Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13748.002032/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004
PARCELAMENTO ESPECIAL. PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA
Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não-homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1302-002.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: Paulo Henrique Silva Figueiredo
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2004 PARCELAMENTO ESPECIAL. PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não-homologação da compensação declarada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13748.002032/2008-13
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894737
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.759
nome_arquivo_s : Decisao_13748002032200813.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : Paulo Henrique Silva Figueiredo
nome_arquivo_pdf_s : 13748002032200813_5894737.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7403754
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585301778432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1824; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13748.002032/200813 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.759 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente PETRO ITA TRANSPORTES COLETIVOS DE PASSAGEIROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 PARCELAMENTO ESPECIAL. PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de recurso interposto em relação ao acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, posto que o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 20 32 /2 00 8- 13 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13748.002032/200813 Acórdão n.º 1302002.759 S1C3T2 Fl. 3 2 alegado pagamento indevido foi utilizado para amortização do saldo devedor do parcelamento PAES. O presente processo cuida de Declaração de Compensação apresentada em formulário de papel, por meio da qual a contribuinte compensou débito de sua responsabilidade com crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior. O crédito em questão é relativo a pagamento realizado em 30/06/2004, sob o código de receita 7122 (Parcelamento Lei nº 10.684/03 Demais pessoas jurídicas). O Despacho Decisório, com base em Parecer do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, não homologou a compensação declarada, tendo em vista que o pagamento invocado estaria integralmente apropriado ao parcelamento realizado pelo sujeito passivo, sob o amparo da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003 (PAES), conforme demonstrativos constantes do processo. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, limitandose a argumentar que, no ato de ciência da nãohomologação, não lhe foram fornecidas cópias dos documentos que comprovariam a alocação do pagamento invocado aos débitos parcelados no PAES, de modo que estaria impossibilitado o exercício da ampla defesa e do contraditório. Foram, então, facultadas ao sujeito passivo vistas e cópias do presente processo e aberto o prazo para aditamento da manifestação de inconformidade. O sujeito passivo apresentou aditamento, sustentando que os documentos indicados no Parecer que propôs a nãohomologação das compensações não indicariam os débitos a que teriam sido alocados o pagamento pleiteado. Segundo alegou, tal indicação seria necessária para a confirmação de que o crédito não teria sido alocado a débitos excluídos do parcelamento, por ocasião de pedidos de revisão apresentados, quando da consolidação. A decisão de primeira instância, por unanimidade, não homologou a compensação, uma vez que o pagamento alegado pelo sujeito passivo teria sido integralmente utilizado para a amortização dos débitos incluídos no PAES. Frisou aquela decisão que a "alocação das cotas do parcelamento PAES é feita no débito total consolidado e não em cada tributo devido, como entende o interessado". Regularmente cientificado do Acórdão, o sujeito passivo apresentou Recurso, no qual reitera a necessidade de ter acesso ao contacorrente discriminado do parcelamento especial, sob a mesma fundamentação de que seria preciso verificar se não houve a alocação de pagamentos a débitos já excluídos do parcelamento, e de verificar as migrações ocorridas entre os parcelamentos especiais. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13748.002032/200813 Acórdão n.º 1302002.759 S1C3T2 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.745, de 12.04.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13748.001501/200887, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento realizado em 30/12/2003, no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003. Nos presentes autos, o crédito utilizado nas compensações tem origem no pagamento realizado em 30/06/2004, também no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.745), adequandoa ao caso concreto: I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 31 de maio de 2010, tendo apresentado seu Recurso em 16 de junho de 2010, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso VII, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DO MÉRITO Como já relatado, tratase de Declaração de Compensação referente a pagamento efetuado, em 30/12/2003, no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Não há qualquer demonstrativo que esclareça a razão de a Recorrente entender que o citado pagamento é indevido ou maior que o devido, de forma a ensejar a restituição/compensação. As únicas alegações da Recorrente são no sentido de que não constaria do processo um contacorrente detalhado que mostrasse a que débitos os pagamentos realizados no âmbito do referido parcelamento estariam alocados. Como bem registrado no Parecer que embasou a não homologação da compensação e na decisão de primeira instância, consta do processo o demonstrativo de todos os Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13748.002032/200813 Acórdão n.º 1302002.759 S1C3T2 Fl. 5 4 pagamentos que foram alocados ao parcelamento formalizado pelo sujeito passivo, em um total de R$ 371.449,99, dentre os quais se inclui aquele que embasa a Declaração de Compensação de que trata o presente processo. A par disso, consta do processo extrato da conta do parcelamento em questão, por meio do qual se constata que os débitos incluídos no parcelamento perfizeram um total de R$ 1.969.178,74 (após o ajuste do valor original, que era de R$ 6.342.752,70). Fica patente, portanto, a inexistência de qualquer direito creditório e o acerto da decisão a quo. Como bem pontuado no Acórdão da DRJ, a discussão invocada pela Recorrente, que diz respeito ao detalhamento dos débitos incluídos e amortizados no PAES, deve ser tratada no âmbito do processo de acompanhamento do citado parcelamento. Tal discussão, contudo, não valida, de qualquer modo, o crédito que fundamentou a compensação declarada, já que inegável que os pagamentos efetuados no âmbito do PAES foram utilizados para a amortização parcial dos débitos nele consolidados. III CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação por ele declarada no presente processo. Por cautela, antes da cobrança do valor indevidamente compensado, deveser verificar se a cobrança do mesmo débito não está sendo/foi realizada em outro processo administrativo, como apontado na decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso do sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação por ele declarada no presente processo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13617.001047/2008-50
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
INCLUSÃO RETROATIVA. INÍCIO DE ATIVIDADE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS CUMULATIVOS NO PRAZO LEGAL.
Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conforma-se com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1003-000.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 INCLUSÃO RETROATIVA. INÍCIO DE ATIVIDADE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS CUMULATIVOS NO PRAZO LEGAL. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conforma-se com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13617.001047/2008-50
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5889301
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.085
nome_arquivo_s : Decisao_13617001047200850.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 13617001047200850_5889301.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7384775
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585309118464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1372; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 51 1 50 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13617.001047/200850 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.085 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 05 de julho de 2018 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente MARIA S. DE SOUZA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 INCLUSÃO RETROATIVA. INÍCIO DE ATIVIDADE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS CUMULATIVOS NO PRAZO LEGAL. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conformase com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 61 7. 00 10 47 /2 00 8- 50 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13617.001047/200850 Acórdão n.º 1003000.085 S1C0T3 Fl. 52 2 A Recorrente formalizou em 26.08.2008, fls. 0102, o Pedido de Inclusão Retroativa no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional alegando que: A Empresa acima não providenciou o pedido de inclusão no Simples Nacional, no prazo de 10 dias pelo seguinte motivo; conforme o resumo em anexo, feito pelo consultor, Ricardo Paz Gonçalves, da Affectum, referente a Resolução CGSN n° 29, de 21 de Janeiro de 2008, em que a opção pelo simples nacional se dará automaticamente a partir de 1° de Janeiro de 2008, a partir da data da abertura do CNPJ. Observando que esta Empresa está com seus cadastros paralisados na Caixa e Inss, e com pendências na Receita Estadual , devido a falta dessa inclusão. Tal inclusão se faz urgente para que a mesma possa iniciar suas atividades. No Despacho Decisório de Inclusão Retroativa no Simples Nacional DRF/Sete Lagoas/MG, de 05.02.2009, fls. 1112, consta que o pedido foi indeferido fundamentado no fato de que: Trata o presente processo de pedido de inclusão, a partir da data de abertura da empresa no CNPJ (22/08/2007), no Simples Nacional, formalizado em 26/08/2008. [...] Em verificação ao Portal do Simples Nacional, constatouse que a única solicitação de inclusão por parte do contribuinte foi feita em 06/01/2009, incluindoo a partir de 01/01/2009. No Sistema CNPJ, verificouse que a data do pedido de inscrição no CNPJ foi 13/03/2008 e o processamento se deu em 03/04/2008. O contribuinte anexou, à fl. 04, uma noticia com o título “Empresas com CNPJ a partir de janeiro são automaticamente incluídas no SuperSimples”, que informava que o CGSN aprovou, em 21/01/2008, uma medida que incluía automaticamente as empresas no Simples Nacional inscritas no CNPJ a partir de 2008. Salientase que a informação, ou ao menos sua interpretação, está equivocada. Ressaltase que o próprio contribuinte anexou a Resolução CGSN n° 29, de 21/01/2008, à fl. 07, onde constam as verdadeiras alterações ocorridas. O Requerimento de Empresário, relativo ao ato de inscrição da empresa, à fl. 02, foi registrado na junta comercial em 22/08/2007, que é a data de abertura da empresa no CNPJ. A Lei Complementar n° 123, de l4 de dezembro de 2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, dispõe que: [...] De acordo com a Resolução CGSN n° 004, de 30 de maio de 2007: [...] A Resolução CGSN n° 29, que modificou a Resolução CGSN n° 004, não informou em nenhum momento que as empresas seriam automaticamente incluídas no Simples Nacional a partir de 2008. A legislação informa, de forma clara, que a opção é feita via internet, e que a modificação foi em relação à data em que as empresas passaram a ser consideradas como optantes pelo Simples Nacional. Em 2007, era a data da última inscrição (federal, estadual, municipal). Em 2008, passou a ser considerada a datada abertura da empresa no CNPJ. Além disso, a empresa solicitou o CNPJ mais de 180 dias depois da data da abertura da empresa (22/08/2007), o que impede a inclusão da empresa na condição "em início de atividade". Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13617.001047/200850 Acórdão n.º 1003000.085 S1C0T3 Fl. 53 3 Ante o exposto, proponho o indeferimento do pedido de inclusão retroativa no SIMPLES NACIONAL. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado na ementa do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/BHE/MG nº 0227.302, de 24.06.2010, fls. 2931: PRAZO PARA OPÇÃO. INICIO DE ATIVIDADES. INCLUSÃO DE OFICIO. Para as pessoas jurídicas em inicio de atividades, a opção pelo Simples Nacional para o anocalendário de 2008 deveria ser feita por meio da internet, no prazo de até dez dias, contados do último deferimento de previstos para a opção, dentro dos prazos determinados pela legislação, “inscrição. Caso não tenham sido adotados todos os procedimentos l não ha amparo legal para atendimento a pedido de inclusão de ofício. Impugnação Improcedente Notificada em 24.01.2011, fl. 33, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.02.2011, fl. 34, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Referente ao cumprimento dos requisitos cumulativos para deferimento da inclusão retroativa pelo Simples Nacional no caso de início de atividades aduz que: Solicita que seja revisto o indeferimento do Pedido de Inclusão no SIMPLES NACIONAL do ano calendário 2008, pois a única maneira que a Pessoa Jurídica, depois de inscrita no CNPJ tem de optar pelo regime de tributação SIMPLES NACIONAL é pela internet. Todavia o Cadastro Sincronizado Nacional estava em fase de implantação, e por alguma falha no sistema o processo não foi concluído emitindo a mensagem que a opção estava fora do prazo. Foram feitos vários contatos com a ARF/Diamantina, em busca de uma solução, mas infelizmente não tinham nenhuma orientação como resolver tal situação, na ocasião foi informado que haviam várias Empresas recém inscritas na mesma situação. Discordase do indeferimento da Impugnação ao Termo de Indeferimento da Opção pelo SIMPLES NACIONAL, pelo fato da Empresa ter feito tudo o que estava ao seu alcance dentro do prazo de 10 dias a partir da inscrição no CNPJ. Portanto conclui se que é injusto a Empresa ser prejudicada, por um problema do sistema, e também pelo fato da RFB, não disponibilizar outro meio para a adesão ao SIMPLES NACIONAL. Concernente ao pedido expõe que: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente que seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose os débitos de tributos e cobranças de obrigações fiscais, que tenham originado pela não opção ao SIMPLES NACIONAL, no anocalendário de 2008. É o Relatório. Voto Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13617.001047/200850 Acórdão n.º 1003000.085 S1C0T3 Fl. 54 4 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente diz que deve ser deferida a sua inclusão retroativa no Simples Nacional no início de atividade. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, determina que a opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição. O indeferimento da opção pela sistemática será formalizado mediante ato da Administração Tributária e a exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das pessoas jurídicas optantes. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conformase com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário, oportunidade em que presta declaração quanto ao não enquadramento nas vedações legais. Nos casos de empresa com início de atividade no anocalendário de 2008, o prazo para opção neste mesmo ano se encerrará após decorridos 10 (dez) dias da comprovação do último deferimento de inscrição nos entes federativos, quando exigíveis. A pessoa jurídica não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) da data da abertura constante no CNPJ, observados os demais requisitos. A opção implica o recolhimento mensal, mediante Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) até o dia 20 do mês subseqüente àquele em que houver sido auferida a receita bruta. Ainda que se trate de situação de inatividade, deve ser entregue anualmente à RFB e declaração única e simplificada de informações socioeconômicas e fiscais a ser disponibilizada aos órgãos de fiscalização tributária e previdenciária, constituindo confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos tributos e contribuições que não tenham sido recolhidos resultantes das informações nela prestadas.1. A Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007, determina: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. [...] § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 17, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007 e Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007 . Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13617.001047/200850 Acórdão n.º 1003000.085 S1C0T3 Fl. 55 5 I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; II após a formalização da opção, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios a relação dos contribuintes para verificação das informações prestadas; III os entes federativos deverão, no prazo de até 10 (dez) dias, contados da disponibilização das informações, comunicar à RFB acerca da verificação prevista no inciso II; IV confirmados os dados ou ultrapassado o prazo a que se refere o inciso III sem manifestação por parte do ente federativo, considerarseão validadas as respectivas informações prestadas pelas ME ou EPP; V a opção produzirá efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pelas ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; VI validadas as informações, considerase data de início de atividade a do último deferimento de inscrição. § 4º A RFB disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios relação dos contribuintes referidos neste artigo para verificação quanto à regularidade para a opção pelo Simples Nacional, e, posteriormente, a relação dos contribuintes que tiveram a sua opção deferida. § 6º A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da inscrição no CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3º deste artigo. Analisando a legislação de regência que vigorava à época dos fatos, temse que a microempresa ou empresa de pequeno porte no caso de início de atividade no ano calendário da opção, deve observar as seguintes condições cumulativas: (a) após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (b) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de pessoa jurídica em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da inscrição no CNPJ, observados os demais requisitos legais. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13617.001047/200850 Acórdão n.º 1003000.085 S1C0T3 Fl. 56 6 O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Está registrado no voto condutor do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/BHE/MG nº 0227.302, de 24.06.2010, fls. 2931: Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, com a redação vigente à época em que ocorreram os fatos aqui tratados: [...] Como se vê, para as pessoas jurídicas em início de atividades, a opção pelo Simples Nacional para o anocalendário de 2008 deveria ser formalizada por meio da internet, no prazo de até dez dias, contados do último deferimento de inscrição, desde que não decorridos cento e oitenta dias da data de abertura constante do CNPJ. Em sua defesa, a impugnante admite não ter apresentado a opção pela internet, por acreditar que a opção seria feita automaticamente, de acordo com o disposto no art. 1° da Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008, que estabelece: [...] De acordo com o dispositivo transcrito, as modificações introduzidas alteraram tão somente a data em que a opção pelo Simples Nacional por parte de empresas em início de atividade passou a produzir efeitos. Ocorre que, para produzir efeitos, a opção pelo Simples Nacional teria necessariamente de ser formalizada, pois não houve modificação nesse sentido. Não há como interpretar que a Resolução CGSN nº 29, de 2008, viesse a promover a inclusão automática de empresas em início de atividade, deixando de exigir que fossem atendidos todos os requisitos e adotados os procedimentos previstos para tal fim. Por oportuno, cabe lembrar que as informações divulgadas por empresas de consultoria não gozam do status de legislação tributária, nos temos dos arts. 96 e 100 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Conforme cópia do requerimento do empresário juntado às fls. 2, a pessoa jurídica em epígrafe foi constituída em 17 de setembro de 2007. De modo contraditório, a impugnante afirma, ainda, que “mesmo dentro do prazo dos 10 dias, em todas as tentativas foi emitida a seguinte mensagem: “Opção pelo Simples Nacional fora do prazo”. Contudo, não foi juntado aos autos nenhum documento que comprove tal alegação, e que pudesse configurar a existência de erro no processamento da solicitação. Tampouco consta dos autos qual teria sido a data do último deferimento de inscrição. Entretanto, tal informação se toma prescindível, uma vez que a data de abertura constante do CNPJ foi 22/08/2007 (tela de fls. 9), e o pedido de fl. l somente foi apresentado em 26/08/2008, ou seja, mais de seis meses após o fim do prazo previsto no § 6º do art. 7º Resolução CGSN n° 4, de 30 de maio de 2007, com Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13617.001047/200850 Acórdão n.º 1003000.085 S1C0T3 Fl. 57 7 a Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008, anteriormente transcrito. Como visto, a legislação determina que a opção seja feita pela internet, no prazo de até dez dias, contados do último deferimento de inscrição, e antes de decorridos cento e oitenta dias da data de abertura constante do CNPJ. Por se tratar de procedimento previsto em lei, é imprescindível a observância do critério da legalidade. V Assim sendo, caso a pessoa jurídica não comprove ter adotado todos os procedimentos previstos para a opção, dentro dos prazos determinados na legislação, não lia amparo legal para acatar o pedido de inclusão no regime especial para o ano calendário de 2008. Analisando as provas produzidas nos autos, verificase que a Recorrente: (a) teve sua abertura em 22.08.2007, conforme registro na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais JUCEMG, fl. 38; (b) iniciou suas atividades junto a RFB em 22.08.2007, de acordo com o Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), fl. 37; (c) a inscrição municipal emitida pela Prefeitura Municipal de Carbonita/MG não consta nos autos; (d) o pleito de opção retroativa constante nos presente autos foi formalizado em 26.08.2008, fls. 0102. Nesse sentido a Recorrente deveria cumprir os seguintes requisitos concomitantemente: (a) não se pode averiguar os dez dias contados do último deferimento de inscrição formal; (b) poderia efetuar sua opção pelo Simples Nacional até o dia 18.02.2008 (180 dias da inscrição do CNPJ), a saber: 09 dias em agosto + 30 dias em setembro + 31 dias em outubro + 30 dias em novembro + 31 dias em dezembro do ano de 2007 + 31 dias em janeiro + 18 dias fevereiro do ano de 2008. Especificamente sobre o pedido de inclusão retroativa, cabe ressaltar que o princípio da legalidade estabelece os limites da atuação administrativa e tem por objeto o exercício de direitos individuais em benefício da coletividade e nesse sentido a vontade da Administração Pública decorre tãosomente da lei de modo que apenas pode fazer o que a lei permite (art. 37 da Constituição Federal). Restou comprovado que a Recorrente formalizou seu pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional no dia 26.08.2008, fls. 0102, ou seja, após 18.02.2008. Além disso, mesmo que a condição de 10 dias do último deferimento formal de inscrição nos entes federados não possa ser verificada, tão somente a apresentação do pleito após 180 dias da inscrição do CNPJ já é circunstância suficiente para não atender a petição. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13617.001047/200850 Acórdão n.º 1003000.085 S1C0T3 Fl. 58 8 Pertinente a informações obtidas junto a terceiros, cabe ressaltar que "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (art. 136 do Código Tributário Nacional). A afirmação suscitada na peça recursal, destarte, não é pertinente. Relativamente às alegações pertinentes ao Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples, observese que essa matéria não é objeto da lide específica no presente processo que trata do Pedido de Inclusão no Simples Nacional de formalizado em 26.08.2008, fls. 0102. Por essa razão essa questão não pode ser examinada nos presente autos por existir um rito especial para esse fim previsto no art. 7º da Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007, com redação vigente à época. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional. Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679905/2009-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/12/2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Numero da decisão: 9303-006.944
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 13/12/2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.679905/2009-49
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891843
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.944
nome_arquivo_s : Decisao_10880679905200949.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10880679905200949_5891843.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7390994
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585312264192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1443; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.679905/200949 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.944 – 3ª Turma Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Recorrente TIM CELULAR S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/12/2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 99 05 /2 00 9- 49 Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10880.679905/200949 Acórdão n.º 9303006.944 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3803004.425, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que negou provimento ao recurso voluntário. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao entendimento da decisão recorrida de que a comprovação do erro, com a respectiva juntada de documentação comprobatória, após o despacho decisório que indeferiu a compensação, deve ser feita no momento da manifestação de inconformidade/impugnação. Visando comprovar o dissenso apresentou o acórdão de número 330201.406. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões defendendo o não provimento do recurso especial do contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10880.679905/200949 Acórdão n.º 9303006.944 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.937, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 10880.679890/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.937): "Da Admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho fls. 273 a 275. Do Mérito A questão trazida a debate em Recurso Especial versa sobre o entendimento se a DCTF retificadora, após o despacho decisório comprova o direito creditório. Ou seja, a questão de mérito se restringe à certeza e liquidez do crédito. Segundo o despacho decisório eletrônico, cientificado pela contribuinte em 5/11/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte. Segundo o consta nos autos, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF. Verificase também que a contribuinte apenas trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. No caso dos autos, embora tenha sido apresentada a DCTF retificadora, a principal fundamentação do acórdão recorrido depreendese pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, pela falta de apresentação de outros documentos fiscais e contábeis da empresa, que comprovaria seu direito creditório, conforme abaixo: (....) Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10880.679905/200949 Acórdão n.º 9303006.944 CSRFT3 Fl. 5 4 contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da falta de comprovação do alegado erro ocorrido no preenchido da DCTF. Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábil fiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Nada há nos autos que demonstre esses fatos alegados pelo Recorrente. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrasse em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à alegada violação do princípio. Quanto a esse tema, compartilho do entendimento exposto no voto trazido pela ilustre Conselheira Vanessa Marini Cecconello, no Acordão n.º 9303005.469, a qual peço licença para transcrever e, por se tratar de fatos similares, adoto seus fundamentos como minhas razões de decidir no presente processo: (...) a. Possibilidade de apreciação e deferimento do pedido de compensação independentemente da apresentação de DCTF retificadora A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.300/2012. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10880.679905/200949 Acórdão n.º 9303006.944 CSRFT3 Fl. 6 5 “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10880.679905/200949 Acórdão n.º 9303006.944 CSRFT3 Fl. 7 6 Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442. No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ser este o entendimento explicitado naquela ocasião pelo Colegiado a quo, não tendo sido homologada a compensação, embora também não apresentada a DCTF retificadora, mas sim e principalmente pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, por meio de outros documentos fiscais e contábeis da empresa. Por estas razões, não pode ser acolhido o pleito da Recorrente de serem homologadas as compensações. b. Ônus da prova para comprovação da certeza e liquidez do crédito Pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para início dessa comprovação. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Vale ressaltar ainda, que aqui não estamos tratando de compensação não homologada pela falta da retificação da DCTF. Nestes casos, entendo que, quando esta é suprida pelo Contribuinte na apresentação da manifestação de inconformidade, constituindose em primeiro indício de prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devendo então ensejar nova análise do pedido de compensação pela Autoridade Fiscal. Assim, nestes caso, mediante a apresentação da DCTF retificadora, que substitui a original, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, cabível oportunizar ao Contribuinte a apresentação de provas quanto à certeza e liquidez do crédito tributário, por meio de documentos contábeis e fiscais. Ou seja, entendo que não há óbice, portanto, à apresentação da DCTF retificadora e sua aceitação após a prolação do despacho decisório. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10880.679905/200949 Acórdão n.º 9303006.944 CSRFT3 Fl. 8 7 No entanto, apresentação de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de reverter a não homologação da compensação. No caso em exame, o Contribuinte limitouse a trazer aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Diante do exposto, negase provimento ao Recurso Especial do Contribuinte." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também não juntou aos autos nenhum documento hábil a comprovar o direito creditório alegado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.720217/2015-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2015
OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO.
É cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção.
Numero da decisão: 1001-000.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2015 OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO. É cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10860.720217/2015-58
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5884709
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.575
nome_arquivo_s : Decisao_10860720217201558.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDUARDO MORGADO RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10860720217201558_5884709.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
dt_sessao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7371917
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585370984448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1340; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.720217/201558 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.575 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 05 de junho de 2018 Matéria Indeferimento de Opção SIMPLES Recorrente AMPLA SEGURANCA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2015 OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO. É cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 02 17 /2 01 5- 58 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10860.720217/201558 Acórdão n.º 1001000.575 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 37 a 58) interposto contra o Acórdão nº 0370.131, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 28 a 31), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2015 OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO. É cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio " Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em face do indeferimento, constante do “Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional” de fl. 05 (data de registro em 10/02/2015), que não acatou a solicitação de opção pelo Simples Nacional formalizado pelo contribuinte em 05/01/2015. A opção foi indeferida em virtude de existirem os débitos inscritos em Dívida Ativa da União (ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN) a título de CONTRIBUIÇÃO SOCIAL (código 1804) nº de inscrição 8061407980569 (processo nº 10860.500980/201483) e a título de COFINS (código 4493) nº de inscrição 8061407980640 (processo nº 10860.500982/201472); os quais não se encontravam com as exigibilidades suspensa, com fundamento no inciso V, artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Cientificada dessas pendências a pessoa jurídica interessada apresentou em 13/02/2015 a manifestação de inconformidade de fl. 02 protestando, em síntese, que os débitos foram objetos de reparcelamento solicitado em 22/01/2015. Apresenta documentos visando fazer prova do que alega e, solicita o seu enquadramento no Simples Nacional. " Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário sustentando Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10860.720217/201558 Acórdão n.º 1001000.575 S1C0T1 Fl. 4 3 que teria providenciado a suspensão da exigibilidade dos débito, portanto faria jus à Opção pelo Simples. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. De início, a própria Recorrente admite que o parcelamento intentado dentro do prazo fora recusado porque o valor recolhido a título de primeira parcela fora menor que o mínimo legalmente estabelecido. Justifica que como tal indeferimento ocorreu no penúltimo dia do prazo, não foi possível operacionalizar novo parcelamento tempestivamente. Ora, a responsabilidade pela boa condução de seus negócios, bem como pelo cumprimento de todas as suas obrigações, é de responsabilidade única e exclusiva do próprio Contribuinte. Se o parcelamento não pode ser realizado dentro do prazo em razão da inobservância prévia da regra que estipulava o mínimo de R$ 500,00, tal circunstância decorre de falha pessoal da Recorrente, não sendo imponível ao fisco em hipótese alguma. Ora, diante desta singela constatação, resta evidente que os débitos apontados pela decisão de piso não se encontravam quitados, tampouco com exigibilidade suspensa, na data final para a opção ao Simples no referido anocalendário. Por conseguinte, cai por terra toda a argumentação trazida pela Recorrente, não havendo que se falar em reforma do decisum. Assim, por economia processual, peço licença para adotar e transcrever os fundamentos já exarados na decisão de primeira instância: "(...) O litígio é decorrente do ato de indeferimento da opção pelo Simples Nacional para o ano de 2015 em virtude da existência de débitos inscritos em Dívida Ativa da União que o contribuinte integralmente contesta. Não assiste razão à empresa manifestante. A Lei Complementar nº 123, de 2006, estabelece em seu artigo 17, inciso V, condição impeditiva para recolher tributos na sistemática do Simples Nacional a existência de débitos: Lei Complementar nº 123/2006 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10860.720217/201558 Acórdão n.º 1001000.575 S1C0T1 Fl. 5 4 Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art.17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) Consoante o que dispõe a Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, tal impedimento era passível de regularização, desde que tal regularização se desse no mesmo prazo concedido para fazer a opção pelo Simples Nacional: Resolução CGSN nº 94/2011 Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no §5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (...) Excepcionalmente para o ano de 2015 o prazo para regularização das pendências motivadoras dos indeferimentos da opções dos contribuintes pelo Simples Nacional encerrouse em 06/02/2015, conforme notícia a seguir transcrita assinada pela SecretariaExecutiva do Comitê Gestor do Simples Nacional no sítio do Simples Nacional (http://www8.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional/Noticias/NoticiaCompleta.aspx?id=14 bb352c3e654ba2ba7620de6d004f01): Prazo de opção pelo Simples Nacional termina hoje, 30 de janeiro 30/01/2015 Os pedidos de opção pelo Simples Nacional para empresas em atividade, com validade para 2015, poderão ser feitos até às 23h59m do dia 30/01/2015, horário de Brasília. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10860.720217/201558 Acórdão n.º 1001000.575 S1C0T1 Fl. 6 5 Eventuais pendências junto à Receita Federal do Brasil não impedem a formalização do pedido de opção, mas referidas pendências devem ser resolvidas até o dia 06/02/2015, sob pena de causar o indeferimento do pedido. Não há necessidade de o contribuinte comparecer às unidades de atendimento da Receita Federal. A maior parte das pendências pode ser resolvida pela Internet, a exemplo dos pedidos de parcelamento. Importante destacar que o pedido de parcelamento, para ser deferido, deve ter a primeira parcela paga até dois dias antes do prazo final para regularização. Ou seja, na hipótese de parcelamento, o valor da entrada deve ser pago até o dia 04/02/2015. As multas relativas à GFIP que se enquadrem na hipótese de anistia, em face do disposto nos artigos 48 a 50 a Lei nº 13.097/2014, não impedirão, por si só, o deferimento do pedido de opção. O resultado final da opção será divulgado dia 13 de fevereiro de 2015, no item Simples – Serviços > Opção > Acompanhamento da formalização da opção pelo Simples Nacional. SECRETARIAEXECUTIVA DO COMITÊ GESTOR DO SIMPLES NACIONAL No caso em exame, pelas telas de fls. 16 a 27, retiradas dos sistemas internos da PGFN (consulta em 24/02/2015), constatase que, na data limite de 06/02/2015 permitida pela legislação que rege o Simples Nacional para o contribuinte regularizar as pendências que impediram a sua inclusão nesse regime de apuração a partir do ano de 2015, os débitos a título de CONTRIBUIÇÃO SOCIAL (código 1804) nº de inscrição 8061407980569 (processo nº 10860.500980/201483) e a título de COFINS (código 4493) nº de inscrição 8061407980640 (processo nº 10860.500982/201472), relacionados no “Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional” de fl. 05, encontravase como devedores (em aberto) na situação de “ATIVA NÃO AJUIZÁVEL EM RAZÃO DO VALOR”. Salientase que o documento de fls. 07/08 apresentado pela própria empresa manifestante junto com sua peça de defesa, com vistas a comprovar o reparcelamento requerido em 22/01/2015, atesta que foi indeferido em 03/02/2015 esse pedido no que se tocante às inscrições nº 8061407980569 e nº 8061407980640. Assim, uma vez que efetivamente os débitos inscritos em Dívida Ativa da União elencados no Termo de Indeferimento, os quais motivaram o indeferimento da opção do contribuinte pelo Simples Nacional para o ano de 2015, não foram regularizados até a data limite de 06/02/2015 permitida pela legislação, correto o indeferimento do pedido de inclusão nessa sistemática de apuração. (...)" Conforme apontando, havia débitos sem exigibilidade suspensa, ao final do prazo legal, que justificaram o Indeferimento da Opção pelo Simples. Desta forma, deve ser confirmado o ato praticado pela autoridade administrativa. Em face a todo o exposto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10860.720217/201558 Acórdão n.º 1001000.575 S1C0T1 Fl. 7 6 (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.725946/2017-08
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as argüições de nulidade quando o lançamento atende integralmente aos preceitos legais. A notificação de lançamento foi emitida por autoridade competente, apresentando todos os seus requisitos essenciais, especialmente o enquadramento legal da infração e a descrição dos fatos expressos de modo claro, permitindo ao contribuinte conhecer perfeitamente os fatos a ele atribuídos.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as alegações de nulidade quando a decisão recorrida enfrentou adequadamente o mérito, sem que se vislumbre qualquer afronta ao direito de defesa do contribuinte.
Numero da decisão: 2002-000.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que deu provimento, para afastar a glosa das despesas médicas conforme documentos juntados às e-fls. 40 e 42.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando o lançamento atende integralmente aos preceitos legais. A notificação de lançamento foi emitida por autoridade competente, apresentando todos os seus requisitos essenciais, especialmente o enquadramento legal da infração e a descrição dos fatos expressos de modo claro, permitindo ao contribuinte conhecer perfeitamente os fatos a ele atribuídos. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando a decisão recorrida enfrentou adequadamente o mérito, sem que se vislumbre qualquer afronta ao direito de defesa do contribuinte.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10166.725946/2017-08
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5892623
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2002-000.225
nome_arquivo_s : Decisao_10166725946201708.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
nome_arquivo_pdf_s : 10166725946201708_5892623.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que deu provimento, para afastar a glosa das despesas médicas conforme documentos juntados às e-fls. 40 e 42. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7394183
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585388810240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1830; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 111 1 110 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.725946/201708 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.225 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente NAIRA NADJA DE OLIVEIRA ALMEIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando o lançamento atende integralmente aos preceitos legais. A notificação de lançamento foi emitida por autoridade competente, apresentando todos os seus requisitos essenciais, especialmente o enquadramento legal da infração e a descrição dos fatos expressos de modo claro, permitindo ao contribuinte conhecer perfeitamente os fatos a ele atribuídos. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando a decisão recorrida enfrentou adequadamente o mérito, sem que se vislumbre qualquer afronta ao direito de defesa do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 59 46 /2 01 7- 08 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10166.725946/201708 Acórdão n.º 2002000.225 S2C0T2 Fl. 112 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que deu provimento, para afastar a glosa das despesas médicas conforme documentos juntados às efls. 40 e 42. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10166.725946/201708 Acórdão n.º 2002000.225 S2C0T2 Fl. 113 3 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 20/25), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2013. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$9.259,53 para saldo de imposto a pagar de R$12.704,53. A notificação consigna deduções indevidas de despesas médicas (R$11.400,00) e de incentivo (R$310,00). Impugnação Cientificada à contribuinte em 22/5/2017, a NL foi objeto de impugnação, em 19/6/2017, à fl. 2/43 dos autos, na qual o representante da contribuinte contestou parte das glosas de despesas médicas, afirmando ter juntado as provas pertinentes no curso da ação fiscal, além de questionar aspectos do procedimento fiscal. Apontou ainda que caberia ao Fisco diligenciar junto ao profissional ou apresentar provas quanto à falsidade do documento. A impugnação foi apreciada na 7ª Turma da DRJ/RJO que, por unanimidade, julgoua improcedente, diante da falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas exigido no curso da ação fiscal (fls. 60/68). Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 20/11/2017 (fl. 73), o representante da contribuinte, em 27/11/2017 (fl. 81), apresentou recurso voluntário, às fls. 81/106, no qual apresenta as alegações a seguir sintetizadas. a decisão a quo seria nula por falta de fundamentação na análise da arguição de nulidade do auto de infração. Diz que a decisão limitase a transcrever o artigo 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, que não teria relação com a nulidade arguida de ausência de fundamentação do ato de intimação para comprovação do pagamento. a decisão seria nula ainda por utilizarse de legislação já revogada. Cita os artigos 368, 376 e 333, inciso I do Código de Processo Civil de 1973, já revogado. Acrescenta que a decisão fala em doutrina citada pelo contribuinte, quando não houve qualquer citação de doutrina em sua impugnação. requer a declaração de nulidade da decisão a quo uma vez que teve seu direito de defesa preterido, na forma do artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. no mérito, informa que apresentou todos os recibos e comprovantes no curso da ação fiscal, além de todo o seu histórico bancário, que demonstraria a disponibilidade financeira para os pagamentos declarados. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10166.725946/201708 Acórdão n.º 2002000.225 S2C0T2 Fl. 114 4 reproduz a motivação da autuação e defende que esses não podem ser alterados em sede de julgamento, sob pena de ofensa à teoria dos motivos determinantes. defende que o auto de infração seria nulo, uma vez que a intimação para comprovação do efetivo pagamento e da prestação do serviço só pode ocorrer se for devidamente fundamentada, citando decisão do CARF sobre o tema. No seu caso, diz que não foi apresentada justificativa para tal exigência. os recibos preencheriam os requisitos legais, conforme reconhecido na decisão de primeira instância, e sua veracidade não teria sido questionada pela fiscalização. Reproduz ementas de julgados do CARF acerca do tema. além dos recibos, apresentou declaração emitida pelo profissional, atestando a realização dos serviços e corroborando as informações dos recibos. o fato de o prestador do serviço não ter declarado esses rendimentos não pode modificar a realidade dos fatos, uma vez que os recibos foram apresentados, inexistia nesse anocalendário a exigência de indicação pelos profissionais do CPF dos tomadores dos serviços e eventual descumprimento de obrigação do prestador do serviço não pode ofender seu direito à dedução, já que efetivamente pagou pelo serviço. a exigência de coincidência de datas e valores entre os saques e recibos não é razoável. A análise do extrato indicaria a existência de disponibilidade suficiente para pagamento dos serviços. Os saques superariam em muito o valor do serviço. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.70). Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10166.725946/201708 Acórdão n.º 2002000.225 S2C0T2 Fl. 115 5 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Preliminar Nulidade da Autuação A recorrente suscita a nulidade da autuação por entender que caberia à Autoridade Fiscal justificar a exigência de comprovação do efetivo pagamento da despesa médica declarada. Do exame dos autos, constatase que o lançamento atende integralmente aos preceitos de ordem pública expressos no art. 142 do Código Tributário Nacional e apresenta os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235/1972. Ressaltese especialmente que a autuação contém o enquadramento legal completo e uma descrição dos fatos clara, permitindo à contribuinte conhecer a infração que lhe está sendo atribuída. Ademais, a contribuinte pôde impugnar a autuação e, agora, recorrer da decisão a quo, garantindose plenamente no presente processo o direito ao contraditório e à ampla defesa. As peças de defesa apresentadas demonstram que a contribuinte entendeu perfeitamente as acusações que lhe foram feitas e delas se defendeu com facilidade, garantindose assim no presente processo o direito ao contraditório e à ampla defesa. O argumento da defesa de que o lançamento seria nulo em decorrência de intimação não motivada do Fisco, ainda que verdadeiro, não dá causa a nulidade do lançamento e será analisado como argumento de mérito. Em face das ponderações acima, a preliminar de nulidade do lançamento não merece acolhida. Nulidade da Decisão de Primeira Instância A recorrente suscita a nulidade da decisão de primeira instância por dois pontos: primeiro, pela suposta carência de fundamentação no exame da arguição de nulidade Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10166.725946/201708 Acórdão n.º 2002000.225 S2C0T2 Fl. 116 6 do auto de infração, e, segundo, pela citação de artigos do Código de Processo Civil CPC de 1973, já revogado. Quanto à primeira alegação, vejo que a decisão a quo afastou a preliminar sob o mesmo fundamento utilizado na presente decisão: apontando que a questão em si deveria ser abordada na análise do mérito e que a notificação preencheu todos os requisitos da legislação aplicável, não havendo que se cogitar de sua nulidade, como segue: Equivocase o contribuinte, uma vez que não compete à autoridade fiscal motivar suas intimações e solicitações para comprovação de despesas, como adiante será detalhadamente abordado. Relevante, contudo, o fato de a autoridade fiscal ter feito constar claramente da Complementação da Descrição dos Fatos as razões da glosa, sem que nenhum prejuízo de ordem prática à defesa possa ser verificado, visto ter o interessado elaborado sua argumentação e instruído sua defesa da maneira que entendeu eficiente ao deslinde da lide. Destacase, ainda, que o lançamento em foco foi legal e corretamente efetuado. Foi embasado na declaração do contribuinte e nas informações constantes da base de dados da Receita Federal e preencheu todos os requisitos necessários para sua elaboração, não existindo nenhum vício formal ou material que exija sua anulação. Ademais, estando a Notificação de Lançamento em consonância com os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235/72, e não tendo ocorrido nenhuma das causas apontadas no art. 59 do referido diploma legal, reproduzidos a seguir, não há que se cogitar de nulidade. ... Observo que o fundamento para alegação de nulidade trata, em verdade, de argumento de mérito, o que será analisado adiante. Logo, não restando patente a nulidade apontada, concluo por afastar a preliminar suscitada. (destaques acrescidos) Quanto à citação de dispositivos do já revogado Código de Processo Civil de 1973, observo que os artigos foram citados apenas para reforçar aspectos da legislação tributária. Ou seja, a decisão a quo não está amparada nesses dispositivos, não havendo que se cogitar de sua nulidade por esse aspecto. Ademais, cabe observar que a contribuinte tem assistência de advogado em sua defesa (fl.105) e que o patrono certamente tem conhecimento que os artigos 333, 368 e 376 do antigo Código de Processo Civil encontramse reproduzidos nos artigos 373, 408 e 415 do CPC em vigor. Dessa feita, cabe rejeitar a preliminar de nulidade arguida, seja da autuação, seja da decisão de primeira instância. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10166.725946/201708 Acórdão n.º 2002000.225 S2C0T2 Fl. 117 7 Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10166.725946/201708 Acórdão n.º 2002000.225 S2C0T2 Fl. 118 8 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Portanto, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Acrescentese que, na ausência de comprovantes bancários, poderia ter juntado prontuários e receituários médicos ou exames realizados, mas a contribuinte nada Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10166.725946/201708 Acórdão n.º 2002000.225 S2C0T2 Fl. 119 9 apresentou nesse sentido, tendo se limitado a apresentar o recibo de fl.40 e a declaração de fl.42. Registrese que no curso da ação fiscal, a recorrente apresentara os extratos bancários, de forma a demonstrar que tinha disponibilidade financeira. Entretanto, tal qual a autoridade autuante e a autoridade julgadora de primeira instância, entendo que a disponibilidade de recursos não se presta a fazer a prova exigida, de comprovação do efetivo pagamento da despesa em discussão. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. Como indicado pela decisão de piso, os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10166.725946/201708 Acórdão n.º 2002000.225 S2C0T2 Fl. 120 10 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901971/2008-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.
O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão.
Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Numero da decisão: 1001-000.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, e no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues e José Roberto Adelino da Silva que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10983.901971/2008-71
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894097
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.643
nome_arquivo_s : Decisao_10983901971200871.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
nome_arquivo_pdf_s : 10983901971200871_5894097.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, e no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues e José Roberto Adelino da Silva que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7401042
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585407684608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1854; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 194 1 193 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.901971/200871 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.643 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria PERDCOMP Recorrente UNIMED CRICIUMA COOPERATIVA TRABALHO MÉDICO REGIAO CARBONIFERA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admitese a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, e no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 19 71 /2 00 8- 71 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 195 2 Eduardo Morgado Rodrigues e José Roberto Adelino da Silva que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ mediante o Acórdão nº 1272.843, de 11/02/2015 (efls. 81/83), que não reconheceu o direito creditório pleiteado. A contribuinte apresentou a PerDcomp nº 06787.12813.090804.1.7.046236 (efls. 7/12), cuja compensação não foi homologada, tendo em vista que o Darf discriminado no PerDCOMP, no valor de R$ 5.000,00, pago em 30/09/1999 (cód 2362 e PA 31/08/1999), foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informado no PerDcomp, conforme constou no Despacho Decisório (efl. 5), de 18/07/2018. Na manifestação de inconformidade (efls. 2/4), a manifestante alega, em síntese, que, em 01/08/2008, retificou a DCTF após verificar que houve erro no preenchimento do valor original do pagamento. Anexa a DCTF retificadora e o DARF (e fls. 15/46). Pede o cancelamento do Despacho Decisório, o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação. O r. acórdão conclui pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, cujo excerto do voto condutor transcrevo a seguir: (grifos não constam do original) (...) 14 Em consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, verificase que o interessado entregou quatro DCTF em relação ao terceiro trimestre de 1999. 15 Nas duas primeiras DCTF, entregues em 08.11.1999 e 09.11.1999, o interessado confessou débito de IRPJ (cód 2362), no valor de R$ 5.000,00, em Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 196 3 relação ao mês de agosto de 1999. Por outro lado, nas duas últimas DCTF, ambas entregues em 01.08.2008, não foi declarado valor para esse imposto (fls. 76/80). 16 Ocorre que a retificação da DCTF, onde nada se declarou a título de IRPJ (cód 2362), foi realizada posteriormente a 30.07.2008, data em que o interessado tomou ciência do Despacho Decisório (fls. 73). 17 Cumpre anotar que a retificação da DCTF teve por objetivo reduzir o valor do tributo devido. Nessa linha, dispõe o § 1º. do art. 147, § 1º. do CTN, que “a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento”. 18 Nesse contexto, caberia ao interessado, além de retificar a DCTF, acostar aos autos provas documentais (exemplo: livros contábeis, balancetes de suspensão/redução –cód 2362, etc.), a fim de comprovar o erro alegado, afastando dúvidas acerca da efetiva existência do direito creditório pleiteado. 19 As provas necessárias à comprovação do erro alegado não foram acostadas aos autos, razão pela qual deve ser mantido o Despacho Decisório proferido pela autoridade lançadora. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF. RETIFICAÇÃO DE DÉBITOS. FALTA DE PROVAS. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o fato que lhe deu causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 18/03/2015, conforme despacho à efl. 89, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 15/04/2015 (efls. 90/91), conforme carimbo aposto na fls. 90. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 197 4 No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e, em face da decisão de primeira instância, anexa ao recurso "cópia da DIPJ comprovando o débito indevido do imposto e o Livro Diário nº 12, páginas 182, 450, 452 e 453 onde demonstra a contabilização do imposto a compensar". Quanto à retificação da DCTF após a transmissão do Per/Dcomp e da ciência do despacho decisório, não há nenhum óbice, desde que as informações declaradas em DCTF não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Ocorre que na manifestação de inconformidade a manifestante não apresentou nenhum documento para comprovar o alegado direito creditório, fazendo o mesmo somente agora, no presente recurso voluntário. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 198 5 c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Outro ponto nodal sobre a mesma matéria referese ao momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 199 6 Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Como consignei acima, não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor (ou contra). Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não afastaria a discricionariedade do julgador perquirir sobre outros elementos, visando firmar sua convicção. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 200 7 Essas considerações são de crucial importância para avaliação da caracterização de determinada prova como reforço da anteriormente apresentada e, conseqüentemente, da possibilidade de sua aceitação. Mormente, a análise das especificidades de cada caso concreto é o que deve pautar o julgador nesse desiderato, não obstante, sem se afastar do norte lógicojurídico que deve alicerçar sua decisão. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e, para comproválo, juntou somente cópia da DCTF retificadora em sua Manifestação de Inconformidade. Ressaltese, por fundamental, que a declaração apresentada foi transmitida após a ciência do Despacho Decisório e, como já assinalado, a DCTF retificadora não é condição para a homologação do crédito, contudo, a sua apresentação não tem o condão de, por si só, comproválo. Assim, seguindo o raciocínio lógicojurídico exposto anteriormente, o sujeito passivo não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a liquidez e a certeza do suposto crédito pleiteado, pois o material apresentado não se constitui em um conjunto probatório, mas, são, apenas, meros documentos. Após ciência da decisão da instância a quo, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário e juntou novos documentos aos autos. Embasado em todo a argumentação sobre o direito probatório, desenvolvida ao longo do presente voto, e nas circunstâncias do caso concreto, entendo não ser possível a aceitação de provas apresentadas somente em sede de Recurso Voluntário, tendo em vista que estas só poderiam ser validamente consideradas, caso reforçassem um conjunto probatório já presente nos autos. Fato que, como largamente demonstrado, não ocorre neste processo. Dessa forma, tal direito encontrase fulminado pela preclusão, conforme o disposto no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235 e o Princípio da Verdade Material não tem força para socorrêlo. Assim sendo, não tomo conhecimento dos novos documentos apresentados. Quanto ao suposto crédito, a recorrente não se desincumbiu do ônus de proválo, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela ausência da apresentação de provas válidas da sua liquidez e certeza no momento oportuno. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Declaração de Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 201 8 Na sessão de julgamento do processo em epígrafe, o D. Relator rejeitou em seu voto os documentos apresentados pela Contribuinte por ocasião de seu Recurso Voluntário sob o argumento de que o direito à produção probatória estaria precluido, em aplicação do art. 16, §4º e §5º, do Decreto 70.235/72. Com a devida vênia, discordo do Voto do Relator. Razão pela qual, entendi por bem declarar meu voto, especificando as razões que me levaram a divergir do posicionamento do ilustre Relator. Pois bem, conforme cediço, em nosso sistema jurídico pátrio nenhuma norma paira sozinha no universo, mas, sim, se concilia com todas as demais perfazendo um ordenamento uno, coeso e harmônico. Quer isto dizer que nenhuma norma pode ser interpretada apenas de forma isolada, devendo o hermeneuta, em seu trabalho, extrair de todas as acepções possíveis de determinado texto legal aquelas que permitam aplicação harmoniosa com as demais disposições pertinentes à mesma matéria. Em outras palavras, dentre as várias interpretações possíveis de um dispositivo legal, devese buscar aquela que não entre em conflito com outra norma igualmente válida, sob pena de subversão da ordem jurídica. Fixada essas premissas, cabe voltar a análise as normas vigentes relacionadas à questão da produção probatória. O permissivo legal que fundamentou o Voto do Relator, art. 16 do Decreto 70.235/72, possui a seguinte redação: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 202 9 § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (grifouse) Uma analise literal e isolada deste dispositivo permitiria concluir rigidamente que haveria a preclusão do direito à produção probatória após a apresentação da Impugnação, salvo nas hipóteses taxativas do §5º. Contudo, tal interpretação não deve ocorrer desta forma, vez que há outros elementos normativos atinentes a matéria que também devem ser considerados. A Constituição Federal, norma de maior hierarquia em nosso ordenamento, estabelece no inciso LV de ser art. 5º os princípios do contraditório e da ampla defesa, nos seguintes termos: LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Ao incluir o direito ao contraditório e a ampla defesa "com os meios e recursos a ela inerentes" no rol de direitos e garantias fundamentais, o legislador constituinte elevaos ao mais alto grau de importância dentro de nosso ordenamento, restando claro a preponderância que tais direitos devem ter. E, assim, devem ser observados e operacionalizados pelas demais normas infraconstitucionais. Não por acaso, tais princípios foram observados pela Lei 9.784/99, responsável por regular o Processo Administrativo Federal, que trouxe no bojo de seu art. 2º as seguintes disposições: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 203 10 proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, e à produção de provas à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...)(grifouse) Conforme se extrai, o legislador infraconstitucional não só incorporou expressamente os princípios constitucionais da legalidade, ampla defesa, contraditório e ouros, como elencou uma série de critérios a serem observados na regulamentação e condução dos processos administrativos. Desses critérios expressos acima, temse de forma bastante clara que as formalidades e restrições devem ser limitados ao estrito necessário para garantir a efetividade do processo em atender a finalidade pública. Ora, as regras processuais formais visam dar ordem ao processo, permitindo que este cumpra com seus objetivos de forma eficiente, isto é, dentro da moralidade e proporcionando segurança jurídica no cumprimento do interesse público. Contudo, a norma processual não pode se sobrepor ao próprio objetivo do processo, qual seja, a promoção da legalidade. Por oportuno esclarecese que não se está a sugerir que as regras formais postas sejam mitigadas, mas sim que a interpretação do texto legal seja feita de forma a considerar a finalidade maior do processo, as regras formais não devem ser interpretadas de forma rigorosa a ponto de prejudicar o cumprimento de seu escopo. Ainda, cumpre trazer a colação os termos do art. 38 da mesma Lei 9.784/99, que trata especificamente da produção probatória nos Processos Administrativos Federais: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 204 11 diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Notese que o texto legal diz expressamente que é permitido ao interessado apresentar ou requerer a produção de material probatório não só na fase instrutória, mas também antes da tomada da decisão. Outrossim estabelece taxativamente que a prova só poderá ser recusadas quando ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Pois bem, retornando a ideia inicialmente tratada neste Voto de que as normas jurídicas devem ser interpretadas da forma mais harmônica possível, me parece que a interpretação restritiva do art. 16 do Decreto 70.235/72, para recusar de plano toda e qualquer prova apresentada pelo contribuinte após o protocolo da Impugnação/Manifestação de Inconformidade não se coaduna com as demais normativas já expostas. Em verdade, a aplicação tão restrita assim da norma, não só implica na frontal negativa de vigência aos disposto da mais moderna Lei 9.784/99, como destoa até mesmo dos objetivos maiores do Processo Administrativo Federal que é a revisão do ato administrativo fiscal e a garantia de que este se encontra dentro da legalidade. Alias, fazse oportuno lembrar que o Processo Administrativo Fiscal também se rege pelo princípio da busca pela verdade material, ou seja, a preponderância no interesse público é a solução jurídica mais adequada ao caso, independente dos excessos de formalidade. Assim, ao meu ver, a melhor interpretação extraída da conjugação dos disposto quanto ao tema na Constituição Federal, Lei. 9.784/99 e Decreto 70.235/702 é aquela que não impõe óbice na apresentação de provas junto ao Recurso Voluntário, ou até mesmo em momento posterior prévio ao julgamento, desde que as provas não sejam ilícitas ou manejadas de má fé. De forma semelhante tem decidido a 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, em recentes julgados, conforme se colaciona: PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 205 12 (Processo: 10880.004637/9929. Rel. ANDRE MENDES DE MOURA. Data da Sessão: 14/09/2017) PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 16327.001227/200542. Rel. ADRIANA GOMES REGO. Data da Sessão: 08/08/2017) RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. (Processo: 14098.000308/200974. Rel. GERSON MACEDO GUERRA. Data da Sessão: 19/06/2017 ) Para melhor ilustrar, peço vênia para transcrever a parte final da fundamentação do Voto deste último julgado colacionado, de autoria da ilustre Conselheira Cristiane Silva Costa, designada Redatora para o Voto Vencedor: "Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. (...) Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 206 13 Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte." Destarte, diante de todos os argumentos expedindos, entendo que as provas apresentadas em momento posterior ao da Impugnação/Manifestação de Inconformidade, podem, e devem, ser conhecidas, desde que não acarretem qualquer prejuízo processual as partes ou ao bom trâmite processual. Ressalvase que o Julgador ao analisar o recebimento de provas que eventualmente entenda serem ilícitas, meramente protelatórias, ou que sejam manejadas com o intuito de lesar a parte adversa tem o poder e o dever de recusálas. Ou, ainda que não vislumbre qualquer má fé, mas tema por eventual supressão de instância ou direito ao contraditório, sempre pode recorrer a prerrogativa de baixar os autos em diligência para que seja oportunizada as providências necessárias para o resguardo do direito. Nesta linha, considerando que no caso em tela as provas oferecidas pela Recorrente por ocasião do Recurso Voluntário não foram sequer analisadas pelo digno Relator, tampouco pela DRJ de origem, entendo por bem que seja os autos baixados em diligência para que a d. Autoridade Fiscal se pronuncie a respeito. Desta feita, diante de tudo o que foi exposto, peço vênia ao Ilustre Conselheiro Relator para discordar de suas e encaminhar o meu VOTO no sentido de converter o presente julgamento em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem proceda ao exame dos argumentos e da documentação apresentada junto com o Recurso Voluntário, confrontandoa com os demais já constante dos autos e, ainda, com outros dados disponíveis. Para efetividade desse exame, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos, sem prejuízo de outras providências, a juízo da autoridade diligenciante, assim como consultas a dados e sistemas disponíveis à fiscalização. Ao final, deverá ser elaborado relatório circunstanciado explicitando suas conclusões a respeito da matéria em litígio, do qual se dará ciência à contribuinte para que no prazo de trinta dias, querendo, se manifeste. Decorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, os autos devem retornar ao CARF para julgamento. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 207 14 (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues. Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928615/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO.
Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa.
Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
Numero da decisão: 1401-002.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.928615/2009-12
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874298
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.588
nome_arquivo_s : Decisao_11080928615200912.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 11080928615200912_5874298.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
dt_sessao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7351571
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585412927488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1641; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.928615/200912 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401002.588 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2018 Matéria PER/DCOMP PAGAMENTO A MAIOR Recorrente DELL COMPUTADORES DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatandose que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 86 15 /2 00 9- 12 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 11080.928615/200912 Acórdão n.º 1401002.588 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ devido por estimativa. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiase na retificação dos valores de apuração que, após a retificação das DIPJ e DCTF da empresa, resultaram como pagos a maior. Com base nestes créditos a empresa, por meio do PER/DCOMP objeto deste processo, a empresa realizou a compensação com débito da mesma contribuição de períodos subseqüentes. Quando da análise do PER/DCOMP o sistema informatizado reconheceu a existência do crédito mas, no entanto, considerou improcedente a utilização do crédito posto que o art. 10 da IN RFB nº 600/2005, veda a possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior de estimativa para a quitação dos valores devidos por estimativa de meses subseqüentes. O contribuinte, irresignado apresentou manifestação de inconformidade alegando a existência do crédito. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação, a considerou improcedente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual entende que não é cabível o indeferimento do crédito com base no art. 10, da IN 600/2005, haja vista que, quando da prolação do despacho decisório de nãohomologação referida norma não mais estava em vigor. É o breve relatório. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 11080.928615/200912 Acórdão n.º 1401002.588 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.578, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11080.928620/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento a maior de CSLL devido por estimativa, relativo ao período de apuração de 30/09/2006, com débitos de mesma natureza de período subsequente. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, do período de apuração de 30/11/2006, com débito de mesma natureza de período subsequente. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.578): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior da CSLL com débitos da mesma contribuição de períodos subseqüentes e, ainda, a força impeditiva do art. 10, da IN RFB nº 600/2005. A norma questionada impedia a utilização, por parte do contribuinte, dos valores pagos a maior durante o ano calendário com outros débitos com base na justificativa de que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como se pagamentos por estimativas fossem, no sentido de que estes pagamentos a maior compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício. Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação. Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período. A existência do crédito relativo a este pagamento a maior exsurge desde a data do referido recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação. A limitação realizada pelo art. 10, da IN 600/2005 desborda dos limites impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos nestas inseridos. Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de forma consolidada, emitindo a Súmula nº 84, Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11080.928615/200912 Acórdão n.º 1401002.588 S1C4T1 Fl. 5 4 conforme abaixo transcrita e consoante os acórdão paradigmas precedentes que a justificaram. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. Verificado o teor da Súmula acima apresentada, há de se rever as decisões atacadas pelo recorrente. Assim decorreria este voto, quando da época de sua elaboração. Ocorre, no entanto, que iniciada a sessão de julgamento a representante do contribuinte informou acerca da existência de auto de infração lavrado por meio do processo nº 11080.732426/201161, pela sistemática do lucro arbitrado, no qual os pagamentos a maior de IRPJ e CSLL por estimativa realizados no ano e solicitados pela empresa em PER/DCOMP, para a compensação das estimativas devidas do mês de dezembro/2006. Verificase, pela consulta ao processo de auto de infração que para o ano de 2006 foi desconsiderada a escrituração fiscal da empresa e foi realizado o lançamento pelo lucro arbitrado trimestral. Da realização do lançamento foram utilizados os pagamentos por estimativa que não compuseram os saldos negativos já utilizados pela empresa (fls. 8831/8835 do processo nº 11080.732426/201161). Mais ainda, verificase que, sendo arbitrado o lucro, deixam de ser existentes os débitos por estimativa do ano de 2006, dada a modificação da sistemática de apuração do lucro. Ainda em consulta ao referido auto de infração constatamos que o mesmo já foi julgado em última instância por este CARF e mantido em definitivo os valores lavrados, já estando em fase de execução judicial (fls. 93232/93241 do processo nº 11080.732426/201161). À vista do exposto temos então que o PER/DCOMP objeto do presente processo, no qual são utilizados os pagamentos a maior de estimativas do ano de 2006 para a compensação com débitos de estimativa do mesmo ano, perdeu totalmente seu objeto, tanto pelo desaparecimento dos créditos, quanto dos débitos, em face da lavratura de auto de infração pelo lucro arbitrado já julgado em definitivo na esfera administrativa. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11080.928615/200912 Acórdão n.º 1401002.588 S1C4T1 Fl. 6 5 Por estas razões, deixo de analisar o presente recurso apenas em relação às limitações que levaram ao indeferimento do pedido e, analisando o caso em vista da verdade material, verificandose que deixaram de existir os débitos declarados no PER/DCOMP objeto deste processo, havemos de julgar no sentido de deixar de reconhecer os créditos em face de sua atual inexistência e determinar o cancelamento dos débitos declarados no PER/DCOMP em razão de igualmente não mais existirem, tudo em razão da lavratura do auto de infração pelo lucro arbitrado que modificou integralmente a situação dos débitos e créditos objeto do presente processo. Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: 1) Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; 2) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10315.001024/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2006
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO REGULAR. IMPESSOALIDADE. IMPARCIALIDADE.
Presume-se, até prova contrária a cargo de quem alega, que ação fiscal suportada por Mandado de Procedimento Fiscal regularmente emitido foi planejada atendendo os princípios da impessoalidade, imparcialidade e isonomia.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULARIDADE
"A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." (Súmula CARF nº 32)
Numero da decisão: 2202-004.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício:2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO REGULAR. IMPESSOALIDADE. IMPARCIALIDADE. Presume-se, até prova contrária a cargo de quem alega, que ação fiscal suportada por Mandado de Procedimento Fiscal regularmente emitido foi planejada atendendo os princípios da impessoalidade, imparcialidade e isonomia. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULARIDADE "A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." (Súmula CARF nº 32)
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10315.001024/2010-76
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5897527
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.662
nome_arquivo_s : Decisao_10315001024201076.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
nome_arquivo_pdf_s : 10315001024201076_5897527.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson- Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7409283
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585419218944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1645; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 251 1 250 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10315.001024/201076 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.662 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de agosto de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente JEOVÁ DA SILVA PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício:2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO REGULAR. IMPESSOALIDADE. IMPARCIALIDADE. Presumese, até prova contrária a cargo de quem alega, que ação fiscal suportada por Mandado de Procedimento Fiscal regularmente emitido foi planejada atendendo os princípios da impessoalidade, imparcialidade e isonomia. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULARIDADE "A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." (Súmula CARF nº 32) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 10 24 /2 01 0- 76 Fl. 251DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos adoto, resumidamente, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) (fls. 199/204): Trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração às fls. 03/09, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física do anocalendário 2005, exercício 2006, no valor total de R$ 123.497,60, assim composto: (...) O demonstrativo de apuração do imposto devido, multa e juros de mora encontramse às fls. 08/09. Em 06/08/2009, conforme fls. 19/21, o interessado foi cientificado do início do procedimento fiscal e intimado a apresentar elementos/esclarecimentos relativos a: Extratos bancários de contas correntes e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança e de todas as contas mantidas pelo contribuinte, seu cônjuge e dependentes, junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2007; Comprovantes dos empréstimos tomados junto aos senhores Expedito Casimiro da Silva, CPF 092.162.78315, José Hamilton Brito Silva, CPF 895.072.66372 e Francinilton Caetano Araújo, CPF: 906.016.96387, nos valores de R$30.000,00, R$ 12.000,00 e R$ 12.000,00, respectivamente, conforme informado na DIRPF/2006, no quadro 10 Dividas e Ônus reais, bem como a descrição com comprovante da forma de quitação de tais empréstimos. Houve pedido de prorrogação de prazo para entrega de documentos (fl. 22) e apresentação de documentos às fls. 23/43. Através do Termo de Intimação de fl. 44, cuja ciência ocorreu em 16/10/2009 (fl. 56), o interessado foi instado a: Comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidente com data e valor com cada lançamento, a origem dos recursos lançados à crédito da conta corrente n° 187933, mantida na Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10315.001024/201076 Acórdão n.º 2202004.662 S2C2T2 Fl. 252 3 Agência nº 04332 do Banco do Brasil; da conta corrente n ° 001.113142, Agência 0032 e da Poupança n° 013.3153211, Agência 0032, mantidas na CaixaEconômica Federal, no período de 01/2004 a 12/2007, conforme planilhas anexadas; Descrever, com comprovantes, a forma de quitação dos empréstimos tomados junto aos senhores Expedito Casimiro da Silva, CPF 092.162.78315, José Hamilton Brito Silva, CPF 895.072.66372 e Francinilton Caetano Araújo, CPF 906.016.96387, nos valores de R$30.000,00, R$12.000,00 e R$12.000,00, respectivamente. Na seqüência, houve 3 pedidos de prorrogação de prazo para a apresentação de documentos (fls. 57/59). O interessado foi reintimado em 18/02/2010 (fls. 60/61). O interessado apresentou os documentos de fls. 64/140 e solicitou prorrogação do prazo à fl. 64 para apresentar o restante dos comprovantes. A autoridade autuante intimou o Sr. Expedito Casimiro da Silva, a confirmar o empréstimo feito ao interessado em 10 de março de 2005, no valor de R$ 30.000,00; a informar e comprovar a forma como se deu a transação (transferência bancária, cheque, dinheiro, etc); a prestar informações a respeito da quitação; a informar a origem dos recursos emprestados, uma vez que apresentou declaração de isento no exercício em destaque; bem como a informar qual a relação de parentesco com o interessado (fl. 141). A fiscalização intimou o Sr. Francinilton Caetano Araújo, a confirmar o empréstimo feito ao interessado em 15 de março de 2005, no valor de R$ 12.000,00; a informar e comprovar a forma como se deu a transação (transferência bancária, cheque, dinheiro, etc); a prestar informações a respeito da quitação; a informar a origem dos recursos emprestados, uma vez que apresentou declaração de isento no exercício em destaque; bem como a informar qual a relação de parentesco com o interessado (fl. 142). Também foi intimado o Sr. José Hamilton Brito Silva a confirmar o empréstimo feito ao interessado em 15 de março de 2005, no valor de R$ 12.000,00; a informar e comprovar a forma como se deu a transação (transferência bancária, cheque, dinheiro, etc); a prestar informações a respeito da quitação; a informar a origem dos recursos emprestados, uma vez que apresentou declaração de isento no exercício em destaque; bem como a informar qual a relação de parentesco com o interessado (fl. 143). Em resposta, o Sr. Francinilton Caetano Araújo confirmou o empréstimo efetuado, informou que não houve quitação (sem vencimento), que a origem dos recursos advém de recursos adquiridos e acumulados em anos anteriores e dentro do limite Fl. 253DF CARF MF 4 legal de isenção e declarou que mantém uma relação amigável com vínculo profissional com o interessado (fl. 148). O Sr. José Hamilton Brito Silva também confirmou o empréstimo efetuado, informou que não houve quitação (sem vencimento), que a origem dos recursos advém de recursos adquiridos e acumulados em anos anteriores e dentro do limite legal de isenção e declarou que mantém uma relação amigável com o interessado (fl. 149). Em 06/09/2010, haja vista resposta do interessado no sentido de que os valores movimentados em suas contas correntes originamse de valores auferidos pela empresa Clip Construtora Ltda, houve a intimação de fls. 152/153 para que fosse: i) informado e comprovado o motivo do crédito da empresa nas contas correntes de titularidade do interessado (pessoa física); ii) comprovada e descrita minuciosamente o tipo de transação efetuada; iii) comprovada, com documentação hábil e idônea, coincidente com data e valor com cada lançamento, a origem dos recursos lançados à crédito da conta corrente n° 187933, mantida na Agência nº 04332 do Banco do Brasil; da conta corrente n ° 001.113142, Agência 0032 e da Poupança n° 013.3153211, Agência 0032, mantidas na Caixa Econômica Federal, no período de 01/2004 a 12/2007, conforme planilhas; e iv) descrita e comprovada a forma de quitação dos empréstimos tomados junto aos senhores Expedito Casimiro da Silva, CPF 092.162.78315, José Hamilton Brito Silva, CPF 895.072.66372 e Francinilton Caetano Araújo, CPF 906.016.96387, nos valores de R$30.000,00, R$12.000,00 e R$12.000,00, respectivamente; v) descrita a função ou relação com a referida empresa no período fiscalizado; vi) apresentadas cópias de documentos referentes a lançamentos a débito (cheques emitidos, transferências efetuadas, etc) das contas bancárias, com valores superiores a R$ 5.000,00. Houve pedidos de prorrogação de prazo para a apresentação de documentos (fls. 155/156). O interessado foi reintimado em 29/10/2010 (fls. 157/159). Conforme Termo de Início de Diligência de fl. 162, a empresa Clip Construtora Ltda, a fim de subsidiar a ação fiscal em andamento, foi intimada a apresentar Livro Caixa, com escrituração de toda a movimentação financeira, inclusive bancária, ou Livros Diário e Razão; Livro de Registro de Inventários; todos os Livros Registros de Entradas, Registros de Saídas e de Registro de Apuração de ICMS; cópia dos atos constitutivos da empresa e alterações posteriores; documentos de identificação do representante da empresa; ações judiciais versando sobre tributos internos federais nas quais figure como parte. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10315.001024/201076 Acórdão n.º 2202004.662 S2C2T2 Fl. 253 5 Em complementação, a referida empresa foi intimada a apresentar todas as notas fiscais de prestação de serviços no período de 2005 a 2007; cópia de todos os contratos firmados no período em referência e justificativa, com a devida comprovação, para a emissão dos cheques nominais e transferências bancárias para o interessado; bem como informar a participação ou relação do interessado com a empresa (fls. 164/165). A empresa foi reintimada (fls. 166/167). Foi encerrada parcialmente a autuação, tendo sido lavrado o auto de infração referente ao anocalendário de 2005 (fls. 168/169). Esclarece a autoridade autuante à fl. 173 que a ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte foi autorizada pelo MPF n° 03.1.02.200900447, e foi aberta em virtude da representação fiscal encaminhada através do MEMO 063/2009Escor03, juntamente com dados levantados no curso de investigação patrimonial autuada no processo n° 10380.006957/200851, conforme o teor da Portaria RFB n° 11.311, de 27/11/2007, abrangendo o período de 01/01/2004 à 31/12/2007. Acrescentou a fiscalização que, a fim de evitar a decadência do direito da Fazenda Pública lançar o crédito tributário, foi lavrado o presente Auto de Infração relativo ao anocalendário 2005 e efetuado o encerramento parcial da fiscalização cujos procedimentos relativos à 2006 e 2007 continuam em andamento, motivo pelo qual foram juntadas, no presente processo, apenas as cópias dos documentos produzidos até o presente momento. Procedeuse ao lançamento da infração concernente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no valor de R$ 311.512,24. (...) Cientificado do lançamento pela via postal em 08/12/2010 (AR à fl. 170), o interessado apresentou impugnação em 06/01/2011 (fls. 174/181) em que contesta parcialmente o lançamento aduzindo em síntese: (...) 2. Dos Fatos a autoridade fiscal competente valeuse de parte dos créditos efetuados nas três contas bancárias mantidas pelo interessado, durante o anocalendário de 2005; todavia há inconsistências na autuação; 3. Dos limites a serem considerados para efeito da presunção de renda Fl. 255DF CARF MF 6 devem ser excluídos da base de cálculo os valores de pequena monta, assim considerados os depósitos iguais ou inferiores a R$ 12.000,00, cujo somatório não supere o montante de R$ 80.000,00, a teor do inc. II, § 3º, art. 42 da Lei nº 9.430/96; considerando todos os valores inferiores a R$ 12.000,00, foram depositados apenas R$ 55.974,24 nas contas bancárias mantidas pelo interessado, conforme demonstrado a seguir: (...) 4. Indenização por danos materiais o crédito na conta corrente nº 003153211, Ag. 0032, da Caixa Econômica Federal, em fevereiro de 2005, cujo montante é bem maior do que os corriqueiramente lançados, referese à indenização por danos materiais; em novembro de 2004, houve um incêndio na Cooperativa Agrícola de Juazeiro do Norte, da qual o interessado era vice presidente, com prejuízos atinentes ao estoque, máquinas, móveis, computadores, indenizados através de seguro mantido junto ao Banco Industrial do Ceará; como parte do seu patrimônio pessoal (máquinas, estantes, computadores) havia sido cedido temporariamente à entidade e o interessado havia também promovido investimentos na manutenção do prédio, lhe foi paga a quantia de R$ 242.883,00 por todos os seus prejuízos, incluindose os danos ao prédio vizinho; como tais valores não têm a natureza de renda, mas de indenização reparatória por danos materiais sofridos, o valor correspondente não é tributável; são reproduzidas ementas relativas a jurisprudência administrativa e judicial. Em 27 de janeiro de 2014, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) deu parcial provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 198/199): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Deve ser mantida a matéria não contestada, atinente a parte da omissão de rendimentos oriunda dos depósitos de origem não comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10315.001024/201076 Acórdão n.º 2202004.662 S2C2T2 Fl. 254 7 não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA OMITIDA. CRÉDITOS DE VALOR IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. EXCLUSÃO. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos são analisados individualizadamente, observado que não são considerados, no caso de pessoa física, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. A mera identificação do depositante não é suficiente para comprovar a origem do depósito e afastar a presunção legal de omissão de rendimentos. A comprovação de origem que a lei exige deve ser suficiente para possibilitar a averiguação acerca do cumprimento de obrigações tributárias pelo beneficiário do depósito, submetendoo às normas de tributação específicas vigente à época em que auferidos os rendimentos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Cientificado em 02/02/2014 (AR fls. 212), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 215/241, no qual reitera as alegações já suscitadas quando da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINARES AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO SOBRE O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. Alega o Recorrente que o lançamento é nulo, pois a autoridade fiscal não possuía o MPF e não intimou o recorrente sobre a existência deste. Fl. 257DF CARF MF 8 Ao contrário do afirmado pelo Recorrente o lançamento em questão estava amparado pelo MPF nº 03.1.02.00.200900447 mencionado às fls. 10 de 12 dos Anexos ao Auto de Infração, bem como em todos os termos de intimação fiscal enviados quando do procedimento de fiscalização. Além disso, é importante registrar que, no âmbito deste Conselho, a posição predominante é a de que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária. Sendo assim, irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. Tal posicionamento fica claro pela leitura das duas decisões da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF abaixo transcritas. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado.(Acórdão nº 920201.637; sessão de 12/04/2010; Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva) VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.(Acórdão nº 920201.757; sessão de 27/09/2011; Relator Manoel Coelho Arruda Junior) Concordo com a interpretação adotada e, pela clareza com que aborda a questão, transcrevo abaixo o seguinte trecho do voto proferido no Acórdão nº 920201.637: A portaria da SRF n° 3.007, de 26 de novembro de 2001, revogada pela Portaria RFB n° 4.328, de 05.09.2005, que foi publicada no DOU 08.09.2005, trata do planejamento das atividades fiscais e estabelece rotinas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Por meio da norma antes referida se disciplinou a expedição do MPF — Mandado de Procedimento Fiscal que se constitui em elemento de controle da administração tributária. A eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando utilizado para obtenção de provas ilícitas, não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal, Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10315.001024/201076 Acórdão n.º 2202004.662 S2C2T2 Fl. 255 9 mormente quando foram emitidos MPF Complementares antes da lavratura do Auto de Infração. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte ,que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. Se ocorrerem problemas com a prorrogação do MPF estes não invalidam os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada à legitimidade do agente que o pratica, isto é, ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a prática do ato. Assim, legitimado o AFRF para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há o que se falar em nulidade por falta do MPF que se constitui em instrumento de controle da Administração. Improcedente a preliminar suscitada. 2) MÉRITO 2.1) DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS. A Recorrente reitera a alegação de que o depósito de R$ 242.883,00 referese à indenização por danos materiais decorrentes de incêndio na Cooperativa Agrícola de Juazeiro do Norte, da qual o Recorrente era vicepresidente. Conforme observa a decisão recorrida, embora o contribuinte tenha comprovado a ocorrência do sinistro, não comprovou o valor exato do seguro recebido pela Cooperativa, bem como o valor e a relação do Contribuinte com o sinistro. É o que se verifica pela passagem abaixo transcrita: Contudo, além de não ter sido comprovado o exato valor do seguro recebido pela Cooperativa, pois no termo de fl. 187 há menção ao valor de R$ 855.892,81 e a observação de que “o presente termo não implica, por parte da Seguradora, na obrigação do pagamento pelo sinistro reclamado, a qual fica sujeita as Condições Contratuais que regem o seguro”; não foi demonstrado se os depósitos feitos na conta corrente da referida empresa no mês de fevereiro de 2005(fl. 188) referemse a este pagamento. Nesse contexto, apesar da coincidência de datas e valores entre os cheques compensados (R$ 125.716,00 e R$ 89.694,00) na contacorrente da Cooperativa (fl. 189) e os depósitos feitos na Fl. 259DF CARF MF 10 mesma data (01/02/2005) na conta corrente do interessado (fl. 28), impõe registrar que não foi comprovada a relação do interessado com o sinistro, muito menos a correlata indicação de que fazia jus à reparação e o montante exato. A mera identificação do depositante não é capaz de revelar a natureza tributária dos valores. Tal informação, conforme visto, é indispensável para que se verifique o correto cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte e aplicação do disposto no § 2.º do art. 42 da Lei n.º 9.430/96. A comprovação de origem que a lei exige deve ser suficiente para possibilitar a averiguação acerca do cumprimento de obrigações tributárias pelo beneficiário do depósito, submetendoo às normas de tributação específicas vigentes à época em que auferidos os rendimentos. Insta registrar, ainda, que, quanto ao crédito de R$ 21.888,00, feito em 16/02/2005, na conta corrente nº 003153211, Ag. 0032 da Caixa Econômica Federal (fl. 28), o interessado não logrou identificar o depositante. Então, como não foi satisfatoriamente demonstrado, sem margem a dúvidas, o liame entre o pagamento de seguro pelo sinistro ocorrido na Cooperativa Agrícola de Juazeiro do Norte e os créditos no valor de R$ 215.410,00 na conta corrente do interessado, nem identificado o depositante do crédito no valor de R$ 21.888,00, impõese manter o lançamento correspondente. 2.2) USO DA CONTA BANCÁRIA POR TERCEIROS. CRÉDITOS ORIUNDOS DE RECEITA DE PESSOA JURÍDICA DA QUAL FOI SÓCIO O RECORRENTE Alega o Recorrente que grande parte dos depósitos bancários eram provenientes de receitas de pessoa jurídica da qual era sócio, conforme comprovado pelas notas fiscais e cheques juntados aos autos. Todavia, a simples juntadas de cheques e notas fiscais sem a precisa correlação destes com os depósitos efetuados não permite identificar a origem dos depósitos e a utilização da conta por terceiros. Ademais, conforme disposto da súmula CARF nº 32: "a titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." 2.3) DA ILEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO EFETUADO APENAS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS AUSÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL ART. 43 DO CTN Alega do Recorrente que a fiscalização não se comprovou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, o que só seria possível mediante a demonstração de sinais exteriores de riqueza ou do efetivo acréscimo patrimonial. É correta a afirmação do Recorrente no sentido de que o simples depósito em conta corrente não significa renda. No entanto, é pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10315.001024/201076 Acórdão n.º 2202004.662 S2C2T2 Fl. 256 11 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como destaca Ricardo Mariz de Oliveira1 as razões que justificam a aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes: a ocorrência do fato gerador é constatada a partir de fatos conhecidos e comprovadamente existentes; há correlação lógica entre o fato conhecido (índices de produção, consumo de materiais, sinais exteriores de riqueza, acréscimos patrimoniais, saldo credor de caixa) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador); o método de interpretação e aplicação da lei a partir da presunção é previsto e autorizado por lei, e não decorre apenas de suposição do agente lançador; a presunção não é absoluta, admitindo prova em contrário pelo contribuinte, característica implícita em toas as citadas hipóteses legais, quando não expressa; 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de Presunções no Direito Tributário. In Martins Ives Gandra da Silva (coord.). Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária e Editora Resenha Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299300 Fl. 261DF CARF MF 12 tratase de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova da inocorrência do gerador, pela comprovação de outros fatos, também desconhecidos, mas hábeis a excluir a incidência tributária. (grifamos) A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. A legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 262DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.721477/2015-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada na não homologação de crédito objeto de pedido de restituição já indeferido, notadamente quando o contraditório restou assegurado.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ INDEFERIDO EM PEDIDO ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP.
É vedada a apresentação de DCOMP para compensar débitos com crédito objeto de pedido de restituição já indeferido pela Receita Federal, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, devendo o pleito ser considerado não homologado.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A apreciação de argumentos que implicam análise de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA.
Os débitos indevidamente compensados e não pagos nos prazos previstos na legislação específica estão sujeitos aos acréscimos moratórios (multa e juros de mora).
Numero da decisão: 1201-002.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada na não homologação de crédito objeto de pedido de restituição já indeferido, notadamente quando o contraditório restou assegurado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ INDEFERIDO EM PEDIDO ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. É vedada a apresentação de DCOMP para compensar débitos com crédito objeto de pedido de restituição já indeferido pela Receita Federal, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, devendo o pleito ser considerado não homologado. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos que implicam análise de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Os débitos indevidamente compensados e não pagos nos prazos previstos na legislação específica estão sujeitos aos acréscimos moratórios (multa e juros de mora).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10882.721477/2015-92
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5886172
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.204
nome_arquivo_s : Decisao_10882721477201592.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10882721477201592_5886172.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7373645
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585423413248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1842; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.721477/201592 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1201002.204 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de junho de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente ALMENAT EXTENSAO CORPORATIVA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada na não homologação de crédito objeto de pedido de restituição já indeferido, notadamente quando o contraditório restou assegurado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ INDEFERIDO EM PEDIDO ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. É vedada a apresentação de DCOMP para compensar débitos com crédito objeto de pedido de restituição já indeferido pela Receita Federal, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, devendo o pleito ser considerado não homologado. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos que implicam análise de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Os débitos indevidamente compensados e não pagos nos prazos previstos na legislação específica estão sujeitos aos acréscimos moratórios (multa e juros de mora). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 14 77 /2 01 5- 92 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10882.721477/201592 Acórdão n.º 1201002.204 S1C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Despacho Decisório que não homologou o crédito de estimativa pleiteado pelo contribuinte, sob o fundamento de que ele já teria sido objeto de indeferimento em outro processo administrativo. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: houve cerceamento de defesa e nulidade do Despacho Decisório por falta de informação quanto ao alegado fato para a não homologação das compensações. Ressalta que a Instrução Normativa citada IN nº 1.300/2012 não estava vigente à época dos fatos e também contesta a citação genérica do art. 74 da Lei nº 9.430/1996; a partir da revogação do art. 10 da Instrução Normativa RFB nº 600/2005, que restringia a compensação da estimativa a apuração do saldo negativo, o Despacho Decisório negando a restituição/compensação do valor pago a maior por estimativa passou a condição de improcedente ou equivocado, legitimando o crédito; o art. 10 da IN RFB nº 600/2005 é ilegal, destacando que a Receita Federal não pode se utilizar de mera Instrução Normativa para restringir a recuperação de créditos. Requer a aplicação retroativa do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 vigente à época de 2010, que permite a restituição de valores de estimativas pagos indevidamente ou a maior; deixou de apresentar defesa administrativa contra o primeiro Despacho Decisório e optou pelo pagamento dos débitos. Assim, quando realizou os pagamentos constante da PER/DCOMP não homologada, o crédito existente, e sem vedação na legislação, sem dúvida voltou a existir; Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10882.721477/201592 Acórdão n.º 1201002.204 S1C2T1 Fl. 4 3 o art. 74 da Lei nº 9.430/1996 veda que débitos não homologados sejam passíveis de compensação, porém no presente caso os débitos foram quitados. Assim, conclui que não há qualquer impedimento legal para solicitar o crédito de pagamento indevido ou a maior novamente; a liquidez do crédito oriundo de pagamento a maior restou evidenciada; é indevida a exigência de Multa e Juros no atraso dos débitos compensados em DCOMP. A DRJ, por maioria de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O contribuinte interpôs recurso voluntário. Repisa os argumentos de defesa e pede que seu direito creditório seja reconhecido. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.196, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10882.721445/2015 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.196): O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo a apreciálo. Primeiramente, cabe rejeitar a alegação de nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa. Isso porque, apesar de parecer bastante sucinto o Parecer que embasa o despacho decisório, ele deixa claro o motivo e o fundamento legal para o indeferimento da DCOMP, tendo sido oferecido à impugnante o pleno exercício do direito de defesa e contraditório. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10882.721477/201592 Acórdão n.º 1201002.204 S1C2T1 Fl. 5 4 Na impugnação e recurso voluntário, aliás, a contribuinte demonstra que compreendeu os fatos e os motivos que levaram aos indeferimentos dos pleitos. Apenas para recapitular, a Recorrente teve sua Declaração de Compensação não homologada em face do inciso VI do § 3o do art. 74 da Lei nº 9.340/1996, verbis: "Artigo 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o [...] VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa." Nesse contexto, a autoridade fiscal responsável pela análise do direito creditório se certificou, e comprovou, que o crédito já havia sido objeto de indeferimento em outro pedido, fato este que, como determina a lei, enseja a não homologação da "nova" DCOMP que indicou saldo credor indeferido anteriormente. Além disso, parece que o contribuinte ainda pretende um efeito repristinatório da norma de estimativa, o que não se sustenta. A autoridade fiscal, portanto, ao não homologar a DCOMP em tela, nada mais fez do que cumprir a lei, e não mera IN, não merecendo nenhum reparo o procedimento adotado. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente entende violados, cumpre frisar que este Conselho não possui poderes para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula CARF nº 2. Falece ao presente julgador, contudo, competência para analisar os argumentos de cunho constitucional invocados. Finalmente, e tendo em vista a não homologadas das compensações, os débitos indevidamente compensados passam a se sujeitar aos acréscimos moratórios como decorrência lógica. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10882.721477/201592 Acórdão n.º 1201002.204 S1C2T1 Fl. 6 5 Débitos vencidos, mas não liquidados no prazo legal, estão sujeitos à multa e juros. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 277DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15754.000247/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2006
EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE.
Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõe-se que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitir-se que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica, seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza.
Numero da decisão: 1401-002.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2006 EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõe-se que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitir-se que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica, seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15754.000247/2009-27
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5888349
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.501
nome_arquivo_s : Decisao_15754000247200927.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
nome_arquivo_pdf_s : 15754000247200927_5888349.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
dt_sessao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7382720
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585468502016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1642; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 117 1 116 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15754.000247/200927 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.501 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2018 Matéria Simples Ato Declaratório de Exclusão Recorrente HELOISA CARLA AYRES CANGA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006 EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica, seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 4. 00 02 47 /2 00 9- 27 Fl. 119DF CARF MF 2 Letícia Domingues Costa Braga Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ em que o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra Ato Declaratório Executivo n.º 35, de 11 de dezembro de 2009, que excluiu a contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, a partir de 01 de janeiro de 2007, por ausência da comunicação obrigatória ao ultrapassar, no anocalendário de 2006, os limites de receita bruta, para permanecer no Simples. A Contribuinte tomou ciência do ADE em 18/12/2009 e apresentou sua manifestação de inconformidade aduzindo os seguintes argumentos: 01) Preliminar de desobediência ao princípio da publicidade Argumenta a Contribuinte que não encontrou cópia do ato publicado na imprensa oficial. 02) Da preliminar de violação à regra de irretroatividade do ato administrativo O Ato Declaratório Executivo 35, de 11/12/2009, que o fisco aplicou à contribuinte em 2009 a penalidade de exclusão do simples a partir de 1/1/2007, produziu efeitos em momento anterior a sua existência jurídica. Entretanto, a imposição de penalidade, inclusive em matéria tributária, não alcança o tempo histórico do passado porque deve ter sua eficácia a partir de sua vigência, de sua publicação, ou melhor, a partir do instante atual com projeção para o futuro. Se se admite que o ato declaratório vige desde 11/12/2009, não pode ter eficácia ou efeito em data anterior à sua existência ou em data anterior à da entrada em vigor, sob pena de violar o direito adquirido, enfim, a segurança jurídica na relação entre o fisco e o contribuinte. 03) Da violação de direitos assegurados à contribuinte Quando instaurou o processo administrativo fiscal 15754 000247/200927, a autoridade administrativa deveria imediatamente abrir o prazo para que a contribuinte pudesse exercer a defesa e o contraditório. Apenas ao termino do processo será possível ou não a exclusão da contribuinte, ou seja, será possível ou não a edição do ato. E não antes, como fez a Fl. 120DF CARF MF Processo nº 15754.000247/200927 Acórdão n.º 1401002.501 S1C4T1 Fl. 118 3 administração tributária. O agir da administração corresponde, grosso modo, a aplicar a penalidade ao acusado antes que o mesmo possa se defender 04) Da violação do direito adquirido A empresa desde sua formação obteve o direito de exercer suas atividades em regime tributário diferenciado. O fisco não pode excluíla desta relação jurídica, de direito adquirido e, portanto, não pode negar o direito ao exercício de atividade econômica ou profissional. 05) Da aplicação de penalidade à períodos sem fiscalização O processo originouse dos autos do processo administrativo fiscal 1578.000487/200991 de exigência de crédito do período 01/01/2006 a 31/12/206, enquanto o ADE foi excluída a partir de 2007, período não fiscalizado. Não se pode dizer que a receita bruta ultrapassou o limite legal neste período. 06) Da inexistência de Auto de Infração A contribuinte não tem conhecimento da existência de auto de infração à legislação tributária porque o fisco não intimou/notificou a parte, que sequer teve acesso ao processo. Antes que a autoridade administrativa aplicasse a penalidade por suposta infração à legislação tributária, não deveria lavrar o auto de infração? 07) Da aplicação da teoria dos motivos determinantes A autoridade fiscal que lavrou os autos de infração e encerrou a fiscalização de IRPJ no processo 15758.000487/200991 é a mesma que, em seguida representou a contribuinte para exclusão do simples, ato contínuo, a autoridade administrativa editou o ADE 35. Tratase da aplicação da teoria dos motivos determinantes: se verificada a improcedência do motivo – receita bruta superior ao limite legal, o ADE deverá desaparecer. Assim sendo, é necessário aguardar o encerramento do processo principal para da impulsão de ofício ao processo acessório, nos termo do art 2º , parágrafo único e inciso XII da Lei 9784/1999. Portanto, precipitouse o fisco ao instaurar o presente processo administrativo de exclusão do Simples, razão pela qual deve ser sobrestado o processo. 08) Da Decisão da DRJ A decisão da DRJ com relação à manifestação de inconformidade, restou assim ementada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES AUSÊNCIA DA COMUNICAÇÃO OBRIGATÓRIA AO ULTRAPASSAR OS LIMITES DA RECEITA BRUTA PARA PERMANECER NO SIMPLES. Fl. 121DF CARF MF 4 Confirmado através de Autos de Infração que o contribuinte ultrapassou o limite de receita bruta em 2006 para permanecer no Simples, constatase a procedência da exclusão processada pelo ADE. Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio Do Recurso Voluntário Na interposição do recurso Voluntário a recorrente argumenta basicamente dois pontos, já delimitados previamente no relatório acima: a) desobediência ao princípio da publicidade; b) violação à regra da irretroatividade do ato administrativo. Requereu a improcedência do ADE. É o relatório. Voto Conselheiro Letícia Domingues Costa Braga Relatora Conheço do recurso, por tempestivo. Trata o presente processo de Exclusão do Simples Nacional, em conjunto com Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos (CSLL, PIS, COFINS e INSS). O contribuinte, apresentou manifestação de inconformidade contra a sua exclusão do Simples Nacional, tendo rejeita as razões da Manifestação de Inconformidade, apresentou o contribuinte esse Recurso Voluntário. O Ato Declaratório Executivo nº 35, de 11 de dezembro de 2009 foi lavrado em decorrência de a empresa ter ultrapassado no anocalendário de 2006 os limites da Receita bruta para permanecer no simples. A constatação foi feita pelo Auditor que lavrou os Autos de Infração processo administrativo 15758.000487/200991. Com relação à alegada desobediência ao princípio da publicidade, não há necessidade de publicação do Ato de exclusão do Simples pois não existe na Lei que rege o Simples e nem no Decreto 70235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, previsão de publicação do Ato Executivo de Exclusão do Simples. Notase que a Interessada recebeu o ADE e teve prazo para apresentar Manifestação de Inconformidade, Manifestação esta devidamente apreciada pela DRJ. Notase também que o efeito atribuído ao ADE, ora em julgamento está em consonância com as disposições da Lei 9317/97, sendo que não existe previsão para lavratura de auto de infração à legislação tributária para as empresas excluídas do Simples. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 15754.000247/200927 Acórdão n.º 1401002.501 S1C4T1 Fl. 119 5 Assim, notase que a emissão do ADE respeitou as regras do Processo Administrativo Fiscal, e, por tudo que foi exposto acima concluise que não é possível acatar os requerimentos de nulidade e ou improcedência do ADE apresentados pela Interessada. Importante destacar que o Art. 16 da Lei 9317/96 determina que “a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas”. Com relação ao alegado direito adquirido, o simples é uma opção de tributação diferenciada e, tem juntamente com essa opção, algumas obrigações que devem ser cumpridas sob pena de exclusão dessa opção. Não há qualquer direito adquirido em se manter nesse tipo de tributação. O que há, na verdade é uma opção que tem condicionantes para a sua manutenção. Tendo o recorrente desobedecido as condicionantes, a sua exclusão se opera, inclusive com efeitos retroativos, como foi o caso. Assim, o momento da exclusão e o direito à manutenção da opção pelo SIMPLES depende do constante cumprimento pela pessoa jurídica dos requisitos fixados em lei. Por outro lado, tendo o contribuinte ultrapassado os limites da Receita Bruta no ano de 2006, por si só, produziria os efeitos impeditivos para a continuidade no SIMPLES. O ato administrativo que formalizou a exclusão do Simples, tem como função a declaração das infrações cometidas e o termo inicial da exclusão. Tal questão encontrase devidamente pacificada pelo STJ em recurso repetitivo: TEMA 341 DO STJ EMENTA 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão.[...] 3. No caso concreto, foi vedada a permanência da recorrida no SIMPLES ao fundamento de que um de seus sócios é titular de outra empresa, com mais de 10% de participação, cuja receita bruta global ultrapassou o limite legal no anocalendário de 2002 (hipótese prevista no artigo 9º, inciso IX, da Lei 9.317/96), tendo o Ato Declaratório Executivo n. 505.126, de 2/4/2004, da Secretaria da Receita Federal, produzido efeitos a partir de 1º/1/2003. 4. Em se tratando de ato que impede a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES em decorrência da superveniência de situação impeditiva prevista no artigo 9º, incisos III a XIV e XVII a XIX, da Lei 9.317/96, seus efeitos são produzidos a partir do mês subsequente à data da ocorrência da circunstância excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da mesma lei. Precedentes. Fl. 123DF CARF MF 6 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque em nosso ordenamento jurídico não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. (REsp 1124507 MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/04/2010, DJe 06/05/2010) Com relação à teoria dos motivos determinantes, aqueles autos da Autuação serão necessariamente julgados antes desses. Assim, não resta qualquer razão à recorrente. Pelo acima exposto, julgo por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples Nacional. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
