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Numero do processo: 16045.000342/2010-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO.
A utilização de informações de movimentação financeira, obtidas regularmente pela autoridade fiscal, não caracteriza violação de sigilo bancário. Não procedem as arguições de nulidade, quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS.
Uma vez não impugnadas, consolida-se, administrativamente, a exclusão do SIMPLES e as sujeições passivas solidárias.
PEDIDO DE PARCELAMENTO. LEI Nº 11.941/2009. CANCELAMENTO.
O pedido é ineficaz e cancelado, quando o sujeito passivo realiza sua adesão ao parcelamento, estabelecido na Lei nº 11.941/2009, mas não apresenta as informações necessárias à sua consolidação.
DECADÊNCIA. INÍCIO DO PRAZO.
O prazo decadencial das contribuições sociais (PIS, COFINS e contribuição previdenciária - INSS), quando não houver pagamento prévio, iniciará no mês subsequente ao fato gerador, conforme o art. 173, I, do CTN.
ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. LUCRO ARBITRADO.
A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A ausência ou imprestabilidade da escrituração contábil e fiscal, conforme expressa previsão normativa, possibilita a constituição do crédito tributário mediante arbitramento do lucro.
AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO.
Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 96, uniformizou a jurisprudência no sentido de que "A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros." O atendimento dos termos de intimação fiscais, embora de modo insuficiente, exonera a imposição da multa agravada (112,50%).
Numero da decisão: 1201-002.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira, obtidas regularmente pela autoridade fiscal, não caracteriza violação de sigilo bancário. Não procedem as arguições de nulidade, quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. EXCLUSÃO DO SIMPLES. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Uma vez não impugnadas, consolida-se, administrativamente, a exclusão do SIMPLES e as sujeições passivas solidárias. PEDIDO DE PARCELAMENTO. LEI Nº 11.941/2009. CANCELAMENTO. O pedido é ineficaz e cancelado, quando o sujeito passivo realiza sua adesão ao parcelamento, estabelecido na Lei nº 11.941/2009, mas não apresenta as informações necessárias à sua consolidação. DECADÊNCIA. INÍCIO DO PRAZO. O prazo decadencial das contribuições sociais (PIS, COFINS e contribuição previdenciária - INSS), quando não houver pagamento prévio, iniciará no mês subsequente ao fato gerador, conforme o art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. LUCRO ARBITRADO. A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A ausência ou imprestabilidade da escrituração contábil e fiscal, conforme expressa previsão normativa, possibilita a constituição do crédito tributário mediante arbitramento do lucro. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 96, uniformizou a jurisprudência no sentido de que "A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros." O atendimento dos termos de intimação fiscais, embora de modo insuficiente, exonera a imposição da multa agravada (112,50%).
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SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira, obtidas regularmente pela autoridade fiscal, não caracteriza violação de sigilo bancário. Não procedem as arguições de nulidade, quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. EXCLUSÃO DO SIMPLES. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Uma vez não impugnadas, consolidase, administrativamente, a exclusão do SIMPLES e as sujeições passivas solidárias. PEDIDO DE PARCELAMENTO. LEI Nº 11.941/2009. CANCELAMENTO. O pedido é ineficaz e cancelado, quando o sujeito passivo realiza sua adesão ao parcelamento, estabelecido na Lei nº 11.941/2009, mas não apresenta as informações necessárias à sua consolidação. DECADÊNCIA. INÍCIO DO PRAZO. O prazo decadencial das contribuições sociais (PIS, COFINS e contribuição previdenciária INSS), quando não houver pagamento prévio, iniciará no mês subsequente ao fato gerador, conforme o art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. LUCRO ARBITRADO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 03 42 /2 01 0- 23 Fl. 998DF CARF MF 2 A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A ausência ou imprestabilidade da escrituração contábil e fiscal, conforme expressa previsão normativa, possibilita a constituição do crédito tributário mediante arbitramento do lucro. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 96, uniformizou a jurisprudência no sentido de que "A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros." O atendimento dos termos de intimação fiscais, embora de modo insuficiente, exonera a imposição da multa agravada (112,50%). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório O acórdão nº 1054.559, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, julgou improcedente a impugnação administrativa, conforme se extrai da sua ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Uma vez não impugnadas as matérias, consolidase, administrativamente, a exclusão do SIMPLES e as sujeições passivas solidárias. PEDIDO DE PARCELAMENTO LEI Nº 11.941/2009. CANCELAMENTO. Fl. 999DF CARF MF Processo nº 16045.000342/201023 Acórdão n.º 1201002.486 S1C2T1 Fl. 999 3 O sujeito passivo que aderiu ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009 e não apresentou as informações necessárias à sua consolidação teve o seu pedido de parcelamento cancelado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2006 INÍCIO DO PRAZO DECADENCIAL. Para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, I e parágrafo único do CTN. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A não comprovação da origem dos valores depositados em conta bancária de titularidade do sujeito passivo, após regular intimação, autoriza a presunção de omissão de receita. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. LUCRO ARBITRADO. LANÇAMENTOS DECORRENTES. A não comprovação da origem dos valores depositados em conta bancária de titularidade do sujeito passivo, após regular intimação, autoriza a presunção de omissão de receita. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. A falta de apresentação dos livros e documentos fiscais enseja o arbitramento do lucro. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Resumidamente, o acórdão recorrido narrou os fatos que proporcionaram a imposição fiscal: Fl. 1000DF CARF MF 4 O presente processo foi distribuído, em caráter eventual, para julgamento pela Sexta Turma desta DRJ, de acordo com a Portaria DRJ/POA nº 17, de 16 de março de 2015. Dos Lançamentos Fiscais A matéria sob litígio tem origem na fiscalização inaugurada em 01/04/2009 com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 08108002009 000194, que culminou com a formalização de lançamento de ofício pertinente a fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2005 a 31/12/2005 na modalidade do Simples, de 01/01/2006 a 31/12/2007 na modalidade do lucro presumido e na exclusão da empresa do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2006. A origem da ação fiscal foi a comparação entre as informações obtidas das DCPMFs apresentadas pelas instituições financeiras e a receita bruta constante das Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica (anoscalendário de 2005 e 2006), na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – Lucro Presumido (anocalendário de 2007 ) e como Inativa no ano calendário de 2008, todas no valor de R$ 0,00. Também não recolheu IRPJ, CSLL, PIS e Cofins para os referidos anos calendário. Já a movimentação bancária no anocalendário de 2005 foi no valor de R$ 7.815.023,74, revelando fortes indícios de omissão de receitas. A fiscalização teve início em 01/04/2009 quando o sujeito passivo foi intimado a apresentar livros contábeis/fiscais, extratos de suas contascorrentes, de cadernetas de poupança, de investimentos e de outras movimentações financeiras relativas aos anoscalendário de 2005 a 2007. Intimado e reintimado, não se manifestou. Após cinco meses da ciência do Termo de Início de Fiscalização e a não apresentação dos documentos solicitados, foi necessária e imprescindível a solicitação via RMF – Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira, de tais informações junto as instituições financeiras. Intimado a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem e o oferecimento à tributação dos créditos em suas contascorrentes, o Fiscalizado entregou somente cópia de uma solicitação encaminhada ao Banco ABN Real sobre o significado do termo “liberação garantida” e “Lib Desc chq 434532582”. Em data posterior à ciência do Termo de Início de Fiscalização (12/06/2009) é solicitada a baixa do CNPJ, o que importou na responsabilidade solidária da titular da empresa, Sra. Patrícia Deni Franco, CPF 103.461.07830. Em face dos indícios levantados foi feita uma análise específica dos créditos constantes dos extratos bancários relativos às contascorrentes de titularidade do Fiscalizado. Nessa análise foram eliminados os valores relativos a transferências entre suas contascorrentes, resgates de aplicações e poupanças, cheques devolvidos cujo depósito pode ser identificado, estorno de débitos e todos os outros créditos cuja origem também pode ser Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 16045.000342/201023 Acórdão n.º 1201002.486 S1C2T1 Fl. 1000 5 identificada sem a apresentação de novos documentos por parte do Fiscalizado, resultando no valor de R$ 5.524.965,84 como omissão de receita no anocalendário de 2005. Pela não apresentação de esclarecimentos e documentos solicitados nos Termos de Início de Fiscalização e de Reintimação, ou qualquer justificativa para não entrega, assim como sobre os créditos em suas contascorrentes, o que é considerado embaraço à fiscalização, as multas correspondentes às infrações foram agravadas de 75% para 112,50%, de acordo com o art. 44, I, parágrafo 2º da Lei nº 9.430/1996. O lançamento de ofício relativo ao anocalendário de 2005 está consubstanciado nos autos de infração – Simples: Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$ 112.714,03; Contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 112.714,03; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$ 176.767,73; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no valor de R$ 353.535,76; e Contribuição para Seguridade Social – INSS, no valor de R$ 752.370,06, apurando o crédito tributário total no valor de R$ 1.508.101,61 (um milhão, quinhentos e oito mil, cento e um reais e sessenta e um centavos), aí incluído o principal, multa de 112,50% e juros de mora calculados até 31/08/2010. Em 21/09/2010 a Sra Patrícia Deni Franco é cientificada, via postal, do Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 607). O sujeito passivo foi cientificado do Auto de Infração em 13/10/2010, conforme fls. 611. Como a receita bruta total auferida pela pessoa jurídica em 2005 foi de R$ 5.524.965,84, ultrapassando o limite de receita para permanência no Simples naquele ano, que era de R$ 1.200.000,00, de acordo com o art. 9º, II da lei nº 9.317/1996, foi editado o Ato Declaratório Executivo Nº 52, de 29/10/2010 de exclusão da empresa do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2006 (fls. 621). O ADE de exclusão foi publicado no DOU – Seção 1 em 01/11/2010 (fls. 624). Em 29/11/2010 foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal (fls. 640/641), com ciência ao sujeito passivo em 02/12/2010 (fls. 663) onde consta que a empresa, excluída do Simples a partir de 01/01/2006, não entregou as DCTFs para os anoscalendário de 2006 e 2007. Intimada e reintimada durante a fiscalização, também não apresentou qualquer documento ou livro contábil/fiscal, não podendo ser apurado o lucro real para estes anoscalendário, sendo necessário o arbitramento do lucro. Neste mesmo Termo o contribuinte é intimado a apresentar os livros fiscais solicitados no início da ação fiscal, e a comprovar a origem dos valores creditados/depositados nas contas correntes do sócio responsável e de seus dependentes, conforme relação em anexo e, para os valores cuja origem seja apresentada comprovação, o sujeito passivo deveria demonstrar que haviam sido regularmente tributados e/ou que não estavam sujeitos a tributação. Fl. 1002DF CARF MF 6 Em 15/01/2011 a empresa é cientificada novamente do Termo de Constatação Fiscal e reintimada a apresentar os livros fiscais, mas não manifestouse. Tendo em vista ter ficado caracterizada omissão de rendimentos em virtude dos depósitos bancários, foram lavrados os seguintes autos de infração na modalidade do lucro arbitrado, relativos aos anoscalendário de 2006 e 2007: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 90.498,29; Contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 41.028,49; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no valor de R$ 189.364,28 e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$ 67.873,67, apurando o crédito tributário total no valor de R$ 388.764,73 (trezentos e oitenta e oito mil, setecentos e sessenta e quatro reais e setenta e três centavos), aí incluído o principal, multa proporcional e juros de mora calculados até 31/01/2011. O sujeito passivo teve ciência pessoal destes autos de infração em 28/02/2011 (fls. 772). A Fiscalização constatou que no endereço da pessoa jurídica se encontrava em pleno funcionamento o supermercado “Mercadinho Borba da Mata – ME”, CNPJ 00.258.948/0001 41, explorando a mesma atividade comercial da “Patrícia Deni Franco ME”, que se encontra na situação cadastral “baixada” desde 12/06/2009. Já o “Mercadinho Borba da Mata – ME” se encontra no endereço da fiscalizada desde 14/08/2002 e constou em seu quadro societário Patrícia Deni Franco, no período de 11/04/2006 a 10/01/2008, com 99,95% de participação. Desta forma, consta do Relatório Fiscal que ficou caracterizada a sujeição passiva solidária do “Mercadinho Borba da Mata – ME”, nos termos do art. 133 da Lei nº 5.172/1996, com relação ao Auto de Infração do Lucro Arbitrado. Em 11/03/2011 o “Mercadinho Borda da Mata Ltda – ME” tem ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária. Das impugnações Somente a empresa “Patrícia Deni Franco – ME” apresenta suas impugnações. Em 12/11/2010 ela apresenta sua impugnação (fls. 627/637) em relação aos Autos de Infração do anocalendário de 2005, alegando em síntese: 1 em 30/11/2009, anteriormente à autuação, fez o pedido de inclusão da totalidade de seus débitos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Tal parcelamento foi deferido em 14/06/2010 e então deuse a inclusão da totalidade de seus débitos inscritos e não inscritos; 2 relativamente ao anocalendário de 2005 deveriam ser excluídos do cálculo apresentado no Auto de Infração, todos os débitos inclusos no parcelamento, considerando que o Agente Fiscal partiu do valor “zero” informado, e posteriormente retificado pelo Impugnante; 3 de acordo com o que diz o artigo 1º, parágrafo 1º da Lei nº 11.941/2009, incluiu no parcelamento os créditos ainda não constituídos, ora cobrados no Auto de Infração; Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 16045.000342/201023 Acórdão n.º 1201002.486 S1C2T1 Fl. 1001 7 4 com relação aos valores de depósitos em conta corrente, alega que foram consideradas diversas operações que não podem ser consideradas como receita tributável, tais como crédito por devolução de mercadoria adquirida, vendas do ativo imobilizado e transferências entre contas bancárias; e 5 discorre sobre o lançamento por homologação e que o prazo para o fisco homologar o pagamento efetuado é o previsto no parágrafo 4º do art. 150 do CTN. Conclui que é nulo o crédito tributário constituído quanto aos fatos geradores do PIS, da Cofins e do ISS ocorridos há mais de cinco anos antes de sua constituição, ou seja, os períodos de 01/2005 a 08/2005 estão alcançados pela decadência. Ao final requer seja acatado todo o alegado, declarandose a nulidade do MPF, e no mérito, julgado totalmente procedente a impugnação com o conseqüente arquivamento dos Autos de Infração e Lançamento de ofício. Com relação aos Autos de Infração relativos aos anos calendário de 2006/2007, apresenta impugnação em 30/03/2011 (fls. 797/806), sustentando que: 1 o total dos depósitos dos anoscalendário de 2005 a 2007, de acordo com o declarado no item 2.1 dos AIIM’s é de R$ 5.524.965,84. O auto de infração anteriormente lavrado teve como base este valor; 2 mesmo assim, anteriormente à autuação, em 30/11/2009 fez o pedido de inclusão da totalidade de seus débitos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009; 3 discorre sobre o parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Alega que o valor autuado encontrase completamente equivocado, pois não foi considerado e, conseqüentemente não foram descontados os valores inclusos no referido parcelamento; 4 cita operações em contacorrente cuja origem não é receita tributável: crédito por devolução de mercadoria adquirida, vendas de ativo imobilizado, transferências entre contas bancárias e créditos comerciais concedidos por fornecedores; 5 discorre novamente sobre o lançamento por homologação; 6 no momento da autuação não havia qualquer fato que certificasse como exato os valores autuados, uma vez que foram pressupostos, de forma equivocada, os fatos geradores dos impostos; e 7 trata da decadência, referese ao parágrafo 4º do art. 150 do CTN, concluindo que o prazo, após o qual se considera realizado tacitamente o lançamento por homologação, tem natureza decadencial, pois ele implica a perda do direito de a autoridade administrativa efetuar o lançamento de oficio. Desta forma, é nulo o crédito tributário constituído quanto aos fatos geradores do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL ocorridos há mais de cinco anos Fl. 1004DF CARF MF 8 antes de sua constituição, ou seja, dos períodos autuados de 01/2006 e 02/2006, pois alcançados pela decadência. Ao final requer seja acatado todo o alegado, declarandose a nulidade do MPF, e no mérito, julgado totalmente procedente a impugnação com o conseqüente arquivamento dos Autos de Infração e Lançamento de ofício. A contribuinte interpôs seu Recurso voluntário, reiterando os mesmos argumentos da impugnação administrativa, sem qualquer nova prova que infirmasse o crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. I. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO O acórdão recorrido confirmou a exigência tributária, explicitando a inexistência de qualquer nulidade do lançamento de ofício. Igualmente, não vislumbro quaisquer das hipóteses dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/19721, ratificando a ausência de nulidade e prevalecendo a validade da constituição do crédito tributário, tal como formalizado. Por sua vez, não é nula a exigência consubstanciada em informações financeiras do contribuinte, obtidas pela Receita Federal do Brasil sem prévia autorização judicial. Atualmente, a jurisprudência do Egrégio Supremo Tribunal Federal, uniformizada pelo acórdão prolatado no Recurso Extraordinário (RE) nº 601.314/SP, com efeito da repercussão geral estabelecida no artigo 543B do Código de Processo Civil vigente à época, possibilitou o acesso da movimentação financeira do sujeito passivo durante o procedimento fiscal: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. 1 “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio” Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 16045.000342/201023 Acórdão n.º 1201002.486 S1C2T1 Fl. 1002 9 DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, Fl. 1006DF CARF MF 10 tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. O artigo 145, parágrafo primeiro, da Constituição Federal, consagra o princípio da capacidade contributiva, orientando que "sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte." A autoridade administrativa é competente para exigir informações financeiras do contribuinte, mediante intimação escrita, consoante o artigo 197 do Código Tributário Nacional: "Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;" A Lei Complementar nº 105/2001 autorizou a requisição de informações pela autoridade fiscal diretamente nas instituições financeiras, ressaltando que não configuraria violação ao dever de sigilo: Art.1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) §3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art.5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) §2º As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 16045.000342/201023 Acórdão n.º 1201002.486 S1C2T1 Fl. 1003 11 permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) §4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. §5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Este instrumento eficaz de fiscalização foi regulamentado pela Lei nº 10.174/2001 e pelo Decreto nº 3.724/2001, com validade constitucional reconhecida pelo Colendo Supremo Tribunal Federal. Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". II. DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA LITIGIOSA O acórdão recorrido delimitou a controvérsia do presente litígio, explicitando que não foi impugnada a exclusão do regime simplificado, nem a imposição da responsabilidade solidária: 1 Limites do litígio Inicialmente, é necessário estabelecer os limites do litígio instaurado, que devem conduzir o presente julgamento. Neste sentido, há que se esclarecer que, a teor do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF), o julgamento do mérito da lide deve recair apenas sobre a matéria expressamente impugnada: Fl. 1008DF CARF MF 12 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997). Ainda, de acordo com os artigos 15 e 16 do mesmo diploma legal, a impugnação, que deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, deve ser apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que ocorreu a intimação relativa à exigência. É o momento processual para a apresentação dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, sob pena de preclusão. Na análise dos autos, constatase que o sujeito passivo foi cientificado sobre a exclusão do Simples Ato Declaratório Executivo Nº 52 de 29/10/2010 com efeitos a partir de 01/01/2006, no entanto, não apresentou qualquer manifestação tempestiva. Assim, a exclusão do Simples, por tratarse de matéria não impugnada, tornase definitiva. A Sra Patrícia Deni Franco foi cientificada, via postal, do Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 607) com relação ao Auto de Infração lavrado em 10/09/2010 – Simples (AC 2005). Já o “Mercadinho Borda da Mata Ltda – ME” teve ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária em 11/03/2011, relativamente aos autos de infração dos anoscalendário de 2006 e 2007. Nenhum dos dois apresentou defesa no processo, tornandose definitiva a sujeição passiva dos mesmos. Prestados estes esclarecimentos, apreciamse, a seguir, apenas as questões suscitadas tempestivamente pelo impugnante. Concordo com posicionamento acima, não havendo a impugnação das referidas matérias, igualmente, neste presente recurso. III. DECADÊNCIA O acórdão recorrido inadmitiu a decadência na constituição do crédito tributário, mediante a seguinte exposição, não havendo o lançamento de ofício extemporâneo: 5 – Do lançamento por homologação Com relação ao auto de infração do Simples, alega ser nulo o crédito tributário constituído quanto aos fatos geradores do PIS, da Cofins e do ISS ocorridos há mais de cinco anos antes de sua constituição, de acordo com o previsto no parágrafo 4º do art. 150 do CTN. Sendo assim, estariam alcançados pela decadência os períodos de 01/2005 a 08/2005. Diz também ser nulo o crédito tributário constituído quanto aos fatos geradores do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL ocorridos há mais de cinco anos antes de sua constituição, ou seja, dos períodos autuados de 01/2006 e 02/2006, pois alcançados pela decadência. Analisemos esta situação. Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 16045.000342/201023 Acórdão n.º 1201002.486 S1C2T1 Fl. 1004 13 Em primeiro lugar, o contribuinte apresentou declarações de imposto de renda zeradas para os anoscalendário fiscalizados, não entregou os livros fiscais e documentos solicitados na ação fiscal e não fez nenhum recolhimento de tributos/contribuições. O impugnante apresenta argumentos acerca da decadência do direito do fisco constituir os créditos tributários lançados, nos termos do artigo 150, parágrafo 4° do CTN. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário é aquele previsto no Código Tributário Nacional CTN. Em havendo pagamento antecipado do tributo, aplicase o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador (artigo 150, § 4º do CTN); inexistente referido pagamento, ou nos casos de dolo, fraude ou simulação, aplicase o prazo de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I do CTN). Do Relatório Fiscal extraise que inexiste pagamento a título de Simples relativo ao período de janeiro/2005 a dezembro/2006, quando encontravase neste regime de tributação, e nem a título de lucro presumido, de janeiro/2007 a dezembro/2007, o que leva à aplicação do art. 173, I do CTN para o cômputo do prazo decadencial. Consoante o disposto no inciso I do art. 173 do CTN, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado e, consoante o parágrafo único do mesmo artigo, extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Com relação ao Auto de Infração – anocalendário 2005, a ação fiscal iniciouse em 01/04/2009 e a ciência do mesmo ocorreu em 13/10/2010. Como não houve nenhum pagamento, o prazo decadencial de acordo com o inciso I do art. 173 acima, iniciou se em 01/01/2006, com término em 31/12/2010. A ciência tendo ocorrido em 13/10/2010, não ocorreu a decadência. Com relação ao Auto de Infração – anoscalendário 2006 e 2007, não tendo havido nenhum pagamento, e aplicandose o parágrafo único do mesmo diploma legal, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese em cinco anos contados da data em que tenha iniciado a constituição do crédito tributário pela notificação de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Neste caso, em 01/04/2009, com o início da ação fiscal, extinguiuse a decadência. Assim, não ocorreu a decadência em relação à obrigação principal. Fl. 1010DF CARF MF 14 Contudo, quanto à contribuições sociais de apuração mensal (PIS, COFINS e INSS), notase a decadência do período de janeiro a setembro do anocalendário de 2005, uma vez que a contribuinte foi cientificada do lançamento de ofício em 13 de outubro de 2010. IV. MULTA AGRAVADA Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 96, uniformizou que "A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros." Embora atendendo os termos de intimação fiscais de modo insuficiente, opino que não impõe a multa agravada (112,50%), como exemplo, aderindo à mesma interpretação do acórdão nº 2401005.503, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento: O Recorrente se insurge contra o agravamento da multa, eis que a falta de apresentação de esclarecimentos que ensejou o agravamento da penalidade não partiu do contribuinte, mais sim das instituições financeiras e das dificuldades para a análise individualizada e obtenção de documentos comprobatórios. Com efeito, verificase que o agravamento previsto no § 2º, inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96, somente deve ser aplicado nos casos em que o contribuinte efetivamente deixar de atender à intimação do Fiscal para prestar esclarecimentos, o que pressupõe total descaso às intimações da autoridade fiscal. No caso em que o contribuinte apresenta resposta, embora incompleta ou diferente da esperada pela fiscalização, entendo inaplicável o agravamento, até porque não teve qualquer prejuízo à fiscalização. Logo, admissível a redução da multa agravada de 112,50% para multa de ofício de 75%. V. PARCELAMENTO E OMISSÃO DE RECEITA Ressalvando que inexistiram novos argumentos ou provas, quando da interposição do recurso voluntário, endosso o acórdão recorrido sobre o pedido de parcelamento ineficaz e a omissão da receita, citando a seguir suas razões: 2 Do Pedido de Parcelamento O contribuinte alega que em 30/11/2009, anteriormente à autuação, fez o pedido de inclusão da totalidade de seus débitos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Tal parcelamento foi deferido em 14/06/2010 com a inclusão da totalidade de seus débitos inscritos e não inscritos. Afirma que os valores parcelados não foram descontados no lançamento fiscal. Estava previsto na Lei nº 11.941/2009 que o contribuinte que estivesse em procedimento fiscal iniciado até 30/11/2009 e ainda não encerrado deveria prestar informações relativas aos respectivos débitos, independentemente de estar ou não obrigada Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 16045.000342/201023 Acórdão n.º 1201002.486 S1C2T1 Fl. 1005 15 à entrega de declaração específica, conforme o disposto no art. 4º da Instrução Normativa nº 968/2009. Estas informações deveriam ser prestadas na forma e no prazo de que trata o art. 15 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06/2009, que assim dispõe: Art. 15. Após a formalização do requerimento de adesão aos parcelamentos, será divulgado, por meio de ato conjunto e nos sítios da PGFN e da RFB na Internet, o prazo para que o sujeito passivo apresente as informações necessárias à consolidação do parcelamento. § 1º Somente poderá ser realizada a consolidação dos débitos do sujeito passivo que tiver cumprido as seguintes condições: I efetuado o pagamento da 1ª (primeira) prestação até o último dia útil do mês do requerimento; e II efetuado o pagamento de todas as prestações previstas no § 1º do art. 3º e no § 10 do art. 9º.( Redação dada pela Portaria PGFN/RFB nº 2, de 3 de fevereiro de 2011 ) § 2º No momento da consolidação, o sujeito passivo que aderiu aos parcelamentos previstos nesta Portaria deverá indicar os débitos a serem parcelados, o número de prestações e os montantes de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL a serem utilizados para liquidação de valores correspondentes a multas, de mora ou de ofício, e a juros moratórios. § 3º O sujeito passivo que aderiu aos parcelamentos previstos nesta Portaria que não apresentar as informações necessárias à consolidação, no prazo estipulado em ato conjunto referido no caput, terá o pedido de parcelamento cancelado, sem o restabelecimento dos parcelamentos rescindidos, em decorrência do requerimento efetuado. Consultando os sistemas da Receita Federal verifiquei que o contribuinte solicitou parcelamento da Lei nº 11.941/2009 relativamente a débitos na RFB – art. 1º, débitos previdenciários – art. 1º e débitos na PGFN – art. 1º, porém todos foram cancelados pela não apresentação de informações de consolidação, conforme parágrafo 3º do art. 15 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6/2009 acima transcrito. Anexei aos autos tela da consulta. Assim, os débitos em exigência neste processo apurados pela fiscalização, não foram incluídos em parcelamento, não havendo que se falar em valores a deduzir conforme postulado pelo impugnante. 3 Do Auto de Infração – Ano Calendário 2005 Um dos pontos da defesa é a alegação de que foram consideradas diversas operações que não comporiam sua receita Fl. 1012DF CARF MF 16 tributável, tais como crédito por devolução de mercadoria adquirida, vendas do ativo imobilizado e transferências entre contas bancárias. O contribuinte não apresenta, para as operações citadas, a documentação legal exigida nem tampouco apresentou sua escrituração contábil e fiscal que evidenciasse adequadamente estas situações. Assim sendo, para corroborar a argumentação do Impugnante de que parte de sua movimentação financeira, detectada nas contas correntes de sua titularidade, teria tido por origem operações não tributadas, bastaria que a empresa tivesse apresentado a respectiva comprovação, em valores correspondentes aos depósitos consignados nos extratos das contas correntes. A partir de 01/01/1997, com a edição da Lei nº 9.430/1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários, cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita, aplicável também na sistemática do Simples, na medida em que o contribuinte é obrigado a manter minimamente Livro Caixa, e a ele incorporar toda a movimentação bancária, observando também a guarda dos documentos e demais papéis que serviram de base para sua escrituração. Desta forma, passou a ocorrer a inversão do ônus da prova, cabendo ao sujeito passivo da relação jurídica provar que a prática do fato que lhe está sendo imputado não corresponde à realidade. No presente caso, conforme consta dos autos e acima relatado, a Autoridade Fiscal intimou o contribuinte a comprovar a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, relacionandoos, mas poucas informações foram dadas pelo sujeito passivo. Diante das poucas informações apresentadas pelo contribuinte, e da falta de apresentação de documentos que comprovassem sua movimentação bancária, o AuditorFiscal efetuou o lançamento dos Autos de Infração em discussão, cumprindo com as obrigações impostas pela legislação pertinente. Como visto, a presente impugnação contém argumentos sem qualquer lastro probatório, argüições destituídas de elementos que tenham o condão de se valer e impor a invalidade do auto de infração. Assinalese que aos contribuintes cabe proceder em consonância com as normas que regem a matéria, a legislação tributária, alicerçados em documentos idôneos e hábeis, que deverão, quando requisitados, ser entregues à fiscalização, para o cumprimento de seu mister legal. Desta forma, correto o lançamento referente ao anocalendário de 2005, na modalidade do Simples. 4 Do Auto de Infração – Ano Calendário 2006 e 2007 O sujeito passivo sustenta que o total dos depósitos dos anos calendário de 2005 a 2007, de acordo com o declarado no item Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 16045.000342/201023 Acórdão n.º 1201002.486 S1C2T1 Fl. 1006 17 2.1 dos AIIM’s é de R$ 5.524.965,84, e que o auto de infração relativo ao AC 2005 teve como base este valor. Não tem razão o contribuinte. Na descrição dos fatos e enquadramento legal – folha de continuação dos autos de infração – Simples, consta que em 2005, os créditos nas contas bancárias do fiscalizado totalizaram R$ 5.524.965,84. Este foi o valor utilizado como receita bruta acumulada da empresa para aquele ano calendário. Já para 2006 e 2007, conforme fls. 697 dos autos, o crédito em conta corrente de origem não comprovada foi de R$ 995.153,82 e R$ 1.769.031,17 respectivamente. Cita o sujeito passivo novamente operações em contacorrente cuja origem não seria receita tributável: crédito por devolução de mercadoria adquirida, vendas de ativo imobilizado, transferências entre contas bancárias e créditos comerciais concedidos por fornecedores, porém não comprova suas alegações, devendo as mesmas serem desconsideradas. Desta forma, correto o lançamento relativo aos anoscalendário de 2006 e 2007 na modalidade do lucro arbitrado. Conclusão Com base na análise acima e em tudo que do processo consta, voto pela improcedência da impugnação, mantendo integralmente os valores dos créditos tributários lançados. Outrossim, não há elementos suficientes para inverter o ônus da prova que é própria da Recorrente, nem qualquer esclarecimento sobre as receitas omitidas. A presunção relativa de omissão de receita é impugnável pela Recorrente, porém, necessário documentos hábeis e idôneos que evidenciem o contrário, segundo o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. O artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (RIR/1999), aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, reafirma que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte Fl. 1014DF CARF MF 18 dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." A presunção juris tantum foi estabelecida em norma vigente, invertendo o ônus de prova quanto à omissão de receitas para a contribuinte. O atual Código de Processo Civil, subsidiariamente, aplicável ao processo administrativo tributário, prevê tal hipótese no seu artigo 374: "Art. 374. Não dependem de prova os fatos: (...) IV— em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade." Portanto, a presunção normativa não infringe qualquer garantia constitucional da Recorrente. Isto posto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário, DANDO PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo a decadência das contribuições sociais (PIS, COFINS e INSS) do período de janeiro a setembro do anocalendário de 2005, assim como reduzindo a multa agravada para multa de ofício de 75%. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 1015DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000107/2010-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM.
Aplicam-se à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições abrangidos pelo regime do Simples.
Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir presunção legal de omissão de receitas, expressamente prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. MUDANÇAS DE ALÍQUOTA.
Em virtude das alterações de alíquotas, causadas por mudanças de faixas de receita bruta acumulada por constatação de omissão de receitas, impõe-se a exigência de ofício das insuficiências de recolhimento.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2005
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. CSS-INSS
Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1301-003.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Aplicam-se à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições abrangidos pelo regime do Simples. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir presunção legal de omissão de receitas, expressamente prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. MUDANÇAS DE ALÍQUOTA. Em virtude das alterações de alíquotas, causadas por mudanças de faixas de receita bruta acumulada por constatação de omissão de receitas, impõe-se a exigência de ofício das insuficiências de recolhimento. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2005 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. CSS-INSS Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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DEPÓSITO BANCÁRIO Recorrente JC FRAGOSO REPAROS EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições abrangidos pelo regime do Simples. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir presunção legal de omissão de receitas, expressamente prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. MUDANÇAS DE ALÍQUOTA. Em virtude das alterações de alíquotas, causadas por mudanças de faixas de receita bruta acumulada por constatação de omissão de receitas, impõese a exigência de ofício das insuficiências de recolhimento. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. CSSINSS Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 01 07 /2 01 0- 26 Fl. 975DF CARF MF Processo nº 15521.000107/201026 Acórdão n.º 1301003.479 S1C3T1 Fl. 976 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1257.142, proferido pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, mantendo parcialmente a exigência do crédito tributário em discussão. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito, complementandoo ao final: Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – SIMPLES, Contribuição para o PIS/Pasep – SIMPLES, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – SIMPLES, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social SIMPLES, Contribuição para Seguridade Social – INSS – SIMPLES (Autos de Infração de fls. 536/585), lavrados em 23/06/2010, para constituir o crédito tributário total no valor de R$ 2.651.597,07(fls.2), incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e os juros de mora devidos até a data da lavratura, decorrentes da apuração das infrações – OMISSÃO DE RECEITAS/DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS e INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, relativas aos fatos geradores ocorridos no período de 31/01/2005 a 31/12/2005, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 518/521, parte integrante do lançamento em referência. Cientificada dos lançamentos, em 28/06/2010 (fls. 588), a contribuinte protocolizou, em 26/07/2010, a impugnação de fls. Fl. 976DF CARF MF Processo nº 15521.000107/201026 Acórdão n.º 1301003.479 S1C3T1 Fl. 977 3 593/616 e anexos, apresentando as razões de fato e de direito a seguir relatadas. Preliminarmente, requer a anulação do lançamento por terem sido abrangidos pelo instituto da decadência, no que se refere aos tributos incluídos do SIMPLES cujo período de apuração ocorreu de janeiro a maio de 2005, por se tratar de lançamento por homologação, tem constituição definitiva de 05 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador que, no caso, é mensal, considerando que a ciência do lançamento se deu em 26/06/2010. E, no mérito, a impugnante alega, em síntese, o seguinte: • Inobservância do Art. 142 e parágrafo único, do CTN (Ausência da materialização da ocorrência do fato gerador, atipicidade da conduta atribuída à empresa por ausência de diploma legal que a fundamente, Incerteza na determinação da matéria tributável e na quantificação do montante do tributo devido). • Ausência de certeza e liquidez no lançamento, inobservância do inciso II do Art. 112 do CTN, em razão das dúvidas e incertezas contidas nos extratos bancários que serviram de base de cálculo, uma vez que é possível verificar que alguns valores se referem à transferência de conta bancária da própria empresa (J ou JC) ou transferência de contas de outras empresas ligadas (empresas do mesmo sócio, no caso da SEALOC ou de familiares do sócio, no caso da L.S RIBEIRO), comprovandose que o Fisco tributou valores que não eram passíveis de tributação. • É pacífico na doutrina e na jurisprudência (conforme sumula 182 do Tribunal Federal de Recursos) que o extrato bancário é uma presunção bastante precária, haja vista que os valores creditados muitas vezes não representam faturamento da pessoa jurídica ou obtenção de rendimentos pela pessoa física. • Inaplicabilidade da presunção legal contida no Art. 42 da Lei n° 9.430/96 pela antinomia com a Lei Complementar n° 105/2001 e com o Decreto n° 3.724/2001. • Com o advento da lei n° 9.317/96, toda a matéria tributária relativa às ME e EPP optantes pelo SIMPLES, passou a ser regida por esse diploma legal, inclusive os procedimentos administrativos relativos à omissão de receita (Art. 18) por parte dessas empresas e relativo a Fiscalização das mesmas (Art. 17) para a verificação do cumprimento da legislação tributária e a conseqüente constituição de crédito tributário relativos aos impostos e contribuições abrangidos pela nova sistemática, quando fosse constatada alguma infração aos seus dispositivos. • Em obediência ao Art. 18 da Lei n° 9.317/96 e o Art. 33 da Instrução Normativa n° 355/2003 é necessário que a escrituração da empresa (Livros comerciais ou livro caixa) seja Fl. 977DF CARF MF Processo nº 15521.000107/201026 Acórdão n.º 1301003.479 S1C3T1 Fl. 978 4 investigada para dela se extrair a constatação de que há valores creditados na conta bancária da empresa realizada através de depósitos (cheques, transferências e dinheiro) que não foram escriturados e que a ME ou EPP após ser intimada não logrou comprovar com documentos hábeis e idôneos a origem dos numerários. Somente após esta constatação é que o lançamento efetuado estaria aperfeiçoado. • O tratamento dado pelo Fisco somente passou a ter efeito a partir da entrada em vigor da Lei Complementar n° 123/2006 (SIMPLES NACIONAL) que revogou a lei n° 9.317/96, e no seu Art. 34 retirou a condição contida no Art. 18 da lei por ela revogada e ainda inclui o esclarecimento inexistente no texto revogado de que as presunções legais se aplicam às ME e EPP optantes pelo SIMPLES NACIONAL. Após a juntada da impugnação de fls. 557/696, a ARF/MacaéRJ encaminhou os autos para julgamento. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora julgou parcialmente procedentes os lançamentos efetuados, cujo julgamento se encontra sintetizado pela seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA Presente a decadência reportada no art. 150, § 4°, do CTN, há que ser afastada a exigência dos tributos e contribuições apurados relativamente aos meses de janeiro a maio de 2005. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 OMISSÕES DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. MUDANÇAS DE ALÍQUOTA. Em virtude das alterações de alíquotas, causadas por mudanças de faixas de receita bruta acumulada por constatação de omissão de receitas, impõese a exigência de ofício das insuficiências de recolhimento. Impugnação Procedente em Parte Fl. 978DF CARF MF Processo nº 15521.000107/201026 Acórdão n.º 1301003.479 S1C3T1 Fl. 979 5 Crédito Tributário Mantido em Parte Após intimação editalícia, e escoado o prazo legal, a empresa autuada apresentou seu recurso voluntário, impugnando a intimação fictícia, e apresentando suas razões recursais. Em uma primeira apreciação, este Colegiado converteu o julgamento em diligência, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, de forma fosse realizada nova intimação ao contribuinte e fornecimento de cópia do inteiro teor do acórdão 1257.142, com abertura do prazo recursal ou razões aditivas. Devidamente intimado, o contribuinte aportou aos autos a petição de fls. 970/971, ratificando os termos do recurso já interposto, e acrescentou preliminar de nulidade do auto de infração, por cerceamento de defesa, ao pontuar violação ao §3º do artigo 42 da Lei 9.430/96, por não terem sido individualmente identificados os valores que se considerou não justificados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante relatado, cuida a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ/SIMPLES) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL/SIMPLES; Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/SIMPLES; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS/SIMPLES e Contribuição para Seguridade Social INSSSIMPLES), relativas ao anocalendário 2005 e acrescidos de multa de ofício no percentual de 75% sobre o principal e de juros de mora. Alega a recorrente, em preliminar de nulidade do auto de infração, que este estaria viciado em razão de cerceamento de defesa, vez que estaria a violar o §3º do artigo 42 da Lei 9.430/96, por não ter sido individualmente identificados os valores que se considerou não justificados. Entendo descabido o argumento aduzido em sede de razões adicionais, uma vez que o auto apresentou minucioso demonstrativo, acostado às fls. 488/432, com a identificação completa (individualizada) dos valores creditados/depositados em conta bancária da recorrente, cuja origem não foi comprovada, sendo possível, através do exame desse demonstrativo, identificar os valores apontados, e comprovar a origem dos recursos utilizados nas referidas operações de créditos ali relacionadas. Aliás, nem mesmo na fase de fiscalização, o contribuinte interessouse em comprovar a origem dos valores apontados pela fiscalização, através dos Termos de Intimação de fls. 413/432 e 436/451, não prosperando seu argumento, de violação ao § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 979DF CARF MF Processo nº 15521.000107/201026 Acórdão n.º 1301003.479 S1C3T1 Fl. 980 6 Assim, afastase a preliminar argüida. No que tange ao mérito, a interessada aduz que os valores movimentados em suas contas bancárias referemse às transferências de conta bancária da própria empresa (J ou JC) ou transferência de contas de outras empresas ligadas (empresas do mesmo sócio, no caso da SEALOC ou de familiares do sócio, no caso da L.S. RIBEIRO, advogando ainda a tese de considerar indevida a presunção de receitas com base nos depósitos bancários, em empresas optantes do Simples. É certo que a movimentação bancária pode mesmo corresponder a receitas oriundas de transferências entre contas de mesma titularidade, mas é necessário que o contribuinte identifique por crédito/débito/contacorrente, as operações de transferências de contabancária da própria empresa que afirma ter ocorrido, considerando que as demais transferências alegadas (empresas do mesmo sócio ou de familiares do sócio) não poderiam ser excluídas, por falta de previsão legal. Ou seja, em vez de alegações genéricas, a interessada deveria ter apresentado documentos hábeis e idôneos para elidir cada valor tributado, considerado omitido. Ora, na falta de justificativa quanto à origem dos recursos apontados, nasce para o Fisco o direito de tributar tal crédito como omissão de receitas, no termos art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, senão vejamos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na Fl. 980DF CARF MF Processo nº 15521.000107/201026 Acórdão n.º 1301003.479 S1C3T1 Fl. 981 7 tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Assim, o fato é que o legislador conferiu ao Fisco uma presunção válida e legal, incumbindo ao contribuinte, provar, através de documentação hábil e idônea, que a referida presunção não possa subsistir. Portanto, não tendo a autuada comprovado mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nos depósitos identificados pela fiscalização, é de se concluir, por força da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96, que tiveram origem em recursos provenientes de receitas não oferecidas à tributação, na forma lançada, ressalvando, no entanto, os valores excluídos em primeira instância por força da decadência, que não foram objeto de recurso de ofício. Com relação ao argumento que aponta à inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário, registrese que a questão já foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 601.314, com repercussão geral, Rel. Min. Edson Fachin, tema 225, redigido nos seguintes termos: Tema 225 a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. No que concerne à Súmula 182 do extinto TRF, esclareçase que a referida Súmula não tema mais aplicação, com o advento da Lei nº 9.430, de 1996. A partir da edição desta Lei, a existência de depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio a se juntar ao elenco já existente. Com isso, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada, para satisfazer o onus probandi a seu cargo, sendo legítima a autuação quando a pessoa jurídica não escritura ou não comprova a origem dos depósitos bancários, nos termos do referido art. 42. Acerca da legislação, também não tem fundamento a alegação de que não poderia ocorrer o presente lançamento nas empresas do SIMPLES, pois o artigo 18 da Lei nº 9.317/96 é muito claro ao determinar que "Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno Fl. 981DF CARF MF Processo nº 15521.000107/201026 Acórdão n.º 1301003.479 S1C3T1 Fl. 982 8 porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas". De acordo com o transcrito acima, aplicamse à empresa optante pelo SIMPLES todas as presunções de omissão de receita existentes na legislação de regência do imposto sobre a renda e contribuições e, no caso, foi aplicada a prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Desta forma, negase provimento ao recurso voluntário. CSLL, PIS, COFINS e INSS: Lançamentos Reflexos Aplicase aos Lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Conclusão Diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo se, assim, os termos da decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 982DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.902748/2014-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2012
RESTITUIÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Para fazer jus ao ressarcimento pleiteado, incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, sob pena de indeferimento de seu pedido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2012 RESTITUIÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Para fazer jus ao ressarcimento pleiteado, incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, sob pena de indeferimento de seu pedido. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DATA DO FATO GERADOR: 31/01/2012 RESTITUIÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Para fazer jus ao ressarcimento pleiteado, incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, sob pena de indeferimento de seu pedido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 27 48 /2 01 4- 51 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10480.902748/201451 Acórdão n.º 3301005.203 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) da Contribuição (PIS/Cofins), em virtude de o pagamento informado encontrarse totalmente alocado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte juntou aos autos DCTF mensal original e retificadora e comprovante de pagamento como provas do recolhimento indevido. Sustentou que o Pedido de Restituição havia sido negado por falta de retificação da DCTF, contendo os valores devidos, anteriormente à data da análise do pedido de crédito. Por fim, destacou que a empresa procedera ao pedido de restituição da contribuição por se tratar de tributo com alíquota zero, nos termos do art. 28 da Lei nº 10.865/2004. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 02069.455, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando o pleito por falta de comprovação do direito creditório. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade, destacando que agira de acordo com orientações recebidas de funcionários da Receita Federal e que não lhe fora informado da necessidade de retificação prévia do Dacon. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10480.902748/201451 Acórdão n.º 3301005.203 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.202, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10480.902751/201474, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.202): O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A Recorrente pleiteia a restituição do PIS, nos termos do art. 28 da Lei nº 10.865/2004: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: Todavia, a empresa não indicou o inciso do dispositivo. Entendo como provável o “III produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI”, de acordo com os atos constitutivos da Lázaro Frutas. Todavia, a decisão de piso não merece reforma, porquanto nestes autos não há suporte documental comprobatório do direito creditório requerido, o que afasta a sua certeza e liquidez. É certo que incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A Recorrente trouxe aos autos a DCTF mensal original e retificadora, a DACON retificadora e DARF, por entender como suficientes para demonstrar que o recolhimento foi indevido. Entretanto, não foram trazidos aos autos a escrituração contábil fiscal da Recorrente, esclarecimentos do porquê o recolhimento foi indevido, planilha de apuração do PIS ou notas fiscais (art. 26 a 27 do Decreto n° 7.574/2011). Entendo que as declarações retificadas devem estar acompanhadas de outros documentos que demonstrem cabalmente o recolhimento indevido. Em regra geral, considerase que o ônus da prova recai sobre quem alega o fato ou o direito: Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10480.902748/201451 Acórdão n.º 3301005.203 S3C3T1 Fl. 5 4 CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Assim, é do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao ressarcimento. Enfim, estáse diante da ausência de liquidez e certeza quanto ao suposto crédito pleiteado, devendo ser mantido o Despacho Decisório proferido pela DRF de origem. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.902548/2012-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 15/05/2007
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Numero da decisão: 3302-005.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 15/05/2007 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/05/2007 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 25 48 /2 01 2- 23 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.902548/201223 Acórdão n.º 3302005.985 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER) da contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que o direito creditório decorria do pagamento a maior da contribuição, dada a inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 09061.742, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando ser incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, especialmente o novel posicionamento do STF no sentido de declarar a inconstitucionalidade da manutenção do ICMS na base de cálculo das contribuições. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.902548/201223 Acórdão n.º 3302005.985 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.969, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.679818/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.969): O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência e a matéria é de competência deste Colegiado. A presente discussão jurídica gravita exclusivamente em torno da possibilidade jurídica de se computar, na base de cálculo do PIS e da COFINS, o ICMS incidente sobre as mercadorias vendidas ou dos serviços prestados. A recorrente insurgese contra a inclusão do ICMS no faturamento, base de cálculo das contribuições exigidas, no caso específico Cofins e PIS, argüindo ser inconstitucional sua cobrança. Ressalta que o parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, norma conhecida como alargamento da base de cálculo dessas contribuições, foi reconhecida como inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Assim concluindo ser inconstitucional a cobrança da Cofins e do PIS sobre os valores indevidos na base de cálculo do faturamento, mais precisamente do ICMS. Argumenta que o valor do ICMS não revela medida de riqueza. Em razão da similitude com o presente caso concreto, adoto as razões de decidir da I. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158), que também foi adotado pelo I. Conselheiro Walker Araújo, processo administrativo nº 13609.000892/200998 (acórdão 3302005.708), que peço venia para transcrever: "II Mérito II.3 ICMS/ISSQN na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS/ISSQN na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação do RE 240.7852/MS. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS/ISSQN na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.902548/201223 Acórdão n.º 3302005.985 S3C3T2 Fl. 5 4 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.902548/201223 Acórdão n.º 3302005.985 S3C3T2 Fl. 6 5 empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da nãocumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.902548/201223 Acórdão n.º 3302005.985 S3C3T2 Fl. 7 6 Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.902548/201223 Acórdão n.º 3302005.985 S3C3T2 Fl. 8 7 julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Aplicase ao ISSQN, os mesmos fundamentos explicitados pelo Superior Tribunal de Justiça para manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, considerando, inclusive, que o RESP 1.144.469/PR tratou dos referidos impostos. III. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Assim, pelas já esposadas razões, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 141DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.907294/2006-88
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para intimar a autoridade preparadora a fim de analisar a DCTF retificadora em conjunto com os trechos do Livro DIÁRIO No. 210 DA, em fls. 113, e planilha acostadas em fls. 113 e ss. acostados neste processo.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para intimar a autoridade preparadora a fim de analisar a DCTF retificadora em conjunto com os trechos do Livro DIÁRIO No. 210 DA, em fls. 113, e planilha acostadas em fls. 113 e ss. acostados neste processo. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Despacho Decisório O despacho decisório em questão tratou de julgar o Per/Dcomp apresentada em 11/06/2003 (fls.02), de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 68 .9 07 29 4/ 20 06 -8 8 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10768.907294/200688 Resolução nº 3001000.140 S3C0T1 Fl. 130 2 indevidamente a titulo de Contribuição para o PIS atinente ao período de apuração 04/2003, com débito da Contribuição para Cofins de incidencia cumulativa (2172), referente ao período de apuração 05/2003, no valor de R$ 10.692,47. No entanto, o presente despacho decisório houve por bem, não homologar a compensação declarada através de Dcomp, em razão de não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega que, em abril de 2003, foi apurada a contribuição de PIS — Faturamento (cod 8109) no valor de R$ 8.239,87, porém este imposto foi recolhido no valor de R$ 18.932,34 equivocadamente. Ressalta que retificou a DCTF do 2º trimestre de 2003. Ademais, acrescenta que a empresa apurou uma COFINS — Faturamento (cód. 2172) no valor de R$ 47.772,56 em maio de 2003. Parte deste valor foi pago através da PER/Dcomp aqui em discussão, utilizando o crédito de R$ 10.692,47, gerado a partir do imposto pago a maior de PIS acima relatado. DRJ/RJO II A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e recebeu a seguinte ementa: Acórdão n° 1323.501 5a Turma da DRJ/RJOII ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições: Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10768.907294/200688 Resolução nº 3001000.140 S3C0T1 Fl. 131 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força dos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. Em suma, a DRJ entendeu por julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte por, retirase da decisão: não constar nos autos processuais quaisquer documentos com animus probanti que demonstrem a incorreção da contribuição indicada originariamente na DCTF do PA 03/2003, tais como Livros Diário, Razão, Balancetes Analíticos, enfim, elementos que possibilitassem alterar as informações apresentadas espontaneamente pelo interessado. Ademais, acrescenta que o momento oportuno para o contribuinte trazer à baila os elementos que, eventualmente, possam infirmar a peça vestibular ou, mais especificamente, a decisão recorrida é mesmo o de apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outra oportunidade. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente aduz seu argumento principal no erro cometido pela Recorrente ao preencher o DARF para recolhimento da Contribuição ao Programa de Integração Social PIS. Pagamento a maior A recorrente alega que recolheu a titulo de PIS para o período de apuração de abril de 2003 o montante de R$ 18.884,90 (dezoito mil e oitocentos e oitenta e quatro reais e noventa centavos). Todavia, o valor efetivamente devido no aludido período atinge R$ 8.239,87 (oito mil duzentos e trinta e nove e oitenta e sete centavos), quantum este informado na sua Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e constante da DTCF retificadora apresentada. Com isso, apresentou PER/Dcomp, requerendo compensação pelo valor pago maior no montante de R$ 10.692,47 (dez mil e seiscentos e noventa e dois reais e quarenta e sete centavos). Ressalta que nada é devido pela Recorrente a título de PIS não cumulativo, p.a abr/03 e apenas R$ 8.239,87 é devido relativamente ao PIS cumulativo (8109), mês de abril/03. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10768.907294/200688 Resolução nº 3001000.140 S3C0T1 Fl. 132 4 Princípio da verdade material A recorrente rechaça a decisão da DRJ no sentido de que o instituto da preclusão pode ser afastado em decorrência do principio da verdade real, motivo pelo qual deve ser admitida a apresentação posterior de provas aos autos. Por fim, a Recorrente requer o deferimento do seu pedido inicial, para que seja reformada a decisão recorrida, bem como homologada a compensação pleiteada através do PER/DCOMP antes referido, corrigindose o crédito monetariamente pela taxa SELIC desde a data do pagamento até o momento de seu aproveitamento. É o relatório. VOTO Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que negou o direito à compensação por ausência de prova do erro material cometido. Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 17.04.2009, conforme Aviso de Recebimento AR, fl. 74, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 18.05.2009, conforme comprova o carimbo da DERAT RJO, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10768.907294/200688 Resolução nº 3001000.140 S3C0T1 Fl. 133 5 Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. Dos documentos acostados nos autos A recorrente apresentou DCTF retificadora, DACON, comprovante de recolhimento do valor que alega ter pagado a maior, bem como a cópia do Livro Diário n° 210, o qual alega comprovar o recolhimento a maior e o estorno do crédito que originou seu pleito e demonstrativo de cálculo PIS de fevereiro a abril de 2003. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos. DOS FATOS A recorrente recolheu PIS na monta de R$ 18.884,90, em abril de 2003, pagamento comprovado mediante comprovante de recolhimento, no entanto, aduz que o efetivamente devido no aludido período atinge R$ 8.239,87. Por isso, pleiteia a compensação da diferença de R$ 10.692,47 (dez mil e seiscentos e noventa e dois reais e quarenta e sete centavos) a que tem direito pelo recolhimento a maior do PIS/PASEP no mês de fevereiro de 2003. Ciente do equívoco, alega ter retificado a DCTF, no entanto, retificou a DCTF somente após o Despacho Decisório. Por conta disso, busca a compensação dos valores pagos a maior. Da Conversão em Diligência O tema tratado neste item, diz respeito à forma regulamentar para comprovar a ocorrência de erro material e o consequente pagamento indevido ou a maior de tributo. Especificamente, o tema adentra aos casos relacionados com os Despachos Decisórios Eletrônicos. Esta modalidade de compensação caracterizase pelo cruzamento automatizado de dados eletronicamente inseridos no ambiente virtual da Receita Federal. Em especial, ocorre o cruzamento dos dados lançados na PER/DCOMP e na DCTF. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10768.907294/200688 Resolução nº 3001000.140 S3C0T1 Fl. 134 6 Com a lida rotineira nos processos administrativos com tal temática, percebese que se gerou, em torno do assunto, a seguinte celeuma. Muitos contribuintes, ao constatarem seus pagamentos indevidos, procedem à compensação na forma regrada pela Receita, mas acaba por não finalizar seus procedimentos de compensação com as necessárias retificações nas informações enviadas anteriormente. Neste ponto, os despachos decisórios, por basearemse nas informações prestadas pelo próprio contribuinte, acabam por declarar como não homologadas as compensações, haja vista os valores indicados como pagos a maior, terem sido alocados em débitos, também informados pelo contribuinte, e não retificados a tempo de permitir a compensação. Nestes casos, se segue à manifestação de inconformidade, na qual o contribuinte relata seu procedimento, e, na maioria das vezes, a fim de comprovar a existência do crédito, indica as declarações fiscais retificadas, derivadas das obrigações acessórias, como o meio apto para a comprovação do pagamento indevido. Ocorre, que é pacífico o entendimento esposado pelas Delegacias de Julgamento, no sentido de: exigir, como meio de prova, mais que as declarações acessórias retificadas, mas os elementos contábeis que lhe deram suporte. Entretanto, quando tais documentos são acostados aos autos já em sede de Recurso Voluntário, há previsão para de aplicação do prazo previsto nos artigos 14 e 16 do Decreto n.º 70.235/72. Diante deste breve cenário, o CARF, vem permitindo, a fim de prestigiar o princípio da verdade material, a juntada de documentos após a fase da manifestação de inconformidade, ou seja, em sede de recurso voluntário. Contudo, importa relatar as tendências jurisprudênciais deste CARF. Decorrem, então, três pocionamentos: 1) Aqueles que não aceitam a juntada de documentos fora do prazo da manifestação de inconformidade; 2) Aqueles que aceitam a juntada de documentos, desde que haja uma demonstração inicial sobre a formação de prova, como alguma documento contábil que extrapole as declarações retificadas; e, por fim, 3) Aqueles que, permitem a juntada a destempo de documentação, e, mais ainda, sugere proposta de diligência, a fim de viabilizar o concreto entendimento sobre a existência, ou não, de crédito hábil para a compensação declarada anteriormente. Isto porque, diante de compensações submetidas ao controle eletrônico e decididas via Despacho Decisório, cujo teor das decisões das Delegacias de Julgamento cravam como momento oportuno para a apresentação do lastro probatório, o protocolo da manifestação de inconformidade, impossibilitando, ao contribuinte, a juntada tempestiva de seus elementos de prova, haja vista ter conhecimento dos critérios utilizados pelas DRJs e por elas tidos como aptos à comprovação do crédito pleiteado apenas na prolação desta decisão. Em que pese este conselheiro já ter compartilhado o entendimento esposado na tese 1), houve por bem, por questões de justiça fiscal e prestígio ao princípio da verdade material, alterar o entendimento para a Tese 3). Sendo assim, a apresentação dos documentos em sede de recurso voluntário, devem ser consideradas regulares. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10768.907294/200688 Resolução nº 3001000.140 S3C0T1 Fl. 135 7 Da Controvérsia Acerca do Tema O tema abordado que se traduz no cerne da questão tratada nos autos, diz respeito ao pagamento indevido e sua efetiva forma de comprovação. A contribuinte alega ter calculado erroneamente seu PIS. Pois teria incluído, na base de cálculo do tributo, parcela de outra natureza. A fim de corrigir o rumo do referido processo, e enfrentar o que regimentalmente encontrase obrigado, verifico a necessidade de evidenciação da materialidade da ocorrência do pagamento como tido a maior. Os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento devido perfazse matéria recorrente nesta Turma. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, iniciase com o importante o respaldo no acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, ou seja, o dever de verificar a ocorrência do pagamento indevido. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificá la (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10768.907294/200688 Resolução nº 3001000.140 S3C0T1 Fl. 136 8 A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10768.907294/200688 Resolução nº 3001000.140 S3C0T1 Fl. 137 9 diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. Como expresso em votos anteriores, o entendimento pela preclusão foi entendimento do qual comunguei, mas, atualmente, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1a. TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em Dcomp, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, se faz possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito, tal alternativa deve ser posta em prática. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Confirase a lição do Conselheiro Cássio Schappo: Ressaltese, ademais, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065, de 16 de maio de 2017 (fls. 654/664), deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte, "com o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655), e para determinar "o envio dos autos à câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de Recurso voluntário" (fls. 659), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 24.04.2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10768.907294/200688 Resolução nº 3001000.140 S3C0T1 Fl. 138 10 PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10768.907294/200688 Resolução nº 3001000.140 S3C0T1 Fl. 139 11 comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Precedente Análogo ao Caso Em evolução, demonstrouse que, além de polêmico, o tema vem se alterando para a aceitação de documentos após o Recurso Voluntário, até o entendimento atual, cuja compreensão se encontra na Resolução 3001000.020, de relatoria do Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, que converteu o julgamento do caso em diligência nos seguintes termos: O recorrente apresentou DCTF e Dacon retificadora, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. No seu entender, com a apresentação dessas declarações retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que o interessado não apresentou qualquer elemento contábil que demonstrasse ter havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na DComp em questão. Portanto, em síntese, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10768.907294/200688 Resolução nº 3001000.140 S3C0T1 Fl. 140 12 O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas próprias palavras, que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, juntamente com a Dacon, e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório seria apenas a inexistência de débito. Como o acórdão recorrido proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Assim, tem se encaminhado, nestes casos, oportunizar, ao recorrente, a apresentação dos documentos necessários à demonstração da origem do crédito, pois, conforme descrito na resolução de conversão em diligência: Pois bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos ao crédito que o recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábil fiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para o recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Desta forma, por entender que a mencionada retificação (DCTF e Dacon) levada a efeito pelo recorrente, sinaliza com a possibilidade de acerto quanto ao correto valor do indébito de Cofins, e, com isto, o reconhecimento da extinção do débito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN.. Em outras ocasiões, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem admitindo a juntada de documentos em sede recursal, nos exatos termos da resolução retro transcrita. Proposta de Conversão em Diligência Portanto, ante a tema que, por um lado, indica a existência de crédito por parte do contribuinte, mas que, por desapego, até inconsciente, no que tange aos critérios utilizados pelo fisco, a fim de aceitar a legitimidade dos créditos postos pela recorrente, e, por outro lado, a possibilidade de o Estado negar crédito regular, fazse justiça ao pleito em perfazimento à orientação acima exposta, e por entender que este PAF não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para: intimar a autoridade preparadora a fim de analisar a DCTF retificadora em conjunto com os trechos do Livro DIÁRIO No. 210 DA, em fls. 113, e planilha acostadas em fls. 113 e ss. acostados neste processo. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10768.907294/200688 Resolução nº 3001000.140 S3C0T1 Fl. 141 13 Ainda, caso julgue insuficiente os documentos acostados a estes autos, para verificar a existência do crédito apontado, que especifique, através de intimação ao contribuinte, quais os documentos considera necessários para a efetiva comprovação e liquidação do crédito posto em compensação, oportunizando a demonstrar, mediante a apresentação de sua contabilidade, e de seus controles gerenciais, que lastreiam a escrita fiscal, a origem dos valores trazidos à compensação. Desta forma, a Autoridade preparadora deverá formular a devida aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte; demonstrar a correta base de cálculo do tributo e o quanto a pagar; apontar qual o montante correto a pagar, se o anteriormente recolhido a titulo de PIS para o período de apuração de abril de 2003 na quantia de R$ 18.884,90 (dezoito mil e oitocentos e oitenta e quatro reais e noventa centavos), ou, conforme alega a contribuinte, deverá a autoridade atestar que o valor efetivamente devido no aludido período é R$ 8.239,87 . Após, informe se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; elaboração de relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.902561/2012-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 13/11/2007
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Numero da decisão: 3302-005.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/11/2007 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 25 61 /2 01 2- 82 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.902561/201282 Acórdão n.º 3302005.998 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER) da contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que o direito creditório decorria do pagamento a maior da contribuição, dada a inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 09061.755, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando ser incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, especialmente o novel posicionamento do STF no sentido de declarar a inconstitucionalidade da manutenção do ICMS na base de cálculo das contribuições. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.902561/201282 Acórdão n.º 3302005.998 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.969, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.679818/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.969): O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência e a matéria é de competência deste Colegiado. A presente discussão jurídica gravita exclusivamente em torno da possibilidade jurídica de se computar, na base de cálculo do PIS e da COFINS, o ICMS incidente sobre as mercadorias vendidas ou dos serviços prestados. A recorrente insurgese contra a inclusão do ICMS no faturamento, base de cálculo das contribuições exigidas, no caso específico Cofins e PIS, argüindo ser inconstitucional sua cobrança. Ressalta que o parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, norma conhecida como alargamento da base de cálculo dessas contribuições, foi reconhecida como inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Assim concluindo ser inconstitucional a cobrança da Cofins e do PIS sobre os valores indevidos na base de cálculo do faturamento, mais precisamente do ICMS. Argumenta que o valor do ICMS não revela medida de riqueza. Em razão da similitude com o presente caso concreto, adoto as razões de decidir da I. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158), que também foi adotado pelo I. Conselheiro Walker Araújo, processo administrativo nº 13609.000892/200998 (acórdão 3302005.708), que peço venia para transcrever: "II Mérito II.3 ICMS/ISSQN na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS/ISSQN na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação do RE 240.7852/MS. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS/ISSQN na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.902561/201282 Acórdão n.º 3302005.998 S3C3T2 Fl. 5 4 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.902561/201282 Acórdão n.º 3302005.998 S3C3T2 Fl. 6 5 empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da nãocumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.902561/201282 Acórdão n.º 3302005.998 S3C3T2 Fl. 7 6 Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.902561/201282 Acórdão n.º 3302005.998 S3C3T2 Fl. 8 7 julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Aplicase ao ISSQN, os mesmos fundamentos explicitados pelo Superior Tribunal de Justiça para manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, considerando, inclusive, que o RESP 1.144.469/PR tratou dos referidos impostos. III. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Assim, pelas já esposadas razões, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 141DF CARF MF
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Numero do processo: 14485.002968/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2009 a 30/09/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. Somente a contradição, omissão ou obscuridade interna é embargável, não alcançando eventual os elementos externos da decisão.
Havendo erro material na decisão, o recurso de embargos devem ser acolhidos para sanar o equívoco apontado.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. PRECLUSÃO PROCESSUAL. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. A impugnação apresentada fora do prazo legal não deve ser conhecida. Nesse sentido, não há como instaurar a fase litigiosa processual, conforme impõe o artigo 14 do Decreto Lei 70.235/72, configurando, portanto, a preclusão temporal processual. Assim, não se pode conhecer das razões de mérito contidas no recurso voluntário, diante da impugnação intempestiva, que fica limitado à contrariedade oferecida à essa declaração.
Embargos de Declaração Acolhidos.
Numero da decisão: 2301-005.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº2302-001.479, de 1º/12/2011, retificar o seu resultado, negando provimento ao recurso voluntário, tendo em vista o reconhecimento dos efeitos da preclusão temporal, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente.
(assinado digitalmente)
WESLEY ROCHA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Reginaldo Paixão Emos, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2009 a 30/09/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. Somente a contradição, omissão ou obscuridade interna é embargável, não alcançando eventual os elementos externos da decisão. Havendo erro material na decisão, o recurso de embargos devem ser acolhidos para sanar o equívoco apontado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. PRECLUSÃO PROCESSUAL. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. A impugnação apresentada fora do prazo legal não deve ser conhecida. Nesse sentido, não há como instaurar a fase litigiosa processual, conforme impõe o artigo 14 do Decreto Lei 70.235/72, configurando, portanto, a preclusão temporal processual. Assim, não se pode conhecer das razões de mérito contidas no recurso voluntário, diante da impugnação intempestiva, que fica limitado à contrariedade oferecida à essa declaração. Embargos de Declaração Acolhidos.
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CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Somente a contradição, omissão ou obscuridade interna é embargável, não alcançando eventual os elementos externos da decisão. Havendo erro material na decisão, o recurso de embargos devem ser acolhidos para sanar o equívoco apontado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. PRECLUSÃO PROCESSUAL. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. A impugnação apresentada fora do prazo legal não deve ser conhecida. Nesse sentido, não há como instaurar a fase litigiosa processual, conforme impõe o artigo 14 do Decreto Lei 70.235/72, configurando, portanto, a preclusão temporal processual. Assim, não se pode conhecer das razões de mérito contidas no recurso voluntário, diante da impugnação intempestiva, que fica limitado à contrariedade oferecida à essa declaração. Embargos de Declaração Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 29 68 /2 00 7- 64 Fl. 141DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº2302 001.479, de 1º/12/2011, retificar o seu resultado, negando provimento ao recurso voluntário, tendo em vista o reconhecimento dos efeitos da preclusão temporal, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente. (assinado digitalmente) WESLEY ROCHA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Reginaldo Paixão Emos, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos Delegacia da Receita Federal contra Acórdão de Recurso Voluntário no acórdão sob nº 230201.479, proferido em 1º de dezembro de 2011, pela 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, da 2ª Seção, onde alega a recorrente que o prazo para o contribuinte protocolar sua impugnação de primeira instância teria sido consumado e considerado intempestivo. Nas fls. 129/130, a unidade da RFB assim se manifestou: A Turma de Julgamento da DRJ, por unanimidade, não tomou conhecimento da impugnação por ser intempestiva, uma vez que, de acordo com o AR e comprovante do Correio, ambos à fl. 51, o contribuinte foi cientificado do lançamento em 17/12/2007, portanto, o prazo de 30 dias venceria em 16/01/2008. Conforme documento de fl. 95, juntado pela empresa, esta postou sua impugnação no Correio, em 17/01/2008, consequentemente, fora do prazo por um dia. O contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF e o relator que apreciou o processo, equivocadamente, considerou o vencimento do prazo para apresentação da impugnação, no dia 17/01/2008, quando o correto foi o dia 16/01/2008, levando a Turma a anular a decisão de primeira instância. É o breve relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso cumpre os requisitos formais. Portanto, dele conheço. Passo a analisar o mérito. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 14485.002968/200764 Acórdão n.º 2301005.592 S2C3T1 Fl. 142 3 Os artigos 64 e 65, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF Portaria mf nº 343, de 09 de junho de 2015). assim dispõe: "Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração; Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma". Os embargos de declaração se prestam para sanar contradição, omissão ou obscuridade, e não possui efeitos modificativos da decisão recorrida, salvo casos específicos que pode resultar em efeitos infringentes do julgamento. Esse instrumento, por vezes pode ser considerado sensível em sua análise, uma vez que excepcionalmente pode contribuir com a modificação de interpretação ou resultado anteriormente esposado. Nesse sentido, os embargos servem exatamente para trazer compreensão e clarificação pelo órgão julgador ao resultado final do julgamento proferido, privilegiando inclusive ao princípio do devido processo legal, entregando às partes e interessados de forma clara e precisa a o entendimento do colegiado julgador. No presente caso, a "dúvida" ou equívoco (contraditório) levantado foi referente ao recebimento da defesa pelo contribuinte em sede de primeira instância, se estaria essa correta ou fora do prazo para defesa. O relator do acórdão em segunda instância, mencionou o seguinte: O sujeito passivo foi cientificado em 17 de dezembro de 2007, fl. 50. No próprio relatório fiscal, constou expressamente o endereço para impugnação, fl. 48: Rua Com Elias Zarzur, 120 — Santo Amaro — SP. O sujeito passivo no dia 17 de janeiro de 2008, dentro do prazo normativo, enviou pelos correios correspondência para tal endereço, fl. 93. Contudo, a correspondência não foi entregue à Receita Federal, em virtude de alteração de endereço, conforme informação à fl. 94. Três dias após tomar conhecimento do retorno da correspondência, o contribuinte protocolou a impugnação junto à Receita Federal, fl. 85. Apenas para constatar, onde o relator coloca fl. 85, leiase a fl. 95 do e processo, cuja a folha é a correta referente à informação do protocolo da defesa do contribuinte. Ocorre que, entre as informações de entrega da intimação e da manifestação do contribuinte em sede de primeiro grau, diante da constatação realizada pela embargante, de que a contribuinte teria protocolado a impugnação efetivamente no dia 17.01.2008 e não no dia 16.01.2008, ocorreu a preclusão temporal. Nesse sentido, verifico das informações contidas na fl. 95, que de fato a defesa foi entregue de forma intempestiva. Fl. 143DF CARF MF 4 Ademais nas fls. 50/51, existe a informação de que a recorrente foi efetivamente intimado em 17.12.2007, e que, portanto, a data de entrega da defesa deveria ter ocorrido no dia 16.01.2008, prazo fatal do legal permitido para o contribuinte. É clara, portanto, que as datas estão fora do prazo legal de 30 dias para apresentar a impugnação ao lançamento fiscal. Assim, possui razão a recorrente. Cabe mencionar que, a notificação do lançamento tem o condão de dar eficácia ao lançamento, ou seja, o procedimento de envio da notificação perfectibiliza todos esses atos anteriores préconstituídos pelo agente fiscal (auditor). Nesse sentido, Leandro Paulsen explica que: “A notificação do lançamento ao sujeito passivo é condição para que o lançamento tenha eficácia. Tratase de providência que aperfeiçoa o lançamento, demarcando, pois, a formalização do crédito pelo Fisco. O crédito devidamente notificado passa a ser exigível do contribuinte. Com a notificação, o contribuinte é instado a pagar e, se não o fizer nem apresentar impugnação, poderá sujeitarse à execução compulsória através de execução fiscal. Ademais, após a notificação, o contribuinte não mais terá direito a certidão negativa de débitos. A notificação está para o lançamento como a publicação está para a Lei, sendo que para esta o Min. Ilmar Galvão, no RE 222.241/CE, ressalta que “Com a publicação fixase a existência da lei e identifica a sua vigência...” (In Direito Tributário e Código tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 11ª Ed. Livraria do Advogado, notas ao artigo 142 do CTN). Porém, há longa data este Tribunal já se manifestou, conforme parte da ementa abaixo transcrita: "EMENTA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA – PRECLUSÃO PROCESSUAL: A declaração de intempestividade da impugnação, pela decisão de primeiro grau, além de impedir a instauração da fase litigiosa do procedimento, restringe o mérito a ser examinado no âmbito do recurso voluntário, que fica limitado à contrariedade oferecida a essa declaração". (Processo n.º 10880.013371/9167. Acórdão n.º 10805814, Conselheiro Relator José Antonio Matiel. publicado em 27.10.1999). Assim, deve ser dado efeitos infringentes ao recurso para, sanando o vício apontado, retificar o acórdão embargado para reconhecer a intempestividade da impugnação, negando, por consequencia, provimento ao recurso voluntário, tendo em vista a ocorrência dos efeitos da preclusão temporal, e ajustando à decisão a quo. Conclusão Nessas circunstâncias, voto por ACOLHER e dar PROVIMENTO aos embargos de declaração opostos, para sanar os vícios apontados no Acórdão nº2302001.479, de 1º/12/2011, retificar o seu resultado, negando provimento ao recurso voluntário, diante da preclusão temporal, tendo em vista a impugnação ter sido protocolada fora do prazo legal. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 144DF CARF MF Processo nº 14485.002968/200764 Acórdão n.º 2301005.592 S2C3T1 Fl. 143 5 Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.901661/2008-49
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA.
O recolhimento de estimativa mensal IRPJ somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado para o mês com fundamento na legislação tributária.
Numero da decisão: 1001-000.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
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ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA. O recolhimento de estimativa mensal IRPJ somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado para o mês com fundamento na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 03/06, de n. 23256.71604.121103.1.3.048554, Data de Transmissão 12/11/2003, através da qual o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 16 61 /2 00 8- 49 Fl. 120DF CARF MF 2 contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos supostamente indevidos (IRPJestimativa, período de apuração 30/11/2002, recolhido em 13/12/2002, no valor original de R$ 2.571,90). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório n. 757788227, de 24/04/2008 (efl. 08), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava integralmente utilizado na quitação do IRPJ estimativa PA 11/2002, bem como determinou a não homologação da DCOMP em análise. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efl. 09) alegando que efetuou recolhimentos mensais de IRPJ e CSLL por estimativa no anocalendário de 2002, mas apurou prejuízo no balanço anual, razão pela qual compensou o IRPJ devido em 2003 com os valores recolhidos como estimativa em novembro de 2002. A Delegacia de Julgamento (Acórdão 1235.095 8ª Turma da DRJ/RJ1, e fls. 94/96) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês (e que tal excesso não ficou comprovado nos autos) com fundamento na legislação tributária; e que a regra geral é no sentido de que o contribuinte leve os valores recolhidos a título de estimativa à composição do saldo do IRPJ/CSLL apurado em 31 de dezembro. Em assim sendo, o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei n° 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição) . Cientificada da decisão de primeira instância em 15/02/2011 (efl. 101) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 23/11/2011 (efl. 103), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Não cabe o pleito do contribuinte para comprovar nestes autos (mesmo que através de escrita contábil) eventual saldo negativo de IRPJ no ano calendário em questão, pois o litígio posto nestes autos é a procedência ou não do pagamento do IRPJ por estimativa no mês 11/2002. Ou seja, requerer crédito diverso correspondente a eventual saldo negativo de IRPJ no ano calendário deveria ser posto em outro procedimento administrativo, respeitado o prazo prescricional (art. 168 do CTN). Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma faziase necessário demonstrar para a autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado (IRPJ estimativa do período de apuração novembro de 2002) e confrontar com análise da situação fática referente aquele mês, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Ou seja, o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês com Fl. 121DF CARF MF Processo nº 15374.901661/200849 Acórdão n.º 1001000.961 S1C0T1 Fl. 121 3 fundamento na legislação tributária. O fato do contribuinte eventualmente ter apurado prejuízo fiscal e saldo negativo IRPJ no ano calendário 2002 não torna os pagamentos de estimativa indevidos, eis que efetuados em obediência à legislação de regência. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.720599/2011-42
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-000.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 05 99 /2 01 1- 42 Fl. 83DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2008, anocalendário de 2007. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a glosa parcial sobre as deduções indevidamente realizadas pelo sujeito passivo, por falta de comprovação, a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública e dedução indevida de dependentes. Regularmente cientificado da Notificação, a contribuinte, em suma, reconheceu a dedução indevida com dependentes e no que se refere às despesas com pensão alimentícia ratifica que foram pagas em decorrência de decisão judicial. A DRJ Juiz de Fora, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de o Contribuinte logrou êxito parcial em comprovar os direitos alegados. Com relação aos pagamentos de pensão alimentícia judicial, manifestou que o impugnante faz jus a dedução a título de “pensão alimentícia judicial” no valor de R$ 9.179,00. No que se refere aos pagamentos feitos para a Sra. Raimunda Nonata Pinheiro Gomes, no ano calendário de 2007, que perfazem o valor de R$ 7.500,00, entende a DRJ que tratavase de pensão provisória e comprovantes depósitos provisórios. Assim, mantém a glosa desta parcela. Em sede de Recurso Voluntário, junta o contribuinte documentações que não deixam dúvidas acerca da dedutibilidade de suas despesas em relação a pensão alimentícia paga para a sra Raimunda Nonata. Já no que se refere à despesa com dependente, já havia reconhecido o seu equívoco e também reconhece em sede de Recurso que é indevida a dedução da pensão na parcela de R$2.796,17. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Merece seja repetido que a análise da lide, neste momento, apenas se restringe às despesas com pensão alimentícia, eis que as demais não foram mais contestadas em sede de Recurso Voluntário. Mérito Pensão alimentícia Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10660.720599/201142 Acórdão n.º 2001000.975 S2C0T1 Fl. 3 3 Merece trazer a baila logo de início o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. No caso em comento discutese apenas a dedutibilidade da pensão posto que que não teria sido comprovada pelo contribuinte o pagamento e sua obrigação relativa a pensão da sra Sra. Raimunda Nonata Pinheiro Gomes, no ano calendário de 2007, que perfazem o valor de R$ 7.500,00. Ocorre que em sede de Recurso Voluntário junta toda a documentação que não deixa dúvida acerca do efetivo pagamento desta pensão. No que se refere ao valor de R$2.796,17, reconhece o Recorrente que é dedução indevida. Nesta senda entendo que deve ser trazido à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. Fl. 85DF CARF MF 4 De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Neste diapasão, verificando a boa fé, o respaldo em decisão judicial e os argumentos e documentos claros trazidos pelo contribuinte, além das efetivas provas da obrigação legal em pagar a pensão, entendo serem dedutíveis as despesas de pensão alimentícia incorridas pelo contribuinte no valor R$ 7.500,00, pago a Sra de Raimunda Nonata Pinheiro Gomes, no ano calendário de 2007. A parcela de R$2.796,17 é incontroversa. Portanto, dou provimento integral ao Recurso Voluntário para considerar como dedutível a parcela mencionada da pensão alimentícia no valor de R$ 7.500,00. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar a despesa de pensão alimentícia Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10660.720599/201142 Acórdão n.º 2001000.975 S2C0T1 Fl. 4 5 questionada pelo contribuinte no valor de R$ 7.500,00, pago a Sra de Raimunda Nonata Pinheiro Gomes, no ano calendário de 2007. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720045/2012-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. APROVEITAMENTO.
O aproveitamento de créditos extemporâneo de PIS não cumulativo está condicionado a apresentação dos Dacon retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas DCTF retificadoras.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. APROVEITAMENTO.
O aproveitamento de créditos extemporâneo de PIS não cumulativo está condicionado a apresentação dos Dacon retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas DCTF retificadoras.
Numero da decisão: 9303-007.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Demes Brito.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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APROVEITAMENTO. O aproveitamento de créditos extemporâneo de PIS não cumulativo está condicionado a apresentação dos Dacon retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas DCTF retificadoras. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. APROVEITAMENTO. O aproveitamento de créditos extemporâneo de PIS não cumulativo está condicionado a apresentação dos Dacon retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas DCTF retificadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 45 /2 01 2- 80 Fl. 2513DF CARF MF 2 Jorge Olmiro Lock Freire. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Demes Brito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 3301001.999, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, negou provimento aos recursos de ofício e voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO. RECURSO DE OFÍCIO. Correta a exoneração da parte crédito tributário decorrente da retificação de equívocos cometidos na apuração dos créditos tributários lançados e exigidos por meio de lançamentos de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. APROVEITAMENTO. Fl. 2514DF CARF MF Processo nº 15586.720045/201280 Acórdão n.º 9303007.510 CSRFT3 Fl. 565 3 O aproveitamento de créditos extemporâneo de PIS não cumulativo está condicionado a apresentação dos Dacon retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas DCTF retificadoras. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. APROVEITAMENTO. O aproveitamento de créditos extemporâneo de Cofins não cumulativa está condicionado a apresentação dos Dacon retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas DCTF retificadoras.” Irresignado, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, que decidiu ser indevida a utilização dos créditos extemporâneos. Trouxe, assim, entre outros, que: · Não há contestação da existência do crédito extemporâneo utilizado pelo sujeito passivo; · Consta, inclusive da autuação, que o sujeito passivo apresentou a DACON de março/07 e julho e agosto/08 informando a existência dos créditos extemporâneos e fazendo sua utilização; · As informações relativas a existência do crédito extemporâneo também constava da DCTF e de seu livro razão. Em Despacho às fls. 2269 a 2270, o recurso não foi conhecido, em razão de sua intempestividade. Embargos de Declaração foram opostos pelo sujeito passivo, alegando omissão na análise dos documentos juntados. Em Ofício, o sujeito passivo informou o que segue: “[...] Fl. 2515DF CARF MF 4 Após julgamento do Recurso Especial de Divergência interposto no Processo Administrativo nº 15586.720045/201280, com a negativa de seguimento por intempestividade, a Peticionária impetrou Mandado de Segurança a fim de obter o direito ao conhecimento e julgamento do “Recurso Especial de Divergência” almejado e negado no âmbito administrativo [...] Em tal feito foi proferida decisão reconhecendo o direito da ora Peticionária, nos seguintes termos: “...Ante o exposto, presente os requisitos legais, DEFIRO o pleito liminar para determinar à autoridade impetrada que proceda ao conhecimento e julgamento do recurso voluntário (Recurso Especial de Divergência) interposto pela impetrante no Processo Administrativo Fiscal nº 15586.720045/201280 (id 505658, págs. 02/15), caso o único óbice (pressuposto de admissibilidade recursal) seja a equivocada intempestividade alegada pela autoridade impetrada no “Despacho nº S/N – 3ª Câmara (id. 505660, págs. 02/03)” (documento anexo). Deste modo, à vista da referida determinação judicial, não há como prosseguir a cobrança nos moldes em que emitida no presente feito, a qual deve ser cancelada até a prolação de decisão final no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF.[...]” Em Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial por Decisão Judicial às fls. 2346 a 2352, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, por não atender aos pressupostos de admissibilidade. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Agravo contra o despacho que negou seguimento ao seu recurso. Em Despacho às fls. 2454 a 2459, o agravo foi acolhido para dar seguimento ao Recurso Especial relativamente à matéria “aproveitamento extemporâneo de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins”. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que: Fl. 2516DF CARF MF Processo nº 15586.720045/201280 Acórdão n.º 9303007.510 CSRFT3 Fl. 566 5 · O recurso não deve ser conhecido, em vista de sua manifesta intempestividade; · O sujeito passivo foi cientificado, por meio eletrônico, conforme Termo de Abertura de Documento, em 21.8.2013; · Consta ainda, dos autos, o Termo de Ciência por Decurso de Prazo com data de disponibilização na Caixa Postal em 20.12.2013 e data de ciência por decurso de prazo 4.1.2014; · Contandose 15 dias da data da ciência por decurso de prazo, o contribuinte teria 15 dias corridos para a interposição de seu recurso especial; · No entanto, interpôs somente 7.4.2014; · Não resta configurada a divergência jurisprudencial, pois não há similitude fática entre os arestos; · A glosa deve ser mantida, pois o sujeito passivo não apresentou os DACON originais e os retificadores, bem como as DCTFs retificadoras. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que o recurso deva ser conhecido, considerando a ordem judicial que foi específica nesse sentido. Para melhor elucidar, importante recordar que o despacho de admissibilidade às fls. 2346 a 2352, negou seguimento pela manifesta intempestividade e por considerar que não havia sido comprovada a divergência. Eis excerto do despacho (Grifos meus): “[...] Fl. 2517DF CARF MF 6 Dessa feita, sugerese negar seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, além de pela manifesta intempestividade, também, em relação à divergência indicada, por não se observar similitude entre as situações fáticas retratadas nos acórdãos recorrido e paradigma. [...]” O contribuinte, em agravo, apenas trouxe que houve divergência entre os arestos paradigma e recorrido, sem manifestar sobre a intempestividade do recurso. Em despacho de apreciação do agravo, houve apenas a demonstração da comprovação da divergência e nenhuma manifestação sobre a intempestividade do recurso – apenas da tempestividade do agravo. Foi dado, em despacho, seguimento ao recurso. Em verdade, em despacho de agravo, apreciado em 29 de julho de 2017, não houve manifestação sobre a intempestividade do recurso, considerando que havia sido proferida sentença, em 8 de maio de 2017, no bojo do Mandado de Segurança impetrado pelo contribuinte. O contribuinte havia impetrado mandado de segurança à época, trazendo, entre outros, nos termos da sentença (Grifos meus): “[...] Contudo, narra que foi surpreendida recentemente por Despacho assinado pelo Presidente da 3' Câmara da 3' Seção do CARF, mediante intimação recebida em 10/02/2016, que concluiu pela intempestividade do recurso especial interposto, sob o argumento de que a impetrante teria tido ciência "por via eletrônica do acórdão que examinou o recurso voluntário, por decurso de prazo, em 04 de janeiro de 2014", tendo efetuado o protocolo do apelo especial após o prazo legal de 15 dias (art. 68, RICARF), em 07/04/2014. Inconformada, sustenta que o subscritor dessa manifestação não levou em consideração para sua conclusão que a impetrante, no processo administrativo de que se cuida, só havia recebido intimações por via física, não tendo sido informada, a qualquer momento, que as intimações passariam a ser enviadas por meio eletrônico, como impõe a legislação. Ainda, que a Autoridade Impetrada não avaliou a situação à Fl. 2518DF CARF MF Processo nº 15586.720045/201280 Acórdão n.º 9303007.510 CSRFT3 Fl. 567 7 luz do fato de que, A. época da intimação, o programa do DTE não impunha a abertura das intimações, como passou a fazer no início de 2014, após o acontecimento dos fatos narrados, comprovando que o sistema, à época, por ser então recente, passava por melhorias que, antes de serem implementadas, não podiam prejudicar os direitos dos particulares. [...] Ante o exposto, CONCEDO A SEGURANÇA para, confirmando a liminar, e resolvendo o mérito da impetração, nos termos do art. 487, I, do CPC: 1 declarar a tempestividade do recurso especial interposto pela impetrante no Processo Administrativo tombado sob o n. 15586.720045/201280; e 2 por conseguinte, determinar A. autoridade impetrada que, incontinenti, proceda ao conhecimento e julgamento do recurso voluntário (Recurso Especial de Divergência) interposto pela impetrante no Processo Administrativo Fiscal n° 15586.720045/201280 (id. 505658, págs. 02/15), caso o único óbice (pressuposto de admissibilidade recursal) seja a equivocada intempestividade alegada pela autoridade impetrada no "Despacho n° S/N — 3' Camara" (id. 505660, págs. 02/03), e com todas as consequências jurídicas decorrentes da tempestividade recursal ora declarada, como por exemplo, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (CTN, art. 151, inciso III[4]), inclusive assegurando à impetrante a obtenção de certidão negativa de débitos — CPD (ou positiva, com efeitos de negativa — CPDEN) e evitar a cobrança executiva do valor em discussão, até a análise do recurso especial pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF. [...]” Considerando a restrição da sentença, entendo que a questão acerca da intempestividade do recurso especial alegada, inclusive em contrarrazões da Fazenda Nacional, deve ser superada por esse Colegiado, considerando a sentença transcrita acima obtida pelo contribuinte. Fl. 2519DF CARF MF 8 Porém, em respeito ao colegiado, caso se entendam que essa turma deva superar a sentença, trago breves considerações, analisando os autos do processo: · O sujeito passivo foi cientificado, por meio eletrônico, conforme Termo de Abertura de Documento, em 23.12.2013: · Consta dos autos o Termo de Ciência por Decurso de Prazo com data de disponibilização na Caixa Postal em 20.12.2013 e data de ciência por decurso de prazo 4.1.2014: · No entanto, interpôs recurso especial somente 7.4.2014: Fl. 2520DF CARF MF Processo nº 15586.720045/201280 Acórdão n.º 9303007.510 CSRFT3 Fl. 568 9 Não obstante, recordo novamente que a sentença judicial também contemplou os mesmos fatos e ainda restringiu a segurança para esse colegiado considerar o recurso tempestivo. Sendo assim, passando à análise da divergência, entendo que o recurso deva ser conhecido, pois comprovada, nos termos do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores – o que, concordo com o Despacho de Admissibilidade do recurso em apreciação do agravo. Eis o que traz o despacho: “[...] Fl. 2521DF CARF MF 10 O agravo defende que a decisão trazida como paradigma afirma que o aproveitamento extemporâneo de créditos independe da apresentação de DACON retificadora e esse entendimento não restou alicerçado na natureza de insumos daquilo que estava sendo importado como dito no despacho para negar a admissibilidade. De fato, no acórdão paradigma se disse: Da simples leitura do dispositivo legal transcrito se verifica que a lei não impõe nenhuma restrição ao crédito efetuado a destempo, sendo que o crédito não utilizado cm um determinado mês poderá ser creditado nos meses subsequentes. Entendo que a alegação da DRJ/SDR de que a Recorrente deveria ter retificado os DACONS dos respectivos meses a que se referem as aquisições e refazer os cálculos a partir das retificações, certamente geraria um indébito para a Recorrente no mês da retificação. Esse indébito seria passível de correção pela SEL1C desde a data do pagamento a maior eventualmente gerado pelas retificadoras. Assim, não causa prejuízo ao erário o aproveitamento extemporâneo do crédito de PIS e COFINS na forma efetuada pela Recorrente. Também não vejo o disposto no inciso I do artigo 8" da IN SRF 404/2004 como um impedimento para que o crédito não aproveitado cm um mês seja utilizado cm meses subsequentes (conforme previsto no § 4° do artigo 3o da Lei 10.833/03), pois a referida IN apenas esclarece a fornia de aproveitamento do crédito, porém ela não modifica ou restringe o disposto no mencionado §4" do art. 3" da Lei 10.833/04, até porque as instruções normativas não podem restringir o alcance das leis. O único óbice que vejo nesse tópico referese ao creditamento das aquisições efetuadas no mês de dezembro de 2002, isso porque ainda não estava vigente o regime nãocumulatividade nem para o PIS, nem para a COFINS. Ora, em não havendo contestação quanto à natureza do bem adquirido como insumo e também sobre o prazo decadencial para o seu aproveitamento, pois as aquisições passíveis de creditamento teriam sido efetuadas nos meses de fevereiro, junho e julho de 2004 Fl. 2522DF CARF MF Processo nº 15586.720045/201280 Acórdão n.º 9303007.510 CSRFT3 Fl. 569 11 e o crédito aproveitado em dezembro de 2004. não há que se falar em impossibilidade de aproveitamento do crédito extemporaneamente aproveitado.” Não diviso aí qualquer vinculação à natureza do que esteja sendo importado para a conclusão do colegiado. Para este, podese aproveitar extemporaneamente créditos, desde que legítimos, mesmo que não haja apresentação de DACON retificador. E a razão, única, é isso não ser exigido na lei e nem sequer no ato normativo em que a fiscalização se pretendia embasar. A referência aí expressa ao fato de que a fiscalização não teria contestado que os itens importados eram mesmo insumos não implica, a meu ver, que a relatora (e o colegiado) considerem que apenas quando se tratar de insumos o crédito pode ser aproveitado em período posterior ao de sua apuração. Ele apenas precisa ser legítimo, isto é, a contestação feita pelo fisco tem de estar restrita ao seu aproveitamento estar sendo pretendido extemporaneamente. Disse o relator da decisão recorrida: (...) A questão oposta nesta fase recursal, se restringe ao direito de aproveitamento de créditos extemporâneos do PIS e da Cofins. Ao contrário do entendimento da recorrente, a glosa dos créditos extemporâneos, aproveitados em março, julho e agosto de 2007, não teve como fundamento legal a prescrição qüinqüenal do direito ela (sic) aproveitálos naquelas competências e sim a falta de sua apuração nos respectivos Dacon. As leis que instituíram o PIS e a Cofins com incidência não cumulativa, assim dispõem quanto ao aproveitamento dos créditos destas contribuições: (...) Ora, segundo estes diplomas legais, o crédito não aproveitado no mês poderá ser aproveitado nos meses seguintes e o saldo credor apurado em cada trimestre poderá ser compensado com outros débitos tributários e objeto de pedido de ressarcimento. Fl. 2523DF CARF MF 12 No presente caso, a recorrente não apresentou os Dacon com a apuração dos créditos extemporâneos e dos saldos credores trimestrais nem dos respectivos Dacon retificadores, se limitando a alegação de que os créditos existem. Assim, provado que a recorrente não apresentou os Dacon originais e os retificadores demonstrando os créditos extemporâneos e os saldos credores trimestrais apurados, assim como não apresentou as respectivas DCTF retificadoras, a glosa de tais créditos deve ser mantida. Em face do exposto, nego provimento aos recursos de ofício e voluntário, mantendo a decisão recorrida. ” Aí, depreendese, entendeuse que somente com a apresentação das retificadoras exigidas é que se teria a prova da legitimidade dos créditos. Mas, ainda assim, a causa para negarse o aproveitamento extemporâneo é somente a falta dessas retificadoras, enquanto o paradigma as dispensas, entendendo implicitamente que a prova da legitimidade se dá (e, no caso concreto, se deu) por outros meios. Sobejamente caracterizada, pois, a divergência. Constatase, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõese que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente à matéria "aproveitamento extemporâneo de créditos da nãocumultaividade do PIS e da COFINS". Em vista do exposto, entendo que o recurso especial interposto pelo sujeito passivo deva ser conhecido. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre o cerne da lide, qual seja, sobre a possibilidade ou não do aproveitamento extemporâneo de crédito de PIS e Cofins não cumulativos. Vêse que essa matéria não é nova nesse Colegiado, o que manifesto que me confortei pela possibilidade do aproveitamento extemporâneo do crédito das contribuições não cumulativas em sessões de julgamento. Fl. 2524DF CARF MF Processo nº 15586.720045/201280 Acórdão n.º 9303007.510 CSRFT3 Fl. 570 13 Recordo o decidido em acórdão nº 9303006.248, que consignou a seguinte ementa: “Na forma do art. 3º, § 4o, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado nãocumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (Cofins).” Trouxe o ilustre conselheiro Charles Mayer em seu voto constante do acórdão 9303006.248: “[...] Conforme defendemos na ocasião, nada obsta, a nosso juízo, que o contribuinte possa, em determinado trimestrecalendário, aproveitarse de crédito de PIS/Cofins não aproveitado em trimestrescalendários anteriores. Como os motivos do nosso convencimento coincidem com o adotado no Acórdão nº 3202001.617, de 19/03/2014, proferido pela 2ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em julgamento do qual participamos, passamos a transcrever, também aqui, o voto do seu relator, o il. ExConselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, adotandoo como razão de decidir: "Para a DRJ, o entendimento da fiscalização foi correto, pois na sua ótica era inadmissível apurar créditos extemporâneos Fl. 2525DF CARF MF 14 sem retificar os DACONs e DCTFs anteriores. Eis suas palavras: CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO NA DACON. A apuração extemporânea de créditos só admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, em especial as DCTF e os Dacon. No entanto, em janeiro de 2015, nossa Turma julgou que é possível, sim, o desconto de créditos extemporâneos de PIS/COFINS não cumulativos, no julgamento do PAF nº 12585.000064/200911 (somente ficou vencida a douta Conselheira Presidente, Irene Souza da Trindade Torres Oliveira). Com efeito, as Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Igualmente, no “Manual de Orientação do Leiaute da Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – (EFDPIS/Cofins)”, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, há previsão expressa de o contribuinte lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). Observese: 2.5 BLOCOS DO ARQUIVO Entre o registro inicial e o registro final, o arquivo digital é constituído de blocos, referindose cada um deles a um agrupamento de documentos e outras informações. 2.5.1Tabela de Blocos [...] 2.6.1.7. Bloco 1 [...] Fl. 2526DF CARF MF Processo nº 15586.720045/201280 Acórdão n.º 9303007.510 CSRFT3 Fl. 571 15 As sobreditas previsões no DACON e na EFD buscam cumprir o disposto no art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, segundo o qual “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Além disso, é preciso frisar que a única consequência legal para o preenchimento incorreto do DACON são as multas previstas no art. 7º Lei nº 10.426/2002. Confirase: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da Fl. 2527DF CARF MF 16 contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; e IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. § 4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. § 5º Na hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. § 6º No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS ou da Contribuição para o Fl. 2528DF CARF MF Processo nº 15586.720045/201280 Acórdão n.º 9303007.510 CSRFT3 Fl. 572 17 PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo." Como se vê, o art. 7º Lei nº 10.426/2002 prevê, apenas, multa em caso de incorreções no DACON e a intimação do contribuinte para corrigilas, de modo a reduzir tais sanções. Não há, por conseguinte, previsão legal para glosar os créditos da não cumulatividade por eventuais equívocos no DACON. Pelo mesmo raciocínio, não é possível indeferir o PER pelo simples fato deste abranger mais de um trimestre, em decorrência da apuração extemporânea, permitida, dos créditos pelo contribuinte. Acrescentese, ainda, que o referido crédito tem por fundamento o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 c/c art. 16 da Lei n° 11.116/2005, podendo ser utilizado tanto na dedução da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno, quanto na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB, observada a legislação específica. Eis os seus termos: (Lei n° 11.033/2004) Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. (Lei n° 11.116/2005) Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: Fl. 2529DF CARF MF 18 I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Em tais créditos, colhase os seguintes precedentes do CARF julgados à unanimidade: Processo nº 16349.000033/200814 Relator JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Sessão de 24/07/2014 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DA COFINS NÃO CUMULATIVA. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. AGROINDÚSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO. O aproveitamento de crédito presumido da COFINS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as agroindústrias, ainda que eles se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas. COFINS NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. O art. 16, da Lei nº 11.116/2005, autoriza a utilização dos créditos do PIS e COFINS não cumulativos se eles tiverem sido acumulados em razão das vendas dos produtos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do Fl. 2530DF CARF MF Processo nº 15586.720045/201280 Acórdão n.º 9303007.510 CSRFT3 Fl. 573 19 PIS/COFINS. [Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente)]. Processo 15586.001201/201048 Relator JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/09/2008 CUSTOS DE PRODUÇÃO. CRÉDITOS. Os custos incorridos com serviços de desestiva/produção (descarregamento, movimentação, acondicionamento e armazenagem das matériasprimas no armazém alfandengado), geram créditos dedutíveis da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou passíveis de ressarcimento. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. SALDO TRIMESTRAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. De acordo com o art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833, de 2003, o crédito de um determinado mês pode ser utilizado nos meses subsequentes, e o fato da Lei nº 11.116/2005, autorizar o ressarcimento do saldo de créditos somente no término do trimestre, não quer dizer que não poderão ser aproveitados créditos apurados em outros trimestres. Recurso Voluntário Provido [Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.] Ademais, é dever da fiscalização apurar os créditos e os débitos nos tributos não cumulativos, refazendo se for o caso cálculos efetuados pelo contribuinte, na forma da legislação Fl. 2531DF CARF MF 20 tributária. Não pode a fiscalização indeferir o ressarcimento ou glosar os créditos não cumulativos, por alegado vício formal no preenchimento das obrigações acessórias, sem sequer intimar o contribuinte para retificar os supostos equívocos nem examinar se os créditos procedem ou não, deixando indevidamente de corrigir, de ofício, os erros eventualmente cometidos pelo contribuinte. Acolho, nessa linha, o mesmo entendimento firmado sobre a matéria pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em 01/09/2011, no PAF. nº 13981.000184/200495, cujo Voto da lavra do Ilmo. Conselheiro EMANUEL ASSIS transcrevo abaixo, integrandoo a minha fundamentação: Para mim, na situação em tela não há necessidade de a contribuinte retificar o Dacon antes, para somente após aproveitar os créditos em período seguinte. No curso de uma fiscalização ou diligência, constatado incongruência nos dados do Dacon (ou de outra declaração entregue pelos contribuintes, inclusive a DCTF), os cálculos do tributo devido devem ser refeitos de modo a resultar em lançamento de ofício ou em proveito do sujeito passivo. Na hipótese de incongruência favorável ao contribuinte nada impede que a administração tributária adote as providências cabíveis, dispensandose exigências que podem ser supridas por ato da própria administração. É o que se dá no caso sob análise, já que o processamento do Dacon pode ser refeito pela RFB. Para tanto basta instituir controles nos sistemas eletrônicos, a registrar a alteração feita. Não me parece razoável que, após a contribuinte explicar a apuração do crédito em período seguinte e requerer o aproveitamento extemporâneo, dentro do prazo decadencial, sem que haja dúvida sobre o direito alegado este lhe seja negado sob a justificativa de não ter sido retificada previamente uma obrigação acessória. Fl. 2532DF CARF MF Processo nº 15586.720045/201280 Acórdão n.º 9303007.510 CSRFT3 Fl. 574 21 O fato de o Dacon não ter sido retificado há de ser relevado, por não haver dúvida quanto ao crédito correspondente às aquisições das notas fiscais acima mencionadas. Na linha da interpretação ora adotada, já existe, inclusive, decisão de Superintendência da RFB dizendo da desnecessidade de retificação de DCTF, em hipótese que se afigura semelhante à presente situação. Refirome à Solução de Consulta da Disit da 3ª RF nº 35, de 30/08/2005, com o seguinte teor, verbis: ASSUNTO: Obrigações Acessórias EMENTA: COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. A compensação de créditos tributários declarados como saldos a pagar na DCTF com créditos apurados em eventos supervenientes ao período de apuração daqueles créditos tributários obriga o sujeito passivo à entrega de Declaração de Compensação, sendo desnecessária a entrega de DCTF retificadora que tenha por fim informar a compensação efetuada. DCTF é confissão relativa e que a RFB não pode têla como definitiva, omitindose de realizar a diligências necessárias à apuração na contabilidade e escrita fiscal. Pelos fundamentos acima, e levando em conta o § 4º do art. 3º, tanto da Lei nº 10.637/2002 (PIS) quanto da Lei nº 10.833/2003 (Cofins), segundo o qual o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, dou provimento parcial para admitir os créditos relativos às aquisições das notas fiscais de fornecedores anexadas à Manifestação de Inconformidade e aproveitadas no mês seguinte ao de emissão." Feitas as devidas adaptações ao caso julgado, cabe destacar, por fim, que o Ato Declaratório Executivo ADE Cofins nº 20, de 14/03/2012, que revogou o ADE nº 34, de 2010, manteve a previsão para os lançamentos de créditos extemporâneos de PIS/Cofins.” Fl. 2533DF CARF MF 22 Frisese ainda o acórdão 9303004.562 que consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). Precedente do CARF.” Em vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Redator Designado Fl. 2534DF CARF MF Processo nº 15586.720045/201280 Acórdão n.º 9303007.510 CSRFT3 Fl. 575 23 Máxima vênia, divirjo da eminente relatora. A questão posta ao nosso conhecimento restringese ao direito de aproveitamento de créditos extemporâneos do PIS e da Cofins. Ao contrário do entendimento da recorrente, a glosa dos créditos extemporâneos, aproveitados em março, julho e agosto de 2007, não teve como fundamento legal a prescrição qüinqüenal do direito ela aproveitálos naquelas competências e sim a falta de sua apuração nos respectivos Dacon, o que os torna, em princípio, incertos e ilíquidos. E é ônus da recorrente provar a existência de direito que alega possuir. As leis que instituíram o PIS e a Cofins com incidência não cumulativa, assim dispõem quanto ao aproveitamento dos créditos destas contribuições: Lei nº 10.637, de 3012/2002 “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; [...]. § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; ... § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [...].” Fl. 2535DF CARF MF 24 Lei 10.833, de 29/12/2003 “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...];IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; [...]IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...]. § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; [...]. § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; ... § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. ... Art. 92. A Secretaria da Receita Federal editará, no âmbito de sua competência, as normas necessárias à aplicação do disposto nesta Lei.” Dispõe a Lei nº 11.116, de 18/05/2005: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do Fl. 2536DF CARF MF Processo nº 15586.720045/201280 Acórdão n.º 9303007.510 CSRFT3 Fl. 576 25 disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” Em cumprimento ao disposto no art. 92 da Lei nº 10.833/2003, o Secretário da Receita Federal editou a IN SRF nº 600, de 28/12/205, disciplinando o ressarcimento/compensação do saldo credor da Cofins não cumulativa, que estatui: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: ... II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência; ou [...]. § 4º O disposto no inciso II aplicase aos créditos da Contribuição para o PIS/PasepImportação e à Cofins Importação apurados na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. [...]. Art. 22. Os créditos a que se referem os incisos I e II e o § 4º do art. 21, acumulados ao final de cada trimestrecalendário, poderão ser objeto de ressarcimento. [...]. § 2º O pedido de ressarcimento dos créditos acumulados na forma do inciso II e do § 4º do art. 21, referente ao saldo credor acumulado no período de 9 de agosto de 2004 até o final do primeiro trimestrecalendário de 2005, somente poderá ser efetuado a partir de 19 de maio de 2005. § 3º Cada pedido de ressarcimento deverá: Fl. 2537DF CARF MF 26 I referirse a um único trimestrecalendário. II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação.” Ou seja, segundo a regulamentação, o crédito não aproveitado no mês poderá ser aproveitado nos meses seguintes e o saldo credor apurado em cada trimestre poderá ser compensado com outros débitos tributários e objeto de pedido de ressarcimento. No presente caso, a recorrente não apresentou as Dacon com a apuração dos créditos extemporâneos e dos saldos credores trimestrais nem dos respectivos Dacon retificadores, limitandose a alegação de que os créditos existem. Portanto, sem a menor certeza e liquidez. Consigna a IN SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005: “Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. §1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. ... § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. ... Em remate, provado que a recorrente não apresentou os Dacon originais e os retificadores demonstrando os créditos extemporâneos e os saldos credores trimestrais apurados, assim como não apresentou as respectivas DCTF retificadoras, a glosa de tais créditos deve ser mantida por absoluta falta de liquidez e certeza. DISPOSITIVO Em face do exposto, conheço mas nego provimento ao recurso especial do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Declaração de Voto Fl. 2538DF CARF MF Processo nº 15586.720045/201280 Acórdão n.º 9303007.510 CSRFT3 Fl. 577 27 Conselheiro Demes Brito Em que pese os argumentos da Ilustre Relatora, divirjo de seu entendimento. O apelo da Contribuinte, cuja admissibilidade ora se analisa, suscita divergência jurisprudencial quanto à possibilidade ou não de aproveitamento extemporâneo de créditos independe da apresentação de DACON retificadora. In caso, a decisão recorrida negou provimento ao Recurso Voluntário, por entender que o aproveitamento de créditos extemporâneo de PIS não cumulativo está condicionado a apresentação dos Dacon retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas DCTF retificadoras. Com efeito, não é possível o aproveitamento de créditos extemporâneos sem a devida retificação da DACON, bem como das respectivas DCTF's. Sem embargo, a apuração dos créditos da Cofins, incluindo os créditos extemporâneos, encontrase estabelecida no art. 3º, § 1º, da Lei 10.833/2003, e o documento que formaliza a referida apuração é o Dacon, do respectivo período de apuração dos créditos, que, no citado período, encontravase disciplinado na Instrução Normativa SRF 590/2005. Aliás, no Dacon deve ser demonstrado não apenas apuração do crédito como a sua utilização e, se for o caso, o saldo credor remanescente no final do trimestre calendário. Assim, se em consonância com o disposto no art. 113, § 2º, do CTN, a legislação estabeleceu critérios específicos de apuração dos créditos da Cofins, bem como os instrumentos formais obrigatórios, para fim de demonstração dos valores dos créditos apurados, obviamente, tal regramento deve ser cumprido pelo contribuinte. Nesse sentido, o Dacon do período de apuração constituise no único documento hábil e idôneo, para fim de demonstração da apuração dos créditos da Cofins, pois é ele que contém o demonstrativo pormenorizado do valor do crédito. Portanto, tratase de documento indispensável para o conhecimento e o controle, por parte da Administração tributária, dos valores dos créditos apurados e utilizados pelo contribuinte, de modo a evitar eventual utilização indevida ou em duplicidades dos referidos créditos. Dessa forma, embora o § 4º do art. 3º, § 4º, da 10.833/2003 assegure ao contribuinte o aproveitamento dos créditos da Cofins de um determinado mês ou trimestre calendário, nos meses seguintes ou trimestres seguintes, certamente, tal aproveitamento não significa que o contribuinte esteja dispensado da apuração, demonstração e declaração dos referidos créditos na forma estabelecida nos citados preceitos normativos. E de apresentar a documentação contábil e fiscal necessária a comprovação dos valores dos créditos apurados, se assim exigir a autoridade fiscal. Fl. 2539DF CARF MF 28 No caso em tela, a Contribuinte não retificou os Dacon dos correspondentes períodos de apuração, o que era necessário para demonstrar a apuração dos valores dos créditos pleiteados, como não informou no Dacon, os alegados créditos extemporâneos. A propósito, o único demonstrativo apresentado pela Contribuinte foi uma mera planilha, sem qualquer liquidez. Diante destas constatações, revelase desprovido de sentido e de qualquer respaldo fático os argumentos suscitados pela Contribuinte, não há previsão no Dacon para o registro de créditos extemporâneos. Tal argumento só teria algum sentido para o deslinde da presente controvérsia, se a Contribuinte tivesse informado tais créditos, ainda que de forma extemporânea, no Dacon e DCTF, o que não ocorreu. Logo, não tem qualquer relevância a existência da referida previsão do registro extemporâneo do crédito no Dacon, se a contribuinte não utilizou dessa possibilidade para demonstrar e declarar os créditos extemporâneos pleiteados. Enfim, cabe ainda consignar que, no âmbito do processo de pedido de ressarcimento ou de compensação de crédito, o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado/compensado cabe ao contribuinte e não a autoridade fiscal. Por sua vez, a utilização dos créditos da Cofins, incluindo os créditos extemporâneos, encontrase estabelecida no art. 3º, § 4º, da Lei 10.833/2003 e no art. art. 16 da Lei 11.116/2005, a seguir transcritos, respectivamente: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [...] Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3odas Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Fl. 2540DF CARF MF Processo nº 15586.720045/201280 Acórdão n.º 9303007.510 CSRFT3 Fl. 578 29 Segundo os referidos preceitos legais, além da utilização para deduzir os débitos da própria contribuição do mês ou dos meses seguintes, se remanescer saldo de créditos ao final do trimestre calendário, ele poderá ser utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte ou objeto de pedido de ressarcimento em dinheiro. No que tange à utilização mediante compensação/ou ressarcimento, em conformidade com os referidos preceitos legais, na data da apresentação pedido de ressarcimento (PER) do saldo de crédito da Cofins, a legislação específica que estabelecia a forma de apresentação do pedido de ressarcimento era o art. 22, combinado com o disposto no art. 21, I e II, e § 4º, ambos da Instrução Normativa SRF 600/2005, a seguir transcritos: Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência; ou III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3ºe 4ºdo art. 51 da Lei nº10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1ºde abril de 2005. [...] § 4º O disposto no inciso II aplicase aos créditos da Contribuição para o PIS/PasepImportação e à CofinsImportação apurados na forma do art. 15 da Lei nº10.865, de 30 de abril de 2004. [...] § 8º A compensação de créditos de que tratam os incisos I e II e o § 4º, efetuada após o encerramento do trimestrecalendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento formalizado de acordo com o art. 22. § 9º O crédito utilizado na compensação deverá estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestrecalendário. Art. 22. Os créditos a que se referem os incisos I e II e o § 4ºdo art. 21, acumulados ao final de cada trimestrecalendário, poderão ser objeto de ressarcimento. § 1º O pedido de ressarcimento a que se refere este artigo será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do Programa PER/DCOMP Fl. 2541DF CARF MF 30 ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração (papel) acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. § 2º O pedido de ressarcimento dos créditos acumulados na forma do inciso II e do § 4º do art. 21, referente ao saldo credor acumulado no período de 9 de agosto de 2004 até o final do primeiro trimestrecalendário de 2005, somente poderá ser efetuado a partir de 19 de maio de 2005. 3º Cada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário. II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação. (grifos não originais) Como visto, a Contribuinte não apresentou as Dacon com a apuração dos créditos extemporâneos e dos saldos credores trimestrais nem dos respectivos Dacon retificadores, limitandose apenas com fundamento de que os créditos são líquidos, sem a comprovação de certeza e liquidez. Com essas considerações, nego provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 2542DF CARF MF
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