na qual reafirma a dedutibilidade, para efeitos de apuração do lucro real, dos custos e despesas glosados. Os argumentos de defesa apresentados foram abaixo sintetizados : A engenharia jurídica e os termos dos contratos objeto destes autos são determinados pela Petrobrás , não podendo os interessados negociar qualquer alteração, tendo em vista ser a Petrobrás uma empresa de economia mista, fiscalizada pelo Tribunal de Contas de União; A Petrobrás age como fiscal dos interesses fazendários do país, bem como dos interesses de proteção da indústria e dos trabalhadores brasileiros. Estabelece e exige, por meio das cláusulas dos contratos de afretamento e operação de que participa, uma proporção correta que inibe a possibilidade de evasão de divisas ; Atualmente a Lei 13.043, de 13/11/2014, estabele que do total pago a título de afretamento e serviços, apenas 65% pode ser acatado como isento, nas remessas feitas ao exterior; A média de todos os 16 barcos de que trata este processo, foi de 63,4 % para o afretamento e 36,6 % para serviços. Portanto, dentro do limite que foi expressamente autorizado pela legislação; A Petrobrás exige, como condição, nos contratos de que participa, que os ofertantes discriminem e divulguem tudo o que foi incluído na formação dos preços, tanto do preço do afretamento, em dólares, como do serviço, em reais. Esta discriminação é feita mediante a apresentação do documento intitulado “DFP Demonstrativo de Formação de Preços”; A título de exemplo, foi juntado aos autos o DFP referente aos contratos de afretamento e prestação de serviços do barco CARLINE TIDE – (Contrato de afretamento 2050.00311525.07.2 e de serviço 2050.0031527.07.2 ANEXO 02); O DFP tem duas utilidades: estabelece as responsabilidades quanto ao fornecimento de material e pessoal, se do dono do barco ou do operador EBN – empresa brasileira, e permite que as partes possam exigir aumento dos valores a serem pagos pelo afretamento e pelos serviços, em caso de “desequilíbrio econômico financeiro do contrato” (principio adotado pelo atual Código Civil); A Maré Alta, além de atuar por conta própria como EBN ( Empresa Brasileira de Navegação), isto é, além de atuar como a armadora operadora do barco, conforme exige o art 1º da Resolução 192/2004 da Antaq, também atua como agente marítimo, responsabilizandose pelos trâmites de Fl. 8646DF CARF MF Processo nº 19396.720090/201494 Acórdão n.º 1402002.725 S1C4T2 Fl. 1.115 9 regularização da entrada e permanência dos barcos, apoio logístico e operações, por conta e ordem do dono do proprietário estrangeiro da embarcação (Java Boat); Por este motivo nas faturas mensais apresentadas pela JAVA BOAT, o grosso, correspondente ao aluguel (hire) do afretamento, é pago pela Petrobrás por meio da transferência de dólares para o exterior, mas a remuneração do agente, apesar de ser incluída na fatura, é paga diretamente pela Petrobrás à Maré Alta, em reais, evitandose assim a evasão de divisas; O digno Auditor Fiscal, desconhecendo a realidade fática acima explicada, baseouse equivocadamente num contrato de agenciamento assinado em 2002, sete anos antes dos fatos geradores autuados. Tal contrato só foi fornecido porque a intimação fiscal formalizada solicitou “todos os contratos existentes”. Tratase de contrato de agenciamento (e não de operação), firmado em outras condições e em outros tempos; No caso dos contratos tratados nos autos, a responsabilidade da Maré Alta, como armadoraoperadora, está regulada pelos contratos com a Petrobrás, e especificada nos Demonstrativos de Formação de Preços. Nesta função era responsável pela contratação de tripulantes brasileiros e por despesas gerais para a operação de barcos, inclusive seu aprovisionamento; É equivocada a informação de que os pagamentos efetuados para Petrobrás à Java Boat superaram em 75% os pagamentos feitos à Maré Alta. Conforme tabela acostada às fls 8000 dos autos, nos contratos vigentes em 2008 e 2009 os pagamentos efetuados pela Petrobrás superaram os pagamentos feitos à Maré Alta em 63,4% (em média). Este percentual é inferior àquele que hoje é estabelecido por lei; Afirma a autoridade autuante que as despesas com encargos trabalhistas de marítimos, com reparos, combustíveis, materiais de consumo e sobressalentes para as embarcações etc. foram suportados pela Maré Alta, mas eram de responsabilidade na Java Boat. Esta afirmação é equivocada , pois as despesas mencionadas eram de responsabilidade da EBN como armadoraoperadora dos barcos, pelos contrato de afretamento, e de prestação de serviços, conforme Demonstrativo de Formação de Preço oficialmente apresentado à Petrobrás. A Mare Alta não atuou como “simples agente da Java Boat”. Atuou como ARMADORAOPERADORA dos barcos. Significa que responsabilizava se por intermediações com as autoridades portuárias e fiscais e ainda, em atendimento à Lei brasileira, que estabelece que as embarcações estrangeiras necessariamente serão operadas no país por uma empresa de navegação brasileira (EBN) , tripulou e equipou as embarcações. Todos estes custos constaram do Demonstrativo de Formação de Preços; O “Instrumento de Acordo Particular” firmado em 2002 entre a Maré Alta e a Java Boat consistia em contrato de agenciamento. Tal contrato não se confunde com os contratos firmados em 2008/2009, em que a Maré Alta figurava como armadoraoperadora, na qualidade de EBN. No caso, prevalecem as condições acordadas pelas partes nos contatos formalizados posteriormente; As novas condições contratuais derrogam as anteriores, assim como a Lei nova invalida a anterior; Conforme reconhece a autoridade lançadora, o contrato de prestação de serviços subscrito pela Maré Alta previa que era de sua responsabilidade todas as despesas que foram glosadas; Os dois contratos, de afretamento por tempo, e de serviços, tem objetivos distintos. No primeiro deles, o “armadorproprietário” ( no, caso a Fl. 8647DF CARF MF 10 Java Boat) aluga a embarcação, comprometendose a entregála em condições operacionais, o que significa dizer que o barco deve estar em boas condições técnicas para ser operado pela armadora –operadora, uma EBN, por força da legislação brasileira, no caso a Maré Alta. Já no contrato de operação , consiste em contrato de prestação de serviços entre a Petrobrás e a Maré alta, no qual esta se compromete a armar, equipar e operar o barco. A responsabilidade solidária entre as duas empresas contratadas não “reforçam a identidade das obrigações contratuais das duas empresas”. Apenas uma é fiadora da outra. Se uma ou outra das contratadas falhar em suas obrigações para com a PETROBRAS, esta poderá cobrar as multas estabelecidas no contrato de uma ou outra. Exigência da beneficiária dos contratos, a PETROBRÁS; A Maré Alta atuava, na qualidade de empresa brasileira de navegação, como operadora das embarcações estrangeiras fretadas pela Petrobrás, e, ainda, como agente, para cumprir as funções para as quais a Java Boat estava impossibilitada; O acordo realizado em 2002 limitavase aos contratos especificados no Anexo A, para os fins específicos de agenciamento. Não é lícito aplicar a divisão de tarefas a outros contratos, não referidos no anexo A e relativos à outros objetos (operação) A Maré Alta agiu sim, como agente da Java Boat, para fazer o que a Java Boat, proprietária do barco, tinha a obrigação de fazer (por exemplo, serviço de docagem –obtenção da necessária licença na Capitania dos Portos, para negociar com o Estaleiro local) e não poderia fazer por ser empresa estrangeira. Esta atuação foi remunerada pela Java Boat, e incluída no faturamento da Java Boat à Petrobrás, mas não se confunde com a outra função da Maré Alta, na qualidade de EBN, de armadora operadora do barco, função esta regulada pelo contrato de serviço com a Petrobrás, Do acordo fechado em 2002 consta que os tripulantes não seriam tidos como empregados da Maré Alta e que os custos em geral, concernentes à contratação de pessoal, seriam da Java Boat. Tal cláusula se restringe, porém, a este acordo. Nos contratos de que trata este processo o pessoal “embarcado brasileiro”, necessariamente foi contratado por uma EBN brasileira, no caso a Pan Marine, empresa do mesmo grupo econômico, que atuou como “crewing agent” para a Maré Alta. Os tripulantes brasileiros trabalharam com Carteira de Trabalho brasileira. A obrigação de equipar e tripular os barcos era da Maré Alta, que subcontratou a Pan Marine.; Apesar dos dois contratos firmados pela Petrobrás (de afretamento, com a Java Boat, e de prestação de serviço para operação dos barcos, com a EBN Maré Alta), o digno Auditor Fiscal apenas restringe sua análise ao primeiro, para justificar a conclusão equivocada de que a Maré Alta “indevidamente apropriouse no seu resultado de custos que eram de incumbência da Java Boat, sendo estes, portanto, desvinculados e não necessários à sua atividade operacional.” A Maré Alta não apropriou custos que eram da Java Boat. Contabilizou apenas custos que eram de sua incumbência, vinculados e necessários à sua atividade operacional, previstos no contrato de prestação de serviços efetuado com a Petrobrás e apresentados do “Demonstrativo de Formação de Preços”. A DRJ do Rio de Janeiro entendeu pela procedência dos argumentos veiculados pelo contribuinte proferindo decisão, não unânime, que restou assim ementada: Fl. 8648DF CARF MF Processo nº 19396.720090/201494 Acórdão n.º 1402002.725 S1C4T2 Fl. 1.116 11 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 GLOSA DE DESPESAS. DESCABIMENTO. Descabe a glosa de despesas operacionais quando estas se revelam compatíveis com atividade da empresa, decorrem de obrigações assumidas em contratos perfeitamente válidos e se mostram necessárias para percepção de receitas e à manutenção da fonte produtora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 LANÇAMENTOS CONEXOS Na ausência de especificidades, aos lançamentos formalizados a partir da mesma base fática aplicase o mesmo julgado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Considerando o valor do crédito tributário exonerado foi interposto recurso de ofício seguido de razões da PGFN pela reforma da decisão e manutenção do crédito tributário em função dos seguintes argumentos: De acordo com a PGFN há indícios veementes da prática de planejamento fiscal abusivo considerando a “engenharia jurídica” montada sob as duas modalidades contratuais, em primeiro, dos contratos de afretamento realizados entre a Petrobrás e as contratadas Java Boat e Maré Alta, em segundo, dos contratos vinculados de afretamento e prestação de serviços firmados pela Petrobrás com Java Boat e Maré Alta, respectivamente, e ao final Instrumento Particular de Acordo firmado entre as empresas Maré Alta e Java Boat que estabelecia fluxo financeiro da Java Boat à Maré Alta, sociedades empresárias do mesmo grupo econômico, com vistas à reembolsála. Registra a PGFN (f.17, das razões do R.O.) que a “disparidade entre remuneração e custos, no âmbito das empresas do mesmo grupo econômico, reforçou a conclusão de que a divisão de despesas entre as empresas era organizada de forma a permitir maior saída de rendimentos livres de tributação (gozando de alíquota zero nos termos do art.1º, I, da Lei n.9481/1997).” Nessa perspectiva, conclui a PGFN pela indedutibilidade das despesas dado que não necessárias não tendo a recorrida se desincumbido do ônus probatório de não trataremse de despesas de terceiros, nos termos de farta jurisprudência deste E. CARF, para ao final pretender a reforma da decisão da DRJ e manutenção do crédito tributário. É o relatório. Fl. 8649DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Relator. 1. Admissibilidade: O Recurso de Ofício comporta exame na medida em que o crédito tributário exonerado (R$48.824.038,98) em muito supera o valor de alçada fixado na Portaria MF n. 63/2017; o que robustecido pelas razões lançadas pela PGFN que passamos a enfrentar: 2. Do mérito: A partir do minucioso relatório empreendido pela DRJ, que bem contextualiza os aspectos mais relevantes do processo, a questão fulcral a ser enfrentada neste julgamento é determinar se os custos e as despesas objeto de glosa pela autoridade fiscal são de responsabilidade da recorrida MARÉ ALTA (prestadora de serviços) ou da JAVA BOAT BV sediada na Holanda (afretadora). Porventura se alcance o entendimento de que as glosas incidiram sobre custos/despesas de responsabilidade da afretadora, conforme o contrato que firmou com a PETROBRÁS, nenhum reparo deve ser feito na decisão da DRJ, que entendeu por presentes os requisitos na apropriação de custos/despesas pela MARÉ ALTA. O enfrentamento da questão posta demanda, em primeiro, a análise dos contratos, tanto o de afretamento, quanto o de prestação de serviços. Após a verificação dos contratos, fazse necessário identificar, para cada grupo de custos/despesas, quais se adequam a um ou a outro contrato. Basicamente a “engenharia jurídica” concebida consistia na PETROBRÁS contratante dos serviços de afretamento e outros serviços, seja solidariamente com JAVA BOAT e MARE ALTA, seja, em um segundo modelo contratual, de afretamento com JAVABOAT e prestação de serviços com MARE ALTA. O firmado entre as partes envolvia 34 embarcações das quais 31 pertenciam a JAVA BOAT BV com sede em Amsterdan Holanda, tendo sido afretada à PETROBRÁS, enquanto a MARE ALTA era titular de apenas 3 embarcações.. Ambos os contratos, de Afretamento e de Prestação de Serviços, possuem cláusulas que os vinculam entre si. A empresa estrangeira, afretadora, possui mesmo dirigente que tem como domicílio o mesmo da sociedade empresária MARE ALTA, ora recorrida. É bem sabido que os contratos firmados com a PETROBRÁS tratamse de contratos de adesão na medida em que seguem um padrão de contratação estabelecido pela sociedade de economia mista e que se repete com inúmeros outros prestadores de serviço da petroleira. Sob um modelo de contrato de adesão a sociedade empresária estrangeira JAVA BOAT firmou com a PETROBRÁS dois contratos distintos: um de afretamento de embarcações e outro com a empresa sediada no Brasil, ora recorrida MARE ALTA, responsável pela prestação de serviços. O primeiro contrato, de afretamento, representa cerca Fl. 8650DF CARF MF Processo nº 19396.720090/201494 Acórdão n.º 1402002.725 S1C4T2 Fl. 1.117 13 de 65% do somatório dos valores envolvidos; já o segundo, de prestação de serviços, importa no complemento, ou seja, cerca de 35% do total contratado. A sociedade empresária MARE ALTA tem operado, sistematicamente, no prejuízo, ano após ano, mantendose apenas graças a aportes financeiros da JAVA BOAT (ingressos esses contabilizados como reembolsos). O direcionamento ao exterior da maior parte dos valores contratados por meio da JAVA BOAT, é “isento” do pagamento do imposto de renda retido na fonte (IRRF), haja vista que em tais operações (afretamento de embarcações) a alíquota é zero, por força do disposto no art. 1º, inciso I, da Lei nº 9.481/97. Além do mais, a JAVABOAT tem sede na Holanda, para onde é direcionada a maior parte dos valores contratados. Em sede de razões do Recurso de Ofício a PGFN transcreve as principais cláusulas constantes do contrato de afretamento, firmado entre a PETROBRÁS e a empresa JAVA BOAT, com vistas a indicar a sobreposição de tarefas entre JAVABOAT e MARÉ ALTA o que corrobora a dificuldade no discernimento das atividades de afretamento e prestação de serviços, vejamos: “Cláusula primeira 1.1 –Constitui objeto do presente contrato o afretamento por período, pela contratada à Petrobrás, da embarcação Goliath Tide do tipo AHTS 7000 2.2.1 A embarcação deverá estar à disposição da Petrobrás , em condições operacionais, até a data estabelecida no item 2 do anexo I .... Cláusula terceira – Obrigações da contratada 3.1 Apresentar a embarcação liberada para operação pelas autoridades competentes, em boas condições de navegabilidade, íntegra do ponto de vista dos cascos, máquinas e equipamentos , adequadamente aparelhada de acordo com os anexos III e IIIA para as fainas de apoio à pesquisa e lavra de hidrocarboneto e atividades correlatas. 3.1.1 A Embarcação ao ser apresentada, deverá estar aprestada, segundo sua destinação, com cordoalhas, manilhas, cabos de fibras sintéticas, cabos de aço, mangueiras para carga e descarga de granéis, engates, etc em quantidade suficiente para execução das fainas inerentes ao tipo de embarcação.... bem como em perfeitas condições de utilização 3.3 Obter junto às repartições competentes as licenças necessárias ao afretamento, quando for o caso. ....................................................................................................................... ............ 3.8.1 Fornecer os sobressalentes e repor os equipamentos, materiais e acessórios que se fizerem necessários durante o período contratual e a docagem. ....................................................................................................................... ............ 3.11 Arcar com os custos de aquisição e de reposição de lubrificantes, materiais de operação e consumíveis em geral, necessários à embarcação, adquirindo, de preferência, produtos do sistema Petrobrás. O grande ponto de discórdia entre a fiscalização e a contribuinte reside nestas cláusulas acima, mais especificamente as de nº 3.8 e 3.8.1, que prevêem ser de inteira Fl. 8651DF CARF MF 14 responsabilidade da afretadora, JAVA BOAT, a reposição dos equipamentos, materiais e acessórios, necessários ao perfeito funcionamento da UNIDADE, bem como as despesas com reparos de qualquer natureza. Ora, tais cláusulas têm um peso considerável para a resolução da pendenga, haja vista que a UNIDADE deve ser entregue à PETROBRÁS pronta para entrar em operação, com todos os equipamentos necessários. E a responsabilidade da afretadora não se resume à entrega da embarcação pronta para uso, mas também à sua perfeita condição de uso durante todo o período de duração do contrato. Da leitura atenta de tais cláusulas, concluise que toda e qualquer intervenção realizada no sentido de manter a plataforma em perfeitas condições de uso, através de reparos e/ou substituições dos equipamentos que integram seus vários sistemas, conforme foram entregues ao princípio do contrato, são de inteira responsabilidade da afretadora. Da mesma forma, em relação ao contrato de prestação de serviços firmado entre a PETROBRÁS e a MARE ALTA, destacamos as seguintes cláusulas: 1.1 O presente contrato tem por objeto a prestação de serviços de operação da embarcação Danko Tide, do tipo PSV 3000...... 1.1.1 Entendese por operação de uma embarcação as funções de tripular, cumprir com as obrigações legais e contratuais, realizar a operação náutica da embarcação, efetuar manutenção preventiva, docagem e reparos, e suprir a embarcação com materiais de consumo necessários. 2.2.1.2 O contrato terá sempre execução simultânea com o de afretamento, assinado na mesma data sem prejuízo dos termos da cláusula décima terceira. Cláusula terceira – Obrigações da Armadora 3.1 Manter a embarcação liberada para operação pelas autoridades competentes, em boas condições de navegabilidade, íntegra do ponto de vista dos cascos, máquinas e equipamentos , adequadamente aparelhada de acordo com os anexos III e III A para as fainas de apoio à pesquisa e lavra de hidrocarboneto e atividades correlatas. 3.1.1 A Embarcação deverá estar aprestada, segundo sua destinação, com cordoalhas, manilhas, cabos de fibras sintéticas, cabos de aço, mangueiras para carga e descarga de granéis, engates, etc em quantidade suficiente para execução das fainas inerentes ao tipo de embarcação.... bem como em perfeitas condições de utilização. 3.3 Obter e manter regularizada, junto às repartições competentes, a permanência da embarcação no país, providenciando, à suas expensas, liberação, vistorias,registros e admissão temporária. 3.5 Tripular adequadamente a embarcação com mão de obra contratada sob a égide da legislação brasileira, equipandoa para o apoio às operações de pesquisa e lavra de hidrocarbonetos. 3.7.1 A Armadora ressarcirá à Petrobrás pelas despesas decorrentes do eventual despejo de óleo e outros poluentes no mar. 3.8 Providenciar e fornecer, por sua conta, alimentação para os tripulantes; 3.11.14 A responsabilidade pelo pagamento de salários e de qualquer outra reivindicação e/ou indenização salarial e/ou diferenças e/ou disputas advindas do contrato de trabalho como acordado entre a armadora e o tripulante deve permanecer com a armadora......... Fl. 8652DF CARF MF Processo nº 19396.720090/201494 Acórdão n.º 1402002.725 S1C4T2 Fl. 1.118 15 ....................................................................................................................... .......... 3.11.16 A armadora providenciará e custeará o embarque e desembarque de tripulantes contratados, incluindo passagens, refeições e acomodações, inclusive no reinício de operação de embarcação. 3.12.6 Garantir aos empregados vinculados ao presente contrato, assistência médicohospitalarodontológica, fornecendo, no patamar mínimo, plano ou seguro referência de assistência à saúde coletivoempresarial, .................. 3.15 Encarregar se na manutenção e reparo da embarcação, arcando com o custo de reposição de seus equipamentos,materiais, acessórios e sobressalentes, bem como das despesas resultantes da realização de reparos de qualquer natureza. 3.17 Fornecer equipamentos, materiais e/ou serviços pertinentes às operações previstas neste contrato Ao analisar as cláusulas dos contratos de afretamento e prestação de serviços se constata a impossibilidade de discrímen das obrigações assumidas por JAVA BOAT e MARE ALTA. O quadro comparativo elaborado pela PGFN é bastante elucidativo: Fl. 8653DF CARF MF 16 As cláusulas acima transcritas são praticamente idênticas. A única diferença, é que no caso do contrato de afretamento, consta a expressão " apresentar liberada para operação", enquanto que neste contrato consta "manter a embarcação liberada". Do transcrito, de um lado a manutenção e a reposição de peças, equipamentos etc, seria de responsabilidade da afretadora (JAVABOAT), e de outro, o fornecimento de materiais e serviços especializados necessários para a execução do contrato com a MARE ALTA. A partir da análise das cláusulas principais dos contratos de afretamento e de prestação de serviços se constata que a impossibilidade de identificação precisa do objeto de cada um dos contratos o que constitui indício para que a MARE ALTA assumisse custos que praticamente corresponderam às receitas, ou mesmo chegaram a superálas, nos exercícios 2009 e 2010, conforme apurado pela fiscalização. Simultaneamente, se constata a partir do contido aos autos que ordinariamente as remunerações pagas à MARE ALTA eram bem menores àquelas pagas à JAVA BOAT. Fl. 8654DF CARF MF Processo nº 19396.720090/201494 Acórdão n.º 1402002.725 S1C4T2 Fl. 1.119 17 Basicamente, a engenharia negocial arquitetada pela partes consistia na execução contratual vinculada e concomitante em que dúbia a repartição de atribuições mediante sociedades empresárias do mesmo grupo econômico onde em uma dessas (MARE ALTA), submetida ao regime de tributação regular IRPJ e CSLL percebe remuneração significativamente menor e arca com os custos praticamente iguais as receitas enquanto a outra (JAVA BOAT) concentra a maior saída de rendimentos livre de tributação na medida em que usufrui do benefício de alíquota zero (art.1º, Lei n.9481/1997). Argumenta a PGFN, em suas razões ao R.O., que a recorrida não se desincumbiu do ônus da prova de demonstrar que se apropriou de gastos que a benefiava de modo que todo acervo probatório contido nos autos, com destaque para o fluxo financeiro estabelecido entre as partes, conduz a inequívoca conclusão tratarse de despesas de terceito (JAVA BOAT), portanto, (des)necessárias a despeito do que prevê o art.299 do RIR. A glosa das despesas empreendidas não implica em anulação dos contratos apresentados apenas não há como acolher os efeitos pretendidos pela recorrida na medida em que não se trata de despesa necessária nos termos do que prevê a legislação tributária de regência. Este E. CARF já teve a oportunidade de analisar tais modelos de execução contratual e planejamento negocial das mesmas partes com idêntico acervo probatório, todavia no exercício de 2008, proferindo o entendimento pela indedutibilidade das despesas dado que não necessárias na medida em que consistem despesas de terceiros ao que oportuna se faz a transcrição do voto vencedor do Conselheiro Waldir Veiga: Em se tratando da dedutibilidade de custos/despesas, é pacífico que o ônus da prova recai sobre aquela que apropria dos gastos e deles se beneficia, reduzindo a base tributável. No caso, a interessada Maré Alta do Brasil Navegação Ltda. Pois bem. Ainda no curso do procedimento fiscal, foi constatada a sobreposição (ou, na melhor das hipóteses, uma falta de definição) de atribuições nos contratos firmados entre a Petrobrás e as contratadas Java Boat e Maré Alta (solidárias), quando comparados aos contratos firmados entre a Petrobrás e a Maré Alta, na qualidade de armadora. Os contratos eram simultâneos, diziam respeito sempre à mesma embarcação e um fazia menção ao outro, mas não restava clara a divisão de atribuições entre as contratadas. Intimada a prestar esclarecimentos, a própria Maré Alta apresentou ao Fisco o Instrumento Particular de acordo entre empresas, datado de janeiro/2002, firmado entre Java Boat e Maré Alta. Tal contrato, naquele momento dado por válido pela própria Maré Alta, definia com clareza quais encargos e atribuições recairiam sobre cada uma das partícipes. Especificamente, à Java Boat eram atribuídos todos os custos e obrigações relativos à operacionalização das embarcações. Além disso, o contrato estabelecia renovação automática, sempre que fossem inseridos no “Anexo A” novos afretamentos, e dispunha que o fim do vínculo contratual deveria ser objeto de comunicação por escrito (cláusula 2C). Fl. 8655DF CARF MF 18 O Fisco também identificou várias transferências de recursos da Java Boat para a Maré Alta, a título de reembolso de diversas despesas decorrentes dos contratos de afretamento e que haviam sido pagas pela Maré Alta, inclusive com notas fiscais emitidas em nome da Maré Alta. Após a autuação, a Maré Alta passou a afirmar que o Instrumento Particular de acordo entre empresas não mais estaria em vigor, tendo sido derrogado pelos contratos de afretamento firmados posteriormente, nos quais a atribuição dos encargos entre as contratadas disporia de modo diferente. No entanto, ao analisar as alegações das partes e os documentos trazidos aos autos, entendeu o Colegiado que a interessada não se desincumbiu adequadamente do ônus de provar que as despesas em questão seriam suas, por contrato. Inicialmente, como bem já havia pontuado o acórdão recorrido, o Instrumento Particular de acordo entre empresas não foi expressamente revogado, por escrito, conforme suas próprias disposições. Por certo se poderia, em tese, admitir que o contrato houvesse sido revogado tacitamente, desde que as partes contratantes houvessem passado a agir de modo diferente, sem qualquer oposição da outra parte. Mas não há prova disso nos autos. As glosas abrangeram custos/despesas de 23 embarcações, mas somente foram trazidos aos autos os contratos do navio Carline Tide, pelo que não é possível daí extrair conclusões para os demais. Além disso, mesmo a análise dos contratos dessa única embarcação não esclarece as dúvidas suscitadas pelo Fisco. O único documento que dispõe com clareza acerca das obrigações e encargos para operacionalização das embarcações é o Instrumento Particular de acordo entre empresas. A linha de defesa da recorrente deveria estar lastreada em prova detalhada e inconteste, baseada em seus assentamentos contábeis e documentação de suporte, para todas as 23 embarcações, de que os custos e despesas por ela contabilizados foram de fato incorridos, em decorrência de operações que geraram receitas próprias (e não da Java Boat), e que os vários repasses de numerário recebidos da Java Boat não se destinaram ao ressarcimento de gastos por ela adiantados mas que, de fato, seriam de responsabilidade da outra empresa do grupo econômico. E essa prova não encontro nos autos. (...) Diante de tudo isso, a constatação de que a Maré Alta assumiu mais de 70% dos dispêndios relacionados aos contratos com a Petrobrás, enquanto as receitas deles decorrentes estavam concentradas na Java Boat assume grande relevância. Se os custos decorrentes das contratações geraram receitas para a empresa estrangeira, tais custos não poderiam ser apropriados ao resultado da Maré Alta. ( Processo n.19395.720288/201216, Acórdão n.1302001.321, rel. designado Conselheiro Waldir Veiga Rocha) Além do julgado da 3ª Câmara desta 1ª Secção com voto vencedor acima transcrito temse que este nosso colegiado entendeu no mesmo sentido ao julgar caso praticamente idêntico de contratadas da Petrobrás em percuciente análise pelo Conselheiro Luiz Augusto Souza Gonçalves restando a decisão assim ementada: Fl. 8656DF CARF MF Processo nº 19396.720090/201494 Acórdão n.º 1402002.725 S1C4T2 Fl. 1.120 19 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS CONSIDERADAS DESNECESSÁRIAS. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. Não restando comprovado por parte da contribuinte ser a efetiva responsável pelos custos/despesas glosados, correta a interpretação dada pela fiscalização quanto ao caráter de falta de necessidade das mesmas, haja vista ter assumido obrigações que não lhe cabiam por força contratual. Em assim fazendo, a recorrente reduziu indevidamente a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. GLOSA DE EXCLUSÃO. DESPESAS CONSIDERADAS DESNECESSÁRIAS. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. A exclusão objeto de glosa, tendo por origem e natureza os mesmos custos/despesas considerados desnecessários pela fiscalização, apesar de relativos ao ano calendário imediatamente anterior, deve ser mantida com base nos mesmos fundamentos. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2007 LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase aos tributos lançados reflexamente ao IRPJ os mesmos fundamentos para manter a exigência, haja vista a inexistência de matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles. (Processo n. 19395.720084/201102, Cons.Luiz Augusto Souza Gonçalves) 3. Conclusão: A partir de todo o exposto, aliado a jurisprudência firmada perante este E. CARF, entendemos que deva ser reformada a decisão da DRJ para reestabelecer o crédito tributário haja vista que os custos/despesas que lhe dão origem não podem ser atribuídos à recorrente por serem de responsabilidade da sociedade empresária JAVABOAT. Quanto aos demais tributos exigidos neste auto de infração (CSLL, PIS e COFINS), por serem reflexos do lançamento de IRPJ e, ainda, por inexistir matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles, devese aplicar as mesmas conclusões até aqui expendidas, ficando mantidas as exigências, na forma e valores conforme foram constituídas. Por todo o exposto, voto por dar provimento do Recurso de Ofício. Em 15 de agosto de 2017. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 8657DF CARF MF 20 Fl. 8658DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.901988/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente. Se o contribuinte apresenta DCTF contendo tributos a pagar e depois a retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos.
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. ALÍQUOTAS REDUZIDAS. REPETITIVO STJ TEMA 217.
Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002.
A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
Numero da decisão: 1401-002.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. Recorrente CENTRO PRUDENTINO DE IMAGEM S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. Se o contribuinte apresenta DCTF contendo tributos a pagar e depois a retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos. SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. ALÍQUOTAS REDUZIDAS. REPETITIVO STJ TEMA 217. Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 19 88 /2 00 9- 11 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10835.901988/200911 Acórdão n.º 1401002.131 S1C4T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Relatório Tratase PER/DCOMP em que o contribuinte pretende compensar débitos de CSLL, PIS e COFINS com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ. O despacho decisório não homologou a compensação ante a constatação de que o pagamento indicado pelo contribuinte foi integralmente utilizado para quitação de débitos de sua responsabilidade, não restando crédito disponível para compensação. Apresentada manifestação de inconformidade, esta foi assim julgada pela DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 11/11/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado em 20 de dezembro de 2012 (fl. 107), apresentou recurso voluntário em 21 de janeiro de 2013 (fl. 109), alegando, em síntese: Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10835.901988/200911 Acórdão n.º 1401002.131 S1C4T1 Fl. 4 3 Preliminarmente: que resposta a consulta por ele apresentada lhe confere o direito à utilização dos percentuais de 8% e 12%, respectivamente, para apuração do IRPJ e CSLL, na medida em que se enquadra como empresa prestadora de serviços hospitalares; que demonstrou que o crédito utilizado na compensação é oriundo do pagamento indevido correspondente a quota do IRPJ, cuja declaração foi retificada tendo em vista a resposta da consulta. Nesse sentido, comprovou que o apontamento do débito pela Autoridade Fiscal não levou em consideração a retificação da DIPJ, a qual foi alterada gerando respectivo crédito. que por ocasião da manifestação de inconformidade juntou aos autos cópia do CNPJ, contrato social, solução de consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 466, de 15 de dezembro de 2008; PER/DCOMP; DIPJ; DCTF e os comprovantes de pagamento indevido, e sustenta que tais documentos são hábeis e suficientes para demonstrar que exerce atividade de prestação de serviços de radiologia e radiodiagnósticos, na medida em que (i) o seu objeto social está circunscrito, pura e simplesmente, no exercício das referidas atividades; (ii) no seu CNPJ estão cadastrados os seguintes CNAES: 86.40299 Atividades de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica não especificadas anteriormente; 86.40206 Serviços de ressonância magnética; 86.40204 Serviços de tomografia; 86.40 205 Serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, exceto tomografia; 86.40207 Serviços de diagnóstico por imagem sem uso de radiação ionizante, exceto ressonância magnética; (iii) sua DIPJ revela que toda a receita operacional percebida pela Recorrente tem sua origem única e exclusivamente na prestação de serviços de radiologia e radiodiagnósticos. que, não obstante, a documentação acima foi considerada insuficiente pela DRJ, do que resta configurada a hipótese do artigo 16 do Decreto 70.235/72, que lhe autoriza a juntada de documentação complementar para contrapor os argumentos dessa decisão, qual seja: declaração do contador da empresa de que a Recorrente exerce exclusivamente serviços de radiologia (144); Licença de Funcionamento da Vigilância Sanitária em que se verifica que a atividade de "serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia" (145). Alega ter juntado ainda cópia da folha do livro razão, mas o documento não se encontra nos autos. afirma, ainda, a necessidade superveniente de realização de diligência, haja vista que "emite, em média, um número muito grande de notas fiscais por mês, o que tornaria inviável carrear aos autos todas as notas fiscais". Discorre sobre a necessidade de a autoridade administrativa na busca de efetividade nas suas decisões perquirir sempre em busca da verdade material, alegando que esta tinha por dever funcional determinar a realização de diligências para se determinar a efetiva natureza da atividade exercida pela empresa. Aponta assistente técnico para tanto. que a DRJ pretende uma prova impossível de ser produzida por meio de documentos contábeis, pois nem mesmo se a recorrente juntasse aos autos todas suas notas fiscais juntamente com todos seus registros contábeis a Autoridade Julgadora não poderia chegar à conclusão pretendida quanto à exclusiva prestação de serviços hospitalares. Sustenta, assim, que cabe à Administração Pública comprovar que a Recorrente não exerce efetivamente as atividades de serviços de radiologia e radiodiagnóstico. reitera o argumento referente à nulidade do despacho decisório pois os dispositivos legais invocados seriam inadequados para a conclusão que o Fisco pretende alcançar, vez que tratam da possibilidade de compensação entre pagamentos indevidos de imposto e débitos de imposto a pagar, em nenhum momento estabelecendo em quais condições Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10835.901988/200911 Acórdão n.º 1401002.131 S1C4T1 Fl. 5 4 uma Declaração de Compensação apresentada por determinado contribuinte pode ser considerada como irregular, e, portanto, nãohomologável. Além disso, foram aplicados correção monetária, juros e multa, sem no entanto se invocar nenhum dispositivo legal que legitimasse tal pretensão. No mérito: afirma que uma das razões para julgar improcedente a manifestação de inconformidade foi o pretenso descumprimento do requisito: “ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil;”. Todavia, o STJ já julgou em sede de recurso repetitivo que "para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão ‘serviços hospitalares’, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde).". Transcreve ementas de julgados do STJ e deste CARF neste sentido. sustenta que ainda que assim não se entenda, é cediço que a natureza empresária da sociedade deve ser analisada mais sob o aspecto material do que sob o aspecto formal, ou seja, é plenamente possível que uma sociedade constituída sob a forma de sociedade simples, mas que ostente todas as características de uma sociedade empresarial, seja assim considerada. por fim, sustenta que na verdade o que ocorreu foi uma presunção por parte das autoridades fiscais sem qualquer respaldo probatório, sendo certo que as provas carreadas aos autos demonstram a efetividade da existência do indébito tributário utilizado na compensação. É o relatório. Voto Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.124, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10835.901284/200931. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.124): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. No mérito, primeiramente vislumbro um equívoco quanto à premissa adotada pelo despacho decisório proferido, já que este indeferiu a compensação sob a alegação de que inexistem créditos de IRPJ em um contexto em que a DIPJ e a DCTF, tais como retificadas (em retificações ocorridas antes do despacho decisório), contemplavam tais valores. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10835.901988/200911 Acórdão n.º 1401002.131 S1C4T1 Fl. 6 5 De fato, o Recorrente transmitiu o PER/DCOMP pleiteando a compensação dos créditos ora em análise e alega, ademais, que o direito creditório a seu favor teria sido gerado por ocasião da retificação da DIPJ e da DCTF, após o que o valor do IRPJ a pagar foi reduzido para zero. O despacho decisório que não homologou a compensação foi emitido meses depois. Assim, à época do despacho decisório, o cenário que a autoridade fiscal tinha era a de que o IRPJ "autolançado" em DCTF pelo ora Recorrente era zero e de que a DIPJ contemplava os créditos pleiteados na DCOMP. De fato, a legislação em vigor prevê que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (art. 19 da MP 1.99026/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001). Assim, em regra, a última declaração apresentada pelo contribuinte é a que prevalece para todos os fins. No caso, se a empresa apresenta DIPJ e DCTFs contendo tributos a pagar e depois as retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos. Isso porque, no mundo jurídico, o débito de IRPJ passou a não mais existir após a transmissão das declarações retificadoras. Assim, se o fisco pretendia cobrar o IRPJ no valor tal como transmitidas a DIPJ e DCTF originais ou seja, se pretendia de alguma forma questionar as retificações deveria ter constituído o crédito tributário por meio do lançamento do tributo. Portanto, da forma como se mostra, o cenário na época da homologação das compensações em questão era de inexistência de débito (lançado ou autolançado) de IRPJ e, por consequência, de aparente existência do crédito pleiteado na compensação tal como declarado na DIPJ retificadora, devendo ser verificada apenas a regularidade de tal crédito ou seja: se os alegados pagamentos efetivamente foram efetuados (e, em se tratando de IRRF, também se os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação). Assim, a DRF deveria ter analisado o crédito pleiteado nas compensações levando em consideração que o débito de IRPJ do anocalendário constante das DIPJ e DCTF retificadoras era zero, conforme declarações retificadoras. Pois bem. Em segundo lugar, noto que a razão para negar a retificação das declarações seria a não concordância com matéria que já foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo. No caso, verificase a existência do Tema no. 217 em sede de Recurso Repetitivo do STJ, que assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido: Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10835.901988/200911 Acórdão n.º 1401002.131 S1C4T1 Fl. 7 6 Tema/Repetitivo 217 Situação do Tema Trânsito em Julgado Ramo do Direito DIREITO TRIBUTÁRIO Questão submetida a julgamento Questionase a forma de interpretação e o alcance da expressão serviços hospitalares, prevista no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei 9.429/95, para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL com base em alíquotas reduzidas. Tese Firmada Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. Anotações Nugep Incide o Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSSL com alíquotas reduzidas, na forma do art. 15, § 1º, III, da Lei 9.249/1995, sobre a receita proveniente da prestação de 'serviços hospitalares' (não receita bruta total da empresa), neles compreendidas as atividades de natureza hospitalar essenciais à população, independente da existência de estrutura para internação, excluídas as consultas realizadas por profissionais liberais em seus consultórios médicos. Informações Complementares "As modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95." Repercussão Geral Tema 353/STF Enquadramento de pessoas jurídicas da área de saúde na qualidade de prestadoras de serviço hospitalar para fins de obtenção do benefício de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro líquido (CSLL) e do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) com base de cálculo reduzida. Observese que o critério apresentado pelo STJ para a interpretação da Lei nº 9.249/1995 é simples e objetivo: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde , independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. Vejase (grifamos): Art. 15 ... Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10835.901988/200911 Acórdão n.º 1401002.131 S1C4T1 Fl. 8 7 III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Observo que tal questão não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o disposto no § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002: Lei nº 10.522/02 Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ... V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5º As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (disponível em http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoe normas/documentosportaria502/listadedispensade contestarerecorrerart2ovviiea7a73oa8odaportaria pgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10835.901988/200911 Acórdão n.º 1401002.131 S1C4T1 Fl. 9 8 Resumo: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. OBSERVAÇÃO: O benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorre da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Ressaltamos que o STF não reconheceu repercussão geral com relação a este tema (AI 803.140). OBSERVAÇÃO 2: Deve ser apresentada contestação e interposto recurso quando se tratar de sociedade simples, tendo se em vista a alteração introduzida pela Lei 11.718/08* no art 15, III, da Lei 9.249/95, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária." *Nota desta Relatora: na verdade tratase da Lei 11.727/08 que estabelece alíquota de 32% para " a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Ante o exposto, voto por julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10835.901988/200911 Acórdão n.º 1401002.131 S1C4T1 Fl. 10 9 compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário e determino que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12%, nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.720042/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
SUJEITO PASSIVO DO ITR.
São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o possuidor ou detentor a qualquer título de imóvel rural, como definido em lei.
ÁREAS DE INTERESSE ECOLÓGICO
Havendo comprovação de que parte do imóvel está localizada dentro de área definida em Lei para fins de instalação de parque estadual, e que houve apresentação tempestiva do ADA ao Ibama pelo proprietário do imóvel, impõe-se afastar da tributação essa área que se enquadra na definição legal de interesse ecológico.
VALOR DA TERRA NUA.
A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, como previsto em Lei, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor.
Numero da decisão: 2301-005.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício para lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Junior.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o possuidor ou detentor a qualquer título de imóvel rural, como definido em lei. ÁREAS DE INTERESSE ECOLÓGICO Havendo comprovação de que parte do imóvel está localizada dentro de área definida em Lei para fins de instalação de parque estadual, e que houve apresentação tempestiva do ADA ao Ibama pelo proprietário do imóvel, impõese afastar da tributação essa área que se enquadra na definição legal de interesse ecológico. VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, como previsto em Lei, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício para lhe negar provimento. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 00 42 /2 00 8- 50 Fl. 413DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Junior. Relatório O Acórdão da DRJ (fls. 396 a 405) julgou o lançamento procedente em parte. O Acórdão recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2004 NULIDADE. Ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/72 e cumpridos os requisitos contidos no art. 10 do mesmo Decreto, não pode prosperar a alegação de nulidade do lançamento. SUJEITO PASSIVO DO ITR. São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o possuidor ou detentor a qualquer título de imóvel rural, como definido em lei. ÁREAS DE INTERESSE ECOLÓGICO Havendo comprovação de que parte do imóvel está localizada dentro de área definida em Lei para fins de instalação de parque estadual, e que houve apresentação tempestiva do ADA ao Ibama pelo proprietário do imóvel, impõese afastar da tributação essa área que se enquadra na definição legal de interesse ecológico. VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, como previsto em Lei, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. No próprio Acórdão da DRJ, consta o recurso de ofício (fl. 397) em virtude do montante do crédito tributário desonerado. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator Com relação ao recurso de ofício, cabe salientar que a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, assim dispõe: "Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10860.720042/200850 Acórdão n.º 2301005.185 S2C3T1 Fl. 3 3 decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário." Ademais, a Súmula CARF 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conforme resumido no Acórdão da DRJ (fls 404), o crédito tributário da obrigação principal foi alterado de R$ 5.514.135,66 para R$ 1.240,68, o que demonstra que o valor do crédito tributário desonerado é superior ao definido no art. 1º da Portaria MF nº 63/17, de modo que o recurso de ofício deve ser conhecido. Nesse sentido conheço do recurso de ofício, no entanto, no tocante ao mérito, ratifico a decisão tomada no voto do Acórdão da DRJ. Nessa linha, faço minhas as considerações constantes no voto do Acórdão da DRJ, uma vez que restou comprovada a criação do Parque Estadual da Serra do Mar pelo Decreto nº 10.251/77 e, conforme laudo apresentado pelo contribuinte e informações contidas nas peças que integram o processo judicial de pedido de indenização, da mesma forma que já foi reconhecido pelo então Terceiro Conselho de Contribuintes nos Acórdãos 30333.597, de 2006, e 30134.059, de 2007, de modo que ficou comprovado que 13.188,0 ha. está localizado dentro da área do Parque Estadual da Serra do Mar, comprovandose que se trata de área de interesse ecológico. Destaquese ainda que o Parque foi criado em data anterior à data do potencial fato gerador do ITR objeto do presente processo administrativo. Ante o exposto, conheço do recurso de ofício para negarlhe provimento. É como voto. Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 415DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910686/2011-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 18/10/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.553
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 18/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 18/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 86 /2 01 1- 67 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 16327.910686/201167 Acórdão n.º 3402004.553 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2003. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.136, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 18/10/2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 187DF CARF MF Processo nº 16327.910686/201167 Acórdão n.º 3402004.553 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 188DF CARF MF Processo nº 16327.910686/201167 Acórdão n.º 3402004.553 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 189DF CARF MF Processo nº 16327.910686/201167 Acórdão n.º 3402004.553 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.723212/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
DECISÃO JUDICIAL. SEPARAÇÃO DE PODERES. ACOLHIMENTO. COISA JULGADA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EFICÁCIA. ART. 22 DA LEI Nº 12.016/2009.
Deve ser acolhida pela Administração a decisão judicial irrecorrível que decidiu pela aplicação, ao caso concreto, do art. 22 da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança), que limitou os efeitos da coisa julgada aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante, em detrimento do art. 2ª-A da Lei nº 9.494/1997, que restringia tais efeitos à competência territorial do órgão prolator.
Numero da decisão: 3401-004.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, acolhendo o que foi decidido em juízo.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araujo Branco - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: Leonardo Ogassawara de Araújo Branco
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 DECISÃO JUDICIAL. SEPARAÇÃO DE PODERES. ACOLHIMENTO. COISA JULGADA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EFICÁCIA. ART. 22 DA LEI Nº 12.016/2009. Deve ser acolhida pela Administração a decisão judicial irrecorrível que decidiu pela aplicação, ao caso concreto, do art. 22 da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança), que limitou os efeitos da coisa julgada aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante, em detrimento do art. 2ª-A da Lei nº 9.494/1997, que restringia tais efeitos à competência territorial do órgão prolator.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, acolhendo o que foi decidido em juízo. Rosaldo Trevisan - Presidente. Leonardo Ogassawara de Araujo Branco - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
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(RIO DE JANEIRO REFRESCOS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 DECISÃO JUDICIAL. SEPARAÇÃO DE PODERES. ACOLHIMENTO. COISA JULGADA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EFICÁCIA. ART. 22 DA LEI Nº 12.016/2009. Deve ser acolhida pela Administração a decisão judicial irrecorrível que decidiu pela aplicação, ao caso concreto, do art. 22 da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança), que limitou os efeitos da coisa julgada aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante, em detrimento do art. 2ªA da Lei nº 9.494/1997, que restringia tais efeitos à competência territorial do órgão prolator. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, acolhendo o que foi decidido em juízo. ROSALDO TREVISAN Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 32 12 /2 01 1- 91 Fl. 982DF CARF MF Processo nº 10840.723212/201191 Acórdão n.º 3401004.244 S3C4T1 Fl. 983 2 Relatório 1. Tratase de Auto de Infração, lavrado com a finalidade de formalizar a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referente ao período compreendido entre janeiro e dezembro de 2007, acrescido de multa e juros de mora, de maneira a totalizar o crédito tributário histórico de R$ 72.750.225,80. 2. Conforme se depreende do termo de encerramento fiscal, situado às fls. 475/486, o estabelecimento industrial apropriouse, indevidamente, em sua escrita fiscal (livro Registro de Entradas e livro Registro de Apuração do IPI), de créditos de IPI relativos às aquisições de matériasprimas isentas, oriundas de fornecedores da Zona Franca de Manaus e Amazônia Ocidental. No caso, as matériasprimas tidas como isentas foram adquiridas da empresa RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA, a qual, ainda segundo a fiscalização, não fazia jus às saídas com a isenção do IPI prevista no art. 82, III, do RIPI/2002 (Regulamento do IPI, Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002). Conseqüentemente, a empresa adquirente de tais produtos não poderia creditarse do IPI como se devido fosse, nos termos em que autoriza o art. 175, III, do RIPI/2002 3. A contribuinte, cientificada do auto de infração em 21/12/2011, apresentou tempestiva impugnação situada às fls. 490 a 511, em 10/01/2012, na qual argumentou, em síntese, que: (i) estar amparada pela disposição expressa do art. 6º do Decreto lei nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975; (ii) o STF, em sessão plenária, no julgamento do recurso extraordinário RE nº 212.484RS, já concluiu que o adquirente de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus e aplicados na industrialização de produtos sujeitos ao IPI tem direito ao crédito do imposto calculado com base na alíquota prevista para o próprio insumo, em face do princípio da nãocumulatividade; (iii) decisão proferida no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834 assegurou aos integrantes da Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola (AFBCC) o direito de se creditarem do IPI relativo à aquisição de insumo isento, adquirido de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus e utilizado na industrialização de seus refrigerantes; (iv) a Câmara Superior de Recursos Fiscais reconheceu o direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos isentos (com benefício da isenção subjetiva), utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao IPI. Assim, não caberia a aplicação de penalidade (multa de ofício), nos termos do art. 76, II, “a”, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 4. Em 08/05/2012, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) prolatou o Acórdão DRJ nº 1437.542, de relatoria do AuditorFiscal Celso Toshio Sakamoto, decidindo, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa que abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 GLOSA DE CRÉDITOS. Fl. 983DF CARF MF Processo nº 10840.723212/201191 Acórdão n.º 3401004.244 S3C4T1 Fl. 984 3 PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental e sem projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. INSUMOS DESONERADOS DO IMPOSTO. DIREITO AO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. É inadmissível, na ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE. O provimento jurisdicional somente abrange o objeto da demanda judicial, vale dizer, o conteúdo o pedido da petição inicial. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado deve ser aplicada utilizando o percentual determinado expressamente em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 5. A contribuinte, intimada em 31/05/2012, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização da decisão na caixa postal, Módulo "eCAC" do Site da Receita Federal, conforme termo de ciência por decurso de prazo situado à fl. 850, interpôs, em 14/06/2012, recurso voluntário, situado às fls. 855 a 885, no qual reiterou as razões vertidas em sua impugnação. 6. Em sessão de 25/10/2012, foi proferida a Resolução CARF nº 3401 000.581, de relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, convertendo o julgamento em diligência para sobrestálo até a ulterior decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral, em razão do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Fl. 984DF CARF MF Processo nº 10840.723212/201191 Acórdão n.º 3401004.244 S3C4T1 Fl. 985 4 É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 7. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele conheço. 8. Antes da análise da admissibilidade do recurso voluntário, necessário se enfrentar a questão atinente à competência deste colegiado, tendo em vista a edição da Resolução CARF nº 3401000.581, de relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, que decidiu pelo sobrestamento do presente processo até a ulterior decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: 9. Entendo que os recursos em referência possam ser objeto de apreciação por esta turma julgadora, em decorrência de um primeiro fato superveniente à Resolução: o trânsito em julgado do Recurso Especial nº 1.438.361RJ em 23/02/2017, proferido nos autos do Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, reconhecendo que a decisão de mérito transitada em julgado em 02/12/1999 é aplicável a todos os associados da AFBCC, independentemente do Estado em que estão localizados. Transcrevese, neste sentido, trecho do despacho de 17/11/2016 de lavra do relator, Ministro Og Fernandes: Fl. 985DF CARF MF Processo nº 10840.723212/201191 Acórdão n.º 3401004.244 S3C4T1 Fl. 986 5 "Em relação ao art. 2ºA da Lei n. 9.497/97, introduzido pela MP 1.7981/99, e ao art. 16 da Lei n. 7.347/85, com redação dada pela Lei n. 9.494/97, a jurisprudência desta Corte firmou se no sentido de que a limitação contida no art. 2ºA, caput, da Lei n. 9.494/97 de que a sentença proferida "abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator", não pode ser aplicada aos casos em que a ação coletiva foi ajuizada antes da entrada em vigor do mencionado dispositivo, sob pena de perda retroativa do direito de ação das associações (...) No caso, dos autos, a instância ordinária expressamente afirmou que o mandado de segurança foi impetrado em data anterior a vigência da MP n. 2.18035/2001 (eSTJ, fl. 429)" (seleção e grifos nossos). 10. A decisão em referência, como se conclui a partir tanto dos documentos trazidos a conhecimento deste colegiado, bem como por meio do extrato do processo obtido por este Relator no site do Superior Tribunal de Justiça, transitou em julgado em 23/02/2017: 11. O Recurso Especial nº 1.438.361RJ, por seu turno, tem, como recorrente, a contribuinte autuada, como se pode verificar a partir do extrato a seguir recortado: Fl. 986DF CARF MF Processo nº 10840.723212/201191 Acórdão n.º 3401004.244 S3C4T1 Fl. 987 6 12. O segundo fato superveniente à decisão foi a decretação, pelo Supremo Tribunal Federal, em 18/08/2017, da extinção da Reclamação nº 7.778, em virtude da perda superveniente de objeto, reconhecendo que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.438.361RJ teve por efeito a reforma do acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em conformidade com despacho do relator, Ministro Gilmar Mendes, que abaixo se transcreve: "Tratase de embargos de declaração opostos pela Companhia de Bebidas Ipiranga contra acórdão do Plenário (eDOC 52), que negou provimento ao agravo regimental em reclamação, ementado nos seguintes termos: “Agravo regimental em reclamação. 2. Ação coletiva. Coisa julgada. Limite territorial restrito à jurisdição do órgão prolator. Art. 16 da Lei n. 7.347/1985. 3. Mandado de segurança coletivo ajuizado antes da modificação da norma. Irrelevância. Trânsito em julgado posterior e eficácia declaratória da norma. 4. Decisão monocrática que nega seguimento a agravo de instrumento. Art. 544, § 4º, II, b, do CPC. Não ocorrência de efeito substitutivo em relação ao acórdão recorrido, para fins de atribuição de efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação coletiva, sob pena de desvirtuamento da lei que impõe limitação territorial. 5. Agravo regimental a que se nega provimento”. (eDOC 52, p. 2) Ocorre que, após a oposição dos embargos, a parte embargante noticia, por meio da Petição 17.128/2017, o trânsito em julgado Fl. 987DF CARF MF Processo nº 10840.723212/201191 Acórdão n.º 3401004.244 S3C4T1 Fl. 988 7 da decisão da 2ª Turma do STJ que reformou o ato impugnado pela presente reclamação (eDOC 6). Ante o exposto, julgo prejudicados os embargos declaração e julgo extinto o presente feito, ante a perda superveniente do seu objeto (art. 21, IX, do RISTF). Publiquese. Brasília, 11 de maio de 2017. Ministro Gilmar Mendes Relator 13. A decisão em referência transitou em julgado em 18/08/2017, como se denota da seguinte certidão: 14. Tais fatos supervenientes devolvem a questão ao conhecimento deste colegiado, uma vez que são prejudiciais ao objeto da Resolução, que se prestou a sobrestar o processo a fim de aguardar o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal acerca do mérito, inacessível ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão administrativo, a partir do reconhecimento judicial da coisa julgada. Devolvemna, no entanto, unicamente para que se reconheça a superveniência da decisão judicial no sentido da aplicação da coisa julgada ao caso presente. 15. Assim, diferente do contexto fático apreciado quando da prolação do Acórdão CARF nº 3401003.750, proferido em sessão de 26/04/2017, de minha relatoria, no qual externamos as razões pelas quais deveriam ser reconhecidos os efeitos da coisa julgada da decisão judicial transitada em julgado e obtida no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834 (Processo nº 004778334.1991.4.02.5101), que reconheceu o direito de todos os associados ao crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos de empresas situadas na Zona Franca de Manaus, no momento da prolação da presente decisão, a questão restou judicial e definitivamente decidida, o que afasta a jurisdição e a competência deste Conselho. 16. Desta forma, inoportuno e descabido a este Relator ou a este colegiado se pronunciarem a respeito da extensão dos efeitos da coisa julgada, como, aliás, Fl. 988DF CARF MF Processo nº 10840.723212/201191 Acórdão n.º 3401004.244 S3C4T1 Fl. 989 8 tivemos a oportunidade de fazer, detidamente, no Acórdão CARF nº 3401003.750, e, muito menos, a respeito da matéria de fundo, ou seja, o direito ao creditamento do IPI. Isto porque, conforme já defendemos naquela ocasião, uma vez que se reconheça a prevalência e, logo, a primazia da coisa julgada (matéria que o colegiado tem a obrigação de conhecer previamente, sem jamais deixar de decidir a respeito dela, sob pena de caracterização do non liquet), descabido será o pronunciamento quanto ao mérito. 17. Outro não poderia ser o desfecho do presente caso, sob pena de afronta à separação constitucional do Poder, tendo em vista a necessidade de observância, por parte das instâncias administrativas, do trânsito em julgado do Recurso Especial nº 1.438.361 RJ (Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834), reconhecendo que a decisão de mérito transitada em julgado em 02/12/1999 é aplicável a todos os associados da AFBCC, independentemente do Estado em que estão localizados e, portanto, inclusive da contribuinte ora recorrente, bem como a perda de objeto da Reclamação nº 7.778 que tramitou no Supremo Tribunal Federal. 18. Assim, voto no sentido do cumprimento da decisão judicial naquilo que concerne à não aplicação da interpretação da limitação territorial da coisa julgada no caso em análise, devendo a decisão obtida no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834 (Processo nº 004778334.1991.4.02.5101), que tramitou na 22ª Vara Federal da Subseção do Rio de Janeiro, aproveitar à contribuinte em tela. Com base nesses fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 989DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.001599/2008-48
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/04/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 15 99 /2 00 8- 48 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10865.001599/200848 Acórdão n.º 9202005.820 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10865.001599/200848 Acórdão n.º 9202005.820 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10865.001599/200848 Acórdão n.º 9202005.820 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10865.001599/200848 Acórdão n.º 9202005.820 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10865.001599/200848 Acórdão n.º 9202005.820 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10865.001599/200848 Acórdão n.º 9202005.820 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10865.001599/200848 Acórdão n.º 9202005.820 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10865.001599/200848 Acórdão n.º 9202005.820 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10865.001599/200848 Acórdão n.º 9202005.820 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 231DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.907507/2011-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.178
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente GREEN STAR PEÇAS E VEÍCULOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 75 07 /2 01 1- 08 Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10850.907507/201108 Acórdão n.º 9303006.178 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 3803006.722, que decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário por ausência de prova efetiva da existência do direito creditório pleiteado. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3801004.317 e 3801004.318. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.174, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 10850.900064/201205, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.174): Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10850.907507/201108 Acórdão n.º 9303006.178 CSRFT3 Fl. 4 3 "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte diz respeito à comprovação de seu direito creditório, e trouxe os seguintes acórdãos paradigmas, 3801004317 e 3801004318, que tratam em tese da mesma matéria, diferindo a solução. Pelas ementas não se pode reconhecer a divergência, todavia, se examinar os votos dos paradigmas verseá a que não há identidade de (conjunto probatório) e diversidade das soluções. Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: "Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto às Manifestações de Inconformidade, havia trazido aos autos planilhas de cálculo, cópias do balancete e do livro Razão, documentos esses que, segundo ele, seriam bastantes para a comprovação do direito pleiteado. A par das decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, tendo sido ressaltada pelo julgador de piso a necessidade de se comprovar o faturamento do período para fins de apuração da contribuição efetivamente devida no período, o contribuinte nada acrescenta aos autos em grau de recurso para fins de demonstrar inequivocamente a base de cálculo da contribuição. Não se pode olvidar que, de acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte na primeira instância não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras e a outras receitas, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10850.907507/201108 Acórdão n.º 9303006.178 CSRFT3 Fl. 5 4 Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios da base de cálculo da contribuição (faturamento), com vistas a se apurar o alegado crédito pleiteado, o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que nenhum documento contábilfiscal foi acrescentado aos autos". Como se observa, a decisão recorrida, acompanhou o fundamento esposado pela DRJ de origem, no sentido de que: “A planilha contendo as receitas financeiras e a cópia de parte do balancete contendo tais receitas não permitiriam apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido, pois tais documentos permitem vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante”. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 3801004.317, analisou tão somente a questão de mérito, dando provimento ao Recurso por entender que a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Sem embargo, o Colegiado decidiu o direito creditório da contribuinte com fundamento no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. Como se vê, o acórdão paradigma não trouxe outro fundamento com relação as provas, e não se verifica demonstrada semelhança fática e divergência jurisprudencial. Vejamos: "No mérito, entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10850.907507/201108 Acórdão n.º 9303006.178 CSRFT3 Fl. 6 5 faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal". No mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3801004.316, mesmo relator do acórdão, nº 3801004.317, deu provimento ao Recurso Voluntário,para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Como se observa, o acórdão paradigma nada tratou sobre provas, e não se comprova semelhança fática e divergência jurisprudencial. Vejamos: "É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998". Como visto, contexto fático e jurisprudencial exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 276DF CARF MF
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