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Numero do processo: 13054.720105/2011-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429-SP e Resp. 1.470.720-RS). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Decisão que restou confirmada no ARE 817.409.
2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.118.429-SP), o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte.
3. Conforme decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.470.720-RS), o valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente. A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 2301-005.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes no mês em que a parcela foi reconhecida como devida, na decisão judicial, segundo os critérios estabelecidos pelo Resp. 1.470.720.
(assinado digitalmente).
João Bellini Júnior - Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANOBASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429SP e Resp. 1.470.720RS). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. 1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Decisão que restou confirmada no ARE 817.409. 2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543C do CPC (Resp. 1.118.429SP), o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. 3. Conforme decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543C do CPC (Resp. 1.470.720RS), o valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente. A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. Recurso Voluntário parcialmente provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 72 01 05 /2 01 1- 66 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 418 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes no mês em que a parcela foi reconhecida como devida, na decisão judicial, segundo os critérios estabelecidos pelo Resp. 1.470.720. (assinado digitalmente). João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por GRACIANO ALMEIDA MARTINS, contra o Acórdão de julgamento (efls. 78, e seguintes), que julgou improcedente a impugnação apresentada. O relatório da decisão recorrida assim descreve: Mediante Notificação de Lançamento, de fls. 04/07 exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento do imposto de renda pessoa física suplementar, acrescido de multa de ofício e juros de mora no valor total de R$ 97.797,64, calculados até 30/11/2010, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2008, anocalendário de 2007. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 07, a fiscalização informa que confrontando o valor dos rendimentos tributáveis declarados recebidos de pessoa jurídica, com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte –DIRF, para o titular e/ou dependentes, verificouse a ocorrência de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 233.881,83, sendo que foi compensado IRRF sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 7.016,45. Os rendimentos foram informados pela Caixa Econômica Federal, CNPJ 00.360.305/000104. Contra o lançamento o contribuinte apresentou impugnação de fls. 02/04 dos autos, alegando, em síntese que: Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 419 3 os rendimentos de R$ 233.881,83 são isentos por tratarse de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave; recebeu parte dos valores e não a integralidade dos mesmos, pois ajuizou por meio de procurador, ação de revisão de aposentadoria e que foram descontados os valores anteriormente contratados com o advogado; tais valores foram recebidos pelo autor como reposição da aposentadoria, através de ação previdenciária competente, e por isto não deveriam ser tributados, já que se trata de verba de natureza alimentar; além disso, o impugnante foi representado em referido processo, por um procurador, o qual através de contrato assinado anterior ao ajuizamento da causa recebeu parte dos R$ 233.881,83, sendo destinado ao procurador o montante entre R$ 60.000,00 ou R$ 70.000, não recordando ao certo o valor; que após receber a presente notificação, procurou o escritório a fim de que recebesse cópia do contrato e apurar os valores recebidos por este, negandose tal escritório a fornecer as informações solicitadas; finalmente requer que seja julgada a presente intimação (sic), bem como que seja absolvido das imputações que foram feitas contra si, ou caso outro seja o entendimento da Receita Federal do Brasil, a devida intimação do escritório Renato Von Muhlen Advogados Associados, para prestar as informações atinentes ao andamento deste processo administrativo e ao fim um novo cálculo com a tributação justa, que deve ser bem aquém da ora apresentada. Às fls. 70, registro manifestação da Agência da Receita Federal do Brasil de São Leopoldo que reportase ao art. 1º da Instrução Normativa RFB nº 958, de 15 de julho de 2009, a qual passa a vigorar acrescida do art. 6ºA: Art. 6º ª A impugnação do sujeito passivo à Notificação de Lançamento efetuada sem intimação prévia, ou sem atendimento à intimação, e sem apresentação anterior de Solicitação de Retificação de Lançamento, terá o seguinte tratamento: I – os documentos apresentados e demais questões de fato alegadas serão analisados pela autoridade lançadora. Neste diapasão, os autos foram encaminhados ao SEFIS/DRF/NHO, para análise e prosseguimento. Com efeito, às fls. 71, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo HamburgoRS, proferiu Despacho Decisório DRF/NHO nº 468, de 11 de abril de 2013; peço vênia para transcrever a conclusão do indigitado despacho, eila: 2. CONCLUSÃO Na análise dos documentos apresentados constatase que a notificação de lançamento cobrou Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, tendo em vista rendimentos de ação judicial recebidos da CAIXA ECONÔMICA Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 420 4 FEDERAL. Sem razão o impugnante. Verificase a correção dos valores declarados na NL, pois não há previsão para a Receita Federal do Brasil não proceder com a cobrança. Ressaltese não foram apresentados recibos e/ou notas fiscais referentes a honorários advocatícios/periciais. Com base nos arts. 226 e 300 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 587, de 24 de dezembro de 2010, e Portaria DRF/NHO nº 046, de 20 de julho de 2012, DECIDO: (X) INDEFERIR a solicitação de cancelamento da exigência. A presente Decisão abrange somente as questões de fato suscitadas pelo contribuinte. O indigitado Despacho Decisório estipula o prazo de 30 dias da ciência do mesmo para o contribuinte, querendo, manifestarse contrariamente ao decisum. O contribuinte foi cientificado do aludido despacho em 07/05/2013, fls. 78. O notificado interpôs manifestação de inconformidade em 05/06/2013, fls. 81/83 na qual manifesta, em síntese, que: estão isentos a pensão e os proventos da inatividade pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o pensionista ou inativo completar 65 anos de idade, até o valor de R$ 1.164,00 no mês de janeiro de 2006, e de até R$ 1.257,12 por mês, nos meses de fevereiro a dezembro de 2006, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto; o valor excedente a esse limite está sujeito à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração; ocorre que tais valores foram recebidos pelo autor como reposição da aposentadoria, através de ação previdenciária competente, e por isto não deveriam ser tributados, já que tratase de verba de natureza alimentar, não tratandose de qualquer enriquecimento sem causa, mas sim de mera reposição de pensão; se for considerado o período que abrange os créditos previdenciários de 18 anos, dissolve a pretensão de cobrança de imposto, pois seria inferior anualmente ao previsto pela legislação; outro aspecto relevante e que deve ser destacado é o relativo à idade superior a 65 anos do recorrente; finalmente, requer que seja o recorrente isentado da cobrança do imposto de renda. Em seu recurso de efls. 67/71, o recorrente alega que não deve incidir o imposto de renda sobre as verbas provenientes de aposentadoria, pois não alcançaria os valores devidos para serem tributados, em razão de ação judicial que deixou de receber o provento devido por mais de 18 anos. Pede o cancelamento da exigência fiscal. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 421 5 Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário é tempestivo. Assim, passo a analisálo. DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO Conforme o enquadramento legal da Notificação de Lançamento, foram omitidos à tributação os valores recebidos de pessoa jurídica, referente a rendimentos recebidos acumuladamente, decorrentes de ação judicial, e nesse caso, valores em condenação do INSS, em razão de pagamento de aposentadoria, a título de complementação de repasse a menor ao contribuinte. O recorrente alega que os valores não seriam tributáveis em razão de não atingir a quantia mínima para serem tributados, uma vez que teria mais de 65 anos de idade, se utilizado do Regulamento do Imposto de Renda/99, em seu art. 39, inciso XXXIV, que assim dispõe: " Art. 39 ......................................... XXXIV os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, até o valor de novecentos reais por mês, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XV, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 28);. Conforme já analisado pela DRJ de origem, verifico o seguinte: "O Manual de preenchimento da declaração de ajuste anual do exercício de 2007, página. 28, assim esclarece a situação do contribuinte maior de 65 anos que recebe rendimentos de mais de uma fonte pagadora: “A parcela isenta na declaração está limitada a até R$ 1.164,00, no mês de janeiro de 2006, e até R$ 1.257,12 por mês, nos meses de fevereiro a dezembro de 2006, independentemente de recebimento de uma ou mais aposentadorias, pensões e/ou reforma. O valor excedente deve ser informado como rendimento tributável.” Nesse sentido, quanto verifico que não é o caso de utilização do dispositivo mencionado pelo recorrente, uma vez que o benefício mencionado não é o aplicável ao caso, tendo em vista que consta na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 2007, efls. 67, Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 422 6 que o contribuinte percebeu a título de aposentadoria, naquele período, a quantia de R$ 2.727,54, estando acima do limite da parcela permitida para a concessão da isenção. DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANOBASE 2009 O tema é pacificado por esse Tribunal, e foi objeto de apreciação pelas Cortes Superiores, e no presente processo, a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, por força de ação judicial, relativos ao anocalendário de 2009. Nesse sentido, acerca da incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, a Receita Federal do Brasil editou em 07 de fevereiro de 2011 a Instrução Normativa nº 1.127. Destaco o artigo 2º que assim dispõe: "Art. 2º Os RRA, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, quando decorrentes de: I – aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos estados do Distrito Federal e dos municípios; e II – rendimentos do trabalho. § 1º Aplicase o disposto no caput, inclusive, aos rendimentos decorrentes de decisões das Justiças do Trabalho., Federal, Estaduais e do Distrito Federal. § 2º Os rendimentos a que se refere o caput abrangem o décimo terceiro salário e quaisquer acréscimos e juros deles decorrentes. Vêse, portanto, que os rendimentos recebidos acumuladamente antes de 28 de julho de 2010 estão sujeitos às regras previstas no art. 12, da Lei 7.713/88, combinado com o art. 56, do RIR. Com isso reproduzo o voto do respeitado Presidente desta Turma, Conselheiro João Bellini Júnior, em Acórdão julgamento de Recurso Voluntário n.º 2301004.658, de 10 de maio de 2016, assim redigido: "Tal tema já foi objeto de apreciação tanto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quanto pelo Superior Tribunal de Justiça (STF), em processos com decisão definitiva de mérito na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei 5.869, de 1973 (presentemente, arts. 1.036 a 1.041 da Lei 13.105, de 2015). Assim, tais decisões devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho Administrativo, por força do disposto no art. 62, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf). Passemos à análise das referidas decisões. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 423 7 Do STF, temos o julgamento do RE 614.406/RS (com repercussão geral reconhecida) cuja tese restou reafirmada no julgamento do ARE 817.409, cujos trânsito em julgado deramse respectivamente em 11/12/2014 e 05/06/2015. Em ambos os acórdãos, decidiuse que o imposto sobre a renda das pessoas físicas (IRPF) sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência, ou seja, calculados de acordo com o regime de competência. Tal é o entendimento que deve ser reproduzido pelos órgãos deste Carf. O RE 614.406/RS recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de de (SIC) ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Assim, no RE 614.406/RS decidiuse negar provimento ao recurso extraordinário interposto pela União contra acórdão exarado pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, pelo qual entendeuse correta a “Incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência após somado este com o valor já pago, pena afronta aos princípios da isonomia e capacidade contributiva insculpidos na CF/88 e do critério da proporcionalidade que infirma a apuração do montante devido”. Friso que, embora alguns Ministros teçam considerações sobre a inconstitucionalidade do art. 12 da lei 7.713, de 1988 (como é o caso do Min. Marco Aurélio, do Min. Dias Toffoli e da Min. Cármen Lúcia), a discussão que se estabelece no plenário do STF é qual o regime de tributação a ser aplicado ao caso: (a) regime de caixa, posição da Min. Ellen Grace, que dava provimento ao recurso interposto pela União, julgando constitucional o art. 12 da Lei 7.713, de 1988 e (b) regime de competência, posição dos demais ministros, que, em decorrência, negaram provimento ao recurso da União. Desse modo, o limite objetivo da coisa julgada é dado pelo desprovimento da apelação da União contra o acórdão do TRF4, que houvera reconhecido incidentalmente a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713, de 1988 para que o IRPF fosse tributado pelo regime de competência (e não pelo regime de caixa) Tal situação, ou seja, ser o limite objetivo da coisa julgada no RE 614.406/RS a tributação dos rendimento recebidos acumuladamente pelo regime de competência, resta cristalina pela simples leitura da ementa do ARE 817.409: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MODO DE CÁLCULO. RENDIMENTOS PAGOS EM ATRASO E ACUMULADAMENTE. REPERCUSSÃO GERAL Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 424 8 RECONHECIDA PELO STF. TEMA Nº 368. JULGAMENTO DE MÉRITO NO RE 614.406. ALEGADA INDIFERENÇA NA APLICAÇÃO DO REGIME DE CAIXA OU DE COMPETÊNCIA AO CASO. INCURSÃO NO ACERVO FÁTICOPROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA Nº 279 DO STF. INCIDÊNCIA. 1. Os valores recebidos em atraso e acumuladamente por pessoas físicas devem se submeter à incidência do imposto de renda segundo o regime de competência, consoante decidido pelo Plenário do STF no julgamento do RE 614.406, Rel. Min. Rosa Weber, Redator do acórdão o Min. Marco Aurélio, DJe de 27/11/2014, leading case de repercussão geral, Tema nº 368. (...) No mesmo sentido decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) no julgamento do Acórdão CSRF 9202003.695, julgado em 27/01/2016, o qual recebeu a seguinte ementa: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Das razões do conselheiro relator, Heitor de Souza Lima Junior, transcrevo: Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão (RE 614.406/RS), de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no . 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. (...) Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. (...) Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 425 9 Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. (...) Como já referido, também o STJ enfrentou a matéria no julgamento de dois recursos especiais sujeitos à sistemática do art. 543C do CPC, (e, portanto, vinculativos ao CARF em face do disposto no art. 62, § 2º, do Ricarf). Nesses, também restou assentado que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. O primeiro desses julgamentos é o Resp. 1.118.429SP, julgado em 24/03/2010 e transitado em julgado em 17/06/2010, o qual recebeu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (Grifou se.) O segundo julgado, Resp. 1.470.720RS, julgado em 10/12/2014 e transitado em julgado em 04/03/2015, esmiúça a determinação das bases de cálculo do imposto sobre a renda, e recebeu a seguinte ementa: RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543 C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO DE SENTENÇA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. VERBAS RECEBIDAS Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 426 10 ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. CORREÇÃO MONETÁRIA. FACDT. SELIC. (...) 2. O valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente (em ação trabalhista, como no caso, o FACDT – fator de atualização e conversão dos débitos trabalhistas). A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. (Grifouse.) 3. Sistemática que não implica violação ao art. 13, da Lei n. 9.065/95, ao art. 61, §3º, da Lei n. 9.430/96, ao art. 8º, I, da Lei n. 9.250/95, ou ao art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, posto que se refere à equalização das bases de cálculo do imposto de renda apurados pelo regime de competência e pelo regime de caixa e não à mora, seja do contribuinte, seja do Fisco. 4. Tema julgado para efeito do art. 543C, do CPC: "Até a data da retenção na fonte, a correção do IR apurado e em valores originais deve ser feita sobre a totalidade da verba acumulada e pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente, sendo que, em ação trabalhista, o critério utilizado para tanto é o FACDT". (Grifos no original.) 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Transcrevo trechos do Resp. 1.470.720, a fim de aclarar os critérios pelos quais deve ser calculado o imposto sobre a renda: Esta Corte ao julgar recurso representativo da controvérsia decidiu que: "O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente" (REsp. n. 1.118.429/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 24.03.2010). Ou seja, entendeu que o art. 12, da Lei n. 7.713/88 não deve ser interpretado de forma a permitir a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente pelo regime de caixa (tributação considerando as alíquotas, os parâmetros e no mês em que efetivamente pagos os rendimentos de uma só vez), mas sim pelo regime de competência (tributação considerando as alíquotas, os parâmetros e no mês em que deveriam ter sido pagos dos rendimentos mês a mês). Em razão dessa jurisprudência já consolidada, surgiu em inúmeros processos a discussão a respeito do modo com que se daria o cálculo dessa diferença de imposto de renda a ser paga pelo contribuinte ou a ele repetida pelo fisco, nos casos em que o Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 427 11 Imposto de Renda incide sobre verbas trabalhistas pagas em atraso de forma acumulada, ou verbas de outra natureza também pagas em atraso de forma acumulada. Esse modo não poderia descurar da forma com que calculado o imposto nas declarações de ajuste, respeitandose a lógica do imposto e de sua repetição. Dito de outra forma, para respeitar a sistemática de apuração do Imposto de Renda e ao mesmo tempo o regime de competência, havia a necessidade de se estabelecer uma forma retroativa de cálculo do tributo que deveria ter sido pago ao tempo em que deveria ter sido recebido o rendimento (regime de competência) e apurar a diferença em relação ao que retido posteriormente na fonte (regime de caixa), o que carece da aplicação de um critério único de correção monetária, a fim de se equalizar as bases de cálculo do Imposto de Renda através do tempo (a base de cálculo do imposto que deveria ter sido pago sob o regime de caixa deve ser equalizada à base de cálculo do imposto pago sob o regime de competência) e definir a diferença do tributo a pagar ou restituir. Assim, o que se discute é o índice a ser fixado para a correção da base de cálculo do tributo e não do tributo devido ou do indébito a ser restituído. No caso das verbas trabalhistas, sabese que a Justiça do Trabalho utiliza para atualização dos débitos (base de cálculo do Imposto de Renda) a chamada Tabela FACDT (Fator de Atualização e Conversão dos Débitos Trabalhistas), que tem por objetivo assegurar, "com base no índice oficial da inflação do mês anterior, o valor monetário dos créditos do trabalhador até o primeiro dia do mês seguinte" (Agravo de Petição n. 718903, TRT4, Sexta Turma, Rel. Juiz João Ghisleni Filho, julgado em 19.11.1998). Sendo assim, sua natureza é de fator de correção monetária, não se tratando de juros de mora, que tem por objetivo punir o devedor pela mora, acrescendo ao débito uma indenização a título de lucros cessantes. Do mesmo modo, no caso de verbas previdenciárias, a Justiça Federal faz uso do IGPDI e, mutatis mutandis, em outros casos fazse uso de índices diversos judicialmente fixados e transitados em julgado. A jurisprudência então caminhou para a seguinte forma de cálculo: resgatase o valor original da base de cálculo (após, portanto, as deduções legais) declarada pelo sujeito passivo em sua Declaração de Ajuste Anual relativa ao anocalendário a que o rendimento corresponde (A) e adicionase o valor do rendimento recebido acumuladamente relativo ao mesmo ano (excluídos atualização monetária e juros) (B). Assim, chegase ao valor da base de cálculo que seria declarada se o rendimento tivesse sido percebido na época própria (C = A + B). Sobre esta base de cálculo aplicase a tabela progressiva vigente no ano a que o rendimento corresponde. Com a aplicação da alíquota da tabela progressiva sobre a base de cálculo (C), chega se a um resultado de imposto devido à época. Desse resultado se subtrai o imposto efetivamente pago calculado com os valores da Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 428 12 época. Essa diferença corresponde ao cálculo da diferença de imposto correspondente (D). Este cálculo deverá ser feito para cada anocalendário referente aos rendimentos percebidos acumuladamente (Dl, D2, etc). Esta diferença de imposto de renda (D), apurada em cada ano (D1, D2, etc), será atualizada pelo índice que melhor reflita a correção monetária para o débito em questão (no caso de débitos trabalhistas, utilizase o Fator de Atualização e Conversão dos Débitos Trabalhistas FACDT, como visto) a partir de 30 de abril do ano subseqüente ao anocalendário respectivo. Cada uma das diferenças anuais (Dl, D2) será atualizada pelo índice referido até 30 de abril do ano subseqüente àquele em que ocorreu o recebimento dos valores acumulados e somadas entre si, constituindo o somatório de diferenças de imposto de renda (E =" Dl + D2 + etc.). O montante total das diferenças (E) será compensado com o total do imposto que foi indevidamente retido na fonte sob o regime de caixa por força do recebimento de rendimentos acumulados, perfazendo o saldo de imposto de renda (F), a pagar (se E > imposto indevidamente retido na fonte sob o regime de caixa) ou a restituir (se E < imposto indevidamente retido na fonte sob o regime de caixa). Sobre (F), incidirá a taxa SELIC a partir de 1º de maio do ano subsequente ao do recebimento dos rendimentos acumulados porque, ou constitui (F) uma diferença de imposto não pago pelo contribuinte (situação em que incidem o art. 13, da Lei n. 9.065/95 e o art. 61, §3º, da Lei n. 9.430/96), ou constitui um valor de indébito a ser repetido pelo Fisco ao contribuinte (situação em que incide o art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95). (...) De observar que a taxa SELIC não incide em nenhum momento anterior porque antes de 1º de maio do ano subsequente ao do recebimento dos rendimentos acumulados o que ocorre é apenas uma equalização da base de cálculo do imposto de renda e não a mora, seja do contribuinte, seja do Fisco. Assim, em atenção ao disposto no art. 62, § 2º do Anexo II do Ricarf, devem ser aplicadas as disposições do (a) RE 614.406/RS (STF), explicitadas no ARE 817.409 (STF), (b) Resp. 1.118.429SP (STJ) e (c) Resp. 1.470.720 (STJ)". CONCLUSÃO Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e darlhe parcial provimento para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes no mês em que a parcela foi reconhecida como devida, na decisão judicial, segundo os critérios estabelecidos pelo Resp. 1.470.720. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 429 13 (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 430 14 Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.722083/2016-97
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO.
Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação, tendo analisado argumentos não suscitados pela impugnante, bem como deixado de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para decretar a nulidade do acórdão recorrido, determinando que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação, tendo analisado argumentos não suscitados pela impugnante, bem como deixado de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação, tendo analisado argumentos não suscitados pela impugnante, bem como deixado de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para decretar a nulidade do acórdão recorrido, determinando que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 20 83 /2 01 6- 97 Fl. 65DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 45 dos autos: Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. O processo trata de auto de infração lavrado contra o contribuinte sob o fundamento de que teria até o dia 21/08/2013 para prestar as informações sobre veículo/carga com data prevista de atração para 23/08/2013, e de que só teria prestado a informação, porém, no dia 22/08/2013. Em sua impugnação, o contribuinte afirmou ter prestado as informações em atraso por ter havido uma modificação na data de atracação do navio sem que tenha tomado conhecimento com antecedência suficiente. Teria visto, em consulta realizada ao sistema no dia 20/08/13, que a atracação estava agendada para 29/08/13. Em nova consulta realizada em 22/08/13, constatou a antecipação da operação para 23/08/13, quando providenciou, nesse mesmo dia, a inclusão das informações. Arguiu a necessidade de que os agentes transportadores de cargas e logísticos providenciem a correção dos termos indicados no Siscomex Carga para evitar futuras correções, e, assim, ocorra a liberação de mercadorias e correta aplicação dos tributos da operação de importação. Requereu a extinção do auto de infração e cancelamento do débito fiscal. Juntou, com a impugnação, os seguintes documentos: i) conhecimentos de carga (fls. 26/29); ii) emails tratando de adiantamento de navio (fls. 30/32); iii) documentos de representação (fls. 36/37). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação. Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 43/47) consignou, inicialmente, que não acolheria as preliminares aduzidas pelo contribuinte, visto que as arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo. Afastou o Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10909.722083/201697 Acórdão n.º 3002000.428 S3C0T2 Fl. 66 3 argumento de ocorrência de denúncia espontânea, sob o fundamento de que este instituto não seria aplicável ao caso concreto. Da mesma forma, afastou os argumentos de ausência de tipicidade, motivação, legitimidade ou responsabilidade do contribuinte, por entender que não se coadunavam com a hipótese dos autos. Em seguida, discorreu sobre a necessidade de se respeitar os prazos estabelecidos no artigo 22 da IN SRF 800/2007 para possibilitar o controle aduaneiro. Prosseguiu afirmando que os registros devem representar fielmente as mercadorias para se possibilitar que a aduana defina no tratamento a ser dado em cada caso, racionalizando os procedimentos e agilizando o despacho. Concluiu que o julgador administrativo está adstrito ao Decretolei 37/66, que prevê as penalidades administrativas. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 19/02/2018 (vide AR à fl. 51 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 20/03/2018, Recurso Voluntário (fls. 54/61). Em seu recurso, o contribuinte arguiu, preliminarmente, a nulidade da decisão da primeira instância, que não estaria devidamente motivada. Pediu anulação do acórdão e prolação de outra decisão. No mérito, alegou ilegalidade do auto de infração, por inobservância ao disposto no artigo 142 do CTN. Repetiu os argumentos da impugnação sobre seu desconhecimento acerca da antecipação da data de atracação do navio e sobre a importância da correção dos dados no Siscomex para evitar futuras indagações/correções. Alegou ausência de motivação do auto de infração, argumentando que agiu conforme a legislação, já que não foi avisado previamente da alteração na data da operação de embarcação. Arguiu, por fim, não ter cometido qualquer infração e pediu o acolhimento da preliminar suscitada, ou, não sendo este o entendimento, o cancelamento da penalidade imposta pelas razões de mérito aduzidas. Não juntou novos documentos. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da nulidade do acórdão recorrido Em sede de preliminar, o Recorrente requer que seja decretada a nulidade da decisão da primeira instância, que não estaria devidamente motivada, em desrespeito ao devido processo legal e ao contraditório. Isso porque, teria a DRJ, na decisão recorrida, trazido Fl. 67DF CARF MF 4 fundamentos que não teriam qualquer relação com a impugnação apresentada pelo contribuinte no caso concreto. Consoante acima narrado, o acórdão (fls. 43/47) consignou, inicialmente, que não acolheria as preliminares aduzidas pelo contribuinte, visto que as arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo. Afastou o argumento de ocorrência de denúncia espontânea, sob o fundamento de que este instituto não seria aplicável ao caso concreto. Da mesma forma, afastou os argumentos de ausência de tipicidade, motivação, legitimidade ou responsabilidade do contribuinte, por entender que não se coadunavam com a hipótese dos autos. Ocorre que, da análise da impugnação apresentada pelo contribuinte neste caso concreto, verificase que, de fato, o contribuinte não trouxe em seus fundamentos de defesa nenhuma das alegações acima indicadas. A impugnação interposta limitouse a tratar acerca do não conhecimento prévio da empresa acerca da antecipação da atracação do navio no porto (argumento de mérito). Sendo assim, não resta dúvidas que o acórdão recorrido trouxe em seus fundamentos razões que não estão relacionadas à presente contenda, levando à compreensão de que o caso não fora analisado com o devido cuidado pelos Julgadores naquela oportunidade. Como se não bastasse, verificase que o acórdão recorrido, quanto à análise de mérito, também não chegou a discorrer acerca das particularidades do caso concreto objeto da presente contenda. Consoante se extrai dos autos, argumenta o contribuinte em sua defesa que deixou de cumprir o prazo de 48horas por não ter conhecimento acerca da antecipação da data de atracação, inicialmente agendada para o dia 28 de agosto de 2013. Informa que havia consultado o sistema no dia 20 de agosto de 2013, e que esta era a data indicação da atracação. Acontece que, em 22 de agosto de 2013, ao consultar novamente o sistema, verificou que teria havido uma antecipação da atracação para o dia 23 de agosto de 2013, antecipação esta da qual não tinha tido conhecimento anteriormente, levandoo a incluir o CE mercante filhote neste mesmo dia (22 de agosto de 2013). Logo, defende a inexistência de infração. Para fins de comprovar o que alega, o contribuinte anexou aos autos consulta à situação do conhecimento, realizada em 20 de agosto de 2013, em que, de fato, consta como data de operação o dia 29 de agosto de 2013 (vide fl. 26 dos autos), os conhecimentos de transporte (fls. 27 a 29), bem como emails trocados em que são apresentados questionamentos acerca da razão da antecipação da atracação do navio em questão (fls. 30 a 32). Vêse que o descumprimento do prazo de 48 horas é incontroverso no presente caso. O que haveria de ser analisado, portanto, é se a não observância deste prazo poderia ser escusada, em razão das alegações trazidas pelo contribuinte neste caso concreto e da documentação apresentada. Ao analisar o caso, o acórdão recorrido discorreu sobre a necessidade de se respeitar os prazos estabelecidos no artigo 22 da IN SRF 800/2007 para possibilitar o controle aduaneiro, prosseguiu afirmando que os registros devem representar fielmente as mercadorias para se possibilitar que a aduana defina no tratamento a ser dado em cada caso, racionalizando os procedimentos e agilizando o despacho e concluiu que o julgador administrativo está adstrito ao Decretolei 37/66, que prevê as penalidades administrativas. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10909.722083/201697 Acórdão n.º 3002000.428 S3C0T2 Fl. 67 5 Ou seja, verificase que a DRJ, de fato, julgou a presente contenda de forma genérica, sem que tivesse feito qualquer consideração acerca das particularidades alegadas pelo contribuinte neste caso concreto e da referida documentação anexada aos autos. No meu entender, portanto, a decisão recorrida revestese de vício intransponível de motivação, apta a configurar a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Isso porque, além de ter incluído argumentos não levantados pelo contribuinte em sua impugnação administrativa, deixou de analisar fundamentos e documentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda. 2. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para fins de, acolhendo a preliminar levantada, decretar a nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem àquela instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão, em que sejam analisados os argumentos e documentos constantes da impugnação administrativa apresentada. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 69DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.721867/2016-30
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2008.2012
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Manifestação de inconformidade por negativa de reconhecimento de direito creditório sobre pedido de restituição de contribuição previdenciária. Direito Creditório não Reconhecido.
Numero da decisão: 2001-000.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Manifestação de inconformidade por negativa de reconhecimento de direito creditório sobre pedido de restituição de contribuição previdenciária. Direito Creditório não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 18 67 /2 01 6- 30 Fl. 264DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de inconformidade por negativa de reconhecimento de direito creditório para devolução de Contribuição Social Previdenciária referente ao período de 01.03.2008 a 31.03.2012. O fundamento básico do não reconhecimento creditório é pela afirmação de ausência de pagamento indevido de vez que os salários de contribuição dos valores pleiteados na restituição foram utilizados na concessão da aposentadoria da Recorrente. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na expedição da decisão de negativa do direto creditório pleiteado, como segue: Tratam os autos de Manifestação de Inconformidade apresentada contra a decisão que indeferiu o requerimento de restituição de contribuição previdenciária recolhida nas competências março de 2008 a março de 2012 pela segurada Rosely Cury de Melo Sá. De acordo com o Despacho Decisório, emitido pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Ribeirão Preto, o pedido de restituição foi indeferido, pois as contribuições recolhidas foram utilizadas para cálculo de benefício, conforme carta de concessão juntada às fls. 204 a 206. A controvérsia presente nos autos restringese, inicialmente, a saber se as contribuições previdenciárias cuja restituição a contribuinte requer foram utilizadas no cálculo da sua aposentadoria. A carta de concessão juntada às fls. 204 a 206 não deixa dúvidas quanto a isso. No cálculo do salário de benefício da referida aposentadoria, concedida em 10/05/2012, foram consideradas as contribuições relativas ao período de 03/2008 a 03/2012. De acordo com o art. 24 da Lei nº 8.213, de 1991, carência é o número mínimo de contribuições mensais indispensáveis para a concessão do benefício. Assim, ainda que no ano de 2008, a segurada já possuísse as 162 contribuições à época exigidas como carência, isso não significa que as contribuições realizadas posteriormente a esta data não tenham sido computadas. Até porque, de acordo com o art. 50 da referida lei, a renda mensal da aposentadoria por idade corresponde a 70% do salário de benefício, mais um por cento a cada grupo de 12 contribuições mensais. Ou seja, quanto maior o tempo de contribuição considerado, maior a renda mensal do benefício concedido. Além do mais, a contribuição previdenciária é uma espécie tributária cujo fato gerador é o exercício de atividade remunerada. Portanto, ainda que tais contribuições não tivessem sido computadas no cálculo do benefício, elas seriam devidas pelo simples fato de ter ocorrido o fato gerador. Neste mesmo sentido, mesmo que a segurada já estivesse aposentada, se continuasse a exercer atividade remunerada após a aposentadoria, estaria obrigada a manter os seus recolhimentos à Previdência, nos termos do § 4º do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991. Isso posto, voto por INDEFERIR a solicitação contida na presente Manifestação de Inconformidade e manter a decisão administrativa que indeferiu a restituição pleiteada, referente aos recolhimentos Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10840.721867/201630 Acórdão n.º 2001000.814 S2C0T1 Fl. 265 3 efetuados pela segurada nas competências março de 2008 a março de 2012. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da manifestação de inconformidade e decide pela manutenção da negativa do direito creditório pleiteado. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: Conforme Per/Dcomps a contribuinte realizou os pagamentos indevidos: Declaro para os devidos fins de direito que a Sra. ROSELY, no mês de Fevereiro de 2008 já tinha o direito adquirido ao tempo legal para Requerer aposentadoria. Mas continuo pagando indevidamente até o mês 032012. Dentro do prazo legal de 5 anos, conforme análise das Respectivas datas de transmissão das PER/Dcomps. De acordo com art. 24 da Lei nº 8213, 1991, a carência é o número mínimo de contribuições mensais indispensáveis para a concessão do Benefício. No que consta da Carta de Concessão, foi solicitado Aposentadoria por Idade, inclusive não usou este período para Aposentadoria por Idade, conforme tabela de carência por Aposentadoria por idade em 2008 era exigido de contribuições um total de 162 meses, segue em anexo cópia do Contrato de Trabalho anotação CTPS nº 48.221 Série nº 204, um total de 165 meses ou seja 13 Anos + 9 meses, mais do que exigido na carência. Além do mais, a contribuição é uma tributação cujo fato gerador é o exercício da atividade. Mas neste período ela recolheu indevidamente como facultativo código 1406 sem prestar nenhuma atividade conforme alguns comprovantes de recolhimento em anexo. Diante de todos os meios comprobatórios apresentados no momento e os que já estão anexos ao processo REQUER PELO DEFERIMENTO DO RESSARCIMENTO PERÍODO: 032008 A 032012. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator Fl. 266DF CARF MF 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A divergência das partes consubstancia no número de contribuições necessárias a obtenção do direito à aposentadoria, a validade das contribuições previdenciárias recolhidas a destempo e a possibilidade de devolução ao segurado demandante, se desnecessárias para o cômputo do cálculo. O texto base que define o direito da obtenção do benefício à aposentadoria está contido nos arts. 24, 25 e 27, da Lei nº 8.213/91, e a obrigatoriedade da contribuição previdenciária para que continuar trabalhando, nos termos do § 4º do art. 12 da Lei nº 8.212/91, em especial no que segue: Lei nº 8.213/91. Art. 24. Período de carência é o número mínimo de contribuições mensais indispensáveis para que o beneficiário faça jus ao benefício, consideradas a partir do transcurso do primeiro dia dos meses de suas competências. Art. 25. A concessão das prestações pecuniárias do Regime Geral de Previdência Social depende dos seguintes períodos de carência, ressalvado o disposto no art. 26: I auxíliodoença e aposentadoria por invalidez: 12 (doze) contribuições mensais; II aposentadoria por idade, aposentadoria por tempo de serviço e aposentadoria especial: 180 contribuições mensais. (...) Art. 27. Para cômputo do período de carência, serão consideradas as contribuições: I referentes ao período a partir da data de filiação ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), no caso dos segurados empregados, inclusive os domésticos, e dos trabalhadores avulsos; II realizadas a contar da data de efetivo pagamento da primeira contribuição sem atraso, não sendo consideradas para este fim as contribuições recolhidas com atraso referentes a competências anteriores, no caso dos segurados contribuinte individual, especial e facultativo, referidos, respectivamente, nos incisos V e VII do art. 11 e no art. 13. Lei nº 8.212/91. Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: § 4º O aposentado pelo Regime Geral de Previdência SocialRGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às contribuições de que trata esta Lei, para fins de custeio da Seguridade Social. O pedido de restituição foi feito sob o argumento de que as contribuições identificadas teriam sido feitas indevidamente e, portanto, sem necessidade para a obtenção do Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10840.721867/201630 Acórdão n.º 2001000.814 S2C0T1 Fl. 266 5 benefício da aposentadoria requisitada pela Contribuinte e concedida pelo órgão competente de previdência pública oficial. Ocorre que há pressupostos para a concessão do benefício da aposentadoria que não está restrito ao número de contribuições e/ou a idade do segurado, senão o conjunto deles, dentro do critério disposto da legislação pertinente acima citada. Assim que, a Recorrente teve direito à aposentadoria considerando o requisito da idade conjugado com o número de 180 contribuições mensais, com recolhimentos que lhe manteve a condição de segurada da previdência oficial. As referidas contribuições foram consideradas no cômputo para a concessão do benefício da aposentadoria, portanto, mantenedoras da condição legal em atendimento aos requisitos indispensáveis aquele reconhecimento do órgão previdenciário oficial. Neste sentido, concluise não haver contribuições indevidamente recolhidas que resguarde eventual decisão de considerar a existência de direito creditório que permita a restituição de contribuições previdenciárias recolhidas. Cabe ressaltar, por oportuno, que a contribuição previdenciária é um tributo cujo fato gerador ocorre em razão do exercício de atividade remunerada e mesmo que referidas contribuições não tivessem sido computadas no cálculo do benefício seriam elas devidas pelo fato da segurada continuar exercendo suas atividades laborais remuneradas, conforme disposto no § 4º do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao pleito de direito creditório. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 268DF CARF MF
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Numero do processo: 13811.006583/2003-31
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1003-000.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado a título de saldos negativos de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do ano-calendário de 2000 no valor de R$162.104,44, do 1º trimestre do ano-calendário de 2002 no valor de R$15.842,62 e do 2º trimestre do ano-calendário de 2004 no valor de R$144.000,00.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado a título de saldos negativos de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2000 no valor de R$162.104,44, do 1º trimestre do anocalendário de 2002 no valor de R$15.842,62 e do 2º trimestre do anocalendário de 2004 no valor de R$144.000,00. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nº 33614.28893.140606.1.3.027857 em 14.06.2006, nº 15656.12197.110706.1.3.02478082 em 11.07.2006, nº 37090.17005.290906.1.7.026989 em 29.09.2006, nº 33614.28893.140606.1.3.027857, em 14.06.2006 utilizandose dos créditos relativos aos saldos negativos de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2000 no valor de R$162.104,44, fls. 307335, do 1º trimestre do anocalendário de 2002 no valor de R$15.842,62, fls. 152157 e do 2º RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 11 .0 06 58 3/ 20 03 -3 1 Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 13811.006583/200331 Resolução nº 1003000.013 S1C0T3 Fl. 1.283 2 trimestre do anocalendário de 2004 no valor de R$144.000,00, fls. 145151 e 442449 apurados pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. De acordo com o Despacho Decisório Derat/SP, de 27.03.2008, fls. 561568, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido: A vista de todo o exposto, considerando as informações acima e que o presente Despacho Decisório não afasta o direito que tem a Secretaria da Receita Federal de realizar verificações fiscais posteriores junto ao contribuinte, em relação aos períodos e ao tributo em tela, PROPONHO o RECONHECIMENTO do direito creditório do contribuinte no valor calculado, para 31/12/2000, de R$ 23.911,41 [...] e, para 30/06/2004, de R$ 57.219,45 [...], relativamente a saldo negativo de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e, em conseqüência, a HOMOLOGAÇÃO das compensações declaradas nas DCOMPs constantes do quadro à fl. 01 deste despacho, bem como de outras compensações porventura vinculadas aos créditos aqui analisados, até o limite do direito creditório reconhecido. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 5ª Turma/DRJ/RJOI/RJ nº 1260.104, de 25.09.2013, e fls. 708720: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2002, 2004 CERCEAMENTO AO DIREITO DE AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE APÓS INSTAURAÇÃO DA LIDE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO. Não há que se falar em violação ao princípio constitucional de ampla defesa e contraditório quando a pessoa se encontra a exercer esse direito. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO MOTIVADO. SERVIDOR COMPETENTE. DESCABIMENTO. O pedido de nulidade do despacho decisório deve ser indeferido quando o ato administrativo estiver revestido das formalidades legais previstas, sido expedido por servidor competente e não houver cerceamento do seu direito à ampla defesa e contraditório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Pedido de diligência para apresentação de provas que o contribuinte tem o dever de apresentar junto à impugnação / manifestação de inconformidade e não o faz deve ser indeferido por ser mero expediente protelatório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2002, 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. INEXISTÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 13811.006583/200331 Resolução nº 1003000.013 S1C0T3 Fl. 1.284 3 Inexistindo certeza e liquidez no crédito alegado pelo contribuinte em seu favor não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 17.10.2013, efl. 722, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 18.11.2013, efls. 724742, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: I. DO DIREITO A) DO CERCEAMENTO DE DEFESA POR FALTA DE INSTRUÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO A Constituição prevê a obrigatoriedade de se conceder aos acusados e litigantes em geral (seja na esfera administrativa, seja na judicial) a mais ampla defesa, com os recursos a ela inerentes, assegurandolhes o devido processo legal e garantindolhes, outrossim, o direito ao contraditório, conforme dispõe o artigo 5º, LIV e LV. No caso vertente, todavia, tais princípios não foram cumpridos pela fiscalização, que procedeu à intimação da não homologação do pedido de compensação pela simples alegação de inexistência do crédito informado para compensar os débitos declarados no PER/DCOMP, sem ao menos justificar a razão desta conclusão, violando, assim, o direito à ampla defesa da Recorrente. Assim, ao não fundamentar o despacho decisório, demonstrando o motivo pela não homologação do crédito de IRPJ, por meio do PER/DCOMP [...], a fiscalização impede a análise mais apurada das razões que deram origem à glosa do crédito pleiteado. Tal fundamentação é obrigatória e necessária ao exame da validade do ato de não homologação da compensação pleiteada pela Recorrente, porém esse procedimento foi simplesmente desprezado pela fiscalização, razão pela qual a Recorrente desconhece as irregularidades apontadas pelas autoridades administrativas. Ante essa manifesta violação ao direito de defesa, o ato administrativo é nulo. Não obstante, aduz o v. acórdão recorrido que "houve uma detalhada análise das retenções efetuadas pelas fontes pagadoras do contribuinte, com base nos registros de informações por elas prestadas à RFB, o que constitui motivação para a não homologação da DCOMP apresentada e tal motivação foi amparada em fundamentação legal". Tal conclusão, todavia, não afasta o cerceamento do direito de defesa constante no despacho decisório e no próprio v. acórdão, mormente quando se verifica, conforme se verá no decorrer deste recurso, que há saldo a restituir. Para os fins que importam o presente capítulo, certo é que não foram franqueados à Recorrente elementos suficientes para a não homologação da compensação declarada, ao que se conclui pela nulidade do ato administrativo em questão. Com efeito, não há motivo no ato administrativo para não ter reconhecido a totalidade das retenções declaradas pela Recorrente, assim como restou totalmente desmotivada a "proporcionalização" realizada em relação aos valores retidos das receitas do período do 2º trimestre de 2004. [...] Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 13811.006583/200331 Resolução nº 1003000.013 S1C0T3 Fl. 1.285 4 Portanto, da análise do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação formulado pela Recorrente pela mera menção de insuficiência do saldo negativo comprovado, sem qualquer motivação por parte da autoridade administrativa, ofendidas estão as regras do processo administrativo federal, devendo ser considerado nulo nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72 [...] Requerse, assim, seja reconhecida e declarada a nulidade do despacho decisório ora debatido, o que se dará com a reforma do v. acórdão recorrido, dada a manifesta e efetiva ausência de fundamentos que possibilitem a defesa da Recorrente, o que não é admitido em nosso ordenamento jurídico por violar os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, vez que não foi possível a análise precisa e minuciosa dos fatos que levaram à não homologação da compensação do crédito de IRPJ. B) DO CERCEAMENTO DE DEFESA POR VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, ao não reconhecer o saldo negativo informado pela Recorrente, conclusão mantida no v. acórdão recorrido, incidiu em violação direta ao princípio da busca da verdade formal que orienta a atividade fiscalizatória estatal. De fato, a Recorrente procedeu às autorretenções recolhidas via DARF's no código 8045, assim como sofre retenções de fontes pagadores informados nos respectivos códigos de receita; as autoridades fiscais, todavia, em violação ao princípio da busca da verdade material, sequer analisaram as informações prestadas nas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, os recolhimentos efetuados em nome da Recorrente que constam de seu sistema de dados e nos próprios pedidos de compensação (PerdComps) que de forma expressa evidenciam a existência de tais créditos. Com efeito, aos agentes da Administração Tributária impõese proceder à coleta de todos os dados e informações que lhes possam auxiliar na verificação dos eventos efetivamente acontecidos no mundo dos fatos e sua eventual violação às normas legais. É, portanto, o princípio da verdade real ou material aquele que orienta a atividade administrativa concernente à fiscalização e o controle do cumprimento das obrigações tributárias e deveres instrumentais correlatos. [...] Neste sentido, temos a irrestrita aplicação, no processo administrativo tributário, dos princípios constitucionais que asseguram ao contribuinte o recurso a todos os meios de provas hábeis à comprovação dos fatos ou acontecimentos relacionados a qualquer aspecto de obrigação tributária, principal ou acessória. [...] Dessa forma, tivesse a análise administrativa sido devida e corretamente elaborada, no exercício da atividade de fiscalização, concluirseia de forma inexorável pelo deferimento integral dos créditos de IRPJ em favor da Recorrente. A análise administrativa deveria ter aprofundado as investigações, para se confirmar ou se infirmar a presunção de que a Requerente não possuía direito aos créditos pleiteados, visto que o ônus da prova é da própria Administração [...]. Contudo, a ansiedade no indeferimento do crédito da Recorrente fez com que as provas dos fatos não fossem suficientes analisadas pela autoridade administrativa, não sendo admitidas para a comprovação dos créditos debatidos, contrariando os princípios do direito administrativo pela busca da verdade material, ao que deve ser declarado nulo o r. despacho decisório ora combatido. Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 13811.006583/200331 Resolução nº 1003000.013 S1C0T3 Fl. 1.286 5 Consequentemente, deve ser reformado o v. acórdão recorrido, cujos termos entendeu que "as retenções de IRPJ no pagamento feito por terceiros ao interessado e que constituiriam o seu alegado direito poderiam ter sido comprovadas pela juntada aos autos dos registros contábeis fiscais em poder da defendente, que declarou seu IRPJ do Exercício de 2001 a 2005, anosbases de 2000 a 2004, pelo lucro real, mas não o fez". Com a devida vénia, tais documentos são de posse da Receita Federal do Brasil e deveriam, em respeito ao princípio da verdade material, terem sido analisados. Como não o foram, há evidente ofensa a tal princípio, ao que deve ser reformado o v. acórdão recorrido. II. DA COMPROVAÇÃO DO SALDO NEGATIVO A COMPENSAR Muito embora os parcos elementos trazidos no r. despacho decisório, assim como no v. acórdão recorrido não sejam suficientes para delimitar as razões pelas quais a compensação pleiteada pela Recorrente não foi deferida, é possível se demonstrar a existência de saldo negativo de IRPJ do período suficiente a fazer frente ao débito compensado. ANO CALENDÁRIO DE 2000 Com efeito, da análise da DIPJ da requerente é possível se inferir que foi apurado, no ano calendário de 2000, IRPJ no valor de R$ 9.926,24 [...]. Neste período, contudo, a requerente prestou serviços para diversas pessoas jurídicas não ligadas à administração pública federal, ao que, de acordo com a Instrução Normativa SRF 123, de 20 de novembro de 1992, e artigo 6º da Lei nº 9.064/95, efetuou a retenção e recolhimento do imposto de renda, por conta e ordem dos anunciantes, no valor total de R$ 148.179,01 [...]O valor "autorretido" pode ser confirmado pelos DARF's anexos, recolhidos no código 8045, bem como das notas fiscais de prestação de serviço, de onde se infere a correta base de cálculo para o valor recolhido. Ainda neste período, a Recorrente apurou receitas financeiras, as quais se sujeitaram à retenção do imposto de renda pelas fontes pagadoras, na ordem de R$ 21.067,55 [...]. As retenções em comento podem ser verificadas nos extratos do fundo de investimentos da Recorrente ora anexados. As "autorretenções" efetuadas pela Recorrente e a retenção do imposto de renda feita pela instituição financeira, todavia, não foram levadas em consideração pela d. fiscalização, assim como foram ignoradas pelo v. acórdão recorrido. [...]Inexorável concluir, destarte, que deve ser reformado o v. acórdão recorrido exatamente por haver um crédito comprovado em favor da Recorrente, oriundo de saldo negativo de IRPJ, no montante total de R$ 162.104,44 [...], em valores históricos. O v. acórdão recorrido, destarte, como se demonstrou, merece ser reformado, pois os documentos anexos (DARF's de recolhimento no código 8045 e extratos com informes de retenção do imposto de renda incidente nas receitas financeiras) comprovam, de forma irretratável, que a requerente é detentora do saldo credor pleiteado, ao que devem ser homologadas as compensações efetuadas. PRIMEIRO TRIMESTRE DO ANO CALENDÁRIO DE 2002 Da análise da DIPJ [...] da requerente é possível se inferir que foi apurado, no primeiro trimestre do ano calendário de 2002, IRPJ no valor de R$ 51.428,10 [...]. Neste período, contudo, a requerente prestou serviços para diversas pessoas jurídicas não ligadas à administração pública federal, ao que, de acordo com a Instrução Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 13811.006583/200331 Resolução nº 1003000.013 S1C0T3 Fl. 1.287 6 Normativa SRF 123, de 20 de novembro de 1992, e artigo 6º da Lei nº 9.064/95, efetuou a retenção e recolhimento do imposto de renda, por conta e ordem dos anunciantes, no valor total de R$ 47.315,12 [...]. O valor "autorretido" pode ser confirmado pelos DARF's anexos, recolhidos no código 8045, bem como das notas fiscais de prestação de serviço, de onde se infere a correta base de cálculo para o valor recolhido. Ainda neste período, a Recorrente apurou receitas financeiras, as quais se sujeitaram à retenção do imposto de renda pelas fontes pagadoras, na ordem de R$ 18.577,33 [...]. As retenções em comento podem ser verificadas nos extratos do fundo de investimentos da Recorrente ora anexados. As "autorretenções" efetuadas pela Recorrente e a retenção do imposto de renda feita pela instituição financeira, todavia, não foram levadas em consideração pela d. fiscalização, assim como foram ignoradas pelo v. acórdão recorrido. [...] O v. acórdão recorrido, destarte, como se demonstrou, merece ser reformado, pois os documentos anexos (DARF's de recolhimento no código 8045 e extratos com informes de retenção do imposto de renda incidente nas receitas financeiras) comprovam, de forma irretratável, que a requerente é detentora do saldo credor pleiteado, ao que devem ser homologadas as compensações efetuadas. SEGUNDO TRIMESTRE DO ANO CALENDÁRIO DE 2004 Da análise da DIPJ (doe. anexo) da requerente é possível se inferir que foi apurado, no segundo trimestre do ano calendário de 2004, prejuízo fiscal no valor de R$ 57.679,33 [...] Neste período, não obstante, a requerente prestou serviços para diversas pessoas jurídicas não ligadas à administração pública federal, ao que, de acordo com a Instrução Normativa SRF 123, de 20 de novembro de 1992, e artigo 6º da Lei nº 9.064/95, efetuou a retenção e recolhimento do imposto de renda, por conta e ordem dos anunciantes, no valor total de R$ 69.935,26 [...]. O valor "autorretido" pode ser confirmado pelos DARF's anexos, recolhidos no código 8045, bem como das notas fiscais de prestação de serviço, de onde se infere a correta base de cálculo para o valor recolhido. Aqui já se encontra a primeira inconsistência e necessidade de reforma do v. acórdão recorrido, eis que concluiu que "o extrato Sistema SIEFDIRF indica um valor de R$ 41.279,91 retido sob esses códigos" quando evidentemente o valor é de R$ 69.935,26, conforme acima demonstrado. Ainda neste período, a Recorrente prestou serviços a diversas pessoas jurídicas, diversas daquelas reguladas pela IN SRF 123/1992, cuja receita decorrente desta prestação de serviços alcançou o valor de R$ 3.511.757,52. Descontados os tributos incidentes no faturamento, obtémse o lucro bruto de R$ 3.009.911,62. A este lucro bruto, aplicase o percentual de 4,8% estabelecido na Instrução Normativa SRF nº 306, de 12 de março de 2003, chegandose ao valor de imposto de renda retido na fonte de R$ 144.475,76. Não obstante, alega o v. acórdão que "as receitas correspondentes aos valores retidos sob os códigos supra montam a R$ 5.751.992,67, ao passo que apenas R$ 3.511.757,52 foram oferecidas à tributação, conforme rubrica 'Receita de Prestação de Serviço' da Demonstração do Resultado da DIPJ/2005 (fl. 557). Proporcionalizandose a soma dos valores retidos ao valor das receitas contabilizadas na determinação do Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 13811.006583/200331 Resolução nº 1003000.013 S1C0T3 Fl. 1.288 7 Lucro Real, obtémse um valor de R$ 113.118,73, fazendo o contribuinte jus a dedução de IRRF informada no cômputo do IRPJ sobre o Lucro Real relativo ao segundo trimestre do anocalendário 2004, de R$ 57.219,45". Destaquese, primeiramente, que as receitas decorrentes do código 8045 já foram explicitadas acima e foram submetidas à tributação, conforme guias de autorretenção deste código. Somandose as autorretenções efetuadas pela Recorrente aos valore retidos por suas fontes pagadoras, chegase ao montante retido de R$ 214.411,02. Ocorre que o v. acórdão reconhece o crédito de somente R$ 113.118,73, sem ao menos explicitar as razões pelas quais concluiu que a Recorrente faz jus à "dedução de IRRF informada no cômputo do IRPJ sobre o Lucro Real relativo ao segundo trimestre do anocalendário 2004, de R$ 57.219,45". Adicionese a isso que o v. acórdão recorrido amparou suas premissas na Instrução Normativa SRF/STN/SFC nº 23, de 2 de março de 2001, que já havia sido revogada pela Instrução Normativa SRF nº 306, de 12 de março de 2003, quando da ocorrência dos fatos geradores, mais um motivo para sua reforma. As "autorretenções" efetuadas pela Recorrente e as retenções do imposto de renda efetuadas pelas fontes pagadoras da Recorrente, todavia, não foram levadas em consideração pela d. fiscalização, assim como foram ignoradas pelo v. acórdão recorrido, conforme trechos destacados acima. Inexorável concluir haver um crédito em favor da Recorrente, decorrente de saldo negativo de IRPJ, no montante total de R$ 214.411,02 [...], em valores históricos. O v. acórdão recorrido, destarte, como se demonstrou, merece ser reformado, pois os documentos anexos comprovam, de forma irretratável, que a requerente é detentora do saldo credor maior do que o crédito pleiteado, ao que devem ser homologadas as compensações efetuadas. [...]Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: Pelo exposto, é a presente para requerer seja reformado o v. acórdão recorrido de nº 1260.104 e, por conseguinte, o r. despacho decisório, reconhecendose o saldo negativo da requerente para homologar, em sua integralidade, os PER/DCOMP's declarados e extinguir, nos termos do artigo 156, II, do Código Tributário Nacional, o crédito exigido no Processo Administrativo nº 13811.006583/200331 e apensos. [...] Diante de todo exposto, a Requerente requer seja julgado procedente o presente Recurso Voluntário, a fim de que seja reformado o v. acórdão recorrido, restabelecendose, assim, as compensações regularmente efetivadas, bem como desconstituindose o crédito tributário ora exigido, bem como todos os consectários legais, e suspendendose a sua exigibilidade. É o Relatório. Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 13811.006583/200331 Resolução nº 1003000.013 S1C0T3 Fl. 1.289 8 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que o direito creditório deve ser reconhecido e considerados os recolhimentos de IRRF código 8045. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 13811.006583/200331 Resolução nº 1003000.013 S1C0T3 Fl. 1.290 9 na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza3. As normas legais expressamente permitem a dedução dos valores de IRRF recolhidos em DARF referentes ao código nº 8045 a título por serviços de propaganda e publicidade. Essa matéria é tratada de forma especial e o IRRF deve ser recolhido pelas agências de propaganda, por ordem e conta do anunciante, caso em que ambos são solidariamente responsáveis pela comprovação da efetiva realização dos serviços. A agência de propaganda deve efetuar o recolhimento do imposto englobando todas as importâncias relativas a um mesmo período de apuração, devendo informar, ainda, o valor do imposto na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), bem como fornecer ao órgão anunciante, até 31 de janeiro de cada ano, documento comprobatório com indicação do valor do rendimento e do imposto de renda recolhido, relativo ao anocalendário anterior, para que o anunciante possa, com base nessas informações, preencher a DIRF4. Ademais, na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do IRPJ devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Tendo em vista o início de prova produzido pela Recorrente e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto em converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente juntar aos autos: I DIPJ relativas aos anoscalendário de 2000, 2002 e 2004; e 3 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: inciso I do art. 157 da Constituição Federal, inciso II do art. 53 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985 e art. 6º da Lei nº 9.064, de 20 de junho de 1995, Instrução Normativa SRF nº 123, de 20 de novembro de 1992, art. 15 e art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 269, de 26 de dezembro de 1992 e atualmente art. 15 e art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 983, de 12 de dezembro de 2009. Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 13811.006583/200331 Resolução nº 1003000.013 S1C0T3 Fl. 1.291 10 II Relação de pagamentos do IRRF do código 8045 relativos aos períodos de apuração do anocalendário de 2000, ao 1º trimestre do anocalendário do anocalendário de 2002 e ao 2º trimestre do anocalendário de 2004 com o somatório dos valores recolhidos em cada período. A autoridade designada para cumprir a diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza dos valores de direitos creditórios pleiteados a título de saldos negativos de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2000 no valor de R$162.104,44, do 1º trimestre do anocalendário de 2002 no valor de R$15.842,62 e do 2º trimestre do anocalendário de 2004 no valor de R$144.000,00. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes5 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 5 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 1291DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.720181/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Inicialmente é necessário esclarecer que o presente feito compreende um lote de 36 processos conexos, todos eles relativos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS apurados pelo regime da nãocumulatividade nos anos calendários de 2003 a 2008. Tratamse dos seguintes processos: PROCESSO ACÓRDÃO DRJ TRIBUTO PERÍODO 10320.720149/201020 0830.513 PIS 2ª Trim 2003 10320.720150/201054 0831.407 PIS 3ª Trim 2003 13338.000103/200441 0831.247 PIS 1ª Trim 2004 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .7 20 18 1/ 20 10 -1 3 Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10320.720181/201013 Resolução nº 3201001.449 S3C2T1 Fl. 3 2 10320.720152/201043 0830.749 PIS 2ª Trim 2004 13338.000011/200542 0831.246 PIS 3ª Trim 2004 10320.720169/201009 0831.237 COFINS 4ª Trim 2004 10320.720047/201012 0830.748 COFINS 1ª Trim 2005 10320.720155/201087 0830.750 PIS 1º Trim 2005 19647.012516/200542 0825.611 COFINS Abril/2005 13338.000155/200680 0830.757 COFINS 2ª Trim 2005 10320.720156/201021 0830.751 PIS 2º Trim 2005 19647.007420/200562 0822.687 PIS 3ª Trim 2005 10320.720157/201076 0830.752 PIS 3º Trim 2005 10320.720170/201025 0830.755 COFINS 3º Trim 2005 10320.720158/201011 0830.753 PIS 4ª Trim 2005 10320.720171/201070 0830.931 COFINS 4º Trim 2005 10320.720159/201065 0830.936 PIS 1º Trim 2006 10320.720172/201014 0831.238 COFINS 1º Trim 2006 10320.720160/201090 0830.927 PIS 2º Trim 2006 10320.720161/201034 0830.928 PIS 3ª Trim 2006 10320.720174/201011 0830.933 COFINS 3º Trim 2006 10320.720162/201089 0830.929 PIS 4º Trim 2006 10320.720175/201058 0830.934 COFINS 4º Trim 2006 10320.720163/201023 0830.930 PIS 1º Trim 2007 10320.720164/201078 0830.937 PIS 2º Trim 2007 10320.720177/201047 0830.938 COFINS 2º Trim 2007 10320.720165/201012 0831.233 PIS 3º Trim 2007 10320.720178/201091 0831.239 COFINS 3º Trim 2007 10320.720166/201067 0831.234 PIS 4º Trim 2007 10320.720179/201036 0831.240 COFINS 4º Trim 2007 10320.720167/201010 0831.235 PIS 1º Trim 2008 10320.720180/201061 0831.241 COFINS 1º Trim 2008 10320.720168/201056 0831.236 PIS 2º Trim 2008 10320.720181/201013 0831.242 COFINS 2º Trim 2008 10320.720182/201050 0831.243 COFINS 3º Trim 2008 10320.720183/201002 0831.408 COFINS 4ª Trim 2008 Desse modo, a presente Resolução será replicada em todos os processos acima referidos, devendose, na execução do julgado, observarse aquilo que se aplica a cada um dos fatos geradores abrangidos. Como dito, tratamse de diversos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS oriundos da aquisição de bens e serviços utilizados na fabricação de bens exportados para o mercado externo, apurados trimestralmente, além de um Auto de Infração. Conforme Relatório Fiscal integrante do Despacho Decisório: (...) o não reconhecimento do crédito se deu em virtude de vários fatores, compreendendo cômputo de outras receitas registradas na escrituração contábil (livro razão) e fiscal (livros registro de entrada, registro de saída, apuração de IPI, inventário etc) não informadas pelo Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10320.720181/201013 Resolução nº 3201001.449 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuinte no Dacon, bem como glosa de créditos informados no Dacon, mas não respaldados na contabilidade, incidentes sobre gastos ou despesas: Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10320.720181/201013 Resolução nº 3201001.449 S3C2T1 Fl. 5 4 A Recorrente apresentou Manifestações de Inconformidade e Impugnação solicitando o reconhecimento integral do crédito postulado. Após exame, a DRJ proferiu acórdão assim ementado (ajustandose, apenas, para cada processo, o tributo PIS ou COFINS e o período de apuração): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE PERÍCIA. CARÁTER TÉCNICO DA PROVA. A perícia é meio de prova destinado a exames que requeiram conhecimento técnico específico. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10320.720181/201013 Resolução nº 3201001.449 S3C2T1 Fl. 6 5 processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A partir de dezembro de 2002, a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. RECEITA FINANCEIRA. ALÍQUOTA ZERO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir de agosto de 2004, estão sujeitas à alíquota zero as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime nãocumulativo. As receitas submetidas à alíquota zero não integram a base de cálculo da contribuição. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Quando adquiridos, os bens e serviços utilizados como insumo geram direito ao crédito na incidência nãocumulativa da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES. O fato de a pessoa jurídica fornecedora do bem enquadrado como insumo ser optante pelo Simples não obsta o direito de crédito do adquirente, relativamente ao valor pago. INSUMO. FORNECEDOR PESSOA FÍSICA. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OU PRESTADOR. SITUAÇÃO FISCAL IRREGULAR. A situação fiscal irregular do fornecedor ou prestador não constitui obstáculo ao creditamento sobre o valor de bens e serviços. FALTA DE PROVA. UTILIZAÇÃO COMO INSUMO. Incumbe ao manifestante comprovar que determinado bem ou serviço, sobre o qual pleiteia creditamento, foi utilizado como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10320.720181/201013 Resolução nº 3201001.449 S3C2T1 Fl. 7 6 RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, utilizados na fabricação de bens destinados à venda, devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. RESSARCIMENTO. SERVIÇO. INSUMO. Na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre gastos incorridos com serviços utilizados como insumo, desde que pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. RESSARCIMENTO. ENERGIA ELÉTRICA. Podem ser descontados créditos da Cofins e do PIS/Pasep Nãocumulativos sobre os gastos totais com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. RESSARCIMENTO. COMBUSTÍVEIS. O gasto com combustíveis utilizados como insumos na fabricação de produtos gera crédito na apuração da Cofins e do PIS/Pasep Não Cumulativos, ainda que submetidos à tributação monofásica com base em alíquota diferenciada, sendo os créditos calculados, todavia, com base nas alíquotas padrões. FRETE NA COMPRA DE INSUMOS. Não há previsão legal para apurar créditos de frete nas operações de compra. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em ParteA O acórdão recorrido, portanto, afastou as seguintes glosas: (i) receitas financeiras (determinou a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições); (ii) bens adquiridos e não integralmente pagos aos fornecedores no mesmo trimestre de apuração (aplicação do regime de competência); (iii) bens adquiridos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10320.720181/201013 Resolução nº 3201001.449 S3C2T1 Fl. 8 7 (iv) créditos adquiridos de pessoas jurídicas com irregularidades, posto que não comprovado pela Fiscalização a inaptidão do respectivos CNPJs; As glosas mantidas foram as seguintes: (v) receitas de recuperação de despesas (manteve as receitas de recuperação de despesas na base de cálculo das contribuições) (vi) carvão adquirido de produtores rurais pessoas físicas, portanto, não sujeitos à incidência do PIS e da COFINS; (vii) serviços utilizados como insumos, em razão destes não estarem devidamente escriturados em DACON e, também, pela ausência de demonstração da sua inserção no "conceito funcional de insumo"; (viii) aquisição de energia elétrica em razão de divergências entre os livros fiscais e os balancetes de verificação; (ix) frete sobre operações de compra, por ausência de previsão legal; (x) "outros valores com direito a crédito", por ausência de comprovação da natureza de tais créditos Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, requerendo: (a) o afastamento da declaração de preclusão do direito à apresentação de documentos probatórios; (b) o afastamento do critério físico na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos, com a utilização dos conceitos de custos necessários à obtenção de receita, conforme legislação do Imposto de Renda; (c) a autorização para a apropriação de créditos sobre a aquisição de carvão de pessoas físicas, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; (d) a autorização para apropriação de créditos decorrentes da aquisição de insumos, ainda que não escriturados corretamente em DACON (erro material), bem como pela negativa imposta de comprovação da sua essencialidade; (e) a autorização para apropriação de créditos em decorrência da aquisição de energia elétrica, consumida no processo produtivo, devendo ser afastadas eventuais inconsistências verificadas em DACON; (f) a legitimidade da apropriação de créditos sobre quisição de fretes, seja nas operações de venda, seja nas aquisições; (g) autorização para a apropriação de créditos diversos decorrentes da aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo; Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10320.720181/201013 Resolução nº 3201001.449 S3C2T1 Fl. 9 8 (h) requer a conversão do feito em diligência para a realização de perícia contábil para a verificação dos alegados erros de declaração e, também, da essencialidade dos insumos adquiridos; (i) por fim, requer seja determinada a aplicação da correção monetária sobre o crédito tributário a ser ressarcido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio ou por redistribuição em razão de conexão. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme se verifica pelo relato dos fatos, o presente feito abrange tanto discussões exclusivamente de direito, como aspectos relacionados à materialidade do crédito tributário, quanto questões relativas aos cálculos de apuração do crédito tributário. Nesse aspecto, 2 (duas) questões sobressaltam e, a meu ver, demandam melhor análise dos fatos: (i) existência de divergências entre valores declarados em DACON e escriturados em documentos contábeis; (ii) essencialidade de itens ao processo produtivo da Recorrente. Quanto ao primeiro, tenho que deve se observar, na hipótese dos autos, o princípio da verdade material a ser perseguido no curso do procedimento administrativo de constituição do crédito tributário. Por óbvio, a aplicação de tal princípio deve estar calcada na necessária observância ao ônus da prova. Tratandose de apuração de créditos de PIS e COFINS, cabe ao contribuinte demonstrar a existência do seu direito. Verifico que a Recorrente, em sua defesa e em seu Recurso Voluntário, apresentou alegações e documentos pelos quais busca legitimar os valores dos créditos considerados em sua apuração, especialmente com relação aos seguintes pontos, conforme redação utilizada pelo Acórdão recorrido: "(...)despesas incorridas com serviços prestados por pessoa jurídica, declaradas pelo contribuinte no Dacon como utilizados como insumo, mas não verificadas na sua escrituração (...)". "(...) despesas com energia elétrica, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas não integralmente comprovadas na escrituração (...)" Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10320.720181/201013 Resolução nº 3201001.449 S3C2T1 Fl. 10 9 "(...) despesas com armazenagem e frete, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas em valores significativamente inferiores aos comprovados na escrituração (...)" "(...) crédito relativo a outras operações com direito a crédito, identificada na linha 13 da ficha 6 do Dacon (...)" Embora o acórdão proferido tenha se manifestado acerca das alegações de erros cometidos pela Recorrente, não adentrou acerca da análise específica dos documentos apresentados, limitandose a concluir que competia ao contribuinte, ao prestar suas informações, trazer maiores especificações e detalhamentos. Assim, ainda sem concluir pela prestabilidade ou não dos esclarecimentos e documentos apresentados pela Recorrente, entendo que tais demonstrações não restaram devidamente examinadas pelo acórdão recorrido, merecendo melhor análise. Quanto ao segundo aspecto, atinente aos insumos aplicados ao processo produtivo da Recorrente, sabese que, há muito, a jurisprudência deste CARF vinha se firmando no conceito da essencialidade como critério autorizador à tomada de créditos no regime não cumulativo do PIS e da COFINS. Tal entendimento foi recentemente chancelado pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de controvérsia, portanto, de observância obrigatória por este órgão julgador: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10320.720181/201013 Resolução nº 3201001.449 S3C2T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Assim, para a análise acerca da legitimidade das glosas efetuadas pela Fiscalização, necessário perquirir acerca da natureza de tais insumos e a sua essencialidade ao processo produtivo, aspecto não adentrado, seja em sede de lançamento, seja pela decisão de primeiro grau. Pelo exposto, voto por converter o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora intime o contribuinte para, no prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável por mais 30 (trinta) dias: (i) apresentar, de forma detalhada, quais os erros de declaração existentes em suas DACONs, indicando, com o devido lastro probatório, os corretos valores a serem observado, podendo a Autoridade lançadora solicitar especificamente os documentos que entenda necessários para tal comprovação; (ii) apresentar laudo descritivo da sua atividade operacional, indicando, para cada um dos itens (insumos) objeto de glosa, sua aplicação e essencialidade ao seu processo produtivo. Após, deverá a Autoridade Lançadora se manifestar acerca das informações e documentos apresentados pela Contribuinte, notadamente no que se refere aos alegados erros de preenchimento das DACONs e respectivos documentos probatórios, apresentando relatório conclusivo. Concluído, abrase novo prazo de (30) trinta dias para que a Recorrente se manifeste acerca do Relatório Fiscal. Ao final, retornemse os autos para julgamento. Esclareço que o prazo concedido é único e aplicase a todos os processos objeto da presente Resolução. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 303DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000995/2004-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Tendo o acórdão paradigma restringido a sua análise da matéria a quais bens ou serviços enquadram-se no conceito de insumos, segundo a legislação do IPI, para fins de creditamento do PIS/Pasep não-cumulativo, não se estabelece com a decisão recorrida a necessária divergência jurisprudencial, pois não se trava a discussão quanto à previsão expressa contida no inciso II do art. 3º, da Lei n.º 10.637/2002.
Numero da decisão: 9303-007.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. Tendo o acórdão paradigma restringido a sua análise da matéria a quais bens ou serviços enquadram-se no conceito de insumos, segundo a legislação do IPI, para fins de creditamento do PIS/Pasep não-cumulativo, não se estabelece com a decisão recorrida a necessária divergência jurisprudencial, pois não se trava a discussão quanto à previsão expressa contida no inciso II do art. 3º, da Lei n.º 10.637/2002.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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NÃO CONHECIMENTO. Tendo o acórdão paradigma restringido a sua análise da matéria a quais bens ou serviços enquadramse no conceito de insumos, segundo a legislação do IPI, para fins de creditamento do PIS/Pasep nãocumulativo, não se estabelece com a decisão recorrida a necessária divergência jurisprudencial, pois não se trava a discussão quanto à previsão expressa contida no inciso II do art. 3º, da Lei n.º 10.637/2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 09 95 /2 00 4- 29 Fl. 325DF CARF MF Processo nº 11020.000995/200429 Acórdão n.º 9303007.681 CSRFT3 Fl. 326 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (efls. 256 a 280), com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 330200.175 (efls. 247 a 252) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 18 de setembro de 2009, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. OUTRAS DESPESAS. Por falta de previsão legal, não geram direito ao crédito do PIS/Cofins as despesas realizadas ou incorridas que não se enquadrem no conceito de insumo, exceto as previstas na legislação. Também não geram direito a crédito as despesas que não forem comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES USADO NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. As despesas com a aquisição de combustíveis, inclusive o GLP, e os lubrificantes usados no processo produtivo da adquirente dão direito ao crédito do PIS/Cofins nãocumulativos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de GLP. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 11020.000995/200429 Acórdão n.º 9303007.681 CSRFT3 Fl. 327 3 (grifouse) Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (efls. 256 a 280) alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de utilização de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática da nãocumulatividade, defendendo que apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito do PIS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI. Nessa linha, sustenta não ser possível o creditamento de PIS e COFINS com relação às aquisições de gás GLP para empilhadeiras e lubrificantes para máquinas industriais, pois não se incorporam ao produto final. Para comprovar a divergência, colacionou como paradigma o acórdão n.º 20312.448 que, diversamente da decisão recorrida, adota como conceito de “insumo” a tese trazida na legislação do IPI. A Recorrente aduz ainda, em apertadas linhas, com base no conceito de insumos da legislação do IPI, para se considerar combustíveis e lubrificantes como insumos, é necessário que estes sejam empregados diretamente na fabricação dos produtos destinados à venda, e desde que não contabilizados pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Por fim, pede o provimento do recurso especial com a reforma do acórdão recorrido no ponto atacado. Nos termos do despacho n.º 3300417, de 30 de novembro de 2011 (efl. 03), foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base no Acórdão paradigma n.º 20312.448, quanto ao conceito de insumo para utilização dos créditos na apuração do PIS e da COFINS na sistemática da nãocumulatividade, mais especificamente quanto ao direito ao crédito de PIS/Pasep nas aquisições de GLP e lubrificantes para máquinas industriais. Cientificada a Contribuinte (efls. 286 a 323), não foram apresentadas contrarrazões. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Fl. 327DF CARF MF Processo nº 11020.000995/200429 Acórdão n.º 9303007.681 CSRFT3 Fl. 328 4 Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009). No acórdão recorrido, a Turma a quo afastou a glosa relativa aos créditos de PIS/Pasep nãocumulativo decorrente das aquisições de combustíveis gás GLP para as empilhadeiras e lubrificantes para as máquinas industriais, com base no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que expressamente prevê a possibilidade de exclusão dos referidos itens da base de cálculo do PIS desde que utilizados na fabricação dos bens, restando superada a discussão quanto ao seu enquadramento no conceito de insumos. Para elucidar a assertiva, transcrevese trecho da decisão de parcial provimento do recurso voluntário, combatida no recurso especial da Fazenda Nacional, in verbis: [...] A recorrente defende que o gás usado em empilhadeira e o lubrificante usado na manutenção de máquinas são insumos, no que a decisão recorrida discorda. Sobre este tema, o inciso II, do art. 3º, da Lei n.º 10.637/2002, e alterações posteriores (Leis nº 10.684/03 e 10.865/04), assim dispõe: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (grifei). Da leitura atenta deste dispositivo legal há que se concluir que a condição para descontar o crédito sobre combustíveis e lubrificantes é que eles sejam usados na fabricação de bens ou Fl. 328DF CARF MF Processo nº 11020.000995/200429 Acórdão n.º 9303007.681 CSRFT3 Fl. 329 5 produtos, estando superada a discussão se os mesmos são ou não insumos. A Lei determina que os mesmos sejam assim tratados. No caso concreto, não vejo como negar o crédito sobre o gás (GLP) usado em empilhadeira e o lubrificante para máquinas porque estes equipamentos (máquinas e empilhadeira) são usados no processo de produção de artefatos de madeira. Poderseia questionar que a empilhadeira não é equipamento usado na fabricação de artefatos de madeira. No entanto, pelo que disse a recorrente, no que concordo, este equipamento é usado pára a movimentação de matériaprima dentro da empresa, indispensável e integrante do processo produtivo. 0 fato de também ser usada para movimentar produtos acabados, ao meu ver, não excluir o direito ao crédito. Por seu turno, o lubrificante usado na manutenção de máquinas deve ter o mesmo tratamento das peças de reposição que, inquestionavelmente, geram direito a crédito. [...] Portanto, os argumentos que embasaram a concessão do direito ao crédito passam ao largo da discussão quanto ao conceito de insumos, pois se restringem à disposição contida no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e na condição de que os combustíveis e lubrificantes sejam utilizados na fabricação dos bens, requisitos verificados no caso dos autos. A Fazenda Nacional, por meio do seu recurso especial, busca reverter o julgado com relação à concessão dos créditos decorrentes das aquisições de GLP e lubrificantes para máquinas, atacando, no entanto, argumento diverso daquele utilizado pelo acórdão recorrido. A divergência jurisprudencial suscitada e comprovada pela Procuradoria referese ao conceito de insumos, defendendo aplicarse aquele mais restrito decorrente da legislação do IPI. Nesse sentido é a argumentação desenvolvida em sua peça recursal, bem como o acórdão n.º 203 12.448, indicado como paradigma, cuja ementa segue abaixo transcrita, in verbis: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003 IPI. CRÉDITOS. Geram o direito ao crédito, bem como compõem a base cálculo do crédito presumido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), e os artigos que se consumam durante o processo produtivo e que não faça parte do ativo permanente, mas que nesse consumo continue guardando uma relação intrínseca com o conceito stricto sensu de matériaprima ou produto intermediário: exercer na operação de industrialização um contato físico Fl. 329DF CARF MF Processo nº 11020.000995/200429 Acórdão n.º 9303007.681 CSRFT3 Fl. 330 6 tanto entre uma matériaprima e outra, quanto da matériaprima com o produto final que se forma. PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL. O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições especificas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial. Recurso negado. Portanto, tendo o acórdão paradigma restringido a sua análise da matéria a quais bens ou serviços enquadramse no conceito de insumos, segundo a legislação do IPI, para fins de creditamento do PIS/Pasep nãocumulativo, não se estabelece com a decisão recorrida a necessária divergência jurisprudencial, pois não se trava a discussão quanto à previsão expressa contida no inciso II do art. 3º, da Lei n.º 10.637/2002. Além disso, verificase dos itens tratados na decisão paradigmática não estarem dentre os mesmos combustíveis (gas GLP) e lubrificantes para máquinas, evidenciandose ainda mais a ausência de divergência jurisprudencial. Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 330DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.722125/2014-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 09/09/2014
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
Numero da decisão: 3301-005.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 09/09/2014 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1498; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.722125/201418 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.106 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO Recorrente MULTIMEX S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 09/09/2014 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 21 25 /2 01 4- 18 Fl. 21012DF CARF MF Processo nº 12466.722125/201418 Acórdão n.º 3301005.106 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo a exigência da multa substitutiva da pena de perdimento em razão da falta de comprovação da origem lícita, da disponibilidade e da transferência dos recursos empregados na operação de importação, tendo se por configurado dano ao Erário em razão da interposição fraudulenta presumida na importação. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu a declaração de nulidade do auto de infração ou, alternativamente, o cancelamento da ação fiscal, em razão da ausência de provas da prática das infrações apontadas, cancelandose a pena de perdimento imposta e extinguindose, por conseguinte, o respectivo processo administrativo. Foram apresentados os seguintes argumentos de defesa (ora descritos de forma sintética); a) nulidade da autuação por vício no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em razão de ofensa aos princípios da legalidade, impessoalidade, isonomia, publicidade e quanto aos critérios norteadores da seleção para a nova fiscalização, bem como vício formal consistente na falta de autorização da autoridade competente para deflagrar o procedimento especial e vícios materiais decorrentes da imposição de restrições e exigências ao arrepio da lei; b) o auto de infração encontrase sedimentado em presunções, carregadas de subjetividade, devendo ser também no campo do provável que deveriam ser usados os argumentos da Impugnante, sempre em estrita obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade admitidas em direito; c) quem não importou nem adquiriu mercadorias estrangeiras não pode ser sujeito da aplicação da penalidade de perdimento; d) foram apresentados os documentos requeridos pela Fiscalização, ainda que não na forma e nos formatos digitais requeridos, o que por si só não configura interposição fraudulenta presumida; e) regularidade da empresa como importadora, licitude e legalidade das importações da forma realizadas; f) ofensa ao princípio da verdade material, dada a impropriedade da alegação de interposição fraudulenta presumida; g) inexistência de falsidade ideológica e inexistência de simulação de negócio jurídico; h) ausência de demonstração do dolo específico de fraudar e impossibilidade de caracterização da infração de interposição fraudulenta; Fl. 21013DF CARF MF Processo nº 12466.722125/201418 Acórdão n.º 3301005.106 S3C3T1 Fl. 4 3 i) ausência de dano ao erário em razão do não cometimento das alegadas infrações (presunção de inocência) e em face do recolhimento dos tributos incidentes. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16069.591, julgou improcedente a Impugnação, considerando configurado o dano ao erário e aplicável a pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao seu valor aduaneiro. Afirmou, ainda, a autoridade julgadora que a presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindose ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações; e que a incidência do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 é específica para a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros onde o importador de fato (sujeito passivo oculto/real comprador) encontrase identificado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos da Impugnação. Na análise do Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF decidiu converter o julgamento da lide em diligência, com vistas a se verificar a existência de conexão entre este processo e outros processos administrativos. É o relatório. Fl. 21014DF CARF MF Processo nº 12466.722125/201418 Acórdão n.º 3301005.106 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.088, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 12466.720114/201576, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.088): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A primeira alegação preliminar feita pela recorrente foi quanto à nulidade da intimação do Auto de Infração por edital, uma vez que a recorrente possuía endereço certo e sabido. Conforme se consignou na decisão recorrida, houve mudança de endereço da Recorrente, mas a Fiscalização envidou esforços e logrou a efetiva intimação da contribuinte, conforme excerto abaixo (fl. 7201): A MULTIMEX recebeu sua correspondência no novo endereço em 15/05/2014. Nesse termo, intimouse a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por conta própria, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução, no prazo de 5 (cinco) dias úteis. Também a empresa foi cientificada do indeferimento da prorrogação de prazo para entrega dos arquivos digitais, solicitada na resposta de 29/04/2014. Importante destacar que, em 16/05/2014, compareceu perante a fiscalização procurador com poderes substabelecidos, que tomou ciência do TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040006, conforme TERMO DE CIÊNCIA PESSOAL (CIÊNCIA PESSOAL 2014 00040 006). Em 14/05/2014, a MULTIMEX apresentou resposta (RESPOSTA 14 05 2014) ao TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO 201400040005. Foi através desse termo que a fiscalização comunicou à MULTIMEX sua inclusão no procedimento previsto na 228/2002, e a intimamos a apresentar livros, documentos e informações relativas ao período de 2014 incluído na fiscalização. Portanto, a fiscalização observou à legislação aplicável. Dessa forma, mantémse o entendimento da decisão recorrida nessa preliminar. Alega adiante (item III.1) a preliminar de nulidade do procedimento de fiscalização porque o Fiscal teria aplicado o procedimento especial da IN 228/02 sem prévia autorização do inspetor da Alfândega ou da Coana. Cumpre anotar que o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento administrativo, cujo eventual descumprimento poderia levar a efeitos administrativofuncionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a realização da fiscalização, nem Fl. 21015DF CARF MF Processo nº 12466.722125/201418 Acórdão n.º 3301005.106 S3C3T1 Fl. 6 5 para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc, abaixo transcrito: Art. 2º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1,192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; A recorrente alegou que a fiscalização não provou a imprestabilidade da contabilidade, nem a falta de origem lícita e disponibilidade dos recursos e presumiu que todas as importações foram fraudulentas. Neste ponto, conforme já informado na decisão recorrida, as alegações de falta de prova por parte da fiscalização a validar a presunção do § 2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, e as alegações de ilegalidade, atipicidade e cerceamento de defesa estão ligadas à produção probatória confundemse com o mérito. Salientase que a descrição dos fatos foi clara no sentido de aplicação da multa prevista no § 3º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, transcrito abaixo, por presunção de interposição fraudulenta prevista em seu § 2º, abaixo transcrito, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for Fl. 21016DF CARF MF Processo nº 12466.722125/201418 Acórdão n.º 3301005.106 S3C3T1 Fl. 7 6 localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O mérito do litígio se concentra na comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos. Neste ponto, a recorrente arguiu que a fiscalização não provou que a contribuinte não possuía capacidade financeira, mas apenas presumiu, a partir da imprestabilidade da contabilidade mercantil, tal incapacidade. Alega a Recorrente que comprovou a origem lícita de recursos; demonstrando que obteve (fl. 7269): financiamento bancário efetivo, reiterado e contínuo ao longo dos anos para seu capital de giro; desconto de duplicatas em bancos de suas vendas no mercado nacional, gerando capital de giro; financiamento especial (FINIMP) na importação de máquinas e equipamentos para seu capital de giro; concessão de linha de crédito por seus fornecedores, de seus principais e maiores produtos, o que lhe permitiu fluxo de caixa com a origem de recursos dos seus próprios fornecedores no exterior. fluxo de caixa decorrente de suas vendas realizadas no mercado interno; fluxo de caixa decorrente dos recursos auferidos por meio das subvenções para investimento e/ou benefícios fiscais concedidas pelos Estados, especialmente de Rondônia e Espírito Santo, relativo ao ICMS; Ressaltese que a acusação fiscal é de que o importador MULTIMEX não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior. Tratandose de importação por encomenda, é o importador o responsável pela aquisição da mercadoria no exterior, efetuando o pacto de compra e venda e sendo o responsável pelo pagamento do preço da mercadoria e das despesas de sua nacionalização. Assim, deve dispor de capacidade econômicofinanceira para tanto. A partir de indícios de incompatibilidade entre o volume transacionado e a capacidade econômicofinanceira da recorrente, a fiscalização deu início ao procedimento especial da IN SRF 228/2002 tendente à verificação da comprovação da origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. Das intimações, restou evidenciado que a contabilidade era imprestável, pois não apresentava os lançamentos relativos às movimentações financeiras, inclusive bancárias. Após intimações e reintimações, a recorrente também não entregou os extratos bancários, informando que estariam representados nos demonstrativos contábeis, as planilhas de formação de preços que identificam os custos e despesas incorridos nas importações, alegou não possuir os DANFES das notas fiscais emitidas, conforme consta do Auto de Infração (fl. 12): Em 29/04/2014, a MULTIMEX apresentou nova resposta (RESPOSTA 29 04 2014), onde informou, em resumo: alegou não ter condições nem conhecimentos técnicos para corrigir os leiautes dos arquivos da IN 86/2001, e solicitou mais 30 dias de prazo, que indeferimos, haja vista a constante demora no atendimento às intimações; alegou não possuir os DANFEs das NFe emitidas, e que não tem condições de apresentálos; apresentou uma caixa de arquivo morto contendo contratos de câmbio Fl. 21017DF CARF MF Processo nº 12466.722125/201418 Acórdão n.º 3301005.106 S3C3T1 Fl. 8 7 e, posteriormente, em 05/05/2014, complementou o atendimento apresentando mais duas caixas de arquivo morto com outros contratos de câmbio. Em relação ao pedido do extrato original das DI relativas às importações por conta própria, a Recorrente respondeu, conforme fl. 26/27 do Auto de Infração: que, devido à instauração do procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002, não tem condições de gerar faturamento e manter uma estrutura operacional mínima; que demitiu seus funcionários; e que não tem condições operacionais para separar os documentos e entregálos na forma solicitada, ou seja, agrupados por DI e em ordem cronológica. Requereu prorrogação de prazo até dia 06/06/2014. (...) Em 05/06/2014, intimamos a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por encomenda, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução. A empresa não apresentou resposta e não prestou qualquer esclarecimento, razão pela qual foi autuada também em relação a esses documentos, através do Auto de Infração nº 0727600/00401/14, consubstanciado no Processo Digital nº 12466.722001/201424. Assim, ao longo dos trabalhos não foram disponibilizados os documentos solicitados ou o foram em desordem, com pedidos de prorrogação de prazos por vezes sem justificativa, pois que se referiam a documentos e arquivos aos quais a recorrente estava, legalmente, obrigada a mantêlos em perfeita ordem. Alegou, a recorrente, a falta de funcionários e conhecimentos técnicos para proceder ao atendimento de algumas entregas de documentos e arquivos digitais da contabilidade. A fiscalização concluiu que (fl. 22): A empresa não apresentou os documentos de instrução das DI, e nem dispõe de contabilidade idônea. Os documentos citados pela MULTIMEX nem sempre identificam a operação de importação, e a empresa sequer foi capaz de apresentar os documentos de instrução por DI, quanto mais os comprovantes de despesas e custos. A inexistência desses controles gerenciais é claro indício de interposição fraudulenta, onde a empresa que registra a Declaração de Importação em seu nome não é o verdadeiro responsável pela operação, mas uma mera mandatária, que não tem o total controle das operações e não pretende expor ao Fisco a forma que as operações são realizadas, para não revelar a fraude. (grifouse) De fato, a análise da ECD de 2010, 2011 e 2012 revelou as seguintes incorreções (fl. 45 e seguintes): 1. Com relação à escrituração de 2010, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (11104) e “Estoques” (11107), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (111), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (11102), devem estar nesse agrupamento; b. A conta “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (111020025) só possuem dois lançamentos, no primeiro e último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: Fl. 21018DF CARF MF Processo nº 12466.722125/201418 Acórdão n.º 3301005.106 S3C3T1 Fl. 9 8 c. As contas de “Aplicações Financeiras” (11103) só possuem lançamentos no último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: 2. Com relação à escrituração do anocalendário 2011, as contas do Ativo Circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.1.01.001.5), no primeiro dia do ano, conforme abaixo: Data Cód.Conta Conta D/C Valor Saldo D/C Histórico Fl. 21019DF CARF MF Processo nº 12466.722125/201418 Acórdão n.º 3301005.106 S3C3T1 Fl. 10 9 3. Com relação à escrituração de 2012, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (1.11.04.0000) e “Estoques” (1.11.07.0000), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (1.11.00.0000), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (1.11.01.0001) e “Bancos Conta Movimento” (1.11.02.0000), devem estar nesse agrupamento; b. As contas do ativo circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.11.01.0001), no primeiro dia do ano, cujo histórico aponta que não houve movimento, conforme abaixo: Verificouse que a contabilidade de fato era imprestável para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação, pois não refletia as movimentações financeiras, especialmente as bancárias, efetuadas pela recorrente. Em resposta, a recorrente informou que tivera problemas com a contabilidade, que estaria empenhada em corrigila e solicitou prorrogações de prazo de 180 dias, embora tais problemas já eram de conhecimento da recorrente desde meados de 2012, quando já estava sendo fiscalizada em relação ao ano de 2008, cuja apresentação de ECD não fora cumprida. A fiscalização demonstrou que o Diário de 2010 possuía apenas 136 lançamentos, quase todos no primeiro e último dia do ano, sem qualquer vinculação com as operações efetuadas em cada DI, de modo a comprovar a disponibilidade dos recursos por ocasião do pagamento do preço e das despesas de tributos e outras aduaneiras. O Diário de 2011 possuía apenas um lançamento de Caixa a Capital Social e o de 2012, também um único lançamento de Caixa A Fornecedores. A fiscalização concedeu prazo até 28/05/2014 para apresentar a ECD de 2010 e até 28/07/2014 para apresentar as ECD de 2011, 2012 e 2013, mas a recorrente não cumpriu tais prazos e não prestou outros esclarecimentos. Posteriormente, apresentou a ECD de 2013, mas com apenas um lançamento de Caixa a Assistência Contábil de valor R$ 1,00 (cf. fl. 56). Está plenamente comprovada a imprestabilidade da contabilidade para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recurso utilizados nas operações de importação que giraram em torno de 2600 DI´s e R$ 33.423.039,79 no período de 2010 a 2014, sendo que deste montante, R$ 154.591.519,12 eram importações por conta própria. Sobre a exigência de se manter a escrituração contábil nas operações de importação e exportação está expressamente prevista no artigo 18 do Decreto nº 6.759/2009, assim como, de forma genérica, no artigo 251 do Decreto 3.000/1999 (RIR/99) e no artigo 509 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010): Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial Fl. 21020DF CARF MF Processo nº 12466.722125/201418 Acórdão n.º 3301005.106 S3C3T1 Fl. 11 10 estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): § 1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no 10.833, de 2003, art. 70, § 1º).(Grifo nossos) Por seu turno, a recorrente juntou em impugnação contratos de empréstimo e financiamento à importação com diversos bancos, às fls. 911 e seguintes (BICBANCO, Banco do Brasil, Banco Santander, Banco Real, Banco Itaú); relação de faturas comerciais de importação (invoices), relação de DI´s, saldos de aplicação e empréstimos em 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012, relatório do Banco Central do Brasil indicando as operações com os bancos referidos, relação de extratos de descontos de títulos liquidados com extratos bancários, cópia dos termos de entrega dos arquivos SINTEGRA de 2012, 2013 e 2014; contratos de venda de máquinas, lubrificantes e outros produtos, notas fiscais de serviços tomados, notas fiscais de prestação de serviços de manutenção de máquinas, extratos de folhas de pagamento, contrato de representação comercial dos produtos da MULTIMEX, relação de clientes. As origens foram resumidas nas planilhas de fls. 1604/1605, e seriam decorrentes de descontos de duplicatas, empréstimos e capital de giro, financiamento de importações, recebimento de operações próprias e por encomenda, créditos de subvenções e créditos concedidos por exportadores. Segundo a Recorrente, os referidos documentos comprovariam a capacidade econômicofinanceira da recorrente e que o registro contábil não é o único meio de prova, conforme artigo 6º da IN SRF nº 228/2002. Realmente, referidos documentos são indicativos da origem de recursos lícita, conforme dispõe o artigo 4º e 6º da IN SRF nº 228/2002, abaixo reproduzidos: Art. 4º Durante o procedimento especial de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar as seguintes informações, no prazo de 20 (vinte) dias:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) I o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) II a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) [...] Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contábeis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; II transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço; III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou de empréstimo, contendo: Fl. 21021DF CARF MF Processo nº 12466.722125/201418 Acórdão n.º 3301005.106 S3C3T1 Fl. 12 11 a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas; e c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. § 1º Quando a origem dos recursos for justificada mediante a apresentação de instrumento de contrato de empréstimo firmado com pessoa física ou com pessoa jurídica que não tenha essa atividade como objeto societário, o provedor dos recursos também deverá justificar a sua origem, disponibilidade e, se for o caso, efetiva transferência. § 2º Os elementos de prova referentes a transações financeiras deverão estar em conformidade com as práticas comerciais. § 3º No caso de comprovação baseada em recursos provenientes do exterior, além dos elementos de prova previstos no caput, deverá ser apresentada cópia do respectivo contrato de câmbio. § 4º Na hipótese do § 3º, caso o remetente dos recursos seja pessoa jurídica, deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. Porém, devese ter em mente que a comprovação deve ser da origem lícita, da transferência e da disponibilidade dos recursos empregados nas operações de importação. Como bem esclarecido na decisão recorrida, é um trinômio que se deve comprovar e não apenas a origem ou a transferência ou a disponibilidade. Se os contratos apresentados podem servir de comprovação de origem, certamente não são suficientes para comprovar a transferência ou a disponibilidade. Se os extratos comprovam a transferência da liquidação dos descontos de títulos, certamente não são suficientes para comprovar a disponibilidade para execução das operações. Do mesmo modo, apenas a escrituração contábil, desacompanhada dos referidos documentos, também não é suficiente para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos. Assim, é o conjunto probatório que deve se mostrar idôneo a comprovar o trinômio, ou seja, a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações. Tal distinção restou bem explanada no acórdão atacado, cujos fundamentos abaixo transcrevo (fl. 7397/7398): Há que se ter em mente que para fins de comprovação do financiamento de operações de comércio exterior o trinômio origem, disponibilidade e transferência deve ser interpretado como um critério indivisível. A comprovação da origem, da disponibilidade ou da transferência de recursos utilizados em operações de comércio exterior tomados de forma isolada, não atende o preceito da norma: possibilitar a completa ciência do fluxo de dinheiro de que se vale o importador. De outra forma, em não se adotando essa postura rígida, correse o sério risco de se deixar uma brecha que viabilize a utilização de transações com o exterior para operações destinadas à “lavagem de dinheiro”. Para a demonstração do grau desse risco, que é elevado, procedese primeiramente com a conceituação em separado de cada um dos três termos: Origem Diz respeito à gênese lícita do recurso. Deve ser demonstrada de onde o recurso provém – se decorrente de atividades lícitas ou não e se em sua obtenção foram observadas as normas de incidência tributária, quando for o caso. Fl. 21022DF CARF MF Processo nº 12466.722125/201418 Acórdão n.º 3301005.106 S3C3T1 Fl. 13 12 É muito comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. Esse tipo de prova evidência apenas que no momento de honrar a transação o importador possuía aquela disponibilidade e que de fato a importação foi paga. Mas a fiscalização nunca põe em dúvida a existência do recurso para adimplemento da transação. Se não houvesse o recurso o contrato de câmbio não seria fechado. O depósito em conta corrente limitase a demonstrar que ocorreu o pagamento da mercadoria importada na data avençada. Nada mais. Outros se limitam a alegar a integração do Contrato Social. Mas a questão perdura: O recurso que integralizou o Contrato Social é de origem lícita? Ao se falar em origem se quer saber o que ocasionou o surgimento do recurso na conta bancária do importador. O que propiciou o depósito. Sua causa. De onde e quando adveio. Qual sua efetiva contrapartida lícita. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. Disponibilidade É a demonstração que o importador possuía esse recurso disponível no exato momento de honrar a transação com o fornecedor externo (fechamento do câmbio). É a paridade entre a posse do numerário e o pagamento da obrigação na data em que ela ocorre. O importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior demonstra que vendeu um imóvel registrado em seu nome e que com aquele dinheiro iniciou suas operações de comércio exterior. A origem lícita do recurso resta demonstrada, mas quem garante que efetivamente aquele recurso foi utilizado para honrar a transação com o exterior? É necessário que se demonstre a posse desse recurso no momento do pagamento da obrigação. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lícita se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía aquele mesmo recurso. Ao se satisfazer com a origem lícita proveniente da venda de um imóvel, por exemplo, correse o sério risco de se permitir que recursos de origem ilícita financiem as operações de comércio exterior, tendo apenas por limite o valor da venda do imóvel. Quanto maior for o valor dessa venda, que serve para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior. Transferência É justamente a ligação entre a gênese e o destino do recurso. A demonstração de que o recurso permaneceu e migrou pelas vias regulares (legais) desde sua origem lícita até o adimplemento da obrigação com o fornecedor externo. É o que se denominou até então de seu “oferecimento a regular tributação”. Em outros termos, o recurso contabilizado à disposição da empresa para adimplir suas obrigações. Um exemplo que ilustra bem a interação dessas três condições é a situação em que determinada pessoa jurídica foi constituída com um capital totalmente integralizado em dinheiro. Para que esse valor seja admitido em operações de comércio exterior, é necessário: que os sócios possuam disponibilidade para realizar a integralização (rendimentos declarados tributáveis, isentos ou não tributados). Se o valor integralizado pelos sócios está justificado em suas declarações de imposto de renda, presumese tanto a origem licita quanto sua disponibilidade; e Fl. 21023DF CARF MF Processo nº 12466.722125/201418 Acórdão n.º 3301005.106 S3C3T1 Fl. 14 13 comprovar a efetiva transferência, que nesse caso se faz por meio de crédito em contacorrente da empresa, coincidindo em data e valor com a integralização de capital. Admitese também como prova o saque do valor correspondente nas contas correntes bancárias dos sócios. Ou seja, em pelo menos "uma das pontas" da cadeia, deve ficar demonstrada a movimentação do recurso. Se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica na sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. De nada vale exibir o saldo em conta corrente, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se o importador nenhum demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: A origem do recurso, sua disponibilidade no momento do fechamento do câmbio, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada importação praticada. O impugnante empresa MULTMEX alega no item (74) da impugnação: 74. Com relação ao Demonstrativo de Fluxo Financeiro, período compreendido entre 2010 e 2014, verificase que a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo em média superior a R$ 1.500.000,00. No ano, perfazia um fluxo de caixa positivo de R$ 17.000.000,00 considerando apenas receitas e despesas operacionais e empréstimos contraídos. Descontadas as despesas administrativas, o resultado continua positivo, em torno de R$ 4.330.287,89. Nos anos posteriores do período submetido à fiscalização, o fluxo de caixa situase na faixa de RS 20.000.000,00 sem considerar as despesas administrativas. Isso é clara evidência que a empresa possuía recursos suficientes a sustentar suas atividades. Como dito, é comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. É preciso que se demonstre a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lastreada no volume de transações da empresa importadora se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía o recurso. Quanto maior for esse volume, que serviria em princípio para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. E é onde a argumentação do impugnante nos remete: apresenta como origem um capital de giro anual da ordem de anual total de RS 89.537.008,96, o que corresponde a uma média mensal de R$ 7.461.418,00, mas é incapaz de demonstrar a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, dada que sua contabilidade é imprestável como será visto a seguir. Sem a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, fica caracterizada a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX alega nos itens (78) e (79) da impugnação: 78. Assim, a contribuinte tanto valese de recursos próprios para importar mercadorias e nacionalizálas, como importa por conta e ordem de terceiros. O rol de atividades da contribuinte é vastíssimo, inclusive exercendo atividades de industrialização, remanufatura e diversas exportações. 79. Muito embora não tenha apresentado as demonstrações contábeis referentes aos exercidos abrangidos pela ação fiscal, nos exatos termos Fl. 21024DF CARF MF Processo nº 12466.722125/201418 Acórdão n.º 3301005.106 S3C3T1 Fl. 15 14 requeridos pela Fiscalização, os documentos acima colacionados constituem provas de que a contribuinte desenvolve atividades empresariais de forma lícita, bem como que dispunha de recursos próprios para empregar nas atividades de comércio exterior, empréstimos e financiamentos bancários e de fornecedores estrangeiros. Finalizando, importa considerar ainda que o volume das operações praticado pela Impugnante por mais de uma década não permite que sem qualquer critério a Fiscalização Aduaneira simplesmente declare que não houve comprovação de origem de recursos. De modo algum, pois sem a apresentação das demonstrações contábeis é inviável a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, o que implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX aborda esse assunto nos itens (97), (98) e (99) da impugnação: 97. Resta, porém, verificar se a imprestabilidade da contabilidade, poderia ser óbice insuperável, como quer a douta Fiscalização, à constatação que a contribuinte possuía condições econômicas, financeiras e operacionais para exercer suas atividades e realizar as operações de comércio exterior a que se propôs. 98. Na verdade, não poderia. Não poderia porque, como demonstrado, não há na legislação de regência norma jurídica que determine que somente os demonstrativos contábeis podem ser utilizados para fins de comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Na verdade, todos os meios admitidos em direito são válidos para se fazer a prova, ao contrário do que de forma subjetiva, discricionária, abusiva e arbitrária estabeleceu a Fiscalização. 99. Conforme demonstrado, a douta Fiscalização teve acesso aos dados de um auto de infração lavrado pela Delegada da Receita Federal em Vitória/ES, onde consta o balanço patrimonial de 2009 da MULTIMEX. Nesse balanço há provas suficientes que a Impugnante possuía recursos com origem lícita capaz de fazer frente às suas operações de comércio exterior (doc.2). Da análise das disponibilidades, do estoque declarado, do capital social e da reserva de lucro, bem como da capacidade de financiamento das operações, verificase facilmente a capacidade econômica e financeira da Impugnante. Ou seja, a referida demonstração contábil faz prova a favor da Impugnante. Não é possível atender o trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA a partir de um balanço patrimonial. Eventualmente, e vamos frisar que é uma situação bastante eventual, o importador até poderia identificar a origem dos recursos, mas jamais sua DISPONIBILIDADE e TRANSFERÊNCIA, pois como se sabe o balanço patrimonial reproduz uma situação estática, enquanto que as operações de importação são transações dinâmicas. De nada vale demonstrar que a empresa possuía o recurso no início do ano se não for comprovado que esse mesmo recurso financiou uma operação de importação em meados de setembro. Tal qual reproduzido no ‘ (74) da impugnação, é afirmado que ... a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo de origem de receitas e de recursos proveniente de descontos de duplicatas, empréstimos bancários para capital de giro, Finimp, valores recebidos de operações próprias e de encomenda e por créditos concedidos pelos exportadores, seja nas operações próprias, seja nas operações de encomenda,... E ainda destaque para o alegado pela empresa MULTMEX nos itens (148) e (149) da impugnação: 148. OS recursos utilizados para o pagamento das despesas com o fechamento do câmbio e com os tributos aduaneiros possuem como origem vendas de mercadorias no mercado interno. Fl. 21025DF CARF MF Processo nº 12466.722125/201418 Acórdão n.º 3301005.106 S3C3T1 Fl. 16 15 149. Frisese que as Notas Fiscais são consideradas documento idôneo para comprovar a origem de receita, consoante o posicionamento oficial do próprio Fisco, exemplificado pela seguinte decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008: O único mo do de se demonstrar que esses recursos ingressaram na empresa e serviram para financiar as operações de importação objeto do presente Auto de Infração, dentro do trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA, é através do registro das demonstrações contábeis. A ausência dos registro contábeis, além de não fazer prova que tais recursos ingressaram regularmente na empresa, implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Quanto à decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008, diz respeito a um outro contexto que não guarda relação com a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros em operações em comércio exterior." A contabilidade regular, suportada em documentos, é que faz a prova regular das operações e sua ausência impede que se confirme a comprovação do trinômio origem lícita, transferência e disponibilidade. A contabilidade, como os demais documentos apresentados, são necessários, mas não suficientes, isoladamente, para comprovação do que aqui se pretendeu. Assim, concluise que a recorrente não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações, incidindo na presunção de que trata o §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, configurando a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior, apenada com a multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão de as mercadorias não terem localizadas ou terem sido consumidas ou revendidas. Em relação à argumentação de que a falsidade ideológica não está contemplada no inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966, sem razão a recorrente. A redação é a seguinte: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Por sua vez o Decreto nº 6.759/2009 dispõe que: Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º):(Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): Fl. 21026DF CARF MF Processo nº 12466.722125/201418 Acórdão n.º 3301005.106 S3C3T1 Fl. 17 16 [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3ºB. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Assim, a falsidade a que se refere o inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966 é dos documentos de instrução da DI, ou seja, do conhecimento de carga, da fatura comercial e dos comprovantes de pagamento dos tributos. A acusação da fiscalização recaiu na ocultação do responsável pela operação, a qual, uma vez comprovada, ainda que por presunção legal, torna os documentos emitidos para instrução da DI ideologicamente falsos. Tal conclusão está exposta no artigo 13 da IN SRF nº 228/2002: Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Se há comprovação da interposição fraudulenta do responsável pela importação na condição de fornecedor dos recursos necessários à efetivação da importação, então tal ocultação somente é materializada na ausência de referido responsável nos documentos de importação, seja na condição de real importador seja na condição de real adquirente. Em qualquer dos casos, seu nome deveria constar nas faturas comercias ou no conhecimento de carga. Por fim, é preciso esclarecer que para efeitos de tipificação da interposição fraudulenta de terceiros, seja ela a EFETIVA (REAL) ou PRESUMIDA é absolutamente irrelevante que aquele que fornece o recurso seja denominado de importador, pois em nenhum dos dois tipos se exige a presença DO PEDIDO “importador”." No que tange à ausência de demonstração do dolo específico, não há que se exigir tal neste caso, pois estamos diante de uma presunção legal de interposição fraudulenta. Basta a não comprovação da origem lícita, transferência e disponibilidade dos recursos empregados na importação para se caracterizar a interposição fraudulenta nos termos do §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976. Uma vez presumida, não há que se falar em demonstração de dolo por parte da fiscalização. Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; Fl. 21027DF CARF MF Processo nº 12466.722125/201418 Acórdão n.º 3301005.106 S3C3T1 Fl. 18 17 II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário configurase por uma determinação específica legal, tratase de uma presunção legal ou absoluta de dano ao erário nos casos enumerados. Embora a própria conduta configura o dano ao erário, podese enumerar vantagens em tese almejadas, mediante a interposição ilícita de pessoas como: burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; quebra da cadeia do IPI; sonegação de PIS e Cofins, relativamente ao real adquirente, lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Portanto, a alegação de que não houve dano efetivo ao erário, simplesmente pelo fato de não haver tributo a ser recolhido, não procede. Fl. 21028DF CARF MF Processo nº 12466.722125/201418 Acórdão n.º 3301005.106 S3C3T1 Fl. 19 18 Concernente à aplicação da multa de 10% por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, salientase que sua aplicação é cabível no caso de interposição real e não no caso de interposição presumida de que trata o presente processo. Tal situação restou esclarecida na IN SRF 228/2002 em seu artigo 11: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016). De fato, com a edição do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, à hipótese de aplicação da multa por cessão de nome não se aplica a declaração de inaptidão de que trata o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, hipótese de que tratam estes autos: Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive ediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Destacase, ainda que esse entendimento é consolidado, inclusive nesta turma: APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, Fl. 21029DF CARF MF Processo nº 12466.722125/201418 Acórdão n.º 3301005.106 S3C3T1 Fl. 20 19 do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria (Acórdão nº 3301 003.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Cumpre, por fim, citar decisão, cujos entendimentos foram adotados nesta decisão, com a mesma Recorrente, já decidido por este CARF, de relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (Acordão Acórdão nº 3302005.468 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/07/2011 a 24/10/2012 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 21030DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.723182/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUBRROGAÇÃO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO CONTRIBUIÇÃO A TERCEIROS - SENAR
A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção.
A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97 não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor.
ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02.
Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
Nos termos da Súmula CARF n°4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-004.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão da decisão recorrida não representar exoneração de débito a que alude a legislação de regência. Em relação aos recursos voluntários formalizados pelos sujeito passivo principal e pelos devedores solidários, também por unanimidade de votos, em negar-lhes provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97” não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02. Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF n°4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 31 82 /2 01 3- 12 Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.188 2 da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão da decisão recorrida não representar exoneração de débito a que alude a legislação de regência. Em relação aos recursos voluntários formalizados pelos sujeito passivo principal e pelos devedores solidários, também por unanimidade de votos, em negarlhes provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 1666.694 13ª Turma da DRJ/SPO, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo ora recorrente. Adotamos, em parte, o relatório da decisão de primeira instância, por bem sintetizar os fatos: AUTUAÇÃO Tratase de processo administrativo resultante de ação fiscal desenvolvida na empresa acima identificada para verificar sua regularidade, no período 01/2009 a 12/2010, frente ao cumprimento das obrigações principais e acessórias exigidas pela legislação previdenciária. A auditoria teve início em 23/03/2013, data da ciência do contribuinte do Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF (fls. 2/9). Integra o presente processo administrativo n° 13855.723182/201312 as seguintes autuações: Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) Debcad n° 51.056.1411 no qual foram lançadas as contribuições previdenciárias devidas pela empresa (contribuição rural e Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.189 3 Giilrat), em razão de subrrogação, incidentes sobre a aquisição de produção rural de pessoa física realizada nas competências 01/2010 a 12/2010 e não declaradas em Gfip. AIOP Debcad n° 51.056.1420 no qual foram lançadas as contribuições destinadas aos Terceiros (Senar) e devidas pela empresa em razão de subrrogação, incidentes sobre a aquisição de produção rural de pessoa física realizada nas competências 01/2010 a 12/2010 e não declaradas em Gfip. O crédito tributário totalizou, na data de consolidação (17/01/2014), o valor de R$ 7.715.812,22 (sete milhões, setecentos e quinze mil, oitocentos e doze reais e vinte e dois centavos). O Relatório Fiscal (fls. 523/574) anexo ao processo administrativo apresenta as informações pertinentes à ação fiscal realizada no contribuinte, à apuração das contribuições previdenciárias e destinadas ao Senar no período 01/2010 a 12/2010, bem como os fatos e justificativas para a caracterização da responsabilidade solidária de terceiros (empresa e pessoas físicas) frente ao crédito tributário constituído. Do referido relatório, destacamse as seguintes informações: Preliminarmente, a Autoridade Fiscal relata os fatos relevantes verificados sobre a autuada, seus sócios e demais pessoas físicas e jurídicas analisadas no decorrer da ação fiscal: A empresa fiscalizada Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda mostrouse ser uma empresa de fachada cujo quadro societário é composto por “sócios laranjas” Marlúcio Adriano Mateus da Silva, Otávio Urbano (retirouse em 2003) e Lazara Aparecida Mateus da Silva (admitida em 2004). Os dois primeiros tiveram vínculo com a Indústria e Comércio de Carnes Irmãos Oranges Ltda (hoje denominada de Frigorífico Oranges Ltda), e a terceira é genitora do Sr. Marlúcio. A constituição da empresa de fachada Barra Mansa foi arquitetada pelos sócios do Frigorífico Oranges Ltda, que detém a propriedade do complexo industrial localizado no Sítio Nossa Senhora Aparecida, em Sertãozinho/SP, local em que se localizava um dos estabelecimentos da autuada. A prática adotada pelos sócios do Frigorífico Oranges Ltda de constituir empresas de fachada e utilizarse de empregados para compor o quadro societário (sócios laranjas) é utilizada desde 1984. A fiscalização identificou as seguintes empresas de fachada: (1) Frigorífico Sertãozinho Ltda; (2) Frigorífico São Domingos Ltda; (3) Rio Pequeno Comércio de Carnes e Derivados Ltda; (4) Firenze Comércio de Carnes e Derivados Ltda; (5) Suldoeste Comércio de Carnes e Derivados Ltda; (6) Delta Comércio de Carnes e Derivados Ltda; (7) Agro Indústria e Comércio de Carnes e Derivados Olimpikus Ltda e (8) Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda. Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.190 4 O Frigorífico Oranges Ltda e as empresas de fachada celebravam “contrato simulado de arrendamento” do complexo industrial e outros bens móveis e imóveis como um artifício para a transferência de recursos das empresas de fachada. Ressalta a Autoridade Fiscal que resultou deste mesmo procedimento fiscalizatório autos de infração para constituir créditos tributários devidos a título de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS/PASEP, Cofins e multas por distribuição indevida de lucros. Também, foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais e foram lavrados termos de responsabilidade tributária solidária e arrolamento de bens do Frigorífico Oranges Ltda e de seus respectivos sócios. O relatório fiscal anexado ao presente processo administrativo restringese a relatar as informações necessárias para constituição dos créditos tributários relativos às contribuições previdenciárias e as destinadas ao Senar. A íntegra das informações, provas e elementos coletados no curso da ação fiscal estão descritos no relatório fiscal anexados aos processos n° 13855.723107/201343 (Pis/Pasep e Cofins), 13855.723105/2013 54 (IRPJ/CSLL); 13855.720173/201442 (IRRF) e 13855.720174/201497 (multa regulamentar por distribuição indevida de dividendos). A partir da análise do contrato social da fiscalizada e suas alterações, o AuditorFiscal constata que a empresa efetuou diversas alterações em seu endereço (domicílio tributário) para imóveis localizados em São Paulo e cidades da região metropolitana (Poá, Guarulhos), alguns dos quais não possuíam condições para sediar a matriz. Os únicos imóveis de fato explorados pela empresa e com estrutura física e/ou administrativa para sediar a matriz (Sitio Nossa Senhora Aparecida, em Sertãozinho/SP e Av. Eng. Heitor Antônio Eiras Garcia, 1705) somente foram elevados a esta condição em razão de intervenção do Fisco Federal (5a e 6a alteração do contrato social). Após diligências realizadas nos diversos endereços em que foi sediada a matriz, concluiu a Autoridade Fiscal que a empresa sempre teve por objetivo manter seu domicílio tributário em locais que, na visão de seus administradores, estaria menos suscetível à ação dos fiscos em decorrência da grande quantidade e porte dos contribuintes ali jurisdicionados. As informações constantes na página da internet mantida pela autuada (www.frigorificobarramansa.com.br) confirmam que os estabelecimentos de interesse e de fato explorados pela empresa (Sitio Nossa Senhora Aparecida, em Sertãozinho/SP, denominado de “sede”; Av. Eng. Heitor Antônio Eiras Garcia, 1705, São Paulo/SP, denominado de “Centro de Distribuição”) eram, formalmente, filiais, enquanto que o estabelecimento matriz se encontravam em endereços que estariam menos suscetíveis à ação do Fisco Federal, situação esta alterada apenas após o início do procedimento fiscal. Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.191 5 A fiscalização questionou a autuada sobre as razões da mudança de seu domicílio fiscal do Sítio Nossa Senhora Aparecida (Sertãozinho/SP) para a Av. João Pignatta, 767 Jardim São Sebastião, por meio da Alteração Contratual n° 005 (10/11/2005), situação esta revertida por meio da Alteração Contratual n° 006 (13/02/2006). Também solicitou a documentação pertinente à propriedade ou locação do imóvel situado no novo endereço, o qual não possuía condições para o funcionamento de uma indústria frigorífica (fotos anexadas ao processo) A autuada deixou de apresentar os documentos pertinentes ao imóvel e, a partir dos esclarecimentos prestados, a Autoridade Fiscal concluiu que a alteração de endereço integrava “um plano de encerramento das atividades da ‘empresa de fachada’ Barra Mansa e que foi abortado no curso do processo’’. Discorre sobre o sócio Otávio Urbano, nascido em 27/11/1925, esclarecendo que se trata de pessoa simples, de baixa escolaridade e sem nenhuma condição financeira ou patrimonial, que figurou como “sócio laranja” da empresa Barra Mansa no período 12/05/1999 a 31/10/2003, quando já possuía mais de 70 anos de idade. Em 31/10/2003, por meio da Alteração Contratual n° 003, retirouse da sociedade o sócio Otávio Urbano com cessão de suas quotas para o sócio Marlúcio Adriano Mateus da Silva. Em diligência presencial, o Sr. Otávio Urbano prestou espontaneamente declaração e forneceu as informações a seguir transcritas: “Que constou como sócio da empresa Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda, inscrita no CNPJ n° 03.151.790/000102, sem que efetivamente tenha participação na empresa, ou seja, que era o chamado ‘laranja’ da empresa; informou ainda que trabalhou em açougue dos mesmos donos da referida empresa; também esclareceu que assinou como sócio em troca de regularização de sua aposentadoria; asseverou ainda que conheceu Marlúcio Adriano Mateus da Silva quando este trabalhava no escritório da empresa acima referida, mas especificamente no almoxarifado; por fim informou que a empresa sempre foi gerida pela Família Oranges, citando os nomes de Marcelo Oranges e Dirceu Oranges (pai e filho)'. Em consulta ao Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS INSS), a fiscalização constatou que o Sr. Otávio Urbano manteve vínculo empregatício com o Frigorífico Oranges Ltda no período de 01/04/1972 a 29/02/1980 e, posteriormente, com a empresa Só Carnes Ribeirão Preto Ltda entre 01/03/1980 a 05/01/1982, empresa esta que pertenceu aos mesmos sócios do Frigorífico Oranges Ltda e teve em seu quadro societário a interposição de pessoas. A fiscalização informa que o Sr. Marlúcio Adriano Mateus da Silva, nascido em 21/08/1969, figura como “sócio laranja” da empresa Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda desde sua constituição e, atualmente, detém 99% das quotas. Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.192 6 Após a retirada do Sr. Otávio Urbano, admitiuse na sociedade a Sra. Lázara Aparecida Mateus da Silva, aposentada, viúva e mãe do Sr. Marlúcio, ambos residentes em imóvel que, segundo informações verbais prestadas pela Sra. Lázara, pertencia a seu esposo e a construção ainda não teria sido averbada. O Sr. Marlúcio manteve vínculos empregatícios (auxiliar de escritório em geral) com diversas empresas pertencentes aos sócios do Frigorífico Oranges Ltda, conforme informações extraídas do CNIS INSS: Suldoeste Comércio de Carnes e Derivados Ltda (01/08/1992 a 01/11/1997); Agro Ind e Com de Carnes e Derivados Olimpikus Ltda (01/08/1992 a 30/09/1998); Frigorífico Oranges Ltda (01/08/1992 sem indicação de data da rescisão e/ou transferência). A partir da análise das Declarações de Ajuste Anual dos anos calendários 2008 a 2012, a fiscalização entendeu evidente que a situação patrimonial dos sócios da empresa Barra Mansa não condiz com porte da empresa (não possuem bens imóveis em seus nomes, possuindo um veículo popular no valor de R$ 32.615,00 financiado em 60 parcelas de R$ 960,30), configurando mais uma prova robusta de que são “sócios laranjas” da autuada que, de fato, é o Frigorífico Oranges Ltda pertencente a membros da Família Oranges. Ao confrontar as informações sobre as integralizações das quotas do capital social da empresa Barra Mansa com as Declarações de Ajuste Anual dos “sócios laranja”, o Auditor Fiscal constatou que: (i) a distribuição de lucros em 2008 foi realizada para justificar a origem dos recursos utilizados para integralização das quotas subscritas pelo sócio laranja Marlúcio, vez que não possuía disponibilidade financeira; (ii) o pagamento dos lucros distribuídos em 2009 foram realizados através do “Caixa” com o intuito de não identificar os reais beneficiários dos recursos; (iii) intimada a se pronunciar sobre a distribuição de lucros no período compreendido entre 1999 e 2012, a empresa restringiuse a informar os valores distribuídos em 2009; (iv) desde a constituição da empresa (1999) até 2012, apenas houve distribuição de lucros nos anos calendários 2008 e 2009 e nas condições anteriormente relatadas. A partir dessas constatações, a Autoridade Fiscal afirma que a empresa Barra Mansa foi constituída em 12/05/1999 com objetivo de “blindar” o patrimônio pessoal dos verdadeiros sócios (mesmas pessoas físicas que compõem o quadro societário da empresa hoje denominada Frigorífico Oranges Ltda) e de sonegar os encargos sociais, previdenciários, trabalhistas e tributários. O Frigorífico Oranges Ltda é proprietário do imóvel agrícola denominado Sítio Nossa Senhora da Aparecida aonde estão localizadas instalações frigoríficas operadas a anos pela Familia Oranges em nome de empresas abertas utilizandose de interpostas pessoas (empregados) em seus quadros societários e de contratos simulados de arrendamento. Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.193 7 Atualmente está em vigor contrato de arrendamento eivado de “vícios e simulação” celebrado entre a arrendante Indústria e Comércio de Carnes Irmãos Oranges Ltda (atualmente denominado Frigorífico Oranges Ltda) e a empresa Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda). Esclarece o AuditorFiscal que a autuada apresentou Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) dos anos calendários 2009 (0000079416), 2010 (0001301070) e 2011 (0001434829) com valores idênticos informados em suas diversas fichas, enquanto que a DIPJ 2012 (0001455437) foi apresentada com as fichas em branco. Relata que elementos e evidências coletadas em fiscalização anterior (13/03/2009 a 30/12/2010) já indicavam indícios de interposição de pessoas. Retornando a tratar das etapas da fiscalização realizada, o Auditor responsável informa que a diligência inicialmente realizada no contribuinte foi convertida, em 19/03/2013, em procedimento fiscalizatório com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 08.1.11.002013000395. Após a emissão de diversos termos, em 02/12/2013 a fiscalização lavrou o Termo de Ciência e continuidade da Ação fiscal n° 002 para cientificar o contribuinte que a ação fiscal abrangeria a fiscalização das contribuições sociais devidas à Previdência Social e as devidas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) do ano calendário 2010. A partir da análise dos documentos apresentados, a fiscalização constatou que a contribuinte impetrou Mandado de Segurança (MS) Preventivo e Repressivo, com pedido de liminar, para que fosse reconhecida a inexistência de relação jurídicotributária da contribuição prevista no art. 25 da Lei n° 8.212/91. O pedido do contribuinte foi negado em primeira instância e reconhecido em 2a instância, apenas quanto às contribuições previdenciárias anteriores à Lei n° 10.256/01. Referida decisão encontrase suspensa por força de liminar concedida em agravo regimental interposto perante o E. Supremo Tribunal Federal (STF). No curso da auditoria, constatouse que o sujeito passivo adquiriu produtos rurais de produtores rurais pessoas físicas e deixou de reter e recolher, na qualidade de subrogado (inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.528/97), as contribuições previstas no art. 25 da Lei n° 8.212/91 (contribuição previdenciária) e no artigo 6° da Lei n° 9.528/97 (contribuição destinada ao Senar). Considerando o que determina o art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN) e o art. 62 do Decreto n° 70.235/72, a fiscalização efetuou o lançamento de ofício, para prevenir a decadência, das contribuições anteriormente citadas sem a inclusão de multa em obediência ao disposto no art. 63 da Lei n° 9.430/96. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.194 8 Para a apuração das bases de cálculo, adotou o valor total das notas fiscais eletrônicas de entradas, excluídas as devoluções de bovinos para abate e as aquisições realizadas de pessoas jurídicas, conforme quadro resumo a seguir: Mês de referência Valor total das aquisições () Valor total das devoluções () Aquisições de Pessoas Jurídicas Valor líquido das aquisições PF janeiro 18.664.544,16 91.723,00 16.813,00 18.556.008,16 fevereiro 17.871.513,43 64.662,00 72.933,71 17.733.917,72 março abril maio 20.566.220,40 20.997.160,88 20.361.825,07 84.752.00 119.828,00 215.362,60 79.216,49 I88.353.9j 20.266.105,80 20.798.116,39 20 080 626,16 junho 20.963.198,03 94.547,00 254.056,13 20.614.594,90 julho agosto setembro 21.863.848,23 21.922.481,82' 30.963.878,40" 140.345,40 42.672,05 36.064,00 151.209,84 681.622,28 446.570,38 21.572.292,99 21.198.187,49 30.481.244,02 outubro 21.227.090,42 50.648,00 478.887,07 20.697.555,35 novembro 20.144.850,80 33.964,00 254.535,14 19.856.351,66 dezembro 23.030.496,99 90.793,00 94.006,93 22.845.697,06 Total 258.577.108,63 942.843,45 2.933.567,48 254.700.697,70 Os valores anteriormente informados foram considerados bases de cálculo das contribuições devidas pelo adquirente de produto rural, em subrrogação ao produtor rural. As contribuições previdenciárias foram lançadas no AIOP Debcad n° 51.056.141 1 enquanto que as contribuições destinadas ao Senar foram lançadas no AIOP Debcad n° 51.056.1420 que integra o presente processo administrativo. Considerando que no decorrer da ação fiscal ficou comprovado que a empresa Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda foi constituída por “sócios laranja” e que, de fato, a referida empresa é o próprio Frigorífico Oranges Ltda, esta última foi enquadrada como responsável solidária nos termos do inciso I do art. 124 do CTN (Termo de Responsabilidade Solidária às fls. 596). A Autoridade Fiscal indica os seguintes atos e/ou omissões praticados pelos sócios da empresa Frigorífico Oranges Ltda, que conduziram à prática de sonegação fiscal, como justificativa para a emissão dos Termos de Responsabilidade Solidária: (i) reiterada irregularidade tributária praticada pela empresa fiscalizada, bem como pelos sócios do Frigorífico Oranges Ltda; (ii) prestação de informações falsas ao Fisco, demonstrando intenção dolosa dos reais administradores da fiscalizada (os sócios do Frigorífico Oranges Ltda) em ocultar a realidade dos fatos com o intuito único de eximirse do pagamento de tributos e realizar a chamada “blindagem patrimonial”; (iii) utilização de interpostas pessoas nas diversas empresas de fachada constituídas pelos sócios do Frigorífico Oranges Ltda. Tais fatos subsumemse ao quanto previsto no inciso III do art. 135 do CTN, motivo pelo qual foram emitidos Termos de Responsabilidade Solidária para as seguintes pessoas: Dirceu Oranges Júnior (fls. 597); Carlos Décio Rosa (fls. 598); Marcelo Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.195 9 Oranges (fls. 599); Cristina Oranges (fls. 600); Heloísa Helena Oranges Teixeira (fls. 601); Rosy Helena Oranges (fls. 602). Além dos fatos anteriormente narrados e integrantes do Relatório Fiscal específico (fls. 523/574) para as contribuições previdenciárias lançadas em decorrência da ação fiscal realizada no contribuinte, tornamse relevantes para a análise do caso as seguintes informações constantes do Relatório Fiscal referente aos tributos IRPJ, CSLL, Pis/Cofins, IRRF, além da multa por distribuição indevida de lucros, todos lançados em decorrência da mesma ação fiscal. Ressaltase que, além de ter sido anexada cópia do referido relatório no presente processo administrativo (fls. 522), a autuada e os responsáveis solidários foram dele regularmente cientificadas conjuntamente com os demais documentos integrantes de todos os processos administrativos resultantes da mesma ação fiscal (processos n° 13855.723182/201312, 13855.723107/201343, 13855.723105/201354, 13855.720174/201497 e 13855.720173/201442). No curso da diligência fiscal iniciada em 23/11/2012 e encerrada em 28/03/2013 a empresa foi intimada e apresentou notas fiscais de entrada emitidas por diversos produtores rurais decorrentes da aquisição de bovinos para abate. A Autoridade Fiscal constatou, após diligências junto aos produtores rurais, a emissão de notas fiscais “inidôneas” no período 01/2009 a 01/2010 (por amostragem): diversos destes produtores rurais afirmam que nunca realizaram qualquer transação comercial com a empresa Barra Mansa. O pagamento dessas Notas Fiscais era realizado a terceiros sem que houvesse autorização/procuração outorgada a estes pelos supostos emitentes das notas fiscais. Considerando que as vendas realizadas à Companhia Brasileira de Distribuição (empresa do Grupo Pão de Açúcar GPC) representam aproximadamente 50% do faturamento da empresa Barra Mansa, a fiscalização realizou diligência para obter maiores informações sobre os contratos de fornecimento. Nestes, verificou que os gestores de 3 áreas (“gerente da conta”, “responsável pela logística” e “contato sobre contas a pagar”) eram pessoas que mantiveram vínculos empregatícios anteriores com diversas empresas de fachada constituídas pelos sócios do Frigorífico Oranges Ltda, enquanto que o sócio da empresa Barra Mansa, Marlúcio Adriano Mateus da Silva, figurava como “gerente nacional". Segundo informações prestadas pela empresa Frigorífico Oranges Ltda, esta deixou de operar o abate de bovinos em 29/08/1991 (22a alteração do contrato social), passando a arrendar seu complexo industrial. A empresa, no entanto, se negou a informar o nome das empresas que se instalaram e exploraram, sob suposto arrendamento, o complexo frigorífico localizadas no Sítio Nossa Senhora Aparecida, em Sertãozinho/SP após a interrupção da exploração direta. Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.196 10 A fiscalização averiguou que o complexo industrial foi explorado por “outras empresas de fachadas” através de contrato de aluguel e/ou arrendamento desde 1984, muito antes da 22a alteração do contrato social. Ocorre que somente em 27/03/1996 a empresa fez constar no contrato social a previsão “locação de bens próprios”, evidenciando despreocupação com a verdade dos fatos e mais um elemento a caracterizar a simulação dos contratos de arrendamento. O AuditorFiscal, em consulta ao CIRETRAN/SP, obteve informação de que um dos automóveis registrados em nome da empresa Barra Mansa foi adquirido do Sr. Dirceu Oranges Junior, evidenciando mais uma forte ligação entre os sócios do Frigorífico Oranges Ltda e a empresa de fachada Barra Mansa. Ainda, em consulta à empresa CGMP Centro de Gestão de Meios de Pagamentos S/A (gestora do sistema “Sem Parar”), a fiscalização constatou que diversos veículos de propriedade de terceiros, sem aparente vínculo com a fiscalizada, estavam cadastrados no sistema “Sem Parar” em nome da Barra Mansa. Dentre esses terceiros, destacamse os registros de veículos de propriedade do Sr. Carlos Décio Rosa (sócio do Frigorífico Oranges Ltda) e de propriedade de Regina Helena Garcia Dorea Oranges (esposa de Marcelo Oranges, sócio do Frigorífico Oranges Ltda). Após consulta a diversos cartórios (2° e 4° Tabeliões de Notas de Ribeirão Preto; 13° Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais Butantã São Paulo/Capital), a Autoridade Fiscal verificou que as empresas que arrendaram o complexo industrial outorgavam procuração dando poderes a terceiras pessoas, agentes de confiança da Família Oranges, para movimentar as contas correntes das empresas em diversas instituições financeiras. Constatou também que, além dos procuradores com poderes de movimentação de contas correntes, quase todos os sócios das empresas de fachada tiveram vínculos empregatícios com a Frigorífico Oranges Ltda, destacando o fato de que o Sr. Nilson Paulino Lins, foi utilizado ora como sócio, ora como procurador, em ocasiões distintas. Com base nas informações coletadas, o AuditorFiscal averiguou que as empresas relacionadas abaixo serviram de “fachada” para a empresa Frigorífico Oranges Ltda. Para tanto, o ciclo operacional de quase todas essas empresas era composto de (a) um frigorífico para abate de bovinos (Sítio Nossa Senhora Aparecida, em Sertãozinho/SP); (b) um entreposto comercial com armazenagem e resfriamento (Av. Engenheiro Heitor Antônio Eiras Garcia, 1573/1705, Butantã, São Paulo/SP) e (c) uma garagem e oficina de veículos e depósito em geral (Rua Osvaldo Cruz, 620, Ribeirão Preto/SP): Data Abertura (RFB) Razão Social Endereços Matriz/ Filial 21/02/1978 FRIGORÍFICO ORANGES LTDA (a partir de 11/01/2012 Rua Osvaldo Cruz, 620, Ribeirão Preto/SP Denominações anteriores Sitio N S Aparecida, SN • Sertãozinho/SP Irmãos Oranges Rua Schilling n°579, Vila Hamburguesa, São Paulo/SP Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.197 11 Irmãos Oranges S/A Irmãos Oranges e Cia Irmãos Oranges S/A Indústria e Com de Carnes Frigorífico Oranges Ltda Indústria e Comércio de Carnes Irmãos Oranges Ltda 24 01 1984 Frigorifico Sertãozinho Ltda (S/A) Sitio N S Aparecida. SN Sertãozinho/SP Rua Schilling, 579, Vila Hamburguesa, São Paulo/SP 25.09 1987 Frigorifico São Domingos Ltda Av. Eng Heitor Antônio Eiras Garcia, 1705, Butantã, SP 04/05/1990 Rio Pequeno Comércio de Carnes e Derivados Ltda Av. Eng Heitor Antônio Eiras Garcia, 1573, Butantã, SP Sitio N S Aparecida, SN • Sertãozinho/SP Rua Osvaldo Cruz, 620, Vila Virgínia Ribeirão Preto/SP 06/10/1992 Firenze Comércio de Cames e Derivados Ltda Av. Eng Heitor Antônio Eiras Garcia, 1705, Butantã, SP R. Osvaldo Cruz, 620, Vila Virgínia, Ribeirão Preto/SP Sitio N S Aparecida, SN Sertãozinho/SP 22 07 1994 Suldoeste Comércio de Cames e Derivados Ltda Av. Eng Heitor Antônio Eiras Garcia, 1573, Butantã, SP Rua Osvaldo Cruz, 620, Ribeirão Preto/SP Sitio N S Aparecida, SN Sertãozinho/SP 19/01/1996 Delta Comércio de Carnes e Derivados Ltda Av. Eng Heitor Antônio Eiras Garcia, 1705, Butantã, SP 17/12/19% Agro Ind e Com de Carnes Derivados Olimpikus Ltda Rua Osvaldo Cruz, 620, Ribeirão Preto/SP Sitio N S Aparecida, SN Sertãozinho/SP Av. Eng Heitor Antônio Eiras Garcia, 1573, Butantã, SP 14/05/1999 Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda Av. Eng Heitor Antônio Eiras Garcia, 1705, Butantã, SP Sitio N S Aparecida, SN Sertãozinho/SP Rua Osvaldo Cruz, 620, Ribeirão Preto/SP Destaca que somente nas empresas Frigorífico São Domingos Ltda e Delta Comércio de Carnes e Derivados Ltda foi adotada forma diferente de efetivar o negócio, com o abate de bovinos sendo realizado por estabelecimentos de terceiros, motivo pelo qual não aparecem filiais abertas no Sítio Nossa Senhora da Aparecida e no imóvel localizado à Rua Osvaldo Cruz, 610, Ribeirão Preto/SP. Antes da aquisição do imóvel localizado à Av. Engenheiro Heitor Antônio Eiras Garcia, 1573/1705, Butantã, São Paulo/SP (entreposto comercial), a “Família Oranges” utilizouse para este fim do imóvel localizado à Rua Schilling, 579, Vila Hamburguesa, SP. A partir da análise dos contratos sociais e fichas cadastrais extraídos do sítio da Jucesp e dos vínculos empregatícios informados pelo Frigorífico Oranges Ltda e pelas empresas de fachada (sistema CNIS) a fiscalização constatou que os procedimentos adotados pelas empresas de fachada são os mesmos, a sequência cronológica da rescisão/transferência e entrada no quadro societário das empresas são ordenadas e há relações de subordinação no período com o Frigorífico Oranges Ltda. Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.198 12 Os empregados sempre apresentaram vínculos empregatícios com a empresa de fachada anterior àquela em que se tornaram “sócios laranjas”: formalizavase sua rescisão para poder participar do quadro societário da nova empresa e, após o encerramento desta última, o vínculo empregatício era restabelecido com as empresas posteriores. Exemplifica o modus operandi com a análise dos vínculos do Sr. Sérgio Antonio Silvério que participou como sócio laranja das empresas Rio Pequeno Comércio de Carnes e Derivados Ltda; Delta Comércio de Carnes e Derivados Ltda e Agro Indústria e Comércio de Carnes e Derivados Ltda e manteve vínculo empregatício com São Domingos Ltda, Rio Pequeno Comércio de Carnes e Derivados Ltda (em período anterior à sua entrada no quadro societário), Firenze Comércio de Carnes e Derivados Ltda, Frigorífico Oranges Ltda, e Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda. Discorre a Autoridade Fiscal, detalhadamente, sobre a criação e as alterações ocorridas na empresa Frigorífico Oranges Ltda, conforme informações obtidas nas fichas cadastrais simplificadas e pesquisas realizadas no endereço eletrônico da Jucesp, bem como nos contratos sociais apresentados. Discorre também sobre a criação das empresas de fachada e sobre os vínculos empregatícios dos sócios laranja com essas empresas e com o próprio Frigorífico Oranges Ltda. Apresenta declaração prestada por Airton Fernandes de Oliveira (empregado do Frigorífico Oranges Ltda, de 01/08/1976 a 03/09/1983; empregado da Só Carnes Ribeirão Preto Ltda, de 05/09/1983 a 03/12/1983; empregado do Frigorífico Oranges Ltda, de 02/01/1984 a 02/06/1990; empregado da Só Carnes Ribeirão Preto Ltda, de 03/11/1993 a 01/12/1997; sócio da Só Carnes Ribeirão Preto Ltda, de 03/08/1988 até ser declarada inapta) na qual confirma que era empregado das empresas dirigidas pelos irmão Orange e que “emprestou” seu nome para compor o quadro societário da empresa Só Carnes Ribeirão Preto Ltda. Cita o contrato de locação do imóvel localizado na Av. Engenheiro Heitor Antônio Eiras Garcia, 1.705, entre a empresa Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda (locatária) e o Sr. Dirceu Oranges (locador) e um dos fundadores do Frigorífico Oranges Ltda, expondo cláusulas e fatos que demonstram ser o contrato fictício (reajuste de aluguéis incoerentes, cláusulas de não indenização por benfeitorias, entre outros). Ressalta que o imóvel localizado à Av. Heitor de Gusmão Uchôa, 28, Butantã, São Paulo/SP, de propriedade do Sr. Dirceu Oranges desde 21/11/1986 até 09/11/2009, momento em que foi doado a Guilherme Meneglelli Oranges e Eduardo Meneglelli Oranges (filhos de Dirceu Oranges Júnior e netos do Sr. Dirceu Oranges) está interligado ao entreposto, funcionando como estacionamento de veículos da empresa de fachada Barra Mansa Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.199 13 Comércio de Carnes e Derivados Ltda sem que tenha sido apresentado contrato de locação. Ainda, o imóvel localizado à Rua Oswaldo Cruz, 620, Vila Virgínia, Ribeirão Preto/SP, pertenceu ao Frigorífico Oranges Ltda, foi objeto do contrato de arrendamento firmado com a empresa Barra Mansa em 15/09/1999 e, apesar de devolvido à arrendadora em fevereiro de 2000, não houve aditamento ao contrato nem representou redução no valor do arrendamento inicialmente pago. Relata que o Frigorífico Oranges Ltda não explora atividade comercial em seu próprio nome desde o final da década de 90 e sua única fonte de receita desde 1999 seriam os valores recebidos da empresa Barra Mansa a título de arrendamento do complexo industrial localizado no Sítio Nossa Senhora Aparecida (frigorífico matadouro), em Sertãozinho/SP. A Autoridade Fiscal informa outros elos de ligação entre as empresas Barra Mansa e Frigorífico Oranges: Analisando a última alteração contratual do Frigorífico Oranges (2012), constatouse que (i) o correio eletrônico informado no documento societário pertence à empresa Barra Mansa; (ii) as testemunhas arroladas possuíam vínculo empregatício com a empresa Barra Mansa à época da alteração contratual. Ao longo dos últimos 30 (trinta) anos os serviços contábeis contratados pelo Frigorífico Oranges e pelas empresas de fachada eram sempre prestados pelo mesmo escritório contábil e respectivos contadores. Desde 07/01/2004, o Sr. Amauri Ferreira Junior possui procuração com poderes para movimentar contas correntes da empresa Barra Mansa em diversas instituições financeiras. Em pesquisa ao sistema CNIS, o Auditor Fiscal verificou o citado procurador manteve vínculo formal com as empresas Só Carnes Ribeirão Preto Ltda (02/05/1989 a 22/06/1990), Suldoeste Comércio de Carnes e Derivados Ltda (02/07/1990 sem data de rescisão), Agro Ind e Com de Carnes e Derivados Olimpikus Ltda (02/07/1990 a 30/09/1998), Frigorífico Oranges Ltda (02/07/1990 sem data de rescisão) e Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda (a partir de 01/11/1999). O AuditorFiscal apresenta depoimento de Sérgio Antônio Silvério (exempregado do Frigorífico Oranges Ltda e “sócio laranja” de diversas empresas de fachada), no qual relata sobre a prática reiterada de utilizarse de funcionários da empresa como sócios laranja de empresas de fachada. Retomando a questão dos vínculos empregatícios, as pesquisas realizadas no sistema CNIS permitiram a constatação de uma “confusão” entre o Frigorífico Oranges Ltda e as empresas de fachadas, vez que os sócios do Frigorífico Oranges Ldta mantiveram vínculos empregatícios com as empresas de fachada, assim como os “sócios laranjas” das empresas de fachada foram Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.200 14 empregados do próprio Frigorífico Oranges Ltda. Observase que todos os “sócios laranjas”, à exceção de Rafael Paulino Pileggi (sócio até 26/08/1996) mantiveram, em algum momento, vínculo empregatício com uma ou mais das empresas de fachada. Apresenta trechos de diversas reclamatórias trabalhistas nas quais os reclamantes obtiveram o provimento de seus pleitos, tendo sido reconhecida judicialmente, nos casos em que não foram realizados acordos, a existência do grupo econômico formado pelo Frigorífico Oranges e as empresas de fachada que a sucederam no mesmo endereço. Os relatos extraídos das ações trabalhistas evidenciam que o preposto da empresa Barra Mansa, Sr. Mauro Donizete de Souza, também assinou documentos pelas diversas empresas de fachada. Consultas realizadas no sistema CNIS confirmaram que o referido preposto manteve vínculo empregatício formal com praticamente todas as “empresas de fachadas” constituídas pelos sócios do Frigorífico Oranges Ltda. Após análise do contrato de arrendamento do complexo industrial e das respostas das empresas arrendatária (Barra Mansa) e arrendante (Frigorífico Oranges), entendeu a Autoridade Fiscal que as alterações nos preços do arrendamento mensal (modificação do critério variável para fixo, com posterior aumento de 400% em 44 meses) não foi adequadamente justificado pelas partes. Essas alterações não obedeceram a qualquer critério de mercado, sendo, em verdade, uma das formas utilizadas para repassar recursos aos sócios da arrendante, verdadeiros donos da empresa de fachada fiscalizada. Ainda, o valor não foi reajustado a partir de 2008 em razão dos elevados investimentos realizados pela Barra Mansa na ampliação e modernização do complexo industrial localizado no Sítio Nossa Senhora Aparecida em Sertãozinho/SP (R$ 5.265.022,13 no período 2009 a 2013, apurado na contabilidade e informado pela fiscalizada), que é uma forma “indireta” de repassar recursos aos sócios do Frigorífico Oranges vez que as benfeitorias realizadas no imóvel arrendado, segundo cláusulas contratuais, não seriam indenizáveis. O capital social autorizado da empresa de fachada Barra Mansa foi de R$ 200.000,00, em 12/05/1999, e permanece inalterado até a presente data. Na mesma data, o Sr. Marlúcio subscreveu 190.000 (cento e noventa mil) quotas no valor de R$ 190.000,00, cujo valor foi alterado após a retirada do sócio Otávio Urbano para 198.000 (cento e noventa e oito mil) quotas e R$ 198.000,00. No entanto, constatou o AuditorFiscal que a integralização do capital somente ocorreu no ano 2007 (R$ 8.000,00) e no ano de 2008 (R$ 190.000,00), quase 10 anos após a subscrição, com recursos originados da distribuição de lucros (R$ 185.208,46) ocorrida neste último ano.Destaca, ainda, a incoerência entre o montante do capital social quando comparado com o faturamento anual da empresa e que a Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.201 15 empresa não distribui lucros (reserva de lucros no final de 2010 equivalente a R$ 4.992.180,76). Com isso, a fiscalizada realizava elevados desembolsos de recursos na manutenção, investimentos e benfeitorias em imóveis de terceiro, sem que ao longo dos anos tenha distribuído lucros aos sócios, como retorno de seus supostos investimentos. Considerando todos os fatos narrados, a fiscalização teve clara e inteira convicção de que os verdadeiros sócios e reais beneficiários das operações da empresa Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda são as mesmas pessoas que detém o controle societário do Frigorífico Oranges Ltda, podendose afirmar que a empresa Barra Mansa é o próprio Frigorífico Oranges Ltda. A Autoridade Fiscal, considerando os fatos, documentos e análises realizadas no decorrer do procedimento fiscalizatório, emitiu Termos de Responsabilidade Solidária contra a empresa Frigorífico Oranges Ltda (fls. 596), e contra os sócios desta última Dirceu Oranges Júnior (fls. 597), Carlos Décio Rosa (fls. 598), Marcelo Oranges (fls. 599), Cristina Oranges (fls. 600), Heloisa Helena Oranges Teixeira (fls. 601) e Rosy Helena Oranges (fls. 602). A autuada e os responsáveis solidários foram cientificados de todos os Autos de Infração decorrentes da mesma ação fiscal por via postal: Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda (fls. 627/628), Frigorífico Oranges Ltda (fls. 629/630), Marcelo Oranges (fls. 637/638), Heloisa Helena Oranges Teixeira (fls. 631/632), Rosy Helena Oranges (fls. 639/640) e Cristina Oranges (fls. 635/636) foram cientificados em 28/01/2014, enquanto que Dirceu Oranges Júnior (fls. 641/642) e Carlos Décio Rosa (fls. 633/634) foram cientificados em 29/01/2014. IMPUGNAÇÃO DA AUTUADA A autuada impugnou tempestivamente a autuação por meio do instrumento de fls. 674/715, com a juntada de documentos de fls. 716/802 (procuração, documentos societários, pedido de reabertura de prazo para defesa e Informação Fiscal que indeferiu o pedido, escritura pública de declaração de Otávio Urbano, documentos referentes a tratamento de saúde de Marlúcio Adriano Mateus da Silva, informações sobre o processo n° 15954.000103/200752, Acórdão da 4a Câmara de Julgamento do CRPS, relatórios de consultoria de auditores independentes), no qual apresenta as seguintes alegações, resumidamente: Sustenta a nulidade da notificação de lançamento em razão do cerceamento de defesa vez que não teria sido cientificada de documentos mencionados no relatório fiscal. Afirma que, conforme documento da Receita Federal, o processo digital só fora disponibilizado nos dias 07/02 e 10/02, após o requerimento de reabertura de prazo realizado pela empresa em 07/02. Ainda, os arquivos digitais contendo a cópia integral do presente Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.202 16 lançamento só foram obtidos pela contribuinte em 13/02/2014, haja vista que o tamanho dos arquivos não permitiu o download a partir do sítio eletrônico. Posto isso, requer a declaração de nulidade do ato de notificação e reabertura do prazo de 30 dias no ensejo de permitir à contribuinte o exercício pleno de seus direitos. Preambularmente, salienta que o Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu acórdão, com o atributo da repercussão geral (RE 596177), que eliminou a possibilidade de cobrança do “Novo Funrural” pautandose na Lei n° 10.256/01, face a sua inconstitucionalidade. Reforça seus argumentos afirmando que a exação prevista no art. 25 da Lei n° 8.212/91, com as alterações das leis posteriores, inclusive a Lei n° 10.256/01, não observou o instrumento normativo previsto constitucionalmente: a Lei n° 10.256/01, mesmo sendo editada após a EC n° 20/98, manteve o mesmo vício de inconstitucionalidade que fez com que o STF firmasse a inconstitucionalidade das leis anteriores. Isto porque, até a presente data, tanto o verbo quanto o complemento que dão a estrutura do núcleo da hipótese normativa (critério material da norma jurídica), assim como a base de cálculo e a alíquota (critério quantitativo da norma jurídica) da contribuição social discutida, constam dos incisos do art. 25 da Lei n° 8.212/91 com redação dada pela Lei n° 9.528/97, anteriores, portanto, à promulgação e vigência da citada EC n° 20. Não bastassem os aspectos materiais realçados no acórdão do STF a implicar a inconstitucionalidade, essa contribuição, tal como instituída, reclamaria lei complementar. Complementa que a Lei n° 10.256/01 tratou, no seu art. 1°, apenas de ajuste na redação do caput do art. 25 da Lei n° 8.212/91, sem se referir aos demais elementos da hipótese de incidência tributária: fato gerador, base de cálculo e alíquotas. Um diploma legal que sequer tratou dos elementos essenciais do tributo, não será capaz, validamente, de instituir novamente a cobrança declarada inconstitucional pelo STF. Relata que o Auditor Fiscal, ao entender que a impugnante é uma empresa de fachada, constituída por “sócios laranjas”, cuja constituição foi arquitetada pelos sócios do Frigorífico Oranges Ltda, considerou os pagamentos realizados pela impugnante ao Frigorífico Oranges a título de arrendamento, em razão de simulação, como sem causa. Em consequência, foi a impugnante autuada com base no art. 674, § 1o1, do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/99 (RIR). Tal atuação também foi imputada ao Frigorífico Oranges, na condição de responsável solidário (art. 124, inciso I, do CTN) e aos sócios desta última (art. 135, inciso III, do CTN). Dentre as diversas fiscalizações sofridas pela contribuinte desde sua constituição, destaca a fiscalização realizada em 2002, na Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.203 17 qual foram lançadas 6 (seis) Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD). No decorrer do contencioso administrativo referente a essas notificações, a instância superior convalidou a sucessão de empresas à Barra Mansa, bem como dispôs pela exclusão da empresa “Frigorífico Oranges Ltda” do pólo passivo dos lançamentos tributários por entender inexistir o vínculo de gestão alegado pela fiscalização do INSS à época. Acrescenta que a própria constatação de que foram realizadas diversas fiscalizações na empresa (2002, 2004, 2011 e 2013) demonstra o equívoco da alegação fiscal quando afirma que a manutenção da matriz em localidades como Poá e Guarulhos teria o intuito de evitar a realização de fiscalizações. Questiona a regularidade da entrevista realizada com o exsócio Otávio Urbano, considerando que este se retirou do quadro societário em 2003, muito antes da ocorrência dos fatos geradores em discussão. Ainda, afirma causar estranheza o fato do Sr. Otávio ter sido procurado pelos agentes fiscais em 21/11/2012 vez que a fiscalização do contribuinte Barra Mansa somente se inicio em 27/03/2013 (Termo de Início Fiscalização). Apresenta declaração prestada pelo Sr. Otávio Urbano, mediante escritura pública, na qual, resumidamente, desmente as declarações anteriormente realizadas para os AuditoresFiscais, afirmando ter sido coagido a concordar com as colocações apresentadas. Esclarece que abriu a empresa com Marlúcio que atuava na área de administração, enquanto que o declarante atuava na área da indústria. Sua saída do quadro social foi motivada por doença e pelo susto com o resultado da ação fiscal desenvolvida em 2002 que apurou elevados valores de impostos. Refuta a afirmação de que o Sr. Marlúcio, na condição de sócio administrador da empresa impugnante, se omitiu em atender à fiscalização. Afirma que o proprietário se apresentou aos Auditores em uma das visitas realizadas à filial da empresa situada em Sertãozinho, bem como justificou, por escrito, seu não comparecimento para prestar esclarecimentos na unidade da Delegacia da Receita Federal de Franca, em razão de motivos particulares, solicitando que todos os questionamentos fossem postulados e encaminhadas ao procurador da empresa Sr. Marcelo Henrique de Paulo. Anexa documentos comprovando os problemas de saúde do Sr. Marlúcio. Outrossim, afirma que o Sr. Marlúcio, no contexto da fiscalização levada a efeito na Delegacia da Receita Federal de Guarulhos no ano de 2013 esteve naquela unidade quando solicitado e prestou todos os esclarecimentos que se fizeram necessários. Embora não tenha ficado com cópia das declarações, requer seja oficiado àquela Delegacia para que apresente tal documento, que se acredita esteja no bojo dos seguintes procedimentos: 16095.720026/201329 (Cofins) mar/2008 a dez/2008; 16095.720025/201384 (Pis) abril/2008 a dez/2008; Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.204 18 Esclarece que o contador da empresa, Sr. Marcelo de Paulo, inobstante ser empregado registrado na empresa Barra Mansa, presta serviços freelance para outras empresas: Teixeira e Albuquerque Serviços de Treinamentos Ltda ME; Frigorífico Oranges Ltda; Skuld Corretora de Seguros Ltda; Loja Maçônica União e Liberdade; Superlog Logística S/A e Supermercado Gimenes S/A. Tal constatação contradiz a lógica fiscal no sentido de fundamentar a vinculação da empresa Barra Mansa com o Frigorífico Oranges, pautandose na identidade do contador. Afirma que as circunstâncias fáticas relacionadas ao contrato de fornecimento de carnes para a Companhia Brasileira de Distribuição (“Grupo Pão de açúcar”) e a resposta desta empresa às indagações fiscais, ao contrário do entendimento da fiscalização, corroboram a gestão do negócio exercida pelo sócio proprietário Sr. Marlúcio, a quem é atribuído o mérito da negociação com empresa de tamanho renome. Nesse contexto, as quotas sociais que o Sr. Marlúcio detém da empresa Barra Mansa são seu maior patrimônio, haja vista tratarse de pessoa jurídica capitalizada, com um bom fluxo de caixa, com um valor expressivo a título de ativo imobilizado e com uma carteira de clientes que transcendem as divisas nacionais. Portanto, improcede qualquer acusação de que o sócio da empresa, na presente data, não dispõe de patrimônio considerável. Ressalta ser inerente à contratação de mãodeobra especializada para o exercício da atividade econômica numa região do Estado que não dispõe de reserva de trabalhadores graduados para as funções atreladas ao abate de bovinos, que muitos dos funcionários tenham prestado serviços para outras empresas do ramo, seja o Frigorífico Oranges, sejam empresas que outrora arrendaram o parque industrial desta última. Relembra que, em fiscalização ocorrida em 2002, foi imputado à impugnante a sucessão tributária de todas as empresas que antes dela arrendaram o parque industrial. Tais valores foram quitados, remanescendo apenas as quantias provenientes do “Funrural” objeto de medida liminar proferida pelo STF que, cautelarmente, exime a impugnante do pagamento. Refuta, ainda, a conclusão da Autoridade Fiscal de que a participação dos funcionários da impugnante Sr. Mauro e Sr. Olindo nos contratos firmados pela empresa com o Frigorífico Oranges, como testemunhas, poderia ensejar na caracterização da unicidade das empresas. Discorda da afirmação de que a impugnante faz uso de práticas contábeis fraudulentas, haja vista que toda a escrita contábil digital foi entregue ao Agente Fiscal, o qual fez uso das informações disponibilizadas para dar seguimento na fiscalização. Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.205 19 Sustenta que a ilação fiscal de que a autuada Barra Mansa é empresa de fachada é totalmente desprovida de qualquer sentido jurídico, vez que não se verifica qualquer aproveitamento econômico/tributário para a empresa Frigorífico Oranges com esse procedimento. E mais, se a impugnante é uma empresa de fachada, o Frigorífico Oranges seria o único contribuinte de qualquer obrigação tributária apurada, visto não existir interesse comum e sim único interesse econômico. Entende que, se a receita oriunda do “arrendamento simulado” gerou tributação no Frigorífico Oranges, resta demonstrada a irracionalidade de considerar o pagamento como receita tributável para a impugnante à alíquota de 35%. Ainda, inexiste informação, no Relatório Fiscal, de que o Fisco tenha desconsiderado os pagamentos efetuados a título de arrendamento como receita tributável no Frigorífico Oranges. Não restou demonstrada a existência de unidade de negócios, entre a impugnante e o Frigorífico Oranges, dotada de fins econômicos e jurídicos (sociedade de fato), elemento necessário para a invocação do interesse comum previsto no inciso I do art. 124 do CTN. Assim, a tributação do arrendamento pela alíquota de 35% é totalmente sem propósito, ainda mais quando a receita daí decorrente gerou tributação no Frigorífico Oranges. Se os beneficiários são os verdadeiros sócios, o aludido pagamento constituiria distribuição de lucro (isento pela regra do art. 10 da Lei n° 9.249/95) ou rendimentos salariais. Nega a possibilidade de revisão do lançamento, visto que o erro é de direito e não de fato. No caso em exame, o Sr. Auditor Fiscal perdeuse na subsunção dos fatos à norma. Cita julgados. Por fim, requer: (i) prazo suplementar de 15 dias, em atenção ao pleno exercício da ampla defesa e do contraditório, para a apresentação de elementos concretos que colaborarão com a percepção de irregularidades materiais no contexto da autuação, vez que o prazo de trinta dias é extremamente exíguo para tanto; (ii) seja oficiada a DRF Guarulhos para que apresente a declaração de esclarecimentos prestada pelo Sr. Marlúcio no bojo dos procedimentos citados; (iii) o acolhimento dos argumentos suscitados na Impugnação com a decretação da nulidade do Auto de Infração; (iv) a juntada dos laudos/pareceres confeccionados pelas empresas de consultorias KPMG e MOORE STEPHENS dando conta das impropriedades consubstanciadas na autuação. IMPUGNAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Os responsáveis solidários Frigorífico Oranges Ltda, Dirceu Oranges Júnior, Carlos Décio Rosa, Marcelo Oranges, Cristina Oranges, Heloísa Helena Oranges Teixeira e Rosy Helena Oranges apresentaram, conjuntamente, Impugnação Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.206 20 tempestivamente contra o Auto de Infração (fls. 803/852), com a juntada de documentos de fls. 853/979 (procurações, documentos societários da pessoa jurídica, documentos das pessoas físicas e dos patronos, Danfes/Notas Fiscais, certificados de conclusão de cursos acadêmicos das pessoas físicas), na qual apresentam as seguintes alegações, resumidamente: Indicam a existência de contradição no Relatório Fiscal: embora a vinculação da autuada com a empresa Frigorífico Oranges Ltda tenha caracterizado a responsabilidade solidária desta última pelo pagamento do crédito tributário lançado com supedâneo no inciso I do artigo 124 do CTN, as próprias afirmações fiscais corroboram se tratarem, Barra Mansa e Frigorífico Oranges, d'uma mesma pessoa jurídica. Em outras palavras, no momento em que a fiscalização reputa a existência de solidariedade entre as pessoas jurídicas citadas, por consectário lógico, corrobora a existência distinta das duas empresas, deixando em desabrigo sua conclusão de unicidade de pessoa jurídica. Acrescentam que, segundo doutrina especializada, o termo “interesse comum” aplicado pelo legislador no CTN, art. 124, inciso I, se traduz excessivamente genérico e, por si só, insuficiente para caracterizar a responsabilidade solidária. Concluem pela total improcedência da presente autuação fiscal, por vício material que macula a validade da cobrança assim como a vinculação d'outras pessoas na qualidade de devedoras solidárias. Questionam as impugnantes pessoas físicas seu ingresso no pólo passivo como responsáveis solidários, com sustentação no inciso III do art. 135 do CTN, haja vista que não houve a descrição de qualquer ato de gestão por parte delas na empresa Barra Mansa em atenção ao período fiscalizado que compreendeu os anos de 2009 e 2010. Enfatizam que o contrato de arrendamento já vigora pelo prazo de 15 anos, interregno em que as partes (arrendante e arrendatária) sempre observaram suas obrigações contratuais, sem gerar quaisquer prejuízos para terceiros. Repisam que em momento algum durante a realização de diligências junto ao maior comprador da empresa Barra Mansa, a Cia Brasileira de Distribuição (Grupo Pão de Açúcar), suscitouse o nome de qualquer sócio da empresa Frigorífico Oranges Ltda como responsável por qualquer tipo de negociação. Pelo contrário, fora apontado o sócio da autuada, Sr. Marlúcio Adriano Mateus da Silva, como responsável nacional pelas operações. Relembra que, para a imputação de responsabilidade (inc. III do art. 135), nos termos alinhavados pelo STF, não pode ser apontada atuação genérica, devendo estar clara e objetivamente vinculada ao fato gerador. A análise perfunctória das autuações Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.207 21 revela que inexiste qualquer ato desta empresa e/ou de seu administrador (Sr. Marlúcio) no ensejo de caracterizar uma situação fraudulenta. Os valores apurados são oriundos de questões interpretativas, cujos dados a Fiscalização alega ter extraído da própria contabilidade, inexistindo qualquer alegação de omissão de receita, formação de caixa dois ou venda sem nota fiscal. Afirmam não ter sido evidenciado quais seriam as vantagens obtidas em razão da suposta constituição da empresa de fachada Barra Mansa, considerandose que esta é cumpridora de suas obrigações previdenciárias e trabalhistas: inobstante o comando para fiscalizar as contribuições previdenciárias, foram apurados somente valores devidos a título da exação Funrural que, ao que consta, está suspensa em razão de decisão judicial favorável. Destacam que todas as receitas tributáveis provenientes dos contratos de arrendamento, nos termos dos artigos do RIR, geraram tributação no Frigorífico Oranges Ltda, demonstrando o equívoco em se considerar o pagamento (do arrendamento) como receita tributável para o Barra Mansa, à alíquota de 35%, a título de IRRF. Ainda, inexiste informação, no Relatório Fiscal, de que o Fisco tenha desconsiderado os pagamentos efetuados a título de arrendamento como receita tributável no Frigorífico Oranges. Informam que dentre as receitas obtidas pelo Frigorífico Oranges Ltda a título de arrendamento, incluemse aquelas oriundas do contrato firmado com a Usina Santo Antonio para uso e plantio agrícola de canadeacúcar na área rural que circunda a unidade industrial. Tal constatação revela o interesse dos sócios do Frigorífico Oranges Ltda em abdicar do exercício da exploração das atividades econômicas em favor da locação de seus bens para terceiros. Acrescentam que nem todos os sócios da empresa exercem a prerrogativa de administração. Ainda, no momento em que optaram pelo arrendamento de seus bens, os sócios passaram a se dedicar a outras atividades, inclusive com vínculos trabalhistas (caso da sócia Cristina Oranges), conforme descrito na peça de defesa. Além disso, as declarações de imposto de renda dos sócios são plenamente compatíveis com as suas atividades econômicas, não havendo qualquer indício de que, de alguma forma, estariam sendo beneficiados pela empresa Barra Mansa no período de 2009 e2010. Noutra vertente, afirmam que o contrato de arrendamento firmado em setembro de 1999 e aditado em diversas ocasiões posteriores, por meio do qual arrendou seu complexo industrial frigorífico para a empresa Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda, jamais fora negócio interposto de maneira a ocultar qualquer ato de gerência pelos sócios da empresa arrendante na empresa arrendatária. Discorrem sobre o contexto que possibilitou a celebração do contrato. Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.208 22 Discordam da análise realizada pelo AuditorFiscal das normas fixadas entre as partes no contrato de arrendamento, vez que adentra seara de interesses privados e econômicos que não lhe compete. Contestam a afirmação da referida Autoridade de que o “Frigorífico Oranges Ltda” não teria atendido às intimações solicitadas. Isto porque, além da citada empresa não estar sob fiscalização, algumas das informações solicitadas deixaram de ser atendidas porque se reportavam a fatos ocorridos há mais de 20 anos e não mais havia documento para dar suporte às respostas requeridas, e outros porque, efetivamente, inexistiam nos cadastros da empresa vez que referentes a atividades dos sócios fora da empresa. Acrescentam que, nas respostas à intimação formulada, atendeu de forma clara e fundamentada todas as proposições. No que tange às declarações do Sr. Otávio Urbano, alegam: (i) não tiveram acesso a tal documento, que não acompanhou a notificação de lançamento fiscal; (ii) não sabem que motivos levaram o Sr. Otávio Urbano a proferir tantas inverdades, reafirmando que jamais foi utilizado como pessoa interposta. Entendem não ser possível aferirse qualquer tipo de vinculação entre empresas ou caracterizar atos de gestão a partir dos alegados “atos societários praticados sem motivação societária e empresarial (alteração e alternância do endereço da matriz e filiais)”. Os impugnantes não entendem comprovada a existência de práticas fraudulentas, haja vista que todos as autuações foram respaldados na documentação contábil/fiscal apresentada pela empresa Barra Mansa, inexistindo qualquer forma de aferição por parte da Auditoria Fiscal. Sustentam que o exsócio do Frigorífico Oranges (Carlos Décio Rosa) e o sócio Marcelo Oranges ajustaram acordo com o Sr. Marlúcio no ensejo de pagar os valores do “Sem Parar” com desconto por meio do contrato que a empresa Barra Mansa nutri com a concessionária, o que não implica na existência de atos de gestão daqueles sócios nesta empresa. Questionam as conclusões adotadas com base nas reclamatórias trabalhistas vez que, como sabido, a parte reclamante não prima pela franqueza quando busca atender seus pleitos financeiros. Nos casos citados pela fiscalização, o que se verifica são tentativas de coagir a empresa Barra Mansa a formular acordos, uma vez que tentam vincular terceiro pelo simples fato de ostentar a propriedade do complexo industrial arrendado. Quanto ao imóvel intitulado como entreposto de São Paulo, afirmam que foi arrendado à empresa Barra Mansa pelo Sr. Dirceu Oranges, não guardando qualquer relação com o Frigorífico Oranges Ltda e/ou com o sócio Dirceu Oranges Júnior. Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.209 23 Alegam a impossibilidade de formularem sua defesa contra os tributos cobrados pelo Fisco, vez que não têm conhecimento e nem tiveram acesso a uma série de documentos citados no Relatório Fiscal, tais como declarações, planilhas e outros documentos que não foram disponibilizados junto com o lançamento fiscal. Contestam a aplicação da multa no patamar de 150% em razão da falta de explicação, pela Autoridade Fiscal, dos motivos que ensejaram a sua qualificação. Acrescentam que, ainda que mantida, a multa qualificada não poderia ser exigida dos responsáveis solidários vez que, em momento algum, contribuíram para tal desiderato. Invocando o disposto no inciso XLV do art. 5° da Constituição Federal2, entende que a pretensão do Fisco de responsabilizar os impugnantes pela infração pretensamente praticada por outro ente personalizado caracteriza afronta ao mencionado dispositivo constitucional. Finalmente, requer: (i) seja decretada a nulidade dos atos de notificações do lançamento, oportunizandose aos terceiros vinculados, nova notificação contendo toda a documentação citada no lançamento, em especial no Relatório Fiscal (declarações, planilhas entre outros); (ii) seja julgado improcedente o presente Auto de Infração no pertinente às responsabilizações solidárias; (iii) que o I. Relator dê ciência e vistas da defesa e da documentação eventualmente juntada pela empresa “Barra Mansa”; (iv) que os advogados subscritores sejam chamados para acompanhamento do julgamento, oportunizando lhes o direito à sustentação oral, tal como lhe faculta o artigo 7° do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil; (v) prazo suplementar de 15 (quinze) dias para a juntada de documentos autenticados, em substituição às cópias apresentadas. É o Relatório. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo (fls. 989/1027): CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo em razão da subrrogação, incidentes sobre a aquisição de produção rural de produtor rural pessoa física. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AOS TERCEIROS. As contribuições destinadas a terceiros (Senar) possuem a mesma base de cálculo utilizada para o cálculo das Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.210 24 contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados que lhe prestam serviços, e sujeitamse aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA QUANDO HÁ IDENTIDADE DE OBJETOS. Por força do Princípio da Unidade Jurisdicional, a decisão judicial é soberana e sobrepõese a qualquer manifestação administrativa eventualmente produzida, de forma que, nos casos de objetos idênticos, operase a renuncia à discussão administrativa. No entanto, as discussões suscitadas apenas no âmbito administrativo deverão ter seu prosseguimento normal, com a finalidade de garantir ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. VIGÊNCIA DE MEDIDA CAUTELAR. MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE. A medida acautelatória (medida liminar em mandado de segurança; medida liminar ou tutela antecipada em outras espécies de ação judicial) que suspende a exigibilidade de crédito tributário em discussão judicial, afasta a possibilidade de exigência de multa de ofício em lançamento com a finalidade de evitar a decadência do direito da Fazenda Pública, nos termos do art. 63 da Lei n° 9.630/96. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SIMULAÇÃO. PROTEÇÃO PATRIMONIAL. INTERESSE COMUM. A responsabilidade tributária pelo pagamento do crédito tributário apurado em empresa com existência meramente formal, constituída com a finalidade de proteger o patrimônio de outra, estendese à empresa protegida pelo negócio jurídico simulado em razão da existência de interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária (art. 124, I, do Código Tributário Nacional). SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ADMINISTRADORES. PRÁTICA DE ATOS ILÍCITOS. Os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis solidários pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, ou, ainda, se comprovada prática ilícita tendente a esvaziar o ativo da sociedade com a finalidade de prejudicar ou impedir a satisfação dos créditos tributários lançados contra a pessoa jurídica. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os relatórios integrantes da autuação oferecem à Impugnante Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.211 25 todas as informações relevantes para sua defesa, confirmada por meio de impugnação na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Por força do disposto na legislação tributária, somente serão declarados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das anteriormente citadas não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. Indeferese o pedido de apresentação de provas após o prazo da Impugnação quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal. SUSTENTAÇÃO ORAL E/OU APRESENTAÇÃO DE MEMORIAIS. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO NORMATIVA. Deve ser indeferido o pedido de sustentação oral em sessão de julgamento na primeira instância administrativa, bem como o pedido de apresentação de memoriais, tendo em vista a falta de sua previsão na legislação pertinente. Em face da referida decisão, foi interposto Recurso de Ofício, tendo em vista a exclusão de dois responsáveis solidários do pólo passivo, acarretando na exoneração, para esses responsáveis, de crédito tributário que ultrapassa o limite de alçada. Cientificado do inteiro teor da decisão em 13/07/2015, o sujeito passivo principal interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, em 11/08/2015 (fls. 1120/1170), reiterando as razões apresentas por ocasião da impugnação. Os responsáveis solidários, por sua vez, apresentaram Recurso Voluntário, em peça única, limitandose a argumentar que não estão presentes os requisitos necessários para a caracterização da responsabilidade solidária. É o Relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade Recurso de Ofício Pontuou a decisão de piso que, unicamente, no que diz respeito à responsabilizar as sócias Cristina Oranges Junqueira Meirelles e Heloisa Helena Oranges Teixeira, merece reforma o lançamento, uma vez que, contratualmente, referidos sócios não tinham poder de Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.212 26 gestão no período em que ocorreram os fatos geradores das contribuições lançadas e, tampouco, foram citadas pela Autoridade Fiscal como partícipes na simulação apurada. Inferese da decisão supra, portanto, que não há exoneração do crédito tributário, mas tão somente exclusão de responsáveis solidário do pólo passivo da presente lide tributária. Destarte, não conheço do recurso de ofício. Admissibilidade O Recursos Voluntários são tempestivos e preenchem aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecidos. Recurso Voluntário (responsáveis solidários) O recurso voluntário dos responsáveis não rebateu o mérito do presente lançamento, limitandose a tentar afastar a responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído em face da BARRA MANSA, fundamentada no art. 124, I, e art. 135, III, ambos do Código Tributário Nacional. A decisão de piso sintetizou de forma clara e objetiva, todas as situações que levaram a autoridade fiscal a considerar o Frigorífico Oranges e seus sócios, como responsáveis solidários pelo crédito tributário sob enfoque. Vêse: Analisando a última alteração contratual do Frigorífico Oranges (2012), constatouse que (i) o correio eletrônico informado no documento societário pertence à empresa Barra Mansa; (ii) as testemunhas arroladas possuíam vínculo empregatício com a empresa Barra Mansa à época da alteração contratual. Ao longo dos últimos 30 (trinta) anos os serviços contábeis contratados pelo Frigorífico Oranges e pelas empresas de fachada eram sempre prestados pelo mesmo escritório contábil e respectivos contadores. Desde 07/01/2004, o Sr. Amauri Ferreira Junior possui procuração com poderes para movimentar contas correntes da empresa Barra Mansa em diversas instituições financeiras. Em pesquisa ao sistema CNIS, o Auditor Fiscal verificou o citado procurador manteve vínculo formal com as empresas Só Carnes Ribeirão Preto Ltda (02/05/1989 a 22/06/1990), Suldoeste Comércio de Carnes e Derivados Ltda (02/07/1990 sem data de rescisão), Agro Ind e Com de Carnes e Derivados Olimpikus Ltda (02/07/1990 a 30/09/1998), Frigorífico Oranges Ltda (02/07/1990 sem data de rescisão) e Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda (a partir de 01/11/1999). O AuditorFiscal apresenta depoimento de Sérgio Antônio Silvério (exempregado do Frigorífico Oranges Ltda e "sócio laranja" de diversas empresas de fachada), no qual relata sobre a prática reiterada de utilizarse de funcionários da empresa como sócios laranja de empresas de fachada. Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.213 27 Retomando a questão dos vínculos empregatícios, as pesquisas realizadas no sistema CNIS permitiram a constatação de uma "confusão" entre o Frigorífico Oranges Ltda e as empresas de fachadas, vez que os sócios do Frigorífico Oranges Ldta mantiveram vínculos empregatícios com as empresas de fachada, assim como os "sócios laranjas" das empresas de fachada foram empregados do próprio Frigorífico Oranges Ltda. Observase que todos os "sócios laranjas", à exceção de Rafael Paulino Pileggi (sócio até 26/08/1996) mantiveram, em algum momento, vínculo empregatício com uma ou mais das empresas de fachada. Apresenta trechos de diversas reclamatórias trabalhistas nas quais os reclamantes obtiveram o provimento de seus pleitos, tendo sido reconhecida judicialmente, nos casos em que não foram realizados acordos, a existência do grupo econômico formado pelo Frigorífico Oranges e as empresas de fachada que a sucederam no mesmo endereço. Os relatos extraídos das ações trabalhistas evidenciam que o preposto da empresa Barra Mansa, Sr. Mauro Donizete de Souza, também assinou documentos pelas diversas empresas de fachada. Consultas realizadas no sistema CNIS confirmaram que o referido preposto manteve vínculo empregatício formal com praticamente todas as "empresas de fachadas" constituídas pelos sócios do Frigorífico Oranges Ltda. Após análise do contrato de arrendamento do complexo industrial entendeu a Autoridade Fiscal que as alterações nos preços do arrendamento mensal (modificação do critério variável para fixo, com posterior aumento de 400% em 44 meses) não foi adequadamente justificado pelas partes. Essas alterações não obedeceram a qualquer critério de mercado, sendo, em verdade, uma das formas utilizadas para repassar recursos aos sócios da arrendante, verdadeiros donos da empresa de fachada fiscalizada. Ainda, o valor não foi reajustado a partir de 2008 em razão dos elevados investimentos realizados pela Barra Mansa na ampliação e modernização do complexo industrial localizado no Sítio Nossa Senhora Aparecida em Sertãozinho/SP (R$ 5.265.022,13 no período 2009 a 2013, apurado na contabilidade e informado pela fiscalizada), que é uma forma "indireta" de repassar recursos aos sócios do Frigorífico Oranges vez que as benfeitorias realizadas no imóvel arrendado, segundo cláusulas contratuais, não seriam indenizáveis. O capital social autorizado da empresa de fachada Barra Mansa foi de R$ 200.000,00, em 12/05/1999, e permanece inalterado até a presente data. Na mesma data, o Sr. Marlúcio subscreveu 190.000 (cento e noventa mil) quotas no valor de R$ 190.000,00, cujo valor foi alterado após a retirada do sócio Otávio Urbano para 198.000 (cento e noventa e oito mil) quotas e R$ 198.000,00. No entanto, constatou o AuditorFiscal que a integralização do capital somente ocorreu no ano 2007 (R$ 8.000,00) e no ano de 2008 (R$ 190.000,00), quase 10 anos após Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.214 28 a subscrição, com recursos originados da distribuição de lucros (R$ 185.208,46) ocorrida neste último ano. Destaca, ainda, a incoerência entre o montante do capital social (R$ 200.000,00) quando comparado com o faturamento anual da empresa (aproximadamente R$ 476.000.000,00 em 2009 e R$ 494.000.000,00 em 2010) e que a empresa não distribui lucros (reserva de lucros no final de 2010 equivalente a R$ 4.992.180,76). Com isso, a fiscalizada realizava elevados desembolsos de recursos na manutenção, investimentos e benfeitorias em imóveis de terceiro, sem que ao longo dos anos tenha distribuído lucros aos sócios, como retorno de seus supostos investimentos. A meu ver, a autoridade fiscal, através de detalhada explanação, logrou êxito em comprovar que a BARRA MANSA era uma empresa interposta, criada para esconder a relação jurídicotributária, que, de fato, era estabelecida entre o Fisco e o Frigorífico Oranges Ltda. Elemento primordial para o convencimento desse julgador consiste no fato de que os sócios da BARRA MANSA eram pessoa simples, sem nenhum patrimônio, tendo identificado, inclusive, um exfuncionário do Frigorífico Oranges Ltda, que em depoimento à autoridade fiscal declarou ter aceitado ser sócio da citada empresa, em troca de sua aposentadoria. De outro lado, a existência de um contrato de arrendamento mercantil celebrado entre as empresas para viabilizar o funcionamento da autuada, denota o forte vínculo existente entre as duas empresas, revestindose de plausibilidade o argumento do Fisco, no sentido de que se trata de um negócio simulado. Nessa toada, resta claro que o responsável solidário (Frigorífico Oranges Ltda) tinha interesse direto na ocorrência do fato gerador e, ainda, que toda a operação simulada demonstrada pela Fiscalização resulta em grave infração à lei, devendo os sócios da empresa com poderes de gestão integrar o polo passivo da presente lide tributária, o que faço com supedâneo nos já citados arts. 124, I e 135, III, ambos do CTN. Dessa forma, encampo o entendimento sedimentado na decisão de piso, no sentido de que: A responsabilidade tributária pelo pagamento do crédito tributário apurado em empresa com existência meramente formal, constituída com a finalidade de proteger o patrimônio de outra, estendese à empresa protegida pelo negócio jurídico simulado em razão da existência de interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária (art. 124, I, do Código Tributário Nacional). Os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis solidários pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, ou, ainda, se comprovada prática ilícita tendente a esvaziar o ativo da sociedade com a finalidade de prejudicar ou impedir a satisfação dos créditos tributários lançados contra a pessoa jurídica. Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.215 29 Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário dos solidários. Recurso Voluntário (contribuinte) Considerações iniciais De início, impende ressaltar que a decisão recorrida deixou de conhecer as razões de defesa afetas à inconstitucionalidade de normas, bem como reconheceu a concomitância entre o discutido no processo judicial e administrativo. No que pertine a tais matérias, contidas na referida decisão, a contribuinte não recorreu expressamente, limitandose a reiterar os argumentos trazidos por ocasião do protocolo da impugnação, em vasta explanação acerca da inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 10.256/2001, ainda que promulgada sob uma nova ordem constitucional. Destarte, o não conhecimento de matérias pertinentes à inconstitucionalidade e a concomitância dos processos judicial e administrativo, tornaramse definitivos, eis que não são objetos do inconformismo recursal. Não obstante, para a adequada análise dos efeitos da Resolução nº 15, do Senado Federal, sobre o presente processo administrativo fiscal, fazse necessária uma análise dos desdobramentos legislativos que culminaram na nova redação do art. 25 da Lei nº 8.212/91, dada pela Lei nº 10.256/2001, o que faço nos termos a seguir delineados. Da Lei nº 10.256/2001 A matriz legal da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física é o art. 25 da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Tendo sido criada antes da edição da Emenda Constitucional (EC) 20/98 por lei ordinária, tal exação teve sua constitucionalidade questionada no Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que, originalmente, a Carta Magna não previa a receita como fato gerador da contribuição previdenciária a ser criada por lei ordinária. Somente poderia ter sido instituída por Lei Complementar para incidir sobre fato gerador não enumerado no art. 195 da Constituição Federal. Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.216 30 No RE 363.852/MG, julgado em 03/02/2010 e transitado em julgado em 08/06/2011, o plenário do STF enfrentou a questão, tendo concluído o julgamento com as seguintes ementa e decisão: Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. De fato, até a edição da EC 20/98, a exação em comento não poderia ter sido criada por lei ordinária para incidir sobre fato gerador não previsto até então no art. 195 da CF. Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.217 31 Nesse aspecto, seguimos a decisão do RE 363.852 para concluir que o art. 25 da Lei nº 8.212/91 não pode ser aplicado até que lei nova, fundada na EC 20/98, tenha instituído validamente a contribuição. De nossa parte, entendemos que isso ocorreu com a edição da Lei nº 10.256/2001 que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei nº 8.212/91 em seu art. 1º. Ainda que a nova lei não tenha repetido ou reeditado os incisos e parágrafos do art. 25 da Lei nº 8.212/91 de modo a afastar qualquer dúvida sobre a constitucionalidade do dispositivo alterado, se assumíssemos que os incisos e parágrafos restaram excluídos do ordenamento jurídico estaríamos adotando interpretação por demais formalista e que resultaria em prejuízo para o financiamento solidário da seguridade social previsto no caput do art. 195 da CF. Logo, após a entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, respeitada anterioridade nonagesimal, o art. 25 da Lei nº 8.212/91 passa a estar em harmonia com a EC 20/98. Assim, a partir de 11/2001 a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física pode ser exigida. Eventuais lançamentos anteriores a tal data não podem prevalecer por falta de previsão legal. Contudo, a recorrente argumenta que mesmo com a promulgação da EC 20/98, o art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, seria inconstitucional. Não obstante a vedação legal desse Conselho em pronunciarse sobre questões afetas à inconstitucionalidade de normas vigentes, é imperioso destacar que a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação trazida pela Lei nº 10.256/2001, já foi aprecida pelo STF, através do julgamento do Recurso Extraordinário 718.874/RS, nos termos seguintes: TRIBUTÁRIO. EC 20/98. NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 195, I DA CF. POSSIBILIDADE DE EDIÇÃO DE LEI ORDINÁRIA PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.256/2001. 1.A declaração incidental de inconstitucionalidade no julgamento do RE 596.177 aplicase, por força do regime de repercussão geral, a todos os casos idênticos para aquela determinada situação, não retirando do ordenamento jurídico, entretanto, o texto legal do artigo 25, que, manteve vigência e eficácia para as demais hipóteses. 2.A Lei 10.256, de 9 de julho de 2001 alterou o artigo 25 da Lei 8.212/91, reintroduziu o empregador rural como sujeito passivo da contribuição, com a alíquota de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; espécie da base de cálculo receita, autorizada pelo novo texto da EC 20/98. 3. Recurso extraordinário provido, com afirmação de tese segundo a qual É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. Portanto, extraise da supra transcrita ementa que: é constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.218 32 O art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91, que trata da subrogação na aquisição de produtores rurais pessoas naturais não foi objeto da declaração de inconstitucionalidade no RE 363.852/MG, permanecendo hígido para os fatos geradores a partir de 11/2001. Os fatos geradores objeto do presente lançamento correspondem ao período de 01/2013 a 12/2014. Assim, não há que se falar em aplicação ao decidido no RE 363.852/MG, porquanto a inconstitucionalidade ali declarada diz respeito à ordem jurídica anterior a entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, ou seja, fatos geradores anteriores a 11/2001. Diferentemente do argumento recursal, a publicação da Resolução nº 15/2017, do Senado Federal, em nada altera o presente lançamento. Dispõe a mencionada Resolução: “Art. 1º É suspensa, nos termos do artigo 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso VII do artigo 12 da Leiº 8.212, de 24 de julho de 1991, e a execução do art. 1º da Leiº 8.540, de 22 de dezembro de 1992, que deu nova redação ao artigo 12, inciso V, ao art. 25, incisos I e II, e ao artigo 30, inciso IV, da Leiº 8.212, de 24 de julho de 1991, todos com a redação atualizada até a Leiº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, declarados inconstitucionais por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 363.852.” Por esta resolução, portanto, há suspensão da execução do inciso VII do artigo 12, da Lei 8.212/1991, bem como artigo 1º, Lei 8.540/92, que deu nova redação ao artigo 12, V, 25, incisos I e II, artigo 30, IV, da Lei 8.212/1991, com a redação atualizada até a Lei 9.528/97, por força decisão definitiva pelo pleno do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário 363.852 (“caso Mataboi”). Como não poderia deixar de ser, a multicitada resolução senatorial tem por escopo conceder efeitos “erga omnes” a todas as situações jurídicas anteriores à promulgação da EC 20/98, não produzindo qualquer efeito em relação a fatos geradores ocorridos a partir de 11/2001, como é o caso dos autos. É certo que, após a edição da Resolução nº 15, do Senado Federal, foi criada uma expectativa para se saber o posicionamento do STF em relação ao tema, já que o acórdão do julgamento do RE 718.874/RS é anterior à aludida resolução. Todavia, o Pretório Excelso já teve a oportunidade de se pronunciar acerca do tema no julgamento de Embargos de Declaração, em 23/05/2018, o que fez nos termos seguintes: EMENTA : PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU OMISSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DE QUESTÕES DECIDIDAS PARA OBTENÇÃO DE CARÁTER INFRINGENTE. INAPLICABILIDADE DA RESOLUÇÃO 15/2017 DO SENADO FEDERAL QUE NÃO TRATA DA LEI 10.256/2001. NÃO CABIMENTO DE MODULAÇÃO DE EFEITOS PELA AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Não existentes obscuridades, omissões ou contradições, são incabíveis Embargos de Declaração com a finalidade específica de obtenção de efeitos Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.219 33 modificativos do julgamento. 2. A inexistência de qualquer declaração de inconstitucionalidade incidental pelo Supremo Tribunal Federal no presente julgamento não autoriza a aplicação do artigo 52, X da Constituição Federal pelo Senado Federal. 3. A Resolução do Senado Federal 15/2017 não se aplica a Lei nº 10.256/2001 e não produz qualquer efeito em relação ao decidido no RE 718.874/RS. 4. A inexistência de alteração de jurisprudência dominante torna incabível a modulação de efeitos do julgamento. Precedentes. 5. Embargos de Declaração rejeitados. Destarte, o entendimento do STF é expresso no sentido que: a Resolução do Senado Federal 15/2017 não se aplica a Lei nº 10.256/2001 e não produz qualquer efeito em relação ao decidido no RE 718.874/RS. Assim, o ato senatorial, vinculado por natureza às declarações de inconstitucionalidade a que se refere, somente atinge a contribuição do empregador rural pessoa física no período anterior à Lei nº 10.256/01. Portanto, o art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91, permanece hígido para regular as relações constantes da constituição do presente crédito tributário, estando a empresa recorrente subrogada na obrigação de reter e recolher a contribuição do produtor rural pessoa física incidente sobre a receita da comercialização de sua produção rural. Feitas essas necessárias ponderações, entendo que, no mais, não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Dos Juros Taxa Selic A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4 A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.220 34 Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Assim sendo, improcede a insurgência da recorrente. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício e negar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 1220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18239.008959/2008-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que informe se a senhora Dirce Mariano da Silva utilizou da dedução de despesa médica com Soberj na DIRPF, exercício 2005. Vencidos os conselheiros Fábia Marcilia Ferreira Campêlo e Thiago Duca Amoni (relator) que votaram contra a diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Virgílio Cansino Gil.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que informe se a senhora Dirce Mariano da Silva utilizou da dedução de despesa médica com Soberj na DIRPF, exercício 2005. Vencidos os conselheiros Fábia Marcilia Ferreira Campêlo e Thiago Duca Amoni (relator) que votaram contra a diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Virgílio Cansino Gil. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 82 39 .0 08 95 9/ 20 08 -2 1 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 18239.008959/200821 Resolução nº 2002000.035 S2C0T2 Fl. 103 2 RELATÓRIO Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 08 a 12), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 1.409,38, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 01 a 17 dos autos, conforme decisão da DRJ: O contribuinte concorda parcialmente com a glosa efetuada conforme petição de fls 23 e 24.Da leitura de tal documento verificase que a parcela impugnada referese aos valores R$360,00pago ao Dr.Sylvio Ludolf Neto e R$4327,00 referente ao Plano de saúde SOBERJ/AMIL. Na peça defensória o contribuinte menciona o Perguntas e Respostas para dar amparo ao seu pleito em considerar dedutível o gasto efetuado em Plano de Saúde, tendo sua esposa como beneficiária. A impugnação foi apreciada na 2ª Turma da DRJ/RJ2 que por unanimidade, em 28/01/2011, no acórdão 1333.275, às efls. 32 a 35, julgou a impugnação parcialmente procedente, afastando as seguintes glosas: De acordo com a declaração de fl. 11 emitida em abril de 2004, relativa ao serviço prestado pelo médico Sylvio Ludolf Neto (R$ 360,00) está suprida a especificação do paciente e, portanto, deve ser considerada como dedução de despesa médica válida. A decisão da DRJ consigna que o recorrente não apresentou impugnação quanto as deduções das seguintes despesas médicas: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 18239.008959/200821 Resolução nº 2002000.035 S2C0T2 Fl. 104 3 Cumpre observar que no presente caso o impugnante não contestou a dedução indevida de despesas médicas referente ao valor total de R$ 438,00 (Dr. Sylvio Ludolf Neto R$ 360,00 e Dra. Edilene Candido R$ 78,00). Considerase, então, parte da infração como matéria não impugnada, encontrandose fora do presente litígio. Recurso voluntário Ainda inconformado, em sede preliminar, o contribuinte impugna as seguintes glosas, conforme razões apresentadas no Recurso, a glosa da despesa com o Plano de Saúde, no importe de R$ 4.327,00. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 14/03/2011, efls. 39, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 11/04/2011, efls. 41, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: Fl. 95DF CARF MF Processo nº 18239.008959/200821 Resolução nº 2002000.035 S2C0T2 Fl. 105 4 (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. O contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, insurgese com a glosa da despesa médica com a Sociedade Beneficente dos Servidores das Entidades da Indústria do Estado do Rio de Janeiro a título de Plano de Saúde, no valor de R$ 4.327,00, sem contudo, trazer qualquer prova nova ao processo, limitandose a juntar os boletos de pagamento juntados quando da impugnação, o que não tem valia como meio comprobatório. Neste caso, mantenho as razões da decisão de piso: Com relação ao valor de R$ 4.327,00, declarado como tendo sido pago à Sociedade Beneficente dos Servidores das Entidades da Indústria do Estado do Rio de Janeiro a título de Plano de Saúde, o contribuinte não anexou documento que comprove o dispêndio com o referido plano e tampouco quais Fl. 96DF CARF MF Processo nº 18239.008959/200821 Resolução nº 2002000.035 S2C0T2 Fl. 106 5 as pessoas seriam beneficiárias do plano de saúde. Portanto, deve ser mantida a glosa efetuada. Por não ter sido apresentado qualquer documento relativo ao desembolso, não há que ser analisado no presente caso se o contribuinte poderia ou não deduzir o valor em sua declaração,apesar de sua esposa não ter sido declarada como dependente. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 97DF CARF MF Processo nº 18239.008959/200821 Resolução nº 2002000.035 S2C0T2 Fl. 107 6 Voto vencedor Conselheiro Virgílio Cansino Gil Redator Inicialmente, peço vênia para adotar o bem elaborado relatório do relator Conselheiro Thiago Duca Amoni. No mais, a decisão vencedora é bastante simples, pois o colegiado, graças a dúvida surgida no momento dos debates, especialmente se a dedução médica com a Soberj já teria sido utilizada pela esposa do contribuinte em sua DIRPF, o que impediria a autorização para a dedução de referida despesa com a manutenção da glosa, resolveu converter o julgamento em diligência à Unidade de origem, para que informe se a Senhora Dirce Mariano da Silva utilizou da dedução de despesa médica com a Soberj na DIRPF exercício 2005. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e RESOLVO converter o julgamento em diligência à Unidade de origem, para que informe se a Senhora Dirce Mariano da Silva utilizou da dedução de despesa médica com a Soberj na DIRPF exercício 2005. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.720908/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2010
EMBARGO INOMINADO.
Na existência de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes no Acórdão recorrido, o embargo inominado deve ser acolhido.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA.
Por voto de qualidade foi rejeitada a nulidade do lançamento por falta de notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE CONTRATOS NULOS. INCIDÊNCIA.
A nulidade do contrato de trabalho com órgão público, por ausência de concurso público, não afasta a obrigação de recolhimento das contribuições previdências, uma vez que constatada a ocorrência do fato gerador que é a prestação de serviço. Ademais, em matéria Tributária, não importa se o contrato de trabalho é lícito, moral ou formal.
RAZÕES DO RECURSO. DEFESA GENÉRICA NO MÉRITO.
O contribuinte insurge-se basicamente em relação a questão da responsabilidade. No que tange as contribuições lançadas não há contestação específica quanto ao lançamento efetuado, de modo que deve ser mantida a decisão recorrida por seus próprios fundamentos.
COMPETÊNCIAS LANÇADAS.
As competências de 01/2010 a 11/2010, não podem ser alcançadas pelas contribuições, uma vez que o termo de parceria, desconsiderado pelo Fisco, fora rescindido em dezembro de 2009.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas podendo exercer de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento.
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve juntar aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-005.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-004.842, de 21/09/2016, alterar o dispositivo do referido acórdão, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada) e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro João Mauricio Vital.
Nome do relator: Relator
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Na existência de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes no Acórdão recorrido, o embargo inominado deve ser acolhido. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Por voto de qualidade foi rejeitada a nulidade do lançamento por falta de notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE CONTRATOS NULOS. INCIDÊNCIA. A nulidade do contrato de trabalho com órgão público, por ausência de concurso público, não afasta a obrigação de recolhimento das contribuições previdências, uma vez que constatada a ocorrência do fato gerador que é a prestação de serviço. Ademais, em matéria Tributária, não importa se o contrato de trabalho é lícito, moral ou formal. RAZÕES DO RECURSO. DEFESA GENÉRICA NO MÉRITO. O contribuinte insurgese basicamente em relação a questão da responsabilidade. No que tange as contribuições lançadas não há contestação específica quanto ao lançamento efetuado, de modo que deve ser mantida a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. COMPETÊNCIAS LANÇADAS. As competências de 01/2010 a 11/2010, não podem ser alcançadas pelas contribuições, uma vez que o termo de parceria, desconsiderado pelo Fisco, fora rescindido em dezembro de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 09 08 /2 01 4- 71 Fl. 1480DF CARF MF 2 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas podendo exercer de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve juntar aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301004.842, de 21/09/2016, alterar o dispositivo do referido acórdão, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada) e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro João Mauricio Vital. Relatório Tratamse de Embargos Inominados (fls. 1470 e seguintes) opostos pelo Presidente da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF contra o Acórdão nº 2301004.842, proferido em 21/09/2016, pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2º Seção de Julgamento, cuja ementa recebeu a seguinte redação: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2010 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 10860.720908/201471 Acórdão n.º 2301005.412 S2C3T1 Fl. 3 3 Por voto de qualidade foi rejeitada a nulidade do lançamento por falta de notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE CONTRATOS NULOS. INCIDÊNCIA. A nulidade do contrato de trabalho com órgão público, por ausência de concurso público, não afasta a obrigação de recolhimento das contribuições previdências, uma vez que constatada a ocorrência do fato gerador que é a prestação de serviço. Ademais, em matéria Tributária, não importa se o contrato de trabalho é lícito, moral ou formal. RAZÕES DO RECURSO. DEFESA GENÉRICA NO MÉRITO. O contribuinte insurgese basicamente em relação a questão da responsabilidade. No que tange as contribuições lançadas não há contestação específica quanto ao lançamento efetuado, de modo que deve ser mantida a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. COMPETÊNCIAS LANÇADAS. As competências de 01/2010 a 11/2010, não podem ser alcançadas pelas contribuições, uma vez que o termo de parceria, desconsiderado pelo Fisco, fora rescindido em dezembro de 2009. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas podendo exercer de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve juntar aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Recurso Provido em Parte”. Alega o Presidente da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF que o acórdão, ora guerreado, encontrase com erro material na medida em que o julgamento foi iniciado em 17/08/2016, ocasião em que a conselheira relatora Alice Grecchi acolhia a alegação de vício formal, no qual restou vencida juntamente com os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves. Com isso, o processo foi retirado de pauta para oportunizar à conselheira relatora o exame das demais questões alegadas, sendo que retomado o julgamento em 21/09/2016, acordouse, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento as competências de 01/2010 a Fl. 1482DF CARF MF 4 11/2010 e reduzir a multa aplicada para o percentual de 75%, vencida a conselheira Andrea Brose Adolfo, que negava provimento ao recurso voluntário. As respectivas pautas registraram: Sessão de 17 de Agosto de 2016 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, não aceitar a alegação de vício formal; vencidas a relatora e os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves. Após, o processo foi retirado de pauta para oportunizar à conselheira relatora o exame das demais questões alegadas. Sessão de 21 de Setembro de 2016 Nas demais questões, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir do lançamento as competências de 01/2010 a 11/2010 e reduzir a multa aplicada para o percentual de 75%. Vencida a Conselheira Andrea Brose Adolfo, quer negava provimento ao recurso voluntário. Tais registros foram transcritos no dispositivo do acórdão embargado. O erro material se demonstraria evidenciado na elaboração da pauta do dia 21/09/2016 e no dispositivo do acórdão embargado, nos quais, para refletir o ocorrido, deveria ter costado: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) pelo voto de qualidade, não aceitar a alegação de vício formal; vencidas a relatora e os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves; (b) nas demais questões, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para (b.1) excluir do lançamento as competências de 01/2010 a 11/2010 e (b.2) reduzir a multa aplicada para o percentual de 75%; vencida a conselheira Andrea Brose Adolfo, que negava provimento ao recurso voluntário. Desse modo, com base no art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf), o Presidente da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção embarga de ofício o Acórdão 2301004.842, para que sejam corrigidas as citadas inexatidões materiais. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Fl. 1483DF CARF MF Processo nº 10860.720908/201471 Acórdão n.º 2301005.412 S2C3T1 Fl. 4 5 O embargo é tempestivo e, por cumprir com as demais formalidades legais, deles conheço. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento de embargos inominados está disciplinado em seu art. 66, nos seguintes termos: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. Dessa forma, o artigo 66 do RICARF determina que cabem embargos inominados quando o acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes. A partir da leitura do Acórdão nº 2301004.842, entendemos que de fato há erro material apontado pelo Presidente da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, de modo que voto por acolher o embargo para, colmatando o erro material apontado para que passe a constar no dispositivo do referido acórdão a seguinte redação: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) pelo voto de qualidade, não aceitar a alegação de vício formal; vencidas a relatora e os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves; (b) nas demais questões, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para (b.1) excluir do lançamento as competências de 01/2010 a 11/2010 e (b.2) reduzir a multa aplicada para o percentual de 75%; vencida a conselheira Andrea Brose Adolfo, que negava provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 1484DF CARF MF 6 Fl. 1485DF CARF MF
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