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Numero do processo: 10830.902365/2008-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/02/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.
O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/02/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/02/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/02/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente PETROVIARIO TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/02/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admitese a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/02/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 23 65 /2 00 8- 17 Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10830.902365/200817 Acórdão n.º 3002000.019 S3C0T2 Fl. 465 2 (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP (fl. 14/19), transmitido em 30/07/2004, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme despacho decisório (fl. 120), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Após ser intimada da decisão em 20/08/2008, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 2/4), na qual informou que, primeiramente, no anocalendário de 2003, havia recolhido a contribuição para o PIS/Pasep pelo regime cumulativo, contudo, posteriormente, no início de 2004, fez uma revisão interna e optou por adotar o regime da não cumulatividade, inclusive, em relação ao ano anterior. Essa mudança de critério, segundo ela, teria gerado pagamentos a maior, os quais foram objeto de pedidos de compensação com outros tributos. Informou, ainda, que deixou de retificar suas declarações em época própria: Dacon, DIPJ e DCTF, apresentadoas juntamente com sua manifestação. A DRJ/CPS converteu o julgamento em diligência (fl. 125/126) para que a autoridade fiscal cumprisse os seguintes quesitos: "a) verifique, com exame da documentação contábilfiscal da contribuinte, a efetividade e a regularidade dos créditos da não cumulatividade apurados pela interessada. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10830.902365/200817 Acórdão n.º 3002000.019 S3C0T2 Fl. 466 3 b) examine a apuração da contribuição na sistemática não cumulativa, incluindo o eventual aproveitamento futuro dos créditos apurados em 2003; c) elabore relatório circunstanciado destacando a contribuição efetivamente devida." Assim, em 24/11/2011, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF/Campinas intimou o sujeito passivo (fl 128/129) a apresentar, no prazo de 20 dias, a seguinte documentação: "Apresentar documentação contábilfiscal que comprove a efetividade e a regularidade dos créditos da não cumulatividade listados na tabela acima e utilizados no DACON; Apresentar fotocópia do livro Razão relativamente à conta “PIS a pagar”, Código de Arrecadação 6912, Período de Apuração Março de 2003." Após essa data, ocorreram pedidos de dilação de prazo e reintimações. A seqüência fática encontrase bem evidenciada na Informação Fiscal (fl. 304/305) e, por isso, transcrevese excerto: "Em 24/11/2011, através da INTIMAÇÃO SEORT/DRF CPS/1669/2011 a interessada foi chamada a apresentar documentação contábilfiscal que comprovasse a efetividade e a regularidade dos créditos da não cumulatividade listados na tabela e utilizados no DACON, bem como fotocópia do livro Razão relativamente à conta “PIS a pagar”, Código de Arrecadação 6912, Período de Apuração Fevereiro de 2003 Em 14/12/2011 a interessada protocolou pedido solicitando mais 20 dias para atendimento à intimação SEORT/DRF CPS/1669/2011. A interessada teve ciência do deferimento de seu pedido em 29/12/2011. Entretanto, em 25/01/2012, através do protocolo do dossiê eletrônico nº 10010.008343/011254 (documentos juntados às folhas 156/288), a interessada apresentou documento alegando já ter prestado os esclarecimentos solicitados, anexou cópia das manifestações de inconformidade já apresentadas e pediu ainda o cancelamento da intimação. Através da intimação SEORT/DRFCPS/232/2012 este SEORT esclareceu à interessada que os documentos estavam sendo requeridos a pedido da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas e que estes eram necessários para Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10830.902365/200817 Acórdão n.º 3002000.019 S3C0T2 Fl. 467 4 análise do crédito em discussão (folhas 158/290). Assim, em 09/04/2012, a interessada novamente solicitou mais 20 dias para a apresentação dos documentos. Concedido prazo de 20 dias contados da ciência da intimação SEORT/DRFCPS/ 502/2012 (ciência em 26/06/2012) a interessada não se manifestou até 15/08/2012. Por todo o exposto, considerando as diversas tentativas improfícuas deste SEORT em receber os documentos necessários ao cálculo do crédito de PIS do período de apuração Mar/2003, informamos que não foi possível preceder à análise/cálculo do crédito em questão." (grifo nosso) Após ser cientificada da Informação Fiscal, a contribuinte apresentou Complementação à Manifestação de Inconformidade e outros documentos. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a DRJ/CPS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/04/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 417/422), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e juntando os seguintes documentos: a) cópia do livro de registro de entrada nº 2; b) cópia do livro de registro de entradas nº 5; c) nova planilha de apuração de demonstrativo de base de cálculo do PIS não cumulativo e d) planilha das diferenças dos valores a compensar e a recolher. Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10830.902365/200817 Acórdão n.º 3002000.019 S3C0T2 Fl. 468 5 É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10830.902365/200817 Acórdão n.º 3002000.019 S3C0T2 Fl. 469 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Outro ponto nodal sobre a mesma matéria referese ao momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10830.902365/200817 Acórdão n.º 3002000.019 S3C0T2 Fl. 470 7 Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Como consignei acima, não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10830.902365/200817 Acórdão n.º 3002000.019 S3C0T2 Fl. 471 8 afastaria a discricionariedade do julgador perquirir sobre outros elementos, visando firmar sua convicção. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. Essas considerações são de crucial importância para avaliação da caracterização de determinada prova como reforço da anteriormente apresentada e, conseqüentemente, da possibilidade de sua aceitação. Mormente, a análise das especificidades de cada caso concreto é o que deve pautar o julgador nesse desiderato, não obstante, sem se afastar do norte lógicojurídico que deve alicerçar sua decisão. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito, juntar planilha e cópia de declarações retificadoras, DCTF, DIPJ e Dacon, em sua Manifestação de Inconformidade. Ressaltese, por fundamental, que todas as declarações apresentadas foram transmitidas após a ciência do Despacho Decisório. Em seu texto, a própria recorrente reconhece sua falha: "A mudança de critério foi feita corretamente, todavia, incorreu o contribuinte no erro de deixar de retificar os documentos informativos de tais alterações referentes ao exercício de 2003, como por exemplo: DCTF, Dacom e DIPJ." Assim, seguindo o raciocínio lógicojurídico exposto anteriormente, o sujeito passivo não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a liquidez e a certeza do suposto crédito pleiteado, pois o material apresentado não se constitui em um conjunto probatório, mas, são, apenas, meros documentos. A despeito disso, a DRJCampinas resolveu, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência e, na prática, oportunizar à contribuinte nova chance para apresentar as provas da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Data venia, creio que essa medida não era necessária, obrigatória, nem mesmo conveniente, tendo em vista que nenhuma prova havia sido juntada aos autos no momento oportuno. De qualquer forma, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Campinas, em atendimento à diligência requisitada, intimou, por diversas vezes, a contribuinte a apresentar sua escrituração contábil e os documentos fiscais que a embasavam. Todavia, a maior interessada não cumpriu as intimações e, conseqüentemente, inviabilizou a auditoria que poderia comprovar a existência do suposto crédito. Em realidade, somente após tomar ciência da Informação Fiscal, que noticiava o término da diligência, a contribuinte apresentou peça denominada "complementação à Manifestação de Inconformidade", repisando alegações já formuladas e sem adentrar no teor das informações prestadas pelo SEORT, e juntando documentos já Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10830.902365/200817 Acórdão n.º 3002000.019 S3C0T2 Fl. 472 9 apresentados e outros novos. Contudo, mais uma vez, esses documentos não se configuravam como prova. Do voto condutor do Acórdão guerreado, transcrevese: "A falha da contribuinte em atender às seguidas intimações para submeter aqueles elementos à verificação fiscal fragiliza, ao ponto de inviabilizar, os argumentos que apresentou para contestar o ato de não homologação. Mesmo a apresentação do que seria seu Razão Analítico Contábil, no contexto em que o foi, ou seja, após ter sido reiteradamente intimado a fazêlo no âmbito da diligência, não tem o poder de socorrêlo. Concorre para comprometer seu valor probatório o fato de que o documento não apresenta os requisitos intrínsecos e extrínsecos que permitam aferir sua regularidade e, mais importante, está desacompanhado dos documentos contábeis e fiscais que permitiriam a aferição da correção dos valores e operações que dele constam. Diante de tudo isso, concluise pela inexistência de prova, nos autos, que permita acatar a nova apuração da contribuição realizada pela contribuinte e, por conseguinte, os créditos utilizados na compensação e que nela teriam origem." (grifo nosso) Após ciência da decisão da instância a quo, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário e juntou novos documentos aos autos. Por oportuno, frisese que documentos fiscais continuaram a não ser anexados. Embasado em todo o raciocínio lógicojurídico sobre o direito probatório, desenvolvido ao longo do presente voto, e nas circunstâncias do caso concreto, entendo não ser possível a aceitação de provas apresentadas somente em sede de Voluntário, tendo em vista que estas só poderiam ser validamente consideradas, caso reforçassem um conjunto probatório já presente nos autos. Fato que, como largamente demonstrado, não ocorre neste processo. Dessa forma, tal direito encontrase fulminado pela preclusão, conforme o disposto no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235. Assim sendo, não tomo conhecimento dos novos documentos apresentados. Quanto ao suposto crédito, a recorrente não se desincumbiu do ônus de proválo, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela sua inércia em atender às diversas intimações, seja pela ausência da apresentação de provas válidas da sua liquidez e certeza. Desse modo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10830.902365/200817 Acórdão n.º 3002000.019 S3C0T2 Fl. 473 10 (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 483DF CARF MF
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Numero do processo: 14033.003328/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
ERRO ARITMÉTICO EM TABELA ELABORADA PELA FISCALIZAÇÃO. DESVINCULAÇÃO DA INFORMAÇÃO CORROMPIDA DA ANÁLISE MATERIAL DO DIREITO DO CONTRIBUINTE. IRRELEVÂNCIA.
A presença de lapso em somatória de valores apresentada pelo Fisco é irrelevante e não causa qualquer prejuízo ao contribuinte quando o elemento corrompido por tal erro em nada influencia no reconhecimento do direito alegado.
COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS SOBRE LUCROS, RENDIMENTOS E GANHOS DE CAPITAL RECOLHIDOS NO EXTERIOR. DATA DA CONVERSÃO CAMBIAL. DIA DO EFETIVO PAGAMENTO.
Nos termos do art. 26, § 3º, da Lei nº 9.249/95, repetido no art. 14, § 2º, da IN nº 213/2002, para fins de compensação dos tributos recolhidos no exterior, adota-se a data do efetivo pagamento na conversão cambial para Reais.
CONFIRMAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PARTE DO CRÉDITO UTILIZADO PELA UNIDADE LOCAL. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL.
Se após diligência, a própria Fiscalização atesta a origem e a existência de parte do direito creditório utilizado na DCOMP, a compensação pretendida deve ser parcialmente homologada.
Numero da decisão: 1402-002.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, reformando-se o v. Acórdão recorrido, para reconhecer o direito adicional ao crédito no valor de R$ 21.336.525,87; homologando-se as compensações ainda pendentes até esse limite.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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DESVINCULAÇÃO DA INFORMAÇÃO CORROMPIDA DA ANÁLISE MATERIAL DO DIREITO DO CONTRIBUINTE. IRRELEVÂNCIA. A presença de lapso em somatória de valores apresentada pelo Fisco é irrelevante e não causa qualquer prejuízo ao contribuinte quando o elemento corrompido por tal erro em nada influencia no reconhecimento do direito alegado. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS SOBRE LUCROS, RENDIMENTOS E GANHOS DE CAPITAL RECOLHIDOS NO EXTERIOR. DATA DA CONVERSÃO CAMBIAL. DIA DO EFETIVO PAGAMENTO. Nos termos do art. 26, § 3º, da Lei nº 9.249/95, repetido no art. 14, § 2º, da IN nº 213/2002, para fins de compensação dos tributos recolhidos no exterior, adotase a data do efetivo pagamento na conversão cambial para Reais. CONFIRMAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PARTE DO CRÉDITO UTILIZADO PELA UNIDADE LOCAL. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Se após diligência, a própria Fiscalização atesta a origem e a existência de parte do direito creditório utilizado na DCOMP, a compensação pretendida deve ser parcialmente homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, reformandose o v. Acórdão recorrido, para reconhecer o direito adicional ao crédito no valor de R$ 21.336.525,87; homologandose as compensações ainda pendentes até esse limite. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 33 28 /2 00 8- 71 Fl. 2946DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.947 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 2947DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.948 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 2268 a 2436) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília/DF (fls. 2237 a 2258) que deu parcial provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada (fls. 617 a 805), homologando parcialmente as DCOMPs (fls. 02 a 81) objeto do feito, reconhecendo crédito superior àquele confirmado inicialmente pelo r. Despacho Decisório (fls. 602 a 612). O crédito debatido no presente feito tem origem em saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007, formado por recolhimentos de impostos sobre o lucro, efetuados no exterior por filiais localizadas em 8 (oito) países (Paraguai, Alemanha, Portugal, Inglaterra, Espanha, EUA, Itália e Japão) e 2 (duas) empresas controladas pelo Recorrente (BB Viena Austria e Brasilian American Merchant Bank BAMB Ilhas Cayman). O r. Despacho Decisório (fls. 602 a 612), reconhecendo apenas uma pequena parcela do imposto pago em Portugal, deixou de homologar todo o crédito pleiteado, em face de insuficiência do saldo negativo apontado, em razão de irregularidades nas comprovações de recolhimento e divergências entre valores declarados e tais tributos recolhidos no exterior. Diante de tal revés, o ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 90 a 2287), alegando, em suma, a regularidade da comprovação de recolhimento de todos os tributos pagos por suas filiais e controladas, trazendo vasta documentação, explicando a dinâmica de incidência e recolhimento de cada um deles e sua idoneidade. Também questiona o critério temporal do câmbio utilizado para a conversão dos valores dos tributos pagos por suas filiais e controladas em outros países. Processado o feito, antes de julgar a contenda, a DRJ de Brasília determinou a realização de diligência (fls. 803 a 805). Assim, para melhor instruir o feito, foram emitidas inúmeras intimações, solicitando ao Contribuinte a apresentação de diversos documentos e informações (fls. 820 a 1939). Completada a instrução necessária, foi elaborada e acostada aos autos Informação fiscal (fls. 1942 a 1962). Imediatamente, os autos foram remetidos à DRJ, sendo proferido o v. Acórdão (fls. 2237 a 2258), que adotou integralmente a análise e a conclusão técnica obtida na diligência, usando seus termos como razão de decidir, dando, assim, provimento parcial à Fl. 2948DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.949 4 Manifestação de Inconformidade, reconhecendo, adicionalmente, como procedente a comprovação de pequena parte dos recolhimentos efetuados nas Ilhas Cayman e na Áustria. Confirase a ementa e trechos do v. Acórdão: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o pretenso crédito da empresa foi parcialmente reconhecido por falta de comprovação de sua existência integral. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte (...) 84. Dessa forma, tendo em vista a exclusão dos valores de R$ 487.856,22 e R$ 319.508,14, dos R$ 6.100.185,90 pleiteados pela contribuinte, somente R$ 5.292.821,54 correspondem ao imposto pago pela Ativos S.A., no anocalendário 2007, na proporção da participação do BAMB no capital daquela empresa. (...) 91. Dessa forma, concluise que, do total de R$ 1.307.154,38 alegados pela contribuinte, apenas o montante de R$ 278.799,57 corresponde a retenções de imposto de renda no Brasil em que o BB Viena seria o beneficiário. (...) Destarte, tendo em vista o resultado da Diligência efetuada pela Delegacia de origem, como transcrita acima, se conclui que a contribuinte tem direito a R$ 5.561.621,11 referente ao imposto pago na Áustria e nas Ilhas Cayman, conforme itens 84 e 91 (R$ 278.799,57 + R$ 5.292.821,54 = R$ 5.561.621,11). Ex positis, VOTO no sentido de julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade formulada, para reconhecer o Fl. 2949DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.950 5 crédito de Saldo Negativo de IRPJ, ano base 2007, no valor de R$ R$ 5.561.621,11, de acordo com a legislação de regência. Diante do v. Acórdão, foi oposto o Recurso Voluntário (fls. 2268 a 2436), ora sob apreço, repisando as alegações de sua Manifestação de Inconformidade em relação à parcela do crédito não reconhecido, também fazendo específica alusão e questionando os termos desfavoráveis deste r. decisum a quo. Na mesma oportunidade, é acostada aos autos nova documentação, referente a recolhimentos no exterior e comprovação de consolidação de resultados de controladas coligadas indiretas, nas companhias controladas diretas. Posteriormente, foi juntado aos autos petição do ora Recorrente (fls. 2439 a 2536), trazendo documentos e traduções juramentadas de comprovantes de recolhimento de tributos pagos em outros diverso países, pugnando pelo seu conhecimento, em face da verdade material. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. Incluído tal processo na pauta de julgamento de 12 de abril de 2017 desta C. 2ª Turma Ordinária, foi proferida a Resolução nº 1402000.434 (fls. 2538 a 2546), determinado o seguinte: Assim, tendo em vista que, além da nova documentação contábil acostada aos autos, existem centenas de novas folhas, entre documentos de arrecadação e sua traduções, mostrase adequado e prudente se proceder a uma análise fiscal técnica e comparativa, pela própria Unidade Local que inicialmente reconheceu a falta ou a invalidade da documentação, antes de se efetuar o derradeiro julgamento meritório do feito, apreciando todas as matérias, considerando eventuais alterações dos valores controversos. Diante de todo o exposto, resolvese por determinar a realização de diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização: 1) analisando a nova documentação acostada nos autos (fls. 2268 a 2529) em direto confronto com os créditos não reconhecidos pelo v. Acórdão e sua fundamentação, determine se esta atende às exigências legais necessárias à compensação de tributos efetuada pelo Contribuinte, dando ensejo ao direito pleiteado na DCOMP ainda não homologado. 2) Fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reconhecer montante maior ou mesmo Fl. 2950DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.951 6 igual dos créditos reconhecidos pelo v. Acórdão a quo, apontando as eventuais falhas probantes da documentação trazida. Após a elaboração do Relatório formal com tais informações e fundamentação de suas conclusões, deve ser dada ciência ao Contribuinte do mesmo, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do devido retorno dos autos para julgamento. Ato contínuo, a Autoridade Fiscal acostou inúmeros documentos referentes a transações financeiras internacionais e elaborou o Relatório solicitado (fls. 2730 a 2749), com profunda análise e claro resumo, concluindo pela procedência de outras parcelas do crédito, antes não homologadas. Dada a ciência ao Contribuinte sobre o resultado da diligência, este apresentou Manifestação (fls. 2755 a 2764), em suma, discordando da análise da Unidade Local em relação às parcela do crédito não reconhecida e apontando supostas falhas em tal trabalho, reiterando ao final o provimento integral de seu Recurso Voluntário, bem como acostando mais centenas de novos documentos. Na sequência, os autos retornaram para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 2951DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.952 7 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Como anteriormente já verificado, reiterase que o Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Antes de adentrar o mérito da comprovação de recolhimentos e sua aceitação ou rejeição pela Fiscalização, frisese que o Recorrente juntou novamente centenas de folhas como prova de seu direito em sua Manifestação, após ter sido acostado aos autos o Relatório de diligência. Ainda que este Conselheiro sempre privilegie o princípio da verdade material (inclusive exarando a Resolução anterior em razão exclusiva da juntada de documentos em sede de Recurso Voluntário e complemento), é necessário estabelecer um limite, atribuindo duração razoável ao processo e racionalizando o número de diligências realizadas, para que não fique o Julgador à mercê de cada nova juntada promovida pelo Contribuinte, quando bem lhe convir revelar nova documentação, previamente existente, principalmente quando não motivada sua juntada por fato ou questionamento legal inaugurado durante o contencioso, sem qualquer justificativa para a apresentação somente nesse momento. No presente caso, a apreciação da causa nessa instância já havia se iniciado quando da prolatação da Resolução e os documentos agora acostados vieram após o retorno dos autos da DRF de origem, e nem houve pedido expresso para a sua juntada ou explicação para fazêlo somente agora, fatos estes que corroboram com a sua rejeição. Os autos já foram submetidos a duas diligências para a apreciação de documentos trazido pela Parte. Dessa forma, agora nesse caso, justificadamente, entendese por não conhecer da nova documentação acostada à Manifestação do Contribuinte sobre o Relatório de diligência. Superado tal ponto, o Contribuinte alega em sua Manifestação que haveria uma suposta redução dos limites legais dos valores compensáveis do período, devendo ser alterado seu valor máximo. Para maior clareza, confirase as breves alegações: Fl. 2952DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.953 8 Observando tais parágrafos, primeiro fica claro que não está devidamente demonstrado ou justificado onde e como a Fiscalização teria incorrido em erro ou lapso que justifique a alteração dos valores. Simplesmente afirmase, abstratamente, existir erro material e que o Fisco deve proceder à correção. Compulsando ao Relatório de diligência, especificamente no que tange à limitação de compensação permitida pelos normativos vigentes, realmente confirmase a presença de equívoco na soma dos valores totais das colunas 2 (Limite Legal Individual) e 3 (IRPJ Confirmado): Fl. 2953DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.954 9 Na verdade, o valor que encontrase na somatória da coluna 2 (Limite Legal Individual) é R$ 99.310.593,22 e na coluna 3 (IRPJ Confirmado) R$ 34.182.745,31, conforme alegado pelo Recorrente e, agora, pessoalmente confirmado por este Conselheiro. Por outro lado, apurando a forma de utilização de tais informações para a determinação do direito do Contribuinte à compensação pretendida,constatase, sem dúvidas, que tal simplório erro de aritmética não representou qualquer prejuízo ou supressão. Nesse sentido, a dinâmica de interação dos números expressos em tal tabela (e em outras do Relatório) aplicada Autoridade Fiscal é horizontal, de forma que o equívoco contido na somatória final das informações (vertical) em nada influenciou na monta do crédito validado, o qual foi obtido do confronto individual, por filial (horizontal) dos valores confirmados de IRPJ recolhido com os limites normativos aplicáveis para cada uma delas, inclusive alocando o eventual excedente nas possibilidade de compensação com a CSLL. Mais importante é o fato de que os limites referentes aos § 10 e § 11 do art. 14 da IN 213/20021 foram devidamente calculados e aplicados pela Fiscalização em seu 1 Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. (...) Fl. 2954DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.955 10 Relatório de diligência, calculados de forma individual e comparados entre si de forma autônoma, demonstrados em tabelas próprias: Diante disso, ainda que exista lapso matemático na totalização de alguns valores de tal Tabela 14 (uma dentre mais de uma dezena), o elemento corrompido por tal erro em nada influenciou no reconhecimento do direito compensatório da Parte. Lembrese que nem o Contribuinte demonstrou como teria tal equívoco de somatória lhe prejudicado. Apenas acusa a sua presença. Assim, dentro de uma necessária lógica racional e prática na condução dos processos administrativos fiscais, não há razão para o retorno dos autos a Unidade Local para promover os reparados apontados pelo Contribuinte, podendo se prosseguir com o julgamento da lide, sem qualquer prejuízo às Partes envolvidas. DATA DA CONVERSÃO DOS VALORES DE TRIBUTOS PAGOS NO EXTERIOR § 9º O valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o montante do imposto de renda e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real. § 10. Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica, no Brasil, deverá calcular o valor: I do imposto pago no exterior, correspondente aos lucros de cada filial, sucursal, controlada ou coligada e aos rendimentos e ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real; II do imposto de renda e adicional devidos sobre o lucro real antes e após a inclusão dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. § 11. Efetuados os cálculos na forma do § 10, o tributo pago no exterior, passível de compensação, não poderá exceder o valor determinado segundo o disposto em seu inciso I, nem à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital, referidos em seu inciso II. Fl. 2955DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.956 11 O tema da data da conversão dos valores pagos no exterior representa controvérsia dos autos que independe de documentação e outras circunstâncias individuais dos recolhimentos de cada filial ou coligada sob debate. Posto isso, em suma, alega o Contribuinte que a data do câmbio a ser adotada para a conversão de valores é a do dia do fechamento do balanço do anocalendário (último dia do ano), em obediência às regras do regime de competência, invocando o art. 177 da Lei das S/A, os arts. 247 e 274 do RIR/99 e as disposições do art. 1ª da Lei nº 9.532/97. Ainda que para fins de oferta à tributação no Brasil dos lucros auferidos no exterior a data da conversão de seu valor para Reais, realmente, seja a do balanço do período correspondente, como reza a Súmula CARF nº 942, a conversão da monta dos tributos pagos no estrangeiro, a serem compensados, possui regulamentação própria, bastante clara e objetiva. Confirase o disposto no §3º do art. 26 da Lei nº 9.249/95: Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. (...) § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais. (destacamos) O mesmo comando repetese em esfera infralegal, na regulamentação dada pela IN nº 213/2002: Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. 2 Súmula CARF nº 94: Os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.15835, de 2001. Fl. 2956DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.957 12 (...) § 2º O tributo pago no exterior, a ser compensado, será convertido em Reais tomandose por base a taxa de câmbio da moeda do país de origem, fixada para venda, pelo Banco Central do Brasil, correspondente à data de seu efetivo pagamento. (destacamos) Diante disso, não havendo necessidade para maiores ilações, resta claro que, por força legal, a data para conversão cambial do valor dos tributos pagos no exterior a serem compensados com o IRPJ (e a CSLL) no Brasil deverá ser aquela do seu efetivo pagamento. Adentrando, finalmente, a análise da comprovação dos recolhimentos, procederseá a uma abordagem individual, por filial e coligada, como empreendido nos recursos, decisões e relatórios do feito, considerando as razões de não homologação da DRJ e do Relatório de diligência (quando aplicável), em confronto com o alegado pelo Contribuinte em seu Recurso Voluntário e posterior Manifestação. PARAGUAI Em relação a esta filial, o Contribuinte informou o valor compensável de R$ 480.339,81, referente a 1.178.388.737,00 PYG. Foi utilizada a conversão cambial da data do balanço do período (último dia do ano). O v. Acórdão da DRJ identificou que, mesmo após intimação, apenas uma parte da documentação era autenticada, referente a 564.491.763,00 PYG (fls. 828). Convertendo tal monta de Guaranis para Reais, obtevese o valor de R$ 219.192,15. Contudo, tal valor foi glosado por se entender que estaria ausente qualquer registro legível de reconhecimento pelo órgão arrecadador paraguaio. O Contribuinte alegou em seu Recurso Voluntário, em suma, a correção da utilização da data do balanço para a conversão das moedas, bem como ser improcedente a afirmação de inadequação dos documentos do v. Acórdão, vez que estaria presente a logomarca da repartição arrecadatória, além da sua consularização. Não obstante, pugna pela juntada posterior de novos documentos. Na diligência, afirmando ter analisado todos os documentos trazidos, reconheceuse a validade da nova documentação apresentada, atendendo aos requisitos do §2º Fl. 2957DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.958 13 do art. 26 da Lei nº 9.249/25, confirmando ao final apenas a comprovação de recolhimentos no valor R$ 219.192,15, compensáveis com o IRPJ. Em sede de Manifestação, o Recorrente atémse a alegar que a Fiscalização cometeu equívoco ao deixar de confirmar a parcela relativa à compensação no valor de 613.896.974,00 PYG, afirmando, simplesmente, que tal entendimento não possui previsão legal. Frisese, primeiramente, que em Recurso Voluntário, as alegações da recorrente são dirigidas a data do câmbio e à validade do documento analisado no v. Acórdão da DRJ (referente a 564.491.763,00 PYG, que mostraramse legitimamente correspondente a R$ 219.192,15). Além de representar inovação não justificável, a argumentação trazida em sede Manifestação é confusa, não delimitando efetivamente como se operaria tal equívoco de análise e quais argumentos da Fiscalização não possuiriam previsão legal, sem fazer qualquer referencia a documentos ou folhas dos autos (revelandose genérica). Assim, não há qualquer alegação ou fundamentado para afastar a conclusão do Relatório de diligência, que confirmou apenas R$ 219.192,15 dos R$ 480.339,81 pretendidos. Crédito adicional reconhecido nesse Voto: R$ 219.192,15. ALEMANHA Em relação a esta filial, o Contribuinte informou o valor compensável com o IRPJ de R$ 3.240.707,36, já calculado dentro dos limites do art. 14 da IN nº 213/2002. O v. Acórdão da DRJ não homologou a compensação por entender que não foi efetivamente comprovado seu recolhimento com documentação hábil, inclusive incapaz de se determinar a data do pagamento efetivo do tributo, ressaltando a ausência de chancela do órgão arrecadador alemão. Fl. 2958DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.959 14 O Contribuinte alegou em seu Recurso Voluntário, em suma, o atendimento aos requisitos do art. 26 da Lei nº 9.249/95 e do art. 16 da Lei nº 9.430/96 pela documentação probatória, afirmando que fora reconhecida pela DRJ a presença de tradução, sendo inegável a expressão nos documentos da natureza dos tributos pagos. Não obstante, pugna pela juntada posterior de novos documentos. Na diligência, a Unidade Local analisou toda a nova documentação acostada nos autos e, após minuciosa análise, concluiu que houve a devida e idônea comprovação de pagamentos na monta de R$ 4.471.783,83, a qual, submetida aos limites do art. 14 da IN nº 213/2002, resultou no reconhecimento de crédito compensável com o IRPJ de R$ 3.240.707,36 e, inclusive, consigna que o restante de R$ 1.231.076,47 seria ainda compensável com a CSLL. Em sede de Manifestação, a Recorrente não faz qualquer menção sobre o crédito reconhecido referente a sua filial germânica. Uma vez prejudicada a argumentação do Recurso Voluntário pelo resultado da diligência e não havendo óbice em sua Manifestação correspondente, devese adotar a conclusão do Relatório de diligência, que confirmou o crédito de R$ 3.240.707,36. Crédito adicional reconhecido nesse Voto: R$ 3.240.707,36 (além de R$ 1.231.076,47 compensáveis com a CSLL do mesmo período). PORTUGAL Em relação a esta filial, o Contribuinte informou o valor compensável de R$ R$ 2.517.637,02. Foi utilizada a conversão cambial da data do balanço do período (último dia do ano). O r. Despacho Decisório proferido neste feito já havia validado o montante de R$ 2.197.138,24. O v. Acórdão da DRJ não homologou o restante da compensação por entender, primeiramente, pela adoção de critério ilegítimo para conversão cambial (nos mesmo termos já defendidos neste Voto) e desconsiderou o documento de arrecadação apresentado por não ter sido demonstrado que a legislação lusitana prevê a incidência do imposto de renda por Fl. 2959DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.960 15 meio do documento de arrecadação apresentado, o que implicaria em desrespeito ao art. 16 da Lei nº 9.430/96. O Contribuinte alegou em seu Recurso Voluntário, em suma, que seria correta a adoção da data do balanço para a conversão de valores de tributos pagos no exterior a compensar, bem como demonstrou que o Decreto nº 4.012/2001, que internalizou a Convenção firmada entre Brasil e Portugal para evitar a Dupla Tributação, esclarece que os tributos "Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS)", "Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC) e a "derrama" referemse a oneração fiscal da renda. Também acosta novo comprovante de recolhimento do IRC. Na diligência, afirmando ter analisado todos os documentos trazidos, reconheceuse a validade da documentação apresentada, atendendo aos requisitos da IN nº 213/2002, e aplicando a data da taxa cambial correta, como apontado pela DRJ, confirmando ao final a comprovação de R$ 2.198.786,23. Em sede de Manifestação, a Recorrente não faz qualquer menção sobre o crédito reconhecido referente a sua filial germânica. Uma vez afastada a tese do Contribuinte sobre a data correta da conversão das moedas envolvidas e prejudicado o restante de sua argumentação do Recurso Voluntário pelo resultado da diligência, bem como não havendo óbice em sua Manifestação correspondente, devese adotar a conclusão do Relatório de diligência, que confirmou o crédito de R$ 2.198.786,23. Crédito adicional reconhecido nesse Voto: R$ 2.198.786,23. INGLATERRA Em relação a esta filial, o Contribuinte informou o valor compensável com o IRPJ de R$ 5.312.526,07, já calculado dentro dos limites do art. 14 da IN nº 213/2002. Foi utilizada a conversão cambial da data do balanço do período (último dia do ano). O v. Acórdão da DRJ não homologou a compensação por entender que os documentos apresentados (swifts de pagamento e recibo da filial BB Securities para a BB Londres) não são adequados para a comprovação de pagamento de tributos, violando o Fl. 2960DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.961 16 disposto no art. 26, § 2º, da Lei nº 9.249/95 e art. 16, § 2º, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Igualmente aponta para a conversão cambial indevida, efetuada na data do fechamento do balanço (último dia do ano). O Contribuinte alegou em seu Recurso Voluntário, em suma, o atendimento aos requisitos do art. 26 da Lei nº 9.249/95 e do art. 16 da Lei nº 9.430/96 pela documentação acostada, afirmando que nas mensagens swift consta o termos (já traduzido) imposto empresarial do Banco do Brasil, valor do recolhimento e data. Não obstante, acosta novos documentos e a respectiva tradução juramentada. Na diligência, a Unidade Local analisou toda a nova documentação acostada nos autos e, após minuciosa verificação, concluiu que houve a devida e idônea comprovação de pagamentos na monta de R$ 5.651.569,25 a qual, submetida aos limites do art. 14 da IN nº 213/2002, resultou no reconhecimento de crédito compensável com o IRPJ de R$ 5.312.526,07 e, inclusive, consigna que o restante de R$ 339.043,18 seria ainda compensável com a CSLL. Em sede de Manifestação, o Recorrente não faz qualquer menção sobre o crédito reconhecido referente a sua filial inglesa. Uma vez prejudicada a argumentação do Recurso Voluntário pelo resultado da diligência e não havendo óbice em sua Manifestação correspondente, devese adotar a conclusão do Relatório de diligência, que confirmou o crédito de R$ 5.312.526,07. Crédito adicional reconhecido nesse Voto: R$ 5.312.526,07 (além de R$ 339.043,18 compensáveis com a CSLL do mesmo período). ESPANHA Em relação a esta filial, o Contribuinte informou o valor compensável com o IRPJ de R$ 399.008,92, já calculado dentro dos limites do art. 14 da IN nº 213/2002. Foi utilizada a conversão cambial da data do balanço do período (último dia do ano). O v. Acórdão da DRJ não homologou a compensação por entender que estavam ausentes cópias traduzidas da legislação espanhola, como determina o comando do art. 16, § 2º, inciso II, da Lei nº 9.430/96, assim como a documentação apresentada, visando à prova do recolhimento no exterior, não contava com autenticação do órgão arrecadador, Fl. 2961DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.962 17 violando o disposto no art. 26, § 2º, da Lei nº 9.249/95. Igualmente, teria o Contribuinte se valido de data não adequada para a conversão cambial. O Contribuinte alegou em seu Recurso Voluntário, em suma, o atendimento aos requisitos do art. 26 da Lei nº 9.249/95 pela documentação acostada, afirmando que existe brasão do órgão arrecadador espanhol (Agência Tributária do Governo da Espanha) no canto esquerdo superior e que também estaria expressamente traduzido o termo pago em efetivo importe: 146.047,37. Defende a adequação da data da conversão cambial, em face da dinâmica do regime de competência. Ao final, pugna pela juntada posterior de documentação. Contudo, tal documentação referente a filial espanhola não foi juntada. Em face da ausência de nova documentação dessa sucursal, não houve nova análise ou conclusão na diligência procedida pela a Unidade Local, a qual manteve em seus cálculos gerais a não homologação de tais valores. Em sede de Manifestação, o Recorrente não faz qualquer menção sobre o crédito reconhecido referente a sua filial espanhola. Realmente, como apontado no v. Acórdão da DRJ, carece o conjunto fático probatório do Contribuinte da legislação tributária da Espanha traduzida. Tal fato já representaria, per si, um obstáculo ao reconhecimento de seu direito. Não obstante, o brasão da agência nacional de arrecadação do tributo pago na guia de pagamento não se confunde com validação do pagamento pelo órgão arrecadador, como previsto no art. 26 da Lei nº 9.249/95. Desse modo, deve ser mantida a não homologação desse valor. Crédito adicional reconhecido nesse Voto: nenhum. ESTADOS UNIDOS Fl. 2962DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.963 18 Em relação a esta filial, o Contribuinte informou o valor compensável com o IRPJ de R$ 2.338.116,00. Foi utilizada a conversão cambial da data do balanço do período (último dia do ano). O v. Acórdão da DRJ não homologou a compensação por entender que a documentação acostada (cópias de cheques e comprovantes de transferências bancárias, traduzidas e trechos da suposta legislação estadunidense referente aos impostos pagos) não atendia ao exigido pelo art. 26, § 2º, da Lei nº 9.249/95, estando ausentes informações relativas à apuração do imposto de renda no período, assim como carente de autenticação pelo órgão arrecadador. Também não teria sido observado o art. 16, § 2º, inciso II, da Lei nº 9.430/96, por não ter o contribuinte comprovado que a legislação dos Estados Unidos prevê a incidência do imposto de renda por meio dos comprovantes de transferências bancárias e cheques apresentados. Afirma, inclusive, que a suposta legislação acostada mais se assemelha a manual. O Contribuinte alegou em seu Recurso Voluntário, em suma, que nos cheques constam as expressões "Pagamento do Imposto de Renda PJ..." e "Imposto de Renda PJ Estimado" e que lá estariam evidenciados datas, valores e o Departamento de Arrecadação Tributária de Nova Iorque como beneficiária. Em relação às transferências bancárias, estariam registradas as expressões "Tipo de imposto 1120 arquivamento período 123107", com datas e valores. Tais informações bastariam para o atendimento ao art. 26, § 2º da Lei nº 9.249/95. Ao final, pugna pela juntada posterior de documentação. Em face da ausência de nova documentação dessa sucursal, não houve nova análise ou conclusão na diligência procedida pela a Unidade Local, a qual manteve em seus cálculos gerais a não homologação de tais valores. Contudo, em sede de Manifestação, o Contribuinte acosta Legislação extraída de sítio eletrônico do Estado de Nova York e da Cidade de Nova York, alegando que lá estaria demonstrado que os impostos recolhidos, expressos pelos cheques e transferências, são incidentes sobre a renda. Reforça sua argumentação recursal de que as informações contidas nos swifts acostados denotam as informações referente a sua apuração. Como já decidido anteriormente, a documentação acostada em Manifestação, após a diligência realizada nessa Instância, não será conhecida. Assim, prevalece a constatação do v. Acórdão da DRJ de não atendimento ao art. 16 da § 2º, inciso II, da Lei nº 9.430/96, vez que, claramente, o documento de fls. 893 não apresentase como legislação local e sequer é explicada sua natureza ou origem. Fl. 2963DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.964 19 Não obstante, as menções técnicas e os códigos constantes das cópias de transferência bancária não permitem a constatação cabal de que efetivamente tratam de liquidação de tributo sobre a renda, compensável no Brasil. Assim, mesmo que consularizada, a documentação conhecida não atende a ao imposto no art. 26, da Lei nº 9.249/95. Desse modo, deve ser mantida a não homologação desse valor. Crédito adicional reconhecido nesse Voto: nenhum. ITÁLIA Em relação a esta filial, o Contribuinte informou o valor compensável com o IRPJ de R$ 1.301.368,89, já calculado dentro dos limites do art. 14 da IN nº 213/2002. Foi utilizada a conversão cambial da data do balanço do período (último dia do ano). O v. Acórdão da DRJ não homologou a compensação por entender que os documentos apresentados não dispõem de reconhecimento pelo órgão arrecadador italiano, conforme exigido no art. 26, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995, e, dessa forma, não são passíveis de serem admitidos como documentos que amparam a compensação de imposto de renda pago no exterior com o IRPJ devido no Brasil. Também faz apontamentos que os documentos não permitem determinar se o valor do imposto sobre a renda lá constante tratase daquilo efetivamente pago ou do seu montante antes de deduções, bem como não há esclarecimentos sobre os códigos de arrecadação doméstica lá mencionados. O Contribuinte alegou em seu Recurso Voluntário, em suma, que os comprovantes apresentados são guias para pagamento unificado de tributos, emitidos pela agência arrecadadora italiana e que possuem consularização. Também esclarece que os códigos 3812, 3813 e 3800 referemse ao tributo IRAP, supostamente incidente sobre o valor da produção líquida. Conclui, com tais apontamentos, que estaria atendida a exigência do art. 26, § 2º da Lei nº 9.249/95. Ao final, pugna pela juntada posterior de documentação. Fl. 2964DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.965 20 Na diligência, a Unidade Local analisou toda a nova documentação acostada aos autos e, após minuciosa verificação, concluiu que em relação ao tributo denominado IRES, na verdade, não houve pagamento efetivo, mas, sim, compensações e abatimentos que levaram seu saldo a zero. Confirase os itens 29 e 30 do Relatório de diligência: 29. Apesar de o contribuinte ter informado que o valor pago de IRES foi no montante de 650.640,00 euros (RN9), a tradução apresentada, fl.910, informa que o imposto devido é zero (campo RN23), conforme cópia abaixo. Nesse sentido, observase que após a apuração do imposto (RN9), houve a dedução de créditos de impostos pagos no exterior (RN13) e a compensação com créditos excedentes de declaração precedente (RN19), o que resultou em imposto devido zerado (RN23). 30. A esse respeito, devese observar o art. 14, § 8º, da IN SRF nº 213, de 2002, abaixo transcrito, que estabelece que o contribuinte pode compensar tributo a partir do valor efetivamente pago. No caso em análise, verificouse que não houve pagamento efetivo para o anocalendário 2007. Como se observa, o fato constatado também impede a identificação da data para a devida conversão cambial, já que não fora efetuado recolhimento, propriamente dito. Já em relação ao tributo denominado IRAP, a Fiscalização desconsiderou seus recolhimentos por entender que este não incide sobre lucros, rendimentos ou ganhos de capital, mas, sim, sobre o valor da produção líquida. Confirase as palavras da Autoridade Fiscal: 33. De início, constatase que IRAP não é tributo que incide sobre os lucros, rendimentos ou ganho de capital, nos termos do art. 14, § 1º, da IN SRF nº 213, de 2002. De acordo com o a Guia Prático para Pagamentos de Impostos, publicado pela “Agenzia Entrate” (Receita Federal Italiana), tradução às fl.2364/2430, apenas o IRES e IRPEF se referem a imposto de renda, fl.2393. Para ratificar esse entendimento, o próprio contribuinte em fl. 2281 do Recurso Voluntário confirmou que o IRAP é imposto incidente sobre o valor da produção líquida. 34. Dessa forma, os pagamentos realizados para IRAP não serão considerados, haja vista que este não é tributo que incide sobre renda, rendimentos ou ganho de capital. Ademais, da mesma forma como aconteceu com o IRES, os pagamentos de IRAP não possuem a data do efetivo pagamento, o que impossibilita a conversão de euro para real. Fl. 2965DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.966 21 Em sede de Manifestação, o Recorrente alega, em suma, que, no que tange ao IRES, não teria sido identificado na legislação qualquer vedação para a utilização do crédito decorrente de imposto de renda pago no exterior via compensação, não se tratando no caso de gozo de benefício, e consigna que a documentação atende a toda exigência legal. Em relação ao IRAP, simplesmente afirma ser este incidente sobre a renda, trazendo cópias de Decreto Legislativo italiano. Quanto ao IRES, ainda que a regulamentação da compensação de tributos recolhidos no exterior utilize a terminologia valor efetivamente pago, imediatamente o Legislador complementa a frase com a sentença não sendo permitido o aproveitamento de crédito de tributo decorrente de qualquer benefício fiscal. Assim, seria juridicamente defensável o entendimento do Contribuinte, de que não há vedação para a compensação de tributo liquidado por compensação, que não decorrente de benefício. Porém, o Recorrente não se aprofunda em tal demonstração, não havendo comprovação e esclarecimento cabal da natureza das compensações efetuadas, sua dinâmica e mecanismo. Atémse a alegar a ausência de base legal para a negativa fazendária e acrescenta se utilizou de créditos de pagamentos efetivamente realizados ao fisco local. Tal argumentação não basta para arrimar o direito pleiteado, inclusive quando também não foi apresentado pelo Contribuinte uma solução para a data que deveria ser adotada como a de sua quitação, como expressamente aventado pela Autoridade Fiscal no Relatório fiscal como motivo adicional para negativa aplicada, por ser consequência impossibilitante da conversão de moedas. Em relação ao IRAP, novamente, a simples e módica alegação de que este tributo é incidente sobre a renda em nada socorre ao direito da Recorrente. Ainda que tenha juntado cópia da legislação italiana em sua Manifestação, essa não será conhecida. Contudo, é do conhecimento acadêmico deste Conselheiro que o IRAP incide sobre a produção líquida de seus contribuintes, tendo como base positiva a receita percebida em suas atividades, o que lhe aproximaria da dinâmica do PIS e da COFINS. Fl. 2966DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.967 22 Não obstante, sua natureza é notoriamente complexa, pois são permitidas deduções na sua apuração, como alguns pagamentos referente a alguns itens das folhas de salário, além de ser de competência regional, o que faz com que as regras de sua apuração variem pela localização das empresas e demais aspectos das pessoas sujeitas à sua incidência. Desse modo, sua suposta natureza de tributo sobre a renda, como afirmado pela Recorrente, é academicamente polêmica e questionável, exigindo uma demonstração aprofundada da sua fenomenologia de incidência e normas de apuração aplicáveis aos valores que foram efetivamente recolhidos pela filial na Itália o que já poderia ter sido feito sem a necessidade de juntada de nova documentação, no bojo das peças de defesa. Não há tal demonstração por parte do Contribuinte, o que leva à prevalência e adoção das conclusões da Unidade Local, agora chanceladas por este Julgador, devendo ser mantida a negativa a tal valor pretendido. Crédito adicional reconhecido nesse Voto: nenhum. JAPÃO Em relação a esta filial, o Contribuinte informou o valor compensável com o IRPJ de R$ 10.365.314,06, já calculado dentro dos limites do art. 14 da IN nº 213/2002. Foi utilizada a conversão cambial da data do balanço do período (último dia do ano). O v. Acórdão da DRJ não homologou a compensação por entender que o Contribuinte não trouxe cópia da legislação local, mas, na verdade, copia de obra doutrinária de autoria de Takeshi Kawada, assim como, consequentemente, não comprovou que a legislação japonesa prevê a incidência do imposto de renda por meio dos documentos apresentados violando o disposto no art. 16, § 2º, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Igualmente aponta que os documentos trazidos aos autos como prova de pagamento, ainda que consularizados no Brasil, não possuem a necessária autenticação do órgão arrecadador japonês, mas apenas chancela de Instituição Financeira, indo de encontro ao previsto no art. 26, § 2º, da Lei nº 9.249/95. O Contribuinte alegou em seu Recurso Voluntário, em suma, o atendimento aos requisitos do art. 26 da Lei nº 9.249/95 e do art. 16 da Lei nº 9.430/96 pela documentação acostada, afirmando que nela consta a denominação dos referidos tributos, a data do pagamento, valor das exações e a expressão "paid on", o que denotaria seu efetivo Fl. 2967DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.968 23 recolhimento ao órgão arrecadador japonês . Ao final, pugna pela juntada posterior de documentação. Na diligência, a Unidade Local analisou toda a nova documentação acostada nos autos e, após minuciosa verificação, excluiu parcela dos tributos que não incidem efetivamente sobre a renda e concluiu que houve a devida e idônea comprovação de pagamentos na monta de R$ 16.069.792,74 a qual, submetida aos limites do art. 14 da IN nº 213/2002 resultaram no reconhecimento de crédito compensável com o IRPJ de R$ 10.365.314,06 e, inclusive, consigna que o restante de R$ 5.704.478,68 seria ainda compensável com a CSLL. Em sede de Manifestação, o Recorrente não faz qualquer menção sobre o crédito reconhecido referente a sua filial japonesa. Uma vez prejudicada a argumentação do Recurso Voluntário pelo resultado da diligência e não havendo óbice em sua Manifestação correspondente, devese adotar a conclusão do Relatório de diligência, que confirmou o crédito de R$ 10.365.314,06. Crédito adicional reconhecido nesse Voto: R$ 10.365.314,06 (além de R$ 5.704.478,68 compensáveis com a CSLL do mesmo período). ILHAS CAYMAN (BAMB) Em relação a esta empresa, o Contribuinte informou o valor compensável com o IRPJ de R$ 6.100.185,90. Tal valor é referente ao imposto pago no Brasil pela empresa do Grupo chamada "Ativos S/A" que, por sua vez, tem 25,5% de seu capital detido pela "BAMB Ilhas Cayman" (Brasilian American Merchant Bank), subsidiária integral do Contribuinte, sendo compensável por força da dinâmica de consolidação de resultados de suas subsidiárias, através de equivalência patrimonial e da autorização da MP nº 2158/2001 para se compensar o imposto retido na fonte quando os respectivos rendimento compuseram a apuração de lucro real. O v. Acórdão da DRJ homologou apenas parcialmente a compensação, por entender que de tal valor global (R$ 6.100.185,90), R$ 487.856,22 referentes a ganho de Fl. 2968DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.969 24 equivalência patrimonial do mês de dezembro de 2006, não estavam abarcados pelas demonstrações financeiras do períodos. Confirase a fundamentação: 79. A contribuinte informou que a Ativos S.A. apura IRPJ e CSLL com base no lucro real anual e apresentou à fl. 1020 o demonstrativo da composição do valor de imposto de renda supostamente compensável com o IRPJ devido pelo Banco do Brasil, no valor de R$ 6.100.185,90. Tal valor seria composto pelo IRPJ e CSLL pagos pela Ativos S.A. no anocalendário 2007, no valor de R$ 21.793.714,65, acrescidos do IRPJ e CSLL pagos em referência ao período de dezembro de 2006, no valor de R$ 2.008.796,11, calculados na proporção da participação do BAMB na Ativos S.A., o que resultaria em R$ 5.780.677,76. A este valor somouse a quantia de R$ 319.508,14, sob a rubrica “outros”, que, segundo a contribuinte, seria decorrente de imposto pago pelo BAMB correspondente a retenções sobre a receita de Juros sobre Capital Próprio – JCP, aluguel de imóveis, aplicações financeiras e alienação de ações (fls. 1469 e 1470). 80. Os DARFs correspondentes aos pagamentos de estimativas e ajuste de IRPJ e CSLL do anocalendário 2007 (fls. 1021 a 1048) foram confirmados no Sief. Quanto à parcela de composição referente ao mês de dezembro de 2006, verificase que todas as demonstrações financeiras do BAMB foram elaboradas para o período de janeiro a dezembro de 2007 e, dessa forma, não foi possível averiguar o registro do ganho de equivalência patrimonial do BAMB referente ao período de dezembro de 2006. Ademais, conforme se verifica nos relatórios divulgados na página da Ativos S.A. na internet (www.ativossa.com.br), às fls. 1759 a 1764, foram publicados balanços patrimoniais levantados nos finais dos anos de 2006 e 2007. Diante disso, do total pleiteado pela contribuinte, cabe desconsiderar a parcela referente a dezembro de 2006, o que implica na glosa de R$ 487.856,22 (valor calculado com base na participação do BAMB no capital da Ativos S.A., tendo em vista o imposto pago por esta no montante de R$ 2.008.796,11). (destacamos) Também foi rejeitada pela DRJ a quo a parcela de R$ 319.508,14, que teria sido informado pelo Contribuinte em seu pleito como outros eventos. Para sua comprovação, apresentouse DARFs referente a retenções na fonte em que a BAMB seria beneficiária. Entendeuse que, por não constar a BAMB em DIRF correspondente ao período como beneficiária, o valor supostamente retido não teria sido comprovado e, também, que não houve o pagamento de JCP pela Ativos S/A, referente ao anocalendário de 2007. Confira os termos do v. Acórdão: Fl. 2969DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.970 25 81. Em relação à quantia de R$ 319.508,14, informada na composição do montante do imposto de renda pago no exterior sob a rubrica “outros”, a contribuinte não especificou como esse valor se distribui entre retenções sobre receita de JCP, receita de aluguel de imóveis, aplicações financeiras e alienação de ações, apenas apresentou DARFs e comprovantes de pagamento (fls. 1055 a 1078 e fls. 1487 a 1489), correspondentes a retenções de imposto de renda das quais o BAMB seria beneficiário. A soma dos valores constantes dos DARFs e comprovantes de pagamento, desconsiderados aqueles em que o período de apuração não está contido no ano de 2007 e os que não se referem a imposto de renda, resulta em R$ 247.993,70. Além disso, na resposta à Intimação 993/2012 (fl. 816), a contribuinte informou que a Ativos S.A. efetuou o pagamento de JCP ao BAMB no valor de R$ 66.429,90, conforme comprovante de emissão de recursos às fls. 1097 a 1100. Esse valor teria sido base de cálculo para retenção de imposto de renda. 82. No que concerne aos DARFs e comprovantes de pagamento, o BAMB não consta em DIRF como beneficiário de retenção de imposto de renda para nenhum dos códigos de receita constantes dos documentos apresentados (fl. 1767). Quanto à suposta retenção de imposto de renda sobre a receita de JCP, verificou se no balanço de 31/12/2007 da Ativos S.A. (fl. 1763 – Nota 7.d) que a referida empresa decidiu pelo não pagamento de JCP aos seus acionistas. Assim, resta concluir que a parcela de JCP no valor de R$ 66.429,90 se refere a períodos anteriores, o que, aliás, é presumível da data do registro da remessa de recursos, 31/12/2006, constante do documento de fl. 1099. 83. Portanto, diante da não confirmação em DIRF das alegadas retenções de imposto de renda sofridas pelo BAMB e da informação do não pagamento de JCP pela Ativos S.A., conclui se que não é cabível a inclusão da importância de R$ 319.508,14 na composição do imposto de renda pago pelo BAMB no exterior. Assim, dos R$ 6.100.185,90 pretendidos pelo Contribuinte a DRJ apenas reconheceuse a procedência de R$ 5.292.821,54 correspondentes ao imposto pago pela Ativos S.A., no anocalendário 2007, na proporção da participação do BAMB no capital daquela empresa. O Contribuinte em seu Recurso Voluntário alega, em suma, que o art. 387, inciso I, do RIR/99 permite incluir em seu balanço valores referentes a até dois meses anteriores a sua data de elaboração e subscrição, o que lhe garantiria o direito de compensar os R$ 487.856,22 referentes a ganho de equivalência patrimonial do mês de dezembro de 2006. No que tange aos DARFs, afirma que constitui dever da fonte pagadora dos rendimentos o fornecimento de comprovante anual de retenção à pessoa jurídica beneficiária do pagamento, Fl. 2970DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.971 26 conforme, aliás, dispõem os arts. 942 do RIR/99 e 37 da Lei 1.234/2012, não cabendo ao órgão fiscalizador desconsiderar os comprovantes de retenção na fonte emitidos, DARF e comprovantes de pagamento de JCP. Em face da ausência de nova documentação dessa sucursal, não houve nova análise ou conclusão na diligência procedida pela a Unidade Local, a qual manteve em seus cálculos gerais a homologação apenas parcial de tais valores, conforme decidido pela DRJ. Em sede de Manifestação, o Recorrente repete textualmente as alegações do Recurso Voluntário. Em relação aos R$ 487.856,22, referentes aos ganhos com equivalência patrimonial de dezembro de 2006, a questão aqui é que não se afirmou ser injurídica a sua eventual inclusão em balanço patrimonial de 2007, mas sim que não foi possível averiguar o registro do ganho de equivalência patrimonial do BAMB referente ao período de dezembro de 2006, quando verificada as demonstrações financeiras. Realmente, analisando o balanço de fls. 1485, primeiramente, não há qualquer menção ou indicação de que lá foram utilizados valores de novembro ou dezembro de 2006 (ainda que facultado pelas normas vigentes), mas apenas consta ser aquela a posição patrimonial em 31/12/2007. Frisese que o mesmo se aplica aos demonstrativos da Ativos S/A de fls. 1762 a 1764, confirmando a conclusão da DRJ de que não pode se verificar se tal valor foi efetivamente registrado na apuração fiscal do período de referência. Igualmente, não existem quaisquer outros elementos de prova que atestem a inclusão de tal valor da na apuração do lucro tributável, procedida em relação ao ano calendário de 2007. Em relação às retenções e ao suposto pagamento de JCP, supostamente computado no período, a alegação de não caber ao órgão fiscalizador desconsiderar os comprovantes de retenção na fonte emitidos, DARF e comprovantes de pagamento de JCP simplesmente não combate a conclusão alcançada por efetiva análise documental de que não consta a BAMB como beneficiária na DIRF referente ao período e que, no próprio balanço da Ativos S/A às fls. 1743, consta que não foram distribuídos JCP no período. Ainda que possa se alegar que os JCP de dezembro de 2006 constaram de tal balanço em face da prerrogativa de inclusão de eventos/posição de até 2 meses anteriores a Fl. 2971DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.972 27 data do balanço, não existe qualquer indicação ou prova de que isso efetivamente ocorreu, além da simples e postulatória argumentação recursal. Desse modo, deve ser mantida a não homologação parcial desse valor. Crédito adicional reconhecido nesse Voto: nenhum. ÁUSTRIA Em relação a esta filial, o Contribuinte informou o valor compensável com o IRPJ de R$ 1.307.154,38, decorrente de retenções na fonte de remessas de juros ao exterior. O v. Acórdão da DRJ homologou apenas parcialmente a compensação por entender que parte dos DARFs apresentados, quando cruzados com extratos e comunicações internas, não confirmavam a referência precisa da sua correspondência com os juros efetivamente pagos à filial austríaca. Confirase a fundamentação do v. Acórdão: Diante disso, foram considerados somente os DARFs ou extratos de agendamento de pagamento acompanhados dos swifts correspondentes. A partir dos swifts foi possível verificar os valores das parcelas de capital tomadas em empréstimo por clientes brasileiros e os montantes pagos por estes ao BB Viena com o acréscimo dos juros, e, além disso, constam desses documentos as partes envolvidas nas remessas de valores entre o Brasil e a Áustria, quais sejam, uma unidade brasileira do Banco do Brasil, intermediária da operação, e o BB Viena. 89. Os demais documentos colacionados pela contribuinte, para os quais não constam swifts, foram desconsiderados por se tratarem de DARFs ou extratos de agendamentos relativos a retenções de imposto de renda efetuadas por terceiros, sem qualquer referência ao BB Viena, ou, ainda, por serem documentos extraídos de sistemas de comunicação interna do Banco do Brasil, como correspondências eletrônicas. Também foram desconsiderados os pagamentos efetuados para períodos base não contidos no ano de 2007, como o constante às fls. 542 a 544. Tais documentos não foram reconhecidos por esta Diort como suficientes para fazerem prova da retenção de imposto de renda cujo beneficiário seria o BB Viena. 90. Os pagamentos dos DARFs e dos extratos de agendamento para os quais apresentaramse os swifts foram confirmados nos Fl. 2972DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.973 28 sistemas da RFB. Na tabela de fl. 1768, os valores de retenção foram organizados por páginas dos documentos em que constam no processo, de modo que, ao final, verificouse o montante de retenção de R$ 278.799,57. 91. Dessa forma, concluise que, do total de R$ 1.307.154,38 alegados pela contribuinte, apenas o montante de R$ 278.799,57 corresponde a retenções de imposto de renda no Brasil em que o BB Viena seria o beneficiário. Como se observa, dos R$ 1.307.154,38 pretendidos pelo Contribuinte, a DRJ apenas reconheceu a procedência de R$ 278.799,57. O Contribuinte alegou em seu Recurso Voluntário, em suma, que numa análise dos documentos apresentados, podese claramente identificar em cada mensagem swift o número da operação correspondente ao DARF, o qual encontrase anexado ao final das referidas mensagens. Ocorre, contudo, que tais documentos, ao contrário do fundamentando pela DRF, indicam sim ser o tributo pago sob o código de receita 0481, cuja denominação se refere a juros e comissões remetidas ao exterior na contratação de operações de financiamento à importação. Em face da ausência de nova documentação dessa sucursal, não houve nova análise ou conclusão na diligência procedida pela a Unidade Local, a qual manteve em seus cálculos gerais a homologação parcial de tais valores procedida pela DRJ. Em sede de Manifestação, o Recorrente repete textualmente as alegações do Recurso Voluntário. Como se observa acima, a alegação do Contribuinte é genérica e abstrata, nada mais fazendo do que afirmar o oposto daquilo constatado pela DRJ em seu v. Acórdão. Não há o apontamento de folhas ou qualquer referência de onde tais documentos estariam acostados e sequer foi colacionado um único exemplo demonstrando que a análise efetuada pela DRJ (mesmo após diligência determinada por aquela Instância) estaria equivocada. Confirase os profundos e técnicos termos da primeira diligência, solicitada pela DRJ, em relação aos valores a compensar dessa filial austríaca: Fl. 2973DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.974 29 Áustria 85. A contribuinte pretendeu compensar com o IRPJ devido no Brasil a quantia de R$ 1.307.154,38, originária de sua subsidiária em Viena, na Áustria, conforme planilha de fls. 549 a 550. Tal valor seria decorrente de retenções de imposto de renda no Brasil ocorridas sobre juros de operações entre o Banco do Brasil em Viena e clientes brasileiros. 86. Para comprovar as retenções de imposto de renda no Brasil, a contribuinte apresentou os documentos de fls. 181 a 544. Esses documentos consistem essencialmente de DARFs recolhidos sob o código de receita 0481, correspondências eletrônicas trocadas entre unidades do Banco do Brasil, extratos de agendamentos de pagamento emitidos por sistemas internos do Banco do Brasil e swifts relativos às operações que culminaram na retenção de imposto de renda. 87. A fim de verificar se o valor constante dos DARFs de fato totaliza a quantia pleiteada relativa ao imposto retido no Brasil, a contribuinte foi intimada (fl. 809) a apresentar uma planilha que consolidasse os valores utilizados na composição do montante de R$ 1.307.154,38, com indicação por página do processo dos respectivos documentos. 88. Em resposta (fl. 817), a contribuinte apresentou relatório emitido por empresa de auditoria independente (fls. 1111 a 1150), o que não atende ao solicitado na Intimação. Diante disso, foram considerados somente os DARFs ou extratos de agendamento de pagamento acompanhados dos swifts correspondentes. A partir dos swifts foi possível verificar os valores das parcelas de capital tomadas em empréstimo por clientes brasileiros e os montantes pagos por estes ao BB Viena com o acréscimo dos juros, e, além disso, constam desses documentos as partes envolvidas nas remessas de valores entre o Brasil e a Áustria, quais sejam, uma unidade brasileira do Banco do Brasil, intermediária da operação, e o BB Viena. 89. Os demais documentos colacionados pela contribuinte, para os quais não constam swifts, foram desconsiderados por se tratarem de DARFs ou extratos de agendamentos relativos a retenções de imposto de renda efetuadas por terceiros, sem qualquer referência ao BB Viena, ou, ainda, por serem documentos extraídos de sistemas de comunicação interna do Banco do Brasil, como correspondências eletrônicas. Também foram desconsiderados os pagamentos efetuados para períodos base não contidos no ano de 2007, como o constante às fls. 542 a 544. Tais documentos não foram reconhecidos por esta Diort como suficientes para fazerem prova da retenção de imposto de renda cujo beneficiário seria o BB Viena. 90. Os pagamentos dos DARFs e dos extratos de agendamento para os quais apresentaramse os swifts foram confirmados nos sistemas da RFB. Na tabela de fl. 1768, os valores de retenção Fl. 2974DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.975 30 foram organizados por páginas dos documentos em que constam no processo, de modo que, ao final, verificouse o montante de retenção de R$ 278.799,57. 91. Dessa forma, concluise que, do total de R$ 1.307.154,38 alegados pela contribuinte, apenas o montante de R$ 278.799,57 corresponde a retenções de imposto de renda no Brasil em que o BB Viena seria o beneficiário. (fls. 1959 a 1960) Ora, a mera afirmação genérica de que a documentação estaria plenamente regular, podendo extrair dela a comprovação do seu direito, não combate o trabalho técnico e fundamentado que, precisamente, apenas identificou que parte das comprovações (DARF e SWIFT) estavam completas. Além disso, o simples fato de as DARFs terem sido preenchidas código 0481 (IRRF JUROS E COMISSÕES EM GERAL RESIDENTES NO EXTERIOR) não lhes relaciona com quaisquer operações específicas e nem diretamente com a filial austríaca. Diante disso, deve ser mantido o entendimento professado no v. Acórdão da DRJ e a não homologação parcial sofrida. Crédito adicional reconhecido nesse Voto: nenhum. Ainda, alega a recorrente em seu Recurso Voluntário que o deferimento parcial do direito creditório pleiteado, diante das glosas indevidamente operadas, além de indevido tem intuito meramente arrecadatório, sendo de todos confiscatório, violando frontalmente os preceitos constitucionais. Posto isso, a análise de violação de disposição constitucional (princípio do não confisco) para afastar os fundamentos legais ou mesmo infralegas do v. Acórdão não é matéria adequada ao debate empreendido nesta esfera administrativa, deixando, então, de se conhecer dessa matéria. Diante de todo, voto por não conhecer da matéria constitucional alegada e, naquilo conhecido, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, reformandose o v. Acórdão recorrido, para reconhecer o direito adicional ao crédito no valor de R$ 21.336.525,87; homologandose as compensações ainda pendentes até esse limite. Fl. 2975DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.976 31 (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 2976DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.000162/2005-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. RECEITA.
O crédito presumido de IPI integra a base de cálculo da COFINS e do PIS na sistemática não cumulativa de apuração dessas contribuições.
Embargos Acolhidos.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3402-004.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por acolher os Embargos inominados para sanar a omissão apontada e, no mérito, pelo voto de qualidade, por negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à inclusão do crédito presumido de IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencidos o Relator e os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (suplente convocado).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1686; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.000162/200500 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402004.901 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de fevereiro de 2018 Matéria COFINS Embargante VITAPELLI LTDA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. O crédito presumido de IPI integra a base de cálculo da COFINS e do PIS na sistemática não cumulativa de apuração dessas contribuições. Embargos Acolhidos. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por acolher os Embargos inominados para sanar a omissão apontada e, no mérito, pelo voto de qualidade, por negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à inclusão do crédito presumido de IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencidos o Relator e os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto e Redator Designado. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 01 62 /2 00 5- 00 Fl. 2714DF CARF MF 2 Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (suplente convocado). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3803003.328, recebido como embargos inominados¸ conforme despacho de fls. 26232627. A matéria admitida nos embargos diz respeito à exclusão dos valores de crédito presumido de IPI da base de cálculo do PIS/Cofins, que não teria sido analisada no acórdão recorrido. É o relatório, em síntese. Voto Vencido Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Os embargos inominados devem ser considerados tempestivos, pois atenderam ao prazo de interposição do recurso de divergência que lhe fundou, e cumpre os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A matéria da exclusão dos valores de crédito presumido de IPI da base de cálculo do Pis/Cofins não foi objeto de decisão por parte do acórdão recorrido, que dela não tomou conhecimento. Transcrevo trecho do voto condutor (fl. 2.151) : “Apesar de o recorrente insistir na exclusão do Crédito Presumido de IPI – CPIPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, da base de cálculo da Contribuição para o Plano de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, desde 01/02/2004, quando entrou em vigor a sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, passou a ser vedado aos contribuintes dessa contribuição e do PIS nãocumulativo o direito à fruição do referido benefício, nos termos dos arts. 14, 93, inc. I, e 94, inc. VI, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: ‘Art. 14. O disposto nas Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e 10.276, de 10 de .setembro de .2001, não se aplica à pessoa jurídica submetida à apuração do valor devido na forma dos arts. 2º e 3º desta Lei e dos arts. 2° e 3º da Lei nº 10 637, de 30 de dezembro de 2002.’ A vedação é lógica, já que, na sistemática não cumulativa de apuração, há previsão legal de ressarcimento da contribuição incidente na cadeia produtiva de produtos exportados. Admitir a exclusão da tributação de valores indevidamente aproveitados a titulo de ressarcimento de CPIPI implicaria duplo ressarcimento e enriquecimento sem causa, repugnado pelo ordenamento jurídico. Fl. 2715DF CARF MF Processo nº 10835.000162/200500 Acórdão n.º 3402004.901 S3C4T2 Fl. 3 3 Carente de sentido, a controvérsia surpreendeume. Compulsando os autos, na planilha de cálculo anexa à Informação SAFIS nº 41/2008, fls. 1.473, constatei que não houve qualquer acréscimo a esse título na base de cálculo da contribuição. Concluo, assim, que o ajuste referente à inclusão do CPIPI na base de cálculo não diz respeito ao período de apuração de interesse, razão pela qual a controvérsia não será conhecida.” Todavia, na tabela de apuração de crédito de fl. 1473 (processo físico), consta no campo "outras receitas" um crédito presumido de IPI em dez/04, no valor de R$ 163.823,00, referente a períodos anteriores e considerado como "outras receitas" em razão de sua disponibilização em processos de ressarcimento. Desse modo, se verifica a existência de uma omissão que deve ser sanada por este colegiado. Crédito Presumido de IPI na base de cálculo de PIS/Cofins nãocumulativo Na apuração do pedido de ressarcimento, a DRF inclui na base de cálculo da contribuição a recolher o crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363/1996, por entender que este se enquadraria como receita bruta, nos termos da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003. O crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363/1996, tem como escopo a redução de custos vinculados ao PIS/COFINS sobre o insumos utilizados no produto brasileiro a ser exportado, conforme a dicção expressa do art. 1º dessa lei: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nº7, de 7 de setembro de 1970,8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único.O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Sobre esta matéria, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem se posicionado de forma dominante pela impossibilidade de inclusão, na base de cálculo das contribuições sociais apuradas na forma da lei 9.718/98, sob dois fundamentos distintos: I) o crédito presumido do IPI tem natureza jurídica de benefício fiscal, não se constituindo receita, seja do ponto de vista econômicofinanceiro, seja do ponto de vista contábil e jurídico, devendo ser contabilizado como "Recuperação de Custos"; II) tal incentivo fiscal, ainda que fosse receita, se configuraria uma receita de exportação, isenta do pagamento dessas contribuições. Vejamos os seguintes precedentes: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI DECORRENTE DE EXPORTAÇÕES. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE Fl. 2716DF CARF MF 4 CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REGRAS DO CÓDIGO CIVIL SOBRE IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.IMPOSSIBILIDADE. 1. A pretensão da contribuinte – de que a amortização da dívida da Fazenda Pública seja realizada primeiro sobre os juros e, somente depois, sobre o principal do crédito, mediante compensação – não está amparada pelo art. 354 do CC e não existe previsão de que esse dispositivo possa, no caso, ser aplicado subsidiariamente. 2. É pacífico o entendimento do STJ sobre a não incidência de COFINS/PIS tanto sobre o crédito presumido do IPI quanto sobre os insumos empregados na industrialização de produtos exportados. Precedentes. 3. Recursos especiais não providos. (REsp 1130033/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/12/2009, DJe 16/12/2009) TRIBUTÁRIO – CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI – LEIS 9.363/96 E 10.276/2001 – NATUREZA JURÍDICA – NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. 1. O STJ e o STF já definiram que: a) a base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, que equivale à receita bruta, resultado da venda de bens e serviços pela empresa; b) a Lei 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo "faturamento", para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado; c) a noção de faturamento inscrita no art. 195, I, da CF/1988 (na redação anterior à EC 20/98) não autoriza a incidência tributária sobre a totalidade das receitas auferidas pelos contribuintes, não sendo possível a convalidação posterior de tal imposição, ainda que por força da promulgação da EC 20/98; d) é inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (base de cálculo do PIS e da COFINS), o que impede a incidência do tributo sobre as receitas até então não compreendidas no conceito de faturamento da LC nº 70/91; e) desnecessária, no caso específico, lei complementar para a majoração da alíquota da COFINS, cuja instituição se dera com base no art. 195, I, da Carta Magna. 2. O legislador, com o crédito presumido do IPI, buscou incentivar as exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e de COFINS embutidas no preço das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos pelo fabricante para a industrialização de produtos exportados. O produtorexportador apropriase de créditos do IPI que serão descontados, na conta gráfica da empresa, dos valores devidos a título de IPI. Fl. 2717DF CARF MF Processo nº 10835.000162/200500 Acórdão n.º 3402004.901 S3C4T2 Fl. 4 5 3. O crédito presumido do IPI tem natureza jurídica de benefício fiscal, não se constituindo receita, seja do ponto de vista econômicofinanceiro, seja do ponto de vista contábil, devendo ser contabilizado como "Recuperação de Custos". Portanto, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. Ainda que se considerasse receita, incabível a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS porque as receitas decorrentes de exportações são isentas dessas contribuições. 4. Recurso especial não provido. (REsp 807.130/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2008, DJe 21/10/2008) Poderseia objetar que os precedentes apontados se referem às contribuições previstas na lei nº 9.718/98 (cumulativas), mas analisando as razões de decidir dos acórdãos, se verifica que são integralmente aplicáveis para exclusão do crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363/1996, no âmbito da nãocumulatividade do PIS e da Cofins, disciplinadas nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Isso porque, para o STJ, o mencionado crédito presumido não se configura receita, mas recuperação de custo, e, ainda que receita fosse, o montante alusivo a esse incentivo fiscal enquadrariase como receita decorrente de exportação. Ora, trazendo tais premissas ao contexto da nãocumulatividade das contribuições, concluise que, não sendo receita, não há que se falar que o crédito presumido se enquadra na definição de receita bruta, trazida pelo art. 1º da Lei nº 10.637/2002. E, em sendo receita de exportação, inexiste a incidência das contribuições, nos termos do art. 5º da Lei nº 10.637/2002 e correspondente na lei 10.833/03. Além disso, fazer incidir PIS/Cofins sobre o crédito presumido de IPI seria uma contradição técnica, visto que esse benefício fiscal tem como escopo exatamente desonerar o produto brasileiro a ser exportado da carga econômica dessas contribuições sociais é dizer, se estaria, na prática, reduzindo incentivo fiscal concedido legislativamente, através de uma interpretação contrária à própria lógica do mesmo. Mais ainda, a ideia de que as redações originais do art. 1º das leis 10.637/02 e 10.833/03 abrangia qualquer tipo de ingresso como receita tributável já foi afastada por esse Colegiado em diversas oportunidades, especialmente em vista do eloquente voto do conselheiro Antonio Carlos Atulim, proferido no Acórdão CARF nº 3402003.072, transcrito abaixo: Historicamente essas contribuições sempre incidiram sobre o faturamento, entendido como o produto da venda de mercadorias e da prestação de serviços. A tentativa de a União incluir no rol de incidência das contribuições todas as receitas operacionais da pessoa jurídica tornouse uma odisseia que teve início em julho de 1988, quando se pretendeu alterar a base de cálculo do PIS por meio da edição de dois decretosleis. Fl. 2718DF CARF MF 6 O PIS foi instituído por meio da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, a qual previa que as empresas privadas passariam a contribuir para o fundo com duas parcelas, sendo uma com base na dedução do imposto de renda devido e outra com base no faturamento (arts. 1º e 3º). Esse quadro legislativo se manteve até julho de 1988, quando foram editados os DecretosLeis nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e nº 2.449, de 21 de julho de 1988, por meio dos quais as contribuições mensais até então devidas sobre o faturamento, passariam a incidir sobre a receita operacional bruta (art. 1º, V, do DecretoLei nº 2.445/88). A tentativa de a União ampliar a base de cálculo do PIS por essa via foi rechaçada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 148.754, por meio do qual o Tribunal declarou a inconstitucionalidade formal dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Relativamente ao financiamento da Seguridade Social, a odisseia teve início com a instituição do Fundo de Investimento Social FINSOCIAL, por meio da edição do DecretoLei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, quando foi criada uma contribuição devida pelas empresas equivalente a 0,5% (cinco décimos por cento) do faturamento (art 1º, § 1º). Sobreveio então a Constituição Federal de 1988 e com o passar dos anos a alíquota inicial de 0,5% do FINSOCIAL foi sendo elevada ao mesmo tempo em que foi criada a Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988). Houve contestação judicial por parte dos contribuintes e o Supremo Tribunal Federal mais uma vez foi chamado a intervir. No julgamento do RE nº 150.764, o Tribunal manteve a cobrança do FINSOCIAL com a configuração existente na data da promulgação da CF/88, declarando inconstitucionais as majorações procedidas em sua alíquota após o advento da nova ordem constitucional. Diante da inviabilidade do aumento da contribuição ao FINSOCIAL, foi editada a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, por meio da qual foi revogado o FINSOCIAL, instituindose a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com alíquota de 2% incidente sobre o faturamento (art. 2º). Esse quadro legislativo se manteve até a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, por meio da qual a União mais uma vez tentou ampliar as bases de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS redefinindo o conceito de faturamento (art. 3º, § 1º). E mais uma vez a União viu sua tentativa frustrada, pois por meio do RE nº 390.840 o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Desse breve retrospecto legislativo, resulta a comprovação da assertiva inicial deste voto, no sentido de que historicamente essas contribuições sempre incidiram sobre o faturamento e que a intenção da União, pelo menos a partir de 1988, sempre foi ampliar o campo de incidência para abarcar a receita operacional. Todas as vezes em que a União tentou ampliar as bases de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS para alcançar as receitas operacionais das empresas, houve declaração de inconstitucionalidade da norma infraconstitucional. Esse quadro mudou com o advento da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, por meio do qual foi alterado o texto do art. 195, I, "b" da CF/88, que passou a prever a incidência das contribuições destinadas ao custeio da seguridade social sobre a "receita ou o faturamento". A partir dessa alteração constitucional, passou a existir permissão para que o legislador incluísse nas bases de cálculo das contribuições destinadas ao financiamento da seguridade social qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, pois o texto constitucional utilizou o vocábulo "receita" sem nenhuma qualificação ou limitação. Fl. 2719DF CARF MF Processo nº 10835.000162/200500 Acórdão n.º 3402004.901 S3C4T2 Fl. 5 7 Com lastro nessa alteração constitucional, foram editadas as Medidas Provisórias nº 66, de 2002 e 135, de 2003, que resultaram na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, respectivamente, que nas suas redações originais definiram as bases de cálculo das contribuições nos seguintes termos: Lei nº 10.637: " Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2 o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)" Lei nº 10.833 "Art. 1 o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1 o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2 o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)" A primeira leitura desses dispositivos legais aparentemente autoriza a pretensão fiscal de incluir a na base de cálculo das contribuições qualquer tipo de receita, seja ela operacional ou não operacional. Mas embora exista autorização na constituição para a tributação da "receita" em geral, o legislador não se valeu dessa faculdade, pois não só vinculou "a totalidade das receitas" ao termo "faturamento", mas também excluiu expressamente da incidência as receitas não operacionais nos parágrafos 3º dos arts. 1º dessas duas leis. Nas cabeças dos arts. 1º de ambas as leis, a menção ao termo "faturamento", limita a amplitude do "total das receitas auferidas" ao total das receitas operacionais, uma vez que as receitas nãooperacionais não se identificam com faturamento, já que não decorrem da execução do objeto social da pessoa jurídica. Tal afirmação parece ser confirmada pelos parágrafos 3º dos dois dispositivos citados, que se encarregaram de excluir da incidência das contribuições as receitas não operacionais, nos seguintes termos: Lei 10.637/2002: Fl. 2720DF CARF MF 8 § 3 o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I a IV omissis... V referentes a: a) vendas canceladas ou aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI–não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (incluído pela Lei nº 10.684/2003) Lei nº 10.833/2003: § 3 o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I omissis II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III e IV omissis V referentes a: a) omissis b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. (...)" Ao contrário do entendimento de alguns, esse rol de exclusões das receitas não operacionais não é exaustivo, pois o legislador, no momento da elaboração da norma, não tem condições de prever todas as hipóteses de receitas não operacionais que podem se apresentar no mundo real. Tanto isso é verdade que com o advento da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, houve alteração na técnica de redação dos artigos 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois ao mesmo tempo em que o legislador especificou e limitou a incidência às receitas estabelecidas no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e no art. 183, VIII da Lei nº 6.404/76, houve ampliação do rol de exclusões de receitas não operacionais das bases de cálculo, fato que comprova que o rol de exclusões anteriormente existente não era exaustivo. Se fosse exaustivo, não seria necessário e nem logicamente possível que uma lei posterior viesse a ampliálo. Assim, se historicamente o legislador nunca pretendeu incluir as receitas não operacionais nas bases de cálculo do PIS e COFINS e se existe previsão expressa de exclusão dessas receitas nas leis que instituíram as contribuições não cumulativas, é incabível a pretensão da fiscalização tributálas. Fl. 2721DF CARF MF Processo nº 10835.000162/200500 Acórdão n.º 3402004.901 S3C4T2 Fl. 6 9 Tenho para mim que o montante recebido pela pessoa jurídica a título de crédito presumido de IPI, previsto na lei 9.363, não se configura como receita operacional da empresa, e sim como recuperação de custo decorrente de incentivo fiscal concedido à exportação, de modo que não se enquadra na hipótese de incidência das contribuições sociais não cumulativas, razão pela qual deve ser excluída da base de cálculo. Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento integral aos Embargos Inominados, na parte que foi admitida, para reconhecer a exclusão do crédito presumido de IPI da base de cálculo da Cofins. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 2722DF CARF MF 10 Voto Vencedor Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Redator designado Em que pese a pertinência das razões e dos fundamentos legais contidos no voto do Ilustre Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator, ressalto minha discordância em relação as receitas relativas ao crédito presumido do IPI (BC do PIS e da COFINS). Quanto à receita relativa ao crédito presumido do IPI, primeiramente, devese estabelecer a sua natureza jurídica. A norma assegura o direito ao crédito às empresas produtoras e exportadoras. Como é cediço, as operações de exportação são, historicamente, protegidas da incidência das Contribuições Sociais sobre o faturamento (PIS e COFINS). No entanto, os insumos adquiridos para a fabricação já sofreram a carga tributária das aludidas contribuições nas etapas anteriores da circulação econômica. O valor do crédito adquirido é utilizável como forma de compensação de IPI, devido no mercado interno, bem como compensação com outros tributos ou mesmo ressarcimento em espécie (IN/SRF nº 23, de 1997, IN/SRF nº 21, de 1997). Resta verificar a tributabilidade ou não de tais receitas à luz das legislações relativas às Contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. A Recorrente argumenta que o credito presumido de IPI é um ressarcimento de despesas já suportada pela empresa e que por esta razão tratase de recuperação de custos. Pois bem. Antes da edição da Lei nº 9.718, de 1998, as receitas em análise não integravam a base de cálculo da COFINS, nem da contribuição ao PIS. No entanto, a partir do advento da referida lei, passouse a adotar uma base universal para efeitos de exigência destas Contribuições, abrangendo, em princípio, todas as receitas da empresa, independentemente de sua classificação contábil. Com relação à apuração nãocumulativa das Contribuições, as Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, mantiveram, respectivamente para o PIS e para a COFINS a mesma base de cálculo prevista nos art. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, ou seja, a totalidade das receitas auferidas pela empresa (faturamento). A legislação pode, portanto, e desde que o faça expressamente, excluir dessa incidência algumas receitas, o que não ocorre com o crédito presumido do IPI. Desta forma, é de se entender que, a partir de 01/02/1999, a nova sistemática de apuração das contribuições passou a impor a tributação sobre o referido crédito, conforme os dispositivos legais já citados. Concluindo, o valor do crédito presumido do IPI deverá ser computado na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, no mês em que a receita a ele correspondente for auferida, ou seja, no mês em que ocorrer a exportação das mercadorias. Posto isto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 2723DF CARF MF Processo nº 10835.000162/200500 Acórdão n.º 3402004.901 S3C4T2 Fl. 7 11 É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2724DF CARF MF
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Numero do processo: 16349.000208/2008-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE.
Impõe-se a glosa dos créditos relativos às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20).
Numero da decisão: 3201-003.350
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2003 A 30/09/2003 CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. Impõese a glosa dos créditos relativos às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE EDIÇÕES PEDAGÓGICAS LTDA. requereu ressarcimento de saldo credor de IPI relativo a insumos utilizados na produção de livros. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório indeferindo o pedido de ressarcimento, em razão do fato de todos os produtos fabricados e comercializados pelo Requerente se classificarem na TIPI como Não Tributáveis (NT). Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou ter direito ao ressarcimento por força do princípio da não cumulatividade previsto no art. 153, § 3°, II, da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 08 /2 00 8- 93 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 16349.000208/200893 Acórdão n.º 3201003.350 S3C2T1 Fl. 0 2 Constituição Federal e em razão das características da imunidade sob questão, que não se confunde com produtos classificados como NT, sendo inconstitucional, segundo ele, o ADI SRF n° 05/2006. Também alegou o então Manifestante que o ressarcimento devia ser corrigido monetariamente pela Selic. Nos termos do Acórdão nº 1428.917, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de o direito ao aproveitamento do saldo credor de IPI, nas condições estabelecidas pelo art. 11 da Lei n° 9.779/1999, não alcançar os insumos empregados em mercadorias não tributadas (NT) e na inexistência de previsão legal para se aplicar atualização monetária em ressarcimento de crédito de IPI. Em seu recurso voluntário, o Recorrente reitera seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.348, de 31/01/2018, proferido no julgamento do processo 16349.000206/200802, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.348): Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Foi constatado que o contribuinte protocolou pedido de ressarcimento sobre saldo credores decorrentes de créditos do IPI relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos não tributados ou imunes. É certo ao julgamento administrativo de segunda instância, conforme Súmula 20 deste Conselho1, que não há direito a crédito de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de 1 Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 16349.000208/200893 Acórdão n.º 3201003.350 S3C2T1 Fl. 0 3 produtos classificados na TIPI como NT e, não há qualquer prova ou sequer alegação do contribuinte que permita concluir que este não se creditou nestas situações. A simples alegação de que seus produtos seriam imunes e que esta condição não se equipara aos produtos "não tributados", não é suficiente para concretizar a materialidade do direito ao crédito de IPI nas operações, visto que o ônus da prova é do contribuinte nos casos de crédito. Portanto, não merece provimento o Recurso Voluntário, de forma que seria correto o creditamento sobre produtos com alíquota zero (Súmula 16 do CARF) se este fosse o caso, mas não é. Logo, incorreto o creditamento sobre os produtos NT e por isto esta cobrança deve ser mantida. Não havendo direito ao crédito, resta prejudicada a discussão a respeito da atualização dos créditos pela taxa Selic. Diante de todo o exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.909187/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório. O presente processo administrativo fiscal trata de Recurso Voluntário de fls. 95, apresentado em face da decisão proferida pela DRJ/SP de fls. 50, que julgou a Manifestação de Inconformidade de fls. 7 improcedente e não reconheceu o direito creditório do contribuinte, nos moldes do Despacho Decisório de fls. 5. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 09 18 7/ 20 11 -1 2 Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10850.909187/201112 Resolução nº 3201001.135 S3C2T1 Fl. 252 2 Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato a fls. 039/040, em face do Despacho Decisório eletrônico resultante da apreciação do documento Pedido de Restituição eletrônico nº 25131.69759.140606.1.2.042054 (fls. 002/004), protocolado em 14/06/2006, e dos demais documentos associados, por meio dos quais a contribuinte pretende ter restituído crédito no valor total de R$ 1.896,85. Conforme informado pela contribuinte no pedido de restituição, o valor a ser restituído é correspondente ao DARF anexado aos autos (fl. 004) com as seguintes características: A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que, em 03/01/2012, emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 005), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, com base no seguinte fundamento: o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.. Cientificada do Despacho Decisório, em (fl. 006), a contribuinte ingressou, em 15/02/2012, com a manifestação de inconformidade de fls. 007/015 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Solicita a reunião dos processos administrativos nº 10850.909184/201189, nº 10850.909185/201123, nº 10850.909186/201178 e nº 10850.909187/201112, sob o argumento de que têm o mesmo objeto, qual seja a restituição de crédito decorrente de recolhimento indevido de contribuição social fundado na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n° 9.718/1998. Invoca para tanto os princípios da economia processual e os dele decorrentes. Cita doutrina que respalda a reunião de processos com mesmo fundamento fático e define a conexão entre ações e aponta que os processos teriam as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo objeto. Traz decisão administrativa. 2. Alega ter havido falta de aprofundamento na investigação dos fatos, pois não foi intimada a prestar quaisquer esclarecimentos a respeito da Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10850.909187/201112 Resolução nº 3201001.135 S3C2T1 Fl. 253 3 higidez de seu crédito, contrariando o disposto no art. 65, da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, e o art. 142, do Código Tributário Nacional, o que teria permitido à requerente demonstrar seu direito ao crédito. 3. Quanto ao mérito, sustenta que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, ampliou significativamente a base de cálculo da contribuição de forma inconstitucional, ao prescrever que nela fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente seu faturamento, ofendendo frontalmente o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que se restringia somente ao faturamento, e o art. 110, do Código Tributário Nacional, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal para definir ou limitar competências tributárias. Nesse sentido, referese à jurisprudência do STF, citando julgados, e argumenta, ainda, que a matéria já foi considerada pelo STF de repercussão geral e será objeto de sumula vinculante, conforme voto que transcreve. Reforça apontando que a Lei nº 11.941, de 27/05/2009, teria revogado o art. 3º, §1º, da Lei n° 9.718/1998, o que demonstraria que o legislador teria reconhecido a inconstitucionalidade já pacificada na jurisprudência. Quanto à posição da 2ª instância administrativa, traz exemplos de decisões dessa instância, ressaltando em especial o entendimento daquele órgão de que a posição do STF nos recursos extraordinários proferida em sessão plenária deve ser aplicada pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Reforça sua posição invocando o art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto n° 70.235/1972, e os artigos 61A e 62, §1º, inciso I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, disposição que já constava no regimento do órgão equivalente anterior. Em conseqüência, a base de cálculo da contribuição somente deveria incluir valores correspondentes ao faturamento. Portanto, no caso específico do presente processo, seria indevido o valor de R$ 1.896,85, que corresponde à parcela da contribuição calculada sobre receitas que não integram o faturamento, conforme comprovado por documentos hábeis a comprovar a existência e higidez do crédito pleiteado, o qual deve ser restituído. Conclui requerendo o acolhimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito da requerente à restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, informa que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta prova o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. É o relatório. A 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto proferiu seu Acórdão com a seguinte Ementa: Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10850.909187/201112 Resolução nº 3201001.135 S3C2T1 Fl. 254 4 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 PAF. REUNIÃO DE PROCESSOS. NECESSIDADE DE PREVISÃO NORMATIVA. A reunião de processos administrativos no âmbito da RFB deve seguir os critérios previstos nas normas específicas, que prevêem a consolidação de matérias em um único processo e o apensamento de processos, conforme a hipótese, inexistindo previsão de julgamento conjunto. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PROFUNDIDADE DA APRECIAÇÃO LIMITADA AO TEOR DO PEDIDO. Cabe à autoridade competente a apreciação da restituição e da compensação no limite do teor do pedido apresentado, não podendo ser caracterizado como falta de aprofundamento da análise a não apreciação de fundamento não registrado no corpo do pedido e trazido somente na contestação. CONSTITUCIONALIDADE. VINCULAÇÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. PREVISÃO EXPRESSA EM ATO NORMATIVO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA E SUFICIENTE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre constitucionalidade e o afastamento de normas sob fundamento dessa natureza depende da correspondente declaração de inconstitucionalidade ser reconhecida por ato de vinculação obrigatória expressamente previsto no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10850.909187/201112 Resolução nº 3201001.135 S3C2T1 Fl. 255 5 Voto. Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta Resolução. Para evitar supressão de instância, é preciso reconhecer que os autos não estão em condições de julgamento. Conforme se depreende dos autos, o despacho decisório verificou a escrita do contribuinte e concluiu pela não existência do crédito, a DRJ/SP, por sua vez, entendeu que o contribuinte não descreveu em seu pedido de restituição e compensação a origem do crédito, ou seja, em nenhum momento tratou da inconstitucionalidade do §1.º, Art. 3.º, da Lei 9718/98 e manteve o não reconhecimento do crédito. Segundo o contribuinte, em suas peças de defesa, este recolheu de forma indevida o Cofins, nos moldes que foram declarados inconstitucionais pelo STF. Isto seria suficiente para que a fiscalização reconhecesse o crédito. Contudo, não há nos autos qualquer análise da fiscalização com relação ao recolhimento do Cofins sob a base de cálculo declarada inconstitucional, razão pela qual a lide encontrase incompleta. O princípio da verdade material e a regra constitucional da legalidade impedem que este Conselho defira ou indefira recurso administrativo fiscal sem o amparo da materialidade, de modo que, se a alegação do contribuinte for materialmente verdadeira, este Conselho não pode permitir o não reconhecimento do crédito originado de tributo recolhido sob moldes inconstitucionais. É importante considerar neste voto a inconstitucionalidade do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, conforme julgamentos dos Recursos Extraordinários STF 346.084 (DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio), que tratam da inconstitucionalidade da alargada base de cálculo da COFINS, com parâmetro na receita bruta (receitas operacionais e não operacionais) e não no faturamento. Transcrevese trecho conclusivo do voto vencedor do Ministro Marco Aurélio no RE STF 346.084, que trata da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo asism como do conceito de faturamento, conforme segue: "Como, então, dizerse, a esta altura, que houve simples explicitação do que já previsto na Carta? É admitirse a vinda à balha de emenda constitucional sem conteúdo normativo. É admitirse que o legislador ordinário possa, até mesmo, modificar enfoque pacificado mediante jurisprudência do Supremo Tribunal Federal , no que haja atuado, à luz das balizas constitucionais, como guardião da Lei Fundamental. Descabe, também, partir para o que seria a repristinação, a Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10850.909187/201112 Resolução nº 3201001.135 S3C2T1 Fl. 256 6 constitucionalização de diploma que, ao nascer, mostrouse em conflito com a Constituição Federal. Admitase a inconstitucionalidade progressiva. No entanto, a constitucionalidade posterior contraria a ordem natural das coisas. A hierarquia das fontes legais, a rigidez da Carta, a revelála documento supremo, conduz à necessidade de as leis hierarquicamente inferiores observaremna, sob pena de transmudála, com nefasta inversão de valores. Ou bem a lei surge no cenário jurídico em harmonia com a Constituição Federal, ou com ela conflita, e aí afigurase írrita, não sendo possível o aproveitamento, considerado texto constitucional posterior e que, portanto, à época não existia. Está consagra do que o vício da constitucionalidade há de ser assinalado em face dos parâmetros maiores, dos parâmetros da Lei Fundamental existentes no momento em que aperfeiçoado o ato normativo. A constitucionalidade de certo diploma legal deve se fazer presente de acordo com a ordem jurídica em vigor, da jurisprudência, não cabendo reverter a ordem natural das coisas. Daí a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Nessa parte, provejo o recurso extraordinário e com isso acolho o segundo pedido formulado na inicial, ou seja, para assentar como receita bruta ou faturamento o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. Deixo de acolher o pleito de compensação de valores, porque não compôs o pedido inicial." Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade da base de cálculo do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, que alargou a base de cálculo da COFINS, o conceito de receita bruta não tem mais valia. Foi superado e, conforme Art. 62 do Regimento interno deste Conselho, o reconhecimento (e não decretação) de sua inconstitucionalidade é obrigatório neste Conselho. Diante do exposto, votase para que o julgamento seja convertido em diligência para que: os autos sejam remetidos à unidade de origem para nova análise e apresentação de relatório que considere a escrita do contribuinte, o modo de recolhimento e a base de cálculo em confronto com a inconstitucionalidade mencionada. após, o contribuinte deve ser informado do conteúdo do relatório e intimado para apresentação de nova manifestação; A procuradoria deve ser cientificada do resultado da diligência. Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Resolução proferida. (assinado digitalmente) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 256DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.725532/2013-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. AUSÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO REGIME. IMPOSSIBILIDADE DE AUTUAÇÃO.
Por garantir ao contribuinte o direito ao contraditório e a ampla defesa, a emissão e a ciência prévia do ADE - Ato Declaratório Executivo de exclusão do regime simplificado de tributação, nos termos da Lei Complementar nº 123/06 e da Resolução nº 94/2011, do Comitê Gestor do Simples Nacional, é condição inafastável para efetivação de Auto de Infração que pretenda constituir créditos tributários supostamente devidos pelo fato de o contribuinte ter deixado de fazer direito ao recolhimento pelo SIMPLES NACIONAL. Cancelamento do lançamento que se impõe por ausência de pressupostos básicos quando da sua constituição.
Numero da decisão: 1302-002.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogerio Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins (suplente convocado) e Flavio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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NÁUTICA LTDA. EPP ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. AUSÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO REGIME. IMPOSSIBILIDADE DE AUTUAÇÃO. Por garantir ao contribuinte o direito ao contraditório e a ampla defesa, a emissão e a ciência prévia do ADE Ato Declaratório Executivo de exclusão do regime simplificado de tributação, nos termos da Lei Complementar nº 123/06 e da Resolução nº 94/2011, do Comitê Gestor do Simples Nacional, é condição inafastável para efetivação de Auto de Infração que pretenda constituir créditos tributários supostamente devidos pelo fato de o contribuinte ter deixado de fazer direito ao recolhimento pelo SIMPLES NACIONAL. Cancelamento do lançamento que se impõe por ausência de pressupostos básicos quando da sua constituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) FLÁVIO MACHADO VILHENA DIAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogerio Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 55 32 /2 01 3- 43 Fl. 1836DF CARF MF 2 Gustavo Guimaraes da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins (suplente convocado) e Flavio Machado Vilhena Dias. Relatório A SEFIS/DRF/Curitiba PR realizou procedimento administrativo fiscal, amparada pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 09.1.01.002013000920, que culminou na lavratura de Auto de Infração em face do contribuinte SCHOONER COMÉRCIO DE VESTUÁRIO E DEC. NÁUTICA LTDA. EPP, ora Recorrido, no qual foi constituído crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no valor total de R$ 8.806.442,75, incluindo se o principal, multa de ofício qualificada à razão de 150% e juros de mora calculados até 07/2013, abrangendo os anoscalendário de 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012. O Auto de Infração foi lavrado no dia 31/07/2013. Cumpre ressaltar que, após um longo trabalho, de quase 06 meses, realizado de forma preparatória ao lançamento analisado, a fiscalização concluiu, em síntese, que o Recorrido, em que pese estar enquadrado no SIMPLES NACIONAL, na verdade, compunha um conjunto de empresas constituídas de forma independente, apenas para não extrapolar o limite de receita exigido pela legislação para manutenção naquela forma de tributação, mas que, na verdade, tinham os mesmos sócios, as mesmas marcas. Entendeu a fiscalização que se tratava de uma mesma empresa que, ao invés de abrir filiais, optou, de forma fraudulenta, pela abertura de empresas distintas, para se favorecer do regime tributário diferenciado do SIMPLES NACIONAL. O relatório do acórdão recorrido traz de forma detalhada todo o trabalho da fiscalização e as conclusões a que chegou, que acabaram por culminar na lavratura do Auto de Infração, que, como mencionado, constituiu crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em face do Recorrido. A acusação fiscal foi assim resumida naquele acórdão: DA ACUSAÇÃO FISCAL Em Termo de Verificação do Procedimento Fiscal de fls. 147/1731, a Autoridade Tributária relatou o resumo de todo o procedimento havido, inclusive as respostas e manifestações feitas pela fiscalizada e diligenciadas, discorreu sobre as irregularidades apuradas e afirmou, em caráter inaugural, que a empresa apresentou declarações e efetuou recolhimentos dos tributos pela sistemática do SIMPLES NACIONAL nos anoscalendário de 2008 a 2012 (conforme planilha que elaborou e transcreveu fls. 147/159), assentando que os lançamentos fiscais efetuados originamse de informações colhidas neste procedimento e nos instaurados contra outras oito pessoas jurídicas, que listou, inclusive com seus CNPJ e os MPF que lastrearam as ações contra as mesmas (fl. 149): Acroline Comércio de Confecções Ltda – Epp, Aspideck Indústria e Comércio de Confecções Ltda – Epp, Clothe Campinas Comércio de Confecção Ltda – Epp, Clothepar Comercio de Confecções Ltda – Me, Clothepollo Comércio de Confecções Ltda – Epp, Clothesul Confecções Ltda – Epp, Primo Bordados Ltda Epp e Textilprima Comercio de Confecções Ltda – Epp Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 10980.725532/201343 Acórdão n.º 1302002.662 S1C3T2 Fl. 1.837 3 Conforme posição da Fiscalização, referidas pessoas jurídicas “têm o mesmo objeto social da Schooner, ou seja, o comércio de artigos de vestuário e acessórios”, “as informações coletadas no decorrer das fiscalizações no sujeito passivo ora autuado e nas demais empresas mencionadas nesse relatório revelaram o real liame entre as empresas e conduziram à convicção de que, no mundo dos fatos, há apenas uma empresa: SCHOONER COMERCIO DE VESTUARIO E DEC NAUTICA LTDA.”, e “na medida em que as atividades da Schooner foram se expandindo, ao invés de se criarem filiais do estabelecimento, foram criadas diversas pessoas jurídicas de forma a fracionar a receita bruta e usufruir, indevidamente, do regime tributário favorecido denominado Simples Nacional”. Prosseguiu destacando que, “para cada novo ponto de vendas (loja) da Schooner, uma nova pessoa jurídica foi criada. A Schooner, sob comando de seu sócio majoritário, administrador da pessoa jurídica desde 26/09/1986, Antonio Carlos Ferreira, por intermédio de pessoas de seu núcleo familiar, amizade e confiança pessoal, fracionou suas atividades utilizandose, de forma simulada, das demais pessoas jurídicas referidas neste relatório, todas indevidamente optantes pelo Simples Nacional, com a finalidade de manter a Schooner no regime do Simples Nacional e, conseqüentemente, suprimir tributos devidos à Receita Federal, Previdência Social e às outras entidades e fundos (terceiros), já que para a empresa optante pelo Simples a tributação do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS é bastante reduzida e simplificada e não há incidência, sobre a folha de pagamento, de contribuições sociais a cargo da empresa”, e apresenta minucioso relato acerca do que nominou de “Desenvolvimento empresarial da rede de lojas Schooner”. Após transcrever como se deu a constituição de cada uma das empresas (e aqui se furta da transcrição, remetendose àquele acórdão), o julgador de 1ª instância administrativa demonstra os vínculos familiares dos sócios de cada uma das empresas que, aos olhos da fiscalização, seriam a mesma empresa, mas que foram constituídas de forma autônoma apenas para manteremse no SIMPLES NACIONAL. Prossegue, o acórdão, relatando de forma detalhada como se dava a operação da empresa e, em especial, as "manobras" realizadas, que, a princípio, comprovariam de forma incontestável a acusação fiscal. Confirase: Para prosseguir: i) que, “entre as pessoas jurídicas integrantes da rede SCHOONER há uma intensa movimentação de empregados”; que, “a sucessão de vínculos consecutivos de diversos empregados demonstra a administração comum das pessoas jurídicas (na realidade filiais) do grupo, transferindo empregados de um estabelecimento para outro conforme a necessidade e conveniência do momento”, e que, “em várias dessas movimentações percebese a interrupção dos vínculos empregatícios pelo tempo necessário à possível fruição do benefício social denominado “seguro desemprego”, disfarçado Fl. 1838DF CARF MF 4 pelo reingresso do empregado em outra “empresa” do grupo Schooner” (apresenta quadro com rotatividade de empregados das empresas); ii) que, “as declarações em GFIP das empresas correspondentes às lojas da rede SCHOONER em Curitiba e São José dos Pinhais (ASPIDECK, ACROLINE, CLOTHEPAR, CLOTHEPOLLO, PRIMO BORDADOS, TEXTILPRIMA e SCHOONER) são enviadas pela mesma pessoa: Luana Lopes de Oliveira, CPF 029.803.15907 (...), que (...) é empregada da Acroline desde 01/09/2005”; iii) que, “resumindo: uma empregada da Acroline, usando o e mail da Schooner, envia as declarações em GFIP de 7 das 9 filiais da rede Schooner (excetuamse as filiais de Balneário CamboriuSC e CampinasSP, cujas declarações são enviadas por contadores desses estados)”; iv) que, “conforme pesquisa feita no site do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) a marca “Schooner” pertence à autuada, Schooner Comércio de Vestuário e Decoração Náutica Ltda.”; v) que, “as empresas componentes da rede de lojas Schooner foram intimadas a esclarecer a que título a utilizam a marca “Schooner”; que, “em primeira resposta afirmaram que “o nome Schooner é utilizado como decorrência e expressa autorização do detentor da marca, uma vez que labora como espécie de franqueador informal”, vi) que, “em razão dessa resposta, novas intimações foram lavradas para que fossem apresentados os instrumentos jurídicos que contivessem a “expressa autorização do detentor da marca” para uso do marca/nome “SCHOONER”, bem como fosse esclarecido o significado da expressão “franqueador informal” e a forma e valores de remuneração paga ao “franqueador informal”, com indicação da conta contábil de registro dos pagamentos dessa remuneração”; vii) que, “como resposta, as empresas “de fachada” tergiversaram respondendo que embora possuíssem autorização expressa para o funcionamento sob o sistema de franquia, esta se operou de maneira informal”; que, “nenhum documento foi apresentado” e que, “nada comprovou a alegada “expressa autorização”; viii) que, “na contabilidade das “empresas” da rede SCHOONER não consta qualquer conta ou registro contábil de receita ou despesa referente ao alegado “sistema de franquia”, e que, “portanto, não há que se falar em sistema de franquia”; ix) que, “a fraude ora descortinada não guarda relação com sistema de franquia”; que, “como já dito, o dono da primitiva Schooner, Antonio Carlos Ferreira, associouse a Jorge Dib Manne”; que, “com a expansão de suas atividades empresariais, ao invés de abrirem filiais da empresa, passaram a criar diversas pessoas jurídicas optantes pelo regime tributário Simples Nacional, fracionando suas receitas e suprimindo tributos”, e que, “essas pessoas jurídicas foram criadas em nome próprio de Antonio Carlos Ferreira e Jorge Dib Manne e, Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 10980.725532/201343 Acórdão n.º 1302002.662 S1C3T2 Fl. 1.838 5 conforme já relatado em itens anteriores, mediante interposição de pessoas”. Trata, na continuidade, dos diversos contratos de locações das lojas, da forma assim sintetizada: ▪ Contrato de locação da loja onde se situa a filial Acroline “O contrato de locação consta no anexo “Acroline Intimações e documentos.pdf”. Nesse contrato, como ordinariamente acontece, assina como representante da locatária o “sócio” Jorge Mane. Inusitada, não fosse o conluio que ora se desvenda, é a presença de Antonio Carlos Ferreira e sua esposa Kátia Rosana Zardo Ferreira como fiadores do locatário. A presença de Antonio Carlos Ferreira na figura de fiador evidencia, novamente, a existência de administração centralizada da rede de lojas Schooner”. ▪ Contrato de locação da loja onde se situa a filial Clothepar “Nesse contrato, Jorge Dib Manne, que não é sócio dessa pessoa jurídica, comparece como fiador da empresa. O contrato de locação consta no anexo “Clothepar Intimações e documentos.pdf”. ▪ Contrato de locação da loja onde se situa a filial Clothepollo “Nele consta a sucessão havida entre a Primo Bordados e a Clothepollo. As pessoas relacionadas no contrato são Iolanda Ferreira Zardo e Fernando Zardo, pais da esposa de Antonio Carlos Ferreira conforme já relatado. Anexo “Clothepollo Intimações e documentos.pdf”. ▪ Contrato de locação da loja onde se situa a filial Clothesul “Neste contrato, apesar de não conter a assinatura do fiador, consta o nome de Jorge Dib Manne. O simples fato de constar nesse contrato o nome do grande sócio de Antonio Carlos Ferreira, em uma “empresa” sem qualquer ligação aparente entre os dois, demonstra, novamente a existência de atividade empresarial conjunta das referidas pessoas. Anexo “Clothesul Intimações e documentos.pdf”. ▪ Contrato de locação da loja onde se situa a filial Primo Bordados “Presentes Antonio Carlos Ferreira como representante do locatário e como fiador aparece, novamente, Jorge Dib Manne. Novamente o que poderia ser uma aparente coincidência é mais uma evidência da associação empresarial existente entre as referidas pessoas. Anexo “P Bordados Intimações e documentos.pdf”. ▪ Contrato de locação da loja onde se situa a filial Textilprima “Nesse contrato consta o nome da ora autuada (Schooner) como cedente do contrato original de locação para a Textilprima. E novamente aparecem as figuras de Antonio Carlos Ferreira e Jorge Dib Manne de forma a reiterar a atividade negocial conjunta e a existência de confiança recíproca entre si. Anexo Fl. 1840DF CARF MF 6 “Textilprima Intimações e documentos.pdf”. Mais: esse contrato demonstra que após um inicial planejamento para criação de uma verdadeira filial da primeira Schooner, os sócios de fato Antonio Carlos Ferreira e Jorge Dib Manne escolheram criar uma nova pessoa jurídica mediante nova interposição de pessoas (no caso a mãe de Jorge Dib Manne) de forma a ocultar os verdadeiros sócios da empresa”. ▪ Contrato de locação da loja onde se situa a filial Clothe Campinas “Nesse contrato consta o nome de Antonio Carlos Ferreira (administrador da rede Schooner) como cedente do contrato original de locação para a Clothe Campinas. Outra vez, não por acaso, aparece a figura de Jorge Dib Manne (como fiador do contrato) de forma a reiterar a atividade negocial conjunta e a existência de confiança recíproca entre si. Anexo “Clothe Campinas Intimações e documentos.pdf”. Mais: esse contrato demonstra, novamente, que após um inicial planejamento para criação de uma verdadeira filial da primeira Schooner, os sócios de fato Antonio Carlos Ferreira e Jorge Dib Manne escolheram criar uma nova pessoa jurídica mediante nova interposição de pessoas (no caso a esposa e a sogra de Antonio Carlos Ferreira) de forma a ocultar os verdadeiros sócios da empresa O acórdão relata, ainda, o rateio de despesas de publicidade entre as empresas e empréstimos tomados das empresas pelos sócios, o que a fiscalização chama de reais sócios do Recorrido. Ainda, demonstra que a fiscalização afirmou que as empresas faziam importações em conjunto das mercadorias que, posteriormente, seriam colocadas à venda. O acórdão recorrido também transcreve as conclusões da fiscalização nos seguintes termos: Sequencialmente, o Fisco passa às suas conclusões, expondo: xv) que, “os fatos apresentados, quando analisados rápida e isoladamente, podem não se revestir de grande relevância. Mas, a visão do todo, do conjunto de indícios carreados, demonstra, indene de dúvidas, que a empresa ora autuada procedeu ao fracionamento de suas atividades mediante simulação de existência de pessoas jurídicas distintas, todas optantes pelo regime tributário privilegiado denominado SIMPLES NACIONAL, com vistas à ocultação de sua real receita bruta auferida e com isso fraudar o Fisco”; xvi) que, “a situação apontada, em que a empresa Schooner simulou o fracionamento de suas atividades mediante utilização de várias pessoas jurídicas, tem como intuito usufruir indevidamente dos benefícios do sistema de tributação Simples Nacional, em que há substituição do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para Programa de Integração Social – PIS a cargo da empresa por tributação sensivelmente menor, incidente sobre a receita bruta auferida pelo contribuinte”. Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 10980.725532/201343 Acórdão n.º 1302002.662 S1C3T2 Fl. 1.839 7 Por fim, o acórdão da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto faz transcrição acerca do procedimento de exclusão do Recorrido do SIMPLES NACIONAL, bem como das demais empresas envolvidas na suposta fraude fiscal. Confirase: Discorre sobre o tema, afirmando que, “diante dos fatos anteriormente relatados concluise que, ao utilizar simuladamente outras pessoas jurídicas para albergar partes de suas atividades, o contribuinte supracitado ultrapassou o limite máximo permitido para permanência no referido sistema de tributação simplificado”, e que, “infringiu, assim, o disposto no inciso I do artigo 29 da lei complementar nº 123/2006, incorrendo, por conseqüência, na hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL prevista no inciso IV do artigo 29 dessa lei complementar”. Acrescenta ter sido “encaminhada Representação ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Curitiba – PR, processo administrativo comprot nº 10980.725.564/201349, para que fosse determinada a exclusão do contribuinte do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01 de janeiro de 2008, nos termos do parágrafo 1º do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006, de 14 de dezembro de 2006”. Para concluir: “também foram representadas, pela exclusão do SIMPLES, as demais empresas componentes do grupo Schooner, por serem constituídas de interpostas pessoas” (TVPF fls. 171). O Recorrido apresentou longa Impugnação, na qual refuta veementemente as conclusões a que chegou a fiscalização, requerendo, ao final, em síntese, o cancelamento em definitivo da autuação. Analisando os argumentos e documentos juntados pela fiscalização e pelo Recorrido, a douta Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto (SP), entendeu por bem dar provimento a impugnação e, por consequência, cancelar o crédito tributário, tendo em vista a ausência de ADE Ato Declaratório Executivo, com a formalização da exclusão do Recorrente do SIMPLES NACIONAL, na data em que o Auto de Infração foi lavrado. Eis a ementa do acórdão, que foi proferido em 27/02/2014: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 SIMPLES NACIONAL. AUSÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO REGIME. A emissão e ciência, à interessada, do Ato Declaratório Executivo de Exclusão do regime simplificado trazido pela Lei Complementar nº 123, de 2006, prevista no artigo 75, I, § 1º, da Resolução nº 94, de 29/11/2011, do Comitê Gestor do Simples Nacional, é condição sine qua non para prosseguimento do feito, sob pena de, como no caso concreto, sua inexistência corromper os lançamentos havidos, exigindo seu cancelamento. Mera “Representação para Exclusão do Simples”, de cunho interno, inclusive desprovida da subsequente Fl. 1842DF CARF MF 8 abertura de prazo para manifestação de inconformidade do sujeito passivo a respeito, não se constitui, por si só, em documento adequado para garantir a exclusão da contribuinte da sistemática do SIMPLES NACIONAL, por não suprir a exigência legal da emissão do Ato Declaratório excludente. Após a prolação do acórdão e a determinação de remessa dos autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo em vista a interposição de Recurso de Ofício, foi acostada ao processo cópia do Ato Declaratório Executivo DRF/CTA no 134, de 14 de novembro de 2014. Consta dos autos a ciência pessoal do ADE, pelo Recorrido, em 19/11/2014. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Em face da exoneração de parte do crédito tributário pelo acórdão recorrido, houve a interposição de Recurso de Ofício. Como o valor exonerado supera o valor de alçada de R$2.500.000,00, nos termos da Portaria MF nº 63/2017, o Recurso de Ofício deve ser conhecido. Como se denota do relatório acima, ao Recorrido, foram imputadas uma série de infrações à legislação tributária, notadamente, o fato de ter optado por abrir empresas distintas e, em alguns casos, com sócios diferentes, apenas para não ultrapassar o limite de receita bruta exigido na legislação para a manutenção do contribuinte no SIMPLES NACIONAL. Assim, entendeuse que, ao contrário do que foi informado durante o processo fiscalizatório, a realidade era outra: as empresas criadas de forma autônoma seriam, em verdade, filiais, devendo a receita bruta ser considerada de forma unitária, o que ultrapassaria o limite legal para manutenção naquela forma de tributação. Com tais conclusões, constituiuse crédito tributário com base no lucro presumido, de acordo com opção do contribuinte, quando instado a se manifestar, além de terem sido aplicadas sanções, nos termos do ordenamento jurídico pátrio. Entretanto, o acórdão recorrido, antes de analisar as ilações a que chegou o agente fiscal que lavrou o Auto de Infração, bem como os argumentos de mérito lançados, pelo Recorrido, na impugnação administrativa apresentada, entendeu que o autuação não poderia prevalecer, uma vez que não foi formalizado previamente à autuação o ADE Ato Declaratório Executivo de exclusão do contribuinte do SIMPLES NACIONAL e que, por isso, carecia de fundamentação o Auto de Infração. Após tecer considerações sobre o histórico do SIMPLES e os requisitos exigidos pela legislação, notadamente pela Lei Complementar 123/06, para enquadramento nessa forma de tributação pelos contribuintes, a douta Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto (SP), chegou a seguinte conclusão: Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 10980.725532/201343 Acórdão n.º 1302002.662 S1C3T2 Fl. 1.840 9 Ou seja, mudou a Lei, mudou seu status (de ordinária para complementar), mas mantevese o rigorismo exigido a ambas as partes, de um lado os contribuintes sendo parametrizados pelas condições presentes na norma cogente para usufruir do “tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios” (Art. 1º da LC nº 123/2006), de outro, o ente fiscal que se vê obrigado a seguir os exigentes preceitos trazidos no artigo 29 da já mencionada Lei Complementar e em sua regulamentação, inclusive a abertura do contraditório e da ampla defesa aos excluídos e a emissão e ciência do respectivo Ato Declaratório Executivo de exclusão.(destacouse) E não há reparos para se fazer nessa conclusão. De fato, tanto o parágrafo 3º do mencionado artigo 29, da Lei Complementar 123/06 e no artigo 75 da Resolução CGSN nº 94, de 29/11/2011, asseguram ao contribuinte o direito de ser formalmente notificado do ato de exclusão do SIMPLES NACIONAL, para que possa exercer o contraditório e ampla defesa, princípios estes que estão, inclusive, consagrados no texto da Constituição Federal de 1988. Essa é a redação dos dispositivos: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) § 3o A exclusão de ofício será realizada na forma regulamentada pelo Comitê Gestor, cabendo o lançamento dos tributos e contribuições apurados aos respectivos entes tributante Art. 75. A competência para excluir de ofício a ME ou EPP do Simples Nacional é: I da RFB; II das Secretarias de Fazenda, de Tributação ou de Finanças do Estado ou do Distrito Federal, segundo a localização do estabelecimento; e III dos Municípios, tratandose de prestação de serviços incluídos na sua competência tributária. § 1º Será expedido termo de exclusão do Simples Nacional pelo ente federado que iniciar o processo de exclusão de ofício. § 2º Será dada ciência do termo de exclusão à ME ou à EPP pelo ente federado que tenha iniciado o processo de exclusão, segundo a sua respectiva legislação, observado o disposto no art. 110. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 1ºA a 1º D; art. 29, §§ 3º e 6º) § 3º Na hipótese de a ME ou EPP impugnar o termo de exclusão, este se tornará efetivo quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte, observandose, quanto aos efeitos da exclusão, o disposto no art. 76. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 39, § 6º) Fl. 1844DF CARF MF 10 Pela leitura dos dispositivos transcritos, não há dúvidas de que o legislador complementar deu garantias aos contribuintes, para que o ato de exclusão do programa do SIMPLES NACIONAL não fosse impositivo e arbitrário, sem que houvesse a possibilidade de se fazer prova em contrário, caso o ente federado entendesse que os requisitos para a manutenção no programa não estivessem sendo cumpridos. Assim, não há dúvidas de que o ADE deve ser emitido e comunicado ao contribuinte, antes de qualquer formalização de lançamento de crédito tributário decorrente daquela suposta exclusão. Não se pode admitir que a fundamentação do lançamento se dê com base em uma suposição de que o contribuinte será (ou poderá ser) excluído do SIMPLES NACIONAL. O ato de exclusão é formal e o seu rito, nos termos definidos pela legislação, deve ser respeitado, sob pena de cometimento de arbítrios por parte do ente que tem competência constitucional para instituir e cobrar tributos. No presente caso, o que se verifica da simples leitura dos documentos acostados aos autos é que: o Auto de Infração foi lavrado em face do Recorrido no dia 31/07/2013. A impugnação administrativa foi a analisada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto no dia 27/02/2014 (data de sessão de julgamento). Já o ADE de exclusão do SIMPLES NACIONAL é de 14/11/2014, sendo a ciência do contribuinte no dia 19/11/2014. Portanto, o Auto de Infração, que se baseou na premissa de que o contribuinte não estaria mais enquadrado no SIMPLES NACIONAL, foi formalizado mais de um ano antes do ato formal de exclusão, o que não se pode admitir. Não se pode perder de vista, neste sentido, que o Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, determina que o Auto de Infração deve ser instruído, dentre outros requisitos, com os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Essa é a redação do artigo 9º. Confirase: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito Fabiana Del Padre Tomé, em obra intitulada "A prova no Direito Tributário", é cirúrgica ao demonstrar que as provas devem ser apresentadas pela fiscalização no momento de formalização do ato, ou seja, na introdução da norma individual e concreta no sistema. Veja se a sua lição: No que diz respeito à exigência de apresentação de provas pela Administração, inexiste exceção veiculada pelo texto legal. Nem poderia ser diferente, já que só se admite a emissão de norma individual e concreta constituidora da obrigação tributária ou de relação jurídica sancionatória quando evidenciados os elementos tipificadores do fato que desencadeia efeitos dessa natureza. Além disso, por meio dos atos fiscalizatórios, a autoridade administrativa tem acesso às mercadorias, livros, Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 10980.725532/201343 Acórdão n.º 1302002.662 S1C3T2 Fl. 1.841 11 arquivos e demais documentos relacionados com as atividades comerciais e industriais do contribuinte, estando habilitada a proceder às diligências que entenda necessárias. Nada justifica, portanto, a juntada posterior de provas imprescindíveis à motivação do ato de lançamento ou de aplicação de penalidade. (TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2008, pág. 197). E, mais a frente, arremata a festejada professora: Do exposto decorre a conclusão de que, sendo o lançamento ou o ato administrativo de aplicação de penalidade realizados sem respaldo em provas, estando, portanto, viciados na motivação, é imperativa sua retirada do ordenamento jurídico pela autoridade competente. Ainda que depois de instalado o processo administrativo tributário venham a ser colacionadas provas capazes de construir o fato jurídico ou o ilícito tributário, tal procedimento não supre a invalidade que afeta o ato, pois, como anotamos, tratase de vício na estrutura interna, de natureza não convalidável. A instrução, realizada no corpo do processo instaurado por ocasião da impugnação do contribuinte, voltase tãosomente ao convencimento do julgador sobre pontos contraditados pelo particular, não servindo para preencher eventual ausência de comprovação do fato que serve de suporte à exigência ou autuação fiscal. (TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2008, pág. 298). No caso em análise, não há dúvidas, pela ordem cronológica acima transcrita, que o ADE de exclusão do contribuinte do SIMPLES NACIONAL foi expedido muito tempo depois da formalização do Auto de Infração e do início da fase litigiosa. E mais: só após a decisão da Delegacia de Julgamento, no qual foi apontado o vício da autuação, é que o ADE foi expedido e formalizado junto ao contribuinte. E essa conclusão fica mais robusta quando se analisa o Termo de Verificação Fiscal que embasou o Auto de Infração. No tópico denominado "DA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL", a própria fiscalização admite que o ADE não foi expedido antes de formalizada autuação, quando argumenta que foi encaminhada representação ao Delegado da Receita Federal para que promovesse a exclusão da autuada e das demais empresas do SIMPLES NACIONAL. Confirase: 67 Em face ao anteriormente exposto foi encaminhada Representação ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Curitiba – PR, processo administrativo comprot nº 10980.725.564/201349, para que fosse determinada a exclusão do contribuinte do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01 de janeiro de 2008, nos termos do parágrafo 1º do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006, de 14 de dezembro de 2006. 68 Também foram representadas, pela exclusão do SIMPLES, as demais empresas componentes do grupo Schooner, por serem constituídas de interpostas pessoas. Esta afirmação é confirmada no acórdão recorrido, que menciona o fato de o presidente da sessão de julgamento em primeira instância ter questionado a DRF de Curitiba Fl. 1846DF CARF MF 12 acerca da formalização do ADE e ter recebido como resposta que "o processo de Representação para Exclusão do Simples Nacional nº 10980.725564/201349 se encontra em análise, não tendo sido ainda emitido o ADE de exclusão do Simples Nacional". Ora, não se pode admitir que, sendo exigido, pela legislação, ato formal, com direito ao contraditório e ampla defesa, para exclusão dos contribuintes do SIMPLES NACIONAL, que a fiscalização se baseie no fato de que o contribuinte deixou de cumprir os requisitos para se enquadrar no SIMPLES NACIONAL e que, por isso, deve ser tributado pelo lucro presumido, além de ser penalizado pelas supostas condutas ilícitas praticadas, sem que a formalização do ato de exclusão tenha sido efetivada. Se o ato de exclusão tem rito próprio, não se pode admitir uma autuação antes de que esses requisitos sejam formalmente praticados pela autoridade fiscal. Por analogia, para robustecer o argumento ora acatado, não se pode olvidar que o Supremo Tribunal Federal tem o entendimento pacificado no sentido de que o sistema jurídico brasileiro não admite a constitucionalidade superveniente. Assim, uma Emenda a Constituição não tem o condão de tornar constitucional a cobrança de tributos com base em legislação incompatível com o Texto Constitucional quando da entrada em vigor desta legislação. Neste sentido, vejase a ementa do julgado que declarou como inconstitucional dispositivo da Lei nº 9.718/98, mesmo tendo sido, posteriormente, editada a emenda constitucional nº 20/98, que pretendia "constitucionalizar" a cobrança na forma estipulada por aquela lei: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.(RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10980.725532/201343 Acórdão n.º 1302002.662 S1C3T2 Fl. 1.842 13 Ao caso em apreço, guardadas as devidas proporções, tem que se adotar o posicionamento do STF: não se pode admitir que o ADE, formalizado mais de um ano após a decisão administrativa, tem o condão de tornar válida uma autuação. Autuação esta, ressaltese, que partiu da premissa de que o contribuinte estava excluído do SIMPLES NACIONAL, mas não estava no momento em que foi formalizado o Auto de Infração. Admitir o contrário é ir contra ao que já decidiu a mais alta Corte do país, quando proferiu entendimento pela impossibilidade, no sistema jurídico brasileiro, de ato posterior convalidar ato que lhe é anterior. Cumpre ressaltar, ainda, que, o presente caso, com muito bem colocado no acórdão recorrido, não se amolda ao que restou definido na Súmula nº 9 do CARF. O entendimento sumulado é de que a discussão administrativa do ADE não pode ser empecilho para o lançamento de crédito tributário decorrente da exclusão. Vejase: “A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão.” Ou seja, na posição consolidada no CARF, o lançamento, com base no ADE, é válido, até mesmo porque, se este não fosse o entendimento, a depender do tempo da discussão administrativa do ato de exclusão, a decadência poderia fulminar a possibilidade de constituição do crédito tributário pelo agente fiscal. Contudo, no presente caso, o que se verifica é uma autuação com base em um entendimento construído de que o contribuinte não se enquadra nos requisitos do SIMPLES NACIONAL, olvidandose, o agente autuante, que, para a exclusão, deve haver um ato formal, que é o ADE. Se este não foi expedido previamente, não pode prevalecer uma autuação com o fundamento simplório de que o contribuinte não cumpre ou deixou de cumprir os requisitos para se beneficiar da tributação favorecida do SIMPLES NACIONAL. Por fim, é importante esclarecer que, por ser a questão ora analisada uma prejudicial de mérito, tendo em vista os vícios insanáveis na constituição do Auto de Infração, não se analisou os argumentos bem fundamentados da fiscalização que relatam a prática de ilícitos tributários pelo contribuinte, a ensejar a autuação lavrada. Como, a princípio, o ADE já foi expedido, entendese que, respeitados os prazos decadenciais e princípios que regem o processo administrativo fiscal, poderá ser efetuada nova autuação, agora sim com o requisito de exclusão prévia do contribuinte do SIMPLES NACIONAL devidamente formalizado, como determina a legislação. Esta ressalva, inclusive, também restou consignada no acórdão recorrido Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, mantendo, na totalidade, o acórdão que exonerou as exigências formalizada no presente processo. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 1848DF CARF MF 14 Fl. 1849DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13898.720074/2013-83
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
OPÇÃO. INDEFERIMENTO.
Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo.
Numero da decisão: 1001-000.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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INDEFERIMENTO. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 06) para o ano calendário 2013, tendose em vista a existência de débitos não previdenciários (Cofins2172: R$ 81,99, 09/2012; IRPJ2089: R$ 393,55, 03/2012; CSLL2372: R$ 236,13 03/2012; e Multa atraso/falta DCTF1345: R$ 200,00, 2008) com a Secretaria da Receita AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 8. 72 00 74 /2 01 3- 83 Fl. 88DF CARF MF 2 Federal do Brasil (SRFB), com exigibilidade não suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade alegando ter pago/parcelado os débitos com a RFB. A decisão de primeira instância (efls. 51/53) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que somente em 19/03/2013, portanto após a data limite de 31/01/2013, a totalidade dos débitos foi paga. Cientificada da decisão de primeira instância em 16/11/2013 (efl. 55) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 14/11/2015 (efl. 86), em que aduz, em resumo, que não houve o pagamento, mas que a RFB não acatou a quitação do principal em sua integralidade. Alega também que em consulta de 14/10/2013 a RFB reportou equivocadamente que débitos já pagos ainda estavam abertos. Quando analisamos os arquivos anexos ao processo em questão, através do Site eCAC, e cruzamos as informações com os respectivos comprovantes de pagamento, constatamos que a RFB – Receita Federal do Brasil simplesmente NÃO acatou o pagamento integral do valor principal que foi efetuado, gerando assim os débitos em aberto que a mesma alega, ou seja: (...) Além do engano acima, é possível apontar outro, também cometido pela RFB – Receita Federal do Brasil. Através do procedimento de “Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional”, realizado pela RFB – Receita Federal do Brasil em 14/10/2013, a Consulta apresentou em seu detalhamento, débitos que já foram quitados pelo contribuinte. A existência destes débitos na data da respectiva consulta, é outra inverdade visto que, quando efetuamos consulta da situação fiscal da empresa através do eCAC, e geramos o “Relatório Diagnostico Fiscal”, datado de 04/11/13, o mesmo apresenta que “Não foram detectadas irregularidades nos controles da Receita Federal e da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional”, realidade que é facilmente comprovada através das CND`s (Certidoes Negativas de Débitos) emitidas pelos respectivos órgãos (vide anexo). Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Tratase, nestes autos, exclusivamente do Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional para o ano calendário 2013. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 15, inciso XV, da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13898.720074/201383 Acórdão n.º 1001000.320 S1C0T1 Fl. 89 3 “Art. 15. Não poderá recolher os tributos na forma do Simples Nacional a ME ou EPP: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, caput): (...) XV que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, inciso V)”;(destaquei). (...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela mesma Resolução CGSN nº 94/2011: Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) (...) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; O contribuinte não diligenciou de forma a regularizar as pendências no prazo legal. Isto porque os demonstrativos anexados (efls. 40/46) comprovam que os acréscimos legais não foram pagos até 31/01/2013. Dos valores efetivamente pagos até 31/01/2013 correta a imputação proporcional para quitar principal, multa e juros. Isto porque a partir de uma interpretação conjunta dos arts . 163 e 167 do CTN, chegase à conclusão de que eles não só estabelecem, na imputação de pagamentos pela autoridade administrativa, a inexistência de precessão entre tributo, multa e juros moratórios, como também vedam ao próprio sujeito passivo estabelecer precedência de pagamento entre as parcelas que compõem um mesmo débito tributário, ou seja, vedam ao sujeito passivo imputar seu pagamento apenas a uma das parcelas que compõem o débito tributário. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 90DF CARF MF 4 Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.905271/2011-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/08/2002
COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
Numero da decisão: 3201-003.282
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/08/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1578; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.905271/201103 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.282 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/08/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 52 71 /2 01 1- 03 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10830.905271/201103 Acórdão n.º 3201003.282 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou o seguinte: a) promovera medida judicial e obtivera provimento para o fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que o obrigasse a recolher a contribuição (PIS/Cofins) a partir da base de cálculo determinada pela Lei nº 9.718/98, no período sob comento, tendolhe sido autorizada a compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor; b) referida decisão judicial veio a ser objeto de recurso de apelação da Fazenda Nacional, o qual foi recebido simplesmente em seu efeito devolutivo; c) a própria PGFN já emitiu orientação para que tal matéria, uma vez submetida ao Poder Judiciário, não fosse mais objeto de contestação/recurso; d) a compensação declarada encontravase amparada em decisão judicial, em conformidade com o art. 170A do Código Tributário Nacional, e, tendo o recurso de apelação interposto pela PGFN sido recebido tão somente no efeito devolutivo, não havia que se falar em trânsito em julgado da decisão, a qual desde o seu nascimento gozava de liquidez e certeza quanto à forma; e) os valores objeto da compensação declarada são de fácil confirmação por parte da Secretaria da Receita Federal, uma vez que inúmeras informações constantes das DIPJs do período informam o montante das receitas operacionais sobre as quais o Contribuinte ou suas incorporadas recolheram indevidamente a título de PIS/COFINS; f) ao confeccionar a PERD/COMP para a devida compensação, deixara de mencionar referida informação, não sendo possível mais retificar a declaração pelo fato de que, quando se insere a informação de que o crédito é decorrente de ação judicial, o sistema entende que o tipo de crédito informado na PERD/COMP retificadora é diferente do tipo de crédito informado na PERD/COMP original, tratandose, portanto, de mero erro de fato. Nos termos do Acórdão nº 05039.393, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão sob o argumento de que a compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença, sem o que se rejeita a extinção de débitos por essa via. Além disso, a Delegacia de Julgamento consignou que o reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ele ser restituído ou utilizado em compensação. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário com os mesmos argumentos de defesa apresentados, aduzindo que a compensação realizada ocorrera em estrita conformidade com a decisão judicial proferida a seu favor. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10830.905271/201103 Acórdão n.º 3201003.282 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.276, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10830.903744/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.276): Como se verifica pelo relato dos fatos, a Recorrente promoveu a compensação de débitos tributários utilizandose de crédito alegadamente decorrente do recolhimento indevido da COFINS nos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (alargamento de base de cálculo). Ocorre que, tal compensação, ocorreu antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito de crédito do contribuinte, ou seja, em desconformidade com o art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Nesse aspecto, pontua o acórdão da DRJ: Não obstante, ao contrário do que pretende a contribuinte, tal decisão não lhe garante o direito à compensação administrativa do crédito que entende possuir. Em certo momento de sua manifestação, a contribuinte alega que a decisão judicial teria reconhecido o seu direito à compensação. No entanto, a própria sentença de primeiro grau que reconheceu a inconstitucionalidade condicionou a compensação ao trânsito em julgado. É o que se constata pelos termos da sentença conforme consta do sítio do Tribunal: Isto posto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, extinguindo o feito com exame de mérito, nos termos do art. 269, I, CPC, para o fim de: a) declarar a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a impetrante a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9718/98, nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, devendo, para tais períodos serem observadas as LC 7/70 e 70/91; b) reconhecer o direito líquido e certo da impetrante em compensarse dos indébitos tributários, após o trânsito em julgado, em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, nos períodos supra, com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da fundamentação retro. Outrossim, declaro o direito da impetrante em corrigir monetariamente seus créditos, pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor, relativamente Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10830.905271/201103 Acórdão n.º 3201003.282 S3C2T1 Fl. 5 4 aos períodos supra. Deverá a impetrante, nos termos do 1º, do artigo 74, da Lei nº 9430/96, quando do procedimento da compensação, efetuar a entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Custas na forma da lei, sem honorários de advogado (Súmula nº 105, STJ). Sentença sujeita ao reexame necessário. Comuniquese ao eminente relator do agravo noticiado nos autos a prolação da presente sentença, para as providências cabíveis. (destaque acrescentado) Com efeito, em que pese a sabida declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, é certo que, na hipótese do contribuinte, detentor de ação judicial, se fazia imprescindível, no momento da transmissão das Declarações de Compensação, o trânsito em julgado da decisão judicial. Desse modo, correto o entendimento da DRJ ao indeferir a compensação nos termos do art. 170A do CTN. Não obstante, há um segundo aspecto a ser considerado na hipótese dos autos. Ainda que ultrapassada a questão instrumental, a Recorrente não logrou demonstrar que os créditos que pretende restituir correspondem, efetivamente, à diferença da COFINS recolhida indevidamente em razão do alargamento da sua base de cálculo: É como assinala o Acórdão da DRJ: Noutra vertente, o crédito também não resta demonstrado, de vez que a contribuinte não consegue evidenciar que, no documento de arrecadação indicado na Declaração de Compensação, haveria alguma parcela indevida e, portanto, haveria crédito passível de utilização. Efetivamente, ainda que se admita a existência de um crédito decorrente de inconstitucionalidade no normativo que presidiu o recolhimento, é imprescindível que a contribuinte comprove a existência e o montante do crédito que reivindica. No caso, a inconstitucionalidade atingiu apenas uma parte do tributo que seria exigível, pelo que a demonstração do montante do crédito reivindicado assume contornos mais importantes. Nesse sentido, não cabe aqui a tentativa da manifestante no sentido de atribuir à Administração Tributária a responsabilidade pela apuração de seu crédito a partir das declarações que teria apresentado. Esta é uma incumbência da contribuinte, proponente original da extinção de débitos pela via da compensação. Nesse sentido, o Tribunal ao reformar parcialmente o provimento de primeira instância no que se refere ao direito à compensação, em decisão dada em 23/07/2012, é explícito ao atribuir à contribuinte o dever de comprovar seu crédito: Por fim, observo, in casu, não merecer acolhida a pretensão formulada pela Impetrante, no sentido de reconhecerse o direito à compensação das parcelas do PIS e da COFINS exigidas com base no art. 3º, § 1º da Lei n. 9718/98, à vista da ausência de documentos que comprovem o efetivo recolhimento do aludido tributo, razão pela qual a sentença deve ser reformada nesse ponto. (destaque acrescentado) Assim, o próprio Poder Judiciário, que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, em benefício da contribuinte, não corroborou o pleito de autorização à compensação Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10830.905271/201103 Acórdão n.º 3201003.282 S3C2T1 Fl. 6 5 pela inexistência de provas do crédito. Tal prova não foi trazida a este processo administrativo pelo que, igualmente, é de ser negada a compensação por falta da prova da materialidade do crédito utilizado. Acrescento que, nesse aspecto, o Recurso Voluntário do Contribuinte restou silente. Seja em sede de Manifestação de Inconformidade, seja em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte deixou de comprovar a materialidade do crédito que pretende ver reconhecido. Com efeito, ainda que tenha ocorrido o reconhecimento judicial do direito ao crédito, o valor a ser ressarcido deverá necessariamente ser liquidado, ou nos autos da ação judicial, ou por via administrativa. Nesta via, por meio do procedimento próprio de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial, cuja existência não foi sequer noticiada nos autos. Por todo o exposto, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido em sua integralidade, votando por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 69DF CARF MF
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Numero do processo: 12045.000478/2007-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1997 a 30/09/1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 12045.000438/2007-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 12045.000438/2007-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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MONTREAL INFORMÁTICA S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1997 a 30/09/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 12045.000438/200735, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 78 /2 00 7- 87 Fl. 400DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão assim ementado: LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado. Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional não interpôs Recurso Especial. A Contribuinte, por sua vez, intimada do acórdão, opôs Embargos de Declaração, o que motivou a prolação de Acórdão de Embargos, assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Cientificada do Acórdão de Embargos, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente à época, visando rediscutir a nulidade do lançamento. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 12045.000478/200787 Acórdão n.º 9202006.620 CSRFT2 Fl. 3 3 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho de Admissibilidade. Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: dispõe o Decreto n 70.235, de 1972, arts. 59 c/c 60, que o processo administrativo fiscal somente será declarado nulo na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; na hipótese em apreço, o equívoco no procedimento adotado pela autoridade fiscal, que realizou a fiscalização em local distinto daquele eleito pelo contribuinte como domicílio tributário, acarretando, em tese, prejuízo ao seu direito de defesa, tem, nitidamente, caráter formal; conforme já salientado, tratase de defeito procedimental que gera, no máximo, vício de natureza formal; os atos eivados de vício material não são passíveis de convalidação, não podem ser corrigidos, devendo ser obrigatoriamente anulados; por sua vez, os atos com vício de forma, podem ser convalidados ou repetidos, dessa vez sem o defeito original; na seara tributária, então, tal distinção tem o condão de permitir o reinício do prazo decadencial para o lançamento, uma vez que o art. 173, II, do CTN, estabelece que o prazo de 5 (cinco) anos para constituição do crédito tributário será contado a partir da “data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”; assim, ante todo o até aqui exposto, a única conclusão possível é a de que o vício procedimental gera defeito de ordem formal, o que permite: (i) a convalidação do ato, mediante o suprimento do vício, ou (ii) a repetição do ato, desta vez sem o vício que culminou na sua anulação; nesse contexto, concluise que o vício no procedimento fiscalizatório que acarretou cerceamento ao direito de defesa da parte tem natureza formal (e não material), razão pela qual merece ser reformado o acórdão ora recorrido. Ao final, a Fazenda Nacional requer, seja conhecido e provido o Recurso Especial, para que a decisão recorrida seja reformada, considerandose que o vício observado no acórdão é formal e não material. Em alguns casos desse lote repetitivo, o pedido é no sentido de que se mantenha incólume o lançamento. Cientificada do Acórdão de Embargos, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento, a Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.613, de Fl. 402DF CARF MF 4 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 12045.000438/200735, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.613): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de ação fiscal desenvolvida em estabelecimento diverso daquele eleito como domicílio tributário pela Contribuinte. No acórdão recorrido, considerouse que ocorreu nulidade por vício material. No Recurso Especial, a Fazenda Nacional visa rediscutir a nulidade do lançamento, sob o pressuposto de que o domicílio tributário deve ser interpretado sempre no interesse da fiscalização e de que, se não houve demonstração do prejuízo ao Contribuinte pelo fato de a ação fiscal ter ocorrido em outro estabelecimento, não há nulidade. Salientese que, em um primeiro momento, o Colegiado a quo declarou a nulidade do lançamento por vício formal, oportunidade em que a Fazenda Nacional expressamente informou que não haveria a interposição de Recurso Especial. Em face de Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte, a natureza do vício foi alterada para material. Nesse passo, embora o paradigma indicado pela Fazenda Nacional em seu Recurso Especial conclua pela inexistência de nulidade, na maioria dos processos que compõem esse lote repetitivo o pedido é no sentido de que seja declarada a ocorrência de vício formal, embora em alguns poucos o pedido seja para que se considere incólume o lançamento. Entretanto, independentemente do pedido da Recorrente, de plano cabe consignar que a divergência jurisprudencial somente resta demonstrada quando, confrontadas situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, em face de interpretação divergente da legislação tributária. Nesse passo, é de fundamental importância averiguar as situações fáticas retratadas nos julgados em cotejo. No caso do acórdão recorrido, conforme consta do voto e não foi contraditado pela Fazenda Nacional tratase de fiscalização de períodos posteriores a 1996, sendo que a Contribuinte já havia, desde 1995, alterado sua matriz e domicílio tributário, da Rua São José, 90, 7° andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, 04, Rio das Flores/RJ. Entretanto, a ação fiscal foi realizada no estabelecimento 42.563.692/001289, endereço da antiga sede, no Centro do Rio de Janeiro. A questão foi levada ao Poder Judiciário, que decidiu que o domicílio tributário a ser considerado era aquele eleito pela Contribuinte, ou seja, em Rio das Flores. Confirase: "DAS QUESTÕES PRELIMINARES Fl. 403DF CARF MF Processo nº 12045.000478/200787 Acórdão n.º 9202006.620 CSRFT2 Fl. 4 5 2. Creio que o Colegiado deve enfrentar, primeiramente, a irregularidade cometida pelo fisco e que é suficiente para determinar a anulação do lançamento fiscal, qual seja o desrespeito, por parte da autoridade fiscalizadora, do domicílio tributário do sujeito passivo. 3. Compulsando os autos, verificase que a auditoria fiscal realizada no estabelecimento da recorrente, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, determinou que a documentação fosse apresentada no estabelecimento 42.563.692/001289 situado na Rua São José, 90 7° andar Centro Rio de Janeiro/RJ e lá permanecesse até o encerramento da ação fiscal. 4. O contribuinte argumenta que, de acordo com seu contrato social e outros documentos acostados aos autos, o domicílio tributário estava situado na Rua Capitão Jorge Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ. 5. O fisco, por sua vez, tenta afastar os argumentos do contribuinte trazendo aos autos indícios de prova no sentido de que a empresa elegeu como domicílio tributário o estabelecimento em que se desenvolveu o procedimento fiscalizatório, portanto não haveria razão alguma para anular o lançamento fiscal. 6. A questão foi levada ao Judiciário. Em consulta realizada sobre o andamento do processo, constatase que houve trânsito em julgado em favor do recorrente. Com efeito, o Tribunal Regional Federal da 2" Região entendeu que os motivos trazidos pela Procuradoria do INSS para justificar a fiscalização em estabelecimento distinto ao eleito como domicílio tributário foram insuficientes para a aplicação do artigo 127, §2° do CTN. Segue transcrição do voto vencedor, ementa, acórdão e fase processual: "VOTO O Código Tributário Nacional proclama, em seu art. 127, inciso II, que, na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicilio tributário, será este o do lugar de sua sede, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado. A Autora, de acordo com dado constante em seu CNPJ, encontra se em atividade desde o ano de 1976 (fls. 14). Por conta da 20ª alteração de seu Contrato Social, datada de 30 de janeiro de 1995 (fls. 202/204), promoveu a transferência de sua sede, originariamente estabelecida na Rua São José, nº 90 Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, nº 04, no Município de Rio das Flores, Estado do Rio de Janeiro. Entendeu a Autarquiaprevidenciária que a Autora, ao promover a mudança de sua sede, e, por consectário legal, de seu domicílio Fl. 404DF CARF MF 6 tributário, buscou criar empecilhos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, porquanto circunscrita ao limite territorial da Capital do Estado. Em razão desta situação, aplicou ao caso a regra positivada no § 2º do art. 127 do CTN, o qual permite que a autoridade administrativa recuse o domicílio eleito pelo contribuinte quando se torne impossível ou dificultosa a arrecadação ou a fiscalização do tributo. (...) a ilação feita pela autoridade administrativa a respeito do verdadeiro objetivo a ser alcançado pela parte autora com a alteração de sua sede não se sustenta diante de uma leitura mais apropriada dos dispositivos do CTN reguladores da matéria, nem tampouco se verificarmos atentamente a cronologia dos fatos ocorridos. Primeiramente, cabe consignar ser evidente a distinção existente entre (a) autonomia da pessoa jurídica para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede e (b) faculdade de eleição, pelo contribuinte, de seu domicílio tributário. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para .sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. A incidência, na espécie, da regra do §2º do art. 127 do CTN "A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito... " não se revela apropriada, visto que a definição do domicílio fiscal da Autora em Rio das Flores não se deu em razão do exercício da faculdade de eleição, mas sim por conta da fixação de sua sede naquele Município, hipóteses que não guardam .similitude entre si. Noutro giro, entendo que o fato de a Autora figurar no rol de contribuintes sujeitos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores do INSS não se revela, por si só, motivo razoável a justificar a desconsideração de sua nova sede como sendo o seu domicilio tributário. O Município de Rio das Flores está localizado a apenas 180 Km de distancia da Cidade do Rio de Janeiro, não podendo tal circunstancia ser considerada como impeditiva do exercício, pelos agentes públicos vinculados ao aludido Órgão autárquico, da atividade de fiscalização /arrecadação de tributos. A opção administrativa do INSS de circunscrever aos limites territoriais da Capital do Estado a atuação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, como consignado na contestação (fls. 93), não pode implicar restrição ao legítimo direito do contribuinte de, no livre exercício de sua atividade empresarial, e diante das conveniências e vantagens econômicas a serem eventualmente auferidas com a medida adotada, estabelecer sua sede onde melhor lhe aprouver. Ainda que não dispondo de dados estatísticos para dar esteio a presente ilação, podemos presumir que, tal como na Capital, há, também, no interior do Estado do RJ, grandes devedores do INSS, o que não significa dizer que, por tal razão, deixe a Fl. 405DF CARF MF Processo nº 12045.000478/200787 Acórdão n.º 9202006.620 CSRFT2 Fl. 5 7 Autarquia previdenciária de adotar as medidas administrativas necessárias para inscrição dos débitos existentes em Dívida Ativa e posterior ajuizamento de execuções fiscais, mesmo que sem a participação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores. Outro ponto merecedor de destaque, relevante ao deslinde da questão jurídica em testilha, é a constatação de que, da análise dos atos normativos administrativos expedidos pelo Ministério da Previdência Social, concernentes à definição da estrutura organizacional do INSS, as Divisões de Cobrança de Grandes Devedores só passaram a ter expressa previsão a partir do advento da Portaria MPAS nº 6.247, de 28 de dezembro de 1999, que, revogando a Portaria n" 458/92, aprovou o novo Regimento Interno daquela Autarquia. Cabe indagar, assim, como poderia a Autora, no ano de 1995. promover a mudança de sua sede buscando dificultar a atuação fiscal de um Órgão até então inexistente? Destarte, entendo que os motivos invocados pelo Réu para recusar a sede da Autora como sendo o seu domicílio tributário carecem de maior consistência, impondose, portanto, no âmbito desta E. Corte, a reforma da r. sentença recorrida. Face ao acima exposto, dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n" 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ." EMENTA ADMINISTRATIVO ALTERAÇÃO DE SEDE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO ART. 127, § 2°, DO CTN. I Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa Jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com exercício da faculdade de eleição do seu domicílio tributário. O § 2º do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicílio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. III Recurso provido." Fl. 406DF CARF MF 8 7. Considerando a decisão judicial, temos como assegurado que o domicílio tributário da empresa recorrente é a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ, conforme defendido em suas razões recursais. Portanto, está eivado de nulidade o lançamento fiscal em seu nascedouro. 8. E o prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que certamente dificultou a sua apresentação para o fisco. (...) 13. Há que se destacar ainda, porque importante, que o cerceamento do direito de defesa é nitidamente reconhecido, tendo em vista as autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento, todos realizados com enorme gravame para o sujeito passivo. 14. Sem falar que ficou prejudicado o direito da empresa em acompanhar a ação fiscal e prestar os esclarecimentos necessários, o que denota clara afronta aos preceitos constitucionais garantidores da ampla defesa e do contraditório." Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por acórdão em que, em situação similar alteração da sede da empresa, e consequentemente do domicílio tributário, em data anterior ao início da fiscalização, com decisão judicial referendando o procedimento da Contribuinte e reconhecimento do prejuízo à defesa a conclusão fosse no sentido de se considerar como correto o estabelecimento eleito pela fiscalização, declarandose nulidade por vício formal. Entretanto, o paradigma indicado pela Fazenda Nacional Acórdão nº 20601.429 não se reveste destas características, já que trata de situação em que o Contribuinte intentou alterar o domicílio tributário, que era a sua sede e onde se desenvolvia a ação fiscal, após lavrada a NFLD, sem qualquer notícia acerca de decisão judicial ou de prejuízo à defesa. Pelo contrário, consta no paradigma que o Contribuinte apresentou toda a documentação solicitada. Ademais, o lançamento foi mantido na integralidade, e não anulado por vício formal, como pleiteia a Fazenda Nacional em quase todos os processos integrantes do lote. Confirase: "Quanto ao argumento de que não caberia fiscalização tributária em domicílio tributário diferente do local de origem dos fatos geradores, não assiste razão à recorrente. Não se pode esquecer que o domicilio tributário é interpretado pleiteia sempre no interesse na fiscalização e da arrecadação de tributos, conforme disposto no art. 127, § 2° do CTN, tanto a possibilidade de recusa do mesmo. A fiscalização foi feita em estabelecimento diverso do eleito pelo recorrente, em função de já ter sido iniciado o procedimento fiscal no domicílio anterior, Fl. 407DF CARF MF Processo nº 12045.000478/200787 Acórdão n.º 9202006.620 CSRFT2 Fl. 6 9 e só haver sido encerrado parcialmente por trâmites administrativos. Ressaltese que a comunicação da mudança só foi realizada em dezembro de 2003, sendo que o início da ação se deu em data anterior e a continuidade do procedimento por outro auditor fiscal poderia causar prejuízo ao bom andamento dos trabalhos, para não dizer gastos desnecessários com a prorrogação de procedimentos. Ademais, as relações entre Fisco e contribuinte devem se basear na lealdade e na boafé, desse modo não é lícito ao contribuinte receber a fiscalização, tolerar o procedimento fiscal, apresentar toda a documentação, esperar a lavratura da NFLD e somente então alegar que aquele não seria o seu verdadeiro domicílio tributário. Uma vez que o domicílio tributário, previsto no CTN, é apenas uma referência para fiscalização e arrecadação de tributos, se não houve demonstração do prejuízo para o contribuinte de a ação fiscal se realizar em tal estabelecimento, não há que se reconhecer a nulidade do procedimento fiscal. Há permissão legal para a autoridade fiscal fiscalizar a pessoa jurídica de direito privado no local da sede, conforme previsto no art. 127, inciso Ido CTN. Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO." Destarte, não se verifica a necessária similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, de sorte que os dois julgados não podem ser sequer comparados, para fins de demonstração de divergência jurisprudencial. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 408DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.661488/2012-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ).
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-005.106
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ). Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 14 88 /2 01 2- 83 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10880.661488/201283 Acórdão n.º 3302005.106 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de declaração de compensação não homologada em razão de que o DARF já havia sido alocado a outro débito, conforme despacho eletrônico. Em manifestação, a recorrente alegou que, em razão da publicação da Lei nº 11.452/2007, cujo artigo 21 retroagiu os efeitos do artigo 20 para 1º/01/2006, especificamente quanto a não incidência da CIDE sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia, sem contundo proceder à retificação de DCTF, a qual foi requerida posteriormente mediante processo administrativo. Por sua vez, a Décima Quinta Turma da DRJ/RJ1 no Rio de Janeiro julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 12068.498. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas em impugnação, juntando ao recurso voluntário a documentação referente à comprovação de seu direito, a saber: contrato comercial com a ACI, contratos de câmbio e invoices. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.100, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.661481/201261, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.100): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A matéria em litígio diz respeito à alegação de restituição de pagamento indevido, em razão da não incidência de CIDE sobre royalties decorrentes de direitos autorais em contratos de licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, fundado no artigo 20 da Lei nº 11.452/2007, abaixo transcrito: Art. 20. O art. 2o da Lei no 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei no 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1oA: “Art. 2o .................................................................................. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10880.661488/201283 Acórdão n.º 3302005.106 S3C3T2 Fl. 4 3 .................................................................................. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. A recorrente não procedeu à retificação da DCTF, em meio digital, protocolando processo administrativo em papel, cuja decisão foi assim expedida: "Confrontando a data de protocolo do pedido com o período a que se refere a DCTF, concluo que o direito de pleitear a retificação se encontrava extinto. Ademais, havendo decisão relativa à Declaração de Compensação proferida antes do pedido de retificação da DCTF, deve a questão ser discutida por meio de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, de forma a se evitarem discussões administrativas paralelas sobre o mesmo assunto. Esta turma já se pronunciou em diversas ocasiões sobre a desnecessidade de se retificar a DCTF, quando o contribuinte consegue provar o direito alegado, mediante documentação hábil e idônea, em homenagem ao princípio da verdade material. Nos casos de auto de infração eletrônico de DCTF, entendo que este princípio atrai a possibilidade de se conhecer de provas apresentadas em recurso voluntário, uma vez que apenas na decisão de DRJ surge o fundamento da falta de provas em vista da não retificação de DCTF, bem como, até o momento daquela decisão, o contribuinte não recebeu qualquer intimação exigindo a documentação necessária para provar o direito alegado. No caso dos autos, a decisão recorrida especificou as provas que considerava necessárias para a comprovação do direito alegado. Porém, mesmo ciente da necessidade de apresentação das referidas, a recorrente não se desincumbiu adequadamente de seu ônus, deixando de apresentar contrato comercial com a GOLDEN GATE SOFTWARE INC., bem como apresentando o contrato comercial com a ACI WORLDWIDE INC. sem tradução juramentada, impossibilitando o conhecimento do documento em inglês, conforme artigo 157 do antigo CPC (Lei nº 5.869/1973, artigo 192 da Lei nº 13.105/2015 (NCPC), artigo 224 da Lei nº 10.406/2002 (CC), artigo 18 do Decreto 13.609/1943, artigo 22 da Lei nº 9.784/1999 e artigo 13 da Constituição Federal, abaixo transcritos: Lei nº 5.869/1973 (antigo CPC), artigo 157: TÍTULO V DOS ATOS PROCESSUAIS CAPÍTULO I DA FORMA DOS ATOS PROCESSUAIS Seção I Dos Atos em Geral Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10880.661488/201283 Acórdão n.º 3302005.106 S3C3T2 Fl. 5 4 [...] Art. 157. Só poderá ser junto aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado. Lei 13.105/2015, artigo 192: Art. 192. Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso da língua portuguesa. Parágrafo único. O documento redigido em língua estrangeira somente poderá ser juntado aos autos quando acompanhado de versão para a língua portuguesa tramitada por via diplomática ou pela autoridade central, ou firmada por tradutor juramentado. Lei nº 10.406/2002, artigo 224: Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País. Decreto nº 13.609/1943: Art. 18. Nenhum livro, documento ou papel de qualquer natureza que fôr exarado em idioma estrangeiro, produzirá efeito em repartições da União dos Estados e dos municípios, em qualquer instância, Juízo ou Tribunal ou entidades mantidas, fiscalizadas ou orientadas pelos poderes públicos, sem ser acompanhado da respectiva tradução feita na conformidade dêste regulamento. Parágrafo único. estas disposições compreendem também os serventuários de notas e os cartórios de registro de títulos e documentos que não poderão registrar, passar certidões ou públicasformas de documento no todo ou em parte redigido em língua estrangeira. Lei nº 9.784/1999: Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. § 1o Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local de sua realização e a assinatura da autoridade responsável. Constituição Federal, artigo 13: Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil. Destacase que não se tratam de expressões ou palavras de fácil e notório conhecimento da língua inglesa ou de texto de fácil compreensão, mas de contrato de licenciamento de uso de sofware, com mais de trinta páginas de contrato original e aditivos com diversos termos técnicos, sendo imprescindível a tradução juramentada para se avaliar o alcance do contrato e a existência de eventual transferência de tecnologia. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10880.661488/201283 Acórdão n.º 3302005.106 S3C3T2 Fl. 6 5 Neste sentido, citamse os acórdãos abaixo e ementas parciais, proferidos por este Conselho: Acórdão nº 1301002.260: IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA. DOCUMENTOS ESTRANGEIROS DESACOMPANHADOS DE TRADUÇÃO JURAMENTADA. Os documentos em idioma estrangeiro anexados ao processo pelo contribuinte não podem ser avaliados, pois devem ser traduzidos para o português por tradutor juramentado. Acórdão nº 1301002.097: GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E CONSULTORIA PAGOS A EMPRESA LIGADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PROVA. Procedente a glosa de despesas por serviços de assistência técnica e consultoria pagos a empresa ligada no exterior, na situação em que resta incomprovada a efetividade da prestação desses serviços. Documentos em língua estrangeira, desacompanhados da respectiva tradução juramentada, não podem ser aceitos como prova. Os poucos documentos em língua portuguesa são insuficientes para provar a efetividade da prestação dos serviços. Acórdão nº 3202000.546: PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária (art. 157 do Código de Processo Civil). Sem tal tradução, o documento não possui valor efeito probante no processo administrativo, acarretando o indeferimento da compensação por falta de provas, já que o contrato comercial é elemento primordial na análise da existência ou não de transferência. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10880.661488/201283 Acórdão n.º 3302005.106 S3C3T2 Fl. 7 6 Paulo Guilherme Déroulède Fl. 264DF CARF MF
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