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Numero do processo: 18470.728514/2014-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011, 2012
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Tendo os acórdãos recorrido e paradigma examinado situações similares oferecendo, contudo, soluções distintas, resta configurado o dissídio jurisprudencial, devendo ser conhecido o recurso.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXPLORAÇÃO DE DIREITO PERSONALÍSSIMO. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA.
Os rendimentos obtidos pelo contribuinte em virtude de exploração de direito personalíssimo vinculados ao exercício da atividade esportiva devem ser tributados na declaração da pessoa física, que é de fato aquela que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses.
Numero da decisão: 9202-007.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que não conheceram do recurso, e a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceu parcialmente do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF).
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011, 2012 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Tendo os acórdãos recorrido e paradigma examinado situações similares oferecendo, contudo, soluções distintas, resta configurado o dissídio jurisprudencial, devendo ser conhecido o recurso. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXPLORAÇÃO DE DIREITO PERSONALÍSSIMO. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. Os rendimentos obtidos pelo contribuinte em virtude de exploração de direito personalíssimo vinculados ao exercício da atividade esportiva devem ser tributados na declaração da pessoa física, que é de fato aquela que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses.
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CONHECIMENTO. DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Tendo os acórdãos recorrido e paradigma examinado situações similares oferecendo, contudo, soluções distintas, resta configurado o dissídio jurisprudencial, devendo ser conhecido o recurso. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXPLORAÇÃO DE DIREITO PERSONALÍSSIMO. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. Os rendimentos obtidos pelo contribuinte em virtude de exploração de direito personalíssimo vinculados ao exercício da atividade esportiva devem ser tributados na declaração da pessoa física, que é de fato aquela que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que não conheceram do recurso, e a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceu parcialmente do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 85 14 /2 01 4- 66 Fl. 943DF CARF MF 2 Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício) Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2201003.748, proferido na sessão de 05 de julho de 2017, assim ementado: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011, 2012 DIREITO DE IMAGEM. ASPECTO PATRIMONIAL. POSSIBILIDADE DE CESSÃO O direito à imagem decorre do direito à personalidade, esse sim, intransmissível e irrenunciável. Já aquele, o direito de imagem, direito decorrente do direito de personalidade, pode em seu aspecto positivo, patrimonial ser transmitido, explorado por pessoa jurídica constituída para este fim. RENDIMENTOS DO EXTERIOR. CHINA. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo que dava provimento parcial e Dione Jesabel Wasilewski, Daniel Melo Mendes Bezerra e José Alfredo Duarte Filho, que davam provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. O recurso visava rediscutir as seguinte matérias: a) incidência de IRPF sobre valores pagos a título de cessão do direito de imagem; b) condição de residente no Brasil, relativamente aos rendimentos oriundos do exterior. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 18470.728514/201466 Acórdão n.º 9202007.322 CSRFT2 Fl. 3 3 Em exame preliminar de admissibilidade, a Presidente da Segunda Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo apenas quanto quanto à matéria a) incidência de IRPF sobre valores pagos a título de cessão do direito de imagem. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que os art. 87A, da Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998, incluído pela Lei nº 12.395, de 16 de março de 2011, que estabelece que o “direito ao uso da imagem do atleta pode ser por ele cedido ou explorado, mediante ajuste contratual de natureza civil e com fixação de direitos, deveres e condições inconfundíveis com o contrato especial de trabalho desportivo”, somente pode ser aplicado após a sua vigência, ou seja, a partir de 17 de março de 2011, data em que a lei foi publicada no Diário Oficial da União. que o mesmo ocorre com o art. 980A, § 5º, do Código Civil, incluído pela Lei nº 12.441, de 11 de julho de 2011, que permitiu “ser atribuída à empresa individual de responsabilidade limitada constituída para a prestação de serviços de qualquer natureza a remuneração decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, vinculados à atividade profissional.” que esse dispositivo entrou em vigor no dia 9 de janeiro de 2012, ou seja, 180 dias após a sua publicação, conforme determinava o art. 3º da Lei nº 12.441, de 11 de julho de 2011; que no caso dos autos, o lançamento é relativo aos anoscalendário 2010 e 2011, e portanto, caso se entendam aplicáveis esses dispositivos legais, de forma alguma eles incidiriam sobre os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2010 e parte do ano calendário 2011; que tais dispositivos não podem ser aplicados retroativamente, tendo em vista que, além de a Constituição afirmar que “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada” (art. 5º, XXXVI), a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro afirma que a “lei em vigor terá efeito imediato e geral” (art. 6º) que, além do mais, não se trata de lei “expressamente” interpretativa, conforme exigência do art. 106, II, “a”, do CTN, para que uma legislação seja aplicável a fatos pretéritos; que em relação à aplicação retroativa de dispositivo que altera o regime de tributação das pessoas físicas pela prestação de serviços personalíssimos, já decidiu o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que o art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, tem eficácia prospectiva; que em relação especificamente ao art. 980A, § 5º, do Código Civil, outro motivo que afasta a sua aplicabilidade no caso concreto é que o dispositivo é relativo à “empresa individual de responsabilidade limitada”, e não às pessoas jurídicas em geral, ou seja, o dispositivo permitiu a “cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz” para a empresa individual, e não para qualquer pessoa jurídica. que se trata, portanto, de regra aplicável exclusivamente à EIRELI, justamente por ser pessoa jurídica formada exclusivamente pelo detentor do direito de imagem Fl. 945DF CARF MF 4 explorado, constituindose em regra excepcional no que diz respeito à titularidade da remuneração da cessão de direito de imagem; que tal limitação tem sentido, pois compatibiliza a possibilidade de exercício de atividade empresarial de natureza personalíssima com a limitação da responsabilidade do empresário individual, inaugurada com a edição da Lei nº 12.441, de 2011, e antes desse diploma normativo, a responsabilidade era ilimitada; que no caso, o empresário continuará executando as tarefas pessoalmente, porém, agora, com a sua responsabilidade limitada ao capital social. Esse dispositivo, portanto, tem finalidade unicamente civilista, não fazendo qualquer referência à sujeição passiva tributária, que, inclusive, exige lei complementar para tanto, conforme estabelece o art. 146, III, “a”, da Constituição. que quanto à aplicação do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005 à cessão de direitos de uso de imagem efetuada pelo contribuinte à pessoa jurídica da qual é sócio, o dispositivo referente à prestação de serviços de intelectuais, inclusive de natureza cientifica, artística ou cultural, o que não é o caso da cessão de direitos de imagem; que o texto da norma e as definições apresentadas acima demonstram claramente que a atividade relativa à cessão do direito de imagem não foi acolhida no rol dos serviços albergados pelo art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005. que é questionável, inclusive, se a própria cessão de direitos de imagem é serviço, inclusive os tribunais de segundo grau vêm afastando a incidência de ISS sobre a cessão de direitos de imagem sob a justificativa de não ser serviço; que, afastada a aplicabilidade do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, há muito se consolidou no contencioso administrativo fiscal federal o entendimento de que é a pessoa física a única titular dos rendimentos da exploração deste direito personalíssimo. que apesar de os direitos da personalidade poderem ser explorados economicamente, eles somente o podem por meio da pessoa física titular de tal direito, tendo em vista a limitação prevista no art. 11 do Código Civil; que, conforme salientou a DRJ, “Por se tratar, desse modo, de um direito personalíssimo, o direito de imagem não pode ser transmitido a outra pessoa, de modo que a esta é vedado negociálo posteriormente como se titular desse direito fosse. Conquanto inalienável, nada impede a sua exploração comercial. O proveito econômico decorrente da exposição da imagem, todavia, sempre será do seu titular, pois apenas este pode licenciar o uso de sua imagem.” que “o trabalho prestado pelo contribuinte é exercido de forma individual e personalíssima, e, assim, é um direito personalíssimo, pois qualquer sócio, ou funcionário empregado da empresa, mesmo que não houvesse vedação contratual estipulada pelo contratante, não poderia exercer, ou não desempenharia com a mesma qualificação, o trabalho feito, sujeitandose, assim, seus rendimentos à legislação aplicável à pessoa física.” que, portanto, o critério de identificação do sujeito passivo independe da vontade dos contratantes, pois o art. 121, I, do CTN, estabelece que contribuinte é aquele que tem relação direita com o fato gerador. Fl. 946DF CARF MF Processo nº 18470.728514/201466 Acórdão n.º 9202007.322 CSRFT2 Fl. 4 5 que o proveito econômico foi auferido exclusivamente pela pessoa do atleta, que tem relação direta com a obtenção do rendimento decorrente da disposição de sua imagem, o que torna indiscutível ser ele o contribuinte. que os contratos privados firmados entre a “cedente” (DLC) dos direitos de imagem e as cessionárias não têm o condão de modificar o sujeito passivo da relação obrigacional tributária. que além do mais, a remuneração somente seria paga em função de compromissos assumidos pela pessoa física, de modo que a pessoa jurídica não teria como cumprilos sem a participação pessoal e exclusiva do referido sócio e atleta. que, considerandose que o proveito econômico do negócio foi auferido diretamente pela pessoa física, somente ela pode ser sujeito da relação jurídicotributária. que, conforme afirmado pelo próprio contribuinte, “o contrato firmado com a São Paulo Alpargatas foi o único celebrado entre as partes, não havendo outro definitivo a ser apresentado, apesar do termo preliminar” (efl. 118). que o próprio contrato preliminar, além de vedar a transferência dos direitos, foi definitivo, não havendo que se falar, portanto, em auferimento de renda pela pessoa jurídica, que sequer era detentora de qualquer direito. que mesmo que o contribuinte, em violação ao contrato, transferisse tais valores recebidos, o fato é que ele primeiramente teria que receber tais valores e posteriormente repassálos à pessoa jurídica, sem necessariamente recebêlos materialmente, mas apenas juridicamente. que não se transfere algo de que não se seja titular ou de que não se tenha disponibilidade. que sobre a desconsideração dos contratos de cessão de direito, o contrato com a São Paulo Alpargatas foi firmado diretamente pelo próprio contribuinte, não havendo que se falar, portanto, em desconsideração do contrato. que há sim base legal para o lançamento efetuado diretamente na pessoa física, pois, nos termos do art. 142 do CTN, compete à autoridade fiscal identificar o sujeito passivo da relação jurídicotributária, verbis: que sujeito passivo, na qualidade de contribuinte, é aquele que tem “relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador” (CTN, art. 121, § único, I). que as convenções particulares, salvo expressa previsão legal, não podem ser opostas contra o Fisco, conforme estabelece o art. 123 do CTN; que compete à autoridade fiscal identificar o sujeito passivo da obrigação tributária, independentemente das convenções particulares firmadas com a finalidade de alterar essa sujeição passiva. Fl. 947DF CARF MF 6 que não se trata, efetivamente, de desconsideração da personalidade jurídica, mas sim identificação pura e simples de que o contribuinte não é a pessoa jurídica, mas sim a pessoa física. que haveria desconsideração caso a Fiscalização, após reconhecer a legitimidade da pessoa jurídica para figurar no pólo passivo da obrigação jurídicotributária, transpusesse essa personalidade para atingir diretamente o contribuinte, o que não ocorreu no caso. que não consta dos autos o documento que comprove a transferência ou cessão dos direitos econômicos do atleta para a pessoa jurídica da qual faz parte, sendo que, originariamente esses direitos pertencem a própria pessoa física. que no instrumento particular (efls. 574 a 581) de cessão de direitos econômicos (do atleta) pertencentes à DLC para a Unimed Rio não há comprovação de assinatura do atleta ou da data do negócio, tampouco foi efetivado o registro público do contrato, para que pudesse gerar direitos perante terceiros, conforme exige a legislação. que não cumprindo o instrumento particular os pressupostos legais, não há como se afastar a tributação relativa aos direitos econômicos do atleta que, para todos os efeitos legais, permanecem na sua esfera jurídica. Cientificado do Acórdão Recorrido, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 26/02/2018, o Contribuinte apresentou, tempestivamente, as contrarrazões de fls. 877 a 937, no qual aduz, em síntese: que o licenciamento do direito de uso da imagem do recorrido, que não se confunde com os serviços de jogador de futebol, foi explorado pela DLC, empresa do qual o recorrido é sócio e que tem legitimidade para fazêlo, conforme seu contrato social; que a Fiscalização, a decisão de primeira instância e o acórdão recorrido reconheceram a diferença existente entre os serviços de atleta e a cessão do direito de uso da imagem do recorrido. E nem mesmo poderia ser diferente, já que o artigo 87A da Lei nº 9.615, de 24/03/1998, incluído pela Lei nº 12.395, de 16/03/2011, que trata das normas gerais sobre desporto (também conhecida como “Lei Pelé”) estabelece expressamente que “o direito ao uso da imagem do atleta pode ser por ele cedido ou explorado, mediante ajuste contratual de natureza civil e com fixação de direitos, deveres e condições inconfundíveis com o contrato especial de trabalho desportivo”; que, inclusive, a autuação fiscal teve por fundamento o artigo 45 do Regulamento do Imposto de Renda (“RIR/99”), que trata de hipóteses de tributação de “rendimentos do trabalho nãoassalariado”. que o recorrido, por ser um jogador de futebol de prestígio internacional, tem efetivamente uma imagem com valor comercial a ser explorada, ao contrário de jogadores em início de carreira e/ou que sejam pouco conhecidos pelo grande público. Mesmo após o recorrido se aposentar (e, portanto, deixar de prestar serviços de jogador de futebol), o licenciamento de uso de sua imagem pode continuar sendo explorado (e tem potencial comercial para tanto), o que confirma a distinção de ambas as atividades. que o que a Fiscalização questionou na autuação foi a possibilidade de o direito de uso de imagem de determinada pessoa física ser por ela atribuído a uma pessoa jurídica, que irá posteriormente explorálo no mercado nacional e internacional e receber os rendimentos decorrentes dessa exploração. Fl. 948DF CARF MF Processo nº 18470.728514/201466 Acórdão n.º 9202007.322 CSRFT2 Fl. 5 7 que o acórdão recorrido e o paradigma deram interpretação idêntica às normas aplicáveis, divergindo apenas quanto à interpretação dos fatos e negócios em cada caso; que no caso do paradigma, sustentouse, com base na análise dos fatos constantes do processo, que a constituição de pessoa jurídica do atleta e a cessão dos direitos de uso de imagem não representariam a realidade dos fatos e de que teria havido simulação com a intenção de mascarar os reais rendimentos auferidos pelo atleta em razão do seu vínculo empregatício com o clube; que os valores recebidos pela pessoa jurídica a título de direito de uso de imagem configurariam, na realidade, uma complementação do salário do jogador e, portanto, teriam natureza salarial; que a constatação de eventual simulação ou descaracterização da natureza jurídica de valores recebidos a título de cessão de direitos de uso de imagem depende, necessariamente, de uma análise casuística; que no caso do acórdão recorrido, a análise da admissibilidade dos embargos interpostos pela Fazenda Nacional foi clara ao afirmar que o Redator deu interpretação de que não teria havido simulação ou fraude; que a CSRF e categórica ao rechaçar o conhecimento de Recursos Especiais que abordem supostas divergências jurisprudenciais sem as correspondentes similitudes fáticas; que o Auto de Infração jamais considerou que os valores recebidos de DLC representariam uma contraprestação por rendimentos de trabalho assalariado, como no paradigma; que o próprio auto de infração é expresso ao afirmar que os valores exigidos se referiam a rendimentos do que trabalho sem vínculo empregatício e que a infração estaria embasada na suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de direito de imagem e patrocínio; que a base legal do auto de infração foi o art. 45 do Regulamento do Imposto de Renda, que trata de rendimentos do trabalho não assalariado, e não no art. 43, que trata dos rendimentos do trabalho assalariado; que, ainda que se reconheça a divergência, o entendimento adotado no paradigma jamais poderá ser aplicado no caso em exame, sob pena de alterar as bases do lançamento; que nunca houve por parte da Fiscalização qualquer menção expressa quanto à ocorrência de simulação ou fraude, inclusive a multa de ofício exigida pela Fiscalização foi de 75%; que por conta das bases e fundamentos legais do auto, jamais poderá se conceber que os tribunais julgadores administrativos venham a sustentar, para fins de manutenção do crédito tributário, que os valores ora em discussão deveriam ser tributados na pessoa física por conta de decorrerem de contratos simulados e terem a natureza de salário. Fl. 949DF CARF MF 8 que ao contrário do que afirma a Fazenda Nacional, o artigo 11 do CC não veda a possibilidade de o direito de uso da imagem, em seu aspecto patrimonial, ser cedido (autorizado) a terceiros, inclusive a pessoas jurídicas para fins de posterior exploração econômica, estando essa possibilidade expressamente reconhecida pela jurisprudência, doutrina e pelo ordenamento jurídico brasileiro. que o Superior Tribunal de Justiça (“STJ”), ao examinar caso envolvendo o direito de imagem, esclareceu que ele revestese de duplo conteúdo: (i) o primeiro, de aspecto moral, que está intrinsecamente ligado ao direito da personalidade; e (ii) o segundo, de aspecto patrimonial, que decorre do fato de o referido direito ter um valor no mundo real, podendo ser explorado economicamente; que é certo que o direito de imagem não pode ser transmitido a terceiros por completo, até mesmo porque ele está intrinsecamente ligado à personalidade da pessoa e dela é indissociável; contudo, diferentemente do que sustenta a Fazenda Nacional, o direito ao uso da imagem, por ter natureza patrimonial, pode sim ser cedido (autorizado o uso) a terceiros, inclusive a pessoa jurídica, que poderá explorálo economicamente conforme condições previamente estabelecidas entre as partes. que diferentemente do que alega a Fazenda Nacional, o artigo 11 do CC não veda que o direito patrimonial de uso de imagem de pessoas físicas seja cedido (autorizado) a terceiros, inclusive a pessoas jurídicas, para fins de posterior exploração econômica. que como já demonstrado no curso dos processos, o artigo 980A, § 5º, do próprio CC, com a redação dada pela Lei nº 12.441, de 11/07/2011, ao dispor sobre EIRELI, prevê de forma clara e expressa a possibilidade de o seu titular (pessoa física) ceder (autorizar) a ela (pessoa jurídica) o direito patrimonial de uso de sua imagem, nome, marca ou voz, podendo a EIRELI explorálo economicamente e receber os respectivos rendimentos; que o próprio CC deixa clara a possibilidade de o direito patrimonial de uso de imagem de pessoa física ser atribuído a uma pessoa jurídica, passando ela a ser a efetiva titular das receitas advindas da exploração econômica do referido direito. que quanto ao disposto no art. 980A do CC, a Fazenda Nacional afirma que tal dispositivo somente teria entrado em vigor em 09.01.2012 e que, por serem os lançamentos referentes a 2010 e 2011, tal artigo não seria aplicável à hipótese dos autos. que em nenhum momento o recorrido afirmou que a DLC seria uma EIRELI e que, portanto estaria submetida ao art. 980A do CC; que o que se pretendeu demonstrar ao longo do processo é que a tese levantada pela Fiscalização (e agora pela recorrente) de que os direitos de imagem, por serem intransmissíveis, jamais poderiam ser explorados por pessoa jurídica, contraria a própria lógica do artigo 980A, § 5º, do CC; que fosse o direito de imagem, no seu aspecto patrimonial, intransmissível, o referido dispositivo careceria de qualquer fundamento constitucional (base dos direitos personalíssimos). que em suma, o direito patrimonial de uso de imagem de pessoa física pode, sim, ser por ela atribuído a quaisquer pessoas jurídicas, que poderão posteriormente explorálo economicamente. O aspecto patrimonial do direito personalíssimo não precisa ser explorado apenas e necessariamente pelo titular original desse direito. que essa assertiva, inclusive, foi confirmada pelo artigo 8º da Medida Provisória (“MP”) nº 690, de 31/08/2015, que, ao introduzir certos parágrafos aos artigos 25, 27 e 29 da Lei nº 9.430, de 1996, alterou as regras de tributação das receitas advindas da Fl. 950DF CARF MF Processo nº 18470.728514/201466 Acórdão n.º 9202007.322 CSRFT2 Fl. 6 9 exploração de direitos de uso de imagem por pessoas jurídicas que optaram por ser tributadas com base no regime do lucro presumido. De acordo com a referida MP, tais receitas passariam a ser integralmente adicionadas à base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, sem nenhuma aplicação dos percentuais de presunção previstos em lei. que apesar de o mencionado dispositivo não ter sido convertido em lei, é inconteste que o próprio Poder Executivo, ao pretender aumentar a carga tributária dos contribuintes que optaram por ser tributados com base no regime do lucro presumido, reconheceu a possibilidade de pessoas jurídicas explorarem direitos patrimoniais de uso de imagem, nome, marca ou voz de seus titulares ou sócios. Vale transcrever parte da Exposição de Motivos da referida MP; que por outro lado, o fato de os contratos de autorização do direito de uso de imagem firmados por DLC envolverem obrigação de natureza personalíssima por parte de um de seus sócios não é suficiente para deslocar os rendimentos de DLC para o recorrido, conforme entendeu a Fiscalização. que a legislação tributária, inclusive, há muito prevê a possibilidade e a licitude de prestação de serviços de natureza estritamente pessoal por pessoas jurídicas. que conforme já demonstrado pelo recorrido, desde 1947, a legislação reconhece expressamente a autonomia das pessoas jurídicas organizadas para prestar serviços profissionais em relação a seus sócios (Lei n° 154, de 25/11/1947); que quando o legislador pretendeu que a receita auferida pelas sociedades profissionais fosse imputada aos sócios, editou regra específica: o artigo 2º do Decretolei (“DL”) n° 2.397, de 21/12/1987, mas esse dispositivo foi expressamente revogado pelo artigo 55 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Ou seja, com exceção do período em que vigorou o artigo 2º do DL n° 2.397/87, os sistemas de tributação aplicáveis ao sócio e à pessoa jurídica sempre foram distintos e preservaram a autonomia das pessoas jurídicas em relação a seus sócios. que a par da legislação já citada, a possibilidade e a licitude da prestação de serviços pessoais por pessoas jurídicas constam da antiga legislação do Imposto sobre Serviços (artigo 9º, § 3º, do DL nº 406, de 31/12/1968), da COFINS (artigo 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991), do SIMPLES NACIONAL (artigo 17, inciso XI, da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006; dispositivo equivalente ao artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317, de 05/12/1996, que tratava anteriormente do referido regime) e da Contribuição Previdenciária (artigo 120 da Instrução Normativa nº 971, de 13/11/2009). que também o artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda “RIR/99” (Decreto nº 3.000, de 26/03/1999), que prevê a incidência do Imposto de Renda na Fonte (“IRF”) sobre pagamentos efetuados por uma pessoa jurídica a outra pessoa jurídica, em contraprestação a serviços de natureza pessoal, como, exemplificativamente, os de medicina, à exceção dos prestados em hospitais e locais assemelhados. que conforme demonstrado nos autos, a possibilidade de serviço de caráter personalíssimo do sócio ser prestado por pessoa jurídica da qual participa e as receitas daí advindas serem nela (pessoa jurídica) tributadas foi expressa e definitivamente admitida com o advento do artigo 129, da Lei nº 11.196, de 21/11/2005; que o referido dispositivo tornou inconteste que rendimentos decorrentes de serviços personalíssimos prestados por sócios devem ser tributados de acordo com a legislação Fl. 951DF CARF MF 10 aplicável às pessoas jurídicas, salvo quando ficar caracterizada hipótese prevista no artigo 50 do CC (o que não ocorreu no presente caso); que ainda que se pudesse afirmar que a autorização de direito de uso de imagem não estaria abrangida pelo artigo 129 da Lei nº 11.196/2005, o que se admite apenas por absurdo, não há razão para se concluir que apenas os serviços personalíssimos de caráter intelectual poderiam ser prestados por meio de pessoa jurídica, na realidade, o referido dispositivo apenas evidenciou o que é permitido pela legislação tributária, conforme amplamente demonstrado pelo recorrido mais acima. que a CSRF já consignou que, com o advento do art. 129 da Lei nº 11.196/05, passou a ser possível a tributação de valores decorrentes de relações jurídicas personalíssimas como prestação de serviços de sociedade. O caso baixo transcrito também se tratava de cessão de uso de imagem de atleta (seu desfecho acabou sendo desfavorável, apenas em razão de os fatos geradores serem anteriores à Lei 11.196/05); que ainda, que a "Justificação" apresentada pelo Poder Legislativo para a inclusão do referido dispositivo ao Projeto de Lei de Conversão da MP nº 252/2005 é expressa ao afirmar que o seu o objetivo foi apenas o de interpretar a legislação, esclarecendo eventuais controvérsias sobre o tema. que no presente caso, é incontroverso que a autuação não atribuiu natureza salarial aos valores recebidos por DLC. Se há, de um lado, precedentes do Tribunal Superior do Trabalho (“TST”) – e também do CARF concluindo que, em casos de fraude, os valores pagos a título de cessão de direito de uso de imagem de atletas integram o seu salário; há, de outro, precedentes que mantiveram entendimento em sentido contrário, quando a fraude não fica caracterizada. Confirase, exemplificativamente, a ementa do Recurso de Revista nº 16410031.2009.5.12.0055, julgado pela 7ª Turma do TST, em 04/09/2013, de que foi relatora a Ministra Delaíde Miranda Arantes; que ainda não há lei que preveja hipóteses específicas de desconsideração ou requalificação, para fins de incidência de tributos, de atos e negócios jurídicos lícitos, como é o caso dos contratos celebrados por DLC; que o Fisco também não poderia invocar a aplicação do artigo 50 do CC para desconsiderar os efeitos dos contratos firmados por DLC, pois o referido dispositivo legal prevê a necessidade de uma prévia autorização judicial para que seja possível estender os efeitos de determinadas relações firmadas por pessoas jurídicas aos bens particulares de seus administradores ou sócios, o que não ocorreu no presente caso; que também por esses motivos, não podem os contratos celebrados por DLC ser desconsiderados pela Fiscalização, com a conseqüente imputação dos rendimentos dele decorrentes ao RECORRIDO. que na possibilidade de se entender pela reforma do v. acórdão (na parte em que admitido o Recurso Especial), embora a Fiscalização fundamente o AUTO como se todo o crédito tributário nele consignado recaísse sobre rendimentos pagos pela cessão de direito de uso de imagem do recorrido, parte dos pagamentos efetuados pela UNIMED que foram computados na base de cálculo da autuação referese à contraprestação paga à DLC pela cessão definitiva da totalidade dos direitos econômicos de atleta que a referida empresa (DLC) detinha, e não do direito de imagem. Fl. 952DF CARF MF Processo nº 18470.728514/201466 Acórdão n.º 9202007.322 CSRFT2 Fl. 7 11 que os direitos econômicos cedidos pela DLC à UNIMED não estão diretamente vinculados ao recorrido e nem decorrem de um direito personalíssimo a ele atribuível, razão pela qual os motivos alegados pela Fiscalização para fundamentar o AUTO sequer poderiam ser invocados para embasar a exigência de IRPF sobre os valores recebidos a esse título por DLC; que conforme se verifica no contrato mencionado, os valores recebidos por DLC por meio das notas fiscais nºs 11, 15, 19, 21 e 24 referemse exclusivamente à cessão, à UNIMED, do percentual de 20% dos direitos econômicos de atleta que lhe haviam sido anteriormente cedidos pelo Fluminense (titular originário dos referidos direitos), e não pelo recorrido. que os valores recebidos por DLC não decorrem de qualquer direito ou obrigação personalíssimos supostamente atribuíveis ao recorrido, mas sim à cessão de um direito cuja titularidade originária era do Fluminense e que poderia ser livremente negociado com qualquer investidor. que, caso mantida a autuação nesta parte, seria exigível do Recorrido apenas a diferença de IRPF apurado após a dedução dos tributos já pagos por DLC conforme jurisprudência do CARF; que descabe a incidência de juros sobre a multa de ofício; É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso foi interposto tempestivamente. Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade, ante as alegações do Contribuinte em sede de contrarrazões, examino detidamente a matéria. Antes, delimito a matéria devolvida a este Colegiado. A autuação objeto do processo compreendia três imputações: omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica, nos anos 2010 e 2011; omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior, no ano 2011; multa por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, no ano 2011. O acórdão recorrido deu provimento integral ao recurso voluntário. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial em relação a duas matéria: a) incidência de IRPF sobre valores pagos a título de cessão do direito de imagem; e b) condição de residente no Brasil, relativamente ao rendimentos oriundos do exterior. O recurso teve seguimento apenas com relação à primeira matéria: incidência de IRPF sobre valores pagos a título de cessão do direito de imagem, o que, em princípio Fl. 953DF CARF MF 12 compreenderia tantos os recursos recebidos no Brasil como aqueles recebidos de fonte no exterior (China), a título de direito de imagem. Quanto a esta última parcela, todavia, o acórdão recorrido decidiu pela improcedência da autuação independentemente de se tratar ou não de rendimentos do trabalho, sob o fundamento de que o contribuinte não seria residente no Brasil. A seguir excerto do voto condutor do julgado (voto vencido) em que tal conclusão fica clara: Assim, sejam os rendimentos decorrentes ou não de vínculo empregatício, considerando que o Acordo para evitar bi tributação celebrado entre o Brasil e a China revoga ou modifica a legislação interna, entendo que merece acolhida o pleito recursal, pois há que se reconhecer a condição de residente na China no curso do contrato celebrado, o que afasta a tributação no Brasil dos rendimentos oriundos do exterior. Portanto, embora a autuação referente aos rendimentos recebidos de fonte no exterior também compreenda a matéria envolvendo a cessão de direito de imagem, o não conhecimento do recurso quanto à tributação dos rendimentos de fontes recebidas do exterior impede sua apreciação, tornando definitiva a decisão a quo nesta parte. Assim, o exame por esta Turma da matéria “incidência de IRPF sobre valores pagos a título de cessão do direito de imagem” referese apenas à parcela recebida de fonte no Brasil. Pois bem, alega o Contribuinte que o acórdão recorrido e o paradigma deram interpretação idêntica às normas aplicáveis, divergindo apenas quanto à interpretação dos fatos e negócios em cada caso. Tal alegação não procede. Em ambos os casos, os contribuinte, atletas de futebol, firmaram contratos com seus respectivos clubes e, paralelamente, através de empresas das quais cada um dos atletas é sócio, firmouse contrato com outra empresa, coincidentemente, nos dois casos, a UNIMED, pela qual cediam o direito de imagem. Em ambos os casos a autuação ressaltou a impossibilidade de cessão dos direitos de imagem para exploração por terceiro, ante a natureza personalíssima do objeto. Nesse sentido, transcrevo o seguinte excerto do relatório fiscal do Paradigma: 19. O direito à imagem constitui direito personalíssimo, indisponível e intransmissível, protegido pela Constituição Federal no art. 5º, incisos V, X e XXVIII, 'a'. Como tal, não pode ser alienado e apenas seu titular pode dele fruir e dispor. No mesmo sentido é o Termo de Verificação Fiscal da autuação no recorrido: Ocorre que, conforme preceitua o artigo 11 do Código Civil, o direito à imagem, por ser vertente do direito da personalidade, é personalíssimo e, apesar de passível de exploração, tem como característica a sua instransmissibilidade, de modo que a pessoa detentora da licença de uso de imagem, no presente caso o jogador, está impedida de transmitir esse direito à pessoa jurídica. Em ambos os casos, ainda, se atribuiu à pessoa física do atleta, como rendimentos tributáveis na pessoa física, os valores pagos às empresas das quais os respectivos atletas eram sócios, a título de cessão de direito de imagem. Fl. 954DF CARF MF Processo nº 18470.728514/201466 Acórdão n.º 9202007.322 CSRFT2 Fl. 8 13 As situações fáticas enfrentadas pelos acórdãos recorrido e paradigma, portanto, são absolutamente idênticas. Os acórdãos recorrido e paradigma, contudo, ofereceram interpretações divergentes. No caso do recorrido, entendeuse como legítima a transmissão do direito de imagem, afastandose a tributação na pessoa física; no caso do paradigma se manteve a tributação como rendimento da pessoa física. É certo que no caso do paradigma o voto condutor do julgado abraçou o entendimento de que é possível, em tese, a transmissão dos direitos de imagem para exploração econômica por terceiro, mas concluiu que, nas circunstância do caso analisado, os pagamento feitos a título de cessão de direito de imagem tinham natureza remuneratória. Isso, contudo, não desqualifica o dissídio jurisprudencial, o qual foi apresentado pela Recorrente nos seguintes termos: "As situações fáticas analisadas são exatamente as mesmas, inclusive, envolvendo Unimed Rio, Fluminense Football Club e os mesmos anoscalendário. Contudo, acórdãos, recorrido e paradigma, chegaram a conclusões divergentes. O primeiro cancelou o lançamento defendendo que a pessoa jurídica poderia explorar o direito de imagem do atleta. O segundo manteve a autuação sustentando que esse tipo de contrato de imagem tem natureza remuneratória, vez que vinculado à relação de emprego. " Concluo, portanto, que restam preenchidos os pressupostos de admissibilidade do recurso, do qual, portanto, conheço. Quanto ao mérito, conforme descrição dos fatos pelo Termo de Verificação Fiscal (efls. 412 a 441) o lançamento referese a valores pagos pela Unimed à empresa Dario L. Conca Empreendimentos Desportivos Ltda. a título de contraprestação pelo uso direito de imagem. Observou o relatório fiscal que o Contribuinte firmou com o Clube de Futebol Fluminense, no período de 09/01/2009 a 01/07/2011, contrato de trabalho pelo qual recebeu deste R$ 592.217,95, em 2010 e R$ 774.699,63, em 2011, valores estes que foram devidamente declarados como rendimentos tributáveis; que paralelamente a este contrato foi firmado contrato entre a empresa Dario L. Conca Empreendimentos Desportivos Ltda. e a Unimed Rio Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro Ltda, então patrocinadora do clube Fluminense, que pagou à primeira, no ano de 2010, R$ 2.450.000,00, e, em 2011, R$ 3.210.000,00. A empresa Dario L. Conca Empreendimentos Desportivos Ltda, por sua vez, pagou ao Contribuinte valores a título de distribuição de lucros os quais foram por este declarados como isentos. Entendeu a autoridade lançadora que os direitos de imagem não poderiam ter sido cedidos para a empresa Dario L. Conca Empreendimentos Desportivos Ltda. e que esta operação foi realizada apenas para que o contribuinte pudesse desfrutar de uma tributação mais favorecida. Sobre a cessão do direito de imagem, convém distinguir duas situações que embora bem diferentes, são muitas vezes referidas indistintamente como cessão de direito de imagem: uma é a cessão do direito de uso da imagem (para fins publicitários, por exemplo) mediante remuneração ao seu titular; a outra é a cessão dos direitos de exploração econômica Fl. 955DF CARF MF 14 (comercialização) da imagem de uma pessoa por outra pessoa, física ou jurídica. Quanto à primeira, não há controvérsia. O que se discute é a possibilidade jurídica da segunda situação. Embora evidente, convém relembrar que no ordenamento jurídico tributário brasileiro não existe um imposto de renda das pessoas físicas e um outro imposto de renda das pessoas jurídicas, mas um único Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, cujos contornos do fato gerador está assim definido no art. 43 do CTN, verbis: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I — de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II — de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior". Ninguém desconhece, também, que esse imposto pode ter contribuintes pessoas físicas ou pessoas jurídicas, diferindo um do outro, também, pela forma de apuração do imposto. A questão é definir quando o contribuinte do imposto deve ser uma pessoa física ou uma pessoa jurídica, ou, mais especificamente, quando a tributação deve ser dá pelas regras aplicáveis às pessoas físicas ou às pessoas jurídicas, e tal definição deve ser buscada na materialidade do fato gerador e na legislação específica do tributo. É assente na doutrina que os critérios de identificação do sujeito passivo estão presentes na própria descrição da hipótese de incidência. Contribuinte do imposto é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, na dicção do art. 121 do CTN. O próprio CTN, no seu art. 45, coerentemente com o critério acima referido, assim define o contribuinte do Imposto de Renda, verbis: Art. 45. Contribuinte do imposto de renda é o titular da disponibilidade a que se refere o art. 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores da renda ou dos proventos tributáveis". Esses parâmetros delimitam as possibilidades do legislador ordinário na definição do sujeito passivo da obrigação tributária e na forma de apuração do imposto, nas variadas situações possíveis de ocorrer no mundo real. A identificação do contribuinte do imposto, portanto, não é uma questão de escolha, quer do Fisco, quer do contribuinte. Um exame da legislação do Imposto de Renda, já desde o DecretoLei n° 5.844, de 1943, demonstra, com clareza, que esta tem, sistemática e coerentemente, feito distinção entre as situações em que o contribuinte do imposto será uma pessoa física e aquelas em que será uma pessoa jurídica, levando em conta, precisamente, a natureza da renda auferida, bem como a posse dos bens produtores da renda. O DecretoLei n° 5.844, de 1943 fazia claramente essa distinção, ao definir os rendimentos tributáveis pelas pessoas físicas, classificadas por cédulas, dentre as quais merece destaque, pela sua pertinência com a matéria ora tratada, a cédula “d” referida no artigo 6º. Confirase: Art. 6° Na cédula "D" serão classificados os rendimentos não compreendidos nas outras cédulas, tais como: Fl. 956DF CARF MF Processo nº 18470.728514/201466 Acórdão n.º 9202007.322 CSRFT2 Fl. 9 15 a) honorários do livre exercício da profissão de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, contador e de outras que se lhes possam assemelhar. (Redação dada pela Lei n° 154, de 1947). b) proventos de profissões, ocupações e prestação de serviços não comerciais; c) remunerações dos agentes, representantes e outras pessoas que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem, todavia, por conta própria; d) emolumentos e custas dos serventuários de justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e Outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos; e) corretagens e comissões dos corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos; f) O lucros da exploração individual de contratos de empreitada unicamente de lavor, qualquer que seja a natureza, quer se trate de trabalhos arquitetônicos, topográficos, terraplenagem, construções de alvenaria e outras congêneres, quer de serviços de utilidade pública, tanto de estudos como de construções; g) ganhos da exploração de patentes e invenção, processos ou fórmulas de fabricação, quando o possuído auferir lucros sem as explorar diretamente (redação dada pela Lei n° 154, de 1947); h) (Suprimido pela Lei n° 154, de 1947). Já a tributação da pessoa jurídica ficou assim definida no artigo 27: Art. 27 As pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no Brasil, que tiverem lucros apurados de acordo com este decreto lei, são contribuintes do imposto de renda, sejam quais forem os seus fins e nacionalidade. § 1° Ficam equiparadas às pessoas jurídicas, para efeito deste decretolei, as firmas individuais e os que praticarem, habitual e profissionalmente, em seu próprio nome, operações de natureza civil ou comercial com o fim especulativo de lucro. § 2° As disposições deste artigo aplicamse a todas as firmas e sociedades, registradas ou não". Assim, as atividades de natureza civil ou comercial praticadas com o fim especulativo de lucro, por firmas ou sociedades, "registradas ou não", ou mesmo por pessoas físicas ou por firmas individuais, devem ser tributadas como pessoa jurídica; já os salários, honorários do livre exercício de profissões, proventos de ocupações ou prestação de serviços não comerciais devem ser tributados como rendimentos de pessoas físicas. Com isso, a legislação claramente adota, como critério de identificação do contribuinte, no que se refere a ser este uma pessoa física ou uma pessoa jurídica, a natureza da renda. Isto é, os lucros, entendidos estes como produto da atividade comercial e/ou Fl. 957DF CARF MF 16 especulativa, são tributados como imposto de renda de pessoas jurídicas; os rendimentos decorrentes do trabalho pessoal são tributados como rendimentos de pessoas físicas. De tudo o que foi acima exposto, podemos concluir que são contribuintes do imposto de renda como pessoas jurídicas as firmas individuais e as sociedades, inclusive as sociedades civis de profissões legalmente regulamentadas, registradas ou não, que obtiverem renda produzida pelo exercício de atividade civil ou comercial com o objetivo especulativo de lucro ou, no caso das sociedades civis, em decorrência do exercício regular da profissão regulamentada, sendo este, o lucro (real, presumido ou arbitrado) e não outro tipo de renda qualquer, a base de cálculo do imposto; são contribuintes pessoas físicas, tributadas como tal, as pessoas naturais que aufiram rendimentos e proventos diversos, que não sejam produto do exercício regular de atividade comercial ou especulativa de lucro, como rendimentos do trabalho assalariado, exercício individual de profissão ou aqueles produzidos pela prestação de serviços não comerciais. Essa concepção, essencialmente, não mudou até os dias de hoje, até porque os dispositivos do Decreto nº 5.844, de 1.943 não foram revogados. Sobrevieram, todavia, em relação à prestação de serviços de natureza pessoal, alterações na legislação. O art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005 criou uma exceção à regra geral, espécie de ficção jurídica, ao definir que: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo o não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002Código Civil. Tal dispositivo, todavia, referese especificamente aos serviços intelectuais, o que, por certo, não compreende a remuneração pela cessão do uso do direito de imagem. Cessão de uso de imagem não se confunde com prestação de serviço, mas de exploração por terceiro de um patrimônio pessoal. Também não se pode afirmar que a cessão do direito de imagem pelo seu titular configure atividade de natureza mercantil, com fim especulativo de lucro. A imagem é atributo pessoal o qual dela não pode ser separado. Assim como os serviços personalíssimos não pode ser objeto de exploração comercial com o fim especulativo de lucro. É o caso, a propósito, da atividade de jogador de futebol, que só pode ser exercida pela pessoa física do atleta, jamais por uma pessoa jurídica. Em regra, portanto, a remuneração pelo uso do direito de imagem é rendimento da pessoa física do seu titular. Tratandose especificamente de atletas profissionais, o art. 87A, da Lei nº 9.615, de 1998 (Lei Pelé), introduzido pela Lei nº 12.395, de 2011 e, posteriormente, o parágrafo único do mesmo artigo, introduzido pela Lei nº 13.155, de 2015, disciplinaram a cessão do direito de uso da imagem, nos seguintes termos: Art. 87A. O direito ao uso da imagem do atleta pode ser por ele cedido ou explorado, mediante ajuste contratual de natureza civil e com fixação de direitos, deveres e condições inconfundíveis com o contrato especial de trabalho desportivo. (Incluído pela Lei nº 12.395, de 2011). Fl. 958DF CARF MF Processo nº 18470.728514/201466 Acórdão n.º 9202007.322 CSRFT2 Fl. 10 17 Parágrafo único. Quando houver, por parte do atleta, a cessão de direitos ao uso de sua imagem para a entidade de prática desportiva detentora do contrato especial de trabalho desportivo, o valor correspondente ao uso da imagem não poderá ultrapassar 40% (quarenta por cento) da remuneração total paga ao atleta, composta pela soma do salário e dos valores pagos pelo direito ao uso da imagem.(Incluído pela Lei nº 13.155, de 2015) Aqui vale a ressalva, feita no início deste voto. O dispositivo trata da cessão do direito de uso da imagem pelo atleta mediante remuneração a este, e não de cessão de direito de exploração comercial da imagem. Sobreveio, então, a Lei nº 12.441, de 2011, que acrescentou o art. 980A à Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil) que no seu parágrafo quinto contempla a possibilidade de cessão do direito de imagem, aí sim, para fins de exploração comercial desta, a empresa individual de responsabilidade limitada – EIRELI. Confirase: Art. 980A. A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social, devidamente integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior saláriomínimo vigente no País. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) [...] § 5º Poderá ser atribuída à empresa individual de responsabilidade limitada constituída para a prestação de serviços de qualquer natureza a remuneração decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, vinculados à atividade profissional. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) Parece, portanto, que, a partir da vigência do § 5º, do art. 980A do novo Código Civil, há fundamento legal para a cessão do direito de exploração econômica do direito de imagem por pessoa jurídica, com a condição de que esta seja uma EIRELI. Ocorre que tal dispositivo não se aplica ao caso sob análise, a um, porque a empresa Dario L. Conca Empreendimentos Desportivos Ltda. não é uma EIRELI, a dois, porque os fatos geradores objeto do lançamento ocorreram nos anos de 2010 e 2011 (até julho) e a Lei nº 12.441, é de 11 de julho de 2011, portanto, inaplicável ao caso. Assim, salvo no caso de cessão de direito de imagem a uma EIRELI, a remuneração pelo uso do direito de imagem do atleta profissional é rendimento da pessoa física, independentemente de, formalmente, os valores terem sido pagos a uma pessoa jurídica, como neste caso. Isto é, a eventual cessão do direito de exploração da imagem por pessoa jurídica não mudaria a natureza dos rendimentos decorrentes da remuneração. Ainda que não fosse este o caso, isto é, ainda que se admitisse que, no caso de cessão de exploração de direito de imagem por pessoa jurídica, a forma como a operação foi realizada neste caso revela que foi criada uma situação absolutamente artificial, com o único propósito de desfrutar dos benefícios de uma tributação mais favorecida. Fl. 959DF CARF MF 18 Com efeito, conforme descrito linhas acima, o contrato de cessão de direito de imagem está estreitamente relacionado com o contrato do atleta com o Clube Fluminense do qual é parte integrante. Não se trata em absoluto de negócios autônomos. O contrato de cessão de direito firmado entre a Unimed e a empresa está indissociavelmente relacionado ao contrato da pessoa física do Contribuinte com o clube, figurando a empresa Unimed, patrocinadora do clube, como mera intermediária. As cláusulas do contrato de cessão do direito de imagem a seguir não deixam margem a dúvida sobre este ponto: Cláusula Décima Quarta Na hipótese de o ANUENTE/ACEITANTE voluntariamente romper o vínculo de emprego que mantém com o Fluminense Football Club, durante o período de vigência do presente contrato, ou naquela da CONTRATADA rescindir essa vença, estando ela em vigor, em quaisquer desses casos, esta última fica sujeita ao imediato pagamento de multa correspondente ao somatório das importâncias já pagas pela CONTRATANTE, a título de remuneração do objeto deste instrumento e as demais despesas realizadas por esta com o licenciamento relativo ao ANUENTE/ACEITANTE, inclusive com a assessoria negocial eventualmente contratada para celebração da licença objeto deste instrumento. Cláusula Décima Quinta A CONTRATANTE poderá rescindir a presente contratação independentemente de qualquer aviso ou notificação, judicial ou não, na hipótese do vínculo de emprego do ANUENTE/ ACEITANTE, como atleta profissional de futebol ser suspenso ou vir a ser rescindido pelo Fluminense Football Club. Ou seja, embora o contrato de cessão de uso do direito de imagem seja entre a UNIMED e a empresa Dario L. Conca Empreendimentos Desportivos Ltda. a vigência do contrato depende da relação de emprego entre o Clube e a pessoa física do atleta. Isto é, embora alegadamente cedido o direito de imagem à empresa para sua exploração econômica, esta exploração econômica não pode ocorrer sem a ação do seu titular, a pessoa física. É sabido, até porque que a Lei nº 9.611, de 1998 disciplina a matéria, que os contratos entre clubes e jogadores de futebol envolve a cessão a este do uso do direito de imagem, em razão, dentre outras coisas, do fato de o atleta envergar uniforme com a veiculação de marcas comerciais, pelas quais o clube é remunerado. No presente caso, o contrato do atleta não envolveu o pagamento de qualquer valor a esse título, que foi substituído pelo contrato do clube com a empresa. Nessas condições, seja pela impossibilidade jurídica da cessão do direito de imagem para exploração comercial por terceiros, seja porque a cessão do direito de imagem está diretamente associada à relação de emprego do atleta com o clube Fluminense, concluo que os valores pagos pela UNIMED à empresa Dario L. Conca Empreendimentos Desportivos Ltda. constituem rendimentos da pessoa física do contribuinte. Por fim, não procedem as alegações do Contribuinte quanto à suposta desconsideração da personalidade jurídica. Por tudo o que foi dito acima, resta claro que o que fez foi a devida identificação do sujeito passivo da obrigação, atribuindo à pessoa física Fl. 960DF CARF MF Processo nº 18470.728514/201466 Acórdão n.º 9202007.322 CSRFT2 Fl. 11 19 rendimentos indevidamente tidos como receitas da pessoa jurídica, o que em nada desnatura a personalidade jurídica da empresa Dario L. Conca Empreendimentos Desportivos Ltda. Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito, doulhe provimento. Como, em razão do provimento integral ao recurso devido ao reconhecimento da legalidade da cessão do direito de imagem, outras questões arguidas na defesa, como a possibilidade de compensação dos valores correspondentes aos impostos e contribuições pagos pelas pessoas jurídicas não foram apreciadas, o processo deve retornar à instância à quo para exame dessas questões. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 961DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003138/2001-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF).
INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.
É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
Numero da decisão: 9303-007.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. SELIC. Recorrente MAKOM CALÇADOS E COMPONENTES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 38 /2 00 1- 11 Fl. 719DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 3 2 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte com fulcro no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 340101.138. Na parte de interesse ao presente julgamento o colegiado a quo não reconheceu o direito à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, das aquisições de insumos efetuadas perante pessoas físicas, nem o direito à incidência da taxa Selic sobre os valores pleiteados em ressarcimento. O recurso especial foi admitido, consoante despacho do presidente da Câmara competente, com relação às seguintes insurgências da Contribuinte: a interpretação de que as aquisições de insumos de pessoas físicas não compõem a base de cálculo do crédito presumido de IPI da Lei n.º 9.363/96; e a interpretação de que não incide correção monetária ou juros Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de IPI decorrentes de incentivos fiscais. A Fazenda Nacional, devidamente intimada, apresentou contrarrazões ao recurso especial da Contribuinte. É o Relatório. Fl. 720DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.411, de 19/09/2018, proferido no julgamento do processo 13886.001231/200234, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.411): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, a controvérsia posta no recurso especial da Contribuinte cingese às seguintes matérias: (i) requer a inclusão de insumos adquiridos de pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido de IPI; e (ii) postula a aplicação da taxa Selic aos pedidos de ressarcimento. 1. Da inclusão de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas na base de cálculo do crédito presumido de IPI A possibilidade de inclusão das aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS, como pessoas físicas e cooperativas, no cálculo do crédito presumido de IPI, foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp n.º 993.164/MG, pela sistemática dos recursos repetitivos. O acórdão recebeu a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 5 4 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não Fl. 722DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 6 5 sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Fl. 723DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 7 6 Por força do art. 62, §2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça para o caso dos autos deve ser reproduzido por este Conselho, sendo reconhecido o direito ao crédito presumido de IPI com relação às aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS pessoas físicas e cooperativas. 2. Incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de crédito presumido de IPI No acórdão recorrido, entendeuse pela impossibilidade de incidência da taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI a ser ressarcido. Com relação à atualização do ressarcimento de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, pela taxa Selic, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de ser cabível a correção monetária, por meio do julgamento do recurso especial nº 1035847/RS, pela sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), que recebeu a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifouse) Fl. 724DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 8 7 O caso julgado em sede de recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça aplicase ao presente processo administrativo, uma vez que também tratou de pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96, decorrente de impedimento interposto por atos normativos infralegais para aproveitamento do benefício. Portanto, deverá haver a incidência da correção monetária pela taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido, conforme entendimento já consolidado neste Colegiado. No caso dos autos, houve a oposição estatal ilegítima a obstar o aproveitamento do crédito presumido de IPI: o direito creditório da Contribuinte foi indeferido, nos termos do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira/SP (fls. 87 a 88), direito de crédito indeferido também nas demais decisões da DRJ (fls. 108 a 117) e do CARF, consoante acórdão de recurso voluntário (fls. 138 a 150). Portanto, dúvidas não há quanto à possibilidade de incidência da correção monetária sobre o valor a ser ressarcido, no caso tão somente quanto às aquisições de pessoas físicas, deferida no presente recurso especial. Nesse sentido, é o entendimento já consolidado desta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se vê no Acórdão n.º 9303007.012, de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas." (...)1 "Em que pese os argumentos do voto da Ilustre Conselheira Relatora, discordo diametralmente de seu entendimento. O Recurso foi apresentado tempestivamente e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento, passo a decidir. A matéria divergente posta a julgamento nesta E.Câmara Superior, diz respeito a incidência ou não da taxa SELIC, sobre o cálculo de crédito presumido de IPI a ressarcir, bem como o termo inicial de incidência. Com efeito, na forma reiterada da jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas bem como a aplicação da taxa Selic acumulada, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164). Embora, o STJ tenha definido aplicação da Taxa Selic acumulada a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração, entendo que os processos ao crivo de julgamento desta E. Câmara Superior, a turma deve analisar detidamente se houve ou não "oposição estatal" ou "ilegítima resistência por parte da Administração Pública". Nos processos de minha relatoria, adoto o entendimento expresso do STJ de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847/RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411/STJ). E ainda, também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que 1 Deixouse de transcrever, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do termo inicial para a incidência da taxa Selic, por ser entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio do presente processo. Contudo, a íntegra do voto encontrase no acórdão do processo paradigma (9303007.411). Fl. 725DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 9 8 a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457/07), conforme decidiu a Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Neste mesmo diapasão, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, sedimentou o entendimento de que, nos termos do artigo 24 da lei nº11.457/07, a Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de ressarcimento, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73). Assim, o marco inicial da correção monetária, levando em consideração os termos da Lei nº 11.457/2007, é o fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias. Confiramse recentes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CREDITAMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA 411/STJ. TERMO INICIAL: 360 DIAS APÓS PROTOCOLADO O PEDIDO DE RESSARCIMENTO. VERBA HONORÁRIA FIXADA EM R$ 5.000,00. VALOR NÃO CONSIDERADO IRRISÓRIO PELO STJ, CONSIDERANDO O VALOR ATRIBUÍDO À CAUSA (R$ 200.000,00) E O DECAIMENTO PARCIAL DAS AUTORAS. AGRAVO INTERNO DAS CONTRIBUINTES A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Encontrase pacificado o entendimento da 1a. Seção desta Corte de que eventual possibilidade de aproveitamento dos créditos escriturais não dá ensejo à correção monetária, exceto se tal creditamento for injustamente obstado pela Fazenda, considerandose a mora na apreciação do requerimento administrativo de ressarcimento feita pelo Contribuinte como um óbice injustificado. Aplicase a essa hipótese o enunciado 411 da Súmula do STJ, segundo o qual é devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. A propósito, 1a. Seção do STJ consolidou esse entendimento por ocasião do julgamento do REsp. 1.035.847/RS, relatado pelo ilustre Ministro LUIZ FUX e julgado sob o regime do art. 543C do CPC/1973. 2. O marco inicial da correção monetária só pode ser o término do prazo conferido à Administração Tributária para o exame dos requerimentos de ressarcimento, qual seja, 360 dias após o protocolo dos pedidos. Precedentes: AgInt no REsp. 1.581.330/SC, Rel. Min. GURGEL DE FARIA, DJe 21.8.2017; AgRg no AgRg no REsp. 1548446/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 10.12.2015; AgRg no AgRg no REsp. 1.255.025/SC, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 8.9.2015. [...] 6. Agravo Interno das Contribuintes a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1348672/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/11/2017, DJe 5/12/2017) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS ESCRITURAIS. APROVEITAMENTO. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO A QUO. 1. A jurisprudência do STJ firmou o posicionamento de que éincabível a correção monetária de créditos escriturais como regra, exceto na hipótese de ocorrer "vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente Fl. 726DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 10 9 ingresso no Judiciário", situação em que "postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco" (REsp 1035847/RS RECURSO ESPECIAL 2008/00448972, Relator Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, Data de Julgamento 24/06/2009, DJe 03/08/2009, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos). 2. Concedido à Administração Pública o prazo máximo de 360 dias, a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, para que seja proferida decisão administrativa (art. 24 da Lei n. 11.457/2007), a interpretação literal e teleológica de tal dispositivo legal conduz à conclusão de que somente após o término desse prazo é que deve incidir a correção monetária pela taxa Selic. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1637361/RS, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/9/2017, DJe 13/11/2017) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CRÉDITO ESCRITURAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO A QUO. LEI 11.457/2007. DISSÍDIO INTERNO NÃO DEMONSTRADO. ACÓRDÃO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 168/STJ. 1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente embargos de divergência que versam sobre o termo inicial da correção monetária de créditos tributários objeto de pedido de ressarcimento. 2. Não há similitude entre os acórdãos confrontados, tendo em vista que o acórdão embargado, para decidir a questão relativa ao termo a quo da correção monetária, ponderou o prazo estipulado pela Lei 11.451/07 para a Administração analisar o pedido de ressarcimento, sendo que essa lei nem sequer foi sopesada no julgamento do aresto apontado como paradigma. 3. Ademais, o entendimento adotado pelo acórdão embargado, de que após a vigência do art. 24 da Lei 11.457/2007 a correção monetária de ressarcimento de créditos de ocorre após o prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo, encontrase em conformidade com a jurisprudência das Turmas de Direito Público. Precedentes: AgRg no REsp 1.465.567/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 24/3/2015; REsp 1.240.714/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/9/2013; AgRg no REsp 1.353.195/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 5/3/2013; AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 21/2/2013; AgRg nos EDcl no REsp 1.222.573/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 7/12/2011. Incide, pois, a Súmula 168/STJ. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 1490081/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/6/2015, DJe 1º/7/2015. Os Tribunais vem decidido da mesma forma, ou seja, no que diz respeito a incidência da taxa SELIC e o seu termo inicial, as decisões ultrapassadas vinham no sentido de que, havendo pedido administrativo de restituição e/ou compensação dos créditos tributários, formulado pela Contribuinte, a eventual "resistência ilegítima" da Fazenda Pública, Fl. 727DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 11 10 configurada pela demora em analisar o pedido, ensejaria a sua constituição em mora, sendo devida a correção monetária dos respectivos créditos a partir da data de protocolo do pedido. Ocorre, contudo, que recentemente o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Embargos de Divergência, uniformizou entendimento no sentido de que a correção monetária deve incidir apenas após o encerramento do prazo legal (360 dias contados da data do protocolo administrativo) concedido à autoridade fiscal para analisar os pedidos administrativos de ressarcimento, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PEDIDO ADMINISTRATIVO. TAXA SELIC. TERMO INICIAL DA CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. Caracterizada a mora do Fisco ao analisar o pedido administrativo de reconhecimento de crédito escritural ou presumido (quando extrapolado o prazo de análise do pedido), deve incidir correção monetária, pela taxa SELIC. 2. O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito de PIS/COFINS não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco, consoante entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial n.º 1.461.607/SC. (TRF4 AC: 50001491820184047117 RS 500014918.2018.4.04.7117, Relator: ROGER RAUPP RIOS, Data de Julgamento: 10/10/2018, PRIMEIRA TURMA) Não é diferente o entendimento desta E. Câmara Superior. Vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciados foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide sobre a parcela revertida no contencioso a favor do contribuinte, mas somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência. (3ª Turma da CSRF Acórdão nº 9303007.011, Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, data de julgamento: 14 de junho de 2018). Como visto, o Poder Judiciário sedimentou o entendimento de que, nos termos do artigo 24 da lei nº11.457/07, a Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de ressarcimento, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73). Assim, o marco inicial da correção monetária, levando em consideração os termos da Lei nº 11.457/2007, é o fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias. Fl. 728DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 12 11 Sem embargo, as conclusões da Ilustre Relatora vencida, não se coaduna com os princípios da eficiência e celeridade processual, concluise que sua leitura não atingiu os objetivos de aplicação do artigo 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência, que de modo vinculante estabeleceu um prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado pela lei. Diametralmente oposto no voto vencido, in caso como se observa nas razões de decidir da Relatora Vencida, é visível o prejuízo suportado pela Contribuinte, em razão da postergação de um prazo razoável para solução de lide, não há justificativa para o que não se pode justificar, a incidência de correção monetária pela Taxa Selic desde o protocolo do pedido, colide com os princípios da celeridade e eficiência. Por oportuno, esclareço que o processo administrativo fiscal esta adstrito as regras positivadas do sistema, neste sentido, invoco o magistério do Professor Luiz Orlando Junior Zanon (pg.104,105106) o qual em sua tese de Doutorado, Teoria Complexa do Direito2, esclarece a correta inserção das normas no plano sistêmico. In verbis: "O Positivismo Jurídico pressupõe que o Direito é formado exclusivamente (ou ao menos preponderantemente) por Regras Jurídicas, como sinônimo de Normas Jurídicas positivadas, devidamente fixadas pelos parlamentares (no sistema codificado) ou estabelecidas em precedentes judiciais anteriores (no modelo judiciário ou consuetudinário)3 No primeiro cenário (civil law, statutory law ou code based legal system), a Regra Jurídica é o resultado da interpretação de um texto elaborado pelo legislador, no sentido de reconstruir sua intenção ao prolatar o dispositivo normativo, como se fosse um procedimento de adivinhação de qual teria sido a solução dada pelo órgão legiferante, acaso diante do caso concreto. E, no segundo (common law ou judge made law), a Regra Jurídica pode ser extraída não só da legislação, mas também do texto de um precedente anterior, num esforço de verificar qual seria a solução que teria sido dada pelo Poder Legislativo para reger o novo caso, nos pontos relevantes em que é precisamente similar ao julgamento anterior. Em ambas hipóteses, a interpretação e a aplicação do Direito são consideradas, pela generalidade dos juspositivistas [...] (com a notável ressalva de Kelsen), como meramente reprodutoras de sentidos já previamente fixados por Regras Jurídicas anteriores, que já guardam a resposta para solução do novo problema emergido no tecido social”. (pg.104,105106). [...]. 2 ZANON JUNIOR, Orlando Luiz. Teoria Complexa do Direito. Florianópolis: Cejur, 2013. 3 DIMOULIS, Dimitri. Positivismo jurídico: Introdução a uma teoria do direito e defesa do pragmatismo jurídicopolítico. São Paulo: Método, 2006. p. 68: “Isso indica que ser positivista no âmbito jurídico significa escolher como exclusivo objeto de estudo o direito que é posto por uma autoridade e, em virtude disso, possui validade (direito positivo)”; e, p. 131: “Partindo dessa delimitação negativa, o PJ stricto sensu afirma a absoluta identidade entre o conceito de direito e o direito efetivamente posto pelas autoridades competentes, isto é, pelas autoridades que, em razão de uma constelação de poder, possuem a capacidade de impor o direito”. E FERRAJOLI, Luigi. Principia iuris: teoría del derecho y de la democracia. V 1. Madrid: Trotta, 2011. p. 395457. Especialmente, p. 396: “Las normas son reglas que pertenecen al derecho positivo em cuanto son efectos jurídicos puestos o causados por actos (T8.11, T8.12). Obviamente, em tanto que reglas, las normas son significados de preceptos (T8.13), a los que vienen asociadas em cada caso mediante interpretación jurídica”. Fl. 729DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 13 12 Dispositivo Ex positis, em razão da resistência ilegítima configurada, dou provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do Contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer o direito à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 730DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.922909/2009-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
PRELIMINAR DE NULIDADE POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não se aplicam os artigos 31 e 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972 quando são analisadas as questões postas pela Recorrente em manifestação de inconformidade. Ausência de preterição do direito de defesa.
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento do recurso em diligência, para apurar o quantum do direito creditório, vencida a conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que suscitou a diligência e os conselheiros Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, o processo retorne à unidade de origem para apurar o quantum e eventual direito creditório do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que foi substituída pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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INOCORRÊNCIA. Não se aplicam os artigos 31 e 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972 quando são analisadas as questões postas pela Recorrente em manifestação de inconformidade. Ausência de preterição do direito de defesa. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento do recurso em diligência, para apurar o quantum do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 29 09 /2 00 9- 24 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.922909/200924 Acórdão n.º 3402005.689 S3C4T2 Fl. 0 2 direito creditório, vencida a conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que suscitou a diligência e os conselheiros Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, o processo retorne à unidade de origem para apurar o quantum e eventual direito creditório do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que foi substituída pelo Suplente convocado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 06 036.898proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a negativa de homologação da compensação. O Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada, alegou inexistência de saldo de crédito para a compensação requerida. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito e diz estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. Regularmente cientificada da decisão do colegiado a quo a Contribuinte tempestivamente interpôs o Recurso Voluntário com os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE: NULIDADE DO ACÓRDÃO COM BASE NO ARTIGO 59, II, DO DECRETO Nº 70.235/1972, EM RAZÃO DE NEGATIVA DE VIGÊNCIA AO ARTIGO 31 DO MESMO DIPLOMA LEGAL. MÉRITO: INCONSTITUCIONALIDADE DA ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS PELA LEI Nº 9.718/98 E DA APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. É o relatório. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.922909/200924 Acórdão n.º 3402005.689 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.686, de 23 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.922906/200991, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.686): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Preliminar A Recorrente invoca os Artigos 31 e 59 do Decreto nº 70.235/1972, arguindo a nulidade do Acórdão recorrido em razão de ausência de análise dos argumentos expostos em manifestação de inconformidade, sob alegação de falta de competência para analisar a inconstitucionalidade de lei. Sem razão. A Contribuinte havia alegado em manifestação de inconformidade (fls.12 a 17) que apurou crédito tributário de PIS e COFINS com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3°, parágrafo 1°, da Lei n° 9.718/98, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 357950, aproveitando parte do referido crédito para compensar com débitos de natureza tributária, nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Alegou que extinguiu o débito da COFINS, conforme declarado em DCTF, com DARF referente ao período de apuração 31/12/2002 (código de receita 2172) recolhido em 15/01/2003 e, posteriormente, utilizou o crédito tributário referente à COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 746,94, sendo indicado no preenchimento do PERD/COMP que o crédito estava vinculado ao DARF em que deu origem ao recolhimento. Invocou o artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional, bem como o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório por concluir que não foi apresentada prova documental sobre a origem do crédito em referência, não Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.922909/200924 Acórdão n.º 3402005.689 S3C4T2 Fl. 0 4 cabendo à autoridade administrativa reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivos legais, uma vez não se enquadrar nas hipóteses previstas nos Artigos 1º e 4º, Incisos I, II, III, IV e Parágrafo Único do Decreto nº 2.346/1997. Neste caso, não se aplicam os artigos 31 e 59, inciso II do decreto nº 70.235/1972, considerando que foram analisadas as questões postas pela Recorrente em manifestação de inconformidade, além de não restar configurada a alegada preterição do direito de defesa. Portanto, afasto a preliminar invocada no recurso em análise e passo à análise das razões de mérito invocadas pela defesa. Mérito A Recorrente invoca o reconhecimento da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da COFINS pela Lei nº 9.718/98 e aplicação do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para tanto, fundamenta pela repercussão geral conferida ao RE nº 585.235 do Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Com razão. O PER/DCOMP n° 33473.53599.130706.1.7.041974 (FLS. 6 a 11), com Código da Receita 585601 (Cofins não Cumulativa), transmitido em data de 13/07/2006 em retificação ao PERD/COMP nº 26378.85333.130706.1.3.044105, teve origem no pagamento indevido ou a maior de COFINS (Código da Receita: 2172), realizado em 15/01/2003 no valor de R$ 71.869,87 (setenta e um mil, oitocentos e sessenta e nove reais e oitenta e sete centavos). O crédito indicado se refere a R$ 746,94 (que corresponde a uma parte deste pagamento efetuado em 15/01/2003), e um débito de Cofins, do período de apuração 06/2006, vencido em 14/07/2006, no valor original de R$ 74,99. Considerando o vencimento do tributo em data de 14/07/2006 e a transmissão do PER/DCOMP em data de 13/07/2006, considerase tempestivo o pedido, afastando a incidência da mora. O despacho decisório (Rastreamento nº 842579517) de fls. 2 a 5, não homologou a compensação declarada por concluir pela localização de um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Manifestação de Inconformidade (fls. 1217) demonstrou a origem do crédito com base na declaração de Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.922909/200924 Acórdão n.º 3402005.689 S3C4T2 Fl. 0 5 inconstitucionalidade do art. 3°, parágrafo 1°, da Lei n° 9.718/98, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 357950, em Sessão Plenária de 09/11/05, apontando a base de cálculo utilizada para apuração deste crédito. Cabe consignar que o RE 357.950/RS foi precedente reconhecido em Plenário para julgamento do RE 585235RG QO, com repercussão geral (TEMA 110) e cuja Ementa se transcreve: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008) Ao que pese o precedente reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal e vinculado ao RE 585235, a 3ª Turma da DRJ/CTA embasou a decisão por não atribuir o efeito erga omnes ao 357.950/RS. Vejamos o texto extraído da decisão recorrida: Ou seja, apesar de não ser esse o entendimento da contribuinte, claro está que a atribuição dos julgadores está limitada a afastar a aplicação apenas de leis declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de forma inequívoca e definitiva, atendendo ainda a determinação do Secretário da Receita Federal. É de se ressaltar contudo que, no caso em análise, apesar da existência de entendimentos do STF, expressos em julgamentos proferidos, não foram comprovadas as condições descritas no citado decreto para a sua aplicação, afinal, as decisões mencionadas foram proferidas apenas em relação a casos específicos envolvendo, também, partes específicas (que não a contribuinte). Sobre o assunto, aliás, é oportuno mencionar também o que dispõe o enunciado nº 2 do CARF do MF: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Este, a propósito, também é o comando contido no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972: Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.922909/200924 Acórdão n.º 3402005.689 S3C4T2 Fl. 0 6 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Desse modo, e não cabendo à autoridade administrativa de julgamento acatar as alegações da impugnante, já que a exigência em questão encontra respaldo em leis válidas e vigentes cuja inconstitucionalidade não foi declarada – com os efeitos erga omnes – pelo STF, não deve ser reconhecido o direito creditório pleiteado (pois não restou caracterizado o pagamento a maior). Quanto à jurisprudência apresentada, não há como considerálas, seja pela inexistência de norma legal para lhes conferir eficácia normativa, seja pelo seu caráter inter partes. Da análise dos autos, verificase que o ponto controvertido invocado pela DRJ/CTA para negar o crédito requerido pela Contribuinte cingese à produção de efeitos do RE 357950, não havendo dúvidas levantadas quanto à origem e valores lançados na declaração de compensação. Considerando que a matéria suscitada versa sobre declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, o que é questão decidida em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal através do RE 585235, já citado, deveria a autoridade julgadora a quo aplicar o artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando o § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, por sua vez, reconhecendo o direito ao crédito tempestivamente informado em PERD/COMP. De outro turno, igualmente por se tratar de decisão definitiva e vinculante do Supremo Tribunal Federal, não incide a Súmula CARF nº 2 e artigo 26A do Decreto nº 70.235/72. Está correta a Recorrente ao afirmar pela aplicação do artigo 62, § 2do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, que assim dispõe: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.922909/200924 Acórdão n.º 3402005.689 S3C4T2 Fl. 0 7 Neste sentido, colacionase precedente da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em julgamento ao Recurso Especial nº 137.866 (PAF: 13808.005507/200103): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado (Acórdão nº 9303002.859 – 3ª Turma) Por tais razões, deve ser reconhecido o direito creditório da Contribuinte, para que seja analisado o PERD/COMP afastando a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal e, após a devida apuração, proceda à compensação para fins de extinção do crédito tributário, nos termos previstos pelo artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional cumulado com artigo 74, § 2º da Lei nº 9.430/96. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo parcialmente provido, afastando a preliminar de nulidade e, no mérito, reconheço a injuridicidade do fundamento adotado pela decisão recorrida, afastando o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, devendo o processo retornar à Unidade de Origem para que proceda à análise da declaração de compensação, com Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.922909/200924 Acórdão n.º 3402005.689 S3C4T2 Fl. 0 8 apuração do quantum e eventual direito creditório da Contribuinte." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer o Recurso Voluntário e julgálo parcialmente provido, para afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, reconhecer a injuridicidade do fundamento adotado pela decisão recorrida, afastando o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, devendo o processo retornar à Unidade de Origem para que proceda à análise da declaração de compensação, com apuração do quantum e eventual direito creditório da Contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 54DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.720117/2015-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 12/02/2015
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
Numero da decisão: 3301-005.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL
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DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 01 17 /2 01 5- 18 Fl. 36072DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo a exigência da multa substitutiva da pena de perdimento em razão da falta de comprovação da origem lícita, da disponibilidade e da transferência dos recursos empregados na operação de importação, tendo se por configurado dano ao Erário em razão da interposição fraudulenta presumida na importação. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu a declaração de nulidade do auto de infração ou, alternativamente, o cancelamento da ação fiscal, em razão da ausência de provas da prática das infrações apontadas, cancelandose a pena de perdimento imposta e extinguindose, por conseguinte, o respectivo processo administrativo. Foram apresentados os seguintes argumentos de defesa (ora descritos de forma sintética); a) nulidade da autuação por vício no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em razão de ofensa aos princípios da legalidade, impessoalidade, isonomia, publicidade e quanto aos critérios norteadores da seleção para a nova fiscalização, bem como vício formal consistente na falta de autorização da autoridade competente para deflagrar o procedimento especial e vícios materiais decorrentes da imposição de restrições e exigências ao arrepio da lei; b) o auto de infração encontrase sedimentado em presunções, carregadas de subjetividade, devendo ser também no campo do provável que deveriam ser usados os argumentos da Impugnante, sempre em estrita obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade admitidas em direito; c) quem não importou nem adquiriu mercadorias estrangeiras não pode ser sujeito da aplicação da penalidade de perdimento; d) foram apresentados os documentos requeridos pela Fiscalização, ainda que não na forma e nos formatos digitais requeridos, o que por si só não configura interposição fraudulenta presumida; e) regularidade da empresa como importadora, licitude e legalidade das importações da forma realizadas; f) ofensa ao princípio da verdade material, dada a impropriedade da alegação de interposição fraudulenta presumida; g) inexistência de falsidade ideológica e inexistência de simulação de negócio jurídico; h) ausência de demonstração do dolo específico de fraudar e impossibilidade de caracterização da infração de interposição fraudulenta; Fl. 36073DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 4 3 i) ausência de dano ao erário em razão do não cometimento das alegadas infrações (presunção de inocência) e em face do recolhimento dos tributos incidentes. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16070.185, julgou improcedente a Impugnação, considerando configurado o dano ao erário e aplicável a pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao seu valor aduaneiro. Afirmou, ainda, a autoridade julgadora que a presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindose ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações; e que a incidência do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 é específica para a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros onde o importador de fato (sujeito passivo oculto/real comprador) encontrase identificado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos da Impugnação. Na análise do Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF decidiu converter o julgamento da lide em diligência, com vistas a se verificar a existência de conexão entre este processo e outros processos administrativos. É o relatório. Fl. 36074DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.088, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 12466.720114/201576, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.088): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A primeira alegação preliminar feita pela recorrente foi quanto à nulidade da intimação do Auto de Infração por edital, uma vez que a recorrente possuía endereço certo e sabido. Conforme se consignou na decisão recorrida, houve mudança de endereço da Recorrente, mas a Fiscalização envidou esforços e logrou a efetiva intimação da contribuinte, conforme excerto abaixo (fl. 7201): A MULTIMEX recebeu sua correspondência no novo endereço em 15/05/2014. Nesse termo, intimouse a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por conta própria, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução, no prazo de 5 (cinco) dias úteis. Também a empresa foi cientificada do indeferimento da prorrogação de prazo para entrega dos arquivos digitais, solicitada na resposta de 29/04/2014. Importante destacar que, em 16/05/2014, compareceu perante a fiscalização procurador com poderes substabelecidos, que tomou ciência do TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040006, conforme TERMO DE CIÊNCIA PESSOAL (CIÊNCIA PESSOAL 2014 00040 006). Em 14/05/2014, a MULTIMEX apresentou resposta (RESPOSTA 14 05 2014) ao TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO 201400040005. Foi através desse termo que a fiscalização comunicou à MULTIMEX sua inclusão no procedimento previsto na 228/2002, e a intimamos a apresentar livros, documentos e informações relativas ao período de 2014 incluído na fiscalização. Portanto, a fiscalização observou à legislação aplicável. Dessa forma, mantémse o entendimento da decisão recorrida nessa preliminar. Alega adiante (item III.1) a preliminar de nulidade do procedimento de fiscalização porque o Fiscal teria aplicado o procedimento especial da IN 228/02 sem prévia autorização do inspetor da Alfândega ou da Coana. Cumpre anotar que o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento administrativo, cujo eventual descumprimento poderia levar a efeitos administrativofuncionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a realização da fiscalização, nem Fl. 36075DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 6 5 para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc, abaixo transcrito: Art. 2º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1,192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; A recorrente alegou que a fiscalização não provou a imprestabilidade da contabilidade, nem a falta de origem lícita e disponibilidade dos recursos e presumiu que todas as importações foram fraudulentas. Neste ponto, conforme já informado na decisão recorrida, as alegações de falta de prova por parte da fiscalização a validar a presunção do § 2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, e as alegações de ilegalidade, atipicidade e cerceamento de defesa estão ligadas à produção probatória confundemse com o mérito. Salientase que a descrição dos fatos foi clara no sentido de aplicação da multa prevista no § 3º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, transcrito abaixo, por presunção de interposição fraudulenta prevista em seu § 2º, abaixo transcrito, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for Fl. 36076DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 7 6 localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O mérito do litígio se concentra na comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos. Neste ponto, a recorrente arguiu que a fiscalização não provou que a contribuinte não possuía capacidade financeira, mas apenas presumiu, a partir da imprestabilidade da contabilidade mercantil, tal incapacidade. Alega a Recorrente que comprovou a origem lícita de recursos; demonstrando que obteve (fl. 7269): financiamento bancário efetivo, reiterado e contínuo ao longo dos anos para seu capital de giro; desconto de duplicatas em bancos de suas vendas no mercado nacional, gerando capital de giro; financiamento especial (FINIMP) na importação de máquinas e equipamentos para seu capital de giro; concessão de linha de crédito por seus fornecedores, de seus principais e maiores produtos, o que lhe permitiu fluxo de caixa com a origem de recursos dos seus próprios fornecedores no exterior. fluxo de caixa decorrente de suas vendas realizadas no mercado interno; fluxo de caixa decorrente dos recursos auferidos por meio das subvenções para investimento e/ou benefícios fiscais concedidas pelos Estados, especialmente de Rondônia e Espírito Santo, relativo ao ICMS; Ressaltese que a acusação fiscal é de que o importador MULTIMEX não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior. Tratandose de importação por encomenda, é o importador o responsável pela aquisição da mercadoria no exterior, efetuando o pacto de compra e venda e sendo o responsável pelo pagamento do preço da mercadoria e das despesas de sua nacionalização. Assim, deve dispor de capacidade econômicofinanceira para tanto. A partir de indícios de incompatibilidade entre o volume transacionado e a capacidade econômicofinanceira da recorrente, a fiscalização deu início ao procedimento especial da IN SRF 228/2002 tendente à verificação da comprovação da origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. Das intimações, restou evidenciado que a contabilidade era imprestável, pois não apresentava os lançamentos relativos às movimentações financeiras, inclusive bancárias. Após intimações e reintimações, a recorrente também não entregou os extratos bancários, informando que estariam representados nos demonstrativos contábeis, as planilhas de formação de preços que identificam os custos e despesas incorridos nas importações, alegou não possuir os DANFES das notas fiscais emitidas, conforme consta do Auto de Infração (fl. 12): Em 29/04/2014, a MULTIMEX apresentou nova resposta (RESPOSTA 29 04 2014), onde informou, em resumo: alegou não ter condições nem conhecimentos técnicos para corrigir os leiautes dos arquivos da IN 86/2001, e solicitou mais 30 dias de prazo, que indeferimos, haja vista a constante demora no atendimento às intimações; alegou não possuir os DANFEs das NFe emitidas, e que não tem condições de apresentálos; apresentou uma caixa de arquivo morto contendo contratos de câmbio Fl. 36077DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 8 7 e, posteriormente, em 05/05/2014, complementou o atendimento apresentando mais duas caixas de arquivo morto com outros contratos de câmbio. Em relação ao pedido do extrato original das DI relativas às importações por conta própria, a Recorrente respondeu, conforme fl. 26/27 do Auto de Infração: que, devido à instauração do procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002, não tem condições de gerar faturamento e manter uma estrutura operacional mínima; que demitiu seus funcionários; e que não tem condições operacionais para separar os documentos e entregálos na forma solicitada, ou seja, agrupados por DI e em ordem cronológica. Requereu prorrogação de prazo até dia 06/06/2014. (...) Em 05/06/2014, intimamos a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por encomenda, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução. A empresa não apresentou resposta e não prestou qualquer esclarecimento, razão pela qual foi autuada também em relação a esses documentos, através do Auto de Infração nº 0727600/00401/14, consubstanciado no Processo Digital nº 12466.722001/201424. Assim, ao longo dos trabalhos não foram disponibilizados os documentos solicitados ou o foram em desordem, com pedidos de prorrogação de prazos por vezes sem justificativa, pois que se referiam a documentos e arquivos aos quais a recorrente estava, legalmente, obrigada a mantêlos em perfeita ordem. Alegou, a recorrente, a falta de funcionários e conhecimentos técnicos para proceder ao atendimento de algumas entregas de documentos e arquivos digitais da contabilidade. A fiscalização concluiu que (fl. 22): A empresa não apresentou os documentos de instrução das DI, e nem dispõe de contabilidade idônea. Os documentos citados pela MULTIMEX nem sempre identificam a operação de importação, e a empresa sequer foi capaz de apresentar os documentos de instrução por DI, quanto mais os comprovantes de despesas e custos. A inexistência desses controles gerenciais é claro indício de interposição fraudulenta, onde a empresa que registra a Declaração de Importação em seu nome não é o verdadeiro responsável pela operação, mas uma mera mandatária, que não tem o total controle das operações e não pretende expor ao Fisco a forma que as operações são realizadas, para não revelar a fraude. (grifouse) De fato, a análise da ECD de 2010, 2011 e 2012 revelou as seguintes incorreções (fl. 45 e seguintes): 1. Com relação à escrituração de 2010, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (11104) e “Estoques” (11107), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (111), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (11102), devem estar nesse agrupamento; b. A conta “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (111020025) só possuem dois lançamentos, no primeiro e último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: Fl. 36078DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 9 8 c. As contas de “Aplicações Financeiras” (11103) só possuem lançamentos no último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: 2. Com relação à escrituração do anocalendário 2011, as contas do Ativo Circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.1.01.001.5), no primeiro dia do ano, conforme abaixo: Data Cód.Conta Conta D/C Valor Saldo D/C Histórico Fl. 36079DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 10 9 3. Com relação à escrituração de 2012, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (1.11.04.0000) e “Estoques” (1.11.07.0000), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (1.11.00.0000), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (1.11.01.0001) e “Bancos Conta Movimento” (1.11.02.0000), devem estar nesse agrupamento; b. As contas do ativo circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.11.01.0001), no primeiro dia do ano, cujo histórico aponta que não houve movimento, conforme abaixo: Verificouse que a contabilidade de fato era imprestável para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação, pois não refletia as movimentações financeiras, especialmente as bancárias, efetuadas pela recorrente. Em resposta, a recorrente informou que tivera problemas com a contabilidade, que estaria empenhada em corrigila e solicitou prorrogações de prazo de 180 dias, embora tais problemas já eram de conhecimento da recorrente desde meados de 2012, quando já estava sendo fiscalizada em relação ao ano de 2008, cuja apresentação de ECD não fora cumprida. A fiscalização demonstrou que o Diário de 2010 possuía apenas 136 lançamentos, quase todos no primeiro e último dia do ano, sem qualquer vinculação com as operações efetuadas em cada DI, de modo a comprovar a disponibilidade dos recursos por ocasião do pagamento do preço e das despesas de tributos e outras aduaneiras. O Diário de 2011 possuía apenas um lançamento de Caixa a Capital Social e o de 2012, também um único lançamento de Caixa A Fornecedores. A fiscalização concedeu prazo até 28/05/2014 para apresentar a ECD de 2010 e até 28/07/2014 para apresentar as ECD de 2011, 2012 e 2013, mas a recorrente não cumpriu tais prazos e não prestou outros esclarecimentos. Posteriormente, apresentou a ECD de 2013, mas com apenas um lançamento de Caixa a Assistência Contábil de valor R$ 1,00 (cf. fl. 56). Está plenamente comprovada a imprestabilidade da contabilidade para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recurso utilizados nas operações de importação que giraram em torno de 2600 DI´s e R$ 33.423.039,79 no período de 2010 a 2014, sendo que deste montante, R$ 154.591.519,12 eram importações por conta própria. Sobre a exigência de se manter a escrituração contábil nas operações de importação e exportação está expressamente prevista no artigo 18 do Decreto nº 6.759/2009, assim como, de forma genérica, no artigo 251 do Decreto 3.000/1999 (RIR/99) e no artigo 509 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010): Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial Fl. 36080DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 11 10 estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): § 1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no 10.833, de 2003, art. 70, § 1º).(Grifo nossos) Por seu turno, a recorrente juntou em impugnação contratos de empréstimo e financiamento à importação com diversos bancos, às fls. 911 e seguintes (BICBANCO, Banco do Brasil, Banco Santander, Banco Real, Banco Itaú); relação de faturas comerciais de importação (invoices), relação de DI´s, saldos de aplicação e empréstimos em 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012, relatório do Banco Central do Brasil indicando as operações com os bancos referidos, relação de extratos de descontos de títulos liquidados com extratos bancários, cópia dos termos de entrega dos arquivos SINTEGRA de 2012, 2013 e 2014; contratos de venda de máquinas, lubrificantes e outros produtos, notas fiscais de serviços tomados, notas fiscais de prestação de serviços de manutenção de máquinas, extratos de folhas de pagamento, contrato de representação comercial dos produtos da MULTIMEX, relação de clientes. As origens foram resumidas nas planilhas de fls. 1604/1605, e seriam decorrentes de descontos de duplicatas, empréstimos e capital de giro, financiamento de importações, recebimento de operações próprias e por encomenda, créditos de subvenções e créditos concedidos por exportadores. Segundo a Recorrente, os referidos documentos comprovariam a capacidade econômicofinanceira da recorrente e que o registro contábil não é o único meio de prova, conforme artigo 6º da IN SRF nº 228/2002. Realmente, referidos documentos são indicativos da origem de recursos lícita, conforme dispõe o artigo 4º e 6º da IN SRF nº 228/2002, abaixo reproduzidos: Art. 4º Durante o procedimento especial de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar as seguintes informações, no prazo de 20 (vinte) dias:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) I o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) II a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) [...] Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contábeis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; II transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço; III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou de empréstimo, contendo: Fl. 36081DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 12 11 a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas; e c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. § 1º Quando a origem dos recursos for justificada mediante a apresentação de instrumento de contrato de empréstimo firmado com pessoa física ou com pessoa jurídica que não tenha essa atividade como objeto societário, o provedor dos recursos também deverá justificar a sua origem, disponibilidade e, se for o caso, efetiva transferência. § 2º Os elementos de prova referentes a transações financeiras deverão estar em conformidade com as práticas comerciais. § 3º No caso de comprovação baseada em recursos provenientes do exterior, além dos elementos de prova previstos no caput, deverá ser apresentada cópia do respectivo contrato de câmbio. § 4º Na hipótese do § 3º, caso o remetente dos recursos seja pessoa jurídica, deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. Porém, devese ter em mente que a comprovação deve ser da origem lícita, da transferência e da disponibilidade dos recursos empregados nas operações de importação. Como bem esclarecido na decisão recorrida, é um trinômio que se deve comprovar e não apenas a origem ou a transferência ou a disponibilidade. Se os contratos apresentados podem servir de comprovação de origem, certamente não são suficientes para comprovar a transferência ou a disponibilidade. Se os extratos comprovam a transferência da liquidação dos descontos de títulos, certamente não são suficientes para comprovar a disponibilidade para execução das operações. Do mesmo modo, apenas a escrituração contábil, desacompanhada dos referidos documentos, também não é suficiente para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos. Assim, é o conjunto probatório que deve se mostrar idôneo a comprovar o trinômio, ou seja, a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações. Tal distinção restou bem explanada no acórdão atacado, cujos fundamentos abaixo transcrevo (fl. 7397/7398): Há que se ter em mente que para fins de comprovação do financiamento de operações de comércio exterior o trinômio origem, disponibilidade e transferência deve ser interpretado como um critério indivisível. A comprovação da origem, da disponibilidade ou da transferência de recursos utilizados em operações de comércio exterior tomados de forma isolada, não atende o preceito da norma: possibilitar a completa ciência do fluxo de dinheiro de que se vale o importador. De outra forma, em não se adotando essa postura rígida, correse o sério risco de se deixar uma brecha que viabilize a utilização de transações com o exterior para operações destinadas à “lavagem de dinheiro”. Para a demonstração do grau desse risco, que é elevado, procedese primeiramente com a conceituação em separado de cada um dos três termos: Origem Diz respeito à gênese lícita do recurso. Deve ser demonstrada de onde o recurso provém – se decorrente de atividades lícitas ou não e se em sua obtenção foram observadas as normas de incidência tributária, quando for o caso. Fl. 36082DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 13 12 É muito comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. Esse tipo de prova evidência apenas que no momento de honrar a transação o importador possuía aquela disponibilidade e que de fato a importação foi paga. Mas a fiscalização nunca põe em dúvida a existência do recurso para adimplemento da transação. Se não houvesse o recurso o contrato de câmbio não seria fechado. O depósito em conta corrente limitase a demonstrar que ocorreu o pagamento da mercadoria importada na data avençada. Nada mais. Outros se limitam a alegar a integração do Contrato Social. Mas a questão perdura: O recurso que integralizou o Contrato Social é de origem lícita? Ao se falar em origem se quer saber o que ocasionou o surgimento do recurso na conta bancária do importador. O que propiciou o depósito. Sua causa. De onde e quando adveio. Qual sua efetiva contrapartida lícita. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. Disponibilidade É a demonstração que o importador possuía esse recurso disponível no exato momento de honrar a transação com o fornecedor externo (fechamento do câmbio). É a paridade entre a posse do numerário e o pagamento da obrigação na data em que ela ocorre. O importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior demonstra que vendeu um imóvel registrado em seu nome e que com aquele dinheiro iniciou suas operações de comércio exterior. A origem lícita do recurso resta demonstrada, mas quem garante que efetivamente aquele recurso foi utilizado para honrar a transação com o exterior? É necessário que se demonstre a posse desse recurso no momento do pagamento da obrigação. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lícita se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía aquele mesmo recurso. Ao se satisfazer com a origem lícita proveniente da venda de um imóvel, por exemplo, correse o sério risco de se permitir que recursos de origem ilícita financiem as operações de comércio exterior, tendo apenas por limite o valor da venda do imóvel. Quanto maior for o valor dessa venda, que serve para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior. Transferência É justamente a ligação entre a gênese e o destino do recurso. A demonstração de que o recurso permaneceu e migrou pelas vias regulares (legais) desde sua origem lícita até o adimplemento da obrigação com o fornecedor externo. É o que se denominou até então de seu “oferecimento a regular tributação”. Em outros termos, o recurso contabilizado à disposição da empresa para adimplir suas obrigações. Um exemplo que ilustra bem a interação dessas três condições é a situação em que determinada pessoa jurídica foi constituída com um capital totalmente integralizado em dinheiro. Para que esse valor seja admitido em operações de comércio exterior, é necessário: que os sócios possuam disponibilidade para realizar a integralização (rendimentos declarados tributáveis, isentos ou não tributados). Se o valor integralizado pelos sócios está justificado em suas declarações de imposto de renda, presumese tanto a origem licita quanto sua disponibilidade; e Fl. 36083DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 14 13 comprovar a efetiva transferência, que nesse caso se faz por meio de crédito em contacorrente da empresa, coincidindo em data e valor com a integralização de capital. Admitese também como prova o saque do valor correspondente nas contas correntes bancárias dos sócios. Ou seja, em pelo menos "uma das pontas" da cadeia, deve ficar demonstrada a movimentação do recurso. Se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica na sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. De nada vale exibir o saldo em conta corrente, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se o importador nenhum demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: A origem do recurso, sua disponibilidade no momento do fechamento do câmbio, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada importação praticada. O impugnante empresa MULTMEX alega no item (74) da impugnação: 74. Com relação ao Demonstrativo de Fluxo Financeiro, período compreendido entre 2010 e 2014, verificase que a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo em média superior a R$ 1.500.000,00. No ano, perfazia um fluxo de caixa positivo de R$ 17.000.000,00 considerando apenas receitas e despesas operacionais e empréstimos contraídos. Descontadas as despesas administrativas, o resultado continua positivo, em torno de R$ 4.330.287,89. Nos anos posteriores do período submetido à fiscalização, o fluxo de caixa situase na faixa de RS 20.000.000,00 sem considerar as despesas administrativas. Isso é clara evidência que a empresa possuía recursos suficientes a sustentar suas atividades. Como dito, é comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. É preciso que se demonstre a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lastreada no volume de transações da empresa importadora se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía o recurso. Quanto maior for esse volume, que serviria em princípio para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. E é onde a argumentação do impugnante nos remete: apresenta como origem um capital de giro anual da ordem de anual total de RS 89.537.008,96, o que corresponde a uma média mensal de R$ 7.461.418,00, mas é incapaz de demonstrar a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, dada que sua contabilidade é imprestável como será visto a seguir. Sem a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, fica caracterizada a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX alega nos itens (78) e (79) da impugnação: 78. Assim, a contribuinte tanto valese de recursos próprios para importar mercadorias e nacionalizálas, como importa por conta e ordem de terceiros. O rol de atividades da contribuinte é vastíssimo, inclusive exercendo atividades de industrialização, remanufatura e diversas exportações. 79. Muito embora não tenha apresentado as demonstrações contábeis referentes aos exercidos abrangidos pela ação fiscal, nos exatos termos Fl. 36084DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 15 14 requeridos pela Fiscalização, os documentos acima colacionados constituem provas de que a contribuinte desenvolve atividades empresariais de forma lícita, bem como que dispunha de recursos próprios para empregar nas atividades de comércio exterior, empréstimos e financiamentos bancários e de fornecedores estrangeiros. Finalizando, importa considerar ainda que o volume das operações praticado pela Impugnante por mais de uma década não permite que sem qualquer critério a Fiscalização Aduaneira simplesmente declare que não houve comprovação de origem de recursos. De modo algum, pois sem a apresentação das demonstrações contábeis é inviável a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, o que implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX aborda esse assunto nos itens (97), (98) e (99) da impugnação: 97. Resta, porém, verificar se a imprestabilidade da contabilidade, poderia ser óbice insuperável, como quer a douta Fiscalização, à constatação que a contribuinte possuía condições econômicas, financeiras e operacionais para exercer suas atividades e realizar as operações de comércio exterior a que se propôs. 98. Na verdade, não poderia. Não poderia porque, como demonstrado, não há na legislação de regência norma jurídica que determine que somente os demonstrativos contábeis podem ser utilizados para fins de comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Na verdade, todos os meios admitidos em direito são válidos para se fazer a prova, ao contrário do que de forma subjetiva, discricionária, abusiva e arbitrária estabeleceu a Fiscalização. 99. Conforme demonstrado, a douta Fiscalização teve acesso aos dados de um auto de infração lavrado pela Delegada da Receita Federal em Vitória/ES, onde consta o balanço patrimonial de 2009 da MULTIMEX. Nesse balanço há provas suficientes que a Impugnante possuía recursos com origem lícita capaz de fazer frente às suas operações de comércio exterior (doc.2). Da análise das disponibilidades, do estoque declarado, do capital social e da reserva de lucro, bem como da capacidade de financiamento das operações, verificase facilmente a capacidade econômica e financeira da Impugnante. Ou seja, a referida demonstração contábil faz prova a favor da Impugnante. Não é possível atender o trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA a partir de um balanço patrimonial. Eventualmente, e vamos frisar que é uma situação bastante eventual, o importador até poderia identificar a origem dos recursos, mas jamais sua DISPONIBILIDADE e TRANSFERÊNCIA, pois como se sabe o balanço patrimonial reproduz uma situação estática, enquanto que as operações de importação são transações dinâmicas. De nada vale demonstrar que a empresa possuía o recurso no início do ano se não for comprovado que esse mesmo recurso financiou uma operação de importação em meados de setembro. Tal qual reproduzido no ‘ (74) da impugnação, é afirmado que ... a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo de origem de receitas e de recursos proveniente de descontos de duplicatas, empréstimos bancários para capital de giro, Finimp, valores recebidos de operações próprias e de encomenda e por créditos concedidos pelos exportadores, seja nas operações próprias, seja nas operações de encomenda,... E ainda destaque para o alegado pela empresa MULTMEX nos itens (148) e (149) da impugnação: 148. OS recursos utilizados para o pagamento das despesas com o fechamento do câmbio e com os tributos aduaneiros possuem como origem vendas de mercadorias no mercado interno. Fl. 36085DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 16 15 149. Frisese que as Notas Fiscais são consideradas documento idôneo para comprovar a origem de receita, consoante o posicionamento oficial do próprio Fisco, exemplificado pela seguinte decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008: O único mo do de se demonstrar que esses recursos ingressaram na empresa e serviram para financiar as operações de importação objeto do presente Auto de Infração, dentro do trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA, é através do registro das demonstrações contábeis. A ausência dos registro contábeis, além de não fazer prova que tais recursos ingressaram regularmente na empresa, implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Quanto à decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008, diz respeito a um outro contexto que não guarda relação com a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros em operações em comércio exterior." A contabilidade regular, suportada em documentos, é que faz a prova regular das operações e sua ausência impede que se confirme a comprovação do trinômio origem lícita, transferência e disponibilidade. A contabilidade, como os demais documentos apresentados, são necessários, mas não suficientes, isoladamente, para comprovação do que aqui se pretendeu. Assim, concluise que a recorrente não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações, incidindo na presunção de que trata o §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, configurando a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior, apenada com a multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão de as mercadorias não terem localizadas ou terem sido consumidas ou revendidas. Em relação à argumentação de que a falsidade ideológica não está contemplada no inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966, sem razão a recorrente. A redação é a seguinte: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Por sua vez o Decreto nº 6.759/2009 dispõe que: Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º):(Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): Fl. 36086DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 17 16 [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3ºB. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Assim, a falsidade a que se refere o inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966 é dos documentos de instrução da DI, ou seja, do conhecimento de carga, da fatura comercial e dos comprovantes de pagamento dos tributos. A acusação da fiscalização recaiu na ocultação do responsável pela operação, a qual, uma vez comprovada, ainda que por presunção legal, torna os documentos emitidos para instrução da DI ideologicamente falsos. Tal conclusão está exposta no artigo 13 da IN SRF nº 228/2002: Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Se há comprovação da interposição fraudulenta do responsável pela importação na condição de fornecedor dos recursos necessários à efetivação da importação, então tal ocultação somente é materializada na ausência de referido responsável nos documentos de importação, seja na condição de real importador seja na condição de real adquirente. Em qualquer dos casos, seu nome deveria constar nas faturas comercias ou no conhecimento de carga. Por fim, é preciso esclarecer que para efeitos de tipificação da interposição fraudulenta de terceiros, seja ela a EFETIVA (REAL) ou PRESUMIDA é absolutamente irrelevante que aquele que fornece o recurso seja denominado de importador, pois em nenhum dos dois tipos se exige a presença DO PEDIDO “importador”." No que tange à ausência de demonstração do dolo específico, não há que se exigir tal neste caso, pois estamos diante de uma presunção legal de interposição fraudulenta. Basta a não comprovação da origem lícita, transferência e disponibilidade dos recursos empregados na importação para se caracterizar a interposição fraudulenta nos termos do §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976. Uma vez presumida, não há que se falar em demonstração de dolo por parte da fiscalização. Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; Fl. 36087DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 18 17 II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário configurase por uma determinação específica legal, tratase de uma presunção legal ou absoluta de dano ao erário nos casos enumerados. Embora a própria conduta configura o dano ao erário, podese enumerar vantagens em tese almejadas, mediante a interposição ilícita de pessoas como: burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; quebra da cadeia do IPI; sonegação de PIS e Cofins, relativamente ao real adquirente, lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Portanto, a alegação de que não houve dano efetivo ao erário, simplesmente pelo fato de não haver tributo a ser recolhido, não procede. Fl. 36088DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 19 18 Concernente à aplicação da multa de 10% por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, salientase que sua aplicação é cabível no caso de interposição real e não no caso de interposição presumida de que trata o presente processo. Tal situação restou esclarecida na IN SRF 228/2002 em seu artigo 11: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016). De fato, com a edição do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, à hipótese de aplicação da multa por cessão de nome não se aplica a declaração de inaptidão de que trata o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, hipótese de que tratam estes autos: Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive ediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Destacase, ainda que esse entendimento é consolidado, inclusive nesta turma: APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, Fl. 36089DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 20 19 do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria (Acórdão nº 3301 003.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Cumpre, por fim, citar decisão, cujos entendimentos foram adotados nesta decisão, com a mesma Recorrente, já decidido por este CARF, de relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (Acordão Acórdão nº 3302005.468 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/07/2011 a 24/10/2012 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 36090DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900037/2008-92
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA.
O recolhimento de estimativa mensal IRPJ somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado para o mês com fundamento na legislação tributária.
Numero da decisão: 1001-000.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA. O recolhimento de estimativa mensal IRPJ somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado para o mês com fundamento na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 02/06, de n. 02226.68309.060204.1.3.040240, de 06/02/2004, através da qual o contribuinte pretende AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 00 37 /2 00 8- 92 Fl. 47DF CARF MF 2 compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos supostamente indevidos (IRPJ, no valor principal de R$ 1.950,00 segundo DARF com as seguintes características: Código de Receita 5993 (IRPJ Lucro Real Estimativa mensal), PA 31/08/2000, vencimento em 29/09/2000). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório n. 757798975, de 24/04/2008 (efl. 07), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava integralmente utilizado na quitação do IRPJ estimativa PA 08/2000, bem como determinou a não homologação da DCOMP em análise. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efl. 09) alegando que efetuou recolhimentos mensais de IRPJ e CSLL por estimativa no anocalendário de 2000, mas apurou prejuízo em balanço de encerramento, razão pela qual compensou o IRPJ devido do mês de dezembro de 2001 com o valores recolhido referente ao PA 08/2000. A Delegacia de Julgamento (Acórdão 0119.757 3ª Turma da DRJBEL, e fls. 23/29) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês (e que tal excesso não ficou comprovado nos autos) com fundamento na legislação tributária; e que a regra geral é no sentido de que o contribuinte leve os valores recolhidos a título de estimativa à composição do saldo do IRPJ/CSLL apurado em 31 de dezembro. Em assim sendo, o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei n° 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição) . Cientificada da decisão de primeira instância em 11/01/2011 (efl. 32) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 31/01/2011 (efl. 33), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Não cabe o pleito do contribuinte para comprovar nestes autos (mesmo que através de escrita contábil) eventual saldo negativo de IRPJ no ano calendário em questão, pois o litígio posto nestes autos é a procedência ou não do pagamento do IRPJ por estimativa no mês 08/2000. Ou seja, requerer crédito diverso correspondente a eventual saldo negativo de IRPJ no ano calendário deveria ser posto em outro procedimento administrativo, respeitado o prazo prescricional (art. 168 do CTN). Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma faziase necessário demonstrar para a autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado (IRPJ estimativa do período de apuração 08/2000) e confrontar com análise da situação fática referente aquele mês, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13227.900037/200892 Acórdão n.º 1001000.953 S1C0T1 Fl. 48 3 Ou seja, o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês com fundamento na legislação tributária. O fato do contribuinte eventualmente ter apurado prejuízo fiscal e saldo negativo IRPJ no ano calendário 2000 não torna os pagamentos de estimativa indevidos, eis que efetuados em obediência à legislação de regência. Reforço que recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei n° 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição) . Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003139/2006-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. VERDADE MATERIAL.
Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o direito de lançar, cabe ao sujeito passivo comprovar suas alegações, de forma cabal e cristalina, de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Aplicação da Súmula CARF nº 04.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO.
O Decreto nº 5.164/2004 reduziu a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não-cumulativa das referidas contribuições, mas produziu efeitos a partir de 2 de agosto de 2004, não se aplicando, todavia, às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge.
HEDGE. ALÍQUOTA ZERO A PARTIR DE 1º DE ABRIL DE 2005.
O Decreto no 5.442/2005 reduziu a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não-cumulativa das referidas contribuições, mas produziu efeitos a partir de 1º de abril de 2005, não se aplicando, ademais, aos juros sobre o capital próprio.
IMUNIDADE. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES PARA O EXTERIOR, EM SENTIDO ESTRITO.
A limitação da competência tributária para a instituição de contribuições sociais prevista no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal (inciso este incluído pela Emenda nº 33/2001) somente atinge as receitas decorrentes de exportações para o exterior, stricto sensu, não comportando a norma imunizante interpretação extensiva.
VENDAS NO MERCADO INTERNO PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO A EXPORTAÇÕES PARA O EXTERIOR. EFEITOS FISCAIS DEPENDENTES DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA VIGENTE.
O art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67 não diz que se considera, para qualquer fim, que as vendas no mercado interno para a Zona Franca de Manaus equivalem a uma exportação para o estrangeiro, restringindo os efeitos fiscais desta equiparação aos constantes da legislação em vigor, o mesmo ocorrendo com o art. 40 do ADCT, que prorrogou, de forma genérica, o tratamento diferenciado dado àquela região, mas quando fala em incentivos fiscais, a mesma Constituição estabelece, em seu art. 150, § 6º, que, no caso da União, somente poderá ser concedido mediante lei específica, ainda mais com interpretação restritiva e sem efeito pró-ativo, ou seja, não extensível a tributos instituídos posteriormente à sua concessão (arts. 111 e 177, II, do CTN).
RECEITAS DECORRENTES DE VENDAS DE MERCADORIAS A EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INEXISTÊNCIA DE NORMA ISENTIVA. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO A PARTIR DE 16/12/2004.
Não se encontra, no ordenamento jurídico, norma que isente as vendas de mercadorias a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus de forma indiscriminada, tendo somente havido a redução a zero da alíquota a partir de 16/12/2004, com a vigência do art. 2º da Lei nº 10.996/2004, regulamentada pelo Decreto nº 5.310/2004.
Numero da decisão: 3201-004.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. E em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: A) pelo voto de qualidade, quanto à imunidade das receitas oriundas de vendas à ZFM. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Rodolfo Tsuboi (conselheiro suplente) e Laercio Cruz Uliana Junior, que, no ponto, lhe davam provimento; b) por unanimidade de votos, quanto às demais matérias tratadas no voto. O conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade declarou-se impedido, tendo sido substituído pelo conselheiro suplente Rodolfo Tsuboi.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade) e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. VERDADE MATERIAL. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o direito de lançar, cabe ao sujeito passivo comprovar suas alegações, de forma cabal e cristalina, de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 04. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. O Decreto nº 5.164/2004 reduziu a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não-cumulativa das referidas contribuições, mas produziu efeitos a partir de 2 de agosto de 2004, não se aplicando, todavia, às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. HEDGE. ALÍQUOTA ZERO A PARTIR DE 1º DE ABRIL DE 2005. O Decreto no 5.442/2005 reduziu a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não-cumulativa das referidas contribuições, mas produziu efeitos a partir de 1º de abril de 2005, não se aplicando, ademais, aos juros sobre o capital próprio. IMUNIDADE. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES PARA O EXTERIOR, EM SENTIDO ESTRITO. A limitação da competência tributária para a instituição de contribuições sociais prevista no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal (inciso este incluído pela Emenda nº 33/2001) somente atinge as receitas decorrentes de exportações para o exterior, stricto sensu, não comportando a norma imunizante interpretação extensiva. VENDAS NO MERCADO INTERNO PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO A EXPORTAÇÕES PARA O EXTERIOR. EFEITOS FISCAIS DEPENDENTES DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA VIGENTE. O art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67 não diz que se considera, para qualquer fim, que as vendas no mercado interno para a Zona Franca de Manaus equivalem a uma exportação para o estrangeiro, restringindo os efeitos fiscais desta equiparação aos constantes da legislação em vigor, o mesmo ocorrendo com o art. 40 do ADCT, que prorrogou, de forma genérica, o tratamento diferenciado dado àquela região, mas quando fala em incentivos fiscais, a mesma Constituição estabelece, em seu art. 150, § 6º, que, no caso da União, somente poderá ser concedido mediante lei específica, ainda mais com interpretação restritiva e sem efeito pró-ativo, ou seja, não extensível a tributos instituídos posteriormente à sua concessão (arts. 111 e 177, II, do CTN). RECEITAS DECORRENTES DE VENDAS DE MERCADORIAS A EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INEXISTÊNCIA DE NORMA ISENTIVA. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO A PARTIR DE 16/12/2004. Não se encontra, no ordenamento jurídico, norma que isente as vendas de mercadorias a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus de forma indiscriminada, tendo somente havido a redução a zero da alíquota a partir de 16/12/2004, com a vigência do art. 2º da Lei nº 10.996/2004, regulamentada pelo Decreto nº 5.310/2004.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. E em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: A) pelo voto de qualidade, quanto à imunidade das receitas oriundas de vendas à ZFM. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Rodolfo Tsuboi (conselheiro suplente) e Laercio Cruz Uliana Junior, que, no ponto, lhe davam provimento; b) por unanimidade de votos, quanto às demais matérias tratadas no voto. O conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade declarou-se impedido, tendo sido substituído pelo conselheiro suplente Rodolfo Tsuboi. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade) e Laercio Cruz Uliana Junior.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. VERDADE MATERIAL. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o direito de lançar, cabe ao sujeito passivo comprovar suas alegações, de forma cabal e cristalina, de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 04. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006 RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. O Decreto nº 5.164/2004 reduziu a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições, mas produziu efeitos a partir de 2 de agosto de 2004, não se aplicando, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 39 /2 00 6- 37 Fl. 2053DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.054 2 todavia, às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. HEDGE. ALÍQUOTA ZERO A PARTIR DE 1º DE ABRIL DE 2005. O Decreto no 5.442/2005 reduziu a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições, mas produziu efeitos a partir de 1º de abril de 2005, não se aplicando, ademais, aos juros sobre o capital próprio. IMUNIDADE. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES PARA O EXTERIOR, EM SENTIDO ESTRITO. A limitação da competência tributária para a instituição de contribuições sociais prevista no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal (inciso este incluído pela Emenda nº 33/2001) somente atinge as receitas decorrentes de exportações para o exterior, stricto sensu, não comportando a norma imunizante interpretação extensiva. VENDAS NO MERCADO INTERNO PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO A EXPORTAÇÕES PARA O EXTERIOR. EFEITOS FISCAIS DEPENDENTES DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA VIGENTE. O art. 4º do DecretoLei nº 288/67 não diz que se considera, para qualquer fim, que as vendas no mercado interno para a Zona Franca de Manaus equivalem a uma exportação para o estrangeiro, restringindo os efeitos fiscais desta equiparação aos “constantes da legislação em vigor”, o mesmo ocorrendo com o art. 40 do ADCT, que prorrogou, de forma genérica, o tratamento diferenciado dado àquela região, mas quando fala em “incentivos fiscais”, a mesma Constituição estabelece, em seu art. 150, § 6º, que, no caso da União, somente poderá ser concedido mediante lei específica, ainda mais com interpretação restritiva e sem efeito próativo, ou seja, não extensível a tributos instituídos posteriormente à sua concessão (arts. 111 e 177, II, do CTN). RECEITAS DECORRENTES DE VENDAS DE MERCADORIAS A EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INEXISTÊNCIA DE NORMA ISENTIVA. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO A PARTIR DE 16/12/2004. Não se encontra, no ordenamento jurídico, norma que isente as vendas de mercadorias a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus de forma indiscriminada, tendo somente havido a redução a zero da alíquota a partir de 16/12/2004, com a vigência do art. 2º da Lei nº 10.996/2004, regulamentada pelo Decreto nº 5.310/2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2054DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.055 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. E em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: A) pelo voto de qualidade, quanto à imunidade das receitas oriundas de vendas à ZFM. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Rodolfo Tsuboi (conselheiro suplente) e Laercio Cruz Uliana Junior, que, no ponto, lhe davam provimento; b) por unanimidade de votos, quanto às demais matérias tratadas no voto. O conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade declarouse impedido, tendo sido substituído pelo conselheiro suplente Rodolfo Tsuboi. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade) e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório elaborado no acórdão nº 3201000.711 que decidiu converter o julgamento em diligência, que transcrevo, a seguir: Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de ação fiscal levada a efeito com relação Contribuinte em epígrafe, a qual resultou em Lançamento, consubstanciado no "Auto de Infração" de fls. 194/196, da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS no que tange aos anoscalendário de 2003, 2004, 2005, 2006. O Auto de Infração em apreço decorre da constatação de "divergências entre o valores declarados e os valores escriturados" (fl. 195). Contra o Auto de Infração foi apresentada a impugnação de fls. 207/219, onde se alega, em síntese, no sentido: de que, especificamente quanto aos fatos geradores de janeiro e fevereiro de 2003, o PIS efetivamente declarado e pago é superior ao considerado pela Autoridade Fiscalizadora, sendo Fl. 2055DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.056 4 que a importância apurada pela Fiscalização em relação a fevereiro corresponde ao valor efetivamente declarado pela Contribuinte no que tange a janeiro; de que a Fiscalização deixou de levar em conta certas receitas (juros sobre o capital próprio, receita de comissão, receitas diversas e receitas de aluguel); de que valores de variação cambial ativa, correção monetária pósfixada, outras receitas financeiras e receitas decorrentes de operações de hedge foram computados na base de cálculo da contribuição, contrariando os Decretos 5.164/2004 e 5.442/2005; de que, "embora as receitas financeiras se enquadrem no campo da incidência tributária do PIS, tiveram a sua aliquota reduzida a zero a partir de 2.8.2004, com base nos Decretos n° 5.164/2004 e 5.442/2005" (fl. 211); de que as receitas decorrentes das vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus ZFM integraram indevidamente a base de cálculo da contribuição, pois tais receitas "são imunes ao PIS nos termos do artigo 149, § 20, inciso I, da CF/88" (fl. 213), por conta — em conformidade com o Decretolei 288/67 e ADCT, art. 40 — de sua equiparação à exportação; e de que, caso não seja acatado o entendimento acima, a aliquota relativa as receitas decorrentes de vendas para a ZFM foi reduzida a zero pelo Decreto 5.310/2004, vigorando "a partir da data de sua publicação (15.12.2004)" (fl. 217) e, "Com efeito, a partir de 16.12.2004, as receitas decorrentes da venda destinadas a ZFM passaram a ser tributas a aliquota zero" (fl. 217). Pelo Memorando 1/2009 desta 9º Turma de Julgamento, os autos do processo 19515.003138/200692 foram requisitados para a extração de cópias, que foram anexadas ao presente (fls. 396/419). Examinando o referido processo 19515.003138/200692, verificase dele constar o acórdão 20.311 veiculando o que segue (fls. 397/408): "Trata o presente processo de ação fiscal levada a efeito com relação à Contribuinte em epígrafe, a qual resultou em Lançamento, consubstanciado no "Auto de Infração" de fls. 193/195, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins no que tange aos anoscalendário de 2004, 2005, 2006. O Auto de Infração em apreço decorre da constatação de "divergências entre os valores declarados e os valores ( escriturados" (f/. 194). Contra o Auto de Infração foi apresentada a impugnação de fls. 206/216, onde se alega, em síntese, no sentido: de que a Fiscalização deixou de levar em conta certas receitas Ouros sobre o capital próprio, receita de comissão, receitas diversas e receitas de aluguel); de que valores de variação cambial ativa, correção monetária pósfixada, outras receitas financeiras e receitas decorrentes de operações de hedge foram computados na base de cálculo da contribuição, contrariando os Decretos 5.164/2004 e 5.442/2005; de que, "embora as receitas Fl. 2056DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.057 5 financeiras se enquadrem no campo da incidência tributária da COFINS, tiveram sua alíquota reduzida a zero a partir de 2.8.2004, com base nos Decretos n° 5.164/2004 e 5.442/2005" (fi. 209); de que as receitas decorrentes das vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus ZFM integraram indevidamente a base de cálculo da contribuição, pois tais receitas "são imunes A exação, nos termos dos artigos 149, § 2°, inciso I, da CF/88 e 6°, inciso I, da Lei n° 10.833/2003" (fl. 216), por conta, em conformidade com o Decretolei 288/67 e ADCT, art. 40, de sua equiparação a exportação; e de que, caso não seja acatado o entendimento acima, a alíquota relativa as receitas decorrentes de vendas para a ZFM foi reduzida a zero pelo Decreto 5.310/2004, vigorando "a partir da data de sua publicação (15.12.2004)" (11. 215) e, "Com efeito, a partir de 16.12.2004, as receitas decorrentes da venda destinadas A ZFM passaram a ser tributas A alíquota zero"(fl. 215); Após exames preliminares nesta DRJ, os autos foram enviados a DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE FISCALIZAÇÃO/SÃO PAULO (DEFIC), conforme proposta de fls. 420/424, objetivando o agravamento da exigência, se fosse o caso, e/ou um novo levantamento das bases de cálculo. Pelo Relatório Fiscal de fl. 427 entendeu a Autoridade Lançadora que "dentre os levantamentos citados, o que cabe esclarecer, e aquele que dentro do grupo contábil 431, Outras Receitas Operacionais, são efetuados lançamentos referentes a estorno das provisões contabilizadas em momento anterior, acarretando no resultado presente um estorno de despesas. Tais contas não são computadas na base de calculo do PIS e COFINS, por não representarem ingresso de receitas para a empresa, e tem como base o disposto no II do parágrafo 2°, artigo 3° da Lei 9.718/98 e do artigo 1°, parágrafo 3°, inciso V, alínea b da Lei 10.637/02. E também a conta equivalência patrimonial não entra na base de cálculo do PIS/COFINS (..). Portanto são esses valores que foram reduzidos do item Outras Receitas Auferidas (..)" (fl. 427). Concluiu a Autoridade Lançadora pela reafirmação do que consta "no Termo de Verificação Fiscal (fls 191 a 192)" (jl. 427). Pela manifestação de fls. 430/431, a Contribuinte se pôs em • "concordância com o relatório fiscal" (fl. 431). 0 presente processo novamente foi baixado em diligência,notandose na ocasião que "descartou a Fiscalização a possibilidade de agravamento da exigência" N. 438), mas que permanecia "a questão relativa ao novo levantamento do crédito tributário por conta da aplicação dos Decretos 5.164/2004, 5.442/2005, 5.310/2004 e/ou demais diplomas pertinentes em relação aos valores de variação cambial ativa, correção monetária pós fixada, outras receitas financeiras e receitas decorrentes de operações de hedge, bem como em relação As receitas decorrentes das vendas efetuadas para a ZFM" al. 438). Pelo relatório de fls. 446/447, a Fiscalização recalculou as bases de cálculo da contribuição, conforme planilha de fls. 448, Fl. 2057DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.058 6 "com as exclusões das receitas financeiras discriminadas As fls. 74 a 76 e das vendas A zona franca de Manaus discriminadas As fls. 280 e 324, das bases de cálculo do Auto de Infração, a partir das datas de vigência dos Decretos" N. 446), referindose aos Decretos 5.164/2004 e 5.310/2004. Registrou ainda a Fiscalização: "Quanto As operações de hedge, cuja aliquota relacionada com o COFINS foi reduzida a zero por força do Decreto n.° 5442, de 09/05/2005, não se aplica no presente caso, pois somente houve tal situação no mês de março de 2005 (fls. 280), antes da vigência do Decreto" (/1. 446). A mencionada planilha de fls. 448 apresenta novas bases de cálculo relativas aos meses de agosto, setembro, outubro e novembro de 2004, assim como ao mês de janeiro de 2005, com a seguinte observação: "Ficam reduzidas a zero, como o mês de nov/04, as bases de cálculo de fey/OS a out/06, pois as bases de cálculo apuradas no AI (fls. 187 a 189) são menores que a soma das Receitas Financeiras (fls. 74 a 76) com as Vendas para a Zona Franca de Manaus (fls. 280 e 324)". Pela manifestação de fls. 450/454, a Contribuinte se pay em concordância parcial com a Fiscalização, entendendo: que também as receitas relativas a vendas para a ZFM, auferidas em períodos de apuração anteriores a janeiro de 2005 não sofrem a tributação imposta porque "as referidas receitas se equiparam a receitas de exportação e, assim, são imunes A incidência da COFINS " (fis. 451); e que em relação ao período de janeiro de 2005 há indevida incidência sobre receitas relativas "a venda de mercadorias que já haviam sido tributadas em dezembro de 2004" (11. 452), bem como indevida desconsideração de créditos do sujeito passivo "oriundos de mercadorias devolvidas em dezembro/2004" (fl. 452)." A Delegacia de Julgamento julgou procedente em parte a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Ano calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 TRANSPOSIÇÃO DOS VALORES. Havendo equivoco da Fiscalização em transposição de valores declarados pela Contribuinte, cabível a exoneração do crédito tributário decorrente do engano. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. O Decreto 5.164/2004 reduziu a zero as aliquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições, o qual produziu efeitos a partir de 2 de agosto de 2004, não se aplicando, todavia, às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. Fl. 2058DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.059 7 HEDGE. ALÍQUOTA ZERO A PARTIR DE 1o DE ABRIL DE 2005. 0 Decreto 5.442/2005 reduziu a zero as aliquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições, o qual produziu efeitos a partir de 1' de abril de 2005, não se aplicando, ademais, aos juros sobre o capital próprio. ZONA FRANCA DE MANAUS ZFM. Estabeleceu o Decreto 5.310, de 15 de dezembro de 2004, que as aliquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre a receita bruta auferida com a venda de mercadorias destinadas a consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora dela, são de zero por cento, não havendo que se falar,no caso, em suposta imunidade. CONTESTAÇÃO As LEIS/NORMAS JURÍDICAS. A autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar suposta inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de norma inserida no ordenamento jurídico nacional, traduzindose tal ausência de competência na impossibilidade de o Julgador administrativo afastar a aplicação de norma supostamente inconstitucional e/ou ilegal. Lançamento Procedente em Parte Na decisão recorrida, em síntese, exonerouse parte dos valores, pela constatação de equívoco da Fiscalização na transposição dos valores declarados pela ora Recorrente e, considerando "que as importâncias efetivamente declaradas de R$ 592.514,38 (fl. 79), no que tange a Janeiro/2003, e R$ 634.519,97 (fl. 79), no que tange a fevereiro/2003, são superiores àquelas consideradas pela Autoridade Fiscal — respectivamente R$ 577.169,49 (fl. 187) e R$ 616.994,97 (fl. 187) —, o crédito tributário lançado de tais meses deve ser exonerado". Observandose que a mesma situação deuse em relação ao lançamento de Cofins, para os mesmo fatos geradores, lançados no processo 19515.003138/200692. Quanto à alegação de que valores de variação cambial ativa, correção monetária pósfixada, outras receitas financeiras e receitas decorrentes de operações de hedge foram computados na base de cálculo da contribuição, contrariando os Decretos 5.164/2004 e 5.442/2005, o Decreto 5.164/2004 reduziu a zero as aliquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições, o qual Fl. 2059DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.060 8 produziu efeitos a partir de 2 de agosto de 2004, não se aplicando, todavia, as receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. Por outro lado, em maio de 2005, o Decreto 5.442/2005 reduziu a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições, o qual produziu efeitos a partir de lo de abril de 2005, não se aplicando, aos juros sobre o capital próprio. Assim, foram recalculados os valores, exonerandose parte do crédito tributário. Sobre a Zona Franca de Manaus, embora a Recorrente defendesse a imunidade das operações, a decisão recorrida afirmou que Decreto 5.310, de 15 de dezembro de 2004, cuida de alíquota zero aplicável em vendas à ZFM, reconhecendo, assim, a nãoimunidade. Assim, com base na argumentação e recálculo dos valores, foi exonerado grande parte do crédito tributário exigido. Em sede de recurso voluntário, quanto à parte remanescente da autuação, reiterou os argumentos de imunidade para produtos voltados para ZFM, além de que afirma que para os períodos de apuração de agosto, setembro e outubro de 2004, houve redução a zero da aliquota do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta auferida com a venda de mercadorias destinadas a consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, por meio do artigo 20 da Medida Provisória (MP) no 202, publicada em 26.7.2004. No tocante ao débito de PIS referente ao período de apuração de janeiro de 2005, embora o acórdão recorrido, adotando os fundamentos do Acórdão proferido no processo administrativo n. 19515.003138/200692, entendeu que os fundamentos relacionados indevida tributação de receitas referentes a venda de mercadorias que já haviam sido tributadas em dezembro de 2004, bem como à não consideração, no cálculo da COFINS, de créditos oriundos de mercadorias devolvidas em dezembro/2004, supostamente não poderiam ser apreciados, pois não teriam sido oportunamente abordados pela Recorrente, afirmou que foram detalhadamente rechaçados em sua impugnação, inclusive com elaboração de planilhas. Finalmente, quanto à taxa SELIC, a Recorrente afirmou que a mesma não pode ser aplicada no cálculo de créditos tributários, sob pena de violação aos artigos 50, inciso II e 150, inciso I, da CF/88, uma vez que não teria sido criada por lei para fins tributários; e não possui caráter moratório, na medida em que é calculada e divulgada unilateralmente pelo BACEN, com base na variação do custo do dinheiro e na flutuação desse custo no mercado financeiro, o que lhe confere nítida natureza remuneratória do capital alheio. Fl. 2060DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.061 9 É o relatório Submetido a julgamento por este mesmo Colegiado, na sessão de 25/08/2016, Resolução nº 3201000.711, de relatoria da Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, decidiram seus Conselheiros, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ponderou a Relatora que um dos itens remanescentes da exigência inicial e que foi impugnado pela Recorrente, diz respeito ao período de apuração de janeiro de 2005, sobre a indevida tributação de receitas referentes a venda de mercadorias que já haviam sido tributadas em dezembro de 2004, bem como à não consideração, no cálculo da contribuição, de créditos oriundos de mercadorias devolvidas em dezembro/2004, que não foram apreciados, por preclusão. Todavia, explicitouse que a contribuinte em sua impugnação apresentou planilhas (fls. 294, 319, 327 e 336) e cópias de seus Livros Razão (fls. 320/326 e 328/335) como "doc. no 6" da Impugnação. Foram demonstradas, assim, quais receitas não podem ser incluídas na base de cálculo do PIS pelas autoridades administrativas, bem como foram indicados os valores dos créditos a titulo de devoluções que devem ser computados na apuração da referida contribuição. Compulsado os autos, verificouse que procede as alegações da contribuinte em relação à juntada de planilhas bem como da alegação efetuada, em face da determinação da diligência pela DRJ. Dessa forma, por entender não restar preclusa as alegações acerca da matéria em referência, o voto foi encaminhado para a conversão do julgamento em diligência nos seguintes termos (fls. 1.148): Em face do exposto, por não se entender preclusa a alegação da matéria em referência, pela observância do Princípio da Verdade Material e porque não foi apreciada anteriormente a questão, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora analise a inexigibilidade do PIS para o período de apuração de janeiro de 2005, relativo a indevida tributação de receitas referentes a venda de mercadorias que já haviam sido tributadas em dezembro de 2004, bem como a não consideração, no cálculo da contribuição, de créditos oriundos de mercadorias devolvidas em dezembro/2004. Após a conclusão do relatório, devem ser dada ciência para que a Recorrente manifestese no prazo de 30 dias, prorrogáveis por mais 30, ara que retornem à turma, para prosseguimento do julgamento. Retornou da diligência, tendo a unidade origem elaborada a Informação Fiscal (fls. 1.932/1.981), na qual narra o procedimento e suas conclusões, a seguir sintetizadas. 1 Com o objetivo de coletar as informações foram expedidos termos de intimação para a apresentação de documentos e esclarecimentos, notadamente : Fl. 2061DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.062 10 1.1 a escrituração em meio magnético no formato especificado em atos da Receita Federal que demonstrassem contabilmente, de forma inequívoca, a existência de diferença da base de cálculo nos períodos de apuração; 1.2 arquivos de lançamentos contábeis, de saldos mensais, tabela de Plano de contas, tabelas de centro de custo/despesa, de natureza da operação e de mercadorias/serviços; 1.3 esclarecimentos, justificativas, bem como relatórios de controle interno e demais documentos necessários à comprovação hábil dos valores de devolução e de mercadorias nas transportadoras; 1.4 memória de cálculo e esclarecimentos relativamente aos cálculos da apuração do PIS, referente aos períodos de DEZ/04 e JAN/05, que deixassem devidamente comprovados a matéria neste processo discutida; 1.5 PLANILHA EXCEL contendo a relação das Notas Fiscais (separadamente para cada mês e por estabelecimento) que discriminem as citadas “DEVOLUÇÕES” e " "MERCADORIAS NAS TRANSPORTADORAS" nos períodos sob exame; 1.6 Mídia digital do tipo PEN DRIVE, contendo os documentos solicitados, devidamente digitalizados, com respectivo Hash Code, onde constassem todos os arquivos tipo Adobe Acrobat document Adobe Reader (PDF) solicitados; 2. A contribuinte cumpriu parcialmente ao solicitado nos termos de intimação, tendo a autoridade fiscal consignado as inconsistências e omissões, como descrito: 2.1 Os arquivos digitais não puderam ser abertos pelos sistemas da RFB, por não atenderem às especificações e formatos prescritos nos atos normativos; 2.2 No tocante aos documentos, esclarecimentos, justificativas e relatórios e demais documentos que comprovassem cabalmente os valores relativos às "devoluções" e "mercadorias nas transportadoras", a contribuinte limitouse a reproduzir texto apresentado nos autos (recurso voluntário); 2.3 A contribuinte não apresentou as planilhas excel contendo a relação das notas fiscais que discriminassem as "devoluções" e "mercadorias nas transportadoras" no período sob diligência, com o argumento de que "tendo em vista o remoto período abarcado, não foi possível entrar no detalhe sugerido" (grifei) 3. A conclusão da fiscalização foi no sentido de que a recorrente não apresentou os documentos mínimos necessários que permitissem a análise contábil dos valores de mercadorias na transportadoras e de devoluções de vendas, do período. Em verdade, limitouse a reproduzir o que já havia suscitado em sede de recurso voluntário. 4. Ressalta ainda a autoridade fiscal que a ausência da contabilidade completa impediu a análise de informações lançadas em livros auxiliares ou mesmo em anotações manuscritas nas cópias de livros e informativos (planilha) apresentados. 5. Finaliza a informação fiscal com as conclusões, das quais ressaltase o transcrito a seguir: Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.063 11 Conforme detalhadamente exposto, fica relatado e demonstrado que os documentos juntados pelo contribuinte, em atendimento ao exame realizado por esta fiscalização (sendo parte delas cópias dos documentos anteriormente juntados ao presente processo administrativo, no Recurso Voluntário) limitamse a justificar a origem dos valores discutidos mas nada comprovam. Importante salientar que em caso de litígio fiscal somente “a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por DOCUMENTOS HÁBEIS , segundo sua natureza ou assim definidos em preceitos legais”. [...] Assim, concluímos que resultou infrutífera esta diligência, posto que nenhuma comprovação hábil foi apresentada pelo contribuinte, que possibilitasse o atendimento do despacho de fls. 1.148. Cientificada da informação fiscal (fl 1.938) a recorrente aduz que a autoridade fiscal encarregada da diligência não analisou a documentação apresentada e limitou se a demonstrar seu descontentamento com a realização da diligência. Alega que a autoridade fiscal exigiu documentos e informações "impossíveis de serem prestados" em razão de ter ultrapassado mais de 15 anos do fato gerador. Na sequência reapresenta quadros demonstrativos dos valores relativos às devoluções de vendas e de mercadorias remetidas às transportadoras para afirmar que se tratam de elementos suficientes para o cancelamento da exigência fiscal. Conclui que fora comprovada a improcedência dos débitos de PIS objeto de lançamento fiscal, requer seu cancelamento e que seja dado provimento integral ao seu recurso voluntário. O processo foi encaminhado ao CARF e redistribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Restam em litígios as seguintes matérias/argumentos suscitados no recurso voluntário (889/992): 1. Débitos de PIS dos períodos de apuração de agosto, setembro e outubro de 2004: imunidade das receitas decorrentes de vendas à Zona Franca de Manaus, por se equipararem a receitas decorrentes de exportação; Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.064 12 2. Débito de PIS do período de apuração de janeiro de 2005: impossibilidade de incidência do PIS sobre receitas tributadas em dezembro de 2004, e a necessidade de serem considerados créditos oriundos de mercadorias devolvidas em dezembro/2004; 3. A indevida exigência de juros à Taxa SELIC; 4. Pedido de diligência e/ou perícia e apresentação de novos documentos. A. RECURSO VOLUNTÁRIO O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Apuração do PIS em janeiro de 2005 receita tributada em dez/04 e crédito sobre devolução de venda realizada em dez/04 Passo a enfrentar primeiramente a matéria que fora objeto de diligência a exigibilidade de PIS referente às receitas de janeiro/2005. A fiscalização lançou valores de PIS em janeiro/2005 referentes a receitas de vendas que entendeu não incluídas na base de cálculo das Contribuições. Na impugnação a recorrente apontou em planilhas duas rubricas cujos valores alega indevidamente tributadas, que foram contabilizados no Livro Razão Auxiliar: (i) mercadorias vendidas em dezembro/2004, e tributada neste mesmo período (apurada em 12/2004), e remetidas às transportadoras em janeiro/2005, para entrega a seus cliente; e (ii) em razão da não consideração, no cálculo do PIS não cumulativo devido, dos créditos oriundos de mercadorias devolvidas em dezembro/ 2004, contabilizadas em janeiro/2005. A DRJ não enfrentou a matéria litigiosa sob o fundamento da preclusão, pois não fora expressamente impugnada em sua peça de defesa. Afastada a preclusão, o primeiro julgamento nesta Turma foi convertido em resolução para que a unidade de origem analisasse a inexigibilidade do PIS para o período de 2005, relativamente aos dois tópicos/rubricas suscitados pela contribuinte. De fato, os valores das receitas e devoluções em discussão foram informados em planilhas e Razão Auxiliar, ainda em sede de impugnação. Todavia, revestese o litígio em infirmar a acusação fiscal de que valores de receitas não foram oferecidos à tributação do PIS, no período de apuração 01/2005, assim como os créditos com devoluções relativas a dezembro/2004 e tomados em janeiro/2005 não foram considerados na apuração. As alegações que somente vieram após a impugnação e as indicações em planilhas e Razão Auxiliar foram produzidas pela contribuinte e as provas desses fatos são de sua exclusiva propriedade, do que decorre que lhe incumbia a apresentação das notas fiscais e demais documentos que corroborassem essas informações prestadas. Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.065 13 A simples informação, em planilhas, livros auxiliares da contabilidade não satisfaz a verdade material. Deveria a contribuinte comprovar suas alegações de forma cabal com a exata e inconteste correlação dos valores informados (planilha, Razão Auxiliar) com as notas fiscais. Pois bem; vêse na Informação Fiscal da diligência que foram especificamente solicitados documentos em formato exigido pela RFB, e simultaneamente em arquivo do tipo "pdf", mas também oportunizou à contribuinte a apresentação de documentos e informações que se julgasse suficiente à comprovação de forma hábil e idônea das "devoluções" e "mercadorias nas transportadoras" nos períodos em discussão (dez/2004 e jan/2005). Verificase que elementos essenciais, tais como notas fiscais e registros contábeis, permaneceram, e ainda permanecem, ausentes na comprovação dos valores de devoluções e de mercadorias remetidas às transportadoras que seriam deduzidas (na forma de crédito) ou excluídas da base de cálculo das Contribuições, ainda que admitida a simples relação em arquivo em "pdf". Portanto, não há respaldo à arguição de que foram solicitados documentos em formatos de arquivos com base em atos normativos que a contribuinte não se obriga a atender. Arquivos em "pdf" são facilmente obtidos e manuseáveis. Asseverou a fiscalização que os únicos arquivos novos apresentados contém informações do Plano de Contas e memória de cálculo. Estes, isoladamente, ou seja, sem as respectivas notas fiscais que lhes dão suporte, não tem o condão de comprovar as alegações e informações de que os valores referentes às mercadorias nas transportadoras foram tributadas em dezembro/2004 e que os valores relativos a parte das devoluções de dezembro/2004 somente foram contabilizados em janeiro/2005. Essa providência é simples e seu cumprimento é singelo; todavia, a contribuinte não o fez. Bastaria comprovar que o somatório dos valores de determinadas notas fiscais de venda, realizadas em dezembro de 2004, cujas mercadorias foram transferidas às transportadoras, foram tributados como receita naquele período (dez/2004) e que corresponderiam exatamente às receitas que a fiscalização lançou em janeiro de 2005. A indicação de valores em planilhas e no Razão auxiliar, e mesmo em Dacon (ainda que não suscitado nesses autos), sem o suporte probatório da exibição das cópias das notas fiscais ou mesmo sua consolidação com todos os dados necessários em planilha ou arquivo, tal como oportunizado sua realização pela fiscalização não possui o conteúdo probatório hábil a afastar o lançamento fiscal. Mesmo raciocínio quanto às devoluções de vendas que alega ter utilizado créditos de parcelas em dezembro/2004, em janeiro/2005 e ainda restar saldo que afirma ter optado por ainda não utilizálos. Nada foi comprovado documentalmente; apenas informações consignadas. Ademais, se a recorrente insiste na irresignação quanto à matéria desde o julgamento de 1ª instância, não poderia justificar a desobrigação de apresentar os documentos comprobatórios com o argumento de que houvera ultrapassado o prazo legal para sua guarda. Justamente na oportunidade em que este Órgão Julgador afasta a preclusão e reconhece o direito da contribuinte de ver analisada sua pretensão, faltaram as provas das alegações e informações prestadas. Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.066 14 Diante da inexistência de tal comprovação não há como afastar o lançamento e a glosa fiscal. Imunidade das receitas decorrentes de vendas A Zona Franca de Manaus receitas de exportação por equiparação Suscita a contribuinte que com relação aos períodos de apuração de agosto, setembro e outubro de 2004, as receitas decorrentes de venda para a Zona Franca de Manaus não podem ser incluídas na base de cálculo do PIS. Entende que tais receitas equiparamse àquelas de exportação, nos termos do DL nº 288/67, razão pela qual são imunes à exação, nos termos dos artigos 149, § 2°, inciso I, da CF/88 e 50, inciso I, da Lei n° 10.637/2002, e consoante já decidido pelos Tribunais Superiores e pelo antigo Conselho de Contribuintes. Alega, ainda, ter demonstrado que, a partir de 26/07/2004, a alíquota do PIS e da COFINS foi reduzida à zero em relação às receitas decorrentes de venda destinadas à Zona Franca de Manaus, nos termos da MP nº 202/2004 (posteriormente convertida na Lei nº 10.996/2004), de aparente inconstitucionalidade e ilegalidade. A imunidade das receitas de vendas efetuada a adquirente na Zona Franca de Manaus e a pretensa equiparação à receita de exportação foi decidida pela Câmara Superior no julgamento de recurso especial do mesmo contribuinte envolvendo a Cofins, no processo nº 19515.003138/200692, de relatoria de seu Presidente, Rodrigo da Costa Pôssas, no acórdão nº 9303005.787, de 20/09/2017. Naquele julgamento assentouse o entendimento de que a (i) limitação constitucional para instituição de contribuições sociais somente atinge as receitas decorrentes de exportação para o exterior, não abarcando as saídas para ZFM; (ii) o art. 4º do DL nº 288/97 não permite concluir que se considera as vendas no mercado interno para a ZFM equivalem a uma exportação para o estrangeiro e; (iii) inexiste norma que isente as vendas de mercadorias a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manuas de forma indiscriminada, tendo somente havido a redução a zero da alíquota a partir de 16/12/2004, com a vigência do art. 2º da Lei nº 10.996/2004, regulamentada pelo Decreto nº 5.310/2004. Por concordar com os fundamentos do voto condutor do acórdão adotoo como minhas razões de decidir, reproduzindo seus excertos: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Para mim, é decisiva a mera transcrição do art. 4º do DecretoLei nº 288/67: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Vejamos agora o dispositivo que estabeleceu a imunidade em discussão das contribuições sociais nas exportações (e, vejase Fl. 2066DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.067 15 bem, atingindo somente as receitas de exportação para o exterior stricto sensu, e resultante de uma Emenda de 2011, ou seja, treze anos depois da promulgação da Constituição): Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Assim, quando foi editado o DecretoLei nº 288/67 e, mesmo quando foram prorrogados os benefícios dados à ZFM pelo ADCT, nem se cogitava em imunidade para as contribuições sociais. Aliás, vejamos também o que diz o art. 40 do ADCT: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Mas esta questão temporal, obviamente em nada influenciaria se os citados dispositivos relativos à ZFM falassem em imunidade. Ocorre, no entanto, que imunidade é limitação da competência tributária, por definição, constitucional. Incentivo fiscal, como a isenção, é dado por lei, ainda mais específica (art. 150, § 6º, da Constituição Federal), com interpretação da mais restritiva (art. 111, II, do CTN), e não extensiva aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão (art. 177, II, também do CTN). Afastada a alegação de imunidade, passemos à análise do que historicamente diz a legislação a respeito da vendas no mercado interno para a ZFM (o que inclui também os Decretos, a teor do art. 96 do CTN e que, salvo em algumas exceções – nos quais o presente caso não se enquadra – devem ser observados pelos Conselheiros do CARF, conforme preceitua nosso Regimento). Ao contrário do que pretende levar a crer a recorrente, houve muitas exclusões expressas das vendas à Zona Franca de Manaus nos casos de isenções para exportações para o exterior que atingissem as contribuições, e isto tem como principal razão de ser que estas exações (antes nem consideradas tributos) terem a finalidade precípua de financiar a seguridade social, o que, como enfatizado na Constituição, deve ser feito por toda a sociedade. Fl. 2067DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.068 16 No caso do IPI, por exemplo, sempre houve a isenção, inclusive regulada por Decreto (mas, com restrições a diversos produtos, o que seria inconcebível em uma imunidade “generalizada”, sendo ainda mais incoerente buscar um tratamento “homogêneo” para todo e qualquer tributo – e isto está, repito, claríssimo no art 4º do DecretoLei nº 288/67, quando fala em “efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor”). Então, o que importa, é a legislação em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores. Há que se reconhecer que as várias mudanças havidas – especialmente por Medidas Provisórias, inclusive atingidas por decisões do STF (ainda que de forma temporária) – trazem alguma dificuldade para o intérprete, mas a PGFN, em suas Contrarrazões, fez um análise mais que detalhada, concluindo “pela inexistência de norma geral de isenção de PIS e Cofins acobertando, de forma indiscriminada, as vendas de mercadorias a empresas situadas na Zona Franca de Manaus”. O que efetivamente deve ser tomado como base é o art. 2º da Lei nº 10.996/2004: Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus – ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. (Vide Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) Não faria qualquer sentido esta redução a zero da alíquota ser inserida no ordenamento jurídico se já houvesse a isenção, ou, mais injustificadamente ainda, a imunidade (isto sem falar que este dispositivo sofreu restrições pelo art. 21 da Lei nº 13.137/2015, que excluiu vários produtos do benefício, remetendo aos listados no art. 14 da Lei nº 13.097/2015). E esta lei, conforme reza seu art. 6º, entrou em vigor na data de sua publicação, que se deu 16/12/2004, mesma data em que passou a ter eficácia o seu Decreto regulamentador (nº 5.310/2004), devidamente aplicado pela Fiscalização em recálculo feito em procedimento de Diligência, procedimento acatado pela Instância de Piso e no Acórdão Recorrido. Ex positis, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte Ademais a alegação de " aparente inconstitucionalidade e ilegalidade" deve ser rechaçada com a Súmula CARF nº 02, segundo a qual o: " CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Fl. 2068DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.069 17 Exigência de juros à Taxa SELIC Alega a recorrente que a aplicação da taxa Selic ao crédito tributário viola os arts. 5º, II e 150, I da CF/88 pois não foi criada para fins tributários e não possui caráter moratório. Sem razão a recorrente. Os juros de mora equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, Selic, são devidos e calculados sobre o crédito tributário não pagos no vencimento, por expressa previsão legal do art. 161 do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. O crédito tributário não pago no respectivo vencimento fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento, conforme a Súmula CARF nº 04: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Pedido de diligência e/ou perícia e apresentação de novos documentos A contribuinte roga por realização de diligência, perícia e apresentação de novos documentos. A perícia pressupõe a pesquisa de fatos por pessoas de reconhecido saber, habilidade e experiência, que permitam o esclarecimento de certas dúvidas surgidas com o processo, e somente se faz necessária quando o simples exame dos autos pelo julgador não seja suficiente, exigindose o pronunciamento por parte de técnico especializado no assunto. O Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 70.235/72 em seu art. 16, IV e §1º, alterado pela Lei nº 8.748/1993, determina que todo pedido de perícia deve indicar os motivos que o justifiquem e o perito do sujeito passivo. Caso contrário, o pedido deve ser considerado não formulado. Portanto, não tem efeito o pedido de perícia da recorrente. Assim, desnecessária providências de diligência e perícia pois os fundamentos antecedentes são suficientes para decidir a controvérsia. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. A apresentação de documentos probatórios tem seu momento adequado, segundo prescreve o Processo Administrativo Fiscal: Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.070 18 Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Destarte, omitindose a contribuinte em apresentar suas provas em momento adequado, ou comprovar situação ou fato impeditivo de fazêla tempestivamente, precluso estará seu direito B. RECURSO DE OFÍCIO A decisão recorrida exonerou valores de PIS do período de apuração janeiro e fevereiro de 2003, agosto a novembro de 2004, e janeiro a fevereiro de 2006; portanto, três períodos, mas com apenas dois fundamentos diferentes. No primeiro período exonerado, janeiro a fevereiro de 2003, o motivo foi o pagamento efetivamente maior que o lançado, em decorrência de equívoco da autoridade fiscal na transposição de valores declarados pela contribuinte, exposto nos seguintes termos: Havendo a Unidade Preparadora do processo dado os autos para prosseguimento, calha observar de inicio neste voto, quanto A alegação de que em relação aos fatos geradores de janeiro e fevereiro de 2003 o PIS efetivamente declarado e pago é superior ao considerado pela Autoridade Fiscalizadora, que: a) o PIS de janeiro de 2003 que teria sido declarado pela Contribuinte segundo o Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada, no montante de R$ 532.247,40 (fl. 187), corresponde a Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF declarado pela Contribuinte em DCTF (fl. 79); Fl. 2070DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.071 19 b) o PIS de fevereiro de 2003 que teria sido declarado pela Contribuinte segundo o Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada, no montante de R$ 592.514,38 (fl. 187), corresponde ao PIS de janeiro de 2003 declarado pela Contribuinte em DCTF (fl. 79). Tais fatos indicam equivoco da Fiscalização na transposição dos valores declarados pela Contribuinte e, considerando que as importâncias efetivamente declaradas de R$ 592.514,38 (fl. 79), no que tange a Janeiro/2003, e R$ 634.519,97 (fl. 79), no que tange a fevereiro/2003, são superiores àquelas consideradas pela Autoridade Fiscal respectivamente R$ 577.169,49 (fl. 187) e R$ 616.994,97 (fl. 187) , o crédito tributário lançado de tais meses deve ser exonerado. Portanto, em se tratando de mero equívoco material é de se reconhecer o acerto da decisão a quo em exonerar o lançamento no período em referência. Quanto aos outros dois períodos (ago a nov/2004 e jan/05 a fev/06) a decisão dos julgadores de 1ª instância teve como fundamento a aplicação da legislação que tratou em dois momentos distintos da isenção das Contribuições sobre determinadas receitas financeiras. Com base em relatório fiscal em atendimento à diligência solicitada pela DRJ, a autoridade fiscal reconheceu a aplicação das regras introduzidas nos Decretos nºs. 5.310/2004 e 5.442/2005 que implicou a exclusão parcial das Contribuições, conforme seu despacho às efls. 504 do processo 19515.003138/200692, de exigência de Cofins sobre os mesmos fatos e períodos deste processo, de PIS, com a imagem a seguir: Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.072 20 Dessa forma, com esteio no Despacho reproduzido e no recálculo das bases de cálculo das Contribuições, consoante nos referidos Decretos, a DRJ acertadamente exonerou parcialmente o crédito tributário lançado. Assim, é de se negar provimento ao recurso de ofício. Conclusão Por tudo ante exposto, voto para negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 2072DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.910327/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 29/02/2008
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/02/2008
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/02/2008 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/02/2008 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 03 27 /2 01 2- 11 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10580.910327/201211 Acórdão n.º 3301005.427 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada (DCOMP), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte afirmou que o direito creditório decorria do alargamento da base de cálculo da Contribuição (PIS/Cofins) introduzido pelo art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/1998, julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o então Manifestante, no recolhimento da contribuição devida no período, foram incluídos indevidamente em sua base de cálculo valores alheios ao faturamento, relativos a receitas financeiras e de aluguéis, atividades essas que não compõem sua atividade de venda de mercadoria ou de prestação de serviços. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 02069.150, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando a falta de comprovação do direito creditório compensado, cujo ônus recai sobre o interessado, a quem cabe a demonstração da liquidez e certeza do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando, em breve síntese, o que segue: a) a discussão sobre a existência de direito de créditos da contribuição incidente sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento está superada; b) o dever do órgão julgador de instruir o processo, solicitando documentos, caso assim entenda como necessário para tomar sua decisão, nos termos dos artigos 29 e 36 da Lei nº 9.784/1999, bem como no art. 27 e 29 do Decreto 70.235/1972; c) foi apresentado documentação para provar a liquidez e certeza de seu crédito. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10580.910327/201211 Acórdão n.º 3301005.427 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.417, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10580.900074/201341, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.417): O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição, portanto, merece conhecimento. Feita a síntese acima, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; iii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos. I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 1º trimestre de 2009. Desta feita, a DARF do período vinculada à COFINS foi utilizada para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.910327/201211 Acórdão n.º 3301005.427 S3C3T1 Fl. 5 4 posterior ao Despacho Decisório, não haveria impedimentos para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrado por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301 004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. II) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.910327/201211 Acórdão n.º 3301005.427 S3C3T1 Fl. 6 5 Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manifestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria: Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em sede de julgamento realizado em repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/1973, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Este entendimento, porém, nem é controvertido nos autos, pois admitido pela própria r. decisão guerreada. O fundamento para o não reconhecimento do crédito é a ausência de provas aptas a demonstrar sua liquidez e certeza. Desta feita, caso comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da COFINS no período em referência, demonstrandose a liquidez e certeza do crédito declarado pelo contribuinte, será de rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. É o que se passa a analisar. III) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no período de apuração em foco (1º Trim./2009), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. No entanto, em que pese a Recorrente ressaltar em seu Recurso Voluntário que a autoridade julgadora pode, de ofício, requerer a instrução do processo e que estas informações já são de conhecimento do Fisco, pois todas já declaradas por obrigações acessórias, por se estar diante de um pedido de compensação, o ônus da prova da legitimidade do crédito é de quem requer. Em seu recurso voluntário, a Recorrente trouxe aos autos a DIPJ do período, com informações sobre receita bruta. No entanto, não é possível Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.910327/201211 Acórdão n.º 3301005.427 S3C3T1 Fl. 7 6 identificar receitas financeiras e receitas de aluguel tal qual alegado pela Recorrente. Seria necessário a apresentação de outras provas, como demonstrativos contábeis, razão, ou mesmo contratos de aluguel, planilhas, enfim. A DIPJ não possui força probatória isoladamente, desacompanhada de outros documentos oficiais, como registros contábeis e outros documentos fiscais, como o DACON. A afirmação de que o Fisco já detém todas as informações, por todas as obrigações acessórias já cumpridas, bastando baixar em diligência para verificar a informação também não é pertinente, portanto. Nos casos de pedido de restituição e de compensação, como dito, o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) A Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu manifestação de inconformidade e recurso voluntário, qualquer prova documental hábil capaz de sustentar a veracidade e existência de seu direito de crédito (escrita contábil e fiscal). Não constam dos autos balancetes e demonstrações contábeis, nem mesmo DACON do contribuinte para evidenciar o quantum de receitas financeiras levadas à tributação da COFINS. Desta feita, diante da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese negar provimento ao presente recurso voluntário Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.910327/201211 Acórdão n.º 3301005.427 S3C3T1 Fl. 8 7 Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979463/2009-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.626
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.925294/2009-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 79 46 3/ 20 09 -3 8 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10880.979463/200938 Resolução nº 1201000.626 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. No despacho decisório o direito creditório não foi reconhecido porque o pagamento em questão fora integralmente utilizado na quitação de débito devidamente declarado. Foi protocolada manifestação de inconformidade em que foi alegado que o crédito tinha origem em "antecipações" de IRPJ do anocalendário de 2003. Também, que: ao final do ano de 2003 foi apurado prejuízo fiscal e que então a empresa passou a ter o direito de compensar os créditos; o crédito utilizado na PER/DCOMP foi informado tomandose como base o DARF recolhido, quando na verdade deveria ter sido utilizado o "Saldo Negativo" de IRPJ; "foram feitas as devidas correções na DIPJ, onde equivocadamente não havia sido lançado o 'Saldo Negativo' de IRPJ, porém todas as antecipações foram informadas bem como o resultado (prejuízo) do exercício". A manifestação foi considerada improcedente uma vez que, "os equívocos como o relatado pela contribuinte não são apenas formais, tendo inúmeras implicações materiais, pois, dependendo do tipo de crédito informado, o procedimento de análise é diferenciado, requerendo, inclusive, maiores detalhamento e comprovação por parte do contribuinte". Consta ainda de decisão que "não há como acatar a solicitação da contribuinte de se considerar que o crédito utilizado no PER/DCOMP é parte da composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003". No Recurso Voluntário foi alegado que a) "o artigo 4° da IN/SRF n° 600/2005, vigente à época dos fatos, estabelecia expressamente que a autoridade fiscal deveria determinar a realização de diligencia fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que fosse verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. No caso em tela, este procedimento não foi adotado"; b) "... na hipótese de ocorrer erro no preenchimento de DCTF, e/ou de DIPJ, que não corresponda à verdade dos fatos como ocorre no caso sub examine o contribuinte estará sendo privado de fazer valer um direito seu, direito este amparado por nosso Código Tributário Nacional e pela legislação ordinária"; c) "... tendo ocorrido manifesto erro de preenchimento de declaração, caracterizando o erro de fato, e tendo em vista que o despacho decisório e o acórdão recorrido Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10880.979463/200938 Resolução nº 1201000.626 S1C2T1 Fl. 4 3 não foram prolatados com fundamento na verdade material dos fatos, requerse desde já a decretação da nulidade do acórdão recorrido, para que outro seja lavrado levandose em consideração os princípios do Direito Tributário" d) "... o crédito utilizado na PERD/COMP foi informado tomandose como base o 'DARF recolhido', enquanto o correto deveria ter sido o 'Saldo Negativo de IRPJ'"; e) "... foram feitas as devidas retificações na DIPJ, na qual equivocadamente não havia sido lançado o saldo negativo de IRPJ"; f) "... todas as antecipações foram informadas, bem como o resultado (negativo) do exercício"; g) "tendo em vista a clareza do mero erro formal perpetrado, com fundamento no comezinho principio tributário da verdade material, é imperioso que se considere que o crédito utilizado é parte da composição do saldo negativo de IRPJ da DIPJ/2003". É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10880.979463/200938 Resolução nº 1201000.626 S1C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.619, de 16/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.619): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Segundo o recorrente, o crédito indicado na Dcomp referese a pagamento de estimativa. No entanto, esse pagamento foi considerado para compor o saldo negativo do período conforme parte da DIPJ (ficha 12A) constante dos autos, este a efetiva origem do crédito. Ocorre que não consta dos autos a DIPJ integral do período, assim como as DCTFs correspondentes, pelo que não é possível verificar o total dos valores pagos por estimativa e se conferir o valor do saldo negativo do ano em tela. Fazse pois necessária a juntada aos autos da DIPJ integral do período e a demonstração do saldo negativo apurado. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para: a) que sejam juntadas as cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação dos pagamentos/compensações das estimativas que compuseram o saldo negativo; c) verificação quanto à não utilização desse saldo negativo em outras Dcomps; O contribuinte poderá ser intimado a prestar esclarecimentos, a juízo da autoridade diligenciante. A conclusão deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência ao interessado para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10880.979463/200938 Resolução nº 1201000.626 S1C2T1 Fl. 6 5 Com ou sem a manifestação do interessado, os autos deverão retornar a este colegiado para julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000834/2006-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2001
COMPETÊNCIA. PROCESSOS CONEXOS.
No caso de litígios referentes à cobrança do PIS e da Cofins decorrentes de procedimentos conexos a fatos cujas apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ e da CSLL, deve ser declinada a competência para julgamento à Primeira Seção do CARF.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3202-001.363
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Presidente-substituto.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri (presidente-substituto), Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama, Paulo Roberto Stocco Portes e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: Relator
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COFINS. MULTA Recorrente TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2001 COMPETÊNCIA. PROCESSOS CONEXOS. No caso de litígios referentes à cobrança do PIS e da Cofins decorrentes de procedimentos conexos a fatos cujas apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ e da CSLL, deve ser declinada a competência para julgamento à Primeira Seção do CARF. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Presidentesubstituto. Charles Mayer de Castro Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri (presidentesubstituto), Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama, Paulo Roberto Stocco Portes e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 08 34 /2 00 6- 38 Fl. 797DF CARF MF 2 Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a períodos de apuração compreendidos nos anoscalendário de 1999 a 2001, nos valores respectivos de R$ 1.713.112,92 e R$ 7.914.971,03, incluídos multa proporcional e juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratase de lide administrativa instaurada com a impugnação de TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S.A. (fls. 113127 e 167181) aos autos de infração lavrados pela DRF/RIO em relação ao PIS (fls. 4548) e à Cofins (fls. 101104). Além da impugnação e dos autos de infração, o processo está instruído com extrato de DCTF de PIS e Cofins (fls. 0306, 34 38, 9094 e 5862), cópia reprográfica de parte do p.a. 15374.002232/200544, assinalando que no p.a. 10070.001529/200241 as declarações de compensação não constituem confissão de dívida (fls. 1117, 6773 e 7780), cópia reprográfica de parte do p.a. 10070.001529/200241, no qual se indefere pedidos de compensação oriundos de supostos saldos negativos de IRPJ (fls. 2125 e 2931), cópias de DARFs (fls. 313361), DIRF (f1s.402418), cópia de recurso junto ao CARF contra acórdão da DRJ que mantém parcialmente créditos tributários referentes a IRPJ e CSLL (fls. 489518), cópia de embargos à execução fiscal oriunda do p.a. n° 13899.000725/200414 (fls. 519536). Instrui, ainda, o presente processo informação anexada pelo contribuinte dando conta de que o STF aprovou súmula vinculante declarando a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91 (fls. 547548). Segundo informam os termos de constatação fiscal (fls. 4042 e 9698), em 31/05/2002, nos autos do processo administrativo 10070.001529/200241, o contribuinte solicitou compensação de crédito relativo aos saldos credores de IRPJ apurados ao final dos anos calendário de 2000 e 2001. O reconhecimento do direito creditório referese ao IRRFJuros sobre Capital Próprio, cód. 5706, no valor total de R$ 83.234.049,44, recolhido pelas Fontes Pagadoras nos anos calendário de 2000 e 2001. Objetivava o contribuinte a compensação com débitos seus de COFINS, cód. 2172, e PIS, cód. 8109, relativos aos períodos de apuração de 07/1999 a 04/2002. Foi verificado, ainda, que parte dos débitos arrolados para compensação não foram objeto de confissão de dívida nas respectivas DCTFs. A partir de outros procedimentos de fiscalização realizados no contribuinte, autos de infração foram lavrados, entre os quais foi gerado o processo administrativo 18471.000999/200529, restando IRPJ a pagar nos anos calendário de 2000 e 2001, e não saldo negativo a compensar. Fl. 798DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 3202001.363 S3C2T2 Fl. 2.385 3 Em decisão proferida naqueles autos, com fundamento no parecer conclusivo DIORT/DERAT/RJ 227/2005, não foi reconhecida a característica de liquidez e certeza aos créditos alegados pelo contribuinte e não foram homologadas as compensações constantes das Declarações de Compensação. Segundo o termo de constatação fiscal (fls. 9698), o contribuinte deixou de declarar em DCTF e de recolher as contribuições para o PIS e COFINS conforme demonstrado a seguir: (omissis) Em razão da ausência de declaração de tais valores em DCTF ou de seu pagamento, foi lavrado o auto de infração das contribuições para a Cofins e para o PIS, com a imposição de multa de oficio e juros de mora. Inconformado com o auto de infração, o contribuinte alega, em sua impugnação, em síntese (fls. 113127 e 167181): De acordo com o "Termo de Verificação Anexo ao Auto de Infração de COFINS", a impugnante teria deixado de recolher a COFINS nos meses supra indicados, em razão da compensação realizada com parcelas do IRPJ, sendo que tal procedimento (compensação) encontrase em discussão no Processo n° 10070.001529/200241. Prossegue o Auto afirmando que a compensação foi julgada improcedente em primeiro grau, por considerar a Administração que, ao invés de possuir créditos de IRPJ passíveis de compensação (utilizados na absorção dos débitos de COFINS), a impugnante seria devedora do imposto em questão, em razão do lançamento de oficio de valores, que deu origem ao Processo Administrativo n° 18471.000999/200529. Em razão da improcedência, em primeiro grau, do pleito de compensação e considerando, ainda, que a COFINS atinente aos meses inicialmente indicados não foram autodeclarados em DCTF, foi lavrado o presente Auto de Infração. A exigência, contudo, não tem mínimas condições de prevalecer, seja em razão de a quase totalidade estar atingida pela decadência, seja em razão da precocidade e ilegitimidade da obrigação, sobretudo no que respeita à imposição de multa punitiva. A COFINS é tributo sujeito ao lançamento por homologação ou autolançamento, no qual o contribuinte antecipa se à ação do fisco, apura o tributo e recolhe diretamente aos cofres públicos, se o caso. Nessa modalidade de lançamento, a constituição do crédito dá se por duas formas. A primeira, e mais comum, ocorre quando o próprio contribuinte declara os montantes apurados, mediante Fl. 799DF CARF MF 4 apontamento dos valores em documento oficial instituído pela legislação. Em relação aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, tal documento é a DCTF, conforme consta do art. 5° do DL n° 2.124/84 . Assim, verificada essa declaração, não há necessidade de processo administrativo para apuração do crédito, conforme iterativa jurisprudência. Não havendo a declaração, tem o fisco o dever de, no prazo improrrogável de proceder ao lançamento, mediante a lavratura de Auto de Infração, sob pena de caducar em definitivo o seu direito, extinguindose a obrigação tributária com fundamento no art. 156, V do CTN. Esta é a hipótese de que cuida o Auto de Infração, na medida em que, à exceção do mês de competência de 12/01, os demais já estão atingidos pela decadência, valendo observar que, no caso em exame, é irrelevante se a contagem do prazo obedecerá ao disposto no art. 150, §4° do CTN (a partir do fato gerador) ou ao art. 173, I (primeiro dia do exercício seguinte do exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado), já que, por ambos os critérios, os demais fatos geradores estão atingidos pela decadência. Por certo alegará a autoridade administrativa que a decadência não se operou, tendo em vista que o lançamento foi efetuado após a decisão administrativa que indeferiu o pleito de compensação no âmbito do Processo n° 10070.001529/200241. Tal argumento, todavia, não se sustenta, na medida em que a decadência tributária somente pode ser regulada por lei complementar e, além disso, não se sujeita a qualquer interrupção ou suspensão. Com efeito, a legislação atinente à compensação sofreu sucessivas modificações nos últimos anos, culminando na atual sistemática prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/96 e regulamentada pela Instrução Normativa n° 600/2005. A época em que formulado o pleito de compensação pela impugnante (31/05/02), que deu origem ao Processo n° 10070.001529/200241, a compensação estava regulamentada pela IN n° 21/97 (alterada em parte pela IN n° 73/97), posteriormente. O sistema vigente naquele período autorizava a compensação de tributos, competindo ao contribuinte formular o competente pedido à autoridade administrativa, tendo sido tais procedimentos observados pela impugnante (em anexo, cópia da íntegra do PA n° 10070.001529/200241, atinente à compensação doc.03). Nada naquela legislação dispensava ou desincumbia a autoridade administrativa de proceder ao lançamento dos valores que deixaram de ser recolhidos em função da compensação, vale dizer, não tendo sido pago o tributo em função da compensação Fl. 800DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 3202001.363 S3C2T2 Fl. 2.386 5 exercida, tinha a fiscalização o dever de proceder à constituição do crédito tributário, ainda que consignasse, em tal ato, a existência de pleito de compensação em curso. A dispensa da constituição do crédito tributário relativamente a débitos compensados somente passou a existir a partir da vigência da Lei n° 10.833/03, que alterou o art. 74 da Lei n° 9.430/96, nele inserindo dispositivo (parágrafo 6 0 do art. 74) no sentido de que "a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados ". Vale dizer, em relação às compensações efetuadas a partir da Lei n° 10.833/03, não se mostra mais necessária a constituição do crédito tributário relativamente a débitos compensados, constituindo a própria declaração de compensação instrumento efetivo de cobrança, passível de inscrição em Dívida Ativa e posterior execução. Antes da publicação da referida lei, as compensações atinentes a débitos não declarados em DCTF submetiamse ao lançamento de oficio. Isto, aliás, é o que reconhece a própria Administração. Nesse sentido, a manifestação de fls. 259/260 do Processo n° 10070.001529/200241 reconhece que, por ter sido a compensação formulada pela impugnante em maio de 2002, antes da Lei n° 10.833/03, não constituiria a mesma confissão de dívida e "não são instrumentos hábeis e idôneos Ora, se o próprio fisco reconheceu que o pleito de compensação formulado pela impugnante não tinha a natureza de confissão de dívida, a conseqüência lógica é a de que havia necessidade de lançamento de oficio. Colocado esse raciocínio que, repitase, decorre de premissa firmada pelo próprio fisco, no sentido de que a compensação pleiteada pela impugnante não teve o efeito de constituir o crédito , a outra conseqüência, igualmente de natureza lógica, é a de que o lançamento deveria ter sido efetuado no prazo legal de 5 anos contado do fato gerador, até porque inexiste outro fixado na legislação. Nem se diga que, tendo sido o referido pedido de compensação "convertido" em declaração de compensação, com o efeito de extinguir o crédito tributário sob condição resolutória (homologação por parte do fisco), conforme dispõe o §4° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, na redação da Lei n° 10.637/02003, não se aplicaria o raciocínio ora defendido. Primeiro porque, se a compensação pleiteada pela impugnante tivesse o efeito de pagamento desde o nascedouro, ou mesmo depois da "conversão", não haveria a necessidade de lavratura do presente Auto de Infração, bastando aguardarse o desfecho do processo de compensação (10070.001529/200241) e, se a decisão final for denegatória, procedese à inscrição do débito em Dívida Ativa, conforme já referido. Fl. 801DF CARF MF 6 Em segundo lugar, a interpretação que a própria Administração vem conferindo às Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, que alteraram diversos aspectos da compensação, inclusive o dispositivo que atribui à declaração de compensação a natureza de "confissão de dívida" e a atribuição de efeito suspensivo aos recursos, dispensando a constituição de oficio, é a de que referida norma aplicase unicamente a casos futuros, não pedidos de compensação formulados anteriormente. Nesse sentido, vale referir a manifestação apresentada pela Procuradoria da Fazenda Nacional de Osasco em procedimento administrativo envolvendo terceiro contribuinte, no qual se discutia os efeitos da manifestação de inconformidade, transcrevendose os seguintes trechos: "Aliás, o recurso com efeito suspensivo, criado pela MP n° 131103, somente se aplica ao regime intitulado DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, criado com a Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002. Assim, simples pedido de compensação não extinguia automaticamente o débito, sendo necessário aguardar o procedimento administrativo de apuração da existência e a extensão dos eventuais créditos do contribuinte. Portanto, à época dos pedidos de compensação, a extinção do débito era precedida de procedimento administrativo destinado a apurar a existência do crédito e sua real extensão, cujo início dependia da provocação do sujeito passivo por meio do "Pedido de Compensação" regulamentado pela Instrução Normativa n° 21197. ( )„ Como visto, em 2002 vigiam os artigos 73 e 74 na redação acima transcrita, sendo que qualquer pedido de compensação devia obedecer aos termos neles previstos. Tratandose de prática adotada pelo órgão responsável pela defesa judicial do erário, podese considerar que referido entendimento tem a força de norma complementar da legislação tributária, por força do disposto no art. 100, III do CTN, razão pela qual deve igualmente ser aplicada no presente caso. Em suma, tratandose de pleito de compensação formulado pela impugnante antes do advento da Lei n° 10.833/03, havia a necessidade de lançamento no prazo qüinqüenal. Assim, ainda que estivesse correta a interpretação conferida pela autoridade lançadora a respeito da legislação da compensação e de seus efeitos sobre a constituição do crédito tributário o que não prevalece, conforme já demonstrado , ainda assim a decadência teria sido consumada, na medida em que o prazo qüinqüenal previsto no CTN (arts. 150, §4° e 173, I) Fl. 802DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 3202001.363 S3C2T2 Fl. 2.387 7 prevaleceriam, de qualquer forma, sobre disposições da legislação ordinária. Somese a isto o fato de que o Superior Tribunal de Justiça já pacificou a jurisprudência no sentido de que o prazo para constituição do crédito tributário, por ser decadencial e não prescricional, não se submete a interrupção ou suspensão. Isto significa que, verificado o fato gerador e não tendo havido o autolançamento pelo contribuinte, o fisco tem o dever de proceder à constituição no prazo de 5 anos, independentemente da existência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito, tais como liminar e depósito judicial. Nesse sentido, as decisões abaixo. "TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. OBSTÁCULO JUDICIAL. 1.A constituição do crédito tributário, nos termos do CTN, não sofre interrupção ou suspensão, iniciandose o prazo na data da ocorrência do fato gerador. 2.A partir do fato gerador, dispõe a Fazenda do prazo de cinco anos para constituir o seu crédito, não estando inibida de fazêlo se houver suspensão da exigibilidade, nos termos do art. 150, §4° do CTN. 3.A liminar concedida em mandado de segurança (art. 151, IV, do CTN), bem assim as demais hipóteses do mesmo art. 151, não impedem que a Fazenda constitua o seu crédito e aguarde para efetuar a cobrança. 4. Ocorrência da decadência, porque constituído o crédito após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 173, I, CTN). 5. Recurso especial provido. " (RESP n° 702806, rei. Min. Eliana Calmon, j. 14.02.2006) " Diante disso, assim como a liminar ou o depósito não interrompem ou suspendem o prazo para constituição do crédito tributário, do mesmo modo a existência do pleito de compensação não obstava o lançamento do crédito tributário, razão pela qual não tem qualquer fundamento o argumento no sentido de que o prazo teria ficado suspenso ou sido interrompido em razão da compensação em discussão. Em conclusão, sob qualquer angulo que se examine a questão a conclusão é a de que, à exceção do fato gerador ocorrido em 1212001, quanto aos demais houve a decadência do direito à constituição do crédito tributário. Fl. 803DF CARF MF 8 Conforme já referido, o Auto de Infração ora impugnado exige valores de COFINS que foram objeto de compensação com créditos (saldo credor) de IRPJ. Essa compensação é objeto do Processo n° 10070.0015291200241, cuja decisão em primeiro grau foi desfavorável o que redundou, inclusive, na lavratura presente Auto (c£ fls. 259/260, já referidas) , tendo sido interposta a competente Manifestação de Inconformidade, que ainda não foi julgada pela Delegacia de Julgamento (cópia do recurso e de extrato atualizado de andamento processual doc.04). Digno de nota, ainda, que o motivo determinante que levou a autoridade administrativa a julgar improcedente a compensação diz respeito a um outro processo administrativo, qual seja, o Processo n° 18471.000999/200529. Nesse processo, que aguarda o julgamento de recurso voluntário no Conselho de Contribuintes (cópia do recurso e de extrato de andamento processual doe.05), foi apurada a existência de débito de IRPJ, cuja validação definitiva implicaria a inexistência do saldo credor (de IRPJ) que foi compensado com o débito da COFINS objeto do presente Auto de Infração. A exposição dos fatos ora relatados leva à seguinte seqüência lógica: (a) caso o recurso apresentado no PA n° 18471.000999/200529, originário do AIIM de IRPJ, venha a ser provido, o saldo credor de IRPJ tornarseá definitivamente legítimo, gerando o desaparecimento da correspondente dívida de IRPJ constituída; (b) esse saldo credor de IRPJ, nos termos da legislação, pode ser compensado com tributos administrados pela Receita Federal, dentre os quais a COFINS. Essa compensação encontrase em discussão no Processo n° 10070.001529/200241,' que atualmente aguarda julgamento de Manifestação de Inconformidade; (c) o reconhecimento da legitimidade da compensação implica, por sua vez, improcedência da presente ação fiscal, que é fundamentada, como visto, no indeferimento em primeiro grau do processo de compensação. Não há como deixar de reconhecer que a validade da ação fiscal em debate depende de dois fatores externos, relacionados entre si: o julgamento do AIIM de IRPJ (PA n° 18471.000999/200529) e do pleito de compensação (PA n° 10070.001529/200241). Nesse sentido, aliás, reconhece a própria autoridade que prolatou a decisão indeferitória da compensação (fls. 259/260), deixando de sobrestar o andamento do pleito até final julgamento do processo de exigência do IRPJ unicamente porque, nos termos da legislação atualmente vigente, o prazo para julgamento da compensação é de 5 anos, sob pena de homologação e extinção definitivas do crédito tributário (ar174, § 50, da Lei n° 9.430/96, na redação conferida pela Lei n° 10.833/03). Fl. 804DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 3202001.363 S3C2T2 Fl. 2.388 9 Ambos os processos encontramse aguardando julgamento, sendo que os recursos nele interpostos têm efeito suspensivo, observandose que, no processo de compensação, a manifestação de inconformidade foi interposta em 19/12/05, quando já vigia a atual redação do art. 74 da Lei n° 9.430/96, cujos parágrafos 7o a 10 não deixam dúvida quanto à aplicação do inciso III do art. 151 do CTN. Ora, considerando que o débito impugnado decorre do não reconhecimento da compensação exercida que, por sua vez, tem origem na apuração de dívida de IRPJ cuja legitimidade ainda está sob julgamento no âmbito administrativo, resulta claro a existência de medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. A suspensão, aliás, é dupla, decorrendo tanto do recurso voluntário interposto no processo de exigência de IRPJ quanto da manifestação de inconformidade interposta no procedimento de compensação. Essa constatação deveria ter sido apontada no Auto de Infração ora impugnado, isto é, deveria a autoridade lançadora ter consignado a impossibilidade de cobrança dos valores, até que ambos os procedimentos correlatos sejam ultimados. Portanto, independentemente da impugnação apresentada, que tem o efeito, de per si, de suspender a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, I11, do CTN), deve o órgão julgador reconhecer a suspensão por força dos recursos pendentes nos processos correlatos, sendo inviável cogitarse da cobrança imediata dos valores lançados. Por fim, como conseqüência à existência da medida suspensiva relatada no item anterior, é de rigor a exclusão da multa punitiva de 75% lançada juntamente com a obrigação tributária. Com efeito, a existência de medida suspensiva não impede a constituição do crédito tributário, até porque, como já referido no item 1, o prazo de lançamento é decadencial e não é suspenso ou interrompido de forma alguma, como já decidido inúmeras vezes pelo Superior Tribunal de Justiça. No entanto, o lançamento de ofício nos casos em que a exigência do crédito esta suspensa, a par de viável, impede a constituição de montantes a título de multa. É o que decorre do disposto no caput do art. 63 da Lei n° 9.430/96: "Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio." (destacamos) Notese que, embora o dispositivo faça referência unicamente às causas de suspensão previstas nos inciso IV e V do art. 151 do CTN, tem aplicação também ao caso ora em exame, no qual a suspensão da exigibilidade decorre de recursos interpostos em Fl. 805DF CARF MF 10 outros processos administrativos (inciso III), já que a essência ou o fundamento da regra são os mesmos: a impossibilidade de penalizar o contribuinte que deixou de pagar tributo amparado na lei. Ademais, é sabido que a multa punitiva tem como pressuposto o descumprimento de um dever legal. Como tal, sua incidência e graduação devem, necessariamente, levar em consideração a conduta imputada ao contribuinte. Caso estes pressupostos não sejam observados, a multa passa a ser desproporcional e, portanto, ilegítima por violar o devido processo legal substantivo, principio cuja aplicação aos atos oriundos do Estado e, sobretudo, da Administração, vem sendo cada vez mais reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, cujo entendimento é extensível à Administração (incluídos os órgãos julgadores do contencioso), por força do Decreto n° 2.346/97. No caso em exame, a impugnante não violou qualquer preceito legal, tendo em vista que, ao pleitear a compensação do IRPJ com a COFINS em maio de 2002, a legitimidade do procedimento era inquestionável, vale dizer, a utilização do saldo credor de IRPJ na compensação de tributos administrados pela Receita Federal era legalmente prevista. A suposta perda da legitimidade dos créditos de IRPJ levados à compensação deuse apenas em momento posterior, quando houve a lavratura do Auto de Infração com a exigência do IRPJ, que deu origem ao Processo Administrativo n° 18471.000999/200529, cujo Auto de Infração veio a ser lavrado em julho de 2005. Essa suposta perda, todavia, é provisória e depende, para se tornar definitiva, de o Conselho de Contribuintes legitimar em definitivo a exigência do IRPJ, algo que ainda não ocorreu. Por enquanto, o Auto de Infração de IRPJ, bem como a decisão de primeiro grau que o manteve, não exercem quaisquer efeitos, tendo em vista o efeito suspensivo de que é dotado o recurso voluntário lá interposto. Sendo assim, tendo sido o presente Auto de Infração lavrado sob a égide de condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário eis que, repitase, toda a ação fiscal depende do resultado a ser proferido no PA n° 18471.000999/200529 , não há como imputar à impugnante a exigência de multa punitiva, eis que o pressuposto para tanto é o descumprimento de algum dever legal. É o relatório. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro julgou procedente em parte a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/RJOII n.º 1332.914, de 21/12/2010 (fls. 2072 e ss.), assim ementado: Fl. 806DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 3202001.363 S3C2T2 Fl. 2.389 11 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. É de 5 (cinco) anos o limite para a constituição do crédito tributário, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido constituído, na hipótese de inexistência de pagamento. LANÇAMENTO DE DÉBITO FISCAL CONFESSADO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. À época da constituição do auto de infração (29 de outubro de 2002), constituía dever do auditorfiscal constituir de oficio débitos confessados pelo sujeito passivo, de acordo com a legislação de regência. IMPUGNAÇÃO DE COBRANÇA. A impugnação prevista no rito do procedimento administrativo fiscal regida pelo Decreto n° 70.235 tal como procedeu o sujeito passivo – não consiste em via adequada para oporse a suposta cobrança indevida, prestandose tãosomente para contestar a constituição do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Está plenamente consentâneo ao preceptivo legal em vigor a constituição de multa na porcentagem descrita na hipótese dos autos de lançamento de contribuição social para a seguridade social de oficio, sem atestar evidente intuito de fraude. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. É de 5 (cinco) anos o limite para a constituição do crédito tributário, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido constituído, na hipótese de inexistência de pagamento. LANÇAMENTO DE DÉBITO FISCAL CONFESSADO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. À época da constituição do auto de infração (29 de outubro de 2002), constituía dever do auditorfiscal constituir de oficio débitos confessados pelo sujeito passivo, de acordo com a legislação de regência. IMPUGNAÇÃO DE COBRANÇA. A impugnação prevista no rito do procedimento administrativo fiscal regida pelo Decreto n° 70.235 tal como procedeu o Fl. 807DF CARF MF 12 sujeito passivo – não consiste em via adequada para oporse a suposta cobrança indevida, prestandose tãosomente para contestar a constituição do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Está plenamente consentâneo ao preceptivo legal em vigor a constituição de multa na porcentagem descrita na hipótese dos autos de lançamento de contribuição social para a seguridade social de oficio, sem atestar evidente intuito de fraude. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 2095/2102, por meio do qual aduz, depois de relatar os fatos: Os autos de infração de PIS/Cofins que deram origem ao presente feito (julgados de forma conjunta pela DRJ) foram objeto de compensação com créditos de IRPJ. Essa compensação é objeto do Processo n° 10070.001529/200241. À época da lavratura dos autos de infração, vigorava decisão que havia rejeitado por completo a compensação. Aguardavase o julgamento de manifestação de inconformidade. Posteriormente, sobreveio decisão da DRJ no processo de n.º 10070.001529/200241, homologando em parte as compensações realizadas (a parte não homologada foi objeto de recurso voluntário), o que, por si só, já tem o efeito de implicar o cancelamento das exigências veiculadas no presente lançamento. O motivo determinante que levou a autoridade administrativa a julgar improcedente a compensação em primeiro grau (decisão que, como visto, já foi reformada em parte pela DRJ) diz respeito a um outro processo administrativo, qual seja, o de n° 18471.000999/200529. Neste processo, que aguarda julgamento de recurso voluntário no CARF, foi apurada suposta existência de débito de IRPJ, cuja validação definitiva implicaria a inexistência do saldo credor de IRPJ que foi compensado com os débitos de PIS e Cofins objeto dos auto de infração que deram origem ao presente processo. Em conclusão, não há como deixar de reconhecer que a validade da ação fiscal em debate depende de dois fatores externos relacionados entre si: o julgamento do auto de infração de IRPJ (18471.000999/200529) e do pleito de compensação (10070.001529/200241). O argumento do v. acórdão no sentido de que a impugnação aos autos de infração não seria o meio próprio para a Recorrente defenderse da cobrança, pugnando pela aplicação da Lei no 9.784, de 1999, não tem mínimas condições de prevalecer. Obviamente que, lavrado o auto, a Recorrente dispunha apenas da impugnação para se opor à exigência. A Lei n° 9.784, de 1999, aplicase apenas aos casos não disciplinados por legislação específica. Considerando que os recursos interpostos nos processos correlatos têm efeito suspensivo (art. 151, III, do CTN), resulta claro a existência de medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. Suspensa a exigibilidade, não tem cabimento a imposição de multa punitiva, por ausência do pressuposto que lhe dá suporte – a existência de ato ilícito. O lançamento de ofício nos casos em que a exigência do crédito está suspensa, a par de viável, impede a constituição de montantes a título de multa. É o que decorre do disposto no caput do art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996. Embora o dispositivo faça referência Fl. 808DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 3202001.363 S3C2T2 Fl. 2.390 13 unicamente às causas de suspensão previstas nos inciso IV e V do art. 151 do CTN, tem aplicação também ao caso ora em exame, no qual a suspensão da exigibilidade decorre de recursos interpostos em outros processos administrativos (inciso III), já que a essência ou o fundamento da regra são os mesmos: a impossibilidade de penalizar o contribuinte que deixou de pagar tributo amparado em medida suspensiva. É sabido que a multa punitiva tem como pressuposto o descumprimento de um dever legal. Como tal, sua incidência e graduação devem, necessariamente, levar em consideração a conduta imputada ao contribuinte. Considerando que a recorrente não descumpriu dever algum – ao menos até que os feitos correlatos (que contam com efeito suspensivo) sejam decididos em definitivo –, não tem o cabimento, também por esse motivo, a imposição de penalidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lançamento decorreu da falta de recolhimento do PIS e da Cofins apuradas em períodos de apuração compreendidos nos anos de 1999 a 2002, valores que, conforme assevera a fiscalização, não haviam sido informados em DCTF. Noticiam os autos que o contribuinte solicitou compensação das citadas contribuições com créditos oriundos de saldos credores de IRPJ apurados ao final dos anos calendário de 2000 e 2001 (10070.001529/200241). O reconhecimento do direito creditório referirseia ao IRRFJuros sobre Capital Próprio, o qual teria sido recolhido pelas fontes pagadoras nos referidos anoscalendário. Registrase, ainda, que, a partir de outros procedimentos realizados no contribuinte, a fiscalização lavrou autos de infração de IRPJ e de CSLL, consubstanciados no processo administrativo n.º 18471.000999/200529, restando, por esse motivo, IRPJ a pagar nos anos calendário de 2000 e 2001, não saldo negativo a compensar. De conseguinte, não foi reconhecida a característica de liquidez e certeza dos créditos vindicados, de modo que as compensações não foram homologadas. Em sua defesa, sustenta a Recorrente que a validade do presente lançamento depende do que vier a ser decidido no julgamento do auto de infração de IRPJ (18471.000999/200529) e no pleito de compensação (10070.001529/200241). Com efeito, no processo administrativo de n.º 18471.000999/200529, debatese o IRPJ e a CSLL devida nos anoscalendário de 2000 a 2003, período que compreende os de origem do crédito de IRPJ que a Recorrente visou compensar com débitos de PIS e da Cofins lançados. Este processo já foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário e negou provimento ao recurso de ofício (Acórdão n.º 1301000.711, de 219/10/2011). Fl. 809DF CARF MF 14 O processo que trata do pleito de compensação, o de n.º 10070.001529/200241, também já foi julgado (1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento; Acórdão n.º 1201000.143, de 26/8/2014), mas o acórdão, porque ainda não formalizado, não se encontra disponibilizado no sítio eletrônico do CARF, o que impossibilita o julgamento por esta Turma, já que a sorte do que aqui decidido depende do que acordado no referido processo administrativo. Considerando, pois, que a matéria em discussão é conexa com a já discutida no processo n.º 10070.001529/200241, entendo, em cumprimento ao o art. 2º, inciso IV, do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que deve ser declinada a competência para julgamento deste processo para a Primeira Seção de Julgamento. Eis a redação do dispositivo em referência: Art. 2º. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV – demais tributos, quando os procedimentos sejam conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração pertinente à tributação do IRPJ. Ante o exposto, proponho o encaminhamento dos autos à Primeira Seção de Julgamentos do CARF para prosseguimento, por tratar de matéria conexa àquela já discutida nos processos nº 18471.000999/200529 e 10070.001529/200241. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 810DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.726221/2014-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO NA IMPUGNAÇÃO. JUNTADA DE RAZÕES EXTEMPORÂNEAS APÓS O PRAZO REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastar-se do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazê-lo em outra oportunidade.
Numero da decisão: 9303-007.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à nulidade por cerceamento do direito de defesa pela não apreciação de documentos complementares juntados após a impugnação, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram integralmente. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO NA IMPUGNAÇÃO. JUNTADA DE RAZÕES EXTEMPORÂNEAS APÓS O PRAZO REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastar-se do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazê-lo em outra oportunidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à nulidade por cerceamento do direito de defesa pela não apreciação de documentos complementares juntados após a impugnação, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram integralmente. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO NA IMPUGNAÇÃO. JUNTADA DE RAZÕES EXTEMPORÂNEAS APÓS O PRAZO REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 62 21 /2 01 4- 35 Fl. 5874DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.875 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à nulidade por cerceamento do direito de defesa pela não apreciação de documentos complementares juntados após a impugnação, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram integralmente. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência, tempestivo, interposto pelo Contribuinte, com fulcro no art. 67 do RICARF, contra acórdão nº 3302004.626, de 27 de julho de 2017, proferido pela 3ª Câmara/2º Turma Ordinária da 3º Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que decidiu em negar provimento ao Recurso Voluntário, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. PRELIMINAR. DESCABIMENTO. Tornase incabível converter o julgamento em diligência, quando o contribuinte após intimado e reintimado, deixa de produzir a prova que lhe competia juntamente com a impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS GLOSADOS. CONTRIBUINTE INTIMADO. PROVA NÃO APRESENTADA. Fl. 5875DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.876 3 Deixando o sujeito passivo de apresentar a documentação comprobatória dos créditos utilizados solicitada desde a fase procedimental, mantémse a autuação como formalizada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS GLOSADOS. CONTRIBUINTE INTIMADO. PROVA NÃO APRESENTADA. Deixando o sujeito passivo de apresentar a documentação comprobatória dos créditos utilizados solicitada desde a fase procedimental, mantémse a autuação como formalizada. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Regularmente notificada, a Contribuinte opôs em tempo hábil embargos de declaração, a fim de prequestionar a nulidade por cerceamento do direito de defesa (art. 59, II, do PAF), não só em razão da falta de análise de provas juntadas com a impugnação, mas também pela falta de análise da documentação complementar juntada após o prazo de impugnação (art. 16, 4º do PAF). Os embargos de declaração foram liminarmente rejeitados por meio do despacho de fls. 5669/5673. Devidamente cientificada do despacho que negou seguimento aos embargos de declaração em 07/12/2017 (fls. 5682), a Contribuinte interpõe o presente Recurso Especial, em 20/12/2017 (fls. 5684), apontando as seguintes divergências: 1) nulidade por cerceamento do direito de defesa em virtude da não apreciação de provas juntadas com a impugnação; e 2) nulidade por cerceamento do direito de defesa pela não apreciação de documentos complementares juntados após a impugnação. Indicou como paradigmas os Acórdãos 3202001.459; CSRF/0304.194 e 1102 001.148. Em seguida, o Presidente da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, admitindo rediscussão das seguintes matérias: 1) nulidade por cerceamento do direito de defesa em virtude da não apreciação de provas; e 2) nulidade por cerceamento do direito de defesa pela não apreciação de documentos complementares juntados após a impugnação, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 5793/5799. Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às fls.5801/5811, pugna para que seja negado seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte no tocante à nulidade por cerceamento do direito de defesa em virtude da não apreciação de provas juntadas com a impugnação, por falta de comprovação de divergência. No mérito, requer seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. Fl. 5876DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.877 4 No essencial é o Relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. In caso, foram lavrados contra a contribuinte acima identificada os presentes Autos de Infração, relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 273 a 291) e à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 292 a 311), correspondentes aos fatos geradores entre 01/01/2010 e 31/12/2010. De acordo com o TVF, a fiscalização apurou divergências no cruzamento das informações prestadas nos Dacon do período e nos arquivos digitais e planilhas elaboradas pela contribuinte, intimandoa a prestar os devidos esclarecimentos e apresentar a documentação comprobatória dos créditos utilizados, especialmente em relação aos bens utilizados como insumos e bens de revenda, bem como dos valores informados na rubrica Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda, considerados na base de cálculo para apuração de créditos informados no Dacon. Assim, segundo o TVF, foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal, relatando os fatos ocorridos e reiterando que a não apresentação dos documentos ou outros elementos que pudessem comprovar a efetiva origem dos créditos extemporâneos considerados, ensejariam a glosa desses créditos e o conseqüente lançamento de ofício dos créditos tributários correspondentes, inclusive com agravamento da multa, pelo não atendimento de intimação para prestar esclarecimentos, considerado embaraço à fiscalização. Diante da falta de manifestação da Contribuinte, foram lavrados os Autos de Infração correspondentes à insuficiência de pagamento do PIS e da Cofins, decorrentes da glosa de créditos não comprovados de insumos e revenda, apurados a partir da divergência entre os Dacon de agosto e setembro de 2010 e os arquivos digitais apresentados, bem como de todos os valores informados nos Dacon do anocalendário de 2010, relativos a Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda, porfalta de comprovação. Do julgamento do Recurso Voluntário, a turma a quo complementado pelo despacho de rejeição dos embargos, verificase que o colegiado manteve o Acórdão da DRJ, que, por sua vez, manteve a glosa efetuada pela fiscalização, com base na falta de comprovação da certeza e da liquidez dos créditos pleiteados. O contribuinte apresentou com a impugnação Fl. 5877DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.878 5 documentos que foram considerados insuficientes para comprovar o direito aos créditos pleiteados. Segundo alegação do contribuinte os documentos constantes de um CDRom, que teria sido fornecido à fiscalização não foram juntados ao processo. Essas circunstâncias ficam evidenciadas nos seguintes excertos do voto condutor do Acórdão recorrido: "(...) Argui a defesa ao longo da peça recursal quanto à necessidade de reforma da decisão de piso, seja pela fundamentação não condizente com a complexidade dos fatos, segundo seu entendimento, seja pela não apreciação da documentação apresentada em sede impugnatória, no entanto, da leitura da decisão de piso verificase não assistir razão à recorrente, visto que a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão respaldada ainda no suporte probatório dos autos que entendeu suficiente para a cognição da situação fática, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Constatase que a defesa solicita a realização de diligência sob dois argumentos: 1 Os documentos entregues pela Recorrente em sede de fiscalização o foram por meio de CDRom e esses documentos não foram acostados aos autos digitais pela fiscalização; 2 requer a juntada dos documentos e/ou complementar a documentação dos autos no sentido de evidenciar o seu direito de crédito e a improcedência da autuação. Conforme será abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, é prescindível à solução da lide a documentação entregue através do referido CD. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Verificase que em resposta ao o TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO AR DE 22/07/13, fl.06, a empresa em 09/08/2013, fl.68 apresenta a seguinte resposta: "Segue anexo um CD contendo os arquivos de notas fiscais de entrada e saída, de acordo com o SPED( sistema publico de escrituração digital), não sendo assim possível fazer a validação através do sistema SVA.(sic). A documentação apresentada se refere ao ano calendário de 2010 como já assinalado, tendo sido objeto de análise pela fiscalização, ensejando juntamente com a documentação apresentada em 23/10/2013, fl.111 (planilha de memória de cálculo, demonstrando individualmente a composição dos valores constantes nos DACONS do ano de 2010), o TIF, de 03/06/2014. fls.57/58, através do qual a contribuinte é intimada a justificar as diferenças constatadas nos demonstrativos apresentados, acima já reproduzidos. Fl. 5878DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.879 6 Verificase assim que toda a documentação apresentada à fiscalização foi por esta analisada e em decorrência da referida análise, constatou a fiscalização as diferenças já assinaladas, as quais foi o recorrente instado a esclarecêlas, ainda no decorrer da ação fiscal, no entanto, deixou de apresentar a documentação comprobatória, razão pela qual foi lavrado o presente auto deinfração. (...)" Não satisfeita com tal decisão, a Contribuinte interpôs o presente Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial referente as seguintes matérias: 1) nulidade por cerceamento do direito de defesa em virtude da não apreciação de provas juntadas com a impugnação; e 2) nulidade por cerceamento do direito de defesa pela não apreciação de documentos complementares juntados após a impugnação. Indicou como paradigmas os Acórdãos 3202001.459; CSRF/0304.194 e 1102 001.148. O Presidente da 3ª Seção do CARF, deu seguimento integral ao Recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 5793/5799. De uma análise detida junto ao exame de admissibilidade, verifico que a divergência aceita referente a nulidade por cerceamento do direito de defesa em virtude da não apreciação de provas juntadas com impugnação, foi aceito como divergente o acórdão nº 3202001.459. No que tange a divergência quanto a nulidade por cerceamento do direito de defesa pela não apreciação de documentos complementares juntados após a impugnação, o acórdão aceito como divergente foi o de nº CSRF/0304.194. Já o acórdão nº 1101001.148, não foi examinado. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. Sem embargo, não há qualquer divergência entre o acórdão 3202001.459, referente a nulidade por cerceamento do direito de defesa em virtude da não apreciação de provas juntadas com impugnação. Sobre as provas juntadas com a impugnação, o acórdão recorrido em suas razões de decidir, manifestase da seguinte forma: (...) A contribuinte apresenta planilhas de apuração dos créditos relativos aos anos de 2006 a 2008, os quais alega ter aproveitado de forma extemporânea, nos meses de agosto e setembro de 2010, após efetuar uma revisão da sua base de cálculo, mas, no entanto, não apresenta em sua defesa as respectivas notas fiscais ou os comprovantes de pagamento, para a efetiva comprovação das alegadas aquisições.(grifei) Para que seja concedido o crédito, não basta a apresentação de uma planilha, pois essa, sendo um documento produzido pela própria interessada, não tem o condão de provar a efetividade das alegadas operações e do respectivo crédito, sendo necessário sim trazer as cópias dos correspondentes documentos comprobatórios, no caso, as próprias notas fiscais emitidas pelos fornecedores dos bens adquiridos. Fl. 5879DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.880 7 Falta assim apresentação da liquidez e certeza por parte da impugnante, para comprovar os créditos que foram glosados.(grifos do original). De todo o exposto constatase que a documentação referente às divergências apuradas pela fiscalização não foram apresentadas, não sendo cabível impingir à fiscalização o ônus de empreender nesse momento processual, diligência junto ao estabelecimento da contribuinte, como quer a defesa para obter a prova que caberia a esta produzila, já que objeto de suas relações comercias e comprobatória dos supostos créditos utilizados no âmbito da legislação de Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), ademais o dever de apresentação ao fisco da documentação exigida repousa em base legal, conforme prescreve o artigo 195 do Código Tributário Nacional CTN: Cabia portanto ao sujeito passivo conservar a documentação referente aos fatos sob autuação e assim, demonstrar quando solicitado, a natureza dos créditos utilizados. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS e NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.” Como visto, a decisão recorrida analisou as planilhas apresentadas pela Contribuinte junto com sua impugnação, à medida que as consideraram insuficientes como elemento probatório na demonstração do crédito postulado. Constatase, assim, que as planilhas, por serem documentos de produção exclusiva do interessado, não foram aceitas como prova das alegações do contribuinte no tocante ao direito creditório. Situação diametralmente oposta do acórdão nº 3202001.459, conforme se extrai do voto condutor: “Como relatado, o pedido da Recorrente (protocolizado em 15/05/2002) foi denegado pela unidade de origem pelo fato de a mesma não ter apresentado os documentos solicitados em intimação dentro do prazo solicitado, conforme trechos do Despacho Decisório, proferido em 13/03/2007 pela autoridade fiscal da DRF – Blumenau (efls. 260/278), abaixo transcritos: (...) A interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, ocasião que, segundo alega, apresentou os documentos e informações necessárias para o deferimento de seu pedido de ressarcimento e compensação. Contudo, a Turma julgadora da DRJ – Ribeirão Preto denegou o pedido da Recorrente, em apertada síntese, pelo fato de os documentos terem sido apresentados após a instauração do contencioso administrativo, de modo que estaria prejudicada a análise no mérito do pedido, sob o fundamento que não caberia às Delegacias de Julgamento suprir ou substituir a competência de outras unidades da SRF. (...) A empresa protocolizou o pedido de ressarcimento/compensação em 15/05/2002; socorreuse do Judiciário para ter uma solução célere ao seu direito e obteve sentença favorável (efls. 208/222) em 13/12/2006. Foi intimada (Intimação Fiscal SAORT/DRF/BLUMENAU nº 040/07 – efls. Fl. 5880DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.881 8 228/232), em 09/02/2007, para apresentar documentos e informações, no prazo de 20 dias. Em 01/03/2007, requereu prorrogação de prazo, por 15 dias, para apresentar os documentos solicitados pela fiscalização (efls. 258). Seu requerimento não foi atendido, sendo, então, exarado Despacho Decisório, em 13/03/2007 (efls. 260/278), por falta de prova dos “fatos que teriam dado a ela o direito ao ressarcimento de crédito presumido de IPI”. Impugnou tempestivamente aDespacho Decisório e apresentou (segundo alega) os documentos/informações necessários para análise do pedido de ressarcimento. Por fim, em 01/10/2008, a DRJ – Ribeirão Preto não analisa os documentos por entender que não é de sua competência tal tarefa. Em suma: após mais de 14 anos (!) do pedido de ressarcimento de crédito presumido a Recorrente ainda não obteve uma decisão de mérito de sua pretensão, ou seja, o EstadoFisco não disse se há ou não direito ao crédito pretendido. Entendo que, objetivamente, devese analisar o direito ao crédito pretendido, em atendimentos aos princípios constitucionais à ampla defesa e ao contraditório. Os princípios constitucionais do contraditório e a ampla defesa referemse à possibilidade do exercício da dialética processual e têm por objeto dar oportunidade às partes de produzirem e apresentarem suas provas, assim como implicam no direito de serem ouvidas nos autos. Destarte, assiste razão à Recorrente quando afirma que houve cerceamento de seu direito de defesa, uma vez que apresentou os documentos/informações com vistas à análise do seu pedido de ressarcimento e que os mesmos não foram apreciados pelas autoridades fiscais competentes.” Do trecho do aresto, verificase que a DRJ deixou de apreciar a documentação fornecida pelo contribuinte, ao argumento de que teria sido apresentada após a instauração do contencioso administrativo, sob pena de usurpação da competência da DRF na análise do direito creditório postulado. Não há qualquer divergência, a decisão recorrida fundamentou o decisum em razão da ausência de valor probatório da documentação juntada pelo Contribuinte em sede de impugnação, ao passo que o acórdão paradigma se fundamenta no momento da apresentação dos documentos apresentados pela Contribuinte, em sede de impugnação, após análise do pedido pela DRF. Como visto, essas dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Fl. 5881DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.882 9 Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Com essas considerações, não tomo conhecimento do Recurso Interposto, referente a divergência de nulidade por cerceamento do direito de defesa em virtude da não apreciação de provas juntadas com a impugnação. Em atenção ao exame de admissibilidade, tomo conhecimento referente a nulidade por cerceamento do direito de defesa pela não apreciação de documentos complementares juntados após a impugnação. Passo a decidir. Analisando a quaestio, a lide gira em torno de questão probatória relativa à glosa de créditos utilizados pela Contribuinte, referente a: i) insumos e (ii) bens de revenda, relativos aos anos de 2006 a 2008, aproveitados extemporaneamente nos meses de agosto e setembro do anocalendário de 2010; (iii) despesas de armazenagem e frete em operações de venda, para todos os meses do anocalendário de 2010. Compulsando aos autos, verifico que a Contribuinte exerceu exaustivamente o contraditório e ampla defesa, conforme depreendese do termo de Intimação fiscal: "o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos (notas fiscais, conhecimentos e transporte ou outros) correspondentes aos fretes considerados como créditos pelo contribuintes nos Dacons; Em 16/06/2014, protocolou, nesta Delegacia, pedido de Dilação do prazo para atendimento dos questionamentos constantes dessa intimação, por mais 20 ( vinte ) dias, considerando esse prazo necessário para a estruturação da resposta a intimação recebida, juntamente com os documentos suporte. Em atendimento a solicitação da empresa, foi concedido incontinente, o prazo solicitado. Todavia, em 08/07/2014, novamente o contribuinte protocolou nesta Delegacia, nova solicitação de dilatação do prazo anteriormente solicitado, alegando em relação ao item 1 da citada intimação que as divergências existentes entre os valores informados no DACON versus Arquivos Digitais, referiamse a créditos extemporâneos, os quais foram apurados e não alocados nos períodos de 2006 a 2008, sem contudo apresentar nenhum documento ou memória de cálculo, ou outro elemento, que pudesse comprovar a efetiva origem desses créditos. Em relação ao item 2 da citada intimação o contribuinte informa que não houve tempo hábil para levantar os documentos solicitados, em razão do grande volume de documentos.(grifei) Fl. 5882DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.883 10 Portanto, que desde 05/06/2014 até a presente data o contribuinte teve 39 dias corridos para providenciar a documentação solicitada. Isso posto, em razão do não atendimento das indagações constantes do Termo de Intimação de 03/06/2014 dentro dos prazo estipulados ( e solicitados ), fica portanto o contribuinte sujeito ao Lançamento de Ofício dessas divergências, com a conseqüente glosa dos créditos não justificados bem como a glosa dos créditos relativos aos fretes considerados no DACON. Destaca o Termo de Verificação Fiscal – TVF, fls. 257/272: Verificamos ainda que a empresa apurou e entregou os Dacons relativos ao período de 2010, através do regime não cumulativo Intimada em 15/07/2013 com Aviso de Recebimento (AR) em 22/07/2013 a apresentar, dentre outros documentos, os arquivos magnéticos de notas fiscais de entradas e saídas, de acordo com o layout definido pela legislação de regência, empresa apresentou, dentro do prazo determinado, a documentação solicitada no termo acima. Verificamos ainda que a empresa apurou e entregou os Dacons relativos ao período de 2010, através do regime não cumulativo Em 16/06/2014 o contribuinte apresentou pedido de dilação do prazo por mais 20 ( vinte ) dias considerado necessário para os esclarecimentos da citada intimação, o que foi concedido incontinente. Todavia, em 08/07/2014, vencido o prazo anteriormente solicitado, o contribuinte novamente protocolou nessa Delegacia novo pedido de dilação de prazo por mais 30 (trinta ) dias, desta vez negado, esclarecendo que as divergências apontadas pela fiscalização, referiamse a créditos extemporâneos apurados e não alocados nos períodos de 2006 a 2008. Em relação aos documentos solicitados relativos as despesas de armazenagem e Fretes na Operação de Venda, o contribuinte não apresentou nenhum documento relativo aos créditos considerados nos Dacons do período. Argui o recorrente em sede impugnatória: Ora, primeiramente, resta claro que a afirmação da Autoridade Autuante não encontra nenhum fundamento, pois foram entregues documentos pela Recorrente em sede de fiscalização, conforme se verifica a fls. 44/186 dos autos, em que constam as petições de resposta aos termos de intimação fiscal. Conforme já destacado, os arquivos de fls.44/67, correspondem a 4 (quatro) TERMOS DE INTIMAÇÃO FISCAL, cujas respostas aos respectivos TIF se encontram às fls.68/186 do processo. Nas respectivas respostas ao citados TIF, como já demonstrado, a recorrente deixou de apresentar [a documentação comprobatória relativa as divergências encontradas entre o cruzamento das informações constantes nos Dacons e nas planilhas apresentadas, com os arquivos digitais apresentados, especificamente em Fl. 5883DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.884 11 relação aos Bens Utilizados como Insumos e Bens de Revenda], bem como as Despesas de Armazenagem e Fretes nas Operações de Vendas. Argui o recorrente em sede recursal: os documentos entregues pela Recorrente em sede de fiscalização o foram por meio de CDRom e esses documentos não foram acostados aos autos digitais pela fiscalização. Verificase que em resposta ao o TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO AR DE 22/07/13, fl.06, a empresa em 09/08/2013, fl.68 apresenta a seguinte resposta: "Segue anexo um CD contendo os arquivos de notas fiscais de entrada e saída, de acordo com o SPED( sistema publico de escrituração digital), não sendo assim possível fazer a validação através do sistema SVA.(sic). A documentação apresentada se refere ao ano calendário de 2010 como já assinalado, tendo sido objeto de análise pela fiscalização, ensejando juntamente com a documentação apresentada em 23/10/2013, fl.111 (planilha de memória de cálculo, demonstrando individualmente a composição dos valores constantes nos DACONS do ano de 2010), o TIF, de 03/06/2014. fls.57/58, através do qual a contribuinte é intimada a justificar as diferenças constatadas nos demonstrativos apresentados, acima já reproduzidos. Verificase assim que toda a documentação apresentada à fiscalização foi por esta analisada e em decorrência da referida análise, constatou a fiscalização as diferenças já assinaladas, as quais foi o recorrente instado a esclarecêlas, ainda no decorrer da ação fiscal, no entanto, deixou de apresentar a documentação comprobatória, razão pela qual foi lavrado o presente auto de infração". Como se observa, a Contribuinte não apresentou em sede de impugnação documentação hábil que permitisse dar lastro aos créditos tomados extemporaneamente, sem qualquer zelo ou cuidado em preparar ao menos um "book" para apresentar a Fiscalização portanto, não é cabível condenar o procedimento elástico ofertado pelo Fisco, com objetivo único de postergar e embaraçar o procedimento fiscalizatório, até porque, a decisão recorrida analisou as planilhas apresentadas pela Contribuinte junto com sua impugnação, à medida que as consideraram insuficientes como elemento probatório na demonstração do crédito postulado. Ademais, contatouse que a prova apresentada não é suficiente para comprovação do direito creditório. Sem embargo, não basta sustentar o direito a crédito calcado nos princípios da essencialidade e pertinência, para que se possa tomar um crédito líquido e certo, se faz necessário observar os procedimentos legais. Portanto, não há que se falar em juntar documentos comprobatórios em fase de Recurso Voluntário, estes já se encontram preclusos, a Contribuinte deveria ter apresentado a documentação em momento adequado, ou seja, na impugnação, de modo a comprovar a natureza dos créditos utilizados. Com efeito, é importante lembrar que as alegações e produção de provas no Processo Administrativo Fiscal, para contraditar os termos do lançamento, concentrase na fase Fl. 5884DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.885 12 processual da impugnação. Conforme dispõe o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, após a apresentação da impugnação, inaugurase a fase processual seguinte. Esta fase é destinada à preparação e à complementação da instrução do processo para que esteja apto ao julgamento. Neste sentido, o requerimento de juntada de novos documentos e alegações deverá ser requerida por meio de petição fundamentada à autoridade julgadora, nos termos dos parágrafos 4º e 5º do art. 16 do Decreto 70.235/72. In verbis: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 5885DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.886 13 b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Como visto, poderá ser admitida a apresentação de alegações e provas extemporâneas no Processo Administrativo Fiscal quando houver um pedido ou requerimento expresso formulado pela parte da interessada, dirigido à autoridade julgadora do lançamento ou do recurso, mediante petição escrita na qual deve restar demonstrado, seus fundamentos e razões devidamente comprovadas. A impossibilidade de sua apresentação, no momento próprio e oportuno, nos casos em que haja motivo de força maior que tenha impedido o seu oferecimento simultâneo à apresentação da impugnação ou na primeira oportunidade, quando o documento ou alegação nova apresentada se refira a fato ou direito superveniente à impugnação, ou ainda, que se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, pesando em desfavor da Contribuinte o ônus probatório. De modo que, não restou nenhum impedimento a Contribuinte para apresentar na impugnação suas razões, conforme preceitua o § 4º do artigo 16 do Decreto n.º 70.235/72. Não é demais ressaltar, que o artigo art. 16 do Decreto n.º 70.235/72 veda a juntada extemporânea de alegações e provas, mas prevê as situações excepcionais que justificariam a sua apresentação. Com efeito, somente se admite novas alegações e a produção de provas pelo sujeito passivo após a impugnação nas exceções previstas em lei no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72, quais sejam: 1) quando ficar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; 2) quando se refira a fato ou a direito superveniente; e 3) quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Nos demais casos, é a impugnação inicial é a primeira e única oportunidade para o contribuinte apresentar as provas. Contudo, os documentos conduzidos aos autos por meio dos Termos de Solicitação de Juntada, de fls. 3458, 3.493, 5.140, 5.465, 5.496 e 5.549, não encontram amparo na norma excepcional acima destacada, visto que já estão afetados pela preclusão probatória, desde a fase de procedimento fiscal, por meio de reiteradas intimações, a qual foi requerida à Contribuinte que apresentasse as provas da situação fática que motivou a presente exigência. A rigor, o teor do Decreto n.º 70.235/72, é dever do autuado, apresentar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, sendo considerada não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Nesse diapasão, cabe salientar que esta E. Câmara Superior, já tem jurisprudência uníssona no sentido de que matéria não suscitada pelo sujeito passivo na Fl. 5886DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.887 14 impugnação, juntada de razões extemporâneas após o prazo regulamentar, esta precluso seu direito. Vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 13/01/2009 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO NA IMPUGNAÇÃO. JUNTADA DE RAZÕES EXTEMPORÂNEAS APÓS O PRAZO REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (Acórdão nº 9303007.448, Rel. Conselheiro Demes Brito, julgado em 20 de setembro de 2018). Por oportuno, esclareço que o processo administrativo fiscal esta adstrito as regras positivadas do sistema, neste sentido, invoco o magistério do Professor Luiz Orlando Junior Zanon (pg.104,105106) o qual em sua tese de Doutorado, Teoria Complexa do Direito1, esclarece a correta inserção das normas no plano sistêmico. In verbis: "O Positivismo Jurídico pressupõe que o Direito é formado exclusivamente (ou ao menos preponderantemente) por Regras Jurídicas, como sinônimo de Normas Jurídicas positivadas, devidamente fixadas pelos parlamentares (no sistema codificado) ou estabelecidas em precedentes judiciais anteriores (no modelo judiciário ou consuetudinário)2 No primeiro cenário (civil law, statutory law ou code based legal system), a Regra Jurídica é o resultado da interpretação de um texto elaborado pelo legislador, no sentido de reconstruir sua intenção ao prolatar o dispositivo normativo, como se fosse um procedimento de adivinhação de qual teria sido a solução dada pelo órgão legiferante, acaso diante do caso concreto. E, no segundo (common law ou judge made law), a Regra Jurídica pode ser extraída não só da legislação, mas também do texto de um precedente anterior, num esforço de verificar qual seria a solução que teria sido dada pelo Poder Legislativo para reger o novo caso, nos pontos relevantes em que é precisamente similar 1 ZANON JUNIOR, Orlando Luiz. Teoria Complexa do Direito. Florianópolis: Cejur, 2013. 2 DIMOULIS, Dimitri. Positivismo jurídico: Introdução a uma teoria do direito e defesa do pragmatismo jurídicopolítico. São Paulo: Método, 2006. p. 68: “Isso indica que ser positivista no âmbito jurídico significa escolher como exclusivo objeto de estudo o direito que é posto por uma autoridade e, em virtude disso, possui validade (direito positivo)”; e, p. 131: “Partindo dessa delimitação negativa, o PJ stricto sensu afirma a absoluta identidade entre o conceito de direito e o direito efetivamente posto pelas autoridades competentes, isto é, pelas autoridades que, em razão de uma constelação de poder, possuem a capacidade de impor o direito”. E FERRAJOLI, Luigi. Principia iuris: teoría del derecho y de la democracia. V 1. Madrid: Trotta, 2011. p. 395457. Especialmente, p. 396: “Las normas son reglas que pertenecen al derecho positivo em cuanto son efectos jurídicos puestos o causados por actos (T8.11, T8.12). Obviamente, em tanto que reglas, las normas son significados de preceptos (T8.13), a los que vienen asociadas em cada caso mediante interpretación jurídica”. Fl. 5887DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.888 15 ao julgamento anterior. Em ambas hipóteses, a interpretação e a aplicação do Direito são consideradas, pela generalidade dos juspositivistas [...] (com a notável ressalva de Kelsen), como meramente reprodutoras de sentidos já previamente fixados por Regras Jurídicas anteriores, que já guardam a resposta para solução do novo problema emergido no tecido social”. (pg.104,105106). [...] Ademais, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, matéria não impugnada está fora do litígio e o crédito tributário a ela relativo se torna consolidado; na ausência do litígio, a matéria não pode ser analisada em sede de recurso voluntário. Ou seja, tendo a Contribuinte impugnado apenas determinado item do lançamento, o julgador não está autorizado a dar provimento ao recurso voluntário por fundamento jurídico diverso. O contencioso administrativo, regido pelo Decreto Lei nº 70.235/72, assim como o Código de Processo Civil, impõe limites as fases processuais que devem ser observadas para o perfeito andamento do processo e adequado deslinde do litígio. A lide cravada esta delimitada precisamente pelos contornos jurídicos que foi dado pela Contribuinte, definido pelo pedido e pelos fatos e fundamentos jurídicos que o fundamentam, lançados em sua impugnação e posteriormente em seu recurso voluntário. Nesta linha, recorro aos princípios existentes no âmbito do processo civil, em vista dos permissivos expressos nos artigos 108 do Código Tributário Nacional CTN e artigo 4º da LICC, o qual podese citar o art. 141, do Novo Código de Processo Civil: “Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendo lhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte." Deste modo, o citado dispositivo revela que o Código de Processo Civil consagrou o princípio de adstrição do juiz ao pedido e da parte, como decorrente do princípio desse dispositivo. Portanto, o órgão julgador, ao apreciar a legalidade do ato administrativo, deve decidir também de acordo com a matéria inserta na impugnação do autor e/ou recurso voluntário, conforme o caso. Nessa linha, imperioso destacar a inteligência do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, o qual dispõe que: "considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Finalmente, corroborando este entendimento, trago como precedente o Acórdão nº 930301.705, julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, voto da lavra do Ilustre Ex.Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, o qual merece destaque: "Aqueles que navegam no direito subjetivo sabem ou deveriam saber que o mar processual é bravio e desafiador, quase sempre revolto e cheio de ondas e marolas que fazem, muitas vezes o barco perder o rumo. Isso faz com que muitos se percam e não consigam completar a travessia. Mas nem tudo está perdido, os instrumentos de navegação vêm, a cada dia, se aperfeiçoando, de tal sorte, que o barqueiro que os utilizar corretamente, nunca perderá o Fl. 5888DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.889 16 norte e, facilmente, chegará a um porto seguro. Saindo da linguagem figurada para a real, os instrumentos são os princípios gerais e específicos que norteiam a atividade jurisdicional e, por empréstimo, a 'judicante' administrativa. Muitos desses princípios são universais, isso quer dizer que estão presente em todos, ou em quase todos, sistemas jurídicos mundiais. Na maioria das vezes, são eles incorporados à legislação processual e até mesmo à constitucional, tornandose, portanto, obrigatória sua observância. Nos países, como o Brasil, em que a atividade judicante é dissociada da inquisitória, um dos pilares da jurisdição é justamente o princípio da iniciativa da parte, cuja origem remonta ao direito romano onde ao juiz era vedado proceder sem a devida provocação das partes. Predito princípio, versão moderna do ne procedat iudex ex officio; nemo iudex sine actore, foi consagrado no artigo 2º e, também, no 262, ambos do Código de Processo Civil Brasileiro." Nesse quadro, considero a matéria posta a esta Egrégia Câmara Superior preclusa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Dispositivo Ex positis, tomo conhecimento parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à nulidade por cerceamento do direito de defesa pela não apreciação de documentos complementares juntados após a impugnação, e no mérito nego provimento ao Recurso interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 5889DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.890 17 Fl. 5890DF CARF MF
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