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Numero do processo: 15504.000449/2009-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 04 49 /2 00 9- 11 Fl. 644DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional. Trata o presente processo de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD nº 37.215.3062, às efls. 04 a 64, cientificado à contribuinte em 23/01/2009 (efl. 97), com relatório fiscal da infração às efls. 86 a 94. O crédito lançado atingiu o montante de R$485.068,08, consolidado na data de 16/01/2009, para o período de apuração de 01/01/2003 a 31/01/2006. Cumprida a diligência, à efl. 575, os autos retornam para julgamento após ser determinada por este Colegiado a conversão do feito em diligência, às fls. 567/572, por se verificar que, após os despachos de números: 2400088/2014 e 2400367R/014, que negaram a admissibilidade do recurso especial de divergência da contribuinte, não lhe foi dada ciência de nenhum deles. Deste modo, considerando as especificidades abordadas no cumprimento da diligência, adoto o relatório da Resolução de nº 9202000.107, em sua íntegra: “Trata o presente processo de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD nº 37.215.3062, às efls. 04 a 64, cientificado à contribuinte em 23/01/2009 (efl. 97), com relatório fiscal da infração às efls. 86 a 94. A autuação foi lavrada par exigir os créditos das contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos denominadas "Terceiros", num total de 5,8% incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados a titulo de cesta básica e valerefeição. A contribuinte deixou de incluir entre os valores que compõem o salário de contribuição de seus segurados empregados aqueles relativos ao pagamento de auxílio alimentação em pecúnia; com isso deixou de reter e recolher o tributo correspondente aos terceiros. O crédito lançado atingiu o montante de R$485.068,08, consolidado na data e 16/01/2009, para o período de apuração de 01/01/2003 a 31/01/2006. O lançamento de obrigação principal foi impugnado, às efls. 102 a 114, em 25/02/2009. Já a 7ª Turma da DRJ/BHE, no acórdão nº 0228.641, prolatado em 17/09/2010, às efls. 324 a 346, considerou, por unanimidade, a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 15504.000449/200911 Acórdão n.º 9202006.957 CSRFT2 Fl. 10 3 Inconformada, em 04/03/2011, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 386 a 356, alegando, em síntese: não incidência das contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de fornecimento de alimentação, por ter natureza indenizatória e decorrer de convenção coletiva de trabalho; deveria ser analisada a questão com base nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade em vista das condições fáticas da empresa e seus funcionários. O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 19/06/2012, resultando no acórdão 2403001.399, às efls. 4120 a 429, que tem a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PAGAMENTO EM ESPÉCIE ALIMENTAÇÃO EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA Fl. 646DF CARF MF 4 MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do Colegiado: I) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, mantendo os Levantamentos Cesta Básica e Vale Refeição . Vencidos os conselheiros Cid Marconi, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto; II) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. RE da Fazenda Nacional Cientificada do acórdão, em 12/12/2012 (efl. 30), a Procuradoria da Fazenda Nacional, na mesma data, manejou recurso especial de divergência RE (efls. 431 a 445) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimentos firmados no CARF em critério aplicação da retroatividade benigna às multas lançadas. A divergência relativa foi assim destacada pela Procuradora, à efl. 439: ... Ao examinar a matéria pertinente à multa aplicada, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/1991 deveria ser comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/2009. E como na atual redação, há remissão ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20% (§ 2º do art. 61). Ao revés, os paradigmas adotaram solução diametralmente oposta. Para os órgãos prolatores dos paradigmas, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. Nos julgados paradigmas, a aplicação da retroatividade benigna Fl. 647DF CARF MF Processo nº 15504.000449/200911 Acórdão n.º 9202006.957 CSRFT2 Fl. 11 5 na forma de aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 (norma à qual a atual redação do caput do art. 35 com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 faz remissão) foi rechaçada de forma expressa. Foram indicados como paradigmas das divergências para a matéria os acórdãos nº 230100283 e nº 240100120. Por fim, a Procuradora requer o conhecimento e o provimento do RE para a reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91 (na atual redação conferida pela Lei nº 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei nº 8.212/91, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. O RE da Fazenda foi apreciado pelo então Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho nº 2400278/2013, às efls. 483 a 486, datado de 25/03/2013, entendendo por lhe dar seguimento, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. RE da contribuinte A contribuinte foi intimada do acórdão nº 2403001.399, do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho nº 2400278/2013, por meio da Intimação nº 2008 (efl. 488) e apresentou recurso especial de divergência em 09/08/2013, às efls. 490 a 513. Aponta como divergentes os entendimentos do acórdão a quo, quando considera que o fornecimento de alimentação em dinheiro não integra o saláriodecontribuição quando atenda aos requisitos do programa de alimentação do trabalhador (PAT), previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho, pois os paradigmas, contrariamente, entendem que essas verbas para alimentação do trabalhador teriam natureza não salarial, até mesmo sem haver inscrição no PAT. Indicou como acórdãos paradigmas da matéria os de nº 2301003.004, nº2803001.727 e nº 2403001.629. Por fim, requer o recebimento do seu recurso especial de divergência para que ele seja provido para que se julgue improcedente o lançamento. Em 22/01/2014, o Presidente da 4ª Câmara, no despacho de admissibilidade nº 2400088/2014, às efls. 561 a 563, com base nos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, negou seguimento ao recurso especial da contribuinte, por entender não haver similitude fática entre as matérias do recorrido e dos paradigmas, uma vez que os paradigmas tratavam de pagamentos de auxílioalimentação in natura enquanto o recorrido tratava de pagamento em espécie. Em 07/05/2014, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em reexame da admissibilidade Fl. 648DF CARF MF 6 de nº 2400367R/2014, à efl. 564, confirmou as conclusões do despacho acima, igualmente negando seguimento ao recurso especial de divergência da contribuinte. Contrarrazões da contribuinte Na mesma data em que interpôs seu recurso especial de divergência, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda, às efls. 549 a 555. De início argumenta que a exposição da Procuradoria não seria suficiente para caracterizar a divergência, pois as ementas não fazem menção ao debate sobre a regra de aplicação de multa de mora no tempo ou sobre a aplicação da legislação mais benéfica, e as alegações posteriores com base considerações da fundamentação dos votos vencedores não seriam bastantes, pois haveria ausência do inteiro teor dos julgados para poderse afirmar com certeza absoluta que estas se encontrariam nos acórdãos paradigmas. Na sequência, reafirma a correção do entendimento do acórdão a quo. Assevera que a legislação previdenciária não adotava a dicotomia entre multa de mora e de ofício, por isso incidência do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação anterior à vigência da MP nº 449/2008. Afirma que, quando da aplicação da multa, a legislação vigente relativa à multa de mora seria a mais benéfica à contribuinte (20%) e por isso deve ela ser sustentada. Inaplicável o art. 35A da mesma lei para os fatos anteriores à sua vigência. Requer a admissão das contrarrazões para que se julgue improcedente o recurso especial de divergência da Procuradoria, mantendose integralmente o entendimento firmado no acórdão recorrido em relação a aplicação de multa. É o relatório.” Ato contínuo ao cumprimento da diligência, o Contribuinte foi cientificado sobre a negativa de seguimento de seu Recurso Especial à fl. 575. Às fls. 581/639, o Contribuinte juntou aos autos cópia do Agravo de Instrumento, manejado nos autos da ação judicial de nº 002366448.2017.4.01.3800, e respectiva Decisão, dos quais se manifestou a DRJ, à fl. 643, no seguinte sentido: Conf. resolução nº 9202000.107, de 26/04/2017 (efls. 567/572), o processo foi remetido à unidade de origem para ciência do sujeito passivo da não admissibilidade de seu recurso especial, com posterior devolução ao CARF (2ª Turma da CSRF) para julgamento do recurso especial da Fazenda Nacional. Conf. fls. 579, vêse que a unidade de origem solicitou a juntada de decisão monocrática em sede de agravo de instrumento, proferida pelo TRF da 1ª Região, que antecipou os efeitos da tutela recursal para ¿suspender a exigibilidade dos créditos tributários correspondentes às NFLDs ns. 37.215.3062 e 37.2015.3070¿ (PAF 15504.000449/200911). As providências em tela constam, inclusive, de nota de processo. Não há, portanto, nenhuma providência de competência da ASTEJ. O agravo referido no despacho não é agravo do RICARF, mas o agravo de instrumento objeto dos artigos 1.015 e seguintes do CPC. Diante do exposto, encaminhemse os autos à 2ª Turma da CSRF para julgamento do REsp da PFN. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 15504.000449/200911 Acórdão n.º 9202006.957 CSRFT2 Fl. 12 7 Após, vieram os autos conclusos para apreciação do Recurso Especial da União. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Trata o presente processo de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD nº 37.215.3062, às efls. 04 a 64, cientificado à contribuinte em 23/01/2009 (efl. 97), com relatório fiscal da infração às efls. 86 a 94. O crédito lançado atingiu o montante de R$485.068,08, consolidado na data e 16/01/2009, para o período de apuração de 01/01/2003 a 31/01/2006. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante a retroatividade benigna, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos. De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da Fl. 650DF CARF MF 8 aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade Fl. 651DF CARF MF Processo nº 15504.000449/200911 Acórdão n.º 9202006.957 CSRFT2 Fl. 13 9 benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Fl. 652DF CARF MF 10 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, Fl. 653DF CARF MF Processo nº 15504.000449/200911 Acórdão n.º 9202006.957 CSRFT2 Fl. 14 11 do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de Fl. 654DF CARF MF 12 obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 15504.000449/200911 Acórdão n.º 9202006.957 CSRFT2 Fl. 15 13 Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 656DF CARF MF 14 Fl. 657DF CARF MF
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Numero do processo: 18239.005090/2010-87
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
Só poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Mantém-se a tributação sobre rendimentos omitidos cuja percepção pelo contribuinte esteja devidamente comprovada.
Numero da decisão: 2001-000.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aceitar as despesas médicas referentes a APPAI.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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DESPESAS MÉDICAS. Só poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Mantémse a tributação sobre rendimentos omitidos cuja percepção pelo contribuinte esteja devidamente comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aceitar as despesas médicas referentes a APPAI. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 23 9. 00 50 90 /2 01 0- 87 Fl. 123DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre omissão de rendimentos e despesas médicas, questão de prova, convencimento em relação aos documentos apresentados.. Contribuinte apresentou recurso voluntário com pedido de reexame dos documentos. Não foi argumentação específica sobre suas discordâncias. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Sobre a omissão de rendimentos não foram apresentados argumentos novos, e nem identificamos alguma questão não abordada pelo acórdão de impugnação. Concordamos com esse acórdão que assim dispôs sobre essa matéria: No que concerne à omissão de rendimentos, verificase que os valores levantados pela autoridade fiscal (fls. 10) estão em consonância com as informações consignadas em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF pelas fontes pagadoras (fls. 90/92). Não obstante, a contribuinte alega em sua defesa que “não cabe falar em omissão de rendimentos quando ocorreu erro de lançamento, já que os rendimentos da CMRJ são encargos especiais (auxílio transporte e alimentação) concedidos ao funcionário cedido da PCRJ, não incidindo sobre eles descontos, sendo considerados portanto ajuda de custo.”. Quanto à Capemi (Capemisa), sustenta tratarse de benefício não tributável. Posteriormente, em contestação ao Termo Circunstanciado, acrescenta que “não há relação de trabalho assalariado do contribuinte com código de receita 0561, sendo tal rendimento pecúlio feito durante mais de 20 anos” e que o montante recebido da Câmara Municipal do Rio de Janeiro “foi lançado como isento e não tributável tendo em vista que tal valor é auferido com encargos gerais, ou seja, parcela de auxílio ao servidor que se encontra na situação de servidor do executivo cedido ao legislativo”. Ocorre, contudo, que apesar dos argumentos trazidos pela contribuinte, não foi juntado aos autos qualquer documento com o intuito de confirmar que os rendimentos considerados omitidos pela autoridade lançadora não são tributáveis e não decorrem do trabalho assalariado, ao contrário do que foi informado em DIRF pelas fontes pagadoras.Em termos gerais, pede para que Fl. 124DF CARF MF Processo nº 18239.005090/201087 Acórdão n.º 2001000.571 S2C0T1 Fl. 3 3 se reexamine, sem nominar, a impugnação. Examinamos todo o processo e entendemos que o acórdão de impugnação abordou corretamente a legislação, e os fatos. Em relação às despesas médicas a DRJ aceitou as despesas referentes à Golden Cross. Não há comprovação, não foram apresentados documentos, para as demais despesas e rendimentos lançados e depois mantidos pelo acórdão de impugnação. Assim, restam mantidos os valores indicados no acórdão de impugnação. Os pagamentos à APPAI, já foram aceitos no anocalendário de 2005, em Despacho Decisório, em processo em exame por esse relator, como referentes a serviços médicos, entendemos como comprovadas, dessa forma, essas despesas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário aceitando os pagamentos à APPAI. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12196.000883/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COTA PATRONAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS.
É uma obrigação principal da empresa fazer o recolhimento e apurar as contribuições previdenciárias juntamente com todos os benefícios incluindo o acidente de trabalho e demais fundos, inclusive terceiros, onde tem apreciação em folha de pagamento de seus segurados empregados, bem como as contribuições incidentes sobre o pró-labore dos administradores na qualidade de contribuintes individuais.
Numero da decisão: 2201-004.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COTA PATRONAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS. É uma obrigação principal da empresa fazer o recolhimento e apurar as contribuições previdenciárias juntamente com todos os benefícios incluindo o acidente de trabalho e demais fundos, inclusive terceiros, onde tem apreciação em folha de pagamento de seus segurados empregados, bem como as contribuições incidentes sobre o prólabore dos administradores na qualidade de contribuintes individuais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 19 6. 00 08 83 /2 00 7- 71 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 12196.000883/200771 Acórdão n.º 2201004.570 S2C2T1 Fl. 189 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 153/173, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Previdenciária em Campo Grande/MS, de fls. 131/135, a qual julgou procedente lançamento de contribuições previdenciárias devidas pela empresa (cota patronal, SAT e terceiros) incidente sobre valores pagos aos empregados, contribuintes individuais e aos administradores a título de prólabore, conforme o auto de infração DEBCAB nº 35.919.8155 de fls. 03/69, lavrado em 04/09/2006, relativo aos períodos de 10/2001 a 03/2006, com ciência do RECORRENTE em 12/09/2006, conforme assinatura no auto de infração (fls.03). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 1.005.248,02 (um milhão, cinco mil e duzentos e quarenta e oito reais e dois centavos), já incluídos os juros e a multa. Conforme o Relatório Fiscal nº 35.919.8155 de fls. 76/78: A Ação Fiscal apurou os créditos à previdência social nos respectivos tipos de levantamento, a saber: Levantamento FP Folha de Pagamento (Valor declarado em GFIP); e Levantamento FP1 Folha de Pagamento (Valor não declarado em GFIP); Apurouse o débito, com base nas remunerações registradas nas Folhas de Pagamentos e RAIS conforme relacionados no Relatório de Lançamentos, com as seguintes alíquotas aplicadas sobre as remunerações: • Empresa: 20 % • SAT: 3% • Terceiros: 5,8% Da Impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 111/122 em 27/9/2006. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela Delegacia da Receita Previdenciária em Campo Grande/MS, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: “5. Inconformada, a empresa apresentou defesa tempestiva, protocolada em 27/09/2006 às folhas 109 a 120, na qual, em síntese, alega que o Auto de Infração encontrase maculado por inúmeros vícios e irregularidades em especial sustenta ausência de motivação do ato administrativo. “6. Pleiteia direito de recorrer sem perder os abatimentos legais, e acrescenta que a multa é excessiva e desarrazoada. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 12196.000883/200771 Acórdão n.º 2201004.570 S2C2T1 Fl. 190 3 7 Prossegue o impugnante reiterando a alegação de que não teria sido motivada a aplicação da multa, e ainda que não tinha conhecimento de que estava em atraso. Nesse diapasão afirma que o auto é nulo. 8. Retomando a tese de que a multa é excessiva e de caráter confiscatório, aduz que o fiscal do trabalho não tem competência para delimitar se a pessoa que está na empresa é empregado ou não, e que isto seria função do Poder Judiciário, sendo assim para o enquadramento da multa a empresa não tem 113 empregados mas uma quadro abaixo de 100. 9. Finaliza com pedido de anulação do Auto de Infração, alternativamente redução da penalidade. Pede também prazo de 15 dias para juntar instrumento de substabelecimento. 10. É o relatório.” Da Decisão da Delegacia da Receita Previdenciária em Campo Grande/MS Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Previdenciária em Campo Grande/MS julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fls. 131/135): Assunto: OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Anocalendário: 10/2001 a 03/2006 PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COTA PATRONAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS. É uma obrigação principal da empresa fazer o recolhimento e apurar as contribuições previdenciárias juntamente com todos os benefícios incluindo o acidente de trabalho e demais fundos, inclusive terceiros, onde tem apreciação em folha de pagamento de seus segurados empregados, bem como as contribuições incidentes sobre o prólabore dos administradores na qualidade de contribuintes individuais. No mérito, decide que a alegação da falta de motivação do lançamento do crédito não tem argumentação plausível, bem como a alegação do não conhecimento do débito. Uma vez efetivamente constatado a ocorrência dos fatos geradores não incluídos em GFIP, é dever da fiscalização constituir o crédito objeto da NFLD, portanto, plenamente motivado o ato. Desta forma, o julgador entendeu que o ato de lançamento foi revestido de todas as formalidades legais, e considerando que o RECORRENTE não apresentou nenhum objeto capaz de infirmar o lançamento, o mesmo preenche todos os requisitos de liquidez e certeza, de forma que o lançamento é totalmente procedente. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 30/3/2007, conforme aviso de fls. 148, apresentou o recurso voluntário de fls. 153/173 em 2/5/2007. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 12196.000883/200771 Acórdão n.º 2201004.570 S2C2T1 Fl. 191 4 Em suas razões, reiterou os argumentos da Impugnação. Estes recursos compuseram lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINARES 1. Depósito Recursal Preliminarmente, merece prosperar a alegação do contribuinte acerca da desnecessidade de depósito recursal prévio como critério de admissibilidade do recurso voluntário. O Superior Tribunal Federal já consolidou seu entendimento sobre a matéria, in verbis: “Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.” Desta forma, plenamente admissível o presente recurso voluntário. 2. Nulidade por falta de motivação A RECORRENTE alega que houve falta de motivação da autoridade fiscalizadora para lançar a presente NFLD, uma vez que não foram expostos os fatores que concorreram e que foram determinantes para a constituição do crédito tributário. Neste sentido, a despeito de o Relatório Fiscal de fls. 76/78 ser bastante simplório na exposição dos motivos que ensejaram o lançamento do crédito, a autoridade fiscal indica que o crédito foi apurado com base nas Folhas de Pagamentos e Relação Anual de Informação SocialRAIS do período. No presente processo foram utilizadas como base para a apuração do crédito tributário valores declarados em GFIP (Levantamento FP) e valores não declarados em GFIP (Levantamento FP1). Fl. 191DF CARF MF Processo nº 12196.000883/200771 Acórdão n.º 2201004.570 S2C2T1 Fl. 192 5 Para que a contribuinte verificasse sobre quais bases e rubricas incidiram o crédito tributário apurado, bastaria examinar o Relatório de Lançamentos de fls. 37/49, que é parte integrante do lançamento fiscal. Tal documento indica, por competência e por Levantamento, a base de cálculo utilizada pela autoridade fiscal no cálculo do crédito da contribuição devida, assim como a observação de onde retirou a base de cálculo (se da própria GFIP, da Folha de Pagamentos, da RAIS, de documento acerca de prólabore, honorários pagos, etc.). O mesmo Relatório indica também onde foi apropriada a referida base de cálculo (remuneração de empregados/avulsos ou pagamentos a Contribuinte Individual/Administrador), de modo que a RECORRENTE tinha plena possibilidade de constatar quais valores foram objeto do lançamento. Importante mencionar também o fato de a fiscalização ter se baseado em documentos elaborados pela própria RECORRENTE e não por terceiros, o que poderia ensejar eventual cerceamento do direito de defesa. Deste modo, a RECORRENTE tinha pleno acesso aos documentos utilizados pela autoridade fiscal. Sobre o tema envolvendo a nulidade de lançamento, cito o art. 59 do Decreto nº 70.235/72: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Verifico que não houve ato lavrado por pessoa incompetente, nem qualquer outro ato que ensejasse a preterição do direito de defesa do contribuinte, já que a Notificação de Lançamento indica, discriminadamente por competência, quais valores compõem a base de cálculo das contribuições lançadas, assim como o documento de onde a autoridade fiscal obteve tal valor. Com todas essas informações era plenamente possível à RECORRENTE contestar o crédito tributário, não implicando o cerceamento de sua defesa. Assim, não merece prosperar o argumento de ausência de motivação da NFLD. Ora, tratase de lançamento por ausência de recolhimento dos valores não declarados em GFIP. Durante o procedimento fiscalizatório o contribuinte teve oportunidade de contestar os valores utilizados pela autoridade fiscal (sobretudo os constantes em folha de pagamento, já que estes são documentos produzidos pela própria contribuinte) para apuração do crédito devido. Portanto, não há que se falar em qualquer ausência de motivação no lançamento. Neste sentido, deve ser afastado o pleito de nulidade do processo. Este foi seu único argumento da RECORRENTE para contestar o débito principal, uma vez que alegou em seguida o caráter confiscatório da multa. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 12196.000883/200771 Acórdão n.º 2201004.570 S2C2T1 Fl. 193 6 MÉRITO No presente caso, a RECORRENTE em momento algum contesta a situação fática de ter deixado de incluir em GFIP parcela da remuneração paga aos empregados, contribuintes individuais e sócios, culminando em recolhimento a menor das contribuições previdenciárias não declaradas. Portanto, ante a ausência de manifestação do contribuinte quanto a este ponto, tal quesito não será objeto de análise. Multas de mora aplicada em caráter confiscatório A RECORRENTE argumenta que a aplicação da multa de mora estaria ferindo o princípio do nãoconfisco, motivo pelo qual deveria ser anulada, ou então reduzida. Entendo que também são insubsistentes as alegações do RECORRENTE. O lançamento ora em análise diz respeito ao não recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, que originou a constituição do crédito tributário. Assim, devese esclarecer que a multa de mora decorre de previsão legal, conforme disciplina o art. 35, I, II e III da Lei nº 8.212/91: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Fl. 193DF CARF MF Processo nº 12196.000883/200771 Acórdão n.º 2201004.570 S2C2T1 Fl. 194 7 III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Neste sentido, o art. 142 do CTN prevê que a autoridade lançadora tem o dever de lavrar a referida multa de mora, sob pena de responsabilidade funcional, visto que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, in verbis: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Assim, no momento em que o auditor realiza de ofício o lançamento, sobre a contribuição deve incidir a multa em comento, por estrita determinação legal, Quanto às alegações de inconstitucionalidade levantadas pelo RECORRENTE, sobre a aplicação de multa com suposto efeito de confisco, devese esclarecer que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador, esta é matéria estranha à sua competência: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Conforme já exposto, a aplicação da multa é dever da autoridade fiscal, que tem a obrigação de aplicala sob pena de responsabilidade funcional. Não é, portanto, penalidade aplicada ao livre arbítrio pelo auditor fiscal a ensejar a discussão acerca de seu efeito confiscatório. A análise de tal matéria é de competência do STF, que é o competente pela guarda da Constituição da República, nos termos do art. 102 da Carta Magna. Portanto, não há razão para afastar a aplicação da multa de mora. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 12196.000883/200771 Acórdão n.º 2201004.570 S2C2T1 Fl. 195 8 Retroatividade Benigna Importante observar que o inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91 foi revogado pela lei nº 11.941/2009. Assim, a multa de mora passou a ser regida pelo caput do art. 35 da lei nº 8.212/1991, o qual remete para o art. 61 da Lei nº 9.430/96, que somente trata de hipótese de pagamento das contribuições em atraso, porém sem o lançamento de ofício: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Para os casos de lançamento de ofício, a multa aplicada passou a ser aquela prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, no percentual de 75%, conforme disciplina o art. 35A da Lei nº 8.212/91: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Nos termos do art. 106 do CTN, se aplica a retroação benéfica das leis nos seguintes casos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Porém, a despeito de ter avido alteração da penalidade, importante mencionar que, antes da Lei nº 11.941/2009, eram aplicadas ao contribuinte a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/91 (objeto do presente processo) mais a multa pela não inclusão em GFIP de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, §5º, da mesma Lei nº 8.212/91 (também revogada pela Lei nº 11.941/2009). Esta última multa não é objeto do presente processo, mas, provavelmente, é objeto de outra NFLD oriunda da mesma fiscalização que originou o presente lançamento. É válido mencionar tal fato pois, a fim de deixar claro ao contribuinte que a verificação da retroatividade benigna enseja a comparação das seguintes penalidades: Fl. 195DF CARF MF Processo nº 12196.000883/200771 Acórdão n.º 2201004.570 S2C2T1 Fl. 196 9 a nova multa de 75% sobre o valor do principal devido; a multa de mora do antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91 + a multa pela não inclusão em GFIP de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, conforme antiga redação do art. 32, §5º, da Lei nº 8.212/91. O menor valor de penalidade dentre as duas hipóteses acima citadas é o que deve prevalecer para ser cobrado do contribuinte. Neste sentido, em razão da possível retroatividade benigna em decorrência das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009, entendo que deve haver a comparação de qual a penalidade mais benéfica ao RECORRENTE: a anterior ou a posterior à Lei nº 11.941/2009, devendo sempre ser observada a exigência da obrigação principal. Portanto, a unidade preparadora deve efetuar a comparação conforme determina o art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (...) §1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º Para definição do multiplicador a que se refere a alínea "a" do inciso I, e de apuração do limite previsto nas alíneas "b" e "c" do inciso I do caput, serão considerados, por competência, todos os segurados a serviço da empresa, ou seja, todos os empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais verificados em procedimento fiscal, declarados ou não em GFIP. CONCLUSÃO Fl. 196DF CARF MF Processo nº 12196.000883/200771 Acórdão n.º 2201004.570 S2C2T1 Fl. 197 10 Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, conforme razoes acima apresentadas. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.918677/2009-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
EMBARGOS ACOLHIDOS, SEM EFEITOS INFRINGENTES, PARA INVALIDAÇÃO DE ACÓRDÃO FORMALIZADO EM DUPLICIDADE.
Deve ser invalidado segundo acórdão proferido pro Relator ad hoc quando devidamente formalizado nos autos, pelo Relator original, o acórdão proferido.
Numero da decisão: 3201-003.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, para declarar a invalidade do acórdão de fls. 315/317, esclarecendo ser válido o acórdão de fls. 296/298. Vencido o conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que não conheceu dos embargos.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Deve ser invalidado segundo acórdão proferido pro Relator ad hoc quando devidamente formalizado nos autos, pelo Relator original, o acórdão proferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, para declarar a invalidade do acórdão de fls. 315/317, esclarecendo ser válido o acórdão de fls. 296/298. Vencido o conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que não conheceu dos embargos. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 86 77 /2 00 9- 23 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10830.918677/200923 Acórdão n.º 3201003.923 S3C2T1 Fl. 337 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos por pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 3803006.133, proferido por esta desta 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF em 27 de maio de 2014. A Fazenda Nacional aponta a existência de contradição uma vez que afirma existir nos autos 2 (dois) acórdãos de mesmo número relativos ao mesmo processo. Os referidos Embargos foram admitidos pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, nos seguintes termos: A embargante acusa a decisão recorrida de ser contraditória, por ter prolatado, no mesmo processo, dois acórdãos que, embora tenham o mesmo número, adotaram extensão diversa sobre o reconhecimento do crédito pleiteado. Para melhor visualizar a extensão do provimento transcrevo abaixo excertos dos v. votos condutores: Relatoria de Jorge Victor Rodrigues Constatou a fiscalização, ainda, que em consulta realizada na DCTF a recorrente apurou, para o período de dezembro/2003, Cofins no valor de R$ 784.190,99 e que, após as deduções legais levadas a efeito, resultou em valor recolhido a maior de R$ 21.201,85. Compulsando os autos verifiquei constar do demonstrativo de crédito do PER/DCOMP, página 4 (fl. 57), que o valor total do crédito original utilizado na DCOMP foi de R$ 21.201,85, exatamente aquele apurado pela fiscalização por ocasião da diligência. Logo o direito creditório existe, é líquido e exigível. Relatoria de Hélcio Lafetá Reis Constatou a fiscalização que, em consulta realizada na DCTF, o recorrente apurara, para o período de julho/2003, Cofins no valor de R$ 499.591,64, o quê, após as deduções legais levadas a efeito, resultou em valor recolhido a maior de R$ 39.817,69. Compulsando os autos, verificasse que consta do demonstrativo de crédito do PER/DCOMP (fl. 58 verso) a informação de que o valor total do crédito original utilizado fora de R$ 39.817,69, exatamente o valor apurado pela fiscalização por ocasião da diligência. Logo o direito creditório existe, é líquido e exigível. Assim, no caso, há efetivamente a contradição alegada pela embargante, na medida em que os acórdãos realmente adotaram extensão diversa sobre o reconhecimento do crédito pleiteado. Com essas considerações, forte no § 3° do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, acolho os aclaratórios interpostos pela Fazenda Nacional. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10830.918677/200923 Acórdão n.º 3201003.923 S3C2T1 Fl. 338 3 Incluase o presente processo em lote de sorteio a um dos conselheiros da Terceira Seção. Os autos, foram, então, a mim distribuídos por sorteio, uma vez que o Relator original do feito não mais compõe este colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme dito, a Fazenda nacional aponta a ocorrência de contradição, uma vez que existem 2 (dois) acórdãos formalizados nos autos, com conteúdo distinto Com efeito, às fls. 296 a 298 identificase o Acórdão nº 3803006.132, de 27 de maio de 2014, Relatado por Jorge Victor Rodrigues, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. REGIMENTO INTERNO DO CARF. CUMPRIMENTO. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Luciano Marques Filipini, OABSP 194.227. A Fazenda Nacional manifestou a ciência do referido acórdão em petição datada de 16 de setembro de 2014, à fl. 300. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10830.918677/200923 Acórdão n.º 3201003.923 S3C2T1 Fl. 339 4 Em 21/08/2015, a Autoridade de origem proferiu o seguinte despacho à fl. 313: Trata o presente de Pedido de restituição , que de acordo co, o Acórdão nº 3803 006.132 da 3ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, vide fls. 269 a 271, com pedido deferido. Encaminho para ratificação/ retificação do Acórdão , pois o período prolatado, no assunto é de 01/07/2003 a 31/07/2003, porém o voto se reporta à composição da base de cálculo do período dezembro/2003 e de acordo com os débitos declarados vide fls. 311, não há o valor no período de R$ 784.190,99. Após a ratificação/retificação retornese o presente para implantação do acórdão. Logo em seguida, à fl. 314, há um despacho deste CARF, datado de 25/08/2015: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO De ordem do Presidente da 3ª Câmara, Rodrigo da Costa Possas, nomeio o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Designação "ad hoc, para redigir o acórdão do presente processo. DATA DE EMISSÃO : 25/08/2015 Verificar Procedimentos / LEVI ANTONIO DA SILVA SECAM3ª CÂMARA3ª SEÇÃOCARFMFDF 3ª CÂMARA 3ª SEÇÃOCARFMFDF 3ª SEÇÃOCARFMFDF DF CARF MF Em seguida, às fls. 315/317, houve a formalização de novo acórdão, com o mesmo nº 3803006.131, relatado "ad hoc" por Hélcio Lafetá Reis, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. A base de cálculo da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, não abrangendo as demais receitas. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10830.918677/200923 Acórdão n.º 3201003.923 S3C2T1 Fl. 340 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF PELOS CONSELHEIROS DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática da repercussão geral, prevista no art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. Portanto, há que se reconhecer a impertinência do segundo acórdão proferido por Relator ad hoc (fls. 315/317), devendo este ser integralmente cancelado, uma vez que já existente nos autos acórdão devidamente formalizado pelo Relator originário. Prevalece, portanto, nos autos o Acórdão de fls. 296/298, formalizado por seu Relator Originário Jorge Victor Rodrigues. Assim, devese ACOLHER os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, SEM EFEITOS INFRINGENTES, para declarar a invalidade do acórdão de fls. 315/317, esclarecendo ser válido o acórdão de fls. 296/298. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000188/2009-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/06/2006
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 30/06/2006 INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 88 /2 00 9- 75 Fl. 1149DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 10932.000188/200975 Acórdão n.º 2202004.391 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 1151DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 10932.000188/200975 Acórdão n.º 2202004.391 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 1153DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 10932.000188/200975 Acórdão n.º 2202004.391 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1155DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.720577/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 14/02/2012
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER/DCOMP o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-005.017
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1319; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.720577/201213 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401005.017 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente INDUSTRIA DE LATICINIOS PALMEIRA DOS INDIOS S/A ILPISA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/02/2012 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER/DCOMP o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 05 77 /2 01 2- 13 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10410.720577/201213 Acórdão n.º 3401005.017 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que não homologou compensações, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório sustenta que os créditos utilizados pela recorrente para a compensação constam do processo nº 10410.720173/201131, cujo PER foi indeferido. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração do processo 10410.720173/201131 (PER) e do 10410.006237/2010 14(AI), vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10410.720577/201213 Acórdão n.º 3401005.017 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10410.720577/201213 Acórdão n.º 3401005.017 S3C4T1 Fl. 5 4 PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10410.720577/201213 Acórdão n.º 3401005.017 S3C4T1 Fl. 6 5 Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10410.720577/201213 Acórdão n.º 3401005.017 S3C4T1 Fl. 7 6 fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10410.720577/201213 Acórdão n.º 3401005.017 S3C4T1 Fl. 8 7 contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 11444.000670/2010-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 08/06/2010
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 06 70 /2 01 0- 11 Fl. 100DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 230201.649, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração de obrigação acessória – AI/DEBCAD nº 37.279.8390, lavrado em face da infração ao art. 32, IV e § 5º da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9528/9709, por ter apresentado GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Conforme o relatório fiscal, o Contribuinte deixou de informar a totalidade das contribuições devidas para a Seguridade Social atinente às remunerações pagas aos agentes políticos – vereadores , no período de 04/2005 a 12/2009, bem como informou com incorreção as contribuições devidas para o custeio dos benefícios concedidos em função da incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, informado à alíquota de 1%, quando o correto seria 2%, isto para o período de 06/2007 a 12/2009, resultando a multa no importe de R$ 25.394,22, conforme art. 32, inciso IV, § 5º da Lei 8.212/99. Devidamente intimadas, a Câmara e a Prefeitura Municipal apresentaram impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, às fls. 38/41, julgou improcedente as impugnações, mantendo o crédito tributário exigido. O Município interpôs Recurso Voluntário, fls. 46/52, sob os seguintes fundamentos: a) a lei ordinária jamais poderia criar regime previdenciário; b) a questão já teria sido dirimida pelo STF; c) não haveria relação de emprego entre o Município e os agentes políticos; d) não poderia ser cobrada multa pela ausência de dolo; e) não poderia ser imputada multa ao ente público. Às fls. 53/59, a Câmara Municipal de Chavantes interpôs igualmente Recurso Voluntário reiterando os argumentos exarados pelo Município. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 66/73, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, devendo a multa ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: Fl. 101DF CARF MF Processo nº 11444.000670/201011 Acórdão n.º 9202007.023 CSRFT2 Fl. 10 3 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/06/2010 CONTRIBUIÇÃO A CARGO DOS MUNICÍPIOS MANDATO ELETIVO. LEI 10.887/2004 SÃO DEVIDAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ENQUADRAMENTO SEGURADOS EMPREGADOS. Após a entrada em vigor da Lei n ° 10.887/2004, são devidas as contribuições previdenciárias sobre a remuneração paga aos segurados ocupantes de mandato eletivo. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Às fls. 73/77, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, insurgindose contra o Acórdão a quo, em relação à regra aplicável à retroatividade benigna. Consignou que a hipótese em análise no acórdão paradigma é idêntica a que ora se reporta. Isso porque, o que se encontrava em julgamento era exatamente o auto de infração, por descumprimento de obrigação acessória, em que também se lavrou NFLD em decorrência da mesma ação fiscal. Quanto à divergência, argumentou que, havendo lançamento do tributo, juntamente com a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, o dispositivo legal a descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, sob pena de bis in idem. Às fls. 92/94, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência sobre a retroatividade benigna. Fl. 102DF CARF MF 4 Intimados às fls. 98/99, os Contribuintes restam inertes, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração de obrigação acessória – AI/DEBCAD nº 37.279.8390, lavrado em face da infração ao art. 32, IV e § 5º da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9528/9709, por ter apresentado GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Conforme o relatório fiscal, o Contribuinte deixou de informar a totalidade das contribuições devidas para a Seguridade Social atinente às remunerações pagas aos agentes políticos – vereadores , no período de 04/2005 a 12/2009, bem como informou com incorreção as contribuições devidas para o custeio dos benefícios concedidos em função da incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, informado à alíquota de 1%, quando o correto seria 2%, isto para o período de 06/2007 a 12/2009, resultando a multa no importe de R$ 25.394,22, conforme art. 32, inciso IV, § 5º da Lei 8.212/99. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante a retroatividade benigna. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11444.000670/201011 Acórdão n.º 9202007.023 CSRFT2 Fl. 11 5 De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores Fl. 104DF CARF MF 6 no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11444.000670/201011 Acórdão n.º 9202007.023 CSRFT2 Fl. 12 7 apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) Fl. 106DF CARF MF 8 cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11444.000670/201011 Acórdão n.º 9202007.023 CSRFT2 Fl. 13 9 do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora Fl. 108DF CARF MF 10 fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11444.000670/201011 Acórdão n.º 9202007.023 CSRFT2 Fl. 14 11 Ana Paula Fernandes Fl. 110DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.900692/2008-66
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante. Despacho Decisório Tratase de pedido de compensação declarada, na qual, o crédito analisado foi considerado insuficiente, em razão de ter sido utilizado para extinguir débito devidamente constituído. Na sequencia, o mencionado despacho houve por bem homologar apenas parcialmente a compensação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .9 00 69 2/ 20 08 -6 6 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10935.900692/200866 Resolução nº 3001000.098 S3C0T1 Fl. 72 2 Manifestação de Inconformidade Diante do indeferimento de seu pedido de compensação, a recorrente busca apontar o motivo da existência de seu crédito. Pagamentos efetuados em atraso mas de forma espontânea A explicação para a existência do crédito posto em compensação, seria o pagamento realizado com a inclusão de valores, a título de multa, conforme demonstrado no DARF em questão. Tal pagamento ocorreu anterior a quaisquer atos de fiscalização por parte da autoridade fazendária, e acompanhado do devido pagamento de juros. Desta feita, estaria albergado pelo comando do artigo 138 do CTN. Em sua defesa, portanto, a recorrente alegou ter havido pagamento indevido, justamente pelo fato de ter recolhido valores de multa em pagamento espontâneo. Diante disto, teria o suposto crédito, com o qual pretende compensar débitos normalmente constituídos. Traz à tona, jurisprudência, inclusive do CARF e STJ. Ainda, evidencia dois requisitos para a obtenção do benefício, quais sejam, a confissão e o pagamento. Nega, por fim, a diferenciação entre multas punitivas e moratória. DRJ/CTA A manifestação de inconformidade foi assim ementada: Acórdão n.º 0629.763 3.ª Turma da DRJ/CTA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O benefício da denúncia espontânea nao se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. COMPENSAÇAO. CREDITO INEXISTENTE. DCOMP NÃO HOMOLOGAÇÃO Comprovado nos autos que 0 crédito infonnado como suporte para acompensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção deoutros débitos, não se homologam as compensações requeridas. Em seu trecho de voto, destaca o fundamento de seu raciocínio, no sentido de atribuir, como leitura mais atenta do artigo 138 do CTN, um sentido não tão extensivo como pretende a contribuinte em sua defesa. Por isso, recorre à distinção entre penalidade de cunho punitivo, e a penalidade de cunho compensatório. admitir a literal aplicação do art. 138 do CTN no caso ora em exame equivaleria a admitir uma moratória geral e indiscriminada. Além do que, adotar uma interpretação extensiva de seus efeitos, no sentido de excluir a penalidade moratória, seria contrariar toda a legislação tributária (...) o fato de a Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10935.900692/200866 Resolução nº 3001000.098 S3C0T1 Fl. 73 3 contribuinte antecipálo e mesmo declarálo não a exonera do recolhimento dos acréscimos moratórios previstos na legislação de regência, quando esse pagamento ocorrer intempestivamente, como no presente caso (o crédito mencionado no Per/Dcomp referese à multa incidente sobre tributo recolhido a destempo).. (...) podese inferir que não caracteriza espontaneidade qualquer iniciativa do sujeito passivo, contribuinte ou responsável, diferente do seu comparecimento ao órgão arrecadador para recolher 0 tributo, mediante o documento próprio, na forma das instruçoes da Receita Federal, com os acréscimos moratórios de que tratam a legislação de regência. Nesse contexto, não existe qualquer possibilidade legal de realizar a exclusão da aplicação da multa de mora de tributo recolhido em atraso, não sendo possível, portanto, reconhecer a existência de crédito, relativamente à multa de mora, do pagamento que foi indicado no Per/Dcomp Recurso Voluntário Em sua peça recursal a contribuinte, além de expor seus argumentos para legitimar a compensação levada a cabo, requereu o apensamento de 07 processos em razão de haver matéria conexa. Neste sentido, é no artigo 47 do RICARF que sustentou sua pretensão. Recurso Voluntário Após refazer breve histórico sobre os fatos ocorridos, adentrou o mérito repisando os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Em resumo, trata a recorrente de alegar que houve pagamento a maior em razão de ter havido a inclusão de multa de mora em pagamento efetivado em sede de espontaneidade. Iresignouse em face do argumento jurídico esposado no acórdão vergastado, no sentido de impelir o raciocínio no qual a denúncia espontânea não se aplica em caso de multa de mora. Segrega os conceitos de multa de mora e multa de ofício, ressaltando que a exceção à denúncia espontânea cingese aos juros de mora. requer a correção do créditos advindos do pagamento indevido, pelos índices de Juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O presente recurso voluntário insurgese em face da não homologação da compensação. Em sua defesa, trouxe o argumento da ocorrência de pagamento a maior, em função do recolhimento de valores a título de multa, em pagamento realizado de forma espontânea. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: denúncia espontânea e a correção do suposto crédito pela Selic. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10935.900692/200866 Resolução nº 3001000.098 S3C0T1 Fl. 74 4 Fundamento Legal A discussão gira em torno da possibilidade de ser considerado como apto à incidência das normas previstas no artigo 138 do CTN, ou seja, o instituto da denúncia espontânea, ao fatos descritos no presente caso. Para tanto, neste item serão apontados os fundamentos legais invocados na presente decisão. Artigo 138 do CTN Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração Tal preceito legal foi objeto de julgamento em sede de Recurso Especial, sob n.º 1.149.022/SP, realizado sob o regime de recurso repetitivo, em conformidade com o artigo 543C do CPC/1973, o qual se transcreve abaixo, a fim de, posteriormente, ser analisado e confrontado com o presente julgamento. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10935.900692/200866 Resolução nº 3001000.098 S3C0T1 Fl. 75 5 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; Resp 1.149.022; Relator: Ministro Luiz Fux; Data do julgamento: 09.06.2010) Em decorrência do mandamento previsto no artigo 543C do CPC, submetese, necessariamente, à prescrição exposta no RICARF/15, mais especificamente nos termos do §2º, do art. 62. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Tal entendimento, no qual os conselheiros deste CARF estão submetidos ao precedente exposto, está devidamente assentado pela Câmara Superior, conforme se denota de trechos da ementa trazida aos autos: Acórdão 9303006.588 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10935.900692/200866 Resolução nº 3001000.098 S3C0T1 Fl. 76 6 Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Portaria 343/2015 e alterações. Fundamental, ao deslinde da questão, trazer aos autos a IN 126/1998. que regulamenta a entrega da DCTF IN 126/98 Art. 2o A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. § 1o Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano calendário. § 2o A DCTF deverá ser entregue na unidade da Secretaria da Receita Federal SRF da jurisdição fiscal da pessoa jurídica, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. DOS FATOS Neste ínterim resta esclarecer que, cingese o caso presente na discussão a respeito da ocorrência, ou não, dos eventos fáticos que disparam a incidência das normas reguladoras do instituto da Denúncia Espontânea. Para tanto, necessário esclarecer e evidenciar determinados fatos essenciais para o deslinde da questão posta. Foi apresentado, pela recorrente, DARF, datado de 02 de outubro de 2002, correspondente a pagamento tardio, correspondente à apuração de julho de 2002, extrapolando, portanto, o seu regular prazo de vencimento. Comentários sobre a DCTF Em conformidade com a IN 126/98, regulamentando a entrega da DCTF à época, notase pela leitura de seu artigo 2.º, que o envio ocorria trimestralmente, e, para fins da citada IN 126/98, o artigo mencionado considera o trimestre encerrado em 30 de setembro. Ainda, na leitura do regramento de entrega da DCTF, temse que o prazo limite para seu envio é "até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores". Tendo o fato gerador ocorridos em julho de 2002, pertencente, portanto, ao terceiro trimestre, o prazo para entrega da DCTF fluiria a partir do encerramento deste terceiro trimestre, ou seja, 30 de setembro de 2002. Sendo o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre, conforme previsão legal, encerrouse a data para envio em 14 de novembro de 2002. temse nos autos, a respeito da DCTF compentente, apenas tabela referenciando sua data de entrega, em sede de Manifestação de Inconformidade. Conforme se verá adiante, Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10935.900692/200866 Resolução nº 3001000.098 S3C0T1 Fl. 77 7 tal documente é imprescindível ao desfecho do julgamento, mormente frente aos requisitos trazidos em sede de recurso repetitivo. Desta forma, uma vez apresentados os fundamentos legais invocados, qual seja, o artigo 138 do CTN, cujo teor prescreve as regras para a aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, e, também, brevemente expostos os motivos pela vinculação da interpretação do caso concreto, em razão do regime de recursos repetitivos previstos no CPC e respeitados pelo RICARF, iniciase a análise de mérito, não sem antes, expor a segmentação do raciocínio jurídico empreendido na leitura conjunta do artigo 138 e da decisão prolatada pelo STJ. MÉRITO O tema devolvido ao colegiado para análise e decisão, envolve a aplicação do instituto da denúncia espontânea, prevista no já transcrito artigo 138 do CTN, com a disciplina dada pelo REsp 1.149.022/SP, sob o regime repetitivo previsto no artigo 543C do CPC cumulado com o artigo 62, parágrafo segundo do RICARF. Neste sentido, mister fixar algumas premissas para o raciocínio. Inicialmente, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, ou seja, no qual, dentre outras particularidades, o contribuinte tem o dever de antecipar informações à autoridade fazendária. Esta antecipação, se faz por meio das obrigações acessórias previstas legalmente no CTN, em artigos 112 e 113. Denúncia espontânea e lançamento por homologação O papel da DCTF A DCTF, prevista na IN 126/1998, é o veículo que introduz as normas individualizadas e concretas no ordenamento jurídico inclusive a respeito do pagamento do presente caso. Neste sentido, a decisão do STJ fixou como requisito para a ocorrência da denúncia espontânea, não haver tributo declarado pelo contribuinte. Em conformidade com tal orientação, transcrevese a ementa prolatada pela CSRF em maio de 2018: Acórdão 9303006.588 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. O cerne da discussão está exemplarmente delineado no voto de lavra do Conselheiro Andrada Canuto Natal, que, em resumo descreve; a cognição lógico jurídica que remeteu à decisão tomada no acórdão paradigma revelase inteiramente contemplada na controvérsia de que aqui se trata, envolvendo a caracterização da denúncia espontânea nas situações em que o contribuinte recolhe em atraso o tributo sujeito ao lançamento por homologação, com ou sem a prévia declaração em DCTF. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10935.900692/200866 Resolução nº 3001000.098 S3C0T1 Fl. 78 8 Após analisar a dinâmica de subsunção da norma relativa ao instituto da denúncia espontânea, conclui: (...) o reconhecimento da espontaneidade não guarda relação com a apresentação de DCTF posteriormente retificada, nem com o pagamento parcial, mas, exclusivamente, com o pagamento do débito em data anterior à (...) declaração do sujeito passivo informando o tributo devido. A seguir na leitura de seu voto, o relator mencionado destaca que: A intelecção induvidosa da decisão acima transcrita é no sentido de que o pagamento que não fora previamente declarado em DCTF está albergado pela denúncia espontânea quando pago antes de qualquer procedimento fiscal. E também: Acórdão nº 9303002.770, 3ª Turma ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF. RECURSO ESPECIAL. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA 360 DO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, acolheu a tese de que a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). A contrario sensu, portanto, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça acolheu a tese da aplicação da denúncia espontânea na hipótese de pagamento a destempo sem que tenha sido realizada declaração prévia do contribuinte." Desta forma, resta evidenciado que a interpretação posta ao caso, deverá estar submetida ao limite objetivo construído pela jurisprudência do STJ e da CSRF deste CARF. Hipótese Configuradora da Denúncia Espontânea O pagamento integral acompanhado de juros a anterioridade quanto a quaisquer atos ou procedimento fiscalizatórios da autoridade fazendária. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10935.900692/200866 Resolução nº 3001000.098 S3C0T1 Fl. 79 9 Multas moratórias e punitivas Para o julgamento do caso, necessário se faz superar a discussão a respeito da aplicação da denúncia espontânea em caso de multa moratória. Isto porque, o raciocínio pautado na inaplicabilidade da denúncia espontânea às multas de caráter moratório foi o fio condutor do acórdão sob vergasta. Como se pode observar, o assunto encontrase pacificado no sentido da possibilidade da denuncia espontânea em caso de multa de mora. Nas Turmas Ordinárias, prevalece o mesmo entendimento, conforme se segue: Acórdão nº 3201003.745 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA MORATÓRIA. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ está consolidado, em modo repetitivo, o entendimento de que "a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte" (REsp 1.149.022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, DJe 24/06/2010). Efetuado o pagamento do tributo pelo contribuinte, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea. Da proposta de Diligência Diante ao caso exposto, temse que se trata de definir a aplicação do conteúdo normativo previsto no artigo 138 do CTN, em conformidade com o disposto no julgamento repetitivo retro mencionado. Neste sentido, verificouse que a construção jurisprudencial do STJ e deste CARF, definem como limite à concessão da denúncia espontânea a ocorrência de declaração por parte do contribuinte, em sua DCTF. Caso tenha declarado o débito relativo multa de mora, terá constituído, em favor da autoridade fazendária, o crédito tributário, inviabilizando, assim, a aplicação do instituto. Desta forma, temse o seguinte trâmite temporal. Em julho de 2002, houve a apuração do tributo em questão, dentro, portanto, do terceiro trimestre anual, a encerrarse em 30 de setembro. Aplicando o comando do artigo 2.º da IN 126/1998, a data limite para a apresentação da DCTF seria 14 de novembro de 2002. Em tendo sido realizado o pagamento, conforme se denota do DARF acostado aos autos, com data de 02 de outubro de 2002, temse que tal pagamento seria retratado na DCTF a ser entregue em 14 de novembro de 2002. A meu ver, é necessário verificar como o contribuinte informou na DCTF competente, o respectivo lançamento da multa de mora. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10935.900692/200866 Resolução nº 3001000.098 S3C0T1 Fl. 80 10 Para a correta aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, e conforme preceituado anteriormente nos julgados supra transcritos, necessária a satisfação de dois requisitos: não ter sido declarado o débito até a data da entrega da Per Dcomp para tanto, há a necessidade de verificação na DCTF e; não ter havido nenhum procedimento fiscalizatório até o momento da confissão. Este segundo requisito, a meu ver, satisifeito. Conclusão Diante do exposto, proponho, como acima transcrito, a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. Caso entenda necessário, intime a recorrente a comparecer nos autos a fim de comprovar a veracidade das alegações. Posteriormente, a autoridade incumbida da diligência deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo na PER/DCOMP apresentada. Na sequência o contribuinte deverá ser intimado para que, no prazo regulamentar, caso entenda conveniente, adite seu recurso voluntário, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolva os autos para este CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002790/2008-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
IRPJ. CSLL. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO.
É devida a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, ainda que o lançamento ocorra após o encerramento do ano calendário.
Numero da decisão: 9101-003.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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CSLL. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO. É devida a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, ainda que o lançamento ocorra após o encerramento do ano calendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 90 /2 00 8- 51 Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.792 2 Relatório FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 1.708 a 1.714, contra o Acórdão nº 1101001.136, de 5 de junho de 2014 (e fls. 1.695 a 1.706), que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, exonerando a exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A exigência da multa isolada sobre valor de IRPJ estimativa não recolhida mensalmente, somente se justifica se operada no curso do próprio anocalendário. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação à possibilidade de exigência da multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas mensais após o encerramento do anocalendário. Transcrevese a ementa do acórdão indicado como paradigma, no que interessa ao exame da matéria: Acórdão nº 140100.107 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 (...) IRPJ — CSLL MULTA ISOLADA. Por se referirem a infrações distintas, a multa de oficio exigida isoladamente sobre o valor do imposto apurado por estimativa no curso do anocalendário, que deixou de ser recolhido, é aplicável concomitantemente com a multa de oficio calculada sobre o imposto devido com base no lucro real, mesmo que o lançamento ocorra após o encerramento do anocalendário. Inicialmente, por meio do Despacho de efls. 1.723 a 1.725, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento negou seguimento ao recurso especial. Entretanto, por meio do despacho de efls. 1.735 a 1.737, o Presidente da CSRF deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Em suas razões recursais, a Recorrente aduz, em essência, que é procedente a cobrança da multa isolada, por falta de recolhimento mensal das estimativas, após o Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.793 3 encerramento do anocalendário e em concomitância com a multa de ofício. Em suma, os argumentos formulados pela Recorrente são os seguintes: a) Sustenta que a teor do então artigo 44, § 1º, VI, da Lei nº 9.430, de 1996, "a 'multa isolada' é devida em função do não pagamento do tributo devido pelo regime de estimativa, ainda que o contribuinte tenha apurado, ao final do período, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa". Por isso, defende que não se aplica ao caso o entendimento do colegiado a quo de que a multa isolada não poderia ser exigida após o encerramento do ano calendário; b) Acrescenta que "após o encerramento do exercício, apurado saldo a pagar do tributo, surge uma nova infração, que atrai a incidência de multa diversa da aplicada em razão da falta de recolhimento das estimativas devidas", de forma que "as infrações apenas pela chama 'multa de ofício' e pela 'multa isolada' são diferentes". c) Defende que com a multa isolada o contribuinte está sendo penalizado por não auxiliar a União a fazer frente às despesas incorridas no decorrer dos anos pelo regime de pagamento de estimativas, e não, propriamente, por não pagar o IRPJ e a CSLL, até por que, como se percebe da Lei nº 9.430/1996, tal multa será devida ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para tais tributos; d) Defende ainda que a multa de ofício e a multa isolada possuem bases de cálculos distintas. A primeira deve incidir sobre o tributo efetivamente devido pelo sujeito passivo, que, no caso, é apurado no momento em que ocorre o ajuste anual, ao passo que a segunda deve incidir sobre as bases de cálculo estimadas, sendo que essas antecipações não equivalem ao tributo efetivamente devido, mas, consoante a jurisprudência pacificada do CARF, são meros adiantamentos do tributo. Ao final, requer seja conhecido e provido o recurso especial para reformar o acórdão recorrido, com o consequente restabelecimento da multa isolada. A Contribuinte apresentou contrarrazões às efls. 1.745 a 1.763. Em primeiro lugar, a Contribuinte insurgese contra o conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, por entender que "não há como reputar satisfeitos os pressupostos de admissibilidade estabelecidos pelo art. 67 do Anexo II do RICARF". Isso porque alega que o acórdão recorrido estaria em consonância com a Súmula CARF nº 105 e o acórdão paradigma apresentado seria contrário a ela. Em relação ao mérito, a Contribuinte afirma que "encerrado o exercício e apurado o tributo anualmente devido, não será cabida a aplicação de multa isolada incidente sobre os recolhimentos sobre estimativas". Alega que "não houve prejuízo ao fisco, uma vez que não restou configurada diferença entre a somatória dos valores apresentados nos períodos bases de cada mês e o valor apresentado no anocalendário, estando a obrigação principal completamente extinta, em razão da quitação dos débitos", desaparecendo, assim, "a base de cálculo referente à multa de ofício isolada para os valores de estimativa mensal". Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.794 4 Ao final, a interessada requer não seja conhecido o Recurso Especial da Fazenda Nacional. Caso assim não se entenda, requer seja negado provimento ao recurso, mantendose integralmente o acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo. Como a Recorrida apresenta, em sede de contrarrazões, alegações no sentido de que não deve ser conhecido o Recurso Especial da PFN por inobservância de pressupostos regimentais, iniciase pela análise de referidos questionamentos. O primeiro deles se encaminha no sentido de que a decisão recorrida adotou entendimento de súmula de jurisprudência do CARF e, por isso, o apelo especial não poderia ser conhecido por afrontar o art. 67, § 3º, do Anexo II, do RICARF, que dispõe que "Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso". Defende a Recorrida que a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, ao dar provimento a seu recurso, exonerando as multas isoladas lançadas, teria aplicado o entendimento da Súmula CARF nº 105, a qual enuncia que "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício". Ocorre que o acórdão recorrido não adotou o entendimento firmado pela Súmula CARF nº 105, uma vez que essa súmula trata especificamente da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas que tenha sido exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL. Ou seja, na hipótese em que tenha havido a aplicação concomitante de multas isolada e de ofício em relação a fatos geradores ocorridos antes da publicação da Medida Provisória nº 351, de 2007, surge a possibilidade de aplicação da súmula em análise. Não é o que ocorre no caso dos autos. Portanto, não deve prosperar o argumento apresentado pela contribuinte, já que nos presentes autos não houve aplicação concomitante de multa isolada e multa de ofício. Além disso, o entendimento adotado pela turma a quo foi o de que a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas "somente se justifica se operada no curso do próprio ano calendário", tema sobre o qual o enunciado sumular é silente. Sobre esse tema, aliás, é que a Procuradoria da Fazenda Nacional recorre à Câmara Superior de Recursos Fiscais. O segundo questionamento acerca do Recurso Especial da PFN formulado pela contribuinte é quanto ao acórdão paradigma apresentado, uma vez que entende que esse Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.795 5 acórdão contraria a Súmula CARF nº 105, o que também impediria o conhecimento do recurso em face do contido no art. 67, § 12, II, do CARF. De fato, em relação ao tema da concomitância o referido acórdão contraria o entendimento da Súmula CARF nº 105, por entender que a multa isolada é aplicável concomitantemente com a multa de ofício, mesmo se tratando de fato gerador anterior a 2007. A matéria destacada pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao apresentar a ementa do acórdão recorrido, entretanto, diz respeito à possibilidade de que "o lançamento ocorra após o encerramento do anocalendário". Ou seja, a concomitância de multas não é objeto do recurso da Procuradoria, até porque (i) não foi com base nisso que a turma a quo exonerou a multa isolada e (ii) não houve exigência concomitante de multa de ofício. Colacionase o trecho do recurso especial que expõe a ementa do acórdão paradigma: Ademais, verificase que no item "Do cabimento do Recurso Especial" a recorrente demonstra claramente a matéria objeto de discussão, bem como a divergência existente entre o acórdão recorrido e o acórdão indicado como paradigma, conforme exposto abaixo: O acórdão ora recorrido adotou o entendimento de que encerrado o ano calendário, não caberia a exigência da multa isolada. Diferentemente, a e. 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, em decisão consubstanciada no acórdão nº 140100.107, considerou ser legítima a exigência da multa isolada sobre o valor das estimativas não recolhidas, mesmo que o lançamento ocorra após o enceramento do ano calendário. Eis a ementa do acórdão paradigma nº 140100.107 em sua integralidade: (...) Notese que o acórdão recorrido, considera incabível a aplicação da multa isolada após o período de apuração do tributo, porquanto não existiria a base imponível da penalidade, incidente sobre as estimativas não recolhidas. Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.796 6 De outro lado, o acórdão paradigma, entende que, mesmo encerrado o ano calendário, persiste a exigência da multa isolada, que continua tendo como base as antecipações não efetuadas. Nesse sentido, o paradigma deixa claro seu entendimento de que a multa isolada tem base de cálculo distinta da multa de ofício prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, incidente sobre o tributo devido com base no lucro real apurado no final do ano. Com efeito, o órgão prolator do paradigma, em análise de caso similar, interpretou o art. 44 da Lei nº 9.430/96, de modo diverso ao esposado pela E. Turma Ordinária a quo. Rejeitase, portanto, a preliminar de inadmissibilidade do recurso da Fazenda Nacional. Mérito Como dito, a questão a ser dirimida no recurso em análise diz respeito à possibilidade de ser exigida a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais após o encerramento do anocalendário. A lei determina que as pessoas jurídicas sujeitas à apuração do lucro real, apurem seus resultados trimestralmente. Como alternativa, facultou, o legislador, a possibilidade de a pessoa jurídica, obrigada ao lucro real, apurar seus resultados anualmente, desde que antecipe pagamentos mensais, a título de estimativa, que devem ser calculados com base na receita bruta mensal, ou com base em balanço/balancete de suspensão e/ou redução. Observese: Lei nº 9.430, de 1996 (redação original): Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.797 7 I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Vêse, então, que a pessoa jurídica, obrigada a apurar seus resultados de acordo com as regras do lucro real trimestral, tem a opção de fazêlo com a periodicidade anual, desde que, efetue pagamentos mensais a título de estimativa. Essa é a regra do sistema. No presente caso, a pessoa jurídica fez a opção por apurar o lucro real anualmente, sujeitandose, assim, e de forma obrigatória, aos recolhimentos mensais a título de estimativas. Como se vê nos autos de infração de IRPJ e CSLL (efls. 726 a 731, Volume V4), a multa isolada aplicada pela falta de recolhimento das estimativas mensais desses tributos teve fulcro no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351/07, referindose a fatos geradores ocorridos nos seguintes períodos: 31/07/2003 e 31/10/2003. A exigência da multa isolada foi mantida pela autoridade julgadora de 1ª Instância, mas, no julgamento do Recurso Voluntário, o colegiado a quo, por maioria de votos, acatou as alegações da autuada e exonerou a multa isolada exigida nestes autos por entender que "A exigência da multa isolada sobre o valor de IRPJ estimativa não recolhida mensalmente, somente se justifica se operada no curso do próprio anocalendário". O voto condutor do acórdão recorrido assinala o entendimento de que a multa isolada só seria devida se exigida no curso do próprio anocalendário, "ou se após o seu encerramento constatarse que houve recolhimento a menor do tributo apurado no final do exercício por conta da insuficiência das estimativas recolhidas". Pela lógica do argumento levantado pelo acórdão recorrido e pela contribuinte em sede de contrarrazões, o dever de antecipar deixaria de existir quando o tributo passa a ser exigível ao final do anocalendário, condição em que seria devido o próprio tributo, acrescido da multa de ofício pelo não recolhimento do ajuste anual. Pela mesma lógica, a falta de recolhimento de estimativas não seria punível porque, se ao final do período nada foi apurado como devido, ou ainda, caso tenha sido experimentado prejuízo fiscal ou saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, ou ainda, caso o contribuinte quitasse os débitos que restarem devidos ao final do anocalendário, não haveria mais que se falar em dever de antecipar algo que não existe e, assim, não haveria conduta a ser punida. Com a devida vênia, discordase desse entendimento. A vinculação entre os recolhimentos antecipados e a apuração do ajuste anual é inconteste, até porque a antecipação só é devida porque o sujeito passivo opta por postergar para o final do anocalendário a apuração dos tributos incidentes sobre o lucro. Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.798 8 Contudo, a sistemática de apuração anual demanda uma punição diferenciada em face de infrações das quais resultam falta de recolhimento de tributo pois, na apuração anual, o fluxo de arrecadação da União está prejudicado desde o momento em que a estimativa é devida, e se a exigência do tributo com encargos ficar limitada ao devido por ocasião do ajuste anual, além de não se conseguir reparar todo o prejuízo experimentado à União, há um desestímulo à opção pela apuração trimestral do lucro tributável, hipótese na qual o sujeito passivo responderia pela infração com encargos desde o trimestre de sua ocorrência. Assim, a exigência de multa isolada pela falta ou insuficiência de recolhimentos estimados visa punir a conduta do contribuinte que abandona a regra geral de tributação, que é o lucro real trimestral, sem cumprir o requisito para o ingresso na sistemática das estimativas mensais antecipatórias dever instrumental, e pode ser exigida, sim, mesmo que encerrado o anocalendário, porque punese a conduta de não recolhimento de uma obrigação tributária. Ora, a evidência suficiente de que a multa isolada pode ser aplicada depois do encerramento do anocalendário permanece constando na redação atual do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, no sentido do cabimento da multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente. Nestes termos, a lei, desde a sua redação original, afirma a aplicação da multa ainda que a apuração final revele a inexistência de tributo devido sobre o lucro apurado. Senão, vejamos: Lei nº 9.430, de 1996 (redação original): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Lei nº 9.430, de 1996 (redação atual): Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.799 9 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Grifouse) Ademais, a utilização da expressão "ainda que" deixa patente o cabimento da multa isolada mesmo se houver tributo devido ao final do anocalendário, hipótese na qual seria devida, também, a multa proporcional estipulada na nova redação do inciso I do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. Mas não é só isso que o legislador quis dizer. Em verdade, quando menciona que a multa é devida ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano calendário correspondente, estáse dizendo também que essa multa é aplicável após o encerramento do anocalendário. Ora, com a devida vênia à tese defendida aqui pela contribuinte, se a multa não pudesse ser cobrada após o encerramento do anocalendário, como ela poderia ser exigida ainda que tivesse sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa? Como dito, a obrigação de antecipar os recolhimentos é imposta ao sujeito passivo que opta pela apuração anual do lucro, e subsiste enquanto esta opção não for, por outros motivos, afastada1. A apuração dos tributos incidentes sobre o lucro tributável ao final do anocalendário e seu eventual recolhimento a partir do vencimento fixado para os tributos 1 Lei nº 8.981, de 1995: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. [...] V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VI (Revogado pela Lei nº 9.718, de 1998) VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2º do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2º do art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.800 10 devidos no ajuste anual não anulam o descumprimento daquela obrigação. Neste sentido é o voto da exConselheira Edeli Pereira Bessa acerca da questão2: Concluise, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o ano calendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Para exonerarse da referida obrigação, cumpria à contribuinte levantar balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a inexistência de base de cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o anocalendário. Ausente tal demonstração, resta patente a inobservância da obrigação imposta àqueles que optam pela apuração anual do lucro. Logo, para não se sujeitar à multa de ofício isolada, deveria a contribuinte ter apurado e recolhido os valores estimados com os acréscimos moratórios calculados desde a data de vencimento pertinente a cada mês, e não meramente determinar o valor que, ao final, ainda remanesceu devido nos cálculos do ajuste anual. Ou seja, para desfazer espontaneamente a infração de falta de recolhimento das estimativas, deveria a contribuinte quitálas, ainda que verificando que os tributos devidos ao final do ano calendário seriam inferiores à soma das estimativas devidas. Apenas que a quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do anocalendário, resultaria em um saldo negativo de IRPJ ou CSLL, passível de compensação com débitos de períodos subseqüentes, à semelhança do que viria a ocorrer se a contribuinte houvesse recolhido as antecipações no prazo legal. Já se a contribuinte assim não age, o procedimento a ser adotado pela Fiscalização difere desta regularização espontânea. Isto porque seria incongruente exigir os valores que deixaram de ser recolhidos mensalmente e, ao mesmo tempo, considerálos quitados para recomposição do ajuste anual e lançamento de eventual parcela excedente às estimativas mensais. Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não ficasse impune, fixouse, no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. (grifouse) 2 Acórdão nº 110100.434, integrado por voto vencedor do exConselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho afastando a multa isolada aplicada concomitantemente com a multa de ofício antes da alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória nº 351, de 2007. Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.801 11 Consoante antes observado, o tributo apurado ao final do anocalendário somente se sujeita a encargos a partir de seu vencimento3. Logo, para desconstituir a infração de falta de recolhimento de estimativas, o sujeito passivo deve recolher as antecipações em atraso com os encargos pertinentes desde seu vencimento mensal. Isso porque, diferentemente do sustentado pela recorrida em contrarrazões, o recolhimento do tributo devido no ajuste anual, mesmo acrescido dos correspondentes encargos, não repara o prejuízo causado ao fluxo de caixa da União que, na regra geral de tributação, receberia trimestralmente o ingresso dos tributos incidentes sobre o lucro. O mesmo prejuízo ocorre se o contribuinte deixa de recolher as antecipações e apura saldo negativo de IRPJ ou de CSLL ao final do período de apuração. Veja que o legislador não fez distinção alguma a esse respeito. Assim, equivocase o contribuinte ao alegar que "não houve prejuízo ao fisco, uma vez que não restou configurada diferença entre a somatória dos valores apresentados nos períodos bases de cada mês e o valor apresentado no anocalendário" e que por terem sido "recolhidos os débitos devidos" quanto ao principal "desaparece a base de cálculo referente à multa de ofício isolada". Na verdade, a Lei nº 9.430, de 1996, seja em sua redação original, seja em sua redação posterior à Lei nº 11.488, de 2007, definiu que a multa isolada será exigida sobre o valor das estimativas que deixou de ser recolhido a cada mês. Portanto, no caso concreto, a penalidade incidirá sobre o valor total das estimativas que deixaram de ser recolhidas pelo contribuinte mês a mês. Assinalese, ainda, que o argumento contrário à aplicação da multa isolada depois do encerramento do anocalendário resultaria em cenário no qual a falta de recolhimento de estimativas somente seria punida se a infração fosse constatada antes do encerramento do anocalendário, interpretação que praticamente nega eficácia ao dispositivo legal e confere significativa vantagem à opção pelo lucro real anual em detrimento à regra geral de apuração trimestral do lucro tributável. Deve, portanto, o recurso fazendário ser acolhido, reformandose o acórdão recorrido para reconhecer a possibilidade de exigirse a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais após o encerramento do anocalendário. Conclusão Diante do exposto, votase por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo 3 Neste sentido é o disposto no art. 6º, §1º c/c §2º da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.802 12 Fl. 1802DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.000071/2006-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
Ementa:
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE.
Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/2001.
Numero da decisão: 3401-004.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) acompanharam pelas conclusões, por não entenderem que o precedente do STJ seja vinculante, no caso do regime alternativo.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) acompanharam pelas conclusões, por não entenderem que o precedente do STJ seja vinculante, no caso do regime alternativo. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 00 71 /2 00 6- 05 Fl. 226DF CARF MF 2 Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Ressarcimento de IPI de fls. 2 a 311, com transmissão em 06/05/2004, no valor de R$ 108.031,22, referente ao primeiro trimestre de 2004 (crédito presumido apurado com base na Lei no 10.276/2001). Anexase ao pedido cópias do Livro de Registro de Apuração do IPI (fls. 32 a 42). Às fls. 63 a 68, e na Informação Fiscal de fl. 77, narrase que: (a) a empresa efetuou aquisições de couro de pessoas físicas (indicados com o sendo da empresa “Antik Comércio de Couros para Calçados e Representações LTDA” – doravante “Antik”), sendo as notas fiscais consideradas inidôneas no processo administrativo no 13855.002406/200531; (b) analisandose as referidas notas fiscais, ficou comprovado que os pagamentos tiveram como beneficiários pessoas físicas diversas, entendendose que os créditos correspondentes devem ser glosados; (c) no último trimestre de 2003 o pedido de Crédito Presumido da contribuinte resultou em saldo credor de R$ 46.468,68, o qual, de acordo com a legislação, deve ser compensado nesse pedido; (d) isto posto, após elaboração de uma nova Declaração de Crédito Presumido, verificouse que o valor do crédito alterouse de R$ 108.031,22 para R$ 38.958,02, valor que deve ser reconhecido. Com base na informação, o despacho decisório de fl. 78 reconhece, em 24/04/2006, o crédito no valor de R$ 38.958,02, deferindo parcialmente o pedido de ressarcimento. Após compensações efetuadas pela fiscalização, em relação a débitos em cobrança, noticiase restar crédito de R$ 14.716,45 (fls. 92 e 100), a ser creditado em conta corrente. Ciente das providências tomadas em 08/05/2006 (fl. 103), a empresa apresenta Manifestação de Inconformidade, em 05/06/2006 (fls. 107/108), argumentando, em síntese, que: (a) a alegação fiscal não procede, e tem como fundamento um processo administrativo do qual não é parte; (b) o simples fato de os pagamentos terem sido efetuados a pessoas físicas não leva à conclusão pela inidoneidade das notas fiscais, e os pagamentos foram efetuados a pessoas físicas porque lhe foi pedido pela empresa, devendo o fisco verificar se os pagamentos efetivamente correspondiam às notas, e se estas teriam sido efetivamente pagas; e (c) anexa à defesa as notas fiscais e os demonstrativos de pagamento (fls. 109 a 114), que demonstra serem idôneas as notas. Em complemento, a empresa junta ao processo, em 10/06/2008 (fls. 125 a 190), outros documentos (basicamente, cópias de notas fiscais e cheques). Em 06/07/2010 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 194 a 199), decidindo unanimemente o colegiado administrativo pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) os documentos fiscais emitidos pelas empresas declaradas inaptas podem ser reputados como inidôneos, ou tributariamente ineficazes, salvo comprovação do pagamento pelo prego da mercadoria e do real ingresso desta no estabelecimento industrial (inversão do ônus da prova); (b) na hipótese de solicitação 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13855.000071/200605 Acórdão n.º 3401004.457 S3C4T1 Fl. 227 3 administrativa, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida, ao contrário do que acontece no âmbito do processo de exigência tributária, em que o ônus da prova das infrações tributárias cometidas pelo sujeito passivo incide sobre o ente tributante; (c) assim, caberia à requerente, no presente processo, como empresa que registrou operações de compras efetuadas com a “Antik”, provar que tais operações se efetivaram e que as mercadorias ingressaram em seu estabelecimento; e (d) as saídas de numerário do caixa/banco sem qualquer indicio de seu transito pela “Antik” não podem ser aceitas como documentos hábeis a comprovar a operação, sem a existência de qualquer outro registro ou titulo que possa lastrear financeiramente a operação e identificar a contribuinte como pagadora e a empresa fornecedora como beneficiária do pagamento. Ciente da nova decisão de piso em 19/08/2010 (fl. 201), a empresa apresentou, em 15/09/2010, o Recurso Voluntário de fls. 202 a 222, sustentando, em síntese, que: (a) é nula a decisão de piso, pois houve cerceamento do direito de defesa, pois não foram analisados documentos apresentados pela defesa, nem tomados em conta documentos apresentados após a manifestação de inconformidade, que tinham por intuito demonstrar o pagamento efetivo de todas as notas fiscais e que foram declaradas inidôneas e tiveram seus créditos indeferidos; (b) e nenhum momento foi demonstrado que a mercadoria não ingressou no estabelecimento da empresa, e todos os pagamentos foram realizados com intervenção de banco, com pagamento integral dos valores constantes nas notas fiscais; (c) o pagamento a pessoa física (terceiro) por ordem e conta do credor é possível e válido, conforme artigo 308 do Código Civil; (d) à época do negócio jurídico não havia nenhum ato da RFB considerando a “Antik” como inapta, o processo de inaptidão iniciou em 2005, ainda não estando encerrado, estando até hoje a empresa na situação “ativa” perante o CNPJ, ocorrendo violação a ato jurídico perfeito; (e) ainda que inapta fosse a empresa, a boafé do adquirente afastaria a negativa de crédito, conforme precedentes administrativos e judiciais; (f) os pagamentos a Edgar Dutra (notas fiscais 3780, 3820, 3863 e 3869) foram realizados por meio de banco, e, no próprio título, consta como sacador a “Antik”, e beneficiário “Edgar Dutra”, o que é perfeitamente legal; (g) as demais notas foram pagas diretamente à “Antik” ou a outras pessoas jurídicas nas mesmas condições; (h) o ônus da prova não é exclusivo da recorrente e, se a fiscalização não aceitou as notas fiscais para deferir o crédito presumido, caberia a ela demonstrar o vício existente nelas; e (i) a fruição do crédito depende apenas dos requisitos estabelecidos no artigo 1o da Lei no 10.276/2001, que foram atendidos, no caso. No CARF, o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, em outubro de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 228DF CARF MF 4 Delimitando o contencioso, insurgese a recorrente contra as glosas efetuadas em relação a aquisições da empresa “Antik”, e contra cerceamento de defesa na instância de piso. No que concerne ao alegado cerceamento de defesa, afirma a recorrente que a DRJ, além de não analisar matérias de defesa, recusouse a examinar documentos apresentados após a manifestação de inconformidade. Em relação à apresentação posterior de documentos, a DRJ assim se manifestou (fl. 196): “A requerente, em momento posterior ao prazo legal de impugnação (sic), apresentou os documentos de fls. 121 a 178, protocolados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Franca em 10 de junho de 2008, que não os considerei (sic), por não atender (sic) ao disposto nos parágrafos 4o e 5o do art.16 do Decreto no 70.235/72 (PAF), (acrescentado pela Lei n° 9.532, de 10/12/1997).” De fato, tal dispositivo da norma acolhida com estatura legal que disciplina o processo administrativo fiscal estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação (no caso, na manifestação de inconformidade), e estabelece circunstâncias em que a preclusão deixaria de existir (desde que solicitada a juntada posterior, indicando sua ocorrência §§ 4o e 5o do art. 16 do Decreto no 70.235/1972): impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, direito superveniente, e contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Em sua manifestação de inconformidade, em 05/06/2006, a empresa apresenta defesa específica em relação a cinco notas fiscais (fl. 109). Todas as notas fiscais (cópias às fls. 110 a 114) são emitidas pela “Antik”, e contêm indicação de “mercadoria recebida” pela recorrente, sempre com uma assinatura indicando “Carlos”. A complementação da documentação, efetuada em 10/06/2008, mais de dois meses após a manifestação e inconformidade, não invocou, nem possui fundamento em qualquer das disposições excepcionais dos §§ 4o e 5o do art. 16 do Decreto no 70.235/1972. Em tal complementação, traz a empresa (fls. 131 a 190) cópias de sete notas fiscais emitidas em 2003 (2416, em 13/08; 2442, em 18/08; 2470, em 22/08; 2609, em 09/09; 2643, em 12/09; 2722, em 23/09; e 2787, em 28/09), e de duplicatas e de cheques referentes a pagamentos efetuados em 2003 em relação a tais notas. Não vejo, assim, nulidade por cerceamento de defesa por parte da DRJ ao desconsiderálas. Em relação à conclusão da DRJ sobre os documentos apresentados na manifestação de inconformidade, e já destacados aqui, não se pode afirmar que deriva de não análise, pois a premissa adotada pelo julgador de piso foi a de no caso de notas consideradas inidôneas por ato da RFB, em procedimento específico, caberia à postulante ao crédito, como empresa que registrou operações de compras efetuadas com a “Antik”, provar que tais operações se efetivaram e que as mercadorias ingressaram em seu estabelecimento, e as saídas Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13855.000071/200605 Acórdão n.º 3401004.457 S3C4T1 Fl. 228 5 de numerário do caixa/banco sem qualquer indicio de seu transito pela “Antik” não poderiam ser aceitas como documentos hábeis a comprovar a operação, sem a existência de qualquer outro registro ou titulo que pudesse lhe dar lastro financeiro e identificar a contribuinte como pagadora e a empresa fornecedora como beneficiária do pagamento. A recorrente pode até discordar do decidido pela DRJ, mas é incorreta a afirmação de que o julgador de piso simplesmente ignorou os documentos (digase, cinco cópias de notas fiscais) apresentados com a manifestação e inconformidade. Ao que revela a simples análise do processo, o julgador a quo analisou tais documentos e os considerou insuficientes, diante do ônus probatório em processos do gênero. Improcedentes, assim, as alegações de nulidade. Passando ao mérito do contencioso, é de se recordar que os créditos glosados se referem a aquisições efetuadas indicando amparo na Lei no 10.276/2001: “Art. 1o Alternativamente ao disposto na Lei n o 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996.” (grifo nosso) A ação fiscal, que abrange os períodos de janeiro de 2003 a dezembro de 2005 (o que nos leva a crer que há outros processos sobre o tema em julgamento, apenas dois deles em nossa carga: o de no 13855.000072/200641, referente ao quarto trimestre de 2003; e o de no 13855.000073/200696, referente ao terceiro trimestre de 2003), foi iniciada justamente em função das irregularidades verificadas em relação ao fornecedor “Antik” (fl. 63): Fl. 230DF CARF MF 6 Investigada pela DRF de Franca/SP, face à discrepância entre os valores das notas fiscais emitidas e os valores declarados, informase às fls. 65/66 que restou comprovada a prática ilegal de venda de notas “graciosas”, e que documentos ideologicamente falsos são imprestáveis para comprovar, por si só, a compra e venda de mercadorias. As notas fiscais pertinentes ao período analisado neste processo (primeiro trimestre de 2004) são as seguintes (fls. 64/65): Durante o procedimento de fiscalização, a recorrente foi intimada, entre outros, a comprovar os pagamentos efetuados à “Antik”, mediante apresentação de cópias de cheques e extratos bancários. Em resposta, apresentou, além dos livros fiscais e notas fiscais, duplicatas pagas em carteira ou mediante boletos bancários. Sobre tais documentos, assim concluiu a fiscalização (fl. 66): Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13855.000071/200605 Acórdão n.º 3401004.457 S3C4T1 Fl. 229 7 Eis as razões para as glosas de créditos presumidos de IPI em aquisições da empresa “Antik”: embora comprovados os pagamentos, as aquisições foram efetuadas de pessoas físicas. Não constam do presente processo maiores informações sobre a análise fiscal (que, ao final, devolveu os documentos). Na Informação Fiscal que ampara o despacho decisório (fl. 77), a fiscalização informa que: Não consta, ainda, do presente processo, nenhuma cópia do ato que tenha declarado inidôneas as referidas notas fiscais. Assumindo que exista tal ato, pertinente seria, a priori, no caso, trazer à baila o disposto no artigo 82 da Lei no 9.430/1996 (como fez a DRJ): Fl. 232DF CARF MF 8 “Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços.” (grifo nosso) Nesse cenário, bastaria, assim, à recorrente, para afastar as glosas, comprovar que efetivou o pagamento (ao que parece, a fiscalização entendeu isso como comprovado) e que efetivamente recebeu as mercadorias (o recibo na nota fiscal, presente nas cinco notas apresentadas na manifestação de inconformidade, contribui para isso, e poderia somarse aos registros de entrada e saída nos livros da empresa). No entanto, não seguiremos, aqui, discutindo aspectos probatórios, tendo em conta que o STJ entendeu, no REsp no 993.164/MG, na sistemática dos recursos repetitivos, vinculante para este colegiado administrativo: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97.CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13855.000071/200605 Acórdão n.º 3401004.457 S3C4T1 Fl. 230 9 (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010)” (grifos nossos) A leitura da ementa do REsp revela que condena o STJ a limitação imposta pela IN SRF no 23/1997 (e pelas que lhe sucederam, com idêntico teor 313/2003, 419/2004), diante do texto do art. 1o da Lei no 9.363/1996: “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Fl. 234DF CARF MF 10 Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. E o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 trata da mesma matéria (com sensível alteração de texto) em seu art. 1o, § 1o: “Art. 1o Alternativamente ao disposto na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; (...)” O regime da Lei no 9.363/1996 e o regime alternativo da Lei no 10.276/2001, são evidentemente construções legislativas diversas, e em relação a isso não há discordância. Contudo, é preciso mencionar que em ambas as leis não se encontra a limitação que o STJ condenou na instrução normativa. Ou seja, nenhuma das leis impõe restrição ao creditamento em relação a aquisições de pessoas físicas. E isso se obtém da simples comparação de ambas, de fácil visualização a partir da tabela a seguir: Observações Lei no 9.363/1996 Lei no 10.276/2001 Ambas as leis tratam de crédito presumido de IPI para empresas (pessoas jurídicas) produtoras e exportadoras de mercadorias “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, (...). Art. 1o Alternativamente ao disposto na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), (...). Ambas as leis permitem o creditamento como ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições de “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro § 1o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput. I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13855.000071/200605 Acórdão n.º 3401004.457 S3C4T1 Fl. 231 11 matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo Vejase que a expressão “incidiram as” que motivaria o entendimento de que há vedação legal literal ao creditamento em aquisições de pessoas físicas existe também no regime da Lei no 9.363/1996 (“incidentes sobre”). A argumentação, assim, se aproxima da apresentada em grau recursal pela PGFN (e rechaçada pelo STJ no REsp no 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos), como narrado no voto do Ministro Luiz Fux: “Por seu turno, a Fazenda Nacional, em suas razões de recorrer, alega, (...). De acordo com a recorrente: "... a Lei nº 9.363/96 não conferiu ao produtor/exportador o direito ao crédito presumido quando o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e COFINS (por exemplo, pessoa física, cooperativa, etc.), assim, a IN SRF 23/97 não extrapolou os limites da lei. Isto porque se trata de lei que prevê um incentivo fiscal, a qual, de acordo não só com o disposto pelo Código Tributário Nacional (art. 111, do CTN),mas com a doutrina e a jurisprudência, deve ser interpretada restritivamente. Ademais, o modo com que o 'crédito presumido de IPI se encontra delineado pela Lei 9.363, de 1996, não permite ao intérprete concluir de outra forma, senão que o legislador condicionou a fruição do incentivo ao pagamento de PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor do insumo adquirido pela beneficiário do crédito presumido. (...) Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram de forma indireta o produto final, isto significa que os tributos não 'incidiram' sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições 'incidentes' sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre as aquisições de terceiros, que ocorreram em fases anteriores da cadeia produtiva. Ao contrário, para admitir que o legislador teria previsto o crédito presumido como um ressarcimento dos tributos que oneraram toda a cadeia produtiva, seria necessária uma interpretação extensiva da norma legal, inadmitida, nessa específica hipótese, pela Constituição Federal de 1988 e pelo Código Tributário Nacional (art. 111). (...) Fl. 236DF CARF MF 12 Assim, a condição legalmente disposta para que o produtor exportador possa adicionar o valor do insumo à base de cálculo do crédito presumido, é a exigência de tributos ao fornecedor do insumo. Sem que tal condição seja cumprida, é inadmissível, ao contribuinte, benefício de crédito presumido.” (grifo nosso) O precedente deu origem ainda à Súmula STJ no 494: “O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP.” Veja que o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 não inseriu impedimento ao crédito decorrente de aquisições de pessoas físicas. Pelo contrário, utilizou a mesma terminologia da Lei no 9.363/1996. Assim, embora se tenha um novo regime, não se tem um novo impedimento, sendo igualmente condenáveis as normas infralegais que restrinjam indevidamente o comando legal. Assim tem decidido o STJ: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO ALTERNATIVO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º E 6º, DA LEI N. 9.363/96 E LEI N. 10.276/2001. ILEGALIDADE DO ART. 5º, §2º, DA IN/SRF N. 420/2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA N. 411/STJ. 1. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n.993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, §2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação. (...)(REsp 1313043/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/10/2012, DJe 08/10/2012); (REsp 1231755/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/03/2011, DJe 31/03/2011)” (grifo nosso) Portanto, embora reconheçamos que os regimes de crédito presumido de IPI instituídos pelas Leis no 9.363/1996 e no 10.276/2001 são diversos, forçoso é, diante do teor dos textos legais, entender que se uma lei não obstaculiza os créditos em relação a pessoas físicas, a outra logicamente também não o faz. Sustentamos o raciocínio aqui externado desde o Acórdão no 3403002.892. Anteriormente, entendíamos que o precedente do STJ (REsp no 993.164/MG), na sistemática dos recursos repetitivos, tinha escopo restrito à Lei no 9.363/1996. E que no regime alternativo da Lei no 10.276/2001, não havendo incidência dessas contribuições, não haveria o que ressarcir, tendo em vista o comando do art. 1o, § 1o da norma legal. E, nesse aspecto, fui voto vencido (ao lado do relator, Antonio Carlos Atulim) nos Acórdãos no 3403001.948 a no 3403 Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13855.000071/200605 Acórdão n.º 3401004.457 S3C4T1 Fl. 232 13 001.953, tendo sido designado para todos os votos vencedores o Cons. Robson José Bayerl (sessão de 19.mar.2013). Aliás, o entendimento sobre a matéria já está consolidado, hoje, no CARF, cabendo mencionar dois precedentes recentes e unânimes da CSRF, na mesma linha adotada neste voto: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. Mantémse a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido do IPI, exercido na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001, nas aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Aplicação dos mesmos fundamentos utilizados pelo STJ no RESP nº 993.164, que foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos art. 543 C do CPC.” (Acórdão n. 9303004.682, Rel. Cons. Andrada Marcio Canuto Natal, sessão de 14.fev.2017 – unânime em relação à matéria) “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. Mantémse a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido do IPI, exercido na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001, nas aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Aplicação dos mesmos fundamentos utilizados pelo STJ no RESP nº 993.164, que foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos art. 543 C do CPC.” (Acórdão n. 9303005.103, Rel. Cons. Erika Costa Camargos Autran, sessão de 16.mai.2017 – unânime) Ademais, recordese que o § 5o do art. 1o da Lei no 10.276/2001, aqui já transcrito ao início do voto, estabelece claramente: “Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996”. Assim, segundo o entendimento do STJ, vinculante para o CARF, aliado ao referido § 5o, é improcedente a alegação fiscal de que as aquisições de pessoas físicas obstariam o direito ao crédito presumido, no regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001, sendo desnecessário e irrelevante retornar os autos, em eventual diligência, para que se verificassem, de fato, questões probatórias atinentes a ser a aquisição efetivamente de pessoa física, à luz do constante neste processo e em outro, apenas citado nestes autos. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Fl. 238DF CARF MF 14 Fl. 239DF CARF MF
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