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Numero do processo: 18088.720460/2011-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas não empregadas.
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL
A decisão deve ser tomada com base nos fatos tais como se apresentam na realidade.
A Administração tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada.
MULTA. NOVAS REGRAS
Quando a legislação estabelece novas regras para a multa, deve-se comparar a multa com base na legislação à época dos fatos geradores e a regra posterior, com prevalência da mais benéfica à recorrente.
Numero da decisão: 2403-002.183
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Ivacir Julio de Souza que entenderam pela inaplicabilidade da multa de ofício. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Croscato dos Santos
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas não empregadas. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL A decisão deve ser tomada com base nos fatos tais como se apresentam na realidade. A Administração tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada. MULTA. NOVAS REGRAS Quando a legislação estabelece novas regras para a multa, deve-se comparar a multa com base na legislação à época dos fatos geradores e a regra posterior, com prevalência da mais benéfica à recorrente.
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Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas não empregadas. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL A decisão deve ser tomada com base nos fatos tais como se apresentam na realidade. A Administração tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada. MULTA. NOVAS REGRAS Quando a legislação estabelece novas regras para a multa, devese comparar a multa com base na legislação à época dos fatos geradores e a regra posterior, com prevalência da mais benéfica à recorrente. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 04 60 /2 01 1- 61 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Ivacir Julio de Souza que entenderam pela inaplicabilidade da multa de ofício. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Croscato dos Santos Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18088.720460/201161 Acórdão n.º 2403002.183 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1440.571 da 9ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Tratase de créditos tributários constituídos pela fiscalização em nome do sujeito passivo acima identificado, por meio dos seguintes Autos de Infração: AI DEBCAD nº 37.049.6701, no valor de R$ 296.200,14, referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes a parte devida pela empresa, incidentes sobre as remunerações pagas/creditadas ao segurados contribuintes individuais no período de 03/2007 a 12/2007. AI DEBCAD nº 37.049.6710, no valor de R$ 77.865,75, referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes a parte devida pelos segurados, incidentes sobre as remunerações indiretas pagas/creditadas ao segurados contribuintes individuais no período de 03/2007 a 12/2007. Conforme Relatório Fiscal, os fatos geradores das contribuições lançadas foram os valores pagos ou creditados pela empresa aos sóciosdiretores e membros do Conselho de Administração, à título de honorários e/ou empréstimos, registrados nas contas contábeis 2.1.01.04.003 (258.7 – Empréstimos) e 2.1.01.04.004 (3146 – Honorários). Aplicouse a multa de ofício de 75%, estabelecida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/09, por ser mais benéfica ao sujeito passivo que as penalidades vigentes quando da ocorrência da infração (AI68 + multa de mora). Impugnação. O sujeito passivo apresentou impugnações distintas para os Autos de Infração lavrados. Em relação ao AI nº 37.049.6701, alega, em suma, o seguinte: Na interpretação e aplicação das normas infralegais devem ser observados os princípios constitucionais da supremacia da Constituição, da máxima efetividade ou eficácia da Constituição, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, Houve cerceamento do direito de defesa, com violação do devido processo legal, uma vez que não houve descrição clara dos Fl. 269DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 motivos de fato e de direito da suposta exigência fiscal, ou seja, descrição exata e detalhada, mediante provas, dos valores recebidos por cada um dos supostos contribuintes individuais. Não incide contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de honorários e empréstimos, uma vez que estes não se caracterizam como salário ou remuneração; também não houve prova de prestação de serviço. Os juros são devidos a razão de 1% ao mês, nos termos do artigo 161, §1º do CTN; esse é o limite máximo para a sua fixação, e não mero parâmetro; a taxa de juros SELIC não foi quantificada por lei, em violação ao princípio da tipicidade cerrada, prevista no artigo 150, inciso I da Constituição Federal. A multa aplicada ofende aos princípios constitucionais da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco, portanto deve ser cancelada, ou reduzida ao patamar de 20%, em conformidade com o artigo 61, §2º da Lei nº 9.430/96. Inexiste previsão legal para o cômputo de juros sobre a multa de ofício. Requer seja julgada procedente a impugnação e cancelado o crédito tributário exigido. Em relação ao AI nº 37.049.6710, além das alegações anteriores, alega também que a fiscalização presumiu que o contribuinte reteve e não recolheu a contribuição devida pelos segurados; que inexiste prova de que houve a retenção; e que tais contribuições deveriam ser exigidas dos verdadeiros contribuintes, que são os empregados. Requer seja julgada procedente a impugnação e cancelado o crédito tributário exigido. Diligência. Tendo em vista que sobre os valores contabilizados pelo contribuinte como empréstimos, a princípio, não incidiria contribuição previdenciária, o processo foi encaminhado à DRF de origem, para que a fiscalização emitisse Relatório Fiscal Complementar, expondo os indícios fáticos apurados durante o procedimento fiscal que a motivaram a considerar como remuneração tais os valores. O Relatório Fiscal Complementar foi emitido pela fiscalização, contendo a exposição dos motivos que a levaram a considerar como remuneração os valores contabilizados pelo contribuinte como empréstimos. Informa que a retirada de numerário da empresa por sócio, a título de empréstimo, sob a forma de contrato de mútuo não comprovado, configura retirada pró labore; que seriam indispensáveis para a comprovação da operação de mútuo, contrato registrado no registro público e apresentação de documentos hábeis e idôneos, sendo insuficiente, para opor a terceiros, a simples apresentação de documentos particulares; que os conselheiros obtiveram, durante o ano de 2007, empréstimos mensais, sucessivos e em valores elevados; que não houve nenhum tipo de amortização Fl. 270DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18088.720460/201161 Acórdão n.º 2403002.183 S2C4T3 Fl. 4 5 desses empréstimos, permanecendo inalterado após três anos das primeiras concessões; que houve uma rotina de pagamentos; e que não se comprovou nenhuma garantia da dívida. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência fiscal, mas não se manifestou. É o relatório. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Não houve retenção da contribuição dos segurados. · O fisco deveria cobrar a contribuição das pessoas físicas e não da recorrente. · Cerceamento de defesa. Descrição totalmente genérica. · Honorários e empréstimos não se caracterizam como salário e são tributados. · SELIC. · Multa. · Juros sobre multa de ofício. É o relatório Fl. 271DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESCRIÇÃO TOTALMENTE GENÉRICA. A recorrente entende que houve cerceamento de defesa em razão da descrição genérica dos fatos pela fiscalização. A fiscalização considerou como fato gerador os valores contabilizados no Passivo Circulante, pela empresa, a título de Empréstimos (Conta 2.1.01.04.003 – Reduzida 2587) e a título de Honorários (Conta 2.1.01.04.004 – Reduzida 3146), a administradores da Empresa. Entendo que inicialmente o Relatório Fiscal não era claro acerca das razões que levaram a autoridade fiscal a considerar os empréstimos como salário de contribuição. Pra sanar esse vício, a DRJ determinou a realização de diligência e reabertura de prazo para manifestação da recorrente. Assim sendo, tornase necessário o retorno deste processo à DRF de origem, para que a autoridade lançadora emita Relatório Fiscal Complementar, para expor os indícios fáticos apurados durante o procedimento fiscal que motivaram ela a considerar como remuneração os valores contabilizados pela empresa como empréstimos aos diretores e aos membros do Conselho de Administração. Após, cientifiquese o interessado do resultado da diligência realizada, concedendolhe o prazo de 30 dias para impugnar os novos fatos informados no Relatório Fiscal Complementar. Entendo que o Relatório Fiscal Complementar sanou o vício e por esse motivo não dou .razão à recorrente. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18088.720460/201161 Acórdão n.º 2403002.183 S2C4T3 Fl. 5 7 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A recorrente afirma que não houve retenção da contribuição dos segurados e que o fisco deveria cobrar a contribuição das pessoas físicas e não da recorrente. Para a questão da retenção da contribuição dos segurados, se houve ou não, o Relatório Fiscal textualmente registra que “não ficou caracterizada”. 12.2 Cabe ressaltar que a partir da análise da documentação não ficou caracterizada retenção das contribuições ora lançadas, razão pela qual a tipificação dos crimes em tese praticados, em conformidade com as informações constantes no presente relatório é a seguinte: Quanto a exigir da empresa a contribuição dos segurados, esse procedimento decorre de lei. O artigo 30 da Lei 8.212/91 estabelece essa obrigação à empresa. Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: b)recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). TRIBUTAÇÃO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A Lei 8.212/91 estabelece que os administradores e membros de conselho de sociedade anônima são segurados obrigatórios da previdência Social e que o salário de contribuição é a remuneração auferida. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração;(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Com o acima exposto entendo correta a tributação dos honorários. Para a questão dos empréstimos, o que motivou a fiscalização a considerálos como salário de contribuição, e o que me levou a concordar com a fiscalização, é que: a empresa não apresentou os contratos; todas as vantagens estão do lado dos mutuários; todas as desvantagens estão com a mutuante; existia uma rotina clara de pagamentos, onde nos mesmos dias, praticamente todos recebem valores da empresa, conforme se constata na planilha abaixo; não houve qualquer tipo de amortização na dívida ao dos anos 2007, 2008, 2009 e 2010; não se comprovou qualquer previsão de garantia da dívida; a recorrente não procedeu qualquer providência para o recebimento dos valores creditados. Entendo que considerar os empréstimos como salário de contribuição representa a verdade sobre os fatos. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18088.720460/201161 Acórdão n.º 2403002.183 S2C4T3 Fl. 6 9 Relatório Fiscal Complementar: 8. Restou confirmado que não houve nenhuma amortização dos empréstimos efetuados. Verificouse a pratica de irregularidade da Baldan Implementos Agrícolas S/A., ao deixar de proceder o recolhimento de contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos a seu Conselho Administrativo. Os valores pagos pela Baldan, a título de Empréstimos e a título de Honorários, referemse na realidade, de pagamentos de verbas remuneratórias. Em decorrência dos seguintes fatos apurados: a) O Conselheiros obtiveram, ao longo dos ano de 2007, empréstimos mensais, sucessivos e com valores elevados. b) Não houve qualquer tipo de amortização na dívida ao longo deste ano e dos anos subseqüentes, sendo que o empréstimo permanece inalterado 3 anos após as primeiras concessões. c) Que ocorre uma clara rotina de pagamentos, d) Não se comprovou qualquer previsão de garantia da dívida. 9. Em decorrência dos fatos acima mencionados, os pagamentos são considerados como verbas de natureza remuneratória, com a incidência de contribuição previdenciária. As decisões negociais oriundas da administração particular das empresas são de livre arbítrio por parte das mesmas e nem poderia ser de forma diferente, posto que o Estado, no caso, representado pela autoridade tributária, não poderia intervir sobre elas, conforme ordenamento jurídico estabelecido na Constituição Federal. Entretanto, compete à autoridade fiscal buscar e proteger os interesses do fisco, bem como imputar ao contribuinte o dever de cumprir sua obrigação principal e acessória, no que se refere a tributos e contribuições, sempre que for apurado situações em que o contribuinte estiver legalmente obrigado a isto. Questão primordial para a análise da matéria em julgamento é que restou demonstrado nos autos que não houve amortização dos empréstimos efetuados. Este fato ganha um contorno ainda Fl. 275DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 mais relevante ao se constatar que o sujeito passivo não procedeu qualquer providência para o recebimento dos valores creditados. 12. Assim, o simples registro efetuado na contabilidade da empresa ... Outra análise que permite constatar a ausência de credibilidade do Empréstimo efetuado, diz respeito à gratuidade da suposta transação. Constatouse que não houve qualquer tipo de amortização na divida ao longo dos anos de 2007, 2008, 2009 e 2010 e o mútuo permanece inalterado três anos após as primeiras concessões. 13. Não se verifica, neste procedimento, qualquer benefício para a empresa, ao contrário, caso fosse regularmente comprovado a operação de mútuo, da forma como este foi efetuado ocorreu apenas vantagens para o mutuário, posto que este obteve um benefício sem paralelo no mercado financeiro. 14. Assim, por todo o exposto, considerando que não restou caracterizado a ocorrência de empréstimos financeiros a título de mútuo, em decorrência da não apresentação de documentos válidos que dessem sustentação aos lançamentos contábeis, há que se considerar os valores registrados na contabilidade da empresa, conforme já mencionado, como retirada de pro labore. SELIC – SÚMULA Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. MULTA Em obediência ao princípio da retroação benigna, se efetuou comparativo , folha 106, entre a multa com base na legislação à época dos fatos geradores e a vigente quando Fl. 276DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18088.720460/201161 Acórdão n.º 2403002.183 S2C4T3 Fl. 7 11 da ação fiscal, com prevalência da mais benéfica à recorrente. Resultou ser menos severa a legislação atual (período da ação fiscal). Entendo legal a multa aplicada. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 277DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13749.720206/2011-19
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2011
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2011 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 02 06 /2 01 1- 19 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720206/201119 Acórdão n.º 1801001.674 S1TE01 Fl. 40 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 05, com a exigência do crédito tributário no valor de R$863,54 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 17.08.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de dezembro do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 23.02.2011. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0204, com as alegações a seguir transcritas. O contribuinte em 2009 era empresa optante pelo [Simples Nacional] e mudou seu regime de tributação pata o lucro presumido em janeiro de 2010, e passou a ser obrigado à apresentação de DCTF, haja vista que a partir desta data as empresas com tributação neste regimes [passaram] a ser obrigadas a apresentação mensal. Cumpridora de suas obrigações acessórias tributárias a empresa apresentou a DCTF espontaneamente, para simples regularização de sua situação cadastral na [RFB], uma vez que seus impostos todos foram quitados no período. Referente a multa ora cobrada, vale ressaltar que corre, entretanto, hodiernamente, grande debate em torno do tema, prevalecendo, dentro dos tribunais a tese da inaplicabilidade da multa tributária no caso da confissão espontânea de Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720206/201119 Acórdão n.º 1801001.674 S1TE01 Fl. 41 3 débito tributário, sendo, " in casu", totalmente defesa à imposição, sob qualquer forma de denominação empregada renegando, inclusive, ponto de vista já sedimentado na jurisprudência pátria, até mesmo em tribunais superiores. Ressaltase também que os Estados Federativos não estão aplicando penalidades multas aos contribuinte quando apresentam suas obrigações acessórias fora do prazo espontaneamente. [...] A DCTF foi criada através de instrução normativa baixada pela Secretaria da Receita Federal, que sob p fundamento do art. 5º do Decretolei 2.124/84, foi delegado ao Ministro da Fazenda baixar normas para regulamentar a exigência de declarações de impostos e fixar multas por descumprimento dessas obrigações acessórias. Ocorre que, com o advento da Constituição Federal de 1988, somente por lei podese ser criado o tributo, e suas obrigações acessórias, tal qual o cumprimento da obrigação principal (pagar o tributo) e das obrigações acessórias (fazer ou deixar de fazer uma obrigação. Significa que a somente por lei pode ser instituído o tributo (obrigação de dar) è as obrigações acessórias (obrigação de fazer ou não fazer), criando os instrumentos de controles (declarações) e impondo as penalidades de multa caso|seja descumprida as obrigações acessórias. Assim, somente a lei (poder legislativo) pode instituir as obrigações acessórias, não podendo, ser delegada competência ao poder executivo para baixar normas obrigacionais de caráter tributário que não tenham origem em lei. A instrução normativa (124/86) e suas demais atualizações sobre a DCTF e imposição de multas não jtêm fundamento em lei para sua exigência. Fere, portanto, o princípio da legalidade (art. 5o, II da CF/88) ao qual determina que "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei". A DCTF não foi criada por lei A instrução normativa que cria o DCTF não é lei. A multa aplicada por atraso na entrega da DCTF não tem fundamento na lei. Portanto são ilegais. Além disso a instrução normativa que cria a DCTF fere normas da Constituição Federal de 1988, o que é considerada inconstitucional. [...]O argumento expendido na presente verte de modo direto do Código Tributário Nacional, legislação infraconstitucional elevada, portanto, à condição de verdadeira lei complementar] Especificamente no art. 138 da referida legislação é que vamos confrontar a normatização básica para o perfeito entendimento do caso "ore sub examen" [...]. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que o lançamento é nulo, nos seguintes termos: À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total ou parcial do lançamento, requer que seja acolhida a presente Impugnação. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0242.925, de 27.02.2013, fls. 1820: Impugnação Improcedente. Consta no Voto Condutor Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720206/201119 Acórdão n.º 1801001.674 S1TE01 Fl. 42 4 No Direito Tributário, devese observar o princípio da responsabilidade objetiva do sujeito passivo em relação às suas obrigações tributárias e ao cometimento de infrações, ou seja, a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). De acordo com o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, na redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004, o sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, estará sujeito à multa. Esse é o fundamento legal para a aplicação da multa. Os princípios constitucionais invocados norteiam o legislador e não o aplicador da lei. As hipóteses de aplicação da punição, as variações de intensidade em razão do tempo de atraso e de outros critérios, bem como as reduções e dispensas são fixadas de forma categórica na própria legislação, não havendo oportunidade para discricionariedade da autoridade fiscal. Portanto, o lançamento efetuado conforme manda a legislação e com base em fatos e dados cuja veracidade a impugnante não logra abalar, atende, no âmbito de atuação do agente do fisco, os princípios invocados. O argumento denúncia espontânea utilizado para o pedido de cancelamento não pode ser acolhido no âmbito administrativo, pois a matéria se encontra sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos seguintes termos: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Restou ementado ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2010 DCTF. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Notificada em 11.03.2013, fl. 27, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.04.2013, fls. 2931, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720206/201119 Acórdão n.º 1801001.674 S1TE01 Fl. 43 5 Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente diz que o lançamento não poderia ter ido realizado sem prévia intimação. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720206/201119 Acórdão n.º 1801001.674 S1TE01 Fl. 44 6 sendo exigida a habilitação profissional de contador2. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante da multa de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal. O instituto da denúncia espontânea não abrange a obrigação acessória.3. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 4, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 4 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 5 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720206/201119 Acórdão n.º 1801001.674 S1TE01 Fl. 45 7 relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Assim, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). O sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos6. 6 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720206/201119 Acórdão n.º 1801001.674 S1TE01 Fl. 46 8 Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores7. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 17.08.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de dezembro do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 23.02.2011. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. 7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720206/201119 Acórdão n.º 1801001.674 S1TE01 Fl. 47 9 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 47DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15374.916361/2008-64
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, converteuse o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
[assinado digitalmente]
Belchior Melo de Sousa Presidente em exercício
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA (Presidente), JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, PAULO GUILHERME DEROULEDE, HÉLCIO LAFETÁ REIS, ADRIANA OLIVEIRA E RIBEIRO
Nome do relator: Não se aplica
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Por unanimidade de votos, converteuse o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa – Presidente em exercício [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA (Presidente), JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, PAULO GUILHERME DEROULEDE, HÉLCIO LAFETÁ REIS, ADRIANA OLIVEIRA E RIBEIRO Relatório Tratase de PER/DCOMP, transmitido em 07/10/2004, que buscou compensar créditos de PIS/Pasep oriundos de pagamento alegadamente indevido ou a maior, de competência setembro/2003, com débitos de COFINS de apuração janeiro de 2002, no valor total de R$ 28.246,12. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 16 36 1/ 20 08 -6 4 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA Processo nº 15374.916361/200864 Resolução nº 3803000.283 S3TE03 Fl. 11 2 A DRF no Rio de Janeiro/RJ através de despacho decisório eletrônico, emitido em 12/08/2008, não homologou o PER/DCOMP, sob o argumento de que encontrou o pagamento indicado, mas integralmente utilizado para a quitação de débitos do sujeito passivo. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde resumidamente afirma ter errado no preenchimento da DCTF do período, o que gerou a não homologação do pedido apresentado. Alega ter realizado um REDARF para alterar o código indicado e invoca o principio da verdade material. Ao final requer ter seu direito creditório reconhecido, anexa extrato da DCTF original e recibo de entrega da DCTF retificadora transmitida em 18/09/2008. A DRJ/RJI julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que as provas trazidas aos autos foram insuficientes a comprovar o direito creditório. Ementou nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/02/2003 Prova. Momento. Preclusão. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, no qual apresenta os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade de erro no preenchimento da DCTF, anexando extrato da DACON, Livro Razão e Livro Diário. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Das retificações da DCTF. Especificamente em relação à redução dos débitos tributários, é oportuno ressaltar que somente nas hipóteses em que caracterizada a espontaneidade a DCTF e DACON retificadoras tem a mesma natureza das originais, substituindoas integralmente. Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não pode mais ser admitida como prova suficiente para redução do valor do tributo devido. Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1°, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010,a seguir transcritos: “Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de Fl. 223DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA Processo nº 15374.916361/200864 Resolução nº 3803000.283 S3TE03 Fl. 12 3 DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. Grifamos” O contribuinte retificou a DCTF do período, após a ciência do despacho decisório, com isso as declarações retificadoras, não produzem os efeitos modificativos dos débitos originalmente confessados. Comprovação de Crédito. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” Fl. 224DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA Processo nº 15374.916361/200864 Resolução nº 3803000.283 S3TE03 Fl. 13 4 No caso em análise, o contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS/Pasep, contudo, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Dos documentos juntados em Recurso Voluntário Como relatado, no recurso voluntário a recorrente faz juntada de extrato da DACON, Livro Razão e Livro Diário com o fito de provar a veracidade das alegações aduzidas em sede de Manifestação de Inconformidade e, agora, em Recurso Voluntário. Considerando o artigo 923 do RIR/99, replicando o contido no DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º , estabelece que: Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Compulsando os referidos documentos constatamos que os mesmos trazem parte do material probatório para se provar a base de cálculo do tributo, calculado sob a forma não cumulativa, com as reduções previstas em lei e que aponta para saldo credor no período. Há indícios do direito pleiteado, porem, faltam provas para se ter a liquides e certeza do credito almejado. Em vista do exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência. É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 225DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Numero do processo: 15586.720776/2012-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/08/2010
COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. RECURSO REPETITIVO DO STJ.
Nos termos do art. 170-A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039-DF, cuja decisão foi proferida na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil.
DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
Nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO FALSA. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO.
Para a incidência da multa isolada prevista no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212/91, há a exigência expressa de que se comprove a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, de sorte que a mera alegação de ilegitimidade da compensação realizada não é suficiente para a subsunção do tipo infracional.
Recurso Voluntário Negado
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-002.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, porque não ficou demonstrada a presença do elemento subjetivo, dolo, para caracterizar a ocorrência do tipo infracional previsto no § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/91. Por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, porque é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva acompanhou pelas conclusões, com a ressalva de que todas as matérias trazidas no recurso devem examinadas, inclusive a obrigatoriedade da retificação de GFIP.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. RECURSO REPETITIVO DO STJ. Nos termos do art. 170-A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039-DF, cuja decisão foi proferida na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO FALSA. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO. Para a incidência da multa isolada prevista no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212/91, há a exigência expressa de que se comprove a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, de sorte que a mera alegação de ilegitimidade da compensação realizada não é suficiente para a subsunção do tipo infracional. Recurso Voluntário Negado Recurso de Ofício Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, porque não ficou demonstrada a presença do elemento subjetivo, dolo, para caracterizar a ocorrência do tipo infracional previsto no § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/91. Por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, porque é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva acompanhou pelas conclusões, com a ressalva de que todas as matérias trazidas no recurso devem examinadas, inclusive a obrigatoriedade da retificação de GFIP. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
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AÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. RECURSO REPETITIVO DO STJ. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039DF, cuja decisão foi proferida na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO FALSA. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO. Para a incidência da multa isolada prevista no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212/91, há a exigência expressa de que se comprove a “falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”, de sorte que a mera alegação de ilegitimidade da compensação realizada não é suficiente para a subsunção do tipo infracional. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 07 76 /2 01 2- 25 Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, porque não ficou demonstrada a presença do elemento subjetivo, dolo, para caracterizar a ocorrência do tipo infracional previsto no § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/91. Por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, porque é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva acompanhou pelas conclusões, com a ressalva de que todas as matérias trazidas no recurso devem examinadas, inclusive a obrigatoriedade da retificação de GFIP. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15586.720776/201225 Acórdão n.º 2302002.567 S2C3T2 Fl. 1.015 3 Relatório Tratase de Recursos Voluntário e de Ofício contra decisão de primeira instância que negou provimento à impugnação do AI nº 51.023.6464, mantendo o crédito tributário, no valor de R$ 1.529.343,10, acrescido de juros e multa; e deu provimento à impugnação do AI nº 51.023.6472, anulando o crédito tributário, no valor de R$ 2.336.008,80. Adotase o relatório constante no acórdão do órgão a quo (fls. 296/297), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase no presente processo de créditos constituídos pela fiscalização, mediante a lavratura do auto de infração nº 51.023.6464, referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados que prestaram serviços ao Impugnante, não recolhidas em época própria, devido à realização de compensação indevida, no período de 01/2009 a 08/2010; e do auto de infração nº 51.023.6472, referente à multa isolada, no percentual de 150% das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestaram serviços ao Impugnante, devido à realização de compensação indevida, no período de 01/2009 a 08/2010, declarada em GFIP com falsidade. 2. No relatório fiscal de fls. 21/39 a fiscalização informou, em síntese, que: 2.1. O presente processo teve por objeto o lançamento das contribuições decorrentes da glosa de compensação que considerou indevida, no período de 01/2009 a 08/2010; 2.2. O contribuinte compensou recolhimentos realizados no período de 01/1998 a 08/2004, a título de contribuição sobre os agentes políticos, mediante declaração em GFIP, no período de 01/2009 a 08/2010, as quais foram consideradas indevidas e glosadas integralmente; 2.3. Intimou o contribuinte através dos TIPF, TIF nº 1 e 2 a apresentar documentos que comprovassem o efetivo recolhimento indevido, como GPS e lançamentos de ofício, acompanhados de planilhas que especificassem as rubricas de pagamento, bases de cálculo, contribuição patronal e eventuais deduções, que resultaram nos valores compensados; 2.4. As planilhas elaboradas pelo contribuinte não detalharam os valores compensados, não demonstrou a composição da base de cálculo, as alíquotas aplicadas, as contribuições dos segurados e deduções legais. Também não comprovou que realizou os pagamentos que pleiteou compensar, vinculandoos de forma inequívoca às GPS dos agentes políticos; Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 2.5. Os recolhimentos em GPS feitos por órgãos públicos podem envolver diversas contribuições, como as dos servidores comissionados, autônomos, agentes políticos e transportadores autônomos, de maneira que somente o sujeito passivo poderia demonstrar, através da memória de cálculo, que a composição das GPS contemplavam as contribuições dos agentes políticos que compensou; 2.6. Em que pese o reconhecimento da Administração de que o sujeito passivo tem direito de compensar recolhimentos relativos às contribuições dos agentes políticos, declaradas inconstitucionais, o contribuinte não logrou êxito em comprovar que as referidas contribuições foram efetivamente recolhidas para a Previdência Social, pois não havendo pagamento indevido, não há que se falar em crédito, mesmo que as remunerações tenham sido declaradas em GFIP; 2.7. O contribuinte iniciou a compensação antes do inicio da ação judicial, proposta em 06/08/2008, cuja sentença inicial foi reformada para considerar a prescrição do direito à compensação dos recolhimentos realizados a partir de 06/08/2003 até 18/09/2004; 2.8. Anteciparse à decisão judicial é no mínimo imprudência processual, considerando o disposto no artigo 170A do CTN. Ainda que transitada em julgado a ação o contribuinte deveria observar o prazo prescricional e a necessidade de comprovação de que os valores foram recolhidos; 2.9. O sujeito passivo não providenciou a retificação das GFIP, deixando de observar condição posta para realização da compensação, constante do artigo 4º, I da Portaria MPS nº 133/06 e artigo 6º, I e § 4º, da IN MPS/SRP nº 15/2006; 2.10. O contribuinte tinha ciência de que o prazo prescricional era de 5 anos, tanto que recorreu ao judiciário para alargar o prazo. Mesmo assim, iniciou a compensação de créditos prescritos antes de transitar em julgado a decisão, desrespeitando a previsão contida no artigo 170A do CTN e, desta forma, agiu com intuito de suprimir ou reduzir, deliberadamente, as contribuições previdenciárias, o que se amolda à conduta de fraude descrita no artigo 72, da Lei nº 4.502/64; 2.11. Aplicou a pena de multa de 150% do valor das contribuições que deixou de recolher em razão da compensação, pois restou comprovado que as GFIP continham informações sabidamente falsas, pois não retificou as GFIP para subtração dos agentes políticos. 3. A Impugnante apresentou defesa, em 24/09/2012, em face do AI nº 51.023.6464, às fls. 539/559, e do AI nº 51.023.6472, às fls. 926/950, aduzindo que: 3.1. A autoridade fiscal glosou as compensações argumentando a impossibilidade de compensação antes do trânsito em julgado da sentença de mérito; a não apresentação de GFIP e GPS comprovando o efetivo recolhimento das contribuições; a Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15586.720776/201225 Acórdão n.º 2302002.567 S2C3T2 Fl. 1.016 5 prescrição; e a necessidade de retificação da GFIP. Todavia, os fundamentos elencados não se sustentam; 3.2. A legislação em vigor autoriza o contribuinte a compensar independentemente de decisão judicial, haja vista que incumbe ao mesmo realizála de ofício, na esfera administrativa. Além disso, há orientação jurisprudencial no sentido da inaplicabilidade do artigo 170A do CTN, no caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Da mesma forma, o direito à compensação foi garantido pela declaração de inconstitucionalidade, com efeito “erga omnes” atribuído pela Resolução do Senado Federal; 3.3. Os recolhimentos foram feitos de forma global nas GPS, conforme prescrito na legislação de regência, abarcando não só as contribuições dos agentes políticos, mas também as demais devidas pelo Município. Revelase impossível cumprir a exigência da fiscalização, de vincular as GPS às contribuições dos exercentes de cargos eletivos, senão o detalhamento em GFIP. 3.4. O Município analisou a base de cálculo tributada e o pagamento global de contribuição do período, dessa forma, é impossível demonstrar através de GRPS e GPS o recolhimento exato da rubrica considerada indevida, como quis a fiscalização, pois recolhimento indevido é fração do valor pago na GRPS e GPS, sendo necessário analisar em conjunto com as GFIP; 3.5. O Município apresentou todos os documentos hábeis e idôneos (GFIP e GPS) para apurar o efetivo recolhimento indevido, não havendo nenhum documento omitido; 3.6. Tratase de compensações efetivadas pelo contribuinte no período de 01/2009 a 08/2010, cujo crédito é decorrente do reconhecimento da inconstitucionalidade das contribuições sobre a remuneração dos exercentes de mandato eletivo, reconhecida pelo STF e objeto da Resolução nº 26, de 22/06/2005, do Senado Federal; 3.7. A prescrição, consoante entendimento do CARF (citou precedentes), é no sentido de que a contagem iniciase a partir da edição da Resolução do Senado Federal, que retira a eficácia da legislação declarada inconstitucional. Contudo, conforme se infere, os valores foram apropriados e compensados entre 01/2009 a 08/2010, ou seja, com exceção dos últimos dois meses, dentro do lapso temporal de 5 anos da Resolução, destarte, não há que se falar em prescrição; 3.8. ...a “GFIP da qual fala o artigo 32 da Lei nº 8.212/91 está de posse da Receita Federal, podendo/devendo ser ratificada pela Autoridade Administrativa...” 3.9. Descabida e ilegal a exigência de retificação da GFIP por parte do contribuinte. A ausência de retificação da GFIP é questão acessória e deve ser tratado como tal pela Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Administração Pública Federal, nunca podendo limitar um direito legal e constitucional do contribuinte; 3.10. A GFIP apresentada pelo contribuinte não é falsa, não havendo, portanto, em se falar em falsidade de declaração. As compensações foram efetivadas com base nos documentos contábeis da Prefeitura não sendo falseada nenhuma informação; 3.11. Caso a fiscalização não concorde com a compensação, por eventual prescrição ou ausência de cumprimento de obrigação tributária acessória, ou direito material, deveria autuar a Prefeitura, nunca afirmar que os documentos apresentados são falsos; 3.12. Entendimento já pacificado no CARF, para a aplicação da multa agravada, deve ficar comprovado minuciosamente a descrição e comprovação razoável da prática de sonegação, fraude ou conluio. Absolutamente consolidado, o entendimento ensejou a edição da Súmula nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. (destaques nossos) A 12ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro, no Acórdão de fls. 968/978, negou provimento à impugnação do AI nº 51.023.6464, mantendo o crédito tributário, no valor de R$ 1.529.343,10, acrescido de juros e multa. Todavia, quanto ao AI nº 51.023.6472, que trata exclusivamente da multa isolada, deu provimento à impugnação para anular o crédito tributário no valor de R$ 2.336.008,80, recorrendo de ofício de sua decisão. A recorrente foi intimada do Acórdão em 20/02/2011 (fls. 981), tendo apresentado Recurso Voluntário em 21/03/2011 (fls. 983/993), no qual alega: * O Município teria apresentado todos os documentos hábeis e idôneos (GFIP e GPS) para apurar o efetivo recolhimento indevido, não havendo nenhum documento omitido. Os recolhimentos teriam sido feitos de forma global nas GPS, conforme prescrito na legislação de regência, abarcando não só as contribuições dos agentes políticos, mas também as demais, devidas pelo Município. Revelariase impossível cumprir a exigência da fiscalização, de vincular as GPS às contribuições dos exercentes de cargos eletivos. Diferentemente do que afirma a Turma de Julgamento, o confronto entre GFIP´s e GPS possibilitaria concluir pela existência do crédito compensado; * Seria descabida e ilegal a exigência de retificação da GFIP por parte do contribuinte. A ausência de retificação da GFIP é questão acessória e deve ser tratada como tal pela Administração Pública Federal, nunca podendo limitar um direito legal e constitucional do contribuinte. Ademais, a GFIP estaria na posse da Receita Federal, podendo/devendo ser ratificada pela Autoridade Administrativa. Ao final, requer seja acolhido e julgado procedente o recurso. É o relatório. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15586.720776/201225 Acórdão n.º 2302002.567 S2C3T2 Fl. 1.017 7 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Compensação. Ausência de Trânsito em Julgado. Todos os argumentos da recorrente podem ser reduzidos à impossibilidade de exigência de retificação de GFIP para o exercício do direito de compensação e ao reconhecimento de que houve a comprovação do recolhimento indevido (contribuições incidentes sobre o subsídio de detentores de mandato eletivo). Ocorre que, ainda que se reconhecesse a existência de tais créditos e que não fosse exigida a retificação da GFIP, tais fatos não teriam o condão de tornar ilegítima a glosa efetuada, tendo em vista o comando contido no artigo 170A do CTN, que veda "a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial". Tal vedação aplicase inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039/DF, cuja decisão foi proferida na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. 2. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1.167.039/DF, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) (destaques nossos) Portanto, inexistem dúvidas de que o eventual reconhecimento de crédito a compensar à recorrente ou a sua dispensa de retificação das GFIP´s não tornariam lídima a compensação efetuada. Notese que, nos termos art. 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Regimento Interno do CARF (Portaria n° 256/2009): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, estando este órgão julgador vinculado à decisão proferida pelo STJ, não cabem maiores digressões a respeito do pleito de reconhecimento dos créditos ou de dispensa de retificação da GFIP, devendo ser reafirmada a ilegitimidade da compensação procedida pela recorrente. Recurso de Ofício. Multa. Além do Recurso de Voluntário, cumpre apreciar o Recurso de Ofício decorrente do provimento dado à impugnação quanto ao AI nº 51.023.647 2, que implicou na anulação do crédito tributário no valor de R$ 2.336.008,80, referentes, exclusivamente, à multa isolada aplicada. O órgão a quo decidiu que é improcedente a aplicação de multa isolada sem que a autoridade lançadora comprove, com provas robustas, a falsidade da declaração e o dolo específico. No caso em destaque a autoridade fiscal entendeu que estaria configurada a falsidade, pelo fato da recorrente ter declarado nas GFIP´s a compensação de recolhimentos indevidos a título de contribuição sobre a remuneração de agentes políticos sem qualquer ato legal ou decisão judicial transitada em julgado que o amparasse, bem como pelo fato de ter alegado que a compensação se deu com base em decisão judicial, sendo que já havia iniciado a compensação antes da sentença de 1º grau em seu favor. Vejamos as disposições legais que fundamentam as penalidades incidentes na hipótese de compensação indevida: Lei nº 8.212/91: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) §9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15586.720776/201225 Acórdão n.º 2302002.567 S2C3T2 Fl. 1.018 9 §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) (...) Ainda Lei nº 8.212/91: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a,b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. (...) Ainda Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 (...) (destaques nossos) A leitura atenta dos textos legais acima transcritos indicam que há a previsão de duas penalidades pecuniárias para a compensação indevida de contribuições previdenciárias: (i) a multa de mora de 20%; e (ii) a multa isolada de 150%. Ocorre que, para a aplicação da primeira (multa de mora), a legislação exige apenas à apuração de compensação efetuada de forma indevida. Quanto à segunda (multa isolada), consta que tem cabimento “quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”. Se a lei não tem palavras inúteis (MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito. 16. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1997, p. 251), quanto mais orações inteiras. É verdade que, por força do que dispõe o artigo 136 do CTN, “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável”, ou seja, independe de dolo. Todavia, quanto à multa isolada, parece haver disposição em contrário, pois há a condicionante de comprovação da falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Para a compensação ser considerada indevida, ou a declaração que deu origem era falsa ou se tornou falsa. Destarte, sempre haverá falsidade, de sorte que não haveria razão para o legislador condicionar a sua aplicação à comprovação da falsidade despretensiosa. Assim, a única maneira de justificar, do ponto de vista jurídico, a existência da condicionante “quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”, é invocar a intencionalidade do agente. Ademais, não parece que se possa cogitar de comprovação de uma falsidade sem o elemento subjetivo, pois a própria falsidade, no vernáculo, tem definições que implicam em intencionalidade: s.f. (Do lat. Falsitas, falsitatis). 1. Propriedade do que é falso. – 2. Mentira, calúnia. – 3. Hipocrisia; perfídia. – 4. Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade. (Grande dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Larousse cultural, 1999, p. 420) Isso sem falar que, ainda que restassem dúvidas quanto ao sentido a ser atribuído à disposição legal, em reforço argumentativo, deve destacar o art. 112 do CTN, que impõe interpretações mais benéfica aos infratores da lei tributária: Código Tributário Nacional – CTN: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15586.720776/201225 Acórdão n.º 2302002.567 S2C3T2 Fl. 1.019 11 Portanto, a exigência do dolo, além de ser interpretação que busca dar coerência ao arcabouço normativa, indubitavelmente, revelase como a mais benéfica ou favorável ao infrator. Podese afirmar, do quanto exposto até aqui, que, para que se configure a ocorrência do tipo infracional previsto no § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/91, é indispensável que esteja demonstrada a presença do elemento subjetivo associado à conduta típica. Por esse motivo, exige a regra tributária em realce que, para a caracterização do tipo infracional em debate, o agente fiscal tem que demonstrar a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. No caso presente, o Relatório Fiscal não indica qualquer elemento do qual se possa extrair, de forma concreta, a intencionalidade do agente, destacandose apenas que a compensação não estava amparada por qualquer ato legal ou decisão judicial transitada em julgado, assim como pelo fato de ter alegado que a compensação se deu com base em decisão judicial, sendo que já havia iniciado a compensação antes da sentença de 1º grau em seu favor. Como se vê, a conduta, da forma como descrita, apesar de contrariar o disposto no artigo 170A do CTN (É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial), não denota qualquer intenção de fraude por parte da recorrente, mas a mera opção por uma conduta amparada por interpretação jurídica minoritária na jurisprudência (inaplicabilidade do artigo 170A do CTN) e que, posteriormente, veio a ser superada quando do julgamento do REsp 1.167.039DF. Assim, concluise que não restou demonstrado e tampouco conseguese extrair da conduta da recorrente descrita nos autos que, de forma consciente, mesmo sabedora de que não possuía direito creditório, tenha informado em GFIP compensação de contribuições previdenciárias visando ludibriar o fisco. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Outrossim, CONHEÇO do Recurso de Ofício para, no mérito, também NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 11080.009904/2006-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 30/11/2001 a 31/08/2006
DÉBITOS CONFESSADOS ATRAVÉS DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. ART. 74, DA LEI Nº 9.430/96.
Os débitos confessados através de PER/DCOMPS e Declarações de Compensação extinguem o crédito sob condição resolutória, nos termos do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996, os quais só serão exigidos, na hipótese de não-homologação das compensações apresentadas.
TRIBUTÁRIO. IPI. INSUMOS ISENTOS, NÃO-TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AOS CRÉDITOS.
Não há direito à utilização dos créditos do IPI no que tange às aquisições insumos isentos, não-tributados ou sujeitos à alíquota zero, precedentes do Plenário do STF (RE 370.682/SC e RE 353.657/RS).
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. CONCEITO DE INSUMOS. ÓLEO COMBUSTÍVEL, LENHA, GÁS PARA CALDEIRA, ÓLEO PARA CALDEIRA, BIOMASSA E ENERGIA ELÉTRICA. PARECER CST 65/79.
Somente os insumos indicados na legislação do IPI podem ser computados na apuração do referido benefício, não podendo compreender todos os insumos, mas tão somente as matérias-primas (MP), produtos intermediários (PI) e os materiais de embalagem (MP), que tenham sido consumidos no processo de industrialização (Parecer Normativo CST nº 65/1979) nominados no art. 2º da Lei nº 9.363, de 1996, é que asseguram direito ao creditamento do benefício.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRANSFERÊNCIA ENTRE FILIAIS E MATRIZ. SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL.
No caso concreto, em que a matriz não é contribuinte do IPI, as transferências entre filiais e matriz, sem a emissão de nota fiscal, não impede o aproveitamento do crédito, posto que não haveria como ocorrer duplicidade de benefício.
REGISTRO A MAIOR DE EXPORTAÇÕES.
Estando comprovado que houve registro a maior de exportações, correta a glosa, pois, sem a glosa, o benefício sofreria incremento indevido.
CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. REGIME ALTERNATIVO.
A apuração do crédito presumido pelo regime normal da Lei nº 9.363, de 1996, não contempla as despesas incorridas com industrialização sob encomenda a terceiros.
RO Negado e RV Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-001.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício e, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de excluir do lançamento as parcelas decorrentes das glosas de transferência entre estabelecimento matriz e filiais sem a emissão de nota fiscal (unânime) e manter a glosa referente à industrialização por encomenda, nos termos dos votos que integram o julgamento. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andréa Medrado Darzé e Maria Teresa Martinez López, em relação a essa matéria. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Gabriel Cabral do Nascimento, OAB/SC nº 22912.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio Lisboa Cardoso Relator
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. ART. 74, DA LEI Nº 9.430/96. Os débitos confessados através de PER/DCOMPS e Declarações de Compensação extinguem o crédito sob condição resolutória, nos termos do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996, os quais só serão exigidos, na hipótese de nãohomologação das compensações apresentadas. TRIBUTÁRIO. IPI. INSUMOS ISENTOS, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AOS CRÉDITOS. Não há direito à utilização dos créditos do IPI no que tange às aquisições insumos isentos, nãotributados ou sujeitos à alíquota zero, precedentes do Plenário do STF (RE 370.682/SC e RE 353.657/RS). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. CONCEITO DE INSUMOS. ÓLEO COMBUSTÍVEL, LENHA, GÁS PARA CALDEIRA, ÓLEO PARA CALDEIRA, BIOMASSA E ENERGIA ELÉTRICA. PARECER CST 65/79. Somente os insumos indicados na legislação do IPI podem ser computados na apuração do referido benefício, não podendo compreender todos os insumos, mas tão somente as matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e os materiais de embalagem (MP), que tenham sido consumidos no processo de industrialização (Parecer Normativo CST nº 65/1979) nominados no art. 2º da Lei nº 9.363, de 1996, é que asseguram direito ao creditamento do benefício. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRANSFERÊNCIA ENTRE FILIAIS E MATRIZ. SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 99 04 /2 00 6- 78 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/03/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 2 No caso concreto, em que a matriz não é contribuinte do IPI, as transferências entre filiais e matriz, sem a emissão de nota fiscal, não impede o aproveitamento do crédito, posto que não haveria como ocorrer duplicidade de benefício. REGISTRO A MAIOR DE EXPORTAÇÕES. Estando comprovado que houve registro a maior de exportações, correta a glosa, pois, sem a glosa, o benefício sofreria incremento indevido. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. REGIME ALTERNATIVO. A apuração do crédito presumido pelo regime normal da Lei nº 9.363, de 1996, não contempla as despesas incorridas com industrialização sob encomenda a terceiros. RO Negado e RV Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício e, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de excluir do lançamento as parcelas decorrentes das glosas de transferência entre estabelecimento matriz e filiais sem a emissão de nota fiscal (unânime) e manter a glosa referente à industrialização por encomenda, nos termos dos votos que integram o julgamento. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andréa Medrado Darzé e Maria Teresa Martinez López, em relação a essa matéria. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Gabriel Cabral do Nascimento, OAB/SC nº 22912. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso – Relator (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recursos de ofício e voluntário em face do acórdão da DRJ que julgou parcialmente procedente três autos de infração de IPI (fls. 3 a 41) lavrados em decorrência da Recorrente ter aproveitado crédito indevido nas aquisições de insumos isentos e alíquota zero, de crédito indevido na escrita fiscal do IPI, informado em PER/DCOMP, e, Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/03/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11080.009904/200678 Acórdão n.º 3301001.775 S3C3T1 Fl. 617 3 crédito presumido indevido, inclusive crédito presumido recebido em transferência sem a emissão de nota fiscal, conforme sintetiza a ementa do acórdão a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/11/2001 a 31/08/2006 ALEGAÇÃO DE NULIDADE. São válidos os lançamentos de ofício efetuados por autoridade competente, com observância dos requisitos materiais e formais para a prática de atos dessa natureza, em relação aos quais também se observaram os princípios do contraditório e da ampla defesa. CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO. Inexiste o direito a crédito do IPI, na aquisição de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, isentos ou tributados à alíquota zero, por força do princípio da nãocumulatividade. COMPENSAÇÃO. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal, ainda que coro créditos não admitidos na escrita fiscal do IPI, extingue o crédito tributário relativo aos débitos desse imposto, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. I Óleo combustível, lenha, gás para caldeira, óleo para caldeira, biomassa e energia elétrica, ainda que consumidos pelo estabelecimento industrial, não revestem a condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, únicos insumos admitidos na legislação, não podendo ser computado, no cálculo do crédito presumido, o gasto com esses itens. II Os custos de prestação de serviços de industrialização por encomenda, com remessa dos insumos e retorno do produto com suspensão do IPI, não se incluem na base de cálculo do crédito presumido, porque não são aquisições de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. III A transferência do crédito presumido, da matriz não contribuinte do IPI, para estabelecimento industrial da mesma pessoa jurídica, para compensação de débitos do referido imposto, não é válida sem o registro contábil dessa transferência no livro Diário do remetente do crédito, cumulado com a emissão de nota fiscal de entrada pelo estabelecimento recebedor e a correspondente escrituração desse documento no livro Registro de Apuração do IPI desse último estabelecimento. Lançamento Procedente em Parte. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/03/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 4 Transcrevo a seguir, os seguintes trechos do relatório do acórdão, que contempla resumidamente, os fatos discutidos no processo: Em razão da Contribuinte não ter sido localizada em seu domicílio fiscal fornecido à SRFB, a mesma foi intimada através de edital nos termos do art.23, §11, do Decreto n° 70.235/72, com as alterações introduzidas pelas leis n° 9.532, de 10/12/1997 e 11.196, de 21/11/2005, por se encontrar em lugar incerto e ignorado, para querendo impugnar o Acórdão n° 1011.429, ou pagar o correspondente crédito tributário no prazo de 30 dias, contados do 16º (décimo sexto) dia da data da afixação deste (afixado em 07/10/2009 e desafixado em 23/10/2009), (fl. 451). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/03/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11080.009904/200678 Acórdão n.º 3301001.775 S3C3T1 Fl. 618 5 Em 12/11/2009, a Recorrente apresentou o recurso voluntário de fls. 454 e seguintes, aduzindo, em síntese, que o auto de infração não atendeu os requisitos do art. 142, do CTN, em especial quanto à definição da matéria tributável e o embasamento de cada imputação. Em relação à glosa de créditos do IPI, no período de 30 de novembro de 2001 a 31 de dezembro de 2003, o impugnante defende o direito ao crédito desse imposto, nas aquisições de insumos isentos ou tributados à alíquota zero, inclusive créditos extemporâneos, dizendo que jamais houve limitação constitucional ao princípio da não cumulatividade do IPI, que, segundo afirma, embasaria tais créditos. A defesa se reporta ao art. 153, § 3º II, da Carta Magna e transcreve excertos doutrinários, favoráveis à sua tese. Alega que apurou débitos do IPI e que liquidou esses débitos mediante compensações realizadas por meio do programa PER/DCOMP, tendo lançado os créditos informados no referido programa, por equívoco, no livro Registro de Apuração do IPI. Argumenta que essa atitude, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, não resultou em redução do IPI a pagar, mesmo porque, se os valores escriturados a crédito forem estornados do livro, o saldo do imposto resultante não será exigível, pois já foi efetivamente compensado. Assim, prossegue a defesa, somente após uma eventual análise desfavorável dos PER/DCOMPs pela autoridade competente, com o devido esgotamento das instâncias administrativas, e que se poderá cogitar de IPI devido. Quanto à glosa do crédito presumido do IPI, sustenta que o benefício deve incidir sobre o valor total das aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo de bens destinados ao exterior, tendo requerido solicitado através de “DCP” o ressarcimento do CP, ainda pendente de apreciação pela DRF/POA, motivo pelo qual entende que os Autos de Infração não poderiam ter sido lavrados e, como a lavratura ocorreu, esses atos foram praticados sem a devida competência e com preterição do direito de defesa. Argumenta que a maior parte do benefício discutido é legítima, tendo sido glosada uma parcela mínima. Os Valores discutidos no Processo n 11080.009552/200651 estão com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, III, da Lei n 2 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Afirma que os gastos com energia elétrica, óleo combustível, gás natural e gás liquefeito de petróleo, embora se refiram a itens que não se integram ao produto final, dizem respeito a gastos ocorridos no processo de industrialização, não sendo exigível o contato direto com os produtos resultantes, o que torna a glosa improcedente. Transcreve ementas de acórdãos do Segundo Conselho de Contribuintes e do Tribunal Regional Federal, favoráveis à sua tese. Contesta também a glosa do crédito presumido do IPI, pela falta de emissão de nota fiscal, na transferência dos créditos da matriz para a filial autuada. Às fls. 597 a 614, consta a juntada de documentos e certificação da RFB de que houve desistência parcial do litígio em razão da inclusão de parte do crédito tributário no parcelamento, os quais foram transferidos para os processos 13896.720055/201024 e 13896.720056/201079. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/03/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 6 O Presidente da Turma recorre de ofício desta decisão, ao Segundo Conselho de Contribuintes, porque o sujeito passivo foi exonerado do pagamento de multa, em montante superior ao limite de alçada, de acordo com o art. 22 da Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O Recurso de ofício e voluntário atendem aos pressupostos de admissibilidade, inclusive quanto à tempestividade, devendo os mesmos serem conhecidos. O recurso de ofício deve ser negado com base nos próprios fundamentos do acórdão recorrido, os quais são, a seguir, resumidamente transcritos (fl. 429): 19. Todavia, no caso concreto, pelas razões a seguir expostas, não é cabível a exigência do saldo devedor do IPI, remanescente da glosa. 20. Com efeito, a par da escrituração de créditos não admitidos no livro RAIPI, esses mesmos créditos, no valor total de R$ 1.108.146,27, foram informados, pelo Processo nº 11080.009904/200678 autuado, nos PER/DCOMPs e Declarações de Compensação relacionados na fl. 72 (vol. I), com recibos de entrega reproduzidos nas fls. 73 a 94 (vol. I), para compensação com os débitos do IPI, apurados na escrita fiscal desse imposto, que restaram descobertos pela glosa na escrita. 21. Disso resulta que, muito embora os créditos glosados na escrita fiscal do IPI não sejam ali admitidos para compensação com débitos desse imposto, a apresentação de PER/DCOMPs e Declarações de Compensação extingue, sob condição resolutória, o crédito tributário referente aos mesmos débitos do contribuinte, que se consideram confessados, tudo por força do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. 22. Sendo assim, a exigibilidade dos débitos do contribuinte ocorrerá, se for o caso, na hipótese de nãohomologação das compensações, objeto dos PER/DCOMPs e Declarações de Compensação em causa, pela Delegacia da Receita Federal competente, fato do qual não se tem notícia neste processo, motivo por que a exigência desses débitos, no Auto de Infração, das fls. 28 a 30 (vol. I), deve ser cancelada. 23. [...]. Os valores dos créditos glosados, mas informados em PER/DCOMP ou Declaração de Compensação, no total de R$ 1.108.146,27, implicam a improcedência, como acima exposto, dos correspondentes valores do IPI exigidos de ofício, [...]. Desta forma, em razão dos débitos confessados através de PER/DCOMPS e Declarações de Compensação, extinguem o crédito sob condição resolutória, nos termos do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996, os quais só serão exigidos, na hipótese de nãohomologação das compensações apresentadas, ensejando o improvimento do recurso de ofício. Passo a analisar o recurso voluntário. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/03/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11080.009904/200678 Acórdão n.º 3301001.775 S3C3T1 Fl. 619 7 O acórdão recorrido manteve as glosas relativas às aquisições de insumos isentos e sujeitos à alíquota zero, considerando que para haver crédito é necessário haver o destaque do IPI na nota fiscal, constando que o Egrégio Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Recursos Extraordinários (RE 353.657/PR e 370.682SC), decidiu que não há direito ao crédito de IPI nas aquisições de insumos isentos ou alíquota zero. De fato, esse assunto encontrase devidamente pacificado no sentido de não haver qualquer direito de crédito de IPI nas aquisições de insumos não tributados, isentos ou alíquota zero, sob pena de ferir o princípio da nãocumulatividade, conforme depreendese da jurisprudência mansa e pacífica do colendo STF, senão vejamos: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS FAVORECIDOS PELA ALÍQUOTAZERO, NÃOTRIBUTAÇÃO E ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que não há direito à utilização de créditos do IPI na aquisição de insumos nãotributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 2. Agravo regimental desprovido.(RE 508708 AgR, Relator(a): Min. AYRES BRITTO, Segunda Turma, julgado em 04/10/2011, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe230 DIVULG 02122011 PUBLIC 0512 2011) No mesmo sentido: TRIBUTÁRIO. IPI. INSUMOS ISENTOS, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AOS CRÉDITOS. DECISÃO COM FUNDAMENTO EM PRECEDENTES DO PLENÁRIO. 1. A decisão recorrida está em consonância com a jurisprudência do Plenário desta Corte (RE 370.682/SC e RE 353.657/RS), no sentido de que não há direito à utilização dos créditos do IPI no que tange às aquisições insumos isentos, nãotributados ou sujeitos à alíquota zero. 2. Agravo regimental improvido.” (RE 566.551 – AgR, Relatora a Ministra Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe 30.04.10). 5. Agravo regimental a que se nega provimento.( RE 370.682 – ED, relator o Ministro Gilmar Mendes, Plenário, DJe 17.11.10). Relativamente às aquisições de insumos tributados à alíquota zero, o assunto encontrase, inclusive, sumulado no âmbito do CARF: Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI Desta forma, não há nenhum reparo a fazer no acórdão recorrido relativamente às glosas de créditos indevidamente aproveitados, decorrentes das aquisições de insumos nãotributados, alíquota zero ou isentos. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/03/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 8 Consta do acórdão recorrido que, ao contrário do que é afirmado pela Recorrente em seu recurso que os autos de infração decorreram de ressarcimento de crédito presumido de IPI no processo nº 11080.009552/200651, o qual ainda estaria pendente de apreciação na DRF/POA, esclarecendo que as glosas do crédito presumido aqui discutido decorrem do fato de que somente os insumos indicados na legislação do IPI podem ser computados na apuração do referido benefício, não podendo compreender todos os insumos, mas tão somente as matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e os materiais de embalagem (MP), nominados no art. 2º da Lei nº 9.363, de 1996, é que asseguram direito ao creditamento do benefício. Consta ainda, que somente as MP, PI e ME, que tenham sido consumidos no processo de industrialização, nos termos do Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979 (DOU 6/11/1979), “norma complementar da legislação tributária, por força do inciso I do art. 100 do Código Tributário Nacional”, é que podem ser considerados insumos, razão pela qual foram glosadas as aquisições de óleo combustível, lenha, gás para caldeira, óleo para caldeira, biomassa e energia elétrica, por não cumprirem o requisito do Parecer CST nº 65/79. Ressalvo meu entendimento pessoal quanto às condições impostas pelo Parecer Normativo CST nº 65/79, porquanto o imposto é não cumulativo, autorizando o contribuinte ao abatimento do imposto já pago pelos componentes (insumos) do produto acabado, todavia, em relação ao crédito presumido do IPI, a lógica não é a mesma, pois, a partir de uma leitura mais atenta do art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996, levará ao intérprete à conclusão de que, para fins de conceituação do que seja “matériaprima” (MP), “produto intermediário” (PI), e “material de embalagem” (ME), não fazendo, sob a minha ótica, como exigir a condição imposta pelo Parecer CST 65/79, pois, somente subsidiariamente é que deve ser utilizada a legislação do IPI, vez que tais conceitos devem ser produzidos a partir da legislação do PIS/Pasep e Cofins. Esse entendimento deixei externado em diversos julgados nos quais fui vencido pela maioria deste colegiado (Ac. 3301001.591, julgado em 22/08/2012), entretanto, curvo ao entendimento predominante desta Câmara, no sentido de manter as glosas por não atenderem às exigências do Parecer CST nº 65/79, inclusive, de acordo com jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Ementa IPI Crédito Presumido Energia Elétrica e Óleo Combustível Para enquadramento no benefício, somente se caracterizam como matériaprima e produto intermediário os insumos que se integram ao produto final, ou que, embora a ele não se integrando, sejam consumidos, em decorrência de ação direta sobre este, no processo de fabricação. A energia elétrica usada como força motriz ou fonte de calor ou de iluminação e o óleo combustível, por não atuarem diretamente sobre o produto em fabricação, não se enquadram nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. Recurso especial negado. (Ac. CSRF/1ª Turma nº 40201.887, julgado em 11/04/2005). Merece ser citada ainda jurisprudência do colendo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que a energia elétrica, o gás natural, os lubrificantes e o óleo diesel (combustíveis em geral) consumidos no processo produtivo, por não sofrerem ou provocarem ação direta mediante contato físico com o produto, não integram o conceito de "matérias primas" ou "produtos intermediários" para efeito da legislação do IPI e, por conseguinte, para Fl. 8DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/03/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11080.009904/200678 Acórdão n.º 3301001.775 S3C3T1 Fl. 620 9 efeito da obtenção do crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, in verbis: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211 DO STJ. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE E IPI. CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E À COFINS. ARTS. 1º, 2º, §1º, E 3º, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI N. 9.363/96. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. NECESSIDADE DE CONTATO FÍSICO COM O PRODUTO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAR CRÉDITO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DO BENEFÍCIO QUE NÃO SOFRE MAJORAÇÃO EM RAZÃO DO AUMENTO DA ALÍQUOTA DE COFINS PELO ART. 8º, DA LEI N. 9.718/98. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada, não estando obrigada a Corte de Origem a emitir juízo de valor expresso a respeito de todas as teses e dispositivos legais invocados pelas partes. 2. Ausente o prequestionamento, incide o enunciado nº. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo". 3. A impossibilidade de aplicação do princípio da anterioridade ao IPI (art. 150, §1º, da CF/88), a permitir a imediata vigência do art. 12, da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, que suspendeu o benefício intitulado crédito presumido do IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, é tema de ordem constitucional, devendo ser dirimido por meio de recurso próprio dirigido ao Supremo Tribunal Federal. 4. A energia elétrica, o gás natural, os lubrificantes e o óleo diesel (combustíveis em geral) consumidos no processo produtivo, por não sofrerem ou provocarem ação direta mediante contato físico com o produto, não integram o conceito de "matériasprimas" ou "produtos intermediários" para efeito da legislação do IPI e, por conseguinte, para efeito da obtenção do crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, na forma do art. 1º, da Lei n. 9.363/96. Precedentes: AgRg no REsp 1000848 / SC, Primeira Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 7.10.2010; AgRg no REsp 919628 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 10.8.2010; AgRg no REsp 913433 / ES, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 4.6.2009. 5. Precedente em sentido contrário: EDcl no REsp 993581 / RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 17.12.2009. 6. Inaplicabilidade dos EREsp. n. 899485/RS, Primeira Seção, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 13/08/2008, que Fl. 9DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/03/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 10 admitiu o creditamento de ICMS pela energia elétrica, posto tratar de hipótese distinta já que a legislação do ICMS (art. 33, II, "b", da Lei Complementar n. 87/96) não exige o contato físico do insumo com o produto, mas apenas o consumo no processo de industrialização. 7. Precedente em sentido contrário: REsp 904082 / SC, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 17.02.2009. 8. A alíquota do benefício fiscal instituído pelo art. 1º, da Lei n. 9.363/96 (crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS e à COFINS), prevista no art. 2º, §1º, da mesma lei, não sofre majoração em razão da elevação da alíquota da COFINS estatuída no art. 8º, da Lei n. 9.718/98. Precedentes: REsp. n. 988.329/PR, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 26.3.2008; REsp nº 1.088.959 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 14.12.2010. 9. Não existe supedâneo legal para a existência, antes mesmo da Medida Provisória n. 674/94 (atual Lei n. 9.363/96), do direito ao crédito presumido de IPI para o ressarcimento das contribuições ao PIS e COFINS. 10. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1049305/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/03/2011, DJe 31/03/2011). Assim devem ser mantidas as glosas do crédito presumido de IPI, decorrente das aquisições de óleo combustível, lenha, gás para caldeira, óleo para caldeira, biomassa e energia elétrica, por não atenderem ao conceito de insumo, nos termos da legislação de regência. Crédito Presumido. Transferência de Insumos entre filiais e entre matriz e filiais sem emissão de Notas Fiscais Os autos de infração decorrem, ainda, de glosas de créditos relativos à transferência de insumos entre filiais e entre matriz e filiais, sendo que a matriz não é contribuinte do IPI, e sendo ainda que a operação ocorreu sem a emissão de notas fiscais. A primeira situação, transferência de créditos de insumos entre filiais, sem a necessária dedução dos valores respectivos na filial de origem, “sem o que o benefício seria apurado em dobro nessa parte”, não vejo como prosperar essa afirmação, sobretudo porque, a partir da vigência da Lei nº 9.779, de 1999 (art. 15, II), a apuração do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, deve ser centralizados “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica”, logo, não há como correr o risco do aproveitamento de qualquer aproveitamento em dobro. Veja que no caso, está sendo aventada a possibilidade, e não que efetivamente tenha ocorrido aproveitamento em dobro pelo fato de haver transferência de insumos entre filiais. Pelo mesmo motivo deve ser afastada a glosa relativa à transferência de créditos da matriz para a filial atuada, tendo em vista a apuração do crédito estar concentrado no estabelecimento matriz Fl. 10DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/03/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11080.009904/200678 Acórdão n.º 3301001.775 S3C3T1 Fl. 621 11 No voto condutor do mencionado acórdão, consta que de acordo com o inciso II, do art. 15, da Lei nº 9.779/99, determina que a apuração do crédito presumido de IPI seja centralizado no estabelecimento matriz, a quem caberia formalizar eventuais pedidos de ressarcimento, no caso em apreço, porém, como o estabelecimento matriz não é contribuinte do IPI, não fazendo sentido a exigência apontada no item 38, do voto condutor do acórdão recorrido: 38. Todavia, a matriz da empresa, no caso concreto, não é contribuinte do IPI, motivo pelo qual o procedimento adequado, nessa hipótese, deveria ter sido o registro contábil dessa transferência, no livro Diário da matriz, acompanhado da emissão de nota fiscal de entrada, pelo estabelecimento industrial que recebesse o crédito, e sua devida escrituração no livro RAIPI, consoante o disposto nos §§ 22 e 52 do art. 23 da Instrução Normativa SRF n 69, de 6 de agosto de 2001 (sucedidos pelos §§ 22 e 5° do art. 23 da Instrução Normativa SRF nº 315, de 3 de abril de 2003, e pelos §§ 2° e 5° do art. 23 da Instrução Normativa SRF n 420, de 10 de maio de 2004), e também de acordo com os §§ 2° e 52 do art. 19 da Instrução Normativa SRF n 313, de 3 de abril de 2003 (sucedidos pelos §§ 2° e 52 do art. 19 da Instrução IR Normativa SRF n 419, de 10 de maio de 2004). Assim, mesmo que as transferências de insumos entre filiais/matriz tenham sido feitas sem a emissão de notas fiscais, não vislumbro qualquer impedimento para o aproveitamento do crédito. Registro a maior de exportações. Estando comprovado que houve registro a maior de exportações, correta a glosa promovida pelo acórdão recorrido, pois, conforme aduzido “sem a glosa, o benefício sofreria incremento indevido”. Crédito Presumido. Industrialização por Encomenda Por fim, merece ser acolhido e provido o recurso voluntário quanto ao aproveitamento de crédito decorrente das aquisições por encomenda, pois, ao contrário do que restou decidido pelo acórdão recorrido, para o cálculo do crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições PIS e Cofins, a Lei nº 9.363, de 1996, não exclui os serviços de beneficiamento prestados por terceiros, de acordo inclusive com a jurisprudência do STJ, TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. INCLUSÃO. CUSTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECRETO 20.910/32. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA Nº 1.129.971 BA. 1. Ao analisar o artigo 1º da Lei 9.363/96, esta Corte considerou que o benefício fiscal consistente no crédito presumido do IPI é Fl. 11DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/03/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 12 calculado com base nos custos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados no processo de produção da mercadoria final destinada à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento do insumo ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda. Precedentes: REsp 752.888/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 25/09/2009; AgRg no REsp 1230702/RS, Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 24/03/2011; AgRg no REsp 1082770/RS, Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/11/2009. [...] (AgRg no REsp 1267805/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/11/2011, DJe 22/11/2011) Transcrevo, a seguir, trecho do voto condutor do acórdão acima ementado, de relatoria de Sua Excelência, o Ministro Benedito Gonçalves: Tal conclusão, conforme exposto na decisão ora impugnada, decorreu justamente da interpretação do artigo 1º da Lei 9.363/96, segundo a qual o benefício fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI se refere ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento de insumos ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda. Assim sendo, não havendo outros motivos que pudessem autorizar o não aproveitamento desses créditos decorrentes da industrialização por encomenda, entendo assistir razão à Recorrente, devendo ser excluído da exigência constantes dos autos de infração relativamente a essa parcela. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, e dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de excluir do lançamento as parcelas decorrentes de industrialização por encomenda, e relativas ao crédito presumido de IPI, decorrente da transferência de crédito entre filiais e também com o estabelecimento matriz. Sala das Sessões, em 30 de janeiro de 2013 (assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Voto Vencedor Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Discordo da Ilustre Relator apenas quanto ao direito de a recorrente apurar créditos presumidos do IPI sobre as despesas com industrialização por encomenda a terceiros, no regime de apuração (original) da Lei nº 9.363, de 1996. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/03/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11080.009904/200678 Acórdão n.º 3301001.775 S3C3T1 Fl. 622 13 O crédito presumido do IPI correspondente ao PIS e Cofins incidentes sobre os custos com aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens foi inicialmente instituído pela Lei nº 9.363, de 13/12/1996, que assim dispunha: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8 de 3 de setembro de 1970, e 70, de 30 dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. [...].” Ora, segundo estes dispositivos legais apenas os custos com aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo de industrialização de produtos exportados geram créditos presumidos do IPI. As despesas com industrialização por encomenda a terceiros não estão contempladas. Posteriormente visando estender o crédito presumido a outros custos com industrialização de produtos exportados, foi promulgada a Lei nº 10.276, de 10/09/2001, criando um regime alternativo àquele da Lei nº 9.363, de 1996, que assim dispõe: “Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem Fl. 13DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/03/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 14 assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. § 2º O crédito presumido será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo referida no § 1o, do fator calculado pela fórmula constante do Anexo. § 3º Na determinação do fator (F), indicado no Anexo, serão observadas as seguintes limitações: I o quociente será reduzido a cinco, quando resultar superior; II o valor dos custos previstos no § 1o será apropriado até o limite de oitenta por cento da receita bruta operacional. § 4º A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: I o último trimestrecalendário de 2001, quando exercida neste ano; II todo o anocalendário, quando exercida nos anos subseqüentes. § 5º Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei nº 9.363, de 1996. [...].” Para regulamentar esse dispositivo, foi editada a IN SRF nº 69, de 06/08/2001, assim dispondo: “Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996 o crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de que trata a Medida Provisória nº 2.2021, de 26 de julho de 2001, como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e para a Seguridade Social (Cofins), incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de insumos correspondentes a matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, utilizados no processo industrial, e do valor correspondente à prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto, poderá ser determinado de conformidade com o estabelecido nesta Instrução Normativa. Da opção Art. 2º A opção pelo regime alternativo de que trata esta Instrução Normativa abrangerá: Fl. 14DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/03/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11080.009904/200678 Acórdão n.º 3301001.775 S3C3T1 Fl. 623 15 I – o último trimestrecalendário do ano de 2001, se exercida neste ano; II – todo o anocalendário, se exercida nos anos subseqüentes; III – o período remanescente do anocalendário, na hipótese de exercício quando do início de atividades da pessoa jurídica. Art. 3º A opção de que trata o art. 2º será formalizada na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), correspondente ao: I – último trimestrecalendário do ano de 2001, na hipótese do inciso I; II – último trimestrecalendário do ano anterior, na hipótese do inciso II; III – primeiro trimestrecalendário de atividades, na hipótese do inciso III. Art. 4º A opção pelo regime alternativo de cálculo do crédito presumido implicará a observância dos seguintes procedimentos: I – somente serão apropriados os valores relativos a combustíveis adquiridos e energia elétrica consumida no período abrangido pela opção, bem assim o valor relativo à prestação de serviços na industrialização por encomenda de produtos realizada no mesmo período; [...]. Direito ao Crédito Presumido Art. 5º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o art. 1º a empresa produtora e exportadora de produtos industrializados nacionais. [...]. Apuração e Utilização do Crédito Presumido Art. 6º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no art. 1º: I de aquisição, no mercado interno, de insumos correspondentes a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, utilizados no processo produtivo; II de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno, utilizados no processo produtivo; III correspondente ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/03/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 16 [...].” De acordo com estes dispositivos legais, o crédito presumido sobre despesas/custos de prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda a terceiros é possível, desde que o contribuinte opte pelo regime alternativo criado por essa lei. No presente caso, conforme provado nos autos, a recorrente não optou pelo regime alternativo da Lei nº 10.276, de 2001, e sim pelo regime original da Lei nº 9.363, de 1996. Assim, correta a glosa dos valores dos créditos presumidos do IPI apurados sobre os custos/despesas de prestação de serviços por encomenda a terceiros. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário, mantendose a glosa dos créditos presumidos apurados sobre as despesas com industrialização por encomenda. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator Designado. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/03/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001541/2007-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1988 a 31/01/1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. PRAZO DECADENCIAL.
É de cinco anos o prazo para pleitear a restituição de créditos reconhecidos judicialmente.
Numero da decisão: 3401-002.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça e Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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CRÉDITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. PRAZO DECADENCIAL. É de cinco anos o prazo para pleitear a restituição de créditos reconhecidos judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça e Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 15 41 /2 00 7- 02 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de crédito do PIS reconhecido judicialmente, no valor de R$ 162.570,65, protocolado em 05/07/2007 (fl.02), para compensar com débitos do SIMPLES (fls.17). O pedido foi inferido por despacho decisório (fls.23/25), em razão da decadência, pois a decisão judicial que reconheceu o crédito transitou em julgado em 04/08/1999. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.30/36), mas a DRJ manteve o indeferimento, também com fundamento na decadência (fls. 48/50). A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 14/05/2012 (fl.52) e interpôs recuso voluntário em 24/05/2012 (fls.55/60), com a alegação de que o prazo para a restituição é de dez anos, pois se tem cinco anos para a homologação tácita e mais cinco anos para o pedido de ressarcimento (tese dos 5+5). Assim, aplicandose a Súmula 150 do STF, sustenta que o prazo de prescrição da execução é o mesmo prazo da prescrição da ação, de modo que, considerando que o pedido de restituição é a execução, ela teria dez anos para o pedido de restituição. Ao fim, Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ para que seja reconhecido o direito pleiteado e a homologação das compensações apresentadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pretende a restituição de créditos do PIS reconhecido judicialmente. Contudo, o pedido foi negado em razão da decadência. Assim, o cerne da questão consiste no prazo decadencial para o pedido de restituição de crédito reconhecido judicialmente. Conforme consta na fl. 8, a decisão judicial que reconheceu o crédito transitou em julgado em 04/08/1999. Apesar de a certidão de trânsito em julgado não constar nos autos, essa informação não foi contestada pela Recorrente, motivo pelo qual se reputa essa informação como verdadeira. Como o pedido de restituição foi protocolado somente em 05/07/2007 (fl.02), já havia passado mais de cinco anos. O art. 168, do CTN, assim dispõe: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13971.001541/200702 Acórdão n.º 3401002.374 S3C4T1 Fl. 70 3 “ Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória”. O art, 165, por sua vez, tem a seguinte redação: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. No caso em tela, o PIS foi pago a maior, em relação aos fatos geradores ocorridos entre julho de 1988 e dezembro de 1994, em razão das alíquotas dos Decretosleis nºs 288 e 289, ambos de 1988, posteriormente julgados inconstitucionais pelo STF. É certo que o STF reconheceu que para os pedidos de restituição dos tributos, sujeitos ao lançamento por homologação, ajuizados antes de 9 de junho de 2005, prevalece a tese dos cinco mais cinco (RE nº 566621, julgado na sistemática do art. 543B, do CPC). Não obstante, neste caso, não há como o prazo decadencial ser assim contado, haja vista que o prazo dos cinco anos para a homologação tácita já se passou na década de 1990. Nessa linha, não há como se contar cinco mais cinco, mas tão somente cinco anos. Também não se pode aplicar a Súmula nº 150 do STF, a qual dispõe que “prescreve a execução no mesmo prazo de prescrição da ação”, haja vista ela tratar da execução de sentença na via judicial. Por se tratar de pedido de restituição na esfera administrativa, contra a Fazenda Nacional, o mandamento aplicado é o previsto no art. 1º, do Decreto nº 20.910, de 1932, o qual permanece em pleno vigor e assim disciplina: Fl. 71DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 “Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem”. Portanto, como a ação judicial que originou o crédito transitou em julgado em 04/08/1999 e o pedido de restituição foi protocolado somente em 05/07/2007 (fl.02), está decaído o direito de restituição da Recorrente. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário interposto para manter o acórdão da DRJ em sua integralidade. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 72DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 10611.003429/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 04/08/2004 a 28/08/2008
ANISTIA. RECONHECIMENTO. COMPETÊNCIA.
Não tem o CARF competência para apreciar e julgar, originalmente, pedido de reconhecimento de anistia. Competência exclusiva da Autoridade da Receita Federal do Brasil.
MULTA POR INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. CONVOLAÇÃO EM MULTA POR CESSÃO DE NOME. IMPOSSIBILIDADE.
A multa por cessão de nome não é sucedânea e não prejudica a aplicação da multa por interposição fraudulenta de terceiros resultante da conversão da pena de perdimento da mercadoria que, por ocasião do lançamento, tivesse sido consumida ou não tivesse sido localizada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 28/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 04/08/2004 a 28/08/2008 ANISTIA. RECONHECIMENTO. COMPETÊNCIA. Não tem o CARF competência para apreciar e julgar, originalmente, pedido de reconhecimento de anistia. Competência exclusiva da Autoridade da Receita Federal do Brasil. MULTA POR INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. CONVOLAÇÃO EM MULTA POR CESSÃO DE NOME. IMPOSSIBILIDADE. A multa por cessão de nome não é sucedânea e não prejudica a aplicação da multa por interposição fraudulenta de terceiros resultante da conversão da pena de perdimento da mercadoria que, por ocasião do lançamento, tivesse sido consumida ou não tivesse sido localizada. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede.
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AÇÃO JUDICIAL. O contribuinte que optar pela via judicial está prescindindo da via administrativa, uma vez que aquela prefere esta. Ao tribunal administrativo é defeso julgar matérias levadas ao judiciário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 04/08/2004 a 28/08/2008 ANISTIA. RECONHECIMENTO. COMPETÊNCIA. Não tem o CARF competência para apreciar e julgar, originalmente, pedido de reconhecimento de anistia. Competência exclusiva da Autoridade da Receita Federal do Brasil. MULTA POR INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. CONVOLAÇÃO EM MULTA POR CESSÃO DE NOME. IMPOSSIBILIDADE. A multa por cessão de nome não é sucedânea e não prejudica a aplicação da multa por interposição fraudulenta de terceiros resultante da conversão da pena de perdimento da mercadoria que, por ocasião do lançamento, tivesse sido consumida ou não tivesse sido localizada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 34 29 /2 00 9- 61 Fl. 3123DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10611.003429/200961 Acórdão n.º 3302002.292 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário referente a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada, prevista no § 3º, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/02 (Art. 689, XXII, e § 1º, do RA/2009 Decreto nº 6.759/2009). Pela descrição dos fatos, a empresa autuada foi declarada inapta no CNPJ porque: (...) os sócios da empresa Tio Jacó Alimentos Ltda. (atual Top Indústria de Alimentos Ltda.) não possuíam recursos para a aquisição da empresa e atuavam como “laranjas”, escondendo os reais responsáveis pelo negócio, e que a empresa não comprovou a origem lícita dos seus recursos, incorrendo, dessa forma, na infração prevista no art. 23, inciso V e §§ 1º a 4º, do DecretoLei nº l.455/76, conforme pormenorizadamente explicado no Relatório de Representação Fiscal para Inaptidão no CNPJ, documento anexado a este auto de infração (fls. 41/66). Pelo Ato Declaratório Executivo IRF/BHE/MG nº 4, de 15/05/2009, os efeitos da inaptidão retroagiram a 17/02/2004. Em 01/07/2009, no entanto, os efeitos do citado ADE foram suspensos com base em tutela antecipada concedida na Ação Cautelar objeto do processo nº 2009.38.03.0047285, da 3ª Vara Federal (Subseção de Uberlândia/MG) (fls. 165/171), até o julgamento da ação principal. Em decorrência da inaptidão no CNPJ, foi lavrado o presente auto de infração, cuja descrição dos fatos constante da autuação estão resumidas no Acórdão recorrido nos seguintes termos: Conforme relato fiscal constante do auto de infração, a IRF/BHE, tendo em vista a referida representação fiscal, instaurou contra a empresa Tio Jacó Alimentos Ltda. (atual Top Indústria de Alimentos Ltda.), nos autos do processo nº 10611.001317/200975, o procedimento especial de fiscalização previsto na Instrução Normativa SRF nº 228, de 21 do outubro de 2002, com vistas à verificação da compatibilidade entre os Fl. 3124DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10611.003429/200961 Acórdão n.º 3302002.292 S3C3T2 Fl. 4 3 volumes transacionados no comércio exterior e a respectiva capacidade econômica e financeira da empresa no período de 2004 a 2007, e, em 11 de maio de 2009, foi lavrado o Relatório de Encerramento de Ação Fiscal, com a conclusão de que a empresa, intimada a comprovar a origem dos recursos utilizados pelos sócios fundadores da empresa, não o fez, nem apresentou prova cabal e insofismável da sua condição de detentora dos recursos para gerir os negócios, porquanto não comprovou a integralização de porcentagem importante de capital social declarado em dois momentos, nem a origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. Em citado relatório, a fiscalização acusa a empresa Tio Jacó Alimentos Ltda. (atual Top Indústria de Alimentos Ltda.), que realiza tanto importações como exportações, de apresentar um quadro clássico de incongruência entre a capacidade econômicofinanceiro revelada e o montante transacionado no comércio exterior, além do fato de os seus sócios não possuírem nem patrimônio nem rendimentos declarados compatíveis com sua condição de sócios de uma empresa que declarou na DIPJ Exercício 2006 faturamento superior a vinte milhões de reais. Com a informação prestada pela empresa de que as mercadorias importadas no período de 2004 até 2007 já haviam sido revendidas para diversos clientes, a fiscalização procedeu à conversão da pena de perdimento em multa no valor aduaneiro das mercadorias, pela impossibilidade da apreensão destas. Tempestivamente, a contribuinte ingressa com impugnação, cujos argumentos de defesa estão sintetizados no relatório do acórdão recorrido. A DRJ em Fortaleza CE manteve o lançamento, nos termos do Acórdão no 0824.142, de 18/10/2012, cujo resultado do julgamento apresenta o seguinte teor: Acordam os membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, na forma do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado, em, por unanimidade de votos: a) NÃO CONHECER do pedido de adesão aos benefícios previstos na Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009, por se tratar de matéria estranha à presente lide; b) DECLARAR improcedente o pedido de substituição da multa lançada pela multa prevista no art. 33 da Lei nº11.488, de 2007; c) NÃO CONHECER do mérito da impugnação ofertada pelo contribuinte; d) DECLARAR DEFINITIVO, na esfera administrativa, o crédito tributário objeto do presente processo, que fica subordinado ao que for decidido pela Justiça. Fl. 3125DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10611.003429/200961 Acórdão n.º 3302002.292 S3C3T2 Fl. 5 4 Ciente da decisão de primeira instância em 04/02/3013, conforme AR de fl. 3011, a empresa autuada interpôs recurso voluntário em 20/02/2013, no qual repisa os argumentos da impugnação, repele a decisão da DRJ de não conhecer do mérito da impugnação e do pedido de adesão aos benefícios previstos na Lei 11.941/2009, regulamentado pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22/07/2009, e a decisão de declarar improcedente o pedido de substituição da multa lançada pela prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. O Recurso Voluntário tem o seguinte sumário, que espelha muito bem os pontos contestados pela empresa Recorrente. PARTE I – DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA PARTE II – DA IMPUGNAÇÃO A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA SEÇÃO I – DA AUSÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DA DEMANDA NA ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA SEÇÃO II – DO NÃO CONHECIMENTO DO PAGAMENTO DA MULTA ATRAVÉS DA ANISTIA SEÇÃO III – DA SUBSTITUIÇÃO DA MULTA IMPOSTA PARTE III – DO MÉRITO TRANSCREVESE, A PARTIR DESTE TRECHO, OS ARGUMENTOS DE MÉRITO UTILIZADOS NA IMPUGNAÇÃO E NÃO ANALISADOS PELA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA SEÇÃO I – DAS ATIVIDADES DA RECORRENTE SEÇÃO II – DA AUTUAÇÃO FISCAL PARTE IV – DA APAGÓGICA E ILEGAL PRESUNÇÃO FISCAL DE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE RECURSOS PARA IMPORTAÇÃO E DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA SEÇÃO I – DA COMPROVAÇÃO DOS RECURSOS PARA AS IMPORTAÇÕES REALIZADAS E DA AUSÊNCIA DE INTERPOSTAS PESSOAS SEÇÃO II – DO ERRO NA APLICAÇÃO DA PENALIDADE – DESATUALIZAÇÃO DO FISCO SEÇÃO III – DAS PROVAS CABAIS DA EXISTÊNCIA DA EMPRESA E DE SUA IDONEIDADE – O ABSURDO DA TESE DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA SEÇÃO IV – DA ABSURDIDADE DA PRESUNÇÃO FISCAL § 1º FATOS SOBRE O GRUPO EMPRESARIAL FAMILIAR § 2º DA ALEXIA E PROTÉRVIA DO FISCO § 3º PRESUNÇÃO E ÔNUS DA PROVA SEÇÃO V – DA PROVA PERICIAL § 1º DOS MOTIVOS QUE JUSTIFICAM A PERÍCIA CONTÁBIL § 2º DO NOME, QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PERITA § 3º DOS QUESITOS PARTE V – DA AÇÃO JUDICIAL RELATIVA À INAPTIDÃO DO CNPJ – IDENTIDADE DE FUNDAMENTOS PARTE VI – DA AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO E A APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO PARTE VII – DO PAGAMENTO DA DÍVIDA ATRAVÉS DA ANISTIA DA LEI 11.491/09 PARTE VIII – CONCLUSÃO E PEDIDOS Na forma regimental, o processo foi distribuído para relatar. Fl. 3126DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10611.003429/200961 Acórdão n.º 3302002.292 S3C3T2 Fl. 6 5 É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, contra a empresa TOP INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento da multa prevista no § 3º, do art. 23 do DecretoLei nº 1,455/76, e alteração posterior. Impugnado, a Turma de Julgamento da DRJ não conheceu do mérito da contestação, por concomitância de objeto com a ação judicial, e do pedido de adesão aos benefícios da Lei nº 11.941/02, por tratarse de matéria estranha à presente lide. Na parte conhecida, a Turma de Julgamento da DRJ negou provimento à impugnação. Não conheceu a Turma de Julgamento do mérito da lide por entender que existe identidade de objeto deste processo com a ação judicial, conforme trecho abaixo transcrito do voto vencedor. Ao se confrontar, no entanto, as petições constantes das ações judiciais com o teor da impugnação ofertada pela empresa autuada, chegase a conclusão que se trata, efetivamente, de caso de concomitância de objetos, visto que, embora aparentemente visem a finalidades diferentes, os pedidos judiciais em referência foram arquitetados com o mesmo núcleo material que constitui o objeto do presente processo administrativo, de forma que, uma vez decidida a questão judicial, resolvida estará a sorte do lançamento. [...] É bastante clara a pretensão da empresa autuada de se eximir das acusações fiscais de falta de comprovação da origem dos recursos empregados em suas operações de comércio exterior e de prática de interposição fraudulenta na importação, tal como o fez nas ações judiciais, como ela mesma explicita, às fls. 23/24, denunciando, de per se, a coincidência de objetos: Em resumo, baseada nos mesmos supostos ilícitos (ausência de comprovação da origem dos recursos e interposição fraudulenta de terceiros) a Fiscalização declarou, em um procedimento, a inaptidão do CNPJ; e, em outro, a pena de perdimento das mercadorias. Fl. 3127DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10611.003429/200961 Acórdão n.º 3302002.292 S3C3T2 Fl. 7 6 Demonstrada a inexistência dos indigitados ilícitos, isto e, comprovada a origem dos recursos e a inexistência de interposição fraudulenta, tanto a inaptidão do CNPJ quanto a pena de perdimento perdem seu fundamento de validade. Sobre a decisão da Turma de Julgamento de não conhecer do mérito da impugnação, a Recorrente resumiu muito bem as suas alegações na seguinte passagem da PARTE II de seu Recurso Voluntário. Disse a Recorrente: É dizer, discutese, nos presentes autos administrativos, a imposição da pena de perdimento de mercadoria importada e sua substitutiva multa de 100% sobre o valor da mercadoria apreendida. Já nas duas ações judiciais discutese, somente, a ilegalidade da declaração de inaptidão do CNPJ da Recorrente. Não se discute a questão da pena de perdimento ou da multa substitutiva, até porque a pena de perdimento foi aplicada em data posterior ao ingresso das referidas ações. O único ponto em comum das ações judiciais e deste processo administrativo são as levianas acusações fiscais de não comprovação da origem dos recursos utilizados na importação das mercadorias e a suposta interposição fraudulenta de terceiros (laranjas). Dessa leviana conclusão, derivaram dois atos distintos da Fiscalização: 1) O primeiro foi à declaração de inaptidão do CNPJ da Recorrente (ato esse objeto das ações judiciais); 2) O segundo foi à aplicação da pena de perdimento, substituída pela multa de 100% do valor das mercadorias importadas (ato esse impugnado neste processo administrativo) Em resumo, não há identidade de objetos deste processo administrativo com as ações judiciais. Para que haja identidade de objetos é necessário que hajam as mesmas pessoas, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. No caso em análise o pedido nos processos judiciais (restabelecimento do CNPJ e a possibilidade de importar) é totalmente distinto do pedido neste processo administrativo (anulação da pena de perdimento convertida em multa). Não há identidade de pedido, o que impede que se reconheça a identidade dos processos judiciais com o processo administrativo. O parágrafo segundo do art. 301 do CPC é claro em afirmar quando há identidade de ações: “§ 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido” Fl. 3128DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10611.003429/200961 Acórdão n.º 3302002.292 S3C3T2 Fl. 8 7 Se não há identidade de partes, causa de pedir e pedido não há que se falar em ações idênticas que ensejariam a renúncia à esfera administrativa. Ao contrário do afirmado pela Recorrente, não são as acusações fiscais de não comprovação da origem dos recursos utilizados na importação das mercadorias e a suposta interposição fraudulenta de terceiros (laranjas) o único ponto em comum deste processo com as ações judiciais. Nas ações judiciais a Recorrente está pleiteando: 1. A declaração de que os recursos aplicados nas operações de importação estavam disponíveis, tinham origem e foram transferidos para os exportadores; 2. A declaração de que não houve interposição fraudulenta nas importações realizadas pela Autora até a presente data; 3. A declaração de que a Autora tem existência fática. Neste processo a pretensão da Recorrente é a mesma. As conseqüências dessas declarações são, por evidente, distintas neste processo e nas ações judiciais. Lá servem para anular a decisão administrativa que declarou a inaptidão do CNPJ da Recorrente e para realizar suas atividades comerciais, no mercado interno e internacional. Cá servem para cancelar o lançamento da pena de perdimento da mercadoria, substituída pela multa de 100% do valor da mercadoria importada. Não há como este CARF apreciar e julgar as razões do Recurso Voluntário pertinentes à disponibilidade e origem dos recursos usados nas importações e à interposição fraudulenta nas importações realizadas pela Recorrente posto que, estando estas matérias submetidas ao Judiciário, pela Recorrente, é também certo que prejudica a discussão dentro da seara administrativa, em face da evidente sujeição das partes às eventuais determinações emanadas do Poder Judiciário, independente de o resultado ser favorável ou contrário às pretensões da Recorrente. Ademais, o CARF pacificou o entendimento de que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, nos termos da Súmula CARF nº 1, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Quanto à pretensão da Recorrente de que este Colegiado declare que o débito lançado está anistiado, com fulcro nas disposições da Lei nº 11.941/09, além da matéria ser estranha à lide, não tem o CARF competência para manifestarse, originalmente, sobre extinção de crédito tributário e nem sobre a aplicação ou reconhecimento de anistia prevista em Lei. Competência exclusiva da autoridade da Receita Federal do Brasil. Fl. 3129DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10611.003429/200961 Acórdão n.º 3302002.292 S3C3T2 Fl. 9 8 Quanto à possibilidade de substituição da penalidade aplicada pela multa por cessão de nome prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, também entendo que não assiste razão à Recorrente porque, como bem disse a decisão recorrida, esta multa não sucedeu a multa prevista no art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76, coexistindo as duas penalidades. Disse a decisão recorrida: Essa diversidade de finalidades conduz necessariamente à ilação de que a penalidade estabelecida no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2009, embora possa se originar dos mesmos fatos infracionais, não é sucedânea da multa por interposição fraudulenta, prevista no art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, tratandose, na verdade de modalidade autônoma de punição, dirigida ao importador ou exportador ostensivo. Estando em plena vigência as disposições do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 e enquadrandose a conduta da Recorrente em suas disposições, não há como afastar a sua aplicação, por força do disposto no Parágrafo Único do art. 142 do CTN. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 3130DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10611.003429/200961 Acórdão n.º 3302002.292 S3C3T2 Fl. 10 9 Fl. 3131DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 16327.002804/2003-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO INTERNA DE DCTF. NULIDADE FORMAL.
A partir do advento do art. 7º, da Lei nº 10.426/2002, a lavratura do auto de infração com base no art. 90 da MP nº 2.158-35/2001 deve ser precedida de notificação prévia ao sujeito passivo para prestar esclarecimentos.
LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. FALSA CAUSA.
Cancela-se o auto de infração lastreado em falsa causa.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-002.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1998 AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO INTERNA DE DCTF. NULIDADE FORMAL. A partir do advento do art. 7º, da Lei nº 10.426/2002, a lavratura do auto de infração com base no art. 90 da MP nº 2.158-35/2001 deve ser precedida de notificação prévia ao sujeito passivo para prestar esclarecimentos. LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. FALSA CAUSA. Cancela-se o auto de infração lastreado em falsa causa. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
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REVISÃO INTERNA DE DCTF. NULIDADE FORMAL. A partir do advento do art. 7º, da Lei nº 10.426/2002, a lavratura do auto de infração com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001 deve ser precedida de notificação prévia ao sujeito passivo para prestar esclarecimentos. LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. FALSA CAUSA. Cancelase o auto de infração lastreado em falsa causa. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 28 04 /2 00 3- 51 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Por descrever os fatos com clareza e fidelidade, adoto o relatório do acórdão de primeira instância: “Em decorrência de auditoria interna realizada na DCTF – Declaração de Contribuições e Tributos Federais, referente aos 1º, 2º Trimestres de 1998, foi lavrado o auto de infração cuja cópia encontrase às fls. 34/40, do qual a contribuinte foi cientificada em 23/07/2003, conforme documentos de fls. 81 e 82, exigindolhe o recolhimento do crédito tributário no valor total de (omissis...). 2. Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 35), a autuação referese à “FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo III”. Fundamentação Legal: PIS – código 4574: arts 1º e 3º, § 2º, da Lei Complementar 07/70, art. 1º da Lei nº 9.249/1995, Emenda Constitucional nº 17/97, arts 1º, 2º e 4º da MP nº 1617/97 e reedições, arts 1º, 2º e 4º da MP nº 1674/9853 e reedições; Multa vinculada: art. 160 da Lei nº 5.172/1966; art. 1º da Lei nº 9.249/1995; art. 44, inciso I e § 1º, I, da Lei nº 9.430/1996; Juros de Mora: art. 160 da Lei nº 5.172/1966, art. 43, parágrafo único, da Lei nº 9.430/1996; art. 9º da Lei nº 10.426/2002. 2.1. O Anexo I do Auto de Infração (fls. 37/38)– referese ao “Demonstrativo dos Créditos Vinculados não Confirmados” e dele se extrai que os valores referentes aos P.A.’s 0101/ 1998 e 0102/1998 declarados como estando com a exigibilidade suspensa não foram confirmados pela seguinte ocorrência “Proc Jud de outro CNPJ”; que os valores referentes aos P.A.’s 0104/1998 a 0106/1998 referemse a “Comp c/DARF s/Processo” explicitados nos Anexos Ia (fls. 39). Assim, consoante Anexo III – “Demonstrativo de Crédito Tributário a Pagar” (fl. 40), os valores cobrados no auto de Infração em apreço são os seguintes: (omissis...) Irresignada com o lançamento, a interessada apresentou, em 22/08/2003, a impugnação de fls. 03/16 em que alega, que: os valores que estão sendo exigidos foram declarados em DCTF como estando com sua exigibilidade suspensa por força do mandado de segurança n° 97.00591328, sendo que a simples análise da petição inicial daquele "writ", em que consta o número de seu CNPJ, já evidencia ser a Impugnante parte daquele feito, em que se discute a contribuição ao PIS no período da autuação (doc. 03). Por outro lado, as compensações declaradas em DCTF ocorreram efetivamente com os pagamentos indicados; a nulidade do auto de infração lavrado, por absoluta falta de motivação, posto que não poderia jamais ter simplesmente desconsiderado as informações expressamente indicadas sem qualquer justificativa para tanto ou intimação prévia da ora Impugnante para esclarecimentos; o crédito tributário que se pretende exigir está extinto em razão da decadência que se operou, posto que decorrido o prazo de cinco anos previsto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; os valores exigidos relativamente aos meses de abril a junho/98, em razão da ocorrência "comp. c/pagto não localizado", não podem prevalecer uma vez que todos os pagamentos 'supostamente' não localizados foram efetuados, conforme se verifica dos documentos comprobatórios (04 a 06); a multa de 75% sobre os valores relativos aos meses de janeiro e fevereiro/98 viola o artigo 63 da Lei n° 9.430/96, sendo que todos os valores Fl. 150DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.002804/200351 Acórdão n.º 3403002.526 S3C4T3 Fl. 5 3 lançados foram devidamente declarados em DCTF e a empresa autuada foi incorporada pela Impugnante, o que afasta sua aplicação; e os juros moratórios, se devidos fossem, jamais poderiam ser cobrados na dimensão consignada pelo auto de infração, por terem sido calculados com base na taxa SELIC, índice inadequado para tanto.” Por meio do Acórdão 38.654, de 10 de maio de 2012, a 8ª Turma de Julgamento da DRJSão Paulo I, julgou parcialmente procedente a impugnação, com os seguintes fundamentos: 1) Foi afastada a preliminar de nulidade, sob a justificativa de que o auto de infração não incorreu em nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do PAF, uma vez que a defesa entendeu o teor da acusação e apresentou defesa robusta atacando os fundamentos da autuação; 2) Foi rechaçada a alegação de decadência com base no art. 150, § 4º do CTN, em relação aos fatos geradores ocorridos de janeiro a junho de 1998. Entendeu a turma de julgamento que no caso concreto deve prevalecer a regra do art. 173, I, do CTN, por se tratar de lançamento de ofício e por não ter ocorrido o pagamento antecipado a que alude o art. 150, § 1º, do CTN; 3) Em relação à ocorrência “Proc. Jud de outro CNPJ”, a DRJ entendeu que o contribuinte figura como autor no mandado de segurança 97.00591328, mas as peças dos autos judiciais trazidas ao processo não são suficientes para comprovar que a decisão tenha transitado em julgado favoravelmente ao contribuinte. Além disso, o provimento judicial foi para “recolher” o PIS nos termos da Lei Complementar nº 7/70, mas não consta nos autos prova de que o PIS tenha sido recolhido nos períodos de apuração de janeiro e fevereiro de 1998. O contribuinte sucumbiu na referida ação; 4) Em relação à ocorrência “Comp. C/pagto não localizado”, nos meses de abril a junho de 1998, decidiu a DRJ que o contribuinte declarou em DCTF “Comp c/DARF s/Processo”. Analisando cada um dos débitos, verificou a DRJ que os DARF indicados como fontes dos créditos utilizados na compensação estavam todos alocados para a quitação de débitos anteriores. 5) Foi excluída a multa de ofício com base na aplicação do princípio da retroatividade benigna ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003 e mantida a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic. Regularmente notificado daquele acórdão em 21/05/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 124 a 139 em 20/06/2012, no qual reprisou e reforçou as alegações de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido pelo colegiado. A simples leitura do relatório torna flagrante a improcedência do auto de infração eletrônico. O fato de a DRJ ter consignado em seu acórdão que a autuação teve como lastro a ocorrência “Proc. Jud. de outro CNPJ”, em lugar de “Proc. Jud. não comprovad.”, como consignado no auto de infração (fl. 38) em nada altera a conclusão deste voto. E a conclusão só pode ser pela improcedência do ato administrativo de lançamento, que no caso concreto, decorre de vícios formais e materiais. O auto de infração decorreu de revisão interna de DTCF e foi elaborado em 17/06/2003 (fl. 34) e notificado ao contribuinte em 23/07/2003 (fl. 81). Nessa ocasião, já estava em vigor o art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 abril de 2002, cuja redação original estabelecia o seguinte: “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitarseá às seguintes multas: (...)” Grifei. Tendo sido detectadas nas DCTF as ocorrências “Proc. Jud não comprovad” e “Comp. C/pagto não localizado”, que significam que o contribuinte não estaria ao abrigo de medida judicial para deixar de recolher o tributo e que os DARF que foram vinculados às compensações não teriam sido localizados no sistema de controle de pagamentos, era dever legal da administração intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos e somente depois disso, se fosse o caso, lavrar o auto de infração com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001. Esse vício formal de procedimento, acabou acarretando o vício material do qual decorre a improcedência do lançamento pelo mérito. Isto porque o contribuinte, além de ter comprovado a existência do mandado de segurança nº 97.00591328, comprovou também que na época da apresentação das DCTF estava amparado pela medida judicial que o autorizava a efetuar o recolhimento com base na LC nº 7/70, conforme fls. 45/67, fato constatado e comprovado pela DRJ nas fls. 114/115. Já quanto à ocorrência “Comp. C/pagto não localizado”, as próprias telas do sistema juntadas pela autoridade administrativa às fls. 97 a 108 desmentem o motivo da autuação. Como se pode alegar que os pagamentos não foram localizados no sistema, se as telas do sistema com os aludidos pagamentos estão anexadas ao processo? Entretanto, diante dessas constatações, em vez de julgar o lançamento improcedente, resolveu a DRJ alterar os motivos da autuação. No que tange à ocorrência “Proc. Jud não comprovad”, a DRJ suscitou os seguintes motivos para manter a autuação: a) os documentos apresentados não comprovam o Fl. 152DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.002804/200351 Acórdão n.º 3403002.526 S3C4T3 Fl. 6 5 trânsito em julgado da decisão; b) o contribuinte teria sucumbido em face do agravo de fls. 97 a 102; e c) que o pedido na ação era para recolher o PIS com base na LC nº 7/70 no período de 01/07/1997 a 23/02/1998, mas não consta dos autos nenhum recolhimento para os meses de janeiro e fevereiro de 1998, nem com base na LC nº 7/70 e nem com base na EC nº 17/97. E no que tange à ocorrência “Comp. C/pagto não localizado”, a motivação passou de pagamentos não localizados, para pagamentos (existentes) que estavam alocados para a quitação de débitos anteriores do próprio contribuinte. Ora, mas esses dois motivos invocados no voto da DRJ são os motivos que deveriam ter constado inicialmente do auto de infração, caso a autoridade administrativa tivesse se desincumbido do dever legal estabelecido no art. 7º da Lei nº 10.426/2002. Concluise daí, que o vício de procedimento (falta de intimação prévia determinada pelo art. 7º da Lei nº 10.426/2002), acarretou a falsa causa do auto de infração, conforme comprovado pela documentação anexa ao processo. Leciona Hely Lopes Meirelles que “(...) A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. Mesmo os atos discricionários, se forem motivados, ficam vinculados a esses motivos como causa determinante de seu cometimento e se sujeitam ao confronto da existência e legitimidade dos motivos indicados. Havendo desconformidade entre os motivos e a realidade o ato é inválido. (...)” (Curso de Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 25 ed., pp. 186/187). No caso dos autos, os motivos reais que deveriam ter rendido ensejo ao auto de infração foram aqueles mesmos invocados pela DRJ em sua fundamentação. Entretanto, o ato administrativo em julgamento é o auto de infração, que em razão do vício de procedimento acabou sendo lastreado em falsas causas. É certo que o contribuinte deve os valores consignados nas DCTF, mas não pelos motivos invocados no auto de infração, que se revelaram inexistentes. Com base nesses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Esclareço que o recurso não foi provido em razão de vício formal. O voto foi explícito no sentido de que o vício formal acarretou a falsa causa do lançamento. E a falsa causa é vício de mérito que incide sobre a causa da autuação. Antonio Carlos Atulim Fl. 153DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000155/2008-32
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
NULIDADE. DECISÃO. DIREITO DE DEFESA.
É nula a decisão proferida com preterição do direito de defesa.
Numero da decisão: 1801-001.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de Primeira Instância para conhecer a impugnação e apreciar o litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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DECISÃO. DIREITO DE DEFESA. É nula a decisão proferida com preterição do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de Primeira Instância para conhecer a impugnação e apreciar o litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 01 55 /2 00 8- 32 Fl. 465DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10240.000155/200832 Acórdão n.º 1801001.688 S1TE01 Fl. 466 2 Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado os Autos de Infração, fls. 228229 e 237238, com a exigência do crédito tributário no valor total de R$122.693,39 a título de multa de ofício isolada decorrente de compensação não declarada no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) aplicada sobre o montante dos débitos indevidamente compensados. O procedimento foi levado a efeito em decorrência da não homologação da compensação pela utilização de crédito de terceiro e que não se refere a tributos administrados pela RFB, ou seja, proveniente de precatório alimentar de terceiro, em conformidade com os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) formalizados nos processos nsº 10166.100625/200635, 10166.005651/200651 e 13804.004374/200694, referentes às representações constantes respectivamente nos processo nºs 10240.001437/200695, 10240.001438/200630 e 10240.000526/200703, fls. 03136 e o Termo de Constatação e Verificação Fiscal, fls. 230237. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 com redação dada pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004 e pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005. Cientificada em 31.01.2008, fl. 240, a Recorrente apresentou a impugnação em 29.02.2008, fls. 243245, com as razões a seguir transcritas. Suscita O Requerente apresentou IMPUGNAÇÃO ao Auto de infração de Lançamento de Multa Isolada nos seguintes Processos: 1240.001438/200630; 1240.000526/200703; 1240001437/200695. Referente impugnação foi encaminhada para a SAFISDRFPVO que por sua vez encaminhou para a SACAT. A Chefe Substituta do SACAT devolveu para a SAFIS, sob o argumento que o processo se encontra naquele setor. Após, tais impugnações foram devolvidas ao contribuinte. Entretanto, visando fazer a correta indicação a que se refere as impugnações, o Requerente informe que tratase de IMPUGNAÇÃO DE AUTO DE INFRAÇÃO que está identificado no órgão fiscalizador da seguinte forma: Dados do Processo: Número: 10240.000155/200832 Data de Protocolo: 30/01/2008 Documento de Origem: Auto de Infração Procedência: DRRF/PVO/SAFIS Assunto: AUTO DE INFRAÇÃO MULTA ISOLADA COMPENSAÇÃO INDEVIDA Nome do Interessado: ROVER DISTRIBUIDORA IMP E EXP LTDA CNPJ: 01.830.15/000182 Diante do exposto, requer a juntada das referidas impugnações ao processo em comento, analisando a fundamentação fática e jurídica ali apresentada, no Fl. 466DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10240.000155/200832 Acórdão n.º 1801001.688 S1TE01 Fl. 467 3 sentido de afastar a penalidade aplicada, sob pena de infringência do Princípio Constitucional da Ampla Defesa e Contraditório Termos em que cumpridas as formalidades, Pede Deferimento Ainda apresenta arrazoados contra as representações constantes respectivamente nos processo nºs 10240.001437/200695, fls. 247261, 10240.001438/2006 30, fls. 284298 e 10240.000526/200703, fls. 321335, argumentando que discorda do procedimento fiscal com as alegações a seguir sintetizadas. Discorda do lançamento da multa de ofício isolada decorrente de compensação não declarada. Esclarece que deve ser aplicada a técnica de interpretação conforme a Constituição Federal no tocante ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Afirma que há divergência de entendimentos da Administração Pública a merecer uniformização e que não é aplicável o referido dispositivo legal para o caso concreto. Amparase na Solução de Consulta Disit 8ª RF nº 355, de 11 de setembro de 2006: As prestações anuais dos precatórios pendentes na data da promulgação da Emenda Constitucional n. 30, de 2000, ou decorrentes de ações iniciais ajuizadas até 31 de dezembro de 1999, caso não sejam liquidadas até o final do exercício a que se referem, poderão ser utilizadas na compensação de tributos devidos pela entidade titular do direito creditório, permitida a cessão dos créditos. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Por tudo quanto se expôs, merece ser esta impugnação conhecida e provida, para o fim de se afastar a incidência da multa isolada, ante a particularidade do caso posto, haja vista não serem aplicáveis as disposições infraconstitucionais que vedam o direito da ora peticionaria do obterem, junto à Administração Pública, a homologação de sua compensação tributária, com títulos de precatórios. Nestes Termos, Pede Deferimento Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1220.542, de 20.08.2008, fls. 371375: Impugnação não Conhecida. Restou ementado ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/06/2006, 31/07/2006, 30/11/2006 Ementa: IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10240.000155/200832 Acórdão n.º 1801001.688 S1TE01 Fl. 468 4 As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento não têm competência para apreciar as razões que levaram a unidade de origem a considerar não declarada a declaração de compensação formulada na forma do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Notificada em 24.04.2012, fl. 378, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 23.05.2012, fls. 379385, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Do referido auto de infração, apresentou tempestivamente impugnação, cuja decisão lhe foi desfavorável atando legitimado a apresentar o recurso competente. [...] O Recorrente vem apresentar tempestivo recurso, pugnando pela reforma da decisão guerreada com a consequente anulação total do lançamento pretendido pelo Auto de Infração, apresentando razões e documentação relativa aos fatos alvo da notificação. [...] Inconformado com a decisão que manteve o crédito tributário, mesmo levando em conta que referido auto de infração foi lavrado após o parcelamento do tributo, em manifesto reconhecimento espontâneo do contribuinte, com severo caráter de confisco, situação vedada pela Constituição Federal, vem esclarecer especificamente os principais pontos de seu inconformismo. [...] O Auto de Infração está calcado em possível infração acessória, qual seja a ausência de declaração de tributo, conforme pareceres em anexo. Entretanto o Recorrente esclarece que antes da lavratura do referido Auto de Infração os tributos haviam sido lançados e o crédito tributário confessado e parcelado, sem qualquer motivo que justificasse a lavratura do mesmo. [...] No dia 05.07.2007, a situação dos procedimentos administrativos gerados pelas DCOMPS não validadas era: ATIVA NÃO AJUIZADA EM PROCESSO DE CONCESSÃO DE PARCELAMENTO SIMPLIFICADO, conforme se comprova com o relatório emitido pelo FISCO e com o parâmetro de localização 01830145000182. [...] [A] Recorrente, em situação financeira difícil, em 19.10.2007, requereu ao fisco, a reunião de todos os seus débitos fiscais, mesmo aqueles ainda não inscritos na dívida ativa, para a adesão ao parcelamento do PAES, o que de fato ocorreu. [...] O nascedouro do Auto de Infração combatido é a ausência de declaração dos tributos até o dia de sua lavratura. Acontece que no momento da lavratura do referido auto, NÃO HAVIA tributos sem lançamento referente às competências de junho, julho e novembro de 2006, conforme vastamente comprovado. O fato de inexistir tributos sem lançamento, ao tempo de sua lavratura, torna o Auto de Infração ilegal e arbitrário e, por conseguinte, o crédito tributário deve se anulado. [...] O Recorrente volta a repisar que ao tempo da aplicação da multa isolada, não mais perdurava a situação de NÃO DECLARAÇÃO do tributo, pois, 6 (seis) meses antes já havia declarado o débito e efetuado o respectivo parcelamento administrativo, esclarecendo que o fisco não foi prejudicado, conforme dispõe o artigo 138 do CTN, pelo instituto da denúncia espontânea, não sendo devedor de qualquer diferença relativa à multa de mora, muito menos multa de ofício isolada. [...] O Fisco aplicou a multa de ofício isolada em decorrência de uma ausência de declaração do tributo, no entanto, conforme determina o art. 138 do CTN, não há o que se falar em existência de débito, pois pelo reconhecimento espontâneo da Fl. 468DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10240.000155/200832 Acórdão n.º 1801001.688 S1TE01 Fl. 469 5 impossibilidade de compensação do tributo e o seu parcelamento a responsabilidade é excluída. Ora, se o próprio tributo é a base de cálculo para a incidência da multa de ofício isolada, inexistindo o tributo pela denúncia espontânea e o parcelamento, não há o que se falar de multa isolada de ofício.A multa de ofício isolada do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, também, viola a norma geral de tributação constante no Código Tributário Nacional, notadamente o art. 97, V, combinado com o art. 113, bem como o art. 138, todos do Código Tributário Nacional. A exigência pela Fazenda Pública do pagamento de multa mesmo com a denúncia espontânea é ilegal pois a multa está excluída pelo CTN que é a Lei Complementar a que se submetem as leis ordinárias, decretos e normas complementares. [...] A jurisprudência administrativa é claramente contrária à multa de ofício isolada sobre tributos já confessados e parcelados, por entender que é um afronte ao Direito Tributário constituir a citada penalidade sobre tributos quitados. Também, não há falarse em multa de ofício isolada, pois de acordo com o artigo 138 do CTN, nem multa de mora existe se o tributo é pago ou parcelado espontaneamente. Conclui O Recorrente vem requerer, tendo em vista a exposições acima e entendimentos jurisprudenciais, e por questão de justiça que seja reformada a decisão e anulado o auto de infração combatido. [...] Diante do exposto, requer a Vossa Senhoria a reforma da r. decisão guerreada para declarar extinta a multa de ofício isolada, no valor histórico de R$122.693,39, sobre tributos já declarados e parcelados ao tempo de sua fixação, levando em conta o preceito do artigo 148 do CTN, como medida de justiça. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente solicita a reforma da decisão de primeira instância de julgamento “para declarar extinta a multa de ofício isolada”. Compete antes de examinar as razões da defesa, analisar a objeção de nulidade do ato administrativo decisório por ser matéria de ordem pública, que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício e a qualquer tempo e em qualquer instância de Fl. 469DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10240.000155/200832 Acórdão n.º 1801001.688 S1TE01 Fl. 470 6 julgamento. Este instituto pode ser definido como a ineficácia do ato jurídico por haver sido proferido com preterição do direito de defesa, requisito lhe que lhe é indispensável. Temse que a Administração Pública deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, o que impossibilita a sua convalidação (art. 54 da Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999). Entre os princípios considerados cláusulas pétreas temse que “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”, bem como “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes” (incisos LIV e LV do art. 5º da Constituição Federal). Frisese que no processo administrativo tributário o sujeito passivo deve ter seus direitos básicos resguardados, como o direito de defesa que agasalha o contraditório. Nesse sentido, a bilateralidade do processo pressupõe a análise da tutela jurídica pretendida de modo que a Recorrente tem o direito de ver seus argumentos devidamente apreciados. O contraditório é pressuposto do ato administrativo deliberativo existente, válido e eficaz e que deve conter as razões de decidir de forma explícita, clara e congruente. A sua inobservância acarreta prejuízo para a parte que apresenta a peça de defesa, gerando a sua nulidade, já que influi na solução do litígio. Por essa razão temse que é nula a decisão proferida com “preterição do direito de defesa” (art. 59 e art. 60 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, inciso IX do art. 93 da CF e art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999). Na impugnação a Recorrente expressamente discorda do lançamento no seguinte sentido: Conclui Por tudo quanto se expôs, merece ser esta impugnação conhecida e provida, para o fim de se afastar a incidência da multa isolada, ante a particularidade do caso posto, haja vista não serem aplicáveis as disposições infraconstitucionais que vedam o direito da ora peticionaria do obterem, junto à Administração Pública, a homologação de sua compensação tributária, com títulos de precatórios. (grifos acrescentados) Por seu turno, no Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1220.542, de 20.08.2008, fls. 371375, temse : “Impugnação não Conhecida”. Consta no Voto condutor As impugnações foram apresentadas no prazo tempestivo, todavia não podem ser admitidas por seus pontos de divergência não estarem sujeitos a este rito processual. Explicase. As multas aplicadas têm origem nas decisões da unidade de origem que considerou as declarações de compensação (dos processos nº 10166.100625/2006 35, 10166.005651/200651 e 13804.004374/200694) não declaradas, na forma do art. 74, §12, da Lei nº 9.430/96. Ao vergastar a aplicação da multa isolada, a recorrente concentrouse em descaracterizar os fundamentos que levaram unidade de origem a considerar as declarações de compensação não declaradas (art. 74, § 12, inciso II, alínea "a" e "e", da Lei 9.430/96). Fl. 470DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10240.000155/200832 Acórdão n.º 1801001.688 S1TE01 Fl. 471 7 Ocorre que, nos termos do §13 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, a decisão que considera a declaração de compensação não declarada não está sujeita ao rito processual do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), mas, sim, ao processo administrativo ordinário, regulado pelas disposições da Lei nº 9.784/99. Por conseguinte, esta unidade de julgamento não tem competência para apreciar as razões que levaram a unidade de origem a considerar não declarada a declaração de compensação formulada na forma do art. 74 da Lei nº 9.430/96. [...] Ante tudo exposto, voto no sentido de julgar as IMPUGNAÇÕES NÃO CONHECIDAS. O ato administrativo decisório gerou prejuízo para a Recorrente, já que não conheceu os seus argumentos que fundamentaram seu pedido no sentido de “afastar a incidência da multa isolada”, lançada de ofício objeto do litígio regularmente instaurado no presente processo. Ademais, a matéria está expressamente contestada na peça impugnatória (art. 15 e 17 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de Primeira Instância para conhecer a impugnação e apreciar o litígio. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 471DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679903/2009-50
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/11/2005
PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
É válido o despacho decisório exarado por servidor competente, com respeito ao direito de defesa do administrado e baseado em dados presentes nos sistemas internos da Receita Federal, estes alimentados com os pagamentos efetuados e as declarações entregues pelo sujeito passivo.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados fornecidos pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-004.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 10/11/2005 PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válido o despacho decisório exarado por servidor competente, com respeito ao direito de defesa do administrado e baseado em dados presentes nos sistemas internos da Receita Federal, estes alimentados com os pagamentos efetuados e as declarações entregues pelo sujeito passivo. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados fornecidos pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válido o despacho decisório exarado por servidor competente, com respeito ao direito de defesa do administrado e baseado em dados presentes nos sistemas internos da Receita Federal, estes alimentados com os pagamentos efetuados e as declarações entregues pelo sujeito passivo. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados fornecidos pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 99 03 /2 00 9- 50 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679903/200950 Acórdão n.º 3803004.424 S3TE03 Fl. 144 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 18 de junho de 2007, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da CofinsImportação, no valor de R$ 32.356,57, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 5/11/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o seu recebimento com efeitos suspensivos, a declaração de nulidade do despacho decisório ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para exame de sua escrita fiscal, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) a partir de meados de 2006, constatara que havia efetuado o recolhimento a maior de inúmeros impostos e contribuições incidentes sobre remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos; b) um mero equívoco no preenchimento de declarações não poderia gerar débitos fiscais, conforme entendimento do CARF e do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sendo premente a observância dos princípios da verdade material, da capacidade contributiva, da formalidade moderada, da vedação ao enriquecimento ilícito, da razoabilidade e da proporcionalidade; c) carência de fundamentação do despacho decisório, com violação dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, dada a precária análise de seu pedido; d) estaria sendo providenciado um levantamento interno de toda a documentação probante que demonstraria a plena existência do crédito declarado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e do despacho decisório. A DRJ São Paulo I/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, decidindo por afastar a nulidade do despacho decisório arguida, pelo fato de que tal documento teria sido assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterição do direito de defesa do contribuinte. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679903/200950 Acórdão n.º 3803004.424 S3TE03 Fl. 145 3 Arguiu o julgador de piso que o despacho decisório se encontrava em conformidade com os dados declarados em DCTF e com a guia de recolhimento do tributo e que a alegação de erro não se fez acompanhar dos elementos probantes de sua efetiva ocorrência. Ainda segundo o julgador, a DCTF retificadora entregue após a emissão do despacho decisório não poderia ser acolhida como argumento de defesa, em razão da ausência de indicação dos alegados erros cometidos na análise do crédito pleiteado, assim como da falta de apresentação da escrituração contábilfiscal comprobatória do direito reclamado. Ressaltou, também, que, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), não seria cabível a formulação de pedido genérico de futura juntada de documentos, sem a indicação da hipótese legal que o fundamente, pois, nos termos do art. 16, III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, as provas devem ser apresentadas na manifestação de inconformidade, precluindo o direito do contribuinte de fazêlo em outra oportunidade. Por fim, considerou desnecessária a realização de diligência, considerando que, no presente caso, estarseia diante de documentos que se encontravam sob a guarda da pessoa jurídica interessada em sua apreciação. Cientificado do acórdão da DRJ São Paulo I/SP em 28 de janeiro de 2011, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 1º de março de 2011, e reiterou seus pedidos, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo ressaltado o que se segue: a) o seu direito de defesa fora violado de duas formas distintas: a primeira, em razão da não exposição das razões da negativa do crédito pleiteado, o que lhe teria impedido a sustentação plena de seu direito; e a segunda, em decorrência do fato de que a Delegacia de Julgamento teria ultrapassado a nulidade arguida “sem qualquer análise digna das atribuições da d. Autoridade Fiscal”, acarretando indevida supressão de instância, por trazer o caso de forma prematura e despreparada para a análise deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF); b) se lhe tivesse sido dada a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia o precioso tempo deste Conselho com cobranças infundadas como a presente, uma vez que qualquer agente fiscal da Receita Federal do Brasil que analisasse com a mínima cautela a situação exposta na Manifestação de Inconformidade teria notado que houvera tão somente um erro no preenchimento da declaração, o que não justificaria a glosa ora em comento; c) “é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte.” d) os erros de preenchimento da DCTF seriam equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, uma vez que ele teria livre acesso a toda a escrituração fiscal do Recorrente. Junto a sua peça recursal, o Recorrente traz aos autos aos autos cópias de documentos societários e do acórdão recorrido. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679903/200950 Acórdão n.º 3803004.424 S3TE03 Fl. 146 4 É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange ao pedido de suspensão de quaisquer atos tendentes ao seguimento da cobrança dos valores objeto do PER/DCOMP, até ulterior decisão definitiva em contrário, temse que, nos termos do contido no art. 151, III, do Código Tributário Nacional (CTN), as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário, independentemente de pedido da parte nesse sentido. I. Preliminar de nulidade do despacho decisório. Quanto à preliminar de nulidade do despacho decisório, devese ressaltar, de pronto, que a decisão proferida pela repartição de origem, por meio eletrônico, se dera com base nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo quando da entrega do PER/DCOMP e da DCTF original. Todas as informações necessárias à formalização da decisão já se encontravam disponíveis então, todas elas fornecidas pelo próprio sujeito passivo, quais sejam: (i) o pagamento efetuado (DARF), (ii) o Pedido de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) e (iii) a DCTF contendo os dados relativos a débitos e créditos. A DCTF retificadora, conforme apontou o julgador de piso, somente veio a ser entregue pelo interessado após a ciência do despacho decisório, não se podendo, por conseguinte, impingir a este o vício da nulidade, pois que exarado em conformidade com os dados então disponíveis. Quando a Administração tributária encontrase em condições de lavrar os atos de sua competência com base nas informações fornecidas pelo sujeito passivo e alimentadas em seus sistemas informatizados, inexiste necessidade de se proceder a novas coletas, ao contrário do alegado pelo Recorrente. Dito em outras palavras, quando todos os dados necessários à análise já se encontram disponíveis, ao agente público não é deferido o direito de procrastinar a sua atividade vinculada e obrigatória, sob pena de violação dos princípios da legalidade, da eficiência e da oficialidade. Não se pode perder de vista que a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal (PAF) iniciase com a Impugnação, que corresponde à fase de Manifestação de Inconformidade nos processos relativos à compensação tributária, por força do contido no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 e no art. 14 do Decreto nº 70.235/1972, de sorte que, durante a fase que antecede o litígio, dispondo a Administração dos dados necessários à produção do ato administrativo, não se exigem intimações prévias, salvo quando imprescindíveis, o que não corresponde ao presente caso. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679903/200950 Acórdão n.º 3803004.424 S3TE03 Fl. 147 5 Outro não é o entendimento que se extrai do contido na súmula CARF nº 46, em que consta que “[o] lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário”. Ainda que o presente processo não se refira à constituição de crédito tributário, a intelecção que se obtém da súmula pode muito bem ser a ele estendida, pois se para lançar de ofício um tributo a intimação prévia pode ser dispensada, muito mais isso poderá ocorrer nos casos de apreciação de pedidos do contribuinte, cujo direito pleiteado compete a ele comprovar. Dessa forma, não se vislumbra neste processo qualquer cerceamento ao direito de defesa do Recorrente, pois, desde o seu início, ele tem se manifestado na defesa do direito de que se acha detentor, não tendo lhe sido negadas quaisquer das garantias asseguradas pela legislação processual. Foilhe assegurado o direito de se valer do contencioso administrativo, em duas instâncias, para se contrapor às decisões da Administração tributária, inclusive apresentando, na defesa do seu direito, outras informações e documentos ainda não apreciados pela Fazenda Pública. Quanto à alegada violação dos princípios da verdade material, da capacidade contributiva, da formalidade moderada, da vedação ao enriquecimento ilícito, da razoabilidade, da proporcionalidade e da legalidade estrita, há que se ressaltar que a decisão combatida fora exarada em conformidade com os dispositivos legais e regulamentares que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), este disciplinado em especial pelo Decreto nº 70.235, de 1972, dispositivos esses válidos e vigentes, de observância obrigatória por parte dos agentes administrativos, sob pena de responsabilidade funcional. Teria havido, sim, violação de tais princípios se tivessem sido ignorados pela Administração tributária eventuais documentos comprobatórios do direito alegado, como a escrituração contábilfiscal, que porventura tivessem sido trazidos aos autos pelo Recorrente e desconsiderados pelos agentes fiscais competentes – documentos esses aptos à apuração da contribuição devida no período –, mas não foi isso que ocorreu neste processo. Por fim, destaquese que, em conformidade com o contido art. 59 do PAF, somente são considerados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, hipóteses essas que, conforme já apontado, não se coadunam com a tramitação e a realidade fática deste processo. Diante do exposto, afasto a preliminar de nulidade arguida. II. Mérito. Compensação. Existência do indébito. Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da falta de comprovação do alegado erro ocorrido no preenchido da DCTF. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679903/200950 Acórdão n.º 3803004.424 S3TE03 Fl. 148 6 Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório e da decisão recorrida, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Nada há nos autos que demonstre esses fatos alegados pelo Recorrente. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à alegada violação do princípio. Em processos da espécie ao ora analisado, não cabe a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao requerer a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa busque as provas do direito alegado, provas essas, repitase, que se encontram sob sua guarda, não se podendo imputar ao Fisco o dever de coletálas, em face da inércia do interessado. A não apresentação de provas dos fatos apontados e a alegação de inoperância do Fisco por falta de diligência encontramse em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 19721, que regula o Processo 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679903/200950 Acórdão n.º 3803004.424 S3TE03 Fl. 149 7 Administrativo Fiscal (PAF), e com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Não se pode perder de vista que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal no momento da emissão do despacho decisório. Nesse contexto, voto por AFASTAR a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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