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Numero do processo: 10530.003590/2007-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRPJ – PESSOA FÍSICA EQUIPARADA A PESSOA JURÍDICA
Ano-calendário: Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Preenchido os requisitos do PAF e proporcionado ao Contribuinte plenas condições de contraditório, descabe a alegação de nulidade.
PESSOA FÍSICA EQUIPARADA A JURÍDICA
Pessoa física que em nome individual, explora habitual e profissionalmente atividade de natureza comercial, mediante venda de bens e serviço, equipara se a pessoa jurídica.
OMISSÃO DE RECEITA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS
A lei 9.430/96 em seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de receita com base em valores depositados em conta corrente caso o contribuinte não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores a origem dos créditos.
FALTA DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Na falta da escrituração contábil obrigatória, cabe a autoridade fiscal arbitrar os lucros com base no valor das receitas omitidas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
O decidido para o IRPJ alcança as tributações reflexas dele decorrentes, no caso o PIS, a CSLL e a COFINS.
Numero da decisão: 1301-000.469
Decisão: Acordam os membros do colegiado, [por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.]
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Guilherme Pollastri Gomes da Silva
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Preenchido os requisitos do PAF e proporcionado ao Contribuinte plenas condições de contraditório, descabe a alegação de nulidade. PESSOA FÍSICA EQUIPARADA A JURÍDICA Pessoa física que em nome individual, explora habitual e profissionalmente atividade de natureza comercial, mediante venda de bens e serviço, equipara se a pessoa jurídica. OMISSÃO DE RECEITA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS A lei 9.430/96 em seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de receita com base em valores depositados em conta corrente caso o contribuinte não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores a origem dos créditos. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Na falta da escrituração contábil obrigatória, cabe a autoridade fiscal arbitrar os lucros com base no valor das receitas omitidas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA O decidido para o IRPJ alcança as tributações reflexas dele decorrentes, no caso o PIS, a CSLL e a COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO 2 Acordam os membros do colegiado, [por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.] Leonardo de Andrade Couto Presidente. Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jackson da Silva Lucas, Sandra Maria Dias Nunes e Melo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10530003590/200772 Acórdão n.º 1301000.469 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório De acordo com o relatório fiscal, intimado a esclarecer a origem de depósitos bancários o contribuinte informa que os valores depositados em sua conta corrente correspondem a repasses feitos por basicamente 3 empresas (Bom Brasil, Braswey e A. Azevedo). Após circularizar as empresas, a fiscalização verificou que 91% do montante depositado na conta no ano de 2004, ou seja, R$ 8.433.998,83 se referiam à 868 operações de fornecimento de mamona entre o fiscalizado e as três empresas citadas. Da análise das notas fiscais, verificouse que se tratavam de operações mercantis, onde o próprio fiscalizado emitia notas incluindo inclusive o preço do transporte no valor final. Após o minucioso trabalho e levantamento de farta documentação a fiscalização concluiu que pelas operações mercantis apuradas o contribuinte deveria ser equiparado a pessoa jurídica individual, conforme determina o inciso II do §1º do art. 150 do RIR 99: “Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). § 1º São empresas individuais: II as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "b"); Com isso a fiscalização, após dar o prazo previsto na legislação para regularização da escrita, relacionou os depósitos bancários não comprovados e considerouos como receita de pessoa jurídica fazendo o lançamento de R$ 398.749,39 de IRPJ, R$ 122.715,74 de PIS, R$ 566.381,37 de COFINS e R$ 202.677,03 de CSLL. O auto de infração foi impugnado, tempestivamente, mas o lançamento foi mantido em sua integralidade, por julgamento da DRJ, nos seguintes termos: o art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972 somente admite nulidade por incompetência do agente ou por cerceamento do direito de defesa, casos que não se aplicam ao do presente auto de infração. o presente processo, revestiuse de todas as formalidades para sua validade, estando a infração e os fatos que ensejaram os lançamentos claramente descritos nos autos de infração e demonstrativos anexos, não se configurando, portanto, infringência a qualquer dispositivo legal. Tempestivamente, em 16.06.09, o contribuinte entrou com recurso voluntário repetindo os argumentos rebatidos de forma precisa pelo relator da 1ª Turma da DRJ/SDR, defendendo a nulidade do auto, em síntese, pelos seguintes argumentos: que é mero intermediário, ganhando pequenas comissões. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO 4 que mais de 90% dos depósitos foram comprovados e não foram declarados por não serem seus nem fruto de renda. que os valores foram registrados em livro caixa de atividade rural. que foram lavrados 2 autos de infração, um na pessoa física (proc. nº 13530 003668/200759), por omissão de rendimento na DIRPF e o presente Auto tributando a totalidade dos depósitos como receitas e revendas de mercadorias. que houve erro na identificação do sujeito passivo, portanto, não há que se falar também em PIS, COFINS e CSLL. que depósitos bancários não podem constituir renda. que não cabe o arbitramento quando há escrita e quando o contribuinte não é obrigado a fazêlo. que deve ser revisto lançamento já que tem direito a tributação diferenciada uma vez que o cartão do CNPJ é referente a empresa de transporte a alíquota de 6¨%. Este é o relatório. Passo a analisar as razões de recurso. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10530003590/200772 Acórdão n.º 1301000.469 S1C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva O recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos do PAF, razão porque dele conheço, porém, no mérito, nego provimento ao recurso pelos motivos seguintes. No caso em tela inexistiu qualquer ato ou omissão da autoridade que implicasse em prejuízo ou preterição do direito de defesa uma vez que o contribuinte teve ciência de todos os elementos de que necessitava para sua defesa, ficando afastada de todo qualquer hipótese de nulidade. O lançamento feito na pessoa física não tem o mesmo fundamento do presente auto de infração razão porque não há qualquer de nulidade ou bitributação que pudesse macular o lançamento. Quanto a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, bem como a inscrição do CNPJ de ofício tiveram respaldo na legislação não havendo nenhum óbice ou nulidade quanto a estas matérias, assim como no tocante ao arbitramento adotado, em virtude da falta de apresentação dos livros e documentos. Não considerou a recorrente que a autoridade fiscal está regida por lei especial e sua atividade está vinculada a legislação vigente que rege o procedimento fiscal, não podendo se afastar dela sob pretestos de vícios de legalidade e constitucionalidade. A Súmula CARF n0 2 determina que este colegiado não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Ao contrário do que afirma o recorrente, a partir da edição do art. 42 da Lei 9.430/96, o ônus da prova passou a ser de responsabilidade do contribuinte, que intimado, deve comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores a origem dos recursos depositados em sua conta corrente. No que tange a base de cálculo utilizada pela fiscalização a mesma obedeceu à legislação de regência, também não merecendo reparo. Portanto, voto no sentido de conhecer mas rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito negar provimento ao recurso. No que tange ao PIS, COFINS e CSLL, por serem tributos reflexos do IRPJ devem ser mantidos nos mesmos moldes e pelos mesmos motivos expostos . Guilherme Polastri Gomes da Silva Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.004789/2002-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/09/2003
RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃOS RECORRIDO E PARADIGMA TRATAM DE LEGISLAÇÕES DIFERENTES. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso especial de divergência quando os acórdãos recorrido e paradigma tenham enfrentado a aplicação e interpretação de legislações distintas, ainda que para situações equivalentes. No caso dos autos, o julgado combatido tem por fundamento Solução de Consulta COSIT nº 22, de 30/09/2014, editada posteriormente à prolação da decisão paradigmática e, portanto, situação jurídica inexistente quando do julgamento do acórdão paradigma, sendo impossível a demonstração do dissenso interpretativo.
Numero da decisão: 9303-006.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/09/2003 RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃOS RECORRIDO E PARADIGMA TRATAM DE LEGISLAÇÕES DIFERENTES. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso especial de divergência quando os acórdãos recorrido e paradigma tenham enfrentado a aplicação e interpretação de legislações distintas, ainda que para situações equivalentes. No caso dos autos, o julgado combatido tem por fundamento Solução de Consulta COSIT nº 22, de 30/09/2014, editada posteriormente à prolação da decisão paradigmática e, portanto, situação jurídica inexistente quando do julgamento do acórdão paradigma, sendo impossível a demonstração do dissenso interpretativo.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/09/2003 RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃOS RECORRIDO E PARADIGMA TRATAM DE LEGISLAÇÕES DIFERENTES. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso especial de divergência quando os acórdãos recorrido e paradigma tenham enfrentado a aplicação e interpretação de legislações distintas, ainda que para situações equivalentes. No caso dos autos, o julgado combatido tem por fundamento Solução de Consulta COSIT nº 22, de 30/09/2014, editada posteriormente à prolação da decisão paradigmática e, portanto, situação jurídica inexistente quando do julgamento do acórdão paradigma, sendo impossível a demonstração do dissenso interpretativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 47 89 /2 00 2- 18 Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 10580.004789/200218 Acórdão n.º 9303006.970 CSRFT3 Fl. 1.133 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 1.096 a 1.102) com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3802003.878 (fls. 1.086 a 1.093) proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 11 de novembro de 2014, no sentido dar provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/09/2003 IPI. CRÉDITO ACUMULADO. ALÍQUOTA ZERO. RESSARCIMENTO. INAPLICABILIDADE DO ART. 166 DO CTN. O art. 166 do Código Tributário Nacional aplicase apenas aos casos de repetição de indébito, decorrente de pagamento indevido do imposto. Tratase de hipótese que não se confunde com a simples contabilização do crédito como custo de aquisição da mercadoria, medida prevista no art. 13, caput, do DecretoLei n.º 1.598/1977 e no art. 289 do Decreto n.º 3.000/1999, para fins de apuração do Irpj e da Csll. Interpretação pacificada pela COSIT, na Solução de Consulta Interna nº 22, de 30 de setembro de 2014. Assim, tendo sido demonstrada a liquidez e a certeza do direito de crédito, deve ser reconhecido o direito ao ressarcimento. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Não resignada com o acórdão de recurso voluntário, insurgese a Fazenda Nacional por meio do apelo especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à possibilidade de aproveitamento dos créditos básicos de IPI, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99, diante da contabilização do IPI como custo dos produtos industrializados. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigma o acórdão nº 20312.468. Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10580.004789/200218 Acórdão n.º 9303006.970 CSRFT3 Fl. 1.134 3 Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que: (a) houve a escrituração dos créditos de IPI relativos à aquisição de insumos, utilizados na fabricação de produto sujeito à alíquota zero, como imposto não recuperável e integrante do custo da mercadoria, atuando na redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, impedindo que estes valores sejam considerados no sistema de débito e crédito do IPI para fins de ressarcimento do seu saldo credor; (b) nos termos do art. 2º da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 33/99, que regulamentou o art. 11 da Lei nº 9.779/99, para aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da compra de insumos há obrigatoriedade de registro dos referidos valores como imposto recuperável; (c) sem a reversão do lançamento do IPI como custo de aquisição e a conseqüente readequação dos custos na contabilidade, restabelecendo ao IPI a condição de recuperável, não é possível reconhecer o direito ao ressarcimento pleiteado. (d) por fim, requer seja provido o recurso especial com a reforma integral do acórdão recorrido. Foi dado seguimento ao recurso especial, nos termos do despacho s/nº, de 17/12/2015 (fls. 1.110 a 1.112), proferido pelo Ilustre Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF em exercício à época, por ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional (fls. 1.121 a 1.129), requerendo a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio eletrônico, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10580.004789/200218 Acórdão n.º 9303006.970 CSRFT3 Fl. 1.135 4 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Cingese a controvérsia à possibilidade de ressarcimento de crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) decorrentes da aquisição de insumos matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME) utilizados na fabricação de produtos sujeitos à alíquota zero, tendo tais créditos sido contabilizados como "imposto não recuperável" e, por conseguinte, integrando o custo da mercadoria, dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário para admitir a possibilidade de aproveitamento do crédito de IPI decorrentes da aquisição de insumos empregados na fabricação de produtos sujeitos à alíquota zero, sustentando a sua fundamentação na interpretação pacificada pela COSIT, quanto à inaplicabilidade do art. 166 do Código Tributário Nacional ao caso, na Solução de Consulta Interna nº 22, de 30 de setembro de 2014. Para ilustrar a assertiva, transcrevese trecho do voto, in verbis: [...] O art. 166 do Código Tributário Nacional aplicase apenas aos casos de repetição de indébito, decorrente de pagamento indevido do imposto. Trata se de hipótese que não se confunde com a simples contabilização do crédito como custo de aquisição da mercadoria, medida prevista no art. 13, caput, do DecretoLei n.º 1.598/1977 e no art. 289 do Decreto n.º 3.000/1999, para fins de apuração do Irpj e da Csll: [...] Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10580.004789/200218 Acórdão n.º 9303006.970 CSRFT3 Fl. 1.136 5 Cumpre registrar que, recentemente, a matéria foi objeto da Solução de Consulta Interna COSIT nº 22, de 30 de setembro de 2014, que assim se manifestou: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI UTILIZAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE CRÉDITO DE IPI. CABIMENTO INDEPENDENTEMENTE DE EVENTUAL INFLUÊNCIA NA APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. Eventual influência na apuração do IRPJ e da CSLL causada pela não utilização de crédito de IPI no momento oportuno, não prejudica, observados os prazos de prescrição, o direito à escrituração do crédito do IPI a destempo, bem assim o direito ao ressarcimento ou a compensação do saldo credor, observadas as regras gerais aplicáveis à matéria. Dispositivos Legais: Constituição Federal, art. 153, IV, e § 3º; Lei nº5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 49; Decreto nº7.212, de 15 de junho de 2010, arts. 225, 256 e 257; Parecer Normativo CST nº515, de 1971. Destacase ainda a seguinte passagem da SC nº 22/2014: [...] 14. Cabe ressaltar que é perfeitamente possível, com pleno atendimento ao princípio da não cumulatividade, a utilização extemporânea de créditos de IPI, desde que por valores nominais, podendo tais créditos não escriturados na época própria ser aproveitados em até cinco anos, contados da entrada dos insumos no estabelecimento industrial, acompanhados da respectiva nota fiscal. 15. Importante frisar que a utilização extemporânea de créditos de IPI não se regula pelas regras aplicáveis à restituição dos impostos indiretos (art. 166 do CTN). É que a falta de escrituração do crédito, no momento oportuno, não acarreta pagamento a maior de IPI, já que o saldo a pagar foi o que resultou da escrituração do contribuinte. 16. A não escrituração do crédito de IPI e a eventual influência na apuração do IRPJ e da CSLL em nada limitam a possibilidade da escrituração extemporânea do referido crédito de IPI e a aplicação das regras gerais de ressarcimento e compensação. Não há que se aplicar, neste particular, nem mesmo por analogia, a regra do art. 166 do CTN. 17. Por tudo o que se expôs até aqui, concluise que eventual influência na apuração do IRPJ e da CSLL causada pela não utilização de crédito de IPI no momento oportuno, não prejudica, observados os prazos de prescrição, o direito à escrituração do crédito do IPI a destempo, bem assim o direito ao ressarcimento ou a compensação do saldo credor, observadas as regras gerais aplicáveis à matéria. [...] Assim, sendo inaplicável o art. 166 do Código Tributário Nacional e estando atestada a liquidez e a certeza do direito de crédito, a decisão recorrida deve ser reformada, para que se reconheça o direito ao ressarcimento pleiteado. Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10580.004789/200218 Acórdão n.º 9303006.970 CSRFT3 Fl. 1.137 6 Votase pelo conhecimento e integral provimento do recurso. [...] (grifouse) Portanto, com base na Solução de Consulta Interna COSIT nº 22, de 30 de setembro de 2014, o Colegiado a quo afastou a aplicação do art. 166 do CTN ao caso os autos e reconheceu o direito ao crédito de IPI pleiteado pela Contribuinte. No recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, para comprovar a divergência jurisprudencial, foi indicado como paradigma o acórdão nº 20312.468, prolatado pela outrora Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em julgamento realizado na sessão de 17 de outubro de 2007. O julgado recebeu a seguinte ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. INCLUSÃO DO CRÉDITO BÁSICO NO CUSTO DE AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESSARCIMENTO. A inclusão do imposto pago na aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários no custo de aquisição dos produtos com eles industrializados importa em transferência do encargo financeiro ao terceiro adquirente dos produtos, acarretando em procedimento diverso do estabelecido pelo princípio da nãocumulatividade e, por conseguinte, na impossibilidade de sua inclusão na apuração do ressarcimento previsto no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Recurso negado. Ocorre que tendo sido proferida a citada decisão em data anterior à Solução de Consulta Interna COSIT nº 22, de 30/11/2014, que visou uniformizar a interpretação quanto ao art. 166 do CTN no âmbito da Receita Federal, a mesma não pode ser utilizada como paradigma para reforma do acórdão recorrido. Isso porque diante do enfrentamento de atos normativos distintos ou, até mesmo, pela ausência desse enfrentamento por absoluta impossibilidade, já que a Solução de Consulta ainda não existia, não é possível estabelecerse a necessária divergência jurisprudencial para dar trânsito ao recurso especial. Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10580.004789/200218 Acórdão n.º 9303006.970 CSRFT3 Fl. 1.138 7 No confronto do acórdão recorrido com o acórdão paradigma não há o enfrentamento de casos fáticos semelhantes, sob a ótica da mesma legislação, com uma interpretação divergente. Mas sim há dois acórdãos enfrentando legislações distintas, o que necessariamente levaria a soluções jurídicas distintas, razão pela qual não há a divergência jurisprudencial exigida no art. 67, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, devendo ser negado seguimento ao recurso. Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1138DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.000930/2010-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ATRIBUIÇÃO DO CARGO DE AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL
O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Aplica-se súmula CARF nº 8.
INCONSTITUCIONALIDADE
No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nos casos expressamente previstos.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS - PRESUNÇÃO LEGAL - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA
Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
LUCRO PRESUMIDO - REPRESENTAÇÃO COMERCIAL
Constatado com base no contrato social e confirmado pelas informações da DIPJ que a atividade do contribuinte é a representação comercial - intermediação de negócios, na falta de comprovação documental da atuação da pessoa jurídica em qualquer outra atividade, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do imposto de renda pelas regras do lucro presumido é de 32%.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Constatada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins.
Numero da decisão: 1402-003.215
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, rejeitar a preliminar, e no mérito negar provimento. Ausentes momentaneamente os Conselheiro Sérgio Abelson e Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 ATRIBUIÇÃO DO CARGO DE AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Aplica-se súmula CARF nº 8. INCONSTITUCIONALIDADE No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nos casos expressamente previstos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS - PRESUNÇÃO LEGAL - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO PRESUMIDO - REPRESENTAÇÃO COMERCIAL Constatado com base no contrato social e confirmado pelas informações da DIPJ que a atividade do contribuinte é a representação comercial - intermediação de negócios, na falta de comprovação documental da atuação da pessoa jurídica em qualquer outra atividade, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do imposto de renda pelas regras do lucro presumido é de 32%. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Constatada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ATRIBUIÇÃO DO CARGO DE AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Aplicase súmula CARF nº 8. INCONSTITUCIONALIDADE No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nos casos expressamente previstos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO PRESUMIDO REPRESENTAÇÃO COMERCIAL Constatado com base no contrato social e confirmado pelas informações da DIPJ que a atividade do contribuinte é a representação comercial intermediação de negócios, na falta de comprovação documental da atuação da pessoa jurídica em qualquer outra atividade, o percentual a ser aplicado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 09 30 /2 01 0- 83 Fl. 576DF CARF MF 2 sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do imposto de renda pelas regras do lucro presumido é de 32%. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Constatada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, rejeitar a preliminar, e no mérito negar provimento. Ausentes momentaneamente os Conselheiro Sérgio Abelson e Leonardo Luis Pagano Gonçalves. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10665.000930/201083 Acórdão n.º 1402003.215 S1C4T2 Fl. 577 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, que julgou IMPROCEDENTE, na sua integralidade, a impugnação do contribuinte acima mencionado. Da autuação: O presente processo versa sobre autos de infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, Programa Integração Social PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, e Contribuição para Financiamento Seguridade Social Cofins, referente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2006, acrescidas de multa de ofício e mais os encargos moratórios de atualização. As autuações fiscais envolvem o montante de R$ 4.187.496,70, entre principal, multa e juros corrigidos até junho/2010. Em essência, decorreram de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, o que ensejou o lançamento fiscal, mantido o recorrente na condição do lucro presumido. Abaixo, por bem retratar, transcrevo da decisão a quo, os detalhes que fundamentarem a autuação fiscal: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 02/08 para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), multa de ofício e juros de mora calculados até 31/05/2010, no montante de R$2.279.396,22, relativo a fatos geradores compreendidos no exercício de 2007. Na descrição dos fatos, constam os seguintes registros: 001 – Depósitos bancários de origem não comprovada: valor referente a depósitos e investimentos realizados em instituições financeiras, em que o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em decorrência da omissão de receitas constatada no procedimento fiscal, foram lavrados ainda os autos de infração abaixo especificados, cujos valores indicados representam o montante da contribuição lançada, multa de ofício e juros de mora calculados até 31/05/2010, compreendendo o mesmo período abrangido pelo lançamento do IRPJ: · Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) – R$190.361,68 fls. 09/16; · Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) R$878.593,25 fls. 17/24; Fl. 578DF CARF MF 4 · Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) – R$839.145,64 fls. 25/31. No Termo de Verificação Fiscal (TVF), anexado às fls. 32/43, a autoridade fiscal fez o registro acerca das intimações expedidas com vista à obtenção dos livros contábeis e fiscais, além dos extratos bancários da empresa fiscalizada. Em relação a estes últimos, tendo sido infrutíferas as tentativas empreendidas, foram expedidas as competentes Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF). Após análise dos extratos bancários, o contribuinte, intimado, apresentou alegações, porém não comprovou a origem dos depósitos questionados, ficando caracterizada a omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ressaltou ainda a fiscalização que, uma vez que o contribuinte atuava como prestador de serviços, tendo apresentado a DIPJ 2007 pelo lucro presumido, ficava sujeito ao coeficiente de 32%, conforme disposto no art. 15, § 1o, III, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Ainda no TVF, foram tecidas considerações acerca dos lançamentos reflexos pertinentes à CSLL, ao PIS e à Cofins. Os demais documentos que fundamentaram a exigência fiscal constam das fls. 44/320. Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Cientificado do lançamento em 29/06/2010, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 322/374 em 29/07/2010, cujo conteúdo, em resumo, está explicitado em seguida. I. Da tempestividade II. Sumário dos fatos III. Do enquadramento legal Nesses tópicos, o impugnante ressaltou a tempestividade do contraditório apresentado, tendo em seguida feito uma síntese da autuação e destacado o enquadramento legal da exigência. IV. Do direito IV.1. Das preliminares A – Princípio da legalidade diante da ausência de prova de profissional habilitado. Ressaltando aspectos acerca do princípio da legalidade, argumentou o defendente que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil deixou de trazer ao processo a devida prova documental de sua capacitação técnicolegal como contador habilitado pelo Conselho de Contabilidade do Estado de Minas Gerais – CRC/MG. B – Princípio da não validade da prova ilegítima. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10665.000930/201083 Acórdão n.º 1402003.215 S1C4T2 Fl. 578 5 Arguiu o impugnante a ilegitimidade da prova produzida pela Secretaria da Receita Federal, tendo em vista a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, e do Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, no que diz respeito à possibilidade de quebra de sigilo bancário sem determinação judicial. IV.2 – Do mérito Segundo o impugnante o que a Receita Federal coteja como renda do autuado, e considera como base de tributação para lavratura do respectivo Auto de Infração, na origem, não passa de linha de crédito, que realmente não foi e não deveria ser contabilizada na movimentação da empresa (CNPJ), mesmo porque o crédito foi disponibilizado para pessoa física (representante legal da autuada CPF), e não para a empresa autuada (CNPJ). Notese que a origem, equivocadamente considerada como "receita descoberta", dos recursos se encontra na abertura de linhas de crédito, para pessoa física (representante legal da autuada CPF), provenientes das disponibilidades financeiras de Maria da Glória Fonseca de Oliveira, CPF n° 634.320.48653, e Antônio Eustáquio da Rocha, CPF n° 196.076.28691, no anocalendário de 2006. Esses recursos financeiros ficaram à disposição durante todo o ano. Era exatamente assim que o representante legal da autuada trabalhava, juntamente com a própria autuada. A dinâmica empregada na movimentação financeira diária contemplava certa confusão entre patrimônios, com o patrimônio do representante legal acabando por se confundir, não raras vezes, com o patrimônio da empresa, e, de outro lado, é fato que o representante legal da empresa habitualmente tomava recursos financeiros no mercado (lato sensu), formal e informal, para fazer frente aos compromissos assumidos com a comercialização de sucatas. Essa busca de recursos financeiros no mercado se formalizava por meio de contratos de mútuo, cheques pósdatados dados em garantia de empréstimos, etc. A comercialização de sucatas é um ato jurídicocontratual caracterizado pelo informalismo exacerbado. Não existindo nota fiscal na origem da cadeia comercial, tornase difícil a escrituração da operação mercantil, do ato de comércio, contudo, é certo que a ausência de formalismo não altera a natureza jurídica do ato, ou por outras palavras, o fato de inexistir o documento fiscal inicial, não desconstitui o ato de comércio, a venda e compra, o ato jurídicocontratual. Por conseguinte, reitera o impugnante, o que sempre existiu foi a comercialização de sucatas, a venda e compra, e sempre foi assim, não havendo qualquer espaço para prestação de serviços (representação comercial). Sustentou ainda o defendente que, por intermédio de seu representante legal (sócio), deixou claro que praticava, em realidade, comercialização de sucatas, isto é, comércio de mercadorias, todavia a autuação foi realizada dentro dos critérios formais de constituição da empresa autuada, e não dentro do princípio da primazia da realidade. A formação equivocada da base de tributação, levandose em conta o Lucro Presumido para "Representação Comercial", traz como consequência a aplicação da alíquota de 32%, quando o correto seria considerar a alíquota de 8%, aplicável no Lucro Presumido para a "venda de mercadorias ou produtos", o que efetivamente é o caso em debate. Fl. 580DF CARF MF 6 Em síntese, ainda que se desconsidere, na formação da base de tributação (base de cálculo), os contratos de mútuo, o valor da autuação deveria ser R$1.917.027,84, e não o valor apresentado no Auto de Infração ora atacado. IV.2.A. Da multa (75%) Destacou o impugnante que a fixação de multa no valor de 75% sobre o crédito apurado, ou seja, a quase duplicação do valor, consagra o desrespeito ao princípio da impossibilidade de arrecadação administrativa com efeito confiscatório e, a simples confirmação dessa penalidade, no índice fixado, determinará a arrecadação de receita púbica derivada, de forma confiscatória, logo, ilegítima. Assim, requereu a análise de sua tese e o acolhimento do pedido de diminuição do índice de 75% fixado para multa do Auto de Infração ora impugnado. III. Do pedido Do exposto, em conclusão, o impugnante postulou o seguinte: 1. após a análise das preliminares apresentadas, determinese a nulidade do auto de infração por vício original de forma; 2. uma vez ultrapassadas as preliminares, no mérito, determinese nova base de cálculo, considerandose os contratos de mútuo (anexos); 3. seja considerada a alíquota de venda de mercadorias ou produtos, utilizada no regime de Lucro Presumido, isto é, alíquota de 8%; 4. seja desconsiderada a multa de 75%, aplicandose uma penalidade com índice máximo igual ou inferior a 2%; e 5. por fim, seja julgado insubsistente o auto de infração ora impugnado, em face de toda a fundamentação factual e técnicojurídica apresentada, sem qualquer prejuízo dos agentes da Fazenda Pública realizarem quantas fiscalizações se fizerem necessárias, em defesa do erário. À impugnação foram juntados os seguintes documentos (fls. 339/374): demonstrativos – “Cálculo de Impostos – Ano 2006”; cópia de contratos de mútuo; cópia de peças do processo, instrumento de procuração e cópia do contrato social. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, entendeu negar provimento integral à impugnação do contribuinte, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 ATRIBUIÇÃO DO CARGO DE AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10665.000930/201083 Acórdão n.º 1402003.215 S1C4T2 Fl. 579 7 INCONSTITUCIONALIDADE No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nos casos expressamente previstos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO PRESUMIDO REPRESENTAÇÃO COMERCIAL Constatado com base no contrato social e confirmado pelas informações da DIPJ que a atividade do contribuinte é a representação comercial intermediação de negócios, na falta de comprovação documental da atuação da pessoa jurídica em qualquer outra atividade, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do imposto de renda pelas regras do lucro presumido é de 32%. MULTA DE OFÍCIO Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de tributo, quando constatada a falta de pagamento ou recolhimento, a falta de declaração e declaração inexata. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Constatada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: não há dispositivo na legislação federal que determine que a análise da escrita fiscal deva ser feita por auditorfiscal com formação contábil, evocando a súmula CARF nº8 que reforça tal posição; não cabe a órgão administrativo apreciar constitucionalidade ou não de lei, no que refere ao alegado desta questão quanto à LC nº 105/2001 e o Decreto nº 3.724/2001; quanto à análise documental e base de cálculo por conta de depósitos bancários de origem não comprovada, como alegado pelo contribuinte, com o art. 42 da Lei nº Fl. 582DF CARF MF 8 9.430/1996 há uma inversão do ônus da prova, cabendo o sujeito passivo demonstrar que os valores a crédito na sua contacorrente e investimentos não são receitas. No caso concreto, a autoridade fiscal procedeu dentro dos ditames legais, intimandoo a comprovar durante o procedimento fiscal os valores creditados, o que a recorrente não o fez. Na sua peça impugnatória traz elementos referente a contratos de mútuo para seu representante legal, no ano de 2006, o que não permitiu associálos a nenhum depósito, e nem foram contabilizados. O fato da recorrente declarar que é informal sua atividade e haver confusão patrimonial com seu representante legal só atesta sua incapacidade de comprovar a origem dos depósitos, tentando fazêlo de forma genérica e sem vinculação com os valores; quanto ao coeficiente aplicado pela autoridade fiscal de 32% para sua atividade, e o contribuinte diz se tratar de compra e venda de sucata, e deveria ter aplicado 8%, não restou comprovado tal situação pelo contribuinte, enquanto a autoridade fiscal se baseou justamente em elementos da contribuinte, quais sejam a atividade no seu contrato social e as informações prestadas em DIPJ, na qual o contribuinte informou receitas no percentual de 16%, destinada às empresas que atuam exclusivamente na prestação de serviços. No caso, ao exceder os R$ 120.000,00 anual, aplicouse o percentual de 32%. Evocase também o art. 845, II do RIR/1999; sobre a multa de ofício de 75% aplicada, foi no cumprimento da norma legal. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 11/02/2011, a recorrente apresentou recurso voluntário em 10/03/2011. Na sua peça recursal, praticamente repisa os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória, quais sejam, em apertada síntese: falta de prova de profissional habilitado atuando como auditorfiscal da receita federal; inconstitucionalidade da LC 105/2001 e do Decreto nº 3.724/2001; os depósitos bancários usados como base de cálculo são na realidade linha de crédito, sendo disponibilizado para a representante legal da recorrente; a atividade da recorrente é de compra e revenda de sucata, e como opera na informalidade, não tem como demonstrar isso, mas seria algo normal neste típico de mercado; a multa de 75% é indevido; seu pedido foi nos seguintes termos: De todo o exposto, em conclusão, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, REQUER a Recorrente que: 1. Após a análise das preliminares apresentadas, determinese a nulidade do respectivo auto de infração por VÍCIO DE FORMA NA ORIGEM; Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10665.000930/201083 Acórdão n.º 1402003.215 S1C4T2 Fl. 580 9 2. Uma vez ultrapassadas as preliminares, no mérito, determine se nova base de cálculo, considerandose os contratos de mútuo (anexos); 3. Seja considerada a alíquota de venda de mercadorias ou produtos, utilizada no regime de Lucro Presumido, isto é, alíquota de 8% (oito por cento); 4. Seja desconsiderada a multa de 75%, aplicandose uma penalidade com índice máximo igual ou inferior a 2% (dois por cento); e 3. Por fim, seja julgado insubsistente o auto de infração ora atacado, cancelandose o débito fiscal reclamado, em face de toda a fundamentação factual e técnicojurídica apresentada, sem qualquer prejuízo dos agentes da Fazenda Pública realizarem quantas fiscalizações se fizerem necessárias, em defesa do erário. É o relatório. Fl. 584DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O recurso voluntário, apresentado foi tempestivo, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço, ressalvando a matéria de inconstitucionalidade alegada, conforme abaixo descrito. Da síntese dos fatos: O presente processo versa sobre autos de infração de receitas omitidas, decorrentes de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, referente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2006, com multa de ofício simples. As receitas omitidas identificadas foram autuadas sobre a recorrente, mantida sua opção pelo lucro presumido, aplicandose o coeficiente de 32%, já que atuava como prestador de serviços. No transcorrer da procedimento fiscal foi intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários, e respondeu apenas com alegações, sem nada comprovar. A base tributável de depósitos bancários caracterizados como receitas omitidas foi de R$ 13.529.917,56. Na peça impugnatória questiona a falta da prova de profissional habilitado do AuditorFiscal da Receita Federal. Arguiu inconstitucionalidade da LC 105/2001 e do Decreto nº 3.724/2001, no que diz respeito à possibilidade de quebra do sigilo bancário. Que parte dos valores lançados (R$ 300.000,00) seriam linhas de créditos disponibilizado para o representante legal da recorrente, e também haveria confusão patrimonial entre a pessoa jurídica e física do seu sócio. O que sempre houve foi a comercialização de sucatas na sua atividade, com compra e venda, e não a prestação de serviços como aduzido nos autos de infração, quando o coeficiente correto de presunção seria de 8%. Ataca a multa aplicada como confiscatória. A instância a quo decidiu em negar provimento integral à peça impugnatória, entendendo que o auditorfiscal é competente para exame da escrita fiscal e questões de inconstitucionalidade são vedadas de apreciação na esfera administrativa. No mérito, confirmou a omissão de receita autuada, pois os contratos de mútuo não podiam ser relacionados com nenhum valor dos depósitos autuados, e sobre os demais depósitos ocorreram alegações genéricas sem nenhuma prova. A atividade de representação comercial foi mantida, pois assim estava no contrato social e na DIPJ informada, e não foi apresentada nenhuma comprovação do contrário pela recorrente. Na peça recursal repisa os mesmos argumentos da sua peça impugnatória, sem nada de novo trazendo. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10665.000930/201083 Acórdão n.º 1402003.215 S1C4T2 Fl. 581 11 Das questões suscitadas na peça recursal Preliminares das nulidades invocadas na peça recursal Na sua peça recursal, da mesma forma que na sua peça impugnatória, alega a recorrente que não há comprovação da habilitação como contador do auditorfiscal da receita federal que efetuou o procedimento fiscal. Tal matéria há muito está superada no âmbito deste CARF, já tendo sido sumulada: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Neste caso, os autos de infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício pleno de suas funções, não se falando na necessidade evocada pela recorrente de ser habilitado como contador. No que tange a outra preliminar, da inconstitucionalidade da caracterização de depósitos bancários, envolve questão de conhecimento, e será abordado ao final deste voto. Para tanto, REJEITO A PRELIMINAR de nulidade suscitada. alegação que há depósitos que são linhas de crédito Alega a recorrente que a base de tributação utilizado no auto de infração se refere a linha de crédito disponibilizado ao longo do ano para o representante legal da recorrente, na pessoa física, proveniente de empréstimos contraídos no anocalendário de 2006. Nas suas palavras: EM SUMA, O QUE A RECEITA FEDERAL COTEJA COMO RENDA DA AUTUADA, E CONSIDERA COMO BASE DE TRIBUTAÇÃO PARA LAVRATURA DO RESPECTIVO AUTO DE INFRAÇÃO, NA ORIGEM, NÃO PASSA DE LINHA DE CRÉDITO, QUE REALMENTE NÃO FOI E NÃO DEVERIA SER CONTABILIZADA NA MOVIMENTAÇÃO DA EMPRESA (CNPJ), mesmo porque o crédito foi disponibilizado para pessoa física (representante legal da autuada CPF), e não para a empresa autuada (CNPJ). Notese que a origem, equivocadamente considerada como "receita descoberta", dos recursos se encontra na abertura de linhas de crédito, para pessoa física (representante legal da autuada CPF), provenientes das disponibilidades financeiras de Maria da Glória Fonseca de Oliveira, CPF n° 634.320.486 53, e Antônio Eustáquio da Rocha, CPF n° 196.076.28691, no ano calendário de 2O06. Esses recursos financeiros ficaram à disposição durante todo o ano. Era exatamente assim que o Fl. 586DF CARF MF 12 representante legal da autuada trabalhava, juntamente com a própria autuada (pessoa jurídica). A seguir, continua alegando sua atividade é caracterizada pelo informalismo extremo, notoriamente conhecido no Brasil. A decisão a quo decidiu negando as alegações acima, no seguinte sentido: Agora na impugnação, o contribuinte anexou aos autos cópia de contratos de mútuo firmados com a empresa autuada, representativos da abertura de linhas de crédito para pessoa física (representante legal da autuada CPF), provenientes das disponibilidades financeiras de Maria da Glória Fonseca de Oliveira e Antônio Eustáquio da Rocha, no anocalendário de 2006. Os contratos de mútuo, da forma como foram apresentados, isoladamente, sem nenhuma conexão com os diversos depósitos, efetuados em diferentes datas, não se prestam a comprovar a origem dos valores depositados. Notese também que sequer houve a contabilização dessas operações firmadas com base nos contratos de mútuo, com o registro das entradas de numerário e das saídas correspondentes. Em verdade, a alegação do contribuinte no sentido de evidenciar a informalidade de seus negócios e até mesmo a confusão do patrimônio da empresa e do representante legal somente vêm atestar a sua incapacidade de comprovar efetivamente a origem dos depósitos questionados no lançamento, conforme se evidencia pelo seguinte trecho extraído da impugnação apresentada: Ou seja, no entender do voto condutor da decisão de piso, a autoridade fiscal procedeu dentro dos ditames legais, intimandoo a comprovar durante o procedimento fiscal os valores creditados, o que a recorrente não o fez. Compulsando os autos, verificase que a recorrente alegou a existência destes contratos de mútuo durante o procedimento, mas nada apresentou. Na sua peça impugnatória traz cópia destes contratos de mútuo (efls. 496 a 501), e são dois, um de R$ 100.000,00 e outro de R$ 200.000,00. Contudo, verificase que as cópias estão autenticadas como fiéis à original na mesma data que foi apresentada a impugnação, ou seja, dia 29/07/2010. Consabido que um contrato de mútuo não precisa estar registrado ou ter maiores formalidades, mas deve haver outros elementos comprobatórios da sua existência, como demonstração dos valores envolvidos, transferências bancárias, etc, o que não há no presente caso. Isto por si, já coloca em dúvida a validade existencial destes contratos. Ademais, como bem ressaltado pela autoridade julgadora a quo, mesmo com os contratos de mútuo, não há condições de associálos a nenhum depósito, e nem foram contabilizados. O fato da recorrente declarar que é informal sua atividade e haver confusão patrimonial com seu representante legal só atesta sua incapacidade de comprovar a origem dos Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10665.000930/201083 Acórdão n.º 1402003.215 S1C4T2 Fl. 582 13 depósitos, tentando fazêlo de forma genérica e sem vinculação com os valores, o que se sabe descabido perante a normatividade contida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. O art.. 42 da Lei nº 9.430/19961, no sentido de se caracterizar como omissão de receitas os valores creditados em conta corrente que não seja comprovada sua origem, mediante documentação hábil e idônea, e no seu §3º que os créditos devem ser analisados individualizadamente. Envolve questão de inversão do ônus da prova, que cabia a recorrente, o que não conseguiu provar no presente caso. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. alegação de que sua atividade é de compra e venda Alega a recorrente que sua atividade é de compra e venda, e como opera na informalidade, não teria como demonstrar isso, mas seria algo normal neste tipo de mercado. A autoridade fiscal entendeu que a recorrente atua como prestadora de serviços, conforme a atividade constante no seu contrato social, e conforme informações prestadas na própria DIPJ, em que informa receitas na atividade de prestadora de serviço (16% para empresas com faturamento abaixo de R$ 120.000,00 anuais), e nada na atividade de compra e venda (coeficiente de 8%). A decisão a quo entendeu que não restou comprovada pela recorrente seus argumentos, e manteve a aplicação do coeficiente de 32%, ou seja, atividade da recorrente como prestadora de serviços. Compulsando os autos, verificase como procedente o posicionamento da autoridade fiscal autuadora, pois há nítidos elementos declarados pela própria recorrente, , previamente ao procedimento fiscal, que era prestadora de serviços, vindo a apurar lucro do que declarou justamente no coeficiente maior, de prestadora de serviços. O voto condutor é bem nítido nesta análise, nos seguintes termos: É importante notar ainda que na própria DIPJ 2007, na Ficha 14A – Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido, em todos os trimestres do anocalendário de 2006, o contribuinte fez constar “0,00” relativamente à Linha 02 – Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 8%, tendo indicado valores de receita exclusivamente na Linha 03 – Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 16%, destinada às empresas que atuam exclusivamente na prestação de serviços em geral, conforme consta das instruções de preenchimento da DIPJ 2007 abaixo reproduzidas:(...) 1 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 588DF CARF MF 14 Ou seja, se a atividade da recorrente fosse compra e venda, já na sua DIPJ entregue espontaneamente, regularmente e antes do procedimento fiscal, estaria se valendo do percentual a tal situação, mas não foi o que aconteceu. Por que razão então estaria pagando tributos mais que o devido? De qualquer forma, não houve nenhuma prova apresentada contestando esta situação encontrada pela autoridade fiscal autuadora, e mantida pela decisão de primeiro grau administrativo. Desta feita, entendo adequado o posicionamento adotado na autuação fiscal e mantido na decisão a quo. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO a este item do recurso voluntário. alegação da multa de 75% seria confiscatória e a inconstitucionalidade da LC 105/2001 e o Decreto 3724/2001 Na sua peça recursal, alega a recorrente que a multa de 75% aplicada seria um desrespeito ao princípio da impossibilidade de arrecadação administrativa com efeito confiscatório. Igualmente alega nas preliminares, que a LC 105/2001 e o Decreto 3.724/2001, que a regulamente, seriam inconstitucionais. Nesta linha de defesa, exclusivamente adotada na sua peça recursal, compreendo que se afasta das possibilidades de manifestação deste colegiado. Em verdade, há vedação expressa no art. 26A do Decreto 70.235/1972 que se adentre ao mérito de validade constitucional de normas legais no âmbito da do processo administrativo fiscal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Para tanto foi editada a Súmula CARF nº 2, a qual tão somente vem a espelhar o monopólio do Poder Jurisdicional sobre a temática: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, NÃO CONHEÇO destas matérias do recurso voluntário. Conclusão: Voto por conhecer parcialmente o recurso voluntário, rejeitar a preliminar, e no mérito NEGAR PROVIMENTO integral ao recurso voluntário. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10665.000930/201083 Acórdão n.º 1402003.215 S1C4T2 Fl. 583 15 (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 590DF CARF MF
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Numero do processo: 35464.004931/2006-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2006
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ACESSÓRIAS. CONTAGEM DE PRAZO.
A contagem do prazo decadencial para o lançamento de obrigações previdenciárias acessórias rege-se pelo inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional.
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP.
Tendo as questões relacionadas à incidência do tributo sido decididas nos lançamentos das obrigações principais, o Auto de Infração relacionado a omissão de fatos geradores em GFIP segue a mesma sorte.
MULTA. PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE.
Aplica-se ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa conforme dispõe a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4/12/09.
Numero da decisão: 2401-005.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir do cálculo da multa, nas competências a partir de 12/2000, os fatos geradores relacionados: a) ao abono único, nas competências 01/02 e 07/04; b) ao auxílio-creche, em todas as competências; e c) ao vale transporte, em todas as competências; e para que a multa seja recalculada aplicando-se o disposto da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14/09. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial em maior extensão para que a multa fosse calculada nos termos do art. 32-A da Lei 8.212/91. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente)
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir do cálculo da multa, nas competências a partir de 12/2000, os fatos geradores relacionados: a) ao abono único, nas competências 01/02 e 07/04; b) ao auxílio-creche, em todas as competências; e c) ao vale transporte, em todas as competências; e para que a multa seja recalculada aplicando-se o disposto da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14/09. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial em maior extensão para que a multa fosse calculada nos termos do art. 32-A da Lei 8.212/91. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente)
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Recorrentes BANCO SANTANDER BRASIL S.A. e FAZENDA NACIONAL BANCO SANTANDER BRASIL S.A. e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2006 DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ACESSÓRIAS. CONTAGEM DE PRAZO. A contagem do prazo decadencial para o lançamento de obrigações previdenciárias acessórias regese pelo inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. Tendo as questões relacionadas à incidência do tributo sido decididas nos lançamentos das obrigações principais, o Auto de Infração relacionado a omissão de fatos geradores em GFIP segue a mesma sorte. MULTA. PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplicase ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa conforme dispõe a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4/12/09. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir do cálculo da multa, nas competências a partir de 12/2000, os fatos geradores relacionados: a) ao abono único, nas competências 01/02 e 07/04; b) ao auxíliocreche, em todas as competências; e c) ao vale transporte, em todas as competências; e para que a multa seja recalculada aplicandose o disposto da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14/09. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 49 31 /2 00 6- 16 Fl. 568DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 496 2 Santana Ferreira e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial em maior extensão para que a multa fosse calculada nos termos do art. 32A da Lei 8.212/91. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente) Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória (fl. 4), lavrado sob o n. DEBCAD 37.058.4074, em desfavor do Recorrente, originado em virtude do descumprimento do artigo 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, no valor de R$ 4.332.777,75 (quatro milhões, trezentos e trinta e dois mil, setecentos e setenta e sete reais e setenta e cinco centavos). De acordo com a Fiscalização, o Banco Autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, no período de 01/1999 a 02/2006. Consta do Relatório Fiscal (fls. 55/56) o que segue: “Em ação fiscal na empresa, constatouse que a mesma elaborou e apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no artigo 32, IV, § 5º da Lei n° 8.212/91. A empresa deixou de declarar valores pagos a segurados empregados e/ou segurados contribuintes individuais, conforme discriminado por rubrica e por competência em planilha anexa a este Auto de Infração, denominada: ANEXO I SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO NÃO DECLARADO. Os valores foram apurados através da análise dos seguintes documentos: Fl. 569DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 497 3 1. Lançamentos Contábeis, para as rubricas Bônus, Bônus Autos, Bônus PA (08/2001 a 12/2001), Abono de Permanência, SPR (01/2000 a 03/2002); 2. Resumo Totalizador da Folha de Pagamento, para as rubricas Vale Transporte (08/2004 a 02/2006) e PLR (02/2006); 3. Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ, para a rubrica PLR (03/1999 a 03/2005); 4. Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, para a rubrica Autônomos; Balancetes Contábeis Semestrais, para as rubricas Abono Único, Auxílio Creche, Ajuda de Custo, Bônus Desempenho, Bônus Garantido, Bônus PA (01/2000 a 12/2000), Incentivo Desempenho, Prêmio Especial, Prêmios, Santander de Negócios, Segurança Particular, SPR (01/1999 a 06/1999), Seguro de Vida e Vale Transporte (01/1999 a 07/2004); 6. Relação de Pagamentos, para as rubricas CSU CardSystem, Incentive House, MarketSystem e Mark Up; Com exceção da rubrica "Autônomos" para a qual foi apresentada a DIRF, sendo possível a individualização dos segurados não foram apresentadas as folhas de pagamento analíticas e/ou relações de segurados que receberam os valores mencionados acima, não se podendo individualizar esses valores em cada competência. Em função disso, foram lavrados contra o contribuinte os Autos de Infração n°. 37.058.4058 e n°. 37.058.4066. Constam nos sistemas Autos de Infração lavrados anteriormente contra o contribuinte, caracterizandose, assim, a sua reincidência. Encontrase em anexo à ia via deste Auto de Infração, por amostragem, a relação de pessoas físicas obtida a partir das DIRF's apresentadas à fiscalização pelo contribuinte, bem como cópia do Mandado de Procedimento Fiscal, cópias dos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos datados de 08/03/2006 e 20/09/2006 e Termo de Verificação de Antecedentes de Infração. Conforme disposto no artigo 284, II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, e no artigo 32, IV, § 5º da Lei n° 8.212/91, a multa a ser aplicada corresponde a 100 % (cem por cento) do valor da contribuição previdenciária devida não declarada, limitada aos valores constantes da tabela prevista no artigo 32, IV, § 4º da Lei n° 8.212/91, e na Portaria MPS n° 342, de 16/08/2006, em função do número total de segurados a serviço da empresa, conforme se verifica nos anexos do presente relatório fiscal, denominados: "ANEXO II – VALOR DEVIDO NÃO DECLARADO POR RUBRICA E COMPETÊNCIA" e "ANEXO III CÁLCULO DO VALOR TOTAL DA MULTA APLICADA". Fl. 570DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 498 4 A coluna "n° Segurados" constante do mencionado Anexo III apresenta o número total de segurados a serviço da empresa, obtido pela soma, mês a mês, dos segurados declarados pelo contribuinte na GFIP e dos autônomos declarados pelo contribuinte na DIRF. O valor devido não declarado foi obtido pela aplicação das seguintes alíquotas sobre os respectivos saláriosde contribuição: empresa: 22,5%, segurados: 8%, GILRAT: 1%. Essas alíquotas foram utilizadas em todas as rubricas, exceto: Ajuda de Custo, onde foram utilizadas as seguintes alíquotas: empresa: 17,5% (01/1999 a 02/2000) e 22,5% (03/2000 em diante); segurados: 11% a partir de 04/2003 aplicados sobre o total da remuneração mensal; e; Autônomos, onde foram utilizadas as seguintes alíquotas: empresa: 17,5% (01/1999 a 02/2000) e 22,5% (03/2000 em diante); segurados: 11% a partir de 04/2003, aplicados individualmente sobre a remuneração de cada contribuinte individual, observado o limite máximo mensal. A partir do exposto, o valor total da multa a ser aplicada no presente Auto de Infração é de R$ 4.332.777,75 (Quatro milhões e trezentos e trinta e dois mil e setecentos e setenta e sete reais e setenta e cinco centavos).” Importante destacar que a lavratura do AI deuse em 11/12/2006, tendo a cientificação do sujeito passivo ocorrido no dia 12/12/2006, conforme certificado às fls. 166. Inconformado, o sujeito passivo apresentou impugnação (fls. 115/120), onde argui ser indevida a multa, por considerar que as verbas as quais foi o Recorrente autuado não constituem fato gerador de contribuições previdenciárias. Sendo improcedente o AI de Obrigação Principal, por decorrência improcedente é o de obrigação acessória. O processo foi baixado em diligência (fls. 171/173), tendo o Auditor se manifestado (fls. 182/184), esclarecendo que embora o Banco Autuado tenha ingressado em juízo para questionar a verba abono único, a multa imposta no presente Auto de Infração encontrase consubstanciada em diversos outros fatos geradores, todos descritos no AI 35.058.4074. Devidamente cientificado, o recorrente apresentou nova impugnação (fls. 186/190), esclarecendo a correlação do presente AI, com cada uma das NFLD lavradas durante o mesmo procedimento. Confirase: “7. Diante disso, a D. Autoridade Fiscal, entendendo que o posicionamento adotado pela Requerente colidia com o ordenamento jurídico existente, procedeu ao lançamento das NFLDs abaixo relacionadas visando à exigência de contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados pela Requerente: 37.043.5869 ABONO SALARIAL ÚNICO 37.043.5877 ABONO SALARIAL ÚNICO Fl. 571DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 499 5 37.043.5885 AUXÍLIO CRECHE 37.043.5893 AUXÍLIO CRECHE 37.043.5907 AJUDA DE CUSTO DIRETORES EXPATRIADOS 37.043.5915 BÔNUS 37.043.5923 BÔNUS 37.043.5931 – BÔNUS 37.043.5940 – BÔNUS 37.043.5958 – PRÊMIOS 37.043.5966 ABONO PERMANÊNCIA/LUVAS 37.043.5974 – PRÊMIOS 37.043.5982 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS 37.043.5990 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS 37.043.6008 AUXÍLIO SEGURANÇA PARTICULAR 37.043.6016 – BÔNUS 37.043.6024 SEGURO DE VIDA 37.043.6032 SEGURO DE VIDA 37.043.6040 VALE TRANSPORTE 37.043.6059 VALE TRANSPORTE 37.058.4031 – DIFERENÇA ENTRE VALORES DECLARADOS NAS DIFRS E OS VALORES RECOLHIDOS. 8. Desta feita, o fato gerador da presente autuação é obrigação acessória (multa), derivada de obrigações principais (não inclusão de pagamentos efetuados acima especificados na asei de cálculo da contribuição previdenciária) que, por sua vez, foram lançadas de ofício nas Notificações Fiscais de Lançamento de débito acima relacionadas.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1623.725 da 13ª Turma da DRJ/SP1, às fls. 233/249, julgando procedente em parte a Impugnação apresentada, mantendose em parte o crédito tributário exigido. Recordese: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESS6RIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2006 OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 500 6 Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF. OCORRÊNCIA PARCIAL. A exigibilidade das obrigações acessórias decorre do interesse da fiscalização, razão pela qual, em face da inconstitucionalidade do artigo 45, da Lei n° 8.212/91, declarada pela Súmula Vinculante STF n° 08, aplicase às mesmas o disposto no Código Tributário Nacional. PREJUDICIALIDADE COM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Constatada a conexão existente entre Auto de Infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória de declarar fato gerador de contribuição previdenciária em GFIP e Notificação Fiscal de Lançamento de Débito contendo as contribuições previdenciárias incidentes sobre os mesmos fatos geradores, aquele deverá ser julgado nos termos do julgamento deste, nos limites do que lhe for correlacionado. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração. As matérias que deixaram de ser, expressamente, questionadas na Impugnação não serão objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. ALTERAÇÃO NOS CÁLCULOS E LIMITES DA MULTA. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS BENÉFICA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, "c", do CTN). INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ENDEREÇO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. O Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, determina que as intimações sejam feitas por via postal ou por qualquer outro meio com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 501 7 Inexistindo previsão legal para intimação em endereço diverso, indeferese o pedido de endereçamento de intimações ao escritório dos procuradores. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 267/283, resumidamente, com as seguintes argumentações: (i) A decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, § 4º do CTN; (ii) Deve ser excluída a multa para as NFLD declaradas improcedentes; (iii) A multa imposta encontrase revogada, uma vez que fixada nos moldes do § 5, do art. 32, da lei 8212/91, sendo substituído pela multa aplicada nos moldes do art. 32 A da lei 8212/91; (iv) Considerando que a obrigação acessória segue a principal, e que a maior parte das NFLD que descrevem os fatos geradores que ensejaram aplicação de multa, foram julgadas improcedentes ou excluídos fatos pelo alcance da decadência quinquenal, nula por decorrência deve ser declarada a obrigação acessória. Em seguida, o Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte foi apreciado por esta 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a qual manifestouse através da Resolução nº 2401000.318 (fls. 442/449) e converteu o julgamento em diligência da seguinte forma: “[...] Apesar de terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo pertinente destacar que não se identificou decisão final em relação as NFLD acima listadas em negrito, quais sejam: 37.043.594.0 – BÔNUS 37.043.5958 – PRÊMIOS 37.043.6008 – AUXÍLIO SEGURANÇA PARTICULAR 37.043.601.6 – BÔNUS 37.043.6032 – SEGURO DE VIDA Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível a análise tendo por base o resultado de todas as NFLD correlatas. Dessa forma, entendo deva o processo ser baixado em diligência para que a DRFB elabore um demonstrativo detalhado, indicando o resultado final (julgamento) de cada uma das NFLD correlatas (identificando todas as NFLD). Esses dados mostram se fundamentais, considerando que as NFLD são julgadas em Fl. 574DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 502 8 Câmaras de Julgamento distintas, por diversos conselheiros, e identificadas no sistema por número de processo e não por DEBCAD, o que dificulta a identificação do andamento. Observo, por fim, que caso alguma NFLD ainda esteja pendente de julgamento, este autodeinfração deve ficar sobrestado aguardando o julgamento final de todas as NFLD conexa(s). Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação.” Realizada a diligência determinada (fls. 550/551), possível se perceber que: No tocante as NFLDs 37.043.5940, 37.043.6008, houve adesão aos benefícios da Lei 11.941/2009, por parte do contribuinte; No tocante a NFLD 37.043.5958, houve provimento parcial do recurso voluntário, estando o processo no CARF para julgamento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, com contrarrazões do contribuinte; No tocante a NFLD 37.043.6016, o processo se encontra no arquivo digital, baixado por liquidação; e. No tocante a NFLD 37.043.6032, o processo também se encontra baixado, estando, atualmente, no arquivo. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 01/02/2010, conforme AR à fl. 266, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 02/03/2010 (fls. 267/283), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO, já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO RECURSO VOLUNTÁRIO 2.1 Da preliminar de decadência A Recorrente alega em sede de Recurso Voluntário que operouse a decadência do direito do Fisco em exigir a multa pela não declaração de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias apuradas no período de janeiro de 1999 a novembro de 2001, vez que o AI foi cientificado á Recorrente no dia 11/12/2006. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 503 9 Aduz, ademais, que ao contrário do entendimento da Autoridade Julgadora, devese aplicar ao caso o artigo 150, §4º do CTN e não o artigo 173, I, do mesmo diploma, posto que os eventos declarados em GFIP decairiam a partir da ocorrência de seus fatos geradores. Todavia, razão não assiste à Recorrente. É fato que quando da lavratura do referido AI (11/12/2006), encontravamse em vigor os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91. Todavia, o Supremo Tribunal Federal, em entendimento exarado por intermédio da Súmula Vinculante nº 8, no julgamento realizado na data de 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Súmula Vinculante nº 8 – “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nesse diapasão, em obediência ao estatuído no artigo 103A da CF/88 (incluído pela Emenda Constitucional nº 45 de 2004), a observância da Súmula Vinculante nº 8 é obrigatória, tanto pelos órgãos do Poder Judiciário, quanto pela Administração Pública, devendo este colegiado aplicála de imediato, a saber: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo, inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O Instituto da decadência no Direito Tributário, encontrase regulamentado nos artigos 150 e 173, ambos do Código Tributário Nacional CTN. Recordese: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) §4ª Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 576DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 504 10 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” (grifei). No caso sub examine, operase a incidência das disposições constantes do inciso I do mencionado artigo 173 do Código Tributário Nacional. Isso porque, por se tratar de obrigações acessórias, não se pode falar em lançamento por homologação. Não obstante, válido ressaltar que o lançamento por homologação, que possui como pressuposto básico a antecipação do pagamento da obrigação surgida com a ocorrência do fato gerador, impõe à Fazenda a obrigação de se pronunciar em 5 anos a contar da ocorrência daquele fato gerador, sob pena de se considerar homologado e extinto o crédito. Porém, o que se homologa é o pagamento. Assim, quando o Contribuinte nada recolhe ou recolhe de forma incompatível com a situação fática vivida, não se pode falar em “homologação fática”, inclusive no caso de obrigação acessória. Diante desse cenário, devese ater à questão referente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência de dezembro de cada ano calendário. Relativo ao período de apuraçãor (12/2000 a 11/2001 a partir ), o lançamento foi efetuado em 11/12/2006. Portanto, considerando o prazo de 5 anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, CTN), não há que se falar em decadência. Mantendo assim incólume a decisão da instância a quo, que aplicou com o art 173, I. 2.2 DO MÉRITO 2.2.1 Da necessidade da exclusão da penalidade fixada. Tratamento da Obrigação Acessória Principal decorrente de Obrigação Principal Embora se entenda desejável que o Auto de Infração por não declaração de fatos geradores em GFIP tramite em conjunto (apenso) com os Processos Administrativos Fiscais correlatos, ou seja, aqueles que tratem das obrigações principais respectivas, não existe qualquer prejuízo ao contribuinte quando a autuação por descumprimento da obrigação acessória é julgada após conhecidas as decisões concernentes ao lançamento do tributo, como é o caso destes autos. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 505 11 Nesse sentido, inclusive no caso dos autos, é determinante que sejam conhecidas as decisões relativas às obrigações principais, posto que tal situação refletirá diretamente no auto de obrigação acessória. É dizer, caso a decisão de mérito do PAF (obrigação principal) relacionado ao tributo seja por reconhecer a inocorrência total ou parcial dos fatos geradores lançados, não poderá subsistir a autuação por ter deixado o contribuinte de incluir na declaração tais fatos geradores (obrigação acessória). Nesse ponto, a jurisprudência deste CARF é no viés de ser justificável, no julgamento da obrigação acessória, que se aprecie tão somente o desfecho do julgamento da autuação que analisou a obrigação principal, haja vista a conexão existente entre os fatos que justificaram ambos os lançamentos. Vejase aresto sobre a questão: “ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 AIOP CORRELATOS. A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores.” Portanto, todas as questões trazidas ao presente auto relacionada diretamente com as obrigações principais não serão apreciadas no presente voto, tendo em vista que já o foram por ocasião da análise das NFLD’s que tratam das respectivas obrigações principais. 37.043.5869 ABONO SALARIAL ÚNICO Decisão Administrativa definitiva (CARF) — Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação às competências 09/2002, 10/2003, 01/2005 e 10/2005, por concomitância com ação judicial. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência quanto à competência 11/2001 e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação as contribuições previdenciárias e de terceiros sobre os valores pagos à título de abono único nos meses de 01/2002 e 07/2004. 37.043.5877 ABONO SALARIAL ÚNICO Decisão Administrativa definitiva (CARF) — Por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.5885– AUXÍLIO CRECHE Decisão Administrativa definitiva (CARF) — Por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.5893 AUXÍLIO CRECHE Decisão Administrativa definitiva (CARF) — Por unanimidade de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2000, e, por maioria de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2001, e, no mérito, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.5907 AJUDA DE CUSTO DIRETORES EXPATRIADOS Decisão Administrativa definitiva (CARF) — Por unanimidade de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2000, e, por maioria de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2001, e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.5915 BÔNUS Decisão Administrativa definitiva (CARF) —Por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 506 12 37.043.5923 BÔNUS Decisão Administrativa definitiva (CARF) —Por unanimidade de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2000, e, por maioria de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2001, e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.5931 – BÔNUS. Decisão Administrativa definitiva (CARF) —Por unanimidade de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2000, e, por maioria de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2001, e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.5940 – BÔNUS Decisão Administrativa definitiva (CARF)—Por maioria dos votos, cancelar a exigência até 11/2001, e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao rec. Voluntário. Houve desistência parcial de recurso p/ adesão aos benefícios da 11.941/2009. 37.043.5958 – PRÊMIOS Decisão Administrativa definitiva (CARF)—Por unanimidade de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2000 e 13/2000, e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao rec. voluntário. 37.043.5966 – ABONO PERMANÊNCIA/LUVAS Decisão Administrativa definitiva (CARF)—Por unanimidade de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2000, e, por maioria de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2001, e, no mérito, por unanimidade , negar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.5974 – PRÊMIOS Decisão Administrativa definitiva (CARF)—Por unanimidade de votos, dar provimento o Recurso Voluntário. 37.043.5982 – PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Decisão Administrativa definitiva (ÇARF) or unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.5990 – PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Decisão Administrativa definitiva (CARF) Por unanimidade de votos, cancelar a exigência das competências de 03/99 e 03/00, e, por maioria de votos, cancelar a exigência da competência de 03/01, e, no mérito, por maioria, negar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.6008– AUXÍLIO SEGURANÇA PARTICULAR Decisão Administrativa definitiva (CARF) Por unanimidade de votos, negar provimento ao rec. voluntário Incluído no parcelamento da 11.941/2009. 37.043.601.6 – BÔNUS Decisão Administrativa definitiva (CARF) Por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para anular o Acórdão 240100.558, passando o julgamento a ser: conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, excluir do lançamento as contribuições até 11/2001. Processo baixado por liquidação. 37.043.602.4 – SEGURO DE VIDA Decisão Administrativa definitiva (CARF) — Por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.6032– SEGURO DE VIDA Decisão Administrativa definitiva (CARF) Por unanimidade de votos, dar provimento ao rec. voluntário. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 507 13 37.043.6040 – VALE TRANSPORTE Decisão Administrativa definitiva (CARF). Por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.605.9 – VALE TRANSPORTE Decisão Administrativa definitiva (CARF)— Por unanimidade de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2000, e, por maioria de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2001, e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 37.058.4031– DIFERENÇA ENTRE VALORES DECLARADOS NAS DIFRS E OS VALORES RECOLHIDOS Decisão Administrativa definitiva (CARF) — Por unanimidade de votos, cancelar a exigência até a competência de 1112000, e, por maioria de votos, cancelar a exigência até a competência de 1112001, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assim, vêse que os processos que envolvem competências até 12/98 foram completamente extintos pela decadência e os fatos geradores a eles relacionados também foram excluídos pela DRJ, por decadência. Para os demais processos que contemplam o período a partir de 01/99, foram extintos pela decadência os fatos geradores a eles relacionados até a competência 11/2000. Para o período não decadente, de 12/2000 a 11/2001, quanto ao mérito, vê se que em quase todos os processos foi negado provimento ao recurso voluntário. Deuse provimento parcial ao recurso voluntário no processo 37.043.5869 ABONO SALARIAL ÚNICO para excluir da tributação as contribuições nos meses de 01/2002 e 07/2004. Deuse provimento ao recurso voluntário no processo 37.043.5893 AUXÍLIO CRECHE. No processo 37.043.605.9 – VALE TRANSPORTE, no mérito, negouse provimento ao Recurso Voluntário. Contudo, o contribuinte ajuizou ação, processo 0020958 35.2011.403.6100, no qual foi declarada a nulidade da NFLD. Sendo assim, para as competências a partir de 12/2000, devem ser excluídos do cálculo da multa aplicada os fatos geradores relacionados: a) ao abono único, nas competências 01/02 e 07/04; b) ao auxíliocreche, em todas as competências; e c) ao vale transporte, em todas as competências. 2.2.2 Da revogação do dispositivo ensejador da multa aplicada. As penalidades previstas na Lei nº 8.212/91 tiveram alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo, assim, a multa imposta no caso em comento encontrase revogada, uma vez que fixada nos moldes do § 5, do art. 32, da lei 8212/91, sendo substituída pela multa aplicada nos moldes do art. 32A da lei 8212/91. Com a revogação do § 5, do art. 32, da lei 8212/91 deu lugar ao artigo 26 da Lei 11.941/2009, que adicionou o artigo 32A da Lei 8.212/91, o qual dispõe que para o caso em que o contribuinte deixe de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 508 14 32 daquela lei, sujeitaria o contribuinte à multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas declaradas nas GFIP’s e não a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Portanto, dou provimento ao recurso nesse quesito, reformando a decisão a quo outrora proferida, reajustando os valores arbitrados a título de multa na forma encimada. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL , para excluir do cálculo da multa aplicada, para o período a partir de 12/2000, os fatos geradores relacionados: a) ao abono único, nas competências 01/02 e 07/04; b) ao auxíliocreche, em todas as competências; e c) ao vale transporte, em todas as competências, para ao final aplicar a multa mais benéfica (art. 32A da Lei nº 8.212/91), nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Voto Vencedor Conselheira Miriam Denise Xavier Redatora Designada INFRAÇÃO E MULTA APLICADA Discordo da relatora que entende que deve ser aplicado ao caso em análise o disposto na Lei 8.212/91, art. 32A. Quanto ao dispositivo legal da infração e da multa aplicada, devese observar os seguintes artigos do CTN: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 509 15 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a princípio, devese observar a lei vigente à época de ocorrência do fato gerador. Entretanto, em matéria de penalidades, deverá ser considerada a retroatividade da lei mais benéfica, de acordo com o CTN, artigo 106, inciso II. A falta praticada, que foi objeto da presente autuação, apesar de ter sua capitulação legal alterada, continua definida como infração: entrega de GFIP com omissões/incorreções relacionadas a fatos geradores. Sobre a multa aplicada, a partir de 4/12/08, com a publicação da MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, o auditor, ao emitir Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória – AIOA relacionado à GFIP, deve considerar a retroatividade da lei mais benéfica, de acordo com o CTN, artigo 106, inciso II. Para tanto, deve comparar as penalidades cabíveis consoante a legislação vigente antes e depois da referida MP, aplicando a multa mais favorável ao sujeito passivo. Contudo, a presente autuação foi lavrada antes de referida mudança, não tendo o auditor fiscal autuante, por óbvio, efetuado referido comparativo, que deverá ser feito por ocasião do pagamento. A multa aplicada tendo em vista as alterações introduzidas pela Lei 11.941/09, é explicada a seguir: Em 4/12/08, foi publicada a Medida Provisória no 449, de 3/12/08, convertida na Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, que modificou a sistemática do cálculo das multas de mora, de ofício e daquelas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias relacionadas à Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, anteriormente previstas nos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, acrescentando os artigos 32A e 35A. Assim, a partir da publicação da MP 449, de 3/12/2008, para os fatos geradores de contribuições previdenciárias anteriores a esta data, deverá ser avaliado o Fl. 582DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 510 16 caso concreto e a norma atual deverá retroagir, se mais benéfica, pois em matéria de penalidades deve ser observado o disposto no CTN, artigo 106, inciso II, alínea ‘c’. Desta feita, devem ser vinculados os processos de contribuições não declaradas em GFIP, somandose as multas aplicadas aos lançamentos de obrigação principal com as multas pelo descumprimento de obrigação acessória, e comparando com a nova multa de ofício prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91, acrescida, se for o caso, da nova multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 (relativa a contribuição recolhida e não declarada em GFIP). Assim, a multa deve resultar do comparativo entre os valores que seriam lançados considerando a lei vigente à época do fato gerador (percentual de multa previsto na redação original do artigo 35 da Lei 8.212/91 somado ao valor de multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32, §5o da Lei 8.212/91) com o valor da multa de ofício que teria sido aplicada considerando a redação atual, conforme artigo 44 da Lei 9.430/96 (percentual de 75%) somado, se for o caso, ao valor da multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91. Ocorre, contudo, que os percentuais da multa tanto do artigo 35 da Lei 8.212/91, quanto do artigo 44 da Lei 9.430/96, sofrem variação de acordo com o prazo do pagamento do crédito. Logo, temse que a comparação entre uma e outra modalidade somente poderá ser ratificada por ocasião do pagamento, devendo o valor da multa ser revisto, se for o caso, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14, de 4/12/09. Os dispositivos legais ora atacados encontravamse em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores ou tiveram sua aplicação em razão do princípio da retroatividade benigna de que trata o Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, alínea “c”. CONCLUSÃO Pelo exposto, no mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir do cálculo da multa, nas competências a partir de 12/2000, os fatos geradores relacionados: a) ao abono único, nas competências 01/02 e 07/04; b) ao auxíliocreche, em todas as competências; e c) ao vale transporte, em todas as competências (acompanhando nesse ponto a relatora); e para que a multa seja recalculada aplicandose o disposto da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14/09. Por ocasião do pagamento ou execução do crédito tributário remanescente, deverá ser calculada a multa mais benéfica, considerando o auto de infração conexo, em razão da alteração na legislação previdenciária promovida pela Lei 11.941/09, nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4/12/09. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Redatora designada Fl. 583DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.723231/2013-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Nelso Kichel
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 32 31 /2 01 3- 72 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10280.723231/201372 Acórdão n.º 1301003.184 S1C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10280.723231/201372 Acórdão n.º 1301003.184 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Os autos do processo tratam do pedido de repetição de indébito tributário. Nesta instância recursal, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/Recife (3ª Turma) que julgara Manifestação de Inconformidade improcedente. Na sessão de 23/02/2018, esta Turma afastou o óbice que, até então, impedia a análise de mérito da lide e converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301003.549 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que transcrevo a parte dispositiva e voto condutor do Relator, in verbis: (...) Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (...) Voto (...) As decisões, até agora proferidas nos autos, não enfrentaram o mérito da lide, se a contribuinte, de fato, teve receitas da atividade hospitalar, qual o percentual das receitas da atividade hospitalar (caso auferiu receitas de atividades outras, diversas da atividade hospitalar) e se realmente ocorreu o erro de fato na apuração e pagamento da exação fiscal no regime do lucro presumido, quanto ao (s) período (s) objeto (s) do PER. O Despacho decisório, simplesmente, denegou o pleito, pois o valor do pagamento, restou alocado, consumido, inteiramente, pelo débito confessado na DCTF, do mesmo período de apuração. Já a decisão recorrida, além desse fundamento citado, entendeu que a contribuinte não comprovou que exercera atividade de serviço hospitalar, no período considerado, à luz da legislação de regência. A legislação tributária federal de regência de apuração do lucro presumido e pagamento dos tributos (IRPJ e CSLL), quanto à atividade serviços hospitalares estabeleceu condições, critérios, que devem ser observados pelos contribuintes para fazer jus à apuração e pagamento desses tributos com coeficientes reduzidos de presunção do lucro (Lei nº 9.249/1995, arts. 15 e 20; IN SRF nºs 306/2003, ADI 18/2003, IN SRF 480/2004, IN RFB 791/2007, ADI RFB 19/2007, Lei 11.727/08 e IN RFB 1.234/2012), ou seja, necessidade de comprovar: Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10280.723231/201372 Acórdão n.º 1301003.184 S1C3T1 Fl. 5 4 a) serviço de natureza hospitalar, nos termos da legislação da ANVISA; b) estrutura material/física e de pessoal; c) forma de exploração/organização da atividade. Entretanto, esses requisitos ou condições estabelecidos na legislação tributária citada, estão mitigados no seu rigor, na sua aplicação, conforme atual entendimento do STJ, ou seja: (...). A contribuinte juntou, apenas, algumas cópias de notas fiscais de prestação de serviços hospitalares, cópias de instrumentos de contratos de prestação de serviços quanto ao PA em que teria efetuado pagamento indevido ou a maior do IRPJ e da CSLL, o que é insuficiente para formação da convicção do julgador de que suas receitas no período teriam decorrido somente de prestação de serviço hospitalar, para fazer jus à tratamento tributário diferenciado, coeficientes de reduzidos de presunção do lucro. (...) Por todas essas razões, entendo que nesta Sessão de Julgamento não há condições de julgar a lide, pois, como demonstrado, as provas carreadas aos autos são insuficientes para formação da convicção do julgador, quanto ao mérito. Há necessidade de instrução processual complementar, em observância dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. Sendo assim voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos unidade de origem da RFB, no caso à Fiscalização da DRF/Belém, para: intimar a contribuinte a fazer a comprovação das receitas escrituradas decorrentes da atividade de prestação serviço hospitalar quanto ao (s) trimestre (s) objeto (s) dos autos, em que teria ocorrido pagamento indevido ou a maior do IRPJ e/ou CSLL, excluídas as receitas de consultas médicas e de atividades ou prestação de serviços não relacionadas à promoção da saúde humana, consoante entendimento atual do STJ Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, já transcrito anteriormente; determinar, em relação à receita total escriturada no (s) trimestre (s) considerado (s) (faturamento), qual o percentual que corresponde à receita efetiva de prestação de serviço hospitalar; determinar o valor do crédito do IRPJ e/ou da CSLL, caso exista pagamento indevido ou maior no (s) trimestre (s) considerado (s) objeto (s) dos autos, e informar se o valor do crédito apurado (original), se está disponível ou não para restituição. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10280.723231/201372 Acórdão n.º 1301003.184 S1C3T1 Fl. 6 5 Encerrados os trabalhos de diligência fiscal, a Fiscalização deverá produzir relatório circunstanciado, com demonstrativos, e conclusivo, apresentando os resultados, e do qual a contribuinte deverá ser intimada, abrindose prazo de trinta dias para se manifestar nos autos, caso queira. Transcorrido referido prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, que retornem os autos a este CARF para julgamento da lide. (...) Entretanto, o Presidente do próprio Colegiado apresentou Embargos de Declaração ao que restara decidido, conforme Despacho nº s/nº – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 24/04/2018, que transcrevo , in verbis: (...) No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. (...) É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10280.723231/201372 Acórdão n.º 1301003.184 S1C3T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.183, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10280.904791/2012 45, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.183): "Conheço dos Embargos de Declaração, pois tempestivos e atendem aos pressupostos de admissibilidade. Conforme já relatado, a Resolução desta Turma, ao afastar os óbices que até então impediram análise de mérito da lide pelas decisões anteriores neste processo, deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo, em tese, da contribuinte ao direito de recurso, na hipótese de não reconhecimento ou reconhecimento parcial do direito creditório no mérito pela decisão que seria proferida após o retorno dos autos contendo o relatório resultado da diligência. Por isso, dos Embargos de Declaração manejados pelo Presidente desta própria Turma. De fato, na Resolução embargada o colegiado entendeu por bem superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superados os óbices, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa da contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o encaminhamento mais adequado, no caso, deve ser: "dar provimento parcial ao recurso voluntário (afastar os óbices) e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para analisar o mérito do crédito pleiteado" e, assim, ficam restabelecidas as instâncias de julgamento de que trata o Decreto nº 70.235/72. Cabe à unidade de origem, DRF/Belém, analisar o mérito do crédito pleiteado. Portanto, voto para acolher os embargos com efeitos infringentes." Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10280.723231/201372 Acórdão n.º 1301003.184 S1C3T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.947951/2012-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas.
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2).
A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.286
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer no que se refere as alegações de suposta confissão equivocada do débito principal declarado para compensação, bem como a sujeição ao ISS e não ao ICMS e, no mérito, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas. PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas. PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 79 51 /2 01 2- 81 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.947951/201281 Acórdão n.º 1002000.286 S1C0T2 Fl. 113 2 A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer no que se refere as alegações de suposta confissão equivocada do débito principal declarado para compensação, bem como a sujeição ao ISS e não ao ICMS e, no mérito, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 52/59) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 44/48), proferida em sessão de 13 de janeiro de 2015, consubstanciada no Acórdão n.º 0365.572, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSB), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 03/13) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 03/07/2012 (efl. 34), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 08219.22086.160909.1.3.048680, transmitido em 16/09/2009, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.947951/201281 Acórdão n.º 1002000.286 S1C0T2 Fl. 114 3 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 SIMPLES FEDERAL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. A opção pelo Simples Federal tem como base para recolhimento a receita bruta mensal, podendo ser deduzidas somente as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, vedada qualquer outra exclusão. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de n.º 08219.22086.160909.1.3.048680, transmitida eletronicamente em 16/09/2009, com base em créditos relativos ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: Período de Apuração Código de Receita Valor Total do DARF Data de Arrecadação 31/01/2007 6106 R$ 4.414,50 16/02/2007 A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 03/07/2012, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 34), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 8.176,09. Cientificado dessa decisão em 12/07/2012, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 10/08/2012, manifestação de inconformidade à fl. 3 a 13, acrescida de documentação anexa, alegando, em síntese que: a) a discussão referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins é uma discussão entabulada pelos contribuintes há muitos anos; b) a exclusão da base se cálculo do PIS/Cofins se impunha pois o seu valor não é abrangido pelo conceito de faturamento, Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.947951/201281 Acórdão n.º 1002000.286 S1C0T2 Fl. 115 4 sendo o ICMS receita do Erário Estadual; nenhum agente econômico fatura o imposto, mas apenas as mercadorias ou serviços; c) após a decisão prolatada nos autos do Recurso Especial n.º 240.785, a base de cálculo do PIS/Cofins não poderia englobar receita ou faturamento de terceiros, sob pena de desvirtuar a estrutura de arrecadação dos impostos, entendimento que é compartilhado com alguns doutrinadores; d) por força dos princípios da ampla defesa e do devido processo legal, foi realizado o trabalho de recuperação dos valores indevidamente pagos, utilizando os instrumentos legais postos à disposição do contribuinte; e) a aplicação de nova legislação viola os princípios da segurança jurídica e da não surpresa do contribuinte, uma vez que este já estava preparado para realizar a compensação como sempre fez, sendo, portanto, inconstitucional a modificação da regra no meio do jogo; f) o art. 74, § 3.º, inciso IX, da Lei n.º 9.430, de 1996, incluído pela MP 449, de 2008, pode e deve ser questionado perante o Poder Judiciário; g) os pressupostos trazidos pela IN 900/2008 não podem ser de tal ordem a inviabilizar o direito dos beneficiados com o afastamento do instituto da compensação previsto na Constituição Federal. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a compensação. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/01/2007 6106 R$ 4.414,50 16/02/2007 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 3377676441 R$ 4.414,50 DB: cód 6106 PA 31/01/2007 R$ 4.414,50 Valor Total R$ 4.414,50 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: No caso em concreto, a opção em ser tributado pelo Simples Federal foi exercida pela contribuinte. O Simples é um regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP), Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.947951/201281 Acórdão n.º 1002000.286 S1C0T2 Fl. 116 5 criado pela Lei n.º 9.317, de 1996, e alterações posteriores, estabelecido em cumprimento ao que determina o art. 179 da Constituição Federal de 1988. É uma forma simplificada e unificada de recolhimento de tributos, por meio da aplicação de percentuais favorecidos e progressivos, incidentes sobre uma única base de cálculo, a receita bruta mensalmente auferida. As ME e as EPP inscritas no Simples Federal não poderão gozar de nenhum outro benefício ou tratamento fiscal diferenciado ou mais favorecido, além daqueles expressamente previstos na legislação específica, inclusive em relação a substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução da base de cálculo, isenção, aplicáveis às demais pessoas jurídicas. O art. 5.º da Lei n.º 9.317/96 estabelece que a apuração do montante mensalmente devido será determinado mediante a aplicação de percentual sobre a receita bruta mensal auferida pela pessoa jurídica, conforme transcrição a seguir. Art. 5.º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais (...) Ainda, nos termos do § 2.º do art. 2.º da Lei n.º 9.317, de 1996, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionalmente concedidos. Portanto, se a previsão legal determinou que o percentual seria aplicado sobre a receita bruta mensal, não cabe a interpretação de que a incidência se daria sobre a receita líquida, considerando a exclusão dos impostos incidentes sobre a receita bruta, tais como: ICMS, PIS, Cofins e ISS. Por fim, os precedentes jurisprudenciais dos citados órgãos de julgamento coletivo, invocados pela interessada, aplicamse ao caso em concreto, não se enquadrando ao caso em exame. Dessa forma, não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a Administração Tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do Código Tributário Nacional. Assim, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão proferida pela autoridade administrativa. No recurso voluntário, o contribuinte inova e apresenta argumentos diversos da manifestação de inconformidade. Nesta a discussão dos créditos devese a discussão, levantada pelo contribuinte, referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS. Acerca desta temática a DRJ se manifestou e afastou o alegado crédito por entender que o ICMS não pode ser excluído da base de cálculo, logo não reconhecia o crédito. No recurso, inovando nos debates, o contribuinte agora alega que o tema a ser discutido é uma suposta confissão equivocada do débito principal declarado para compensação no valor de R$ 8.176,09, que não foi homologado por inexistir o crédito, enquanto o próprio pedido de reconhecimento do créditos seria num montante menor. Alega que o pedido de compensação Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.947951/201281 Acórdão n.º 1002000.286 S1C0T2 Fl. 117 6 contém erro de fato. Haveria equívoco entre o declarado em 2007 e a PER/DCOMP de 2009, mas não poderia cancelar o PER/DCOMP, pois já havia despacho decisório de indeferimento da compensação. Sustenta, outrossim, em inovação, que é uma escola estando sujeita ao ISS e não ao ICMS. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 14/09/2015, segundafeira, efls. 49/50, e protocolo em 09/10/2015, efls. 51/52), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. No entanto, o recurso não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer, mas, em contra fluxo, existe fato extintivo do poder de recorrer relativo a preclusão consumativa que se operou quanto as matérias não apresentadas na manifestação de inconformidade e discutidas no recurso voluntário, quais sejam, as alegações de suposta confissão equivocada do débito principal declarado para compensação, sob argumento de que o pedido de compensação contém erro de fato, havendo equívoco entre o declarado em 2007 e a PER/DCOMP de 2009, bem como a sujeição ao ISS e não ao ICMS. Vejase, o suposto erro no preenchimento do pedido de compensação não foi relatado na manifestação de inconformidade, logo após a intimação do teor do despacho decisório, sendo uma inovação alegada no recurso voluntário. Por outro lado, não compete a segunda instância administrativa o procedimento de cancelamento ou de revisão do PER/DCOMP constituído em linguagem competente pelo próprio contribuinte, haja vista que está limitada aos termos da norma individual e concreta produzida pelo próprio contribuinte, que, no mínimo, deveria ter procedido com a retificação, ainda que a destempo, a fim de emitir nova norma jurídica constitutiva. Eventual erro de fato, neste momento e após despacho decisório, deve ser, inicialmente, objeto de pedido de revisão de ofício junto às Delegacias da Receita Federal do Brasil (CTN, art. 149, IV e V; art. 145, III) requerendose que a autoridade competente, através da fiscalização, proceda à revisão de ofício do crédito tributário constituído e da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.947951/201281 Acórdão n.º 1002000.286 S1C0T2 Fl. 118 7 A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4.º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. O CARF não pode apreciar matéria não deliberada pela DRJ, caso contrário, estarseia, inclusive, diante de uma evidente supressão de instância. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos ns.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), bem como precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamentos a exemplo dos Acórdãos ns.º 1002000.101, 1002000.102, 1002000.103 e 1002000.084. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.947951/201281 Acórdão n.º 1002000.286 S1C0T2 Fl. 119 8 Logo, conheço apenas parcialmente o Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, haja vista que o DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido ou a maior havia sido utilizado, tendo sido imputado, na quitação de efetivo débito do contribuinte (crédito tributário do Fisco), realmente devido e em montante adequado, portanto não havendo saldo a ser apropriado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da utilização integral do valor recolhido, de modo a não restar saldo residual para restituição, demais disto não havendo causa de indébito, vale dizer, o DARF foi alocado em efetivo recolhimento de crédito tributário devido. De mais a mais, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. Na manifestação de inconformidade o contribuinte defende o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais, de modo que, por decorrência desta premissa, passaria a haver saldo relativo ao recolhimento (recolhimento a Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.947951/201281 Acórdão n.º 1002000.286 S1C0T2 Fl. 120 9 maior), porém não lhe assiste razão, até porque no recurso voluntário o contribuinte diz que sequer é contribuinte do ICMS, sendo contribuinte do ISS. Além disto, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez em eventuais hipotéticos créditos que pudessem ser apurados a partir da eventual exclusão do ICMS ou do ISS da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, visto que inexiste apuração ou elementos documentais que possibilitassem efetivar o respectivo levantamento. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. É ônus primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Segundo, a matéria concernente à exclusão do ICMS (ou do ISS) da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS vem sendo debatida judicialmente há muitos anos, defendendo os contribuintes que a receita decorrente do ICMS não configura faturamento e, portanto, sobre ela não poderia incidir o PIS/COFINS, no entanto o debate tem cunho constitucional, pois depende da declaração de inconstitucionalidade de lei e, neste caso, o Colegiado não pode adentrar na temática, sendo assunto sumulado administrativamente, a teor da Súmula CARF n.º 2 que reza: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Com efeito, não há que se admitir matéria que pretenda discutir constitucionalidade e limites constitucionais para definição de base de cálculo de tributo ou para definição dos limites semânticos de conceitos adotados pelo constituinte na instituição de tributos, como é o caso da discussão envolvendo a exclusão do ICMS ou do ISS da base de cálculo do PIS/COFINS, para fins de constituição de créditos contra a Administração Tributária passíveis de compensação, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum da norma infraconstitucional que deu suporte à atividade arrecadatória, o que é vedado no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015), havendo que se respeitar, demais disto, o enunciado da Súmula CARF n.º 2, acima mencionado. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer no que se refere as alegações de suposta confissão equivocada do débito principal declarado para compensação, bem como a sujeição ao ISS e não ao ICMS, e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.947951/201281 Acórdão n.º 1002000.286 S1C0T2 Fl. 121 10 (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.937656/2011-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. RELATÓRIO Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento de CSLL a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o crédito informado decorrer de "pagamento a título de estimativa RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 37 65 6/ 20 11 -3 6 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.937656/201136 Resolução nº 1201000.504 S1C2T1 Fl. 3 2 mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente. A decisão de Primeira Instância apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. MODIFICAÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA DO CRÉDITO PARA SALDO NEGATIVO. NOVO PER/DCOMP. A modificação da natureza jurídica do crédito não configura inexatidão material (erro de preenchimento ou de digitação), mas, sim, erro no critério jurídico, de forma que para alterála impõese cancelar o PER/DCOMP errado e apresentar outro com a informação correta. PAGAMENTO MAIOR QUE O DEVIDO.DIREITO. Não restou demonstrado o erro que teria provocado o pagamento maior que o devido, razão pela qual não se reconhece o direito creditório pleiteado e nem se extingue por compensação o débito informado. Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: a) a nulidade do Acórdão recorrido que modificou a fundamentação do Despacho Decisório; b) O Despacho Decisório havia consignado não ser possível reconhecer o crédito da recorrente ante o erro material verificado no PER/DCOMP. O Acórdão recorrido, por seu turno, mantém a não homologação do crédito, todavia, por fundamentação diversa, consignando que o mesmo não foi devidamente comprovado; c) O Acórdão recorrido não poderia ter simplesmente ignorado a apuração do crédito do imposto procedida pela recorrente. Bastaria comparar o valor lançado mensalmente com os recolhimentos feitos para concluir a existência do crédito; d) Afastada a nulidade, deveria a autoridade " a quo" ter diligenciado ou intimado a parte para a comprovação do crédito compensado, sob pena de nova nulidade por cerceamento do direito de defesa administrativa. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.937656/201136 Resolução nº 1201000.504 S1C2T1 Fl. 4 3 VOTO Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.500, de 11/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.937651/201111, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/05/2005 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débitos com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL recolhido em 31/10/2005. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.500): "Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. O crédito indicado é relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Consultandose a DIPJ retificadora correspondente ao anocalendário em questão, verificase que, dentre as estimativas de IRPJ a pagar declaradas, não se vê nenhum valor igual ao do crédito pleiteado. Nessa mesma declaração foi apurado saldo negativo de IRPJ, em face da dedução de estimativas pagas durante o anocalendário. Ocorre que o total das estimativas a pagar apuradas mensalmente nas fichas próprias da DIPJ é menor que o indicado para fins de apuração do saldo negativo. Também, o total do IRRF aproveitado para fins de dedução das estimativas mensais devidas tem valor maior que aquele declarado na ficha da apuração anual (saldo negativo). Vêse, assim, que não há certeza quanto ao valor do saldo negativo apurado. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: a) verifique qual é o real montante do saldo negativo do período, em face das estimativas efetivamente pagas, compensadas e do IRRF; b) relacione todas as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ do anocalendário em questão, discriminando todos os créditos e débitos indicados para compensação, procedendo à valoração para Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.937656/201136 Resolução nº 1201000.504 S1C2T1 Fl. 5 4 fins de verificação de suficiência do saldo negativo apurado, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. Encerrada a diligência, a contribuinte deverá ser intimada para que, querendo, manifestese num prazo de trinta dias. Havendo ou não manifestação da contribuinte, após esgotado o prazo a ela concedido os autos devem retornar ao CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 140DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.000478/2009-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte.
Numero da decisão: 9303-007.125
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO DE CRÉDITO. PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SINCOL S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 04 78 /2 00 9- 16 Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10925.000478/200916 Acórdão n.º 9303007.125 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto, tempestivamente, pela Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 380303.221, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. Na parte de interesse ao presente julgamento, a decisão do colegiado a quo pode ser resumida pela transcrição dos seguintes fragmentos de sua ementa: (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as pequenas peças de reposição, podem compor a Fl. 767DF CARF MF Processo nº 10925.000478/200916 Acórdão n.º 9303007.125 CSRFT3 Fl. 4 3 base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matériasprimas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo. FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. Dá direito a crédito o valor dispendido a título de frete prestado por pessoa jurídica domiciliada no País, tributado pela contribuição, mas não adicionado ao valor de aquisição dos bens utilizados como insumos, ainda que se refiram à transferência de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, aduzindo divergência às seguintes matérias: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo; d) direito a crédito na depreciação de bens do ativo imobilizado; e) direito a crédito no transporte de insumos entre filiais, cobrados separadamente dos insumos quando de sua aquisição. Para comprovar a divergência, aponta como paradigma o acórdão nº 203.12.448. Em seguida, mediante despacho de admissibilidade o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso em relação à: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do Recurso interposto e, caso o Colegiado entenda em conhecer do Recurso, no mérito requer que lhe seja negado provimento. No essencial é o Relatório. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10925.000478/200916 Acórdão n.º 9303007.125 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.108, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10925.000459/200981, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.108): "O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de contribuições não‑ cumulativas para o PIS, no valor de R$ 21.832,17, cumulado com Declarações de Compensações (PER/DCOMP). A Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, decidiu, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, por entender que “a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais para o PIS e Cofins não se confunde com a não cumulatividade dos impostos do IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos refere‑ se ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria”. E, assim, terminou por adotar conceito de insumo diverso daquele aplicado para o IPI. Com efeito, alega a Fazenda Nacional que a decisão recorrida, ao alargar o conceito de insumos dado pelo art. 3º da Lei nº 10.637/2002 c/c o disposto na IN SRF nº 247/2002, em razão de uma interpretação equivocada, acabou criando dispensa de pagamento de tributo não prevista em lei. Por este motivo, deve ser mantida a decisão de primeira instância a qual analisou a questão sob o prisma correto, mantendose todas as glosas ali ratificadas. Analisando a quaestio, já consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10925.000478/200916 Acórdão n.º 9303007.125 CSRFT3 Fl. 6 5 De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. 1 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10925.000478/200916 Acórdão n.º 9303007.125 CSRFT3 Fl. 7 6 Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10925.000478/200916 Acórdão n.º 9303007.125 CSRFT3 Fl. 8 7 Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa. Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Desta forma, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Compulsando aos autos, verifico que a atividade empresária da Contribuinte destina se a produção de portas de madeira. Quanto aos produtos utilizados em embalagens para transporte (fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica.) entendo essencial a atividade empresária desenvolvida pela Contribuinte, passível de creditamento do Pis e da Cofins. No que tange o direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas, verifico que também são essenciais ao processo de produção da Contribuinte, as citadas peças de reposição e serviços de manutenção industrial são adquiridas para conservação das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação dos produtos, com objetivo de garantir a qualidade dos produtos industrializados pela Contribuinte. Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10925.000478/200916 Acórdão n.º 9303007.125 CSRFT3 Fl. 9 8 Ademais, a utilização de peças e serviços não geram aumento de vida útil do bem, apenas mantém as máquinas e equipamentos em condições aptas de funcionamento. São bens consumidos no processo de industrialização, que se desgastam e perdem propriedades físicas e químicas sem integrar o produto final. Destarte, o conceito de "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI, tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha equilíbrio, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10925.000478/200916 Acórdão n.º 9303007.125 CSRFT3 Fl. 10 9 Como se vê, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS, referente aos produtos utilizados como embalagem de transporte e na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo da Contribuinte." (...) Entendimento que prevaleceu quanto ao direito de crédito sobre as embalagens de transporte. "Com todo respeito ao voto do ilustre relator, porém discordo de suas conclusões a respeito da possibilidade de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS sobre as embalagens utilizadas somente para o transporte do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso especial da Fazenda Nacional é quanto a possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins sobre as embalagens destinadas precipuamente ao transporte de seu produto final. No presente caso a discussão é sobre os gastos utilizados pelo contribuinte para embalar o seu produto acabado (portas de madeira) para fins de seu transporte. Não se trata da embalagem normal relativa a encerramento do processo produtivo e dele integrante, mas referentes ao gasto com o transporte do produto após o encerramento do processo produtivo do bem destinado a venda. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que não faz diferença o fato de ser embalagem para o transporte do produto com as demais embalagens, como as de apresentação. Portanto ele entendeu que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotados pelo acórdão recorrido e pelo relator do voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10925.000478/200916 Acórdão n.º 9303007.125 CSRFT3 Fl. 11 10 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10925.000478/200916 Acórdão n.º 9303007.125 CSRFT3 Fl. 12 11 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso é incontroverso que as embalagens que se discute são as destinadas precipuamente para o transporte dos produtos. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei). Assim, por se tratar de gastos efetuados após o encerramento do processo produtivo em relação aos quais não há previsão na legislação de regência, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 776DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001479/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 31/12/2007, 31/01/2008
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AÇÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial. Súmula CARF nº 1.
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Considerada como não declarada a compensação, não há mais que se falar em declaração de compensação ou em confissão de dívida, cabendo o lançamento de ofício.
Numero da decisão: 2401-005.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Matheus Soares Leite. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial. Súmula CARF nº 1. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Considerada como não declarada a compensação, não há mais que se falar em declaração de compensação ou em confissão de dívida, cabendo o lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Matheus Soares Leite. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 14 79 /2 00 9- 13 Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10882.001479/200913 Acórdão n.º 2401005.692 S2C4T1 Fl. 359 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de IRRF (fls. 52/55) lavrado contra o contribuinte em epígrafe relativo à falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre trabalho assalariado, no valor de R$ 89.295,59, já incluídos os juros de mora calculados até 30/9/09 e a multa de ofício de 75%. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 48/49), o auditor fiscal fundamentou a lavratura do auto de infração nos seguintes termos: · O contribuinte solicitou a compensação de dois débitos de IRRF relativos ao 3º decêndio de 2007 e 01/2008. · O Despacho Decisório DD de fls. 5/11 considerou como não declarada a compensação pleiteada, pois foi utilizado crédito de terceiros. · Os débitos não foram declarados em DCTF e não foram recolhidos em DARF. · Portanto, o contribuinte está sujeito ao lançamento de ofício dos créditos tributários uma vez verificada a compensação indevida dos mesmos quando não confessados, nem lançados de ofício. Cientificado da exigência fiscal em 13/10/09 (fl. 58), o contribuinte apresentou em 12/11/09 (fls. 64/65) a impugnação de fls. 66/81. A DRJ/SPO, por meio do Acórdão 1675.214 (fls. 321/325), de 9/1/17, considerou improcedente a impugnação, conforme disposto a seguir: A impugnante alega que o crédito tributário já fora constituído mediante a declaração da compensação e, portanto, seria equivocado lavrar os autos de infração. É certo que, nos termos do § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Entretanto, no caso em tela, as compensações efetuadas foram consideradas não declaradas, ou seja, não há mais que se falar em “declarações de compensação”. Assim, e considerando ainda que, como afirma o autuante no Termo de Verificação Fiscal, os débitos não foram declarados em DCTF, não se pode falar que o crédito tributário já havia sido lançado, sendo improcedentes as alegações do impugnante. [...] No que diz respeito às alegações da impugnante que buscam fundamentar seu direito creditório e as compensações efetuadas, elas não podem ser aqui analisadas. Isso porque o direito creditório e as compensações efetuadas não são objeto deste Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10882.001479/200913 Acórdão n.º 2401005.692 S2C4T1 Fl. 360 3 processo administrativo, mas sim do de nº 13897.000124/2008 55. Naquele processo, as compensações foram consideradas não declaradas pela DRF e a contribuinte não logrou êxito em seu recurso hierárquico para reverter essa decisão (fls. 305/320). Assim, seguindo os trâmites legais, a análise do direito creditório da contribuinte foi definitivamente feita na esfera administrativa no âmbito do processo administrativo nº 13897.000124/200855, razão pela qual não cabe neste processo rediscutir tal questão, devendose aqui apenas apreciar o cabimento dos lançamentos de ofício. Em face do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e julgar improcedente a impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância, em 10/1/17, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fl. 331, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 335/344), em 9/2/17 (Termo de Análise de solicitação de juntada, fl. 334), alegando, em síntese: Afirma não ser necessário o lançamento, pois o crédito tributário já foi confessado. Entende ser equivocado o entendimento do fisco que considerou as compensações como não declaradas. Cita a Lei 9.430/96, art. 74, § 6º, que dispõe que “a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados”. Acrescenta que o § 7º do mesmo dispositivo legal determina a intimação do sujeito passivo para pagamento dos débitos indevidamente compensados, não sendo homologada a compensação. Entende que não faz sentido lavrar o auto de infração para cobrança do débito compensado. Questiona para que realizar lançamento se a exigência ou não do débito dependerá única e exclusivamente do desfecho do PA de compensação. Naquele PA, sendo revertida a decisão que considerou a compensação como “não declarada” o débito terá obrigatoriamente que ser extinto. Caso a decisão seja mantida, bastará ao fisco inscrever o débito na Dívida Ativa. Diz que foi lançada multa de ofício de 75% sobre "crédito tributário já lançado" e em outro AI foi lançada multa isolada por no mesmo percentual por “compensação indevida". Conclui que o presente auto de infração é nulo. Aduz que será demonstrado que a compensação que gerou esta autuação será reapreciada pela SRFB, por força de ordem judicial, o que tornou sem efeito a decisão administrativa que considerou o procedimento como “não declarado”. Tratase de fato que enseja automaticamente a perda de objeto deste auto de infração. Afirma que o E. TRF da 3ª Região proferiu v. acórdão nos autos do AI 001148402.2014.4.03.0000/SP, transitado em julgado em 08/06/2015, determinando a reapreciação da compensação tributária objeto do PA 13897.000124/200855. Assim, é necessário o cancelamento da presente autuação. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10882.001479/200913 Acórdão n.º 2401005.692 S2C4T1 Fl. 361 4 Discorre sobre o crédito utilizado na compensação e afirma que referido crédito está em análise no PA 10735.000001/9918, no qual foi proferido acórdão em 27/1/15, e foram opostos embargos de declaração pela Fazenda Nacional. Se mantido o acórdão proferido, a SRFB terá que obrigatoriamente homologar a compensação objeto do PA 13897.000124/200855. Requer seja cancelado o auto de infração, a cobrança do débito confessado e a imposição da multa de ofício. Alternativamente, requer que se aguarde o trânsito em julgado do PA 10735.000001/9918 e apensos e, após, seja aplicado aqui o que lá restar decidido de forma definitiva. Em Ofício da PGFN, juntado às fls. 349/357, consta que: Encaminho, em anexo, cópia do acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que, em 30/11/2017 manteve a sentença de improcedência proferida nos autos n. 0001057 83.2014.403.6130, da 1ª Vara Federal de Osasco. Em síntese, é feita menção a mais de 80 processos administrativos e 14 Mandados de Segurança. O acórdão é explícito em dizer que ele vale para todos esses processos e, assim, deve ser dado imediato encaminhamento a todos os processos administrativos nele mencionados (no quadro constante abaixo) ainda que estejam em discussão no âmbito administrativo: [...] Para que não reste nenhuma dúvida quanto à extensão do julgado, vemos: “Como antecipado no relatório, a ação ordinária ora em apreço veicula pretensão que abrange múltiplos processos administrativos. Com efeito, colhese do acervo documental do feito principal sob exame que a pretensão da apelante abrange mais de oitenta processos administrativos (f.324/1.101): [...] O que temos de absoluto são os PA’s expressamente mencionados no acórdão (fls. 3/18 e 4/18 – transcrito logo acima) que, como visto, devem ter IMEDIATO prosseguimento: 1º porque a Brampac não impugnou via embargos de declaração a menção a eles e, 2º, Recurso Especial apresentado no processo judicial não tem efeito suspensivo. Não há mais nenhuma causa de suspensão vigente ou motivo para os inúmeros PA’s estarem com tal efeito já que, JUDICIALMENTE, decidiuse que não há direito para tanto (e se judicialmente assim se decidiu, perde o objeto a discussão administrativa: Súm. 1 do CARF). Como bem apontou no acórdão o Des. Carlos Muta: [...] Ou seja, “4. Todos os despachos decisórios apresentam fundamento válido suficiente para manterse a conclusão de que Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10882.001479/200913 Acórdão n.º 2401005.692 S2C4T1 Fl. 362 5 as compensações devem ser consideradas não declaradas, em razão da utilização indevida de crédito de terceiro, apontada em todos as decisões nos processos administrativos de controle do encontro de contas”. Todos os Processos Administrativos mencionados, assim, devem ter IMEDIATO prosseguimento, repitase. Se houve algum acórdão no CARF ou em qualquer outra instância em sentido diverso, ele “não prevalece frente a provimentos jurisdicionais contrários” (Fl.17/18). É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO O recorrente alega que a compensação que gerou esta autuação será reapreciada pela SRFB, por força de ordem judicial. Conforme se verifica nos autos, o contribuinte pretendeu compensar seus débitos de IRRF com créditos de terceiros. Para assegurar seu direito a tal crédito, objetivando compensálo com vários tributos federais, o recorrente impetrou vários mandados de segurança, cujo resultado afeta/afetará diversos processos administrativos de exigência de crédito tributário. A Súmula CARF nº 1, dispõe que: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Sendo assim, em virtude da propositura de ação judicial, não cabe neste processo apreciar eventual direito à utilização de créditos de terceiros para justificar as compensações efetuadas. Entretanto, conforme relatado, a PGFN juntou aos autos Ofício, no qual descreve as decisões judiciais proferidas nos diversos processos, e informa que todos os despachos decisórios apresentam fundamento válido suficiente para manterse a conclusão de que as compensações devem ser consideradas não declaradas, em razão da utilização indevida de crédito de terceiro, apontada em todos as decisões nos processos administrativos de controle do encontro de contas. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10882.001479/200913 Acórdão n.º 2401005.692 S2C4T1 Fl. 363 6 Vêse que o contribuinte não conseguiu (ou tem conseguido) judicialmente validar sua pretensão de utilizar créditos de terceiros para fins de compensação. Sendo assim, correto o Despacho Decisório que considerou as compensações como não declaradas. Mesmo porque, o presente julgamento deve ser harmônico com as decisões judiciais que envolvam a matéria em discussão. Desta forma, irrelevante o argumento do recorrente de que o crédito tributário já foi confessado e que foi equivocada a conclusão do fisco que considerou as compensações como não declaradas. No caso, vêse que o recorrente confunde compensação considerada como não declarada com compensação não homologada. O CTN, art. 170, dispõe que: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifo nosso) A Lei 9.430/06, sobre a compensação, determina: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: [...] II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; [...] Desta forma, se a compensação é considerada não declarada é como se ela não existisse, não havendo mais que se falar em declaração de compensação, em confissão de dívida, em crédito tributário já lançado ou em aplicação do disposto na Lei 9.430/96, art. 74, §§ 6º e 7º (aplicáveis ao caso de compensação não homologada). Uma vez que o sujeito passivo não declarou o débito em DCTF e nem o recolheu em DARF, correto o procedimento fiscal de lançamento de ofício do crédito tributário, inclusive com a aplicação da multa de 75%, nos termos da Lei 9.430/96, art. 44: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10882.001479/200913 Acórdão n.º 2401005.692 S2C4T1 Fl. 364 7 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] CONCLUSÃO Sendo assim, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 364DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.907689/2013-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007
NULIDADE. AUSÊNCIA.
Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 1302-002.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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AUSÊNCIA. Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 76 89 /2 01 3- 58 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 12448.907689/201358 Acórdão n.º 1302002.845 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 1149.857, de 16 de abril de 2015, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Não são passíveis de restituição nem compensação os créditos sobre os quais não resta comprovada sua liquidez e certeza." O presente processo cuida de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), por meio da qual a contribuinte pleiteou a restituição de crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), referente ao mês de outubro de 2007. O crédito em questão, no valor de R$ 9.830,38, originarseia de pagamento efetuado em 30/11/2007, e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a restituição foi indeferida. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual sustentou a nulidade do Despacho Decisório, por haver sido proferido em desobediência a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2011.51.01.0135980, que determinou o recebimento em formulário de papel do pedido de restituição em questão, com as razões e fundamentações legais da causa de pedir, pelo que haveria, ainda, cerceamento do direito de defesa. Ressaltou que, até aquela data, permaneceria sem apreciação os pedidos de restituição realizados em formulário de papel pela Recorrente, no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão de primeira instância, após examinar o teor da ação judicial invocada, concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do crédito, tendo em vista que: a) o que foi determinado na decisão judicial proferida foi o recebimento e apreciação de pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulários de papel; b) por meio do processo administrativo nº 12448.732735/201278, a Recorrente solicitou a restituição de tributos incidentes na importação de mercadorias sobre as Fl. 65DF CARF MF Processo nº 12448.907689/201358 Acórdão n.º 1302002.845 S1C3T2 Fl. 4 3 quais foi aplicada pena de perdimento, de períodos de pagamentos de 17/11/2008 ou de 24/11/2008; c) em adição, por meio do processo administrativo nº 12448.732736/201212, pleiteou a restituição de 372 supostos pagamentos indevidos ou a maior, dentre os quais aquele objeto do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) tratado nos presentes autos; d) não há que se falar em nulidade por descumprimento de decisão judicial, posto que a decisão determinava apenas que os pedidos de restituição formulados em papel fosse conhecidos e apreciados; e) a análise do crédito tratado neste processo, e também incluído no processo nº 12448.732736/201212, será realizada nos presentes autos; f) as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732735/201278, de que se trataria de crédito pago em importação para a qual foi dada pena de perdimento, simplesmente não se aplicam ao caso em apreço, posto não se tratar de tributo incidente sobre a importação; g) considerando as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732736/201212 ("que teve suas atividades de importador direto desclassificadas, e que por decorrência de tal tratamento nos lançamentos efetuados nos PAF 10074.000924/200942 e 10074.000926/200931 as importações realizadas pela requerente estariam sendo imputadas a terceiro, o que justificaria, no seu entender, a restituição dos tributos pagos em seu nome"), uma vez que os lançamentos referidos foram realizados contra a própria Recorrente, e não contra terceiros, não procede a alegação de afastamento da sujeição passivo, quanto mais em relação a tributos não incidentes sobre a importação, como no presente caso; h) o pagamento cuja restituição se pleiteia está vinculado a valor de débito confessado por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a qual é meio hábil de confissão de dívida. A autoridade julgadora de primeira instância determinou, ainda, que o resultado do julgamento fosse informado no processo administrativo nº 12448.732736/2012 12, onde foi solicitada, por meio de formulário de papel, a restituição do mesmo crédito analisado nestes autos. Cientificado por meio eletrônico, em 20/05/2016, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 27/05/2016, no qual alegou que: a) o crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição (PER) decorre de pagamento indevido, em vista da desclassificação, pelas autoridades tributárias, de todas as operações de comércio exterior realizadas pela Recorrente entre 2002 e 2008; b) sempre se considerou importadora por conta própria, tendo um único cliente, por opção negocial e por atuar no limite de sua capacidade operacional, todavia, "a Receita Federal do Brasil, depois de rumorosa operação policial, depois de fiscalizar as atividades da Recorrente, reclassificoua como importadora por conta e ordem de terceiros" (Mobilitá Ltda, CNPJ nº 32.121.766/007557); Fl. 66DF CARF MF Processo nº 12448.907689/201358 Acórdão n.º 1302002.845 S1C3T2 Fl. 5 4 c) em virtude da referida conclusão, teriam sido lavrados autos de infração, para cobrança de multas e diferenças de tributos aduaneiros, em relação às mercadorias que já haviam entrado em circulação comercial e não foram localizadas; d) foi, ainda, decretado o perdimentos de mercadorias, por suposta interposição fraudulenta, mesmo após o pagamento dos tributos aduaneiros, de modo que tais tributos seriam indevidos; e) "houve por bem solicitar a restituição de tributos que se revelaram indevidos ou pagos a maior em razão da reclassificação jurídica de suas operações"; f) teve, consequentemente, desconsiderado o valor agregado ou margem de lucro na comercialização das mercadorias importadas, quando às mesmas remetia à MOBILITA, o que teria afetado "para mais os tributos que incidiam na transferência das mercadorias da Recorrente para o adquirente, pois eram cobrados preços além do custo de importação e despesas de frete etc., a margem de comercialização"; g) por esta razão efetuou os pedidos de restituição de valores pagos a mais a título de IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto sobre Produtos Importados (IPI), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), os quais também incidiam "sobre essa verba relativa à margem de comercialização das mercadorias importadas"; h) após haver transmitidos 74 Pedidos Eletrônicos de Restituição (PER), e diante da impossibilidade de pleitear por tal via créditos recolhidos a mais de cinco anos, impetrou Mandado de Segurança, visando ao recebimento dos pedidos (apenas dois), por meio de fomulários em papel; i) o seu direito ao recebimento e processamento dos pedidos efetuados de tal forma foi reconhecido judicialmente, por decisão que teria transitado em julgado; j) o acórdão recorrido incorreria em equívoco, "quando alega que a Recorrente considera que a decisão da 14ª VRRJ teria mandado prover os pedidos de restituição no mérito, e que, por isso haveria descumprimento da sentença. Não se trata disso."; k) o que sustenta é que os processos administrativos nº 12448.732735/2012 78 e 12448.732736/201212 "suplantam os PER/DECOMP originalmente apresentados e que não podia, como não pode, haver pedidos paralelos a correr perante a administração"; l) os PER deveriam haver sido cancelados, posto que os processos administrativos os teriam substituído; m) ao contrário, os PER teriam sido processados, deixando de lado os pedidos formulados em papel, que se encontraria paralisados desde fevereiro de 2012; n) haveria ineficiência, irrazoabilidade, ilegalidade em se exigir a apresentação, para cada recolhimento a maior ou indevido, de um PER; o) não se estaria discutindo, nestes autos, o mérito, mas sim a forma dos pedidos de restituição, posto que o PER ora analisado estaria prejudicado, como todos dos Fl. 67DF CARF MF Processo nº 12448.907689/201358 Acórdão n.º 1302002.845 S1C3T2 Fl. 6 5 demais relativos ao mesmo fato, por força da decisão judicial exarada nos autos do citado Mandado de Segurança. Pleiteou, ao fim, a anulação de todo o procedimento, de modo que a discussão referente ao direito creditório pleiteado no PER sob análise fique vinculada unicamente aos pedidos de restituição formulados nos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.818, de 13/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 12448.907672/2013 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.818): "I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 12 de maio de 2016, tendo apresentado seu Recurso em 27 de maio de 2016, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DA NULIDADE Fl. 68DF CARF MF Processo nº 12448.907689/201358 Acórdão n.º 1302002.845 S1C3T2 Fl. 7 6 Conforme relatado, o Recurso apresentado não trata do mérito do PER analisado nestes autos, mas tãosomente pugna pela declaração de nulidade de todo o procedimento de análise do direito creditório pleiteado no referido Pedido. A apreciação do Recurso deve ser realizada observando se o disposto nos arts. 12 a 14 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: "Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1o A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2o Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3o Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art.13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 60). Art.14. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 61)." Segundo a Recorrente, a nulidade se originaria no fato de que a análise do PER estaria em desacordo com a decisão judicial proferida nos autos de Mandado de Segurança por ele impetrado, e que o PER em questão se encontraria prejudicado pelos pedidos de restituição formulados em papel no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão recorrida, contudo, esclarece, detalhadamente, a questão e demonstra a improcedência dos argumentos da Recorrente. O conteúdo do Recurso, por outro lado, apenas revela o acerto da decisão guerreada e põe luz sobre o equívoco do raciocínio formulado pelo sujeito passivo. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12448.907689/201358 Acórdão n.º 1302002.845 S1C3T2 Fl. 8 7 A Recorrente, pelas razões que esclarece em seu recurso, apresentou o PER que deu origem aos presentes autos. Posteriormente, ingressou com Mandado de Segurança "objetivando ordem no sentido de que a autoridade impetrada receba e processe o pedido de restituição de tributos" supostamente recolhidos por ela, de forma indevida. Importa destacar trecho da sentença exarada no processo judicial, que esclarece bem o seu escopo: "Como causa de pedir, sustenta, em síntese, que, na qualidade de importadora, recolheu diversos impostos e contribuições no período de 19/07/2002 a 19/11/2008; que alguns recolhimentos foram indevidos, tendo direito à restituição, nos termos do art. 165 do CTN. Alega que, apesar de ter preenchido o formulário aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 900/2008, para obter a restituição, as autoridades fiscais se negam a recebêlo, por se encontrar disponível no site da Receita Federal do Brasil formulário eletrônico para tal finalidade. Aduz, contudo, que o formulário eletrônico não aceita pedidos de restituição de tributos recolhidos há mais de cinco anos, contados da data do preenchimento do formulário; que o prazo para pleitear a restituição dos tributos sujeitos ao lançamento pelo regime de homologação é de dez anos e não de cinco anos, como aceito no formulário eletrônico." O conteúdo da citada decisão judicial, de outra parte, foi no sentido de "que a autoridade impetrada receba e processe o pedido de restituição da Impetrante, formulado em papel". Ou seja, como bem esclarecido pelo acórdão recorrido, não há, em absoluto, qualquer violação à referida decisão judicial no fato de que o pedido de restituição da Recorrente formulado por meio de PER seja analisado nos presentes autos. Ora, tal pedido foi apresentado, em meio eletrônico, em estrita obediência à legislação de regência dos pedidos de restituição e declaração de compensação, inexistindo qualquer vício que o invalide. A decisão judicial que favoreceu a Recorrente se limitou a determinar o recebimento e processamento dos pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulário de papel. E isto foi feito no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. O fato de o pedido formulado em papel abranger o crédito já pleiteado anteriormente em meio eletrônico será apenas mais um elemento a ser considerado pela autoridade administrativa Fl. 70DF CARF MF Processo nº 12448.907689/201358 Acórdão n.º 1302002.845 S1C3T2 Fl. 9 8 quanto da análise daquele pedido. Jamais, há qualquer tipo de substituição, ou implicaria o cancelamento do PER. Tratamse de pedidos autônomos, com análises próprias. No caso, não há qualquer incompetência ou cerceamento do direito de defesa a atrair a incidência do art. 12 do Decreto nº 7.574, de 2011. Sequer se observa qualquer vício ou outro tipo de irregularidade nos presentes autos, razão pela qual deve ser rejeitada a alegação de nulidade formulada pela Recorrente. III DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO Não tendo sido deduzido no Recurso apresentado qualquer argumento ou pedido relacionado com o mérito do PER analisado nos presentes autos, devese considerar que a matéria não foi objeto de questionamento, mantendose incólume a decisão de primeira instância que não reconheceu o direito creditório. IV CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar a alegação de nulidade e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a manutenção do indeferimento da restituição do crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição de que tratam os presentes autos." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 71DF CARF MF
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